Desempenho da venda de eBooks será medido


Pouco se sabe sobre o mercado de livros digitais no Brasil. Editoras não divulgam os números de vendas, e dizem apenas que elas representam 1%, às vezes 2%, do faturamento. Tampouco interessa às livrarias revelar seu market share. Juntando uma informação aqui e outra ali era possível entender um pouco do comportamento do leitor, mas faltavam um levantamento e uma análise mais sistemáticos que pudessem ajudar a construir um histórico – e, quem sabe, apontar caminhos para que o mercado seja, de fato, promissor. A partir de hoje [3], a Simplíssimo, uma das primeiras empresas produtoras de e-book do País, vai publicar, em seu site, semanalmente, o ranking dos e-books mais vendidos no Brasil. Ainda não é a solução perfeita, já que a lista não considera a quantidade de livros vendidos, um segredo de Estado em qualquer país.

POR MARIA FERNANDA RODRIGUES | O ESTADO DE S. PAULO | 02/09/2015

Autopublicação – as maravilhas e agruras de cada plataforma


Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Para quem quer publicar e-books de modo independente no Brasil, há muitas opções, desde as plataformas mais conhecidas – como o Kindle Direct Publishing [KDP], da Amazon, o Kobo Writing Life [KWL], da Kobo, e o iTunes Connect, da Apple, para ficar naquelas que têm interface em português – até iniciativas locais que começam a surgir, como a Simplíssimo e a Bibliomundi. As promessas variam pouco: liberdade total para o autor; % expressivo do preço de capa; disponibilidade do seu e-book para muitas lojas virtuais mundo afora.

Depois de realizar uma série de testes com as principais plataformas, reparto aqui com vocês as experiências e aprendizados colhidos. Espero que possam ajudar a definir seu próprio plano de autopublicação.

Quais as opções?

Certamente há muitas alternativas que não experimentei, mas posso contar para vocês o que achei da Amazon, da Kobo, da Apple e da Smashwords, da qual desisti logo que as outras aportaram aqui no Brasil. Quanto às plataformas novas que estão chegando, vou me limitar a deixar os links para vocês, pois não as testei ainda.

Amazon KDP [Kindle Direct Publishing] – exclusividade ou poligamia?

Quando você vai iniciar o processo de publicação no KDP, de modo muito simples e rápido, como já expliquei aqui, perceberá a tentativa de sedução para aderir ao KDP Select. Aliás, recentemente a Amazon lançou um concurso literário para arrebanhar autores de contos, e um dos critérios para inscrição é que o conto / e-book seja publicado com adesão ao KDP Select.

São inúmeras as vantagens oferecidas: maior % de royalties, possibilidade de realizar promoções de distribuição gratuita do e-book [o que pode ser uma utilíssima estratégia de divulgação] e entrar na divisão do fundo global do KDP Select [em junho/15 o valor total a ser dividido entre os autores do KDP Select era de 8,7 milhões]. Parece óbvio que é melhor aderir, não né? Claro que não. Especialmente depois que o critério de pagamento relativo aos serviços de assinatura Kindle Unlimited [uma espécie de “Netflix de livros”] passou a ser feito pelo número de páginas do seu e-book efetivamente lido, ao invés do download simplesmente.

Aderir ao KDP Select significa que você só poderá colocar o seu e-book nessa plataforma. Ou seja, nada de facilitar a vida dos usuários da iBookstore nem agradar aos que já se acostumaram a compras online no site da Cultura.

Isso pode funcionar, entretanto, em alguns casos. Se o seu público-alvo [caso você conheça bem seus hábitos] prefere o Kindle a outros e-readers ou aplicativos de leitura, se ele é um fã dos bons serviços prestados pela Amazon, ou se sua obra está disponível em inglês e você tem chance de conseguir espaço na Amazon USA, talvez valha a pena.

Os relatórios de acompanhamento de vendas e leituras pelo serviço de assinatura são atualizados a cada hora, e o autor tem como saber em qual das lojas seu livro foi adquirido [mas pode haver desvios, pois eu, por exemplo, continuo comprando através de minha conta na Amazon USA].

Quanto ao processo de publicação em si, fiz há algum tempo uma resenha aqui [http://www.mauremkayna.com/publicando-na-amazon-com-br/]. É um artigo de 2013, mas o conteúdo todo continua válido.

Kobo Writing Life

Esta plataforma, embora disponível para autores brasileiros e com a grande vantagem de disponibilizar seus e-books na Livraria Cultura, não é toda disponível em português e tem uma chatice relevante quanto ao pagamentos dos royalties. Talvez o seu banco não esteja entre os bancos brasileiros pré-cadastrados no KWL, e então você precisará pedir help in English para o pessoal simpático da Kobo. Eles respondem relativamente rápido, mas talvez você tenha de se informar com seu banco a respeito do recebimento de remessas em moeda estrangeira. Você também precisará informar à plataforma o código Swift do seu banco para poder receber o pagamento, que é feito em dólar.

Outra peculiaridade é que os pagamentos só são enviados quando você acumular ao menos US$100 a receber. O registro da experiência que fiz com o KWL está aqui: http://www.mauremkayna.com/experiencia-de-auto-publicacao-kobo-writing-life/

iTunes Connect – Apple

Até bem pouco tempo atrás, vender na Apple exigia a obtenção de um número ITIN, um processo não tão complicado, mas que exigia realizar uma ligação internacional e se comunicar em inglês para prestar uma série de informações. Isso tudo tinha a ver com questões tributárias. Nunca tive paciência para fazer isso e acreditava que não venderia o bastante para recuperar o custo da ligação [é, não sou mesmo otimista quanto ao potencial de venda dos meus e-books, e não é por achá-los assim tão medíocres], por isso, só utilizava a plataforma para distribuição gratuita.

Como meus primeiros testes com a iBookstore começaram a partir da ferramenta [ótima, aliás] iBooks Author, tive uma série de dificuldades com o controle de qualidade da Apple. Contei a saga aqui: http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-iii/

Superadas essas travas, o que posso comentar da Apple é que a visibilidade e a facilidade de venda, mesmo para autores desconhecidos, é muito grande em comparação com outros meios. Talvez pela facilidade oferecida aos usuários no processo de download e até de pagamentos. Tive um volume de downloads impressionante do e-book Contos.com para quem não investiu em divulgação, não escreve literatura Young Adult ou qualquer outro estilo pop e não é celebridade. Não, não acho que isso se deva à descoberta de meu talento, mas à penetração dos produtos Apple e ao modo intuitivo [e também compulsivo] como as pessoas podem comprar / fazer downloads na plataforma.

As outras

Esse título fica meio pejorativo, eu sei. Mas deixemos como provocação. Cheguei a acompanhar e fazer experiências com a Publique-se, da Saraiva [http://www.mauremkayna.com/outras-experiecias-de-auto-publicacao-publique-se/] e com Smashwords http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-ii/.

Recentemente, vi que a Simplíssimo, que tem grande expertise na produção de e-books [lindos, aliás!], lançou uma plataforma para o autor. Agora com a possibilidade de conversão gratuita e distribuição nas principais lojas online e com royalties de 70% para o autor. Confesso que não testei, mesmo porque não tenho assim toneladas de textos disponíveis para publicação, mas o funcionamento é conceitualmente similar ao do Smashwords, pois seu livro é publicado nas lojas da Amazon, Google Play e Apple sem que você tenha de se cadastrar diretamente em cada uma.

Na Flip, houve o lançamento de uma outra plataforma chamada Bibliomundi, cuja proposta é similar, mas o site ainda está, parece, apenas captando e-mails.

Temos também a e-galáxia [http://e-galaxia.com.br/] que, além de fazer a publicação / disponibilização em várias lojas online, também oferece um catálogo de prestadores de serviço para revisão, edição e capa. Vale comentar que a e-galáxia conseguiu emplacar diversos e-books de contos avulsos como top list na iBookstore, graças a um bom trabalho de divulgação em um selo com curadoria.

Conclusões

A possibilidade de publicar sem intermediários é incrível. Nada de esperar meses pela negativa de uma editora ou amargar o silêncio perpétuo. Há algo, porém, que vale como dica para qualquer das plataformas que o autor venha a escolher [podem ser todas, simultaneamente, aliás]: é preciso ter senso de realidade! Com isso, quero dizer que esperar que o fenômeno E.L. James se repita com você pela simples disponibilização da sua obra para o mundo inteiro na Amazon ou na iBookstore é ingênuo. Se você acreditar que o fato de seu e-book estar disponível para venda em mais de 50 países fará com que o mundo se renda aos seus talentos, bastando postar o link para compra do seu e-book, penso que isso é quase caso de internação ou uso de medicamentos controlados. Ou, trocando em miúdos, vender livros em papel já não é fácil nem frequente se você não é conhecido, e vender e-books, no Brasil, é ainda mais difícil, especialmente dependendo do gênero que você escreve, pois a resistência de certos públicos ao formato ainda persiste.

Mas o objetivo desse parágrafo não é jogar um balde de água fria [ainda mais em pleno inverno!] na sua animação, e sim indicar que, se quiser seguir o caminho da autopublicação, vai ter que ralar. Pense, portanto, sobre o tempo de que você pode dispor para trabalhar com a publicação e a divulgação. Isso poderá fazer você decidir entre a opção de publicar em todas as plataformas ou traçar um plano específico para uma delas, ou ainda, se decidir por alguma aglutinadora como Simplíssimo ou Smashwords. Mas tenha uma certeza: publicar não é o último passo, e sim o primeiro.

Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Sou engenheira e escritora [talvez um dia a ordem se altere], bailo flamenco e venho publicando textos em coletâneas, revistas e portais de literatura na web, além de apostar na publicação “solo” em e-book desde 2010. A seleção de contos finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2009 – Pedaços de Possibilidade, foi meu primeiro e-book; depois por puro exercício e incapacidade para o ócio, fiz outras experiências de autopublicação, testando várias ferramentas e plataformas para publicação independente.

O calvário dos eBooks


Os livros digitais dão sinais de perda de fôlego nos países desenvolvidos e ainda não têm relevância nos negócios das editoras brasileiras

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Poucos setores ficaram imunes ao avanço da tecnologia digital. A indústria fonográfica, por exemplo, foi a primeira a sentir os efeitos da digitalização, que levou as principais empresas da área quase à bancarrota no início dos anos 2000. A televisão sente os efeitos da internet, com o surgimento de um telespectador que quer assistir o que quer, na hora que desejar e no dispositivo que for mais conveniente. A Netflix é o grande expoente dessa nova era. Diante disso, muitos viram no Kindle, lançado em 2007, o começo do fim do livro impresso.

O aparelho da Amazon, de Jeff Bezos, tinha tudo para fazer para a indústria editorial o que o iPod fez para o setor musical. Ledo engano. Para surpresa geral, as editoras abraçaram os livros digitais [e-books]. E logo descobriram que a margem de lucro das versões digitalizadas era o dobro da tradicional, mesmo com um preço mais baixo. Era um sinal de que a transição, considerada inevitável, do livro de papel para o digital seria feita sem grandes solavancos. Só faltou combinar com o leitor. Nos países desenvolvidos, o livro digital começa a dar sinais da falta de fôlego.

Executivos da maior cadeia de livrarias da Inglaterra, a Waterstone, declarara ao jornal Financial Times que as vendas de Kindle simplesmente desapareceram. A perda de impulso já atingiu a Simon & Schuter, membro do “Big Five”, grupo dos cinco maiores conglomerados do mundo [Penguim Random House, Hachette, HarperCollins e Macmillan completam o time]. Subsidiária do grupo de mídia CBS, a S&S registrou queda nas vendas de 3,8%, para US$ 778 milhões. O lucro caiu 5,6%, para US$ 101 milhões. Uma razão para o ano ruim foi a redução no ritmo das vendas digitais.

A fatia diminuiu de 24,4% em 2013 para 23,2% no ano passado. Não se trata de casos isolados. A consultoria americana Gartner aponta que, em 2017, os e-readers como o Kindle venderão 10 milhões de unidades, número 50% menor do que as vendas do ano passado. Com a estagnação, a alternativa é ler e-books nos tablets, que também estão passando por um declínio de vendas, e smartphones. “São aparelhos que dispersam, oferecem opções demais de entretenimento e não são apropriados para a leitura longa”, afirma Eduardo Melo, fundador da consultoria de livros digitais Simplíssimo.

Por que aparelhos como o Kindle enfrentam esse calvário? O rechaço tem a ver com sua função única. O consumidor, ao que tudo indica, quer fazer mais tarefas com uma tela. Isso fez com que as principais empresas do segmento, como Amazon e Kobo, passassem a investir na produção de tablets. Se nos países ricos os e-books patinam, no Brasil, eles nunca deixaram o gueto editorial. Apenas 2% dos R$ 5,3 bilhões faturados com livro no Brasil vêm de ebooks, segundo levantamento da Fipe de 2013 [dado mais recente]. A Biblioteca Nacional, por exemplo, expediu 16.564 ISBNs [código de identificação dos livros] para e-books no ano passado, apenas 1% a mais que no ano anterior.

De 2012 para 2013, o crescimento havia sido de 10%. Diversas iniciativas voltadas para e-books foram abandonadas, como o selo Breve Companhia, da Companhia das Letras, empresa da Penguim Random House, que publicava obras inéditas direto na mídia digital. Ela foi descontinuada no fim do ano passado. “No momento, estamos repensando o enfoque”, diz Fabio Uehara, editor de e-books da empresa. “Temos outros lançamentos digitais previstos para este ano.” A fadiga também atinge o varejo. “Crescemos dois dígitos, mas esperava um crescimento muito maior”, afirma Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, que comercializa ebooks e e-readers da Kobo.

Apesar de ser muito novo, esse mercado já mostra certa saturação”. A japonesa Rakuten, dona da Kobo, ainda é otimista. A empresa aumentou sua aposta nos livros digitais ao comprar a distribuidora de e-books Overdrive por US$ 410 milhões, em março deste ano. Amazon, Saraiva e Livraria Cultura não fornecem dados de vendas no Brasil, mas quem acompanha o setor não vislumbra um grande apelo dos e-readers. “No Brasil a leitura acontece em smartphones”, afirma Tiago Ferro, fundador da E-Galáxia, plataforma de intermediação entre autores e profissionais do mercado editorial a fim de editar e publicar e-books.

ISTO É Dinheiro | Por João Varella | 07/04/2015, às 17:30

Enhanced eBooks


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Recentemente a newsletter DBW – Digital Book World Daily publicou extenso artigo sobre as razões pelas quais os chamados livros digitais enriquecidos [enhanced] não haviam ganhado impulso. O artigo, The Real Reason Enhanced Ebooks Haven’t Taken Off [Or, Evan Schnittman Was Right… For the Most Part], escrito por Peter Constanzo, destacava palestra de Evan Schnittman, pensador da indústria digital e diretor de vendas da Hachette Book Group na Feira de Londres em 2011. Nessa apresentação, Schnittman disse que o formato estava praticamente morto e era um beco sem saída para os editores.

O fato é que, alguns anos antes disso, inclusive em um dos Congressos do Livro Digital da CBL, essa moda do livro digital enriquecido – que permitia a inserção de áudio e vídeo de modo dinâmico – havia sido apresentado como a evolução mais importante do setor editorial. Esse segmento da indústria editorial, o dos livros eletrônicos, apesar de bem recente, já viveu alguns modismos que desapareceram rapidamente, como o das “leituras sociais” [quem tem paciência, mesmo, de ficar lendo em conjunto com um bando de desconhecidos?] e os apps autônomos para a publicação de livros, que só subsistem hoje para alguns livros ilustrados infantis.

Mas voltemos ao assunto.

Schnittman assinalava um ponto indiscutível, e que até hoje representa um entrave considerável. Os formatos enhanced não podem ser lidos com a mesma eficácia em todas as plataformas. O que funciona bem para tablets, e em especial para o iPad, mesmo que distribuído pela Amazon [suponho que também funcione bem para o Kindle Fire]. O formato não é “trans-plataforma”. Comparando com música e jogos, Constanzo assinala que podemos escutar a música baixada online em qualquer aparelho digital, assim como se pode jogar “Call of Duty” em várias plataformas, com o mesmo resultado. O mesmo vale para filmes vistos em streaming ou nos DVDs comprados ou alugados. Mas isso não acontecia com os livros “transmedia” elaborados com o ePub3.

Eu já havia observado publicações transmedia e em ePub 3 [ou desenvolvidos com HTML5] muito eficazes em publicações científicas. Acreditava que as editoras de CTP estavam mais bem capacitadas para usar esses formatos com grande eficiência, inclusive porque a maior parte de suas publicações era mesmo lida em desktops ou tablets, e online.

Minha experiência com leitores de e-books – tanto o Kindle como o Kobo – deixava evidente as limitações para visão de fotografias [mesmo em preto&branco] e, principalmente, de mapas e diagramas. É realmente difícil. E por isso mesmo mantinha em reserva minhas dúvidas quanto aos formatos transmedia.

Bom: Constanzo desenvolve o artigo dizendo que, em absoluto, não é o caso de desprezar os empreendimentos editoriais em ePub3 de livros enriquecidos. Diz ele que, especialmente “para livros de não-ficção selecionados, podem ser muito bem combinados com áudio e vídeos selecionados com curadoria”.

Na recente II Conferência Revolução e-Book, promovida pelo Eduardo Melo e sua equipe da Simplíssimo, assisti a uma amostra de que essa observação é realmente correta. Em casos específicos, os e-books avançados podem realmente proporcionar ao leitor uma experiência diferenciada.

A palestra de Cindy Leopoldo e Maria de Fátima Fernandes, da Intrínseca, sobre a Coleção Ditadura – a reedição dos livros do jornalista Elio Gaspari sobre o golpe civil-militar de 1964, sua evolução e dissolução final – foi muito esclarecedora.

Os livros do Gaspari  tiveram novas edições em papel e em vários formatos de e-books, como podemos ver nesta tabela que extraí da apresentação de Cindy Leopoldo durante a conferência:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

A simples tabela mostra como o conteúdo foi muito enriquecido com o formato mais avançado.

Entretanto, as limitações para leitura nos aparelhos comuns são evidentes. A tabela abaixo, também retirada da apresentação de Cindy, explicita isso:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Como se vê, os livros vendidos pela Amazon só podem ser plenamente desfrutados se abertos nos apps da varejista no iPad [talvez no Kindle Fire]. Na loja brasileira da Amazon, esse tal de KEAV é acrônimo para Kindle Editions with Audio/Video. Lá diz também que esse tipo de arquivo pode ser aberto em todos os formatos do Kindle, mas eu testei e, de fato, no Kindle Paperwhite, nem o áudio nem o vídeo funcionam. Outro aviso da Amazon diz que “o título tem layouts complexos e foi otimizado para leitura em dispositivos com telas maiores”, mas não explicita suas deficiências de leitura nos Kindle normais. Pegadinha… Ou, como escreveu Erick Schonfeld no TechCrunc,“se você quiser essas características adicionais, a Amazon está basicamente lhe dizendo que compre um iPad”.

Um ponto muito importante na palestra da Cindy e da Maria de Fátima é que a produção do ePub3 e os acréscimos foram realmente objeto de uma cuidadosa curadoria, e colocados de modo que o leitor tenha acesso opcional a esses materiais adicionais. Segundo as duas, o autor fazia questões que a fluidez da leitura do texto não fosse prejudicada. Ao contrário, que pudesse ser enriquecida para os leitores que procurassem conhecer documentos originais, gravações de áudio e vídeo que estão referidos ou mencionados no texto.

Para que isso fosse possível, a Intrínseca teve que contratar assessoria específica para elaborar um verdadeiro roteiro da inserção desse material adicional. O trabalho foi muito grande, apesar das dificuldades propriamente técnicas não serem exatamente difíceis, usando as ferramentas disponíveis no HTML5.

Cindy teve a gentileza de me enviar links promocionais para baixar os livros na loja da Apple e, realmente, os livros são muito enriquecidos com esses anexos. As notas aparecem em pop-up, as transcrições de áudio e vídeo funcionam corretamente.

Na palestra, Cindy Leopoldo foi questionada sobre o resultado das vendas para a editora. Declinou responder, afirmando que não tinha informações da área comercial da editora.

Os quatro livros foram produzidos internamente na Intrínseca. O processo é realmente complexo, e no total foram produzidas vinte versões [cinco para cada tomo]. Evidentemente trata-se de um investimento de vulto que, com certeza, só poderá ser recuperado a longo prazo.

O conjunto do trabalho corrobora as observações de Constanzo. O esforço só compensa para certo tipo de livros de não ficção [ou quem sabe, algumas versões bem especiais de livros de ficção, e me ocorre particularmente a possibilidade de uma versão em ePub3 do romance The select works of T. S. Spivet, de Leif Larsen – The Penguin Press [O mundo explicado por T.S. Spivet – Nova Fronteira. Não li em português, mas a edição em inglês é belíssima e curiosa, e o livro virou filme em cartaz]. E, certamente, os livros técnico científicos.

São produções caras e trabalhosas, que produzem resultados muito interessantes. Mas as limitações para sua expansão são bem reais. Só lamento não haverem completado o esforço e os recursos do HTML5 e do ePUB3 para lançar de vez em formato acessível para deficientes visuais. Segundo Cindy, houve pressão de prazo para não perder o aniversário do triste golpe. Mas esse mercado está aí, ansioso por conteúdo.

De qualquer maneira, parabéns à Intrínseca pela iniciativa corajosa, e à Cindy Leopoldo e sua equipe pelo belo trabalho.

Comentários e observações são bem vindas no blog www.oxisdoproblema.com.br.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Workshop Produção de eBooks com inscrições abertas


Aulas ocorrerão no Rio de Janeiro e em São Paulo

Estão abertas as inscrições para as novas turmas do Workshop Produção de e-books em ePub, produzido pela Simplíssimo, no Rio de Janeiro, nos dias 4 e 5/03, e em São Paulo, nos dias 7 e 8/03. Dedicado a designers e profissionais do mercado editorial, o curso funciona em formato de laboratório, no qual os participantes levam seus notebooks e aprendem a fazer e-books de modo prático. Ministrado por José Fernando Tavares, sócio e diretor técnico da Simplíssimo, o Workshop ensina técnicas para a produção profissional de e-books em formato ePub, ensinando como produzir a partir do InDesign, além de dicas e truques para otimizar a produção. Inscrições podem ser feitas pelo email sac@simplissimo.com.br ou pelo site da Simplíssimo.

PublishNews | 24/01/2013

Apple já vende mais ebooks que Saraiva e Cultura, combinadas – conheça o segredo


Essa é a notícia da semana, publicada pela Folha de SP – Apple vende mais ebooks que as grandes livrarias brasileiras, juntas. E posso corroborar pessoalmente essa informação. As vendas de eBooks da Simplíssimo, na Apple, também superaram a soma das vendas nas Livrarias Saraiva e Cultura. Mesmo com preços em dólar e acrescendo com isso 6,38% de imposto sobre as compras, no cartão de crédito.

Qual o segredo? O usuário. Mais especificamente, a experiência do usuário, ao comprar e ler ebooks diretamente nos iPads, iPhones, e tablets e smartphones Android. E quem afirma isso? Os próprios usuários.

Do ponto de vista do usuário, comprar um ebook no aplicativo iBooks, da Apple, é muito mais fácil e acessível – com poucos toques na tela, é possível comprar e começar a ler, imediatamente, o livro adquirido. O download e o acesso ao ebook é rápido, praticamente sem problemas ou falhas no processo, sem necessidade de instalar programas em computadores, ou fazer cadastro em sistemas de segurança. A experiência de leitura é agradável, e ajustes básicos estão disponíveis – ajuste de fonte e modo noturno, por exemplo. A média de avaliação do programa é 3.5 [também em escala de 1 a 5].

Comparativamente, o app da Saraiva para iOS tem nota 2 na avaliação dos usuários, que reclamam da usabilidade do aplicativo. A Livraria Cultura também possui um app para iOS, no momento indisponível para download, segundo a página do iTunes. Uma busca no Google esclarece que o app da Cultura tinha nota 3, embora com apenas 145 avaliações – o app da Saraiva tem mais de 1.300 avaliações, e o da Apple, mais de 3 mil. Mesmo com uma média melhor, uma das últimas avaliações do app da Cultura reclamava que o aplicativo não permitia alterar o tamanho da fonte do ebook. Quando nem os recursos básicos funcionam, fica complicado querer que os consumidores se animem a comprar algum ebook.

A situação dos aplicativos no sistema Android impressiona, tanto positiva, quanto negativamente. O aplicativo da Livraria Saraiva, o Saraiva Digital Reader, tem nota média de 3.9 em 5, na avaliação de 2.180 usuários de tablets e smartphones Android. Esta é uma avaliação muito boa, que mostra a qualidade da Saraiva nesta plataforma e a satisfação dos usuários com a tecnologia da Livraria, o que é significativo. Mesmo assim, não escapa de críticas. O usuário GVerta, que possui um Galaxy S3 e deu nota 4 para o app da Saraiva, avalia:

Muito bom – Muito bom o leitor!! Apenas gostaria que mantivesse salvas as configuracoes de leitura, como cor de fundo e tudo mais

A Saraiva ainda recebe críticas, mas cumpre o dever de casa. Não é à toa que as vendas de ebooks da Saraiva aumentaram nos últimos meses.

A situação da Livraria Cultura, na plataforma Android, já é bem diferente – e constrangedora. Mais de 1.800 usuários deram nota 1, a nota mínima, para os dois aplicativos da Livraria Cultura, que apresentam notas médias de 1,3 e 1,4, na escala de 1 a 5. A maioria das queixas parte de usuários que não conseguem remover o aplicativo da Cultura, pré-instalado em aparelhos Android, e reclamam furiosamente contra a imposição do aplicativo. Um número considerável de avaliações também reclama da usabilidade dos aplicativos, problemas para baixar livros comprados ou simplesmente usar o aplicativo com sucesso. Com a palavra, o usuário Rodrigo, dono de um Galaxy Tab 10.1, que deu nota 1 para a Livraria Cultura:

Péssimo aplicativo – Não funciona adequadamente e não tem suporte. Por Email me indicaram usar o bluefire reader e fazer o download do livro pelo site da própria livraria cultura. Vou desinstalá-lo agora.

Vai ficando mais fácil entender como a Apple vende mais que as livrarias brasileiras, combinadas, com apenas três semanas de operação. O suporte da Livraria Cultura não recomenda o seu próprio aplicativo… precisa acrescentar algo mais? É caso encerrado. Para a sorte dos clientes da Cultura, a Cultura firmou acordo com a Kobo. Se os aplicativos da Livraria Cultura forem descontinuados, em prol do aplicativo da Kobo, certamente os usuários ficarão bem mais felizes. O app da Kobo tem uma ótima avaliação e oferece recursos superiores, até mesmo na comparação com o iBooks da Apple. Mas será que a Livraria Cultura será integrada aos aplicativos da Kobo, ou somente aos aparelhos? Resta aguardar as próximas semanas, para conferir até que ponto irá a integração das duas empresas.

Quem perde a corrida da tecnologia e dos aplicativos, oferecendo tosquices aos leitores, fica para trás nas vendas e perde o jogo. Quem pensa no usuário final e na satisfação do usuário, vende mais. Na verdade, não tem segredo… é só fazer o que todo bom comerciante deve fazer: atender bem o cliente.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 15/11/2012

Loja de eBooks da Apple está aberta no Brasil


Aparentemente, a Apple ganhou a corrida contra a Amazon e chegou primeiro ao Brasil.

A iBookstore brasileira e da América Latina abriu suas portas neste domingo. A loja também está disponível na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela, e também para países da América Central, incluindo o Mexico. O Uruguai não está listado. Os preços estão em dólar, como previsto em  algumas semanas pelo Revolução.

Além dos eBooks da Simplíssimo, também os ebooks da DLD estão disponíveis.

Certamente a abertura da loja de eBooks está relacionada com o anúncio de amanhã [23/10] da Apple, com o aguardado lançamento do iPad Mini.

Aqui vão duas telas, uma do iPad e outra do iTunes, mostrando a disponibilidade dos títulos brasileiros.

Antes dessa mudança, o usuário brasileiro só podia baixar ebooks gratuitos ou de domínio público. A loja pode não ter preços em reais, mas o simples fato de permitir a compra, para quem tem conta brasileira na Apple/iTunes, é uma tremenda novidade – tanto para leitores, quanto para as editoras. É um grande avanço, e não só para os consumidores – a presença de um competidor à altura da Amazon também é um alento para as editoras.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook

Brasil, eBooks, educação e tecnologia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Non ducor, duco

Com seus 11 milhões de habitantes – 20 milhões, se incluirmos as cidades ao redor – e um PIB de mais de 300 bilhões de dólares, São Paulo representa o principal polo industrial e financeiro da América do Sul. Cerca de 6 milhões de automóveis transitam por sua gigantesca rede de estradas, avenidas, túneis, pontes e viadutos. Escapando do trânsito,incontáveis passageiros são transportados pelas diferentes linhas de metrô, enquanto no ar, um enxame de helicópteros aguarda o momento propício para descer no terraço de algum arranha-céu.

A cidade transmite uma intensidade extraordinária, é absolutamente multicultural e absorve tudo o que chega de fora – costumes, roupas, comidas e até palavras – com a mesma naturalidade que uma selva tropical assimila espécies novas. No entanto, tal facilidade não deveria criar nenhuma confusão: longe de adaptar-se passivamente às tendências da moda, São Paulo transforma todas a seu favor, o que talvez explique a máxima em latim que adorna sua bandeiranon ducor, duco – “não sou conduzido, conduzo”.

CONTEC: educação e tecnologia

Felizmente, a cidade conta com espaços de serenidade. O Parque Ibirapuera é um dos mais importantes de São Paulo: possui belíssimos lagos, fontes e árvores, assim como uma rica oferta cultural. No centro dele ergue-se o Auditório Ibirapuera, concebido há várias décadas pelo genial arquiteto Oscar Niemeyer e atualmente administrado pelo Instituto Itaú Cultural.

O Auditório destina-se geralmente a grandes espetáculos musicais, mas durante os dias 7 e 8 de agosto serviu de sede para o evento CONTEC, uma conferência internacional sobre educação e tecnologia organizada pela Feira do Livro de Frankfurt [FBF] – em especial por suas divisões LitCam e Frankfurt Academy –, que contou com o apoio de atores locais como PublishNewsAbeu, o Instituto Itaú Cultural, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Positivo, entre outros. Quase 700 pessoas, majoritariamente jovens, assistiram a debates atuais sobre a questão do analfabetismo, os planos de leitura do Estado brasileiro, as iniciativas de empresas locais e as incursões das empresas internacionais.

Pelo que se pôde ver, o Brasil se prepara para um grande salto tanto em educação quanto em tecnologia. Como deixou claro Karine Pansa – diretora da CBL – na abertura do evento, o Brasil ainda é um país desigual, mas a universalização da educação primária, o investimento em qualidade educativa e as novas tecnologias acabarão sendo fatores decisivos na consolidação de um mercado leitor. Para conseguir estes objetivos, o país “terá que aprender das nações que já deram esse salto”.

Um Estado poderoso

André Lázaro – que foi secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade durante a presidência de Lula da Silva – enumerou as conquistas e desafios dos planos nacionais de luta contra o analfabetismo, assim como a necessidade de trabalhar com força neste âmbito, a fim de conseguir uma democracia melhor. Como lembrou Lázaro, ainda persistem fortes diferenças entre o rico sudeste e o nordeste mais pobre, assim como entre as cidades e o campo.

Lúcia Couto – atual coordenadora geral de Ensino Elementar do Ministério da Educação – descreveu as diferentes ferramentas utilizadas pelo Estado para universalizar a alfabetização das crianças. O Brasil está discutindo atualmente os detalhes do Plano Nacional de Educação, que poderia elevar o investimento educativo a 10% do PIB nos próximos 10 anos.

Os esforços do setor público também vêm da área da cultura. Galeno Amorim – presidente da Fundação Biblioteca Nacional – expôs detalhes do Plano Nacional do Livro e da Leitura. Como apontou o presidente da FBN, o Ministério da Cultura designou quase 200 milhões de dólares a diversas iniciativas de fortalecimento das bibliotecas e de estímulo à leitura que serão realizadas até o final do ano.

Brasil na vanguarda tecnológica

Se o setor público dá sinais de se mover com decisão, as empresas privadas não ficam atrás, embora sejam conscientes de que falta muito por fazer. Cláudio de Moura Castro – assessor do poderoso grupo Positivo – afirmou que apenas 18% dos universitários possuem o hábito da leitura e que um número significativo de alunos são, na verdade, analfabetos funcionais; de fato, em todo o Brasil existem tantas livrarias quanto na cidade de Paris.

O matemático José Luís Poli – do Programa de Alfabetização em Língua Materna [PALMA], desenvolvido pela empresa IES2 – confirmou o diagnóstico negativo a respeito dos milhões de analfabetos plenos e funcionais, mas se mostrou otimista sobre as soluções aportadas pelas novas tecnologias. PALMA funciona como um conjunto de aplicativos para celulares e oferece diferentes ferramentas de escrita e compreensão de textos. É importante lembrar que no Brasil existem mais de 250 milhões de celulares – o que equivale a uma penetração de 130% – dos quais ao redor de 54 milhões são 3G. Por outro lado, os fortes investimentos em infraestrutura 4G que se avizinham permitem supor que a telefonia móvel desempenhará um papel ainda mais vital na comunicação brasileira.

Brasil 2.0

As redes sociais constituem outro dos fatores decisivos no mundo da comunicação do Brasil. O país conta com mais de 55 milhões de contas de Facebook – segundo, depois dos EUA, no ranking global de usuários. A rede social Orkut, que no Brasil é administrada pela Google, perdeu sua liderança no final de 2011, mas ainda conta com uma considerável massa de seguidores. Em relação ao Twitter, o Brasil também segue os EUA no número total de usuários, sendo São Paulo a quarta cidade com maior número de tweets do mundo, só atrás de Jacarta, Tóquio e Londres. Durante a conferência CONTECa escritora carioca mais de 200.000 leitores que a seguem.

Os meios sociais do Brasil vão, inclusive, além do Facebook, Orkut ou Twitter. Já surgiram redes locais organizadas por núcleos de interesse, que mostram uma atividade notável. Na mesa que tive a oportunidade de moderar, Viviane Lordello deu algumas cifras do Skoob, a maior rede social de leitores do Brasil: uns 600.000 internautas trocam recomendações, notas e até livros físicos que são enviados por correio postal; estes usuários são de todo o território brasileiro, no entanto mais de 45% vive em São Paulo. Também é preciso destacar o trabalho realizado pela Copia, uma plataforma de conteúdos digitais dependente do grupo DCM dos EUA; Marcelo Gioia – CEO do Copia Brasil – enumerou durante a CONTEC os planos da empresa em nível local, especialmente depois de ter fechado uma aliança com o Submarino, a principal empresa de comércio eletrônico da América Latina: desta união de forças surgiu o Submarino Digital Club, uma rede social na qual os usuários podem compartilhar anotações assim como comprar e descarregar e-books.

Local e global. CONTEC 2013

A necessidade de estabelecer alianças locais foi em parte discutida durante a sessão “Visão panorâmica: olhando a bola de cristal”, na qual participaram Tânia Fontolan – do conglomerado brasileiro Abril Educação – e Hegel Braga – diretor da Wiley Brasil – sob a coordenação de Holger Volland. Fontolan começou explicando a forma como a Abril Educação vê o mercado educativo local nos próximos anos: crescimento dos conteúdos na nuvem; proliferação de tablets e celulares; aprendizagem baseada em videogames e conteúdo aberto. Braga, por seu lado, ofereceu detalhes sobre as ações da Wiley no Brasil: a empresa abriu um escritório próprio em São Paulo há poucos meses: dali espera desenvolver acordos com sócios locais e trazer tecnologia do exterior para ajustá-la ao cliente brasileiro. Tânia Fontolan concordou com a importância de trabalhar com alianças locais, embora tenha se mostrado cética a respeito da ideia de implantar soluções tecnológicas fechadas, pois em muitas ocasiões estas se mostraram simplesmente inadaptáveis.

Jurgen Boos e Marifé Boix García – respectivamente diretor e vice-diretora da FBF – sublinharam seu compromisso de longo prazo com o Brasil e a América Latina, ao mesmo tempo em que anunciaram uma nova edição da CONTEC para junho de 2013, desta vez na forma de uma feira internacional de conteúdos e educativos e multimídia, com dias diferenciados para os profissionais e para o público. A FBF já conta com delegações de Nova Délhi, Moscou, Beijing e Nova York, e logo abrirá um escritório em São Paulo. Segundo Jurgen Boos, as redes e o know how da FBF podem ser de grande ajuda para a indústria editorial brasileira:

“O Brasil tem um mercado interno enorme, com quase 200 milhões de pessoas. No entanto, está muito focado no local, ainda carece de contatos internacionais e é aí onde acho que nós podemos desempenhar um papel importante. Gostaríamos também de trabalhar com as universidades brasileiras, porque considero que tudo que fizermos deverá ser local. Podemos trazer nossa experiência, mas são necessários profissionais do mercado local.”

eBooks na Bienal: um futuro entre o EPUB e a nuvem

No dia 9 de agosto, a uns 12 quilômetros do Parque Ibirapuera – no centro de exposições do Anhembi – foi inaugurada a 22ª Bienal do Livro de São Paulo, sob o lema “Os livros transformam o mundo, os livros transformam as pessoas”. A exposição durou 11 dias e foi visitada por mais de 750.000 pessoas, confirmando o dinamismo de uma indústria editorial que fatura quase 2,5 bilhões de dólares anuais.

Em comparação com os estandes de livros impressos, o espaço dedicado aos e-books era bastante limitado, o que acaba sendo coerente com a baixa faturação que apresenta o segmento digital: na verdade, os livros eletrônicos equivalem hoje a menos de 1% do total de ingressos da indústria editorial brasileira. Apesar disso, algumas tendências permitem antecipar um crescimento acelerado do novo mercado.

Como afirmamos antes, são numerosas as empresas estrangeiras que trabalham com aliados nativos para oferecer conteúdos digitais cada vez mais adaptados aos leitores locais. Graças ao lançamento de sua rede social de livros digitais – resultado do acordo com a Copia – o estande da Submarino foi um dos mais concorridos da Bienal.

Por outro lado, a considerável capacidade de investimento dos players autóctones possibilitou o surgimento de plataformas originais como Nuvem de Livros, desenvolvida pelo Grupo Gol, em associação com a operadoraVivo-Telefônica: durante a Bienal, os estudantes puderam se informar sobre as funcionalidades e custos desta plataforma na nuvem, que conta com 800.000 usuários e que por menos de 2 reais por semana oferece acesso a cerca de 6.500 títulos.

Da mesma forma, as editoras nacionais estão trabalhando ativamente na digitalização de seus catálogos, embora ainda haja muito a melhorar: segundo a especialista Camila Cabete, mais de 60% dos arquivos EPUB brasileiros apresentam erros de estruturação. De qualquer forma, a migração já começou: os títulos publicados em formato digital chegaram, em 2011, a 9% do total de obras registradas. Diversas editoras passaram à ofensiva comercial, em especial no terreno do livro científico: Atlas, GENEditora Saraiva e Grupo A uniram forças para oferecer seus títulos através do Minha Biblioteca, uma plataforma de conteúdo digital pensada para o mercado acadêmico.

Quem quer colocar [Kindle] um fogo [Fire] na Amazônia?

O dia 10 de agosto foi a data chave para os e-books durante a Bienal. Ao longo de toda essa jornada – “o dia D” – o público pôde escutar diferentes protagonistas da cena digital: Andrew Lowinger da Copia, Marie Pellen da OpenEdition, Jesse Potash da Pubslush, Júlio Silveira da Imã, Eduardo Melo da Simplíssimo, Marcílio Pousada da Livraria Saraiva e Russ Grandinetti da Amazon Kindle. Depois da primeira conferência, os organizadores foram obrigados a mudar o evento para uma sala maior, já que o número de participantes tinha superado as expectativas.

Quando chegou a vez de Russ Grandinetti, nem sequer a nova sala foi suficiente para conter os interessados, e um grande número de ouvintes ficou de fora. O executivo esclareceu logo no começo que não daria nenhuma data para o desembarque da Amazon no Brasil e se limitou a enumerar os pontos positivos do e-reader Kindle e o tablet Fire. Carlo Carrenho – diretor do PublishNews – coordenou o diálogo entre Grandinetti e o público, e no final lembrou uma frase de Jeff Bezos: “Quero ir à lua… e ao Brasil”, o que levou a uma pergunta que o público celebrou com gargalhadas: “Quando pensam em abrir essa filial lunar, então?” É que o lançamento da Amazon no Brasil já demorou muito – talvez um sinal de que as coisas não eram tão simples quanto pareciam. Às complexidades impostas somam-se obstáculos impensados: por exemplo, até muito pouco tempo, o domínio amazon.com.br era propriedade de uma empresa local; demorou 7 anos para a Amazon EUA conseguir um acordo com sua contraparte brasileira – porque não era simples para os norte-americanos alegarem seu direito sobre a marca, já que o rio Amazonas [“Amazon” em inglês] se encontra precisamente no Brasil. Em todo caso, a empresa de Seattle parece disposta a fazer o que for necessário para se estabelecer na América do Sul – desde adquirir empresas nativas até operar sob uma denominação diferente, entre outras alternativas.

Imediatamente depois da Amazon, chegou a vez da livraria Saraiva. Nesse momento, eram tantas as pessoas na sala que a situação se assemelhava mais a um show de rock do que a uma conversa sobre e-books. Marcílio Pousada lembrou a importância de contar com 102 lojas em todo o território brasileiro e de ser um dos principais vendedores de tablets e de livros a nível nacional. Vale a pena sublinhar que a Saraiva possui mais de 2 milhões de clientes ativos em sua divisão eletrônica. Graças a uma equipe de 60 pessoas dedicadas ao desenvolvimento digital, implementou seu próprio aplicativo de leitura e outras iniciativas pensadas especificamente em função do leitor local. Este potencial concorrente da Amazon oferece hoje em torno de 10.000 títulos em língua portuguesa e espera somar outros 5.000 até dezembro.

Quem manda no baile

No Brasil, confluem hoje forças muito poderosas, provenientes tanto do interior quanto do exterior. Como rios caudalosos que se interconectam, o setor público, as empresas locais e as empresas globais formaram um ecossistema rico e dinâmico. Este diagnóstico poderia ser aplicado a diferentes áreas da economia, por exemplo a de infraestrutura de transportes, tal como pôde ser visto nos recentes anúncios do governo para a construção de ferrovias e estradas.

No âmbito das publicações digitais, a sinergia entre os players públicos e privados, locais e globais, é especialmente clara. A envergadura dos atores envolvidos permite supor um crescimento acelerado tanto da oferta de conteúdos quanto dos ingressos econômicos. O país tem tudo para ganhar com o desembarque das multinacionais do e-book: as empresas brasileiras recebem uma forte transferência de tecnologia do exterior, ao mesmo tempo em que os consumidores nacionais têm acesso a plataformas e dispositivos de primeiro nível.

Apesar disso, também é preciso avisar que existe o perigo de uma saturação da oferta. Na verdade, muitos de meus interlocutores brasileiros estavam surpresos pelo otimismo excessivo manifestado pelas empresas internacionais, que acham que este mercado é um novo Eldorado, a ansiada fuga da crise econômica que afeta suas matrizes. E o certo é que – tal como sublinharam os criadores de políticas durante a conferência CONTEC– o Brasil continua enfrentando desafios cuja solução exigirá muito tempo e grande esforço.

De qualquer forma, apesar de todas as dificuldades, o país ganhou uma relevância ineludível e já dialoga de igual para igual com os titãs da indústria eletrônica global. E o Brasil – com seu ativo setor público, suas poderosas empresas e seu povo extraordinário – está decidido a conduzir o baile, não a ser conduzido.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Em 6 meses, catálogo de eBooks em português salta de 11 para 16 mil títulos


Em fevereiro de 2012, publicamos no Revolução eBook os resultados da pesquisa realizada pela Simplíssimo, analisando a situação dos eBooks no Brasil até então – quantos estavam à venda, em quais livrarias, publicados por quais editoras, etc. Seis meses depois, a pesquisa foi refeita, para avaliar o ritmo da evolução do mercado digital no Brasil. Para isso, foram pesquisados metodicamente todos os eBooks publicamente oferecidos nos sites das 3 principais livrarias de eBooks em português [em ordem alfabética, Amazon, Gato Sabido e Saraiva], nos dias 02 e 03 de agosto de 2012. O que verificamos? Uma aceleração consistente da oferta de livros digitais no Brasil.

Algumas previsões do início do ano ainda não se confirmaram – por exemplo, Amazon e Apple ainda não iniciaram oficialmente a venda de eBooks para o Brasil. Aparentemente, isso não impediu editoras e autores brasileiros de apostarem no formato digital. Pelo contrário, eles pisaram no acelerador, e para valer. A oferta total de eBooks em português [títulos únicos, sem repetições] já ultrapassa a marca dos 16 mil títulos. Parece pouco, mas é um grande progresso: em apenas seis meses, foram colocados à venda mais de 5 mil novos eBooks, quase 50% de tudo o que era oferecido até fevereiro de 2012.

Persistindo este ritmo de crescimento da oferta de eBooks, até o início de 2013 a marca dos 20 mil títulos únicos em português será ultrapassada. Este aumento na oferta já deu início a um círculo virtuoso para o formato digital. Semana passada, o presidente da Saraiva, Marcilio Pousada, informou que 30% das vendas online de 50 Tons de Cinza, foram da versão eBook do livro. É um best-seller que saiu em todos os jornais, mas existem outros exemplos, bem opostos. O mais destacado é o estrondoso sucesso de Bel Pesce, a jovem autora estreante que registrou mais de 350 mil downloads em 20 dias do seu eBook sobre empreendedorismo. São exemplos que demonstram o potencial de aceitação [e vendas] dos eBooks no Brasil. Se em 2011 as vendas de eBooks foram frustrantes, isso se deveu em boa parte à pífia oferta de títulos – até fevereiro de 2012, nenhuma livraria oferecia mais que 7 mil eBooks em seus sites.

Se por um lado o número total de eBooks aumentou, de forma rápida e consistente, por outro, nenhuma livraria foi capaz de concentrar sozinha esse crescimento, persistindo a situação verificada no início de 2012. No caso da Amazon, é ainda mais surpreendente, porque ela segue muito atrás das concorrentes brasileiras, mesmo estando em negociação com as editoras desde fins de 2011. Ao longo da semana, vamos aprofundar esta e outras questões aqui no Revolução eBook:

Terça: Amazon tem apenas 6 mil eBooks em português e segue atrás das livrarias brasileiras
Quarta: eBooks de Domínio Público são mais de 20% da oferta da Amazon
Quinta: 10 editoras oferecem 50% de todos os eBooks; 160 editoras vendem só 6%
Sexta: Conclusões: para onde caminhará o mercado nos próximos 6 meses

Para continuar por dentro das principais notícias do mercado de eBooks, assine o Boletim diário Revolução eBook.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 21/08/2012

Quatro capitais receberão workshop de produção de eBooks em ePub


Encontros ocorrerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre

Para editoras e designers em busca de capacitação para a produção de e-book, em agosto e setembro a Simplíssimo promove o Workshop Produção de e-books em epub, com turmas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. O curso acontece nos dias 27 e 28 de agosto [São Paulo], 30 e 31 de agosto [Rio de Janeiro], 03 e 04 de setembro [Curitiba] e 13 e 14 de setembro [Porto Alegre].

Ministrado por José Fernando Tavares, sócio e diretor técnico da Simplíssimo, o Workshop irá transmitir as melhores técnicas utilizadas para produção profissional de e-books em formato epub, como produzir o epub a partir do InDesign, além de dicas e truques de como otimizar a produção de e-books. O investimento é de R$ 950 e as inscrições podem ser feitas pelo email sac@simplissimo.com.br ou através do site da Simplíssimo. Para mais informações, clique aqui.

PublishNews | 17/08/2012

Mercado começa a aquecer e Cosac se rende


A Cosac Naify, que até agora não tinha apostado no livro digital, se rende às novas tecnologias e contrata Antonio Hermida para cuidar dessa área. Ele, que deixa o cargo de gerente de produção de e-book da Simplíssimo, no Rio, e se muda para São Paulo, começou na Zahar, pioneira na edição digital. O momento é propício.

Segundo Roberto Feith, diretor da Objetiva e idealizador da DLD, a distribuidora de livros digitais formada pela própria Objetiva, além de Sextante, Record, Rocco, Planeta, L&PM e, desde ontem, pela Novo Conceito, até o fim do ano o e-book terá uma participação mais efetiva no mercado de livros do Brasil. Isso porque essas e outras editoras estão assinando contrato com a Amazon – o vice-presidente da empresa está em São Paulo esta semana -, Apple, Google e Kobo. Sozinha, a Objetiva negocia com a Barnes & Noble para suas obras serem vendidas pela rede americana. O mercado, ínfimo em 2011 – segundo a última pesquisa Fipe Produção e Venda de Livros foram vendidos 5.235 e-books aqui em 2011 -, vem sendo lentamente aquecido. A Companhia das Letras, por exemplo, vendeu 9 mil e-books só no primeiro semestre de 2012.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 11/08/2012

Bienal tem seu dia D


Amazon, Saraiva, Copia, Pubslush e OpenEdition marcam o dia digital na Bienal de São Paulo

O espaço Livros & Cia da 22ª Bienal do Livro de São Paulo discute o negócio do livro, as questões da indústria editorial e outros aspectos mais ligados ao mercado. E, nesta sexta-feira, 10 de agosto, Carlo Carrenho media a programação do espaço, que considera imperdível. Pela manhã, Andrew Lowinger, CEO do Copia Interactive, fala sobre a plataforma Copia, que já está operacional no Brasil em uma parceria com a Submarino. À tarde teremos ninguém menos que Russ Grandinetti, vice-presidente da Amazon, com a palestra “A Amazon e o Novo Normal”, onde ele conta a história que mudou o mercado editorial.

Após o Mr. Kindle deixar o palco, será a vez de Marcílio Pousada, CEO da Livraria Saraiva, contar, a partir das 15h, o que a empresa brasileira tem feito na área digital. Em seguida, a francesa Marie Pellen falar sobre “OpenEdition: uma solução Freemium para a publicação acadêmica de ciências humanas”. Pellen é coordenadora para língua portuguesa do programa conhecido como OpenEdition Freemium, uma plataforma que traz um modelo econômico inovador com base no acesso livre para publicações científicas.

Mais à noite, o irreverente Jesse Potash, criador da editora Pubslush, fala sobre “A revolução digital e os novos modelos de negócio”. Para terminar o dia, às 19h30, uma conversa com dois brasucas: Julio Silveira, da Imã Editorial, e Eduardo Melo, da Simplíssimo. O primeiro, um editor pernambuco-carioca, vai abordar as oportunidades e ameaças que a revolução digital traz para autores e editores. Já o gaúcho Eduardo vai apresentar sua bem-humorada visão do editor brasileiro em meio ao tiroteio digital do mercado. Carlo Carrenho fala mais sobre a programação do dia digital da Bienal aqui.

PublishNews | 07/08/2012

Workshop Produção eBooks em ePub com inscrições abertas


Atividade ocorrerá nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre

As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre receberão nos meses de agosto e setembro o Workshop Produção eBooks em ePub [Nível 1]. A atividade é direcionada para designers, profissionais e estudantes do mercado editorial. Para participar é necessário levar notebook com InDesign CS5 [pode ser versão Trial] e Adobe Digital Editions instalados. O curso tem por objetivo transmitir as técnicas utilizadas para produção profissional do formato ePub, além de dar dicas e truques de como otimizar a produção de eBooks, através de um método de trabalho prático. Para se inscrever e conferir informações sobre o programa, datas e locais do curso nas cidades, clique aqui.

PublishNews | 26/07/2012

Recursos multimídia são desafio


A ideia de um livro digital traz à tona uma série de possibilidades inimagináveis em uma publicação impressa. Animações e recursos de áudio e vídeo são apenas algumas dessas novidades. Mas a despeito da oferta crescente de livros digitais – e do interesse dos leitores pelos recursos interativos -, a aplicação desse tipo de tecnologia ainda está longe de se tornar maciça, disseram especialistas ouvidos pelo Valor.

A principal maneira de usar esses recursos atualmente é desenvolver o livro no formato de aplicativo. Mas nem sempre as editoras estão dispostas a arcar com os custos necessários para criar esse tipo de software. Os formatos próprios para livros digitais, por sua vez, de modo geral ainda não estão preparados para esse tipo de recurso. E há ainda um terceiro impeditivo. “‘Rodar’ essas aplicações requer uma capacidade de processamento alta, que muitos dispositivos ainda não têm”, disse Eduardo Melo, fundador e diretor executivo da Simplíssimo, empresa especializada na criação de e-books.

A expectativa é que o formato digital mais recentemente criado pela IDPF, organização internacional de publicações digitais, resolva parte desses problemas. Irmão mais velho do Epub, que não tem proprietário, e batizado de Epub 3, o formato foi feito para “rodar” recursos multimídia e de interatividade, disse Bill McCoy, diretor executivo da IDPF. “Durante esse ano, vamos ver um aumento do número de dispositivos que aceitam o Epub 3“, afirmou o executivo.

Apesar disso, os desenvolvedores ainda precisarão de algum tempo para conhecer melhor o Epub 3 e aproveitar as vantagens desse novo padrão.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Converter livro em eBook cria novo mercado


Uma tradução bem feita não garante, por si só, o sucesso de um livro estrangeiro, mas é um elemento fundamental para que isso aconteça. As editoras sabem dessa importância e dedicam-se com afinco à escolha de bons tradutores. Agora, porém, com a disseminação do livro digital, as editoras estão tendo de lidar com um novo tipo de tradução: a tecnológica. Verter os textos para os formatos dos livros eletrônicos – que podem ser lidos em computadores, tablets, celulares ou dispositivos específicos para leitura digital – é um processo meticuloso e que requer habilidades específicas. O resultado é que essa demanda deu origem a um mercado nascente no Brasil: o de empresas de tecnologia especializadas em transformar livros em e-books.

A Simplíssimo, com sede em Porto Alegre, e a Kolekto, de São Paulo, são exemplos dessa tendência. Para dar conta da tarefa, parte do trabalho é feita com softwares de conversão, que automatizam o processo. A segunda etapa, mais complexa, requer o trabalho de um programador de sistemas. Esse profissional altera o código principal do programa de acordo com as características do livro. Se a obra é repleta de gráficos ou ilustrações, por exemplo, mais ajustes ele terá de fazer.

À medida que cresce o interesse das editoras pela publicação de livros em formato digital, mais óbvias ficam as oportunidade de negócio na área. Criada em 2010, a Simplíssimo tem cerca de 50 editoras em sua carteira de clientes. O faturamento está por volta de R$ 500 mil por ano. “Nossa meta é conseguir atender mais editoras e ampliar a receita“, disse Eduardo Melo, fundador e diretor executivo da companhia. Desde sua fundação, a Simplíssimo transformou aproximadamente 1,1 mil livros em e-books.

A Kolekto, criada pelos sócios Alexandre Monti, Reginaldo Silva, Ayala Júnior e Carlos Vicente, iniciou as operações em maio. A companhia tem um plano de investimento de R$ 7,5 milhões, baseado integralmente em recursos próprios. A maior parte do investimento será dedicada à infraestrutura tecnológica, mas a empresa já usou uma parcela desse dinheiro para comprar a CodeClick, empresa especializada em aplicativos, como são chamados os softwares com finalidades específicas para tablets e smartphones.

De acordo com Carlos Vicente, diretor de marketing da Kolekto, a aquisição segue a estratégia da companhia de converter livros tanto em e-books como em aplicativos. “Alguns livros não se enquadram nos formatos digitais próprios para e-books porque demandam outro tipo de interatividade, como animações, vídeos e outros recursos“, diz Vicente. “É justamente nesses casos que o aplicativo é mais indicado”.

Por enquanto, ainda são poucas as companhias de tecnologia brasileiras especializadas na produção de e-books. Mas a expectativa é que isso mude rapidamente, com o desenvolvimento do mercado de livros digitais no país. “Há muitas companhias no exterior dedicadas à conversão de livros para formatos digitais ou aplicativos. Tenho certeza que grande parte delas vai se interessar por oferecer seus serviços no Brasil“, afirmou Bill McCoy, diretor executivo da organização internacional de publicações digitais, a IDPF.

Fundada no fim dos anos 90, quando ainda não se ouvia falar sobre livros digitais, a IPDF foi responsável pela criação do padrão tecnológico que hoje predomina no mercado de e-books. Batizado de Epub, o formato não tem proprietário, e é baseado em HTML5 – padrão apoiado pela Apple e seguido atualmente por diversas companhias e criadores de conteúdo.

Mas o Epub não está sozinho. Existem diversos outros formatos digitais para e-books, além dos aplicativos. A escolha desses padrões digitais pelas editoras é um aspecto que divide opiniões.

Esse, aliás, é um problema enfrentado há algum tempo pelos criadores de aplicativos. Para oferecer seu produto em uma das grandes lojas virtuais de “apps”, como esses programas são conhecidos, o programador precisa escrevê-lo com base no sistema operacional adotado pelo dono da loja, como a Apple ou o Google.

Entre os executivos da área editorial ouvidos pelo Valor, a principal preocupação é que transformar um livro em um aplicativo destinado a um único sistema operacional torne a editora refém desse canal de distribuição. Padrões abertos, como o Epub – que é aceito por um número maior de softwares e dispositivos – são uma saída, mas podem deixar a obra fora de lojas de aplicativos de grande movimento, que exigem programas próprios. Outra possibilidade é fazer como muitos criadores de aplicativos e criar versões diferentes do mesmo produto, um para cada sistema. De qualquer forma, há trabalho e custo adicionais envolvidos. As editoras já devem sentir saudades do tempo em que só tinham de se preocupar em traduzir livros para o português.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

DRM x marca d’água


E-books de ‘Harry Potter’ levam marca d’água ao invés do sistema de segurança mais difundido

Chamou atenção a o fato de que os e-books da saga Harry Potter foram lançados, ontem, sem DRM, o sistema de segurança que inibe cópias ilegais de conteúdo, hoje o mais usado por boa parte do mercado de e-books no mundo todo.

Os livros digitais da série literária de maior sucesso dos últimos anos, que compõem o ambicioso projeto daPottermore, controlado de perto pela autora JK Rowling, levam, ao invés de DRM, uma marca d’água. “Marca d’água” é outro nome, mais usado hoje em dia, para o chamado “DRM social”.

A ideia é bastante simples e nada hi-tech: cada e-book vendido contém uma marca com informações sobre o comprador. Se a cópia adquirida for distribuída ilegalmente e identificada, a marca d’água revelará o provável “pirata” por trás da ação. Explica a Pottermore: “a Loja Pottermore personaliza e-books com uma combinação de técnicas de marca d’água que se referem ao livro, ao comprador a ao horário da compra. Isto permite rastrear e responder a possíveis infrações de copyright”. No caso de e-books adquiridos para dar de presente, as cópias conterão as informações da pessoa presenteada.

Para Eduardo Melo, fundador da Simplíssimo, o fato de os e-books da série Harry Potter conterem a marca d’água pode indicar uma tendência. “Todo mundo sabe que a JK Rowling toma conta de todos os detalhes envolvendo a série, e certamente houve muito estudo para concluir que esse sistema é melhor do que o DRM”, diz. “O DRM é muito fácil de ser quebrado e também dificulta a compra.

Camila Cabete, consultora de eBooks e colunista do PublishNews, também acredita que a decisão da Pottermore deve influenciar o mercado de eBooks no sentido da adoção mais frequente do DRM social. Segundo ela, o sistema de marca d’água ainda não é usado no Brasil.

O uso do DRM divide opiniões. Se, por um lado, ele é apontado como tecnologia necessária para evitar cópias ilegais, de outro argumenta-se que, não apenas o sistema pode ser burlado, como ele gera várias inconveniências ao comprador do conteúdo – dificulta, por exemplo, a leitura de e-books em diferentes aparelhos. Há quem argumente, ainda, que o uso do DRM é antipático: pressupõe que o leitor é um potencial pirata.

Por Roberta Campassi e Flávia Leal | PublishNews | 28/03/2012

Pesquisa mostra situação dos eBooks no Brasil


As 30 editoras que mais oferecem títulos respondem por metade da oferta no país

Desde que a venda comercial de e-books começou no Brasil, em fins de 2009, o número de livros digitais em português sempre foi escasso – nunca passando de alguns milhares. Ao que parece, a situação está mudando.

Simplíssimo realizou uma pesquisa no mês de janeiro para apurar dados atuais sobre a oferta de e-books em português, a composição dos catálogos, os formatos disponibilizados, principais gêneros disponíveis, entre outras informações. Foram consultados os sites das principais livrarias que oferecem e-books em português [Gato Sabido, Saraiva, Cultura e Amazon], no dia 20 de janeiro, e relacionados os títulos efetivamente disponíveis aos consumidores. As informações são públicas e podem ser verificadas de forma independente por qualquer pessoa interessada.

Como contexto para esta pesquisa, convém recordar rapidamente a trajetória da venda de e-books no Brasil. Em dezembro de 2009, havia cerca de 300 e-books em português à venda na livraria Gato Sabido, à época da sua estreia. A Gato abriu as portas logo após o Kindle passar a ser vendido internacionalmente pela Amazon, em outubro de 2009. Logo depois, entre março e abril de 2010, Saraiva e Cultura aderiram à venda de e-books, mas as editoras não sentiram pressa em aderir aos livros digitais. O reflexo disso se verificou no ano seguinte, em abril de 2011, quando havia somente de dois e três mil e-books em português, segundo os números fornecidos pelas livrarias.

Passados agora dois anos da “chegada” do e-book ao Brasil, a situação mudou definitivamente. O volume de livros digitais em português mais que triplicou nos últimos meses.

Os dados obtidos mostram o cenário real sobre os e-books no Brasil. Em 20 de janeiro de 2012, a livraria brasileira com a maior oferta de e-books era a Gato Sabido, com 7.292 títulos em português. A Xeriph [distribuidora de e-books e empresa “irmã” da Gato Sabido] reúne mais títulos que a Saraiva, a maior rede de livrarias do país. O leitor irá notar que a Livraria Cultura não aparece no gráfico. Muitos títulos em português apareciam misturados aos estrangeiros, e essa segmentação incorreta não permitiu contar com precisão a oferta em português.

É importante ressaltar que a maioria dos títulos disponíveis na Amazon não está disponível nas demais livrarias. Ao que parece, ainda são bem poucas as editoras que oferecem conteúdo na Amazon, e os títulos em geral são de domínio público ou publicados diretamente por autores.

Analisando a oferta de e-books pelas dez editoras que mais publicam em formato digital e comparando a distribuição entre as livrarias, salta aos olhos a discrepância. Os catálogos diferem, às vezes radicalmente, de livraria para livraria. Algumas editoras aparentam dar exclusividade a uma livraria, outras até estão presentes em todas, mas restringem a oferta de títulos nesta ou naquela.

Considerando que a Amazon possui um catálogo de e-books diferenciado das outras livrarias, e que as livrarias brasileiras não oferecem as mesmas obras entre si [haja visto os desvios na oferta de títulos das editoras em cada livraria], é possível afirmar que há pelo menos 11 mil e-books em português disponíveis. Talvez um pouco mais, mas seguramente 11 mil e-books.

As dez maiores editoras brasileiras em oferta de e-books somam, juntas, 4.086 e-books. Representam, portanto, mais de 1/3 dos e-books em português disponíveis. Se ampliarmos o quadro e considerarmos as 30 editoras que mais oferecem e-books, elas respondem por metade dos títulos em português.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em PublishNews | 10/02/2012

Eduardo Melo é diretor do site Revolução Ebook e fundador da Simplíssimo Livros. Trabalha com e-books desde 2007, quando fundou a ONG Editora Plus. Também é graduado em História e mestre em Letras. E-mail: eduardo@simplissimo.com.br

eBooks brasileiros ganham selo de excelência


Desde o ano passado, o Publishing Innovation Awards [algo como prêmio de inovação editorial], organizado pela conferência Digital Book World, reconhece “conteúdo digital de excelência que enriquece e encanta leitores”. Em outras palavras, a iniciativa premia e-books, aplicativos de livros e projetos que unem várias mídias em 14 diferentes categorias. Para que concorram a esse prêmio, as publicações passam por uma análise de um júri especializado que analisa 13 pontos sobre a qualidade do design do e-book e a facilidade com que ele é lido em diferentes plataformas. Os projetos que passam por esse filtro depois recebem um selo chamado QED – Quality, Excellence, Design [qualidade, excelência, design]. Na edição deste ano, 85 e-books e afins receberam o selo, entre eles dois criados por empresas brasileiras: O pensamento político de Thomas Hobbes, e-book escrito por Paulo Henrique Faria Nunes e publicado pela Simplíssimo; e o Guia de aves da Mata Atlântica paulista, da WWF Brasil com a Fundação Florestal do Estado de São Paulo, feito pela Pagelab. A lista completa dos livros, que inclui projetos de algumas das maiores editoras do mundo, você confere aqui [em inglês].

Por Roberta Campassi | PublishNews | 27/01/2012

CBL oferece curso sobre livro digital e suas tecnologias


O curso Entenda o Livro Digital e seu Mercado, oferecido pela Escola do Livro, da Câmara Brasileira do Livro [CBL], acontece no dia 9 de fevereiro, das 9h30 às 17h30. O curso abordará o livro digital e suas tecnologias, como o mercado funciona, quais seus números no mundo e no Brasil e quais estratégias são adotadas pelas principais empresas do mercado. Como se produz um e-book, quais os modelos de negócio aplicados para livros digitais em diferentes escalas.

O objetivo é apontar as principais discussões relacionadas ao livro digital, os problemas e oportunidades como precificar um e-book, que postura adotar diante da pirataria, como encarar o livro digital como uma grande oportunidade. O curso será ministrado por Eduardo Melo, fundador e diretor da Simplíssimo, e Stella Dauer, designer da Simplíssimo. Eduardo trabalha com livros digitais desde 2007, inicialmente com a pioneira Editora Plus e desde 2010 atuando na Simplíssimo, empresa que produz livros digitais para editoras e oferece treinamentos na área. Stella trabalha com design e publicidade além de fazer diagramação de livros em formato impresso e e-books.

Mais informações do curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

Site lança campanha pela popularização do eBook


A iniciativa é da Simplíssimo, empresa especializada em livros digitais

O site Revolução E-book, que publica notícias e artigos sobre o mercado de livros digitais, lançou na semana passada uma campanha para popularizar os e-books. O objetivo é esclarecer as vantagens e possibilidades geradas pelo formato eletrônico, e também fomentar a oferta de títulos, bem como a qualidade dos produtos e dos processos de compra on-line. O site e a campanha são uma iniciativa da Simplíssimo, que faz e-books, oferece cursos e treinamentos sobre o mercado de livros digitais e tem um serviço de autopublicação. Segundo Eduardo Melo, fundador da empresa, a campanha deve ganhar força no início de 2012. Já está programada a criação de vídeos para a internet que mostrarão as vantagens dos e-books em comparação aos livros físicos. Quem quiser aderir, pode usar o selo da campanha que diz “Eu leio livros digitais” e também participar de um fórum coletivo para compartilhar ideias, dúvidas e reivindicações acerca desse novo mundo. Saiba mais aqui.

Para Melo, embora ainda existam barreiras para o crescimento do mercado de e-books, como os preços altos de tablets e e-readers, já existe no Brasil um número de dispositivos que justificaria um índice de leitura maior dos livros digitais. “Há pelo menos 400 mil iPads e 1,5 milhão de iPhones no país. Mas a leitura nesses aparelhos ainda não é muito comum“, avalia.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 21/12/2011

Como produzir eBooks no formato ePub


A Simplíssimo promoverá dois workshops sobre produção de ebooks em ePub. Uma turma será no Rio de Janeiro, já nos dias 08 e 09 de dezembro, outra turma em São Paulo, dias 12 e 13 de dezembro.

O curso, 100% prático, tem inscrições por R$ 590,00, que podem ser parceladas em até 5x no cartão. Segundo a Simplíssimo, mais de 400 profissionais foram treinados este ano pelo Workshop, dedicado a designers, profissionais e estudantes do mercado editorial, com conhecimento médio/intermediário de InDesign.

Mais turmas estão agendadas para março de 2012, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. Inscrições até 10 de janeiro ganham desconto de R$ 200 na inscrição.

Mais informações e inscrições podem ser vistas no site da Simplíssimo.

Simplíssimo apresenta três novos cursos


A ideia é dar noções avançadas de ePub, ensinar a produzir com software livre e a fazer capas

A crescente popularização do e-book no Brasil levou a Simplíssimo a promover três novos cursos sobre o assunto, todos com turmas abertas para setembro e outubro, no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Curso avançado de ePub”, “Produzindo ePub com software livre” e “Produzindo capas para livros digitais” são direcionados aos profissionais do mercado que desejam adquirir ferramentas e conhecimentos sobre como produzir para a era digital. E para quem ainda está começando a aprender sobre os e-books, também estão abertas as inscrições para o “Workshop de produção de e-books” e para o curso de iniciação “Entenda o livro digital e seu mercado”. Inscrições para qualquer um dos cursos podem ser feitas no site.

Programação:

*locais a definir

Curso Avançado de ePub

RJ – 04 e 05 de outubro

SP – 29 e 30 de setembro

Duração: 16 horas de curso, em dois dias consecutivos

Inscrições: R$ 950 a R$ 800 [com desconto]
Público-alvo: profissionais com experiência comprovada na produção de ePubs e livros, XHTML e CSS.

Produzindo ePub com Software Livre

RJ – 23 e 24 de setembro

SP – 17 e 18 de outubro

Duração: 16 horas de curso, em dois dias consecutivos

Inscrições: R$ 530 a R$ 390 [com desconto]

Público: autores, estudantes, designers e profissionais do mercado editorial.

Produzindo capas para livros digitais

RJ – 20 de outubro

SP – 16 de setembro

Duração: 4 horas de curso em dia único

Inscrições: R$ 300 a R$ 250 [com desconto]
Público: designers, editores, autores e demais interessados

PublishNews | 17/08/2011

Um ano depois…


O que mudou no mercado editorial brasileiro entre o 1° Congresso Internacional do Livro Digital e a edição que se encerra agora

Em um ano, o brasileiro parou de discutir se a chegada do livro digital representaria o fim do livro físico e colocou a mão na massa. No longínquo março de 2010, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Feira do Livro de Frankfurt realizaram o 1º Congresso Internacional do Livro Digital e o clima era de incertezas, com a maioria dos editores ainda sem coragem de arriscar e de investir dinheiro em experimentos.

Mesmo com poucos títulos convertidos para e-books, as livrarias começaram a se mexer. Em abril, a Gato Sabido deixou de reinar sozinha e teve de dividir os clientes com a Livraria CulturaA eBookstore da Saraiva seria inaugurada um mês depois. Hoje, até Ponto Frio, Casas Bahia e Extra vendem livro digital. E Ricardo Eletro, que passou a vender livros este ano, tem planos de incluir as versões digitais em seu site. E tem mais: hoje, até editoras vendem e-books diretamente para o leitor final a partir de seus sites, como é o caso da pioneira Ciência Moderna e do Grupo A.

As distribuidoras Xeriph e DLD também chegaram em 2010 para ajudar as editoras, que já conseguiram produzir, no total, 4 mil títulos em português. O número é pequeno se comparado ao de títulos importados à venda por aqui. Na Saraiva, por exemplo, eles superam os 220 mil. Essas mesmas editoras mandaram seus funcionários estudar, e nisso quem se destacou foi a gaúcha [e italiana] Simplissimo. Ela levou seu curso de produção de e-books para São Paulo e para o Rio e pode continuar viajando se conseguir fechar turmas em outros estados.

Dados de vendas ainda são um mistério, mas boas surpresas aparecem pelo caminho. O Grupo A, por exemplo, produziu um aplicativo para o livro Medicamentos de A a Z e vendeu nada menos do que 2.500 unidades só na AppStore [ele custa US$ 24,99].

As bibliotecas não ficaram de fora do movimento. Neste ano, Saraiva, Atlas, Grupo A e Gen criaram a Minha Biblioteca, uma empresa que pretende vender catálogos digitais para bibliotecas universitárias e que acaba de assinar contrato com a Ingram para a parte tecnológica.

Isso sem contar o interesse da Amazon e da Google, que estão contratando profissionais para atuar no Brasil, e da Kobo, que está trazendo o holandês Pieter Swinkels para cuidar de suas operações na América Latina.

Agora só falta o e-reader ficar mais barato, as editoras encontrarem um ponto de equilíbrio entre o preço do livro físico e do digital, os contratos serem resolvidos e o governo lançar edital para compra de obras digitais.

Ilustração: Jonas Meirelles – http://www.jonasilustracao.blogspot.com

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 28/07/2011

Como produzir eBooks no formato ePub


Um terceiro workshop pode acontecer em Belo Horizonte

Entre julho e agosto, a Simplíssimo promove o workshop “Como produzir e-books no formato ePub”. O curso irá ensinar técnicas utilizadas na produção profissional desse formato de livro digital, além de dar dicas e truques de como otimizar a produção de e-books. O curso terá dois dias de duração e a inscrição custa R$ 450 por participante. As próximas turmas serão: 29 e 30 de julho, em São Paulo; 30 e 31 de agosto, no Rio de Janeiro. A edição do curso em Belo Horizonte está em pré-reservas. Informações sobre inscrição, programação e local onde os cursos serão realizados, aqui.

PublishNews | 25/07/2011

Simplíssimo promove cursos sobre livro digital


As aulas serão focadas na produção dos e-books em formato ePub e no novo modelo de mercado e negócios

Nos dias 16 e 17 de junho, a Simplíssimo promove em São Paulo o “Workshop de Produção de e-books e ePub”. O curso deve dar um panorama da, até então, breve história do livro digital, além de aulas práticas sobre sua produção. A duração é de 16 horas de duração e espera-se que o aluno já tenha conhecimento de InDesign. O valor é de R$ 400 por participante e as inscrições podem ser feitas aqui. Já no dia 22 de junho, também em São Paulo, a Simplíssimo promove pela primeira vez o curso “Entenda o livro digital e seu mercado”. Trata-se de um curso informativo de oito horas [manhã e tarde], voltado para profissionais do livro, autores, jornalistas e demais interessados. O valor é de R$ 200 por participante. As inscrições para este curso podem ser feitas no site da Simplíssimo. Os cursos acontecem na Informaker [Av. Paulista, 1.499 – 16º andar – Cerqueira Cesar – entrada pela Al. Casa Branca, 35 – São Paulo/SP].

PublishNews | 09/06/2011

Como produzir eBooks no formato ePub de modo profissional


A Simplíssimo realiza mais uma rodada do seu workshop “Como produzir e-books no formato EPUB de modo profissional” em São Paulo [4 e 5 de maio], Rio de Janeiro [17 e 18 de maio] e Porto Alegre [27 e 28 de maio]. O curso tem duração de 16 horas e as inscrições custam R$ 450 se feitas com antecedência ou R$ 550, depois do período promocional. Aqui, mais detalhes sobre o programa e sobre as inscrições.

PublishNews | 28/04/2011

Livro digital na teoria e na prática


A Simplíssimo Livros e a Infoprepress vão organizar, a partir de 21 de janeiro, workshops no Rio, Niterói, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba sobre produção de e-books no formato ePub. Com 16 horas de duração, o curso tem o objetivo de transmitir as melhores técnicas atualmente utilizadas e dar dicas e truques sobre como otimizar a produção de e-books.

As turmas são reduzidas – apenas 20 alunos, e o curso é destinado a profissionais do mercado editorial, gráfico e publicitário, estudantes e demais interessados em ingressar na área de livros digitais. Para participar, é necessário levar um computador portátil com InDesign CS5 instalado [pode ser a versão Trial], um texto diagramado no InDesign ou um texto a ser diagramado [word], e uma imagem para a capa [formato 600×800].

PublishNews | 11/01/2011

Como misturar e-books com acarajé e um pouco de chimarrão


O mundo digital não tem fronteiras e a grande revolução do e-book está na logística e distribuição dos livros. A maior prova disso é a mais recente livraria digital do mercado brasileiro: a baianérrima Grioti. É isto mesmo. A nova concorrente da Gato Sabido, Cultura e Saraiva está baseada ali na Baía de Todos os Santos, na cidade de Salvador. Inaugurada na última segunda-feira, 22/11, a e-bookstore baiana já conta com 350 livros à venda e é uma iniciativa do designer gráfico Fábio Mascarenhas e do publicitário Wilton Bernardo. “Como eu já atuava como designer na produção gráfica de livros, surgiu o desejo no ano passado de estudar melhor o mercado do livro digital”, conta Fábio com seu sotaque soteropolitano. “Pensamos e decidimos montar uma empresa de produção editorial digital, mas depois, conversando com meu sócio resolvemos dar enfoque total na livraria”, explica.

No momento, a Grioti utiliza a plataforma tecnológica de distribuição da carioca Xeriph, enquanto negocia individualmente com cada editora. Sá Editora e Freitas Bastos são as editoras com maior número de títulos por enquanto. “Ainda existe um bloqueio dos editores e não conseguimos avançar tão rápido como gostaríamos”, explica Fábio, lamentando que uma simples assinatura de contrato se estenda às vezes por muitos dias. “A editora mais rápida de fechar negócios foi a Caki Books”, conta o e-livreiro baiano, mas aí foi fácil porque a editora carioca divide o espaço físico com a própria Xeriph no Rio de Janeiro.

A Grioti pretende aumentar seu catálogo em pelo menos 1.000 títulos até o final do ano, além de oferecer aos editores a possibilidade de vender e-books apenas com uma marca d’água, sem DRM [digital rights management] – atualmente, todos os livros que vende via Xeriph são DRMizados. Com o sistema de marca  d’água, que insere em cada arquivo informações que identificam o comprador, o público leitor ganha liberdade para ler o livro comprado em qualquer computador ou e-reader, com menos complicações que o sistema de DRM da Adobe Editions. É justamente para fazer seu catálogo crescer e oferecer a marca d’água que a Grioti está fechando uma parceria com a gaúcha Simplissimo, detentora da plataforma Stealth, criando assim a primeira iniciativa baiano-gaúcha do mercado digital. “Até o fim do ano, a plataforma da Simplissimo estará integrada ao nosso sistema como seu catálogo de livros e a opção de marca d’água”, comemora Fábio.

E, afinal, estar em Salvador ajuda ou atrapalha? “Muitas vezes ajuda porque as pessoas adoram a Bahia e o processo desenvolve mais rápido. Outras vezes, parece que protelam ainda mais”, conta Fábio. O nome da loja, aliás, tem pouco a ver com a Bahia, mas é tipicamente baiano. Griot é o nome de trovadores típicos da África Ocidental, verdadeiros contadores de histórias que mantêm a tradição oral local. Mas ser apenas africano não era algo baiano o suficiente. “Resolvemos colocar um ‘I’ no final para ficar Grioti e ter mais sonoridade”, explicou o e-livreiro. Aí sim, Grioti ficou muito baiano. E com muito axé.

PS: O Tipos Digitais testou o site da Grioti, que usa o sistema do PagSeguro, e a compra ocorreu tranquilamente. O livro também abriu sem problemas no Adobe Editions, de onde é possível passá-lo para devices compatíveis, como o Cooler e o Sony Reader.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 26/11/2010