Livro digital é caro no Brasil e editores têm medo de desconto, diz vice-presidente da Amazon


Serviços de assinatura e de autopublicação são o futuro do mercado, diz David Naggar, executivo da livraria americana

Há três anos, a Amazon chegava ao Brasil para vender livro digital. Há um ano e meio, começava a comercializar livros impressos. Nesse período, ofereceu frete internacional pelo valor de frete local, lançou programas de autopublicação e de assinatura de e-books. Mas, de acordo com o mercado, ela não vende como esperado. O americano David Naggar, vice-presidente de Conteúdo do Kindle, no entanto, diz que está feliz com os resultados, especialmente dos títulos autopublicados, que já respondem por 30% da lista de mais vendidos. Ele falou ao Estado na sede da empresa, em São Paulo, ao lado de Alex Szapiro, diretor da Amazon no Brasil.

David Naggar e Alex Szapiro

David Naggar e Alex Szapiro

 

Como avalia o momento?

Vai tudo muito bem. Os editores estão cada vez mais animados com o digital. Os consumidores estão respondendo bem à oferta de livros em português e em outras línguas. Os e-readers vendem bem e a autopublicação é uma loucura. Ela cresce mais rápido aqui que em qualquer outro país e os livros autopublicados já respondem por 30% da lista de mais vendidos toda semana.
Vão bem porque são mais baratos?
Sempre começa com um bom livro. Um conteúdo barato, mas ruim, não vende porque ele traz consigo várias avaliações negativas. E, entre dois livros bem avaliados, vende mais o que for mais barato. O gap de preços entre os livros publicados de forma tradicional e de forma independente contribui para o crescimento.
Os jovens estão mais abertos a esse conteúdo independente?
As pessoas, de forma geral, estão mais abertas. Não tem a ver com idade. A maioria dos leitores não sabe quem é a editora do livro que estão lendo. Não dizem: vou comprar o novo livro da Intrínseca. Dizem que vão comprar o próximo livro do autor de que gostam. E elas não sabem que se trata de autores independentes.
Diz-se que um e-book de US$ 9,99 vende mais que o dobro de um mais caro.

Um livro de US$ 9,99 vende 75% a mais que um de US$ 14,99. Esse dado é dos Estados Unidos e varia nos outros países. Jogar o preço para zero não funciona para ninguém, nem para a Amazon. Em digital, queremos encontrar um preço que garanta maior margem de lucro. O custo de distribuir a unidade seguinte é zero. Então, quero vender o máximo de exemplares que eu puder. É encontrar o valor que vai maximizar as minhas vendas. Não há dúvidas de que e-books de editoras tradicionais são muito caros. Há 10 anos, não havia uma alternativa a isso, mas hoje, há. E para leitores vorazes, que leem 30 livros por mês, um desconto de 25% não é viável. Por isso, nosso serviço de assinatura está crescendo.

No Brasil, a Amazon não conseguiu, como em outros países, o controle sobre o preço do e-book.

É diferente em cada país. Mas quando vemos o crescimento do Kindle Unlimited e da autopublicação, o apetite do consumidor fica claro. Se os preços são altos demais, esses consumidores têm, hoje, alternativas. E eles estão indo atrás delas.

O mercado editorial reclama que as vendas de e-books não vão tão bem quanto esperavam.

Temos a informação de que ela já representa de 13% a 15% do faturamento de algumas editoras [não didáticas]. Ir de zero a 15% em três anos é muito bom. Mas tem também esse mundo da autopublicação e dos livros estrangeiros, que não estão nas estatísticas. Nos EUA, o faturamento com e-books fica entre 25% e 30%.

Impressão sob demanda também está na mira da Amazon. Vale a pena?

Sempre vale. Não custa nada. E se uma pessoa compra, valeu a pena. Não há trabalho extra nisso, só dinheiro extra.

Entregar um livro criado para ser apenas digital na versão impressa tem a ver com o fato de o digital ainda não ter estourado?

Nossa filosofia é: se você é meu cliente, quero que você encontre a felicidade na minha loja. Se sua alegria é comprar livro impresso, teremos livro impresso. No Brasil, vendemos livro físico há 16 meses. A maioria dos nossos clientes é híbrida. As pessoas tendem a escolher por gênero. Por exemplo, podem ler romances em e-book, mas querem ter livros de culinária na estante.

Haverá um equilíbrio entre a venda de livros impressos e digitais?

Isso não nos importa. Apenas duas pessoas importam nessa equação: o leitor e o autor. E ninguém mais. Se estivermos fazendo autores e leitores felizes, então estamos fazendo o nosso trabalho.

Leitura em telefone já é algo significativo?

Sim, e está crescendo muito.

Livros estão sendo vendidos. E estão, de fato, sendo lidos?

Sim, e inclusive pagamos os autores do KDP por páginas lidas. As pessoas estão lendo bilhões de páginas. Editores, especialmente da área de didáticos, adorariam essa informação, mas ainda não fomos a esse nível de detalhe. Definitivamente, as pessoas estão lendo.

Livros lidos por meio do serviço de assinatura vão para as listas de mais vendidos?

Sim, e isso ajuda no fenômeno dos indies – muitos deles estão no Kindle Unlimited.

Demorou para a Amazon ter grandes editoras em seu programa de assinatura.

A beleza de ter a autopublicação é que podemos lançar um serviço como esse e vê-lo crescer sem as editoras tradicionais. Elas podem aderir e ficaremos felizes se elas vierem. Quanto melhor a seleção para o cliente, melhor. Mas é tudo uma questão de ter os títulos certos e os arranjos comerciais. Se esse fosse nosso único modelo de negócio, iríamos querer todos os livros de todas as editoras. Mas temos um serviço a la carte muito sadio. Uma curiosidade: os assinantes ainda compram livros. Um editor esperto coloca os dois primeiros livros de uma série no Kindle Unlimited, atrai os leitores, e vende os outros 5. É bom para todo mundo. As pessoas estão lendo mais e gastando mais com livros.

Além de metadados, o que ajuda a vender um livro?

Preço, divulgação feita pelos independentes, tours online, indicações de celebridades. Uma das preocupações dos editores é que diminuindo o valor de um livro, você o desvaloriza. Não é verdade. Mas já foi. Pense no mercado de livro impresso. Você vai a uma livraria e encontra as bancas de saldos. Se passa lá durante um mês e vê um livro de capa super barato no mesmo lugar vai achar que aquele livro não tem valor. Mas no mundo online, de livros digitais ou impressos, o fenômeno é diferente. Vamos supor que hoje você baixe o preço do livro a US$ 1,99. A demanda começa, e ela alimenta o sistema de recomendação. No dia seguinte, o livro volta para o preço normal, mas agora está visível a todas essas pessoas. E elas não sabem qual era o preço no dia anterior. Não há desvalorização do conteúdo. A venda de um dia realmente aumenta a visibilidade do livro em todos os espaços no site. No fim, as pessoas não se sentem enganadas e ficam felizes por descobrirem um livro que está sendo recomendado.

Quem escolhe esses livros?

Os editores recomendam, nossos profissionais escolhem. Alguns países ainda não acreditam que não estamos desvalorizando o produto, mas nos EUA, editores brigam, pagam por isso. O que eles não sabem é que não precisam dessa publicidade para baratear o preço. Eles podem fazer isso quando quiserem. Um livro no ‘daily deal’ vê suas vendas aumentarem 3 mil vezes. 30 dias depois, a venda deve ficar 20% maior do que antes da ação. Um editor esperto chega a esse valor e decide baixar o preço de novo.

O que mais um editor esperto deve fazer ou saber?

Eles devem ter os direitos globais de suas obras. No nosso sistema, você aperta uma tecla e o livro passa a estar disponível, imediatamente, a custo zero, em outros países. A questão do preço é, possivelmente, o maior problema no Brasil. Se acreditar que, ao dar um preço alto para o e-book, o cliente vai escolher comprar o impresso, então deve cobrar caro. Mas não acredito que seja isso o que esteja acontecendo. Clientes escolhem. Ninguém nunca ficou rico dizendo ao cliente o que comprar. Ao tornar o produto muito caro ou não tê-lo disponível, ele vai escolher outro livro. E até a pirataria vira uma opção. Todos os livros estão disponíveis em sites piratas. Tem a ver com oferta e preço. Se o livro não está disponível, você deixa a pessoa sem escolha. E se está disponível, mas com um preço ridículo, a pirataria também é uma opção. Há muitos livros de fundo de catálogo que as editoras brasileiras ainda não digitalizaram.

POR MARIA FERNANDA RODRIGUES | O ESTADO DE S. PAULO | 03/12/2015

Na era do self-publishing


Por Paulo Tedesco | Publicado originalmente em PublishNews | 06/10/2015

O que pode ser triste e decepcionante para alguns, transformou-se em oportunidade para milhares: o mercado do self-publishing amadureceu e veio para ficar.

Não dá mais para ignorar, não há como, o mercado do self-publishing amadureceu e veio para ficar. Simples assim. Você, autor, agora é um autor-empreendedor, responsável direto pela sua carreira, e como nunca antes responsável por cada uma de suas publicações. Aquele sonho de uma editora redentora, empresa benfazeja que permitiria você ficar em casa enquanto seus livros estavam sendo editados e vendidos, bastando ver sua conta no banco e alguns jornais para saber da resposta do mercado, acabou. Esse sonho já não mais existe.

O que pode ser triste e decepcionante para alguns, transformou-se em oportunidade para milhares. Se toda aquela acomodação terminou, no lugar surgiu a desacomodação. Em outras palavras: a atitude é o que vale. Os acomodados, então, diriam “mas não nasci para fazer circo, quero somente escrever”. Pobre gente. Um pouco de observação e estudo mostram que não somente um fracasso de vendas pode lhe obrigar a sair da caixa, como o futuro de seus direitos autorais, toda a herança cultural e a eternidade de seus livros, nesse exato instante, podem estar seriamente comprometidos.

Terrorismo? Não, realismo. O mercado mudou. O paternalismo de editores e agentes literários tornou-se totalmente desnecessário, obsoleto. Por obra da tecnologia mas também por obra da própria globalização, goste ou não, todo autor agora é um autor para muito além de sua aldeia. Um texto, neste milênio, acontece mundial ao toque de uma tela. E pode enriquecer alguns, pode animar a outros, e pode até miserabilizar tantos, mas a consciência, essa coisa terrível que Dostoiévski anuncia, nunca antes foi tão urgente.

O livro só é papel depois do digital. Logo, o digital é o primeiro e inequívoco passo para se tentar compreender o que passa com o que escrevemos. E não se está a falar nos tais “e-books”, que não passam de formatos rudimentares do que ainda está por vir. Quando se fala em digital se fala em multi-conexões, publicação instantânea, impressão um a um, leitura multilingual e tantas outras desconhecidas possibilidades de leitura. E onde fica o editor, ou melhor, a relação tradicional e ultrapassada com o editor? Resposta: na lata do lixo a história.

Fiódor Dostoiévski escrevia como um louco para tentar pagar suas contas, que eram consumidas pela jogatina e uma vida cercadas de credores, até que, velhinho, encontrou estabilidade. Um editor quase lhe tomou todos os direitos autorais, justamente por essa relação que hoje é declarada extinta. Não por coincidência o livro Um jogador foi o resultado direto desse momento. De certa forma prenúncio de que algo de muito errado havia entre um editor e um autor.

Então, o autor que guarda com temor seus originais e feito alguns consagrados escritores do passado, toda a manhã abre sua caixa postal à espera do famoso aceite de alguma casa editorial, pode muito bem utilizar essa passagem da sua vida como boa parábola do fim de uma era. E a liberdade chegou. A alforria do autor é o verdadeiro acontecimento da nova era do livro. E isso ninguém mais consegue segurar, ninguém. Todo autor precisa sonhar não mais com um editor ungido dos céus, mas com a melhor estratégia adotada para cada um de seus títulos. E depois, depois é lutar para ser feliz.

Por Paulo Tedesco | Publicado originalmente em PublishNews | 06/10/2015


Paulo Tedesco

Paulo Tedesco é escritor de ficção, cronista e ensaísta, e atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? [Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004]; Contos da mais-valia & outras taxas [ Dublinense, 2010] eLivros: um guia para autores [Buqui, 2015]. Desenvolve e ministra os cursos de Instrução para Produção de Livros na PUCRS, O Livro Passo a Passo e Processos Editoriais, ambos no StudioClio Arte e Humanismo e no Metamorfose Cursos. Pode ser acompanhado pelowww.paulotedesco.com.br, pelo Facebook ou pelo Twitter.

Autopublicação nunca foi tão fácil, mas fama e dinheiro são escassos


FRANKFURT | Para qualquer escritor frustrado por rejeições de editoras ou querendo cortar intermediários, nunca houve um momento mais fácil ou mais barato de ser um autor autopublicado.

Uma série de plataformas gratuitas de autopublicação oferecidas por Amazon, Apple e especialistas como Smashwords criaram novas oportunidades e um enorme mercado tanto para desconhecidos que galgam lugares mais altos quanto para alguns escritores estabelecidos.

Louvada por alguns pois teria democratizado o mercado, e criticada por outros pois teria banalizado a cultura literária, a autopublicação transformou o que significa ser um escritor. Simplesmente enviar um arquivo PDF e gastar um pouco com o design da capa pode transformar qualquer um em um autor publicado em uma plataforma de livros digitais como o Kindle, da Amazon, recebendo até 70 por cento do preço de capa.

O papel tradicional das editoras – fazer a seleção entre vários manuscritos, editar os selecionados e criar o pacote, fazer o marketing e distribuir o livro finalizado – foi eliminado. As editoras, no entanto, não estão muito preocupadas. A autopublicação pode funcionar a favor delas também.

A escritora E.L. James é um exemplo. Seu livro “Cinquenta Tons de Cinza” foi autopublicado. A obra foi então selecionada pela Random House e se tornou o livro de formato brochura, conhecido como “paperback” nos Estados Unidos, com vendas mais rápidas de todos os tempos, impulsionando Erika ao topo da lista da Forbes de autores mais bem pagos em 2013.

Poucos escritores autopublicados verão esse tipo de sucesso. Mas aqueles que promoverem ativamente seus próprios trabalhos e definirem preços com perspicácia – às vezes tão baixos quanto 99 centavos por cópia – podem conseguir uma audiência de massa.

Muitos livros autopublicados, embora não atendam os padrões que editoras estabelecidas podem desejar, são bons o bastante“, disse o editor-chefe da revista online Publishing Perspectives, Edward Nawotka.

Eles tem preços em um ponto que atende a demanda do leitor”, disse ele à Reuters durante a feira de livros de Frankfurt. “Acredito que isso tenha ampliado o mercado para livros.

Cerca de meio milhão de títulos foram autopublicados somente nos Estados Unidos, um aumento de 17 por cento na comparação anual e um salto de 400 por cento ante 2008, de acordo com relatório publicado na semana passada pela empresa de informações bibliográficas Bowker.

Para se conseguir viver da escrita é preciso uma sorte incrível, ou determinação e senso de negócios, afirma a escritora alemã de ficção Ina Koerner. Ele vendeu mais de 300 mil livros pela Amazon sob o nome Marah Woolf.

Você tem que entregar um livro a cada meio ano, caso contrário será esquecido”, disse a autora de 42 anos, mãe de três filhos, à Reuters durante a feira, maior do gênero no mundo. “Eu escrevo para um mercado e o livro é um produto.

Ina vende seus livros a 2,99 euros [3,79 dólares]. Ela fica com dois euros e a Amazon com o restante.

Reuters | 13/10/2014, às 13h55

Mercado ganha Guia da Autopublicação


Lançamento oficial acontece no dia 1º de agosto

No próximo dia 1º de agosto será lançado oficialmente um espaço com informações e tutoriais para quem deseja escrever, publicar, distribuir, divulgar e vender seu próprio livro impresso e/ou digital. No Guia da Autopublicação, autores e o editores independentes encontrarão uma série de dicas do mundo real e a orientação necessária para posicionar, publicar, promover, distribuir e vender sua obra autopublicada, nos formatos impresso e digital. O espaço tratará também as principais notícias relacionadas à autopublicação de livros no Brasil e no exterior. O novo portal é coordenado por Cláudio Soares, CEO e fundador da Obliq Press, empresa especializada em produção editorial e tecnologia.

PublishNews | 29/07/2014

Autores independentes lançam petição pró-Amazon 


Uma segunda petição relacionada à disputa entre Amazon e Hachette acaba de ser lançada. Dessa vez uma carta pró-Amazon escrita por um grupo de escritores independentes. A petição assinada por “seus autores” e dirigida aos “queridos leitores” argumenta que a Amazon “construiu sua reputação na valorização de autores e leitores”. A petição foi lançada poucas horas depois de uma outra carta — escrita por Douglas Preston e assinada por vários autores convocando a Amazon a resolver a sua disputa com a Hachette e sugerindo que leitores enviassem e-mail ao diretor da Amazon, Jeff Bezos, com seus protesto – viesse a público.

Por Philip Jones | The Bookseller | 04/07/2014

Smashwords é o maior produtor de eBooks independentes dos EUA, segundo a Bowker


A Bowker classificou o site Smashwords como o maior produtor de e-books independentes em 2012, segundo o relatório anual sobre autopublicação. Smashword também ficou em segundo lugar como maior produtor de livros autopublicados, após o CreateSpace, contabilizando a produção conjunta de livros impressos e e-books [o Smashwords não imprime]. Segundo a análise da Bowker dos dados de ISBN, o número de títulos autopublicados em 2012 pulou para mais de 391 mil, um aumento de 59%, em relação a 2011, e 422% em relação a 2007.

PublishNews | 13/11/2013

As plataformas de autopublicação deveriam censurar livros condenáveis?


Uma investigação do site britânico The Kernel afirmou que “centenas de e-books que celebram sexo explícito, incesto e ‘sexo forçado’ com garotas jovens” estão disponíveis para venda na Amazon. Os e-books são vendidos como edições Kindle. A polêmica afetou a Kobo também que, em resposta, tirou todos os livros autopublicados do site. Mas qual é a responsabilidade da Amazon pelo o que é vendido em seu site? Jack Rivlin, do Telegraph, argumenta que o problema não é a existência dos livros, é o fato de que a Amazon está ganhando com isso.

Por Dennis Abrams | Publishing Perspectives | 18/10/2013

Smashwords, anote este nome na sua lista


SmashwordsSmashwords é uma empresa de auto-publicação de ebooks, com sede nos EUA. O serviço é basicamente o seguinte: o autor sobe seu livro no Smashwords, e a empresa coloca o livro à venda em inúmeras livrarias internacionais – a mais destacada delas é a Apple, e a lista também inclui Kobo, Barnes & Noble, entre outras menos conhecidas. Aberto desde maio de 2008, o Smashwords distribui hoje mais de 190 mil ebooks de autores e editoras independentes – 98 mil foram adicionados apenas em 2012. Esses números tornam a empresa uma das mais conhecidas e utilizadas pelos autores que publicam ebooks sem editoras. A empresa conta atualmente com 19 funcionários e registra lucro há mais de dois anos, sem interrupção.

Por que você deve anotar este nome na sua lista? É um concorrente da Amazon, que está ficando mais forte a cada dia que passa, literalmente. A empresa vem registrando números extraordinários com a venda de ebooks, especialmente através da Apple, onde distribui cerca de 125 mil títulos – nem todos os títulos do Smashwords vão para a Apple, pois os autores é que são responsáveis por providenciar arquivos de qualidade para seus eBooks, que passem pelo padrão de qualidade da Apple.

Evolução das unidades vendidas na Apple, de 2010 a 2012Há 27 meses, a empresa tem lucro de forma ininterruptacom a venda de ebooks – pagando aos autores entre 60% e 85% do valor líquido das vendas. E esses resultados aconteceram, sem que o Smashwords vendesse eBooks com a Amazon – a única grande livraria de ebooks com a qual o Smashwords não trabalha. A Amazon também oferece um serviço de auto-publicação próprio, bastante forte, e não tem interesse em dar fôlego para a concorrência do Smashwords.

Além disso, o Smashwords acaba de lançar oficialmente o seu novo canal de distribuição, diretamente em formato ePub. Até poucos dias atrás, um autor que desejasse publicar através do Smashwords precisava enviar um arquivo em Word, que era transformado em eBook através de um processo automático – com resultados pobres, geralmente. Desde o começo de 2013, autores e editores já podem fazer o upload de um arquivo ePub diretamente, com toda a qualidade possível.

Como a empresa opera somente nos EUA, não é tão interessante para os autores brasileiros, por conta dos impostos americanos descontados na remessa de pagamentos para o Brasil. Porém, conforme o Smashwords cresce e se consolida, cedo ou tarde conhecerá uma expansão internacional. Anote aí – este serviço ainda chegará ao Brasil.

Para continuar por dentro das principais notícias do mercado de eBooks, assine nosso Boletim.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 04/01/2013

Kobo entra no jogo da autopublicação


Serviço entra no ar este mês e promete oferecer várias ferramentas aos autores

Jeremy Greenfield, editor do site do Digital Book World, contou que a Kobo, empresa canadense que vende e-books e e-readers, lançará em junho sua plataforma de autopublicação Writing Life. Dessa forma, ela passará a competir com empresas como Amazon e Barnes & Noble também nesse segmento. O serviço está sendo testado por 50 autores e promete ferramentas que permitirão criar os e-books e acompanhar as vendas e as repercussões nas redes sociais, além de adicionar uma graça a todo o processo por meio de um “joguinho”: os autores ganharão espécies de medalhas por atividades como vender livros em vários países ou trabalhar tarde da noite. Eles poderão brincar com suas medalhas nas redes sociais e interagir com outros autores. Leia a notícia do DBW aqui.

PublishNews | 13/06/2012

Uma bolha [de livros] prestes a estourar?


A autopublicação pode ser a redenção dos escritores — ou agravar uma situação já insustentável

Minha primeira euforia de autopublicação, disparada por uma nova e revolucionária tecnologia, foi há muito tempo. Muito tempo. Um colega chegou com uma novidade incrível: poderíamos criar nossos próprios adesivos! Bastava uma tesoura e um papel mágico chamado contact. Maravilhados com a liberdade de expressão, a turma [segunda série, se não me engano] passou a recortar, adesivar e colar tudo o que achasse de [vagamente] interessante nas revistas. Aventuras do Cebolinha, campanhas educativas com o Sugismundo e robôs do recém-lançado “Guerra nas estrelas” [sim, sou velho] ganhavam, pela mágica do contact, as capas dos cadernos, os estojos, as prateleiras, as roupas, as portas, as cadeiras, janelas, o braço, a testa… No frenesi autopublicador, valia todo lugar e qualquer assunto, o importante era a brincadeira e a liberdade. Até o ponto em que a sala de aula ficou forrada de pedaços de classificados, fragmentos de quadrinhos, anúncios imobiliários. E aí cansamos. Então alguém trouxe um ioiô, a nova febre se instalou e ninguém mais quis colar nada em lugar nenhum.

Sábado passado, um amigo meu veio me mostrar o livro que ele havia “publicado” no Author, o software de edição para iPad acoplado à loja de livros da Apple. Exibiu-me deliciado as imagens rotativas, os vídeos interativos, as “páginas” autodiagramadas. Lindo. Pedi para ler com mais atenção e deparei-me com o famoso “Lorem ipsum dolor sit amet…”. O texto era cego, estava ali para ocupar espaço, somente. O “livro” [ou iBook] do meu amigo era um invólucro fascinante para um conteúdo inexistente.

Não quero aqui equiparar meu amigo a meninos de sete anos. Ele é um excelente profissional da multimídia, com muitos anos de experiência [e vai ler este artigo]. Eu compartilho plenamente sua empolgação frente às possibilidades de expressão e à liberdade conquistada com a publicação digital. Porém, por dever profissional [tanto para escrever esta coluna quanto para assegurar que eu, editor, terei uma profissão no futuro breve], tenho que refletir sobre as implicações dessa liberdade autopublicadora oferecida não só pelo sensual Author da Apple, quanto pela luxuosas opções gráficas do Lulu ou a presteza do SmashwordsPerseBookmaker, entre as dezenas de opções de autopublicação que pululam na web. E dessa reflexão vem a pergunta básica: haverá conteúdo — e leitores — suficientes para dar sentido a tantos livros?

O descompasso entre a oferta de livros e a demanda não é uma questão nova. Já o Eclesiastes advertia ao leitor para que não se angustiasse em ler tudo porque “se podem multiplicar os livros a não mais acabar” [12:12] — e olhe que a produção literária no século 5 a.C. se restringia a variações sobre a Torá. Mais tarde temos Balzac que, depois de falir como editor e tipógrafo, escreveu, apropriadamente, As ilusões perdidas [1837], e que assim retratou a resposta de um editor a um candidato a autor:

Se eu fosse dar conversa a todo escritor que põe na cabeça que eu devo ser seu editor, eu teria que fechar a loja, passaria meu tempo muito agradavelmente, mas a conversa me custaria muito. Ainda não sou rico o suficiente para ficar ouvindo todos os monólogos autocongratulatórios. Ninguém pode se prestar a isso, a não ser quando assiste tragédias gregas.

Mesmo com a resistência [ou, digamos, a triagem] exercida pelos editores antipáticos [os famigerados gatekeepers], a quantidade de livros já era avassaladora e, algumas décadas mais tarde, Eça de Queirós colocou assim seu espanto diante da enxurrada de livros recém-viabilizados pela Revolução Industrial:

Durante todo o ano não se interrompe, não cessa essa publicação fenomenal, essa vasta, ruidosa, inundante corrente de livros, alastrando-se, fazendo pouco a pouco, sobre a crosta da terra vegetal do globo, uma outra crosta, de papel impresso. […] Eu sei que estou aqui fazendo o papel ridículo[…] e balbuciando, com a boca aberta: — Jesus! tanto livro!” [Cartas da Inglaterra, 1874]

Já em nosso século, Gabriel Zaid sintetizou a questão no sombrio Livros demais!, demonstrando que o estoque de livros publicados apenas em um ano nos Estados Unidos bastaria para suprir a demanda por leitura no planeta inteiro, por décadas.

Convém ressaltar que Zaid publicou seu livro [mais um!] numa época em que ainda não se falava seriamente em e-books. Se já havia livros demais quando havia requisitos de capital, administração de estoque, frete etc., o que esperar de uma nova situação, em que não há restrições ou barreiras para quem quiser publicar? E quando gigantes como a Amazon e a Apple estão cortejando e estimulando os escritores de gaveta a se lançarem nas prateleiras?

O que vai acontecer quando a oferta de livros, que já excedia de longe a demanda, explodir com a autopublicação? A primeira consequência, se cumprirmos a lei da oferta e da procura, será a desvalorização. Quando se nota que a maioria dos e-books da lista dos mais vendidos da Amazon custa menos de um dólar [ou é gratuito], quanto valerá um e-book? “De graça é um preço caro demais para um e-book autopublicado” disse um editor tradicional inglês em recente debate onde se discutiu a relevância dos editores no futuro.

Há uma semana, Ewan Morrison alertou, no Guardian, que estamos diante de uma bolha especulativa, tão sorrateira e perigosa quanto a bolha imobiliária que estourou e pôs o mundo em recessão. Trata-se da “bolha da autopublicação”. Morrison, que já publicara o apocalíptico artigo Os livros estão mortos? Os escritores sobreviverão?, agora demonstra como a euforia autopublicadora tem paralelos notáveis com as bolhas especulativas. A mecânica é a mesma: em resumo, alguém começa a ganhar muito dinheiro de um modo ilusoriamente fácil, uma multidão segue atrás e cria-se um verdadeiro mercado para estimular esses novos integrantes [semelhantes àqueles que entram nas pirâmides financeiras para enriquecer… quem está no topo]. A euforia espalha-se como vírus, tudo cresce exponencialmente, até que para. E tudo rui. Pop!

A questão toda da autopublicação [selfpublishing] é que ela traz para o mercado ‘as pessoas que não estariam normalmente lá’. Da mesma forma como nos prometeram que poderíamos pagar boas casas com hipotecas baratas, agora eles [as empresas do digital, a Amazon, a Apple e a imprensa] nos dizem que podemos todos ser escritores, e fazer sucesso”.

Morrison ainda insinua onde está de fato o dinheiro que circula nessa história toda:

As pessoas que estão se autopublicando pela primeira vez estão também comprando seus primeiros iPads e Kindles, para entender a tecnologia. Elas podem estar dando seus livros de graça, mas estão gastando de mil a dois mil reais em aparelhos tecnológicos — mais até do que gastam em livros por ano”. E esse investimento em dinheiro não rende sequer retorno em literatura, já que o produto são “centenas de milhares de novos e-books para os quais praticamente não há leitores, porque terão visibilidade zero”.

Euforia [“liberdade ao escritor!”] e ansiedade [“os livros vão acabar!”] são comuns em fases de transição, como a que estamos presenciando. Quando não há ainda regras de funcionamento, vale tudo. Como dizem, “o ideograma chinês que representa crise também representa oportunidade”. Porém, assim como esse aforisma é simplesmente falso [pergunte a um chinês], talvez só nos venha a crise. Ou só as oportunidades. Talvez só venhamos a saber no longo prazo, quando o tempo tiver decantado o que fará sentido [econômico e cultural] publicar… e o que valerá a pena ler.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 09/02/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outro, “10 livros que abalaram meu mundo” e “Paixão pelos livros” [Casa da Palavra], “O Futuro do livro” [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

Perseus inaugura serviço de autopublicação de livro digital


A editora independente Perseus Books Group lançou um serviço de distribuição e marketing para autores que queiram autopublicar seus próprios e-books, oferecendo royalties de 70% ao autor. O serviço ganhou o nome de Argo Navis Author Services e será oferecido a autores representados por agências que assinaram acordo com a Perseus. Janklow & Nesbit Associates foi a primeira a aderir.

Por Charlotte Williams | The Bookseller | 03/10/201

Os próximos 10 anos


Ed Nawotka

A indústria do livro impresso no Brasil faz muito dinheiro se comparada a outros mercados e nos próximos 10 anos o digital será apenas mais uma opção para vocês”, disse o jornalista Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives, à plateia do 2º Congresso Internacional do Livro Digital nesta segunda-feira, dia 26. Mas para chegar lá da melhor forma possível é preciso se preocupar, desde já, em organizar melhor suas informações criando corretamente metadados que vão transformar seu livro em algo encontrável em meio a tantos outros disponíveis nas livrarias, quantidade em constante crescimento [se quiser mais informações sobre metadados, leia a coluna de Camila Cabete].

O fato de o Brasil estar alguns anos atrás de mercados como os Estados Unidos e a Inglaterra é, para ele, uma oportunidade de os editores, livreiros e distribuidores brasileiros aprenderem com os erros cometidos por aqueles que já conseguem viver da venda de livro digital. Um dos exemplos que citou foi o da Borders. Entre alguns dos erros que a rede de livrarias americana recém-liquidada cometeu 10 anos atrás foi ter demitido os funcionários que cuidavam dos eventos e das relações com a comunidade. Nawotka faz uma análise mais completa do declínio da Borders aqui [em inglês].

O jornalista abordou ainda temas como o avanço do self-publishing [e citou Eduardo Spohr], o fato de que todos podem ser editores hoje [inclusive JK Rowling] e a quantidade de coisas que as pessoas leem hoje. Na América do Norte, por exemplo, são 35 mil palavras por dia, o equivalente a 1/3 de um romance.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 27/07/2011

Autores independentes


O sistema de self publishing da Singular Digital, em fase beta há um ano, será uma prioridade da empresa daqui para a frente. Para reforçar os trabalhos nesse sentido, a Singular passará a permitir aos autores independentes publicar em e-book, além de imprimir por demanda. O trabalho fica a cargo de Carlo Carrenho, contratado como diretor executivo, em equipe reforçada ainda pelo diretor de negócios João Casacio.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 16/07/2011

Sob demanda


Apesar da expansão do livro digital, cresceu 5% a produção de livros impressos em 2010 nos EUA. É que aumentou em 169% os chamados “títulos não tradicionais”, obras em domínio público feitas com impressão sob demanda e livros publicados pelo próprio autor [“self-publishing”]. Ou seja, as novas tecnologias ajudaram a imprimir mais livros. Desde 2002, a produção de livros impressos cresceu 47%, e de títulos não tradicionais, 8%. O levantamento é da R.R. Bowker, especializada em dados do mundo bibliográfico.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | PAINEL DAS LETRAS | 23/05/2011

Estação das Letras lança curso sobre livro digital


Curso pretende preparar profissional do livro para o já real cenário digital; curadoria é do PublishNews

Até bem pouco tempo, os livros digitais eram uma realidade distante. Mas nos últimos dois anos, os e-books saltaram da quase ficção científica para a realidade. Nos Estados Unidos, responderam, só no ano passado, por cerca de 9% do faturamento, crescimento de 200% em relação a 2009 e de 800% em relação a 2008. No Brasil, as grandes livrarias já lançaram, ou estão lançando, suas lojas de e-books; há duas distribuidoras digitais em operação e nenhuma editora pode mais se dar ao luxo de ignorar o que antes era chamado futuro digital.

Com este cenário em mente, a Estação das Letras, no Rio, coloca na rua o curso “Editando livros digitais”, inédito no país. Com uma carga horária de 22h, o curso será realizado em junho e julho e terá aulas ministradas por profissionais do mercado de livros digitais e aborda desde a produção e a criação literária de e-books até o marketing, a distribuição e a comercialização de conteúdo digital. A curadoria do curso é do PublishNews.

“Ainda não havia no mercado brasileiro um curso pragmático e rápido que oferecesse uma visão ampla não apenas do futuro do livro digital, mas também do seu presente e das práticas que o mercado já vem adotando”, explica Carlo Carrenho, fundador do PublishNews e coordenador do curso na Estação.

O objetivo, segundo Carrenho, é que cada aluno, ao fim do curso, esteja preparado para o futuro digital e consciente desta realidade, que já existe tanto no mercado brasileiro quanto no internacional.

Para José Henrique Grossi, consultor comercial da distribuidora digital Xeriph, o curso é de fato bem-vindo. “Depois de anos no mercado editorial de livros de papel, eu migrei recentemente para o mercado de e-books. Este é o curso que eu gostaria de ter feito no momento da minha transição”, afirma Grossi, que ministrará a aula “O mercado nacional de livros digitais”.

Os outros professores são Cristiane Costa [UFRJ], Roberto Cassano [Agência Frog], Bruno Valente [Punch], Camila Cabete [Gato Sabido], Newton Neto [Singular Digital] e Carlo Carrenho [PublishNews].

Serviço
“Editando livros digitais”
Dias 18 e 25 de junho / 2 e 9 de julho, das 10h às 17h [total 22h/aula]
Local: a definir
Preço: R$ 900
Inscrições: 21 3237-3947
Organização: Estação das Letras
Apoio e curadoria: PublishNews

Estação das Letras
Rua Marquês de Abrantes, 177 – Loja 107 Flamengo/RJ
Telefone: [21] 3237-3947

Programa do curso Editando livros digitais

18 de junho

Aspectos gerais do mercado digital – Uma introdução | 2 horas | Carlo Carrenho

Apresentação do curso
Apresentação dos alunos
Um panorama geral do cenário digital
Os últimos acontecimentos do mercado digital
Conceitos básicos

O mercado internacional de livros digitais | 3 horas | Carlo Carrenho

Os números do mercado dos EUA
Um panorama do resto do mundo
Os três mosqueteiros: Amazon, Apple, Google e Kobo
A Barnes&Noble
Self-publishing & outros modelos
Os livros texto digitais

Carlo Carrenho é formado em Economia pela FEA-USP e especializou-se em Editoração no Radcliffe College, da Universidade de Harvard. Já possui 15 anos de experiência no mercado editorial, tendo passado por editoras acadêmicas, religiosas e de mercado geral, como a Thomas Nelson Brasil. Em 2001, criou o PublishNews, um informativo diário com todas as notícias do mercado editorial brasileiro que hoje já possui mais de 10 mil assinantes. Atualmente acompanha de perto a revolução digital do mercado editorial e atua como consultor para empresas do setor. Apesar de paulista, é flamenguista.

25 de junho

Novas estratégias narrativas para a mídia digital |3 horas | Cristiane Costa

As tecnologias do livro: do manuscrito ao iPad
Leitor passivo x leitor ativo
Novas estratégias de storytelling

Cristiane Costa é pesquisadora do pós-doutorado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, onde desenvolve estudo sobre novas estratégias narrativas em mídias digitais, com o apoio da Faperj. Coordenadora do curso de Jornalismo da ECO-UFRJ, é uma das curadoras do ciclo Oi Cabeça, dedicado à literatura eletrônica.

O mercado nacional de livros digitais | 2 horas | José Henrique Grossi

Os principais players
Os distribuidores digitais brasileiros
As e-bookstores brasileiras
Os desafios do mercado digital nacional
Estratégias sadias para o sucesso digital

José Henrique Grossi é consultor comercial da distribuidora digital Xeriph. Economista, entrou no mercado editorial em 1973 como divulgador da editora Saraiva, empresa de onde saiu nove anos depois como gerente de promoção. Trabalhou na Abril Educação e na Nova Cultural e, em 1997, criou a Grossi Representações. Foi vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro em 1999. É santista roxo.

2 de julho

Livros Digitais, pequenas editoras e processo de produção | 3 horas | Camila Cabete

Os desafios de se montar uma editora digital
Definindo uma estratégia
Negociação com os grandes players
O processo de produção

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis.

As vantagens da impressão por demanda e como aproveitá-las | 3 horas | Newton Neto

Como funciona a impressão por demanda
O status atual da impressão por demanda nos EUA
O status atual da impressão por demanda no Brasil
Os benefícios da impressão por demanda para editoras
Os benefícios da impressão por demanda para autores
Self-publishing no Brasil

Newton Neto é diretor-executivo da Singular, braço do grupo Ediouro [do qual fazem parte as editoras Agir, Nova Fronteira, Plugme, entre outras] dedicado às novas tecnologias. Possui uma experiência de oito anos na área de conteúdo e tecnologia, abrangendo desde conteúdo para celulares a livros digitais. Recifense, é fanático pela Santa Cruz.

9 de julho

Marketing Digital para Livros Digitais | Roberto Cassano [Agência Frog] | 3 horas

O que é marketing digital
As mídias sociais: Facebook, Orkut, Twitter e FourSquare
Estratégias de sucesso para o marketing online de livros
Os erros e acertos dos sites de editoras, livros e autores
Métrica de resultados

Roberto Cassano é formado em Jornalismo, com MBA em Marketing. Atua em Publicidade desde 2001 e em Mídia On-line desde 1996. Participou dos movimentos iniciais do primeiro jornal brasileiro na internet, o JB On-Line, e das pioneiras revistas “internet.br” e “Internet Business”. Foi executivo do portal de tecnologia Canal Web e diretor de Mídias Digitais na Seluloid. É diretor de Criação e Estratégia da Agência Frog, com ênfase em mídias sociais e palestrante em instituições como Fundação Getulio Vargas, Facha e Casa do Saber

E-books e apps | 3 horas | Bruno Valente

Uma breve história dos e-books
Uma breve história das Apps
ePubs: o caminho para chegar até eles
Erros e acertos na produção de ePubs
Apps: o caminho para chegar a elas
Uma questão de equilibro: até onde uma app pode chegar antes de virar filme ou vídeo-game?
Aspectos financeiros de apps e e-books

Bruno Valente é formado em Comunicação Social [Rádio e TV] pela UFRJ, onde produziu uma das pesquisas sobre HDTV no Brasil. Pós-graduado no MBA Film & Television Business pela Fundação Getúlio Vargas. Atua no Mercado Audiovisual há 15 anos. É sócio diretor da Punch! Comunicação & Tecnologia, que desenvolve aplicativos móveis de produtos, marcas e educacionais para Apple[ iPhone, iPads, iPod Touch], Research in Motion [Blackberry] e Android, além de trabalhar com produção audiovisual transmídia e captação de recursos para projetos variados através de leis de incentivo. No Mercado Editorial, realiza aplicativos de editoras, livros e publicações e conversão de livros para o formato ePUB, sempre tendo como objetivo divulgar o conteúdo, gerar público e receita para seus clientes.

PublishNews | 13/05/2011

Escritora de 26 anos é milionária com obras no Kindle


Site da Amazon disponibiliza livros da autora | Foto: Reprodução

A escritora americana Amanda Hocking, 26 anos, está ganhando muito dinheiro com vendas de livros no Kindle. Ela foi classificada em alguns blogs como primeira escritora “indie” campeã de vendas. O jornal USA Today estimou que a conta bancária da artista deva ser maior que US$ 1 milhão, de acordo com o site Business Insider .

Amanda, residente no estado de Minnesota, é a primeira autora a ser best-seller no Kindle sem ter publicado outros livros com grandes editoras antes da existência do dispositivo. Ela escreveu até agora 19 livros e diz em seu blog já ter vendido 900 mil cópias.

A jovem escritora de ficção ganha 70% da receita dos mais de cem mil livros que vende por mês. O preço, no entanto, é camarada: as obras variam de US$ 0,99 a US$ 3. Esta é exatamente a estratégia de Amanda para ganhar mais: vender com pouca margem, mas ganhar em volume.

Portal Terra | 28 de fevereiro de 2011 • 19h07

Autores independentes podem editar livros sem custos


Pensando em atender aos escritores que desejam publicar um livro, nasce o PerSe, portal de publicação para autores independentes. Através dele, é possível editar um livro totalmente sem custos, disponibilizá-lo para comercialização na livraria eletrônica do PerSe em e-book ou com impressão dos exemplares sob demanda. O processo é simples. O autor define as características físicas do livro, como formato, acabamento, papel de miolo e cores. Depois sobe o arquivo para o sistema do PerSe e cria a capa. Em seguida, define o preço de venda e estabelece quanto quer ganhar de royalties.

Os blogueiros também poderão diagramar e publicar livros. Denominada Blog2Book, essa ferramenta permite a diagramação dos conteúdos das plataformas Blogger/Blogspot e WordPress direto no sistema. Um dos primeiros livros já editados pelo PerSe é o da jornalista Lucia Faria, proprietária da Lucia Faria Inteligência em Comunicação. Com o título Meias verdades – Uma visão particular sobre a Comunicação Corporativa, o livro reúne 50 artigos sobre sua área de atuação.

Embora todo o processo seja gratuito, o portal oferece serviços especializados de Publicação e Marketing, caso o autor tenha interesse em adquirir. Entre eles, diagramação, revisão, fotos, divulgação, noite de autógrafos, entre outros.

PublishNews | 18/02/2011

Gato Sabido apaga a primeira velinha


Gato Sabido, primeira livraria digital brasileira, comemora 1 ano de vida hoje [17]. Para o fundador Duda Ernanny, foram muitas as vitórias ao longo deste ano. “No início tínhamos parceria com as editoras Zahar e da Jurídica Lumen Juris. Após um ano no mercado, já estamos com 648 editoras”.

Outra conquista importante foi a parceria operacional firmada com o Submarino. Como novidade, a empresa deve apresentar, em breve, a plataforma de self-publishing “Sou o Autor”, além de aplicativo para leitura em devices com Android, plataforma social entre outras iniciativas. A Gato Sabido tem em catálogo, hoje, 105.501 títulos, sendo 1.879 nacionais e 103.622 internacionais.

PublishNews | 17/12/2010

Os sete segredos do sucesso na publicação de e-books


Mark Coker

No fim de semana de 24 a 26 de setembro, na Self Publishing Book Expo em Nova York, apresentei meus Sete Segredos do Sucesso na Publicação de E-books. Para quem ama o PowerPoint, segue o link da apresentação.

Essa apresentação está baseada em outra anterior sobre como o crescimento de livros independentes transformará o futuro do mercado editorial. Para essa sessão, acrescentei novos materiais, incluindo os sete novos segredos mais um bônus que fala como os autores podem maximizar a viralidade de seus livros.

Os sete segredos [mais um]

1. Escreva um ótimo livro – O tempo do seu leitor é mais valioso do que o bolso dele. Leitores possuem escolhas ilimitadas para conteúdo de alta qualidade, então autores devem respeitar o tempo do leitor ao publicar livros com a mais alta qualidade possível. Como editor, é sua responsabilidade fazer o que muitos editores tradicionais fazem tão bem: honrar o processo de edição e revisão.

2. Escreva outro grande livro – Os autores de best-sellers da Smashwords possuem uma lista de obras. Pense em cada livro como um anzol no oceano. Quando cada livro cruza referências com outros livros através de links simples [tanto dentro do livro quanto dentro dos sistemas de vendas], você cria uma rede. Uma lista de obras também oferece a oportunidade de ganhar a confiança do leitor. Depois que o leitor confia que você irá respeitar seu tempo com um bom livro, ele estará mais inclinado a conhecer e comprar seus outros títulos.

3. Maximize a distribuição – Disponibilidade é o precursor da descoberta. Se o seu livro não é encontrado facilmente em vários lugares, por assunto ou tema em vários sistemas de busca, ou por keywords ou categorias nos sites de livrarias, ele acaba sendo invisível. Consiga que seus livros sejam distribuídos no maior número de livrarias online possível. Muitos leitores vão a uma livraria com a intenção de conseguir uma boa leitura e não estão procurando necessariamente um título específico, então se o seu livro não está lá, não será encontrado nem comprado. Algumas das mesmas regras do mercado editorial tradicional valem para os e-books. Quanto mais livrarias tiverem o seu livro, mais chances você terá de se conectar a um leitor.

4. Dê [alguns dos] seus livros de GRAÇA – Os escritores de maior sucesso na Smashwords oferecem pelo menos um livro de graça. GRÁTIS é um dos segredos menos compreendidos e mais mal utilizados no marketing de e-books. Isso funciona melhor se você tem uma boa quantidade de livros.

5. Confie nos seus leitores e parceiros – Alguns autores não publicam e-books por medo da pirataria. Isso é besteira. A pirataria não pode ser evitada. J.K. Rowling não publica e-books, e mesmo assim, poucas horas depois de cada lançamento de algum livro da série Harry Potter, seus livros estavam disponíveis online em e-books pirateados. Não torne difícil para seus fãs comprar cópias legítimas do seu livro. Confie que seus leitores irão honrar o seu direito de autor [e para os que não vão honrar, não há nada que você possa fazer]. Se limitar o acesso ao seu livro infectando-o com DRM, vai acabar limitando sua capacidade de se conectar com os seus leitores. Na semana passada, durante uma viagem ao Brasil, falei numa apresentação sobre e-books patrocinada pela Singular Digital junto com Rodrigo Paranhos Velloso, diretor de desenvolvimento de negócios da Google América Latina. Rodrigo fez uma observação absolutamente brilhante sobre DRM. Ele disse: “Quando você coloca DRM em algo, faz com que as versões sem DRM tenham mais valor”. Em outras palavras, quando você usa DRM, encoraja a pirataria.

6. Tenha paciência – Demora tempo para construir a sua editora. Ao contrário das editoras tradicionais com livros impressos, que chegam às prateleiras e geralmente se esgotam logo, os e-books são imortais. Quando o seu livro chega a um novo ponto de venda, pense como se fosse uma muda. Com tempo e se você regar direito, ele tem a chance de construir raízes profundas [resenhas de leitores, ranking de vendas, SEO]. Nunca retire seu livro das prateleiras de um ponto de venda porque está insatisfeito com suas vendas comparadas com a de outros pontos de venda [veja acima o item sobre distribuição].

7. O marketing começa ontem – Comece a construir a sua plataforma de marketing antes de terminar o seu livro e depois invista tempo todo dia para continuar construindo e fazer crescer essa plataforma. Implemente uma estratégia de mídia social sólida. Participe em redes sociais e, mais importante, contribua com sua rede social. Se você pensar em seus seguidores no Facebook e no Twitter como possíveis compradores, vai acabar se dando mal. Em vez disso, acrescente valor. Ajude outros escritores a serem bem-sucedidos. Quando chegar a hora de lançar o seu livro, os seus amigos das redes sociais vão querer retornar o favor abrindo inesperadas portas, cheias de oportunidades.

8. Arquiteto da viralidadeNa apresentação, descrevi meu conceito de “primeiro leitor”, a pessoa que você convence a comprar o seu livro. Todo leitor é um primeiro leitor. Se o seu livro for bem recebido por eles, acabarão ajudando a promovê-lo para os amigos. Se não for bem recebido, não irão promovê-lo. Como são os leitores que determinarão o sucesso do seu livro, você, como autor ou editor, pode dar passos para facilitar a viralidade [boca a boca] do seu livro. A apresentação mostra esses passos, bem como evitar o que eu chamo de Decadência Viral e Viralidade Negativa.

Texto escrito por Mark Coker | Publicado originalmente no PublishNews | 28/10/2010

Era dos livros eletrônicos complica vida dos escritores


Sempre foi difícil para um autor estreante conseguir publicar numa grande editora. Mas a revolução digital tem tido um impacto exagerado na carreira dos escritores. Muitas edições digitais rendem menos para as editoras. E as grandes varejistas têm comprado menos títulos. O resultado é que as editoras que acalentaram gerações de escritores americanos passaram a fechar menos acordos com escritores estreantes. Da mesma maneira que a música barata na internet fez com que menos bandas conseguissem ganhar a vida fechando contratos com gravadoras, menos escritores conseguirão se sustentar, dizem editores e agentes. “Em termos de ganhar a vida como escritor, é melhor que você tenha outra fonte de renda“, diz Nan Talese. Em alguns casos, pequenas editoras estão fechando contratos com escritores promissores. Mas elas oferecem em média US$ 1 mil a US$ 5 mil de adiantamento, em comparação com US$ 50 mil a US$ 100 mil que as grandes editoras geralmente pagavam por um livro de estreia.

Valor Econômico | Por Jeffrey A. Trachtenberg | Publicado originalmente em The Wall Street Journal | 29/09/2010

Seminário da Singular discute self-publishing


A edição carioca do 1º Ciclo de Palestras sobre os Futuros do Livro, organizado pela Singular, braço digital do grupo Ediouro, aconteceu ontem [28], na Casa do Saber da capital fluminense. Ali, próximo à bela lagoa Rodrigo de Freitas, um grupo de 60 convidados ouviu as palestras do editor americano Mark Coker, da Smashwords, e de Luis Iglesias, executivo brasileiro da Hewlett-Packard. No final, uma mesa-redonda com Roberto Cassano [Agência Frog] e Ricardo Neves, autor de Ruptura, uma obra self-published. Os destaques ficaram para as falas de Coker e Neves. Ambos foram críticos ao modelo atual da indústria editorial de forte controle do que é ou não publicado, e defenderam o self-publishing – publicação independente pelo próprio autor – como uma alternativa importante para a democratização do acesso à publicação.

Acho que o modelo em que os editores decidem o que os leitores devem ler é errado“, afirmou Mark Coker, presidente da Smashwords, empresa norte-americana de self-publishing digital. Ele reconheceu, no entanto, a importância do editor, mas acha que as editoras estão cada vez se comportando menos como editoras. “Ao tentar minimizar os riscos, as editoras estão publicando menos, com preços mais caros e, no caso do livro digital, utilizando DRM”, afirmou. E na visão de Coker isto faz com as editoras sejam menos amigáveis aos leitores e se afastem de seu papel original. O editor da Califórnia considera isto perigoso e reconhece a importância dos editores. “Quando os editores começam a agir cada vez menos como editores, os autores começam a se perguntar porque precisam deles”.

Durante a mesa-redonda, foi o consultor Ricardo Neves quem teceu duras críticas aos editores. Com livros publicados pela Campus, Ediouro e Senac Rio, Neves decidiu lançar sua mais recente obra, Ruptura, por conta própria. “Não existe a promoção do autor nacional. O editor brasileiro quer ir para Frankfurt e encontrar o bilhete premiado”, afirmou o consultor, reclamando do trabalho das editoras brasileiras. “Falta às editoras a ousadia de fazer diferente”, complementou. Ao final de sua fala, questionado se sua crítica era ao momento editorial ou às editoras como um todo, explicou: “Minha colocação não foi algo ressentido contra as editoras. É minha forma apaixonada de falar.“. O livro Ruptura está sendo lançado este mês. Resta acompanhar como será seu desempenho quando comparado aos demais livros do autor.

Para Newton Neto, diretor da Singular, o self-publishing representa uma oportunidade e não uma ameaça às editoras tradicionais. “Com um projeto paralelo de self-publishing, as editoras não precisam dizer não a nenhum autor.”

Hoje [29] a rodada sobre o futuro do livro acontece em São Paulo. O encontro está marcado para às 14h, na Casa do Saber [Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – São Paulo/SP]

Programação

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso [apenas em SP]
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 29/09/2010