Cadeia produtiva do livro digital: do editorial a venda


Camila Cabete

Camila Cabete

Em parceria com o Publishnews, a CBL oferece o curso no dia 14 de junho, 5ª feira, das 9h30 às 18h. O curso apresentará a produção de livro de forma diferenciada do formato tradicional e abordará a distribuição e comercialização de conteúdo.

Será ministrado por Camila Cabete. Com formação clássica em história, ela foi responsável pelo setor editorial da Editora Ciência Moderna. Entrou para o mundo digital ao se tornar responsável pelo setor editorial e comercial da primeira livraria digital, a Gato Sabido. Hoje é a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis.

Possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], especializada em consultoria para autores, editoras e livrarias, sempre com foco no digital. Colunista da Publishnews [www.publishnews.com.br] e Revolução eBook [revoluçãoebook.com.br].

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

44% dos internautas brasileiros nunca compraram eBooks


POR Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução E-book | 29/02/2012

Editoras correm para digitalizar seus catálogos, invadir as redes sociais e se adaptar à chegada de grandes concorrentes internacionais. Lançam impressos e digitais simultaneamente, investem milhares de reais em aplicativos para iPad. Nesta correria, muitas editoras parecem perder o fio da meada, esquecem de uma figura fundamental: o leitor. O leitor brasileiro, conhecido por ler pouco, compra livros digitais? Já estão familiarizados com formatos, esquemas de compra e leitura? Possuem os aparelhos para ler eBooks?

Para esclarecer estas questões, o Revolução eBook conduziu uma pesquisa no mês de fevereiro, entrevistando pela Internet 330 pessoas. Divulgamos a pesquisa não só na nossa lista de discussão e newsletter, mas também nas redes sociais, para diversificar o público. Foram feitas apenas quatro perguntas, para obtermos um panorama de como o brasileiro se relaciona com as tecnologias do livro digital e seu consumo. Nas perguntas, sempre foi possível marcar mais de uma alternativa, de modo que os totais contabilizados ultrapassam 100%.

Constatamos, entre outros números, que 44% dos brasileiros nunca adquiriu um livro digital, nacional ou estrangeiro, entre outros números.

O brasileiro tem eReader?

Como podemos observar, mais da metade dos pesquisados não possui um eReader, aparelho dedicado à leitura. Quando possuem, 28% afirma ter o Kindle da Amazon, seguido bem de longe pelo nook da B&N com 6% e pelo Positivo Alfa, com 4%. Bem próximos ao eReader da Positivo estão o Cool-ER, um dos primeiros aparelhos de eInk a chegar ao Brasil e a categoria Outros, sinalizando que alguns consumidores adquiriram marcas bem menos populares.

O gráfico no geral mostra algumas coisas. Primeiro, o marketing da Amazon é bom o suficiente para conseguir um share maior de aparelhos, mesmo sem uma presença oficial. Vemos também que os aparelhos vendidos em lojas brasileiras, combinados, representam menos de 10% das respostas. Para cada um destes, outros 4 possuem um Kindle. A amostragem reforça a ideia de que eReaders são caros e pouco divulgados no Brasil.

Metade dos entrevistados não possui tablet.

Quando vemos a baixa popularidade do eReader, esperamos que isso se deva ao sucesso do tablet que, dizem por aí, deve acabar com o aparelho de apenas um uso e tela de tinta eletrônica. Porém, mais uma vez, os números mostram que não é exatamente assim. Embora a pesquisa tenha sido realizada exclusivamente na internet, apenas 49% dos entrevistados dizem possuir um tablet. Entre os que não possuem, os motivos são diversos, como desconhecimento da tecnologia e, claro, o preço.

Como esperado, o iPad – tanto o 1 como o 2 – é o mais popular entre os modelos, com 33% de respostas. Muito, muito atrás, com 6% de votos, está a categoria Outros, dispensando todas as marcas mais populares que colocamos para escolha. Com 4%, 3% e 2% estão o já antigo Galaxy Tab, o caro Galaxy Tab 10.1 e o Xoom, respectivamente.

Há uma interessante participação de 1% tanto para o Kindle Fire como para o nook tablet, que não são oficialmente vendidos no Brasil e nem funcionam completamente por aqui, mas que ainda assim são uma escolha em lugar de produtos vendidos no país.

Nunca comprei um eBook

Aqui chegamos ao ponto do título desse artigo. Nossa pesquisa indicou que 44% dos entrevistados nunca adquiriu um livro digital, seja em loja brasileira ou estrangeira. Aqui fica uma boa pergunta para as editoras: por quê? Qual a razão de os brasileiros ainda não terem feito compras?

O problema são os aparelhos caros? São difíceis de usar? O brasileiro acha difícil ou caro comprar eBooks? Acho que essas são as perguntas a serem questionadas e respondidas ao longo de 2012, para o mercado editorial entender seu novo “público digital”. É interessante observar que 34% já adquiriram eBooks em lojas nacionais e 39% em lojas estrangeiras. Ou seja, o número de pessoas que já comprou livros digitais em ambas as lojas é quase o mesmo. Quem consome livros digitais está fazendo isso tanto no Brasil, como lá fora.

Pirataria, a gente vê por aqui

A última pergunta tratou de pirataria, um assunto delicado, porém bem presente no Brasil. Apenas 12% dos que responderam disseram nunca ter baixado um eBook pirata. E 55% afirmou já ter baixado um eBook ilegal em português e 34% em inglês. Ou seja, os entrevistados pirateiam mais, e compram menos livros digitais. Fica aí mais uma pergunta para as editoras responderem e solucionarem: por que os brasileiros preferem piratear um livro do que comprá-lo?

Os números também mostram que, para entrar nessa nova tecnologia, muitos recorrem a livros gratuitos ou de domínio público para experimentarem o livro digital. Do total, 74% afirmou ter feito isso.

POR Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução E-book | 29/02/2012

Stella Dauer

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora do Revolução E-book. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009.

Site lança campanha pela popularização do eBook


A iniciativa é da Simplíssimo, empresa especializada em livros digitais

O site Revolução E-book, que publica notícias e artigos sobre o mercado de livros digitais, lançou na semana passada uma campanha para popularizar os e-books. O objetivo é esclarecer as vantagens e possibilidades geradas pelo formato eletrônico, e também fomentar a oferta de títulos, bem como a qualidade dos produtos e dos processos de compra on-line. O site e a campanha são uma iniciativa da Simplíssimo, que faz e-books, oferece cursos e treinamentos sobre o mercado de livros digitais e tem um serviço de autopublicação. Segundo Eduardo Melo, fundador da empresa, a campanha deve ganhar força no início de 2012. Já está programada a criação de vídeos para a internet que mostrarão as vantagens dos e-books em comparação aos livros físicos. Quem quiser aderir, pode usar o selo da campanha que diz “Eu leio livros digitais” e também participar de um fórum coletivo para compartilhar ideias, dúvidas e reivindicações acerca desse novo mundo. Saiba mais aqui.

Para Melo, embora ainda existam barreiras para o crescimento do mercado de e-books, como os preços altos de tablets e e-readers, já existe no Brasil um número de dispositivos que justificaria um índice de leitura maior dos livros digitais. “Há pelo menos 400 mil iPads e 1,5 milhão de iPhones no país. Mas a leitura nesses aparelhos ainda não é muito comum“, avalia.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 21/12/2011