Cardiologista lança livro gratuito com dicas médicas para viagens


A cardiologista e professora Dra. Marisa Campos Moraes Amato está lançando o livro Seleções de Dicas Médicas, com o objetivo de suprir a carência de seus pacientes em obter informações e orientações confiáveis sobre problemas de saúde, que podem ocorrer em suas viagens. “Ao longo de minha carreira detectei que são muitas questões que afligem o viajante leigo a respeito de como resolver alguns problemas. Às vezes são problemas banais e outras mais complicados, mas que são esquecidos durante o planejamento de uma viagem. E quando surgem, podem atrapalhar muito o passeio”, explica a Dra. Marisa.

Seleção de Dicas Médicas traz dicas de quais vacinas tomar antes de cada viagem, remédios que devem ser levados, sangramentos nasais, dores de ouvido e inchaço nos voos, o que comer, náuseas, tonturas e vômitos. Também aborda riscos do desenvolvimento de trombose e embolia pulmonar durante as viagens de avião e como lidar com o jet lag, entre tantas outras dúvidas, mais simples ou mais complexas, apresentadas pelos seus clientes

O livro está disponível gratuitamente na Apple Store. Para baixar é necessário espaço disponível no: iPad com iBooks 2 ou posterior, iOS 5 ou posterior; iPhone com o iOS 8.4 ou posterior; ou Mac com OS X 10.9 ou posterior. A versão impressa pode ser adquirida por US$ 9,99, no site LuLu.

Sobre o Autor

Prof. Dra. Marisa Campos Moraes Amato, doutorada pela Universidade de São Paulo em1988, é especializada em cardiologia pela Associação Médica Brasileira. Também tem Mestrado em Ciências, na área de Fisiologia Humana, pela Universidade de São Paulo. Foi bolsista de pós-doutorado, do governo alemão, pela Fundação Alexander von Humboldt, em Hamburg, 1992/1993. Professora Livre Docente de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1998.

Produziu vários artigos científicos com repercussão internacional. Um deles, publicado na Heart British Medical Journal, em 2001, é referência para o Consenso Europeu de Cardiopatias Valvares. Foi Presidente da Academia de Medicina de São Paulo, em 1997/1998 e Membro do Conselho de Cultura da Associação Paulista de Medicina, em 1999/2002; também foi Presidente do Clube Humboldt do Brasil entre 2008 e 2010. Desde 2008, é Membro do Conselho de Economia, Sociologia e Política da Federação do Comércio do Estado de São Paulo do Sesc e do Senac.

Serviço:

Livro versão Online na Apple Store
Seleção de Dicas Médicas
Autor: Prof. Dra. Marisa Campos Moraes Amato – cardiologista
Editor: Amato Instituto de Medicina Avançada
Idioma: Português
Valor: Gratuito
Local de venda: https://www.amato.com.br/selecao-dicas-medicas

Versão Impressa
Seleção de Dicas Médicas -1ª Edição
Autor: Prof. Dra. Marisa Campos Moraes Amato – cardiologista
Editor: Amato Instituto de Medicina Avançada
Número de páginas: 100
Idioma: Português
Valor: US$ 9,99
Local de venda: https://www.amato.com.br/selecao-dicas-medicas

Qual é o valor do eBook?


Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em Colofão | 10/06/2015

Eu sei, eu sei, não é a primeira vez que falamos de preço por aqui, mas é difícil não remeter a este assunto quando estamos falando de e-books. Mas agora, por mais que a questão perpasse o problema de precificação, a bola da vez é como o preço pode interferir na percepção de valor do produto.

Vamos lá, confessem. Quantos de vocês não pensaram por um segundo sequer que o e-book é caro demais? Tenho certeza de que muitos de vocês ao menos se questionaram a respeito do livro digital ser 30% mais barato do que um livro impresso, seja por conta própria ou através de terceiros. Afinal, de onde veio esta conta mágica dos 30%? O que ela representa? Por que esse é o padrão do mercado?

“Oras, porque a produção do e-book tem menos gastos que a do impresso!”

Vamos começar pelo fato de que ninguém que vende um produto o apresenta com o relatório de custos e percentual de lucro em anexo para o consumidor ponderar se é justo ou não o valor pago.

Vocês sabem quanto custou a produção do seu iPhone? A margem de lucro dele? Acho pouco provável que saibam e, mesmo que saibam, ainda assim o desejam como produto. Então, não, não aceito essa resposta. E nem você deveria aceitar.

Mas vamos manter o foco: a relação de insatisfação do consumidor em potencial NÃO se dá por conta da diferença de custos em sua produção. O que ocorre é que o e-book surge como um produto novo, ou seja, desconhecido pelo consumidor em potencial; portanto, é papel daqueles que o lançam no mercado tornar claro ao consumidor porque ele precisa daquele produto e quais são os valores agregados ao mesmo.

Isso seria o ideal, mas no mundo real basicamente o que houve foi insegurança com o produto lançado. Insegurança em relação ao que ele significaria para o mercado de livros, como ele o modificaria, como esse produto seria recebido etc. Ao invés de aproveitar o momento de incertezas para direcionar o mercado para uma previsão mais favorável à aceitação do produto, os atuantes do mercado [editoras, livrarias, distribuidoras, bibliotecas] deixaram transparecer sua insegurança, incentivando uma percepção de valor do e-book como produto menor.

Sendo bem direta: o e-book é caro porque ninguém explicou ao leitor qual é a vantagem dessa coisinha maravilhosa que é um ePub. E, portanto, o leitor o comparou com a mídia já conhecida que tinha função semelhante [perceba que usei a palavra semelhante e não igual] – o livro físico. Afinal, se esse é o referencial de quem o produz, como não seria o de quem o compra?

É aí que entramos na questão do posicionamento. Ao colocar o e-book com o preço inferior a 30% do preço de capa de sua versão impressa, o que a editora está dizendo a respeito desse novo produto? Quando surgiram o paperback a mensagem era “livro descartável”, portanto, mais barato. E com os e-books?

Novamente, não vou entrar no mérito de “custo reduzido” porque eu nunca vi marketing feito para diminuir os lucros. Então, não, não acho que foi isso.

Não tenho como saber qual foi de fato a estratégia, pois quando entrei no mercado esses valores já eram vistos como padrão e, mesmo que haja algum questionamento a respeito deste assunto, no geral todos seguem o que está sendo aplicado no mercado.

Mas, se me perguntassem o que eu interpreto dessa iniciativa de redução no preço de capa, eu diria que se relaciona com a necessidade de um investimento inicial na aquisição de um dispositivo que proporcione a experiência de leitura – computador, tablet, celular etc. O posicionamento de preço abaixo da referência do consumidor também o torna mais propenso a testar a nova mídia, o que também é uma lógica de raciocínio válida.

Ok, falamos de posicionamento e preço, mas e os valores?

Estou há dias pensando neste assunto e não consigo responder a esta pergunta. Sei responder quais valores o e-book possui para mim [mobilidade, facilidade, bolsa mais leve, leitura noturna etc.], mas quais são os valores que o mercado transmite para este produto? Raramente se vê uma campanha de livro digital que não se concentre em promoção de preço e sim em valores. E isso depõe contra o produto, pois parece que nem quem produz os e-books considera que este produto tem seu valor.

O discurso de que o e-book custa menos para ser produzido muito provavelmente chegou aos leitores através de pessoas relacionadas ao negócio do livro, que acreditavam que sim, esse produto valia menos. Perceba, utilizei o verbo valer e não custar, porque no final o que faz um produto ser caro ou barato é a percepção de valor atribuída para aquele produto em específico.

Antes da Amazon, da Apple, do Google e da Kobo, as editoras brasileiras já produziam livros digitais e os disponibilizavam por meio das livrarias nacionais, mas foi só após a entrada dessas estrangeiras que o mercado verdadeiramente se estruturou e passou a compreender e-book como produto. O problema é que o leitor já tinha entendido que existia o e-book e viu que o mesmo estava sendo desprezado por aqueles que o produziam e o distribuíam. Se quem quer vender não acha lá grande coisa, porque eu, consumidor, deveria achar que esse produto vale algo?

Bom, acho que agora você deve estar pensando: é, agora nos resta abaixar para o preço que o consumidor considera justo [ou que eu acho que o consumidor considera justo, também conhecido como R$9,90 ou pechincha]. E lá vou eu discordar de você, porque eu sou assim, teimosa. Mas além de teimosa eu sou uma leitora de livros digitais e eu verdadeiramente acredito que o e-book tem seu valor e seu espaço no mercado. Já vi, muitas vezes, pessoas mudando de opinião a respeito de e-books depois de superarem preconceitos. Portanto, o que eu gostaria de deixar com este texto é um questionamento para vocês, responsáveis pelo marketing de e-books. Na próxima campanha elaborada para divulgar livros digitais, pense com carinho: qual é o valor que está sendo atribuído ao seu produto? Não se enganem, o consumidor não é sensível só a preço.

Lúcia ReisPor Lúcia Reis | Publicado originalmente em Colofão | 10/06/2015

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense, trabalha com livros digitais desde 2011 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

Pesquisa mostra como estudantes usam smartphones para estudar


Pesquisa realizada pela rede colaborativa para estudantes universitários Passei Direto traz levantamento sobre comportamento de estudantes em relação ao uso de smartphones. Segundo o estudo, 94,5% deles têm acesso à internet pelo celular, e somente 5,2% deles não possuem smartphone. A pesquisa apontou também que os jovens têm preferência pelo sistema Android, com 68% de usuários; em seguida vem o iPhone com 17%. A maioria, 64%, prefere acessar aplicativos pelo smartphone, e apenas 24,5% acessam sites também.

A enquete foi realizada entre junho e agosto deste ano com 2.143 universitários do norte ao sul do país. Os dados foram coletados pela SurveyMonkey, principal fornecedor mundial de soluções de questionário pela web e que permite análises estatísticas das respostas coletadas. De acordo com Rodrigo Salvador, gestor e criador da rede Passei Direto, o assunto é atual e relevante. “Decidimos fazer a pesquisa devido à importância que os celulares ganharam na vida das pessoas, por sua versatilidade como veículo de informação e interação coletiva. Além disso, faltam fontes de dados secundários sobre este tema“, explica.

A pesquisa confirmou que o uso da internet para estudar e a formação de grupos on-line para ajudar nas tarefas acadêmicas é um hábito consolidado entre os estudantes. 87% dos universitários afirmaram que fazem pesquisa on-line e 61,5% não fazem anotações das matérias em sala de aula. 22% estudam em grupo e 13% trocam informações por WhatsApp. Antes de uma prova, 58% acessam seus aparelhos inteligentes. Veja mais dados da pesquisa no infográfico abaixo.

A Passei Direto é uma rede social de estudos para universitários, que apresenta uma nova maneira de estudar. No ar há 1 ano, tem mais de 2 milhões de usuários de todas as universidades do Brasil. Por meio da rede, os usuários podem trocar dicas, compartilhar materiais de estudo, mensagens e oportunidades de estágios, além de tirar dúvidas e debater assuntos de todas as disciplinas, cursos e universidades.

Publicado originalmente em Correio Braziliense | 07/10/2014

Entrevista: ‘Lojas de livros não conseguirão sobreviver’


Jason Merkoski, ex-evangelista da Amazon, diz que livros de papel se tornarão raros como discos de vinil

Jason Merkoski trabalhou no desenvolvimento do primeiro Kindle e é autor do livro “Burning the page: The eBook Revolution and the Future of Reading”. FOTO: Divulgação

Jason Merkoski trabalhou no desenvolvimento do primeiro Kindle e é autor do livro “Burning the page: The eBook Revolution and the Future of Reading”. FOTO: Divulgação

SÃO PAULO – “As pessoas da Amazon não se importam realmente com o que você quer como consumidor.” A frase soa surpreendente ao sair da boca de Jason Merkoski, primeiro evangelista [responsável por disseminar novas tendências] da Amazon e um dos membros da equipe que desenvolveu o primeiro leitor de livros digitais Kindle, lançado em 2007.

Fundador da startup Bookgenie451, criadora de um software que identifica interesses de leitura de estudantes para recomendar livros didáticos, Merkoski mistura otimismo com alguma cautela quando o assunto são livros digitais.

Na quinta-feira, 21, ele vem ao Brasil participar do 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, em São Paulo, no qual vai falar sobre a sua obra Burning the page: The eBook Revolution and the Future of Reading [ainda sem título em português], na qual decreta o fim do livro impresso.

Ao Link, ele deu mais detalhes sobre as mudanças e problemas que prevê para o mercado editorial. Confira os principais trechos.

Você decreta o fim dos livros impressos em sua obra, mas as vendas de tablets e leitores digitais começam a se estabilizar sem que isso tenha acontecido. O que falta para o livro digital se popularizar?

O que mais influencia a popularidade é a seleção de títulos. O que vimos acontecer nos EUA e Japão é que, uma vez que as pessoas consigam encontrar 80% dos títulos que buscam no digital, a chance delas migrem para e-books é de 100%.

Quanto tempo demora para essa mudança acontecer?

Cerca de três anos depois que os livros digitais estão disponíveis em um país.

Serviços de streaming podem ajudar nessa popularização?

O problema de serviços de streaming como o da Amazon é que eles têm vários livros no catálogo que as pessoas não querem ler. Um dos desafios é definir um modelo de preços para e-books, que hoje não existe. Até isso ser feito será difícil tornar o streaming uma experiência satisfatória e o seu custo sustentável.

Você esperava esses impactos quando ajudou a criar o Kindle?

Como indústria, acho que revolucionamos o mercado editorial, o que é assustador e maravilhoso ao mesmo tempo. Como dono de uma empresa de livros digitais, digo que é muito difícil trabalhar com editoras hoje, porque o mundo delas está em colapso. É como se elas estivessem no Titanic após bater no iceberg, sem coletes salva vidas, com o barco pegando fogo e naves alienígenas atirando contra o barco. As editoras estão confusas e com medo.

Teremos problemas com a coleta e uso de dados sobre nossos hábitos de leitura?

Certamente. Não vai demorar para começarmos a ver propagandas dentro dos e-books. Mas não estou realmente preocupado com o que a Amazon e o Google vão saber sobre mim porque acho que já aceitei que, inevitavelmente, eles saberão das coisas de algum jeito.

Esses dados também geram recomendações de leitura. Essa facilidade pode ter um lado ruim, como afastar o leitor de clássicos em prol de best-sellers?

Algum conteúdo poderá ser negligenciado com toda certeza. O problema de livros clássicos é que eles não são sexy e não são promovidos na página de entrada da Amazon porque a empresa não vai ganhar dinheiro com eles. O que menos gosto da virada do livro para o digital é a cultura do momento. Recomendamos apenas coisas atuais. Ferramentas de recomendação precisam melhorar.

Você já declarou em entrevistas que é difícil amar a Amazon…

Acho que o papel das empresas maiores não é estar na minha cara enquanto eu estou lendo. Elas podem ser mais sutis e acredito que esse é um papel que a Amazon faz mal. Hoje os varejistas conseguem aprender quem você é. Seria interessante se essas informações fossem repassadas para as editoras criarem conteúdo. Mas os varejistas retêm todos os dados. É por isso que o sistema está quebrado.

O que acontecerá com a palavra escrita?

Eu realmente acho que o futuro da palavra escrita é ser falada, porque a escrita é devagar. Os livros do futuro serão falados porque tudo gira em torno da fala hoje em dia. Aparelhos como o iPhone, com a Siri, permitem que você fale ao telefone o que você quer fazer.

Acredita que bibliotecas e livrarias vão mesmo acabar?

Não acho que o futuro será bom. Meus estudos mostram que nos últimos três anos os alunos gastaram 70% menos tempo nas bibliotecas das universidades. Onde eles estão pegando informação? Na Wikipédia ou em sites. As lojas de livros não conseguirão sobreviver e vão desaparecer. Sobrarão apenas algumas, especializadas em livros impressos, como as que vendem discos de vinil. Vão permanecer no mercado Google e Amazon, infelizmente. Conheço as pessoas da Amazon. E elas não se importam com o que você quer como consumidor. Elas se importam em como conseguir mais lucro. Uma maneira de fazer isso é empurrando livros populares, negligenciando outros. E infelizmente as pessoas vão aceitar. A curadoria de títulos está na mão dos varejistas.

Por Ligia Aguilhar | Publicado em LINK | 17 de agosto de 2014 21h38

Aplicativos levam leitura dinâmica à era digital


A leitura dinâmica surgiu há mais de meio século, mas novos aplicativos estão trazendo a técnica à era digital, ajudando usuários a ler livros mais rápido.

O ReadMe!, novo aplicativo para iPhones, permite aos usuários controlar o ritmo da leitura de 50 para 1 mil palavras por minuto.

“É sobre ser capaz de ler um livro como ‘Harry Potter’ em uma hora e meia e ainda assim ter a completa compreensão”, disse Pierre DiAvisoo, que criou o aplicativo com sede em Boras, na Suécia.

Os leitores selecionam um e-book no aplicativo, que está disponível para o mundo todo e custa 1,99 dólares. Depois de abrir a tecnologia de leitura dinâmica, aparece uma palavra de cada vez. O aplicativo não trabalha com e-books que têm restrições de compartilhamento.

Em alguns minutos, os leitores podem aprender a dobrar sua velocidade de leitura para cerca de 400 e 450 palavras por minuto sem perder a compreensão, de acordo com a Spritz, companhia sediada em Boston que criou a tecnologia de leitura rápida.

“A leitura não mudou em milhares de anos. As técnicas de leitura dinâmica ainda estão focadas em consumo de textos em linhas e na leitura da esquerda para a direita, linha por linha”, disse Frank Waldman, presidente-executivo da Spritz.

Ele acrescentou que a tecnologia combina apresentação visual rápida e em série [RSVP, na sigla em inglês], com busca visual para apresentar palavras com reconhecimento ideal para um entendimento rápido.

Enquanto as pessoas passaram a ler em aparelhos pequenos, e até mesmo em relógios inteligentes, Waldman disse que a Spritz será o jeito mais conveniente de absorver informação.

Mas um pequeno estudo da Universidade de San Diego, na Califórnia, mostrou que a leitura dinâmica pode não levar ao mesmo nível de compreensão que uma leitura normal, porque é mais difícil de voltar para esclarecer o entendimento.

O estudo, que não inclui a tecnologia Spritz, mostrou que a compreensão era cerca de 25 por cento menor usando a técnica RSVP. Mas uma pesquisadora da universidade adicionou que se as pessoas só precisam absorver conteúdo rapidamente, os aplicativos podem ser benéficos.

Spritz também tem um aplicativo para todos os navegadores da Web chamado Spritzlet, que permite aos usuários ler mais rapidamente na web. Vários outros aplicativos de leitura de velocidade também usam a tecnologia Spritz.

Velocity, um aplicativo para iPhone que custa 2,99 dólares, e ReadQuick, que custa 9,99 dólares, usam RSVP, assim como o Speed Reader, um aplicativo gratuito para dispositivos Android.

Terra | 23/06/2014

Aplicativos de leitura dinâmica chegam a dispositivos


A leitura dinâmica é uma prática antiga, mas, com o avanço da tecnologia, promete se tornar muito mais popular nos próximos anos. A técnica, aliada a novos aplicativos, promete a leitura de textos de maneira muito mais rápida, sem prejuízo da compreensão. Em média, os desenvolvedores defendem que, com estes sistemas, é possível ler textos com uma velocidade até quatro vezes maior.

Novidades

No último mês, a empresa norte-americana Spritz se tornou destaque na imprensa internacional após apresentar um software que promete a leitura de livros em alguns minutos. A técnica apresentada consiste em mostrar as palavras em uma sequência muito rápida, mas na mesma posição. Com isso, dizem os desenvolvedores, é possível evitar a movimentação dos olhos, além da “vocalização mental” [quando “falamos” os textos para nós mesmos, mentalmente], o que tornaria a leitura muito mais rápida.

Esta técnica é conhecida como RSVP, sigla em inglês para “apresentação visual rápida e em série”. Embora não seja uma novidade, a Spritz fez adaptações que permitem que a RSVP possa ser utilizada em dispositivos que têm telas pequenas, algo até então impraticável.

Proposta

Segundo Frank Waldman, fundador da Spritz, a utilização da RSVP em pequenos dispositivos também facilita a vida na hora do manuseio. De acordo com o executivo será possível, por exemplo, ler e-mails através de relógios inteligentes, enquanto nos deslocamos entre um lugar e outro.

A proposta de leitura dinâmica de longos textos tem causado também alguma polêmica. Isso porque, no caso específico dos livros [especialmente aqueles que lemos por hobby, não por obrigação], a leitura é considerada uma experiência sensorial, não apenas uma maneira de assimilar informação. Por isso, o próprio Waldman defende que os novos aplicativos de leitura dinâmica devem ser utilizados para acelerar tarefas rotineiras, como a leitura de e-mails de trabalho. Assim, teríamos mais tempo para outras atividades, incluindo a leitura calma de um livro.

Dispositivos

A Samsung já anunciou que utilizará a tecnologia da Spritz em dois de seus dispositivos: o relógio inteligente Gear 2 e o smartphone Galaxy S5. Os usuários de dispositivos da Apple já podem utilizar o Velocity, para iPhone, que também utiliza a técnica RSVP.

Funcionamento da técnica

Segundo Juarez Angelo Lopes, professor de leitura dinâmica, os softwares se utilizam de uma técnica muito similar àquela que ele ensina para seus alunos. Contudo, no caso da leitura dinâmica “analógica”, é necessário algum guia físico, como um lápis ou a própria mão.

O escriturário de cartório Pedro Sant’Anna, que alega ler mil palavras por minuto [valor considerado uma espécie de limite físico], testou os aplicativos e confirmou a eficiência da técnica. Para ele, além da absorção de informação ser parecida, há um conforto maior ao se ler desta maneira em dispositivos eletrônicos.

Keith Rayner, professor de psicologia da Universidade da Califórnia, também defende a utilização destes aplicativos. Contudo, ele defende que os livros continuem a ser lidos da maneira tradicional, pois esta técnica de leitura dinâmica é limitada quando tratamos de textos mais longos.

Notícias BR | 26/03/14

Amazon dribla IOF, cobra em real e tenta ganhar mercado no Brasil


Instalada no país desde novembro, loja de aplicativos também oferece aos clientes o ‘app grátis do dia’

SÃO PAULO. No Brasil, desde novembro passado, a Amazon Appstore tenta driblar a concorrência no mercado de aplicativos para smartphones e tablets com vendas feitas em moeda local e a oferta de um aplicativo gratuito por dia. O mercado de distribuição de aplicativos é hoje dominado pela Apple, que controla as transações em Iphone e Ipad, e pela Google Play, voltada para a plataforma Android. Para Robert Williams, diretor mundial da Amazon Appstore, as transações em reais evitam “surpresas” no preço final pago pelo consumidor e são um dos maiores diferenciais da empresa em relação às concorrentes.

— O preço que os consumidores vêem é o preço que eles pagam pelos aplicativos. Sem surpresas. Eles não têm de arcar com os 6,38% de Imposto sobre Operações Financeiras [IOF] e nenhum outro acréscimo no cartão de crédito de quando se compra em dólar— disse Williams nesta segunda-feira em São Paulo.

A Amazon Appstore é voltada para smartphones com plataforma Android, disputando o mercado com o Google Play. O executivo não divulga dados dos negócios feitos no Brasil, mas se diz otimista com o resultado obtido nos últimos dois meses.

— Nosso objetivo inicial era criar uma empresa local de aplicativos e operar como uma empresa local no Brasil. Era entender os consumidores e os desenvolvedores brasileiros. Não é uma tarefa simples. Nós tivemos muito o que aprender sobre o Brasil e as leis fiscais.

O executivo da Amazon confirmou que tem buscado parceria com as empresas de “startup” brasileiras.

— Sim. Definitivamente. Nós vemos nisso uma oportunidade para que desenvolvedores brasileiros fiquem conhecidos— disse ele, afirmando que, com a inserção inteernacional da Amazon, fica mais fácil para que o conteúdo das empresas brasileiras seja replicado ao redor do mundo.

Willians destacou ainda que muitos dos desenvolvedores brasileiros têm ganhado espaço internacional trabalhando com a Amazon. Um exemplo citado pelo executivo é o da Tapps, empresa de aplicativos funcionais e jogos. Outro exemplo citado pela empresa é a Mobjoy.

— Estamos satisfeitos com a reação dos consumidores e também com a dos desenvolvedores, com quem temos nos relacionado há mais tempo, cerca de nove meses. Nós levamos muitos deles para nosso catálogo internacional (de aplicativos)— disse Williams, destacando ainda que o conteúdo e explicações sobre os aplicativos são apresentados em português para os clientes do país.

Em encontro com jornalistas na Amazon em São Paulo, Williams destacou ainda a oferta de aplicativos gratuitamente na loja.

— Nós temos uma característica única, que é o aplicativo grátis do dia. Desde que começamos, em novembro de 2011, oferecemos mais de 1580 aplicativos gratuitamente; e o valor desses aplicativos somados é de aproximadamente US$ 3,6 mil.

Um outro ponto defendido pelo diretor da Appstore é que todos os aplicativos _ cerca de 100 mil disponíveis na Amazon_ são testados previamente, sendo “livres de vírus ou de malware”.

Questionado sobre como os desenvolvedores veêm os brasileiros que não têm o hábito de pagar por aplicativos, que preferem os gratuitos, Williams afirmou:

—Nós entendemos que brasileiros são brasileiros, que fazem coisas como todos os demais e que fazem coisas de modo diferente. Esse é outro aspecto que temos de olhar sob uma perspectiva de longo prazo. É um processo.

Sobre a vantagem da Google Play, de ter a loja já instalada na maioria dos aparelhos Android, Williams disse que a estratégia da empresa é fazer com que os clientes vejam que têm uma escolha, com características e benefícios diferentes.

— Nosso grande desafio foi criar para o cliente um meio que facilitasse a instalação da appstore e dos aplicativos. Na Amazon, os clientes podem usar moeda local, cartão de crédito, e o preço que eles pagam é exatamente o que está na loja, sem surpresas, sem cobrança extra.

Por Tatiana Farah | Publicado em Globo.com | 28/01/14, 17h28 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Manuscrito de ‘Frankenstein’ ganha vida em arquivo online dos Shelley


Objetivo do site é reunir todos os manuscritos conhecidos de Percy e Mary Shelley

Página do manuscrito de ‘Frankenstein’, de Mary Shelley The New York Public Library/Shelley-Godwin Archive  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/manuscrito-de-frankenstein-ganha-vida-em-arquivo-online-dos-shelley-10614320#ixzz2jKEIN61q  © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Página do manuscrito de ‘Frankenstein’, de Mary Shelley The New York Public Library/Shelley-Godwin Archive

NOVA YORK — “Frankenstein”, de Mary Shelley, escrito durante o verão de 1816, já inspirou incontáveis peças, filmes, quadrinhos e aplicativos de iPhone. Agora o manuscrito original se tornou a peça central da primeira fase do Arquivo Shelley-Godwin, um ambicioso projeto digital que entra no ar neste Dia das Bruxas.

O arquivo, cuja abertura será celebrada com um evento nesta quinta-feira na Biblioteca Púbica de Nova York, é resultado de uma colaboração entre essa biblioteca e o Maryland Institute for Technology, com contribuições de várias outras entidades. O objetivo é reunir todos os manuscritos literários de Percy Bysshe Shelley e Mary Shelley, sua segunda esposa, assim como os pais de Mary, William Godwin e Mary Wollstonecraft — a “primeira família da literatura inglesa”, como o arquivo classifica.

O manuscrito de “Frankenstein”, propriedade da biblioteca Bodleian de Oxford, é ele mesmo uma espécie de monstro reconstruído, explica Neil Fraistat, um dos líderes do projeto. Ele é composto principalmente de dois cadernos de notas escritos por Mary, com comentários de Percy. No site, os internautas podem apertar um botão para ver apenas as palavras escritas por um ou pelo outro.

Fraistat conta que durante seu relacionamento, as letras de Percy e Mary foram se tornando cada vez mais parecidas, dando origem a debates sobre que era responsável por quais trechos. Em “O homem que escreveu Frankenstein”, publicado em 2007, John Lauritsen chega a dizer que Percy é o verdadeiro autor do livro, com Mary, na época uma adolescente, servindo apenas como copista, trabalho que ela costuma fazer para ele.

Para Fraistat, o arquivo digital dará a pesquisadores e fãs comuns uma ligação direta com a colaboração literária dos Shelley. Ele ressalta dois momentos em particular nos quais Percy deixa de lado o papel de editor e se dirige à mulher de forma mais intima. Num deles, corrige a ortografia de “enigmatic”, usando um de seus apelidos favoritos, “pecksie”. Ela chamava o marido de “Elf”.

A próxima fase do arquivo online, financiado com uma verba de US$ 300 mil, trará manuscritos de “Prometheus Unbound” e cerca de 30 páginas de cadernos de Percy Shelley. Alguns deles, afirma Fraistat, revelam a influência Mary no trabalho do marido.

Era uma colaboração de mão dupla”, diz. “Não era apenas ele supervisionando o trabalho dela.”

O Globo | 31/10/2013 | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

15 truques para você usar [de verdade] seu Kindle


Por: Nadiajda Ferreira | Publicado originalmente em GIZMODO Brasil | 20 de outubro de 2013, às 14:15

O mercado brasileiro de livros eletrônicos ainda está engatinhando e em breve [torçamos] será expressivo a ponto de a compra de e-books se tornar financeiramente vantajosa para o consumidor. Mas a praticidade dos leitores digitais é um fato: você pode dispensá-la, mas negá-la é complicado.

A discussão sobre o futuro do livro físico e sua pretensa obliteração pelo formato digital já está desgastada, mas é bom não esquecer que boa parte dos leitores está [e permanecerá] em cima do muro: mesmo tendo adquirido leitores digitais, eles não deixaram de comprar livros físcos. De modo que o apocalipse do livro de papel pode ser adiado em alguns anos.

Se você não é o tipo de pessoa que vai perder essa mão na roda só pra levantar a bandeirinha do tradicionalismo sem limites, é possível que já tenha optado ou esteja pensando em optar por um Kindle. Embora os dois modelos disponíveis hoje no Brasil sejam simples e não sigam a regra do device-que-faz-absolutamente-tudo-que-você-precisa-na-sua-vida, os leitores digitais da Amazon guardam alguns segredinhos nem tão secretos assim e descobri-los vai facilitar a sua vida. Ainda mais.

1. Hora de criar a sua biblioteca digital

A maioria das pessoas compra o leitor digital com um só objetivo: ler livros. Se você [secretamente, claro], já parou para pensar no seu consumo de literatura como uma dependência grave e passível de tratamento, prepare-se para alcançar um pouquinho de redenção ao adquirir um Kindle: os livros digitais são um pouco mais baratos, você poderá ler no transporte público sem precisar fazer malabarismo para equilibrar um calhamaço numa mão só, vai carregar menos peso e se o livro acabar no meio do caminho, não tem problema: tem mais alguns bem ali. Embora a oferta brasileira de e-books ainda não seja uma maravilha e o preço das versões eletrônicas não apresente grandes vantagens sobre as edições físicas, o leitor digital ainda representa economia. Sabe aquele monte de arquivos de livros que você acumulou a vida inteira no seu HD, jurando que um dia iria ler mesmo com toda a canseira causada pela tela do computador? Então, amigo, chegou a hora de colocar toda essa biblioteca alternativa no Kindle. Se você é essa pessoa equilibrada que não passou anos acumulando arquivos, parabéns. E meus pêsames, porque isso vai mudar agora mesmo.

Calibre é a ferramenta mais utilizada para converter arquivos para .mobi, o formato nativo do Kindle. Basta fazer o download do programa e ta-dam, é possível converter todos aqueles livros não lidos ou mezzo lidos e passá-los para o seu leitor via USB. Só que além de exigir que você faça as conversões e coloque os arquivos dentro do device no muque, o Calibre não é a ferramenta mais bonita e amigável que você verá na sua vida. Pra ser bem realista, ele é o tipo de software que sua tia [sim, a que te envia aqueles PPTs com mensagens de amor e esperança ilustradas com fotos de gatinhos e desenhos de artistas especialmente inaptos] criaria se ela fosse desenvolvedora.

Se você usa várias máquinas e não está na vibe de baixar um programa de conversão, nada tema: existem as opções que não precisam de instalação. O Cloud Convert e o Online Convert podem ser usados direto no site e transformam seus livros e documentos em arquivos .mobi, prontinhos para serem lidos no Kindle.

Mas tem um jeito ainda mais fácil: a própria Amazon oferece um software para desktop que envia seus arquivos para o Kindle e você pode baixar as versões para PC e Mac aqui. Depois de instalar, é só clicar com o botão direito do mouse sobre um arquivo e aparecerá a opção “Send to Kindle”. O programa faz a conversão do documento para .mobi, mas pode demorar para que ele chegue ao seu leitor.

2. Organize sua biblioteca digital como você quiser

Você pode organizar seus livros digitais de duas maneiras: deixando uma lista de livros na sua tela inicial [as opções de exibição são por mais recentes, por título ou por autor] ou criando coleções. Se você tem mais de 20 livros no seu Kindle, a melhor opção para fugir da insanidade organizacional são as coleções.

O mesmo livro pode estar dentro de diferentes coleções, de modo que se seu nível de TOC for alto, é possível criar múltiplos grupos com diferentes divisões: por autor, por gênero, por língua, por tema e o que mais der pra inventar. Se optar pelas coleções, o Kindle sempre vai manter no alto da tela a última coleção na qual você entrou. Assim, uma ideia é criar três coleções funcionais: a de livros lidos, a de livros que você está lendo e a de livros a serem lidos, e manter as duas últimas no topo da lista. Dois lembretes importantes: excluir as coleções não exclui os arquivos de livros ou documentos contidos nelas; se acontecer alguma coisa com seu Kindle e você tiver que adquirir outro, a conta da Amazon continuará sendo a mesma e seus livros estarão lá. Mas as coleções vão sumir e [sim, é uma tristeza] será preciso organizar tudo de novo.

3. Envie textos do seu navegador direto para o Kindle

Você está aproveitando seus cinco minutos de internet e de repente encontra um artigo legal. Você poderia lê-lo, mas coisas incômodas como trabalho, obrigações ou responsabilidades são impedimentos. Suas opções são deixar o link aberto no navegador [e depois fechar todas as abas sem querer], favoritá-lo [e esquecer pra sempre], mandar pra você mesmo por e-mail [e nunca ler] ou usar uma ferramenta de curadoria de links [e acumular mais artigos do que poderia ler numa vida inteira, mesmo se passasse 24 horas por dia fazendo isso]. É possível acreditar em pequenos milagres quando o staff das principais ferramentas de armazenamento de favoritos tem a epifania de se integrar com o Kindle.

Instapaper, um dos mais conhecidos sites de favoritos, disponibiliza o envio dos textos salvos para o seu Kindle. Eles vêm num só arquivo e dá para escolher a periodicidade e quantidade de artigos enviados, mas não espere um grande primor da arte da diagramação. Ele também não permite a visualização de imagens e não dá pra adicionar o arquivo de artigos a uma das suas coleções.

Readability é um complemento para navegador que também guarda seus links para leitura posterior. A opção de envio de artigos para o Kindle cria documentos minimalistas e oferece aquela que provavelmente é a melhor experiência de leitura de artigos no Kindle, embora o envio de imagens também seja um problema.

A Amazon não perdeu tempo e criou seu próprio complemento para enviar artigos do browser, o Send to Kindle. Ele tem até um botão que você coloca no seu site ou blog para que os leitores possam enviar os artigos diretamente para seus dispositivos. Acontece que o Send to Kindle é temperamental, trava muito e às vezes simplesmente não simpatiza com um artigo e não o envia a não ser após várias tentativas.

Algumas aplicações para navegador foram criadas especialmente para o device, como o Push to Kindle, e reza a lenda que ele é o mais funcional de todos. Lembre-se de que para utilizar esses complementos é necessário colocar os e-mails deles na lista autorizada a enviar material para o seu Kindle. Para fazer isso, entre na sua conta da Amazon e acesse as “Configurações de Documentos Pessoais”.

4. Envie arquivos para o seu Kindle por e-mail

Você também pode enviar arquivos para o seu Kindle por e-mail. Para isso, entre na sua conta da Amazon e clique na opção “Gerencie seu Kindle”. Depois, à esquerda da tela, entre em “Configurações de Documentos Pessoais” e adicione os endereços de e-mail que poderão mandar conteúdo para o seu aparelho. Os arquivos que forem enviados de outros e-mails serão descartados. Depois de fazer a configuração, é só anexar um arquivo [no formato .mobi] e mandar ver. Um truque: se o arquivo for um PDF, você pode enviá-lo no formato original, mas alguns PDFs ficam ilegíveis no Kindle. Então coloque a palavra “convert” no título do e-mail e ele será convertido automaticamente. Só que pode demorar e nem sempre dá certo.

5. Leia seus feeds favoritos no Kindle

Do vício em livros para o vício em blogs é um pulo. Dá para ler alguns dos seus feeds preferidos no leitor digital usando o Kindle4rss, que monta uma revistinha com o conteúdo que você acompanha. A versão gratuita permite a assinatura de até 12 feeds com 25 artigos por edição, mas é preciso que você coloque o conteúdo manualmente no seu Kindle. A versão paga custa $1,90 por mês, oferece até 300 assinaturas com número ilimitado de artigos por edição e ainda envia os arquivos automaticamente para o aparelho.

6. Acesse o conteúdo do seu Kindle em outros aparelhos

Aí a bateria do Kindle acabou numa situação em que não dá pra recarregar bem quando você pretendia continuar uma leitura. Não precisa chorar: é possível acessar o conteúdo do seu Kindle em outros devices através de aplicativos disponibilizados pela Amazon. Tem pra iPhone, iPod Touch, iPad, Android, tablet Android e tablet com Windows 8.

7. Seus arquivos e a nuvem da Amazon

Nem todos os arquivos que você coloca no Kindle ficam guardados nos servidores da Amazon. Tudo aquilo que você compra ou envia para o Kindle via e-mail ou complementos de navegador fica armazenado tanto no aparelho como na nuvem da Amazon. No entanto, os arquivos que são colocados no Kindle via cabo USB ficam somente no aparelho. Se acontecer alguma coisa com seu device, eles se perdem.

8. Use o Kindle para ler quadrinhos

O Kindle e o Kindle Paperwhite não são os devices ideais para a leitura de quadrinhos, tanto pelo tamanho da tela como pela ausência de cores. Mas se a vontade for maior que o juízo, sempre há um jeitinho.

Pelo site da Amazon é possível baixar gratuitamente o Kindle Comic Creator, um software que permite que os quadrinistas criem HQs em .mobi para vendê-las no site. Você pode baixá-lo e converter as HQs que estão no seu computador, só que como o foco da ferramenta não está nos usuários, mas nos criadores, utilizá-la não é fácil nem rápido.

Já o Mangle foi criado com o objetivo de tornar a leitura de mangás possível no Kindle. Como os mangás costumam ter um formato menor que o dos comics americanos e geralmente são em preto e branco, a experiência não fica muito prejudicada.

9. Coloque uma senha no seu Kindle

Digamos que você seja Professor Doutor em Literatura Russa, resolva ler Crepúsculo [só para entender o fenômeno, lógico] e não queira que ninguém descubra para evitar situações academicamente embaraçosas. Simples: coloque uma senha no seu Kindle. Tanto o modelo simples quanto o Paperwhite oferecem em seus menus de configurações a opção de criar uma senha numérica para o dispositivo.

10. Quanto mais línguas, mais dicionários

O Kindle já vem com dicionários, mas quem é poliglota ou está estudando outras línguas pode adicionar mais alguns. Aqui você encontra dicionários já no formato nativo do leitor da Amazon.

11. Faça backup do seu arquivo de anotações

O Kindle permite que você faça marcações e notas nos seus livros. Essas anotações ficam armazenadas num documento que seu Kindle chamará de “Meus Recortes”. É sempre bom fazer o backup periódico desse arquivo, que fica na pasta raiz do aparelho, para que as suas informações estejam sempre atualizadas. Outra dica é: você pode sincronizar os dados para que o documento esteja disponível em todos os devices nos quais você utiliza a plataforma Kindle. Para fazer isso, vá até as configurações e se certifique de a opção “Backup de anotações” está ligada. Você também pode ver os trechos que as pessoas mais destacam nos livros e permitir que suas notas sejam vistas pelas pessoas que você segue na Amazon: basta entrar nas suas configurações e ligar as opções “Destaques Populares” e “Notas públicas”.

12. Use seu Kindle para revisar textos

Muita gente acha melhor imprimir documentos para revisá-los. Você pode repassar seus textos no Kindle, economizar papel e contribuir para a vida das arvorezinhas. Envie o documento a ser revisto para o seu Kindle e faça as correções usando as ferramentas de notas e marcações.

13. Um sistema operacional alternativo para o Kindle

Uma pequena empresa chinesa decidiu que não tem medo do Jeff Bezos e desenvolveu o Duokan, nada menos que um sistema operacional alternativo para o Kindle. Ele permite que o Kindle leia ePub, o formato padrão de e-books, que é mais compacto que o .mobi. O Duokan também conta com um auto-ajuste para arquivos PDF. Agora a dura verdade: a instalação do sistema é por sua conta e risco: se tudo der certo, seu Kindle fica tunado. Se der errado, ele vai virar um belíssimo peso de papéis. Além disso, com a instalação do Duokan, o Kindle deixa de receber as atualizações de software da Amazon.

14. Screenshots no Kindle Paperwhite

No Kindle Paperwhite é possível tirar screenshots tocando as extremidades opostas da tela, como mostra este vídeo. O arquivo vai para a pasta raiz do aparelho.

O Paperwhite também permite que você faça uma pesquisa na Wikipedia Inline a partir de uma palavra do texto. Quando a palavra for pesquisada, abaixo da definição vai aparecer um botão “Mais”: clicando nele, você será encaminhando para a definição do termo no site.

15. Pequenas funcionalidades, grande ajuda

O Kindle permite que você personalize algumas configurações do arquivo que você está lendo: é possível mudar o tamanho da fonte e o espaçamento entre as linhas, além de rotacionar a tela e, em alguns arquivos, usar o zoom.

Apesar de o Kindle manter os livros digitais na página em que você os deixou, se quiser ficar fuçando pra lá e pra cá no arquivo [o Kindle não tem numeração de página: ele usa um sistema de porcentagem de leitura], é possível criar um marcador. É só ativar o menu, clicar na opção “Marcador de Página” e vai aparecer uma dobrinha digital no canto da página em que você estiver.

Você também pode compartilhar suas notas e destaques via Twitter ou Facebook ativando as redes sociais na parte de configurações do aparelho. Essa funcionalidade só está disponível para os livros comprados na Amazon.

O Kindle é feito para ser carregado via USB através do computador, mas você também pode carregá-lo direto na tomada, desde que compre um adaptador para USB ou use um carregador compatível [dica: o do iPhone 5 funciona perfeitamente].

No menu do Kindle há a opção “Experimental”, que oferece um navegador beta. Você pode experimentá-lo e enviar a sua opinião para que a Amazon o aperfeiçoe.

Recentemente a Amazon liberou o serviço de atualização automática de livro. Se você ativá-la na sua conta, os livros recebem atualizações caso a editora opte por substituir a edição que você comprou por uma versão aperfeiçoada.

Agora você não tem mais desculpa para não dar um jeito no seu Kindle. Se você conhece outros truques, compartilhe nos comentários!

Por: Nadiajda Ferreira | Publicado originalmente em GIZMODO Brasil | 20 de outubro de 2013, às 14:15

Amazon lança leitor ‘top’ e cresce com promoções no Brasil


A Amazon começa a vender hoje no Brasil seu modelo mais avançado de leitor eletrônico, o Kindle Paperwhite, com tela iluminada e sensível ao toque.

Passa a oferecer também a opção com 3G gratuito, sem mensalidade, que permite baixar livros a qualquer momento, de qualquer lugar.

O aparelho sai por R$ 479 [com wi-fi] ou R$ 699 [com wi-fi e 3G] no pontofrio.com.br, na Livraria da Vila e em quiosques em shoppings no Rio e em São Paulo. Na importação pelo site americano, com taxas, sairia por R$ 620 ou R$ 851.

“Deixamos de ganhar no aparelho para ganhar na venda de e-books”, diz Alex Szapiro, vice-presidente da Amazon Kindle. Os aparelhos da concorrente canadense Kobo custam de R$ 289 a R$ 449.

Até hoje, a Amazon só vendia por aqui, a R$ 299, seu modelo mais simples, sem tela sensível ao toque nem iluminação interna. Com o Paperwhite, espera melhorar seu desempenho no país.

O lançamento ocorre após o início de uma série promoções semanais, de até 70% -definidas caso a caso com as editoras, segundo Szapiro-, com as quais a Amazon vem crescendo no mercado.

“Crash” [LeYa, 2011], de Alexandre Versignassi, por exemplo, passou de R$ 27,99 para R$ 9,90 na sexta-feira, pulando da 800ª posição para a 11ª na lista da Amazon em menos de 24 horas. Com isso, tornou-se o segundo e-book mais vendido da LeYa nos últimos sete dias, consideradas as vendas em todas as lojas.

RANKING

Os primeiros meses de operação no Brasil foram difíceis para a varejista. Ela estreou em dezembro, junto com a Kobo [parceira da Livraria Cultura] e a venda de e-books nacionais pelo Google Play.

Por semanas, penou o penúltimo lugar entre as grandes do gênero no Brasil, à frente só da Kobo/Cultura. A Apple, que entrou nesse mercado em outubro, sempre manteve a liderança com folga.

Recentemente, a Amazon deixou para trás o Google e a Saraiva. No geral, é a segunda loja que mais vende no país.

Sua estratégia, avaliam editores, é ganhar mercado no chamado fundo de catálogo, com livros mais antigos. É mais fácil negociar descontos neles sem incomodar concorrentes.

O desafio é crescer nos lançamentos. Um problema é a proporção de aparelhos: enquanto há estimados 3 milhões de iPads e iPhones no país, o Kindle alcança só dezenas de milhares de leitores.

POR RAQUEL COZER | Publicado e clipado à partir de Folha de S.Paulo | 19/03/2013, às 03h20

Kindle ou Kobo, eis as questões


Com a chegada dos leitores da Kobo e da Amazon ao mercado brasileiro, muita gente tem se perguntado qual o melhor deles, e se vale a pena pagar R$ 100 a mais pelo Kobo Touch, oferecido pela Livraria Cultura a R$ 399. O Kindle de 4ª geração está à venda nas lojas da Livraria da Vila e no site da Ponto Frio por R$ 299. Pode parecer uma questão simples, que exige apenas uma comparação técnica entre os dois aparelhos, mas isto está longe da realidade. O processo de compra de um Kobo ou Kindle passa, na verdade, por três decisões. Vamos a elas:

Kobo vs Kindle

Kobo vs Kindle

1. A decisão entre um leitor dedicado e um tablete multifuncional

Tanto a Kobo como a Amazon oferecem aplicativos de ponta para iOS e Android. Portanto, não é necessária a aquisição de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle para se ter acesso ao catálogo de livros digitais à venda. Qualquer leitor pode comprar um livro na Amazon ou na Livraria Cultura e lê-lo em seu iPad, iPhone, tablet Android ou mesmo no computador. Quem preferir comprar na Google ou na Saraiva também poderá ler os livros em seus aplicativos para as mesmas plataformas. E, é claro, quem optar pela Apple, poderá ler sua biblioteca no iPad e no iPhone. Mas vale a pena adquirir um leitor dedicado? Esta é uma decisão que cabe a cada leitor ou consumidor. A s principais vantagens de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle são as seguintes:

  • Tela monocromática com tecnologia e-Ink, que não cansa a vista e permite leitura sob o sol, pois não possui luz própria.
  • Formato menor e mais leve que um tablete.
  • Permite uma leitura focada e tranquila sem as distrações dos tablets [veja este meu outro post]
  • Preço inferior

A desvantagem é clara: o leitor dedicado não é um tablete e, portanto, se você precisa de um equipamento para checar e-mails, navegar na net, ouvir música e jogar Angry Birds, você vai acabar com dois apetrechos na bolsa ou na mochila – a não ser que você se satisfaça em fazer tudo isso no seu smartphone. Na prática, acredito que esta decisão depende do quanto a pessoa lê normalmente. Para quem lê um livro por ano, nunca valerá a pena ter um leitor dedicado. Mas quem lê quatro livros por mês com certeza vai preferir ter um Kobo Touch ou Kindle além do tablet.

Isto leva à seguinte questão: Até que ponto o Brasil possui leitores frequentes suficientes para que haja uma demanda relevante por leitores dedicados? Ainda é cedo para dizer, mas vamos descobrir em breve. Minha impressão é que o leitor dedicado terá muito mais uma função de marketing e promoção no Brasil, ao ocupar espaço nas mãos de formadores de opinião e nas livrarias, do que uma função crucial na expansão da leitura digital. Tendo a achar que os brasileiros, que já lêem tão pouco, vão preferir ler seus e-books nos tablets – entre uma partida e outra de Angry Birds.

2. A decisão entre uma plataforma aberta e uma plataforma proprietária

Os livros digitais da Amazon [chamados pela empresa de Kindle books] só podem ser lidos em Kindles ou nos aplicativos Kindles. Os aparelhos da gigante de Seattle, por sua vez, só conseguem ler e-books em Mobi, seu formato proprietário. Sim, é possível ler PDFs no Kindle, assim como tecnicamente é possível mascar chiclete e assobiar ao mesmo tempo. Tente e descubra. Se o e-book for em formato padrão ePub e não possuir DRM [a trava anti-cópia do e-book; clique aqui para entender o DRM], é possível convertê-lo facilmente ao formato Mobi e lê-lo no Kindle como qualquer livro comprado na Amazon. O software gratuito Calibre é a melhor opção para isso. No entanto, por hora, são raras as editoras comercializando livros digitais sem DRM. A Apple também possui formato proprietário e os livros comprados na iBookstore só podem ser lidos nos aparelhinhos piscantes da empresa de Cupertino. E-pubs sem DRM, no entanto, são lidos facilmente em seu aplicativo de leitura. Sem falar que qualquer e-bookstore que se preze possui apps de leitura para iOS. Já a Kobo, a Google, a Saraiva e demais varejistas de livros digitais, possuem uma plataforma aberta e não proprietária, utilizando um controle de DRM comum, fornecido pela Adobe. Com isso, um livro comprado em uma dessas livrarias pode geralmente ser lido nos aplicativos e e-readers da outra. Por exemplo, você pode comprar um livro na Saraiva ou na Gato Sabido e lê-lo em um Kobo Touch adquirido na Livraria Cultura. Os livros digitais comprados na Google Play também podem ser transferidos para o leitor da Kobo e vários outros, como o Nook da Barnes & Noble, por exemplo. E livros comprados em outras e-bookstores no exterior, como na excelente Bajalibros da Argentina também podem ser lidos nos aparelhos e apps de empresas que optaram por um modelo de negócios não proprietário.

A vantagem de uma plataforma aberta é óbvia: você não fica dependente de um livraria apenas. A desvantagem é que estes processos de comprar e-book aqui e ler ali consomem tempo e paciência, e nem sempre funcionam 100%. Já as plataformas proprietárias, por terem sido desenvolvidas com apenas um formato e um leitor e seus aplicativos em mente, costumam ser mais robustas e confiáveis. Além disso, no caso da Amazon, é importante lembrar que a conexão em 3G oferecida nos melhores modelos, que ainda não estão à venda no Brasil, funciona perfeitamente no mundo todo. Sem pagar roaming, você abaixa amostras ou compra livros em 60 segundos do Panamá à Alemanha [já testei nos dois países].

Mais uma vez, cabe aqui ao leitor decidir entre uma plataforma proprietária e uma aberta. Ou, caso já pretenda ter um tablet e um leitor dedicado, poderá optar por um e-reader proprietário e usar aplicativos de plataformas abertas com DRM da Adobe no seu iPad ou Samsung.

3. A decisão entre o Kobo Touch e o Kindle de 4ª geração

Ao se decidir pela compra de um dos dois leitores dedicados à venda no Brasil, a primeira coisa a se considerar, como já vimos, é que o Kindle possui uma plataforma proprietária e o Kobo não. Em seguida, deve se considerar o preço. A Livraria Cultura vende o Kobo Touch por R$ 399 e a Livraria da Vila e o site da Ponto Frio vendem o Kindle de 4ª geração por R$ 299. Por que a diferença de preço? Simples: o aparelho da Kobo possui tela touch screen, enquanto o Kindle oferecido no Brasil exige que o leitor pressione botões no melhor estilo BlackBerry para ler seus livros. Na minha opinião, portanto, considerando-se apenas as diferenças técnicas entre os dois aparelhos, vale a pena colocar a mão no bolso e, por R$ 100 a mais, levar um leitor com tela sensível ao toque.

No que se refere às telas, ambos os aparelhos são praticamente iguais, ambos usando tecnologia e-Ink. Em termos de processamento, o Kindle pode ser um pouco mais rápido, mas nada que faça diferença, a não ser que alguém queira usar o e-reader para treinar leitura dinâmica.

Mas a Amazon não se gaba de sua tecnologia? Como a Kobo poderia ser melhor? Mais uma resposta no estilo “Elementar, meu caro Watson”. Na verdade, a empresa de Bezos optou por oferecer o leitor mais barato que pudesse no mercado brasileiro e, para isso, trouxe seu leitor mais simples. Da mesma 4ª geração de leitores, a Amazon oferece aparelhos mais caros com 3G e touch screen nos EUA, mas preferiu não colocá-los à venda no Brasil ainda. Em entrevista ao PublishNews, no entanto, o executivo amazônico David Naggar garantiu que todos os aparelhos chegarão ao Brasil. Quando? “A Amazon não discute planos futuros”, seria a resposta padrão.

Hoje, o melhor modelo do Kindle é o Paperwhite, um aparelho com 25% a mais de contraste que os Kindles de 4ª geração, 3G gratuito e luz embutida para leitura no escuro. Este brinquedo sai por US$ 199 nos EUA [sem publicidade], enquanto o modelo igual ao Kindle da Vila custa US$ 89 [sem publicidade] ou US$ 69 [com publicidade]. Aplicando-se uma simples regra de três, o modelo top da Amazon custaria R$ 669 no Brasil, bem acima do preço do Kobo Touch. Mais uma vez, o consumidor e leitor deve fazer sua opção aqui.

Mas para quem optar pela plataforma da Amazon e for comprar um Kindle, eu tenho um conselho: espere seu cunhado viajar para os EUA, compre o Paperwhite de última geração na Amazon com entrega no hotel, e peça para o dito cujo trazer o mesmo com a discrição que a alfândega brasileira exige. O conselho também se aplica no caso de tios, primos, irmãos, mães e avôs.

Por Carlo Carrenho | Tipos Digitais | 20/12/2012

Qual será a maior eBookstore brasileira no fim de 2013?


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 18/12/2012

You cant beat being in a good bookshop. And Kindle would agreeCom um excelente e responsável trabalho de apuração, a jornalista petropolitana Raquel Cozer informou em sua coluna Painel das Letras, publicada na Folha de S.Paulo no último sábado, 15/12, que a Apple está na frente da concorrência na venda de livros digitais: “É a Apple, e não a Amazon, a loja que mais está vendendo e-books no país. E muito mais. O dado surpreendeu o mercado, especialmente porque a Apple chegou na surdina e vendendo livros em dólares, com cobrança de IOF”, informou Cozer. Realmente, com todo o alarde em cima dos lançamentos da Amazon, Google e Kobo, não era de se esperar que a supremacia da Apple durasse mais que alguns dias, mas o fato é que a empresa de Cupertino continua em primeiro lugar.

Mas antes de analisarmos a situação no Brasil, vale a pena olharmos para os EUA, onde a brincadeira digital começou para valer em 2007, e vermos como anda a briga pela venda de e-books por lá. O problema, ou desafio, é que ninguém divulga as vendas e fazer um ranking das empresas e determinar seus market shares é um trabalho de chute. Ou, como dizem os americanos, de forma discreta ou mais elegante, trata-se de “guesstimates”. Eu enfrentei o problema na prática alguns meses atrás quando fui buscar estes dados e escrevi aos maiores especialistas em livros digitais do mundo e ninguém tinha números ou relatórios precisos. Ainda assim, consegui elaborar a seguinte estimativa para os EUA que me parece bem próxima da verdade:

Ranking nos EUA

Amazon – 60%
Barnes & Noble – 25%
Apple – 7 %
Google – 7 %
Kobo e outros – 1%

Vale lembrar que a Kobo tem um participação bem fraca nos EUA, uma vez que perdeu seu distribuidor no país dois anos atrás, no caso a Borders. Mas agora que fecharam um acordo para serem distribuídos pelas livrarias independentes, começando já em 2013, a empresa canadense deve ganhar terreno. Já a Apple não vende tanto porque possui um catálogo bem menor que a concorrência, enquanto a Google nunca focou os e-books como os concorrentes. A Amazon segue suprema porque foi quem começou a brincadeira de verdade, e a Barnes & Noble – que a imprensa brasileira adora declarar como falida – conseguiu abocanhar um quarto do mercado americano e ainda fechar uma parceria com a Microsoft que não apenas trouxe capital para a empresa como vai permitir que o aplicativo do Nook esteja presente em todos os computadores com Windows 8.

Mas, voltando para terras tupiniquins e ainda baseado na pesquisa da Raquel Cozer, temos a seguinte situação a grosso modo:

Ranking nacional

Apple
Google
Saraiva
Amazon
Kobo / Cultura

A grande pergunta é se este ranking vai continuar assim. E eu opino que não. Acho que em seis meses já teremos mudanças grandes e, para 2014, este ranking estará bastante alterado.

A Apple está em primeiro lugar basicamente por três fatores:

Foi a primeira loja a oferecer um catálogo brasileiro de tamanho considerável, conquistando leitores em português que não leem em inglês.
É uma marca conhecida que oferece um processo de compra simples e já conhecido dos consumidores que compravam música e aplicativos.
Os livros aparecem automaticamente em buscas feitas no iTunes e em seus aplicativos para iPhone e iPad [ainda que a compra em si ocorra no IBooks]
O primeiro fator explica porque, com tanta gente já utilizando o Kindle e seus apps no Brasil, a Apple se mantem no alto. Na verdade, a briga agora é pelo mercado local, por leitores brasileiros que não querem ou não podem ler em inglês. E este público nunca usou o Kindle porque praticamente não havia conteúdo nacional. De repente, uma loja começa a vender livros digitais brasileiros e esta forte demanda reprimida de um público adepto à tecnologia – possuem iPads e iPhones – é suficiente para catapultar a Apple às alturas. Isto, aliado à confiança no processo de compra, já experimentado por estes consumidores, e ao fato de que nem foi preciso investir em publicidade, uma vez que as buscas por música e apps apresentavam livros nos resultados, fortaleceu ainda mais a empresa da maçã mordida.

E por que a Amazon ainda não decolou? Esta é fácil. Por mais que a empresa tenha ótimos apps de leitura para iOS, Android etc., é o leitor dedicado, o Kindle, que não apenas oferece a melhor experiência de leitura, como é o grande garoto-propaganda da plataforma. E onde estão os kindles? Tudo indica que em algum depósito alfandegário aguardando liberação, pois a amazon.com.br continua prometendo o mesmo para as “próximas semanas”. Outra coisa, a filial amazônica brasileira ainda não começou nenhuma campanha de marketing por aqui. Nos outros países onde o Kindle foi lançado, houve fortes campanhas de publicidade bastante presentes na mídia [veja anúncio veiculado na Inglaterra acima].

Agora algumas conjecturas… A Google também é uma supresa em segundo lugar, e isto provavelmente se deve à promoção de sua loja e dos livros nos próprios resultados de pesquisa. A Saraiva está em um interessante terceiro lugar provavelmente porque o fuzuê da mídia em torno do livro digital acabou beneficiando a iniciativa nacional neste primeiro momento. Sem falar que é possível comprar um livro na Saraiva e lê-lo no leitor da Kobo/Cultura. Esta última, por sua vez, ainda precisa de um tempo para promover a marca. E também vale lembrar que, para o consumidor final, a e-bookstore da Livraria Cultura não mudou muito. A novidade foi o aumento do catálogo em formato ePub e a chegada do e-reader Kobo Touch, mas não o lançamento de uma loja.

Mas vamos às profecias. Como estará o ranking de e-bookstores brasileiras em seis meses no meu melhor guesstimate? Veja abaixo:

Ranking no Brasil em 6 meses:

Amazon
Apple
Google
Kobo / Cultura
Saraiva

E justifico de forma breve. Os leitores Kindles vão chegar e a Amazon vai investir muito em publicidade e promoção, chegando rapidamente à posição número 1. A Apple deve abrir sua loja em reais e a facilidade de se comprar na moeda local e sem IOF, aliada às vantagens já citadas, deve segurar a empresa na segunda posição. A parceria paulistano-canadense Cultura / Kobo com certeza passa a Saraiva por oferecer um bom e-reader e o melhor aplicativo de leitura para iOS do mercado. E a Google fica onde está.

E na virada para 2014? Como estará o raniking em um ano? Aqui vai minha previsão:

Ranking no Brasil em 1 ano

Amazon
Kobo / Cultura
Apple
Saraiva
Google

E vamos às justificativas, começando pela Amazon. Acredito que em um ano, a empresa vai se consolidar. Suas campanhas de marketing, a chegada do Kindle, o boca-a-boca, a excelente plataforma e o bom gerenciamento da loja com algoritimos vão começar a mostrar resultados de peso. Além disso, ao longo dos próximos 12 meses, a empresa poderá começar a vender livros físicos e oferecer os Kindles de ponta, com touchscreen e 3G, no Brasil, o que ajudaria a consolidar sua posição. A parceria Kobo / Cultura terá conseguido estabelecer sua marca e seu e-reader e, ajudada pelas livrarias físicas da Cultura, provavelmente alcançará um honroso segundo lugar. A Apple deve começar a perder terreno porque não deve tratar o e-book como prioridade. Pelo menos tem sido assim em outros mercados. Um exemplo que já ocorre hoje: enquanto Amazon, Kobo e Google já possuem executivos brasileiros no Brasil atrás de conteúdo, a Apple segue expandindo seu catálogo à distância, lá de Cupertino. A Google, por sua vez, carece da mesma falta de foco em e-books que a Apple, e deve ficar para trás também. Se a Apple quer vender coisas que brilham, como já disse o editor Julio Silveira, a Google quer vender publicidade. E os livros digitais são apenas meios que levam a fins para as duas empresas.

Mantidas todas as premissas, a todo-poderosa Saraiva deve amargar a quarta posição daqui um ano. Mas é difícil acreditar que o grande grupo livreiro e editorial, que tem capital aberto e ações na bolsa, vá ficar quieto diante de tanto rebuliço. A Saraiva hoje é como um animal ferido, e deve reagir à altura, o que seria muito bem-vindo para a manutenção da concorrência.

E também não podemos esquecer a Barnes & Noble, que tem estado quieta, mas nunca deixou de ter o Brasil sob seu radar. Se a maior livraria americana resolver aportar por aqui, estes rankings vão mudar.

O momento, portanto, é de aguardar e ver como a maior livraria americana e maior livraria brasileira vão se comportar e reagir em relação à chegada dos grandes players internacionais no Brasil. E dependendo do que fizerem, juntas ou separadas, tudo pode mudar.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 18/12/2012

Apple já vende mais ebooks que Saraiva e Cultura, combinadas – conheça o segredo


Essa é a notícia da semana, publicada pela Folha de SP – Apple vende mais ebooks que as grandes livrarias brasileiras, juntas. E posso corroborar pessoalmente essa informação. As vendas de eBooks da Simplíssimo, na Apple, também superaram a soma das vendas nas Livrarias Saraiva e Cultura. Mesmo com preços em dólar e acrescendo com isso 6,38% de imposto sobre as compras, no cartão de crédito.

Qual o segredo? O usuário. Mais especificamente, a experiência do usuário, ao comprar e ler ebooks diretamente nos iPads, iPhones, e tablets e smartphones Android. E quem afirma isso? Os próprios usuários.

Do ponto de vista do usuário, comprar um ebook no aplicativo iBooks, da Apple, é muito mais fácil e acessível – com poucos toques na tela, é possível comprar e começar a ler, imediatamente, o livro adquirido. O download e o acesso ao ebook é rápido, praticamente sem problemas ou falhas no processo, sem necessidade de instalar programas em computadores, ou fazer cadastro em sistemas de segurança. A experiência de leitura é agradável, e ajustes básicos estão disponíveis – ajuste de fonte e modo noturno, por exemplo. A média de avaliação do programa é 3.5 [também em escala de 1 a 5].

Comparativamente, o app da Saraiva para iOS tem nota 2 na avaliação dos usuários, que reclamam da usabilidade do aplicativo. A Livraria Cultura também possui um app para iOS, no momento indisponível para download, segundo a página do iTunes. Uma busca no Google esclarece que o app da Cultura tinha nota 3, embora com apenas 145 avaliações – o app da Saraiva tem mais de 1.300 avaliações, e o da Apple, mais de 3 mil. Mesmo com uma média melhor, uma das últimas avaliações do app da Cultura reclamava que o aplicativo não permitia alterar o tamanho da fonte do ebook. Quando nem os recursos básicos funcionam, fica complicado querer que os consumidores se animem a comprar algum ebook.

A situação dos aplicativos no sistema Android impressiona, tanto positiva, quanto negativamente. O aplicativo da Livraria Saraiva, o Saraiva Digital Reader, tem nota média de 3.9 em 5, na avaliação de 2.180 usuários de tablets e smartphones Android. Esta é uma avaliação muito boa, que mostra a qualidade da Saraiva nesta plataforma e a satisfação dos usuários com a tecnologia da Livraria, o que é significativo. Mesmo assim, não escapa de críticas. O usuário GVerta, que possui um Galaxy S3 e deu nota 4 para o app da Saraiva, avalia:

Muito bom – Muito bom o leitor!! Apenas gostaria que mantivesse salvas as configuracoes de leitura, como cor de fundo e tudo mais

A Saraiva ainda recebe críticas, mas cumpre o dever de casa. Não é à toa que as vendas de ebooks da Saraiva aumentaram nos últimos meses.

A situação da Livraria Cultura, na plataforma Android, já é bem diferente – e constrangedora. Mais de 1.800 usuários deram nota 1, a nota mínima, para os dois aplicativos da Livraria Cultura, que apresentam notas médias de 1,3 e 1,4, na escala de 1 a 5. A maioria das queixas parte de usuários que não conseguem remover o aplicativo da Cultura, pré-instalado em aparelhos Android, e reclamam furiosamente contra a imposição do aplicativo. Um número considerável de avaliações também reclama da usabilidade dos aplicativos, problemas para baixar livros comprados ou simplesmente usar o aplicativo com sucesso. Com a palavra, o usuário Rodrigo, dono de um Galaxy Tab 10.1, que deu nota 1 para a Livraria Cultura:

Péssimo aplicativo – Não funciona adequadamente e não tem suporte. Por Email me indicaram usar o bluefire reader e fazer o download do livro pelo site da própria livraria cultura. Vou desinstalá-lo agora.

Vai ficando mais fácil entender como a Apple vende mais que as livrarias brasileiras, combinadas, com apenas três semanas de operação. O suporte da Livraria Cultura não recomenda o seu próprio aplicativo… precisa acrescentar algo mais? É caso encerrado. Para a sorte dos clientes da Cultura, a Cultura firmou acordo com a Kobo. Se os aplicativos da Livraria Cultura forem descontinuados, em prol do aplicativo da Kobo, certamente os usuários ficarão bem mais felizes. O app da Kobo tem uma ótima avaliação e oferece recursos superiores, até mesmo na comparação com o iBooks da Apple. Mas será que a Livraria Cultura será integrada aos aplicativos da Kobo, ou somente aos aparelhos? Resta aguardar as próximas semanas, para conferir até que ponto irá a integração das duas empresas.

Quem perde a corrida da tecnologia e dos aplicativos, oferecendo tosquices aos leitores, fica para trás nas vendas e perde o jogo. Quem pensa no usuário final e na satisfação do usuário, vende mais. Na verdade, não tem segredo… é só fazer o que todo bom comerciante deve fazer: atender bem o cliente.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 15/11/2012

Apfelstrudel de IOF


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

A Apple está vendendo livros digitais para leitores brasileiros desde o último domingo, como o site Revolução eBook noticiou em primeira mão. Pode-se concluir que foi aberta então a iBookstore brasileira? Na verdade não, pois os livros estão sendo vendidos diretamente dos Estados Unidos e em dólar. Ou seja, a Apple aplicou um jeitinho brasileiro para contornar as dificuldades fiscais e legais para comercializar e-books no Brasil, entre elas a legalidade ou não do modelo agência e a manutenção da isenção de impostos sobre o livro dentro do modelo digital de negõcio. O resultado, no entanto, não é uma iBookstore brasileira, mas uma janela de acesso aos livros brasileiros na iBookstore americana. Ao entrar na loja com livros em português da Apple, a sensação é semelhante àquela que se tem ao se entrar uma loja física de venda de produtos Apple no Brasil, uma daquelas “Apple Resellers”. Pode até lembrar uma Apple Store, mas está longe de ser uma. E assim como continuamos sem uma Apple Store de verdade no Brasil, provavelmente seguiremos sem uma iBookstore de verdade por aqui por algum tempo.

A Apple disponibilizou 3158 títulos em português para seus clientes brasileiros que acessam a loja pelo iTunes ou pelos aplicativos para iPhone e iPad. Este era o número na manhã de 23/10. Entre estes títulos, estão livros distribuídos pela Distribuidora de Livros Digitais, a DLD, o poderoso consórcio que reúne Objetiva, Record, Rocco, Sextante, L&PM, Planeta e Novo Conceito, que possui um catálogo de best-sellers estimado em 1500 títulos. Há também livros fornecidos pela distribuidora Xeriph, mas, ao contrário do que ocorre com a DLD, apenas algumas das editoras distribuídas pela agregadora carioca estão à venda na Apple, entre elas a Todolivro e a Boitempo. Intrínseca e Companhia das Letras, que estão comercializando seus livros digitais diretamente com a Apple, também marcam presença na loja da maçã. Em termos de tamanho de catálogo, merecem destaque a própria Companhia das Letras, com 494 títulos, e a L&PM, que possui 435 títulos via DLD. O grupo Record aparece com cerca de 330 títulos, também por meio da DLD. As maiores ausências são a Saraiva, dona do maior catálogo digital do país, a Globo Livros e seu mega-seller  Ágape, e a Zahar, que sempre esteve na vanguarda dos experimentos digitais.

Como todo este catálogo está a partir de agora disponível na loja americana, isto deve deixar os brasileiros da diáspora bastante felizes. E, como mencionado, estes livros digitais podem ser comprados no Brasil, em dólar, graças a uma janela de integração da iTunes Store brasileira com a americana. Os preços em dólares, aliás, são os mesmos nos EUA e no Brasil, mesmo porque, na prática, a compra se realiza na loja de lá. E embora isto represente um avanço, pois até domingo era impossível para brasileiros adquirirem qualquer livro na Apple, esta solução traz uma série de problemas que podem se revelar empecilhos ou incômodos relevantes para o leitor brasileiro.

O principal incômodo é, sem dúvida, a cobrança de IOF. Como a compra será feita no exterior e em dólares, incide a cobrança deste imposto cuja alíquota atual é 6,38%. Obviamente, não está escrito em nenhum lugar na loja da Apple que haverá esta cobrança, mas os consumidores vão descobrir isto assim que as faturas mensais começarem a chegar. Em um país onde o livro é absolutamente isento de impostos, a Apple conseguiu a proeza de vender livros do Brasil para leitores brasileiros com imposto.

Outro problema é que a compra só pode ser feita com um cartão de crédito internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs, apenas 15% da população brasileira possui cartão de crédito internacional [veja p. 40 desta pesquisa]. Outro dado interessante é a diferença de gastos de brasileiros no exterior e no Brasil com cartões de crédito. Segundo a própria Abecs, no segundo trimestre de 2012, os brasileiros gastaram R$ 111 bilhões no Brasil contra apenas R$ 6 bilhões no exterior. É claro que a probabilidade de um usuário de iPhone ou iPad possuir um cartão internacional é muito maior e, portanto, muito mais do que 15% destas pessoas terão condições de adquirir os livros. Mas, ainda assim, esta é uma limitação que poderia ser evitada, assim como a cobrança do IOF.

Uma terceira questão é que a conversão para reais de uma compra em dólares só ocorre no fechamento da fatura e, por mais que o câmbio tenha ficado estável recentemente, a verdade é que o consumidor só saberá o preço final do livro quando pagar a conta.

Obviamente, se os preços da Apple forem mais baixos que os da a concorrência, estes problemas poderiam ser compensados e até o IOF se tornaria irrelevante. Infelizmente, uma rápida comparação mostra que os preços da maçã são muitas vezes superiores aos da concorrência. Por exemplo, a própria biografia do Steve Jobs está à venda por US$ 16,99. Convertendo-se este valor com o câmbio de hoje e aplicando-se os 6,38% de IOF, chegamos a R$ 36,60, enquanto o mesmo e-book custa R$ 32,50 na Saraiva. O best-seller Cinquenta tons de cinza sai na loja da Apple por US$ 12,99, ou R$ 27,98 após conversão e imposto, e custa apenas R$ 24,90 na Saraiva.

Embora o início das vendas de livros brasileiros pela Apple seja de fato um avanço, especialmente para o público internacional, aqui no Brasil a novidade não muda muito a vida do leitor nacional, que provavelmente continuará preferindo a Saraiva para comprar seus livros digitais. Afinal, na Saraiva há um catálogo de cerca de 11 mil títulos, não se paga IOF, não é necessário cartão de crédito internacional e o preço final é inferior. E como a empresa brasileira possui aplicativos de leitura para iPhone e iPad, a experiência de leitura é praticamente a mesma. Outra opção é comprar da Livraria Cultura e transferir o arquivo para um aplicativo de leitura da Bluefire ou da Kobo. Ah! E por falar nisso, em breve a Kobo lança junto com a Cultura sua loja, leitores e aplicativos de leitura aqui no Brasil, com vendas em reais.

No último fim de semana, enquanto a Apple começava a comercializar seus livros digitais em português, acontecia o evento FIM no Rio de Janeiro, com vários painéis que discutiram os livros digitais e as rupturas tecnoloigcas na indústria do livro. Em certo momento das conversas, o curador Julio Silveira declarou: “A Kobo é uma livraria, a Amazon é um tico-tico no fubá, e a Apple vende livro com raiva porque quer vender coisas que piscam.” Por enquanto, parece mesmo que a Apple está mais interessadas nas coisas que piscam. Se ela quiser ser um player relevante no mercado editorial brasileiro, terá de abrir uma iBookstore brasileira de verdade e completa. Até lá continuamos esperando. Assim como temos esperado por anos a abertura de uma Apple Store em uma grande metrópole brasileira.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

Apple começa a publicar livros na iBookstore brasileira


Na véspera do evento da terça-feira, 23, a Apple começou a dar os primeiros passos para o lançamento da iBookstore brasileira, o que indica que ela será realmente oficializada na apresentação em San Jose, na Califórnia. Alguns títulos já apareceram nesta segunda-feira na loja virtual brasileira de livros digitais para iPhone, iPad e iPod Touch, mostrando preços em dólar e descrição em português. Oficialmente, ainda não é possível nenhuma transação, mas é provável que a Apple libere isso até o final do dia ou em tempo do evento na terça.

A iBookstore, acessível pelo aplicativo iBook, não havia sido lançada anteriormente no Brasil por um impasse entre a Apple e grandes editoras nacionais. Adotando a venda com preços em dólar, a companhia consegue escapar de burocracias tributárias para distribuição de conteúdo digital, mas esbarra na necessidade de o consumidor ter de pagar IOF de 6,38% sobre compras realizadas no exterior. No entanto, este parece ser o caminho mais adequado: a mesma prática foi adotada, com sucesso, com a categoria de jogos na App Store, lançada somente neste ano.

O evento da terça-feira, segundo rumores de mercado, deverá ser focado em educação e livros digitais, o que seria a deixa para a Apple apresentar o iPad mini, com tela de 7,85 polegadas e supostamente fabricado na planta da Foxconn no Brasil. O produto deverá ter como alvo o nicho de mercado de tablets menores, mais indicados para leitura, como o Amazon Kindle HD e o Google Nexus 7. A apresentação deverá mostrar ainda novas versões dos computadores Macs.

Publicado originalmente em TI INSIDE Online | 22 de outubro de 2012, às 13h10

Apple compra empresa especializada em HTML5


Aquisição sugere que a fabricante está interessada em ampliar a exibição de conteúdos em diversos dispositivos

A Apple comprou a Particle, uma consultoria especializada em aplicações web e projetos de marketing que usam HTML5. A compra foi finalizada em setembro deste ano por um valor não divulgado e começa a dar pistas sobre os planos da empresa da maçã.

Segundo o site GigaOm, a nova aquisição sugere que a dona do iPad e iPhone está buscando novas maneiras – dentro da linguagem HTML5 – de exibir conteúdos em uma variedade de dispositivos, uma vez que a Particle é especialista no assunto.

No site da consultoria, eles afirmam que têm trabalhado para levar aplicações leves, baseadas em HTML5, para set top boxes, consoles de videogames e até sistemas operacionais como Chrome OS e Android.

É importante lembrar que mesmo uma pequena aquisição para a Apple pode significar um grande lançamento. A compra da SoundJam, por exemplo, deu origem ao iTunes, a Chomp virou a App Store, a Fingerworks ajudou a criar o iOS, e o Siri se tornou o sistema de inteligência artificial do iPhone.

Será que vem uma nova Apple TV por aí?

Sobre a Particle

A consultoria foi criada em 2008 e um de seus financiadores foi o cantor e ator Justin Timberlake. Além de interpretar Sean Parker no filme “A Rede Social”, Timberlake se envolveu de verdade em investimentos no setor de tecnologia, incluindo uma participação na Specific Media, empresa que comprou a rede social MySpace em junho do ano passado. Entre os clientes da Particle estão Google, Sony e Motorola, além de Cisco, Barnes & Noble e Zynga.

Publicado originalmente e clipado à partir de OLHAR DIGITAL | 17 de Outubro de 2012, às 18:30h

Amazon esquenta guerra dos tablets com novo Kindle


A Amazon.com Inc. está aumentando a pressão sobre os preços na guerra dos tablets ao lançar um novo aparelho apoiado por publicidade que custará menos que modelos semelhantes, disseram pessoas envolvidas nas discussões.

O tablet fará parte de uma série de novos aparelhos que devem chegar ao mercado com a esperança de atrair consumidores, numa época em que o aperto na economia ameaça as vendas da crucial temporada de fim de ano.

Nesta quarta-feira, a Nokia Corp. deve apresentar em Nova York sua primeira linha de smartphones com o novo sistema operacional Windows 8, da Microsoft. No mesmo dia, também em Nova York, a Motorola Mobility deve fazer seu primeiro grande lançamento de um telefone desde que foi adquirida pela Google Inc.

E, na quinta-feira, a Amazon fará um evento para a mídia em Santa Monica, na Califórnia, onde se espera que ela lance uma nova versão do tablet Kindle Fire.

Essas empresas estão tentando passar à frente da rival Apple Inc., que em 12 de setembro deve revelar um novo iPhone.

A Apple também está trabalhando com seus fornecedores em uma versão menor do iPad que será semelhante em tamanho ao Kindle Fire atual, disseram pessoas a par do assunto. A Microsoft, por sua vez, informou que vai começar a vender seu novo tablet Surface nos próximos meses.

Há uma enxurrada de concorrentes no mercado de tablets“, diz o analista independente Jeff Kagan. “O pessoal de marketing tem de descobrir como diferenciar seus aparelhos, seja no preço ou nas funções. Provavelmente levará alguns anos para chegarmos lá.

O modelo mais barato e apoiado por anúncios da Amazon, juntamente com outros aparelhos desenvolvidos por fabricantes de eletrônicos, podem colocar pressão sobre a Apple — que se tornou a empresa mais valiosa do mundo por estabelecer preços altos para seus aparelhos, entre outras coisas.

Uma porta-voz da Apple não quis comentar.

A Amazon entrou no mercado de eletrônicos inicialmente em 2007, quando lançou a primeira linha Kindle de leitores de livros digitais.

Desde então, a empresa, que tem sede em Seattle, reduziu o preço do Kindle significativamente. O aparelho custava originalmente US$ 399 nos Estados Unidos e logo caiu para US$ 299, numa versão posterior.

No ano passado, a Amazon lançou uma nova série de leitores Kindle com preços entre US$ 109 e US$ 189, e as pessoas dispostas a receber anúncios poderiam comprar os mesmos modelos por US$ 30 a US$ 50. A publicidade aparece na forma de protetores de tela e de banners na parte inferior de certas imagens.

A Amazon entrou para a arena do tablet em novembro do ano passado, quando lançou seu Kindle Fire, vendido por US$ 199 nos EUA. O preço do aparelho, que tem uma tela de sete polegadas, foi definido de forma agressiva em relação ao iPad, da Apple, cujo preço mínimo é de US$ 499.

Na quinta-feira, a Amazon disse que havia vendido todos os Kindle Fire que produziu, prometendo “um roteiro emocionante pela frente.

Não está claro quanto o Kindle Fire da Amazon faturou. A empresa não divulga dados específicos de vendas.

O novo tablet da Amazon apoiado por anúncios seria vendido com um desconto em relação aos tablets sem subsídio de publicidade, disseram pessoas envolvidas nas discussões sobre o produto. O preço exato e quais anunciantes estão envolvidos não foram revelados.

O novo tablet exibiria um anúncio depois de o usuário “acordar” o aparelho, disse uma pessoa informada sobre o assunto.

A Amazon já comentou que algumas versões do novo tablet teriam acesso à Internet apenas através de redes Wi-Fi, disse uma pessoa informada sobre o produto.

Além disso, a Amazon está testando seu próprio smartphone para fazer frente ao iPhone da Apple, e pode lançá-lo ainda este ano, disseram em julho executivos de fornecedores de peças da Amazon que não quiseram ser identificados.

No fim do segundo trimestre, o Kindle Fire da Amazon tinha apenas 4,2% do mercado mundial de tablets em termos de vendas de unidades, em comparação com 70% do iPad, segundo a empresa de pesquisa IHS Inc.

A Amazon informou na semana passada que o Fire tem 22% do mercado de tablets dos EUA.

O Kindle ainda não foi lançado no Brasil, embora seja possível obter conteúdo em português no aparelho.

Por Greg Bensinger | Publicado originalmente e clipado à partir de The Wall Street Journal | 04/09/2012

Tecnologias como smartphones, geolocalização e games remodelam a arte de contar histórias


Conto publicado em Twitter e narrativa espalhada em 23 redes sociais são apenas exemplos mais recentes do fenômeno

RIO | No ano do centenário do naufrágio do Titanic, o escritor e editor Claudio Soares decidiu pesquisar e recontar a história da tragédia. Mais uma volta ao mesmo tema, não fosse pelo fato de o autor ter escolhido fazer isso espalhando fragmentos — páginas de jornais da época, o áudio de músicas tocadas pela orquestra do navio — em 23 redes sociais [dos celebrados YouTube, Facebook e Twitter ao esquecido Orkut, passando pelos menos manjados Scribd e Pinterest]. Em outro canto da web, a editora Intrínseca vem publicando diariamente, em sua conta no Twitter, o texto “Caixa preta”, da americana Jennifer Egan, escrito originalmente para a ferramenta, em pedaços de até 140 caracteres. São apenas dois exemplos de algo que vem sendo chamado de narrativas digitais, literatura eletrônica ou narrativas em rede — enfim, evidências de como a arte de contar histórias vem sendo remodelada com as novas tecnologias e os novos comportamentos que nascem delas. [Assista aqui um divertido vídeo com um diálogo virtual entre um homem e uma mulher que se gostam, mas hesitam em se declarar em suas mensagens. A história está no que não foi enviado.]

“Titanicware”, projeto de Claudio, editor da Obliq Press, será lançado ainda no formato físico de uma trilogia de livros, batizados de “MGY” [identidade do Titanic na rede de telégrafos], “Leme” e “Mashup”.

— As redes sociais em geral são usadas no final do processo, para anunciar o livro apenas — explica Soares. — Minha ideia é fazer o inverso. Desde o momento em que se inicia o processo, você insere o leitor. Cada um se torna um editor, escolhe seu caminho de ler, usando agregadores ou entrando nas redes separadamente. E a participação deles pode influenciar meus caminhos na edição dos livros que sairão no fim do processo. Escolhi o Titanic não por acaso. A memória sobre ele é fragmentada. E, numa simbologia, o próprio navio volta à superfície como fragmentos.

Soares nota que há experiências ao longo do século XX, de autores como John dos Passos e Mario Vargas Llosa, que forçaram as fronteiras da narrativa como vem sendo feito agora. Mas eles trabalharam com a limitação do livro, que tem, para o editor, “o DNA da tecnologia de Gutenberg”. Uma diferença que ele sentiu bem quando, em 2009, verteu sua biografia de Santos Dummont para o Twitter, no projeto “@sd8”.

O microblog, usado agora na publicação de “Caixa preta” [na conta @intrinseca], é uma ferramenta recorrente dessas novas narrativas [autores como Marcelino Freire exploram o formato do microconto, por exemplo]. Mas há muitos outros caminhos sendo usados, experiências espalhadas em sites, em aplicativos de smartphones ou reunidas em bibliotecas de referência como Electronic Literature Organization e Literatura Eletrónica Hispánica.

— São três as características que definem a literatura eletrônica: a interatividade; a hipertextualidade, daí a sensação de fragmentação, não linearidade; e a multimídia — explica Cristiane Costa, pesquisadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ [PACC] e coordenadora do curso de Jornalismo da universidade. — Mas o termo literatura é evitado, até porque o verbo ler é muito restrito para dar conta dessas experiências, nas quais você lê, vê, interage, compartilha… Basta notar que muito dessa produção está no YouTube, não nas bibliotecas.

Cristiane cita o exemplo do vídeo “The digital story of nativity”, um compêndio bem-humorado das possibilidades das novas narrativas. O filme o faz de forma despretensiosa, ao visitar a história mais recontada do Ocidente, o nascimento de Cristo, com ferramentas como SMS [o anúncio do anjo Gabriel a Maria], e-mail [Maria para José: “Precisamos conversar”], geolocalização [ao traçar a rota de Nazaré a Belém, “evitando romanos”], Foursquare [na busca por hospedagem], comércio virtual [os Reis Magos escolhendo presentes].

— Ainda existem muitos caminhos a se explorar — acredita Cristiane. — Já há contos feitos totalmente com emoticons. Usando recursos de geolocalização você pode reescrever “A volta ao mundo em 80 dias”, ou fazer algo como o “De onde vieram os homens que beijei” [no qual a autora Julia Debasse marca no Google Maps os tais homens e relata seu encontro com eles]. E gosto da ideia da realidade aumentada [as imagens e palavras de uma folha de papel captadas por uma câmera “ganham vida” na tela do computador], porque ela não prescinde do papel, você precisa voltar a ele. É um diálogo entre papel e tela, real e virtual não aparecem separados por um muro. Está no YouTube uma ótima edição nesse formato de “Dr. Jekyll and Mr. Hyde”.

Clássicos como matéria-prima

A revisita de clássicos em novas formas narrativas é recorrente — em mais um exemplo, “Frankenstein”, de Mary Shelley, ganhou uma versão em aplicativo para iPad e iPhone —, talvez como forma de pisar em terreno seguro no conteúdo para se poder experimentar na forma. Mesmo quando não são diretamente relidos, os clássicos são requisitados como matéria-prima de remixes literários, corta e cola inerente à cultura digital aproveitado em sites como MixLit.

Os games são outro espaço no qual as narrativas digitais vêm se desenvolvendo com originalidade — o espaço de excelência, na visão da pesquisadora americana Janet Murray, autora de “Hamlet no Holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço”.

— O “Façade” é o primeiro game literário, permitido pela tecnologia dos chatbots [ferramentas capazes de dialogar, simulando humanos] — cita Cristiane. — Nele, você é envolvido numa situação-limite com um casal e a história se desenvolve conforme suas reações.

Coordenador do CTS Game Studies da Fundação Getúlio Vargas, Arthur Protasio nota que essas experiências narrativas dos jogos, em casos radicais, vão além — ou aquém — dos diálogos:

— No “Journey”, a história é construída enquanto você segue seu caminho para uma montanha. Você encontra outros jogadores no trajeto, que podem só cruzar com você ou acompanhá-lo. Mas não há diálogo, sua comunicação com eles se dá no silêncio. É uma experiência profundamente contemplativa, numa linguagem extremamente nova, contemporânea.

Por Leonardo Lichote | Publicado originalmente por O Globo | 22/08/2012 | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Leitura na nuvem sem mistérios


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/07/2012

O que é a nuvem?

Até pouco tempo atrás, todos os nossos arquivos estiveram fisicamente armazenados em hard-drives, CDs e outros dispositivos de memória. Se quaisquer desses suportes fossem perdidos, danificados ou roubados, azar – e provavelmente você sentirria saudades da perenidade do papel e dos livros. Mas, graças à inventividade da tecnologia, já existe um jeito melhor de armazenagem. Ao manter seus conteúdo e arquivos na nuvem, você pode acessá-los em qualquer lugar.

Por que isso interessa aos leitores?

No contexto dos e-books, a nuvem é ainda mais importante. Enquanto alguns formatos de arquivos vêm e vão, com a nuvem um e-book comprado hoje vai durar para sempre. Você deixou uma cópia do seu e-book no seu PC, em casa? Nenhum problema, você pode lê-lo pelo browser do seu telefone Android onde quer que você esteja. Deixou o seu precioso iPhone 4S cair numa poça na Avenida Faria Lima? Em apenas alguns segundos você pode refazer o download de graça pelo iBooks no seu novo celular.

A leitura na nuvem desmistificada

Certamente uma área de crescimento em 2012, a leitura em nuvem de fato começou a decolar. Mas, para tornar a situação um pouco mais “nebulosa”, há várias formas de nuvem. Farei o melhor que puder para clarear tudo isso.

Sincronização

Compre uma única vez e sincronize todo o conteúdo em qualquer lugar fazendo o download de uma cópia “local” em cada dispositivo que você usa. Não é surpresa nenhuma que a Amazon foi pioneira nisso com sua tecnologia Cloud Reader, por meio da qual os livros Kindle podem ser sincronizados não apenas no aparelho Kindle, mas também no iPad e no PC, por meio de aplicações para cada um desses dispositivos. A O’Reilly Media, editora norte-americana que adora inovações tecnológicas, uniu-se à Dropbox, empresa de armazenagem em nuvem, para que todo o conteúdo da O’Reilly comprado possa ser guardado de forma segura gratuitamente em nuvem.

Leitura no celular

Leia livros no seu aparelho conectado à internet, aonde quer que você vá. Enquanto há diversas empresas internacionais tentando fazer isso, eu considero as soluções propostas pela Xeriph e pela Gol Mobile, duas empresas do Rio de Janeiro, particularmente interessantes. E qual a inovação aqui? A Nuvem de Livros, da Gol, dá aos leitores acesso a toda uma biblioteca no estilo “coma quanto puder” por R$ 0,99 mais impostos por semana, em parceria com a Vivo. Já a Xeriph, por meio de uma parceria com a Claro, permite aos assinantes da Claro Leitura que eles leiam até três livros por semana por R$ 3,99.

Fim da dependência em relação aos dispositivos

O próximo capítulo na história da leitura em nuvem é uma solução que permite verdadeiramente uma independência em relação a plataformas e provê uma experiência de fato consistente em qualquer aparelho conectado à internet. Sem entrar em detalhes, empresas de tecnologia podem tornar esse sonho realidade usando a linguagem de programação HTML5, que permite em qualquer navegador de internet uma experiência semelhante à do uso de um “app”. A Google Play Books é um ótimo exemplo, vendendo e-books que podem ser comprados e lidos em vários aparelhos. A Vook, empresa de tecnologia de e-books, deu um passo além. Ela oferece às editoras um leitor e loja próprios e elegantes, bem como experiências de leitura enriquecidas por áudio e vídeo, por exemplo.

Com a leitura em nuvem, a promessa do conteúdo universalmente acessível finalmente chegou.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/07/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Google entra na guerra dos tablets


Empresa lançou ontem o Nexus 7, que usa a mais recente versão do Android e que tem como maior atrativo o preço, de US$ 199

Com o lançamento do Nexus 7, de apenas sete polegadas e um preço de US$ 199, o Google se tornou ontem o último gigante da tecnologia, depois da Microsoft e da Amazon, a entrar na “guerra” dos tablets para tentar bater de frente com o ainda soberano iPad, da Apple, que domina dois terços do mercado.

Além do Nexus 7, o Google também anunciou, em sua conferência I/O, em San Francisco, o aperfeiçoamento de seu sistema operacional Android, com uma nova plataforma denominada Jelly Bean. Entre as novidades do sistema estão uma secretária virtual similar à Siri, da Apple, e mecanismos para cegos e surdos usarem tablets e celulares.

De acordo com o Google, o Nexus 7 será fabricado em conjunto com a Asus, de Taiwan. Apesar da indagação de alguns investidores, o Google não explicou porque deixou de lado a recém-adquirida Motorola na produção do Nexus 7.

A principal aposta do novo tablet é o preço, equivalente a dois quintos da versão mais barata do iPad, de US$ 499. Custando apenas US$ 199, com memória de 8 GB [o aparelho com 16 GB sairá por US$ 249], o Nexus 7 passa a competir diretamente com o Kindle Fire, da Amazon, vendido pelo mesmo valor e que tem conquistado um mercado de consumidores não dispostos a pagar pelo produto da Apple.

O tamanho também será equivalente ao do tablet da Amazon e alguns da linha Galaxy, da Samsung. Com sete polegadas, o Nexus 7 fica quase em uma dimensão intermediária entre o iPhone e o iPad. Há a vantagem de ser mais fácil de manusear e transportar. Mas a tela menor pode ser um ponto negativo.

No Nexus 7, o uso de produtos do Google, como YouTube e o Google Tradutor também será simples. Um outro destaque do tablet é câmera frontal, com resolução de 1.200 x 800 pontos.

Segundo a empresa, o tablet, que deve chegar em julho, já está disponível para encomendas na loja virtual Google Play dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália. Não há previsão de chegada a outros países.

Na semana passada, a Microsoft apresentou o Surface, com a novidade de ter um teclado acoplado à capa e o sistema operacional Windows 8. Mas o tablet da empresa fundada por Bill Gates ainda não tem preço definido e chegará às lojas apenas no Natal.

Antes do Nexus 7, o Google competia com a Apple apenas nos sistemas operacionais para tablets e celulares. Muitas empresas usam o Android, enquanto o iPad e o iPhone adotam o sistema iOS, da própria Apple. A Microsoft também tenta entrar na briga com o Windows 8. Mas essa disputa dos softwares, também existente nos celulares, será ampliada para os hardwares.

Analistas ainda acham improvável um tablet ameaçar a soberania do iPad, mesmo se tiver uma marca forte como a do Google ou d a Microsoft por trás. O aparelho da Apple continua registrando crescimento em suas vendas. Ao mesmo tempo, a acentuada elevação do mercado de tablets em todo o mundo deve abrir espaço para outras marcas. Neste ano, a previsão é de vendas de 107 milhões de aparelhos. Em 2016, esse número deve subir para 222 milhões.

POR GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE | NOVA YORK | O Estado de S.Paulo | 28 de junho de 2012, 3h 07