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Grebal realiza palestra com especialista em livros digitais


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Ednei Procópio é autor de quatro livros, um de ficção e os demais sobre livros digitais

BARRA MANSA (RJ) | Com o objetivo de trazer palestras, oficinas e cursos para os grebalistas, o Grêmio Barramansense de Letras (Grebal) trouxe para a cidade o escritor Ednei Procópio, na ocasião, ele ministrou palestras no Centro Universitário de Barra Mansa (UBM) e na sede do Grebal.

De acordo com o presidente do Grebal Rozan Silva, Ednei é uma autoridade na área. “Ednei é uma das maiores autoridades quando o assunto é livro digital no Brasil, poder proporcionar uma palestra desse nível é algo que nos engrandece muito. Ele tem reconhecimento nacional dentro da área literária e, em 2015, foi finalista do Prêmio Jabuti. Nossa intenção é procurar trazer escritores, que possam acrescentar e dar mais informação ao autor local”, destaca Rozan.

Autor de dois livros, um de ficção e um sobre o livro na era digital, no domingo, Procópio realizou um bate papo sobre seu livro de ficção ‘Qu4dri- O tabuleiro Mágico’, que conta a história dos jogos de tabuleiros, é um romance que se passa num reino que vive de fabricação e venda de jogos de tabuleiros, o rei se ausenta do trono e causa instabilidade do reino, a região entra crise e a guerra está declarada. “A história do livro se reflete na nossa história, é uma história pesada para que as pessoas possam pensar e refletir no que está se passando em nosso país. Foram três anos entre pesquisa e escrita e mais um para ser publicado, o resultado tem sido positivo”, destaca Procópio.

Já no UBM, além dos grebalistas, estiveram reunidos estudantes e a população em geral para discutir questões sobre o livro inserido no universo digital. Em sua obra ‘O Livro na Era Digital’” traz 23 capítulos que mostra em que estágio estamos na digitalização, dá dicas de como nos preparar para a próxima tendência e o que podemos fazer para manter os negócios na chamada Web 2.0 e tirar ainda mais proveito da Era Digital. “A maioria das pessoas estão voltadas para uma tela, seja celular, computador ou tablet, temos que inserir o livro nesse contexto para que tenham mais acesso. Se o olho está voltado para a tela, por que não colocar o livro dela? Isso facilita a leitura ou a compra do mesmo”, indaga o autor.

De acordo com Ednei, a leitura em tela é lenta, dispersa, porém, é uma leitura mais rápida, barata e cômoda. “Considero que valha mais a pena ler livros técnicos em formato digital do que na forma física. Na versão digital, o leitor vai encontrar opção de multimídia o que traz mais entendimento a quem lê. Já a leitura de entretenimento depende do tempo disponível que o leitor tem. Geralemnte o público dessa área é formado por estudantes, professores da área de comunicação, bibliotecários, livreiros e blogueiros”, citou.

Ednei Procópio possui uma pequena editora em São Paulo, onde vive, há alguns anos, publicou um livro de Eliana Neri, da amizade, surgiu o convite para conhecer Barra Mansa. “Fiz questão de estar aqui e ajudar no trabalho do Grêmio que vem crescendo, se atualizando e reinventando. O Grebal tem tudo para crescer e se tornar um belo instrumento de cultura, tem condições e boa aceitação pela comunidade. A cultura tem sido posta de lado, cultura é educação, se fosse investido em cultura poderia diminuir os números de criminalidade”, destacou o escritor.

Sobre Ednei Procópio

Começou a pesquisar sobre livros digitais em 1998 quando terminou de escrever um livro de poesias, ‘Os versos de James’, e não conseguiu publicá-lo. Esta é sua primeira obra literária, no entanto, acabou sendo publicada em 2001 pela iEditora, onde trabalhou como editor até 2005. A iEditora foi a primeira empresa editorial brasileira a trabalhar com os livros digitais comerciais.

Pioneiro, Procópio criou a eBookCult em 2001, a primeira empresa a importar um leitor de livros digitais (mais tarde chamado e-reader) para o Brasil. Vendeu um lote de mil máquinas quando ainda não existia e nem se falava em Kindle, Kobo ou Lev.

Em 2005, Procópio publicou ‘Construindo uma Biblioteca Digital’ e, em 2010 lançou o livro ‘O livro na Era Digital’. Seu último livro ‘A revolução dos eBooks’, foi publicado pela Editora do Senai no início de 2014 e indicado ao Prêmio Jabuti em 2015.

Enquanto editor, Procópio já produziu e publicou perto de mil títulos em diversos formatos. E comercializados e diversas plataformas e aplicativos. Fundou a LIVRUS Negócios Editoriais,cujo escritório fica sediado na capital São Paulo. A Livrus é uma empresa de comunicação editorial, que tem como objetivo levar os autores e as suas obras para a era digital.

Além de palestrar sobre as questões do mercado editorial em eventos no Brasil todo, hoje, Ednei Procópio é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil.

Publicado originalmente em A Voz da Cidade | 01/06/0217

Prêmio São Paulo de Literatura 2017


A Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo está com inscrições abertas para o Prêmio São Paulo de Literatura 2017. O prazo para escritores e editoras se inscreverem vai de 7 de março a 20 de abril e podem concorrer romances em duas categorias: “Melhor Livro do Ano” e “Melhor Livro do Ano – Autor Estreante” – esta última dividida em duas modalidades “Autores com Mais de 40 Anos de idade” e “Autores com Menos de 40 Anos de idade”. Para conhecer o Edital Completo, clique aqui.

A Resolução do Secretário da Cultura, José Roberto Sadek, instituindo a versão 2017 do Prêmio pode ser lida clicando aqui.

Com a premissa de incentivar a leitura, a produção e a difusão literária, o Prêmio São Paulo de Literatura contribui para a formação de novos leitores e escritores, sendo um dos poucos no país a ter categoria específica para estreantes. Também se destaca por reconhecer os grandes nomes e os novos talentos da literatura contemporânea, abrindo portas não só para escritores nacionais, mas também para concorrentes estrangeiros com obras escritas originalmente em língua portuguesa e primeira edição mundial no Brasil em 2016. Abrangendo obras de ficção, no gênero romance, o Prêmio São Paulo de Literatura é o maior do país em valor de premiação individual: R$ 200 mil para o Melhor Livro do Ano e R$ 100 mil para cada autor estreante nas submodalidades +40 e -40.

Na categoria Melhor Livro do Ano, poderão se inscrever autores que já publicaram romances de ficção anteriormente. Já na categoria dos estreantes, os escritores podem ter obras publicadas em outros gêneros, desde que o livro inscrito seja o seu primeiro romance de ficção.

Edições anteriores

Em 2016, Anatomia do Paraíso [Editora 34], de Beatriz Bracher, foi eleito pelo júri do Prêmio São Paulo de Literatura o Melhor Livro do Ano. Já Marcelo Maluf, com A Imensidão Íntima dos Carneiros [Editora Reformatório], foi contemplado na categoria Autor Estreante +40 e Rafael Gallo recebeu prêmio na categoria Autor Estreante -40, com o romance Rebentar [Record].

A categoria “Autor Estreante” contribuiu também na revelação de novos nomes da literatura, tais como Jacques Fux [Antiterapias], Paula Fábrio [Desnorteio], Micheliny Verunschk [Nossa Teresa – Vida e Morte de uma Santa Suicida], Débora Ferraz [Enquanto Deus Não Está Olhando] e Marcos Peres [O Evangelho Segundo Hitler].

Sobre o Prêmio São Paulo de Literatura

Criado em 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo, o Prêmio São Paulo de Literatura é o maior do País em valor individual e tem como principais objetivos incentivar a produção literária de qualidade, apoiar e valorizar novos autores e editoras independentes, além de incentivar a leitura.

Desde que foi criado, o Prêmio teve participação de mais de 1.700 livros e premiou 22 romances, contribuindo de forma decisiva para dar visibilidade não só às obras vencedoras, mas também aos trabalhos finalistas.

Participe!

Clique para fazer download dos arquivos necessários:

Anexo I – Ficha de inscrição [Pessoa Física]

Anexo II – Ficha de Inscrição [Pessoa Jurídica]

Anexo III – Declaração do Autor Estreante

Anexo IV – Declaração da Editora

Educadora aborda como as crianças interpretam os sentimentos em audiolivro


Maior plataforma de audiolivros da América Latina traz, a partir desta sexta-feira, a obra ‘Tenho Monstros na Barriga’, de Tonia Casarin

A maneira como as crianças interpretam os sentimentos interfere no modo como elas irão decodificar diversos acontecimentos que terão ao longo da vida. Saber lidar com estas emoções é importante para a formação de qualquer indivíduo, mas também é essencial para que as crianças obtenham maiores oportunidades de êxito pessoal, social e, até mesmo, acadêmico.

Para tratar deste assunto de forma leve e descontraída com os pequenos, a educadora Tonia Casarin lançou o livro ‘Tenho Monstros na Barriga’. A obra conta a história de Marcelo, um menino que sente “várias coisas” na barriga e não sabe o que significa. Quando descobre que são sentimentos, Marcelo resolve chamá-los de monstrinhos. Ao longo da história, o menino narra os seus sentimentos e mostra oito monstrinhos: Alegria, Tristeza, Raiva, Medo, Coragem, Curiosidade, Orgulho e Ciúmes. “O livro busca aumentar a consciência dos sentimentos, aproximando as crianças dos seus pais e professores, possibilitando brincar e estimular a imaginação das crianças”, diz a autora.

A novidade é que, a partir desta sexta-feira, 27/01, os monstrinhos aderiram à tecnologia e chegam aos consumidores no formato em áudio, que pode ser acessado por celulares e computadores, seja através do aplicativo Ubook ou pelo site da empresa [www.ubook.com]. “Em nossa versão em áudio, também incluímos um trabalho de sound design, que acrescenta trilha e efeitos sonoros para que a audição da criança seja ainda mais estimulada, favorecendo a imaginação e a interpretação da história narrada”,explica Marta Ramalhete, Gerente de Produção do Ubook.

É uma forma lúdica de interagir com as crianças para auxiliá-las a desenvolver a habilidade de identificar e gerenciar emoções, estabelecer relacionamentos saudáveis e contornar comportamentos destrutivos, isto é, qualquer ação que a pessoa realize em prejuízo de si mesma. Dessa forma, quando confrontadas com situações difíceis, no futuro, elas terão as ferramentas para buscar soluções por conta própria”, comenta Tonia, que também foi responsável pela narração do audiolivro.

Apresentar esta versão em audiolivros para as crianças é interessante também pois um dos pontos cruciais de uma boa comunicação é ensinar as crianças a ouvirem. E, é através do diálogo que elas saberão pedir ajuda e dizer o que desejam em situações difíceis, o que acaba contribuindo para a resolução de conflitos e auxilia, inclusive, em situações de bullying”, avalia Eduardo Albano, Diretor de Conteúdo do Ubook.

Os benefícios de uma boa educação emocional também podem ser refletidos no aprendizado escolar, porque, quem sabe lidar melhor com as emoções tem mais facilidade para planejar e estabelecer metas a longo prazo. “Trabalhar bem os sentimentos também estimula a aquisição de habilidades sociais tão importantes como a empatia, isto é, torna as crianças capazes de se colocarem no lugar do outro, reconhecer e aceitar suas diferenças físicas, culturais ou emocionais. As vantagens permanecem na vida adulta, implicando em vidas profissionais bem sucedidas, casamentos saudáveis e menos propensão à depressão e outras doenças”, complementa a educadora.

Um estudo americano com 300 mil crianças mostrou que aquelas que estavam inseridas em programas de desenvolvimento de habilidades emocionais apresentaram rendimento escolar de 11 a 17% superior do que as que não participaram. Outra pesquisa da Unesco na America Latina também aponta a importância do desenvolvimento emocional nas crianças: projeto que abrangeu 54 mil estudantes concluiu que quem convive harmoniosamente com os colegas pode atingir notas até 46% mais altas do que aqueles que habitam ambientes de conflito.

A autora/narradora

Tonia Casarin formou-se em Administração pela PUC-Rio, em 2007, e é mestre em Educação pelo Teachers College em Columbia University, em Nova York, Estados Unidos. Já atuou no setor público, como na prefeitura do Rio de Janeiro e no governo do Estado do Rio, e privado. É professora de pós-graduação do Instituto Singularidades de São Paulo, coach e consultora em Educação.

Apaixonada por crianças e pelas emoções, Tonia focou os seus estudos na inteligência emocional e social, e como desenvolvê-la em adultos, adolescentes e crianças. Em suas pesquisas, aprendeu que o primeiro passo para desenvolver as competências do século 21 é saber identificar os sentimentos. Nesse contexto, Tonia escreveu o livro “Tenho Monstros na Barriga”, uma ferramenta para as crianças aprenderem a identificar as próprias emoções.

Sobre o Ubook: Lançado no início de outubro de 2014, o Ubook é o primeiro serviço de assinatura de audiolivros por streaming do Brasil. Ele funciona como o Netflix para vídeos ou o Spotify para música: por um valor mensal, ou semanal, é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo através do aplicativo. A plataforma, que já conta com mais de 1,5 milhão de usuários cadastrados e possui mais de 10 mil títulos em seu catálogo, está disponível para Web, iOs, Android e Windows Phone. Para saber mais acesse: http://www.ubook.com

Serviço:

Título: “Tenho Monstros na Barriga”

Autora: Tonia Casarin

Editora: Independente

Tempo de áudio: 9 minutos

Narradora: Tonia Casarin

Sonorização: Fabrício Signorelli

Onde ouvir: Ubook [www.ubook.com]

Blogueiro é parceiro


Coedições Livrus inicia 2017 com um convite especial para você blogueiro e youtuber.

Visando novas parcerias, a Editora Livrus selecionará blogueiros e youtubers para novas ações de marketing a partir de fevereiro. Se você é um apaixonado por livros, gosta de receber brindes, marcadores, exemplares, e outros mimos, não pode perder essa oportunidade. Para se inscrever, basta preencher o formulário disponível abaixo.

A Livrus irá selecionar 20 parceiros, até o final do mês de janeiro. Os parceiros selecionados já ganharão, logo de cara, kit de livros do escritor J. Modesto, um dos maiores autores nacionais de literatura fantástica. Os selecionados já terão também acesso aos nossos lançamentos, com material exclusivo!

Agradecemos o interesse em ser nosso parceiro.

Boa sorte a todos!

“O autor e o novo mercado editorial”, por Ednei Procópio


Estou pensando em publicar um novo sobre os livros digitais, desta vez com enfoque na educação. O título: “Os Livros Digitais e a Educação”. Na verdade, o texto já está pronto e até pensei em publicá-lo em 2016 mas percebi que qualquer ação que praticasse não ia surtir efeito, então resolvei deixar o texto guardado. E, bem, agora estou procrastinando mais uma vez.

A Revolução dos eBoks

A Revolução dos eBoks

Minha terceira e última obra, a mais recente sobre os livros digitais, foi lançada em março de 2014, pela Editora SENAI. O título que acabou agradando à editora foi “A Revolução dos eBooks”. Neste livro, falo dos motivos do título e quem, na verdade, antes de mim, cunhou o termo “[e]Book [R]evolution”.

O texto original da obra já estava pronto quando fui à convenção anual da Associação Nacional de Livrarias [ANL], durante a última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, para ministrar uma palestra sobre o mercado livreiro. No evento, conversando com um diretor da Editora SENAI, meu livro foi selecionado por eles para publicação. Foi uma experiência muito interessante ser, ao mesmo tempo, o editor de uma editora [para quem não sabe, sou o fundador da Livrus Negócios Editoriais], e ter um livro meu publicado por outra casa editorial.

Me lembro que, enquanto meu livro estava no prelo, fiquei pensando na expectativa que a publicação de uma obra gera em nós escritores. Eu, que sempre estive do lado de cá da mesa, atuando como editor, tive que provar do meu próprio veneno. Recebi inúmeras recomendações da equipe editorial daquele selo com o objetivo de melhorar minha obra. Percebi que aquele processo todo estava gerando em mim uma ansiedade que há tempos não sentia. Naquela ocasião eu pensava, será que minha própria editora gera essa mesma expectativa em seus autores?

Autores de um novo ecossistema editorial

Em “A Revolução dos eBooks”, deixo claro que, quando falo em revolução dos eBooks Readers, estou me referindo mais aos leitores em si, os consumidores dos livros na era digital, do que as máquinas por eles utilizadas para leitura. A revolução digital permitiu, na outra ponta do ecossistema editorial, que os autores tivessem acesso a dezenas de plataformas de autopublicação que, pela primeira vez desde Gutenberg, oferecem ao autor a possibilidade real de ver seu texto publicado sem as barreiras existentes no antigo modelo.

Na autopublicação, por exemplo, existe a [inter]mediação de uma empresa que, geralmente, faz uso das tecnologias e das mídias digitais para oferecer uma plataforma de publicação. Nestes casos, a empresa que oferece tais ferramentas tem um papel menos atuante no que diz respeito à produção dos livros e exatamente por esta razão, pode haver contraindicações no mau uso destas ferramentas, principalmente se o usuário não se preparar para o processo que vai se desenrolar a partir dali.

A editora que publicou meu livro, do contrário, mantém uma equipe editorial já treinada que, por mais que eu tentasse acelerar a produção do meu livro, por pressa minha mesmo, por pura ansiedade, não me permitiria errar em itens tão importantes como texto de quarta capa, texto de orelhas, texto sobre o autor, prefácio, sumário, etc.

Por exemplo, sou um nerd assumido, guardo ‘de cabeça’ todas as referências bibliográficas sobre eBooks. Mas, e se eu não incluísse esses dados bibliográficos em meu livro? Tive que entregar à editora a referência completa [tal qual reza a cartilha da ABNT]. Foi item obrigatório para ter meu livro publicado por aquele selo. Também me pediram as notas de rodapé para todas as referências que eu estava fazendo nos capítulos.

Malditas notas de rodapé

Então estava eu lá, um domingo inteiro, buscando as tais notas para entregar na segunda-feira pela manhã, para que meu livro fosse publicado o mais breve possível. Eu pensava: para que raios serve uma nota de rodapé? Pensando bem, quem lê esse troço?

Um livro de não ficção, que é caso da obra “A Revolução dos eBooks”, não pode ser considerado um bom livro se não tiver o mínimo que a ABNT sugere para que o material seja efetivamente considerado publicável. Fora ter de cuidar do ISBN e da Ficha Catalográfica [itens considerados obrigatórios pela Lei do Livro, por sinal] nós, autores e editores [nos casos em que não sejamos ao mesmo tempo a mesma pessoa], precisamos observar outros itens para que um livro tenha uma qualidade aceitável. Não importa o formato: se eBook, audioBook ou paperBook.

Será que os autores que se autopublicam [e não são editores] estão preparados para admitir que, para ter um bom livro publicado, a obra terá que passar inevitavelmente por uma preparação de texto, revisão, diagramação, capa, ISBN, Ficha Catalográfica? E que será preciso observar tantos outros itens imprescindíveis como hifenização, viúvas, órfãs, resenhas, release de qualidade, que também fazem parte da publicação de uma obra?

Autor que não é livro que não é editora

Deixando de lado, pelo menos por enquanto, a questão dos custos e financiamento da produção, são três os modelos atuais mais comuns para a publicação de um livro:

O primeiro deles é aquele que chamaremos tradicional; nele, o autor envia o livro para uma editora e a seleção da obra fica a cargo de um conselho editorial, responsável pela curadoria de um determinado catálogo. Neste modelo, a equipe editorial está presente do início ao final da produção do material enviado. É o caso usado por aquela editora na publicação do meu livro.

O segundo modelo, o da autopublicação, é o próprio autor que assume a responsabilidade pela produção de sua obra usando as atuais ferramentas disponíveis nas plataformas de selfpublishing. Neste modelo, é raro a presença de uma equipe editorial, ela não está presente para assessorá-lo. As ferramentas de autopublicação acabam por oferecer uma opção interessante para a edição de livros, criam um ambiente democrático, aberto e acessível; mas estas plataformas não ofertam aos escritores uma equipe editorial que, antes de tudo, primem pela qualidade editorial de sua obra. E o custo zero oferecido por tais empresas é a razão para isto não ocorrer.

E o terceiro modelo são as casas que prestam os serviços necessários para a publicação de um livro, unindo a liberdade da publicação com a qualidade editorial processada por uma equipe. Este é o caso da Livrus. E, antes que me perguntem, sim, os custos e os profissionais estão todos lá, presentes no processo.

Autores que se autopublicam

É realmente fascinante as possibilidades que a Internet, e suas [con]sequências, estão trazendo para o mercado editorial. Mas sabemos que somente a tecnologia não dá o respaldo necessário para que uma determinada obra tenha um bom título, um bom subtítulo, uma boa revisão, etc. Escrever rapidamente um livro e colocá-lo de imediato no ar só porque as ferramentas digitais assim o permitem, pode ser um tiro no próprio pé, principalmente se o autor não dominar os meandros da publicação de um livro. O autor que tiver, por exemplo, um material em potencial em mãos pode perder uma oportunidade única de seu próprio trabalho.

Fora isso, com o tempo, os leitores [os únicos que realmente ‘mandam’ neste novo mercado], inevitavelmente perceberão que as obras que tiveram uma curadoria, uma equipe editorial, são aquelas de fato confiáveis para se ler. Por isso, antes de colocar seu próxima o livro no ar, nestas plataformas automatizadas, pense se você, autor, sozinho, realmente pode e é capaz de realizar o trabalho que uma equipe inteira precisaria fazer para se ter um bom livro. Se for o seu caso, e se assim o considerar, tente a sorte.

Em “A Revolução dos eBooks”, busco detalhar a questão atual do financiamento de obras, seja pelo Governo, patrocinadores, concursos culturais, editoras e até pelo próprio autor quando for o caso. Mas, por ser especialista em eBooks desde 1998, talvez parecesse um contra senso eu, agora, atacar, criticar ou mesmo defender as ferramentas digitais de autopublicação. Meu objetivo não é este. Longe disso. Pelo contrário, testei a maioria das ferramentas disponíveis pessoalmente. E afirmo: elas são acessíveis e funcionam, de verdade. São verdadeiramente democráticas se comparadas a qualquer um dos demais modelos.

O fato é que, exatamente por ter estudado a fundo este assunto, cheguei à conclusão de que, se eu quisesse que o meu próprio livro tivesse qualidade que eu desejava, e que não caísse na vala comum de centenas de outros de identificada precariedade, eu não deveria fazer o livro inteiro sozinho, eu necessitava de um corpo editorial.

Felizmente, sou editor e poderia fazê-lo usando a equipe da minha própria editora, a Livrus, se fosse o caso, como alternativa. Mas, felizmente também, o novo mercado editorial está repleto de portas abertas para aqueles que não têm pressa em publicar, mas primam antes de tudo pela qualidade de suas próprias obras. E, por essa razão, encontram alternativas inúmeras, entre as quais as tradicionais.

Nos demais casos, como alternativa, a necessidade nos aponta um ambiente de ferramentas digitais de autopublicação atrelado a uma equipe de curadoria. A primeira automatiza o processo e ajuda a reduzir custos por conta da escala. A segunda assegura a qualidade. Estas duas, digamos, entidades, unidas, ajudam a equalizar a questão do financiamento das publicações e podem oferecer uma resposta adequada aos novos tempos, aos novos livros, enfim, a um novo mercado editorial.

Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

* Ednei Procópio, 40 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.

Cinco livros inspiradores para um novo ano


Ubook oferece sugestões que podem servir de incentivo para aqueles que veem na chegada do novo ano uma oportunidade de traçar planos de mudança de vida

Dezembro chegando, clima de festas, férias e, para muita gente, época de fazer um balanço e traçar planejamentos e estratégias para uma mudança de vida. Para quem quiser se motivar e fazer um projeto para o ano que está chegando, o Ubook, maior aplicativo de audiolivros por streaming da América Latina, tem em catálogo uma série de títulos que certamente vão servir de apoio a quem deseja iniciar o ano mais motivado. “E o melhor é que no meio da correria deste período, não é preciso separar um tempo exclusivo para ouvir estes livros, mas, sim, otimizar o período que estiver no carro viajando para o destino escolhido para as férias ou celebrações, ou mesmo enquanto pratica atividades para garantir o ânimo para encarar a maratona de festas, uma vez que os livros podem ser acessados pelo celular e não necessita de conexão com a internet”, aconselha Leonardo Sales, diretor de operações do Ubook.

Uma ótima opção para quem busca inspiração para novos rumos pessoais, profissionais ou mesmo uma nova abordagem de pontos de vistas são as biografias. Pois, além de conhecer curiosidades sobre a vida de pessoas que tiveram relevância na sociedade, pode trazer indicação sobre como agir diante de determinados situações cotidianas. E, para quem busca este tipo de conteúdo, o Ubook possui diversas opções em seu catálogo. Além deste tipo de literatura, há outros títulos interessantes que servem para incentivar a organização das finanças e da vida profissional no próximo ano. Para te auxiliar nesta jornada, listamos cinco obras que, certamente, irão te inspirar a por em práticas as promessas de mudanças para uma nova vida em 2017:

1.       A Arte da Guerra

A Arte da Guerra é originalmente um tratado militar elaborado pelo estrategista chinês Sun Tzu, e estima-se que tenha sido escrito em IV A.C.. Em seus 13 capítulos, aborda as melhores estratégias para se enfrentar um inimigo. Diz-se que ele foi livro de cabeceira de importantes líderes militares como Napoleão, Mao Tse Tung e Adolf Hitler. “Atualmente, seu conteúdo é utilizado por economistas e administradores para outro tipo de estratégia, como buscar a vitória nos negócios, pois a obra é um rico e verdadeiro tratado sobre planejamento, estratégia e liderança”, observa Sales.

Serviço:
Autor: Sun Tzu
Duração: 1:43:59
Narrador: Agnaldo Ribeiro

2.      A Menina do Vale: Como o Empreendedorismo Pode Mudar sua Vida

Em tempos em que a tecnologia está cada vez mais presente na vida das pessoas e que as startups tornam-se grande exemplos e modelos de negócios, nada melhor do que ouvir a biografia de Bel Pesce, uma das representantes brasileiras neste setor. Na obra, ela explica como criar projetos está diretamente ligado a assumir responsabilidades e, dessa forma, como conseguir traçar uma jornada empreendedora de sucesso. No livro, Bel, que sempre foi obcecada por conhecimento, conta sua trajetória de quando se mudou para o Vale do Silício, na Califórnia, em 2009, e passou a se dedicar ao empreendedorismo. Desde então, sua energia está voltada para o mercado de startups. Para ela, “ser empreendedor é colocar a mão na massa” e o foco está sempre voltado em aprender cada vez mais sobre como se constrói uma empresa. “Em pouco mais de uma hora, o usuário pode escutar, narrada pela própria autoria, tudo o que ela aprendeu em sua jornada empreendedora, além de conhecer  diversos casos de sucesso citados por ela, que auxiliaram no planejamento de quem busca tornar-se empreendedor neste ano que se inicia”, recomenda o diretor.

Serviço:
Autor: Bel Pesce
Duração: 1:15:42
Narrador: Bel Pesce

3.      Silvio Santos – A História do Homem do Baú

Silvio Santos é, sem dúvida, uma das maiores lendas da televisão brasileira. Além de carismático, sua história de vida, de vendedor a um dos maiores empresários do país, desperta interesse e curiosidade e pode servir de exemplo para muitas pessoas. “Baseado em pesquisas independentes, o ouvinte pode se inspirar na vida e na carreira de Silvio Santos [considerado pelo público, pela imprensa e profissionais do ramo como um ícone da comunicação no Brasil] com o histórico de sua trajetória. Além disso, para quem estiver em São Paulo, é uma ótima opção de adquirir conhecimento rápido e tirar ainda mais proveito ao visitar a exposição sobre o apresentador que está acontecendo na capital”, recomenda Sales.

Serviço:
Autor: Independente
Duração: 0:25:27
Narrador: Audren de Azevedo

4.      Eficácia – Como Tornar Seu Trabalho Mais Produtivo

Organizar as finanças e ganhar mais dinheiro está entre as prioridades da maioria dos brasileiros para o próximo ano. Uma ótima alternativa para conseguir alcançar este objetivo é tornar o trabalho mais produtivo, organizando melhor o tempo e otimizando os afazeres. “A realização completa e a execução apaixonada daquilo que fazemos têm de ser nossa marca registrada. Para que isso aconteça, temos de nos tornar, antes de tudo, eficazes. Este é um pré-requisito para o desenvolvimento pessoal e profissional, e também para a sobrevivência das empresas modernas”, comenta Sales. “E, se a ideia é organizar melhor a vida no próximo ano, nada melhor do que iniciar estruturando melhor a vida profissional”, sugere.

Serviço:
Autor: Núcleo de Negócios O Fiel Carteiro
Duração: 0:27:54
Narrador: Rico Ribeiro

5.      A Grande Lição de Steve Jobs

Steve Jobs é um ícone mundial de empreendedor que conseguiu se reinventar, além de ser considerado por muitos um gênio visionário e criativo. Este audiolivro apresenta o discurso feito por ele aos formandos da Universidade de Stanford, no qual fala sobre as histórias que o motivaram a perseguir o sucesso em todas as etapas de sua brilhante carreira, motivando cada um dos jovens que o ouviam. “É um momento que ficou registrado por algumas das frases mais marcantes de Steve Jobs e é uma inspiração para quem deseja ter sucesso em sua trajetória profissional”, indica o diretor.

Serviço:
Autor: Steve Jobs
Duração: 0:27:00
Narrador: Flávio Carpes

Sobre o Ubook: Lançado no início de outubro de 2014, o Ubook é o primeiro serviço de assinatura de audiolivros por streaming do Brasil. Ele funciona como o Netflix para vídeos ou o Spotify ou Rdio para música: por um valor mensal ou semanal é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo através do aplicativo. A plataforma está disponível para Web, iOs, Android e Windows Phone. Para saber mais acesse: www.ubook.com

O Futuro da Livraria do Futuro


Que tal nos especializar em promover a venda dos livros?

Selexyz Bookstore | Photo: Mirage Books Mark

Uma civilização sem livreiros de varejo seria inimaginável… as livrarias são artefatos essenciais à natureza humana. A sensação de um livro retirado de uma prateleira e seguro nas mãos é uma experiência única, que une o escritor ao leitor. E para competir com a Internet as livrarias do futuro terão de ser diferentes das megalojas voltadas para a massa que ora dominam o mercado. As lojas do futuro terão de ser o que a Internet não pode ser: tangíveis, íntimas, locais, comunitárias; oferecendo prazer e sabedoria na companhia dos que querem compartilham dos nossos interesses; onde o livro que se procura sempre pode ser encontrado e as surpresas e as tentações saltam de todas as prateleiras.” — Jason Epstein, O Negócio do Livro, 2002

A livraria do futuro ainda não consegue existir porque em minha tese o presente mercado editorial ainda vive do seu passado. Afirmar que uma livraria do futuro deve obrigatoriamente ser um ponto cultural não resolve uma equação de solução para, por exemplo, os pequenos negócios. Não só em razão do espaço físico, muitas vezes indisponível e caro por causa do mercado imobiliário, ora aquecido, ora em crise, mas também por conta das questões orçamentárias, financeiras e de recursos humanos e materiais em geral.

Para equalizar questões complexas como a de tentar encontrar uma síntese para o que seria uma livraria no futuro, propomos, antes, responder a uma questão das mais básicas e fundamentais para o entendimento das partes interessadas:

Afinal, o que é uma livraria?

Simplicidade na resposta pode ajudar em muito a resolver uma série de questões em torno do assunto, principalmente para as chamadas livrarias independentes. Se os livros são digitais, a livraria também o seria; mas se os livros são impressos a livraria pode ser online ou física. Em minha tese, trato aqui das lojas físicas que vendem apenas livros impressos.

Assim, segundo um dicionário, livraria é um estabelecimento onde se vendem livros. Segundo a Wikipédia, as livrarias são lojas que vendem livros e outros itens relacionados a leitura.

Livraria, portanto, é um local onde se vendem livros. Mas, para não cair no risco da superficialidade, segundo o amigo Gerson Ramos [www.vivodelivro.com.br], citando uma fonte bastate segura:

A livraria é uma empresa, como todas as unidades econômicas ou organizacionais, cujo objetivo é a produção de riqueza. Em uma economia empresarial entende-se por empresa a organização cujas características são do tipo predominantemente econômico. A livraria é, portanto, uma organização econômica, cujo objetivo é prover serviços de distribuição. Seu papel é distribuir livros, fazendo uma transformação econômica, pois os dispõe dos momentos e locais mais adequados para satisfazer demanda e as necessidades do comprador-leitor.” — La Librería Como Negócio

Mais alguma coisa que uma livraria deveria ser?

DOS EXEMPLOS CONEXOS

Houve um momento na história da indústria automobilística em que a General Motors sentiu a necessidade de unificar o processo produtivo de muitas de suas unidades, antes mais separadas e independentes, para enfrentar a modernização dos meios de transporte. O modelo que a GM queria implantar era bem diferente daquele instaurado por Ford. Fazia-se necessário inovar na customização dos carros ante a concorrência dos tipos padrões oferecidos até aquele momento.

Por incrível que possa parecer, no entanto, um temor da GM naquela ocasião não eram aqueles carros todos iguais fabricados em série, mas os aviões. Sim, os aviões. O temor da gigante GM era que as pessoas parassem de andar de carro e começassem a andar de avião.

Deveria a GM, então, dada a percepção desfocada, fabricar aviões?

Antes de existirem os gigantescos centros de compras e, como consequência, os hipermercados, existiam os mercados de bairro, chamados hoje minimercados. Quando os hipermercados começaram a se popularizar e ganhar força de atração, o que se discutia, por volta da década de 1990, era o fim desses mercadinhos de bairro. Foi assim decretada sua morte em detrimento dos grandes centros de compras, os hipermercados, cujo modelo estava sendo importado de países de economias então mais consolidadas como os Estados Unidos.

O que ocorreu, no entanto, foi exatamente o contrário, os hipermercados deram ainda mais sobrevida aos minimercados. Players como Extra e Pão de Açúcar, em estado de vertiginosa expansão, tiveram de repensar os seus negócios e também optaram por abrir mercadinhos, menores, em locais improváveis, onde jamais se poderia imaginar que pudessem aquelas marcas um dia se alocarem. Nascia assim o businessexpress” e marcas como Minimercado Extra.

Da mesma forma que o avião [utilizado para percorrer as distâncias maiores] não acabou com a fabricação dos carros [utilizados por passageiros para percorrer as menores e maiores distâncias a custos acessíveis], o hipermercado não acabou com os mercadinhos de bairro [que continuam tendo um papel muito particular no abastecimento dos moradores locais com a venda daqueles produtos mais urgentes].

No caso de mídias como livro, poderíamos continuar a repetir os exemplos do cinema que não acabou com o teatro, da televisão que não acabou com o rádio e por aí vai. E embora o digital esteja em rota de colisão com as indústrias todas, existem questões ainda mais próximas.

A CONCORRÊNCIA INTERNA

Os exemplos nos dão uma dimensão mais acertada de como ver a questão das livrarias de um modo mais geral, amplo, globalizado. Precisaríamos, no entanto, para melhorar a nossa assertividade sobre o tema, perguntar ao próprio mercado editorial, e aqui incluímos as editoras, as gráficas, as distribuidoras, etc., se seria realmente interessante, comercialmente falando, que as livrarias menores, independentes, continuassem existindo. É importante para o mercado editorial a existência, e não a sobrevivência, dessas livrarias?

Parece que o mercado editorial talvez não considere uma realidade viável e, por diversas vezes, em várias circunstâncias, ajudou a canibalizar as livrarias menores, pequenas ou independentes. Subjugou o poder de venda das menores. Favoreceu o seu enfraquecimento, para não dizer o seu real desaparecimento, em detrimento de players maiores.

As pessoas em geral compram os livros porque eles estão ali, por perto, disponíveis. Mas as livrarias online, principalmente aquelas ligadas aos grandes grupos, com a sua política de precificação, enfraqueceram a livraria de rua, que permitia aquela situação corriqueira da compra por impulso. E temos que considerar que, como consequência, comprometeram também aquela rica bibliodiversidade antes existente no mundo livreiro.

Em sua obra “O Negócio do Livro”, Jason Epstein afirma que:

“[…] a função primordial da lista de lançamentos é fortalecer os catálogos, um princípio que a maioria das editoras, infelizmente, ignorou por completo ante a era digital; e que as redes de livrarias atuais, por sua vez, com sua dependência dos títulos efêmeros, fazem os editores terem dificuldade em obedecer.

Parte da equação da solução tem de considerar um problema com relação às livrarias físicas, aquelas que vendem os livros impressos, pois elas não só concorrem atualmente com as eBookStores e com as livrarias online que também vendem os títulos impressos, mas concorrem com as grandes redes, gráficas, as distribuidoras e as editoras que, pela desintermediação imposta pela revolução digital, resolveram vender, elas próprias, títulos diretamente para o público leitor.

E, nesse processo, em vez de haver uma diversificação sadia de pontos de venda, houve na verdade uma guerra pela precificação do produto livro, enfraquecendo ainda mais o próprio mercado; como consequência, aquele efeito dominó, sobre as livrarias menores, principalmente essas de rua que hoje desaparecem aos montes.

Embora o papel de uma livraria possa parecer, nessa minha tese, aparentemente simples, um problema apresentado é exatamente este papel ter, de certo modo, migrado para outros agentes da cadeia produtiva do livro, como as editoras, distribuidores e lojas online que não guardam compromisso com a leitura e a venda direta de livros tão bem quanto às livrarias.

Em conversa com o amigo Gerson Ramos ele me alertou sobre o seguinte:

Eddie, a questão mais urgente para o pequeno livreiro hoje é a sua sobrevivência. Isso em um primeiro momento. Mas, imediatamente em seguida, vem a questão da rentabilidade do varejista de livros; que passa primeiro por uma profissionalização de seu oficio no varejo, combinada com qualificação para ser um protagonista cultural na sua região de influência, assim como também numa visão mais abrangente do mundo, para que a livraria seja não só o ponto de encontro, mas um agente protagonista nas transformações da sociedade em que faz parte… Mas falta ao empreendedor livreiro ter a visão de que está tocando uma empresa; que exige competência administrativa, financeira, tecnológica e logística.”

Diante deste cenário, de necessidades e desafios, será que existe uma equação para se encontrar a solução para modelo de negócios sustentável para a tradicional livraria de rua? Será que as livrarias de rua, como os cinemas de rua, todas morrerão? Ou como uma fênix, que renasce das cinzas, algo poderia ser feito que revertesse uma triste morte?

Enfim, o que uma livraria tradicional de rua precisa fazer para continuar existindo?

CAFÉ COM LIVRO

Segundo outro amigo — envolvido com livreiros e a quem sempre recorro buscando conselhos sobre o tema —, mas que prefere não se identificar:

Como o pequeno livreiro vai sobreviver, perante a concorrência dos sites e dos grandes? As margens são pequenas, o giro de estoque baixo e só vão entrar na livraria física os amantes dos livros que, infelizmente, são poucos.

Há, no entanto, as possibilidades do entorno da livraria: atendimento a escolas, empresas, bibliotecas etc. Parece-me que as antigas locadoras de vídeo, hoje vendedoras de vídeos, ainda sobrevivem em cima de fundo de catálogo, que não são encontrados pra download na Web. Valeria a pena o livreiro pesquisar sobre isso.

Só está crescendo quem parte para a Web, e agrega sua expertise e renome ao site. Por exemplo, a […] está fechando várias lojas físicas e investindo pesado na construção de um site, que vai focar na bibliodiversidade de seu estoque.

Cresce também quem está atendendo o Governo, escolas etc.

E só.

Bem, para início ou final de conversa, o que uma tradicional livraria física de rua precisa fazer para continuar existindo é… vender os livros. Simples assim.

A melhor e mais eficiente maneira de promover a venda de livros é os colocando à disposição do público. A exposição por si só também já é uma promoção. Não resolve a questão maior, mais essencial, por exemplo, colocar à venda café para atrair os clientes. Sejamos óbvios, as tradicionais cafeterias, espalhadas pelas cidades, já o fazem de maneira mais eficiente. E ninguém vai a uma livraria para tomar café. As pessoas, por maior ou menor número em que se encontrem, vão às livrarias para comprar livros. Se o que se pretende é atrair clientes para uma livraria, não venda café, dê o café, de graça. Deixe as pessoas comprarem livros, não o café. O café é apenas o início de uma conversa, não é o objetivo final. O café dentro de uma livraria deve ser tratado como coadjuvante, não como o ator principal.

Cafeterias vendem café, livrarias vendem livros. Se não for assim, teremos que ponderar se não seria mais interessante então vender remédios e livros; ou talvez livros e tabaco; ou quem sabe comida e livros, em vez de livros e livros. Podemos fazer uma pesquisa do que mais as pessoas gostam. Por exemplo, de animais de estimação. Chegaríamos à conclusão de que a solução seria vender livros e produtos para pets.

Mas não é esse o caso porque o contrário nos pareceria mais óbvio, lucrativo e prudente, ou seja, vender livros em papelarias, pet shops, cafeterias, restaurante, etc. E por que os comerciantes em geral não fazem isso? Simplesmente porque não é comercialmente viável para os próprios pequenos livreiros. E a questão maior continua sendo a logística. Esta é uma das razões que levaria modelos mais verticais como uma livraria especializada em culinária, por exemplo, começarem a novamente ser testados.

Não resolve igualmente a questão fundamental, tão pouco, colocar itens de papelaria e informática nas livrarias porque as papelarias tradicionais espalhadas pelas cidades já o fazem de maneira mais digna. Só por conta de haver escolas por perto, uma livraria teria que obrigatoriamente estar atrelada a uma papelaria? Não seria mais lógico, e rentável, para afastar a contradição, a própria papelaria vender os livros escolares? E não é exatamente o que muitas delas já o fazem?

Esta é uma questão muito bem levantada por um amigo que me disse que a livraria, principalmente a independente, atualmente serve mais como vitrine para grandes grupos editorias, e sites canibais, do que como canal de vendas. E este seria um dos motivos que levaria livreiros a migrarem para a venda de outros produtos. E esta é mais razão pela qual o preço de capa do livro no Brasil deveria realmente ser fixado em uma tabela de preço único.

Indo um pouco além e já forçando ainda mais a barra. Teatro, cinema, eventos culturais, etc., podem se tornar inviáveis dentro da maioria dos negócios de livrarias físicas menores, se formos honestos, se pensarmos que se um determinado empreendedor não tem espaço físico para sequer colocar os livros; e concluirmos que os aparelhos de cultura também já têm os seus próprios desafios. Cinema, eventos culturais, etc. já têm os seus espaços devidamente ocupados nas cidades. Cada um com os seus problemas e concorrências próprios. Não faz sentido algum convencer o livreiro menor, aquele que deveria ser o especialista em livros, de que ele agora é obrigado a tornar-se um aparelho de cultura, como se apenas vender livros já não bastasse para tornar-se um.

E ainda que a iniciativa de uma livraria de pequeno porte vencesse estas questões dita culturais, não nos indicaria a segurança de um business sólido, uma vez a própria biblioteca, o museu, o ateliê, a galeria, o teatro, privados, também não conseguem apresentar modelos de negócios consistentes. Estes outros negócios culturais muitas vezes também não conseguem consolidar um modelo sustentável mais eficiente e perdem até os seus próprios papéis sociais.

Neste sentido, proponho voltarmos ao básico. Se você é um pequeno livreiro e pretende vender livro, então esqueça todo o resto e se concentre naquilo que deveria fazer uma verdadeira livraria: promover a venda de livros.

Quer saber mais como fazer isso? Comece lendo um bom livro, “La Libreria Como Negócio”, indicação que me foi sugerida por quem entende do assunto.

UMA MENTIRA QUE SE CONTA VÁRIAS VEZES

Temos de repetir diversas vezes para ficar bem claro: o futuro da livraria do futuro é ser dolorosamente simples, um ponto comercial que vende livros. Se não puder ser pelo menos isso, então nós realmente temos um problema.

Há um motivo para que eu seja tão repetitivo em defesa de minha tese. O ditado popular afirma que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade. Mas não é verdade que o brasileiro não lê. Embora seja verdade que não existem consumidores o bastante para comprar livros e manter alguns pontos de venda. No entanto, quatro títulos foram a média lida por pessoas em 2011. Não é verdade que o livro no Brasil é caro, embora ajustes no preço de capa sejam obviamente necessários. Há números que demonstram que os preços vêm se tornando mais populares nos últimos anos. Alguns podem discordar, mas talvez a verdade seja o fato de que o livro em nosso país não tenha o seu devido valor. De qualquer modo 5,26% foi quanto o faturamento do setor cresceu em 2011.

Sessenta e cinco por cento dos brasileiros compram livros em livrarias. Nossas fontes, o “Retrato da Leitura no Brasil” e o “Levantamento Anual do Segmento de Livrarias”, da Associação Nacional de Livrarias [ANL], nos mostram que há até cerca de 3.000 lojas em operação no Brasil. Meio milhões de obras foram vendidas em 2011. Sessenta mil títulos foram publicados no mesmo período. Trinta e três por cento das livrarias faturaram até 10 milhões. Vinte por cento faturaram de 10 a 20 milhões. Vinte por cento das livrarias faturaram acima dos 20 milhões.

Tenho consciência de que os números são velhos mas, acredite, nada mudou desde lá. Houve uma estagnação generalizada desde então e, nosso pior pesadelos, as coisas só estão piorando cada vez mais.

Neste cenário, façamos um exercício. Pense no seguinte, vamos supor que, eventualmente, para que o Governo enviasse incentivos fiscais, investimentos financeiros, às livrarias, para salvá-las do seu leito de morte, existisse paralelamente associada uma lei que obrigasse as livrarias a venderem essencialmente os livros. Apenas os livros. Faria sentido isso? Faria algum sentido hipoteticamente, como gostariam alguns, o Governo incentivar livrarias que lucrassem com a venda de cartões de créditos para celulares pré-pagos ou cigarros, por exemplo?

Pense um pouco mais, porque é assim com as bancas de jornal, e alguns governos locais até tentam mudar este cenário permitindo que estas bancas possam vender até macarrão instantâneo. Muitos ‘entendidos’ do mercado dirão, logo de cara, que não, que não faria sentido, em plena modernidade, que as livrarias vendessem apenas os livros. E estes são os mesmos que sempre foram contra o projeto de lei do preço único no Brasil, são os que, lá no fundo, também morriam de medo do livro eletrônico. Mas o livro eletrônico ainda pode dar certo, mas e as livrarias físicas?

QUITANDA DE LIVROS

Debater livro eletrônico aqui beiraria a covardia. Então voltamos ao básico, para não fugir do óbvio. As pessoas saem de casa para comprar as coisas. Elas passeiam e trafegam nas ruas. Não é verdade que toda a audiência de pessoas esteja somente dentro dos shoppings. Como se só as pessoas que andam nos shoppings tivessem dinheiro e estivessem dispostas a gastar. As pessoas, geralmente, com ou sem dinheiro, letradas ou não, não vão aos shoppings para comprar livros. Elas eventualmente compram livros porque os livros estão lá, como já dito, à venda. É isto, existem livros ali sendo ofertados. E não estão sós, estão rodeados por uma infinidade de outros produtos que inclusive dispersam a atenção dos chamados potenciais consumidores.

Vender outros tipos de produtos com a desculpa de que precisa desta muleta para vender os livros não resolve o problema. Ou se vendem os livros ou não se vendem os livros, não existe o meio termo, do tipo, “me vê um quarto de café e dois capítulos daquela obra ali”.

E se o modelo de uma livraria não suporta o custo de um shopping, uma alternativa poderia ser a daquele case que vende livros infantis nos corredores, uma livraria Express — modelo já testado por uma franquia que parece ter mudado de ramo; caso contrário, o projeto de uma livraria menor precisa estar alocado pelo menos em um local onde as pessoas estão passando, trafegando, passeando. Mas não necessariamente dentro dos shoppings.

Se as pessoas passeiam pelas ruas, e podem consumir livros tanto quanto os consumidores que passeiam pelos shoppings, e se o modelo das grandes redes é na verdade vender produtos de informática ou papelaria, então qual é o verdadeiro problema das livrarias de rua?

Segundo o mestre Epstein, em seu clássico “O Negócio do Livro”:

No comércio de livros, como em qualquer negócio de varejo, estoque e aluguel impõem o chamado trade-off. Ou seja, quanto mais se paga por um, menos se pode gastar com o outro. Os aluguéis nos shoppings impossibilitavam a estrutura varejista que se desenvolveu de mãos dadas com a indústria editorial por quase dois séculos… a ocupação de alto custo nos estabelecimentos dos shoppings exige alta rotatividade de produtos indiferenciados, taxas de giro incompatíveis com a longa, lenta e com frequência errática vida dos livros…”.

Parece-nos, portanto, que as editoras e as livrarias terão de optar por sentar em uma mesa para negociar planos futuros para as livrarias de rua, ou finalmente romper de uma vez por todas o cordão umbilical que possibilitava a ambas a venda casada dos livros. Mas em qual das tantas entidades do livro existentes neste país, estaria esta mesa de negociações? Na Associação Brasileira do Livro Eletrônico? Não. Portanto, já disse e repito, é preciso haver uma federalização das entidades. A solução é a criação da Federação Brasileira do Livro.

UM FOCO PARA FINALIZAR

O que aconteceria se a GM resolvesse apostar na fabricação de aviões?

Parece-me que perderia o foco.

E este é o maior problema do mercado brasileiro atual. Falta um ajuste de foco nas lentes dos óculos dos diretores das empresas editoriais.

Muitos estabelecimentos comerciais, por exemplo, vendem barras de chocolates. Desde padarias, restaurantes, aeroportos, cinemas, etc., até as farmácias, camelôs e ambulantes vendem os chocolates. Mas então por que cases como a CacauShow são um sucesso? Seria o foco? Afinal, não é porque vivemos em um país tropical que as pessoas não consomem chocolates. Assim como não é verdade que o fato de uma parcela da população ser analfabeta elimina a possibilidade da outra parcela, letrada, comprar os livros. E mesmo que alfabetizássemos todos os brasileiros que não sabem ler, não poderíamos garantir com segurança que todos eles comprariam os livros.

E os tais chocolates da CacauShow vendem porque são ofertados como presentes.

Portanto, voltamos novamente ao básico. Deixe que os mercados em geral que vendam fósforos, cigarros, bebidas, etc. Deixe que aquela grande rede online lucre mais com os televisores de alta definição, ou com venda de filmes, do que com os livros. Porque se uma determinada livraria vende mais outras coisas, literalmente, em detrimento do livro, cinquenta por cento a mais, por exemplo, trata-se então de qualquer outro ponto comercial, não de uma livraria. O livro, para estes grandes empreendimentos, é apenas um cartão de visita, uma isca, nada mais.

Mas, para o pequeno livreiro, não adianta usar de subterfúgios se o objetivo é vender livros. Caso contrário, fique com o outro tanto, lucre com o resto e esqueça os livros. Se os livros não se vendem, então abrir uma quitanda talvez seja a melhor saída. Pode parecer radical, mas o cinismo também é um artifício de convencimento, algum consultor poderia apostar na brilhante ideia de vender frutas, verduras, legumes… e livros de culinária. Mas não ia funcionar porque as donas de casa não vão aos supermercados ou a feiras livres, grandes ou pequenas, para comprar livros. O fato é que borracharias, mecânicas e autoshoppings não vendem livros sobre carros por uma razão muito simples, as pessoas que gostam de carros e querem comprar livros sobre os carros geralmente recorrem às livrarias mesmo sabendo poder encontrar livros em outros locais.

Podem até tentar, mas o melhor lugar para se comprar fisicamente os livros impressos continua sendo uma livraria. O melhor lugar para comprar pão é na padaria. Assim como o melhor lugar para se comprar vinho é na adega. O melhor lugar para se jantar é em um restaurante, dentro ou fora de um shopping, não importa. O melhor lugar para assistir a um filme, apesar da era do home theater, continua sendo a sala de cinema. Onde é o melhor lugar para se comprar perfumes? Assim como se torna legítimo afirmar que o melhor lugar para se tomar sol é na praia, na piscina, num clube ou num rio, mesmo que o sol esteja presente na maior parte do nosso planeta. Um escritor poderia demonstrar em uma cena de um best-seller como o sol também aquece as livrarias, mas nem por isso as pessoas iriam às livrarias para tomar sol.

Um amigo, bem mais radical que eu, um dia me disse: “Eddie, não confunda melancolia profunda, com melancia na bunda”. Pareceu-me bem desconfortável quando eu ouvi a sentença a primeira vez, mas ele tinha razão. Afinal, o livro impresso consegue estar fisicamente presente em todos os lugares, com um modelo de negócios sem um foco definido? Não. É claro que não. Assim mesmo, o papel social fundamental de uma livraria física, para que não pairem mais dúvidas sobre o assunto, é o de vender os livros.

Concessionárias geralmente vendem os carros, embora possam também vender as peças dos automóveis. Tabacarias vendem cigarros, cachimbos, etc., embora possam vender tabuleiros de xadrez. Borracharias geralmente cuidam dos pneus dos carros, embora possam também manter bons lava-jatos anexos logo ali do lado. Pequenos mercados de bairro geralmente vendem itens do lar, como comida, tempero, macarrão, embora também possam vender cobertores e edredons. E por que não o fazem? E por que as lojas especializadas em sapatos também não vendem matéria-prima como borracha e couro, ou consertam os sapatos, ou mantêm os engraxates por perto?

Desde o desenvolvimento do negócio livreiro, com o aprimoramento da máquina de tipos móveis pelo gênio copiador de ideias, o alemão Gutenberg, até o nascimento das livrarias online, o papel fundamental de uma livraria é um só. Se uma livraria não puder vender livros, essencialmente os livros, então chegamos à conclusão de que a livraria realmente morreu como negócio. O que nasce, depois disso, será qualquer outra coisa, menos uma livraria.

Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Blog do Galeno | Edição 313 – 30 de agosto a 07 de setembro de 2013

Ednei Procópio

Ednei Procópio

* Ednei Procópio é escritor e empresário. Especialista em livros eletrônicos desde 1998 e Editor Executivo da Livrus Negócios Editoriais [www.livrus.com.br].