Duas notícias que prognosticam mudanças no mercado dos eBooks


Como o aumento do uso de celulares para leitura e a eliminação de DRM por algumas editoras afetam o mercado de e-books na Europa e nos EUA? Shatzkin responde.

Duas notícias recentes e como as coisas estão se desenvolvendo prognosticam algumas coisas sobre a direção do mercado e-book. Uma notícia é que a leitura em telefones está realmente decolando. Mais da metade dos consumidores de e-book usam seus celulares pelo menos por algum tempo e o número dos que leemprincipalmente nos celulares chega a um em cada sete. A outra é que o mercado de e-books alemão está eliminando, em sua maioria, o DRM. A Random House seguiu editora Holtzbrinck e abandonou as travas digitais, fazendo com que um dos maiores mercados do mundo entre num caminho no qual o mercado de língua inglesa se recusou determinadamente a pisar. [Há exceções, é claro – O’Reilly, Tor, o selo digital da Harlequin, Carina, Baen, e outras editoras pequenas, voltadas principalmente para nichos literários.]

Um monte de teorias sobre os e-books estão prestes a ser testadas.

Minha reação pessoal para a adoção da leitura no celular é “por que demorou tanto?” Comecei a ler e-books em um Palm Pilot em 1999. Fiquei animado porque trouxe livros para um aparelho que já carregava comigo o tempo todo. Desde o começo, na minha opinião, era para isso que os e-books existiam: não precisava de outro dispositivo além do que já levava comigo o tempo todo. Em 2002, houve um meme ativo por um tempo questionando qual o valor dos e-books. Por que alguém iria querer essa coisa? Falei numa Conferência Seybold sobre isso dando uma resposta simples:

Se você realmente usa um Personal Digital Assistant [PDA] todo dia, se está entre o número cada vez maior de quem carrega um deles com você o tempo todo, não precisa que ninguém explique o valor e a utilidade dos e-books. O inverso disso é que se você não usa um PDA regularmente, os e-books terão muito pouco valor para você. Há alguma utilidade menor em ter livros e algum software leitor no seu notebook, mas não muitas.

Pode ter sido essa busca por mais “valor” nos e-books que levou a anos de experimentação para torná-los algo mais do que texto apresentados em telas, tentando adicionar funcionalidade usando a capacidade digital em uma longa sucessão de fracassos comerciais.

Meu amigo, Joe Esposito, um dos pensadores mais criativos da área editorial,identificou e deu o nome ao conceito de “leitura intersticial” há alguns anos, com isso ele estava falando de quando lemos um livro enquanto esperamos em uma fila ou enquanto esperamos que o filme comece. Lembro-me de um antigo vizinho que tinha sempre um livro na mão quando entrava no elevador no 14º andar e lia uma ou duas páginas à medida que descíamos para o térreo. Aquele era um hábito peculiar com um livro impresso; vai ser uma prática cada vez mais comum à medida que mais gente ler em portáteis que sempre estão conosco.

Pode ser que a editora Judith Curr do selo Atria na S&S tenha acertado quando previu que o futuro da leitura está nos celulares e no papel.

Uma questão importante daqui para frente é como a leitura no celular afetará os padrões de compras. Aqui temos uma dicotomia interessante que depende do uso individual. Que tipo de celular que você tem, Apple ou Android? E qual ecossistema de leitura prefere: Kindle da Amazon, iBooks da Apple ou outro como Google, Kobo ou Nook?

Explico por que isso é importante. Quando você usa o app iBooks em um iPhone, pode comprar livros diretamente no aplicativo. Nunca fiz isso, exceto para comprar um livro que já sabia que queria. Normalmente leio no app Kindle e ocasionalmente no aplicativo Google Play. Nos dois casos, faço minhas compras do meu PC no site do Kindle ou do Google Play. Minha compra está acessível instantaneamente no meu telefone depois disso, mas é um processo de compra em duas máquinas.

Claro, também posso acessar os sites do Kindle ou do Google Play através do navegador do meu celular. É um requisito sair do aplicativo, mas não é preciso usar outro dispositivo. [Francamente, é apenas mais fácil fazer as compras com uma tela e um teclado de verdade.]

As limitações nos dispositivos iOS são criados porque a Apple insiste em cobrar 30% para as vendas feitas dentro de seus aplicativos. O Android não obriga a nada disso, então as versões dos apps Android permitem compras dentro do app. Mesmo assim, como com quase tudo, parece que os usuários iOS fazem mais compras e consumo de conteúdo do que os usuários de Android.

Seria de esperar que com o aumento da leitura em celulares, isso favoreceria “lojas da casa” nos próprios celulares. Elas existem no iBooks e no Google Play. Obviamente isso não significa nenhum tipo de golpe mortal no Kindle se minha própria experiência, mantendo o hábito do uso do Kindle de forma quase ininterrupta, serve de guia. Mas é definitivamente um pouco mais fácil comprar dentro do aplicativo que você usa para ler do que precisar sair dele.

Já se disse muitas vezes que os celulares vêm com distrações internas, como os e-mails e as mensagens de texto que chegam o tempo todo. Mas os tablets – que vêm compartilhando a leitura com os livros impressos e os dispositivos de leitura dedicados há alguns anos – também têm e-mail chegando o tempo todo. E os tablets oferecem toda a web como uma distração em potencial também, como os telefones. Não acho que o componente distração tenha mudado muita coisa recentemente durante o crescimento da leitura no celular.

E há muitos escritores que já escrevem capítulos muito curtos [como o que mais vende entre todos, James Patterson] que podem satisfazer as janelas de “leitura intersticial”. Será preciso analisar, e provavelmente não existem metadados para decidir, se os livros que já são escritos em “blocos” estão se beneficiando do movimento para leitura no celular.

Novos hábitos de leitura levam a novas iniciativas editoriais. Nossa amiga, Molly Barton [diretora há muito tempo da Penguin digital], tem uma startup editorial chamada Serial Box que planeja dividir romances longos em pedaços independentes.

O mercado de e-books alemão é muito menor, no total de vendas de livros, do que o norte-americano, uma estimativa que ronda os 5% das vendas, em vez dos mais de 20% nos EUA. Isso acontece por uma combinação de fatores econômicos – incluindo que a Amazon é obrigada a manter preços fixos o que a impede de dar descontos nos e-books – assim como outras questões culturais. [As vendas de livros online na Alemanha são estimadas entre 15% e 25% – talvez metade dos números nos EUA. A Amazon domina a maior parte disso. Livrarias ficam com a metade do negócio; o restante é dividido entre vendas diretas, grandes lojas, outros varejistas que não são livrarias e catálogos.]

Mas várias editoras concluíram que colocar uma marca d’água [que muitas vezes é chamado de “DRM soft”] é toda a restrição necessária para evitar os repasses e o compartilhamento casual. Agora todas as grandes editoras vão funcionar dessa maneira.

Meus amigos me dizem que, na Alemanha, existem ainda pequenas editoras que querem manter o DRM, algo que poderão continuar fazendo por algum tempo. Na verdade, o Adobe DRM mantém a informação sobre quem é um comprador válido, então pode não ser tão fácil para as lojas deixá-lo mesmo depois que as travas não forem mais exigidas se quiserem fazer mais do que adivinhar se um cliente querendo fazer novamente o download de uma compra anterior tem direito a isso. E também poderia ser difícil para o mercado abrir mão totalmente do DRM, se as editoras de língua inglesa ainda quiserem aplicá-lo aos livros em seu idioma vendidos na Alemanha. Isso é um negócio substancial e as livrarias – especialmente a Amazon – não gostariam de forçar uma situação onde a produção das editoras dos EUA e do Reino Unido devem ou não ter de DRM ou não estar disponível no mercado alemão.

Sempre foi a preocupação de muitos editores, agentes e grandes autores que a remoção do DRM resultaria em compartilhamento irrestrito que realmente poderia prejudicar as vendas de livros. Um cético do DRM de longa data, editor e pensador da indústria, Tim O’Reilly, já caracterizou o DRM como “tributação progressiva”, o que parece validar a noção de que os grandes autores têm algo para se preocupar. [O’Reilly publica conteúdo profissional que sofre alterações e atualizações constantes; precisamente o oposto, do ponto de vista do medo do compartilhamento, do que publica James Patterson.] Claramente, as editoras alemãs observando o que aconteceu em seu mercado não têm esse medo. O editor norte-americano e parte do grupo editorial Holtzbrinck, Tom Doherty, também falou publicamente sobre a [falta de] impacto da mudança da Tor para e-books sem DRM: “… a ausência de DRM nos e-books da Tor não aumentou a quantidade de livros da editora disponíveis online de forma ilegal, nem afetou visivelmente as vendas”.

Além do potencial de perda de vendas através do repasse, o outro impacto da remoção do DRM poderia ser torná-lo mais fácil para qualquer um ser varejista de e-book colocando conteúdo em praticamente qualquer dispositivo. A necessidade de fornecer DRM sempre foi responsabilizado como uma das barreiras, por causa dos custos e dos investimentos em tecnologia, que mantiveram os varejistas fora do mercado e-books. Teoricamente, o custo de ser um varejista e-book em um ambiente livre de DRM poderia ser muito menor, incluindo uma diminuição reivindicada e esperada dos requisitos de atendimento ao cliente. Se for verdade, isso poderia ser muito importante para as vendas de e-books com catálogos verticais, onde uma boa quantidade de conteúdo poderia ser um adicional interessante nas ofertas do varejista. As pessoas que vendem bens duráveis não querem lidar com DRM e os requisitos de serviço ao cliente que ele cria.

Esses detalhes de tecnologia são bem mais profundos do que meu conhecimento, mas as pessoas que conhecem tudo isso me advertem para não esperar muitas mudanças nesse sentido. A marca d’água [DRM “soft”, ou DRM sem “travas digitais”] não é nada simples de um ponto de vista técnico. Novos sistemas de leitura poderiam proliferar sem a disciplina do DRM, o que também poderia criar exigências de atendimento ao cliente. A afirmação de facilidade de uso poderia sair pela culatra. Vamos ver.

Sempre foi minha impressão que a discussão sobre DRM era mais forte do que o efeito realmente garantido. Como nunca quis mover um e-book de um ecossistema para outro, ou passar um e-book para outra pessoa, o DRM nunca me atrapalhou. Mas era algo, obviamente, que bloqueava a entrada de novos operadores no varejo de e-books e criava grandes problemas de atendimento ao cliente para livrarias independentes.

As duas coisas que devemos observar na Alemanha são se as vendas de e-books, especialmente para os principais títulos, continuam iguais ou diminuem de alguma maneira por causa do repasse e, pelo menos tão importante, se vai crescer o número de livrarias vendendo e-books pela diminuição das exigências do DRM. A marca d’água vai ajudar as editoras a encontrar a fonte dos e-books que acabam sendo postados ou pirateados publicamente. Eu não esperaria uma explosão da pirataria, mas certamente haverá muito o que aprender.

As chances são muito boas de que esse resultado possa levar ao crescimento de e-books sem DRM no mercado em inglês também nos próximos anos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente por PublishNews | 03/09/2015

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files.

O livro digital no Prêmio Jabuti


Por Antonio Hermida | Publicado original em Colofão | 17/06/2015

Na mais recente edição do Prêmio Jabuti, – a de número 57 –, a CBL “acrescentou”, em caráter experimental, livros digitais ao concurso. Com muitos “poréns” [e sem premiação], entusiastas, editores e autores ficaram, com alguma razão, desapontados.

Choveram críticas – como se pode ver nesta discussão no AED – à instituição e à maneira como se deu essa entrada inglória dos digitais. Todavia, uma coisa precisa ser dita: a iniciativa é válida e, mais do que isso, é valiosa.

Problemas vários, das categorias às impossibilidades técnicas e legais [para as quais a maioria das pessoas com quem falei não atentou], inviabilizaram os e-books de concorrerem ao Jabuti.
Deixarei meus dois tostões sobre isso abaixo, mas já adianto minha conclusão aproveitando a semana de spoilers por causa de GoT: bem, minha conclusão é que houve boa vontade e, quem sabe, até empolgação, em querer incluir os digitais, mas obviamente não se pensou o suficiente em como fazer isso de maneira realmente inclusiva.

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Categorias

Comecemos falando das categorias. Quais são elas? Eu mesmo respondo: a lista completa pode ser vista neste link. Se observarmos, as únicas categorias que não dizem respeito diretamente ao conteúdo são Projeto gráfico e Capa. As capas dos e-books, no geral, são adaptações [recortes ou reorganização de elementos] de suas versões impressas, mas o projeto gráfico, não. Bem, ao menos não deveria ser. Reparem no segundo exemplo [Luto e Melancolia] deste artigo que escrevi para o blog da Cosac Naify.

Caso o livro inscrito possua uma versão digital e a editora opte por assinalar a mesma, esta deveria concorrer numa subcategoria de Projeto gráfico, algo como: Adaptação de projeto gráfico para o digital.

[Outros exemplos de adaptação de projeto gráfico neste e neste link.]

Aonde estou querendo chegar com isso? Bem, com esse tipo de categorização não excluímos o que todas as outras categorias do prêmio têm em comum: o diálogo com o conteúdo e com o todo. E por que isso é importante? Porque já passou o tempo em que víamos o digital como um inimigo, como algo à parte, certo?

Se é para incluir, façamos uma inclusão de verdade, afinal, se todos os livros avaliados exigem atenção e preparo dos jurados, por que o julgamento do digital deve se limitar em clicar em músicas, vídeos e animações, que é como a coisa posta, no final das contas? A maioria dos livros digitais publicados não possui nada disso, enquanto muitos dos livros concorrentes ao prêmio possuem versão digital.

DRM e distribuição para júri

Também se falou da problemática relação entre distribuição para avaliação e DRM, devendo a editora fornecer “um arquivo livre de regras de DRM”. Como usuário e entusiasta de software livre acho que minha posição pessoal em relação aos DRMs é bastante clara. No entanto, como profissional, preciso respeitar contratos e posso afirmar que 99% dos contratos estrangeiros com que já me deparei são bem claros com relação a isso: o arquivo não pode ser distribuído sem proteção. Nem para imprensa, nem para jurados, nem para o dono da editora e nem para o autor. Então, a menos que os detentores dos direitos liberem por escrito ou adendo o uso e, em contrapartida, a outra parte assine um termo, a solução é perguntar aos jurados em que plataforma eles preferem acessar os e-books. Depois, entrar em contato com as editoras e solicitar promocodes [ou algo equivalente] da plataforma em questão [no Google Play Livros, por exemplo, acrescenta-se o usuário como revisor de conteúdo] para, através desses canais, liberar o acesso.

Outro problema em relação ao DRM é que em praticamente todas as lojas o e-book passa a ser interpretado de diferentes maneiras após a aplicação dele. Isso se dá porque cada aplicativo renderiza e adapta à sua própria maneira o código fonte do e-book [que deve ser pensado como uma equação que vá funcionar mais ou menos igual para todos]. Logo, o e-book sem DRM não representa o e-book entregue ao leitor.

[Para saber mais sobre DRM, leia este artigo]

3.19 INFANTIL DIGITAL

Caso não tenham lido o regulamento, fiz uma cópia do PDF neste link. Pulem diretamente para 3.19 INFANTIL DIGITAL e sigam lendo até a 3.19.1.5. Minha leitura do trecho foi: “gentileza não enviar nada desse tipo para a gente”.

O problema já começa no 1º parágrafo, onde esbarramos em Ficha catalográfica. Para começar, o modelo de ficha digital [2012] proposto pela CBL já chegou um pouco atrasado [3 anos atrasado, para ser mais exato].

Fato 1: em 2012 a maioria das médias e grandes editoras já havia começado a converter seu catálogo e, na ausência de regulamentação, informação e possibilidade, elas já haviam também estabelecido seu fluxo de trabalho sem levar isso em conta.

Fato 2: o primeiro modelo de ficha catalográfica proposto pela CBL não fazia o menor sentido, técnica e semanticamente falando.

Fato 3: Eu mesmo liguei para lá algumas vezes entre 2009 e 2012 e ninguém sabia responder às minhas perguntas. A “pessoa que entende disso” nunca estava lá ou retornou minhas ligações. Assim fica difícil cobrar, né?

Fora tudo isso [fatos que se limitam a um item, composto apenas por duas palavras localizadas no primeiro parágrafo], a regra que diz que apenas livros infantis que “Possuam conteúdo textual integrado a elementos multimídia, interativos e hipertextuais” podem participar exclui trabalhos maravilhosos, como o da Intrínseca com os e-books do Gaspari [veja aqui] e e-books infantis de layout-fixo sem animação que são bem bonitos.

E-books interativos deveriam entrar em uma categoria à parte? Com certeza, mas só infantis deveriam entrar nessa categoria? Acho que não, eim. Apenas um palpite.

Em vez de termos restritivos e confusos, e a reiteração de “tudo que vai dar errado e desclassificar o livro porque alguma coisa acontecerá no caminho e nos impedirá de abrir esse arquivo”, o regulamento deveria ser minimamente claro para o concorrente sobre como ele deve enviar o livro e que quesitos serão, de fato, avaliados, como é feito em qualquer concurso de qualquer tipo.

A conclusão está supracitada, mas complementando, nenhum desses tropeções invalida a tentativa da CBL. Trata-se de um órgão importante traçando um caminho inédito, talvez sem volta; não há discussão quanto a isso, a meu ver. Não fosse esse um passo ousado, não teria gerado a expectativa que gerou.

Como tentei mostrar, não é tão simples quanto parece querer acrescentar e-books num concurso como o Jabuti. Esbarra-se num monte de questões que demandam tempo, planejamento, testes e simulações. A CBL tem 1 ano para ponderar sobre esses tropeções e superá-los se decidir bancar o posicionamento e levar isso adiante.
De minha parte, torço para que o faça e espero ter colaborado de alguma forma.

PS. Seria interessante colocar uma categoria de Qualidade técnica com avaliação de código. Já pensei nos quesitos de avaliação e até numa maneira de viabilizar isso sem infringir contratos. Mas acho que isso pode esperar para o de 2017, se me deixar falando disso, o texto não acaba…

Por Antonio Hermida | Publicado original em Colofão | 17/06/2015

Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências.
Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora.

Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Dissertação examina os sistemas de DRM


Os livros digitais facilitam o acesso aos livros, por meio de fatores como a diminuição de barreiras geográficas e financeiras. Como forma de combater a pirataria na rede, os e-books são protegidos por Digital Rights Management [DRM], uma trava tecnológica que permite que os titulares de direitos autorais protejam seus direitos por meio do controle do que os usuários conseguem fazer com os arquivos digitais. Esse foi justamente o tema escolhido pela autora Ana Carolina Bittar para a tese de mestrado que defendeu na Fundação Getúlio Vargas. Digital rights management, concorrência e acesso ao conhecimento no mercado de livros digitais examina como os sistemas de DRM afetam a concorrência no mercado de livros digitais. A íntegra da dissertação pode ser baixada gratuitamente clicando aqui.

PublishNews | 15/05/2015

Programas indies para edição, validação e testes de livros digitais


Normalmente, quando falamos em edição, validação e testes de livros digitais, falamos no Sigil, EpubCheck, Adobe Digital Editions e Readium. Para exportação: InDesign ou LibreOffice, — os mais radicais podem dizer Quark e/ou BlueGriffon Epub Edition –, certo?

Nada mais normal do que isso, afinal, são programas rotineiros no dia a dia dos desenvolvedores de e-books.
Hoje falarei brevemente sobre outras duas ferramentas não tão famosas quanto as citadas primariamente, todavia, muito interessantes tanto pelos diferentes funcionamentos quanto pelas possibilidades de serem usadas não apenas profissionalmente, mas também para estudo.

1. ePubChef

Trata-se de um projeto que tem a seguinte proposta: “acrescente os ingredientes na panela e ele cozinhará um ePub 3 para você” [impossível não lembrar do Fernando Tavares e suas analogias com comida].

Ele funciona via linha de comando a partir dos ingredientes que você adiciona às pastas dentro de uma estrutura pré-determinada, todavia, altamente customizável.

Esse caráter “customizável” do programa é extremamente útil para quem está interessado em estudar o formato e, de quebra, se estiver interessado em programação, você pode customizar o código da ferramenta em si, e não apenas os de seus arquivos. ;]

Após clonado o repositório, sua estrutura de diretórios é a seguinte:

Na pasta css você encontrará, bem, um CSS [bastante completo e cheio de comentários explicativos]. Nele, você poderá definir as diretrizes básicas do que espera do ePub a ser criado.

Se você estiver pensando em fazer alguns livros de uma mesma coleção, com valores similares, temos aí um bom começo: criar modelos de CSS.

Se você estiver pensando em fazer alguns livros de uma mesma coleção, com valores similares, temos aí um bom começo: criar modelos de CSS.

Mãos à massa: cook.py

Vá até a pasta [via terminal] e digite:

python cook.py mybook

Com esse comando ele criará os arquivos para o seu livro. Seguindo o exemplo da wiki usei o “mybook” [você é livre para escolher um nome mais criativo para o arquivo].

Você pode começar a editar e adicionar conteúdos, imagens, fontes na pasta mybook_raw e já preencher os metadados em mybook_recipe.yaml usando qualquer editor de textos simples [como o Bloco de Notas no Windows, por exemplo]. Nesse arquivo você ainda pode determinar a ordem, os nomes dos capítulos etc.

Já os conteúdos você acrescenta nos arquivos TXT. Exemplos de uso [tabelas, itálicos etc.] podem ser encontrados nos arquivos do exemplo [em demo_raw]. A cada edição, basta rodar o comando outra vez, e o programa recriará o arquivo atualizado.

Na página do projeto você encontra o tutorial da instalação e os primeiros passos para uso. Se você tem algum domínio de inglês e está interessado em aprender a fazer um e-book de dentro para fora, o ePubChef é um excelente caminho.

2. jeboorker

O jeboorker é um editor de metadados com algumas funcionalidades bastante úteis.
Para começar, ele permite a edição de metadados não apenas de arquivos ePub, mas também de CBR, CBZ e PDF, desde que os mesmos não se encontrem protegidos por DRM.

Diferente do ePubChef, o desenvolvedor já disponibiliza os pacotes de instalação para as plataformas Windows, Linux e Mac, diretamente na página do projeto no GIT.

A interface dele é bem simples, mas realiza bem o que se dispõe a fazer: editar metadados.

Uma das funções de que mais gostei no jeboorker foi o fato de poder importar diretamente uma pasta inteira em vez de um arquivo por vez, além da possibilidade de editar múltiplos arquivos de uma só vez, acrescentando a todos dados comuns presentes em um dos livros, tais como autor, coleção etc.

Outra coisa legal no programa é poder editar o UUID [arquivos exportados pelo InDesign em alguns casos apresentam um erro de validação referente a isso que, até então, eu corrigia na unha, diretamente no OPF e no NCX].

Além dessas funções, o programa permite fazer download dos metadados do título na internet a partir de dois bancos de dados [um é o do Google] e também editar os já existentes diretamente no XML.

Por fim, o programa é bem leve e não apresentou travamentos ou “comportamentos inesperados” [como fazer bagunça nos arquivos, por exemplo].

Para conhecer outras ferramentas relativas a e-books, vale verificar a listinha do EPUB Zone neste link.

  1. Ainda assim, recomendo que, no uso de Linux, a instalação seja feita diretamente através de repositórios [se disponível na sua distro]. Dessa forma você garante que receberá as atualizações automaticamente sem precisar entrar na página e baixar o programa outra vez. Se você, como eu, usa um derivado do Archlinux, no meu caso, o Manjaro, tem no AUR. ;]
Antonio Hermida

Antonio Hermida

Por Antonio Hermida | Publicado originalmente em Colofão |  29 de abril de 2015

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

E audiobook? Você já experimentou?


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 08/10/2014

Não é só de epub que vive o mundo de livro digital. Considero o audiobook um tipo de arquivo que o livro pode se travestir. Mais um formato meio esquecido pelas editoras e o pior, o audiobook carrega uma carga maior de preconceito. Como assim ouvir um livro?

Olha, nem vou entrar no âmbito do quanto isso é importante para os portadores de necessidades especiais. Vou falar da praticidade mesmo.

Há um ano, acho… A Amazon comprou a Audible. Experimentei, e fiquei impressionada com a quantidade de títulos e novamente com a lavada com os gringos nos dão na arte de produzir conteúdo e dar às pessoas acesso a este conteúdo. O grande problema – que nós do ramo do e-book também enfrentamos – é que não tem quase conteúdo nenhum em português brasileiro. Encontrei somente o Adultério do Paulo Coelho. Óbvio que experimentei. Pelo que pude descobrir, o arquivo é produzido pela editora. Caso a Audible produza, ela detêm os direitos de uso de seu conteúdo. Ouvi o Adultério e me incomodava algumas entonações que a locutora fazia… Algumas vezes me questionei se ela seria brasileira… Mas o melhor do app é o uso da velocidade. Você se acostuma a aumentar a velocidade do áudio, sem mudar o timbre da voz. Acho que futuramente teremos pouca paciência de ouvir uma pessoa falar devagar, pois com o uso do app eu fiquei meio gaga, querendo falar depressa [hihi]. Mas isso nem é importante. O mais importante é que é uma forma muito boa e prática de consumo de literatura. Mais uma fonte de renda para as editoras.

Aqui no Brasil experimentei o app Ubook. O que mais gostei é que o app é leve, simples de usar… Pude fazer um plano de R$ 4,99 com a Claro (minha operadora) e esta taxa permite que eu baixe qualquer livro do acervo pra escutar. Ele também tem marcador e espaço para anotações. Muito simpático, porém com deficiência de conteúdo. As editoras mais uma vez, não pensaram nesta forma de “ler” e na produção deste tipo de arquivo.

Toda forma de ler é válida, vamos incentivar a leitura, seja ela como for…. Obra literária é obra literária e se podemos usar a tecnologia para ter mais acesso a elas, por que não?

Será que as outras lojas de livros digitais entrarão no ramo? Ora, quem vende ePub não poderia vender também audiobook?

E pelo amorrrrr…. Esqueça DRM. DRM de áudio já se provou um fracasso!

Alguém tem mais informações sobre audiobook? Ou mais informações do que coloquei na coluna? Me escreva que publicarei para compartilhar com os leitores: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 08/10/2014

Camila CabeteCamila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em um paraíso chamado Camboinhas, com sua gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

Independentes são responsáveis por 40% das vendas de eBooks nos EUA


O último relatório Author Earning concluiu que o movimento independente na literatura não é uma simples corrida ao ouro. O terceiro relatório trimestral, que puxa os dados das listas de m ais vendidos da Amazon, descobriu que apenas 16% dos títulos na lista dos mais vendidos da varejista nos EUA foram publicados por uma das cinco maiores editoras. O relatório analisou ainda o efeito de DRMs sobre as vendas e concluiu que “o DRM prejudica as vendas de e-books em todas as faixas de preço”. O relatório também olhou para as vendas de gênero, revelando que os autores auto-publicados estão dominando autores tradicionalmente publicados no romance, fantasia e ficção científica e estão prestes a tomar “parcela significativa de mercado em todos os gêneros”.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 18/07/2014

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio


POR EDNEI PROCÓPIO

Hoje, terça-feira, dia 25, às 18h30, estarei lançando [simultaneamente em versão impressa e digital] o meu terceiro livro sobre os eBooks. Será na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, aqui em São Paulo, e tenho o prazer convidar os colegas que acompanham este blog.

Na ocasião, ministrarei uma palestra sobre assunto onde tratarei dos dois eixos centrais que considero importante para a boa manutenção do mercado editorial brasileiro. O primeiro seria o eixo econômico, aquele que viabiliza e sustenta toda a cadeira produtiva do livro. E o segunda eixo é o político que, inevitavelmente, precede o primeiro quando se trata de políticas públicas voltadas ao livro em especial as bibliotecas públicas digitais, os livros digitais didáticos, etc…

Nos meus primeiros dois livros, eu já havia tratado e, de certo modo, refletido toda uma revolução tecnológica prevista por inúmeros especialistas como Michael Hart, Don Tapscott, Chris Anderson e Tim Berners-Lee, líderes que aprecio e cujas ideias projetaram as mídias digitais ao mainstream.

Costumo sempre reafirmar em minhas palestras, cursos e entrevistas que esta revolução tecnológica não só, finalmente, alcançou o mundo dos livros como também transformou profundamente a realidade de seu mercado criando novos horizontes, possibilidades e, claro, desafios. E a questão central agora são exatamente os desafios. O mercado editorial, mesmo com sua consagrada manufatura de produção cultural, alcançou níveis alarmantes de riscos em seu histórico modelo de negócios.

Modelo de negócios para os livros digitais é, portanto, neste meu novo livro, a preocupação central. Nele, faço uma análise profunda do futuro mercantil dos livros frente a uma iminente revolução causada pelo advento da Internet. Em “A Revolução dos eBooks” busco desmistificar os livros digitais usando conceitos básicos que ajudarão profissionais a desbravarem o que considero como um cenário único de oportunidades.

Nos vemos lá! Eddie

Construindo uma Biblioteca Digital Escolar


Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

Atualmente, ouço muitas pessoas dizendo que “é preciso colocar a mão na massa” quando tratam do tema eBook. Por um lado, isso é realmente importante, verdade, mas, por outro, é a primeira vez, em anos, que percebo mais gente dizendo que “é preciso colocar a mão na massa“, do que gente que realmente colocou a mão na massa durante todo esse tempo.

Nascida na década de 1990, a Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro [mais tarde anexada ao Portal Domínio Público] foi uma das primeiras plataformas brasileiras, juntamente com a eBooksBrasil.org [e minha antiga eBookCult, nascida em 2001], a incentivar e tentar um modelo para operacionalização das chamadas bibliotecas digitais. Praticamente duas décadas depois, o tema volta ao cerne das discussões mais uma vez acompanhada de uma velha-nova tentativa de se testar e estabelecer um novo-velho modelo de mimetizar as tais bibliotecas em um cenário digital. Felizmente, porém, o cenário agora se mostra bem mais favorável. Tão favorável que praticamente a totalidade das ferramentas disponíveis são hoje commodities.

Em meu primeiro livro, “Construindo um Biblioteca Digital“, escrito em 2004 [ou seja, há exato uma década atrás] cito exemplos de bibliotecas que estavam no ar testando a internet, traço um cenário para o desenvolvimento de uma biblioteca digital usando as ferramentas disponíveis naquela época de web 1.0.

Aqui, este meu novo artigo [necessariamente extenso], escrito em meados de novembro de 2013, apenas reforço os itens que considero essenciais à construção de uma biblioteca digital, desta vez, voltada ao universo escolar. Este artigo é voltado também ao encorajamento daqueles que pretendem iniciar a criação de sua própria biblioteca digital escolar. Iniciativas de todos os lados são bem-vindos, é claro, mas considero ainda mais importante aprendermos a construir as nossas próprias soluções a fim de criarmos um ambiente bem mais pulverizado, menos concentrado, mais criativo e dinâmico.

O novo cenário

A tecnologia está focando a educação. Recentemente a Google lançou a plataforma educativa YouTube Edu, com 8 mil videoaulas gratuitas [de vinte e seis canais brasileiros]. A plataforma é voltada para estudantes, educadores e colégios do ensino médio, inicialmente.

Pouco tempo depois, a mesma Google também anunciou uma parceria com o governo de São Paulo para capacitar, em 2014, cerca de 300 mil professores da rede estadual dos ensinos fundamental e médio para que estes utilizem nas atividades complementares as ferramentas online como o Gmail e o Google Docs. Na época, não foi citado o Google Books [e deve haver uma razão bem particular para isto].

O governo paulista também anunciou, no final de outubro, através do projeto Escola Virtual de Programas Educacionais [EVESP] uma parceria com a norte-americana Microsoft Corp para utilizar o pacote Office gratuitamente na rede estadual.

Em um último exemplo, o empresário Nolan Bushnell, criador do antológico Atari, sugere uso de videogames e jogos eletrônicos nas escolas como ferramentas de aprendizagem.

Como dito, a tecnologia está focando na educação. Mas, e os livros? Como ficam os livros nesta história toda? O mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é, sem sombra de dúvida, um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks. Só para se ter uma ideia, a educação básica no Brasil possui pelo menos 50 milhões de alunos que necessitam de conteúdo de qualidade para seus estudos diários. E, segundo projeção do Ministério da Educação [MEC], até 2022 deve haver um incremento de 120 bilhões de reais no orçamento da educação.

Se o próximo grande desafio do Brasil é elevar a qualidade da educação, nosso País necessitará de um ecossistema de armazenamento e compartilhamento de conteúdo digital que seja de fácil entendimento e manuseio pelas partes que compõe os ambientes pedagógicos.

Mas como desenvolver um ecossistema de leitura digital voltado à educação?

Neste novo mercado prestes a se intensificar, a questão da interoperabilidade [entre o hardware, o software e o conteúdo] se mostra um dos itens mais importantes para que as bibliotecas digitais não se tornem estantes inacessíveis. O hardware, em sua maioria, são os dispositivos de leitura [reading devices] fabricados por empresas privadas com interesses mercantis bastante díspares. O software, o mediador entre a máquina e o leitor, oscila entre linguagens de programação proprietárias e os chamados códigos abertos [open source]. E o conteúdo, nosso principal item, sempre dependerá dos dois primeiros para ser efetivamente acessado e usado em sala de aula.

Para que os agentes envolvidos e interessados na utilização das bibliotecas escolares [governo, editoras, autores, professores, alunos, etc.] se beneficiassem igualitariamente de um repositório digital, o desenvolvimento de seu ecossistema pode se basear no conceito de open source. Ou seja, de código fonte aberto, de acesso livre e irrestrito. A open source permitiria a democratização do acesso aos eBooks e, a meu ver, é o caminho mais próximo do ideal em médio e longo prazos.

Os acervos digitais, porém, devem estar sustentados por modernos modelos de negócios, porque um dos principais entraves para a construção de bibliotecas digitais é o investimento para se montar sua estrutura de trabalho. O investimento inclui desde a aquisição, a digitalização de obras, quando houver esta necessidade, até o emprego da tecnologia de Digital Rights Management [DRM] empregada para os controles de acesso as obras.

Minha proposta, descrita a seguir, é simular um ecossistema de conteúdo digital voltado à educação. Nesta proposta de trabalho, iremos levar em conta o emprego da tecnologia da informação, porque ela ainda é central quando se fala livros digitais [didáticos, paradidáticos ou de leitura complementar]. Propomos criar uma alternativa, uma solução para a problemática do livro em repositórios bibliodigitais, para que os profissionais interessados possam enfim vislumbrar um projeto factível e voltar suas atenções ao que realmente importa: a formação e a aprendizagem.

Leitura e educação na era digital

Antes de avançar com uma parte mais técnica, vamos contextualizar o cenário de onde partiremos. Algumas ações gerais podem nos ajudar a permear uma escola de leitores, entre elas, o desenvolvimento de uma rotina de leitura e o estímulo à indicação de livros.

Para estas ações anteriormente descritas se desenvolverem na prática, faz-se necessária a criação e manutenção de diversos ambientes interativos, ou salas de leitura digitais e conectadas. E o principal investimento é a criação de um acervo misto de livros em versão digital disponibilizado através do que chamaremos de Biblioteca Digital Escolar que, entre outros benefícios, deve permitir:

O acesso aos livros através de um rico acervo.
A possibilidade dos próprios alunos escolherem os livros que desejam ler.
Atender mais leitores com menos títulos.
Retiradas, devoluções e recolocações automáticas nas prateleiras digitais.
Adicionar mais títulos ao acervo já criado, sem a necessidade de investimentos em espaço físico, infraestrutura ou dispêndio operacional.
Um mecanismo de busca de uma Biblioteca Digital Escolar que permita a pesquisa de palavras em uma obra ou em uma coleção inteira de livros.
Análise dos relatórios detalhados sobre a utilização da biblioteca, melhorando a qualidade das decisões de aquisição de novos títulos.
E deve permitir os mesmos dispositivos de direitos de propriedade dos livros impressos [através de um sistema de gerenciamento digital de Direitos Autorais, o já citado DRM].

Estes e outros benefícios antes descritos podem ser o atrativo para os leitores que estão mais dispersos em outras mídias digitais interativas, fora dos ambientes pedagógicos tradicionais. Uma Biblioteca Digital Escolar é a solução mais adequada para atender a alunos de cursos à distância, ou iniciativas de inclusão digital, por exemplo, que necessitam de acesso a uma biblioteca completa.

Nosso ecossistema terá um servidor central de conteúdo. Este servidor irá literalmente servir as estantes virtuais de eBooks que poderão ser criadas pelos próprios usuários. Estas estantes poderão ser temáticas conforme a necessidade de cada educador ou grupo de alunos. E estas estantes, por fim, irão alimentar as salas de leitura que serão formadas pelos usuários para que se possam realizar os trabalhos pedagógicos comuns a eles [como nas comunidades virtuais de ensino].

O servidor de conteúdo

Podemos utilizar se quisermos as soluções prontas, daquela empresa que quer dominar o mundo. Ou podemos desenvolver nossas próprias soluções. Iremos pelo caminho que nos trará mais aprendizado. Para construir nossa Biblioteca Digital Escolar precisaremos de um servidor de conteúdo, ele será o alicerce do nosso repositório, do nosso acervo central. Por servidor de conteúdo entende-se o sistema tecnológico que irá salvaguardar os objetos digitais e permitirá sua circulação para os usuários nas salas de leitura.

Tecnicamente, vamos chamar a base para a construção da nossa Biblioteca Digital Escolar de Library Content Server. O nome é apenas uma alegoria. Nossa biblioteca digital necessitará de um servidor de conteúdo escalonável e seguro, que pode ser um servidor dedicado ou podemos também, para minimizar os nossos custos, usar um servidor compartilhado de algum serviço de cloud computing [computação em nuvem].

No caso de projetos ligados às iniciativas públicas, há algumas instituições que já mantêm o seu próprio parque tecnológico que pode eventualmente ser usado para suportar nosso servidor. Como dito, o que realmente importa é que o nosso servidor de conteúdo digital será a base tecnológica da nossa biblioteca.

Ainda estamos no campo das ideias, mas o objetivo da nossa Library Content Server será tornar possível a customização de uma central de armazenamento e distribuição de eBooks para alunos e professores, com o controle dos usuários desde o login [ou seja, a entrada do leitor] até o acesso seguro aos conteúdos digitais [já que as editoras e autores fazem tanta questão]. Nossa proposta é uma solução que servirá para a hospedagem, armazenamento, distribuição, acesso e compartilhamento dos livros digitais.

Whitelabel pages

Para melhorar a rotina de utilização, nossa Library Content Server deverá permitir a criação de páginas customizadas para bibliotecas públicas e até particulares. Elas poderão ser usadas para a circulação de livros usando, neste módulo específico, o conceito de whitelabel. Ou seja, de páginas criadas de modo customizado conforme as necessidades e realidade do intermediador do conteúdo [que pode ser o próprio bibliotecário, já que uma lei assim impõe] ou do moderador da leitura [que pode, por exemplo, ser o educador].

Com esta ferramenta, cada escola pode criar a sua própria sala de leitura com suas estantes temáticas, a partir do repositório central, enchê-las de títulos e, mais tarde, permitir o compartilhamento das obras. Com este módulo, cada aluno ou educador poderá criar a sua própria página e organizar a sua própria estante de livros e também compartilhar conteúdo seguro através e com outras salas de leitura.

Através dos principais módulos, nossa Biblioteca Digital Escolar permitiria:

  • Criação de páginas customizadas [salas de leitura] para escolas, professores e alunos.
  • Criação de estantes e bibliotecas digitais portáteis e acessíveis.
  • Acesso ao painel de controle das salas, estantes e eBooks.
  • Acesso ao painel de controle dos Direitos Autorais em tempo real.

Open share

O código-fonte por trás da estrutura da nossa Library Content Server deve ser baseado em uma licença freeware, livre de pagamento de royalties. Os provedores de conteúdo [autores, editoras, distribuidores, etc.] podem obter lucro com a exploração comercial do conteúdo disponibilizado, como hoje ocorre com o mercado de livros impressos, mas não seria estimulada a exploração comercial em cima da plataforma em si [com exceção do suporte técnico necessário].

Há custos envolvendo o desenvolvimento do acervo digital, principalmente na instalação, configuração e manutenção do sistema. Mas instituições, escolas, bibliotecas públicas e entidades que cuidam da questão da leitura poderão desenvolver o servidor de livros digitais Library Content Server sem os altos custos de licenças geralmente existentes em sistemas de igual complexidade.

As tecnologias que podem ser usadas na estrutura da Library Content Server são populares na internet e já amplamente difundidas e utilizadas por milhares de empresas no mundo todo. Nossa Library Content Server teria, salvaguardando alguns pormenores aqui ainda não detalhados, a seguinte estrutura tecnológica básica:

  • Servidor
  • Código fonte [linguagem de programação]
  • Scripts de segurança
  • Banco de dados
  • Front-end de leitura
  • Gateway de e-commerce
  • eBooks

As tecnologias devem ser de uso padrão e podem ser implantadas por profissionais facilmente encontrados em nosso mercado. Estes profissionais já estão familiarizados com estas tecnologias citadas e só precisam de um bom mapa de desenvolvimento para, enfim, construir o acervo central.

Por uma biblioteca descentralizada

Para que o projeto da nossa Biblioteca Digital Escolar não esbarre em corporativismos o e burocracias, precisamos criar mecanismos que criem a independência necessária principalmente para os casos em que nosso projeto esteja abaixo do poder público. Nada contra, creio apenas que o controle da nossa biblioteca deve ser feito de modo prático, descentralizado, com capacidade operacional plena.

Já existe hoje uma diversidade de programas governamentais, como é o caso do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE], Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Prossionais da Educação [Fundeb] e Plano de Ações Articuladas [PAR]. É possível levantar patrocínio através da iniciativa privada, que podem nos ajudar a enriquecer o nosso acervo sem precisarmos necessariamente ficar atrelados à supervisão ou controle que burocratize o projeto e torne os livros digitais tão inacessíveis quanto são hoje os livros impressos nas bibliotecas físicas em geral.

Vencido qualquer cenário burocrático neste sentido, há casos, e não é raro, em que o arquivo do livro, por conta de restrições contratuais e ou técnicas, não se encontrará ‘fisicamente’ dentro de nosso repositório central. Neste caso específico, nós poderíamos recorrer [se for o caso] aos metadados. A equação aqui é mais simples que lhe dar com burocratas. Precisamos estabelecer um padrão, de preferência aberto [um exemplo é a Onix for Books, mas, no Brasil, se usa geralmente o protocolo Marc 21] para os dados completos sobre o livro. Criamos uma rica indexação de obras com o objetivo único e final de levar o nosso usuário até os livros, independente de onde os arquivos estejam disponíveis.

Com o uso dos metadados, os dados sobre os livros, nossa biblioteca pode oferecer aos usuários comodidade na busca por títulos, assuntos, temas, escritores, coleções, e uma infinidade de palavras-chave que poderão direcioná-los até a estante mais próxima. O usuário poderá enfim encontrar o conteúdo que busca, mesmo que o material esteja longe do nosso próprio acervo.

Conforme dito, o servidor de nossa biblioteca pode ser construído em cloud computing [computação em nuvem], o mais importante, porém, é que os recursos da Library Content Server devam permitir que os objetos digitais armazenados possam ser acessados prioritariamente via web browsers [navegadores] a qualquer momento, a partir de qualquer dispositivo móvel.

O sistema das salas de leitura não deve restringir ou obrigar o usuário/leitor/aluno à instalação de nenhum aplicativo, componente ou plug-in em seu reading device [dispositivo de leitura]. O ideal é que os recursos de leitura e conteúdo estejam disponíveis dentro da própria solução e ambiente virtual de acesso. Os aplicativos, neste cenário, podem existir desde que não criem nenhum tipo de interferência [dependência] no acesso aos livros. Embora muitos aplicativos ajudem na exploração e experiência, muitos acabam criando muros maiores que os das bibliotecas físicas.

O front-end do sistema Library Content Server [ou seja, a interface final com o usuário — responsável pela montagem de cada estante, sala de leitura ou páginas dos livros] deve ser baseado no conceito de acessibilidade total. Isto quer dizer não só que os objetos digitais possam ser acessados e livremente lidos através principalmente dos navegadores que permitam o acesso à internet, mas que a rotina que permite a leitura deva obedecer às regras básicas da World Web Consortium [W3C] e do consórcio International Digital Publishing Forum [IDPF].

O front-end da biblioteca digital deve ‘rodar’ em qualquer navegador através de hardwares de leitura como desktops, notebooks, laptops, netbooks, ultrabooks, tablets, smartphones, e-readers e até nas lousas digitais. O sistema deve permitir, enfim, o acesso e a leitura de arquivos nos formatos já amplamente utilizados pelos provedores de conteúdo, como PDF, Daisy, HTML5 e, claro, ePub.

O gerenciamento de Direitos Autorais

Os eBooks armazenados na Library Content Server devem ser tratados como objetos independentes, o que permitirá o compartilhamento seguro entre os usuários previamente cadastrados [bibliotecários, professores, alunos, escola, etc.], cada um com o seu perfil de acesso, com login e senha.

Os eBooks devem ser completamente livres de criptografias restritivas para que, portanto, possam ser acessados à partir de qualquer suporte de leitura, bastando apenas haver no mínimo o navegador com conexão via web.

A segurança dos objetos digitais deverá existir, é claro, mas podem tecnicamente estar alocadas em cada biblioteca, estante ou sala de leitura que, por sua vez, estará atrelada a conta de usuário, que necessitará estar previamente registrado na biblioteca para ter acesso aos livros liberados. Livros digitais em regime de Domínio Público, por exemplo, podem ser armazenados no sistema sem a necessidade de criptografia, senhas ou segurança. E, portanto, podem ser acessados mais rapidamente pelos usuários cadastrados.

Muito se tem falado a respeito do empréstimo nas bibliotecas digitais, mas a equação para esta questão é simples. Se há, por exemplo, apenas 100 exemplares digitais de um determinado título, licenciados e a disposição na biblioteca, somente estes 100 exemplares digitais poderão ser emprestados para os usuários. O usuário de número 101 na fila de leitura deve aguardar a devolução de um exemplar para o acervo central de um dos exemplares já emprestados da obra.

Para os livros em regime de Direito Autoral, um gateway de pagamento atrelado a Library Content Server pode permitir os pagamentos. E o repasse dos Direitos Autorais, dos casos específicos, pode ser realizado em tempo real tanto para a editora ou distribuidor, quanto para o autor, que podem resgatar os valores através de um dashboard [painel de controle].

Nenhum livro, porém, deve ‘subir’ para o servidor da Library Content Server sem a autorização prévia da editora, autor, distribuidor ou do detentor dos Direitos Autorais [através de um contrato, de preferência por escrito, de autorização]. Desencorajamos qualquer ação contrária nesse sentido.

É importante incluir no projeto de desenvolvimento uma rotina de trabalho de convencimento dos detentores de conteúdo com relação às licenças, através de uma política de aquisições clara, objetiva e transparente.

Definindo a política de aquisições

Embora tenhamos o desafio nas aquisições dos títulos frente a um mercado carente de entendimento, a logística do livro digital é mais simples do que o problema enfrentado com relação à distribuição e logística dos livros físicos. No caso dos livros impressos, o trabalho do bibliotecário é realizado de modo mais tranquilo porque historicamente os autores e editoras já conhecem a finalidade das compras.

A aquisição de um eBook por parte de um bibliotecário torna-se, porém, um desafio na medida em que os detentores dos Direitos Autorais [editoras, distribuidores, autores] insistem em saber como, onde e de que forma os livros adquiridos serão acessados pelos usuários.

A questão que surge é que não há um nível seguro de conhecimento de todos os envolvidos que permita uma rápida tomada de decisão. O que pode tornar o processo mais lento. E para que o trabalho cotidiano do bibliotecário não se altere drasticamente, o ideal é que o profissional tenha em mãos os limites territoriais, de idioma e de temporalidade de sua biblioteca digital para que o detentor dos Direitos Autorais possa enfim licenciar as obras [e colaborar com o projeto].

Para obter uma quantidade maior de títulos, uma biblioteca não precisa necessariamente estar diretamente atrelada a, por exemplo, uma plataforma de autopublicação. É muito importante ponderar, em nosso projeto, a fase de aquisição de conteúdo digital, e o seu modelo, e separarmos da seção de oferta de títulos para o leitor. Ou seja, em uma ponta nós iremos adquirir os títulos, neste momento, poderíamos até eventualmente manter parceria com projetos de autopublicação; mas, na outra ponta, teremos a disponibilização dos títulos. Uma ferramenta de autopublicação atrelada a nossa biblioteca só iria atrapalhar a nossa curadoria de conteúdo.

Na hora de adquirirmos os títulos para o nosso repositório, temos de ter a clara noção do nosso modelo de oferta. Se a aquisição é perpétua, por meio de uma licença, por um longo ou curto período de tempo, o ideal é que esta aquisição esteja sempre vinculada à demanda e direcionada unicamente ao usuário. Lá na ponta, o usuário tem de estar bastante familiarizado com as possibilidades de acesso ofertadas [assinatura, aluguel, pay per view, etc].

Nossa biblioteca poderá adquirir os títulos através dos próprios autores, de suas respectivas editoras, ou de distribuidores, o que for melhor em cada caso, dependendo da oferta e da demanda do acervo central. Em cada um dos casos, o ideal é que haja um contrato firmado e registrado que estipule as regras mínimas de compartilhamento do conteúdo adquirido.

Para eliminar custos na aquisição de conteúdo, o ideal é que o nosso acervo central seja o próprio ‘agregador’ de conteúdo, dessa forma estaremos mais aptos a negociação com os detentores dos Direitos Autorais.

A aquisição do conteúdo digital será quase sempre orientada ao usuário [usando a aplicação do conceito patron driven acquisition] e independente da política de acesso dispensada ao leitor, o ideal é que esta aquisição do exemplar digital em si seja sempre perpétua.

O ideal também é que toda essa gestão de aquisições e do controle de acesso dos usuários seja realmente desenhada pelo profissional bibliotecário. Que deve estudar minuciosamente o seu público leitor antes de definir prioritariamente a política de acesso [que será obviamente baseada no modelo de negócios], para, enfim, definir o modelo de aquisição dos títulos.

A aquisição de conteúdo estará intimamente ligada com o nosso modelo de disponibilização. Ao mesmo tempo em que elaboramos de que modo podemos adquirir conteúdo para a nossa biblioteca digital, precisamos pensar também de que modo iremos compartilhar este conteúdo com o nosso usuário final [escola, professor, aluno, etc.].

Definindo a política de acesso

Conforme nossa biblioteca for crescendo em tamanho de títulos e usuários, outros desafios virão. A começar pela própria bibliodiversidade até o número de exemplares digitais disponíveis para cada título [que, como já dito, estará por sua vez automaticamente ligado ao modelo de permissão de acesso ao usuário].

A política de acesso de cada biblioteca digital estará intimamente ligada com o seu modelo de negócios. Ou seja, as aquisições e compras só poderão ser efetuadas se o modelo de acesso for bem especificado. Por exemplo, a biblioteca pode ter um modelo na qual o usuário pague uma assinatura [pay per view]. O usuário pode optar pelo empréstimo em curto ou longo prazo.

Cada biblioteca digital pode ter definidas as suas próprias políticas de acesso aos conteúdos. Cada política de acesso deve estar visivelmente bem clara a todos os atores do projeto para que a comunicação, desde a aquisição das coleções, até a sua disponibilização, se mantenha clara e objetiva.

Propomos enfim, em nosso projeto, uma política de acesso universal e irrestrita que mantenha ao mesmo tempo resguardados os Direitos Autorais, mas, principalmente, o direito do acesso à informação e ao conhecimento em primeiro plano.

Eis aqui o nosso check list básico:

  • Definição da política de acesso dos leitores/usuários.
  • Definição da política de compra dos eBooks.
  • Definição do modelo de negócios da biblioteca.

Estes três itens básicos irão melhorar o desempenho da nossa Biblioteca Digital Escolar na medida em que irá baixar o nível de convencimento dos detentores de Direitos Autorais e propiciará melhora na comunicação com o leitor, usuário, aluno, etc.

Nossa arquitetura bibliodigital

Independente do modelo de negócios por trás de um acervo [público ou privado], e para que o modelo a ser seguido obtenha um alto valor agregado, uma arquitetura bibliodigital deve ser inteiramente portátil, ou seja, deverá ser carregada através de qualquer dispositivo móvel.

Insisto [já pedindo desculpas pelas repetições] que essa arquitetura deva ser inteiramente acessível, ou seja, deve permitir o armazenamento e acesso de conteúdo através das tecnologias populares e já amplamente conhecidas.

Desenvolver uma arquitetura bibliodigital exigirá, do projeto e da equipe envolvida, interoperabilidade computacional, integração do ecossistema com outras soluções de ensino a distância, portais de conteúdo e plataformas de eBooks. Estes itens devem ser minuciosamente observados levando-se em conta àqueles tantos outros tão importantes já citados, como:

  • A computação em nuvem [ou seja, uso dos serviços de acesso sob demanda e utilizando-se de recursos computacionais compartilhados].
  • A mobilidade da biblioteca digital proposta.
  • A portabilidade do conteúdo através de diversos dispositivos de leitura.
  • A bibliodiversidade do conteúdo na biblioteca.
  • A acessibilidade total a biblioteca através do uso de softwares livres.

Professor também é leitor

Nossa Biblioteca Digital Escolar poderá ser utilizada não somente pelos alunos, mas também pelos professores, que também carecem muitas vezes de seu próprio hábito de leitura. Se o professor tem a oportunidade de melhorar sua leitura, se tornará ainda mais producente criar e incentivar este hábito no educando.

O educador não precisa substituir o profissional bibliotecário, em seu trabalho mais técnico, mas pode ser o agente de leitura nas salas que permitiremos criar. O educador pode ser o moderador das salas de leitura [comunidade de leitores].

Pensando em um cenário onde ambos os profissionais possam atuar em nosso ambiente de leitura, nós podemos contar com a colaboração tanto dos professores quanto dos bibliotecários nos aspectos que tangem:

A organização do acervo com uma variedade reconhecível de títulos.
Ajudar o leitor a desenvolver o senso crítico do mundo que o cerca.
Colaborar com o desenvolvimento intelectual do aluno.
Colaborar com a formação e o crescimento cultural e, portanto, social dos alunos através de uma leitura complementar.

Ao criar um espaço conectado, de livre frequência, estaremos possibilitando o acesso aos livros sem as intermediações que hoje criam obstáculos para a formação de novos leitores. O ideal é que a nossa biblioteca também crie para o professor a oportunidade de ter acesso a uma produção editorial, tanto quanto os alunos que farão uso para os mais variados objetivos.

Fazendo-se cumprir a lei

A Biblioteca Digital Escolar pode se transformar em uma coleção de livros, materiais e documentos registrados em suporte digital, destinado à consulta, pesquisa, estudo e leitura. Com a Biblioteca Digital Escolar, o professor pode ter em mãos uma poderosa ferramenta de estímulo ao desenvolvimento de jovens estudantes nos campos de leitura e um verdadeiro acervo para a construção da arte do saber e do conhecimento.

Segundo a Lei N°12.244, decretada pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Governo em 25 de maio de 2010, todas as instituições públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País deverão contar com bibliotecas. Com a Biblioteca Digital Escolar, a instituição de ensino poderá se preparar e se antever a realidade da Lei N°12.244 que diz:

“Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos”.

Segundo Dados do Censo Escolar, de 2009, há 99.896 escolas do Ensino Fundamental e 7.174 escolas do Ensino Médio sem bibliotecas. Segundo o Censo Escolar de 2011, seria 113.269 escolas públicas sem biblioteca. É fato que praticamente 80% das escolas públicas não têm bibliotecas. Mas é fato também que, para melhorar o nível de leitura nas escolas, não precisaríamos de novas leis [como é o caso daquela de número 12.244], se realmente colocássemos a mão na massa. Mas já que a lei foi criada, nós podemos usar de suas prerrogativas para ajudar a levar livros às escolas através das bibliotecas conectadas.

Em meados de agosto de 2013 foi aprovada no Congresso Nacional uma lei que destina 75% dos royalties do pré-sal para a educação. É importante lembrar que uma biblioteca digital também pode cumprir o papel de uma biblioteca pública. Um espaço de leitura conectado não deve substituir as tão sonhadas bibliotecas físicas escolares, mas podem criar um caminho alternativo para a construção de um País letrado.

Uma das metas do Plano Nacional de Educação é que pelo menos metade das escolas de educação básica seja de tempo integral até o início da década de 2020, quando se deve alcançar o incremento de 120 bilhões de reais oriundos dos royalties do pré-sal. Se estudantes das escolas públicas terão mais tempo dentro das escolas, precisaremos de mais ferramentas em quantidade e qualidade para aprender mais e melhor.

O País precisaria construir mais de 100 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei [mais de 30 unidades por dia]. Precisaremos investir ao mesmo tempo em mais bibliotecas, para atender a lei 12.244 e, ao mesmo tempo, precisaremos de mais laboratórios ou salas de informática. Poderíamos ganhar tempo com a construção das bibliotecas digitais e reinvestir o montante da diferença dos exemplares impressos em mais títulos digitais.

Uma biblioteca digital pode ajudar no desenvolvimento da educação com investimentos menores do que a construção de bibliotecas de tijolos. Nossa ideia, com o nosso projeto de instalação de ambientes de leituras conectados, é criar maneiras sustentáreis de se fazer cumprir a lei, e de colaborar com a expansão do número de leiturasem nosso País.

Inúmeras oportunidades de crescimento

A tecnologia está com seus olhos voltados para a educação e o mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks.

Conforme registrado, os futuros royalties do pré-sal podem gerar um incremento da ordem de mais de 120 bilhões de reais no orçamento da educação até 2022, segundo projeção do próprio Ministério da Educação. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], autarquia do MEC responsável pelos programas do livro didático e da biblioteca da escola, mostram que as escolas públicas da educação básica receberam 43 milhões de livros de literatura infantil e infanto-juvenil, no período de2005 a 2010.

Outros números apontam que haverá um aumento de 42% no gasto por estudante da educação básica entre 2014 e 2022. No mesmo período, a média de alunos na pirâmide demográfica brasileira será de aproximadamente 50 milhões de jovens entre 5 e 19 anos.

Existem 5.564 secretarias municipais, e 27 secretarias estaduais, cuidando da educação no País com quem podemos firmar convênios para a construção das salas de leitura digital. Entre elas aquela já citada no início deste artigo que comporta a VESP. No geral, são 190 mil escolas públicas de ensino fundamental e médio. Com dois milhões de professores de educação básica.

Repositórios digitais no futuro

Embora os eBooks possam ser utilizados como ferramenta complementar no sistema de ensino aprendizagem, eles ainda não estão amplamente sendo utilizados na área da educação. Isto ocorre porque ainda estamos em uma fase onde inúmeros projetos ainda tentam de certo modo mimetizar os processos de acesso aos conteúdos já existentes, ao invés de criar um novo cenário utilizando as inúmeras possibilidades que a tecnologia da informação nos permitiria.

Um dos principais motores dessa transformação no modo de ‘ambientalizar’ o processo de aprendizagem é a disseminação dos recursos onipresentes da computação, entre eles a própria internet. Já existem boas alternativas, mas ainda há muitos entraves de ambos os lados, tanto pelo lado da educação, que ainda tenta testar o modelo nas escolas, quanto da própria tecnologia que ainda não se provou realmente eficiente na falta, muitas vezes, do equilíbrio entre a teoria e a prática.

Os impeditivos da utilização dos eBooks na educação passam também pela chamada exclusão digital, pelo analfabetismo funcional, pela falta de acesso e conexão à internet, entre outras questões ainda mais sérias e infelizmente não resolvidas. Os números da falta de leitura no Brasil, por exemplo, são alarmantes. Em qualquer pesquisa ou estudo que se analise, entre eles o indicador Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], o que se percebe é uma lentidão generalizada na construção de novas bibliotecas, na abertura de novas salas de leitura e na formação de novos leitores.

E é neste sentido que a tecnologia do livro digital pode ajudar na disseminação da literatura através de dispositivos móveis em lugares aonde as bibliotecas de tijolos não chegarão até 2020.

Um texto forma uma página. Uma página forma um livro. Um livro forma uma estante. Uma estante forma uma biblioteca. E uma biblioteca pode ajudar na formação de um leitor usando os ambientes virtuais como as salas de leitura aqui propostas.

Os eBooks devem transformar a realidade das bibliotecas no Brasil e no mundo. Com apenas um único dispositivo de leitura em mãos, o leitor pode acessar infinitas páginas, de diversos livros, de muitas estantes, de uma Biblioteca Digital Escolar. E a educação,em nosso País, deve se preparar para lidar com uma nova demanda que já foi criada com o advento do livro digital. Para isso, o reinvento das bibliotecas se torna o próximo desafio para toda a sociedade.

* Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.

Publicado originalmente em Notícias do Blog do Galeno | 31/01/2014

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Biblioteca Digital Escolar


Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

A tecnologia está focando a educação. Recentemente a Google lançou a plataforma educativa YouTube Edu, com 8 mil videoaulas gratuitas [de vinte e seis canais brasileiros]. A plataforma é voltada para estudantes, educadores e colégios do ensino médio, inicialmente.

Pouco tempo depois, a mesma Google também anunciou uma parceria com o governo de São Paulo para capacitar, em 2014, cerca de 300 mil professores da rede estadual dos ensinos fundamental e médio para que estes utilizem nas atividades complementares as ferramentas online como o Gmail e o Google Docs. Na época, não foi citado o Google Books [e deve haver uma razão bem particular para isto].

O governo paulista também anunciou, no final de outubro, através do projeto Escola Virtual de Programas Educacionais [EVESP] uma parceria com a norte-americana Microsoft Corp para utilizar o pacote Office gratuitamente na rede estadual.

Em um último exemplo, o empresário Nolan Bushnell, criador do antológico Atari, sugere uso de videogames e jogos eletrônicos nas escolas como ferramentas de aprendizagem.

Como dito, a tecnologia está focando na educação. Mas, e os livros? Como ficam os livros nesta história toda? O mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é, sem sombra de dúvida, um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks. Só para se ter uma ideia, a educação básica no Brasil possui pelo menos 50 milhões de alunos que necessitam de conteúdo de qualidade para seus estudos diários. E, segundo projeção do Ministério da Educação [MEC], até 2022 deve haver um incremento de 120 bilhões de reais no orçamento da educação.

Se o próximo grande desafio do Brasil é elevar a qualidade da educação, nosso País necessitará de um ecossistema de armazenamento e compartilhamento de conteúdo digital que seja de fácil entendimento e manuseio pelas partes que compõe os ambientes pedagógicos.

Mas como desenvolver um ecossistema de leitura digital voltado à educação?

Neste novo mercado prestes a se intensificar, a questão da interoperabilidade [entre o hardware, o software e o conteúdo] se mostra um dos itens mais importantes para que as bibliotecas digitais não se tornem estantes inacessíveis. O hardware, em sua maioria, são os dispositivos de leitura [reading devices] fabricados por empresas privadas com interesses mercantis bastante díspares. O software, o mediador entre a máquina e o leitor, oscila entre linguagens de programação proprietárias e os chamados códigos abertos [open source]. E o conteúdo, nosso principal item, sempre dependerá dos dois primeiros para ser efetivamente acessado e usado em sala de aula.

Para que os agentes envolvidos e interessados na utilização das bibliotecas escolares [governo, editoras, autores, professores, alunos, etc.] se beneficiassem igualitariamente de um repositório digital, o desenvolvimento de seu ecossistema pode se basear no conceito de open source. Ou seja, de código fonte aberto, de acesso livre e irrestrito. A open source permitiria a democratização do acesso aos eBooks e, a meu ver, é o caminho mais próximo do ideal em médio e longo prazos.

Os acervos digitais, porém, devem estar sustentados por modernos modelos de negócios, porque um dos principais entraves para a construção de bibliotecas digitais é o investimento para se montar sua estrutura de trabalho. O investimento inclui desde a aquisição, a digitalização de obras, quando houver esta necessidade, até o emprego da tecnologia de Digital Rights Management [DRM] empregada para os controles de acesso as obras.

Minha proposta, descrita a seguir, é simular um ecossistema de conteúdo digital voltado à educação. Nesta proposta de trabalho, iremos levar em conta o emprego da tecnologia da informação, porque ela ainda é central quando se fala livros digitais [didáticos, paradidáticos ou de leitura complementar]. Propomos criar uma alternativa, uma solução para a problemática do livro em repositórios bibliodigitais, para que os profissionais interessados possam enfim vislumbrar um projeto factível e voltar suas atenções ao que realmente importa: a formação e a aprendizagem.

Leitura e educação na era digital

Antes de avançar com uma parte mais técnica, vamos contextualizar o cenário de onde partiremos. Algumas ações gerais podem nos ajudar a permear uma escola de leitores, entre elas, o desenvolvimento de uma rotina de leitura e o estímulo à indicação de livros.

Para estas ações anteriormente descritas se desenvolverem na prática, faz-se necessária a criação e manutenção de diversos ambientes interativos, ou salas de leitura digitais e conectadas. E o principal investimento é a criação de um acervo misto de livros em versão digital disponibilizado através do que chamaremos de Biblioteca Digital Escolar que, entre outros benefícios, deve permitir:

O acesso aos livros através de um rico acervo.
A possibilidade dos próprios alunos escolherem os livros que desejam ler.
Atender mais leitores com menos títulos.
Retiradas, devoluções e recolocações automáticas nas prateleiras digitais.
Adicionar mais títulos ao acervo já criado, sem a necessidade de investimentos em espaço físico, infraestrutura ou dispêndio operacional.
Um mecanismo de busca de uma Biblioteca Digital Escolar que permita a pesquisa de palavras em uma obra ou em uma coleção inteira de livros.
Análise dos relatórios detalhados sobre a utilização da biblioteca, melhorando a qualidade das decisões de aquisição de novos títulos.
E deve permitir os mesmos dispositivos de direitos de propriedade dos livros impressos [através de um sistema de gerenciamento digital de Direitos Autorais, o já citado DRM].

Estes e outros benefícios antes descritos podem ser o atrativo para os leitores que estão mais dispersos em outras mídias digitais interativas, fora dos ambientes pedagógicos tradicionais. Uma Biblioteca Digital Escolar é a solução mais adequada para atender a alunos de cursos à distância, ou iniciativas de inclusão digital, por exemplo, que necessitam de acesso a uma biblioteca completa.

Nosso ecossistema terá um servidor central de conteúdo. Este servidor irá literalmente servir as estantes virtuais de eBooks que poderão ser criadas pelos próprios usuários. Estas estantes poderão ser temáticas conforme a necessidade de cada educador ou grupo de alunos. E estas estantes, por fim, irão alimentar as salas de leitura que serão formadas pelos usuários para que se possam realizar os trabalhos pedagógicos comuns a eles [como nas comunidades virtuais de ensino].

O servidor de conteúdo

Podemos utilizar se quisermos as soluções prontas, daquela empresa que quer dominar o mundo. Ou podemos desenvolver nossas próprias soluções. Iremos pelo caminho que nos trará mais aprendizado. Para construir nossa Biblioteca Digital Escolar precisaremos de um servidor de conteúdo, ele será o alicerce do nosso repositório, do nosso acervo central. Por servidor de conteúdo entende-se o sistema tecnológico que irá salvaguardar os objetos digitais e permitirá sua circulação para os usuários nas salas de leitura.

Tecnicamente, vamos chamar a base para a construção da nossa Biblioteca Digital Escolar de Library Content Server. O nome é apenas uma alegoria. Nossa biblioteca digital necessitará de um servidor de conteúdo escalonável e seguro, que pode ser um servidor dedicado ou podemos também, para minimizar os nossos custos, usar um servidor compartilhado de algum serviço de cloud computing [computação em nuvem].

No caso de projetos ligados às iniciativas públicas, há algumas instituições que já mantêm o seu próprio parque tecnológico que pode eventualmente ser usado para suportar nosso servidor. Como dito, o que realmente importa é que o nosso servidor de conteúdo digital será a base tecnológica da nossa biblioteca.

Ainda estamos no campo das ideias, mas o objetivo da nossa Library Content Server será tornar possível a customização de uma central de armazenamento e distribuição de eBooks para alunos e professores, com o controle dos usuários desde o login [ou seja, a entrada do leitor] até o acesso seguro aos conteúdos digitais [já que as editoras e autores fazem tanta questão]. Nossa proposta é uma solução que servirá para a hospedagem, armazenamento, distribuição, acesso e compartilhamento dos livros digitais.

Whitelabel pages

Para melhorar a rotina de utilização, nossa Library Content Server deverá permitir a criação de páginas customizadas para bibliotecas públicas e até particulares. Elas poderão ser usadas para a circulação de livros usando, neste módulo específico, o conceito de whitelabel. Ou seja, de páginas criadas de modo customizado conforme as necessidades e realidade do intermediador do conteúdo [que pode ser o próprio bibliotecário, já que uma lei assim impõe] ou do moderador da leitura [que pode, por exemplo, ser o educador].

Com esta ferramenta, cada escola pode criar a sua própria sala de leitura com suas estantes temáticas, a partir do repositório central, enchê-las de títulos e, mais tarde, permitir o compartilhamento das obras. Com este módulo, cada aluno ou educador poderá criar a sua própria página e organizar a sua própria estante de livros e também compartilhar conteúdo seguro através e com outras salas de leitura.

Através dos principais módulos, nossa Biblioteca Digital Escolar permitiria:

  • Criação de páginas customizadas [salas de leitura] para escolas, professores e alunos.
  • Criação de estantes e bibliotecas digitais portáteis e acessíveis.
  • Acesso ao painel de controle das salas, estantes e eBooks.
  • Acesso ao painel de controle dos Direitos Autorais em tempo real.

Open share

O código-fonte por trás da estrutura da nossa Library Content Server deve ser baseado em uma licença freeware, livre de pagamento de royalties. Os provedores de conteúdo [autores, editoras, distribuidores, etc.] podem obter lucro com a exploração comercial do conteúdo disponibilizado, como hoje ocorre com o mercado de livros impressos, mas não seria estimulada a exploração comercial em cima da plataforma em si [com exceção do suporte técnico necessário].

Há custos envolvendo o desenvolvimento do acervo digital, principalmente na instalação, configuração e manutenção do sistema. Mas instituições, escolas, bibliotecas públicas e entidades que cuidam da questão da leitura poderão desenvolver o servidor de livros digitais Library Content Server sem os altos custos de licenças geralmente existentes em sistemas de igual complexidade.

As tecnologias que podem ser usadas na estrutura da Library Content Server são populares na internet e já amplamente difundidas e utilizadas por milhares de empresas no mundo todo. Nossa Library Content Server teria, salvaguardando alguns pormenores aqui ainda não detalhados, a seguinte estrutura tecnológica básica:

  • Servidor
  • Código fonte [linguagem de programação]
  • Scripts de segurança
  • Banco de dados
  • Front-end de leitura
  • Gateway de e-commerce
  • eBooks

As tecnologias devem ser de uso padrão e podem ser implantadas por profissionais facilmente encontrados em nosso mercado. Estes profissionais já estão familiarizados com estas tecnologias citadas e só precisam de um bom mapa de desenvolvimento para, enfim, construir o acervo central.

Por uma biblioteca descentralizada

Para que o projeto da nossa Biblioteca Digital Escolar não esbarre em corporativismos o e burocracias, precisamos criar mecanismos que criem a independência necessária principalmente para os casos em que nosso projeto esteja abaixo do poder público. Nada contra, creio apenas que o controle da nossa biblioteca deve ser feito de modo prático, descentralizado, com capacidade operacional plena.

Já existe hoje uma diversidade de programas governamentais, como é o caso do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE], Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Prossionais da Educação [Fundeb] e Plano de Ações Articuladas [PAR]. É possível levantar patrocínio através da iniciativa privada, que podem nos ajudar a enriquecer o nosso acervo sem precisarmos necessariamente ficar atrelados à supervisão ou controle que burocratize o projeto e torne os livros digitais tão inacessíveis quanto são hoje os livros impressos nas bibliotecas físicas em geral.

Vencido qualquer cenário burocrático neste sentido, há casos, e não é raro, em que o arquivo do livro, por conta de restrições contratuais e ou técnicas, não se encontrará ‘fisicamente’ dentro de nosso repositório central. Neste caso específico, nós poderíamos recorrer [se for o caso] aos metadados. A equação aqui é mais simples que lhe dar com burocratas. Precisamos estabelecer um padrão, de preferência aberto [um exemplo é a Onix for Books, mas, no Brasil, se usa geralmente o protocolo Marc 21] para os dados completos sobre o livro. Criamos uma rica indexação de obras com o objetivo único e final de levar o nosso usuário até os livros, independente de onde os arquivos estejam disponíveis.

Com o uso dos metadados, os dados sobre os livros, nossa biblioteca pode oferecer aos usuários comodidade na busca por títulos, assuntos, temas, escritores, coleções, e uma infinidade de palavras-chave que poderão direcioná-los até a estante mais próxima. O usuário poderá enfim encontrar o conteúdo que busca, mesmo que o material esteja longe do nosso próprio acervo.

Conforme dito, o servidor de nossa biblioteca pode ser construído em cloud computing [computação em nuvem], o mais importante, porém, é que os recursos da Library Content Server devam permitir que os objetos digitais armazenados possam ser acessados prioritariamente via web browsers [navegadores] a qualquer momento, a partir de qualquer dispositivo móvel.

O sistema das salas de leitura não deve restringir ou obrigar o usuário/leitor/aluno à instalação de nenhum aplicativo, componente ou plug-in em seu reading device [dispositivo de leitura]. O ideal é que os recursos de leitura e conteúdo estejam disponíveis dentro da própria solução e ambiente virtual de acesso. Os aplicativos, neste cenário, podem existir desde que não criem nenhum tipo de interferência [dependência] no acesso aos livros. Embora muitos aplicativos ajudem na exploração e experiência, muitos acabam criando muros maiores que os das bibliotecas físicas.

O front-end do sistema Library Content Server [ou seja, a interface final com o usuário — responsável pela montagem de cada estante, sala de leitura ou páginas dos livros] deve ser baseado no conceito de acessibilidade total. Isto quer dizer não só que os objetos digitais possam ser acessados e livremente lidos através principalmente dos navegadores que permitam o acesso à internet, mas que a rotina que permite a leitura deva obedecer às regras básicas da World Web Consortium [W3C] e do consórcio International Digital Publishing Forum [IDPF].

O front-end da biblioteca digital deve ‘rodar’ em qualquer navegador através de hardwares de leitura como desktops, notebooks, laptops, netbooks, ultrabooks, tablets, smartphones, e-readers e até nas lousas digitais. O sistema deve permitir, enfim, o acesso e a leitura de arquivos nos formatos já amplamente utilizados pelos provedores de conteúdo, como PDF, Daisy, HTML5 e, claro, ePub.

O gerenciamento de Direitos Autorais

Os eBooks armazenados na Library Content Server devem ser tratados como objetos independentes, o que permitirá o compartilhamento seguro entre os usuários previamente cadastrados [bibliotecários, professores, alunos, escola, etc.], cada um com o seu perfil de acesso, com login e senha.

Os eBooks devem ser completamente livres de criptografias restritivas para que, portanto, possam ser acessados à partir de qualquer suporte de leitura, bastando apenas haver no mínimo o navegador com conexão via web.

A segurança dos objetos digitais deverá existir, é claro, mas podem tecnicamente estar alocadas em cada biblioteca, estante ou sala de leitura que, por sua vez, estará atrelada a conta de usuário, que necessitará estar previamente registrado na biblioteca para ter acesso aos livros liberados. Livros digitais em regime de Domínio Público, por exemplo, podem ser armazenados no sistema sem a necessidade de criptografia, senhas ou segurança. E, portanto, podem ser acessados mais rapidamente pelos usuários cadastrados.

Muito se tem falado a respeito do empréstimo nas bibliotecas digitais, mas a equação para esta questão é simples. Se há, por exemplo, apenas 100 exemplares digitais de um determinado título, licenciados e a disposição na biblioteca, somente estes 100 exemplares digitais poderão ser emprestados para os usuários. O usuário de número 101 na fila de leitura deve aguardar a devolução de um exemplar para o acervo central de um dos exemplares já emprestados da obra.

Para os livros em regime de Direito Autoral, um gateway de pagamento atrelado a Library Content Server pode permitir os pagamentos. E o repasse dos Direitos Autorais, dos casos específicos, pode ser realizado em tempo real tanto para a editora ou distribuidor, quanto para o autor, que podem resgatar os valores através de um dashboard [painel de controle].

Nenhum livro, porém, deve ‘subir’ para o servidor da Library Content Server sem a autorização prévia da editora, autor, distribuidor ou do detentor dos Direitos Autorais [através de um contrato, de preferência por escrito, de autorização]. Desencorajamos qualquer ação contrária nesse sentido.

É importante incluir no projeto de desenvolvimento uma rotina de trabalho de convencimento dos detentores de conteúdo com relação às licenças, através de uma política de aquisições clara, objetiva e transparente.

Definindo a política de aquisições

Embora tenhamos o desafio nas aquisições dos títulos frente a um mercado carente de entendimento, a logística do livro digital é mais simples do que o problema enfrentado com relação à distribuição e logística dos livros físicos. No caso dos livros impressos, o trabalho do bibliotecário é realizado de modo mais tranquilo porque historicamente os autores e editoras já conhecem a finalidade das compras.

A aquisição de um eBook por parte de um bibliotecário torna-se, porém, um desafio na medida em que os detentores dos Direitos Autorais [editoras, distribuidores, autores] insistem em saber como, onde e de que forma os livros adquiridos serão acessados pelos usuários.

A questão que surge é que não há um nível seguro de conhecimento de todos os envolvidos que permita uma rápida tomada de decisão. O que pode tornar o processo mais lento. E para que o trabalho cotidiano do bibliotecário não se altere drasticamente, o ideal é que o profissional tenha em mãos os limites territoriais, de idioma e de temporalidade de sua biblioteca digital para que o detentor dos Direitos Autorais possa enfim licenciar as obras [e colaborar com o projeto].

Para obter uma quantidade maior de títulos, uma biblioteca não precisa necessariamente estar diretamente atrelada a, por exemplo, uma plataforma de autopublicação. É muito importante ponderar, em nosso projeto, a fase de aquisição de conteúdo digital, e o seu modelo, e separarmos da seção de oferta de títulos para o leitor. Ou seja, em uma ponta nós iremos adquirir os títulos, neste momento, poderíamos até eventualmente manter parceria com projetos de autopublicação; mas, na outra ponta, teremos a disponibilização dos títulos. Uma ferramenta de autopublicação atrelada a nossa biblioteca só iria atrapalhar a nossa curadoria de conteúdo.

Na hora de adquirirmos os títulos para o nosso repositório, temos de ter a clara noção do nosso modelo de oferta. Se a aquisição é perpétua, por meio de uma licença, por um longo ou curto período de tempo, o ideal é que esta aquisição esteja sempre vinculada à demanda e direcionada unicamente ao usuário. Lá na ponta, o usuário tem de estar bastante familiarizado com as possibilidades de acesso ofertadas [assinatura, aluguel, pay per view, etc].

Nossa biblioteca poderá adquirir os títulos através dos próprios autores, de suas respectivas editoras, ou de distribuidores, o que for melhor em cada caso, dependendo da oferta e da demanda do acervo central. Em cada um dos casos, o ideal é que haja um contrato firmado e registrado que estipule as regras mínimas de compartilhamento do conteúdo adquirido.

Para eliminar custos na aquisição de conteúdo, o ideal é que o nosso acervo central seja o próprio ‘agregador’ de conteúdo, dessa forma estaremos mais aptos a negociação com os detentores dos Direitos Autorais.

A aquisição do conteúdo digital será quase sempre orientada ao usuário [usando a aplicação do conceito patron driven acquisition] e independente da política de acesso dispensada ao leitor, o ideal é que esta aquisição do exemplar digital em si seja sempre perpétua.

O ideal também é que toda essa gestão de aquisições e do controle de acesso dos usuários seja realmente desenhada pelo profissional bibliotecário. Que deve estudar minuciosamente o seu público leitor antes de definir prioritariamente a política de acesso [que será obviamente baseada no modelo de negócios], para, enfim, definir o modelo de aquisição dos títulos.

A aquisição de conteúdo estará intimamente ligada com o nosso modelo de disponibilização. Ao mesmo tempo em que elaboramos de que modo podemos adquirir conteúdo para a nossa biblioteca digital, precisamos pensar também de que modo iremos compartilhar este conteúdo com o nosso usuário final [escola, professor, aluno, etc.].

Definindo a política de acesso

Conforme nossa biblioteca for crescendo em tamanho de títulos e usuários, outros desafios virão. A começar pela própria bibliodiversidade até o número de exemplares digitais disponíveis para cada título [que, como já dito, estará por sua vez automaticamente ligado ao modelo de permissão de acesso ao usuário].

A política de acesso de cada biblioteca digital estará intimamente ligada com o seu modelo de negócios. Ou seja, as aquisições e compras só poderão ser efetuadas se o modelo de acesso for bem especificado. Por exemplo, a biblioteca pode ter um modelo na qual o usuário pague uma assinatura [pay per view]. O usuário pode optar pelo empréstimo em curto ou longo prazo.

Cada biblioteca digital pode ter definidas as suas próprias políticas de acesso aos conteúdos. Cada política de acesso deve estar visivelmente bem clara a todos os atores do projeto para que a comunicação, desde a aquisição das coleções, até a sua disponibilização, se mantenha clara e objetiva.

Propomos enfim, em nosso projeto, uma política de acesso universal e irrestrita que mantenha ao mesmo tempo resguardados os Direitos Autorais, mas, principalmente, o direito do acesso à informação e ao conhecimento em primeiro plano.

Eis aqui o nosso check list básico:

  • Definição da política de acesso dos leitores/usuários.
  • Definição da política de compra dos eBooks.
  • Definição do modelo de negócios da biblioteca.

Estes três itens básicos irão melhorar o desempenho da nossa Biblioteca Digital Escolar na medida em que irá baixar o nível de convencimento dos detentores de Direitos Autorais e propiciará melhora na comunicação com o leitor, usuário, aluno, etc.

Nossa arquitetura bibliodigital

Independente do modelo de negócios por trás de um acervo [público ou privado], e para que o modelo a ser seguido obtenha um alto valor agregado, uma arquitetura bibliodigital deve ser inteiramente portátil, ou seja, deverá ser carregada através de qualquer dispositivo móvel.

Insisto [já pedindo desculpas pelas repetições] que essa arquitetura deva ser inteiramente acessível, ou seja, deve permitir o armazenamento e acesso de conteúdo através das tecnologias populares e já amplamente conhecidas.

Desenvolver uma arquitetura bibliodigital exigirá, do projeto e da equipe envolvida, interoperabilidade computacional, integração do ecossistema com outras soluções de ensino a distância, portais de conteúdo e plataformas de eBooks. Estes itens devem ser minuciosamente observados levando-se em conta àqueles tantos outros tão importantes já citados, como:

  • A computação em nuvem [ou seja, uso dos serviços de acesso sob demanda e utilizando-se de recursos computacionais compartilhados].
  • A mobilidade da biblioteca digital proposta.
  • A portabilidade do conteúdo através de diversos dispositivos de leitura.
  • A bibliodiversidade do conteúdo na biblioteca.
  • A acessibilidade total a biblioteca através do uso de softwares livres.

Professor também é leitor

Nossa Biblioteca Digital Escolar poderá ser utilizada não somente pelos alunos, mas também pelos professores, que também carecem muitas vezes de seu próprio hábito de leitura. Se o professor tem a oportunidade de melhorar sua leitura, se tornará ainda mais producente criar e incentivar este hábito no educando.

O educador não precisa substituir o profissional bibliotecário, em seu trabalho mais técnico, mas pode ser o agente de leitura nas salas que permitiremos criar. O educador pode ser o moderador das salas de leitura [comunidade de leitores].

Pensando em um cenário onde ambos os profissionais possam atuar em nosso ambiente de leitura, nós podemos contar com a colaboração tanto dos professores quanto dos bibliotecários nos aspectos que tangem:

A organização do acervo com uma variedade reconhecível de títulos.
Ajudar o leitor a desenvolver o senso crítico do mundo que o cerca.
Colaborar com o desenvolvimento intelectual do aluno.
Colaborar com a formação e o crescimento cultural e, portanto, social dos alunos através de uma leitura complementar.

Ao criar um espaço conectado, de livre frequência, estaremos possibilitando o acesso aos livros sem as intermediações que hoje criam obstáculos para a formação de novos leitores. O ideal é que a nossa biblioteca também crie para o professor a oportunidade de ter acesso a uma produção editorial, tanto quanto os alunos que farão uso para os mais variados objetivos.

Fazendo-se cumprir a lei

A Biblioteca Digital Escolar pode se transformar em uma coleção de livros, materiais e documentos registrados em suporte digital, destinado à consulta, pesquisa, estudo e leitura. Com a Biblioteca Digital Escolar, o professor pode ter em mãos uma poderosa ferramenta de estímulo ao desenvolvimento de jovens estudantes nos campos de leitura e um verdadeiro acervo para a construção da arte do saber e do conhecimento.

Segundo a Lei N°12.244, decretada pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Governo em 25 de maio de 2010, todas as instituições públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País deverão contar com bibliotecas. Com a Biblioteca Digital Escolar, a instituição de ensino poderá se preparar e se antever a realidade da Lei N°12.244 que diz:

“Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos”.

Segundo Dados do Censo Escolar, de 2009, há 99.896 escolas do Ensino Fundamental e 7.174 escolas do Ensino Médio sem bibliotecas. Segundo o Censo Escolar de 2011, seria 113.269 escolas públicas sem biblioteca. É fato que praticamente 80% das escolas públicas não têm bibliotecas. Mas é fato também que, para melhorar o nível de leitura nas escolas, não precisaríamos de novas leis [como é o caso daquela de número 12.244], se realmente colocássemos a mão na massa. Mas já que a lei foi criada, nós podemos usar de suas prerrogativas para ajudar a levar livros às escolas através das bibliotecas conectadas.

Em meados de agosto de 2013 foi aprovada no Congresso Nacional uma lei que destina 75% dos royalties do pré-sal para a educação. É importante lembrar que uma biblioteca digital também pode cumprir o papel de uma biblioteca pública. Um espaço de leitura conectado não deve substituir as tão sonhadas bibliotecas físicas escolares, mas podem criar um caminho alternativo para a construção de um País letrado.

Uma das metas do Plano Nacional de Educação é que pelo menos metade das escolas de educação básica seja de tempo integral até o início da década de 2020, quando se deve alcançar o incremento de 120 bilhões de reais oriundos dos royalties do pré-sal. Se estudantes das escolas públicas terão mais tempo dentro das escolas, precisaremos de mais ferramentas em quantidade e qualidade para aprender mais e melhor.

O País precisaria construir mais de 100 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei [mais de 30 unidades por dia]. Precisaremos investir ao mesmo tempo em mais bibliotecas, para atender a lei 12.244 e, ao mesmo tempo, precisaremos de mais laboratórios ou salas de informática. Poderíamos ganhar tempo com a construção das bibliotecas digitais e reinvestir o montante da diferença dos exemplares impressos em mais títulos digitais.

Uma biblioteca digital pode ajudar no desenvolvimento da educação com investimentos menores do que a construção de bibliotecas de tijolos. Nossa ideia, com o nosso projeto de instalação de ambientes de leituras conectados, é criar maneiras sustentáreis de se fazer cumprir a lei, e de colaborar com a expansão do número de leiturasem nosso País.

Inúmeras oportunidades de crescimento

A tecnologia está com seus olhos voltados para a educação e o mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks.

Conforme registrado, os futuros royalties do pré-sal podem gerar um incremento da ordem de mais de 120 bilhões de reais no orçamento da educação até 2022, segundo projeção do próprio Ministério da Educação. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], autarquia do MEC responsável pelos programas do livro didático e da biblioteca da escola, mostram que as escolas públicas da educação básica receberam 43 milhões de livros de literatura infantil e infanto-juvenil, no período de2005 a 2010.

Outros números apontam que haverá um aumento de 42% no gasto por estudante da educação básica entre 2014 e 2022. No mesmo período, a média de alunos na pirâmide demográfica brasileira será de aproximadamente 50 milhões de jovens entre 5 e 19 anos.

Existem 5.564 secretarias municipais, e 27 secretarias estaduais, cuidando da educação no País com quem podemos firmar convênios para a construção das salas de leitura digital. Entre elas aquela já citada no início deste artigo que comporta a VESP. No geral, são 190 mil escolas públicas de ensino fundamental e médio. Com dois milhões de professores de educação básica.

Repositórios digitais no futuro

Embora os eBooks possam ser utilizados como ferramenta complementar no sistema de ensino aprendizagem, eles ainda não estão amplamente sendo utilizados na área da educação. Isto ocorre porque ainda estamos em uma fase onde inúmeros projetos ainda tentam de certo modo mimetizar os processos de acesso aos conteúdos já existentes, ao invés de criar um novo cenário utilizando as inúmeras possibilidades que a tecnologia da informação nos permitiria.

Um dos principais motores dessa transformação no modo de ‘ambientalizar’ o processo de aprendizagem é a disseminação dos recursos onipresentes da computação, entre eles a própria internet. Já existem boas alternativas, mas ainda há muitos entraves de ambos os lados, tanto pelo lado da educação, que ainda tenta testar o modelo nas escolas, quanto da própria tecnologia que ainda não se provou realmente eficiente na falta, muitas vezes, do equilíbrio entre a teoria e a prática.

Os impeditivos da utilização dos eBooks na educação passam também pela chamada exclusão digital, pelo analfabetismo funcional, pela falta de acesso e conexão à internet, entre outras questões ainda mais sérias e infelizmente não resolvidas. Os números da falta de leitura no Brasil, por exemplo, são alarmantes. Em qualquer pesquisa ou estudo que se analise, entre eles o indicador Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], o que se percebe é uma lentidão generalizada na construção de novas bibliotecas, na abertura de novas salas de leitura e na formação de novos leitores.

E é neste sentido que a tecnologia do livro digital pode ajudar na disseminação da literatura através de dispositivos móveis em lugares aonde as bibliotecas de tijolos não chegarão até 2020.

Um texto forma uma página. Uma página forma um livro. Um livro forma uma estante. Uma estante forma uma biblioteca. E uma biblioteca pode ajudar na formação de um leitor usando os ambientes virtuais como as salas de leitura aqui propostas.

Os eBooks devem transformar a realidade das bibliotecas no Brasil e no mundo. Com apenas um único dispositivo de leitura em mãos, o leitor pode acessar infinitas páginas, de diversos livros, de muitas estantes, de uma Biblioteca Digital Escolar. E a educação,em nosso País, deve se preparar para lidar com uma nova demanda que já foi criada com o advento do livro digital. Para isso, o reinvento das bibliotecas se torna o próximo desafio para toda a sociedade.

* Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.

Publicado originalmente em Notícias do Blog do Galeno | 31/01/2014

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Juiz rejeita processo de livreiros contra a Amazon


O juíz Jed Rakoff rejeitou o processo dos livreiros independentes contra a Amazon e as seis maiores editoras do Estados Unidos, que alegava conspiração para restringir o comércio com o uso do DRM na plataforma de leitura do Kindle. Em 18 páginas, o relatório do juíz indicou que a acusação não havia evidência, nem motivo plausível. “Essa alegação é notavelmente evasiva”, escreveu Rakoff. “A acusação não alega um acordo ilegal, apenas ‘discussões orais ou acordos em relação ao uso restritivo do DRM’ vagos. Não alegam nem que tais discussões ou acordos de fato ocorreram, apenas a sua possibilidade. E não especificam quem teria participado dessas discussões ou acordos hipotéticos, apenas que podem ter envolvido ‘uma ou mais’ editoras e a Amazon”.

Por Andrew Albanese | Publishers Weekly | 10/12/2013

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

A Fliporto 2013 promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em módulos, a oficina contará com aulas intensas para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio tem 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou “Construindo uma biblioteca digital“, e em 2010 lançou “O livro na era digital“. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

Ataque a Adobe afeta dados de 38 milhões de clientes


Photo by Corbis

Segundo o The New York Times, o ataque virtual à Adobe, a mesma empresa que desenvolve o sistema de DRM Adobe Content Server, expôs dados pessoais de dezenas de milhões de clientes.

Segundo a própria Adobe, os crackers também roubaram o código-fonte de três de seus mais usados produtos, entre eles o Acrobat Reader [aquele mesmo usado para os nossos famosos eBooks em PDF]. Os demais softwares cujos código-fonte também foram quebrados, são programas de desenvolvimento web, rodados em computadores pessoais e em servidores ao redor do mundo. A Adobe afirmou que os crackers haviam acessado a dados de cartão de crédito, entre outros dados, de milhões de seus clientes.

Não pretendo aqui forçar a barra, mas vejamos, a própria Adobe afirma que “os cibercriminosos também haviam roubado um número não divulgado de nomes de usuário e de senhas criptografadas“. Então imagina o que estes mesmos crackers poderiam fazer com os dados dos usuários que utilizam o DRM para os arquivos PDF e ePubs que trafegam diariamente pelo Adobe Content Server?

Este post não era para estar aqui, mas será que o Adobe Content Server também foi atingido e a Adobe não quis revelar para não abalar ainda mais o problema que ronda as editoras com relação a pirataria? Não quero forçar a barra, não quero especular, mas 38 milhões de usuários afetados não é pouco. Não é possível que neste número não esteja contabilizado os usuários do famoso DRM. É sabido que diversas empresas que distribuem e comercializam eBooks utilizam do DRM do Adobe Content Server para fazer a segurança dos arquivos dos eBooks através do ID Adobe. E eu já disse isto aqui em meus livros diversas vezes. Os crackers podem até não terem tido acesso aos arquivos e dados dos usuários desta vez, mas é certo afirmar que este objetivo não está longe de ser alcançado.

Brad Arkin, chefe de segurança da Adobe, afirmou que “Dado o perfil e a popularidade de nossos produtos, a Adobe vem atraindo crescente atenção de cibercriminosos.” E ainda segundo a matéria publicada no The New York Times, em um documento financeiro de setembro, a Adobe afirmou que a companhia era um alvo regular de roubos on-line, e que a perda de informação privada poderia “resultar em ações judiciais e potenciais responsabilizações ou multas para nós, inquérito governamental e supervisão, dano à marca e à reputação ou outros prejuízos a nossos negócios.

POR EDNEI PROCÓPIO | COM INFORMAÇÕES DO “NEW YORK TIMES”

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

Uma boa notícia para os amantes dos livros eletrônicos. A Fliporto promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site http://www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em nove módulos, a oficina contará com aulas intensas e laboratórios para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui os temas, o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou Construindo uma biblioteca digital, e em 2010 lançou O livro na era digital. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

Como ler livros em tablet android: Mantano Reader


Qual o melhor aplicativo para ler eBooks em um tablet Android? Não sei se vou conseguir responder a pergunta sobre o melhor mas posso contar aqui a minha experiência pessoal.

Apresento aqui o Mantano Reader, um software pouco conhecido mas que me surpreendeu positivamente.

Existem muitos softwares para tablets, seja Andoid seja iOS, que permitem ler arquivos ePub e PDF e fazer uma escolha é sempre complicado. Propor um que seja o melhor é impossível, porque cada um possui as suas exigências!

Lendo comodamente um livro no formato ePub ou PDF

Em primeiro lugar Mantano Reader é um software independente ou seja não está vinculado a nenhuma loja específica e isto permite ler livros digitais comprados em quase todas as lojas brasileiras, pois é compatível com o DRM da Adobe, usado por boa parte destas lojas.

Abre comodamente tanto ePub quanto PDF permitindo fazer anotações de maneira simples, dando a possibilidade de enviar estas anotações para sua conta no Facebook, Twitter ou por e-mail para seus contatos. É possível evidenciar o texto em várias cores e possui um índice onde você pode encontrar facilmente todas as anotações que feitas no seu eBook.

O sumário do livro é muito prático. Basta clicar na seta no canto inferior direito da tela e você terá acesso a um menu lateral com o sumário do livro, os marca páginas usados durante a leitura, os textos evidenciados e as anotações.

Com um toque na tela você tem acesso a um menu inferior que dá acesso à várias funções práticas e úteis

Anotar: você pode fazer suas anotações escrevendo um texto ou desenhando o que você quiser na tela!

Destacar: permite destacar o texto de maneira simples enquanto você lê. Obviamente você vai poder depois encontrar facilmente tudo o que destacou em um sumário.

Tema: se quiser pode modificar o tema de leitura entre normal e sepia, ou então você pode criar um tema todo seu definindo margens tamanho de fonte, cor de fundo, entrelinhas alinhamento de texto etc…

Exibir: permite modificar o tamanho da fonte ou a orientação do texto.
TTS: faz com que o software lei para você em alta voz!

Dicionário: dá acesso aos dicionários presente no programa ou acesso direto ao google para fazer pesquisas online sem sair do softwarer de leitura!

Procurar: permite fazer buscas por palavras ou frases dentro do eBook.
Info: apresenta as informações sobre o eBook que você está lendo.

Dois detalhes que podem fazer a diferença

O que me convenceu a usar este software para as minhas leituras pessoais foram duas características quase banais mas que deixam a leitura muito confortável.

a] O controle de luminosidade com o deslizar do dedo no lado esquerdo da página. É um modo muito simples de controlar a luz emitida pelo aparelho e para quem gosta de ler antes de dormir é muito prático porque permite controlar a luminosidade sem ter que clicar em menus com opções várias.

b] Aumento do tamanho das fontes com o deslizar do dedo no meio da página. Se você quer aumentar o tamanho da fonte basta deslizar o dedo no meio da tela de baixo para cima. Se quiser diminuir o texto deslize de cima para baixo. Simples não?

Catalogação da biblioteca pessoal

Obviamente o software possui um ótimo controle e organização da biblioteca, permitindo classificar os eBooks por tags, coleções, livros lidos, não lidos, com anotações, etc…

Além disto dá acesso logo na abertura do programa a todas as anotações que você fez em todos os teus livros o que faz destes programa uma ajuda perfeita para livros de estudos!

Grátis, mas compensa pagar!
O Mantano reader vem em uma versão gratuita, o Mantano Reader Lite, ou em versão premium a pagamento, o Mantano Reader Premium.

Meu conselho é de baixar a versão gratuita lite e usar por um período de teste, mas posso desde já recomendar sem medo a versão a pagamento. Vale a pena.

Revolução eBook | 10/10/13

Vendas online, territorialidade e pirataria


Russ Grandinetti, Vice-Presidente de Conteúdo do Kindle, falou na conferência Publishers Launch

Fotógrafo PublishNew

Fotógrafo PublishNew

Em 2012, a conferência Publishers Launch Frankfurt, que antecede a feira de livros todos os anos, teve um foco na ‘descobertabilidade’ e na velha briga do impresso versus digital. Apesar de ainda importantes, este ano os apresentadores da conferência mostraram ter superado um pouco esses temas. Em 2013, a Publishers Launch Frankfurt deu destaque para vendas online e restrições da indústria, seja de território ou de DRM.

Comércio eletrônico

Quando o assunto é vendas online, a Amazon, hélas, mais uma vez desponta como grande mercado. Os insights de Russ Grandinetti, VP de Conteúdo do Kindle, na manhã desta terça-feira, foram portanto o grande destaque neste dia pré-FBF.

Para Grandinetti, a forma de vender livros está mudando fundamentalmente: “Uma editora que não pensa num plano de ação para seu autor que comece pelo digital está fazendo um desserviço a este autor”. Os dados confirmam a preocupação de Grandinetti. Com informações da Bowker, ele mostrou que, nos EUA, a porcentagem da venda de livros físicos e digitais pulou de 27% a 42% entre 2010 e 2012. No Reino Unido, ela passou de 26% para 37% no mesmo período.

Não existe mais a ideia de que o livro digital vai acabar com o impresso. Segundo o VP, os usuários do Kindle compram mais livros em geral, inclusive físicos. “Por muito tempo tivemos essa ideia de que esse mercado tinha um tamanho fixo”, disse Grandinetti, mostrando que as vendas de livros físicos na Amazon também subiram, mesmo depois da chegada do e-reader.

Porém, o crescimento das vendas de livros físico não é nem de perto tão acentuado quanto as dos e-books, que em alguns poucos anos superaram a dos impressos. Para Grandinetti, esse é o caminho que outros mercados seguirão também, a diferença é apenas temporal. Em um dos raros momentos em que profissionais da Amazon apresentam dados sobre tendência de vendas [ou qualquer outro tipo de informações], o VP mostrou que os dados iniciais das vendas do Kindle na Amazon, comparadas às vendas de livros físicos da loja na Alemanha e no Japão seguem o mesmo padrão que o dos EUA e Reino Unido. Ele alerta: “Não tem nada que indique que outros países não seguirão o mesmo padrão dos EUA e Reino Unido”.

Mercado global

Outra mudança fundamental é a territorialidade do mercado. As vendas da Amazon mostram que e-books em inglês vendem globalmente. Na Índia, por exemplo, elas mais que dobraram nos últimos anos.

Paralelamente, e-books estrangeiros também vendem globalmente: as vendas de livros estrangeiros na Amazon americana dobraram anualmente desde 2009. E nesse ponto Grandinetti mostrou uma sombra de autocrítica: “Nesse aspecto, acho que nosso catálogo tem muito a crescer ainda”. 77% dos e-books em espanhol estão disponíveis na loja americana, mas apenas 51% dos títulos em alemão, 25% dos italianos e apenas 5% dos títulos em francês estão lá também.

A questão da territorialidade foi enfatizada no painel seguinte, onde Rebecca Smart, CEO do grupo Osprey, enfatizou que, apesar de ser ainda pequena, todos os direitos da sua editora são globais, e comenta o atraso ainda das editoras nesse aspecto: “A indústria ainda é muito ligada na abordagem territorial”.

Concorrência

Assim como falou no Brasil, em sua visita à Bienal de São Paulo do ano passado, Grandinetti voltou a enfatizar que a concorrência do livro digital é outra. “Os consumidores não estão comparando livros. Eles estão comparando formas de entretenimento”. O livro entrou no hall dos games e aplicativos, filmes e televisão. E como ajudar o livro a se manter na jogada? “É sexta a noite, daqui a duas horas você vai dormir e está procurando um entretenimento. Você tem a opção entre Angry Birds e esse livro”, falou Grandinetti, mostrando um slide de um e-book da Amazon que custava US$16. “Eu acho que nesse caso a pessoa escolheria Angry Birds”.

Pirataria

Para Russ, ter o livro no formato digital a um preço que o consumidor queira pagar é, além de evitar perdas de vendas, uma maneira de lidar com a pirataria. Pode parecer contraintuitivo, mas seu argumento é reforçado pelos dados sobre e-books. Dos mil autores mais vendidos e em estoque, a porcentagem daqueles que possuem pelo menos um título no Kindle é de 98% nos EUA. Para o Reino Unido esse número é de 95%, seguido da Alemanha, com 89%. Seguem França [71%], Japão [64%], Itália [53%] e, por último, Espanha. Não é à toa, para Grandinetti, que na Espanha, onde apenas 46% dos mil autores mais vendidos tem pelo menos um livro no Kindle, o país esteja enfrentando problemas de pirataria.

Outro participante que concordou com Grandinetti é o novo CEO da HarperCollins, Charlie Redmayne. No ano passado ele participou da Publishers Launch como CEO da Pottermore e este ano voltou para falar sobre os novos desafios da HarperCollins. Redmayne contou que, da sua experiência com a Pottermore, “aprendemos que tirar o DRM dos livros não aumenta a pirataria; é não disponibilizar o livro a um preço que o consumidor queira pagar que aumenta a pirataria”.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 08/10/2013

Planejamento de bibliotecas digitais é tema de curso


Aula ocorrerá no dia 7 de dezembro, em São Paulo

Estão abertas as inscrições para o curso “Planejamento de bibliotecas digitais”. A atividade, com abordagem prática, enfatizará as etapas de planejamento necessárias para criação de projetos de bibliotecas digitais. O foco é oferecer aos participantes orientações diversas sobre questões como escolha de tecnologia, de repositório, seleção de documentos, digitalização, aquisição de conteúdos digitais, direitos autorais, preservação digital, DRM [Digital Rights Management] etc. Serão apresentados os conceitos de bibliotecas digitais, virtuais, eletrônicas e híbridas, apresentando os modelos existentes. A aula ocorrerá no dia 7 de dezembro, sábado, das 8h30 às 18h, na FESPSP [Rua General Jardim, 522, Vila Buarque, São Paulo], e será ministrado por Liliana Giusti Serra, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo [ECA/USP]. O curso custa R$ 150. Informações e inscrições, acesse o site.

PublishNews | 26/09/2013

CURSO | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem estudado sobre a atuação de empresas como Google, Kobo, Apple e Amazon no Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem estar mais próximas do alcance das editoras, e do autor, do que possa imaginar. Mas ainda é preciso preparar-se para um novo cenário no mercado editorial.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores e profissionais que desejam compreender mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O CONTEÚDO

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE O PROFESSOR

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 13 de Julho de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: Das 9h00 às 15h00
20 vagas | Valor único: R$ 170,00

INSCRIÇÕES

Escola do Escritor
Rua Deputado Lacerda Franco, 253 | Pinheiros
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300