eBooks já foram lidos por 26% dos brasileiros, diz pesquisa


Pesquisa foi feita pelo Ibope, sob encomenda do Instituto Pró-Livro. Levantamento mostra evolução do total de leitores no Brasil.

Os livros digitais já foram lidos por 26% dos entrevistados ouvidos pela 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro.

A pesquisa apontou que o número de leitores no Brasil cresceu 6% entre 2011 e 2015 , e que o total de livros lidos nos três meses anteriores à pesquisa foi de 2,54 obras.

Entre os chamados “Leitores” o percentual de quem já leu livro digital é 34%. E já entre quem gosta muito de ler, 38%. A metodologia da pesquisa considera como leitor, aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses.

O celular foi o dispositivo de leitura mais comum, usado por 56% dos leitores de livros digitais. Na sequência aparecem: computador [49%], tablet [18%], leitores digitais, como Kindle, Kobo e Lev [4%].

Entre as formas de acesso, 88% afirmaram ter baixado gratuitamente na internet e 15% disseram ter pago o download. Livros de literatura, como contos, romances ou poesias são os preferidos, com 47, logo depois seguidos por livros técnicos, para formação profissional, com 33%.

Entre aqueles que leem livros digitais, 91% são considerados leitores pelos critérios da pesquisa, ou seja, leram pelo menos um livro inteiro ou em partes nos 3 meses anteriores à pesquisa. Em relação à edição de 2011, houve um crescimento significativo da proporção de pessoas que já ouviram falar em livros digitais, 11 pontos percentuais. Entre esses, cerca de um quarto já leu algum livro digital“, aponta o estudo.

Metodologia

A edição 2016 é a quarta edição da pesquisa, que teve também outras publicações referentes a dados coletados nos anos de 2000, 2007, 2011. A pesquisa teve abrangência nacional, com 5012 entrevistas pessoais, feitas nos domicílios dos entrevistados entre 23 de novembro e 14 de dezembro de 2015. Foram ouvidos brasileiros a partir de 5 anos, alfabetizados ou não.

Perfil da amostra

Entre os ouvidos pela pesquisa em 2015, 8% se declarou “não alfabetizado” ou que “não frequentou escola formal”. Outros 21% disseram ter ensino fundamental I [1º ao 5º ano], 25% declararam ter o fundamental II [6º ao 9º ano], 33% o ensino médio e 13% o ensino superior.

Responsável pela pesquisa, o Instituto Pró-Livro [IPL] foi criado em 2006 pelas entidades do setor do livro – Associação Brasileira de Livros Escolares [Abrelivros], Câmara Brasileira de Livros [CBL] e Sindicato dos Editores de Livros [SNEL]. É mantido por contribuições dessas entidades e de editoras, com o objetivo principal de fomento à leitura e à difusão do livro.

Desde a segunda edição o Instituto adotou metodologia que considera as orientações do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe [Cerlalc], da Unesco, e pela Organização dos Estados Ibero-americanos [OEI]. O objetivo foi buscar um padrão internacional de medição que permita eventuais comparações e estudos sobre a questão da leitura nos países da região.

Fonte: Publicado originalmente no portal G1, em São Paulo | Por Mariana Nogueira | 19/05/2016 12h12

Acervo defasado diminui interesse por bibliotecas, diz pesquisa


Pesquisa foi feita pelo Ibope, sob encomenda do Instituto Pró-Livro. Levantamento mostra evolução do total de leitores no Brasil.

Locais de estudo e pesquisa, frequentados eventualmente por estudantes e com acervos defasados. Esse é um panorama que os números da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2016 traçam sobre as bibliotecas no Brasil. Os três pontos aparecem no levantamento feito pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro. Os dados foram divulgados na quarta-feira [18].
A pesquisa apontou que o número de leitores no Brasil cresceu 6% entre 2011 e 2015 , e que o total de livros lidos nos três meses anteriores à pesquisa foi de 2,54 obras.

De acordo com a pesquisa, 37% do público que frequenta as bibliotecas do Brasil não é estudante. E do seu público frequentador, 73% as consideram espaço para estudo e pesquisa. As bibliotecas escolares ou universitárias são as mais citadas. Quando questionado sobre o tipo de biblioteca que frequentava, 55% citaram esses espaços, enquanto 51% disseram frequentar bibliotecas públicas.

Apenas 19% dos leitores costumam ler livros em bibliotecas.

Outros usos e associações que esse espaço poderia ter, o que concorreria para a ampliação de seu público frequentador, tiveram percentuais baixos de menções“, aponta a análise dos especialistas que avaliaram os dados da pesquisa.

Quando questionados sobre a avaliação das bibliotecas que frequentam, 41% dos leitores disseram não encontrar os livros que gostariam. Para os entrevistados, o interesse aumentaria com a renovação das prateleiras: 32% afirmaram que teriam maior interesse pelas bibliotecas se elas tivessem mais livros ou título novos, e 22% disseram esperar títulos mais interessantes.

Considerando os dados nacionais, mais da metade [55%] dos entrevistados disse que havia biblioteca pública no bairro, outros 33% disseram que não e 9% não souberam responder.

Quarenta por cento dos entrevistados disseram não ir a bibliotecas por falta de tempo. Apenas 5% dos entrevistados disse ir sempre a uma biblioteca. Outros 66% responderam que não frequentavam, 14% disseram que visitavam raramente, 15% costumavam ir às vezes.

Metodologia

A edição 2016 é a quarta edição da pesquisa, que teve também outras publicações referentes a dados coletados nos anos de 2000, 2007, 2011. A pesquisa teve abrangência nacional, com 5012 entrevistas pessoais, feitas nos domicílios dos entrevistados entre 23 de novembro e 14 de dezembro de 2015. Foram ouvidos brasileiros a partir de 5 anos, alfabetizados ou não.

Perfil da amostra

Entre os ouvidos pela pesquisa em 2015, 8% se declarou “não alfabetizado” ou que “não frequentou escola formal”. Outros 21% disseram ter ensino fundamental I [1º ao 5º ano], 25% declararam ter o fundamental II [6º ao 9º ano], 33% o ensino médio e 13% o ensino superior.

Responsável pela pesquisa, o Instituto Pró-Livro [IPL] foi criado em 2006 pelas entidades do setor do livro – Associação Brasileira de Livros Escolares [Abrelivros], Câmara Brasileira de Livros [CBL] e Sindicato dos Editores de Livros [SNEL]. É mantido por contribuições dessas entidades e de editoras, com o objetivo principal de fomento à leitura e à difusão do livro.

Desde a segunda edição o Instituto adotou metodologia que considera as orientações do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe [Cerlalc], da Unesco, e pela Organização dos Estados Ibero-americanos [OEI]. O objetivo foi buscar um padrão internacional de medição que permita eventuais comparações e estudos sobre a questão da leitura nos países da região.

Fonte: Publicado originalmente em G1, São Paulo | 19/05/2016 12h08

Inscreva seu Trabalho Científico no 6º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


A 6ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital seguirá com a tradição de avaliar trabalhos científicos e acadêmicos relativos ao livro digital no intuito de promover trabalhos empíricos e conceituais inéditos. Os prêmios aos vencedores são R$ 1.500 reservados ao primeiro colocado, R$ 1.000 ao segundo e R$ 500 ao terceiro.

O evento acontecerá dia 25 de agosto de 2016, antecedendo a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Auditório Elis Regina, localizado na Av. Olavo Fontoura, 1209 – ao lado do Pavilhão do Parque Anhembi, em São Paulo. Mais informações: digital@cbl.org.br.

Biblioteca Digital Luso-Brasileira


O desenvolvimento de serviços digitais tem constituído uma prioridade estratégica nas bibliotecas de todo o mundo, transformando radicalmente o acesso à informação. Nas bibliotecas nacionais, com acervos históricos de grande significado e dimensão, essa transformação traz consigo o benefício inestimável de fazer desaparecer o dilema de séculos, entre preservar ou dar acesso. Hoje são os acervos mais valiosos e raros, outrora escassamente acessíveis, aqueles que mais rapidamente ficam disponíveis a qualquer pessoa, para qualquer fim, a qualquer dia e hora, em qualquer lugar do mundo.

Mas os desafios para realizar esse objetivo em grande escala são estruturais e assumem, em matéria de meios e de tempo, a proporção gigantesca das próprias coleções. Por isso, qualquer estratégia para otimizar meios, acelerar processos e alcançar massa crítica de resultados passa sempre pela cooperação. Isso é evidente no desenvolvimento recente de serviços coletivos para acesso a conteúdos digitais, de que são exemplo a Biblioteca Digtal Mundial, a Biblioteca Digital Europeia – Europeana, ou, ainda, portais de conteúdos culturais de perfil regional e linguístico, como a Biblioteca Digital do Património Iberoamericano.

É neste contexto que surge o projeto da Biblioteca Digital Luso-Brasileira [BDLB], iniciado em fevereiro de 2014 pelas bibliotecas nacionais do Brasil e Portugal, com o objetivo central de coordenar os esforços de digitalização e de colocar disponível num mesmo ponto de acesso todo o acervo digital das duas instituições. Será um primeiro passo dar nova dimensão, relevância e visibilidade na rede aos conteúdos culturais da uma história e língua comuns.

O projeto concretiza-se num portal que passará a agregar automaticamente a informação das bibliotecas nacionais digitais do Brasil e Portugal, cuja soma de conteúdos alcança já mais de 60 mil títulos correspondendo a cerca de 13 milhões de imagens de materiais bibliográficos em domínio público, de todas as épocas e gêneros.

Para além do objetivo de acesso público, o projeto visa igualmente outros aspectos não menos importantes, como:

Colaborar ativamente na transferência de conhecimento em áreas técnicas com acelerado ritmo de evolução, no que respeita a standards, metodologias e recursos tecnológicos de digitalização, gestão de informação e preservação digital;

Coordenar atividades para evitar a duplicação de digitalização dos mesmos conteúdos, no campo das publicações impressas, otimizando recursos; neste ponto, é altamente relevante para Portugal a colaboração oferecida pela Fundação Biblioteca Nacional para ajudar na digitalização em massa de microfilmes de jornais, de que a BNP tem mais de 15 milhões de imagens;

Estender os processos colaborativos a outras áreas de atividade, como a produção conjunta de exposições e eventos culturais ou técnicos, reforçando os laços institucionais. Neste âmbito, pode desde já destacar-se a digitalização de conteúdos visando um site temático para a celebração dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, em 2015.

A Biblioteca Digital Luso-Brasileira já é realidade desde o início de 2015.

Logo que o portal BDLB entre em operação regular, iniciar-se-á uma segunda fase, de expansão, alargando-se aos participantes da COLUSO [Comissão Luso-Brasileira para Salvaguarda e Divulgação do Patrimônio Documental] e a outras entidades e projetos de bibliotecas brasileiras [designadamente da Rede Memória, Projeto Resgate, Real Gabinete Português de Leitura, Biblioteca Mário de Andrade, entre outras] e portuguesas [entidades participantes do agregador RNOD].

Nesta fase prevê-se também a diversificação do portal BDLB em termos da tipologia de conteúdos, adicionando-lhe valências de contextualização das coleções digitais, numa área editorial em que, para além de notícias para divulgação de eventos, serão criados dossiês, exposições, ensaios, artigos, etc.

Para uma terceira fase, a partir de 2016-17, é intenção conjunta das duas bibliotecas nacionais alargar o perímetro da BDLB aos outros países de língua oficial portuguesa que queiram participar. Será uma fase em que se prevê um aprofundamento em termos de estrutura organizacional e técnica, e de alargamento a serviços de formação e apoio que viabilizem a cooperação dos novos países participantes.

Está disponível o eBook “Para entender as mídias sociais”


Vinte e seis artigos de 28 autores compõem o terceiro volume do e-book colaborativo de Para entender as mídias sociais, já disponível no blog do projeto, que leva o mesmo nome. A exemplo dos dois primeiros volumes, este também tem organização de Ana Brambilla [jornalista, doutoranda em comunicação, professora da Faculdade Cásper Líbero] e de Cristiano Santos [jornalista, palestrante e social media da Editora Globo].

As temáticas são variadas, embora sigam um eixo fundamental: a crítica sobre as redes sociais. Editado por Edições VNI, de Salvador, o trabalho de 243 páginas é publicado sob licença Creative Commons, que impede a comercialização, mas autoriza a reprodução e a distribuição do material sob menção de fonte.

O projeto gráfico foi criado e executado pelo designer Cássio Aguiar. A capa tem criação do designer Alexandre Zanardo. A escolha dos autores foi feita por chamada pública no blog e em redes sociais, em meados de 2013.

Foram mais de 90 propostas de artigos, tendo sido selecionadas aquelas que melhor se encaixavam na proposta de lançar um olhar crítico para o universo das mídias sociais. Assim, textos acadêmicos e ensaios livres passaram a compor um trabalho que objetiva ser um disparador de discussões.

Temas não recorrentes nos debates sobre redes sociais também mereceram lugar, atendendo à necessidade de ampliar a visão de públicos e usos que esses espaços têm.

Evento com autores

Para marcar o lançamento, os autores participarão de uma mesa redonda em 15/3, no auditório do Senac Lapa Scipião [rua Scipião, 67 – São Paulo], a partir das 19h30. Por causa dos vários autores que vivem em outras cidades, será armada uma videoconferência para garantir a participação do máximo possível de colaboradores, assim como dos designers, para atualização do debate e interação com o público.

Projeto e formato

O projeto Para Entender as Mídias Sociais é um desdobramento do flash book organizado pelo historiador Juliano Spyer, durante a Campus Party de 2009, intitulado Para entender a internet, que reuniu vários profissionais de comunicação digital em atividade no mercado para descrever, em textos curtos, os principais conceitos que atravessavam a internet naquele momento.

Fonte: Redação Jornalistas&Cia

Google lança seu eBook ‘experiment’


O Google acaba de lançar sua loja exclusivamente digital, “para livros que não podem ser impressos“. O “experimento” em livros digitais, chamado Editions at Play, foi criado pela editora londrina Visual Editions e o Creative Lab do Google em Sydney, e apresenta livros encomendados pela Visual Editions, incluindo uma série no Google Street View.

A ideia por trás do Editions at Play “não é desafiar a edição convencional” mas “abrir novos caminhos“, como afirmam seus criadores. O objetivo da iniciativa é “permitir que escritores criem livros que não podem ser impressos” e, como diz o Google “se encaixam melhor nas suscetibilidades do século XXI“.

The Bookseller | Katherine Cowdrey | 04/02/16

Por editora, conta própria ou com a ajuda dos amigos: está fácil publicar um livro


Há cada vez mais opções para quem não faz questão de publicar um livro por uma editora tradicional

Conhecer o processo editorial deu serenidade para Vanessa C. Rodrigues, 31 anos, esperar. Foram 10 anos entre o início da escrita de Anunciação e seu lançamento agora.

No meio do caminho, surgiram algumas alternativas, como inscrever o original em prêmios como o do Sesc, porta de entrada para muitos autores estreantes. Mas o livro não tinha páginas suficientes para ser considerado um romance, conforme apresentado nos editais. Podia ter mexido nele, mas não. Com sua novela debaixo do braço, ela foi pesquisar quem estava aberto a novos autores. O livro acabou na Rocco e, embora não tenha sido contratado, aquela primeira leitura deu segurança para que ela continuasse tentando. E só encontrou portas fechadas. “Eu pensei em fazer autopublicação, mas era importante ter um selo, alguém apostando no livro. Se não tivesse dado certo agora, eu teria tentado mais, embora eu não seja conhecida”, conta.

Por um lugar ao sol. Biblioteca Nacional guarda todos os livros registrados

Por um lugar ao sol. Biblioteca Nacional guarda todos os livros registrados

Vanessa ainda não é conhecida; ela trabalha nos bastidores, como revisora e preparadora de livro, e seu nome aparece discreto na folha de rosto dessas obras. Mas ela tem um amigo escritor, André de Leones, que acreditava na novela, e ele tem uma agente literária, Marianna Teixeira. Ele pediu para a agente dar uma lida no Anunciação e ela gostou da obra. Por coincidência, a editora Oito e Meio estava atrás de uma nova autora e foi consultar Marianna. Pronto, Vanessa tinha uma editora. Ela não se viu diante de um contrato tradicional, mas tampouco teve de bancar parte da edição, como ocorreu [e isso é comum], com o Noturno e Cinza, volume de poemas de 2014. Mas se a primeira tiragem [de 80 exemplares] não se esgotasse num determinado período, ela teria de comprar os volumes. Deu tudo certo, a tiragem foi vendida e os novos pedidos – por ora, pelo site da editora – serão impressos sob demanda.

O pacote completo – edição, impressão, distribuição, divulgação – é geralmente oferecido pelas grandes casas e Carlos Andreazza, editor do Grupo Record, diz que não é impossível que estreantes ou aqueles que mandam seus originais para a editora sejam editados. Ele dá o exemplo de Marcos Bulcão. Seu livro O Filósofo Peregrino foi pinçado de uma lista de cerca de 20 originais recebidos mensalmente por correio e 30 por e-mail. “Ele chegou assim e foi publicado, mas é preciso ser franco: a melhor maneira de chegar a uma editora é ser recomendado por alguém”, comenta.

A Record tem lançado novos nomes, mas os números assustam. Pelas contas do editor, são cerca de 25 lançamentos de ficção nacional por ano de um total de mais de 400 títulos publicados por todos os selos. “Pensamos muito antes de publicar. Cada vez menos as livrarias acreditam em literatura brasileira, então o mercado impõe que sejamos conservadores.

Na Patuá, são cerca de 150 originais por mês. Mesmo editando muito, e só brasileiros, Eduardo Lacerda diz que não consegue ir além dos 10 lançamentos mensais. Uma outra opção entra as independentes é a temporada de originais da Grua. Mas será preciso esperar a terceira edição – em março, o editor Carlos Eduardo Magalhães anuncia os escolhidos entre os 240 trabalhos inscritos.

Desde 2010, decidimos não receber mais originais. A estrutura é muito pequena para uma recepção continuada”, explica. Mas, como um dos princípios é publicar literatura brasileira contemporânea, o concurso foi um bom meio termo. Dos 194 inscritos na primeira edição, quatro foram lançados.

Para além do mercado tradicional, o horizonte é mais democrático – e populoso. Criado em 2009, o Clube de Autores publicou 50 mil livros de brasileiros. Na verdade, eles mesmos publicaram as obras na plataforma em digital e/ou para impressão sob demanda. Dá para fazer isso sem gastar nada, mas quem quiser pode contratar revisores, capistas, etc, pelo site. O custo final varia de acordo com os serviços, mas Ricardo Almeida, um dos sócios, diz que ele pode custar entre 2 mil e R$ 3 mil. E é o autor que escolhe por quanto o livro será vendido. “Não tenho dúvidas de que o futuro está na autopublicação. E o futuro é justamente a quebra de intermediações. É deixar o público como responsável pela escolha dos livros que farão mais ou menos sucesso”, diz.

Nina Müller encontrou seu público – primeiro no Wattpad e agora no KDP, a plataforma gratuita de autopublicação da Amazon. Ela tem 7 livros [como Ardente Cativeiro da Fênix] à venda e no serviço de assinatura Kindle Unlimited. “Optei pela autopublicação por ser mais rentável do que a editora em que eu estava. Eu ouvia comentários sobre livros digitais e quis arriscar”, conta. Seus números: 8.200 de e-books vendidos e 2,5 mi de leituras.

Para quem tem o sonho de ver o livro na estante, promover uma noite de autógrafos, existe sempre a opção de fazer o livro com uma gráfica rápida, mas as decisões não são simples e é disso que depende o resultado: gramatura do papel, cola ou costura, A5 ou A4. Serviços como o do Clube acabam facilitando o processo. E ele não está sozinho.

Na Livrus, o escritor conta até com serviço de ghost writer e de gestão de carreira. Os pacotes começam em R$ 200, mas, segundo a publisher Chris Donizete, o gasto médio é de R$ 2.500 para livros de 96 a 128 páginas. Em três meses, ele está pronto.

No dia 30, às 15h30, a empresa anuncia, na Martins Fontes da Paulista, a parceira com o Catarse. “Percebemos que o valor era o que pesava mais na hora da publicação. Quando recebiam nossa proposta, ficavam satisfeitos, mas muitos não dispunham da quantia para a publicação.” Nesse sentido, a iniciativa se aproxima do Bookstart, plataforma de financiamento coletivo de projetos literários que também oferece serviços editoriais, comerciais e de eventos.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo | 23 Janeiro 2016, às 05h 00

Editores comentam os erros mais comuns na hora de negociar a publicação de um livro


Conhecer a linha editorial, revisar o original, não ser arrogante e ser paciente são algumas das dicas dos editores

O processo de negociação de um livro envolve muita ansiedade e alguns erros de percurso podem ser evitados. É preciso ter calma e saber que o tempo de análise da editora é lento. A pressa e a cobrança por uma resposta podem antecipar uma recusa. Mas é importante saber, também, que o caminho tradicional não é o único e que hoje, com tantas plataformas de autopublicação, lançar um livro é fácil. Portanto, quem não fizer questão de publicar por uma editora tradicional pode ter o livro em mãos num curto período de tempo – pagando ou não. Divulgar, distribuir, ser descoberto e vender são outros quinhentos e o trabalho será árduo.

Os editores Carlos Andreazza, do Grupo Record, e Eduardo Lacerda, da Patuá; a agente literária Marianna Teixeira, da MTS; o presidente do Clube de Autores, Ricardo Almeida; e a publisher da Livrus, Chris Donizete, comentam os erros e as ansiedades e dão dicas para quem pretende tirar um original da gaveta.

A maioria das editoras tem orientações em seus sites sobre como mandar originais. E é primordial conhecer a linha editorial das casas antes de entrar em contato. “Talvez o maior erro seja não ler corretamente as orientações para envio de originais. Por exemplo, uma editora deixa explícito em seu FAQ que não publica livros de autoajuda ou jurídicos ou poesia, mesmo assim o autor se desgasta enviando seu original para essa editora, liga pedindo a avaliação do original, acaba se irritando com a negativa, mesmo que a negativa seja explicada já anteriormente ao envio do original. Outro erro comum, até engraçado, é que muitos autores enviam o original com cópia aberta para dezenas de editoras ao mesmo tempo“, comenta Eduardo Lacerda.

Outro erro, segundo Lacerda, é enviar o original focando na própria expectativa de vendas expressivas, de sucesso imediato. “É um direito do autor criar essa expectativa, mas é antecipar uma frustração considerando que mesmo autores publicados por grandes editoras têm enormes dificuldades para viver apenas de venda de livros“, completa.

Para Marianna Teixeira, o autor não pode ser arrogante e pretensioso. “Tem que entender que o agente ou o editor estão apostando no trabalho dele e que todos estarão em busca dos melhores resultados. Também é preciso saber ouvir e ter disposição de trabalhar duro“, diz.

Se a pessoa me mandou um e-mail e eu respondi dizendo que vou avaliar e que vou entrar em contato, isso vai acontecer – mas pode demorar. Então, não tem problema nenhum essa pessoa escrever ou ligar perguntando se eu esqueci o livro. Mas se ele insiste e cobra muito, ele vai precipitar uma resposta minha liberando, sugerindo que ele procure outra editora se tiver muita pressa. Não é que a pessoa deva entregar o livro na editora e não fazer um controle disso, mas é importante que ele se informe um pouco sobre a dinâmica desse mercado, saiba quantos livros a editora publica por ano, para entender como é o processo de seleção para chegar nessa peneira tão restrita”, explica Carlos Andreazza.

Para Ricardo Almeida, presidente do Clube de Autores, o grande erro de quem opta pela autopublicação é acreditar que basta publicar e esperar que as vendas aconteçam. “O mercado não é mais assim. Para falar a verdade, acho que jamais foi. O escritor precisa entender que escrever a história é apenas o primeiro passo. Ele precisa saber construir a sua audiência, mantê-la próxima, bem cuidada e sempre engajada. Se conseguir fazer isso, terá um caminho brilhante pela frente.”

Ansiedade gera erros. Muitas vezes o autor atropela o processo. Muitos marcam lançamentos antes da obra sequer ter entrado em gráfica. Há autores que chegam até nós, com originais que julgam prontos para a publicação e na lida do primeiro parágrafo já encontramos erros gramaticais“, aponta Chris Donizete, publisher da Livrus.

Para quem quer publicar um livro neste momento, Marianna Teixeira diria: “Você vai começar a se tornar um autor quando for publicado. Ou seja, quando o seu trabalho se tornar público. Isso demanda não somente talento, mas trabalho, obstinação e paciência. Então seja bastante rigoroso com o que vai apresentar aos leitores. Eles são muito exigentes. Acredite, ser escritor não é para os fracos”.

Já Eduardo, “que atualmente publicar um livro é extremamente simples e barato, quando não é de graça. Que muitas das pequenas editoras podem fazer um trabalho tão importante, de qualidade e relevante quanto as grandes. E que o trabalho com a literatura e com o livro é um trabalho que só dá resultados a longo prazo e que é um trabalho para muitas mãos. Que editores e editoras, ao mesmo tempo que hoje são desnecessários para quase todos os processos de feitura do livro, ainda podem [e devem] surpreender e ser sempre um parceiro do escritor”.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente por ESTADÃO | 23/01/2016, às 04h59

Portal dos Livreiros encerra o ano com saldo positivo


 Projeto já conta com mais de 12,7 mil clientes inscritos e quase 500 livreiros

 

Há seis meses, Julio Daio Borges colocava no ar o seu Portal dos Livreiros, uma rede de vendedores de livros do Brasil. Nos seis primeiros meses de funcionamento, o portal contabilizou mais de 12,5 mil leitores inscritos e está chegando aos 500 livreiros cadastrados. Funciona assim, livreiros e donos de sebos cadastram seus livros e os oferecem aos leitores que recebem diariamente uma newsletter com os títulos do dia. Julio disse ao PublishNews que diariamente, cerca de 100 novos livros são incluídos no sistema. O próximo passo será efetuar as vendas pelo portal [hoje os compradores são direcionados para uma interface com os vendedores e a operação não é realizada dentro do ambiente do Portal dos Livreiros]. O Portal dos Livreiros oferece um plano gratuito para pequenos livreiros, que podem disponibilizar até 100 livros no portal. Acima dessa quantidade, é cobrada uma taxa.

PublishNews, Redação, 22/12/2015

Em tempos de crescimento baixo, plataforma vê aumento de 10% nas vendas de eBooks em 2015


Plataforma de autopublicação fecha o ano com 32,5 mil e-books publicados

Ricardo Almeida, do Clube de Autores, comemora crescimento nos números de vendas de e-books de sua plataforma | © Divulgação

Ricardo Almeida, do Clube de Autores, comemora crescimento nos números de vendas de e-books de sua plataforma | © Divulgação

Em recente matéria publicada pelo Estadão, Maria Fernanda Rodrigues entrevistou grandes players do mercado que concluíram que o crescimento do mercado de e-books no Brasil é ainda lento. Na contramão dessa máxima, o Clube de Autores, plataforma de autopublicação e distribuição de livros [impressos e/ou digitais] informa que a participação dos e-books em suas vendas cresceu 10% em 2015. “Em 2013, o total de e-books representou apenas 3% das nossas vendas; em 2014, esse número saltou para 8%; em 2015, ele deve fechar em 18%”, disse Ricardo Almeida, diretor-presidente da empresa. Hoje a empresa conta com 50.026 títulos publicados, desses 32.490 em formato digital [muitos títulos saem nos dois suportes simultaneamente]. E esse número vem crescendo ano a ano, de acordo com Almeida. “Tivemos 6.752 e-books publicados em 2013; 8.701 em 2014 e 10.530 em 2015. Ou seja: entre 2013 e 2014, nosso acervo de e-books cresceu 28%; entre 2014 e 2015, 21%”, comemora. Ricardo disse ainda que nesse período, o acervo do Clube de Autores cresceu 23%. “Em outras palavras: o volume de e-books cresceu acima da média em 2014 mas levemente abaixo da média em 2015. Perceba que estamos falando aqui de publicações, não de vendas”, concluiu. Ricardo atribui esse crescimento à distribuição dos e-books do Clube de Autores em grandes canais de vendas, como Apple, Google e Amazon.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 21/12/2015

A eterna luta do mercado editorial contra a pirataria


Entre janeiro e a última quarta, 16, foram excluídos, de sites brasileiros e estrangeiros, 125.650 links que ofereciam, gratuitamente, livros protegidos por direitos autorais para download. 5% dos sites notificados pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] ainda não atenderam o pedido e podem ter de responder na Justiça – caso a identidade dos responsáveis seja conhecida. No caso do Le Livros, citado na coluna da semana passada, há mais de um ano, a entidade segue seus passos na tentativa de tirá-lo do ar. Na lista de livros mais pirateados em 2015 – 80% em PDF –, estão títulos esgotados, caros ou baratos. Portanto, não há lógica. Em janeiro, o campeão foi O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick; em abril, A Tríade do Tempo, de Christian Barbosa; em julho, O Livro Negro do Comunismo, de Stephane Coutois; em outubro, A Dominação Masculina, de Pierre Bordieu.

Confira o ranking completo

Janeiro – O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick [331 links]
Fevereiro – Sem Clima para o Amor, de Rachel Gibson [485 links]
Março – Procura-se um Marido, de Carina Rissi [724 links]
Abril – A Tríade do Tempo, de Christian Barbosa [724 links]
Maio – 50 Anos a Mil, de Lobão [299 links]
Junho – Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal, de Alan e Barbara Pease [396 links]
Julho – O Livro Negro do Comunismo, de Stephane Curtois [174 links]
Agosto – Conversando com os Espíritos, de James Van Praagh [198 links]
Setembro – Tratado de Fisiologia Médica, de Guyton & Hal [134 links]
Outubro – A Dominação Masculina, de Pierre Bordieu [160 links]
Novembro – Direito Civil Esquematizado, de Pedro Lenza [169 links]
Dezembro – Empreendedorismo, de Idalberto Chiavenato [244 links]

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo, Babel | 19/12/2015

Crescimento do mercado de eBook é lento no Brasil, mas ainda há esperança


Há três anos, grandes players chegavam ao País; hoje, o mercado está mais avançado, mas ainda espera por seus leitores

Em 2011, Duda Ernanny, pioneiro com sua [hoje extinta] Gato Sabido do mercado de e-books e vendedor do primeiro E-reader no País, o Cool-er, profetizou: “Até 2015, o livro digital já vai ter ultrapassado o físico em volume de vendas no Brasil”. Era um momento de euforia e expectativa – um ano após sua declaração, os grandes players, tão aguardados e que revolucionariam a leitura digital no País, iniciariam suas operações.

De lá para cá, o mercado se desenvolveu e cresceu significativamente, porque partiu do zero, mas ainda representa muito pouco do faturamento das editoras. Considerando que o número de livros físicos vendidos em 2015 será similar aos 277 milhões de exemplares apurados pela Pesquisa Produção e Venda do Mercado Editorial [2014], feita pela Fipe, e a estimativa de venda de 3,65 milhões de e-books este ano, o porcentual ficaria em 1,31%. No caso das grandes editoras, no entanto, ele beira os 4% – nos EUA, fica entre 25% e 30%.

Paulista. Empresa sai do ambiente virtual para mostrar o leitor digita

Paulista. Empresa sai do ambiente virtual para mostrar o leitor digita

Ainda segundo a mais recente edição da pesquisa, o mercado editorial brasileiro faturou R$ 3,8 milhões em 2012 com venda de livros digitais, R$ 12,7 milhões em 2013 e R$ 16,7 milhões em 2014. É importante dizer que os valores, que mostram uma relação de 0,3% do faturamento das editoras, se referem à soma das que responderam ao questionário, sem nenhuma inferência estatística. Como um todo, o mercado editorial brasileiro é estimado em R$ 5,4 bi.

O mercado cresce, mas não na velocidade esperada. Eduardo Melo, da também pioneira Simplíssimo, produtora de e-books, imaginava que a essa altura estaríamos mais desenvolvidos. “Não só em vendas, mas na presença do livro digital no cotidiano das pessoas”, diz.

As editoras estão produzindo, as livrarias oferecendo e algumas pessoas comprando – são vendidos, diariamente, 10 mil e-books, segundo fontes do mercado. Mas é preciso muito mais para o investimento começar a valer a pena. O e-book é um produto virtual, que não está no imaginário ou no caminho do leitor. E tem fama de caro.

Vêm da Amazon, tão temida pelos concorrentes, duas iniciativas exemplares de tentativa de popularizar o produto. Primeiro, ela abriu um quiosque na entrada do Top Center, em plena Avenida Paulista, para expor o Kindle e deixar as pessoas experimentarem o E-reader. Cupons de desconto para uso na loja são distribuídos no local. Depois, em parceria com duas marcas de bombom, a Amazon fez o que pode ser considerada a primeira campanha efetiva de leitura de e-book. Elas distribuíram nada menos do que 30 milhões de caixas de bombom em 5 mil pontos de venda. Quem comprar pode escolher um entre 10 e-books selecionados para a promoção. E não é preciso ter o Kindle. Basta baixar o aplicativo da empresa e ler no computador, tablet ou smartphone. “Iniciativas como essa mostram o tipo de marketing que o e-book precisa porque vão despertar o interesse em um público que já é conectado e mobile, ou seja, já tem o equipamento necessário para ler um e-book, mas ainda precisa de um empurrãozinho para conhecer e usar a tecnologia”, completa Melo.

Escritores também aproveitam o momento para experimentar. Com dois livros acertados para publicação em 2016 e 2017 e outros originais na gaveta, Tailor Diniz, 60 anos, resolveu testar a plataforma de autopublicação da Amazon, a KDP, depois de ter sido abordado por uma funcionária da empresa na Feira de Frankfurt, com um livro que achava difícil interessar a editoras tradicionais.

O livro digital é uma experiência totalmente diferente do impresso. É mais ou menos como abrir um restaurante no interior da Coreia sem saber o que os caras gostam de comer”, brinca. “Eu quis deixar esse livro, A Matéria da Capa, como uma espécie de garrafa com uma mensagem no mar. Vai ficar lá. Um dia, talvez daqui a 10, 20, 50, 100 anos, ela bata na margem de alguma praia e seu conteúdo seja descoberto”, comenta. Se cair no gosto popular ou se a Amazon adotar suas estratégias de venda e divulgação, o sucesso pode vir mais rapidamente.

Como Diniz comentou, não há informações concretas sobre o perfil desse novo leitor. Há quem diga que segue a métrica do livro físico: mulher paulistana abaixo dos 30. Mas tem funcionado muito bem com livros de ficção científica, suspense e fantasia e romances [enquanto histórias de amor, e não gênero literário]. Embora o Jabuti tenha incluído este ano a categoria digital infantil, as vendas de títulos para esse público ainda não são significativas – e testes de formatos seguem sendo feitos. “Tenho visto que o e-Pub consegue ser percebido como livro e o aplicativo não tem crescido muito. Um pouco de interação é bom, mas quando ela mantém a essência da leitura, sem distrair a criança com tantos penduricalhos”, explica Marcelo Gioia, diretor da distribuidora alemã Bookwire no Brasil.

Havia também a ideia de que os “jovens adultos” seriam um bom público consumidor, mas segundo Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional de Editores, isso não está acontecendo. Dono da Sextante e sócio da Intrínseca, ele dá o exemplo de A Culpa É das Estrelas, best-seller da segunda casa, que vendeu, no digital, cerca de 3% do que vendeu do impresso. Ele não crê que o E-reader tenha se popularizado entre os jovens.

Digital. Mais confortável que o tablet, o E-reader ainda não se popularizou
Digital. Mais confortável que o tablet, o E-reader ainda não se popularizou

Há muitas vantagens do digital sobre o impresso, mas ele é um grande mistério. Ainda não conseguimos descobrir a fórmula de torná-lo um grande mercado”, diz Pereira. No balanço da Sextante, o e-book representará 5% de seu faturamento [excluindo da conta os livros de colorir]. Quando eles voltam para a planilha, cai para 3,5%. Em 2014, o índice foi de 3,2% e em 2013, 1,62%. No Grupo Record, eles representarão 3% do faturamento total deste ano. Já a Intrínseca, cuja venda de e-book ficava nos 2% nos últimos dois anos, deve fechar 2015 com um pouco mais de 3%.

É sempre legal e muito importante a gente vender o nosso conteúdo em diferentes formatos e acho que este mercado ainda é promissor. Tudo indica que ele vai crescer ainda mais”, comenta Jorge Oakim, publisher da Intrínseca, que lança, no ano que vem, mais um volume da série de Elio Gaspari sobre a ditadura brasileira num formato um pouco além do tradicional e-book: com conteúdo extra, links, etc.

É mais ou menos este o modelo ideal para Flávio Pinheiro, diretor do Instituto Moreira Salles, que acaba de fazer sua primeira experiência digital. Cartas do Pai, de Alceu Amoroso Lima, sai em duas versões – uma delas com seis vídeos. “Um e-book deve ser necessariamente uma publicação que traga acréscimos com relação a uma publicação impressa, quer sejam imagens em movimento, magnificação de imagens, remissões, estudos e arquivos mais robustos”, explica.

Preço e ranking. Em recente entrevista ao Estado, David Naggar disse que o livro digital custava caro no Brasil. No geral, eles ficam 30% e 40% mais baratos que o impresso. “Estamos tentando chegar ao preço médio de R$ 15, mas existe uma pressão para diminuir ainda mais. Ganha o leitor, mas toda a cadeia perde”, explica Marcelo Gioia.

Os custos de produção de um livro digital são mais baratos que os de um impresso, claro. Para fazer um e-book de 250 páginas de texto, a editora paga cerca de R$ 350 – e esse arquivo é revendido pelo tempo que durar o contrato. Livros infantis e técnicos podem sair mais caros que o tradicional. Mas há vários custos embutidos, como, acredite, o do encalhe do livro físico que poderá ser provocado pelo sucesso da versão digital, comenta Marcos da Veiga Pereira. “Preço é fundamental”, confirma Willian Novaes, da Geração, que ofereceu O Pequeno Príncipe por R$ 2,99 e já soma 10 mil cópias vendidas.

Entre os entraves para a popularização dessa forma de leitura, além do preço das obras [as autopublicadas levam vantagem por serem mais baratas], estão o valor do E-reader [a partir de R$ 299], a experiência de leitura [alguns arquivos com erros, a tecnologia pode ser complicada] e metadados displicentes – são essas informações que permitirão que a obra seja encontrada no buraco negro da internet e das lojas virtuais. Sobre essa última questão, vale dizer que duas empresas estão chegando para unificar essas informações: a Mercado Editorial, de Eduardo Blucher, e a Books in Print, da Feira do Livro de Frankfurt, MVB [empresa de tecnologia da Associação de Editores Alemães] e Câmara Brasileira do Livro.

Pereira acredita que o cenário continuará o mesmo em 10 anos. “Não vejo ninguém entrando e não vejo por que alguém sairia. Mas se a Amazon desenvolver uma estratégia muito agressiva de venda de Kindle e a Apple parar de cobrar em dólar, tudo pode mudar.

A tendência é que as vendas se concentrem mesmo em empresas de tecnologia, e Amazon e Apple são líderes de mercado. Depois aparecem mais ou menos com a mesma performance Cultura/Kobo, Google e Saraiva.

Serviços de assinatura de livros, bibliotecas digitais, autopublicação. Tudo isso cresce no Brasil e pode ajudar a disseminar a leitura eletrônica. E como uma coisa puxa a outra, novas empresas surgem na esteira. “Vimos um aumento de empreendedores que nasceram exclusivamente para o negócio digital e que não pretendem migrar para o impresso”, comenta Daniela Manole, da comissão de Livro Digital da CBL.

NÚMEROS

10 mil

e-books são vendidos diariamente no Brasil

3,5 milhões

é a quantidade de e-books no acervo da Amazon, o maior do País – estão incluídas obras nacionais e estrangeiras

40 mil

é o número de títulos em português oferecidos pela Cultura. Amazon tem 65 mil e Saraiva, 57 mil [nos dois casos, estão incluídas obras de autopublicadas]

R$ 299

é quanto custam os leitores digitais mais baratos no País

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S.Paulo | 19/12/2015 | 06h00

Notícias de Guadalajara


Nós estivemos na Feira Internacional de Libro de Guadalajara [FIL] e as notícias que trazemos de lá são muito boas! A começar que o projeto “Pipoca na FIL”, em nome da Suria, foi selecionado pelo MinC para compor uma delegação que representou a bibliodiversidade brasileira.

[Foto 1: Delegação brasileira do MinC]

[Foto 1: Delegação brasileira do MinC]

E o mais bacana é que, além de nós, havia outra proposta de digitais infantis neste grupo de 24 pessoas, a Storymax, que produz Apps-books infantis e estava representada pela Samira Almeida. Tivemos um estande onde pudemos expor nosso catálogo e, claro, demos uma boa andada na feira buscando as iniciativas voltadas para este nosso nicho.

[Foto 2: Estande do MinC na Área Internacional da FIL]

[Foto 2: Estande do MinC na Área Internacional da FIL]

[Foto 3: Dois iPads no stand do Brasil, um com os Apps da Storymax e outro com o nosso catálogo]

[Foto 3: Dois iPads no stand do Brasil, um com os Apps da Storymax e outro com o nosso catálogo]

Mas não foi só nesta caminhada pela FIL que vimos propostas relacionadas ao digital, a própria organização da feira tinha também este foco, então na Área Internacional havia a Área do Livro Eletrônico e fazia parte da programação, em um dos auditórios, a Oficina de Edição Digital. Buscadoras de eventos formativos que somos* [a participação nestes, aliás, foi o principal objetivo que propusemos ao MinC], participamos desta oficina, realizada pelo argentino Daniel Benchimol. Foi bem rico.

Para editores como nós, que já trabalham com livros digitais, muitas informações não eram novas, mas houve uma rica discussão sobre DRM e o Daniel, como observador das alterações que o digital provoca na cultura como um todo, como produtor de conteúdos digitais e como alguém que estuda e analisa este movimento de mudança, é a favor de que as editoras retirem os DRMs e, com isso, tenham mais liberdade de criação e de vendas em sites próprios: “Neste momento de alteração, é muito importante que a industria editorial seja protagonista, mas o DRM significa manter o modelo de negócio dos livros impressos, quando o digital traz novos paradigmas de leitura e de contato com livros”.

Diante de tudo o que vimos e ouvimos, o que mais ficou claro para nós nesta feira foi como o modelo de negócio de digitais tem que levar em consideração não só o mercado de livros, mas também a indústria dos livros, industria que, aliás, como o próprio Benchimol disse, é muito antiga e resistente a mudanças. Mas o fato é que ela existe e que terá dificuldade em incorporar o digital se ele estiver totalmente desarticulado dela.

Quando André Palme trouxe notícias de Frankfurt,** um dos comentários dele foi este: que em feiras grandes é que vemos com clareza que os livros são parte de uma indústria enorme e global. O que nós acrescentamos é que esta indústria gira com peças que envolvem os editores, os distribuidores, os autores [incluindo aqui ilustradores, no caso de infantis], os leitores e, focando nos digitais, os programadores. Além das bibliotecas e bibliotecários, das escolas e dos professores, dos promotores de leitura, etc! São estas peças que movimentam o mercado. É toda uma engrenagem que já está estabelecida há séculos e que simplesmente não vai sofrer alterações bruscas e radicais porque surgiram os livros digitais.

Mas como as novas produções entram em convergência com essa industria já tão estabelecida? A partir da adaptação daqui e dali… É enorme a quantidade de bibliotecas digitais e de serviços de subscrição a plataformas de livros [estilo Netflix] que já existem fora do Brasil e que podem, sim, servir como canal de distribuição de nossos conteúdos. Se o objetivo de uma feira internacional de livros, em termos de negócios para livros impressos, é vender direitos, a nós parece que no caso de digitais, o mais importante é buscar ferramentas de distribuição que, realmente, possam capilarizar o alcance dos livros.

Na área do livro eletrônico eram quinze espaços de negociação — sendo 13 com esse objetivo de distribuição e capilarização — além de um local onde aconteciam palestras informativas sobre estes serviços. Ao lado dos tablets [ou das telas touchs que literalmente estavam lá para ampliar a visibilidade dos e-books], as pessoas ensinavam o funcionamento das plataformas, dos livros, das compras… um trabalho educativo, mesmo.

[Foto 4: Área do livro eletrônico, na área internacional da FIL]

[Foto 4: Área do livro eletrônico, na área internacional da FIL]

[Foto 5 e 6: Telas touch para ampliar a visibilidade do livro digital]

[Foto 5 e 6: Telas touch para ampliar a visibilidade do livro digital]

Já estávamos felizes com o que tínhamos visto. Novas possibilidades de distribuição, televisões touch enormes que incitavam a interação, esclarecimento do nosso modelo de negócios… Eis que fomos a uma palestra no Encontro de Promotores de Leitura e, quando nem esperávamos escutar nada sobre os livros digitais, ouvimos o historiador francês Roger Chartier dizer: “Qual será nosso futuro? Quem sabe? O que sabemos é que cada momento de mudança sempre produziu uma coexistência com o passado, e aconteceu com transformações e não com revoluções. O que sabemos é que os novos leitores, os nativos digitais, entrarão na leitura por meio do digital”.

E, falando especificamente de crianças, um dos organizadores da feira é o Conaculta, que é o equivalente ao nosso MinC, só que no México. Eles têm salas de leitura por todo o país e investem em livros digitais e em aplicativos de criação literária ou incentivo à leitura e em livros didáticos e audiolivros para escolas [não sabemos como acontece na prática, mas o investimento em si já é bem interessante]. E quando passamos por seus espaços, o que vimos foram crianças e adolescentes utilizando os tablets e os livros impressos. Passeando entre os dois ambientes com absoluta naturalidade. Vale destacar que os conteúdos desenvolvidos para crianças também atraíam os adolescentes, será que isso pode ser demonstrativo de uma demanda de aplicativos relacionados a livros para eles? Fica a pergunta.

[Fotos 7 e 8: Espaço de livros digitais do programa Salas de Lectura, do Conaculta - Mx]

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[Fotos 7 e 8: Espaço de livros digitais do programa Salas de Lectura, do Conaculta – Mx]

[Foto 9: Espaço de divulgação dos livros didáticos e áudio-livros adotados pelo sistema de educação do México]

[Foto 9: Espaço de divulgação dos livros didáticos e áudio-livros adotados pelo sistema de educação do México]

Uma outra coisa que não sabíamos é que a Colômbia está investindo muito nesse mercado e um projeto colombiano que nos encantou foi uma plataforma de leitura online gratuita, que apresenta áudio, fotos, músicas e outras produções relacionadas ao livros digitalizados além da produção de livros de arte impressos [lindos], que pertence a uma fundação de preservação literária, a Fundación El Libro Total. Muita coisa acontecendo que envolve toda a cadeia produtiva do livro.

[Foto 10: Plataforma de leitura online da Fundación El Libro Total]

[Foto 10: Plataforma de leitura online da Fundación El Libro Total]

[Foto 11: Livro impresso de exposição da Fundación El Libro Total]

[Foto 11: Livro impresso de exposição da Fundación El Libro Total]

É claro que já sabíamos que, qualquer que seja a produção editorial digital que se queira fazer, não dá pra ignorar toda a indústria do livro já tão estabelecida. Mas não tínhamos tão claro o tanto que as possibilidades de distribuição estavam se desenvolvendo, quais delas já estavam aceitando os diversos formatos, entre outras novidades menos divulgadas que são muito ricas. E é interessante pensarmos nas possibilidades de difusão gratuita, também. A Wordlreader, que já tem representação no Brasil e disponibiliza gratuitamente livros digitais para as áreas mais pobres do mundo, fez uma apresentação linda no Encontro de Promotores de Leitura, com dados incríveis de alcance desta iniciativa de incentivo à leitura. Nem sempre os editores podem disponibilizar conteúdos gratuitamente, por conta dos contratos, mas vale a pena conhecer a iniciativa e pensar em uma maneira de participar.

Unindo todas estas informações sobre modelos de negócio, investimentos, indústria e mercado de livros, distribuição e alcance dos livros digitais, o que dizemos é que vir pra FIL – Guadalajara foi uma felicidade enorme, pois vimos o tanto que este negócio está em expansão e o tanto que o mercado está em movimento, considerando toda esta indústria do livro. E voltando lá ao comecinho deste texto: é parte da bibliodiversidade brasileira. É gratificante participar deste movimento.


* no nosso blog [www.pipocaazul.editorapipoca.com.br] sempre escrevemos sobre os eventos de que participamos.

** tanto aqui no colofão [link?] quanto em um evento na livraria Blooks.

Editora Pipoca

Por Suria Scapin | Editora Pipoca |Publicado originalmente em COLOFÃO |

Começou a trabalhar no mercado editorial com 16 anos e passou por editoras como Madras, Atual, Abril, Leya e Sarandi, além de ter atendido muitas mais pela S4 Editorial. Com formação em Desenho Industrial e em Língua Portuguesa e Literatura, ambas pelo Mackenzie, sempre revezou entre texto e arte, até que resolveu unir os dois conhecimentos e tornar-se a responsável editorial da Editora Pipoca.

Isabela Parada
Para buscar compreender como funciona a cabecinha dos pequenos, Isabela foi estudar Pedagogia na UEMG, onde encontrou seus fundamentos teóricos e participou do grupo de pesquisa e estudos Contra-Violência na Infância. Na Escola Pés no Chão [Belo Horizonte], aprofundou os estudos sobre a Pedagogia Freinet. Hoje é pedagoga da Pipoca e contadora de história na creche de Milho Verde [MG], pelo Instituto Milho Verde. Aprendeu que o crescimento das crianças é também o processo de criação delas mesmas e entende que essa criação é individual e única.