A questão dos reviews


Fato: leitores gostam de falar sobre o que leem. Em rodas de amigos, reuniões de família, na fila do banco. Gostamos de emitir juízos de valor, dizer que amamos ou odiamos o último livro do Autor X e por que ele é muito melhor ou pior que o do Autor Y. Esse impulso naturalmente foi abarcado pela internet, que fornece ferramentas para que leitores possam expressar suas opiniões acerca dos livros que consomem.

Blogs literários, redes sociais como Goodreads e Skoob, canais de booktubers no Youtube, as páginas dos livros em sites de livrarias, posts no Facebook e tweets: essas são apenas algumas das maneiras do leitor se manifestar a respeito do que lê. E é bastante razoável pensar que o constante diálogo sobre livros propiciado por essas plataformas pode trazer benefícios ao mercado editorial. As constantes parcerias estabelecidas entre editoras e blogs e vlogs literários indicam que o que os leitores têm a dizer sobre seus livros ajuda a promovê-los.

Varejistas de e-books também disponibilizam espaço para que os leitores expressem opiniões sobre os títulos que leram. São as avaliações [ou reviews], geralmente encontradas na parte inferior da página de venda de cada e-book e acompanhadas por uma pontuação mais genérica, em que o leitor atribui uma certa quantidade de estrelas [1-5] ao título. É assim com os quatro grandes players mundiais na venda de livros digitais: Amazon [única das quatro que também vende livros físicos e, fora do Brasil, diversos outros produtos, cabe lembrar], Apple, Google e Kobo.

Mas é a Amazon que certamente se destaca nesse quesito. E como quase tudo no comportamento da gigante de Seattle, sua política de envio de avaliações não é ponto pacífico entre seus clientes.

Mas comecemos pelo que é absolutamente inegável: das grandes lojas, a Amazon é a que mais demonstra preocupação e cuidado com os reviews escritos por clientes. Uma olhada na política de envio de avaliações [que não serve apenas para livros] deixa isso claro. Para começar, a loja dá dicas de como construir uma “ótima avaliação”, que incluem apresentar os motivos — é desejável que o leitor diga por que gostou/detestou aquele produto, e não apenas que uma coisa ou a outra –, ser específico no que apreciou ou não apreciou — um caminho para a relevância, segundo a Amazon –, ser objetivo — textos nem muito curtos nem muito longos — e ser honesto — afinal, sua opinião pode influenciar a compra de outro cliente.

Há também uma preocupação em comunicar claramente o que não é permitido num review enviado à Amazon. Reclamações sobre o serviço de entrega ou sobre a disponibilidade do produto [e outras semelhantes, naturalmente, embora não se listem outras] não são aceitas; o caminho nesses casos é entrar em contato com a loja, que é conhecida pelo ótimo atendimento. Conteúdo inapropriado — palavrões, ofensas, informações sobre terceiros etc. –, discurso de ódio e incentivo à conduta ilegal também não são permitidos.

O ponto seguinte da política de avaliações é o mais interessante. Nele, a loja declara que avaliações promocionais e pagas não serão aceitas. As do primeiro tipo incluem avaliações escritas pelo próprio fornecedor a seu produto, o que inclui o autor e seus próprios livros; reviews escritos por amigos e parentes do fornecedor também não são permitidos. Já as avaliações pagas são aquilo que o termo indica: textos elogiosos escritos em troca de algum tipo de benefício, seja financeiro ou de qualquer outra ordem. No caso de um produto fornecido gratuitamente a um cliente — como um livro cedido a um blogueiro, por exemplo –, a loja orienta que essa informação seja explicitada na avaliação, para que esta seja transparente.

Tanto as dicas quanto as especificações do que não é aceito são apresentadas com detalhes e objetividade. Fica evidente que a Amazon se importa com a experiência de seu cliente até mesmo após a compra, no momento do compartilhamento dos produtos adquiridos. Chega a dar dicas a ele de como avaliá-lo melhor, e discrimina todas as razões pelas quais sua avaliação pode ser negada. É apenas mais uma das formas da empresa marcar seu posicionamento no mercado, que inclui o foco constante na experiência do cliente — e algumas outras coisas das quais falamos, por exemplo, no texto sobre o concurso literário Brasil em prosa. Apenas a título de comparação, a política de avaliações da Kobo é muito menor e inclui apenas dicas de como escrever um bom review, mas não com o mesmo nível de detalhamento. Isso não quer dizer que a Kobo dá pouca importância às avaliações, apenas que a Amazon demonstra o seu próprio interesse nessa parte da experiência do cliente de modo mais explícito.

Nos últimos meses, porém, algumas notícias e análises em tom crítico sobre o assunto têm pipocado, sobretudo em sites especializados em e-books. Em sua grande maioria, elas se devem a um recente enrijecimento da varejista em seus critérios para identificar reviews “tendenciosos”. Agora, conhecer ou manter uma relação com um autor pode significar que sua avaliação não será aceita:

“Se […] notarmos que você tem uma relação próxima com o escritor ou o artista, nós provavelmente iremos remover sua avaliação.”

O problema é que o conceito de “ter uma relação próxima com o escritor ou artista”, em alguns casos, tem resultado no apagamento de avaliações de leitores cuja única relação com o autor se dá online. É o que escreveu em julho a autora independente Imy Santiago, ao ter reviews rejeitados pela Amazon sob a alegação de conhecer os autores [“A atividade da sua conta indica que você conhece o autor”]. Santiago afirma que a alegação é falsa, e que sua relação com os autores em questão se dava sobretudo via redes sociais, embora o fato de também ser autora independente indique que poderiam circular nos mesmos meios.

O caso não indica necessariamente que qualquer tipo de interação online com autores resultará na recusa de uma avaliação [Chris Meadows, em artigo no TeleRead, especula quais poderiam ser os critérios utilizados pela Amazon], mas ainda assim a situação gera perguntas. O simples fato de conhecer pessoalmente um autor automaticamente inviabiliza seu julgamento crítico sobre um livro? Conhecer um autor pessoalmente é de fato suficiente para determinar que uma opinião dessa natureza é tendenciosa?

Outra questão levantada é que autores independentes precisam de reviews para vender seus trabalhos, bem como de uma forte presença online, o que inclui interagir com fãs nas redes sociais. Mas e se isso for o que gerará a suspeita por parte da Amazon? Além disso, é comum que autores leiam as obras uns dos outros e se avaliem. Esse tipo de relação será também considerada tendenciosa?

A resposta para todas essas perguntas é “não sabemos”, pois a Amazon não revela seus métodos nem como seus algoritmos trabalham.

Mas o que podemos de fato perceber dessa situação, apesar das críticas que se possa levantar, é que a Amazon segue procurando cultivar seu valor como a cuidadora do bem-estar do leitor — a partir de seus próprios critérios, é claro. Tudo é feito em nome do leitor, até mesmo apagar reviews tidos como tendenciosos, pois isso pode enganar o cliente. É novamente a questão do posicionamento. É assim que a Amazon parece querer ser vista, como uma grande mente que pensa em cada pequena fração da experiência do freguês.

Pode-se argumentar que a loja ainda falha em sua política, por não demonstrar, ao menos ainda, uma atitude a respeito de campanhas como a movida contra a autora Scarlett Lewis, ou fazer vista grossa para reviews mal escritos ou pouco claros. Mas o ponto é que suas atitudes atuais, tal como hoje se configuram, são mais um meio pelo qual a loja enfatiza e reforça o que se propõe a ser: uma empresa que sabe o que é melhor para você. Mesmo que seus termos não agradem a todos. Mesmo que não agradem completamente a você.

Publicado originalmente em COLOFÃO | 16 de dezembro de 2015

Josué de Oliveira tem 25 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Anúncios

Livro, no YouTube, fala sobre preservação da natureza


Um livro que fala sobre a preservação da natureza, separação do lixo. E tem até uma música. Mas a vedete é uma panela de barro e uma fita em tecido que se transforma em uma linda boneca, a Cecília, a protagonista da história. Isso pode ser conferido na história A Panela Encantada, de Sonia Rosseto, pelo vídeo publicado no YouTube.

Blog do Galeno | Edição 416 | 18 a 24 de setembro de 2015

Fama digital, sucesso real: do YouTube ao papel


Com milhões de seguidores na internet, Christian Figueiredo e Kéfera Buchmann lançam livros na feira literária e causam histeria por onde passam

Christian Figueiredo posa com fãs na fila do Espaço Maracanã; novo livro do jovem escritor já vendeu mais de 70 mil exemplares, segundo a editora - Fernando Lemos

Christian Figueiredo posa com fãs na fila do Espaço Maracanã; novo livro do jovem escritor já vendeu mais de 70 mil exemplares, segundo a editora – Fernando Lemos

RIO – “Você é de verdade!”, exclamou uma fã ao abraçar Christian Figueiredo durante o lançamento de “Eu fico loko 2: as histórias que tive medo de contar” [Novas Páginas] na Bienal do Livro. Mais de mil leitores — a maioria deles crianças e adolescentes — fazia fila desde às 11h da última sexta-feira para abraçar o rapaz de 21 anos. O visual do autor, que ostentava um penteado moderno e vestia uma camiseta de tema floral, o fazia lembrar um integrante de uma boy band de sucesso. O barulho da audiência, que, embalada pelos hormônios, se alternava entre gritos agudos e choro copioso, só confirmava a impressão de se estar diante de um fenômeno do star system musical. Figueiredo ficou até às 18h assinando livros no Espaço Maracanã, criado pela Bienal para dar vazão à demanda de público dos autores de best-sellers.

As sete horas não foram suficientes para ele. Sua popularidade fez com que ganhasse duas datas para encontrar o público. O autor volta ao Riocentro hoje, também a partir das 11h, para uma nova sessão de autógrafos. A carreira de Christian, no entanto, não está exatamente ligada ao fazer literário.

Os textos que fizeram dele uma espécie de Justin Bieber do mercado editorial foram postados primeiro em forma de vídeos em uma conta do YouTube. O “Eu fico loko” conta com mais de 3,2 milhões de inscritos.

— Transcrevi o roteiro dos vídeos para fazer o primeiro livro. O segundo é uma espécie de “proibidão”, com histórias que preferi não contar antes.

Transformadas em livro, que ganhou o mesmo nome do canal, as primeiras histórias de Christian venderam mais de 100 mil exemplares. Lançado às vésperas da Bienal, o segundo volume já chegou a 70 mil. Ele não é o único caso de youtuber que migrou da plataforma de vídeos para o papel. A Paralela, selo do grupo Companhia das Letras, lança amanhã na Bienal, às 14, a autobiografia “Muito mais do que 5inco minutos”, de Kéfera Buchmann, de 22 anos. O livro tem tiragem de 125 mil exemplares e, nas primeiras 48 horas de pré-venda, 16 mil cópias foram encomendadas.

Conforme Ancelmo Gois revelou em sua coluna de sábado, Kéfera tem o livro mais vendido da Bienal até agora. Assim como Christian, ela é uma comunicadora de sucesso e tem mais de 5 milhões de seguidores só no YouTube.

O aparato que os cerca é tão grande quanto o frenesi em torno deles. Só a empresa que gerencia a carreira de Christian, por exemplo, tem 12 funcionários. O tamanho é justificado pelo número de compromissos profissionais assumidos pelos escritores novatos. Com agenda cheia, eles têm rotina intensa. Nos dias que antecederam a Bienal, O GLOBO tentou entrevistar Kéfera em cinco oportunidades. A equipe da paranaense desmarcou todas as vezes.

Com a linguagem informal típica da internet, eles publicam regularmente monólogos sobre os dilemas dos jovens. Cada produção costuma superar a marca de um milhão de visualizações. Enquanto o senso comum diz que os adolescente estão distantes da leitura, os youtubers sustentam que a história não é essa.

— Acho que minha geração está acostumada a ler textos rápidos em tablets e smartphones. Ela não tem o hábito de ler livros, que demoram a ser concluídos. Eu estou trazendo a turma da internet, que nunca se interessou pela literatura. “Eu fico loko” é ágil e curto. Criei um estilo — diz, sem modéstia.

O fenômeno editorial não é restrito ao Brasil. Na Espanha, por exemplo, o youtuber Javier María escalou até o topo da lista dos mais vendidos após esgotar oito edições de cem mil exemplares nas primeiras semanas após o lançamento de “El libro troll”. Em uma matemática simples, seguidores se convertem em consumidores, e as editoras lucram. Em um ano de crise como 2015, isso ajuda.

— Com certeza é um nicho bom para a editora. Mas não lançamos o produto por lançar. É claro que autores como o Christian trazem faturamento, mas ele não publicaria se não tivesse conteúdo — diz Ludson Aiello, gerente de marketing do grupo Novo Conceito.

CUIDADOS COM A INFRA

Ao mesmo tempo, a imensa popularidade é motivo de preocupação para quem organiza os eventos. Sem a estrutura necessária, uma simples noite de autógrafos pode se converter em um caos de meninas histéricas se aglomerando. Na Bienal de São Paulo, quando marcou uma reunião com o grupo Novo Conceito para vender a ideia do primeiro livro, Christian publicou um chamado no Facebook, dizendo que estaria no estande. Tanta gente foi ao encontro do autor que ele precisou ser levado às pressas para um palco. O caso fez com que os organizadores tomassem uma precaução.

— Passamos a analisar as mídias sociais dos autores para não sermos pegos de surpresa novamente — diz Tatiana Zaccaro, diretora de núcleo da Fagga, que coorganiza a feira.

POR MATEUS CAMPOS | Publicado originalmente em O GLOBO | 07/09/2015

Como os booktubers estão mudando o mercado literário


Jovens que apresentam livros no Youtube são descobertos por editoras, que aos poucos começam a investir em modelo inovador para atrair interesse sobre lançamentos e obras clássicas.

Com o cabelo tingido, ela aparece em frente à câmara e explica como acabou de reorganizar a sua lista de livros “para serem lidos” – o que ela chama de TBRs ou “To Be Reads”. Ela o fez por cor – do rosa ao púrpura – e mostra 66 obras que adquiriu e planeja ler, resumindo em uma breve frase do que cada um se trata.

Ela é conhecida “Little Book Owl”, a “corujinha dos livros”. Qualquer um que pretende ter sucesso como booktuber pode se inspirar nesse estilo, que parece funcionar muito bem: seu canal tem quase 132 mil assinantes. Ela dá algumas dicas para isso em um vídeo chamado “How to booktube”.

Como a sugestão de um amigo

Trata-se de uma forma moderna de propaganda boca a boca. A maioria dos blogueiros não é realmente de analistas ou críticos literários – os booktubers menos ainda. Mesmo assim, milhares de pessoas acessam seus vídeos para ouvir o que eles têm a dizer sobre um determinado livro.

A Alemanha já tem as suas próprias celebridades no ramo. Lucie Redhead, por exemplo, foi uma das personagens mais aguardadas do “Kölner VideoDays 2015” – festival de produtores de vídeos no Youtube na cidade de Colônia.

Apesar de Lucie fazer uma performance solo em seus vídeos, ela tem o apoio de uma equipe, o que também é o caso de muitas estrelas emergentes na internet.

Sara Bow, cujo verdadeiro nome é Sara Garic, é uma vlogueira alemã que dá dicas de maquiagem e moda nos seus canais do Youtube. Desde 2013, ela também é uma booktuber “profissional”.

Sara tem quase 20 mil assinantes no Youtube e 3 mil seguidores no Twitter. Cinco pessoas trabalham com ela na produção dos vídeos: um fotógrafo, um diretor de cooperação, um assistente e dois editores. Em seus comentários, muitas vezes, ela cita a sua equipe.

Eu me divirto tanto com as pessoas online. Se eu posso inspirar o meu público a ler, sinto que faço sucesso com o que eu estou fazendo”, explica.

O sucesso também compensa financeiramente. Profissionais da indústria acreditam que, uma vez que você atinge 100 mil assinantes, pode se sustentar com um canal no Youtube. Mas é claro que cosméticos e moda são mais lucrativos do que livros.

Apresentadora Sara Gavric

Apresentadora Sara Gavric

Novos canais

Muitas editoras começaram a trabalhar com blogueiros ou booktubers da mesma forma que colaboram com jornalistas profissionais especializados em literatura. As editoras veem nesse novo modelo uma forma de atingir o público entre 18 e 34 anos.

A Random House, por exemplo, criou em março deste ano o seu próprio portal para blogueiros, onde eles podem ter acesso a cópias. A empresa também apresenta seus lançamentos especialmente para os booktubers de maior destaque.

Os booktubers podem definitivamente impulsionar vendas, pelo menos nos gêneros mais populares entre adolescentes e jovens adultos, como fantasia e as chamadas light novels – romances com ilustração, em geral no estilo anime.

Mas não é somente por dinheiro que os livros são apresentados em vídeo. Um exemplo particularmente inovador é o “Thug Notes”, produzido pelo grupo de mídia californiano “Wisecrack”´. A ferramenta é uma criação do comediante Greg Edwards, especialista em stand-up, e dos autores Joseph Salvaggio e Jared Bauer, entre outros.

O slogan da série é “Thug Notes: Literatura Clássica. Gangster Original”, que resume a filosofia do canal. O modelo adotado é o uso de “gangsta rap”, animações e gráficos engraçados. Eles apresentam trabalhos literários importantes – de obras de Shakespeare, passando pelo clássico “1984”, de George Orwell, até o romance mais recente de Harper Lee “Go Set a Watchman”.

Eu criei o ‘Thug Notes’ porque notei que existia uma lacuna no Youtube. Existem milhares de canais de educação bem-sucedidos que se concentram em ciências exatas, mas nenhum sobre ciências humanas. É muito difícil fazer as pessoas se interessarem por artes, especialmente a audiência jovem. Como alguém pode despertar o interesse em algo como “Grandes esperanças” [de Charles Dickens]? Para isso você tem que fazer algo radical”, explica Jared Bauer.

O rap foi o meio que ele considerou apropriado para aplicar esse conceito. “O hip hop é tão abrangente internacionalmente que ele oferece uma nova ferramenta de identidade para a apresentação, que possibilita atrair o público mais jovem aos nossos vídeos”, explica o comediante Greg Edwards.

Nós fazemos resumo e análise sobre os livros de um jeito engraçado, exagerado, de uma forma mais próxima a esse público, assim as pessoas ficam interessadas em ler o livro e formar a sua própria opinião”, afirma. O canal tem meio milhão de assinantes.

Publicado originalmente por Deutsche Welle | 10/08/2015

Programa sobre literatura de SC faz sucesso no Youtube


Ser um programa informativo e que aprofunda o debate sobre a literatura, sem qualquer preconceito literário. Estes são os objetivos do Literatus TV.  Além de ser veiculado, em sinal aberto, pela TV Educativa Nacional NBR, o público pode acompanhar ou rever todos os episódios pelo canal do Youtube, que já possui mais de 1.500 inscritos, com mais de 70 mil visualizações, em menos de cinco meses. O programa, produzido pela FURB TV, é composto por dois blocos de 14 minutos e é apresentado pelo escritor Maicon Tenfen e pelo editor do site Homo Literatus, Vilto Reis. Entre os temas abordados, recentemente, o Literatus TV apresentou episódios sobre os consagrados autores Miguel Sanches Neto e Haruki Murakami, sobre Romance Policial, Jornalismo Literário e Truman Capote e as curiosidades da série [e dos livros] Supernatural, seriado que virou febre entre os jovens brasileiros. Os interessados também podem acessar as notícias e as novidades do programa pelo Facebook.

Notícias do Blog do Galeno | Edição 407 | 17 a 23 de julho de 2015

‘Booktubers’ fazem sucesso na web com vídeos sobre livros


Por Matheus Mans | Publicado originalmente no Blog Link | Estadão | 14 de junho de 2015 21h00

Canais especializados em crítica literária no YouTube fazem sucesso entre adolescentes ao comentar livros; alguns já conseguem até ganhar dinheiro com isso

CHICO GIMENES/DIVULGAÇÃO

CHICO GIMENES | DIVULGAÇÃO

Sob um forte sol, cerca de 400 pessoas se reuniram há duas semanas no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, para encontrar seus ídolos. Entre gritos e declarações de amor, fãs tiravam fotos e pegavam autógrafos deles, que se desdobravam para atender aos inúmeros pedidos. As “celebridades”, porém não eram da música ou da televisão. São jovens que se dedicam a resenhar livros de papel em vídeos no YouTube: os “booktubers”.

O termo surgiu em 2011, usado pelo australiano de apelido Bumblesby como denominação para pessoas que faziam críticas e comentários sobre lançamentos editoriais no YouTube — inclusive ele. Canais falando sobre literatura já existiam, mas a chegada de um termo específico ajudou a modalidade de vídeos a ganhar projeção.

A professora de inglês Tatiana Feltrin foi a primeira a fazer vídeos falando de livros no Brasil. “Quando comecei, em meados de 2007, fazia isso sozinha”, comenta. “Até 2011, eu conseguia estar inscrita em todos os canais brasileiros sobre livros. Cerca de 50, chutando alto. Hoje em dia, é impossível.

Tatiana é prova de que o nicho se transformou em sucesso de audiência, dentro e fora do YouTube. Ela tem quase 10 milhões de visualizações em seu canal, o Tiny Little Things, onde aborda de Carl Sagan a Sêneca, e consegue faturar em média US$ 300 por mês com anúncios. Seus ganhos não param aí e incluem cachês para participações em eventos, palestras e vídeos pagos para editoras.

Apesar do crescimento da modalidade, Tatiana tem ressalvas. “A comunidade tende a crescer mais, mas não tenho uma visão otimista”, revela. “Estamos vendo muita gente começando canal para entrar na onda, ganhar notoriedade e livros de graça das editoras.

O evento do Parque Villa-Lobos, com fãs emocionados encontrando seus ídolos, foi organizado pelos donos de canais literários Cristiam Oliveira e Alison Iared [Índice X], Victor Almeida [Geek Freak], e Nathalia Cardoso [Leu].

A ideia surgiu como forma de reunirmos todos os booktubers existentes e encontrar pessoalmente nossos inscritos”, conta Cristiam. “A esperança era de que as pessoas se conhecessem e se divertissem, criando laços com o público.

De Santa Catarina, Pâmela Gonçalves veio ao evento para conhecer alguns dos quase 100 mil inscritos de seu canal. Logo que chegou ao encontro no Villa-Lobos, dezenas de pessoas começaram a correr em sua direção. Muitas choravam e gritavam. Ela justifica o sucesso. “Acho que é a união da popularização do YouTube e, ao mesmo tempo, o aumento do interesse por livros”, comenta.

Já para Victor Almeida, a popularização dos booktubers acontece pela linguagem utilizada. “Os canais literários propiciam uma forma mais divertida e dinâmica de conhecer e se relacionar com literatura.” Ele explica que “a descontração é a chave” para atrair a atenção dos jovens para o conteúdo dos vídeos e dos livros – que variam de livros infantojuvenis até Proust, dependendo do canal.

Segundo os donos de canais literários, a postura crítica com relação às obras é fundamental, independentemente do gênero literário ou se o livro foi enviado por editora. “Isso não interfere na análise”, diz Cristiam.

Essa nova dinâmica está transformando a relação entre jovens e literatura e, principalmente, entre livros e internet. Antes considerada uma inimiga do mercado editorial, a web está começando a se tornar aliada de editoras e autores.

O TRADICIONAL NA WEB

Além de fãs e booktubers, o encontro contou com a participação da Livraria Cultura — que cedeu um auditório para realização de debates e conversas — e de 12 editoras que enviaram livros e materiais promocionais.

A DarkSide Books foi uma delas. Apostando em uma ampla divulgação nas redes sociais e criando uma boa relação com booktubers, a editora tenta fortalecer sua presença na web.

Não existiria a DarkSide sem internet”, conta Christiano Menezes, sócio-fundador. “A relação entre internet e literatura traz novas possibilidades para criar, ler, discutir, interagir. Assim, buscamos ter um DNA totalmente online.

Ao observar as redes sociais das diversas editoras brasileiras, é visível a busca por integração no ambiente virtual.

Menezes indica que esta aproximação com os leitores pela web é o caminho para as editoras tradicionais. Ele ressalta, no entanto, que isso deve ser feito através de “diálogos verdadeiros”. “Senão não funciona.”

Vários autores também estão usando a web como parceira na divulgação de seus livros. Raphael Montes já possui três perfis lotados no Facebook [o que lhe dá 15 mil contatos na rede]. Antes espaço apenas para amigos e familiares, o autor hoje aceita solicitações de amizade de seus fãs. Mas ressalta: “A internet e a literatura não são inimigos, mas também não são gêmeos univitelinos”, comenta. “A obrigação do escritor é escrever. Só depois ele deve se preocupar com a internet.

Carolina Munhóz também é outra escritora que possui ampla presença na web. Com mais de 250 fã-clubes, a autora se valeu da influência na internet para ampliar a divulgação de seu trabalho. “A era das redes sociais está ajudando os autores. Temos feedback dos livros de forma instantânea”, conta.

Os escritores ressaltam a importância dos booktubers no atual momento do mercado editorial. “Os booktubers representam a democratização da opinião literária na internet. Qualquer um pode criticar, e é de igual para igual”, opina Raphael Montes. Para Carolina, esta nova fase da literatura na internet dá fôlego aos livros. “Com a popularização dos blogs e booktubers, a literatura é que ficou em evidência.

Por Matheus Mans | Publicado originalmente no Blog Link | Estadão | 14 de junho de 2015 21h00

‘Booktubers’ comentam livros do vestibular em vídeos na internet


Li ‘Vidas Secas’ só por ler, meio sem vontade. Anos depois, quando assisti a Tati, realmente fiz por interesse“, diz o arquiteto Rafael Ribeiro, 22. Ele se refere a Tatiana Feltrin, 33, dona de um canal no YouTube que comenta uma das exigências do vestibular: os livros.

Os chamados “booktubers” formam um grupo de fãs da literatura que se reúne pela internet. Eles leem pelo menos um livro por semana e comentam on-line. Entre as obras, estão aquelas de leitura obrigatória nas provas das universidades públicas.

Estou com um desafio de falar sobre cem obras da literatura brasileira. Já levantei os nomes da Fuvest. A cada 15 dias vou comentar sobre uma delas“, diz Feltrin, dona do canal criado em 2007 que leva o seu próprio nome.

Tatiana Feltrin, 33, pretende fazer vídeos sobre cem obras da literatura brasileira | Foto: Fabio Teixeira| Folhapress

Tatiana Feltrin, 33, pretende fazer vídeos sobre cem obras da literatura brasileira | Foto: Fabio Teixeira| Folhapress

Os vídeos são feitos, quase sempre, na casa de cada um e sem muita produção.

Eles não se sustentam com esses canais. O único pagamento vem do “Google AdSense”, ferramenta que conecta anunciantes com canais de produtores de conteúdo na internet.

Tatiana Feltrin, a mais antiga das “booktubers”, recebe perto de U$ 300 [o equivalente a R$ 900] por mês, marca que conseguiu alcançar há apenas um ano.

BOM HUMOR

A característica comum à maioria dos “booktubers” é a maneira descontraída com a qual comentam obras densas da literatura brasileira, como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, exigido para o vestibular da USP deste ano.

O desafio dos cem livros da literatura brasileira, iniciado por Feltrin, teve 15 mil visualizações. Na apresentação, um dos temas foi “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, também na lista da Fuvest.

Nada perto do recorde da professora, 200 mil cliques no comentário sobre um best-seller que deve passar longe dos vestibulares: “Harry Potter”, de J.K. Rowling.

O público que visita as páginas é, em geral, composto por jovens de 14 a 20 anos, que ainda aproveitam a seção de comentários do YouTube para pedir conselhos sobre a escolha do curso.

Mariana Gastal mostra um dos vídeos gravados na sua casa em Brasília | Fonte: Beto Barata | Folhapress

Mariana Gastal mostra um dos vídeos gravados na sua casa em Brasília | Fonte: Beto Barata | Folhapress

Mariana Gastal, 22, “booktuber” e formada em publicidade e design, fala da profissão em um dos seus vídeos. “Passei a receber algumas mensagens de jovens que queriam saber sobre os conteúdos que eu estava estudando e como tinha escolhido qual carreira queria seguir“, conta à Folha.

Os vídeos, porém, não substituem a leitura completa dos livros, argumenta o professor de literatura Nelson Dutra, 60.

As provas têm exigências muito específicas que precisam ser estudadas com afinco. A análise aprofundada e crítica das obras se torna fundamental para entender as características de cada autor brasileiro e, claro, passar no vestibular“, diz.

Os “booktubers” entrevistados afirmam que não fazem críticas literárias ou resenhas. Eles classificam de comentários pessoais e dizem que a intenção é atrair os jovens para a leitura.

A verdade é que o jeito como esses livros são geralmente apresentados para os adolescentes durante a escola não gera qualquer tipo de identificação. Dessa maneira, passa a ser algo interessante“, diz Rafael Ribeiro.

Inspirado pela hoje amiga Feltrin, Ribeiro criou seu próprio canal no YouTube: o Bigode Literário, que já fechou parceria com quatro editoras e recebe passe livre para eventos de autores.

Apesar de não substituírem a leitura, o professor Dutra vê valor nos vídeos. “Melhor canal de literatura do que canal de besteira, não é?

Confira a lista dos livros exigidos nos vestibulares.

POR CAROLINA DANTAS | DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 04/05/2015, às 02h00

‘Booktubers’ dão dicas de livros


Quer saber quais livros bacanas você pode ler agora nas férias escolares ou ao longo de 2015? Pois você pode seguir, no YouTube, algumas dicas dos chamados”booktubers”. São internautas que fazem resenhas de livros e dão dicas literárias em vídeos.

O Abecedário selecionou alguns canais booktubers comandados por jovens e encontrou dicas bem interessantes de leitura, que vão de “Cidades de papel” [John Green, Ed. Intrínseca] –muito procurado por jovens especialmente depois do sucesso de “A culpa é das estrelas”, do mesmo autor,– a clássicos como “Laranja Mecânica” [Anthony Burguess, Ed. Aleph], publicado originalmente em 1962.

Para saber mais sobre a proposta booktuber, o blog conversou com o autor de “Então, eu Li“, comandado há dois anos pelo adolescente Daniel Destro, 15, morador de Barra Bonita, São Paulo [270 km da capital]. O autor diz que lê, em média, cinco livros por mês e resolveu compartilhar suas impressões sobre as obras.

O mais bacana é que Daniel recebe os livros de editoras como DarkSide, Arqueiro, Zahar, Aleph e Globo Livros para fazer as resenhas no YouTube. “Na hora de fazer resenha, minha opinião não é influenciada só pelo fato que ganhei o livro. E se eu realmente não gostar do livro, eu irei falar”, diz. Bacana, Daniel!

Fiquei curiosa para saber de onde surgiu essa sede pela leitura. “Comecei a entrar nesse mundo pelos quadrinhos da ‘Turma da Mônica’. Logo depois, ‘Turma da Mônica Jovem’. Mas o gosto de ler compulsivamente surgiu após ler a saga ‘Harry Potter’ [ J.K.Rowling, Ed.Rocco]”, diz Daniel.

E de que forma seu gosto pela leitura melhorou sua vida, Daniel? “É como se fosse um refúgio desse mundo maligno. Você esquece do que acontece na sua volta e viaja sem sair do lugar”, diz. “Além disso, o hábito da leitura deixa você um pouco mais criativo, você conhece diversas palavras, tem um conhecimento maior do mundo, pois você aprende diversas coisas. Por exemplo, na saga ‘Percy Jackson e os olimpianos’ [Rick Riordan, Ed. Intrínseca], você acaba de ler a saga sabendo um pouco sobre a mitologia dos deuses gregos.

Muito bacana. Eu ainda estou fazendo minha lista de obras para 2015. E você? Quais são seus 12 livros para 2015?

Por Sabine | Publicado originalmente em Folha de São Paulo | 09/01/2015

Plataforma reúne autoras de literatura para meninas


Iniciativa visa maior proximidade entre autoras e leitores nacionais

Será no próximo dia 28 de março o lançamento da primeira etapa do projeto multiplataforma LitGirls, idealizado pela Punch! Comunicação. A iniciativa consiste na exibição de vídeos em formato jornalístico-documental, inéditos e desenvolvidos por dez autoras nacionais. A iniciativa quer estreitar o relacionamento e ampliar a troca de conteúdos entre autoras e seus fãs. Na oportunidade será lançado um site que reunirá informações sobre as escritoras, atualizações sobre suas carreiras e novidades do projeto, além de um aplicativo com conteúdos inéditos e exclusivos de curiosidades sobre as escritoras para iPhone e iPad e mídias sociais [YouTube, Twitter e Facebook]. Para marcar o lançamento, acontece um evento na Livraria Cultura Cine Vitória [Rua Senador Dantas, 45, Centro, Rio de Janeiro/RJ] e haverá duas mesas redondas, com todos os participantes, das 13h às 17h. Haverá distribuição de senhas uma hora antes do evento, sujeito à lotação.

PublishNews | 13/03/2015

Streaming para acabar com a cópia ilegal


Uma pesquisa feita pela Opinion Box, e divulgada na quinta-feira, 22/01, aponta o streaming como responsável pela diminuição da pirataria entre os consumidores de música pela internet. Streaming é uma forma de distribuição de dados multimídia, via web, e o conteúdo baixado não fica arquivado no computador do usuário. Diferente do download, que também possibilita a proliferação de cópias ilegais.

Esse é o sistema utilizado pela Árvore. Os eBooks de seu acervo são transmitidos para o computador, smartphone ou tablet do leitor. Os conteúdos ficam disponíveis enquanto os aparelhos estiverem ligados, sem sobrecarregar suas memórias. Os textos não podem ser copiados, nem impressos, o que garante aos autores a proteção de seus direitos autorais. O streaming também é usado pelo Youtube, um dos pioneiros, tanto no uso dessa tecnologia, quanto na disponibilização de vídeos, e pela Netflix, distribuidora de filmes por assinatura.

Olhar Digital | UOL | 23/01/2015

Sujeitos Leitores


Colégio paranaense promove série de entrevista com autores que estarão presentes em feira literária em novembro

O Colégio Medianeira, de Curitiba, mantém desde 2009, no YouTube, o canal Midiaeducação, que reúne quase 450 vídeos produzidos por alunos e educadores. Um dos destaques do canal é o projeto Sujeitos Leitores, uma série de entrevistas realizadas com pessoas de diferentes áreas, mas que, em comum, acreditam na importância de se ler literatura. O projeto, iniciado em 2011, já entrevistou quase 70 grandes leitores, entre eles Eliane Brum, Paulo Venturelli, Teresa Urban, Luís Henrique Pellanda, Thiago Tizzot, José Castello e o matemático Newton da Costa. Entre os dias 3 e 8 de novembro, os “sujeitos leitores” entrevistados em 2014 estarão presentes na FLIM [Festa das Linguagens Medianeira]: uma semana inteira dedicada à arte, na qual o Colégio abre suas portas para a comunidade com palestras, bate-papos, entre outras atividades. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.

PublishNews | 31/10/2014

De onde vêm os gênios da tecnologia?


Reinaldo Normand

Reinaldo Normand

O brasileiro Reinaldo Normand lançou o livro Vale do Silício, no qual revela como funciona a famosa região onde estão os maiores gênios do mundo – e onde foram criadas empresas como Google, Youtube, Whatsapp e Instagram. Ele, que fundou cinco empresas no Brasil, EUA e China, dentre elas o site sobre games Outer Space, viveu um tempo no Vale, localizado no Norte da Califórnia, nos Estados Unidos.

Deparei-me com algo fascinante e inesperado. É a cultura a grande mola propulsora da inovação no Vale do Silício. Ela é a grande responsável por criar o ecossistema de inovação que gera tantas empresas e produtos que mudaram o mundo“, diz Normand na introdução do livro, dividido em duas partes.

A primeira parte, Normand fala sobre a cultura do local. “Esse é um lugar onde se respeitam empreendedores e startups mais do que outros participantes do ecossistema, como consultores, executivos, pesquisadores e grandes empresas. Há um senso de otimismo no ar, como se tudo fosse possível, e as startups simbolizam a materialização do intangível“, diz.

Na segunda parte do livro, Normand ilustra como utilizar essa cultura. “Não tenho a pretensão de oferecer soluções mágicas, mas de mostrar com exemplos reais como pensar diferente“, diz Normand.

O livro está disponível para download clicando aqui.

A Tarde | 29/10/2014

Amantes de livros expõem suas viagens em vídeos na internet


Você abre um livro, se envolve com a história e depois que o fecha continua pensando nele. Então, precisa conversar com alguém sobre a leitura e até acha um ouvinte, mas o que gostaria de verdade era de encontrar outro leitor que compartilhe dos mesmos gostos. Agora, os amantes da literatura têm o seu espaço: o Youtube!

Vanessa Correa venceu a timidez para criar o canal “Moral da história”. Hoje, com 340 inscritos – quer dizer, 340 pessoas que assistem –, comentam e compartilham os vídeos onde a mestranda em biotecnologia opina sobre o que tem lido. “Os canais que resenhavam livros no Youtube chamaram minha atenção e me fizeram acessar o site com bastante frequência. Até que chegou a hora que também quis fazer meus vídeos”, explica a youtuber amazonense.

Fantasia é o gênero preferido de Vanessa. Entre os títulos que ela comenta no canal estão: “O chamado do cuco”, “Feita de fumaça e osso”, “Jogos Vorazes”, “Os Goonies” e outros. “Uma das intenções do canal também é falar dos autores amazonenses, como o Jan Santos. Uma das inspirações dele é o Tolkien, que é o meu escritor favorito. Acredito que o Jan tem potencial para fazer sucesso no Brasil e no mundo”, revela Vanessa.

Incentivo

Além de servir como um divulgador do trabalho dos escritores da terra, o canal de Vanessa incentiva os espectadores a ler e a produzir seus vídeos, como foi o caso do Luiz Filipi. “Gostei do que a Vanessa fez, comecei a acompanhar outros canais que falam de livros. O passo seguinte foi criar o ‘Entre linhas’”, explica o estudante de Economia.

“O circo mecânico”, “Psicose”, “Não conta lá em casa” são alguns livros que Luiz Filipi já resenhou. Segundo ele, o processo de gravação é simples. “Faço tudo sozinho. Posiciono a câmera na minha frente, ligo e começo a falar sobre o que é o livro e o que achei dele. Para não me perder, consulto um roteiro. Depois, basta editar e colocar no Youtube”. A única “vaidade” que ele tem antes de apertar o “rec” é fazer a barba. Já Vanessa diz que precisa de um pouco de maquiagem por causa da iluminação: “Se não usar, apareço muito pálida na imagem”.

Crie um canal

Os youtubers do Amazonas gostariam de ver mais produções de seus conterrâneos e enfatizam que todo mundo pode criar um canal gratuitamente. “A proposta é mostrar a crítica de um leitor, tanto que não somos profissionais do assunto, não estudamosLetras nem algo assim. É mesmo uma conversa entre leigos que têm a leitura como um hobby em comum”, esclarece Vanessa.

Além da participação dos internautas, o contato das editoras é outro reconhecimento do bom serviço que os youtubers prestam aos internautas. Enquanto Luiz Filipi foi selecionado para ser parceiro da Leya, editora dos livros de George R.R. Martin, Vanessa ganhou da editora Globo dois kits de “Lenny Cyrus, o supervírus”, de Joe Shreiber.

A Crítica | 13/02/14

Google entra na guerra dos tablets


Empresa lançou ontem o Nexus 7, que usa a mais recente versão do Android e que tem como maior atrativo o preço, de US$ 199

Com o lançamento do Nexus 7, de apenas sete polegadas e um preço de US$ 199, o Google se tornou ontem o último gigante da tecnologia, depois da Microsoft e da Amazon, a entrar na “guerra” dos tablets para tentar bater de frente com o ainda soberano iPad, da Apple, que domina dois terços do mercado.

Além do Nexus 7, o Google também anunciou, em sua conferência I/O, em San Francisco, o aperfeiçoamento de seu sistema operacional Android, com uma nova plataforma denominada Jelly Bean. Entre as novidades do sistema estão uma secretária virtual similar à Siri, da Apple, e mecanismos para cegos e surdos usarem tablets e celulares.

De acordo com o Google, o Nexus 7 será fabricado em conjunto com a Asus, de Taiwan. Apesar da indagação de alguns investidores, o Google não explicou porque deixou de lado a recém-adquirida Motorola na produção do Nexus 7.

A principal aposta do novo tablet é o preço, equivalente a dois quintos da versão mais barata do iPad, de US$ 499. Custando apenas US$ 199, com memória de 8 GB [o aparelho com 16 GB sairá por US$ 249], o Nexus 7 passa a competir diretamente com o Kindle Fire, da Amazon, vendido pelo mesmo valor e que tem conquistado um mercado de consumidores não dispostos a pagar pelo produto da Apple.

O tamanho também será equivalente ao do tablet da Amazon e alguns da linha Galaxy, da Samsung. Com sete polegadas, o Nexus 7 fica quase em uma dimensão intermediária entre o iPhone e o iPad. Há a vantagem de ser mais fácil de manusear e transportar. Mas a tela menor pode ser um ponto negativo.

No Nexus 7, o uso de produtos do Google, como YouTube e o Google Tradutor também será simples. Um outro destaque do tablet é câmera frontal, com resolução de 1.200 x 800 pontos.

Segundo a empresa, o tablet, que deve chegar em julho, já está disponível para encomendas na loja virtual Google Play dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália. Não há previsão de chegada a outros países.

Na semana passada, a Microsoft apresentou o Surface, com a novidade de ter um teclado acoplado à capa e o sistema operacional Windows 8. Mas o tablet da empresa fundada por Bill Gates ainda não tem preço definido e chegará às lojas apenas no Natal.

Antes do Nexus 7, o Google competia com a Apple apenas nos sistemas operacionais para tablets e celulares. Muitas empresas usam o Android, enquanto o iPad e o iPhone adotam o sistema iOS, da própria Apple. A Microsoft também tenta entrar na briga com o Windows 8. Mas essa disputa dos softwares, também existente nos celulares, será ampliada para os hardwares.

Analistas ainda acham improvável um tablet ameaçar a soberania do iPad, mesmo se tiver uma marca forte como a do Google ou d a Microsoft por trás. O aparelho da Apple continua registrando crescimento em suas vendas. Ao mesmo tempo, a acentuada elevação do mercado de tablets em todo o mundo deve abrir espaço para outras marcas. Neste ano, a previsão é de vendas de 107 milhões de aparelhos. Em 2016, esse número deve subir para 222 milhões.

POR GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE | NOVA YORK | O Estado de S.Paulo | 28 de junho de 2012, 3h 07

Lugar de livro é no YouTube?


LivroClips podem ser uma forma inovadora e eficiente de divulgar livros pela internet

O escritor e agente literário Andrey do Amaral é autor, entre outras obras, de um livro que orienta novos escritores a publicarem seus livros com sucesso. Em Mercado editorial – Guia para autores [Ciência Moderna], Amaral comenta desde a produção dos originais, passando pela distribuição e divulgação. Ele relata como as novas tecnologias podem ser aliadas do usual boca a boca entre leitores, principalmente nas redes sociais. Agora, o agente também aposta no YouTube. Ele acabou de lançar quatro LivroClips de textos seus e dos autores que representa no site de vídeos. A nova ação parece ter dado bastante resultado. Os teasers animados das obras contabilizam mais de 14 mil acessos, um público difícil de ser atingido nas estantes das livrarias. São 7.800 acessos só no teaser do livro Novo e divertido acordo ortográfico [Ciência Moderna], do próprio Amaral.

PublishNews | 17/06/2011

Livro reúne relatos de quem viveu ou acompanhou tragédia no Japão


Hipnotizado pela tragédia tripla [terremoto/tsunami/radiação] que pulverizou a imagem de segurança do Japão, um grupo de blogueiros resolveu reagir, disparando um cronômetro: eles queriam ajudar as vítimas e queriam ser rápidos. O líder do time, que se identifica apenas como autor do blog “OurManInAbiko” [referência a uma cidade na província de Chiba, perto de Tóquio], pediu no Twitter textos e imagens que expressassem a dor daquele momento. O projeto foi apelidado de “#quakebook” e as histórias deveriam ter 250 palavras. “Editarei um livro em uma semana e os lucros vão para a Cruz Vermelha japonesa”, avisou o twitteiro. “Nós temos a tecnologia”, garantiu, criando no mesmo dia um site, onde postou: “Não estou procurando palavrório poético. Apenas coisas honestas”.

O homem de Abiko, um britânico que vive há quatro anos em Chiba, não estava jogando conversa fora. Sete dias depois, em mais uma prova — se e é que elas ainda são necessárias — do poder coletivo e a jato da internet, estava pronta a versão digital da antologia que carrega no título a hora em que a terra tremeu e paralisou um país: “2:46 Tremores secundários — Histórias do terremoto no Japão”. As negociações com os maiores distribuidores de e-books do planeta também correram em ritmo frenético. O livro eletrônico estará disponível nos próximos dias via Kindle, da Amazon, e Reader, da Sony, enquanto a edição impressa é finalizada.

Com a ajuda de jornalistas, intérpretes e designers espalhados pelo mundo, que só se falavam através de mídias sociais, o projeto recebeu apoio dentro e fora do país arrasado. Duzentas pessoas enviaram relatos, fotos e ilustrações. Todo o complexo processo que envolve a publicação de um livro [título, capa, direitos, distribuição e divulgação] está registrado na web.

OurManInAkibo quer continuar anônimo, para enfatizar o trabalho de grupo, mas sua voz desconhecida — multiplicada no Twitter, Facebook, Linkedin, YouTube e Flickr — seduziu gente como Yoko Ono, uma das estrelas que mandaram sua colaboração. O lucro integral do livro vai para quem viu a vida ruir desde o dia 11 de março.

Oprimeiro tweet sobre o “#quakebook” foi escrito na manhã do dia 18 de março, uma semana depois do terremoto no Japão. Os organizadores do livro impuseram a si próprios um limite para a edição final: 14h46m da sexta-feira seguinte, exatos 15 dias após a tragédia. E começaram a correr. Em 15 horas, já haviam recebido 74 colaborações, graças ao apoio do próprio Twitter, que anunciou o projeto em sua conta oficial [4,7 milhões de seguidores], assim como a artista e música japonesa Yoko Ono, outra adepta do microblog, com 1,3 milhão de seguidores.

Desisti de esperar nosso agente literário checar email, e na verdade não sei bem o que é ou o que faz um agente literário. Mas, francamente, não tenho tempo para descobrir agora”, postou, em meio à sua corrida particular contra o tempo, o blogueiro OurManInAkibo, que já trabalhou como jornalista.

O processo de criação do livro em tempo recorde, usando somente ferramentas virtuais, talvez seja mais interessante do que o próprio conteúdo da obra, mas o “#quakebook” também é capaz de tocar quem não esqueceu a violenta sucessão de desastres no Japão — uma crise ainda não encerrada. Escritores consagrados como William Gibson e Barry Eisler, além do jornalista Jake Adelstein, autor de um best-seller sobre a máfia japonesa [“Tokyo Vice”], produziram histórias inéditas para o projeto. Vieram de pessoas comuns, no entanto, os relatos mais emocionados.

O livro é composto por 87 colaborações, entre textos e imagens. Há histórias como a de um homem de 80 anos, morador de Sendai, cidade devastada pela tsunami, que tenta manter a cabeça erguida e o ouvido grudado num rádio de pilha, e depoimentos de quem está em Fukushima, na região afetada pelos reatores nucleares descontrolados. Pessoas na Ásia, na Europa e na América do Norte responderam ao apelo no Twitter.

— Alguns poucos tweets juntaram todas as peças, participantes e especialistas, e em uma semana criamos um livro — conta o blogueiro OurManInAkibo. — Em pouco tempo estávamos negociando com os maiores distribuidores mundiais e atendendo a chamadas de jornais e TVs de cinco continentes. Sinto que estamos à beira de algo fantástico.

Os trechos do post abaixo foram enviados ao GLOBO e traduzidos para o português. As ilustrações também fazem parte do livro, que tem um site oficial: http://www.quakebook.org.

Por Claudia Sarmento | O Globo | 02/04/2011

Integrare Editora adere às redes sociais


Ter a oportunidade de conhecer as vontades, preferências e exigências do leitor de maneira rápida e objetiva são diferenciais fundamentais para qualquer empresa. Por isso, a Integrare Editora acaba de ingressar no universo das redes sociais. Twitter,FacebookBlog são algumas das primeiras ferramentas utilizadas pela editora para atrair novos leitores. “Criamos um planejamento estratégico para atuação junto às redes sociais. No entanto, é importante pontuar, que nossa participação nessas redes é intimamente ligada aos demais canais de comunicação da editora, como BLOG, canal Youtube e website”, explica o diretor e publisher Maurício Machado.

PublishNews | 01/02/2011

Qwiki, enciclopédia interativa on-line, abre para o público


Um site de buscas que apresenta os resultados em vídeo, como se fosse alguém te contando história. Essa é a ideia do Qwiki, site que abriu para o público nesta quarta-feira [26].

O Qwiki ficou rapidamente famoso por ser a empresa vencedora de um concurso promovido no ano passado pelo Techcrunch, um dos blogs de tecnologia mais populares do mundo, e por receber US$ 8 milhões, na semana passada, vindos de investidores liderados pelo brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook.

Qwiki

Tela do Qwiki, enciclopédia interativa on-line, abriu para o público nesta quarta-feira

Em entrevista ao “New York Times”, Saverin disse que está empolgado com o site. “Estou numa situação hoje que me permite fazer o que amo, que é ajudar outros empreendedores. O Facebook é algo grande e assim permanecerá. Qwiki é muito novo ainda, mas eles estão no caminho para mudar o jogo”, disse.

O Qwiki humaniza as pesquisas ao mostrar os resultados das pesquisas organizado como uma apresentação multimídia. “Nós acreditamos que somente o fato da informação estar guardada em máquinas não quer dizer que ela deve ser mostrada como uma simples lista de dados. Vamos tentar fazer algo melhor”, diz a descrição do site. Os vídeos são feitos na hora, por computadores — não são arquivos prontos e armazenados.

Os resultados são apresentados somente em inglês, e o usuário tem como compartilhar o conteúdo e continuar a exploração do termo pesquisado em outros sites, como Wikipedia e o YouTube. Também podem ser feitas sugestões de imagens, vídeos e correção de alguma informação.

POR ALEXANDRE ORRICO | Publicado originalmente em Folha.com | 26/01/2011 – 17h24

Brasileiro co-fundador do Facebook investe em enciclopédia interativa na web


O brasileiro Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook e um dos personagens retratados no filme “A Rede Social”, vai financiar mais uma vez um novo projeto na internet, de acordo com o jornal “The New York Times”.

Na quinta-feira, a Qwiki, espécie de enciclopédia interativa que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos, anunciou que Saverin foi o principal investidor em uma injeção de capital de US$ 8 milhões a ser recebida pelo projeto.

Estou em uma situação hoje em que posso fazer o que amo, que é ajudar outros empreendedores“, afirmou Saverin em entrevista ao jornal no início da semana. “O Facebook tem sido grande e será grande. O Qwiki está na fase inicial, mas eles estão no caminho para mudar o jogo.

De acordo com o “New York Times”, nem Saverin nem o site quiseram dar detalhes sobre o valor do financiamento.

O brasileiro Eduardo Saverin, amigo de Mark Zuckerberg na faculdade, ajudou o colega a criar o Facebook.

A tecnologia básica da Qwiki transforma uma coleção de dados sobre um assunto em apresentações multimídia interativas. Se o usuário digitar “San Francisco” [cidade norte-americana], por exemplo, ele terá como resultado uma apresentação audiovisual sobre a cidade que inclui fatos básicos e imagens. O site já levantou US$ 9,5 milhões em investimentos, incluindo uma rodada anterior de financiamentos.

O site, de acordo com o jornal, tem outros “investidores notáveis”, como o co-fundador do YouTube, Jawed Karim, e o investidor do Vale do Silício Pejman Nozad.

Saverin e Mark Zuckerberg foram os primeiros membros do Facebook, criado em um dormitório de Harvard. Saverin entrou com o investimento financeiro inicial e iria cuidar dos negócios da companhia, mas os dois melhores amigos se desentenderam. Saverin levou a briga à Justiça.

Hoje, ele divide seu tempo entre Boston e Nova York. Os detalhes de sua batalha jurídica com Zuckerberg são um segredo, mas seu nome foi recolocado na página de fundadores da rede social. David Kirkpatrick, autor de “O Efeito Facebook”, diz não ter conseguido entrevistar Saverin porque o brasileiro está proibido por contrato de falar sobre Facebook. Ele teria, segundo o livro, 5% das ações da rede social.

Folha.com | 21/01/2011 – 14h02

Dom Quixote no Youtube


Apontado por muitos como o maior romance já escrito, Dom Quixote, publicado em 1605 por Miguel de Cervantes, agora ganha um novo capítulo. E você pode fazer parte dele! É que a Real Academia Espanhola da Língua e o Youtube criaram o projeto Quixote 2.0, que reunirá trechos da obra lidos por internautas de todo o mundo. Para participar dessa gostosa aventura, acesse aqui.

Revista do Observatório do Livro e da Leitura | 01/10/2010

Estou na web, logo, existo


As editoras começam a despertar para o fenômeno que mobiliza bilhões, tornou-se o lazer principal dos jovens paulistanos e facilita a busca do consumidor certo

A Ediouro mergulhou nas mídias sociais. Um dos gigantes do mercado nacional, optou claramente pelo esse admirável mundo novo da web para angariar leitores. O superintendente Luiz Fernando Pedroso é taxativo nesse sentido: “Há mais de um ano, a Ediouro investe em duas mídias: pontos de venda e mídia social. Por que? Porque nelas você vai direto a quem interessa.

Sem nenhuma dúvida. No ponto de venda está o comprador típico. Nos diversos canais da mídia social, o editor pode escolher também múltiplas opções, na grande maioria convenientes para o negócio. Algumas boas razões são:

  • a cada segundo e meio, isto é, entre um gole de café e outro, um blog é criado na web;
  • 360 milhões de internautas frequentam o MySpace, bem como 150 milhões comparecem ao FaceBook e mais 60 milhões ao Orkut;
  • 72% dos jovens entre 18 e 24 anos, da cidade de São Paulo, são usuários de alguma mídia social em sua rotina diária, percentual que continua alto na população da metrópole, de 45% [Ibope Media, Agosto de 2009];
  • 24 milhões de usuários ativos, no Brasil, estão inscritos no Orkut [Nielsen Online];
  • 84% dos usuários brasileiros do Orkut acessam a rede ao menos uma vez por dia; desses, 63% o fazem várias vezes;
  • em julho passado, o Facebook superou 1 milhão de usuários no Brasil.

O mundo virtual concentra pessoas e ideias, além de toda a energia do universo. Nada detém o fenômeno que caminha para ser a mais poderosa forma de mídia jamais imaginada.

Entre os assuntos prediletos de quem acessa o Orkut, estão fotografia [67%], geral [65%], tecnologia [65%], jogos [57%]. E compras, gaveta preferida por 63% dos que entram no Orkut. A mina é logo ali, senhores editores!

Mas o que é a mídia social, que não se consegue descrever a não ser imaginando grandezas exponenciais?

A Giz Editorial domina o assunto. Comandada por Ednei Procópio, que tem dado palestras na CBL criou o [www.livrus.com.br], plataforma on line que se vale dos recursos de mídia social para compartilhar informações. O acesso é gratuito, aberto a qualquer autor e editoras. Qual a vantagem? “O leitor, o usuário ganha informação, a gente acabou criando o ‘Orkut dos livros’, em vez de você adicionar amigos, você adiciona livros.” A receptividade tem sido boa?

Por parte dos escritores, sim, responde Ednei. Por parte das editoras, não. As editoras não têm a mínima ideia do que seja isso. Não sei se é porque nós não comunicamos, não sabemos dizer o que é, ou se eles é que são mal informados.

O desenvolvimento da Livrus exigiu US$ 25 mil, com expectativa de retorno em três anos, que ele espera cobrir com publicidade de outras editoras. Compete com pelo menos duas redes. Uma é http://www.olivreiro.com.br. Outra é http://www.skoob.com.br.

Entusiasta da nova tecnologia, Ednei não sente, no entanto, essa chama aquecendo os colegas de ofício:

É muito fácil comunicar determinados livros nas redes sociais porque elas são feitas exatamente de comunidades formadas por pessoas que se juntam em torno de um tema comum. Então, as pessoas que estão na internet, conectadas, já sabem o que querem. Tem a comunidade dos leitores do ‘Crepúsculo’, assim como tem a comunidade dos leitores do ‘Pequeno Príncipe’. Ou então, tem os que se dividem entre os que gostaram da literatura da geração beatnik, ou ‘eu adoro Paulo Coelho’. Mas eu nunca vi uma editora dentro de uma comunidade de internet, de modo atuante. Quem cria o perfil do escritor é o fã.

Tem uma comunidade do H.P. Lovecraft, criador de literatura fantástica, com mais de 990 mil leitores, e o perfil dele é fake. Só que as pessoas se associam àquele perfil porque ali está escrito que é o H.P. Lovecraft. Ora, a pessoa que mantém aquela comunidade ativa é alguém que curte, sabe o que as editoras estão publicando dele. Se sair uma coletânea nova, ele avisa a comunidade. Contudo, a editora que vai publicar a coletânea não utiliza a rede para avisar os leitores, que são consumidores certos”.

Ednei vai mais longe na análise, insistindo no exemplo H. P. Lovecraft:
O nosso editor não sabe que, se quiser publicar um título novo, basta abrir o Facebook ou o Orkut – que no Brasil é mais forte – para perceber que já existe uma comunidade de amantes do Lovecrat. E que lá pode fazer a pesquisa de campo, no ato, e checar o que os fãs querem ler. Você economiza tempo da pesquisa de mercado e ganha tempo fazendo propaganda direta para o público-alvo. Esse público-alvo também é o formador de opinião, é ele que vai, depois, disseminar a informação para todo o resto”.

Essa atitude participativa, na qual os especialistas em comportamento enxergam uma nova era da humanidade, algo como ‘Eu estou na Web, portanto, existo’, leva ao compartilhamento das ideias. A divisão em tribos resulta dessa compulsão natural. Há o jovem ligado em astrofísica, o adolescente que sonha participar de uma revolução hip-hop, a mulher decidida a lançar um novo estilo. “A mídia social funciona por isso”, explica Procópio, da Giz. “O mercado editorial tem que começar a pensar com essa cabeça, porque, se a AM/FM migrou para a internet, se o jornal migrou para a internet, se a audiência da televisão caiu, o raciocínio tem que ser outro.

A tecnologia permitiu a aproximação entre as pessoas, e as redes sociais são justamente a resposta a esse anseio”, afirma Juliana Sawaia, gerente de Marketing do Ibope Media.

Em outras palavras, qualquer frase, imagem, vídeo, áudio ou conceito colocado em um Twitter [32 milhões de usuários], Sonico [38 milhões], YouTube [mais de 100 milhões de vídeos] e tantos outros canais, instantaneamente vira uma ação coletiva de milhares. Também instantaneamente, esses milhares, que podem ser milhões de acordo com a proposta do canal vira uma comunidade do tipo ‘Eu amo contos de terror’, ou pode se transformar em um blog em homenagem a Michael Jackson. As bolas de neve crescem sem parar.

A Ediouro ocupou espaço no YouTube. No seu canal, projeta vídeos dos principais lançamentos. Durante a Bienal do Livro no Rio, em setembro, promoveu o ‘BlogBook’, que vai transformar em livro a história dos melhores blogs, eleitos pela comunidade. Inscreveram-se 120, divididos em 12 categorias. Os melhores serão editados pela Ediouro, que desse modo estabelece uma via de mão dupla. “O poder da internet é inquestionável, explicou Newton Netto, diretor da Singular, empresa do grupo. O poder do livro também é inquestionável. Nada melhor que trazer os astros da internet para o mundo literário.

A Frog, que se define como ‘agência anfíbia’, atende a Ediouro, e o diretor Roberto Cassano garante: “Estamos mergulhados até o pescoço. Vivemos redes sociais 24 horas por dia”.

E que ações a Frog empreende para a Ediouro? Elas buscam cativar público? Prospectar tendências de mercado?
Atuamos de forma abrangente, incluindo o planejamento estratégico das ações, definição do plano de ação para cada livro, individualmente, produção de sites para os livros, criação e gestão de perfis e comunidades em redes sociais, incluindo Twitter, Orkut, Facebook, blogs, You Tube e redes sociais focadas em literatura”.

Uma perna importante do projeto é o mapeamento de líderes de opinião para cativarmos. Uma das coisas que fazemos é enviar livros para pessoas que terão afinidade com o tema e/ou autor/estilo para que eles possam compartilhar sua opinião sobre o livro com seus leitores/amigos. As resenhas são totalmente livres, sem qualquer compromisso por parte do blogueiro. Ele pode não falar nada ou até criticar.

Cassano confirma, a Frog vem tendo sucesso nas ações para a Ediouro. Mas não revela o santo:

Há livros que trabalhamos com excelente resultado que jamais teriam funcionado da mesma maneira se dependessem de mídia de massa. Conseguimos atuar cirurgicamente em nichos, e muito do mercado editorial se baseia em nicho. Na verdade, com as redes sociais, fica cada vez mais evidente que toda mídia cada vez mais é de nicho. Existem nichos pequenos e nichos gigantes, mas no momento em que as pessoas se reúnem por compartilharem interesses em comum, elas funcionam como um ente coletivo, um nicho.

O publicitário sente o pulso do momento, raciocina:

Com a queda nas vendas de CDs, os livros são os itens de maior giro. O mercado editorial, inclusive com o crescimento dos e-Books e a chegada de leitores eletrônicos, como o Kindle, foi, é e será profundamente impactado pelas redes sociais.

Felizmente ou infelizmente, embarcar nesse novo mundo não é uma opção”.

Mais, com menos. Esse é um dos segredos. Quando se fala em investir em publicidade e marketing, as editoras se retraem. À exceção dos megalançamentos de Paulo Coelho ou Chico Buarque, a verba é sempre pequena para os custos proibitivos de um anúncio de jornal, revista ou televisão. Sem mencionar tratar-se de público de composição pulverizada, caso das tevês, situação dramática quando se trata de livros, consumidos pela minoria das minorias, no Brasil.

Ednei Procópio, o especialista em mídias sociais, compara as situações:

As editoras não descobriram que, se criarem o perfil ou a comunidade do livro na rede social, se criarem o blog do livro ou do escritor, vão ganhar muito. O pessoal reclama: ‘tem muito lixo no Orkut’. Sim, mas isso acontece por não existir o mediador da informação, que o mercado editorial deveria implantar. Poderia fazer isso, mas não faz, prefere a assessoria de imprensa, que é cara, o anúncio no jornal, que sai caro, a resenha, que sai atrasada. O editor não percebeu que o público-alvo não está no Estado, nem na Folha, nem na revista Bravo ou na Veja. O público-alvo está dentro dos blogs temáticos. O nome já diz: ‘sou leitor de ficção científica’, ou ‘adoro poesia’. Então, basta entrar e dizer, ‘bom dia, gente, somos da editora tal e viemos aqui dizer que vamos montar um livro com essa temática’. E a comunidade começa a perguntar, como vai ser? quem é o escritor?…E o editor responde e interage. A Giz descobriu que é mais barato investir na mídia social, que é gratuita por natureza, ou melhor, de custo próximo ao zero, do que investir em anúncio.

Nesse aspecto, um canal de mídia social, bem escolhido e adequado no tempo e no espaço, tem potencial para atingir o público-alvo pretendido.

A Editora SBS, especializada em idiomas – sua cartilha ‘Bem Vindo’, que ensina português para estrangeiros, está perto da marca dos 100 mil exemplares e é adotada por universidades de renome como Harvard –, usa a mídia social para dar apoio aos professores, seus clientes. Presente no Twitter e no Orkut, oferece o programa ‘Virando a Página’, que propõe atividades para as aulas. “São 417 ideias, explica Susanna Florissi, diretora editorial. O professor vê a ideia e a adapta à sua aula. Isso gera uma espécie de criação coletiva, da qual todos querem participar. Veja o caso da Wikipedia. Ninguém recebe para redigir um verbete, mas adora contribuir. No ‘Virando a Página’, que tem vários anos na internet, montamos o que chamamos de e-talks. São palestras, textos redigidos em torno da atividade do docente, algo que gera muita leitura, posts, perguntas. E nem é on line. O texto da palestra é colocado, depois os participantes vão postando suas perguntas que em seguida, são respondidas pelo autor do conteúdo e aí vai se desenvolvendo esse trabalho coletivo.”

A SBS, sigla que quer dizer Special Book Service, ampliou sua atuação, ingressando há dois anos no nicho CTP [livros científicos, técnicos e profissionais]. Fundada em 1985, expandiu suas operações para Argentina e Peru.

As mídias sociais estão a um toque do computador. Não é por outra razão que gigantes empresariais como Claro, Natura, Coca-Cola ou Boticário aderiram ao sistema, criando inclusive a figura do ‘mediador de mídia social’. É um funcionário que, adestrado em técnicas específicas, tem a missão de monitorar o diz-que-diz em relação à empresa. Ele não pode se envolver, apresentar-se como representante, sua antena deve detectar tendências, rumores. Em uma dessas comunidades bloggers, usuárias queixaram-se de que o perfume Egeo Dolce Woman, do Boticário, havia desaparecido.

O mediador passou a informação aos canais competentes. O perfume acabou voltando às prateleiras e realizou-se uma ação para avisar as blogueiras interessadas.

Como o espaço da mídia social é aberto e, em tese, livre, não há limites para ações mercadológicas, desde que, claro, não sejam invasivas nem perturbem a sensação de controle do usuário, que pode sair do ar quando quiser – apenas para reafirmar que ele, internauta, é o patrão do mundo web.

Por que Obama explodiu na rede
A vitória de Barack Obama, o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos, deve muito à mídia social. Uma palavra de ordem criada por seu staff determinava: ‘Crie ações onde as pessoas estão, não onde você quer que elas estejam’. A partir do site mybarackobama.com desenvolveu-se uma rede social onde os eleitores puderam criar blogs próprios para debater, sugerir ações para o comando da campanha, desdobrar minissites para arrecadar doações ou organizar eventos. Na verdade, a campanha de Obama não pedia doações, apenas instalou widgets de contribuição em redes já existentes. Desse modo, os eleitores foram motivados e mobilizados através das ferramentas de interação que se espalham pelas mídias sociais.

Eram dezenas, centenas de mídias gravitando em torno do sol Mybarackobama.com, tipo Facebook – sendo um oficial, outro intitulado I’m strong [2,3 milhões de filiados] -, Black Planet, Myspace, MiGente, Twitter [130 mil seguidores], Glee, YouTube [14 milhões de views apenas do clip ‘Yes, We Can’, interpretado por Will.i.am]. No YouTube, foram lançados concursos de vídeo para manter a mobilização dos eleitores, o que transformou esse canal na ferramenta de comunicação mais utilizada. Discursos, depoimentos, videoclips, tudo o que se possa imaginar, foram colocados em canais de vídeo sharing.

Os espaços oficiais, ou seja, trabalhados pela direção da campanha, eram pensados segundo uma metodologia eleitoral, cobrindo todas as etnias possíveis e os diferentes perfis psicográficos. No auge da batalha, eram 16 redes sociais com o selo oficial, que incluía Flickr, Digg, Eventful, Linkedin, Eons, Glee, MyBatanga, AsianAve. E mais de 500 grupos no Facebook criados de maneira espontânea pelos simpatizantes.

Os números fundamentam como se deu o milagre. Pela internet, trafegaram 87% de toda a arrecadação da campanha. Apenas em setembro de 2008, as doações chegaram a US$ 100 milhões, e 93% dos contribuintes pagou menos de US$ 100.

A goleada infligida ao republicano John McCain teve volume astronômico nas mídias sociais. Exemplos:

YouTube – Barack Obama: 1 800 vídeos postados,134 mil inscritos, e 19,5 milhões de exibições;
John McCain: 330 vídeos, 29 mil inscritos, 2,1 milhões de exibições.

Twitter – de Obama: mais de 130 mil seguidores, 263 atualizações; contagem regressiva que mobiliza para o dia D da votação;
McCain: menos de 5 mil seguidores; não havia interação e houve apenas 25 atualizações em toda a campanha; não recomendou, ao seguidor, que votasse no dia da eleição!

Panorama Editorial | Edição 50