O livro digital não morreu?


Os últimos meses foram marcados por uma onda de pessimismo em relação ao desempenho dos livros digitais no mercado: depois de diversas editoras relatarem um crescimento do digital menor do que o esperado em 2015, uma matéria no New York Times concluiu – com razão – que o livro impresso está longe de morrer. Como sabemos, notícias sobre e-books no mercado editorial tendem a ganhar tons apocalípticos: da mesma forma como o Kindle foi anunciado como o assassino do livro impresso – e a notícia de que a Amazon vendia mais livros digitais do que físicos, lá em 2012, foi alardeada como o último prego no caixão do papel –, a desaceleração do crescimento dos e-books nos EUA e no Reino Unido foi encarada por muitos como uma “revanche” do livro impresso. Mas afinal, o que está, de fato, acontecendo no mercado?

É verdade que muitas editoras vêm relatando estagnação ou queda nas vendas de e-books em relação ao ano passado. O último relatório da Association of American Publishers, que reúne dados de mais de 1200 editoras dos EUA, apontou uma queda de 6,7% nos e-books adultos e 30,9% nos infanto-juvenis em julho, em relação ao mesmo mês de 2014. Dados individuais de algumas das maiores editoras americanas – como Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster – sugerem uma tendência semelhante. A participação dos e-books no faturamento das editoras parece ter se estabilizado entre 20 e 30%, uma porcentagem que, embora significativa, é muito menor do que o crescimento acelerado do digital poucos anos atrás permitia imaginar. Dito isso, algumas considerações:

1] Esta relação entre as vendas de livros impressos e de e-books – que, segundo a Nielsen, está em torno de 74% para 26% no mercado americano como um todo – é uma média do mercado, considerando todos os gêneros ou, dependendo da pesquisa, todos os e-books adultos. Dentro deste universo, existem alguns gêneros em que estas porcentagens são bem diferentes; de maneira geral, e-books tendem a ter desempenho melhor na ficção, fazendo com que esta relação possa chegar mais próxima de 50/50 ou até de uma vantagem para o digital em alguns casos. Em outros gêneros, o livro digital já sai em desvantagem simplesmente por ter recursos limitados para reproduzir determinados conteúdos; para livros de arte, por exemplo, o e-book ainda não se compara ao papel em termos de experiência e conforto.

2] Uma das explicações apontadas para a queda de desempenho dos e-books foi a alta dos preços causada pela volta do agency model para a maior parte das grandes editoras, que agora podem estabelecer seus próprios preços, sem descontos por parte das livrarias. Esta é uma hipótese que não se pode descartar: ainda segundo a Nielsen, o preço é um fator importante na escolha de formato para a maior parte dos leitores. A partir destes dados, alguns analistas concluem que o que está encolhendo não é o mercado de e-books, e sim a participação das grandes editoras nele, uma vez que o público, assustado com a alta de preços, tem preferido livros independentes, que costumam ser bem mais baratos. Esta hipótese vai contra os dados da Nielsen, que indicam, entre 2014 e 2015, um aumento da participação tanto dos livros autopublicados [de 14% para 18%] quanto das “Big Five” [de 28% para 37%], às custas das editoras pequenas e médias, que caíram de 58% para 45%. Mas é verdade que os números mais abrangentes que temos, que são os da pesquisa mensal da Association of American Publishers, consideram apenas os números de vendas fornecidos por editoras; os livros independentes são uma parte relevante do mercado que não é considerada nas pesquisas que apontam a queda dos e-books.

3] Outro fator a se considerar é o declínio dos e-readers em favor dos tablets e smartphones. Segundo a última pesquisa do Pew Research Center, a popularidade dos e-readers dedicados nos EUA caiu drasticamente em relação a 2014, com apenas 19% dos entrevistados tendo declarado possuir um, contra 32% no ano passado. Já os tablets e smartphones chegam a 45% e 68% da população, respectivamente. Embora estes últimos também sejam utilizados para leitura – os celulares, inclusive, vêm sendo apontados como a grande tendência para o mercado de e-books nos próximos anos –, eles são dispositivos multifuncionais, nos quais a leitura é apenas uma das muitas atividades possíveis. Considerando que os últimos grandes lançamentos de e-readers, o Kindle Voyage e o Kobo Aura H2O, aconteceram no ano passado, suponho [e dessa vez não tenho dados, é só especulação mesmo] que haja menos pessoas comprando e-readers este ano, o que implica menos leitores empolgados com o novo gadget e dispostos a comprar muitos e muitos e muitos novos e-books para encher suas prateleiras virtuais.

Isso significa que as editoras devem voltar a apostar todas as suas fichas no impresso e que os funcionários de seus departamentos digitais já devem começar a atualizar o LinkedIn em busca de um novo emprego no futuro próximo? Na minha humilde opinião, não. Significa que o mercado está mais maduro e que seus tempos de crescimento de dois ou até três dígitos ao ano chegaram ao fim. Agora, é importante que as editoras se empenhem, por um lado, em produzir e-books de qualidade – evitando que o digital continue a ser encarado simplesmente como um subproduto mais barato do livro físico e que novos leitores voltem correndo para o impresso depois de uma experiência com um e-book ruim –, e por outro, em inovar e aproveitar as vantagens específicas do digital. Dadas as limitações do ePub, esta tarefa nem sempre é fácil, mas, num mercado tão dinâmico, até isso pode mudar. Então, sugiro esperar mais um pouco antes de decretar a morte de qualquer formato.

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 02/12/2015

Marina Pastore

Marina Pastore

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

eBooks mudam o jogo para o catálogo e a exportação


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 27/10/2015

Para Shatzkin, qualquer política de gestão de direitos que impeça um e-book de ser vendido em qualquer lugar provavelmente custará algumas vendas

Há dois aspectos do negócio que os e-books realmente devem mudar. Uma é que os e-books podem realmente levar a aumentos nas vendas do catálogo. O outro é que os e-books vão realmente permitir vendas fora do território de origem da editora.

Essa segunda questão nem vai exigir muito esforço. Em uma conferência chamada Camp CoreSource organizada pela Ingram recentemente, Mary Cummings da Diversion Books, que lançou no ano passado uma app e-bookstore somente para livros de romance, EverAfter Romance, contou que pouco menos da metade dos usuários do app EverAfter são de fora do mercado “interno” dos EUA. Desses 49%, só cerca de 6% são do Reino Unido e do Canadá. Claro, a Diversion detém os direitos mundiais de muitos títulos. E o resto do mundo tem bem mais do a metade das pessoas, bem mais do que a metade dos falantes de inglês, no mundo. Assim, os EUA ainda são responsáveis por mais usuários per capita, mas isso tem uma importância secundária. Conseguir metade dos clientes de mercados que teriam sido muito difíceis de alcançar há dez anos – sem qualquer esforço extraordinário – é algo muito novo.

Esta realidade global surge em outra frequente discussão atual. As grandes editoras estão sugerindo que as vendas de e-books se estabilizaram, talvez até mesmo diminuíram. A Amazon diz que “não é verdade”, que as vendas de e-books ainda estão aumentando. Algumas análises, como a que é feito pelo Data Guy for Author Earnings, dizem que os grandes livros das editoras estão perdendo participação nos e-books para os independentes, baseando-se principalmente em dados da Amazon para afirmar isso. As explicações mais comuns oferecidas são que o sucesso das editoras ao forçar um aumento nos preços dos seus títulos, combinado com um declínio em novos convertidos para e-books (que têm a tendência a “carregar” seus dispositivos quando começam a ler digitalmente) conta para a aparente tendência.

Mas a comparação pode ser distorcida. Todas as vendas da Amazon fora dos EUA que não são feitas através de uma loja local da Amazon são creditados à loja dos EUA. E quando a Amazon distribui e-books independentes, eles sempre (ou pelo menos quase sempre) têm direitos globais. Então poderia muito bem ser o caso, e muitas vezes é, de que os e-books de editoras que estão sendo comparados aos e-books independentes estão trabalhando em uma base territorial menor para vendas. Há um problema de misturar maçãs com laranjas que torna difícil comparar as vendas de e-books independentes da Amazon com as das editoras.

A questão a entender é que só ter e-books à venda em todo o mundo pode trazer mercados à porta de um cliente, onde quer que o livro tenha sido publicado. Qualquer política de gestão de direitos que impeça um e-book de ser vendido em qualquer lugar provavelmente custará algumas vendas.

O desafio do catálogo é ainda mais complicado e os resultados podem não ser tão óbvios. Dois dos maiores impulsionadores das vendas de e-books são encontrados em resposta à pesquisa e ao efeito amplificado do impulso de vendas existentes na lista dos mais vendidos e nas recomendações da livraria. (“As pessoas que compraram esse, compraram aquele.”) Uma forte lei de distribuição parece inerente nas vendas de e-books. Aqueles que vendem desenvolvem impulso de vendas; aqueles que não, permanecem escondidos e enterrados.

Mas muito disso tem a ver com metadados. As editoras estão melhorando na redação da descrição que determina se os motores de busca conseguem identificá-la como uma “resposta” às consultas certas. Isso significa que, quando voltamos no tempo, é cada vez menos provável que a apresentação seja útil para isso.

E há algumas realidades sobre orçamentos e esforços de alocação em grandes empresas para levar em conta. Boa parte dos orçamentos e dos esforço internos de alocações para marketing vão para os lançamentos. O catálogo é muitas vezes maior que o número de títulos sendo lançados, então menor a quantidade de dinheiro e trabalho é dedicado a um número muito maior de títulos. Em uma base por título, quase não há nenhum recurso disponível para o catálogo. E como as vendas de e-books de catálogo não são geralmente robustas, prever o ROI necessário para aumentar essas alocações orçamentais requer coragem. Ou imprudência.

Depois estão as realidades políticas corporativas. Novos livros têm defensores. Estão os editores que fizeram os contratos e cujas carreiras serão afetadas pelo resultado. Sempre há alguém olhando para os lucros, firme na crença de que poucos livros do catálogo podem mover a agulha da mesma forma que um novo título. E as empresas e os editores são os que conhecem os livros e dizem aos publicitários como eles são e (muitas vezes) a quais públicos estão destinados.

E, acima de tudo, as editoras muitas vezes contam com as vendas do catálogo para aumentar o lucro, precisamente porque não precisam alocar gastos com marketing ou tempo da equipe para esses livros. Às vezes parece existir um medo nas editoras de que começar a gastar esforços de marketing no catálogo seria como abrir uma caixa de Pandora que comprometeria o aspecto mais rentável de seus negócios.

Mas há sinais de esperança de que isso está mudando.

Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, falou na recente reunião anual do Book Industry Study Group sublinhando como a S&S mudou sua abordagem sobre como capturar oportunidades de trabalhar com o catálogo. Reidy afirmou que entre impressos comprados on-line e e-books, mais de 60% das vendas da empresa aconteciam via Internet. Contou que na reunião semanal de marketing na S&S, que tenho certeza era quase exclusivamente orientada para os lançamentos até muito recentemente, eles já estão olhando para seus livros “através de uma lente de oportunidades diárias”. Isso poderia incluir perceber se um livro está listado para um prêmio ou foi mencionado em um programa de TV ou um tuite de uma celebridade. As chances de que um livro será descoberto por alguém procurando pelo livro desta forma são multiplicadas se a descrição do livro apontar os motores de busca na direção certa.

Esta é uma abordagem que vimos pela primeira vez na Open Road Digital Mediaalguns anos atrás. O “calendário de marketing” deles, voltado para feriados e eventos previsíveis como formaturas, não a data de publicação dos próximos livros. Claro, Open Road não tinha nenhum lançamento naquele momento. Todos os livros que adquiriram nos primeiros dias da empresa eram catálogo com direitos digitais de alguma forma disponíveis. Eles transformaram uma deficiência em uma virtude. Mas fazer o marketing do catálogo à luz das “oportunidades diárias” mais atuais é precisamente a coisa certa a fazer.

É interessante notar que quando Reidy falou na Digital Book World em janeiro de 2014, ela apontou para as oportunidades no mundo global. No ano anterior, notou, a S&S tinha vendidos e-books em mais de 200 países.

O reconhecimento de uma oportunidade é um primeiro passo e atribuir recursos humanos e de capital para aproveitá-la é a segunda. Mas as maiores editoras também vão precisar de ferramentas digitais para explorar plenamente o que está se abrindo para elas. Quando olhamos para o que Open Road estava fazendo, eles tinham cerca de mil títulos em sua loja, sendo que todos tinham acabado de ser adquirido pela equipe. Podiam pensar neles. As maiores editoras possuem dezenas de milhares de títulos em seus catálogos, muitos (senão a maioria) dos quais foram adquiridos e lançados por editores e publishers que já não são mais funcionários. Muitos deles possuem descrições velhas e desatualizadas que não podem ser atualizadas facilmente porque ninguém trabalhando lá agora conhece o livro.

Em breve será visto como necessário empregar tecnologia para monitorar as notícias e mídias sociais e para “mostrar” os resultados de cada “oportunidade diária” das possibilidades do catálogo. Por um bom tempo ainda vai ser necessário empregar seres humanos para fazer alguma investigação orientada para o que são hoje termos de pesquisa relevantes e escrever a descrição que irá responder a eles, mas a assistência tecnológica vai multiplicar a eficácia dos esforços humanos.

Devemos esperar que os catálogos comecem a aumentar sua participação nas vendas anuais de todas as editoras. E devemos esperar que aconteça o mesmo com as vendas no exterior.

Há relatos recentes dos EUA e do Reino Unido de que as vendas unitárias de impressos estão crescendo, enquanto as vendas unitárias dos e-books estão caindo. Isso está sendo comemorado por alguns como uma indicação de que os consumidores de livros estão se afastando da leitura digital para voltar ao impresso. Talvez porque eu intuitivamente ache isso pouco provável, posso pensar em algumas advertências.

As supostas reduções e crescimento são bem pequenas e as técnicas de medição são bastante cruas, portanto, existe uma questão de precisão. Mas também sabemos – como foi referido no corpo principal do post acima – que novos convertidos ao e-book tendem a “carregar” seus dispositivos digitais quando começam a ler dessa forma. Acredito que as compras no começo são um pouco “aspiracionais”, mas depois se estabelecem em um ritmo mais parecido com a substituição. Assim, as compras de e-books são infladas no início da “carreira” de leitura de e-books. Menos leitores novos de e-books a cada mês (o que certamente acontece) significa menos pessoas carregando os aparelhos.

Claro, o crescimento das vendas de livros impressos, que é a implicação dos dados recentes, é uma marca independente que, se confirmada ao longo do tempo, requer outra explicação e isso eu ainda não tenho.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 27/10/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

Fechamento da Oyster não tem nada a ver com a viabilidade da assinatura de eBooks


Não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu

A notícia de que a empresa de assinaturas de e-books Oyster está jogando a toalha não foi realmente uma surpresa. O modelo de negócio que foram forçados a adotar pelas grandes editoras – pagar o preço total para cada uso de um livro com um gatilho de pagamento a bem menos que uma leitura completa enquanto, ao mesmo tempo, oferecendo aos consumidores uma assinatura mensal que não cobria a venda de um livro, muito menos dois – era inevitavelmente pouco lucrativa. A esperança deles era que iriam construir uma audiência grande o suficiente para que as editoras se tornassem dependentes, de alguma forma, deles [pelo menos da renda que produziriam] e concordariam com termos diferentes.

Seria um erro interpretar o fechamento da Oyster como uma clara evidência de que “assinaturas para e-books não funcionam”. Claro que isso pode funcionar. Safari tem sido um negócio bem-sucedido e lucrativo por quase duas décadas. A 24Symbols da Espanha está operando um serviço de assinatura de e-books, principalmente fora dos EUA e principalmente em outros idiomas além do inglês, há vários anos e exclusivamente com dinheiro de investidores. Scribd tem publicamente [e um pouco desastrosamente, na minha opinião] ajustado seu modelo de assinatura para acomodar o que eram segmentos pouco lucrativos em e-books de romance e audiobooks. Mas a inferência seria que para outros segmentos o modelo de negócios está funcionando bem. E também está o Kindle Unlimited da Amazon, que é sui generis porque eles controlam muitas partes, incluindo a decisão mais ou menos unilateral de quanto vão pagar pelo conteúdo.

O que parecia óbvio para muitos de nós dede o começo, no entanto, era que uma oferta de assinatura para livros gerais não poderia funcionar no atual ambiente comercial. As Cinco Grandes editoras controlam a parte dos livros comerciais que qualquer serviço geral iria precisar. Todas essas editoras operam em termos de “agência”, o que torna extremamente difícil, se não impossível, que um serviço de assinaturas disponibilize esses livros a menos que a editora permita. Os termos que as editoras exigiam para participar nos serviços de assinaturas, que eram, aparentemente, o pagamento total pelo livro depois que uma certa porcentagem tenha sido “lida” por um assinante, combinada com um número limitado de títulos oferecido [não os lançamentos], faz com que a oferta de assinatura seja inerentemente pouco lucrativa.

As editoras veem as ofertas de assinatura como um negócio arriscado para livros que estão atualmente vendendo bem à la carte. Não só ameaçariam essas vendas, ameaçam transformar os leitores de compras à la carte em usuários de serviços de assinatura. Para as editoras, parece outra Amazon em potencial: um intermediário que controlaria os olhos dos leitores e com força cada vez maior para reescrever os contratos.

Então eles só participaram de uma forma limitada. A Penguin Random House [a maior e sozinha com metade dos livros mais comerciais] e o Hachette Book Group nem fizeram a experiência com os serviços de assinatura, apenas com a Amazon. HarperCollins, Simon & Schuster e, de forma menos extensa, a Macmillan, participaram de forma muito limitada. Múltiplas motivações levaram à participação que aconteceu. O principal estímulo, provavelmente, foi simplesmente enfrentar a Amazon. Ter clientes aninhados em qualquer lugar, exceto perto do monstro de Seattle, pode parecer uma boa ideia para a maioria das editoras. Mas deveria receber pelo menos parte desse dinheiro de investidores colocado em modelos de negócios com poucas chances de funcionar antes de terminar. E como as editoras é que decidem quais livros incluir, poderiam escolher títulos de catálogo que não estavam gerando muito dinheiro e que poderiam se beneficiar da “descobertabilidade” dentro do serviço de assinatura.

[Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, deu essa dica em seu discurso na semana passada durante o BISG Annual Meeting onde mencionou especificamente o valor da descoberta que S&S viu acontecer nas plataformas de assinatura.]

Mas nem todos os serviços de assinatura eram iguais. O estabelecido Safari está em um nicho de mercado, servindo principalmente a clientes B2B em empresas de tecnologia. [Eles recentemente fizeram uma expansão na oferta porque trabalhadores da Boeing e da Microsoft não precisam apenas de livros sobre programação; também são pais e cozinheiros e jardineiros então não-ficção de interesse geral pode ter um apelo para eles. Mas essa não é a base do negócio da Safari e não estão tentando oferecer ficção.] O Scribd foi criado como um tipo de “YouTube para documentos” que o negócio de assinatura de e-books tanto construiu quanto aumentou. Para a Amazon, o Kindle Unlimited só deu a eles outra forma de fazer transações com o cliente do livro e outra saída para o conteúdo exclusivo de conteúdo para Kindle.

Só Oyster e outra start-up criada simultaneamente, Entitle [que tinha uma proposta que parecia mais um clube do livro do que um serviço de assinatura], estavam tentando transformar o fluxo de renda alternativa em um negócio independente. A Entitle faliu antes da Oyster. Librify, outra variação sobre o mesmo tema, foi comprada pelo Scribd.

Então o fracasso da Oyster é, na verdade, outra demonstração de uma “nova” realidade sobre a edição de livros, exceto que não é nova. A edição de livros — ea venda de livros — não são mais negócios independentes. Publicar e vender livros são funções, e podem ser complementares a outros negócios. E como adjuntos a outros negócios, não precisa realmente ser lucrativo para ser valioso. O que isso significa é que entidades tentando tornar os negócios lucrativo – ou pior, exigindo que seja lucrativo para sobreviver – começam com uma forte desvantagem competitiva.

A Amazon é grande mestre em tornar essa realidade bem óbvia. Lembramos que eles começaram como “loja de livros” e nada mais. Baseavam-se nos depósitos da Ingram no Oregon para permitir a existência de seu modelo de negócios, que era receber o pedido de um livro e aceitar pagamento, depois pegar esse livro da Ingram e enviar ao cliente, um pouco depois pagar a conta da Ingram. Esse modelo de fluxo de caixa positivo era tão brilhante que a Ingram poderia ter rapidamente permitido muitas cópias, e eles formaram uma divisão chamada Ingram Internet Support Services para fazer exatamente isso. Então a Amazon matou essa ideia ao cortar seus preços para o nível mais baixo possível e desencorajou outras pessoas a entrarem no jogo. Isso foi no final dos anos 1990.

Conseguiram fazer isso porque a comunidade financeira já tinha aceitado a estratégia da Amazon de usar livros para construir uma base de clientes e medir as perspectivas futuras dos negócios por LCV – o “lifetime customer value” das pessoas com quem faziam negócios. E ficou bastante claro rapidamente que podiam vender aos leitores de livros outras coisas, por isso vendas com baixa ou nenhuma margem era simplesmente uma tática de aquisição de clientes. Foi um jogo que a Barnes & Noble e a Borders não puderam disputar.

Agora as vendas de livros e e-books representam quase certamente apenas uma porcentagem de um dígito do total da renda da Amazon. Kindle Unlimited, como seus empreendimentos editoriais e ofertas de autopublicação, são pequenas partes de uma organização poderosa que possui muitas formas de ganhar com cada cliente que recrutam.

O Scribd não é tão poderoso quanto a Amazon, mas começaram com uma rede de criadores e consumidores de conteúdo. Isso deu a eles uma vantagem de marketing sobre a Oyster – nem todo cliente precisava ser adquirido a um custo alto já que muitos clientes potenciais já estavam “dentro da tenda”. Mas também deu a eles alguma estabilidade. Sobrancelhas foram levantadas recentemente quando o Scribd colocou os freios no empréstimo de romances e audiobooks. Mas ajustar o modelo de negócio para essas áreas verticais simultaneamente deixa aberto que o modelo na verdade está funcionando em outros nichos.

Podemos ver isso acontecendo de uma forma muito mais limitada nas lojas Barnes & Noble, onde os livros estão sendo substituídos nas prateleiras por brinquedos e jogos. Mas não é provável que haja diversificação suficiente no longo prazo. Certamente a B&N não vai chegar ao mesmo patamar da Amazon, onde bem mais de nove de cada dez dólares vem de algo que não são os livros. E a Barnes & Noble não está nem perto da Amazon: onde o lucro das vendas de livros é incidental se eles trouxerem novos clientes e também mantiverem a lealdade.

A história sobre a Oyster, ainda incompleta por enquanto, é que boa parte de sua equipe de gerência está indo para a Google, que, na verdade, “comprou” a empresa para tê-los. O Google parece estar tentando eliminar a ideia de que compraram a Oyster, só contrataram a equipe da Oyster. Obviamente, o Google se encaixa na descrição de uma empresa com muitos outros interesses nos quais os livros podem ser uma parte. No começo, tudo se resumia a buscas. Agora tudo tem a ver com o ecossistema Android e venda de mídia no geral. Um negócio de assinatura de e-books, ou até um negócio de assinatura de conteúdo, poderia fazer sentido no mundo do Google. Mas seria algo relativamente menor para eles. Meu palpite, e é só um palpite, é que eles estão pensando em algo mais do que um mero “serviço de assinatura de livros” e querem usar a equipe da Oyster nisso. Observadores mais inteligentes do que eu parecem acreditar que o pessoal que o Google recrutou vai fornecer conhecimento sobre a leitura móvel e a tecnologia de descoberta da Oyster. Claro, isso é informação essencial para o Google.

Da mesma forma, a Apple, que agora tem um serviço de assinatura para música, também poderia pensar em fazer um para livros – ou para toda a mídia – no iOS em algum momento. Eles não têm as vantagens da Amazon – uma grande quantidade de propriedade intelectual que controlam – mas seu negócio é criar um ecossistema no qual as pessoas entram e não querem sair. A assinatura de livros poderia aumentar isso.

Mas o ponto central que eu tiraria disso não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu. Uma pergunta óbvia que provoca é quando vamos ver alguns sinais de sinergia entre Kobo e seus donos na Rakuten, que presumivelmente têm ambições mais ao estilo da Amazon, mas não parecem ter usado o negócio de e-book para ajudá-los a seguir nessa direção.

E o que é verdade nas livrarias também é verdade na publicação de livros, como observamos nesse espaço há algum tempo. Tanto a publicação quanto a venda de livros vão se tornar, cada vez mais, complementos a empreendimentos maiores e cada vez menos atividades isoladas às quais as empresas podem se dedicar para ter lucro.

O The New York Times publicou um artigo de primeira página afirmando essencialmente que a onda dos e-books acabou, pelo menos por enquanto, e que o negócio dos impressos parece estável. Isso é uma ótima notícia para editoras se a tendência for real. Infelizmente, alguns poucos pontos importantes foram ou suprimidos ou ignorados, e poderiam minar a narrativa.

Um é que, enquanto as editoras informam as vendas de e-books como porcentagem do total de vendas de livros com resultados regulares ou levemente em declínio, a Amazon afirma [e Russell Grandinetti foi citado no artigo] que as vendas de e-books deles está crescendo. Assumindo que tudo isso é verdade, é talvez a diferença da migração das vendas das editoras [cujas vendas seriam informadas pelas estatísticas da AAP] e passando para títulos independente mais baratos disponíveis somente através da Amazon [quais vendas não passam por ela?].

Outro é que as editoras estão aumentando os preços em e-books. Toda a resistência às vendas criada por preços mais altos resulta em vendas de impressos, ou parte disso faz com que o livro seja rejeitado por algo mais barato? Em outras palavras, poderia ser que as vendas totais de muitos títulos sejam menores do que as procuravam antes? [Pelo menos um agente me diz que é isso.]

E outra é que o ressurgimento das livrarias independentes ocorreu nos anos seguintes à falência da Border’s e a mudança para uma mistura de vários produtos na Barners & Noble. Vale a pena perguntar se as independentes são beneficiárias temporárias de uma súbita deficiência de espaço nas prateleiras ou se estamos realmente vendo não só um aumento na leitura de impressos, mas um renovado interesse dos leitores de livros em ir às livrarias para comprar um impresso. Essa pergunta não está colocada nesse post.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 25/09/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

HarperCollins confirma acordo com Amazon


A HarperCollins entrou em acordo com a Amazon, e a varejista continuará vendendo os livros da editora versões impressa e digital. Os detalhes do novo contrato não foram revelados, mas o Wall Street Journal citou uma fonte familiarizada com o negócio, que relata que a HarperCollins irá definir os preços de venda dos seus livros digitais, com incentivos para que a editora forneça preços menores aos consumidores. Durante as negociações do contrato, a Amazon revelou que a sua oferta à HarperCollins foi semelhante à proposta oferecida a outras casas como Hachette, Simon & Schuster e Macmillan.

Por Joshua Farrington | The Bookseller | 14/04/2015

Macmillan faz acordo com Amazon, nos EUA


Nos EUA, Macmillan fechou acordo de longo prazo com a Amazon, incluindo o contrato dentro do modelo agência. Mas em seu blog, o presidente da Macmilann John Sargent criticou a incapacidade de se resolver “um dos grandes problemas no mercado digital”, ou seja, que a Amazon detenha a expressiva parcela de 64% das vendas de livros digitais da editora nos EUA. Sargent revelou ainda que a empresa planeja testar um modelo de assinatura nas próximas semanas, apesar de ter sido historicamente contrária ao modelo de subscrição. É que a editora notou que precisava de abrir “canais mais amplos com nossos leitores”. Macmillan é a terceira editora a tornar público um acordo com a Amazon. Antes dela, fecharam Simon & Schuster ] e Hachette.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 18/12/2014

Authors United’ preparam nova investida contra Amazon


Há quase um mês, a Authors United, um grupo de mais de 900 autores preocupados com o envolvimento de escritores na disputa entre Amazon e Hachette, assinaram uma carta veiculada no New York Times. Agora, o grupo está se preparando para levar adiante mais uma investida contra as táticas de negociação da Amazon. Em um e-mail enviado na última quarta-feira aos signatários do anúncio no NY Times e de outros escritores que aderiram à causa posteriormente, o autor Douglas Preston escreveu: “Amazon continua sua sanção contra os livros da Hachette: 2500 autores e mais de sete mil títulos foram aparentemente afetados. Autores da Hachette viram as vendas de seus livros caírem mais de 50% na Amazon e em alguns casos, a perda chega aos 90%”. Preston está preocupado também com o que poderia acontecer aos autores da Simon & Schuster, outra editora que está em negociações com a Amazon. Ele concluiu escrevendo: “somos forçados a passar para a nossa próxima iniciativa”. Essa iniciativa pode ocorrer nos próximos dias.

Publishers Weekly | 08/09/2014

Amazon lança biblioteca digital sem cinco maiores editoras americanas


Depois de meses de especulação, na sexta-feira [18] a Amazon lançou um serviço digital de assinaturas que oferece acesso ilimitado a livros eletrônicos e audiobooks digitais por US$ 9,99 ao mês.

O serviço, Kindle Unlimited, oferece uma abordagem em estilo Netflix que permite acesso a mais de 600 mil livros eletrônicos, entre os quais séries de sucesso como “Jogos Vorazes” e “Diário de um Banana”, obras de não ficção como “Flash Boys”, do jornalista Michael Lewis, clássicos e ficção literária.

Até o momento, nenhuma das cinco grandes editoras dos Estados Unidos está oferecendo seus livros.

A HarperCollins, a Hachette e a Simon & Schuster, por exemplo, estão fora.

A Penguin Random House e a Macmillan se recusaram a comentar, mas uma busca na Amazon sugere que os livros dessas editoras tampouco estão disponíveis.

Como resultado, alguns títulos populares eram notáveis pela ausência quando o serviço começou a operar.

E como muitos escritores oferecem livros por mais de uma editora, os assinantes podem descobrir que têm acesso a certos livros de Michael Chabon e Margaret Atwood, mas não a outros.

A introdução do serviço surge em um momento de crescente tensão no relacionamento entre a Amazon e as grandes editoras.

O grupo de varejo on-line está sofrendo escrutínio cada vez mais intenso por seu domínio do mercado de livros eletrônicos e pelas táticas duras que usa nas negociações com as editoras.

A Amazon e a Hachette estão envolvidas em um duradouro e público impasse sobre os termos de venda de livros eletrônicos da editora, e a situação não parece próxima de uma solução.

Entre as editoras que estão oferecendo títulos pela assinatura estão a Scholastic, da série “Jogos Vorazes”, e a Houghton Mifflin Harcourt.

As notícias sobre o Kindle Unlimited começaram a surgir semanas antes de seu lançamento, quando a Amazon postou acidentalmente um vídeo promocional sobre o modelo de assinatura. O vídeo foi retirado do site, mas não antes que blogs de tecnologia comentassem sobre ele.

Ao oferecer o serviço, a Amazon está ingressando em um mercado cada vez mais lotado. Concorrerá com empresas iniciantes de distribuição digital de livros que oferecem serviços semelhantes, como a Scribd e a Oyster.

A Scribd conta com cerca de 400 mil títulos, e cobra US$ 8,99 ao mês. A Oyster tem mais de 500 mil títulos e oferece acesso ilimitado aos leitores por US$ 9,95 ao mês.

Com modelos de preço semelhante, a concorrência entre os serviços de livros eletrônicos por assinatura pode ser decidida com base no conteúdo e autores disponíveis.

O serviço da Scribd inclui livros de mais de 900 editoras, entre as quais Simon & Schuster e HarperCollins.

A Oyster oferece títulos de seis das dez maiores editoras norte-americanas.

Ainda assim, a Amazon ingressa no segmento com uma imensa vantagem: seu predomínio na publicação de livros eletrônicos e sua vasta biblioteca de audiobooks, que ela está integrando ao seu serviço por assinatura.

Do “New York Times” | Publicado originalmente por UOL | 26/07, às 3:10 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Tudo o que você precisa saber sobre o Kindle Unlimited, o “Netflix de livros” da Amazon


Por Paulo Higa | Publicado originalmente em Tecnoblog | 18/07/2014 às 14h49

Kindle Unlimited oferece mais de 600 mil ebooks por 10 dólares mensais

A Amazon confirmou as expectativas e lançou, nesta sexta-feira [18], o Kindle Unlimited, um serviço que oferece acesso ilimitado a um catálogo de mais de 600 mil ebooks e milhares de audiobooks com uma assinatura mensal de US$ 9,99. Sem prazo de devolução, os livros podem ser lidos tanto nos leitores Kindle quanto nos smartphones, tablets e computadores com o aplicativo gratuito do Kindle.

Como funciona esse negócio?

Pensar no Kindle Unlimited como um “Netflix de livros” é a maneira mais fácil de entender como o serviço funciona. Na página da Amazon, há uma opção para degustar o Kindle Unlimited por 30 dias. Enquanto você for assinante, receberá uma cobrança mensal de 10 dólares no cartão de crédito e poderá ler quantos livros quiser nos dispositivos atrelados à sua conta. Ao cancelar a assinatura, os ebooks são automaticamente retirados da sua coleção.

Tanto no Kindle quanto na loja da Amazon, próximo ao botão de compra, haverá um botão para “ler de graça” em mais de 600 mil obras. Depois que o ebook for baixado, você pode lê-lo como se fosse seu: há sincronização com o Whispersync, o que significa que a página, as marcações e as anotações são sincronizadas entre todos os seus dispositivos.

Não há prazo de devolução, mas há um limite de 10 ebooks emprestados simultaneamente. Quando você tentar ler o décimo primeiro livro, a Amazon irá sugerir a devolução do ebook emprestado há mais tempo — mas é possível selecionar outro. A qualquer momento, um ebook emprestado anteriormente pode ser baixado novamente, inclusive com as marcações sincronizadas na nuvem.

Além de livros em texto, o Kindle Unlimited permite acessar pouco mais de 2 mil audiobooks, mas eles só podem ser ouvidos em dispositivos com som, o que não inclui nenhum dos leitores Kindle vendidos hoje [Kindle e Kindle Paperwhite], só os tablets Kindle Fire e dispositivos Android e iOS com o aplicativo oficial do Kindle. O tamanho dos arquivos varia; aqui, gastei 156 MB para baixar o audiobook de The Hobbit.

Não está disponível no Brasil, mas…

O Kindle Unlimited só foi lançado nos Estados Unidos, mas o serviço funciona no Brasil caso você possua uma conta americana da Amazon com um endereço americano. O cartão de crédito precisa ser internacional, mas não necessariamente emitido nos Estados Unidos.

Se você se enquadra no caso acima, não deve ter dificuldade para testar e assinar o serviço. Se a conta for brasileira, é possível migrá-la para uma americana sem perder as compras já realizadas [no entanto, você não poderá adquirir novos conteúdos na Amazon.com.br]. Basta entrar em Gerencie seu Kindle e selecionar “Configurações do país”. Em “Brasil”, clique no link “Mudar”, preencha com o endereço americano e salve as alterações. É possível voltar para uma conta brasileira a qualquer momento fazendo o caminho inverso.

Em comparação com a Amazon brasileira, a Amazon americana possui uma quantidade maior de ebooks [2,7 milhões contra 2,2 milhões], mas menos títulos em português [27 mil contra 35 mil]. Os preços não estão totalmente conectados: alguns livros são mais baratos na loja americana; outros, na brasileira.

Na Amazon americana, é possível comprar audiobooks e fazer assinaturas de jornais e revistas, como O GloboZero HoraThe New York TimesNational Geographic e Vogue. Estranhamente, mesmo com jornais brasileiros, a assinatura não está disponível no Brasil, por isso, se você fizer o caminho inverso [migrar uma conta americana para uma brasileira], suas assinaturas serão automaticamente canceladas.

E quando o Kindle Unlimited será lançado oficialmente no Brasil? Procurada pelo Tecnoblog, a Amazon declarou que “não comenta planos futuros”. Como o serviço ainda não funciona nem no Reino Unido, outro mercado grande para a Amazon, é bom esperar sentado.

O que tem de bom para ler?

No momento em que escrevo este parágrafo, há 639 mil livros disponíveis no Kindle Unlimited, pouco menos de um quarto dos 2,7 milhões de ebooks da loja americana. Muitos títulos não estão disponíveis, mas a Amazon destaca algumas obras conhecidas: dá para ler a trilogia de The Lord of The Rings, os sete livros de Harry Potter, bem como 2001: A Space OdysseyThe Hobbit e Life of Pi, por exemplo.

Todos os livros acima estão em inglês, mas também há pouco menos de 8 mil títulos em português no Kindle Unlimited.

O problema é que, assim como na Netflix, liberar os conteúdos exige acordos comerciais. E as cinco grandes editoras americanas [Hachette, HarperCollins, Macmillan, Penguin Random House e Simon & Schuster] não disponibilizaram muitos livros, logo, há uma série de títulos famosos faltando. Boa parte dos livros do Kindle Unlimited, incluindo as obras em português, são de pequenas editoras ou autores independentes.

Portanto, mesmo que 600 mil ebooks pareça muito, na prática a história é um pouco diferente, e o acervo ainda é fraco se você estiver interessado apenas nos best sellers.

Quão fraco? Entre a lista dos 20 ebooks Kindle mais vendidos, apenas 3 estão no Kindle Unlimited: My Mother Was Nuts, em 1º; Pines, em 13º; e One Lavender Ribbon, em 20º. Na categoria Computadores e Tecnologia, a situação melhora [10 dos 20 podem ser lidos gratuitamente], mas a maioria dos livros são guias e tutoriais — nada de ler de graça a biografia do Steve Jobs ou o novo livro de Glenn Greenwald, portanto.

Entre os livros em português, a coisa é ainda mais triste, mas isso é até compreensível se considerarmos que o serviço, oficialmente, nem funciona no Brasil. Da lista dos 20 mais vendidos, só um está no Kindle Unlimited. E, na verdade, esse único livro não é voltado para brasileiros, mas sim para estrangeiros que desejam aprender a língua portuguesa.

Vale a pena o esforço?

O preço de US$ 9,99 por mês é bem atraente. Se você considerar que muitos ebooks custam esse preço ou até mais, basta pedir apenas um ou dois livros emprestados e a assinatura mensal já valeu a pena.

Só que a Amazon ainda precisa melhorar o acervo para o Kindle Unlimited ser realmente vantajoso. 600 mil ebooks é muita coisa, mas uma parcela bem pequena desses livros representa o que as pessoas querem ler. Eu tenho certeza que grande parte dos que estão lendo este texto passariam tranquilamente 10 horas por mês assistindo a filmes e séries na Netflix, mas não gastariam a mesma quantidade de horas lendo livros aleatórios na Amazon.

Resta saber se a Amazon conseguirá aumentar a disponibilidade de livros e, mais importante, se será capaz de convencer as editoras de que o modelo de negócios é interessante. Estamos até acostumados com serviços de streaming de músicas ou filmes, mas não de livros — embora já existissem opções antes do Kindle Unlimited, como o Oyster. Eu, como leitor, acho ótimo pagar só 10 dólares para ler quantos livros quiser. Mas, se estivesse do outro lado, comandando uma editora, não sei se toparia receber só alguns centavos por usuário.

Por Paulo Higa | Publicado originalmente em Tecnoblog | 18/07/2014 às 14h49

A nova indústria dos eBooks


ebook

A história do mercado editorial está prestes a ganhar um novo capítulo. Inspiradas em serviços como Netflix e Spotify, startups de tecnologia estão desenvolvendo plataformas que permitem aos leitores acessar uma infinidade de ebooks – quando e onde quiserem – em troca de uma assinatura mensal.

Mais que criar um novo padrão de consumo de conteúdo, essas empresas estão abrindo uma promissora fronteira de negócios para a indústria de livros. Elas pretendem vender informações sobre nossos hábitos de leitura para autores e editoras produzirem best-sellers.

Com base na análise de grandes volumes de dados, será possível responder a perguntas como: Quanto tempo as pessoas levam para ler um clássico de Machado de Assis? Pulamos capítulos para conhecer logo o assassino numa história de Agatha Christie? Qual passagem provoca o abandono de um título de Paulo Coelho? Retardamos a leitura do último volume de Harry Potter porque sabemos que não haverá sequência?

A nova indústria dos ebooks já conta com duas empresas – a  Scribd, baseada em São Francisco, e a Oyster, de Nova Iorque. Por uma mensalidade de cerca de 10 dólares, o assinante pode navegar numa biblioteca digital com mais de 100 mil obras e ler quantos ebooks desejar em diferentes dispositivos. Os serviços repassam parte desse valor para os publishers de acordo com a porcentagem de leitura de cada livro. No caso da Oyster, se mais de 10% da publicação for lida, a editora é remunerada.

Segundo uma reportagem do The New York Times, o estudo do comportamento dos leitores por essas startups ainda está em fase inicial. Mas alguns insights obtidos, e revelados por elas ao jornal, dão uma amostra do potencial da iniciativa. Num futuro próximo, será possível escrever um livro totalmente adaptado aos gostos do público.

Eis as principais descobertas das empresas: quanto mais longo for um livro de mistério, maiores serão as chances de ocorrer um salto para os capítulos finais. As pessoas leem até a última página mais biografias do que publicações sobre negócios. Os leitores são 25% mais propensos a terminar ebooks divididos em partes menores. A velocidade de leitura de livros eróticos é maior do que a de romances e títulos religiosos.

Embora seja uma mina de ouro, há várias dúvidas sobre os rumos que esse tipo de atividade deve tomar nos próximos anos. Uma delas passa pelo direito à privacidade. Apesar de prometer o anonimato, as políticas de uso desses serviços preveem a coleta, transferência, manipulação, armazenamento e divulgação de informações com o consentimento dos leitores. Estamos dispostos a nos expor sem ganhar nada em troca?

Existe também um forte questionamento sobre a perda do processo criativo dos autores. O alinhamento cego aos desejos do público poderia nos privar do surgimento de obras-primas da literatura. Abriremos mão da escrita intuitiva e emocional em nome de uma produção técnica, baseada em algoritmos?

Por fim, a subordinação dos publishers a essas plataformas é motivo de preocupação. Detentoras dos dados, elas ganhariam força para determinar quais livros seriam produzidos e o valor da comissão das editoras. O mundo literário quer se render a esse modelo disruptivo?

Até agora, as editoras estão divididas. HarperCollins e Smashwords já fecharam com Oyster e Scribd, mas Penguin Random House e Simon & Schuster estão longe de um acordo, diz o The New York Times.

Nesse cenário, Amazon e Barnes & Noble correm por fora. Hoje, as duas empresas coletam várias informações dos usuários de seus e-readers e mantêm a propriedade sobre elas, diferentemente do que as startups pretendem fazer.

Isso pode mudar em breve: a Amazon estaria planejando o lançamento de um serviço semelhante ao das concorrentes. Por um valor mensal, teríamos acesso a um gigantesco catálogo de livros – e as editoras receberiam relatórios sobre nossos hábitos de consumo.

A nova indústria dos ebooks mostra que ferramentas nos moldes da Netflix estarão em alta em 2014. Depois do cinema, da música e da literatura, o jornalismo deve surfar nessa onda. A assinatura pela consulta ilimitada a acervos de conteúdo e a venda de dados dos usuários serão fontes de receita alternativas para organizações de mídia na Internet.

Esse quadro representará uma enorme quebra de paradigma para empresas acostumadas a comercializar produtos individualmente. Poderemos assinar um pacote de revistas sobre esporte, economia, moda e política, por exemplo, pelo mesmo valor cobrado por apenas uma delas hoje. Um novo tipo de experiência, totalmente virtual, pautará as redações e a publicidade que veremos.

As oportunidades são animadoras para indústrias em luta pela sobrevivência no meio digital. Só ficará para trás quem não quiser enxergá-las.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM EXAME.com | 13/01/2014 | Imagem adaptada de melenita2012 [Flickr/Creative Commons]

Simon & Schuster e chinesa Yilin Press fecham acordo para distribuição mundial de eBooks


Em outubro, na Feira de Frankfurt, a Simon & Schuster e a editora chinesa Yilin Press anunciaram uma parceria de publicação e distribuição que ampliará a disponibilidade de livros digitais em mandarim para leitores no mundo inteiro. A S & S irá distribuir e-books da Yilin Press para leitores de mandarim que moram fora da China. O projeto estreia com cerca de 300 títulos, entre eles A Vida de Pi, de Yann Martel, Air Mail de Tomas Transtromer e Robert Bly, As Correções De Jonathan Franzen, entre outros, a serem lançados em novembro. Além disso, a Simon & Schuster adquiriu direitos de publicação de um grupo seleto de livros da Yilin Press de não ficção sobre a cultura e história da China, e títulos de ficção populares no país.

Por Dennis Abrams | Publishing Perspectives | 25/10/2013

Simon & Schuster lança projeto piloto para vender eBooks em sala de aula


Simon & Schuster se juntou à Hachette e Random House na busca pelo mercado de e-books para o ensino escolar. A editora lançou projetos pilotos com 4 distribuidoras de livros de educação – Booksource, Follet, Mackin e Perma-Bound – para vender e-books do jardim de infância até a 12ª série [do sistema educacional americano]. Em agosto, Hachette e Random House formaram parcerias com a distribuidora Follet para vender no mesmo mercado.

Digital Book World | 24/09/2013

Departamento de Justiça americano quer punir Apple


Departamento de Justiça americano quer punir Apple ainda mais. Apple chama propostas de ‘draconianas’

A juíza Denise Cote julgou em julho que a Apple é culpada de conluio no caso de precificação de e-books. Agora, o Departamento de Justiça americano (DOJ) quer que ela imponha sanções rígidas à empresa e a mantenha sob supervisão do governo pelos próximos anos. Na última sexta-feira (02/08), o DOJ colocou o pedido para que a juíza obrigue a Apple a acabar com o modelo de agenciamento pelos próximos cinco anos, não só com as editoras, mas com todos os fornecedores do iTunes, que passariam a vender conteúdo (música, vídeo, programas de TV etc.) através da app store sem pagar a taxa de 30% à Apple.

Se Cote acatar a proposta, ela estaria basicamente descartando o acordo que fechou com as editoras Hachette, HarperCollins, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin. O argumento do DOJ toca justamente neste ponto: ele defende que, após o fim do acordo com a Justiça, em dois anos, as editoras da Defesa voltarão a negociar contratos de e-books como antes. Segundo o site Publishers Lunch, o DOJ ressaltou em seu argumento a opinião de que “vários CEOs das editoras da Defesa deram testemunhos não críveis em apoio à Apple”, e destacou ainda o CEO da Macmillam, John Sargent, que declarou “estar até mesmo orgulhoso das suas ações, não só na época como ainda hoje também.” Para o DOJ, o fato da conduta ilegal da Apple ter sido conduzida nos níveis mais altos da direção mostra uma vontade da empresa de adotar práticas de fixação de preços ilegais.

A Apple não demorou a se manifestar. Ainda na sexta-feira, à tarde, ela respondeu dizendo que as propostas do DOJ eram “uma intrusão draconiana e punitiva nos negócios da Apple, loucamente fora de proporção de qualquer mal ou prejuízo potencial julgado”. A Apple acredita que a observância do Governo seria aplicada somente à empresa e ultrapassaria “as questões julgadas no caso, ferindo a competição e consumidores e violando princípios básicos de justiça e processo legal”. Como o fantasma da gigante varejista de Seattle está sempre por perto, a Apple aproveitou para cutucar e dizer que, caso as medidas fossem adotadas e a empresa prejudicada, a “Amazon poderia usar seu poder de mercado para conseguir termos mais favoráveis que a Apple seria capaz” nos e-books. De um modo geral, a Apple defende que a sua conduta unilateral (ou seja, se não houvesse tido participação das editoras) nunca foi o problema em si, portando as imposições abrangentes não fazem sentido.

Por enquanto não houve manifestação por parte da Juíza Denise Cote, mas sua tendência favorável ao DOJ pode vir a mudar drasticamente a indústria da venda de conteúdo na internet.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 05/08/2013

Executivo da Apple terá que testemunhar em caso de livros eletrônicos


O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, deverá prestar depoimento no processo do governo norte-americano contra a companhia por conta de acusações de fixação de preços no mercado de livros eletrônicos, decidiu um juiz nesta quarta-feira [13].

A juíza distrital Denise Cote, de Manhattan, concedeu o pedido do Departamento de Justiça para exigir que Cook testemunhe por quatro horas sobre o processo, que acusa a Apple de conspirar com cinco editoras a fim de elevar os preços dos livros digitais.

Executivo-chefe da apple, Tim Cook, em evento da empresa em março; juíza intima executivo para depor | Fonte da imagem: Paul Sakuma, by Associated Press

Executivo-chefe da apple, Tim Cook, em evento da empresa em março; juíza intima executivo para depor | Fonte da imagem: Paul Sakuma, by Associated Press

O governo norte-americano argumentou que Cook provavelmente tinha informação relevante sobre a entrada da Apple sobre o mercado dos chamados ebooks. A empresa também disse que Cook provavelmente teve conversas relacionadas a esse tópico com o ex-presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, que morreu em 2011.

A Apple rebateu o pedido, chamando o testemunho de Cook de “acumulativo e duplicativo”, já que o governo já havia usado depoimentos de 11 outros executivos da fabricante do iPad.

Mas a juíza, em uma teleconferência, citou a Morte de Jobs como um motivo importante para a convocação de Cook.

“Por causa dessa perda, acredito que o governo tem o direito de tomar o testemunho de executivos de alto nível de dentro da Apple sobre tópicos relevantes ao caso do governo”, assim como para refutar os argumentos da Apple, disse ela.

Um porta-voz da Apple não respondeu imediatamente a um pedido de comentários.

A Apple é o único réu no processo, que foi iniciado em abril de 2012 na Corte Distrital de Nova York.

Todas as editoras envolvidas, incluindo a Penguin, da Pearson; a HarperCollins, da News Corp e a Simon & Schuster, da, já fizeram acordos para resolver o caso. A última editora, a Macmillan, fez acordo em fevereiro.

Um julgamento é esperado para junho. O governo não pede indenizações, mas sim descobrir que a Apple violou leis antitruste e ordenar um bloqueio para que realize novamente conduta semelhante.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | Publicado e clipado originalmente à partir de Folha de S.Paulo | TEC| 13/03/2013, 16h48

Editoras lançam Bookish


Site é resultado de parceria da Simon & Schuster, Penguin e Hachette

BookishAs editoras Simon & Schuster, Penguin e Hachette, 3 das chamadas Big Six internacionais, juntaram forças e lançaram o Bookish, uma mistura de rede social, site de recomendação de livros [com recomendações “inteligentes”, segundo o portal] e livraria online, com livros de outras editoras além das 3 parceiras. Além disso, o Bookish também pretende ser uma publicação online, com conteúdo editorialmente independente sobre livros e autores de diversas editoras.

PublishNews | 07/02/2013

Amazon vence batalha de preços de eBooks contra Apple na Europa


Autoridades regulatórias decidiram em favor da Amazon em batalha de preços de e-books contra norte-americana Apple na Europa

BRUXELAS | As autoridades regulatórias da União Europeia encerraram uma investigação antitruste sobre preços de livros digitais [e-books] nesta quinta-feira, aceitando uma oferta da Apple e de quatro editoras de afrouxar restrições de preços impostas à Amazon e outros grupos de varejo.

A decisão confere ao grupo de varejo online Amazon a vitória em sua tentativa de vender e-books a preços mais baixos que os dos rivais, em um mercado de rápido crescimento. A Reuters antecipou em novembro que a Comissão Europeia aceitaria a proposta de acordo.

A Comissão Europeia anunciou na quinta-feira que as concessões da Apple e das editoras haviam atenuado a preocupação quanto aos efeitos anticompetitivos de seus acordos de preços.

O compromisso proposto pela Apple e pelas quatro editoras irá restaurar as condições normais de concorrência nesse mercado novo e de rápido movimento, beneficiando os compradores e leitores de e-books“, disse o comissário de concorrência da União Europeia Joaquin Almunia.

A Apple e as editoras se ofereceram para permitir que os grupos de varejo determinem preços ou descontos por um período de dois anos, e suspender por cinco anos os acordos de tratamento preferencial entre elas.

Esses acordos impediam que as editoras Simon & Schuster; HarperCollins, da News Corp; Hachette Livre, da Lagardere SCA; e Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, controladora da editora alemã Macmillan, assinassem contratos com varejistas rivais que permitissem a elas vender livros a preços inferiores aos da Apple.

Os acordos, que segundo críticos impedem que a Amazon e outros grupos de varejo concorram com a Apple em termos de preço, resultaram em uma investigação antitruste da União Europeia em dezembro do ano passado.

O grupo Penguin, controlado pela Pearson e também sob investigação, não é parte do acordo desta quinta-feira. A Comissão informou que a Penguin ofereceu concessões que devem resolver as queixas das autoridades de concorrência.

Por Foo Yun Chee | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved | 13/12/2012

Amazon oferecerá reembolso de editoras a clientes do Kindle


Multa foi definida após um acordo judicial em uma ação contra editoras por um caso de fixação de preços

Amazon, a gigante do comércio eletrônico, disse que as quantias exatas não serão divulgadas até que a justiça finalize o acordo

Amazon, a gigante do comércio eletrônico, disse que as quantias exatas não serão divulgadas até que a justiça finalize o acordo

Nova York | A Amazon anunciou que oferecerá reembolsos aos clientes que compraram livros eletrônicos, após um acordo parcial em uma ação contra editoras por um caso de fixação de preços.

O gigante do comércio eletrônico disse que as quantias exatas não serão divulgadas até que a justiça finalize o acordo, mas indicou que os reembolsos provavelmente oscilem entre 0,30 e 1,32 dólares para certos livros para Kindle comprados entre abril de 2010 e maio de 2012.

Nas notificações aos clientes nos últimos dias, a Amazon informou que as editoras Hachette, Harper Collins e Simon and Schuster aceitaram um acordo em uma ação judicial do governo dos Estados Unidos, em que se alegava uma conspiração de fixação de preços com a Apple, prejudicial à gigante do varejo.

Os acordos criam um fundo de 69 milhões de dólares para reembolsos.

As autoridades disseram que o plano buscava terminar com os descontos da Amazon, que vendeu a maioria dos e-books a 9,99 dólares até que as editoras impusessem o novo plano de preços.

Publicado originalmente e clipado à partir de EXAME.COM | 15/10/2012, às 21:05

Amazon e Apple dão desconto nos EUA


Apple e outras cinco editoras foram processadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sob a alegação de terem conspirado para aumentar o preço dos e-books

Rio de Janeiro | A Amazon e a Apple anunciaram que compradores de e-books receberão créditos para compras futuras de livros. A ação é fruto de um acordo assinado entre três grandes editoras para solucionar um processo de fixação de preços.

Consumidores de e-books Kindle receberão descontos que variam entre US$ 0,30 e US$ 1,32 por livro, segundo estimativas da Amazon. A Apple ainda não especificou os valores.

Segundo a CNN, em abril, a Apple e outras cinco editoras foram processadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sob a alegação de terem conspirado para aumentar o preço dos e-books.

Três das editoras – Hachette Book Group, CBS Simon & Schuster e News Corp ‘s HarperCollins – firmaram um acordo para devolverem US$ 69 milhões aos consumidores afetados.

O ressarcimento é válido para quem comprou os livros eletrônicos entre 1 de abril e 21 de maio de 2012 e não será necessário solicitar os créditos, que serão utilizados automaticamente em compras posteriores.

Os clientes da Amazon também poderão usar os descontos para livros impressos.

Por Leticia Muniz | Publicado originalmente e clipado de Exame | 15/10/2012

Google alcança acordo com editoras dos EUA sobre eBooks


Apenas 20% do conteúdo total de cada obra é acessado gratuitamente

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, "facilitar a busca de livros relevantes"

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, “facilitar a busca de livros relevantes”

Los Angeles | A associação americana de editoras [AAP, na sigla em inglês] e o Google anunciaram nesta quinta-feira um acordo sobre a digitalização de conteúdos protegidos por direitos autorais para o projeto da biblioteca virtual [Library Project] da empresa tecnológica.

O acordo entre ambas as partes, que pôs fim a um litígio que já durava sete anos, veio após o Google ter aceitado que as editoras decidissem se querem ou não que suas obras façam parte da coleção de materiais digitalizados pela companhia californiana, os quais estão disponíveis na ferramenta Google Books. No entanto, apenas 20% do conteúdo total de cada obra é acessado gratuitamente.

Aquelas editoras que optarem por deixar que seus trabalhos façam parte da base de dados do Google terão a possibilidade de solicitar uma cópia digital para seu uso, sendo que o acordo não impede que as editoras americanas possam assinar outros contratos individuais com o Google para o uso de seus trabalhos.

A disputa legal entre a AAP e o Google começou em outubro de 2005, quando cinco editoras [The McGraw-Hill Companies, Pearson Education, Penguin Group, John Wiley & Sons e Simon & Schuster] processaram a Google por infringir as leis de direitos autorais de propriedade intelectual.

O objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, “facilitar a busca de livros relevantes, especialmente aqueles que não podem ser encontrados de nenhum outro modo, como os livros descatalogados, sem violar os direitos de autores e editores”.

Publicado originalmente e clipado á partir de EXAME.COM | 04/10/2012, às 17:32

Google chega a acordo com editoras sobre direitos autorais


O Google e um grupo de editoras chegaram a um acordo, encerrando sete anos de litígio sobre os direitos autorais e a missão da empresa de tecnologia de desenvolver a maior biblioteca digital do mundo.

A companhia e a AAP [Associaçãos dos Editores Norte-Americanos, na sigla em inglês] disseram nesta quinta-feira [4] que as editoras dos Estados Unidos podem decidir participar na produção de livros e revistas disponíveis para o Google digitalizar, para o seu projeto de biblioteca. Outros termos do acordo não foram divulgados.

Logotipo do Google em San Francisco; empresa chegou a acordo em relação a direitos autorais de livros

Logotipo do Google em San Francisco; empresa chegou a acordo em relação a direitos autorais de livros

Isso mostra que os serviços digitais podem proporcionar meios inovadores para descobrir conteúdo e ao mesmo tempo respeitar os detentores de direitos autorais“, disse em comunicado Tom Allen, presidente da AAP.

O processo foi arquivado pelos membros da AAP McGraw-Hill Companies, Pearson Education e sua irmã Penguin Group, John Wiley & Sons e Simon & Schuster, da CBS.

O Google digitalizou cerca de 15 milhões de livros no que foi chamado de um esforço para ofecerer acesso mais fácil ao conhecimento do mundo.

A empresa foi processada em 2005 pela Authors Guild, associação sem fins lucrativos que reúne autores e profissionais do ramo literário, e pela AAP por violar as leis de direitos autorais, mas chegou a um acordo anterior em que concordou em pagar US$ 125 milhões aos autores que tiveram seus livros digitalizados e localizar e compartilhar receitas com autores de obras que ainda seriam digitalizadas.

O acordo divulgado nesta quinta, entretanto, não põe fim à ação que a Authors Guild move contra o Google.

DA REUTERS | Clipado de Folha de S.Paulo | 04/10/2012 – 16h07

Apple e editoras propõem acordo antitruste à União Europeia


BRUXELAS, 19 Set [Reuters] | A Apple e quatro grandes editoras sugeriram permitir que grupos de varejo como a Amazon vendam livros com descontos, em um esforço para pôr fim a uma investigação antitruste da União Europeia, anunciou a Comissão Europeia nesta quarta-feira.

As autoridades regulatórias estão investigando os acordos de preços de livros entre Apple e Simon & Schuster, HarperCollins [unidade da News Corp], Hachette Livre [unidade do grupo francês Lagardere], Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, que controla a Macmillan na Alemanha, e o grupo Penguin, da Pearson.

Por um período de dois anos, as quatro editoras não restringirão, limitarão ou bloquearão a capacidade das empresas vendedoras de livros eletrônicos para estabelecer, alterar ou reduzir preços de varejo de livros eletrônicos e/ou oferecer descontos e promoções“, anunciou a Comissão Europeia em seu diário oficial, detalhando a oferta em consideração.

A Comissão afirmou que as editoras e a Apple também ofereceram uma suspensão dos contratos de favorecimento mútuo entre elas por cinco anos. Esse tipo de contrato proíbe editoras de fazer acordos com grupos rivais de varejo para vender livros a preços inferiores aos determinados pela Apple.

A organização de fiscalização da Comissão Europeia informou que as propostas ficarão abertas a comentários públicos por um mês e, caso a resposta seja positiva, a investigação será encerrada.

As editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette chegaram a acordo com o governo norte-americano em abril por meio de propostas semelhantes.

De acordo com analistas do UBS, os livros eletrônicos respondem por 30 por cento das vendas de livros nos EUA e por 20 por cento no Reino Unido, mas ainda não são significativos em outros mercados.

Por Foo Yun Chee | quarta-feira, 19 de setembro de 2012 10:32 BRT | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved.

Palmas para a Amazon


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 11/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Quando escreverem a história de como a Amazon conseguiu dominar o mercado de consumo de livros, daqui a dez anos, haverá um capítulo intitulado “6 de setembro de 2012”.

Claro, este foi o dia em que a juíza Cote aprovou o acordo entre a HarperCollins, Hachette e Simon & Schuster, e começou a desfazer o regime de preços criados pela editora, que ficou conhecido como modelo de agência. Este modelo foi criado, na verdade, para liberar amplos descontos no mercado dos e-books e acho que logo veremos provas de que será bem-sucedido neste objetivo, muito além do que qualquer pessoa pode imaginar. [Eu muitas vezes expressei minhas preocupações sobre o que acho serão as consequências inevitáveis desta situação.]

Mas não foi só isso que a Amazon conquistou em 6 de setembro de 2012. Nem de longe. Na verdade, a única coisa que não foi boa em relação ao anúncio do juiz foi que ele tirou a atenção do feitos que não precisam da ajuda do governo.

Um dia após a concorrente Kobo tentar superá-los anunciando atualizações em seu conjunto de aparelhos, a Amazon combinou melhor desempenho e menores preços em seus aparelhos, superando não só a Kobo, mas também o Nook, Apple e Google. Não foi nem a inovação dos aparelhos que mais me impressionou. Houve várias outras inovações que vão exigir muito mais de todo mundo para competir com o ecossistema Kindle.

1. Alavancando sua propriedade da Audible, a empresa dominante em audiobooks para download, a Amazon apresentou um recurso Whispersync que permite a mudança simples entre ler um e-book e ouvir a versão audiobook. Uma das minhas cunhadas, que é professora de crianças com dificuldades de leituras e ajuda outras professoras que fazem o mesmo, me perguntou a alguns meses por que ninguém tinha feito isso antes. Perguntei por aí e me disseram que “é complicado”. Editoras não podem fazer porque não controlam os ecossistemas de entrega. Outras livrarias de e-book não podem fazer isso por que não entregam áudio.

Só a Amazon poderia ter feito. Agora, fizeram.

1A. Além do uso do Whispersync para permitir a mudança entre ler e ouvir, Kindle apresentou um recurso chamado “Immersion Reading” que permite que você leia e ouça ao mesmo tempo.

Está claro que isso cria um forte motivo para comprar tanto um audiobook quanto um e-book do mesmo título? Autores e editores podem celebrar.

Esta inovação específica é especialmente irônica se nos lembramos da seguinte história: nos primeiros dias do Kindle, Amazon queria colocar num recurso text-to-speech que entregasse um audiobook através de automação de todo e-book. Agentes e editores criaram problemas por causa dos óbvios problemas de direitos; audiobooks são uma fonte de lucros separados para todos, e ninguém com algum interesse comercial quer ver isso ameaçado, apesar de que muitos acham que a leitura automática não vai realmente satisfazer um cliente de audiobook.

Mas ninguém terá problemas com esta solução. O consumidor compra duas vezes.

E, incidentalmente, mais alguém pode escrever todo um post de blog sobre como este conjunto de recursos pode ser usado para criar oportunidades nos mercados estudantis!

2. Alavancando sua propriedade do IMDb [o banco de dados de filmes e programas de TV], a Amazon está melhorando a experiência de assistir vídeos ao fazer com que as informações sobre filmes e atores esteja disponível com um clique. No mês passado, os blogueiros estavam explicando que a Google comprou a Frommer’s de Wiley porque queriam transformar conteúdo em metadados. Agora a Amazon está demonstrando muito bem por que isso é útil e importante.

3. Alavancando seus recursos de publicação e seu papel como a única livraria com uma audiência grande suficiente para distribuir uma massa crítica de leitores sozinha, estão apresentando a serialização por assinatura com o Kindle Serials. A investida inicial é modesta: uma seleção de oito romances em série com preço baixo distribuídos em pedaços de pelo menos 10.000 palavras. Mas este “teste”, o modelo de conseguir pessoas para comprar algo antecipadamente sabendo que será entregue em partes.

[Quando explorei a viabilidade do modelo de assinatura para ebooks, especulei que a única empresa que realmente poderia montar um esquema assim para leitores em geral seria a Amazon. Agora isso parece que está começando.]

Por um lado, isso lembra o sucesso do romance parcialmente autopublicado, chamado “Wool” de Hugh Howey. Mas também poderia ser a base para algo como o modelo “publicação ágil” de Dominique Raccah, que é um experimento ativo agora em sua empresa, a Sourcebooks, com o autor David Houle. A Amazon teria a grande vantagem de possuir uma audiência muito maior para “convidar” a uma experiência deste tipo e, quando você estiver dependendo da participação para o sucesso, poder apelar a mais pessoas é uma enorme vantagem.

4. A Amazon está subsidiando todos seus aparelhos com anúncios que funcionam como telas de proteção. Eles estavam inicialmente planejando mudar a prática anterior de oferecer aparelhos com preços mais altos para que os consumidores pudessem evitar os anúncios. O primeiro anúncio afirmou que todos os aparelhos vinham com propagandas, e sem uma opção “pague mais” para evitar isso. Apesar de a reação inicial ter aparentemente forçado uma mudança, e eles agora estarem oferecendo o Kindle Fire sem anúncios por $15 a mais, isso ainda abre uma série de outros pensamentos e perguntas.

Como alguém pode competir em termos de preços de aparelhos com um concorrente que não só tem o contato mais direto com clientes, mas que também consegue anúncios para subsidiar preços mais baratos?

Isso significa que a Amazon “sabe” que a maioria dos consumidores escolheriam economizar dinheiro e não ligariam para os anúncios?

Estão montando uma rede de comunicação para promover conteúdo e cobrar os criadores de conteúdo pelo equivalente a vitrines e balcões de entrada da nova geração?

Achei que a Google era a campeã de publicidade. Por que não pensaram primeiro nisso para o Nexus 7?

5. O recurso X-Ray da Amazon, que basicamente coleta metadados [caracteres, cenas] de livros e filmes, é um bloco de construção para distribuir resumos e esboços que poderiam ser um incrível recurso adicional único da plataforma. Poderia também ser um começo de conteúdo estilo “Cliffs Notes” de geração automática que poderia ter até uma taxa de compras separada.

6. A Amazon tinha construído um recurso de controle de pais em seu ecossistema Kindle chamado FreeTime, assim as crianças podem usar o aparelho e até obter conteúdo, mas só se for aprovado. Há iniciativas novas como Storia de Scholastic e a já veterana marca da PBS, Reading Rainbow, para o qual uma das propostas centrais é criar um ambiente de leitura para crianças com controles para adultos. Estas plataformas voltadas para crianças foram obviamente criadas para apresentar ambientes que pais e professores verão como superiores para incentivar a leitura de crianças. Eles, de repente, terão concorrência mais séria vinda da plataforma mais séria que existe.

E a Amazon inseriu uma app incrível, e que os outros provavelmente nem imaginaram: eles conseguem aparentemente controlar a quantidade de tempo que uma criança pode passar fazendo várias atividades em seu aparelho, assim os pais podem organizar o tempo de leitura, o tempo de filmes e de jogos. Tenho certeza que alguns pais vão ficar maravilhados com isso.

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A decisão da juíza Cote também é uma boa notícia para a Amazon e foi por isso que os jornalistas ligaram no dia da conferência de imprensa que anunciou tudo que escrevi acima. A análise completa de Michael Cader [sobre a qual escrevi umas poucas palavras a mais acima] esclarece o que ainda não sabemos sobre a velocidade e a complexidade da implementação, inclusive sobre se haverá um apelo e se a implementação será adiada de acordo com isso.

Mas parece que há boas chances de que muitos dos controles, que evitaram que a Amazon desse descontos nos livros de alto perfil nos últimos 18 meses, terminarão em um ou talvez dois meses, antes do Natal.

Acho que a Amazon vai dar descontos agressivos. Sua “marca” tem, entre outras coisas, a ver com “baixos preços para o consumidor”. E eles sempre usaram o preço como uma ferramenta para mercado. É provável que continuem assim.

O estabelecimento de preços não será feito por humanos; será feito por bots e algoritmos, respondendo ao que está acontecendo no mercado entre seus concorrentes todo dia. A Amazon é muito boa nisso; é o que fazem há anos. É presumível que a BN.com tem um conjunto similar de habilidades e ferramentas. É presumível que todo mundo exceto a Apple tenha de precificar competitivamente pelo menos seus livros comprados de distribuidoras.

A Apple foi protegida pelos MFNs que permanecem igual para todos, menos as editoras que firmaram o acordo. Mas sem esta proteção, como a Apple vai competir? Eles nunca tiveram de trabalhar com preços competitivos de produtos antes. Eu vou ficar bem impressionado se a Apple conseguir sair desta briga de preços que está por acontecer sem um olho roxo bem óbvio. Eles não foram treinados para isso.

No geral, isso poderia significar outra explosão de crescimento no mercado de e-books, que viu uma queda importante em sua taxa de crescimento no último ano. Não veremos os ebooks crescendo em dobro novamente, mas estamos a ponto de ver uma luta de preços digitais agressiva, que irá fazer com que todos os consumidores de livros impressos se perguntem se deveriam considerar fazer a mudança que os leitores pesados já fizeram.

Quando o acordo for implementado, as três editoras que assinaram o acordo terão os preços de seus livros cortados pelas livrarias, independente de seus preços de listas, e não importa o que negociem a próxima rodada de termos comerciais. Mas as três editoras que ainda podem usar os preços de agência – Random House, e a Macmillan e a Penguin, que ainda continuam o litígio – provavelmente descobrirão que serão forçadas a baixar os preços para manter seus principais livros competitivos. Pelo menos essa é a minha expectativa. Será muito interessante ver como isso vai funcionar nos próximos meses.

Preciso agradecer a meu sócio na Publishers Lunch Conference, Michael Cader, e suas habilidades como repórter do cenário editorial. Seus quatro posts na sexta-feira: sobre a decisão da juízasobre o que acontecerá como resultadosobre o novo hardware e sobre os vários recursos de leitura e consumo que foram assunto da maior parte deste post, comprimiram – de longe – a mais clara e mais profunda explicação de um conjunto incrível de informações complexas. Claro, Michael é mais do que um repórter do setor; ele é parte dela nos últimos 25 anos.

Eu realmente não entendo como os jornalistas que não têm o benefício desta base podem justificar não lê-lo. [Paga-se $20 por mês para fazer uma assinatura. Qualquer um que trabalha no mercado editorial não terá problemas com esta proposição de valor.] Eles certamente fariam um trabalho melhor se assinassem.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 11/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Aprovado acordo de precificação de eBook nos EUA


A juíza Denise Cote aprovou semana passada o acordo entre os promotores americanos e as editoras Hachette, HarperCollins, e Simon & Schuster no caso da precificação de e-book. Segundo o site Publishers Weekly, a aprovação do acordo era esperada, apesar de ter sido relativamente rápida. A American Booksellers Association se mostrou desapontada, “estamos colossalmente desapontados pois a juíza não conseguiu entender como os consumidores serão negativamente afetados por esta decisão”, informou a ABA ao site Publishers Weekly. Para quem não entendeu muito bem do que se trata exatamente, o site Paid Content colocou o caso em formas de quadrinho, que você pode ver aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 10/09/2012

Talvez a revolução tenha chegado a um estágio evolucionário


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 04/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

O ritmo estonteante com que os consumidores norte-americanos estavam passando de impresso a digital não poderia durar para sempre. Baseado nos números publicados pela AAP, com uma grande ajuda na interpretação feita por Michael Cader da Publishers Lunch, parece que a desaceleração ficou bastante evidente nos últimos 12 meses.

Entre o final de 2007, quando saiu o Kindle, e o final de 2011, as vendas de e-book no mínimo duplicaram a cada ano. Desde setembro de 2011, quando Cader registrou que as vendas foram o dobro do ano anterior, os números mensais estão mostrando um crescimento anual muito menor [e em declínio]. Os números de abril mostraram um aumento de somente 37% em relação ao ano anterior.

Já faz um bom tempo que estive pensando sobre a diminuição do crescimento dos e-books. Em março de 2010, há 17 meses, escrevi que meu palpite era que a mudança para o digital “vai começar a diminuir quando as vendas de e-books representarem 20-25% do que uma editora espera ganhar com um novo título”. E achava que isso iria ocorrer antes da eleição presidencial de 2012. Parece razoavelmente consistente com o que está acontecendo.

Cader também cita relatórios da Penguin e da Simon & Schuster para documentar a queda. A Penguin afirma que o crescimento nas vendas de e-books foi de cerca de 33% na primeira metade de 2012. E o site Publishers Lunch informa que Carolyn Reidy, CEO da Simon & Schuster, contou que ela espera um crescimento de 30% na venda de e-books durante 2012. Isso certamente constituiria o canal de vendas com maior crescimento, mas certamente não é o dobro ou triplo [ou mais] que vimos nos últimos anos.

Algumas semanas antes, Cader dissecou os relatórios da BookStats com os números de vendas editoriais. Como os leitores deste blog sabem, acho que a métrica importante para olharmos é “vendas de lojas versus vendas online”, em vez de “impressos versus eletrônicos”. Vendas em lojas são todos impressos, mas vendas online não são somente eletrônicos. Eu acho que a distinção de canal é mais importante do que a distinção de formato, porque a escala é muito mais útil para lidar com livrarias do que lidar com qualquer conta online, por dois motivos: inventário e logística.

A BookStats informa que as vendas diretas do editor para livrarias online – isso inclui tanto impresso quanto digital, mas não inclui vendas que aconteceram através de distribuidores – estiveram ao redor de 35% do total de vendas para lojas e livrarias online juntas. Dizem que online cresceu 35% no ano passado e as lojas de tijolo caíram uns 12,6%. Minha matemática grosseira diz que o total combinado dos dois foi bastante próxima ao equivalente a uma queda de 1%. Como as vendas de e-books estão subindo e os e-books são geralmente mais baratos do que os impressos, parece que não houve mudança.

A outra coisa na qual devemos prestar atenção é a diferença na venda de e-books por tipo de livro. Baseado em evidências, acredito que as vendas de ficção de gênero e comercial podem estar se aproximando dos 50%. [A BookStats informa que as vendas de toda ficção está atualmente dividida em 64% impressa e 34% digital.] A não-ficção narrativa está mais ou menos na metade disso. Livros ilustrados de todo tipo são uma pequena parte.

Há muitas coisas que não sabemos.

Não sabemos quanto do declínio de crescimento de vendas no último ano acontece por causa do sucesso das editoras em subir os preços dos ebooks. Se esta for a causa, até certo ponto, poderíamos ver o padrão mudar de novo quando [como eu espero] o acordo do Departamento de Justiça for aprovado e terminarem a política de preço da Amazon.

Não sabemos quanto do declínio no crescimento das vendas no ano passado se deve à troca do consumidor de e-readers dedicados para aparelhos multifunção, que oferecem outras mídias e jogos – além de e-mail – para competir com livros. Se esta for a causa, a tendência de queda poderia se estender porque é provável que muitas pessoas vão passar de leitores e-ink a aparelhos multifunção, pois estes estão ficando cada vez mais baratos.

Não sabemos até que ponto o tráfego de lojas é afetado pela contínua mudança de best-sellers, especialmente em ficção, para o consumo digital. No curto prazo, há provavelmente um impacto positivo no espaço mostrado e nas oportunidades de vendas para livros ilustrados e livros infantis. Mas, no longo prazo, quantas lojas poderão sobreviver se os best-sellers não forem vendidos ali?

Não sabemos se os grandes comércios continuarão a ver livros como algo valioso para seu espaço. Eles vendem muita ficção de gênero, que é uma das áreas mais desafiadas por e-books publicados de forma independente [e nem todos são autopublicados]. As grandes lojas podem mudar rapidamente o espaço de prateleira, sem nenhuma sentimentalidade.

Mas, no geral, a queda que vimos é uma boa notícia para o estabelecimento do legado editorial, e será melhor se a tendência continuar. Qualquer coisa que diminuir o declínio na porcentagem do mercado das livrarias de tijolo e o avanço da Amazon, dá tempo para as grandes editoras e os varejistas concorrentes ajustarem suas infraestruturas e construírem novos modelos de negócios que serão mais eficientes no futuro.

Infelizmente para eles, o desenlace desta rodada do Departamento de Justiça está a ponto de mudar tudo isso.

Se entender novos modelos de negócio e as novas formas através das quais as editoras fazem seus negócios é importante para você, deveria estar no seu calendário. Vamos apresentar vários Publishing Innovators do mundo: executivos que estão inventando estes novos modelos de negócios que vão permitir que as editoras cresçam em nosso ambiente digital.

Esta conferência vale um post só para ela, e isso vai acontecer logo. Mas o final deste post parece um bom lugar para mostrar que vamos apresentar alguns dos mais incríveis executivos da indústria editorial [e não só do mundo de fala inglesa] que estão fazendo coisas que mais ninguém está. Ainda.

E mudamos o horário do nosso evento das 9 às 17 para 10:30 às 18:30 para permitir que as pessoas cheguem a Frankfurt naquela segunda de manhã e não percam nenhum pedaço de um dos melhores eventos que já fizemos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 04/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Lista dos eBooks mais vendidos nos EUA


A Digital Books World, newsletter especializada em livros eletrônicos dos EUA, divulgou várias listas de mais vendidos do setor naquele país. A DGB , associada com a Iobyte Solutions, preparou uma lista geral dos vinte e cinco mais vendidos e quatro listas segmentadas pelo preço.

A curiosidade a ser notada é que, dos vinte e cinco títulos mais vendidos, 21 foram publicados pelas “seis irmãs”, as maiores do setor, e praticamente a metade [12 títulos] foram publicados por editoras que aplicam o modelo de agenciamento, e com preços acima de US$ 10,00 [US 12,00 é o mais comum], e apenas quatro estão no segmento de preço mais baixo [de Us$ 0,00 a 2,99].

Outro detalhe significativo é que apenas dois títulos foram publicados por editoras fora do grupo das seis maiores editoras americanas [Random House, Penguin, Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins]. A Scholastic – que não está entre as seis, mas é uma grande editora [publicou o Harry Potter nos EUA] emplacou dois títulos, e a Soho Press, essa sim, independente, um título.

Ao observar as listas divididas por categorias de preço, verifica-se que apenas no segmento de preço de US$ 3. a US$ 7,99 é que começam a aparecer as independentes, com três posições. E somente no segmento mais barato [de US$ 0,0 a Us$ 3] aparecem dois autores autopublicados, Sidney Landon e Lynda Chance. Esses dois, pelo título dos romances, aparentemente produzem “romance novels”, um segmento diferenciado nos EUA, por aqui representado pelos livros de banca tipo “Sabrina”. Etc.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 20 de agosto de 2012

O mercado do eBook está a ponto de mudar… muito


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Shatzkin explica a decisão da Justiça americana, e prevê suas conseqüências.

A resposta do Departamento de Justiça aos comentários públicos demonstra que é bastante provável que o acordo negociado com a Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster será aceitado pelos tribunais. É hora de contemplar as mudanças que veremos no mercado de e-books nos dois próximos meses.

O acordo exige que as três editoras informem as livrarias trabalhando sob modelo de agência que elas podem mudar se quiserem. Isso deve ocorrer dez dias após a decisão do tribunal. As livrarias têm 30 dias para terminar o acordo, e depois as editoras têm mais 30 dias, a partir do recebimento deste aviso, para terminar de vez com o contrato.

Assim, o processo pode ser quase instantâneo, se as editoras forem notificadas imediatamente, as livrarias responderem imediatamente e as editoras reagirem à resposta imediatamente. Ou pode demorar uns 70 dias a partir do julgamento do tribunal, se todos usarem o tempo inteiro destinado pelo julgamento.

Assumindo que a Amazon vá agir com competência e rapidez em seus próprios interesses [e eu tenho certeza que irão], todo o processo pode acontecer entre 40-45 dias. Isso deve liberar a Amazon da maioria das restrições de preços sobre os livros das três editoras que aceitaram o acordo a partir do meio de setembro.

Há uma certa confusão na linguagem do acordo aqui. No mesmo parágrafo, em IV-B, que coloca as exigências de 10, 30 e 30 dias como descritos acima, também diz que 30 dias após a “entrada no julgamento final” [o início de tudo], os réus devem tomar “cada passo” para terminar ou não renovar ou estender o acordo. Talvez a linguagem faça sentido a um advogado, mas eu estou confuso. Parece que estão pedindo resultado antes do primeiro período de 30 dias ter expirado.

O acordo judicial, que não elimina diretamente o modelo de agência [apesar de distorcê-lo muito], não permite que as editoras ditem os preços de vendas finais em novos acordos, exceto para colocar um máximo [vamos analisar isso mais à frente]. Ele também impede a existência de cláusulas que protejam qualquer livraria do impacto das decisões de precificação de seus concorrentes. Estas restrições são especificadas para durar dois anos para cada livraria, a partir da data em que o velho contrato for acertado, seja pelo fim do contrato, ou por uma notificação da editora.

Novos contratos devem ser pensados. Podem ser acordos de “agência”, onde a editora coloca um preço e paga uma comissão pelas vendas baseando-se neste preço. Mas, como os contratos de agência eram atrativos porque conseguiam o que agora é uma paridade ilegal de preços no mercado, estas editoras devem repensar a eficácia do modelo. Eu faria isso.

Assim, novos contratos entre as três editoras que fazem parte do acordo judicial e todas as livrarias deverão ser escritos, negociados e assinados dentro de um prazo máximo de 70 dias.

Qualquer um que se lembra da combinação de maratona e prova de velocidade que foram essas negociações em 2010 não estará planejando suas férias para os próximos meses.

Existe uma enorme questão em aberto no acordo. As editoras têm permissão de negociar com as livrarias acordos limitando descontos a partir dos preços [agora] sugeridos pelas editoras. O acordo permite que a editora proíba descontos em seus livros que, no agregado de mais de um ano, exceda a margem que a livraria ganhou nestes livros.

Em princípio, isso não é complicado. Se uma livraria “A” vende e-books por $1 milhão num ano e ganha $300.000 em comissões, ela precisa cobrar pelo menos $700.000 dos clientes por estes livros, senão estaria violando o contrato que o acordo judicial.

Na prática, monitorar e forçar isso poderia ser um pesadelo. Exige informar ou acompanhar as vendas de e-books, e os preços que estão sendo vendidos, de uma forma ainda mais exigente do que tem sido feito até agora. Mas mesmo com dados perfeitos, ainda é extremamente difícil garantir conformidade, especialmente se uma livraria estiver disposta a “gastar” toda sua margem de desconto.

Isso também significa que as livrarias não podem trabalhar apenas com bots para estabelecer preços. Não basta a Livraria “A” monitorar os preços da Livraria “B” e automaticamente ajustar o seu preço, pois as Livrarias A e B não estão vendendo a mesma quantidade de outros livros de cada editora e, portanto, não possuem o mesmo “orçamento” para desconto. É um jogo da velha tridimensional. As livrarias precisam monitorar os concorrentes e, ao mesmo tempo, comparar como seus descontos aos consumidores estão somando às compensações que estão ganhando com as vendas acima do custo para cada uma das três editoras incluídas no acordo judicial.

E as editoras precisam acompanhar as vendas de cada uma das livrarias, presumindo que receberão os dados que agora não têm acesso, para ter certeza que cada uma permanece abaixo do teto.

Não podemos assumir muitas coisas aqui. As regras do acordo permitem que uma editora negocie um teto de desconto baseando-se na margem total, mas não exige que uma livraria concorde com ele. E não há nenhuma punição especificada para uma livraria que não respeite o teto, então isso terá de estar nos contratos que serão negociados.

O Departamento de Justiça acertou ao considerar que todo o modelo de agência não funciona se não for aplicado entre as Seis Grandes. A Random House mostrou isso no primeiro ano de agência, quando ficou de fora e colheu os frutos imediatos. Ao manterem seu modelo de preço de distribuição [no qual a livraria fica com 50% de um preço alto e pouco realista de e-book], eles ganharam mais dinheiro por cada cópia vendida do que teriam feito sob o modelo de agência [através do qual a livraria só recebe 30%, mas de um preço mais baixo e realista]. E, ao mesmo tempo, os e-books da Random House se beneficiaram dos agressivos descontos [liderados pela Amazon, mas seguido por outras livrarias] com os quais seus títulos mais populares, únicos entre o conjunto competitivo das Seis Grandes, eram oferecidos ao consumidor.

Na verdade, a Apple deixou claro para as editoras, quando foram recrutadas pela iBookstore, que a loja só abriria se pelo menos quatro delas assinassem o contrato. A Apple provavelmente estava pensando que sem ter uma massa crítica de títulos mais vendidos, a loja não teria apelo e não valeria a pena entrar em operação. O que as editoras podem ter pensado é que, se houvesse muitos títulos das Seis Grandes com desconto porque eles não estivessem cobertos pelas regras de agência, os que não estivessem perderiam muito.

Parece que a necessidade de uma ação combinada para fazer o modelo de agência funcionar é um elemento central no pensamento do Departamento de Justiça de que houve um conluio entre as editoras para que ele fosse implementado. Mas as alegações específicas do conluio [a reunião de Picholine que aconteceu muito antes de que alguém estava pensando em modelo de agência ou numa livraria da Apple e os vários exemplos onde as editoras supostamente contaram um ao outro se eles iam entrar ou sair do programa] parecem muito fracas, especialmente quando sabemos que todas elas conheciam “todas as lojas”.

Com a leitura do acordo judicial, temos a impressão de que veremos muitas diferenças nos contratos substitutos. As suspeitas do Departamento de Justiça foram levantadas pela grande similaridade entre os contratos de modelo de agência, e eles parecem estar pedindo para que não sejam tão parecidos quando forem renegociados.

Isto poderia levar a um bom número de mudanças. As editoras poderiam voltar ao modelo de distribuição. Ou poderiam tentar mudar a comissão do modelo de agência, agora fixados de forma uniforme em 30%. Até parece que está sendo dito às editoras que as comissões não precisam ser uniformes entre todas as livrarias [apesar de que negociar termos diferentes parece violar o espírito da Lei Robinson-Patman que uma geração anterior de editores cresceu acreditando que deveriam dar os mesmos termos a todas suas livrarias. Entretanto, há uma exceção na lei para relacionamentos contratuais.]

Na verdade, há uma linguagem no acordo que parece voltada a impedir que as editoras revelem os detalhes desses acordos para que os concorrentes não possam descobri-los. [Pode-se assumir que um agente com clientes em mais de uma editora seria capaz de descobrir os termos comerciais dos pagamentos de royalties. Na verdade, poderíamos assumir que um agente responsável não estaria esperando o pagamento de royalties para descobrir isso.]

As editoras terão de negociar novos contratos. As outras editoras trabalhando com modelo de agência [Macmillan e Penguin, que continuam lutando judicialmente e não aceitaram o acordo, e a Random House, desfrutando de mais um grande benefício por ter ficado de fora do modelo no início e portanto não podendo ser incluída no argumento de conluio] terão de repensar seus preços quando virem o que acontece com as mudanças no mercado.

Seguramente, uma das histórias do Natal de 2012 será sobre até que ponto as editoras com modelo de agência diminuiram os preços, em relação ao que lhes foi permitido, para encarar a concorrência, lideradas pela Amazon.

Lembrem-se que a restrição de desconto permitida é um número anual. Há um bom número de estratégias que a Amazon poderia seguir [e presumo que são espertos para escolherem a correta], mas se escolherem aproveitar ao máximo este Natal, poderiam cortar muito os preços – digamos abaixo “do custo” — e tentar criar a margem nos 9 meses que irão sobrar deste primeiro ano do contrato.

Independente do que fizerem, as editoras com modelo de agência terão de responder em seus preços também.

É uma previsão igualmente segura de que uma consequência disto será que o autores novatos vivendo dos baixos preços perderão espaço no mercado. Isso não será tão óbvio e ninguém realmente vai perceber.

Naturalmente, B&N e Kobo também terão que descobrir uma estratégia de preços e uma forma para executá-la.

A Apple precisa repensar completamente o que vai fazer como livraria, porque os preços estabelecidos por editoras foram bastante prejudicados, e eles parecem que nunca quiseram fazer isso.

E eu tenho de repensar novamente se minha convicção de que as editoras precisam vender diretamente ao consumidor final se sustenta num mundo onde a Amazon é livre para virar suas armas dos preços contra qualquer concorrente e fazer com que se pareçam a mafiosos realizando extorsões, não importa qual preço cobrem dos consumidores por seus ebooks.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Rede de livrarias critica acordo contra cartel de eBooks


DE SÃO PAULO – A rede de livrarias Barnes & Noble criticou ontem, em carta, o acordo fechado em abril entre o governo dos Estados Unidos e as editoras de livros Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster.

O acordo fora assinado após processo judicial em que cinco editoras foram acusadas de participar de um cartel com a Apple que elevava preços dos e-books de US$ 2 para US$ 5 ao introduzir um modelo de negócios de “agência”, no qual preços são fixados pelas editoras mediante proteção à Apple, que recebe 30% sobre cada venda.

Para a Barnes & Noble, impor regras a esse modelo é ruim ao futuro da indústria do livro e pune livrarias independentes, autores e editores que não são parte do processo, assim como fere a livre concorrência, atingindo uma indústria emergente e “prejudicando os consumidores“.

Folha de S. Paulo | 08/06/2012

A Amazon é “predatória”, diz a Penguin


Editoras se defendem das acusações de cartel para fixar preços de e-books

A Penguin e a Macmillan, as únicas editoras que resolveram enfrentar nos tribunais as acusações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de que, junto com a HarperCollins, Simon & Schuster, Hachette e Apple, fizeram um conluio ao adotar o modelo de agenciamento e fixar os valores dos e-books, impedindo a redução de preços praticada especialmente pela Amazon, enviaram documentos com suas defesas na terça-feira, 29 – as outras editoras fizeram acordos com a Justiça americana.

Nos documentos, a Penguin acusou a Amazon de ter um comportamento “predatório” e “monopolista”, que poderia vir a prejudicar a indústria editorial no longo prazo. A editora argumentou ainda que a maior parte das conversas entre as editoras, usadas pela Justiça americana como prova de que elas fizeram um cartel, eram na verdade discussões sobre o “Projeto Z” – agora revelado como o aNobii – e o “Projeto Muse”, que é o Bookish.

A Macmillan também negou qualquer comportamento anticoncorrencial e afirmou que não há “nenhuma prova direta de conspiração”. Na semana passada, a Apple, que também não fez acordo e foi para os tribunais, argumentou em sua defesa que o governo estava se aliando ao “monopólio, e não à concorrência”. Com informações do site da The Bookseller.

PublishNews | 31/05/2012

Apple e editoras negociam acordo para encerrar investigação antitruste


RIO – O vice-presidente da Comissão Europeia e comissário europeu para Concorrência, Joaquín Almunia, informou que a Apple e quatro grandes editoras – Simon & Schuster, Harper Collins, HachetteLivre e Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck – apresentaram à Comissão Europeia proposta de acordo que pode encerrar nas próximas semanas a investigação antitruste tocada pela autoridade executiva da União Europeia.

As empresas são investigadas por formação de cartel na Europa e nos Estados Unidos. Na semana passada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou a abertura de um processo contra a Apple e mais cinco grandes editoras. As empresas são acusadas de tomar medidas para fixar o preço dos e-books e impedir a Amazon de vender os livros eletrônicos a US$ 9,99.

O representante europeu destacou, porém, que os procedimentos e prazos de uma investigação antitruste não são iguais dos dois lados do Atlântico.

Queremos que haja concorrência. A existência de um competidor tão importante como a Amazon não pode ser um argumento para eliminar a concorrência e para realizar acordos contrários à norma da concorrência”, afirmou Almunia.

Segundo Almunia, a Comissão Europeia e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos vêm cooperando estreitamente desde que a Comissão Europeia abriu, em novembro passado, investigação paralela à das autoridades americanas para investigar as mesmas empresas.

Três das editoras – Simon & Schuster, Harper Collins e Hachette- já chegaram a um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA.

Por Guilherme Serodio | Valor Econômico | 17/04/2012, às 19H07

Acusação “não é verdadeira”, diz Apple


Empresa diz que iBookstore quebrou o controle monopolista da Amazon

Depois de ser alvo de um processo aberto na quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos junto com cinco das maiores editoras do mundo, a Apple se defendeu das acusações de que o grupo de empresas fez um conluio para evitar a redução do preço dos e-books por meio da adoção do modelo de agenciamento na venda dos livros. A empresa foi a última entre as acusadas a se pronunciar.

Em comunicado assinado pelo porta-voz Tom Neumayr, a Apple afirmou que as acusações “simplesmente não são verdadeiras”. “O lançamento da iBookstore em 2010 estimulou inovação e concorrência, quebrando o controle monopolista da Amazon sobre a indústria editorial. Desde então os consumidores se beneficiam de e-books que são mais interativos e atrativos. Da mesma forma como permitimos que os desenvolvedores definam os preços na App Store, as editoras definem os preços na iBookstore”, diz a companhia.

Estima-se que a Amazon tenha 60% do mercado norte-americano de e-books, enquanto a Barnes & Noble fica com cerca de 30%. Acredita-se que a participação da Apple não passe de 5%.

Enquanto as editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette fizeram acordo com a Justiça americana para encerrar o caso, a Apple, junto com as editoras Penguin e Macmillan, vão enfrentar o tribunal.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 13/04/2012

Processo contra editoras muda o jogo do preço do eBook


Justiça dos EUA conclui que adoção conjunta do modelo de agenciamento por grandes editoras foi concorrência desleal; Amazon sai fortalecida

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou a Apple e cinco das maiores editoras do mundo, ontem, sob a acusação de que as empresas fizeram um conluio para evitar a redução no preço dos e-books quando passaram a usar o “modelo de agenciamento”, em 2010, que visou especialmente impedir que a Amazon vendesse livros a preços reduzidos. A ação judicial é um revés para as editoras envolvidas, que podem vir a pagar milhões de dólares em ressarcimento aos consumidores, e uma vitória para o modelo comercial defendido pela Amazon, empresa que domina o mercado de livros nos EUA.

A Justiça americana concluiu que a Apple junto com a HarperCollins, Hachette, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin praticaram concorrência desleal ao adotar um sistema em que são as próprias editoras que definem os preços dos e-books e que de fato realizam a venda, enquanto o varejista atua apenas como um “agente” da venda. É diferente do modelo tradicional de distribuição, em que quem define o preço final e faz a venda é a empresa varejista. Na prática, livros que poderiam ter custado US$ 9,99 por decisão da Amazon, por exemplo, com o modelo de agência ficavam entre US$ 12,99 e US$ 14,99, os preços impostos pelas editoras. Você pode ver a íntegra do processo e seus detalhes [em inglês] aqui.

Como resultado da alegada conspiração, acreditamos que os consumidores pagaram milhões de dólares a mais por alguns dos títulos mais populares“, disse Eric Holder, promotor geral dos EUA, durante uma entrevista coletiva em Washington onde ele anunciou o processo.

Acordos

As editoras Hachette [do grupo Lagardère], Simon & Schuster [da CBS] e HarperCollins [da News Corp.], já fecharam acordos com o Departamento de Justiça para não enfrentar o processo judicial. Ontem, as duas primeiras soltaram comunicados rebatendo as acusações e afirmaram não ter agido ilegalmente, mas de qualquer forma já se comprometem a encerrar os contratos nos moldes do agenciamento com a Apple. Pelo acordo, elas também ficam proibidas de impor pelo prazo de dois anos quaisquer restrições aos preços dos e-books definidos por varejistas.

Já a Penguin [grupo Pearson], a Macmillan [grupo Georg von Holtzbrinck]e a Apple não fizeram acordos e vão enfrentar a ação na Justiça – o principal executivo da Macmillan, John Sargent, escreveu uma carta em que faz veemente defesa da empresa, e o principal executivo da Peguin, John Mackinson, também assinou comunicado afirmando que a empresa não fez “nada errado”. Segundo ele, a ação americana “contém uma série de distorções e omissões materiais, que nós esperamos ter a oportunidade de corrigir no tribunal“.

As editoras que fizeram o acordo conseguiram garantir pelo menos uma limitação contra as agressivas políticas de descontos da Amazon: a de que a gigante varejista não possa vender todo o catálogo de uma editora a preços abaixo do que custa o e-book para ela. No entanto, de acordo com uma reportagem do The Wall Street Journal, se a Amazon vender um best-seller abaixo do custo e compensar com o lucro de outra venda, as editoras não poderão fazer nada.

Restituição milionária

Embora os acordos fechados pela Harper, S&S e Hachette não incluam compensação financeira, duas dessas editoras podem vir a ter que pagar restituições milionárias devido a uma ação aberta ontem por um grupo de 16 estados americanos, liderados por Connecticut e Texas, contra a Apple, a HarperCollins e a Hachette.

Segundo informações do The Wall Street Journal, já há tentativa de acordo em andamento com as duas últimas empresas. Elas já teriam concordado, a princípio, em pagar nada menos do que US$ 51 milhões em ressarcimento a consumidores, também segundo o jornal.

Investigação na Europa

Na Europa, as investigações contra as empresas, que começaram antes do que nos Estados Unidos, continuam em andamento pela Comissão Europeia. O The Wall Street Journal informou que, segundo o comissário de concorrência do órgão, Joaquin Almunia, a Apple já propôs mudanças e que quatro editoras internacionais propuseram acordos para encerrar a questão.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 12/04/2012

Apple é processada nos EUA por preços de livros eletrônicos


O Departamento da Justiça dos Estados Unidos abriu processo contra a Apple e cinco das maiores editoras de livros do planeta, na quarta-feira, alegando conluio para elevar os preços dos livros eletrônicos, o que pode ter custado “dezenas de milhões de dólares” aos consumidores.

A queixa, apresentada no distrito sul da Justiça federal em Nova York, alega que executivos da Apple e das editoras chegaram a um acordo para adotar resposta comum à política de preços da Amazon, por meio de conversas telefônicas, troca de e-mails e refeições em “salas privativas de restaurantes finos de Manhattan“. A Amazon, que vinha desafiando o setor com um preço máximo de US$ 9,99 para os livros eletrônicos, não foi citada entre os acusados.

As editoras acusadas no processo são o Hachette Book Group, parte do grupó Lagardère; a HarperCollins, da News Corp; a Holtzbrinck, controladora da Macmillan; a Simon & Schuster, subsidiária da CBS; e a Penguin, controlada pelo grupo Pearson, também controlador do “Financial Times”.

O Departamento da Justiça alegou que a Apple e as editoras elevaram os preços dos best sellers em entre US$ 2 e US$ 5 ao introduzir um modelo de negócios de “agência”, simultaneamente ao lançamento do tablet Apple iPad, sob o qual os preços de varejo são determinados pelas editoras. A insistência da Apple em uma cláusula de proteção sob a qual as editoras se comprometem a não vender seus livros a preço mais baixo para outros grupos de varejo – e a pagar 30% de comissão à Apple sobre cada venda – forçou outros grupos de varejo a adotar termos semelhantes, de acordo com o departamento.

Executivos dos escalões mais elevados das empresas citadas nos processos de hoje, preocupados com a redução de preços promovida pelo varejo de livros eletrônicos, agiram de modo coordenado para eliminar a concorrência entre as lojas que vendem livros eletrônicos, o que resulta em aumento do preço final para os consumidores“, afirmou o secretário federal da Justiça norte-americano, Eric Holter, ao anunciar o processo em Washington.

O iBooks, plataforma de e-books da Apple, foi anunciado no evento de lançamento do iPad, em janeiro de 2010 | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

O iBooks, plataforma de e-books da Apple, foi anunciado no evento de lançamento do iPad, em janeiro de 2010 | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

ACORDOS

A Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster aceitaram acordo imediato para encerrar os processos contra elas, mas a Apple, MacMillan e Penguin pretendem contestar as acusações no tribunal.

Um processo separado envolvendo diversos Estados norte-americanos trouxe acusações semelhantes contra a Apple, Macmillan, Simon & Schuster e Penguin. A Hachette e a HarperCollins vão pagar US$ 52 milhões aos Estados para encerrar os processos contra elas.

Joaquin Almunia, vice-presidente de política de competição da União Europeia, acrescentou que a Apple, Simon & Schuster, HarperCollins, Hachette e Holtzbrinck haviam recomendado possíveis mudanças em suas operações de negócios, como parte de um esforço para concluir uma investigação paralela europeia sobre livros eletrônicos.

Nem todas as editoras envolvidas comentaram de imediato, mas já haviam negado anteriormente qualquer conluio para aumento de preços, e defenderam o modelo de “agência” como uma forma de promover maior competição ao desafiar o domínio da Amazon sobre o mercado de livros eletrônicos, que vem crescendo rapidamente.

O processo federal norte-americano alega que Steve Jobs, presidente-executivo da Apple morto no ano passado, havia se envolvido pessoalmente na adoção do modelo de agência. “A Apple claramente compreendia que sua participação no esquema resultaria em preços mais altos para os consumidores“, o processo alega. Também cita Jobs como tendo declarado que “o consumidor pagará um pouco mais, mas é isso que vocês [as editoras] querem, de qualquer modo“. Um porta-voz da Apple se recusou a comentar.

REUNIÕES

De setembro de 2008 até 2009, os presidentes-executivos das editoras supostamente realizaram reuniões trimestrais para discutir “assuntos confidenciais e mercados competitivos, o que incluía as práticas de varejo de livros eletrônicos da Amazon“, afirmou o Departamento da Justiça. O departamento menciona jantares executivos dos quais participaram John Makison, da Penguin, e John Sargent, da Macmillan, na “adega do chef”, uma sala privada no restaurante Picholine, em Nova York.

O acordo, que terá de ser aprovado pelo tribunal, requereria que a Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster permitam que grupos de varejo como a Amazon e a Barnes & Noble determinem os preços que preferirem para os livros eletrônicos. Também requereria que suspendam sua preferência à Apple e que não troquem informações importantes sobre assuntos de competição por pelo menos cinco anos.

A HarperCollins anunciou o acordo sem admitir culpa, e o definiu como “decisão de negócios para encerrar a investigação do Departamento da Justiça e evitar uma batalha judicial potencialmente longa“.

POR DAVID GELLES & ANDREW EDGECLIFFE-JOHNSON | DO “FINANCIAL TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado por Folha.com | 11/04/2012 – 12h19

Novo embate entre a Amazon e as Big Six


Reportagens de sites no exterior afirmam que as maiores editoras do mundo se recusaram a assinar o contrato anual com a varejista on-line

As relações de boa parte do mercado editorial com a Amazon, pelo menos nos Estados Unidos, já são temperadas por doses de rancor e revolta em relação ao domínio da gigante. Elas agora ganharam um pouco mais de pimenta. De acordo com uma reportagem divulgada no Salon, as chamadas Big Six –HarperCollins, Random House, Hachette, Simon & Schuster, Penguin e Macmillan – pela primeira vez se recusaram a assinar o contrato anual com a Amazon, especialmente devido ao aumento “exorbitante” de certo tipo de taxa promocional sobre e-books cobrada pela empresa. Segundo a matéria, que cita um editor a par do assunto, em alguns casos a Amazon elevou os valores em 30 vezes em relação a 2011. O assunto repercutiu e outra reportagem no PaidContent informou que pelo menos duas das seis grandes editoras se recusaram a assinar os contratos. O texto ressalta, contudo, que os títulos de todas as casas continuam à venda no site da varejista de Seattle. As seis editoras, junto com a Apple, continuam sendo investigadas nos EUA e no Reino Unido sob suspeita de terem decidido conjuntamente, de forma ilegal, pela implementação do “modelo de agenciamento” para venda de e-books, diferente do modelo de distribuição, que a Amazon aplica.

PublishNews | 11/04/2012

União Europeia pode fazer acordo com editoras em caso que envolve Apple


Os órgãos reguladores da União Europeia estão abertos a um acordo com editoras de e-books detidas pela Lagardère, News Corp e três outras companhias se forem oferecidas concessões que resolvam preocupações sobre a competição, disse nesta segunda-feira o diretor do órgão antitruste do bloco econômico.

Desde dezembro passado, a Comissão Europeia vem investigando se as editoras fixaram preços com a Apple para produtos eletrônicos, uma ação que pode ter bloqueado concorrentes como Amazon e afetado consumidores.

A Lagardère, unidade da Hachette Livre, e a Harper Collins, da News Corp, estão sendo investigadas. As outras três editoras são a Simon & Schuster, que pertence à CBS, a Penguin, da Pearson e a alemã Macmillan, unidade da Verlagsgruppe Georg von Holzbrinck.

Essa possibilidade de um acordo só está aberta caso as editoras estejam dispostas a remover todas nossas objeções“, disse o Comissário Europeu para Competição Joaquin Almunia a repórteres.

Ele disse que os órgãos reguladores da UE estavam agindo conjuntamente a seus equivalentes dos Estados Unidos, que também estão investigando acordos de preços como esses sob um modelo empresarial adotado em 2010 em que as editoras definem o preço em varejo.

Sob os procedimentos de resolução da Comissão, as empresas podem oferecer concessões para evitar uma multa de até 10% do total de suas vendas globais. Os órgãos reguladores abandonariam então sua investigação sem que as empresas assumissem terem participado em atos ilegais.

Os órgãos reguladores dos Estados Unidos alertaram a Apple e as cinco editoras que planejam entrar em processo contra as empresas, disse uma fonte próxima ao assunto à Reuters na semana passada. A fonte também disse que várias das empresas estavam organizando reuniões para entrar em acordo com os reguladores.

O modelo de atacado utilizado pela Amazon permite aos vendedores pagar pelo produto e cobrar o quanto decidirem.

DA REUTERS, EM BRUXELAS | 13/03/2012, 17h24 | Publicado em Folha.com

Simon & Schuster terá 17% da receita com eBooks


Carolyn Reidy | Simon & Schuster president and c.e.o.

Segundo a principal executiva e presidente da Simon & Schuster, Carolyn Reidy, a empresa espera que os e-books representem 17% do faturamento total da editora em 2011, o dobro do que foi em 2010. Em uma mensagem de Natal aos funcionários, Reidy reiterou que está “particularmente entusiasmada quanto ao potencial do livro digital para remodelar os nossos negócios internacionais.” Ela também disse: “A transição para a leitura digital está acontecendo rapidamente… em 2012 as vendas de conteúdo digital sem dúvida alguma terão um crescimento similar.” A publicação digital permitirá que a editora “aumente a audiência para os seus autores nos lugares mais distantes do planeta, em mercados que, atualmente, são pouco atendidos pela distribuição de livros físicos”, comentou Reidy. Ela descreve o mercado internacional de e-book como “decolando neste momento, à medida que varejistas introduzem e-readers e colocam no ar seus sites dedicados à venda de e-books no Canadá, Austrália e Reino Unido, e abrem os mercados em países como Alemanha, França e Brasil”, acrescentando que “a resposta inicial dos consumidores nesses mercados tem sido de entusiasmo.” Reidy acrescentou que as editoras, como a S&S, precisam “fazer da experiência de publicação o melhor que ela pode ser”, uma vez que há mais alternativas para os autores diante do mundo de autopublicações.

Por Charlotte Williams | The Bookseller | 20/12/2011

Comissão Europeia poderia aplicar multas milionárias a editoras


As cinco editoras que estão sendo investigadas a respeito do preço de seus e-books poderiam receber multas de muitos milhões de euros se for descoberto pela Comissão Europeia que elas implementaram práticas anticoncorrenciais. Hachette Livre, HarperCollins, Simon & Schuster, Penguin and Macmillan — as cinco editoras que criaram o modelo de “agência” – foram nomeadas pela Comissão Europeia na semana passada, quando o órgão formalmente iniciou uma investigação acerca da criação de preços fixos digitais com a ajuda da Apple. Muitas editoras suspeitam que a Amazon, que tanto de forma pública e privada rejeitou os acordos no modelo de agência, fez lobby com as autoridades responsáveis pela concorrência para que a investigação fosse aberta. Há casos antitruste similares que estão pendentes nos Estados Unidos, incluindo vários processos privados abertos por indivíduos que acreditam que pagaram demais pela compra de e-books.

Por M J Deschamps e Keith Nuthall | The Bookseller | 09/12/2011