Amazon e Samsung firmam acordo para eBooks


A partir de hoje, usuários da marca coreana podem baixar um e-book grátis por mês

Amazon e Samsung anunciaram um acordo global para lançar a versão exclusiva do Kindle para usuários  Samsung. Com isso, a marca coreana abandona os seus planos de aquisição de conteúdos de e-book e delega à Amazon a tarefa. Uma novidade para usuários Samsung é que, a partir de hoje, eles poderão baixar de graça um título por mês. A escolha é feita entre quatro e-books mensais. Em abril, já estão disponíveis para os brasileiros O Continente – volume 1  [Companhia das Letras], de Érico Verissimo; 1494 [Globo Livros], de Stephen R. Brown; Casei. E agora? [Literata], de Tatiana Amaral e Memorização e aprendizado acelerado [A Arca Livros], de Miguel Angel Perez Corrêa. O aplicativo Kindle para Samsung já pode ser baixado em smartphones e tablets que operam a partir da versão 4.0 do sistema operacional Android.

No comunicado sobre a parceria, Lee Epting, vice-presidente da Samsung Media Solution Center na Europa, disse: “estamos muito satisfeitos em aprofundar nosso relacionamento de longa data com a Amazon e oferecer o Kindle para Samsung como aplicativo perfeito para leitura em um dispositivo inteligente. Com este serviço, demonstramos nosso compromisso de criar e ampliar parcerias de conteúdos-chave que proporcionam experiências ricas e personalizadas para nossos clientes”.

Um dos livros do mês é o 1494, oferecido pela Globo Livros. Para Mauro Palermo, diretor executivo da editora, nessa parceria, todos ganham. “É um ganha-ganha: a editora melhora a exposição do livro em troca da cessão de um título gratuito. É uma ação com a qual a gente acaba tendo uma maior flexibilidade e não há um investimento alto. A Amazon tem sido um parceiro muito eficiente”, comentou Palermo.

Um movimento semelhante, guardadas as devidas proporções, aconteceu em fevereiro, quando a Kobo assumiu os clientes da Sony, logo depois do fechamento da Reader Store, criada pela empresa japonesa.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/04/2014

Razão para o desinteresse nos eBooks está no fato de que livros, para a maioria, são objetos de decoração


Qual a pergunta mais idiota que é possível ouvir quando temos uma biblioteca generosa? Exato, leitor: “Você já leu tudo isso?”

Engolimos em seco. Respiramos fundo. E depois explicamos, pela décima, centésima, milésima vez que uma biblioteca não é uma coleção de livros lidos. As bibliotecas são feitas de livros que lemos no passado, que consultamos no presente e que um dia, talvez, leremos no futuro. Ou que alguém lerá por nós.

Mas existe uma situação mais constrangedora no mundo das bibliotecas: quando descobrimos que uma parte delas nem sequer são constituídas por livros. Aconteceu uma noite: fui convidado para um jantar em casa de um conhecido literato português. E, deambulando pela casa, encontrei uma estante com livros.

Ou, pelo menos, eu pensava que eram livros. Ao remover um deles, reparei que a coleção era mero enfeite, feito de lombadas e nada mais. O meu anfitrião presenciou o funesto momento. Ninguém disse palavra. Nunca mais fui convidado para jantar algum. Ficou a lição: a posse dos livros começa por ser vaidade. Só residualmente é uma questão intelectual.

E é exatamente por isso que nunca comprei a febre triunfal dos e-books. Sim, tenho um bicho desses: um Kindle rudimentar, onde recebo jornais, revistas e os livros que desejo ler de imediato com uma ganância que arruína qualquer possibilidade de enriquecimento pessoal.

Mas todas as notícias apontam para o mesmo cenário: o negócio dos e-books brochou em 2013 e é provável que não recupere mais. A Barnes & Noble não está contente com o seu Nook e há rumores de que tenciona desistir do negócio. A Sony não tem dúvidas: desistiu mesmo. E até o Kindle já conheceu melhores dias. Como explicar o naufrágio?

Sociólogos diversos falam na saturação do mundo digital: a novidade de ontem virou rotina hoje e está morta amanhã. Outros, mais românticos, lembram que o livro tradicional não tem concorrência no “plano dos afetos” [grotesca expressão]: quando o objeto é em papel, podemos tocá-lo, cheirá-lo. Eventualmente comê-lo.

E a seita dos economistas reduz tudo a meras contabilidades: segundo o “New York Times”, os e-books levaram a uma queda no preço dos livros tradicionais [70% na Amazon, em alguns casos], o que reconciliou os leitores com o objeto físico.

É possível que tudo isso tenha dado seu contributo. Mas a razão mais funda para o desinteresse nos e-books está na vaidade humana: os livros, para a maioria, são objetos decorativos de afirmação pessoal e social.

Um Kindle pode armazenar milhares de obras que obtemos instantaneamente [e, com certos títulos clássicos, gratuitamente]. Mas serão sempre milhares de obras escondidas no interior de um minúsculo aparelho –e não exibidas com orgulho nas estantes da sala, para impressionar as visitas.

No Kindle, é possível ler e apenas ler. Não é possível mostrar que se lê – uma diferença fundamental. Ora, sem essa dimensão fálica de espetáculo público, os e-books estariam sempre condenados.

Ou, então, condenados a servirem uma ilustre minoria para quem o livro, antes de ser objeto de estatuto social, é sobretudo a fonte mais preciosa que existe de conhecimento e lazer. O problema é que uma minoria, logicamente, não justifica um negócio global.

Se os e-books desejam sobreviver, talvez a solução passe por transformar livros tradicionais em livros digitais –mas um de cada vez, como se fossem CDs ou DVDs.

Tenho a certeza que milhares de kindles na estante da sala teriam um sucesso social que o solitário Kindle jamais será capaz de atingir.

Por João Pereira Coutinho | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 08/05

A Sony selecionou a Kobo para sua Livraria virtual de eBooks


A Kobo garante que os apaixonados por livros poderão continuar a ler nos eReaders, tablets e smartphones da Sony

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A Kobo proporcionará aos usuários dos tablets e smartphones da Sony, Reader™ e Xperia®, nos Estados Unidos e no Canadá, o catálogo completo de eBooks, revistas, graphic novels e conteúdo para crianças da Kobo. A partir do fim de março, os clientes da Sony Reader Store e suas atuais bibliotecas de eBooks serão transferidos para a plataforma da Kobo. Pela Kobo, os atuais clientes da Reader Store poderão continuar fazendo compras para encontrar sua próxima grande leitura.

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Amazon oferece créditos a seus consumidores para compensar cartel de eBooks


Por uma decisão da justiça dos Estados Unidos, a empresa terá de reembolsar os clientes por cada e-book que tenham comprado com preço fixado

Alguns consumidores de e-books da Amazon amanheceram nesta terça-feira, 25 de março, com uma excelente notícia na caixa de entrada: uma compensação financeira por cada e-book comprado durante anos em que a Amazon fixou os preços dos livros digitais.

Calma, a Amazon não é boazinha e se arrependeu de ter fixado para cima preços de e-books entre abril de 2010 e maio de 2012: ela foi considerada culpada pela justiça dos EUA e, por isso, foi obrigada a reembolsar seus consumidores para cada e-book comprado com o preço fixado.

Os valores variam dependendo do local e do tipo de publicação: bestsellers do New York Times rendem US$ 3,17, enquanto outro livros valem US$ 0,73 em créditos. Isso para quem não estiver no estado de Minnesota, nos EUA: lá, os bestsellers valem US$ 3,93 e os outros livros US$ 0,94. Os valores foram adicionados à conta da Amazon e serão usados na próxima compra de e-book ou livro impresso. Ao todo, a Amazon distribuirá US$ 166 milhões entre seus consumidores. E ela não será a única – Barnes and Noble, Kobo, Apple e Sony também precisam devolver uma pequena quantia a seus clientes.

Caso você tenha sido um dos que receberam um pequeno [ou talvez nem tão pequeno] crédito da Amazon, você terá um ano para decidir em qual livro vai gastá-lo – eles expiram no dia 31 de março de 2015, e, 90 dias antes, a Amazon o lembrará do valor que ainda não foi gasto.

Por Daniel Junqueira | Publicado originalmente em Gizmodo | 25/03/2014

Sony joga a toalha


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Sony jogou a toalha no negócio de e-book e entregou seus clientes para a Kobo. Isso iniciou muitas especulações de que a Nook vai fazer o mesmo. Se a B&N fosse realmente forçada a escolher entre os investimentos que precisam ser feitos em suas lojas e os investimentos exigidos para competir na entrega digital, seria difícil que não preferissem salvar as lojas. A ideia de que outro varejista, talvez o Walmart, comprasse toda a empresa parece bastante lógica, mas não dá para descartar que existe uma ligação sentimental do principal dono da B&N, Len Riggio, com as lojas.

Apesar das esperanças e expectativas de empresas iniciantes como a Zola Books [que fez uma aquisição recente, tirando a Bookish das mãos das três editoras que a abriram], o Blio da Baker & Taylor, o Copia ou o projeto txtr, que antes se baseava em telefone, parece que estamos vendo o começo da consolidação do negócio do e-book. A verticalização pode funcionar, como parece acontecer com Allromanceebooks, mas só ser “administrado de forma independente” não foi suficiente para a Books on Board, uma empresa que terminou no ano passado, depois de muito tempo funcionando. [Até o momento, a Diesel, uma independente comparável, está se aguentando.]

A Sony é uma grande empresa com um negócio de e-books muito pequeno. Eles também foram realmente “os primeiros” na era moderna dos aparelhos de e-book. O Sony Reader e-ink é mais parecido com o Kindle e o Nook do que qualquer outra coisa que apareceu antes. Mas se o e-book já se encaixou em algum momento como objetivo maior para a Sony, não é claro qual foi.

A Apple abriu sua e-book store porque acharam que tinham um aparelho perfeito para o consumo de livros [o iPad], mas também tinham experiência com venda de conteúdo [iTunes]. Eles também veem potencial para iPads nos mercado escolar e universitário, então desenvolveram tecnologia para permitir que livros mais complexos – o tipo que ainda não conseguiu ter sucesso comercial – fossem desenvolvidos para a plataforma deles. Estabelecer seus aparelhos e o ecossistema do iOS no mercado educacional seria uma grande vitória.

O Google reconheceu há uma década que livros, sendo repositórios de informação que continham a melhor resposta para muitas buscas, eram um mundo no qual eles queriam estar. Com sua crescente posição em aparelhos – o celular Nexus 7 e os computadores Chromebook — e como os desenvolvedores do Android que compete com o iOS no mercado de apps, há muitas formas através das quais estar no negócio de e-books complementa outros esforços, incluindo talvez, concorrer com a Apple e o iOS nas escolas.

Eu já afirmei [entre outras coisas] que a venda de e-books não funcionaria como uma operação exclusiva; precisa ser um complemento a outros objetivos e atividades para fazer sentido comercial. A Sony descobriu que não servia para ela, quase certamente porque não acrescenta valor a nenhum dos seus outros negócios.

Claro, e-books certamente complementam o negócio central da Barnes & Noble. Você tem uma deficiência bastante óbvia se dirige uma livraria e não vende e-books, então todo mundo faz isso de uma forma ou outra. Entre os erros que a Borders é acusada de ter cometido antes de desaparecerem foi entregar seu negócio de e-books para a Kobo. Dúvidas sobre o futuro da Waterstones no Reino Unido incluem se foi inteligente entregar seu negócio de e-books para a Amazon. Se a Barnes & Noble não tivesse o Nook, eles teriam que fazer um acordo com quem tivesse o Nook ou com algum outro.

Tenho certeza que a Apple, a Kobo ou a Google ficariam encantadas em ter seus livros integrados nas ofertas da Barnes & Noble, e provavelmente a Amazon também, apesar de que o mais provável é que eles nunca seriam convidados. Todos eles mostraram interesse em se afiliar a lojas independentes, com o Google começando e desistindo, a Kobo agora tentando fechar algo, e, até a Amazon, que não conseguiu penetrar bem nas independentes com seus livros próprios agora oferece a elas um programa de filiação para vender e-books Kindle chamado Amazon Source. Mas certamente todos eles aproveitariam a chance de expandir sua distribuição aos clientes da Barnes & Noble.

É provável que a B&N acredite que o negócio do Nook só pode ser realmente bem-sucedido se continuarem investindo em aparelhos melhores e criarem uma presença global. Isso pode ser verdade, mas também poderia ser que a Nook seja útil para seu negócio de livrarias sem acrescentar continuamente aparelhos ou criar uma presença fora dos EUA onde não existem lojas da B&N. Cada vez mais pessoas estão se sentindo confortáveis lendo em aparelhos multi-funcionais através de apps. Talvez a B&N pudesse manter um negócio lucrativo com sua audiência usuária de Nook enfatizando mais as sinergias com as lojas [unindo impressos e e-books, como a Amazon faz com sua iniciativa Matchbook e como já foi tentado em escala menor por algumas editoras, seria uma forma] e não se preocupar tanto com tornar o Nook competitivo com as outras livrarias de e-books como um negócio independente.

O imprevisível aqui é se alguma empresa grande – sendo o Walmart uma das mais mencionadas — visse benefícios em participar do negócio de e-books [ou até todo o negócio de livros] em seu portfólio. Isso acontece no Reino Unido, onde uma rede de supermercados, a Sainsbury’s, comprou a maioria das ações da Anobii [uma startup iniciada por editoras inglesas, análoga à Bookish nos EUA] e a Tesco comprou a Mobcastporque o negócio do livro aparentemente combinava bem com suas ofertas e a base de seus clientes. [Tanto a Sainsbury’s quanto a Tesco fizeram declarações sobre fortalecer seu “entretenimento digital” e as propostas de varejo online. A Tesco está investindo em aparelhos também.] A Kobo tem como pilar de sua estratégia encontrar parceiros em livrarias físicas ao redor do mundo.

Em base global, fora do mundo da língua inglesa, o negócio do e-books ainda está na infância. Mas é difícil ver como qualquer empresa sem uma presença em inglês poderia desenvolver a escala para competir com aqueles que têm. Toda nação e linguagem terá livrarias locais que seriam as “primeiras” para os leitores daquela localidade. Algumas poderiam até ter a ambição de também dominar o negócio local de e-books, especialmente quando fica cada vez mais claro que os e-books canibalizam o espaço em prateleira das livrarias. Mas o custo de tempo e dinheiro, combinado com a vantagem competitiva de ter livros em língua inglesa em oferta não importa qual idioma seu mercado alvo lê, vai fazer com que uma estratégia “crie tudo sozinho” seja muito pouco atraente. Então pareceria que a Amazon, Apple, Google e Kobo estão posicionadas para crescer organicamente e fazer parcerias em todos os lugares. E isso vai exigir algum evento sério, como o Walmart comprando a Barnes & Noble, para quebrar o poder que este quarteto tem sobre o mercado global de e-books na próxima década.

Um acontecimento potencialmente perturbador que este artigo ignora é a possibilidade de que os e-books se tornem um negócio de assinaturas na próxima década. Tenho dois pensamentos abrangentes sobre isso.

Um é que o hábito de compra de livro a livro está bastante arraigado e não será mudado drasticamente com os e-books nos próximos dez anos. Não tenho ideia de qual porcentagem do mercado de e-books agora funciona por meio de assinaturas, mas acho que é seguro dizer que “bem menos do que 1%”. Então meu instinto é que seria necessário um sucesso incrível para chegar aos 10% nos próximos dez anos.

A outra coisa que devemos lembrar é que qualquer livraria de e-books sempre pode desenvolver uma oferta de assinaturas. A Amazon realmente começou isso com o Kindle Owners Lending Library. Você pode ter certeza que se Oyster ou 24Symbols começarem a juntar uma quantidade importante de mercado, todos os Quatro Grandes, que vimos aqui, encontrarão uma forma de competir por este segmento. [É bastante mais difícil acontecer o contrário; é muito menos provável que a Oyster ou a 24Symbols abram lojas normais.]

Então se a assinatura crescer ou não, as gigantes de vendas de e-books vão continuar as mesmas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 13/02/2014

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Kobo assume clientes do Sony Reader


Com o fechamento da Reader Store, usuários da Sony migrarão automaticamente para a Kobo

A partir do final de março, usuários do device Reader, da Sony, vão poder transferir seus e-books para a biblioteca do Kobo. Nas semanas seguintes, a comercialização de livros digitais, direta do dispositivo, na KoboStore também entrará em operação. O passo é dado logo depois de a companhia japonesa anunciar o fim das atividades da Reader Store nos EUA e no Canadá, programado para 20 de março.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 07/02/2014

Amazon desbanca concorrência, segundo estudo do BISG


BISG chart

BISG chart

O BISG [Book Industry Study Group] publicou seu último relatório, sobre a percepção do consumidor em relação à leitura digital. Em relação à participação no mercado de e-books, a B&N e a Apple já afirmaram no passado ter 20% do mercado. O estudo da BISG mostra números diferentes: a Amazon teria 67% do mercado, B&N Nook 11,8% e Apple iBooks 8,2%. A categoria “Outros” ficou com 12,8%. “Outros” não foi discriminado, mas provavelmente consiste em Kobo, Google e Sony no varejo, vendas diretamente das editoras e talvez bibliotecas públicas. Outro dado é a preferência pelo formato digital. Das 14 categorias analisadas, 10 são lidas preferencialmente no formato de-book. As 4 restantes são livros de cozinha, graphic novels, guias de viagem e guias manuais. Essas categorias são fortes online, mas não no formato e-book.

Por Jack W. Perry | Digital Book World | 14/11/2013

Aprendendo com o futuro dos livros


POR EDNEI PROCÓPIO

Figure CLXXXVIII in Le diverse et artificiose machine del Capitano Agostino Ramelli, an illustration of a bookwheel

Conforme venho prometendo neste blog há algum tempo, meu próximo livro, o terceiro sobre eBooks, será finalmente publicado. Já se encontra no prelo da Editora do Sesi e, se tudo continuar correndo bem, será lançado simultaneamente nos formatos digital e impresso durante a próxima edição da Fliporto.

Iniciei a escrita do livro no segundo semestre de 2012, exatamente no ano em que o Data Discman, o primeiro projeto relevante da empresa Sony Corporation na área de livros eletrônicos, completava duas décadas de vida. Uma vez, porém, que minhas pesquisas ainda careciam de algumas constatações, só consegui terminar o texto depois da última edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital.

É impressionante perceber que, quanto mais avançam as tecnologias que envolvem eBooks, em menor espaço de tempo as novidades são colocadas à prova pelo mercado. Levei, portanto, um ano para escrever e terminar o livro, e em apenas um ano muita coisa aconteceu. Imaginemos então tudo o que foi apresentado no período de duas décadas, onde o livro eletrônico saltou de um estrondoso fracasso comercial para uma nova e empolgante possibilidade de experiência para a leitura.

Insisto nesta mania de olhar para trás quando escrevo sobre eBooks porque o distanciamento me parece um dos poucos modos seguros de vislumbrar um futuro para os livros. Em 2002, por exemplo, as empresas desenvolvedoras dos e-readers da primeira geração Rocket eBook e SoftBook, respectivamente NuvoMedia e SoftBook Press, foram entregues a Gemstar, uma subsidiária da RCA que, por sua vez, vendera os dois projetos para a Google em 2012.

Mas e em 1992, qual era o cenário?

Mesmo com a atual velocidade com que aparecem as novidades tecnológicas, e antigas certezas são postas à prova, não consideraria como um caminho saudável transformar meu novo livro em um periódico. Ou seja, não consideraria transformar minha obra em uma edição corrente, atualizada constantemente como se fosse um jornal ou revista [mesmo em uma versão digital]. Não vejo como encarar um determinado título como algo realmente inacabado, que deve estar sempre sendo reescrito, em constante atualização como se fosse um blog. Preferi, ao contrário, contestar o presente, analisar o passado, para vislumbrar um futuro.

Descobri isto quando recebi a última revisão do texto original, que me alertava para o fato de que os números apresentados em meu livro já poderiam ser considerados defasados. A revisão me pôs em alerta. Como é que um determinado dado, registrado para futuras consultas, pode ser considerado defasado antes mesmo de ser publicado? Tive que deixar ainda mais claro para os futuros leitores da obra que, os números de mercado, apresentados no livro, refletiam um momento, um cenário, uma fotografia, enfim, um recorte de um período em que o mercado de eBooks parecia expandir-se por um novo caminho. Um caminho bem diferente daquele imaginado pela Sony duas décadas antes.

No início da década de 1990, a internet ainda era um projeto acadêmico e não havia se transformado no meio extraordinário de comunicação e exploração comercial como ela é hoje. A Sony lançava no mercado norte-americano, um dispositivo para a leitura de livro eletrônico chamado Data Discman. Uma espécie de percursor da primeira geração de e-readers que viria a seguir.

Por rodar livros em cima de uma mídia física, ou seja, pré-gravados em discos [protegidos como os antigos disquetes], o dispositivo fora desenvolvido totalmente para leitura no modo offline e o conteúdo podia ser pesquisado através de um teclado do tipo QWERTY [também físico, bastante parecido com o dos BlackBerrys].

Há duas décadas, Sony lançava seu primeiro Electronic Book Player. Foto: Sony Data Discman modelo DD-1EX]

Há duas décadas, Sony lançava seu primeiro Electronic Book Player. Foto: modelo DD-1EX

De certo modo, o Data Discman era uma tentativa da Sony de repetir o sucesso do Walkman, dessa vez com livros. Mas ao contrário de seu predecessor, que tocava áudio que poderia ser encontrado aos montes em lojas especializadas [fora as fitas do tipo K7 que se tornaram bastante populares e podiam ser gravadas pelos próprios usuários], o Data Discman carecia de conteúdo.

Um Data Discman modelo padrão, como o DD-1EX, tinha uma tela de LCD de baixa resolução e em escala de cinza, como nos primeiros Palmtops, com baixo poder de processamento. Ao contrário dos Palms, trazia um drive de CD com a tecnologia e o padrão proprietários, que rodava enciclopédias, dicionários, além das obras literárias. Que não eram facilmente encontrados em livrarias, nem nos melhores magazines do ramo.

Como era de se esperar, o Data Discman teve pouco sucesso, principalmente fora do Japão [país sede da Sony]. Em vez disso, agendas eletrônicas do tipo Palm foram os dispositivos que ganharam popularidade e conquistaram o consumidor. Um pouco mais tarde, o Palm Reader foi a solução de aplicativo para a leitura dos livros nos devices portáteis daquele período que avançou até o lançamento do Sony Libriè para o mercado japonês.

Nada se cria, tudo se compartilha

Sony Data_Discman | Electronic Book Player modelo DD-8

Sony Data_Discman | Electronic Book Player modelo DD-8

Há semelhanças entre o Data Discman e o Palm. Há semelhanças entre o Palm e o BlackBerry. Há semelhanças entre o Rocket eBook e o Sony Reader lançado em 2005 no mercado americano. Mas o que geralmente é enxergado são apenas as diferenças entre esses equipamentos todos desenvolvidos dentro de um período que vai de 1990 a 2010.

A internet mudou muito desde aquelas duas décadas e, parte do conteúdo que existia naquela chamada web 1.0, de meados da década de 1990, praticamente já não existe mais. Se algum pesquisador buscar até os números referentes ao período que antecede o lançamento do Kindle, que inaugura a segunda geração de e-readers, terá que vasculhar bastante para encontrar alguma análise relevante.

É neste sentido que, nos meus dois primeiros livros, tentei contextualizar ao máximo os dados do mercado e cenários apresentados. Penso em um contexto futuro, usando históricos e cases de sucesso ou fracasso do passado para ampliar a visão do presente. E agora tento fazer isto novamente com minha nova obra porque eu sei que alguns pesquisadores precisarão de informações, analisadas e comentadas, para eventualmente até usar de comparação em seus trabalhos.

Por exemplo, algum profissional poderá futuramente se perguntar que porcentual representava a venda de eBooks no Brasil, em comparação com o mercado de livros impressos, quando big players como Kobo, Google e Amazon aportaram no país. Se ele fizer uma comparação com dados em um mesmo nível de apuração, usando os mesmos critérios de levantamento, poderá obter o percentual de crescimento mais próximo da realidade até o seu próprio período [mesmo que alguns players continuem ocasionalmente tentando manipular os números como tentam fazer hoje].

Agora, se a internet continuar impondo seu ritmo avassalador de criação, armazenamento e compartilhamento de informações, esta tarefa de pesquisa pode se tornar cada vez mais difícil de ser realizada. E obras contemporâneas, que mais do que registrar um período, contextualiza os números e cenários, pode ajudar profissionais a compreender o passado mas, principalmente, o futuro dos livros.

Foi assim que, por conta da velocidade com que novidades surgem, em formato de projetos, startups, apps, produtos, softwares, hardwares, plataformas, etc., fui obrigado a voltar ao básico neste meu novo livro. Procurei encontrar semelhanças entre as coisas aparentemente diferentes, e diferenças naquelas que nos são aparentemente semelhantes.

POR EDNEI PROCÓPIO

E-Ink registra US$ 33 milhões de prejuízo


A concorrência dos tablets está sendo duríssima com a principal fabricante de telas de ereaders, a e-Ink. Apenas no segundo trimestre de 2013, o prejuízo da empresa foi de US$ 33 milhões de dólares.

A conta negativa é atribuída à reduzida [e decrescente] demanda de novas telas pelos principais compradores da empresa – empresas como Amazon, Kobo e Sony, os fabricantes de referência de e-readers.

Embora a empresa esteja diversificando a sua atuação e procurando mercados de nicho para as telas [como empresas de marketing, sinalização, etc.], isso representa apenas 5% do volume de negócios atual da empresa.

As vendas do final de ano devem aliviar as contas da e-Ink [com uma demanda maior de Amazon & Cia], mas dificilmente serão volumosas como nos tempos “pré-tablets”.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 19/08/2013

O colapso da Barnes & Noble


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 24/07/2013

Em 2009, a Amazon e a Sony tinham um duopólio virtual no nascente mercado de e-books. A Barnes & Noble tinha que agir agressivamente, e de fato o fez – eles contrataram William Lycnh, CEO que tinha nenhuma experiência com livros, mas era craque em tecnologia e e-commerce. Ele lançou o Nook, e um ano depois a B&N tinha 20% do mercado – engolindo quase todo o negócio de e-book da Sony e chegando rapidamente perto da Amazon.

A B&N fez investimentos pesados em tecnologia, criou um centro de desenvolvimento digital no Vale do Silício, com mais de cem engenheiros treinados, que lançaram e-readers e tablets Nook que receberam resenhas calorosas. Esses aparelhos estavam em destaque nas livrarias físicas, e tinham o respaldo de um staff de vendas comprometido.

Aí vejo essa notícia:

CEO William Lynch resignou ao cargo, após perda trimestral de US$ 177 milhões na divisão digital

O que aconteceu com aquela luz no fim do túnel?

Primeiro de tudo, o DNA da empresa era o de uma livraria física, e apesar dos milhões de dólares investidos em desenvolvimento, um duelo com um mamute da tecnologia, a Amazon, mostrou-se ser uma batalha quixotesca.

Segundo, eles cometeram um erro crasso ao investir em tablets. Apesar do Nook Color e Tablet serem aparelhos muito inovadores, a B&N não percebeu que o seu ponto forte era conteúdo, não aparelhos (se fosse o caso, os tablets teriam preços de iPad). Sem uma oferta completa de músicas, vídeos e jogos pagos, que mantêm os consumidores nas lojas virtuais, a B&N estava simplesmente disponibilizando a compra de Angry Birds e assinatura de Netflix.

Por último, eles perderam a oportunidade de impulsionar seu maior ativo – a rede de lojas físicas. Os “Cantos do Nook” nas livrarias eram fantásticos, mas por que a B&N não fez algo que apenas um varejista físico conseguiria? Como ofertar pacotes impresso/digital? (por exemplo, compre o livro físico e leve o digital com 50% de desconto). Ou ofertas válidas apenas dentro das lojas? (Como 20% de desconto em todas as compras virtuais feitas na loja física). Ou ofertas de livros físicos na loja virtual? (Digamos, 10% de desconto nos livros físicos para leitores digitais). As possibilidades de marketing eram virtualmente ilimitadas.

O fim de William Lynch e companhia foi bem triste, mas estou animado para ver o que as ‘Barnes & Noble’s do Brasil nos trarão.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 24/07/2013

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Rival do Amazon Kindle, Kobo Touch é boa opção para ler eBooks brasileiros


E-reader lançado no Brasil pela Livraria Cultura pode ser usado com livros adquiridos em outras lojas no país

O mercado brasileiro de e-readers, os leitores de livros eletrônicos, carece de boas opções. A Livraria Cultura, em parceria com a Kobo, tenta mudar esse cenário.

A Kobo, que pertence à empresa japonesa Rakuten, é uma das principais marcas de e-reader do mundo. Seus aparelhos concorrem de igual para igual com os da Amazon [Kindle], os da Barnes & Noble [Nook] e os da Sony.

Na semana passada, a Cultura lançou no Brasil o Kobo Touch, modelo com tela sensível ao toque que foi anunciado nos EUA em maio do ano passado.

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos (e-books) lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos [eBooks] lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

Leve [185 gramas] e compacto [11,4 x 16,5 x 1 cm], ele tem construção sólida e resistente, com uma agradável textura nas costas. O acabamento emborrachado garante uma pegada firme – o aparelho escorrega menos nas mãos. É vendido em quatro cores: preto, prata, lilás e azul.

Um botão na frente do aparelho, abaixo da tela, leva o usuário à tela inicial. Outro, no topo, serve para ligar, desligar ou colocar para dormir. Na parte inferior, há uma porta micro-USB, para conexão ao computador e carregamento da bateria. Um buraco na lateral esquerda serve como leitor de cartão microSD – recurso ausente no Kindle, que não permite aumentar o espaço de armazenamento.

O Kobo não tem botões físicos para mudar a página, o que é uma pena, pois eles facilitam o manuseio do aparelho com apenas uma mão. Botões laterais, como o do Kindle Keyboard e o do Nook Touch, permitem folhear o livro com a mesma mão que segura o e-reader – basta pressioná-los com o polegar. Sem eles, é necessário deslocar o polegar até a tela para mudar a página, o que não é trabalhoso, mas exige maior cuidado e esforço ao segurar o aparelho.

A resposta ao toque na tela costuma ser rápida, mas as falhas são frequentes. Felizmente, elas raramente ocorrem ao folhear o livro – são mais comuns ao digitar, selecionar palavras no meio do texto ou tocar ícones nos cantos da tela. A borda do aparelho, alta em relação à tela [devido à tecnologia de infravermelho usada para detectar os toques], também atrapalha o acesso aos comandos nos cantos, além de causar uma pequena sombra sobre a margem da página, a depender da iluminação ambiente.

PAPEL ELETRÔNICO

A tela do Kobo usa tecnologia de papel eletrônico E Ink, presente nos principais modelos de e-reader do mercado. Ela consome pouca energia, permite a leitura mesmo sob a luz do Sol, oferece bom ângulo de visão e, teoricamente, cansa menos os olhos do que telas de LCD, por exemplo. Por outro lado, tem baixa taxa de atualização, o que deixa animações e transições lentas e travadas.

Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais sobre o E Ink. Se o assunto não lhe interessa, pule para o infográfico, mais abaixo.

Grosso modo, a tinta eletrônica da E Ink é formada por uma camada de microcápsulas que fica entre dois elétrodos [nesse caso, placas condutoras de corrente elétrica]. Cada microcápsula tem o diâmetro de um fio de cabelo e leva em seu interior um fluido claro com partículas brancas [com carga elétrica positiva] e pretas [carga negativa] que se movem conforme a carga elétrica aplicada no elétrodo inferior.

Uma carga positiva no elétrodo inferior empurra as partículas brancas para o topo da microcápsula, deixando-as visíveis através do elétrodo superior, que é transparente – assim, a tela fica branca. Do mesmo modo, a aplicação de uma carga negativa faz com que as partículas pretas subam e escureçam a superfície da tela. A combinação dessas partículas pretas e brancas forma a imagem exibida pelo papel eletrônico.

Seu consumo de energia é baixo basicamente por dois fatores: ele não tem iluminação própria, e a retenção da imagem estática na tela não gasta energia.

Diferente de telas que são iluminadas com luz traseira [backlight], como as de LCD, o papel eletrônico é reflexivo, ou seja, reflete a luz ambiente – artificial ou natural [solar]. Por não emitir a própria luz, ele supostamente cansa menos os olhos do usuário e consome menos energia, mas normalmente não é legível no escuro sem o auxílio de iluminação auxiliar.

Outras características comuns do papel eletrônico são o bom ângulo de visão, que permite uma boa legibilidade mesmo a partir de uma posição não perpendicular dos olhos em relação à tela; a baixa taxa de atualização, o que torna animações e transições – como mudanças de página – um tanto lentas; e o “ghosting” – tendência a exibir “fantasmas” [resquícios de uma imagem anterior] – geralmente solucionado com uma atualização completa da tela antes de formar a nova imagem.

O papel eletrônico implantado em e-readers geralmente exibe imagens apenas em preto e branco. Existem modelos coloridos, mas seu uso é bastante limitado ou deixa a desejar.

Kobo TouchTELA

A resolução da tela do Kobo [600 x 800 pontos] é boa, mas inferior à dos e-readers mais modernos, que exibem desenhos e textos mais nítidos. A diferença é perceptível principalmente em caracteres menores e linhas mais finas.

Como ela tem superfície fosca, seu reflexo raramente incomoda.

A mudança de páginas ocorre com rapidez, e é possível definir o número de páginas viradas a cada atualização completa da tela – que elimina os artefatos visuais [“fantasmas”] que se acumulam a cada troca de página.

No geral, a experiência de leitura é agradável. Se julgar necessário, você poderá configurar itens como fontes tipográficas, tamanho dos caracteres, espaçamento entre as linhas, tamanho das margens e tipo de justificação. Nisso, o Kobo ganha de lavada do Kindle, que oferece opções bem mais limitadas de ajuste para a leitura.

O dicionário embutido funciona bem. Ao deixar seu dedo sobre uma palavra, uma janela aparece mostrando suas acepções. Há também a opção de traduzi-la, mas aparentemente o recurso não identifica automaticamente o idioma da palavra selecionada. O software identifica bem variações como plurais e conjugações verbais.

O aparelho ainda permite que você destaque trechos de livros e acrescente anotações. Tanto esses recursos quando os dicionários, porém, só funcionam com arquivos de alguns formatos. Nos meus testes, consegui usá-los apenas com livros em EPUB – o padrão nos livros para o Kobo e o mais comum [com o PDF] nas lojas on-line brasileiras, mas diferente do usado pela Amazon. O Kindle, por outro lado, não lê arquivos em EPUB, mas oferece um suporte melhor a PDF, com dicionário e anotações.

FORMATOS

Uma das principais atrações do aparelho é o suporte a diversos formatos de arquivo, mas o recurso ainda precisa melhorar bastante. É justamente quando você tenta ler arquivos que não usam o formato EPUB que a leitura no Kobo deixa de ser agradável.

Além das limitações no uso de dicionários e anotações, é normal ver travamentos e lentidão com livros em formatos como MOBI, PDF e até TXT. Durante os meus testes com arquivos de diferentes tipos, tive que reiniciar o Kobo diversas vezes, pois ele simplesmente parava de funcionar –isso quando o aparelho não fazia a reinicialização por conta própria, repentinamente.

É possível ler histórias em quadrinhos nos formatos CBR e CBZ, mas o tamanho diminuto da tela atrapalha.

O Kobo também sofre ao lidar com grandes quantidades de arquivos em diferentes formatos. Coloquei nele mais de 600 itens – entre livros, documentos e imagens–, mas a biblioteca do aparelho mostrava apenas cerca de 400. Vários livros em EPUB não apareciam listados. Para eles aparecerem, tive que apagar alguns arquivos e mudar uma pasta de local. Trabalhoso.

Copiei os mesmos arquivos para um Kindle. Como ele não suporta EPUB, listou um número bem menor de itens, mas, diferentemente do Kobo, exibiu todos os arquivos que tinham formatos compatíveis.

Ao fazer esse teste, tive que apagar algumas das histórias em quadrinhos que havia selecionado, pois o espaço de armazenamento do Kobo é limitado – são apenas 2 Gbytes, dos quais pouco mais de 1 Gbyte pode ser usado. Segundo a Kobo, 1 Gbyte é o suficiente para cerca de mil livros – pode ser pouco, porém, para quem deseja lotar o negócio com itens em PDF e histórias em quadrinhos. Para isso, é recomendável usar um cartão de memória microSD.

Mas o melhor mesmo é evitar colocar muita coisa no aparelho. Até porque a navegação pela biblioteca é muito ruim – faltam opções de filtros para você achar um determinado arquivo, e procurá-lo por dezenas de páginas é cansativo. A solução é usar a busca.

Navegar pela loja da Kobo é ainda mais frustrante, pois o carregamento de cada página é lento demais. Novamente, o jeito é usar a busca. Ou desistir de comprar pelo aparelho e usar um computador – ou, ainda, ir a uma loja física.

O e-reader tem quatro recursos que a Kobo define como extras: o navegador de web, que funciona muito mal e tem poucas funcionalidades [é bem inferior ao do Kindle]; o sudoku, com quatro níveis de dificuldade; o xadrez, com cinco níveis de dificuldade; e o sketchbook, um aplicativo ultrabásico para desenho e anotações.

Assim como seus principais concorrentes, o Kobo não tem suporte a áudio – não há alto-falantes nem saída para fone de ouvido. Para usar audiolivros ou algum recurso de leitura de texto [text-to-speech], você pode recorrer a um celular ou um tablet – ou, ainda, ao velho e bom Kindle Keyboard.

O Kobo também não tem opção de modelo com conexão a redes 3G, uma desvantagem em relação ao Kindle.

O aparelho vem apenas com um cabo USB, sem adaptador para ligá-lo à tomada. Para carregar a bateria [que dura cerca de um mês, segundo a Kobo], você pode conectar o e-reader ao computador – ou usar o carregador do seu celular, por exemplo.

O que vem por aíKOBO OU KINDLE?

Apesar das falhas, o Kobo Touch é um bom e-reader e, no Brasil, tem apenas um concorrente.

Mas é um concorrente e tanto: o Kindle, que começou a ser anunciado nesta quinta-feira [6] no site brasileiro da Amazon. As vendas começam “nas próximas semanas” com o “preço sugerido” [termo curioso –ou o e-reader não será vendido pela própria loja?] de R$ 299.

O modelo anunciado no Brasil é o mais básico, que leva apenas o nome Kindle e não tem tela sensível ao toque – recurso presente no Kobo Touch, vendido pela Livraria Cultura por R$ 399.

Mais do que detalhes técnicos, porém, o que deve guiar a escolha do seu e-reader é o catálogo de obras disponível para ele.

Escolher um e-reader é, também, escolher uma provedora de conteúdo. Nos EUA, por exemplo, quem é cliente ou prefere o catálogo da Barnes & Noble tem o Nook como a melhor opção; os fãs da Amazon devem escolher o Kindle. Talvez a maior desvantagem do Kobo nos EUA, aliás, seja exatamente o seu catálogo, que é bem menor do que o dessas duas.

E no Brasil, é melhor comprar um Kindle ou um Kobo?

A maioria dos potenciais compradores de e-reader no Brasil provavelmente deseja ler principalmente livros editados no país. E é para essa massa que a escolha é mais complicada, pois o nosso mercado de e-books ainda é bastante imaturo. Muitas obras ainda não ganharam formato eletrônico, poucas livrarias têm uma plataforma digital decente, e é difícil prever o que acontecerá no futuro próximo. As editoras apostarão mesmo nos e-books? Elas favorecerão algum formato? Como vai se desenvolver a relação delas com as lojas e os consumidores? Haverá outra loja forte além da Amazon e da Cultura? Isso tudo, entre outras coisas, pode fazer com que você se arrependa de ter um comprado um determinado e-reader. Ou dar-lhe a certeza de que fez um bom negócio.

Com isso, o melhor é esperar – até porque modelos melhores não devem demorar muito para chegar ao país.

Para quem não pode esperar e quer comprar já, listo três quesitos que podem ajudar na escolha:

1] Catálogo em português. A maioria das lojas brasileiras que vendem e-books trabalha com o EPUB, formato compatível com o Kobo e incompatível com o Kindle. A Amazon vende livros apenas para o Kindle. Procure descobrir qual catálogo é o melhor – o resultado poderá depender das preferências literárias de cada um. Quem gostar mais do da Amazon deverá escolher o Kindle; quem preferir o das lojas que trabalham com EPUB [Cultura, Saraiva etc.] deverá optar pelo Kobo.

2] Catálogo em outras línguas. Quem quiser ler bastante em inglês deve escolher o Kindle, pois o catálogo da Amazon é seguramente superior ao da Cultura nesse idioma. Para ler em outras línguas, o processo de escolha é mais complicado e pode variar com o país e o idioma. Em alguns, o catálogo da Amazon será superior – ponto para o Kindle. Em outros, pode haver ausência da Amazon ou presença de rivais à altura da gigante norte-americana – ponto para o Kobo, se esses rivais venderem livros no formato EPUB.

3] Características técnicas. O Kobo leva vantagem em pelo menos dois quesitos: o aparelho em si – que tem tela sensível ao toque, leitor de cartão microSD e mais opções de ajuste de leitura – e, mais importante, o suporte ao EPUB.

A Amazon usa formatos proprietários de e-book, o que “tranca” o usuário. Basicamente, livros para o Kindle só podem ser comprados na própria Amazon e lidos com os e-readers e os aplicativos da própria Amazon – estes, por sua vez, não oferecem suporte ao popular formato EPUB.

Ao usar o EPUB como padrão, o Kobo oferece mais liberdade. Livros em EPUB podem ser comprados em diversas lojas e lidos com e-readers e aplicativos de várias empresas.

Uma vantagem do Kindle sobre o Kobo é o melhor suporte a arquivos em PDF, mas tablets são mais adequados para ler conteúdo nesse formato.

Por fim, quem já tem títulos nos mais diferentes formatos e não quer comprar mais de um e-reader pode lê-los com aplicativos para celular, tablet ou computador, mas sem o conforto da tela de papel eletrônico.

FUTURO

A Livraria Cultura planeja lançar mais três aparelhos com a marca Kobo no primeiro trimestre do ano que vem: o tablet Arc e os e-readers Mini e Glo. Se você puder esperar até lá, os dois últimos podem ser opções melhores do que o Touch.

O Mini parece ser um bom aparelho para quem quiser um modelo mais compacto, e o Glo, com iluminação embutida e tela com melhor resolução [758 x 1.024 pontos], é uma evolução do Touch – superior a ele em praticamente todos os aspectos.

Nos EUA, a Amazon vende outros modelos de Kindle – os e-readers Paperwhite e Keyboard e o tablet Fire.

Lançado em 2010, o Keyboard é o Kindle mais antigo ainda à venda. Sem tela sensível ao toque, tem um teclado físico especialmente útil para fazer anotações.

O Kindle Paperwhite é o e-reader topo de linha da Amazon. Assim como o Kobo Glo, tem tela de alta resolução sensível ao toque e iluminação embutida.

A Amazon não informa se e quando esses modelos chegarão ao Brasil.

Por Emerson Kimura | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 06/12/2012

W3C finalmente entra na jogada


POR EDNEI PROCÓPIO

W3C [a principal organização de padronização da World Wide Web] está apoiando a padronização dos livros eletrônicos. Para dar o start à iniciativa, a W3C criou uma comissão e o resultado inicial é um Workshop que será ministrado em fevereiro próximo. A ideia do Workshop é promover o livro eletrônico dentro de um padrão que eles chamam de Plataforma Open Web. Basicamente o que eles querem é introduzir no mercado a ideia de se trabalhar com padrões tecnologias abertas como HTML, CSS, SVG, XML, XSLT, XSL-FO, PNG, etc.

O projeto está sendo tocado em parceria com a International Digital Publishing Forum [IDPF] e Book Industry Study Group [BISG]. E fazem parte da comissão empresas como Adobe, Barnes & Noble, o consórcio DAISY, Google, Hachette, Ingram, O’Reilly, Pearson, Rakuten, Safari Books, Samsung, Sony e por aí vai.

Embora alguns players como por exemplo, a Amazon e Apple, através de suas grandes influências, força a barra tentando impôr os seus próprios formatos ao mercado, esta não é a primeira vez que a indústria se junta para tentar algo neste sentido. Como eu descrevi em meu primeiro livro, “Construindo uma Biblioteca Digital“:

O ideal seria se os livros eletrônicos fossem criados sob formatos padrões [abertos ou livres] utilizados na Internet.

O formato ePub, por exemplo, teve sua gênese de desenvolvimento baseada em uma especicação padrão chamada OeB. A especicação OeB [Open eBook] era um formato cuja estrutura já atendia a uma especificação aberta, baseada em XML [eXtensible Markup Language – linguagem de marcação extensível].

Citando Mckinley, “Do papel até a Web”, ninguém pode monopolizar os formatos abertos. E nenhuma pessoa ou entidade comercial tem controle sobre seus destinos. Os documentos XML, OeB, ePub, etc., pertencem aos seus proprietários. Eles não fazem parte de nenhum aplicativo, configuração de hardware ou sistema operacional. Além disso, assim como a XML, o HTML e o ePub, os documentos Open Web serão inteligentes e úteis por muito tempo, mesmo após os formatos de processadores de texto binários de propriedade dos dias de hoje terem se tornado obsoleto.

Considere a seguinte situação, um livro de papel de conteúdo romântico permanecerá legível por 20, 50, ou, quem sabe, 100 anos. Qual é a probabilidade dos formatos de processadores de textos binários de propriedade atuais permanecerem legíveis por 10 anos, ou até 100 anos? Novos sistemas operacionais e programas aparecem e somem, mas a Open Web é permanente. Desse modo, utilizar formatos padrões abertos para disponibilizar livros digitais garante que o leitor não precise, por exemplo, adquirir duas ou mais vezes o mesmo livro quando migrar para hardwares de plataformas diferentes.

Com Open Web, o conteúdo de um eBook torna-se independente de qualquer sistema de formatação em particular. Por toda sua existência, um eBook poderá se transformar em muitos diferentes formatos e tamanhos. Por todo o tempo, entretanto, a estrutura e o conteúdo podem ser retidos de forma independente, permitindo assim que o livro seja reformatado várias vezes para grande variedade de e-readers existentes hoje e para os que ainda serão inventados.

POR EDNEI PROCÓPIO

Apple compra empresa especializada em HTML5


Aquisição sugere que a fabricante está interessada em ampliar a exibição de conteúdos em diversos dispositivos

A Apple comprou a Particle, uma consultoria especializada em aplicações web e projetos de marketing que usam HTML5. A compra foi finalizada em setembro deste ano por um valor não divulgado e começa a dar pistas sobre os planos da empresa da maçã.

Segundo o site GigaOm, a nova aquisição sugere que a dona do iPad e iPhone está buscando novas maneiras – dentro da linguagem HTML5 – de exibir conteúdos em uma variedade de dispositivos, uma vez que a Particle é especialista no assunto.

No site da consultoria, eles afirmam que têm trabalhado para levar aplicações leves, baseadas em HTML5, para set top boxes, consoles de videogames e até sistemas operacionais como Chrome OS e Android.

É importante lembrar que mesmo uma pequena aquisição para a Apple pode significar um grande lançamento. A compra da SoundJam, por exemplo, deu origem ao iTunes, a Chomp virou a App Store, a Fingerworks ajudou a criar o iOS, e o Siri se tornou o sistema de inteligência artificial do iPhone.

Será que vem uma nova Apple TV por aí?

Sobre a Particle

A consultoria foi criada em 2008 e um de seus financiadores foi o cantor e ator Justin Timberlake. Além de interpretar Sean Parker no filme “A Rede Social”, Timberlake se envolveu de verdade em investimentos no setor de tecnologia, incluindo uma participação na Specific Media, empresa que comprou a rede social MySpace em junho do ano passado. Entre os clientes da Particle estão Google, Sony e Motorola, além de Cisco, Barnes & Noble e Zynga.

Publicado originalmente e clipado à partir de OLHAR DIGITAL | 17 de Outubro de 2012, às 18:30h

Big Six dominam lista americana de eBooks mais vendidos


A partir desta semana, o Digital Book World começou a publicar uma lista semanal dos eBooks mais vendidos nos EUA. O ranking reúne dados de cinco dos seis maiores vendedores de livros digitais do país [Amazon, Barnes & Noble, Kobo, Sony e Google] e, além da lista geral, também inclui classificações separadas por diferentes faixas de preço.

Quem esperava ver livros baratos dominando a lista – ainda mais depois da notícia da semana passada de que o preço médio dos eBooks de ficção americanos caiu para apenas US$5.24 – teve uma surpresa. 17 dos 25 livros no topo da lista custam US$9.99 ou mais, enquanto apenas quatro livros ficam abaixo dos US$3. Uma rápida olhada no ranking completo mostra também o domínio das grandes editoras: além das Big Six, apenas a Scholastic, com sua trilogia “The Hunger Games”, e a editora independente Soho Press ocuparam posições entre os 25 livros mais vendidos.

Uma matéria da Forbes reuniu alguns outros insights trazidos pela nova lista:

  • Ao contrário do que se pensava, as faixas de preço menores também são dominadas pelas grandes editoras, e não por autores independentes
  • A trilogia dos Cinquenta tons já não ocupa mais os três primeiros postos da lista
  • As novelas – isto é, livros de ficção mais curtos do que os romances – podem ser best-sellers se tiverem preços menores
  • Livros de catálogo podem ter um novo ciclo de vendas com uma mudança de preço

As listas completas e a metodologia usada na pesquisa podem ser acessadas neste link.

Por Nina Sarti | Revolução eBook | 22/08/2012

Sony anuncia nova linha de e-readers


E-reader tem tela sensível ao toque de 6 polegadas com tecnologia e-ink, memória interna de 2GB e vida útil da bateria de até dois meses

Nova linha traz processador mais veloz e adiciona funções de redes sociais como Facebook e Evernote

Nova linha traz processador mais veloz e adiciona funções de redes sociais como Facebook e Evernote

São Paulo | A Sony atualizou sua linha de leitores de livros digitais, com os novos modelos chamados de PRS-T2, que trazem um processador mais veloz e adiciona funções de redes sociais como Facebook e Evernote.

O e-reader tem tela sensível ao toque de 6 polegadas com tecnologia e-ink, memória interna de 2GB e, segundo a Sony, vida útil da bateria de até dois meses com o Wi-Fi desligado.

A nova integração com o Facebook permite aos leitores publicar uma pequena passagem do livro na rede social. Já a integração com o Evernote possibilita ao usuário salvar conteúdos da web para leitura póstuma.

Sobre os conteúdos, os usuários podem optar por ler livros de cerca de 15 mil livrarias públicas dos Estados Unidos, além de um grande acervo de livros, revistas e jornais disponíveis na loja Sony Reader Store ou por meio do app para desktop e dispositivos Android.

O e-reader Sony PRS-T2 já está disponível nas lojas virtuais da Sony por US$ 129. A empresa também venderá uma capa para o dispositivo por US$ 35 e outra com iluminação por US$ 50.

Por Monica Campi | Exame.com | 17/08/2012

Japão se prepara para a era dos eBooks


Japão: O Japão está preparado para entrar de cabeça na era dos e-books, uma vez que quatro dispositivos de leitura serão lançados nos país nos próximos meses. A canadente Kobo, controlada pela japonesa Rakuten, lançará seu aparelho no dia 19 de julho, conforme já anunciado, com 30 mil títulos em japonês e mais de um milhão em inglês. Na semana passada, a Toppan, empresa japonesa, apresentou o seu próprio dispositivo que simula a leitura em papel. Também na semana passada, a Amazon.jp colocou no ar a página em que anuncia que o Kindle chegará ao país “em breve”. Já a Sony revisou os preços de seus aparelhos e apresentou o PRS-T2, nova geração do Sony reader. Os livros digitais têm demorado para decolar no Japão. Mas, de acordo com o Instituto de Pesquisa Yano, de Tóquio, o mercado de e-books está entrando em fase de grande mudança. Até 2015, as vendas no país devem dobrar, segundo o instituto – em 2011, livros digitais representaram 3% do mercado japonês de livros.

Por Michael Fitzpatrick | The Bookseller | 16/07/2012

“Efeito eBook”: ler e comprar mais livros


Um fenômeno tem se tornado cada vez mais comum entre os usuários de ereaders – o que o autor do blog An American Editor chama de “Efeito eBook”. Aqueles que entram para o mundo digital passam a ler e comprar mais títulos do que quando consumiam apenas livros impressos. Ele relata sua própria experiência para exemplificar como seus hábitos mudaram:

“Considerando apenas três livrarias virtuais – Smashwords, B&N e Sony –, baixei 722 ebooks [o que inclui títulos gratuitos e aqueles pelos quais paguei]. Somando os ebooks que baixei no Kobo, Baen e outras diversas livrarias virtuais, a quantidade sobe para além dos 900; adicione os livros que consegui em lugares como Feedbooks e MobileRead e o número ultrapassa a marca dos mil downloads.”

Contudo, além do aumento na quantidade de ebooks adquiridos, outro fator chamou a atenção do blogueiro: suas escolhas também mudaram – de forma gradual, porém dramática – desde que ele ganhou seu primeiro Sony Reader, em dezembro de 2007. Antes, suas decisões eram tomadas por impulso durante um passeio na livraria, ou baseadas em críticas da imprensa especializada e anúncios, e pelo menos 90% de suas compras eram não ficção. Após adquirir seu primeiro ereader, ele passou a explorar novos gêneros e entrar em contato com autores independentes, o que quase não acontecia quando ele consumia apenas livros impressos.

Apesar de confessar não ter lido todos os ebooks que possui em sua coleção, ele não deixa de adquirir novos títulos enquanto tenta dar conta daqueles que estão em sua lista de espera. Contudo, seu ritmo de leitura aumentou. Antes, ele lia, em média, 1,5 livro de não ficção por semana. Agora, apesar de levar mais tempo para ler seus livros impressos, ele passou a incluir nessa conta semanal de 2 a 3 ebooks de ficção.

E você, já sentiu o “Efeito eBook” na sua vida?

Por Juliana Ferreira | Revolução eBook | 04/07/2012 | Fonte: The eBook Effect: Buying and Reading More « An can Editor.

Microsoft lança o tablet Surface e tenta fazer frente ao iPad, da Apple


Microsoft Surface Tablet

Microsoft Surface Tablet

Desafio. Lançamento da empresa de software traz novidades que não estão presentes nem mesmo no iPad, como uma capa que também funciona como teclado, além de marcar um distanciamento da Microsoft da estratégia que costuma usar no mercado de PCs

Com dois anos de atraso, a Microsoft, conhecida por seu domínio no desenvolvimento de softwares para PCs, apresentou ontem o Surface, um tablet com o objetivo de competir com o iPad, da Apple, ou pelo menos conquistar uma fatia do mercado em um dos setores de maior crescimento na tecnologia.

Diferentemente de outros tablets, o Surface traz inovações ausentes mesmo do iPad. A principal delas é uma capa que funciona como teclado. Há também um minitripé de suporte que, ao ser montado, praticamente transforma o aparelho em um laptop ainda mais leve do que o Macbook Air.

Quando o sistema operacional Windows 8 for lançado no fim do ano, a expectativa é de que o tablet rode o pacote de aplicativos Office. Se esse objetivo for atingido, o tablet terá uma enorme vantagem comparativa em relação ao iPad, especialmente para pessoas que queiram usar o aparelho para trabalhar.

Por enquanto, não há definição de preço ou data exata para o lançamento. O mais provável é que o custo seja similar ao dos concorrentes e as lojas comecem a vender duas versões, no outono do Hemisfério Norte, com 32 e 64 gigabytes [GB] usando o Windows RT. O Surface de 128 GB viria mais tarde, apenas depois de o Windows 8 ser implementado. Uma das versões terá o chip da Intel. Outra virá com processador de tecnologia ARM. Sua tela tem 10,6 polegadas.

“Nós acreditamos que qualquer interação entre os seres humanos e as maquinas podem ser feitas apenas quando toda a experiência – hardware e software – trabalham juntas”, disse o presidente da empresa, Steve Ballmer, ao apresentar o produto em Los Angeles. A declaração é irônica pois foi sempre a Apple, e não a Microsoft, que manteve a tradição de fabricar ambos.

O lançamento é do Surface é um divisor de águas para a empresa fundada por Bill Gates. A Microsoft historicamente se concentrou no desenvolvimento de software, deixando a parte do hardware para outras empresas como a Dell, a Sony e a HP. Um dos poucos aparelhos de sucesso da empresa é o videogame Xbox.

O anúncio gerou otimismo entre os investidores. Analistas, porém, ainda não têm condições de avaliar o Surface, porque apenas um protótipo do hardware foi apresentado.

Há pouco mais de um mês, a Microsoft também havia decidido entrar no mercado de e-readers ao anunciar uma joint venture com a Barnes & Noble, fabricante do Nook, segundo colocado no setor, atrás apenas do Kindle, da Amazon.

O evento de lançamento do Surface foi cercado de mistério, com “fontes” revelando informações seletivamente para a imprensa nos dias anteriores, como acontece com os anúncios da Apple. A Microsoft buscou mostrar que já tem tradição em hardware, lembrando que fabrica teclados e mouses.

Mercado. Atualmente, a Apple domina o mercado dos tablets com 62,5% das vendas. Os aparelhos que usam o sistema Android, do Google, têm 36,5%. O mercado deve crescer 54,4% neste ano, com 107 milhões e unidades vendidas. Já no setor de PCs, haverá uma alta de 5% para 383 milhões de unidades.

Estadão.com.br | 19 de junho de 2012 | 3h 05

CURSO | O Livro como Mídia Digital


Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Os donos do fogo


A biblioteca de empréstimos do Kindle incomodou o mercado ao relativizar a propriedade do e-book

Para o lançamento de seu mais recente tablet, o Fire, a Amazon encontrou um inesperado porta-voz na figura de Voltaire. Um anúncio de televisão, que resumia seiscentos anos de evolução do processo de publicação de forma a culminar com o Kindle Fire, foi embalado pela seguinte frase do escritor francês: “A instrução que encontramos nos livros é como o fogo [“Fire”]. Nós o buscamos nos vizinhos, o atiçamos [“Kindle”] em casa, o comunicamos com os outros, e ele torna-se propriedade de todos.

É talvez com propósito, ou com ironia, que a Amazon tenha escolhido uma citação que prega que os livros são “propriedade de todos”. Afinal, desde que o livro se tornou uma mercadoria física e estocável [mais ou menos no período de Voltaire], sabe-se que a “propriedade” de um livro divide-se entre quem o escreveu [propriedade intelectual, que seja], quem o comprou na livraria e, principalmente, quem o produziu, o detentor do copyright, a editora.

O lançamento da biblioteca de empréstimo do Kindle [Kindle Lending Library] conseguiu incomodar a todos os envolvidos — autores, agentes, editores, livrarias — ao relativizar a propriedade do livro eletrônico. Em resumo, é um sistema de assinatura, em que o leitor paga U$ 79 por ano e tem direito de baixar um livro por mês. Quando tiver lido, [ou desistir da leitura], o assinante pode baixar outro livro, e o anterior será apagado de seu Kindle. Os livros ficam brevemente em posse do leitor [no Kindle] — mas não são sua propriedade.

Um dos argumentos a favor da empreitada é a comparação com a bem-sucedida Netflix, empresa de assinatura de filmes que funciona nos mesmos moldes. Há de se considerar, porém, que o hábito de comprar filmes é bem recente. Começou com as fitas VHS nos anos 1980, passou para o DVD, e sempre conviveu com as locadoras. Já os leitores têm o peso da tradição de seis séculos de livros comprados e enfileirados nas estantes.

Assim, o que foi de fácil acepção pelo cinéfilo pode ser um choque para o leitor. A Amazon tenta anular ceticismos ao dizer que pagará às editoras, por livro “emprestado”, exatamente o que paga por livro vendido. Em resumo, ela “comprará” o livro da editora a cada vez que ele for “emprestado”. Na ponta do lápis, isso faz sentido, uma vez que uma assinatura anual de U$ 79 representa, no máximo, a venda de 12 livros ao custo unitário de U$ 6,58, o que, por sua vez, no modelo de distribuição com margem de 35%, significa preços de capa em torno de U$ 10 — não muito longe do patamar atual.

Mesmo com essa conta, as editoras continuam desconfiadas. Das grandes, somente a Houghton Mifflin Harcourt aceitou participar, porém “com oito títulos, para fazer um teste”. As Big Six, ainda ressabiadas com a pressão para abandonar o sistema de agenciamento, não querem nem ouvir falar em empréstimos.

Mais enfáticos são os agentes e escritores, que acusam a Amazon de “emprestar” livros sem a devida autorização, já que a prática não está prevista nos contratos com as editoras. A Guilda de Autores[organização de escritores] e a Associação dos Representantes de Autores [que reúne os agentes] querem que seja acordado, antes de tudo, um novo mecanismo de royalties — ou que sejam eles a negociar com a Amazon, não as editoras. [A fórmula de pagamento de direitos autorais também é uma questão a ser resolvida no projeto Nuvem de Livros, da Gol editora, como se viu em recente debate na Primavera dos Livros].

Negociação direta com os autores talvez seja exatamente o que quer a gigante de Jeff Bezos. Afinal, boa parte do que está disponível para empréstimo foi autopublicado, através das plataformas da Amazon para o escritor individual, Kindle Direct Publishing e Create Space. Outra parte veio dos selos próprios da Amazon, onde o acordo entre escritores foi fechado sem a intermediação de editoras tradicionais.

A estratégia de atrair o autor individual, no entanto, foi o que suscitou a reação mais colérica. E não foi entre as editoras tradicionais, mas entre plataformas de publicação, como a SmashWords. Tudo porque a Amazon acaba de lançar o KDP Select, um fundo de pelo menos U$ 6 milhões de dólares anuais para distribuir entre os autores que publicarem diretamente [leia-se: sem editoras ou agentes] na Amazon e liberarem seus livros na Lending Library. Pela regra, o bolo vai ser dividido entre os escritores na proporção que seus livros obtiverem no número total de empréstimos.

Considerando que, no momento, há cerca de cinco mil títulos, cada autor começa, potencialmente, com um quinhão de U$ 1.200. Segundo o próprio exemplo da Amazon, quem mantiver ao longo do ano meros 1,5% do número de empréstimos levará respeitáveis U$ 90 mil.

Mark Coker, em artigo inflamado no Huffington Post, alerta para graves riscos na iniciativa do KDP Select, e faz insinuações sombrias sobre as reais intenções da Amazon.

Aqui está a pegadinha. Na verdade, há muitos ardis no lista de Termos e Condições do programa. Alguns deles trazem implicações anticoncorrência e práticas anticomerciais. Assim que o autor inscreve seus livros no programa, ele não pode distribuir ou vender seu livro em qualquer outro lugar. Nem na Apple iBookstore, nem na Barnes & Noble, nem na Smashwords, nem na Kobo, nem na Sony — e sequer em seu blog ou site pessoal. O livro tem que ser 100% exclusivo da Amazon.

Segundo Coker, a intenção da Amazon é, em última análise, reduzir todos os papéis da indústria editorial para apenas três: os autores, os leitores e, entre eles, a Amazon. Nada de livrarias concorrentes, nada de editoras ou agentes, nada de sites de autopublicação. É o fim daquilo que ele chama de editoras e livrarias indie [independentes]. Dramático, o criador do Smashwords alerta que podemos estar nos encaminhando para uma versão editorial da Grande Fome da Irlanda, que, no século 19, matou um quarto da população morreu desnutrida depois que o país inteiro apostou em uma única fonte de alimentação: a batata.

Muitas páginas serão escritas, impressas e baixadas sobre o assunto, até que se estabeleçam as novas práticas comerciais e novos papéis. Iniciativas como a Amazon Lending Library e a Nuvem de Livros parecem indicar que o livro deixará de ser uma mercadoria para tornar-se um serviço, como a água ou a eletricidade. Pode-se apostar, porém, que, ao contrário do livro-fogo de Voltaire, o livro-Fire não será “propriedade de todos”.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 22/12/

Julio Silveira é editor, fundador da Ímã Editorial e autor do blog AUTOR 2.0.

Cenário das livrarias de eBook vai ficando cada vez mais definido


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 24/11/2011

Mike Shatzkin

A semana que passo, todo ano, na Feira do Livro de Frankfurt, é sempre a mais estimulante do meu ano de trabalho. A concentração das melhores cabeças e das pessoas mais poderosas no mercado editorial parece me levar a novos níveis de compreensão sobre nosso mundo editorial global, principalmente nesta época de rápidas mudanças.

Também conversei com um executivo de desenvolvimento de negócios de uma das empresas de tecnologia que está convertendo livros impressos e PDFs para ePub. Ele me contou que seu negócio permanece robusto, mas está se espalhando ao redor do mundo, já que novos mercados estão descobrindo que precisam colocar sua propriedade intelectual em formato digital. Concordamos que quem vive da transição digital – e isso certamente me inclui, no momento [afinal, por que você está lendo este blog?] – ainda tem mais alguns anos pela frente antes de precisar pensar em como ganhar dinheiro com a nova realidade [se precisarmos continuar ganhando a vida quando a mudança chegar].

Com os novos acordos anunciados em Frankfurt pela Kobo com a loja inglesa WHSmith e a francesa Fnac, junto com o aumento de abertura de lojas da Apple e da Amazon, o futuro cenário das livrarias de e-book está ficando cada vez mais definido. Parece que teremos três concorrentes globais principais que estarão ativos em todos os mercados – podendo ser Amazon, Apple e Kobo – e mais, talvez, um concorrente local em cada mercado. A Barnes & Noble desempenhou esse papel local de forma muito bem-sucedida, até o momento, nos Estados Unidos; a Waterstone’s vai tentar o mesmo no Reino Unido a partir do ano que vem; há competição local na Alemanha; e certamente haverá em muitos outros países, quando a revolução do e-book chegar a suas praias. O Google, sendo o Google, não vai desaparecer, mas permanecerá um concorrente relativamente marginal, pelo menos até colocarem mais energia em sua solução e na promoção do que têm.

Os acordos da Kobo servem para deixar o jogo mais claro, mesmo não mudando a situação no momento. Um observador atento da cena digital parou no meu estande em Frankfurt para discutir o acordo WHSmith-Kobo comigo e se perguntava se esse era o melhor acordo para os dois lados. A Kobo não deveria ter tentado fazer um acordo com a Waterstone’s? É inteligente para a WHSmith fazer um acordo no qual vendem os aparelhos, mas que os conecta com a loja da Kobo?

Mas isso, claro, é a chave para o acordo. A economia do aparelho não funciona, a não ser que você possa vender os e-books que o acompanham [essa é a resposta para todos os gênios que pensam que a Barnes & Noble é meio burra por não implementar o lançamento internacional do Nook!]. Nem a WHSmith nem a Fnac são somente livrarias. Os livros são apenas uma linha de produtos nas lojas que vendem outras coisas e possuem uma identidade mais ampla. Ao vender um e-reader ligado a uma loja de e-books que também serve a seus clientes, eles agregam valor para o consumidor de livros durante a transição e aumentam sua própria “vida útil” como vendedores de livros. Eles reconhecem que construir e manter uma loja de e-book não é algo trivial e, frente a vários concorrentes globais, tampouco é algo que querem empreender a partir de sua posição como livraria específica de um país.

Ao se aliar à Kobo, tanto a WHSmith quanto a Fnac podem entrar no mercado com e-readers quase ao mesmo tempo em que a Amazon entra com o Kindle. E a WHSmith, ao lançar os produtos e a loja para o Natal de 2011, deve deixar a Waterstone’s preocupada por estar alguns meses atrasada e porque quase com certeza terá uma loja menos amigável para o consumidor do que a concorrente.

A Barnes & Noble alcançou um incrível sucesso estabelecendo-se em segundo lugar no mercado de e-books dos EUA, mas sua situação pode acabar sendo única. Primeiro de tudo, estão no maior mercado de e-books [por valor, apesar de que mercados mais pobres podem ultrapassá-los em termos de unidade em algum momento] que veremos em uma década ou mais. Segundo, é uma livraria muito séria que construiu fortes relacionamentos entre as editoras no mundo todo, já há vários anos. E, terceiro, a maneira como executaram o seu plano para o mundo digital foi quase perfeita. Mesmo com este precedente como exemplo, não há nenhuma garantia de que a Waterstone’s, ou qualquer outra, possa repetir em outro mercado o que eles fizeram nos EUA.

Se for um jogo global e você tiver um concorrente global, assim como “todo um eco-sistema” que exige aparelhos ligados a uma livraria de conteúdo digital bem estocado e bem apresentado, podemos ver a briga sendo realizada pelos outros concorrentes tentando competir com Amazon, Apple e Kobo, seja Google, Copia, Sony, Blio da Baker & Taylor, ou os estreantes financiados em colaboração com as editoras: Anobii na Grã-Bretanha e Bookish nos EUA.

Se todo o resto for igual, posso ver um mercado global de e-books que, daqui a alguns anos, será 90-95% controlado por Amazon, Apple, Kobo e concorrentes locais em cada país, com o Google ficando com a maior parte do resto. O Google pode usar sua força nos títulos da cauda longa, porque descobrir conteúdo obscuro ou voltado para nichos poderia ser o seu forte; um editor universitário me contou em Frankfurt que já está vendo algum crescimento real em suas vendas no Google, algo que não ouvi de nenhum outro editor comercial ainda.

Mas muitas coisas podem não permanecer iguais. Uma fonte bem informada, da Digerati europeia, me contou que a Comissão de Competição Europeia pode proibir o modelo agência na União Europeia. Se isso acontecesse, seria uma grande ajuda para a Amazon. É irônico que o concorrente maior, mais forte e com mais dinheiro no mercado de vendas de e-books possa ganhar uma vantagem competitiva tão enorme dada por burocratas que ostensivamente querem estimular um mercado mais competitivo. As editoras podem ter suas dificuldades para compreender a transição digital, mas parece que as burocracias governamentais do mundo podem estar bem mais confusas do que as editoras.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 24/11/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais

Kindle pode forçar corte de preços em tablets Android


As companhias de tecnologia asiáticas sofreram pressão de corte de preços de seus computadores tablet depois que a Amazon.com lançou o Kindle Fire por US$ 199.

Empresas de Samsung Electronics à Sony, os grandes fabricantes asiáticos de tablets têm planos ambiciosos para enfrentar a Apple, cujo iPad é o aparelho de referência nesse mercado crescente.

Mas com produtos claramente parecidos e preços muito próximos aos US$ 499 dólares do iPad básico, nenhuma delas conseguiu capturar mercado significativo junto aos consumidores da Apple.

Até o momento, a Samsung vem sendo a candidata mais convincente a rival do iPad, e alguns analistas sugeriram que ela poderia perder sua segunda posição no mercado de tablets para o Fire.

A campanha de marketing dos tablets da companhia sul-coreana também vem enfrentando problemas nos últimos meses devido aos esforços judiciais da Apple para impedir a venda de tablets Samsung na Austrália, Estados Unidos e Alemanha, alegando violações de patentes e outras irregularidades.

O Kindle Fire, embora não disponha de muitos dos recursos mais avançados comuns em outros tablets, de câmeras a conexão 3G, pode representar o ponto final para muitos dos aparelhos concebidos em torno do sistema operacional Google Android.

“A escolha de preço é crucial para ganhar força no mercado de tablets. Os fabricantes rivais não conseguiram atrair consumidores porque acompanharam o preço do iPad sem acompanhar sua oferta de conteúdo”, disse Adam Leach, analista do grupo de pesquisa Ovum.

“O modelo de negócios da Amazon, que tem por base o varejo, permite que a companhia subsidie o aparelho sob a premissa de que seus usuários comprarão mais em seus sites, seja conteúdo digital, sejam produtos físicos.”

Galaxy Tab, da Samsung; Xoom, da Motorola Mobility; e muitos outros aparelhos da Acer e Asustek funcionam com o Android, que a Amazon também usa no Kindle Fire, combinado à sua loja on-line.

DA REUTERS, EM SEUL | Publicado por Folha.com | 29/09/2011 – 11h12

Escola do Livro: Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa | 27 de Setembro de 2011

O que as pequenas editoras, os agentes e os autores precisam saber sobre publicação de eBooks


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 14/09/2011

Mike Shatzkin

Com a aceleração na passagem de um mundo editorial centrado na impressão para outro, centrado no digital, estão surgindo cada vez mais editoras digitais.

As maiores editoras, com os recursos de departamentos de TI sofisticados para guiá-las, já são parte do jogo há alguns anos e estão prestando muita atenção desde que o Kindle foi lançado pela Amazon no final de 2007. Mas com o crescimento do mercado, também aumentou o ecossistema. Há três anos era possível alcançar uma boa parte do mercado de e-books através de uma única livraria, a Amazon, num aparelho que realmente só conseguia mostrar livros de texto narrativos lineares; agora temos muitas opções para chegar ao consumidor por causa da maior variedade de aparelhos e com apresentações que podem ser sofisticadas.

Serviços gratuitos ou muito baratos oferecidos na internet a toda editora – de qualquer tamanho –, todo agente literário e todo aspirante a autor sugerem “você pode fazer isso” e dão a entender que pode ser feito “de maneira eficiente e sem muita ajuda”. Na verdade, serviços como o KDP [Kindle Direct Publishing] da Amazon, o PubIt! da Barnes and Noble e provedores de serviços comoSmashwords e BookBaby, oferecem a possibilidade de criar um e-book a partir do seu documento e distribuí-lo através da maioria das livrarias, para quase todo os aparelhos e quase de graça.

É realmente assim tão simples? Dá para suspeitar que não, já que agências literárias estão criando editoras de e-books [por exemplo: a Diversion, agência de Scott Waxman] e um pacote de serviços [por exemplo, a The Knight Agency em Atlanta] e consultoria para ajudar os seus autores. E num nível um pouco acima, as empresas de distribuição de e-books [por exemplo: MintRight] e editoras somente de e-books [por exemplo: Open RoadRosetta, e a avó de todas elas, a e-Reads de Richard Curtis] estão criando mais alternativas, às vezes até proposições explicitamente voltadas para os agentes. Se publicar e-books para todos os canais fosse realmente uma simples questão de fazer o upload de um arquivo, dificilmente seria necessário construir toda essa infraestrutura.

Sabemos que editoras pequenas, agentes literários e autores estão se transformando em editores a uma taxa incrível. Há dois anos, quando eu estava tentando organizar um painel de agentes literários para conversar sobre o trabalho com autores com base em cobrança por serviços no lugar de uma parcela dos royalties, foi difícil encontrar voluntários para discutir novos modelos. Há duas semanas, um grande agente de fora de Nova York me disse: “todos temos de pensar sobre isso agora; não temos alternativa”.

Resumindo, não são apenas as grandes editoras que estão dispostas a desenvolver uma estratégia digital para ajustar seus negócios aos novos tempos. Os competidores menores, os agentes que dependem da distribuição do seu conteúdo e até os autores que dependiam de editoras cujo negócio sempre foi transformar um manuscrito num livro, estão todos encarando uma nova realidade. Precisam considerar quais novidades poderiam reduzir ou eliminar a necessidade de uma editora ou pelo menos reduzir sua participação.

Apesar da estratégia correta para cada um depender de fatores que diferem para cada caso, há coisas que todos os que estão entrando nesta arena precisam saber e entender.

Primeiro de tudo, quais são todas as coisas que os editores fazem para que o manuscrito se transforme em uma venda? Todas elas são necessários? Quanto custam? Edição e desenvolvimento, revisão, design, criação de metadados: são coisas feitas rotineiramente nas editoras. Elas são críticas para todo livro? Um leitor/comprador notaria se um editor novato deixasse de fazer alguma delas? Os serviços que prometem fazer e distribuir um e-book sem investimentos fazem essas coisas bem?

Os e-books em si se tornaram cada vez mais complicados. O padrão ePub [usado por quase todo e-book não direcionado ao ecossistema Kindle] melhorou para enfrentar o desafio das apps e conseguir incluir cor, vídeo, áudio e elementos de software. Todo mundo que sabe que “você recebe pelo que paga” espera que os e-books mais complexos custem mais e deem mais trabalho para ser criados do que e-books de texto narrativo tradicional. Mas o que constitui algo “complexo”? E quanto dinheiro a mais custa esse “dar mais trabalho” para o editor que quer distribuir um e-book mais complexo do que simplesmente texto?

O marketing de e-books também exige todo um novo conjunto de conhecimentos e habilidades. A chave para todo o marketing de e-book é a metadado que o acompanha. Códigos que viajam junto com o arquivo especificando a informação bibliográfica central e o preço, mas que podem também representar muito mais do que isso a uma livraria ou um mecanismo de busca. Search engine optimization [SEO] é a arte de criar metadado que faz com que o livro tenha mais possibilidades de ser encontrado em resposta a diversas buscas; isso é outro conhecimento que novos editores de e-books precisam ter.

Este é apenas o começo do que é possível [e portanto necessário] no marketing de e-book. Trechos de capítulos podem ser distribuídos de graça. Sites podem ser convidados como parceiros…

E autores e editoras podem, e devem, fazer “marketing nas redes sociais”: usar o Twitter e o Facebook para comentar em perfis de grande audiência para chamar a atenção e ganhar credibilidade com audiências mais amplas. Isso significa mais conhecimento a ser adquirido.

Qualquer novo editor vai precisar entender os caminhos para o mercado. É verdade que a Amazon tem mais da metade das vendas de e-books nos EUA e a Barnes & Noble tem a metade do que sobra. Mas isso não acontece com todo livro e ignorar os outros deixa um bom pedaço do mercado inexplorado, sendo que as coisas estão mudando muito rapidamente [a participação da Amazon no mercado caiu muito nos últimos dois anos]. A OverDrive é o principal caminho para as livrarias. A Ingram agrega muitas lojas independentes. A Baker & Taylor está abrindo mercados entre grandes varejistas. A Kobo é tão importante no Canadá quanto a B&N nos EUA e trabalha em outros mercados no mundo todo. A Google tem o ecossistema de e-books que está entrando com seriedade entre as livrarias independentes. A Sony está para apresentar novos aparelhos que podem aumentar a sua importância no mercado. E a Apple está fazendo o máximo para dominar as vendas para seus aparelhos, que constituem uma grande fatia do bolo dos consumidores de e-books.

É possível chegar a todos esses canais diretamente, mas também existem muitos serviços para fazer o trabalho incrivelmente complexo de distribuir e administrar estes múltiplos canais. Perseus ConstellationIngram DigitalINscribe DigitalLibreDigital [recém comprada pela Donnelley] eBookmasters, assim como os serviços automatizados: Smashwords, BookBaby e MintRight que já mencionamos, além de outros, oferecem pacotes de serviços que fazem as mesmas coisas e ajudam com as necessidades de criação e marketing também.

Como falamos no começo, as maiores mudanças no mercado editorial estão acontecendo na comunidade de agentes. O que foi um modelo de negócio estável durante gerações está agora, repentinamente, mudando. Parece que há tantos modelos e posturas novas quanto agências literárias. Isso acrescenta outra coisa que todas as e-editoras – algumas formadas por agentes, outras por pequenas editoras tradicionais ou escritores – precisam saber e compreender. As relações entre autores, agentes e editores estão ficando muito mais complicadas e todo mundo precisa passar algum tempo pensando nisso e discutindo o seu significado.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 14/09/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Primeiro livro de Harry Potter virá de graça no novo Sony Reader


Aparelho deve chegar às lojas europeias em outubro

De acordo com Graeme Heil, do The Bookseller, a versão em inglês de Harry Potter e a pedra filosofal poderá ser baixada gratuitamente por quem comprar o novo Sony Reader, que deve chegar às lojas na Europa em outubro – primeiro no Reino Unido. Nos Estados Unidos o novo aparelho deve custar US$ 149. O e-reader, com conexão wi-fi, também permitirá que seus usuários emprestem livros de bibliotecas, via Overdrive. O site também informa que o novo modelo de e-reader da Sony será construído em material plástico e terá 2GB de memória [que pode ser ampliado com um memory card], o que permite o armazenamento de cerca de 1.200 livros. A Sony anuncia também tela multitouch e web browser integrados ao novo equipamento.
Por Ricardo Costa | PublishNews | 05/09/2011

Sony prepara novos e-readers para desafiar Amazon


Aposta nos livros eletrônicos se deve aos baixos preços do aparelho em relação aos tablets

A Sony pretende lançar uma nova linha de e-readers nos Estados Unidos ainda em agosto para competir com o Kindle da Amazon.

Os novos leitores de livros eletrônicos da Sony deverão oferecer melhorias no hardware e no software, segundo afirmou Phil Lubell, vice presidente da divisão de livros digitais da Sony, em entrevista em San Francisco nesta quinta-feira.

A razão para a Sony continuar apostando nos e-readers se deve aos baixos preços do aparelho em relação aos tablets. “Nós acreditamos que ainda haverá mercado para os e-readers enquanto os tablets permanecerem na faixa dos US$ 500”, afirmou Lubell.

Os números dão razão ao vice presidente. Atualmente, o Kindle custa US$ 114 contra US$ 499 do iPad 2 nos EUA, e mesmo o iPad mais barato é 67% mais caro que o melhor e-reader da Sony.

Além disso, o número de americanos que optou por um e-reader como o Kindle ao invés de um tablet dobrou nos últimos seis meses até maio, de acordo com levantamento da Pew Research Center.

Se confirmados para agosto, os novos produtos serão lançados no mercado norte-americano antes dos modelos de tablets da Sony, programados para chegar às lojas ainda este ano.

Por Pedro Sirna | MSN Tecnologia |  15/7/2011 – 16:51 | Fonte: Bloomberg

Leitor eletrônico terá integração com plataforma do Google


A varejista norte-americana Target vai começar a vender em breve um novo leitor eletrônico que concorrerá com o Kindle, da Amazon.com, e o Nook, da Barnes & Noble.

O iRiver Story HD é o primeiro leitor eletrônico a ter integração completa com a plataforma eBooks, do Google, afirmou a Target em comunicado nesta segunda-feira [11].

Ele custará US$ 139,99 e será vendido a partir de 17 de julho, acrescentou a empresa.

Durante o primeiro trimestre, o Color Nook, da Barnes & Noble, ajudou a companhia a liderar o mercado de leitores eletrônicos pela primeira vez, de acordo com a empresa de pesquisa IDC.

O Kindle, da Amazon, foi o segundo, mas a ausência de uma opção de tela colorida claramente impactou o domínio antecedente da companhia no mercado de leitores eletrônicos“, disse o IDC em relatório na semana passada.

O IDC prevê que 16,2 milhões de leitores eletrônicos serão vendidos neste ano mundialmente, aumento de 24% sobre 2010.

A Target cobra de US$ 114 a US$ 189 pelo Kindle, dependendo da versão. A varejista também vende leitores eletrônicos da Sony, Kobo e Pandigital, assim como o iPad, da Apple, de acordo com o site da empresa.

DA REUTERS, EM SAN FRANCISCO| 11/07/2011 – 15h47

Multinacionais juntam forças para lançar serviço de eBook


Será que a Panasonic desenterrou o projeto Sigma?

A Amazon revolucionou o mercado de livros quando lançou o Kindle. Hoje podemos comprar um livro da Amazon sem precisar esperar semanas para recebê-lo. Pagou, recebeu instantaneamente no eReader. Desse tempo para cá surgiram milhares de eReaders de várias marcas, cada um com uma loja prória e distribuição diferente, ou seja, o usuário ficava refém do fabricante.

Mas no Japão o cenário está mudando com um acordo interessante, quatro pesos pesados da indústria de tecnologia – Sony, Panasonic, Rakuten e Kinokuniya – juntaram forças para unir o mercado de eReaders.

Todas continuarão fabricando seus próprios aparelhos, a unificação ficou na venda. O usuário poderá comprar o livro e lê-lo em qualquer eReader dessas companhias. Desta forma, quando o consumidor japonês comprar um livro eletrônico, o livro não vai ficar preso à uma plataforma eReader, como acontece hoje com o Kindle da Amazon, e sim, ele ficará ligado ao usuário, o que permite que o livro possa ser passado para outro eReader no caso de troca do aparelho.

Esse é um grande passo na indústria de livros, mas não há perspectivas dessa plataforma ser mundial, ficando restrita apenas ao mercado japonês. Também as empresas não se pronunciaram quanto à possibilidade de incluir o Kindle da Amazon na plataforma unificada de venda de livros eletrônicos, deixando de fora parte do mercado americano.

Por Daniele Monteiro | Para o TechTudo | 14/06/2011

Aplicativo ajuda editoras a burlar comissão da Apple


A companhia de tecnologia digital Yudu lançou um serviço nesta quinta-feira que permite que editoras de revistas evitem a comissão de 30 por cento cobrada pela Apple na entrega de conteúdo a iPhones e iPads pela App Store.

O Yudu, cujas ferramentas de publicação online ajudam empresas a adaptarem seus conteúdos para computadores tablet, smartphones e leitores de livros digitais, afirmou que a Apple reconheceu o serviço como adequado a seus termos e condições. A Apple não comentou o assunto de imediato.

O novo sistema de assinatura do Yudu, cujos clientes incluem a Reader’s Digest e a Haymarket, permite que os usuários baixem publicações em aparelhos da Apple por meio da App Store, mesmo quando a compra é feita diretamente com a editora.

A Apple, que tem um longo histórico de relações tensas com as empresas de mídia, recentemente impôs novas regras para tentar forçar editoras a passar pela App Store, permitindo à empresa recolher comissões de venda e informações de clientes.

A Apple bloqueou o aplicativo de livros digitais da Sony porque ele permitia que os usuários lessem em seus iPhones livros comprados pela loja da companhia japonesa.

Por Rafael Cabral | ESTADÃO.COM.BR | Link | 5 de maio de 2011 | 16h32 | Com informações da Reuters

Sony e-reader possui as funções básicas para um leitor de livros eletrônicos


O Sony PRS-505 é um bom e-reader que além de permitir a leitura de livros digitais oferece recursos para ouvir músicas e ver fotos. Ele é fino, tem um visual sofisticado e apesar de não ser touch screen, possui tecnologia de “tinta eletrônica”. Isso faz com que ele se aproxime de um livro real.

Design

O visual do e-reader é agradável. Nada muito diferente de outros aparelhos do tipo. Ele não possui tela sensível ao toque, mas seus botões são de fácil utilização. Algumas pessoas até preferem botões físicos, ao invés de telas touch screen, porque possuem dificuldades para selecionar os itens que desejam.

Sony Reader tem tecnologia de tinta eletrônica

O PRS-505 vem envolto por uma capa que imita couro, para evitar danos ao material, que possui superfície fina e pode sofrer arranhões.

Tela

As seis polegadas em e-ink pearl tornam o e-reader um bom suporte para leitura. Através da tecnologia de tinta eletrônica, você consegue enxergar a página mesmo que em lugares com exposição à luz.

Se o e-reader possuísse a mesma tela de um celular, com luz no fundo do display, você não conseguiria ler confortavelmente na praia, por exemplo. Seria necessário fazer uma proteção com a mão, para poder visualizar o que está escrito. Do mesmo jeito que fazemos com os celulares.

Além disso, apesar se não ser colorida, a tela com oito escalas de cinza exibe bem as diferenças entre tons.

Memória

Em nossos testes, conseguimos acrescentar no Sony e-reader até 24GB, por meio de cartões de memória. Isso foi possível graças aos slots para SD e MemoryStick que o e-reader oferece.

O próprio Sony PRS-505 possui 192 MB de memória interna. Com essa capacidade, a Sony garante para os usuários até 160 e-books para ler. Outra carcaterística interessante é que a Sony disponibiliza 100 clássicos da literatura mundial gratuitamente.

Você também pode transformar conteúdo de blogs com RSS no PC e sincronizar com o e-reader para poder ler quando quiser.

Outros recursos

O leitor roda bem textos em PDF, TRF, TXT e outros formatos. Existem três níveis de zoom para as fontes e os textos podem ser lidos na horizontal ou na vertical. Também é possível realizar marcação nas páginas, mas não tem como fazer anotações.

Você também pode ouvir músicas no Sony e-reader. Ele suporta arquivos MP3 e ACC e possui entrada para fone de ouvido na lateral.

Por Arize Oliveira | Publicado em TechTudo | 11/Abr/2011 14h33

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Cátalogo e Conteúdo para Livros Digitais

Apple confirma mudança na regra sobre aplicativos para eBooks


A Apple confirmou que quer um corte de vendas da Amazon Kindle feito através dos seus aplicativos no iPhone. A gigante empresa de tecnologia disse que não permitirá mais aplicativos para vender conteúdo através de uma ligação separada do seu navegador, a menos que os clientes também tivessem a opção de comprar os mesmos títulos por meio de uma aplicação através do seu próprio sistema, o que acarretaria um custo adicional de 30%.

A aparente confirmação segue um dia de confusão após a Sony afirmar que a Apple rejeitou seu aplicativo de livro digital, pois não permitiria que os clientes comprassem eBooks no ambiente Apple. Inicialmente, não estava claro se isso era uma mudança de regra da Apple ou se era um erro da Sony.

Mas Trudy Muller, porta-voz da Apple, afirmou à Bloomberg que tinha alterado algumas das suas exigências: “Mudamos não termos ou diretrizes de desenvolvedor. O que agora estamos requerendo é que, se um aplicativo oferece aos clientes a possibilidade de adquirir livros fora da nossa app, que também dê opção para os clientes comprarem de dentro da nossa própria app“.

Apps de vendas como as do Kindle da Amazon permite que os usuários comprem conteúdo através de uma janela separada do “navegador” da Apple e que até agora fez com que eles não tivessem de pagar taxa de 30% à Apple.

Alguns sites alegou que, de fato, não houve nenhuma mudança nos requisitos da Apple, mas que a Sony tinha sido apanhada de surpresa depois de tentar fazer as suas compras fora do ambiente de aplicativo da Apple.

Mas, o melhor que podemos dizer, a Apple agora exige que todos os aplicativos disponíveis permitam compras dentro da App Store, o que se torna uma grande dor de cabeça para Amazon, Kobo, WH Smith e Barnes & Noble.

A questão é ainda mais complicada uma vez que significa que preços maiores devem ser aplicados em todos os eBooks onde quer que eles sejam vendidos, ou seja, os varejistas que comercializam através da App Store iria tomar uma ‘batida’ de 30%.

A Amazon se recusou a comentar à imprensa sobre essa política de pagamento, se significaria que ela teria de mudar a sua aplicação Kindle, na Apple.

Segundo o New York Times: “É altamente improvável que a Amazon, a Sony ou outros players estejam dispostos a compartilhar receitas de eBooks ou até mesmo a informação dos clientes com a sua concorrente, a Apple, que vende seus próprios eBooks em seu iBookstore“. O “NYT” relatou que a mudança só está sendo aplicada a livros eletrônicos no momento.

Por Philip Jones | Publicado originalmente em The Bookseller | 02/02/11