Escrita compartilhada


Esqueça a imagem do escritor fechado em casa, sozinho, diante da impassível página em branco. Contas de Facebook e Twitter desativadas. Internet desconectada. Nada que possa desviar a atenção durante o processo de escrita da sua obra. O que temos aqui é um novo tipo de experiência produtiva na qual o autor da história não é mais soberano e não há espaços para bloqueios criativos. Tudo porque os leitores estão sendo convidados a acompanhar, às vezes em tempo real, o processo. E opinam, sugerem mudanças e caminhos – que vão sendo incorporados, ou não, pelo autor. O escritor Luiz Bras entrou na onda da editora Sesi-SP, que queria fazer algo diferente no ambiente digital, além de divulgar seu Clube do Livro. Desde meados de julho, ele está concentrado na escrita de um romance juvenil interativo. Já foram dois capítulos e funciona assim: depois de publicar uma parte da história no blog Participe do Romance, os leitores mandam seus comentários. Ele filtra as mensagens, aceita ou não as sugestões e, então, escreve o capítulo seguinte. A cada 15 dias, o processo reinicia.

POR MARIA FERNANDA RODRIGUES | O ESTADO DE S. PAULO | 12/08/2015

Plataforma reúne autoras de literatura para meninas


Iniciativa visa maior proximidade entre autoras e leitores nacionais

Será no próximo dia 28 de março o lançamento da primeira etapa do projeto multiplataforma LitGirls, idealizado pela Punch! Comunicação. A iniciativa consiste na exibição de vídeos em formato jornalístico-documental, inéditos e desenvolvidos por dez autoras nacionais. A iniciativa quer estreitar o relacionamento e ampliar a troca de conteúdos entre autoras e seus fãs. Na oportunidade será lançado um site que reunirá informações sobre as escritoras, atualizações sobre suas carreiras e novidades do projeto, além de um aplicativo com conteúdos inéditos e exclusivos de curiosidades sobre as escritoras para iPhone e iPad e mídias sociais [YouTube, Twitter e Facebook]. Para marcar o lançamento, acontece um evento na Livraria Cultura Cine Vitória [Rua Senador Dantas, 45, Centro, Rio de Janeiro/RJ] e haverá duas mesas redondas, com todos os participantes, das 13h às 17h. Haverá distribuição de senhas uma hora antes do evento, sujeito à lotação.

PublishNews | 13/03/2015

Os melhores ‘apps’ para ler e estudar


unnamedFolhas de papel, agendas, cadernos, livros. Quilos e quilos de papel que até poucos anos atrás pesavam sobre as costas e ocupavam mochilas, bolsas e mesas. Estão desaparecendo, pouco a pouco, da vida dos estudantes. A digitalização dos alunos nas universidades caminha no mesmo ritmo que eles; segundo o último estudo do serviço de telefonia Tuenti Móvil e da empresa de pesquisa de mercado IPSOS, 84% dos jovens pesquisados se conecta à Internet a partir do telefone celular e 40% utiliza o aparelho para estudar, trocar anotações ou trabalhar em grupo.

Celulares e tablets foram banindo a caneta e o papel para melhorar, maximizar e otimizar as tarefas dos universitários; deixaram que ser um elemento de distração durante as aulas para se tornarem uma ferramenta de trabalho. Quase sempre. Álex Rayón é professor na Faculdade de Engenharia da Universidade de Deusto e responsável pela TI [Tecnologia da Informação] nesse centro universitário. É ele quem está colocando em funcionamento a maquinaria que habilita as tecnologias de informação e comunicação na universidade basca: “Todo o plano de formação em competências digitais. Acredito que com isso é preciso ser valente”.

Os alunos ainda sentem dificuldades no uso dos aplicativos durante as aulas, embora fora delas isso já se tornou um hábito. “Os professores demoram em se acostumar. O maior medo é que, com o telefone na mão, os alunos possam estar fazendo outras coisas que não sejam da disciplina”. Facebook, Twitter, Whatsapp. “O que acontece então? Os celulares são proibidos em sala de aula”, conta Rayón. “Mas o que devemos fazer, e o que eu tento a cada dia, é levar as aulas ao celular, monopolizar a atenção dos alunos”.

Rayón dá aulas de Inovação e empreendedorismo na Universidade de Deusto e de Estratégia digital na Deusto Business School. Uma parte delas navega na nuvem, no Youtube e no Google Drive. “Quando os alunos fazem seminários, peço que gravem; depois postamos o material em canais temáticos que criamos no Youtube e se faz uma revisão por grupos. É uma das formas de levar a aula ao ambiente dos dispositivos móveis”. Com a ajuda de aplicativos como o Evernote, para gestão de conteúdos, e o Mindomo, para criar mapas conceituais, Rayón consegue colocar a aula no celular. “E não ao contrário, para aproveitar ao máximo todos os recursos disponíveis”.

Para ajudar a atingir esse objetivo, apresentamos os melhores aplicativos de iOS, Android e Windows Phone para compactar o curso.

Com a mão levantada

Para não perder o hábito de mover o pulso e o cotovelo ao escrever, reunimos aplicativos com os quais você poderá continuar escrevendo de forma tradicional, mas sobre uma tela.

  • Penultimate: Um aplicativo simples, intuitivo, extremamente bem cuidado visualmente e com uma gestão impecável da tinta. Pode-se escrever com o dedo, mas para aproveitá-lo ao máximo um stylus é a melhor opção. Disponível para iPad e gratuito.
  • Papyrus: Clara e fácil de usar, essa ferramenta tem uma janela para os clientes do Google Play for Education, que podem instalar este app e o Papyrus Licence EDU 2014-2015 para desbloquear as vantagens da versão premium. Disponível para Android e gratuito.
  • OneNote: A ferramenta para tomar notas do pacote Office da Microsoft é uma plataforma agradável e limpa visualmente. Permite escrever à mão, embora seja recomendável um lápis adequado. Disponível para Windows Phone, iOS e Android de forma gratuita.

Organizado e a tempo

Para quem não se importa em prescindir de agendas, post-its e papeizinhos no meio de dezenas de cadernos, seis ferramentas que ajudam a organizar, lembrar e guardar.

  • Evernote: Para tomar notas, fazer fotos, criar listas, gravar voz, guardar links. Tem sincronização na nuvem e capacidade para fazer apresentações com um clique. Gratuito. Para iOS, Android e Windows Phone em versão gratuita, premium [5 euros por mês, cerca de 14,65 reais] e business [10 euros por mês como usuário].
  • iStudiez Pro: Combina agenda, lista de tarefas e anotações com uma interface fluída e visualmente bonita. Disponível para iOS e Windows Phone por 8,7 euros.
  • My Study Life: Agenda, lista de tarefas e avisos em um único aplicativo para iOS, Android e Windows Phone. Gratuito.
  • Any.do: Combina tudo, do calendário à lista de tarefas. Sincroniza e compartilha com outros dispositivos. Com cada nova mudança, seus desenvolvedores sempre repetiram o mesmo: “Há muitos apps para cada coisa, por que não usar um que sincronize tudo?”. Disponível para iOS e Android de forma gratuita.
  • FantastiCal 2: Um calendário intuitivo, completo e com aperfeiçoamentos contínuos. Só está disponível para iOS, por 4,99 euros.
  • Wunderlist: Um aplicativo simples e intuitivo para organizar e compartilhar tarefas. Para iOS e Android, tem uma versão gratuita e outra paga, por 4,20 euros.

Guardar e compartilhar

Antes, se tiravam fotocópias. Agora, sobem-se arquivos à nuvem. Três lugares virtuais onde armazenar qualquer tipo de arquivo e poder acessá-lo a partir de qualquer dispositivo, compartilhar com os colegas do grupo de trabalho ou com os professores.

  • Google Drive: Compartilha, edita e guarda de forma instantânea. Disponível para iOS, Android e Windows Phone e gratuito.
  • Dropbox: Tudo vai para a nuvem, para consultar e sincronizar de forma instantânea com outros dispositivos. Para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.
  • OneDrive: É o serviço de armazenamento de arquivos da Microsoft, embora tenha aplicativos para iOS e Android. Gratuito até 15 GB.

Página a página

Para muitos, o romantismo de virar as páginas dos livros e sentir seu aroma não é motivo suficiente. Nos leitores digitais se podem armazenar milhares de títulos, todos disponíveis de forma imediata.

  • iBooks: É o aplicativo da Apple para baixar e ler livros, sublinhar e acrescentar notas. Tem acesso direto à biblioteca da empresa da maçã.
  • GoodReader: Para ler e tomar notas em arquivos; sincroniza com o Dropbox, OneDrive, SugarSync, e qualquer servidor SFTP, FTP, SMB, AFP ou WebDAV. Disponível apenas para iOS, por 4,2 euros.
  • Kindle: A experiência e a interface dos clássicos do Kindle transformados em um aplicativo disponível para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.

Sempre útil

Para escanear, fazer cálculos ou desconectar a rede wifi, que às vezes se torna mais tentação do que ajuda, uma reunião de aplicativos que podem ser um auxílio pontual.

  • Quick Graph: Uma potente calculadora gráfica com versão premium por 1,7 euros. Disponível apenas para iOS, embora seus desenvolvedores estejam trabalhando em uma versão para Android.
  • Genius Scan e CamScanner: Dois aplicativos para escanear, digitalizar, editar e enviar documentos e fotografias. Ambos disponíveis para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.
  • Ommwriter: Se você não é capaz de desconectar a rede wifi do tablet ou não consegue pôr o celular em modo avião, este aplicativo lhe ajudará a se concentrar para trabalhar. Enquanto estiver aberto, as notificações não o atrapalharão. Disponível apenas para iOS, por 4,99 euros.
  • Pocket: Bolso virtual que permite guardar artigos, vídeos ou fotografias a partir de qualquer Web ou aplicativo para vê-los mais tarde. Disponível para iOS e Android e é gratuito.

El País | 28/01/2015

Site transforma tweets em poesia


O objetivo é divulgar cursos de criatividade

Para divulgar seus novos cursos de literatura e as oficinas criativas da escola, o b_arco, localizado em São Paulo, criou um site que transforma os tweets de qualquer pessoa em poesia. É fácil: basta preencher o campo com qualquer usuário de Twitter e escolher o formato. As poesias são feitas combinando todos os tweets do usuário e achando rimas entre eles, criando resultados curiosos e, às vezes, surreais. Acesse e transforme seus tweets em poesia.

PublishNews | 20/01/2015

Clube de leitura de Zuckerberg faz vendas de livro dispararem


Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook,

Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook,

Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook, traçou um plano para 2015: ler um livro a cada quinze dias e comentá-lo na rede social. Na verdade, a ideia é mais elaborada: Zuckerberg escolhe uma obra, informa o título aos participantes do clube do livro, página que ele criou [chamada A Year of Books], e duas semanas depois realiza um debate público com o autor da obra. Nesta terça-feira, ocorreu o primeiro encontro virtual, com o escritor venezuelano Moisés Naím, autor de O Fim do Poder.

Desde 3 de janeiro, o clube do livro de Zuckerberg atraiu 248.000 pessoas. De quebra, alavancou a venda de livros. Somente nos Estados Unidos, o livro de Naím vendeu mais de 20.000 cópias em dois dias, de acordo com a editora Basic Books, responsável pela publicação do título no país. Esse número é maior do que toda a venda registrada pelo livro desde sua primeira impressão, em março de 2013.

A ação também repercutiu no Brasil. Publicado pela Editora Leya, o livro se tornou um dos mais vendidos na Amazon.com.br e já esgotou em livrarias como a Saraiva. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a editora pretende reimprimir a obra com um selo que remeterá à indicação literária do fundador de Facebook.

Outro efeito do clube do livro foi aumentar a fama virtual de Naím, que ganhou mais de mil novos fãs no Facebook. Seu perfil no Twitter aponta a realização de entrevistas para publicações americanas, inglesas e colombianas nos últimos dias.

Economista e escritor de assuntos políticos, Naím aborda no livro a fragmentação do poder: nos dias de hoje, afirma, as grandes corporações e governos estão perdendo espaço para organizações menores. A maioria das perguntas ao autor foi feita pelos fãs da página A Year of Books.

Zuckerberg, dono do espaço, fez apenas uma pergunta e aproveitou para agradecer o autor. “Obrigado por participar dessa conversa“, escreveu. “Realmente gostei de ler seu livro. Foi um belo jeito de começar meu ano!” O escritor, é claro, concorda.

Veja.com | 13/01/2015

Pra começar


Milhões de livros vendidos e poucas pessoas na sessão de autógrafos, incluindo parentes e funcionários [constrangidos] da editora. No estande ao lado, centenas de jovens e adolescentes disputam um clique para eternizar o encontro com a nova sensação das letras. Desconhecido até pouco tempo atrás, vende mais livros em um mês do que muitos “imortais” em vários anos.

A cena ocorrida num evento recente ilustra que o segmento literário mudou. Quem vai colar os caquinhos do velho mundo? Não podemos controlar as mudanças, mas temos a chance de decidir qual será a nossa reação a elas. Amar os livros pressupõe um apetite insaciável por conhecimento e refletir sobre as transformações deve sempre fazer parte do cardápio.

Somos o povo que passa mais tempo online nas redes sociais. 69% dos brasileiros concordam que a publicidade online os motivou a procurar informação extra sobre o produto/marca oferecido. Projeção da PricewaterhouseCoopers aponta que em 2018 o lucro das editoras com livros digitais será superior ao da venda de livros impressos. O faturamento do e-commerce no Brasil deve crescer 20% neste ano, atingindo 43 bilhões de reais.

Os sinais estão por toda a parte e não podem ser ignorados. O desafio que proponho neste espaço é abrangente e vale para diversas áreas da vida, inclusive para a corporativa. Em vez de discutir ou tentar mudar as paisagens, podemos ajustar o foco. O cenário às vezes permanece inalterado, porém passamos a vislumbrar possibilidades antes escondidas.

Essa visão ampla traduz de forma quase poética o que é marketing, palavra que ainda provoca confusão e muxoxos de desprezo. “Aquele livro ruim só fez sucesso graças ao marketing.” “Se não fosse aquele marqueteiro, jamais a Sicrana teria vencido as eleições.

Em tempos de reducionismo alçado a sinônimo de erudição nas redes sociais, é preciso lembrar: marketing não é sinônimo de propaganda enganosa e usa a verdade como um de seus principais ingredientes. Não confundam Joseph Goebbels com Philip Kotler. #pfvr

Sob o gigante guarda-chuva do marketing digital, vamos conversar sobre Facebook, Twitter, Instagram e blogs literários, entre outros temas. Numa seara em que as verdades podem durar apenas algumas horas, o único requisito para o papo é a disposição de refletir. Como diz o adágio, “toda banda larga é inútil, se a mente for estreita”.

“Se tudo caiu, que tudo caia, pois tudo raia. E o mundo pode ser seu” – Marina Lima

Publicado originalmente em Publishnews | 09/01/2015

Apaixonado por livros e por Internet, Sérgio Pavarini atua na área editorial há mais de 15 anos. Jornalista e blogueiro, foi editor e gerente de marketing antes de abrir sua agência especializada em digital.
A Internet é sinônimo de transformação permanente. Este espaço aborda todos os meses temas como redes sociais, blogs literários e tudo relacionado ao admirável mundo novo digital e como eles podem influenciar na indústria do livro. A partir da sua experiência profissional, Sérgio Pavarini vai dar toques, dicas e contar histórias que vão enriquecer o repertório de quem lida com o marketing digital nas editoras ou livrarias.

As implicações da passagem do computador de sua mesa para seu bolso


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Benedict Evans da Andreessen/Horowitz [um indispensável observador da mudança digital na mídia, e analista que explica a Amazon melhor do que qualquer outro que eu conheço] fez uma apresentação chamada “O Celular está Comendo o Mundo”. Ele esclarece o fato de que todo mundo vai ter smartphones com conectividade em pouco tempo. Um slide [o slide número 6] na apresentação dizia que no final de 2017 — daqui a pouco mais de três anos — pouco menos de 30% das pessoas no planeta não vão ter um smartphone. Isso significa que 95% dos conhecidos de pelo menos 95% das pessoas que estão lendo este post vão ter um. Outro slide [o de número 28] diz que já estamos no momento em que, durante a vasta maioria das horas que uma pessoa está acordada, elas dedicarão entre 40% e 70% deste tempo a atividades de mídia ou comunicação.

Evans e outros analistas estão sugerindo que estas mudanças vão refazer o uso de websites e apps e nos tornar mais confiantes em “cards”, objetos digitais agnósticos em relação a sistemas e aparelhos que podem fornecer tanto informações quanto a capacidade de agir sobre ela. Vemos o começo disso agora nos negócios de livros com o Aerbook de Ron Martinez, que coloca “conteúdo no fluxo social” e Citia de Linda Holliday, que se afastou dos aplicativos estilo card voltado à indústria do livro para servir a indústria da publicidade.

Acho que seria interessante que as editoras de livros focassem nas oportunidades de marketing e consumo que estas mudanças permitem [ou exigem] em vez de permitir que esta mudança tecnológica faça com que se afastem de novo, como fizeram com os enhanced e-books. O uso do celular substituindo o PC na verdade favorece a velha leitura de livros, já que o espaço limitado das telas não é um problema. Mas os processos de descoberta e os meios de compra poderiam mudar radicalmente.

Um texto muito inspirador que li [mas não consigo encontrar mais] sugeria que tudo isso significa uma forte redução do uso do e-mail, algo que Evans confirma em uma tabela mostrando que crianças entre 12-15 anos [no Reino Unido], não usam muito. Elas mudaram para redes sociais como Facebook e Twitter como canais de comunicação. Elas nem mesmo falam no celular. Há uma nova categoria de “mídia efêmera”; ela faz o que tem que fazer e depois a comunicação desaparece. Claro, não sabemos realmente como será o comportamento comunicativo daqui a 20 ou 30 anos de alguém que hoje está com 12-15, e o e-mail ainda é muito importante para o marketing. Enquanto isso, continuam as tentativas de melhorar o e-mail, incluindo a mais recente do Google.

Há duas grandes mudanças que são realmente obrigatórias para a migração ao celular. A grande mudança óbvia é uma redução no espaço de tela em um celular, em comparação com um PC. A menos óbvia, mas que ameaça o uso do e-mail, é a perda dos teclados com muitas funções e grande tamanho. Estas duas grandes mudanças não foram citadas especificamente nas apresentações que vi sobre isso, incluindo a de Evans.

A mudança na tela poderia terminar sendo a de menor problema. Como o crescimento nos celulares é real, também é a ubiquidade de telas de muitos tamanhos em muitos lugares. A tecnologia para permitir que algo enviado de um celular seja “jogado” em outra tela é bastante trivial – o bluetooth já existe e outras coisas novas, como Chromecast, que permite a reprodução da tela de um aparelho com Internet em uma TV, estão sempre chegando. Não é difícil imaginar que telas maiores estarão disponíveis para celulares que poderão informar sobre quase tudo. E apesar de que sempre haverá uma tendência natural a preferir ver no aparelho que você segura na mão e com o qual controla toda sua navegação [uma grande vantagem para livros], se uma tela maior for necessária, sempre haverá uma disponível quando você precisar.

Mas o problema do teclado pode ser mais complicado. Teclados portáteis e dobráveis já foram desenvolvidos, e já são usados para transformar tablets em laptops. Se serão tão populares ou tão facilmente compatíveis quanto as telas é algo duvidoso. Eles não funcionaram para Palm Pilots e ainda estamos esperando para ver se seu uso vai ficar popular no Microsoft Surface.

O que atenua a perda dos teclados é o aumento do uso de ditado por voz para substituir a digitação. Sempre que clico no meu app Google no iPhone, ele me convida a simplesmente falar o que eu quero. Claro, transcrever textos ditados introduz novas possibilidades de erro. Mesmo assim, teclados ineficientes poderiam não ser tão ruins para escrever e-mails para uma parte substancial da população que não tem entre 12-15 anos, e que ainda estará usando este meio de comunicação por décadas, como os atuais hábitos dos usuários do século XXI parecem sugerir.

Você pode, claro, simplesmente falar com Siri [ou Google] em voz alta qual é o best-seller do NY Times que quer e pedir para navegar até um site onde pode baixar uma amostra ou comprar, e chegará lá.

Existe ainda mais motivos para acreditar que websites vão continuar mesmo se os cards se tornarem mais populares. Com a atomização da criação de conteúdo [cada vez mais criadores de conteúdo, alguns deles podem ser bem pequenos], entender a “autoridade” deles será cada vez mais importante. Por enquanto, Google é a empresa que mais dependemos para abordar este desafio [outras que tentaram incluem Bong, Wolphram, Alpha, Duck Duck Go] e sites são uma ferramenta fabulosa para o Google entender quem é alguém e se eles sabem de onde falam ou escrevem.

Este exame de autoridade provavelmente será cada vez mais importante e percebido desta forma pelos consumidores de conteúdo. [Na verdade, isto está acontecendo agora, apesar de que a maioria dos consumidores não perceba que está acontecendo.] Se isso for verdade, websites oficiais e úteis [ou meios equivalentes, que são proprietários ou editáveis, para consolidar informação ao redor de uma pessoa que procura uma audiência – como Wikipedia, Google+, Amazon Author Central, e outras páginas autênticas] podem continuar a ser importantes para o Google e, portanto, para todos nós.

O que é certo é que no mundo desenvolvido quase todo mundo vai ter um computador em suas mãos o tempo todo que poderá acessar quase tudo na web ou em qualquer app. [Isso já é, em grande parte, verdadeiro, mesmo que seja pouco usado ou subestimado.] Estamos nos sentindo cada vez mais confortáveis usando o celular livremente, sem estarmos presos a horários e lugares. Também podemos estar livres da ignorância a maior parte do tempo, se quisermos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Marcador de livro envia tuítes para leitores retomarem a leitura


Eleito o case do mês de julho pelo IAB Brasil, Tweet For Read, criado pela Mood para a editora Penguin, emite alertas com frases literárias para incentivar o hábito da leitura

Redes sociais e comunicadores instantâneos juntaram-se às inúmeras tarefas cotidianas das pessoas, roubando o espaço de uma atividade saudável e prazerosa para a mente: a leitura. Na campanha da Mood para a editora Penguin, em vez de um vilão que impede o leitor de encarar os últimos capítulos do livro, o digital atua como um aliado.

Tweet For Read [Tuíte para ler, em tradução livre do inglês], eleito pelo IAB Brasil como o melhor case de julho, consiste em um marcador de página que emite um alerta no Twitter quando a pessoa passa um tempo sem ler. A ferramenta possui um sensor de luz e um timer que é ativado no escuro. Se o título não for aberto durante uma semana – ou um período previamente programado], um nano computador com wi-fi localizado no dispositivo dispara um tuíte para o perfil do leitor com uma frase do autor que está sendo lido.

A ação partiu de uma pesquisa da Fundação Pró-Livro e do Ibope Inteligência, divulgada no início do ano, cujos dados apontam que a queda do hábito de leitura deve-se ao fato de que as pessoas preferem ver entretenimento na televisão e na internet.

www.proxxima.com.br | 19/08/2014, às 14:30

Consumo da literatura é mediado pelas redes sociais


Estudo apresentado na Flip mostra que web virou ferramenta para disseminar o texto literário

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

SÃO PAULO — O consumo de literatura é cada vez mais mediado pelas redes sociais. No entanto, o impacto dessas mídias na produção, consumo, distribuição e troca de trabalhos literários ainda não foi mensurado a contento. Para Fabio Malini, coordenador do Laboratório de Pesquisador sobre Imagem e Cibercultura [Labic] da Universidade Federal do Espírito Santo, essa transformação traz novos públicos, novos espaços de circulação da literatura e novos mediadores, transformando a obra literária de diferentes escritores em discursos espalhados pela internet, fazendo de alguns autores celebridades da rede.

Para preencher em parte essa lacuna, Malini dedicou-se a observar a propagação da literatura brasileira no Twitter e no Facebook. A pesquisa, encomendada pelo Itaú Cultural, será apresentada nesta quarta na programação da instituição na Flip, e publicada na edição 17 da revista “Observatório cultural”.

O estudo mostra que a propagação de citações é o modo mais utilizado para disseminar o texto literário nas redes sociais. Na literatura contemporânea, observa-se a construção de um autor que, ao mesmo tempo, publica e constitui uma relação íntima com seus públicos na rede. E estes espalham visões críticas e afetos pelas obras que lhe interessam.

— O consumo de literatura nas redes sociais vem alterando o comportamento dos escritores. Em seus perfis, eles passaram a revelar bastidores de seu processo de produção, ao mesmo tempo em que divulgam suas obras. Especialmente os autores dedicados ao público juvenil: esses estão em constante presença nas redes, quase como personagens — explica Malini, lembrando que a escritora Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook, com mais de 300 mil fãs que interagem continuamente com sua página na rede social.

Segundo o pesquisador, Thalita faz de sua página uma espécie de diário virtual reproduzindo a própria discursividade adolescente na rede. No lugar de um narrador mais recolhido, dedicado à obra, a escritora radicaliza a linguagem do selfie, com inúmeros autorretratos. Assim, seu público pode consumir não apenas a sua literatura, mas a sua vida. É uma situação de alta visibilidade em tempo real.

Mas não é só o público juvenil que está em busca de um contato mais próximo com escritores nas redes sociais. Malini acredita que essa avidez por comunicação cria uma geração de autores mais abertos em sua subjetividade literária, motivados por um público que deseja vislumbrar uma produção até então baseada no recolhimento.

— O público não só busca maior compreensão da obra de seus autores favoritos, como também gosta de observar sua visão de mundo, suas posições políticas — observa o especialista.

Outro aspecto do consumo de literatura nas redes é a cultura de fãs de autores que já morreram, tais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Paulo Leminsky e Caio Fernando Abreu.

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Os autores mais citados pelo mundo acadêmico não são os mais populares nas redes sociais. Obras de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Mário de Andrade são menos citadas, curtidas e compartilhadas. Já as do poeta Carlos Drummond de Andrade e do escritor Machado de Assis alavancam diferentes apropriações pelos usuários. As páginas de Drummond, Caio e Clarice são as campeãs de fãs no Facebook: juntas mobilizam mais de 1 milhão de seguidores.

— Os perfis desses autores brasileiros já falecidos geralmente são administrados por literatos ou escritores. Daí a cultura do remix literário, ou seja, a liberdade que esses administradores de fan pages têm em assumir características marcantes do autor e criar suas próprias frases, numa espécie de emulação. Citações que têm algo de autoajuda quando tiradas de seu contexto fazem muito sucesso. Em alguns casos, servem como indiretas ao serem compartilhadas — detalha o acadêmico sobre o comportamento do leitor brasileiro na web.

Paulo Leminski, por exemplo, começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país, há pouco mais de um ano. Esse movimento nas redes sociais levou a antologia “Toda poesia” de Leminski a figurar diversas semanas na lista de mais vendidos.

Ecoando o desejo dos manifestantes de humanizar o espaço urbano, um poema de Leminski [“Ainda vão me matar numa rua. Quando descobrirem, principalmente, que faço parte dessa gente que pensa que a rua é a parte principal da cidade”] foi retuitado centenas de vezes. Nos dias 15 e 16 de junho de 2013, a tag #todarevoluçãocomeçacomumafaísca esteve entre as mais populares no Brasil, uma alusão à trilogia juvenil “Jogos vorazes”, outro best-seller.

A tese de que perfis de redes sociais não discutem literatura em tempo real é uma especulação simplista, acredita Malini. A rede se tornou um manancial de novos críticos, novos mediadores da literatura, por onde as obras da nova geração e dos autores “mortos” ganham vida e sobrevida.

— É impressionante o que as redes sociais têm feito pela popularização da poesia brasileira, gênero historicamente renegado. É reducionista acusar a rede de gerar um consumo fácil e rápido de literatura, assim como é simplista acreditar que só o livro oferece leitura de qualidade. As redes sociais são portas de entrada para leitores, escritores e críticos, democratizando o consumo e a produção literária — acredita Malini.

Por Márcia Abos | O Globo | 30/07/2014, às 12:08

Escritor britânico premiado vai escrever seu próximo livro no Twitter


O escritor britânico David Mitchell, autor de Cloud Atlas, vai publicar sua próxima obra no site de microblogs Twitter.

Trata-se do conto The Right Sort, escrito em segmentos com 140 caracteres cada um.

Os segmentos serão publicados em grupos com 20 tweets de cada vez, ao longo dos próximos sete dias. Ao todo, serão 280 Tweets.

Mitchell é autor de cinco livros, já ganhou vários prêmios importantes e é tido como um dos mais talentosos escritores britânicos de sua geração. Ele nasceu em 1969.

Apenas um de seus livros – Menino de Lugar Nenhum, cujo título original é Black Swan Green – foi traduzido no Brasil, publicado pela Companhia das Letras.

Já Cloud Atlas, transposto para as telas de cinema pelos diretores Andy Wachowski e Lana Wachowski [que também dirigiram a trilogia The Matrix], foi visto no Brasil com o título A Viagem.
Recurso Promocional

Falando à BBC, Mitchell disse que aprecia o potencial artístico das mídias sociais, mas confessou que não é um tuiteiro e que teve de abrir uma conta no Twitter especificamente para esse projeto.

Não sou um adepto da mídia social“, disse. “Gosto da minha privacidade, não quero tornar públicas as ante-salas da minha mente. Não quero contribuir para esse oceano de trivialidades e irrelevâncias, já é vasto e profundo o bastante“.

Mas Mitchell tem um novo romance para promover: The Bone Clocks está chegando em setembro.

Então, foi persuadido por seu editor a abrir uma conta – @david_mitchell – para auxiliar na divulgação do livro e de eventos programados em torno do lançamento. A editora envia os tweets em nome do escritor.

Ele admitiu que a publicação do conto no Twitter não deixa de ser um truque esperto de marketing para ajudar a promover seu novo livro.

Mas enfatizou que publicar uma história no Twitter foi a forma que encontrou de usar a tecnologia e ao mesmo tempo “preservar alguma integridade“.

Situado em 1978, o conto The Right Sort é narrado por um adolescente que descobre o remédio Valium.

Enquanto o personagem narrador “viaja” na droga, conta a história em uma sequência de “pulsos”, ou sentenças curtas.

Ele está pensando em tweets por causa do Valium“, explicou o escritor.

Mitchell – que em 2003 foi incluído pela influente revista literária Granta num ranking com os melhores jovens romancistas britânicos – disse que não tem a menor intenção de virar tuiteiro, mas não exclui a possibilidade de escrever mais uma história para essa plataforma caso The Right Sort seja um sucesso.

Foi realmente difícil, não foi fácil. Mas gosto dessas camisas de força“, contou. “Talvez você realmente precise do limite imposto por esses ridículos 140 caracteres para inventar algo novo“.

Mitchell é um dos mais importantes escritores da atualidade a publicar uma história no Twitter.

Em 2012, a escritora americana Jennifer Egan, ganhadora de um prêmio Pulitzer, publicou o conto Black Box no site de microblogs.

BBC Brasil | 15/07/2014

Os autores mais inventivos no Twitter


O Globo seleciona os cinco escritores que usam o microblog de forma original

TwitterO diário carioca O Globo fez um especial com os cinco escritores que usam o Twitter de forma original. Nenhum brasileiro na lista, mas lá está a americana Jennifer Egan [@Egangoonsquad] que escreveu um conto completo dividido em tweets diários. Ao final, o texto foi publicado na revista New Yorker. Outro listado pelo jornal é o nigeriano Teju Cole [@tejucole] que foi ainda mais longe do que Jennifer Egan: escreveu um conto apenas retuitando tweets de outros usuários. Ele também usou o Twitter para criar uma versão contemporânea do Dicionário de ideias feitas, de Flaubert. Para ler a lista completa, clique aqui.

PublishNews | 01/07/2014

Twitter vira novo canal de vendas da Amazon


A Amazon uniu forças com o Twitter a fim de facilitar a compra de produtos a partir do microblog.

Funciona assim: ao receber um tuíte com link de produto da Amazon, o usuário pode adicioná-lo a seu carrinho de compras ao responder com a hashtag #AmazonCart.

A iniciativa faz parte dos esforços do setor de tecnologia para encontrar maneiras de combinar a mídia social e o comércio eletrônico.

O recurso visa fazer do Twitter uma nova vitrine para a Amazon, que nunca se envolveu muito com mídia social, em parte porque Jeff Bezos, seu presidente executivo, não deseja compartilhar os clientes de sua empresa com outras companhias, segundo ex-subordinados.

A despeito do potencial, para os consumidores, de obter ideias de consumo com amigos e especialistas em sites como Twitter e Facebook, até o momento a mídia social teve sucesso limitado na geração de transações bem-sucedidas de e-commmerce.

Ainda que o Twitter não vá faturar diretamente com as vendas na Amazon, espera encorajar outros sites de comércio eletrônico a gastar mais em publicidade.

Os “cartões” do Twitter – widgets dentro de um tuíte individual usados mais comumente para mostrar fotos e vídeos – já vêm sendo utilizados por grupos de varejo on-line como o eBay a fim de mostrar mais informações quando um usuário acessa o Twitter para postar links para um produto. Mas o consumidor ainda precisa clicar para chegar ao site e fazer a compra.

Em vídeo sobre o acordo, a Amazon exorta: “Não é mais preciso mudar de app ou lembrar de que produtos você viu no Twitter”.

Sucharita Mulpuru, analista da Forrester Research, afirma não crer que isso seja “necessário [para a Amazon], porque o melhor uso das redes sociais é para conscientização, e a Amazon não tem problemas quanto a isso -todos sabem que ela existe“.

INFORMAÇÃO

A Amazon Appstore brasileira, loja com aplicativos para Android

A Amazon Appstore brasileira, loja com aplicativos para Android

Ela diz que, quando muitos se interessam por um produto, a probabilidade de o procurarem na Amazon é igual à de que o façam no Google.

O problema é que o Twitter é um fluxo de notícias e informação, não de comércio”, diz. “As experiências de compras que ocorreram até o momento no microblog não vêm mostrando muito sucesso.

A parceria envolve questões mais amplas sobre que proporção de sua vida a pessoa deseja revelar na mídia social e sobre se sua propensão a compartilhar interesses e hábitos se estende às compras.

DO “FINANCIAL TIMES” | Publicado originalmente por Folha de S. Paulo | 06/05/2014 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Fundador do Blogger e Twitter investe no futuro da escrita on-line


Evan Williams lançou Medium, nova plataforma de publicação

Como fundador da Blogger e Twitter, Evan Williams ajudou a mudar a forma como as pessoas escrevem online. Agora, com a sua mais recente start-up, Medium, ele está tentando descobrir como vamos escrever no futuro.

Williams também ainda está tentando decidir como descrever seu empreendimento. Medium é para mensagens curtas e longas, por escritores amadores e profissionais. Ela enfatiza um design limpo e conta com uma rede de escritores e leitores para editar e descobrir novos posts.

Lançada em 2012 para um pequeno grupo de usuários, Medium agora recebe 13 milhões de visitantes únicos por mês, Williams disse quinta-feira em um jantar oferecido pela Fortune, em Menlo Park, na Califórnia. Na próxima semana, a start-up irá introduzir um aplicativo para iPhone para leitura de mensagens [mas ainda não para escrevê-los].

Depois que deixou as operações do dia-a-dia no Twitter, onde ainda é um membro do conselho, Williams voltou a pensar sobre a escrita e jornalismo. Quinze anos depois que co-fundou o Blogger, que foi vendido para o Google em 2003, parecia que as plataformas de blogs “consideravam que o trabalho já estava todo feito“, disse ele.

Mas há um monte de coisas blogs não fazem bem, acrescenta ele, como filtragem e promoção de mensagens de interesse para os leitores. E usá-los pode ser demorado, forçando escritores a escolher fundos e formatos e a atualizar seus blogs regularmente.

Na maior parte, ao que parece, ele tem procurado encontrar um equilíbrio entre o velho modo de edição, onde os editores profissionais eram os porteiros, e um novo, onde qualquer um pode postar qualquer coisa online.

A forma como a mídia está mudando não é totalmente positiva quando se trata de criar uma cidadania mais informada“, escreveu Williams em Medium. “Agora que nós transformamos o compartilhamento de informações em algo que praticamente não exige nenhum esforço, como podemos aumentar a profundidade da compreensão, além de criar condições de concorrência equitativas que incentivem idéias que vêm de qualquer lugar?”

Medium é diferente de blogar e twittar em certos aspectos, a prova de como Williams tem tentado lidar com este problema. Por exemplo, ele paga alguns escritores profissionais por posts, um esforço para semear o site com peças de alta qualidade. E não há comentários no final dos posts. Em vez disso, os leitores podem deixar notas vinculadas a palavras ou frases específicas. Escritores podem escolher se essas notas são públicas ou proibir as notas em tudo.Williams diz que isto permite um feedback mais construtivo e mais conversas sobre idéias.

Com uma mistura de curadoria algorítmica e humana, Medium sugere outros posts da plataforma que as pessoas devem gostar de ler. Williams disse na quinta-feira que teve como objetivo, eventualmente, oferecer sugestões mais personalizadas.

Isso significa que suas mensagens se ligam a dos outros, as suas ideias vão colidir com as dos outros, e, em vez de viver em uma ilha em algum lugar na web, você faz parte de um todo dinâmico, em que cada parte faz com que as outras sejam melhores“, escreveu ele em sua introdução da plataforma.

Algumas das funcionalidade do Medium reconhece o que as pessoas costumam ler mais em seus celulares do que nos computadores. Os posts têm uma estimativa de quantos minutos é preciso para serem lidos, e Medium formata automaticamente para telas pequenas.

The New York Times | Publicado e clipado à partir de O Globo | 11/03/2014

Marketing digital para editoras


PublishNews estreia novo ciclo de cursos sobre mercado editorial

Novos tempos exigem novas ferramentas e novos conhecimentos, principalmente quando o assunto é mercado digital. Hoje em dia, é fundamental que o profissional esteja atualizado sobre as novas possibilidades na sua área, e o marketing, como já apontaram especialistas, é uma força cada vez mais presente no mercado editorial. Foi pensando nisso que o PublishNews criou o curso “Marketing digital para editoras”, que inaugura um novo ciclo de cursos do PublishNews para 2014. O curso será ministrado pelo jornalista, blogueiro e consultor em Marketing Digital Sérgio Pavarini, e acontecerá no dia 7 de novembro, das 13h30 as 16h30, na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509). O conteúdo falará sobre a qualificação dos profissionais que administram redes sociais e abordará as diversas redes, como Twitter, Facebook, Skoob e blogs. A tarde será finalizada com uma mesa de debate com convidados. O investimento é de R$179,00 (até dia 31/10) ou R$199,00 (após 31/10). Para mais informações, clique aqui. Para inscrições, escreva paracurso@publishnews.com.br.

PublishNews | 28/10/2013

O mercado editorial atual no Brasil


Com o avanço tecnológico e a internet, muito se questiona se vale a pena ser escritor hoje em dia. De outro lado, as crises econômicas internacionais têm levado muitas editoras de renome a reduzirem seus papéis na descoberta de novos autores e novos Best-sellers.

Entretanto, o que aparenta ser dificuldade ou desvantagem não é uma realidade, pois muito se tem a ganhar com a escritura de novos livros ainda, e talvez, até mais do que antes. Enfim, embora as grandes e conceituadas editoras tenham um filtro denso para aceitar obras de novos autores, esses têm inúmeros recursos para publicar e divulgar suas obras com o mundo todo, atualmente.

No mercado nacional têm aparecido inúmeras editoras anualmente, as quais se propõem a publicar, divulgar, distribuir e até realizar lançamentos com noite de autógrafos com os autores. Essas novas editoras, geralmente, utilizam a forma de contrato paga, em que o autor tem de arcar com um valor definido para que sua obra seja publicada. Nesse caso, a editora se responsabiliza por gerar o ISBN [registro do livro na Biblioteca Nacional], correções, geração da capa, formatação, etc., além de fazer a divulgação e a distribuição do livro publicado nas livrarias e feiras de livros. Em vários casos, a editora também se responsabiliza pela preparação do lançamento em uma noite de autógrafos com o autor.

Do outro lado, o que muito tem crescido e que se apresenta como vantagem para os novos autores no Brasil são empresas gráficas que passaram a gerar livros por demanda. Ou seja, diferentemente das editoras tradicionais, cujo processo de publicação de livros é realizada na forma impressa direta, com um número de exemplares descrito no contrato, as editoras por demanda só imprimem e preparam os livros que são vendidos on-line nos seus sites. A exemplo, encontram-se a AGBOOK [www.agbook.com.br] e o Clube de Autores [www.clubedeautores.com.br], em que o autor é o responsável por geração da capa do livro, dos textos de orelhas, de resumo para divulgação no site, pela formatação do texto, por correções, etc. Daí, estando com o livro pronto no formato PDF e com as dimensões definidas pela editora, o autor pode inserir seu livro no site, o qual ficará disponível para venda em várias livrarias on-line [caso o autor deseje a venda, também, no formato e-book, além de impresso]. Para esses casos, o próprio autor é responsável por gerar o ISBN [através do site da Biblioteca Nacional: http://www.bn.br], caso tenha interesse, ou inserir no site da editora sem o ISBN, se assim o quiser. Além do mais, essas editoras deixam a cargo do autor, decidir o custo final de sua obra, a partir do que se deseja receber por direitos autorais [diferentemente das editoras tradicionais, que fixam esse valor em torno de 10% do valor final da obra] e, caso queira, pode retirar sua obra do site da editora no momento que desejar, ou modificá-la, caso necessite por quaisquer motivos.

Além dessas editoras por demanda, várias editoras tradicionais têm entrado nesse mercado de livros por demanda, entretanto, só para livros no formato e-book, em que o autor determina o seu ganho por direitos autorais, como é o caso do Publique-se! das livrarias Saraiva [http://www.livrariasaraiva.com.br/publique-se/]

Mais ainda, a quem tem interesse apenas que sua obra seja divulgada como forma de se tornar conhecido e sem interesse imediato financeiro, existem vários sites na internet que disponibilizam para o autor um espaço para inserir sua obra para download gratuito. Assim, muitos que querem ser descobertos na mídia, utilizam esse método para que milhares de pessoas adquiram seu livro e, ou ser contatado por uma editora para publicar alguma obra, ou ao divulgar um novo livro em alguma editora [por demanda ou tradicional], possa direcionar as pessoas a adquirirem-no.

Diante das várias perspectivas de divulgação, a internet é o maior canal de propagandas que há atualmente, em que o autor pode realizar suas próprias propagandas em blogs, redes sociais [Orkut, Yahoo!, Google+, FaceBook, Twitter, etc.], de modo a se tornar um grande e renomado escritor. Consequentemente, pode-se observar que as perspectivas de ser um escritor novo no Brasil, assim como ter a possibilidade de alcançar o sucesso, são inúmeras. Só depende de querer e de por mãos à obra!

Yahoo Notíticas | 28/10/13

Como ler livros em tablet android: Mantano Reader


Qual o melhor aplicativo para ler eBooks em um tablet Android? Não sei se vou conseguir responder a pergunta sobre o melhor mas posso contar aqui a minha experiência pessoal.

Apresento aqui o Mantano Reader, um software pouco conhecido mas que me surpreendeu positivamente.

Existem muitos softwares para tablets, seja Andoid seja iOS, que permitem ler arquivos ePub e PDF e fazer uma escolha é sempre complicado. Propor um que seja o melhor é impossível, porque cada um possui as suas exigências!

Lendo comodamente um livro no formato ePub ou PDF

Em primeiro lugar Mantano Reader é um software independente ou seja não está vinculado a nenhuma loja específica e isto permite ler livros digitais comprados em quase todas as lojas brasileiras, pois é compatível com o DRM da Adobe, usado por boa parte destas lojas.

Abre comodamente tanto ePub quanto PDF permitindo fazer anotações de maneira simples, dando a possibilidade de enviar estas anotações para sua conta no Facebook, Twitter ou por e-mail para seus contatos. É possível evidenciar o texto em várias cores e possui um índice onde você pode encontrar facilmente todas as anotações que feitas no seu eBook.

O sumário do livro é muito prático. Basta clicar na seta no canto inferior direito da tela e você terá acesso a um menu lateral com o sumário do livro, os marca páginas usados durante a leitura, os textos evidenciados e as anotações.

Com um toque na tela você tem acesso a um menu inferior que dá acesso à várias funções práticas e úteis

Anotar: você pode fazer suas anotações escrevendo um texto ou desenhando o que você quiser na tela!

Destacar: permite destacar o texto de maneira simples enquanto você lê. Obviamente você vai poder depois encontrar facilmente tudo o que destacou em um sumário.

Tema: se quiser pode modificar o tema de leitura entre normal e sepia, ou então você pode criar um tema todo seu definindo margens tamanho de fonte, cor de fundo, entrelinhas alinhamento de texto etc…

Exibir: permite modificar o tamanho da fonte ou a orientação do texto.
TTS: faz com que o software lei para você em alta voz!

Dicionário: dá acesso aos dicionários presente no programa ou acesso direto ao google para fazer pesquisas online sem sair do softwarer de leitura!

Procurar: permite fazer buscas por palavras ou frases dentro do eBook.
Info: apresenta as informações sobre o eBook que você está lendo.

Dois detalhes que podem fazer a diferença

O que me convenceu a usar este software para as minhas leituras pessoais foram duas características quase banais mas que deixam a leitura muito confortável.

a] O controle de luminosidade com o deslizar do dedo no lado esquerdo da página. É um modo muito simples de controlar a luz emitida pelo aparelho e para quem gosta de ler antes de dormir é muito prático porque permite controlar a luminosidade sem ter que clicar em menus com opções várias.

b] Aumento do tamanho das fontes com o deslizar do dedo no meio da página. Se você quer aumentar o tamanho da fonte basta deslizar o dedo no meio da tela de baixo para cima. Se quiser diminuir o texto deslize de cima para baixo. Simples não?

Catalogação da biblioteca pessoal

Obviamente o software possui um ótimo controle e organização da biblioteca, permitindo classificar os eBooks por tags, coleções, livros lidos, não lidos, com anotações, etc…

Além disto dá acesso logo na abertura do programa a todas as anotações que você fez em todos os teus livros o que faz destes programa uma ajuda perfeita para livros de estudos!

Grátis, mas compensa pagar!
O Mantano reader vem em uma versão gratuita, o Mantano Reader Lite, ou em versão premium a pagamento, o Mantano Reader Premium.

Meu conselho é de baixar a versão gratuita lite e usar por um período de teste, mas posso desde já recomendar sem medo a versão a pagamento. Vale a pena.

Revolução eBook | 10/10/13

Não culpem a Amazon, Facebook e Twitter pela mudança de comportamento


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 02/10/2013

Na semana passada, vimos o discurso de Louis C.K. contra smartphones e o ataque intelectual de Jonathan Franzen contra a Amazon. Além disso eu tive uma discussão com um velho amigo que usa e-mail [sua esposa não], mas que não entende SMS ou Facebook. Ou acha que não entende.

Lembro que há quatro anos falei a um parente que havíamos chegado ao ponto de que não ter celular era antissocial. Tenho certeza de que pessoas que não têm celulares ou contas no Facebook perdem formas de comunicação que as beneficiariam.

O futurista David Houle apontou que há oitenta anos, algumas pessoas se recusaram a usar o telefone porque a] as pessoas podiam chamá-las e invadir seu espaço pessoal e b] as pessoas saberiam onde você vivia procurando em uma lista telefônica. Isso era verdade, mas também eram reais os vários outros benefícios. Estava pensando no meu amigo que não usa SMS nem Facebook. Ei, são apenas meios de comunicação! Você quer que eu mande uma carta para descobrir se quer jantar no próximo sábado?

Sim, entramos num mundo onde todos estamos conectados com todo o planeta o tempo todo, exceto nos momentos em que escolhemos especificamente não estar [deixando o celular numa gaveta ou desligando todos os sinais auditivos dele]. Isto é bom dependendo de cada um de nós. Mas também estamos cada vez mais dependentes de que todo o resto esteja conectado desta forma também.

Muitos anunciam os eventos mais importantes de suas vidas [e alguns insignificantes também] no Facebook. Isso mantém nossos amigos e familiares informados de casamentos, doenças, nascimentos e opiniões políticas sem que tenhamos que enviar cartões e sem a preocupação de manter os endereços atualizados. Muitos [eu ainda não estou entre esses…] podem usar o Twitter de forma eficiente para conseguir as informações mais atualizadas sobre as novidades. [Suspeito que nenhum jornalista respeitável poderia viver sem esta capacidade hoje]

Há uns 15 anos, o CEO de uma grande editora me contou que estava questionando se todos em sua empresa deveriam ter e-mail! [Afinal, pessoas com e-mail são tentadas a comunicar coisas que não têm a ver necessariamente com o trabalho. Ele concordava com comunicação eletrônica interna em um sistema fechado.] Parece que toda mudança tecnológica enfrenta o ceticismo porque toda mudança tecnológica traz junto um conjunto de possibilidades para novos comportamentos que precisam ser controlados.

Mas, sendo este um blog sobre mercado editorial, não estou interessado em refutar a sugestão de Franzen de que a Amazon é, de alguma forma, má para a leitura, ou má para a leitura de bons livros. [Concordo com ele que a Amazon dificulta a vida dos editores, mas não é a mesma coisa.]

Primeiro, não devemos culpar a Amazon por duas coisas: ser realmente boa no que faz e o impacto natural de efeitos em rede. O “efeito em rede” é aquele onde quanto mais pessoas estão em rede, mais valiosa é cada pessoa nela. Nas primeiras duas décadas do século XX, as empresas de telefonia só conseguiam chegar a seus próprios assinantes. Uma pessoa que queria falar com seus amigos em uma região deveria ter vários telefones com diferentes empresas. A maioria não tinha, então mesmo com telefone, a comunicação era mínima. Gradualmente, as “estradas foram pavimentadas” e os sistemas de telefonia foram costurados.

Sabe qual foi um dos resultados disso? Políticos que estavam distantes das cidades centrais finalmente conseguiram concorrer com as máquinas urbanas, que tinham a capacidade de se comunicar facilmente sem telefones porque estavam próximos geograficamente do centro da cidade. [Agradeço o conhecimento deste fato a meu finado amigo, Professor Richard C. Wade, que inventou o campo da história urbana.] Também é verdade que com o tempo, muitos jovens perderam incontáveis horas falando com outros no telefone. Eu sei disso porque fui um deles nos anos 50 e 60 durante minha adolescência quando todos meus amigos estavam disponíveis para conversar. Eu estaria ao ar livre respirando ar puro se fosse 40 ou 50 anos antes. Oh, aqueles terríveis telefones!

Amazon, Facebook e Twitter têm mais valor do que seus concorrentes porque têm mais pessoas ativamente participando a cada dia. A B&N não consegue concorrer com a Amazon em termos de leitores porque possui muito menos. A Amazon diz que X entre Y pessoas acharam esta resenha útil. Você precisa de grandes números para fazer isso. Só uma pessoa entre muitas escreve uma resenha. Só uma pessoa entre muitas lê uma resenha postada. E só uma pessoa entre muitas se importa em dizer que achou uma resenha útil. É um em muitos. O denominador é um número enorme. O tráfego de clientes da Amazon é provavelmente dez vezes maior que o da BN.com. Então é possível para a Amazon, e para mais ninguém, dizer que X entre Y acharam esta resenha útil com números significativos. [Mesmo se Jonathan Franzen e outras pessoas não estiverem impressionados com a procedência das resenhas. E até se algumas das resenhas foram feitas deliberadamente.]

Enquanto isso, as resenhas de livros do New York Times estão disponíveis para muito mais pessoas do que antes da chegada da Amazon e através dos mesmos computadores que podem entrar na Amazon. E quando Jonathan Franzen escreveu sua coluna para o The Guardian, muito mais pessoas vão ler porque podem acessar o link. E qualquer um interessado no novo livro que ele está promovendo pode simplesmente clicar em mais um botão, provavelmente para a Amazon, e comprá-lo.

Isso é ruim?

É verdade que a Amazon é a ponta da lança da mudança no mundo da comunicação. Do momento em que criaram um enorme banco de dados disponível online, eles desafiaram a proposta central das livrarias e as maiores com as melhores seleções foram as mais desafiadas. Não é culpa da Amazon que comprar livros online seja tão atrativo para tantas pessoas, é a natureza das bestas: a besta da escolha de livros e a besta do banco de dados na Internet.

Mas a Amazon aproveita essa oportunidade melhor do que qualquer outro. É onde entra sua superioridade na execução. Sou muito próximo de alguém que prefere comprar seus livros na Barnes & Noble por razões que provavelmente seriam atraentes a Jonathan Franzen. Mas, já faz algum tempo, ela descobriu que o mecanismo de busca deles não funciona muito bem. Então ela encontra o que quer na Amazon e depois vai até a BN.com para comprar! A maioria das pessoas não faz isso; elas simplesmente compram onde é mais fácil. É culpa da Amazon que eles estão derrotando a BN online com um serviço melhor?

Falei esta última semana com o diretor de comunicações de um think tank responsável pelo braço editorial deles. Ele é novo no mundo dos livros. Contou que sua equipe vive mostrando a Amazon como o inimigo; da perspectiva dele, ela é “a resposta”. Sim, ele está preocupado de que o aumento da hegemonia da Amazon entre o público consumidor de livros poderia resultar em severos cortes em suas margens. Na verdade, provavelmente vai mesmo. A Amazon provavelmente é o canal mais lucrativo de quase toda editora porque suas vendas são massivas e seus retornos são mínimos. Algumas editoras informam que até suas exigências de gastos cooperativos são menos onerosos do que os da Barnes & Noble. Claro, eles provavelmente vão exigir mais com o tempo e arrancar mais margem das editoras. A maior parte do varejo faria isso.

Na verdade, a Amazon pode às vezes usar os efeitos de rede e sua capacidade de executar [coisas que poderiam ser resumidas como “escala”] para melhorar suas margens criando novos negócios que mais ninguém poderia. Eles podem ter feito isso com o novo programa Matchbook, que oferece um pacote impresso-ebook. Talvez a Barnes & Noble poderia ter feito isso [e talvez em algum ponto eles farão], mas só editoras com um negócio direto-ao-consumidor muito grande poderiam executar isso sozinhas.

A Amazon provavelmente é inteligente o suficiente para não querer um mundo no qual, como teme Franzen, eles publiquem tudo que não é autopublicável por um autor. Eles sabem que se beneficiam dos investimentos que as editoras fazem e provavelmente até se afastam o suficiente para saber que se beneficiam de livros que estão no mercado porque são apoiados por vendas que a Amazon não tem a abertura para fazer. E vamos lembrar que venda de livros provavelmente representa uma parte menor do negócio da Amazon. Eles têm algo maior para cuidar do que construir sua parte do mercado ou suas margens às custas da editoras.

Aqui está outra perspectiva histórica para refletir que, acredito, seja análoga. Na primeira metade do século XIX, muitos dos escritores que mais vendiam nos EUA eram poetas. Uma grande razão era o baixo nível de escolaridade. Livros eram lidos em voz alta pela pessoa que sabia ler para os outros que não sabiam. Este era um ambiente que favorecia a poesia sobre a prosa.

Mas então veio a cruzada pela educação pública universal e melhorias nos transportes que se expandiram. Na última parte do século XIX, poetas cederam espaço a romancistas e, na verdade, a poesia declinou muito em popularidade comercial desde então.

Então podemos dizer que a educação pública universal foi uma adaga no coração da vantagem comercial da poesia. Na mente de algumas pessoas, isso poderia ser uma boa razão para reconsiderar a educação. Os argumentos contra os efeitos naturais da comunicação digital, seletivamente encontrando pontos negativos e insistindo neles, também me parece absurdo.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 02/10/2013

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Sete princípios de marketing para livros digitais


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/08/2013 | Tradução: Marcelo Barbão

Os tempos estão mudando no mercado editorial e as editoras sabem disso. Quase toda editora reconhece que seu valor para os autores depende da capacidade de fazer um marketing eficiente em escala. Hoje em dia isso significa marketing digital, “impulsionado por dados” e que muda o tempo todo. Há dez anos, muitos dos componentes mais importantes do marketing digital para os livros hoje – Twitter, Facebook, Goodreads – não existiam ainda.

Editoras não podem enfrentar este desafio do marketing digital simplesmente gastando mais porque as escolhas no marketing digital são infinitas. Elas precisam saber o que fazem. Ou seja, precisam ser espertas sobre algo para o qual há pouca sabedoria estabelecida e quase nenhuma experiência dentro das editoras.

Durante uma boa parte do ano passado, estive estudando o marketing digital para livros do homem que chamo de O Mestre. É Peter McCarthy. Pete começou sua carreira trabalhando quase 3 anos no The Reader’s Catalog, New York Review of Books e na família de publicações da Granta. Depois Pete passou seis anos na Penguin nos primeiros dias digitais ajudando a montar um sistema DAM e a publicar e-books pela primeira vez, seguido de seis anos na Random House com os primeiros esforços de marketing digital.

Peter afirmou várias vezes que muito do que ele sabe, faz e está me ensinando já é bem entendido no mundo moderno do branding e do marketing. As diferenças entre psicografia, demografia e comportamento, e sua importância no marketing, eram algo novo para mim, mas são coisas corriqueiras para pessoas que vendem Pepsi ou carros Toyota. Pete realmente inventou algo novo no mercado editorial. Ele procurou produtos comparáveis mas que não fossem outros livros, em outros mercados, ou seja produtos parecidos mas que não são exatamente iguais. As técnicas que Pete emprega para encontrar as audiências para um livro são ferramentas padronizadas no mercado consumidor fora do mundo editorial.

Mas isto não significa que as editoras podem simplesmente contratar grandes agências digitais para ajudá-las. Não vai funcionar. Porque enquanto o mercado editorial consegue usar técnicas que marqueteiros sofisticados estão usando para vender outros produtos em outros lugares, o mundo mais complexo dos livros é bem mais complicado. E os orçamentos de marketing para um título que raramente chega a cinco dígitos, geralmente estão em 3.

As grandes agências na verdade não têm ideia de como lidar com milhares de produtos altamente diferenciados mas que, ao mesmo tempo, têm alguma interconexão entre eles, mas no geral não estão relacionados. E isso faz com que percam valor de duas formas:

1. Elas não têm técnicas para aplicar otimização massiva através de centenas ou milhares de “produtos” muito diferenciados, porque o trabalho que fazem não exige isto;

2. Elas não têm a capacidade que as grandes editoras precisam para realizar centenas (ou talvez até milhares) de campanhas ao mesmo tempo com “orçamentos” em tempo real (ou decisões de momento).

Então as grandes agências não saberiam como lidar com uma editora. A granularidade iria frustrá-las e elas cobrariam em cada ISBN  um valor muito alto.

Isso deixa a maioria das editoras abandonadas, com provedores de serviço dando alguma assistência por título (você pode contratar alguém para tuitar pelo autor), mas com as editoras tendo que descobrir como usar o máximo a presença social e digital de um autor para elevar as vendas. E não é realmente surpreendente que Pete McCarthy, tendo a oportunidade de responder ao desafio de marketing entre milhares de títulos e autores, com centenas de gêneros, tópicos e edições, tenha descoberto muitas coisas que as editoras não percebem.

Pete articulou muitos princípios que fazem muito sentido, até para alguém que não conhecia nada de demografia e psicografia.

1. O menu de marketing digital contém um número quase infinito de itens. Isto leva a uma tremenda quantidade de esforços perdidos tentando coisas que um pouco de pesquisa teria indicado que não ia nunca funcionar.

2. A chave para conseguir vendas é colocar a mensagem correta à frente da pessoa correta no momento correto. Pesquisar encontra a pessoa correta; testar encontra a mensagem correta e o momento correto.

3. As várias ferramentas permitem que você entenda o perfil dos “seguidores” de um livro ou autor no Facebook, Twitter ou Linkedin e isso vai permitir que você entenda, para cada um deles, que tipo de seguidor possuem. Esta é uma pesquisa crítica a ser feita antes de investir esforço e tempo em marketing.

4. Outro elemento chave de pesquisa é escolher com cuidado sua nomenclatura. Ferramentas também podem contar como várias palavras e termos comuns estão em pesquisas feitas no Google, Amazon e outros sites. Isto pode informar as melhores escolhas para metadata, claro, mas também poderia afetar o título de um livro.

Entender as conexões digitais do livro e do autor, e a linguagem correta para descrever o livro que você está vendendo são elementos “fundacionais”; tudo flui a partir deles.

5. Todo o conceito de “criar um orçamento” de marketing precisa ser repensado. Enquanto a armadilha ou perigo no marketing digital é seu infinito número de possibilidades, a oportunidade é que os resultados dos esforços sejam visíveis e mensuráveis. Então tudo que é tentado deveria ser medido e avaliado, continuado se estiver funcionando e alterado ou eliminado, se não estiver.

Esta realidade colide com as práticas históricas e as realidades comerciais das editoras, especialmente as grandes editoras. Editores, que precisam contratar livros e manter agentes e autores felizes, querem contar a estes quais serão os orçamentos e esforços de marketing. Independente do sucesso comercial do livro, agentes e autores não querem ouvir que o gasto de marketing foi cancelado porque os esforços não estavam acrescentando valor. Mas uma editora não pode simplesmente aumentar o orçamento quando algo está funcionando ou não cancelar tudo quando não está, ou vão falir.

6. Todo o conceito de “tempo” também precisa ser repensado, tanto “tempo no relógio” (trabalho que as pessoas fazem) e “tempo no calendário” – não só por quanto tempo os programas são mantidos (como acima), mas também quando eles acontecem em relação ao ciclo de vida do livro. Na era digital, o fato de livros estarem bem representados nas livrarias não determina necessariamente como eles vão vender, por isso faz sentido divulgar um livro do catálogo que pode estar mal distribuído, mas cujo timing é perfeito (“o calendário”). E há cinco ou dez anos, livros que não estavam nas livrarias não ganhariam nenhum esforço de marketing. Também é verdade que os custos externos de marketing digital podem ser muito baixos, mas uma campanha poderia consumir muito tempo interno (“o relógio”) com criação, design e postagem.

7. A chave para um marketing digital bem-sucedido é fazer a pesquisa que encontra as mensagens e os alvos corretos, testar as mensagens para os alvos procurando um resultado definido, medir o impacto e depois ajustar a mensagem e o alvo. Pete chama isso de “enxaguar e repetir”. O objetivo é encontrar ações replicáveis que fornecem resultados com um retorno sobre investimento que pode ser continuado até seu fim.

Com a ajuda de Peter McCarthy e em conjunto com Digital Book World, Cader e minhas Publishers Launch Conferences organizaram uma Modern Book Marketing Conference para estabelecer os princípios básicos do marketing digital para editoras. (Assim todos nós podemos aprender de Pete McCarthy.)

Depois que Pete abrir o dia apresentando o básico de suas ideias, teremos um painel de top estrategistas do mercado – Rick Joyce da Perseus, Angela Tribelli da HarperCollins, Matt Litts do Smithsonian e Jeff Dodes da St. Martin’s Press – falando sobre como eles aplicam o marketing digital em suas empresas. Depois Murray Izenwasser da Biztegra, uma empresa de marketing digital, vai esclarecer os princípios básicos de uso da demografia, psicografia e dados comportamentais dos consumidores antes que Susie Sizoler da Penguin discorra como as editoras podem construir importantes bases de dado de clientes e leitores. Os especialistas em marketing Matt Schwartz da Random House, Rachel Chou da Open Road Integrated Media e Brad Thomas Parsons da Houghton Mifflin Harcourt vão contar como promovem, incluindo uma rodada de comentários sobre como e quando usam as ferramentas e sites mais importantes: página de autor da Amazon, Facebook, Goodreads e muitas outras.

Vamos ter uma rodada de reuniões individuais rápidas, assim os participantes podem se encontrar com os patrocinadores principais e os especialistas em pequenos grupos e conseguir que suas perguntas individuais sejam respondidas. E vamos concluir o dia com Erica Curtis da Random House sobre as práticas recomendadas para medir e analisar seu ROI (retorno sobre investimento) no marketing e dois painéis. O primeiro, sobre “como o marketing digital muda o orçamento e o timing”, vai apresentar cases de Sourcebooks, Running Press e pelo menos uma outra editora. O segundo sobre a nova colaboração exigida entre autores e marqueteiros, vai apresentar a agente Laura Dail, além da consultora de marketing Penny Sansevieri, Miriam Parker da Hachette e um editor que ainda será escolhido.

Esta Marketing Conference acontecerá junto com nossa Publishing Services Expo, que eu já descrevi em um post anterior e os participantes da Marketing Conference são bem-vindos para participar da Expo também. Entre os painéis, os patrocinadores e muitos dos conferencistas dos dois eventos estarão disponíveis para as audiências dos dois eventos.

Um “anúncio” antecipado: Pete McCarthy e eu estamos montando uma agência de marketing digital para usar o conhecimento dele para ajudar editoras, autores e agentes. Vamos revelar mais detalhes, incluindo nossos trabalhos iniciais, nas próximas semanas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/08/2013 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Biblioteca dos EUA vai arquivar tuítes de cidadãos


Biblioteca dos EUA vai arquivar tuítes de cidadãos

Biblioteca dos EUA vai arquivar tuítes de cidadãos

São Paulo | A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos anunciou que irá arquivar todos as mensagens enviadas pelos usuários americanos ao Twitter.

Uma das missões de nossa instituição é unir elementos que contam a história dos Estados Unidos. Portanto, essas mensagens possuem valor para pesquisa”, afirmou o diretor de comunicação da Biblioteca, Gayle Osterberg.

Localizada em Washington, a Biblioteca do Congresso abriga milhares de livros e documentos relacionados à história do país.

O acordo entre a instituição e o Twitter foi assinado em 2010 e permite o acesso a todo o arquivo do Twitter desde 2006.

Por Vinicius Aguiari | INFO Online | 22/01/2013, às 11h00

Ligação direta com o leitor


Com a popularização de ferramentas para produção e venda de ebooks e o sucesso de obras lançadas sem mediação de grandes editoras, escritores investem na autopublicação, que dá nova cara ao mercado, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas

Até o meio da semana, a segunda posição da lista de ebooks mais vendidos pela Amazon nos Estados Unidos era ocupada por “Stop the wedding!”, romance da americana Stephanie Bond. O livro, sobre como uma advogada e um investidor tentam impedir seus pais de se casarem mas acabam se apaixonando, foi lançado em novembro. Ele não existe em versão física e, até o momento, não está à venda em outro lugar que não seja o site da Amazon. Sua editora é uma tal NeedtoRead Books, casa que tem em seu catálogo 16 livros. Todos de Stephanie Bond. O que a autora tem feito é utilizar os recursos da Amazon para lançar seus próprios livros, sem a necessidade de uma grande editora como intermediária. Ela é um dos mais recentes exemplos da popularização de uma prática que está transformando o mercado editorial: a autopublicação.

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Casos como o de “Stop the wedding!” vêm se repetindo. Ao longo de 2012, foi comum a inclusão, na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”, de livros lançados pelos próprios autores. Foram obras como “Slammed”, de Collen Hoover, “Playing for keeps”, de R.L. Mathewson, ou “Training Tessa”, de Lyla Sinclair. Elas existem porque a Amazon tem um sistema que permite a qualquer pessoa colocar um ebook à venda no site. Em geral, são livros baratos [“Stop the wedding!”, por exemplo, custa US$ 0,99], com temas que “variam” da comédia romântica ao drama romântico, com especial destaque para o erotismo romântico — a sensação do ano, a trilogia erótica “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, foi publicada pela primeira vez pela própria autora num fórum de fãs de “Crepúsculo”, antes de a editora Vintage Books lançá-la nos moldes tradicionais.

Mas há livros de turismo, acadêmicos, de fantasia ou reportagens sendo “autopublicados” com sucesso, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas. Eles representam uma democratização no acesso a um mercado antes restrito [qualquer desconhecido que já tentou publicar um livro por uma editora sabe da dificuldade que é ter seus originais aceitos] e um desafio para as editoras.

— Com a autopublicação, qualquer um, empresa, universidade ou autor, pode se tornar sua própria editora. Se as grandes casas editoriais não se mexerem, elas certamente serão afetadas por esse panorama — afirma Harald Henzler, diretor-geral da empresa alemã de consultoria para negócios digitais Smart Digits.

A história da autopublicação remonta às origens do mercado editorial. No século XIX, era comum autores que depois teriam sucesso bancarem a publicação de seus próprios livros. No século XX, mimeógrafos foram constantemente utilizados para a reprodução de livros de escritores que não conseguiam contratos com editoras ou não tinham autorização para lançar suas obras por questões políticas. Com a popularização da internet, há pouco mais de uma década, jovens autores lançaram romances em sites ou blogs. Mas o que todos queriam mesmo era um contrato com uma editora, o que possibilitaria que um livro chegasse a uma grande livraria com destaque, tivesse uma divulgação organizada e, por consequência, ganhasse mais leitores.

A diferença, hoje, é que se pode ter tudo isso por conta própria, até mesmo de uma maneira profissional. Na esteira do serviço de autopublicação da Amazon, surgiram empresas que oferecem aos autores um pouco da expertise de uma editora. Antes de pensar em lançar seu livro, o autor pode contratar a revisão, a produção da capa, a conversão do texto para o formato digital e até mesmo a edição do texto. Um livro autopublicado pode, sim, ter um tratamento tão bom quanto o oferecido por uma editora tradicional. O que ele não vai ter é a marca. E isso, para muita gente, ainda faz diferença.

— A editora sempre vai ter um peso, ao menos o peso da credibilidade — diz Ana Paula Maia, que, antes de se tornar uma escritora reconhecida, já pagou parte da publicação de “O habitante das falhas subterrâneas” em 2003, pela 7Letras [o livro será relançado na semana que vem pela editora Oito e Meio] e também publicou um romance inteiro num blog [“Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, de 2006, posteriormente lançado pela editora Record]. — Existe um valor grande agregado a uma grande editora. Ela indica para os leitores um padrão de qualidade, mas o que também não quer dizer que você é um grande autor só por estar numa editora. Neste mundo novo, acho que a editora vai ter um papel mais opinativo. Não vai ditar mais as regras, mas vai ser um filtro.

‘A marca das editoras é muito forte’

A questão é que, neste mundo novo descrito por Ana Paula, as editoras tradicionais estão tentando seguir essa estrada da autopublicação. Em julho, a Penguin comprou por US$ 116 milhões a Author Solutions, uma das principais plataformas de autopublicação na web dos EUA. O trabalho da Author Solutions consiste exatamente em oferecer a autores os recursos necessários para lançar seus livros com uma roupagem de qualidade: em seu site, a empresa fundada em 2007 diz já ter “ajudado mais de 100 mil autores a publicar mais de 170 mil títulos e alcançar seus objetivos editoriais”.

Antes, a própria Penguin já havia lançado um braço próprio para oferecer a autores a possibilidade de autopublicação, ideia que foi seguida por outras editoras, como a Random House.

— As editoras enxergam a autopublicação como uma forma de descobrir novos autores e testar novos conceitos — diz o americano Greg Bateman. — Mas elas não vão perder terreno com a prática. Com os livros digitais, haverá um espaço grande para todos crescerem. O futuro é muito bom para todos.

Bateman participou da equipe que desenvolveu o Kindle, o leitor digital da Amazon lançado em 2007, e é o criador do Vook, uma plataforma de produção de ebooks. Desde o início deste ano, ele está morando em São Paulo, justamente por acreditar que há um terreno fértil no Brasil para o crescimento do livro digital. Na próxima terça-feira, às 19h30m, ele estará no Oi Futuro do Flamengo, para participar do evento Zona Digital, em que vai abordar o tema do “livro aplicativo”.

— No Brasil, a marca das editoras é muito forte. Mas o poder do automarketing, de redes sociais como Facebook e Twitter, também é muito forte. Então as marcas não são mais 100% necessárias para vender livros. É preciso buscar outras formas, e é isso que os profissionais que lidam com autopublicação estão fazendo — afirma Bateman.

Um dos pilares da autopublicação está em se libertar do que seriam as amarras do mercado. Um autor que paga por sua obra não precisa esperar na fila de uma editora, muito menos precisa ouvir opiniões de um editor [muitas vezes duras, mas também reais] sobre seu livro. Para ele, vale a divulgação pela internet, em redes sociais e sobretudo nas resenhas escritas pelos próprios leitores [e, claro, por que não?, por amigos e parentes] no site da Amazon.

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De acordo com um relatório da Bowker, a agência que cuida dos registros americanos do ISBN, cerca de 87 mil ebooks foram publicados por seus próprios autores nos EUA, um número 129% maior do que o de 2006, antes de o Kindle ser lançado. Só que lançamento ainda não é sinônimo de venda. Por enquanto, a maioria dos livros de autopublicação não é comprada por mais de cem leitores.

— Uma editora tradicional sabe como trabalhar um livro comercialmente, tem todo um conhecimento que não pode ser menosprezado — afirma Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras. — Minha impressão é que a Amazon tinha a expectativa de que a autopublicação fosse estourar e dar certo muito rápido. Mas não aconteceu com a velocidade que esperavam, e a própria Amazon acabou lançando uma editora nos moldes tradicionais.

Marques da Costa argumenta, ainda, que o que vem ocorrendo hoje com o sucesso de algumas obras publicadas de forma independente é mais um fenômeno de nicho do que uma ameaça ao formato consagrado pelas editoras.

— Esses grandes fenômenos de autopublicação costumam ser romances femininos ou eróticos. Raramente algo diferente aparece. Mas, mesmo nesses casos, geralmente os autores acabam assinando depois com as grandes editoras, como foi o caso do “Cinquenta tons de cinza” — diz ele. — Para o leitor, o julgamento de uma grande editora, do que deve ou não vir a público, é muito importante.

Na última quarta-feira, a versão em ebook de “Cinquenta tons de cinza”, lançada no Brasil pela editora Intrínseca, estava em sexto lugar na lista dos mais vendidos no site brasileiro da Amazon. Já em sétimo, logo atrás do maior sucesso de 2012 no mercado editorial, aparecia um livro chamado “Paris para principiantes”, um guia de viagem com texto e fotos de Paulo de Faria Pinho.

‘A filosofia é outra’

Ao preço de R$ 1,99, “Paris para principiantes” foi lançado pela KBR, uma empresa com 91 títulos no catálogo, em que os próprios autores pagam pela publicação de seus livros. A sede da KBR fica em Petrópolis, região serrana do estado do Rio, na casa de sua fundadora, CEO, única funcionária e uma de suas principais autoras, Noga Sklar.

— O jogo ficou aberto para todo mundo. Antes da chegada da Amazon, a KBR não era nada. Agora, estou aqui pensando no que vai ser o futuro da empresa — explica Noga. — Até agora, o editor era aquele santo no altar, ninguém conseguia falar com ele. Eu como autora sempre fui maltratada, sofria rejeição. Mas há milhões de outras saídas, não precisa ficar na fila de uma editora por três anos, esperando alguma coisa acontecer.

Também no site brasileiro da Amazon, um dos livros mais vendidos dentro da categoria “erótico” é “Sem graus de separação”, um dos oito já lançados por Noga. A KBR foi criada justamente para levar à Amazon americana os livros de sua fundadora e cresceu quando ela passou a ser procurada por outros autores interessados em oportunidades semelhantes de levar sua obra para o público. Noga costuma chamar seus autores de “sócios” da empresa, já que eles financiam boa parte do trabalho de produção.

— Se as grandes editoras não perceberem que o negócio mudou, elas vão ter problemas. A filosofia é outra. Essa coisa de as editoras fazerem tiragem vai acabar. Elas também vão ter que começar a olhar mais para as redes sociais e outros canais de promoção. O que a Amazon faz melhor é tratar bem o consumidor. É tudo personalizado. Eles te chamam pelo nome, sabem seu gosto. E permitem que você compartilhe suas impressões sobre um livro em avaliações que têm tanto valor quanto a de qualquer profissional — diz Noga.

Porém, mesmo com o bom resultado de “Paris para principiantes” na lista de mais vendidos da Amazon, havia até o meio da semana uma única avaliação de consumidor sobre o livro. “O ‘Paris’ de Paulo Pinho é uma caixa de surpresas e uma joia de livro, com crônicas deliciosas, lindas fotos do próprio autor e dicas inusitadas”, diz a resenha, acompanhado da cotação máxima de cinco estrelas, escrita pela própria Noga Sklar.

Definitivamente, uma característica fundamental do universo da autopublicação é saber vender o próprio peixe.

Por André Miranda | Publicado originalmente em O Globo | 15/12/2012

ANL e Amazon e digitais. Hora de verdades?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 11/12/2012

O anúncio da chegada ao Brasil de três grandes operadoras do comércio eletrônico de livros – Amazon, Kobo e Google – coincidiu com a divulgação do “Diagnóstico ANL do setor livreiro 2012”.

Recentemente a entidade dos livreiros havia divulgado uma carta aberta ao mercado – i.e. às editoras – e ao governo, com suas sugestões para o desenvolvimento do mercado de livros digitais no país. Sugestões, não reivindicações, segundo a própria entidade.

O diagnóstico foi encomendado pela ANL junto à GfK, uma multinacional de pesquisa de mercado, que lançou no primeiro semestre deste ano seu serviço de rastreamento online da venda de livros, é concorrente ao BookScan da Nielsen [que diz que se prepara para entrar logo no mercado brasileiro].

O estudo da GfK tem algumas características interessantes. Enviou questionários, que podiam ser respondidos online, por fax ou e-mail e entrevistas por telefone junto a todos universo conhecido pela ANL, que é de 3.403 livrarias. A pesquisa recebeu respostas com informações de 716 lojas, o que equivale a 21% do total, um índice de respostas muito bom. Destas, 152 respostas foram obtidas através da central de redes de lojas, que disponibilizaram dados de suas filiais, e 564 respostas vieram diretamente de livrarias independentes e grandes redes, com um questionário respondido por cada loja, representando um total de 474 diferentes razões sociais.

Os números indicam que algumas ditas grandes redes não responderam ao questionário, e que a maior parte das respostas veio efetivamente das livrarias independentes e redes regionais, que têm uma presença maior junto à entidade.

Essa impressão é corroborada pelo dado divulgado de 62% dos respondentes possuírem apenas uma loja, e que o principal regime tributário é o simples.

Alguns destaques da pesquisa:

– Estabilidade no número das lojas independentes, e crescimento das grandes cadeias, com um achatamento na posição das cadeias médias. Na pesquisa de 2009, as grandes cadeias, com mais de cem lojas, representavam 6% do mercado livreiro, e passaram a representar 15%. O segmento das cadeias médias diminuiu de 31% para 22%. Ou seja, a concentração, que se verifica também no segmento editorial, aqui se repete. Os dados não permitem concluir se no setor livreiro ocorre a mesma taxa de alta natalidade e mortalidade no segmento das pequenas livrarias. Explico: no setor editorial, que conheço melhor, noto que todos os anos nasce uma boa quantidade de novas editoras, que não sobrevivem mais que dois ou três anos, sempre substituídas por novas levas de pequenas editoras. A estabilidade evidenciada no índice de 62% [contra 63% em 2009] de empresas que possuem apenas uma loja não permite sabermos se são as mesmas lojas, ou se novas empresas surgiram para substituir as que eventualmente fecharam.

– Distribuição das livrarias. Permanece evidente que as regiões mais ricas e escolarizadas do país são as que têm mais livrarias. O sudeste continua sendo a região com mais lojas. Notou-se, em relação aos dados de 2009, duas flutuações leves, mas significativas. Positivamente, a proporção de livrarias na região nordeste aumentou três pontos percentuais, de doze para quinze por cento do total de lojas. Inversamente, a proporção de lojas na região Sul diminuiu de dezenove para dezesseis por cento. O aumento no nordeste talvez seja explicável pelo crescimento dos investimentos em educação na região, que também registrou proporcionalmente um aumento menor na melhoria dos índices socioeconômicos.

– Uma tabela interessante é a que mostra a disposição das livrarias em investir no negócio. Entre as livrarias, 82% delas declararam que pretendem fazer investimentos em suas lojas até o final de 2013. Essa resposta pode ser lida em dois sentidos. O primeiro, positivo, é o de que a maioria dos livreiros compreende e está disposto a fazer investimentos em seu negócio. Mas o fato de 18% dos respondentes declararem que não pensam em investir nada no seu próprio negócio no ano de 2013 revela também que ainda há gente que acha que o mero fato de existir garante sua sobrevivência. Para esses, a vida vai ser complicada.

Mas, para além da decisão de investir, vale a pena ver em que os livreiros pretendem fazer isso. A maioria [71% dos que responderam que farão investimentos] diz que fará reforma na loja. Logo em seguida [64% – as respostas não eram excludentes] estão os que declaram a decisão de investir em tecnologia. A mesma proporção [64%] afirma que investirá na capacitação profissional. Finalmente, 34% afirma que investirá na abertura de novas lojas, índice que sobe para 46% entre os livreiros do nordeste e chega a 65% entre as livrarias que têm cinco ou mais lojas.

Se o investimento em capacitação revela uma preocupação positiva relacionada com o atendimento ao cliente, as perguntas relacionadas à informatização das empresas, para mim, colocam questões preocupantes. Além do fato de 12% do total das empresas não estarem informatizadas [17% entre as livrarias que possuem uma e duas lojas], verifica-se que o chamado “investimento em informática” se refere de maneira avassaladora às questões de gestão empresarial das empresas.

Há uma enorme lacuna no que diz respeito ao uso de mecanismos informatizados para o serviço ao cliente.

Vejamos os dados da pesquisa.

As “áreas informatizadas” [em porcentagens] das livrarias pesquisadas são as seguintes:

92% estão informatizadas no controle de retaguarda [controle de estoques];
89% estão com seus sistemas de caixa [emissor de cupom fiscal] informatizados;
86% estão com os controles financeiros [contas a pagar/receber/bancos/cartões, etc.] informatizados;
78% estão com seus sistemas contábeis [controle fiscal] informatizados.

Não se faz menção a investimentos nos meios informatizados para ajudar no atendimento aos clientes. Aliás, não foram feitas perguntas nesse sentido no questionário, o que revela, por parte da ANL, um desconhecimento da importância dessa questão.

Quando me refiro aos serviços aos clientes com ajuda da informática, estou remetendo principalmente aos processos informatizados para ajudar os clientes a encontrar o livro que desejam, aos processos de comunicação com os clientes, inclusive a geração de feedback sobre atendimento e busca da satisfação das necessidades dos clientes. Em uma palavra: metadados.

Ajudar os clientes a encontrar o que desejam é algo completamente diferente do simples controle de estoque, ou de ter ou não e-commerce. Não se perguntou [ou as respostas não foram tabeladas] sobre a existência de sites, uso das redes sociais [Facebook, Twitter, Orkut ou similares], emissão eletrônica de boletins de novidades. Comunicação ativa e proativa com os clientes.

Os livreiros demonstram uma preocupação crescente com a oferta de espaços “alternativos” para os clientes: áreas para leitura; cafés ou cyber cafés e espaço para eventos foram os mais citados. Da mesma maneira, o aumento da diversidade de itens comercializados é crescente, com três quartos das livrarias ofertando CDs e DVDs, além da tradicional oferta de material de papelaria, hoje acompanhados de suplementos de informática. As livrarias religiosas, particularmente as católicas, oferecem artigos religiosos [santos, quadros, terços e o resto da parafernália de culto].

A lista de tipos de livros comercializados é bem extensa, mas sua utilidade na análise do conjunto se vê prejudicada pela não apresentação de um cruzamento com o tipo de livraria. Por exemplo, 76% das livrarias declaram ter estoque de livros religiosos [contra 46% em 2009], e 69% dizem oferecer livros de autoajuda/esotéricos [contra 46% também em 2009]. Essa informação é difícil de ser processada e entendida se não for cruzada com o tipo de livraria que os oferta.

A declaração dos livreiros sobre os tipos de livros não obedece a nenhuma categorização formalizada. É a percepção sobre o “tipo” de livros que oferecem. Assim, por exemplo, não se sabe se os livros dos padres [Marcelo, Fábio Costa, etc.] estão juntos com o de Edir Macedo, ou como se misturam com os livros psicografados nas categorias de autoajuda ou esotéricos.

Essa mistura reflete, também, a pouca extensão do uso da informática para obter informações mais precisas sobre os livros solicitados/ofertados aos seus clientes. O uso sistemático e extenso de metadados produziria informações de interesse significativo para que os livreiros pudessem melhor conhecer o que, efetivamente, seus clientes buscam, encontram [ou não] e preferem.

Evidentemente esse baixo índice de uso dos mecanismos informáticos para colheita de informações não é responsabilidade apenas dos livreiros. Os editores também não sabem aplicar e usar metadados para conhecer o desempenho de seus livros, muito menos para aproveitar ao máximo as informações que possam ser coletadas.

É nesse contexto que a chegada dos grandes players do comércio eletrônico se transforma em uma ameaça muito maior para a futura saúde e progresso das livrarias independentes. A Amazon, a Google [que é, basicamente, uma empresa de sistemas de busca] e mesmo a Kobo levam isso muito a sério.

A sua chegada, além de permitir que os clientes das localidades menores e mais distantes, que nem dispõem de uma livraria física, possam conhecer e encomendar os livros simultaneamente aos mercados do sul e sudeste, apresenta um desafio adicional e muito importante para os livreiros “físicos”. Grandes e pequenos.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 11/12/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.