Samsung Readers Hub


Readers Hub é o aplicativo da Samsung customizado para livros, revistas e jornais. O conteúdo disponível é vindo principalmente da Austrália, mas também do resto mundo.

A ideia do aplicativo, que roda em Android, mas que foi customizado especialmente para os smarts e tablets da série Galaxy, é que o leitor possa levar conteúdo para qualquer lugar, e ler a qualquer hora em férias ou a trabalho.

O tamanho da tela de 7 polegadas do GALAXY Tab oferece uma experiência de leitura muito próxima de um livro tradicional de bolso. E é claro que muitos títulos disponíveis para o Readers Hub é pago e o download é customizado em cima do fantástico aplicativo Zinio.

Confira o vídeo.

Jornais e revistas, papel e digital


Portugal: Recentemente, o Jornal de Notícias, Diário de Notícias e O Jogo juntaram-se ao grupo de jornais que disponibilizam versões integrais da edição diária em formato digital, pronto a ser lido em iPad, iPhone ou em qualquer computador, smartphone ou tablet com acesso à internet. A tendência não é nova, mas esta é uma área em clara expansão. Será que financeiramente também é mais vantajoso? A era digital abre novas possibilidades de leitura diária de títulos estrangeiros de referência que até agora era mais difícil: demorava tempo e custava dinheiro.

Mas comecemos pelos jornais portugueses. No caso do JN, DN e O Jogo, é possível consultar a edição e-paper gratuitamente até ao dia 15 de Março. Após essa data, será preciso assinar para ter acesso ao jornal digital. O preço cifra-se nos 19 euros por mês, ou 99 euros por ano. Ou seja, cada edição fica entre 63 cêntimos [se assinar mensalmente] e 28 cêntimos [se assinar anualmente]. Um preço bastante abaixo da versão em papel. O Público também disponibiliza gratuitamente durante dois meses uma aplicação para iPad, com vários conteúdos. Além disso, o jornal disponibiliza a versão diária em formato PDF, mas é preciso ser assinante para ter acesso. O semanário Sol também tem uma aplicação para iPhone e iPad que permite aceder às últimas notícias e é totalmente gratuita.

No mercado internacional o cenário é muito mais atractivo, até porque passa a ser possível ler, diariamente e a preços reduzidos, importantes publicações estrangeiras. Um bom local para o fazer é o Zinio [www.zinio.com], um verdadeiro quiosque online onde pode encontrar e subscrever revistas e jornais de todo o mundo. Geralmente a preços bastante mais convidativos do que uma assinatura da edição em papel. Se é fã incondicional de música, por exemplo, a Rolling Stone ou o New Musical Express são certamente do seu interesse. No caso da revista americana, uma subscrição digital de 26 edições fica-se pelos 20 dólares [cerca de 15 euros], ao contrário dos 130 dólares [cerca de 96 euros] do preço de capa.

Depois do pagamento, pode ler a revista integralmente em PC, Mac, iPad e iPhone. Já 51 edições do NME ficam por cerca de 80 dólares [60 euros]. Ou seja, bastante mais barato do que os 143 dólares que pagaria se quisesse receber a revista em casa.

As ofertas não ficam por aqui: se o seu desporto favorito é mesmo o futebol, pode subscrever mensalmente o jornal espanhol Marca por 28 dólares [20 euros] e lê-lo no seu computador ou tablet. Se o seu interesse passa mais pelo design e pelas últimas tendências, pode querer assinar a versão digital da Wallpaper, que custa apenas 55 dólares [40 euros] e tem acesso a 12 edições. A versão impressa ficaria por 120 dólares [88 euros]. E até pode optar por aceder às versões digitais de revistas de celebridades, como 52 edições da Hola! por cerca de 100 dólares [73 euros].

Além das vantagens de preço, as edições digitais das publicações trazem ainda outras: o acesso ao arquivo é mais facilitado e pode até comprar edições anteriores com facilidade. Há, no entanto, algumas desvantagens: para aceder às versões digitais tem de ter um computador, um tablet ou um smartphone, gadgets que geralmente são caros. Além disso, a leitura pode não ser tão fácil e intuitiva, caso ainda não esteja habituado aos novos suportes.

franciscoferreira@faroldeideias.com

Preços dos tablets ainda é elevado

Ler num iPad pode até ser uma experiência interessante, mas a verdade é que o preço destes aparelhos ainda não é para todas as bolsas. No site Pixmania, o tablet da Apple cifra-se nos 509 euros. Já um iPhone custa, pelo menos, 561 euros. Um BlackBerry deverá custar à volta de 300 euros, mas a leitura nestes dois últimos aparelhos não será tão fácil.

SITES

Os jornais portugueses estão a render-se aos formatos digitais

www.zinio.com

cimdn.newspaperdirect.com/epaper/

cimojogo.newspaperdirect.com/epaper/

pdf.publico.pt/

tunes.apple.com/pt/app/sol-online/

Por Francisco David Ferreira | Para o Diário de Notícias | 23/02/2011

E-book e as mudanças nos direitos de imagem


Emily Williams

Quando os livros passam a ser digitais, perdem a “materialidade”: se transfiguram de tomos de árvores mortas em coleções etéreas de bytes e bits – infinitamente portáveis, dinâmicos, remixáveis. Ou essa é a idéia pelo menos.

O que realmente aconteceu foi que ao desnudar o formato em papel revelou-se a verdadeira natureza dos livros: eles são um pacote complicado de direitos autorais. De fato, isso mais do que a maturidade de séculos do mercado de livros impressos ou a forma de um robusto codex [vejam!, sem plugs! Sem problemas de compatibilidade!] foi que fez com que a transição de impresso para eletrônico fosse mais lenta.

Qualquer livro tem certo número de componentes. Tem havido muita discussão sobre o texto, a narrativa, sobre a parte essencial que nos vem à mente quando pensamos em leitura. Mas para isso você tem que levar em conta a arte da capa, que envolve design e, frequentemente, uma ou mais imagens. E o design precisa ser licenciado para o uso digital e também para a distribuição internacional.

E a imagem… nossa! Aqui descobrimos um ninho de ratos que faz nossa cabeça doer só de olhar.

O problema com a backlist

Não há nenhuma “pegadinha” nas imagens. Elas são propriedade intelectual, sujeitas à mesma regulamentação de copyright que qualquer outra [propriedade]. Uma biografia padrão, por exemplo, pode conter imagens de dúzias de diferentes fontes, cada uma inclusa no livro de maneira levemente diferente, dependendo de onde veio [fonte familiar, arquivos históricos, agência de fotografia].

Se você for um editor de não-ficção, significa que criar edições de e-books da sua backlist vai envolver não só a briga usual com o autor, mas também passar por centenas de contratos individuais de fotografias e ilustrações. Esses contratos devem ser examinados um por um para ver se a editora tem o direito de publicar cada imagem digitalmente, e de distribuí-la internacionalmente. Se algum desses direitos não está garantido, o editor deve procurar a pessoa que possui os direitos dessa imagem e, assumindo que a pessoa pode ser encontrada, renegociar.

Como editar livros é algo que está aí há tanto tempo, tanto os contratos envolvidos quanto as leis que regem o mercado mudaram com o passar do tempo. Como explica Peter Smith, sócio da Thompson Line LLP, que orienta as editoras quanto aos direitos de imagem: “Se olharmos um contrato de 2010 e um contrato de 1925 da editora X, eles serão iguais? Resposta: certamente que não!”. E isso não é tudo. Formatos digitais podem oferecer uma nova vida sem custos para um livro com muitas imagens que pode ser constantemente reeditado. Mas quanto mais fundo as editoras vão nas suas backlists mais problemas elas podem enfrentar.

Com o legado dos livros que estão por aí há muito tempo”, diz Smith, “você pode ter outros fatores complicadores – questões sobre se o autor tem direitos, se os direitos retornaram para o autor, se a garantia original ainda é válida”.

E se a editora quiser ir em frente sem imagens? Essa opção, também, pode depender do contrato.

Se eu, como autor, vendi a você um pacote: o texto e as imagens – talvez você pense em usar ilustrações –; se o acordo diz que você não pode separar a arte ou ilustração do meu texto, você não pode se safar. Ou, às vezes, você tem diretores de arte nas editoras tomando essas decisões e depois recebendo a aprovação do autor, então nesse caso é só trocar as imagens”.

Interpretações cheias de arte

Obviamente, quanto mais significante é o papel das imagens em um livro, mais importante se tornam as questões sobre esses confusos direitos. Para um suntuoso livro de mesa de fotos, o fotógrafo faz um grande investimento em como as imagens são reproduzidas, e existe direitos sobre o formato, a escala da imagem e até mesmo o papel. Esses criadores podem ser muito zelosos quanto à liberação de uma versão digital que não permite controle em como os leitores verão essas imagens.

Até recentemente, as opções digitais para livros de arte e ilustrações eram, de qualquer maneira, limitadas; os e-readers baseados em livros de texto não são “amigos” das imagens, e não havia e-reader que fizesse justiça a uma bela foto colorida ou ilustração. Então veio o iPad e logo muitos tablets que tentam competir com ele. Plataformas de leitura que mostram imagens estão instaladas e funcionando – Zinio foi um dos primeiros em livros de estilo de vida e revistas, Blio [sempre que aparece] terá foco em livros didáticos, e o novo Sideways vai atrás do mercado de arte final.

Nascido digital

Para novos livros, as editoras lidam bem com isso. Não só as imagens já são digitalizadas – de fato, a maioria delas já começa digital – como arquivos enormes estão agora on-line, o que abre um novo mundo de navegação e licenciamento.

Precisando da foto de um camelo para sua capa? Getty images tem 605 dessas, disponíveis para compra, livres de copyright.

Pego de surpresa em uma biografia de última hora do Michael Jackson? O Corbis te ajuda – embora você deva saber que imagens de ícones podem lhe custar caro. [E você provavelmente não será capaz de ganhar os direitos mundiais, então qualquer uma das editoras que licenciar sua edição no exterior terá de voltar ao Corbis e pagar um preço exorbitante também. Vocês podem se lamentar juntos em Frankfurt].

Os editores ficaram mais espertos sobre suas licenças também. No mercado de livros de não-ficção é comum que seja pedido aos autores que abram mão de seus direitos sobre qualquer imagem que eles queiram incluir, com custos de licença pagos antecipadamente. Essas permissões usam a linguagem “toda e qualquer edição do livro” e agora pode ter “todos os meios de comunicação/formato/tecnologia atualmente conhecida ou desenvolvida posteriormente” que se tornou padrão nos contratos literários.

Editores de livros ilustrados de estilo de vida – culinária, jardinagem, artesanato, design – têm fotógrafos e ilustradores contratados por trabalho, a fim de manter a máxima flexibilidade e controle sobre o conteúdo que a casa produz.

A visão de futuro deles pode ser útil em um futuro não muito distante. Esses livros temáticos são os candidatos mais óbvios para se demembrarem em peças menores, licenciando um capítulo sobre meias para um site de tricô ou dicas sobre roseiras para um aplicativo de jardinagem urbana. Enquanto históricos títulos de backlists lutam para se livrar da poeira dos contratos em arquivo, os livros digitais já nascem mergulhados em éter, encontrando leitores.

Emily Williams é co-presidente do Subcomitê de Direitos BISG e uma antiga observadora literária que atualmente trabalha como consultora editorial independente.

* Esse artigo foi escrito por Emily Williams especialmente para a newsletter do Digital Book World, que acontece em Nova York entre os dias 24 a 26 de janeiro de 2011. Inscreva-se já para garantir um preço especial | Publicado originalmente em PublishNews | 09/09/2010