A infraestrutura de apoio para que entidades possam publicar está crescendo


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 21/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Lembro de uma letra de música do começo dos anos 70 cuja linha de abertura era: “não precisamos de mais marinheiros, precisamos de um capitão.” Aquela música poderia estar falando do novo mercado editorial que está crescendo a partir do fenômeno da“atomização”, livros que poderiam sair de quase qualquer lugar [este é o “nós”]. São apoiados pelo “desempacotamento”, a disponibilidade de quase todos os serviços exigidos [estes são os “marinheiros”] na complexa tarefa de publicar livros.

Isto é o que deveríamos chamar de “entidade de autopublicação”, ao contrário de “autor de autopublicação”. O sucesso de autores independentes foi muito analisado ultimamente, parcialmente pela disputa Amazon-Hachette que mostrou que os autores podem ganhar a vida se autopublicando – principalmente explorando os recursos da Amazon – sem precisar de uma organização grande por trás. Mas entidades autopublicadas são, na verdade, muito mais ameaçadoras para o mundo editorial tentando lucrar porque poderiam, com o tempo, trazer muito mais conteúdo no mercado com muito mais força de marketing por trás do que os autores individuais. E às vezes, as motivações destes fornecedores de conteúdo não incluem a necessidade de ter lucro.

[Também pode ser visto como uma oportunidade ao mercado, se as editoras acharem produtivo oferecerem seus serviços como parceiros flexíveis das entidades.]

Há muitas empresas que oferecem os serviços centrais que dão apoio à publicação. Grandes organizações como Ingram e Perseus são fornecedores com um conjunto completo de recursos, inclusive o de colocar livros impressos nas prateleiras das livrarias. [Na verdade, se você for grande o suficiente, consegue que uma das Cinco Grandes faça isso para você.] Distribuidores digitais como Vook, INscribe e ePubDirect podem transformar um arquivo em e-book e distribuí-lo no mundo todo. Lulu e Blurb também podem entregar livros impressos para você. Os serviços de assinatura como Scribd e Oyster [sem mencionar Amazon, Ingram, Overdrive e as outras livrarias] farão a distribuição. E, tanto como parte de ofertas maiores ou como serviços individuais, como BiblioCrunch, é cada vez mais fácil para um autor [ou uma entidade autopublicada] encontrar editoras, designers de capa, especialistas em marketing e criadores de website], assim como qualquer outro conjunto de habilidades específicas necessárias para publicar com êxito um livro. Na verdade, as próprias editoras há anos usam freelancers para muitas outras funções.

Mas entidades possuem desafios que autores individuais não possuem.

Um autor individual sabe o que será publicado: o que eles escrevem. E como a maioria dos autores se sente mais confortável em um gênero particular, eles não precisam se preocupar muito com consistência enquanto constroem uma audiência. São inerentemente consistentes. [Autores que querem mudar de gênero ou escrever fora do que são mais conhecidos enfrentam maiores dificuldades para conseguir sucesso comercial com a autopublicação].

Claro, eles têm muitos desafios fora de seu conjunto de habilidades de escrita: edição, design de capa, até preço e marketing. E aqueles desafios são suficientes para fazer muitos autores preferirem ter uma editora que vai cuidar deles, mesmo se de outra forma estivessem dispostos a abrir mão da influência em marketing e da  distribuição de uma editora profissional. Há grandes vantagens na margem por cópia vendida para fazer sozinho assim como ficar livre das restrições e atrasos que surgem de trabalhar com uma organização maior. Existe ainda muitas perguntas “como”, mas há poucas perguntas “o quê”.

Mas quando uma entidade se compromete com a autopublicação, mesmo que seja um jornal ou uma revista que sabe como criar a propriedade intelectual, eles de repente precisam tomar decisões que não estão equipados para fazer e isso começa com “o quê” publicar.

Eles precisam de um editor. Na metáfora da letra da música, eles precisam de um “capitão”.

A posição de “editor” existe dentro do mundo das revistas e dos jornais também, mas significa algo um pouco diferente do que nos livros. Nos dois casos, o editor governa todo o empreendimento, não apenas as decisões editoriais. Como a renda das revistas e jornais vêm principalmente dos anunciantes, o tempo do editor e foco são dirigidos para lá. A editora certamente tem a responsabilidade por coisas como marketing e distribuição, mas estes tendem a não exigir muita atenção.

Mas a natureza da edição de livros é que cada livro é um desafio de marketing separado assim como editorial, e os dois estão interrelacionados. Se o livro certo para um mercado deveria custar $15, você faz um livro diferente do que se o livro certo fosse $30 ou $8. Se o livro está pronto para publicação em setembro, mas o momento certo para levar este livro ao mercado é fevereiro, é um editor que decide para adiá-lo.

E se há 20, 30 ou 100 livros que uma entidade poderia fazer, é um editor que decide fazer cinco por mês ou cinco por temporada, qual fazer primeiro, e qual deveria sempre sair em junho.

Em um post de um ano atrás, eu citei o exemplo do que o editor Bruce Harris fez com o audacioso [e bem-sucedido] livro de receitas do fundador da Microsoft, Nathan Myhrvold que custava $625. Myhrvold tinha o conceito e a propriedade intelectual e a perspicácia de negócios para tomar decisões chaves. Mas foi preciso Bruce, ou alguém com sua considerável experiência e sofisticação editorial, para orquestrar a contribuição de especialistas em marketing e publicidade, coordenar com as realidades do calendário editorial, e fornecer a direção para fazer o melhor uso dos serviços do Ingram.

Este tipo de conhecimento é ainda mais importante estruturar listas dentro de um programa editorial em andamento.

Vook certamente experimentou um pouco disto. O website deles ainda anuncia que são “centrados em autor”, mas eles estão abertos à ideia de que entidades são uma grande parte do futuro da autopublicação. Eles forneceram serviços de infraestrutura crítica para permitir a publicação de e-books para The New York Times, Forbes, Thought Catalog, Fast Company, US News & World Report, Frederator Studios e The Associated Press.

Fornecer inteligência de negócios é uma parte crucial de estratégia Vook para trabalhar com entidades. Matt Cavner da Vook me contou:

Estamos rastreando dados de mais 4 milhões de livros – impresso e digital – e usamos esta informação para gerar recomendações de preços para maximizar renda para os livros que nossos parceiros publicam, para então ajustar os livros dentro dos mercados, e encontrar categorias específicas onde será mais provável criar um ranking de listas de best-sellers. Também coordenar o marketing digital padrão e merchandise com as livrarias. Assim, estamos agindo como a infraestrutura e a plataforma da parte traseira dos dados para estes parceiros terem o mais bem-sucedido possível – permitindo que mantenham o foco no lado criativo e de desenvolvimento de seu programa editorial.

Mas, claro, estes dados precisam ter a ação por um editor no outro lado. A lista de clientes da Vook é importante, com organizações de mídia que podem fornecer alguma versão desta decisão título a título, lista a lista para usar as ferramentas de Vook. Porque Vook começou na vida oferendo serviços a autores, Cavner sabe como era focar direção e reconhece a questão.

Está certo. Aquele que toma decisão coordenada/criativa sobre o lado parceiro joga o papel do autor em certo sentido.

A notícia chegou no fim de semana: Blurb, a companhia de serviços editoriais que saiu de uma oferta inicial print-on-demand, tinha contratado editores veteranos Molly Barton e Richard Nash para ajudá-los a construir uma rede de serviços de apoio que eles vão, presumivelmente, operar como negócio autônomo e como uma rampa para seu negócio central. Blurb viu que isso ia acontecer e o movimento fez sentido: dois editores com vasta experiência sabem como encontrar e verificar as ofertas de serviço para todos os componentes necessários para publicar um livro com sucesso.

Mas eu suspeito que para a maioria dos novatos que encontram editores e designers de capa e especialistas em marketing de livros na rede, Barton e Nash vão ajudar a Blurb a entregar [e ficamos imaginando quanto se sobrepõe e qual a distinção qualitativa que haverá entre o que eles prometem com o que uma busca em BiblioCrunch ou no Google poderia mostrar], seriam os próprios Barton e Nash, e pessoas como ele e Bruce Harris e outros veteranos com experiência com muitos livros e muitas listas, que seriam os fornecedores de serviço mais valiosos. O mais ambicioso dos novos estreantes no mercado editorial, entrando para construir sobre o conhecimento e a reputação estabelecidos em alguns outros ecossistemas [até um que é “mídia”], seria inteligente se visse que, como em todas as outras tarefas, a orquestração de um programa editorial é realizado de forma melhor por alguém com experiência. E as pessoas que fornecem isso não precisam estar necessariamente na equipe.

E outro pensamento não relacionado.

No mundo fora do mercado editorial, muito conteúdo está sendo gerado por “marketing de conteúdo”. Foi parte da minha tarefa na programação da DBW – Digital Book World entender como o mundo do marketing de conteúdo e o mundo da edição de livros se conectam.

A forma como um editor instintivamente quer pensar sobre isso é “se as pessoas estão sendo pagas para produzir conteúdo, posso vendê-lo?” Das três possíveis interações com o mundo do marketing de conteúdo, esta provavelmente é a menos produtiva. O marketing de conteúdo tem a ver com criar precisamente o conteúdo correto para a necessidade de marketing de uma marca. Não é especialmente uma postura eficiente procurar o mundo do conteúdo existente para isso, depois ter que licenciá-lo e viver com as restrições de licenciamento, e quase certamente precisar modificá-lo para uso no marketing. Assim, com algumas limitadas exceções, risque isso.

Outra interação potencial poderia ter a ver com distribuir o que é ou produzir conteúdo de marketing como e-books. Eu fiz esta sugestão a um escritório de advocacia que tinha criado um white paper sobre Lei de Marcas Registradas. Por que não publicar como e-book, falei? Eles disseram, para que ter o trabalho? Pensei, não querem aparecer para as pessoas que buscam na Amazon por “lei de marcas registradas”?

Mas quando falei com Joe Pulizzi, o chefe do Content Marketing Institute, sobre e-books, ele disse, “bem, claro, eles poderiam fazer sentido em alguns casos, mas há tantas outras coisas mais importantes para alguém de marketing.” Ele está falando sobre blogs, Pinterest e YouTube e a web e apps onde o conteúdo pode ser feito para mostrar para as pessoas que estariam mais interessadas nisso, exatamente quando elas precisam. Em outras palavras, “entendo sua visão, mas francamente, em geral temos peixes muito maiores para fritar”.

E isso aponta para como as editoras podem ganhar mais dentro do negócio de marketing de conteúdo. As editoras possuem toneladas de conteúdo, mas estão longe de ter descoberto a melhor forma de usar este conteúdo para marketing. Esta é uma ciência adjacente para nós, não algo que temos muita experiência. É por isso que temos Pulizzi falando precisamente sobre este assunto – usando conteúdo para construir uma audiência e como aplicar estas coisas que funcionam melhor que e-books – no palco principal do Digital Book World. Até demos a ele uma sessão dupla porque haverá muitas perguntas de editores [e seus especialistas em marketing] que vão querer incluir estes recursos em seus arsenais.

Muitas das empresas mencionadas neste post vão falar na Digital Book World, 14-15 de janeiro de 2015.Blurb e ePubDirect são patrocinadores que também estarão no programa. Palestrantes da Forbes, Ingram,Overdrive, Oyster, Penguin Random House, Perseus, Scribd, US News & World Report e Vook estão nos painéis. No palco principal, vamos ouvir uma apresentação de James Robinson, que faz análise de web na redação do The New York Times, e Michael Cader e eu vamos conversar com Russ Grandinetti da Amazon.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 21/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Ligação direta com o leitor


Com a popularização de ferramentas para produção e venda de ebooks e o sucesso de obras lançadas sem mediação de grandes editoras, escritores investem na autopublicação, que dá nova cara ao mercado, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas

Até o meio da semana, a segunda posição da lista de ebooks mais vendidos pela Amazon nos Estados Unidos era ocupada por “Stop the wedding!”, romance da americana Stephanie Bond. O livro, sobre como uma advogada e um investidor tentam impedir seus pais de se casarem mas acabam se apaixonando, foi lançado em novembro. Ele não existe em versão física e, até o momento, não está à venda em outro lugar que não seja o site da Amazon. Sua editora é uma tal NeedtoRead Books, casa que tem em seu catálogo 16 livros. Todos de Stephanie Bond. O que a autora tem feito é utilizar os recursos da Amazon para lançar seus próprios livros, sem a necessidade de uma grande editora como intermediária. Ela é um dos mais recentes exemplos da popularização de uma prática que está transformando o mercado editorial: a autopublicação.

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Casos como o de “Stop the wedding!” vêm se repetindo. Ao longo de 2012, foi comum a inclusão, na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”, de livros lançados pelos próprios autores. Foram obras como “Slammed”, de Collen Hoover, “Playing for keeps”, de R.L. Mathewson, ou “Training Tessa”, de Lyla Sinclair. Elas existem porque a Amazon tem um sistema que permite a qualquer pessoa colocar um ebook à venda no site. Em geral, são livros baratos [“Stop the wedding!”, por exemplo, custa US$ 0,99], com temas que “variam” da comédia romântica ao drama romântico, com especial destaque para o erotismo romântico — a sensação do ano, a trilogia erótica “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, foi publicada pela primeira vez pela própria autora num fórum de fãs de “Crepúsculo”, antes de a editora Vintage Books lançá-la nos moldes tradicionais.

Mas há livros de turismo, acadêmicos, de fantasia ou reportagens sendo “autopublicados” com sucesso, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas. Eles representam uma democratização no acesso a um mercado antes restrito [qualquer desconhecido que já tentou publicar um livro por uma editora sabe da dificuldade que é ter seus originais aceitos] e um desafio para as editoras.

— Com a autopublicação, qualquer um, empresa, universidade ou autor, pode se tornar sua própria editora. Se as grandes casas editoriais não se mexerem, elas certamente serão afetadas por esse panorama — afirma Harald Henzler, diretor-geral da empresa alemã de consultoria para negócios digitais Smart Digits.

A história da autopublicação remonta às origens do mercado editorial. No século XIX, era comum autores que depois teriam sucesso bancarem a publicação de seus próprios livros. No século XX, mimeógrafos foram constantemente utilizados para a reprodução de livros de escritores que não conseguiam contratos com editoras ou não tinham autorização para lançar suas obras por questões políticas. Com a popularização da internet, há pouco mais de uma década, jovens autores lançaram romances em sites ou blogs. Mas o que todos queriam mesmo era um contrato com uma editora, o que possibilitaria que um livro chegasse a uma grande livraria com destaque, tivesse uma divulgação organizada e, por consequência, ganhasse mais leitores.

A diferença, hoje, é que se pode ter tudo isso por conta própria, até mesmo de uma maneira profissional. Na esteira do serviço de autopublicação da Amazon, surgiram empresas que oferecem aos autores um pouco da expertise de uma editora. Antes de pensar em lançar seu livro, o autor pode contratar a revisão, a produção da capa, a conversão do texto para o formato digital e até mesmo a edição do texto. Um livro autopublicado pode, sim, ter um tratamento tão bom quanto o oferecido por uma editora tradicional. O que ele não vai ter é a marca. E isso, para muita gente, ainda faz diferença.

— A editora sempre vai ter um peso, ao menos o peso da credibilidade — diz Ana Paula Maia, que, antes de se tornar uma escritora reconhecida, já pagou parte da publicação de “O habitante das falhas subterrâneas” em 2003, pela 7Letras [o livro será relançado na semana que vem pela editora Oito e Meio] e também publicou um romance inteiro num blog [“Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, de 2006, posteriormente lançado pela editora Record]. — Existe um valor grande agregado a uma grande editora. Ela indica para os leitores um padrão de qualidade, mas o que também não quer dizer que você é um grande autor só por estar numa editora. Neste mundo novo, acho que a editora vai ter um papel mais opinativo. Não vai ditar mais as regras, mas vai ser um filtro.

‘A marca das editoras é muito forte’

A questão é que, neste mundo novo descrito por Ana Paula, as editoras tradicionais estão tentando seguir essa estrada da autopublicação. Em julho, a Penguin comprou por US$ 116 milhões a Author Solutions, uma das principais plataformas de autopublicação na web dos EUA. O trabalho da Author Solutions consiste exatamente em oferecer a autores os recursos necessários para lançar seus livros com uma roupagem de qualidade: em seu site, a empresa fundada em 2007 diz já ter “ajudado mais de 100 mil autores a publicar mais de 170 mil títulos e alcançar seus objetivos editoriais”.

Antes, a própria Penguin já havia lançado um braço próprio para oferecer a autores a possibilidade de autopublicação, ideia que foi seguida por outras editoras, como a Random House.

— As editoras enxergam a autopublicação como uma forma de descobrir novos autores e testar novos conceitos — diz o americano Greg Bateman. — Mas elas não vão perder terreno com a prática. Com os livros digitais, haverá um espaço grande para todos crescerem. O futuro é muito bom para todos.

Bateman participou da equipe que desenvolveu o Kindle, o leitor digital da Amazon lançado em 2007, e é o criador do Vook, uma plataforma de produção de ebooks. Desde o início deste ano, ele está morando em São Paulo, justamente por acreditar que há um terreno fértil no Brasil para o crescimento do livro digital. Na próxima terça-feira, às 19h30m, ele estará no Oi Futuro do Flamengo, para participar do evento Zona Digital, em que vai abordar o tema do “livro aplicativo”.

— No Brasil, a marca das editoras é muito forte. Mas o poder do automarketing, de redes sociais como Facebook e Twitter, também é muito forte. Então as marcas não são mais 100% necessárias para vender livros. É preciso buscar outras formas, e é isso que os profissionais que lidam com autopublicação estão fazendo — afirma Bateman.

Um dos pilares da autopublicação está em se libertar do que seriam as amarras do mercado. Um autor que paga por sua obra não precisa esperar na fila de uma editora, muito menos precisa ouvir opiniões de um editor [muitas vezes duras, mas também reais] sobre seu livro. Para ele, vale a divulgação pela internet, em redes sociais e sobretudo nas resenhas escritas pelos próprios leitores [e, claro, por que não?, por amigos e parentes] no site da Amazon.

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De acordo com um relatório da Bowker, a agência que cuida dos registros americanos do ISBN, cerca de 87 mil ebooks foram publicados por seus próprios autores nos EUA, um número 129% maior do que o de 2006, antes de o Kindle ser lançado. Só que lançamento ainda não é sinônimo de venda. Por enquanto, a maioria dos livros de autopublicação não é comprada por mais de cem leitores.

— Uma editora tradicional sabe como trabalhar um livro comercialmente, tem todo um conhecimento que não pode ser menosprezado — afirma Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras. — Minha impressão é que a Amazon tinha a expectativa de que a autopublicação fosse estourar e dar certo muito rápido. Mas não aconteceu com a velocidade que esperavam, e a própria Amazon acabou lançando uma editora nos moldes tradicionais.

Marques da Costa argumenta, ainda, que o que vem ocorrendo hoje com o sucesso de algumas obras publicadas de forma independente é mais um fenômeno de nicho do que uma ameaça ao formato consagrado pelas editoras.

— Esses grandes fenômenos de autopublicação costumam ser romances femininos ou eróticos. Raramente algo diferente aparece. Mas, mesmo nesses casos, geralmente os autores acabam assinando depois com as grandes editoras, como foi o caso do “Cinquenta tons de cinza” — diz ele. — Para o leitor, o julgamento de uma grande editora, do que deve ou não vir a público, é muito importante.

Na última quarta-feira, a versão em ebook de “Cinquenta tons de cinza”, lançada no Brasil pela editora Intrínseca, estava em sexto lugar na lista dos mais vendidos no site brasileiro da Amazon. Já em sétimo, logo atrás do maior sucesso de 2012 no mercado editorial, aparecia um livro chamado “Paris para principiantes”, um guia de viagem com texto e fotos de Paulo de Faria Pinho.

‘A filosofia é outra’

Ao preço de R$ 1,99, “Paris para principiantes” foi lançado pela KBR, uma empresa com 91 títulos no catálogo, em que os próprios autores pagam pela publicação de seus livros. A sede da KBR fica em Petrópolis, região serrana do estado do Rio, na casa de sua fundadora, CEO, única funcionária e uma de suas principais autoras, Noga Sklar.

— O jogo ficou aberto para todo mundo. Antes da chegada da Amazon, a KBR não era nada. Agora, estou aqui pensando no que vai ser o futuro da empresa — explica Noga. — Até agora, o editor era aquele santo no altar, ninguém conseguia falar com ele. Eu como autora sempre fui maltratada, sofria rejeição. Mas há milhões de outras saídas, não precisa ficar na fila de uma editora por três anos, esperando alguma coisa acontecer.

Também no site brasileiro da Amazon, um dos livros mais vendidos dentro da categoria “erótico” é “Sem graus de separação”, um dos oito já lançados por Noga. A KBR foi criada justamente para levar à Amazon americana os livros de sua fundadora e cresceu quando ela passou a ser procurada por outros autores interessados em oportunidades semelhantes de levar sua obra para o público. Noga costuma chamar seus autores de “sócios” da empresa, já que eles financiam boa parte do trabalho de produção.

— Se as grandes editoras não perceberem que o negócio mudou, elas vão ter problemas. A filosofia é outra. Essa coisa de as editoras fazerem tiragem vai acabar. Elas também vão ter que começar a olhar mais para as redes sociais e outros canais de promoção. O que a Amazon faz melhor é tratar bem o consumidor. É tudo personalizado. Eles te chamam pelo nome, sabem seu gosto. E permitem que você compartilhe suas impressões sobre um livro em avaliações que têm tanto valor quanto a de qualquer profissional — diz Noga.

Porém, mesmo com o bom resultado de “Paris para principiantes” na lista de mais vendidos da Amazon, havia até o meio da semana uma única avaliação de consumidor sobre o livro. “O ‘Paris’ de Paulo Pinho é uma caixa de surpresas e uma joia de livro, com crônicas deliciosas, lindas fotos do próprio autor e dicas inusitadas”, diz a resenha, acompanhado da cotação máxima de cinco estrelas, escrita pela própria Noga Sklar.

Definitivamente, uma característica fundamental do universo da autopublicação é saber vender o próprio peixe.

Por André Miranda | Publicado originalmente em O Globo | 15/12/2012

Leitura na nuvem sem mistérios


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/07/2012

O que é a nuvem?

Até pouco tempo atrás, todos os nossos arquivos estiveram fisicamente armazenados em hard-drives, CDs e outros dispositivos de memória. Se quaisquer desses suportes fossem perdidos, danificados ou roubados, azar – e provavelmente você sentirria saudades da perenidade do papel e dos livros. Mas, graças à inventividade da tecnologia, já existe um jeito melhor de armazenagem. Ao manter seus conteúdo e arquivos na nuvem, você pode acessá-los em qualquer lugar.

Por que isso interessa aos leitores?

No contexto dos e-books, a nuvem é ainda mais importante. Enquanto alguns formatos de arquivos vêm e vão, com a nuvem um e-book comprado hoje vai durar para sempre. Você deixou uma cópia do seu e-book no seu PC, em casa? Nenhum problema, você pode lê-lo pelo browser do seu telefone Android onde quer que você esteja. Deixou o seu precioso iPhone 4S cair numa poça na Avenida Faria Lima? Em apenas alguns segundos você pode refazer o download de graça pelo iBooks no seu novo celular.

A leitura na nuvem desmistificada

Certamente uma área de crescimento em 2012, a leitura em nuvem de fato começou a decolar. Mas, para tornar a situação um pouco mais “nebulosa”, há várias formas de nuvem. Farei o melhor que puder para clarear tudo isso.

Sincronização

Compre uma única vez e sincronize todo o conteúdo em qualquer lugar fazendo o download de uma cópia “local” em cada dispositivo que você usa. Não é surpresa nenhuma que a Amazon foi pioneira nisso com sua tecnologia Cloud Reader, por meio da qual os livros Kindle podem ser sincronizados não apenas no aparelho Kindle, mas também no iPad e no PC, por meio de aplicações para cada um desses dispositivos. A O’Reilly Media, editora norte-americana que adora inovações tecnológicas, uniu-se à Dropbox, empresa de armazenagem em nuvem, para que todo o conteúdo da O’Reilly comprado possa ser guardado de forma segura gratuitamente em nuvem.

Leitura no celular

Leia livros no seu aparelho conectado à internet, aonde quer que você vá. Enquanto há diversas empresas internacionais tentando fazer isso, eu considero as soluções propostas pela Xeriph e pela Gol Mobile, duas empresas do Rio de Janeiro, particularmente interessantes. E qual a inovação aqui? A Nuvem de Livros, da Gol, dá aos leitores acesso a toda uma biblioteca no estilo “coma quanto puder” por R$ 0,99 mais impostos por semana, em parceria com a Vivo. Já a Xeriph, por meio de uma parceria com a Claro, permite aos assinantes da Claro Leitura que eles leiam até três livros por semana por R$ 3,99.

Fim da dependência em relação aos dispositivos

O próximo capítulo na história da leitura em nuvem é uma solução que permite verdadeiramente uma independência em relação a plataformas e provê uma experiência de fato consistente em qualquer aparelho conectado à internet. Sem entrar em detalhes, empresas de tecnologia podem tornar esse sonho realidade usando a linguagem de programação HTML5, que permite em qualquer navegador de internet uma experiência semelhante à do uso de um “app”. A Google Play Books é um ótimo exemplo, vendendo e-books que podem ser comprados e lidos em vários aparelhos. A Vook, empresa de tecnologia de e-books, deu um passo além. Ela oferece às editoras um leitor e loja próprios e elegantes, bem como experiências de leitura enriquecidas por áudio e vídeo, por exemplo.

Com a leitura em nuvem, a promessa do conteúdo universalmente acessível finalmente chegou.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/07/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

600 mil livros em branco


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

Alguns dias atrás, tive uma ótima conversa com Sriram Peruvemba [ou Sri], o principal executivo de marketing da E-Ink, um amigo antigo dos tempos pré-Kindle. Ele me contou uma ótima história sobre tecnologia educacional – a julgar pelo alvoroço no último Congresso do Livro Digital, um assunto muito quente.

Muito do rebuliço vem do plano [demasiadamente] ambicioso do Ministério da Educação [MEC] de comprar 600 mil tablets educacionais. O engenheiro dentro de mim fica animado com a iniciativa. Mas o e-publisher dentro de mim fica chocado: 600 mil tablets sem conteúdo? Você pode imaginar comprar 600 mil livros didáticos sem uma única linha impressa?

Sri iniciou nossa conversa me contando sobre o estado atual da leitura eletrônica no mundo. “Com a chegada dos e-readers, a sociedade como um todo está lendo mais, graças à conveniência desses aparelhos, a facilidade de acesso ao conteúdo, a portabilidade, a duração mais longa da bateria, o conteúdo mais barato [e às vezes grátis]. Livros, revistas e jornais, e mesmo documentos de trabalho, estão sendo lidos em tablets e e-readers.

Isto não é novidade para os assíduos leitores do PublishNews…mas então ele deu uma visão um pouco pessimista sobre o estado da leitura em geral.

Mas livros, revistas e jornais se tornaram secundários, muitos adultos não leem muito depois de sair da escola, e mesmo os periódicos têm estado em queda constante nos últimos anos. Não há sinais de que a tendência vai se reverter.

Ele considera, no entanto, que o conteúdo educacional é o pilar mais forte da indústria editorial. “Se você é um estudante em qualquer lugar do mundo, você está usando livros didáticos e isto não é uma opção, é obrigatório.

Nos últimos tempos, surgiram muitas empresas dispostas a inovar a experiência que se tem com o livro didático ou com os aplicativos de educação para tablets.

NearPod oferece uma solução completa para a sala de aula, onde o professor se torna ele/ela mesmo/a o criador de conteúdo – convertendo PDFs em materiais de aula interativos. Eles são uma empresa brasileira, com escritório na Vila Olímpia, em São Paulo.

Inkling, que se uniu à nata das editoras americanas, desenvolveu uma plataforma impressionante que reinventa a experiência do livro no iPad.

É claro que o “elefante na sala”, o competidor grande demais para ser ignorado, é a Apple e seu iBooks Author. Essa ferramenta permite que os autores criem conteúdos específicos para o iPad com recursos interessantes. Ela cria e-books? Ou ela cria Apps? Para o desapontamento de mais de 250 milhões de usuários de dispositivos equipados com o Android, o conteúdo gerado com o iBooks só funciona em uma plataforma, o iPad.

Enquanto os Apps são chamativos, potentes e legais, eu não tenho dúvidas de que eles não são o futuro da indústria editorial. Eu reforcei minha convicção de que os padrões como o ePub vão se mostrar os mais resistentes depois que, ao atualizar o sistema iOS, a Apple “quebrou” mais de 300 de nossos aplicativos de livros eletrônicos na Vook.

E Sri me confirma: “você precisa de um suporte [para o conteúdo educacional] e esse suporte é um dispositivo portátil como um e-reader [com tecnologia E-Ink].

Espera aí, você vai dizer, você não pode ensinar sem cor, e os leitores E-Ink são preto e branco. Não mais.

A Ectaco, cliente da E-Ink, já produz um aparelho em cores chamado Jetbook, que foi originalmente lançado na Rússia com sucesso na sala de aula”. Depois dessa primeira experiência, eles lançaram o dispositivo na prestigiada Brooklyn Technical High School em Nova York.

Os testes começaram em março, com o Jetbook que tem a tela em cores E Ink Triton. Os alunos aprenderam a manejá-lo em uma hora e desde então estão usando. Eles tomam notas, marcam o texto e salvam os trechos que vão usar no futuro para referência.

E corre o boato de que a Ectaco está olhando o Brasil.

Agora, com todas essas plataformas interessantes, voltemos à questão mais importante: “Quem vai criar conteúdo para encher esses 600 mil livros?”.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

O que é a nuvem?

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

O homem por trás do Kindle no PublishNews


Greg Bateman, que trabalhou no desenvolvimento do leitor da Amazon, estreia coluna quinzenal

Quem conversa com Greg Bateman certamente se impressiona com a trajetória profissional desse americano. As paixões pela engenharia e pela cultura japonesa levaram-no a morar no Japão, onde ele trabalhou, entre outras coisas, com o desenvolvimento de telas para produtos eletrônicos. Com essa experiência na bagagem, foi para a China em 2006 trabalhar na E Ink, empresa que está por trás da tecnologia usada nos leitores eletrônicos, cujas telas reproduzem a sensação de ler no papel. E foi lá que ele integrou a equipe envolvida na criação do Kindle, da Amazon. Greg mal sabia de início, mas, por uma incrível confluência de acontecimentos, estava ajudando a escrever um capítulo-chave na história do mundo editorial. Agora, vivendo no Brasil, de onde ele cuida dos negócios internacionais da Vook, passará a escrever quinzenalmente sobre e-books e tecnologia para o PublishNews. O nome de sua coluna não poderia ser mais bem-humorado: E-Gringo.

PublishNews | 04/04/2012

Vook lança plataforma para produção de eBooks


Depois de quatro meses em teste, a Vook lançou para o público a versão de seu software de distribuição e produção de e-books. A plataforma da Vook propõe-se a ser fácil suficiente para que autores independentes publiquem seus e-books diretamente, e robusta o bastante para o uso corporativo. O serviço foi desenvolvido para permitir criar e automaticamente distribuir para as lojas da Amazon, da Barnes & Noble e da Apple tanto e-books que contêm apenas texto, como aqueles que possuem recursos multimídia. Outras plataformas de publicação que prometem ser fáceis de usar e gerar resultados impressionantes foram lançadas recentemente, como o iBooks Author, da Apple, e o Habitat, da Inkling

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 26/03/2012

Ser escritor na era digital é…


Esse foi o tema da primeira edição do Fórum Autor 2.0

Tenho a impressão de acordar analfabeto e índio todo dia. São muitas palavras novas e tenho que entender o que é isso. O americano está enfiando coisas todo dia que nem espelho”, disse Marcelino Freire no Fórum Autor 2.0 realizado pela Ímã Editorial no sábado, dia 3 de setembro, no Parque Lage, no Rio de Janeiro.

Além de abordar as angústias comuns ao escritor que está vivendo este início de era digital e está decidindo se vive em seu castelo ou se conversa com seu leitor pelas mídias sociais, o fórum discutiu assuntos como a publicação de narrativas em mídias sociais e suportes alternativos, as narrativas colaborativas e as não lineares, a publicação e autopublicação, e distribuição em e-book em canais aterritoriais, entre outros. Participaram Sérgio Rodrigues, Cristiane Costa, Carlo Carrenho, Ondjaki, Marcelino Freire, Simone Costa e C. S. Soares. A moderação foi do editor Julio Silveira.

Cristiane Costa falou sobre o assunto que pesquisa: as narrativas expandidas. “Hoje, a graça é inventar uma nova forma de contar uma história”, comentou a jornalista e professora. Ela apresentou alguns exemplos do que se anda fazendo por aí com o livro, ou melhor, com a história, como o Vook, geradores de textos, uso da realidade aumentada. Já a escritora Simone Campos contou sobre sua experiência de escrever livros interativos e disse que para criá-los tem até que estudar matemática e lógica.

A partir da ideia de que a literatura é um conjunto de palavras que evoca imagens na cabeça do leitor e que ao dar a imagem pronta você tira algo do leitor, Sérgio Rodrigues disse que essas novas formas de narrativas deveriam ganhar um novo nome. “Não vejo como continuar chamando isso de literatura. Só para usar a fama da velha literatura? Vamos dar outro nome.” Para o jornalista, a posição do escritor está passando por mudanças e o manter distância do leitor está fora de moda. Mas ele também não acredita que seja possível conseguir fazer alguma coisa estando o tempo todo conectado no Twitter e Facebook e ainda respondendo os e-mails dos leitores. “Para que você mesmo consiga ouvir a voz da sua cabeça é preciso de um pouco de silêncio”, comentou.

Ondjaki está nas mídias sociais e gosta dessa interação que acontece entre leitor e autor em feiras do livro e eventos, mas anda bravo com o Facebook que mudou algumas configurações e agora seus “amigos” conseguem comentar suas atualizações. “O acolhimento é muito bom, mas essa exposição às vezes atrapalha um bocado”. O escritor angolano não vê essas novas mídias como ameaça ao livro e acredita que estamos no meio do caminho entre o começo da revolução digital e o que será o livro.

Carlo Carrenho, diretor da Singular, membro da Confraria dos Bibliófilos e leitor de livro digital, acredita que em um ou dois anos a fatia de e-books no mercado brasileiro ainda será pequena, mas prevê um crescimento exponencial. Para ele, em seis anos o cenário será bastante distinto. Isso se o governo não se antecipar e criar algum programa para o livro digital. “É só o governo decidir comprar e em dois meses os editores vão amar o livro digital e terão tudo pronto”, comentou.

A autopublicação também é algo que cresce no mercado editorial nacional e internacional. “Vai-se publicar muito lixo, mas vamos conhecer muita coisa boa”, disse, lembrando que Julio Verne só foi publicado pela 14ª editora. E que Marcelino Freire bancou a edição de seu livro de estreia por não ter tido muito sucesso com as editoras que procurou. Hoje, depois de ter tido outras obras lançadas por uma grande editora e vencido o Jabuti, voltou à publicação independente. “Cada um tem uma história para contar e agora pode contar”, disse Claudio Soares, também adepto da autopublicação.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 05/09/2011

Anne Rice lança livro em formato multimídia


Anne Rice, autora de clássicos vampirescos como “Entrevista com o vampiro” e “Rainha dos condenados”, anunciou na quarta-feira que irá transformar o livro “O Senhor de Rampling Gate” em um videobook, ou simplesmente vook – uma espécie de livro eletrônico que combina vídeos e a interatividade da internet. “O vook representa uma excitante combinação de novos elementos tecnológicos“, afirmou Rice em comunicado. “Estou muito animada em saber que o livro vai ganhar uma nova vida nesse formato, e não posso esperar para ver o produto finalizado. Não sei se minha mente pode conceber todas as possibilidades desse novo formato. Estou aprendendo. E me sinto bem“, acrescentou a autora.

Veja On Line – 10/02/2010 – Por Redação

Autora de ‘Entrevista com o Vampiro’ lança livro em formato multimídia


Anne Rice

Anne Rice, autora de clássicos vampirescos como Entrevista com o Vampiro e Rainha dos Condenados, anunciou que irá transformar o livro O Senhor de Rampling Gate em um videobook, ou simplesmente vook – uma espécie de livro eletrônico que combina vídeos e a interatividade da internet.

O vook representa uma excitante combinação de novos elementos tecnológicos”, afirmou Rice em comunicado. “Estou muito animada em saber que O Senhor de Rampling Gate vai ganhar uma nova vida nesse formato, e não posso esperar para ver o produto finalizado. Não sei se minha mente pode conceber todos as possibilidades desse novo formato. Estou aprendendo. E me sinto bem”, acrescentou a autora.

A empresa por trás do projeto de Rice é a Vook, que transforma para o novo formato textos de diversas editoras e também obras de domínio público. “A Vook veio até nós há cerca de dois meses e nos mostrou alguns de seus produtos. Eu achei a ideia muito interessante e acredito que o mundo editorial precisa começar a olhar para novas maneiras de conquistar os leitores”, afirmou Lynn Nesbit da Janklow & Nesbit Associates, editora de Anne Rice.

Longe de ser unanimidade, a novidade dos vooks ainda gera controvérsia no mundo editorial. Alguns acreditam que se trata apenas de uma engenhoca sem sentido, enquanto outros afirmam que é uma necessidade trazida com a era da internet. O vook de O Senhor de Rampling Gate, que incluirá uma entrevista com a autora, será lançado no dia 1º de março e poderá ser comprado por meio do iPhone, iPod touch e outros aparelhos digitais por 6,99 dólares.

VEJA – por Jack Starman – 10/02/2010