Trechos literários enviados por WhatsApp no DF


Paulo Santos | Criador do ‘Leitura de Bolso’

Um projeto criado no Distrito Federal busca incentivar o consumo de literatura nos minutos livres do dia a dia por meio da tela do celular. O “Leitura de Bolso” envia todos os dias, via WhatsApp, textos curtos que podem ser lidos no transporte público, no sinal vermelho ou na fila do banco. O serviço é gratuito, e o cadastro pode ser feito pela internet.

A ideia surgiu após uma pesquisa da Fecomércio que revelou que, no ano passado, 7 em cada 10 brasileiros não leram um livro sequer. “Vimos essa notícia e ficamos espantados, nos perguntando qual era o motivo disso. Tentamos achar algum jeito de trazer a literatura para mais perto das pessoas“, diz o publicitário Paulo Santos, de 28 anos.

Depois de algumas semanas quebrando a cabeça, ele e o amigo Julian Vilela acharam a solução: textos curtos e de fácil acesso. “São textos rápidos, para ler em até cinco minutos. É um tempinho que a gente sempre tem disponível. Acho que os livros ‘assustam’ muita gente pelo tamanho“, diz o publicitário.

Temporadas

O conteúdo da “primeira temporada” do Leitura de Bolso fica a cargo do engenheiro e cronista brasiliense Roberto Klotz. O autor ofereceu, sem custos, as 46 crônicas do livro “Quase pisei”, suficientes para dois meses de projeto – os textos serão enviados apenas em dias úteis.

A cada manhã, os inscritos vão receber uma das crônicas e algumas imagens relacionadas ao tema. No início, pensamos em narrar os textos, mas o consumo ficaria condicionado ao fone de ouvido. Por enquanto, vamos com texto e imagem“, diz Santos.

Para as próximas temporadas, a dupla estuda parcerias com ilustradores, fotógrafos e outros artistas.
Vimos essa notícia e ficamos espantados, nos perguntando qual era o motivo disso. Tentamos achar algum jeito de trazer a literatura para mais perto das pessoas”

Com a promessa de manter o serviço gratuito e sem propagandas, a dupla reduziu ao máximo os custos do projeto, que entra no ar com “investimento zero”. O site foi produzido pelos próprios publicitários, e as primeiras mensagens serão enviadas de um aparelho celular que estava “encostado”.

Até agora, gastamos mais tempo que dinheiro. Patrocínio, propaganda, spam estão fora de cogitação“, diz Santos.

Sem barreiras

Antes mesmo do lançamento, o projeto dá sinais de sucesso. “A gente escolheu o WhatsApp porque é um dos meios mais democráticos, e parece que deu certo. Esperávamos entrar no ar com 200, 300 pessoas, mas até esta terça [24] já temos 1,3 mil inscritos.

O envio pelo aplicativo de mensagens também evitou a barreira geográfica. O cadastro pode ser feito de qualquer lugar do mundo, desde que o número de telefone esteja vinculado a uma conta do WhatsApp. O texto é enviado pelo número oficial do projeto, que pode ser armazenado nos contatos do celular: [61] 9619-6842.

G1 | 27/11/2015

Do Instagram para as livrarias


Lançamento do selo Fábrica 231, selo de entretenimento da Rocco, nasceu a partir de um perfil do Instagram

Com apenas 25 anos, o carioca Pedro Henrique começou a rascunhar pequenas mensagens em cartões enquanto estudava. Assim nasceu a página Um Cartão, que reúne sentimentos do cotidiano em artes simples e diretas no Instagram. O passatempo conquistou mais de 650 mil seguidores na rede e cerca de 20 milhões de curtidas. Cresceu tanto, que começou a ganhar vida para além dela e virou livro. Um cartão [Fábrica231/Rocco; 192 pp; R$ 24,50] chega às livrarias em formato de cartões serrilhados que podem ser lidos como uma grande coleção de tiradas ou destacados para serem compartilhados de forma avulsa. Neste mês, o autor tem uma agenda de lançamentos pelo Brasil. Inicia nesta quinta-feira [5], na FNAC do BH Shopping [Rodovia BR-356, 3049, Belvedere, Belo Horizonte/MG], às 20h. De lá, o autor segue para Porto Alegre, Brasília, Recife, Fortaleza, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

PublishNews | 04/11/2015

Skoob produz infográfico sobre Harry Potter


Material traz as preferências de quem curte a saga

Que a saga Harry Potter atrai milhares de fãs em todo o mundo não é novidade. E é justamente por esse sucesso que o Skoob, rede social para leitores, produziu um infográfico com dados sobre as preferências de quem curte a saga. A informação foi baseada em números coletados no mês de setembro deste ano. Entre os dados apresentados, o material indica que mais de 500 mil pessoas marcaram como “lido” pelo menos um livro da série. Os livros da saga receberam 380 mil avaliações e a nota média dada aos livros é de 4,7 estrelas [numa escala que vai até cinco]. Para conferir o infográfico completo, clique aqui.

Publishnews | 06/10/2015

Livro, no YouTube, fala sobre preservação da natureza


Um livro que fala sobre a preservação da natureza, separação do lixo. E tem até uma música. Mas a vedete é uma panela de barro e uma fita em tecido que se transforma em uma linda boneca, a Cecília, a protagonista da história. Isso pode ser conferido na história A Panela Encantada, de Sonia Rosseto, pelo vídeo publicado no YouTube.

Blog do Galeno | Edição 416 | 18 a 24 de setembro de 2015

Fama digital, sucesso real: do YouTube ao papel


Com milhões de seguidores na internet, Christian Figueiredo e Kéfera Buchmann lançam livros na feira literária e causam histeria por onde passam

Christian Figueiredo posa com fãs na fila do Espaço Maracanã; novo livro do jovem escritor já vendeu mais de 70 mil exemplares, segundo a editora - Fernando Lemos

Christian Figueiredo posa com fãs na fila do Espaço Maracanã; novo livro do jovem escritor já vendeu mais de 70 mil exemplares, segundo a editora – Fernando Lemos

RIO – “Você é de verdade!”, exclamou uma fã ao abraçar Christian Figueiredo durante o lançamento de “Eu fico loko 2: as histórias que tive medo de contar” [Novas Páginas] na Bienal do Livro. Mais de mil leitores — a maioria deles crianças e adolescentes — fazia fila desde às 11h da última sexta-feira para abraçar o rapaz de 21 anos. O visual do autor, que ostentava um penteado moderno e vestia uma camiseta de tema floral, o fazia lembrar um integrante de uma boy band de sucesso. O barulho da audiência, que, embalada pelos hormônios, se alternava entre gritos agudos e choro copioso, só confirmava a impressão de se estar diante de um fenômeno do star system musical. Figueiredo ficou até às 18h assinando livros no Espaço Maracanã, criado pela Bienal para dar vazão à demanda de público dos autores de best-sellers.

As sete horas não foram suficientes para ele. Sua popularidade fez com que ganhasse duas datas para encontrar o público. O autor volta ao Riocentro hoje, também a partir das 11h, para uma nova sessão de autógrafos. A carreira de Christian, no entanto, não está exatamente ligada ao fazer literário.

Os textos que fizeram dele uma espécie de Justin Bieber do mercado editorial foram postados primeiro em forma de vídeos em uma conta do YouTube. O “Eu fico loko” conta com mais de 3,2 milhões de inscritos.

— Transcrevi o roteiro dos vídeos para fazer o primeiro livro. O segundo é uma espécie de “proibidão”, com histórias que preferi não contar antes.

Transformadas em livro, que ganhou o mesmo nome do canal, as primeiras histórias de Christian venderam mais de 100 mil exemplares. Lançado às vésperas da Bienal, o segundo volume já chegou a 70 mil. Ele não é o único caso de youtuber que migrou da plataforma de vídeos para o papel. A Paralela, selo do grupo Companhia das Letras, lança amanhã na Bienal, às 14, a autobiografia “Muito mais do que 5inco minutos”, de Kéfera Buchmann, de 22 anos. O livro tem tiragem de 125 mil exemplares e, nas primeiras 48 horas de pré-venda, 16 mil cópias foram encomendadas.

Conforme Ancelmo Gois revelou em sua coluna de sábado, Kéfera tem o livro mais vendido da Bienal até agora. Assim como Christian, ela é uma comunicadora de sucesso e tem mais de 5 milhões de seguidores só no YouTube.

O aparato que os cerca é tão grande quanto o frenesi em torno deles. Só a empresa que gerencia a carreira de Christian, por exemplo, tem 12 funcionários. O tamanho é justificado pelo número de compromissos profissionais assumidos pelos escritores novatos. Com agenda cheia, eles têm rotina intensa. Nos dias que antecederam a Bienal, O GLOBO tentou entrevistar Kéfera em cinco oportunidades. A equipe da paranaense desmarcou todas as vezes.

Com a linguagem informal típica da internet, eles publicam regularmente monólogos sobre os dilemas dos jovens. Cada produção costuma superar a marca de um milhão de visualizações. Enquanto o senso comum diz que os adolescente estão distantes da leitura, os youtubers sustentam que a história não é essa.

— Acho que minha geração está acostumada a ler textos rápidos em tablets e smartphones. Ela não tem o hábito de ler livros, que demoram a ser concluídos. Eu estou trazendo a turma da internet, que nunca se interessou pela literatura. “Eu fico loko” é ágil e curto. Criei um estilo — diz, sem modéstia.

O fenômeno editorial não é restrito ao Brasil. Na Espanha, por exemplo, o youtuber Javier María escalou até o topo da lista dos mais vendidos após esgotar oito edições de cem mil exemplares nas primeiras semanas após o lançamento de “El libro troll”. Em uma matemática simples, seguidores se convertem em consumidores, e as editoras lucram. Em um ano de crise como 2015, isso ajuda.

— Com certeza é um nicho bom para a editora. Mas não lançamos o produto por lançar. É claro que autores como o Christian trazem faturamento, mas ele não publicaria se não tivesse conteúdo — diz Ludson Aiello, gerente de marketing do grupo Novo Conceito.

CUIDADOS COM A INFRA

Ao mesmo tempo, a imensa popularidade é motivo de preocupação para quem organiza os eventos. Sem a estrutura necessária, uma simples noite de autógrafos pode se converter em um caos de meninas histéricas se aglomerando. Na Bienal de São Paulo, quando marcou uma reunião com o grupo Novo Conceito para vender a ideia do primeiro livro, Christian publicou um chamado no Facebook, dizendo que estaria no estande. Tanta gente foi ao encontro do autor que ele precisou ser levado às pressas para um palco. O caso fez com que os organizadores tomassem uma precaução.

— Passamos a analisar as mídias sociais dos autores para não sermos pegos de surpresa novamente — diz Tatiana Zaccaro, diretora de núcleo da Fagga, que coorganiza a feira.

POR MATEUS CAMPOS | Publicado originalmente em O GLOBO | 07/09/2015

O que vende livros: do boca-a-boca ao byte-a-byte


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 27/08/2015

‘Booktubers’ e ‘instabookers’ põem o livro na rede

Booktuber Pam Gonçalves, do Garota It, acaba de anunciar que dará um passo natural: vai passar de resenhadora para escritora | © Foto do seu perfil no Facebook

Booktuber Pam Gonçalves, do Garota It, acaba de anunciar que dará um passo natural: vai passar de resenhadora para escritora | © Foto do seu perfil no Facebook

Booktuber Pam Gonçalves, do Garota It, acaba de anunciar que dará um passo natural: vai passar de resenhadora para escritora | © Foto do seu perfil no Facebook

“Busdoor” há de ser a palavra mais feia da língua portuguesa. Ela veio de outra palavra troncha, quando um publicitário substantivou o adjetivo inglês “outdoor” [ao ar livre] e outro engatou o prefixo “bus”. “Busdoor”: em inglês, “porta de ônibus”, em português: um cartaz colado em um ônibus [mas não na porta].

Faço essa digressão etimológica porque há não muito tempo editoras achavam que o que vendia livros era o busdoor. Com o detalhe que as linhas de ônibus disputadas pelas editoras não era as que circulassem mais. Eram as que passassem pela casa ou trabalho dos compradores das grandes livrarias.

Mas estou no mercado há tempo suficiente para lembrar que o que vendia livro mesmo era uma nota na Veja ou uma entrevista no Jô Soares [ainda no SBT]. Quando acontecia uma dessas epifanias, a gente corria para comunicar às livrarias… por fax [#PaleolithicFeelings] e ficava esperando os pedidos. Era o que vendia livro naquela época.

E hoje, o que é que vende livro?

Não, eu não tenho a resposta, só tenho a pergunta. Mas tenho conversado, feito pesquisas, hipóteses. Já notei, por exemplo, uma inversão estratégica. Tradicionalmente, o marketing e a propaganda dos livros seguiam um caminho oblíquo. Primeiro comunicávamos à imprensa, esperando que elas convencessem as livrarias [para onde enviávamos fax e e-mails com as matérias] para que as pilhas de livros estimulassem um consumidor final e, quem sabe, conjurassem aquilo que, ontem, hoje e amanhã, é o que realmente vende: o boca-a-boca. Com as conexões digitais, o caminho não somente ficou mais direto, entre editora e leitor, como também inverteu a mão — a conversa muitas vezes começa no leitor.

Booktuber Bruno Miranda achou quase meio milhão de pessoas para 'conversar'sobre 'Destrua esse diário' no YouTube | © Foto do seu perfil no Facebook

Booktuber Bruno Miranda achou quase meio milhão de pessoas para ‘conversar’sobre ‘Destrua esse diário’ no YouTube | © Foto do seu perfil no Facebook

Tome-se o exemplo dos “Booktubers”. Gente que grava seu depoimento [quase sempre entusiasmado] sobre um livro e espalha pelo YouTube. O que já é um movimento sério começou na empolgação. “Acho que a motivação principal foi ter descoberto uma coisa nova para mim e querer espalhar para todo mundo. Como não tinha ninguém com quem falar sobre livros, fui para a internet”, explica Bruno Miranda, do canal Minha Estante, que achou quase meio milhão de pessoas para “conversar”, com sua video resenha de Destrua esse diário. Booktubers populares interagem com o público, que facilmente ultrapassa a casa dos cem mil e extravasa para a vida “offline” causando alvoroço em bienais e lançamentos. Pam Gonçalves, booktuber do Garota It, acaba de anunciar o passo natural: vai passar de resenhadora para escritora, e dos seus 120 mil seguidores virão seus leitores.

É o círculo perfeito: booktubers que promoviam os livros tornam-se autores de livros que serão resenhados por booktubers. E seguem o caminho de outros autores que passaram dos blogs e vídeos do YouTube para as listas de mais vendidos, como Isabela Freitas, Bruna Vieira, Kéfera Buchman, Christian Figueiredo — este último cativando um público de 4,5 milhões entre assinantes, face-amigos e seguidores.

No Instagram, o popular @christian_fig passa de um milhão de seguidores, mais ou menos o mesmo que o anônimo por trás da conta @trechodelivros. Este meio social foi criado para compartilhar imagens, mas foi adaptado para mostrar e falar de livros. Pululam na rede contas do @Instagram para publicar resenhas, debater enredos e personagens, sugerir leituras, ou mesmo para mostrar [ou ostentar] livros. “Bookgramers”, “Instabooks”, “Bookigers” — não sei se há um nome para o movimento, mas pela quantidade de “likes” e interações, sei que as editoras [e os autores] têm que fazer parte da conversa. De fato, os selos mais populares [ou eficientes] já aparecem no feed de mais de 100 mil seguidores. E mais do que aparecer: as editoras formam parcerias.

Alguns canais podem influenciar de forma bastante intensa, pois são formadores de opinião e ajudam muito no boca a boca. […] A mídia tradicional não consegue abrir espaço para todos”, comenta Cíntia Borges, da Rocco. As parcerias entre as editoras e os blogueiros, youtubers e iggers geralmente envolvem kits de imprensa, exemplares para sorteio, encontros e paparicos. Embora alguns influenciadores tenham receitas significativas [entre royalties do YouTube, participações em eventos e alguns posts publicitários], este ainda é um negócio amador, no estrito senso: feito por quem ama ler. Porém em força e volumes já superam os profissionais — há influenciadores com público maior do que o dos grandes jornais, e em constante interação. Se a audiência dos booktubers e instabookers extrapolar o núcleo jovem-adulto-nerd, este deixará de ser o canal alternativo para tornar-se, de fato e direito, o “o que vende livro” dos próximos anos.

Que mais não seja, participar da grande conversa litero-digital é indispensável para quem trabalha com livros. Para a escritora [e blogueira da Companhia das Letras] Socorro Acioli, “o movimento dos booktubers é um material precioso para quem tem interesse na literatura e nas diversas facetas do mundo editorial sob o ponto de vista de quem compra e lê muito. Nesse momento confuso, quando o mercado precisa se reinventar, nada mais importante do que ouvir os leitores reais. Atentamente. Canal por canal”.

Quem não cair na rede, cai fora.

Julio Silveira

Julio Silveira

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 27/08/2015

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros [Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital. Sua coluna aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes,

Como os booktubers estão mudando o mercado literário


Jovens que apresentam livros no Youtube são descobertos por editoras, que aos poucos começam a investir em modelo inovador para atrair interesse sobre lançamentos e obras clássicas.

Com o cabelo tingido, ela aparece em frente à câmara e explica como acabou de reorganizar a sua lista de livros “para serem lidos” – o que ela chama de TBRs ou “To Be Reads”. Ela o fez por cor – do rosa ao púrpura – e mostra 66 obras que adquiriu e planeja ler, resumindo em uma breve frase do que cada um se trata.

Ela é conhecida “Little Book Owl”, a “corujinha dos livros”. Qualquer um que pretende ter sucesso como booktuber pode se inspirar nesse estilo, que parece funcionar muito bem: seu canal tem quase 132 mil assinantes. Ela dá algumas dicas para isso em um vídeo chamado “How to booktube”.

Como a sugestão de um amigo

Trata-se de uma forma moderna de propaganda boca a boca. A maioria dos blogueiros não é realmente de analistas ou críticos literários – os booktubers menos ainda. Mesmo assim, milhares de pessoas acessam seus vídeos para ouvir o que eles têm a dizer sobre um determinado livro.

A Alemanha já tem as suas próprias celebridades no ramo. Lucie Redhead, por exemplo, foi uma das personagens mais aguardadas do “Kölner VideoDays 2015” – festival de produtores de vídeos no Youtube na cidade de Colônia.

Apesar de Lucie fazer uma performance solo em seus vídeos, ela tem o apoio de uma equipe, o que também é o caso de muitas estrelas emergentes na internet.

Sara Bow, cujo verdadeiro nome é Sara Garic, é uma vlogueira alemã que dá dicas de maquiagem e moda nos seus canais do Youtube. Desde 2013, ela também é uma booktuber “profissional”.

Sara tem quase 20 mil assinantes no Youtube e 3 mil seguidores no Twitter. Cinco pessoas trabalham com ela na produção dos vídeos: um fotógrafo, um diretor de cooperação, um assistente e dois editores. Em seus comentários, muitas vezes, ela cita a sua equipe.

Eu me divirto tanto com as pessoas online. Se eu posso inspirar o meu público a ler, sinto que faço sucesso com o que eu estou fazendo”, explica.

O sucesso também compensa financeiramente. Profissionais da indústria acreditam que, uma vez que você atinge 100 mil assinantes, pode se sustentar com um canal no Youtube. Mas é claro que cosméticos e moda são mais lucrativos do que livros.

Apresentadora Sara Gavric

Apresentadora Sara Gavric

Novos canais

Muitas editoras começaram a trabalhar com blogueiros ou booktubers da mesma forma que colaboram com jornalistas profissionais especializados em literatura. As editoras veem nesse novo modelo uma forma de atingir o público entre 18 e 34 anos.

A Random House, por exemplo, criou em março deste ano o seu próprio portal para blogueiros, onde eles podem ter acesso a cópias. A empresa também apresenta seus lançamentos especialmente para os booktubers de maior destaque.

Os booktubers podem definitivamente impulsionar vendas, pelo menos nos gêneros mais populares entre adolescentes e jovens adultos, como fantasia e as chamadas light novels – romances com ilustração, em geral no estilo anime.

Mas não é somente por dinheiro que os livros são apresentados em vídeo. Um exemplo particularmente inovador é o “Thug Notes”, produzido pelo grupo de mídia californiano “Wisecrack”´. A ferramenta é uma criação do comediante Greg Edwards, especialista em stand-up, e dos autores Joseph Salvaggio e Jared Bauer, entre outros.

O slogan da série é “Thug Notes: Literatura Clássica. Gangster Original”, que resume a filosofia do canal. O modelo adotado é o uso de “gangsta rap”, animações e gráficos engraçados. Eles apresentam trabalhos literários importantes – de obras de Shakespeare, passando pelo clássico “1984”, de George Orwell, até o romance mais recente de Harper Lee “Go Set a Watchman”.

Eu criei o ‘Thug Notes’ porque notei que existia uma lacuna no Youtube. Existem milhares de canais de educação bem-sucedidos que se concentram em ciências exatas, mas nenhum sobre ciências humanas. É muito difícil fazer as pessoas se interessarem por artes, especialmente a audiência jovem. Como alguém pode despertar o interesse em algo como “Grandes esperanças” [de Charles Dickens]? Para isso você tem que fazer algo radical”, explica Jared Bauer.

O rap foi o meio que ele considerou apropriado para aplicar esse conceito. “O hip hop é tão abrangente internacionalmente que ele oferece uma nova ferramenta de identidade para a apresentação, que possibilita atrair o público mais jovem aos nossos vídeos”, explica o comediante Greg Edwards.

Nós fazemos resumo e análise sobre os livros de um jeito engraçado, exagerado, de uma forma mais próxima a esse público, assim as pessoas ficam interessadas em ler o livro e formar a sua própria opinião”, afirma. O canal tem meio milhão de assinantes.

Publicado originalmente por Deutsche Welle | 10/08/2015

Livraria causa burburinho na internet com pergunta sobre cenários de livros


Postagem viralizou e já foi compartilhada por mais de cinco mil usuários

Se você acordasse no cenário do último livro que leu, onde você estaria?” Com esta pergunta postada no domingo, em sua página do Facebook, que a rede de livrarias Cia. dos Livros causou certo furor na internet. A postagem viralizou: até o momento, já foi compartilhada 5.113 vezes e recebeu 2.121 comentários, além de milhares de curtidas. Dentre os comentários, alguns são bastante peculiares. Um internauta “estaria no Egito, trocando altos bafos com Tutancâmon”, outro “estaria na Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas, lutando pela revolução ao lado do poeta Jaromil” e um terceiro, “em meio ao Atlântico Sul, navegando em um barco a remo junto com o Amyr Klink”. [nota do editor: no fechamento da edição do PublishNews, o post já tinha sido compartilhado 8.728 vezes]

Por Rodrigo Casarin | Blog Página Cinco | UOL | 01/04/2015

Instagram para leitores


Instagram, a rede social de compartilhamento de fotos, já ultrapassou a marca dos 100 milhões de usuários. E, da mesma forma que aconteceram com os blogueiros e os vlogueiros, as editoras passaram a enxergar nos instagramers um novo nicho editorial. As editoras Terceiro Nome e Madalena se associaram e preparam para abril o lançamento do livro Rever, que reúne 211 imagens postadas pela artista plástica Gabriela Machado [@gabmachado] no seu perfil na rede social. Mas não é só isso. A Rocco acaba de comprar os direitos de dois livros da sensação Joe Wicks [@thebodycoach], que usa a rede social para dar dicas de emagrecimento. Com quase 200 mil seguidores, Wicks faz um plano de emagrecimento para ser cumprido em 90 dias. O seu perfil no Instagram é repleto de fotos de “antes e depois” de pessoas que aderiram ao seu método. O livro sai pelo selo Bicicleta Amarela, o novo selo de bem-estar da editora. Mas nem só de fotografias vive o mercado editorial. A Record, V&R e Intrínseca bateram o martelo e fecharam negócios na última semana. A Intrínseca comprou o juvenil Amy Chelsea Stacie Dee, previsto para ser publicado só em 2017. O livro conta a história de uma garota de 16 anos sequestrada junto com seu primo. Libertada depois de seis anos, ela está traumatizada, mas percebe que precisa encarar o passado para construir um futuro. Ainda dentro do universo infantojuvenil, a V&R comprou Every last promise, de Kristin Halbrook. O pano de fundo do livro também uma história de violência. Kayla, a protagonista, presencia uma agressão sexual contra uma colega e tem que decidir entre manter o silêncio e denunciar o agressor. No Goodreads, Every last promise, recebeu 31 reviews. Já a Record apostou forte no novo romance de Michelle Cuevas e comprou os direitos de Confessions of na imaginary friend em pre-empt. O negócio foi intermediado pela Agência Riff.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/03/2015

Plataforma reúne autoras de literatura para meninas


Iniciativa visa maior proximidade entre autoras e leitores nacionais

Será no próximo dia 28 de março o lançamento da primeira etapa do projeto multiplataforma LitGirls, idealizado pela Punch! Comunicação. A iniciativa consiste na exibição de vídeos em formato jornalístico-documental, inéditos e desenvolvidos por dez autoras nacionais. A iniciativa quer estreitar o relacionamento e ampliar a troca de conteúdos entre autoras e seus fãs. Na oportunidade será lançado um site que reunirá informações sobre as escritoras, atualizações sobre suas carreiras e novidades do projeto, além de um aplicativo com conteúdos inéditos e exclusivos de curiosidades sobre as escritoras para iPhone e iPad e mídias sociais [YouTube, Twitter e Facebook]. Para marcar o lançamento, acontece um evento na Livraria Cultura Cine Vitória [Rua Senador Dantas, 45, Centro, Rio de Janeiro/RJ] e haverá duas mesas redondas, com todos os participantes, das 13h às 17h. Haverá distribuição de senhas uma hora antes do evento, sujeito à lotação.

PublishNews | 13/03/2015

A literatura e os meios virtuais


Três jovens escritoras que apareceram nas redes sociais participarão do Festival

Elas nasceram no estado do Rio de Janeiro, são jovens, amigas, escritoras e fãs das redes sociais. E foi usando a internet para divulgar seus textos, que elas mostraram que têm talento. Aimee Oliveira, 25 anos, Clara Savelli, 24 e Thati Machado, 23, usam a internet para se expressarem. As três escritoras estarão no Festival Literário de Poços de Caldas [Flipoços], que acontece entre os dias 25 de abril e 3 de maio. O trio participará do ciclo de palestras A literatura e os meios virtuais. A proposta é debater com o público o papel da interação entre autor e leitor pela internet, além da importância dessa ferramenta de comunicação no processo de produção e divulgação de um livro. Confira a programação completa do evento aqui.

PublishNews | 27/01/2015

Literatura gaúcha ganha página no Facebook


Já está  no Facebook a página Literatura RS, que publica conteúdo próprio e compartilha links e informações sobre a literatura gaúcha e o mercado editorial do Rio Grande do Sul. A iniciativa foi criada pelo jornalista Vitor Diel, assessor de imprensa dedicado ao mercado literário, e pode ser acessada no link www.facebook.com/literaturars.

Na pauta da página, estão lançamentos de escritores e editoras gaúchas; editais de financiamento para projetos literários no Rio Grande do Sul; notícias sobre o mercado editorial, entrevistas exclusivas com escritores, editores, ilustradores e designers de livros; calendário de feiras, eventos e oficinas espalhadas pelo Estado; além da divulgação do trabalho de autores em literatura de ficção, quadrinhos, literatura infantil, pesquisas acadêmicas, poesia, crônica, livros-reportagem e outros gêneros. Autores gaúchos ou residentes no Rio Grande do Sul ainda não publicados também terão espaço, possibilitando a divulgação de novos talentos e sua aproximação com leitores e editores.

A página tem a intenção de concentrar informações sobre o sólido e diversificado mercado literário gaúcho, abordando tudo o que movimenta o livro e a leitura no Estado. Sugestões de pauta podem ser enviadas via inbox ou pelo e-mail vitor.diel@gmail.com.

Notícias do Blog do Galeno | Edição 381 | 16 a 22 de janeiro de 2015

Pra começar


Milhões de livros vendidos e poucas pessoas na sessão de autógrafos, incluindo parentes e funcionários [constrangidos] da editora. No estande ao lado, centenas de jovens e adolescentes disputam um clique para eternizar o encontro com a nova sensação das letras. Desconhecido até pouco tempo atrás, vende mais livros em um mês do que muitos “imortais” em vários anos.

A cena ocorrida num evento recente ilustra que o segmento literário mudou. Quem vai colar os caquinhos do velho mundo? Não podemos controlar as mudanças, mas temos a chance de decidir qual será a nossa reação a elas. Amar os livros pressupõe um apetite insaciável por conhecimento e refletir sobre as transformações deve sempre fazer parte do cardápio.

Somos o povo que passa mais tempo online nas redes sociais. 69% dos brasileiros concordam que a publicidade online os motivou a procurar informação extra sobre o produto/marca oferecido. Projeção da PricewaterhouseCoopers aponta que em 2018 o lucro das editoras com livros digitais será superior ao da venda de livros impressos. O faturamento do e-commerce no Brasil deve crescer 20% neste ano, atingindo 43 bilhões de reais.

Os sinais estão por toda a parte e não podem ser ignorados. O desafio que proponho neste espaço é abrangente e vale para diversas áreas da vida, inclusive para a corporativa. Em vez de discutir ou tentar mudar as paisagens, podemos ajustar o foco. O cenário às vezes permanece inalterado, porém passamos a vislumbrar possibilidades antes escondidas.

Essa visão ampla traduz de forma quase poética o que é marketing, palavra que ainda provoca confusão e muxoxos de desprezo. “Aquele livro ruim só fez sucesso graças ao marketing.” “Se não fosse aquele marqueteiro, jamais a Sicrana teria vencido as eleições.

Em tempos de reducionismo alçado a sinônimo de erudição nas redes sociais, é preciso lembrar: marketing não é sinônimo de propaganda enganosa e usa a verdade como um de seus principais ingredientes. Não confundam Joseph Goebbels com Philip Kotler. #pfvr

Sob o gigante guarda-chuva do marketing digital, vamos conversar sobre Facebook, Twitter, Instagram e blogs literários, entre outros temas. Numa seara em que as verdades podem durar apenas algumas horas, o único requisito para o papo é a disposição de refletir. Como diz o adágio, “toda banda larga é inútil, se a mente for estreita”.

“Se tudo caiu, que tudo caia, pois tudo raia. E o mundo pode ser seu” – Marina Lima

Publicado originalmente em Publishnews | 09/01/2015

Apaixonado por livros e por Internet, Sérgio Pavarini atua na área editorial há mais de 15 anos. Jornalista e blogueiro, foi editor e gerente de marketing antes de abrir sua agência especializada em digital.
A Internet é sinônimo de transformação permanente. Este espaço aborda todos os meses temas como redes sociais, blogs literários e tudo relacionado ao admirável mundo novo digital e como eles podem influenciar na indústria do livro. A partir da sua experiência profissional, Sérgio Pavarini vai dar toques, dicas e contar histórias que vão enriquecer o repertório de quem lida com o marketing digital nas editoras ou livrarias.

Livros publicados em rede social ganham páginas impressas


Autores revelados pelo Wattpad, rede social literária, atraem a atenção de editoras brasileiras

Nomes como Anna Todd, de ‘After’, chegam às livrarias do país após alcançarem até um bilhão de visualizações

RIO | Anna Todd era uma pós-adolescente recém-casada, que não sabia bem o que queria da vida. Ávida leitora, a americana descobriu numa rede social gratuita com foco em celulares e tablets a solução para o tédio atrás do balcão da loja em que trabalhava. Com o Wattpad, pegou gosto pelas histórias escritas pelos próprios usuários, publicadas em pequenos capítulos, geralmente semanais, formatadas para serem lidas em pequenas telas. Um belo dia, começou ela mesma a escrever e dali saiu uma fan fiction cujos personagens eram os integrantes da boy band One Direction transportados para uma universidade, com um leve toque erótico, formatado para adolescentes. De repente, boom. “After”, sua primeira trilogia, teve mais de um bilhão de visualizações e seis milhões de comentários no aplicativo, arrebanhando uma legião de fãs [outra de detratores] e, claro, chamando a atenção de grandes editoras do mundo todo e dos estúdios de cinema — a trama será adaptada pela Paramount.

No Brasil, “After” acaba de sair assim, com o título em inglês mesmo [a pedido das fãs de Anna], pelo selo Paralela, da Companhia das Letras. Chega às livrarias com 50 mil cópias, tiragem de best-seller, e a marca do Wattpad na capa. A versão impressa foi revisada, reformatada e ganhou trechos exclusivos, que apimentam a relação do protagonista [no papel, ele deixou de ser uma ficcionalização do cantor Harry Styles, rebatizado de Hardin Scott, como será no filme]. A segunda parte será lançada em janeiro, a terceira em fevereiro e a quarta em março, seguindo a estratégia do mercado internacional.

A americana Anna Todd, autora de 'After' | Foto: Divulgação

A americana Anna Todd, autora de ‘After’ | Foto: Divulgação

Mercado esse que está atento para absorver outros talentos surgidos na plataforma. A galesa Beth Reekles, que publicou “The kissing booth” na rede social quando tinha apenas 15 anos, entrou na lista de adolescentes mais influentes de 2013 da “Time”. Por aqui, já foram lançadas a paulistana Lilian Carmine [“Lost boys”, Leya], a sul-mato-grossense Camila Moreira [“O amor não tem leis”, Objetiva] e a americana Laurelin Paige [“Por você”, Rocco]. Em 2015, é a vez da carioca Nana Pauvolih [“A redenção do cafajeste”, Rocco], em fevereiro; da pernambucana Mila Wander [“O safado do 105”, Planeta], em março; e do inglês Taran Matharu [“The summoner”, ainda sem título em português, Galera Record], em maio. Os gêneros vão da ficção adolescente à ficção erótica, passando pela fantasia.

— Comecei a escrever fan fiction porque amava ler isso. Ser escritora era um sonho que eu nem sabia que tinha até começar. Quando publiquei o primeiro capítulo, nem fazia ideia de que alguém iria lê-lo, muito menos esperar que a coisa toda ficaria tão grande — conta Anna Todd, hoje com 25 anos, que escreveu “After” pelo diminuto teclado do celular pela facilidade de poder fazê-lo em qualquer lugar, e chegou às editoras tradicionais graças à equipe do Wattpad, que funcionou como um agente literário. — Quando vi as contas falsas nas redes sociais se comunicando como se fossem os personagens do livro pensei: “uau, os fãs realmente amam esses caras!”.

VERSÃO “BAUNILHA” DE “50 TONS”

A devoção dos fãs é fator essencial nessa onda. Graças ao empenho dos leitores em acompanhar as histórias, comentando e sugerindo modificações, os autores do Wattpad acabam ganhando edição gratuita, feita pelo principal alvo da indústria de best-sellers. A participação, por sua vez, faz com que os leitores se sintam responsáveis por aquela obra.

— De certa forma, estou surpresa por ver tantos fãs comprando um livro que já leram, mas eles sempre foram tão apaixonados pela história que me parece que querem ter uma peça sólida para poder pegar com as mãos — justifica Anna, que recebe, diariamente, uma enxurrada de vídeos e fotos dos fãs posando com o livro, uma versão “baunilha” de “50 tons de cinza”, como a própria autora define.

O escritor inglês Taran Matharu, autor de 'The summoner' | Foto: Divulgação

O escritor inglês Taran Matharu, autor de ‘The summoner’ | Foto: Divulgação

Acessível a qualquer pessoa com um computador [ou smartphone, ou tablet…] com conexão com a internet, o Wattpad é uma rede social como qualquer outra, reunindo autores com trajetórias diversas. Um dos mais aclamados é o inglês Taran Matharu, filho de um indiano e de uma brasileira. Bem diferente de Anna, que caiu nessa de paraquedas, o jovem de 23 anos sempre escreveu, mas guardava suas histórias para si. Quando começou a publicar “The summoner”, saga fantástica com elementos de “Harry Potter”, “Pókemon”, “O Senhor dos Anéis” e videogames como “Skyrim”, prometeu publicar um capítulo por dia e, no fim de um mês, já tinha cem mil leitores. No único dia em que resolveu tirar folga [era seu aniversário], levou bronca dos fãs. Isso o encorajou a dar passos maiores. Na época, Matharu estagiava no departamento de vendas digitais da Penguin Random House, uma das principais editoras do mundo.

— Perguntei para o meu então chefe quem eram os melhores agentes do Reino Unido. Mandei mensagem para seis deles pelo Facebook mostrando meus números no Wattpad e três horas depois um deles me ofereceu representação. O livro nem estava pronto quando fechamos o contrato — conta Matharu, arranhando o português, e frisando que, apesar da boa relação que mantém com o Wattpad, o aplicativo não intermediou sua publicação por editoras tradicionais. — Minha primeira oferta veio do Brasil, e meu livro foi para leilão em Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, além de ser vendido na Espanha, na França e na Polônia. Até agora, foram mais de cinco milhões de visualizações.

Para agradecer aos leitores pelo apoio, Matharu está publicando no Wattpad um adendo à sua trilogia, contando a história anterior à de seu primeiro livro.

A carioca Nana Pauvolih escrevia há 25 anos, mas só começou a tornar suas histórias públicas há três, quando ficou viciada em autopublicação. Professora de História e Filosofia, chegou a reduzir sua carga horária para se dedicar à escrita, publicando sua literatura erótica em blogs e grupos do Facebook.

CONEXÕES E CONCURSO

Nana começou a tirar uns trocados com a venda de e-books na Amazon, e chegou ao Wattpad em busca de mais visibilidade.

— No começo, não entendia os métodos de divulgação, mas a própria comunidade me ensinou as técnicas. Em menos de um mês, tive 700 mil acessos — explica Nana, que costuma remover os capítulos do Wattpad depois de um tempo para estimular a venda dos e-books. Mesmo assim, a série “Redenção” teve mais de um milhão de acessos na plataforma, e o terceiro livro ainda está na metade. Atualmente, ela está licenciada do magistério e se dedica apenas a escrever.

Para Allen Lau, CEO do Wattpad, o alcance dos autores em outras mídias é benéfico para todos, inclusive para a rede.

— O Wattpad nasceu como um meio de dar às pessoas a chance de ler em qualquer lugar, bem como de permitir com que qualquer um compartilhasse conteúdo original. É um espaço em que escritores podem se expressar, testar ideias e se conectar com outros escritores e leitores — explica Lau. — Estamos orgulhosos de ter wattpadders reconhecidos dentro e fora da plataforma. Temos projetos que ajudam editores a conectar seus autores aos fãs, além de descobrir novos autores como o concurso que fizemos com a [editora] Harlequin, “So you think you can write” [“então você acha que pode escrever”, paródia de um reality show popular no Reino Unido].

Por Liv Brandão | Publicado originalmente em O Globo | 02/12/2014, às 10:44 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Dupla usa o Instagram para fazer resenha de livros


‘Livrogram’, criado pelas amigas Denise Schnyder e Livia Piccolo, ganha cada vez mais fãs

Foto do Livrogram - Reprodução | Denise Schnyder

Foto do Livrogram – Reprodução | Denise Schnyder

RIO | Foi-se o tempo em que falar de literatura para o grande público era tarefa restrita a intelectuais. A produção de conteúdo para a internet só cresce e, na mesma onda, novos projetos literários em plataformas e redes sociais ganham cada vez mais seguidores.

Criado pelas amigas Denise Schnyder, 25 anos, e Livia Piccolo, 29, o Livrogram é um desses canais que vêm ganhando fãs na rede. Formadas em Artes Cênicas, as duas se conheceram trabalhando em um projeto e hoje, além de participarem do mesmo coletivo de teatro, compartilham o amor pela literatura com mais de 6 mil seguidores.

Tudo começou no fim de 2013, quando Denise leu um livro que adorou e resolveu postar no Instagram uma foto da capa acompanhada de pequena resenha para os amigos. Todo mundo curtiu a ideia e ela resolveu que faria todas as resenhas de livros que mereciam ser lidos pelas pessoas próximas. O perfil foi crescendo e muita gente começou a curtir, comentar e indicar leituras.

— Uma dessas pessoas era a Livia. Ela fazia comentários excelentes que me deixavam pensando por dias e tinha um gosto muito parecido com o meu — conta Denise, que fez uma página também no Facebook.

A paixão pelos livros veio cedo para as duas. Denise era disputada pelos amigos da escola para ler livros pelo telefone [para a desgraça de seu pai, que nunca entendia o motivo de a conta vir sempre tão alta], já Livia caiu de amores pela literatura na adolescência.

— Comecei a enxergar os livros como interlocutores poderosos. Neles eu passei a encontrar ideias e situações que eu não encontrava na vida, e isso começou a me instigar imensamente — conta Livia.

Com textos curtos postados semanalmente, a dupla fala sobre livros de forma leve, passando pelos mais variados títulos sem distinção de gênero.

MANEIRAS DE VIVER OS LIVROS

O objetivo é indicar literatura com foco em editoras e selos pequenos, atraindo jovens leitores interessados em ampliar seus universos de leitura.

— A vida é corrida demais e ler é uma atividade que parece não se encaixar nos dias de hoje, mas existem milhares de maneiras de viver a literatura — explica Denise.

O passo seguinte foi se juntarem a Diogo de Nazaré, namorado da Livia, para produzir vídeos para o YouTube no canal Livrogram, com entrevistas, leituras e cobertura de eventos independentes de literatura.

Por Carol Luck | Publicado originalmente em O Globo Online | 28/11/2014, às 6:00 | Carol Luck escreve na página Transcultura, publicada às sextas-feiras no Segundo Caderno.

Rede social de livros lança app para iPhone


Nessa semana, a Skoob, que se orgulha de ser a maior rede social de leitores do Brasil, fez uma atualização do sistema e trouxe algumas novidades. Na última quarta-feira, foi a vez de usuários do sistema operacional iOS terem acesso a um app pelo qual podem compartilhar suas leituras, escrever resenhas e usar a câmera do seu celular ou tablet para escanear o código de barras do livro, o que ajuda a catalogar os livros por meio do ISBN, já puxando alguns metadados da obra. A versão para Android está em fase de testes e deve sair ainda esse ano. Os usuários também podem ler os primeiros capítulos de obras disponibilizadas pelas editoras. A Skoob já alcançou a marca dos 1,8 milhão de usuários, que em 2014 leram aproximadamente 5,6 milhões de livros. O mais lido em 2014 foi A culpa é das estrelas, com mais de 100 mil leitores. A comunidade é composta majoritariamente por mulheres [72%], que leem três vezes mais do que os homens, conforme informou os administradores da rede.

PublishNews | 20/11/2014

As implicações da passagem do computador de sua mesa para seu bolso


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Benedict Evans da Andreessen/Horowitz [um indispensável observador da mudança digital na mídia, e analista que explica a Amazon melhor do que qualquer outro que eu conheço] fez uma apresentação chamada “O Celular está Comendo o Mundo”. Ele esclarece o fato de que todo mundo vai ter smartphones com conectividade em pouco tempo. Um slide [o slide número 6] na apresentação dizia que no final de 2017 — daqui a pouco mais de três anos — pouco menos de 30% das pessoas no planeta não vão ter um smartphone. Isso significa que 95% dos conhecidos de pelo menos 95% das pessoas que estão lendo este post vão ter um. Outro slide [o de número 28] diz que já estamos no momento em que, durante a vasta maioria das horas que uma pessoa está acordada, elas dedicarão entre 40% e 70% deste tempo a atividades de mídia ou comunicação.

Evans e outros analistas estão sugerindo que estas mudanças vão refazer o uso de websites e apps e nos tornar mais confiantes em “cards”, objetos digitais agnósticos em relação a sistemas e aparelhos que podem fornecer tanto informações quanto a capacidade de agir sobre ela. Vemos o começo disso agora nos negócios de livros com o Aerbook de Ron Martinez, que coloca “conteúdo no fluxo social” e Citia de Linda Holliday, que se afastou dos aplicativos estilo card voltado à indústria do livro para servir a indústria da publicidade.

Acho que seria interessante que as editoras de livros focassem nas oportunidades de marketing e consumo que estas mudanças permitem [ou exigem] em vez de permitir que esta mudança tecnológica faça com que se afastem de novo, como fizeram com os enhanced e-books. O uso do celular substituindo o PC na verdade favorece a velha leitura de livros, já que o espaço limitado das telas não é um problema. Mas os processos de descoberta e os meios de compra poderiam mudar radicalmente.

Um texto muito inspirador que li [mas não consigo encontrar mais] sugeria que tudo isso significa uma forte redução do uso do e-mail, algo que Evans confirma em uma tabela mostrando que crianças entre 12-15 anos [no Reino Unido], não usam muito. Elas mudaram para redes sociais como Facebook e Twitter como canais de comunicação. Elas nem mesmo falam no celular. Há uma nova categoria de “mídia efêmera”; ela faz o que tem que fazer e depois a comunicação desaparece. Claro, não sabemos realmente como será o comportamento comunicativo daqui a 20 ou 30 anos de alguém que hoje está com 12-15, e o e-mail ainda é muito importante para o marketing. Enquanto isso, continuam as tentativas de melhorar o e-mail, incluindo a mais recente do Google.

Há duas grandes mudanças que são realmente obrigatórias para a migração ao celular. A grande mudança óbvia é uma redução no espaço de tela em um celular, em comparação com um PC. A menos óbvia, mas que ameaça o uso do e-mail, é a perda dos teclados com muitas funções e grande tamanho. Estas duas grandes mudanças não foram citadas especificamente nas apresentações que vi sobre isso, incluindo a de Evans.

A mudança na tela poderia terminar sendo a de menor problema. Como o crescimento nos celulares é real, também é a ubiquidade de telas de muitos tamanhos em muitos lugares. A tecnologia para permitir que algo enviado de um celular seja “jogado” em outra tela é bastante trivial – o bluetooth já existe e outras coisas novas, como Chromecast, que permite a reprodução da tela de um aparelho com Internet em uma TV, estão sempre chegando. Não é difícil imaginar que telas maiores estarão disponíveis para celulares que poderão informar sobre quase tudo. E apesar de que sempre haverá uma tendência natural a preferir ver no aparelho que você segura na mão e com o qual controla toda sua navegação [uma grande vantagem para livros], se uma tela maior for necessária, sempre haverá uma disponível quando você precisar.

Mas o problema do teclado pode ser mais complicado. Teclados portáteis e dobráveis já foram desenvolvidos, e já são usados para transformar tablets em laptops. Se serão tão populares ou tão facilmente compatíveis quanto as telas é algo duvidoso. Eles não funcionaram para Palm Pilots e ainda estamos esperando para ver se seu uso vai ficar popular no Microsoft Surface.

O que atenua a perda dos teclados é o aumento do uso de ditado por voz para substituir a digitação. Sempre que clico no meu app Google no iPhone, ele me convida a simplesmente falar o que eu quero. Claro, transcrever textos ditados introduz novas possibilidades de erro. Mesmo assim, teclados ineficientes poderiam não ser tão ruins para escrever e-mails para uma parte substancial da população que não tem entre 12-15 anos, e que ainda estará usando este meio de comunicação por décadas, como os atuais hábitos dos usuários do século XXI parecem sugerir.

Você pode, claro, simplesmente falar com Siri [ou Google] em voz alta qual é o best-seller do NY Times que quer e pedir para navegar até um site onde pode baixar uma amostra ou comprar, e chegará lá.

Existe ainda mais motivos para acreditar que websites vão continuar mesmo se os cards se tornarem mais populares. Com a atomização da criação de conteúdo [cada vez mais criadores de conteúdo, alguns deles podem ser bem pequenos], entender a “autoridade” deles será cada vez mais importante. Por enquanto, Google é a empresa que mais dependemos para abordar este desafio [outras que tentaram incluem Bong, Wolphram, Alpha, Duck Duck Go] e sites são uma ferramenta fabulosa para o Google entender quem é alguém e se eles sabem de onde falam ou escrevem.

Este exame de autoridade provavelmente será cada vez mais importante e percebido desta forma pelos consumidores de conteúdo. [Na verdade, isto está acontecendo agora, apesar de que a maioria dos consumidores não perceba que está acontecendo.] Se isso for verdade, websites oficiais e úteis [ou meios equivalentes, que são proprietários ou editáveis, para consolidar informação ao redor de uma pessoa que procura uma audiência – como Wikipedia, Google+, Amazon Author Central, e outras páginas autênticas] podem continuar a ser importantes para o Google e, portanto, para todos nós.

O que é certo é que no mundo desenvolvido quase todo mundo vai ter um computador em suas mãos o tempo todo que poderá acessar quase tudo na web ou em qualquer app. [Isso já é, em grande parte, verdadeiro, mesmo que seja pouco usado ou subestimado.] Estamos nos sentindo cada vez mais confortáveis usando o celular livremente, sem estarmos presos a horários e lugares. Também podemos estar livres da ignorância a maior parte do tempo, se quisermos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

O livro mais marcante para os brasileiros no Facebook


Títulos da saga bateram o bestseller ‘A Culpa é das Estrelas’ e a ‘Bíblia’.Nos EUA, ‘O Alquimista’ está no top 20 dos livros mais marcantes.

Livro 'Harry Potter e o Cálice de Fogo', de J.K. Rowling

Livro ‘Harry Potter e o Cálice de Fogo’, de J.K. Rowling

Os títulos da saga “Harry Potter”, de J.K. Rowling, lideram a lista de livros que mais marcaram os usuários brasileiros do Facebook, após deixar o best-seller “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, para trás.

A lista foi elaborada pela rede social após uma brincadeira circular no site. Um usuário desafiava um amigo a enumerar dez livros que o marcaram. Há um mês, o Facebook compilou as sugestões feitas em inglês e elaborou uma lista dominada por atualizações feitas por norte-americanos em inglês.

Os títulos da série “Harry Potter” também foram os mais citados. No top 20, o único brasileiro a aparecer é “O Alquimista”, de Paulo Coelho, que ocupa a 20ª posição.

Conforme o desafio se espalhou pela rede, o Facebook avaliou as menções feitas em outras línguas, como o português, italiano, espanhol e francês.

De acordo com a empresa, o levantamento das citações de livros foi feito por meio de uma técnica de agrupamento de dados anônimos. Essas informações foram analisadas para que trechos comuns de textos que pudessem designar livros fossem identificados.

No Brasil, a idade média dos participantes do desafio era de 28 anos e 72% dos usuários que caíram na brincadeira eram mulheres.

1 – Harry Potter – J.K. Rowling
2 – A Culpa é das Estrelas – John Green
3 – O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
4 – A menina que roubava livros – Markus Zusak
5 – A Cabana – William P. Young
6 – Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
7 – Jogos Vorazes – Suzanne Collins
8 – A Seleção – Kiera Cass
9 – Coração de Tinta – Cornelia Funke
10 – Bíblia

Veja a versão lista dos livros que mais marcaram usuários dos EUA e Reino Unido:

1 – Série “Harry Potter” – J.K. Rowling
2 – O Sol É Para Todos – Harper Lee
3 – O Senhor dos Anéis – JRR Tolkien
4 – O Hobbit – JRR Tolkien
5 – Orgulho e Preconceito – Jane Austen
6 – Bíblia
7 – Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams
8 – Trilogia Jogos Vorazes – Suzanne Collins
9 – O Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger
10 – As Crônicas de Nárnia – C.S. Lewis
11 – O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
12 – 1984 – George Orwell
13 – Mulherzinhas – Louisa May Alcott
14 – Jane Eyre – Charlotte Bronte
15 – A Dança da Morte – Stephen King
16 – E o Vento Levou – Margaret Mitchell
17 – Uma Dobra no Tempo – Madeleine L’Engle
18 – O Conto da Aia – Margaret Atwood
19 – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa – C.S. Lewis
20 – O Alquimista – Paulo Coelho

Publicado originalmente em Portal G1 | 16/10/2014

Livros de cabeceira dos usuários das redes sociais


‘Harry Potter’ é o livro de cabeceira favorito dos usuários do Facebook

Vocês já devem ter visto em algum momento no Facebook uma corrente em que as pessoas listavam seus livros preferidos e instigavam uma lista de amigos a fazer o mesmo.

Era um texto mais ou menos assim: “Não pense muito. 10 livros que você leu e que sempre estarão com você. Liste os primeiros dez livros que você lembrar em menos de quinze minutos. Marque quinze amigos, eu inclusive, afinal quero saber que livros meus amigos escolheram.” Basicamente, isso, com uma ou outra variação.

Ou seja, não são os livros que as pessoas julgam mais importantes, mas sim os que leu, gostou e ficarão em sua cabeceira.

Baseado nesta corrente, o Facebook decidiu colher durante a segunda quinzena de agosto todas as postagens que citassem os termos “10 livros” ou “dez livros” e compilar os resultados. Neste período cerca de 130 mil pessoas fizeram essa listagem.

A liderança coube à série de livros “Harry Potter”, de J. K. Rowling. A saga do jovem bruxo foi citada por 21% das pessoas que fizeram as listas no período da pesquisa.

A Bíblia, livro com maior número de impressões na história, ficou em sexto lugar.

Veja a lista dos 10 mais, com a respectiva porcentagem de presença:

10 livros mais citados no Facebook

A equipe do Facebook Data Science, que fez a compilação, deixou alguns poréns importantes. A grande maioria das postagens são de língua inglesa [quase 80% das postagens coletadas vieram dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Índia, todas com o inglês como língua oficial], a proporção de mulheres participantes é mais de três vezes maior do que de homens e a idade média foi de 37 anos.

Apenas um livro de um brasileiro aparece na lista dos 100 mais citados. Trata-se de ‘O Alquimista’, de Paulo Coelho, que ficou com o 20º lugar, presente em 4% das listas.

Caso você queira saber quais são os 100 livros mais citados e outros detalhes da pesquisa, é só clicar aqui.

PS: Participei de uma corrente dessas no longínquo ano de 2010. E eram 15 livros, na época. Vejam os que eu escolhi:

1 – O Primo Basílio, Eça de Queirós
2 – Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
3 – A Laranja Mecânica, Anthony Burgess
4 – O Urso e o Dragão, Tom Clancy
5 – A Sangue Frio, Truman Capote
6 – Vidas Secas, Graciliano Ramos
7 – Notícia de Um Sequestro, Gabriel Garcia Márquez
8 – Germinal, Émile Zola
9 – Misto Quente, Charles Bukowski
10 – Dom Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes
11 – Febre de Bola, Nick Hornby
12 – Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto
13 – A Metamorfose, Franz Kafka
14 – O Cortiço, Aluísio Azevedo
15 – Os Irmãos Karamazov, Fiodor Dostoiévski

Por Ygor Salles | Publicado originalmente no Blog Hashtag, da Folha de S.Paulo | 10/09/14 19:29

A Era mobile e suas implicações


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 05/09/2014

Esta é uma coluna pós Bienal do Livro de SP. A Bienal que foi galgada na internet pelos blogueiros e fenômenos youtubísticos. Nunca isso foi tão evidente e nunca se fez tanta falta uma conexão 3G num evento.

Reclamações à parte…afinal para quê falar sobre falta de estrutura, transporte, conexão no país da falta de estrutura, transporte e conexão, não é mesmo?  Terminamos a Bienal com mais de 720 mil visitantes, visitantes estes que foram ver seus vlogueiros/blogueiros/autores favoritos.

Depois de algumas palestras tanto na área editorial quanto na área dos blogs mesmo [fui ao evento dos blogueiros do Publishnews e amei!!!], uma coisa se mostra clara e evidente: bem-vindos à Era Mobile, [entenda: apps e gadgets móveis].

Na parte dos blogueiros, eles comentaram o quanto têm trabalhado para conseguir pouca interação nos comentários dos blogs e até mesmo no Facebook. A realidade é que a galera tem usado apps de mensagens instantâneas. Não foi à toa que Facebook mudou a estrutura do messenger e que outras empresas, como Viber tem anunciado grandes novidades na área de grupos públicos. Muito interessante também o fenômeno do Instagram. Já viram Instagram de livro? Instagram que chama o vídeo do youtube, que chama compra de livros pela capa que também indica maquiagem? Críticas à parte, a mudança de mídia social é uma realidade. O que faremos com isso, mercado editorial?

Em plena virada de plataforma, vejo ainda editoras sem investimento em marketing para os meios digitais. Falta analitcs, falta um relacionamento direto com os formadores de opinião reais do mercado [sim, falo dos blogueiros]. Muito, muito mais efetivo em termos de vendas, um investimento num blog [investimento no relacionamento!] que em uma crítica na Folha de S. Paulo [esta frase ouvi no evento do Publishnews!!]. Olha que coisa maravilhosa… Agora, como sempre, vejo editoras comendo mosca: marketing na era do papel e budget mal empregado.

Ah mas o que tem de gente chata falando somente do lado negativo disso tudo… Que a geração está cada vez mais superficial, que estão somente fazendo propaganda de moda com capa de livro, que os jovens de hoje blá blá blá… Ignoro veementemente essa história negativa, pois mais uma vez o papel do curador/educador se mostra fundamental. Os maiores blogs de literatura são organizados por profissionais da educação, mestrados e doutorandos até. Os pais continuam com papel fundamental também na formação do caráter e gosto literário. Não, nada ainda substitui esse pessoal das antigas.

A Bienal por sua vez também comete o erro crasso de deixar esses profissionais de fora. Temos que repensar o evento como um todo. Não é à toa que tivemos centenas de estandes a menos e o espaço vem encolhendo. Agora, pensando comigo: se o espaço vem encolhendo, mas o público tende a crescer, temos alguma coisa errada nessa equação, certo?

E o livro digital, nessa história toda? Vai muito bem obrigada! Totalmente engajado nas tecnologias móveis para leitura mobile. Só falta a bendita divulgação, e a bendita organização das editoras. Embora pintem a Amazon como a bruxa do 71, os editores dão mais chances competitivas a eles do que às outras lojas. Mandam um preço para Amazon, e outros preços para as concorrentes. Assim fica difícil, né minha gente? Precisamos ter as mesmas chances. Tanta gente reclamando e demonizando o bicho papão e ao mesmo tempo alimentando ele com Whey Protein… Me explica?

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 05/09/2014

Camila CabeteCamila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em um paraíso chamado Camboinhas, com sua gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

Marcador de livro envia tuítes para leitores retomarem a leitura


Eleito o case do mês de julho pelo IAB Brasil, Tweet For Read, criado pela Mood para a editora Penguin, emite alertas com frases literárias para incentivar o hábito da leitura

Redes sociais e comunicadores instantâneos juntaram-se às inúmeras tarefas cotidianas das pessoas, roubando o espaço de uma atividade saudável e prazerosa para a mente: a leitura. Na campanha da Mood para a editora Penguin, em vez de um vilão que impede o leitor de encarar os últimos capítulos do livro, o digital atua como um aliado.

Tweet For Read [Tuíte para ler, em tradução livre do inglês], eleito pelo IAB Brasil como o melhor case de julho, consiste em um marcador de página que emite um alerta no Twitter quando a pessoa passa um tempo sem ler. A ferramenta possui um sensor de luz e um timer que é ativado no escuro. Se o título não for aberto durante uma semana – ou um período previamente programado], um nano computador com wi-fi localizado no dispositivo dispara um tuíte para o perfil do leitor com uma frase do autor que está sendo lido.

A ação partiu de uma pesquisa da Fundação Pró-Livro e do Ibope Inteligência, divulgada no início do ano, cujos dados apontam que a queda do hábito de leitura deve-se ao fato de que as pessoas preferem ver entretenimento na televisão e na internet.

www.proxxima.com.br | 19/08/2014, às 14:30

Consumo da literatura é mediado pelas redes sociais


Estudo apresentado na Flip mostra que web virou ferramenta para disseminar o texto literário

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

SÃO PAULO — O consumo de literatura é cada vez mais mediado pelas redes sociais. No entanto, o impacto dessas mídias na produção, consumo, distribuição e troca de trabalhos literários ainda não foi mensurado a contento. Para Fabio Malini, coordenador do Laboratório de Pesquisador sobre Imagem e Cibercultura [Labic] da Universidade Federal do Espírito Santo, essa transformação traz novos públicos, novos espaços de circulação da literatura e novos mediadores, transformando a obra literária de diferentes escritores em discursos espalhados pela internet, fazendo de alguns autores celebridades da rede.

Para preencher em parte essa lacuna, Malini dedicou-se a observar a propagação da literatura brasileira no Twitter e no Facebook. A pesquisa, encomendada pelo Itaú Cultural, será apresentada nesta quarta na programação da instituição na Flip, e publicada na edição 17 da revista “Observatório cultural”.

O estudo mostra que a propagação de citações é o modo mais utilizado para disseminar o texto literário nas redes sociais. Na literatura contemporânea, observa-se a construção de um autor que, ao mesmo tempo, publica e constitui uma relação íntima com seus públicos na rede. E estes espalham visões críticas e afetos pelas obras que lhe interessam.

— O consumo de literatura nas redes sociais vem alterando o comportamento dos escritores. Em seus perfis, eles passaram a revelar bastidores de seu processo de produção, ao mesmo tempo em que divulgam suas obras. Especialmente os autores dedicados ao público juvenil: esses estão em constante presença nas redes, quase como personagens — explica Malini, lembrando que a escritora Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook, com mais de 300 mil fãs que interagem continuamente com sua página na rede social.

Segundo o pesquisador, Thalita faz de sua página uma espécie de diário virtual reproduzindo a própria discursividade adolescente na rede. No lugar de um narrador mais recolhido, dedicado à obra, a escritora radicaliza a linguagem do selfie, com inúmeros autorretratos. Assim, seu público pode consumir não apenas a sua literatura, mas a sua vida. É uma situação de alta visibilidade em tempo real.

Mas não é só o público juvenil que está em busca de um contato mais próximo com escritores nas redes sociais. Malini acredita que essa avidez por comunicação cria uma geração de autores mais abertos em sua subjetividade literária, motivados por um público que deseja vislumbrar uma produção até então baseada no recolhimento.

— O público não só busca maior compreensão da obra de seus autores favoritos, como também gosta de observar sua visão de mundo, suas posições políticas — observa o especialista.

Outro aspecto do consumo de literatura nas redes é a cultura de fãs de autores que já morreram, tais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Paulo Leminsky e Caio Fernando Abreu.

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Os autores mais citados pelo mundo acadêmico não são os mais populares nas redes sociais. Obras de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Mário de Andrade são menos citadas, curtidas e compartilhadas. Já as do poeta Carlos Drummond de Andrade e do escritor Machado de Assis alavancam diferentes apropriações pelos usuários. As páginas de Drummond, Caio e Clarice são as campeãs de fãs no Facebook: juntas mobilizam mais de 1 milhão de seguidores.

— Os perfis desses autores brasileiros já falecidos geralmente são administrados por literatos ou escritores. Daí a cultura do remix literário, ou seja, a liberdade que esses administradores de fan pages têm em assumir características marcantes do autor e criar suas próprias frases, numa espécie de emulação. Citações que têm algo de autoajuda quando tiradas de seu contexto fazem muito sucesso. Em alguns casos, servem como indiretas ao serem compartilhadas — detalha o acadêmico sobre o comportamento do leitor brasileiro na web.

Paulo Leminski, por exemplo, começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país, há pouco mais de um ano. Esse movimento nas redes sociais levou a antologia “Toda poesia” de Leminski a figurar diversas semanas na lista de mais vendidos.

Ecoando o desejo dos manifestantes de humanizar o espaço urbano, um poema de Leminski [“Ainda vão me matar numa rua. Quando descobrirem, principalmente, que faço parte dessa gente que pensa que a rua é a parte principal da cidade”] foi retuitado centenas de vezes. Nos dias 15 e 16 de junho de 2013, a tag #todarevoluçãocomeçacomumafaísca esteve entre as mais populares no Brasil, uma alusão à trilogia juvenil “Jogos vorazes”, outro best-seller.

A tese de que perfis de redes sociais não discutem literatura em tempo real é uma especulação simplista, acredita Malini. A rede se tornou um manancial de novos críticos, novos mediadores da literatura, por onde as obras da nova geração e dos autores “mortos” ganham vida e sobrevida.

— É impressionante o que as redes sociais têm feito pela popularização da poesia brasileira, gênero historicamente renegado. É reducionista acusar a rede de gerar um consumo fácil e rápido de literatura, assim como é simplista acreditar que só o livro oferece leitura de qualidade. As redes sociais são portas de entrada para leitores, escritores e críticos, democratizando o consumo e a produção literária — acredita Malini.

Por Márcia Abos | O Globo | 30/07/2014, às 12:08

Escritor britânico premiado vai escrever seu próximo livro no Twitter


O escritor britânico David Mitchell, autor de Cloud Atlas, vai publicar sua próxima obra no site de microblogs Twitter.

Trata-se do conto The Right Sort, escrito em segmentos com 140 caracteres cada um.

Os segmentos serão publicados em grupos com 20 tweets de cada vez, ao longo dos próximos sete dias. Ao todo, serão 280 Tweets.

Mitchell é autor de cinco livros, já ganhou vários prêmios importantes e é tido como um dos mais talentosos escritores britânicos de sua geração. Ele nasceu em 1969.

Apenas um de seus livros – Menino de Lugar Nenhum, cujo título original é Black Swan Green – foi traduzido no Brasil, publicado pela Companhia das Letras.

Já Cloud Atlas, transposto para as telas de cinema pelos diretores Andy Wachowski e Lana Wachowski [que também dirigiram a trilogia The Matrix], foi visto no Brasil com o título A Viagem.
Recurso Promocional

Falando à BBC, Mitchell disse que aprecia o potencial artístico das mídias sociais, mas confessou que não é um tuiteiro e que teve de abrir uma conta no Twitter especificamente para esse projeto.

Não sou um adepto da mídia social“, disse. “Gosto da minha privacidade, não quero tornar públicas as ante-salas da minha mente. Não quero contribuir para esse oceano de trivialidades e irrelevâncias, já é vasto e profundo o bastante“.

Mas Mitchell tem um novo romance para promover: The Bone Clocks está chegando em setembro.

Então, foi persuadido por seu editor a abrir uma conta – @david_mitchell – para auxiliar na divulgação do livro e de eventos programados em torno do lançamento. A editora envia os tweets em nome do escritor.

Ele admitiu que a publicação do conto no Twitter não deixa de ser um truque esperto de marketing para ajudar a promover seu novo livro.

Mas enfatizou que publicar uma história no Twitter foi a forma que encontrou de usar a tecnologia e ao mesmo tempo “preservar alguma integridade“.

Situado em 1978, o conto The Right Sort é narrado por um adolescente que descobre o remédio Valium.

Enquanto o personagem narrador “viaja” na droga, conta a história em uma sequência de “pulsos”, ou sentenças curtas.

Ele está pensando em tweets por causa do Valium“, explicou o escritor.

Mitchell – que em 2003 foi incluído pela influente revista literária Granta num ranking com os melhores jovens romancistas britânicos – disse que não tem a menor intenção de virar tuiteiro, mas não exclui a possibilidade de escrever mais uma história para essa plataforma caso The Right Sort seja um sucesso.

Foi realmente difícil, não foi fácil. Mas gosto dessas camisas de força“, contou. “Talvez você realmente precise do limite imposto por esses ridículos 140 caracteres para inventar algo novo“.

Mitchell é um dos mais importantes escritores da atualidade a publicar uma história no Twitter.

Em 2012, a escritora americana Jennifer Egan, ganhadora de um prêmio Pulitzer, publicou o conto Black Box no site de microblogs.

BBC Brasil | 15/07/2014

Grupo Amigos dos Editores Digitais no Facebook lança desafio em busca de projetos inovadores


Amigos dos Editores Digitais [AED] – grupo de discussões no Facebook que se propõe a discutir temas relacionados ao universo do livro digital – colocou na rede um desafio. Os membros do grupo foram convidados a elaborar três projetos editoriais inovadores. Para a missão, os participantes podem se engajar em grupos ou mesmo propor soluções individuais. “A gente sempre reclama que as editoras fazem mais do mesmo, que não há preocupação com inovação, que os produtos são ditados pelos editais, que lá fora tem um monte de coisas legais, pena que aqui não… O Desafio AED é uma resposta a tudo isso”, comenta Lorena Vicini, uma das organizadoras do grupo. “A ideia é funcionar como um coletivo, estimulando a produção de projetos inovadores”, explica Gabriela Dias, moderadora do grupo e colunista do PublishNews

Foram selecionados três cases: Antologia VivaSP, criado por Juliano Spyer para comemorar os 450 de São Paulo; Caindo no Brasil, com conteúdo de Caio Dib sobre práticas escolares inovadoras pelo Brasil e Cartilha digital Safernet, dedicada à segurança digital para crianças. Os participantes do desafio terão que propor soluções digitais para esses projetos que serão avaliados e receberão votos, até o dia 26 de março, de outros integrantes do AED.  Mais informações, clique aqui.

PublishNews | 21/03/2014

Mudanças no Widbook


WidbookWidbook, comunidade digital com mais de 200 mil escritores e leitores em todo o mundo, acaba de lançar um plano que transforma a forma como usuários encontram histórias. Páginas internas foram renovadas para que a plataforma se torne mais interativa. Agora, as recomendações de leitura aparecem em uma página personalizada e única para cada membro, baseada em interações sociais dentro da rede. O novo modelo começa a ser implantado com a tela “Activity”, com recomendações de e-books baseadas nas atividades de seus amigos do Widbook. A nova versão inclui ainda a tela “Goals”, com estatísticas de leitura em formato de gráfico.

PublishNews | 20/03/2014

Memeoirs permite criar livro com todas as suas mensagens no Facebook


O Memeoirs é um serviço que transforma todas as suas mensagens privadas do Facebook em um livro. A funcionalidade já existia, mas era usada apenas para converter as conversas de e-mail em memórias literárias. Agora, usuários da rede social também podem aproveitá-lo.

Para transformar as mensagens em um livro, basta acessar a página do Memeoirs e clicar sobre a opção “Star making your book” [comece a fazer seu livro, em tradução livre]. Em seguida, o usuário deve escolher se quer usar os dados do Facebook ou de algum dos servidores de e-mail disponíveis.

É necessário permitir que o aplicativo web do serviço tenha acesso às suas informações na rede social eletrônico, no formato e-book. Na nova página que abrir, basta escolher as conversas com amigos que deseja organizar nas páginas de um livro. Depois, é possível ainda pensar em um nome, fazer o upload de uma imagem para a capa e outra para a contracapa, escrever prefácio e até mesmo agradecimentos.

Depois, o usuário pode conferir a prévia de seu livro e reviver conversas com as pessoas que foram selecionadas para a publicação. “Memeoirs faz todo o download, filtra e exibe o conteúdo. O usuário é capaz de fazer uma pré-visualização que corresponde ao livro que vai ser enviado à sua porta”, diz a Memeoirs.

Se gostar do resultado, é possível pedir para que a empresa imprima e envie o livro. O preço varia entre 40 libras e 60 libras [o mais caro para edição em capa dura]. De acordo com o site da companhia, a entrega é feita em qualquer lugar do mundo em um período máximo de 15 dias. No modo comum, custa 10 libras e via serviço expresso sai por 20 libras [e o produto chega em até cinco dias].

A ideia pode soar um pouco estranha para alguns, mas pode ser um presente interessante para dar aos amigos, familiares ou namorado[a]. Já havia disponível um serviço que permitia transformar os posts do Facebook em um livro, o Book of Fame, mas o Memeoirs é o primeiro a fazer isso com mensagens privadas.

Para conhecer o serviço, acesse o site do Memeoirs.

Techtudo | 13/03/14

Amantes de livros expõem suas viagens em vídeos na internet


Você abre um livro, se envolve com a história e depois que o fecha continua pensando nele. Então, precisa conversar com alguém sobre a leitura e até acha um ouvinte, mas o que gostaria de verdade era de encontrar outro leitor que compartilhe dos mesmos gostos. Agora, os amantes da literatura têm o seu espaço: o Youtube!

Vanessa Correa venceu a timidez para criar o canal “Moral da história”. Hoje, com 340 inscritos – quer dizer, 340 pessoas que assistem –, comentam e compartilham os vídeos onde a mestranda em biotecnologia opina sobre o que tem lido. “Os canais que resenhavam livros no Youtube chamaram minha atenção e me fizeram acessar o site com bastante frequência. Até que chegou a hora que também quis fazer meus vídeos”, explica a youtuber amazonense.

Fantasia é o gênero preferido de Vanessa. Entre os títulos que ela comenta no canal estão: “O chamado do cuco”, “Feita de fumaça e osso”, “Jogos Vorazes”, “Os Goonies” e outros. “Uma das intenções do canal também é falar dos autores amazonenses, como o Jan Santos. Uma das inspirações dele é o Tolkien, que é o meu escritor favorito. Acredito que o Jan tem potencial para fazer sucesso no Brasil e no mundo”, revela Vanessa.

Incentivo

Além de servir como um divulgador do trabalho dos escritores da terra, o canal de Vanessa incentiva os espectadores a ler e a produzir seus vídeos, como foi o caso do Luiz Filipi. “Gostei do que a Vanessa fez, comecei a acompanhar outros canais que falam de livros. O passo seguinte foi criar o ‘Entre linhas’”, explica o estudante de Economia.

“O circo mecânico”, “Psicose”, “Não conta lá em casa” são alguns livros que Luiz Filipi já resenhou. Segundo ele, o processo de gravação é simples. “Faço tudo sozinho. Posiciono a câmera na minha frente, ligo e começo a falar sobre o que é o livro e o que achei dele. Para não me perder, consulto um roteiro. Depois, basta editar e colocar no Youtube”. A única “vaidade” que ele tem antes de apertar o “rec” é fazer a barba. Já Vanessa diz que precisa de um pouco de maquiagem por causa da iluminação: “Se não usar, apareço muito pálida na imagem”.

Crie um canal

Os youtubers do Amazonas gostariam de ver mais produções de seus conterrâneos e enfatizam que todo mundo pode criar um canal gratuitamente. “A proposta é mostrar a crítica de um leitor, tanto que não somos profissionais do assunto, não estudamosLetras nem algo assim. É mesmo uma conversa entre leigos que têm a leitura como um hobby em comum”, esclarece Vanessa.

Além da participação dos internautas, o contato das editoras é outro reconhecimento do bom serviço que os youtubers prestam aos internautas. Enquanto Luiz Filipi foi selecionado para ser parceiro da Leya, editora dos livros de George R.R. Martin, Vanessa ganhou da editora Globo dois kits de “Lenny Cyrus, o supervírus”, de Joe Shreiber.

A Crítica | 13/02/14

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Biógrafo de Steve Jobs busca colaboradores online para seu novo livro


Walter Isaacson liberou trechos de obra na web em busca de feedback dos internautas. Livro é sobre surgimento da era digital.

Após publicar a biografia de Steve Jobs no final de 2011, o autor Walter Isaacson agora trabalha em um livro sobre as origens e o surgimento da era digital e, para mostrar que está em sintonia com o tema, publicou trechos da obra na web em busca de feedback dos internautas.

Como aponta o TechCrunch, Isaacson publicou trechos do seu novo livro em diversas plataformas digitais, como Medium e Scribd, e pediu para que os usuários leiam e contribuam com notas e/ou correções.

A colaboração online é a razão pela qual a Internet foi criada originalmente e estou interessado em todos os comentários ou correções que os leitores possam fazer anter de eu publicar o livro em um ano”, afirmou o autor, que também já publicou biografias sobre outras grandes nomes da história, como Benjamin Franklin e Albert Einstein.

IDG NOW | 30 de dezembro de 2013 | às 12h49

Pelas redes sociais, leitores influenciam produção de livro


Público participa sugerindo títulos a serem comprados, escolhendo capas e interferindo até na agenda de lançamento

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/pelas-redes-sociais-leitores-influenciam-producao-de-livros-11143634#ixzz2pFyuonL1  © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação

RIO – O mercado editorial é como um cassino. Nele, se investe muito dinheiro em leilões acirrados para a compra de títulos, que não passam de apostas, já que ninguém sabe qual livro pode ser o próximo best-seller, e o risco de prejuízo é grande. As editoras, claro, fazem o possível para dar uma forcinha ao imponderável. E a cartada da vez é ouvir quem faz as contas fecharem: os leitores. Pelas redes sociais, as editoras brasileiras têm se dedicado a acolher sugestões, que vão dos títulos a serem publicados, passando pela agenda de lançamentos, a melhor tradução, a melhor capa e até estratégia de divulgação, entre outras etapas do processo editorial.

Pela idade dos leitores, esse tipo de iniciativa se concentra, sobretudo, nas obras infantojuvenis e “young adult” [jovens adultos]. Segmento que está entre os maiores fenômenos de venda no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia, segundo números da GfK, multinacional que pesquisa o mercado livreiro no país, o setor foi o que mais cresceu do ano passado para cá, com um aumento de 24% nas vendas em livrarias. Não à toa, todas as grandes editoras do país têm selos voltados para o gênero.

“O livro é lançado com mais respaldo”

Em um mercado tão disputado, uma das vantagens da interação com os leitores é criar um filtro a mais. Todo grande grupo editorial contrata “scouts”, olheiros bem informados sobre as novidades internacionais, que sugerem a compra de títulos, muitas vezes superdisputados em leilões. A competição é tanta que, em alguns casos, os direitos são comprados antes mesmo de o livro ser escrito pelo autor. Mas nem tudo cai na rede do “scout”. E é aí que entram as sugestões do público.

— Os leitores estão concentrados no que está sendo lançado agora [no exterior]. É bom lembrar que os scouts trabalham com material inédito e muitas vezes sigiloso. Acho que os papéis dos dois se complementam. É ótimo receber uma dica que dá certo — diz Ana Lima, editora do selo Galera, da Record. — E é melhor tomar decisões assim. O livro é lançado com mais respaldo, fica mais interessante para as livrarias, e muitas vezes a expectativa impulsiona a pré-venda.

Diferentemente de outros editores, Ana costuma, ela mesma, trocar mensagens com leitores, não só pela página da Record no Facebook, mas também em seu perfil pessoal. Ana já até conhece alguns pelo nome, de tantos recados que recebe. Foram dicas recebidas assim que levaram a Record a publicar “Mass Effect — Revelação”, do canadense Drew Karpyshyn, baseado no game de mesmo nome.

Diante do novo cenário, há quem priorize a escalação de editores com presença já forte nas redes sociais. A Casa da Palavra, por exemplo, acaba de contratar o escritor Affonso Solano para ser curador do selo Fantasy, na vaga aberta com a ida de Raphael Draccon para a Rocco. Solano, que tem mais de 30 mil seguidores no Twitter, é o criador do podcast “Matando robôs gigantes”, no site Jovem Nerd. E já está pensando em usar a web a seu favor.

— Vamos fazer um concurso pela internet para escolher um novo autor de fantasia. A editora estava com muitos originais recebidos, e essa interação será um jeito de resolver isso — conta ele.

Há casos em que a pressão dos leitores pesa mais até do que as vendas. No ano passado, por exemplo, a Sextante havia lançado “Como se livrar de um vampiro apaixonado”, da americana Beth Fantaskey. As vendas não haviam sido muito expressivas, lembra Mariana de Souza Lima, editora do selo Arqueiro, mas a reação dos leitores foi tão boa que a empresa resolveu publicar a sequência.

— Aprendemos muito com o Paulo Coelho [autor da Sextante], que tem uma presença muito forte nas redes sociais. Trata-se de um filtro superespecializado, porque falamos com pessoas que também vão comprar o livro — diz Mariana.

A Sextante mantém um grupo no Facebook chamado “Romances de época”, que reúne fãs do gênero histórico, normalmente mulheres. Recentemente, recebeu blogueiras na editora, com sugestões de dez autoras para serem publicadas. Sem revelar nomes, Mariana afirma que decidiu comprar duas.

— É um mercado que cresceu tanto, que é difícil para um scout mapear tudo. Tem muita coisa que escapa. Também porque os scouts estão focados nos lançamentos mais disputados. Mas há séries que não têm tantos holofotes. São leitores especializados, têm um olhar muito valioso. E trazem opiniões sempre fortes e bem fundamentadas — diz Julia Moritz Schwarcz, publisher do selo Seguinte, da Companhia das Letras.

Julia lembra que, com o olhar dos leitores de hoje, dificilmente a Companhia das Letras teria perdido a chance de publicar Harry Potter no fim dos anos 1990. Em um caso já folclórico do mercado editorial brasileiro, a editora rejeitou o original, depois de receber um parecer negativo — e o sucesso de vendas caiu nas mãos da Rocco. Hoje, diz a publisher, os pareceres do selo Seguinte são encomendados a leitores da faixa etária do livro em questão.

Tradução por e-mail

Julia destaca ainda que a influência das redes sociais chega mesmo à produção gráfica. Como se trata de um público que gosta de colecionar, às vezes os leitores sugerem até o formato. Foi o caso dos romances da série “Bloodlines”, que surgiu a partir de “Academia de vampiros”. Os leitores pediram que os novos livros tivessem 23cm x 16cm, para “ficarem bonitos” na estante. No segmento de infantojuvenis, também já é comum a escolha da capa passar pelo crivo do público. A Rocco, por exemplo, lançou “O chamado do cuco”, da inglesa J. K. Rowling com a mesma capa da edição britânica, a pedidos.

Danielle Machado, editora da Intrínseca, lembra até que já recebeu e-mail com uma tradução prontinha de um livro inteiro. E conta que há casos em que a agenda de lançamentos também é influenciada por pedidos. Com o livro “A casa de Hades”, do americano Rick Riordan [o sexto mais vendido de 2013 entre os infantojuvenis, segundo o portal de notícias do setor Publishnews], a Intrínseca precisou correr para lançar o romance ao mesmo tempo que nos Estados Unidos.

— É uma coisa que eles sempre pedem. É difícil, porque precisamos receber os originais bem antes. Mas a força dos fãs até nos ajuda a negociar esse tipo de acordo com os agentes — diz Danielle.

Por Maurício Meirelles | Publicado originalmente em O Globo | 24/12/2013 | © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Manifesto diz que inovação está no livro físico, não em eBooks


Ao mesmo tempo em que o universo dos textos impressos encolhe, o livro -ou, pelo menos, algumas de suas características mais conhecidas – revela uma capacidade notável de continuar vivo on-line.

Parece que a ideia do livro está tão profundamente enraizada no inconsciente coletivo que ninguém suporta deixá -la para trás.

A Amazon alega que, em seu mais recente e -reader, “as páginas são virtualmente indistinguíveis de um livro físico“. Estantes de livros em salas de estar podem estar virando coisa do passado, mas compre um e -book do iBooks e a Apple prometerá “descarregar livros para sua estante” imediatamente.

Algumas funções dos livros físicos que não parecem ter lugar na era digital estão sendo conservadas, mesmo assim. As editoras ainda encomendam capas para e-books, apesar de a função delas -atrair a atenção de leitores numa loja repleta de títulos – ter deixado de existir.

Muitas das tentativas de modificar a experiência fundamental do livro fracassaram.

A Social Books, que permitia que os usuários comentassem trechos específicos de livros, virou Rethink Books e depois fracassou.

Peter Meyers, autor de "Breaking the Page", sobre o futuro dos livros, em seu escritório, em Nova York |  Photo: Hiroko Masuike - 27.nov.13/The New York Times

Peter Meyers, autor de “Breaking the Page”, sobre o futuro dos livros, em seu escritório, em Nova York | Photo: Hiroko Masuike – 27.nov.13/The New York Times

A Push Pop Press, que misturava textos, imagens, áudio, vídeo e gráficos interativos, foi comprada pelo Facebook em 2011, e não se ouviu falar mais nela.

A mais recente a tropeçar foi a Small Demons, que explora as relações entre livros. Por exemplo, um usuário que se interessasse pelo “Ziegfeld Follies” ao ler “O Grande Gatsby” poderia seguir um link apontando para trechos em que o espetáculo de teatro de revista aparece em 67 outros livros. A Small Demons informou que vai fechar neste mês, sem ter conseguido um novo investidor.

Muitas dessas soluções nasceram da capacidade de um programador de criar alguma coisa, mais do que do entusiasmo dos leitores por coisas de que precisam“, disse Peter Meyers, autor de “Breaking the Page”, análise ainda inédita da transformação digital dos livros.

O inovador digital Bob Stein escreveu recentemente que “as pessoas com frequência me pedem reflexões sobre ‘o futuro do livro’“. Como ele é fundador do Instituto para o Futuro do Livro, seria lógico imaginar que ele pudesse prever e até saudar a pergunta. “Francamente, não a suporto“, escreveu.

MANIFESTO

Existe até um movimento que proclama que os mecanismos mais inovadores para a reprodução e a leitura de histórias estão sendo desenvolvidos não nos e -books, mas em livros físicos.

O manifesto do movimento está impresso na capa de um novo volume, “Fully Booked: Ink on Paper: Design & Concepts for New Publications”, que ironiza a noção da internet como sendo a novidade mais recente.

Quando a internet se popularizou, pareceu que os livros precisavam de uma revisão.

O livro físico tinha se tornado algo bastante limitado, avesso ao design fora de sua capa“, comentou Peter Brantley, que administra a conferência Books in Browsers, em San Francisco.

Depois, todas as limitações desapareceram.

Algumas start -ups optaram por uma abordagem básica: pegam um texto e o dividem em partes. O serviço Safari Flow, da Safari Books, oferece capítulos de manuais técnicos por uma assinatura mensal de US$ 29. A Inkling faz o mesmo com títulos voltados ao consumidor geral. Se você quiser comprar apenas o capítulo sobre massas, pode adquiri -lo por US$ 4,99, em vez de ter a obrigação de comprar o livro de receitas na íntegra.

O enfoque da Citia é mais ambicioso. Trabalhando em cooperação com um autor, seus editores pegam um livro de não ficção e reorganizam as ideias dele em fichas digitais que podem ser lidas em aparelhos diversos e transmitidas pelas redes sociais.

‘DECISÃO DIFÍCIL’

A decisão de dedicar 10 ou 15 horas de tempo à leitura de um livro será cada vez mais difícil de ser tomada“, explicou Meyers, vice -presidente de inovação editorial e de conteúdo da Citia. “Por isso, precisamos libertar as ideias presas dentro dos livros.

Um dos primeiros livros a ser submetido ao tratamento da Citia foi “Para Onde nos Leva a Tecnologia”, de Kevin Kelly. Seções do livro são resumidas em uma ficha, e depois o leitor pode mergulhar nas divisões de cada seção.

Mas, desde que surgiu, em 2012, a empresa criou fichas de apenas quatro livros. Ela está em negociações com agências de publicidade e talentos, empresas de serviços financeiros e de produtos ao consumidor. “Todas as empresas estão se tornando empresas de mídia“, disse Meyers. “Todas precisam contar histórias sobre seus produtos.

Como rotular essas histórias é outra questão.

Quando um livro é colocado on -line, pode ser apenas por saudosismo que ele continue a ser conhecido por seu nome antigo. “Vamos continuar a reconhecer e -books como sendo livros, mas nossa visão do trabalho de contar histórias vai se ampliar, inevitavelmente“, disse Brantley.

POR DAVID STREITFELD | DO “NEW YORK TIMES”, EM SAN FRANCISCO | Clipado à partir de Folha de S.Paulo | 17/12/2013, às 02h30

Leitura compartilhada


Livia Airoldi não sabe bem se fazia isso por obrigação ou por sugestão da escola, mas quando era “criancinha”ela costumava fazer resumos ilustrados de tudo o que lia. O caderninho de anotações ainda está no seu quarto [hoje abarrotado de livros] para contar essa história.

Filha de engenheiro nuclear e economista, ela não credita seu gosto pela leitura só aos pais ou à escola, geralmente os heróis e vilões dessa batalha. “Acho que é uma coisa minha mesmo. Eu me achei ali“, conta a garota de 17 anos, aluna do Cervantes, que não sai de uma livraria sem um livro embaixo do braço. As leituras deram uma desacelerada este ano por causa das obrigações escolares e do vestibular – ela quer ser advogada. Mas só um pouco. Depois das férias, resolveu encarar o complexo Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Uma atividade com contador de histórias e uma posterior explicação do professor João Jonas despertaram o interesse da aluna. “No começo, era estranho, mas fui adaptando as palavras e fui lendo mais rápido.” Ainda não terminou, como também não terminou Anna Karenina, de Tolstoi, que estava lendo em inglês. O ano está puxado.

Livia não sabe quantos livros lê por ano, mas conta que num mês de férias terminou nada menos do que oito títulos. Vale lembrar que a média nacional é de quatro livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura. Nessa conta, entram os começados e não terminados e as leituras obrigatórias.

A estudante não está inserida nesta estatística, assim como não estão os milhares de jovens que vêm movimentando as listas de mais vendidos ao comprarem obras de autores como Jeff Kinney, Rick Riordan, John Green, Suzanne Collins etc. São pessoas que não leem apenas o que a escola indica, que estão em contato direto com as editoras pedindo tradução de obras que já leram em inglês, que escrevem blogs e lotam livrarias em sessões concorridíssimas de autógrafos, como foi a da americana Kiera Cass, autora da trilogia A Seleção [Seguinte], sobre o universo de aspirantes a princesas. Numa noite de outubro, ela levou mais de 500 meninas à Livraria Cultura.

Leitora de blogs literários e vivendo um momento de descobertas, Livia, que ora diz que ainda quer ler Machado de Assis e tem no topo de sua lista de favoritos a série Academia de Vampiros, de Richele Mead, também queria ter ido no encontro com Kiera, mas, de novo, as provas não deixaram.

Durante os autógrafos, a autora ficou no Twitter orientando as fãs sobre filas e senhas. Um pouco antes, respondeu a uma leitora que mandou a foto da roupa que estava planejando usar: “É incrível, mas vista-se confortavelmente. Ouvi dizer que as filas são longas“.

Seguir um autor no Twitter e ser amigo dele no Facebook são marcas de um novo tempo da relação entre autores e leitores. Não basta mais só escrever um bom livro. Tem que ver, tocar, tirar foto, responder e-mail.

A musa teen Thalita Rebouças participou de 36 eventos literários este ano. A fila por um autógrafo seu chega a durar três horas, tem gente que viaja horas e horas por um segundo ao lado dela e quando ela aparece a gritaria é geral. “Nunca se leu tanto no Brasil. Não dá mais para repetir que adolescente não lê. Quando lancei meu primeiro livro, Harry Potter estava começando. O que essa série fez pela literatura juvenil é inacreditável“, diz a escritora, que tem 286 mil seguidores no Twitter, 161 mil pessoas em sua página do Facebook e que já vendeu quase 1,5 milhão de livros. A maior mudança desde que começou, há 13 anos, diz ela, foi justamente o aparecimento das redes sociais.

É por elas que os jovens leitores se informam, é lá que eles compartilham suas leituras. Pensando nisso, as editoras, que até há alguns anos mal sabiam quem eram seus leitores, que também não sabiam quem editava os livros que liam, iniciaram um importante canal de comunicação.

A Intrínseca não levou nenhum autor à Bienal do Livro do Rio este ano e mesmo assim seu estande foi concorrido. “Tinha dia que a fila dava sete voltas no estande. E algumas pessoas entravam e queriam abraçar as pessoas que trabalham na editora“, conta Jorge Oakim, proprietário da casa famosa entre os leitores mais jovens desde que publicou, em 2008, o primeiro volume da saga Crepúsculo [5 milhões de exemplares comercializados]. Um decisão simples pode justificar tanta cumplicidade. Desde o final de 2010, quem digita o endereço da editora na internet é direcionado para o perfil dela no Facebook. “Queríamos que os livros se tornassem virais. Percebemos que o leitor está on-line e que ele gosta e precisa de interação“, explica Juliana Cirne, gerente de comunicação e responsável pela produção de conteúdo e contato com os leitores. Mais de 350 mil pessoas curtiram o perfil da editora do Facebook. No Twitter, são 67 mil.

Os lançamentos também mudaram. O americano Rick Riordan [3 milhões de exemplares vendidos], por exemplo, não veio autografar A Casa de Hades, mas a Intrínseca e o fã-clube Olimpianos organizaram um dia de atividades para 500 adolescentes no Rio, com brincadeiras e concurso de fantasias inspiradas na série Os Heróis do Olimpo e em mitologia greco-romana.

De números mais modestos [6 mil no Facebook e 5 mil no Twitter], a Valentina, que estreou há um ano, também está tirando proveito das redes. Um de seus seguidores do Twitter sugeriu que a editora traduzisse Forbidden, uma história de incesto escrita por Tabitha Suzuma. Os proprietários Marcelo Fraga e Rafael Goldkorn pagaram para ver. Ao anunciarem na Bienal do Livro que editariam a tal obra, houve torcida e ouviram de um leitor animado com a notícia: “Não acredito que vocês vão ter coragem de lançar esse livro”. E mais e mais fãs foram chegando.

A WMF Martins Fontes também está às voltas com leitores. Há um abaixo-assinado on-line, com mais de 7.200 assinaturas, pedindo que ela publique a série de 12 volumes História da Terra Média, de Tolkien. “Entramos em contato com a HarperCollins e estamos considerando seriamente a possibilidade de publicar a série. Ainda precisamos calcular os custos da enorme empreitada, mas não estaríamos fazendo nada disso se não fosse a iniciativa dos fãs“, diz o diretor Alexandre Martins Fontes.

O Estado de S. Paulo | 02/12/13