Por Ednei Procópio
Para que os novos negócios de dezenas de startups se amplifiquem e se consolidem no mercado de livros digitais, é preciso que os seus empreendedores conheçam muito bem e também compreendam o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros são hoje registrados, armazenados e transmitidos.
Com o advento da Internet, o modo como registramos, armazenamos e compartilhamos conteúdo se alterou profundamente. E este novo cenário é bem diferente daquele antigo modo de publicar e de vender livros.
O REGISTRO
Há algum tempo, as informações, os dados, enfim, o conteúdo dos livros eram gravados e mantidos armazenados em disquetes, hard disks, CD´s, DVD´s e pendrives. Enfim, em qualquer um dos casos havia a necessidade de um hardware local de armazenamento dos registros criados.
Hoje, para o registro de dados que servirão para a produção dos livros, há aplicativos que vão desde softwares de processamento de texto até softwares de autoria e design como espaços de armezenamento sincronizados.
Softwares de processamento de texto como o Microsoft Word, da família, ou pacote, Office hoje podem ser utilizados diretamente através da Internet sem a necessidade da instalação em hardwares locais. E há os processadores de textos gratuitos como o Open Office. Aplicativos de autoria e design, como o iBooks Author, da Apple, quase que praticamente substituem softwares locais como o Adobe Indesign na produção dos livros.
O ARMAZENAMENTO
Enquanto ontem fora utilizado HD´s presentes em computadores locais, hoje o modo de armazenamento está se transformando também. O conteúdo é armazenado no que a indústria da informação chama de ‘nuvem’. Serviços como DropBox são usados no armazenamento de informações que podem transformar-se em conteúdo e conhecimento.
Enquanto que ontem utilizávamos os suportes ou hardwares menos portáteis como o rolo, o papiro, o codex, o papel, além da tentativa de transmissão através de outros hardwares dito mais modernos como os disquetes, hard disks, CD´s, DVD´s e pendrives; hoje se faz desnecessário a utilização local destes artefatos.
Este novo modo de armazenamento de informações, dados e conteúdo são chamados de ‘Software as a Service‘, ou SOFTWARE COMO SERVIÇO. Ou seja, antes o hardware era local e já vinha com um software de sincronização de dados. Hoje, o software de sincronização é online e o armazenamento é remoto.
A TRANSMISSÃO
As informações, os dados, enfim, o conteúdo dos livros sempre necessitarão de conexão para que possam ser transmitidos desde o seus emissores até os seus destinatários.
Não importa se esta conexão para a transmissão se dê através de uma conexão discada, banda larga, redes 3G ou 4G, algum tipo de tecnologia RFID [como NFC] ou redes wireless.
Embora a criação, o registro, o armazenamento e a transmissão dos livros não necessitem mais de soluções locais, o recebimento e a leitura das obras necessitam obrigatoriamente de um suporte ou de um hardware. Não importa se este hardware de recebimento seja um smartphone, um ultrabook, um tablet ou folhas impressas de papel.
O LIVRO COMO MÍDIA DIGITAL
Se pudéssemos fazer uma analogia, antes, para a escrita e registro dos textos originais dos livros era utilizada a máquina de escrever e, mais tarde, um processador de texto em um computador pessoal. Com a diferença básica de que, quando se escrevia em uma máquina datilográfica o conteúdo ali registrado era impresso em tempo real conforme a manufatura de livros em prensas gutemberguianas; e nos computadores pessoais havia a necessidade de uma impressora acoplada. Hoje é usado um processador de dados online e um software de autoria e design que coloca o livro a disposição dos leitores ao toque de um clique.
Antes, para armazenarmos informação, dados e conteúdo, precisávamos de uma biblioteca física ou de um hard disk pesado e caro. Hoje, para podemos sincronizar e compartilhar conteúdo para livros só precisamos de uma conta no iTunes U ou em algum outro serviço similar na chamada nuvem.
Se o modo como compartilharmos informações, dados e conteúdo de livros mudou, a única realidade que efetivamente não se alterou, embora tenha se modernizado, é a questão da sua recepção e leitura.
Mesmo que todos os processos tenham se alterado significadamente, para que o leitor possa efetivamente fazer a leitura de um livro, ainda é necessário um suporte qualquer. Hoje em dia, o hardware utilizado para a leitura dos livros é escolhido pelo consumidor moderno conforme sua portabilidade, no caso do papel, e de sua possibilidade conexão e poder de armazenamento no caso de um suporte eletrônico.
De qualquer modo, enquanto as possibilidades que a tecnologia permite avançam, novos negócios de dezenas de startups podem se amplificar e se consolidar no mercado de livros digitais brasileiro, se os seus empreendedores compreenderem o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros são hoje registrados, armazenados e transmitidos.
Sem esta compreensão, digamos técnica, produtos e serviços serão definitivamente alçados ao fracasso pela velocidade atormentadora com que novidades na área são diariamente apresentadas e oferecidas.
Por Ednei Procópio