Paulo Coelho pede a leitores que comprem seus livros somente após leitura


Foto: Divulgação

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RIO — Paulo Coelho é um antigo defensor da liberdade de compartilhamento de obras artísticas na internet — até mesmo de seus próprios livros. Mantendo a coerência com essa posição, o escritor brasileiro disponibilizou gratuitamente a versão digital de duas de suas obras em seu site oficial. Com um detalhe, Coelho sugere aos que gostarem da leitura que comprem os livros para “mostrar à indústria editorial que essa ideia não compromete os negócios“.

Os leitores encontram no site do escritor a edição em inglês de “O manual do guerreiro da luz” [1997], uma compilação de ensinamentos e questionamentos filosóficos e histórias, e a versão em português do romance “Brida” [1990]. O escritor afirma que vai oferecer obras em espanhol e outras em português ao público.

A versão do “Manual do guerreiro da luz” traz apenas quatro-quintos do livro em inglês, pois Coelho não tem a versão completa. Ele garante, no entanto, que as páginas que faltam não comprometem o conteúdo.

Coelho classifica a estratégia como um “método reverso de venda de livros“. Para estimular o retorno, ele indica os sites que vendem suas obras, como Amazon, Submarino e iTunes. Após a leitura dos capítulos introdutórios, os leitores recebem a seguinte nota:

Caro leitor, se você gostou do texto, por favor, compre-o — assim podemos mostrar à indústria editorial que essa ideia não prejudica os negócios“.

Em 2012, Paulo Coelho se manifestou contra a desfesa da propriedade intelectual. Em publicação no site, ele pediu aos “piratas do mundo” que se unissem “para piratear tudo que já escrevi“. Ele defende que a pirataria é uma introdução ao trabalho do artista.

O Globo | 10/06/2015

Editora lança ferramenta de autopublicação


A Escrytos, que tem milhões de adeptos no mundo, permite a autopublicação em formato digital

De olho no potencial de jovens escritores brasileiros, a LeYa acaba de colocar em operação a sua plataforma de autopublicação. Pioneira em Portugal, a Escrytos não tinha chegado ainda ao Brasil. A plataforma dá ao autor acesso gratuito a uma variedade de serviços que vão da conversão em ePub, construção da capa, distribuição e comercialização em grandes varejistas on line como LeyaOnline, Amazon, Apple Store, Barnes & Noble, Fnac.pt, Gato Sabido, Google, IBA, Kobo, Livraria Cultura, Submarino, Wook. Há outros serviços pagos como parecer editorial, edição, revisão, produção de booktrailler e até release para imprensa. “A plataforma vai ao encontro da estratégia de estimular a criatividade editorial e também da procura por novos talentos da língua portuguesa. O fato da ferramenta estar associada a uma editora já consolidada no mercado proporciona um diferencial e uma vantagem competitiva atraente para os novos autores”, afirma Pascoal Soto, diretor da Leya Brasil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 08/04/2014

Do papel ao digital


Conheça um pouco mais os e-books, tecnologia que vêm modernizando os hábitos de leitura em todo o mundo

O mercado do consumo vem crescendo cada dia mais em todo o mundo, tendo sempre como fiel aliada as constantes inovações tecnológicas. Celulares, câmeras, iPods, tablets e diversos aparelhos fazem parte do cotidiano de todas as pessoas, proporcionando facilidade de acesso à informação e interligando todos os amantes da tecnologia.

O que ninguém imaginou e nem mesmo Gutenberg previu, era que esse universo tecnológico iria contagiar leitores assíduos e o universo mágico dos livros.

Até pouco tempo atrás, se ficávamos sabendo do lançamento de algum livro desejado, se nossa série favorita ganhasse uma nova continuação ou o vestibular nos exigisse alguma obra, a primeira opção seria recorrer à livraria mais próxima ou às bibliotecas. Mas agora, o surgimento dos e-books faz com que nossa necessidade de leitura seja suprida sem sair de casa.

E-book, termo de origem inglesa, é uma abreviação de electronic book. Popularmente conhecido como livro digital, apresenta a mesma obra contida na versão impressa, porém na forma de mídia eletrônica, que pode ser lida através de um computador, e-reader, smartphone ou tablet.

A tecnologia invade o mundo dos livros através dos e-books e aparelhos de leitura digital. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A tecnologia invade o mundo dos livros através dos e-books e aparelhos de leitura digital. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Para ter acesso a essas obras, existem livrarias digitais que fornecem diversos títulos disponíveis para download e cobram por isso.

Cobrar? Sim!

Segundo o especialista em e-books e membro da Comissão do Livro Digital, Ednei Procópio, “ao comprar um e-book, geralmente as plataformas permitem que o leitor baixe o arquivo do livro para diversos dispositivos e aplicativos de leitura. O leitor tem diversas opções que vão desde bibliotecas digitais até a possibilidade de baixar títulos gratuitos de modo legal”.

Além disso, existe a possibilidade dos downloads não-oficiais, que não cobram pelo e-book, mas não são recomendados, pois acarretam diversos danos, como vírus. Sobre isso, o blogueiro Caíque Fortunato, do Entre Páginas de Livros explica que “um dos grandes problemas com os livros digitais é a pirataria, que é crime, já que se pode encontrar facilmente na internet vários exemplares ilegais para download.”. Para ele, o certo e recomendável é a pessoa comprar o e-book, “já que assim o autor estará recebendo por seu trabalho e a literatura vai sendo incentivada cada vez mais”, complementa Fortunato.

E- o que?

Outra novidade que acompanha a onda dos livros eletrônicos são os e-readers, dispositivo específico para a leitura de obras digitalizadas, que pode ser encontrado no mercado em uma grande diversidade de modelos e marcas.

O mais famoso deles foi o Kindle, lançado pela Amazon Books em 2007, empresa americana de comércio eletrônico, uma das maiores bibliotecas digitais. O aparelho conquistou o mundo pela sua portabilidade e comodidade, possibilitando o download das obras pelo próprio aparelho e comportando mais de 1500 títulos.Hoje em dia, o Kindle já está em sua quinta geração, possuindo diversas funções e utilidades para os usuários.

A Amazon chegou ao Brasil em dezembro do ano passado, porém os preços de seus e-books continuam salgados, se assemelhando quase ao preço do livro impresso. No país, as principais opções de livrarias digitais são a Fnac, Saraiva, Cultura, Moby-Dick Ebooks, Gato Sabido, Travessa e Submarino.

Sobre o novo dispositivo, a blogueira Sybylla, do Momentum Saga, afirma que “a chegada dos e-readers e da Amazon impulsionaram o mercado de e-books, e a tecnologia é sempre um atrativo para as pessoas, mesmo que elas não se interessem tanto pela leitura.”. Ela acredita que para quem é leitor viciado, isso não vai mudar muito, sendo apeas uma ferramenta a mais. Entretanto, a blogueira acredita que “ isso pode impulsionar a leitura de quem antes não curtia muito.”.

Livro impresso versus e-books

As comparações começaram a se espalhar e as opiniões divergem em vários aspectos. E-books, devido à sua facilidade de acesso e seu baixo custo de produção, vêm acompanhados de um preço muito mais barato do que os modelos impressos, quase 70 % a menos.

A possibilidade de adquirir obras do mundo todo pode agradar os leitores, sem contar a facilidade do transporte e de não ocupar espaço: centenas de obras podem ser facilmente levadas de um lugar para outro com apenas um pen-drive ou tablet. Com o advento da era digital, a nova possibilidade pode agradar e incentivar o hábito da leitura para aqueles que não vivem sem estar conectados.

Já a popularidade dos livros impressos não se abala por motivos mais saudosistas. Há aqueles que afirmam que o livro é a única forma de nos desconectarmos do mundo, um bem durável que não necessita de bateria e podem ser emprestados a qualquer hora. Não possuem uma tela para incomodar a vista e nos dão o prazer da leitura, com imagens, capas, cheiro de livro novo e dedicatórias carinhosas.

E o futuro?

Várias editoras em todo o mundo já iniciaram o processo de digitalização de suas obras, alcançando assim todos os públicos. O país campeão é os Estados Unidos. No Brasil, segundo Ednei Procópio, a situação é diferente. “Até meados do segundo semestre de 2013, há um universo de aproximadamente 300 mil títulos sendo comercializados no formato impresso. Mas, no mesmo período, apenas em torno de 16 mil em formato digital. Ou seja, infelizmente, o leitor não acha qualquer livro no formato de e-book”.

eBooks já fazem sucesso no mundo todo, mas para substituir os livros impressos,ainda têm um longo caminho a percorrer. Foto: Divulgação

eBooks já fazem sucesso no mundo todo, mas para substituir os livros impressos,ainda têm um longo caminho a percorrer. Foto: Divulgação

A realidade dos e-books é realmente promissora, eles já fazem parte do cotidiano de muitos países e possuem grandes chances de se expandir também no Brasil, mas a passos lentos, pois as editoras terão que se acostumar com a nova tecnologia.

Ednei Procópio acredita que é muito cedo para afirmar que irá acontecer uma alteração no nível de leitura da população influenciada pela tecnologia. “A única coisa que pode efetivamente contribuir para elevar os níveis de leitura da população é a Educação. Sem Educação não há leitura, não há consumo nem de livros impressos digitais nem de livros digitais”, explica Procópio

Enquanto isso, as duas versões caminham tranquilamente e dividem o espaço e o gosto dos leitores em todo o mundo. Como afirmou a blogueira Sybylla: “Pintura não foi substituída pela fotografia, televisão não foi substituída pelo cinema, apenas convivem e muito bem. O mesmo com o livro físico e o e-book”.

Por Tatiana Olivetto | Publicado originalmente em WebJornal Mundo Digital Unesp | 18/09/2013

Kindle na Vila e na Ponto Frio: faz sentido?


Livraria da VilaQuando todo mundo acha a que o Natal da Amazon passaria em branco, ou melhor, sem Kindles no Brasil, a gigante de Seattle tirou um coelho do gorro do Papai Noel aos 43 minutos do segundo tempo. Aliás, um coelho não, mas dois, pois o Kindle começou a ser vendido ontem na loja online do Ponto Frio e estará a partir de amanhã, 20/12, nas prateleiras físicas das sete lojas da Livraria da Vila. E a pergunta que não quer calar é: Faz sentido a Livraria da Vila a Ponto Frio comercializarem o e-reader da Amazon?

A ideia não é nova. Em maio deste ano, a Amazon fechou um acordo semelhante na Inglaterra com a Waterstones, maior rede de livrarias do país de Shakespeare. E ninguém entendeu nada por lá. Por que o maior livreiro do Reino Unido ajudaria seu maior concorrente iminente? A verdade é que não houve alma que conseguiu responder esta pergunta satisfatoriamente. No caso da Waterstones, o acordo prevê não apenas um lucro comercial na venda dos aparelhos, mas também um participação nas vendas de conteúdo digital da Amazon desde que feitas no wifi das livrarias da rede inglesa. Ainda assim, ninguém entendeu. O caso tem dado margem para teorias da conspiração interessantes. Uma delas é que a Amazon teria um acordo com o proprietário da Waterstones, o bilionário russo Alexander Mamut, para que o mesmo fosse um sócio ou parceiro da Amazon em sua futura entrada na Rússia. Como disse, é uma teoria da conspiração, que ouvi de jornalistas ingleses, mas, honestamente, é a única coisa que ouvi a respeito deste acordo que parece fazer algum sentido.

Mas e a Livraria da Vila? Não se divulgou muita coisa a respeito de seu negócio com a Amazon, mas parece ser improvável que o acordo envolva participação nas vendas de conteúdo digital, como no caso da Waterstones. E mesmo que envolvesse, não teria como ser algo relevante. Paradoxalmente, dos grupos livreiros brasileiros, a Livraria da Vila é o que possui a menor presença virtual e o e-commerce menos desenvolvido. Em seu site, não há sistema de busca no catálogo e apenas 24 produtos são passíveis de compra. O Kindle, por enquanto, não é um deles. A atualização também deixa a desejar: ao se clicar na área sobre a Livraria da Vila, acessa-se um texto de 2010. Portanto, é um paradoxo que a menos digital das livrarias brasileiras seja onde Kindle será vendido. No entanto, talvez a lógica do acordo com a Amazon esteja neste paradoxo. A verdade é que a Livraria da Vila perdeu a corrida das vendas online. Imaginar que a loja ainda lance um e-commerce fantástico, capaz de superar Saraiva, Cultura, Submarino e outros me parece um tanto fantasioso. A charmosa rede de livrarias parece fadada ao mundo analógico, e este pode ser um modelo de negócios. Assim como a Taschen continuará publicando seus livros por muitos anos, haverá livrarias vendendo tais obras e outros livros de papel que não desaparecerão tão cedo. A aposta da Livraria da Livraria, portanto, talvez esteja em se manter como uma livraria butique, de livros físicos de qualidade. E charme e elegância ela tem de sobra para isso.

Portanto, pensando desta forma, e praticamente desistindo da corrida digital, o que a Livraria da Livraria teria a perder vendendo Kindles? Se ela já está fora do jogo virtual, isto não deve afetar muito seu destino. Se o futuro não tiver espaço para livrarias físicas butiques como a da Vila, ela já está fora do mercado de qualquer jeito, com ou sem Amazon. E se o futuro tiver este espaço, a Amazon pode até ajudá-la quebrando livrarias físicas concorrentes, mas com outra proposta. Nesta situação, por que não vender Kindles, mostrar uma cara moderna além de charmosa, conquistar novos clientes e ainda embolsar uma grana? Consigo ver bastante sentido nisto. E a Amazon, claro, está rindo à toa, pois conseguiu um caminho para chegar aos grandes leitores, que são, via de regra, assíduos frequentadores de livrarias como a da Vila.

Já a Ponto Frio, eu não vejo nenhuma lógica. Mais uma vez, a ideia de se vender Kindles em grandes varejistas físicos não é nova. Nos EUA, o aparelho esteve à venda em redes como a Wal-Mart e a Target, mas ambas as redes desistiram de oferecer o aparelho quando se deram conta de que estavam ajudando um concorrente em potencial, especialmente com a venda do modelo Fire do Kindle. Explica-se: este modelo é um verdadeiro tablet, e como tal permite ótima navegação na internet e compras na loja da Amazon. Ou seja, se tornou um verdadeiro cavalo de Tróia amazônico dentro dos varejistas concorrentes.

É bem verdade que o modelo Kindle à venda na Ponto Frio está longe disso. Além disso, neste momento, vendendo apenas e-books, a Amazon ainda não compete com o varejo físico brasileiro. Mas apesar de a empresa de Jeff Bezos se gabar de nunca revelar planos futuros, não é novidade para ninguém que eles vão trazer a loja inteira para cá. Os candidatos a vagas de Coordenador de Transportes e Gerente de Imóveis que a Amazon tem oferecido que o digam. Ou seja, a Ponto Frio parece estar apenas ajudando quem será seu maior concorrente em alguns meses. E se a Amazon conseguir trazer sua mentalidade centrada no cliente e de ótimo atendimento – e entrega! – para o Brasil, a Ponto Frio vai ter de melhorar bastante para manter seus clientes. Por isso, ao vender Kindles, a Ponto Frio parece ter entrado em uma fria.

Atualização I
Vale lembrar que a relação entre Amazon e Livraria da Vila é completamente diferente daquela entre Kobo e Livraria Cultura. O primeiro caso, pelo menos por enquanto, é apenas uma relação comercial. Já o modelo de negócios da Kobo, aplicado não só no Brasil com a Cultura, mas também em outros países, é uma verdadeira parceira da empresa nipo-canadense com uma rede de livrarias local. No caso da Kobo com a Cultura, há acordos de exclusividade e de cooperação mútua nos mais diversos sentidos.

Atualização II
Kindles já estão à venda na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em São Paulo, desde as 9h da manhã de 19/12, como mostra a foto abaixo. Por segurança, a empresa havia divulgado a data de 20/12 para começar a vender o aparelho, mas conseguiu realizar as primeiras vendas do mesmo um dia antes.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 19/12/2012

Companhia das Letras fecha com Amazon


Em nota, Cia. das Letras confirma contrato com a varejista americana

Companhia das LetrasEm nota, a Companhia das Letras anunciou que, “ao lado da iBookstore, da Apple, com a qual começamos a trabalhar no mês passado, e de dez livrarias nacionais – Saraiva, Cultura, iba, Gato Sabido, Travessa, Positivo, Curitiba, Leitura.com, Submarino e Buqui – agora assinamos também com a Amazon, que vai representar mais um canal importante de contato com os nossos leitores”. Ainda em nota, a editora complementa: “O acordo com a Amazon e nossas conversas com outros players internacionais representam mais um passo na expansão do nosso catálogo digital”.

PublishNews | 30/11/2012

A Amazon vai comprar a maior rede de livrarias do Brasil?


Livrarias raramente causam rebuliço na Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo. Afinal, só uma rede de livrarias, a Saraiva SA Livreiros Editores [SLED4] – a maior do Brasil – é negociada por lá. Portanto o que aconteceu na última quarta-feira na Bolsa, poucos minutos antes do fechamento do pregão, foi realmente algo extraordinário e, talvez, simbólico das novas águas que a indústria editorial tem navegado ultimamente. O fato é que quando aBloomberg noticiou que a Amazon estava negociando a compra da Saraiva, as ações da livraria subiram até R$ 28, o valor mais alto alcançado nos últimos 12 meses, representando uma alta de 7,28% no dia – dos quais 7% aconteceram nos minutos finais do pregão.

Outro varejista ligado ao mercado de livros e listado na Bovespa, a B2W [BTOW3], conhecido também como Submarino, não teve tanta sorte. Antes visto como um potencial alvo de aquisição da Amazon, suas ações caíram 4,34%, chegando a R$ 11,47. No dia seguinte, as ações da B2W caíram mais 8,54% até R$ 10,49, enquanto as ações da Saraiva permaneceram estáveis, caindo meros 0,36% para R$ 27,90.

A Amazon poderia chegar ao Brasil em novembro

Rumores sobre a atividade da Amazon no Brasil já circulam há anos, com cada vez mais intensidade. O fato é que não se pode mais chamá-los de rumores. Ainda não se sabe se vai acontecer com ou sem a compra da Saraiva, mas a fonte anônima da Bloomberg parece estar correta. Na semana passada, o jornalista brasileiro Lauro Jardim publicou no Radar On-Line que a Amazon decidiu que a data de lançamento no Brasil será em novembro. Todo mundo sabe, no entanto, que a Amazon raramente usa o tempo futuro em seus comunicados, portanto isso só pode ser visto como especulação, apesar de ser uma especulação bastante plausível.

E por quê? Duas razões. Primeiro, as negociações com a DLD [Distribuidora de Livros Digitais] estão perto de serem finalizadas. A DLD é um consórcio de sete grandes editoras brasileiras que controla ao redor de 35% da lista de best-sellers no país. Elas sempre negociam em conjunto e estão fazendo assim com a Amazon. E são, de longe, o maior desafio para os executivos de Seattle, já que estas editoras estão agressivamente exigindo condições comerciais favoráveis e o controle final sobre os preços. Limitar os agressivos descontos da Amazon são uma condição sine qua non para este grupo de sete empresas. No entanto, fontes no mercado já deixaram claro que um acordo com a DLD está muito perto e deve  acontecer antes do fim do ano. Além disso, de acordo com o noticiário local, a Amazon já conseguiu um acordo com a Xeriph, a principal agregadora de e-books, para distribuir pelo menos uma parte de seu catálogo digital. Então, é fato que a Amazon ou já tem ou está a ponto de ter conteúdo suficiente para abrir sua loja de e-books brasileira. Portanto, um lançamento em novembro não parece algo muito absurdo.

E os leitores digitais?

Se a Amazon chegar realmente, será que conseguirá disponibilizar Kindles no Brasil em tão pouco tempo? Bem, depende do que significa “disponibilizar no Brasil”. Se significa ter Kindles estocados localmente ou vendido em lojas físicas, a resposta é provavelmente “não”. A menos que os aparelhos já tenham chegado ao Brasil ou pelo menos já tenham sido despachados, é difícil imaginar que todo o processo de importação possa levar apenas poucas semanas, incluindo a liberação alfândegária. No entanto, se “disponibilizar no Brasil” significa que os brasileiros podem comprar Kindles online diretamente dos EUA e recebe-los em suas casas, então isto isso já é uma realidade operacional.

Por uns US$ 216 [o preço do Kindle e-ink da geração anterior mais barata] entregue em um endereço brasileiro, com os impostos incluídos, a Amazon possui o e-reader dedicado mais barato do Brasil. Agora, imaginem se a Amazon der um desconto especial ou oferecer entrega expressa gratuita a clientes brasileiros. Nesse caso, não seria necessário um grande processo de importação. Esta é a segunda razão que torna plausível uma especulação de que a Amazon vai abrir no Brasil antes do final do ano. Quanto aos preços competitivos dos Kindles, não podemos esquecer que a Kobo e a Livraria Cultura prometeram disponibilizar seus e-readers antes de dezembro. Podemos então esperar algo como uma guerra de preço na disputa pelos clientes na época do Natal.

Mas a Amazon realmente vai comprar a Saraiva?

Não vamos esquecer o outro cenário: os rumores da aquisição da Saraiva. Se isto for verdade, as coisas poderiam acontecer de forma diferente, talvez com maior rapidez. Para entender melhor esta possibilidade, no entanto, devemos conhecer um pouco mais sobre a maior rede de livrarias brasileira.

A Saraiva foi fundada em 1914 por um imigrante português como uma livraria de livros usados especializada em Direito. Três anos depois, começou a publicar livros. Hoje, quase 100 anos e várias aquisições depois, o grupo Saraiva inclui a maior rede brasileira de livrarias e uma das editoras mais importantes do país, forte na área de didáticos – onde se beneficia das enormes compras governamentais – e na área de Direito. Outras áreas de atuação incluem mercado geral, infantis, negócios e outros setores Acadêmicos. No lado do varejo, a Saraiva possui 102 lojas, das quais 47 são megastores. Em 2008, o grupo adquiriu a Siciliano, a segunda maior rede de livrarias brasileira, e se consolidou como a maior livraria no país [para comparar, imagine a Barnes & Noble comprando a Borders, se esta ainda existisse].

De acordo com a Bloomberg, o capital da Saraiva é de US$ 355 milhões, e o grupo Saraiva foi uma das três editoras brasileiras a entrar na lista anual das maiores empresas editoriais do mundo compilada pelo consultor editorial austríaco, Rüdiger Wischenbart.

Todo o mercado editorial brasileiro está avaliado em US$ 6,7 bilhões, de acordo com o último Global Ranking of the Publishing Industries. Para dar uma idéia do poder da Saraiva, a empresa teve uma receita total de R$ 1,889 bilhões em 2011 – apesar de que mais de um terço de suas vendas venham de outros itens e não de livros. E este número continua crescendo: a empresa teve um crescimento de 20,7% em 2011 em relação a 2010, com ganhos [Ebitda] de R$ 172,6 milhões ou 9,1% de receita. Na primeira metade de 2012, a receita foi de R$ 889 milhões, um crescimento de 8,9% sobre o mesmo período de 2011. Os lucros também cresceram de R$ 65,6 milhões para R$ 79,29 milhões na primeira metade de 2012, com uma margem de 8,9%. As livrarias Saraiva, no entanto, não vendem apenas livros, mas também CDs, DVDs, computadores, aparelhos eletrônicos e suprimentos para escritório. O site deles, lançado em 1998, vende uma seleção ainda maior de itens, de bicicletas a geladeiras. Em 2011, R$ 810,3 milhões de vendas vieram de produtos que não eram livros, correspondendo a 56,2% da receita da rede.

Os números são ainda mais interessantes quando se compara o desempenho da rede de livrarias da Saraiva ao da editora Saraiva. Em 2011, só 23,7% da receita do grupo veio da editora, um valor de R$ 447,1 milhões. No mesmo ano, no entanto, os ganhos [Ebitda] do negócio editorial forma de R$ 96,7 milhões e corresponderam a 55% dos ganhos de todo o grupo. Isso foi possível porque a margem de lucro das livrarias Saraiva foi de apenas 5,4% no ano passado, enquanto que a margem da editora chegou a 19,3%. Também é importante lembrar que 35,9% ou R$ 517,3 milhões da receita de varejo eram provenientes do e-commerce.

A análise destes números é crucial para se entender os possíveis caminhos que uma aquisição da Saraiva pela Amazon poderia tomar. Há basicamente três opções:

1] A Amazon adquire todo o grupo Saraiva
Esta é certamente a opção menos favorável, pois a Saraiva provavelmente não venderia sua unidade editorial, que é a parte mais lucrativa do negócio. A Amazon, por outro lado, provavelmente pensaria duas vezes antes de se tornar concorrente de outras editoras no Brasil antes mesmo de abrir sua própria loja local. Não faria sentido estratégico entrar no negócio editorial antes de começar sua atividade livreira em um novo mercado.

2] A Amazon adquire a divisão de vendas de livros da Saraiva
Este poderia ser o cenário dos sonhos para a Saraiva, já que venderia sua divisão menos lucrativa e manteria seu negócio com melhores resultados. A editoria e a livraria Saraiva já estão separadas em duas entidades legais diferentes, facilitando o processo de uma possível venda parcial. Claro que neste caso alguma sinergia se perderia, mas nada que um bom contrato com obrigações futuras não possa superar. E as margens de lucro são tão diferentes entre os dois negócios que tais sinergias não seriam suficientes para evitar um acordo. Do lado da Amazon, no entanto, não parece fazer muito sentido comprar 102 livrarias. Seria a primeira vez que a gigante de Seattle teria lojas físicas. É difícil imaginar que a Amazon mudaria sua estratégia global só para entrar no mercado brasileiro. Sim, o Brasil é o país da vez, mas o mundo é um lugar muito grande e é possível imaginar a Amazon em mercados como Escandinávia, Europa Oriental, Rússia ou África do Sul antes de imaginá-la repensando sua raison d’être ou vendendo sua alma ao demônio das lojas físicas.

3] A Amazon adquire somente a loja online da Saraiva
O site da Saraiva é responsável por 27,4% das receitas da Saraiva. Se a Amazon pudesse adquirir somente o negócio online, isto rapidamente abriria caminho no mercado e permitiria que ela superasse vários obstáculos sem precisar se envolver com a administração de lojas físicas. No entanto, isso não faria sentido para a Saraiva. O que seria de uma rede de livrarias sem um site no mundo de hoje? É difícil imaginar a Saraiva cometendo o mesmo erro que a Borders cometeu, deixando sua presença na web brasileira desaparecer ao vender, se associar ou fazer uma joint venture com uma empresa de e-commerce como a Amazon.

Se uma negociação entre os dois grupos realmente existe, faz sentido acreditar que ela acontece em torno das opções 2 ou 3. Uma decisão entre uma dessas opções favorece ou Amazon ou a Saraiva, dependendo de qual for a direção tomada, mas a inclusão ou não das 102 lojas físicas deve ser o ponto nevrálgico da negociação.

Brasileiros, cuidado

Qualquer que seja o modelo adotado, no entanto, uma possível aquisição da Saraiva pela Amazon não é razão para que as editoras brasileiras comemorem. Se a Amazon comprar a Saraiva, a Submarino afunda, provavelmente deixando o mercado de livros – isto se não sair do mercado de vez no médio prazo – já que aquisição fortaleceria mais ainda a posição já forte da Saraiva no mercado. O resultado final seria, ironicamente, menos competição, mais consolidação e um mercado mais difícil para as editoras.

Mais cedo ou mais tarde, a Amazon fará um comunicado. E será escrito com os verbos no passado. Até lá, tudo que podemos fazer é esperar pelo próximo capítulo da novela “A chegada da Amazon no Brasil”, enquanto day traders ganham algum dinheiro com toda a confusão.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Publishing Perspectives | Clipado à partir de Tipos Digitais | Tradução: Marcelo Barbão | 19/10/2012

Copia e Submarino mostram as vantagens da leitura virtual


CEO do Copia faz apresentação hoje, na Bienal do Livro

A Submarino Digital Club apresenta, na Bienal do Livro, novas experiências de leitura virtual e colaborativa, utilizando-se da tecnologia da empresa Copia, integrante do Grupo internacional DMC, que desenvolveu uma plataforma de distribuição e comercialização de conteúdo digital. Funciona como um portal interativo, onde o cliente se cadastra e adquire livros através da compra on-line. O usuário pode ler, comentar e compartilhar conhecimentos e experiências com outros leitores que também estejam cadastrados na rede, tornando a leitura uma ação social.

Na Bienal, o Copia irá realizar a Promoção Ganhe sua Primeira Biblioteca Digital para que os visitantes conheçam e explorem as vantagens do serviço: o visitante se cadastra e recebe um código vip para que possa baixar gratuitamente, no período de realização da Feira, 8 títulos dos melhores best-sellers em versão de e-book. Em nota, o diretor-executivo do Copia no Brasil Marcelo Gioia afirma: “Acreditamos que um dos motivos do mercado de livro digital no Brasil ainda ser pequeno é o fato de os leitores ainda não conhecerem o que realmente é um livro digital de qualidade. O objetivo de presentear os visitantes com esses livros é fazer com que o novo leitor tenha uma experiência agradável e positiva de leitura digital,” explica o diretor-executivo do Copia no Brasil, Marcelo Gioia.

PublishNews | 10/08/2012

Amazon no Brasil: o que esperar da chegada da gigante do varejo


Gigante norte-americana pretende chegar ao mercado nacional em 1º de setembro e deve causar frisson no setor de livros digitais. Concorrentes precisarão se adaptar

A chegada da Amazon ao Brasil, prevista para o dia 1º de setembro, promete ser apenas a ponta do iceberg na movimentação do e-commerce no país. Focada no primeiro momento no setor de livros, com destaque para os e-books, a marca terá como concorrentes diretos as livrarias Saraiva e Cultura e os grupos B2W, que inclui Submarino, Americanas.com e Shoptime, e Nova Pontocom, com Ponto Frio, Casas Bahia e Extra. As metas da norte-americana são ousadas: até o fim de 2012, a Amazon espera vender 1,1 milhão de produtos e, em 2013, chegar a 4,8 milhões.

A principal diferença da gigante do varejo mundial em relação às empresas atuantes no mercado brasileiro, indicam especialistas da área, é que a marca fundada por Jeff Bezos em 1994 assimilou desde sua origem a importância da experiência de compra dos consumidores. Com interação customizada, a Amazon proporciona uma loja ideal para cada tipo de perfil e dialoga bem com todos eles, o que parece estar ainda longe da realidade dos grupos brasileiros.

Entre as dificuldades, o consumidor encontra desrespeito no tratamento e justificativas desnecessárias. “Aqui se aceita baixo nível no atendimento ao cliente, com prazos ridículos, quebras de promessa constantes e problemas de reclamação e devolução. Nosso pós-venda ainda tem muita percepção de risco. A Amazon não discute, ela troca seu produto e pronto. No Brasil, as marcas exigem provas constantes da necessidade real de trocar qualquer coisa”, avalia Nino Carvalho, Coordenador dos Cursos de Marketing Digital da FGV no Brasil e Consultor em Estratégias de Marketing Digital, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A boa política de relacionamento com o consumidor será uma das armas da norte-americana na hora de deixar as concorrentes para trás. Somado a isso, muitos brasileiros já realizam compras no site e a vinda da Amazon para o país reflete no estreitamento dos laços. Com força local, os analistas preveem uma aceleração no tempo de entrega dos produtos e, vencida as barreiras burocráticas, uma consolidação que levará entre 12 e 18 meses. “A distância em relação a outros players será folgada”, completa Carvalho.

Com um faturamento de US$ 48 bilhões em 2011, os livros digitais serão apenas o começo da estratégia da Amazon no Brasil. O objetivo é inserir no e-commerce nacional, aos poucos, 131 outras categorias em que atua nos Estados Unidos. A chegada da norte-americana deve alavancar ainda mais as vendas do varejo eletrônico brasileiro, que em 2011 registrou 31,9 milhões de e-consumidores e movimentou R$ 18,7 bilhões, um aumento de 26% comparado a 2010, segundo dados da e-bit.

Aprendizado e crescimento

As dificuldades das marcas brasileiras em concorrer com a Amazon em um primeiro momento podem se transformar em aprendizado e adaptação a médio prazo. O principal passo é a atualização nos sistemas de inteligência, banco de dados, sistema de estruturas e até mesmo novas contratações. “Isso vai imprimir nos players brasileiros conhecimento em tecnologia, estrutura, infraestrutura, pessoal, cultura organizacional e desenho do fluxo de processos”, indica Carvalho.

Outro ponto positivo é que a entrada de uma empresa de grande porte representa aumento de concorrência e, por consequência, disputa por melhores preços. A união dos fatores reflete nas escolhas dos consumidores do e-commerce, que passaram de 9,5 milhões em 2007 para 31,9 milhões no último ano, número que representa 53,7 milhões de pedidos pela internet.

Para a disputa acirrada não ficar só no papel, no entanto, um obstáculo da Amazon é na logística e distribuição dos produtos. Apesar de gigante, a companhia encontra dificuldades em reunir conteúdo para a venda de e-books. Com o objetivo de fechar acordos com 100 editoras até abril deste ano, em março, a Amazon havia assinado apenas 10 contratos, um provável reflexo da força dos concorrentes nacionais.

A plataforma para leitura dos livros digitais também é outro desafio. Para ter acesso às obras, é necessária a aquisição do leitor Kindle, aparelho que a Amazon quer vender na faixa de R$ 149,00 a R$ 199,00 no país. O preço seria tentador, já que produtos de outras marcas no Brasil, como o Alfa, da Positivo, e o Cool-er, importado pela primeira livraria virtual do país, a Gato Sabido, não saem por menos de R$ 600,00. Especialistas apontam, no entanto, que para ter um preço abaixo dos aparelhos disponíveis hoje no mercado brasileiro, a Amazon teria de fabricar o Kindle aqui ou importá-lo com isenção de impostos.

Esbarrando na lei

O momento considerado economicamente positivo para a inserção de uma empresa de grande porte como a Amazon, em um mercado emergente como o do Brasil, não impede que a marca encontre dificuldades com a legislação brasileira. O grande desafio é o despreparo do país, que não possui leis específicas para a internet e para o comércio eletrônico.

Os conteúdos digitais não têm tributação específica e a interpretação é vaga quanto ao item comprado ser serviço ou mercadoria. “Essa é uma barreira de entrada da Amazon e a empresa precisa olhar com atenção na hora de chegar a países assim. Ela precisará fazer um investimento e não sabe se calcula os ganhos, ou melhor, se tem lucro ou prejuízo, porque também desconhece quanto terá que pagar de imposto”, explica Mauricio Salvador, Sócio Diretor da GS&Virtual, braço da GS&MD, e especialista em Comércio Eletrônico e Cross Channel, em entrevista ao portal.

Na opinião de Salvador, a entrada da empresa no mercado brasileiro pode chamar a atenção do poder público e ser o empurrão necessário para discutir a criação de legislações tributárias no mundo digital. Com a definição de parâmetros, grupos internacionais poderiam definitivamente mirar no país sem receio de investir. “Temos três problemas graves: a burocracia, a corrupção e a tributação. Quando qualquer investidor estrangeiro olha para o Brasil e vê essas barreiras titubeiam. Temos confusão e deslealdade e a entrada de um grande player mostra ao mundo inteiro o que está acontecendo. A torcida é para que dê certo e que novos empreendimentos sejam abertos”, diz.

Por Isa Sousa | Publicado originalmente em Mundo do Marketing | 26/07/2012

Amazon.com chega ao Brasil em setembro


Era inevitável e até demorou demais, mas em setembro a gigante de comércio Amazon.com chega ao Brasil.

A empresa prepara seu escritório e centro de distribuição em São Paulo e está contratando talentos brasileiros para cargos técnicos e de negócios.

O impacto no mercado brasileiro será incrível, e os concorrentes diretos como B2W [Americanas, Submarino, Shoptime] e Walmart terão que rebolar para resolver a insatisfação de seus clientes e renovar seus sites obsoletos.

Para o setor de conteúdo digital, como livros, jogos e afins, mais uma porta se abre para escoar a produção nacional, seja de grandes editoras ou autores independentes, incluindo o lançamento do leitor digital Kindle no Brasil.

O desafio da Amazon de Jeff Bezos será superar a burocracia brasileira.

Por Alex Moura | O Globo | 23/07/2012

Os eBooks estão chegando


O desembarque da Amazon e da livraria digital da Apple no Brasil agita as editoras nacionais e promete mudar o hábito de leitura de milhões de brasileiros

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

A constante reclamação de que o brasileiro lê pouco não incomoda os executivos da Amazon e da Apple, os dois gigantes globais dos livros eletrônicos. Esse “pouco” foi suficiente para fazer com que pelo menos um deles chegue ao País em breve, segundo rumores do mercado editorial. Aproveitando os entraves que tomaram conta das já avançadas negociações entre a Amazon – maior livraria online do mundo – e as editoras nacionais, a Apple mandou executivos para o Brasil, que já teriam firmado acordos para começar nas próximas semanas as vendas de títulos em português pelo aplicativo iBooks, disponível para iPad.

Apesar de planejar o início das operações no Brasil para o segundo semestre, a Amazon pretendia ter em seu portfólio pelo menos 100 editoras nacionais, mas fechou acordo com apenas dez, sendo só uma de grande porte. Está claro, portanto, que o grande obstáculo para a implantação da loja virtual criada pelo americano Jeff Bezos, presente em nove países e criadora do leitor Kindle, é vencer a resistência das editoras brasileiras. Segundo fontes ouvidas por ISTOÉ, elas temem sofrer represálias das livrarias físicas presentes no País, caso fechem um acordo com a Amazon.
Outro entrave é o contrato-padrão da livraria eletrônica, com cláusulas que incluem o acesso a todo o catálogo da editora para a digitalização, pedidos de exclusividade e comissões em torno de 50% do preço. No Brasil, esse percentual para as edições em papel é, em média, de 35%. A demora nas negociações e a chegada da Apple podem fazer com que a Amazon flexibilize suas regras. Mas Bezos é conhecido pela agressividade nos negócios. Uma das alternativas que ele tem na manga é entrar de sola também no mercado tradicional de livros de papel, tranquilizando as editoras que temem um boicote das livrarias. Cabe lembrar que a Amazon surgiu na era anterior aos e-books, vendendo obras de papel na internet.

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

É uma questão de mercado. Alguém vai acabar cedendo”, diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL], que promove um congresso sobre obras digitais em maio. Se apenas a Apple firmar um acordo com as maiores editoras brasileiras, nada muda para a publicitária Alana Della Nina, que comprou um Kindle nos EUA há dois anos e adquire ao menos quatro e-books [em inglês] por mês na Amazon americana. “O Kindle é quase prosaico. Essa é a grande sacada dele. O iPad não serve para ler textos grandes. A leitura se torna desconfortável em pouco tempo”, diz.

A mesma opinião tem a escritora Thalita Rebouças, que já vendeu mais de um milhão de livros de papel. “Tenho iPad e Kindle e adoro os dois”, diz. “Mas o primeiro é bom para assistir a vídeos e ler, no máximo, uma revista. Já o outro é leve e tem uma tela tão confortável para os olhos quanto o papel”, compara. Dos 13 títulos publicados pela autora, nove estão disponíveis no formato e-book nos sites de livrarias como Saraiva, Cultura, Submarino e Positivo, entre outras.

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Para ter mais poder de barganha nas negociações das versões eletrônicas de seus títulos, a editora que publica as obras de Thalita, a Rocco, se uniu à Record, Sextante, L&PM, Planeta e Objetiva – as maiores do País – para formar a DLD [Distribuidora de Livros Digitais]. “É muito bom para o autor que o trabalho esteja disponível em vários formatos”, diz Thalita. “Mas o papel ainda tem uma longa vida pela frente.

Os defensores do e-book argumentam que ele sempre será mais barato [em torno de R$ 20] por não ter o custo de impressão. Mas nem todos concordam. “O livro digital é barato porque parte do preço é dividido com o título impresso”, diz Marcelo Duarte, jornalista e diretor-editorial da editora Panda Books, que tem 42 de seus 380 títulos em versão para iPad. Ele acredita que versões exclusivas para e-readers serão mais salgadas. “A impressão é apenas parte do custo. Há outros processos, como diagramação, tradução e edição”, afirma Duarte.

Uma coisa é certa: não dá mais para desprezar o mercado brasileiro. Mesmo não havendo dados sobre as vendas por aqui, o enorme potencial é consenso. O segmento educacional é prova disso. O Ministério da Educação e Cultura [MEC] realizou recentemente um pregão para adquirir 900 mil tablets. Os equipamentos serão repassados aos professores do ensino médio das escolas públicas ainda este ano. Não por acaso, a Apple estaria apostando no segmento de livros eletrônicos didáticos.

Independentemente de a Apple ou a Amazon virem para o Brasil, as empresas daqui estão estabelecidas e são bem-sucedidas”, defende Karine, da CBL. Recém-chegada de um dos maiores eventos do setor, a London Book Fair, na Inglaterra, ocorrido na semana passada, Karine ficou impressionada com o interesse dos estrangeiros pelo País. “Quando eu dizia que era brasileira, invariavelmente ouvia: ‘O Brasil está bombando!’”, conta. De fato, o País atrai quem domina o segmento como uma mina de ouro.

Quando a Amazon lançou o Kindle nos EUA, em 2007, o mercado de e-books americano praticamente não existia. Hoje, no entanto, a empresa vende mais livros digitais do que em papel. Segundo a Associação Americana de Livros, as vendas de e-books naquele país cresceram 117% em 2011. Com cada vez mais brasileiros tendo acesso a bens de consumo e à cultura, não é de admirar a ferocidade com que os gigantes da tecnologia estão travando a guerra pelo nosso mercado.

Por André Julião | Publicado originalmente por Isto É | 24/04/2012

Travessa inicia venda de eBooks


A Livraria da Travessa iniciou nesta semana a venda de e-books por meio de sua loja virtual. A rede livreira do Rio de Janeiro entrou no segmento sem fazer alarde, uma vez que a operação com livros eletrônicos está em fase inicial e requer atenção do ponto de vista técnico. Por enquanto, a varejista oferece títulos fornecidos pela agregadora digital Xeriph, que conta com um catálogo de seis mil e-books, o maior do país. A Travessa opera, além da loja virtual, sete lojas físicas, todas na capital fluminense. Ao começar a vender e-books, a empresa se une ao grupo de livrarias tradicionais que já colocou o pé no mercado de publicações digitais. Saraiva, Cultura, Curitiba e Leitura são algumas das grandes redes que já vendem e-books. A Travessa passa a concorrer também com lojas como Gato Sabido e Submarino, que já nasceram on-line. entre outros.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 13/01/2012

Copia faz primeira parceria no Brasil


Com essa parceria, clientes do Submarino vão poder interagir mais

Com representação em solo tupiniquim desde 2010, o Copia acaba de anunciar a sua primeira parceria brasileira: o Submarino Digital Club, prometida para entrar no ar no dia da abertura da Bienal do Rio de Janeiro, 1º de setembro. Com aplicativos de leitura já disponíveis para desktops, PC e Mac, para Android, Win7Touch, e em breve para iOs Ipad e iPhone, o Copia promete agregar ao líder de e-commerce no Brasil a possibilidade de que seus usuários maximizem a sua interação digital e aproveitem o seu conteúdo digital de forma variada – livros, revistas, jornais, música, filmes, jogos etc. “O princípio de negócio do Copia é estabelecer parcerias com empresas já estabelecidas e que desejem ampliar a sua abrangência e público. Para isso trabalhamos com o esquema de white label que garante que a marca do parceiro do Copia esteja em evidência”, explica Marcelo Gioia, diretor executivo do Copia no Brasil.

Por Ricardo Costa | PublishNews | 30/08/2011

Uma biblioteca ao toque dos dedos


Um relatório da Association of American Publishers, entidade que reúne as 200 principais editoras dos Estados Unidos, publicado recentemente, trouxe uma informação já esperada pelo mercado editorial. A popularidade dos livros eletrônicos [e-books] nos EUA já é maior do que a dos livros de papel, em termos de vendas.

Os números de fevereiro deste ano mostram que a tendência é irreversível. Em relação a fevereiro de 2010, o crescimento no volume de vendas dos e-books foi de mais de 202%, gerando negócios da ordem de mais de US$ 90 milhões.

A popularização dos aparelhos e-readers [como o Kindle, da Amazon, o Reader, da Sony, o Nook, da Barnes & Noble, o e-reader, da Kobo e o Novel, da Pandigital] além dos tablets, com o iPad da Apple e o Xoom da Motorola, só para citar dois já disponíveis no Brasil, alavancou as vendas de livros eletrônicos. Ainda mais a partir do fim do ano passado, quando muitos ganharam ou adquiriram seus aparelhos no Natal.

Por aqui, os e-readers ainda são raros e caros. Mas há muitas alternativas interessantes para desfrutar de e-books em tablets e celulares.

Para ler no celular ou no tablet

Ótimos aplicativos para levar e ler seus e-books em qualquer lugar não faltam para os dois sistemas operacionais para dispositivos móveis mais difundidos na atualidade, o Android, do Google, e o iOS, da Apple.

A Amazon disponibiliza o Kindle para Android e para iOS [iPhone, iPad, iPod touch]. Esse app permite a compra, download e leitura dos livros com proteção digital de direitos autorais [DRM] adquiridos na Kindle Store, que dispõe de cerca de 900.000 títulos, entre eles muitos best sellers.

Lojas eletrônicas brasileiras, como a Saraiva e o Submarino também já oferecem a venda dos livros digitais.

Livros eletrônicos sem proteção de direitos, em arquivos com a extensão .epub – comprados ou convertidos pelo próprio usuário – podem ser lidos em outros apps específicos.

Para o Android, as alternativas mais conhecidas são o Aldiko Book Reader, que tem versões gratuita e paga [R$ 4,71 no Android Market] e o Laputa Reader, gratuito, mas com funcionalidades adicionais mediante doação. O FBReader, também gratuito, lançado recentemente, vem ganhando elogios de quem instalou.

Para adicionar os livros nos celulares e tablets com Android, basta arrastar e soltar os arquivos ao cartão de memória. Os apps localizam e adicionam as obras à biblioteca.

O Laputa Reader para Android

No iOS, certamente o app mais conhecido é o iBooks, da própria Apple. É necessário fazer a sincronização dos arquivos em .epub via iTunes, direto ao iPhone, iPod touch ou iPad. O iBooks permite também a compra de obras pelo próprio dispositivo, através da iTunes store.

O iBooks, no iPad

Em todos esses apps, para ambos os sistemas operacionais, a apresentação dos livros é bem parecida, e bastante agradável. As obras ficam dispostas em prateleiras virtuais.

Uma vez aberto um livro, é possível pesquisar trechos ou palavras, adicionar “favoritos” a capítulos ou frases e marcar onde a leitura parou. Há ainda o efeito gráfico de virar a página, tal como num livro de papel.

Tanto as alternativas para Android quanto as existentes para o iOS permitem também que o usuário faça downloads de obras de domínio público, geralmente obras clássicas e de referência, gratuitamente, em vários sites, e pelos próprios aplicativos. São milhares de opções.

Quem também aderiu à onda do livro digital foi o poderoso Google. O Google Books já tem um app para Android e para iOS, que libera o acesso à biblioteca digital do usuário direto no tablet ou celular. Há muitas obras e trechos de obras gratuitos e pagos para download.

Por Daniel Gonzales | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 18 de abril de 2011 | 17h13

Gato Sabido apaga a primeira velinha


Gato Sabido, primeira livraria digital brasileira, comemora 1 ano de vida hoje [17]. Para o fundador Duda Ernanny, foram muitas as vitórias ao longo deste ano. “No início tínhamos parceria com as editoras Zahar e da Jurídica Lumen Juris. Após um ano no mercado, já estamos com 648 editoras”.

Outra conquista importante foi a parceria operacional firmada com o Submarino. Como novidade, a empresa deve apresentar, em breve, a plataforma de self-publishing “Sou o Autor”, além de aplicativo para leitura em devices com Android, plataforma social entre outras iniciativas. A Gato Sabido tem em catálogo, hoje, 105.501 títulos, sendo 1.879 nacionais e 103.622 internacionais.

PublishNews | 17/12/2010

Catálogo do Ponto Frio avança


Desde o dia 9 de setembro quando se lançou na venda de livros digitais, a Pontofrio.com.br tem no catálogo 71 títulos ativos, todos do grupo Ediouro. Na semana que vem o site ganhará outros 200 livros com a entrada da Zahar e da Freitas Bastos. Em outubro, serão 500. E quem sabe no fim do ano algo entre dois e cinco mil títulos. Essa é a expectativa de Cláudio Campos, gestor da área de distribuição digital da empresa. Para isso, precisa da colaboração das editoras.

Dois fatos chamam a atenção neste primeiro momento. Todos os e-books disponíveis não têm DRM – e Campos considera isso mais confortável para o usuário, que poderá ler o seu livro onde quiser. “Olhamos o lado do cliente, mas respeitamos a estratégia de cada editora”. Portanto, quem quiser proteger o livro com o DRM vai poder, claro. A outra é que estão apostando nos tablets e já fizeram parceria com a Samsung para vender o Galaxy.

Para chamar mais atenção para o novo negócio, o Ponto Frio começou ontem a pré-venda de Elite da tropa 2 (Nova Fronteira). Assim, na primeira hora do dia 8, data de estreia do filme, seus clientes poderão começcar a ler antes dos outros. Uma outra ideia é repetir a venda do kit “livro impresso + e-book” feita com o 1822, de Laurentino Gomes, primeiríssimo livro da loja virtual.

Para Cláudio Campos, os desafios são a massificação do e-reader, a formação de um catálogo nacional e a aceitação dessa nova forma de leitura pelo brasileiro. A empresa está em contato com as editoras, algumas delas já parceiras na venda de livro impresso, mas sabe que cada uma tem um timing. Sabe também que a hora é de aprender juntos. A única coisa que pedem é que os livros digitais custem entre 20% e 30% menos do que a versão tradicional.

Ponto Frio e seu irmão Extra, o maior vendedor de informática, têm a seu favor o nome, o número de clientes e a oferta de produtos, sobretudo os eletrônicos. Por isso Claudio Campos não se vê concorrendo com livrarias. “Nosso único competidor é o Submarino, que se juntou à Gato Sabido para vender e-book”.

Hoje, os e-books ainda ocupam o pé do menu lateral da página dedicada a livros no site da varejista, mas isso deve melhorar.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 01/10/2010

Loja de e-books Gato Sabido será integrada ao Submarino nesta semana


Livraria virtual continuará independente, mas venderá livros eletrônicos e leitores digitais por meio do site de comércio eletrônico

Até a próxima sexta-feira, a Gato Sabido, uma das lojas virtuais pioneiras em vender livros eletrônicos (e-books) e leitores digitais [e-readers], será integrada ao site Submarino. Por meio de um canal exclusivo para e-books, a empresa venderá seus 1.500 títulos de e-books em português e cerca de 120 mil títulos em inglês.

Cerca de 70% dos e-books disponíveis estão em formato PDF. Os outros estão no formato ePub, formato aberto criado pela International Digital Publishing Forum [IDPF].

Desde dezembro de 2009 no mercado, a Gato Sabido vendeu, até agora, pouco mais de mil e-books e 600 unidades do e-reader Cool-er, importado da China. Com a integração ao site Submarino, a expectativa é aumentar as vendas. “Vamos mudar para um endereço mais visitado”, diz Carlos Eduardo Ernanny, sócio e fundador da Gato Sabido.

A parceria, segundo ele, é “operacional”, ou seja, a Gato Sabido continuará funcionando de forma independente do Submarino. “Não fomos comprados.” A integração entre os dois sites já está pronta, mas será anunciada durante a 21ª Bienal do Livro de São Paulo, que começa em 12 de agosto.

Outras editoras, como a Livraria Cultura e a Saraiva, iniciaram recentemente a venda de e-books por meio de suas lojas virtuais.

Publicado originalmente em iG São Paulo | Por Claudia Tozetto | 09/08 – 12:52hs