Autopublicação – as maravilhas e agruras de cada plataforma


Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Para quem quer publicar e-books de modo independente no Brasil, há muitas opções, desde as plataformas mais conhecidas – como o Kindle Direct Publishing [KDP], da Amazon, o Kobo Writing Life [KWL], da Kobo, e o iTunes Connect, da Apple, para ficar naquelas que têm interface em português – até iniciativas locais que começam a surgir, como a Simplíssimo e a Bibliomundi. As promessas variam pouco: liberdade total para o autor; % expressivo do preço de capa; disponibilidade do seu e-book para muitas lojas virtuais mundo afora.

Depois de realizar uma série de testes com as principais plataformas, reparto aqui com vocês as experiências e aprendizados colhidos. Espero que possam ajudar a definir seu próprio plano de autopublicação.

Quais as opções?

Certamente há muitas alternativas que não experimentei, mas posso contar para vocês o que achei da Amazon, da Kobo, da Apple e da Smashwords, da qual desisti logo que as outras aportaram aqui no Brasil. Quanto às plataformas novas que estão chegando, vou me limitar a deixar os links para vocês, pois não as testei ainda.

Amazon KDP [Kindle Direct Publishing] – exclusividade ou poligamia?

Quando você vai iniciar o processo de publicação no KDP, de modo muito simples e rápido, como já expliquei aqui, perceberá a tentativa de sedução para aderir ao KDP Select. Aliás, recentemente a Amazon lançou um concurso literário para arrebanhar autores de contos, e um dos critérios para inscrição é que o conto / e-book seja publicado com adesão ao KDP Select.

São inúmeras as vantagens oferecidas: maior % de royalties, possibilidade de realizar promoções de distribuição gratuita do e-book [o que pode ser uma utilíssima estratégia de divulgação] e entrar na divisão do fundo global do KDP Select [em junho/15 o valor total a ser dividido entre os autores do KDP Select era de 8,7 milhões]. Parece óbvio que é melhor aderir, não né? Claro que não. Especialmente depois que o critério de pagamento relativo aos serviços de assinatura Kindle Unlimited [uma espécie de “Netflix de livros”] passou a ser feito pelo número de páginas do seu e-book efetivamente lido, ao invés do download simplesmente.

Aderir ao KDP Select significa que você só poderá colocar o seu e-book nessa plataforma. Ou seja, nada de facilitar a vida dos usuários da iBookstore nem agradar aos que já se acostumaram a compras online no site da Cultura.

Isso pode funcionar, entretanto, em alguns casos. Se o seu público-alvo [caso você conheça bem seus hábitos] prefere o Kindle a outros e-readers ou aplicativos de leitura, se ele é um fã dos bons serviços prestados pela Amazon, ou se sua obra está disponível em inglês e você tem chance de conseguir espaço na Amazon USA, talvez valha a pena.

Os relatórios de acompanhamento de vendas e leituras pelo serviço de assinatura são atualizados a cada hora, e o autor tem como saber em qual das lojas seu livro foi adquirido [mas pode haver desvios, pois eu, por exemplo, continuo comprando através de minha conta na Amazon USA].

Quanto ao processo de publicação em si, fiz há algum tempo uma resenha aqui [http://www.mauremkayna.com/publicando-na-amazon-com-br/]. É um artigo de 2013, mas o conteúdo todo continua válido.

Kobo Writing Life

Esta plataforma, embora disponível para autores brasileiros e com a grande vantagem de disponibilizar seus e-books na Livraria Cultura, não é toda disponível em português e tem uma chatice relevante quanto ao pagamentos dos royalties. Talvez o seu banco não esteja entre os bancos brasileiros pré-cadastrados no KWL, e então você precisará pedir help in English para o pessoal simpático da Kobo. Eles respondem relativamente rápido, mas talvez você tenha de se informar com seu banco a respeito do recebimento de remessas em moeda estrangeira. Você também precisará informar à plataforma o código Swift do seu banco para poder receber o pagamento, que é feito em dólar.

Outra peculiaridade é que os pagamentos só são enviados quando você acumular ao menos US$100 a receber. O registro da experiência que fiz com o KWL está aqui: http://www.mauremkayna.com/experiencia-de-auto-publicacao-kobo-writing-life/

iTunes Connect – Apple

Até bem pouco tempo atrás, vender na Apple exigia a obtenção de um número ITIN, um processo não tão complicado, mas que exigia realizar uma ligação internacional e se comunicar em inglês para prestar uma série de informações. Isso tudo tinha a ver com questões tributárias. Nunca tive paciência para fazer isso e acreditava que não venderia o bastante para recuperar o custo da ligação [é, não sou mesmo otimista quanto ao potencial de venda dos meus e-books, e não é por achá-los assim tão medíocres], por isso, só utilizava a plataforma para distribuição gratuita.

Como meus primeiros testes com a iBookstore começaram a partir da ferramenta [ótima, aliás] iBooks Author, tive uma série de dificuldades com o controle de qualidade da Apple. Contei a saga aqui: http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-iii/

Superadas essas travas, o que posso comentar da Apple é que a visibilidade e a facilidade de venda, mesmo para autores desconhecidos, é muito grande em comparação com outros meios. Talvez pela facilidade oferecida aos usuários no processo de download e até de pagamentos. Tive um volume de downloads impressionante do e-book Contos.com para quem não investiu em divulgação, não escreve literatura Young Adult ou qualquer outro estilo pop e não é celebridade. Não, não acho que isso se deva à descoberta de meu talento, mas à penetração dos produtos Apple e ao modo intuitivo [e também compulsivo] como as pessoas podem comprar / fazer downloads na plataforma.

As outras

Esse título fica meio pejorativo, eu sei. Mas deixemos como provocação. Cheguei a acompanhar e fazer experiências com a Publique-se, da Saraiva [http://www.mauremkayna.com/outras-experiecias-de-auto-publicacao-publique-se/] e com Smashwords http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-ii/.

Recentemente, vi que a Simplíssimo, que tem grande expertise na produção de e-books [lindos, aliás!], lançou uma plataforma para o autor. Agora com a possibilidade de conversão gratuita e distribuição nas principais lojas online e com royalties de 70% para o autor. Confesso que não testei, mesmo porque não tenho assim toneladas de textos disponíveis para publicação, mas o funcionamento é conceitualmente similar ao do Smashwords, pois seu livro é publicado nas lojas da Amazon, Google Play e Apple sem que você tenha de se cadastrar diretamente em cada uma.

Na Flip, houve o lançamento de uma outra plataforma chamada Bibliomundi, cuja proposta é similar, mas o site ainda está, parece, apenas captando e-mails.

Temos também a e-galáxia [http://e-galaxia.com.br/] que, além de fazer a publicação / disponibilização em várias lojas online, também oferece um catálogo de prestadores de serviço para revisão, edição e capa. Vale comentar que a e-galáxia conseguiu emplacar diversos e-books de contos avulsos como top list na iBookstore, graças a um bom trabalho de divulgação em um selo com curadoria.

Conclusões

A possibilidade de publicar sem intermediários é incrível. Nada de esperar meses pela negativa de uma editora ou amargar o silêncio perpétuo. Há algo, porém, que vale como dica para qualquer das plataformas que o autor venha a escolher [podem ser todas, simultaneamente, aliás]: é preciso ter senso de realidade! Com isso, quero dizer que esperar que o fenômeno E.L. James se repita com você pela simples disponibilização da sua obra para o mundo inteiro na Amazon ou na iBookstore é ingênuo. Se você acreditar que o fato de seu e-book estar disponível para venda em mais de 50 países fará com que o mundo se renda aos seus talentos, bastando postar o link para compra do seu e-book, penso que isso é quase caso de internação ou uso de medicamentos controlados. Ou, trocando em miúdos, vender livros em papel já não é fácil nem frequente se você não é conhecido, e vender e-books, no Brasil, é ainda mais difícil, especialmente dependendo do gênero que você escreve, pois a resistência de certos públicos ao formato ainda persiste.

Mas o objetivo desse parágrafo não é jogar um balde de água fria [ainda mais em pleno inverno!] na sua animação, e sim indicar que, se quiser seguir o caminho da autopublicação, vai ter que ralar. Pense, portanto, sobre o tempo de que você pode dispor para trabalhar com a publicação e a divulgação. Isso poderá fazer você decidir entre a opção de publicar em todas as plataformas ou traçar um plano específico para uma delas, ou ainda, se decidir por alguma aglutinadora como Simplíssimo ou Smashwords. Mas tenha uma certeza: publicar não é o último passo, e sim o primeiro.

Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Sou engenheira e escritora [talvez um dia a ordem se altere], bailo flamenco e venho publicando textos em coletâneas, revistas e portais de literatura na web, além de apostar na publicação “solo” em e-book desde 2010. A seleção de contos finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2009 – Pedaços de Possibilidade, foi meu primeiro e-book; depois por puro exercício e incapacidade para o ócio, fiz outras experiências de autopublicação, testando várias ferramentas e plataformas para publicação independente.

Autopublicação nunca foi tão fácil, mas fama e dinheiro são escassos


FRANKFURT | Para qualquer escritor frustrado por rejeições de editoras ou querendo cortar intermediários, nunca houve um momento mais fácil ou mais barato de ser um autor autopublicado.

Uma série de plataformas gratuitas de autopublicação oferecidas por Amazon, Apple e especialistas como Smashwords criaram novas oportunidades e um enorme mercado tanto para desconhecidos que galgam lugares mais altos quanto para alguns escritores estabelecidos.

Louvada por alguns pois teria democratizado o mercado, e criticada por outros pois teria banalizado a cultura literária, a autopublicação transformou o que significa ser um escritor. Simplesmente enviar um arquivo PDF e gastar um pouco com o design da capa pode transformar qualquer um em um autor publicado em uma plataforma de livros digitais como o Kindle, da Amazon, recebendo até 70 por cento do preço de capa.

O papel tradicional das editoras – fazer a seleção entre vários manuscritos, editar os selecionados e criar o pacote, fazer o marketing e distribuir o livro finalizado – foi eliminado. As editoras, no entanto, não estão muito preocupadas. A autopublicação pode funcionar a favor delas também.

A escritora E.L. James é um exemplo. Seu livro “Cinquenta Tons de Cinza” foi autopublicado. A obra foi então selecionada pela Random House e se tornou o livro de formato brochura, conhecido como “paperback” nos Estados Unidos, com vendas mais rápidas de todos os tempos, impulsionando Erika ao topo da lista da Forbes de autores mais bem pagos em 2013.

Poucos escritores autopublicados verão esse tipo de sucesso. Mas aqueles que promoverem ativamente seus próprios trabalhos e definirem preços com perspicácia – às vezes tão baixos quanto 99 centavos por cópia – podem conseguir uma audiência de massa.

Muitos livros autopublicados, embora não atendam os padrões que editoras estabelecidas podem desejar, são bons o bastante“, disse o editor-chefe da revista online Publishing Perspectives, Edward Nawotka.

Eles tem preços em um ponto que atende a demanda do leitor”, disse ele à Reuters durante a feira de livros de Frankfurt. “Acredito que isso tenha ampliado o mercado para livros.

Cerca de meio milhão de títulos foram autopublicados somente nos Estados Unidos, um aumento de 17 por cento na comparação anual e um salto de 400 por cento ante 2008, de acordo com relatório publicado na semana passada pela empresa de informações bibliográficas Bowker.

Para se conseguir viver da escrita é preciso uma sorte incrível, ou determinação e senso de negócios, afirma a escritora alemã de ficção Ina Koerner. Ele vendeu mais de 300 mil livros pela Amazon sob o nome Marah Woolf.

Você tem que entregar um livro a cada meio ano, caso contrário será esquecido”, disse a autora de 42 anos, mãe de três filhos, à Reuters durante a feira, maior do gênero no mundo. “Eu escrevo para um mercado e o livro é um produto.

Ina vende seus livros a 2,99 euros [3,79 dólares]. Ela fica com dois euros e a Amazon com o restante.

Reuters | 13/10/2014, às 13h55

Nova regra de ‘Netflix para livros’ enfurece escritores independentes


O escritor inglês Dave Robinson, 50, é um dos leitores que aderiram a um novo tipo de serviço para consumo de livros digitais que pode revolucionar o mercado.

Ele assinou o Kindle Unlimited, que a varejista on-line Amazon lançou no último dia 18, apenas nos EUA.

O funcionamento é simples: por US$ 9,99 [R$ 22,26] ao mês, o leitor tem acesso a mais de 600 mil títulos. O produto vem sendo chamado de Netflix para livros, em referência ao serviço em que é possível assistir a séries e filmes on-line por um valor mensal.

Para o inglês, a vantagem é a variedade de séries de ficção científica. “Mesmo a quatro dólares por um livro impresso, uma série inteira de oito volumes acaba ficando cara. Por dez dólares eu posso ler tudo e ainda tentar outros“, escreve ele num fórum dedicado a discutir e-books.

A Amazon não revela quantos leitores já fizeram a assinatura nem quando o serviço deverá vir ao Brasil.

A chegada de uma gigante do varejo movimenta um setor ainda pouco explorado. As iniciativas mais antigas na área –a Oyster e a Scribd–, nos EUA, são de 2013.

Editoria de Arte/Folhapress

Para o analista Carlo Carrenho, fundador do Publishnews, os próprios editores ainda não sabem qual será o impacto nas vendas. “Isso altera o modelo de negócio.

A mudança é na remuneração às editoras e aos autores, que deixam de ganhar por livro comprado e passam a receber por livro lido. No caso da Amazon, o leitor tem de atravessar pelo menos 10% do exemplar para que os autores tenham retorno.

A discórdia cresceu especialmente entre independentes, segundo o fundador da Smashwords, empresa que distribui e-books autopublicados para lojas virtuais.

Segundo o americano Mark Coker, 49, a forma de pagamento “imprevisível” da Amazon e o tratamento preferencial dado a grandes editores enfureceu os autopublicados.

A Amazon remunera os pequenos por meio de um fundo global variável. Escritores independentes ganham uma porcentagem a partir do montante total desse fundo.

A varejista também exige exclusividade deles. Já as grandes editores recebem o valor sobre o preço de capa do livro vendido.

No Brasil, por enquanto, o momento das editoras ainda é de observação do modelo, diz a presidente do sindicato da categoria, Sônia Jardim.

Me parece interessante no caso de livros universitários. Quem sabe não iniba a xerox.

Esse gênero de biblioteca tem exemplos aqui. A Nuvem de Livros e a Árvore de Livros são iniciativas com estratégias financeiras mais amigáveis às editoras: a remuneração não está condicionada à leitura.

A Nuvem paga autores e editoras um valor mensal. Já o contrato de remuneração da Árvore conjuga empréstimo e número de exemplares.

Para o presidente da Árvore, Galeno Amorim, a ampliação de bibliotecas digitais aumentará o número de leitores.

POR ALAN SANTIAGO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 26/07/2014, às 02h32

Autores independentes vão ganhar mais do que autores tradicionais


Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 29/04/2014 | Tradução: Marcelo Barbão

No meu último post previ que os autores de e-books independentes conquistarão 50% do mercado de e-books nos EUA em 2020. Hoje, estou olhando as implicações disto de outro ângulo – os ganhos dos autores. Hugh Howey recentemente jogou um pouco de luz sobre esta questão em seu siteAuthorEarnings.com[examinei o tumulto causado em Hugh Howey and the Indie Author Revolt.

Uma das vantagens normalmente citadas em relação a publicação de e-books independentes é que estes ganham “royalties” muito mais altos do que autores publicados tradicionalmente. Autores da Smashwords ganham tipicamente 60-80% do preço de venda, enquanto que os autores publicados tradicionalmente ganham entre 12,5% e 17,5% do preço de venda. A taxa paga pela editora depende se estão vendendo os livros pelo modelo de distribuidora ou de agência.

Vamos colocar alguns números para dar consistência a estas porcentagens. Um autor distribuído pela Smashwords ganha $2,40 em um e-book de $3,99 vendido através de um de nossos parceiros, enquanto que um autor publicado de forma tradicional ganharia entre 50 e 70 centavos. Para que o autor publicado de forma tradicional ganhasse os mesmos $2,40, o e-book deveria ter um preço entre $13,71 e $19,20. Isto explica porque autores talentosos estão sentindo um forte incentivo para publicarem de forma independente. Os independentes podem colocar um preço mais baixo, mas ainda ganham mais por unidade do que através das editoras tradicionais que cobram mais pelos livros mas continuam a oferecer uma porcentagem menor de royalties.

TABELA 02

A tabela no alto desta página é gerada pelas mesmas estimativas que criaram a tabela à esquerda que eu publiquei no último post.

A tabela no alto foi criada multiplicando a porcentagem do mercado que vai para os autores independentes de e-books [à esquerda] por 60%, e a porcentagem que vai para autores tradicionais por 15%.

Estas porcentagens são aproximações baseadas nas expansões que mencionei acima.

Você pode fazer o download da minha tabela para desenvolver e compartilhar suas próprias estimativas. Nada me deixaria mais feliz do que se alguém com melhores números provasse que minha estimativa de 15% para o mercado de e-books independentes em 2013 está muito alta [significaria que os autores da Smashwords teriam mais espaço para crescer no futuro!].

Confio, no entanto, que os 10 ventos de mudança que identifiquei no último post vão levar os independentes a ganhar cada vez mais mercado nos próximos anos.

O que é inicialmente incrível para mim na nova tabela no alto da página é que 2014 poderia ser o primeiro ano em que o total de dólares ganhos por independentes nas livrarias igualaria o valor ganho pelos autores tradicionais. Em 2020, a comunidade independente de e-books poderia ganhar quase quatro vezes mais do que a comunidade de e-books publicada de forma tradicional se os autores independentes chegarem a 50% do mercado como prevejo.

A seguinte informação incrível é como as curvas são íngremes. Note como é forte a ascensão dos autores independentes. O crescimento linear do mercado que usei como modelo para os independentes na tabela da semana passada leva a um diferencial maior na tabela desta semana em termos dos dólares que vão para os bolsos dos autores independentes em comparação com os bolsos dos autores tradicionais. Em linguagem simples, para cada dólar ganho com um e-book independente, o autor recebe 60 centavos. Para cada dólar ganho com um e-book publicado de forma tradicional, o autor recebe 15 centavos.

Minhas tabelas e suposições também estão limitadas. Meus números não tentam incorporar adiantamentos, por exemplo. É comum que as editoras paguem adiantamentos aos autores que nunca são recuperados pelas vendas dos livros. Em tais situações, a porcentagem de royalties declarada subestima o que o autor ganhou [também representa uma incapacidade da editora de estimar de forma precisa o potencial comercial de um livro].

Um limite adicional da tabela de hoje é que estou assumindo que a porcentagem de royalties vai continuar a mesma. Esta é uma suposição perigosa. Se a Amazon diminuir os valores dos e-books como fez com os com os audiobooks da Audible na outra semana, ela vai romper o modelo e quebrar a banca de muitos autores. Ou as editoras tradicionais poderiam ouvir o chamado dos escritores e aumentar a taxa de royalties. Ou todo mundo poderia aumentar os royalties.

Minhas projeções pintam um quadro de uma comunidade de autores independentes preparada para ganhar uma parte ainda maior dos lucros dos e-books se os impressos continuarem a perder importância.

Mas isso não significa que ser autor independente é a estrada para a riqueza. O aumento dos e-books autopublicados vai levar a uma abundância de livros de alta qualidade que nunca sairão de catálogo. Estes livros, combinados com os lançamentos de e-books das editoras tradicionais, vai acumular as prateleiras de livrarias online e levará a mais e-books de qualidade concorrendo com um número limitado de leitores. Significa que os leitores vão se tornar mais sagazes. Significa que todos os autores – independentes ou não – terão que encarar concorrência mais intensa do que antes.

Bons livros não serão mais bons o suficiente. Leitores querem livros excepcionais. Os independentes vão entregá-los.

Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 29/04/2014 | Tradução: Marcelo Barbão

Mark CokerMark Coker é fundador da Smashwords, uma das maiores plataformas de autopublicação e distribuição de e-books do mundo. O site já publicou quase 7 milhões de e-books de autores independentes mundo afora. Mark também é colaborador do Huffington Post e, por isso tudo, tem experiência de sobra para falar sobre esse assunto que anda deixando editores e livreiros de cabelo em pé.

A coluna “O mundo do livro digital” traz as notícias e insights de Coker sobre o mundo do livro digital. Você pode conferir os textos em inglês, no site.

Smashwords fecha parceria com Scribd


Sempre comparado a indústrias próximas como televisão e música, o mercado digital há tempos espera a expansão do “Netflix/Spotify para livros”, ou seja, modelo de leitura por assinatura. O Oyster, lançado este ano, foi o primeiro serviço que chamou um pouco mais a atenção, principalmente por contar com o catálogo da HarperCollins. E parece que tem futuro: a Perseus anunciou semana passada que seu catálogo também fará parte da biblioteca do Oyster. Outro grande passo do modelo por assinatura foi o acordo entre a gigante da autopublicação Smashwords e a Scribd. O catálogo gargantuesco de 225 mil e-books autopublicados da Smashwords farão parte da biblioteca da Scribd [por US$ 8,99 por mês].

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 23/12/2013

Smashwords é o maior produtor de eBooks independentes dos EUA, segundo a Bowker


A Bowker classificou o site Smashwords como o maior produtor de e-books independentes em 2012, segundo o relatório anual sobre autopublicação. Smashword também ficou em segundo lugar como maior produtor de livros autopublicados, após o CreateSpace, contabilizando a produção conjunta de livros impressos e e-books [o Smashwords não imprime]. Segundo a análise da Bowker dos dados de ISBN, o número de títulos autopublicados em 2012 pulou para mais de 391 mil, um aumento de 59%, em relação a 2011, e 422% em relação a 2007.

PublishNews | 13/11/2013

Aplicativo para iPhone oferece leitura de 100 mil livros com assinatura mensal


O aplicativo Oyster

O aplicativo Oyster

Um aplicativo chamado Oyster chegou nesta semana à App Store. Com uma assinatura de US$ 9,95 ao mês, o serviço oferece 100 mil livros para leitura. O programa funciona como uma biblioteca virtual nos moldes da Netflix, que faz isso com filme e série.

Criado em apenas um ano, o serviço oferece títulos das editoras HarperCollins, Houghton Mifflin Harcout, Workman e da gigante Smashwords. O uso é simples: basta pesquisar o livro que você busca, selecioná-lo e abri-lo. O Oyster pode ser configurado para compartilhar o que você está lendo e há sugestões de leituras baseadas no seu interesse, como acontece também com o Netflix.

Atualmente, as pessoas compram livros da mesma forma que compram lâmpadas, liquidificadores e facas de cozinha”, afirma a equipe da empresa em seu blog oficial. “O processo de encontrar o seu próximo livro é muito diferente do de comprar uma faca, e deve ser tratado dessa forma.

Nos testes do CanalTech, foi possível baixar o aplicativo usando uma conta Apple americana, no entanto, os livros estão disponíveis apenas em inglês. O Oyster ainda não tem uma versão para iPad, mas ela deve ser lançada em breve.

Os fundadores do Oyster. Eric Stromberg, Andrew Brown e Willem Van Lancker não quiseram revelar como a empresa paga as editoras pela disponibilização dos conteúdos. Por exemplo, o Netflix paga uma licença de uso, enquanto o serviço de música por streaming Spotify, que ainda não funciona no Brasil, paga os autores cada vez que uma faixa é tocada.

O lançamento do serviço é um reflexo do crescimento mundial do mercado de eBooks, devido ao lançamento de plataformas como Kindle e iPad. Segundo o jornal Washintong Post, o total de vendas de livros digitais chegou a US$ 3 bilhões em 2012. Com disso, no ano passado, esse setor teve um crescimento recorde de 134%.

A Forbes acredita que em breve as lojas que vendem livros digitais, como Amazon, iTunes Store e Google Play, irão adotar o modelo de assinatura mensal, em vez de vender produtos individualmente. Stromberg diz que isso está “fora de suas mãos”, mas enquanto as gigantes comercializam diversos conteúdos, Van Lancker indica o que parece ser sua vantagem nesse mercado: “Nosso foco é nos livros, nos dedicamos exclusivamente a eles“, afirma.

Stromberg diz ainda que optou pela plataforma móvel por que o smartphone está sempre com você. “Adoraríamos ver um mundo que quando você está 20 minutos adiantado para um café ou quando você está no metrô você encontra um ótimo livro e começa a lê-lo”, declarou.

Para abrir o negócio, a startup de Nova York arrecadou um investimento total de US$ 3 milhões no Founders Fund.

Canal Tech | 06/09/13

Smashwords, anote este nome na sua lista


SmashwordsSmashwords é uma empresa de auto-publicação de ebooks, com sede nos EUA. O serviço é basicamente o seguinte: o autor sobe seu livro no Smashwords, e a empresa coloca o livro à venda em inúmeras livrarias internacionais – a mais destacada delas é a Apple, e a lista também inclui Kobo, Barnes & Noble, entre outras menos conhecidas. Aberto desde maio de 2008, o Smashwords distribui hoje mais de 190 mil ebooks de autores e editoras independentes – 98 mil foram adicionados apenas em 2012. Esses números tornam a empresa uma das mais conhecidas e utilizadas pelos autores que publicam ebooks sem editoras. A empresa conta atualmente com 19 funcionários e registra lucro há mais de dois anos, sem interrupção.

Por que você deve anotar este nome na sua lista? É um concorrente da Amazon, que está ficando mais forte a cada dia que passa, literalmente. A empresa vem registrando números extraordinários com a venda de ebooks, especialmente através da Apple, onde distribui cerca de 125 mil títulos – nem todos os títulos do Smashwords vão para a Apple, pois os autores é que são responsáveis por providenciar arquivos de qualidade para seus eBooks, que passem pelo padrão de qualidade da Apple.

Evolução das unidades vendidas na Apple, de 2010 a 2012Há 27 meses, a empresa tem lucro de forma ininterruptacom a venda de ebooks – pagando aos autores entre 60% e 85% do valor líquido das vendas. E esses resultados aconteceram, sem que o Smashwords vendesse eBooks com a Amazon – a única grande livraria de ebooks com a qual o Smashwords não trabalha. A Amazon também oferece um serviço de auto-publicação próprio, bastante forte, e não tem interesse em dar fôlego para a concorrência do Smashwords.

Além disso, o Smashwords acaba de lançar oficialmente o seu novo canal de distribuição, diretamente em formato ePub. Até poucos dias atrás, um autor que desejasse publicar através do Smashwords precisava enviar um arquivo em Word, que era transformado em eBook através de um processo automático – com resultados pobres, geralmente. Desde o começo de 2013, autores e editores já podem fazer o upload de um arquivo ePub diretamente, com toda a qualidade possível.

Como a empresa opera somente nos EUA, não é tão interessante para os autores brasileiros, por conta dos impostos americanos descontados na remessa de pagamentos para o Brasil. Porém, conforme o Smashwords cresce e se consolida, cedo ou tarde conhecerá uma expansão internacional. Anote aí – este serviço ainda chegará ao Brasil.

Para continuar por dentro das principais notícias do mercado de eBooks, assine nosso Boletim.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 04/01/2013

Qual o preço justo de um eBook?


O Caminho do ArcoAs lojas de e-books da Kobo, Amazon e Google mal abriram suas portas virtuais e já começaram as reclamações sobre o preço dos livros digitais. “Livros a R$ 9,90 já!”, alguém postou no twitter. Outros acusavam os editores, mantendo-se a tradição de computar aos editores toda a responsabilidade pelo preço do livro considerado alto – infelizmente, o público leigo e até jornalistas costumam esquecer as altas margens das grandes redes que abocanham de 50 a 60% do preço de capa de um livro.

Os livros digitais estão caros demais?

Mas afinal, os livros digitais estão caros ou não? Para início de conversa, pegamos o preço dos 64 livros da lista de mais vendidos do PublishNews que estão no catálogo da Amazon brasileira e comparamos com os preços de capa das edições de papel. Jogando uma média simples, os livros digitais estão 36,2% mais baratos. Mas isto é pouco, muito ou o suficiente? Para analisarmos esta questão, precisamos entender melhor como a receita se distribui entre os vários agentes e custos da cadeia do livro físico e, então, comparar os resultados com a realidade digital.

Os custos de papel, impressão e logística física situam-se entre 20 e 25% do preço de capa de um livro. Vamos então considerar uma média de 22%. Os descontos para distribuidores e varejistas oferecidos pelas editoras situa-se entre 40 e 60%, então vamos trabalhar com 50% em média. E os direitos autorais giram em torno dos tradicionais 10% sobre o preço de capa. Ficamos assim para um livro com preço de capa de R$ 50:

O Livro Físico

Vale lembrar que são números aproximados e que podem variar de editora para editora. Acredito, no entanto, que estejam perto da realidade. Mas vejam que, neste modelo, a editora ficar com 18% do preço de capa ou R$ 9,00. E isto está longe de ser o lucro, pois desta contribuição a editora ainda precisa retirar os recursos para pagar seus custos fixos de salários, administração etc., além dos próprios custos fixos da produção editorial como tradução, revisão, diagramação etc.

E no mundo digital, como ficamos? Vamos a princípio manter o preço de capa de R$ 50 para o digital, mas agora o custo logístico desaba e o desconto comercial diminui. Obviamente não existe mais custo com impressão e papel, mas há custo logístico de distribuição, de DRM, de armazenagem. Vamos estimá-los em 2,5% do preço de capa. Ainda não se sabe bem qual a amplitude de desconto comercial que Kobo, Google e Amazon fecharam com os editores. A Apple costuma ficar nos 30% inspirada no modelo agência que ajudou a implementar nos EUA. A Kobo deve ter mantido mais ou menos o que era exercido por sua parceira Livraria Cultura. A Google não deve ter sido muito agressiva, já que o e-book em si não é seu principal negócio. A DRM, sempre procurou manter os mesmos descontos do físico, mas com certeza os editoras conseguiram aumentar sua fatia do bolo. E quanto a Amazon, cercada de mais NDAs [Non-DisclosureAgreements; Acordo de Não-Revelação] que o Neymar de fãs, ainda não é possível ter uma ideia clara de seus contratos. Mas como NDAs no Brasil não duram mais que um romance de verão, logo, logo todos já saberão sua faixa de descontos. Acho, no entanto, razoável imaginarmos os descontos concedidos para livrarias e distribuidores digitais na faixa dos 35 a 45%, e vou trabalhar aqui com uma média de 40%. Já os direitos autorais possuem forma de cálculo diferenciada, são negociados em cima do preço líquido e podem até aumentar. Por hora, vamos considerá-los na faixa dos 25%. Ficamos assim:

O Livro Digital

Como pode se observar, se o livro digital tiver o mesmo preço que o livro físico, a margem das e a fatia das editoras aumentam quase 150%, e realmente é injustificável que o preço digital seja igual ao físico. Se fossemos manter a mesma margem por livro digital vendido do modelo físico, ou seja, em R$ 9,00, o preço do e-book deveria ser R$ 21,18. Veja abaixo:

O Livro Digital com a Mesma Contribuição

Ou seja, neste nosso modelo, o livro poderia custar 57,64% a menos. Mas é claro que nada é tão simples assim. Como pode se ver, os autores teriam uma queda razoável de receita de R$ 5,00 [no livro físico] ou R$ 7,50 [no livro digital com mesmo preço de capa] para R$ 3,18. E em um momento em que a Amazon oferece até 70% de royalties em seu programa de self-publishing, o KDP, e em que outras empresas chegam até a 85%, como a americana SmashWords, acho difícil que os autores aceitem facilmente uma diminuição do valor bruto por livro vendido ainda que a porcentagem de direitos autorais fique fixa nos 25%. Outra questão é que o custo logístico tem um limite de redução em valores absolutos. Por isso, fiz o exercício de readequar a tabela mantendo os R$ 5,00 de direitos autorais e reduzindo a logística digital a apenas 1%. Ficamos assim:

O Livro Digital com Royalties e logística Ajustados

Portanto, se as premissas deste estudo estiverem corretas, os editores poderiam reduzir os preços dos livros digitais em 50%, de R$ 50,00 para R$ 25,00 e, ainda assim, manter a mesma contribuição em valores financeiros absolutos que têm no modelo físico.

Mas e se os descontos digitais não forem assim tão baixos?

Ainda a título de estudo, considerei um modelo em que o desconto comercial permanecesse em 50%:

O Livro Digital com a Mesma Contribuição 2

Ou seja, ainda que o desconto digital seja 50%, que os autores mantenham a mesma receita de 10% do preço de capa físico e que a logística seja fixada em R$ 1,00 por livro, os livros digitais poderiam ser vendidos a preços 40% inferiores ao preço de capa físico.

E por que isto não acontece?

A principal razão é que os editores ainda estão mais preocupados com seus negócios físicos do que digitais. E eles têm toda a razão em agir assim. Afinal, o mercado de livros digitais representa hoje menos que 0,5% do mercado de livros. Ao decidir qualquer coisa, portanto, o editor sempre pensa nas consequências para seus livros físicos e para o estoque no qual tanto capital ele investiu. E qual o maior medo do editor? Que uma queda do preço do livro digital mude a percepção de valor dos livros em geral por parte do consumidor-leitor e leve-o a exigir preços semelhantes ao digital para o livro físico sob a pena de não comprá-los. O pesadelo do editor seria ter de vender seu estoque físico a preços digitais para se livrar dele. Ou seja, as editoras têm receio, justificado, de que ao baixarem consideravelmente os preços dos livros digitais, haja uma canibalização radical, os leitores migrem radicalmente para o digital, e a percepção de valor dos livros seja o novo preço de capa digital. Considerando que todas as editoras possuem estoques razoáveis e grandes capitais investidos em papel e tinta, algo assim poderia até colocar em risco sua própria existência. Voltemos ao modelo, aplicando o preço digital de R$ 25,00 na tabela do livro físico:

O Livro Físico com Preço Digital

Como é possível notar, se a percepção de valor do livro físico alcançar os patamares dos possíveis preços digitais, as editoras passam a ter uma margem de apenas R$ 1,50 em suas vendas físicas. Entende-se, então o medo dos editores.

Conclusão

O livro digital pode custar de 40% a 50% a menos que o livro físico, mantendo-se a margem de contribuição em valores absolutos que vai para as editoras – eles ficam com uma fatia digital do mesmo tamanho que a fatia física. Os editores, no entanto, ainda têm o foco no mundo físico, responsável por 99,5% de seu faturamento, e temem o que grandes variações nos preços dos livros digitais podem causar na percepção do valor dos livros físicos. A queda do preço do livro digital, portanto, será um processo. Quanto maior for a fatia digital do mercado de livros, menos inseguros estarão os editores para baixar seus preços. E quanto mais o tempo passar, mais experiências de preço forem feitas e mais pressão os leitores exercerem, mais os preços tenderam a cair.

A queda do preço do livro digital em relação ao seu primo físico será um processo. E os preços cairão no máximo algo entre 40% e 50%. Mais do que isso, é utopia para a atual estrutura do mercado de livros.

Ainda falta falar do baixo custo marginal do livro digital e de como ele permite experiências rápidas com o preço dos livros, mais isto fica para um próximo post.

Por Carlo Carrenho | Publicadi originalmente no Blog Tipos Digitais | EM 11/12/2012 | Contribuíram Iona Teixeira Stevens e Matheus Perez

Amazon ganhará briga sobre preço de eBook na Europa


A customer looks over the iPad mini after the device went on sale at Apple's retail store in Palo Alto, California November 2, 2012. |  Credit: Reuters/Robert Galbraith

A customer looks over the iPad mini after the device went on sale at Apple’s retail store in Palo Alto, California November 2, 2012. |
Credit: Reuters/Robert Galbraith

Reguladores da União Europeia devem concluir o inquérito sobre preços de e-books e aceitar a oferta da Apple e de quatro outras editoras para relaxarem as restrições de preços contra a Amazon, informam duas fontes. A decisão daria vitória à Amazon em sua tentativa de vender e-books mais baratos que os concorrentes no mercado europeu, em rápido crescimento. […] “Certamente, é outra vitória da Amazon”, disse Mark Coker, fundador do site Smashwords, uma editora e distribuidora de e-books que trabalha com a Apple. “Não vi os termos do acordo final, mas a minha reação inicial é que ele coloca restrições no que as editoras podem fazer, justamente quando eles precisam ser mais ágeis”.

Por Foo Yun Chee | Reuters | 07/11/2012

“Efeito eBook”: ler e comprar mais livros


Um fenômeno tem se tornado cada vez mais comum entre os usuários de ereaders – o que o autor do blog An American Editor chama de “Efeito eBook”. Aqueles que entram para o mundo digital passam a ler e comprar mais títulos do que quando consumiam apenas livros impressos. Ele relata sua própria experiência para exemplificar como seus hábitos mudaram:

“Considerando apenas três livrarias virtuais – Smashwords, B&N e Sony –, baixei 722 ebooks [o que inclui títulos gratuitos e aqueles pelos quais paguei]. Somando os ebooks que baixei no Kobo, Baen e outras diversas livrarias virtuais, a quantidade sobe para além dos 900; adicione os livros que consegui em lugares como Feedbooks e MobileRead e o número ultrapassa a marca dos mil downloads.”

Contudo, além do aumento na quantidade de ebooks adquiridos, outro fator chamou a atenção do blogueiro: suas escolhas também mudaram – de forma gradual, porém dramática – desde que ele ganhou seu primeiro Sony Reader, em dezembro de 2007. Antes, suas decisões eram tomadas por impulso durante um passeio na livraria, ou baseadas em críticas da imprensa especializada e anúncios, e pelo menos 90% de suas compras eram não ficção. Após adquirir seu primeiro ereader, ele passou a explorar novos gêneros e entrar em contato com autores independentes, o que quase não acontecia quando ele consumia apenas livros impressos.

Apesar de confessar não ter lido todos os ebooks que possui em sua coleção, ele não deixa de adquirir novos títulos enquanto tenta dar conta daqueles que estão em sua lista de espera. Contudo, seu ritmo de leitura aumentou. Antes, ele lia, em média, 1,5 livro de não ficção por semana. Agora, apesar de levar mais tempo para ler seus livros impressos, ele passou a incluir nessa conta semanal de 2 a 3 ebooks de ficção.

E você, já sentiu o “Efeito eBook” na sua vida?

Por Juliana Ferreira | Revolução eBook | 04/07/2012 | Fonte: The eBook Effect: Buying and Reading More « An can Editor.

Tá “craude” na prateleira


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 14/06/2012

Para se destacar da multidão, autores estão usando o poder das massas

A internet, com as ferramentas de publicação digital, resolveu [ou promete resolver] muitos dos problemas enfrentados por quem escreve. Primeiro, ela “furou” o bloqueio das editoras, permitindo a qualquer um publicar e distribuir um livro, não requerendo prática ou habilidade, por meio de um variado cardápio de autopublicação [Amazon, Smashwords, Lulu, Per Se etc]. Segundo, ela proveu um serviço muito mais eficiente e muito mais barato do que a divulgação tradicional [propaganda e publicidade]: as redes sociais. O problema que ela não resolveu — e que talvez tenha justamente agravado – é o da visibilidade. “A obscuridade é a maior ameaça aos autores e aos criadores”, disse Tim O’Reilly, diretor da editora que leva seu sobrenome, na vanguarda dos recursos digitais na publicação.

“Mais de 100 mil livros são publicados a cada ano [só nos EUA], com milhões de exemplares impressos, porém menos de 10 mil entre esses novos livros terão alguma venda significativa, e somente uns 100 mil livros impressos chegarão a uma livraria. […] O autor acha que conseguir ser publicado é a realização de um sonho, mas, para tantos, é só o começo de uma longa decepção.

Como não descobriram a fórmula para o “boca a boca”, a obscuridade continuará a ser um problema sem resposta. Mas uma ferramenta criada para atender outra necessidade está conseguindo “desobscurecer” alguns livros e autores: o crowdfunding. Basicamente, a “verba da multidão” é um sistema pelo qual se vendem cotas de um produto que ainda não foi lançado, em troca de “recompensas” que vão desde um “obrigado” até um jantar íntimo com o criador. É um esforço coletivo e social, conectando diretamente quem cria a quem consome a criação. Sites de Crowdfunding, como Kickstarter e, no Brasil, o Catarse, já vêm viabilizando livros, como este [que eu apoio e para o qual, a propósito, peço seu apoio]. O sistema já se sofisticou a ponto de existirem sites para levantar fundos exclusivamente para livros, como o Unbound, e ainda mais específicos, como o Crowdbooks, voltado a livros de fotografia. [Ou ainda o idealista Unglue, que quer levantar dinheiro para “alforriar” livros já publicados, isto é, pagar aos autores para trocar o copyright por licenças Creative Commons não comerciais].

O que os escritores mais espertos já notaram é que o Crowdfunding vai muito além do papel de financiador. O que se obtém ao fim de uma campanha é visibilidade. O processo de “viabilizar” o livro através de contribuições é semelhante a uma guerra de trincheiras. O autor vai alastrando seu projeto por sua rede de amigos virtuais, e daí para os amigos dos amigos, recorrendo a todas as armas da mídia social para engajar “apoiadores”. Quem compra um produto que corre o risco de não chegar a existir [se não atingir o valor mínimo] sente-se ainda mais compelido a promovê-lo em sua própria rede social. O processo é rizomático e o efeito é exponencial. Antes mesmo de o livro ser lançado, o público já ouviu falar [bem] dele.

O sistema não é muito diferente da antiga prática de assinatura, onde as editoras coletavam assinantes que pré-compravam uma obra, viabilizando sua impressão — e criando expectativa no público leitor. Foi assim, por exemplo, que Ulisses de Joyce foi editado. [Quando a livreira Sylvia Beach mandou um folheto de pré-venda para Bernard Shaw, recebeu uma resposta desaforada: “se você acha que um velho irlandês gastaria 150 francos em um livro, você não conhece meus compatriotas”. Joyce, deliciado, mandou imprimir a resposta, mas acrescentou: “se você acha que um velho irlandês não gastou — anonimamente — 150 francos em um livro, você não conhece meus compatriotas”].

Fora do Crowdfunding, alguns serviços prometem aquele empurrãozinho que falta para o escritor tirar seu romance da gaveta, por meio da vitrine da comunidade leitora. É o caso do Wattpad, que se autointitula o “YouTube da escrita” e que captou este mês US$ 17 milhões com investidores. Seu único serviço oferecido é a possibilidade de colocar a obra à vista de leitores virtuais. Uma série de estímulos, como concursos, medalhas e resenhas em vídeo, é empregada para mobilizar a comunidade, e estatísticas de leitura fazem a alegria do escritor compulsivo obsessivo.

Contudo, sites como o Wattpad não permitem ainda ao escritor social a efetiva publicação de seu futuro best-seller. Esse hiato entre escrever socialmente e publicar talvez seja preenchido em breve pela Kobo. A loja de e-books que corre, com agilidade, por fora do confronto titânico Amazon e Apple, está para lançar uma plataforma de autopublicação, que promete não ser “só mais uma”. A ideia é “fazer da escrita um jogo”, e imbricar todo o processo de escrita, publicação e divulgação com as redes sociais, dando visibilidade e aumentando um pouco as chances de o livro não mofar nas estantes digitais.

Alguém precisa criar logo um site que integre exposição, financiamento e publicação, onde o escritor entre com o manuscrito — ou só uma ideia! — e saia com um livro bem divulgado e já rendendo — tudo por meio do crowdfunding. Aliás, acho que eu mesmo vou fazer esse site. E abrir um crowdfunding para custear o desenvolvimento. Quem aí quer uma cota?

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 14/06/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Uma bolha [de livros] prestes a estourar?


A autopublicação pode ser a redenção dos escritores — ou agravar uma situação já insustentável

Minha primeira euforia de autopublicação, disparada por uma nova e revolucionária tecnologia, foi há muito tempo. Muito tempo. Um colega chegou com uma novidade incrível: poderíamos criar nossos próprios adesivos! Bastava uma tesoura e um papel mágico chamado contact. Maravilhados com a liberdade de expressão, a turma [segunda série, se não me engano] passou a recortar, adesivar e colar tudo o que achasse de [vagamente] interessante nas revistas. Aventuras do Cebolinha, campanhas educativas com o Sugismundo e robôs do recém-lançado “Guerra nas estrelas” [sim, sou velho] ganhavam, pela mágica do contact, as capas dos cadernos, os estojos, as prateleiras, as roupas, as portas, as cadeiras, janelas, o braço, a testa… No frenesi autopublicador, valia todo lugar e qualquer assunto, o importante era a brincadeira e a liberdade. Até o ponto em que a sala de aula ficou forrada de pedaços de classificados, fragmentos de quadrinhos, anúncios imobiliários. E aí cansamos. Então alguém trouxe um ioiô, a nova febre se instalou e ninguém mais quis colar nada em lugar nenhum.

Sábado passado, um amigo meu veio me mostrar o livro que ele havia “publicado” no Author, o software de edição para iPad acoplado à loja de livros da Apple. Exibiu-me deliciado as imagens rotativas, os vídeos interativos, as “páginas” autodiagramadas. Lindo. Pedi para ler com mais atenção e deparei-me com o famoso “Lorem ipsum dolor sit amet…”. O texto era cego, estava ali para ocupar espaço, somente. O “livro” [ou iBook] do meu amigo era um invólucro fascinante para um conteúdo inexistente.

Não quero aqui equiparar meu amigo a meninos de sete anos. Ele é um excelente profissional da multimídia, com muitos anos de experiência [e vai ler este artigo]. Eu compartilho plenamente sua empolgação frente às possibilidades de expressão e à liberdade conquistada com a publicação digital. Porém, por dever profissional [tanto para escrever esta coluna quanto para assegurar que eu, editor, terei uma profissão no futuro breve], tenho que refletir sobre as implicações dessa liberdade autopublicadora oferecida não só pelo sensual Author da Apple, quanto pela luxuosas opções gráficas do Lulu ou a presteza do SmashwordsPerseBookmaker, entre as dezenas de opções de autopublicação que pululam na web. E dessa reflexão vem a pergunta básica: haverá conteúdo — e leitores — suficientes para dar sentido a tantos livros?

O descompasso entre a oferta de livros e a demanda não é uma questão nova. Já o Eclesiastes advertia ao leitor para que não se angustiasse em ler tudo porque “se podem multiplicar os livros a não mais acabar” [12:12] — e olhe que a produção literária no século 5 a.C. se restringia a variações sobre a Torá. Mais tarde temos Balzac que, depois de falir como editor e tipógrafo, escreveu, apropriadamente, As ilusões perdidas [1837], e que assim retratou a resposta de um editor a um candidato a autor:

Se eu fosse dar conversa a todo escritor que põe na cabeça que eu devo ser seu editor, eu teria que fechar a loja, passaria meu tempo muito agradavelmente, mas a conversa me custaria muito. Ainda não sou rico o suficiente para ficar ouvindo todos os monólogos autocongratulatórios. Ninguém pode se prestar a isso, a não ser quando assiste tragédias gregas.

Mesmo com a resistência [ou, digamos, a triagem] exercida pelos editores antipáticos [os famigerados gatekeepers], a quantidade de livros já era avassaladora e, algumas décadas mais tarde, Eça de Queirós colocou assim seu espanto diante da enxurrada de livros recém-viabilizados pela Revolução Industrial:

Durante todo o ano não se interrompe, não cessa essa publicação fenomenal, essa vasta, ruidosa, inundante corrente de livros, alastrando-se, fazendo pouco a pouco, sobre a crosta da terra vegetal do globo, uma outra crosta, de papel impresso. […] Eu sei que estou aqui fazendo o papel ridículo[…] e balbuciando, com a boca aberta: — Jesus! tanto livro!” [Cartas da Inglaterra, 1874]

Já em nosso século, Gabriel Zaid sintetizou a questão no sombrio Livros demais!, demonstrando que o estoque de livros publicados apenas em um ano nos Estados Unidos bastaria para suprir a demanda por leitura no planeta inteiro, por décadas.

Convém ressaltar que Zaid publicou seu livro [mais um!] numa época em que ainda não se falava seriamente em e-books. Se já havia livros demais quando havia requisitos de capital, administração de estoque, frete etc., o que esperar de uma nova situação, em que não há restrições ou barreiras para quem quiser publicar? E quando gigantes como a Amazon e a Apple estão cortejando e estimulando os escritores de gaveta a se lançarem nas prateleiras?

O que vai acontecer quando a oferta de livros, que já excedia de longe a demanda, explodir com a autopublicação? A primeira consequência, se cumprirmos a lei da oferta e da procura, será a desvalorização. Quando se nota que a maioria dos e-books da lista dos mais vendidos da Amazon custa menos de um dólar [ou é gratuito], quanto valerá um e-book? “De graça é um preço caro demais para um e-book autopublicado” disse um editor tradicional inglês em recente debate onde se discutiu a relevância dos editores no futuro.

Há uma semana, Ewan Morrison alertou, no Guardian, que estamos diante de uma bolha especulativa, tão sorrateira e perigosa quanto a bolha imobiliária que estourou e pôs o mundo em recessão. Trata-se da “bolha da autopublicação”. Morrison, que já publicara o apocalíptico artigo Os livros estão mortos? Os escritores sobreviverão?, agora demonstra como a euforia autopublicadora tem paralelos notáveis com as bolhas especulativas. A mecânica é a mesma: em resumo, alguém começa a ganhar muito dinheiro de um modo ilusoriamente fácil, uma multidão segue atrás e cria-se um verdadeiro mercado para estimular esses novos integrantes [semelhantes àqueles que entram nas pirâmides financeiras para enriquecer… quem está no topo]. A euforia espalha-se como vírus, tudo cresce exponencialmente, até que para. E tudo rui. Pop!

A questão toda da autopublicação [selfpublishing] é que ela traz para o mercado ‘as pessoas que não estariam normalmente lá’. Da mesma forma como nos prometeram que poderíamos pagar boas casas com hipotecas baratas, agora eles [as empresas do digital, a Amazon, a Apple e a imprensa] nos dizem que podemos todos ser escritores, e fazer sucesso”.

Morrison ainda insinua onde está de fato o dinheiro que circula nessa história toda:

As pessoas que estão se autopublicando pela primeira vez estão também comprando seus primeiros iPads e Kindles, para entender a tecnologia. Elas podem estar dando seus livros de graça, mas estão gastando de mil a dois mil reais em aparelhos tecnológicos — mais até do que gastam em livros por ano”. E esse investimento em dinheiro não rende sequer retorno em literatura, já que o produto são “centenas de milhares de novos e-books para os quais praticamente não há leitores, porque terão visibilidade zero”.

Euforia [“liberdade ao escritor!”] e ansiedade [“os livros vão acabar!”] são comuns em fases de transição, como a que estamos presenciando. Quando não há ainda regras de funcionamento, vale tudo. Como dizem, “o ideograma chinês que representa crise também representa oportunidade”. Porém, assim como esse aforisma é simplesmente falso [pergunte a um chinês], talvez só nos venha a crise. Ou só as oportunidades. Talvez só venhamos a saber no longo prazo, quando o tempo tiver decantado o que fará sentido [econômico e cultural] publicar… e o que valerá a pena ler.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 09/02/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outro, “10 livros que abalaram meu mundo” e “Paixão pelos livros” [Casa da Palavra], “O Futuro do livro” [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

Os donos do fogo


A biblioteca de empréstimos do Kindle incomodou o mercado ao relativizar a propriedade do e-book

Para o lançamento de seu mais recente tablet, o Fire, a Amazon encontrou um inesperado porta-voz na figura de Voltaire. Um anúncio de televisão, que resumia seiscentos anos de evolução do processo de publicação de forma a culminar com o Kindle Fire, foi embalado pela seguinte frase do escritor francês: “A instrução que encontramos nos livros é como o fogo [“Fire”]. Nós o buscamos nos vizinhos, o atiçamos [“Kindle”] em casa, o comunicamos com os outros, e ele torna-se propriedade de todos.

É talvez com propósito, ou com ironia, que a Amazon tenha escolhido uma citação que prega que os livros são “propriedade de todos”. Afinal, desde que o livro se tornou uma mercadoria física e estocável [mais ou menos no período de Voltaire], sabe-se que a “propriedade” de um livro divide-se entre quem o escreveu [propriedade intelectual, que seja], quem o comprou na livraria e, principalmente, quem o produziu, o detentor do copyright, a editora.

O lançamento da biblioteca de empréstimo do Kindle [Kindle Lending Library] conseguiu incomodar a todos os envolvidos — autores, agentes, editores, livrarias — ao relativizar a propriedade do livro eletrônico. Em resumo, é um sistema de assinatura, em que o leitor paga U$ 79 por ano e tem direito de baixar um livro por mês. Quando tiver lido, [ou desistir da leitura], o assinante pode baixar outro livro, e o anterior será apagado de seu Kindle. Os livros ficam brevemente em posse do leitor [no Kindle] — mas não são sua propriedade.

Um dos argumentos a favor da empreitada é a comparação com a bem-sucedida Netflix, empresa de assinatura de filmes que funciona nos mesmos moldes. Há de se considerar, porém, que o hábito de comprar filmes é bem recente. Começou com as fitas VHS nos anos 1980, passou para o DVD, e sempre conviveu com as locadoras. Já os leitores têm o peso da tradição de seis séculos de livros comprados e enfileirados nas estantes.

Assim, o que foi de fácil acepção pelo cinéfilo pode ser um choque para o leitor. A Amazon tenta anular ceticismos ao dizer que pagará às editoras, por livro “emprestado”, exatamente o que paga por livro vendido. Em resumo, ela “comprará” o livro da editora a cada vez que ele for “emprestado”. Na ponta do lápis, isso faz sentido, uma vez que uma assinatura anual de U$ 79 representa, no máximo, a venda de 12 livros ao custo unitário de U$ 6,58, o que, por sua vez, no modelo de distribuição com margem de 35%, significa preços de capa em torno de U$ 10 — não muito longe do patamar atual.

Mesmo com essa conta, as editoras continuam desconfiadas. Das grandes, somente a Houghton Mifflin Harcourt aceitou participar, porém “com oito títulos, para fazer um teste”. As Big Six, ainda ressabiadas com a pressão para abandonar o sistema de agenciamento, não querem nem ouvir falar em empréstimos.

Mais enfáticos são os agentes e escritores, que acusam a Amazon de “emprestar” livros sem a devida autorização, já que a prática não está prevista nos contratos com as editoras. A Guilda de Autores[organização de escritores] e a Associação dos Representantes de Autores [que reúne os agentes] querem que seja acordado, antes de tudo, um novo mecanismo de royalties — ou que sejam eles a negociar com a Amazon, não as editoras. [A fórmula de pagamento de direitos autorais também é uma questão a ser resolvida no projeto Nuvem de Livros, da Gol editora, como se viu em recente debate na Primavera dos Livros].

Negociação direta com os autores talvez seja exatamente o que quer a gigante de Jeff Bezos. Afinal, boa parte do que está disponível para empréstimo foi autopublicado, através das plataformas da Amazon para o escritor individual, Kindle Direct Publishing e Create Space. Outra parte veio dos selos próprios da Amazon, onde o acordo entre escritores foi fechado sem a intermediação de editoras tradicionais.

A estratégia de atrair o autor individual, no entanto, foi o que suscitou a reação mais colérica. E não foi entre as editoras tradicionais, mas entre plataformas de publicação, como a SmashWords. Tudo porque a Amazon acaba de lançar o KDP Select, um fundo de pelo menos U$ 6 milhões de dólares anuais para distribuir entre os autores que publicarem diretamente [leia-se: sem editoras ou agentes] na Amazon e liberarem seus livros na Lending Library. Pela regra, o bolo vai ser dividido entre os escritores na proporção que seus livros obtiverem no número total de empréstimos.

Considerando que, no momento, há cerca de cinco mil títulos, cada autor começa, potencialmente, com um quinhão de U$ 1.200. Segundo o próprio exemplo da Amazon, quem mantiver ao longo do ano meros 1,5% do número de empréstimos levará respeitáveis U$ 90 mil.

Mark Coker, em artigo inflamado no Huffington Post, alerta para graves riscos na iniciativa do KDP Select, e faz insinuações sombrias sobre as reais intenções da Amazon.

Aqui está a pegadinha. Na verdade, há muitos ardis no lista de Termos e Condições do programa. Alguns deles trazem implicações anticoncorrência e práticas anticomerciais. Assim que o autor inscreve seus livros no programa, ele não pode distribuir ou vender seu livro em qualquer outro lugar. Nem na Apple iBookstore, nem na Barnes & Noble, nem na Smashwords, nem na Kobo, nem na Sony — e sequer em seu blog ou site pessoal. O livro tem que ser 100% exclusivo da Amazon.

Segundo Coker, a intenção da Amazon é, em última análise, reduzir todos os papéis da indústria editorial para apenas três: os autores, os leitores e, entre eles, a Amazon. Nada de livrarias concorrentes, nada de editoras ou agentes, nada de sites de autopublicação. É o fim daquilo que ele chama de editoras e livrarias indie [independentes]. Dramático, o criador do Smashwords alerta que podemos estar nos encaminhando para uma versão editorial da Grande Fome da Irlanda, que, no século 19, matou um quarto da população morreu desnutrida depois que o país inteiro apostou em uma única fonte de alimentação: a batata.

Muitas páginas serão escritas, impressas e baixadas sobre o assunto, até que se estabeleçam as novas práticas comerciais e novos papéis. Iniciativas como a Amazon Lending Library e a Nuvem de Livros parecem indicar que o livro deixará de ser uma mercadoria para tornar-se um serviço, como a água ou a eletricidade. Pode-se apostar, porém, que, ao contrário do livro-fogo de Voltaire, o livro-Fire não será “propriedade de todos”.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 22/12/

Julio Silveira é editor, fundador da Ímã Editorial e autor do blog AUTOR 2.0.

O que as pequenas editoras, os agentes e os autores precisam saber sobre publicação de eBooks


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 14/09/2011

Mike Shatzkin

Com a aceleração na passagem de um mundo editorial centrado na impressão para outro, centrado no digital, estão surgindo cada vez mais editoras digitais.

As maiores editoras, com os recursos de departamentos de TI sofisticados para guiá-las, já são parte do jogo há alguns anos e estão prestando muita atenção desde que o Kindle foi lançado pela Amazon no final de 2007. Mas com o crescimento do mercado, também aumentou o ecossistema. Há três anos era possível alcançar uma boa parte do mercado de e-books através de uma única livraria, a Amazon, num aparelho que realmente só conseguia mostrar livros de texto narrativos lineares; agora temos muitas opções para chegar ao consumidor por causa da maior variedade de aparelhos e com apresentações que podem ser sofisticadas.

Serviços gratuitos ou muito baratos oferecidos na internet a toda editora – de qualquer tamanho –, todo agente literário e todo aspirante a autor sugerem “você pode fazer isso” e dão a entender que pode ser feito “de maneira eficiente e sem muita ajuda”. Na verdade, serviços como o KDP [Kindle Direct Publishing] da Amazon, o PubIt! da Barnes and Noble e provedores de serviços comoSmashwords e BookBaby, oferecem a possibilidade de criar um e-book a partir do seu documento e distribuí-lo através da maioria das livrarias, para quase todo os aparelhos e quase de graça.

É realmente assim tão simples? Dá para suspeitar que não, já que agências literárias estão criando editoras de e-books [por exemplo: a Diversion, agência de Scott Waxman] e um pacote de serviços [por exemplo, a The Knight Agency em Atlanta] e consultoria para ajudar os seus autores. E num nível um pouco acima, as empresas de distribuição de e-books [por exemplo: MintRight] e editoras somente de e-books [por exemplo: Open RoadRosetta, e a avó de todas elas, a e-Reads de Richard Curtis] estão criando mais alternativas, às vezes até proposições explicitamente voltadas para os agentes. Se publicar e-books para todos os canais fosse realmente uma simples questão de fazer o upload de um arquivo, dificilmente seria necessário construir toda essa infraestrutura.

Sabemos que editoras pequenas, agentes literários e autores estão se transformando em editores a uma taxa incrível. Há dois anos, quando eu estava tentando organizar um painel de agentes literários para conversar sobre o trabalho com autores com base em cobrança por serviços no lugar de uma parcela dos royalties, foi difícil encontrar voluntários para discutir novos modelos. Há duas semanas, um grande agente de fora de Nova York me disse: “todos temos de pensar sobre isso agora; não temos alternativa”.

Resumindo, não são apenas as grandes editoras que estão dispostas a desenvolver uma estratégia digital para ajustar seus negócios aos novos tempos. Os competidores menores, os agentes que dependem da distribuição do seu conteúdo e até os autores que dependiam de editoras cujo negócio sempre foi transformar um manuscrito num livro, estão todos encarando uma nova realidade. Precisam considerar quais novidades poderiam reduzir ou eliminar a necessidade de uma editora ou pelo menos reduzir sua participação.

Apesar da estratégia correta para cada um depender de fatores que diferem para cada caso, há coisas que todos os que estão entrando nesta arena precisam saber e entender.

Primeiro de tudo, quais são todas as coisas que os editores fazem para que o manuscrito se transforme em uma venda? Todas elas são necessários? Quanto custam? Edição e desenvolvimento, revisão, design, criação de metadados: são coisas feitas rotineiramente nas editoras. Elas são críticas para todo livro? Um leitor/comprador notaria se um editor novato deixasse de fazer alguma delas? Os serviços que prometem fazer e distribuir um e-book sem investimentos fazem essas coisas bem?

Os e-books em si se tornaram cada vez mais complicados. O padrão ePub [usado por quase todo e-book não direcionado ao ecossistema Kindle] melhorou para enfrentar o desafio das apps e conseguir incluir cor, vídeo, áudio e elementos de software. Todo mundo que sabe que “você recebe pelo que paga” espera que os e-books mais complexos custem mais e deem mais trabalho para ser criados do que e-books de texto narrativo tradicional. Mas o que constitui algo “complexo”? E quanto dinheiro a mais custa esse “dar mais trabalho” para o editor que quer distribuir um e-book mais complexo do que simplesmente texto?

O marketing de e-books também exige todo um novo conjunto de conhecimentos e habilidades. A chave para todo o marketing de e-book é a metadado que o acompanha. Códigos que viajam junto com o arquivo especificando a informação bibliográfica central e o preço, mas que podem também representar muito mais do que isso a uma livraria ou um mecanismo de busca. Search engine optimization [SEO] é a arte de criar metadado que faz com que o livro tenha mais possibilidades de ser encontrado em resposta a diversas buscas; isso é outro conhecimento que novos editores de e-books precisam ter.

Este é apenas o começo do que é possível [e portanto necessário] no marketing de e-book. Trechos de capítulos podem ser distribuídos de graça. Sites podem ser convidados como parceiros…

E autores e editoras podem, e devem, fazer “marketing nas redes sociais”: usar o Twitter e o Facebook para comentar em perfis de grande audiência para chamar a atenção e ganhar credibilidade com audiências mais amplas. Isso significa mais conhecimento a ser adquirido.

Qualquer novo editor vai precisar entender os caminhos para o mercado. É verdade que a Amazon tem mais da metade das vendas de e-books nos EUA e a Barnes & Noble tem a metade do que sobra. Mas isso não acontece com todo livro e ignorar os outros deixa um bom pedaço do mercado inexplorado, sendo que as coisas estão mudando muito rapidamente [a participação da Amazon no mercado caiu muito nos últimos dois anos]. A OverDrive é o principal caminho para as livrarias. A Ingram agrega muitas lojas independentes. A Baker & Taylor está abrindo mercados entre grandes varejistas. A Kobo é tão importante no Canadá quanto a B&N nos EUA e trabalha em outros mercados no mundo todo. A Google tem o ecossistema de e-books que está entrando com seriedade entre as livrarias independentes. A Sony está para apresentar novos aparelhos que podem aumentar a sua importância no mercado. E a Apple está fazendo o máximo para dominar as vendas para seus aparelhos, que constituem uma grande fatia do bolo dos consumidores de e-books.

É possível chegar a todos esses canais diretamente, mas também existem muitos serviços para fazer o trabalho incrivelmente complexo de distribuir e administrar estes múltiplos canais. Perseus ConstellationIngram DigitalINscribe DigitalLibreDigital [recém comprada pela Donnelley] eBookmasters, assim como os serviços automatizados: Smashwords, BookBaby e MintRight que já mencionamos, além de outros, oferecem pacotes de serviços que fazem as mesmas coisas e ajudam com as necessidades de criação e marketing também.

Como falamos no começo, as maiores mudanças no mercado editorial estão acontecendo na comunidade de agentes. O que foi um modelo de negócio estável durante gerações está agora, repentinamente, mudando. Parece que há tantos modelos e posturas novas quanto agências literárias. Isso acrescenta outra coisa que todas as e-editoras – algumas formadas por agentes, outras por pequenas editoras tradicionais ou escritores – precisam saber e compreender. As relações entre autores, agentes e editores estão ficando muito mais complicadas e todo mundo precisa passar algum tempo pensando nisso e discutindo o seu significado.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 14/09/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Brasil, Austrália e Nova Zelândia na mira da Smashwords


Em seu blog, Mark Coker, fundador da Smashwords e colunista do PublishNews, comentou sobre sua vinda ao Brasil há algumas semanas e também sobre sua ida à Austrália e à Nova Zelândia. Ele disse que ao contrário dos Estados Unidos, onde os e-books já são responsáveis por 10% do mercado total de livros, nesses três países essa conta ainda fica em menos de 1%. “Esses mercados estão no mesmo lugar em que os Estados Unidos estavam há dois anos, mas estão prontos para ter crescimento similar ou ainda mais rápido”, escreve. Ele destacou que a chegada dos e-books na Austrália pode ser ainda melhor, já que o preço de capa de um livro impresso lá é 50% mais caro do que nos Estados Unidos. Para ler o post completo, em inglês, clique aqui.

PublishNews | 05/11/2010

Os sete segredos do sucesso na publicação de e-books


Mark Coker

No fim de semana de 24 a 26 de setembro, na Self Publishing Book Expo em Nova York, apresentei meus Sete Segredos do Sucesso na Publicação de E-books. Para quem ama o PowerPoint, segue o link da apresentação.

Essa apresentação está baseada em outra anterior sobre como o crescimento de livros independentes transformará o futuro do mercado editorial. Para essa sessão, acrescentei novos materiais, incluindo os sete novos segredos mais um bônus que fala como os autores podem maximizar a viralidade de seus livros.

Os sete segredos [mais um]

1. Escreva um ótimo livro – O tempo do seu leitor é mais valioso do que o bolso dele. Leitores possuem escolhas ilimitadas para conteúdo de alta qualidade, então autores devem respeitar o tempo do leitor ao publicar livros com a mais alta qualidade possível. Como editor, é sua responsabilidade fazer o que muitos editores tradicionais fazem tão bem: honrar o processo de edição e revisão.

2. Escreva outro grande livro – Os autores de best-sellers da Smashwords possuem uma lista de obras. Pense em cada livro como um anzol no oceano. Quando cada livro cruza referências com outros livros através de links simples [tanto dentro do livro quanto dentro dos sistemas de vendas], você cria uma rede. Uma lista de obras também oferece a oportunidade de ganhar a confiança do leitor. Depois que o leitor confia que você irá respeitar seu tempo com um bom livro, ele estará mais inclinado a conhecer e comprar seus outros títulos.

3. Maximize a distribuição – Disponibilidade é o precursor da descoberta. Se o seu livro não é encontrado facilmente em vários lugares, por assunto ou tema em vários sistemas de busca, ou por keywords ou categorias nos sites de livrarias, ele acaba sendo invisível. Consiga que seus livros sejam distribuídos no maior número de livrarias online possível. Muitos leitores vão a uma livraria com a intenção de conseguir uma boa leitura e não estão procurando necessariamente um título específico, então se o seu livro não está lá, não será encontrado nem comprado. Algumas das mesmas regras do mercado editorial tradicional valem para os e-books. Quanto mais livrarias tiverem o seu livro, mais chances você terá de se conectar a um leitor.

4. Dê [alguns dos] seus livros de GRAÇA – Os escritores de maior sucesso na Smashwords oferecem pelo menos um livro de graça. GRÁTIS é um dos segredos menos compreendidos e mais mal utilizados no marketing de e-books. Isso funciona melhor se você tem uma boa quantidade de livros.

5. Confie nos seus leitores e parceiros – Alguns autores não publicam e-books por medo da pirataria. Isso é besteira. A pirataria não pode ser evitada. J.K. Rowling não publica e-books, e mesmo assim, poucas horas depois de cada lançamento de algum livro da série Harry Potter, seus livros estavam disponíveis online em e-books pirateados. Não torne difícil para seus fãs comprar cópias legítimas do seu livro. Confie que seus leitores irão honrar o seu direito de autor [e para os que não vão honrar, não há nada que você possa fazer]. Se limitar o acesso ao seu livro infectando-o com DRM, vai acabar limitando sua capacidade de se conectar com os seus leitores. Na semana passada, durante uma viagem ao Brasil, falei numa apresentação sobre e-books patrocinada pela Singular Digital junto com Rodrigo Paranhos Velloso, diretor de desenvolvimento de negócios da Google América Latina. Rodrigo fez uma observação absolutamente brilhante sobre DRM. Ele disse: “Quando você coloca DRM em algo, faz com que as versões sem DRM tenham mais valor”. Em outras palavras, quando você usa DRM, encoraja a pirataria.

6. Tenha paciência – Demora tempo para construir a sua editora. Ao contrário das editoras tradicionais com livros impressos, que chegam às prateleiras e geralmente se esgotam logo, os e-books são imortais. Quando o seu livro chega a um novo ponto de venda, pense como se fosse uma muda. Com tempo e se você regar direito, ele tem a chance de construir raízes profundas [resenhas de leitores, ranking de vendas, SEO]. Nunca retire seu livro das prateleiras de um ponto de venda porque está insatisfeito com suas vendas comparadas com a de outros pontos de venda [veja acima o item sobre distribuição].

7. O marketing começa ontem – Comece a construir a sua plataforma de marketing antes de terminar o seu livro e depois invista tempo todo dia para continuar construindo e fazer crescer essa plataforma. Implemente uma estratégia de mídia social sólida. Participe em redes sociais e, mais importante, contribua com sua rede social. Se você pensar em seus seguidores no Facebook e no Twitter como possíveis compradores, vai acabar se dando mal. Em vez disso, acrescente valor. Ajude outros escritores a serem bem-sucedidos. Quando chegar a hora de lançar o seu livro, os seus amigos das redes sociais vão querer retornar o favor abrindo inesperadas portas, cheias de oportunidades.

8. Arquiteto da viralidadeNa apresentação, descrevi meu conceito de “primeiro leitor”, a pessoa que você convence a comprar o seu livro. Todo leitor é um primeiro leitor. Se o seu livro for bem recebido por eles, acabarão ajudando a promovê-lo para os amigos. Se não for bem recebido, não irão promovê-lo. Como são os leitores que determinarão o sucesso do seu livro, você, como autor ou editor, pode dar passos para facilitar a viralidade [boca a boca] do seu livro. A apresentação mostra esses passos, bem como evitar o que eu chamo de Decadência Viral e Viralidade Negativa.

Texto escrito por Mark Coker | Publicado originalmente no PublishNews | 28/10/2010

Seminário da Singular discute self-publishing


A edição carioca do 1º Ciclo de Palestras sobre os Futuros do Livro, organizado pela Singular, braço digital do grupo Ediouro, aconteceu ontem [28], na Casa do Saber da capital fluminense. Ali, próximo à bela lagoa Rodrigo de Freitas, um grupo de 60 convidados ouviu as palestras do editor americano Mark Coker, da Smashwords, e de Luis Iglesias, executivo brasileiro da Hewlett-Packard. No final, uma mesa-redonda com Roberto Cassano [Agência Frog] e Ricardo Neves, autor de Ruptura, uma obra self-published. Os destaques ficaram para as falas de Coker e Neves. Ambos foram críticos ao modelo atual da indústria editorial de forte controle do que é ou não publicado, e defenderam o self-publishing – publicação independente pelo próprio autor – como uma alternativa importante para a democratização do acesso à publicação.

Acho que o modelo em que os editores decidem o que os leitores devem ler é errado“, afirmou Mark Coker, presidente da Smashwords, empresa norte-americana de self-publishing digital. Ele reconheceu, no entanto, a importância do editor, mas acha que as editoras estão cada vez se comportando menos como editoras. “Ao tentar minimizar os riscos, as editoras estão publicando menos, com preços mais caros e, no caso do livro digital, utilizando DRM”, afirmou. E na visão de Coker isto faz com as editoras sejam menos amigáveis aos leitores e se afastem de seu papel original. O editor da Califórnia considera isto perigoso e reconhece a importância dos editores. “Quando os editores começam a agir cada vez menos como editores, os autores começam a se perguntar porque precisam deles”.

Durante a mesa-redonda, foi o consultor Ricardo Neves quem teceu duras críticas aos editores. Com livros publicados pela Campus, Ediouro e Senac Rio, Neves decidiu lançar sua mais recente obra, Ruptura, por conta própria. “Não existe a promoção do autor nacional. O editor brasileiro quer ir para Frankfurt e encontrar o bilhete premiado”, afirmou o consultor, reclamando do trabalho das editoras brasileiras. “Falta às editoras a ousadia de fazer diferente”, complementou. Ao final de sua fala, questionado se sua crítica era ao momento editorial ou às editoras como um todo, explicou: “Minha colocação não foi algo ressentido contra as editoras. É minha forma apaixonada de falar.“. O livro Ruptura está sendo lançado este mês. Resta acompanhar como será seu desempenho quando comparado aos demais livros do autor.

Para Newton Neto, diretor da Singular, o self-publishing representa uma oportunidade e não uma ameaça às editoras tradicionais. “Com um projeto paralelo de self-publishing, as editoras não precisam dizer não a nenhum autor.”

Hoje [29] a rodada sobre o futuro do livro acontece em São Paulo. O encontro está marcado para às 14h, na Casa do Saber [Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – São Paulo/SP]

Programação

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso [apenas em SP]
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 29/09/2010

Fundador da Smashwords faz palestras no Brasil


Mark Coker, o fundador da Smashwords, estará no Brasil na semana que vem para duas palestras – uma no Rio [28] e outra em São Paulo [29] – e para acertar os últimos detalhes da parceria para e-books e impressão sob demanda entre a sua empresa e a Singular, braço digital da Ediouro.

A Smashwords está mexendo com o mercado americano ao publicar, sem burocracia, livros digitais de autores independentes. Até agora, já foram mais de 20 mil. “Estou indo ao Brasil para aprender sobre o mercado editorial brasileiro e para ajudar autores e editores a publicar e-books”, disse Coker.

Além da palestra do maior nome do segmento self publishing da atualidade, intitulada “Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição”, Luis Umani Iglesias, diretor de divisão Indigo Brasil da HP, também fala neste encontro organizado pela Singular. Seu tema será “A impressão digital e o futuro”. Na sequência, uma mesa vai reunir profissioanais e um autor que já estão lidando com livros digitais.

O evento é fechado, mas o PublishNews tem 8 ingressos para cada um dos encontros. Para concorrer, basta mandar um e-mail para promocao@publishnews.com.br respondendo, em até três linhas, a pergunta “O que não pode faltar em um livro digital?” Os autores das melhores respostas ganham o ingresso. Não se esqueça de informar o nome, endereço completo e telefone. A promoção se encerra ao meio-dia da próxima segunda-feira [27].

1º ciclo de palestras sobre os vários futuros do livro

Rio de Janeiro– 28 de setembro
Av. Epitácio Pessoa, 1164 – Lagoa – Rio de Janeiro/RJ

São Paulo – 29 de setembro
Casa do Saber
Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – Jardins – São Paulo/SP

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso (apenas em SP)
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 24/09/2010

Leitura aos bits


O livro digital é como o gás encanado. O produto é idêntico ao que chega pelo botijão – mas você só precisa abrir o registro para usá-lo. A comparação é de Zeca Fonseca, autor que publicou eletronicamente seu primeiro livro, O Adorador, e só depois recorreu ao papel para divulgar sua obra. Para ele, os e-books vieram para difundir todo o conhecimento criado pelas pessoas, mas de forma mais rápida.

Mike Shatzkin, fundador e CEO da The Idea Logical Company, que presta serviços de consultoria sobre toda a cadeia produtiva do livro, acredita em uma mudança de hábitos dos leitores e prevê que os livros digitais superarão em poucas décadas, em quantidade e em preferência, seus primos impressos. Ele falará sobre o futuro do livro amanhã, no Fórum Internacional do Livro Digital, evento a ser apresentado nos dois dias anteriores ao início da Bienal do Livro de São Paulo [que acontece entre os dias 12 e 22 no Anhembi].

Só nos EUA, o mercado editorial eletrônico mais que duplica a cada ano. A Amazon, por exemplo, já experimenta os efeitos dessa migração: em um ano, a venda dos mais de 630 mil títulos de e-books representaram um crescimento de 200%, superando a de livros de papel.

Pessimistas preveem o fim das editoras, mas a maioria dos especialistas acha que esse é o momento certo para elas se reinventarem. O americano Mark Coker aposta em um modelo de publicação digital baseado na autonomia dos autores e na interatividade entre leitores. Em 2009, criou a plataforma Smashwords, que hoje já conta com mais de 6.500 autores profissionais e centenas de independentes.
Funciona assim: o autor formata seu livro de acordo com um manual disponível no site e sobe o arquivo de Word no Smashwords. O site converte-o para o formato certo dos livros digitais e disponibiliza nas maiores lojas de e-books, como Kindle Store, iBooks, Sony Reader Store e Barnes & Noble. Quem determina o preço é o próprio autor, que fica com 85% da receita gerada pelas vendas [menos as taxas cobradas pelo serviço de pagamento online], contra o máximo de 25% pagos pelas grandes editoras americanas.

Esse é um modelo em que autores independentes têm mais facilidade para lançar seus livros no mercado, sem que precisem passar pelo crivo das editoras. Coker diz que não considera justo um editor julgar a obra de alguém e decidir quanto ela vale levando em conta seu potencial de venda. Para ele, o autor deve ter o direito de decidir como seu livro será oferecido aos leitores. “Todos têm o direito de publicar um livro, de fazer parte da literatura”, diz.

O risco da pirataria é superestimado, segundo Coker. Sim, no ambiente digital é mais fácil copiar livros e deixar de pagar direitos autorais. Mas o criador do Smashwords crê que os leitores estão dispostos a pagar para ler eletronicamente e que travar um arquivo – como faz a maioria das revendedoras de e-books, com o DRM – é tratar o leitor como um criminoso.

Ao contrário dos usuários exclusivos de computadores, que estão habituados a adquirir conteúdo gratuitamente, quem usa smartphones e e-readers já está acostumado a pagar pequenas quantias por aplicativos, por exemplo. Pensando nisso, distribuidores de e-books focam prioritariamente na leitura em tablets para rentabilizar seus negócios. Os irmãos Luciana e Duda Ernanny começaram a Gato Sabido, primeira e-bookstore brasileira com o propósito de vender de tudo: de best-sellers a edições que não são mais encontradas em papel e obras inéditas de autores independentes. Para incentivar a compra de livros digitais, que ainda engatinha no Brasil, importam e comercializam o Cool-er, leitor digital que usa a tecnologia de tinta eletrônica, similar a do Kindle.

O Smashwords pretende chegar em breve ao Brasil. Com uma parceria fechada com a editora Singular Digital, todo o conteúdo lá disponível será vendido nos canais brasileiros, e as obras de autores nacionais serão comercializadas nas lojas estrangeiras que abastecem os e-readers de todo o mundo. Até o fim do ano, diz Newton Neto, diretor-executivo da Singular, o Smashwords deve ser trazido completamente traduzido para o País.

Outra aposta da Singular é o livro sob demanda, que permite a impressão rentável de pequenas tiragens. Esse modelo provou ser bem sucedido com a Amazon, que já tem mais de 85% de seus livros vendidos dessa forma. Para Neto, grandes tiragens não fazem mais sentido para a maioria dos livros, pois geram um gasto desnecessário de impressão e armazenamento – além do risco de encalhe. Além disso, dificultam que os leitores encontrem essas obras quando suas edições estão esgotadas, mas ainda não há demanda suficiente para que se imprima outra. Segundo ele, a expansão do mercado de livros digitais nos Estados Unidos foi precedida, do ponto de vista das editoras, pelo modelo de impressão sob demanda, que tornou a experiência de compra mais proveitosa para o leitor e capitalizou os arquivos digitalizados das obras.

AS OPÇÕES

Publicado originalmente em ESTADÃO.COM.BR | Por Carla Peralva | 8 de agosto de 2010 | 20h00

Smashwords e Singular se unem para distribuição de e-books


Smashwords, líder em publicação e distribuição de ebooks, e Singular Digital, principal provedor de Impressão sob Demanda e Serviços de Publicação Digital, firmam parceria para publicação e distribuição de ebooks para autores e editoras Brasileiras e Norte-Americanas.

Esta era digital da publicação de livros proporciona aos autores e editoras a oportunidade de atingir mercados globais. Por meio da impressão sob demanda e ebooks, não há mais barreiras para entregar conteúdo em todo mundo”, diz Newton Neto, Diretor da Singular. “Queremos construir o maior catálogo de livros digitais em Português”, continua.

A Smashwords publica 1.000 novos ebooks todo mês. Este conteúdo estará disponíveis nas lojas de ebooks do Brasil. O livro digital representa uma ótima oportunidade para melhorar a rentabilidade das editoras com a impressão sob demanda e aumentar a base de leitores com os ebooks. A Singular vai trazer todo conteúdo e a plataforma da Smashwords para o mercado brasileiro.

Haverá uma integração entre o Universo do Autor [www.universodoautor.com.br] e a Smashwords. Com isso, os autores Brasileiros terão seus livros vendidos em todo mundo.

Autores independentes e editoras poderão se beneficiar de uma completa solução digital de publicação de livros, que inclui distribuição global com Impressão sob Demanda e ebooks.

Ebooks representam o segmento que mais cresce no mercado do livro atualmente. De acordo com o Fórum Internacional de Publicação Digital, as vendas no varejo de ebooks nos Estados Unidos cresceram 261% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Milhares de autores e editoras ao redor do mundo estão contribuindo com o crescimento de ebooks ao usar plataformas como as da Smashwords e Singular Digital para publicar e vender seus trabalhos a uma audiência global.

Sobre a Smashwords, Inc. – Lançada em 2008, a Smashwords opera um plataforma líder de publicação e distribuição de ebooks servindo autores, editoras, leitores e livreiros. A Smashwords torna grátis e simples para qualquer autor ou editora, de qualquer parte do globo, publicar e distribuir ebooks em diversos formatos. A Smashwords coloca autores e editoras em controle total dos preços, experimentação e distribuição de suas obras. Autores e editoras recebem até 85% das receitas liquidas com as vendas de suas obras. A Smashwords possui acordos de distribuição com Apple, Barnes&Noble, Sony e Amazon e leitores digitais como Stanza, Kobo, Aldiko, FBReaber e Word-Player, atingindo também plataformas móveis como Android, Blackberry e iPhone. A Smashwords é sediada em Los Gatos, Califórnia, podendo ser encontrada na web em http://www.smashwords.com/.

Singulardigital | 06/07/2010

Zahar lança em breve distribuidora digital


Pelo tamanho das editoras envolvidas no projeto, a Distribuidora de Livros Digitais [DLD] será determinante para que a oferta de e-books deslanche no Brasil, mas, entre as principais empresas do setor, é a Zahar que larga na frente no uso de uma ferramenta confiável para contabilizar as vendas em formato digital. Em duas semanas, a empresa pretende botar no ar sua própria plataforma de armazenamento e distribuição de e-books, o Xeriph. Assim como a DLD, o Xeriph não será acessado pelo consumidor final, mas funcionará como uma base de dados para livrarias on-line. Hoje a Zahar tem 170 e-books em oferta e contabiliza mais de oito mil exemplares vendidos. Já a Singular, que faz distribuição digital para o Grupo Ediouro, diz que ainda é desprezível o número de vendas dos cem e-books já lançados pela empresa, mas anuncia para breve uma parceria com a americana Smashwords, que permitirá a venda de seus livros na Amazon e na loja de e-books da Apple.

O Globo | Publicado originalmente por Miguel Conde | 3/6/2010 – 18:01