Novos eBooks curtinhos


Singular lança coleção de contos em formato eletrônico; Objetiva planeja selo digital para pequenos textos

A Singular Digital, braço da Ediouro, lança a coleção Contos Singulares, que reúne e-books de contos selecionados a partir do catálogo do grupo. A primeira fornada sai com sete títulos, cada um ao custo de R$ 1,99. As obras podem ser compradas nas lojas virtuais da Saraiva, Cultura, Amazon e Gato Sabido. Segundo Silvia Rebello, gerente editorial da Singular, o objetivo da série é disponibilizar pequenos textos de qualidade a baixo custo. “Essa coleção permite agregar o leitor jovem, que gosta de usar os novos dispositivos eletrônicos, e os leitores mais velhos, que podem ter alguma dificuldade de visão e, nas telas, conseguem ampliar o corpo do texto”, afirma. A ideia é ter uma programação contínua de publicações dentro dessa linha.

De acordo com a coluna Painel das Letras, publicada no sábado, a editora Objetiva também vai investir nesse tipo de publicação e prepara o lançamento de um selo para obras curtas, disponíveis apenas em formato digital. Segundo a assessoria de imprensa da editora, o material da coleção será inédito, mas ainda não há data de lançamento fixada.

As casas brasileiras seguem uma tendência forte verificada lá fora, onde grandes grupos como Random House, Hachette e Penguin já lançaram coleções de mini-ebooks. O modelo tem, em parte, inspiração no iTunes, loja da Apple que vende canções fracionadas, ao invés de apenas álbuns inteiros.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente por PublishNews | 16/01/2012

Amazon contrata executivo no Brasil


Mauro Widman, que trabalhava na Livraria Cultura, cuidará do Kindle no país; plano é iniciar venda de e-books no primeiro semestre

A Amazon, maior varejista virtual do mundo, finalmente contratou um executivo para preparar a sua entrada no mercado de e-books no país, com a pretensão de iniciar a operação brasileira ainda no primeiro semestre de 2012. Mauro Widman, que trabalhou por um ano e meio na Livraria Cultura, onde estruturou a área de e-books, começa seu trabalho como gerente do Kindle da companhia americana na segunda-feira, dia 9.

Widman passará o mês de janeiro em treinamento na sede da Amazon, em Seattle, no Estados Unidos. Em fevereiro, a empresa deve se apresentar oficialmente aos editores brasileiros para então iniciar um período de negociações firmes com cada uma – a princípio, só para a venda de e-books, não livros físicos. O desafio de Widman será fechar os acordos entre a varejista e as editoras brasileiras, trabalho que ele desenvolvia na Cultura. A rede de livrarias brasileira já tem um novo responsável pela área de e-books. Érico Nunez, que trabalha na Cultura desde 2001 e desde agosto passado cuidava de questões comerciais do segmento digital, assumiu nesta semana o posto no lugar de Widman.

A Amazon já tentou fechar negócios com editoras brasileiras ao longo de 2011, mas não conseguiu. Segundo fontes do mercado, a varejista iniciou conversas com várias casas buscando descontos altos – no jargão do setor, desconto é a parte do valor do livro que fica com o varejista –, entre 50% e 70%, quando a média dos descontos praticados no caso dos e-books, no Brasil, é de cerca de 35%. As editoras teriam resistido e a Amazon acabou fechando o ano de mãos vazias.

Em entrevista ao PublishNews, Widman disse acreditar que as negociações em 2012 serão “muito abertas” e com “condições vantajosas para as editoras, em relação ao que tem sido praticado no mercado” – é algo a se observar nos próximos meses.

O lado técnico da operação da Amazon, por sua vez, é dado como resolvido, pois a empresa já tem a tecnologia necessária para operar sua loja de e-books e conta com uma equipe de engenheiros que está trabalhando para adaptar sua plataforma para o português.

A varejista vinha procurando um executivo no Brasil desde maio do ano passado. Nesse meio tempo, o Google também manteve conversas com editoras e correu atrás de profissionais brasileiros para colocar em pé seu negócio de e-books. Acabou contratando Newton Neto, ex-executivo da Singular, e em dezembro apresentou oficialmente aos editores brasileiros seus serviços. Até onde se sabe, ainda não firmou acordos, mas pretende lançar sua loja de livros eletrônicos no Brasil neste ano.

Não está claro se a Amazon vai simultaneamente entrar no segmento de e-books e lançar no país o Kindle, o aparelho de leitura que é um fenômeno de vendas e o responsável por popularizar os e-books nos Estados Unidos nos últimos anos. O fato é que, em outros países, como na Itália e na Espanha, a Amazon começou a vender os e-books e o aparelho ao mesmo tempo – faz todo sentido, uma vez que os livros digitais vendidos por ela só podem ser lidos no Kindle. No Brasil, a companhia estuda a opção de importar os dispositivos ou fabricá-los aqui.

A expectativa é que, quando chegar, o Kindle se transforme no e-reader mais barato disponível em território brasileiro – a sua versão mais simples custa US$ 79 nos Estados Unidos, ou cerca de R$ 145. Com isso, a leitura digital poderia ganhar um forte impulso.

Nos países em que opera, as vantagens da Amazon em relação aos concorrentes, pelo menos do ponto de vista do consumidor, costumam ser preços muitas vezes menores e um processo de compra mais simples e fácil. A varejista tem lojas virtuais nos Estados Unidos, Espanha, Itália, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Japão, França e China.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente por PublishNews | 05/01/2012

Editoras brasileiras avançam nas negociações com Amazon


Ao contrário do que aconteceu no mercado americano, a gigante Amazon está cedendo na ‘queda de braço’ com as editoras brasileiras. Inicialmente, a varejista americana queria vender os livros digitais com um desconto de 70% sobre o preço de capa do livro impresso. Depois, baixou para 50% e, ainda assim, as casas editoriais não aceitaram a proposta. As editoras querem que o abatimento seja de 30%, segundo o Valor apurou.

Ainda de acordo com fontes da área editorial, a varejista americana inicia sua operação de venda de livros no Brasil até meados do próximo ano. A Agência Nacional de Telecomunicações [Anatel] já liberou duas versões do leitor Kindle para venda no Brasil. Nos Estados Unidos, os modelos homologados são vendidos por US$ 79 e US$ 149, respectivamente. Procurada, a Amazon não respondeu aos contatos do Valor.

A última reunião entre a companhia e as editoras aconteceu na semana passada. Nesse encontro, as brasileiras reivindicaram também que o preço dos livros continue sendo definido pelas editoras. Nos Estados Unidos, a Amazon é quem determina o valor. Porém, no mercado americano houve uma quebradeira de importantes livrarias, como a rede Borders, em parte por conta dos descontos praticados pela varejista on-line. “Tivemos uma discussão muito produtiva e, no momento, estamos aguardando o envio de contrato para examinarmos as condições. Mas já deixamos bem claro que não queremos guerra de preço“, diz Marcos Pereira, sócio da Sextante, destacando que não pode dar mais detalhes por conta de sigilo na negociação.

As casas editoriais brasileiras mostraram-se unidas com a entrada da Amazon no país. Seis grupos editoriais (LPM, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante) criaram uma distribuidora que atuará como um acervo de títulos digitais. A nova empresa, batizada de DLD, terminará o ano com mil títulos. “A distribuidora é uma espécie de portal em que temos controle dos downloads. Seria um risco alto dar nosso acervo digital aos lojistas sem esse controle“, diz Sonia Jardim, vice-presidente da Record.

A Ediouro também tem atuado fortemente no mundo digital. No fim de 2009, a editora carioca criou uma nova empresa, chamada Singular, para digitalização de livros. Hoje, a Singular conta com um acervo digital de 150 títulos.

Um fator que tem dado poder às brasileiras é que a varejista americana ainda não atua no país. “Nos Estados Unidos, a Amazon já vendia livros em papel antes de começar a vender no on-line. Então, havia mais poder de barganha com as editoras locais. Aqui, é diferente porque a Amazon não existe e as nossas vendas continuam mesmo sem eles“, diz Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.

A questão do direito autoral também está gerando debates. Com a redução do preço do livro no varejo on-line, o percentual a ser pago para o autor da obra sobe dos atuais 10% [papel] para 20% em livros digitais. O mercado brasileiro ainda é tímido. Há cerca de 6 mil títulos disponíveis para leitores digitais, segundo a Câmara Brasileira do Livro [CBL]. A Companhia das Letras, uma das maiores do mercado, por exemplo, vai encerrar o ano com 200 e-books, menos de 10% do catálogo.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 15/12/2011

A realidade do livro digital


Quem quiser conhecer um pouco mais sobre e-books pode participar gratuitamente do seminário “Livro digital: uma realidade”, que será realizado entre os dias 26 e 29 de setembro, das 10h às 12h, na Biblioteca Popular Municipal de Botafogo [Rua Farani, 53 – Botafogo/RJ – Tel.: 21 2551-6911]. Com curadoria de Carlo Carrenho, o curso abordará temas como os desafios do mercado editorial, a distribuição digital, o DRM, o self-publishing e as bibliotecas digitais. Entre os palestrantes estão Miriam Gabbai, da Callis; Claudio Soares, do Portal PontoLit; Julio Silveira, da Ímã Editorial; e Carlo Carrenho, diretor executivo da Singular Digital. São 60 vagas e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 21 3235-3799 ou pelo e-mail estacaopensamento@gmail.com.

Programação

26/9 – Visão geral do crescimento dos livros digitais nos EUA e Europa e um panorama da situação brasileira.

Temas como os desafios do mercado editorial, distribuição digital, DRM [trava anti-pirataria], self-publishing e bibliotecas digitais circulantes serão abordados.

Carlo Carrenho – Formado em Economia pela USP, com especialização em Editoração no Radcliffe College, ligado à Harvard University. Criador do PublishNews, principal fonte de informações do mercado editorial brasileiro, tem artigos publicados em revistas internacionais. É diretor executivo da Singular Digital, coordenador do curso de especialização O Negócio do Livro, da FGV-RJ, e vem se especializando no mercado editorial digital.

27/9 – O livro digital na escola: uma realidade pedagógica

O papel do livro digital na educação; as novas possibilidades para professores, alunos e editores; o que as editoras brasileiras já vêm fazendo; vantagens e desvantagens do livro digital na sala de aula, estes são alguns dos temas abordados.

Miriam Gabbai – Editora, formada em História e Belas Artes, com especialização em Negócios, pela FGV-SP. É aficionada em tecnologia e livros infantis, tendo desenvolvido uma plataforma digital de livros paradidáticos, com foco na realidade brasileira.

28/9 – O livro digital na literatura: uma realidade criativa

Com foco na relação entre criação literária e tecnologia, o seminário abordará a influência da revolução digital no processo criativo da literatura. Entre os temas discutidos, estão as novas tecnologias do livro, as novas estratégias de storytelling, a influência das mídias sociais na literatura, a partir de exemplos práticos.

Claudio Soares – E-publisher da Ímã Editorial e do portal PontoLit, especializado em self-publishing. Autor de Santos Dumont Número 8, primeiro romance brasileiro publicado em redes sociais. É também articulista do portal de tecnologia iMasters/Uol e analista de sistemas. Atualmente, desenvolve Krapotkinware, uma narrativa baseada em redes sociais.

29/9 – O livro digital no mercado: uma realidade de ruptura

Este seminário abordará os novos caminhos que estão surgindo para editores e escritores. Por um lado, trata-se de um exercício futurista de pensar a editora, a livraria e o autor que serão realidade em poucos anos; por outro, também mostrará o cenário atual e os primeiros passos que já acontecem nesta direção.

Julio Silveira – Após dirigir a editora Casa da Palavra por mais de uma década, atuou como editor na Nova Fronteira e Thomas Nelson Brasil. Atualmente dedica-se à Imã Editorial, uma editora 100% digital. É também tradutor, revisor, capista, administrador e editor.

PublishNews | 23/09/2011

Ser escritor na era digital é…


Esse foi o tema da primeira edição do Fórum Autor 2.0

Tenho a impressão de acordar analfabeto e índio todo dia. São muitas palavras novas e tenho que entender o que é isso. O americano está enfiando coisas todo dia que nem espelho”, disse Marcelino Freire no Fórum Autor 2.0 realizado pela Ímã Editorial no sábado, dia 3 de setembro, no Parque Lage, no Rio de Janeiro.

Além de abordar as angústias comuns ao escritor que está vivendo este início de era digital e está decidindo se vive em seu castelo ou se conversa com seu leitor pelas mídias sociais, o fórum discutiu assuntos como a publicação de narrativas em mídias sociais e suportes alternativos, as narrativas colaborativas e as não lineares, a publicação e autopublicação, e distribuição em e-book em canais aterritoriais, entre outros. Participaram Sérgio Rodrigues, Cristiane Costa, Carlo Carrenho, Ondjaki, Marcelino Freire, Simone Costa e C. S. Soares. A moderação foi do editor Julio Silveira.

Cristiane Costa falou sobre o assunto que pesquisa: as narrativas expandidas. “Hoje, a graça é inventar uma nova forma de contar uma história”, comentou a jornalista e professora. Ela apresentou alguns exemplos do que se anda fazendo por aí com o livro, ou melhor, com a história, como o Vook, geradores de textos, uso da realidade aumentada. Já a escritora Simone Campos contou sobre sua experiência de escrever livros interativos e disse que para criá-los tem até que estudar matemática e lógica.

A partir da ideia de que a literatura é um conjunto de palavras que evoca imagens na cabeça do leitor e que ao dar a imagem pronta você tira algo do leitor, Sérgio Rodrigues disse que essas novas formas de narrativas deveriam ganhar um novo nome. “Não vejo como continuar chamando isso de literatura. Só para usar a fama da velha literatura? Vamos dar outro nome.” Para o jornalista, a posição do escritor está passando por mudanças e o manter distância do leitor está fora de moda. Mas ele também não acredita que seja possível conseguir fazer alguma coisa estando o tempo todo conectado no Twitter e Facebook e ainda respondendo os e-mails dos leitores. “Para que você mesmo consiga ouvir a voz da sua cabeça é preciso de um pouco de silêncio”, comentou.

Ondjaki está nas mídias sociais e gosta dessa interação que acontece entre leitor e autor em feiras do livro e eventos, mas anda bravo com o Facebook que mudou algumas configurações e agora seus “amigos” conseguem comentar suas atualizações. “O acolhimento é muito bom, mas essa exposição às vezes atrapalha um bocado”. O escritor angolano não vê essas novas mídias como ameaça ao livro e acredita que estamos no meio do caminho entre o começo da revolução digital e o que será o livro.

Carlo Carrenho, diretor da Singular, membro da Confraria dos Bibliófilos e leitor de livro digital, acredita que em um ou dois anos a fatia de e-books no mercado brasileiro ainda será pequena, mas prevê um crescimento exponencial. Para ele, em seis anos o cenário será bastante distinto. Isso se o governo não se antecipar e criar algum programa para o livro digital. “É só o governo decidir comprar e em dois meses os editores vão amar o livro digital e terão tudo pronto”, comentou.

A autopublicação também é algo que cresce no mercado editorial nacional e internacional. “Vai-se publicar muito lixo, mas vamos conhecer muita coisa boa”, disse, lembrando que Julio Verne só foi publicado pela 14ª editora. E que Marcelino Freire bancou a edição de seu livro de estreia por não ter tido muito sucesso com as editoras que procurou. Hoje, depois de ter tido outras obras lançadas por uma grande editora e vencido o Jabuti, voltou à publicação independente. “Cada um tem uma história para contar e agora pode contar”, disse Claudio Soares, também adepto da autopublicação.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 05/09/2011

Autores independentes


O sistema de self publishing da Singular Digital, em fase beta há um ano, será uma prioridade da empresa daqui para a frente. Para reforçar os trabalhos nesse sentido, a Singular passará a permitir aos autores independentes publicar em e-book, além de imprimir por demanda. O trabalho fica a cargo de Carlo Carrenho, contratado como diretor executivo, em equipe reforçada ainda pelo diretor de negócios João Casacio.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 16/07/2011

Números de uma micro editora, que ainda não começou seu planejamento de marketing


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/06/2011

Na última coluna, que deu o que falar, comentei que hoje colocaria os números dos e-books da @CakiBooks… Eis que agora cumpro minha promessa.

Vou começar falando da estrutura [ou seria a falta dela?] do início da @CakiBooks. Somos três pessoas, que começamos em home office, cada uma em sua casa, ligadas por um serviço de internet bem eficiente e um serviço Nextel nem tão eficiente assim. Começamos a empresa sem empréstimos homéricos, sem aportes colossais. Podemos afirmar que a Caki não deve a sistema financeiro algum. Nossa ideia inicial era editar o que gostávamos e ver o que conseguiríamos com essa nova onda digital, que eu já previa que viria com tudo. Fizemos um site básico, que estamos em projeto de melhoria agora, e uma loja de graça pela Magento. Isso com ajuda de um amigo, que depois nos abandonou…

Temos um ano e meio de existência. Não me dedico 100% à Caki [trabalho em três lugares… ok]. Um dia será minha prioridade. Mas nosso panorama hoje é: continuamos três e possuímos 38 obras, entre livros, crônicas e produção de domínio público para e-book. Usamos basicamente a plataforma Xeriph para distribuição de nossos e-books e controle de downloads no Brasil. Possuímos cinco aplicativos para Apple e Android. Distribuímos internacionalmente pela Amazon.

Nossas vendas no Brasil pela Xeriph: 60 em março, 30 em abril e 104 em maio. Nosso investimento em marketing: ZERO [por enquanto, claro]. Focamos nas mídias sociais, mas não tanto quanto gostaríamos, e buscamos editais para dar um up inicial e vendendo, sim, livros impressos via parceria com a Singular. Estoque: ZERO. Vontade e ideias: milhares. E estamos buscando agora desenvolver autores incríveis que confiaram na proposta da Caki.

O legal é que pela Caki eu consigo desmistificar um monte de coisas. A primeira delas foi a distribuição digital nacional e internacional de obras [escrevi sobre isso aqui]. Depois me falaram que e-book era uma coisa mística, muito misteriosa e fora do poder financeiro do mercado editorial brasileiro, e produzimos não só nossos lançamentos, como também domínios públicos etc.

Hoje no Brasil conheço duas empresas que prestam este serviço de conversão: a Simplíssimo e a Xeriph… Como trabalho na Xeriph, vou falar dos preços de conversões praticados por ela: R$ 109 por livro de baixa e média complexidade [os que têm texto ou imagens]. Nossa…como é fora de nossas possibilidades, não?! [ironia]. A Xeriph também oferece treinamento a equipes das editoras parceiras por um preço amigo. O interesse da Xeriph é o conteúdo que as editoras proverão para a distribuição e por isso procuram fazer as editoras auto-suficientes para produção de seu próprio conteúdo [sim, tenho participação na formatação deste projeto].

Sobre a confecção de audiobooks, nosso estúdio parceiro é a Audio Edition que cobra uma média de 300 reais a leitura e gravação de um livro com até 300 páginas em MP3…ok, cada projeto é um projeto…mas já dá para ver que não é inalcançável… A própria Audio Edition fez nossos aplicativos para Android, com a arte dos livros infantis e as músicas juntas por R$ 250. Nossos aplicativos também são bem básicos, mas fofos.

O aplicativo Saca-Rolhas na AppStore foi feito pelo Mauricio Junior, que não consegui autorização a tempo para colocar o contato dele aqui, mas fico devendo e colocarei via Twitter depois. Ele cobra em média uns R$ 300 também para colocar seu conteúdo, estático num aplicativo.

Na FNLIJ, semana passada, discutimos algo que encaixa aqui: o conteúdo infanto-juvenil em e-book é ridiculamente pequeno no Brasil. Somente 3% do conteúdo da Gato Sabido é infanto- juvenil… Na Amazon, ao procurar conteúdo desta ordem, já começa com a oferta de mais de 29 mil e-books. Que vergonha!

O livro hoje gera vários produtos, e por que não aproveitar isso tudo? O alcance e a diversificação de renda de uma editora aumentou. Se não é inalcançável para a Caki, imagine para uma editora mais antiga e melhor estruturada financeiramente.

O processo de edição anterior à finalização continua o mesmo: seleção, agenciamento, revisão, tradução, diagramação. Daí em diante é que se diversifica.

Gostaria muito de receber experiências de editoras com provedores de serviços bons e baratos. Estou disposta a colocar aqui para fazermos deste espaço uma troca de ideias de colegas de trabalho. Claro que se investigarmos, chegamos na internet a quem quisermos, mas por que complicar se podemos trocar? Ainda fazemos amizade =0]

Sobre a coluna anterior, preciso dividir com vocês o quanto ela mexeu com as pessoas… E por incrível que pareça só recebi apoio e adendos às minhas perguntas. Foi muito divertido! Na próxima coluna colocarei o desdobramento e alguns trechos do que recebi em resposta àquelas indagações.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/06/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Últimas vagas para curso sobre edição de livros digitais


Curso organizado pela Estação das Letras e pelo PublishNews terá duração de 22 horas

Começa neste sábado, dia 18, no Rio de Janeiro, e terá duração de 22 horas, com aulas sempre aos sábados, o curso “Editando livros digitais”. Resultado de uma parceria entre a Estação das Letras e o PublishNews, o curso reunirá profissionais atuantes no mercado editorial que tratarão de temas como edição, distribuição, divulgação, novas narrativas digitais e impressão sob demanda. O panorama internacional e nacional do livro digital também será apresentado. Entre os professores estão Carlo Carrenho, do PublishNews; José Henrique Grossi, da Xeriph; Cristiane Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Roberto Cassano, da Agência Frog; Bruno Valente, da Punch; Camila Cabete, da Gato Sabido; e Newton Neto, da Singular Digital. O curso será realizado no Museu da República [Rua do Catete, 153 – Catete – Rio de Janeiro/RJ]. Para a programação completa, clique aqui.

PublishNews | 15/06/2011

Estação das Letras lança curso sobre livro digital


Curso pretende preparar profissional do livro para o já real cenário digital; curadoria é do PublishNews

Até bem pouco tempo, os livros digitais eram uma realidade distante. Mas nos últimos dois anos, os e-books saltaram da quase ficção científica para a realidade. Nos Estados Unidos, responderam, só no ano passado, por cerca de 9% do faturamento, crescimento de 200% em relação a 2009 e de 800% em relação a 2008. No Brasil, as grandes livrarias já lançaram, ou estão lançando, suas lojas de e-books; há duas distribuidoras digitais em operação e nenhuma editora pode mais se dar ao luxo de ignorar o que antes era chamado futuro digital.

Com este cenário em mente, a Estação das Letras, no Rio, coloca na rua o curso “Editando livros digitais”, inédito no país. Com uma carga horária de 22h, o curso será realizado em junho e julho e terá aulas ministradas por profissionais do mercado de livros digitais e aborda desde a produção e a criação literária de e-books até o marketing, a distribuição e a comercialização de conteúdo digital. A curadoria do curso é do PublishNews.

“Ainda não havia no mercado brasileiro um curso pragmático e rápido que oferecesse uma visão ampla não apenas do futuro do livro digital, mas também do seu presente e das práticas que o mercado já vem adotando”, explica Carlo Carrenho, fundador do PublishNews e coordenador do curso na Estação.

O objetivo, segundo Carrenho, é que cada aluno, ao fim do curso, esteja preparado para o futuro digital e consciente desta realidade, que já existe tanto no mercado brasileiro quanto no internacional.

Para José Henrique Grossi, consultor comercial da distribuidora digital Xeriph, o curso é de fato bem-vindo. “Depois de anos no mercado editorial de livros de papel, eu migrei recentemente para o mercado de e-books. Este é o curso que eu gostaria de ter feito no momento da minha transição”, afirma Grossi, que ministrará a aula “O mercado nacional de livros digitais”.

Os outros professores são Cristiane Costa [UFRJ], Roberto Cassano [Agência Frog], Bruno Valente [Punch], Camila Cabete [Gato Sabido], Newton Neto [Singular Digital] e Carlo Carrenho [PublishNews].

Serviço
“Editando livros digitais”
Dias 18 e 25 de junho / 2 e 9 de julho, das 10h às 17h [total 22h/aula]
Local: a definir
Preço: R$ 900
Inscrições: 21 3237-3947
Organização: Estação das Letras
Apoio e curadoria: PublishNews

Estação das Letras
Rua Marquês de Abrantes, 177 – Loja 107 Flamengo/RJ
Telefone: [21] 3237-3947

Programa do curso Editando livros digitais

18 de junho

Aspectos gerais do mercado digital – Uma introdução | 2 horas | Carlo Carrenho

Apresentação do curso
Apresentação dos alunos
Um panorama geral do cenário digital
Os últimos acontecimentos do mercado digital
Conceitos básicos

O mercado internacional de livros digitais | 3 horas | Carlo Carrenho

Os números do mercado dos EUA
Um panorama do resto do mundo
Os três mosqueteiros: Amazon, Apple, Google e Kobo
A Barnes&Noble
Self-publishing & outros modelos
Os livros texto digitais

Carlo Carrenho é formado em Economia pela FEA-USP e especializou-se em Editoração no Radcliffe College, da Universidade de Harvard. Já possui 15 anos de experiência no mercado editorial, tendo passado por editoras acadêmicas, religiosas e de mercado geral, como a Thomas Nelson Brasil. Em 2001, criou o PublishNews, um informativo diário com todas as notícias do mercado editorial brasileiro que hoje já possui mais de 10 mil assinantes. Atualmente acompanha de perto a revolução digital do mercado editorial e atua como consultor para empresas do setor. Apesar de paulista, é flamenguista.

25 de junho

Novas estratégias narrativas para a mídia digital |3 horas | Cristiane Costa

As tecnologias do livro: do manuscrito ao iPad
Leitor passivo x leitor ativo
Novas estratégias de storytelling

Cristiane Costa é pesquisadora do pós-doutorado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, onde desenvolve estudo sobre novas estratégias narrativas em mídias digitais, com o apoio da Faperj. Coordenadora do curso de Jornalismo da ECO-UFRJ, é uma das curadoras do ciclo Oi Cabeça, dedicado à literatura eletrônica.

O mercado nacional de livros digitais | 2 horas | José Henrique Grossi

Os principais players
Os distribuidores digitais brasileiros
As e-bookstores brasileiras
Os desafios do mercado digital nacional
Estratégias sadias para o sucesso digital

José Henrique Grossi é consultor comercial da distribuidora digital Xeriph. Economista, entrou no mercado editorial em 1973 como divulgador da editora Saraiva, empresa de onde saiu nove anos depois como gerente de promoção. Trabalhou na Abril Educação e na Nova Cultural e, em 1997, criou a Grossi Representações. Foi vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro em 1999. É santista roxo.

2 de julho

Livros Digitais, pequenas editoras e processo de produção | 3 horas | Camila Cabete

Os desafios de se montar uma editora digital
Definindo uma estratégia
Negociação com os grandes players
O processo de produção

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis.

As vantagens da impressão por demanda e como aproveitá-las | 3 horas | Newton Neto

Como funciona a impressão por demanda
O status atual da impressão por demanda nos EUA
O status atual da impressão por demanda no Brasil
Os benefícios da impressão por demanda para editoras
Os benefícios da impressão por demanda para autores
Self-publishing no Brasil

Newton Neto é diretor-executivo da Singular, braço do grupo Ediouro [do qual fazem parte as editoras Agir, Nova Fronteira, Plugme, entre outras] dedicado às novas tecnologias. Possui uma experiência de oito anos na área de conteúdo e tecnologia, abrangendo desde conteúdo para celulares a livros digitais. Recifense, é fanático pela Santa Cruz.

9 de julho

Marketing Digital para Livros Digitais | Roberto Cassano [Agência Frog] | 3 horas

O que é marketing digital
As mídias sociais: Facebook, Orkut, Twitter e FourSquare
Estratégias de sucesso para o marketing online de livros
Os erros e acertos dos sites de editoras, livros e autores
Métrica de resultados

Roberto Cassano é formado em Jornalismo, com MBA em Marketing. Atua em Publicidade desde 2001 e em Mídia On-line desde 1996. Participou dos movimentos iniciais do primeiro jornal brasileiro na internet, o JB On-Line, e das pioneiras revistas “internet.br” e “Internet Business”. Foi executivo do portal de tecnologia Canal Web e diretor de Mídias Digitais na Seluloid. É diretor de Criação e Estratégia da Agência Frog, com ênfase em mídias sociais e palestrante em instituições como Fundação Getulio Vargas, Facha e Casa do Saber

E-books e apps | 3 horas | Bruno Valente

Uma breve história dos e-books
Uma breve história das Apps
ePubs: o caminho para chegar até eles
Erros e acertos na produção de ePubs
Apps: o caminho para chegar a elas
Uma questão de equilibro: até onde uma app pode chegar antes de virar filme ou vídeo-game?
Aspectos financeiros de apps e e-books

Bruno Valente é formado em Comunicação Social [Rádio e TV] pela UFRJ, onde produziu uma das pesquisas sobre HDTV no Brasil. Pós-graduado no MBA Film & Television Business pela Fundação Getúlio Vargas. Atua no Mercado Audiovisual há 15 anos. É sócio diretor da Punch! Comunicação & Tecnologia, que desenvolve aplicativos móveis de produtos, marcas e educacionais para Apple[ iPhone, iPads, iPod Touch], Research in Motion [Blackberry] e Android, além de trabalhar com produção audiovisual transmídia e captação de recursos para projetos variados através de leis de incentivo. No Mercado Editorial, realiza aplicativos de editoras, livros e publicações e conversão de livros para o formato ePUB, sempre tendo como objetivo divulgar o conteúdo, gerar público e receita para seus clientes.

PublishNews | 13/05/2011

Singular lança revista e rede social


A Singular Digital promove hoje [28], às 19h30, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon [Rua Afrânio de Melo Franco, 290 – loja 205 A – Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21-3138-9600], o evento #unisingular. Lá, será apresentado o primeiro número da revista Universo Singular que, segundo a editora, se propõe a falar sobre o mercado editorial, dando atenção especial ao mundo digital, além de divulgar os trabalhos da Singular e das suas editoras parceiras.

Para marcar o lançamento, haverá um debate com a presença de representantes dessas editoras– para as quais a Singular faz a distribuição e impressão sob demanda – que discutirão sobre o mercado editorial. A empresa, que é o braço digital da Ediouro, apresenta ainda a rede social Universo Singular, voltada para a interação entre os profissionais do mercado editorial, e o Espaço Singular, uma área na Livraria da Travessa onde todos os títulos das editoras parceiras da Singular estarão expostos para venda.

PublishNews | 28/02/2011

eBooks: Grupo Livrarias Curitiba adere à luta


Foi sem alarde que o Grupo Livrarias Curitiba começou a vender livros digitais. Usando o catálogo da distribuidora Xeriph, a maior rede de livrarias do Paraná, com lojas também em Santa Catarina e em São Paulo, se junta à Saraiva, Cultura, Gato Sabido, Ponto Frio, Casas Bahia, Singular e Grioti na difícil tarefa de popularizar o livro digital no Brasil. E o começo não foi tímido. Confira.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 07/02/2011

Do Twitter ao livro


Na última edição do ano do Encontro dos Twitteiros Culturais [ETC], neste sábado [11], às 16h, será lançado o Livro de microcontos ETC Bienal [BlogBooks, 112 pp., R$ 9,99], com textos em 140 caracteres enviados por 147 autores durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em concurso realizado pela Fundação Volkswagen e coordenado por José Luiz Goldfarb. A coordenação do livro ficou a cargo de Marcelino Freire. A obra está à venda na Singular. O lançamento acontece na Livraria Cultura do Conjunto Nacional [Av. Paulista 2.073 – Bela Vista – São Paulo/SP].

Primeiros colocados no concurso

1º – @felipevalerio: “Esta é a vista que prometi. Agora pula”.
2º – @brunopvincentini: “Vendeu os cabelos para comprar um chapéu”.
3º – @vidaboah: “Calou-se. E repetiu.”

PublishNews | 10/12/2010

Os sete segredos do sucesso na publicação de e-books


Mark Coker

No fim de semana de 24 a 26 de setembro, na Self Publishing Book Expo em Nova York, apresentei meus Sete Segredos do Sucesso na Publicação de E-books. Para quem ama o PowerPoint, segue o link da apresentação.

Essa apresentação está baseada em outra anterior sobre como o crescimento de livros independentes transformará o futuro do mercado editorial. Para essa sessão, acrescentei novos materiais, incluindo os sete novos segredos mais um bônus que fala como os autores podem maximizar a viralidade de seus livros.

Os sete segredos [mais um]

1. Escreva um ótimo livro – O tempo do seu leitor é mais valioso do que o bolso dele. Leitores possuem escolhas ilimitadas para conteúdo de alta qualidade, então autores devem respeitar o tempo do leitor ao publicar livros com a mais alta qualidade possível. Como editor, é sua responsabilidade fazer o que muitos editores tradicionais fazem tão bem: honrar o processo de edição e revisão.

2. Escreva outro grande livro – Os autores de best-sellers da Smashwords possuem uma lista de obras. Pense em cada livro como um anzol no oceano. Quando cada livro cruza referências com outros livros através de links simples [tanto dentro do livro quanto dentro dos sistemas de vendas], você cria uma rede. Uma lista de obras também oferece a oportunidade de ganhar a confiança do leitor. Depois que o leitor confia que você irá respeitar seu tempo com um bom livro, ele estará mais inclinado a conhecer e comprar seus outros títulos.

3. Maximize a distribuição – Disponibilidade é o precursor da descoberta. Se o seu livro não é encontrado facilmente em vários lugares, por assunto ou tema em vários sistemas de busca, ou por keywords ou categorias nos sites de livrarias, ele acaba sendo invisível. Consiga que seus livros sejam distribuídos no maior número de livrarias online possível. Muitos leitores vão a uma livraria com a intenção de conseguir uma boa leitura e não estão procurando necessariamente um título específico, então se o seu livro não está lá, não será encontrado nem comprado. Algumas das mesmas regras do mercado editorial tradicional valem para os e-books. Quanto mais livrarias tiverem o seu livro, mais chances você terá de se conectar a um leitor.

4. Dê [alguns dos] seus livros de GRAÇA – Os escritores de maior sucesso na Smashwords oferecem pelo menos um livro de graça. GRÁTIS é um dos segredos menos compreendidos e mais mal utilizados no marketing de e-books. Isso funciona melhor se você tem uma boa quantidade de livros.

5. Confie nos seus leitores e parceiros – Alguns autores não publicam e-books por medo da pirataria. Isso é besteira. A pirataria não pode ser evitada. J.K. Rowling não publica e-books, e mesmo assim, poucas horas depois de cada lançamento de algum livro da série Harry Potter, seus livros estavam disponíveis online em e-books pirateados. Não torne difícil para seus fãs comprar cópias legítimas do seu livro. Confie que seus leitores irão honrar o seu direito de autor [e para os que não vão honrar, não há nada que você possa fazer]. Se limitar o acesso ao seu livro infectando-o com DRM, vai acabar limitando sua capacidade de se conectar com os seus leitores. Na semana passada, durante uma viagem ao Brasil, falei numa apresentação sobre e-books patrocinada pela Singular Digital junto com Rodrigo Paranhos Velloso, diretor de desenvolvimento de negócios da Google América Latina. Rodrigo fez uma observação absolutamente brilhante sobre DRM. Ele disse: “Quando você coloca DRM em algo, faz com que as versões sem DRM tenham mais valor”. Em outras palavras, quando você usa DRM, encoraja a pirataria.

6. Tenha paciência – Demora tempo para construir a sua editora. Ao contrário das editoras tradicionais com livros impressos, que chegam às prateleiras e geralmente se esgotam logo, os e-books são imortais. Quando o seu livro chega a um novo ponto de venda, pense como se fosse uma muda. Com tempo e se você regar direito, ele tem a chance de construir raízes profundas [resenhas de leitores, ranking de vendas, SEO]. Nunca retire seu livro das prateleiras de um ponto de venda porque está insatisfeito com suas vendas comparadas com a de outros pontos de venda [veja acima o item sobre distribuição].

7. O marketing começa ontem – Comece a construir a sua plataforma de marketing antes de terminar o seu livro e depois invista tempo todo dia para continuar construindo e fazer crescer essa plataforma. Implemente uma estratégia de mídia social sólida. Participe em redes sociais e, mais importante, contribua com sua rede social. Se você pensar em seus seguidores no Facebook e no Twitter como possíveis compradores, vai acabar se dando mal. Em vez disso, acrescente valor. Ajude outros escritores a serem bem-sucedidos. Quando chegar a hora de lançar o seu livro, os seus amigos das redes sociais vão querer retornar o favor abrindo inesperadas portas, cheias de oportunidades.

8. Arquiteto da viralidadeNa apresentação, descrevi meu conceito de “primeiro leitor”, a pessoa que você convence a comprar o seu livro. Todo leitor é um primeiro leitor. Se o seu livro for bem recebido por eles, acabarão ajudando a promovê-lo para os amigos. Se não for bem recebido, não irão promovê-lo. Como são os leitores que determinarão o sucesso do seu livro, você, como autor ou editor, pode dar passos para facilitar a viralidade [boca a boca] do seu livro. A apresentação mostra esses passos, bem como evitar o que eu chamo de Decadência Viral e Viralidade Negativa.

Texto escrito por Mark Coker | Publicado originalmente no PublishNews | 28/10/2010

Na espera pelo iPad, editoras adaptam seus livros para lançamento do tablet no Brasil


Lançamento de dispositivos móveis, como o iPad, aquece o mercado de livros eletrônicos

Apple lançou o iPad oficialmente em abril, nos Estados Unidos. Desde então, o tablet já foi comprado extraoficialmente por brasileiros, chegou a diversos países e recebeu autorização da Anatel para ser vendido no Brasil – ainda assim, nada de sua comercialização ter início por aqui. Enquanto aguardam o lançamento, as editoras trabalham para disponibilizar aos consumidores versões compatíveis com o iPad de seus livros existentes no formato tradicional. Nos Estados Unidos, essa alternativa mostrou-se válida: os e-books já superaram os livros de capa dura na gigante Amazon.com.

Em agosto, por exemplo, a livraria Saraiva anunciou a disponibilidade de seu aplicativo de leitura para o iPad e iPhone, que pode ser baixado na loja de aplicativos App Store, da Apple. “Estimamos, hoje, 40 mil iPads no Brasil e é esse público que queremos atingir”, afirmou Marcílio Pousada, presidente da empresa. A Saraiva, que pretende ter até o final do ano 5 mil livros digitalizados, tem arquivos nos formatos PDF e ePUB, compatíveis com o iPad, o Alfa, da Positivo, o Sony Reader e o Cool-er, da Gato Sabido.

Os usuários de leitores digitais devem ficar sempre atentos aos formatos disponíveis para cada tipo de eletrônico – é justamente esse o desafio das editoras, que querem tornar seu material compatível com os produtos da Apple. Além de PDF e ePUB há diversas outras siglas que podem acabar confundindo e atrapalhando o consumidor: DOC, TXT, HTML, MOBI e TRT, por exemplo. A gigante Amazon, uma referência no mercado de e-books, criou até um formato próprio para o conteúdo compatível com o Kindle [AZW e AZW1].

Adaptação
A Singular, empresa da editora Ediouro, também se adapta para conquistar no Brasil novos leitores entre os fãs da Apple. “Temos arquivos digitais sendo vendidos pelos principais sites do país, que podem rodar nos aparelhos já disponíveis no Brasil. Mas ainda temos de nos adaptar à plataforma do iPad, que exige itens diferenciados, pois os arquivos serão vendidos pela loja virtual da Apple. Além disso, o gadget oferece cores e funções interativas, como som e a possibilidade de ler o texto na vertical ou na horizontal”, afirma Newton Neto, diretor de mídias digitais e tecnologia da Singular.

Essa interatividade que o aparelho possibilita funciona como um chamariz e também pode reforçar o lucro das editoras. ”Com o tablet, conseguimos dar mais realidade e nitidez aos desenhos, o que não acontece com os leitores digitais vendidos atualmente no Brasil”, explica Mauro Palermo, diretor da Globo Livros. Durante a Bienal Internacional do Livro, a empresa disponibilizou o primeiro capítulo da obra “A menina do narizinho arrebitado”, de Monteiro Lobato, para iPad. “Até o fim do ano, teremos o livro completo e outras obras ilustradas, que serão rediagramadas para se encaixarem ao tamanho e estrutura do aparelho.”

Apesar da empolgação de muitos, a editora Contexto não vê o gadget da Apple como um “divisor de águas” no setor de mídias impressas. “Faz bastante tempo que estamos nos preparando para a venda do livro digital: tanto que grande parte dos nossos contratos já tem previsto o comércio deste tipo de arquivo. Mas não vamos dar exclusividade para um aparelho ou outro. Queremos disponibilizar um e-book que rode em todos os e-readers”, explicou Daniel Pinsky, diretor da empresa.

E a pirataria?
Outra iniciativa estudada pelas editoras é oferecer, junto com os textos, vídeos e disponibilizar uma forma de escutar a versão digital. Com essas exclusividades, as empresas acreditam que será mais difícil os leitores optarem por versões pirateadas. “Estamos criando uma versão 2.0 dos e-books, à qual o consumidor terá acesso com um código passado durante o ato da compra”, explica Neto, da Singular.

O valor dos e-books deve ser mais baixo que o cobrado para os livros impressos, porque na versão tradicional está embutido o preço das obras que não foram vendidas, do frete e da gráfica, entre outras coisas. “Retirando esses custos, o produto fica cerca de 65% mais barato. Assim, o leitor que investiu no aparelho vai aos poucos recuperando o valor, economizando na compra dos livros”, afirma o diretor da Globo Livros.

Os arquivos digitais também terão o chamado DRM [Digital Rights Management; gerenciamento dos direitos digitais], uma plataforma de segurança escolhida pela maioria das editoras brasileiras para proteger os arquivos de cópias não autorizadas. Assim, o usuário baixará o arquivo e não conseguirá repassá-lo.

Por Daniel Navas | Para o UOL Tecnologia | 19/10/2010 – 10h34

Impressão sob demanda e e-books em destaque


A segunda participação do PublishNews na Feira do Livro de Frankfurt aconteceu na manhã desta sexta-feira [8] com Carlo Carrenho, diretor do portal, entrevistando Newton Neto, da Singular, sobre o mercado do livro digital no Brasil. A sinergia – possível e importante – entre a Impressão sob demanda [POD] e o e-book foi a tônica da conversa.

Newton destacou que a empresa investiu 8 milhões só em equipamentos para POD porque acredita que nos próximos 5 a 10 anos continuará havendo uma interatividade grande entre POD e e-book. “O POD vai viabilizar a digitalização dos livros em catálogo, permitindo que também se tornem disponíveis para o formato de e-book”, disse.

Bom exemplo da sinergia entre impresso e e-book é o novo best-seller de Laurentino Gomes, 1822, que esteve na liderança da lista de Mais Vendidos do PublishNews por duas semanas e que agora ocupa e segunda posição [o livro é também um dos mais vendidos em formato digital], e, pasmem, é “DRM Free”.

Assim como no caso dos e-books, também para o POD a maior barreira é conteúdo. Até janeiro de 2011 a Singular deve contar com 4 milhões de títulos disponíveis para impressão, mas a grande maioria não é de livros nacionais.

Um grande sucesso da empresa tem sido a BlogBooks, uma editora dedicada à produção de livros com conteúdo de blogs. Em 2010, foram produzidos 20 títulos, com alguns vendendo mais de mil exemplares por mês, o que é um bom número para o mercado. Em 2011, serão 14 títulos [selecionados entre 2 mil inscritos]. A força dos livros da BlogBooks vem dos próprios blogueiros, que são excelentes marketeiros.

Por Ricardo Costa, de Frankfurt | PublishNews | 08/10/2010

E-book já movimenta mercado brasileiro


Mercado brasileiro poderá refletir os resultados positivos dos Estados Unidos se houver uma política de massificação de e-leitores e de preços mais acessíveis

O primeiro e-reader nacional, lançado pela Positivo, esgotou na primeira semana de vendas

Rio de Janeiro – Os e-books começam a movimentar o mercado editorial brasileiro. Embora o número de títulos disponíveis no país ainda seja pequeno, o primeiro e-reader nacional, lançado pela Positivo por R$ 699,00, esgotou na primeira semana de vendas.

A realidade que começa a se instaurar ainda é muito nova para que se possa ter números e expectativas, mas já é suficiente para que editoras comecem a repensar seus negócios e estratégias, assim como a internet já obrigou jornais e gravadoras a fazerem.

Segundo dados da IDC, as vendas mundiais de e-books devem superar cinco milhões de unidades em 2010 e ultrapassar os seis milhões em 2011. “No mercado dos Estados Unidos, os e-books representam cerca de 3% do segmento editorial“, afirma Daniel Pinsky, diretor comercial da editora Contexto e membro da Comissão da Câmara Brasileira do Livro – que trata do mercado de livros eletrônicos -, em entrevista. É baseado em números como esses que o mercado editorial brasileiro tenta traçar metas. É claro que as diferenças entre os dois países devem ser consideradas: nos Estados Unidos, o Kindle, famoso e-reader da Amazon, foi lançado em 2007 e hoje custa cerca de US$ 139,00.

Apesar da diferença de realidade, as expectativas aqui são tão boas quanto as de lá. “Acredita-se que nos Estados Unidos as vendas de e-books superarão as dos livros tradicionais em cinco anos. Como as coisas no mercado editorial brasileiro acontecem com cerca de três a cinco anos de defasagem, já podemos ter uma previsão“, afirma Newton Neto, Diretor Executivo da Singular, braço da Ediouro provedor de conteúdos exclusivos na internet, em entrevista ao portal.

Conteúdos fazem a diferença

O mercado brasileiro poderá refletir os resultados positivos dos Estados Unidos se houver uma política de massificação de e-leitores e de preços mais acessíveis. Esta é a aposta de empresas como o Ponto Frio.com, que iniciou a venda de e-books este mês. “A nossa expectativa é crescer de 5% a 10% ao ano de acordo com o que vemos acontecer no mercado norte-americano“, conta ao site Claúdio Campos, gestor da área de distribuição digital da empresa.

Além de contar com o advento de tecnologias que permitem o download de livros, como os iPads e smartphones, o investimento em conteúdos é uma das principais estratégias para o sucesso deste mercado.  É o caso do Alfa, que vem com um dicionário Aurélio que pode ser consultado durante a leitura. O lançamento do e-book da obra 1822, de Laurentino Gomes, desenvolvido pela Singular, também conta com serviços especiais. A versão do livro para download vem acompanhada de um áudio book com narração de Pedro Bial, imagens ilustrativas e do desenvolvimento do livro, como fotos tiradas pelo autor durante o processo de pesquisa.

O conteúdo diferenciado também pode ajudar na política de preços. “Como um e-book é cerca de 30% mais barato do que um livro comum, as editoras precisam investir em conteúdo para poderem garantir valores mais rentáveis e maior número de vendas”, afirma Neto, da Singular Digital. Os valores cobrados pelos e-books ainda precisam ser estudados porque, embora não utilizem papel, representam outros gastos e riscos para as empresas. “Para fazer um e-book temos custos como transformação de dados. Além disso, quando vendemos um pela internet deixamos de vender fisicamente, isso não pode trazer prejuízo”, aponta o diretor comercial da Contexto.

Acervo ainda é pequeno

Um dos empecilhos para o crescimento definitivo do segmento de e-books é o reduzido número de títulos disponíveis no mercado. Mas essa realidade deve mudar. A Singular, que disponibiliza e-books para vendas há um ano, possui 20 mil títulos de editoras nacionais e internacionais, um número grande para um mercado incipiente.

Já a Contexto tem 50 títulos disponíveis nas livrarias Cultura e Saraiva, mas conta com um total de 400 em seu catálogo, o que representa cerca de 1% dos títulos da empresa. O Ponto Frio, por sua vez, abriu as vendas da categoria este mês com 80 livros da Ediouro, mas pretende fechar setembro com mais 200 títulos. Até o fim de outubro, a loja virtual deve chegar a 400 livros no total.

Como o negócio é recente, o Ponto Frio.com ainda está desenvolvendo estratégias para a promoção das vendas. Entre as já realizadas está a criação de uma área independente no site apenas para e-books e a venda de livros sem dispositivos de DRM – o que permite o download e o acesso aos conteúdos de diferentes plataformas, não só dos e-readers. “Notamos que houve um interesse muito grande da mídia sobre o assunto, mais do que o esperado. Agora temos que ficar atentos às exigências do consumidor e disponibilizá-las no portal“, completa Campos, do PontoFrio.com.

Por Rayane Marcolino | 30/09/2010, 17:35 | Mundo o Marketing | Publicado originalmente em Portal EXAME

Seminário da Singular discute self-publishing


A edição carioca do 1º Ciclo de Palestras sobre os Futuros do Livro, organizado pela Singular, braço digital do grupo Ediouro, aconteceu ontem [28], na Casa do Saber da capital fluminense. Ali, próximo à bela lagoa Rodrigo de Freitas, um grupo de 60 convidados ouviu as palestras do editor americano Mark Coker, da Smashwords, e de Luis Iglesias, executivo brasileiro da Hewlett-Packard. No final, uma mesa-redonda com Roberto Cassano [Agência Frog] e Ricardo Neves, autor de Ruptura, uma obra self-published. Os destaques ficaram para as falas de Coker e Neves. Ambos foram críticos ao modelo atual da indústria editorial de forte controle do que é ou não publicado, e defenderam o self-publishing – publicação independente pelo próprio autor – como uma alternativa importante para a democratização do acesso à publicação.

Acho que o modelo em que os editores decidem o que os leitores devem ler é errado“, afirmou Mark Coker, presidente da Smashwords, empresa norte-americana de self-publishing digital. Ele reconheceu, no entanto, a importância do editor, mas acha que as editoras estão cada vez se comportando menos como editoras. “Ao tentar minimizar os riscos, as editoras estão publicando menos, com preços mais caros e, no caso do livro digital, utilizando DRM”, afirmou. E na visão de Coker isto faz com as editoras sejam menos amigáveis aos leitores e se afastem de seu papel original. O editor da Califórnia considera isto perigoso e reconhece a importância dos editores. “Quando os editores começam a agir cada vez menos como editores, os autores começam a se perguntar porque precisam deles”.

Durante a mesa-redonda, foi o consultor Ricardo Neves quem teceu duras críticas aos editores. Com livros publicados pela Campus, Ediouro e Senac Rio, Neves decidiu lançar sua mais recente obra, Ruptura, por conta própria. “Não existe a promoção do autor nacional. O editor brasileiro quer ir para Frankfurt e encontrar o bilhete premiado”, afirmou o consultor, reclamando do trabalho das editoras brasileiras. “Falta às editoras a ousadia de fazer diferente”, complementou. Ao final de sua fala, questionado se sua crítica era ao momento editorial ou às editoras como um todo, explicou: “Minha colocação não foi algo ressentido contra as editoras. É minha forma apaixonada de falar.“. O livro Ruptura está sendo lançado este mês. Resta acompanhar como será seu desempenho quando comparado aos demais livros do autor.

Para Newton Neto, diretor da Singular, o self-publishing representa uma oportunidade e não uma ameaça às editoras tradicionais. “Com um projeto paralelo de self-publishing, as editoras não precisam dizer não a nenhum autor.”

Hoje [29] a rodada sobre o futuro do livro acontece em São Paulo. O encontro está marcado para às 14h, na Casa do Saber [Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – São Paulo/SP]

Programação

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso [apenas em SP]
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 29/09/2010

Fundador da Smashwords faz palestras no Brasil


Mark Coker, o fundador da Smashwords, estará no Brasil na semana que vem para duas palestras – uma no Rio [28] e outra em São Paulo [29] – e para acertar os últimos detalhes da parceria para e-books e impressão sob demanda entre a sua empresa e a Singular, braço digital da Ediouro.

A Smashwords está mexendo com o mercado americano ao publicar, sem burocracia, livros digitais de autores independentes. Até agora, já foram mais de 20 mil. “Estou indo ao Brasil para aprender sobre o mercado editorial brasileiro e para ajudar autores e editores a publicar e-books”, disse Coker.

Além da palestra do maior nome do segmento self publishing da atualidade, intitulada “Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição”, Luis Umani Iglesias, diretor de divisão Indigo Brasil da HP, também fala neste encontro organizado pela Singular. Seu tema será “A impressão digital e o futuro”. Na sequência, uma mesa vai reunir profissioanais e um autor que já estão lidando com livros digitais.

O evento é fechado, mas o PublishNews tem 8 ingressos para cada um dos encontros. Para concorrer, basta mandar um e-mail para promocao@publishnews.com.br respondendo, em até três linhas, a pergunta “O que não pode faltar em um livro digital?” Os autores das melhores respostas ganham o ingresso. Não se esqueça de informar o nome, endereço completo e telefone. A promoção se encerra ao meio-dia da próxima segunda-feira [27].

1º ciclo de palestras sobre os vários futuros do livro

Rio de Janeiro– 28 de setembro
Av. Epitácio Pessoa, 1164 – Lagoa – Rio de Janeiro/RJ

São Paulo – 29 de setembro
Casa do Saber
Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – Jardins – São Paulo/SP

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso (apenas em SP)
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 24/09/2010

Livro digital veio para ficar, mas não para substituir


A julgar pela quantidade de pessoas circulando pelos corredores da 21ª Bienal do Livro de São Paulo com sacolinhas nas mãos, o livro impresso não está nem perto de sua morte anunciada pela chegada dos e-books, como são chamados os livros em formatos digitais, geralmente comercializados em formato PDF, e os aparelhos de leitura eletrônicos. Pelo menos não aqui no Brasil.

O livro digital foi tema de debate no Salão de Ideias da Bienal, na tarde desta quinta-feira [19]. Os rumos dessa nova tecnologia foram discutidos por Ednei Procópio, sócio-fundador da Giz Editorial e membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro, e pela escritora Regina Drummond, autora de diversos títulos infantis, como “Histórias de Arrepiar”.

Para Procópio, autor de “O livro na era digital”, um obstáculo importante para a popularização do livro digital no Brasil é o baixo acesso à internet: apenas 10 milhões de pessoas têm banda larga em casa, uma parcela pequena da população. E ainda há o custo dos aparelhos. O Kindle, leitor eletrônico comercializado pela livraria online americana Amazon, custa US$ 380, mas não é vendido no Brasil. O iPad, aparelho de leitura da Apple, vale US$ 500, mas não há confirmação de quando ele chegará ao país e qual será seu preço.

Por aqui há leitores de outras marcas. O Mix Leitor-d, primeiro leitor eletrônico com tecnologia de software nacional, sai por R$ 890 [leia mais ao final da matéria]. O Cool-er, vendido pela editora Gato Sabido, custa R$ 599. Ele usa a tecnologia de tinta eletrônica, similar à do Kindle. A Positivo também lançou o seu e-reader, o Alfa, que tem tela sensível ao toque e vem com o Dicionário Aurélio. O preço fica por volta de R$ 700.

A boa notícia é que um texto digital costuma ser mais barato do que sua contrapartida em papel – há um consenso no mercado de que ele deve custar cerca de 30% menos.

Para Ednei Procópio e Regina Drummond, é possível aproveitar o melhor de cada formato: a capacidade de armazenamento dos leitores eletrônicos, que permite carregar dezenas e até centenas de obras em um único aparelho, e o “fetiche” do livro impresso, o prazer do contato físico com o papel e a praticidade de poder ler sem se preocupar com baterias e cuidados para não estragar o equipamento. Por isso, Procópio diz que o futuro do livro não é nem digital, nem em papel – é híbrido. Sua editora, a Giz, tem 200 títulos em seu catálogo, todos eles na forma impressa e digital.
Apesar de o mercado de livros digitais no Brasil ser incipiente, outras editoras apostam no produto. A Melhoramentos, de São Paulo, produz livros digitais desde 1990, já que foi nesse ano em que a editora lançou dicionários em disquete. Em 2009 a empresa lançou seus e-books, e hoje conta com cerca de 60 títulos nesse formato. Neste ano, a editora disponibilizou no iTunes, a loja online da Apple, um aplicativo para a leitura de seus livros no celular da marca, o iPhone.

Já a editora Singular tem previsto para outubro o lançamento de outro aplicativo para iPhone e iPad que congrega junto à leitura do texto informações adicionais, como uma versão em áudio, dados históricos sobre os locais citados no texto e visualização de imagens. É o “e-book 2.0”. A primeira obra a ser vendida com o formato será “1822”, do historiador Laurentino Gomes, que terá sua versão impressa lançada em setembro pela Nova Fronteira.
“Essa deverá ser uma das tendências do mercado, trazer não só a transposição do texto do papel para o meio eletrônico, mas também novos elementos’, diz Newton Neto, diretor-executivo da Singular. Hoje a Singular tem mais de 500 mil títulos, entre obras em português e outros idiomas, para a impressão sob demanda, outra tendência de mercado apontada por Neto. São cerca de 25 mil impressões por mês, mas a empresa prevê um crescimento para 120 mil em 2011. Paralelamente, conta com 20 mil títulos em livros digitais em seu catálogo.

Outro exemplo dessa tendência do “e-book 2.0” é o lançamento digital pela Globo Livros de “A Menina do Narizinho Arrebitado”, clássico de Monteiro Lobato publicado originalmente em 1920. Na versão para iPad o leitor tem opções de interatividade, como arrastar a imagem de um vagalume pela tela para iluminá-la, ou tocar no nariz da personagem e fazê-la “espirrar”. O livro deve chegar à AppStore, a loja da Apple, em novembro.

Você sabe o que é um e-book?
Uma pesquisa realizada pela GfK, a 4ª maior empresa de pesquisa de mercado no Brasil, mostra como o livro digital ainda está longe de ameaçar o tradicional no país. De acordo com a sondagem, 67% dos entrevistados não sabem o que é o e-book. Entre os mais jovens, de 18 e 24 anos, o índice de desconhecimento foi um pouco menor: 64%.

Apesar de os mais jovens serem mais antenados, Ednei Procopio não acredita que necessariamente os livros digitais vão estimular o gosto da leitura nas crianças e adolescentes. Mas eles têm um lado muito positivo, que é colocar o tema “livro” na pauta do dia. “Mas o livro eletrônico não forma leitor, para isso precisamos da educação“, afirma Regina Drummond.

Já para Markus Dohle, diretor executivo da americana Random House, maior editora de livros em língua inglesa do mundo, as novas tecnologias podem dar sim um empurrãozinho no gosto pela leitura. “Conheço pessoas nos Estados Unidos que dizem: comecei a ler de novo por causa do meu leitor eletrônico – e também os meus filhos“, disse, em entrevista para a revista alemã Der Spiegel.

No entanto, Dohle acha exageradas as estimativas de que em 10 anos o livro digital vai substituir o impresso. Alguns analistas chegam a prever que em uma década o livro de papel vai representar apenas 25% do mercado americano, baseados em números como os divulgados pela Amazon, que anunciou que em junho vendeu 180 títulos digitais para cada 100 livros de capa dura nos Estados Unidos.

Para Ednei, esse número pode dar uma impressão enganosa, já que a livraria virtual está contabilizando apenas os livros impressos de capa dura, excluindo as brochuras da conta. “Tradicionalmente os livros capa dura são mais vendidos nas livrarias físicas, pois as pessoas gostam de manuseá-los“, diz.

Números à parte, não somos obrigados a optar por um ou outro formato. Como diz a escritora Regina Drummond, “está na dúvida entre o livro digital e o impresso? Então fique com os dois.

Serviço

21ª Bienal do Livro de São Paulo
De 13 a 22 de agosto
Das 10h às 22h*
*Dia 22, das 10h às 20h, com entrada até às 18h
Ingressos:
Público geral: R$ 10
Estudantes: R$ 5
Professores, profissionais da cadeia produtiva do livro, bibliotecários, estudantes inscritos pelo sistema de visitação escolar programada, maiores de 60 anos ou crianças com até 12 anos, mediante apresentação de documento comprobatório: entrada gratuita
Mais informações: http://www.bienaldolivrosp.com.br

Por Juliana Tiraboschi | da Redação Yahoo! Brasil | Com Agência Estado| Sexta-feira, 20 Agosto, 02h03

Leitura aos bits


O livro digital é como o gás encanado. O produto é idêntico ao que chega pelo botijão – mas você só precisa abrir o registro para usá-lo. A comparação é de Zeca Fonseca, autor que publicou eletronicamente seu primeiro livro, O Adorador, e só depois recorreu ao papel para divulgar sua obra. Para ele, os e-books vieram para difundir todo o conhecimento criado pelas pessoas, mas de forma mais rápida.

Mike Shatzkin, fundador e CEO da The Idea Logical Company, que presta serviços de consultoria sobre toda a cadeia produtiva do livro, acredita em uma mudança de hábitos dos leitores e prevê que os livros digitais superarão em poucas décadas, em quantidade e em preferência, seus primos impressos. Ele falará sobre o futuro do livro amanhã, no Fórum Internacional do Livro Digital, evento a ser apresentado nos dois dias anteriores ao início da Bienal do Livro de São Paulo [que acontece entre os dias 12 e 22 no Anhembi].

Só nos EUA, o mercado editorial eletrônico mais que duplica a cada ano. A Amazon, por exemplo, já experimenta os efeitos dessa migração: em um ano, a venda dos mais de 630 mil títulos de e-books representaram um crescimento de 200%, superando a de livros de papel.

Pessimistas preveem o fim das editoras, mas a maioria dos especialistas acha que esse é o momento certo para elas se reinventarem. O americano Mark Coker aposta em um modelo de publicação digital baseado na autonomia dos autores e na interatividade entre leitores. Em 2009, criou a plataforma Smashwords, que hoje já conta com mais de 6.500 autores profissionais e centenas de independentes.
Funciona assim: o autor formata seu livro de acordo com um manual disponível no site e sobe o arquivo de Word no Smashwords. O site converte-o para o formato certo dos livros digitais e disponibiliza nas maiores lojas de e-books, como Kindle Store, iBooks, Sony Reader Store e Barnes & Noble. Quem determina o preço é o próprio autor, que fica com 85% da receita gerada pelas vendas [menos as taxas cobradas pelo serviço de pagamento online], contra o máximo de 25% pagos pelas grandes editoras americanas.

Esse é um modelo em que autores independentes têm mais facilidade para lançar seus livros no mercado, sem que precisem passar pelo crivo das editoras. Coker diz que não considera justo um editor julgar a obra de alguém e decidir quanto ela vale levando em conta seu potencial de venda. Para ele, o autor deve ter o direito de decidir como seu livro será oferecido aos leitores. “Todos têm o direito de publicar um livro, de fazer parte da literatura”, diz.

O risco da pirataria é superestimado, segundo Coker. Sim, no ambiente digital é mais fácil copiar livros e deixar de pagar direitos autorais. Mas o criador do Smashwords crê que os leitores estão dispostos a pagar para ler eletronicamente e que travar um arquivo – como faz a maioria das revendedoras de e-books, com o DRM – é tratar o leitor como um criminoso.

Ao contrário dos usuários exclusivos de computadores, que estão habituados a adquirir conteúdo gratuitamente, quem usa smartphones e e-readers já está acostumado a pagar pequenas quantias por aplicativos, por exemplo. Pensando nisso, distribuidores de e-books focam prioritariamente na leitura em tablets para rentabilizar seus negócios. Os irmãos Luciana e Duda Ernanny começaram a Gato Sabido, primeira e-bookstore brasileira com o propósito de vender de tudo: de best-sellers a edições que não são mais encontradas em papel e obras inéditas de autores independentes. Para incentivar a compra de livros digitais, que ainda engatinha no Brasil, importam e comercializam o Cool-er, leitor digital que usa a tecnologia de tinta eletrônica, similar a do Kindle.

O Smashwords pretende chegar em breve ao Brasil. Com uma parceria fechada com a editora Singular Digital, todo o conteúdo lá disponível será vendido nos canais brasileiros, e as obras de autores nacionais serão comercializadas nas lojas estrangeiras que abastecem os e-readers de todo o mundo. Até o fim do ano, diz Newton Neto, diretor-executivo da Singular, o Smashwords deve ser trazido completamente traduzido para o País.

Outra aposta da Singular é o livro sob demanda, que permite a impressão rentável de pequenas tiragens. Esse modelo provou ser bem sucedido com a Amazon, que já tem mais de 85% de seus livros vendidos dessa forma. Para Neto, grandes tiragens não fazem mais sentido para a maioria dos livros, pois geram um gasto desnecessário de impressão e armazenamento – além do risco de encalhe. Além disso, dificultam que os leitores encontrem essas obras quando suas edições estão esgotadas, mas ainda não há demanda suficiente para que se imprima outra. Segundo ele, a expansão do mercado de livros digitais nos Estados Unidos foi precedida, do ponto de vista das editoras, pelo modelo de impressão sob demanda, que tornou a experiência de compra mais proveitosa para o leitor e capitalizou os arquivos digitalizados das obras.

AS OPÇÕES

Publicado originalmente em ESTADÃO.COM.BR | Por Carla Peralva | 8 de agosto de 2010 | 20h00

Smashwords e Singular se unem para distribuição de e-books


Smashwords, líder em publicação e distribuição de ebooks, e Singular Digital, principal provedor de Impressão sob Demanda e Serviços de Publicação Digital, firmam parceria para publicação e distribuição de ebooks para autores e editoras Brasileiras e Norte-Americanas.

Esta era digital da publicação de livros proporciona aos autores e editoras a oportunidade de atingir mercados globais. Por meio da impressão sob demanda e ebooks, não há mais barreiras para entregar conteúdo em todo mundo”, diz Newton Neto, Diretor da Singular. “Queremos construir o maior catálogo de livros digitais em Português”, continua.

A Smashwords publica 1.000 novos ebooks todo mês. Este conteúdo estará disponíveis nas lojas de ebooks do Brasil. O livro digital representa uma ótima oportunidade para melhorar a rentabilidade das editoras com a impressão sob demanda e aumentar a base de leitores com os ebooks. A Singular vai trazer todo conteúdo e a plataforma da Smashwords para o mercado brasileiro.

Haverá uma integração entre o Universo do Autor [www.universodoautor.com.br] e a Smashwords. Com isso, os autores Brasileiros terão seus livros vendidos em todo mundo.

Autores independentes e editoras poderão se beneficiar de uma completa solução digital de publicação de livros, que inclui distribuição global com Impressão sob Demanda e ebooks.

Ebooks representam o segmento que mais cresce no mercado do livro atualmente. De acordo com o Fórum Internacional de Publicação Digital, as vendas no varejo de ebooks nos Estados Unidos cresceram 261% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Milhares de autores e editoras ao redor do mundo estão contribuindo com o crescimento de ebooks ao usar plataformas como as da Smashwords e Singular Digital para publicar e vender seus trabalhos a uma audiência global.

Sobre a Smashwords, Inc. – Lançada em 2008, a Smashwords opera um plataforma líder de publicação e distribuição de ebooks servindo autores, editoras, leitores e livreiros. A Smashwords torna grátis e simples para qualquer autor ou editora, de qualquer parte do globo, publicar e distribuir ebooks em diversos formatos. A Smashwords coloca autores e editoras em controle total dos preços, experimentação e distribuição de suas obras. Autores e editoras recebem até 85% das receitas liquidas com as vendas de suas obras. A Smashwords possui acordos de distribuição com Apple, Barnes&Noble, Sony e Amazon e leitores digitais como Stanza, Kobo, Aldiko, FBReaber e Word-Player, atingindo também plataformas móveis como Android, Blackberry e iPhone. A Smashwords é sediada em Los Gatos, Califórnia, podendo ser encontrada na web em http://www.smashwords.com/.

Singulardigital | 06/07/2010

Saraiva escreve seu futuro [com bits]


Maior livraria do Brasil começa a vender livros digitais, em uma iniciativa que pode dar importante impulso a este mercado no País

Ao longo das últimas décadas, a Livraria Saraiva reescreveu sua história em três oportunidades. A primeira quando abriu sua primeira megastore, em 1996. O segundo marco foi a estreia da companhia no comércio eletrônico dois anos depois. Hoje, as vendas do site representam 35% do faturamento de mais de R$ 1 bilhão. E, por fim, quando comprou a rival Siciliano em 2008.

Agora, a maior rede de livrarias do Brasil dá um novo passo que pode definir o seu futuro e transformar rapidamente o seu negócio. A companhia está anunciando a sua entrada no embrionário mercado de livros digitais, em que o papel dá lugar aos bits. “Temos certeza de que o livro digital levará uma fração dos cinco anos que o nosso site demorou para se tornar relevante”, afirma em entrevista exclusiva à DINHEIRO, Marcílio Pousada, presidente da Saraiva.

No ar desde meados de junho, a nova seção de livros digitais da Saraiva ainda não seduziu os consumidores. Das mais de 12 mil compras diárias que acontecem no site da empresa, aproximadamente 50 são de e-books. “Todo novo negócio leva um tempo para se tornar importante”, diz Pousada.

Observe o exemplo da Amazon, maior loja de comércio eletrônico do planeta. Ela foi pioneira, em 2007, ao associar a venda de livros digitais a um leitor de e-books, o Kindle. Mas só no ano passado, os resultados começaram a surgir. No Natal de 2009, por exemplo, os livros digitais superaram em vendas os de papel. Um resultado histórico. Para chegar a este patamar, a Saraiva tem o desafio de aumentar o seu acervo digital.

Atualmente, são cerca de mil títulos em português, dos quais 250, gratuitos. A oferta deve crescer nos próximos meses, assim como as formas de comprar e ler os conteúdos (saiba quais são as plataformas da Saraiva na página ao lado). Ainda assim, será pouco frente aos mais de 2 milhões de títulos em papel. Essa é uma consequência direta da postura das editoras no País.

Elas até querem associar a sua marca à inovação, mas ainda têm receio do e-book”, afirma Galeno Amorim, diretor do Observatório do Livro e da Leitura, entidade que faz pesquisas sobre o mercado de livros no Brasil.

Não por acaso, esse mercado ainda engatinha no Brasil e não há sequer ideia de seu tamanho. De acordo com a consultoria Pricewaterhouse-Coopers, a receita com a venda de livros digitais no mundo deve crescer de US$ 1,1 bilhão, em 2009, para US$ 4,1 bilhões, em 2013.  A comercialização de leitores de e-books, como o Kindle, da Amazon, e o Nook, da Barnes & Noble, deve mais do que dobrar, pulando de 5 milhões de unidades em 2009 para 12 milhões neste ano, segundo a consultoria Informa.

Esses dados não incluem o iPad, da Apple, que também tem um leitor de livros digitais. O aparelho, em apenas 80 dias, vendeu 3 milhões de unidades. “A entrada de grandes empresas, como a Saraiva, deve tornar mais ágil a oferta de novos títulos”, acredita Newton Neto, diretor da Editora Singular, braço digital do Grupo Ediouro.

Isto É Dinheiro – 02/07/2010 | Bruno Galo

Ediouro investe no mercado digital


Grupo cria companhia especializada em títulos virtuais e em impressão de pequenas tiragens

Após promover pelo menos seis aquisições e duas joint ventures na última década, a Ediouro não pensa em voltar às compras e está focada em um novo formato de negócios. O grupo editorial carioca está apostando na impressão de livros em pequenos volumes e na digitalização de seus próprios títulos, de outras editoras ou de um conteúdo encomendado pelo cliente. A estratégia segue o caminho da gigante americana Amazon, que possui um acervo de cerca de 3 milhões de títulos.

Para impressão de livros sob demanda é preciso digitalizar o conteúdo. Com isso, realizamos a primeira etapa para produzir uma plataforma de conteúdo de livros on-line“, explica Luiz Fernando Pedroso, diretor-geral da Ediouro. Na atual fase do mercado editorial brasileiro, em que há poucos títulos nacionais disponíveis no formato digital, essa é uma forma de aproveitar a tecnologia. Os livros podem ser impressos em qualquer tiragem – de apenas 10 exemplares, por exemplo -, um tipo de trabalho que não costuma interessar às editoras devido aos altos gastos na gráfica. A Ediouro conta com modernos equipamentos digitais que fazem esse tipo de impressão com menor custo.

Para esse negócio, a Ediouro criou em dezembro uma nova empresa batizada de Singular Digital, que tem uma unidade própria em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Foram investidos R$ 7,5 milhões no projeto. Com a empresa independente, o grupo tenta atender também outras editoras com serviços de impressão de títulos que demandem uma tiragem baixa. “Hoje já atendemos a editora da FGV [Fundação Getúlio Vargas] e outras pequenas editoras. Em relação às grandes, ainda existe uma resistência porque a Singular pertence à Ediouro“, explicou Pedroso. A Singular conta com um arquivo de 10 mil títulos, sendo que 70% pertencem às editoras do grupo Ediouro.

Segundo o diretor da Singular, Newton Neto, o custo de impressão para volumes entre 500 e 1 mil exemplares no formato digital é similar à impressão tradicional. “Quando a impressão é feita na rotativa padrão é preciso rodar altos volumes e consequentemente entram no preço os custos com estoque, devolução, pessoal e consignação. Isso tudo pode ser descartado quando se imprime sob demanda“, explica Neto.

Ciente da resistência dos seus concorrentes nacionais, a Ediouro vem firmando parcerias com empresas estrangeiras que possam fornecer conteúdo de livros. Entre elas, estão a editora alemã VDM Verlag, a americana Author Solutions e a Pedia Press, empresa da enciclopédia virtual Wikipédia.

Os sites das livrarias Saraiva, Cultura, Travessa, Argumento e Senac já realizam pedidos de títulos que serão impressos sob demanda [porque a tiragem tradicional esgotou ou porque a baixa procura não justifica uma impressão convencional]. O pedido chega até nós, que fazemos a impressão e também a entrega do livro, como faz a Amazon“, afirma Neto.

Para conseguir atender o varejo, a Singular fechou também parcerias com as americanas ColorCentric, que detém uma tecnologia para impressão mais ágil, e Smashwords, que faz desenvolvimento e distribuição de e-books. A entrada da Ediouro no mundo virtual não é à toa e acontece pós um 2009 ruim nas lojas físicas. O faturamento bruto do grupo no ano passado ficou em R$ 252,2 milhões, pouco acima dos R$ 251,3 milhões registrados em 2008. O lucro líquido, por sua vez, caiu de R$ 23 milhões para R$ 12,4 milhões. “As varejistas foram agressivas nas negociações e baixaram muito a margem. Não estávamos preparados para esse tipo de negociação”, disse Pedroso. Mais experiente na queda de braço com as varejistas, a Ediouro prevê para este ano faturamento de R$ 280 milhões.

Valor Econômico | 10/06/2010 | Beth Koike