WhatsApp vira plataforma de leitura nas mãos de empreendedores digitais


Plataforma Leitura de Bolso conta com 9 mil usuários que recebem diariamente ‘pílulas’ de livros

Julian Vilela e Paulo Santos criaram o Leitura de Bolso que distribui conteúdos de livros via WhastApp | © Divulgação

Julian Vilela e Paulo Santos criaram o Leitura de Bolso que distribui conteúdos de livros via WhastApp | © Divulgação

A suspensão temporária dos serviços do WhatsApp da meia noite desta quinta-feira [17] até o início da tarde do mesmo dia foi suficiente para que o aplicativo de conversas instantâneas fosse um dos assuntos mais comentados do dia. Coincidência ou não, a agência de publicidade nova/sb publicou, nesta quinta, os resultados de uma pesquisa inédita que aponta que dos 7,5 mil entrevistados, 73% admite que utiliza o aplicativo diariamente e 79% desse universo disse recomendar o uso do WhatsApp para amigos e familiares. De olho nesse potencial e querendo driblar os assustadores índices de leitura no Brasil, os empreendedores brasilienses Paulo Santos e Julian Vilela resolveram criar uma nova forma de distribuição de livros. “Ficamos preocupados com o índice de leitura no Brasil e ficamos com esse problema na cabeça, pensando em o que gente podia fazer para amenizar esse número”, disse Paulo ao PublishNews. A resposta que os empreendedores deram à essa questão foi o Leitura de Bolso, uma plataforma de distribuição de livros via WhatsApp. “Muitas pessoas ainda se assustam com um livro de 300 páginas, mas não se dão conta que se lerem dez páginas por dia, ao final do mês, terão lido as 300 páginas do livro”, disse Paulo.

Funciona assim, o usuário se cadastra gratuitamente no Leitura de Bolso e passa a receber diariamente, pelo aplicativo, um trecho – que pode ser lido em cinco minutos — de um livro. Para início das operações, o Leitura de Bolso começou a distribuir para seus nove mil usuários o livro Quase pisei, do também brasiliense Roberto Klotz. Diariamente, os usuários recebem uma crônica do título.

No modelo atual, não há remuneração do autor, da mesma forma que não é cobrado dos usuários o acesso ao conteúdo, mas a dupla procura meios de monetizar o serviço. “Queremos divulgar o trabalho de novos escritores, que não tiveram ainda a chance de serem publicados. Em troca, nós damos aos escritores o acesso aos leitores”, explicou Paulo que disse que está aberto para parcerias com editoras que possam disponibilizar livros ou trechos de livros para a plataforma.

 

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/12/2015

Conheça a Worldreader


A Worldreader é uma organização sem fins lucrativos com sede nos Estados Unidos, Europa e África, que tem como objetivo tornar e-books acessíveis a milhões de pessoas que vivem em países onde o acesso a livros impressos é restrito. Sua missão é contribuir para que as crianças e suas famílias desenvolvam suas habilidades de leitura e tenham acesso a conteúdos de qualidade, construindo assim novas possibilidades para uma vida melhor e fora da pobreza.

Fundada em 2010 por David Risher e Colin McElwee, a Worldreader oferece aplicativos para a leitura de e-books em telefones celulares e trabalha também com e-readers em escolas e bibliotecas da África.

A biblioteca da Worldreader tem mais de 30 mil e-books em 43 idiomas. Um dos maiores objetivos, agora, é ampliar a coleção de obras em português e torná-la acessível aos leitores em países como Moçambique, Angola e Guiné-Bissau.

Por isso buscam editoras, autores e instituições de todos os países de língua portuguesa que queiram colaborar fornecendo e-books. Romances e livros infanto-juvenis são os livros mais procurados pelos leitores. Já os temas que mais despertam interesse são relacionamentos, saúde, maternidade, educação, técnicas de agricultura e empreendedorismo.

O que é oferecido aos parceiros:

• Conversão gratuita de conteúdo para EPUB 3.0
• Distribuição dos e-books em novos mercados
• Tradução de obras para outros idiomas de forte presença na África, como o inglês, o suaíli, o francês e o ioruba
• Dados de leitura dos e-books [entre eles, onde e quantas vezes os títulos foram acessados e quantas vezes a leitura foi concluída]
• Banners e informações sobre nossos parceiros no aplicativo e no site da Worldreader

Todos os arquivos são protegidos por DRM – Digital Rights Management. São as editoras e instituições parceiras que definem os territórios em que seus livros ficarão acessíveis.

Contato:

Para ser parceiro da Worldreader, entre em contato com Roberta Campassi, responsável pelas relações editoriais em língua portuguesa, por e-mail [roberta@worldreader.org] ou Skype [robertacampassi].

Brasil pode ganhar mais uma empresa de Print on Demand em 2016


Bibliomanager, aliança de editores internacionais para criar uma plataforma de impressão por demanda, mira no Brasil

Alejandro Zenker [Solar Editores], Gustavo Vorobechick [Bibliografika] e Miguel Angel Sánchez Maza [Podiprint] na apresentação da Bibliomanager na Feira do Livro de Guadalajara | © Podiprint

Alejandro Zenker [Solar Editores], Gustavo Vorobechick [Bibliografika] e Miguel Angel Sánchez Maza [Podiprint] na apresentação da Bibliomanager na Feira do Livro de Guadalajara | © Podiprint

Em 2015, o mercado brasileiro assistiu a um renascer da Impressão sob demanda. O espaço deixado pela Singular, gráfica do grupo Ediouro que começou o negócio no Brasil, foi ocupado pela iSupply, que começou as suas operações em março, e pela BookPartners, que começou pilotos para início das operações de POD [da sigla em inglês Print on demand]. Durante a Feira do Livro de Guadalajara, que acabou no início desse mês, representantes da Bibliomanager, aliança internacional de editoras do México, Espanha, Argentina, Colômbia e Equador, anunciaram que vão investir em POD para atender a mercados da América Latina, incluindo o Brasil. A notícia foi dada pelo Publishing Perspectives. Ao veículo, Jaime Iván Hurtado, CEO da editora colombiana Hipertexto, uma das integrantes da Bibliomanager, disse: “em 2016, nós planejamos entrar no Chile, Peru e Bolívia e então, no Brasil. Nosso objetivo é também entrar no mercado hispânico dos EUA, que tem 54 milhões de falantes da língua espanhola. Esse é o nosso objetivo a médio prazo”. Atualmente, a Bibliomanager é composta, além da Hipertexto comandada por Iván, pela mexicana Solar Editores, a espanhola Podiprint, a argentina Bibliografika e equatoriana Megadocucentro.

Por Leonardo Neto e Monique Sampaio | PublishNews | 17/12/20

A questão dos reviews


Fato: leitores gostam de falar sobre o que leem. Em rodas de amigos, reuniões de família, na fila do banco. Gostamos de emitir juízos de valor, dizer que amamos ou odiamos o último livro do Autor X e por que ele é muito melhor ou pior que o do Autor Y. Esse impulso naturalmente foi abarcado pela internet, que fornece ferramentas para que leitores possam expressar suas opiniões acerca dos livros que consomem.

Blogs literários, redes sociais como Goodreads e Skoob, canais de booktubers no Youtube, as páginas dos livros em sites de livrarias, posts no Facebook e tweets: essas são apenas algumas das maneiras do leitor se manifestar a respeito do que lê. E é bastante razoável pensar que o constante diálogo sobre livros propiciado por essas plataformas pode trazer benefícios ao mercado editorial. As constantes parcerias estabelecidas entre editoras e blogs e vlogs literários indicam que o que os leitores têm a dizer sobre seus livros ajuda a promovê-los.

Varejistas de e-books também disponibilizam espaço para que os leitores expressem opiniões sobre os títulos que leram. São as avaliações [ou reviews], geralmente encontradas na parte inferior da página de venda de cada e-book e acompanhadas por uma pontuação mais genérica, em que o leitor atribui uma certa quantidade de estrelas [1-5] ao título. É assim com os quatro grandes players mundiais na venda de livros digitais: Amazon [única das quatro que também vende livros físicos e, fora do Brasil, diversos outros produtos, cabe lembrar], Apple, Google e Kobo.

Mas é a Amazon que certamente se destaca nesse quesito. E como quase tudo no comportamento da gigante de Seattle, sua política de envio de avaliações não é ponto pacífico entre seus clientes.

Mas comecemos pelo que é absolutamente inegável: das grandes lojas, a Amazon é a que mais demonstra preocupação e cuidado com os reviews escritos por clientes. Uma olhada na política de envio de avaliações [que não serve apenas para livros] deixa isso claro. Para começar, a loja dá dicas de como construir uma “ótima avaliação”, que incluem apresentar os motivos — é desejável que o leitor diga por que gostou/detestou aquele produto, e não apenas que uma coisa ou a outra –, ser específico no que apreciou ou não apreciou — um caminho para a relevância, segundo a Amazon –, ser objetivo — textos nem muito curtos nem muito longos — e ser honesto — afinal, sua opinião pode influenciar a compra de outro cliente.

Há também uma preocupação em comunicar claramente o que não é permitido num review enviado à Amazon. Reclamações sobre o serviço de entrega ou sobre a disponibilidade do produto [e outras semelhantes, naturalmente, embora não se listem outras] não são aceitas; o caminho nesses casos é entrar em contato com a loja, que é conhecida pelo ótimo atendimento. Conteúdo inapropriado — palavrões, ofensas, informações sobre terceiros etc. –, discurso de ódio e incentivo à conduta ilegal também não são permitidos.

O ponto seguinte da política de avaliações é o mais interessante. Nele, a loja declara que avaliações promocionais e pagas não serão aceitas. As do primeiro tipo incluem avaliações escritas pelo próprio fornecedor a seu produto, o que inclui o autor e seus próprios livros; reviews escritos por amigos e parentes do fornecedor também não são permitidos. Já as avaliações pagas são aquilo que o termo indica: textos elogiosos escritos em troca de algum tipo de benefício, seja financeiro ou de qualquer outra ordem. No caso de um produto fornecido gratuitamente a um cliente — como um livro cedido a um blogueiro, por exemplo –, a loja orienta que essa informação seja explicitada na avaliação, para que esta seja transparente.

Tanto as dicas quanto as especificações do que não é aceito são apresentadas com detalhes e objetividade. Fica evidente que a Amazon se importa com a experiência de seu cliente até mesmo após a compra, no momento do compartilhamento dos produtos adquiridos. Chega a dar dicas a ele de como avaliá-lo melhor, e discrimina todas as razões pelas quais sua avaliação pode ser negada. É apenas mais uma das formas da empresa marcar seu posicionamento no mercado, que inclui o foco constante na experiência do cliente — e algumas outras coisas das quais falamos, por exemplo, no texto sobre o concurso literário Brasil em prosa. Apenas a título de comparação, a política de avaliações da Kobo é muito menor e inclui apenas dicas de como escrever um bom review, mas não com o mesmo nível de detalhamento. Isso não quer dizer que a Kobo dá pouca importância às avaliações, apenas que a Amazon demonstra o seu próprio interesse nessa parte da experiência do cliente de modo mais explícito.

Nos últimos meses, porém, algumas notícias e análises em tom crítico sobre o assunto têm pipocado, sobretudo em sites especializados em e-books. Em sua grande maioria, elas se devem a um recente enrijecimento da varejista em seus critérios para identificar reviews “tendenciosos”. Agora, conhecer ou manter uma relação com um autor pode significar que sua avaliação não será aceita:

“Se […] notarmos que você tem uma relação próxima com o escritor ou o artista, nós provavelmente iremos remover sua avaliação.”

O problema é que o conceito de “ter uma relação próxima com o escritor ou artista”, em alguns casos, tem resultado no apagamento de avaliações de leitores cuja única relação com o autor se dá online. É o que escreveu em julho a autora independente Imy Santiago, ao ter reviews rejeitados pela Amazon sob a alegação de conhecer os autores [“A atividade da sua conta indica que você conhece o autor”]. Santiago afirma que a alegação é falsa, e que sua relação com os autores em questão se dava sobretudo via redes sociais, embora o fato de também ser autora independente indique que poderiam circular nos mesmos meios.

O caso não indica necessariamente que qualquer tipo de interação online com autores resultará na recusa de uma avaliação [Chris Meadows, em artigo no TeleRead, especula quais poderiam ser os critérios utilizados pela Amazon], mas ainda assim a situação gera perguntas. O simples fato de conhecer pessoalmente um autor automaticamente inviabiliza seu julgamento crítico sobre um livro? Conhecer um autor pessoalmente é de fato suficiente para determinar que uma opinião dessa natureza é tendenciosa?

Outra questão levantada é que autores independentes precisam de reviews para vender seus trabalhos, bem como de uma forte presença online, o que inclui interagir com fãs nas redes sociais. Mas e se isso for o que gerará a suspeita por parte da Amazon? Além disso, é comum que autores leiam as obras uns dos outros e se avaliem. Esse tipo de relação será também considerada tendenciosa?

A resposta para todas essas perguntas é “não sabemos”, pois a Amazon não revela seus métodos nem como seus algoritmos trabalham.

Mas o que podemos de fato perceber dessa situação, apesar das críticas que se possa levantar, é que a Amazon segue procurando cultivar seu valor como a cuidadora do bem-estar do leitor — a partir de seus próprios critérios, é claro. Tudo é feito em nome do leitor, até mesmo apagar reviews tidos como tendenciosos, pois isso pode enganar o cliente. É novamente a questão do posicionamento. É assim que a Amazon parece querer ser vista, como uma grande mente que pensa em cada pequena fração da experiência do freguês.

Pode-se argumentar que a loja ainda falha em sua política, por não demonstrar, ao menos ainda, uma atitude a respeito de campanhas como a movida contra a autora Scarlett Lewis, ou fazer vista grossa para reviews mal escritos ou pouco claros. Mas o ponto é que suas atitudes atuais, tal como hoje se configuram, são mais um meio pelo qual a loja enfatiza e reforça o que se propõe a ser: uma empresa que sabe o que é melhor para você. Mesmo que seus termos não agradem a todos. Mesmo que não agradem completamente a você.

Publicado originalmente em COLOFÃO | 16 de dezembro de 2015

Josué de Oliveira tem 25 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Programa do Livro de 2018 terá eBook já no formato ePub


índiceO Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE] divulgou nesta segunda-feira o edital do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] 2018. Serão adquiridas obras destinadas aos alunos e professores do Ensino Médio das escolas públicas de todo o Brasil. As etapas de cadastramento das editoras interessadas em participar do pleito, pré-inscrição e inscrição/entrega das obras começam no dia 11 de janeiro e seguem até o dia 11 de abril de 2016.

De cara, chama a atenção para dois aspectos: a inclusão do formato ePub para os livros acessíveis – antes era aceito apenas o formato Mec-Daisy e a diminuição do número de páginas dos livros. Em um comparativo rápido entre o PNLD 2015 – última compra para Ensino Médio — e o 2018, percebe-se uma diminuição considerável no número máximo de páginas dos livros. Tomando o livro do professor do componente curricular de Matemática como exemplo, percebe-se que, em 2015, o número máximo de páginas exigido pelo FNDE era de 512 páginas. Em 2018, caiu para 388. No livro do aluno, o número máximo de páginas caiu de 320, em 2015, para 288, em 2018.

O minguamento dos livros afeta diretamente o faturamento das editoras. É que a composição dos preços dos livros é feita com base no número de cadernos que o livro tem. Uma fonte ouvida pelo PublishNews que prefere não ser identificada disse que já havia esse movimento de diminuição do número de páginas dos livros, mas que, nesse ano, a redução foi drástica. “Essa redução está causando pânico nas editoras”, disse ao PublishNews. Além da queda no faturamento, ela acredita que a acomodação dos conteúdos no número reduzido de páginas será uma missão quase impossível.

A Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares [Abrelivros] marcou uma reunião nesta quarta-feira [16] para analisar o edital. Clique aqui para ter acesso ao edital.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 15/12/2015

Curso on-line desmistifica o processo editorial para escritores ‘indies’


Na contramão do mercado editorial tradicional, os e-books de escritores independentes crescem e já correspondem hoje a 30% da lista de mais vendidos, segundo a Amazon. Com mais de 12 anos de experiência em grandes editoras, a ex-coordenadora editorial da Arqueiro, Rachel Agavino, também optou pela carreira “indie” e criou o curso on-line Segredos do livro, voltado exclusivamente para novos autores. Durante quatro semanas, a partir da próxima terça-feira [15], Rachel destrinchará as três principais formas de edição, ressaltando vantagens e desvantagens para os autores; os direitos autorais e quais observações fazer ao assinar um contrato; como funciona o processo editorial e, por fim, o funil do mercado e as soluções alternativas para distribuição e comercialização. Os encontros virtuais acontecem sempre às terças, às 20h. Mais informações e inscrições, clique aqui.

Redação PublishNews | 14/12/2015

É tudo free


Há pouco mais de um ano, a coluna Babel comentava a descoberta das editoras: o Le Livros. Com milhares de títulos para download gratuito, o site já estava no ar havia dois anos. Os editores se agitaram e acionaram os advogados na tentativa de proteger seus livros e os direitos autorais. Hoje, de acordo com a própria coluna, continua tudo igual.

O Estado de S. Paulo | Maria Fernanda Rodrigues | 12/12/2015

Digital Book World acontece em março


Conferência deve reunir 1.500 profissionais do livro para discutirem os rumos da indústria digital do livro

Digital Book WorldCerca de 1500 profissionais do livro devem se reunir na Digital Book World [DBW], marcada para acontecer entre os dias 7 e 9 de março, em Nova York. A conferência idealizada pelo colunista do PublishNews Mike Shatzkin discute os rumos do livro digital, as estratégias para a transformação digital da indústria do livro, apontando tendências e novas possibilidades para a indústria editorial. Entre os destaques da programação, estão John Ingram, presidente e CEO da Ingram; Scott Galloway, professor de marketing da Universidade de Nova York; Dominique Raccah, CEO da Sourcebooks; Virginia Heffernan, escritora que colabora dom a New York Times Magazine, e May Ann Naples, vice-presidente sênior da Rodale Books. Para mais informações e inscrições, acesse o site da DBW.

Redação PublishNews | 11/12/2015

Biblioteca Virtual Universitária completa 10 anos


Grupo Summus e Editora Interciência passam a fazer parte do acervo

A Biblioteca Virtual Universitária [BVU], uma iniciativa da Pearson, fecha o ano de 2015 completando 10 anos com a marca de 3 milhões de usuários. Até o momento, são 3,5 mil títulos no acervo, em 40 áreas do conhecimento. Para aumentar ainda mais o acervo de livros, a Pearson pretende trazer mais editoras para a Biblioteca, aumentando em 50% o número de títulos disponíveis. Neste mês, passam a integrar o acervo o Grupo Summus e a Editora Interciência. Atualmente, 250 instituições de ensino utilizam a BVU. Além de ajudar a rotina dos estudantes, a Biblioteca beneficia as instituições de ensino, que, por exemplo, reduzem o valor investido na compra de acervo para a biblioteca física.

Redação PublishNews | 11/12/2015

Editora investe R$ 25 mi em plataforma digital de educação


Rafael Lopes, gerente digital do SmartLab

Fonte da Foto: SmartLab

A plataforma em nuvem do SmartLab reúne diversos parceiros que oferecem conteúdos interativos e plataformas de matemática, português, ciências, inglês, estímulo à leitura, entre outros temas que atingem estudantes dos ensinos fundamental e médio.

O sistema conta com ferramentas como Google Apps for Education, Britannica, Young Digital Planet, Xmile Learning, Elefante Letrado, Avalia Educacional, Guten News, Professores de Plantão, Árvore de Livros, 10monkeys, Tamboro e Aprendizagem Eficaz.

Mesmo com diferentes apps, os alunos e professores contam com uma senha única para o uso de todas as plataformas e conteúdos.

No laboratório, os alunos ainda tem acesso a simulados, conceitos de empreendedorismo e inovação, cidadania digital, robótica, espaço maker, programação e educação financeira.

Com o projeto de criação do espaço físico na escola, o Grupo Santillana oferece equipamentos como desktops da HP e chromebooks da Samsung.

As crianças, que são nativas digitais, absorvem a evolução tecnológica com mais facilidade, e as famílias estão exigindo das escolas processos mais modernos”, analisa Robson Lisboa, um dos idealizadores do projeto SmartLab.

O SmartLab ainda oferece coach pedagógico e tecnológico durante todo o ano letivo, com uma solução para adaptação de espaços colaborativos para as escolas, desenvolvida pelo renomado designer Kiko Sobrino, que já assinou projetos de marcas como Brastemp e Grupo Accor Hotéis.

Para utilizar a plataforma em nuvem com os diferentes apps, as escolas pagam uma mensalidade de R$ 39,90 por aluno.

Como a ferramenta é em nuvem, a medida em que novos parceiros se integrarem à plataforma, as escolas passam a contar com mais opções de apps sem a necessidade de mudanças no sistema”, explica Rafael Lopes, gerente digital do SmartLab.

O Grupo Santillana afirma que o SmartLab possui soluções para atender diferentes perfis de escolas, em todas as regiões do Brasil. Inicialmente, a empresa possui equipes dedicadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco e Ceará.

A empresa não divulgou uma meta relacionada ao número de escolas que pretendem atingir com o SmartLab no próximo ano.

Fundada na Espanha, em 1960, o Santillana é o braço editorial do Grupo Prisa, focado na oferta de conteúdos culturais, educativos, de informação e entretenimento nas línguas espanhola e portuguesa. O grupo é o responsável pelo jornal El País.

Presente em 22 países, a Santillana iniciou suas atividades no Brasil em 2001, ao adquirir as editoras Moderna e Salamandra.

O grupo opera nos segmentos de livros didáticos [Editora Moderna], literatura infantojuvenil [Moderna e Salamandra], materiais para ensino de idiomas [Richmond e Santillana Español], além de avaliação educacional [AVALIA] e sistema de ensino [UNO].

O negócio brasileiro da Santillana é o maior do grupo espanhol em termos de faturamento. O principal motivo é a editora Moderna, que alcançou receita de R$ 760 milhões no ano passado, com lucro líquido de R$ 66,3 milhões.

Por Júlia Merker | Publicado originalmentem em Baguete | 10/12/2015

Workshop de revisão em PDF com inscrições abertas


A área de cursos do blog Revisão para quê? está com as inscrições abertas para o workshop on-line Revisão de PDF. A atividade ensinará o participante a utilizar os carimbos para PDFs, conhecer os sentidos dos sinais de revisão, por que é importante aprendê-los e ainda terá noções do processo editorial. As aulas acontecem de 15 a 20 de dezembro, com 1h30 de duração, sendo 50 minutos de vídeo teórico e hora de prática, e condução do especialista Allan Moraes. O investimento é de R$ 109. Para mais informações e inscrições, clique aqui.

Redação PublishNews | 10/12/2015

Amazon fecha parceria com Nestlé para distribuir 30 milhões de eBooks


Vouchers para baixar e-books gratuitamente serão colcoados em caixas de bombons da Nestlé e Garoto

Alex Szapiro [Amazon] e Liberato Milo [Nestlè] comemoram parceria no projeto Bombom de Ler | © Divulgação

Alex Szapiro [Amazon] e Liberato Milo [Nestlè] comemoram parceria no projeto Bombom de Ler | © Divulgação

A Amazon brasileira acaba de fechar uma parceria com a Nestlé para uma ação chamada Bombom de ler. Com a iniciativa, serão distribuídos 30 milhões de e-books nas caixas de bombons da marca. O objetivo, segundo a varejista, é estimular à leitura e ao livro digital. Clientes que comprarem caixas de bombons Nestlé ou Garoto terão a possibilidade de escolher um dentre dez best-sellers da Amazon para baixar gratuitamente para ler nos apps de leitura digital da Amazon ou no Kindle.

A Nestlé e a Amazon estão unindo forças para promover a leitura para qualquer brasileiro que compre os bombons neste fim de ano. Chocolates e livros são sempre excelentes presentes e estamos oferecendo aos nossos clientes dois presentes em uma única caixa, bombons e livros digitais. Estamos muito felizes por ter a Nestlé como uma grande parceira para fomentar o hábito da leitura no Brasil”, disse, em comunicado, Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil. “Os clientes que baixarem os livros também terão a opção de testar o serviço Kindle Unlimited gratuitamente por 30 dias. Esta é a união perfeita da doçura dos chocolates Nestlé com o prazer do ato de ler”.

Para participar é simples, após comprar as caixas de bombons das marcas Nestlé ou Garoto, o consumidor deverá entrar no site da ação, escolher um dos dez títulos selecionados e digitar o código impresso dentro das caixas. Os consumidores poderão ler os e-books participantes na família de dispositivos Kindle, nos aplicativos gratuitos Kindle para iOS, Android e outras plataformas, ou em qualquer navegador compatível com o Kindle Cloud Reader (ler.amazon.com.br). Os livros poderão ser baixados até 30 de abril de 2016.

Confira abaixo os títulos participantes da promoção:

• 1808, de Laurentino Gomes
• Scrum – a arte de fazer o dobro de trabalho na metade do tempo, de Jeff Sutherland
• 25 Anos do Menino Maluquinho, de Ziraldo
• As melhores receitas do ‘Que Marravilha!’, de Claude Troisgros
• Memórias da Emília, de Monteiro Lobato
• Guerra dos tronos – volume 1, de George R. R. Martin
• Guia politicamente incorreto do futebol, de Jones Rossi e Leonardo Mendes Jr
• Com Carinho, Lucy B. Parker: menina x superstar, de Robin Palmer
• Não pare! Você entregaria sua vida nas mãos da morte? – Edição 1, de FML Pepper
• Casei e agora? As aventuras do meu descasamento, de Tatiana Amaral

Por Leonardo Neto | PublishNews | 10/12/2015

Programa Livrus Ao Vivo # 08


MELHOR DO JORNALISMO LITERÁRIO

Livrus ao Vivo é um programa semanal, com 30 minutos inteiramente dedicados à literatura. Produzido por profissionais do mercado editorial, que visam enriquecer o setor com programação de qualidade, o programa Livrus ao Vivo mantém uma equipe sempre atenta às novidades, levando ao ar a notícia sempre atualizada.

No programa Livrus ao Vivo, o ouvinte encontra originalidade e inovação, entrevistas com os autores em destaque, agenda cultural, resenhas e dicas de livros, obras que viraram filmes, lançamentos, além de músicas inspiradas em livros.

A primeira temporada do Livrus ao Vivo foi apresentada às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio, editor especialista em livros digitais e Chris Donizete, publisher e jornalista literária; com comentários de Sandra Schamas, escritora e tradutora.

Para ouvir a próxima temporada ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial AM 660 ou FM 95,7, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa.

Para quem não ouviu as edições passadas, basta clicar em um dos links abaixo:

O poder do autor digital é tema de intensivo de verão


Encontros serão ministrados pelo editor e colunista do PN Julio Silveira

A Estação das Letras está com as inscrições abertas para o curso intensivo de férias O poder do autor digital – Escreva, edite, publique, venda e promova seu livro. As aulas estão agendadas para os dias 13 e 14 de janeiro, das 18h às 21h. Nesta oficina, o editor Julio Silveira, que também é colunista do PublishNews, vai apresentar o mercado e o ambiente da literatura digital e mostrar as ferramentas e estratégias para o autor produzir, publicar, vender e divulgar seus livros digitais – sem custos, sem editoras. O investimento é de 2x de R$ 200, mais taxa de matrícula de R$ 50.

Redação PublishNews | 09/12/2015

Um livro-câmera


Livro criado por designer se transforma em uma câmera fotográfica

A designer Kelli Anderson acaba de lançar um projeto no mínimo inovador. Trata-se do livro This book is a camera, que, como sugere o nome, é um pop-up book que se transforma em uma câmera. O “leitor” pode montar uma câmera fotográfica, do tipo pinhole. Além de se transformar em uma máquina fotográfica, o livro vem com papel para fotografia e instruções de como utilizar os processos químicos de revelação das imagens. Em seu blog, Kelli explica que a pinhole há limitações. Como não possui lentes, as imagens mais próximas e as mais distantes da câmera possuem a mesma nitidez.

Por Monique Sampaio | PublishNews | 09/12/2015

Vendendo livro pela capa


Existem diversas maneiras de se vender um livro, uma delas é pela capa.

Por Ednei Procópio *

É verdade que os leitores não leem um livro somente pela capa, mas é certo afirmar também que muitos livros deixaram de ser comprados exatamente por culpa do seu acabamento. Para melhorar o nível de comunicação da obra com o leitor, no entanto, itens como o impacto, a essência e a criatividade na imagem utilizada podem ajudar a traduzir para o leitor o conteúdo do livro e ajuda a fisgar o consumidor para a sua aquisição.

A imagem da capa de um livro, somada ao título, será o primeiro contato que o leitor terá com o produto e pode ser decisivo na tomada de decisão do leitor. É necessário bom senso na hora de compor a capa de um livro. É de suma importância a criação de uma boa capa para a vida útil de uma obra. A embalagem ajuda na comercialização. Faz-se preciso, portanto, desenvolver a melhor arte para uma capa, que traduza fielmente o conteúdo da obra.

A TIPOGRAFIA

A TIPOGRAFIA

Um item importante é com relação à tipografia empregada que deve, além de ser esteticamente bonita, ser também legível, para que possa ser visualizada quando reduzida para ser divulgada em livrarias virtuais, blogs, etc. O profissional gráfico geralmente sabe disso, porém o próprio autor pode ajudar e também ficar atento se a equipe editorial está realmente tomando esses cuidados.

O AUTOR E A CAPA DO SEU LIVRO

O AUTOR E A CAPA DO SEU LIVRO

Uma determinada imagem que esteja apenas dentro da cabeça do autor pode não servir para chamar a atenção dos leitores. Muitas vezes, a ideia que um autor faz da capa de seu livro não reflete nem o livro em si, algumas vezes tão pouco o conteúdo ali contido. E muito menos ajuda o mercado editorial na circulação do produto.

Ainda assim, é importante que o autor, na medida do possível, também tenha o direito de opinar e até aprovar a arte capa do seu próprio livro e, eventualmente, propor a sugestões de melhoria que achar necessárias. Mas é mais necessário ainda que o autor não torne a sua ideia de capa algo imperativo, se a opção não ajudar na venda da obra.

OS TEXTOS NA CAPA DE UM LIVRO
OS TEXTOS NA CAPA DE UM LIVRO

Quantas vezes, porém, nos deparamos com obras cujos títulos nos chamaram a atenção, mas os textos da sinopse dispersam imediatamente a nossa atenção e o livro perde, com isso, aquele ato da compra por impulso? Textos curtos e diretos são sempre a melhor opção tanto para a minibiografia do autor quanto para a sinopse da obra.

Uma boa foto do autor também ajuda. Fotos tiradas de celular com aqueles fundos caseiros estão terminantemente proibidos. Se o desejo é optar por uma imagem mais jovial do autor, o ideal é que a foto seja tirada e preparada por um bom fotógrafo. Afinal, a imagem do autor também ajuda na composição da arte de uma boa capa.

O PROJETO DE UMA BOA CAPA DEVE INCLUIR

O PROJETO DE UMA BOA CAPA DEVE INCLUIR

O que não pode faltar na publicação de um livro é o investimento na redação de um eficiente texto de marketing, que venda a obra e o autor. Uma boa capa é a soma de um bom título, de uma boa imagem frontal e de bons textos de contracapa e orelhas, sinopses, sobre a obra e o sobre autor.

Entre os itens principais, nós temos:

    • Composição da arte e desenvolvimento do projeto gráfico da CAPA.
    • No caso principalmente dos livros em versão impressa, uma boa capa inclui um texto de marketing sobre o tema do livro e também sobre o autor [com foto opcional].
    • Inclusão do CÓDIGO DE BARRAS no livro para a facilitar a comercialização da obra em diversos pontos de venda [supermercados, livrarias, bancas de jornal, revistarias, etc.].
    • REDAÇÃO de texto promocional para o livro [título, subtítulo, texto da capa, texto da contracapa, texto da orelha, etc.].
    • Projeto e DESIGN gráfico. Conceituação do projeto gráfico e editorial do livro [capa, quarta capa, sobrecapa, guardas, acabamento, seleção de papéis etc.].

UMA CAPA PARA TODAS AS MÍDIASUMA CAPA PARA TODAS AS MÍDIAS

A capa de um livro digital, por exemplo, apresenta desafios diferentes se comparadas às suas versões para a impressão. A maioria das capas para eBooks são geralmente menores, pequenas, em formato miniatura para adequar-se às telas dos aplicativos de leitura. Os tamanhos reduzidos dessas miniaturas trazem novos desafios para o design da capa de um livro.

O título do livro, tanto quanto o próprio nome do autor, dentro da arte da capa, também têm de ter legibilidade, independente das informações e dados que geralmente acompanham o cadastro de um livro. O título do livro deve ser, nesse sentido, pensado para ser visível não somente para a versão impressa, que guarda mais espaço no campo de visão de um leitor, mas também no caso em que a capa do livro é disponibilizada para Blogs, redes sociais, livrarias online, etc.

 

Ednei ProcópioEdnei Procópio é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais do país, pioneiro na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais, atua na publicação, comercialização e divulgação de centenas de títulos em versões impressas sob demanda e digitais através da LIVRUS Editorial. Publicou Construindo uma biblioteca digital [2005], O livro na era digital [2010] e em 2013, Procópio lançou seu terceiro livro A Revolução dos eBooks [pela editora do Senai] indicado ao Prêmio Jabuti 2014.

Solucionando problemas de fontes em 3 passos


Como já falamos em alguns momentos por aqui [em especial aqui, aqui e aqui], muitas vezes as fontes tipográficas que chegam ao departamento de livros digitais para serem utilizadas na produção dos e-books apresentam erros que são aparentes exclusivamente na versão digital do livro. Caracteres faltando, acentos incorretos ou até mesmo letras trocadas são alguns desses erros que, como vocês podem imaginar, atrapalham bastante a experiência do leitor.

No texto de hoje vou dar o passo a passo de como eu soluciono o problema com as fontes na maioria dos casos que encontro na minha rotina de produção. O programa utilizado para editar a tal fonte problemática é o FontForge, um software de código livre que pode ser baixado gratuitamente aqui.

1º passo: Abra a fonte a ser editada no FontForge e selecione, no menu “Element” da barra de ferramentas, a opção “Font Info”.

2º passo: Selecione o menu “General” e veja qual é o valor indicado na opção “Em size”. Caso o valor indicado seja 1024, 2048 ou 4096, altere-o para 1000. Caso o valor indicado seja 1000, troque para 2048.

3º passo: Ao clicar no botão “OK”, todos os caracteres serão redimensionados para o tamanho escolhido. Agora basta finalizar salvando em formato .ttf as fontes com “Em Size” igual a 2048. Ou em formato .otf as fontes com “Em Size” igual a 1000.

O “Em” é uma unidade de medida aplicada a tipos digitais. As fontes TrueType [.ttf] têm um tamanho médio de 2048 em, enquanto as fontes OpenType [.otf] têm 1000 em. Ou seja, o que o nosso passo a passo ensina é a transformar, utilizando o FontForge, uma fonte TrueType em uma fonte OpenType e vice-versa. Grande parte dos erros nos arquivos de fonte acontece por uma declaração de formato inadequada e, mesmo quando esse não for o caso, redimensionar o tamanho da fonte pode ajudar a solucionar o problema.

O universo das fontes tipográficas é vasto e maravilhoso. Para quem quiser mais detalhes sobre o assunto deste texto, recomendo começar por essa breve introdução e seguir adiante com a ajuda da internet e dos bons livros sobre design já escritos, muitos deles traduzidos para o português.

Por Joana De Conti | Publicado originalmente em COLOFÃO | 9 de dezembro de 2015

Joana De Conti

Joana De Conti

Joana é formada em Ciências Sociais e mestre em Antropologia, mas abandonou a academia quando descobriu os livros digitais. Neófita no meio editorial, vai escrever aqui tanto sobre suas descobertas e aprendizados técnicos quanto sobre suas impressões acerca da relação entre o digital e o impresso dentro e fora das editoras. Joana trabalha atualmente no departamento de livros digitais da editora Rocco.

A Amazon lança novo tablet com foco nos leitores nos EUA


A Amazon acaba de lançar o Fire HD 8 Reader’s Edition, que combina o modelo de tablet já existente com um ano de acesso Kindle Unlimited , disponibilizando mais de um milhão de livros para leitura em streaming. Essa edição limitada custará US$ 250. O Reader’s Edition também inclui o Blue Shade, uma nova ferramenta que diminui a exposição à luz azul antes de ir dormir. “Com um design leve, o Fire HD Readers Edition proporciona uma experiência melhor para a leitura do que qualquer outro tablete”, diz Charlie Tristhcler vice-presidente da Amazon.

Natasha Onwuemezi | The BookSeller | 07/12/2015

Venda direta


A Somos Educação, que recentemente demitiu o departamento de literatura da Ática e Scipione, porque se concentraria em didáticos, lança, nesta segunda [07], um novo e-commerce, unificando as vendas das duas casas. São 1,7 milhão de itens, entre livros didáticos, paradidáticos e digitais. As informações são da coluna Babel.

MARIA FERNANDA RODRIGUES | O ESTADO DE S. PAULO | 05/12/2015

Vice-presidente de conteúdo do Kindle fala do futuro da leitura


David Naggar

David Naggar

O americano David Naggar é um dos protagonistas da revolução que atinge a indústria editorial e os hábitos de leitura. Sua ligação com o mercado de livros vem do berço – sua mãe, Jean, é escritora e agente de renome. Logo após se formar em marketing ele já passou a trabalhar em grandes editoras, como na nova-iorquina Random House. Em 2009, foi para a Amazon, onde ainda está, como vice-presidente de conteúdo do Kindle. Na nova casa, impulsiona a digitalização de livros, quadrinhos, revistas, tudo que se lê.

Sob seu comando, a empresa deixou de publicar e-books apenas em seu e-reader e passou a disponibilizar o catálogo em aplicativos para computadores, smartphones e tablets de concorrentes. Ele também investe na produção de “indies”, os autores que se autopublicam, sem o intermédio de editoras, pela internet. Esta, inclusive, é hoje uma das especialidades da Amazon, dona da plataforma KDP, por onde os escritores podem disponibilizar, gratuitamente, seus livros no Kindle. Daí nasceram best-sellers como 50 Tons de Cinza e Perdido em Marte.

Em visita ao Brasil, Naggar concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA. Nela, prevê como será o futuro da leitura e crava que não se trata do fim das tradicionais casas de publicação, mas, sim, de uma reconfiguração completa do mercado.

Como a digitalização de livros, revistas, tudo que se lê, transformou os hábitos de leitura?

De repente, passamos a ter em um único dispositivo, como o Kindle, ou tablets e smartphones, o acesso a milhões de títulos, possíveis de serem lidos depois de 60 segundos, o tempo que se leva para baixá-los. Esse imediatismo, o acesso quase instantâneo, democratizou a leitura como nunca antes ocorreu na história. Por exemplo, antes era muito difícil ter acesso a algumas obras estrangeiras, como as estritamente em inglês ou alemão, em países como o Brasil. Era preciso esperar anos pela tradução, ou meses para que uma encomenda chegasse com o livro. Agora, consegue-se o título em segundos. Além da facilidade do acesso, trata-se de uma revolução que também afeta diretamente a forma como lemos. É possível, por exemplo, ler em um smartphone enquanto se espera na fila do banco ou do dentista. Sem ter de lembrar de carregar um montante pesado de papel com si. Mais que isso, toda sua biblioteca poderá estar disponível em sua mão, no aplicativo do celular. Essa é uma transformação essencial, que adapta a leitura profunda, mesmo de livros complexos, ao mundo contemporâneo. Há vinte anos, um indivíduo ia a uma livraria com o único intuito de comprar livros. Não havia nada mais competindo por sua atenção. Hoje, ao ligar o smartphone, o tablet, o computador, escolhe-se se quer gastar tempo checando o Facebook, vendo um vídeo no YouTube, jogando Angry Birds ou lendo. A literatura passou a competir com um universo imenso de opções baratas, quando não gratuitas, de entretenimento. Para o livro ter chance de vencer nessa disputa por tempo e atenção, é necessário estar onde o leitor está. Ou seja, oferecer a ele, também, a opção de ler, de forma barata e prática, no mesmo dispositivo a que recorre continuamente para outras atividades.

Trata-se de uma mudança que afeta apenas o leitor, ou também a forma como escrevemos?

Pense no KDP, da Amazon (o sistema de autopublicação da marca, na qual escritores disponibilizam livros online sem intermédio de editoras). Desde que nasci vivo no mundo da escrita, já que minha mãe é agente literária. Antes de vir para a Amazon, fui alto-executivo em editoras tradicionais. Como sempre funcionava a lógica de publicar um livro? Quase todo mundo tem a ideia de escrever algo. Porém, poucos são aqueles que conseguem um agente para ajudar a publicá-lo. Digamos que seja 5% do total. Desses, uma porcentagem ainda menor convence uma editora a trabalhar com sua obra. Ou seja, era um negócio para poucos. Com a internet, e inovações como o KDP, os intermediários podem ser eliminados. Se uma editora não dá atenção ao que alguém escreveu, o autor pode simplesmente colocar a obra online, e disputar de igual para igual com best-sellers na Amazon.com. Isso muda a lógica do mercado literário. Sabia que J.K. Rowling, autora de Harry Potter, foi rejeitada trinta vezes antes de uma editora, pequena, aceitá-la? E se ela tivesse desistido no vigésimo “não”? Deixaríamos de ter as histórias de Harry Potter. Quantos não abdicam de seus projetos frente à rejeição? Com o mundo online, foram abertas novas alternativas. Best-sellers como 50 Tons de Cinza e Perdido em Marte surgiram nesse novo modelo, via KDP. Hoje, 30% dos e-books mais vendidos da Amazon são de “indies” (termo para “independentes”, os autores que se autopublicam). Pessoas que provavelmente nunca teriam espaço na velha forma de publicação ficaram ricas utilizando as possibilidades contemporâneas.

É o fim das editoras tradicionais?

De forma alguma. As editoras têm um papel insubstituível e realizam um trabalho incrível junto aos autores. Entretanto, elas precisam, sim, se adaptar ao mundo moderno. Passou-se a ter mais alternativas a leitores e escritores. Logo, a concorrência é maior. São vários os efeitos disso. Por exemplo, no Brasil, historicamente, livros são muito caros. Hoje, essa estratégia não funciona mais. Há opções baratíssimas de entretenimento na internet, inclusive de leitura. Por isso, editoras brasileiras têm se visto compelidas a baixar preços. Valem, como sempre foi, as leis econômicas. Porém, repito, não é o fim para elas. O que ocorreu, em uma analogia, é que antes só tinha um restaurante na cidade, com 50 clientes. Com a digitalização, passaram a ser 1 000, com milhares de clientes. No caso, “restaurantes” são plataformas de publicação. Os “clientes” são os autores e leitores. O efeito, que sentimos agora, é que a indústria literária nunca esteve tão saudável quanto hoje.

Se os benefícios são para todos, por que algumas editoras, como a francesa Hachette, além de autores best-sellers, se queixam do modelo proposto pela Amazon?

Principalmente da estratégia de baixar preços radicalmente de e-books, em comparação com o valor de versões físicas. A resposta da Amazon a essas queixas é “olhem para o futuro”. Caso queiram competir para valer com tudo a que hoje o leitor tem acesso, a exemplo do Facebook, é preciso ser mais acessível. Isso inclui vender livros mais baratos, algo possível de se fazer, com bom lucro, no mundo online. Caso não baixe o preço, o leitor dedicará seu tempo a outra coisa.

Em resposta à chegada da Amazon nessa indústria, algumas editoras adotaram práticas como a publicação atrasada de títulos de e-books, em comparação com suas edições físicas. Essas estratégias realmente aumentam as vendas?

De forma alguma. Tanto que nenhuma grande casa de publicação manteve essa prática nos últimos anos, apesar de termos ciência de que algumas editoras brasileiras pensam em fazer isso. A questão é que, com esse método, a mensagem que se passa para o leitor é: “você precisa adaptar seus hábitos de leitura ao que queremos”. Acha, mesmo, que alguém, como um adolescente, acostumado a smartphones e tablets, irá transformar seu cotidiano para comprar um livro na livraria só porque não tem a opção online? Nossas estatísticas comprovam que isso não ocorre. Se não há a opção digital, o leitor que gosta deste formato toma uma de duas atitudes. Ou ele arranja uma versão pirateada na internet – e, garanto, há muitos sites que disponibilizam isso -, ou escolhe outra coisa para ler. Aí, ocorre um outro problema na estratégia. A editora vai lá e gasta um monte com marketing no lançamento de um título. Porém, só o disponibiliza em livrarias. Depois, quando finalmente decide ter uma versão digital, não há mais dinheiro para dar gás na divulgação. Ou seja, aquele cliente que não queria comprar a edição física, e optou por gastar seu tempo com outra atividade, nem fica sabendo quando o que queria ler chega à internet. Em resumo, a editora só perderá vendas com tal tática.

No Brasil, e-books representam cerca de 5% do mercado de livros. Por que aqui essa tal revolução da leitura não está ocorrendo tão rápido?

Não acredito nisso. Para começar, esse número, de 5%, não é bem interpretado. E-books não têm muito sucesso, por exemplo, no ramo educacional. Tenho certeza que se as porcentagens forem fatiadas, e se considerar somente literatura regular, haverá um aumento substancial de nossa penetração. Mais que isso, na conta não se consideram os “indies”. É outro fator que alteraria o cenário. Valeria acrescentar ainda as obras em língua estrangeira, muitas vezes disponíveis apenas pelo online. Por fim, de qualquer forma, a nossa representatividade no mercado tem aumentado 40% ao ano. Isso é surpreendente, principalmente quando se leva em conta o quão antiga e estabelecida é a indústria literária.

Há muitos críticos da leitura digital, como o escritor e pesquisador americano Nicholas Carr, para quem e-books e similares podem destruir o hábito de imergir em uma obra por horas. O senhor acredita que tablets e smartphones têm, mesmo, privilegiado apenas leituras rápidas e superficiais?

De forma alguma, pois as pessoas se adaptam. Quando se olha a nova geração, é notável como está se acostumando a ler em telas menores. Porém, ainda em leituras profundas, de livros extensos. Acredito, mesmo, que a escolha do que se lê no digital, ou no físico, caberá a cada cliente. Uns irão preferir obras de ficção digitais, e de não-ficção em versões tradicionais. Com outros, será o contrário. Iremos nos adaptar. E a tecnologia também se moldará a nós.

Para alguns, tablets e e-readers podem parecer fadados a perdurar por pouco tempo, frente a novos gadgets que surgem, como os relógios inteligentes ou os óculos computadorizados. O senhor acredita que, no futuro, os hábitos de leitura e escrita vão mudar novamente?

A lógica é, na verdade, simples. Quando a forma como as pessoas acessam conteúdo muda, é preciso também que o conteúdo se transforme. Ou ao menos sua apresentação. Na China, por exemplo, está em voga um novo tipo de literatura, onde escritores diversos se revezam para tecer uma mesma história, que nunca acaba e é divulgada restritamente online. Experiências assim surgem quando aparecem novas plataformas. Sempre será desta forma. Como vai ser no futuro? Não tenho ideia. Mas essa lógica não mudará.

Por Filipe Vilicic | Publicado originalmente em Veja | 05/12/2015

Livro digital é caro no Brasil e editores têm medo de desconto, diz vice-presidente da Amazon


Serviços de assinatura e de autopublicação são o futuro do mercado, diz David Naggar, executivo da livraria americana

Há três anos, a Amazon chegava ao Brasil para vender livro digital. Há um ano e meio, começava a comercializar livros impressos. Nesse período, ofereceu frete internacional pelo valor de frete local, lançou programas de autopublicação e de assinatura de e-books. Mas, de acordo com o mercado, ela não vende como esperado. O americano David Naggar, vice-presidente de Conteúdo do Kindle, no entanto, diz que está feliz com os resultados, especialmente dos títulos autopublicados, que já respondem por 30% da lista de mais vendidos. Ele falou ao Estado na sede da empresa, em São Paulo, ao lado de Alex Szapiro, diretor da Amazon no Brasil.

David Naggar e Alex Szapiro

David Naggar e Alex Szapiro

 

Como avalia o momento?

Vai tudo muito bem. Os editores estão cada vez mais animados com o digital. Os consumidores estão respondendo bem à oferta de livros em português e em outras línguas. Os e-readers vendem bem e a autopublicação é uma loucura. Ela cresce mais rápido aqui que em qualquer outro país e os livros autopublicados já respondem por 30% da lista de mais vendidos toda semana.
Vão bem porque são mais baratos?
Sempre começa com um bom livro. Um conteúdo barato, mas ruim, não vende porque ele traz consigo várias avaliações negativas. E, entre dois livros bem avaliados, vende mais o que for mais barato. O gap de preços entre os livros publicados de forma tradicional e de forma independente contribui para o crescimento.
Os jovens estão mais abertos a esse conteúdo independente?
As pessoas, de forma geral, estão mais abertas. Não tem a ver com idade. A maioria dos leitores não sabe quem é a editora do livro que estão lendo. Não dizem: vou comprar o novo livro da Intrínseca. Dizem que vão comprar o próximo livro do autor de que gostam. E elas não sabem que se trata de autores independentes.
Diz-se que um e-book de US$ 9,99 vende mais que o dobro de um mais caro.

Um livro de US$ 9,99 vende 75% a mais que um de US$ 14,99. Esse dado é dos Estados Unidos e varia nos outros países. Jogar o preço para zero não funciona para ninguém, nem para a Amazon. Em digital, queremos encontrar um preço que garanta maior margem de lucro. O custo de distribuir a unidade seguinte é zero. Então, quero vender o máximo de exemplares que eu puder. É encontrar o valor que vai maximizar as minhas vendas. Não há dúvidas de que e-books de editoras tradicionais são muito caros. Há 10 anos, não havia uma alternativa a isso, mas hoje, há. E para leitores vorazes, que leem 30 livros por mês, um desconto de 25% não é viável. Por isso, nosso serviço de assinatura está crescendo.

No Brasil, a Amazon não conseguiu, como em outros países, o controle sobre o preço do e-book.

É diferente em cada país. Mas quando vemos o crescimento do Kindle Unlimited e da autopublicação, o apetite do consumidor fica claro. Se os preços são altos demais, esses consumidores têm, hoje, alternativas. E eles estão indo atrás delas.

O mercado editorial reclama que as vendas de e-books não vão tão bem quanto esperavam.

Temos a informação de que ela já representa de 13% a 15% do faturamento de algumas editoras [não didáticas]. Ir de zero a 15% em três anos é muito bom. Mas tem também esse mundo da autopublicação e dos livros estrangeiros, que não estão nas estatísticas. Nos EUA, o faturamento com e-books fica entre 25% e 30%.

Impressão sob demanda também está na mira da Amazon. Vale a pena?

Sempre vale. Não custa nada. E se uma pessoa compra, valeu a pena. Não há trabalho extra nisso, só dinheiro extra.

Entregar um livro criado para ser apenas digital na versão impressa tem a ver com o fato de o digital ainda não ter estourado?

Nossa filosofia é: se você é meu cliente, quero que você encontre a felicidade na minha loja. Se sua alegria é comprar livro impresso, teremos livro impresso. No Brasil, vendemos livro físico há 16 meses. A maioria dos nossos clientes é híbrida. As pessoas tendem a escolher por gênero. Por exemplo, podem ler romances em e-book, mas querem ter livros de culinária na estante.

Haverá um equilíbrio entre a venda de livros impressos e digitais?

Isso não nos importa. Apenas duas pessoas importam nessa equação: o leitor e o autor. E ninguém mais. Se estivermos fazendo autores e leitores felizes, então estamos fazendo o nosso trabalho.

Leitura em telefone já é algo significativo?

Sim, e está crescendo muito.

Livros estão sendo vendidos. E estão, de fato, sendo lidos?

Sim, e inclusive pagamos os autores do KDP por páginas lidas. As pessoas estão lendo bilhões de páginas. Editores, especialmente da área de didáticos, adorariam essa informação, mas ainda não fomos a esse nível de detalhe. Definitivamente, as pessoas estão lendo.

Livros lidos por meio do serviço de assinatura vão para as listas de mais vendidos?

Sim, e isso ajuda no fenômeno dos indies – muitos deles estão no Kindle Unlimited.

Demorou para a Amazon ter grandes editoras em seu programa de assinatura.

A beleza de ter a autopublicação é que podemos lançar um serviço como esse e vê-lo crescer sem as editoras tradicionais. Elas podem aderir e ficaremos felizes se elas vierem. Quanto melhor a seleção para o cliente, melhor. Mas é tudo uma questão de ter os títulos certos e os arranjos comerciais. Se esse fosse nosso único modelo de negócio, iríamos querer todos os livros de todas as editoras. Mas temos um serviço a la carte muito sadio. Uma curiosidade: os assinantes ainda compram livros. Um editor esperto coloca os dois primeiros livros de uma série no Kindle Unlimited, atrai os leitores, e vende os outros 5. É bom para todo mundo. As pessoas estão lendo mais e gastando mais com livros.

Além de metadados, o que ajuda a vender um livro?

Preço, divulgação feita pelos independentes, tours online, indicações de celebridades. Uma das preocupações dos editores é que diminuindo o valor de um livro, você o desvaloriza. Não é verdade. Mas já foi. Pense no mercado de livro impresso. Você vai a uma livraria e encontra as bancas de saldos. Se passa lá durante um mês e vê um livro de capa super barato no mesmo lugar vai achar que aquele livro não tem valor. Mas no mundo online, de livros digitais ou impressos, o fenômeno é diferente. Vamos supor que hoje você baixe o preço do livro a US$ 1,99. A demanda começa, e ela alimenta o sistema de recomendação. No dia seguinte, o livro volta para o preço normal, mas agora está visível a todas essas pessoas. E elas não sabem qual era o preço no dia anterior. Não há desvalorização do conteúdo. A venda de um dia realmente aumenta a visibilidade do livro em todos os espaços no site. No fim, as pessoas não se sentem enganadas e ficam felizes por descobrirem um livro que está sendo recomendado.

Quem escolhe esses livros?

Os editores recomendam, nossos profissionais escolhem. Alguns países ainda não acreditam que não estamos desvalorizando o produto, mas nos EUA, editores brigam, pagam por isso. O que eles não sabem é que não precisam dessa publicidade para baratear o preço. Eles podem fazer isso quando quiserem. Um livro no ‘daily deal’ vê suas vendas aumentarem 3 mil vezes. 30 dias depois, a venda deve ficar 20% maior do que antes da ação. Um editor esperto chega a esse valor e decide baixar o preço de novo.

O que mais um editor esperto deve fazer ou saber?

Eles devem ter os direitos globais de suas obras. No nosso sistema, você aperta uma tecla e o livro passa a estar disponível, imediatamente, a custo zero, em outros países. A questão do preço é, possivelmente, o maior problema no Brasil. Se acreditar que, ao dar um preço alto para o e-book, o cliente vai escolher comprar o impresso, então deve cobrar caro. Mas não acredito que seja isso o que esteja acontecendo. Clientes escolhem. Ninguém nunca ficou rico dizendo ao cliente o que comprar. Ao tornar o produto muito caro ou não tê-lo disponível, ele vai escolher outro livro. E até a pirataria vira uma opção. Todos os livros estão disponíveis em sites piratas. Tem a ver com oferta e preço. Se o livro não está disponível, você deixa a pessoa sem escolha. E se está disponível, mas com um preço ridículo, a pirataria também é uma opção. Há muitos livros de fundo de catálogo que as editoras brasileiras ainda não digitalizaram.

POR MARIA FERNANDA RODRIGUES | O ESTADO DE S. PAULO | 03/12/2015

Programa Livrus Ao Vivo # 07


MELHOR DO JORNALISMO LITERÁRIO

Livrus ao Vivo é um programa semanal, com 30 minutos inteiramente dedicados à literatura. Produzido por profissionais do mercado editorial, que visam enriquecer o setor com programação de qualidade, o programa Livrus ao Vivo mantém uma equipe sempre atenta às novidades, levando ao ar a notícia sempre atualizada.

No programa Livrus ao Vivo, o ouvinte encontra originalidade e inovação, entrevistas com os autores em destaque, agenda cultural, resenhas e dicas de livros, obras que viraram filmes, lançamentos, além de músicas inspiradas em livros.

A primeira temporada do Livrus ao Vivo é apresentada sempre às quartas, às 21h30, por Ednei Procopio, editor especialista em livros digitais e Chris Donizete, publisher e jornalista literária; com comentários de Sandra Schamas, escritora e tradutora.

Para ouvir ao vivo, basta sintonizar a Rádio Mundial AM 660 ou FM 95,7, ou acessar o link www.radiomundial.com.br/radio-ao-vivo no momento do programa.

Para quem não ouviu as edições passadas, basta clicar em um dos links abaixo:

O livro digital não morreu?


Os últimos meses foram marcados por uma onda de pessimismo em relação ao desempenho dos livros digitais no mercado: depois de diversas editoras relatarem um crescimento do digital menor do que o esperado em 2015, uma matéria no New York Times concluiu – com razão – que o livro impresso está longe de morrer. Como sabemos, notícias sobre e-books no mercado editorial tendem a ganhar tons apocalípticos: da mesma forma como o Kindle foi anunciado como o assassino do livro impresso – e a notícia de que a Amazon vendia mais livros digitais do que físicos, lá em 2012, foi alardeada como o último prego no caixão do papel –, a desaceleração do crescimento dos e-books nos EUA e no Reino Unido foi encarada por muitos como uma “revanche” do livro impresso. Mas afinal, o que está, de fato, acontecendo no mercado?

É verdade que muitas editoras vêm relatando estagnação ou queda nas vendas de e-books em relação ao ano passado. O último relatório da Association of American Publishers, que reúne dados de mais de 1200 editoras dos EUA, apontou uma queda de 6,7% nos e-books adultos e 30,9% nos infanto-juvenis em julho, em relação ao mesmo mês de 2014. Dados individuais de algumas das maiores editoras americanas – como Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster – sugerem uma tendência semelhante. A participação dos e-books no faturamento das editoras parece ter se estabilizado entre 20 e 30%, uma porcentagem que, embora significativa, é muito menor do que o crescimento acelerado do digital poucos anos atrás permitia imaginar. Dito isso, algumas considerações:

1] Esta relação entre as vendas de livros impressos e de e-books – que, segundo a Nielsen, está em torno de 74% para 26% no mercado americano como um todo – é uma média do mercado, considerando todos os gêneros ou, dependendo da pesquisa, todos os e-books adultos. Dentro deste universo, existem alguns gêneros em que estas porcentagens são bem diferentes; de maneira geral, e-books tendem a ter desempenho melhor na ficção, fazendo com que esta relação possa chegar mais próxima de 50/50 ou até de uma vantagem para o digital em alguns casos. Em outros gêneros, o livro digital já sai em desvantagem simplesmente por ter recursos limitados para reproduzir determinados conteúdos; para livros de arte, por exemplo, o e-book ainda não se compara ao papel em termos de experiência e conforto.

2] Uma das explicações apontadas para a queda de desempenho dos e-books foi a alta dos preços causada pela volta do agency model para a maior parte das grandes editoras, que agora podem estabelecer seus próprios preços, sem descontos por parte das livrarias. Esta é uma hipótese que não se pode descartar: ainda segundo a Nielsen, o preço é um fator importante na escolha de formato para a maior parte dos leitores. A partir destes dados, alguns analistas concluem que o que está encolhendo não é o mercado de e-books, e sim a participação das grandes editoras nele, uma vez que o público, assustado com a alta de preços, tem preferido livros independentes, que costumam ser bem mais baratos. Esta hipótese vai contra os dados da Nielsen, que indicam, entre 2014 e 2015, um aumento da participação tanto dos livros autopublicados [de 14% para 18%] quanto das “Big Five” [de 28% para 37%], às custas das editoras pequenas e médias, que caíram de 58% para 45%. Mas é verdade que os números mais abrangentes que temos, que são os da pesquisa mensal da Association of American Publishers, consideram apenas os números de vendas fornecidos por editoras; os livros independentes são uma parte relevante do mercado que não é considerada nas pesquisas que apontam a queda dos e-books.

3] Outro fator a se considerar é o declínio dos e-readers em favor dos tablets e smartphones. Segundo a última pesquisa do Pew Research Center, a popularidade dos e-readers dedicados nos EUA caiu drasticamente em relação a 2014, com apenas 19% dos entrevistados tendo declarado possuir um, contra 32% no ano passado. Já os tablets e smartphones chegam a 45% e 68% da população, respectivamente. Embora estes últimos também sejam utilizados para leitura – os celulares, inclusive, vêm sendo apontados como a grande tendência para o mercado de e-books nos próximos anos –, eles são dispositivos multifuncionais, nos quais a leitura é apenas uma das muitas atividades possíveis. Considerando que os últimos grandes lançamentos de e-readers, o Kindle Voyage e o Kobo Aura H2O, aconteceram no ano passado, suponho [e dessa vez não tenho dados, é só especulação mesmo] que haja menos pessoas comprando e-readers este ano, o que implica menos leitores empolgados com o novo gadget e dispostos a comprar muitos e muitos e muitos novos e-books para encher suas prateleiras virtuais.

Isso significa que as editoras devem voltar a apostar todas as suas fichas no impresso e que os funcionários de seus departamentos digitais já devem começar a atualizar o LinkedIn em busca de um novo emprego no futuro próximo? Na minha humilde opinião, não. Significa que o mercado está mais maduro e que seus tempos de crescimento de dois ou até três dígitos ao ano chegaram ao fim. Agora, é importante que as editoras se empenhem, por um lado, em produzir e-books de qualidade – evitando que o digital continue a ser encarado simplesmente como um subproduto mais barato do livro físico e que novos leitores voltem correndo para o impresso depois de uma experiência com um e-book ruim –, e por outro, em inovar e aproveitar as vantagens específicas do digital. Dadas as limitações do ePub, esta tarefa nem sempre é fácil, mas, num mercado tão dinâmico, até isso pode mudar. Então, sugiro esperar mais um pouco antes de decretar a morte de qualquer formato.

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 02/12/2015

Marina Pastore

Marina Pastore

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.