Evento pré-Frankurt esquenta os tamborins digitais


É possível aproveitar a terça-feira antes da Feira de Frankfurt para se atualizar nas novas tendências digitais

Tools of Change for Publishing

Tools of Change for Publishing

Desde 2007, acontece em Nova Iorque, sempre no início do ano, o evento Tools of Change for Publishing, conhecido no mercado como TOC e organizado pela O’Reilly. O objetivo do evento é discutir práticas, soluções e tendências digitais que estão afetando a indústria de livros. Em 2009, a empresa norte-americana se juntou com a Feira de Frankfurt para organizar a conferência TOC Frankfurt, sempre na terça-feira, às vésperas da maior feira de livros do mundo. O evento de um dia ganhou força e se encaminha agora para sua terceira edição.

No ano passado, a conferência contou com a participação de cerca de 500 pessoas de 35 países diferentes, e este ano a TOC Frankfurt traz novamente um time de conferencistas renomados. Serão mais de 30 sessões com palestrantes como Jonathan Nowell, presidente da Nielsen Books; Mark Bide, Diretor Executivo da EDitEUR – organização que controla o padrão Onix de banco de dados de livros –; William Chesser, vice-presidente da VitalSource, plataforma da Ingram para livros universitários digitais; Dan Franklin, publisher digital da Random House UK; Bill McCoy, diretor executivo do International Digital Publishing Forum; e Ken Michaels, vice-presidente da Hachette Book Group, entre outros. Eles abordarão temas como o futuro do e-commerce, captação e utilização de dados de consumidores e mudanças nos modelos de negócios e de distribuição. Durante o evento, a EDItEUR organiza uma série de painéis com uma perspectiva diferente, focando nos desafios operacionais enfrentados pela cadeia do livro e dos livros digitais.

O PublishNews fará dobradinha no evento, participando como media partner e também com a presença de seu sócio-fundador, Carlo Carrenho, em um dos painéis. As inscrições para a TOC Frankfurt custam € 599,00 (mais taxas). Para fazer sua inscrição e saber mais sobre o evento, acesse o site:http://tocfrankfurt.com.

PublishNews | 14/09/2012

Tools of Change Frankfurt Conference 2012


A Feira de Frankfurt e O’Reilly Media trazem oportunidades de networking, com palestras e assuntos envolventes. O TOC Frankfurt acontece pelo quarto ano para aprofundar questões sobre a mudança contínua da indústria de publicações, avaliação de novos modelos para produtos digitais, e assim ajudar os profissionais a melhorarem seu negócio. Com o tema “De transição para a transformação – o ecossistema nas novas edições”, mais de 30 sessões irão abranger os recentes debates sobre e-books padrões, preços, metadados e inovações da cadeia de suprimentos.

Anote na agenda: dia 9 de outubro, no Frankfurt Marriott Hotel, das 8h30 às 18h00. Faça sua inscrição até 31 de julho. Acompanhe a programação completa do TOC no site: http://tocfrankfurt.com.

CBL Informa

TOC Argentina divulga os primeiros palestrantes


Palestras apresentarão tendências da edição digital global, estudos de caso e hábitos de consumo, entre outros temas

O Tools of Change for Publishing [TOC], conferência internacional sobre inovação no mercado editorial, confirmou os primeiros palestrantes para a edição do evento que acontece no dia 20 de abril, durante a Feira do Livro de Buenos Aires, pela primeira vez na América Latina. Segundo a organização do TOC, a programação incluirá palestras de Newton Neto, executivo do Google no Brasil; Patricia Arancibia, diretora da Barnes & Noble; Gus Balbontin, diretor de transformação da Lonely Planet; Elizabeth Castro, autora best-seller de livros em formato ePub e HTML; Laura Dawson, da Firebrand Technologies, e Julieta Lionetti, consultora do segmento digital para editoras acadêmicas da Libros en la Nube. As sessões tratarão de tendências da edição digital global, estudos de caso, editoras inovadoras, hábitos de consumo, entre outros temas. O evento é organizado pela Feira do Livro de Frankfurt e pela O’Reilly Media. As inscrições já podem ser feitas por meio do site e têm desconto até o dia 23 deste mês – US$ 349, contra o preço normal de US$ 499.

PublishNews | 05/03/2012

Brasil ganha destaque em apresentação no TOC


EUA: E não mais que de repente um gráfico sobre o Brasil surge nas telas do principal auditório da conferência TOC em Nova Iorque. O palestrante da vez era Joe Karaganis, pesquisador da American Assembly, ligada à Universidade de Columbia, e editor de trabalhos como Media Piracy in Emerging Economies [2011]. Especialista em pirataria, Karaganis comentava os resultados da luta contra esta prática em países emergentes e usava o Brasil como exemplo. O gráfico mostrava que apesar de buscas e apreensões contra piratas acontecerem no Brasil, o número de casos julgados, de condenações e de sentenças cumpridas era próximo de zero. Segundo o especialista isto acontece em diversos países, não sendo uma exclusividade tupiniquim. “Preços altos, baixa renda e tecnologias digitais de baixo custo são os principais ingredientes da pirataria”, explicou Karaganis. “E as tentativas de repressão têm sido irrelevantes”, continuou. Por meio de outros gráficos de seus estudos, o pesquisador provou que a maior parte da população não enxerga a pirataria como um crime sério e que a grande maioria das ações piratas é de pessoas compartilhando arquivos com amigos e conhecidos e não atos de maior escala econômica e criminal.

Para Karaganis, a luta contra a pirataria está mais próxima de uma concorrência comercial, de negócios, do que de uma questão criminal. “Sempre haverá acesso, a questão é quem vai conseguir oferecê-lo de forma conveniente e barata”, explicou. “E a cultura da cópia somada a dispositivos digitais mais baratos será um desafio perturbador”, continuou. Para o acadêmico, a solução está no desenvolvimento de uma agenda positiva coletivamente. Como exemplo disto, ele citou a Declaração de Washington, que pode ser acessada aqui em português.

Algumas horas depois, o tema da pirataria surgiria outra vez em uma mesa redonda que contou com a presença de vários palestrantes. O divertido autor de The Information Diet, Clay Johnson, fez declarações um tanto liberais quanto à pirataria. “Fico feliz que as pessoas roubem meu livro. Façam isso e me mandem 5 dólares via Paypal se gostarem do livro – é mais do que recebo da editora”, declarou. Para Johnson, seu livro possui uma missão social que acaba sendo mais importante do que a remuneração em si. “Faça o que você tiver de fazer para ler meu livro, vá em frente.

PublishNews | 15/02/2012

Oportunidade desperdiçada


São Paulo bem poderia ter sido a sede da primeira edição do TOC América Latina, o mais importante congresso internacional sobre o livro digital realizado anualmente em Nova York e em Frankfurt. A Câmara Brasileira do Livro [CBL], que já organiza seu próprio seminário sobre o assunto, foi procurada, mas quem levou foi Buenos Aires. “Não era interesse deles juntar os dois congressos e não era interesse da CBL deixar de fazer o seu, que chega à terceira edição em 2012 e está consolidado“, diz Karine Pansa, presidente da entidade. Ela ressalta que o TOC é “importantíssimo” – de fato, participam dele os profissionais mais atuantes do mundo na área. Mas Karine considera que o Brasil ainda não comporta dois eventos desse porte.

O Estado de S. Paulo – 03/12/2011

TOC Frankfurt debate o presente digital do livro


Durante todo o dia, profissionais da indústria do livro avaliarão seus negócios agora que o livro digital já é realidade

O TOC – Tools of Changes, um dos seminários mais esperados [e mais caros] que acontecem paralelamente à Feira do Livro de Frankfurt foi aberto na manhã desta terça-feira, dia 11 de outubro, pelo presidente do Instituto para o Futuro do Livro, Bob Stein. Se você foi ao Congresso do Livro Digital em São Paulo, em julho, não perdeu muito dessa abertura. A apresentação foi basicamente a mesma e tratou do livro social, a nova invenção do criador do primeiro CD-ROM, nos anos 80, e do primeiro e-book, na década de 90. “O livro se tornou um lugar, e o conteúdo não vale nada. Agora, as pessoas vão pagar por contexto e pela possibilidade de compartilhar esse conteúdo”, disse.

Mais interessante foi a apresentação do marqueteiro Mitch Joel, que já chegou dizendo que não tinha bola de cristal e que por isso preferia falar sobre o presente. “Nenhum editor depois de Gutenberg teve a oportunidade que vocês estão tendo de mudar a história”, disse. Mas, como disse, todo mundo ainda usa as técnicas tradicionais para promover, e fazer, livros. “Gostaria que todos considerassem a opção de dar um ctrl+alt+del. Temos que rever a forma como nos comunicamos com o nosso público porque o consumidor de hoje não é o mesmo de 10 anos atrás e não é o mesmo de 24 horas atrás”.

Segundo Joel, aumentou em 74% o número de pessoas acessando o conteúdo de varejistas a partir de seus telefones celulares. Além disso, eles estão mais informados que as próprias pessoas responsáveis pelo marketing das editoras. Comentou também que os leitores se tornaram fragmentados, que o livro digital é apenas um jeito mais simples de consumir porque os leitores não se interessam por tecnologia e só querem simplificar as coisas, e que as editoras devem se concentrar hoje no mundo que ainda está por vir.

Ele disse também que não é papel do leitor ir até o Facebook e curtir a página da editora, mas que são as editoras que devem ficar amigas de seus leitores. Outra coisa que acontece hoje e que foi criticada por Joel é que as editoras não estão presentes nas conversas e enchem o Facebook e o Youtube com informações e vídeos sobre seus livros e autores e não entendem que milhares de pessoas estão procurando constantemente um livro editado por eles. Se estiverem por ali na conversa, respondendo e indicando, já é meio caminho andado para que o assunto que querem promover seja comentado nas redes sociais. “Se você não fizer isso, o escritor e as livrarias vão fazer”.

Por fim, comentou que só terá sucesso quem conseguir promover interação real entre pessoas reais agora também no mundo digital.

O TOC continua durante o período da tarde. Novas informações podem ser conferidas na edição de amanhã do PublishNews.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 11/10/2011

O livro infantil digital


Por Dolores Prades | Publicado originalmente em PublishNews | 23/05/2011

Na ordem do dia das preocupações de todo editor, pensar o livro digital infantil nos remete a um universo de questões bastante específicas e diferenciadas dos outros segmentos editoriais. Para além da contraposição entre a afirmação do livro digital e o livro em papel, para além da discussão do desaparecimento definitivo do livro tal como o conhecemos hoje, há questões específicas do livro infantil que se delineiam nesse universo ainda duvidoso em que se move a edição digital.

No caminhão de perguntas sem resposta com o qual adentro este universo, um dos aspectos que não deixam margem a duvidas é a certeza de que estamos vivendo um momento de efetiva inflexão da indústria editorial. Seja qual for o caminho que for tomado – a edição do livro em papel, a edição digital ou ambas -, todas as etapas do fazer editorial estão postas em questão e provavelmente passem por um franco processo de mudanças. Não há nenhuma novidade nisso e muito se tem falado a esse respeito.

Porém, a sensação de ser testemunha desta reviravolta no mundo da edição só fui ter mesmo algumas semanas atrás participando do TOC [Tools of Change for Publishing], conferência sobre o futuro do livro infantil promovida pela Feira de Bolonha. Pela primeira vez, a maior feira dedicada ao livro para crianças e jovens organizou uma discussão sobre o livro digital e sobre as mudanças que este novo suporte podem representar para este mercado. Tal reconhecimento e a convocatória para um prêmio anual a partir de 2012 para o melhor livro digital, o Bologna Ragazzi Digital Award, instituem e chancelam o livro digital infantil no universo do que há de melhor na produção do livro infantil e juvenil.

O forte interesse despertado pelo tema ficou comprovado pelo público presente. Mais de 200 pessoas de 27 países diferentes se reuniram no domingo, véspera da abertura da feira, durante um longo dia onde se sucederam palestras e mesas redondas sobre três grandes temas: um geral sobre o mercado, outro sobre a edição e as mudanças que desde já se vislumbram e um terceiro sobre os novos suportes e suas características.

Mais do que dar respostas, essa jornada reiterou dúvidas e confirmou as primeiras impressões. Quem foi ao TOC atrás de respostas ou de modelos de negócios saiu com a certeza de que ninguém sabe ao certo como fazer. E o que fazer depende de muito investimento e experimentação. Movendo-se ainda às cegas, os grupos editoriais que já atuam neste segmento de mercado deixaram claro o caráter experimental de suas iniciativas e pesquisas, assim como o grande investimento que significa entrar para valer e de forma original neste segmento. Além dos investimentos em pesquisa e criação, foi reiterado que o livro digital exige constantes atualizações no ritmo das inovações tecnológicas exigidas pelo seu suporte.

Se o avanço e a substituição do livro em papel pelo formato digital é inquestionável em vários segmentos do mercado editorial, é só pensar nas enciclopédias, nos dicionários e nos livros científicos, conteúdos que se adaptam melhor a este formato e suas inovações. No caso do livro infantil, o que os exemplos de ponta das experiências digitais mostram não são apenas transposições para um outro formato. Ao contrário, o que temos são novos produtos: livros animados, com recursos interativos muito próximos dos brinquedos que exigem aptidões diferentes daquelas que a leitura [em silêncio ou compartilhada] exige.

Reconhecer estas diferenças não significa de modo algum desprezar as consequências que estas inovações impõem ao mercado editorial do livro infantil. A reviravolta está em curso e a imaginação e criatividade dos editores para fazer frente a estas mudanças são onde reside, do meu ponto de vista, a sobrevivência com maior ou menor peso do livro em papel. É importante repensar o que se faz, ir atrás de uma maior qualidade, explorar ao máximo os recursos gráficos, descobrir novos nichos e novos formatos de modo que o livro em papel se torne exclusivo garantindo seu espaço no mercado.

Livro digital e abertura de novos mercados andam de mãos dadas. Crianças são os novos consumidores em potencial desta era digital e como tais devem ser bombardeadas por novos produtos e por constantes inovações. Nesta guerra de mercado, o livro digital é o suporte mais adequado para ganhar espaço e consumidores. Na briga pela ampliação de novos mercados fica claro que os grandes grupos não podem deixar de entrar nesta competição e de colocar o foco neste novo produto que é o livro digital.

Porém, é aqui que reside um dos maiores nós deste mercado: o desconhecimento geral das regras deste novo negócio. Não se sabe como controlar o número de cópias vendidas, como fazer frente aos downloads free, como fazer disto um negócio rentável a ponto de justificar o enorme investimento que o livro digital pressupõe. As mesmas dúvidas ocorrem com a divulgação destes novos produtos. Como dar visibilidade a cada título nos sites de compra? Como controlar e intervir nos sites das grandes corporações detentoras da tecnologia? Como fugir das regras impostas por elas?

Faz décadas que a indústria editorial vem acolhendo e se moldando aos efeitos dos avanços tecnológicos e não há nenhuma novidade nisso. A indústria do livro digital é uma nova etapa deste processo, no qual estamos apenas engatinhando. Os novos formatos estão aí impondo sua força no mercado. Mas eles precisam de conteúdo, isto é, da criatividade de autores e ilustradores, do olho do editor capaz de identificar e formatar um produto, de identificar pontos fortes e estabelecer parcerias.

Esta ponte fundamental entre conteúdo e forma como ponto de partida foi comentada por Neal Hoskins da Wingedchariot Press, que fechou o TOC com uma frase bastante paradigmática naquelas circunstâncias: “Always remember where you come from”. Muitas podem ser as interpretações, porém no contexto no qual nos encontrávamos, a remissão ao conteúdo, à literatura como suporte essencial e ao trabalho criativo foram lembradas.

Por Dolores Prades | Publicado originalmente em PublishNews | 23/05/2011

Dolores Prades é editora, gestora e consultora na área editorial de literatura para crianças e jovens. É também curadora e coordenadora do projeto Conversas ao Pé da Página – Seminários sobre Leitura e coordenadora da área de literatura para crianças e jovens da Revista eletrônica Emília a ser lançada no próximo mês de junho.

Pequenos grandes leitores é uma coluna que pretende discutir temas relacionados à edição e ao mercado da literatura para crianças e jovens, promover a crítica da produção nacional e internacional deste segmento editorial e refletir sobre fundamentos e práticas em torno da leitura e da formação de leitores. Ela é publicada quinzenalmente, às segundas-feiras.