Novo smartphone da pode ter tela de livro


O próximo smartphone da Samsung pode ter uma tela que se abre como um livro, segundo o site SamMobile, que prevê a data de lançamento do aparelho para janeiro de 2016.

O dispositivo poderá ser introduzido no mercado em dois modelos praticamente iguais, tendo apenas processadores e potências diversas.

Segundo os rumores, o smartphone não será um Galaxy S7, atualização do mais famoso celular da marca, e inicialmente poderá ser disponibilizado apenas na Coreia do Sul, uma estratégia utilizada anteriormente pela empresa.

Terra | 16/09/2015

Amazon faz concurso literário


A Amazon brasileira se associou ao jornal O Globo e à Samsung para criar o concurso literário Brasil em Prosa. Podem concorrer contos inéditos publicados entre 13 de junho e 31 de julho em formato digital pela plataforma de autopublicação da Amazon, o Kindle Direct Publishing [KDP]. Os contos serão avaliados pela Amazon e pel´O Globo segundo vários critérios, como criatividade, originalidade e qualidade da escrita. Os autores dos 20 contos finalistas ganharão um e-reader Kindle, 12 meses de acesso ao programa de aluguel de e-books Kindle Unlimited e uma assinatura digital do jornal O Globo por três meses. Os três vencedores serão selecionados, dentre os 20 finalistas, por um júri de jornalistas literários de diário carioca. Os contos vencedores serão publicados no caderno Prosa do jornal O Globo, traduzidos para o inglês e vendidos mundialmente nas lojas da Amazon. Eles ganharão ainda, como prêmio, uma assinatura digital de um ano de O Globo. O primeiro lugar também levará um tablet Galaxy Tab A e o segundo e o terceiro, um Galaxy Tab E, da Samsung. Para acessar o regulamento e se inscrever, clique na página do Brasil em Prosa.

PublishNews | 15/06/2015

Samsung lança Galaxy Tab 4 Nook, tablet com foco na leitura


E a Samsung não se cansa de lançar novas variantes de aparelhos. Desta feita, em parceria com a Barnes & Nobles, ela lançou uma variante do Galaxy Tab 4.0, que fora lançado no início de abril. Chamado de Galaxy Tab 4 Nook, esta variante tem como público-alvo aqueles que não dispensam um bom livro. Barnes & Nobles é uma tradicional livraria dos EUA, então, com essa parceria, os usuários terão acesso a inúmeros títulos comercializados por eles.

Esta livraria já tentou anteriormente se lançar no concorrido mercado de dispositivo móveis com o seu tablet Nook, também com foco na leitura, mas sem muito sucesso. Com isso, sua linha foi descontinuada. Assim, a empresa abriu mão de usar o visual do seu antigo tablet e adotou a opção da sul-coreana Samsung mesmo. O Galaxy Tab 4 Nook deverá vir com a interface TouchWiz. A maior diferença ficará por conta de todos os apps pré-instalados, oriundos desta parceria que, se fossem baixados separadamente, custariam mais de US$ 200.

O Galaxy Tab 4 Nook possui uma tela de 7 polegadas com resolução HD, ou seja, 1280×720 pixels. Seu processador é um quad-core que trabalha na frequência de 1,2 GHz. Seu espaço interno é de 8 GB expansíveis via cartão de memória. Ele tem ainda uma câmera traseira de 3 MP e uma frontal de 1,3 MP. Segundo a Samsung sua bateria é capaz de aguentar 10 horas de reprodução de vídeos. Ele pesa 276 gramas e já vem com o Android 4.4 KitKat instalado.

Suas vendas já iniciam hoje em todas as lojas Barnes & Nobles, onde os funcionários poderão oferecer assistência técnica e produtos adicionais, da loja. Ele será vendido também em outros revendedores, como a Amazon, pelo preço de US$ 179.

mobilexpert.com.br | 20/08/2014

Samsung agora com a Barnes & Noble


As duas empresas vão oferecer um dispositivo co-branded. O Samsung Galaxy Tab 4 Nook chega às lojas americanas em agosto.

Primeiro, a Samsung aliou-se à Amazon e passou a oferecer um e-book gratuito por mês aos usuários dos seus smartphones e tablets. Agora, a marca coreana anunciou parceria com a Barnes & Noble para criar o Samsung Galaxy Tab 4 Nook. O dispositivo com as duas marcas vai combinar o hardware do Galaxy Tab 4, já oferecido pela Samsung, com o software customizado do Nook, produzido pela Barnes & Noble. A ideia é dar ao consumidor “um poderoso tablet desenhado para a leitura com fácil acesso ao catálogo da Barnes & Noble que conta com mais de três milhões de livros, além de revistas e jornais”, diz o comunicado enviado pelas duas companhias que pretendem colocar o novo dispositivo no mercado norte-americano em agosto. O dispositivo com tela de sete polegadas estará à venda nas 700 lojas da Barnes & Noble espalhadas pelos EUA e também pelo site www.bn.com.

Estamos muito animados e orgulhosos dessa parceria com a Samsung para criar dispositivos customizados com a nossa experiência de leitura e nosso catálogo digital”, disse Michael P. Huseby , CEO da Barnes & Noble. Huseby afirma que a Barnes & Noble continuará a venda do seu Nook e nada muda na relação com seus usuários, mantendo, inclusive, o suporte técnico a seus consumidores. Ele pontua ainda que a parceria é um marco importante para racionalizar o negócio do Nook. “Trabalhar com a Samsung permitirá à companhia reduzir custos substanciais e se concentrar em sua expertise comprovada que é adquirir e entregar a melhor experiência de leitura digital”, diz o comunicado.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 05/06/2014

Amazon e Samsung firmam acordo para eBooks


A partir de hoje, usuários da marca coreana podem baixar um e-book grátis por mês

Amazon e Samsung anunciaram um acordo global para lançar a versão exclusiva do Kindle para usuários  Samsung. Com isso, a marca coreana abandona os seus planos de aquisição de conteúdos de e-book e delega à Amazon a tarefa. Uma novidade para usuários Samsung é que, a partir de hoje, eles poderão baixar de graça um título por mês. A escolha é feita entre quatro e-books mensais. Em abril, já estão disponíveis para os brasileiros O Continente – volume 1  [Companhia das Letras], de Érico Verissimo; 1494 [Globo Livros], de Stephen R. Brown; Casei. E agora? [Literata], de Tatiana Amaral e Memorização e aprendizado acelerado [A Arca Livros], de Miguel Angel Perez Corrêa. O aplicativo Kindle para Samsung já pode ser baixado em smartphones e tablets que operam a partir da versão 4.0 do sistema operacional Android.

No comunicado sobre a parceria, Lee Epting, vice-presidente da Samsung Media Solution Center na Europa, disse: “estamos muito satisfeitos em aprofundar nosso relacionamento de longa data com a Amazon e oferecer o Kindle para Samsung como aplicativo perfeito para leitura em um dispositivo inteligente. Com este serviço, demonstramos nosso compromisso de criar e ampliar parcerias de conteúdos-chave que proporcionam experiências ricas e personalizadas para nossos clientes”.

Um dos livros do mês é o 1494, oferecido pela Globo Livros. Para Mauro Palermo, diretor executivo da editora, nessa parceria, todos ganham. “É um ganha-ganha: a editora melhora a exposição do livro em troca da cessão de um título gratuito. É uma ação com a qual a gente acaba tendo uma maior flexibilidade e não há um investimento alto. A Amazon tem sido um parceiro muito eficiente”, comentou Palermo.

Um movimento semelhante, guardadas as devidas proporções, aconteceu em fevereiro, quando a Kobo assumiu os clientes da Sony, logo depois do fechamento da Reader Store, criada pela empresa japonesa.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/04/2014

Aplicativos de leitura dinâmica chegam a dispositivos


A leitura dinâmica é uma prática antiga, mas, com o avanço da tecnologia, promete se tornar muito mais popular nos próximos anos. A técnica, aliada a novos aplicativos, promete a leitura de textos de maneira muito mais rápida, sem prejuízo da compreensão. Em média, os desenvolvedores defendem que, com estes sistemas, é possível ler textos com uma velocidade até quatro vezes maior.

Novidades

No último mês, a empresa norte-americana Spritz se tornou destaque na imprensa internacional após apresentar um software que promete a leitura de livros em alguns minutos. A técnica apresentada consiste em mostrar as palavras em uma sequência muito rápida, mas na mesma posição. Com isso, dizem os desenvolvedores, é possível evitar a movimentação dos olhos, além da “vocalização mental” [quando “falamos” os textos para nós mesmos, mentalmente], o que tornaria a leitura muito mais rápida.

Esta técnica é conhecida como RSVP, sigla em inglês para “apresentação visual rápida e em série”. Embora não seja uma novidade, a Spritz fez adaptações que permitem que a RSVP possa ser utilizada em dispositivos que têm telas pequenas, algo até então impraticável.

Proposta

Segundo Frank Waldman, fundador da Spritz, a utilização da RSVP em pequenos dispositivos também facilita a vida na hora do manuseio. De acordo com o executivo será possível, por exemplo, ler e-mails através de relógios inteligentes, enquanto nos deslocamos entre um lugar e outro.

A proposta de leitura dinâmica de longos textos tem causado também alguma polêmica. Isso porque, no caso específico dos livros [especialmente aqueles que lemos por hobby, não por obrigação], a leitura é considerada uma experiência sensorial, não apenas uma maneira de assimilar informação. Por isso, o próprio Waldman defende que os novos aplicativos de leitura dinâmica devem ser utilizados para acelerar tarefas rotineiras, como a leitura de e-mails de trabalho. Assim, teríamos mais tempo para outras atividades, incluindo a leitura calma de um livro.

Dispositivos

A Samsung já anunciou que utilizará a tecnologia da Spritz em dois de seus dispositivos: o relógio inteligente Gear 2 e o smartphone Galaxy S5. Os usuários de dispositivos da Apple já podem utilizar o Velocity, para iPhone, que também utiliza a técnica RSVP.

Funcionamento da técnica

Segundo Juarez Angelo Lopes, professor de leitura dinâmica, os softwares se utilizam de uma técnica muito similar àquela que ele ensina para seus alunos. Contudo, no caso da leitura dinâmica “analógica”, é necessário algum guia físico, como um lápis ou a própria mão.

O escriturário de cartório Pedro Sant’Anna, que alega ler mil palavras por minuto [valor considerado uma espécie de limite físico], testou os aplicativos e confirmou a eficiência da técnica. Para ele, além da absorção de informação ser parecida, há um conforto maior ao se ler desta maneira em dispositivos eletrônicos.

Keith Rayner, professor de psicologia da Universidade da Califórnia, também defende a utilização destes aplicativos. Contudo, ele defende que os livros continuem a ser lidos da maneira tradicional, pois esta técnica de leitura dinâmica é limitada quando tratamos de textos mais longos.

Notícias BR | 26/03/14

Amazon fornece tecnologia de graça para conversão de livros didáticos no Brasil


Empresa não receberá por serviço de digitalização; intenção da Amazon é ampliar uso de seu aplicativo paradidático. FOTO: Reuters

Empresa não receberá por serviço de digitalização; intenção da Amazon é ampliar uso de seu aplicativo
paradidático. FOTO: Reuters

SÃO PAULO | A varejista online Amazon anunciou nesta terça-feira que uma tecnologia da companhia foi escolhida pelo Ministério da Educação [MEC] para conversão digital e distribuição de mais de 200 livros didáticos em tablets, serviço pelo qual não será paga, conforme proposta do governo que foi aberta a companhias interessadas.

Embora a tecnologia Whispercast utilize o formato Kindle, compatível com o leitor digital de mesmo nome da Amazon, ela também roda em PCs e em tablets com sistema operacional Android, utilizado pela Samsung, e IOS, da Apple. Nos Estados Unidos, ela já é usada em diversas escolas como ponto de acesso para compra e distribuição de livros e documentos para programas educacionais.

Sem precisar o tamanho do investimento da Amazon, o diretor geral da operação brasileira, Alex Szapiro, afirmou que a companhia apostou na investida para popularizar o uso de seu aplicativo, e, principalmente, fomentar o hábito de leitura em dispositivos digitais.

Com o aplicativo gratuito, os professores podem, por exemplo, realizar anotações e usar o dicionário diretamente nos livros didáticos.

Pessoas com maior grau de leitura vão acabar consumindo mais livros. É um projeto de longuíssimo prazo“, afirmou Szapiro à Reuters. Segundo dados da Câmara Brasileira do Livro, os livros didáticos respondem por 35 por cento do faturamento do setor como um todo, considerando tanto títulos físicos quanto digitais.

No âmbito do termo de cooperação com o governo, que tem vigência até fevereiro de 2015, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE] já está utilizando a tecnologia da Amazon para gerenciar e distribuir seu catálogo de livros didáticos digitais para professores do ensino médio de escolas públicas. Até o momento, mais de 40 milhões de títulos foram entregues.

Em 2012, o MEC anunciou a compra de cerca de 382 mil tablets voltados para esse público mediante um desembolso de 117 milhões de reais. Na época, as empresas nacionais Positivo e Digibrás venceram pregão eletrônico para fornecer os equipamentos, num processo do qual a Amazon não participou.

Atualmente, o tablet da companhia norte-americana, o Kindle Fire, não é vendido no Brasil – apenas os e-readers da marca são comercializados no país. No Congresso, tramita um projeto de lei para isentar equipamentos do tipo de impostos, para que passem a receber o mesmo tratamento dos livros de papel.

Segundo Szapiro, os e-readers poderiam ser de 40 a 50 por cento mais baratos sem a incidência de IPI, imposto de importação, ICMS e PIS/Cofins, desconto que a Amazon pretende repassar aos consumidores caso a companhia deixe de arcar com os encargos tributários. O Kindle é vendido no Brasil por 299 reais, com o modelo mais caro Paperwhite chegando a 699 reais.

Após pouco mais de um ano vendendo apenas livros digitais no país, a Amazon passou a ofertar o dispositivo eletrônico em seu site brasileiro no início de fevereiro.

Por Marcela Ayres | Reuters | 18/03/2014 | Edição Juliana Schincariol | © Thomson Reuters 2014 All rights reserved.

Barnes & Noble deixa de fabricar tablets com tela colorida


EUA: A livraria norte-americana Barnes & Noble anunciou nesta terça-feira que desistiu dos tablets em cor para se concentrar nos leitores preto e branco, após a queda de 34% em três meses nas vendas de sua divisão Nook.

O tablet em cores Nook, que não encontrou seu lugar em um mercado dominado por pesos pesados como Apple, Amazon, Google e Samsung, não será mais fabricado, informou a Barnes & Noble em um comunicado.

Os estoques remanescentes serão postas em venda até as festas de fim de ano. O grupo quer trabalhar em associação com um fabricante de tablets que oferecerá seus conteúdos em cor (revistas, filmes e livros).

A livraria continuará fabricando seu tablet em preto e branco, o “Nook Simple Touch” e o modelo com mais luminosidade “Glowlight”, “muito populares” segundo a empresa, assim como os conteúdos ligados a eles, principalmente livros eletrônicos.

Barnes & Noble, que publicou nesta terça-feira seus resultados anuais, teve perdas de US$ 119 milhões no exercício 2012/2013 encerrado no final de abril, quase o dobro dos 57 milhões registrados no ano anterior.

A divisão Nook sofreu uma queda de 16,8% anual em suas vendas, por US$ 776 milhões, com uma grande queda de 34% no último trimestre.

Publicado originalmente em Terra | 25 de Junho de 2013 | às 19h46 | AFP – Todos os direitos reservados.

Kindle ou Kobo, eis as questões


Com a chegada dos leitores da Kobo e da Amazon ao mercado brasileiro, muita gente tem se perguntado qual o melhor deles, e se vale a pena pagar R$ 100 a mais pelo Kobo Touch, oferecido pela Livraria Cultura a R$ 399. O Kindle de 4ª geração está à venda nas lojas da Livraria da Vila e no site da Ponto Frio por R$ 299. Pode parecer uma questão simples, que exige apenas uma comparação técnica entre os dois aparelhos, mas isto está longe da realidade. O processo de compra de um Kobo ou Kindle passa, na verdade, por três decisões. Vamos a elas:

Kobo vs Kindle

Kobo vs Kindle

1. A decisão entre um leitor dedicado e um tablete multifuncional

Tanto a Kobo como a Amazon oferecem aplicativos de ponta para iOS e Android. Portanto, não é necessária a aquisição de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle para se ter acesso ao catálogo de livros digitais à venda. Qualquer leitor pode comprar um livro na Amazon ou na Livraria Cultura e lê-lo em seu iPad, iPhone, tablet Android ou mesmo no computador. Quem preferir comprar na Google ou na Saraiva também poderá ler os livros em seus aplicativos para as mesmas plataformas. E, é claro, quem optar pela Apple, poderá ler sua biblioteca no iPad e no iPhone. Mas vale a pena adquirir um leitor dedicado? Esta é uma decisão que cabe a cada leitor ou consumidor. A s principais vantagens de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle são as seguintes:

  • Tela monocromática com tecnologia e-Ink, que não cansa a vista e permite leitura sob o sol, pois não possui luz própria.
  • Formato menor e mais leve que um tablete.
  • Permite uma leitura focada e tranquila sem as distrações dos tablets [veja este meu outro post]
  • Preço inferior

A desvantagem é clara: o leitor dedicado não é um tablete e, portanto, se você precisa de um equipamento para checar e-mails, navegar na net, ouvir música e jogar Angry Birds, você vai acabar com dois apetrechos na bolsa ou na mochila – a não ser que você se satisfaça em fazer tudo isso no seu smartphone. Na prática, acredito que esta decisão depende do quanto a pessoa lê normalmente. Para quem lê um livro por ano, nunca valerá a pena ter um leitor dedicado. Mas quem lê quatro livros por mês com certeza vai preferir ter um Kobo Touch ou Kindle além do tablet.

Isto leva à seguinte questão: Até que ponto o Brasil possui leitores frequentes suficientes para que haja uma demanda relevante por leitores dedicados? Ainda é cedo para dizer, mas vamos descobrir em breve. Minha impressão é que o leitor dedicado terá muito mais uma função de marketing e promoção no Brasil, ao ocupar espaço nas mãos de formadores de opinião e nas livrarias, do que uma função crucial na expansão da leitura digital. Tendo a achar que os brasileiros, que já lêem tão pouco, vão preferir ler seus e-books nos tablets – entre uma partida e outra de Angry Birds.

2. A decisão entre uma plataforma aberta e uma plataforma proprietária

Os livros digitais da Amazon [chamados pela empresa de Kindle books] só podem ser lidos em Kindles ou nos aplicativos Kindles. Os aparelhos da gigante de Seattle, por sua vez, só conseguem ler e-books em Mobi, seu formato proprietário. Sim, é possível ler PDFs no Kindle, assim como tecnicamente é possível mascar chiclete e assobiar ao mesmo tempo. Tente e descubra. Se o e-book for em formato padrão ePub e não possuir DRM [a trava anti-cópia do e-book; clique aqui para entender o DRM], é possível convertê-lo facilmente ao formato Mobi e lê-lo no Kindle como qualquer livro comprado na Amazon. O software gratuito Calibre é a melhor opção para isso. No entanto, por hora, são raras as editoras comercializando livros digitais sem DRM. A Apple também possui formato proprietário e os livros comprados na iBookstore só podem ser lidos nos aparelhinhos piscantes da empresa de Cupertino. E-pubs sem DRM, no entanto, são lidos facilmente em seu aplicativo de leitura. Sem falar que qualquer e-bookstore que se preze possui apps de leitura para iOS. Já a Kobo, a Google, a Saraiva e demais varejistas de livros digitais, possuem uma plataforma aberta e não proprietária, utilizando um controle de DRM comum, fornecido pela Adobe. Com isso, um livro comprado em uma dessas livrarias pode geralmente ser lido nos aplicativos e e-readers da outra. Por exemplo, você pode comprar um livro na Saraiva ou na Gato Sabido e lê-lo em um Kobo Touch adquirido na Livraria Cultura. Os livros digitais comprados na Google Play também podem ser transferidos para o leitor da Kobo e vários outros, como o Nook da Barnes & Noble, por exemplo. E livros comprados em outras e-bookstores no exterior, como na excelente Bajalibros da Argentina também podem ser lidos nos aparelhos e apps de empresas que optaram por um modelo de negócios não proprietário.

A vantagem de uma plataforma aberta é óbvia: você não fica dependente de um livraria apenas. A desvantagem é que estes processos de comprar e-book aqui e ler ali consomem tempo e paciência, e nem sempre funcionam 100%. Já as plataformas proprietárias, por terem sido desenvolvidas com apenas um formato e um leitor e seus aplicativos em mente, costumam ser mais robustas e confiáveis. Além disso, no caso da Amazon, é importante lembrar que a conexão em 3G oferecida nos melhores modelos, que ainda não estão à venda no Brasil, funciona perfeitamente no mundo todo. Sem pagar roaming, você abaixa amostras ou compra livros em 60 segundos do Panamá à Alemanha [já testei nos dois países].

Mais uma vez, cabe aqui ao leitor decidir entre uma plataforma proprietária e uma aberta. Ou, caso já pretenda ter um tablet e um leitor dedicado, poderá optar por um e-reader proprietário e usar aplicativos de plataformas abertas com DRM da Adobe no seu iPad ou Samsung.

3. A decisão entre o Kobo Touch e o Kindle de 4ª geração

Ao se decidir pela compra de um dos dois leitores dedicados à venda no Brasil, a primeira coisa a se considerar, como já vimos, é que o Kindle possui uma plataforma proprietária e o Kobo não. Em seguida, deve se considerar o preço. A Livraria Cultura vende o Kobo Touch por R$ 399 e a Livraria da Vila e o site da Ponto Frio vendem o Kindle de 4ª geração por R$ 299. Por que a diferença de preço? Simples: o aparelho da Kobo possui tela touch screen, enquanto o Kindle oferecido no Brasil exige que o leitor pressione botões no melhor estilo BlackBerry para ler seus livros. Na minha opinião, portanto, considerando-se apenas as diferenças técnicas entre os dois aparelhos, vale a pena colocar a mão no bolso e, por R$ 100 a mais, levar um leitor com tela sensível ao toque.

No que se refere às telas, ambos os aparelhos são praticamente iguais, ambos usando tecnologia e-Ink. Em termos de processamento, o Kindle pode ser um pouco mais rápido, mas nada que faça diferença, a não ser que alguém queira usar o e-reader para treinar leitura dinâmica.

Mas a Amazon não se gaba de sua tecnologia? Como a Kobo poderia ser melhor? Mais uma resposta no estilo “Elementar, meu caro Watson”. Na verdade, a empresa de Bezos optou por oferecer o leitor mais barato que pudesse no mercado brasileiro e, para isso, trouxe seu leitor mais simples. Da mesma 4ª geração de leitores, a Amazon oferece aparelhos mais caros com 3G e touch screen nos EUA, mas preferiu não colocá-los à venda no Brasil ainda. Em entrevista ao PublishNews, no entanto, o executivo amazônico David Naggar garantiu que todos os aparelhos chegarão ao Brasil. Quando? “A Amazon não discute planos futuros”, seria a resposta padrão.

Hoje, o melhor modelo do Kindle é o Paperwhite, um aparelho com 25% a mais de contraste que os Kindles de 4ª geração, 3G gratuito e luz embutida para leitura no escuro. Este brinquedo sai por US$ 199 nos EUA [sem publicidade], enquanto o modelo igual ao Kindle da Vila custa US$ 89 [sem publicidade] ou US$ 69 [com publicidade]. Aplicando-se uma simples regra de três, o modelo top da Amazon custaria R$ 669 no Brasil, bem acima do preço do Kobo Touch. Mais uma vez, o consumidor e leitor deve fazer sua opção aqui.

Mas para quem optar pela plataforma da Amazon e for comprar um Kindle, eu tenho um conselho: espere seu cunhado viajar para os EUA, compre o Paperwhite de última geração na Amazon com entrega no hotel, e peça para o dito cujo trazer o mesmo com a discrição que a alfândega brasileira exige. O conselho também se aplica no caso de tios, primos, irmãos, mães e avôs.

Por Carlo Carrenho | Tipos Digitais | 20/12/2012

W3C finalmente entra na jogada


POR EDNEI PROCÓPIO

W3C [a principal organização de padronização da World Wide Web] está apoiando a padronização dos livros eletrônicos. Para dar o start à iniciativa, a W3C criou uma comissão e o resultado inicial é um Workshop que será ministrado em fevereiro próximo. A ideia do Workshop é promover o livro eletrônico dentro de um padrão que eles chamam de Plataforma Open Web. Basicamente o que eles querem é introduzir no mercado a ideia de se trabalhar com padrões tecnologias abertas como HTML, CSS, SVG, XML, XSLT, XSL-FO, PNG, etc.

O projeto está sendo tocado em parceria com a International Digital Publishing Forum [IDPF] e Book Industry Study Group [BISG]. E fazem parte da comissão empresas como Adobe, Barnes & Noble, o consórcio DAISY, Google, Hachette, Ingram, O’Reilly, Pearson, Rakuten, Safari Books, Samsung, Sony e por aí vai.

Embora alguns players como por exemplo, a Amazon e Apple, através de suas grandes influências, força a barra tentando impôr os seus próprios formatos ao mercado, esta não é a primeira vez que a indústria se junta para tentar algo neste sentido. Como eu descrevi em meu primeiro livro, “Construindo uma Biblioteca Digital“:

O ideal seria se os livros eletrônicos fossem criados sob formatos padrões [abertos ou livres] utilizados na Internet.

O formato ePub, por exemplo, teve sua gênese de desenvolvimento baseada em uma especicação padrão chamada OeB. A especicação OeB [Open eBook] era um formato cuja estrutura já atendia a uma especificação aberta, baseada em XML [eXtensible Markup Language – linguagem de marcação extensível].

Citando Mckinley, “Do papel até a Web”, ninguém pode monopolizar os formatos abertos. E nenhuma pessoa ou entidade comercial tem controle sobre seus destinos. Os documentos XML, OeB, ePub, etc., pertencem aos seus proprietários. Eles não fazem parte de nenhum aplicativo, configuração de hardware ou sistema operacional. Além disso, assim como a XML, o HTML e o ePub, os documentos Open Web serão inteligentes e úteis por muito tempo, mesmo após os formatos de processadores de texto binários de propriedade dos dias de hoje terem se tornado obsoleto.

Considere a seguinte situação, um livro de papel de conteúdo romântico permanecerá legível por 20, 50, ou, quem sabe, 100 anos. Qual é a probabilidade dos formatos de processadores de textos binários de propriedade atuais permanecerem legíveis por 10 anos, ou até 100 anos? Novos sistemas operacionais e programas aparecem e somem, mas a Open Web é permanente. Desse modo, utilizar formatos padrões abertos para disponibilizar livros digitais garante que o leitor não precise, por exemplo, adquirir duas ou mais vezes o mesmo livro quando migrar para hardwares de plataformas diferentes.

Com Open Web, o conteúdo de um eBook torna-se independente de qualquer sistema de formatação em particular. Por toda sua existência, um eBook poderá se transformar em muitos diferentes formatos e tamanhos. Por todo o tempo, entretanto, a estrutura e o conteúdo podem ser retidos de forma independente, permitindo assim que o livro seja reformatado várias vezes para grande variedade de e-readers existentes hoje e para os que ainda serão inventados.

POR EDNEI PROCÓPIO

Livro digital conquista confiança do mercado


Grandes livrarias e editoras acreditam que os e-books ganharão espaço no mercado nacional em 2012 e 2013

As apostas nos livros digitais estão em alta. Grandes livrarias e editoras acreditam que os e-books ganharão espaço no mercado nacional em 2012 e 2013. As projeções mais otimistas os colocam como responsáveis por 10% do faturamento das vendas do setor em 2014. O índice em 2011 foi 0,025%. A esperança está depositada na chegada de gigantes internacionais e na produção doméstica de tablets, que poderá baratear os aparelhos.

Segundo a Câmara Brasileira do Livro [CBL], há cerca de 10 mil títulos em formato digital no País. Desses, 5.235 foram lançados em 2011, conforme pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo [Fipe/USP]. “A maior produção ocorreu no último período. Então, também deve haver um número significativo em 2012”, diz a presidente da CBL, Karine Pansa, que não arrisca projeções. A receita com vendas de e-books foi de R$ 868 mil.

O diretor-presidente da Saraiva, Marcílio Pousada, considera o e-book um negócio importante para a empresa, cujo acervo digital é de 10 mil títulos em português e 240 mil em inglês. “Estamos nos preparando com força, inclusive vendendo tablets. Também desenvolvemos um software de leitura”, diz Pousada, que espera fechar o ano com a oferta de 16 mil títulos nacionais.

A ideia de oferecer aparelhos de leitura para impulsionar a venda de conteúdo deu certo com a Amazon, nos Estados Unidos. Desde que o Kindle, e-reader da empresa, foi lançado, em 2007, os e-books vêm ganhando mercado. Em 2011, tinham 15%, ante 6% em 2010, conforme a Association of American Publishers.

Agora, a Amazon pretende entrar no Brasil. O início das operações está previsto para o último trimestre deste ano, mas já existem negociações com empresas locais, como as distribuidoras de e-books Xeriph, que reúne cerca de 200 editoras, e DLD, formada por sete. Comenta-se, porém, que há dificuldades para fechar acordos com a multinacional, que se recusaria a aceitar peculiaridades do mercado nacional, como a divisão de receitas. A companhia foi procurada pela reportagem, mas não se pronunciou.

Outras livrarias

Outras grandes livrarias virtuais também devem aportar no País. A Google eBookstore, a iBookstore [da Apple], a Barnes & Noble e a Kobo, por exemplo, negociam com a Xeriph, de acordo com o CEO da empresa, Francisco Paladino. “Ainda neste semestre, deveremos ter dois contratos em operação e três assinados.” Segundo ele, o catálogo da Xeriph tem 10 mil livros e deve alcançar 12 mil até o fim de 2012.

As esperanças também recaem sobre a fabricação de tablets no País, estimulada com incentivos fiscais e iniciada em 2011, por Samsung, Motorola, Semp Toshiba, Positivo e Aix. A estrela do setor é a Foxccon, que produz iPads em Jundiaí [SP] . O governo espera que os preços caiam 40%. Para o especialista em livros digitais Ednei Procópio, da CBL, porém, a popularização dos tablets não dependerá das grandes companhias. “Elas sempre vão lançar equipamentos de grife. Mas haverá quem faça modelos mais acessíveis.”

POR TIAGO CISNEIROS e VANESSA BELTRÃO | Especial para o Estadão | 12/08/2012

Google entra na guerra dos tablets


Empresa lançou ontem o Nexus 7, que usa a mais recente versão do Android e que tem como maior atrativo o preço, de US$ 199

Com o lançamento do Nexus 7, de apenas sete polegadas e um preço de US$ 199, o Google se tornou ontem o último gigante da tecnologia, depois da Microsoft e da Amazon, a entrar na “guerra” dos tablets para tentar bater de frente com o ainda soberano iPad, da Apple, que domina dois terços do mercado.

Além do Nexus 7, o Google também anunciou, em sua conferência I/O, em San Francisco, o aperfeiçoamento de seu sistema operacional Android, com uma nova plataforma denominada Jelly Bean. Entre as novidades do sistema estão uma secretária virtual similar à Siri, da Apple, e mecanismos para cegos e surdos usarem tablets e celulares.

De acordo com o Google, o Nexus 7 será fabricado em conjunto com a Asus, de Taiwan. Apesar da indagação de alguns investidores, o Google não explicou porque deixou de lado a recém-adquirida Motorola na produção do Nexus 7.

A principal aposta do novo tablet é o preço, equivalente a dois quintos da versão mais barata do iPad, de US$ 499. Custando apenas US$ 199, com memória de 8 GB [o aparelho com 16 GB sairá por US$ 249], o Nexus 7 passa a competir diretamente com o Kindle Fire, da Amazon, vendido pelo mesmo valor e que tem conquistado um mercado de consumidores não dispostos a pagar pelo produto da Apple.

O tamanho também será equivalente ao do tablet da Amazon e alguns da linha Galaxy, da Samsung. Com sete polegadas, o Nexus 7 fica quase em uma dimensão intermediária entre o iPhone e o iPad. Há a vantagem de ser mais fácil de manusear e transportar. Mas a tela menor pode ser um ponto negativo.

No Nexus 7, o uso de produtos do Google, como YouTube e o Google Tradutor também será simples. Um outro destaque do tablet é câmera frontal, com resolução de 1.200 x 800 pontos.

Segundo a empresa, o tablet, que deve chegar em julho, já está disponível para encomendas na loja virtual Google Play dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália. Não há previsão de chegada a outros países.

Na semana passada, a Microsoft apresentou o Surface, com a novidade de ter um teclado acoplado à capa e o sistema operacional Windows 8. Mas o tablet da empresa fundada por Bill Gates ainda não tem preço definido e chegará às lojas apenas no Natal.

Antes do Nexus 7, o Google competia com a Apple apenas nos sistemas operacionais para tablets e celulares. Muitas empresas usam o Android, enquanto o iPad e o iPhone adotam o sistema iOS, da própria Apple. A Microsoft também tenta entrar na briga com o Windows 8. Mas essa disputa dos softwares, também existente nos celulares, será ampliada para os hardwares.

Analistas ainda acham improvável um tablet ameaçar a soberania do iPad, mesmo se tiver uma marca forte como a do Google ou d a Microsoft por trás. O aparelho da Apple continua registrando crescimento em suas vendas. Ao mesmo tempo, a acentuada elevação do mercado de tablets em todo o mundo deve abrir espaço para outras marcas. Neste ano, a previsão é de vendas de 107 milhões de aparelhos. Em 2016, esse número deve subir para 222 milhões.

POR GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE | NOVA YORK | O Estado de S.Paulo | 28 de junho de 2012, 3h 07

A tecnologia e os eBooks no Brasil


Preço dos dispositivos e custo de produção são barreiras para a leitura digital, mas 2012 promete mudanças

O Brasil não é um exemplo mundial quando o assunto são os livros digitais. A estimativa é de que estamos três anos atrás de grandes mercados como o norte-americano. Entretanto, 2012 promete ser o ano em que as coisas realmente irão acontecer, e por isso apresentamos aqui um apanhado sobre a tecnologia – tanto de aparelhos como de formatos – utilizada no Brasil.

Formatos

Até o momento, o formato mais utilizado para e-books no Brasil é o PDF, o que é uma lástima. Como todos sabem, o PDF não é um formato de documento indicado para livros digitais, pois se lido em um dispositivo móvel nota-se grande desconforto, uma vez que não é possível redimensionar o texto, mudar a diagramação ou ainda trocar a cor do fundo.

Há também algumas lojas e editoras que oferecem outros formatos, como o Mobi e até o antigo PRC. Entretanto, o ePub vem crescendo exponencialmente nas livrarias on-line. As editoras começaram a perceber que o formato mais indicado para e-books é o ePub, tratado como um padrão nos EUA e na Europa.

Os “livros aplicativo”, geralmente desenvolvidos para iPad, são até o momento uma exceção no mercado. Além de o comércio de tablets não estar em seu auge no Brasil, o custo para a produção de um livro interativo ainda é muito alto no país. Com preços que variam de R$ 14 mil a R$ 30 mil [entre US$ 8 mil e US$ 17 mil], apenas grandes editoras se aventuram nesse caminho. É o caso da Globo Livros, comReinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, e da Melhoramentos, com O menino da terra, de Ziraldo. Mesmo assim, esse acervo interativo deve crescer em 2012.

Aparelhos de leitura

Para que o livro digital se popularize, é necessário que existam dispositivos para a leitura digital de fácil acesso – tanto econômico quanto tecnológico. E esse, infelizmente, também não é o caso por aqui. A interface mais utilizada para a leitura de e-books no Brasil é o tradicional PC, seja desktop ou notebook. De acordo com dados da FGV, eram 60 milhões de computadores em uso em 2011, e serão 100 milhões em 2012. O principal local de acesso à internet é a lan house [31%], seguido da própria casa [27%] e da casa de parente de amigos, com 25%. Ao todo, 87% dos brasileiros já estão conectados.

Os smartphones são a segunda fonte de leitura digital, seguidos por tablets e, por último, os e-readers. Essa diferença em relação a outros países está no custo. O preço dos computadores caiu bastante nos últimos três anos e muitas famílias puderam adquirir um. Entretanto, tablets e e-readers possuem preços assustadoramente altos e ficam fora de alcance de grande parte da população.

Já encontramos vários modelos de tablets por aqui. Além do popular iPad, empresas como Motorola, Samsung, RIM, ZTE e Asus oferecem seus aparelhos para venda. Empresas brasileiras também possuem aparelhos próprios, como o Positivo Ypy e o Multilaser Elite, mas alguns deles são produtos importados da China que apenas levam a marca brasileira.

Quando falamos de e-readers, a situação fica péssima. São apenas alguns modelos disponíveis, que perdem feio em qualidade para os melhores e mais baratos disponíveis nos Estados Unidos. São aproximadamente seis aparelhos de tinta eletrônica, e alguns são tão fracos que não merecem a compra. Além do Positivo Alfa, brasileiro, temos oficialmente dois modelos da iRiver, o Story e o Cover Story. Um dos primeiros a chegar ao mercado foi o Cool-ER, da falecida Interead, que é vendido até hoje por aqui. A Amazon estuda vender o Kindle diretamente no Brasil por R$199 [US$ 115] quando abrir sua loja no país, o primeiro aparelho que seria vendido a menos de US$200 por aqui.

Muitos impostos

O grande vilão dos preços são os impostos. No Brasil, a taxa de importação para aparelhos eletrônicos chega a até 60%. E, mesmo quando os aparelhos são fabricados no Brasil, como é o caso da Samsung – e, futuramente, da Apple –, impostos sobre componentes e outros itens acabam encarecendo demais os aparelhos. Temos no Brasil os preços mais altos do mundo em relação aos produtos da Apple, por exemplo. Enquanto o modelo mais simples do iPad custa US$ 499 nos Estados Unidos, o mesmo é vendido no Brasil por R$ 1.629 [cerca de US$ 943].

A situação dos e-readers é ainda pior. A baixa demanda e os altos impostos fazem com que um aparelho de leitura fabricado no Brasil – o Positivo Alfa – seja disponibilizado a R$ 799 [aproximadamente US$ 462], enquanto um Kindle – de qualidade superior – pode ser adquirido por US$ 79 nos Estados Unidos. Uma diferença gritante.

A Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011, prevê a desoneração fiscal sobre a fabricação de tablets no país. Mais de uma dezena de empresas já está habilitada para utilizar o benefício, embora os efeitos reais sobre os preços ao consumidor ainda não tenham sido sentidos.

Em 2012

Neste ano, é esperado que bons ventos tragam crescimento no mercado tecnológico em geral. Mais tablets serão adquiridos e a possível entrada de empresas como Amazon, Google e Kobo no segmento de livros digitais promete esquentar bastante o mercado.

Por Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução Ebook

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora doRevolução E-book. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009 | stella@simplissimo.com.br – @stelladauer

Vendido a US$ 199, tablet da Amazon custa US$ 210 para fabricar


Os custos de fabricação do novo tablet da Amazon.com, o Kindle Fire, serão de US$ 209,63, afirmou a consultoria IHS iSuppli nesta sexta-feira, mostrando como a gigante do comércio eletrônico está tendo um prejuízo financeiro inicial para fazer com que o aparelho chegue ao maior número possível de consumidores.

Kindle Fire, tablet da Amazon

O executivo-chefe da Amazon, Jeff Bezos, divulgou o Kindle Fire na quarta-feira com um preço menor que o esperado: US$ 199.

O lançamento motivou preocupações sobre uma guerra de preços no mercado de tablets de baixo custo, atualmente dominado por aparelhos que rodam o sistema operacional Android, do Google, de empresas como Samsung, Motorola Mobility e HTC.

O executivo-chefe da Amazon, Jeff Bezos, mostra novos dispositivos da empresa | Photo Justin Lane | Efe

A IHS iSuppli disse que os componentes empregados na fabricação do Kindle Fire custam US$ 191,65. Despesas de fabricação adicionais levam o custo total para 209,63 dólares.

De acordo com as estimativas da IHS iSuppli, a companhia pode perder pouco menos de US$ 10 em cada Fire vendido. Mas a Amazon está esperando que o aparelho estimule usuários a comprar mais produtos e serviços da empresa, compensando o prejuízo inicial.

“O real benefício do Kindle Fire para a Amazon não será nas vendas de hardware ou conteúdos digitais. Em vez disso, o Kindle Fire, e toda a demanda por conteúdo que ele estimula, servirá para promover as vendas de todos os tipos de bens físicos que compreendem a maioria dos negócios do Amazon”, disse a IHS iSuppli em comunicado.

DA REUTERS, EM SAN FRANCISCO | Publicado por Folha.com, TEC | 30/09/2011 – 19h29

Kindle pode forçar corte de preços em tablets Android


As companhias de tecnologia asiáticas sofreram pressão de corte de preços de seus computadores tablet depois que a Amazon.com lançou o Kindle Fire por US$ 199.

Empresas de Samsung Electronics à Sony, os grandes fabricantes asiáticos de tablets têm planos ambiciosos para enfrentar a Apple, cujo iPad é o aparelho de referência nesse mercado crescente.

Mas com produtos claramente parecidos e preços muito próximos aos US$ 499 dólares do iPad básico, nenhuma delas conseguiu capturar mercado significativo junto aos consumidores da Apple.

Até o momento, a Samsung vem sendo a candidata mais convincente a rival do iPad, e alguns analistas sugeriram que ela poderia perder sua segunda posição no mercado de tablets para o Fire.

A campanha de marketing dos tablets da companhia sul-coreana também vem enfrentando problemas nos últimos meses devido aos esforços judiciais da Apple para impedir a venda de tablets Samsung na Austrália, Estados Unidos e Alemanha, alegando violações de patentes e outras irregularidades.

O Kindle Fire, embora não disponha de muitos dos recursos mais avançados comuns em outros tablets, de câmeras a conexão 3G, pode representar o ponto final para muitos dos aparelhos concebidos em torno do sistema operacional Google Android.

“A escolha de preço é crucial para ganhar força no mercado de tablets. Os fabricantes rivais não conseguiram atrair consumidores porque acompanharam o preço do iPad sem acompanhar sua oferta de conteúdo”, disse Adam Leach, analista do grupo de pesquisa Ovum.

“O modelo de negócios da Amazon, que tem por base o varejo, permite que a companhia subsidie o aparelho sob a premissa de que seus usuários comprarão mais em seus sites, seja conteúdo digital, sejam produtos físicos.”

Galaxy Tab, da Samsung; Xoom, da Motorola Mobility; e muitos outros aparelhos da Acer e Asustek funcionam com o Android, que a Amazon também usa no Kindle Fire, combinado à sua loja on-line.

DA REUTERS, EM SEUL | Publicado por Folha.com | 29/09/2011 – 11h12

Cultura lança aplicativo de leitura para Samsung


Vale para quem usa o tablet ou o smartphone

Em parceria com a Samsung, a Livraria Cultura acaba de lançar com exclusividade para os usuários dos tablets e smartphones da marca o aplicativo Livraria Cultura eReader. Eles poderão acessar gratuitamente, neste primeiro momento, nove e-books e o primeiro capítulo de outros dois títulos. Isso sem contar que pelo aplicativo também será possível comprar os 200 mil e-books já disponíveis na livraria. Uma vez baixado o livro, o leitor poderá escolher entre mais de 20 opções de fonte e também o tamanho da letra, poderá modificar as margens, as cores do plano de fundo e brilho de tela, além do alinhamento do texto e espaçamento entre as linhas.

PublishNews | 21/09/2011

Amazon deve iniciar a produção de dois tablets próprios, o quanto antes


Parece que para o pessoal da Amazon, o sucesso do Kindle não é o suficiente para os anseios da loja virtual e ele deve ganhar alguns irmãos mais parrudos. Os rumores de que a empresa está trabalhando em tablets da própria marca também não são nada novos, mas agora a data prevista para o início da produção destes aparelhos está marcada para no máximo em outubro com vendas logo em seguida.

Assim como a Samsung, a Amazon deve apresentar dois modelos com tamanhos de tela diferentes: um de 10 e outro de 7 polegadas, sendo que o menor já estaria sendo comercializado entre outubro e novembro e o de 10 polegadas viria apenas para o ano que vem. Ainda não há qualquer indício da forma em que eles virão, mas não deve mudar muito do que encontramos em tablets com Android ou com o TouchPad, da HP.

A única informação que parece verdadeiramente sólida, é que ele virá rodando o sistema operacional móvel do Google, o Android. Mas como esta data de lançamento, para meados de outubro, está próxima, é melhor esperar e ver com os próprios olhos o que está por vir. Se é que está.

Publicado originalmente em TechGuru | 1 de setembro de 2011 – 15:14

Tablet de menos de 1kg vira caderno, livro e apostila de alunos no Brasil


Instituições de ensino no país substituem as apostilas por tablets.
Professores e alunos também trocam livros por equipamento próprio.

Texto escrito por Laura Brentano | Matéria publicada originalmente no Portal G1, em São Paulo | 09/02/2011 15h52

”]A extensa lista de material escolar no início do ano letivo está sendo substituída por um único item. No lugar da mochila abarrotada de livros, cadernos e lápis, um computador portátil de menos de 1 kg reúne todas as necessidades do aluno e começa a fazer parte do ambiente escolar. É uma das mudanças proporcionadas pela revolução dos tablets, formato que promete substituir a maioria dos notebooks e desktops nos próximos anos.

 

A minha ideia é usar o iPad para fazer anotações e substituir o caderno. Acho a minha letra muito feia, nem eu entendo, às vezes”, conta Samuel Silva, de 15 anos, que está no 2º ano do Ensino Médio do Colégio Batista Mineiro, em Belo Horizonte [MG]. “Para as aulas de Física e Matemática, vou comprar um caderno tradicional, já que fica muito ruim fazer gráficos usando o dedo“, disse Samuel, que comprou o iPad no dia do lançamento do tablet da Apple no Brasil, em dezembro.

Em 2010, eu já usava o iPhone para a minha organização escolar. Não uso agenda há dois anos. Pretendo substituir os livros de literatura pelo iPad também”, conta o estudante, que está lendo “1984”, de George Orwell, no tablet. Samuel já conseguiu autorização da coordenadora da escola para usar o equipamento em aula. “Descobri outros dois alunos do colégio que também estão usando iPad“.

Apostila em forma de tablet

A iniciativa de trocar os pesados livros pelo equipamento não nasce apenas dos estudantes. Instituições no Brasil estão buscando adaptar os seus padrões de ensino com as novas tecnologias. A partir de agosto, o grupo Estácio vai distribuir aos alunos do curso de Direito do Rio de Janeiro e do Espírito Santos tablets que rodam o sistema operacional Android. Cerca de 5,5 mil estudantes irão trocar as apostilas e o material didático pelo aparelho, que poderá ficar com o aluno depois que ele se formar.

Estamos trocando um custo pelo outro. Trocaremos a despesa de impressão e despacho, pelo tablet. Por isso, não haverá aumento na mensalidade. A ideia é que isso chegue a todos os cursos. O Direito será um projeto-piloto”, explica Pedro Graça, diretor de mercado da Estácio.

Como o tablet será emprestado ao aluno, a instituição está negociando um seguro para o aparelho, caso ele seja roubado. “Se o aluno perder o tablet, ele terá que restituir a Estácio, mas o preço será o mesmo que usamos para comprar o aparelho”, disse Graça.

Em Campinas, todos os alunos do curso pré-vestibular do Colégio Integral serão presenteados com um iPad no início das aulas em março. A instituição está trocando as apostilas do curso pelo tablet da Apple. “No final, os alunos poderão ficar com o aparelho para usá-lo na faculdade”, conta Ricardo Falco, diretor do Colégio Integral na unidade de Cambuí.

O tablet facilita o acesso à informação e vai tornar as aulas mais dinâmicas. Todo o material didático, livros, jornais e revistas poderão ser encontrados no tablet”, completa Falco. As apostilas do cursinho serão disponibilizadas aos alunos em formato PDF. “Vamos restringir o acesso a rede sociais e a sites que não estejam relacionados às aulas. Por isso, optamos pela versão apenas com conexão wi-fi“.

No caso do Colégio Integral, a mensalidade do curso vai aumentar de R$ 1 mil mensais para R$ 1,5 mil. Mas Falco explica que o iPad não foi a única razão para o aumento. “Estamos lançando um novo formato de curso pré-vestibular, com atendimento mais personalizado e turmas menores”.

Conteúdo adaptado

”]O custo do equipamento, a conexão de rede e a formação do professor são os três principais desafios do projeto digital como um todo”, explica Tadeu Terra, diretor-geral de material digital da Pearson, que levará, em parceria com o SEB [Sistema Educacional Brasileiro], 15 mil tablets a adolescentes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de 18 escolas do Brasil a partir de abril. “Desde 2009, desenvolvemos um projeto que possa atender essas três prioridades”, completou. Os colégios beneficiados com os tablets reúnem os sistemas COC, Pueri Domus e Dom Bosco.

Segundo Tadeu, não adianta levar o tablet ao aluno se todas as funções do equipamento não são aproveitadas. “No projeto da Pearson, tentamos integrar toda a parte digital, como vídeos, infográficos, interatividade, animações e exercícios colaborativos, para que o aluno use o computador de forma plena, e não apenas lendo em PDF”.

O material já era utilizado por alunos no notebook e, a partir de abril, chegará aos estudantes por meio do tablet. “Esse sistema visa potencializar as funções do equipamento em sala de aula”. Em 2012, a Pearson planeja oferecer os tablets para todas as séries dos colégios parceiros.

”]As escolas terem tablet é um processo irreversível, pois ele é a mídia do futuro”, disse Chaim Zaher, diretor-presidente do SEB. “Em três anos, em torno de 65 mil alunos do SEB terão o equipamento“, prevê. Em 2010, Zaher viajou à China para avaliar o melhor aparelho a ser adquirido pelos colégios. Alunos do ensino à distância da Universidade do SEB também receberão os tablets em abril para ajudar nos estudos em casa.

Professor também usa

Se o tablet ainda não chegou às instituições, professores levam o próprio aparelho para modernizar as explicações em aula. É o caso do professor Carlos Alberto Goebel Pegolo, da Universidade São Judas Tadeu. “Eu fiz algumas experiências com o meu iPad durante 2010. O tablet oferece uma maior mobilidade ao professor em aula”, conta.

Pegolo usou o aparelho durante as aulas no laboratório de automação. “Quando eu passava de mesa em mesa para ver as experiências dos alunos, o iPad me ajudava para complementar e corrigir os trabalhos ao puxar um vídeo da internet ou mostrar uma figura. Em vez de usar um caderno para rabiscar, eu usava o tablet”, explica.

”]Antes de chegar ao Brasil

Em 2010, um brasileiro experimentou ter a apostila disponibilizada em forma de iPad em uma universidade na Suíça. Em junho, Alexandre Franca Lima, executivo da Petrobras, participou de um curso de uma semana que, tradicionalmente, oferecia uma pasta enorme com todo o material em papel.

Minha mulher participou do mesmo curso em 2008 e ela tinha que carregar uma apostila enorme, que acumulava o conteúdo de toda a semana”, conta Alexandre. A turma de cerca de 400 pessoas fez o primeiro teste com o iPad no ano passado. “Eu achei fantástico. Eu nunca tinha usado um e, para mim, foi facílimo”, conta.

Além de eliminar o peso das apostilas, o campus da universidade tinha quatro prédios e cada aula era em uma sala diferente. A gente usava o Google Maps do tablet para buscar onde seria o próximo seminário. E, enquanto o professor nos mostrava o conteúdo no datashow, podíamos acessá-lo pelo iPad”. Como as turmas do curso não eram fixas, Alexandre também conta que o iPad facilitou a comunicação entre os alunos, que vinham de diversas partes do mundo.

”]Aplicativos feitos para a aula

A loja de aplicativos da Apple disponibiliza ferramentas desenvolvidas especialmente para a sala de aula, como o “The Elements”, uma tabela periódica animada. “Esse é um dos aplicativos que planejo usar para a aula de Química”, conta Samuel. O app pode ser comprado por US$ 14 e possui versão apenas em inglês.

Outra opção é o “Humman Body Encyclopedia D”, que custa US$ 1. O aplicativo ajuda os alunos a memorizar as partes do corpo humano e o nome dos órgãos. Como está disponível apenas em inglês, o app também pode ser usado para praticar o idioma.

O “iStudiez Pro”, aplicativo para organizar tarefas e horários das aulas, tem versão em português e é vendido por US$ 3. E o “Flashcards Deluxe” auxilia na criação de cartões de estudo que ajudam na memorização de aulas. Também só está disponível em inglês e custa US$ 4.

A loja de aplicativos para o sistema operacional do Google, Android, que roda no Galaxy Tab, da Samsung, também possui ferramentas para a educação. Confira no site Android Market.

Texto escrito por Laura Brentano | Matéria publicada originalmente no Portal G1, em São Paulo | 09/02/2011 15h52

Tudo num só lugar?


Foto de Reuters

A polêmica sobre o que é melhor ou o que pode ser mais vantajoso, econômico, segue sua linha de contrapontos. Notícia publicada pela Reuters, com a imagem ao lado, anuncia a compra da empresa holandesa de papel eletrônico Liquavista, pela Samsung, como estratégia para ampliar o mercado. A tecnologia de telas móveis é usada, entre outras coisas, para leitura de livros eletrônicos. E cá estamos de novo rodeados de exposições e interrogações. Será que em um e-reader temos tudo num só lugar, realmente? Vai depender sempre do “tudo” de cada um. Como as sensações que temos ao ler num livro de papel. O que há de certeza é que as coisas evoluem. E evoluir nem sempre significa mudar, mas compreender as mudanças e se aprimorar com ou ao lado delas.

Revista do Observatório do Livro e da Leitura | De 28/01 a 03/02/2011

Samsung compra empresa de papel eletrônico Liquavista


A Samsung Electronics informou na quinta-feira que comprou a companhia holandesa de papel eletrônico Liquavista, em estratégia do conglomerado sul-coreano para se expandir no crescente mercado de telas móveis.

A Samsung não revelou o valor da compra da Liquavista, companhia originada na Philips Research Labs.

A Liquavista oferece um novo tipo de tecnologia de tela chamada “electrowetting” que pode ser usada em leitores de livros eletrônicos, celulares e players de mídia e que utiliza apenas 10% da carga de bateria consumida por tecnologias atuais de telas, afirma a Samsung.

Como a tecnologia electrowetting pode ser produzida a partir de modificação de linhas de produção de telas de cristal líquido [LCD], a Samsung será capaz de obter sinergias significativas por meio do uso de instalações e capacidades atuais“, afirma a companhia.

DA REUTERS, EM SEUL | Publicado por Folha.com – Mercado | 20/01/2011 – 09h26

Amazon planeja loja de aplicativos para Android


A Amazon.com planeja lançar uma loja de aplicativos para o sistema operacional Android, do Google, publicou o “Wall Street Journal”.

Com isso, a Amazon concorreria com lojas similares já existentes da Apple e do próprio Google.

Questionada por e-mail, a Amazon respondeu que “não fez nenhum anúncio“. Já o Google disse que não comentaria rumores.

A Amazon estaria oferecendo a desenvolvedores de aplicativos 70% da receita das vendas, segundo o jornal, citando documentos da companhia a esses profissionais.

Essa fatia de receita é a mesma que a Apple oferece aos desenvolvedores de aplicativos para sua plataforma.

A loja da Apple possui mais de 270 mil aplicativos, enquanto a do Google disponibiliza mais de 80 mil.

O Android está rapidamente ganhando popularidade como plataforma para smartphones, e já ameaça a Apple. O sistema é utilizado em aparelhos como o Droid, da Motorola, e Galaxy S, da Samsung.

Folha.com | Tec | DA REUTERS, EM SAN FRANCISCO | 08/10/2010 – 09h48

Catálogo do Ponto Frio avança


Desde o dia 9 de setembro quando se lançou na venda de livros digitais, a Pontofrio.com.br tem no catálogo 71 títulos ativos, todos do grupo Ediouro. Na semana que vem o site ganhará outros 200 livros com a entrada da Zahar e da Freitas Bastos. Em outubro, serão 500. E quem sabe no fim do ano algo entre dois e cinco mil títulos. Essa é a expectativa de Cláudio Campos, gestor da área de distribuição digital da empresa. Para isso, precisa da colaboração das editoras.

Dois fatos chamam a atenção neste primeiro momento. Todos os e-books disponíveis não têm DRM – e Campos considera isso mais confortável para o usuário, que poderá ler o seu livro onde quiser. “Olhamos o lado do cliente, mas respeitamos a estratégia de cada editora”. Portanto, quem quiser proteger o livro com o DRM vai poder, claro. A outra é que estão apostando nos tablets e já fizeram parceria com a Samsung para vender o Galaxy.

Para chamar mais atenção para o novo negócio, o Ponto Frio começou ontem a pré-venda de Elite da tropa 2 (Nova Fronteira). Assim, na primeira hora do dia 8, data de estreia do filme, seus clientes poderão começcar a ler antes dos outros. Uma outra ideia é repetir a venda do kit “livro impresso + e-book” feita com o 1822, de Laurentino Gomes, primeiríssimo livro da loja virtual.

Para Cláudio Campos, os desafios são a massificação do e-reader, a formação de um catálogo nacional e a aceitação dessa nova forma de leitura pelo brasileiro. A empresa está em contato com as editoras, algumas delas já parceiras na venda de livro impresso, mas sabe que cada uma tem um timing. Sabe também que a hora é de aprender juntos. A única coisa que pedem é que os livros digitais custem entre 20% e 30% menos do que a versão tradicional.

Ponto Frio e seu irmão Extra, o maior vendedor de informática, têm a seu favor o nome, o número de clientes e a oferta de produtos, sobretudo os eletrônicos. Por isso Claudio Campos não se vê concorrendo com livrarias. “Nosso único competidor é o Submarino, que se juntou à Gato Sabido para vender e-book”.

Hoje, os e-books ainda ocupam o pé do menu lateral da página dedicada a livros no site da varejista, mas isso deve melhorar.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 01/10/2010

Livros digitais ganham força, mas falta de aparelhos complica vida dos brasileiros


Maior parte dos e-reader está disponível apenas para compra no exterior

Nook, leitor digital'Barnes & Nobles, não está disponível no Brasil. Photo: Getty Images

Quem viu de perto o surgimento do televisor, na década de 50, vivenciou também a dúvida sobre o quanto a tecnologia impactaria no futuro do rádio. E como tudo que é novo, o e-book ou livro digital , que começa a ganhar força no Brasil neste ano, chega assombrando, no caso, o livro impresso.
Quem está há muitos anos em meio a milhares de páginas garante que a tendência é irreversível, mas não dominante. O mercado de livros, nos próximos anos, não será exclusivamente online, aposta o presidente da Câmara Mineira do Livro, José de Alencar Mayrink, certo de que o primeiro exemplar de um livro dificilmente será digital.

Para ele, autores e editoras darão preferência para o lançamento nos dois formatos e só depois definirem quais obras devem ficar restrita à distribuição por meio digital.

– Brasileiro adora tecnologia e o livro digital pode até aumentar o número de leitores no país. Antes, quem não tinha disposição para abrir um livro e passar as páginas, hoje pode rolar o mouse e acompanhar a história na tela.

Apesar dos e-readers [leitores eletrônicos] terem alavancado o setor, o livro digital existe antes desses dispositivos. Há muito tempo já se usa o livro digital. Eles são “passados” para o computador em formato PDF, extensão do Adobe Reader, e lidos em notebooks, desktops e smartphones. O surgimento dos e-readers é que tornou possível transportar mais obras e ter acesso a elas a qualquer hora e lugar. Os aparelhos com menor memória cerca de 2 gigabytes armazenam até 3.000 títulos.

O mais famoso dos e-readers até por ter sido o primeiro do mundo a chegar mais perto do que desejavam os consumidores é Kindle, criado e vendido pela empresa norte-americana Amazon.

Produto sem o qual o médico Joaquim Bonfim não consegue mais viver. Ele comprou o aparelho há apenas um mês e já instalou 44 livros e assinou um jornal diário. Para quem duvida do conforto visual que esses dispositivos oferecem, o médico garante não perceber diferenças.

– Trabalho com medicina de diagnóstico por imagem. Por isso sei que a tecnologia e-ink, que imita o papel original, é perfeita para a saúde. É como ler um papel comum. Não tem comparação com a leitura em um computador ou celular.

O aparelho escolhido por Bonfim foi o Kindle DX, chamado também de internacional, que possui conexão 3G, tela de 9,7 polegadas e lê arquivos não só no formato AZW [sob o qual estão os livros vendidos no portal da fabricante] como nos primeiros modelos da Amazon, mas também PDF, TXT, PRC, DOC, MOBI, JPEG, HTML, GIF, PNG e BMP. Ou seja, dá para variar bastante.

“Diagramação” ao gosto do leitor

Mas se a moda vai pegar ou não, talvez ainda seja cedo para dizer. Há quem acredite que a adaptação ao livro digital será demorada, muito maior do que a rápida adesão aos formatos MP3 e MP4, reprodutores de música e vídeos digitais.

Para o diretor de mídias digitais da Editora Gente, Roberto Melo, a experiência de ler um livro é diferente conforme o dispositivo, ao contrário de quando se ouve música.

– Não importa se o jazz está rodando em um CD, player MP3 ou telefone celular. A música que chegará aos ouvidos é a mesma. Mas, ler um conto de Machado de Assis em um livro impresso é totalmente diferente de ler em uma tela de um smartphone ou do computador.

Mas existem pessoas que, por exemplo, preferem ler livros técnicos em leitores digitais e computadores pelo fato de poderem inserir anotações, marcações e cálculos, sem danificar a obra.

Além de afirmar que a experiência da leitura digital varia de acordo com o perfil de cada leitor, Melo diz que os e-readers podem oferecer vantagens e desvantagens. Um lado bom é a possibilidade de o usuário diagramar o texto da melhor forma que lhe convir, pois a maioria dos livros eletrônicos são editados de forma que é possível alterar a fonte e ajustar o conteúdo de acordo com o tamanho da tela.

Um deles é o ePub, arquivo programado na linguagem XML, que permite a conversão automática de conteúdos escritos. O aspecto negativo atinge os designers que trabalharam na construção do livro, que por essa possibilidade temem o desemprego. Outro fantasma que anda de mãos dadas com a tecnologia.

Poucas opções chegam ao mercado nacional

São incontáveis os fabricantes e modelos de e-readers no mercado desde o surgimento dos livros digitais. Uns mais conhecidos, outros menos. Mas pouquíssimos estão disponíveis no Brasil. A Sony, por exemplo, em 2007, logo após o lançamento do primeiro Kindle, soltou no mercado seu primeiro e-reader, para competir com o produto da Amazon: o Sony PR-300. Desde então, vem lançando vários outros modelos e os mais recentes são o PRS-600 Touch Screen e o PRS-900 Touch Screen. Mas só estão à venda na Europa e nos Estados Unidos.

A Samsung também lançou seu e-reader, em março deste ano, em Nova York. Com preço de U$299, o dispositivo tem tela 6 polegadas e, em vez de touch screen, é sensível à caneta de ressonância magnética. Aceita arquivos nos formatos ePub, PDF, TXT, BMP e JPG, com memória de 2GB que pode ser expandida com cartão SD.

Além disso, a empresa anunciou parceria com a rede de livrarias Barnes & Nobles para os usuários terem acesso ao acervo das lojas. Mais uma vez, só compra quem for à terra do Tio Sam. Além da Sony e da Samsung, fabricantes como Onyx, Neolux Corporation, Lbook, Elonex, Endless Ideas, Astak e Aluratek também investem em leitores de livros digitais e lançam novidades periodicamente.

A pouca disponibilidade desse tipo de aparelho no Brasil pode ser explicada pela recente chegada do livro eletrônico no país. Nas livrarias que já vendem as obras digitais, não há comparação entre os títulos estrangeiros com os nacionais. Os daqui, perto das mil unidades. Os de fora, ultrapassam as 100 mil. Por isso o mercado ainda não tenha visto motivos para investir nos dispositivos.

Mas se você ficou curioso ou mesmo interessado em um e-reader, fique atento a algumas dicas para comprar um que seja adequado ao seu perfil. Primeiro, veja se há necessidade de conexão sem fio e 3G – quando o cotidiano é um corre-corre, é o indicado, pois pode-se comprar livros de qualquer lugar. Se for um aficionado por livros, daqueles que lêem em filas de espera, bancos de praça, em todo lugar, o ideal é um e-reader com tela menor, que caiba na bolsa ou mochila.

Cada vez mais os e-readers adequam aos diferentes formatos, mas é bom observar esse detalhe antes de comprar. Quanto maior o suporte a diferentes arquivos, melhor. Se você gosta de fazer anotações enquanto lê, de preferência aos dispositivos com esse diferencial. Assim não é necessário um e-reader e papel e caneta ao lado.

Vale dar uma conferida para ver se o seu estilo de livros preferido já tem muitas versões digitais, para não gastar dinheiro a toa. E a pesquisa de preços continua valendo como velha e boa dica.

Por Franciele Xavier, do Hoje em Dia | Publicado no Portal R7 em 23/08/2010 às 15h44

Samsung estreia leitor de eBooks com Editora Babel


A apetência dos utilizadores portugueses pelos livros em formato digital é um dos argumentos que a Samsung usa como impulsionador do lançamento do leitor de eBooks E60, que chega ao mercado em Junho mas que é hoje apresentado em parceria com a Editora Babel. Este é o primeiro leitor de eBooks da marca coreana, mas outros modelos estão já na calha.

O interesse pelo Kindle da Amazon e o iPad da Apple é apenas um dos exemplos de referências para o crescimento deste mercado, mas há já outros leitores de eBooks, menos “badalados” à venda nas lojas nacionais, e os conteúdos continuam também a crescer.

Paulo Costa, Sales & Marketing Manager da Samsung Electrónica Portuguesa, adiantou ao TeK que a estimativa aponta para vendas de “10 mil unidades dos modelos sem conectividade 3G até ao final do ano”, mas o potencial de vendas dos modelos 3G que a Samsung irá lançar num futuro próximo é substancialmente superior.

O Samsung E60, que foi anunciado na CES, vai estar à venda só em Junho, custando 359 euros. O leitor tem um ecrã de 6 polegadas a preto e branco com tecnologia e-ink que facilita a leitura, e é sensível ao toque para reconhecer as notas do utilizador. A ligação Wi-Fi integrada permite a conectividade com os serviços de conteúdos através da introdução do endereço web ou clicando no ícone de um fornecedor de conteúdos.

A parceria exclusiva com a Editora Babel vai garantir para já o acesso aos livros electrónicos. Na nova livraria que é hoje inaugurada em Lisboa está disponível o «Cubo Babel», que dá acesso a cerca de 60 títulos em formato electrónico, sendo alguns deles gratuitos.

Embora noutros mercados existam parcerias com outras livrarias, como a Barnes and Noble, todos os acordos são geridos localmente, estando previstas várias lojas online.

Mas os jornais e revistas não ficam fora da estratégia, admitindo Paulo Costa que o acesso a notícias online é um dos argumentos fortes destes equipamentos. O responsável da Samsung não adianta porém detalhes sobre a operacionalização desta ligação.

Os modelos com conectividade a redes 3G estão já na calha, estando a comercialização prevista para o final do 3º trimestre, tal como o modelo E61, que dispõe de um teclado QWERTY.

Por enquanto a linguagem dos menus do E60 não está ainda em português, assim como a funcionalidade de leitura do texto – o text-to-speach-. Só no final do ano deverão ser lançados os equipamentos já com software em português.

Este modelo suporta vários formatos de ficheiros, do e-pub, ao PDF, TXT, BMP and JPG, servindo também como leitor de música em MP3, através das colunas frontais ou recorrente a auriculares que são usados também na funcionalidade text-to-speech.

A memória interna é de 2GB, que permite guardar 1.500 livros, mas pode ser alargada a 16GB com um cartão microSD.

Publicado originalmente por Casa dos Bits às 16.22h no dia 23 de Abril de 2010

Admirável Livro Novo


Quem compraria de olhos fechados um produto que ninguém experimentou, que ainda não tem certeza de como funciona e que nem sabe exatamente para que vai servir? A partir deste mês, milhares de pessoas [por ora apenas nos Estados Unidos] terão a oportunidade de ver como é realmente o iPad, o mítico e-reader da Apple, aquele que pode fazer com o livro em papel o mesmo que o iPod fez com o CD: torná-lo dispensável. Seriam esses computadores pessoais em formato de prancheta e tela sensível ao toque, chamados tablets, “assassinos tecnológicos”, capazes de transformar o livro impresso em objeto de museu, ao lado dos daguerreótipos, dos gramofones e até dos primeiros leitores digitais, como o Kindle?

Como em todas as discussões milenaristas, os debatedores podem ser divididos em duas correntes: os “apocalípticos” e os “integrados”, para usar os termos do filósofo italiano Umberto Eco – que é, aliás, uma voz importante também nessa questão. Na obra Não Contem Com o Fim dos Livros, que sai no fim do mês no Brasil, ele e o escritor francês Jean-Claude Carrière procuram tranquilizar, numa série de conversas, os que temem que a era tecnológica se transforme num apocalipse que não deixará página sobre página. Ao mesmo tempo, é um exemplo de como a discussão sobre o fim do livro é inútil, porque na maior parte do tempo é baseada em achismos e experiências pessoais que não são necessariamente compartilhadas pelas novas gerações. Mesmo quando o debate é liderado por pensadores de renome.

Quem lê o livro percebe que a confiança expressa na capa não reflete o conteúdo. O que sobressai é o lamento de dois homens brilhantes que, como muitos de seus contemporâneos, se veem como dinossauros soterrados por uma revolução nas formas de escrever, ler e transmitir o conhecimento. Carrière fica surpreso, por exemplo, quando o amigo Eco revela ser um velho jogador de fliperama [!] atordoado por uma “derrota acachapante” de 280 a 10 para o neto de 7 anos num videogame. O placar leva o autor de O Nome da Rosa a reconhecer que, por mais que tenha devorado bibliotecas, é incapaz de acompanhar a revolução que se anuncia. “Nossa insolente longevidade não deve nos mascarar o fato de que o mundo do conhecimento está em revolução permanente e de que não fomos capazes de captar plenamente alguma coisa senão no lapso de um tempo necessariamente limitado.

Apesar de inflamar corações e mentes, a discussão sobre o fim do livro é apenas a ponta do iceberg de outra revolução em curso: a das novas possibilidades de narrar e ler abertas pelas tecnologias digitais. Essas inovações convergem de tal forma que, no futuro, as experiências de ler, ouvir e ver não serão mais distintas. Uma nova semântica já começa a se instaurar a partir da internet. Os próprios conceitos de livro e literatura já não parecem mais tão claros diante das novas mídias.

A QUARTA TELA
A revolução que torna incerto o futuro do livro questiona a noção de autoria, abala as bases da indústria editorial e muda as formas de leitura já é chamada pelos especialistas de Quarta Tela – as três primeiras são a da televisão, a do computador pessoal e a do telefone celular. A quarta tela com que vamos nos acostumar a interagir diariamente será a do tablet. O iPad é a estrela desta nova geração de computadores, mas nem de longe a única. Calcula-se que ele dividirá o mercado com pelo menos 50 modelos nos próximos meses.

A Hewlett-Packard, por exemplo, promete para breve o Slate, que usará o Windows como sistema operacional. A Samsung também anunciou o seu E6, um e-reader que permite anotações a mão, e a Asus inova com um e-reader com duas telas, simulando a leitura de um livro. Até o Brasil entrou na corrida. De Recife, a Mix Tecnologia anunciou o lançamento para junho do primeiro leitor eletrônico com software 100% nacional, a um preço que varia entre R$ 650 e R$ 1,1 mil. O investimento parece alto, mas milhares de e-books são oferecidos pelas livrarias virtuais gratuitamente, como os clássicos em domínio público. E o download de um lançamento custa em geral metade do preço de um livro em papel.

Tablets têm uma série de vantagens sobre os dispositivos que apenas exibem textos digitalizados, como os pioneiros Kindle, da livraria Amazon, e o nook, da livraria Barnes & Noble, além de sua tela colorida. “Ele abre uma nova gama de experiências que ultrapassa a da leitura do livro impresso”, afirma o brasileiro Julius Wiedemann, editor-chefe da área de design da Taschen, que já testa um programa para simular livros de arte no novo e-reader, com direito a multimídia e interatividade. “Vivemos uma mudança radical de paradigma”, acredita. Opinião parecida tem o editor da revista americana Wired, Chris Anderson. “Daqui a 10 anos vamos ver que este foi um momento significativo”, afirmou numa conferência em São Francisco em março, quando apresentou um vídeo com a versão da revista, uma espécie de bíblia das novas tecnologias, para o iPad.

A verdade é que, até o mês passado, e-readers eram suportes eletrônicos para livros comuns, e os e-books não passavam de versões digitalizadas de textos produzidos para serem impressos. Mas, de agora em diante, o livro — assim como os jornais e revistas — pretende ser muito mais do que um texto adaptado para o novo formato. Nascidos digitais, os novos livros podem prescindir da leitura linear, integrar-se à internet, misturar palavra, vídeo, foto, som e animação, e literalmente explodir em 3D nas telas. Neste novo universo, real e virtual não são mais mundos separados. Os novos livros poderão ainda ser reescritos por seus leitores, em experiências interativas e colaborativas que colocam em questão o conceito de autoria e propriedade intelectual.

O CHEIRINHO DO LIVRO
Ainda é cedo para medir o impacto na criação narrativa dessa literatura sem papel. O livro eletrônico poderia desenvolver novas formas expressivas — assim como o livro impresso possibilitou o boom do romance, e a câmera filmadora a explosão do cinema? Boa parte das obras produzidas no novo formato ainda é experimental. No entanto, as editoras comerciais já começam a fazer suas próprias experiências. A Penguin e a Macmillan colocaram na rede vídeos mostrando como seus livros serão reinventados, ganhando recursos interativos e multimídia, espaço para comentários, mecanismos de busca e comunidades virtuais de leitores para trocar ideias.

Segundo o executivo-chefe da Penguin, John Makinson, a editora criará grande parte de seu conteúdo digital em HTML [linguagem para escrever páginas da internet] em vez do formato ePub, usado nos livros eletrônicos. “A própria definição de livro está aberta”, acredita. De fato, há dúvidas sobre como classificar as obras produzidas a partir das estratégias narrativas abertas pelas novas tecnologias. Seriam livros ou alguma forma nova, que já é chamada de transmídia, que conviverá em separado com o mercado editorial tradicional, como a televisão adquiriu uma linguagem diferente do cinema?

Apesar de toda essa excitação, não faltam leitores que não pretendem abandonar o papel por nada. Seus argumentos são pertinentes. Ler num computador não é tão confortável como ler uma obra impressa [por outro lado, uma biblioteca inteira cabe num levíssimo e-reader]. É difícil ler na tela porque os olhos se cansam da luminosidade [aparentemente não os das novas gerações, habituadas às telas do computador]. As baterias acabam, enquanto livros duram quase uma eternidade [em compensação os livros impressos não podem ser baixados para o seu e-book quando se está há horas esperando na antessala do médico]. Para praticamente todo argumento contra um tipo de livro há um a favor.

Resta o insubstituível “cheirinho do livro”. Para quem não abre mão dele, uma história divertida é a relatada pelo historiador americano Robert Darnton em A Questão dos Livros: Passado, Presente e Futuro, que sai no Brasil em maio. Conta que uma pesquisa com estudantes constatou que 43% deles consideravam o cheiro uma das maiores qualidades dos livros. E a única que aparentemente não poderia ser suplantada pelos livros eletrônicos. Mas uma editora online, a CaféScribe, já apareceu com uma solução: oferecer um adesivo para ser colado em seus computadores com um aroma similar.

Especialista na história do livro, Darnton mostra que o livro impresso é também uma tecnologia de leitura, que já desbancou outras, no passado: os rolos de pergaminho e as obras manuscritas, mesmo que sob severos protestos de seus defensores. Nesta área, as mudanças têm sido cada vez mais rápidas. “Da descoberta da escrita até o codex [o formato atual do livro], passaram-se 4.000 anos; do codex à tipografia, 1.150 anos; da tipografia para a internet, 524 anos; da internet para os mecanismos de busca, 17 anos; deles para o Google, 7 anos; e quem sabe o que estará ali na esquina ou vindo na próxima onda?”, pergunta.

Com ou sem cheirinho, os e-readers prometem revolucionar os hábitos de leitura, assim como o codex fez com os rolos de papiro. Em vez de duas páginas lado a lado, teremos uma única, que também servirá para exibir vídeos, acessar a internet e nos comunicar com os amigos. Podemos retomar o hábito de fazer anotações nas margens, sublinhar e usar etiquetas virtuais [tags] para catalogar o que nos interessa. Em vez de comprar livros, poderemos baixá-los numa livraria virtual imediatamente — e talvez impulsivamente, porque o preço será bem menor. Será muito simples buscar palavras-chave num grande volume de textos e assim destrinchar em poucos minutos a obra de um grande pensador sobre determinado assunto. Ou mesmo de vários pensadores ao mesmo tempo. Vamos poupar muitas árvores de serem abatidas à toa, para a publicação de livros sem importância. Mas qual será o custo disso para o universo da leitura tal como conhecemos hoje?

O tempo dirá quem vai pagar a conta.

CROWDSOURCING
Elaboração dos mais diversos conteúdos de maneira coletiva. O desenvolvimento de ferramentas interativas e o sucesso do twitter deu novo fôlego às experiências colaborativas em rede na área acadêmica e literária.

APLICAÇÕES
A enciclopédia virtual Wikipédia é um exemplo de narrativa colaborativa: em vez de especialistas contratados, quem escreve os verbetes são os leitores. Na wikiliteratura, eles também são convidados a contribuir para o desenvolvimento da história.

TÍTULOS
De olho no fenômeno, a editora americana Penguin criou o projeto A Million Penguins, que chamou de exercício de escrita criativa colaborativa com base no twitter. Nela, todas as contribuições podem ser editadas, alteradas ou removidas pelos colegas. E a BBC Audiobooks convidou o escritor Neil Gaiman para dar o pontapé inicial de um conto com uma frase de 140 caracteres, complementado depois pelos seguidores cadastrados.

INTERATIVIDADE
Total. A própria ideia de autoria se desfaz nestes projetos baseados no conceito de inteligência coletiva.
VEJA: http://www.amillionpenguins.com

FICÇÃO HIPERTEXTUAL
Também chamada de ficção não-linear, permite que o texto tome vários caminhos e até ter vários finais possíveis. Não nasceu na internet, mas ganhou impulso nela pela facilidade de criar hiperlinks, que possibilitam navegar pela história.

APLICAÇÃO
Tem grande aplicação na literatura, adequada para a criação de nova narrativas não-lineares, ou na adaptação de já existentes, como O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar.

TÍTULOS
Alguns dos mais interessantes exemplos podem ser consultados na Biblioteca Cervantes Virtual, sob a rubrica hipernovela. Vale conferir títulos como Condições Extremas, de Juan B. Gutierrez.

INTERATIVIDADE
Pode ser de dois tipos: explorativa e construtiva. Na primeira, o autor define os rumos da história, mas permite ao leitor decidir seu trajeto de leitura. Na segunda, o leitor pode inclusive modificar a história.
VEJA aqui.

HIPERMÍDIA
Narrativa que faz uso de texto, áudio, animações e vídeo para contar uma história ou desenvolver uma tese. A hipermídia não é a mera reunião da várias mídias, mas sim a fusão delas numa nova narrativa.

APLICAÇÃO
Permite que várias mídias sejam integradas e formem uma nova linguagem, com sua própria gramática. Já imaginou um livro como A Volta ao Mundo em 80 dias usando o Google Maps? É útil também em ensaios – um livro sobre a ópera, por exemplo, pode trazer imagem e áudio das encenações.

TÍTULOS
O premiado Alice Inanimada, produzida por Kate Pullinger e Chris Joseph, é um romance que utiliza uma combinação das várias mídias. Durante dez episódios vemos a menina sair de uma região remota da China para se tornar uma designer de jogos.

INTERATIVIDADE
Nem sempre é necessária. O leitor pode simplesmente acompanhar a história da forma como ela é narrada. Ou eventualmente jogar com ela.
VEJA: http://www.inanimatealice.com/

FAN FICTION
Obra de ficção criada por fãs com base em personagens de livros, filmes, mangás e animações consagradas. Sem se importar com direitos autorais, os fãs podem também tomar emprestadas situações das histórias originais.

APLICAÇÃO
Criado para diversão, o gênero também tem um potencial didático que já foi descoberto por professores de português. Em sala de aula, pode-se criar fan fictions de obras clássicas – inventado mais peripécias, por exemplo, para Leonardo Pataca, protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

TÍTULOS
Embora os primeiros blogs sejam dedicados a aventuras inspiradas pela série Harry Potter, de J. K. Rowling, há histórias baseadas em Senhor dos Anéis, de J. K. Tolkien, e em Eragon, de Christian Paolini, entre outros.

INTERATIVIDADE
Em sites, blogs, fóruns e redes de e-mail, um “autor” pode controlar um personagem, discutindo com os amigos os rumos da história.
VEJA: http://fanfiction.nyah.com.br/

GAMES
Modelo narrativo não-linear, que leva o leitor a “jogar” uma história, em vez de acompanhar passivamente a trama arquitetada por um autor.

APLICAÇÃO
Atraente especialmente para o público juvenil, acostumado a interagir com videogames. Os educadores já estão de olho no potencial do formato para atualizar os livros didáticos. Já pensou estudar Geografia procurando um tesouro nos Andes?

TÍTULOS
Em 2008, a editora americana Scholastic publicou o primeiro livro da série The 39 Clues – lançado no Brasil pela Ática. Escrito por Rick Riordan, autor de Percy Jackson & Os Olimpianos, o livro entrou imediatamente nas listas de mais vendidos nos Estados Unidos.

INTERATIVIDADE
No caso de The 39 Clues, um website, figurinhas colecionáveis, quebra-cabeças, jogos on-line ajudam o leitor-jogador a seguir as pistas que revelam o passado da família Cahill e de personagens históricos, como Benjamin Franklin e Anastasia Romanov.
VEJA: http://www.the39clues.com

REALIDADE AUMENTADA
Marcada com um código especial, uma página de livro exibe objetos tridimensionais na tela do computador quando colocada em frente à webcam. São imagens, sons e textos que acrescentam informações ao conteúdo impresso, numa mistura de mundo virtual e real.

APLICAÇÃO
Útil para livros infantis e enciclopédias, que poderiam trazer mapas, gráficos e objetos animados e em 3D.

TÍTULOS
As crianças que foram à Feira de Frankfurt em 2008 puderam se deliciar com as experiências da Metaio, uma empresa alta tecnologia alemã que apresentou os livros Aliens & UFOs. Este ano, as inglesas Salariya Book Company e Carlton lançaram títulos como O que Lola Quer… Lola Tem e Dinossauros Vivos!

INTERATIVIDADE
O que diferencia essa tecnologia dos pop-ups tradicionais [livros de papel em que as ilustrações são montadas em 3D] é que os objetos em 3D se mexem e acompanham o leitor, seguindo seus movimentos.
VEJA: http://www.metaio.com

VOOK
Um livro em que a informação do texto é complementada com vídeo – algo parecido com o jornal Profeta Diário dos filmes de Harry Potter, em que as reportagens trazem, em vez de foto, personagens em movimento.

APLICAÇÃO
Útil para livros de receitas culinárias ou de ginástica, em que o leitor poderá ver os movimentos necessários em vídeo. Em ficção, contudo, seu uso é polêmico, por tirar do leitor o prazer de imaginar rostos e cenários.

TÍTULOS
Disponíveis hoje para iPhone e tablets – não para Kindle. Em ficção, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e A Estranha História do dr. Jekyll e mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson. Há ainda obras exclusivas para o formato, como Promessas, de Jude Deverauz.

INTERATIVIDADE
O leitor pode se conectar com o autor, acessar links úteis e comentar a história com seus amigos ou outros leitores nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook.
VEJA: http://www.vook.com

Cristiane Costa – Sean Mackaoui – Revista BRAVO – Abril 2010

Ele vai matar o livro


A varejista virtual norte-americana Amazon.com vendeu mais livros eletrônicos do que físicos no Natal de 2009

Da forma que conhecemos, o livro está fadado a sumir?

A varejista virtual norte-americana Amazon.com vendeu mais livros eletrônicos do que físicos no Natal de 2009. O Kindle, seu popular e-book, também foi o presente mais comprado da história da companhia. Os investidores começam a ficar irritados com a companhia de Jeff Bezos por não divulgar dados específicos sobre o desempenho comercial do produto.

At questão não é de números, mas de lógica. Assim como aconteceu com a indústria de música e a cinematográfica, o setor editorial também vai ter de se adaptar ao formato digital. Não será um tsunami, mas deixará os seus esqueletos pelo caminho.

O primeiro corpo será o livro no seu formato físico. O outro cadáver serão as editoras que acreditarem que a profecia é apenas previsão de falsos profetas apocalípticos. Há várias vantagens no livro eletrônico. Em primeiro lugar, ele é ecológico. Não é preciso derrubar árvores para produzi-lo. Ele também poupa espaço nas estantes dos leitores. O Kindle, por exemplo, pode guardar até 1,5 mil obras. Não se esqueça de que ele é portátil. Portanto, é possível levar sua biblioteca completa na pasta ou mochila. As telas dos e-books estão também cada vez mais sofisticadas e menos brilhantes. Quem já teve a experiência de ler em um Kindle diz que depois de minutos o formato eletrônico deixa de ser notado. O que resta é o prazer da leitura. É isto o que importa, independentemente de o livro ser digital ou de papel.

As editoras parecem já ter percebido que o livro no formato físico é um “animal” a caminho da extinção. Uma pesquisa realizada na Feira de Frankfurt com mais de mil representantes do mercado editorial de todos os continentes indicou que eles acreditam que em 2018 os livros eletrônicos superarão em volume de negócios os de papel. No Brasil, a Zahar começou a disponibilizar parte do seu acervo por meio da Gato Sabido, a primeira loja puro-sangue de e-books do País.

Os escritores Paulo Coelho e Rubem Fonseca já vendem seus livros em formato digital. E a recifense Mix Tecnologia promete lançar o primeiro aparelho brasileiro para ler livros eletrônicos. O Mix Leitor D chegará ao mercado no primeiro semestre de 2010. Ele se somará aos fabricados pela Samsung, Fujitsu, Sony e Amazon. Há outro incentivo que promete impulsionar ainda mais o livro eletrônico no Brasil. A Justiça decidiu que os leitores de e-books contem com a mesma imunidade tributária de livros e revistas importados. Até agora, eles vinham sendo tratados como eletrônicos, cuja taxa é de 60%.

Desde que a primeira Bíblia foi impressa por Gutenberg, em 1455, nunca houve uma tecnologia que tivesse durado por mais de 500 anos. O livro, neste período, pouco mudou do seu formato original. Se Gutenberg ainda estivesse vivo, provavelmente reconheceria um exemplar nos dias de hoje. O fundador da Amazon.com, Jeff Bezos, revolucionou o varejo quando fundou a empresa em 1994. Agora, ele está mudando a forma como lemos. Eu não sentirei saudade das traças.

Artigo publicado originalmente em ISTOÉ Dinheiro | Por Ralphe Manzoni Jr. | Nº EDIÇÃO: 640 | 21/02/2010 – 16:05