Amazon remunerará escritores por número de páginas lidas


A partir do dia 1 de julho, a Amazon vai adotar um novo modelo de remuneração. Os autores não serão mais pagos de acordo com a quantidade de livros vendidos – mas conforme o número de páginas que tiverem sido lidas, de cada livro, ao todo, no Kindle. É uma experiência, e por enquanto só valerá para os livros publicados pela própria Amazon [no esquema Kindle Direct Publishing] e baixados por meio do Kindle Unlimited – um serviço que permite baixar livros à vontade por US$ 10 mensais. Mas não é impossível que, a depender do resultado, o novo esquema venha a ser adotado com os demais ebooks.

Segundo a Amazon, a ideia é remunerar os escritores de forma mais justa: quem escreve mais, e é mais lido, ganha mais. À primeira vista, é difícil argumentar contra essa lógica. De certa forma, só reproduz digitalmente algo que já acontece no mundo offline [livros de papel com mais páginas tendem a custar mais caro]. Mas também abre espaço para distorções preocupantes. Com o pagamento por página, os escritores passam a ter um estímulo fortíssimo para enrolar, ‘encher linguiça’. Mas o pior é que, na prática, receberão muito menos. Por um motivo simples.

As pessoas dificilmente leem 100%, de cabo a rabo, todos os livros que compram. Todo mundo para no meio, desiste às vezes. É normal. Como é normal ir ao cinema, não gostar do filme e sair na metade, ou ir a um restaurante e deixar comida no prato. Acontece. Mas, nesses casos, paga-se o preço inteiro – porque o trabalho que outras pessoas tiveram para fazer aquilo não muda por você não ter gostado.

Se a Amazon quiser ir adiante com o pagamento por página, e adotá-lo em todos os ebooks, certamente enfrentará resistência de editoras e escritores. A dúvida é quão forte, ou eficaz, ela poderá ser. Porque a Amazon é muito grande, controla mais da metade do mercado de livros na internet e tem força para impor preços e condições.Talvez o mercado de livros vá passar pelo que aconteceu com a música – onde os artistas recebem menos de US$ 0,01 a cada vez que uma de suas faixas é tocada.

Por Bruno Garattoni | Publicado originalmente em Superinteressante | 22/06/2015

A internet móvel e o futuro das publicações digitais


É inegável que a web mobile pode contribuir para reduzir a brecha digital. Os desenvolvimentos nesse terreno permitiram um maior acesso aos conteúdos web em numerosos países da África, Ásia e América Latina. No entanto, o que acontece em termos de criação e participação? Como promover uma web mobile aberta na qual os usuários locais sejam protagonistas reais, em vez de consumidores passivos? Para discutir esses temas de vital importância para o mundo editorial, conversamos com Mark Surman, diretor-executivo da fundação Mozilla.

1. A internet móvel está revolucionando o modo de acesso ao conteúdo digital no mundo em desenvolvimento. Como essa tendência vai afetar as vidas de centenas de milhões de habitantes do sul global, não apenas em termos de acesso, mas também de criatividade?

A web mobile está fazendo com que milhares de milhões de usuários possam se conectar, e em 2025 teremos 5 bilhões de indivíduos online – muitos dos quais vão se conectar exclusivamente através de seus celulares. Mas o acesso não é suficiente. Para conseguir um impacto na vida dos indivíduos que vivem em países em desenvolvimento, devemos somar ao acesso à alfabetização digital. Quando esses usuários puderem criar conteúdo local em seus próprios idiomas – me refiro a páginas web e aplicativos –, vai se abrir uma oportunidade social e econômica impressionante.

2. Numerosas fundações internacionais estão colocando em marcha iniciativas para facilitar o acesso às publicações digitais em países de escassos recursos, seja através de conectividade gratuita [Internet.org], doações de e-books [Worldreader] ou serviços “Zero Rating” [Wikipedia Zero]. Qual é a sua opinião sobre esses projetos?

Existem atualmente muitas iniciativas bem-intencionadas, mas insisto: a Mozilla considera que o acesso deve estar unido a propostas de alfabetização digital e a ferramentas abertas que convidem à criatividade e à participação. É assim que fortalecemos os novos usuários.

3. Em um recente artigo, você definiu o conteúdo local como “o canário na mina de carvão”, quer dizer como um bom indicador da saúde do ecossistema digital local. Como poderia ser fomentada a produção de publicações digitais locais nos países em desenvolvimento?

Em primeiro lugar, nos países em desenvolvimento precisamos promover uma web aberta. Muitas pessoas acham que o Facebook representa uma extensão da Internet – mas isso prende os usuários a um sistema fechado onde devem seguir determinadas regras. No entanto, quando os monopólios digitais são desarmados, os indivíduos podem criar suas próprias regras, em vez de seguir os alinhamentos de umas poucas empresas. Assim, tudo se torna possível.

Também podemos estimular a produção de publicações digitais locais graças à integração de ferramentas de criação abertas. Ferramentas intuitivas que permitam aos usuários criar em poucos minutos, mesmo se não tiverem os conhecimentos de programação. Também é necessário adaptar essas ferramentas a uma ampla gama de línguas, tais como bengali, swahili, hindi e outras.

4. Quais são os principais projetos da fundação Mozilla em países em desenvolvimento?

Daqui a algum tempo estaremos apresentando o Webmaker. Trata-se de uma plataforma de criação de conteúdo gratuita, aberta e mobile que permite aos usuários construir [e compartilhar] aplicativos, páginas web e outros objetos multimídia em poucos minutos. As barreiras de entrada são baixas – até os usuários que usam um smartphone pela primeira vez podem se tornar inventores. E Webmaker está adaptado a numerosas línguas.

Também estamos expandindo nossa rede de aprendizagem para incluir os Mozilla Clubs, que permitem a mentores e estudantes de todo o mundo entrar em contato para ensinar e construir a web. Os detalhes sobre os Clubs e nossas outras iniciativas de alfabetização digital podem ser encontradas clicando aqui.

5. Desde o surgimento da web [e em particular da web mobile], a indústria do livro atravessou mudanças profundas. Com seu conhecimento do mundo da web, como vê o futuro da indústria editorial em escala global?

A edição se tornou muito mais democrática, e essa tendência vai continuar. Milhares de milhões de usuários estão se conectando e descobrindo a web aberta – o que significa que inumeráveis autores novos contam com uma plataforma e uma audiência para transmitir suas histórias.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 19/06/2015

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Amazon apresenta seu novo Kindle


Produtos são lançados com altíssima resolução

A Amazon acaba de apresentar o novo Kindle Paperwhite, com tela de altíssima resolução de 300 ppi, duas vezes mais pixels do que as gerações anteriores. Além disso, o novo modelo vem com uma nova composição tipográfica, utilizando uma fonte exclusiva, a Bookerly, que, segundo o fabricante “desenhava para que você tema uma experiência mais parecida com uma página impressa”. A empresa anunciou ainda a chegada no Brasil do modelo Kindle Voyage, que, além da resolução de 300 ppi, tem tela de plana de vidro temperado e parte de trás em magnésio, o que o torna mais resistente e mais leve – tem 7,6 mm de espessura e pesa 180g. Os dois modelos estão em pré-venda pelo site da Amazon.

PublishNews | 18/06/2015

No tempo dos eBooks


Como o hardware, o software e o conteúdo convergirão para tornar o livro instantaneamente acessível

Durante a 15ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto ministrarei uma palestra, no Salão de Ideias, que abordará o passado, o presente e o futuro dos livros sob uma ótica da convergência digital.

Na palestra pretendo abordar como os modos de produção e circulação de livros vem se alterando ao longo do tempo. Creio que nunca na história da indústria editorial os livros estiveram tão próximos do cotidiano dos consumidores quanto hoje. E, assim que passar esta fase de reinvenção desta indústria diante dos desafios impostos pela Era Digital, a tendência é o livro se tornar cada vez mais popular.

As tecnologias de hardware, software e conteúdo, voltadas ao novo mercado editorial, estão emergindo a partir de um emaranhado de conexões literárias para tornar o livro instantaneamente acessível a uma massa cada vez maior de leitores consumidores.

Conexões literárias se formam a partir do agrupamento de pessoas e ideias que circulam no entorno de projetos de blogs, redes sociais literárias, livrarias online, editoras virtuais, plataformas de autopublicação, bibliotecas digitais, etc.

No passado, diversos hardwares serviram de superfície de leitura

E a prática vem nos mostrando, através dos tempos, que todos os livros necessitam obrigatoriamente de uma superfície de leitura, ou de um hardware, para serem registrados, acessados e lidos. Sem um hardware, o acesso e a leitura ficariam comprometidos, e o homem continuaria a perpetuar sua antiga comunicação oral.

Desde as paredes das cavernas, passando pelos tabletes cuneiformes, bambus, tecidos, papiro, cascas de árvores, cordas, alfarrábios, entre gravuras em barro seco ou frases escritas em peles de animais, até chegar ao suporte papel, aos CD-ROMs, e-readers, tablets, smartphones, etc., o homem vem utilizando diversos modos para o registro de ideias, informações e conhecimentos.

1Um exemplo do uso diversificado de superfícies de registro e leitura é o quipo [ou quipu], um cordão com nós atados cuja amarração permite uma leitura por decodificação de combinações. Com o uso do quipo, um cordão com cerca de 30 cm, a cultura inca pré-colombiana estabelecia uma contabilidade precisa no seu abastecimento de alimentos e utensílios. O quipo permitiu ao povo inca a conservação da memória de seus antepassados por meio de crônicas.

Mas foi o hardware papel o responsável por disseminar e até, de certo modo, ‘engessar’ a cultura literária ocidental. Ao contrário, porém, do hardware papel que esteve no centro das atenções dos meios de produção do livro, durante pelo menos quatro séculos desde a revolução da prensa de tipos móveis, engendrada pelo gênio alemão Johannes Gutenberg, hoje a superfície digital de leitura está literalmente na palma da mão dos leitores.

Baseado em écrans digitais de produtos como smartphones, óculos de realidade virtual, e-readers, relógios, tablets e um número crescente de telas de variados tamanhos, a moderna superfície de leitura migrou dos antiquados e pesados hardwares, para as leves e legíveis páginas portáteis. E a partir das modernas superfícies digitais de leitura presenciamos o nascer de um novo intermediário do conhecimento.

No presente, o software é o responsável por intermediar a leitura

O software, cuja linguagem binária vem se desenvolvendo desde a década de 1960 através dos computadores pessoais, tornou-se hoje em dia em uma interface bastante disseminada e popular que cuida da intermediação entre o conteúdo e as modernas superfícies de leitura.

O software, hoje empacotados nos chamados apps, permite que ideias, informações e conhecimento sejam registrados, e compartilhados através das redes de computadores, servidores descentralizados, computação em nuvem e inúmeros aplicativos.

A portabilidade tecnológica e a socialização da Internet, através dos apps, atreladas à disseminação do comércio eletrônico, são hoje uma realidade que tornaram possível uma revolução sem precedentes desde o aprimoramento das máquinas de tipos móveis. Com o avanço e democratização das tecnologias de informação, plataformas digitais de publicação, leitura e compartilhamento nasceram, evoluíram e permitiram um modo completamente novo de se trabalhar com os livros.

O conteúdo se tornará ainda mais central para os livros

O futuro do livro encontra-se mais centrado no conteúdo que nas superfícies de leitura ou nas tecnologias que o intermedia. O futuro do livro converge para uma leitura social, direta, em tempo real, periódica, desintermediada e menos burocrática.

Estamos no limiar de novos modelos de negócios voltados aos livros, hoje divididos entre a publicação instantânea, que oferece quantidade de livros ao novo mercado editorial, e a curadoria de conteúdo que concede a qualidade necessária.

Tanto o conteúdo criado de modo espontâneo pelos escritores online, quanto o conteúdo encomendado por publishers, baseado em suas próprias demandas, alimentarão um mercado editorial cada vez mais rico e dinâmico. Plataformas digitais de publicação, comercialização e divulgação, atrelada a uma curadoria de conteúdo, serão responsáveis por profissionalizar livros e autores para uma massa de leitores que, com uma curva de aprendizagem cada vez mesmo acentuada, optarão por títulos de qualidade.

E o que podemos prender com os erros do futuro?

Da publicação instantânea, sem o filtro editorial necessário, nascerão os novos escritores que futuramente desenharão o novo modus operandi do mercado editorial. A curadoria de conteúdo será a responsável pelo nascedouro de uma nova geração de publishers que irão direcionar o trabalho dos antigos profissionais do mercado editorial tradicional.

Um novo mercado editorial já nasceu e segue seu curso rumo ao futuro. Este novo mercado converge o hardware, o software e o conteúdo dos livros em uma rica bibliodiversidade, em uma diversidade de escritores, editoras, livrarias online e bibliotecas digitais que formam as conexões literárias, capazes tanto de estimular o nascimento de novos leitores quanto assegurar a leitura dos mais exigentes entre os leitores. O que o futuro do livro nos reserva, afinal, é um cenário de conteúdo literário em plena convergência.

Minha palestra sobre o passado, o presente e o futuro dos livros, sob a ótica da convergência digital, será ministrada no Salão de Ideias. O evento [aberto ao público, com entrada gratuita] ocorrerá no dia 18/06/2015, das 16 às 17H30 horas, no Auditório Meira Jr. do Theatro Pedro II.

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Ednei Procópio é um dos maiores especialistas em livros digitais do país, pioneiro na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais, atua na publicação, comercialização e divulgação de centenas de títulos em versões impressas sob demanda e digitais através da LIVRUS Editorial. Publicou Construindo uma biblioteca digital [2005], O livro na era digital [2010] e em 2013, Procópio lançou seu terceiro livro A Revolução dos eBooks [pela editora do Senai] indicado ao Prêmio Jabuti 2014.

O livro digital no Prêmio Jabuti


Por Antonio Hermida | Publicado original em Colofão | 17/06/2015

Na mais recente edição do Prêmio Jabuti, – a de número 57 –, a CBL “acrescentou”, em caráter experimental, livros digitais ao concurso. Com muitos “poréns” [e sem premiação], entusiastas, editores e autores ficaram, com alguma razão, desapontados.

Choveram críticas – como se pode ver nesta discussão no AED – à instituição e à maneira como se deu essa entrada inglória dos digitais. Todavia, uma coisa precisa ser dita: a iniciativa é válida e, mais do que isso, é valiosa.

Problemas vários, das categorias às impossibilidades técnicas e legais [para as quais a maioria das pessoas com quem falei não atentou], inviabilizaram os e-books de concorrerem ao Jabuti.
Deixarei meus dois tostões sobre isso abaixo, mas já adianto minha conclusão aproveitando a semana de spoilers por causa de GoT: bem, minha conclusão é que houve boa vontade e, quem sabe, até empolgação, em querer incluir os digitais, mas obviamente não se pensou o suficiente em como fazer isso de maneira realmente inclusiva.

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Categorias

Comecemos falando das categorias. Quais são elas? Eu mesmo respondo: a lista completa pode ser vista neste link. Se observarmos, as únicas categorias que não dizem respeito diretamente ao conteúdo são Projeto gráfico e Capa. As capas dos e-books, no geral, são adaptações [recortes ou reorganização de elementos] de suas versões impressas, mas o projeto gráfico, não. Bem, ao menos não deveria ser. Reparem no segundo exemplo [Luto e Melancolia] deste artigo que escrevi para o blog da Cosac Naify.

Caso o livro inscrito possua uma versão digital e a editora opte por assinalar a mesma, esta deveria concorrer numa subcategoria de Projeto gráfico, algo como: Adaptação de projeto gráfico para o digital.

[Outros exemplos de adaptação de projeto gráfico neste e neste link.]

Aonde estou querendo chegar com isso? Bem, com esse tipo de categorização não excluímos o que todas as outras categorias do prêmio têm em comum: o diálogo com o conteúdo e com o todo. E por que isso é importante? Porque já passou o tempo em que víamos o digital como um inimigo, como algo à parte, certo?

Se é para incluir, façamos uma inclusão de verdade, afinal, se todos os livros avaliados exigem atenção e preparo dos jurados, por que o julgamento do digital deve se limitar em clicar em músicas, vídeos e animações, que é como a coisa posta, no final das contas? A maioria dos livros digitais publicados não possui nada disso, enquanto muitos dos livros concorrentes ao prêmio possuem versão digital.

DRM e distribuição para júri

Também se falou da problemática relação entre distribuição para avaliação e DRM, devendo a editora fornecer “um arquivo livre de regras de DRM”. Como usuário e entusiasta de software livre acho que minha posição pessoal em relação aos DRMs é bastante clara. No entanto, como profissional, preciso respeitar contratos e posso afirmar que 99% dos contratos estrangeiros com que já me deparei são bem claros com relação a isso: o arquivo não pode ser distribuído sem proteção. Nem para imprensa, nem para jurados, nem para o dono da editora e nem para o autor. Então, a menos que os detentores dos direitos liberem por escrito ou adendo o uso e, em contrapartida, a outra parte assine um termo, a solução é perguntar aos jurados em que plataforma eles preferem acessar os e-books. Depois, entrar em contato com as editoras e solicitar promocodes [ou algo equivalente] da plataforma em questão [no Google Play Livros, por exemplo, acrescenta-se o usuário como revisor de conteúdo] para, através desses canais, liberar o acesso.

Outro problema em relação ao DRM é que em praticamente todas as lojas o e-book passa a ser interpretado de diferentes maneiras após a aplicação dele. Isso se dá porque cada aplicativo renderiza e adapta à sua própria maneira o código fonte do e-book [que deve ser pensado como uma equação que vá funcionar mais ou menos igual para todos]. Logo, o e-book sem DRM não representa o e-book entregue ao leitor.

[Para saber mais sobre DRM, leia este artigo]

3.19 INFANTIL DIGITAL

Caso não tenham lido o regulamento, fiz uma cópia do PDF neste link. Pulem diretamente para 3.19 INFANTIL DIGITAL e sigam lendo até a 3.19.1.5. Minha leitura do trecho foi: “gentileza não enviar nada desse tipo para a gente”.

O problema já começa no 1º parágrafo, onde esbarramos em Ficha catalográfica. Para começar, o modelo de ficha digital [2012] proposto pela CBL já chegou um pouco atrasado [3 anos atrasado, para ser mais exato].

Fato 1: em 2012 a maioria das médias e grandes editoras já havia começado a converter seu catálogo e, na ausência de regulamentação, informação e possibilidade, elas já haviam também estabelecido seu fluxo de trabalho sem levar isso em conta.

Fato 2: o primeiro modelo de ficha catalográfica proposto pela CBL não fazia o menor sentido, técnica e semanticamente falando.

Fato 3: Eu mesmo liguei para lá algumas vezes entre 2009 e 2012 e ninguém sabia responder às minhas perguntas. A “pessoa que entende disso” nunca estava lá ou retornou minhas ligações. Assim fica difícil cobrar, né?

Fora tudo isso [fatos que se limitam a um item, composto apenas por duas palavras localizadas no primeiro parágrafo], a regra que diz que apenas livros infantis que “Possuam conteúdo textual integrado a elementos multimídia, interativos e hipertextuais” podem participar exclui trabalhos maravilhosos, como o da Intrínseca com os e-books do Gaspari [veja aqui] e e-books infantis de layout-fixo sem animação que são bem bonitos.

E-books interativos deveriam entrar em uma categoria à parte? Com certeza, mas só infantis deveriam entrar nessa categoria? Acho que não, eim. Apenas um palpite.

Em vez de termos restritivos e confusos, e a reiteração de “tudo que vai dar errado e desclassificar o livro porque alguma coisa acontecerá no caminho e nos impedirá de abrir esse arquivo”, o regulamento deveria ser minimamente claro para o concorrente sobre como ele deve enviar o livro e que quesitos serão, de fato, avaliados, como é feito em qualquer concurso de qualquer tipo.

A conclusão está supracitada, mas complementando, nenhum desses tropeções invalida a tentativa da CBL. Trata-se de um órgão importante traçando um caminho inédito, talvez sem volta; não há discussão quanto a isso, a meu ver. Não fosse esse um passo ousado, não teria gerado a expectativa que gerou.

Como tentei mostrar, não é tão simples quanto parece querer acrescentar e-books num concurso como o Jabuti. Esbarra-se num monte de questões que demandam tempo, planejamento, testes e simulações. A CBL tem 1 ano para ponderar sobre esses tropeções e superá-los se decidir bancar o posicionamento e levar isso adiante.
De minha parte, torço para que o faça e espero ter colaborado de alguma forma.

PS. Seria interessante colocar uma categoria de Qualidade técnica com avaliação de código. Já pensei nos quesitos de avaliação e até numa maneira de viabilizar isso sem infringir contratos. Mas acho que isso pode esperar para o de 2017, se me deixar falando disso, o texto não acaba…

Por Antonio Hermida | Publicado original em Colofão | 17/06/2015

Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências.
Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora.

Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Mais uma editora adere à Distribuidora de Livros Digitais


DLD passará a fazer a distribuição digital dos e-books da editora

Resultado do consórcio das editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, LP&M e Novo Conceito para distribuição digital de seus e-books, a DLD começou recentemente a distribuir e-books de outras editoras. A primeira casa a aderir – como cliente e não como sócia – é a Cosac Naify. Em comunicado enviado à redação do PublishNews, a DLD informa que “esta iniciativa se integra ao processo de fortalecimento da atuação da Cosac Naify no digital”. “Iniciando o trabalho de distribuição de e-books integrado a uma plataforma, automatizamos uma grande parte do operacional para que possamos focar no que nos é mais importante: os livros“, se pronunciou a Cosac também via comunicado. Atualmente, a editora dispõe de 140 e-books em seu catálogo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/06/2015

Esquenta a disputa pela distribuição digital


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 17/06/2015

DldO PublishNews noticia hoje que a Cosac Naify é a primeira editora a ser distribuída pela DLD sem fazer parte do consórcio que a controla, formado por sete editoras brasileiras. Serão 140 e-books da editora paulistana que passarão a integrar o catálogo da agregadora. Este anúncio é de extrema importância porque marca a entrada da DLD na disputa pelo controle da distribuição digital no Brasil. Se antes a empresa só aceitava distribuir sócios e se comportava mais como um clube, agora ela se torna um agregador comercial de fato. A empresa carioca, aliás, não foi atrás apenas da Cosac Naify, mas tem conversado com vários editores que parecem fazer parte de uma seleção criteriosa, sempre para oferecer seus serviços de distribuição.

Em minha opinião, o lento crescimento do mercado digital brasileiro em 2014 e início de 2015 se deve, em parte à ausência de bons serviços de agregadores no país. Até o ano passado, havia, na prática, apenas a Xeriph e a DLD operando em maior escala no Brasil. E se por um lado a Xeriph merece aplausos e reconhecimento por ter sido a pioneira e por ter feito um excelente trabalho de agregação de conteúdo no mercado brasileiro [arrisco-me a dizer que sem ela, a Amazon teria
Logo_xeriph_bigretardado muito mais sua entrada no Brasil], a verdade é que até o ano passado pelo menos, a empresa ainda não conseguia oferecer aos editores brasileiro o mesmo tipo de serviço e plataforma que empresas estrangeiras como Ingram, Overdrive e DeMarque colocam à disposição no exterior. Enquanto isso, a DLD não tinha interesse em distribuir não-sócios e empresas como Acaiaca Digital e Digitaliza ainda estavam começando. Assim, a distribuição digital no Brasil deixou muito a desejar em 2014.

Agora o cenário é outro, e não apenas pela entrada da DLD na briga. Afinal, já no início de 2015, a distribuidora digital Bookwire iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma filial em São Paulo, capitaneada por Marcelo Gioia. Desde então, a empresa já fechou contrato com cerca de 80 editoras e já está distribuindo o conteúdo de 60 delas. A seu favor, Bookwireconta o fato de que a plataforma alemã já é mundialmente reconhecida como um dos melhores sistemas de distribuição de digital do mercado. Além disso, a empresa tem mostrado eficiência em otimização de metadados e serviços de marketing no exterior.

A carioca Xeriph, por sua vez, resolveu questões internas ligadas a saída do grupo Abril do controle da empresa em setembro do ano passado e, depois de avaliar possíveis compradores, decidiu seguir sozinha na operação podendo agora focar mais no negócio da distribuição e menos em assuntos corporativos. Uma das vantagens comparativas da empresa dirigida por Duda Ernanny é seu projeto de plataforma de biblioteca digital que ela vem desenvolvendo.

DigitalizaA Digitaliza, capitaneada por Igdal Parnes, ex-Elsevier, também começa a mostrar a que veio. Seu diferencial é oferecer financiamento dos custos de conversão para os editores que aderirem a sua plataforma. Na Digitaliza, portanto, os editores não precisam desembolsar capital para converter os títulos de seu catálogo. A empresa já distribui cerca de 30 editoras.

AcaiacadigitalFinalmente, a Acaiaca Digital, que chegou a negociar a compra da Xeriph em março e que distribui o catálogo digital da plataforma de self-publishing Clube de Autores, entre outros, parece mais ávida pelo quinhão digital, tanto que quase arrematou a Xeriph. A negociação só naufragou nos momentos finais. E a empresa conta com executivos do calibre de José Henrique Grossi.

Para um mercado que passou 2014 sem grandes opções de distribuição digital para os editores, o segundo semestre de 2015 promete. Agora são cinco agregadores digitais em atuação e, verdade seja dita, não há espaço para todos. Mas a concorrência é sempre saudável e que vença o melhor. Ou, ainda, que vença o livro digital. Ou, mais que isso, que vença o livro.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 17/06/2015

Cebrap lança a sua Nova Biblioteca Virtual


Cebrap acaba de lançar a sua Nova Biblioteca Virtual. Ela constitui-se como uma das principais ferramentas do site do Cebrap e uma importante vitrine das pesquisas realizadas pela casa. Projeto chega com uma série de novidades que deixam a busca por conteúdos mais amigável, intuitiva e rápida. “Quando começamos a desenvolver o site nossa principal intenção, além de divulgar esse importante acervo, era de oferecer ao usuário uma solução simples, ágil e muito bem organizada”, explicam Alexandre Abdal e Maria Carolina Vasconcelos Oliveira, coordenadores da iniciativa e pesquisadores do Cebrap.

Outro destaque é a disponibilização em vídeo, com tradução em libras, dos Seminários do Cebrap, realizados mensalmente no auditório do Cebrap. “A Biblioteca Virtual presta um grande serviço público na medida em que torna todos esses conteúdos disponíveis gratuitamente para pesquisadores e interessados em geral”, afirma Angela Alonso, diretora Científica do Cebrap.

Além da organização de conteúdos já digitalizados, como Estudos Cebrap, Cadernos Cebrap, pesquisas, artigos e livros de pesquisadores, o projeto prevê, em sua próxima etapa, a organização e digitalização do acervo físico do Cebrap. “Há, no acerco físico do Cebrap, um grande volume de material que ainda não se encontra digitalizado e que será organizado na nova plataforma. Porém, ainda será preciso o apoio de novos investidores”, lembram Alexandre Abdal e Maria Carolina Vasconcelos Oliveira. Possíveis interessados em apoiar a iniciativa devem entrar em contato por meio do bibliotecavirtual@cebrap.org.br.

Clique aqui para conhecer a Nova Biblioteca Virtual do Cebrap.

Sobre o Cebrap

Fundado em 1969, por um grupo de professores, em sua maioria afastados das universidades pelo regime militar, o Cebrap destacou-se na cena nacional com seminários, publicações e pesquisas marcados por um caráter de resistência política e produção de conhecimento crítico independente. Ativo há mais de quatro décadas, o Cebrap – uma instituição sem fins lucrativos – já realizou mais de 500 projetos de pesquisa, trabalhou com cerca de 200 parceiros nacionais e internacionais e se consolidou como centro de pesquisa em humanidades de alto padrão, referência na produção de conhecimento de ponta nas diferentes ciências sociais, na filosofia como também na crítica literária e artística, albergando alguns dos maiores intelectuais do país, e funcionando como fórum de debate sobre os grandes problemas nacionais.

Jornal do Brasil | 17/06/2015

Amazon faz concurso literário


A Amazon brasileira se associou ao jornal O Globo e à Samsung para criar o concurso literário Brasil em Prosa. Podem concorrer contos inéditos publicados entre 13 de junho e 31 de julho em formato digital pela plataforma de autopublicação da Amazon, o Kindle Direct Publishing [KDP]. Os contos serão avaliados pela Amazon e pel´O Globo segundo vários critérios, como criatividade, originalidade e qualidade da escrita. Os autores dos 20 contos finalistas ganharão um e-reader Kindle, 12 meses de acesso ao programa de aluguel de e-books Kindle Unlimited e uma assinatura digital do jornal O Globo por três meses. Os três vencedores serão selecionados, dentre os 20 finalistas, por um júri de jornalistas literários de diário carioca. Os contos vencedores serão publicados no caderno Prosa do jornal O Globo, traduzidos para o inglês e vendidos mundialmente nas lojas da Amazon. Eles ganharão ainda, como prêmio, uma assinatura digital de um ano de O Globo. O primeiro lugar também levará um tablet Galaxy Tab A e o segundo e o terceiro, um Galaxy Tab E, da Samsung. Para acessar o regulamento e se inscrever, clique na página do Brasil em Prosa.

PublishNews | 15/06/2015

‘Booktubers’ fazem sucesso na web com vídeos sobre livros


Por Matheus Mans | Publicado originalmente no Blog Link | Estadão | 14 de junho de 2015 21h00

Canais especializados em crítica literária no YouTube fazem sucesso entre adolescentes ao comentar livros; alguns já conseguem até ganhar dinheiro com isso

CHICO GIMENES/DIVULGAÇÃO

CHICO GIMENES | DIVULGAÇÃO

Sob um forte sol, cerca de 400 pessoas se reuniram há duas semanas no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, para encontrar seus ídolos. Entre gritos e declarações de amor, fãs tiravam fotos e pegavam autógrafos deles, que se desdobravam para atender aos inúmeros pedidos. As “celebridades”, porém não eram da música ou da televisão. São jovens que se dedicam a resenhar livros de papel em vídeos no YouTube: os “booktubers”.

O termo surgiu em 2011, usado pelo australiano de apelido Bumblesby como denominação para pessoas que faziam críticas e comentários sobre lançamentos editoriais no YouTube — inclusive ele. Canais falando sobre literatura já existiam, mas a chegada de um termo específico ajudou a modalidade de vídeos a ganhar projeção.

A professora de inglês Tatiana Feltrin foi a primeira a fazer vídeos falando de livros no Brasil. “Quando comecei, em meados de 2007, fazia isso sozinha”, comenta. “Até 2011, eu conseguia estar inscrita em todos os canais brasileiros sobre livros. Cerca de 50, chutando alto. Hoje em dia, é impossível.

Tatiana é prova de que o nicho se transformou em sucesso de audiência, dentro e fora do YouTube. Ela tem quase 10 milhões de visualizações em seu canal, o Tiny Little Things, onde aborda de Carl Sagan a Sêneca, e consegue faturar em média US$ 300 por mês com anúncios. Seus ganhos não param aí e incluem cachês para participações em eventos, palestras e vídeos pagos para editoras.

Apesar do crescimento da modalidade, Tatiana tem ressalvas. “A comunidade tende a crescer mais, mas não tenho uma visão otimista”, revela. “Estamos vendo muita gente começando canal para entrar na onda, ganhar notoriedade e livros de graça das editoras.

O evento do Parque Villa-Lobos, com fãs emocionados encontrando seus ídolos, foi organizado pelos donos de canais literários Cristiam Oliveira e Alison Iared [Índice X], Victor Almeida [Geek Freak], e Nathalia Cardoso [Leu].

A ideia surgiu como forma de reunirmos todos os booktubers existentes e encontrar pessoalmente nossos inscritos”, conta Cristiam. “A esperança era de que as pessoas se conhecessem e se divertissem, criando laços com o público.

De Santa Catarina, Pâmela Gonçalves veio ao evento para conhecer alguns dos quase 100 mil inscritos de seu canal. Logo que chegou ao encontro no Villa-Lobos, dezenas de pessoas começaram a correr em sua direção. Muitas choravam e gritavam. Ela justifica o sucesso. “Acho que é a união da popularização do YouTube e, ao mesmo tempo, o aumento do interesse por livros”, comenta.

Já para Victor Almeida, a popularização dos booktubers acontece pela linguagem utilizada. “Os canais literários propiciam uma forma mais divertida e dinâmica de conhecer e se relacionar com literatura.” Ele explica que “a descontração é a chave” para atrair a atenção dos jovens para o conteúdo dos vídeos e dos livros – que variam de livros infantojuvenis até Proust, dependendo do canal.

Segundo os donos de canais literários, a postura crítica com relação às obras é fundamental, independentemente do gênero literário ou se o livro foi enviado por editora. “Isso não interfere na análise”, diz Cristiam.

Essa nova dinâmica está transformando a relação entre jovens e literatura e, principalmente, entre livros e internet. Antes considerada uma inimiga do mercado editorial, a web está começando a se tornar aliada de editoras e autores.

O TRADICIONAL NA WEB

Além de fãs e booktubers, o encontro contou com a participação da Livraria Cultura — que cedeu um auditório para realização de debates e conversas — e de 12 editoras que enviaram livros e materiais promocionais.

A DarkSide Books foi uma delas. Apostando em uma ampla divulgação nas redes sociais e criando uma boa relação com booktubers, a editora tenta fortalecer sua presença na web.

Não existiria a DarkSide sem internet”, conta Christiano Menezes, sócio-fundador. “A relação entre internet e literatura traz novas possibilidades para criar, ler, discutir, interagir. Assim, buscamos ter um DNA totalmente online.

Ao observar as redes sociais das diversas editoras brasileiras, é visível a busca por integração no ambiente virtual.

Menezes indica que esta aproximação com os leitores pela web é o caminho para as editoras tradicionais. Ele ressalta, no entanto, que isso deve ser feito através de “diálogos verdadeiros”. “Senão não funciona.”

Vários autores também estão usando a web como parceira na divulgação de seus livros. Raphael Montes já possui três perfis lotados no Facebook [o que lhe dá 15 mil contatos na rede]. Antes espaço apenas para amigos e familiares, o autor hoje aceita solicitações de amizade de seus fãs. Mas ressalta: “A internet e a literatura não são inimigos, mas também não são gêmeos univitelinos”, comenta. “A obrigação do escritor é escrever. Só depois ele deve se preocupar com a internet.

Carolina Munhóz também é outra escritora que possui ampla presença na web. Com mais de 250 fã-clubes, a autora se valeu da influência na internet para ampliar a divulgação de seu trabalho. “A era das redes sociais está ajudando os autores. Temos feedback dos livros de forma instantânea”, conta.

Os escritores ressaltam a importância dos booktubers no atual momento do mercado editorial. “Os booktubers representam a democratização da opinião literária na internet. Qualquer um pode criticar, e é de igual para igual”, opina Raphael Montes. Para Carolina, esta nova fase da literatura na internet dá fôlego aos livros. “Com a popularização dos blogs e booktubers, a literatura é que ficou em evidência.

Por Matheus Mans | Publicado originalmente no Blog Link | Estadão | 14 de junho de 2015 21h00

Biblioteca Digital da OAB oferece livros gratuitos para download


O site também informa o autor e ano de publicação dos livros, e em alguns casos, também é fornecida uma sinopse do conteúdo. Para fazer o download, basta clicar na obra de interesse e o arquivo será disponibilizado em formato PDF. Algumas publicações também estão disponíveis para compra.

De acordo com a OAB, o acervo será atualizado periodicamente, com o intuito de auxiliar os profissionais do Direito tanto na área acadêmica, quanto no cumprimento de suas funções jurídicas e para com a sociedade.

“Acompanhando os avanços tecnológicos dos últimos anos, a Ordem dos Advogados do Brasil agora disponibiliza ao público um portal dirigido à sua nova Biblioteca Digital, que objetiva incrementar o acesso à informação gratuita. Com a proposta de compartilhar conhecimentos de forma ampla e imediata, oferecemos a todos os usuários da rede mundial de computadores um acervo que servirá como referência aos advogados, estagiários, pesquisadores, professores, alunos e à população em geral”, afirma o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, na página principal da Biblioteca Digital.

Para mais informações, acesse o site da Biblioteca Digital ou entre em contato pelo e-mail biblioteca@oab.org.br.

OAB de Primeira | 13/06/2015

Levantamento revela trechos mais grifados pelos leitores em eBooks no país


Por Maurício Meireles | Publicado originalmente em O Globo | 13/06/2015, às 6:00

Autores independentes se destacam na lista; ‘A culpa é das estrelas’ é o mais marcado

John Green: campeão de grifos na Amazon | Tom Koene / Foto Divulgação

John Green: campeão de grifos na Amazon | Tom Koene / Foto Divulgação

RIO | John Green ainda se lembra bem: estava sentado num café perto de casa, nos Estados Unidos, pensando sobre a parte de “A culpa é das estrelas” [Intrínseca] que acabara de escrever. Gus, par romântico da protagonista, dizia a ela que há algo prazeroso e puro em declarações de amor. Depois de pensar, o autor emendou: “Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.” Depois de “lutar” com esse parágrafo, John Green sentiu-se exausto, fechou o computador e voltou para casa.

Três anos depois de o romance ser lançado, o trecho acima tornou-se o mais grifado por usuários brasileiros do Kindle no e-book de “A culpa é das estrelas”. É o que mostra um levantamento exclusivo feito a pedido do GLOBO pela Amazon, a empresa que lidera o comércio de livros digitais no Brasil, sobre as passagens favoritas dos leitores nos 15 e-books mais vendidos no último ano.

A empresa também analisou algumas obras populares, mas que não apareceram entre os líderes de vendas do ano, como “Harry Potter e a pedra filosofal” [Rocco] e “Cinquenta tons mais escuros” [Intrínseca]. Se a leitura antes era uma atividade privada, o livro digital trouxe a possibilidade de espreitar o comportamento dos leitores — e é isso que a pesquisa mostra.

— Quando escrevi, esse trecho era consideravelmente maior e mais florido. Meu editor e eu cortamos muito durante a edição. Não imaginei que essa parte fosse se tornar tão popular, mas é um momento importante do livro — conta John Green. — Sempre achei interessante a ideia de que o som não pode viajar no vácuo, e muitas vezes nossos lamentos parecem não ser escutados. Por anos, eu costumava dizer meio de piada coisas como “Todo esforço é um grito no vácuo”. Não sei se ouvi ou li a frase em algum lugar, ou se veio de dentro de mim.

Tudo bem, John Green aparecer na lista não é surpresa alguma — afinal, seu livro é um best-seller internacional, e o Brasil não passou incólume a esse sucesso. Na pesquisa da Amazon, porém, a surpresa fica com a não ficção, a autoajuda e os autores independentes. Seis dos 15 livros da lista são de escritores autopublicados. A baiana Tatiana Amaral, por exemplo, aparece com dois livros da trilogia “Função CEO”: “A descoberta do amor”, o primeiro, é o quarto mais vendido; “A descoberta da verdade”, o segundo da série, é o sétimo.

FRASE AO CONTRÁRIO

Laurentino Gomes: frase de “1808” sobre “caixinha” de Dom João remete aos casos atuais de corrupção no país |  Camilla Maia

Laurentino Gomes: frase de “1808” sobre “caixinha” de Dom João remete aos casos atuais de corrupção no país | Camilla Maia

A história é quase a mesma de “Cinquenta tons de cinza”. Tatiana trabalhava como administradora numa empresa familiar de alimentos congelados, quando resolveu escrever um fan fiction sobre a saga “Crepúsculo” — que acabou servindo de ponto de partida para os romances. A série conta a história de Melissa, que vai trabalhar como secretária do CEO de uma empresa. Ele é casado, os dois se apaixonam, mas o poderosão não larga a mulher porque vive um “jogo” com ela — e quem ganhar fica com o dinheiro, as ações, tudo. A mulher do sujeito também é uma megera, que tenta até matar a secretária. A frase mais grifada mostra o momento em que o CEO pede a amante em casamento.

— Há muitos outros trechos que eu achei que iriam agradar mais às pessoas do que esse — reconhece Tatiana.

Outra surpresa aparece em “O pequeno príncipe”, sexto mais vendido no ano: a frase mais famosa do livro — “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” — só aparece em segundo lugar. A campeã de grifos é “Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”

Em livros como o terceiro volume da série “Eternidade por um fio” [Arqueiro], de Ken Follett, e “1808” [Planeta], de Laurentino Gomes, é a política que ganha destaque. No primeiro, a frase mais marcada pelos leitores está no famoso discurso “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King. No best-seller de Laurentino, é a intrigante passagem “Outra herança da época de Dom João é a prática da ‘caixinha’ nas concorrências e nos pagamentos dos serviços públicos.”

— O discurso do Luther King foi um marco fundamental de nossa História. Nos forçou a confrontar a crueldade do ódio racial na sociedade. Desde então, não pudemos mais fingir que era uma questão menor, que desapareceria gradualmente — afirma Follett. — O discurso ainda é profundamente comovente de se ler ou escutar. As palavras usadas e o ritmo das frases expressam a paixão e a dignidade de uma grande causa.

Ken Follett: discurso de Martin Luther King faz sucesso em “Eternidade por um fio” | Divulgação/Tom Stoddart

Ken Follett: discurso de Martin Luther King faz sucesso em “Eternidade por um fio” | Divulgação/Tom Stoddart

— No meu caso, acredito que a explicação esteja relacionada ao atual momento político brasileiro — pondera o autor de “1808”. — Inúmeros leitores me escrevem nas redes sociais perguntando a origem da corrupção no Brasil. Fiz até um post no blog citando esse primeiro trecho, sobre a prática da “caixinha” no governo de Dom João VI. A repercussão foi enorme, mais de 300 mil acessos.

Fora do ranking, um dos trechos que mais atraíram a atenção dos leitores está em “Harry Potter e a pedra filosofal” [Rocco], de J.K. Rowling: a estranhíssima frase “Oãça rocu esme ojesed osamo tso rueso ortso moãn.” Leia de frente para um espelho para decifrá-la.

Por Maurício Meireles | Publicado originalmente em O Globo | 13/06/2015, às 6:00

Estação das Letras terá oficinas online


A Estação das Letras vai expandir sua atuação com o início, em julho, de suas oficinas online. Houve um piloto em março, e a estreia da nova fase do projeto idealizado por Suzana Vargas será no dia 2, com a Oficina de Poesia, que Luis Maffei dá até o dia 30, e com O Romance e Suas Bases: Como Fazer, com Cintia Moscovich, que vai até 27/8. De 6/7 a 31/8, João Paulo Vaz dá uma oficina introdutória de conto. No mesmo período, Ana Letícia Leal comanda o curso Exercício de Autoficção: Escrita e Memória Pessoal. O Moodle foi a plataforma escolhida e entre os materiais de apoio estarão textos e vídeos. Em alguns casos, haverá chat ao vivo. As inscrições serão abertas na segunda, 15, no site da Rede Escreviver. As informações são da coluna Babel.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente no Blog Babel, ESTADÃO | 12 junho 2015, às 22:09

Ubook fecha parceria com editora


O aplicativo brasileiro Ubook acaba de fechar parceria com a editora Rocco. O objetivo é aumentar a oferta de obras e de escritores nacionais e internacionais consagrados. Para estrear, estão à disposição no Ubook as obras Fala sério, mãe e Fala sério, pai, ambas da escritora Thalita Rebouças. As obras foram narradas pela própria autora. Quem chega também junto com a parceria é Clarice Lispector, que ganha vida ao ser interpretada por vozes famosas. Na obra A via crucis do corpo, a narração fica por conta de Antonio Fagundes; em Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, Beth Goulart é quem narra; no audiolivro Laços de família, a narrativa é de Affonso Romano de Sant’Anna; já em A hora da estrela as vozes são de Pedro Paulo Rangel e Maria Bethânia.

PublishNews | 11/06/2015

Cordel digital


e-Editora O Fiel Carteiro lança coleção de cordel em formato digital

No dia 22 de junho, a e-editora O Fiel Carteiro lança a coleção Cordel Digital, que vai reunir a tradicional literatura em formato digital. A coleção terá a curadoria de Marco Haurélio, Jô Oliveira e José Santos e trará, a princípio, clássicos da literatura de cordel. Nomes como Leandro Gomes de Barros, José Galdino da Silva Duda e Francisco das Chagas Batista aparecem com destaque nesta primeira fase do projeto. Neste ano, serão lançados 10 títulos e em 2016, além de clássicos, também a produção contemporânea. As duas primeiras obras que serão lançadas são Juvenal e o dragão [59 pp., R$ 4,50] e O cavalo que defecava dinheiro [50 pp., R$ 4,50], ambos assinados por Leandro Gomes de Barros.

PublishNews | 11/06/2015