eBooks já foram lidos por 26% dos brasileiros, diz pesquisa


Pesquisa foi feita pelo Ibope, sob encomenda do Instituto Pró-Livro. Levantamento mostra evolução do total de leitores no Brasil.

Os livros digitais já foram lidos por 26% dos entrevistados ouvidos pela 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro.

A pesquisa apontou que o número de leitores no Brasil cresceu 6% entre 2011 e 2015 , e que o total de livros lidos nos três meses anteriores à pesquisa foi de 2,54 obras.

Entre os chamados “Leitores” o percentual de quem já leu livro digital é 34%. E já entre quem gosta muito de ler, 38%. A metodologia da pesquisa considera como leitor, aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses.

O celular foi o dispositivo de leitura mais comum, usado por 56% dos leitores de livros digitais. Na sequência aparecem: computador [49%], tablet [18%], leitores digitais, como Kindle, Kobo e Lev [4%].

Entre as formas de acesso, 88% afirmaram ter baixado gratuitamente na internet e 15% disseram ter pago o download. Livros de literatura, como contos, romances ou poesias são os preferidos, com 47, logo depois seguidos por livros técnicos, para formação profissional, com 33%.

Entre aqueles que leem livros digitais, 91% são considerados leitores pelos critérios da pesquisa, ou seja, leram pelo menos um livro inteiro ou em partes nos 3 meses anteriores à pesquisa. Em relação à edição de 2011, houve um crescimento significativo da proporção de pessoas que já ouviram falar em livros digitais, 11 pontos percentuais. Entre esses, cerca de um quarto já leu algum livro digital“, aponta o estudo.

Metodologia

A edição 2016 é a quarta edição da pesquisa, que teve também outras publicações referentes a dados coletados nos anos de 2000, 2007, 2011. A pesquisa teve abrangência nacional, com 5012 entrevistas pessoais, feitas nos domicílios dos entrevistados entre 23 de novembro e 14 de dezembro de 2015. Foram ouvidos brasileiros a partir de 5 anos, alfabetizados ou não.

Perfil da amostra

Entre os ouvidos pela pesquisa em 2015, 8% se declarou “não alfabetizado” ou que “não frequentou escola formal”. Outros 21% disseram ter ensino fundamental I [1º ao 5º ano], 25% declararam ter o fundamental II [6º ao 9º ano], 33% o ensino médio e 13% o ensino superior.

Responsável pela pesquisa, o Instituto Pró-Livro [IPL] foi criado em 2006 pelas entidades do setor do livro – Associação Brasileira de Livros Escolares [Abrelivros], Câmara Brasileira de Livros [CBL] e Sindicato dos Editores de Livros [SNEL]. É mantido por contribuições dessas entidades e de editoras, com o objetivo principal de fomento à leitura e à difusão do livro.

Desde a segunda edição o Instituto adotou metodologia que considera as orientações do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe [Cerlalc], da Unesco, e pela Organização dos Estados Ibero-americanos [OEI]. O objetivo foi buscar um padrão internacional de medição que permita eventuais comparações e estudos sobre a questão da leitura nos países da região.

Fonte: Publicado originalmente no portal G1, em São Paulo | Por Mariana Nogueira | 19/05/2016 12h12

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Amazon fecha parceria com Nestlé para distribuir 30 milhões de eBooks


Vouchers para baixar e-books gratuitamente serão colcoados em caixas de bombons da Nestlé e Garoto

Alex Szapiro [Amazon] e Liberato Milo [Nestlè] comemoram parceria no projeto Bombom de Ler | © Divulgação

Alex Szapiro [Amazon] e Liberato Milo [Nestlè] comemoram parceria no projeto Bombom de Ler | © Divulgação

A Amazon brasileira acaba de fechar uma parceria com a Nestlé para uma ação chamada Bombom de ler. Com a iniciativa, serão distribuídos 30 milhões de e-books nas caixas de bombons da marca. O objetivo, segundo a varejista, é estimular à leitura e ao livro digital. Clientes que comprarem caixas de bombons Nestlé ou Garoto terão a possibilidade de escolher um dentre dez best-sellers da Amazon para baixar gratuitamente para ler nos apps de leitura digital da Amazon ou no Kindle.

A Nestlé e a Amazon estão unindo forças para promover a leitura para qualquer brasileiro que compre os bombons neste fim de ano. Chocolates e livros são sempre excelentes presentes e estamos oferecendo aos nossos clientes dois presentes em uma única caixa, bombons e livros digitais. Estamos muito felizes por ter a Nestlé como uma grande parceira para fomentar o hábito da leitura no Brasil”, disse, em comunicado, Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil. “Os clientes que baixarem os livros também terão a opção de testar o serviço Kindle Unlimited gratuitamente por 30 dias. Esta é a união perfeita da doçura dos chocolates Nestlé com o prazer do ato de ler”.

Para participar é simples, após comprar as caixas de bombons das marcas Nestlé ou Garoto, o consumidor deverá entrar no site da ação, escolher um dos dez títulos selecionados e digitar o código impresso dentro das caixas. Os consumidores poderão ler os e-books participantes na família de dispositivos Kindle, nos aplicativos gratuitos Kindle para iOS, Android e outras plataformas, ou em qualquer navegador compatível com o Kindle Cloud Reader (ler.amazon.com.br). Os livros poderão ser baixados até 30 de abril de 2016.

Confira abaixo os títulos participantes da promoção:

• 1808, de Laurentino Gomes
• Scrum – a arte de fazer o dobro de trabalho na metade do tempo, de Jeff Sutherland
• 25 Anos do Menino Maluquinho, de Ziraldo
• As melhores receitas do ‘Que Marravilha!’, de Claude Troisgros
• Memórias da Emília, de Monteiro Lobato
• Guerra dos tronos – volume 1, de George R. R. Martin
• Guia politicamente incorreto do futebol, de Jones Rossi e Leonardo Mendes Jr
• Com Carinho, Lucy B. Parker: menina x superstar, de Robin Palmer
• Não pare! Você entregaria sua vida nas mãos da morte? – Edição 1, de FML Pepper
• Casei e agora? As aventuras do meu descasamento, de Tatiana Amaral

Por Leonardo Neto | PublishNews | 10/12/2015

Vice-presidente de conteúdo do Kindle fala do futuro da leitura


David Naggar

David Naggar

O americano David Naggar é um dos protagonistas da revolução que atinge a indústria editorial e os hábitos de leitura. Sua ligação com o mercado de livros vem do berço – sua mãe, Jean, é escritora e agente de renome. Logo após se formar em marketing ele já passou a trabalhar em grandes editoras, como na nova-iorquina Random House. Em 2009, foi para a Amazon, onde ainda está, como vice-presidente de conteúdo do Kindle. Na nova casa, impulsiona a digitalização de livros, quadrinhos, revistas, tudo que se lê.

Sob seu comando, a empresa deixou de publicar e-books apenas em seu e-reader e passou a disponibilizar o catálogo em aplicativos para computadores, smartphones e tablets de concorrentes. Ele também investe na produção de “indies”, os autores que se autopublicam, sem o intermédio de editoras, pela internet. Esta, inclusive, é hoje uma das especialidades da Amazon, dona da plataforma KDP, por onde os escritores podem disponibilizar, gratuitamente, seus livros no Kindle. Daí nasceram best-sellers como 50 Tons de Cinza e Perdido em Marte.

Em visita ao Brasil, Naggar concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA. Nela, prevê como será o futuro da leitura e crava que não se trata do fim das tradicionais casas de publicação, mas, sim, de uma reconfiguração completa do mercado.

Como a digitalização de livros, revistas, tudo que se lê, transformou os hábitos de leitura?

De repente, passamos a ter em um único dispositivo, como o Kindle, ou tablets e smartphones, o acesso a milhões de títulos, possíveis de serem lidos depois de 60 segundos, o tempo que se leva para baixá-los. Esse imediatismo, o acesso quase instantâneo, democratizou a leitura como nunca antes ocorreu na história. Por exemplo, antes era muito difícil ter acesso a algumas obras estrangeiras, como as estritamente em inglês ou alemão, em países como o Brasil. Era preciso esperar anos pela tradução, ou meses para que uma encomenda chegasse com o livro. Agora, consegue-se o título em segundos. Além da facilidade do acesso, trata-se de uma revolução que também afeta diretamente a forma como lemos. É possível, por exemplo, ler em um smartphone enquanto se espera na fila do banco ou do dentista. Sem ter de lembrar de carregar um montante pesado de papel com si. Mais que isso, toda sua biblioteca poderá estar disponível em sua mão, no aplicativo do celular. Essa é uma transformação essencial, que adapta a leitura profunda, mesmo de livros complexos, ao mundo contemporâneo. Há vinte anos, um indivíduo ia a uma livraria com o único intuito de comprar livros. Não havia nada mais competindo por sua atenção. Hoje, ao ligar o smartphone, o tablet, o computador, escolhe-se se quer gastar tempo checando o Facebook, vendo um vídeo no YouTube, jogando Angry Birds ou lendo. A literatura passou a competir com um universo imenso de opções baratas, quando não gratuitas, de entretenimento. Para o livro ter chance de vencer nessa disputa por tempo e atenção, é necessário estar onde o leitor está. Ou seja, oferecer a ele, também, a opção de ler, de forma barata e prática, no mesmo dispositivo a que recorre continuamente para outras atividades.

Trata-se de uma mudança que afeta apenas o leitor, ou também a forma como escrevemos?

Pense no KDP, da Amazon (o sistema de autopublicação da marca, na qual escritores disponibilizam livros online sem intermédio de editoras). Desde que nasci vivo no mundo da escrita, já que minha mãe é agente literária. Antes de vir para a Amazon, fui alto-executivo em editoras tradicionais. Como sempre funcionava a lógica de publicar um livro? Quase todo mundo tem a ideia de escrever algo. Porém, poucos são aqueles que conseguem um agente para ajudar a publicá-lo. Digamos que seja 5% do total. Desses, uma porcentagem ainda menor convence uma editora a trabalhar com sua obra. Ou seja, era um negócio para poucos. Com a internet, e inovações como o KDP, os intermediários podem ser eliminados. Se uma editora não dá atenção ao que alguém escreveu, o autor pode simplesmente colocar a obra online, e disputar de igual para igual com best-sellers na Amazon.com. Isso muda a lógica do mercado literário. Sabia que J.K. Rowling, autora de Harry Potter, foi rejeitada trinta vezes antes de uma editora, pequena, aceitá-la? E se ela tivesse desistido no vigésimo “não”? Deixaríamos de ter as histórias de Harry Potter. Quantos não abdicam de seus projetos frente à rejeição? Com o mundo online, foram abertas novas alternativas. Best-sellers como 50 Tons de Cinza e Perdido em Marte surgiram nesse novo modelo, via KDP. Hoje, 30% dos e-books mais vendidos da Amazon são de “indies” (termo para “independentes”, os autores que se autopublicam). Pessoas que provavelmente nunca teriam espaço na velha forma de publicação ficaram ricas utilizando as possibilidades contemporâneas.

É o fim das editoras tradicionais?

De forma alguma. As editoras têm um papel insubstituível e realizam um trabalho incrível junto aos autores. Entretanto, elas precisam, sim, se adaptar ao mundo moderno. Passou-se a ter mais alternativas a leitores e escritores. Logo, a concorrência é maior. São vários os efeitos disso. Por exemplo, no Brasil, historicamente, livros são muito caros. Hoje, essa estratégia não funciona mais. Há opções baratíssimas de entretenimento na internet, inclusive de leitura. Por isso, editoras brasileiras têm se visto compelidas a baixar preços. Valem, como sempre foi, as leis econômicas. Porém, repito, não é o fim para elas. O que ocorreu, em uma analogia, é que antes só tinha um restaurante na cidade, com 50 clientes. Com a digitalização, passaram a ser 1 000, com milhares de clientes. No caso, “restaurantes” são plataformas de publicação. Os “clientes” são os autores e leitores. O efeito, que sentimos agora, é que a indústria literária nunca esteve tão saudável quanto hoje.

Se os benefícios são para todos, por que algumas editoras, como a francesa Hachette, além de autores best-sellers, se queixam do modelo proposto pela Amazon?

Principalmente da estratégia de baixar preços radicalmente de e-books, em comparação com o valor de versões físicas. A resposta da Amazon a essas queixas é “olhem para o futuro”. Caso queiram competir para valer com tudo a que hoje o leitor tem acesso, a exemplo do Facebook, é preciso ser mais acessível. Isso inclui vender livros mais baratos, algo possível de se fazer, com bom lucro, no mundo online. Caso não baixe o preço, o leitor dedicará seu tempo a outra coisa.

Em resposta à chegada da Amazon nessa indústria, algumas editoras adotaram práticas como a publicação atrasada de títulos de e-books, em comparação com suas edições físicas. Essas estratégias realmente aumentam as vendas?

De forma alguma. Tanto que nenhuma grande casa de publicação manteve essa prática nos últimos anos, apesar de termos ciência de que algumas editoras brasileiras pensam em fazer isso. A questão é que, com esse método, a mensagem que se passa para o leitor é: “você precisa adaptar seus hábitos de leitura ao que queremos”. Acha, mesmo, que alguém, como um adolescente, acostumado a smartphones e tablets, irá transformar seu cotidiano para comprar um livro na livraria só porque não tem a opção online? Nossas estatísticas comprovam que isso não ocorre. Se não há a opção digital, o leitor que gosta deste formato toma uma de duas atitudes. Ou ele arranja uma versão pirateada na internet – e, garanto, há muitos sites que disponibilizam isso -, ou escolhe outra coisa para ler. Aí, ocorre um outro problema na estratégia. A editora vai lá e gasta um monte com marketing no lançamento de um título. Porém, só o disponibiliza em livrarias. Depois, quando finalmente decide ter uma versão digital, não há mais dinheiro para dar gás na divulgação. Ou seja, aquele cliente que não queria comprar a edição física, e optou por gastar seu tempo com outra atividade, nem fica sabendo quando o que queria ler chega à internet. Em resumo, a editora só perderá vendas com tal tática.

No Brasil, e-books representam cerca de 5% do mercado de livros. Por que aqui essa tal revolução da leitura não está ocorrendo tão rápido?

Não acredito nisso. Para começar, esse número, de 5%, não é bem interpretado. E-books não têm muito sucesso, por exemplo, no ramo educacional. Tenho certeza que se as porcentagens forem fatiadas, e se considerar somente literatura regular, haverá um aumento substancial de nossa penetração. Mais que isso, na conta não se consideram os “indies”. É outro fator que alteraria o cenário. Valeria acrescentar ainda as obras em língua estrangeira, muitas vezes disponíveis apenas pelo online. Por fim, de qualquer forma, a nossa representatividade no mercado tem aumentado 40% ao ano. Isso é surpreendente, principalmente quando se leva em conta o quão antiga e estabelecida é a indústria literária.

Há muitos críticos da leitura digital, como o escritor e pesquisador americano Nicholas Carr, para quem e-books e similares podem destruir o hábito de imergir em uma obra por horas. O senhor acredita que tablets e smartphones têm, mesmo, privilegiado apenas leituras rápidas e superficiais?

De forma alguma, pois as pessoas se adaptam. Quando se olha a nova geração, é notável como está se acostumando a ler em telas menores. Porém, ainda em leituras profundas, de livros extensos. Acredito, mesmo, que a escolha do que se lê no digital, ou no físico, caberá a cada cliente. Uns irão preferir obras de ficção digitais, e de não-ficção em versões tradicionais. Com outros, será o contrário. Iremos nos adaptar. E a tecnologia também se moldará a nós.

Para alguns, tablets e e-readers podem parecer fadados a perdurar por pouco tempo, frente a novos gadgets que surgem, como os relógios inteligentes ou os óculos computadorizados. O senhor acredita que, no futuro, os hábitos de leitura e escrita vão mudar novamente?

A lógica é, na verdade, simples. Quando a forma como as pessoas acessam conteúdo muda, é preciso também que o conteúdo se transforme. Ou ao menos sua apresentação. Na China, por exemplo, está em voga um novo tipo de literatura, onde escritores diversos se revezam para tecer uma mesma história, que nunca acaba e é divulgada restritamente online. Experiências assim surgem quando aparecem novas plataformas. Sempre será desta forma. Como vai ser no futuro? Não tenho ideia. Mas essa lógica não mudará.

Por Filipe Vilicic | Publicado originalmente em Veja | 05/12/2015

Livro digital é caro no Brasil e editores têm medo de desconto, diz vice-presidente da Amazon


Serviços de assinatura e de autopublicação são o futuro do mercado, diz David Naggar, executivo da livraria americana

Há três anos, a Amazon chegava ao Brasil para vender livro digital. Há um ano e meio, começava a comercializar livros impressos. Nesse período, ofereceu frete internacional pelo valor de frete local, lançou programas de autopublicação e de assinatura de e-books. Mas, de acordo com o mercado, ela não vende como esperado. O americano David Naggar, vice-presidente de Conteúdo do Kindle, no entanto, diz que está feliz com os resultados, especialmente dos títulos autopublicados, que já respondem por 30% da lista de mais vendidos. Ele falou ao Estado na sede da empresa, em São Paulo, ao lado de Alex Szapiro, diretor da Amazon no Brasil.

David Naggar e Alex Szapiro

David Naggar e Alex Szapiro

 

Como avalia o momento?

Vai tudo muito bem. Os editores estão cada vez mais animados com o digital. Os consumidores estão respondendo bem à oferta de livros em português e em outras línguas. Os e-readers vendem bem e a autopublicação é uma loucura. Ela cresce mais rápido aqui que em qualquer outro país e os livros autopublicados já respondem por 30% da lista de mais vendidos toda semana.
Vão bem porque são mais baratos?
Sempre começa com um bom livro. Um conteúdo barato, mas ruim, não vende porque ele traz consigo várias avaliações negativas. E, entre dois livros bem avaliados, vende mais o que for mais barato. O gap de preços entre os livros publicados de forma tradicional e de forma independente contribui para o crescimento.
Os jovens estão mais abertos a esse conteúdo independente?
As pessoas, de forma geral, estão mais abertas. Não tem a ver com idade. A maioria dos leitores não sabe quem é a editora do livro que estão lendo. Não dizem: vou comprar o novo livro da Intrínseca. Dizem que vão comprar o próximo livro do autor de que gostam. E elas não sabem que se trata de autores independentes.
Diz-se que um e-book de US$ 9,99 vende mais que o dobro de um mais caro.

Um livro de US$ 9,99 vende 75% a mais que um de US$ 14,99. Esse dado é dos Estados Unidos e varia nos outros países. Jogar o preço para zero não funciona para ninguém, nem para a Amazon. Em digital, queremos encontrar um preço que garanta maior margem de lucro. O custo de distribuir a unidade seguinte é zero. Então, quero vender o máximo de exemplares que eu puder. É encontrar o valor que vai maximizar as minhas vendas. Não há dúvidas de que e-books de editoras tradicionais são muito caros. Há 10 anos, não havia uma alternativa a isso, mas hoje, há. E para leitores vorazes, que leem 30 livros por mês, um desconto de 25% não é viável. Por isso, nosso serviço de assinatura está crescendo.

No Brasil, a Amazon não conseguiu, como em outros países, o controle sobre o preço do e-book.

É diferente em cada país. Mas quando vemos o crescimento do Kindle Unlimited e da autopublicação, o apetite do consumidor fica claro. Se os preços são altos demais, esses consumidores têm, hoje, alternativas. E eles estão indo atrás delas.

O mercado editorial reclama que as vendas de e-books não vão tão bem quanto esperavam.

Temos a informação de que ela já representa de 13% a 15% do faturamento de algumas editoras [não didáticas]. Ir de zero a 15% em três anos é muito bom. Mas tem também esse mundo da autopublicação e dos livros estrangeiros, que não estão nas estatísticas. Nos EUA, o faturamento com e-books fica entre 25% e 30%.

Impressão sob demanda também está na mira da Amazon. Vale a pena?

Sempre vale. Não custa nada. E se uma pessoa compra, valeu a pena. Não há trabalho extra nisso, só dinheiro extra.

Entregar um livro criado para ser apenas digital na versão impressa tem a ver com o fato de o digital ainda não ter estourado?

Nossa filosofia é: se você é meu cliente, quero que você encontre a felicidade na minha loja. Se sua alegria é comprar livro impresso, teremos livro impresso. No Brasil, vendemos livro físico há 16 meses. A maioria dos nossos clientes é híbrida. As pessoas tendem a escolher por gênero. Por exemplo, podem ler romances em e-book, mas querem ter livros de culinária na estante.

Haverá um equilíbrio entre a venda de livros impressos e digitais?

Isso não nos importa. Apenas duas pessoas importam nessa equação: o leitor e o autor. E ninguém mais. Se estivermos fazendo autores e leitores felizes, então estamos fazendo o nosso trabalho.

Leitura em telefone já é algo significativo?

Sim, e está crescendo muito.

Livros estão sendo vendidos. E estão, de fato, sendo lidos?

Sim, e inclusive pagamos os autores do KDP por páginas lidas. As pessoas estão lendo bilhões de páginas. Editores, especialmente da área de didáticos, adorariam essa informação, mas ainda não fomos a esse nível de detalhe. Definitivamente, as pessoas estão lendo.

Livros lidos por meio do serviço de assinatura vão para as listas de mais vendidos?

Sim, e isso ajuda no fenômeno dos indies – muitos deles estão no Kindle Unlimited.

Demorou para a Amazon ter grandes editoras em seu programa de assinatura.

A beleza de ter a autopublicação é que podemos lançar um serviço como esse e vê-lo crescer sem as editoras tradicionais. Elas podem aderir e ficaremos felizes se elas vierem. Quanto melhor a seleção para o cliente, melhor. Mas é tudo uma questão de ter os títulos certos e os arranjos comerciais. Se esse fosse nosso único modelo de negócio, iríamos querer todos os livros de todas as editoras. Mas temos um serviço a la carte muito sadio. Uma curiosidade: os assinantes ainda compram livros. Um editor esperto coloca os dois primeiros livros de uma série no Kindle Unlimited, atrai os leitores, e vende os outros 5. É bom para todo mundo. As pessoas estão lendo mais e gastando mais com livros.

Além de metadados, o que ajuda a vender um livro?

Preço, divulgação feita pelos independentes, tours online, indicações de celebridades. Uma das preocupações dos editores é que diminuindo o valor de um livro, você o desvaloriza. Não é verdade. Mas já foi. Pense no mercado de livro impresso. Você vai a uma livraria e encontra as bancas de saldos. Se passa lá durante um mês e vê um livro de capa super barato no mesmo lugar vai achar que aquele livro não tem valor. Mas no mundo online, de livros digitais ou impressos, o fenômeno é diferente. Vamos supor que hoje você baixe o preço do livro a US$ 1,99. A demanda começa, e ela alimenta o sistema de recomendação. No dia seguinte, o livro volta para o preço normal, mas agora está visível a todas essas pessoas. E elas não sabem qual era o preço no dia anterior. Não há desvalorização do conteúdo. A venda de um dia realmente aumenta a visibilidade do livro em todos os espaços no site. No fim, as pessoas não se sentem enganadas e ficam felizes por descobrirem um livro que está sendo recomendado.

Quem escolhe esses livros?

Os editores recomendam, nossos profissionais escolhem. Alguns países ainda não acreditam que não estamos desvalorizando o produto, mas nos EUA, editores brigam, pagam por isso. O que eles não sabem é que não precisam dessa publicidade para baratear o preço. Eles podem fazer isso quando quiserem. Um livro no ‘daily deal’ vê suas vendas aumentarem 3 mil vezes. 30 dias depois, a venda deve ficar 20% maior do que antes da ação. Um editor esperto chega a esse valor e decide baixar o preço de novo.

O que mais um editor esperto deve fazer ou saber?

Eles devem ter os direitos globais de suas obras. No nosso sistema, você aperta uma tecla e o livro passa a estar disponível, imediatamente, a custo zero, em outros países. A questão do preço é, possivelmente, o maior problema no Brasil. Se acreditar que, ao dar um preço alto para o e-book, o cliente vai escolher comprar o impresso, então deve cobrar caro. Mas não acredito que seja isso o que esteja acontecendo. Clientes escolhem. Ninguém nunca ficou rico dizendo ao cliente o que comprar. Ao tornar o produto muito caro ou não tê-lo disponível, ele vai escolher outro livro. E até a pirataria vira uma opção. Todos os livros estão disponíveis em sites piratas. Tem a ver com oferta e preço. Se o livro não está disponível, você deixa a pessoa sem escolha. E se está disponível, mas com um preço ridículo, a pirataria também é uma opção. Há muitos livros de fundo de catálogo que as editoras brasileiras ainda não digitalizaram.

POR MARIA FERNANDA RODRIGUES | O ESTADO DE S. PAULO | 03/12/2015

O livro digital não morreu?


Os últimos meses foram marcados por uma onda de pessimismo em relação ao desempenho dos livros digitais no mercado: depois de diversas editoras relatarem um crescimento do digital menor do que o esperado em 2015, uma matéria no New York Times concluiu – com razão – que o livro impresso está longe de morrer. Como sabemos, notícias sobre e-books no mercado editorial tendem a ganhar tons apocalípticos: da mesma forma como o Kindle foi anunciado como o assassino do livro impresso – e a notícia de que a Amazon vendia mais livros digitais do que físicos, lá em 2012, foi alardeada como o último prego no caixão do papel –, a desaceleração do crescimento dos e-books nos EUA e no Reino Unido foi encarada por muitos como uma “revanche” do livro impresso. Mas afinal, o que está, de fato, acontecendo no mercado?

É verdade que muitas editoras vêm relatando estagnação ou queda nas vendas de e-books em relação ao ano passado. O último relatório da Association of American Publishers, que reúne dados de mais de 1200 editoras dos EUA, apontou uma queda de 6,7% nos e-books adultos e 30,9% nos infanto-juvenis em julho, em relação ao mesmo mês de 2014. Dados individuais de algumas das maiores editoras americanas – como Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster – sugerem uma tendência semelhante. A participação dos e-books no faturamento das editoras parece ter se estabilizado entre 20 e 30%, uma porcentagem que, embora significativa, é muito menor do que o crescimento acelerado do digital poucos anos atrás permitia imaginar. Dito isso, algumas considerações:

1] Esta relação entre as vendas de livros impressos e de e-books – que, segundo a Nielsen, está em torno de 74% para 26% no mercado americano como um todo – é uma média do mercado, considerando todos os gêneros ou, dependendo da pesquisa, todos os e-books adultos. Dentro deste universo, existem alguns gêneros em que estas porcentagens são bem diferentes; de maneira geral, e-books tendem a ter desempenho melhor na ficção, fazendo com que esta relação possa chegar mais próxima de 50/50 ou até de uma vantagem para o digital em alguns casos. Em outros gêneros, o livro digital já sai em desvantagem simplesmente por ter recursos limitados para reproduzir determinados conteúdos; para livros de arte, por exemplo, o e-book ainda não se compara ao papel em termos de experiência e conforto.

2] Uma das explicações apontadas para a queda de desempenho dos e-books foi a alta dos preços causada pela volta do agency model para a maior parte das grandes editoras, que agora podem estabelecer seus próprios preços, sem descontos por parte das livrarias. Esta é uma hipótese que não se pode descartar: ainda segundo a Nielsen, o preço é um fator importante na escolha de formato para a maior parte dos leitores. A partir destes dados, alguns analistas concluem que o que está encolhendo não é o mercado de e-books, e sim a participação das grandes editoras nele, uma vez que o público, assustado com a alta de preços, tem preferido livros independentes, que costumam ser bem mais baratos. Esta hipótese vai contra os dados da Nielsen, que indicam, entre 2014 e 2015, um aumento da participação tanto dos livros autopublicados [de 14% para 18%] quanto das “Big Five” [de 28% para 37%], às custas das editoras pequenas e médias, que caíram de 58% para 45%. Mas é verdade que os números mais abrangentes que temos, que são os da pesquisa mensal da Association of American Publishers, consideram apenas os números de vendas fornecidos por editoras; os livros independentes são uma parte relevante do mercado que não é considerada nas pesquisas que apontam a queda dos e-books.

3] Outro fator a se considerar é o declínio dos e-readers em favor dos tablets e smartphones. Segundo a última pesquisa do Pew Research Center, a popularidade dos e-readers dedicados nos EUA caiu drasticamente em relação a 2014, com apenas 19% dos entrevistados tendo declarado possuir um, contra 32% no ano passado. Já os tablets e smartphones chegam a 45% e 68% da população, respectivamente. Embora estes últimos também sejam utilizados para leitura – os celulares, inclusive, vêm sendo apontados como a grande tendência para o mercado de e-books nos próximos anos –, eles são dispositivos multifuncionais, nos quais a leitura é apenas uma das muitas atividades possíveis. Considerando que os últimos grandes lançamentos de e-readers, o Kindle Voyage e o Kobo Aura H2O, aconteceram no ano passado, suponho [e dessa vez não tenho dados, é só especulação mesmo] que haja menos pessoas comprando e-readers este ano, o que implica menos leitores empolgados com o novo gadget e dispostos a comprar muitos e muitos e muitos novos e-books para encher suas prateleiras virtuais.

Isso significa que as editoras devem voltar a apostar todas as suas fichas no impresso e que os funcionários de seus departamentos digitais já devem começar a atualizar o LinkedIn em busca de um novo emprego no futuro próximo? Na minha humilde opinião, não. Significa que o mercado está mais maduro e que seus tempos de crescimento de dois ou até três dígitos ao ano chegaram ao fim. Agora, é importante que as editoras se empenhem, por um lado, em produzir e-books de qualidade – evitando que o digital continue a ser encarado simplesmente como um subproduto mais barato do livro físico e que novos leitores voltem correndo para o impresso depois de uma experiência com um e-book ruim –, e por outro, em inovar e aproveitar as vantagens específicas do digital. Dadas as limitações do ePub, esta tarefa nem sempre é fácil, mas, num mercado tão dinâmico, até isso pode mudar. Então, sugiro esperar mais um pouco antes de decretar a morte de qualquer formato.

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 02/12/2015

Marina Pastore

Marina Pastore

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

Por que livro digital vende menos que livro impresso?


Em sua coluna, Cindy Leopoldo busca respostas para essa questão que perturba muita gente que trabalha com livros digitais não só no Brasil, mas no mundo inteiro

Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em PublishNews | 26/11/2015

Eu fiz a pergunta que dá título a esse texto em um bar, num sábado à noite, para amigos que trabalham com livros digitais daqui do Rio de Janeiro e recebi, poucos dias depois, uma resposta pública [que pode ser lida aqui]. De primeira, achei assustador ver que o que você faz em um sábado à noite pode estar, na semana seguinte, em um site que trata de assuntos relacionados à indústria em que você trabalha, mas depois achei divertido e agora quero estender a discussão.

A resposta que recebi da Mariana Calil, a única da mesa que não trabalha direta e exclusivamente com livro digital, fala sobre a leitura de e-books no Brasil [como ela diz no texto, realmente havia uma banda tocando no tal bar e a gente às vezes não conseguia se comunicar muito bem], mas a pergunta era mais abrangente. De toda forma, achei a resposta pertinente, só ficou faltando o restante do mundo nela, afinal e-books parecem vender menos que impressos em todos os lugares.

Acho isso muito curioso porque a impressão que eu tenho é que, por exemplo, a música e o filme digital se impuseram como realidade antes que as pessoas desejassem ou soubessem usar mp3, mp4 ou qualquer coisa do tipo. Não parecia haver uma escolha, essa era a nova forma de ouvir músicas e ver filmes e só restava aceitar. Mas não era apenas aceitação, era também muito legal ver as coisas mudando! Lembro de discussões sobre a qualidade do áudio, mas era algo que incomodava quase exclusivamente aos profissionais que trabalhavam com música; com e-books, entretanto, é o consumidor comum que, quando não curte, não só não aceita como faz questão de comunicar que prefere “livro de verdade”. Acho que isso mostra que há algo incrivelmente passional na relação dos consumidores com a leitura e acho que isso deve ser mais aprofundado, porque nunca vi, por exemplo, distinção de “música de verdade” e “música digital” ou “filme de verdade” e “filme digital”. Brincando de Murakami, acho que a gente tem que tentar mais arduamente entender “do que estão falando quando falam de livro de verdade”. Ainda mais em um país que, teoricamente, não lê, o que sugere que, ainda que seja para não ler, o povo prefere o impresso…

Sei que não vou chegar a uma conclusão sobre isso neste texto, mas posso enumerar possibilidades: a primeira é que talvez eu não tenha acompanhado tão de perto o que ocorreu nas indústrias da música e do filme quando estava iniciando a virada do analógico para o digital; outra possibilidade que vejo é que acrescentar um aparelho entre o leitor e a leitura [coisa que sempre existiu nas indústrias da música e do filme] faça as pessoas acharem que o livro digital cria problemas em vez de resolvê-los ou até mesmo que cria uma distância que os leitores supunham não existir ao segurar o papel; talvez o valor em dinheiro para acessar um livro digital seja muito mais alto do que o valor que as pessoas de fato dão a esse produto [afinal, é mais fácil saber os custos da produção de um filme ou de um show do que os de um livro, e isso pode fazer com que as pessoas imaginem que os preços dos produtos editoriais sejam totalmente arbitrários]; talvez a pirataria desenfreada tenha feito os consumidores se acostumarem com as versões digitais das outras artes e seja apenas uma questão de tempo até as pessoas se sentirem à vontade também ao ler um livro por meio de um aparelho eletrônico [ainda que essas mesmas pessoas já leiam laudas e laudas no Whatsapp ou no Facebook diariamente]; talvez, como entendi do texto da Mariana, pessoas precisem expor capas de livro em casa para aliviarem inseguranças intelectuais ou apenas por gostarem de ver e ter livros, e e-books estão mais relacionados a acesso do que a posse de um bem; ou talvez simplesmente haja algo que cause dependência nesse bando de substâncias químicas que produzem o tal “cheiro de livro”…

Para finalizar essa enxurrada de possibilidades, a que mais mexeu comigo foi apresentada por Craig Mod no curso de Yale voltado para o mercado editorial deste ano [e com certeza não fui a única que sentiu isso, porque saiu até mesmo uma matéria sobre a questão no The Bookseller]. Logo na primeira palestra ele disse algo como “voltei a comprar impressos porque demos mais de sete anos à Amazon e o livro no Kindle continua feio” [perdão, eu esqueci as palavras exatas, mas a ideia era essa]. Isso me deixou surpresa por duas coisas: [1] e-books e Amazon parecem sinônimos e [2] percebi que, inconscientemente, parece que eu acreditava que havia um acordo tácito mundial para relevar as limitações do ePub. As duas coisas me incomodaram bastante, mas, em relação à primeira, talvez haja motivo para os americanos pensarem assim. Porém, a segunda doeu. Sei que ele nem estava falando do trabalho das editoras e, sim, dos aplicativos e dos e-readers, mas infelizmente ele tem razão, e cabe a nós, quem produz e lê e-books, exigir mais qualidade da produção, da distribuição, da comercialização, da visualização.

Desde a primeira vez que ouvi falar sobre e-books, fiquei encantada. Não deixar a bolsa pesada, poder fazer busca no texto, não ocupar espaço em casa, começar a ler imediatamente após a compra online e, no geral, ser mais barato me fizeram pensar “era isso que eu queria!”, e confesso que acreditei que todos sentiriam o mesmo. Mas, não: pelas reportagens que leio, os e-books não representam nem 5% do total de vendas das editoras brasileiras e nos EUA o crescimento que antes era a passos largos parece ter desacelerado bruscamente. De acordo com outra palestra do curso, não deveríamos entender que a venda de e-books parou de crescer por lá, mas que está crescendo em segmentos específicos porque os leitores já têm um discernimento maior do que preferem ler em cada mídia. Aqui pode ser que esteja acontecendo o mesmo e que essa pequena porcentagem de interessados não deva ser encarada como rejeição, mas como uma espécie de amor condicional. Ainda assim, acho que essa reação tão passional merece atenção, e acredito que é preciso avaliar com carinho todos esses “talvez” que eu enumerei e outros que outras pessoas enumerarem para falarmos a mesma língua do leitor e oferecer algo que não apenas 5% ou mesmo 30% das pessoas achem interessante, mas que todo mundo ache legal e queira ter até mesmo [e por que não?] o mesmo livro em e-book e impresso.

Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em PublishNews | 26/11/2015

Cindy Leopoldo

Cindy Leopoldo

é graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela Universidade Federal Fluminense [UFF]. Cursou o Yale Publishing Course em 2015. Trabalha em departamentos editoriais há mais de uma década. Atualmente é gerente de edições digitais da Intrínseca no Rio de Janeiro, sendo responsável pelos e-books da editora carioca. Escreve quinzenalmente, só que não, para o PublishNews. Sua coluna trata do mundo que existe do lado de dentro das editoras. Mais especificamente, dentro de seus departamentos editoriais. Acesse aqui o LinkedIn da Cindy.

Amazon inaugura quiosque na Paulista


Depois de inaugurar a sua primeira loja física de livros em Seatle, a Amazon anuncia a abertura de um quiosque interativo na Avenida Paulista para promover o Kindle, o seu e-reader. A lojinha, que abriu hoje, fica no Top Center, no número 854 da avenida-símbolo da capital paulista e, nela, clientes podem, além de conhecer os produtos da gigante de Jeff Bezos, baixar gratuitamente o app de leitura do Kindle e ganhar cupons de descontos exclusivos. No Brasil, a Loja Kindle tem disponível mais de 3,5 milhões – 60 mil deles em português – de e-books e a Amazon.com.br tem em seu catálogo mais de 10 milhões de livros físicos, 170 mil deles em português

Por Leonardo Neto | PublishNews | 26/11/2015

Leituras no papel e também na tela


Como a tecnologia digital afeta o mundo literário

Por Mayara Zago e Vitória Hirata | Publicado originalmente em ACONTECE | Página 5

 Os e-books têm ganhado grande atenção na mídia por se tratarem de uma maneira mais prática de ler. Entretanto, segundo Ednei Procópio, criador do site “eBook Reader” e especialista em e-books, o mercado nacional de e-books não chegou a 3% se comparado ao mercado estagnado dos impressos. Apesar disso, os digitais continuam em ritmo de alta com um faturamento de cerca de 17 milhões só em 2014.

Observando a grande oferta no mercado nacional livreiro, percebe-se que o consumo está aquecido. Acredito que existe espaço para ambos os segmentos” comenta Milsa Maria Tassi Marques, assessora pedagógica em literatura da Editora Moderna.

A aparente aceitação do público se dá por diversos fatores, como a facilidade de acesso aos conteúdos digitais, que ultrapassa fronteiras e gera proximidade entre o leitor e o autor; a liberdade de modificar a formatação a gosto de quem o utiliza [margem, espaçamento e tamanho da fonte]; ajustes de brilho; caixa de atalho para pesquisa [find/search]; oportunidade de fazer anotações; possibilidade da reedição do livro pelo autor e a leveza do produto. “Você pode levar uma biblioteca para ler em qualquer lugar sem ter o excesso de peso em malas” diz César Rocha Lima, sociólogo, teólogo e autor de e-books.

Outro beneficio é a rapidez do envio sem qualquer taxa nas entregas. “Por causa da viabilidade e facilidade de compra, quando você quer um livro já faz o download para o seu aparelho. Esta acessibilidade é maravilhosa.” Diz Solange Lima, pedagoga e leitora de livros digitais. Com isso, as plataformas preferidas pelo público são IOS [iBooksStore], Android [Google Play], Kindle [Amazon] e Kobo [oferecido pela Livraria Cultura].

Há vantagens também para quem escreve. A tecnologia oferece um meio alternativo para escritores independentes ao dispensar o custo da taxa de entrega e distribuição. É o caso da renomada escritora independente australiana Jaymin Eve, autora da série Walker Saga, que por meio de seus livros publicados na plataforma digital conquista leitores de todos os lugares. “Autores independentes estão quebrando barreiras todos os dias” diz ela.

Jaymin acredita ainda que as grandes editoras monopolizam o mercado ao escolherem qual será a próxima “febre”. A publicação independente abriu um novo mundo de possibilidades ao atender todos os tipos de público, e por meio do contato com os leitores e a divulgação pelas redes sociais é estabelecido uma proximidade maior entre quem escreve e quem lê. “E daí que o livro é horrível? Se há pelo menos uma pessoa que goste da história, não há razão para o livro não estar disponível ao público.” completa Jaymin.

Quadrinhos no Amazon Kindle Comic Creator


Hoje gostaria de tocar num tema muito específico: a produção de histórias em quadrinhos no formato digital para a Amazon a partir do programa Kindle Comic Creator.

Voltado exclusivamente para esse tipo de narrativa, a ferramenta da varejista norte-americana pode ser muito útil para editoras que queiram lançar seus quadrinhos em versões adaptadas para as plataformas Kindle. Quadrinistas independentes podem se beneficiar da mesma maneira.

A primeira coisa a ser dita é que o programa é muito simples de usar, e seus recursos mais interessantes se apresentam ao usuário de modo intuitivo. Os resultados valem a pena, pois a plataforma Kindle promove um tipo de leitura muito próprio e confortável.

Vamos ao programa:

etapa-1

Para começar [após baixar o programa, naturalmente], clicamos em “Criar um novo livro”. O que surge em seguida é a tela abaixo, onde definimos o idioma da HQ.

etapa-2

A segunda pergunta – “Gostaria de criar painéis Kindle?” – é essencial. Não à toa, o “Sim” vem marcado automaticamente. Numa HQ tradicional, as opções padrão são as mais indicadas. Veremos o que são os painéis mais à frente.

Em seguida, entram os metadados, onde devemos informar o nome da publicação e autor1. Editora é opcional. Um arquivo para a capa é requerido, assim como o endereço onde o projeto será salvo. Se você quiser salvar numa pasta diferente do padrão dado pelo programa, certifique-se de que ela está vazia. Após isso, clicamos em “Começar a adicionar páginas”.

etapa-3 [metadados]

Chegou o momento de adicionar as páginas de nossa HQ. O Comic Creator aceita diversos formatos, como informa seu manual. Em nosso exemplo, usaremos arquivos .jpg como base. Uma caixa de diálogo permite selecionar o documento e abri-lo. Após isso, o programa demora algum tempo processando tudo e importando o conteúdo. A imagem abaixo mostra as páginas já adicionadas.

etapa-4-2 [páginas escolhidas]

Muito bem, temos ás páginas de nossa HQ separadas, então o que é que falta? Aí é que entra o recurso dos Painéis Kindle. Na prática, funciona da seguinte forma: o leitor pode ampliar cada quadrinho individualmente e, efetuando o movimento de passagem de página sobre a tela, poderá lê-los em sequência mantendo essa visualização. Essa é a particularidade da plataforma.

Só que, para isso, é necessário que os quadrinhos sejam devidamente identificados. Clicando com o botão direito dentro de uma das páginas abertas, surge a opção “Novo Painel do Kindle”, que permite identificar manualmente os quadrinhos de uma página, de modo que os aplicativos Kindle possam ampliá-los quando abrirem o arquivo.

etapa-5 [painéis criados manuamente]

Repare no número que aparece no canto superior esquerdo dos quadrinhos já identificados, marcando a sequência com que se abrirão, ampliados, para o leitor.

O processo de identificar os quadrinhos é simples, mas tende a ser demorado. Um outro recurso pode reduzir sensivelmente o tempo gasto nessa atividade: a detecção automática de painés. O Comic Creator analisa as imagens e, em HQs simples, onde os quadrinhos são quadrados ou retangulares, consegue demarcá-los automaticamente. Para ativar a detecção automática, você deve clicar com o botão direito dentro da página e escolher a opção “Detectar Painéis”, podendo escolher se deseja que o programa os detecte apenas numa página ou em todo o livro.

etapa-7 [painéis automaticamente detectados]Painéis detectados automaticamente.

Importante: permitir que o programa detecte automaticamente os quadrinhos apagará as suas próprias marcações manuais.

Em se tratando de histórias em quadrinhos de estrutura simples, sem grandes complexidades visuais e pouca ligação entre os quadrinhos, a detecção automática será de grande ajuda. Mas atenção: ainda é necessário analisar página a página para conferir que os quadrinhos estão corretamente identificados. Por vezes as bordas não estão explicitamente desenhadas, ou há quadrinhos muito pequenos, e o programa comete erros e os deixa passar. Esse olhar posterior à detecção automática serve para ajustar o que ainda precisar de ajustes.

Isso feito, o trabalho está quase pronto. É necessário observar também o nome dado às páginas da HQ. O mais indicado para evitar erros é seguir a ordem numérica das mesmas: Página 1, Página 2, Página 3 etc.

Isso resolvido, basta exportar o arquivo em Criar > Construir e pré-visualizar. Se você já tem o programa Kindle Previewer instalado, a HQ será aberta nele. O arquivo pode ser testado aí e também nos demais aplicativos da loja, bem como nos eReaders Kindle.

pronto

Uma observação. Há HQs mais experimentais, em que os limites dos quadrinhos não são nítidos. Em casos assim, o próprio programa não recomenda o uso dos painéis Kindle, pois estes só funcionam a partir de duas formas geométricas básicas: quadrado e retângulo. Outro caso possível é o de narrativas em que os desenhos ocupam duas páginas. Em histórias assim, pode ser o caso de criar um projeto no Kindle Comic Creator com visualização em páginas duplas, onde sempre se verão duas páginas juntas. Assim, desenhos particularmente grandes serão corretamente visualizados.

Mas tudo na vida tem seu revés: esse tipo de visualização só é permitido num modo de produção que não aceita os Painéis Kindle. O leitor consegue ampliar a imagem como um todo, e assim não deixa de ler o que se diz nos balões de diálogo, mas não os quadrinhos individualmente.

Na tela dos metadados, você deve desmarcar a opção dos painéis e, mais abaixo, marcar “Desbloqueado”.

Após juntar as páginas, você aciona Configurações de página > Configurar todas as ilustrações em página dupla.

páginas duplas

Espero que esse breve descrição do Kindle Comic Creator seja útil para quem deseja se aventurar nesse formato.

Por Josué de Oliveira | Pubicado originalmentem em COLOFÃO | 4 de novembro de 2015

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Guia de revisão de livros digitais


Já falamos sobre a importância de fazer a revisão do livro digital. Mas nem sempre o revisor está apto a fazer o trabalho. Isso pode acontecer por várias razões: o colaborador não ter o hábito de ler e-books ou, se lê, é ocasionalmente, sem explorar as funções que os aplicativos e leitores disponibilizam ou buscar entender por que aquele elemento está meio esquisito. Também pode ser que não tenha recebido as instruções corretamente. Então resolvi juntar uma meia dúzia de dicas que eu já ouvi, outras tantas que acabei usando para não surtar comprometer a qualidade do trabalho.

ATENÇÃO: este guia não substitui o conhecimento que vem com o hábito de ler e-books. As plataformas de leitura estão em constante atualização, e quem se propõe a trabalhar com esse formato de publicação precisa ter experiência com leitura de livros eletrônicos.

Recebendo o arquivo

Ótimo, você recebeu uma proposta de revisão de e-book. A primeira coisa que você deve fazer é: confirme se a empresa que te contratou tem um manual ou padrões específicos. Algumas têm, outras não. Então confira se você tem todas as ferramentas necessárias para cumprir as demandas. No geral, você só precisa do Adobe Digital Editions [ADE] e de um programa que leia PDFs, como o Adobe Reader. Mas às vezes pedem que o e-book seja conferido no formato MOBI, da Amazon, o que torna necessário instalar o programa Kindle para PCKindle Previewer. Também é importante um editor de texto, tanto para fazer o relatório final quanto para algumas anotações. A próxima recomendação é mais besta, mas pode ser de grande ajuda: quando receber o ePub, dê uma passada rápida até o fim, usando o scroll do mouse, mesmo. Em 2012 eu vivia tendo problemas com alguns fornecedores de ePubs, porque em certo ponto do arquivo um erro no código fazia o ADE travar e fechar. Não tenho me deparado com esse problema nos últimos tempos, mas o trauma de estar com o prazo apertado e de repente descobrir que o arquivo que eu tô usando não funciona é mais forte que eu.

A parte invisível

Como tudo no mercado editorial, sempre tem uma parte do trabalho que só vão reparar que você não fez se der problema. Então se garanta fazendo o quanto antes. Verifique se o livro tem sumário interno. Algumas editoras inserem esse sumário no e-book mesmo que não haja um no impresso. Se for esse o seu caso, vá passando pelo PDF e anotando os títulos de capítulo. Usar o TOC pode ser uma referência, mas e se houver algum problema nele? É até melhor usar uma fonte externa ao arquivo, como seria o sumário do livro impresso. Além disso, verifique se o ePub não recebe outros elementos que o impresso não tem, como uma página sobre o autor, obras relacionadas e até encartes de imagem, que nem sempre aparecem no sumário original. Depois confira os links tanto do TOC quanto do sumário interno. Há quem prefira deixar essa parte para o final, mas eu prefiro fazer primeiro porque o prazo sempre acaba ficando apertado é mais garantido.

Cotejo com obstáculos

O cerne da revisão do e-book é quase um cotejo com obstáculos, ainda mais no caso da não ficção. É aqui que o hábito de leitura no formato eletrônico faz a maior diferença. Você precisa entender a aparência do impresso nem sempre pode ser reproduzida no digital e saber apontar possíveis melhorias. Um exemplo simples: sabe quando a primeira linha do capítulo fica toda em versal/versalete? No e-book isso não faz o menor sentido, já que dependendo do tamanho da fonte o efeito pode terminar no meio da linha ou se estender por mais texto que o planejado. Caso você não tenha uma orientação da editora sobre como agir em relação a isso, sinta-se à vontade para fazer uma sugestão, como usar versalete só nas cinco primeiras palavras em todos os capítulos. Outro exemplo: notas de rodapé e final de livro. No geral, as notas de rodapé vão para o fim do capítulo e as de final de livro permanecem lá. Caso o livro tenha as duas hierarquias de nota, confira se elas estão sinalizadas de maneira diferente, para não confundir o leitor. Em livros com muitas notas, evite usar asteriscos, você pode acabar com um imenso ****** no meio do texto. Além disso, confira se todas elas estão indo e voltando. Também é bom ficar atento às imagens. No geral, quando há imagens no meio do texto, elas são deslocadas para o final de um parágrafo. Confira se faz sentido ela estar ali ou se foi mal posicionada. A proporção é outra questão importante, até porque caracteres especiais [desde ideogramas até códigos que podem aparecer em livros de fantasia e aventura] costumam ser transformados em imagem. Será que a imagem tem uma boa legibilidade tanto num tablet quanto num smartphone? Até há um recurso para que a imagem seja proporcional, mas nem sempre ele é lembrado, já que não funciona em todas as plataformas. Ainda assim, é bom sinalizar que pode ser usado. Há várias outras questões, mas hoje vou concentrar o post em facilitar sua rotina na revisão do ePub, ok? Caso você queira entender melhor os problemas que podem acontecer na conversão e suas possíveis soluções, é só falar com a gente

Finalizando e entregando

A essa altura, você já deve ter algumas anotações de problemas no seu editor de texto. Nem todas as editoras encaram bem sugestões editoriais, a menos que sejam erros mesmo, como questões de ortografia, falhas na formatação ou coisas assim. Tente entender qual é o posicionamento de quem te contratou. Depois, revise o relatório para ver se ele está compreensível. Eu costumo deixar algumas observações, como lembrar de verificar se certa formatação é um desvio ou um padrão, o que pode ser muito útil para mim, mas de pouca utilidade para quem vai implementar as mudanças. Se o manual que você recebeu explica como redigir o relatório, siga. Se não, minha sugestão é: número de página no PDF + trecho problemático com uma parte do entorno [ou uma descrição do conteúdo] + correção ou sugestão. Por exemplo:

P.35: em “o cachorro subiu a colina”, a palavra “subiu” deve estar em itálico.

P.114: a legibilidade do texto na imagem com dois dragões está baixa. Sugiro inserir uma legenda.

P.298: o parágrafo que começa com “No final de sua carreira…” parece ser o único com alinhamento à esquerta. Proposital?

Bom, esse não é o único método de trabalho possível, mas tem funcionado para mim há algum tempo. Como você revisa seus livros eletrônicos, ou o que espera de uma boa revisão?

Por Mariana Calil | Publicado originalmente em Colofão | 16/09/2015

Mariana Calil

Mariana Calil é formada em Produção Editorial na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Passeou pela produção gráfica, fez uma breve visita ao comercial e hoje é assistente editorial. Vive a utopia de que dá para trazer para o mercado a teoria da faculdade e levar para a academia a prática do cotidiano.

Duas notícias que prognosticam mudanças no mercado dos eBooks


Como o aumento do uso de celulares para leitura e a eliminação de DRM por algumas editoras afetam o mercado de e-books na Europa e nos EUA? Shatzkin responde.

Duas notícias recentes e como as coisas estão se desenvolvendo prognosticam algumas coisas sobre a direção do mercado e-book. Uma notícia é que a leitura em telefones está realmente decolando. Mais da metade dos consumidores de e-book usam seus celulares pelo menos por algum tempo e o número dos que leemprincipalmente nos celulares chega a um em cada sete. A outra é que o mercado de e-books alemão está eliminando, em sua maioria, o DRM. A Random House seguiu editora Holtzbrinck e abandonou as travas digitais, fazendo com que um dos maiores mercados do mundo entre num caminho no qual o mercado de língua inglesa se recusou determinadamente a pisar. [Há exceções, é claro – O’Reilly, Tor, o selo digital da Harlequin, Carina, Baen, e outras editoras pequenas, voltadas principalmente para nichos literários.]

Um monte de teorias sobre os e-books estão prestes a ser testadas.

Minha reação pessoal para a adoção da leitura no celular é “por que demorou tanto?” Comecei a ler e-books em um Palm Pilot em 1999. Fiquei animado porque trouxe livros para um aparelho que já carregava comigo o tempo todo. Desde o começo, na minha opinião, era para isso que os e-books existiam: não precisava de outro dispositivo além do que já levava comigo o tempo todo. Em 2002, houve um meme ativo por um tempo questionando qual o valor dos e-books. Por que alguém iria querer essa coisa? Falei numa Conferência Seybold sobre isso dando uma resposta simples:

Se você realmente usa um Personal Digital Assistant [PDA] todo dia, se está entre o número cada vez maior de quem carrega um deles com você o tempo todo, não precisa que ninguém explique o valor e a utilidade dos e-books. O inverso disso é que se você não usa um PDA regularmente, os e-books terão muito pouco valor para você. Há alguma utilidade menor em ter livros e algum software leitor no seu notebook, mas não muitas.

Pode ter sido essa busca por mais “valor” nos e-books que levou a anos de experimentação para torná-los algo mais do que texto apresentados em telas, tentando adicionar funcionalidade usando a capacidade digital em uma longa sucessão de fracassos comerciais.

Meu amigo, Joe Esposito, um dos pensadores mais criativos da área editorial,identificou e deu o nome ao conceito de “leitura intersticial” há alguns anos, com isso ele estava falando de quando lemos um livro enquanto esperamos em uma fila ou enquanto esperamos que o filme comece. Lembro-me de um antigo vizinho que tinha sempre um livro na mão quando entrava no elevador no 14º andar e lia uma ou duas páginas à medida que descíamos para o térreo. Aquele era um hábito peculiar com um livro impresso; vai ser uma prática cada vez mais comum à medida que mais gente ler em portáteis que sempre estão conosco.

Pode ser que a editora Judith Curr do selo Atria na S&S tenha acertado quando previu que o futuro da leitura está nos celulares e no papel.

Uma questão importante daqui para frente é como a leitura no celular afetará os padrões de compras. Aqui temos uma dicotomia interessante que depende do uso individual. Que tipo de celular que você tem, Apple ou Android? E qual ecossistema de leitura prefere: Kindle da Amazon, iBooks da Apple ou outro como Google, Kobo ou Nook?

Explico por que isso é importante. Quando você usa o app iBooks em um iPhone, pode comprar livros diretamente no aplicativo. Nunca fiz isso, exceto para comprar um livro que já sabia que queria. Normalmente leio no app Kindle e ocasionalmente no aplicativo Google Play. Nos dois casos, faço minhas compras do meu PC no site do Kindle ou do Google Play. Minha compra está acessível instantaneamente no meu telefone depois disso, mas é um processo de compra em duas máquinas.

Claro, também posso acessar os sites do Kindle ou do Google Play através do navegador do meu celular. É um requisito sair do aplicativo, mas não é preciso usar outro dispositivo. [Francamente, é apenas mais fácil fazer as compras com uma tela e um teclado de verdade.]

As limitações nos dispositivos iOS são criados porque a Apple insiste em cobrar 30% para as vendas feitas dentro de seus aplicativos. O Android não obriga a nada disso, então as versões dos apps Android permitem compras dentro do app. Mesmo assim, como com quase tudo, parece que os usuários iOS fazem mais compras e consumo de conteúdo do que os usuários de Android.

Seria de esperar que com o aumento da leitura em celulares, isso favoreceria “lojas da casa” nos próprios celulares. Elas existem no iBooks e no Google Play. Obviamente isso não significa nenhum tipo de golpe mortal no Kindle se minha própria experiência, mantendo o hábito do uso do Kindle de forma quase ininterrupta, serve de guia. Mas é definitivamente um pouco mais fácil comprar dentro do aplicativo que você usa para ler do que precisar sair dele.

Já se disse muitas vezes que os celulares vêm com distrações internas, como os e-mails e as mensagens de texto que chegam o tempo todo. Mas os tablets – que vêm compartilhando a leitura com os livros impressos e os dispositivos de leitura dedicados há alguns anos – também têm e-mail chegando o tempo todo. E os tablets oferecem toda a web como uma distração em potencial também, como os telefones. Não acho que o componente distração tenha mudado muita coisa recentemente durante o crescimento da leitura no celular.

E há muitos escritores que já escrevem capítulos muito curtos [como o que mais vende entre todos, James Patterson] que podem satisfazer as janelas de “leitura intersticial”. Será preciso analisar, e provavelmente não existem metadados para decidir, se os livros que já são escritos em “blocos” estão se beneficiando do movimento para leitura no celular.

Novos hábitos de leitura levam a novas iniciativas editoriais. Nossa amiga, Molly Barton [diretora há muito tempo da Penguin digital], tem uma startup editorial chamada Serial Box que planeja dividir romances longos em pedaços independentes.

O mercado de e-books alemão é muito menor, no total de vendas de livros, do que o norte-americano, uma estimativa que ronda os 5% das vendas, em vez dos mais de 20% nos EUA. Isso acontece por uma combinação de fatores econômicos – incluindo que a Amazon é obrigada a manter preços fixos o que a impede de dar descontos nos e-books – assim como outras questões culturais. [As vendas de livros online na Alemanha são estimadas entre 15% e 25% – talvez metade dos números nos EUA. A Amazon domina a maior parte disso. Livrarias ficam com a metade do negócio; o restante é dividido entre vendas diretas, grandes lojas, outros varejistas que não são livrarias e catálogos.]

Mas várias editoras concluíram que colocar uma marca d’água [que muitas vezes é chamado de “DRM soft”] é toda a restrição necessária para evitar os repasses e o compartilhamento casual. Agora todas as grandes editoras vão funcionar dessa maneira.

Meus amigos me dizem que, na Alemanha, existem ainda pequenas editoras que querem manter o DRM, algo que poderão continuar fazendo por algum tempo. Na verdade, o Adobe DRM mantém a informação sobre quem é um comprador válido, então pode não ser tão fácil para as lojas deixá-lo mesmo depois que as travas não forem mais exigidas se quiserem fazer mais do que adivinhar se um cliente querendo fazer novamente o download de uma compra anterior tem direito a isso. E também poderia ser difícil para o mercado abrir mão totalmente do DRM, se as editoras de língua inglesa ainda quiserem aplicá-lo aos livros em seu idioma vendidos na Alemanha. Isso é um negócio substancial e as livrarias – especialmente a Amazon – não gostariam de forçar uma situação onde a produção das editoras dos EUA e do Reino Unido devem ou não ter de DRM ou não estar disponível no mercado alemão.

Sempre foi a preocupação de muitos editores, agentes e grandes autores que a remoção do DRM resultaria em compartilhamento irrestrito que realmente poderia prejudicar as vendas de livros. Um cético do DRM de longa data, editor e pensador da indústria, Tim O’Reilly, já caracterizou o DRM como “tributação progressiva”, o que parece validar a noção de que os grandes autores têm algo para se preocupar. [O’Reilly publica conteúdo profissional que sofre alterações e atualizações constantes; precisamente o oposto, do ponto de vista do medo do compartilhamento, do que publica James Patterson.] Claramente, as editoras alemãs observando o que aconteceu em seu mercado não têm esse medo. O editor norte-americano e parte do grupo editorial Holtzbrinck, Tom Doherty, também falou publicamente sobre a [falta de] impacto da mudança da Tor para e-books sem DRM: “… a ausência de DRM nos e-books da Tor não aumentou a quantidade de livros da editora disponíveis online de forma ilegal, nem afetou visivelmente as vendas”.

Além do potencial de perda de vendas através do repasse, o outro impacto da remoção do DRM poderia ser torná-lo mais fácil para qualquer um ser varejista de e-book colocando conteúdo em praticamente qualquer dispositivo. A necessidade de fornecer DRM sempre foi responsabilizado como uma das barreiras, por causa dos custos e dos investimentos em tecnologia, que mantiveram os varejistas fora do mercado e-books. Teoricamente, o custo de ser um varejista e-book em um ambiente livre de DRM poderia ser muito menor, incluindo uma diminuição reivindicada e esperada dos requisitos de atendimento ao cliente. Se for verdade, isso poderia ser muito importante para as vendas de e-books com catálogos verticais, onde uma boa quantidade de conteúdo poderia ser um adicional interessante nas ofertas do varejista. As pessoas que vendem bens duráveis não querem lidar com DRM e os requisitos de serviço ao cliente que ele cria.

Esses detalhes de tecnologia são bem mais profundos do que meu conhecimento, mas as pessoas que conhecem tudo isso me advertem para não esperar muitas mudanças nesse sentido. A marca d’água [DRM “soft”, ou DRM sem “travas digitais”] não é nada simples de um ponto de vista técnico. Novos sistemas de leitura poderiam proliferar sem a disciplina do DRM, o que também poderia criar exigências de atendimento ao cliente. A afirmação de facilidade de uso poderia sair pela culatra. Vamos ver.

Sempre foi minha impressão que a discussão sobre DRM era mais forte do que o efeito realmente garantido. Como nunca quis mover um e-book de um ecossistema para outro, ou passar um e-book para outra pessoa, o DRM nunca me atrapalhou. Mas era algo, obviamente, que bloqueava a entrada de novos operadores no varejo de e-books e criava grandes problemas de atendimento ao cliente para livrarias independentes.

As duas coisas que devemos observar na Alemanha são se as vendas de e-books, especialmente para os principais títulos, continuam iguais ou diminuem de alguma maneira por causa do repasse e, pelo menos tão importante, se vai crescer o número de livrarias vendendo e-books pela diminuição das exigências do DRM. A marca d’água vai ajudar as editoras a encontrar a fonte dos e-books que acabam sendo postados ou pirateados publicamente. Eu não esperaria uma explosão da pirataria, mas certamente haverá muito o que aprender.

As chances são muito boas de que esse resultado possa levar ao crescimento de e-books sem DRM no mercado em inglês também nos próximos anos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente por PublishNews | 03/09/2015

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files.

Uma estratégia para a todos governar


No ano passado, na Bienal de SP, a Amazon marcou presença com sua estreia na comercialização de livros impressos. Este ano [apesar de ser impossível achar a programação no site da Bienal], a gigante do varejo traz no seu estande eventos como sessão de autógrafos e, o que acredito que seja sua grande aposta, a mesa e premiação do concurso literário Brasil em prosa.

A estratégia da Amazon para penetração no mercado brasileiro é realmente de dar inveja às concorrentes. Iniciando o investimento no mercado de e-books, serviço no qual é top of mind, a empresa de Bezos foi conquistando uma base de usuários enquanto estudava a melhor forma de ingressar na distribuição de produtos físicos.

Iniciou timidamente vendendo somente o Kindle em seu site, permitindo ajustes na logística de entrega de forma a manter a excelência pela qual é conhecida e, quando consolidou sua estrutura, estreou no serviço de distribuição de livros, dias antes de um dos maiores eventos literários do país.

Para marcar o aniversário do início da venda de livros impressos no Brasil, a Amazon presenteou os clientes que consumissem qualquer livro, impresso ou digital, com um vale de R$100,00 na compra de um Kindle, incentivando os mesmos a experimentarem o serviço.

Todas essas estratégias possuem um objetivo em comum: fidelizar o consumidor. Mas essa fidelização, por vezes, não é muito justa com o cliente, pois os benefícios dados prendem o consumidor à loja da Amazon. Ao presentar o consumidor com um crédito que somente pode ser utilizado com a compra de um Kindle, a empresa incentiva a compra do único produto cuja utilização se faz exclusivamente dentro do ecossistema da empresa, uma vez que o formato proprietário de seus arquivos não permite que o consumidor leia e-books de outras lojas no aparelho.

Não me entenda errado, não estou tentando depreciar a campanha. A ação foi genial! Você consegue satisfazer seu consumidor e fidelizá-lo ao mesmo tempo. Apenas estou apontando como esta e outras campanhas explicitam o posicionamento da Amazon no mercado.

No concurso literário Brasil em prosa, que é onde eu efetivamente queria chegar, seu posicionamento se deu de forma muito similar. Para terem seus contos elegíveis, os participantes do concurso tiveram que disponibilizar seus textos no KDP Select, que os inclui automaticamente no serviço de assinatura, Kindle Unlimited, e compromete os autores a uma exclusividade de publicação pela plataforma da Amazon. O que isso significa em termos estratégicos?

Significa que a Amazon está promovendo, através de um dos principais veículos de informação do Brasil, autores independentes que terão seus contos publicados exclusivamente na Amazon. Ou seja, está criando uma forma de dar respaldo literário a seu próprio catálogo ao mesmo tempo que o mantém exclusivo, como forma de atrair novos clientes e seduzir novos escritores a tentar a sorte no sua plataforma de autopublicação.

Novamente, a estratégia é dar benefícios [no caso, a divulgação] para fidelizar. No entanto, mais uma vez essa fidelização acontece de forma que o usuário do serviço não tem muita autonomia, ficando à mercê da Amazon. Se isso pesa mais do que a promoção que a Amazon proporcionou a estes autores através do concurso, só os próprios autores podem dizer.

E a relação construída com os consumidores e com as editoras parceiras não é muito diferente. O posicionamento da Amazon no mercado é buscar sim a excelência, nisso não há dúvidas. Mas essa excelência não é buscada pura e simplesmente para satisfazer os clientes. Ela é utilizada como poder de barganha. E, muito sutilmente, a Amazon vai tirando a autonomia dos envolvidos, pois sempre há novas vantagens. Mas até quando isso será verdade?

Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em Colofão | 02/09/2015, às 9:10 am

Lúcia Reis

Lúcia Reis

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense e é pós-graduanda em Marketing e Design Digital pela ESPM. Trabalha com livros digitais desde 2011 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

Dicas práticas para produção de ePub3


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Em meu último texto, chamei atenção para algumas questões de cunho teórico que precisam ser levadas em conta quando se trata de produzir em ePub3. Dando continuidade a esse mesmo assunto, gostaria de destacar aqui alguns outros tópicos, agora de caráter mais prático. Não será um texto com tutoriais, mas com dicas gerais, inclusive de fluxo de trabalho.

Antes, vale dizer que a mesma ressalva feita no primeiro texto vale também para este: o que tenho em mente são livros de texto, não layout fixo, assunto deveras mais complexo que ficará para outra ocasião.

1. Permanecendo no Sigil até o limite

O Sigil, editor de ePub gratuito e open source que todos nós amamos, ainda não dá suporte para o ePub3, de modo que, quando um e-book já está no novo formato, o programa não é capaz de editá-lo corretamente. É bom evitar até mesmo abrir um ePub3 no Sigil, pois o código do arquivo pode acabar alterado. No entanto, o Sigil permanece sendo um dos melhores recursos na produção como um todo de um ePub3, mesmo que não seja possível editar diretamente nele.

E isso porque você não precisa, logo de saída, já ter um ePub3. Uma vez que o Sigil é tão prático, o melhor é extrair dele todo o possível antes de deixá-lo.

A recomendação é a seguinte: trate seu e-book como um ePub2 tradicional nas etapas iniciais da produção. Você pode convertê-lo pelo InDesign ou outro método do seu agrado, realizar a adaptação do projeto, inserir fontes e imagens, deixar o arquivo pronto para a revisão e inserir as emendas apontadas, tudo exatamente como teria feito por padrão se o e-book não fosse ganhar uma versão avançada. Só então, quando essas etapas [inclusive correções de texto] estiverem concluídas, prossiga para a conversão para ePub3.

Essa organização tende a otimizar o tempo, pois, do contrário, seria necessário utilizar um editor de HTML desde o início, além de compactar diversas versões do mesmo arquivo para realizar testes nos aplicativos. Concentrando a produção no Sigil até que este não possa mais ajudar, tem-se um processo mais fluído.

No caso de um projeto amplo, em que um livro precisa ter também uma versão ePub2, essa recomendação é ainda mais enfática, afinal esse arquivo será de fato necessário.

2. Conversão

O Sigil pode ser utilizado inclusive para converter seu arquivo ePub2 para ePub3. Com alguns cliques — como falei no primeiro texto, essa parte não é nem de longe a mais difícil –, você usa o plugin ePub-itizer e obtém uma versão confiável do arquivo no qual já vinha trabalhando atualizada para o novo formato. É a partir desse momento que o Sigil não poderá mais ser usado para edição. Lembre-se: você tem um arquivo já bem-encaminhado, com imagens e fontes já inseridas, bem como emendas de texto. Tudo que é comum entre o ePub2 e o ePub3 já está feito. O que vem agora é que será particular desse último.

3. Compiladores e editores de HTML

De agora em diante, você terá de trabalhar com seu arquivo descompactado. Para descompactá-lo, você pode utilizar programas como o ePubPackePubZip/Unzip [os mesmos podem ser utilizados depois para compactar] ou até mesmo abrir o ePub pelo WinRar e arrastar os conteúdos para uma pasta separada. Para editar as páginas agora descompactadas, será necessário um editor de HTML, comoNotepad++TextWrangler. Lembre-se: agora as facilidades do Sigil acabaram. Se novos arquivos, como áudios e vídeos, forem inseridos, terão de ser manualmente. Isso significa inclusive declará-los no content.opf.

4. Uma palavra sobre áudios e vídeos

Áudios e vídeos podem ficar estocados na pasta Misc, padrão em ePubs, mas você também pode, para melhor se organizar, criar pastas específicas [uma pasta “Audio” e outra “Video”].

Já que estamos falando sobre áudios e vídeos, um toque sobre suporte. Como tantos outros recursos do ePub3, estes dois não funcionam em todas as plataformas. De todas, a Apple é a quem melhor suporte. Nas outras, há limitações. O app Android da Kobo, por exemplo, não roda áudios, embora os vídeos funcionem. O mesmo ocorre com a Amazon [que tem um formato próprio para livros avaçados, como destacado no texto anterior, mas que pode ser adaptado a partir do ePub3]. Na Google, os áudios e vídeos do ePub3 de teste que utilizei não abriram nem na plataforma iOS nem na Android.

O ideal é utilizar uma mensagem de fallback, que será visualizada caso o e-book seja aberto num ambiente de leitura que não suporta algum dos recursos, como apontado nesse texto.Basta inserir a mensagem dentro da linha de código que chama o áudio ou o vídeo.

Exemplo:

<audio src=”../Audios/audio-exemplo.mp3”><p>Este conteúdo não pode ser visualizado nessa plataforma</p></audio>
Assim, a mensagem alertará o leitor de que ali há um certo conteúdo que não está sendo visualizado.

5. Testes

Para testes, recomendo priorizar o iBooks, onde o maior número de recursos funciona. Isso não exclui, naturalmente, a necessidade de testar em outras plataformas, mas, para testes rápidos, me parece a melhor opção. E agora não é mais necessário passar por um processo longo [como subir o arquivo para uma conta no Dropbox e depois abri-lo no iPad ou iPhone] para jogar o arquivo no aplicativo, já que as versões mais novas do sistema operacional contam com o iBooks para Mac.

6. Notas em pop-up na Apple

Um recurso interessante, que já abordei em outro texto de cunho mais técnico. Outras plataformas, como Kobo e Kindle, já geram a visualização de notas na forma de pop-ups em e-books tradicionais automaticamente, mas, no iBooks, é necessário fazer adaptações — um pouco complexas, é verdade complexas — no código para que o recurso funcione.

Mas pode ser interessante atentar para esse recurso na plataforma da Apple para utilizá-lo para outros fins, uma vez que, para essa plataforma, utiliza-se o <aside> para produzir as pop-ups. Essa serve para agrupar conteúdos relacionados ao principal, de modo que não é apenas nas notas que irá funcionar. Respostas para quizzes podem ficar escondidas até que um link seja acessado, por exemplo; ou, saindo um pouco da caixa, livros de ficção que se proponham interativos podem se valer dos pop-ups para escondem informações do leitor.

Esses foram alguns elementos que achei interessante destacar, muito com base na experiência que tive. Espero que possam ser úteis.

Até a próxima.

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Por que telas de e-readers são melhores para leitura que tablets?


Os dois maiores sistemas operacionais móveis, Android e iOS, possuem uma loja de livros digitais. Embora muita gente leia em tablets, uma grande parcela dos usuários não suporta longos períodos de tempo lendo os livros nas telas LCD dos tablets. Isso porque a claridade agride os olhos e deixa a vista cansada. Os e-readers, no entanto, são equipamentos perfeitos para a leitura de livros digitais. Mas por que a tela destes aparelhos, como Kindle, Kobo e Lev, se assemelham ao papel e são tão mais confortáveis aos olhos?

Kindle, Lev ou Kobo: Qual e-reader oferece o melhor custo-benefício?

Os e-Readers, tais com o famoso Kindle, da Amazon, o Kobo, vendido pela Livraria Cultura e o Lev, da Saraiva, utilizam um tipo de tela chamada de e-ink [tinta eletrônica]. Esta tela tem três camadas: a primeira é para onde olhamos; logo abaixo dela há uma outra camada transparente, mas com eletrodos, que podem ser carregados positiva ou negativamente; e a terceira camada é um suporte inferior que também possui eletrodos. E é entre a camada transparente de eletrodos e a camada de suporte inferior que a mágica acontece.

Lá existem micro-esferas, praticamente invisíveis a olho nu, que abrigam pigmentos magnéticos de uma tinta especial nas cores preto e branco. Esses pigmentos são posicionados magneticamente dentro das esferas, então, ao ver um ponto preto na tela, os pigmentos pretos são posicionados na parte superior da esfera e os pigmentos brancos vão para o fundo dela. Para ver pontos brancos, acontece justamente o inverso. E se quiser ver um ponto cinza, os dois pigmentos se misturam no topo da esfera.

E é dessa forma que as letras e imagens são formadas numa tela e-ink. No local onde vemos as letras, os pigmentos pretos estão na parte superior da esfera. E onde está branco é por que os pigmentos brancos estão na parte de cima. No caso das imagens podemos ver vários tons de cinza, decorrentes da mistura desses dois pigmentos.

Esse tipo de tela não precisa de uma fonte interna de luz para exibir as letras e imagens. Se o usuário estiver em um local claro, a própria luz ambiente já faz esse serviço. No caso do Kindle Paperwhite e do Kobo Glo, que possuem luz interna, essa iluminação não é direcionada para os olhos do usuário, servindo apenas para iluminar a área de leitura. Assim a pessoa pode ler mesmo se estiver no escuro, pois o brilho não vai incomodar os olhos.

Kindle, Kobo ou Lev: qual a melhor opção?

Visto que as telas de e-ink não precisam de luz constante, a duração da bateria salta para dias e, em alguns casos, até semanas. Isso por que este tipo de tela só precisa de energia elétrica na hora de movimentar os microscópicos pigmentos das esferas. Depois disso, não se faz mais necessário o uso de energia. Por isso, praticamente, todos os leitores de livros digitais ficam com uma imagem de fundo quando desligados, uma espécie de proteção de tela, já que para a exibição daquela tela não é necessário nenhuma energia.

Assim, se você quiser colocar suas leituras em dia, o mais recomendado é que você use um e-reader, como Kindle, Kobo ou Lev, pois eles oferecem uma experiência de leitura mais agradável.

Por Felipe Alencar | Tech Tudo | 27/06/2015

* Felipe Alencar, 26 anos, reside em Fortaleza-CE. Trabalha com tecnologia há mais ou menos 5 anos e é apaixonado por tudo que tenha uma tela e um teclado. Usuário Windows, iOS e Windows Phone e, em breve, Androiod.

Como escolher um e-reader para comprar?


O leitor de e-books é uma boa opção para quem lê muito e procura mais praticidade. No mercado brasileiro, existem bons modelos disponíveis, como o Kindle, da Amazon, o Lev, da Saraiva, e o Kobo, da Livraria Cultura. Mas independente da marca, para ter certeza de que o e-reader vai suprir suas necessidades, é necessário ficar atento a alguns fatores: compatibilidade, memória, conectividade são alguns deles. Confira.

Design e Conforto

Para começar, a ideia do e-reader é ser leve e compacto para ser transportado com facilidade e ler os títulos em qualquer lugar. Então, vale conferir nas especificações dos dispositivos o peso e as dimensões, em comparação com o tamanho da tela. Normalmente, um leitor de e-book tem o tamanho aproximado ao de um livro de bolso. Se ele for muito pesado será um desconforto durante a leitura, e o braço pode se cansar facilmente.

Para ter uma ideia, o novo Kindle da Amazon, por exemplo, tem dimensões de 169 mm de altura, 119 mm de largura, 10,2 mm de espessura e pesa 191 gramas. Já o Lev, da Saraiva, tem design com 166 mm de altura, 120 mm de largura, 9 de espessura e pesa 190 gramas. Essas dimensões oferecem ao usuário uma uma experiência confortável, então, o modelo não deve ultrapassar muito dessa faixa.

É interessante também observar o material do e-reader e verificar se ele oferece alguma textura para evitar que o dispositivo escorregue das mãos. As bordas proporcionais também são importantes para oferecer uma leitura mais agradável, com espessura suficiente para o apoio dos dedos nas laterais. Uma dica é observar o dispositivo em mãos para ver se ele é o que se está planejando e evitar futuras frustrações, já que as fotos nas lojas online nem sempre são tão precisas.

Formatos aceitos e compatibilidade

Muitos livros digitais são arquivos em formatos EPUB ou MOBI. É importante que o leitor digital de sua escolha tenha suporte às duas extensões, assim, você não deixa de ler um livro por causa do tipo de arquivo. Um dos formatos mais populares para textos é o PDF, não é aceito em muitos e-readers não oferece suporte completo para ele.

Caso tenha muitos textos acadêmicos ou pessoais para ler em PDF, vale conferir nas configurações do leitor de e-books antes de investir em um deles. Alguns modelos oferecem uma tecnologia chamada PDF Reflow, que ajustam o PDF na tela para que as letras não fiquem muito pequenas, distorcidas e ilegíveis.

Os e-readers, em geral, oferecem uma loja interna para a compra e descoberta de novos e-books. Dessa forma, a busca por um determinado título é ainda mais simples. Uma dica é conferir na Internet, antes de comprar, qual marca oferece mais títulos e se estão disponíveis em português.

Recursos extras e conectividade

A iluminação é um dos recursos extras de destaque em um leitor de e-book. Isso porque sem ela os usuários ficam limitados a um ambiente com luz natural ou artificial bem clara para ler de forma confortável. Então, na hora de escolher, vale checar se a iluminação está entre as especificações.

Outro fator que pode influenciar bastante na agilidade de uso é a tela sensível ao toque. Com ele, o funcionamento é mais fluido, assim como a ação de passar a página e demais ajustes sem botões físicos. Então, para conferir se o aparelho não apresenta delay ou travamentos nessa função, também vale ir até uma das lojas físicas e experimente seus recursos.

A maior parte dos modelos vem com conexão Wi-Fi no dispositivo básico, para fazer o download de e-books, opção de salvar na nuvem e mais funções. O que pode incrementar é o uso da conexão de Internet 3G e demais redes móveis. Isso vai da necessidade de cada usuário: se você viaja muito e não sabe se terá um Wi-Fi disponível em cada parada, talvez seja interessante investir em uma dessas funções no seu e-reader.

Os leitor digital costuma incluir ter entrada USB para o carregamento da bateria e conexão com o computador. Isso faz com que ele seja compatível com notebooks e computadores com Windows, Mac OS, Linux e os principais sistemas operacionais. Para muitos modelos, não é necessário fazer uso do cabo para transmitir os livros, já que ele dispõe de conexão Wi-Fi, e pode receber os arquivos pela Internet.

Memória

Os livros em formato digital como MOBI ou EPUB costumam ter um tamanho reduzido, o que ajuda na hora de acumular títulos em seu e-reader. No entanto, é fundamental um dispositivo com um armazenamento suficiente para suas leituras. Um dado importante é que os arquivos em PDF podem ser mais pesados, e vão ocupar mais o espaço interno.

Alguns modelos de dispositivos oferecem ainda um serviço interno de nuvem para guardar seus e-books, e isso pode ser bem interessante para os leitores mais assíduos. O novo Kindle e o Lev vêm com 4 GB. Isso oferece espaço para milhares de títulos nos formatos de e-books mais leves. Deve ser suficiente para sua leitura, mas caso aparelho fique lotado, a dica é guardar no sistema de nuvem e baixar quando precisar.

Tela e resolução

A resolução da tela é outro fator fundamental para comprar um leitor de e-books. Isso porque ele interfere diretamente na forma como o texto é projetado. Caso a resolução seja boa, HD ou Full HD, as imagens e letras não devem ficar pixeladas. Resoluções menores do que essas poderão ficar ultrapassadas rápido e o usuário pode se arrepender.

A tela do e-reader não é muito grande como as de alguns tablets do mercado. Até porque a função do leitor é ser mais portátil, como um livro de bolso. Portanto, é comum encontrar modelos na faixa de 6 polegadas. A tecnologia e-ink, conhecida como “tinta digital” é o que dá essa sensação de que o leitor está se deparando com papel e tinta impressa. Ela é emitida em preto e branco, e esses fatores oferecem o conforto de leitura, ao contrário das telas de tablets.

Bateria

Outro ponto para observar antes da compra é a duração da bateria do e-reader. Lembre-se de contabilizar as horas de uso, enquanto o aparelho está ligado, e em modo stand-by. Dessa forma, você poderá escolher um modelo conforme sua necessidade diária de leitura.

Por causa da tela e-ink e sua transmissão em preto e branco, o que demanda menos bateria, a carga do leitor digital costuma durar várias horas. Não se assemelha em nada com os smartphones, que precisam de carga todos os dias. Um e-reader de qualidade deve durar cerca de uma semana sem precisar ser plugado na tomada.

Além disso, vale lembrar que o carregamento via USB é mais lento do que diretamente na eletricidade de casa. Então, em caso de pressa, vale investir em um adaptador para tomada.

Preço

Os e-readers mais básicos, sem recursos extras como 3G ou iluminação, estão na faixa de R$ 299 ou menos, dependendo da loja de compra. No entanto, é interessante investir um pouco mais em um modelo mais completo, que não vai te decepcionar quando a luz ambiente estiver fraca ou precisar se conectar longe de uma rede Wi-Fi.

Publicado originalmente em Techtudo | 24/05/2015

Brasil na corrida digital


Em 22 de maio do ano passado, depois de um Boing 737 pousar no Rio de Janeiro, a comissária de bordo anunciou: “Caros passageiros, um Kindle escorregou para frente durante o pouso. Por favor, verifiquem se ele é seu”. Isso é, certamente, um sinal de que a leitura digital está chegando ao Brasil. O pontapé foi no dia 5 de dezembro de 2012, com o Google, Amazon e Kobo lançando suas livrarias eletrônicas todas no mesmo dia. A Apple começou a vender em português dois meses antes e a Livraria Saraiva, maior rede do país, havia feito experiências com o digital desde 2010. Até o final de 2013, os e-books cresceram 400% em relação a 2012, embora as vendas totais representaram apenas 2,5% das unidades vendidas no comércio em geral. Como resultado, as expectativas para 2014 foram elevadas. No entanto, os e-books simplesmente não entraram no ritmo do samba. Estimativas de editores brasileiros mostram que apenas 3,5% das vendas foram feitas no formato digital. Apesar do crescimento limitado, o digital está pronto para decolar no Brasil. E não surpreendentemente, a Amazon emergiu como líder de mercado nos últimos dois anos. Embora não haja dados oficiais, as estimativas é que a Amazon tenha 30% do mercado de livros digitais no Brasil, seguida pela Apple [25%], Saraiva [20%], Google [15%] e Kobo [5%].

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Publishers Weekly | 14/04/2015

O calvário dos eBooks


Os livros digitais dão sinais de perda de fôlego nos países desenvolvidos e ainda não têm relevância nos negócios das editoras brasileiras

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Poucos setores ficaram imunes ao avanço da tecnologia digital. A indústria fonográfica, por exemplo, foi a primeira a sentir os efeitos da digitalização, que levou as principais empresas da área quase à bancarrota no início dos anos 2000. A televisão sente os efeitos da internet, com o surgimento de um telespectador que quer assistir o que quer, na hora que desejar e no dispositivo que for mais conveniente. A Netflix é o grande expoente dessa nova era. Diante disso, muitos viram no Kindle, lançado em 2007, o começo do fim do livro impresso.

O aparelho da Amazon, de Jeff Bezos, tinha tudo para fazer para a indústria editorial o que o iPod fez para o setor musical. Ledo engano. Para surpresa geral, as editoras abraçaram os livros digitais [e-books]. E logo descobriram que a margem de lucro das versões digitalizadas era o dobro da tradicional, mesmo com um preço mais baixo. Era um sinal de que a transição, considerada inevitável, do livro de papel para o digital seria feita sem grandes solavancos. Só faltou combinar com o leitor. Nos países desenvolvidos, o livro digital começa a dar sinais da falta de fôlego.

Executivos da maior cadeia de livrarias da Inglaterra, a Waterstone, declarara ao jornal Financial Times que as vendas de Kindle simplesmente desapareceram. A perda de impulso já atingiu a Simon & Schuter, membro do “Big Five”, grupo dos cinco maiores conglomerados do mundo [Penguim Random House, Hachette, HarperCollins e Macmillan completam o time]. Subsidiária do grupo de mídia CBS, a S&S registrou queda nas vendas de 3,8%, para US$ 778 milhões. O lucro caiu 5,6%, para US$ 101 milhões. Uma razão para o ano ruim foi a redução no ritmo das vendas digitais.

A fatia diminuiu de 24,4% em 2013 para 23,2% no ano passado. Não se trata de casos isolados. A consultoria americana Gartner aponta que, em 2017, os e-readers como o Kindle venderão 10 milhões de unidades, número 50% menor do que as vendas do ano passado. Com a estagnação, a alternativa é ler e-books nos tablets, que também estão passando por um declínio de vendas, e smartphones. “São aparelhos que dispersam, oferecem opções demais de entretenimento e não são apropriados para a leitura longa”, afirma Eduardo Melo, fundador da consultoria de livros digitais Simplíssimo.

Por que aparelhos como o Kindle enfrentam esse calvário? O rechaço tem a ver com sua função única. O consumidor, ao que tudo indica, quer fazer mais tarefas com uma tela. Isso fez com que as principais empresas do segmento, como Amazon e Kobo, passassem a investir na produção de tablets. Se nos países ricos os e-books patinam, no Brasil, eles nunca deixaram o gueto editorial. Apenas 2% dos R$ 5,3 bilhões faturados com livro no Brasil vêm de ebooks, segundo levantamento da Fipe de 2013 [dado mais recente]. A Biblioteca Nacional, por exemplo, expediu 16.564 ISBNs [código de identificação dos livros] para e-books no ano passado, apenas 1% a mais que no ano anterior.

De 2012 para 2013, o crescimento havia sido de 10%. Diversas iniciativas voltadas para e-books foram abandonadas, como o selo Breve Companhia, da Companhia das Letras, empresa da Penguim Random House, que publicava obras inéditas direto na mídia digital. Ela foi descontinuada no fim do ano passado. “No momento, estamos repensando o enfoque”, diz Fabio Uehara, editor de e-books da empresa. “Temos outros lançamentos digitais previstos para este ano.” A fadiga também atinge o varejo. “Crescemos dois dígitos, mas esperava um crescimento muito maior”, afirma Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, que comercializa ebooks e e-readers da Kobo.

Apesar de ser muito novo, esse mercado já mostra certa saturação”. A japonesa Rakuten, dona da Kobo, ainda é otimista. A empresa aumentou sua aposta nos livros digitais ao comprar a distribuidora de e-books Overdrive por US$ 410 milhões, em março deste ano. Amazon, Saraiva e Livraria Cultura não fornecem dados de vendas no Brasil, mas quem acompanha o setor não vislumbra um grande apelo dos e-readers. “No Brasil a leitura acontece em smartphones”, afirma Tiago Ferro, fundador da E-Galáxia, plataforma de intermediação entre autores e profissionais do mercado editorial a fim de editar e publicar e-books.

ISTO É Dinheiro | Por João Varella | 07/04/2015, às 17:30

Anel eletrônico permite a leitura de livros a cegos sem o braile


Um aparelho eletrónico que permite a leitura de um livro comum a deficientes visuais, sem recorrer ao uso braille, através de um sistema que faz a leitura em voz alta e em tempo real dos textos. O utilizador pode ainda optar por um sistema de tradução.

Este é um produto desenvolvido por pesquisadores do MIT [Massachusetts Institute of Technology], que pretende revolucionar a forma como as pessoas que não conseguem ver, ou que têm visão reduzida, leem textos.

Basta seguir o texto com o dedo indicador [aconselhado para colocar o ‘fingereader’], para que o aparelho reproduza em voz alta cada palavra seguida. Sempre que inicia uma nova frase ou um novo parágrafo, o aparelho emite sinais de vibração, que alertam o utilizador. Caso este se afaste da linha de texto, é emitido um sinal para que o leitor volte atrás e se coloque novamente em linha com o que está a ler.

O aparelho tem uma pequena câmara que faz a análise dos elementos escritos do texto, fazendo a sua leitura em tempo real, sejam impressos ou em e-book, como o Kindle.

Uma das ferramentas adicionais do anel de leitura é a possibilidade de tradução de textos.

Dinheiro Vivo | 26/03/2015

Os melhores ‘apps’ para ler e estudar


unnamedFolhas de papel, agendas, cadernos, livros. Quilos e quilos de papel que até poucos anos atrás pesavam sobre as costas e ocupavam mochilas, bolsas e mesas. Estão desaparecendo, pouco a pouco, da vida dos estudantes. A digitalização dos alunos nas universidades caminha no mesmo ritmo que eles; segundo o último estudo do serviço de telefonia Tuenti Móvil e da empresa de pesquisa de mercado IPSOS, 84% dos jovens pesquisados se conecta à Internet a partir do telefone celular e 40% utiliza o aparelho para estudar, trocar anotações ou trabalhar em grupo.

Celulares e tablets foram banindo a caneta e o papel para melhorar, maximizar e otimizar as tarefas dos universitários; deixaram que ser um elemento de distração durante as aulas para se tornarem uma ferramenta de trabalho. Quase sempre. Álex Rayón é professor na Faculdade de Engenharia da Universidade de Deusto e responsável pela TI [Tecnologia da Informação] nesse centro universitário. É ele quem está colocando em funcionamento a maquinaria que habilita as tecnologias de informação e comunicação na universidade basca: “Todo o plano de formação em competências digitais. Acredito que com isso é preciso ser valente”.

Os alunos ainda sentem dificuldades no uso dos aplicativos durante as aulas, embora fora delas isso já se tornou um hábito. “Os professores demoram em se acostumar. O maior medo é que, com o telefone na mão, os alunos possam estar fazendo outras coisas que não sejam da disciplina”. Facebook, Twitter, Whatsapp. “O que acontece então? Os celulares são proibidos em sala de aula”, conta Rayón. “Mas o que devemos fazer, e o que eu tento a cada dia, é levar as aulas ao celular, monopolizar a atenção dos alunos”.

Rayón dá aulas de Inovação e empreendedorismo na Universidade de Deusto e de Estratégia digital na Deusto Business School. Uma parte delas navega na nuvem, no Youtube e no Google Drive. “Quando os alunos fazem seminários, peço que gravem; depois postamos o material em canais temáticos que criamos no Youtube e se faz uma revisão por grupos. É uma das formas de levar a aula ao ambiente dos dispositivos móveis”. Com a ajuda de aplicativos como o Evernote, para gestão de conteúdos, e o Mindomo, para criar mapas conceituais, Rayón consegue colocar a aula no celular. “E não ao contrário, para aproveitar ao máximo todos os recursos disponíveis”.

Para ajudar a atingir esse objetivo, apresentamos os melhores aplicativos de iOS, Android e Windows Phone para compactar o curso.

Com a mão levantada

Para não perder o hábito de mover o pulso e o cotovelo ao escrever, reunimos aplicativos com os quais você poderá continuar escrevendo de forma tradicional, mas sobre uma tela.

  • Penultimate: Um aplicativo simples, intuitivo, extremamente bem cuidado visualmente e com uma gestão impecável da tinta. Pode-se escrever com o dedo, mas para aproveitá-lo ao máximo um stylus é a melhor opção. Disponível para iPad e gratuito.
  • Papyrus: Clara e fácil de usar, essa ferramenta tem uma janela para os clientes do Google Play for Education, que podem instalar este app e o Papyrus Licence EDU 2014-2015 para desbloquear as vantagens da versão premium. Disponível para Android e gratuito.
  • OneNote: A ferramenta para tomar notas do pacote Office da Microsoft é uma plataforma agradável e limpa visualmente. Permite escrever à mão, embora seja recomendável um lápis adequado. Disponível para Windows Phone, iOS e Android de forma gratuita.

Organizado e a tempo

Para quem não se importa em prescindir de agendas, post-its e papeizinhos no meio de dezenas de cadernos, seis ferramentas que ajudam a organizar, lembrar e guardar.

  • Evernote: Para tomar notas, fazer fotos, criar listas, gravar voz, guardar links. Tem sincronização na nuvem e capacidade para fazer apresentações com um clique. Gratuito. Para iOS, Android e Windows Phone em versão gratuita, premium [5 euros por mês, cerca de 14,65 reais] e business [10 euros por mês como usuário].
  • iStudiez Pro: Combina agenda, lista de tarefas e anotações com uma interface fluída e visualmente bonita. Disponível para iOS e Windows Phone por 8,7 euros.
  • My Study Life: Agenda, lista de tarefas e avisos em um único aplicativo para iOS, Android e Windows Phone. Gratuito.
  • Any.do: Combina tudo, do calendário à lista de tarefas. Sincroniza e compartilha com outros dispositivos. Com cada nova mudança, seus desenvolvedores sempre repetiram o mesmo: “Há muitos apps para cada coisa, por que não usar um que sincronize tudo?”. Disponível para iOS e Android de forma gratuita.
  • FantastiCal 2: Um calendário intuitivo, completo e com aperfeiçoamentos contínuos. Só está disponível para iOS, por 4,99 euros.
  • Wunderlist: Um aplicativo simples e intuitivo para organizar e compartilhar tarefas. Para iOS e Android, tem uma versão gratuita e outra paga, por 4,20 euros.

Guardar e compartilhar

Antes, se tiravam fotocópias. Agora, sobem-se arquivos à nuvem. Três lugares virtuais onde armazenar qualquer tipo de arquivo e poder acessá-lo a partir de qualquer dispositivo, compartilhar com os colegas do grupo de trabalho ou com os professores.

  • Google Drive: Compartilha, edita e guarda de forma instantânea. Disponível para iOS, Android e Windows Phone e gratuito.
  • Dropbox: Tudo vai para a nuvem, para consultar e sincronizar de forma instantânea com outros dispositivos. Para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.
  • OneDrive: É o serviço de armazenamento de arquivos da Microsoft, embora tenha aplicativos para iOS e Android. Gratuito até 15 GB.

Página a página

Para muitos, o romantismo de virar as páginas dos livros e sentir seu aroma não é motivo suficiente. Nos leitores digitais se podem armazenar milhares de títulos, todos disponíveis de forma imediata.

  • iBooks: É o aplicativo da Apple para baixar e ler livros, sublinhar e acrescentar notas. Tem acesso direto à biblioteca da empresa da maçã.
  • GoodReader: Para ler e tomar notas em arquivos; sincroniza com o Dropbox, OneDrive, SugarSync, e qualquer servidor SFTP, FTP, SMB, AFP ou WebDAV. Disponível apenas para iOS, por 4,2 euros.
  • Kindle: A experiência e a interface dos clássicos do Kindle transformados em um aplicativo disponível para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.

Sempre útil

Para escanear, fazer cálculos ou desconectar a rede wifi, que às vezes se torna mais tentação do que ajuda, uma reunião de aplicativos que podem ser um auxílio pontual.

  • Quick Graph: Uma potente calculadora gráfica com versão premium por 1,7 euros. Disponível apenas para iOS, embora seus desenvolvedores estejam trabalhando em uma versão para Android.
  • Genius Scan e CamScanner: Dois aplicativos para escanear, digitalizar, editar e enviar documentos e fotografias. Ambos disponíveis para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.
  • Ommwriter: Se você não é capaz de desconectar a rede wifi do tablet ou não consegue pôr o celular em modo avião, este aplicativo lhe ajudará a se concentrar para trabalhar. Enquanto estiver aberto, as notificações não o atrapalharão. Disponível apenas para iOS, por 4,99 euros.
  • Pocket: Bolso virtual que permite guardar artigos, vídeos ou fotografias a partir de qualquer Web ou aplicativo para vê-los mais tarde. Disponível para iOS e Android e é gratuito.

El País | 28/01/2015

A nova da Amazon


Nos EUA, os professores já podem criar seus próprios livros didáticos digitais para alunos acessarem pelo Kindle, indica a coluna Babel. É que a Amazon acaba de anunciar a criação do Kindle Textbook Creator, uma plataforma ligada à KDP Edu – por suas vez vinculada à plataforma de autopublicação da empresa, a KDP.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 4/01/2014

Estudo afirma que livros digitais estão em 95% das bibliotecas dos EUA


Em 2013, percentual de bibliotecas adeptas ao ebook era de 89%.Média de publicações digitais por estabelecimento é de 20.244.

Livros digitais, os chamados ebooks, estão presentes em 95% das bibliotecas públicas dos Estados Unidos, de acordo com uma pesquisa anual sobre o tema feita pela publicação especializada “Journal Library”.

O estudo acompanha a expansão dos livros digitais desde 2010 e na edição de 2014 captou um aumento na quantidade de bibliotecas adeptas às versões digitais. Entre 2013 e 2012, 89% desses estabelecimentos disponibilizavam ebooks. Quando a pesquisa começou a ser feita, o índice de aceitação era de 72%.

Em média, as bibliotecas norte-americanas possuem em seu acervo 20.244 livros digitais. Esse número, no entanto, é puxado para cima por grandes instituições. Aquelas que declaram não oferecer ebooks não o fazem por falta de recursos. No entanto, um exemplo da mudança dos ares nos EUA foi a abertura em 2013 de uma biblioteca em San Antonio [Texas] totalmente dedicada a livros virtuais.

Os livros digitais podem ser lidos em leitores digitais especializados como o Sony Reader, o Nook, da livraria Barnes & Noble, e o Kobo, vendido no Brasil pela Livraria Cultura, e o Kindle, da Amazon. Também são consideradas plataformas destinadas à leitura virtual o iPad, da Apple, e os tablets que rodam o sistema operacional Android, do Google.

Os empréstimo digitais variam conforme o sistema utilizado. Alguns necessitam da criação de uma conta pessoal do usuário que deve ser pareada à da biblioteca para que o ebook seja transferido de uma estante para outra via cabo USB. Outros permitem com alguns cliques a cessão de um livro de um lugar para outro, que automaticamente exibe a publicação assim que ocorre uma sincronização.

Publicado originalmente em Portal G1 | 01/12/2014, às 09h06

Amazon e Hachette entram em acordo


A Amazon e a Hachette finalmente colocaram um ponto final nas suas negociações que se arrastavam desde maio. Desde então, a Amazon tirou os produtos da Hachette da pré-venda, eliminou os descontos nos títulos publicados pela editora e começou a entregá-los com atraso. O acordo anunciado no início da tarde de ontem [13] contempla e-books e livros impressos.

No comunicado, assinado conjuntamente pelas duas empresas, Michael Pietsch, CEO da Hachette, disse que o anúncio é uma ótima notícia para os escritores. “O novo acordo beneficiará os autores. Ele dá à Hachette uma enorme capacidade de ações de marketing com um dos nossos mais importantes varejistas“, disse.

Estamos muito felizes com o novo acordo que inclui a possibilidade de entregar os produtos da Hachette a um preço menor, o que, nós acreditamos, será um grande ganho para os leitores, bem como para os autores“, disse David Naggar, vice-presidente para o Kindle no comunicado.

Pelo acordo, a Hachette terá a responsabilidade de adequar os preços finais para os consumidores. Amazon e Hachette devem retomar imediatamente a normalidade das vendas e os livros da Hachette poderão entrar em promoções. Na prática, a nova medida marca o retorno ao modelo agência, no qual as editoras definem os preços dos livros e a varejista recebe comissão de 30% sobre o valor.

O comunicado, embora coloque um ponto final na pendenga que se arrastava desde maio, não dá detalhes da negociação e nem como as empresas chegaram ao acordo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 13/11/2014

Amazon lança novo Kindle básico no Brasil por R$ 299


A Amazon lança nesta quinta-feira [13] o modelo mais barato do seu leitor de livros eletrônicos, o Kindle, por R$ 299, que foi atualizado com tela sensível ao toque. O preço é o mesmo do dispositivo da geração anterior.

A gigante do comércio eletrônico americana também vende o modelo Paperwhite, que tem tela iluminada, por R$ 479 no Brasil.

O modelo de topo de linha, chamado Voyage [que tem tela com tela coberta por vidro, com resolução mais alta], não é comercializado por aqui. Nos EUA, custa aproximadamente o dobro do que o Paperwhite.

O novo Kindle mais básico, que chegou ao Brasil em novembro de 2014 por R$ 299

O novo Kindle mais básico, que chegou ao Brasil em novembro de 2014 por R$ 299

Segundo a companhia, o novo modelo mais barato do Kindle ganhou um processador 20% mais rápido, o que, em teoria, melhora a navegação por menus, pela loja e torna mais fluidos os avanços de página.

A capacidade de armazenamento foi dobrada, de 2 Gbytes para 4 Gbytes, suficiente para “milhares de livros”, diz a empresa.

O aparelho chegou ao mercado americano no dia 1º de outubro.

Há cerca de 40 mil livros em português na loja brasileira da Amazon, entre os quais 2.500 são gratuitos e 20 mil custam R$ 10, segundo a empresa.

A Amazon lançou uma versão brasileira de seu site há cerca de dois anos, em 6 de dezembro de 2012.

Publicado originalmente por Folha de S.Paulo | 13/11/2014, às 08h01

Amazon bate na porta do escritor Fernando Morais


A gigante de Seatle procurou o escritor para tentar fazer pontes com o Planalto

Um dos motivos que levou Morais a fechar o contrato com a Novo Conceito foi o envolvimento da editora nas redes sociais. “Eu sou muito antenado nesse mundo novo que está surgindo. Há muitos exemplos em todas as áreas da revolução que o mundo digital está fazendo praticamente em todas as áreas e sobretudo na área de livros”, comenta Morais que se diz um entusiasta do livro digital. Morais contou ao PublishNews que foi procurado pela Amazon para tentar convencê-lo a ajudar na campanha para aprovação das mudanças na Lei do Livro e para a equiparação de e-readers a livros físicos. “O horizonte que eles desenhavam era muito animador. Eles me disseram que, tirando livros técnicos, didáticos, cada brasileiro lê 1,5 livro por ano. Daí ele me disse que se a gente conseguisse vender o Kindle a US$ 60 no Brasil, a gente multiplica em poucos anos por quatro o índice de leitura, passa de 1,5 para 6 livros/ano.  O que não é nada, não é nada é um bilhão e 200 milhões de livros. Mas daí, eles me disseram que para vender o Kindle a US$ 60, eles precisam do benefício do livro físico”, lembra Morais que passou a mão no telefone e começou a ligar para outras pessoas para entender melhor a história. “Daí me disseram que a Amazon estava de sacanagem porque o que eles querem o benefício fiscal, mas o aparelho deles é uma caixa preta. É como se você fabricasse televisor e oferecesse uma TV de plasma a R$ 10, com benefício fiscal, mas o sujeito que ligasse só pegaria a Globo”, ponderou o escritor.

Morais retomou o contato com a Amazon no Brasil e explicou que com o sistema fechado e proprietário deles, dificilmente passaria pelo crivo de Brasília. “Eles me disseram que esse é o modelo de negócio deles e que se abrissem mão disso aqui, no dia seguinte, teriam que abrir para todo o mundo. É mais fácil desonerar desde que não seja caixa preta. Desde que o hardware lesse qualquer livro”, comentou, abrindo a sugestão para as outras plataformas já presentes no Brasil, com tecnologia aberta – o Lev, da Saraiva e o Kobo, vendido pela Cultura. “Eu sou um entusiasta, mas as coisas têm limite. Abrir mão de imposto para uma empresa que vai vender um aparelho que só lê os livros dela. Só baixa os livros da Amazon. Tudo bem, mas não com o dinheiro público. A renúncia fiscal tem que ter como contrapartida um benefício para a sociedade. Qual o benefício? Vender o e-reader a R$ 60? Mas só posso ler seus livros? Não quero, não estou interessado”.

Morais deixou escapulir ainda que Jeff Bezos estava querendo vir ao Brasil para ter uma audiência com a presidente Dilma. “Mas daí veio a campanha eleitoral e ela não tinha mais tempo, tinha que pedir votos”, desviou Morais, afinal, Jeff Bezos não vota no Brasil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/10/2014

Dicas de prepraração de eBooks para Amazon


POR Lúcia Reis | Publicado originalmente por COLOFÃO | 29 de outubro de 2014

No processo de produção de livros digitais, como já mencionado anteriormente, nem sempre a mesma linha de código terá uma mesma visualização nos diferentes aplicativos e dispositivos de leitura. No caso da Amazon, no entanto, não estamos lidando só com uma questão de renderização diferente dos códigos: se trata de outro formato de livro digital com diferentes potencialidades e limitações. Dessa forma, o processo de produção do livro digital para a Amazon acrescenta algumas etapas que não são necessárias para a venda nos demais players.

Neste post, resolvi enumerar as algumas questões que podem surgir e tentar explicar através delas o padrão utilizado pela Amazon.

1. Table of Contents [TOC]:

1.1] HTML de TOC

Nos ePubs nós temos um arquivo toc.ncx que serve como um sumário navegável que pode ser acessado através de um atalho do app de leitura ou e-reader. Como no formato da Amazon esse arquivo não consegue criar mais de 2 níveis hierárquicos [ou seja, é possível ter capítulos e subcapítulos, mas, se for aberto um subcapítulo do subcapítulo, esse link é perdido no toc.ncx da Amazon], se faz necessária a criação de um HTML de sumário, com a mesma função do toc.ncx.

1.2] Ordem de elementos no toc.ncx:

Mesmo após a criação deste HTML, o arquivo toc.ncx ainda precisa existir. No processo de conversão, se este arquivo estiver mal formatado, é possível que apareça o seguinte relatório de erro no Kindlegen:

Error(prcgen):E24011: TOC section scope is not included in the parent chapter:1: GENEALOGIA PATERNA
Error(prcgen):E24001: The table of content could not be built.
(…)
Warning(prcgen):W14001: Hyperlink not resolved: /tmp/mobi-fy53Lm/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3
Warning(prcgen):W14002: Some hyperlinks could not be resolved.

Este relatório acontece quando a indicação dos elementos do toc.ncx não está seguindo a ordem de leitura dos HTMLs que formam o miolo.

Para explicar este caso específico, preciso antes explicar a relação entre HTMLs, ids e links dentro dos e-books. O texto do e-book está dividido em diversos arquivos HTML. Digamos que cada HTML contenha um capítulo de seu livro. No entanto, é possível que, dentro deste capítulo, existam subcapítulos, os quais são importantes de serem linkados no seu sumário. Os links de sumário geralmente apontam para um HTML. No exemplo selecionado, ele está apontando para o capítulo 3, que está no HTML chapter03.html. Para apontar para subcapítulos, é necessário criar um link, identificado pela tag <a>, que possui um identificador ou idpara que seja possível criar um link apontando para aquele exato ponto no HTML.

No exemplo, foi criado um id=”ch3? para marcar a subdivisão do chapter03.html.

Todo id está atrelado a um HTML, o que faz com que o id seja inferior hierarquicamente ao HTML. No relatório de erro do Kindlegen acima, essa hierarquia foi quebrada, tornando impossível de se criar o TOC. Para resolver este problema, basta utilizar o programa Sigil e seguir o caminho Tools > Table of Contents > Edit Table of Contents e inverter os links de ordem: primeiro o chapter03.html e depois o chapter03.html#ch03 e demais identificadores, na ordem em que aparecem no HTML, para que a hierarquia e a ordem de leitura sejam mantidas.

2. Semânticas

2.1] Capa

O formato da Amazon também não suporta a capa em formato HTML. Ele indica a capa apenas pelo arquivo de imagem. Para conseguir fazer isso corretamente, ele precisa que o arquivo .jpg de capa seja indicado com a semântica “Cover”, ou o Kindlegen dará o seguinte Warning:

Warning[prcgen]:W14016: Cover not specified

Para acrescentar semânticas pelo Sigil, basta clicar no arquivo que você deseja acrescentar a semântica, clicar com o botão direito do mouse e clicar em Add Semantics e selecionar, no caso, “Cover Image”.

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2.2] Texto

Outra semântica importante de ser acrescentada é a “Text”, que marca o início do texto. Quem usa o Kindle já percebeu que geralmente, quando se abre um livro nele, ele já inicia no primeiro capítulo. Esse recurso é possível pelo acréscimo desta instrução. O problema é que, se o editor não marcar a semântica de texto, o Kindle marca automaticamente o primeiro HTML com mais de algumas poucas linhas de texto. Ou seja, qualquer elemento pré-textual, como dedicatórias ou epígrafes, podem ser perdidas, uma vez que dificilmente o leitor vai voltar para ver se não tinha nada antes do primeiro capítulo. Portanto, é recomendado adicionar esta semântica para se certificar que informações importantes [e sim, epígrafes são importantes] não sejam perdidas.

Para adicionar semânticas nos HTMLs, basta seguir o mesmo caminho utilizado para o .jpg de capa. No caso dos HTMLs aparecerão mais opções, como é possível visualizar na imagem acima.

2.3] TOC

É necessário também adicionar a semântica de “Table of Contents” no HTML de TOC. Quando criado pelo Sigil, a semântica já é acrescentada automaticamente, mas, de todo modo, é bom checar. Senão o link de sumário que existe nos Kindles fica inativo e, surpreendentemente, o Kindlegen não mostra Warning quando a semântica de TOC não está indicada.

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3. Media Queries

A media query é um recurso de formatação direcionada. Você basicamente diz ao seu e-book: se estiver lendo numa tela de celular, mostre meu texto com a formatação x, mas se for num tablet, mostre ele com a formataçãoy. Se você tiver sorte, ele te obedece, mas nem sempre é o caso.

Antigamente eu utilizava media queries para retirar as capitulares dos e-books da Amazon, pois o recurso float: left, que deixa a capitular flutuando à esquerda, fazia a linha quebrar na primeira letra nos Kindles antigos, que não suportavam o recurso. Este problema já foi corrigido e não ocorre mais quebra de linha; no entanto, nos Kindles que suportam float, as capitulares são visualizadas de forma muito diferente do que nos demais e-readers e apps.

Pelos testes que fiz, deduzi que o problema é uma diferença no line-height, que indica o alinhamento do texto e/ou da capitular. Modificando o line-height da classe de capitular é possível fazê-la funcionar adequadamente nos diferentes dispositivos de leitura. O que é uma saída mais confíavel do que a media query.

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Apesar do Guidelines da Amazon apresentar a media query como opção, meus testes mostraram que, na prática, o que ocorre atualmente é uma mescla do que está no código principal com o indicado na media query, ao invés de utilizar somente o código direcionado especificamente para o formato da Amazon. Como é possível ver na imagem abaixo, ele manteve a formatação em float, mas acrescentou a informação de bold, contida na media query.

Conclusão

Bom, acho que a conclusão é a mesma de sempre: é muito importante testar os arquivos, por mais que pareça que não há nada que possa dar errado com aquele livro de texto simples. Nunca se sabe quando o arquivo pode apresentar problemas inesperados ou quando atualizações de firmware criaram um novo bug que você nunca viu antes. Teste sempre, é mais seguro.

POR Lúcia Reis | Publicado originalmente por COLOFÃO | 29 de outubro de 2014

Lúcia ReisLúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense, trabalha com livros digitais desde 2011 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

A primeira biblioteca só digital do mundo


Você consegue imaginar uma biblioteca sem livros de papel? Dia 14 de setembro, foi inaugurada, em San Antonio, no Texas [EUA], a primeira biblioteca pública de livros digitais dos Estados Unidos. Trata-se de um novo conceito. Ela dispõe de área de lazer para criança, com contação de histórias e uma cafeteria no estilo Starbucks. Também oferece aulas de informática para as pessoas que ainda não estão familiarizadas com a tecnologia.

Com o nome de “BiblioTech”, sua estrutura envidraçada lembra mais uma loja da Apple. São 10 mil livros digitais [ebooks], de todos os gêneros, como se espera de uma biblioteca. Eles podem ser lidos em 600 e-readers [Kindle e Nook], 2oo e-readers só para material infantil, 48 computadores e 40 tablets e 10 laptops. O sistema inédito permite que cada pessoa leve para casa os livros nos dispositivos eletrônicos e-reader, e serão devolvidos dentro do prazo estipulado. Ou seja, o “empréstimo” não é da obra e sim do aparelho.

O projeto da Bibliotech custou 2 milhões e meio de dólares e seu principal alvo é a nova geração de leitores. As crianças e adolescentes da região serão beneficiadas porque a biblioteca digital fará uma parceria com as bibliotecas das escolas. San Antonio é a sétima maior cidade dos EUA.

Alguns anos atrás, surgiram em algumas universidade, pequenas bibliotecas digitais, mas o foco era em material de perfil técnico. Em 2002, a Biblioteca Pública de Tucson-Pima, no Arizona tentou um sistema 100% digital. Mas a tecnologia era diferente e o público não se acostumou. Depois de um tempo, ele voltou a oferecer livros impressos. Outros países fizeram esforços semelhantes, mas nenhum deles era tão grande e inovador quanto a BiblioTech.

Maureen Sullivan, presidente da American Library Association comemora: “Biblioteca não é mais um lugar onde você entra e a coisa que chama mais atenção é o acervo de livros. Agora é um lugar onde, quando você entra, entra imediatamente em sintonia com a variedade de maneiras como as pessoas estão usando esse espaço”.

Mas esse tipo de mudança radical não é tão fácil. Seis grandes editoras americanas ainda se negam a fornecer ebooks para bibliotecas. Elas querem preços muito elevados pois alegam que perderão nas vendas. Por outro lado, se as pessoas não encontram o livro que procuram, o mais provável é que procurarão pela versão impressa em outra biblioteca.

O prefeito de San Antonio anunciou que a Bibliotech terá um orçamento anual de 1,2 milhão de dólares para aquisição de material. Com isso será permitido comprar cerca de 10.000 ebooks. Ele explica que seu desejo é negociar com as editoras individualmente a aquisição de livros para manter o acervo sempre atualizado. Nos últimos anos os municípios têm cortado os investimentos em bibliotecas, diminuído o número de empregados. Algumas foram fechadas, num movimento que acompanhou a falência de grandes cadeias de livrarias como a Borders.

Blog do Galeno | Edição 371 | 24 a 30 de outubro de 2014 | Com informações de Nation Time | Tradução Jarbas Aragão

Autopublicação nunca foi tão fácil, mas fama e dinheiro são escassos


FRANKFURT | Para qualquer escritor frustrado por rejeições de editoras ou querendo cortar intermediários, nunca houve um momento mais fácil ou mais barato de ser um autor autopublicado.

Uma série de plataformas gratuitas de autopublicação oferecidas por Amazon, Apple e especialistas como Smashwords criaram novas oportunidades e um enorme mercado tanto para desconhecidos que galgam lugares mais altos quanto para alguns escritores estabelecidos.

Louvada por alguns pois teria democratizado o mercado, e criticada por outros pois teria banalizado a cultura literária, a autopublicação transformou o que significa ser um escritor. Simplesmente enviar um arquivo PDF e gastar um pouco com o design da capa pode transformar qualquer um em um autor publicado em uma plataforma de livros digitais como o Kindle, da Amazon, recebendo até 70 por cento do preço de capa.

O papel tradicional das editoras – fazer a seleção entre vários manuscritos, editar os selecionados e criar o pacote, fazer o marketing e distribuir o livro finalizado – foi eliminado. As editoras, no entanto, não estão muito preocupadas. A autopublicação pode funcionar a favor delas também.

A escritora E.L. James é um exemplo. Seu livro “Cinquenta Tons de Cinza” foi autopublicado. A obra foi então selecionada pela Random House e se tornou o livro de formato brochura, conhecido como “paperback” nos Estados Unidos, com vendas mais rápidas de todos os tempos, impulsionando Erika ao topo da lista da Forbes de autores mais bem pagos em 2013.

Poucos escritores autopublicados verão esse tipo de sucesso. Mas aqueles que promoverem ativamente seus próprios trabalhos e definirem preços com perspicácia – às vezes tão baixos quanto 99 centavos por cópia – podem conseguir uma audiência de massa.

Muitos livros autopublicados, embora não atendam os padrões que editoras estabelecidas podem desejar, são bons o bastante“, disse o editor-chefe da revista online Publishing Perspectives, Edward Nawotka.

Eles tem preços em um ponto que atende a demanda do leitor”, disse ele à Reuters durante a feira de livros de Frankfurt. “Acredito que isso tenha ampliado o mercado para livros.

Cerca de meio milhão de títulos foram autopublicados somente nos Estados Unidos, um aumento de 17 por cento na comparação anual e um salto de 400 por cento ante 2008, de acordo com relatório publicado na semana passada pela empresa de informações bibliográficas Bowker.

Para se conseguir viver da escrita é preciso uma sorte incrível, ou determinação e senso de negócios, afirma a escritora alemã de ficção Ina Koerner. Ele vendeu mais de 300 mil livros pela Amazon sob o nome Marah Woolf.

Você tem que entregar um livro a cada meio ano, caso contrário será esquecido”, disse a autora de 42 anos, mãe de três filhos, à Reuters durante a feira, maior do gênero no mundo. “Eu escrevo para um mercado e o livro é um produto.

Ina vende seus livros a 2,99 euros [3,79 dólares]. Ela fica com dois euros e a Amazon com o restante.

Reuters | 13/10/2014, às 13h55

Sistema de assinaturas da Amazon para livros chega ao Reino Unido


Depois de ter estreado este modelo nos Estados Unidos, a Amazon lança agora no Reino Unido a sua versão ilimitada, através do pagamento de uma mensalidade.

O Kindle da Amazon é um dos aparelhos mais usados para a leitura de livros electrónicos Rui Gaudêncio

O Kindle da Amazon é um dos aparelhos mais usados para a leitura de livros electrónicos Rui Gaudêncio

A partir de agora, no Reino Unido também já se pode ter acesso a todo o catálogo da Amazon através do pagamento de uma mensalidade. O sistema é semelhante ao que já acontece na música [com o Spotify, por exemplo], nos filmes e nas séries televisivas [Netflix].

Foi em Julho que ficou disponível nos Estados Unidos a subscrição do Kindle Unlimited, que permite aos assinantes o acesso aos mais de 650 mil livros electrónicos, assim como aos mais de dois mil áudio-livros. Tipicamente, a Amazon lança os produtos e serviços no mercado norte-americano antes de os levar para outros países. Agora, este modelo de assinatura, cuja mensalidade custa 7,99 libras [cerca de dez euros], está também disponível no Reino Unido, não havendo ainda indicação de quando poderá chegar a outros países.

“Os nossos clientes dos Estados Unidos mostraram-nos o quanto gostaram da oportunidade de descobrir novos autores e novos géneros, e estamos encantados por oferecer a mesma liberdade aos nossos clientes no Reino Unido”, disse ao The Guardian Jorrit Van der Meulen, vice-presidente europeu da Amazon.

Para promover este novo serviço, a Amazon tem destacado exactamente a possibilidade de, com esta subscrição, se poder ler os grandes bestsellers, como ainda descobrir novos nomes da literatura.

O anúncio deste novo serviço, surgiu pouco depois da polémica entre a Amazon e o grupo editorial Hachette, depois de uma forte disputa contratual, cujos termos não foram até hoje divulgados. Por não conseguir chegar a acordo o grupo editorial, a Amazon dificultou o acesso aos títulos da Hachette, o que irritou muitos autores, despoletando diversas acções.

Agora, a Amazon defende-se, argumentando que com o sistema de assinatura contribuirá também para os autores. Este género de sistema já é frequente noutros tipos de conteúdo. O Spotify, por exemplo, é um dos conhecidos serviços de música que funciona num modelo de assinatura mensal. A própria Amazon já tinha um serviço de assinatura de vídeos.

À semelhança do que acontece no Spotify, em que os artistas recebem uma percentagem pequena de cada vez que as suas músicas forem ouvidas, também na Amazon, os autores serão pagos de cada vez que alguém ler mais de 10% dos seus livros através deste novo serviço. A quantia que recebem depende, no entanto, dos acordos entre as editoras e a Amazon.

Público | 24/09/2014, às 14h07

Depois de conquistar os leitores, eBooks agradam aos poetas


Editoras começam a se dedicar à formatação de poesia nos livros digitais e buscam manter “integridade física” dos textos

NOVA YORK – Quando John Ashbery, Prêmio Pulitzer de poesia, constatou que as edições digitais de seus poemas não se pareciam com a versão impressa, ficou chocado. Não havia quebra de linhas e os versos haviam sido espremidos num bloco como se se tratasse de um texto prosa. A cuidadosa arquitetura dos seus poemas desaparecera.

Queixou-se com a editora, a Ecco, e os quatro livros em formato eletrônico foram imediatamente retirados do mercado. Isto aconteceu há três anos. Desde então, a publicação digital evoluiu consideravelmente. As editoras agora criam e-books que preservam melhor a meticulosa formatação dada pelo autor. Portanto, quando a editora digital Open Road Mediaed contactou Ashbery a respeito da criação de versões eletrônicas dos seus livros, ele decidiu dar-lhe mais uma chance.

Na semana passada, a Open Road publicou 17 coleções digitais da obra de Ashbery, pela primeira vez a maior parte dos seus poemas estará disponível em formato de e-book. E ele não pediu nenhum recall.

É muito fiel à formatação original”, disse Ashbery, 87, reconhecidamente um dos maiores poetas vivos do país.

A revolução do e-book já tem mais de dez anos, mas as editoras de poesia lutam para encontrar um lugar no mercado digital. Em 2013, foram lançados 2.050 e-books deste gênero literário, em comparação a cerca de 200 em 2007, ano em que saiu o primeiro Kindle, segundo a Bowker, que acompanha os lançamentos do mercado. No ano passado, os e-books, representaram aproximadamente 20% dos quase 20 mil livros de poesia publicados, em comparação com cerca de 10% em 2012.

Poeta americano John Ashbery | Foto: Reprodução

Poeta americano John Ashbery | Foto: Reprodução

Entre todos os gêneros, a poesia revelou-se o mais resistente à tecnologia digital, não por razões culturais, mas por complexas razões mecânicas. A maioria dos e-books estraçalha as quebras de linhas e versos, tão fundamentais para a aparência e o ritmo do poema. Consequentemente, muitas editoras desistiram de digitalizar poesia, e as obras de alguns dos maiores poetas ainda não estão disponíveis em e-books, inclusive os Cantos de Ezra Pound e poemas de Jorie Graham, Tracy K. Smith, Elizabeth Bishop e Czeslaw Milosz.

O verso é a unidade na qual a poesia se expressa, mas a tecnologia da maioria dos e-books não favorece esta unidade”, disse Jeff Shotts, editor executivo da Graywolf Press.

Entretanto, à medida que a tecnologia foi evoluindo, as editoras começaram a se adaptar. Algumas contrataram programadores para codificar manualmente os livros de poesia de modo que as quebras de linha e os versos são mantidos; outras recorreram ao uso dos PDFs, ou arquivos estáticos, para reproduzir imagens digitais de poemas de formato elaborado, como os versos em forma de raios projetados para fora de Mary Szybist. Certas editoras acrescentaram avisos nos seus e-books, recomendando aos leitores que utilizem um tamanho específico de fonte para visualizar a representação mais acurada de um poema.

A editora independente New Directions, fundada em 1936, começou a publicar e-books de poesia no ano passado. Até o momento, lançou mais de 60 volumes digitais de poesia, inclusive obras de Pablo Neruda, Dylan Thomas e William Carlos Williams.

Farrar, Straus e Giroux começou uma grande arrancada para digitalizar seu catálogo de poesia em janeiro, depois de solucionar algumas espinhosas questões de design e de programação. Este ano, está lançando 111 coleções de poesia digital, em comparação com 17 no ano passado e apenas uma em 2012.

Antes de fazer esta transferência, quisemos ter a certeza de que o que os poetas faziam em termos visuais poderia ser encontrado nos e-readers”, disse Christopher Richards, editor assistente da Farrar. “O aspecto digital de um poema é realmente importante e pode comunicar um tipo de significado; se não for preservado no e-book, o leitor perderá de fato alguma coisa”. A produção de poesia digital ainda é inexpressiva diante da poesia impressa, e alguns escritores e editoras questionam se existe de fato muita demanda de e-books de poesia.

Uma grande porcentagem de leitores de poesia é fetichista: gosta de segurar o livro físico”, disse Michael Wiegers, editor executivo da Copper Canyon Press, especializada em poesia. Para as editoras, o custo é um fator importantíssimo. As vendas de poesia sempre foram muito limitadas em relação às de outros gêneros, e a criação de e-books especificamente programados é dispendiosa, principalmente considerando que o trabalho de poetas menos conhecidos talvez venda apenas poucas centenas de exemplares.

Mas as editoras de poesia dizem que não podem mais ignorar a migração para o digital que começa a dominar a indústria; algumas delas decidiram investir consideravelmente na produção de e-books. A Copper Canyon gastou cerca de US$ 150 mil no projeto de editar livros digitais, utilizando recursos da Fundação da Família Paul G. Allen e de outros doadores. Grande parte do dinheiro foi utilizada para pagar os programadores , disse Wiegers. Nos últimos anos, a Copper Canyon lançou cerca de 125 volumes de poesia digital.

Foram necessárias diversas experiências na base da tentativa e erro, e também no que se referia à programação”, explicou Wiegers.

Alguns poetas continuam inflexíveis quanto à superioridade do livro impresso. Albert Goldbarth, que escreveu mais de 30 livros de poesia, recusa-se a publicar e-books. “Me recuso a fazer isto; é uma questão de princípio”, afirmou, acrescentando que, com as edições impressas ele pode controlar os caracteres, o tamanho da fonte e o layout.

Outros poetas pediram insistentemente que as editoras incluíssem avisos em os seus e-books. O consagrado poeta americano Billy Collins fez a solicitação há alguns anos, ao constatar que a mudança do tamanho da fonte num e-reader “desequilibrou o poema”, como ele disse. Seus e-books agora trazem a advertência de que algumas funções de um e-reader podem mudar a “integridade física do poema”. “A primeira impressão que se tem de um poema é o formato da página”, disse Collins. “Um poema tem uma integridade escultural que nenhum e-reader pode registrar”. A poesia de Ashbery, que escreve frequentemente em versos longos, no estilo de Walt Whitman, e usa a complexa técnica de continuação do verso na linha seguinte alinhado à direita, foi difícil de digitalizar.

Muitos dos meus poemas têm versos muito longos, e para mim é importante que sejam cuidadosamente reproduzidos na página”, afirmou. “O impacto de um poema muitas vezes depende da quebra de linhas, que as editoras de poesia costumam não consideram tão importante quanto o autor do poema”. Depois da primeira experiência fracassada, Ashbery relutou em vender novamente seus direitos para e-books. Mas, há dois anos, seu agente literário contatou Jane Friedman, diretora executiva da Open Road, que estava interessada em publicar versões digitais da obra de Ashbery. Ela assegurou a Ashbery e ao agente que a formatação dos e-books preservaria os seus versos.

Depois de negociações que duraram cerca de um ano, Ashbery concordou em ceder os direitos de 17 coleções.

A produção dos e-books levou vários meses. Inicialmente os livros foram escaneados, digitalizados e cuidadosamente revisados. Então a Open Road enviou os arquivos para a eBook Architects, uma empresa de desenvolvimento de e-books de Austin, Texas. Lá, o texto foi programado à mão e recebeu marcações/ instruções semânticas, para que os elementos formais fossem assinalados respectivamente como versos, estrofes ou quebras de linhas intencionais. Quando um verso não cabe na tela porque ela é pequena demais ou a fonte é grande demais, ele é quebrado na linha de baixo – convenção observada na imprensa há séculos. A tecnologia ainda está longe de ser perfeita. Os poemas de Ashbery conservam melhor sua forma nas telas maiores do iPad, e ficam espremidos, e mais versos ultrapassam a margem num Kindle ou num iPhone.

Segundo os especialistas do gênero, estas pequenas discrepâncias são um preço ínfimo a pagar para garantir o legado de Ashbery na era digital.

John Ashbery é o nosso T.S. Eliot, a nossa Getrude Stein”, observou Roberto Polito, presidente da Poetry Foundation. “É vital que sua obra seja apresentada ao público da maneira mais perfeita no maior número possível de formatos”.

Por Alexandra Alter | Publicado originalmente em The New York Times | Tradução de Anna Capovilla publicada em Estadão | 18 Setembro 2014, às 11h37

Digital ou analógico


O hábito de ler em meios digitais ainda é minoritário – menos de 5% dos livros vendidos hoje no Brasil são e-books, enquanto o número nos EUA chega a 25% –, mas cada vez mais pessoas aderem aos livros eletrônicos. Faz alguma diferença, para o bem ou para o mal?

Comparações entre os dois tipos de leitura indicam um empate técnico.

Por um lado, é possível que ler uma narrativa num e-reader [aparelho projetado para a leitura digital] atrapalhe um pouco a percepção que a pessoa tem da estrutura da história, ainda que não interfira em outros aspectos. Por outro, a possibilidade de personalizar detalhes do texto parece ajudar quem tem dificuldades de ler no papel.

A ligeira desvantagem do leitor digital foi identificada num estudo liderado por Anne Mangen, da Universidade de Stavanger, na Noruega.

Ela dividiu 50 estudantes em dois grupos – um tinha de ler a versão em papel de um conto da americana Elizabeth George, enquanto o outro lia o texto num e-reader Kindle. Depois, tinham de responder a perguntas sobre o conto.

A percepção sobre os personagens da narrativa, por exemplo, não variou de forma significativa entre os grupos, e a sobre objetos da história foi até melhor entre quem lia via e-reader, mas os usuários do Kindle sofreram mais para identificar a sequência correta de acontecimentos na trama.

Já a equipe de Matthew Schneps, do departamento de educação científica do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica [EUA], trabalhou com mais de cem adolescentes com dislexia [dificuldade de leitura e escrita]. A comparação foi entre ler em papel e em iPods Touch configurados para mostrar de duas a três palavras por linha em letras grandes.

O resultado: os adolescentes com mais dificuldade para captar o som das palavras, bem como os que tinham menos capacidade de atenção visual, tiveram melhora significativa na velocidade de leitura e na compreensão.

A possibilidade de personalizar os aparelhos é um dos trunfos dos e-readers, afirma Carla Viana Coscarelli, especialista em letramento digital da Faculdade de Letras da UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais].

Do ponto de vista da acessibilidade, isso é um achado. O mesmo vale para a conversão de texto para áudio no caso de leitores com deficiência auditiva“, compara.

No entanto, no caso de leitores sem grandes dificuldades, ela aponta que não há diferença entre os meios. “O trabalho cognitivo de fazer inferências e perceber ideias implícitas é o mesmo“, diz.

A situação ainda é muito fluida, porque os dois tipos de leitura continuam misturados, e essa transição vai ser demorada“, diz Ana Elisa Ribeiro, doutora em linguística aplicada e professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.

Uma das variáveis que influenciam os hábitos de leitura é a relação da pessoa com cada tipo de livro. E-readers e tablets têm tido impacto grande em quem lê textos acadêmicos – nesse caso, a tendência é trabalhar só com o formato eletrônico.

Por outro lado, vi um estudo interessante com aqueles romances populares femininos, do tipo Júlia’ e Sabrina’. Nesse caso, as pessoas tendem a comprar em papel uma grande quantidade de títulos, em especial os preferidos delas“, diz Ana Elisa.

Também não parece haver diferença no tempo de leitura entre livros digitais e impressos, ou mesmo no nível de concentração.

Mesmo que você esteja ouvindo música e lendo no tablet ao mesmo tempo, sua atenção só vai ter um único foco“, exemplifica Ana Elisa.

É uma faca de dois gumes. Outros aplicativos podem acabar tirando você do texto, mas você também pode usá-los para procurar uma palavra no dicionário, acessar vídeos ou blogs sobre o tema. A experiência de leitura não necessariamente fica mais dispersa – pode se tornar mais aprofundada.

POR REINALDO JOSÉ LOPES | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 16/09/2014