Cardiologista lança livro gratuito com dicas médicas para viagens


A cardiologista e professora Dra. Marisa Campos Moraes Amato está lançando o livro Seleções de Dicas Médicas, com o objetivo de suprir a carência de seus pacientes em obter informações e orientações confiáveis sobre problemas de saúde, que podem ocorrer em suas viagens. “Ao longo de minha carreira detectei que são muitas questões que afligem o viajante leigo a respeito de como resolver alguns problemas. Às vezes são problemas banais e outras mais complicados, mas que são esquecidos durante o planejamento de uma viagem. E quando surgem, podem atrapalhar muito o passeio”, explica a Dra. Marisa.

Seleção de Dicas Médicas traz dicas de quais vacinas tomar antes de cada viagem, remédios que devem ser levados, sangramentos nasais, dores de ouvido e inchaço nos voos, o que comer, náuseas, tonturas e vômitos. Também aborda riscos do desenvolvimento de trombose e embolia pulmonar durante as viagens de avião e como lidar com o jet lag, entre tantas outras dúvidas, mais simples ou mais complexas, apresentadas pelos seus clientes

O livro está disponível gratuitamente na Apple Store. Para baixar é necessário espaço disponível no: iPad com iBooks 2 ou posterior, iOS 5 ou posterior; iPhone com o iOS 8.4 ou posterior; ou Mac com OS X 10.9 ou posterior. A versão impressa pode ser adquirida por US$ 9,99, no site LuLu.

Sobre o Autor

Prof. Dra. Marisa Campos Moraes Amato, doutorada pela Universidade de São Paulo em1988, é especializada em cardiologia pela Associação Médica Brasileira. Também tem Mestrado em Ciências, na área de Fisiologia Humana, pela Universidade de São Paulo. Foi bolsista de pós-doutorado, do governo alemão, pela Fundação Alexander von Humboldt, em Hamburg, 1992/1993. Professora Livre Docente de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1998.

Produziu vários artigos científicos com repercussão internacional. Um deles, publicado na Heart British Medical Journal, em 2001, é referência para o Consenso Europeu de Cardiopatias Valvares. Foi Presidente da Academia de Medicina de São Paulo, em 1997/1998 e Membro do Conselho de Cultura da Associação Paulista de Medicina, em 1999/2002; também foi Presidente do Clube Humboldt do Brasil entre 2008 e 2010. Desde 2008, é Membro do Conselho de Economia, Sociologia e Política da Federação do Comércio do Estado de São Paulo do Sesc e do Senac.

Serviço:

Livro versão Online na Apple Store
Seleção de Dicas Médicas
Autor: Prof. Dra. Marisa Campos Moraes Amato – cardiologista
Editor: Amato Instituto de Medicina Avançada
Idioma: Português
Valor: Gratuito
Local de venda: https://www.amato.com.br/selecao-dicas-medicas

Versão Impressa
Seleção de Dicas Médicas -1ª Edição
Autor: Prof. Dra. Marisa Campos Moraes Amato – cardiologista
Editor: Amato Instituto de Medicina Avançada
Número de páginas: 100
Idioma: Português
Valor: US$ 9,99
Local de venda: https://www.amato.com.br/selecao-dicas-medicas

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Notícias de Guadalajara


Nós estivemos na Feira Internacional de Libro de Guadalajara [FIL] e as notícias que trazemos de lá são muito boas! A começar que o projeto “Pipoca na FIL”, em nome da Suria, foi selecionado pelo MinC para compor uma delegação que representou a bibliodiversidade brasileira.

[Foto 1: Delegação brasileira do MinC]

[Foto 1: Delegação brasileira do MinC]

E o mais bacana é que, além de nós, havia outra proposta de digitais infantis neste grupo de 24 pessoas, a Storymax, que produz Apps-books infantis e estava representada pela Samira Almeida. Tivemos um estande onde pudemos expor nosso catálogo e, claro, demos uma boa andada na feira buscando as iniciativas voltadas para este nosso nicho.

[Foto 2: Estande do MinC na Área Internacional da FIL]

[Foto 2: Estande do MinC na Área Internacional da FIL]

[Foto 3: Dois iPads no stand do Brasil, um com os Apps da Storymax e outro com o nosso catálogo]

[Foto 3: Dois iPads no stand do Brasil, um com os Apps da Storymax e outro com o nosso catálogo]

Mas não foi só nesta caminhada pela FIL que vimos propostas relacionadas ao digital, a própria organização da feira tinha também este foco, então na Área Internacional havia a Área do Livro Eletrônico e fazia parte da programação, em um dos auditórios, a Oficina de Edição Digital. Buscadoras de eventos formativos que somos* [a participação nestes, aliás, foi o principal objetivo que propusemos ao MinC], participamos desta oficina, realizada pelo argentino Daniel Benchimol. Foi bem rico.

Para editores como nós, que já trabalham com livros digitais, muitas informações não eram novas, mas houve uma rica discussão sobre DRM e o Daniel, como observador das alterações que o digital provoca na cultura como um todo, como produtor de conteúdos digitais e como alguém que estuda e analisa este movimento de mudança, é a favor de que as editoras retirem os DRMs e, com isso, tenham mais liberdade de criação e de vendas em sites próprios: “Neste momento de alteração, é muito importante que a industria editorial seja protagonista, mas o DRM significa manter o modelo de negócio dos livros impressos, quando o digital traz novos paradigmas de leitura e de contato com livros”.

Diante de tudo o que vimos e ouvimos, o que mais ficou claro para nós nesta feira foi como o modelo de negócio de digitais tem que levar em consideração não só o mercado de livros, mas também a indústria dos livros, industria que, aliás, como o próprio Benchimol disse, é muito antiga e resistente a mudanças. Mas o fato é que ela existe e que terá dificuldade em incorporar o digital se ele estiver totalmente desarticulado dela.

Quando André Palme trouxe notícias de Frankfurt,** um dos comentários dele foi este: que em feiras grandes é que vemos com clareza que os livros são parte de uma indústria enorme e global. O que nós acrescentamos é que esta indústria gira com peças que envolvem os editores, os distribuidores, os autores [incluindo aqui ilustradores, no caso de infantis], os leitores e, focando nos digitais, os programadores. Além das bibliotecas e bibliotecários, das escolas e dos professores, dos promotores de leitura, etc! São estas peças que movimentam o mercado. É toda uma engrenagem que já está estabelecida há séculos e que simplesmente não vai sofrer alterações bruscas e radicais porque surgiram os livros digitais.

Mas como as novas produções entram em convergência com essa industria já tão estabelecida? A partir da adaptação daqui e dali… É enorme a quantidade de bibliotecas digitais e de serviços de subscrição a plataformas de livros [estilo Netflix] que já existem fora do Brasil e que podem, sim, servir como canal de distribuição de nossos conteúdos. Se o objetivo de uma feira internacional de livros, em termos de negócios para livros impressos, é vender direitos, a nós parece que no caso de digitais, o mais importante é buscar ferramentas de distribuição que, realmente, possam capilarizar o alcance dos livros.

Na área do livro eletrônico eram quinze espaços de negociação — sendo 13 com esse objetivo de distribuição e capilarização — além de um local onde aconteciam palestras informativas sobre estes serviços. Ao lado dos tablets [ou das telas touchs que literalmente estavam lá para ampliar a visibilidade dos e-books], as pessoas ensinavam o funcionamento das plataformas, dos livros, das compras… um trabalho educativo, mesmo.

[Foto 4: Área do livro eletrônico, na área internacional da FIL]

[Foto 4: Área do livro eletrônico, na área internacional da FIL]

[Foto 5 e 6: Telas touch para ampliar a visibilidade do livro digital]

[Foto 5 e 6: Telas touch para ampliar a visibilidade do livro digital]

Já estávamos felizes com o que tínhamos visto. Novas possibilidades de distribuição, televisões touch enormes que incitavam a interação, esclarecimento do nosso modelo de negócios… Eis que fomos a uma palestra no Encontro de Promotores de Leitura e, quando nem esperávamos escutar nada sobre os livros digitais, ouvimos o historiador francês Roger Chartier dizer: “Qual será nosso futuro? Quem sabe? O que sabemos é que cada momento de mudança sempre produziu uma coexistência com o passado, e aconteceu com transformações e não com revoluções. O que sabemos é que os novos leitores, os nativos digitais, entrarão na leitura por meio do digital”.

E, falando especificamente de crianças, um dos organizadores da feira é o Conaculta, que é o equivalente ao nosso MinC, só que no México. Eles têm salas de leitura por todo o país e investem em livros digitais e em aplicativos de criação literária ou incentivo à leitura e em livros didáticos e audiolivros para escolas [não sabemos como acontece na prática, mas o investimento em si já é bem interessante]. E quando passamos por seus espaços, o que vimos foram crianças e adolescentes utilizando os tablets e os livros impressos. Passeando entre os dois ambientes com absoluta naturalidade. Vale destacar que os conteúdos desenvolvidos para crianças também atraíam os adolescentes, será que isso pode ser demonstrativo de uma demanda de aplicativos relacionados a livros para eles? Fica a pergunta.

[Fotos 7 e 8: Espaço de livros digitais do programa Salas de Lectura, do Conaculta - Mx]

7

[Fotos 7 e 8: Espaço de livros digitais do programa Salas de Lectura, do Conaculta – Mx]

[Foto 9: Espaço de divulgação dos livros didáticos e áudio-livros adotados pelo sistema de educação do México]

[Foto 9: Espaço de divulgação dos livros didáticos e áudio-livros adotados pelo sistema de educação do México]

Uma outra coisa que não sabíamos é que a Colômbia está investindo muito nesse mercado e um projeto colombiano que nos encantou foi uma plataforma de leitura online gratuita, que apresenta áudio, fotos, músicas e outras produções relacionadas ao livros digitalizados além da produção de livros de arte impressos [lindos], que pertence a uma fundação de preservação literária, a Fundación El Libro Total. Muita coisa acontecendo que envolve toda a cadeia produtiva do livro.

[Foto 10: Plataforma de leitura online da Fundación El Libro Total]

[Foto 10: Plataforma de leitura online da Fundación El Libro Total]

[Foto 11: Livro impresso de exposição da Fundación El Libro Total]

[Foto 11: Livro impresso de exposição da Fundación El Libro Total]

É claro que já sabíamos que, qualquer que seja a produção editorial digital que se queira fazer, não dá pra ignorar toda a indústria do livro já tão estabelecida. Mas não tínhamos tão claro o tanto que as possibilidades de distribuição estavam se desenvolvendo, quais delas já estavam aceitando os diversos formatos, entre outras novidades menos divulgadas que são muito ricas. E é interessante pensarmos nas possibilidades de difusão gratuita, também. A Wordlreader, que já tem representação no Brasil e disponibiliza gratuitamente livros digitais para as áreas mais pobres do mundo, fez uma apresentação linda no Encontro de Promotores de Leitura, com dados incríveis de alcance desta iniciativa de incentivo à leitura. Nem sempre os editores podem disponibilizar conteúdos gratuitamente, por conta dos contratos, mas vale a pena conhecer a iniciativa e pensar em uma maneira de participar.

Unindo todas estas informações sobre modelos de negócio, investimentos, indústria e mercado de livros, distribuição e alcance dos livros digitais, o que dizemos é que vir pra FIL – Guadalajara foi uma felicidade enorme, pois vimos o tanto que este negócio está em expansão e o tanto que o mercado está em movimento, considerando toda esta indústria do livro. E voltando lá ao comecinho deste texto: é parte da bibliodiversidade brasileira. É gratificante participar deste movimento.


* no nosso blog [www.pipocaazul.editorapipoca.com.br] sempre escrevemos sobre os eventos de que participamos.

** tanto aqui no colofão [link?] quanto em um evento na livraria Blooks.

Editora Pipoca

Por Suria Scapin | Editora Pipoca |Publicado originalmente em COLOFÃO |

Começou a trabalhar no mercado editorial com 16 anos e passou por editoras como Madras, Atual, Abril, Leya e Sarandi, além de ter atendido muitas mais pela S4 Editorial. Com formação em Desenho Industrial e em Língua Portuguesa e Literatura, ambas pelo Mackenzie, sempre revezou entre texto e arte, até que resolveu unir os dois conhecimentos e tornar-se a responsável editorial da Editora Pipoca.

Isabela Parada
Para buscar compreender como funciona a cabecinha dos pequenos, Isabela foi estudar Pedagogia na UEMG, onde encontrou seus fundamentos teóricos e participou do grupo de pesquisa e estudos Contra-Violência na Infância. Na Escola Pés no Chão [Belo Horizonte], aprofundou os estudos sobre a Pedagogia Freinet. Hoje é pedagoga da Pipoca e contadora de história na creche de Milho Verde [MG], pelo Instituto Milho Verde. Aprendeu que o crescimento das crianças é também o processo de criação delas mesmas e entende que essa criação é individual e única.

O que o ePub pode fazer pelos Apps de livros


Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 20 de maio de 2015

Um app maravilhoso para convencer você a ler este texto gigante até o final

Um app maravilhoso para convencer você a ler este texto gigante até o final

Já falamos bastante por aqui sobre o formato ePub, suas variações e todas as suas maravilhosas possibilidades. Mas, embora o ePub 3 já permita recursos como áudio, vídeo e animações, o nível de interatividade que é possível incluir num e-book é limitado pelos padrões do formato e pela plataforma na qual ele é lido. Para projetos mais complexos, entram em cena os aplicativos, que são mais livres não apenas em relação aos recursos que se pode incluir, mas também à própria estrutura do livro: a navegação não precisa ser necessariamente linear e orientada por um sumário, o texto não precisa necessariamente ser apresentado em páginas, enfim.

Esta variedade de recursos fez com que os apps de livros fossem bastante explorados logo após o lançamento do primeiro iPad, em 2010, mas hoje a empolgação por eles entre as editoras parece já não ser mais a mesma. Isso porque eles também trazem uma série de desvantagens: em primeiro lugar, poucas editoras têm uma equipe interna capaz de produzi-los; encomendar um app a uma empresa especializada, embora seja mais barato hoje do que alguns anos atrás, ainda é bem mais caro do que o custo de produção de um e-book. Se pensarmos que é necessário produzir uma versão para cada sistema operacional, então, o investimento necessário é ainda maior. Ainda assim, a distribuição do app é mais restrita que a de um e-book: em geral produz-se uma versão para iOS e/ou para Android, ou seja, não são só os e-readers que ficam de fora, mas também todos os aparelhos que utilizam outros sistemas operacionais.

Do ponto de vista do marketing, os apps também representam uma dificuldade: um leitor em busca de um novo livro costuma acessar o site de uma livraria, não uma loja de aplicativos [e convenhamos que aplicativos de livros não são exatamente o foco das app stores]. Assim, além do custo de produção, é necessário investir também na divulgação, para que o app não corra o risco de ficar para sempre escondido no meio de Candy Crushes e Flappy Birds da vida. Por fim, há o problema da precificação: embora seja comum vender e-books simples por US$9,99 ou mais, apps em geral raramente custam mais do que US$4,99. Com usuários acostumados a baixar programas e jogos complexos gratuitamente ou por poucos dólares, fica difícil justificar um preço mais alto por um app de livro.

Ainda assim, várias editoras souberam usar os apps a seu favor, levando aos leitores conteúdos que dificilmente poderiam ser apresentados de outra maneira e que realmente enriquecem a experiência de leitura [seja na adaptação de livros impressos, seja com conteúdo novo produzido especialmente para o formato]. Deixando de lado o mundo dos livros didáticos, que tem necessidades e objetivos completamente diferentes, vou falar aqui sobre alguns dos apps de livros que considero mais interessantes.

Infantis

Muitos dos primeiros apps de livros infantis eram basicamente imitações do livro impresso com animações, narrações e/ou pequenos jogos que pouco acrescentavam à história. A aproximação entre livro e jogo gerou – bem, ainda gera – muita discussão sobre o valor dos apps para a experiência de leitura, já que estes recursos poderiam distrair a criança do texto principal, ao invés de enriquecê-lo. Hoje, porém, já existem apps bem mais sofisticados, com elementos interativos mais complexos, capazes de trazer algo além de uma simples reprodução “enfeitada” do livro impresso. A Feira do Livro Infantil de Bolonha tem até um prêmio especial para este tipo de livro, o Bologna Ragazzi Digital Award. Este ano, o app vencedor foi My Very Hungry Catterpillar, que é mais um complemento ao livro impresso do que uma adaptação dele: segundo o júri do prêmio, o aplicativo “estende brilhantemente uma obra muito querida da literatura infantil para o mundo digital, com interatividade apropriada à história e profundamente imersiva. […] Ele é bem-sucedido em comunicar inteiramente sem palavras e traz nova profundidade a uma obra clássica da literatura infantil.”

Juvenis

Nos livros juvenis, a utilidade de recursos interativos é menos óbvia, uma vez que jogos e animações já não são tão interessantes para esta faixa etária. Mas há elementos além do livro que podem ser explorados neste formato, incluindo conteúdo extra [imagens, vídeos, histórias paralelas, biografias dos personagens…] ligado a um autor ou série, como no app World of Richelle Mead ou na série transmídia Infinity Ring.

Outra experiência que considero interessante, por explorar uma maneira de narrar própria do digital, é a do livro Chopsticks. Nele, a história é contada principalmente a partir de fotos, vídeos, sons, imagens de objetos e outras pistas – o texto em si é usado apenas dentro de recortes de jornal, cartas ou mensagens de texto trocadas pelos personagens. Um dos pontos altos do app é quando a protagonista ouve uma velha fita cassete gravada por sua mãe: é uma bela utilização de um recurso emocional que não pode ser imitado pela versão impressa.

Adultos

No campo da não-ficção, a utilidade dos recursos possíveis nos apps fica mais evidente, já que este tipo de livro costuma ser apoiado por documentos, fotos e outros materiais de pesquisa que, se disponíveis, podem ser consultados diretamente pelo leitor. O app Picasso, desenvolvido pelo MoMa, oferece uma visão detalhada de 15 obras do artista, incluindo vistas tridimensionais e sob luz ultravioleta, por exemplo. Já os apps desenvolvidos pela Citia de certa forma percorrem o caminho inverso: a empresa propõe uma outra forma de organizar o livro, através de pilhas de cartões, cada um sintetizando a ideia principal de um capítulo.

Já na ficção, é complicado falar sobre livros “enriquecidos”: nem toda obra literária precisa de recursos além do texto ou é beneficiada por eles. Mas, em alguns casos, sobretudo quando há material histórico ou de estudo relacionado à obra, os recursos proporcionados pelos apps são bastante úteis. O app de On the Road, por exemplo, reúne uma vasta quantidade de material extra, como fotos e documentos, que certamente não poderiam ser incluídos na edição impressa e que, num ePub, não poderiam ser organizados e visualizados da mesma forma. Há ainda um mapa interativo que ajuda o leitor a visualizar a rota percorrida pelos personagens. Outro aplicativo que oferece valiosos materiais adicionais, desta vez na poesia, é The Waste Land, que parte do poema clássico de T.S. Eliot. As muitas referências do poema são explicadas por meio de notas e entrevistas com especialistas; o app traz ainda interpretações em áudio e vídeo do poema, que dão nova dimensão à obra.

Mais uma vez, é nas obras pensadas especialmente para tablets que os recursos do formato digital têm mesmo chance de brilhar. O app The Silent History, por exemplo, tem uma interface [linda, por sinal] pensada especificamente para a estrutura da história – fragmentada, contada por meio de testemunhos de personagens diversos – e usa a geolocalização para “destravar” determinadas partes do texto. Já o Device 6 vai por um outro caminho, misturando literatura de mistério e puzzles. A própria estrutura do texto é muito ligada ao aparelho em que se lê: é preciso virar o tablet várias vezes, porque a direção do texto espelha a direção em que a personagem se move; quando ela caminha por um caminho estreito e comprido, o texto se torna uma única linha longa; quando ela desce escadas, as palavras assumem a forma de degraus, e assim por diante. Ao final de cada capítulo, é preciso resolver um puzzle para avançar ao próximo. É, sem exagero, uma das coisas mais maravilhosas que já passaram pelo meu iPad: o texto é bem escrito, as imagens e sons são relevantes para a narrativa, os jogos são desafiadores o suficiente; é o melhor dos mundos do livro e do video game [esta resenha do IGN detalha melhor o que eu quero dizer]. Este, para mim, é um app que consegue o que todo aplicativo de livro deveria buscar: deixar a eterna discussão sobre a validade dos elementos interativos para a literatura [mas é livro? Ou é jogo?] em segundo plano diante da qualidade da experiência.

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 20 de maio de 2015

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

iPad melhora vocabulário e leitura de crianças


Uma pesquisa publicada pelo jornal Daily Mail concluiu que dar um iPads para meninos pode incentivá-los a ler e a desenvolver um vocabulário mais avançado precocemente.

A tecnologia touch-screen pode ser usada como uma forma de envolver os meninos e as crianças de famílias mais pobres, que tradicionalmente tem desempenho em leitura nos primeiros anos de vida.

A pesquisa concluiu que todas as crianças com idade entre 3 e 5 que leram histórias em computadores e tablet tiveram uma compreensão melhor do vocabulário quando comparadas àquelas que leram as histórias nos livros impressos.

Mais de 91% das crianças do Reino Unido têm acesso a algum tipo de tecnologia touch screen em casa.
O relatório, publicado inicialmente pelo National Literacy Trust, também descobriu que os meninos são mais propensos do que as meninas a usar essa tecnologia para aprender.

A pesquisa avaliou o acesso aos livros e à tecnologia, bem como o impacto que isso tem sobre vocabulário. Entre 2012 e 2013, a proporção de crianças que possuíam um tablet, como um iPad, no Reino Unido saltou de 38% para 65%.

Cerca de 28% das crianças olham ou leem histórias em uma tela sensível ao toque pelo menos uma vez por semana.

Outro resultado importante do estudo indica que as crianças que leem diariamente são mais propensas a ter um vocabulário média.

Olhar Direto | R7 | 02/12/2014

Estudo afirma que livros digitais estão em 95% das bibliotecas dos EUA


Em 2013, percentual de bibliotecas adeptas ao ebook era de 89%.Média de publicações digitais por estabelecimento é de 20.244.

Livros digitais, os chamados ebooks, estão presentes em 95% das bibliotecas públicas dos Estados Unidos, de acordo com uma pesquisa anual sobre o tema feita pela publicação especializada “Journal Library”.

O estudo acompanha a expansão dos livros digitais desde 2010 e na edição de 2014 captou um aumento na quantidade de bibliotecas adeptas às versões digitais. Entre 2013 e 2012, 89% desses estabelecimentos disponibilizavam ebooks. Quando a pesquisa começou a ser feita, o índice de aceitação era de 72%.

Em média, as bibliotecas norte-americanas possuem em seu acervo 20.244 livros digitais. Esse número, no entanto, é puxado para cima por grandes instituições. Aquelas que declaram não oferecer ebooks não o fazem por falta de recursos. No entanto, um exemplo da mudança dos ares nos EUA foi a abertura em 2013 de uma biblioteca em San Antonio [Texas] totalmente dedicada a livros virtuais.

Os livros digitais podem ser lidos em leitores digitais especializados como o Sony Reader, o Nook, da livraria Barnes & Noble, e o Kobo, vendido no Brasil pela Livraria Cultura, e o Kindle, da Amazon. Também são consideradas plataformas destinadas à leitura virtual o iPad, da Apple, e os tablets que rodam o sistema operacional Android, do Google.

Os empréstimo digitais variam conforme o sistema utilizado. Alguns necessitam da criação de uma conta pessoal do usuário que deve ser pareada à da biblioteca para que o ebook seja transferido de uma estante para outra via cabo USB. Outros permitem com alguns cliques a cessão de um livro de um lugar para outro, que automaticamente exibe a publicação assim que ocorre uma sincronização.

Publicado originalmente em Portal G1 | 01/12/2014, às 09h06

Enhanced eBooks


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Recentemente a newsletter DBW – Digital Book World Daily publicou extenso artigo sobre as razões pelas quais os chamados livros digitais enriquecidos [enhanced] não haviam ganhado impulso. O artigo, The Real Reason Enhanced Ebooks Haven’t Taken Off [Or, Evan Schnittman Was Right… For the Most Part], escrito por Peter Constanzo, destacava palestra de Evan Schnittman, pensador da indústria digital e diretor de vendas da Hachette Book Group na Feira de Londres em 2011. Nessa apresentação, Schnittman disse que o formato estava praticamente morto e era um beco sem saída para os editores.

O fato é que, alguns anos antes disso, inclusive em um dos Congressos do Livro Digital da CBL, essa moda do livro digital enriquecido – que permitia a inserção de áudio e vídeo de modo dinâmico – havia sido apresentado como a evolução mais importante do setor editorial. Esse segmento da indústria editorial, o dos livros eletrônicos, apesar de bem recente, já viveu alguns modismos que desapareceram rapidamente, como o das “leituras sociais” [quem tem paciência, mesmo, de ficar lendo em conjunto com um bando de desconhecidos?] e os apps autônomos para a publicação de livros, que só subsistem hoje para alguns livros ilustrados infantis.

Mas voltemos ao assunto.

Schnittman assinalava um ponto indiscutível, e que até hoje representa um entrave considerável. Os formatos enhanced não podem ser lidos com a mesma eficácia em todas as plataformas. O que funciona bem para tablets, e em especial para o iPad, mesmo que distribuído pela Amazon [suponho que também funcione bem para o Kindle Fire]. O formato não é “trans-plataforma”. Comparando com música e jogos, Constanzo assinala que podemos escutar a música baixada online em qualquer aparelho digital, assim como se pode jogar “Call of Duty” em várias plataformas, com o mesmo resultado. O mesmo vale para filmes vistos em streaming ou nos DVDs comprados ou alugados. Mas isso não acontecia com os livros “transmedia” elaborados com o ePub3.

Eu já havia observado publicações transmedia e em ePub 3 [ou desenvolvidos com HTML5] muito eficazes em publicações científicas. Acreditava que as editoras de CTP estavam mais bem capacitadas para usar esses formatos com grande eficiência, inclusive porque a maior parte de suas publicações era mesmo lida em desktops ou tablets, e online.

Minha experiência com leitores de e-books – tanto o Kindle como o Kobo – deixava evidente as limitações para visão de fotografias [mesmo em preto&branco] e, principalmente, de mapas e diagramas. É realmente difícil. E por isso mesmo mantinha em reserva minhas dúvidas quanto aos formatos transmedia.

Bom: Constanzo desenvolve o artigo dizendo que, em absoluto, não é o caso de desprezar os empreendimentos editoriais em ePub3 de livros enriquecidos. Diz ele que, especialmente “para livros de não-ficção selecionados, podem ser muito bem combinados com áudio e vídeos selecionados com curadoria”.

Na recente II Conferência Revolução e-Book, promovida pelo Eduardo Melo e sua equipe da Simplíssimo, assisti a uma amostra de que essa observação é realmente correta. Em casos específicos, os e-books avançados podem realmente proporcionar ao leitor uma experiência diferenciada.

A palestra de Cindy Leopoldo e Maria de Fátima Fernandes, da Intrínseca, sobre a Coleção Ditadura – a reedição dos livros do jornalista Elio Gaspari sobre o golpe civil-militar de 1964, sua evolução e dissolução final – foi muito esclarecedora.

Os livros do Gaspari  tiveram novas edições em papel e em vários formatos de e-books, como podemos ver nesta tabela que extraí da apresentação de Cindy Leopoldo durante a conferência:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

A simples tabela mostra como o conteúdo foi muito enriquecido com o formato mais avançado.

Entretanto, as limitações para leitura nos aparelhos comuns são evidentes. A tabela abaixo, também retirada da apresentação de Cindy, explicita isso:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Como se vê, os livros vendidos pela Amazon só podem ser plenamente desfrutados se abertos nos apps da varejista no iPad [talvez no Kindle Fire]. Na loja brasileira da Amazon, esse tal de KEAV é acrônimo para Kindle Editions with Audio/Video. Lá diz também que esse tipo de arquivo pode ser aberto em todos os formatos do Kindle, mas eu testei e, de fato, no Kindle Paperwhite, nem o áudio nem o vídeo funcionam. Outro aviso da Amazon diz que “o título tem layouts complexos e foi otimizado para leitura em dispositivos com telas maiores”, mas não explicita suas deficiências de leitura nos Kindle normais. Pegadinha… Ou, como escreveu Erick Schonfeld no TechCrunc,“se você quiser essas características adicionais, a Amazon está basicamente lhe dizendo que compre um iPad”.

Um ponto muito importante na palestra da Cindy e da Maria de Fátima é que a produção do ePub3 e os acréscimos foram realmente objeto de uma cuidadosa curadoria, e colocados de modo que o leitor tenha acesso opcional a esses materiais adicionais. Segundo as duas, o autor fazia questões que a fluidez da leitura do texto não fosse prejudicada. Ao contrário, que pudesse ser enriquecida para os leitores que procurassem conhecer documentos originais, gravações de áudio e vídeo que estão referidos ou mencionados no texto.

Para que isso fosse possível, a Intrínseca teve que contratar assessoria específica para elaborar um verdadeiro roteiro da inserção desse material adicional. O trabalho foi muito grande, apesar das dificuldades propriamente técnicas não serem exatamente difíceis, usando as ferramentas disponíveis no HTML5.

Cindy teve a gentileza de me enviar links promocionais para baixar os livros na loja da Apple e, realmente, os livros são muito enriquecidos com esses anexos. As notas aparecem em pop-up, as transcrições de áudio e vídeo funcionam corretamente.

Na palestra, Cindy Leopoldo foi questionada sobre o resultado das vendas para a editora. Declinou responder, afirmando que não tinha informações da área comercial da editora.

Os quatro livros foram produzidos internamente na Intrínseca. O processo é realmente complexo, e no total foram produzidas vinte versões [cinco para cada tomo]. Evidentemente trata-se de um investimento de vulto que, com certeza, só poderá ser recuperado a longo prazo.

O conjunto do trabalho corrobora as observações de Constanzo. O esforço só compensa para certo tipo de livros de não ficção [ou quem sabe, algumas versões bem especiais de livros de ficção, e me ocorre particularmente a possibilidade de uma versão em ePub3 do romance The select works of T. S. Spivet, de Leif Larsen – The Penguin Press [O mundo explicado por T.S. Spivet – Nova Fronteira. Não li em português, mas a edição em inglês é belíssima e curiosa, e o livro virou filme em cartaz]. E, certamente, os livros técnico científicos.

São produções caras e trabalhosas, que produzem resultados muito interessantes. Mas as limitações para sua expansão são bem reais. Só lamento não haverem completado o esforço e os recursos do HTML5 e do ePUB3 para lançar de vez em formato acessível para deficientes visuais. Segundo Cindy, houve pressão de prazo para não perder o aniversário do triste golpe. Mas esse mercado está aí, ansioso por conteúdo.

De qualquer maneira, parabéns à Intrínseca pela iniciativa corajosa, e à Cindy Leopoldo e sua equipe pelo belo trabalho.

Comentários e observações são bem vindas no blog www.oxisdoproblema.com.br.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Feira de livros de Frankfurt celebra o digital


Editores mudam foco de tecnologia para o enredo das histórias

FRANKFURT | O livro do futuro poderá ser financiado por crowdfunding, ser publicado pelo próprio autor ou estar vinculado a um videogame — o leitor poderá inclusive votar numa virada do enredo. Seja como for, há uma grande chance de que ele será lido em sua versão impressa.

A tônica da versão deste ano da Feira de Livros de Frankfurt, a maior feira editorial do mundo, foi a busca por novos modelos de negócios para um setor que vem sendo confrontado pela digitalização de livros e pelo aumento da supremacia da Amazon.com. À proporção que os hábitos de leitura mudam e os e-books tomam o lugar central do palco, o apetite por boas narrativas ficcionais está mais forte do que nunca.

O controverso serviço de assinatura de e-books da Amazon, em que o cliente paga uma mensalidade para ter direito a acessar livros – ANDY CHEN / NYT

A Verlag Friedrich Oetinger GmbH, uma editora de livros infantis que vende a série “Hunger Games” na Alemanha, é um exemplo. Ao mesmo tempo em que investe pesadamente em produtos digitais, chegando mesmo a criar sua própria unidade de codificação, o diretor-executivo Till Weitendorf não está dando as costas ao setor impresso.

— Não importa se você tem um livro ou um iPad nas mãos — disse ele em entrevista no estande de sua editora na feira, encerrada no último domingo. — Você precisa de uma grande história. Isso não mudou; foi o mundo em volta que mudou.

À medida que a leitura das pessoas evolui, também evolui a forma como as histórias são contadas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, 45% dos leitores já leram pelo menos parte de um e-book em seus smartphones, segundo uma pesquisa realizada pela Publishing Technology.

PROJETOS PROMISSORES

Novas tecnologias são apenas parte do quadro geral. Kladde Buchverlag, uma startup com sede Freiburg, na Alemanha, recorre ao crowdfunding para financiar a publicação de seus livros, oferecendo designs de alta qualidade, papéis de luxo e assessoria profissional para autores que querem editar seus próprios livros.

Ela pré-seleciona projetos promissores e usuários de internet decidem quais livros serão publicados por meio de suas doações. Os doadores generosos podem até ganhar o direito de opinar na forma como a trama se desenrola ou sobre o destino de uma personagem, disse Lea Nowak, uma das fundadoras da companhia.

Britta Friedrich, diretora de eventos e programas da Feira de Frankfurt, afirmou que após anos correndo atrás da mais recente novidade tecnológica — de CDs a e-readers e tablets — o setor agora está focando em como explorar essas inovações.

— Os editores veem que não é preciso pular em cada novo vagão — disse ela. — Editores precisam pensar não apenas em novos equipamentos, mas igualmente em novas formas de contar histórias.

Pela primeira vez, disse ela, representantes de companhias de game, tais como Ubisoft Entertainment, estiveram presentes na feira em busca de parceiros. E a tendência já está decolando. “Endgame”, um livro do escritor americano James Frey, está sendo transformado em um game de realidade aumentada pelo Niantic Labs, do Google.

PLATAFORMA DE E-BOOKS

Enquanto publica a tradução alemã de “Endgame”, Oetinger está também tentando aliviar a passagem da leitura offline para on-line com o Tigercreate, uma plataforma para transformar livros ilustrados para crianças em e-books animados e interativos. O processo usado exige uma programação cara para cada novo livro e dispositivo, segundo Weitendorf. Cerca de 40 editores já se alinharam para usar a plataforma, disse ele.

O próximo passo é um serviço de assinatura mediante o qual as crianças poderão acessar os livros, disse Weitendorf, em meio à tentativa da Oetinger de criar um nicho de produto num mercado dominado pela Amazon.

A varejista on-line americana, qua ajudou a criar o mercado de e-book com o lançamento do seu leitor Kindle em 2007, lançou seu serviço de assinatura de e-book, o Kindle Unlimited, na Alemanha um dia antes da abertura da Feira de Frankfurt. Nos Estados Unidos, ela oferece acesso a mais de 700 mil títulos por US$ 9,99 por mês.

MODELOS DE ASSINATURA

A investida da Amazon no mercado de assinatura tornou-a alvo de críticas na feira deste ano, à medida que os autores questionaram o poder da companhia americana sobre lançamentos e preços, ao passo que os editores mostraram uma visão mais otimista.

Harper Collins, da News Corp., é uma das editoras que já colocou parte de seu catálogo disponível para assinatura digital.

— Cerca de 80% dos editores com quem falamos foram positivos — disse Len Vlahos, diretor-executivo do Book Industry Study Group. — Eles dizem que as assinaturas abriram novos mercados para eles, deram a eles nova alavancagem para seus conteúdos e acima de tudo, deram a eles dados muitos valiosos.

AMAZON DIVIDE SETOR

O domínio da Amazon foi demonstrado mais cedo este anos, em meio à disputa com a Hachette Book Group sobre os preços de e-book. Isso levou a Amazon a vetar livros e impedir pré-encomendas, atrasando a entrega e reduzindo descontos. Escritores nos Estados Unidos e na Alemanha fizeram cartas públicas protestando contra a companhia americana.

— A um risco nisso para a Amazon, à medida que as pessoas começaram a pensar: “qual é o meu valor como consumidor?” — disse Michael Norris, um consultor do setor. — Isto pode abrir um ângulo de oportunidade de concorrência.

Por outro lado, a tendência de oferecer acesso do tipo Nerflix a centenas de milhares de livros por um preço baixo cai muito bem com a publicação pelo próprio autor. A maioria dos títulos disponíveis do tipo Amazon Unlimited são do gênero ficção, de histórias policiais a romances de ficção científica.

E, embora analistas estejam descrentes com milhares de livros sendo lançados on-line a cada dia, os autores que estão publicando seus próprios livros discordam.

Nika Lubitsch, cujo romance policial “The 7th Day” [“O sétimo dia”] superou “Cinquenta tons de cinza” do topo da lista dos mais vendidos da Amazon alemã, afirmou que vender on-line permitiu a ela ganhar mais e se conectar melhor com seus leitores.

Ela vendou 470 mil exemplares de seu e-book desde que começou a usar a plataforma on-line da Amazon há dois anos. A companhia americana paga aos autores de 35% a 70% do preço de venda, consideravelmente mais do que os autores recebem tradicionalmente das editoras.

Por Bloomberg News | Publicado originalmente em O Globo | 13/10/2014 19:45

Táxi amarelo, cachorro-quente e eBooks


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/06/2014

Voltei de Nova York bem a tempo de ver o time norte-americano mostrar que não temos a menor chance no futebol. Minha visita a Nova York se concentrou na Book Expo America [BEA], onde conheci as mais recentes e mais interessantes startups envolvidas com e-books. Aqui apresento as principais:

A próxima geração de ferramentas de autoração
Metrodigi com sede na Califórnia acabou de lançar a última versão de sua ferramenta de autoração na nuvem, Chaucer. A ferramenta produz ePub3 complexos, fornece uma interface drag-and-drop simples para facilitar o uso e permite colaboração na nuvem em tempo real. Quando se trata de desenvolver livros didáticos interativos, Chaucer significa uma boa economia em relação a sua principal concorrente, a Inkling.

Uma startup bem recente chamada Beneath the Ink está levando os livros estáticos para a geração iPad. Eles se concentram em um conceito muito simples, mas poderoso: adicionam a capacidade de fornecerpop-ups clicáveis que realçam os personagens, lugares, conceitos e palavras em livros gerais. Adorei a forma pouco distrativa com que o produto finalizado funciona, apesar de que achei que seu modelo de negócio é um pouco caro. $179 por livro e 10% da receita. As editoras brasileiras vão pagar este preço para ir “além da tinta”?

iTunes-ificação dos livros
Era questão de tempo. Da mesma forma que Pasta do Professor criou “fatias de livros” para livros impressos, Slicebooks fornece uma forma de criar “faixas do iTunes” para qualquer e-book. Certamente, isso seria um desastre para um livro de ficção, mas para um manual ou um livro didático, faz muito sentido. A plataforma deles permite que os leitores “façam a mixagem de seu próprio álbum” ou que os editores “guiem as fatias” do conteúdo.

Mais atores no grupo dos “netflix dos livros”
Os principais “netflix dos livros”, Scribd e Oyster marcaram sua presença durante toda a conferência enquanto os novatos, Bookmate e Librify apresentaram novidades no conceito. Bookmate, com o foco em países em desenvolvimento da Europa, conseguiu fazer um ótimo acréscimo de uma camada social a seu reader assim as pessoas podem compartilhar notas, citações e marcações com seus amigos. Librify, com foco exclusivamente no mercado norte-americano, está desafiando Scribd e Oyster ao oferecer uma biblioteca do mesmo tamanho [500 mil livros], uma parceria importante com a loja Target e uma forma de organizar clubes de leitura virtuais. Será suficiente para que o conceito de “Netflix” finalmente se desenvolva?

Em Nova York, pessoas lendo e-books no metrô é tão comum quanto os táxis amarelos e os carrinhos de cachorro-quente. Felizmente, estas novas startups estão trazendo inovação para a edição digital. Algum destes conceitos despertou seu interesse? Que tipo de inovações você gostaria de ver? Eu adoraria ouvir suas ideias: greg@hondana.com.br.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/06/2014

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Em expansão nos tablets, quadrinhos atraem ao ganhar som e movimento


Tudo aquilo que pode ser digitalizado – como músicas, filmes e livros– migrou do mundo físico para o digital. Com as revistas em quadrinhos, o processo também está acontecendo.

Assim como o iPod incentivou os downloads de arquivos MP3, a mudança no universo dos gibis ganhou força, há quatro anos, por conta de uma classe específica de dispositivos, quando o primeiro iPad deu origem aos tablets.

Desde então, o mercado de quadrinhos digitais está em plena expansão. Em 2011 e 2012, apresentou taxa de crescimento de 300% em todo o mundo, segundo a “ICv2”, publicação americana que monitora o setor.

Magenta King

Magenta King

Coleciono e leio quadrinhos desde os 10 anos. Não compro uma edição física com regularidade há uns dois ou três, enquanto a biblioteca digital vai crescendo em progressão geométrica“, conta Gustavo Vieira, 36, editor do site Espinafrando.com, guia de quadrinhos digitais e cultura pop.

O segmento existe desde o final da década de 1990, mas o que mudou desde a chegada dos tablets?

Primeiro, há o próprio formato do aparelho, muito próximo ao de uma revista, o que melhora a vida de quem antes podia ler só no PC. Em seguida, vem a tela, que realça cores [revistas físicas estão sujeitas a impressões ruins], permite leitura no escuro e tem funções como zoom.

Além disso, há a questão da conveniência. É mais fácil comprar e armazenar as publicações — um fã de quadrinhos não se contenta com uma ou duas revistas, comprando centenas, milhares.

Isso sem contar a introdução de novos elementos, que mudam a experiência de ler gibis, como a leitura guiada (um quadrinho por vez) e a inclusão de som e animações.

A sensação de ler em papel ainda é insuperável, mas o tablet acaba sendo bem mais prático e tem mais recursos“, afirma Vieira.

NOVOS NEGÓCIOS

O potencial de crescimento dos quadrinhos digitais atiçou a sanha infinita da Amazon de vender toda e qualquer coisa. No final de abril, a gigante abocanhou, por uma quantia não revelada, a Comixology, maior loja da internet do ramo.

No ano passado, foi o aplicativo de maior receita para iPad desconsiderando games (e 11º no ranking geral). Em quatro anos de existência, entregou 6 bilhões de páginas de quadrinhos aos leitores e, atualmente, comercializa mais de 50 mil títulos de 75 editoras diferentes.

Além dos números da loja, a Amazon deve ter levado em conta as previsões de vendas de tablets no mundo.

A consultoria Yankee Group calcula que 560 milhões de tablets serão vendidos no ano que vem –em 2017, espera 1 bilhão. Já o Gartner estima que o comércio de pranchetas superará o de PCs e notebooks até 2015.

POR BRUNO ROMANI | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 16/06/2014, às 02h00

Com 18 milhões de tablets, Brasil estaria pronto para os eBooks?


São Paulo – Há hoje no Brasil 18 milhões de tablets em funcionamento, segundo a FGV. Entre outras tarefas, os gadgets vêm sendo usados para a leitura de e-books. E as editoras brasileiras andam de olho nisso.

EXAME.com conversou sobre o assunto com Susanna Florissi. Na entrevista, a diretora da Câmara Brasileira do Livro falou sobre o cenário atual e as perspectivas do setor – que, pela quinta vez, será tema de um congresso do órgão, marcado para agosto.

Como sintoma da ligação cada vez maior entre os mundos da leitura e da tecnologia, o encontro será aberto por Jason Markosk, primeiro evangelista de tecnologia da Amazon. A seguir, leia alguns trechos do bate-papo.

EXAME.com – Que transformações a tecnologia vem promovendo no mundo da leitura?

Susanna Florissi – A leitura hoje deixou de ser linear. O leitor está lendo e acessa um link relacionado, compartilha um trecho com amigos em redes sociais, lê mais sobre o assunto na internet. Essa é a grande beleza do momento atual. É claro, os jovens não lêem como a gente lê – mas também consomem. E o nosso segmento precisa se adaptar a esta mudança.

EXAME.com – Quais e-readers têm se saído melhor no Brasil?

Susanna Florissi – Como estes gadgets ainda são mais consumidos entre as classes mais ricas, o iPad tem sido a escolha mais comum. Mas outras opções, como o Kindle e o Kobo, também chegaram com muita força. Acho também que é uma questão de geração. Quem é mais velho e quer algo dedicado à leitura, escolhe o Kindle. Já as novas gerações, para as quais outras funções são essenciais, vão optar pelo iPad.

EXAME.com – Qual o cenário do mercado de livros digitais hoje no Brasil?

Susanna Florissi – De acordo os números oficiais, e-books não chegam a representar 3% das vendas de livro hoje no Brasil. Porém, a tendência é que haja uma rápida evolução nesse cenário – com os livros didáticos puxando uma arrancada. Iniciativas do governo, como o PNLD [Plano Nacional do Livro Didático], já consideram este formato nas suas contas.

EXAME.com – Em que áreas é maior o consumo do livro digital?

Susanna Florissi – Hoje, a maior parte do consumo de e-books está mesmo concentrada em obras de literatura – geralmente comercializadas no formato Epub. Em outros nichos, como a literatura infantil, a adoção do livro digital tende a ser mais lenta. Isso porque a criança quer abraçar o livro, beijar, levar para o banheiro… É assim mesmo.

EXAME.com – Como as editoras têm feito para ganhar dinheiro com o livro digital?

Susanna Florissi – Na literatura, prevalece o download para gadgets como Kindle e iPad. Já na área de livros didáticos, a interatividade tem gerado novidades. Há muita coisa que é acessada na nuvem ou por meio de senha durante um ano, por exemplo. Formatos antigos, como CD-ROMs, praticamente não existem mais – até pelo fato de alguns aparelhos não terem como acessá-los.

EXAME.com – Já há experiências interessantes envolvendo livro digital no país?

Susanna Florissi – Em São Paulo, o Colégio Bandeirantes aboliu os livros entre os alunos do 6º ano e adotou o iPad. Como a instituição atende a classes com maior poder aquisitivo e já usava Apple TVs, isso foi possível. Mas acho que novas experiências do tipo podem surgir com outros gadgets em diversos colégios.

EXAME.com – Como estamos em comparação com outros países?

Susanna Florissi – Um levantamento mostrou que jovens entre 15 e 24 anos que usam a internet a mais de cinco anos representam 5% da população mundial. No Brasil, esse grupo corresponde a 10% do total. Estamos na frente de China e Índia e no mesmo patamar de países como Alemanha e Japão. Como na Europa o mercado é menor e os leitores são mais conservadores, devemos caminhar mais rapidamente.

EXAME.com – A resistência ao formato pode ser um obstáculo na popularização dos e-books no Brasil?

Susanna Florissi – Não, muito pelo contrário. Antes, se você morasse em Petrolina [PE], tinha de pedir ao livreiro [geralmente no Rio, em São Paulo ou em Recife] que lhe mandasse os livros. O Brasil é um país muito grande, propício a essa hábito de enviar coisas. Nisso, a internet só facilita. A internet vai permitir que este conteúdo chegue a mais pessoas.

EXAME.com – A chegada de grandes redes, como a Amazon e a Barnes and Nobles, é positiva para o mercado brasileiro de e-books?

Susanna Florissi – Somos a favor da livre-iniciativa sem concorrência predatória. Para nós, a popularização destes novos suportes é ótimo. Quando foram lançados, os pocket books representaram uma revolução nos EUA – pois tornaram a leitura mais barata. E o mesmo deve acontecer com e-books. Assim, quanto mais players, mais saudável o mercado.

EXAME.com – E qual deve ser o futuro dos e-books no Brasil?

Susanna Florissi – Acho que o mercado deve crescer – inclusive o impresso. O papel é ótimo para anotações e outras funções e, para mim, uma coisa puxa a outra. Cabe a autores e ilustradores estarem atentos a esta nova forma de fazer livro. O livro impresso não vai morrer, mas vai ter que conversar com outras mídias.

Exame | 15/06/2014

Livro digital permite visita virtual ao acervo da Pinacoteca Benedicto Calixto


Um museu para carregar na bolsa ou na mochila. Assim é o livro interativo Calixto Digital, um projeto desenvolvido para a Pinacoteca Benedicto Calixto, que reúne conteúdo sobre o acervo permanente do museu, para ser baixado gratuitamente para iPads.

Pioneiro na área da museologia da América Latina, o livro digital vai colocar a Pinacoteca em lugar de destaque no 6º Encontro Paulista de Museus, que acontece entre hoje e quarta-feira, na Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas, em Santana, na Capital.

A Pinacoteca será citada como o único museu da América Latina a disponibilizar um livro interativo para iPads, com acesso gratuito [há, também, uma versão em PDF]. Instituições como a Pinacoteca do Estado e o Masp, que é o museu mais visitado do Brasil, não possuem um projeto assim.

Em uma área especial, onde apenas 25 entidades vão mostrar projetos nas áreas estruturantes ou educativas, a Benedicto Calixto vai ocupar um dos espaços e apresentar ao público o Calixto Digital.

Recebemos com orgulho e satisfação o convite para integrar um grupo tão seleto. É o reconhecimento de um trabalho sério, que tem como principal objetivo avançar, democratizar e valorizar ainda mais o museu e a obra de Calixto”, diz a vice-presidente da Pinacoteca, Silvia Teixeira Penteado.

Considerado o maior evento paulista do setor, reunindo a cada ano mais de 1 mil profissionais de museus, gestores públicos de cultura, estudantes e interessados, o encontro deste ano propõe o debate sobre o processo de ressignificação dos museus.

Segundo a organização, o tema surgiu da necessidade de repensar o papel dos museus e de suas práticas, bem como os modos de atuação dos seus profissionais e gestores públicos e privados.

Desde 2009, o encontro é realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Sistema Estadual de Museus [SISEM-SP], reunindo um público múltiplo, que inclui participantes de outros estados e países – por meio de transmissão on-line – e, também, de representantes de outros Sistemas Estaduais de Museus. Saiba mais no site.

A Tribuna | 02/06/2014

Plataformas ensinam a criar eBooks


No dia 23 de abril é celebrado o dia internacional do livro, data instituída pela Unesco em 1995. Aproveitando esse momento, que tal acompanhar a evolução dos suportes de leitura? Do papiro aos tablets, ao longo da história, os livros passaram a utilizar novos formatos para se adequar aos avanços tecnológicos. Atualmente, as novas tendências são os e-books. Além de serem interativos, eles também podem reduzir os custos de impressão e o gasto de papel. Mas, essas não são as únicas vantagens. Os livros eletrônicos podem ser uma ótima opção para professores e alunos desenvolverem seus próprios conteúdos.

Se antes era necessário recorrer às editoras para a publicação de um livro, hoje é possível criar um e-book e compartilhar o resultado final na internet. Com essa facilidade, podem surgir novas opções de materiais que proporcionam experiências de ensino personalizado. Para auxiliar educadores, alunos, ou até mesmo usuários que desejam se aventurar por esse universo, o Porvir separou uma lista de 5 sites gratuitos que permitem criar livros digitais.

Confira algumas opções:

1. Myebook

Com essa ferramenta o usuário pode criar e editar livros digitais de forma simples e personalizável. Ao iniciar um novo projeto, é possível escolher o número de páginas e optar por desenvolver a publicação a partir de um modelo pronto ou começar do zero. Para os que desejam adaptar um arquivo, também existe a opção de importar um documento em PDF.

Além de inserir textos, a plataforma permite a criação de recursos interativos com vídeos, áudios, documentos, imagens e arquivos em flash. Após a conclusão do projeto, o livro pode ser disponibilizado no site para consultas. A ferramenta está disponível apenas em inglês.

2. Livros digitais

Desenvolvida pelo Instituto Paramitas, a plataforma pode ser utilizada por alunos e professores para criação e publicação de livros eletrônicos. Com aplicações simples, uma das vantagens da ferramenta é estar disponível em português e ter fácil usabilidade.

No site, o usuário pode formatar o seu livro, escolher modelos de capas e adicionar páginas com quatro layouts pré-estabelecidos, permitindo inserir textos e imagens. Após a finalização do projeto, o livro pode ser convertido em PDF, no formato A4, ou também é possível compartilhar a obra nas redes sociais.

3. Papyrus

O Papyrus é um editor on-line que permite a criação de livros digitais para serem exportados no formato PDF, Epub ou Kindle. Para começar um projeto, é necessário escolher entre 25 modelos disponíveis. Com base nesses formatos, o usuário pode fazer adaptações, adicionar capítulos, inserir imagens e textos.

Embora seja possível seguir apenas modelos pré-formatados, a ferramenta possui alguns recursos de customização, incluindo o estilo de texto, alinhamento, formatação e inserção de links. Ela já está disponível em português.

4. Playfic

A plataforma não possui muitos atrativos visuais, mas possibilita a criação de livros digitais interativos. O usuário pode criar uma narrativa e colocar nas mãos de seu leitor escolhas que alteram o fim da história. A plataforma não usa gráficos e sons, mas o dinamismo é garantido pela possibilidade de avançar páginas ou parágrafos e de alterar o rumo da história.

O Playfic usa linguagem de programação simples, que permite a criação de verdadeiros jogos com a utilização de recursos textuais. A ferramenta pode ser interessante para estimular o desenvolvimento da capacidade de leitura e escrita.

5. ePub Bud

O ePub Bud foi desenvolvido para criar livros digitais infantis para iPad. A ferramenta permite subir arquivos ou criar publicações para serem acessadas pelo tablet. Com a ferramenta, os usuários podem disponibilizar as produções gratuitamente ou optar por vender sua criação.

Além de desenvolver as próprias histórias, a ferramenta permite navegar pelas criações de outros autores, podendo fazer o download desse conteúdo. A plataforma possui um acervo com diversos livros digitais gratuitos para crianças.

Porvir | 23/04/14

O Brasil não é o país do e-reader


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado em em Tipos Digitais | 13/04/2014

Em um momento em que se discute a desoneração de e-readers dedicados no Congresso e em que o mercado de livros digitais no Brasil, embora pequeno, encontra-se em franca expansão, uma pergunta se torna bastante relevante: Qual o mercado brasileiro potencial para e-readers dedicados? Em outras palavras, quantos Kindles, Kobos e outros leitores genéricos poderiam ser vendidos no Brasil?

Acredito que o potencial do mercado brasileiro para estes aparelhos seja muito menor do que poderia parecer em um primeiro momento. Não que o consumidor brasileiro tenha um interesse limitado em livros digitais, claro que não. O que ocorre é que no Brasil há poucos “grandes leitores” – ou “heavy readers”, como se diz em inglês. Infelizmente, estamos longe dos índices de leitura dos países desenvolvidos e a parcela da população brasileira que, por exemplo, lê mais de 10 livros por ano é muito baixa. Este fato naturalmente já exerceria uma pressão negativa sobre a demanda de e-readers dedicados, mas ainda há um agravante: o brasileiro é fascinado por tecnologia. Veja por exemplo as vendas de tablets e smartphones no Brasil nos gráficos abaixo:

Venda de Smartphones no Brasil

Em um primeiro momento, pode parecer que este potencial por produtos de tecnologia tenha um impacto positivo na demanda de e-readers dedicados, e de certa forma até tem, na medida que o consumidor brasileiro aceita bem novidades tecnológicas. Mas, neste caso, há um certo paradoxo e, enquanto a leitura digital sempre será favorecida, isto não significa que Kindles, Kobos e afins com tecnologia e-ink, ou seja, os leitores dedicados, desfrutem do mesmo favorecimento.

Na verdade, fica muito claro nos gráficos acima que o mercado brasileiro possui uma demanda enorme por tablets. Portanto, não seria exagero dizer que a grande maioria dos brasileiros com interesse em tecnologia [incluindo-se aí os adeptos do livro digital] comprou ou quer comprar um tablet com todas as suas multifuncionalidades. Na maioria das vezes, portanto, a compra de um e-reader dedicado seria considerada apenas após a compra de um tablet, e ocuparia um papel de um segundo aparelho. É claro que há exceções, gente tão fascinada pela leitura que é capaz de ter um ou mais e-readers dedicados e não comprar um tablet. Aliás, há inúmeras vantagens em se ler em um e-reader dedicado como eu já abordei no post “O iPad é tão bom que perde para o Kindle” nos idos de 2010. No entanto, como já dissemos, temos poucos “grandes leitores” no Brasil, e o e-reader dedicado será majoritariamente um segundo aparelho depois do tablet.

A decisão de compra de um e-reader dedicado, portanto, passará quase sempre por duas perguntas: [1] Eu preciso e estou disposto a comprar um outro aparelho só para leitura?; e [2] Eu quero ficar carregando dois aparelhos por aí? E a resposta a ambas as perguntas está diretamente relacionada a um fator: a quantidade de livros que este consumidor lê. Para quem lê a média nacional de 4 livros por ano, incluindo-se aí livros pela metade e livros para a escola [segundo a pesquisa Retratos da Leitura / 2011], nunca valerá a pena a compra de um aparelho exclusivo para leitura, seja ele um segundo aparelho ou não. Esta decisão também vai depender da condição econômica do consumidor. Se ele pertencer à classe A, talvez já considere que valha a pena comprar um Kindle ou Kobo se estiver lendo 5 ou 6 livros inteiros por ano. Já uma pessoa da classe C talvez só investisse em um segundo aparelho se fosse ler 9 ou 10 livros, por exemplo.

Infelizmente, a pesquisa Retrato da Leitura não distribui o universo de leitores em quantidade de livros lidos por ano, mas apenas aponta o números daqueles considerados leitores [que leram pelo menos um livro ainda que incompleto nos últimos 3 meses] por classe social. Não temos, portanto, o número de “grandes leitores” no Brasil, mas com base no número de leitores podemos arriscar algumas estimativas para chegar ao tamanho potencial do mercado brasileiro de e-readers dedicados. Vejamos o gráfico abaixo com dados da pesquisa Retratos da Leitura:

Leitores brasileiros por Classe Econômica

Temos, portanto, 2,3 milhões de leitores na classe A, 25,6 milhões na classe B e 46,2 milhões na classe C. Eu estimo que não mais de 15% dos leitores da classe A poderiam ser considerados “grandes leitores” o suficiente para que, considerando suas curvas de preferência de consumo, optassem pela compra de um e-reader dedicado que quase sempre seria um segundo aparelho, depois de um tablet. Já na classe B, acho que este índice não passa de 10%, considerando a pior condição socioeconômica e uma distribuição dos leitores por quantidade de livros lidos que tende a ser inferior. Na classe C, pelos mesmos motivos, o número não deve passar de 5%. Claro que estes índices não passam de chutes ou, como dizem os ingleses elegantemente, “educated guesses”. Mas quem discordar destes índices pode fazer seu próprio chute e aproveitar a lógica e os dados de pesquisa aqui para chegar a suas próprias conclusões. Mas, enfim, utilizando-se os índices que propus, chegamos à seguinte tabela:

Milhões de Leitores % “Grandes Leitores” com potencial para aquisição Milhões de
“Grandes Leitores”
 Classe A                                  2,3 15% 0,3
 Classe B                               25,6 10% 2,6
 Classe C                               46,2 5% 2,3
 Classe D/E                               14,1 0%
 TOTAL 5,2 

 

Com base nesta estimativa, o mercado potencial de consumidores de e-readers dedicados seria de aproximadamente 5,2 milhões de pessoas. Isto equivale a 5,9% dos 88,2 milhões de leitores no Brasil. Ou seja, 5,2 milhões de pessoas leem livros em número suficiente para que a aquisição de um e-reader dedicado tenha racionalidade econômica considerando-se sua classe socioeconômica e o fato de que o e-reader provavelmente será um segundo aparelhos de leitura.

Mas vale lembrar que isto é potencial, ou seja, não serão 100% destas pessoas que vão adquirir um Kindle ou Kobo. Entre elas, há aqueles que nunca lerão livros digitais ou que lerão ambos os formatos de forma que não consumirão e-books em número suficiente para justificar uma compra. Além disso, há aqueles que nunca aceitarão a ideia de carregar mais de um aparelho. É difícil fazer qualquer estimativa de quanto deste mercado potencial será efetivamente convertido em vendas quando o mercado de leitura digital estiver amadurecido no futuro. Além disso, até que isto aconteça, os índices de leitura podem melhorar ou o preço dos e-readers baixar, aumentando a penetração dos “grandes leitores” com potencial para a compra de um e-reader dedicado. No entanto, para os próximos três anos, enquanto a leitura digital ainda se consolida e os mercados europeu e norte-americano parecem ter atingido um platô do crescimento digital, acho difícil que mais do que 20% deste mercado potencial seja atingido. Ou seja, minha estimava é que a base de e-readers instalada no Brasil ao final de 2016 não passe de um milhão de aparelhos.

E qual é esta base hoje? Difícil saber. O jornalista Thiago Prado estimou que aAmazon vendeu 60 mil kindles no Brasil em 2013. Em seguida a coluna Radar apontou a venda de 20 mil Kobos pela Livraria Cultura no ano passado. Ainda teríamos de considerar os Kindles que entram nas malas dos turistas brasileiros e outros aparelhos. Mas, mesmo assim, acho uma boa estimativa uma base de 100 mil e-readers dedicados no Brasil ao final de 2014. Ou seja, imaginar que a base de tais aparelhos chegue a um milhão em três anos ainda exige uma bos dose de fé. Mas vale lembrar que em 2010 foram vendidos apenas 110 mil tablets no Brasil, e três anos depois, em 2013, a venda chegou a quase 8 milhões.

Não podemos esquecer nesta discussão que a demanda por e-readers dedicados vem diminuindo nos mercados atuais, como mostra este artigo do PublishNews.

De qualquer forma, é inegável e os números corroboram que o Brasil é o país do tablet e do smartphone e não do e-reader dedicado. Afinal, enquanto o mercado potencial de e-readers não pode ser estimado em muito mais de cinco milhões de aparelhos, só em 2014 serão vendidos 10,7 milhões de tablets e 47 milhões de smartphones no Brasil.

Com base nisto, talvez a Amazon a Kobo deveriam apostar mais na leitura digital por meio de seus aplicativos para iOS e Android no Brasil – especialmente para o Android, que possui um market share de aproximadamente 90% no mercado brasileiro de tablets e smartphones. No entanto, os aparelhos Kindle e Kobo fazem parte do cerne da estratégia de conquista de mercado destas empresas e é difícil imaginá-las abandonando seus leitores dedicados para estimular seus leitores a ler em tablets dos concorrentes Google e Apple. Por enquanto, o que ambas as empresas fizeram, foi entrar no mercado de tablets com o Kindle Fire e o Kobo Arc, tentando garantir seu lugar ao sol, caso o e-reader dedicado sofra uma morte precoce. E o Kindle Fire nem está disponível no Brasil.

Portanto não será tão cedo que veremos uma publicidade com o slogan: “Kindle, o melhor aplicativo de leitura para seu iPad.” Mas é preciso que o mercado tenha consciência de que o Brasil não é o país do e-reader, mas sim do tablet e do smartphone.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado em em Tipos Digitais | 13/04/2014

Apple pede que corte de apelações evite decisão “radical” sobre eBooks


iBooks, da AppleNOVA YORK | A Apple pediu que uma corte de apelações norte-americana desconsidere uma decisão judicial que a empresa considerou “radical”, segundo a qual a companhia violou a lei antitruste ao manipular preços de livros eletrônicos, e acusou editoras de “conspiração”.

O pedido feito na terça-feira à noite ocorreu depois que a juíza distrital norte-americana Denise Cote de Nova York concluiu em julho passado, após um julgamento sem júri, que a Apple teve “papel central” em um esquema ilegal em dezembro de 2009 com cinco editoras para elevar os preços dos e-books e impedir competidores como Amazon.com.

Os editores anteriormente haviam concordado em pagar mais de 166 milhões de dólares p14ara encerrar acusações antitruste.

A Apple introduziu e-books em 2010 para ajudar a impulsionar as vendas de seu novo tablet iPad.

Em um documento destinado à corte de apelações de Nova York, a Apple disse que em nenhum momento “tinha conhecimento de que os editores estavam envolvidos em conspiração“.

Disse ainda que legalmente tirou vantagem de uma “discórdia” de mercado e as frustrações dos editores com a Amazon, e “lançou competição em um mercado altamente concentrado, entregando mais produção, níveis de preços menores e inovação acelerada.

Por Jonathan Stempel | Reuters | quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014, às 14:30

Sony joga a toalha


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Sony jogou a toalha no negócio de e-book e entregou seus clientes para a Kobo. Isso iniciou muitas especulações de que a Nook vai fazer o mesmo. Se a B&N fosse realmente forçada a escolher entre os investimentos que precisam ser feitos em suas lojas e os investimentos exigidos para competir na entrega digital, seria difícil que não preferissem salvar as lojas. A ideia de que outro varejista, talvez o Walmart, comprasse toda a empresa parece bastante lógica, mas não dá para descartar que existe uma ligação sentimental do principal dono da B&N, Len Riggio, com as lojas.

Apesar das esperanças e expectativas de empresas iniciantes como a Zola Books [que fez uma aquisição recente, tirando a Bookish das mãos das três editoras que a abriram], o Blio da Baker & Taylor, o Copia ou o projeto txtr, que antes se baseava em telefone, parece que estamos vendo o começo da consolidação do negócio do e-book. A verticalização pode funcionar, como parece acontecer com Allromanceebooks, mas só ser “administrado de forma independente” não foi suficiente para a Books on Board, uma empresa que terminou no ano passado, depois de muito tempo funcionando. [Até o momento, a Diesel, uma independente comparável, está se aguentando.]

A Sony é uma grande empresa com um negócio de e-books muito pequeno. Eles também foram realmente “os primeiros” na era moderna dos aparelhos de e-book. O Sony Reader e-ink é mais parecido com o Kindle e o Nook do que qualquer outra coisa que apareceu antes. Mas se o e-book já se encaixou em algum momento como objetivo maior para a Sony, não é claro qual foi.

A Apple abriu sua e-book store porque acharam que tinham um aparelho perfeito para o consumo de livros [o iPad], mas também tinham experiência com venda de conteúdo [iTunes]. Eles também veem potencial para iPads nos mercado escolar e universitário, então desenvolveram tecnologia para permitir que livros mais complexos – o tipo que ainda não conseguiu ter sucesso comercial – fossem desenvolvidos para a plataforma deles. Estabelecer seus aparelhos e o ecossistema do iOS no mercado educacional seria uma grande vitória.

O Google reconheceu há uma década que livros, sendo repositórios de informação que continham a melhor resposta para muitas buscas, eram um mundo no qual eles queriam estar. Com sua crescente posição em aparelhos – o celular Nexus 7 e os computadores Chromebook — e como os desenvolvedores do Android que compete com o iOS no mercado de apps, há muitas formas através das quais estar no negócio de e-books complementa outros esforços, incluindo talvez, concorrer com a Apple e o iOS nas escolas.

Eu já afirmei [entre outras coisas] que a venda de e-books não funcionaria como uma operação exclusiva; precisa ser um complemento a outros objetivos e atividades para fazer sentido comercial. A Sony descobriu que não servia para ela, quase certamente porque não acrescenta valor a nenhum dos seus outros negócios.

Claro, e-books certamente complementam o negócio central da Barnes & Noble. Você tem uma deficiência bastante óbvia se dirige uma livraria e não vende e-books, então todo mundo faz isso de uma forma ou outra. Entre os erros que a Borders é acusada de ter cometido antes de desaparecerem foi entregar seu negócio de e-books para a Kobo. Dúvidas sobre o futuro da Waterstones no Reino Unido incluem se foi inteligente entregar seu negócio de e-books para a Amazon. Se a Barnes & Noble não tivesse o Nook, eles teriam que fazer um acordo com quem tivesse o Nook ou com algum outro.

Tenho certeza que a Apple, a Kobo ou a Google ficariam encantadas em ter seus livros integrados nas ofertas da Barnes & Noble, e provavelmente a Amazon também, apesar de que o mais provável é que eles nunca seriam convidados. Todos eles mostraram interesse em se afiliar a lojas independentes, com o Google começando e desistindo, a Kobo agora tentando fechar algo, e, até a Amazon, que não conseguiu penetrar bem nas independentes com seus livros próprios agora oferece a elas um programa de filiação para vender e-books Kindle chamado Amazon Source. Mas certamente todos eles aproveitariam a chance de expandir sua distribuição aos clientes da Barnes & Noble.

É provável que a B&N acredite que o negócio do Nook só pode ser realmente bem-sucedido se continuarem investindo em aparelhos melhores e criarem uma presença global. Isso pode ser verdade, mas também poderia ser que a Nook seja útil para seu negócio de livrarias sem acrescentar continuamente aparelhos ou criar uma presença fora dos EUA onde não existem lojas da B&N. Cada vez mais pessoas estão se sentindo confortáveis lendo em aparelhos multi-funcionais através de apps. Talvez a B&N pudesse manter um negócio lucrativo com sua audiência usuária de Nook enfatizando mais as sinergias com as lojas [unindo impressos e e-books, como a Amazon faz com sua iniciativa Matchbook e como já foi tentado em escala menor por algumas editoras, seria uma forma] e não se preocupar tanto com tornar o Nook competitivo com as outras livrarias de e-books como um negócio independente.

O imprevisível aqui é se alguma empresa grande – sendo o Walmart uma das mais mencionadas — visse benefícios em participar do negócio de e-books [ou até todo o negócio de livros] em seu portfólio. Isso acontece no Reino Unido, onde uma rede de supermercados, a Sainsbury’s, comprou a maioria das ações da Anobii [uma startup iniciada por editoras inglesas, análoga à Bookish nos EUA] e a Tesco comprou a Mobcastporque o negócio do livro aparentemente combinava bem com suas ofertas e a base de seus clientes. [Tanto a Sainsbury’s quanto a Tesco fizeram declarações sobre fortalecer seu “entretenimento digital” e as propostas de varejo online. A Tesco está investindo em aparelhos também.] A Kobo tem como pilar de sua estratégia encontrar parceiros em livrarias físicas ao redor do mundo.

Em base global, fora do mundo da língua inglesa, o negócio do e-books ainda está na infância. Mas é difícil ver como qualquer empresa sem uma presença em inglês poderia desenvolver a escala para competir com aqueles que têm. Toda nação e linguagem terá livrarias locais que seriam as “primeiras” para os leitores daquela localidade. Algumas poderiam até ter a ambição de também dominar o negócio local de e-books, especialmente quando fica cada vez mais claro que os e-books canibalizam o espaço em prateleira das livrarias. Mas o custo de tempo e dinheiro, combinado com a vantagem competitiva de ter livros em língua inglesa em oferta não importa qual idioma seu mercado alvo lê, vai fazer com que uma estratégia “crie tudo sozinho” seja muito pouco atraente. Então pareceria que a Amazon, Apple, Google e Kobo estão posicionadas para crescer organicamente e fazer parcerias em todos os lugares. E isso vai exigir algum evento sério, como o Walmart comprando a Barnes & Noble, para quebrar o poder que este quarteto tem sobre o mercado global de e-books na próxima década.

Um acontecimento potencialmente perturbador que este artigo ignora é a possibilidade de que os e-books se tornem um negócio de assinaturas na próxima década. Tenho dois pensamentos abrangentes sobre isso.

Um é que o hábito de compra de livro a livro está bastante arraigado e não será mudado drasticamente com os e-books nos próximos dez anos. Não tenho ideia de qual porcentagem do mercado de e-books agora funciona por meio de assinaturas, mas acho que é seguro dizer que “bem menos do que 1%”. Então meu instinto é que seria necessário um sucesso incrível para chegar aos 10% nos próximos dez anos.

A outra coisa que devemos lembrar é que qualquer livraria de e-books sempre pode desenvolver uma oferta de assinaturas. A Amazon realmente começou isso com o Kindle Owners Lending Library. Você pode ter certeza que se Oyster ou 24Symbols começarem a juntar uma quantidade importante de mercado, todos os Quatro Grandes, que vimos aqui, encontrarão uma forma de competir por este segmento. [É bastante mais difícil acontecer o contrário; é muito menos provável que a Oyster ou a 24Symbols abram lojas normais.]

Então se a assinatura crescer ou não, as gigantes de vendas de e-books vão continuar as mesmas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Com Kindle, Amazon estreia venda física em site no país


A Amazon inicia nesta sexta-feira [07] a venda de produtos físicos no Brasil. Neste primeiro momento, a varejista americana vai vender apenas o leitor digital Kindle [em três modelos] e mais acessórios para o aparelho.

O gerente da Amazon Brasil, Alex Szapiro, não revela quando a empresa vai iniciar a venda de livros no país, mas a expectativa do mercado editorial é de que isso aconteça ainda no início deste ano.

A maior varejista do mundo, que nasceu vendendo livros físicos, estreou no Brasil em dezembro de 2012 apenas com versões digitais. No país, a empresa perde para a Apple na venda de livros digitais em português, devido, principalmente, à maior penetração de iPads em relação ao Kindle.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o mercado de livros digitais em português representa de 3% a 4% das vendas de livros do país. São quase 30 mil títulos – de um total de quase 100 mil títulos à venda no país.

Nos EUA, os livros digitais já representam de 25% a 30% do mercado, mas eles existem há sete anos. Por aqui estamos crescendo, toda semana batemos recordes“, diz Szapiro, que não revela números sobre a operação brasileira.

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

O Kindle será vendido em três versões, já disponíveis no mercado brasileiro por meio de varejistas selecionados. O modelo básico custa R$ 299. O produto mais caro, o PaperWhite 3G, versão em que o usuário tem acesso a qualque

RESISTÊNCIA

A Amazon enfrentou resistência de algumas varejistas e livrarias para vender o Kindle. Atualmente, o aparelho está disponível no Extra e no Ponto Frio [lojas e e-commerce], na Livraria da Vila e na Casa & Video.

Meu público alvo são todos os brasileiros que sabem ler. Queremos que o consumidor descubra o Kindle“, diz Szapiro. Pesquisas da Amazon mostram que clientes de livros físicos passam a consumir quatro vezes mais livros [físicos ou digitais] depois de adquirir um Kindle.

Diferentemente dos aparelhos vendidos em lojas de terceiros, os Kindles comprados diretamente na Amazon serão pré-registrados. Se o consumidor já tiver uma biblioteca de livros digitais, receberá o Kindle em casa com todo o acervo já baixado.

Szapiro diz que a empresa esperou mais de um ano para iniciar a venda do Kindle por meio da sua própria plataforma de e-commerce pois queria “estar preparada para melhorar a experiência do cliente“.

Questionado se o fato de a empresa agora estar preparada para vender o Kindle significa que o início da venda de livros pela internet estaria próximo, Szapiro desconversou: “essa é uma avaliação sua“.

O Brasil foi o primeiro país no mundo em que a empresa estreou com a venda de livros digitais exclusivamente. Em outros países, o e-commerce de livros físicos começou seis meses depois. A mesma estratégia foi adotada no México.

POR MARIANA BARBOSA, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 07/02/2014, às 03h00

Intel cunhou o termo “iPad” em 1994, e tentou lançar tablet em 2001


Reprodução | Intel

Reprodução | Intel

Muito antes da Apple lançar seu iPad, a Intel apresentou ao mundo seu “bloco de informações, que chegou até a CES 2001, mas sem grande sucesso

Antes que a Apple lançasse o iPad, em 2010, ninguém previa este nome para um tablet. Quer dizer, ninguém exceto o ex-vice-presidente da Intel, Avram Miller.

Sim, as previsões de dispositivos semelhantes ao iPad existem há décadas. O filme 2001: Uma Odisseia no Espaço [1968], de Stanley Kubrick, tinha aparelhos semelhantes a tablets. E a antiga empresa Knight Ridder divulgou em 1994 um vídeo-conceito para um tablet de notícias.

Mas muito antes de a Apple lançar seu tablet, já se falava em um iPad.

Em 30 de junho de 1994, a Associated Press descreveu a visão da Intel para a casa do futuro, centrada em uma “fornalha de informação”. Mas também há a menção de um dispositivo curioso: um I-pad, ou “bloco de informações”.

“Um dos dispositivos mais interessantes é chamado de I-pad, um bloco de informações”, disse [Avram] Miller. “Seria um dispositivo com tela plana. Você pode escrever nele, tocá-lo. Você pode falar com ele e ele pode responder com voz. Seria sem fio, barato e teria diferentes formas na casa.

Algumas formas primitivas de um “I-pad” são os dispositivos Apple Newton, Motorola Envoy e IBM Simon, que têm características de computação e comunicação.

O I-pad que a Intel mencionava em 1994 era mais ou menos um termo genérico para os gadgets que iriam interagir com a casa do futuro. Ainda assim, o nome e suas associações com “casas inteligentes” aconteceram mais de 15 anos antes de a Apple estrear o iPad.

A Intel ainda revelou um dispositivo IPAD na feira CES em 2001. O Intel Pad usava uma conexão sem fio ao seu PC para acessar a web – ele dependia de outro computador para funcionar. Ele tinha botões, roda de mouse e uma caneta para interagir com a tela.

Mas, segundo a CNET, ele acabou irritando as parceiras da Intel, já que poderia concorrer com produtos delas. A empresa então cedeu à pressão e cancelou o projeto.

Ainda hoje, a Intel tenta encontrar seu espaço no mercado de tablets com seus processadores, sofrendo forte concorrência da ARM. Há até rumores de que a Intel poderia fabricar chips para… o iPad.

Por Matt Novak | Gizmodo | Com informações da Associated Press | 30/01/2014

Amazon dribla IOF, cobra em real e tenta ganhar mercado no Brasil


Instalada no país desde novembro, loja de aplicativos também oferece aos clientes o ‘app grátis do dia’

SÃO PAULO. No Brasil, desde novembro passado, a Amazon Appstore tenta driblar a concorrência no mercado de aplicativos para smartphones e tablets com vendas feitas em moeda local e a oferta de um aplicativo gratuito por dia. O mercado de distribuição de aplicativos é hoje dominado pela Apple, que controla as transações em Iphone e Ipad, e pela Google Play, voltada para a plataforma Android. Para Robert Williams, diretor mundial da Amazon Appstore, as transações em reais evitam “surpresas” no preço final pago pelo consumidor e são um dos maiores diferenciais da empresa em relação às concorrentes.

— O preço que os consumidores vêem é o preço que eles pagam pelos aplicativos. Sem surpresas. Eles não têm de arcar com os 6,38% de Imposto sobre Operações Financeiras [IOF] e nenhum outro acréscimo no cartão de crédito de quando se compra em dólar— disse Williams nesta segunda-feira em São Paulo.

A Amazon Appstore é voltada para smartphones com plataforma Android, disputando o mercado com o Google Play. O executivo não divulga dados dos negócios feitos no Brasil, mas se diz otimista com o resultado obtido nos últimos dois meses.

— Nosso objetivo inicial era criar uma empresa local de aplicativos e operar como uma empresa local no Brasil. Era entender os consumidores e os desenvolvedores brasileiros. Não é uma tarefa simples. Nós tivemos muito o que aprender sobre o Brasil e as leis fiscais.

O executivo da Amazon confirmou que tem buscado parceria com as empresas de “startup” brasileiras.

— Sim. Definitivamente. Nós vemos nisso uma oportunidade para que desenvolvedores brasileiros fiquem conhecidos— disse ele, afirmando que, com a inserção inteernacional da Amazon, fica mais fácil para que o conteúdo das empresas brasileiras seja replicado ao redor do mundo.

Willians destacou ainda que muitos dos desenvolvedores brasileiros têm ganhado espaço internacional trabalhando com a Amazon. Um exemplo citado pelo executivo é o da Tapps, empresa de aplicativos funcionais e jogos. Outro exemplo citado pela empresa é a Mobjoy.

— Estamos satisfeitos com a reação dos consumidores e também com a dos desenvolvedores, com quem temos nos relacionado há mais tempo, cerca de nove meses. Nós levamos muitos deles para nosso catálogo internacional (de aplicativos)— disse Williams, destacando ainda que o conteúdo e explicações sobre os aplicativos são apresentados em português para os clientes do país.

Em encontro com jornalistas na Amazon em São Paulo, Williams destacou ainda a oferta de aplicativos gratuitamente na loja.

— Nós temos uma característica única, que é o aplicativo grátis do dia. Desde que começamos, em novembro de 2011, oferecemos mais de 1580 aplicativos gratuitamente; e o valor desses aplicativos somados é de aproximadamente US$ 3,6 mil.

Um outro ponto defendido pelo diretor da Appstore é que todos os aplicativos _ cerca de 100 mil disponíveis na Amazon_ são testados previamente, sendo “livres de vírus ou de malware”.

Questionado sobre como os desenvolvedores veêm os brasileiros que não têm o hábito de pagar por aplicativos, que preferem os gratuitos, Williams afirmou:

—Nós entendemos que brasileiros são brasileiros, que fazem coisas como todos os demais e que fazem coisas de modo diferente. Esse é outro aspecto que temos de olhar sob uma perspectiva de longo prazo. É um processo.

Sobre a vantagem da Google Play, de ter a loja já instalada na maioria dos aparelhos Android, Williams disse que a estratégia da empresa é fazer com que os clientes vejam que têm uma escolha, com características e benefícios diferentes.

— Nosso grande desafio foi criar para o cliente um meio que facilitasse a instalação da appstore e dos aplicativos. Na Amazon, os clientes podem usar moeda local, cartão de crédito, e o preço que eles pagam é exatamente o que está na loja, sem surpresas, sem cobrança extra.

Por Tatiana Farah | Publicado em Globo.com | 28/01/14, 17h28 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Apple evita temporariamente monitoramento de eBooks


Tribunal livrou temporariamente a companhia de ser submetida a um monitoramento externo para assegurar o cumprimento das leis de defesa da concorrência

Aplicativo iBooks em um iPad da Apple: empresa foi considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos

Aplicativo iBooks em um iPad da Apple: empresa foi considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos

Nova York – Um tribunal federal de apelações livrou temporariamente a Apple nesta terça-feira de ser submetida a um monitoramento externo para assegurar o cumprimento das leis de defesa da concorrência, depois de a empresa ter sido considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos.

O Segundo Circuito do Tribunal de Apelações de Nova York concedeu à Apple uma “suspensão administrativa” da ordem judicial nomeando o monitor Michael Bromwich, enquanto a empresa busca permissão para uma suspensão mais longa em sua apelação.

A Apple alegou que Bromwich tem sido muito intrusivo, pedindo reuniões com executivos de alto escalão e membros do Conselho da empresa, e tem cobrado 1,1 mil dólares por hora de serviço. Alegou ainda que as atividades do monitor poderiam interferir na capacidade da empresa de desenvolver novos produtos.

REUTERS | EUA | 21/01/2014 17:08

Programas para iPad ajudam estudantes a ler Shakespeare


"MacBeth" cover from WordPlay Shakespeare. ONE TIME USE ONLYPobres dos professores de inglês atuais, que precisam encarar salas lotadas de adolescentes que passam o tempo atualizando seus status no Facebook, usando o Snapchat ou fofocando via SMS sobre a mais recente perfídia de um falso amigo.

Tentar instilar nos estudantes um interesse apaixonado [ou mesmo passageiro] por Shakespeare jamais foi a tarefa mais fácil para os professores. Com todas as distrações digitais agora existentes, o desafio de despertar o interesse dos estudantes pelas peças do dramaturgo com certeza se tornou mais difícil.

O discurso abreviado estimulado pelas mensagens de texto e pelo Twitter fica muito distante dos densos monólogos shakespearianos. Um divertido cartum de Roz Chast, publicado anos atrás pela revista “New Yorker”, brincava com a distância entre as gerações atuais e Shakespeare. Na versão de Chast, Romeu e Julieta conversam por meio de mensagens de texto, e a cena da sacada termina assim:

Julieta: xoxoxoxo fui t vjo dpois
Romeu: xoxoxoxo xau

Um novo projeto chamado WordPlay Shakespeare tenta aproveitar a aptidão dos estudantes para as novas tecnologias, e seu apego a elas, para ajudá-los a se envolver mais facilmente com as peças. Criados pela New Book Press, os livros eletrônicos de US$ 9,99 podem ser baixados no iTunes e por enquanto estão disponíveis em diversos formatos para Mac e iPad.

Os livros combinam o texto integral das peças a versões em vídeo produzidas especificamente para a série. Quando você abre o “livro”, uma página de texto aparece na metade esquerda da tela, como aconteceria em um livro convencional. Na metade direita, basta clicar para assistir a um vídeo da cena em questão.

Retrato de William Shakespeare, maior dramaturgo de língua inglesa

Retrato de William Shakespeare, maior dramaturgo de língua inglesa

Alexander Parker, o editor chefe da New Book Press, disse que vê esse formato como maneira ideal de aumentar a capacidade dos estudantes para compreender a complexidade da linguagem de Shakespeare. “O tablet”, ele diz, “serve muito bem para combinar mídias que antes não se combinavam”, no caso texto e vídeo. “Se você tem o texto e uma cena um ao lado do outro, as duas experiências se reforçam mutuamente”.

Até o momento, a editora lançou apps para “Macbeth” e “Sonho de Uma Noite de Verão” —duas das peças de Shakespeare que costumam ser tema mais frequente de trabalhos escolares. Outra dupla de peças que muitas vezes serve como primeiro encontro entre estudantes e Shakespeare —”Romeu e Julieta” e “Júlio César” — estão em pré-produção.

Um teste breve me convenceu dos méritos do projeto, ainda que haja aspectos que requeiram alguma familiarização. O app é enxuto, bem produzido e fácil de operar. Se você clicar na metade direita da tela branca, verá atores vestidos em roupas modernas dando vida às palavras —no caso de “Macbeth”, com discretos toques visuais escoceses. [Coincidentemente, Francesca Faridany, que trabalha em uma remontagem de “Macbeth” em cartaz na Broadway, como a feiticeira Hécate, interpreta Lady Macbeth na versão WordPlay da peça.]

Mesmo para adultos, a linguagem de Shakespeare pode ser desafiadora, e as inúmeras notas de pé de página que algumas edições de seu trabalho apresentam podem intimidar. A cada vez que a pessoa encontra uma palavra ou frase que desconhece, ela deixa a peça de lado para que possa pesquisar o significado. Depois, é preciso retomar o texto do ponto em que a leitura foi suspensa. Para os estudantes, é claro, isso pode ser ainda mais incômodo, e faz de Shakespeare uma tarefa tão cansativa que trigonometria parece brincadeira de criança, em comparação.

Mas boa parte do sentido das falas de Shakespeare pode ser iluminado facilmente pela interpretação dos atores, ainda que parte da linguagem continue a ser remota. A sintaxe que parece confusa e impenetrável lida no papel, subitamente adquire significado ao ser interpretada por um ator, e o WordPlay Shakespeare oferece aos estudantes a oportunidade de assistir ao espetáculo movendo apenas um dedo. Muitas das obscuridades do discurso de Shakespeare podem ser esclarecidas quando a interpretação oferece contexto.

Ainda que seja muito fácil de usar, o WordPlay Shakespeare também pode frustrar. Se um monólogo ou cena se estende por mais de uma página [como é muito comum], e você estiver assistindo à cena, os atores subitamente desaparecem quando chegam à fala na qual a página se encerra. É preciso deslizar a tela para a próxima página e ativar o vídeo de novo para continuar a assistir.

Obviamente, isso é bem menos satisfatório dramaticamente do que assistir a um dos grandes monólogos de Macbeth na íntegra. Por enquanto, não há maneira de apertar o botão de “começar” e ver o texto correndo na íntegra automaticamente, sem que o usuário tenha de adiantá-lo página a página.

Como os livros foram projetados de forma a permitir que os estudantes leiam o texto e o ouçam, os atores muitas vezes declamam lentamente diálogos altamente dramáticos que, no palco, seriam feitos com mais urgência. Quando, em “Macbeth”, a notícia da morte do rei se espalha pelo castelo, não sentimos a sensação de caos, horror e medo que é possível ver em uma encenação teatral, para mencionar um exemplo.

Mas Parker enfatiza que o objetivo do projeto não é produzir entretenimento —afinal, existem inúmeras peças e filmes sobre as obras de Shakespeare já disponíveis—, mas sim ajudar os estudantes a compreender a linguagem que ele usa.

Não estávamos interessados em representações vistosas ou espetaculares“, ele diz. “Para o nosso interesse, em uma primeira aproximação com a obra de Shakespeare, a ênfase deve estar na linguagem. O objetivo do projeto é ter como foco a dicção, significado e clareza da linguagem, e creio que os nossos atores cuidem bem disso“.

Eu concordo com a avaliação: embora ninguém vá esquecer sua interpretação favorita de “Macbeth” ou “Sonho de Uma Noite de Verão” ao assistir aos vídeos, os atores [a maioria dos quais, mas não todos, norte-americanos] falam a linguagem das peças com a lucidez de atores clássicos bem treinados. Por mais vívida e quente que seja, uma interpretação como a de Al Pacino para o Shylock de “O Mercador de Veneza” provavelmente não ajudaria os estudantes que estão simplesmente tentando conectar linguagem e significado, em Shakespeare.

SHAKESPEARE DIGITAL

O trabalho da WordPlay Shakespeare não é a única tentativa de criar versões “vitaminadas” de suas peças para consumo em novas mídias. A Luminary Digital Media, em colaboração com a editora Simon & Schuster e com a biblioteca Folger Shakespeare Library, criou uma série de peças de Shakespeare para o iPad que combinam texto e gravações em áudio. Os títulos disponíveis incluem “Macbeth” e “Sonho de Uma Noite de Verão”, bem como “Otelo” e “Romeu e Julieta”. [“Hamlet” está em produção.]

As versões, vendidas a US$ 11,99, tem a vantagem de permitir que você leia [ou ouça] cenas inteiras, ou mesmo a peça inteira, de uma vez, sem interrupção. Elas também oferecem funções de redes sociais, permitindo que o leitor faça anotações e as compartilhe com seus amigos no Facebook. [Fico imaginando quantas pessoas apertarão o botão “like” para algo assim, mas deixemos para lá.]

Como no caso das peças do WordPlay Shakespeare, ouvir as palavras pode ajudar a esclarecer o significado, mas não gostei nada da barra cinzenta que mostra as palavras que estão sendo ditas. Ela mais distrai que ajuda, mas, se você está mais ouvindo que lendo, e quer começar e largar a leitura só nos trechos que lhe interessam, o indicador visual pode ser útil. Além disso, se você estiver só lendo e ouvindo em modo contínuo, fique atento à função sleep do iPad, que desativa a tela depois de certo tempo, já que você não estará virando páginas manualmente.

Com apenas dois títulos até o momento, o projeto WordPlay Shakespeare não está tão avançado quanto o concorrente, mas Parker diz que as reações foram positivas. “A resposta que encontramos é que nosso trabalho torna as peças muito mais compreensíveis, mas sem dilui-las”, ele diz.

E embora a inspiração do projeto seja pedagógica —antes de aceitar emprego na New Book Press, Parker foi “tecnólogo da educação” na Universidade Harvard por 12 anos—, o produto obviamente não tem rotulação de idade. Estudar as peças de Shakespeare é um esforço que dura a vida toda, e o WordPlay Shakespeare pode servir muito bem a pessoas que deixaram a escola há muito tempo. Os apps podem encontrar audiência maior nas salas de estar, ocupadas por pessoas cada vez mais familiarizadas com a tecnologia, do que nas salas de aula.

“Alguns adultos a quem mostrei o app tiveram reação parecida: ‘Como eu queria ter tido algo assim quando estava estudando Shakespeare'”, diz Parker, acrescentando que ele mesmo compartilha do sentimento.

Embora eu ocasionalmente me incline ao desânimo diante da influência cada vez mais pesada da tecnologia nova sobre a literatura, tenho de admitir que sinto a mesma coisa. A molecada de hoje, para quem datilografar em uma máquina de escrever seria provavelmente considerado um exercício fatigante, realmente não faz ideia de quanto as coisas são fáceis hoje em dia.

POR CHARLES ISHERWOOD | DO “NEW YORK TIMES” | TRADUÇÃO DE PAULO MIGLIACCI | Folha Online | 07/01/2014

Fã de livro digital admite recaída pelas páginas de papel


Segundo pesquisa, jovens que leem em papel absorvem mais informações | Photo: David Walter Banks/The New York Times

Segundo pesquisa, jovens que leem em papel absorvem mais informações | Photo: David Walter Banks/The New York Times

Eu não queria voltar a ler livros em papel, mas honestamente não tive escolha. Minha cadela Pixel me forçou a isso.

O caso é que Pixel, com seus 16 quilos de energia, tem interesse obsessivo por sombras e reflexos. Na praia ou no parque, ela não persegue pássaros ou bolas de tênis; persegue suas sombras, olhando para o chão. E em casa, quando pego o iPad para ler um livro eletrônico, ela começa a girar freneticamente, e pula sobre mim tentando apanhar o reflexo da tela. Na maior parte das vezes, é uma cena engraçada, mas o hábito pode ser extremamente irritante quando estou em uma boa história.

Por isso, dois meses atrás decidi que tentaria um livro em papel. Pixel, por sorte, não pareceu muito impressionada com as qualidades reflexivas do papel. No entanto, e para minha surpresa, descobri que eu estava impressionado.

No passado, já debati os prós e contras dos livros em papel comparados aos digitais, e em muitos casos optei pela versão digital, dada a capacidade de carregar mil livros em um só aparelho, a presença de um dicionário integrado e a facilidade para compartilhar trechos interessantes via redes sociais.

Mas os livros eletrônicos podem ser realmente irritantes. No meu iPad, se uma mensagem de texto, e-mail ou outro alerta chega, sou rapidamente derrubado da página do livro. E mesmo quando meus aparelhos estão em modo avião, ou quando estou usando um Kindle, preciso lidar com Pixel.

Quando toquei um livro em papel, pela primeira vez depois de muitos anos, foi como aqueles momentos nos quais você ouve uma canção nostálgica no rádio e se perde completamente. A sensação de um livro em papel, com a textura áspera das páginas e a lombada grossa, oferece uma experiência absorvente e prazerosa –às vezes bem superior à de ler em um aparelho eletrônico.

Alguns estudos recentes constataram que a sensação tátil do papel também é capaz de criar uma experiência de aprendizado que propicia muito mais imersão ao leitor. O motivo? Muitos cientistas acreditam que seja neurológico.

Um relatório de pesquisa publicado pelo International Journal of Education Research constatou que alunos de ensino médio que liam textos em papel tinham resultados muito superiores, em termos de compreensão de leitura, do que alunos que liam o mesmo texto em formato digital.

Além disso, de acordo com um relatório publicado em outubro pelo Book Industry Study Group, que acompanha a situação do setor editorial, a venda de livros eletrônicos se desacelerou nos últimos 12 meses, respondendo por 30% do total de livros vendidos.

E não são apenas os velhos ranzinzas ou os proprietários de animais de estimação hiperativos que optam pelos livros em papel. Os adolescentes também o fazem.

Outro estudo, divulgado pela Voxburner, uma companhia britânica de pesquisa que rastreia como os jovens consomem mídia, sugere que a maioria dos adolescentes e jovens adultos do Reino Unido, com idades dos 16 aos 24 anos, prefere livros em papel a livros eletrônicos.

Há dois motivos principais para a preferência, diz a pesquisa. Primeiro, muitos dos entrevistados disseram gostar da sensação de ter um livro nas mãos, se comparada a uma experiência digital na qual a tela pode ser anódina e estéril.

O outro motivo fornecido para não comprar livros digitais é o preço. Muitos dos jovens britânicos entrevistados pareciam genuinamente perplexos pelos altos preços dos livros eletrônicos, que podem variar dos US$ 10 aos US$ 15, em média, ante os livros de bolso, que custam quase exatamente o mesmo ou até menos. “É evidente que eles enfrentam dificuldade para atribuir aos livros eletrônicos o mesmo valor atribuído pelas editoras”, o relatório de pesquisa afirma.

Eu continuo a ler livros no meu iPad, especificamente quando viajo, já que livros eletrônicos pesam quase nada e agora podem ser lidos até durante a decolagem e aterrissagem. Mas em casa, deitado no sofá, certamente vou continuar lendo também livros em papel, mesmo que Pixel não goste deles.

NICK BILTON | DO “NEW YORK TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado por Folha de S.Paulo | 16/12/2013, às 03h30