Bibliotecas no futuro


Software oferece ferramentas para compor acervos de bibliotecas

De acordo com pesquisa realizada pela Pew Research, ao menos 28% dos leitores nos EUA leram e-books em 2014. Mas, de que forma as bibliotecas serão adaptadas neste novo cenário? Liliana Giusti Serra, bibliotecária do software para gestão de acervos bibliográficos SophiA Biblioteca e pesquisadora de livros digitais, acredita que o futuro será a composição de acervos híbridos, contendo livros impressos e conteúdo digital, ambos gerenciados numa única plataforma. Nesse sentido, o software SophiA Biblioteca fornece as ferramentas necessárias às instituições para compor seus acervos digitais. “Ao realizar integrações com empresas fornecedoras de conteúdo digital para bibliotecas, o SophiA oferece aos bibliotecários ferramentas de gestão, permitindo acompanhar o uso e o empréstimo digital dos títulos licenciados, controlar os modelos de negócios contratados, a vigência de assinaturas, além da importação de registros inteligente, com metadados bibliográficos e de gestão”, afirma Liliana.

PublishNews | 13/08/2015

Entrevista Liliana Giusti Serra | Livro digital e bibliotecas


A forma de se consumir livros será alterada e a tendência indica que bibliotecas precisam aprender rapidamente a conviver e manusear acervos híbridos. Quem diz isso é a Liliana Giusti Serra, a autora de Livro digital e bibliotecas, que a Editora FGV acaba se lançar na sua edição de bolso, em formato impresso e eBook. “É um processo que vem ocorrendo, com o amadurecimento de editores, autores, livreiros e leitores”, ela diz, fazendo questão de ressaltar as diferenças com o que ocorreu com a indústria da música: “será diferente, mas isso não significa que o mercado editorial deverá se reinventar como o fonográfico, até porque aprendeu muito com ele”.

O trabalho do bibliotecário em proporcionar o encontro entre livro e leitor se transforma de forma definitiva. Com a modernização e a facilidade de acesso à informação os processos que estavam estabelecidos se alteram. Os bibliotecários se deparam com desafios sobre aplicação de novos modelos de negócio para licenciamento de conteúdo, empréstimo de livros digitais e privacidade dos usuários.

A expectativa dos leitores, a biblioteca do futuro, a alteração da forma física da documentação e os impactos no consumo causados pelas transformações na forma de acesso à leitura são temas atuais e de grande repercussão na estrutura das tradicionais bibliotecas.

Além de todo o avanço tecnológico que essas instituições vêm providenciando na disponibilização de seus acervos, uma outra necessidade deve ser considerada: a atuação profissional do bibliotecário.

Esse ‘novo’ profissional deve alterar sua forma de atuação, priorizando o serviço prestado e a atividade desempenhada, utilizando as disciplinas técnicas como meio e não como atividade-fim da profissão, tornando o espaço da biblioteca um local convidativo de conhecimento, crescimento e troca. O local da biblioteca também deve ser repensado como um ambiente que seja atrativo ao usuário, que permita interação alinhada com liberdade, não sendo apenas um espaço de troca e aprendizado, mas uma opção de lazer, repleto de oportunidades de descobertas e conhecimento.

É nesse cenário de tantas mudanças que a Editora FGV lança a obra Livro digital e bibliotecas, de Liliana Giusti Serra.

A autora, responsável pelo desenvolvimento dos softwares SophiA Biblioteca e SophiA Acervo, respondeu a 3 perguntas nossas. Confira:

Quais são as principais dificuldades encontradas pelas bibliotecas tradicionais na adequação da preservação e do acesso público às obras de seu acervo, funções originais dessas instituições, com o aumento cada vez maior da oferta e da demanda por publicações digitais?

O tratamento e gestão dos livros digitais são distintos dos impressos. As Bibliotecas precisam aos poucos iniciar a inclusão dessas fontes aos acervos. Vejo que o digital não inviabiliza ou inutiliza o impresso. Eles se complementam e permitem às bibliotecas poderem oferecer mais opções de conteúdo ao usuário, com variação de suporte, formato etc. A tendência é as bibliotecas possuírem acervos híbridos, com os ajustes que cada tipo de documento exige. O digital favorece a preservação ao eliminar a manipulação e deslocamento de originais. O acesso é ampliado, com títulos disponíveis nos catálogos das bibliotecas, podendo ser consultados de qualquer lugar, em qualquer horário.

O capítulo Sobre livros e música no formato digital inicia constatando uma certa resistência do mercado editorial sobre o avanço dos livros digitais com base nas grandes mudanças que ocorreram no mercado fonográfico há alguns anos. Até que ponto o futuro da leitura digital pode realmente seguir os mesmos passos da indústria fonográfica?

O mercado editorial está passando por período de transformações e as possibilidades e consequências ainda não são claras. A forma de consumir, ler, produzir livros está alterada. Os impressos coexistirão com os digitais e existe, a meu ver, espaço para essa convivência. Os editores têm resistência pois o caminho é incerto e pode comprometer o negócio do livro. É natural que queiram se cercar de seguranças ou controles, mesmo que isso signifique adicionar barreiras. A forma de consumir livros será alterada. Não tenho dúvidas disso. Porém, é um processo que vem ocorrendo, com o amadurecimento de editores, autores, livreiros e leitores. Será diferente, mas isso não significa que o mercado editorial deverá se reinventar como o fonográfico, até porque aprendeu muito com ele.

Qual a principal contribuição dessa obra para os profissionais envolvidos e leitores diversos?

Os livros digitais não são muito discutidos no Brasil. Ainda é muito novo para bibliotecas e bibliotecários. Se considerarmos que a oferta desses recursos já existe há mais de 10 anos nos Estados Unidos e Europa, podemos dimensionar o quanto temos que caminhar até estarmos familiarizados com o recurso. Os bibliotecários precisam conhecer a complexidade em trabalhar com os livros digitais, visando fazer as escolhas acertadas de fornecedores, modelos de negócios, tipos de conteúdo etc. Se o bibliotecário não conhece, como irá oferecer os livros digitais a seus usuários? A obra busca trazer o tema para discussão, alertando os profissionais da informação sobre a complexidade e possibilidades de aplicação desses recursos. É um tema aberto, com modelos de negócios e suas implicações sendo estabelecidos. Entender o que já foi utilizado em outros países pode auxiliar o Brasil no momento de estabelecer suas políticas de livros digitais para bibliotecas.

Incluir livros digitais exige planejamento – assim como criar bibliotecas digitais. O profissional bibliotecário precisa estar ciente da complexidade da gestão do conteúdo licenciado para posicionar-se no momento da definição de contratação de conteúdo. Dessa forma terá mais subsídios para fazer os acertos necessários em suas atividades profissionais.

Blog do Galeno | Edição 369 | 16/10/2014

Biblioteca da Unicamp no celular


Ferramenta permite que dispositivos móveis realizem pesquisas nos acervos

Uma versão “mobile” do software SophiA, ferramenta que gerencia os dados da Base Bibliográfica Acervus, acaba de ser disponibilizada pelo Sistema de Bibliotecas [SBU] da Unicamp para a comunidade. O novo serviço permite que as pessoas usem dispositivos móveis como celulares, smartphones e tablets, que operam com sistemas iOS, Android e Windows Phone, entre outros, para realizar pesquisas nos acervos de livros, e-books [textos completos], dissertações e teses da Biblioteca Digital da Unicamp. Além disso, a versão mobile do SophiA permite renovações e reservas on-line. A criação é da empresa Prima Informática.

PublishNews | 24/05/2012