Grebal realiza palestra com especialista em livros digitais


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Ednei Procópio é autor de quatro livros, um de ficção e os demais sobre livros digitais

BARRA MANSA (RJ) | Com o objetivo de trazer palestras, oficinas e cursos para os grebalistas, o Grêmio Barramansense de Letras (Grebal) trouxe para a cidade o escritor Ednei Procópio, na ocasião, ele ministrou palestras no Centro Universitário de Barra Mansa (UBM) e na sede do Grebal.

De acordo com o presidente do Grebal Rozan Silva, Ednei é uma autoridade na área. “Ednei é uma das maiores autoridades quando o assunto é livro digital no Brasil, poder proporcionar uma palestra desse nível é algo que nos engrandece muito. Ele tem reconhecimento nacional dentro da área literária e, em 2015, foi finalista do Prêmio Jabuti. Nossa intenção é procurar trazer escritores, que possam acrescentar e dar mais informação ao autor local”, destaca Rozan.

Autor de dois livros, um de ficção e um sobre o livro na era digital, no domingo, Procópio realizou um bate papo sobre seu livro de ficção ‘Qu4dri- O tabuleiro Mágico’, que conta a história dos jogos de tabuleiros, é um romance que se passa num reino que vive de fabricação e venda de jogos de tabuleiros, o rei se ausenta do trono e causa instabilidade do reino, a região entra crise e a guerra está declarada. “A história do livro se reflete na nossa história, é uma história pesada para que as pessoas possam pensar e refletir no que está se passando em nosso país. Foram três anos entre pesquisa e escrita e mais um para ser publicado, o resultado tem sido positivo”, destaca Procópio.

Já no UBM, além dos grebalistas, estiveram reunidos estudantes e a população em geral para discutir questões sobre o livro inserido no universo digital. Em sua obra ‘O Livro na Era Digital’” traz 23 capítulos que mostra em que estágio estamos na digitalização, dá dicas de como nos preparar para a próxima tendência e o que podemos fazer para manter os negócios na chamada Web 2.0 e tirar ainda mais proveito da Era Digital. “A maioria das pessoas estão voltadas para uma tela, seja celular, computador ou tablet, temos que inserir o livro nesse contexto para que tenham mais acesso. Se o olho está voltado para a tela, por que não colocar o livro dela? Isso facilita a leitura ou a compra do mesmo”, indaga o autor.

De acordo com Ednei, a leitura em tela é lenta, dispersa, porém, é uma leitura mais rápida, barata e cômoda. “Considero que valha mais a pena ler livros técnicos em formato digital do que na forma física. Na versão digital, o leitor vai encontrar opção de multimídia o que traz mais entendimento a quem lê. Já a leitura de entretenimento depende do tempo disponível que o leitor tem. Geralemnte o público dessa área é formado por estudantes, professores da área de comunicação, bibliotecários, livreiros e blogueiros”, citou.

Ednei Procópio possui uma pequena editora em São Paulo, onde vive, há alguns anos, publicou um livro de Eliana Neri, da amizade, surgiu o convite para conhecer Barra Mansa. “Fiz questão de estar aqui e ajudar no trabalho do Grêmio que vem crescendo, se atualizando e reinventando. O Grebal tem tudo para crescer e se tornar um belo instrumento de cultura, tem condições e boa aceitação pela comunidade. A cultura tem sido posta de lado, cultura é educação, se fosse investido em cultura poderia diminuir os números de criminalidade”, destacou o escritor.

Sobre Ednei Procópio

Começou a pesquisar sobre livros digitais em 1998 quando terminou de escrever um livro de poesias, ‘Os versos de James’, e não conseguiu publicá-lo. Esta é sua primeira obra literária, no entanto, acabou sendo publicada em 2001 pela iEditora, onde trabalhou como editor até 2005. A iEditora foi a primeira empresa editorial brasileira a trabalhar com os livros digitais comerciais.

Pioneiro, Procópio criou a eBookCult em 2001, a primeira empresa a importar um leitor de livros digitais (mais tarde chamado e-reader) para o Brasil. Vendeu um lote de mil máquinas quando ainda não existia e nem se falava em Kindle, Kobo ou Lev.

Em 2005, Procópio publicou ‘Construindo uma Biblioteca Digital’ e, em 2010 lançou o livro ‘O livro na Era Digital’. Seu último livro ‘A revolução dos eBooks’, foi publicado pela Editora do Senai no início de 2014 e indicado ao Prêmio Jabuti em 2015.

Enquanto editor, Procópio já produziu e publicou perto de mil títulos em diversos formatos. E comercializados e diversas plataformas e aplicativos. Fundou a LIVRUS Negócios Editoriais,cujo escritório fica sediado na capital São Paulo. A Livrus é uma empresa de comunicação editorial, que tem como objetivo levar os autores e as suas obras para a era digital.

Além de palestrar sobre as questões do mercado editorial em eventos no Brasil todo, hoje, Ednei Procópio é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil.

Publicado originalmente em A Voz da Cidade | 01/06/0217

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“O autor e o novo mercado editorial”, por Ednei Procópio


Estou pensando em publicar um novo sobre os livros digitais, desta vez com enfoque na educação. O título: “Os Livros Digitais e a Educação”. Na verdade, o texto já está pronto e até pensei em publicá-lo em 2016 mas percebi que qualquer ação que praticasse não ia surtir efeito, então resolvei deixar o texto guardado. E, bem, agora estou procrastinando mais uma vez.

A Revolução dos eBoks

A Revolução dos eBoks

Minha terceira e última obra, a mais recente sobre os livros digitais, foi lançada em março de 2014, pela Editora SENAI. O título que acabou agradando à editora foi “A Revolução dos eBooks”. Neste livro, falo dos motivos do título e quem, na verdade, antes de mim, cunhou o termo “[e]Book [R]evolution”.

O texto original da obra já estava pronto quando fui à convenção anual da Associação Nacional de Livrarias [ANL], durante a última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, para ministrar uma palestra sobre o mercado livreiro. No evento, conversando com um diretor da Editora SENAI, meu livro foi selecionado por eles para publicação. Foi uma experiência muito interessante ser, ao mesmo tempo, o editor de uma editora [para quem não sabe, sou o fundador da Livrus Negócios Editoriais], e ter um livro meu publicado por outra casa editorial.

Me lembro que, enquanto meu livro estava no prelo, fiquei pensando na expectativa que a publicação de uma obra gera em nós escritores. Eu, que sempre estive do lado de cá da mesa, atuando como editor, tive que provar do meu próprio veneno. Recebi inúmeras recomendações da equipe editorial daquele selo com o objetivo de melhorar minha obra. Percebi que aquele processo todo estava gerando em mim uma ansiedade que há tempos não sentia. Naquela ocasião eu pensava, será que minha própria editora gera essa mesma expectativa em seus autores?

Autores de um novo ecossistema editorial

Em “A Revolução dos eBooks”, deixo claro que, quando falo em revolução dos eBooks Readers, estou me referindo mais aos leitores em si, os consumidores dos livros na era digital, do que as máquinas por eles utilizadas para leitura. A revolução digital permitiu, na outra ponta do ecossistema editorial, que os autores tivessem acesso a dezenas de plataformas de autopublicação que, pela primeira vez desde Gutenberg, oferecem ao autor a possibilidade real de ver seu texto publicado sem as barreiras existentes no antigo modelo.

Na autopublicação, por exemplo, existe a [inter]mediação de uma empresa que, geralmente, faz uso das tecnologias e das mídias digitais para oferecer uma plataforma de publicação. Nestes casos, a empresa que oferece tais ferramentas tem um papel menos atuante no que diz respeito à produção dos livros e exatamente por esta razão, pode haver contraindicações no mau uso destas ferramentas, principalmente se o usuário não se preparar para o processo que vai se desenrolar a partir dali.

A editora que publicou meu livro, do contrário, mantém uma equipe editorial já treinada que, por mais que eu tentasse acelerar a produção do meu livro, por pressa minha mesmo, por pura ansiedade, não me permitiria errar em itens tão importantes como texto de quarta capa, texto de orelhas, texto sobre o autor, prefácio, sumário, etc.

Por exemplo, sou um nerd assumido, guardo ‘de cabeça’ todas as referências bibliográficas sobre eBooks. Mas, e se eu não incluísse esses dados bibliográficos em meu livro? Tive que entregar à editora a referência completa [tal qual reza a cartilha da ABNT]. Foi item obrigatório para ter meu livro publicado por aquele selo. Também me pediram as notas de rodapé para todas as referências que eu estava fazendo nos capítulos.

Malditas notas de rodapé

Então estava eu lá, um domingo inteiro, buscando as tais notas para entregar na segunda-feira pela manhã, para que meu livro fosse publicado o mais breve possível. Eu pensava: para que raios serve uma nota de rodapé? Pensando bem, quem lê esse troço?

Um livro de não ficção, que é caso da obra “A Revolução dos eBooks”, não pode ser considerado um bom livro se não tiver o mínimo que a ABNT sugere para que o material seja efetivamente considerado publicável. Fora ter de cuidar do ISBN e da Ficha Catalográfica [itens considerados obrigatórios pela Lei do Livro, por sinal] nós, autores e editores [nos casos em que não sejamos ao mesmo tempo a mesma pessoa], precisamos observar outros itens para que um livro tenha uma qualidade aceitável. Não importa o formato: se eBook, audioBook ou paperBook.

Será que os autores que se autopublicam [e não são editores] estão preparados para admitir que, para ter um bom livro publicado, a obra terá que passar inevitavelmente por uma preparação de texto, revisão, diagramação, capa, ISBN, Ficha Catalográfica? E que será preciso observar tantos outros itens imprescindíveis como hifenização, viúvas, órfãs, resenhas, release de qualidade, que também fazem parte da publicação de uma obra?

Autor que não é livro que não é editora

Deixando de lado, pelo menos por enquanto, a questão dos custos e financiamento da produção, são três os modelos atuais mais comuns para a publicação de um livro:

O primeiro deles é aquele que chamaremos tradicional; nele, o autor envia o livro para uma editora e a seleção da obra fica a cargo de um conselho editorial, responsável pela curadoria de um determinado catálogo. Neste modelo, a equipe editorial está presente do início ao final da produção do material enviado. É o caso usado por aquela editora na publicação do meu livro.

O segundo modelo, o da autopublicação, é o próprio autor que assume a responsabilidade pela produção de sua obra usando as atuais ferramentas disponíveis nas plataformas de selfpublishing. Neste modelo, é raro a presença de uma equipe editorial, ela não está presente para assessorá-lo. As ferramentas de autopublicação acabam por oferecer uma opção interessante para a edição de livros, criam um ambiente democrático, aberto e acessível; mas estas plataformas não ofertam aos escritores uma equipe editorial que, antes de tudo, primem pela qualidade editorial de sua obra. E o custo zero oferecido por tais empresas é a razão para isto não ocorrer.

E o terceiro modelo são as casas que prestam os serviços necessários para a publicação de um livro, unindo a liberdade da publicação com a qualidade editorial processada por uma equipe. Este é o caso da Livrus. E, antes que me perguntem, sim, os custos e os profissionais estão todos lá, presentes no processo.

Autores que se autopublicam

É realmente fascinante as possibilidades que a Internet, e suas [con]sequências, estão trazendo para o mercado editorial. Mas sabemos que somente a tecnologia não dá o respaldo necessário para que uma determinada obra tenha um bom título, um bom subtítulo, uma boa revisão, etc. Escrever rapidamente um livro e colocá-lo de imediato no ar só porque as ferramentas digitais assim o permitem, pode ser um tiro no próprio pé, principalmente se o autor não dominar os meandros da publicação de um livro. O autor que tiver, por exemplo, um material em potencial em mãos pode perder uma oportunidade única de seu próprio trabalho.

Fora isso, com o tempo, os leitores [os únicos que realmente ‘mandam’ neste novo mercado], inevitavelmente perceberão que as obras que tiveram uma curadoria, uma equipe editorial, são aquelas de fato confiáveis para se ler. Por isso, antes de colocar seu próxima o livro no ar, nestas plataformas automatizadas, pense se você, autor, sozinho, realmente pode e é capaz de realizar o trabalho que uma equipe inteira precisaria fazer para se ter um bom livro. Se for o seu caso, e se assim o considerar, tente a sorte.

Em “A Revolução dos eBooks”, busco detalhar a questão atual do financiamento de obras, seja pelo Governo, patrocinadores, concursos culturais, editoras e até pelo próprio autor quando for o caso. Mas, por ser especialista em eBooks desde 1998, talvez parecesse um contra senso eu, agora, atacar, criticar ou mesmo defender as ferramentas digitais de autopublicação. Meu objetivo não é este. Longe disso. Pelo contrário, testei a maioria das ferramentas disponíveis pessoalmente. E afirmo: elas são acessíveis e funcionam, de verdade. São verdadeiramente democráticas se comparadas a qualquer um dos demais modelos.

O fato é que, exatamente por ter estudado a fundo este assunto, cheguei à conclusão de que, se eu quisesse que o meu próprio livro tivesse qualidade que eu desejava, e que não caísse na vala comum de centenas de outros de identificada precariedade, eu não deveria fazer o livro inteiro sozinho, eu necessitava de um corpo editorial.

Felizmente, sou editor e poderia fazê-lo usando a equipe da minha própria editora, a Livrus, se fosse o caso, como alternativa. Mas, felizmente também, o novo mercado editorial está repleto de portas abertas para aqueles que não têm pressa em publicar, mas primam antes de tudo pela qualidade de suas próprias obras. E, por essa razão, encontram alternativas inúmeras, entre as quais as tradicionais.

Nos demais casos, como alternativa, a necessidade nos aponta um ambiente de ferramentas digitais de autopublicação atrelado a uma equipe de curadoria. A primeira automatiza o processo e ajuda a reduzir custos por conta da escala. A segunda assegura a qualidade. Estas duas, digamos, entidades, unidas, ajudam a equalizar a questão do financiamento das publicações e podem oferecer uma resposta adequada aos novos tempos, aos novos livros, enfim, a um novo mercado editorial.

Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

* Ednei Procópio, 40 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.

Ficção fantástica aborda origem mítica dos jogos de tabuleiro


E se os jogos de tabuleiros, criados desde os tempos imemoriais, tivessem um ancestral em comum e partilhassem de uma única tábula? E se jogos como o xadrez, o ludo, o senet e diversos outros originados no Oriente, e que ganharam o mundo, fossem o resultado de um tabuleiro primordial artesanalmente pensado por magos de um conselho real?

Esse é o mote de QU4DRI — O Tabuleiro Mágico, primeira ficção fantástica, escrita por Ednei Procópio, nos intervalos de seu trabalho enquanto editor, e que traz ao público leitor uma visão inédita sobre a origem dos jogos de tabuleiro.

Criado por Ednei Procópio, um dos maiores editores especialistas em livros digitais do País e inspirado nos mais antigos passatempos da humanidade, QU4DRI — O Tabuleiro Mágico, não é só uma ode aos ancestrais boardgames, mas é antes de tudo, um convite à imersão em um universo místico.

Os mistérios que rondam o Reino dos Quatro Cantos do Mundo

O Rei dos Quatro Cantos do Mundo parece não só ter se ausentado do trono, mas deixado aos seus súditos uma herança de incertezas. Para complicar ainda mais a transição da regência, o concílio responsável por ungir um novo monarca, formado por uma quadríade de magos, entrou em desacordo sobre o processo de coroação de um sucessor.

QU4DRI — O Tabuleiro Mágico narra eventos de um mundo isolado, em um universo paralelo, por uma magia incomensurável. Forças ocultas instauraram o caos e batalhas sem precedentes desolarão um Reino que sempre viveu tranquilamente da fabricação artesanal e da exportação dos inocentes jogos de tabuleiro.

A busca por um artefato lendário

Uma influente professora da Escola de Jogos da Magia, situada na Província Real de Grimoire, foi convocada pelo então monarca do Reino dos Quatro Cantos do Mundo para integrar uma comitiva cujo destino e missão são cercados por mistérios.

Por motivos ainda desconhecidos, a professora não retorna de sua convocação e seu desaparecimento vira sofrimento para a família, em especial para seu companheiro, um súdito que trabalha a serviço do Reino e que ganha a vida como escriba na Biblioteca de Grimoire.

Em QU4DRI — O Tabuleiro Mágico é o próprio Escriba Real quem narra suas peregrinações na busca da verdade sobre o desaparecimento de sua amada esposa. O Escriba está se redescobrindo em uma jornada de esperança, aventuras e de novos aprendizados. Conhecimentos ancestrais, porém, mudarão dramaticamente seu modo de compreender o mundo.

A busca por um tabuleiro mágico

O Escriba da Biblioteca Real da Província de Grimoire aprendeu, com seu Mestre, que sempre que buscamos por algo, é algo que acaba por nos encontrar.

Na busca pela verdade sobre o desaparecimento de sua amada esposa, cujo paradeiro é um enigma, Escriba descobre uma sociedade secreta influente e destemida. Criada por Sábios da Antiguidade, a Ordem dos Magos Supremos está envolvida na manipulação de artefatos mitológicos, em especial um tabuleiro mágico, capaz de instaurar uma nova dinastia no Reino dos Quatro Cantos do Mundo.

Às sombras de uma revolução, cercado por questões existenciais, Escriba testemunhará o emergir de um novo mundo, sombrio e desumano, devastado por uma iminente guerra.

 

Agenda de lançamento do livro

Livraria Martins Fontes Paulista
Dia 1 de Outubro, sábado, das 16h às 18h
Avenida Paulista, 509
Estação Brigadeiro do Metrô

Sobre o Escritor Ednei Procópio

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Ednei Procópio é editor, empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais do País, pioneiro no tema desde 1998. Publicou as obras de não- ficção “Construindo uma Biblioteca Digital” (Edições Inteligentes, 2005) e “O Livro na Era Digital” (Giz Editorial, 2010). Sua última obra sobre livros digitais, indicado ao Prêmio Jabuti, é “A Revolução dos eBooks” (publicado em 2013 pela editora do Sesi-SP). E, sob o pseudônimo de Eddie Kerouac, Procópio publicou também o livro de memórias poéticas “Os Versos de James” (iEditora, 2000).

Além de administrar um escritório editorial em São Paulo, Ednei Procópio é o autor do projeto “Uma biblioteca digital na mão de cada aluno”, iniciativa inspirada nos ideais de inclusão digital.

Programa Livrus Ao Vivo # 07


MELHOR DO JORNALISMO LITERÁRIO

Livrus ao Vivo é um programa semanal, com 30 minutos inteiramente dedicados à literatura. Produzido por profissionais do mercado editorial, que visam enriquecer o setor com programação de qualidade, o programa Livrus ao Vivo mantém uma equipe sempre atenta às novidades, levando ao ar a notícia sempre atualizada.

No programa Livrus ao Vivo, o ouvinte encontra originalidade e inovação, entrevistas com os autores em destaque, agenda cultural, resenhas e dicas de livros, obras que viraram filmes, lançamentos, além de músicas inspiradas em livros.

A primeira temporada do Livrus ao Vivo é apresentada sempre às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio, editor especialista em livros digitais e Chris Donizete, publisher e jornalista literária; com comentários de Sandra Schamas, escritora e tradutora.

Para ouvir ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial AM 660 ou FM 95,7, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa.

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Programa Livrus Ao Vivo # 06


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Leituras no papel e também na tela


Como a tecnologia digital afeta o mundo literário

Por Mayara Zago e Vitória Hirata | Publicado originalmente em ACONTECE | Página 5

 Os e-books têm ganhado grande atenção na mídia por se tratarem de uma maneira mais prática de ler. Entretanto, segundo Ednei Procópio, criador do site “eBook Reader” e especialista em e-books, o mercado nacional de e-books não chegou a 3% se comparado ao mercado estagnado dos impressos. Apesar disso, os digitais continuam em ritmo de alta com um faturamento de cerca de 17 milhões só em 2014.

Observando a grande oferta no mercado nacional livreiro, percebe-se que o consumo está aquecido. Acredito que existe espaço para ambos os segmentos” comenta Milsa Maria Tassi Marques, assessora pedagógica em literatura da Editora Moderna.

A aparente aceitação do público se dá por diversos fatores, como a facilidade de acesso aos conteúdos digitais, que ultrapassa fronteiras e gera proximidade entre o leitor e o autor; a liberdade de modificar a formatação a gosto de quem o utiliza [margem, espaçamento e tamanho da fonte]; ajustes de brilho; caixa de atalho para pesquisa [find/search]; oportunidade de fazer anotações; possibilidade da reedição do livro pelo autor e a leveza do produto. “Você pode levar uma biblioteca para ler em qualquer lugar sem ter o excesso de peso em malas” diz César Rocha Lima, sociólogo, teólogo e autor de e-books.

Outro beneficio é a rapidez do envio sem qualquer taxa nas entregas. “Por causa da viabilidade e facilidade de compra, quando você quer um livro já faz o download para o seu aparelho. Esta acessibilidade é maravilhosa.” Diz Solange Lima, pedagoga e leitora de livros digitais. Com isso, as plataformas preferidas pelo público são IOS [iBooksStore], Android [Google Play], Kindle [Amazon] e Kobo [oferecido pela Livraria Cultura].

Há vantagens também para quem escreve. A tecnologia oferece um meio alternativo para escritores independentes ao dispensar o custo da taxa de entrega e distribuição. É o caso da renomada escritora independente australiana Jaymin Eve, autora da série Walker Saga, que por meio de seus livros publicados na plataforma digital conquista leitores de todos os lugares. “Autores independentes estão quebrando barreiras todos os dias” diz ela.

Jaymin acredita ainda que as grandes editoras monopolizam o mercado ao escolherem qual será a próxima “febre”. A publicação independente abriu um novo mundo de possibilidades ao atender todos os tipos de público, e por meio do contato com os leitores e a divulgação pelas redes sociais é estabelecido uma proximidade maior entre quem escreve e quem lê. “E daí que o livro é horrível? Se há pelo menos uma pessoa que goste da história, não há razão para o livro não estar disponível ao público.” completa Jaymin.

Programa Livrus Ao Vivo # 04


Programa Livrus ao Vivo 4

A primeira temporada do LIVRUS AO VIVO é apresentado às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio e Chris Donizete. Para ouvir o programa ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial FM 95,7 ou AM 660, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa. Para quem não ouviu os programas anteriores, clique aqui para ouvir o podcast.

Programa Livrus Ao Vivo # 03


MELHOR DO JORNALISMO LITERÁRIO

A Livrus Negócios Editoriais já não é mais uma startup. Com seis anos de vida, a empresa iniciou suas atividades em 2009, durante a Bienal do Rio de Janeiro. Até 2011 a Livrus era apenas um projeto dentro de uma editora que o empreendedor Ednei Procopio havia fundado. A partir daí a Livrus ganhou vida própria e, hoje, somente seu selo editorial, soma mais de 130 escritores publicados, cada um deles com dois ou mais títulos, uma característica que a Livrus vem tentando manter desde então.

A Livrus Negócios Editoriais dividiu seu modelo de negócios em três segmentos: PUBLICA, COMERCIALIZA e DIVULGA. O programa de rádio que a Livrus criou e que estreou no dia 7, na Rádio Mundial, estação difusora em São Paulo, faz parte de sua estratégia dentro do seu plano de divulgação de obras e escritores.

A primeira temporada do LIVRUS AO VIVO é apresentado às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio e Chris Donizete. Para ouvir o programa ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial FM 95,7 ou AM 660, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa.

Para quem não ouviu os programas anteriores, clique aqui para ouvir o podcast.

Programa Livrus Ao Vivo # 02


A primeira temporada do LIVRUS AO VIVO é apresentado às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio e Chris Donizete. Para ouvir o programa ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial FM 95,7 ou AM 660, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa. Para quem não ouviu o segundo programa, clique aqui para ouvir o podcast.

Além do Papel | A Dinâmica da Publicação Online


Não há dúvidas de que o livro está se adaptando aos mais diversos formatos e telas. Mas os autores e leitores já se adaptaram?

A mesa 2, com início às 11h45, vai falar sobre a presença do livro na internet. A ideia é abordar a dinâmica da autopublicação em blogs e outras tantas plataformas criadas para esse fim.

Vamos contar com a mediação de Ednei Procópio, especialista em livros digitais, publicou três livros sobre o tema desde 2010. Atualmente, está empenhado no desenvolvimento de uma empresa de livros e leitura chamada LIVRUS.

O X Forum de Editoração ocorrerá no dia 25/10/2014. A mesa também vai contar com:

André Vianco | Autor de 15 romances sombrios, vendeu mais de 900 mil livros. Publicou uma coleção infantil para a Rocco e também produz quadrinhos. É roteirista de cinema e TV.

Fred Di Giacomo | Escritor e jornalista multimídia. Autor de dois livros, trabalhou na Editora Abril por sete anos, onde foi pioneiro na criação de jogos jornalísticos, recebendo prêmios internacionais e nacionais. Em 2013 se mudou para Berlim e criou o Glück Project – uma investigação sobre a felicidade.

Antonio Hermida | Começou a trabalhar com e-books em 2009 [ed. Zahar] e, em 2011, na Simplíssimo Livros, como Gerente de Produção. Atualmente, coordena o depto. de Mídias Digitais da Cosac Naify. Escreve colunas mensais para o blog da editora e para o Colofão.

A Revolução dos eBooks # 3


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Capítulo Caçando Mitos | Páginas 197 até 200 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

O futuro do mercado editorial é o self-publishing?

Os mitos se avolumam quando um mercado antes dominado pelos barões da mídia passa, hoje, às mãos de um exército de empreendedores que assumiram o controle do futuro dos livros. Entre os novos empreendimentos estão aqueles ligados às chamadas edições de parceria, cujos custos de produção são pagos por parceiros de fora desses empreendimentos editoriais.

Um desses parceiros financeiros pode ser o próprio autor. Mas o chamado autor independente não é aquele que paga pelas publicações. Autor independente é aquele profissional da escrita que não mantém exclusividade com um único selo editorial, podendo ou não custear a publicação de seu trabalho sem estar obrigatoriamente preso a um grupo ou selo editorial.

A independência desses novos autores não se restringe às questões financeiras. Dois pontos são cruciais para serem desmistificados quando o assunto é o self-publishing. Primeiro: não importa quem custeia a publicação de um livro, se é a editora, o autor, o governo, o patrocinador externo, o mercado, um mecenas ou algum doador de um site de crowdfunding. O que importa é que o livro tenha qualidade editorial. Segundo: praticamente metade das publicações das editoras brasileiras é custeada pelo governo e nem por isso essas edições são chamadas governamentais. As vendas são governamentais, e não as edições em si.

Muitas edições são custeadas por prêmios ou incentivos culturais. E parte das edições das próprias editoras não é paga por ela, mas pelo resultado das vendas de outros títulos no catálogo. Portanto, é correto afirmar que quem paga as edições das obras nas editoras convencionais não são os editores, mas os leitores e os próprios livros — estes fornecem o lucro. Se não houvesse o lucro, não haveria o custeio das publicações por parte das próprias editoras.

Apenas uma parcela menor das edições é custeada pelos próprios autores, o que não constitui falta de qualidade do material publicado. É necessário separar o processo de seleção, avaliação de originais e de curadoria do processo financeiro, que permite o custeio da publicação das obras. Muitos livros custeados pelo próprio editor podem ser considerados ruins, assim como alguns bancados pelos autores são avaliados como bons.

A segunda questão tem a ver com a equipe editorial necessária para que uma obra tenha qualidade. Independentemente de quem custeia a publicação de determinada obra, a existência de um corpo editorial mínimo para a viabilização qualitativa da edição põe por terra a tese de que haveria uma desintermediação do editor quando o assunto é edição independente. Por mais que uma edição seja considerada independente, se o custo financeiro é levantado fora da casa editorial, conforme afirmado anteriormente, será sempre dependente de um corpo editorial que faça o trabalho de avaliação, leitura crítica, seleção, preparação de texto, revisão, formatação, paginação, diagramação. Sem isso, uma obra não terá qualidade, independentemente de quem custeie a publicação.

Edição do autor é uma coisa, edição independente, outra?

Na edição do autor, o próprio profissional cuida do livro; na edição independente o processo de produção pode ser cuidado por uma equipe. Ambas as opções sempre existiram. Aliás, até a parceria financeira entre editora e autor sempre existiu. Antes da transparência causada pelo advento da internet, o que não ocorria era o acesso à informação de que isso era mais comum do que se imaginava.

O que estamos vivenciando talvez seja a desintermediação do processo financeiro do custeio da obra, mas não dos processos de produção editorial, tão imprescindíveis para a qualidade das edições e sem os quais o próprio leitor perceberá a falta de qualidade e deixará de comprar os livros. Então, independentemente de quem paga as edições, se estas não mantiverem a qualidade editorial, o livro não venderá e a cadeia de valor do livro não fechará seu ciclo.

Portanto, insisto, autor independente não é aquele agente presente na cadeia produtiva do livro que paga pela publicação de seu próprio trabalho. Pagar pela publicação é somente uma das possibilidades econômicas de viabilizar a edição. Não é a única e não é prerrogativa para nenhum tipo de avaliação editorial. Autor independente é aquele que, antes de qualquer editor ou editora, é o real dono de sua carreira literária. E, por ser livre, pode simplesmente optar por bancar seu trabalho.

É fácil controlar uma mentira, basta mistificar um fato. Se um determinado editor discordar disso, pode ficar à vontade para bancar com recursos próprios toda e qualquer publicação que achar pertinente, já que, nesse caso, nenhum autor deva se declarar realmente independente.

É difícil desconstruir os mitos

Depois de uma década de o livro digital ter iniciado sua trajetória rumo à conquista da totalidade dos leitores, ainda hoje se vê o uso de informações redundantes, desinformações que são usadas para desacelerar o ritmo frenético imposto pela revolução dos eBooks. Informações desencontradas, sem sentido, sem nexo, são usadas por diferentes canais que tentam controlar o fluxo de negócios por meio de uma influência na comunicação com o mercado.

Aqueles que tentam inutilmente controlar o rumo do emergente mercado de eBooks usam de subterfúgios antes usados no mercado de livros impressos, mas não percebem que o mundo mudou, girou, saiu de sua antiga órbita, e que hoje existe um canal, o único de real independência chamado internet, que absorve qualquer manipulação e a torna vapor barato, quase em tempo real, tal o fluxo de conversas que trafegam pelas redes sociais. Deixando de lado a subjetividade, o que resta, na prática, é o que chamo de sincronicidade, informações reveladas sem que haja necessidade de confirmação da fonte.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Capítulo Caçando Mitos | Páginas 197 até 200 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

A Revolução dos eBooks # 2


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

O LIVRO COMO NEGÓCIO DIGITAL

Para que os novos negócios de dezenas de casas editoriais startups se amplifiquem e se consolidem no mercado de livros digitais é preciso que os seus empreendedores conheçam muito bem, e compreendam, o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros são hoje registrados, armazenados e transmitidos. Com o advento da internet, o modo como registramos, armazenamos e compartilhamos conteúdo se alterou profundamente. E esse novo cenário é bem diferente daquele antigo modo de publicar e vender livros.

O registro

Há algum tempo, as informações, os dados, o conteúdo dos livros eram gravados e armazenados em disquetes, hard disks, CD’s, DVD’s e pendrives. Em qualquer um dos casos havia necessidade de um hardware local de armazenamento dos registros criados. Hoje, para o registro de dados que servirão para a produção dos livros, há aplicativos que vão desde softwares de processamento de texto até softwares de autoria e design como espaços de armazenamento sincronizados.

Softwares de processamento de texto como o Microsoft Word ou o pacote Office podem ser utilizados diretamente através da internet sem necessidade de instalação em hardwares locais. E há os processadores de textos gratuitos como o Open Office. Aplicativos de autoria e design, como o iBooks Author, da Apple, quase praticamente substituem softwares locais como o Adobe InDesign na produção de livros.

O armazenamento

Se antigamente eram utilizados HD’s em computadores locais, hoje o modo de armazenamento está se transformando: o conteúdo é armazenado no que a indústria da informação chama de “nuvem”.

Serviços como DropBox são usados no armazenamento de informações que podem se transformar em conteúdo e conhecimento.

Anteriormente, utilizávamos suportes ou hardwares menos portáteis, como o rolo, o papiro, o códex, o papel, além da tentativa de transmissão através de outros hardwares considerados mais modernos, como os anteriormente citados disquetes, hard disks, CD’s, DVD’s e pendrives. Hoje, é desnecessário o uso local desses artefatos.

Esse novo modo de armazenamento de informações, dados e conteúdo é chamado de software as a service, ou software como serviço. Antes, o hardware era local e já vinha com um software de sincronização de dados. Hoje, o software de sincronização é on-line e o armazenamento, remoto.

A transmissão As informações, os dados e o conteúdo dos livros necessitarão sempre de conexão para que possam ser transmitidos desde os seus emissores até os seus destinatários. Não importa se a conexão para a transmissão se dê através de conexão discada, banda larga, redes 3G ou 4G, algum tipo de tecnologia RFID (como NFC) ou redes wireless. Embora a criação, o registro, o armazenamento e a transmissão dos livros não precisem mais de soluções locais, o recebimento e a leitura das obras necessitam obrigatoriamente de um suporte ou de um hardware. Não importa se esse hardware de recebimento seja um smartphone, um ultrabook, um tablet ou folhas impressas de papel.

O livro além da mídia

Se pudéssemos fazer uma analogia, a escrita e o registro dos textos originais dos livros antigamente fazia uso da máquina de escrever; mais tarde, era preciso um processador de texto em um computador pessoal. Com a diferença básica de que, quando se escrevia em uma máquina datilográfica, o conteúdo ali registrado era impresso em tempo real, conforme a manufatura de livros em prensas gutenberguianas; nos computadores pessoais, havia necessidade de uma impressora acoplada. Hoje, é usado um processador de dados on-line e um software de autoria e design que colocam o livro à disposição dos leitores ao toque de um dedo.

Antes, para armazenarmos informação, dados e conteúdo, precisávamos de uma biblioteca física ou de um hard disk pesado e caro. Hoje, para podermos sincronizar e compartilhar conteúdo para livros precisamos somente de uma conta no iTunes U ou em algum outro serviço similar na chamada “nuvem”. O modo como compartilhamos informações, dados e conteúdo de livros mudou; a única realidade que não se alterou efetivamente, embora tenha se modernizado, é a recepção de informações e a leitura delas.

Ainda que todos os processos tenham se alterado significativamente, o leitor precisa de um suporte qualquer para ler um livro.

Hoje, o hardware usado para a leitura de livros é escolhido pelo consumidor moderno, conforme sua portabilidade, no caso do papel, e sua possibilidade de conexão e poder de armazenamento, no caso de um suporte eletrônico.

Enquanto avançam as possibilidades da atual tecnologia, novos negócios de dezenas de startups tendem a se amplificar e se consolidar no mercado de livros digitais, caso os empreendedores compreendam o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros vêm sendo registrado, armazenado e transmitido. Sem essa compreensão, digamos técnica, produtos e serviços serão alçados ao fracasso pela velocidade com que novidades na área são apresentadas e oferecidas diariamente.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

A Revolução dos eBooks # 1


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

PRINTING ON THE MEDIA

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

Novos modos de comunicação tornam o consumidor um produtor de informação e apontam tendências para consumo por meio do digital. Com a democratização geral e irrestrita da tecnologia, mesmo com a não resolução efetiva das questões socioeconômicas, as barreiras à entrada de novos concorrentes na indústria gráfica, especificamente na indústria do livro impresso, se tornaram ainda mais fáceis de transpor. O mercado editorial brasileiro, mesmo o país estando cada vez mais na rota dos grandes investimentos internacionais, é considerado pequeno se compararmos e indexarmos o consumo de livros pela renda per capita e número de habitantes.

Há uma estagnação no volume único de impressão de um mesmo título, com a venda de exemplares caindo de 460 milhões para 430 milhões, embora mais títulos sejam lançados a cada dia e novas edições menores sejam impressas. É quase como se houvesse mais autores e editoras do que leitores. Todo esse cenário se solidificou há pouco mais de uma década e tem sido fortemente influenciado pelo consumo de conteúdo através de novas mídias interativas.

Novas mídias flexíveis

Essas novas mídias, essencialmente conectadas, são responsáveis pela diversificação no modo de produção e consumo de conteúdo impresso sob demanda. Elas criaram uma necessidade de personalização, quando passaram a colocar o poder da impressão de livros na mão dos próprios usuários.

A gráfica encolhe porque a tecnologia da informação permitiu a miniaturização das máquinas de impressão digital. O número de impressão de um mesmo título encolhe porque as mídias conectadas permitem maior flexibilização do acesso ao conteúdo para certos grupos, tribos ou nichos de mercado. Mas a impressão digital, porém, eleva a cada dia o número de print points, ou pontos de impressão, em que o consumidor é quem praticamente clica no ícone IMPRIMIR e decide onde e como ler o próprio conteúdo. Nem que ele seja impresso em um e-reader com tinta ou papel eletrônico.

Offsetting

A impressão digital permite maior flexibilidade de produção e acesso a conteúdos dispersos ou de consumo muito específicos, que antes eram impossíveis de ser produzidos pelas pesadas máquinas de impressão.

O conceito offset, termo que podemos traduzir para offsetting, ou configuração fechada, por causa da natureza das próprias máquinas que não permitiam impressão flexível, deu espaço ao onset, ou configuração aberta, em que o conteúdo é criado, preparado, revisado, produzido e impresso em tempo real para a maior gama de leitores diversificados.

O poder da impressão está nas mãos das novas mídias digitais porque elas estão nos bolsos das jaquetas dos leitores graças aos equipamentos portáteis. As novas mídias conectadas compõem o novo cenário e o novo modus operandi do consumo de conteúdo em papel ou meio eletrônico. Podemos chamar esse novo cenário de “imprimindo enquanto lê” ou “lendo enquanto imprime”.

Onsetting

Até meados de 2012, na indústria gráfica, infelizmente ainda não existia uma força motriz que pudesse manter a escala de produção e a economia de escala na impressão sob demanda de livros através dos novos e modernos equipamentos. Essa força motriz seria a venda de exemplares únicos através da internet.

Essa fraqueza na venda dos exemplares únicos ocorre porque países emergentes como o Brasil passaram da comunicação fonográfica (por exemplo, o rádio) praticamente para a comunicação eletrônica (tevê, cinema, internet). Parece-me que não houve um tempo de maturação de consumo dos livros, principalmente os impressos sob demanda.

Essa ausência de negócios nas vendas um a um, de certo modo, atrapalhou no entendimento sobre os negócios que envolvem os eBooks, pois estes são literalmente vendidos sob demanda, enquanto os livros impressos são produzidos sob demanda.

Imagino um futuro em que os leitores possam acessar a sua própria biblioteca digital, baseado no conceito de “nuvem” e white label, ou seja, página customizada. O sistema permitiria que os usuários imprimissem seus próprios livros em formatos convergentes como HTML, PDF, ePub ou qualquer tipo de tela em suas impressoras caseiras ou encadernadoras especializadas em impressão digital.

Os novos modos de comunicação, que podem tornar o consumidor um produtor da informação, apontam tendências diretas para a impressão de conteúdo digital nas telas ou ecrãs que estão nas mãos dos consumidores. E é por isso que se diz que o futuro do livro passa pela comunicação digital. Mas o futuro do livro é ser impresso. Sempre impresso. Seja numa tela de papel, seja numa tela eletrônica, seja numa tela qualquer que esteja nas mãos do leitor.

Em resumo, o futuro do livro está literalmente na palma da mão dos leitores.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

A um passo do Jabuti


Prêmio JabutiEntão é isso, amigos, aquela minha terceira obra sobre livros digitais, “A Revolução dos eBooks“, foi indicada ao Prêmio Jabuti 2014. Graças, é claro, ao pessoal da editora do SENAI-SP.

Nada mal para quem começou a filosofar sobre o assunto há mais de uma década. Minha avó sempre dizia que “o mundo dá mil voltas“. Creio que talvez agora eu comece a compreender o que ela queria me dizer. “As coisas vão acontecendo aos poucos, meu filho, bem lentamente, ao passo de um jabuti“.

Sinceramente eu não espero ganhar o prêmio porque tem muito livro melhor que o meu concorrendo na mesma categoria. Mas fico pensando na contradição que é concorrer a um Jabuti, com uma edição impressa que fala de livros eletrônicos. Seria bacana concorrer, em uma futura edição do prêmio, na categoria “eBooks”.

Enfim, depois que os eBooks ganharam a pauta do mercado, eu venho escrevendo com menor frequência sobre o assunto porque pretendo escrever apenas quando tiver realmente algo importante a se dizer. Pretendo também escrever apenas mais um livro sobre o tema, que vai se chamar “O Último Livro“. Depois disso, espero que o mercado editorial brasileiro tenha melhorado para os nossos escritores.

Enquanto isso, inicio uma séria de postagens, aqui mesmo neste espaço, com trechos que foram originalmente publicados na obra “A Revolução dos eBooks“.

EDNEI PROCÓPIO

Caro Jeff Bezos,


POR EDNEI PROCÓPIO | Publicado originalmente na Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Meu nome é Ednei Procópio, sou editor especialista em livros digitais. Não é de hoje que tento acompanhar os passos da Amazon. Tanto nos países onde ela atua quanto no Brasil. Digo tento porque venho apenas observando e evitando ao máximo expressar em público minha opinião pessoal a respeito do tema Amazon. Até mesmo em meu último livro, me esforcei para manter certa imparcialidade com relação ao assunto. Embora confesse ser difícil escrever qualquer coisa sobre eBooks sem citá-la em exemplos.

É que em meu país, mesmo após um hiato de tempo desde uma Ditadura Militar, e uma consequente cultura da censura de ideias, ainda hoje enfrentamos resistências quando exercitamos nossa liberdade de expressão. Muitos canais de comunicação simplesmente fingem ser um espaço democrático de discussão para a aproximação de ideias sobre o mercado editorial. De fato, alguns atuam como formadores de “achismos”, algo como “deformadores de opinião”. Uma verdadeira “panelinha” de manipuladores.

Mas estas não são as únicas razões que me levaram a escrever diretamente ao senhor sem correr o risco de ser mal interpretado pelos párias. Outra razão que exponho para reforçar alguns argumentos meus é que do mesmo modo que o mercado editorial a meu ver erra em inúmeras interpretações, elucubrações e até especulações a respeito de sua companhia, a Amazon também erra feio no modo como conduz suas negociações com este mercado, digamos, desesperado.

“Desespero” seria o adjetivo mais assertivo para este mercado?

É claro que não se aprende apenas observando os erros dos outros. Aprende-se mais, na verdade, com os nossos próprios erros. Mas os desesperados vivem falando em nome da Amazon e temos de admitir que o mercado editorial está agora nas mãos daqueles chamados “novos players”. Embora suspeite que a Amazon não se encaixe nesta categoria, já que ela já não é tão nova assim.

A Amazon é do tempo em que nenhum pseudo-especialista da cadeia produtiva do livro acreditava que um dia a Internet poderia vender mais livros impressos que as livrarias físicas. A Amazon é do tempo em que os barões da mídia zombavam, quando aqui mesmo no Brasil, eu afirmava que o mercado estava correndo um sério risco de um dia atrair mais interesse, audiência, acesso e consumo dos livros digitais em comparação às edições impressas. Pois é, alguém visualizou esta [im]possibilidade. E aqui estamos nós.

Agora, todos têm algo a dizer a respeito do que há poucos anos eram claramente contra.

Segundo a pesquisa anual “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo [FIPE/USP], sob encomenda da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e do Sindicato dos Editores de Livros [SNEL], as livrarias físicas ainda lideram os canais de vendas do mercado. Ou seja, permanecem como o principal canal de comercialização do setor editorial no Brasil. Mas poderíamos especular: até quando? Se a própria Amazon em breve pretende entregar os exemplares impressos com muito mais profissionalismo que muito lojista online local, que não tem lojas físicas?

Hoje, muitos editores reclamam porque só recebem da Amazon a ninharia de uns U$300 mensais da pela venda de seus eBooks. Mais uma vez, testemunho mercadores reclamando e desacreditando os eBooks, usando qualquer desculpa, desta vez a “mixaria” que recebem. E, observe que nem mesmo eles são capazes de investir em algo melhor que a própria Amazon já que comparam U$300 mensais à esmola, o que aqui chamamos de “dinheiro de pinga”.

Não são capazes de perceber ou não querem distinguir que a soma dos valores miseráveis que eles todos juntos julgam receber da sua pontocom, é na verdade, apenas a ponta de um iceberg que, no futuro, se uma negociação entre as partes não for realmente melhor conduzida, vai ser responsável por naufragar toda e qualquer possibilidade de ganho, até mesmo com os livros impressos.

Porque o que falta é o entendimento das partes.

Um indício desse cenário futuro é que, embora a venda de exemplares aqui no Brasil tenha crescido, segundo a pesquisa anual “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, de 2013 para cá, caiu o preço médio constante do livro. Tanto quanto o eBook, as vendas online de exemplares impressos, podem ser, indiretamente, um dos prováveis responsáveis pela queda do preço médio do livro país.

Onde os senhores pensam que isso vai dar?

Caro Jeff, aquele velho legado de editores convictos já se foi. Morreu. Ou melhor, muitos ainda estão por aqui, tentando sobreviver, porém, a maioria morreu. Não no sentido espiritual, mas no sentido social e cultural mesmo. Existem ainda os que vivem da “grana”, usando um termo bem popular, de uma renda, para não usar o termo economia, gerada na maioria das vezes pelos cofres públicos. Poucos são os grandes conglomerados editoriais liderados por homens que conseguiram passar pela revolução digital, focando no mercado varejista, lograram transferir sua história e legado aos profissionais mais jovens, afinal não largam o osso, e mantiveram-se vivos frente a esse admirável mundo novo. De meu país, não posso lhe dar nenhum exemplo sem ser chamado à atenção de algum modo pelos censores de plantão — que distorcem tudo o que a gente diz.

Na última oportunidade que fiz menção a um determinado conglomerado editorial em meu blog, dizendo para tomarem cuidado com a Amazon, recebi uma ligação telefônica me censurando. Eles fingem compartilhar ideias, e convites sociais, mas na verdade são censores da pior espécie

Mas o senhor é um homem dos novos tempos, não vai me censurar por ser direto, não é? Mesmo porque o meu objetivo não é ser agressivo, e com humildade peço desculpas se assim for interpretado. O que eu realmente quero lhe dizer é que ainda há tempo do senhor voltar às origens transformando a Amazon em um fenômeno que pode fortalecer o nosso mercado e não acabar de vez com ele. O que penso realmente da Amazon é que ela, como instituição de visão, não deve deixar pairar este sentimento de que algo sem ética está sendo feito.

Parece-me que hoje, e me corrija, por gentileza, se eu estiver equivocado, players bilionários como a gigante pontocom que o senhor fundou, sempre encarou o mercado editorial como um território a ser colonizado, para ser economicamente explorado e depois descartado após o avanço de um novo estágio em seu real objetivo com novos territórios. Então eu pergunto: por qual preço a Amazon quer se tornar um gigante mundial das mídias?

Ao custo do sucateamento de uma indústria inteira?

Às vezes, players como a Amazon pareceram estar mais interessadas no tipo de consumidor que os eBooks poderiam atrair do que na exploração dos livros propriamente dito. É como se os eBooks fossem para elas uma espécie de isca para os consumidores modernos. Algo como “vamos dar a eles os eBooks de graça e vender a eles geladeiras ou televisores”.

Deste jeito, os senhores se assemelham aos espanhóis na época da busca pelo eldorado. Cuidado para não dar um tiro no próprio pé, Jeff. Imagine se a Amazon não estivesse envolvida com toda essa revolução digital, mas estivéssemos em outras épocas e ela eventualmente envolvida, por exemplo, com a revolução tipográfica ocorrida depois do aprimoramento da prensa de tipo móveis, liderada, o senhor sabe por quem. Se estivéssemos nos referindo a passagem dos livros manuscritos para a manufatura dos livros graficamente impressos, para nos servir de exemplo, e se uma Amazon da vida fosse a detentora da patente da máquina de tipos móveis, é provável que até a imprensa que tanto contribui para a distorção desta realidade não existisse.

A Amazon, se compararmos com uma postura do tipo “vamos dominar o mundo, afinal dinheiro nós temos”, iria querer ser o próprio escriba, seu próprio gráfico, seu próprio livreiro e quem sabe até seu próprio leitor. É como se a sua empresa, caro Jeff, se bastasse para manter toda uma cadeia em torno de si mesma, em seu próprio círculo de existência, sem a presença de mais nenhum outro personagem no contexto.

O mercado editorial espera mais da Amazon. Espera que a Amazon o surpreenda. Mas talvez a Amazon não possa dar ao mercado aquilo que ele gostaria, nem da forma como espera. Sem dúvida algumas iniciativas da Amazon para o mundo dos livros são louváveis: CreateSpace, The Audiobook Creation Exchange, Amazon Author Central, Kindle Unlimited, KDP Select, etc., etc. etc. Mas como é que o senhor deseja, por exemplo, que as editoras regionais sejam parceiras da Amazon, se seu conglomerado também mantém uma editora — que, em última análise, os mercadores aqui de meu país consideram um concorrente direto?

Eles não estão de todo errados. Vou tentar traduzir o que alguns deles pensam. Se a sua companhia mantém uma gráfica de Impressão Sob Demanda, o que faremos com as gráficas digitais que prestam serviços para as editoras e escritores de meu país? Se a sua companhia mantém uma livraria online, como os livreiros de nosso país sobreviverão? Se a sua companhia mantém uma rede social voltada aos livros, o que faremos com os projetos similares disponíveis em nossa rede local? Se a sua companhia mantém o serviço de uma biblioteca digital no modelo de empréstimos, o que faremos com as nossas iniciativas locais?

Enfim, a Amazon, com tantos tentáculos, quer ser a sua própria cadeia produtiva do livro? Resultando que a antiga cadeia, que também deveria ter sido compartilhada há tempo, não está gostando nada disso.

A Amazon não está se equivocando ao enveredar nesse caminho, Jeff?

Porque o final de todo Big Bang aguarda um Big Crunch. E eles farão de tudo para que Amazon seja deportada deste país. E não me refiro a questão da tecnologia do livro digital, destaque de sua pontocom que trouxe finalmente os eBooks à ordem do dia; eu me refiro ao modelo de negócios que a sua empresa está impondo para um mundo editorial que ainda está, por sua vez, se ajustando ao modelo de economia compartilhada. Ora local, ora comunitária, na maioria das vezes global.

Deve ser um modo dos americanos de pensar. Eu não sei. Porque, aqui em meu país, nosso governo está buscando alternativas de financiamento em parceria com outros países emergentes, um deles até mais rico que o país do senhor. Isto se chama compartilhar riquezas. Pois vai chegar um dia em que nós por aqui teremos que compartilhar água para o mundo. Barris de água indexarão a economia global. E se gente como o senhor fosse dono de nossas reservas, no futuro as pessoas teriam que baixar um aplicativo para ter acesso à água potável. Ou ainda mais provável, elas seriam obrigadas a comprar um Kindle H2O.

S. Eliot disse que “num país de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo”. Felizmente temos outros players na jogada. E felizmente meu país está aprendendo a duras penas com seus próprios erros. Já adquirimos bastante aprendizado quando subestimamos o potencial da Internet. Não estamos inovando, mas ao menos estamos renovando. Porque jovens empreendedores de meu país têm que todos os dias se esquivarem da doutrina dos velhos senhores feudais do mercado editorial que os atrapalham todo o tempo.

Como exercício de uma realidade paralela, pense nesta tecnologia hoje disponível para os livros como uma única e nova impressora capaz de produzir centenas de milhares de páginas por minuto. Imagine se o gênio Johannes Gutenberg fosse um empreendedor arrogante como muitos em meu país, que se assemelham aos que dirigem a Amazon, não colocasse a tecnologia de tipos móveis a disposição do mundo. A Europa, caro Jeff, não teria lindas oficinas prensando páginas para iluminar até a mente daqueles que um dia fundaram o seu país.

E hoje, ao nascer de uma nova era que influencia todas as empresas, o que os senhores pensam que estão fazendo? Saiba que os velhos senhores feudais daqui não entenderiam, mas o senhor sabe bem que esta minha carta não é uma queixa. O mercado editorial tradicional também errou. Errou de forma lastimável quando subestimou a tecnologia rudimentar que estava sendo desenvolvida pela indústria de tecnologia para os livros digitais.

O senhor se recorda quando a Amazon iniciou as vendas do eBookMan? A Franklin fabricava dicionários eletrônicos, lembra-se? Nossos párias aqui também foram um dia tão arrogantes quanto parece hoje sua organização porque naquela época não estavam nem aí para o eBookMan. Não se importavam nem para o Rocket eBook, para o SoftBook. GlassBook. Microsoft Reader. Palm Reader. Mobipocket. E, nossa, são tantos os projetos que antecederam o conceito de eBook até chegarmos ao Kindle!

Mas a Amazon não, ela estava lá, literalmente vendendo todas estas novidades, enquanto o mercado encarava o livro na era digital com desdém. O mercado editorial errou porque em vez de observar o potencial de ruptura tecnológica, mais de seu conceito, optou por observar apenas a superficialidade das diferenças ignóbeis ente o cheiro do papel e a suposta dificuldade de uso do digital pelos consumidores. Menosprezaram seu potencial e subestimaram a capacidade dos jovens leitores deslizar seus dedos por uma tela touchscreen que mais tarde ultrapassaria o papel em legibilidade, usabilidade e portabilidade.

Tem gente aqui, caro Jeff, que acha que a tecnologia touch foi inventada pela Apple. E que livro em HTML5 não passa de um site. Tem gente aqui pensando que foi a Amazon quem inventou o livro digital. Para algum deles, a Amazon é pioneira em tudo, menos em distorcer os números e a realidade deste mercado. E, por acharem que estavam acima do conhecimento compartilhado de décadas de trabalho nos laboratórios de Palo Alto, agora pagam uma conta cara por terem entregado seu maior capital, o livro, ao que consideram um de seus maiores concorrentes: a Amazon.

Agora eles apontam suas catapultas para a sua companhia

A meu ver é assim que o mercado enxerga a Amazon, caro Jeff: como uma concorrente. Um inimigo que deve ser morto. É claro que eles não admitem, mas torcem contra a Amazon. Querem crer, lá no fundo, que isto não vai dar em nada, lutam contra um inimigo oculto, mas consideram que é a Amazon que deve ser exterminada, banida. A Amazon é a ponta de um iceberg, mas o mercado editorial aponta seus binóculos para os chamados grandes players e não percebem que o futuro está nas mãos de uma massa de consumidores modernos que não só lêem os livros impressos. Que lêem os livros. Impressos, em áudio, interativos, digitais, eletrônicos, elétricos, impressos sob demanda, livro aplicativo, livro brinquedo. Enfim, eles lêem livros. E ainda hoje tem gente aqui perdendo tempo discutindo com o Governo o que é um livro.

Alguém já deve ter lhe informado que eles têm o Governo como seu maior cliente. E lá está também a Amazon se infiltrando, tal qual um agente duplo. Afinal, Jeff, de que lado a Amazon está? Porque, do ponto de vista de um mercado em decadência, a Amazon está apenas de seu próprio lado. Conversando com um amigo do mercado, ele disse que “ainda não sabe quem está do lado de quem, o mercado é uma confusão só”. Enquanto isso, a Amazon está atropelando, ela mesma, sua própria história. De tão gigante que se tornou, não consegue mais acompanhar seus próprios passos. Cresceu tanto que não consegue mais olhar para baixo e evitar pisotear naqueles que poderiam ser seus potenciais parceiros, por menores que sejam.

A Amazon erra ao pensar que o mercado todo seria atraído por sua força gravitacional de poder, equivalente a uma espécie de buraco negro. E em vez de se tornar uma opção sustentável para aquele velho e retrógrado mercado, está se tornando um fardo pesado de se carregar. Mesmo com toda sua inovação, se assemelha aqueles conglomerados antigos que queriam ser de tudo ao mesmo tempo: produtora de conteúdo, editora, gráfica, livraria, caixa, empacotador, entregador etc.

A Amazon parece querer ser a constelação de uma estrela só

O senhor vai ter uma ideia melhor do que eu estou tentando dizer quando o Alibaba Group colocar suas ações à venda para o mercado americano. Mas o senhor pode aprender um pouquinho mais com seu conterrâneo, o Sr. Henry Ford. Recomendo que leia sobre a Fordlândia que Ford tentou prosperar aqui em nosso país. Por favor, baixe em seu Kindle a versão digital do livro — que é mais barata que a versão impressa, e o senhor não precisa aguardar aquele drone levar o pacote até a porta da sua casa —, conheça a cidade fantasma que o fordismo deixou de herança aqui pra gente.

Existe uma diferença básica entre o investimento que impulsiona a inovação e a grana que compra coisas prontas, Jeff. E enquanto sua companhia perde tempo se digladiando com velhos senhores feudais do mercado editorial, ela não percebe que está impedindo o trabalho das jovens empresas editoriais que poderiam elevar a segunda potência este mercado. A Amazon não está, honestamente, ajudando em nada. Fica perdendo tempo com os velhos e não percebe que está atrapalhando os jovens empreendedores.

Não bastasse a falta de criatividade de um determinado setor que enxerga a todos como concorrentes de si mesmos, fica todo o tempo copiando as ideias uns dos outros, temos que nos esforçar para compreender os planos de uma empresa, aqui vista mais estrangeira que global, e que age como se quisesse monopolizar o ar que respiramos. Que não sabe se foca em logística usando drones, smartphones que nos dizem o que devemos comprar — como se o consumidor fosse estúpido — ou se foca em venda de serviços de espaço em cloud computing.

Que tal a Amazon nos ajudar com o saneamento básico, Jeff? Também estamos precisando de um aplicativo que ensine os autores independentes a lerem os seus próprios textos, antes destes serem publicados no KDP, sem revisão, sem copydesk, sem ISBN, sem ao menos uma capa decente.

Para finalizar, confesso que os reais objetivos da Amazon, àqueles que eu considerava saber compreender por acompanhar este tema desde 1998, não condizem com a conduta de sua empresa neste momento. Neste ponto, sou obrigado a optar por toda esta generalidade excessiva nesta minha missiva, já que me causaria constrangimentos, não perante aos amigos do mercado que também buscam fundamentos como eu, mas junto àqueles que custam a aceitar uma opinião especializada como a minha.

A Amazon de ontem não é a mesma Amazon de hoje. Temos a Amazon antes e depois do Kindle. E eu não me refiro a inovação. A Amazon depois do Kindle assemelha-se a um cão correndo atrás do próprio rabo. Parecem bastante óbvios os planos dos senhores, mas suas ações estão refletindo uma conduta de distorção no mercado.

E o que nós, das chamadas startups, estamos fazendo? Simples: escalando aquela montanha que se move, com fé em nossos próprios feitos. Temos mais interesse em observar sobre os ombros dos gigantes. Afinal o que é que big players como a Amazon não estão enxergando. Algo que empresas como IBM, Kodak e Palm também não enxergaram. E o destino delas, caro Jeff, todos conhecem muito bem.

Lá do alto deve ser bonito! Mas afinal, o que é que o senhor vê daí de cima, caro Jeff?

Cordialmente,

Ednei Procópio

POR EDNEI PROCÓPIO | Publicado originalmente na Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

CEO da Livrus é o entrevistado de Ralph Peter


Ednei Procópio foi entrevistado por Ralph Peter, na TV Geração Z Programa LIVROS EM REVISTA – (Literatura)

CEO da Livrus é o entrevistado de Ralph PeterCEO da Editora Livrus, Ednei é um dos maiores especialistas em livros digitais do país. Procópio foi Coordenador Geral do projeto que implementou e desenvolveu o Cadastro Nacional do Livro [ CBL ]; e é membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro. Integra o Grupo de Trabalho que organiza o Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Ministra cursos e palestras como “A Revolução dos eBooks”, nome de seu último livro, lançado pela SENAI-SP Editora. O programa “Livros em Revista” recebe as principais personalidades do universo livreiro/literário como autores, editores, entre outros. Esmera-se em levar ao internauta boa cultura e um sadio entretenimento | Saiba Mais

Digestivo Cultural | Segunda-feira, 26/5/2014

Versão digital de “A Revolução dos eBooks” já está disponível na Moby Dick eBooks


A versão digital no formato ePub de “A Revolução dos eBooks“, a nova obra Ednei Procópio, já está disponível na Moby Dick eBooks.

Segundo a BYTES E TYPES, com menos de um ano de mercado e cerca de 18 mil títulos digitais de dezenas de editoras em carteira, a Moby Dick eBooks quer que uma parcela expressiva do mercado editorial brasileiro passe por seus caixas virtuais.

A expectativa de Leandro Barros, diretor de Marketing e um dos criadores da eBookStore é ser responsável pela venda, já em 2014, de 15% dos ebooks comercializados no País.

Atualmente, de cada 100 livros digitais vendidos no Brasil, 5 já passam por nossas mãos”, garante o executivo. A Moby Dick eBooks, informa Leandro Barros, já conta com milhares de clientes de livros digitais.

Ainda segundo ele, enquanto o mercado livreiro em geral cresce 12% ao ano, o segmento de livros digitais – no qual a Moby Dick tem foco total – se expande a “taxas exponenciais”, de 400% ao ano, e deve continuar assim até pelo menos 2016, ano em que se prevê o que ele chama de “a grande virada do setor”: o momento em que as vendas de eBooks serão maiores que a de livros impressos, fenômeno que já acontece em outros países.

Segundo Barros, a startup vem se preparando para assumir um papel relevante no varejo virtual de eBooks, principalmente por ter saído antes da própria existência de um mercado consolidado. “A diferença”, diz ele, “é que hoje detemos conhecimento técnico nos três pontos de apoio do segmento de livros digitais – ou seja, uma acentuada especialização em Tecnologia da Informação e a expertise em Marketing de e-commerce e em Conteúdo Editorial, através de curadoria especializada”.

A curva de aprendizado da empresa, neste novo segmento é fundamental, explica o executivo. “Estamos acompanhando o leitor brasileiro desde seu nascimento para as obras digitais. Hoje em dia 90% dos usuários compram através de computadores desktop e apenas 10% deles partem de dispositivos móveis. Isso significa que ainda há um longo caminho à frente, cheio de possibilidades, que estamos trilhando junto ao consumidor.

Moby Dick eBooks é uma das primeira eBookStores do país a disponibilizar a versão digital de “A Revolução dos eBooks”. O livro trata dos dois eixos centrais que Ednei considera importante para a boa manutenção do mercado editorial brasileiro. O primeiro seria o eixo econômico, aquele que viabiliza e sustenta toda a cadeira produtiva do livro. E o segunda eixo é o político que, inevitavelmente, precede o primeiro quando se trata de políticas públicas voltadas ao livro em especial as bibliotecas públicas digitais, os livros digitais didáticos, etc…

SERVIÇO

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, de Ednei Procópio

Título: A Revolução dos eBooks
AutorEdnei Procópio
Número de páginas: 268
ISBN: 9788565418966
Editora: SENAI-SP
Assunto: Mercado editorial
Número da edição: 1º edição
Idioma: Português
Formato: ePub
Preço: R$ 25,20
Ano: 2014

SENAI-SP Editora lança obra a indústria dos livros na era digital


Ednei Procópio, autor da obra, fará mini palestra sobre o tema em sessão de autógrafos

A Revolução dos eBooks

A Revolução dos eBooks

A SENAI-SP Editora lança o livro A Revolução dos eBooks – A indústria dos livros na era digital, no dia 25 de março, às 18h30, na livraria Martins Fontes. O evento contará com sessão de autógrafos e palestra do autor, Ednei Procópio, um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil.

A palestra apresentará os principais pontos levantados por Procópio e que serviram de base para a obra. Será uma oportunidade para os profissionais do mercado editorial, livreiro, gráfico, digital e para escritores que desejam conhecer mais sobre a história e o futuro dos livros face à revolução causada pela internet.

O livro desmistifica o tema, usando conceitos básicos que ajudarão os interessados a explorar o que o especialista considera um cenário único de oportunidades, e que ocorre em um momento histórico, de perda da hegemonia do mercado editorial mundial sobre o processo de publicação e exploração comercial dos livros.

A Revolução dos eBooks – A indústria dos livros na era digital faz parte da série “Olhar para a Indústria”, lançada pela SENAI-SP Editora com foco na produção de conhecimento de interesse da indústria, na mobilização e conscientização dos profissionais da área, com o objetivo de promover o desenvolvimento pessoal e social.

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Sobre o autor

Ednei Procópio é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editorias, atuou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, eBook e até audiobook. Outros livros publicados: Construindo uma biblioteca digital (2005) e O livro na era digital [2010].

SERVIÇO

Lançamento do livro A Revolução dos eBooks — A indústria dos livros na era digital

Editora | SENAI-SP
Autor | Ednei Procópio
Data | 25 de março de 2014
Horário | 18h30
Palestra do autor | A Revolução dos eBooks
Local | Livraria Martins Fontes
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Cerqueira Cesar

Sobre a SENAI-SP Editora e a SESI-SP Editora

Criadas em sintonia com a missão do SENAI e do SESI de difundir o conhecimento e a cultura, a SENAI-SP Editora e a SESI-SP Editora têm a proposta de preencher uma lacuna editorial existente nas diversas áreas de educação e ensino profissionalizante em que o SENAI-SP atua, e busca difundir, de forma planejada e sistematizada, o conhecimento produzido pelo SENAI nas áreas de Cultura, Educação, Esporte, Nutrição, entre outras, assim como identificar oportunidades que possam contribuir para o enriquecimento dessas áreas. Desde sua criação, em 2011, as duas editoras já publicaram mais de 100 títulos.

A Revolução dos eBooks | A Indústria dos Livros na Era Digital

Fliporto começa hoje em Olinda


Entre os dias 14 e 17 de novembro acontece a Fliporto, na cidade pernambucana de Olinda. Este ano, o evento tem como tema ‘A literatura é um jogo’ e aborda o cenário da literatura contemporânea e da educação que usufruem das possibilidades oferecidas pelos jogos físicos e virtuais. Hoje, às 19h, acontece a abertura do Congresso Literário, com a palestra de Pilar Del Rio falando sobre José Saramago: “Escrever não me dá prazer, ter escrito, sim”. Paralelamente, o evento traz mais uma vez a E-Porto Party, que acolhe as novidades tecnológicas no ramo literário e irá oferecer gratuitamente curso de e-books com o especialista Ednei Procópio.

PublishNews | 14/11/2013