Copia faz primeira parceria no Brasil


Com essa parceria, clientes do Submarino vão poder interagir mais

Com representação em solo tupiniquim desde 2010, o Copia acaba de anunciar a sua primeira parceria brasileira: o Submarino Digital Club, prometida para entrar no ar no dia da abertura da Bienal do Rio de Janeiro, 1º de setembro. Com aplicativos de leitura já disponíveis para desktops, PC e Mac, para Android, Win7Touch, e em breve para iOs Ipad e iPhone, o Copia promete agregar ao líder de e-commerce no Brasil a possibilidade de que seus usuários maximizem a sua interação digital e aproveitem o seu conteúdo digital de forma variada – livros, revistas, jornais, música, filmes, jogos etc. “O princípio de negócio do Copia é estabelecer parcerias com empresas já estabelecidas e que desejem ampliar a sua abrangência e público. Para isso trabalhamos com o esquema de white label que garante que a marca do parceiro do Copia esteja em evidência”, explica Marcelo Gioia, diretor executivo do Copia no Brasil.

Por Ricardo Costa | PublishNews | 30/08/2011

Livros e redes sociais


A chave para se adequar ao novo papel das editoras é, segundo Sol Rosenberg, o uso de redes sociais para descobrir e focar nos gostos e interesses do consumidor

Sol Rosenberg

Muito do que aconteceu em outras partes do mundo irá acontecer no Brasil, provavelmente em menos tempo, afirmou Sol Rosenberg, vice-presidente de Negócios, Desenvolvimentos e Conteúdo do Copia Interactive em sua palestra “Mídias sociais e conteúdo” nesta terça-feira, dia 26, durante o 2º Congresso Internacional do Livro Digital. Segundo ele, a vantagem de estar atrás de países como os Estados Unidos no estabelecimento do mercado do livro digital é que, assim, o Brasil tem o acesso ao que chamou de “jornal do amanhã”. E assim pode se inspirar nos modelos bem sucedidos e tentar evitar aqueles que não deram certo.

“Eu encaro as coisas como o que aconteceu com a televisão. Os programas de televisão tinham só uma câmera no meio de um palco. Aos poucos, foram sendo incorporadas mais câmeras, os profissionais começaram a usar novos enquadramentos e adicionaram narração e efeitos especiais. Depois, surgiu a TV a cabo e todo mundo pensou que era o fim da televisão aberta. Hoje, temos a internet e o Youtube. Essas evoluções vão acontecer com a indústria do livro”, comentou.

Para Rosenberg, o caminho que as editoras devem seguir para conseguir novos leitores é apostar na segmentação: “É preciso pensar em cada cliente como exclusivo. É preciso focar na personalização, atender comunidades menores e até mesmo ter como alvo uma só pessoa”. Para isso, ele sugere o uso de redes sociais que indiquem às editoras os gostos e interesses de seus usuários e, assim, elas podem fazer indicações específicas para cada um de seus clientes.

As editoras devem continuar a publicar livros, mas precisam observar o que mais podem fazer para continuar nesse negócio”, disse. De acordo com o executivo, o caminho é investir no estabelecimento de sua marca, na segmentação por interesse e gosto do consumidor sem esquecer de investir em novas tecnologias criando e-books e aplicativos de suas obras.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 27/07/2011

Propaganda de eBooks ainda é um problema


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin

Desde os meus oito anos, sempre estou lendo pelo menos um livro. Quando era criança, os encontrava em casa [papai trabalhava na indústria] ou na biblioteca da cidade, Croton-on-Hudson, ou na biblioteca da escola. Às vezes situações fora do comum me traziam um monte de material de leitura. Nos últimos dias do segundo ano da escola, peguei catapora e fiquei na cama por umas duas semanas. Já tinha desenvolvido uma afinidade com a série de livros infantis da Random House sobre história norte-americana chamada Landmark Books, que ainda está disponível. Papai conhecia a pessoa na gráfica responsável pela conta da Random House e uma caixa com 40 livros chegou um dia depois que fui diagnosticado. Quando finalmente pude sair da cama, já tinha lido todos.

Quando estava no ensino médio, descobri que uma grande farmácia na esquina da Rua 42 com a Rua Vanderbilt, na Grand Central Station, tinha uma enorme seleção de livros paperback e ela se tornou um destino de compras pra mim por um bom tempo.

Quando adulto, as compras e as descobertas passaram a acontecer nas livrarias. E apesar de, ocasionalmente, encontrar ideias sobre o que ler em resenhas de livros ou recomendações de amigos, normalmente eu simplesmente ia até a livraria e comprava. Ia dar uma espiada nas seções de história norte-americana, biografias ou esportes [besisebol tem sua própria estante dentro de esportes].

Nunca me tomou muito tempo encontrar o que eu queria ler até chegar aos e-books.

Na era dos e-books pré-Kindle, eu era cativo da loja Palm Digital, porque lia num Palm e sua postura era não permitir que outras lojas vendessem seu formato. As escolhas eram limitadas porque as editoras, antes da chegada do Kindle, relutavam em fazer os investimentos necessários para publicar livros para mim e para as outras quatro pessoas que liam e-books na época. Isso mudou imediatamente quando o Kindle chegou e, por causa dele e de outros grandes formatos que chegaram ao mercado desde então, as opções são muito maiores agora. Quase todo livro novo que quero ler está disponível para o aparelho que escolhi [o iPhone] e a digitalização do catálogo continua acontecendo nas editoras.

Mas a propaganda, pelo menos para alguém que compra num iPhone [é um pouco melhor através de outros aparelhos ou PCs], deixa muito a desejar. Minhas experiências de compra são, na verdade, parecidas a uma caminhada aleatória. Eu peço para a minha loja me mostrar os livros por categoria e, como minhas categorias não mudam muito [e não mudaram muito desde que sou criança], tendo a ver os mesmos livros muitas vezes, muitos dos quais já li [talvez em outros formatos].

Há pouco tempo, estava comprando minha próxima leitura no iPhone. Comecei a comprar com o Kindle e depois com o Nook, mas alguns minutos em cada site mobile não mostraram nada que me animasse. Aí, no Google eBooks, encontrei Making of the President 1968, de Theodore White. Esse era o que eu queria ler. Comprei e já estou na metade.

Não existe nenhuma garantia especial de que vou encontrar meu próximo livro na Google. Ainda não encontrei nenhum padrão claro entre as quatro lojas em que compro normalmente [Kobo é a quarta]. Obviamente, se eu soubesse que queria ler outro thriller de James Patterson ou John Locke, os dois estariam em poucos minutos no meu iPhone sem grandes problemas. É quando estou buscando por assunto que encontrar uma boa opção de leitura parece ser um golpe de sorte. Com certeza não estou ajudando as livrarias ao ficar fazendo compras em vários lugares; mesmo se alguma delas tivesse um bom motor de busca para guardar as minhas compras anteriores, ler o meu perfil e fazer uma excelente recomendação, eu estaria complicando por ficar espalhando meus dados por aí.

Tudo isso mostra a dificuldade do desafio enfrentado por Bookish nos EUA e aNobii no Reino Unido, dois sites para “encontrar a próxima leitura”, financiados por grandes editoras. E eles se juntam a uma longa lista de sites que tentaram construir recomendações e conversas comunitárias baseadas no que as pessoas estão lendo: Goodreads, Shelfari, Library Thing, e a nova plataforma de e-books, Copia.

Acontece que a nossa empresa está agora se dedicando a colocar o livro do “The Shatzkin Files” em plataformas diferentes da sua inicial, a Kobo [os 60 dias de exclusividade terminaram]. Quando encontramos um limite de sete palavras-chave no processo de upload do Kindle, comecei a questionar: “Por que esse limite?”

E tive uma boa resposta. Acontece que a inclinação de qualquer autor ou editor seria colocar um monte de palavras-chave. Essa era a minha intenção. Ia pegar toda palavra-chave de todo post e colocar no livro. Mas, depois de refletir, como meu amigo na Amazon sugeriu, isso realmente não ajudaria o leitor que estava procurando o meu livro. O fato de um post no blog falar sobre um sobrevivente do Holocausto não quer dizer que alguém procurando esse tópico vai querer meu livro, cujo resto do conteúdo fala sobre coisas totalmente diferentes.

Acontece que a Amazon usa algoritmos criados por busca de texto completo para melhorar o que eles mostram em resposta às buscas que o editor e o autor não necessariamente pensam quando criam metadados. Como exemplo, ele mostrou um livro que você vai encontrar na Amazon se procurar por “erasure coding”, um termo de arte que poderia muito bem não ter sido incluído por um autor ou editor ao inserir palavras-chave, mas que os métodos mais sofisticados da Amazon permitem que seja usado para buscas.

Meu amigo na Amazon não disse isso, e talvez eu esteja lendo muito sobre o que eles fazem, mas quase parece que as palavras-chave que colocamos poderiam ser supérfluas e a capacidade que eles têm de fazer análises e algoritmos sobre textos completos na verdade mandam no que descobrimos. Talvez a solicitação de palavras-chave a autores e editores seja “só pra inglês ver”, mas é claro que não espero que a Amazon admita isso.

Eu estava apenas procurando por “história norte-americana” quando encontrei Making of the President 1968 no Google [e não encontrei em nenhum outro lugar quando procurei]. Então, as sofisticadas capacidades da Amazon não funcionaram para mim e agora o mecanismo deles não sabe que esse era um livro que eu queria, porque comprei em outro lugar.

Mas estou realmente feliz por ter encontrado este livro, que deve ter saído bem recentemente em formato e-book. Eu fui bastante ativo naquela campanha e na Convenção Democrática em Chicago, onde era o assistente de Pierre Salinger na primeira campanha de George McGovern. O autor dos livros da sérieMaking of the President, Theoore White, era amigo de Salinger e eu o conheci na convenção. Mas vou guardar as histórias dessa campanha para outro post, em outro dia.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Como ganhar a briga pela venda dos e-books?


Eu leio todos meus livros no meu iPhone e costumo ter diferentes livros abertos em vários e-book readers ao mesmo tempo. Essa é uma mudança drástica no velho hábito de ler um livro por vez. Nunca pensei que seria divertido ler dessa forma porque as limitações físicas de carregar vários livros de papel para todos os lados nunca me encorajou a pensar em algo assim.

No momento estou lendo Joe Cronin, de Mark Armour, e Crossing the Chasm, de Geoffrey A. Moore no Google Books; Washington, de Ron Chernow no Nook reader [que agora percebi que não marcou minha última leitura e está me forçando a descobrir em que parte eu estava, o que não é nada bom]; Brooklyn Dodgers: The Last Great Pennant Drive, de John Nordell no Kobo; e The Autobiography of Mark Twain, no Kindle. Tenho o iBooks reader no telefone, mas não compro na loja dele porque nunca vi nenhuma vantagem especial no reader e a loja possui bem menos títulos do que os concorrentes.

Agora, você se importou com os detalhes do que falei? Aposto que a maioria dos leitores não, a não ser dentro do limite de que esperam que eu faça alguma discussão conceitual sobre esses detalhes pessoais que falei no parágrafo anterior [e é claro que vou fazer]. Meu palpite é que a maioria leu o primeiro parágrafo curto e passou por cima do segundo que, francamente, não é realmente necessário para mostrar minha ideia. Mas creio que alguns poucos ficaram bastante interessados. [Mas por favor não me contem seus detalhes, eu faço parte da maioria].

Onde eu compro os livros é algo bem caótico. Minha ordem de preferência para ler [no momento porque isso muda e eu uso todas as possibilidades] é Kobo, Kindle, Google, Nook. Kobo, Kindle e Nook possuem dicionários incluídos; pressione [só tocar não adianta] em cima da palavra e aparecerá uma definição e a possibilidade de criar uma nota, ou então um link para a Google ou a Wikipedia. O problema para mim é que, no iPhone, nem sempre consigo fazer esse recurso funcionar. Minha experiência pessoal mostra que a funcionalidade é mais confiável no Kobo e bem menos no Kindle e na B&N, mas não sei se essa experiência pode ser considerada representativa em comparação com outras pessoas com iPhones, dedos e livros diferentes.

A Google ainda não oferece essa capacidade, nem mesmo simples marcação de página [que todos os outros têm], mas aposto que isso não vai demorar para ser implementado.

Nenhuma das plataformas oferece um desempenho perfeito na minha experiência de uso [e a sua pode ser diferente]. Meu Kobo já “travou”, forçando-me a reiniciar o telefone para que voltasse a funcionar. A formatação do “Mark Twain” do Nook no meu iPhone era um desastre. [Falei sobre isso com algumas pessoas da B&N; talvez tenham consertado. Quando perguntei ao editor da UC Press, a resposta foi que o arquivo funcionava bem no aparelho Nook, mas sei que não funcionava no meu Nook para iPhone. Dá para ler muito bem no Kindle para iPhone.] O Kindle é frustrante para mim porque eu gosto muito de ler com alinhamento à esquerda e, até onde sei, o Kindle sempre mostra as páginas justificadas e não há como mudar. Acho que a navegação do Google e do Kobo são mais intuitivas para mim e me dão mais controle da experiência de leitura. O Nook não parece ter uma forma de travar com a tela na vertical então não dá para ler na cama de lado.

Se penso num livro que quero quando estou lendo outro, é mais provável que compre no reader que estou usando só porque é o que está aberto. Graças à combinação de modelo de agência e monitoramento do preço em tempo integral, é improvável que haja qualquer vantagem financeira de ficar procurando em várias lojas. Se eu sei exatamente qual livro quero, não existe nenhuma diferença especial entre os quatro em termos de facilidade de uso ou velocidade de transação.

Há uma dinâmica que claramente favorece o Kindle. Tenho um aparelho Kindle, que comprei nas primeiras semanas em que este saiu ao mercado. Li muitos livros nele no primeiro ano. Dei o aparelho para minha mulher quando o Kindle colocou sua vasta seleção disponível no iPhone. Martha lê muito mais livros do que eu; mas os gostos são muito diferentes. Quando decidi que queria ler Stieg Larsson, ela já tinha comprado para Kindle, então li no aparelho [é tudo a mesma conta.] E quando comprei o novo Ken Follett do Nook, ela o acessou em Nova York enquanto eu estava lendo em Frankfurt usando o iPad que compartilhamos [mas que nenhum dos dois gosta de usar para ler livros porque é muito pesado.]

Tudo isso leva à pergunta conceitual que prometi acima: o que uma loja deve fazer para fidelizar seus clientes? E para responder essa pergunta devemos também ter algo em mente: os pequenos grupos são importantes.

Vamos olhar no passado e dizer que havia um relativamente pequeno grupo de usuários iniciais do Kindle que foram os principais catalisadores de cada vez mais profundas mudanças na edição de livros [mudanças que ainda estão começando]. A Amazon estava numa posição única para entregar uma proposta nova e com valor para as pessoas que podiam se beneficiar mais dos aparelhos de leitura. E eles capturaram e, por um tempo, fidelizaram um grupo relativamente pequeno de pessoas que leem muito, porque quanto mais livros você lê, maior o benefício relativo do Kindle, em termos de funcionalidade e de economia.

Pode ser que um dia o formato de arquivo [relativamente] fechado do Kindle se torne um problema para as vendas, mas é difícil ver que isso vai acontecer agora, principalmente se a Amazon cumprir com seu recente anúncio de que em breve vai produzir um Kindle baseado em browser. [Eu deveria acrescentar que li relatórios de que o Google books funciona bem num aparelho Kindle através do web browser do aparelho. Como meu Kindle é um dos primeiros modelos, sem wi-fi e com uma conexão muito lenta, não estou em posição de confirmar isso.] Mas, por agora, a Amazon possui muitos milhões de felizes donos de aparelhos para quem comprar um livro de qualquer outra forma seria mais um problema do que uma solução.

Então, de qual outra forma a loja pode fidelizar o cliente? A Google tentou vender o valor de que você será o gerente da sua “estante” onde todos seus livros estarão disponíveis o tempo todo, em qualquer aparelho, etc. A ideia parece ser tirada do conceito do iTunes, mas esse é outro exemplo que nos faz lembrar que “livros não são iguais a música”. É importante ter toda sua música num só lugar. Nunca vou ter nenhum motivo para precisar que “Washington” e “Joe Cronin” estejam no mesmo reader, mas seria importante ter uma música de 1958 e uma de 1992 tocando consecutivamente quando eu quiser.

Então, o importante para a iTunes foi: a] permitir que fosse fácil ripar facilmente seus CDs, e para isso o banco de dados de metadata foi um recurso extremamente importante; e b] permitir que se comprasse qualquer outra música que se quisesse pelo método de download em algum sistema de hospedagem. Posso ser um extremo na desorganização dos meus hábitos de leitura, mas acho que poucas pessoas iriam exigir algo parecido às capacidades de agregação do iTunes para seu material de leitura.

Então, o que mais? A The Copia [nosso cliente durante uma boa parte do ano passado, que estará no meu iPhone assim que o aplicativo deles estiver pronto] possui uma proposta para tentar resolver isso, que é criar um aplicativo de rede social em conjunto com o leitor. Se eu estivesse no The Copia e tivesse todos os livros dos quais estou falando no aplicativo deles, vocês seriam capazes de ver os detalhes que eu apresentei no segundo parágrafo sem que eu tivesse de contar.

E isso me leva à segunda questão: que pequenos grupos são importantes. Porque, claramente, há pessoas que se importam com o que os outros estão lendo e que querem compartilhar suas anotações para que os outros possam ver. E se eu me importar em mostrar minhas experiências de leituras, vou querer que todos meus livros estejam no The Copia. Isso é um método de fidelização. E, quem sabe, pode ser que eu descubra que vale a pena compartilhar informações com outras pessoas loucas pela história do beisebol. [Apesar de que me pergunto se sou a única pessoa que acha o sublinhado sutil do Kindle, que mostra, quando você passa o mouse sobre um item, que “87 pessoas destacaram essa passagem”, ao mesmo tempo inútil e distrativo.]

Fidelizar um pequeno grupo é o que a Kobo está pensando com os novos recursos de leitura social que acabaram de introduzir. Estão disponíveis agora somente na versão iPad do aplicativo, mas eles “acompanham” sua leitura, dão recompensas por terminar um livro e permitem que o mundo saiba em que ponto você está de um livro. As pessoas que acham isso bom, e existem algumas, agora terão um motivo para usar o Kobo e somente o Kobo, assim como as pessoas que possuem um Kindle tem uma razão para usar somente a Amazon e o The Copia espera ganhar as pessoas que gostam de redes sociais e que conseguem ver menos valor no resto.

Por outro lado, espero que as capacidades centrais fiquem mais parecidas com o tempo. A Google vai acrescentar links externos para dicionários e fontes de referência. Todas as plataformas vão melhorar a resposta de seus aplicativos para meus dedos gordos no iPhone. Se as estatísticas sociais da Kobo provarem ser algo que arrasta os consumidores, os outros vão acrescentar algo parecido.

Uma coisa que descobri ser muito legal de fazer no iPhone é a capacidade de copiar a tela como se fosse uma foto, o que me permite enviar por e-mail. Há um fabuloso gráfico no novo livro de Robert Reich, “Aftershock”, que deixa muito claro o fato de que uma coisa que atrapalha muito a economia norte-americana é que o 1% dos mais ricos é dono de uma parte muito grande da renda nacional. Adorei ser capaz de copiar aquela tabela como foto e enviá-la para meus amigos. Acho que uma tela de iPhone de conteúdo é pequena o suficiente para não ser considerada pirataria. [Essa é a minha versão e eu a defendo.]

Mas o que mais me importa é a experiência de merchandising e de compra, que a Kobo parece estar ganhando até o momento, mas que não é excelente a ponto de não poder ser superada. [E, como eu apontei acima, se você sabe qual livro em especial quer comprar, todas as lojas são iguais e é difícil que se destaquem.] Há muitas formas de melhorar a experiência de compra, mas eu vou deixar meus pensamentos para outro post.

Então, a maioria dos cavalos já saiu da linha de largada e a Amazon está claramente na dianteira. Mas qualquer um que acha que a corrida pela venda de e-books terminou deveria pensar nisso: não sabemos ainda nem qual é o conjunto de recursos que irá ganhar, muito menos quem vai conseguir descobri-lo no longo prazo.

Sei que essa análise está incompleta. Não leva em conta os readers exclusivos como o IBIS Reader da Liza Daly nem as lojas de e-book independentes como a pioneira Diesel Ebooks. Não fala da Sony, que pode ainda ter um pedaço maior do mercado do que a Kobo [apesar de que, se possuem, minha previsão é que não será por muito tempo]. Nos dias antes do Kindle, quando eu lia meus e-books em formato Palm num aparelho Palm ou outro PDA, comprava na Diesel. Não descarto as chances de ninguém nesse momento, já que ainda é o princípio do desenvolvimento da infraestrutura da leitura digital, mas acho que meu iPhone e esse post capturam as fontes que oferecem a maior seleção de conteúdo que poderiam me interessar. E estou razoavelmente certo de que estou falando aqui das empresas que fornecem a grande maioria dos e-books lidos nos EUA, no geral mais de 90% e provavelmente perto de 95%.

Texto escritor por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 23/12/2010

Algumas coisas digitais neste fim de ano


Pensei em algumas coisas digitais para falar nesse começo de fim de ano.

1. A Sainsbury’s, uma das maiores cadeias de supermercados na Grã-Bretanha, anunciou que vai abrir uma loja de downloads digitais antes do Natal. Estão começando com filmes e música, mas planejam expandir para e-books em pouco tempo.

A hipótese com que todos trabalhavam era que a Amazon, Apple e Google seriam os principais nomes na distribuição de e-books. Mas a Barnes & Noble conquistou um pedaço significativo do mercado nos EUA, colocando-os em segundo lugar em vendas atrás da Amazon até o momento. Há rumores de que a B&N vai começar a competir globalmente em pouco tempo; isso faz muito sentido. [Talvez a inclusão de livros em espanhol seja um passo nesta direção.] Sony e Kobo já estão ativas em todo o mundo; a Copia luta para isso e acabou de entrar na competição.

Mas se a Sainsbury’s quer entrar nesse mercado, o mesmo podemos dizer de todos os grandes comércios em todos os cantos do globo. Já tínhamos recebido uma dica de um editor francês que expressava seu desejo fervoroso de que as livrarias locais francesas vendessem também livros em inglês. Seu raciocínio era bem simples. Se a Amazon, Apple e Google vendessem livros em francês assim como em inglês, as livrarias locais não seriam competitivas a não ser que vendessem livros em inglês, bem como em francês.

Há uma tendência, em alguns lugares, a declarar que a guerra do e-book está terminada e que alguém [normalmente a Amazon ou a Apple são os escolhidos] “ganhou”. É importante lembrar que os e-books têm ao redor de 10% de penetração nos EUA e menos de 1% em outros lugares [exceto, como veremos abaixo, na China]. Muita gente vai competir pelos noventa e alguma coisa porcentagem dos leitores de e-books de 2015, gente que ainda não entrou no mercado.

2. Uma história no China Daily afirma que o mercado de edição digital chinês chega a 12 bilhões de dólares– acima do mercado de livros tradicional. Eu sou um pouco cético sobre esses números já que o mercado editorial norte-americano inteiro [livso escolares, universitários, profissionais e todas as outras coisas que se pode imaginar] só chega a 30 bilhões e o negócio de e-books nos EUA foi recentemente estimado em 1 bilhão de dólares pela Forrester. Que o mercado editorial da China seja 80% ou mais do que o americano e que o negócio da publicação digital seja 12 vezes maior lá do que nos EUA parece algo bem improvável, se não for impossível. Quem sabe quais erros de metodologia ou de conversão de moedas poderia explicar esses números? [Eu não sei.] Mas esse dado do tamanho da indústria digital é um número importante, mesmo se a comparação com os EUA possa não estar correta.

O fato de a China ter ido tão longe no caminho digital abre outra linha de pensamento para mim: como a tradução poderia funcionar no futuro? O Google Translate não entrega uma versão publicável de nada. Mas entrega uma versão inteligível que um bom escritor ou editor pode transformar em algo publicável com bastante rapidez. Quanto tempo vai demorar antes que uma combinação do Google Translate e uma pessoa com ótimos conhecimentos possam entregar uma tradução perfeitamente aceitável de qualquer coisa para alguém com dinheiro suficiente para contratar uma pessoa com ótimos conhecimentos?

[Incluído depois da publicação original deste texto: Alguém comentou no meu blog que os números do China Daily se referem a todo tipo de publicação na China, e não apenas a livros. Isto faz com que as estatísticas apresentadas façam mais sentido. Também significa que o que escrevi nos dois parágrafos acima perca um pouco do sentido, exceto no que se refere à idéia de que o Google Translate somado a um bom editor possa criar uma versão legível de qualquer coisas em qualquer idioma.]

3. Sarah Weinman, que é uma das analistas mais perspicazes das realidades comerciais da editoração digital, acabou de escrever um artigo se perguntando se a iBookstore está realmente funcionando. Ela sugere que a iBookstore está ficando para trás tanto da loja Kindle da Amazon Kindle como da loja da B&N para o Nook de forma considerável. Ela tem dados de um livro em particular para o qual as vendas de e-book foram de 60% na Amazon, 26% na B&N e somente 6% na iBookstore. Quando perguntei a alguns editores como era essa porcentagem há quatro meses, eles colocavam a Amazon perto dos 50% em vez dos 60% e colocavam a B&N e a iBookstore mais perto uma da outra. A iBookstore, que eu chamo de shopping Walden ou B.Dalton dos e-books, sempre foi um quebra-cabeças para mim. Possuem menos títulos que seus competidores: Amazon, B&N e Kobo. Apesar de fazerem um bom trabalho de apresentação de títulos para seus best-sellers, a falta de fôlego é evidente se você fizer algum tipo de procura por assunto ou gênero. Enquanto isso, a posição dura da Amazon [até agora] de resistir ao modelo de agência a não ser para as grandes editoras faz com que seja bastante difícil para as pequenas colocarem livros na iBookstore sem se expor ao perigo de contratos conflitantes e uma espiral negativa de lucro se a Amazon decidir dar desconto nos livros deles. [Duas empresas pequenas me contaram nos últimos dias que estavam por conseguir contratos de agência da Amazon; uma delas se pergunta por que a Amazon passaria a aceitar isto bem agora, uma vez que a estratégia atual parece estar funcionando para manter a iBookstore pouco competitiva em termos de catálogo.]

Por outro lado, foi apontado por outros que a iBookstore deve desenvolver um bom número de clientes internacionais. O iPad vai crescer no exterior mais rápido que o Kindle e a iBookstore da Apple é a única experiência de compra de livros que já vem carregada no iPad.

Não acho que a iBookstore vai desaparecer, mas eu me pergunto se ela chegará a ser uma força significativa na venda de livros, tanto nos EUA como, no longo prazo, em outros lugares, a menos que estejam dispostos a desistir de exigir o modelo de agência para os editores menores. Ou a menos que a Amazon desista de exigir o modelo de distribuidora.

4. A HarperCollins fechou sua ebookstore. Apesar de que poderiam existir vários fatores em jogo, é possível assumir que as vendas não eram tão robustas. Chuto que o problema de pouco tráfego de consumidores vai ser um problema genérico para as editoras de livros de ficção. Só é possível conseguir tráfego como agregador horizontal se você for completo. A iBookstore não consegue fazer isso com uma fração dos títulos que a Amazon e a Barnes & Noble possuem, do mesmo jeito que as próprias editoras.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 09/12/2010

Leitores eletrônicos buscam sucesso, mas podem fracassar


LAS VEGAS, Estados Unidos [Reuters] – Você se lembra do player de MP3 Dell DJ? Ou do organizador pessoal Sony Clié? É provável que dezenas dos leitores eletrônicos lançados na Consumer Electronics Show sigam o caminho desses aparelhos extintos, nos próximos 12 meses.

O Kindle, da Amazon, popularizou os leitores digitais e galvanizou um mercado estimado em alguns milhões de aparelhos ao ano, e diversas empresas, da Barnes & Noble ao Google, estão participando.

eReader da livraria Barnes & Noble; na CES, em Las Vegas, empresas apostam no formato, em meio a incertezas de sucesso

7A feira de eletrônica da semana passada em Las Vegas mostrou muitos modelos novos chegando ao mercado, por parte de gigantes como a Samsung Electronics e empresas iniciantes elogiadas como a Plastic Logic, entre cujos investidores estão a Intel Capital e a Oak Investment Partners.

A seção de livros eletrônicos da CES esteve entre as mais movimentadas, com consumidores curiosos e compradores de terno lotando os estandes que exibiam aparelhos de todas as cores, e de marcas como Bookeen, Copia, Hanvon e Jetbook, muitas das quais desconhecidas.

Embora alguns dos leitores eletrônicos, como o Que, da Plastic Logic, e o Skiff, que conta com o apoio da Hearst, possam encontrar nichos e concorrer contra o Kindle, os analistas afirmam que simplesmente não existe espaço suficiente no mercado nascente para todos os novos concorrentes.

Muitos aparelhos bonitos foram mostrados, mas no momento temos empresas demais disputando um mercado pequeno demais”, disse Michael Gartenberg, analista da Interpret. “Preços altos, falta de conteúdo e funcionalidade de tarefa única significam que a maioria desses aparelhos fracassará, com o tempo.

O Kindle é visto como líder indiscutível do mercado, porque a Amazon não só vende o aparelho, mas também livros digitais. A empresa não revelou estatísticas de vendas, mas analistas estimam que o Kindle controle cerca de dois terços do mercado de leitores eletrônicos.

Mas a ascensão dos computadores tablet na CES, e um aparelho muito aguardado que a Apple deve lançar no final do mês, representam ameaça real para a Amazon, segundo os analistas.

Da Reuters – Atualizado em 11/01/10, às 10h35 no Portal G1