“O autor e o novo mercado editorial”, por Ednei Procópio


Estou pensando em publicar um novo sobre os livros digitais, desta vez com enfoque na educação. O título: “Os Livros Digitais e a Educação”. Na verdade, o texto já está pronto e até pensei em publicá-lo em 2016 mas percebi que qualquer ação que praticasse não ia surtir efeito, então resolvei deixar o texto guardado. E, bem, agora estou procrastinando mais uma vez.

A Revolução dos eBoks

A Revolução dos eBoks

Minha terceira e última obra, a mais recente sobre os livros digitais, foi lançada em março de 2014, pela Editora SENAI. O título que acabou agradando à editora foi “A Revolução dos eBooks”. Neste livro, falo dos motivos do título e quem, na verdade, antes de mim, cunhou o termo “[e]Book [R]evolution”.

O texto original da obra já estava pronto quando fui à convenção anual da Associação Nacional de Livrarias [ANL], durante a última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, para ministrar uma palestra sobre o mercado livreiro. No evento, conversando com um diretor da Editora SENAI, meu livro foi selecionado por eles para publicação. Foi uma experiência muito interessante ser, ao mesmo tempo, o editor de uma editora [para quem não sabe, sou o fundador da Livrus Negócios Editoriais], e ter um livro meu publicado por outra casa editorial.

Me lembro que, enquanto meu livro estava no prelo, fiquei pensando na expectativa que a publicação de uma obra gera em nós escritores. Eu, que sempre estive do lado de cá da mesa, atuando como editor, tive que provar do meu próprio veneno. Recebi inúmeras recomendações da equipe editorial daquele selo com o objetivo de melhorar minha obra. Percebi que aquele processo todo estava gerando em mim uma ansiedade que há tempos não sentia. Naquela ocasião eu pensava, será que minha própria editora gera essa mesma expectativa em seus autores?

Autores de um novo ecossistema editorial

Em “A Revolução dos eBooks”, deixo claro que, quando falo em revolução dos eBooks Readers, estou me referindo mais aos leitores em si, os consumidores dos livros na era digital, do que as máquinas por eles utilizadas para leitura. A revolução digital permitiu, na outra ponta do ecossistema editorial, que os autores tivessem acesso a dezenas de plataformas de autopublicação que, pela primeira vez desde Gutenberg, oferecem ao autor a possibilidade real de ver seu texto publicado sem as barreiras existentes no antigo modelo.

Na autopublicação, por exemplo, existe a [inter]mediação de uma empresa que, geralmente, faz uso das tecnologias e das mídias digitais para oferecer uma plataforma de publicação. Nestes casos, a empresa que oferece tais ferramentas tem um papel menos atuante no que diz respeito à produção dos livros e exatamente por esta razão, pode haver contraindicações no mau uso destas ferramentas, principalmente se o usuário não se preparar para o processo que vai se desenrolar a partir dali.

A editora que publicou meu livro, do contrário, mantém uma equipe editorial já treinada que, por mais que eu tentasse acelerar a produção do meu livro, por pressa minha mesmo, por pura ansiedade, não me permitiria errar em itens tão importantes como texto de quarta capa, texto de orelhas, texto sobre o autor, prefácio, sumário, etc.

Por exemplo, sou um nerd assumido, guardo ‘de cabeça’ todas as referências bibliográficas sobre eBooks. Mas, e se eu não incluísse esses dados bibliográficos em meu livro? Tive que entregar à editora a referência completa [tal qual reza a cartilha da ABNT]. Foi item obrigatório para ter meu livro publicado por aquele selo. Também me pediram as notas de rodapé para todas as referências que eu estava fazendo nos capítulos.

Malditas notas de rodapé

Então estava eu lá, um domingo inteiro, buscando as tais notas para entregar na segunda-feira pela manhã, para que meu livro fosse publicado o mais breve possível. Eu pensava: para que raios serve uma nota de rodapé? Pensando bem, quem lê esse troço?

Um livro de não ficção, que é caso da obra “A Revolução dos eBooks”, não pode ser considerado um bom livro se não tiver o mínimo que a ABNT sugere para que o material seja efetivamente considerado publicável. Fora ter de cuidar do ISBN e da Ficha Catalográfica [itens considerados obrigatórios pela Lei do Livro, por sinal] nós, autores e editores [nos casos em que não sejamos ao mesmo tempo a mesma pessoa], precisamos observar outros itens para que um livro tenha uma qualidade aceitável. Não importa o formato: se eBook, audioBook ou paperBook.

Será que os autores que se autopublicam [e não são editores] estão preparados para admitir que, para ter um bom livro publicado, a obra terá que passar inevitavelmente por uma preparação de texto, revisão, diagramação, capa, ISBN, Ficha Catalográfica? E que será preciso observar tantos outros itens imprescindíveis como hifenização, viúvas, órfãs, resenhas, release de qualidade, que também fazem parte da publicação de uma obra?

Autor que não é livro que não é editora

Deixando de lado, pelo menos por enquanto, a questão dos custos e financiamento da produção, são três os modelos atuais mais comuns para a publicação de um livro:

O primeiro deles é aquele que chamaremos tradicional; nele, o autor envia o livro para uma editora e a seleção da obra fica a cargo de um conselho editorial, responsável pela curadoria de um determinado catálogo. Neste modelo, a equipe editorial está presente do início ao final da produção do material enviado. É o caso usado por aquela editora na publicação do meu livro.

O segundo modelo, o da autopublicação, é o próprio autor que assume a responsabilidade pela produção de sua obra usando as atuais ferramentas disponíveis nas plataformas de selfpublishing. Neste modelo, é raro a presença de uma equipe editorial, ela não está presente para assessorá-lo. As ferramentas de autopublicação acabam por oferecer uma opção interessante para a edição de livros, criam um ambiente democrático, aberto e acessível; mas estas plataformas não ofertam aos escritores uma equipe editorial que, antes de tudo, primem pela qualidade editorial de sua obra. E o custo zero oferecido por tais empresas é a razão para isto não ocorrer.

E o terceiro modelo são as casas que prestam os serviços necessários para a publicação de um livro, unindo a liberdade da publicação com a qualidade editorial processada por uma equipe. Este é o caso da Livrus. E, antes que me perguntem, sim, os custos e os profissionais estão todos lá, presentes no processo.

Autores que se autopublicam

É realmente fascinante as possibilidades que a Internet, e suas [con]sequências, estão trazendo para o mercado editorial. Mas sabemos que somente a tecnologia não dá o respaldo necessário para que uma determinada obra tenha um bom título, um bom subtítulo, uma boa revisão, etc. Escrever rapidamente um livro e colocá-lo de imediato no ar só porque as ferramentas digitais assim o permitem, pode ser um tiro no próprio pé, principalmente se o autor não dominar os meandros da publicação de um livro. O autor que tiver, por exemplo, um material em potencial em mãos pode perder uma oportunidade única de seu próprio trabalho.

Fora isso, com o tempo, os leitores [os únicos que realmente ‘mandam’ neste novo mercado], inevitavelmente perceberão que as obras que tiveram uma curadoria, uma equipe editorial, são aquelas de fato confiáveis para se ler. Por isso, antes de colocar seu próxima o livro no ar, nestas plataformas automatizadas, pense se você, autor, sozinho, realmente pode e é capaz de realizar o trabalho que uma equipe inteira precisaria fazer para se ter um bom livro. Se for o seu caso, e se assim o considerar, tente a sorte.

Em “A Revolução dos eBooks”, busco detalhar a questão atual do financiamento de obras, seja pelo Governo, patrocinadores, concursos culturais, editoras e até pelo próprio autor quando for o caso. Mas, por ser especialista em eBooks desde 1998, talvez parecesse um contra senso eu, agora, atacar, criticar ou mesmo defender as ferramentas digitais de autopublicação. Meu objetivo não é este. Longe disso. Pelo contrário, testei a maioria das ferramentas disponíveis pessoalmente. E afirmo: elas são acessíveis e funcionam, de verdade. São verdadeiramente democráticas se comparadas a qualquer um dos demais modelos.

O fato é que, exatamente por ter estudado a fundo este assunto, cheguei à conclusão de que, se eu quisesse que o meu próprio livro tivesse qualidade que eu desejava, e que não caísse na vala comum de centenas de outros de identificada precariedade, eu não deveria fazer o livro inteiro sozinho, eu necessitava de um corpo editorial.

Felizmente, sou editor e poderia fazê-lo usando a equipe da minha própria editora, a Livrus, se fosse o caso, como alternativa. Mas, felizmente também, o novo mercado editorial está repleto de portas abertas para aqueles que não têm pressa em publicar, mas primam antes de tudo pela qualidade de suas próprias obras. E, por essa razão, encontram alternativas inúmeras, entre as quais as tradicionais.

Nos demais casos, como alternativa, a necessidade nos aponta um ambiente de ferramentas digitais de autopublicação atrelado a uma equipe de curadoria. A primeira automatiza o processo e ajuda a reduzir custos por conta da escala. A segunda assegura a qualidade. Estas duas, digamos, entidades, unidas, ajudam a equalizar a questão do financiamento das publicações e podem oferecer uma resposta adequada aos novos tempos, aos novos livros, enfim, a um novo mercado editorial.

Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

* Ednei Procópio, 40 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.

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Um smart reader de verdade!


POR EDNEI PROCOPIO

Nos meus dois últimos livros, “O Livro na Era Digital” e “A Revolução dos eBooks” eu dizia que não tinha certeza se os e-readers, os dispositivos dedicados, iriam ganhar mercado e se tornar um padrão para a leitura dos livros eletrônicos. Eu tentava me convencer de que talvez os dedicated readings devices fossem a melhor opção para o mercado editorial.

Terminei de escrever “O Livro na Era Digiral” em 2010, quando uma segunda geração de reading devices estava ganhando força e os tablets, embora tivessem sido inventados na década de 1970, e testados no início dos anos 2000 pela americana Microsof Corp., ainda não tinham ganhado mercado. O impulso que faltava para os tablets só veio depois que fora lançada a versão da Apple e que impulsionou esta categoria de produto.

O fato é que nem os e-readers e nem os tablets se tornaram tão emergentes e populares quantos os smartphones. Penso que, embora torcesse pelos e-readers, naquela momento, não queria admitir que estes não seriam páreo para os smartphones, muito menos para os tablets. É que eu vinha de uma fase em que a primeira geração de e-readers já havia me encantado o bastante a ponto de me fazer crer que precisávamos apenas de um bom LIBRIè para revolucionar o mercado. O resto viria história em pouco tempo.

Mas o tempo me mostrou que talvez estivesse errado em se tratando de um mercado editorial arcaico, retrógrado, ultrapassado e cheirando a papel mofado. Mais recentemente, no entanto, um estranho, e genial, smartphone de codinome Yotaphone 2, criado pela empresa russa Yota, fez-me sentir redimido de minhas dúvidas.

Vire o Yotaphone 2 e leia seu livro com mais conforto | Photo: Divulgação

Vire o Yotaphone 2 e leia seu livro com mais conforto | Photo: Divulgação

Na parte da frente, o Yotaphone 2 parece ser um smartphone que roda o sistema operacional Android; basta no entanto virar o aparelho para perceber que ele também serva para a leitura, demorada, dos livros eletrônicos, pois mantém uma segunda tela que utiliza a tecnologia do que chamamos aqui de papel eletrônico [o famoso e-ink usados em muitos e-readers por aí].

Aqui a gente percebe uma convergência no uso de diversas telas nos dispositivos portáteis para o consumo de mídia. A ideia do Yotaphone 2 é bem simples: os desenvolvedores reconhecem que muitas mensagens instantâneas de textos [como as do Whatsapp, por exemplo], e-mails, notícias, e-livros, etc., não precisam dos recursos da cor e, por essa razão podem ser acessados na tela traseira e, assim, economizar a famigerada bateria – o maior dos pesadelos, todos sabemos, quando se fala em dispositivo portáteis e móveis.

Durante algum tempo me vi perdido em criar uma resposta que convencesse as pessoas que os dedicated readings devices seriam a melhor opção para o mercado editorial. Creio que, agora, no entanto, eu não precise mais ficar decorando respostas prontas, basta mostrar o case Yotaphone 2 e as pessoas talvez se toquem de que suas convicções sobre os livros eletrônicos estão sempre sendo derrubadas por novas ideias.

POR EDNEI PROCOPIO

Metadata for Dummies


Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Colofão | 10 de dezembro de 2014

Pessoas e empresas que atuam no ramo editorial também estão vivenciando a era das palavras-chave [as chamadas keywords]. Em um novo e rico cenário onde esse atributo se torna um importante ator na busca por produtos e serviços, um leitor não conseguirá adquirir, consumir ou ler um livro, se não souber, no mínimo, da existência da obra.

Com o aprimoramento e a democratização da Tecnologia da Informação e Comunicação, as antigas barreiras para a criação, a publicação e a comercialização de livros se romperam. Em uma época em que o marketing digital domina o mercado, a aquisição de uma obra poderá estar condicionada também à qualidade empregada no tratamento dos dados sobre os livros, não somente ao conteúdo da obra em si.

Antes do advento da chamada Web 2.0, e mais tarde da Web Semântica, onde as palavras-chave ou as tags se tornariam itens de real importância na classificação de páginas, posts e produtos digitais, havia a necessidade de cadastro das nossas páginas na Internet em cada um dos buscadores até então disponíveis. Hoje, porém, através das poderosas ferramentas de SEO [Search Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de buscas] é possível recorrer aos modernos e poderosos robôs de pesquisas para que encontrem e mostrem o conteúdo de produtos que nós, escritores e editoras, queremos divulgar, utilizando a semântica das palavras-chave.

Um dos pontos cruciais na atual questão da divulgação dos livros é a identificação dos dados sobre a obra. Sem uma identificação e classificação precisa dos dados sobre o livro, o produto não será encontrado nos diversos sistemas de buscas em bibliotecas, livrarias, sites, redes sociais especializadas etc.

I know

Os metadados são os conjuntos de dados e informações sobre os livros. Eles permitem não só que as ferramentas de Tecnologia da Informação e Comunicação busquem livros através de palavras-chave, como também identifiquem o valor de cada dado encontrado pelo usuário/leitor.

Para o website Last.fm, por exemplo, a palavra-chave identificaria o nome de um dos compositores da canção . Na ferramenta de busca do Google Play, ou Google Books, no entanto, a palavra-chave identificaria o nome do autor do livro . Através dos metadados, no entanto, os sistemas não só reconhecem como o título de um livro, e como o título de uma canção, mas também reconhecem estes dados como sendo uma identificação de objetos, de produtos digitais, de arquivos contendo música e livro. O que permite uma inteligência maior nas informações buscadas, encontradas e mostradas pelos mecanismos de pesquisa.

Esta seria uma das principais aplicações dos metadados voltados ao mercado editorial: dar valor e função a uma determinada palavra-chave para que cada dado tenha vida própria e identificação precisa.

Uma vez que sistemas inteligentes de mapeamento reconhecem como sendo um livro em si e não apenas o título de uma obra, seria mais fácil no futuro, por exemplo, permitir a rastreabilidade de livros digitais em suas versões piratas. Esta é, inclusive, uma aplicação prática em que o próprio Google poderia atuar através de filtros e seleção de conteúdo.

I like

O mercado editorial, já amplamente globalizado, sofre da oferta excessiva e generalizada de conteúdo para livros. Há livros demais sobre todos os gêneros e assuntos. Somente no Brasil, por exemplo, são lançados aproximadamente cerca de 20 a 26 mil títulos a cada ano, entre novas edições e reedições. Com o advento dos livros digitais, e vencidas algumas barreiras que não vêm ao caso neste artigo, a oferta de títulos à venda tende naturalmente a multiplicar-se com o tempo.

Mas e a demanda? Como o leitor pode saber se um determinado livro, encontrado através dos mecanismos de busca na Internet, está sendo vendido na versão impressa ou digital? Através dos metadados. Botões e banners que piscam só ajudam na tomada da decisão, não ajudam os leitores a encontrarem os formatos desejados para o consumo e leitura.

Enquanto há livros demais, os leitores já habituados ao consumo não encontram os que gostariam de ler. O excesso na oferta e a avalanche de informações desencontradas atrapalham a procura e o consumo dos mesmos produtos editoriais que gostaríamos de vender. É uma espécie de concorrência, indireta, mas que interfere diretamente quando uma editora busca atingir um determinado público-alvo.

Neste cenário de livros demais, o leitor só terá a oportunidade de decidir sobre a compra se mantiver um contato mínimo com o novo livro, lançamento ou com os demais títulos em catálogo. No caso de sites, a oferta de dados completos sobre a obra [incluindo a capa, um sumário e até um trecho] ajudaria em muito na tomada de decisão. Mas esta oferta seria apenas o início. Os canais de venda que estão conseguindo utilizar bem as ferramentas de marketing digital voltado ao mercado editorial, com a aplicação dos metadados, são hoje os canais com mais procura pelos leitores.

I want

Citando o estudo que realizei para o meu último livro “A Revolução dos eBooks” [Senai-SP Editora, 2013], as tiragens das atuais edições dos livros impressos são cada vez menores em comparação às edições de uma década atrás. Os catálogos das editoras, porém, são cada vez maiores em números e também mais ricos. Uma vez que a oferta de livros está crescendo, fica cada vez maior o desafio das editoras e autores de levar as suas obras e catálogos aos leitores.

Estimo que, até o final deste ano, sejam catalogadas, através de escritórios e bibliotecários que oferecem este tipo de serviço, cerca de 30 mil obras, no total, muitas das quais já em versão digital. Com mais opções de obras à venda, o leitor terá maior interesse em adquirir livros cuja existência e disponibilidade ele reconheça e com que, de algum modo, teve algum contato. Se o leitor não tiver a oportunidade de folhear a versão impressa da obra, deve pelo menos ter contato com a versão digital, encontrada, quase sempre, através dos ricos metadados.

I need

Os metadados podem ajudar o leitor a encontrar os livros que quer e precisa ler, para o aperfeiçoamento do seu trabalho ou mesmo para o entretenimento. Um exemplo bastante prático da utilização dos metadados aplicado ao universo dos livros é a do website “Todos tus libros” [www.todostuslibros.com], um case desenvolvido na Espanha.

Através do “Todos tus libros” é possível visualizar a capa dos livros, as informações mais básicas sobre a obra [como autor, editora, resenha, primeiro capítulo etc.], mas também é possível buscar pelas livrarias físicas da região onde o leitor se encontra e onde ele poderia comprá-los. Ou seja, definido o livro, o sistema mostra o endereço e o mapa onde o exemplar se encontra à venda.

I have

Os metadados podem ajudar as editoras a organizarem os seus catálogos. Mas quais seriam então os principais dados no caso dos livros? Os principais dados que facilitariam a pesquisa e busca das obras seriam:

#Título da obra
#Autor da obra
#Assunto/categoria/matéria
#Resenha
#Conteúdo rico [trecho da obra, sumário]

Alguns outros dados, menos bibliográficos e mais comerciais, também são considerados como itens obrigatórios quando se trata de metadados de livros:

#Número de páginas
#Preço
#Formato
#Disponibilidade
#Amostra

Através de um website como o “Todos tus libros”, editoras brasileiras podem compartilhar todos estes ricos dados de seus catálogos com distribuidoras, livrarias, bibliotecas e desenvolvedores de soluções para o mercado editorial em geral.

O maior desafio do mercado hoje é realmente estar preparado para atender toda a demanda, tanto em vendas de livrarias físicas quanto em livrarias e bibliotecas online. Não basta apenas que os livros sejam diariamente lançados às estantes, é preciso, para que os exemplares não fiquem parados nos estoques, que todas as obras possam ter os seus dados mapeados com precisão pelas ferramentas de busca para que a procura e o contato com os livros se reverta em vendas para todo o setor.

A tecnologia de metadados aplicada aos livros pode ajudar o mercado a escoar melhor os seus catálogos utilizando as mais modernas ferramentas de comunicação e divulgação de obras.

Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Colofão | 10 de dezembro de 2014

A Revolução dos eBooks # 3


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Capítulo Caçando Mitos | Páginas 197 até 200 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

O futuro do mercado editorial é o self-publishing?

Os mitos se avolumam quando um mercado antes dominado pelos barões da mídia passa, hoje, às mãos de um exército de empreendedores que assumiram o controle do futuro dos livros. Entre os novos empreendimentos estão aqueles ligados às chamadas edições de parceria, cujos custos de produção são pagos por parceiros de fora desses empreendimentos editoriais.

Um desses parceiros financeiros pode ser o próprio autor. Mas o chamado autor independente não é aquele que paga pelas publicações. Autor independente é aquele profissional da escrita que não mantém exclusividade com um único selo editorial, podendo ou não custear a publicação de seu trabalho sem estar obrigatoriamente preso a um grupo ou selo editorial.

A independência desses novos autores não se restringe às questões financeiras. Dois pontos são cruciais para serem desmistificados quando o assunto é o self-publishing. Primeiro: não importa quem custeia a publicação de um livro, se é a editora, o autor, o governo, o patrocinador externo, o mercado, um mecenas ou algum doador de um site de crowdfunding. O que importa é que o livro tenha qualidade editorial. Segundo: praticamente metade das publicações das editoras brasileiras é custeada pelo governo e nem por isso essas edições são chamadas governamentais. As vendas são governamentais, e não as edições em si.

Muitas edições são custeadas por prêmios ou incentivos culturais. E parte das edições das próprias editoras não é paga por ela, mas pelo resultado das vendas de outros títulos no catálogo. Portanto, é correto afirmar que quem paga as edições das obras nas editoras convencionais não são os editores, mas os leitores e os próprios livros — estes fornecem o lucro. Se não houvesse o lucro, não haveria o custeio das publicações por parte das próprias editoras.

Apenas uma parcela menor das edições é custeada pelos próprios autores, o que não constitui falta de qualidade do material publicado. É necessário separar o processo de seleção, avaliação de originais e de curadoria do processo financeiro, que permite o custeio da publicação das obras. Muitos livros custeados pelo próprio editor podem ser considerados ruins, assim como alguns bancados pelos autores são avaliados como bons.

A segunda questão tem a ver com a equipe editorial necessária para que uma obra tenha qualidade. Independentemente de quem custeia a publicação de determinada obra, a existência de um corpo editorial mínimo para a viabilização qualitativa da edição põe por terra a tese de que haveria uma desintermediação do editor quando o assunto é edição independente. Por mais que uma edição seja considerada independente, se o custo financeiro é levantado fora da casa editorial, conforme afirmado anteriormente, será sempre dependente de um corpo editorial que faça o trabalho de avaliação, leitura crítica, seleção, preparação de texto, revisão, formatação, paginação, diagramação. Sem isso, uma obra não terá qualidade, independentemente de quem custeie a publicação.

Edição do autor é uma coisa, edição independente, outra?

Na edição do autor, o próprio profissional cuida do livro; na edição independente o processo de produção pode ser cuidado por uma equipe. Ambas as opções sempre existiram. Aliás, até a parceria financeira entre editora e autor sempre existiu. Antes da transparência causada pelo advento da internet, o que não ocorria era o acesso à informação de que isso era mais comum do que se imaginava.

O que estamos vivenciando talvez seja a desintermediação do processo financeiro do custeio da obra, mas não dos processos de produção editorial, tão imprescindíveis para a qualidade das edições e sem os quais o próprio leitor perceberá a falta de qualidade e deixará de comprar os livros. Então, independentemente de quem paga as edições, se estas não mantiverem a qualidade editorial, o livro não venderá e a cadeia de valor do livro não fechará seu ciclo.

Portanto, insisto, autor independente não é aquele agente presente na cadeia produtiva do livro que paga pela publicação de seu próprio trabalho. Pagar pela publicação é somente uma das possibilidades econômicas de viabilizar a edição. Não é a única e não é prerrogativa para nenhum tipo de avaliação editorial. Autor independente é aquele que, antes de qualquer editor ou editora, é o real dono de sua carreira literária. E, por ser livre, pode simplesmente optar por bancar seu trabalho.

É fácil controlar uma mentira, basta mistificar um fato. Se um determinado editor discordar disso, pode ficar à vontade para bancar com recursos próprios toda e qualquer publicação que achar pertinente, já que, nesse caso, nenhum autor deva se declarar realmente independente.

É difícil desconstruir os mitos

Depois de uma década de o livro digital ter iniciado sua trajetória rumo à conquista da totalidade dos leitores, ainda hoje se vê o uso de informações redundantes, desinformações que são usadas para desacelerar o ritmo frenético imposto pela revolução dos eBooks. Informações desencontradas, sem sentido, sem nexo, são usadas por diferentes canais que tentam controlar o fluxo de negócios por meio de uma influência na comunicação com o mercado.

Aqueles que tentam inutilmente controlar o rumo do emergente mercado de eBooks usam de subterfúgios antes usados no mercado de livros impressos, mas não percebem que o mundo mudou, girou, saiu de sua antiga órbita, e que hoje existe um canal, o único de real independência chamado internet, que absorve qualquer manipulação e a torna vapor barato, quase em tempo real, tal o fluxo de conversas que trafegam pelas redes sociais. Deixando de lado a subjetividade, o que resta, na prática, é o que chamo de sincronicidade, informações reveladas sem que haja necessidade de confirmação da fonte.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Capítulo Caçando Mitos | Páginas 197 até 200 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

A Revolução dos eBooks # 2


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

O LIVRO COMO NEGÓCIO DIGITAL

Para que os novos negócios de dezenas de casas editoriais startups se amplifiquem e se consolidem no mercado de livros digitais é preciso que os seus empreendedores conheçam muito bem, e compreendam, o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros são hoje registrados, armazenados e transmitidos. Com o advento da internet, o modo como registramos, armazenamos e compartilhamos conteúdo se alterou profundamente. E esse novo cenário é bem diferente daquele antigo modo de publicar e vender livros.

O registro

Há algum tempo, as informações, os dados, o conteúdo dos livros eram gravados e armazenados em disquetes, hard disks, CD’s, DVD’s e pendrives. Em qualquer um dos casos havia necessidade de um hardware local de armazenamento dos registros criados. Hoje, para o registro de dados que servirão para a produção dos livros, há aplicativos que vão desde softwares de processamento de texto até softwares de autoria e design como espaços de armazenamento sincronizados.

Softwares de processamento de texto como o Microsoft Word ou o pacote Office podem ser utilizados diretamente através da internet sem necessidade de instalação em hardwares locais. E há os processadores de textos gratuitos como o Open Office. Aplicativos de autoria e design, como o iBooks Author, da Apple, quase praticamente substituem softwares locais como o Adobe InDesign na produção de livros.

O armazenamento

Se antigamente eram utilizados HD’s em computadores locais, hoje o modo de armazenamento está se transformando: o conteúdo é armazenado no que a indústria da informação chama de “nuvem”.

Serviços como DropBox são usados no armazenamento de informações que podem se transformar em conteúdo e conhecimento.

Anteriormente, utilizávamos suportes ou hardwares menos portáteis, como o rolo, o papiro, o códex, o papel, além da tentativa de transmissão através de outros hardwares considerados mais modernos, como os anteriormente citados disquetes, hard disks, CD’s, DVD’s e pendrives. Hoje, é desnecessário o uso local desses artefatos.

Esse novo modo de armazenamento de informações, dados e conteúdo é chamado de software as a service, ou software como serviço. Antes, o hardware era local e já vinha com um software de sincronização de dados. Hoje, o software de sincronização é on-line e o armazenamento, remoto.

A transmissão As informações, os dados e o conteúdo dos livros necessitarão sempre de conexão para que possam ser transmitidos desde os seus emissores até os seus destinatários. Não importa se a conexão para a transmissão se dê através de conexão discada, banda larga, redes 3G ou 4G, algum tipo de tecnologia RFID (como NFC) ou redes wireless. Embora a criação, o registro, o armazenamento e a transmissão dos livros não precisem mais de soluções locais, o recebimento e a leitura das obras necessitam obrigatoriamente de um suporte ou de um hardware. Não importa se esse hardware de recebimento seja um smartphone, um ultrabook, um tablet ou folhas impressas de papel.

O livro além da mídia

Se pudéssemos fazer uma analogia, a escrita e o registro dos textos originais dos livros antigamente fazia uso da máquina de escrever; mais tarde, era preciso um processador de texto em um computador pessoal. Com a diferença básica de que, quando se escrevia em uma máquina datilográfica, o conteúdo ali registrado era impresso em tempo real, conforme a manufatura de livros em prensas gutenberguianas; nos computadores pessoais, havia necessidade de uma impressora acoplada. Hoje, é usado um processador de dados on-line e um software de autoria e design que colocam o livro à disposição dos leitores ao toque de um dedo.

Antes, para armazenarmos informação, dados e conteúdo, precisávamos de uma biblioteca física ou de um hard disk pesado e caro. Hoje, para podermos sincronizar e compartilhar conteúdo para livros precisamos somente de uma conta no iTunes U ou em algum outro serviço similar na chamada “nuvem”. O modo como compartilhamos informações, dados e conteúdo de livros mudou; a única realidade que não se alterou efetivamente, embora tenha se modernizado, é a recepção de informações e a leitura delas.

Ainda que todos os processos tenham se alterado significativamente, o leitor precisa de um suporte qualquer para ler um livro.

Hoje, o hardware usado para a leitura de livros é escolhido pelo consumidor moderno, conforme sua portabilidade, no caso do papel, e sua possibilidade de conexão e poder de armazenamento, no caso de um suporte eletrônico.

Enquanto avançam as possibilidades da atual tecnologia, novos negócios de dezenas de startups tendem a se amplificar e se consolidar no mercado de livros digitais, caso os empreendedores compreendam o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros vêm sendo registrado, armazenado e transmitido. Sem essa compreensão, digamos técnica, produtos e serviços serão alçados ao fracasso pela velocidade com que novidades na área são apresentadas e oferecidas diariamente.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

A Revolução dos eBooks # 1


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

PRINTING ON THE MEDIA

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

Novos modos de comunicação tornam o consumidor um produtor de informação e apontam tendências para consumo por meio do digital. Com a democratização geral e irrestrita da tecnologia, mesmo com a não resolução efetiva das questões socioeconômicas, as barreiras à entrada de novos concorrentes na indústria gráfica, especificamente na indústria do livro impresso, se tornaram ainda mais fáceis de transpor. O mercado editorial brasileiro, mesmo o país estando cada vez mais na rota dos grandes investimentos internacionais, é considerado pequeno se compararmos e indexarmos o consumo de livros pela renda per capita e número de habitantes.

Há uma estagnação no volume único de impressão de um mesmo título, com a venda de exemplares caindo de 460 milhões para 430 milhões, embora mais títulos sejam lançados a cada dia e novas edições menores sejam impressas. É quase como se houvesse mais autores e editoras do que leitores. Todo esse cenário se solidificou há pouco mais de uma década e tem sido fortemente influenciado pelo consumo de conteúdo através de novas mídias interativas.

Novas mídias flexíveis

Essas novas mídias, essencialmente conectadas, são responsáveis pela diversificação no modo de produção e consumo de conteúdo impresso sob demanda. Elas criaram uma necessidade de personalização, quando passaram a colocar o poder da impressão de livros na mão dos próprios usuários.

A gráfica encolhe porque a tecnologia da informação permitiu a miniaturização das máquinas de impressão digital. O número de impressão de um mesmo título encolhe porque as mídias conectadas permitem maior flexibilização do acesso ao conteúdo para certos grupos, tribos ou nichos de mercado. Mas a impressão digital, porém, eleva a cada dia o número de print points, ou pontos de impressão, em que o consumidor é quem praticamente clica no ícone IMPRIMIR e decide onde e como ler o próprio conteúdo. Nem que ele seja impresso em um e-reader com tinta ou papel eletrônico.

Offsetting

A impressão digital permite maior flexibilidade de produção e acesso a conteúdos dispersos ou de consumo muito específicos, que antes eram impossíveis de ser produzidos pelas pesadas máquinas de impressão.

O conceito offset, termo que podemos traduzir para offsetting, ou configuração fechada, por causa da natureza das próprias máquinas que não permitiam impressão flexível, deu espaço ao onset, ou configuração aberta, em que o conteúdo é criado, preparado, revisado, produzido e impresso em tempo real para a maior gama de leitores diversificados.

O poder da impressão está nas mãos das novas mídias digitais porque elas estão nos bolsos das jaquetas dos leitores graças aos equipamentos portáteis. As novas mídias conectadas compõem o novo cenário e o novo modus operandi do consumo de conteúdo em papel ou meio eletrônico. Podemos chamar esse novo cenário de “imprimindo enquanto lê” ou “lendo enquanto imprime”.

Onsetting

Até meados de 2012, na indústria gráfica, infelizmente ainda não existia uma força motriz que pudesse manter a escala de produção e a economia de escala na impressão sob demanda de livros através dos novos e modernos equipamentos. Essa força motriz seria a venda de exemplares únicos através da internet.

Essa fraqueza na venda dos exemplares únicos ocorre porque países emergentes como o Brasil passaram da comunicação fonográfica (por exemplo, o rádio) praticamente para a comunicação eletrônica (tevê, cinema, internet). Parece-me que não houve um tempo de maturação de consumo dos livros, principalmente os impressos sob demanda.

Essa ausência de negócios nas vendas um a um, de certo modo, atrapalhou no entendimento sobre os negócios que envolvem os eBooks, pois estes são literalmente vendidos sob demanda, enquanto os livros impressos são produzidos sob demanda.

Imagino um futuro em que os leitores possam acessar a sua própria biblioteca digital, baseado no conceito de “nuvem” e white label, ou seja, página customizada. O sistema permitiria que os usuários imprimissem seus próprios livros em formatos convergentes como HTML, PDF, ePub ou qualquer tipo de tela em suas impressoras caseiras ou encadernadoras especializadas em impressão digital.

Os novos modos de comunicação, que podem tornar o consumidor um produtor da informação, apontam tendências diretas para a impressão de conteúdo digital nas telas ou ecrãs que estão nas mãos dos consumidores. E é por isso que se diz que o futuro do livro passa pela comunicação digital. Mas o futuro do livro é ser impresso. Sempre impresso. Seja numa tela de papel, seja numa tela eletrônica, seja numa tela qualquer que esteja nas mãos do leitor.

Em resumo, o futuro do livro está literalmente na palma da mão dos leitores.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

CEO da Livrus é o entrevistado de Ralph Peter


Ednei Procópio foi entrevistado por Ralph Peter, na TV Geração Z Programa LIVROS EM REVISTA – (Literatura)

CEO da Livrus é o entrevistado de Ralph PeterCEO da Editora Livrus, Ednei é um dos maiores especialistas em livros digitais do país. Procópio foi Coordenador Geral do projeto que implementou e desenvolveu o Cadastro Nacional do Livro [ CBL ]; e é membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro. Integra o Grupo de Trabalho que organiza o Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Ministra cursos e palestras como “A Revolução dos eBooks”, nome de seu último livro, lançado pela SENAI-SP Editora. O programa “Livros em Revista” recebe as principais personalidades do universo livreiro/literário como autores, editores, entre outros. Esmera-se em levar ao internauta boa cultura e um sadio entretenimento | Saiba Mais

Digestivo Cultural | Segunda-feira, 26/5/2014

Versão digital de “A Revolução dos eBooks” já está disponível na Moby Dick eBooks


A versão digital no formato ePub de “A Revolução dos eBooks“, a nova obra Ednei Procópio, já está disponível na Moby Dick eBooks.

Segundo a BYTES E TYPES, com menos de um ano de mercado e cerca de 18 mil títulos digitais de dezenas de editoras em carteira, a Moby Dick eBooks quer que uma parcela expressiva do mercado editorial brasileiro passe por seus caixas virtuais.

A expectativa de Leandro Barros, diretor de Marketing e um dos criadores da eBookStore é ser responsável pela venda, já em 2014, de 15% dos ebooks comercializados no País.

Atualmente, de cada 100 livros digitais vendidos no Brasil, 5 já passam por nossas mãos”, garante o executivo. A Moby Dick eBooks, informa Leandro Barros, já conta com milhares de clientes de livros digitais.

Ainda segundo ele, enquanto o mercado livreiro em geral cresce 12% ao ano, o segmento de livros digitais – no qual a Moby Dick tem foco total – se expande a “taxas exponenciais”, de 400% ao ano, e deve continuar assim até pelo menos 2016, ano em que se prevê o que ele chama de “a grande virada do setor”: o momento em que as vendas de eBooks serão maiores que a de livros impressos, fenômeno que já acontece em outros países.

Segundo Barros, a startup vem se preparando para assumir um papel relevante no varejo virtual de eBooks, principalmente por ter saído antes da própria existência de um mercado consolidado. “A diferença”, diz ele, “é que hoje detemos conhecimento técnico nos três pontos de apoio do segmento de livros digitais – ou seja, uma acentuada especialização em Tecnologia da Informação e a expertise em Marketing de e-commerce e em Conteúdo Editorial, através de curadoria especializada”.

A curva de aprendizado da empresa, neste novo segmento é fundamental, explica o executivo. “Estamos acompanhando o leitor brasileiro desde seu nascimento para as obras digitais. Hoje em dia 90% dos usuários compram através de computadores desktop e apenas 10% deles partem de dispositivos móveis. Isso significa que ainda há um longo caminho à frente, cheio de possibilidades, que estamos trilhando junto ao consumidor.

Moby Dick eBooks é uma das primeira eBookStores do país a disponibilizar a versão digital de “A Revolução dos eBooks”. O livro trata dos dois eixos centrais que Ednei considera importante para a boa manutenção do mercado editorial brasileiro. O primeiro seria o eixo econômico, aquele que viabiliza e sustenta toda a cadeira produtiva do livro. E o segunda eixo é o político que, inevitavelmente, precede o primeiro quando se trata de políticas públicas voltadas ao livro em especial as bibliotecas públicas digitais, os livros digitais didáticos, etc…

SERVIÇO

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, de Ednei Procópio

Título: A Revolução dos eBooks
AutorEdnei Procópio
Número de páginas: 268
ISBN: 9788565418966
Editora: SENAI-SP
Assunto: Mercado editorial
Número da edição: 1º edição
Idioma: Português
Formato: ePub
Preço: R$ 25,20
Ano: 2014

SENAI-SP Editora lança obra a indústria dos livros na era digital


Ednei Procópio, autor da obra, fará mini palestra sobre o tema em sessão de autógrafos

A Revolução dos eBooks

A Revolução dos eBooks

A SENAI-SP Editora lança o livro A Revolução dos eBooks – A indústria dos livros na era digital, no dia 25 de março, às 18h30, na livraria Martins Fontes. O evento contará com sessão de autógrafos e palestra do autor, Ednei Procópio, um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil.

A palestra apresentará os principais pontos levantados por Procópio e que serviram de base para a obra. Será uma oportunidade para os profissionais do mercado editorial, livreiro, gráfico, digital e para escritores que desejam conhecer mais sobre a história e o futuro dos livros face à revolução causada pela internet.

O livro desmistifica o tema, usando conceitos básicos que ajudarão os interessados a explorar o que o especialista considera um cenário único de oportunidades, e que ocorre em um momento histórico, de perda da hegemonia do mercado editorial mundial sobre o processo de publicação e exploração comercial dos livros.

A Revolução dos eBooks – A indústria dos livros na era digital faz parte da série “Olhar para a Indústria”, lançada pela SENAI-SP Editora com foco na produção de conhecimento de interesse da indústria, na mobilização e conscientização dos profissionais da área, com o objetivo de promover o desenvolvimento pessoal e social.

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Sobre o autor

Ednei Procópio é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editorias, atuou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, eBook e até audiobook. Outros livros publicados: Construindo uma biblioteca digital (2005) e O livro na era digital [2010].

SERVIÇO

Lançamento do livro A Revolução dos eBooks — A indústria dos livros na era digital

Editora | SENAI-SP
Autor | Ednei Procópio
Data | 25 de março de 2014
Horário | 18h30
Palestra do autor | A Revolução dos eBooks
Local | Livraria Martins Fontes
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Cerqueira Cesar

Sobre a SENAI-SP Editora e a SESI-SP Editora

Criadas em sintonia com a missão do SENAI e do SESI de difundir o conhecimento e a cultura, a SENAI-SP Editora e a SESI-SP Editora têm a proposta de preencher uma lacuna editorial existente nas diversas áreas de educação e ensino profissionalizante em que o SENAI-SP atua, e busca difundir, de forma planejada e sistematizada, o conhecimento produzido pelo SENAI nas áreas de Cultura, Educação, Esporte, Nutrição, entre outras, assim como identificar oportunidades que possam contribuir para o enriquecimento dessas áreas. Desde sua criação, em 2011, as duas editoras já publicaram mais de 100 títulos.

A Revolução dos eBooks | A Indústria dos Livros na Era Digital

“O autor e o novo mercado editorial”, por Ednei Procópio


A Revolução dos eBoks

A Revolução dos eBoks

Agora sim! Minha terceira e mais nova obra será lançada em março próximo, pela Editora SENAI. O título que acabou agradando à editora foi “A Revolução dos eBooks”. Neste livro, falo dos motivos do título e quem, na verdade, antes de mim, cunhou o termo “[e]Book [R]evolution”.

O texto original da obra já estava pronto quando fui à convenção anual da Associação Nacional de Livrarias [ANL], durante a última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, para ministrar uma palestra sobre o mercado livreiro. No evento, conversando com um diretor da Editora SENAI, meu livro foi selecionado por eles para publicação. Está sendo uma experiência muito interessante ser, ao mesmo tempo, o editor de uma editora [para quem não sabe, sou o fundador da Livrus Negócios Editoriais], e ter um livro meu publicado por outra casa editorial.

Enquanto meu livro estava no prelo, fiquei pensando na expectativa que a publicação de uma obra gera em nós escritores. Eu, que sempre estive do lado de cá da mesa, atuando como editor tive que provar do meu próprio veneno. Recebi inúmeras recomendações da equipe editorial daquele selo com o objetivo de melhorar minha obra. Percebi que aquele processo todo estava gerando em mim uma ansiedade que há tempos não sentia. Será que minha própria editora gerava essa mesma expectativa em seus autores?

Autores de um novo ecossistema editorial

Neste meu novo livro, deixo claro que, quando falo em revolução dos eBooks Readers, estou me referindo mais aos leitores em si, os consumidores dos livros na era digital, do que as máquinas por eles utilizadas para leitura. A revolução digital permitiu, na outra ponta do ecossistema editorial, que os autores tivessem acesso a dezenas de plataformas de autopublicação que, pela primeira vez desde Gutenberg, oferecem ao autor a possibilidade real de ver seu texto publicado sem as barreiras existentes no antigo modelo.

Na autopublicação, por exemplo, existe a [inter]mediação de uma empresa que, geralmente, faz uso das tecnologias e das mídias digitais para oferecer uma plataforma de publicação. Nestes casos, a empresa que oferece tais ferramentas tem um papel menos atuante no que diz respeito à produção dos livros e exatamente por esta razão, pode haver contraindicações no mau uso destas ferramentas, principalmente se o usuário não se preparar para o processo que vai se desenrolar a partir dali.

A editora que está publicando meu livro, do contrário, mantém uma equipe editorial já treinada que, por mais que eu tentasse acelerar a produção do meu livro, por pressa minha mesmo, por pura ansiedade, não me permitiria errar em itens tão importantes como texto de quarta capa, texto de orelhas, texto sobre o autor, prefácio, sumário, etc.

Por exemplo, sou um nerd assumido, guardo ‘de cabeça’ todas as referências bibliográficas sobre eBooks. Mas, e se eu não incluísse esses dados bibliográficos em meu livro? Tive que entregar à editora a referência completa [tal qual reza a cartilha da ABNT]. Foi item obrigatório para ter meu livro publicado por aquele selo. Também me pediram as notas de rodapé para todas as referências que eu estava fazendo nos capítulos.

Malditas notas de rodapé

Então estava eu lá, um domingo inteiro, buscando as tais notas para entregar na segunda-feira pela manhã, para que meu livro fosse publicado o mais rápido possível. Eu pensava: para que raios serve uma nota de rodapé? Pensando bem, quem lê esse troço?

Um livro de não ficção, que é meu caso, não pode ser considerado um bom livro se não tiver o mínimo que a ABNT sugere para que o material seja efetivamente considerado publicável. Fora ter de cuidar do ISBN e da Ficha Catalográfica [itens considerados obrigatórios pela Lei do Livro, por sinal] nós, autores e editores [nos casos em que não sejamos ao mesmo tempo a mesma pessoa], precisamos observar outros itens para que um livro tenha uma qualidade aceitável. Não importa o formato: se eBook, audioBook ou paperBook.

Será que os autores que se autopublicam [e não são editores] estão preparados para admitir que, para ter um bom livro publicado, a obra terá que passar inevitavelmente por uma preparação de texto, revisão, diagramação, capa, ISBN, Ficha Catalográfica? E que será preciso observar tantos outros itens imprescindíveis como hifenização, viúvas, órfãs, resenhas, release de qualidade, que também fazem parte da publicação de uma obra?

Autor que não é livro que não é editora

Deixando de lado, pelo menos por enquanto, a questão dos custos e financiamento da produção, são três os modelos atuais mais comuns para a publicação de um livro:

O primeiro deles é aquele que chamaremos tradicional; nele, o autor envia o livro para uma editora e a seleção da obra fica a cargo de um conselho editorial, responsável pela curadoria de um determinado catálogo. Neste modelo, a equipe editorial está presente do início ao final da produção do material enviado. É o caso usado por aquela editora na publicação do meu livro.

O segundo modelo, o da autopublicação, é o próprio autor que assume a responsabilidade pela produção de sua obra usando as atuais ferramentas disponíveis nas plataformas de selfpublishing. Neste modelo, é raro a presença de uma equipe editorial, ela não está presente para assessorá-lo. As ferramentas de autopublicação acabam por oferecer uma opção interessante para a edição de livros, criam um ambiente democrático, aberto e acessível; mas estas plataformas não ofertam aos escritores uma equipe editorial que, antes de tudo, primem pela qualidade editorial de sua obra. E o custo zero oferecido por tais empresas é a razão para isto não ocorrer.

E o terceiro modelo são as casas que prestam os serviços necessários para a publicação de um livro, unindo a liberdade da publicação com a qualidade editorial processada por uma equipe. Este é o caso da Livrus. E, antes que me perguntem, sim, os custos e os profissionais estão todos lá, presentes no processo.

Autores que se autopublicam

É realmente fascinante as possibilidades que a Internet, e suas [con]sequências, estão trazendo para o mercado editorial. Mas sabemos que somente a tecnologia não dá o respaldo necessário para que uma determinada obra tenha um bom título, um bom subtítulo, uma boa revisão, etc. Escrever rapidamente um livro e colocá-lo de imediato no ar só porque as ferramentas digitais assim o permitem, pode ser um tiro no próprio pé, principalmente se o autor não dominar os meandros da publicação de um livro. O autor que tiver, por exemplo, um material em potencial em mãos pode perder uma oportunidade única de seu próprio trabalho.

Fora isso, com o tempo, os leitores [os únicos que realmente ‘mandam’ neste novo mercado], inevitavelmente perceberão que as obras que tiveram uma curadoria, uma equipe editorial, são aquelas de fato confiáveis para se ler. Por isso, antes de colocar seu próxima o livro no ar, nestas plataformas automatizadas, pense se você, sozinho, realmente pode e é capaz de realizar o trabalho que uma equipe inteira precisaria fazer para se ter um bom livro. Se for o seu caso, e se assim o considerar, tente a sorte.

Em meu novo livro, busco detalhar a questão atual do financiamento de obras, seja pelo Governo, patrocinadores, concursos culturais, editoras e até pelo próprio autor quando for o caso. Mas, por ser especialista em eBooks desde 1998, talvez parecesse um contra senso eu, agora, atacar, criticar ou mesmo defender as ferramentas digitais de autopublicação. Meu objetivo não é este. Longe disso. Pelo contrário, testei a maioria das ferramentas disponíveis pessoalmente. E afirmo: elas são acessíveis e funcionam, de verdade. São verdadeiramente democráticas se comparadas a qualquer um dos demais modelos.

O fato é que, exatamente por ter estudado a fundo este assunto, cheguei à conclusão de que, se eu quisesse que o meu próprio livro tivesse qualidade que eu desejava, e que não caísse na vala comum de centenas de outros de identificada precariedade, eu não deveria fazer o livro inteiro sozinho, eu necessitava de um corpo editorial.

Felizmente, sou editor e poderia fazê-lo usando a equipe da minha própria editora, a Livrus, se fosse o caso, como alternativa. Mas, felizmente também, o novo mercado editorial está repleto de portas abertas para aqueles que não têm pressa em publicar, mas primam antes de tudo pela qualidade de suas próprias obras. E, por essa razão, encontram alternativas inúmeras, entre as quais as tradicionais.

Nos demais casos, como alternativa, a necessidade nos aponta um ambiente de ferramentas digitais de autopublicação atrelado a uma equipe de curadoria. A primeira automatiza o processo e ajuda a reduzir custos por conta da escala. A segunda assegura a qualidade. Estas duas, digamos, entidades, unidas, ajudam a equalizar a questão do financiamento das publicações e podem oferecer uma resposta adequada aos novos tempos, aos novos livros, enfim, a um novo mercado editorial.

QUER SABER MAIS? ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

* Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.