Em tempos de crescimento baixo, plataforma vê aumento de 10% nas vendas de eBooks em 2015


Plataforma de autopublicação fecha o ano com 32,5 mil e-books publicados

Ricardo Almeida, do Clube de Autores, comemora crescimento nos números de vendas de e-books de sua plataforma | © Divulgação

Ricardo Almeida, do Clube de Autores, comemora crescimento nos números de vendas de e-books de sua plataforma | © Divulgação

Em recente matéria publicada pelo Estadão, Maria Fernanda Rodrigues entrevistou grandes players do mercado que concluíram que o crescimento do mercado de e-books no Brasil é ainda lento. Na contramão dessa máxima, o Clube de Autores, plataforma de autopublicação e distribuição de livros [impressos e/ou digitais] informa que a participação dos e-books em suas vendas cresceu 10% em 2015. “Em 2013, o total de e-books representou apenas 3% das nossas vendas; em 2014, esse número saltou para 8%; em 2015, ele deve fechar em 18%”, disse Ricardo Almeida, diretor-presidente da empresa. Hoje a empresa conta com 50.026 títulos publicados, desses 32.490 em formato digital [muitos títulos saem nos dois suportes simultaneamente]. E esse número vem crescendo ano a ano, de acordo com Almeida. “Tivemos 6.752 e-books publicados em 2013; 8.701 em 2014 e 10.530 em 2015. Ou seja: entre 2013 e 2014, nosso acervo de e-books cresceu 28%; entre 2014 e 2015, 21%”, comemora. Ricardo disse ainda que nesse período, o acervo do Clube de Autores cresceu 23%. “Em outras palavras: o volume de e-books cresceu acima da média em 2014 mas levemente abaixo da média em 2015. Perceba que estamos falando aqui de publicações, não de vendas”, concluiu. Ricardo atribui esse crescimento à distribuição dos e-books do Clube de Autores em grandes canais de vendas, como Apple, Google e Amazon.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 21/12/2015

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O livro digital não morreu?


Os últimos meses foram marcados por uma onda de pessimismo em relação ao desempenho dos livros digitais no mercado: depois de diversas editoras relatarem um crescimento do digital menor do que o esperado em 2015, uma matéria no New York Times concluiu – com razão – que o livro impresso está longe de morrer. Como sabemos, notícias sobre e-books no mercado editorial tendem a ganhar tons apocalípticos: da mesma forma como o Kindle foi anunciado como o assassino do livro impresso – e a notícia de que a Amazon vendia mais livros digitais do que físicos, lá em 2012, foi alardeada como o último prego no caixão do papel –, a desaceleração do crescimento dos e-books nos EUA e no Reino Unido foi encarada por muitos como uma “revanche” do livro impresso. Mas afinal, o que está, de fato, acontecendo no mercado?

É verdade que muitas editoras vêm relatando estagnação ou queda nas vendas de e-books em relação ao ano passado. O último relatório da Association of American Publishers, que reúne dados de mais de 1200 editoras dos EUA, apontou uma queda de 6,7% nos e-books adultos e 30,9% nos infanto-juvenis em julho, em relação ao mesmo mês de 2014. Dados individuais de algumas das maiores editoras americanas – como Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster – sugerem uma tendência semelhante. A participação dos e-books no faturamento das editoras parece ter se estabilizado entre 20 e 30%, uma porcentagem que, embora significativa, é muito menor do que o crescimento acelerado do digital poucos anos atrás permitia imaginar. Dito isso, algumas considerações:

1] Esta relação entre as vendas de livros impressos e de e-books – que, segundo a Nielsen, está em torno de 74% para 26% no mercado americano como um todo – é uma média do mercado, considerando todos os gêneros ou, dependendo da pesquisa, todos os e-books adultos. Dentro deste universo, existem alguns gêneros em que estas porcentagens são bem diferentes; de maneira geral, e-books tendem a ter desempenho melhor na ficção, fazendo com que esta relação possa chegar mais próxima de 50/50 ou até de uma vantagem para o digital em alguns casos. Em outros gêneros, o livro digital já sai em desvantagem simplesmente por ter recursos limitados para reproduzir determinados conteúdos; para livros de arte, por exemplo, o e-book ainda não se compara ao papel em termos de experiência e conforto.

2] Uma das explicações apontadas para a queda de desempenho dos e-books foi a alta dos preços causada pela volta do agency model para a maior parte das grandes editoras, que agora podem estabelecer seus próprios preços, sem descontos por parte das livrarias. Esta é uma hipótese que não se pode descartar: ainda segundo a Nielsen, o preço é um fator importante na escolha de formato para a maior parte dos leitores. A partir destes dados, alguns analistas concluem que o que está encolhendo não é o mercado de e-books, e sim a participação das grandes editoras nele, uma vez que o público, assustado com a alta de preços, tem preferido livros independentes, que costumam ser bem mais baratos. Esta hipótese vai contra os dados da Nielsen, que indicam, entre 2014 e 2015, um aumento da participação tanto dos livros autopublicados [de 14% para 18%] quanto das “Big Five” [de 28% para 37%], às custas das editoras pequenas e médias, que caíram de 58% para 45%. Mas é verdade que os números mais abrangentes que temos, que são os da pesquisa mensal da Association of American Publishers, consideram apenas os números de vendas fornecidos por editoras; os livros independentes são uma parte relevante do mercado que não é considerada nas pesquisas que apontam a queda dos e-books.

3] Outro fator a se considerar é o declínio dos e-readers em favor dos tablets e smartphones. Segundo a última pesquisa do Pew Research Center, a popularidade dos e-readers dedicados nos EUA caiu drasticamente em relação a 2014, com apenas 19% dos entrevistados tendo declarado possuir um, contra 32% no ano passado. Já os tablets e smartphones chegam a 45% e 68% da população, respectivamente. Embora estes últimos também sejam utilizados para leitura – os celulares, inclusive, vêm sendo apontados como a grande tendência para o mercado de e-books nos próximos anos –, eles são dispositivos multifuncionais, nos quais a leitura é apenas uma das muitas atividades possíveis. Considerando que os últimos grandes lançamentos de e-readers, o Kindle Voyage e o Kobo Aura H2O, aconteceram no ano passado, suponho [e dessa vez não tenho dados, é só especulação mesmo] que haja menos pessoas comprando e-readers este ano, o que implica menos leitores empolgados com o novo gadget e dispostos a comprar muitos e muitos e muitos novos e-books para encher suas prateleiras virtuais.

Isso significa que as editoras devem voltar a apostar todas as suas fichas no impresso e que os funcionários de seus departamentos digitais já devem começar a atualizar o LinkedIn em busca de um novo emprego no futuro próximo? Na minha humilde opinião, não. Significa que o mercado está mais maduro e que seus tempos de crescimento de dois ou até três dígitos ao ano chegaram ao fim. Agora, é importante que as editoras se empenhem, por um lado, em produzir e-books de qualidade – evitando que o digital continue a ser encarado simplesmente como um subproduto mais barato do livro físico e que novos leitores voltem correndo para o impresso depois de uma experiência com um e-book ruim –, e por outro, em inovar e aproveitar as vantagens específicas do digital. Dadas as limitações do ePub, esta tarefa nem sempre é fácil, mas, num mercado tão dinâmico, até isso pode mudar. Então, sugiro esperar mais um pouco antes de decretar a morte de qualquer formato.

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 02/12/2015

Marina Pastore

Marina Pastore

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

O livro de papel resiste à avalanche digital


O armazém do gigante editorial Penguin Random House nos arredores de Barcelona despacha em média 1,5 milhão de livros de papel por mês. A Amazon, império das compras via Internet, mantém perto de Madri um estoque de 583.000 títulos de livros físicos, um número que não para de crescer. Com esses dados fica claro que o Farenheit 451 que anunciava a morte do papel como formato de leitura não aconteceu. Entretanto, tampouco se sustenta o contrário: que os e-books se tornaram irrelevantes e que os aparelhos de leitura digital também cairão no esquecimento, a exemplo do que aconteceu com os videocassetes.

O panorama descrito pelas cifras e pelos profissionais do setor é híbrido – um mundo onde convivem o formato clássico e o digital, com fenômenos importantes, ainda muito difíceis de captar pelas estatísticas, como a autoedição e os serviços de assinatura de e-books com tarifa fixa, e com um mercado digital imenso que inclui a América Latina e os Estados Unidos.

Não dá a impressão de que o livro digital irá acabar com o papel, que tem um piso”, resume José Pascal Marco Martínez, diretor-geral do livro no Ministério de Educação, Cultura e Esportes da Espanha. “Mas o livro digital continua crescendo”, prossegue. “A realidade é que não falei com ninguém sobre e-books na Feira de Frankfurt”, diz, por sua vez, Paula Canal, da Anagrama, uma das editoras espanholas com mais leitores fiéis. “Tive centenas de conversas sobre como são bonitas as capas da X e as edições da Y. Os editores jovens, brilhantes e promissores fazem os livros mais lindos, e não se preocupam com os e-books.” Javier Celaya, consultor, responsável pelo blog Dosdoce e autor de vários estudos sobre o livro digital, diverge. “Estamos a meio caminho. Como setor eu me preocuparia com o não crescimento da demanda digital, que será uma forma de crescer. São potenciais leitores que estão escapando por outras vias, como os aplicativos para celulares, os conteúdos abertos de alta qualidade e a autoedição.

Certamente, pela relação tão próxima que se estabelece com os livros, o debate entre digital e papel gera polêmicas inflamadas. O The New York Times publicou recentemente uma reportagem falando do “declínio” do livro digital, a qual foi respondida por outra matéria na revista Fortune que dizia mais ou menos o contrário. O fechamento da plataforma de livros por assinatura Oyster, em setembro, foi interpretado como outro sinal de decadência do que já foi considerado o futuro. Entretanto, tanto o Kindle Unlimited, da Amazon, como o 24Symbols – os outros dois Spotify dos livros – estão crescendo significativamente.

Embora faltem dados essenciais – a Amazon não revela o número de dispositivos Kindle vendidos nem o número de títulos autoeditados em sua plataforma, que não geram ISBN e, portanto, ficam fora das estatísticas – e seja difícil medir o impacto da pirataria, a pesquisa de Hábitos e Práticas Culturais da Espanha 2014-2015, publicada em setembro, revela que 59,9% dos espanhóis leem em papel, 17,7% em digital e 5,7% na Internet. Com relação à pesquisa anterior, de cinco anos atrás, o papel quase não variou [era 58,3%], mas quase triplicou a partir dos 6,5% que tinha na época.

Os dados do Ministério da Cultura espanhol revelam que, em 2014, a edição de livros em papel cresceu pela primeira vez em quatro anos, 3,7%, com 68.378 títulos, mas acumula uma queda de 29,5% nesse período. Neste ano, a edição de livros digitais caiu 1,9%, primeira vez que isso ocorre, passando a representar 22,3% do setor. Nos últimos quatro anos, o livro digital cresceu 13,9%, frente a uma queda de 14,1% no faturamento das livrarias no mesmo período. O faturamento com livros eletrônicos em 2014 representou 110 milhões de euros [458,8 milhões de reais, pelo câmbio atual], um aumento de 37,1% com relação ao ano anterior. A edição em outros suportes diferentes do papel já representa 10,8% do faturamento total na Espanha e em torno de 20% nos EUA.

Uma ampla pesquisa feita no setor editorial e divulgada na Feira de Frankfurt em 2008 antevia que em 2018 o livro digital superaria o livro físico. Ao comparar essa e outras previsões com os dados atuais, fica claro que o papel tem enorme capacidade de resistência, apesar da crise, mas também que o livro eletrônico cresce de forma constante. “Está funcionando menos do que esperávamos, mas estamos crescendo a um ritmo de dois dígitos, principalmente no mercado latino-americano e dos Estados Unidos”, diz Iría Álvarez, chefe de desenvolvimento digital e vendas digitais da Penguin Random House.
América Latina e EUA

Perguntado sobre uma possível desaceleração do livro eletrônico, Santos Palazzi, diretor de assuntos digitais da editorial Planeta, o outro gigante editorial espanhol, responde: “O e-book continua crescendo de forma sustentada. Observa-se certa desaceleração na Espanha, ao passo que as taxas de crescimento em novos modelos de negócios, como o empréstimo digital bibliotecário ou as plataformas por assinatura, superam 50%. Além disso, esperamos que em médio prazo as vendas na América Latina e EUA representem até 50% do faturamento total”.

Entretanto, as editorias pequenas continuam dependendo do papel, e algumas nem sequer editam livros eletrônicos. “O papel é a base do nosso negócio”, diz Luis Solano, da Libros del Asteroide, que edita todas as suas novidades nos dois formatos. A tranquilidade que a leitura em papel permite, a legibilidade desse suporte e a rede de livrarias protegidas pelo preço fixo são alguma das causas que ele cita para explicar a sobrevivência ao digital. Heloise Guerrier, da editorial de quadrinhos Astiberri, também argumenta que seus leitores continuam preferindo disparadamente o formato tradicional, embora a editora tenha recentemente lançado em seu site a venda de HQs digitais a preços muito inferiores ao papel. “Quem gosta de HQs e as lê não acho que compre digital. Mas, embora por enquanto seja algo marginal, não podemos ignorar”, diz Guerrier.

O VHS foi morto pelo DVD, e é possível que esse formato seja substituído por plataformas como Netflix, iTunes e Yomvi [resta ver se acabarão com a televisão tradicional]. Mas o vídeo não matou o rádio, assim como o cinema e a televisão não acabaram com o teatro. Tudo indica que ainda haverá livros de papel por muito tempo. Entretanto, os livros digitais também têm um futuro seguro, um lugar nas novas bibliotecas do mundo.

Os ‘Spotify da leitura’

É um mercado são e sustentável, e acreditamos que continuará sendo assim”, afirma Koro Castellano, diretora do Kindle em espanhol. A Amazon não costuma divulgar muitos dados sobre seu negócio, e Castellano não revela cifras sobre a autoedição, que qualifica como “a mudança mais profunda que o livro digital promoveu”. Dos 25 livros mais vendidos no Kindle em 2014, 48% [12 títulos] eram autoeditados. Sobre a oferta do Kindle Unlimited, serviço com preço fixo mensal, ela tampouco revela cifras, mas garante que seu crescimento é muito expressivo.

Álex Fernández, da 24Symbols, que oferece leituras ilimitadas a 8,99 euros [37,50 reais] por mês, afirma por sua vez que “o papel não está morrendo e, sobretudo, o digital não é uma ameaça, pois veremos como aprendem a conviver. Surgirão dois tipos de leitores, ou existirão gêneros que funcionarão melhor em um formato ou outro”. “Os modelos de assinatura já são parte do presente do negócio editorial, pelo número de plataformas que operam no mundo, porque é um tipo de serviço popular entre os consumidores de cultura [há os de música, filmes e séries, games, notícias, audiolivros, HQs…] e porque representam um novo canal de venda para as editoras e os autores. Uma nova oportunidade de negócio“, conclui.

Por Guillermo Altares | El País | 02/11/2015

​As tendências de venda dos eBooks e outra surpresa: jornais não estão nada mortos


POR MICHAEL CADER | Publicado originalmente pela PublishNews | 02/10/2015

Fundador do Publishers Lunch analisa matéria em que
o NYT decretou o ‘apocalipse do livro digital’ e conclui que a coisa não é bem assim

No outro dia ficamos sabendo que dá para pegar algo que não é novo, colocar na primeira página do NYT, e a coisa vira algo muito importante. Enquanto as pessoas que trabalham na indústria editorial provavelmente deram de ombros para a combinação de tendências bem-estabelecidas e interpretação seletiva – vendas de e-books de editoras tradicionais têm se mantido mais ou menos iguais há anos – começamos a ouvir parentes e amigos [que acharam que havia algo importante aqui] nos dando os parabéns. Agora “Os livros impressos não morreram” junta-se oficialmente ao panteão das piadinhas. Mas vamos esclarecer entre nós pelo menos alguns dos fatos, seguindo a ordem apresentada na matéria:

As Estatísticas: AAP

Sim, as vendas de e-books, como foi relatado por editores que fornecem dados mensais para a Association of American Publishers [AAP], caíram 10,5%, ou US$ 68 milhões, nos primeiros cinco meses de 2015. Isso foi informado em 1º de setembro, e as vendas de e-books caíram por cinco meses seguidos, por isso é um padrão contínuo em vez de um novo desenvolvimento. E a verdadeira mudança aconteceu há algum tempo. As taxas de crescimento do e-book caíram drasticamente no último trimestre de 2012 e o mercado para as editoras tradicionais, medido em dólares, tem se mais ou menos estável desde o início de 2013.

A tese do jornal de que “quem adotou os e-books está voltando para os impressos” deveria se basear em algum tipo de aumento nas vendas de impressos da AAP. Mas sabe qual categoria caiu mais de 10% no mesmo período? Vendas de livros de capa dura. O total de vendas de livros de capa dura, segundo a AAP, até maio 2015 caiu US$ 91 milhões – 11,25% – chegando a US$ 718 milhões. A queda dessas vendas de impressos foi maior em porcentagem e em dólares agregados. Você não saberia disso lendo aquela matéria.

Então, talvez o que os dados disponíveis estão nos dizendo é que os novos lançamentos não venderam bem na primeira parte de 2015, derrubando tanto os livros de capa dura quanto os e-books de forma semelhante. [Além disso, os relatórios de maio não incluem dois dos três principais títulos mais vendidos do ano, Vá, coloque um vigia e Grey].

Os números da Nielsen Bookscan ratificam que um dos maiores padrões para livros impressos até agora em 2015 é de vendas mais baixas de best-sellers. Até o final de maio, as vendas unitárias de impressos dos 200 maiores títulos caíram 15% em comparação com o mesmo período em 2014. Até a atual semana de vendas, os 200 maiores títulos ainda venderam 11,5% menos unidades do que no ano anterior.

Mais amplamente, para o mercado total de impressos, o que a Nielsen Bookscan mostra para 2015 é uma mudança na participação de mercado, em vez de um crescimento significativo. Os estratos de “varejo e clube”, que incluem livrarias físicas e on-line, tem um crescimento em vendas unitárias de 4%, enquanto o segmento de “vendas massivas e outros” viu um declínio das vendas de unidades de impressos de 9%. No total, até a semana atual de setembro, as vendas de impressos medidas pela Nielsen Bookscan cresceram 2% em unidades.

As estatísticas: unidades vs dólares

Quando você está falando sobre a indústria editorial – como geralmente estamos – dólares importa mais, e as estatísticas da AAP só medem dólares, não unidades.

Mas quando você está tentando dizer ao mundo sobre os hábitos dos leitores e a “popularidade” do e-book, quer olhar para unidades, não dólares. Unidades falam sobre os leitores e quantos e-books estão colocando em seus dispositivos, não dólares. Aqui, “os milhões de leitores que migraram para e-books baratos e abundantes autopublicados, que muitas vezes custam menos de um dólar”, certamente estão impulsionando para cima as vendas de e-books.

Há uma série de sinais, não totalmente medidos, de crescimento indeterminado dentro do ambiente Kindle da Amazon. Isso equilibra a visão de que o consumo/ ”popularidade” do e-book está em declínio real – mas, como observamos há um ano e meio, o crescimento em exclusividades da Amazon não contradiz completamente o padrão mais amplo de vendas relativamente estáveis de e-books, tampouco. [Em outras palavras, o NYT está errado, mas também estão as pessoas que insistem que o crescimento dos autopublicados e de livros publicados Amazon são suficientes para mudar radicalmente nossa compreensão da paisagem, especialmente em termos de dólares].

Em parte, isto é atribuível à nossa boa amiga Aritmética: se a Amazon tem 70% do mercado de e-books, e nós trabalhamos com os últimos números do Author Earnings mostrando que os livros autopublicados e os da Amazon representam 37% das vendas em dólares do Kindle durante setembro, até cerca de 26% em janeiro, isso significa que este segmento de crescimento “não mensurado” somou 11% dos 70%, ou 7,7% do total do mercado, e isso incluindo o difícil que é medir o Kindle Unlimited, que está incluído nessas conclusões. [DataGuy no Author Earnings está trabalhando com uma estimativa aproximada de que 1/3 da remuneração para os autores autopublicados na loja Kindle vem de pagamentos do Kindle Unlimited, em vez de vendas diretas ao consumidor]. Enquanto isso, o mercado tradicional medido diminuiu 10,4%.

Mas também, como veremos mais em outro momento, há muitos outros fatores que podem fazer com que a loja Kindle cresça, mesmo que o mercado de e-books nos EUA continue estável. Entre eles, a Amazon pode estar ganhando participação de outros atores [sabemos que as vendas de conteúdo para Nook caíram uma média de 20% já por vários trimestres]; mas também, a loja Kindle com sede nos EUA, na verdade, vende para clientes em todo o mundo, por isso os aumentos também refletem o crescimento das vendas em mercados fora do País. E há efeitos significativos, mas ainda não especificamente conhecido, do Kindle Unlimited – que está, certamente, levando a “leituras” de e-book que não são contadas, no mundo todo [o equivalente a muitos milhões de e-books lidos só no mês passado], mas também está influenciando merchandising e descoberta na loja Kindle ao distorcer suas listas de “mais vendidos”.

Equivalências falsas: o mercado de e-books e o mercado de livros impressos não são idênticos

Comparações diretas de vendas de e-books e vendas de impressos são um instrumento grosseiro na melhor das hipóteses. Todos sabemos que a publicação de livros gerais é formada por vários mercados, não um único. Se formos honestos, as editoras comerciais têm menosprezado o impacto dos e-books por anos [exceto ocasionalmente quando conversa com Wall Street]. Alguns tipos de livros – ficção de gênero e todos os tipos de best-sellers adultos e juvenis – mudaram para o digital muito mais do que outros tipos de livros – não-ficção geral, livros ilustrados, a maioria dos livros infantis. Então percentuais totais de mercado e valores em dólares não são muito reveladores sobre os complexos mercados de impressos e e-books que os editores estão gerenciando.

Nos termos mais gerais, com espaço para muita variação por editora e por lista, a divisão total poderia ser de 75% a 80% de impressos e 20% a 25% digital. Mas quando você olha para livros para adultos, os e-books representam 30% ou mais – e para livros infantis, significa apenas 11%, com todos os compradores adultos de livros juvenis incluídos, e é menor ainda quando tiramos totalmente os livros juvenis. Quando estreitamos o foco mais, para os lançamentos best-sellers, a lente muda completamente. Best-sellers de ficção podem ter uma média de algo ao redor de 2/3 de e-books e 1/3 de impressos, com best-sellers de não-ficção perto de uma divisão igual entre formatos. [Não são números precisos; a questão é que a popularidade e o impacto do digital variam muito dependendo de qual parte do mercado do “livro” você está interessado.] No lançamento de best-sellers é geralmente onde está a maior quantidade de dólares – assim como os maiores giros de estoque, e é quem mobiliza os leitores.

A noção de que o digital é ruim

O NYT fala sobre um potencial “apocalipse digital” e os amplos receios de que um aumento no digital seja per se ruim para a mídia. [“A popularidade em declínio dos e-books pode ser sinal de que o mercado editorial, embora não esteja imune à turbulência tecnológica, vai enfrentar a onda de tecnologia digital melhor do que outras formas de mídia, como música e televisão”]. É interessante que eles não mencionam jornais diretamente, mas achamos que estejam projetando.

Até agora, como já explicamos anteriormente, os e-books são a melhor coisa que aconteceu com os catálogos das editoras. Levaram as margens de lucro das grandes empresas a níveis que pareciam inatingíveis – através de uma combinação de redução de custos, devoluções e custos de inventário mais baixos, e talvez até royalties ainda mais baixos. A preocupação atual não é tanto que os e-books foram ruins para as editoras, mas que o grande lucro que eles trouxeram atingiu seu nível máximo e agora vai diminuir.

Nós já podemos ter passado o “Pico do lucro editorial” por causa do digital e esse lucro poderia agora estar em um declínio irreversível, o que é duplamente em desacordo com a matéria do NYT. Isso é o que as pessoas estão analisando em salas de reuniões, especialmente porque os digitais tendem a manter um teto sobre, ou derrubar, as vendas em comparação com o período anterior nas maiores editoras. Mas mesmo assim, a margem EBITDA da HarperCollins para o seu mais recente ano fiscal foi de 13,25%. A margem da Penguin Random House para o primeiro semestre deste ano – a metade mais tranquila – foi de 12%. Mesmo com o declínio das vendas – em parte devido a “vendas menores dos impressos” – no primeiro semestre de 2015 a margem OIBDA da Simon & Schuster chegou a 11,6%.

A assinatura de e-book fracassou e isso significa que o Digital está em declínio

Os serviços de assinatura de e-books… lutaram para transformar os amantes de livros em leitores digitais”, conta o NYT. Sim, pequenas startups com visões irreais como Oyster e Entitle fecharam. Mas os cortes no Scribd parecem ser devido à demanda – e a gestão dos custos para leitores que leem muito – não uma proposta fracassada. Mais importante, o maior varejista, a Amazon, tem o maior e mais bem-sucedido serviço de assinatura de e-books, então não vamos nos antecipar. [Outros serviços estabelecidos, como o Safari Online, também estão crescendo].

Não só parece estar tendo sucesso, mas também poderia ser responsável sozinho pela diferença nas vendas de e-books do ano. Nós não sabemos quanto o Kindle Unlimited tirou dos consumidores – mas sabemos que já pagou a editoras e autores independentes mais de US$ 80 milhões em 2015 [e lembre-se que as vendas de e-books diminuíram US$ 68 milhões até maio de 2015, segundo a AAP]. O que parece claro, e é provavelmente o maior desenvolvimento do ano passado no mercado de e-books, é que a Amazon está conseguindo alguns de seus principais clientes do Kindle em assinantes de livros digitais.

A surpreendente resistência dos livros impressos ajudou muitos livreiros.

Se estamos avaliando o impacto dos e-books no espaço de prateleira das livrarias, deveríamos olhar para toda o cenário mais amplo. Livrarias – em números, em metros quadrados e no espaço de prateleira – diminuíram. Desde o pico no ano fiscal de 2008, a Barnes & Noble fechou 78 superlivrarias, ou 11% de sua base. [Eles diminuíram 150 mil m² de espaço nas superlivrarias, ou 8,5%, e começaram a dedicar uma porção desconhecida do espaço das lojas para mercadoria que não são livros, de boutiques Nook ao departamento de brinquedos e jogos que está crescendo rapidamente.] A Borders faliu em 2011, fechando 489 superlivrarias e 126 lojas em shopping centers, com a Books-A-Million assumindo uns poucos locais. O desaparecimento dessas lojas da Borders foi um fator importante que ajudou – e está diretamente relacionado com o crescimento das – livrarias independentes.

Sim, todos amamos livrarias independentes, e o crescimento em lojas participantes da American Booksellers Association [ABA] é digno de comemoração. Mas dos 302 membros que a ABA conseguiu nos últimos cinco anos, 1/3 dos membros veio a partir da integração com a associação de livrarias infantis, e o número de membros ainda está bem abaixo do seu pico, na virada do milênio. [Nota: Nós estávamos errados sobre os membros das livrarias infantis. O número de membros cresceu em 102 no ano da fusão, mas a ABA contou que quase todos os membros das livrarias infantis já eram membros da ABA.] Também não temos bons dados sobre os metros quadrados das lojas que fazem parte da ABA, embora, pelo menos, algumas das lojas abertas mais recentemente eram pequenas. As independentes se beneficiaram claramente da grande redução nas redes de livrarias e na queda na venda de livros entre os grandes varejistas e se adaptaram ao que vende bem entre os impressos nas lojas físicas, mas isso é uma história de adaptação de mercado, e não de mudança.

Editoras, buscando capitalizar na mudança, estão investindo em sua infraestrutura e distribuição de livros impressos.

Sim, duas das menores editoras entre as gigantes estão expandindo seus depósitos – mas a Simon & Schuster e o Hachette Book Group citaram o crescimento no negócio de distribuição para outras editoras ao anunciar essas expansões.

E a expansão da Penguin Random House de suas instalações em Crawfordsville, Illinois no ano passado como observado no NYT esteve diretamente relacionada com o fechamento, ao mesmo tempo, de dois depósitos da Penguin, em Pittston e Kirkwood, algo que não é mencionado na história.

Também não foi mencionado a segunda maior editora de livros gerais, a HarperCollins, que está realizando um programa abrangente de fechamento de depósitos já faz algum tempo – eliminando os da Harper, Zondervan e Thomas Nelson e mudando para a Donnelly. Da mesma forma, a Sterling decidiu no início deste ano fechar seu centro de distribuição de 22 mil m² e passar para a Donnelly também. Então, aqui, também, a “reviravolta na história” não é exatamente como foi retratado.

POR MICHAEL CADER | Publicado originalmente pela PublishNews | Tradução Marcelo Barbão | 02/10/2015

Michael Cader é fundador da Publishers Lunch, newsletter diária que discute o mercado editorial norte-americano, e um dos melhores analistas da indústria do livro nos EUA. Para assinar o PL, clique aqui. Para conferir a versão original do artigo, clique aqui.

Vendas de eBooks caem e os impressos estão longes de estarem mortos


 Penguin Random House last year doubled the size of its distribution center in Crawfordsville, Ind., to speed up book distribution. Credit A J Mast for The New York Times

Penguin Random House last year doubled the size of its distribution center in Crawfordsville, Ind., to speed up book distribution. Credit A J Mast for The New York Times

Há cinco anos, o mundo dos livros foi dominado pelo pânico coletivo diante do futuro incerto. À medida em que os leitores nos EUA migravam para os dispositivos digitais, as vendas de e-books cresciam vertiginosamente, crescendo de 1.260% entre 2008 e 2010, alarmando livreiros. Com isso, as vendas de livros impressos caíram, as livrarias enfrentaram dificuldades para manter suas portas abertas, e autores e editores temeram a possibilidade de os e-books, mais baratos que os livros em papel, devorassem a própria indústria. Agora, há sinais que indicam que aqueles que adotaram os e-books estão voltando para o formato impresso, ou se tornando leitores híbridos. As vendas de e-books tiveram queda de 10% nos primeiros cinco meses de 2015, de acordo com a Association of American Publishers. O declínio da popularidade dos livros digitais pode indicar que, embora não sejam imunes às revoluções tecnológicas, as editoras suportarão o maremoto da tecnologia digital melhor do que outras indústrias, como a música ou a TV.

Por Alexandra Alter | New York Times | 22/09/2015

Falta de investimento em digital afasta usuários de bibliotecas


Um relatório encomendado pela Society of Chief Librarians [SCL] da Inglaterra disse que 20 milhões de libras deveriam ser investidas em serviços digitais nos próximos três anos para evitar que as bibliotecas públicas se tornem obsoletas. O dossiê intitulado Infraestrutura Digital Essencial para Bibliotecas Públicas na Inglaterra e conduzida pela Bibliocommons diz que “a falta de investimento em tecnologia afastando os usuários das bibliotecas“. “Não é que nossos usuários estão deixando as bibliotecas quando eles se mudam para o on line. Nós é que estamos empurrando-os para longe ao deixar de atender aqueles que mais precisam de nós e fazendo com que os que têm o poder escolha deixem de nos achar interessantes”, diz o relatório. “Bibliotecas não devem se tornar espaços estigmatizados usados apenas por aqueles que não têm opções. Nossa pesquisa sugere que há uma ampla oportunidade para que bibliotecas públicas continuem sendo bibliotecas enriquecidas com ofertas digitais”, conclui. O relatório será publicado oficialmente em outubro.

Por Natasha Onwuemezi | The Bookseller | 16/09/2015

Brasil é um dos últimos países no ranking de leitura digital


O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes [PISA – sigla em inglês] foi organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico [OCDE] para, como o nome diz, avaliar o desempenho e progresso dos estudantes ao redor do mundo. Uma pesquisa realizada em 2012 revelou que, de 31 países, os alunos brasileiros estão em antepenúltimo lugar quando se trata de usar o computador para leitura e outras tarefas relacionadas ao meio digital.

O Brasil está na frente apenas dos Emirados Árabes Unidos e da Colômbia, enquanto a Cingapura, Coreia do Sul e Hong Kong encabeçam, nessa ordem, a lista. Essa tabela, na verdade, faz parte de um estudo minucioso, cujo relatório se chama “Estudantes, Computadores e Aprendizado: Fazendo a Conexão”. A ideia central do tema é fazer uma relação entre o contato com tecnologia e seu impacto efetivo no aprendizado dos alunos.

Logo no ranking onde o Brasil ficou tão mal classificado torna-se nítido o rumo que o estudo toma. É visível que, no geral, alunos que se saem melhor em tarefas tradicionais, somente no papel, desempenham melhor também quando levados ao meio digital, mostrando que, “um bom número de habilidades úteis para navegar na internet pode também ser ensinado e adquirido por meio de técnicas de leitura clássicas“, como afirma o próprio texto.

A Coreia do Sul, por exemplo, segunda classificada do ranking, tem apenas 42% dos seus alunos usando computador na escola. A Cingapura, primeira colocada, tem bem mais, com 70% dos seus alunos com acesso, mas, ainda assim, o número ainda é menor que a média mundial de 72%. A conclusão de Andreas Schleicher, membro da direção de educação e competências da OCDE, é que “os sistemas escolares devem encontrar soluções mais eficazes para integrar as novas tecnologias no ensino e no aprendizado“.

Por João Gabriel | Publicado originalmente em Adrenaline | 15/09/2015

Chorar ou vender lenço?


Por André Palme | Publicado originalmente em PublishNews | 26/08/2015

Em um ano como este, em que o mercado e o país estão em crise, não nos resta outra opção que não seja inovar, com mais velocidade. Na maneira de pensar, de produzir, de gerar novas oportunidades e manter nossos negócios sustentáveis e saudáveis.

Estamos sentindo na pele a inflação e a desaceleração de muitas áreas da economia, mas alguns números continuam animadores. Segundo estudo publicado pela FGV em abril de 2015, o acesso à tecnologia no Brasil vem crescendo e o número de smartphones já bate a casa dos 154 milhões; tablets são 24 milhões e se totalizarmos os dispositivos conectados à internet, são 306 milhões.

Claro, ainda existem muitas questões a resolvermos, como o acesso à internet por um preço mais justo e devices mais baratos; lembro que no ano passado, na Itália, comprei um chip pré-pago por 20 euros mensais que permitiam 3 mil minutos para ligações, internet e SMS ilimitados. Muito diferente do que temos atualmente por aqui.

Isso pode parecer um problema, já que é isso, em essência, o que o mundo digital deve fazer: distribuir ainda mais conhecimento para um número maior de pessoas. Mas vamos falar dos fatos positivos. Hoje, temos, sim, um país onde uma parcela significativa da população utiliza celulares, tablets e computadores conectados à internet muitas horas por dia. Quando falamos especificamente do celular, esse número de horas aumenta exponencialmente. Sou um dos usuários que entra facilmente nessa estatística!

E aí surge uma questão, levantada pela amiga e companheira de aventuras digitais, Susanna Florissi: dizer hoje que o brasileiro não lê, não é uma verdade tão absoluta. O brasileiro lê, sim, e muito. Basta observarmos os celulares. O consumo de informação é imenso. Agora, se o que é consumido hoje tem qualidade, é uma outra história.

A questão é: temos um consumidor que já está com a tela na frente dele durante muitas horas do dia; ele já está conectado à internet e já lê de alguma maneira. O quanto estamos aproveitando este leitor para fazer com que ele troque a leitura de algo da internet por um livro, um conto digital que ele pode ler enquanto vai ao trabalho, ou, ainda, um livro que ele pode ouvir enquanto espera em uma fila qualquer?

Em um país continental como o Brasil, o digital pode representar uma maneira rápida, eficiente e barata de distribuir conteúdo de qualidade para um número cada vez maior de pessoas, através da internet, para que leiam em um aparelho com o qual já estão familiarizados e usam cada vez mais, para um número maior de atividades.

Na minha visão, chegar ao leitor final é o maior desafio e pode ser a maior recompensa, seja para conquistar um novo público, seja para capilarizar as vendas e não ter a maior parte do faturamento concentrado em um único grande cliente.

O leitor tem cada vez mais o poder de escolha na compra. Agora, não são só as editoras que escolhem o que colocar no mercado; os leitores ditam as regras. Então, parece fazer muito sentido aproveitar este consumidor digital para construir clientes e leitores fiéis.

Afinal, “enquanto uns choram, outros vendem lenço”.

André Palme

André Palme

Por André Palme | Publicado originalmente em PublishNews | 26/08/2015

André Palme é apaixonado pela leitura digital e pelas possibilidades deste universo. Iniciou seu contato profissional com e-books em 2013. Foi o responsável pela entrada no mercado digital da Editora DSOP. Foi palestrante na Feira de Frankfurt 2014, além da participação em feiras nacionais e internacionais. Hoje está à frente d’O Fiel Carteiro, uma editora 100% digital que possui mais de 150 e-books e audiolivros publicados e está presente em modelos inovadores de leitura. Foi o responsável pelo projeto que publicou o primeiro e-book de um reality show brasileiro, em parceria com o SBT. Integra a Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e torce para a bateria do celular não acabar durante o dia.

Smartphone é o 2º dispositivo mais usado para leitura


Os dispositivos móveis são os aparelhos mais utilizados por boa parte da humanidade, milhões de pessoas ao redor do mundo o utilizam para lazer, mas para muitos também faz parte da rotina profissional. De qualquer forma, é justamente por isso que as fabricantes de dispositivos móveis estão sempre tentando desenvolver novos smartphones e tablets mais aprimorados e com funcionalidades inteligentes para o dia a dia.

Os celulares atuais são utilizados para diversos fins, muitas pessoas escutam músicas, assistem vídeos, usam como GPS, entre outros recursos. É justamente por isso que muitos gadgets específicos acabaram morrendo, como os leitores de MP3. Agora os aparelhos também estão sendo muito utilizados para ler conteúdo digital.

Os leitores digitais chegaram ao público no final da década de 90, atualmente há alguns aparelhos que são muito famosos e o mercado de publicações digitais está aumentando consideravelmente. Porém, ao mesmo tempo que os gadgets do tipo começaram a ficar famosos, muitas pessoas estão utilizando smartphones e tablets com a mesma função.

De acordo com informações do The Wall Street Journal, o futuro dos livros digitais está provavelmente atrelado aos smartphones. Isso não quer dizer que os e-readers vão desaparecer do mercado, mas que atualmente mais pessoas utilizam os dispositivos móveis para ler conteúdo.

As informações foram retiradas de um relatório da Nielsen, concluindo quais são os dispositivos de leitura preferido dos usuários. Em 2012 o resultado indicou que 50% das pessoas entrevistadas preferiam e-readers, como o Kindle da Amazon. Agora, apenas 32% afirmam que utilizam o leitor de e-book como primeira opção. Entre 2009 e 2015 os tablets passaram de 30% a 41% a ser opção dos usuários.

Os smartphones ainda não estão em primeiro lugar, mas a pesquisa revela que o dispositivo é o segundo mais utilizado para realizar leitura. Em 2009 apenas 24% dos entrevistados utilizavam os aparelhos para leitura, agora a porcentagem aumentou para 54%. Certamente o número deve aumentar consideravelmente nos próximos anos, já que mais e mais pessoas estão adquirindo dispositivos móveis. Um recente estudo até afirmou que 84% da população dos Estados Unidos possui smartphones.

Publicado por Tudo Celular | 18/08/2015

Bibliotecas no futuro


Software oferece ferramentas para compor acervos de bibliotecas

De acordo com pesquisa realizada pela Pew Research, ao menos 28% dos leitores nos EUA leram e-books em 2014. Mas, de que forma as bibliotecas serão adaptadas neste novo cenário? Liliana Giusti Serra, bibliotecária do software para gestão de acervos bibliográficos SophiA Biblioteca e pesquisadora de livros digitais, acredita que o futuro será a composição de acervos híbridos, contendo livros impressos e conteúdo digital, ambos gerenciados numa única plataforma. Nesse sentido, o software SophiA Biblioteca fornece as ferramentas necessárias às instituições para compor seus acervos digitais. “Ao realizar integrações com empresas fornecedoras de conteúdo digital para bibliotecas, o SophiA oferece aos bibliotecários ferramentas de gestão, permitindo acompanhar o uso e o empréstimo digital dos títulos licenciados, controlar os modelos de negócios contratados, a vigência de assinaturas, além da importação de registros inteligente, com metadados bibliográficos e de gestão”, afirma Liliana.

PublishNews | 13/08/2015

No Reino Unido, vendas de eBooks nas Big Five se estabilizam


Em 2015, estamos assistindo ao processo de maturação do mercado de livros digitais no Reino Unido. O vertiginoso crescimento, que alcançou a casa dos três dígitos, apresentou queda em 2014, mas ainda havia um robusto crescimento: uma análise feita pelo The Bookseller no fim de 2014 foi revista em janeiro de 2015 e mostrou que o volume de vendas de e-books dos cinco maiores grupos editoriais do mundo tinha crescido 15,3%. O anuário estatístico da Publishers Association de 2014, publicado em maio, mostrou que as vendas de conteúdos digitais subiram 11,2% em 2014, atingindo £ 563 milhões. Dados fornecidos pelos “Big Five” mostram que houve um aumento consolidado de 5,3% nas vendas feitas nos seis primeiros meses de 2015. Um salto de 5% nas vendas aponta um crescimento, mas é o menor desde que The Bookseller começou a coletar dados do volume de vendas dos maiores players do mercado em ciclos de seis ou doze meses.

Por Tom Tivnan e Felicity Wood | The Bookseller | 23/07/2015

Mercado de livros digitais cresce e faturamento supera o de livros impressos


Esta matéria é um exemplo perfeito de como os números do mercado editorial, além de escassos, são sempre mal interpretados pela mídia em geral. Apesar da chamada da matéria, do título, e dos números apresentados, é muito importante deixar bem claro ao leitores que acompanham este nosso espaço que não é verdade que mercado de livros digitais cresceu a ponto de seu faturamento superar o de livros impressos. Assistam a matéria e percebam que o erro ocorreu porque o jornalista, ou alguém da pauta, sei lá, tem tanta gente que não presta atenção nas coisas, interpretou erroneamente os números percentuais, cuja fonte, segunda a matéria, é do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

Corrigindo, por tanto o lead da matéria:

Mercado de livros digitais fatura menos, mas seu crescimento já supera em percentual o de livros impressos

POR EDNEI PROCÓPIO

Brasil: o país do tablet, smartphone e Android


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 22/06/2015

A IDC divulgou recentemente os números de vendas de tablets e smarthphones no Brasil em 2014, assim como suas previsões para 2015. No que se refere aos tablets, as vendas em 2014 ficaram abaixo da previsão da empresa de pesquisas. Ainda assim, vendeu-se 9,5 milhões de aparelhos no ano passado, quando a expectativa da IDC no início do ano era de 10,7 milhões. Ainda assim foi um crescimento de 20,25%. Para 2015, a IDC projeta queda de 2,11% nas vendas de tablets.

Os smartphones, por sua vez, superaram as expectativas. As vendas alcançaram 54,5 milhões em 2014, ou seja, um crescimento de 55,71% em relação ao ano anterior e 15,96% acima das projeções da IDC feitas há cera de um ano.

Como se vê, apesar da previsão de quedas nas vendas de tablets para 2015, o mercado continua bastante aquecido tanto para tablets como para smartphones. Eu continuo acreditando que o Brasil não é o país do e-reader dedicado, mas sim do tablet e do smartphone, como já expus aqui.

Aliás, esta força do tablet e do smartphone em terras tupiniquins é o que explica o market share relativamente alto de Google e Apple nas vendas de e-books no Brasil. Juntas, as empresas devem responder por cerca de um terço do mercado brasileiro, o que é algo bem acima que a média mundial.

Aliás, vale lembrar que o Android, da Google, domina tanto o mercado de smartphones quanto de tablets no Brasil, com market shares próximas ou acima de 90%. O e-Marketer publicou recentemente um artigo sobre a evolução da participação de mercado dos sistemas operacionais de smartphones no Brasil. A tabela abaixo foi originalmente publicada no artigo.

E o gráfico a seguir apenas permite visualizar o poder absoluto do Android no Brasil.

Em 2014, as vendas de eBooks caíram 6% nos EUA


As vendas de e-books nos EUA caíram 6% em 2014, comparadas com o ano anterior. As estatísticas são da Nielsen. As informações foram apresentadas na BookExpo America [BEA] e estão no relatório PubTrack Digital, que coleta dados de vendas de e-books dos 30 maiores editores nos EUA. O relatório mostra que, em 2014, foram vendidos 223 milhões de unidades contra 240 milhões em 2013. Os e-books perfizeram 26% do total de vendas de livros em 2014, contra 28% em 2013. Ficção adulta teve a maior porcentagem de vendas de e-books, com 51% das vendas nessa categoria foram feitas no formato digital. Os adolescentes, no entanto, ainda preferem os livros impressos. Das pessoas que compraram livros nos últimos seis meses, a Nielsen diz que 49% compraram tanto no formato impresso quanto no digital, enquanto que apenas 9% compraram apenas livros digitais.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 01/06/2015

A culpa é das estrelas


No meio do caminho

Metade dos leitores brasileiros de um dos maiores best-sellers de 2014, A culpa é das estrelas [Intrínseca], de John Green, não concluiu a leitura do romance, a julgar por um levantamento feito pela loja de e-books Kobo a pedido da coluna Painel das Letras. O número, relativo a 2014, pode ser medido porque as lojas de livros digitais têm acessos a dados como que e-books os leitores compraram, mas não chegaram a abrir, quais leram até o fim e quais leram mais rapidamente. A média de conclusão de leitura do romance de Green, de 50,9%, é até superior a de outros best-sellers.

No meio do caminho 2

As vendas pela Kobo, parceira da Livraria Cultura no Brasil, correspondem a cerca de 10% do mercado de livros digitais no país. A maior loja de livros digitais, a Amazon, que passa dos 40% desse mercado no Brasil, não informou seus dados de leitura. Embora a Kobo/Cultura represente uma fatia pequena desse mercado, seus dados permitem entender de forma inédita como os livros são lidos, já que não há esse controle para livros impressos. Um best-seller mais longo como Eternidade por um fio, de Ken Follet, com mais de mil páginas, foi completado por apenas 16,8% dos leitores, e um clássico como O triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, por apenas 13,3%. O livro mais completado por leitores da Kobo foi Perdendo-me, de Cora Carmack, com 86,5%.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 14/03/2015

Sete motivos para ligar o celular na sala de aula


“Liguem os telefones celulares.” Quando esta for a primeira frase que o professor disser a seus alunos ao entrar na classe, em vez de mandar que os desliguem, a mudança será real. No mundo atual, plenamente digitalizado, a entrada da tecnologia na educação não tem retorno.

Muitos lembraram que o mesmo aconteceu há décadas com as calculadoras. Antes proibidas em classe, passaram a ser usadas para aprender. Depois que a criança já sabe somar, sua utilidade para resolver problemas mais complexos é evidente.

O mesmo acontece com a tecnologia existente hoje. Todos os suportes [celulares, tablets, notebooks…] são úteis para aprender, e não só na classe. O aprendizado tornou-se onipresente, e a classe perdeu seu protagonismo. Esta é uma das teses de especialistas internacionais que estarão sobre a mesa durante a 29ª Semana Monográfica da Educação da Fundação Santillana, que começa nesta terça-feira [24] em Madri, com o título `Melhorar a educação: como a tecnologia pode contribuir?`.

Para esquentar os motores, expomos aqui as principais razões que estão levando todo o mundo a usar todo tipo de suporte em aula:

O celular é o prolongamento do braço

O aluno leva toda a informação consigo, a movimenta, intercambia, compartilha em rede, fora e dentro da classe. Desta forma, aprende de maneira intuitiva, mesmo sem estar consciente disso. O celular é a chave para os estudantes. `Chegará um dia em que o professor dirá aos alunos no início da aula: `Liguem os celulares`, em vez de mandar desligá-los`, explica o diretor de educação da Fundação Santillana, Mariano Jabonero. Há tempo já se dizia que o mouse do computador tinha se transformado no prolongamento do braço das novas gerações de crianças e jovens. Mas hoje seu celular o é ainda mais.

Aplicativos contribuem na educação

A classe não é mais o único lugar onde se aprende. O uso de aplicativos educacionais como complemento das disciplinas começa a ser uma realidade. E as iniciativas de empreendedores para criá-los são cada vez mais numerosas. O setor calcula que atualmente existam mais de 80 mil apps educativos. São gratuitos e ajudam a aumentar a motivação do aluno. Muitos professores e especialistas insistem em sua utilidade durante a aula. Os conteúdos vêm de fora da classe, na qual entram pela tecnologia através dos celulares e outros suportes.

Professores também estão familiarizados

O professor sabe usar a tecnologia como o aluno. `O tópico de que os alunos usam mais a tecnologia e estão mais familiarizados com ela do que os professores se rompeu`, lembra Jabonero. Essa premissa, que era repetida incansavelmente há anos, não é mais verdadeira. Todo mundo usa a tecnologia em sua vida cotidiana e profissional, seja para enviar mensagens, navegar, jogar, ouvir música ou alguns, inclusive, para ensinar. Sem mencionar que muitos professores que hoje atuam na educação não universitária já pertencem a gerações que nasceram na era tecnológica.

Recursos digitais já estão disponíveis

A transformação da educação pela tecnologia tem três pés: os recursos digitais com os quais se dotam a classe e os alunos [desde as lousas digitais aos computadores], o acompanhamento do professorado e um currículo digitalizado. E os recursos já não são a matéria pendente, ressaltam os especialistas. De fato, 85% dos centros secundários nos pa íses da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos] já em 2012 estavam dotados de computadores de mesa; 41% de portáteis e 11% de tablets, segundo dados da organização. Os passos seguintes são ampliar o currículo digital, assim como o acompanhamento e o apoio do professorado no ensino com esses materiais.

Professores aprendem diretamente com especialistas

Os professores não vão mais a cursinhos para aprender a usar a tecnologia. Não é esta a solução, está mais que comprovado. Hoje em dia o acompanhamento do docente é feito por especialistas em tecnologia nas próprias escolas, explica Jabonero. Eles recebem apoio em campo no uso de todas as ferramentas que integram o currículo digitalizado [que tem diversos recursos, como ilustrações animadas, vídeos, visitas virtuais, fóruns…]. Muitos especialistas citam o caso do Uruguai como exemplo da importância desse apoio. O país informatizou todas as escolas, mas não dotou os professores de ferramentas para usar esses novos recursos. A conclusão foi que diminuíram os resultados dos alunos, segundo se viu nas notas que obtiveram na avaliação internacional do programa Pisa, da OCDE.

`Coordenador tec` supervisiona os sistemas nas escolas

Nos últimos anos foi criada a figura do `coordenador tec` nos colégios, exatamente pela razão anterior: para facilitar sua boa utilização com o fim de que se traduza em um sistema melhor e mais eficaz de aprendizado para os alunos. Diversos colégios espanhóis já contam com eles. O coordenador tec é o responsável e supervisor do uso da tecnologia nas aulas. Faz o acompanhamento do professorado e de sua adaptação ao currículo do colégio.

Investimento geral em tecnologia é cada vez maior

O gasto público em tecnologia cresce nos países mais avançados, apesar de diminuir o gasto em educação. Países como EUA ou Inglaterra seguiram essa linha em plena crise. Mas nem sempre o investimento em tecnologia para a educação se traduziu em uma melhora dos resultados dos alunos. De fato, alguns países que menos investem nela [como Finlândia, Japão ou Coreia do Sul] saem nos primeiros lugares das provas Pisa, assim como outros que, pelo contrário, investem muito nela [como Cingapura, Países Baixos ou Estônia].

Por Susana Pérez de Pablos | UOL Educação | 24/02/2015 | Fonte: El País

Os melhores ‘apps’ para ler e estudar


unnamedFolhas de papel, agendas, cadernos, livros. Quilos e quilos de papel que até poucos anos atrás pesavam sobre as costas e ocupavam mochilas, bolsas e mesas. Estão desaparecendo, pouco a pouco, da vida dos estudantes. A digitalização dos alunos nas universidades caminha no mesmo ritmo que eles; segundo o último estudo do serviço de telefonia Tuenti Móvil e da empresa de pesquisa de mercado IPSOS, 84% dos jovens pesquisados se conecta à Internet a partir do telefone celular e 40% utiliza o aparelho para estudar, trocar anotações ou trabalhar em grupo.

Celulares e tablets foram banindo a caneta e o papel para melhorar, maximizar e otimizar as tarefas dos universitários; deixaram que ser um elemento de distração durante as aulas para se tornarem uma ferramenta de trabalho. Quase sempre. Álex Rayón é professor na Faculdade de Engenharia da Universidade de Deusto e responsável pela TI [Tecnologia da Informação] nesse centro universitário. É ele quem está colocando em funcionamento a maquinaria que habilita as tecnologias de informação e comunicação na universidade basca: “Todo o plano de formação em competências digitais. Acredito que com isso é preciso ser valente”.

Os alunos ainda sentem dificuldades no uso dos aplicativos durante as aulas, embora fora delas isso já se tornou um hábito. “Os professores demoram em se acostumar. O maior medo é que, com o telefone na mão, os alunos possam estar fazendo outras coisas que não sejam da disciplina”. Facebook, Twitter, Whatsapp. “O que acontece então? Os celulares são proibidos em sala de aula”, conta Rayón. “Mas o que devemos fazer, e o que eu tento a cada dia, é levar as aulas ao celular, monopolizar a atenção dos alunos”.

Rayón dá aulas de Inovação e empreendedorismo na Universidade de Deusto e de Estratégia digital na Deusto Business School. Uma parte delas navega na nuvem, no Youtube e no Google Drive. “Quando os alunos fazem seminários, peço que gravem; depois postamos o material em canais temáticos que criamos no Youtube e se faz uma revisão por grupos. É uma das formas de levar a aula ao ambiente dos dispositivos móveis”. Com a ajuda de aplicativos como o Evernote, para gestão de conteúdos, e o Mindomo, para criar mapas conceituais, Rayón consegue colocar a aula no celular. “E não ao contrário, para aproveitar ao máximo todos os recursos disponíveis”.

Para ajudar a atingir esse objetivo, apresentamos os melhores aplicativos de iOS, Android e Windows Phone para compactar o curso.

Com a mão levantada

Para não perder o hábito de mover o pulso e o cotovelo ao escrever, reunimos aplicativos com os quais você poderá continuar escrevendo de forma tradicional, mas sobre uma tela.

  • Penultimate: Um aplicativo simples, intuitivo, extremamente bem cuidado visualmente e com uma gestão impecável da tinta. Pode-se escrever com o dedo, mas para aproveitá-lo ao máximo um stylus é a melhor opção. Disponível para iPad e gratuito.
  • Papyrus: Clara e fácil de usar, essa ferramenta tem uma janela para os clientes do Google Play for Education, que podem instalar este app e o Papyrus Licence EDU 2014-2015 para desbloquear as vantagens da versão premium. Disponível para Android e gratuito.
  • OneNote: A ferramenta para tomar notas do pacote Office da Microsoft é uma plataforma agradável e limpa visualmente. Permite escrever à mão, embora seja recomendável um lápis adequado. Disponível para Windows Phone, iOS e Android de forma gratuita.

Organizado e a tempo

Para quem não se importa em prescindir de agendas, post-its e papeizinhos no meio de dezenas de cadernos, seis ferramentas que ajudam a organizar, lembrar e guardar.

  • Evernote: Para tomar notas, fazer fotos, criar listas, gravar voz, guardar links. Tem sincronização na nuvem e capacidade para fazer apresentações com um clique. Gratuito. Para iOS, Android e Windows Phone em versão gratuita, premium [5 euros por mês, cerca de 14,65 reais] e business [10 euros por mês como usuário].
  • iStudiez Pro: Combina agenda, lista de tarefas e anotações com uma interface fluída e visualmente bonita. Disponível para iOS e Windows Phone por 8,7 euros.
  • My Study Life: Agenda, lista de tarefas e avisos em um único aplicativo para iOS, Android e Windows Phone. Gratuito.
  • Any.do: Combina tudo, do calendário à lista de tarefas. Sincroniza e compartilha com outros dispositivos. Com cada nova mudança, seus desenvolvedores sempre repetiram o mesmo: “Há muitos apps para cada coisa, por que não usar um que sincronize tudo?”. Disponível para iOS e Android de forma gratuita.
  • FantastiCal 2: Um calendário intuitivo, completo e com aperfeiçoamentos contínuos. Só está disponível para iOS, por 4,99 euros.
  • Wunderlist: Um aplicativo simples e intuitivo para organizar e compartilhar tarefas. Para iOS e Android, tem uma versão gratuita e outra paga, por 4,20 euros.

Guardar e compartilhar

Antes, se tiravam fotocópias. Agora, sobem-se arquivos à nuvem. Três lugares virtuais onde armazenar qualquer tipo de arquivo e poder acessá-lo a partir de qualquer dispositivo, compartilhar com os colegas do grupo de trabalho ou com os professores.

  • Google Drive: Compartilha, edita e guarda de forma instantânea. Disponível para iOS, Android e Windows Phone e gratuito.
  • Dropbox: Tudo vai para a nuvem, para consultar e sincronizar de forma instantânea com outros dispositivos. Para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.
  • OneDrive: É o serviço de armazenamento de arquivos da Microsoft, embora tenha aplicativos para iOS e Android. Gratuito até 15 GB.

Página a página

Para muitos, o romantismo de virar as páginas dos livros e sentir seu aroma não é motivo suficiente. Nos leitores digitais se podem armazenar milhares de títulos, todos disponíveis de forma imediata.

  • iBooks: É o aplicativo da Apple para baixar e ler livros, sublinhar e acrescentar notas. Tem acesso direto à biblioteca da empresa da maçã.
  • GoodReader: Para ler e tomar notas em arquivos; sincroniza com o Dropbox, OneDrive, SugarSync, e qualquer servidor SFTP, FTP, SMB, AFP ou WebDAV. Disponível apenas para iOS, por 4,2 euros.
  • Kindle: A experiência e a interface dos clássicos do Kindle transformados em um aplicativo disponível para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.

Sempre útil

Para escanear, fazer cálculos ou desconectar a rede wifi, que às vezes se torna mais tentação do que ajuda, uma reunião de aplicativos que podem ser um auxílio pontual.

  • Quick Graph: Uma potente calculadora gráfica com versão premium por 1,7 euros. Disponível apenas para iOS, embora seus desenvolvedores estejam trabalhando em uma versão para Android.
  • Genius Scan e CamScanner: Dois aplicativos para escanear, digitalizar, editar e enviar documentos e fotografias. Ambos disponíveis para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.
  • Ommwriter: Se você não é capaz de desconectar a rede wifi do tablet ou não consegue pôr o celular em modo avião, este aplicativo lhe ajudará a se concentrar para trabalhar. Enquanto estiver aberto, as notificações não o atrapalharão. Disponível apenas para iOS, por 4,99 euros.
  • Pocket: Bolso virtual que permite guardar artigos, vídeos ou fotografias a partir de qualquer Web ou aplicativo para vê-los mais tarde. Disponível para iOS e Android e é gratuito.

El País | 28/01/2015

Streaming para acabar com a cópia ilegal


Uma pesquisa feita pela Opinion Box, e divulgada na quinta-feira, 22/01, aponta o streaming como responsável pela diminuição da pirataria entre os consumidores de música pela internet. Streaming é uma forma de distribuição de dados multimídia, via web, e o conteúdo baixado não fica arquivado no computador do usuário. Diferente do download, que também possibilita a proliferação de cópias ilegais.

Esse é o sistema utilizado pela Árvore. Os eBooks de seu acervo são transmitidos para o computador, smartphone ou tablet do leitor. Os conteúdos ficam disponíveis enquanto os aparelhos estiverem ligados, sem sobrecarregar suas memórias. Os textos não podem ser copiados, nem impressos, o que garante aos autores a proteção de seus direitos autorais. O streaming também é usado pelo Youtube, um dos pioneiros, tanto no uso dessa tecnologia, quanto na disponibilização de vídeos, e pela Netflix, distribuidora de filmes por assinatura.

Olhar Digital | UOL | 23/01/2015

“Vendas de livros impressos sobem, enquanto digitais perdem popularidade”, diz Financial Times


Preferência de jovens por títulos convencionais mostra tendência que contraria previsão de especialistas, diz jornal britânico

RIO | Os livros de papel estão virando o jogo na guerra contra os e-books. Contrariando expectativas do mercado, as vendas de títulos impressos vendidas nas principais livrarias dos EUA, Reino Unido e Austrália subiram em 2014, segundo reportagem publicada neste sábado pelo “Financial Times”. Enquanto isso, o desempenho de publicações eletrônicas tem desapontado quem apostou que dispositivos como o Kindle substituiriam a mídia tradicional.

De acordo com o levantamento Nielsen BookScan, citado pelo jornal britânico, o número de livros físicos vendidos nos EUA subiu 2,4% no ano passado, alcançando 635 milhões. No Reino Unido, o setor encolheu 1,3%, mas a queda representa uma melhor ante 2013, quando as vendas recuaram 6,5%.

A rede de livrarias britânica Waterstones foi uma das companhias que se beneficiou com a retomada do setor no país. As vendas da empresa subiram 5% em dezembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Não graças aos livros para Kindle, diz o diretor-executivo James Daunt, acrescentando que as vendas de títulos digitais “desapareceram”.

As coisas andam mal, mas já alcançamos o fundo do poço do mercado”, disse Sam Husain, diretor-executivo da rede de livrarias Foyles, que viu as vendas da empresa crescerem 8%, também puxadas pelos livros impressos.

PREFERÊNCIA ENTRE JOVENS

De acordo com especialistas ouvidos pelo “FT”, a tendência deve se manter nos próximos anos, já que a melhora no mercado de livros físicos tem sido influenciada fortemente pelo público mais jovem. As vendas de títulos de ficção para jovens adultos cresceram 12% em 2014, mais que os títulos voltados para adultos. Os destaques do segmento são títulos como a série “Crepúsculo” e o best-seller “A Culpa é das Estrelas”.

Jornais impressos são resistentes entre aqueles que cresceram com jornais impressos. Livros impressos são resistentes entre todos as idades”, disse Paul Lee, analista da Deloitte, que projeta que 80% das vendas de livros em 2015 serão de cópias físicas.

Pesquisa recente da Nielsen indica que a maioria dos adolescentes entre 13 e 17 anos preferem os livros de papel. O jornal não cita os percentuais do levantamento, mas a consultoria destaca que o resultado do estudo pode estar relacionado à falta de cartões de crédito entre os mais jovens. Mas também diz que a possibilidade de compartilhar os títulos preferidos conta pontos: é mais fácil compartilhar e emprestar livros impressos.

Apesar dos números melhores que o esperado frente ao mercado de ebooks, o “FT”, controlado pela editora Pearson, destaca que o setor ainda enfrenta desafios. Principalmente em relação à concorrência com a Amazon, que domina o mercado de livros digitais.

No ano passado, a empresa de Jeff Bezos e a editora francesa Hachette travaram uma longa batalha sobre o patamar dos preços dos livros. Enquanto a Amazon queria manter preços baixos, a editora queria elevar o valor dos títulos. Em novembro, as duas partes anunciaram que entraram em um acordo, para que a editora determine os preços dos livros.

O setor enfrenta várias ameaças estruturais. O domínio da Amazon significa que as negociações de preços continuarão a ser fontes de tensão. A publicação independente continua a crescer, e as editoras ainda estão esperando para ver se os modelos de assinatura — que transformaram a indústria de música — vão funcionar entre leitores”, avalia a reportagem do “FT”.

Publicado originalmente em O GLOBO | 10/01/2015, às 20:21 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Brasil é o 6º país com o maior número de smartphones


No mercado mundial de smartphones, o Brasil encerrou 2014 com o sexto maior volume de vendas, registrando 38,8 milhões de unidades ativas. A China, que lidera o ranking, mantém 436,1 milhões de unidades, seguido de longe pelos EUA [com 143,9 milhões], Índia [76 milhões], Japão [40,5 milhões] e Rússia [35,8 milhões].

A pesquisa encabeçada pela eMarketer, empresa especializada em pesquisas envolvendo o mercado digital, também aponta 2 bilhões de usuários de smartphones em 2016 para, em 2018, chegar a 2,56 bilhões e constituir mais de 50% dos produtos vendidos no nicho da telefonia móvel.

Em 2018, segundo a projeção da empresa norte-americana, o Brasil continuará em sexto lugar nesse mercado, com uma fatia de 71,9 milhões de aparelhos.

Fonte: Meio e Mensagem | Redação Olhar Digital | em 06/01/2015

Quase na mesma


As vendas de livros digitais no Brasil praticamente não cresceram de 2013 para 2014, segundo algumas das maiores editoras do país, como Record e Intrínseca. No final de 2013, as vendas de e-books representavam de 2% a 3% do total das vendas dessas casas, cenário similar ao atual, em que editores falam em no máximo 3%. A exceção é a Objetiva, na qual eles hoje chegam a 4%. “Acho que estamos acima da média do mercado pela adequação do nosso catálogo a segmentos fortes no digital, como livros de negócios, e pela nossa política de marketing“, avalia o diretor Roberto Feith.

A tendência à estagnação também ocorreu nos últimos anos nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas com e-books correspondendo a mais de 20% do total das vendas das editoras. De 2009 para 2010, os EUA saltaram de 3%, patamar similar ao do Brasil em 2013, para 8%.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | Coluna Painel das Letras | 2/01/2015

iPad melhora vocabulário e leitura de crianças


Uma pesquisa publicada pelo jornal Daily Mail concluiu que dar um iPads para meninos pode incentivá-los a ler e a desenvolver um vocabulário mais avançado precocemente.

A tecnologia touch-screen pode ser usada como uma forma de envolver os meninos e as crianças de famílias mais pobres, que tradicionalmente tem desempenho em leitura nos primeiros anos de vida.

A pesquisa concluiu que todas as crianças com idade entre 3 e 5 que leram histórias em computadores e tablet tiveram uma compreensão melhor do vocabulário quando comparadas àquelas que leram as histórias nos livros impressos.

Mais de 91% das crianças do Reino Unido têm acesso a algum tipo de tecnologia touch screen em casa.
O relatório, publicado inicialmente pelo National Literacy Trust, também descobriu que os meninos são mais propensos do que as meninas a usar essa tecnologia para aprender.

A pesquisa avaliou o acesso aos livros e à tecnologia, bem como o impacto que isso tem sobre vocabulário. Entre 2012 e 2013, a proporção de crianças que possuíam um tablet, como um iPad, no Reino Unido saltou de 38% para 65%.

Cerca de 28% das crianças olham ou leem histórias em uma tela sensível ao toque pelo menos uma vez por semana.

Outro resultado importante do estudo indica que as crianças que leem diariamente são mais propensas a ter um vocabulário média.

Olhar Direto | R7 | 02/12/2014

Estudo afirma que livros digitais estão em 95% das bibliotecas dos EUA


Em 2013, percentual de bibliotecas adeptas ao ebook era de 89%.Média de publicações digitais por estabelecimento é de 20.244.

Livros digitais, os chamados ebooks, estão presentes em 95% das bibliotecas públicas dos Estados Unidos, de acordo com uma pesquisa anual sobre o tema feita pela publicação especializada “Journal Library”.

O estudo acompanha a expansão dos livros digitais desde 2010 e na edição de 2014 captou um aumento na quantidade de bibliotecas adeptas às versões digitais. Entre 2013 e 2012, 89% desses estabelecimentos disponibilizavam ebooks. Quando a pesquisa começou a ser feita, o índice de aceitação era de 72%.

Em média, as bibliotecas norte-americanas possuem em seu acervo 20.244 livros digitais. Esse número, no entanto, é puxado para cima por grandes instituições. Aquelas que declaram não oferecer ebooks não o fazem por falta de recursos. No entanto, um exemplo da mudança dos ares nos EUA foi a abertura em 2013 de uma biblioteca em San Antonio [Texas] totalmente dedicada a livros virtuais.

Os livros digitais podem ser lidos em leitores digitais especializados como o Sony Reader, o Nook, da livraria Barnes & Noble, e o Kobo, vendido no Brasil pela Livraria Cultura, e o Kindle, da Amazon. Também são consideradas plataformas destinadas à leitura virtual o iPad, da Apple, e os tablets que rodam o sistema operacional Android, do Google.

Os empréstimo digitais variam conforme o sistema utilizado. Alguns necessitam da criação de uma conta pessoal do usuário que deve ser pareada à da biblioteca para que o ebook seja transferido de uma estante para outra via cabo USB. Outros permitem com alguns cliques a cessão de um livro de um lugar para outro, que automaticamente exibe a publicação assim que ocorre uma sincronização.

Publicado originalmente em Portal G1 | 01/12/2014, às 09h06

As implicações da passagem do computador de sua mesa para seu bolso


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Benedict Evans da Andreessen/Horowitz [um indispensável observador da mudança digital na mídia, e analista que explica a Amazon melhor do que qualquer outro que eu conheço] fez uma apresentação chamada “O Celular está Comendo o Mundo”. Ele esclarece o fato de que todo mundo vai ter smartphones com conectividade em pouco tempo. Um slide [o slide número 6] na apresentação dizia que no final de 2017 — daqui a pouco mais de três anos — pouco menos de 30% das pessoas no planeta não vão ter um smartphone. Isso significa que 95% dos conhecidos de pelo menos 95% das pessoas que estão lendo este post vão ter um. Outro slide [o de número 28] diz que já estamos no momento em que, durante a vasta maioria das horas que uma pessoa está acordada, elas dedicarão entre 40% e 70% deste tempo a atividades de mídia ou comunicação.

Evans e outros analistas estão sugerindo que estas mudanças vão refazer o uso de websites e apps e nos tornar mais confiantes em “cards”, objetos digitais agnósticos em relação a sistemas e aparelhos que podem fornecer tanto informações quanto a capacidade de agir sobre ela. Vemos o começo disso agora nos negócios de livros com o Aerbook de Ron Martinez, que coloca “conteúdo no fluxo social” e Citia de Linda Holliday, que se afastou dos aplicativos estilo card voltado à indústria do livro para servir a indústria da publicidade.

Acho que seria interessante que as editoras de livros focassem nas oportunidades de marketing e consumo que estas mudanças permitem [ou exigem] em vez de permitir que esta mudança tecnológica faça com que se afastem de novo, como fizeram com os enhanced e-books. O uso do celular substituindo o PC na verdade favorece a velha leitura de livros, já que o espaço limitado das telas não é um problema. Mas os processos de descoberta e os meios de compra poderiam mudar radicalmente.

Um texto muito inspirador que li [mas não consigo encontrar mais] sugeria que tudo isso significa uma forte redução do uso do e-mail, algo que Evans confirma em uma tabela mostrando que crianças entre 12-15 anos [no Reino Unido], não usam muito. Elas mudaram para redes sociais como Facebook e Twitter como canais de comunicação. Elas nem mesmo falam no celular. Há uma nova categoria de “mídia efêmera”; ela faz o que tem que fazer e depois a comunicação desaparece. Claro, não sabemos realmente como será o comportamento comunicativo daqui a 20 ou 30 anos de alguém que hoje está com 12-15, e o e-mail ainda é muito importante para o marketing. Enquanto isso, continuam as tentativas de melhorar o e-mail, incluindo a mais recente do Google.

Há duas grandes mudanças que são realmente obrigatórias para a migração ao celular. A grande mudança óbvia é uma redução no espaço de tela em um celular, em comparação com um PC. A menos óbvia, mas que ameaça o uso do e-mail, é a perda dos teclados com muitas funções e grande tamanho. Estas duas grandes mudanças não foram citadas especificamente nas apresentações que vi sobre isso, incluindo a de Evans.

A mudança na tela poderia terminar sendo a de menor problema. Como o crescimento nos celulares é real, também é a ubiquidade de telas de muitos tamanhos em muitos lugares. A tecnologia para permitir que algo enviado de um celular seja “jogado” em outra tela é bastante trivial – o bluetooth já existe e outras coisas novas, como Chromecast, que permite a reprodução da tela de um aparelho com Internet em uma TV, estão sempre chegando. Não é difícil imaginar que telas maiores estarão disponíveis para celulares que poderão informar sobre quase tudo. E apesar de que sempre haverá uma tendência natural a preferir ver no aparelho que você segura na mão e com o qual controla toda sua navegação [uma grande vantagem para livros], se uma tela maior for necessária, sempre haverá uma disponível quando você precisar.

Mas o problema do teclado pode ser mais complicado. Teclados portáteis e dobráveis já foram desenvolvidos, e já são usados para transformar tablets em laptops. Se serão tão populares ou tão facilmente compatíveis quanto as telas é algo duvidoso. Eles não funcionaram para Palm Pilots e ainda estamos esperando para ver se seu uso vai ficar popular no Microsoft Surface.

O que atenua a perda dos teclados é o aumento do uso de ditado por voz para substituir a digitação. Sempre que clico no meu app Google no iPhone, ele me convida a simplesmente falar o que eu quero. Claro, transcrever textos ditados introduz novas possibilidades de erro. Mesmo assim, teclados ineficientes poderiam não ser tão ruins para escrever e-mails para uma parte substancial da população que não tem entre 12-15 anos, e que ainda estará usando este meio de comunicação por décadas, como os atuais hábitos dos usuários do século XXI parecem sugerir.

Você pode, claro, simplesmente falar com Siri [ou Google] em voz alta qual é o best-seller do NY Times que quer e pedir para navegar até um site onde pode baixar uma amostra ou comprar, e chegará lá.

Existe ainda mais motivos para acreditar que websites vão continuar mesmo se os cards se tornarem mais populares. Com a atomização da criação de conteúdo [cada vez mais criadores de conteúdo, alguns deles podem ser bem pequenos], entender a “autoridade” deles será cada vez mais importante. Por enquanto, Google é a empresa que mais dependemos para abordar este desafio [outras que tentaram incluem Bong, Wolphram, Alpha, Duck Duck Go] e sites são uma ferramenta fabulosa para o Google entender quem é alguém e se eles sabem de onde falam ou escrevem.

Este exame de autoridade provavelmente será cada vez mais importante e percebido desta forma pelos consumidores de conteúdo. [Na verdade, isto está acontecendo agora, apesar de que a maioria dos consumidores não perceba que está acontecendo.] Se isso for verdade, websites oficiais e úteis [ou meios equivalentes, que são proprietários ou editáveis, para consolidar informação ao redor de uma pessoa que procura uma audiência – como Wikipedia, Google+, Amazon Author Central, e outras páginas autênticas] podem continuar a ser importantes para o Google e, portanto, para todos nós.

O que é certo é que no mundo desenvolvido quase todo mundo vai ter um computador em suas mãos o tempo todo que poderá acessar quase tudo na web ou em qualquer app. [Isso já é, em grande parte, verdadeiro, mesmo que seja pouco usado ou subestimado.] Estamos nos sentindo cada vez mais confortáveis usando o celular livremente, sem estarmos presos a horários e lugares. Também podemos estar livres da ignorância a maior parte do tempo, se quisermos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Feira de livros de Frankfurt celebra o digital


Editores mudam foco de tecnologia para o enredo das histórias

FRANKFURT | O livro do futuro poderá ser financiado por crowdfunding, ser publicado pelo próprio autor ou estar vinculado a um videogame — o leitor poderá inclusive votar numa virada do enredo. Seja como for, há uma grande chance de que ele será lido em sua versão impressa.

A tônica da versão deste ano da Feira de Livros de Frankfurt, a maior feira editorial do mundo, foi a busca por novos modelos de negócios para um setor que vem sendo confrontado pela digitalização de livros e pelo aumento da supremacia da Amazon.com. À proporção que os hábitos de leitura mudam e os e-books tomam o lugar central do palco, o apetite por boas narrativas ficcionais está mais forte do que nunca.

O controverso serviço de assinatura de e-books da Amazon, em que o cliente paga uma mensalidade para ter direito a acessar livros – ANDY CHEN / NYT

A Verlag Friedrich Oetinger GmbH, uma editora de livros infantis que vende a série “Hunger Games” na Alemanha, é um exemplo. Ao mesmo tempo em que investe pesadamente em produtos digitais, chegando mesmo a criar sua própria unidade de codificação, o diretor-executivo Till Weitendorf não está dando as costas ao setor impresso.

— Não importa se você tem um livro ou um iPad nas mãos — disse ele em entrevista no estande de sua editora na feira, encerrada no último domingo. — Você precisa de uma grande história. Isso não mudou; foi o mundo em volta que mudou.

À medida que a leitura das pessoas evolui, também evolui a forma como as histórias são contadas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, 45% dos leitores já leram pelo menos parte de um e-book em seus smartphones, segundo uma pesquisa realizada pela Publishing Technology.

PROJETOS PROMISSORES

Novas tecnologias são apenas parte do quadro geral. Kladde Buchverlag, uma startup com sede Freiburg, na Alemanha, recorre ao crowdfunding para financiar a publicação de seus livros, oferecendo designs de alta qualidade, papéis de luxo e assessoria profissional para autores que querem editar seus próprios livros.

Ela pré-seleciona projetos promissores e usuários de internet decidem quais livros serão publicados por meio de suas doações. Os doadores generosos podem até ganhar o direito de opinar na forma como a trama se desenrola ou sobre o destino de uma personagem, disse Lea Nowak, uma das fundadoras da companhia.

Britta Friedrich, diretora de eventos e programas da Feira de Frankfurt, afirmou que após anos correndo atrás da mais recente novidade tecnológica — de CDs a e-readers e tablets — o setor agora está focando em como explorar essas inovações.

— Os editores veem que não é preciso pular em cada novo vagão — disse ela. — Editores precisam pensar não apenas em novos equipamentos, mas igualmente em novas formas de contar histórias.

Pela primeira vez, disse ela, representantes de companhias de game, tais como Ubisoft Entertainment, estiveram presentes na feira em busca de parceiros. E a tendência já está decolando. “Endgame”, um livro do escritor americano James Frey, está sendo transformado em um game de realidade aumentada pelo Niantic Labs, do Google.

PLATAFORMA DE E-BOOKS

Enquanto publica a tradução alemã de “Endgame”, Oetinger está também tentando aliviar a passagem da leitura offline para on-line com o Tigercreate, uma plataforma para transformar livros ilustrados para crianças em e-books animados e interativos. O processo usado exige uma programação cara para cada novo livro e dispositivo, segundo Weitendorf. Cerca de 40 editores já se alinharam para usar a plataforma, disse ele.

O próximo passo é um serviço de assinatura mediante o qual as crianças poderão acessar os livros, disse Weitendorf, em meio à tentativa da Oetinger de criar um nicho de produto num mercado dominado pela Amazon.

A varejista on-line americana, qua ajudou a criar o mercado de e-book com o lançamento do seu leitor Kindle em 2007, lançou seu serviço de assinatura de e-book, o Kindle Unlimited, na Alemanha um dia antes da abertura da Feira de Frankfurt. Nos Estados Unidos, ela oferece acesso a mais de 700 mil títulos por US$ 9,99 por mês.

MODELOS DE ASSINATURA

A investida da Amazon no mercado de assinatura tornou-a alvo de críticas na feira deste ano, à medida que os autores questionaram o poder da companhia americana sobre lançamentos e preços, ao passo que os editores mostraram uma visão mais otimista.

Harper Collins, da News Corp., é uma das editoras que já colocou parte de seu catálogo disponível para assinatura digital.

— Cerca de 80% dos editores com quem falamos foram positivos — disse Len Vlahos, diretor-executivo do Book Industry Study Group. — Eles dizem que as assinaturas abriram novos mercados para eles, deram a eles nova alavancagem para seus conteúdos e acima de tudo, deram a eles dados muitos valiosos.

AMAZON DIVIDE SETOR

O domínio da Amazon foi demonstrado mais cedo este anos, em meio à disputa com a Hachette Book Group sobre os preços de e-book. Isso levou a Amazon a vetar livros e impedir pré-encomendas, atrasando a entrega e reduzindo descontos. Escritores nos Estados Unidos e na Alemanha fizeram cartas públicas protestando contra a companhia americana.

— A um risco nisso para a Amazon, à medida que as pessoas começaram a pensar: “qual é o meu valor como consumidor?” — disse Michael Norris, um consultor do setor. — Isto pode abrir um ângulo de oportunidade de concorrência.

Por outro lado, a tendência de oferecer acesso do tipo Nerflix a centenas de milhares de livros por um preço baixo cai muito bem com a publicação pelo próprio autor. A maioria dos títulos disponíveis do tipo Amazon Unlimited são do gênero ficção, de histórias policiais a romances de ficção científica.

E, embora analistas estejam descrentes com milhares de livros sendo lançados on-line a cada dia, os autores que estão publicando seus próprios livros discordam.

Nika Lubitsch, cujo romance policial “The 7th Day” [“O sétimo dia”] superou “Cinquenta tons de cinza” do topo da lista dos mais vendidos da Amazon alemã, afirmou que vender on-line permitiu a ela ganhar mais e se conectar melhor com seus leitores.

Ela vendou 470 mil exemplares de seu e-book desde que começou a usar a plataforma on-line da Amazon há dois anos. A companhia americana paga aos autores de 35% a 70% do preço de venda, consideravelmente mais do que os autores recebem tradicionalmente das editoras.

Por Bloomberg News | Publicado originalmente em O Globo | 13/10/2014 19:45

Avanço da leitura em celulares é discutido na Feira de Frankfurt


O avanço da leitura em aparelhos celulares foi um dos temas mais discutidos na Feira do Livro de Frankfurt deste ano, que termina neste domingo [12].

Uma pesquisa apresentada durante o evento pela empresa Publishing Technology mostrou que 43% entre 3.000 entrevistados nos Estados Unidos e Reino Unido leem livros nos seus celulares e, dentre estes leitores, dois terços estão lendo mais desta forma em 2014 do que liam em 2013. Mas, segundo a Unesco, o maior potencial para a leitura no celular não está nos países desenvolvidos, e sim nos países em desenvolvimento, especialmente na região da África subsaariana e no Oriente Médio, onde boa parte da população não tem acesso a livros tradicionais e encontra no celular um instrumento fundamental para acessar textos.

Existe um enorme potencial nesses países para empresas e governos desenvolverem a leitura pelo celular, porque existe uma demanda crescente e nenhuma saturação de oferta“, disse Mark West, coordenador dos programas de leitura móvel da Unesco, em uma palestra neste domingo pela manhã na Feira de Frankfurt.

Daniel Roland | AFP

Daniel Roland | AFP

Ele apresentou as principais conclusões do estudo “Reading in the Mobile Era” [“Leitura na Era Digital”], publicado em maio deste ano pela organização, que investigou a leitura de textos pelo celular com 4.000 pessoas em 16 países da África subsaariana.

Segundo a pesquisa, a mais extensa feita até hoje, 77% dos leitores pelo celular são homens, que têm uma taxa de escolaridade duas vezes maior do que as mulheres. Em compensação, as mulheres que usam a tecnologia leem em média duas vezes mais do que os homens. Em relação à habilidade de leitura, 47% consideram que seu nível é “iniciante”, 25% consideram-no “intermediário” e 28%, “avançado”. Do total, 55% leem mais agora que têm um aparelho celular do que liam antes.

De acordo com West, a Unesco vem trabalhando para aprimorar o World Reader, aplicativo que hoje é o mais usado para leitura no celular nos países em desenvolvimento —são 250 mil usuários por mês. O objetivo é melhorar o programa para que adultos possam encontrar com mais facilidade livros infantojuvenis. Segundo o estudo da Unesco, 33% das pessoas entrevistadas leem a partir do celular para crianças.

O World Reader oferece textos que já estão em domínio público e textos protegidos por direitos autorais que foram negociados com editoras. Ele pode ser usado mesmo nos modelos mais simples de celular. Mas, segundo West, o conteúdo oferecido precisa ser ampliado e melhorado, o que passa pela negociação com os detentores dos direitos autorais. “As pessoas querem ler os lançamentos, querem ler o ‘Harry Potter’, o, não apenas clássicos em domínio público“, diz.

Outras barreiras que precisam ser transpostas são a baixa qualidade das conexões à internet e principalmente o custo de acesso.

Segundo West, enquanto o gasto com acesso à internet tem um peso de 1% ou 2% na renda de um europeu, ele chega a representar mais de 10% da renda média de pessoas em países como Etiópia, Paquistão e Gana.

POR ROBERTA CAMPASSI | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE FRANKFURT | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 12/10/2014

Digital ou analógico


O hábito de ler em meios digitais ainda é minoritário – menos de 5% dos livros vendidos hoje no Brasil são e-books, enquanto o número nos EUA chega a 25% –, mas cada vez mais pessoas aderem aos livros eletrônicos. Faz alguma diferença, para o bem ou para o mal?

Comparações entre os dois tipos de leitura indicam um empate técnico.

Por um lado, é possível que ler uma narrativa num e-reader [aparelho projetado para a leitura digital] atrapalhe um pouco a percepção que a pessoa tem da estrutura da história, ainda que não interfira em outros aspectos. Por outro, a possibilidade de personalizar detalhes do texto parece ajudar quem tem dificuldades de ler no papel.

A ligeira desvantagem do leitor digital foi identificada num estudo liderado por Anne Mangen, da Universidade de Stavanger, na Noruega.

Ela dividiu 50 estudantes em dois grupos – um tinha de ler a versão em papel de um conto da americana Elizabeth George, enquanto o outro lia o texto num e-reader Kindle. Depois, tinham de responder a perguntas sobre o conto.

A percepção sobre os personagens da narrativa, por exemplo, não variou de forma significativa entre os grupos, e a sobre objetos da história foi até melhor entre quem lia via e-reader, mas os usuários do Kindle sofreram mais para identificar a sequência correta de acontecimentos na trama.

Já a equipe de Matthew Schneps, do departamento de educação científica do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica [EUA], trabalhou com mais de cem adolescentes com dislexia [dificuldade de leitura e escrita]. A comparação foi entre ler em papel e em iPods Touch configurados para mostrar de duas a três palavras por linha em letras grandes.

O resultado: os adolescentes com mais dificuldade para captar o som das palavras, bem como os que tinham menos capacidade de atenção visual, tiveram melhora significativa na velocidade de leitura e na compreensão.

A possibilidade de personalizar os aparelhos é um dos trunfos dos e-readers, afirma Carla Viana Coscarelli, especialista em letramento digital da Faculdade de Letras da UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais].

Do ponto de vista da acessibilidade, isso é um achado. O mesmo vale para a conversão de texto para áudio no caso de leitores com deficiência auditiva“, compara.

No entanto, no caso de leitores sem grandes dificuldades, ela aponta que não há diferença entre os meios. “O trabalho cognitivo de fazer inferências e perceber ideias implícitas é o mesmo“, diz.

A situação ainda é muito fluida, porque os dois tipos de leitura continuam misturados, e essa transição vai ser demorada“, diz Ana Elisa Ribeiro, doutora em linguística aplicada e professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.

Uma das variáveis que influenciam os hábitos de leitura é a relação da pessoa com cada tipo de livro. E-readers e tablets têm tido impacto grande em quem lê textos acadêmicos – nesse caso, a tendência é trabalhar só com o formato eletrônico.

Por outro lado, vi um estudo interessante com aqueles romances populares femininos, do tipo Júlia’ e Sabrina’. Nesse caso, as pessoas tendem a comprar em papel uma grande quantidade de títulos, em especial os preferidos delas“, diz Ana Elisa.

Também não parece haver diferença no tempo de leitura entre livros digitais e impressos, ou mesmo no nível de concentração.

Mesmo que você esteja ouvindo música e lendo no tablet ao mesmo tempo, sua atenção só vai ter um único foco“, exemplifica Ana Elisa.

É uma faca de dois gumes. Outros aplicativos podem acabar tirando você do texto, mas você também pode usá-los para procurar uma palavra no dicionário, acessar vídeos ou blogs sobre o tema. A experiência de leitura não necessariamente fica mais dispersa – pode se tornar mais aprofundada.

POR REINALDO JOSÉ LOPES | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 16/09/2014

“Os livros eletrônicos hoje são uma realidade”


Conforme a pesquisa Bibliotecas e Leitura Digital no Brasil, encomendada pela Árvore de Livros S.A. [noticiado este ano pela Revista Biblioo], o impacto dos livros eletrônicos [ebooks] nas bibliotecas tem se dado de forma positivo, pelo menos do ponto de vista dos profissionais destas instituições. Nesta pesquisa, estimulados a responder sobre o que acreditam que poderá acontecer com a chegada dos ebooks às bibliotecas, a grande maioria dos bibliotecários e demais gestores [82% dos que respondera] apontaram que os dois tipos de suportes [o livro impresso e o ebook] deverão conviver juntos em harmonia. No caso das bibliotecas universitárias, esse tipo de resposta esteve na boca de 100% dos entrevistados. Apesar da ampla aceitação, ainda existem muitas dúvidas por parte dos profissionais, o que acaba por inibir os avanços deste novo instrumento de leitura. Pensando nisso, o bibliotecário do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro [CT/UFRJ], Moreno Barros, tem se dedicado a ministrar cursos sobre o tema, mostrando como eles podem funcionar nas bibliotecas, explorando questões que vão desde os formatos de arquivo, aparatos de leitura, contratos de assinatura e o seu impacto nas instituições, tanto agora como no futuro.

Como você avalia o avanço dos livros eletrônicos sobre os tradicionais impressos?

Francisco, acho que é um caminho sem volta. Obviamente que o livro impresso não vai acabar, mas o livro eletrônico está aí e veio para ficar. E seu avanço e força se dá muito mais por uma lógica de mercado do que pelo embate do fetiche entre impresso ou eletrônico. Bastou que os varejistas e editoras entrassem de cabeça nesse mercado, que certamente tem menor custo de produção e é mais lucrativo, para ditarem o ritmo. Se você pensar bem, um editor pode determinar que um lançamento seja exclusivamente digital. E o que iremos fazer? Espernear? Como consumidores, nós temos muito a ganhar, pois é uma nova modalidade de serviço e produto, e podemos reivindicar preços mais justos, distribuição mais veloz etc. O momento é esse! Mas ao mesmo tempo precisamos estar muito atento a certas práticas que cerceiam o hábito de leitura e consumo de livros digitais, como o monopólio sobre plataformas de distribuição de livros e controle sobre formatos digitais. Mas bem, no final das contas, não restam dívidas: hoje eu leio muito mais conteúdo digital [seja livros ou não] do que impresso. Eu e muitos outros “nativos digitais” já representam uma fatia significativo de um mercado e de uma cultura de consumo de informação e literatura. Falar de livros eletrônicos poucos anos atrás era um futuro distante. Hoje é realidade. Então o avanço foi enorme.

Quais as principais dúvidas dos bibliotecários quando o tema são os e-books em bibliotecas?

Os bibliotecários normalmente têm dúvidas sobre os dispositivos de leitura [kindle, kobo, ipad, tablets, smartphones], as modalidades de empréstimo de livros eletrônicos e os contratos estabelecidos com as editoras. Esses três elementos englobam quase tudo o que diz respeito a uma estratégia de adoção de ebooks em bibliotecas, de diferentes tipos. Na verdade os bibliotecários já lidam com arquivos digitais há bastante tempo [repositórios digitais e livros em pdf para download, por exemplo], mas agora existe uma demanda específica para livros eletrônicos e isso exige um planejamento. É como se você estivesse criando uma coleção nova, que precisa ser gerenciada e disseminada. Não é muito diferente do que já estamos acostumados a fazer, mas por se tratar de um formato novo, é normal que essas dúvidas apareçam. Claro, à medida que as experiências forem sendo compartilhadas, os ebooks deixarão de gerar dúvidas e passarão a ser rotina padrão das principais bibliotecas.

Que conhecimentos básicos os bibliotecários precisam ter na hora de fazer aquisição deste tipo de material?

Além de conhecer bem a demanda da sua comunidade, uma boa estratégia é o bibliotecário confrontar os benefícios dos ebooks com os impressos, uma vez que o impresso ainda é o formato prevalecente e que utilizamos como parâmetro. E isso implica em uma série de medidas, como verificação de preços, disponibilidade de títulos, possibilidade de empréstimos simultâneos, decidir se a aquisição é perpétua ou leasing, se os títulos podem ser adquiridos individualmente ou em pacote, analisar como os arquivos digitais serão hospedados e distribuídos, se os formatos são compatíveis com os diversos dispositivos de leitura disponíveis no mercado, entre outras. Na maior parte, isso vai exigir uma conversa bastante estreita com as editoras fornecedoras e o bibliotecário assegurar que está fazendo um bom negócio.

Publicado originalmente em Biblioo | 12/09/2014

“Livro vai se adaptar à revolução das plataformas digitais”, afirma especialista em literatura


O fim do livro impresso representa, para os apaixonados pelo cheiro e textura do papel, o apocalipse, sem exageros — mais aterrorizante que qualquer saga de zumbis ou vampiros. Mas os especialistas em mercado literário tranquilizam o público do livro impresso. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil — realizada pelo Ibope em parceria com o Instituto Pró-Livro — apesar da crescente ascensão dos tablets, os chamados e-books ainda não são muito populares entre os leitores brasileiros, uma vez que 82% afirmam nunca ter lido um.

O professor da Unesp, João Ceccantini, especializado em literatura e mercado, acredita se tratar de uma “falsa guerra”. Ceccantini admite ter lido estimativas bem apocalípticas que apontam para a extinção do livro impresso. Mas, para ele, a tendência é que cada tipo de leitura se adapte à plataforma mais adequada e que tanto o eletrônico quanto o papel terão espaço no mercado.

O escritor está muito ligado às práticas contemporâneas e a trama conta muito na hora de escolher o tipo de suporte de leitura. Se o livro impresso vai acabar, o tempo vai dizer. Porém, o que eu vejo é uma falsa guerra, porque, se alguns gêneros precisam de recursos eletrônicos para que as pessoas tenham acesso, há os gêneros que se encaixam melhor no impresso. Por exemplo, muitas pessoas preferem ler poesia no papel.

A pesquisa sobre o perfil dos leitores brasileiros — realizada entre junho e julho de 2011 — foi apresentada neste ano na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. De acordo com o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano, entre literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. A presidente da Câmara do Livro, Karine Pensa, avalia que os resultados podem ser considerados bons.

Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo, principalmente da chamada nova classe média — que reflete na melhora do percentual de aquisições de obras registrado pela pesquisa, de 45% em 2007 para 48% em 2011 —, e o crescimento das novas tecnologias, como os e-books, que apresentam mais familiaridade com os jovens“, afirma ela.

Correio Braziliense | Publicado em Diário de Pernambuco | 08/09/2014

A Saraiva evolui sob a liderança de um novo CEO focado em tecnologia


A Saraiva trouxe um novo CEO com conhecimentos tecnológicos que está integrando as operações de varejo e edição enquanto explora opções em educação e tecnologia.

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

A Saraiva é editora e a principal rede de livrarias no Brasil. Se fosse nos EUA, seria uma Barnes & Noble; se fosse no Reino Unido, uma Waterstones. A empresa opera 114 lojas, possui 60 milhões de clientes visitando suas livrarias anualmente [9 milhões dos quais são membros do Cartão Preferencial da Saraiva]. Em 2013, as vendas totais alcançaram os 2,1 bilhões de dóalres e agora eles empregam 3,5 mil pessoas. Entre as mais recentes contratações está Michel Levy, o novo CEO da empresa.

Levy veio da Microsoft e, algo pouco surpreendente, diz que a “tecnologia está no centro de todo o negócio da Saraiva. Acreditamos que estamos no negócio de produzir e distribuir conteúdo, serviço e tecnologia, em qualquer formato, para qualquer plataforma, em qualquer momento e em qualquer lugar.”

No começo deste mês, Levy liderou o lançamento da LEV, plataforma de e-books proprietária da Saraiva e leitor de e-ink – um movimento ousado para prevenir a invasão da Amazon, que lançou o Kindle no Brasil no ano passado e começou nessa semana a distribuição física de livros.

Dito isto, o movimento mais significativo da administração de Levy não tem nada a ver com tecnologia, mas com pragmatismo: ele juntou o lado editora e livraria da Saraiva, depois de anos nos quais os dois setores estavam em luta interna tão grande que dizia-se que não dava nem para encontrar um livro da Saraiva em uma livraria Saraiva. “Em abril, nós integramos os depósitos que distribuem para livrarias e a editora, e hoje você até consegue encontrar alguns livros da nossa editora em livrarias Saraiva”, ele fala piscando o olho.

A Editora como um Centro Lucrativo

O braço editorial permanece o verdadeiro centro de lucro para a empresa, que produz um conjunto amplo de títulos e é líder em livros didáticos, cursos de tecnologia, educação superior, livros de Direito e preparação para exames legais e concursos – segmento no qual possuem 40% do mercado. Com os livros didáticos, o governo brasileiro continua sendo um cliente central, representando 25% das vendas de livros para a educação inicial e 50% de suas vendas para a educação superior.

Voltando ao tema da tecnologia, Levy gosta de sublinhar que quando a Saraiva está falando sobre edição, está realmente falando sobre “criação de conteúdo”.

“Ser uma editora é uma pequena parte do que somos no sentido de conteúdo. Somos agregadores.” Desta forma, a companhia está diversificando seu braço editorial e está se movendo para novas áreas, incluindo aprendizado a distância e jogos. “É a nossa chance de aumentar nosso relacionamento com o cliente e aproveitar nosso relacionamento com instituições de educação superior e melhorá-los.”

É onde a rede online e física de lojas Saraiva se torna central para o crescimento estratégico a longo prazo. As vendas comparáveis por loja cresceram a uma taxa de 10-11% por ano e a empresa agora está se expandindo para aeroportos para aproveitar o mercado criado por uma classe média que cada vez mais está viajando mais dentro do país.

Expansão do Financiamento, Expansão da Educação

Para alimentar a expansão, a empresa conseguiu um empréstimo de R$ 628 milhões do BNDES, o maior empréstimo que a empresa já pediu em toda sua história. A expectativa é que sejam criados 700 novos empregos nos próximos anos.

Inevitavelmente, boa parte do futuro da empresa parece voltar para o setor de livros didáticos, que é um negócio em crescimento, por causa do crescimento exponencial de estudantes matriculados no ensino superior profissionalizante e particular. Chegar a estes estudantes, muitos dos quais estão nos cantos mais distantes do país, é um desafio. “Distribuição é muito cara”, nota Levy, “então o que estamos fazendo agora é dedicar representantes de vendas para servir às universidades e trabalhando para que os professores venham a nossas lojas. Agora temos nove filiais onde as universidades podem usar nossas lojas como uma base de apoio.”

Claro, elas sempre têm como fazer pedidos online como uma opção também. “Mas eu não vejo o físico como sendo independente do virtual e estamos nos movendo rápido na integração”, diz Levy.

Além disso, Levy diz que a Saraiva criou um fundo financeiro para investir em startups e novas tecnologias, que puderem ser adaptadas para fornecer novas ferramentas para o mercado didático. “Queremos ser fornecedores de serviço completo e entregar soluções para as companhias que entregam educação.”

Perguntado como um consumidor brasileiro vê a Saraiva hoje, Levy responde: “Existe a percepção de que a Saraiva é apenas uma livraria, e que existe a outra empresa que publica livros. Mas somos mais do que isso. Estamos no mercado de varejo, tanto virtual quanto físico. Somos criadores de conteúdo, preparação, distribuição de livros didáticos para ensino inicial, médio, profissional e superior. Trabalhamos com tecnologia e aprendizado adaptativo. Vendemos para indivíduos e empresas. Somos tanto o fornecedor de conteúdo quanto a plataforma. Somos um shopping center. Estamos desenvolvendo um novo O que é a Saraiva Hoje.”

O CEO do Grupo Saraiva, Michel Levy, e o Diretor Gerente da Editora Saraiva, Mauricio Fanganiello, vão participar no Business Club deste ano da Feira do Livro de Frankfurt.

Edward Nawotka | PublishNews | 22/08/2014 | Este artigo foi publicado originalmente no Publishing Perspectives.

Caro Jeff Bezos,


POR EDNEI PROCÓPIO | Publicado originalmente na Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Meu nome é Ednei Procópio, sou editor especialista em livros digitais. Não é de hoje que tento acompanhar os passos da Amazon. Tanto nos países onde ela atua quanto no Brasil. Digo tento porque venho apenas observando e evitando ao máximo expressar em público minha opinião pessoal a respeito do tema Amazon. Até mesmo em meu último livro, me esforcei para manter certa imparcialidade com relação ao assunto. Embora confesse ser difícil escrever qualquer coisa sobre eBooks sem citá-la em exemplos.

É que em meu país, mesmo após um hiato de tempo desde uma Ditadura Militar, e uma consequente cultura da censura de ideias, ainda hoje enfrentamos resistências quando exercitamos nossa liberdade de expressão. Muitos canais de comunicação simplesmente fingem ser um espaço democrático de discussão para a aproximação de ideias sobre o mercado editorial. De fato, alguns atuam como formadores de “achismos”, algo como “deformadores de opinião”. Uma verdadeira “panelinha” de manipuladores.

Mas estas não são as únicas razões que me levaram a escrever diretamente ao senhor sem correr o risco de ser mal interpretado pelos párias. Outra razão que exponho para reforçar alguns argumentos meus é que do mesmo modo que o mercado editorial a meu ver erra em inúmeras interpretações, elucubrações e até especulações a respeito de sua companhia, a Amazon também erra feio no modo como conduz suas negociações com este mercado, digamos, desesperado.

“Desespero” seria o adjetivo mais assertivo para este mercado?

É claro que não se aprende apenas observando os erros dos outros. Aprende-se mais, na verdade, com os nossos próprios erros. Mas os desesperados vivem falando em nome da Amazon e temos de admitir que o mercado editorial está agora nas mãos daqueles chamados “novos players”. Embora suspeite que a Amazon não se encaixe nesta categoria, já que ela já não é tão nova assim.

A Amazon é do tempo em que nenhum pseudo-especialista da cadeia produtiva do livro acreditava que um dia a Internet poderia vender mais livros impressos que as livrarias físicas. A Amazon é do tempo em que os barões da mídia zombavam, quando aqui mesmo no Brasil, eu afirmava que o mercado estava correndo um sério risco de um dia atrair mais interesse, audiência, acesso e consumo dos livros digitais em comparação às edições impressas. Pois é, alguém visualizou esta [im]possibilidade. E aqui estamos nós.

Agora, todos têm algo a dizer a respeito do que há poucos anos eram claramente contra.

Segundo a pesquisa anual “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo [FIPE/USP], sob encomenda da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e do Sindicato dos Editores de Livros [SNEL], as livrarias físicas ainda lideram os canais de vendas do mercado. Ou seja, permanecem como o principal canal de comercialização do setor editorial no Brasil. Mas poderíamos especular: até quando? Se a própria Amazon em breve pretende entregar os exemplares impressos com muito mais profissionalismo que muito lojista online local, que não tem lojas físicas?

Hoje, muitos editores reclamam porque só recebem da Amazon a ninharia de uns U$300 mensais da pela venda de seus eBooks. Mais uma vez, testemunho mercadores reclamando e desacreditando os eBooks, usando qualquer desculpa, desta vez a “mixaria” que recebem. E, observe que nem mesmo eles são capazes de investir em algo melhor que a própria Amazon já que comparam U$300 mensais à esmola, o que aqui chamamos de “dinheiro de pinga”.

Não são capazes de perceber ou não querem distinguir que a soma dos valores miseráveis que eles todos juntos julgam receber da sua pontocom, é na verdade, apenas a ponta de um iceberg que, no futuro, se uma negociação entre as partes não for realmente melhor conduzida, vai ser responsável por naufragar toda e qualquer possibilidade de ganho, até mesmo com os livros impressos.

Porque o que falta é o entendimento das partes.

Um indício desse cenário futuro é que, embora a venda de exemplares aqui no Brasil tenha crescido, segundo a pesquisa anual “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, de 2013 para cá, caiu o preço médio constante do livro. Tanto quanto o eBook, as vendas online de exemplares impressos, podem ser, indiretamente, um dos prováveis responsáveis pela queda do preço médio do livro país.

Onde os senhores pensam que isso vai dar?

Caro Jeff, aquele velho legado de editores convictos já se foi. Morreu. Ou melhor, muitos ainda estão por aqui, tentando sobreviver, porém, a maioria morreu. Não no sentido espiritual, mas no sentido social e cultural mesmo. Existem ainda os que vivem da “grana”, usando um termo bem popular, de uma renda, para não usar o termo economia, gerada na maioria das vezes pelos cofres públicos. Poucos são os grandes conglomerados editoriais liderados por homens que conseguiram passar pela revolução digital, focando no mercado varejista, lograram transferir sua história e legado aos profissionais mais jovens, afinal não largam o osso, e mantiveram-se vivos frente a esse admirável mundo novo. De meu país, não posso lhe dar nenhum exemplo sem ser chamado à atenção de algum modo pelos censores de plantão — que distorcem tudo o que a gente diz.

Na última oportunidade que fiz menção a um determinado conglomerado editorial em meu blog, dizendo para tomarem cuidado com a Amazon, recebi uma ligação telefônica me censurando. Eles fingem compartilhar ideias, e convites sociais, mas na verdade são censores da pior espécie

Mas o senhor é um homem dos novos tempos, não vai me censurar por ser direto, não é? Mesmo porque o meu objetivo não é ser agressivo, e com humildade peço desculpas se assim for interpretado. O que eu realmente quero lhe dizer é que ainda há tempo do senhor voltar às origens transformando a Amazon em um fenômeno que pode fortalecer o nosso mercado e não acabar de vez com ele. O que penso realmente da Amazon é que ela, como instituição de visão, não deve deixar pairar este sentimento de que algo sem ética está sendo feito.

Parece-me que hoje, e me corrija, por gentileza, se eu estiver equivocado, players bilionários como a gigante pontocom que o senhor fundou, sempre encarou o mercado editorial como um território a ser colonizado, para ser economicamente explorado e depois descartado após o avanço de um novo estágio em seu real objetivo com novos territórios. Então eu pergunto: por qual preço a Amazon quer se tornar um gigante mundial das mídias?

Ao custo do sucateamento de uma indústria inteira?

Às vezes, players como a Amazon pareceram estar mais interessadas no tipo de consumidor que os eBooks poderiam atrair do que na exploração dos livros propriamente dito. É como se os eBooks fossem para elas uma espécie de isca para os consumidores modernos. Algo como “vamos dar a eles os eBooks de graça e vender a eles geladeiras ou televisores”.

Deste jeito, os senhores se assemelham aos espanhóis na época da busca pelo eldorado. Cuidado para não dar um tiro no próprio pé, Jeff. Imagine se a Amazon não estivesse envolvida com toda essa revolução digital, mas estivéssemos em outras épocas e ela eventualmente envolvida, por exemplo, com a revolução tipográfica ocorrida depois do aprimoramento da prensa de tipo móveis, liderada, o senhor sabe por quem. Se estivéssemos nos referindo a passagem dos livros manuscritos para a manufatura dos livros graficamente impressos, para nos servir de exemplo, e se uma Amazon da vida fosse a detentora da patente da máquina de tipos móveis, é provável que até a imprensa que tanto contribui para a distorção desta realidade não existisse.

A Amazon, se compararmos com uma postura do tipo “vamos dominar o mundo, afinal dinheiro nós temos”, iria querer ser o próprio escriba, seu próprio gráfico, seu próprio livreiro e quem sabe até seu próprio leitor. É como se a sua empresa, caro Jeff, se bastasse para manter toda uma cadeia em torno de si mesma, em seu próprio círculo de existência, sem a presença de mais nenhum outro personagem no contexto.

O mercado editorial espera mais da Amazon. Espera que a Amazon o surpreenda. Mas talvez a Amazon não possa dar ao mercado aquilo que ele gostaria, nem da forma como espera. Sem dúvida algumas iniciativas da Amazon para o mundo dos livros são louváveis: CreateSpace, The Audiobook Creation Exchange, Amazon Author Central, Kindle Unlimited, KDP Select, etc., etc. etc. Mas como é que o senhor deseja, por exemplo, que as editoras regionais sejam parceiras da Amazon, se seu conglomerado também mantém uma editora — que, em última análise, os mercadores aqui de meu país consideram um concorrente direto?

Eles não estão de todo errados. Vou tentar traduzir o que alguns deles pensam. Se a sua companhia mantém uma gráfica de Impressão Sob Demanda, o que faremos com as gráficas digitais que prestam serviços para as editoras e escritores de meu país? Se a sua companhia mantém uma livraria online, como os livreiros de nosso país sobreviverão? Se a sua companhia mantém uma rede social voltada aos livros, o que faremos com os projetos similares disponíveis em nossa rede local? Se a sua companhia mantém o serviço de uma biblioteca digital no modelo de empréstimos, o que faremos com as nossas iniciativas locais?

Enfim, a Amazon, com tantos tentáculos, quer ser a sua própria cadeia produtiva do livro? Resultando que a antiga cadeia, que também deveria ter sido compartilhada há tempo, não está gostando nada disso.

A Amazon não está se equivocando ao enveredar nesse caminho, Jeff?

Porque o final de todo Big Bang aguarda um Big Crunch. E eles farão de tudo para que Amazon seja deportada deste país. E não me refiro a questão da tecnologia do livro digital, destaque de sua pontocom que trouxe finalmente os eBooks à ordem do dia; eu me refiro ao modelo de negócios que a sua empresa está impondo para um mundo editorial que ainda está, por sua vez, se ajustando ao modelo de economia compartilhada. Ora local, ora comunitária, na maioria das vezes global.

Deve ser um modo dos americanos de pensar. Eu não sei. Porque, aqui em meu país, nosso governo está buscando alternativas de financiamento em parceria com outros países emergentes, um deles até mais rico que o país do senhor. Isto se chama compartilhar riquezas. Pois vai chegar um dia em que nós por aqui teremos que compartilhar água para o mundo. Barris de água indexarão a economia global. E se gente como o senhor fosse dono de nossas reservas, no futuro as pessoas teriam que baixar um aplicativo para ter acesso à água potável. Ou ainda mais provável, elas seriam obrigadas a comprar um Kindle H2O.

S. Eliot disse que “num país de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo”. Felizmente temos outros players na jogada. E felizmente meu país está aprendendo a duras penas com seus próprios erros. Já adquirimos bastante aprendizado quando subestimamos o potencial da Internet. Não estamos inovando, mas ao menos estamos renovando. Porque jovens empreendedores de meu país têm que todos os dias se esquivarem da doutrina dos velhos senhores feudais do mercado editorial que os atrapalham todo o tempo.

Como exercício de uma realidade paralela, pense nesta tecnologia hoje disponível para os livros como uma única e nova impressora capaz de produzir centenas de milhares de páginas por minuto. Imagine se o gênio Johannes Gutenberg fosse um empreendedor arrogante como muitos em meu país, que se assemelham aos que dirigem a Amazon, não colocasse a tecnologia de tipos móveis a disposição do mundo. A Europa, caro Jeff, não teria lindas oficinas prensando páginas para iluminar até a mente daqueles que um dia fundaram o seu país.

E hoje, ao nascer de uma nova era que influencia todas as empresas, o que os senhores pensam que estão fazendo? Saiba que os velhos senhores feudais daqui não entenderiam, mas o senhor sabe bem que esta minha carta não é uma queixa. O mercado editorial tradicional também errou. Errou de forma lastimável quando subestimou a tecnologia rudimentar que estava sendo desenvolvida pela indústria de tecnologia para os livros digitais.

O senhor se recorda quando a Amazon iniciou as vendas do eBookMan? A Franklin fabricava dicionários eletrônicos, lembra-se? Nossos párias aqui também foram um dia tão arrogantes quanto parece hoje sua organização porque naquela época não estavam nem aí para o eBookMan. Não se importavam nem para o Rocket eBook, para o SoftBook. GlassBook. Microsoft Reader. Palm Reader. Mobipocket. E, nossa, são tantos os projetos que antecederam o conceito de eBook até chegarmos ao Kindle!

Mas a Amazon não, ela estava lá, literalmente vendendo todas estas novidades, enquanto o mercado encarava o livro na era digital com desdém. O mercado editorial errou porque em vez de observar o potencial de ruptura tecnológica, mais de seu conceito, optou por observar apenas a superficialidade das diferenças ignóbeis ente o cheiro do papel e a suposta dificuldade de uso do digital pelos consumidores. Menosprezaram seu potencial e subestimaram a capacidade dos jovens leitores deslizar seus dedos por uma tela touchscreen que mais tarde ultrapassaria o papel em legibilidade, usabilidade e portabilidade.

Tem gente aqui, caro Jeff, que acha que a tecnologia touch foi inventada pela Apple. E que livro em HTML5 não passa de um site. Tem gente aqui pensando que foi a Amazon quem inventou o livro digital. Para algum deles, a Amazon é pioneira em tudo, menos em distorcer os números e a realidade deste mercado. E, por acharem que estavam acima do conhecimento compartilhado de décadas de trabalho nos laboratórios de Palo Alto, agora pagam uma conta cara por terem entregado seu maior capital, o livro, ao que consideram um de seus maiores concorrentes: a Amazon.

Agora eles apontam suas catapultas para a sua companhia

A meu ver é assim que o mercado enxerga a Amazon, caro Jeff: como uma concorrente. Um inimigo que deve ser morto. É claro que eles não admitem, mas torcem contra a Amazon. Querem crer, lá no fundo, que isto não vai dar em nada, lutam contra um inimigo oculto, mas consideram que é a Amazon que deve ser exterminada, banida. A Amazon é a ponta de um iceberg, mas o mercado editorial aponta seus binóculos para os chamados grandes players e não percebem que o futuro está nas mãos de uma massa de consumidores modernos que não só lêem os livros impressos. Que lêem os livros. Impressos, em áudio, interativos, digitais, eletrônicos, elétricos, impressos sob demanda, livro aplicativo, livro brinquedo. Enfim, eles lêem livros. E ainda hoje tem gente aqui perdendo tempo discutindo com o Governo o que é um livro.

Alguém já deve ter lhe informado que eles têm o Governo como seu maior cliente. E lá está também a Amazon se infiltrando, tal qual um agente duplo. Afinal, Jeff, de que lado a Amazon está? Porque, do ponto de vista de um mercado em decadência, a Amazon está apenas de seu próprio lado. Conversando com um amigo do mercado, ele disse que “ainda não sabe quem está do lado de quem, o mercado é uma confusão só”. Enquanto isso, a Amazon está atropelando, ela mesma, sua própria história. De tão gigante que se tornou, não consegue mais acompanhar seus próprios passos. Cresceu tanto que não consegue mais olhar para baixo e evitar pisotear naqueles que poderiam ser seus potenciais parceiros, por menores que sejam.

A Amazon erra ao pensar que o mercado todo seria atraído por sua força gravitacional de poder, equivalente a uma espécie de buraco negro. E em vez de se tornar uma opção sustentável para aquele velho e retrógrado mercado, está se tornando um fardo pesado de se carregar. Mesmo com toda sua inovação, se assemelha aqueles conglomerados antigos que queriam ser de tudo ao mesmo tempo: produtora de conteúdo, editora, gráfica, livraria, caixa, empacotador, entregador etc.

A Amazon parece querer ser a constelação de uma estrela só

O senhor vai ter uma ideia melhor do que eu estou tentando dizer quando o Alibaba Group colocar suas ações à venda para o mercado americano. Mas o senhor pode aprender um pouquinho mais com seu conterrâneo, o Sr. Henry Ford. Recomendo que leia sobre a Fordlândia que Ford tentou prosperar aqui em nosso país. Por favor, baixe em seu Kindle a versão digital do livro — que é mais barata que a versão impressa, e o senhor não precisa aguardar aquele drone levar o pacote até a porta da sua casa —, conheça a cidade fantasma que o fordismo deixou de herança aqui pra gente.

Existe uma diferença básica entre o investimento que impulsiona a inovação e a grana que compra coisas prontas, Jeff. E enquanto sua companhia perde tempo se digladiando com velhos senhores feudais do mercado editorial, ela não percebe que está impedindo o trabalho das jovens empresas editoriais que poderiam elevar a segunda potência este mercado. A Amazon não está, honestamente, ajudando em nada. Fica perdendo tempo com os velhos e não percebe que está atrapalhando os jovens empreendedores.

Não bastasse a falta de criatividade de um determinado setor que enxerga a todos como concorrentes de si mesmos, fica todo o tempo copiando as ideias uns dos outros, temos que nos esforçar para compreender os planos de uma empresa, aqui vista mais estrangeira que global, e que age como se quisesse monopolizar o ar que respiramos. Que não sabe se foca em logística usando drones, smartphones que nos dizem o que devemos comprar — como se o consumidor fosse estúpido — ou se foca em venda de serviços de espaço em cloud computing.

Que tal a Amazon nos ajudar com o saneamento básico, Jeff? Também estamos precisando de um aplicativo que ensine os autores independentes a lerem os seus próprios textos, antes destes serem publicados no KDP, sem revisão, sem copydesk, sem ISBN, sem ao menos uma capa decente.

Para finalizar, confesso que os reais objetivos da Amazon, àqueles que eu considerava saber compreender por acompanhar este tema desde 1998, não condizem com a conduta de sua empresa neste momento. Neste ponto, sou obrigado a optar por toda esta generalidade excessiva nesta minha missiva, já que me causaria constrangimentos, não perante aos amigos do mercado que também buscam fundamentos como eu, mas junto àqueles que custam a aceitar uma opinião especializada como a minha.

A Amazon de ontem não é a mesma Amazon de hoje. Temos a Amazon antes e depois do Kindle. E eu não me refiro a inovação. A Amazon depois do Kindle assemelha-se a um cão correndo atrás do próprio rabo. Parecem bastante óbvios os planos dos senhores, mas suas ações estão refletindo uma conduta de distorção no mercado.

E o que nós, das chamadas startups, estamos fazendo? Simples: escalando aquela montanha que se move, com fé em nossos próprios feitos. Temos mais interesse em observar sobre os ombros dos gigantes. Afinal o que é que big players como a Amazon não estão enxergando. Algo que empresas como IBM, Kodak e Palm também não enxergaram. E o destino delas, caro Jeff, todos conhecem muito bem.

Lá do alto deve ser bonito! Mas afinal, o que é que o senhor vê daí de cima, caro Jeff?

Cordialmente,

Ednei Procópio

POR EDNEI PROCÓPIO | Publicado originalmente na Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

eBooks e convergência são temas da Bienal do Livro de SP


Evento começa nesta quinta-feira com a realização do 5º Congresso Internacional do Livro Digital com o tema “Cultura em Convergência”

Em 2007, a Amazon lançou a primeira edição do e-reader Kindle. Agora, sete anos depois, a empresa anuncia um serviço de assinatura para e-book e audiobook. Tanto no Brasil como internacionalmente, observou-se uma resposta positiva ao modelo. Segundo pesquisa realizada pela BookStats, a venda de livros digitais superou os impressos, gerando US$ 7,54 bilhões às editoras norte-americanas em 2013. Assim, diante da incerteza sobre o futuro dos livros tradicionais, um dos maiores eventos brasileiros do segmento decidiu apostar no tema.

Na sexta-feira, 22, inicia-se a 23ª Bienal Internacional do Livro, que, neste ano, está trabalhando diretamente com o público por meio das redes sociais e peloblog do evento. A aproximação resultou em mais de 10 mil ingressos vendidos até o momento, em comparação aos 2,6 mil da edição anterior, o que corresponde ao recorde de vendas antecipadas. Para evidenciar ainda mais o tema, a Câmara Brasileira do Livro, responsável pela Bienal, promove um dia antes, na quinta-feira, 21, o 5º Congresso Internacional do Livro Digital.

O tema deste ano é “Cultura em Convergência”, e será abordado nos dias 21 e 22 de agosto, no Auditório Elis Regina. A quinta edição do evento conta com a participação de Jason Merkoski, o primeiro evangelista de tecnologia da Amazon; Oren Teicher, presidente da American Booksellers Association [ABA]; Jose Borghino, diretor de política da International Publishers Association [IPA]; Stephen King, presidente do grupo Daisy de Londres; Olaf Eigenbrodt, diretor da Biblioteca Universitária de Hamburgo, na Alemanha; Pedro Luis Puntoni, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Cultura Digital do Cebrap; Danilo Venticinque, editor de cultura da Revista Época; entre outros.

Tradicionalmente, o Congresso acontece no primeiro semestre, mas desta vez vai anteceder a Bienal e se extender durante o evento. Além do espaço para discussão e apresentação de cases de sucesso, também serão premiados trabalhos científicos sobre o livro digital. Os três vencedores receberão um valor em dinheiro e, dependendo do tema do trabalho, serão avaliados em fast track para publicação na Revista de Gestão da USP. O primeiro colocado vai apresentar seu projeto no dia 22, às 16h30, na plenária do Congresso.

O Congresso do Livro Digital surgiu há cinco anos como parte das metas de trabalho da Câmara, com a missão de discutir o futuro do impresso e do mundo digital. Susanna Florisse, diretora da Câmara Brasileira do Livro, afirma que a ideia é debater os novos formatos, modelos de negócios e novas formas de bibliotecas. Serão abordadas as diversas possibilidades do autor, ilustrador e editor ao trabalhar com o conteúdo no impresso, aplicativo, nuvem, etc. Ou seja, toda a cadeia de produção, desde o autor até o leitor.

Apesar da presença cada vez mais forte do livro digital, Susanna acredita que o impresso não vai morrer, embora alguns realmente desapareçam do mercado ou diminuam a tiragem. Para ela, haverá um mix, em que o digital vai complementar o impresso. Os livros didáticos, por exemplo, devem manter o formato tradicional, mas com conteúdo reduzido. “Bibliotecas digitais é um modelo de negócio que faz todo o sentido. As editoras precisam sair da zona de conforto, acompanhar tendências. Em um País com tamanha dimensão geográfica, o mais óbvio seria diminuir custos com papel e com frete. Além disso, estamos vivendo a realidade de uma geração totalmente digital. As pessoas não tem mais tempo, os costumes mudaram, os hábitos mudaram”, afirma a diretora da Câmara.

Em contrapartida, a Bienal atrai um grande número de visitantes em todas as edições. Neste ano, já foram vendidos mais de 10 mil ingressos antecipados. Porém, Susanna explica que o motivo não são os livros impressos em si. Afinal, eles podem ser adquiridos pelas internet e, muitas vezes, a um preço mais acessível. “Cada vez mais as editoras vão se tornar prestadoras de serviço. A Bienal chama muita atenção, não necessariamente para venda de livros, mas para uma questão cultural.Os visitantes querem ir pelo aspecto cultural, para assistir a palestras, debates, premiação, etc”.

Com o processo da digitalização, o conteúdo também se torna mais acessível, aumentando o risco de cair na rede. Entretanto, a diretora não enxerga o problema como o maior desafio do livro impresso. Para ela, as tradições é que podem representar a principal barreira para a consolidação da leitura. “O livro sempre teve que concorrer com a pirataria. Mas, talvez o seu maior concorrente seja ter uma sociedade que prefira ter dois celulares, dois carros ou roupas de marca, em vez de um livro”.

A abertura do 5º Congresso Internacional do Livro Digital acontece na quinta-feira, 21, às 9h. As inscrições podem ser feitas pelo próprio site oficial do evento. Já a Bienal, vai até o dia 31 de agosto e também está com venda de ingressos abertas nos pontos de venda físicos e pela internet.

POR POR ERIKA NISHIDA | enishida@grupomm.com.br | Publicado originalmente em wwwproXXIma.com.br | 20/08/2014, às 19:06

O uso de livros digitais nas salas de aula brasileiras


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 19/08/2014

Na semana passada, ajudei a administrar uma pesquisa com quase 100 diretores, professores e coordenadores de escolas particulares sobre livros digitais na sala de aula. Os resultados foram surpreendentes, mesmo para um entusiasta digital como eu. Se você está envolvido em edição de livros educativos, não pode deixar de ler isso.

A maioria dos participantes estava focado no ensino fundamental e ensino médio com 80% deles trabalhando em escolas entre 500-10 mil estudantes (nove participantes lideravam escolas maiores de 10 mil alunos). Um número incrível, ao redor de 66%, já estava usando e-books nas salas de aula com menos de 3% que não conheciam a mídia. Apesar de toda a discussão sobre os objetos de aprendizado digital, animações, interatividades e multimídia, o recurso mais importante para os educadores era “busca” – uma funcionalidade padrão em quase todas as plataformas de e-book (exceto nos sistemas que simplesmente dão suporte a uma “imagem” da página impressa).

Quanto os educadores acham que este conteúdo é valioso? Acima de 23% pagariam o mesmo ou maispelo conteúdo digital. A maioria disse que pagaria um pouco menos que a versão impressa do livro, validando a prática comum de que o e-book deveria ter um desconto valendo ao redor de 70% do custo do impresso. Quando perguntamos quais livros eles queriam em versão digital, recebemos uma lista que incluía metade de livros das cinco maiores editoras educativas, mas a outra metade era uma seleção diversa de publicações de editoras médias e pequenas. Muitos estavam exigindo bons e-books para o aprendizado a Língua Portuguesa.

Uma tendência central que vimos foi que, devido à falta de conteúdo disponível no Brasil, muitos coordenadores educacionais estão começando a criar seu próprio conteúdo com ferramentas como iBooks Author, sem paciência para esperar que as editoras atuem.

Interessado em saber mais sobre a pesquisa? Estarei na Bienal do Livro nos dias 22 e 25 e seria ótimo tomar um café com você. Posso ser encontrado em greg@hondana.com.br.

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 19/08/2014

Greg Bateman

Greg Bateman

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .