Kindle Fire HDX: um campeão entre os tablets pequenos


Novo aparelho da Amazon tem preço acessível e vem com o que há de mais moderno da categoria

Foto: Gizmodo

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O Kindle Fire HDX é um grande avanço em comparação aos seus antecessores. Ele recebeu um redesign bacana, hardware mais rápido e alguns truques novos. Acima de tudo, ele é um dos melhores tablets pequenos que existem agora.

O que é?

Um tablet de 7 polegadas de US$ 230 feito pela Amazon. É a terceira geração da linha Kindle Fire, com hardware mais poderoso, uma nova tela maravilhosa e um corpo completamente novo. Assim como o Kindle Fire original, ele é uma vitrine para comprar coisas na Amazon, porém de forma bem mais fantástica que seus antecessores.

Para quem ele foi feito?

Para quem quer ver filmes e ler livros em um tablet, e para quem está mergulhado no mundo da Amazon. Sim, a versão brasileira da loja online vende apenas e-books, mas você pode assim mesmo aproveitar o tablet por aqui. Afinal, ele também tem uma tela fantástica e alto-falantes excelentes por um bom preço. Funciona como qualquer tablet, mas funciona melhor integrado à Amazon.

Design

Uma beleza angular. Enquanto o Kindle Fire original era basicamente um retângulo, e o Kindle Fire HD era levemente curvado, o HDX mistura o que há de melhor em ambos. Ele tem um corpo de magnésio sólido, coberto por um plástico suave que oferece uma boa pegada; no entanto, ele ficará coberto de marcas dos seus dedos.

Os cantos traseiros do HDX são levemente angulados: isso não só é atraente, como faz bastante sentido ergonômico – seus dedos ficam relaxados ao segurar as bordas.

O HDX tem acabamento um pouco melhor do que seu antecessor. Ele é menos volumoso em torno das bordas, graças a uma moldura ligeiramente reduzida, mas você ainda terá dificuldade para colocá-lo no seu bolso. Com 311 gramas, o HDX é bem mais leve do que o Kindle Fire HD de 395 g, e levemente mais pesado do que o iPad Mini [303 g]. O campeão em portabilidade ainda é o novo Nexus 7, com seus 289 gramas e o bônus de ser fino o suficiente para caber no bolso. Mas o HDX aparece logo em segundo.

Os botões são melhores do que eram na versão anterior, mas ainda assim são um pouco estranhos. Como eles são côncavos, em vez de saltarem da superfície do tablet, você precisa da ponta dos dedos para encontrá-los e usá-los. Além disso, quando o tablet está em modo paisagem com a câmera frontal na parte superior, os botões de volume ficam no lado direito da parte traseira. Ao segurá-lo com a mão direita, de repente você ouve aquela explosão altíssima de som – você aumentou o volume sem querer… [Canhotos, vocês se deram bem desta vez!] Parece algo pequeno, mas neste ponto o Nexus 7 é superior.

A posição do speaker é perfeita. O Kindle Fire HD tinha problemas nessa área, mas o HDX recebeu grandes melhorias ao mover os speakers para o canto angulado traseiro, bem distante de onde seus dedos costumam ficar – assim, eles não atrapalham a emissão de som.

Outros tablets costumam ter problemas de som quando você passa o dedo por um speaker, e isso prejudica toda a experiência de ver um filme, algo que não ocorre com o HDX.

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Usando

À primeira vista, pode parecer estranho que um tablet projetado especialmente para ver filmes e ler livros e revistas tenha tanta potência: processador Snapdragon 800 quad-core de 2,2 GHz, e 2 GB de RAM. Mas quando você coloca o HDX nas suas mãos, tudo começa a fazer sentido.

Fazer qualquer coisa no HDX é prazeroso e fluido. Com uma tela 1920×1200 com 323 pixels por polegada – empatada com a tela do Nexus 7 e superada apenas pela tela do HDX 8,9 com 399 PPI – o HDX tem mais pixels do que nunca, e eles são belíssimos. Dá para passar minutos inteiros brincando no carrossel da tela inicial do HDX, apenas apreciando sua nitidez.

A enorme quantidade de pixels traz ótimos benefícios para o aparelho. A resolução permite que vídeos brilhem, e o contraste estelar e os pretos profundos da tela superam a qualidade do Nexus 7 2013 quando você os compara lado a lado.

Livros também ficam ótimos na tela, nítida o suficiente para você quase esquecer que está olhando para uma tela LCD em algumas circunstâncias. O sensor de luz ambiente do HDX- que ajuda a ajustar o contraste debaixo de luz solar – facilita a leitura em ambientes abertos e ensolarados, mas ainda assim é uma experiência ruim; você provavelmente vai preferir evitar isso.

O melhor de tudo, porém, é que o HDX economiza bateria quando está no modo leitura: conseguimos 17 horas seguidas de tela sempre ligada com apenas uma carga.

E então chegamos à qualidade do áudio, que é mesmo impressionante. É possível ouvir bem as frequências baixas de som, o que dá mais profundidade ao áudio – ele parece flutuar ao seu redor. Não parece que ele está vindo de um tablet; ele está simplesmente lá.

Software

O Kindle Fire HDX tem diversos truques diferentes de software, mas um se destaca em relação aos outros. Historicamente, a interface do Kindle Fire estava centralizada ao redor de um carrossel. Um fluxo com álbuns, livros, filmes, apps e qualquer outra coisa disponível no aparelho. Ainda é assim, mas a Fire UI 3.0 enfim adicionou uma gaveta de apps.

Isso faz do HDX um tablet completamente diferente.

Antes, a interface do Kindle Fire era carregada de apps. Não do ponto de vista de processamento [embora por vezes também isso], mas do ponto de vista organizacional. Era como uma mochila: quanto mais coisas você colocava, mais difícil ficava de encontrar algo. Mas com a nova opção de uma app drawer, os aplicativos estão muito mais acessíveis. Antes, a grade de apps ficava meio escondida – você precisava tocar a aba “Apps” no meio das categorias, e eles tinham o mesmo destaque de coisas como “Audiobooks” e “Banca de revistas”. Agora, os apps ganharam um espaço dedicado para brilharem na sua tela inicial.

E, como um sistema operacional crescido, o Fire OS 3.0 conta com multitarefa que permite que você alterne não apenas entre apps, mas também entre livros! Ou seja, como você pode alternar entre conteúdos, o tablet não vai reunir seus e-books em uma só opção “Livros” na barra de multitarefa. Não é uma mudança tão grande quando a nova gaveta de apps, mas ainda assim é um passo à frente.

Nós testamos o Mayday, o novo suporte técnico por videochamada do Kindle Fire, e ele funciona exatamente como prometido. Toquei no botão e, cerca de cinco segundos depois, estava falando com Jace, que – após confirmar meu endereço de email por motivos de segurança – começou a desenhar na minha tela e a mover seu avatar. Foi mágico. Mas mesmo que o Mayday não ative a sua câmera, ainda há algo perturbador nele. Eles não podem te ver, mas você ainda se sente vigiado.


A seta foi desenhada por ele. E o rosto pixelizado foi ideia minha, achei educado.

Vale ressaltar que o Mayday ainda não está sob muita pressão. O volume das chamadas era bem baixo, e aposto que a Amazon considerou o fato de que os primeiros suportes seriam feitos a pessoas como eu, que testam o aparelho. Ainda assim, minha experiência foi bem prazerosa, e a sua também deve ser [se você um dia precisar da ajuda dele].

O Mayday não é necessário para amantes de gadgets, ou qualquer um que entenda como funciona uma interface moderna. Mas é bom saber que aqueles com menos familiaridade têm a quem recorrer em caso de ajuda. Por enquanto não há como desabilitar o botão Mayday, que fica na área de notificações, mas nos disseram que uma configuração para isso será liberada antes do lançamento oficial do tablet.

O X-ray para músicas é mais uma ótima adição de software, apesar de não ser nada crucial. Ele permite acessar a letra de uma música e, ao tocar nas palavras, você é levado ao ponto da música onde essa palavra é cantada – algo bem divertido. E, diferentemente do X-ray para filmes, que é mais valioso como fonte de trívias, ou o X-ray para livros, que traz informações durante a leitura, o X-ray para músicas é mais como um brinquedo.

Gostei

Assistir filmes e programas de TV no HDX é demais. Entre a belíssima tela [quando está exibindo conteúdo HD], o som excelente e a ergonomia confortável do tablet, você vai se perguntar por que se preocupar em ter uma TV. O HDX não é apenas um rosto bonito, ou algo poderoso – ele é tudo isso e ainda é muito portátil.

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

A navegação geral do HDX é igualmente fantástica. Em partes por causa do processador de 2,2 GHz, mas o Jelly Bean 4.2.2 [no qual a Fire UI é baseada] também ajuda. Afinal, ele inclui o Project Butter, iniciativa do Google para tornar o Android mais rápido e fluido, e consequentemente isso acontece com o Fire UI 3.0.

Também vemos a ausência de engasgos no mundo dos apps: o Kindle Fire HDX pode rodar [e bem!] praticamente qualquer app que você quiser. Testamos Dead Trigger, um pouco de Angry Birds e alguns outros jogos, e todos pareciam um sonho. Mesmo com tantos pixels para processar, é complicado imaginar algo que dê trabalho para o HDX.

Não gostei

Os botões do Kindle Fire HDX são melhores do que os virtualmente invisíveis do Fire HD, mas, como ressaltamos, eles ainda são estranhos. E há alguns outros problemas também. A entrada microUSB, onde você encaixa o carregador, é angulada de forma estranha. Isso significa que o cabo fica em um ângulo nem um pouco natural, e plugá-lo é sempre estranho e forçado – parece que algo vai quebrar.

Não são grandes problemas, mas contribui para uma sensação geral de estranhamento. Ou talvez seja algo que diminui a sensação de solidez e normalidade. De qualquer forma, é uma desvantagem.

Existem algumas questões maiores também. A linha Kindle Fire nunca teve a intenção de ser uma máquina para e-mail e calendário. Ele foi feito para ver filmes, ler quadrinhos e livros. Tecnicamente, é um Kindle. Desta vez, o HDX tentou expandir os horizontes com hardware mais poderoso e acesso melhorado aos apps. Mas poderia ser melhor.

Existem alguns problemas como a ausência dos apps do Google, mas não é exatamente uma falha, e sim uma escolha que pode não agradá-lo. Ainda assim, esta escolha traz muitas consequências. A Amazon App Store tem uma seleção melhor do que antes – muitos dos apps famosos já estão aqui – mas ainda está distante do mundo maravilhoso do Google Play em alguns pontos importantes. Apps que você já comprou pela Play Store não podem ser transferidos para o Kindle Fire HDX. Atualizações de apps precisam ser aprovadas pela Amazon antes de chegar ao Kindle. O melhor é não pensar no Kindle Fire como um tablet com Android; o Fire OS é tão distante do Android que é uma experiência completamente diferente, com as próprias regras e próprios apps. O fato dele compartilhar algumas coisas com o Android é um bônus, não uma parte integral do que ele pretende ser.

Além disso, você não conta com acesso a serviços cada vez melhores do Google, como o Google Now, ou o Voice Search, e não há sincronização de contas entre dispositivos como no Google. É o preço a se pagar por escolher a Amazon [e seu hardware excelente e barato].

A Fire UI também tem as suas próprias deficiências. As notificações dos apps são acumuladas como meros números no topo de barra de notificações, sem nenhuma maneira mais informativa como um pop-up. Você verá apenas um “1″ ou “2″, por exemplo, e não vai ter ideia do que se trata antes de verificar a central de notificações. É algo pequeno, mas irritante.

Notas de teste

A Amazon diz que a bateria dura 17 horas no modo leitura. Parece loucura, mas é verdade: nós conseguimos mais ou menos esse tempo com ele ligado em brilho automático.

Nos testes de vídeo [10 horas de Nyan Cat, também com brilho automático] também conseguimos as 11 horas divulgadas pela Amazon.

Seria negligência da minha parte não fazer ao menos uma comparação com o iPad Mini, mas, ao mesmo tempo, isso é um tanto cruel. Não é uma briga justa. O iPad Mini já tem um ano de vida, e também está em um universo diferente de preço; o HDX custa a partir de US$ 230, enquanto o iPad Mini custa US$ 330. Mas um novo iPad Mini vem aí, e ele deve ser um grande avanço em relação ao antecessor. O HDX é melhor que o iPad Mini do ano passado, é claro. Mas com o iPad Mini 2 a história deve ser diferente.

O Kindle Fire HDX de 7 polegadas chega em diferentes opções de armazenamento e conexão. Ele custa US$ 230, US$ 270 e US$ 310 por 16GB/32GB/64GB. E então você pode adicionar US$ 100 por 4G LTE. E também pode pagar US$ 14 para eliminar os anúncios na tela de bloqueio.

Há ainda uma capa exclusiva para o HDX, que serve de suporte. Ela se chama Origami Case, se prende ao HDX através de ímãs, e pode ser colocada em modo paisagem ou retrato. Mas, por US$ 65, é um pouco caro, ainda mais para um tablet que não precisa de um case para ser bom.

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Eu deveria comprar um?

Com o preço inicial de US$ 230, o HDX concorre diretamente com o novo Nexus 7, e em praticamente todas as categorias ele vence. Então mesmo que o Android padrão e a Play Store sejam importantes para você, é melhor pensar bem.

Você gosta de assistir vídeos no tablet? O Kindle Fire HDX tem uma excelente tela – a melhor de todas. No Brasil, você não pode ver conteúdo da Amazon, mas pode acessar o Netflix e vídeos nativos, por exemplo. Ele tem suporte a arquivos MP4 e MKV, entre outros.

Você gosta de ouvir coisas no seu tablet sem fone de ouvido? O Kindle Fire HDX tem alto-falantes excelentes, e muito bem posicionados, o que é muito mais raro do que deveria ser.

Você gosta de uma interface de usuário fluida, capaz de rodar de tudo? O Kindle Fire HDX tem um baita processador. É um Snapdragon 800 de 2,2 GHz que continuará sendo excelente por um bom tempo. Ele roda muito bem qualquer app disponível na Amazon App Store. O Nexus 7, com seu Snapdragon 600, não tem a mesma potência.

Você gosta de checar seu email e redes sociais, além de navegar na web direto no seu tablet? O Kindle Fire HDX faz isso muito bem. O app pré-instalado de email e o navegador Silk não são os melhores da categoria, mas funcionam legal. Há também apps para Twitter, Facebook e outras redes sociais.

Você gosta de ler livros? O Kindle HDX não tem uma tela e-ink, mas possui sensor de luz que ajusta o contraste, e uma bateria que dura 17 horas no modo leitura. É a melhor experiência que você conseguirá fora de um e-reader.

Se o Android padrão e a Play Store são mais importantes do que tudo isso, compre um Nexus 7. Mas se um gadget pode fazer você reconsiderar suas prioridades, é este aqui. A linha Kindle Fire recebe críticas por não ter um tablet com Android de verdade, só que ele faz o mesmo que os outros – e até melhor, na maioria das vezes.

Mas eis algo a se levar em conta: a nova versão do iPad Mini está chegando. Não sabemos ao certo como ela é, mas pode concorrer a “melhor tablet pequeno”. O próximo grande evento da Apple para o iPad deve ser agora em outubro.

Por enquanto, o Kindle Fire HDX é vitorioso, superando o já surpreendente Nexus 7 2013. Será que a Apple supera? Talvez sim, talvez não. Mas, agora, o HDX é o grande líder da categoria.

Especificações técnicas do Kindle Fire HDX

Processador: Snapdragon 800 2.2 GHz quad-core
Tela: IPS LCD de 7 polegadas
Resolução: 1920×1200 pixels [323 ppi]
Memória: 2 GB
Armazenamento: 16GB/32GB/64GB
OS: Android 4.2.2 [Modificado]
Câmera: frontal
Gravação de vídeo: “HD”
Rede: WiFi [5GHz MIMO]
Peso: 303 gramas [Wi-Fi]; 311 g [4G]
Dimensões: 186 mm x 128 mm x 9 mm

Por Eric Limer | Publicado originalmente em Gizmodo | MSN Tecnologia | 03/10/2013

Publicidade do Nook é corrigida


O Nook não roda vídeo em alta-definição, mas sua tela é mais nítida do que a dos concorrentes. Foto por Brian Snyder, da Reuters. To match Special Report PUBLISHING/EBOOKS

O Nook não joga vídeo de alta definição, mas mostrar o comprimido de vídeo se parece mais acentuada do que seus concorrentes.

Na semana passada, nesta mesma coluna, critiquei duramente a Barnes & Noble.

Destaquei que o slogan do novo tablet Nook é “O melhor em entretenimento HD” e que, no site do Nook, a primeiríssima característica anunciada é “Filmes e programas de TV em HD”. Fui além, dizendo:

Então, na página “Saiba mais”, há nove outras referências à capacidade do tablet Nook de reproduzir vídeos em alta definição. “Exibição fluida de vídeos em HD via streaming.” “Desfrute dos vídeos em alta definição.” “O melhor em entretenimento HD.” “Netflix e Hulu Plus pré-instalados para a exibição instantânea de filmes em HD.” “Vídeos em HD via streaming e mais.” “Suporte a conteúdo HD de até 1080p.” E assim por diante.

Hmm. Não sei quanto a você, mas, no meu caso, ao ler tudo isto, é possível que eu fique com a impressão de que o tablet Nook é capaz de exibir vídeos em alta definição!

Ora, adivinhe só? O Nook não é capaz de fazê-lo.

A resolução da sua tela é de 1024 por 600 pixels. Algo muito distante da alta definição.

Esta não foi a primeira vez que a B&N se equivocou ao anunciar as especificações técnicas do seu Nook. No ano passado, flagrei a empresa roubando algumas gramas do peso anunciado do leitor Nook original. E, neste ano, o tablet Nook é anunciado com capacidade de armazenamento de 16GB – mas apenas 1GB está disponível para os arquivos do usuário; o restante é reservado para os produtos comprados na B&N.

[Ainda acho que o recurso de empréstimo da B&N é alvo de uma empolgação exagerada. As restrições são absurdas: pode-se emprestar um livro a uma pessoa, durante duas semanas, uma única vez por título. E, ainda assim, são poucos os títulos que podem ser emprestados – é necessária a aprovação da editora. É claro que tais restrições são exigidas pelas editoras paranoicas, e não pela B&N – ainda assim, tudo isto corresponde a uma boa quantidade de texto em letras miúdas.]

Enfim. Depois da publicação da coluna da semana passada, recebi um telefonema de William Lynch, diretor executivo da Barnes & Noble. Ele disse que tinha ficado surpreso com a agressividade do meu texto, e perguntou a si mesmo se eu teria outros motivos para falar daquela maneira.

Photo Paul Taggart Bloomberg News

Ele também afirmou que não havia nenhuma tentativa de embuste no anúncio do tablet Nook como plataforma capaz de reproduzir vídeos em formato HD. Em nenhum momento a questão foi formulada em termos de “exibição em HD” e nem “reprodução em HD”. Ele disse que os advogados da empresa aprovaram a terminologia usada.

Lynch disse que, em vez disso, o tablet Nook de fato faz algo de muito útil: o aparelho aceita conteúdo em alta definição transmitido via streaming pela Netflix e os adapta para a tela de 1024-por-600-pixels do Nook, reduzindo assim a qualidade da imagem. O conteúdo deixa de ser exibido em alta definição – mas a resolução é melhor do que aquela exibida pelo principal concorrente, o Kindle Fire, da Amazon. O Fire parte do conteúdo em definição normal da Netflix e então amplia a imagem para fazê-la caber na tela de 1024-por-600-pixels.

O método do Nook pareceu ser um recurso legitimamente atraente. Que motivo haveria, portanto, para exagerar as coisas? Eu disse que o material publicitário dá a entender que o usuário obterá imagens em alta definição – e não é isto que ocorre. “Suporte a conteúdo HD de até 1080p”? Ora, vamos!

Desde a nossa conversa telefônica, dois fatos novos entraram em cena.

Primeiro: a B&N finalmente concordou que alguns consumidores poderiam ser iludidos por tantas referências ao “vídeo em formato HD”. A empresa finalmente eliminou todas as referências ao “formato HD” no seu site. Em vez das nove instâncias nas quais o termo aparecia, agora não o encontramos em parte nenhuma da página.

Isto me parece ser a atitude certa, independentemente do que digam os advogados.

Segundo: comparei o Nook Tablet ao Kindle Fire. Coloquei-os lado a lado, exibindo um mesmo filme em perfeita sincronia a partir do mesmo stream da Netflix.

Não há espaço para dúvidas: o vídeo da Netflix exibido pelo tablet Nook parecia ter qualidade muito superior.

Ora, na ausência de uma comparação lado a lado, seria difícil queixar-se da qualidade de vídeo exibida pelo Fire. Mas, numa comparação direta com o Nook… podemos esquecer o Fire. A clareza e a definição da imagem exibida pelo Nook a partir do streaming da Netflix torna-se imediatamente óbvia. [Quando o vídeo original é de definição padrão, como no caso do material do Hulu, a diferença de clareza é imperceptível.]

Como escrevi na semana passada, acho que esta vantagem é motivo de orgulho. Trata-se de algo que a B&N deveria anunciar. “Desfrute dos filmes da Netflix via streaming exclusivo em alta resolução”, ou algo do tipo. Simplesmente não há motivo para implicar que a exibição seria em alta definição quando isto não é verdadeiro.

Quanto à queixa de Lynch, que me acusou de ser mais mordaz ao escrever sobre a B&N do que sobre a Amazon – descobri onde estava o problema.

Se uma empresa se esforça ao máximo, mas fracassa… bem, isto acontece.

Mas, se ela tenta vencer por meio da tapeação… ora, eis aí algo que não posso tolerar. Minha função é fazer o papel de defensor do consumidor e, por isso, empresas que tentam passar a perna na freguesia me causam péssima impressão. [Lembra-se de quando a Verizon cobrava US$ 2 por cada vez em que pressionávamos o botão ‘Para Cima’ do celular por engano? Aquilo me irritou profundamente, e o governo americano
concordou comigo.]

Na opinião de Lynch, isto não é tudo que está ocorrendo neste caso. Não há cultura de tapeação corporativa. Ele diz que o erro no peso do Nook foi um equívoco como qualquer outro; as limitações de recursos como o empréstimo de livros eletrônicos são claramente enunciadas na rede; e, ao menos agora, não existe mais nenhuma possibilidade de confundir os consumidores quanto às capacidades do tablet Nook referentes à exibição de material em HD.

Por David Pogue | TRADUÇÃO AUGUSTO CALIL | Post publicado originalmente em 1/12/2011 | Publicado no Estadão 2 de dezembro de 2011, 19h10

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais

Conceito pode ser usado como notebook, tablet ou eBook


Dispositivo possui um teclado à prova d'água e tela widescreen de 11 polegadas | Foto: DesignBoom/Divulgação

O designer Hao-Chun Huang criou um conceito de computador multiuso, ou podemos dizer, um tablet dobrável? O Flexbook traz essa dúvida por se tratar de um equipamento com diversos usos e fins, adaptável de acordo com a necessidade. Por ser tão inovador, o conceito está na final da competição “a life with future computing”, organizada pela Fujitsu em parceria com o site DesignBoom.

O dispositivo possui um teclado à prova d’água e uma tela widescreen de 21:9 e 11 polegadas que se dobra ao meio, transformando o aparelho tanto em um tablet quanto em um eBook. Mas se isso não for suficiente, o teclado que acompanha o Flexbook também pode ser dobrado e armazenado entre a tela, fazendo com que ele se torne uma pequena caixa colorida.

A parte de fora é coberta com uma skin emborrachada, permitindo que ele seja guardado em bolsas ou mochilas sem nenhum dano ao equipamento. As cores e estilos da capa podem ser personalizados, para que o usuário faça um modelo com a textura que bem entender.

POR BEATRIZ SMAAL | Publicado no Portal Terra | Tecnologia | 16 de maio de 2011 • 10h55 • atualizado às 10h59