‘Booktubers’ dão dicas de livros


Quer saber quais livros bacanas você pode ler agora nas férias escolares ou ao longo de 2015? Pois você pode seguir, no YouTube, algumas dicas dos chamados”booktubers”. São internautas que fazem resenhas de livros e dão dicas literárias em vídeos.

O Abecedário selecionou alguns canais booktubers comandados por jovens e encontrou dicas bem interessantes de leitura, que vão de “Cidades de papel” [John Green, Ed. Intrínseca] –muito procurado por jovens especialmente depois do sucesso de “A culpa é das estrelas”, do mesmo autor,– a clássicos como “Laranja Mecânica” [Anthony Burguess, Ed. Aleph], publicado originalmente em 1962.

Para saber mais sobre a proposta booktuber, o blog conversou com o autor de “Então, eu Li“, comandado há dois anos pelo adolescente Daniel Destro, 15, morador de Barra Bonita, São Paulo [270 km da capital]. O autor diz que lê, em média, cinco livros por mês e resolveu compartilhar suas impressões sobre as obras.

O mais bacana é que Daniel recebe os livros de editoras como DarkSide, Arqueiro, Zahar, Aleph e Globo Livros para fazer as resenhas no YouTube. “Na hora de fazer resenha, minha opinião não é influenciada só pelo fato que ganhei o livro. E se eu realmente não gostar do livro, eu irei falar”, diz. Bacana, Daniel!

Fiquei curiosa para saber de onde surgiu essa sede pela leitura. “Comecei a entrar nesse mundo pelos quadrinhos da ‘Turma da Mônica’. Logo depois, ‘Turma da Mônica Jovem’. Mas o gosto de ler compulsivamente surgiu após ler a saga ‘Harry Potter’ [ J.K.Rowling, Ed.Rocco]”, diz Daniel.

E de que forma seu gosto pela leitura melhorou sua vida, Daniel? “É como se fosse um refúgio desse mundo maligno. Você esquece do que acontece na sua volta e viaja sem sair do lugar”, diz. “Além disso, o hábito da leitura deixa você um pouco mais criativo, você conhece diversas palavras, tem um conhecimento maior do mundo, pois você aprende diversas coisas. Por exemplo, na saga ‘Percy Jackson e os olimpianos’ [Rick Riordan, Ed. Intrínseca], você acaba de ler a saga sabendo um pouco sobre a mitologia dos deuses gregos.

Muito bacana. Eu ainda estou fazendo minha lista de obras para 2015. E você? Quais são seus 12 livros para 2015?

Por Sabine | Publicado originalmente em Folha de São Paulo | 09/01/2015

Kindle Unlimited começa hoje


O serviço de subscrição da Amazon brasileira começa com 700 mil títulos, dez mil deles em português

A Amazon brasileira inicia nesta quinta-feira [11] a operar o Kindle Unlimited, o seu serviço de subscrição de livros. O modelo está em operação nos EUA desde julho deste ano. Ao todo, são oferecidos 700 mil títulos, a grande maioria deles em outras línguas. O catálogo em português é composto por dez mil títulos de editoras como Gente, Globo, LeYa, PandaBooks, Universo dos Livros, Vergara & Riba [V&R] e Zahar. Não aderiram ao serviço grandes editoras como as que compõem o pool DLD [L&PM, Novo Conceito, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante], a Companhia das Letras, a Intrínseca e a Ediouro. A varejista não dá detalhes da negociação com as editoras, mas, pelo que apurou o PublishNews, não foi uma lida fácil. Editores ficaram relutantes pela proposta feita pela Amazon. Em alguns casos, a gigante de Jeff Bezos ofereceu um fee fixo pelo catálogo, independente da quantidade de vezes que cada obra fosse acessada. Não se sabe, no entanto, se esse é o único modelo e nem se foi o aceito pelas editoras que passam a fazer parte do serviço.

Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, recebeu o PublishNews para falar sobre o Kindle Unlimited na tarde da última quarta-feira. “Por questões contratuais, não podemos dar detalhes da negociação com as editoras. O que podemos dizer é que, como aconteceu nos EUA, a tendência é que esse catálogo cresça”, disse o executivo. “Grandes editoras resolveram não entrar nesse momento, mas o que a gente tem escutado é que elas preferem esperar um pouco mais. As negociações são contínuas”, disse. Szapiro lembra que, também nos EUA, a adesão ao Kindle Unlimited foi paulatina. “Na nossa visão, esse programa vai evoluir. Hoje temos na nossa loja, cerca de 43 mil títulos em português, ou seja, um quarto dos livros da Amazon.com.br estão no Kindle Unlimited. Quando lançamos a loja, há dois anos, o catálogo era de 13 mil títulos e evoluiu para 43 mil em 2014. A gente acredita que essa mesma evolução vai acontecer com o Kindle Unlimited”, completou o country manager.

O serviço

O Kindle Unlimited sai a R$ 19,90 [nos EUA, o serviço é oferecido a US$ 9,90 ou algo em torno de R$ 26]. Para identificar os títulos participantes do serviço, os usuários verão na tela de compra o ícone do Kindle Unlimited e um botão “Leia de Graça” na parte superior direita, onde normalmente fica o botão “Compre agora com um clique”. Ao clicar no “Leia de Graça”, o livro será automaticamente baixado para os dispositivos do usuários [o aparelho Kindle ou os apps de leitura Kindle]. Cada usuário poderá ficar com até dez livros por vez. Para pegar o 11º título ele precisa “devolver” um livro que já esteja na sua lista. Os trinta primeiros dias do Kindle Unlimited são gratuitos. Entre os títulos disponíveis estão os das séries Harry Potter [Pottermore], A guerra dos tronos [LeYa] e Diário de um banana [V&R].

Por Leonardo Neto | PublishNews | 11/12/2014

Editora lança coleção “de bolso” digital


Com preços de R$ 1,90 a R$ 4,90, a coleção quer formar leitores digitais

A Zahar acaba de colocar no mercado uma coleção com títulos curtos disponíveis apenas no digital. Apelidada de Expresso Zahar, a nova coleção prioriza obras que podem ser lidas enquanto espera alguém em um café ou em uma viagem do metrô. Com preços que vão de R$ 1,90 a R$ 4,90 a Expresso traz comédias e tragédias gregas, contos de fada e de Sherlock Holmes, além de ensaios. “A ideia surgiu quando começamos a trabalhar os digitais há quatro anos”, conta a diretora executiva, Mariana Zahar. Desde então, a ideia foi amadurecida dentro da editora e o resultado é a publicação de 60 títulos nessa primeira leva. “Ainda em 2014, devemos lançar entre 60 e 100 títulos”, conta a diretora.

Além de estimular e promover o hábito da leitura digital, a editora quer combater um inimigo antigo do mercado editorial, como explica Mariana: “Sempre achei que fosse um jeito de combater a pirataria oferecendo um produto de qualidade a um preço acessível”.

A escolha dos títulos é o grande trunfo da coleção.  Embora clássicos, nunca foram editados nesse formato individual. “Precisávamos de livros que se prestassem a esse tipo de formato. São conteúdos que vivem por si só, independentes, curtos, rápidos e de fácil leitura”, explica a executiva.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/02/2014

Mercado editorial brasileiro: crescimento e cultura digital


Segundo dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, lançada em 2012, há 88,2 milhões de leitores no país, de um total de 178 milhões de brasileiros com mais de cinco anos de idade. São considerados leitores, segundo um critério internacional, pessoas que leram pelo menos um livro nos últimos três meses. E apesar de o número de leitores ter diminuído em relação à última pesquisa realizada em 2007, os resultados registram que 49% dos atuais leitores afirmam estar lendo mais do que leram no passado. Esse aumento do volume de leitura pode explicar o crescimento das vendas de livros nos últimos anos. Segundo a última edição da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, divulgada em julho de 2012, as editoras brasileiras tiveram um aumento de 7% nas vendas com relação a 2010. No período, também houve um aumento do número de publicações em torno de 6%.

E a diversidade marca esse panorama: com quase 500 editoras atuantes no mercado, sejam nacionais, internacionais ou de capital misto, e também com muitos autores nacionais conceituados, o mercado no Brasil tende a crescer. “O mercado editorial brasileiro vem crescendo e se profissionalizando, acompanhando o desenvolvimento econômico do país sobretudo nos últimos 20 anos. Isto se revela no aumento do número de editoras e livros publicados, assim como do padrão de qualidade dos serviços e produtos; no interesse crescente dos grandes grupos internacionais pelo mercado interno; na maior visibilidade que os autores brasileiros vem conquistando no exterior; e no oferecimento de cursos específicos voltados para trabalho editorial”, analisa o editor Cide Piquet, da Editora 34.

Projetos editoriais para públicos diferentes

Ao lado das grandes editoras, como a Companhia das Letras, Objetiva e Martins Fontes, por exemplo – com catálogos grandes e heterogêneos – destacam-se no também aquelas de perfil mais específico, como é o caso da Cosac Naify. “Ocupamos um nicho de mercado de livros de alta qualidade editorial, respondendo por um catálogo de valor literário e de referência para as distintas áreas em que atuamos. Nosso público vem do meio cultural e universitário, leitores exigentes em geral”, explica Florencia Ferraria, diretora editorial da Cosac Naify.

O público acadêmico é também um dos principais leitores da Editora 34, que tem um catálogo focado nas áreas de filosofia contemporânea, sociologia, estudos literários, música e literatura, tanto nacional como estrangeira. Outro exemplo de editora com perfil específico é a Zarabatana Books, voltada para a publicação de quadrinhos autorais, cujo público vai além dos leitores habituais de HQs. “Do ponto de vista de nossa linha editorial, vejo o mercado brasileiro em grande expansão, com o surgimento de novos talentos nacionais assim como a publicação de HQs de diversas partes do mundo, tanto de clássicos como de novos autores. Atualmente existe também o reconhecimento e a valorização dos quadrinhos por entidades públicas brasileiras, através de programas de apoio à edição e compra de obras para bibliotecas escolares”, diz Cláudio Martini, editor da Zarabatana Books.

Nesse mercado de nichos, não se pode esquecer das pequenas editoras, que publicam jovens escritores, como é o caso da Não Editora, da Patuá, da Demônio Negro e d’A Bolha, entre outras. Essas editoras têm um papel bastante importante não só em lançar nomes, que mais tarde irão se fixar no mercado em editoras de maior porte, mas também em criar um público para as novas gerações de escritores.

Formato digital

Não há como falar hoje em mercado editorial sem pensar nos livros digitais. Ainda recentes no Brasil, os e-books já começam a trazer resultados para as editoras. A primeira empresa de tecnologia para leitura digital a entrar no mercado brasileiro foi a Kobo, em parceria com a Livraria Cultura. Hoje, porém, livros digitais em português podem ser adquiridos na Amazon, Apple e Google. E as principais editoras do país já colocaram o pé no digital: a Companhia das Letras, por exemplo, tem um catálogo de mais de 600 e-books, incluindo literatura brasileira e estrangeira. Rocco, Objetiva, Record e Zahar também oferecem um catálogo grande e variado de publicações digitais.

Para entrar nesse mercado, em 2011, a Editora 34 fez uma experiência: lançou a Nova antologia do conto russo, na íntegra e em e-book, mas também em partes, ou seja, cada conto poderia ser comprado separadamente. “A recepção foi muito boa. O conto Depois do baile, de Tolstói, chegou a ficar na lista dos mais vendidos da Livraria Cultura”, conta Piquet. Entre os critérios da editora para a escolha dos títulos para publicação digital estão a relevância do título, a viabilidade do contrato e a adequação ao formato. Fazem parte das próximas ações digitais da 34 o lançamento de títulos de não-ficção e também de títulos esgotados no catálogo convencional.

Mais recentemente, em abril deste ano, a Cosac Naify lançou seus primeiros e-books. “Nossas edições procuram trabalhar com os melhores tradutores e oferecer aparatos de especialistas do tema, além de material extra para que o leitor possa ampliar seu conhecimento em relação ao texto principal. Parte desse material editorial se mantém nos e-books”, esclarece Florencia Ferraria.

O papel das feiras

Se por um lado o mercado está aquecido, por outro, ainda há um grande desafio: conquistar um público leitor maior. Além das escolas e universidades, cumprem parte desse papel as Feiras do Livro e eventos literários, como a Festa Literária de Paraty, no Rio de Janeiro; a Jornada Literária de Passo Fundo e a Feira do Livro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; a Bienal do Livro e a Balada Literária, ambas em São Paulo. São eventos que aproximam leitores e autores em palestras e sessões de autógrafos.

Não menos importantes são as feiras no exterior, que contribuem para a internacionalização dos autores brasileiros e também como cenário comercial para as editoras nacionais. “Para nós, mais do que uma oportunidade de realizar negócios, a participação em feiras importa como momento intenso de relacionamento com parceiros e de abertura de projetos para o futuro. O interesse pela literatura brasileira, em especial contemporânea, vem crescendo”, relata Florencia Ferraria.

As feiras também são importantes para os editores que buscam autores de outros países para tradução. A editora Cosac Naify, por exemplo, tem 32 obras traduzidas do alemão para o português, enquanto a Editora 34 já contabiliza 30 obras cujo original é alemão. “Em virtude da Temporada Alemanha – Brasil 2013/2014, temos mais cerca de seis títulos previstos para breve. O programa de apoio à tradução e as parcerias com o Instituto Goethe, de modo geral, são um grande incentivo para a realização de um projeto como esse”, afirma Piquet. Com a participação do Brasil como país convidado da Feira do Livro de Frankfurt em 2013, esse diálogo entre os mercados editoriais tende a crescer, ampliando o número de traduções e aquecendo o mercado de ambos os países.

Por Camila Gonzatto | Goethe Institut | Publicado originalmente em Brasil que Lê | 06/07/13

Vendas aumentam no primeiro Natal digital


Resultado do final do ano sugere que o livro eletrônico deixa de ter valor simbólico nas contas de livrarias e editoras

Foi um longo período de preparação e especulação até que as empresas de tecnologia Amazon, Kobo e Google entrassem no mercado de livros do País. Mais desconhecida dos brasileiros, a Kobo fez uma parceria com a Livraria Cultura e foi a primeira. Momentos depois da festa de lançamento, em 5 de dezembro, a loja do Google entrava no ar. E minutos depois disso, a Amazon completava o novo cenário digital. Esse lançamento tardio não atrapalhou o que se esperava ser o primeiro Natal digital do Brasil.

A venda dos e-books distribuídos pela DLD cresceu exatamente dez vezes de dezembro de 2011 a dezembro de 2012. O crescimento de novembro para dezembro foi de 110%, fruto da entrada em operação da Amazon e do Google ao longo de dezembro“, analisa Roberto Feith, diretor da Objetiva e presidente do conselho da DLD, distribuidora de livros digitais que reúne editoras como a própria Objetiva, Record e Novo Conceito, entre outras.

Para Feith, os e-books deixaram de ter um peso simbólico nas contas das editoras. Só a DLD vendeu 50 mil unidades em dezembro. Ele espera um crescimento contínuo em 2013, mas não na velocidade observada neste final de ano [1000%]. Os índices devem ficar entre 200% e 300%. Isso, claro, dependendo da compra de e-readers pelos brasileiros.

Na Companhia das Letras, as cifras também foram comemoradas. Fabio Uehara, coordenador de Negócios Digitais, não acredita exatamente em um Natal digital, mas diz que dezembro, sim, foi um mês digital. Nesse período, a editora vendeu 400% mais e-books do que tinha vendido em dezembro de 2011. O crescimento anual também foi de 400%, e se somarmos as vendas de novembro e dezembro de 2012, ultrapasse-se com folga o total de e-books comercializados em todo o ano de 2011. As vendas no dia 26 de dezembro foram 20% maiores do que a média do mês. Segundo Uehara, elas flutuam muito, e ainda não dá para dizer se esse aumento tem a ver com o fato de as pessoas terem ganhado e-readers e tablets neste Natal.

Mas a Saraiva vendeu mais tablets neste fim de ano. “É um mercado fabuloso no momento. Foi neste Natal que comprovamos a força dessa categoria“, diz Frederico Indiani, diretor comercial da maior rede de livrarias do País. A empresa não fala em números nem em porcentual de crescimento. Diz apenas que foi um aumento de dois dígitos na venda dos aparelhos. Smartphones também têm um papel fundamental. “Foi uma outra categoria que vimos ascender neste final de ano. Tem bastante gente lendo em celular e o aplicativo de leitura da Saraiva tem mais de 1,2 milhão de usuários ativos“, conta.

Já na área de e-books, o crescimento foi de “três robustos dígitos, com curvas ascendentes verticais“.

O Natal foi um espetáculo, sem comparação com o de 2011. Os números mostram que há um caminho interessante pela frente a percorrer. É um mercado em franca descoberta e teremos muitas alegrias ainda“, diz Indiani. Hoje, em volume de vendas, o digital representa a 13.ª loja da rede. Em dezembro de 2011, ocupava a 64.ª posição. Cresce no digital, mas sem esquecer as lojas físicas. Com 102 livrarias espalhadas pelo Brasil, inaugura, em março, uma em Londrina e outra em abril, em Niterói.

Na Livraria Cultura, o crescimento também foi expressivo. Vendeu 250% mais e-books em dezembro de 2012 do que no mesmo período do ano anterior. Se o e-reader Kobo tivesse chegado um pouco antes, talvez os índices fossem ainda melhores. A primeira leva do leitor digital já está acabando, e outras remessas chegam para manter a Cultura na disputa com a Amazon.

Entre as editoras, a Zahar é pioneira na venda de e-books no País. Mariana Zahar, diretora executiva da casa carioca, conta que comparando a média do ano, dezembro foi muito bom. Só na Saraiva, vendeu 80% mais. “Mas o resultado da Amazon foi bastante animador e surpreendeu positivamente. Vendeu superbem, já com números muito mais significativos. E vendemos muito todos os livros. Giramos o catálogo, o que era uma preocupação nossa“, diz. Para a editora, a Amazon já tinha uma base de leitores Kindle no Brasil, o que pode ter ajudado a impulsionar os números.

MARIA FERNANDA RODRIGUES | O Estado de S.Paulo | 09 de janeiro de 2013, às 2h08

Catálogo digital de editoras mais que dobrou em 2012


Empresas agora buscam lançar simultaneamente em papel e e-book; mercado oferece 15 mil títulos nacionais

Levantamento da Folha com 12 das maiores casas do país mostra reação à estreia de lojas virtuais estrangeiras

O ano que está acabando vai entrar para a história como aquele em que as grandes editoras brasileiras enfim descobriram o livro digital.

Foi um longo percurso desde 2009, quando a Zahar se tornou a pioneira entre as grandes no segmento -àquela altura só com títulos em PDF, formato simples que hoje as empresas rejeitam.

Com a iminência da estreia das lojas da Amazon, do Google e da Apple, concretizada neste mês, as editoras trataram de multiplicar seus catálogos digitais em 2012.

A Saraiva, que em dezembro de 2011 vendia 6.500 e-books nacionais, agora oferece 15 mil, média similar à de suas novas concorrentes.

A Folha consultou 12 das maiores editoras do país sobre a evolução de seus catálogos. Sete delas [Globo, Sextante, LeYa, Companhia das Letras, Intrínseca, Objetiva e Novo Conceito] mais que dobraram seu número de títulos digitais em 2012 -a Companhia triplicou, de 200 para 600.

A Zahar, que começou antes, é a editora com maior parcela de títulos convertida, 547 de um total de 849 [64%]. A LeYa vem em seguida, com 150 de seus 280 títulos [54%].

Será mais difícil para casas de catálogo rechonchudo como a Record, que, apesar do bom número bruto – 388 obras em e-books -, só converteu 5% dos 7.500 que compõem seu portfólio.

Outra novidade foi que em 2012 as editoras passaram a lançar títulos nos dois formatos sempre que o contrato permite, em vez de reservar o digital para casos isolados.

O faturamento com o digital não costuma passar de 2% do total, mas há exceções. Com só um quarto de seu catálogo convertido [293 de 1.200 títulos], a Objetiva diz que os e-books já rendem 4% de seu faturamento total.

Esse número foi impulsionado por obras como “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Em dez semanas, foram 1.435 e-books -número que não faria feio nem se se referisse a livros impressos.

No mesmo período, o título teve 13.958 cópias vendidas na versão em papel. Ou seja, a comercialização do e-book equivaleu a mais de 10% da impressa, um caso raro.

O desafio agora é lidar com preços. Na estreia da Amazon no Brasil, predominaram entre os mais vendidos editoras independentes, com e-books a menos de R$ 5 – a KBR pôs todos a R$ 1,99. A maioria dos e-books das grandes editoras custa de R$ 20 a R$ 30.

Editoria de Arte Folhapress

RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | QUARTA-FEIRA, 26 DE DEZEMBRO DE 2012, às 09H08

Apfelstrudel de IOF


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

A Apple está vendendo livros digitais para leitores brasileiros desde o último domingo, como o site Revolução eBook noticiou em primeira mão. Pode-se concluir que foi aberta então a iBookstore brasileira? Na verdade não, pois os livros estão sendo vendidos diretamente dos Estados Unidos e em dólar. Ou seja, a Apple aplicou um jeitinho brasileiro para contornar as dificuldades fiscais e legais para comercializar e-books no Brasil, entre elas a legalidade ou não do modelo agência e a manutenção da isenção de impostos sobre o livro dentro do modelo digital de negõcio. O resultado, no entanto, não é uma iBookstore brasileira, mas uma janela de acesso aos livros brasileiros na iBookstore americana. Ao entrar na loja com livros em português da Apple, a sensação é semelhante àquela que se tem ao se entrar uma loja física de venda de produtos Apple no Brasil, uma daquelas “Apple Resellers”. Pode até lembrar uma Apple Store, mas está longe de ser uma. E assim como continuamos sem uma Apple Store de verdade no Brasil, provavelmente seguiremos sem uma iBookstore de verdade por aqui por algum tempo.

A Apple disponibilizou 3158 títulos em português para seus clientes brasileiros que acessam a loja pelo iTunes ou pelos aplicativos para iPhone e iPad. Este era o número na manhã de 23/10. Entre estes títulos, estão livros distribuídos pela Distribuidora de Livros Digitais, a DLD, o poderoso consórcio que reúne Objetiva, Record, Rocco, Sextante, L&PM, Planeta e Novo Conceito, que possui um catálogo de best-sellers estimado em 1500 títulos. Há também livros fornecidos pela distribuidora Xeriph, mas, ao contrário do que ocorre com a DLD, apenas algumas das editoras distribuídas pela agregadora carioca estão à venda na Apple, entre elas a Todolivro e a Boitempo. Intrínseca e Companhia das Letras, que estão comercializando seus livros digitais diretamente com a Apple, também marcam presença na loja da maçã. Em termos de tamanho de catálogo, merecem destaque a própria Companhia das Letras, com 494 títulos, e a L&PM, que possui 435 títulos via DLD. O grupo Record aparece com cerca de 330 títulos, também por meio da DLD. As maiores ausências são a Saraiva, dona do maior catálogo digital do país, a Globo Livros e seu mega-seller  Ágape, e a Zahar, que sempre esteve na vanguarda dos experimentos digitais.

Como todo este catálogo está a partir de agora disponível na loja americana, isto deve deixar os brasileiros da diáspora bastante felizes. E, como mencionado, estes livros digitais podem ser comprados no Brasil, em dólar, graças a uma janela de integração da iTunes Store brasileira com a americana. Os preços em dólares, aliás, são os mesmos nos EUA e no Brasil, mesmo porque, na prática, a compra se realiza na loja de lá. E embora isto represente um avanço, pois até domingo era impossível para brasileiros adquirirem qualquer livro na Apple, esta solução traz uma série de problemas que podem se revelar empecilhos ou incômodos relevantes para o leitor brasileiro.

O principal incômodo é, sem dúvida, a cobrança de IOF. Como a compra será feita no exterior e em dólares, incide a cobrança deste imposto cuja alíquota atual é 6,38%. Obviamente, não está escrito em nenhum lugar na loja da Apple que haverá esta cobrança, mas os consumidores vão descobrir isto assim que as faturas mensais começarem a chegar. Em um país onde o livro é absolutamente isento de impostos, a Apple conseguiu a proeza de vender livros do Brasil para leitores brasileiros com imposto.

Outro problema é que a compra só pode ser feita com um cartão de crédito internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs, apenas 15% da população brasileira possui cartão de crédito internacional [veja p. 40 desta pesquisa]. Outro dado interessante é a diferença de gastos de brasileiros no exterior e no Brasil com cartões de crédito. Segundo a própria Abecs, no segundo trimestre de 2012, os brasileiros gastaram R$ 111 bilhões no Brasil contra apenas R$ 6 bilhões no exterior. É claro que a probabilidade de um usuário de iPhone ou iPad possuir um cartão internacional é muito maior e, portanto, muito mais do que 15% destas pessoas terão condições de adquirir os livros. Mas, ainda assim, esta é uma limitação que poderia ser evitada, assim como a cobrança do IOF.

Uma terceira questão é que a conversão para reais de uma compra em dólares só ocorre no fechamento da fatura e, por mais que o câmbio tenha ficado estável recentemente, a verdade é que o consumidor só saberá o preço final do livro quando pagar a conta.

Obviamente, se os preços da Apple forem mais baixos que os da a concorrência, estes problemas poderiam ser compensados e até o IOF se tornaria irrelevante. Infelizmente, uma rápida comparação mostra que os preços da maçã são muitas vezes superiores aos da concorrência. Por exemplo, a própria biografia do Steve Jobs está à venda por US$ 16,99. Convertendo-se este valor com o câmbio de hoje e aplicando-se os 6,38% de IOF, chegamos a R$ 36,60, enquanto o mesmo e-book custa R$ 32,50 na Saraiva. O best-seller Cinquenta tons de cinza sai na loja da Apple por US$ 12,99, ou R$ 27,98 após conversão e imposto, e custa apenas R$ 24,90 na Saraiva.

Embora o início das vendas de livros brasileiros pela Apple seja de fato um avanço, especialmente para o público internacional, aqui no Brasil a novidade não muda muito a vida do leitor nacional, que provavelmente continuará preferindo a Saraiva para comprar seus livros digitais. Afinal, na Saraiva há um catálogo de cerca de 11 mil títulos, não se paga IOF, não é necessário cartão de crédito internacional e o preço final é inferior. E como a empresa brasileira possui aplicativos de leitura para iPhone e iPad, a experiência de leitura é praticamente a mesma. Outra opção é comprar da Livraria Cultura e transferir o arquivo para um aplicativo de leitura da Bluefire ou da Kobo. Ah! E por falar nisso, em breve a Kobo lança junto com a Cultura sua loja, leitores e aplicativos de leitura aqui no Brasil, com vendas em reais.

No último fim de semana, enquanto a Apple começava a comercializar seus livros digitais em português, acontecia o evento FIM no Rio de Janeiro, com vários painéis que discutiram os livros digitais e as rupturas tecnoloigcas na indústria do livro. Em certo momento das conversas, o curador Julio Silveira declarou: “A Kobo é uma livraria, a Amazon é um tico-tico no fubá, e a Apple vende livro com raiva porque quer vender coisas que piscam.” Por enquanto, parece mesmo que a Apple está mais interessadas nas coisas que piscam. Se ela quiser ser um player relevante no mercado editorial brasileiro, terá de abrir uma iBookstore brasileira de verdade e completa. Até lá continuamos esperando. Assim como temos esperado por anos a abertura de uma Apple Store em uma grande metrópole brasileira.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

Um livro escrito por e-mail


Flávia Lins e Silva lança o infantojuvenil Nas folhas do chá [Zahar], escrito com a chinesa Liu Hong. É o primeiro título da coleção Quatro mãos, idealizada pela autora para levar outras culturas aos jovens, segundo a coluna No Prelo. Sem se conhecerem pessoalmente, Flávia e Liu escreveram o livro por e-mail, e a história é contada como uma troca de mensagens entre duas meninas de 13 anos, do Rio e de Pequim. O próximo título ligará Brasil e África.

Por Mànya Millen, Guilherme Freitas e Suzana Velasco | O Globo | 11/02/2012

Editoras apostam em lançamentos simultâneos


Mais empresas lançam versão física e digital de livros ao mesmo tempo, para aproveitar o buzz da novidade e alavancar a venda de e-books

Se antes as editoras concentravam seus esforços de lançamento na edição de papel e deixavam o e-book para depois, agora já se pode dizer que elas dão atenção especial ao lançamento simultâneo das versões impressa e digital.

LeYa e Intrínseca, que anunciaram recentemente a entrada no mercado de e-books, começam a fazer os primeiros lançamentos simultâneos no início de 2012. Já a Companhia das Letras conseguiu vendas expressivas dos e-books de Steve Jobs e de As esganadas ao lançá-los junto com a versão física das obras. Editoras como Zahar e L&PM também vem experimentando a estratégia.

A iniciativa é muito bem recebida por varejistas que comercializam conteúdo digital e está embasada principalmente no raciocínio de que a venda dos e-books é impulsionada pelo buzz gerado pelo lançamento da versão impressa – por exemplo o destaque nas livrarias, as resenhas na imprensa, os eventos de lançamento etc. Como essas vendas ainda são pequenas, não há canibalização do mercado de livros físicos.

É no lançamento do título que conseguimos a maior visibilidade, então a ideia é aproveitar essa onda e ganhar exposição, tanto no ponto de venda quanto nos e-commerces”, afirma Pascoal Soto, diretor editorial da LeYa. “O lançamento simultâneo é uma tendência mundial e nós vamos começar a fazer em breve.” A editora anunciou em novembro o lançamento dos primeiros 40 e-books e acordo para vendê-los na Livraria Cultura. O plano é iniciar 2012 com 80% do catálogo digitalizado e mais parcerias comerciais.

A Intrínseca, que na semana passada começou a vender seus primeiros 20 e-books, faz em janeiro dois lançamentos simultâneos: A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, e Silêncio Para Jorge Oakim, editor da Intrínseca, essa é uma forma de dar mais opções aos leitores. “O nosso objetivo é facilitar a vida do leitor permitindo que ele escolha entre e-book e papel já no lançamento do livro”, afirma. , continuação da série Hush, Hush de Becca Fitzpatrick.

Para José Henrique Guimarães, presidente da distribuidora Acaiaca, que dá os primeiros passos no mercado digital, o lançamento conjunto das versões impressa e eletrônica é “um tremendo incentivo para o mercado de e-books”. Segundo ele, 25% das vendas em livraria são de títulos novos. “Oferecer as novidades em e-book dá um impulso muito grande a esse negócio”, afirma.

Duda Ernanny, presidente da Gato Sabido, plataforma de venda de livros eletrônicos e games, concorda. Na opinião do executivo, e-books de obras como Cleopatra [Zahar] e Steve Jobs foram muito beneficiados pelos lançamentos simultâneos.

No caso de Steve Jobs, o sucesso da versão eletrônica é incontestável. Com 4.834 cópias vendidas nesse formado, ele é o e-book best-seller no Brasil até agora. As esganadas, de Jô Soares, que também teve o e-book lançado junto com as cópias em papel, registra venda de 1.726. Os dois são editados pela Companhia das Letras e encabeçam a lista de mais vendidos do PublishNews há oito semanas.

Matinas Suzuki, diretor executivo da editora, afirma que o leitor de e-books quer ser o primeiro a ler e, por isso, a publicação simultânea tende a impulsionar as vendas eletrônicas. “As vendas de e-books são muito fortes das primeiras 72 horas do lançamento”, conta. É essa avidez do leitor que também favorece estratégias de pré-venda dos títulos.

Segundo Ernanny, da Gato Sabido, as pré-vendas de e-books muito aguardados costumam gerar vendas bem mais altas do que a média de transações. “O Jobs e o Jô nos ensinaram que há imensa oportunidade nesse tipo de estratégia”, afirma Suzuki.

Mariana Zahar, editora da Zahar, também aposta nos lançamentos simultâneos, algo que a empresa já faz há algum tempo e que não pretende parar. “Já temos cerca de 600 e-books, um dos maiores catálogos do país”, diz. “Mas, mesmo com lançamento simultâneo, as vendas ainda representam muito pouco, menos de 0,5%”. Ela destaca os livros Andar de bêbado e Cleópatra entre os e-books que registraram boas vendas. Estima-se que os livros eletrônicos gerem entre 0,3% e 1% da receita total de vendas de livros no Brasil.

Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM, conta que a editora realiza lançamentos simultâneos com frequência – fez isso, por exemplo, com Feliz por nada, best-seller de Martha Medeiros. Mas o sucesso da versão impressa, nesse caso, não ajudou muito. “E-book ainda não tem nenhum valor comercial, não passa de 0,5%. Quem fala que é mais tá mentindo”, provoca. “Nós temos 600 e-books e já investimentos uma fortuna! Só que até agora só perdemos dinheiro.” Apesar de tudo, Machado afirma que vai continuar lançando e-books, à espera do momento em que esse mercado decole.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 22/12/2011

Custo dos eBooks desafia editoras


Apesar de ganharem relevância na discussão sobre a migração dos livros em papel para os meios digitais, os livros eletrônicos, ou e-books, ainda desafiam as editoras nos custos de tecnologia.

Segundo empresas ouvidas pela Folha, os gastos para converter os textos impressos para a versão digital e para revisar todas as edições ainda são uma equação não solucionada pelas editoras.

Para se converter mil títulos para a versão digital, por exemplo, são gastos de R$ 300.000 a R$ 500.000 adicionais, valores que incluem o trabalho e as revisões“, afirma Sérgio Machado, presidente da editora Record.

Na avaliação de Machado, hoje o e-book está relacionado principalmente à comodidade de compra de um livro digital, e não necessariamente à experiência de leitura. No entanto, não podem ficar para trás da demanda.

Por enquanto ainda não há uma mina de ouro. Até agora só existem investimentos, mas não podemos ignorar esse setor“, resume.

Ao lado da Record e integrante da DLD [Distribuidora de Livros Digitais, que entregam o conteúdo adaptado para livrarias], a editora Objetiva afirma que as empresas estão adaptando seus modelos de negócio para a era digital.

Os livros digitais ainda estão se preparando para decolar no fim de 2011 e início de 2012“, diz Roberto Feith, diretor geral da Objetiva e presidente do conselho da DLD.

No entanto, está mais fácil contratar os direitos autorais dos autores para publicações digitais porque não há mais tanta insegurança jurídica quanto há cerca de três anos sobre o modelo de remuneração.

Em média, segundo Feith, enquanto a participação dos autores nos livros impressos era de 20%, nas publicações digitais chegam a 25%.

Na avaliação de Mariana Zahar, diretora executiva da Zahar, uma das primeiras editoras do Brasil a entrar no negócio on-line, embora o mercado precise amadurecer, ainda há possibilidade de explorar novos conteúdos dos livros digitais com a era dos tablets.

A possibilidade de exploração de elementos audiovisuais está muito maior“, afirma.

LOJAS EM PREPARAÇÃO

As livrarias também se preparam para o triunfo dos livros eletrônicos, embora ainda apontem restrições para que a categoria deslanche no país.

Hoje são três principais entraves: criação de software compatível da loja digital com os aparelhos a venda, acervo em português e preço dos leitores eletrônicos. Quando as três questões estiverem resolvidas, o mercado deverá deslanchar“, diz Marcílio Pousada, presidente da Livraria Saraiva.

Há quase um ano com uma loja virtual de títulos que podem ser livros no computador, nos tablets ou nos leitores digitais –como o Alfa, da Positivo -, a Saraiva tem hoje 220 mil títulos em inglês e 3.600 em português.

O faturamento da loja on-line é o 80º entre as 99 operações da empresa do país, segundo Pousada.

Já a Livraria Cultura aposta na forma de convergência da tecnologia com os livros. A empresa está lançando os “livros como aplicativos” em que os usuários podem baixar os títulos digitais acompanhados com audiolivros para iPhone e iPad.

AMAZON NO BRASIL

Caso a chegada da Amazon ao Brasil se confirme para os próximos meses, ela deverá ajudar a impulsionar os números de vendas de livros on-line no país.

Segundo a Folha apurou, a gigante americana do varejo prepara sua estréia com operações exclusivamente on-line, com a venda do leitor Kindle.

Segundo a consultoria ebit, no ano passado a categoria representou 12% de todos os pedidos on-line no país. O comércio eletrônico movimentou R$ 15 bilhões e a categoria “livros e assinaturas de revistas” foi a segunda mais influente nas vendas.

A expectativa para este ano é que o segmento atinja R$ 20 bilhões.

POR CAMILA FUSCO | Folha.com | 24/05/2011 – 06h30

Enquanto tablets se expandem no Brasil, livro digital ainda engatinha


SÃO PAULO. Enquanto a base de proprietários de tablets, como o iPad, cresce em ritmo acelerado no Brasil, a oferta de livros digitais engatinha, devido a obstáculos que vão da renegociação de direitos autorais à preocupação com pirataria. Paulo Rocco, dono da editora Rocco, conta que alguns agentes cedem os direitos autorais para o livro digital por apenas dois anos, a título de experiência.

A editora começou a vender e-books há um mês. São 50 títulos, tirados dos contratos mais novos, que preveem a cessão de direitos para livros digitais.

Apesar das dificuldades, as editoras querem dar este ano um salto no número de e-books. A LP&M, hoje com 200 títulos, pretende chegar a 450. A Zahar quer passar de 300 para 450, e a Sextante, de 50 para 100.
– Se você procura um livro digital que não existe, a chance é maior que ele seja pirateado – diz Marcos Pereira, editor e sócio da Sextante.

Download é pouco se comparado à venda impressa

O consumo ainda é modesto. O best-seller “A cabana”, da Sextante, atingiu em seis meses mil downloads, contra 200 mil cópias em papel vendidas no período. Já “Comer, rezar e amar”, da Objetiva, teve 75 downloads em abril, contra 10 mil impressos vendidos.

Na Zahar, que produz livros digitais há dois anos, o faturamento destes é de apenas 0,1% do total. A editora, forte em livros acadêmicos, vende títulos por 30% menos que nas livrarias e oferece capítulos separadamente, por até R$ 1,90.

De olho na demanda futura, LP&M, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante criaram em 2010 a Distribuidora de Livros Digitais [DLD]. Ela entrou efetivamente em operação há um mês, com catálogo de 400 obras, vendidas por Saraiva e Livraria Cultura e preço 30% menor que a versão em papel. Roberto Feith, diretor-presidente da Objetiva e presidente do Conselho da DLD, aposta na forte expansão quando os e-readers forem acessíveis à classe média.

Na Ediouro, a ênfase ainda é nas classes A e B. Ela tem hoje 200 livros digitais. Já a Record vem apostando em títulos para o público jovem.

Por Paulo Justus | Publicado por Globo.com | Digital & Mídia | 11/05/2011 às 00h50m | Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Os e-books têm futuro no Brasil?


SÃO PAULO – Os livros digitais começam a sair do papel no Brasil. iniciando uma transformação nos hábitos de leitura do brasileiro.

Todas as previsões indicam que eles vão se espalhar rapidamente nos próximos anos. Mas isso não significa que você já possa começar a esvaziar a estante. Não são poucos os obstáculos que os e-books ainda enfrentam para se popularizar por aqui. Há dificuldades no processo de digitalização, resistência das editoras e pequena variedade de leitores eletrônicos, que custam caro. Enquanto lá fora os e-readers se multiplicam, por aqui só chegaram dois modelos: o Cool-er, vendido pela livraria virtual Gato Sabido, e o Kindle, da Amazon. A quantidade de obras em português cresce sempre, mas ainda é pequena. Poucos best-sellers e livros de autores consagrados estão disponíveis.

Apesar do cenário desfavorável, as empresas do setor já investem nesse novo mundo. Aos poucos, o número de livrarias que vendem conteúdo digital aumenta. A primeira a surgir foi a Gato Sabido, inaugurada no fim do ano passado. Depois, foi a vez da Livraria Cultura. Já a Saraiva planejava abrir sua loja de e-books na web até o fim de maio. Outra que tem planos de entrar na disputa é a Fnac, que pretendia iniciar a venda de e-readers neste mês. Esse movimento quase repentino tem uma razão.

Estudos indicam que o mercado de livros digitais vai crescer nos próximos anos, inclusive no Brasil.Um levantamento divulgado em abril pela empresa americana InStat aponta que serão vendidos neste ano 10 milhões de e-readers no planeta, contra 3,9 milhões no ano passado — um crescimento de 156%. A empresa prevê que, em 2013, a quantidade de equipamentos comercializados chegue a 28,5 milhões. “Esses aparelhos estão ganhando mais funções e os preços começaram a cair”, diz Stephanie Ethier, analista-sênior da InStat.

A expansão ocorre em escala global. Em 2009, 83% dos leitores digitais foram vendidos nos Estados Unidos, e apenas 17% em outros países. Em 2013, a parcela correspondente ao resto do planeta deve atingir 45%. Já a venda de tablets como o iPad, da Apple, crescerá de 2,7 milhões de unidades em 2010 para 16 milhões em 2013, prevê a InStat.

Outra análise, feita pela Forrester Research no fim de 2009, chegou a números que também indicam crescimento acelerado. As vendas de e-readers projetadas para o fim do ano nos Estados Unidos devem alcançar 6 milhões de unidades, contra 3 milhões em 2009. A empresa acredita que a chegada de uma nova geração de equipamentos, com telas coloridas e sensíveis ao toque, deve impulsionar o setor. A Forrester também destaca que o lançamento do iPad e de outros tablets aumentará o interesse por e-books.

Hora de experimentar

Entre as editoras brasileiras, a ordem é experimentar. Todas estão de olho no potencial desse mercado, mas preferem agir com cautela. A receita adotada é escolher alguns títulos, convertê-los para o formato digital e acompanhar a reação do consumidor. Um dos principais receios está na possibilidade de a obra ser baixada ilegalmente. “Na Espanha, há uma lei que obriga as editoras a digitalizar as obras. Por causa dela, a pirataria aumentou muito”, afirma Sérgio Herz, diretor de operações da Livraria Cultura. Segundo ele, também sobram dúvidas quanto aos contratos com os autores, o modelo de negócios e o preço. “Hoje, os e-books representam de 1% a 2% do mercado brasileiro”, diz.

Pode parecer pouco, mas os dados da pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, feita em 2007 pelo Observatório do Livro e da Leitura, mostram que 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento indicou também que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. É bem possível que uma parte desse público, acostumado com o formato, passe a consumir e-books e e-readers. A adesão vai depender do preço cobrado pelos aparelhos e pelas obras. Atualmente, dá para encontrar edições por um valor médio de 25 reais e leitores na faixa entre 750 e 1 000 reais.

A aposta em formatos alternativos também pode ser uma solução. “No futuro, será possível comprar capítulos e ler livros multimídia”, afirma Marcílio D’Amico Pousada, presidente da Livraria Saraiva. Por enquanto, contudo, a empresa preferiu investir no modelo mais tradicional. A loja da Saraiva vai vender títulos nos formatos EPUB e PDF, que poderão ser lidos na tela do computador, por meio de um software. Outra opção será usar um aplicativo para iPhone e iPad, que ainda está sendo desenvolvido.

O leitor quer mais títulos

Enquanto algumas editoras brasileiras lançam um punhado de livros digitais e esperam o resultado, outras não perdem tempo. Uma das que mais têm apostado em e-books é a Zahar, que já converteu cerca de 400 obras do seu catálogo. “Tomamos essa decisão porque temos certeza de que as pessoas vão consumir livros em formatos digitais. Nossa meta era entrar nesse mundo o quanto antes”, explica Mariana Zahar, diretora-executiva da empresa.

Ao mergulhar nessa experiência, ela descobriu as limitações do formato EPUB, que está se consolidando como o padrão mundial de arquivo para e-books. “Esse formato é ultrapassado. E o processo de publicação é muito mais lento e árduo do que imaginávamos.”Converter um livro não significa que a editora vá pegar o arquivo de uma obra, clicar em “Salvar como EPUB” e esquecer o assunto. É preciso formatar o texto novamente. Os problemas são maiores quando existem imagens, gráficos e tabelas. Criar uma obra interativa, então, é missão quase impossível. Apesar das dificuldades, as editoras brasileiras e as lojas virtuais têm seguido a tendência mundial de adotar o EPUB. O formato permite incorporar proteção de direitos autorais [DRM], criar arquivos compactos e pode ser lido com o software Adobe Digital Editions, compatível com múltiplos e-readers.

Para os leitores, o pequeno volume de obras em português parece ser o principal impedimento à popularização dos e-books. Faltam principalmente títulos de ficção nas lojas virtuais. “Todo mundo construiu uma estrada em que não estão passando carros. Os clientes, muitas vezes, passam de cinco a dez minutos procurando um livro e se frustram por não achá-lo”, diz Carlos Eduardo Ernnany, presidente da Gato Sabido.

Cadê o iPad?

Colorido, com ampla tela sensível ao toque e bateria de fôlego, o tablet da Apple pode mudar radicalmente a indústria de e-books. “Existe um otimismo em relação ao iPad. Ele é visto como um dispositivo capaz de virar o jogo”, diz Fabiana Zanni, diretora de mídia digital da Editora Abril. As possibilidades oferecidas pelo aparelho vão muito além do que pode ser feito com o EPUB nos atuais e-readers. Revistas e jornais já conseguem, por exemplo, ter edições recheadas de conteúdo multimídia. O dispositivo, porém, ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Também não se sabe se a loja online da Apple [que agora vende também livros] estará disponível aqui. São sinais de que a epopeia dos e-books tem futuro, mas está só começando.

Maurício Moraes | InfoAbril | 23/07/2010