eBooks brasileiros ganham selo de excelência

Desde o ano passado, o Publishing Innovation Awards [algo como prêmio de inovação editorial], organizado pela conferência Digital Book World, reconhece “conteúdo digital de excelência que enriquece e encanta leitores”. Em outras palavras, a iniciativa premia e-books, aplicativos de livros e projetos que unem várias mídias em 14 diferentes categorias. Para que concorram a esse prêmio, as publicações passam por uma análise de um júri especializado que analisa 13 pontos sobre a qualidade do design do e-book e a facilidade com que ele é lido em diferentes plataformas. Os projetos que passam por esse filtro depois recebem um selo chamado QED – Quality, Excellence, Design [qualidade, excelência, design]. Na edição deste ano, 85 e-books e afins receberam o selo, entre eles dois criados por empresas brasileiras: O pensamento político de Thomas Hobbes, e-book escrito por Paulo Henrique Faria Nunes e publicado pela Simplíssimo; e o Guia de aves da Mata Atlântica paulista, da WWF Brasil com a Fundação Florestal do Estado de São Paulo, feito pela Pagelab. A lista completa dos livros, que inclui projetos de algumas das maiores editoras do mundo, você confere aqui [em inglês].

Por Roberta Campassi | PublishNews | 27/01/2012

Só em eBook

A Intrínseca, que em dezembro começou a publicar e-books, experimenta agora lançar um título exclusivamente em formato digital. Os arquivos perdidos: os legados da Número Seis [Intrínseca, 80 pp. R$ 4,99 – Trad. Débora Isidoro], de Pittacus Lore, chegará aos pontos de venda na segunda-feira como um e-book que complementa a série de ficção científica Os legados de Lorien. Os primeiros dois títulos da série — Eu sou o Número Quatro O poder dos Seis — venderam 60 mil exemplares no Brasil e 1,1 milhão de cópias nos Estados Unidos, segundo a editora. O lançamento nacional do terceiro volume, The rise of Nine [ainda sem título em português], está previsto para o segundo semestre de 2012.

PublishNews | 27/01/2012

Portal de rádio cria espaço para literatura

A rádio Fast 89fm abriu espaço em seu portal para falar sobre literatura para jovens. Batizado de ContraCapa89, o site traz notícias sobre autores, informações sobre lançamentos, resenhas e outras seções populares, como “Lendo no Metrô”, onde pessoas comuns indicam quais obras leem durante o percurso nos trens, e a seção de entrevistas com famosos que falam sobre seus livros preferidos – esta teve em média 13 mil acessos no mês, segundo a jornalista Karina Andrade, idealizadora do ContraCapa89.

Segundo Karina, a ideia de criar um espaço para a literatura veio da percepção de que o rádio ainda explora pouco esse tema, tão caro ao público jovem. “Percebi que os eventos sobre literatura estavam sempre lotados, com forte participação dos jovens. Também era um tema recorrente nos blogs e redes sociais da garotada”, diz.

Um dos desafios é saber quais livros são os preferidos do público. Por isso, a jornalista fez parcerias com alguns jovens, que indicam – por resenhas em blogs – quais são os títulos do momento. Com essas informações, ela desenvolve as seções e o conteúdo do site.

Livros best-sellers e aqueles preferidos do momento, que são comentados pela garotada nas redes sociais e em blogs, são assuntos sempre badalados no portal. Grandes lançamentos têm mais audiência – por exemplo o livro Elixir, da cantora pop Hilary Duffy, que teve cerca de 1.500 acessos no site.

Segundo informou Karina, resenhas e promoções são os temas que mais fazem sucesso. As promoções têm em média de 700 a 1.200 inscritos; já as resenhas, dependendo do livro, possuem de 600 a 1.200 visualizações mensais. As divulgações são feitas por meio das redes sociais e pela própria rádio 89.

De acordo com Karina, as promoções que mais fazem sucesso nas redes sociais são de kits de livros. Já alcançaram o número de 700 compartilhamentos em apenas duas horas na página do Facebook, com os livros Não sou esse tipo de garotaO céu está em todo o lugar e Roubada.

O site possui parceria com várias editoras do país para divulgar informações e conteúdo, como Intrínseca, Moderna, Record, Novo Século, Novo Conceito e Rocco, entre outras.

Por Flávia Leal | PublishNews | 27/01/2012

Livrus prepara eBook em HTML5

iTunes U

O iTunes U é um poderoso sistema de distribuição para tudo – de palestras a aulas de idiomas, filmes, laboratórios, audiolivros, passeios e visitas – um jeito realmente inovador de fazer conteúdo didático chegar às mãos dos alunos.

O iTunes U traz o poder da iTunes Store para a área da educação, facilitando o compartilhamento de informações entre os alunos, professores e todos interessados em aprender em todo o mundo. No site do iTunes U sua instituição conta com uma central para todo o conteúdo digital que você criou ou do qual você é o curador, conteúdo fácil de baixar e ouvir em qualquer Mac, PC, iPod ou iPhone.

Publique um ‘Livrus’

Publique um 'Livrus'

HTML5 entra em cena

Por Ednei Procópio

Aqui, na Livrus Negocios Editoriais, nós estamos avançando com o desenvolvimento do nosso sistema de publicação de livros, baseado na tecnologia HTML5.

Além da utilização desta tenologia para potencializar as possibilidades dos livros digitais, o nosso sistema também possibilitará a criação de páginas especiais para os autores [tanto para divulgação dos seus trabalhos, quanto para a publicação de suas obras].

Um fantasma, porém, parece ainda assombrar as nossas ideias, todas às vezes que demonstramos o nosso sistema para alguns escritores: a pirataria.

Ocorre que a pirataria é presente sempre quando um determinado produto digital esbarra nas questões de acesso, preço, disponibilidade, entre outras questões dentro e fora do ambiente virtual.

Resolvi fazer uma lista das vantagens da tecnologia HTML5 sobre a temerosa questão da pirataria, começando pela última.

PIRATARIA

  • Não permite o repasse dos valores dos direitos autorais para os autores;
  • Impossível rastrear, mapear e policiar por conta da velocidade das ações dispersas através da internet;
  • Baixa qualidade editorial;
  • Sem ética para com os autores;
  • Quebra toda e qualquer barreira imposta pela indústria cultural e de tecnologia da informação;
  • A pirataria existe independe do formato do arquivo do livro;
  • A pirataria persiste apesar de todo e qualquer sistema de proteção.

HTML5

  • Nenhum formato é tão rico e universal quanto o HTML5;
  • O uso do formato HTML5 para livros digitais permite a inserção e posterior acesso a textos, sons, imagens e vídeos independente de hardware;
  • Permite a integração direta com sistemas de e-commerce, mobile-commerce e social commerce.
  • Permite links internos [para outras partes dentro do próprio livro] e links externos [para todo e qualquer conteúdo relacionado].
  • Permite a inserção de keywords e metadados do livro;
  • Permite a busca completa dentro do livro;
  • Permite a ativação da acessibilidade total dentro da ética;
  • Permite um design mais rico uma vez que não está preso a nenhum software, aplicativo ou reader específico e proprietário;
  • Permite o reflow do texto do livro em qualquer tamanho ou tipo de tela de leitura, desde as pequenas telas dos celulares ou smartphones, passando pelas telas dos tablets ou ultrabooks, até as gigantes telas de televisores;
  • Permite a usabilidade, a interoperabilidade e a portabilidade em diversos ambientes;
  • Abre em qualquer navegador validado pela World Wide Web Consortium [W3C];
  • Permite um baixo custo de conversão para outros formatos. A partir do formato HTML5 é possível converter facilmente livros para outros formatos como PS [Post-script], PDF/X, ePub3, RTF, TXT, Daisy, XML e até mesmo outros formatos mais proprietários como o MOBI;
  • Formato universal baseado em padrão convergente;
  • Fácil de ser encontrado, acessado e lido;
  • Permite a impressão do livro;

A tecnologia HTML5 representa o formato mais convergente do mercado no passado, no presente e no futuro. Além das possibilidades anteriormente apresentadas, o HTML5 também potencializa o uso de recursos gráficos através de imagens nos formatos GIF, JPEG e PNG. A tecnologia habilita a reprodução de som e vídeo em diversos formatos sem a obrigação de um player previamente instalado. Ideal para livros didáticos.

O HTML5 fortalece aplicativos baseados nas plataformas móveis [notebooks, netbooks, ultrabooks, tablets, smartphones, etc.] e outros hardwares menos convencionais para a leitura de livros digitais como por exemplo aparelhos portáveis dedicado a jogos como o Sony PSP, Nintendo 3DS ou Wii U.

O primeiro livro digital que a Livrus Negócios Editoriais irá lançar utilizando a tecnologia HTML5 será “O Jogo dos Papeletes Coloridos“, do autor Paulo Santoro. O livro já está pronto e na fase de integração com o nosso social-commerce.

Pretendemos colocar o sistema no mercado, à disposição dos autores, ainda no primeiro semestre de 2012, antes de maio, quando ocorrerá a terceira edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital, trazendo as novidades que estarão pipocando ainda mais neste segmento.

O nosso objetivo, além de derrubar as atuais barreiras de incompatibilidade impostas, tanto pelas atuais tecnologias proprietárias quanto pelas plataformas já presentes no mercado, é mostrar como é possível desenvolver um verdadeiro sistema de publicação de livros digitais respeitando os Direitos Autorais através de um eficiente Gerenciamento Digital de Copyright.

Por Ednei Procópio

Grandes empresas lançam aplicativos em HTML5

Na semana passada, a loja on-line Amazon, o serviço de música Grooveshark e a revista “The Economist” lançaram aplicativos para tablets e smartphones em HTML5, a nova versão da linguagem usada na construção de páginas da web.

Por esse caminho, mesmo com motivações diferentes, as três empresas almejam que seus programas funcionem da mesma forma em sistemas diferentes, tenham atualizações mais rápidas e evitem o processo de aprovação e as taxas cobradas pelas lojas virtuais de aplicativos.

Diferentemente dos programas nativos para Android e iOS, por exemplo, que precisam ser baixados e atualizados por meio das lojas virtuais do Google e da Apple, os web apps em HTML5 são acessados por meio do navegador, sem intermediários.

Para evitar a taxa de 30% cobrada pela Apple sobre conteúdo vendido na App Store, a Amazon inaugurou uma versão em HTML5 para iPad de sua loja de livros eletrônicos Kindle Store.

A “Economist”, que lançou o Electionism, app em HTML5 sobre as eleições presidenciais dos EUA, diz que a iniciativa não é um levante contra as lojas de aplicativos.

Não deixamos os apps nativos“, disse ao “Guardian” Ron Diorio, vice-presidente de desenvolvimento de negócios e inovação da “Economist” on-line. “O Electionism é só mais uma chance para explorarmos o que temos observado: que o uso de browsers em tablets é muito alto.

EM FINALIZAÇÃO

Embora uma das promessas do HTML5 seja a flexibilidade – com aplicativos funcionando da mesma forma em todos os navegadores, tanto de computadores tradicionais quanto de tablets ou celulares-, ainda há problemas de compatibilidade.

O novo app do Grooveshark, por exemplo, funciona no iOS e no Android, mas não no Windows Phone 7.

Isso ocorre porque a definição dos padrões do HTML5 está em fase de finalização – por isso, nem todos os navegadores implementaram a tecnologia de forma completa, explica Carlos Cecconi, analista de projetos do W3C [World Wide Web Consortium], consórcio que discute e desenvolve os padrões para as linguagens da web.

Ainda que neste momento haja esses problemas, há de fato um grande consenso da indústria em torno da definição da versão 5 do padrão HTML“, afirma o analista.

Isso significa que desenvolvedores de HTML não terão de fazer versões diferentes de uma aplicação para o browser A, B ou C. O mesmo código funcionará em todos.

FORA DA APP STORE

Um dos pioneiros na adoção da tecnologia foi o “Financial Times”, que em junho de 2011 tirou seu aplicativo da App Store em prol de uma versão em HTML5, que já chegou a 1 milhão de usuários.

Em dezembro, a Folha foi o primeiro grande jornal brasileiro a lançar um aplicativo para tablets e celulares em HTML5, que unifica a experiência do leitor em aparelhos diferentes.

POR RAFAEL CAPANEMA, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha.com | TEC | 25/01/2012 – 07h51

CURSO | O Livro como Mídia Digital

Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Posse de tablets ou leitores digitais cresce nos EUA

O número de norte-americanos que possuem tablet ou leitor digital quase dobrou no período de fim de ano, com Kindles, Nooks e iPads provando ser presentes populares, aponta um novo estudo.

No início de janeiro, 19% dos norte-americanos entrevistados pela Pew tinham um leitor digital, acima dos 10% de dezembro, com resultados idênticos para tablets, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira pela Pew Internet and American Life Project.

Kindle Fire, tablet da Amazon

Como o resultado, o percentual de americanos que possuem pelo menos um aparelho de leitura digital cresceu para 29% em janeiro, contra 18% em dezembro, de acordo com a pesquisa.

A Amazon e a Barnes e Noble introduziram, cada um, novos tablets e versões mais baratas do seus aparelhos Kindle e Nook, respectivamente, antes das férias, enquanto o iPad da Apple continua a ser popular.

O relatório também descobriu que homens e mulheres estão igualmente propensos a comprar um dispositivo, mas a aquisição era mais provável entre pessoas com mais alta escolaridade e alta renda.

Os dados vêm de várias entrevistas conduzidas pela Pew. A primeira, antes do Natal, que ouviu 2.986 americanos com mais de 16 anos, foi realizada em novembro e dezembro enquanto a segunda e terceira foram feitas com cerca de 2 mil adultos em janeiro.

DA REUTERS | 23/01/2012 – 15h03

Papyre | Grammata

O livro enquanto negócio digital

Por Ednei Procópio

Para que os novos negócios de dezenas de startups se amplifiquem e se consolidem no mercado de livros digitais, é preciso que os seus empreendedores conheçam muito bem e também compreendam o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros são hoje registrados, armazenados e transmitidos.

Com o advento da Internet, o modo como registramos, armazenamos e compartilhamos conteúdo se alterou profundamente. E este novo cenário é bem diferente daquele antigo modo de publicar e de vender livros.

O REGISTRO

Há algum tempo, as informações, os dados, enfim, o conteúdo dos livros eram gravados e mantidos armazenados em disquetes, hard disks, CD´s, DVD´s e pendrives. Enfim, em qualquer um dos casos havia a necessidade de um hardware local de armazenamento dos registros criados.

Hoje, para o registro de dados que servirão para a produção dos livros, há aplicativos que vão desde softwares de processamento de texto até softwares de autoria e design como espaços de armezenamento sincronizados.

Softwares de processamento de texto como o Microsoft Word, da família, ou pacote, Office hoje podem ser utilizados diretamente através da Internet sem a necessidade da instalação em hardwares locais. E há os processadores de textos gratuitos como o Open Office. Aplicativos de autoria e design, como o iBooks Author, da Apple, quase que praticamente substituem softwares locais como o Adobe Indesign na produção dos livros.

O ARMAZENAMENTO

Enquanto ontem fora utilizado HD´s presentes em computadores locais, hoje o modo de armazenamento está se transformando também. O conteúdo é armazenado no que a indústria da informação chama de ‘nuvem’. Serviços como DropBox são usados no armazenamento de informações que podem transformar-se em conteúdo e conhecimento.

Enquanto que ontem utilizávamos os suportes ou hardwares menos portáteis como o rolo, o papiro, o codex, o papel, além da tentativa de transmissão através de outros hardwares dito mais modernos como os disquetes, hard disks, CD´s, DVD´s e pendrives; hoje se faz desnecessário a utilização local destes artefatos.

Este novo modo de armazenamento de informações, dados e conteúdo são chamados de ‘Software as a Service‘, ou SOFTWARE COMO SERVIÇO. Ou seja, antes o hardware era local e já vinha com um software de sincronização de dados. Hoje, o software de sincronização é online e o armazenamento é remoto.

A TRANSMISSÃO

As informações, os dados, enfim, o conteúdo dos livros sempre necessitarão de conexão para que possam ser transmitidos desde o seus emissores até os seus destinatários.

Não importa se esta conexão para a transmissão se dê através de uma conexão discada, banda larga, redes 3G ou 4G, algum tipo de tecnologia RFID [como NFC] ou redes wireless.

Embora a criação, o registro, o armazenamento e a transmissão dos livros não necessitem mais de soluções locais, o recebimento e a leitura das obras necessitam obrigatoriamente de um suporte ou de um hardware. Não importa se este hardware de recebimento seja um smartphone, um ultrabook, um tablet ou folhas impressas de papel.

O LIVRO COMO MÍDIA DIGITAL

Se pudéssemos fazer uma analogia, antes, para a escrita e registro dos textos originais dos livros era utilizada a máquina de escrever e, mais tarde, um processador de texto em um computador pessoal. Com a diferença básica de que, quando se escrevia em uma máquina datilográfica o conteúdo ali registrado era impresso em tempo real conforme a manufatura de livros em prensas gutemberguianas; e nos computadores pessoais havia a necessidade de uma impressora acoplada. Hoje é usado um processador de dados online e um software de autoria e design que coloca o livro a disposição dos leitores ao toque de um clique.

Antes, para armazenarmos informação, dados e conteúdo, precisávamos de uma biblioteca física ou de um hard disk pesado e caro. Hoje, para podemos sincronizar e compartilhar conteúdo para livros só precisamos de uma conta no iTunes U ou em algum outro serviço similar na chamada nuvem.

Se o modo como compartilharmos informações, dados e conteúdo de livros mudou, a única realidade que efetivamente não se alterou, embora tenha se modernizado, é a questão da sua recepção e leitura.

Mesmo que todos os processos tenham se alterado significadamente, para que o leitor possa efetivamente fazer a leitura de um livro, ainda é necessário um suporte qualquer. Hoje em dia, o hardware utilizado para a leitura dos livros é escolhido pelo consumidor moderno conforme sua portabilidade, no caso do papel, e de sua possibilidade conexão e poder de armazenamento no caso de um suporte eletrônico.

De qualquer modo, enquanto as possibilidades que a tecnologia permite avançam, novos negócios de dezenas de startups podem se amplificar e se consolidar no mercado de livros digitais brasileiro, se os seus empreendedores compreenderem o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros são hoje registrados, armazenados e transmitidos.

Sem esta compreensão, digamos técnica, produtos e serviços serão definitivamente alçados ao fracasso pela velocidade atormentadora com que novidades na área são diariamente apresentadas e oferecidas.

Por Ednei Procópio

O futuro dos livros didáticos

Na quinta-feira, realizou-se a última promessa de Steve Jobs. A Apple entrou no mercado americano de livros didáticos. Associada às maiores editoras americanas, ela produzirá livros a US$ 14,99, uma verdadeira pechincha. No mesmo lance, lançou o aplicativo iBooks Author [grátis], que transforma qualquer autor num editor.

O Author turbinará o mercado de livros feitos em casa e vendidos na rede. Ele já existe, com resultados surpreendentes. Amanda Hocking, uma jovem de 26 anos movida a Red Bull que escreveu 17 livros nas horas vagas, submeteu-os a 50 editoras de papel e foi recusada por todos. Botou nove deles na rede, vendeu 1 milhão de cópias e embolsou US$ 2 milhões. O mais barato é grátis, o mais caro custa US$ 8,99. [Com seu viés açambarcador, a Apple quer que a freguesia só use o Author em Macs e que só comercialize os livros na sua loja.]

Já os e-books didáticos prenunciam uma revolução, com vídeos, áudios e imagens que mudam ao toque do freguês. Mais a possibilidade de criação de comunidades de jovens que estudam naquele volume.

Tudo isso por menos da metade do preço de um livro de papel.

Quem quiser ver o que vem por aí, pode baixar a versão para iPad ou iPhone de “Our Choice” ["Nossa Escolha - Um Plano para Resolver a Crise Climática"], de Al Gore, por US$ 4,99.

Essa revolução está na rua. Em vez de o governo pensar num modelo Kodak, comprando 500 mil laptops ou tabuletas, derramando dinheiro da Viúva com ferragens numa rede onde faltam professores e cursos de qualificação, os ministérios da Educação e da Ciência poderiam planejar o futuro.

Em 2010, o MEC gastou R$ 855 milhões no bem-sucedido Programa Nacional do Livro Didático.

Desse ervanário, pelo menos R$ 700 milhões foram gastos com papel e impressão. Coisas como alfafa e cocheiros no tempo das carruagens. Os autores ficaram com algo mais de R$ 50 milhões.

Os dias das grandes editoras de livros didáticos penduradas em parques gráficos durarão o quanto duraram os estábulos no início do século passado.

Nos próximos anos, com a disseminação e o barateamento das tabuletas, as editoras, grandes ou pequenas, se diferenciarão pelo qualidade dos seus cérebros.

Se o governo for humilde na compra de ferragens, porém ambicioso no planejamento da capacitação de professores e de técnicos capazes de estimular e organizar autores, todo mundo ganha, sobretudo a Viúva.

Por Elio Gaspari | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | São Paulo, domingo, 22 de janeiro de 2012

As novidades da Apple

Companhia avança no mercado de didáticos e de autopublicação

A Apple anunciou novidades, ontem, para o mundo dos livros e da educação. A companhia americana lançou a segunda versão do aplicativo iBooks, que permite o uso de livros didáticos multimídia no iPad, de olho no aumento do uso de tablets para ensino.

A empresa também deu um passo importante para disputar o segmento autopublicação ao anunciar o iBooks Author, um app com o qual autores podem criar seus próprios e-books e colocá-los à venda na iBookstore, de forma independente.

Por fim, a Apple anunciou um novo iTunes U, que permite a educadores criar e distribuir cursos completos, com recursos de áudio e vídeo, entre outros.

O iBooks 2 foi anunciado em conjunto com uma primeira leva de e-books didáticos criados em parceria com Pearson, McGraw-Hill e Houghton Mifflin Harcourt, grandes grupos de publicações educacionais. A Apple disse que o aplicativo vai, em algum momento, incluir obras de todas as disciplinas para todos os níveis de ensino.

Os livros didáticos disponíveis para compra no iPad custarão US$ 14,99 ou menos, segundo a companhia, e oferecem diversos recursos, incluindo animação. Os estudantes também podem responder perguntas interativas sobre o conteúdo e usar o dedo para ressaltar parte dos textos.

Já o iBooks Author foi descrito como “a mais avançada, a mais poderosa e a mais divertida ferramenta para a autoria de e-books já criada”, de acordo com Phil Schiller, vice-presidente de marketing global da Apple.

O lançamento significa que a companhia passa a brigar de frente com serviços como o Kindle Direct Publishing, da Amazon, que permite que os autores publiquem seus e-books diretamente, sem o intermédio de uma editora. Segundo a Apple, o novo app permite criar um e-book atrativo, com diferentes recursos, a partir de um simples arquivo de Word. Embora o lançamento tenha sido associado ao segmento de obras educacionais, nada impede que seja usado por autores de qualquer tipo de livro.

Em entrevista ao site da The Bookseller, o agente literário Peter Cox observou que a Apple tornou mais fácil do que nunca produzir um “enhanced e-book”. “Eles [a Apple] eliminaram os obstáculos técnicos que existiam. Isso vai ter grandes implicações no crescente mercado de autopublicação – e não só nos livros didáticos.

Já a venda de livros educacionais no iPad por “14,99 ou menos” vai significar, para o agente, uma nova corrida por preços mais baixos, com impactos significativos para o mercado.

Para Gabriela Dias, gerente no Brasil de pesquisa e desenvolvimento de conteúdos digitais na Edições SM, grupo espanhol de publicações educacionais, os lançamentos da Apple abrem uma porta importante para a autopublicação, permitindo que mais autores e escolas que não usam sistemas de ensino desenvolvam e disponibilizem conteúdos próprios, a custos baixos. Por outro lado, o conteúdo serva apenas para o iPad, o que coloca a questão de quão relevante será a mudança proporcionada pela Apple. “Pelo menos no Brasil, o iPad alcança um público muito restrito, por ser muito caro. Ainda não há uma escola que faça uso massivo dele”, avalia.

Para Dias, as editoras brasileiras, que já vêm sendo pressionadas pelas escolas particulares e também pelo governo [veja a coluna escrita por ela no PublishNews], devem produzir conteúdo multiplataforma – podendo utilizar as ferramentas da Apple para produzir conteúdo para iPad, mas sem ficarem restritas a esse sistema. “A Apple sem dúvida está facilitando a produção de livros didáticos, mas ainda há barreiras para a inserção desse conteúdo na sala de aula”, diz.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 20/01/2012

Com vídeos e imagens 3D, novo aplicativo da Apple quer mais interatividade nos livros

Atualização do aplicativo iBooks pretende deixar leitura de livros digitais ''mais interativa''

A Apple apresentou nesta quinta-feira [19] uma nova versão de seu aplicativo para leitura de livros digitais, chamado iBooks 2. A novidade pretende tornar a leitura no iPad mais interativa, incluindo nesses títulos vídeos, modelos animados em 3D e possibilidade de ver imagens bastante detalhadas com o uso de zoom. Segundo Phil Schiller, vice-presidente sênior da empresa, os autores terão total liberdade para criar conteúdo interativo sem o intermédio de editoras. A novidade – também disponível em português – é gratuita e está disponível a partir desta quinta na App Store.

No iBooks 2, o usuário terá duas experiências diferentes de leitura, dependendo da posição em que usa o iPad. Na horizontal, há predominância de imagens, como vídeos e fotos. Quando rotacionado para a posição vertical [retrato], a visualização de textos é priorizada. O aplicativo também conta com uma espécie de glossário com o qual o leitor interage. Com um toque sobre uma palavra, é possível ver a definição completa daquele termo – não apenas a explicação do dicionário, mas também imagens e vídeos.

Há também uma ferramenta chamada My Notes, que inclui notas e comentários do leitor em trechos do livro. Basta selecionar o texto – que ficará na cor de uma caneta marca-texto [verde ou rosa] – e digitar alguma observação no teclado do iPad.

No iBooks 2, o usuário terá duas experiências diferentes de leitura, dependendo da posição em que usa o iPad. Na horizontal, há predominância de imagens. Na vertical, texto é o destaque

Na apresentação realizada em Nova York, o executivo fez uma comparação entre os livros e o iPad, tentando mostrar a vantagem do tablet sobre a mídia impressa. “Livros são portáteis, mas pesados. Não são duráveis, não são interativos, não dá para fazer buscas neles e não são atualizáveis. Mas eles mostram um conteúdo importante. O iPad, além de portátil é mais durável que papel, é interativo, atualizado, permite buscas.” “Acho que nunca houve um livro que tornasse tão fácil a tarefa de ser um bom aluno”, propagandeou.

Conteúdo

Um aplicativo chamado iBooks Author, para o sistema operacional Mac OS X, permitirá aos autores a criação de livros e conteúdos para a plataforma. O programa virá com uma série de modelos prontos que podem ser utilizados para a criação de livros. O programa suporta textos digitados no Microsoft Word e, automaticamente, cria seções e parágrafos. A inserção de imagens poderá ser feita por um simples movimento de arrastar e soltar uma foto sobre a região desejada.

O iBooks Author terá ainda integração com o Keynote, aplicativo de apresentações da Apple. Será possível arrastar um arquivo do Keynote e a apresentação vira um ícone interativo [ou widget] dentro do conteúdo criado – com isso, um livro poderá incluir uma apresentação, por exemplo.

Durante o anúncio, Schiller também divulgou uma parceria com editoras de livros educacionais. Por uma quantia de até US$ 15, os estudantes poderão comprar livros de editoras como Pearson, McGrawHill, Houghton Mifflin Harcourt, entre outras. A vantagem desse tipo de negócio, informou o executivo, é que o estudante terá sempre acesso a livros atualizados.

Tablet na escola

Na introdução do iBooks 2, Schiller afirmou: “Estamos vendo que, assim que os estudantes são apresentados ao iPad, coisas incríveis estão acontecendo. As crianças estão se tornando mais inteligentes granas a seus tablets, tanto as mais velhas que estudam para as provas como as mais jovens, que jogam no tablet.” Segundo ele, o tablet da Apple liderou a lista de desejos das crianças antes do Natal.

Existem mais de 20 mil aplicativos educativos ou de aprendizado para o iPad. De acordo com o executivo, professores também aderiram com força ao tablet: 1,5 milhão de iPads são usados em programas educacionais nos Estados Unidos. “Queremos ajudá-los a acelerar a adoção do tablet e tornar mais fácil a integração do iPad ao currículo”, disse Schiller.

Segundo dados apresentados por Schiller, os Estados Unidos estão em 17º lugar em um ranking mundial na categoria leitura, 21º em matemática e 23º em ciência. “Precisamos melhorar isso”, disse Schiller.

iTunes U

No evento com foco educacional, realizado no museu Guggenheim, a empresa também anunciou que o iTunes U  vai virar um aplicativo independente – a ferramenta com conteúdo acadêmico fica hoje dentro do programa para gerenciamento de conteúdo iTunes. Atualmente, ele é utilizado por 1.000 instituições de ensino, segundo a Apple, e já foram baixados 700 milhões de arquivos deste canal.

No aplicativo, os professores terão uma opção chamada Posts. Lá, poderão escrever notas para os alunos, como o detalhamento de lições de casa e uma lista de tarefas a serem realizadas. Cerca de trinta universidades já utilizam o iTunes U, entre elas Harvard, Yale, Berkeley e Oxford. O aplicativo é gratuito e estará disponível nesta quinta.

O iTunes U permite que universidades e colégios conteúdo para todo o mundo por meio de um iPhone, iPod Touch ou iPad“, disse Eddy Cue, vice-presidente de serviços e softwares da Apple. “Queremos que os professores façam mais. Queremos criar cursos completos disponíveis online“, explicou Cue.

Do UOL, em São Paulo | Antena UOL | 19/01/2012 | 13h29 / Atualizada 19/01/2012 | 15h22

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