Wikipédia começa nova campanha de doações para manter site funcionando


Página inicial da Wikipédia pede doações

Página inicial da Wikipédia pede doações

A Wikipédia começou uma nova campanha de arrecadação para manter a popular enciclopédia on-line funcionando.

Quem acessar algum dos verbetes da enciclopédia eletrônica vai encontrar um aviso na parte de cima da página com um apelo da Fundação Wikimedia, empresa responsável pela Wikipédia e por outros sites colaborativos, por doações.

Nós estamos pedindo ajuda para a Wikipédia. Para proteger nossa independência, nós nunca teremos anúncios. Sobrevivemos com doações em média de R$ 25. Se todo mundo que estiver lendo este aviso neste momento doar R$ 10, nossa arrecadação terminaria em uma hora“, diz.

Pelo banner, as doações podem ser feitas em qualquer valor. Também há a opção de escolher se o pagamento será feito uma única vez ou se será de forma mensal. A Wikipédia aceita cartão de crédito, transferência bancária ou via PayPal, mas este último em dólares.

Para fazer doações de outras maneiras -pode ser até por bitcoins- há um link na parte de baixo do aviso que ensina como proceder.

A Wikipédia costuma fazer campanhas de doações de tempos em tempos. A empresa sem fins lucrativos afirma que tem gastos com servidores, funcionários e programas parecidos com os dos grandes sites e precisa das doações para continuar funcionando.

São 273 funcionários, segundo a Fundação Wikimedia, divididos principalmente na área de tecnologia e em arrecadar fundos.

A Wikipédia é um pouco especial. É como uma livraria ou um parque público onde todos nós podemos ir para aprender. Se a Wikipédia é útil para você, por favor, gaste um minuto para mantê-la on-line e grátis“, afirma o anúncio.

Publicado originalmente em | 19/08/2015, às 11h54

Wikipédia impressa, em inglês, vira enciclopédia de 7.600 volumes


O verbete sobre “quixotismo” na Wikipédia tem cerca de 255 palavras. Mas se alguém tivesse o direito de solicitar uma menção pessoal nele, seria Michael Mandiberg.

Pelos últimos três anos, ele está envolvido em um projeto que faria até o mais intrépido aventureiro digital hesitar: transformar a versão em inglês da Wikipédia em uma antiquada enciclopédia em papel com um total de 7.600 volumes.
Mandiberg, artista interdisciplinar que leciona no College of Staten Island e no Centro de Pós-Graduação da City University de Nova York, descreve o projeto como parte um esforço utilitário de visualização de dados e parte um gesto poético absurdista.

Quando comecei, ficava imaginando o que aconteceria se eu pegasse essa coisa nova e a transformasse em uma coisa antiga”, ele disse em recente entrevista em seu estúdio esparsamente mobiliado e de paredes brancas no centro d Brooklyn. “Que cara isso teria?

Michael Mandiberg com seu cachorro, Freddie Merckx, e volumes da Wikipédia em seu estúdio em Nova York

Michael Mandiberg com seu cachorro, Freddie Merckx, e volumes da Wikipédia em seu estúdio em Nova York

Todo mundo sabe que a Wikipédia é imensa, mas são necessários livros físicos –ainda uma unidade de medida “cognitivamente útil”, segundo Mandiberg– para fazer ideia de o quanto. “Não precisamos ver a coisa toda para compreender o quanto ela é grande”, disse Mandiberg. “Mesmo que tenhamos só uma estante para ver, nosso cérebro humano é capaz de finalizar o resto.”
Mandiberg, um colaborador experimentado da Wikipédia, com quase 2.000 alterações e inserções de texto a seu crédito, começou a propor a ideia do projeto em 2009. Em 2012, a transformou em prioridade, dedicando-se ao que define como “uma série infindável de atividades de programação não triviais”, necessárias a formatar os dados que embasam a Wikipédia para subi-los para a rede.

Ele procurou a Lulu.com no final do ano passado. “Foi certamente uma consulta muito interessante“, disse Dan Dillon, vice-presidente de marketing da companhia, que ofereceu assistência técnica e, em alguma medida, financeira ao projeto. “Não é todo dia que alguém o procura e diz que gostaria de contar com uma versão impressa do maior repositório do conhecimento mundial em inglês, e gostaria de usar o seu site para isso“.

Houve outros esforços para medir a Wikipédia sob o padrão da página impressa. Mas Mandiberg parece ter obtido a mais concreta medida de seu tamanho até o momento –pelo menos até 7 de abril, quando ele capturou os dados. De acordo com estimativas da Wikimedia Foundation, 7,5 milhões de edições e inserções aconteceram desde então.
O projeto de Mandiberg é na realidade “um gesto em direção ao conhecimento“, diz Katherine Maher, vice-presidente de comunicações da Wikimedia, acrescentando que “a realidade é que o conhecimento transcendeu nossa capacidade de abrigá-lo em forma de volumes em uma estante“.

A instalação na galeria Denny Gallery, onde ele está expondo o projeto, pode levar o nome de “From Aaaaa! To ZZZap!”, mas o leitor da enciclopédia de Mandiberg –os artigos são impressos em páginas de três colunas, no geral empregando uma fonte gratuita chamada Cardo– vai precisar de algum tempo para chegar à letra A.

Primeiro vem o sumário, com 91 volumes contendo a lista dos quase 11,5 milhões de verbetes. Depois, mais de 500 volumes contendo verbetes iniciados por sinais tipográficos e números, a começar por “!” [o ponto de exclamação], “!!” [denotação de um movimento excelente no xadrez] e “!!!” [uma banda de dance-punk de Sacramento cujo nome é pronunciado Chk Chk Chk].
Também há outros 36 volumes listando os colaboradores, os quase 7,5 milhões de usuários que editaram pelo menos um item desde que a Wikipédia começou em 2001 –estatística que Mandiberg pode ter sido o primeiro a estabelecer.

Embora a Wikimedia agora conte com uma equipe de análise de dados, acompanhar o tamanho e o crescimento da Wikipédia “é algo que temos de realizar retroativamente“, disse Maher. Até recentemente, “o foco era garantir que os servidores funcionem“.

Qualquer volume da enciclopédia de Mandiberg pode ser encomendado por US$ 80 no Lulu.com. Volumes seletos estarão à venda na galeria por US$ 68, entre os quais aqueles que contêm verbetes notáveis como “estética”, “apropriação”, “entropia” e “tempo”.

POR JENNIFER SCHUESSLER | DO “NEW YORK TIMES” | Publicado em português por Folha de S.Paulo | 23/06/2015, às 02h00

O futuro dos dicionários


Por Ednei Procópio

Pessoal, descobri um dicionário sensacional. Trata-se de um mashup, uma aplicação web, personalizado, que usa conteúdo de mais de uma fonte e cria um serviço completamente novo. O dicionarioportugues.org usa os serviços da Google Search, Wikipédia, Google Books, etc. Acesse o dicionarioportugues.org e façam um teste! O mercado editorial precisa de avançar um pouco mais nas ideias, pois o futuro aponta para um modo completamente descentralizado no oferecimento de produtos editoriais.

Bibliotecas de São Petersburgo vão criar “Wikipédia alternativa”


A Biblioteca Presidencial e a Biblioteca Nacional da Rússia estão preparando um projeto que pretende reivindicar os louros de Wikipédia russa. De acordo com o assessor de imprensa da Biblioteca Presidencial, Valentin Sidorin, os funcionários da instituição não vão escrever o material do zero. Eles pretendem simplesmente organizar, digitalizar e colocar em acesso aberto material que já têm à disposição e que está relacionado com todos os aspetos do desenvolvimento histórico da Rússia.

Desse modo, iniciamos a criação de uma alternativa à Wikipédia. A análise desta última mostrou que ela não permite a obtenção de informação detalhada e fiel sobre as regiões da Rússia e a vida do país“, resumiu Sidorin.

A nova enciclopédia eletrônica será organizada segundo o princípio de biblioteca eletrônica, ou seja, não é qualquer pessoa que poderá fazer ajustes, do mesmo modo que nem todo mundo pode fazer alterações dos conteúdos dos livros.

Mas poderão complementá-los com outras publicações e propostas. Estamos trabalhando com os leitores, com as pessoas, estamos interagindo ativamente com aqueles que nos propõem novos recursos“, concluiu Sidorin.

Alternativa ou apenas mais uma?

Apesar de o futuro recurso de referência informativa sobre a Rússia ter um princípio de funcionamento radicalmente distinto do da Wikipédia, a mídia russa se refere abertamente a ele como a “Wikipédia alternativa”. Isso se deve principalmente às declarações do diretor da Biblioteca Nacional, Anton Likhomanov, um dos autores da ideia.

Em abril, ao anunciar a criação do recurso em uma reunião do fórum sócio-pedagógico Educação na Rússia, Likhomanov disse que “o segmento russo da Wikipédia recebe cerca de um milhão de pedidos por hora, mas contém muitos erros e é praticamente impossível de fazer correções nele“.

A Wikipédia é controlada a partir dos Estados Unidos e a qualquer momento podemos ser confrontados com a mesma situação que acabou de passar com os sistemas de pagamento eletrônico Visa e MasterCard”, acrescentou Likhomanov, fazendo alusão ao fato de as sanções ocidentais poderem restringir o acesso dos russos à maior enciclopédia eletrônica.

Embora Likhomanov tenha sublinhado várias vezes que o novo recurso pretendia substituir a Wikipédia, Sidorin argumenta que o projeto não vai lutar nem competir com a Wikipédia. “Nós não estamos tentando substituí-la com o nosso projeto. Queremos, sim, criar uma enciclopédia baseada em fontes confiáveis“, diz.

Futuro questionável

O diretor executivo da Fundação Wikimedia [ONG que apoia a Wikipédia na Rússia], Stanislav Kozlóvski, considera absurdo temer sanções ocidentais relativamente à Wikipédia russa.

A Wikipédia é feita por mais de um milhão de russos sob uma licença livre. Sim, o servidor está nos EUA, bem como na Europa e no Sudeste Asiático. Na Rússia não há servidores. Mas ela de modo algum é controlada pelo governo dos EUA. Em toda a história do recurso, o governo dos Estados Unidos jamais tentou restringir o acesso à enciclopédia“, diz.

Segundo Kozlóvski, existem no mundo poucos países que tentam intervir na Wikipédia e um deles é a Rússia.

Sete artigos completamente inocentes da Wikipédia foram inseridos no registro russo de sites proibidos. Se algum organismo pode bloquear o acesso dos cidadãos à enciclopédia eletrônica, esse organismo será o Roskomnadzor [Serviço Federal de Supervisão das Comunicações, Tecnologia da Informação e Meios de Comunicação] e não o Departamento de Estado dos EUA.

Kozlóvski acrescentou que, sem dúvida, a Wikipédia tem erros. No entanto, existem 45 milhões de pessoas ao redor do mundo fazendo alterações no recurso e corrigindo esses erros diariamente.

Vladímir Kharitonov, diretor da associação de editores online da Rússia, concorda com essa posição.

O nível de erros da Wikipédia é comparável com o nível de erros da enciclopédia Britannica. Os criadores da enciclopédia eletrônica da Rússia não precisavam reinventar a roda. Eles teriam feito melhor em concentrar seus recursos na melhoria da versão russa da Wikipédia“, diz ele.

Ainda mais categórico em suas avaliações sobre a próxima enciclopédia é Ivan Zassúrski, chefe do departamento da nova mídia da Faculdade de Jornalismo da MGU [Universidade Estatal de Moscou]. Ele não acredita que o projeto venha a ser implementado.

Qualquer tentativa de criar uma ‘Wikipédia alternativa’ está geralmente associada ao controle do conhecimento e sua difusão. No entanto, o problema não é saber se a nova enciclopédia será objetiva ou não. Acontece que ela simplesmente não existirá”, diz Zassúrski.

Gazeta Russa | 23/11/2014

As implicações da passagem do computador de sua mesa para seu bolso


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Benedict Evans da Andreessen/Horowitz [um indispensável observador da mudança digital na mídia, e analista que explica a Amazon melhor do que qualquer outro que eu conheço] fez uma apresentação chamada “O Celular está Comendo o Mundo”. Ele esclarece o fato de que todo mundo vai ter smartphones com conectividade em pouco tempo. Um slide [o slide número 6] na apresentação dizia que no final de 2017 — daqui a pouco mais de três anos — pouco menos de 30% das pessoas no planeta não vão ter um smartphone. Isso significa que 95% dos conhecidos de pelo menos 95% das pessoas que estão lendo este post vão ter um. Outro slide [o de número 28] diz que já estamos no momento em que, durante a vasta maioria das horas que uma pessoa está acordada, elas dedicarão entre 40% e 70% deste tempo a atividades de mídia ou comunicação.

Evans e outros analistas estão sugerindo que estas mudanças vão refazer o uso de websites e apps e nos tornar mais confiantes em “cards”, objetos digitais agnósticos em relação a sistemas e aparelhos que podem fornecer tanto informações quanto a capacidade de agir sobre ela. Vemos o começo disso agora nos negócios de livros com o Aerbook de Ron Martinez, que coloca “conteúdo no fluxo social” e Citia de Linda Holliday, que se afastou dos aplicativos estilo card voltado à indústria do livro para servir a indústria da publicidade.

Acho que seria interessante que as editoras de livros focassem nas oportunidades de marketing e consumo que estas mudanças permitem [ou exigem] em vez de permitir que esta mudança tecnológica faça com que se afastem de novo, como fizeram com os enhanced e-books. O uso do celular substituindo o PC na verdade favorece a velha leitura de livros, já que o espaço limitado das telas não é um problema. Mas os processos de descoberta e os meios de compra poderiam mudar radicalmente.

Um texto muito inspirador que li [mas não consigo encontrar mais] sugeria que tudo isso significa uma forte redução do uso do e-mail, algo que Evans confirma em uma tabela mostrando que crianças entre 12-15 anos [no Reino Unido], não usam muito. Elas mudaram para redes sociais como Facebook e Twitter como canais de comunicação. Elas nem mesmo falam no celular. Há uma nova categoria de “mídia efêmera”; ela faz o que tem que fazer e depois a comunicação desaparece. Claro, não sabemos realmente como será o comportamento comunicativo daqui a 20 ou 30 anos de alguém que hoje está com 12-15, e o e-mail ainda é muito importante para o marketing. Enquanto isso, continuam as tentativas de melhorar o e-mail, incluindo a mais recente do Google.

Há duas grandes mudanças que são realmente obrigatórias para a migração ao celular. A grande mudança óbvia é uma redução no espaço de tela em um celular, em comparação com um PC. A menos óbvia, mas que ameaça o uso do e-mail, é a perda dos teclados com muitas funções e grande tamanho. Estas duas grandes mudanças não foram citadas especificamente nas apresentações que vi sobre isso, incluindo a de Evans.

A mudança na tela poderia terminar sendo a de menor problema. Como o crescimento nos celulares é real, também é a ubiquidade de telas de muitos tamanhos em muitos lugares. A tecnologia para permitir que algo enviado de um celular seja “jogado” em outra tela é bastante trivial – o bluetooth já existe e outras coisas novas, como Chromecast, que permite a reprodução da tela de um aparelho com Internet em uma TV, estão sempre chegando. Não é difícil imaginar que telas maiores estarão disponíveis para celulares que poderão informar sobre quase tudo. E apesar de que sempre haverá uma tendência natural a preferir ver no aparelho que você segura na mão e com o qual controla toda sua navegação [uma grande vantagem para livros], se uma tela maior for necessária, sempre haverá uma disponível quando você precisar.

Mas o problema do teclado pode ser mais complicado. Teclados portáteis e dobráveis já foram desenvolvidos, e já são usados para transformar tablets em laptops. Se serão tão populares ou tão facilmente compatíveis quanto as telas é algo duvidoso. Eles não funcionaram para Palm Pilots e ainda estamos esperando para ver se seu uso vai ficar popular no Microsoft Surface.

O que atenua a perda dos teclados é o aumento do uso de ditado por voz para substituir a digitação. Sempre que clico no meu app Google no iPhone, ele me convida a simplesmente falar o que eu quero. Claro, transcrever textos ditados introduz novas possibilidades de erro. Mesmo assim, teclados ineficientes poderiam não ser tão ruins para escrever e-mails para uma parte substancial da população que não tem entre 12-15 anos, e que ainda estará usando este meio de comunicação por décadas, como os atuais hábitos dos usuários do século XXI parecem sugerir.

Você pode, claro, simplesmente falar com Siri [ou Google] em voz alta qual é o best-seller do NY Times que quer e pedir para navegar até um site onde pode baixar uma amostra ou comprar, e chegará lá.

Existe ainda mais motivos para acreditar que websites vão continuar mesmo se os cards se tornarem mais populares. Com a atomização da criação de conteúdo [cada vez mais criadores de conteúdo, alguns deles podem ser bem pequenos], entender a “autoridade” deles será cada vez mais importante. Por enquanto, Google é a empresa que mais dependemos para abordar este desafio [outras que tentaram incluem Bong, Wolphram, Alpha, Duck Duck Go] e sites são uma ferramenta fabulosa para o Google entender quem é alguém e se eles sabem de onde falam ou escrevem.

Este exame de autoridade provavelmente será cada vez mais importante e percebido desta forma pelos consumidores de conteúdo. [Na verdade, isto está acontecendo agora, apesar de que a maioria dos consumidores não perceba que está acontecendo.] Se isso for verdade, websites oficiais e úteis [ou meios equivalentes, que são proprietários ou editáveis, para consolidar informação ao redor de uma pessoa que procura uma audiência – como Wikipedia, Google+, Amazon Author Central, e outras páginas autênticas] podem continuar a ser importantes para o Google e, portanto, para todos nós.

O que é certo é que no mundo desenvolvido quase todo mundo vai ter um computador em suas mãos o tempo todo que poderá acessar quase tudo na web ou em qualquer app. [Isso já é, em grande parte, verdadeiro, mesmo que seja pouco usado ou subestimado.] Estamos nos sentindo cada vez mais confortáveis usando o celular livremente, sem estarmos presos a horários e lugares. Também podemos estar livres da ignorância a maior parte do tempo, se quisermos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Wikipédia quer dar acesso gratuito para brasileiros pelo celular


Enciclopédia virtual fundada em 2001 pretende lançar em parceria com operadoras do País app isento de cobrança de tarifa; novidade chega após caso de edição de verbetes por funcionários do governo expor desafios de seu sistema colaborativo

Sede da entidade que mantém a Wikipédia fica nos EUA. FOTO: Wikimedia Commons

Sede da entidade que mantém a Wikipédia fica nos EUA. FOTO: Wikimedia Commons

LONDRES | Enciclopédia virtual mais famosa do mundo, a Wikipédia quer ampliar e facilitar o acesso ao seu conteúdo em países emergentes. No início do mês, a Fundação Wikimedia, responsável pelo site, anunciou o projeto Wikipédia Zero, uma parceria com operadoras de telefonia para oferecer acesso gratuito ao conteúdo da enciclopédia por meio de um app para smartphones. Lançado em 29 países, o projeto deve chegar ao Brasil nos próximos meses.

Estamos em fase final de negociações com uma operadora brasileira, mas gostaríamos de trabalhar com todas”, disse Carolynne Schloeder, diretora da parte móvel da Fundação, com exclusividade ao Estado.

A novidade chegará ao Brasil em um momento em que o sistema da Wikipédia – o quinto site mais acessado do mundo – é questionado no País. A notícia de que um endereço de IP de dentro do governo federal foi usado para alterar informações nas páginas de jornalistas como Miriam Leitão acabou gerando dúvidas e revelando desinformação sobre o funcionamento da enciclopédia.

O artigo sobre a jornalista teve a sigla “LOL” [que significa gargalhar] inserida no texto. Não se trata de uma novidade, já que atos semelhantes aconteceram no passado e também em outros países. Em um caso parecido nos EUA, a Wikipédia foi obrigada a banir usuários de dentro do Congresso americano depois que um funcionário iniciou colaborações no site.

Fundada em 2001 pelo americano Jimmy Wales, a enciclopédia construída apenas com contribuições de voluntários ganhou força com os anos e se tornou referência para qualquer pesquisa. Um levantamento recente no Reino Unido apontou que os ingleses confiam mais nos autores da Wikipédia [64%] do que nos jornalistas da BBC [60%].

Entretanto, os recentes casos de edições por fins políticos expõem uma fragilidade eminente no sistema do site: a legitimidade das informações.

Existem diferentes capacidades de edição na Wikipédia, todas abertas a qualquer pessoa. O editor “anônimo” é qualquer pessoa que faz alterações em um verbete sem se registrar no site. Com o registro, pode-se ascender a diversas posições, entre elas “autoconfirmado” [no Brasil, editores cadastrados há pelo menos quatro dias] e “administrador” [com poderes, por exemplo, de trancar páginas].

Qualquer alteração no conteúdo precisa seguir regras específicas, justamente para evitar a inclusão de informações duvidosas e o vandalismo de certas páginas – alguns verbetes são trancados pelos administradores, como os de George W. Bush, Dilma Rousseff e Lula.

Editores e administradores monitoram o site em busca de edições maliciosas. “O vandalismo nas páginas da Wikipédia é chocante. Mas esse tipo de edição é removida em minutos graças à comunidade”, diz Stevie Benton, chefe de relações exteriores da Wikipédia no Reino Unido.

São cerca de 1.500 editores ativos editando páginas em português e 38 mil usuários cadastrados. As 835 mil páginas em português ainda são minoria se comparadas com as mais de 4 milhões em inglês.

De acordo com as regras da Wikipédia, uma página só pode ser criada se houver relevância e notoriedade. No caso de conflito de interesses, um editor não pode modificar uma página inteira por conta própria.

Nem sempre a edição de verbetes por interesses próprios consegue ser evitada. A prática é desencorajada pela Fundação Wikimedia. “Recentemente modificamos os termos de uso obrigando usuários pagos para editarem a revelarem [que são pagos]”, disse ao Estado a diretora de comunicações da Fundação Wikimedia, Katherine Maher.

Esse comportamento se tornou tão comum que um grupo de onze assessorias de imprensa estrangeiras conhecidas assumiu recentemente um compromisso público de não mexer nas páginas da Wikipédia de seus clientes. Esses casos são investigados pela própria comunidade, que identifica diferentes padrões de edições, semelhantes, feitas diversas vezes em um espaço de tempo.

Recentemente, um outro tipo de edição de conteúdo se tornou um problema para a Wikipédia. A lei europeia que dá direito ao cidadão de pedir para que informações sejam apagadas da internet, o chamado “direito ao esquecimento”, fez com que pelo menos dez páginas tenham sido retiradas do ar a pedido de usuários. Jimmy Wales chamou a lei de “insana”.

Ana Toni, única brasileira a participar do conselho curador da Fundação Wikimedia, disse ao Estado ser contra a lei. “Temos que lutar pela liberdade de informação. A Wikipédia traz uma oportunidade incrível para a educação, para as crianças e professores”, defendeu ela, que está deixando o cargo.

Por Pedro Caiado | ESPECIAL PARA O ESTADO | 17 de agosto de 2014 21h39

Brasileiro edita páginas da Wikipédia desde os 14 anos


Dividir ‘conhecimento’ está entre as motivações de Vinícius Siqueira, um dos 15 mil editores da enciclopédia no País

Páginas como a da presidente Dilma Rousseff só podem ser editadas por ‘veteranos’ da Wikipédia.  FOTO: Reprodução

Páginas como a da presidente Dilma Rousseff só podem ser editadas por ‘veteranos’ da Wikipédia. FOTO: Reprodução

LONDRES | Existem 15 mil brasileiros trabalhando voluntariamente para a Wikipédia. Eles são uma comunidade ativa, que edita em torno de 200 mil páginas diariamente. Vinícius Siqueira, de 22 anos, é editor do site desde os 14 anos. “O que me motiva é compartilhar conhecimento de forma livre”, disse ele ao Estado, por telefone.

O estudante de medicina edita assuntos do seu dia a dia. “É uma técnica de aprendizado para mim. Esse é um compromisso pessoal com o acesso livre ao conhecimento”, defendeu ele.

Perguntado quais são as páginas mais vandalizadas do Wikipedia em português, ele explica que várias tem que ser trancadas. Somente administradores ou usuários registrados podem editá-las. “Entre as protegidas estão assuntos como ‘bunda’, as de celebridades como Luan Santana e Justin Bieber, e de políticos como Dilma Rousseff e Lula”, disse o jovem que já dedicou parte de suas férias editando artigos do Wikipédia.

Um vandalismo muito óbvio, como um palavrão, não dura segundos antes de ser retirado”, ele explica. “E você pode acessar o histórico de todas as edições de uma mesma página.” O cargo de editor é considerado como de grande responsabilidade. “Os assuntos tem de ser abordados de forma imparcial”, disse.

Vinicius explica que há maneiras de monitorar a qualidade dos artigos. “Há uma parte chamada ‘mudanças recentes’, em que você consegue ver todas as edições feitas nas páginas em português.

Segundo ele, quem faz o monitoramento de artigos conhece as regras da Wikipédia, mas não é necessariamente um profissional da área. “Você não precisa ser médico para editar páginas relacionadas à medicina”, afirmou, dizendo que as fontes é que cedem as informações, e que cabe aos editores catalogá-las. Para ele, a Wikipédia funciona de forma democrática. “Você tem que ter aprovação da comunidade para ter acesso a certas ferramentas.

Em uma rápida analise das páginas dos candidatos a presidência, incluindo a do recém-falecido Eduardo Campos, Vinicius dá sua opinião. “Estão todas de acordo com os padrões do Wikipédia. Acho que somente a do Campos merecia mais fontes, mas talvez seja pelo momento”, disse.

Por Pedro Caiado | Publicado originalmnte por Link do ESTADÃO | 7 de agosto de 2014 21h39

Autor mais produtivo da Wikipédia já escreveu 10% de todo material


Com ajuda de software, sueco cria até 10 mil artigos novos em um dia

Além de escrever artigos para a Wikipédia, Sverker Johansson leciona na Universidade de Dalarna, na Suécia - Divulgação/ hem.hj.se  Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/autor-mais-produtivo-da-wikipedia-ja-escreveu-27-milhoes-de-artigos-quase-10-de-todo-material-13262849#ixzz37eXBm6Ia

Além de escrever artigos para a Wikipédia, Sverker Johansson leciona na Universidade de Dalarna, na Suécia – Divulgação/ hem.hj.se

RIO | Talvez você nunca tenha ouvido falar em Sverker Johansson, mas ele é o autor com maior número de artigos publicados na Wikipédia. Ele já escreveu 2,7 milhões de artigos para a enciplopédia on-line, ou seja, 8,5% dela.

O jornal “The Wall Street Journal” traçou um perfil do sueco de 53 anos cuja produção ultrapassa a de qualquer outro autor da Wikipédia. Com diplomas em linguística, engenharia civil, economia e física, ele já contribuiu principlamente com artigos sobre espécies obscuras de animais — particularmente borboletas e besouros — e sente muito orgulho seu trabalho em catalogar cidades nas Filipinas.

Apesar da enorme produção, é provável que muitos brasileiros nunca tenham lido nada escrito por ele, já que um terço de suas contribuições estão escritas em sueco, sua língua natal, e dois terços em dois dialetos filipinos, sendo um deles o idioma de sua mulher. Além disso, o trabalho de Johansson, que tem dedicado os últimos 7 anos de sua vida a isso, não é feito inteiramente sozinho.

O grosso de suas publicações foram criadas por um software de computador conhecido como um bot. O programa de Sr. Johansson vasculha bases de dados e outras fontes digitais de informação e, em seguida, empacota tudo em um artigo. Em um bom dia de trabalho, ele diz que sua “Lsjbot” cria até 10 mil novos artigos”, explica um trecho da reportagem.

Bots são ferramentas controversas na Wikipédia, já que algumas pessoas reclamam que ela descarta a criatividade humana, apesar de seu uso ser autorizado pelas regras do site.

Na Wikipédia, qualquer usuário registrado pode criar um artigo. Johansson tem de encontrar um banco de dados confiável, criar um modelo para um determinado assunto e, em seguida, ativar o seu bot de seu computador. O software — que o especialista demorou meses para programar — procura por informações e, então, as publica a enciclopédia virtual.

Eu estou fazendo isso para criar uma democracia absoluta na web”, disse Johansson ao jornal americano, sentado na frente de um computador em seu escritório na Universidade de Dalarna, na Suécia.

O GLOBO | 15/07/2014, às 11:49

Editora alemã lança campanha de financiamento coletivo para imprimir a Wikipédia


Primeiro volume da Wikipédia em inglês, impresso pela editora alemã PediaPress

Primeiro volume da Wikipédia em inglês, impresso pela editora alemã PediaPress

Primeiro volume da Wikipédia em inglês, impresso pela editora alemã PediaPress

A editora alemã PediaPress lançou uma campanha no site de financiamento coletivo Indiegogo para imprimir todo o conteúdo da Wikipédia – pelo menos os artigos escritos em inglês.

Se a meta de US$ 50 mil for alcançada até 11 de abril, mais de 4 milhões de artigos deverão ser transformados em cerca de mil livros de 1.200 páginas cada um, segundo o projeto da empresa.

“O melhor jeito de experienciar o tamanho da Wikipédia é convertendo-a para o meio físico dos livros”, escreveu a editora na página da campanha.

Além de custear a impressão, o dinheiro arrecadado será usado para construir uma estante de 10 metros de comprimento e 2,5 metros de altura.

A ideia é fazer uma exibição da enciclopédia colaborativa num evento organizado para a comunidade da Wikipédia, que neste ano será realizado em Londres, durante cinco dias de agosto.

Até a conclusão deste texto, a campanha havia arrecadado mais de US$ 9 mil, doados por 110 apoiadores.

Caso obtenha mais de US$ 50 mil, a editora diz que pode considerar imprimir os livros em cores e levar a exposição para outros continentes.

Parceira da Fundação Wikimedia, a editora alemã PediaPress é conhecida por oferecer um serviço de impressão de artigos da Wikipédia para colaboradores e leitores.

Publicado originalmente e clipado è partir de FOLHA DE S.PAULO | TEC | 21/02/2014 18h56

Amazon completa um ano no Brasil e lança novo leitor Kindle


Após ter completado, na última sexta-feira [6], seu primeiro ano de operação no Brasil, a Amazon lançou por R$ 479 nesta quinta-feira [12] a segunda versão do Kindle Paperwhite, topo da sua linha de e-readers, leitores de livro eletrônico.

A primeira versão do aparelho, que está sendo substituída hoje, chegou ao Brasil em março por R$ 479 na versão sem conectividade 3G – a única que será vendida, a princípio. É o mesmo preço pelo qual chegou seu antecessor, que também tem uma versão com internet, que continuará sendo vendida por R$ 699.

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração, lançado no Brasil nesta quinta [12] por R$ 479

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração, lançado no Brasil nesta quinta [12] por R$ 479

E-readers são dispositivos semelhantes a tablets que tem tela desenvolvida para textos longos [têm legibilidade melhor e iluminação menos agressiva] e com duração de bateria mais longa. O principal rival do Paperwhite no Brasil é o Kobo Aura HD, que custa R$ 659.

“Um tablet é como um canivete e, um e-reader, uma chave de fenda”, diz à Folha Alex Szapiro, diretor de operação da Amazon no Brasil. “Você pode ter um canivete, mas se quiser só apertar parafuso, uma chave de fenda é melhor. Por isso o leitor aficionado tem uma experiência tão positiva com um e-reader.

Nos EUA, onde foi lançado no dia 30 de setembro, o novo Paperwhite de segunda geração é vendido por US$ 139 e US$ 199, cerca de R$ 324 e de R$ 464, respectivamente nas versões sem e com 3G.

A opção com anúncios, US$ 20 mais barata em cada uma das versões, não está disponível no Brasil.

A Amazon não revela números, mas diz que o crescimento nas vendas de livros digitais e de seus Kindle é constante. “Toda semana é semana de recorde, e isso não só para a Amazon, mas todo o segmento de livro eletrônico no Brasil”, afirma Szapiro.

O número de títulos disponíveis em português no país dobrou da inauguração da loja virtual da Amazon no país para hoje, para 26 mil obras. Dessas, 3.000 são gratuitas.

Recentemente, a empresa lançou no país sua loja de aplicativos para Android, que concorre com a Play, do Google. A principal vantagem são os pagamentos, que dispensam cartão de crédito internacional e são feitos em reais.

O APARELHO

Com tela de seis polegadas, o Kindle Paperwhite é mais pesado que seu “irmão” básico que custa R$ 299 aqui e que carece de tela iluminada :são 206 g ante 170 g. Por outro lado, é mais leve que qualquer tablet –o iPad mini, por exemplo, pesa 331 g, e, o iPad Air, 478 g.03

Entre suas novidades, estão seu novo processador, que torna a virada de página mais rápida e contraste superior em relação à primeira geração do dispositivo. Entre suas capacidades, estão pesquisa no dicionário embutido e na Wikipédia se houver conexão com a internet.

A bateria dura 28 horas de uso contínuo, segundo a empresa –o cálculo que a Amazon faz é que, lendo meia hora diária, o Kindle Paperwhite é descarregado completamente depois de oito semanas, com o wi-fi e o 3G desligados.

O aparelho é distribuído pelas parceiras da companhia americana no país, como Ponto Frio e Livraria da Vila.

POR YURI GONZAGA | Publicado originalmente em TEC | 12/12/2013 – 03h30

Wikipedia disponibiliza conteúdo via SMS


Iniciativa será testada no Quênia e deixará usuários acessarem texto da enciclopédia quando estiverem offline

WikipediaSÃO PAULO | Apesar de seu acervo gigantesco, a Wikipedia dificilmente pode ser acessada offline – a não ser quando se utiliza um aplicativo ou uma extensão independente à sua organização. Mas isso vai mudar.

No Quênia, uma projeto piloto entre a Wikimedia Foundation e a empresa Airtel deixará com que usuários possam ter acesso a partes dos textos da Wikipedia via SMS a partir de qualquer celular.

A meta da companhia de telecomunicações é expandir o serviço, chamado de Wikipedia Zero, para 70 milhões de usuários na África subsaariana.

Para acessar a Wikpedia, os quenianos terão de chamar *515# em seus telefones, e esperar por uma mensagem que pede pelo termo que estão procurando. Uma segunda mensagem chegará perguntando para os usuários especificarem que verbete eles querem, e, em sequência, uma mensagem pedirá por qual seção do verbete os usuários querem saber primeiro. Nenhum aplicativo será necessário para o uso do sistema.

A partir desse projeto, esperamos que esse serviço possa estar disponível para bilhões de pessoas com um celular, mas que não podem acessar a internet”, disse Dan Foy, gerente de parcerias técnicas da Wikimedia Foundation.

Por Bruno Capelas | Link, Estadão | 25 de outubro de 2013| 19h17

Colégio em SP estimula alunos a editar e melhorar a Wikipédia


Alunos do 9º ano do ensino fundamental do colégio I.L. Peretz, na zona sul de São Paulo, têm trabalhado para melhorar a qualidade e criar verbetes relacionados a obras literárias na Wikipédia, enciclopédia digital que tem 25 milhões de artigos publicados em 285 idiomas, sendo 772 mil deles em português.

A iniciativa partiu do professor Jorge Makssoudian, que procurou no Brasil os representantes da Wikimedia Foundation, responsável pelo site colaborativo, para oferecer a parceria.

O projeto é semelhante ao Wikipédia na Universidade, lançado pela fundação em 2011 e que tem a participação de instituições como USP, UFRJ e FGV, entre outras.

Eu pensei em um projeto que unisse tecnologia com algo que os alunos costumam usar no dia a dia, mas que também servisse como ferramenta para trabalharmos questões gramaticais“, explica.

Alunos do colégio Perets com o professor Jorge Makssoudian, que idealizou o projeto. Crédito da foto: Fabio Braga | Folhapress

Alunos do colégio Perets com o professor Jorge Makssoudian, que idealizou o projeto. Crédito da foto: Fabio Braga | Folhapress

De acordo com o professor, inicialmente são trabalhados apenas os verbetes sobre os livros que os alunos já leram.

O primeiro é sobre “A Volta ao Mundo em 80 dias”, do escritor francês Júlio Verne.

A ideia, segundo Makssoudian, é tornar a enciclopédia digital um ambiente mais confiável e com textos mais bem escritos. A filosofia é: em vez de reclamar, faça algo para melhorar o que lê.

Após criar os verbetes, alunos vão colocar nos livros com verbetes os selos com tecnologia QR Code. Crédito da foto: Fabio Braga | Folhapress

Após criar os verbetes, alunos vão colocar nos livros com verbetes os selos com tecnologia QR Code. Crédito da foto: Fabio Braga | Folhapress

É legal poder participar, entender como ela é formada [a Wikipédia], como as pessoas produzem [o conteúdo] e como ele é publicado. Isso estimula a gente a fazer também“, diz Grabiela Ejchel, 13.

O projeto também prevê levar tecnologia à biblioteca. Cada livro que tiver seu verbete editado na Wikipédia vai ganhar um QR Code, espécie de código de barras que pode ser lido por tablets e celulares e leva o leitor direto para uma página na internet.

Apesar de o programa não ser projeto oficial da Wikimedia Foundation, Oona Castro, responsável no Brasil pelas parcerias da fundação, diz que a iniciativa é bem-vinda. “Queremos muito aprender com essa experiência, nova para nós, já que até hoje estivemos focados em atividades com universidades.

Nosso papel é basicamente o de fomentar processos junto com a comunidade. Neste sentido, fizemos apenas a ponte entre o professor e voluntários da comunidade que já vinham planejando atividades em escolas de ensino médio em São Paulo“, diz.

POR MÁRCIO DINIZ | Publicado e clipado originalmente à partir de Folha de S.Paulo | 25/03/2013, às 03h30

Enciclopédia ganha novos formatos na internet


A ideia de levar a enciclopédia para o meio digital não é nova. No início dos anos 90, a Microsoft lançou uma enciclopédia em CD-Rom, a Encarta, mas o projeto não se mostrou bem-sucedido. Outras iniciativas que surgiram na mesma época tiveram fim idêntico. O que mudou a cara da enciclopédia foi um conceito da web: o compartilhamento coletivo do conhecimento. Foi esse o motor da Wikipedia, que se transformou na maior enciclopédia da internet. Só em inglês, são mais de 3 milhões de verbetes, versus os cerca de 100 mil da Britannica. Em vez de autores especializados, a Wikipedia recebe contribuições de qualquer pessoa que se dispuser a escrever sobre um determinado assunto. Para quem prefere a tradição da Britannica, está disponível uma versão on-line. Parte do acervo é gratuito. A versão completa, para iPad, custa US$ 1,99 por mês. Foi-se o tempo em que os pais precisavam economizar para comprar enciclopédia.

Valor Econômico | 18/09/2012

Escritor norte-americano Philip Roth enfrenta a Wikipedia


O escritor norte-americano Philip Roth enviou uma carta aberta à Wikipedia em que nega uma informação publicada no site de que seu livro “A Marca Humana” [2000] teria sido baseado na vida de Anatole Broyard, famoso crítico cultural do “New York Times”, morto em 1990.

O romance acompanha a vida de Coleman Silk, um professor afro-americano que finge ter origem judaica, com o objetivo de alavancar sua carreira acadêmica. Na Wikipedia, a trama é citada como se o personagem Silk tivesse sido inspirado em Broyard.

Escritor, ensaísta e crítico literário, Anatole Broyard [1920-1990] foi acusado, em seus últimos anos de vida, por entidades de defesa da igualdade racial, de renegar suas origens afro-americanas para ter mais oportunidades de crescimento profissional.

Segundo Roth, porém, o protagonista de seu romance seria baseado em um professor de sociologia da Universidade de Princeton que o autor conheceu há mais de trinta anos.

Na carta, o escritor desmente qualquer relação entre seu personagem e Broyard, afirmando que se trata de “mera fofoca literária e não há verdade alguma nisso”.

O escritor americano Philip Roth, em seu apartamento, no bairro de Upper West Side, em Manhattan | Gilberto Tadday/Folha Imagem

O escritor americano Philip Roth, em seu apartamento, no bairro de Upper West Side, em Manhattan | Gilberto Tadday/Folha Imagem

Os dados da Wikipedia são editados de forma colaborativa por qualquer usuário com acesso ao site.

Segundo o romancista, a carta foi respondida pelos administradores da enciclopédia da seguinte maneira: “Nós compreendemos que o escritor é quem tem maior autoridade para interpretar sua própria obra, mas precisamos de uma segunda opinião“.

Em entrevista à “New Yorker”, Roth rebateu: “Nunca jantei, fui ao cinema, ou joguei cartas com Broyard. Como poderia basear um romance inteiro em sua vida?“.

A versão de que teria feito seu livro inspirado no jornalista continua no verbete da Wikipedia. O verbete, porém, incluiu agora o protesto de Roth. O caso levanta uma nova onda de discussões sobre a política de checagem de informações do site.

Folha de S. Paulo | 09/09/2012

Site gratuito aposta em tradução de artigos para ajudar no ensino de línguas


Aprender idiomas de graça e ajudar a traduzir textos na internet é a proposta do matemático e empreendedor guatemalteco Luis von Ahn, criador do sistema Captcha e que lançou recentemente o site “Duolingo”.

Von Ahn, que aos 33 anos foi considerado uma das 50 pessoas mais influentes no mundo da tecnologia, apresentou a versão beta do portal no ano passado, mas “oDuolingo já está em funcionamento, disse em entrevista à Efe.

Imagem do vídeo de apresentação do site Duolingo, cuja ideia é ensinar idiomas por meio da tradução de textos

Imagem do vídeo de apresentação do site Duolingo, cuja ideia é ensinar idiomas por meio da tradução de textos

Segundo ele, meio milhão de pessoas no mundo todo já se somou a esta iniciativa, apoiada pelo ator Ashton Kutcher, que mostrou seu interesse no trabalho de Von Ahn em sua conta do Twitter.

O sistema avalia os estudantes por níveis a partir do zero e, assim, eles vão aprendendo de forma intuitiva com atividades e exercícios para escutar e falar, utilizando a plataforma digital.

O objetivo é ajudar a traduzir textos de internet para todos os idiomas do mundo, já que segundo o matemático mais de 50% dos conteúdos está em inglês e “se as pessoas não sabem a língua não podem entender“.

Por exemplo, na popular enciclopédia online alimentada pelos próprios usuários, a Wikipédia, a proporção de artigos que há em espanhol em relação ao inglês é de apenas 20%“, diz.

Queremos que as pessoas nos ajudem a fazê-lo, e traduzir textos da internet tem, além disso, o incentivo de aprender outro idioma“, diz.

Os usuários primeiro começam aprendendo palavras muito simples e pouco a pouco vão sendo dadas a eles frases de textos da internet que não foram traduzidos, por exemplo, o título de um artigo que contenha as palavras que foram aprendendo.

Se o usuário não conhece alguma palavra, o programa revela seu significado e dá pistas para que o estudante se lembre da próxima vez.

Diferentes alunos traduzem essa frase. Em seguida, veem como fizeram outros usuários e no final entre todos escolhem qual é a mais apropriada.

WIKIPÉDIA

Uma das páginas com a qual trabalham é a Wikipédia, onde vão fazendo as traduções dos artigos quando estão completos, mas o objetivo a longo prazo é se conectar a instituições educativas ou a alguns sites de notícias para traduzir seus conteúdos e aproximar ainda mais a internet do público que não fala inglês.

Por enquanto, o “Duolingo” já dispõe de inglês, espanhol, alemão, francês e em um mês haverá português, mas a intenção deste jovem empreendedor é continuar crescendo. Para isso, ele se propôs a incluir italiano e chinês até o final do ano.

Von Ahn também traçou outra meta, chegar a um milhão de usuários e depois que o site cresça por si só.

Nascido na Guatemala em 1979, o empreendedor chegou em 1996 aos Estados Unidos, onde desenvolveu carreira no campo da informática.

Formado em Ciências Informáticas em 2003 pela Universidade de Duke [Carolina do Norte] e doutor pela Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh [Pensilvânia] em 2005, Von Ahn foi incluído na lista dos dez novos rostos do pensamento ibero-americano da revista “Foreign Policy” em 2010.

O trabalho de Von Ahn se centra em desenvolver programas utilizando as capacidades humanas para resolver problemas que os computadores ainda não são capazes de solucionar.

É conhecido sobretudo por ser o criador do Captcha, uma aplicação de segurança informática, e sua segunda versão ReCaptcha, que foi comprada pelo Google em 2009.

O aplicativo utiliza letras e números distorcidos que o usuário tem que escrever corretamente em uma lacuna, incorporado por muitas páginas de internet para bloquear spam gerado automaticamente, além de ataques através da rede.

A revista “Popular Science” o nomeou um dos dez cientistas brilhantes de 2006, em 2007 a “Silicon.com” o considerou uma das 50 pessoas mais influentes na tecnologia e em 2008 a revista “Discover” incluiu seu nome entre os 50 cientistas mais destacados.

DA EFE, EM WASHINGTON | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 05/09/2012 – 08h34

Porque enviar textos sem DRM para o Kindle?


POR EDNEI PROCÓPIO

Li, num jornal de Imperatriz, enquanto me preparava para minha palestra sobre eBooks, durante o 10º Salão do Livro da cidade, que a Amazon já está pensando no lançamento do Kindle Fire 2.

E enquanto a gigante do varejo online, a Amazon.com, prepara a segunda edição do tablet cujo navegador, pela tecnologia empregada, é um dos mais eficientes que se tem notícia, fiquei pensando num modo mais simples de como enviar para o hardware alguns artigos e matérias que me aguardavam na fila de espera da leitura.

Encontrei uma pista na última edição da revista Superinteressante, que eu comprei na ida, numa daquelas revistarias de aeroporto.

Aqui vai, portanto, uma dica de como enviar textos, sem DRM, para ler no seu Kindle. Tablets como o Kindle Fire, como sabemos, não serve apenas para ler livros eletrônicos comprados na loja da Amazon. O usuário também pode, por exemplo, alimentá-lo com textos, artigos e matérias da Internet. Mas como fazer isso para uma posterior leitura offline?

Fique tranquilo, não usaremos nenhum script malicioso ou jailbreak da vida.

[A] O primeiro modo é instalando o plug-in Readability. O aplicativo Readability irá adicionar um botão ao navegador. Clique no botão Readability e o conteúdo, a página, que você está lendo será enviada para o aparelho. Um script, chamado sugestivamente de Send to Kindle estará lá no canto superior, à direita, através do atalho Shift + Ctrl + K. Se você estiver, por exemplo, lendo um livro da estante da eBooksBrasil.org, o conteúdo aparecerá no seu Kindle.

[B] Agora, se o leitor desejar enviar arquivos nos formatos .DOC, .TXT, .PDF, etc., diretamente para o Kindle, o segundo modo é instalando no PC o aplicativo Send to Kindle [desenvolvido pela própria Amazon].

Basicamente é isso. Fácil, não? Foi o que eu pensei e, por isso, baixei um livro eletrônico pirat… quer dizer, sem DRM, e me pus a testar. Eu baixei uma versão pirat… quer dizer, sem DRM, do livro “A Profecia Celestina” do site… [não vou entregar o nome do site porque eu não quero tirar o trabalho do pessoal da  ABDR].

Aliás, como eu morro de medo do pessoal da ABDR me enviar uma intimação, ou algo que o valha, liguei logo para o meu advogado para explicar para ele a minha experiência de testar plug-ins e aplicativos oficiais com livros pirat… quer dizer, conteúdo sem DRM. Aí ele me disse “…mas é tão fácil assim?” e eu respondi “sim, claro, veja: basta você instalar o plug-in de leitura online do Readium, subir o ePub de um livro eletrônico pirat… quer dizer dizer sem DRM, clicar no Sent to Kindle e”… ele respondeu:

Veja bem, é muito arriscada a sua experiência.. se você for preso eu não sei se eu conseguirei te defender. É muito complicado explicar ao excelentíssimo Juiz que você estava testando um aplicativo oficial com um conteúdo sem DRM, ao invés de ter de explicar que baixou um livro pirata para provar que o sistema de certas empresas, dito seguras, também servem para isso.

Mesmo assim eu me arrisquei, baixei a versão pirat.. quer dizer, sem DRM, do livro do escritor James Redfield e mandei para o meu Kindle sem muito esforço. Só que, para o meu azar, quando eu estava lendo o tal conteúdo sem DRM, dentro do avião, a comissária de bordo me pediu para que eu gentilmente desligasse o meu aparelho. Aí eu disse para a aeromoça, muito linda por sinal, que veja bem, aquilo não era um aparelho, que blasfêmia, aquilo era um leitor de livros eletrônicos. Mas ela, muito educadamente me pediu:

Tudo bem, senhor, eu compreendo, mas, por favor, desligue o seu livro!“.

É realmente um absurdo não poder ler livros dentro de um avião, tudo bem que o conteúdo era… sem DRM. Pra piorar, minha palestra sobre eBooks foi um desastre. Não tive audiência nenhuma. Não sei se porque a feira era de livros impressos, estava vazia, ou se não tinha ninguém interessado no futuro do livro mesmo.

Bem, acredito quando o James Redfield escreve em seu livro que nada é por acaso. Pelo menos percebi duas coisas na minha ida para o 10º Salão do Livro de Imperatriz. Que gostaria de aproveitar para comentar aqui:

[1] Existe um jornal terrível na cidade de Imperatriz, chamado O Progresso. Gente, na boa, o jornal deveria se chamar O Regresso. É um dos piores jornais que eu já folheei na vida. Tanto em termos de design, quanto em termos de conteúdo. Eu acho talvez que eu não devesse fazer isso, mas tem jornais de bairro aqui na nossa cidade que é muito melhor que O Progresso.

Como sempre faço quando chego em uma cidade nova que visito, eu procurei uma igreja e o jornal local para saber das coisas da região. Não gosto de me sentir uma espécie de caipira da cidade grande. Lendo O Progresso descobri que o jornal não conseguiu me mostrar o que de fato era a cidade, na sua essência. Então, bem, o que eu fiz, fui à Internet. Encontrei algo sobre a cidade na Wikipedia que me deixou um pouco angustiado, pois também parecia não refletir a cultura de onde eu estava.

Eu não sei, creio talvez que a imprensa regional esteja sendo asfixiada pela globalização da incompetência nas mídias.

[2] Dentro do saguão do aeroporto existe uma loja da La Selva [ou seria da SuperNews?, não me lembro mais]. Lá, eu fui abordado por um vendedor que me ofereceu uma ‘assinatura’ diferenciada da revista Wide, Galileu, etc., enfim das revistas que eu gosto. O processo era bem simples e bastante atraente: eu escolhia a revista, deixava o meu cartão de crédito e os números das revistas selecionadas me eram entregues no meu endereço físico todos os meses como se fosse uma assinatura convencional. Mas, porém, todavia, contudo, quem estaria entregando era a loja onde eu fiz a compra antecipada das revistas, o que me renderia 30% de desconto.

Uau! Gostei bastante da ideia dos descontos, me pareceu mais atraente do que eu fazer uma assinatura convencional, mas fiquei pensando no jornaleiro perto da minha casa cujo contato eu perderia nas minhas visitas nos domingos de manhã. Na verdade, o jornaleiro perto da minha casa é santista, como eu, e aí eu perderia as nossas conversas.

No final, não fiz a compra antecipada dos números das minhas revistas favoritas. Mas fiquei pensando que as coisas mudaram tanto que o jornal mais importante de uma cidade do Maranhão, com duzentos e cinquenta mil habitantes, mantém o pior conteúdo, que deveria ser regional, diga-se de passagem, que um município de nosso país pode ter acesso. E pensei também que até o modelo de assinaturas de revistas impressas pode enfrentar uma concorrência se as revistarias resolverem vender com descontos e entregar revistas diretamente para os seus clientes.

A conclusão deste post seria a seguinte: a cidade de Imperatriz precisa pensar urgentemente em uma alternativa para melhorar o design e conteúdo do seu maior jornal regional. Não faz sentido eu comprar um jornal de Imperatriz para ler notícias do Sudeste; E as revistarias estão tentando sobreviver vendendo números antecipados de revistas aos seus clientes abrindo mão de um percentual de seu lucro.

O que tudo isto tem a ver com enviar textos sem DRM para o Kindle? É muito simples: enquanto todos os geradores e editores de conteúdo investem seu tempo pensando em um modo de manter seguro os seus livros, alternativas de vendas de mídias são criadas, qualidade de conteúdo e design vão sendo esquecidos e a tecnologia avança para levar conteúdo sem DRM diretamente para os hardwares, passando por incrível que possa parecer pela própria plataforma segura de quem as desenvolveu. Então, porque enviar textos sem DRM para o Kindle? Pelo simples fato de que existem ferramentas que foram criadas para isso.

Bem, a Amazon vai precisar muito mais do que uma boa dose de antropologia, para não dizer antropofagia, se quiser entender o mercado editorial brasileiro antes de aportar em nosso país.

POR EDNEI PROCÓPIO

Wikipédia abrirá seu primeiro escritório no Brasil


Por que a comunidade de editores da Wikipédia em português não cresce no Brasil e quais as áreas prioritárias que devemos focar para gerar um crescimento?

Essa foi a principal pergunta a que a paulistana Oona Castro, 31, teve de responder no processo seletivo para se tornar a representante da Wikimedia Foundation [fundação responsável pela Wikipédia e outros projetos] no Brasil.

Oona Castro, a brasileira escolhida para instalar e comandar o primeiro escritorio da Wikipedia no Brasil | Cecilia Acioli/Folhapress

Oona Castro, a brasileira escolhida para instalar e comandar o primeiro escritorio da Wikipedia no Brasil | Cecilia Acioli/Folhapress

A ideia não era obter uma resposta definitiva, ainda que a pergunta seja baseada em dados reais e represente “o maior desafio que a diretora no Brasil enfrentará”, segundo a própria fundação.

O objetivo era testar a capacidade dos candidatos de interagir com a comunidade de usuários [agrupada no movimento voluntário Wikimedia Brasil] para chegar a uma resposta -a colaboração é central na filosofia wiki.

No fundo, é uma resposta que ninguém tem. Eu procurei mostrar que provavelmente existem motivos externos para isso, culturais, de hábitos das pessoas na internet“, explica Oona.

O teste foi uma chance de ver se você aguenta o tranco, uma semana de intensivão de relacionamento com a comunidade, foi muito legal.

Com uma larga experiência de trabalho com movimentos colaborativos e de cultura livre – seu último emprego foi como diretora-executiva do instituto [e site] Overmundo, onde esteve por mais de quatro anos, Oona diz que seu papel será o de uma “catalizadora”.

Centralização é um tiro no pé. Eu cheguei para trabalhar com a comunidade, não vim para substituí-la. Meu papel é pensar, com a fundação e com os usuários, o que cabe ou não para o Brasil.

SÃO PAULO OU RIO?

Contratada no mês passado como consultora, ela deverá ser nomeada diretora após estruturar formalmente o primeiro escritório do grupo no Brasil [e o segundo fora dos EUA, depois do da Índia].

Ele deve ser aberto em até seis meses, provavelmente em São Paulo, ainda que Oona também cogite o Rio, onde reside, tendo em mente o “boom” que a cidade vive por conta da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Paralelamente, começa a formar uma equipe que terá mais três ou quatro pessoas, uma delas já selecionada -Everton Zanella Alvarenga, o Tom, membro da Wikimedia Brasil e consultor no projeto Wikipédia na Universidade.

Segundo Oona – cujo nome homenageia a mulher de Charles Chaplin, Oona O’Neill–, a presença da fundação no Brasil deve ser temporária: projeta-se, por ora, um período de dois anos.

Nesse tempo, terá de cumprir dois objetivos principais: fortalecer a comunidade de editores e aumentar o número de leitores e usuários da Wikipédia e de outros projetos da fundação, como o dicionário colaborativo Wiktionary e a Wikimedia Commons, repositório de imagens, vídeos e sons de uso gratuito. Ela também destaca a vontade de ter maior participação feminina.

Vamos sistematizar, encaminhar e construir processos que façam a Wikimedia crescer, aumentando a cultura de colaboração“, diz ela.

POR MARCO AURÉLIO CANÔNICO | FOLHA.COM | 02/04/2012 – 07h51

Wikipédia evita política depois de vitória por direitos autorais


A Wikipedia não tem intenção de se tornar uma organização de campanha política, após desempenhar papel chave ao derrotar propostas norte-americanas de leis de combate à pirataria por meio de um blecaute de 24 horas realizado em janeiro, disse o fundador da enciclopédia online, Jimmy Wales.

Companhias de internet e consumidores, preocupados com a possibilidade de que o projeto de lei prejudicasse a liberdade na rede, venceram uma batalha e conseguiram o adiamento dos projetos em questão por prazo indefinido, depois de realizarem um protesto on-line sem precedentes.

Wales afirmou acreditar que os atuais modelos de negócios das companhias de mídia, que dependem de imposição rigorosa de direitos vendidos para regiões determinadas, terminarão derrubados.

Mas ele não prevê que sua enciclopédia on-line – escrita e editada por voluntários, com total mundial de leitores estimado em 365 milhões de pessoas– volte a se envolver em campanhas políticas.

Realmente não queremos nos tornar uma força de lobby, de qualquer natureza, e nossa esperança é de que não precisemos voltar a fazê-lo“, disse Wales em uma conferência do jornal Financial Times sobre mídia digital, em Londres.

Porque temos essa opinião forte sobre neutralidade… realmente não queremos nos envolver em ativismo político, de modo geral. Não seria a coisa certa a fazer, para nós“, disse.

A vitória sobre os projetos de lei de combate à pirataria, Sopa e Pipa, foi comemorada como um triunfo do poder popular e do Vale do Silício, quando dezenas de milhares de pessoas postaram protestos contra eles no Twitter e Facebook e assinaram petições on-line.

Hoje vivemos uma era em que o público mais amplo tem uma voz que jamais teve no passado“, disse Wales.

DA REUTERS | 07/03/2012, 11h18 | Publicado em Folha.com

Atores locais e plataformas locais


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/02/2012

Em 2011, a Aliança Internacional de Editores Independentes e a Fundação Prince Claus patrocinaram uma pesquisa sobre a edição digital nos países em desenvolvimento, com um duplo objetivo: por um lado, avaliar o impacto das tecnologias sobre a indústria do livro nessas regiões e, por outro, estabelecer propostas de ação pensadas para os editores locais.

Os resultados do trabalho podem ser conhecidos aqui. Como fruto desse estudo, desde janeiro de 2012 funciona o Lab, uma unidade de experimentação e formação que tem o apoio da Aliança, da Fundação Prince Claus e da Organização Internacional da Francofonia. Entre as diversas iniciativas do Lab está a atualização da conta @digisouth no Twitter, criada para difundir as principais notícias referentes à edição digital nos países em desenvolvimento: fusões, movimentos sigilosos e tantas outras novidades que sugerem que a edição eletrônica no Sul constitui um cenário de extraordinário dinamismo.

Mês a mês, o Lab oferece entrevistas, artigos e resumos das principias informações divulgadas pela conta @digisouth. Todos os leitores estão convidados a entrar em contato por e-mail ou pelo Twitter para contribuir com novos dados e perspectivas.

Continuemos, então, com nosso panorama sobre janeiro de 2012, um mês marcado tanto pelo crescimento de atores locais quanto por uma nova tática por parte de jogadores internacionais. Talvez ainda seja cedo para avaliar o alcance de tal mudança estratégica, mas vale a pena questionar suas possíveis consequências.

Panoramas locais

Janeiro foi um mês cheio de novidades no Brasil. À informação de que hoje seis em cada dez brasileiros fazem parte da classe média, somam-se as notícias que indicam que existe no país uma grande propensão a comprar pela internet. Os e-books mostram um desempenho interessante, conforme reconhecem as editoras e os agregadores locais. No que diz respeito aos hardwares, alguns tablets nacionais, como o Ypy, da Positivo, estão se tornando verdadeiros concorrentes dos modelos estrangeiros, graças ao seu preço e adaptabilidade. O Estado brasileiro, por sua vez, continua mostrando interesse em transformar o país em um centro mundial de produção de tablets – fabricadas tanto por empresas nacionais como por companhias globais –, o que permite supor que as notícias neste campo continuarão se multiplicando. Finalmente, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] anunciou a intenção de realizar o terceiro congresso internacional do livro digital e outras iniciativas de capacitação, mais um indício de que o gigante latino-americano aspira ser um hub da edição eletrônica regional.

Em relação à África subsariana, as notícias mais produtivas giram em torno dos celulares, em sintonia comalgumas tendências que já havíamos apontado no estudo 2011. Graças a uma elevada penetração da rede de telefonia celular ao longo do continente, estão surgindo atores que pulam a etapa da internet fixa e alcançam um grau notável de aceitação entre os clientes. Um exemplo é a rede social móvel Eskimi, originária da Lituânia, que na Nigéria conta com mais de dois milhões de usuários. Além disso, a operadora Orange anunciou seu projeto de distribuir verbetes da Wikipédia por meio de telefones celulares. Por sua vez, o dinheiro móvel – sistema que permite pagamentos via dispositivos móveis e que em nossa visão é fundamental para a formação de mercados digitais nos países em desenvolvimento – acelera sua expansão na África e segue um caminho bastante atípico. Talvez sejam estas singularidades da região que expliquem o fato de que a banda larga móvel da África do Sul é mais rápida do que a dos Estados Unidos. Os empreendimentos no continente dão a impressão de que alcançam um maior dinamismo quando abandonam soluções do tipo deux ex machina e passam a tomar seu contexto concreto como ponto de partida. Julgamos que isto pode explicar o êxito dos projetos centrados nos telefones celulares e em outras ferramentas informais ou low tech.

No mundo árabe, continua chamando atenção a falta de conteúdo em idioma local. No entanto, alguns atores relativamente novos começam a se consolidar no terreno da edição e distribuição de publicações eletrônicas. Já existem várias empresas que produzem aplicativos para iPhones e iPads, como a Flagship, de Dubai, com sua loja Rufoof. Vale a pena esclarecer que, no mundo árabe, os dispositivos da Apple são caros demais para as massas, o que talvez explique por que os principais produtores de apps se concentram na zona do Golfo, de maior poder aquisitivo. Além disso, na região encontramos iniciativas relacionadas à leitura do Corão e de textos tradicionais, como é o caso do tablet eAlim EL 1000, conhecido como o “iPad do Islã”. Será necessário continuar prestando atenção a esses jogadores hi tech, mas também àqueles que – como na África subsariana – apostam em inovações low tech, especialmente nesta época de efervescência cultural e política.

Tal como observávamos no relatório de 2011, as dimensões extraordinárias do mercado indiano estimularam o surgimento de gigantes da venda on-line; nos últimos meses, a concorrência entre os jogadores locais como Flipkart ou Infibeam desencadeou uma feroz guerra de preços que faz cambalear o circuito de livrarias históricas. Da mesma forma que na África subsaariana, os telefones celulares são na Índia uma plataforma crucial, ao ponto de o governo subsidiar as conexões nas zonas rurais. Mas são talvez os tablets os que vão dominar a atenção nos próximos meses, dado o grande interesse manifestado pelo Estado indiano pela possibilidade de distribuir dispositivos de leitura aos estudantes de todo o país. O aparelho vencedor se chama Aakash, que significa “céu” em híndi; custa apenas US$ 35 e é fabricado pela Datawind, uma empresa anglocanadense fundada pelos irmãos Raja e Suneet Singh Tuli,  oriundos do Punjab. Para além das idas e vindas que caracterizaram o projeto, a tendência parece ser irreversível: o Estado indiano está disposto a massificar os tablets projetados para a população nativa, o que resultará numa poderosa plataforma de distribuição de conteúdos – claro que os modelos de negócios para autores e editores ainda estão para ser inventados. Se a experiência decolar, seguramente será exportada a outros países em desenvolvimento.

Na China também assistimos a transformações de grande alcance. O mercado de aplicativos móveis, buscas on-line, redes sociais e conteúdos digitais cresce num ritmo vertiginoso e está se transformando num campo de batalha entre colossos – como Tencent, Sina, 360Buy, DangDang, Baidu, Shanda, entre tantos outros – que chegam a apequenar até os principais jogadores do Norte. Vale recordar que a plataforma de mensagens Weibo – da Sina – recentemente superou o Twitter em seu recorde de mensagens escritas por segundo. Em breve, as empresas e o próprio setor público – sob a égide do GAPP e de outros organismos – se preparam para ultrapassar as fronteiras chinesas. A Baidu não esconde suas intenções de incluir conteúdos em outras línguas, e também são conhecidas as pressões que o conglomerado Alibaba exerce para apossar-se do Yahoo!

Plataformas globais: uma mudança de estratégia?

Até relativamente pouco tempo atrás, a estratégia de jogadores como Amazon ou Apple nos países em desenvolvimento dava a impressão de ser inflexível. Essas empresas não pareciam estar muito interessadas em adaptar seus formatos, idiomas, conteúdos, políticas de preços, de cobrança ou de pagamentos em função das realidades locais. Dessa forma, para um usuário latino-americano, um Kindle era um Kindle, vendido a um preço determinado em dólares, a partir da Amazon nos Estados Unidos. O resto dos problemas – como pagar com cartão de crédito internacional, retirar a mercadoria da alfândega, solucionar a questão dos impostos, obter material em idioma próprio etc. – cabia ao usuário resolver. Ao invés de seguirem a célebre máxima “pensar globalmente, atuar localmente”, essas plataformas tendiam a guiar-se muito mais pelo inverso: “pensar localmente – isto é, exclusivamente nos termos de um usuário americano – e atuar globalmente”. Por isso, em nosso estudo de 2011, indicávamos que, ceteris paribusnão seria tão simples  para as empresas do Norte massificar seus produtos nos países do Sul, que davam sinais crescentes de autonomia.

Recentemente, contudo, talvez como consequência da acelerada crise financeira e do declínio da Europa como destino comercial, a diversificação dos mercados se transformou não apenas em uma opção, mas em uma necessidade para qualquer empresa global. Sendo assim, assistimos uma mudança dramática na estratégia das plataformas globais, que agora parecem estar mais dispostas a repensar seus modelos em função de cada contexto. Para começar, a Apple lançou com grande sucesso seu iPhone 4S na China, por meio da operadora China Unicom; a apresentação do aparelho foi tão multitudinária que acabou em distúrbios e no próprio cancelamento do evento. Também foi significativo o acordo de isenção firmado entre a Foxconn e o governo brasileiro para a fabricação de iPads em território local, dentro do quadro da política tecnológica brasileira que destacávamos anteriormente.

Merecem ser ressaltados os avanços realizados pela Amazon, que deixou claro seu plano de criar centros de operações em Nanning, na China, e em Bombay,  isto é, sua primeira incursão relevante na Índia. Da mesma forma, logo após o fracasso da primeira rodada de negociações com editores brasileiros em 2011, a Amazon contratou um ex-funcionário da Livraria Cultura para acelerar o lançamento do Kindle na América do Sul.

Finalmente, o Yahoo! anunciou a oferta de conteúdo em 8 idiomas da Índia, o Twitter aceitou adaptar sua plataforma aos “requerimentos” de diferentes Estados nacionais e o Google, depois de incontáveis choques com o governo chinês, já avalia a possibilidade de “flexibilizar” as condições de seu serviço para se adaptar às regras do país.

Desafios e oportunidades

Sendo assim, é especialmente interessante nos perguntarmos sobre o que se ganha e o que se perde com essa mudança de estratégia levada a cabo por companhias que – como Amazon, Apple ou Twitter – até há pouco tempo não haviam feito muitas concessões aos contextos próprios de cada lugar. Na nossa opinião, essa virada acarreta inúmeros riscos para essas empresas, que tendem a subestimar as complexidades locais, e em certo sentido abre-se uma boa oportunidade para os empreendedores locais.

Em primeiro lugar, há a questão das línguas próprias de cada lugar, que constituem uma mediação irredutível, mas frequentemente deixada de lado. A Apple pôde apresentar o iPhone 4S na China, mas para isso deveria ter se assegurado de que seus aplicativos funcionariam tão bem em chinês como em inglês. Lamentavelmente, não foi esse o caso, como podemos ver na paródia “Siri não entende chinês” – ou nasdesventuras de um usuário japonês que por causa do seu sotaque não consegue fazer com que a Siri lhe obedeça.

Também surgem obstáculos toda vez que se minimizam as diferenças culturais e políticas. Comentávamos que o lançamento do iPhone 4S na China teve que ser suspenso por ter sido tão disputado: a Apple tentou mostrar o episódio como um indicador de sua popularidade – dado que havia tanta gente –, ainda que devido aos resultados haveria de tomá-lo como sinal de grande imperícia. Nos Estados Unidos ou na Europa, um bando de gente amontoada na frente de uma loja pode se passar por um grupo ocioso de fãs, mas na China – não só por causa das condições atuais do governo, mas também por uma tradição milenar de harmonia social – essa multidão inquieta é interpretada como princípio de revolta. Aliás, assim foi como o evento terminou, com pancadaria, gritos e ovadas em direção à loja, algo que dificilmente poderia ser considerado um sucesso de marca.

Por outro lado, existem problemas referentes ao que poderíamos chamar de a “perda do efeito de rede”. Originalmente, uma plataforma como o Twitter pôde ser pensada como uma forma de comunicação direta e horizontal entre usuários heterogêneos – um estudante tunisiano podia seguir as mensagens publicadas por um professor egípcio, por exemplo. E, certamente, se o Twitter se sobrepôs a outras ferramentas foi devido ao número crescente de usuários que aderiram a ele, graças a um efeito de rede internacional que se retroalimenta permanentemente. Não obstante, toda plataforma precisa ser rentável em algum momento e é aí que as variáveis locais começam a se manifestar – idiomas, preços, formas de cobranças e pagamentos, governos etc. –, o que obriga a fazer concessões que ameaçam jogar por terra o efeito de rede inicial. Por certo, que utilidade teria, para um internauta egípcio, continuar usando uma plataforma em que ele não poderá ter um contato fluido com colegas de Tunes, se sabe que devido a acordos entre o Twitter e os governos dos dois países suas mensagens poderiam ser bloqueadas e manipuladas? Neste ponto, já não se vê qual vantagem o Twitter poderia ter em relação a outras iniciativas locais vernáculas.

Finalmente, a respeito dos diferentes “convites” que as empresas internacionais recebem para produzir seus dispositivos localmente, longe de eles serem um indício de passividade dos países do Sul podem significar, ao contrário, que várias dessas nações – de tradição industrialista, como o Brasil – se preparam para um contexto de maior protecionismo global e querem garantir a tecnologia e o know how necessários para abastecer tanto o seu mercado interno quanto o de seus parceiros regionais. Vale a pena salientar que o governo brasileiro não se contenta com a fabricação local de iPads por parte da Apple e da Foxconn, mas, sim, exige que as empresas invistam 4% da receita líquida em projetos de pesquisa e desenvolvimento, o que representa, direta ou indiretamente, uma transferência tecnológica de peso.

Tempos interessantes

Se os países em desenvolvimento abrigam atores locais cada vez mais relevantes e se as empresas do Norte enxergam a necessidade de adaptar seus modelos de acordo com os diferentes mercados, o futuro da edição digital no Sul anuncia-se tão fascinante quanto imprevisível. As plataformas internacionais contam com alta tecnologia, poder econômico e marcas reconhecidas. Os empreendimentos locais, por sua vez, têm ao seu alcance a possibilidade de fortalecer ecossistemas digitais em conjunto com outros atores domésticos, têm conhecimento muito mais apurado de seu próprio contexto e podem unir forças com um setor público poderoso que precisa urgentemente reduzir a lacuna digital.

O cenário está montado. Que comece a ação.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/02/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Wikipedia sai do ar contra lei antipirataria nos EUA


A página americana do Wikipedia saiu do ar a meia-noite de hoje [18], horário de Washington [EUA], em protesto contra a lei antipirataria que está sendo discutido no país. O protesto deve deixar o site fora do ar por 24 horas. Segundo Immy Wales, um dos fundadores do site, a manifestação deve atingir 25 milhões de pessoas no mundo.

Por mais de uma década, nós gastamos milhões de horas construindo a maior enciclopédia da história humana. Agora, o Congresso dos EUA está considerando uma legislação que poderia prejudicar a internet livre e aberta. Por 24 horas, para aumentar a conscientização, estamos tirando a Wikipedia do ar”, diz o comunicado em sua home page.

Já o Google publicou, “Diga ao Congresso que não censure a internet”, em sua versão em inglês.

De acordo com a Fox News, Facebook, Amazon e Google, também poderão ficar fora do ar de maneira coordenada para participar do protesto. Isso poderá ocorrer as 11h horário de Brasília.

A versão em português do Wikipedia continua no ar, mas com um comunicado criticando a lei dos EUA. “A Wikipédia precisa da internet para continuar livre. Os projetos de lei SOPA [Stop Online Piracy Act] e PIPA ameaçam as wikipédias em todos os idiomas”.

A lei começou a ser aplicada com mais rigor devido a representantes da indústria da música e do cinema, que querem evitar a perda de vendas de seus produtos de forma gratuita na web.

Disney, Universal, Paramount e Warner Bros, grandes estúdios de Hollywood, apoiam a lei. Mas Amazon, Google, eBay, Twitter, Facebook, PayPal, Zynga, Mozilla e outras empresas são totalmente contra.

As empresas responsabilizam os sites pelo conteúdo publicado ou distribuído ilegalmente, e pedem que elas encontrem um caminho para impedir o uso ilegal. Caso o site seja penalizado, pode ocorrer o fechamento do mesmo e até cinco anos de prisão para seus proprietários.

Publicado originalmente em TECH GURU | 18 de janeiro de 2012 | 12:00

Versão atualizada de enciclopédia on-line lista 750 mil espécies


A nova versão da “Enciclopédia da Vida” [EOL, na sigla em inglês] foi lançada no começo desta semana.

A versão 2.0 contém informações de mais de 750 mil seres vivos, 51 mil participantes, 630 mil imagens, 180 parcerias com bancos de dados e pode ser lida em inglês, espanhol e árabe. Há planos para se incluir no futuro o português.

Enciclopédia compila e disponibiliza informações sobre animais, plantas, fungos, protistas e bactérias

Criada pelo Instituto Smithsonian de Washington, a enciclopédia compila e disponibiliza informações sobre todos os seres vivos –animais, plantas, fungos, protistas e bactérias– e, ao mesmo tempo, pretende sensibilizar as pessoas para a conservação da biodiversidade.

Trata-se da realização de um sonho anunciado pelo biólogo Edward O. Wilson, em 2007. Um ano depois, concretizou-se a ideia de se fornecer um site para cada espécie, agora com 20 vezes mais informação.

A EOL reúne fontes confiáveis como museus, sociedades científicas, especialistas e bancos de dados, entre outros. O acesso é livre e inclui vídeo, som, imagens, gráficos, bem como textos.

Ela funciona como uma “Wikipedia” da natureza especializada. A EOL está se expandindo para se tornar uma comunidade global de colaboradores e contribuidores para servir tanto o público em geral, quanto entusiastas, educadores, estudantes, cientistas e profissionais da área.

EOL é mantida pela Fundação John D. e Catherine T. MacArthur e pela Fundação Alfred P. Sloan.

O suporte adicional vem de instituições membros e doações individuais de todo o mundo.

Folha.com | Ciências | 07/09/2011 – 17h29

CBL oferece curso de Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa – 25 de Agosto de 2011

Curso “O Livro na Era Digital | Edição e Suportes”


As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O texto não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO

  • O que é um eBook?
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 20 de agosto de 2011, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
http://www.escoladoescritor.com.br

Número de colaboradoras da Wikipédia é muito baixo


Em apenas dez anos, a Wikipédia atingiu algumas metas notáveis. Mais de 3,5 milhões de artigos em inglês? Feito. Mais de 250 línguas? Claro.

Mas outro número se revelou um obstáculo insuperável para a enciclopédia on-line: pesquisas sugerem que menos de 15% de suas centenas de milhares de colaboradores são mulheres. Sue Gardner, diretora-executiva da Fundação Wikimedia, a organização que dirige a Wikipédia, estabeleceu a meta de aumentar a parcela de colaboradoras de quase 13% para 25% até 2015. Mas ela está correndo contra as tradições do mundo do computador e um reino obsessivamente amante de fatos que é dominado por homens e, alguns poderiam dizer, desconfortável para as mulheres.

Sue Gardner, diretora-executiva da Wikimedia Foundation, no escritório da Wikipédia em San Francisco

Seu esforço não é a diversidade pela diversidade, ela diz. “Trata-se de querer garantir que a enciclopédia seja tão boa quanto poderia ser“, disse Gardner.

Com tantos temas representados, a disparidade de gêneros, muitas vezes, aparece em termos de ênfase. Um tema geralmente restrito a meninas adolescentes, como braceletes de amizade, pode parecer curto, com quatro parágrafos, comparado com extensos artigos sobre algo que os meninos preferem, como soldados de brinquedo ou cartões de beisebol, cujo extenso verbete inclui uma história cronológica do assunto.

A ideia de que um projeto colaborativo e aberto a todos é tão tendencioso para os homens pode surpreender. Afinal, não há uma equipe executiva dominada por homens, que dê mais ênfase a eles que às mulheres, como pode haver no mundo corporativo.

Mas, por causa de seus primeiros colaboradores, a Wikipédia compartilha muitas características com os hackers, diz Joseph Reagle, um bolsista no Centro Berkman para a Internet e a Sociedade na Universidade Harvard.

Adotar abertura significa ser “aberto a pessoas muito difíceis e altamente conflituosas, até misóginos“, ele disse, “por isso é preciso haver uma grande discussão sobre se existe o problema“.

Gardner indicou a entrada na Wikipédia de uma de suas autoras preferidas, Pat Barker, que tinha apenas três parágrafos quando ele a encontrou. Barker é uma autora aclamada de romances de tom psicológico, muitos deles ambientados durante a Primeira Guerra Mundial. Ela tem 67 anos e vive na Inglaterra.

Em comparação, Niko Bellic tinha um artigo cerca de cinco vezes maior que o de Barker. Era uma questão de demografia: Bellic é um personagem do videogame Grand Theft Auto IV.

O público procura cada vez mais a Wikipédia como fonte de pesquisa: segundo uma recente pesquisa Pew, a porcentagem de adultos americanos que usam o site para procurar informações aumentou de 25% em fevereiro de 2007 para 42% em maio de 2010. Isso representa 53% dos adultos que usam regularmente a internet. Em todo o mundo, segundo estatísticas da Wikipédia de 2010, 26% dos usuários da internet consultavam a enciclopédia.

Jane Margolis, coautora de um livro sobre sexismo na informática, “Unlocking the Clubhouse” [destrancando o clube], afirma que a Wikipédia vive os mesmos problemas do mundo off-line, onde mulheres “são menos dispostas a declarar suas opiniões em público”.

Segundo o Projeto OpEd, que monitora a lacuna de gêneros de colaboradores nos “fóruns públicos de pensamento-liderança” americanos, um índice de participação de aproximadamente 85% de homens para 15% de mulheres é comum –sejam membros do Congresso ou redatores de editoriais do “New York Times” e do “Washington Post”.

Gardner disse que, por enquanto, está tentando usar a persuasão sutil e sua fundação para atrair novas colaboradoras para a Wikipédia, em vez de defender medidas específicas como recrutamento ou cotas para mulheres.

Sue Gardner, diretora-executiva da Wikimedia Foundation, com James Owen, um assistente

Kat Walsh, uma antiga colaboradora da Wikipédia eleita para o conselho da Wikimedia, concordou que iniciativas indiretas causariam menos mal-estar na comunidade da Wikipédia do que esforços mais declarados.

Mas “o grande problema é que a atual comunidade da Wikipédia é o que surgiu deixando as coisas se desenvolverem naturalmente“, ela disse. “Tentar influenciá-la em outra direção não é o caminho mais fácil e exige um esforço consciente para mudar.

Às vezes, um esforço consciente funciona. Depois de ver a pequena entrada sobre Barker, Gardner acrescentou informações substanciais. Durante o mesmo tempo, a página de Niko Bellic aumentou apenas algumas frases.

POR NOAM COHEN | DO “NEW YORK TIMES” | Publicado originalmente em português na Folha.com, no caderno TEC | 16/08/2011 – 20h04

Especialista em cibercultura, o francês Pierre Lévy critica intenção inglesa de controlar redes sociais e fala sobre o futuro dos livros


Clleber Passus | Fronteiras do Pensamento | 14 de Agosto de 2007 | Foto Divulgação

RIO – Há 20 anos, quando a maioria da população do mundo não tinha a menor ideia do que era a internet, o filósofo francês Pierre Lévy já estava de olho no futuro, com seus estudos sobre cibercultura e inteligência coletiva. Hoje, Lévy é uma referência, um estudioso cujas pesquisas ajudaram no desenvolvimento de ferramentas fundamentais para muitos de seus críticos do passado – entre eles, um bom número de jornalistas -, como a Wikipedia e as redes sociais.

Atualmente morando no Canadá, onde leciona na Universidade de Ottawa, esse profeta digital está a caminho do Brasil, para participar, no dia 25, às 19h30m, de um debate ao lado de Gilberto Gil, sobre o tema “o poder das palavras na cibercultura”, no Oi Futuro Flamengo. A mesa faz parte da programação do projeto Oi Cabeça e tentará responder à difícil questão sobre o espaço que a escrita ocupa na esfera digital.

Em entrevista por telefone ao GLOBO, Lévy falou do uso das redes sociais, do futuro das mídias tradicionais, de como o preconceito contra a internet foi sendo modificado ao longo do tempo e do trabalho para desenvolver a Information Economy Meta Language [IEML], uma nova linguagem para a web à qual ele vem se dedicando nos últimos anos.

Enquanto conversamos, o primeiro-ministro David Cameron sugere que a Inglaterra crie alguma forma de controle das redes sociais, a fim de evitar as manifestações vistas na semana passada. O que o senhor acha da ideia?

PIERRE LÉVY: É uma sugestão bastante absurda. É a grande maioria da população inglesa que usa as redes sociais, e não apenas uma pequena quantidade de criminosos. Além disso, os criminosos usam as estradas, os telefones, qualquer forma de se encontrar ou de se comunicar. Não há nada específico que justifique responsabilizar as redes sociais. Sou contra qualquer tipo de censura na internet, tanto política quanto de opinião. E vale lembrar que a polícia também pode se utilizar das redes sociais para encontrar os criminosos. A mídia social pode ser uma ferramenta de combate ao crime como qualquer outra.

A intenção de Cameron lembra críticas feitas contra a cultura digital há quase 20 anos. Naquela época, em suas palestras, o senhor dizia que o preconceito das pessoas contra a cibercultura se assemelhava ao preconceito contra o rock’n’roll nos anos 1950 e 1960. Alguma coisa mudou?

PIERRE LÉVY: Sim, houve mudanças. Naquele tempo, as pessoas diziam que a internet era uma mídia fria, sem emoções, sem comunicação real. Mas hoje, com a mídia social, as pessoas compartilham músicas, imagens e vídeos. Há muitas emoções circulando nesses espaços de comunicação. O que acontecia antes era que as pessoas não sabiam do que estavam falando. O preconceito, na maioria das vezes, é gerado pela ignorância. Até mesmo com vocês, jornalistas, isso mudou. Eu lembro bem que naquela época os jornalistas tinham todo o tipo de preconceito com a comunicação digital, e hoje todos estão usando essas ferramentas.

Mas alguns grupos de entretenimento e mídia ainda tentam controlar e restringir as possibilidades da internet, sob o temor de perder rentabilidade que tinham com a venda de CDs, DVDs ou publicações impressas. O que o senhor acha que vai resultar desse embate?

PIERRE LÉVY: O problema principal é que, antes da internet, todas essas empresas vendiam informação através de suportes materiais. Só que, já um pouco hoje e certamente no futuro, não haverá suportes físicos para levar a informação. É preciso se adaptar de uma situação em que se distribuíam e vendiam objetos físicos até outra, em que se distribui e se vende informação na rede. É uma transição enorme, e é provável que muitas dessas companhias não sobrevivam à necessidade de sair de uma era em direção à outra. Há milênios, muitos dinossauros morreram numa transição parecida.

O senhor está dizendo, então, que os grupos de mídia são dinossauros?

Os grupos de mídia que não se adaptarem ao novo momento, em que as comunicações são completamente descentralizadas e mais distribuídas, serão dinossauros e vão morrer.

Mas o que vai substituir a maneira como consumimos notícias hoje?

Eu acho que as notícias serão consumidas através das redes sociais, como Twitter, Facebook ou Google+. A mídia social permite que você escolha suas fontes e ordene suas prioridades entre as fontes. Você pode personalizar a forma como vai receber as notícias. Será assim no futuro: o usuário terá a habilidade de priorizar as fontes e os temas e escolher deliberadamente o que ele quer saber. Será uma atividade que a próxima geração já vai aprender a fazer nas escolas.

Alguns críticos, porém, costumam dizer que as ferramentas de internet que temos hoje não permitem um acesso democrático à informação. O Google, por exemplo, cria um ranking de resultados que de certa forma guia sua busca…

Espera um pouco. Você não pode acusar o Google de não ser democrático. O Google não é um governo, é uma empresa. Ele lhe oferece um serviço, e ele vende anúncios que serão vistos pelo usuário para se manter. Essa discussão não passa por democracia. O que eu posso dizer é que o ranking formado pelos algoritmos do Google é bastante primitivo. São mínimas as possibilidades de personalização de seu ranking. No futuro, especialmente graças a meu IEML [risos], todos poderão ser capazes de organizar sua própria ferramenta de busca de acordo com suas prioridades. Hoje, o Google praticamente oferece um mesmo serviço para qualquer tipo de pessoa.

Em que ponto estão as pesquisas do IEML?

Eu publiquei neste ano o primeiro volume, “La sphère sémantique”, e agora estou trabalhando no segundo volume. O volume 1 é sobre a origem filosófica e semântica da linguagem. Já o volume 2 vai trazer um dicionário e explicar como utilizá-lo. Deve ser lançado no ano que vem. É um projeto longo, não dá para esperar ferramentas práticas nos próximos meses, mas espero que nos próximos cinco anos possamos ver algumas aplicações.

Que aplicações o senhor espera?

O argumento principal é o da interpretação coletiva da web. É difícil dizer exatamente que tipo de aplicação. A ideia é dar às comunidades uma representação científica de seu próprio processo de comunicação. Ele poderá se assemelhar a um grande circuito de conceitos, onde você observa a circulação de emoções e atenções. Isso poderá ser utilizado para marketing, educação, comunicação e pesquisa, por exemplo. Será uma nova forma de representar a relação entre conceito e ideias na internet. O sistema de escrita que usamos hoje na web é desenhado para mídia estática. Nós ainda temos que desenvolver sistemas simbólicos de escrita que sejam capazes de explorar todas as capacidades de um computador.

O senhor usa bastante as redes sociais?

Sim, estou no Twitter, no Facebook, no Google+ e em muitas outras. Mas não recomendo isso para ninguém, é preciso muito tempo para acompanhar tudo. Eu estou em tantas redes porque é meu trabalho, preciso saber do que estou tratando. Entre todas, o Twitter é a de que mais gosto, porque ele é prático e rápido para receber e procurar informações.

Quanto tempo por dia o senhor passa conectado?

Eu fico praticamente o tempo todo conectado. Consulto enciclopédias e dicionários na internet. Ouço rádios on-line. Acho que só não estou conectado quando estou dormindo. Mas, em relação a trocar e-mails e mensagens através de redes sociais, passo de uma a duas horas por dia nessas atividades. E não assisto a TVs nem leio jornais em papel. Só leio notícias na internet.

E livros em papel?

Eu tenho um tablet, mas estou velho e ainda prefiro ler livros no papel. Certamente, no futuro, a grande maioria dos livros será lida nos tablets ou em periféricos como o Kindle, muito pela possibilidade de interatividade. Os livros passarão a ser escritos dessa forma, com esse objetivo.

No Rio, o senhor vai participar de uma mesa de debate com Gilberto Gil. O senhor conhece a obra dele?

Eu já me encontrei com o Gil pessoalmente. Ele é um grande músico, um grande artista. Mas, além disso, também é uma pessoa que tem um pensamento bastante instigante sobre as consequências da revolução da mídia e da cultura. Será bom debater com ele.

Por André Miranda | O Globo | 16/08/2011 | © 1996 – 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Sistema para avaliar a Wikipédia pode piorá-la, dizem críticos


A Wikimedia Foundation, entidade responsável pela Wikipédia, quer mais gente editando as páginas da enciclopédia colaborativa.

Para isso, ela está adotando um sistema de avaliação para os artigos publicados. Na prática, qualquer leitor poderá apontar se acha que um texto é confiável ou se está bem escrito.

O blog de tecnologia Gizmodo não vê isso com bons olhos. A facilidade de fazer as avaliações, segundo o site, pode ser um problema para a Wikipédia. Isso porque o site seria terreno fértil para aqueles tentando promover suas opiniões. As pessoas passariam a ser críticos dos artigos, e não apenas do conteúdo.

A fundação, porém, acredita que o sistema pode melhorar a qualidade do site.

POR BRUNO ROMANI | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 15/08/2011 – 16h01

Wikipédia diz que está perdendo colaboradores


Um dos fundadores da Wikipédia, Jimmy Wales

A Wikipédia, enciclopédia on-line que permite que qualquer um edite seu conteúdo, informa que está perdendo seus colaboradores.

Jimmy Wales, o fundador da enciclopédia, diz que os administradores buscam simplificar as “complicadas” telas de edição de conteúdo, que podem estar desencorajando as pessoas de escrever e editar a Wikipédia.

Em outro esforço de encorajar os voluntários a se manterem ativos, Wales disse que o site lançou uma nova função chamada WikiLove, que permite que os usuários publiquem feedback positivo.

Ele falou com a Associated Press nesta quinta-feira [4] da conferência anual da Wikipédia, que ocorre em Haifa, Israel.

A organização sem fins lucrativos que cuida da Wikipédia anunciou que está encorajando professores na Índia, no Brasil e na Europa a pedir que seus alunos escrevam e editem conteúdo da Wikipédia.

DA ASSOCIATED PRESS, EM ISRAEL | Publicado originalmente em Folha.com | 04/08/2011 – 13h32

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Cátalogo e Conteúdo para Livros Digitais

Qwiki, enciclopédia interativa on-line, abre para o público


Um site de buscas que apresenta os resultados em vídeo, como se fosse alguém te contando história. Essa é a ideia do Qwiki, site que abriu para o público nesta quarta-feira [26].

O Qwiki ficou rapidamente famoso por ser a empresa vencedora de um concurso promovido no ano passado pelo Techcrunch, um dos blogs de tecnologia mais populares do mundo, e por receber US$ 8 milhões, na semana passada, vindos de investidores liderados pelo brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook.

Qwiki

Tela do Qwiki, enciclopédia interativa on-line, abriu para o público nesta quarta-feira

Em entrevista ao “New York Times”, Saverin disse que está empolgado com o site. “Estou numa situação hoje que me permite fazer o que amo, que é ajudar outros empreendedores. O Facebook é algo grande e assim permanecerá. Qwiki é muito novo ainda, mas eles estão no caminho para mudar o jogo”, disse.

O Qwiki humaniza as pesquisas ao mostrar os resultados das pesquisas organizado como uma apresentação multimídia. “Nós acreditamos que somente o fato da informação estar guardada em máquinas não quer dizer que ela deve ser mostrada como uma simples lista de dados. Vamos tentar fazer algo melhor”, diz a descrição do site. Os vídeos são feitos na hora, por computadores — não são arquivos prontos e armazenados.

Os resultados são apresentados somente em inglês, e o usuário tem como compartilhar o conteúdo e continuar a exploração do termo pesquisado em outros sites, como Wikipedia e o YouTube. Também podem ser feitas sugestões de imagens, vídeos e correção de alguma informação.

POR ALEXANDRE ORRICO | Publicado originalmente em Folha.com | 26/01/2011 – 17h24

Livre e colaborativa, Wikipédia comemora seus dez anos


“Hello, world”, ou, em bom português, “oi, mundo”. Essa foi a primeira edição na Wikipédia segundo um de seus fundadores, Jimmy Wales. Conforme ele mesmo afirma em um vídeo comemorativopostado no site da enciclopédia, “é difícil imaginar que já se passaram dez anos desde aquele dia”. E mais: que aquela enciclopédia livre e colaborativa criada em 15 de janeiro de 2001 por ele e porLarry Sanger a partir da experiência da Nupedia – uma enciclopédia que exigia muitas qualificações de seus editores – de fato ganharia o mundo. Neste sábado, 15, a Wikipédia festeja dez anos e pelo que o Terra pode perceber por meio de entrevistas com especialistas e também com editores brasileiros da Wikipédia, só existem motivos para comemorar.

Disponível em mais de 270 línguas, com mais de 17 milhões de artigos [número em constante atualização] e mais de 100 mil colaboradores voluntários em todo o mundo, a Wikipédia é o quinto site mais acessado do planeta, com mais de 410 milhões de visitantes por mês segundo pesquisa realizada pela comScore Media Metrix em novembro de 2010. Diante de números tão expressivos e de seus dez anos de experiência, pode-se afirmar com tranquilidade que a Wikipédia já passou por “poucas e boas”.

Recentemente, Jimmy Wales, hoje presidente emérito da Fundação Wikimedia – organização sem fins lucrativos responsável pela Wikipédia e por outros projetos colaborativos, ou Wikis – passou pôs à prova a sua popularidade e, é claro, a da própria Wikipédia. Por quase dois meses, banners espalhados por todo o site com uma mensagem do próprio Wales convidavam o visitante a ajudar no financiamento da Wikipédia, doando dinheiro para manter o site sem propagandas. Em apenas 50 dias foram arrecadados os US$ 16 milhões necessários para cobrir o orçamento anual da Wikipédia. As doações vieram de mais de 140 países, sendo que 85% delas foram realizadas por meio da web, enquanto o restante foi enviado diretamente à fundação.

Na quarta-feira, 12, em uma coletiva de imprensa sobre os dez anos da Wikipédia, Jimmy Wales e Sue Gardner, diretora-executiva do site, anunciaram a abertura de um escritório na Índia, o primeiro fora dos Estados Unidos. O objetivo é aumentar o número de leitores e também de artigos, tanto em inglês quanto nas diversas outras línguas faladas no país. Para os próximos anos, segundo Sue Gardner, a intenção é investir no Brasil.

Para celebrar os dez anos da Wikipédia, mais de 300 festas em todo o mundo foram organizadas pelos voluntários do site. No Brasil, estão confirmadas no artigo Wikipédia 10 comemorações em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Na quinta-feira, 13, Jimmy Wales [@jimmy_wales] anunciou pelo Twitter que estava se dirigindo para Londres para participar da primeira festa de dez anos da Wikipédia, conforme o fuso horário.

Redação Terra | 15 de janeiro de 2011 • 08h10

Como ganhar a briga pela venda dos e-books?


Eu leio todos meus livros no meu iPhone e costumo ter diferentes livros abertos em vários e-book readers ao mesmo tempo. Essa é uma mudança drástica no velho hábito de ler um livro por vez. Nunca pensei que seria divertido ler dessa forma porque as limitações físicas de carregar vários livros de papel para todos os lados nunca me encorajou a pensar em algo assim.

No momento estou lendo Joe Cronin, de Mark Armour, e Crossing the Chasm, de Geoffrey A. Moore no Google Books; Washington, de Ron Chernow no Nook reader [que agora percebi que não marcou minha última leitura e está me forçando a descobrir em que parte eu estava, o que não é nada bom]; Brooklyn Dodgers: The Last Great Pennant Drive, de John Nordell no Kobo; e The Autobiography of Mark Twain, no Kindle. Tenho o iBooks reader no telefone, mas não compro na loja dele porque nunca vi nenhuma vantagem especial no reader e a loja possui bem menos títulos do que os concorrentes.

Agora, você se importou com os detalhes do que falei? Aposto que a maioria dos leitores não, a não ser dentro do limite de que esperam que eu faça alguma discussão conceitual sobre esses detalhes pessoais que falei no parágrafo anterior [e é claro que vou fazer]. Meu palpite é que a maioria leu o primeiro parágrafo curto e passou por cima do segundo que, francamente, não é realmente necessário para mostrar minha ideia. Mas creio que alguns poucos ficaram bastante interessados. [Mas por favor não me contem seus detalhes, eu faço parte da maioria].

Onde eu compro os livros é algo bem caótico. Minha ordem de preferência para ler [no momento porque isso muda e eu uso todas as possibilidades] é Kobo, Kindle, Google, Nook. Kobo, Kindle e Nook possuem dicionários incluídos; pressione [só tocar não adianta] em cima da palavra e aparecerá uma definição e a possibilidade de criar uma nota, ou então um link para a Google ou a Wikipedia. O problema para mim é que, no iPhone, nem sempre consigo fazer esse recurso funcionar. Minha experiência pessoal mostra que a funcionalidade é mais confiável no Kobo e bem menos no Kindle e na B&N, mas não sei se essa experiência pode ser considerada representativa em comparação com outras pessoas com iPhones, dedos e livros diferentes.

A Google ainda não oferece essa capacidade, nem mesmo simples marcação de página [que todos os outros têm], mas aposto que isso não vai demorar para ser implementado.

Nenhuma das plataformas oferece um desempenho perfeito na minha experiência de uso [e a sua pode ser diferente]. Meu Kobo já “travou”, forçando-me a reiniciar o telefone para que voltasse a funcionar. A formatação do “Mark Twain” do Nook no meu iPhone era um desastre. [Falei sobre isso com algumas pessoas da B&N; talvez tenham consertado. Quando perguntei ao editor da UC Press, a resposta foi que o arquivo funcionava bem no aparelho Nook, mas sei que não funcionava no meu Nook para iPhone. Dá para ler muito bem no Kindle para iPhone.] O Kindle é frustrante para mim porque eu gosto muito de ler com alinhamento à esquerda e, até onde sei, o Kindle sempre mostra as páginas justificadas e não há como mudar. Acho que a navegação do Google e do Kobo são mais intuitivas para mim e me dão mais controle da experiência de leitura. O Nook não parece ter uma forma de travar com a tela na vertical então não dá para ler na cama de lado.

Se penso num livro que quero quando estou lendo outro, é mais provável que compre no reader que estou usando só porque é o que está aberto. Graças à combinação de modelo de agência e monitoramento do preço em tempo integral, é improvável que haja qualquer vantagem financeira de ficar procurando em várias lojas. Se eu sei exatamente qual livro quero, não existe nenhuma diferença especial entre os quatro em termos de facilidade de uso ou velocidade de transação.

Há uma dinâmica que claramente favorece o Kindle. Tenho um aparelho Kindle, que comprei nas primeiras semanas em que este saiu ao mercado. Li muitos livros nele no primeiro ano. Dei o aparelho para minha mulher quando o Kindle colocou sua vasta seleção disponível no iPhone. Martha lê muito mais livros do que eu; mas os gostos são muito diferentes. Quando decidi que queria ler Stieg Larsson, ela já tinha comprado para Kindle, então li no aparelho [é tudo a mesma conta.] E quando comprei o novo Ken Follett do Nook, ela o acessou em Nova York enquanto eu estava lendo em Frankfurt usando o iPad que compartilhamos [mas que nenhum dos dois gosta de usar para ler livros porque é muito pesado.]

Tudo isso leva à pergunta conceitual que prometi acima: o que uma loja deve fazer para fidelizar seus clientes? E para responder essa pergunta devemos também ter algo em mente: os pequenos grupos são importantes.

Vamos olhar no passado e dizer que havia um relativamente pequeno grupo de usuários iniciais do Kindle que foram os principais catalisadores de cada vez mais profundas mudanças na edição de livros [mudanças que ainda estão começando]. A Amazon estava numa posição única para entregar uma proposta nova e com valor para as pessoas que podiam se beneficiar mais dos aparelhos de leitura. E eles capturaram e, por um tempo, fidelizaram um grupo relativamente pequeno de pessoas que leem muito, porque quanto mais livros você lê, maior o benefício relativo do Kindle, em termos de funcionalidade e de economia.

Pode ser que um dia o formato de arquivo [relativamente] fechado do Kindle se torne um problema para as vendas, mas é difícil ver que isso vai acontecer agora, principalmente se a Amazon cumprir com seu recente anúncio de que em breve vai produzir um Kindle baseado em browser. [Eu deveria acrescentar que li relatórios de que o Google books funciona bem num aparelho Kindle através do web browser do aparelho. Como meu Kindle é um dos primeiros modelos, sem wi-fi e com uma conexão muito lenta, não estou em posição de confirmar isso.] Mas, por agora, a Amazon possui muitos milhões de felizes donos de aparelhos para quem comprar um livro de qualquer outra forma seria mais um problema do que uma solução.

Então, de qual outra forma a loja pode fidelizar o cliente? A Google tentou vender o valor de que você será o gerente da sua “estante” onde todos seus livros estarão disponíveis o tempo todo, em qualquer aparelho, etc. A ideia parece ser tirada do conceito do iTunes, mas esse é outro exemplo que nos faz lembrar que “livros não são iguais a música”. É importante ter toda sua música num só lugar. Nunca vou ter nenhum motivo para precisar que “Washington” e “Joe Cronin” estejam no mesmo reader, mas seria importante ter uma música de 1958 e uma de 1992 tocando consecutivamente quando eu quiser.

Então, o importante para a iTunes foi: a] permitir que fosse fácil ripar facilmente seus CDs, e para isso o banco de dados de metadata foi um recurso extremamente importante; e b] permitir que se comprasse qualquer outra música que se quisesse pelo método de download em algum sistema de hospedagem. Posso ser um extremo na desorganização dos meus hábitos de leitura, mas acho que poucas pessoas iriam exigir algo parecido às capacidades de agregação do iTunes para seu material de leitura.

Então, o que mais? A The Copia [nosso cliente durante uma boa parte do ano passado, que estará no meu iPhone assim que o aplicativo deles estiver pronto] possui uma proposta para tentar resolver isso, que é criar um aplicativo de rede social em conjunto com o leitor. Se eu estivesse no The Copia e tivesse todos os livros dos quais estou falando no aplicativo deles, vocês seriam capazes de ver os detalhes que eu apresentei no segundo parágrafo sem que eu tivesse de contar.

E isso me leva à segunda questão: que pequenos grupos são importantes. Porque, claramente, há pessoas que se importam com o que os outros estão lendo e que querem compartilhar suas anotações para que os outros possam ver. E se eu me importar em mostrar minhas experiências de leituras, vou querer que todos meus livros estejam no The Copia. Isso é um método de fidelização. E, quem sabe, pode ser que eu descubra que vale a pena compartilhar informações com outras pessoas loucas pela história do beisebol. [Apesar de que me pergunto se sou a única pessoa que acha o sublinhado sutil do Kindle, que mostra, quando você passa o mouse sobre um item, que “87 pessoas destacaram essa passagem”, ao mesmo tempo inútil e distrativo.]

Fidelizar um pequeno grupo é o que a Kobo está pensando com os novos recursos de leitura social que acabaram de introduzir. Estão disponíveis agora somente na versão iPad do aplicativo, mas eles “acompanham” sua leitura, dão recompensas por terminar um livro e permitem que o mundo saiba em que ponto você está de um livro. As pessoas que acham isso bom, e existem algumas, agora terão um motivo para usar o Kobo e somente o Kobo, assim como as pessoas que possuem um Kindle tem uma razão para usar somente a Amazon e o The Copia espera ganhar as pessoas que gostam de redes sociais e que conseguem ver menos valor no resto.

Por outro lado, espero que as capacidades centrais fiquem mais parecidas com o tempo. A Google vai acrescentar links externos para dicionários e fontes de referência. Todas as plataformas vão melhorar a resposta de seus aplicativos para meus dedos gordos no iPhone. Se as estatísticas sociais da Kobo provarem ser algo que arrasta os consumidores, os outros vão acrescentar algo parecido.

Uma coisa que descobri ser muito legal de fazer no iPhone é a capacidade de copiar a tela como se fosse uma foto, o que me permite enviar por e-mail. Há um fabuloso gráfico no novo livro de Robert Reich, “Aftershock”, que deixa muito claro o fato de que uma coisa que atrapalha muito a economia norte-americana é que o 1% dos mais ricos é dono de uma parte muito grande da renda nacional. Adorei ser capaz de copiar aquela tabela como foto e enviá-la para meus amigos. Acho que uma tela de iPhone de conteúdo é pequena o suficiente para não ser considerada pirataria. [Essa é a minha versão e eu a defendo.]

Mas o que mais me importa é a experiência de merchandising e de compra, que a Kobo parece estar ganhando até o momento, mas que não é excelente a ponto de não poder ser superada. [E, como eu apontei acima, se você sabe qual livro em especial quer comprar, todas as lojas são iguais e é difícil que se destaquem.] Há muitas formas de melhorar a experiência de compra, mas eu vou deixar meus pensamentos para outro post.

Então, a maioria dos cavalos já saiu da linha de largada e a Amazon está claramente na dianteira. Mas qualquer um que acha que a corrida pela venda de e-books terminou deveria pensar nisso: não sabemos ainda nem qual é o conjunto de recursos que irá ganhar, muito menos quem vai conseguir descobri-lo no longo prazo.

Sei que essa análise está incompleta. Não leva em conta os readers exclusivos como o IBIS Reader da Liza Daly nem as lojas de e-book independentes como a pioneira Diesel Ebooks. Não fala da Sony, que pode ainda ter um pedaço maior do mercado do que a Kobo [apesar de que, se possuem, minha previsão é que não será por muito tempo]. Nos dias antes do Kindle, quando eu lia meus e-books em formato Palm num aparelho Palm ou outro PDA, comprava na Diesel. Não descarto as chances de ninguém nesse momento, já que ainda é o princípio do desenvolvimento da infraestrutura da leitura digital, mas acho que meu iPhone e esse post capturam as fontes que oferecem a maior seleção de conteúdo que poderiam me interessar. E estou razoavelmente certo de que estou falando aqui das empresas que fornecem a grande maioria dos e-books lidos nos EUA, no geral mais de 90% e provavelmente perto de 95%.

Texto escritor por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 23/12/2010

Aplicativo do Kindle para Android recebe atualização para leitura de revistas e jornais


A Amazon atualizou o aplicativo do Kindle para Android, permitindo que ele leia também formatos de arquivos de jornais e revistas.

A novidade inaugura a chegada da funcionalidade para aparelhos lançados por outras empresas, já que, por meio dos hardwares lançados pela própria Amazon, já era possível a leitura desses arquivos.

Assim como na leitura de livros, é possível fazer anotações, selecionar textos e consultar –em inglês– termos por meio do Dictionary.com ou pela Wikipédia, a enciclopédia colaborativa on-line.

Em outubro, a Amazon anunciou a chegada do serviço para seus aplicativos no iPhone, iPad e Android, mas a plataforma do Google foi a primeira a receber a atualização.

No próprio aplicativo ou no site da Amazon, é possível adquirir exemplares individualmente ou optar pelo serviço de atualização automática do jornal ou revista desejado.

Folha.com | TEC | 17/12/2010 – 17h17 | Com informação do site Mashable

O Livro Na Era Digtal na USP


A palestra “O Livro na Era Digital” ministrada por Ednei Procópio no dia 26/10/10, às 9h, no evento “XIII Semana do Livro e da Biblioteca”, realizado na USP/ESALQ/DIBD em Piracicaba.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.