Mais uma editora adere à Distribuidora de Livros Digitais


DLD passará a fazer a distribuição digital dos e-books da editora

Resultado do consórcio das editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, LP&M e Novo Conceito para distribuição digital de seus e-books, a DLD começou recentemente a distribuir e-books de outras editoras. A primeira casa a aderir – como cliente e não como sócia – é a Cosac Naify. Em comunicado enviado à redação do PublishNews, a DLD informa que “esta iniciativa se integra ao processo de fortalecimento da atuação da Cosac Naify no digital”. “Iniciando o trabalho de distribuição de e-books integrado a uma plataforma, automatizamos uma grande parte do operacional para que possamos focar no que nos é mais importante: os livros“, se pronunciou a Cosac também via comunicado. Atualmente, a editora dispõe de 140 e-books em seu catálogo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/06/2015

Instagram para leitores


Instagram, a rede social de compartilhamento de fotos, já ultrapassou a marca dos 100 milhões de usuários. E, da mesma forma que aconteceram com os blogueiros e os vlogueiros, as editoras passaram a enxergar nos instagramers um novo nicho editorial. As editoras Terceiro Nome e Madalena se associaram e preparam para abril o lançamento do livro Rever, que reúne 211 imagens postadas pela artista plástica Gabriela Machado [@gabmachado] no seu perfil na rede social. Mas não é só isso. A Rocco acaba de comprar os direitos de dois livros da sensação Joe Wicks [@thebodycoach], que usa a rede social para dar dicas de emagrecimento. Com quase 200 mil seguidores, Wicks faz um plano de emagrecimento para ser cumprido em 90 dias. O seu perfil no Instagram é repleto de fotos de “antes e depois” de pessoas que aderiram ao seu método. O livro sai pelo selo Bicicleta Amarela, o novo selo de bem-estar da editora. Mas nem só de fotografias vive o mercado editorial. A Record, V&R e Intrínseca bateram o martelo e fecharam negócios na última semana. A Intrínseca comprou o juvenil Amy Chelsea Stacie Dee, previsto para ser publicado só em 2017. O livro conta a história de uma garota de 16 anos sequestrada junto com seu primo. Libertada depois de seis anos, ela está traumatizada, mas percebe que precisa encarar o passado para construir um futuro. Ainda dentro do universo infantojuvenil, a V&R comprou Every last promise, de Kristin Halbrook. O pano de fundo do livro também uma história de violência. Kayla, a protagonista, presencia uma agressão sexual contra uma colega e tem que decidir entre manter o silêncio e denunciar o agressor. No Goodreads, Every last promise, recebeu 31 reviews. Já a Record apostou forte no novo romance de Michelle Cuevas e comprou os direitos de Confessions of na imaginary friend em pre-empt. O negócio foi intermediado pela Agência Riff.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/03/2015

Quase na mesma


As vendas de livros digitais no Brasil praticamente não cresceram de 2013 para 2014, segundo algumas das maiores editoras do país, como Record e Intrínseca. No final de 2013, as vendas de e-books representavam de 2% a 3% do total das vendas dessas casas, cenário similar ao atual, em que editores falam em no máximo 3%. A exceção é a Objetiva, na qual eles hoje chegam a 4%. “Acho que estamos acima da média do mercado pela adequação do nosso catálogo a segmentos fortes no digital, como livros de negócios, e pela nossa política de marketing“, avalia o diretor Roberto Feith.

A tendência à estagnação também ocorreu nos últimos anos nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas com e-books correspondendo a mais de 20% do total das vendas das editoras. De 2009 para 2010, os EUA saltaram de 3%, patamar similar ao do Brasil em 2013, para 8%.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | Coluna Painel das Letras | 2/01/2015

Kindle Unlimited começa hoje


O serviço de subscrição da Amazon brasileira começa com 700 mil títulos, dez mil deles em português

A Amazon brasileira inicia nesta quinta-feira [11] a operar o Kindle Unlimited, o seu serviço de subscrição de livros. O modelo está em operação nos EUA desde julho deste ano. Ao todo, são oferecidos 700 mil títulos, a grande maioria deles em outras línguas. O catálogo em português é composto por dez mil títulos de editoras como Gente, Globo, LeYa, PandaBooks, Universo dos Livros, Vergara & Riba [V&R] e Zahar. Não aderiram ao serviço grandes editoras como as que compõem o pool DLD [L&PM, Novo Conceito, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante], a Companhia das Letras, a Intrínseca e a Ediouro. A varejista não dá detalhes da negociação com as editoras, mas, pelo que apurou o PublishNews, não foi uma lida fácil. Editores ficaram relutantes pela proposta feita pela Amazon. Em alguns casos, a gigante de Jeff Bezos ofereceu um fee fixo pelo catálogo, independente da quantidade de vezes que cada obra fosse acessada. Não se sabe, no entanto, se esse é o único modelo e nem se foi o aceito pelas editoras que passam a fazer parte do serviço.

Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, recebeu o PublishNews para falar sobre o Kindle Unlimited na tarde da última quarta-feira. “Por questões contratuais, não podemos dar detalhes da negociação com as editoras. O que podemos dizer é que, como aconteceu nos EUA, a tendência é que esse catálogo cresça”, disse o executivo. “Grandes editoras resolveram não entrar nesse momento, mas o que a gente tem escutado é que elas preferem esperar um pouco mais. As negociações são contínuas”, disse. Szapiro lembra que, também nos EUA, a adesão ao Kindle Unlimited foi paulatina. “Na nossa visão, esse programa vai evoluir. Hoje temos na nossa loja, cerca de 43 mil títulos em português, ou seja, um quarto dos livros da Amazon.com.br estão no Kindle Unlimited. Quando lançamos a loja, há dois anos, o catálogo era de 13 mil títulos e evoluiu para 43 mil em 2014. A gente acredita que essa mesma evolução vai acontecer com o Kindle Unlimited”, completou o country manager.

O serviço

O Kindle Unlimited sai a R$ 19,90 [nos EUA, o serviço é oferecido a US$ 9,90 ou algo em torno de R$ 26]. Para identificar os títulos participantes do serviço, os usuários verão na tela de compra o ícone do Kindle Unlimited e um botão “Leia de Graça” na parte superior direita, onde normalmente fica o botão “Compre agora com um clique”. Ao clicar no “Leia de Graça”, o livro será automaticamente baixado para os dispositivos do usuários [o aparelho Kindle ou os apps de leitura Kindle]. Cada usuário poderá ficar com até dez livros por vez. Para pegar o 11º título ele precisa “devolver” um livro que já esteja na sua lista. Os trinta primeiros dias do Kindle Unlimited são gratuitos. Entre os títulos disponíveis estão os das séries Harry Potter [Pottermore], A guerra dos tronos [LeYa] e Diário de um banana [V&R].

Por Leonardo Neto | PublishNews | 11/12/2014

O barato da leitura virtual 


Enquanto grandes editoras optam por praticar uma política de preços padronizada, ainda que haja exceções, pequenas editoras chegam ao mercado com o objetivo de trabalhar com o livro digital a um valor reduzido. A política de editoras como a Companhia das Letras e a Record é clara: o livro digital custa aproximadamente 30% menos do que sua versão física. Essa redução corresponde à economia das empresas ao eliminar do processo editorial o papel, a gráfica e a logística de distribuição.

Por outro lado, editoras que trabalham apenas com livros virtuais possuem política diferente na hora de formar o preço de seus produtos. Sem precisar se preocupar com os custos que envolvem uma obra feita em papel, as atenções se voltam para outros fatores. “A questão para a gente é ganhar o leitor por impulso. É difícil você decidir fazer o download de algo caro na internet. Você tem de olhar, comprar e pronto“, diz Schneider Carpeggiani, editor da Cesárea, cujos primeiros títulos lançados foram “Polaróides – E Negativos das Mesmas Imagens”, de Adelaide Ivánova [R$ 7,00] e “Aspades ETs Etc”, de Fernando Monteiro [R$ 6,50].

Por Rodrigo Casarin | Valor Econômico | 18/07/2014

E a Distribuidora de Livros Digitais?


Quando as primeiras negociações começaram para a criação da Distribuidora de Livros Digitais, codinome DLD, nos idos de 2009, a ideia era unir o maior número de editoras sob o guarda-chuva de um agregador digital que as distribuiria com exclusividade. Dentro do melhor espírito “A união faz a força”, um dos maiores atrativos do consórcio era a possibilidade de se negociar em bloco com os varejistas que ameaçavam chegar ao Brasil, entre eles a todo-poderosa Amazon. Na época, editoras como Ediouro, Intrínseca e Companhia das Letras foram sondadas, mas a DLD acabou nascendo em março de 2010 com os seguintes sócios: Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM. As operações começariam apenas em abril de 2011 e, em agosto de 2012, a editora ribeirão-pretana Novo Conceito se tornaria a sétima sócia do empreendimento.

A Companhia das Letras optou por navegar sozinha pelas águas digitais, mas acabou ganhando o importante apoio da Penguin, que adquiriu 45% de participação na editora paulistana em dezembro de 2011. O grupo inglês já vinha navegando pelos mares dos e-books por vários anos e tal experiência foi bastante útil para a Companhia das Letras. Hoje, a Companhia está entre as editoras que mais vendem livros digitais em qualquer um dos varejistas com atuação no Brasil.

A DLD, por sua vez, capitaneada pelo executivo Roberto Vaz Moreira, vem dedicando-se desde sua fundação a desenvolver uma boa plataforma tecnológica para distribuição de e-books e a negociar contratos em bloco com os varejistas digitais que surgiam. Particularmente neste processo de negociação estratégica, a editora Objetiva teve um papel fundamental na figura de seu diretor geral, o jornalista Robert Feith. Foi ele um dos principais responsáveis pelos excelentes resultados que a DLD obteve na extenuante negociação com a Amazon. Graças à estratégia encabeçada por Feith, a DLD e suas editoras conseguiram limitar radicalmente, por contrato, o desconto que a Amazon pode oferecer na sua loja sem que acordos pontuais sejam feitos. Fontes do mercado falam que o desconto não pode passar de 5% e basta olhar os descontos no site e constatar este número. Isto é um exemplo do que talvez tenha sido a melhor negociação que editores já tenham conseguido fazer com a empresa de Bezos mundo afora.

Mas agora surge a Penguin Random House Brasil unindo a Companhia das Letras e a Objetiva sob suas asas. A primeira possui uma estratégia digital de sucesso atuando de forma independente. A segunda não só faz parte da DLD como é em grande parte responsável pelo sucesso dela, tanto que o conselho da distribuidora é presidido por Robert Feith, que segue sendo fundamental para a estratégia da DLD. E é difícil imaginar que cada uma das empresas continue com estratégias de distribuição digital tão distintas.

A médio prazo, é bem provável que uma destas duas situações ocorra: [1] a Companhia das Letras passe a integrar a DLD; ou [2] a Objetiva saia do consórcio. Na primeira situação, a DLD sairia extremamente fortalecida e continuaria sendo um fornecedor com alto poder de negociação junto à Amazon, Kobo, Saraiva, Google etc. No segundo cenário, a DLD ficaria bastante enfraquecida, não apenas pela saída do excelente catálogo da Objetiva, mas por perder Robert Feith, um de seus maiores estrategistas.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir de Tipos Digitais | 20/03/2014

O Iba completa dois anos no mercado


Para marcar a data, plataforma coloca mais de 100 obras em promoção

iba, plataforma brasileira de venda, distribuição e consumo de conteúdo digital, completa dois anos de lançamento em março e, para comemorar, oferece aos leitores descontos que alcançam até 88% em mais de 100 publicações, entre e-books e revistas. “Para conseguirmos oferecer os descontos agressivos, fechamos parcerias com as principais editoras do país, como Ediouro, Arqueiro, Record, Elsevier, Planeta, Novo Conceito, Companhia das Letras, Universo dos Livros, Cosac Naify e Rocco”, afirma Michelle Ramos, gerente de marketing do iba. A promoção vale só até hoje.

PublishNews | 12/03/2014

Pelas redes sociais, leitores influenciam produção de livro


Público participa sugerindo títulos a serem comprados, escolhendo capas e interferindo até na agenda de lançamento

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/pelas-redes-sociais-leitores-influenciam-producao-de-livros-11143634#ixzz2pFyuonL1  © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação

RIO – O mercado editorial é como um cassino. Nele, se investe muito dinheiro em leilões acirrados para a compra de títulos, que não passam de apostas, já que ninguém sabe qual livro pode ser o próximo best-seller, e o risco de prejuízo é grande. As editoras, claro, fazem o possível para dar uma forcinha ao imponderável. E a cartada da vez é ouvir quem faz as contas fecharem: os leitores. Pelas redes sociais, as editoras brasileiras têm se dedicado a acolher sugestões, que vão dos títulos a serem publicados, passando pela agenda de lançamentos, a melhor tradução, a melhor capa e até estratégia de divulgação, entre outras etapas do processo editorial.

Pela idade dos leitores, esse tipo de iniciativa se concentra, sobretudo, nas obras infantojuvenis e “young adult” [jovens adultos]. Segmento que está entre os maiores fenômenos de venda no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia, segundo números da GfK, multinacional que pesquisa o mercado livreiro no país, o setor foi o que mais cresceu do ano passado para cá, com um aumento de 24% nas vendas em livrarias. Não à toa, todas as grandes editoras do país têm selos voltados para o gênero.

“O livro é lançado com mais respaldo”

Em um mercado tão disputado, uma das vantagens da interação com os leitores é criar um filtro a mais. Todo grande grupo editorial contrata “scouts”, olheiros bem informados sobre as novidades internacionais, que sugerem a compra de títulos, muitas vezes superdisputados em leilões. A competição é tanta que, em alguns casos, os direitos são comprados antes mesmo de o livro ser escrito pelo autor. Mas nem tudo cai na rede do “scout”. E é aí que entram as sugestões do público.

— Os leitores estão concentrados no que está sendo lançado agora [no exterior]. É bom lembrar que os scouts trabalham com material inédito e muitas vezes sigiloso. Acho que os papéis dos dois se complementam. É ótimo receber uma dica que dá certo — diz Ana Lima, editora do selo Galera, da Record. — E é melhor tomar decisões assim. O livro é lançado com mais respaldo, fica mais interessante para as livrarias, e muitas vezes a expectativa impulsiona a pré-venda.

Diferentemente de outros editores, Ana costuma, ela mesma, trocar mensagens com leitores, não só pela página da Record no Facebook, mas também em seu perfil pessoal. Ana já até conhece alguns pelo nome, de tantos recados que recebe. Foram dicas recebidas assim que levaram a Record a publicar “Mass Effect — Revelação”, do canadense Drew Karpyshyn, baseado no game de mesmo nome.

Diante do novo cenário, há quem priorize a escalação de editores com presença já forte nas redes sociais. A Casa da Palavra, por exemplo, acaba de contratar o escritor Affonso Solano para ser curador do selo Fantasy, na vaga aberta com a ida de Raphael Draccon para a Rocco. Solano, que tem mais de 30 mil seguidores no Twitter, é o criador do podcast “Matando robôs gigantes”, no site Jovem Nerd. E já está pensando em usar a web a seu favor.

— Vamos fazer um concurso pela internet para escolher um novo autor de fantasia. A editora estava com muitos originais recebidos, e essa interação será um jeito de resolver isso — conta ele.

Há casos em que a pressão dos leitores pesa mais até do que as vendas. No ano passado, por exemplo, a Sextante havia lançado “Como se livrar de um vampiro apaixonado”, da americana Beth Fantaskey. As vendas não haviam sido muito expressivas, lembra Mariana de Souza Lima, editora do selo Arqueiro, mas a reação dos leitores foi tão boa que a empresa resolveu publicar a sequência.

— Aprendemos muito com o Paulo Coelho [autor da Sextante], que tem uma presença muito forte nas redes sociais. Trata-se de um filtro superespecializado, porque falamos com pessoas que também vão comprar o livro — diz Mariana.

A Sextante mantém um grupo no Facebook chamado “Romances de época”, que reúne fãs do gênero histórico, normalmente mulheres. Recentemente, recebeu blogueiras na editora, com sugestões de dez autoras para serem publicadas. Sem revelar nomes, Mariana afirma que decidiu comprar duas.

— É um mercado que cresceu tanto, que é difícil para um scout mapear tudo. Tem muita coisa que escapa. Também porque os scouts estão focados nos lançamentos mais disputados. Mas há séries que não têm tantos holofotes. São leitores especializados, têm um olhar muito valioso. E trazem opiniões sempre fortes e bem fundamentadas — diz Julia Moritz Schwarcz, publisher do selo Seguinte, da Companhia das Letras.

Julia lembra que, com o olhar dos leitores de hoje, dificilmente a Companhia das Letras teria perdido a chance de publicar Harry Potter no fim dos anos 1990. Em um caso já folclórico do mercado editorial brasileiro, a editora rejeitou o original, depois de receber um parecer negativo — e o sucesso de vendas caiu nas mãos da Rocco. Hoje, diz a publisher, os pareceres do selo Seguinte são encomendados a leitores da faixa etária do livro em questão.

Tradução por e-mail

Julia destaca ainda que a influência das redes sociais chega mesmo à produção gráfica. Como se trata de um público que gosta de colecionar, às vezes os leitores sugerem até o formato. Foi o caso dos romances da série “Bloodlines”, que surgiu a partir de “Academia de vampiros”. Os leitores pediram que os novos livros tivessem 23cm x 16cm, para “ficarem bonitos” na estante. No segmento de infantojuvenis, também já é comum a escolha da capa passar pelo crivo do público. A Rocco, por exemplo, lançou “O chamado do cuco”, da inglesa J. K. Rowling com a mesma capa da edição britânica, a pedidos.

Danielle Machado, editora da Intrínseca, lembra até que já recebeu e-mail com uma tradução prontinha de um livro inteiro. E conta que há casos em que a agenda de lançamentos também é influenciada por pedidos. Com o livro “A casa de Hades”, do americano Rick Riordan [o sexto mais vendido de 2013 entre os infantojuvenis, segundo o portal de notícias do setor Publishnews], a Intrínseca precisou correr para lançar o romance ao mesmo tempo que nos Estados Unidos.

— É uma coisa que eles sempre pedem. É difícil, porque precisamos receber os originais bem antes. Mas a força dos fãs até nos ajuda a negociar esse tipo de acordo com os agentes — diz Danielle.

Por Maurício Meirelles | Publicado originalmente em O Globo | 24/12/2013 | © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Mercado editorial brasileiro: crescimento e cultura digital


Segundo dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, lançada em 2012, há 88,2 milhões de leitores no país, de um total de 178 milhões de brasileiros com mais de cinco anos de idade. São considerados leitores, segundo um critério internacional, pessoas que leram pelo menos um livro nos últimos três meses. E apesar de o número de leitores ter diminuído em relação à última pesquisa realizada em 2007, os resultados registram que 49% dos atuais leitores afirmam estar lendo mais do que leram no passado. Esse aumento do volume de leitura pode explicar o crescimento das vendas de livros nos últimos anos. Segundo a última edição da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, divulgada em julho de 2012, as editoras brasileiras tiveram um aumento de 7% nas vendas com relação a 2010. No período, também houve um aumento do número de publicações em torno de 6%.

E a diversidade marca esse panorama: com quase 500 editoras atuantes no mercado, sejam nacionais, internacionais ou de capital misto, e também com muitos autores nacionais conceituados, o mercado no Brasil tende a crescer. “O mercado editorial brasileiro vem crescendo e se profissionalizando, acompanhando o desenvolvimento econômico do país sobretudo nos últimos 20 anos. Isto se revela no aumento do número de editoras e livros publicados, assim como do padrão de qualidade dos serviços e produtos; no interesse crescente dos grandes grupos internacionais pelo mercado interno; na maior visibilidade que os autores brasileiros vem conquistando no exterior; e no oferecimento de cursos específicos voltados para trabalho editorial”, analisa o editor Cide Piquet, da Editora 34.

Projetos editoriais para públicos diferentes

Ao lado das grandes editoras, como a Companhia das Letras, Objetiva e Martins Fontes, por exemplo – com catálogos grandes e heterogêneos – destacam-se no também aquelas de perfil mais específico, como é o caso da Cosac Naify. “Ocupamos um nicho de mercado de livros de alta qualidade editorial, respondendo por um catálogo de valor literário e de referência para as distintas áreas em que atuamos. Nosso público vem do meio cultural e universitário, leitores exigentes em geral”, explica Florencia Ferraria, diretora editorial da Cosac Naify.

O público acadêmico é também um dos principais leitores da Editora 34, que tem um catálogo focado nas áreas de filosofia contemporânea, sociologia, estudos literários, música e literatura, tanto nacional como estrangeira. Outro exemplo de editora com perfil específico é a Zarabatana Books, voltada para a publicação de quadrinhos autorais, cujo público vai além dos leitores habituais de HQs. “Do ponto de vista de nossa linha editorial, vejo o mercado brasileiro em grande expansão, com o surgimento de novos talentos nacionais assim como a publicação de HQs de diversas partes do mundo, tanto de clássicos como de novos autores. Atualmente existe também o reconhecimento e a valorização dos quadrinhos por entidades públicas brasileiras, através de programas de apoio à edição e compra de obras para bibliotecas escolares”, diz Cláudio Martini, editor da Zarabatana Books.

Nesse mercado de nichos, não se pode esquecer das pequenas editoras, que publicam jovens escritores, como é o caso da Não Editora, da Patuá, da Demônio Negro e d’A Bolha, entre outras. Essas editoras têm um papel bastante importante não só em lançar nomes, que mais tarde irão se fixar no mercado em editoras de maior porte, mas também em criar um público para as novas gerações de escritores.

Formato digital

Não há como falar hoje em mercado editorial sem pensar nos livros digitais. Ainda recentes no Brasil, os e-books já começam a trazer resultados para as editoras. A primeira empresa de tecnologia para leitura digital a entrar no mercado brasileiro foi a Kobo, em parceria com a Livraria Cultura. Hoje, porém, livros digitais em português podem ser adquiridos na Amazon, Apple e Google. E as principais editoras do país já colocaram o pé no digital: a Companhia das Letras, por exemplo, tem um catálogo de mais de 600 e-books, incluindo literatura brasileira e estrangeira. Rocco, Objetiva, Record e Zahar também oferecem um catálogo grande e variado de publicações digitais.

Para entrar nesse mercado, em 2011, a Editora 34 fez uma experiência: lançou a Nova antologia do conto russo, na íntegra e em e-book, mas também em partes, ou seja, cada conto poderia ser comprado separadamente. “A recepção foi muito boa. O conto Depois do baile, de Tolstói, chegou a ficar na lista dos mais vendidos da Livraria Cultura”, conta Piquet. Entre os critérios da editora para a escolha dos títulos para publicação digital estão a relevância do título, a viabilidade do contrato e a adequação ao formato. Fazem parte das próximas ações digitais da 34 o lançamento de títulos de não-ficção e também de títulos esgotados no catálogo convencional.

Mais recentemente, em abril deste ano, a Cosac Naify lançou seus primeiros e-books. “Nossas edições procuram trabalhar com os melhores tradutores e oferecer aparatos de especialistas do tema, além de material extra para que o leitor possa ampliar seu conhecimento em relação ao texto principal. Parte desse material editorial se mantém nos e-books”, esclarece Florencia Ferraria.

O papel das feiras

Se por um lado o mercado está aquecido, por outro, ainda há um grande desafio: conquistar um público leitor maior. Além das escolas e universidades, cumprem parte desse papel as Feiras do Livro e eventos literários, como a Festa Literária de Paraty, no Rio de Janeiro; a Jornada Literária de Passo Fundo e a Feira do Livro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; a Bienal do Livro e a Balada Literária, ambas em São Paulo. São eventos que aproximam leitores e autores em palestras e sessões de autógrafos.

Não menos importantes são as feiras no exterior, que contribuem para a internacionalização dos autores brasileiros e também como cenário comercial para as editoras nacionais. “Para nós, mais do que uma oportunidade de realizar negócios, a participação em feiras importa como momento intenso de relacionamento com parceiros e de abertura de projetos para o futuro. O interesse pela literatura brasileira, em especial contemporânea, vem crescendo”, relata Florencia Ferraria.

As feiras também são importantes para os editores que buscam autores de outros países para tradução. A editora Cosac Naify, por exemplo, tem 32 obras traduzidas do alemão para o português, enquanto a Editora 34 já contabiliza 30 obras cujo original é alemão. “Em virtude da Temporada Alemanha – Brasil 2013/2014, temos mais cerca de seis títulos previstos para breve. O programa de apoio à tradução e as parcerias com o Instituto Goethe, de modo geral, são um grande incentivo para a realização de um projeto como esse”, afirma Piquet. Com a participação do Brasil como país convidado da Feira do Livro de Frankfurt em 2013, esse diálogo entre os mercados editoriais tende a crescer, ampliando o número de traduções e aquecendo o mercado de ambos os países.

Por Camila Gonzatto | Goethe Institut | Publicado originalmente em Brasil que Lê | 06/07/13

Resenhas literárias de amadores na internet atraem leitores e abrem filão para editoras


POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Todo mês, 75 mil pessoas acessam os vídeos em que o paulista Danilo Leonardi, 26, comenta livros. A carioca Ana Grilo, 37, diz ler até 150 títulos por ano para seu blog de resenhas, escrito em inglês. O americano Donald Mitchell, 66, já publicou 4.475 resenhas na Amazon – por parte delas, levantou R$ 70 mil, doados para uma ONG beneficente.

Os três são personagens de um movimento que, nos últimos anos, chamou a atenção de editoras e virou negócio: o de críticas de livros feitas na internet por amadores, que, com linguagem mais simples, atraem milhares de leitores.

Com o aumento na venda de e-books, a expansão da autopublicação e a concorrência ferrenha entre editoras, textos escritos por hobby ou por até R$ 1.000 tornaram-se uma alternativa de divulgação capaz de atingir nichos e multiplicar vendas de livros.

Nos EUA, páginas como o Hollywood Book Reviews e o Pacific Book Review cobram de autores e editoras de R$ 250 a R$ 800 por textos a serem publicados em até 26 sites, incluindo seções de comentários de lojas virtuais.

Fonte: Editoria de Arte Folhapress

Fonte: Editoria de Arte Folhapress

Editoras estrangeiras passaram, em meados da década passada, a enviar livros para blogueiros resenharem, tal como já faziam com a imprensa. Em 2009, casas como Record e Planeta importaram a ideia, que logo ganhou jeitinho brasileiro: concursos tão disputados quanto vestibulares.

Nesse formato, as editoras criam formulários de inscrições e selecionam blogs após criteriosa avaliação da audiência e da qualidade dos texto. O “pagamento”, ressaltam editoras e blogueiros, são apenas os livros a serem avaliados, nunca dinheiro.

No fim do ano passado, 1.007 blogueiros concorreram a cem vagas de parceiros da LeYa. Na Companhia das Letras, foram 779 candidatos para 50 vagas no semestre.
autorregulamentação

Aqui e no exterior, editoras e autores investem em anúncios ou posts patrocinados em blogs, que com isso chegam a faturar R$ 2.000 por mês.

Mas, no geral, cobrar por resenhas pega mal, e a autorregulamentação dos blogueiros é implacável. O blog americano ChickLitGirls cobrava R$ 200 por uma “boa avaliação” até ser denunciado por uma escritora. O bate-boca subsequente levou à extinção da página, em 2012.

Para se manter com cobranças, só mesmo sendo rigoroso, como a Kirkus, tradicional publicação de resenhas que, em 2004, passou a oferecer serviço de marketing para autores autopublicados.

As críticas no site podem custar mais de R$ 1.000 a autores e editoras interessados, e nem sempre são positivas. Quem contratou o serviço pode ler antes e abortar a missão caso a avaliação seja ruim. O dinheiro não é devolvido.

POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

2012: O ano das mulheres e dos eBooks


O ano de 2012 será lembrado no mercado editorial pelos romances “pornô soft” para mulheres, com “50 tons de cinza” [Intrínseca] à frente, e também pela chegada das gigantes dos ebooks [Amazon, Google e Apple] ao Brasil. Enquanto o subgênero inaugurado pela britânica E.L. James se revelou um enorme sucesso de público [apesar do nariz torcido da crítica], trazendo na esteira diversos seguidores — que ora repetem a fórmula consagrada, ora apelam para a paródia —, a história dos livros digitais ainda contém mais dúvidas do que certezas.

Cinquenta tons de cinza

Cinquenta tons de cinza

Os livros “50 tons de cinza”, “50 tons mais escuros” e “50 tons de liberdade” narram a relação entre a ingênua e inocente Anastasia Steele e o dominador Christian Grey. Lançado em julho, o primeiro título vendeu 1,13 milhão de exemplares no país. Somados, os três venderam 2,37 milhões de cópias. Na mesma linha de romance com apimentadas cenas de sexo e sadomasoquismo, os livros “Toda sua” e “Profundamente sua” [Editora Paralela], de Sylvia Day, alcançaram a marca de 120 mil exemplares vendidos. O último livro da série, “Para sempre sua”, tem previsão de lançamento para maio de 2013. Outros exemplos de títulos que apostaram no “pornô soft” são “Luxúria” [Leya], de Eve Berlin, e “Falsa submissão” [Record], de Laura Reese. E para beliscar uma fatia desse mercado houve quem apostasse inclusive na paródia, como “50 tons do Sr. Darcy” [Bertrand Brasil], de Emma Thomas.

Entre os ebooks, E.L. James também foi sucesso com 53 mil edições comercializadas. Isso num mercado que só agora começa a amadurecer: na primeira semana de dezembro, a Livraria Cultura lançou o ereader Kobo, o Google iniciou sua operação de livros digitais e a Amazon, finalmente, estreou. Além delas, a Apple já tinha começado a vender ebooks na sua iBookStore em outubro.

Kindle

Kindle

No entanto, nem tudo foi festa para os leitores. Os ereaders caros e o preço das edições digitais decepcionaram. O Kobo sai por R$ 399, enquanto o Kindle, da Amazon, só é oferecido no modelo mais simples, por R$ 299. Nos Estados Unidos, o mesmo aparelho custa US$ 69. Como só está com a operação digital no Brasil, a Amazon fez parcerias para vender o seu ereader em lojas físicas e virtuais nacionais: com a Livraria da Vila, em São Paulo, e o site PontoFrio.com.

No caso dos ebooks, o desconto em relação à edição de papel fica, em média, entre 20% e 30%. Os leitores esperavam preços mais atraentes. Os descontos foram um ponto de atrito das editoras com a Amazon — a loja queria preços mais agressivos, as editoras não aceitaram. Porém, o impacto que os ebooks provocarão nos negócios e na própria vendagem de livros físicos só será sentido ao longo de 2013.

Por Leonardo Cazes | Globo.com | 28/12/2012

Catálogo digital de editoras mais que dobrou em 2012


Empresas agora buscam lançar simultaneamente em papel e e-book; mercado oferece 15 mil títulos nacionais

Levantamento da Folha com 12 das maiores casas do país mostra reação à estreia de lojas virtuais estrangeiras

O ano que está acabando vai entrar para a história como aquele em que as grandes editoras brasileiras enfim descobriram o livro digital.

Foi um longo percurso desde 2009, quando a Zahar se tornou a pioneira entre as grandes no segmento -àquela altura só com títulos em PDF, formato simples que hoje as empresas rejeitam.

Com a iminência da estreia das lojas da Amazon, do Google e da Apple, concretizada neste mês, as editoras trataram de multiplicar seus catálogos digitais em 2012.

A Saraiva, que em dezembro de 2011 vendia 6.500 e-books nacionais, agora oferece 15 mil, média similar à de suas novas concorrentes.

A Folha consultou 12 das maiores editoras do país sobre a evolução de seus catálogos. Sete delas [Globo, Sextante, LeYa, Companhia das Letras, Intrínseca, Objetiva e Novo Conceito] mais que dobraram seu número de títulos digitais em 2012 -a Companhia triplicou, de 200 para 600.

A Zahar, que começou antes, é a editora com maior parcela de títulos convertida, 547 de um total de 849 [64%]. A LeYa vem em seguida, com 150 de seus 280 títulos [54%].

Será mais difícil para casas de catálogo rechonchudo como a Record, que, apesar do bom número bruto – 388 obras em e-books -, só converteu 5% dos 7.500 que compõem seu portfólio.

Outra novidade foi que em 2012 as editoras passaram a lançar títulos nos dois formatos sempre que o contrato permite, em vez de reservar o digital para casos isolados.

O faturamento com o digital não costuma passar de 2% do total, mas há exceções. Com só um quarto de seu catálogo convertido [293 de 1.200 títulos], a Objetiva diz que os e-books já rendem 4% de seu faturamento total.

Esse número foi impulsionado por obras como “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Em dez semanas, foram 1.435 e-books -número que não faria feio nem se se referisse a livros impressos.

No mesmo período, o título teve 13.958 cópias vendidas na versão em papel. Ou seja, a comercialização do e-book equivaleu a mais de 10% da impressa, um caso raro.

O desafio agora é lidar com preços. Na estreia da Amazon no Brasil, predominaram entre os mais vendidos editoras independentes, com e-books a menos de R$ 5 – a KBR pôs todos a R$ 1,99. A maioria dos e-books das grandes editoras custa de R$ 20 a R$ 30.

Editoria de Arte Folhapress

RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | QUARTA-FEIRA, 26 DE DEZEMBRO DE 2012, às 09H08

Ligação direta com o leitor


Com a popularização de ferramentas para produção e venda de ebooks e o sucesso de obras lançadas sem mediação de grandes editoras, escritores investem na autopublicação, que dá nova cara ao mercado, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas

Até o meio da semana, a segunda posição da lista de ebooks mais vendidos pela Amazon nos Estados Unidos era ocupada por “Stop the wedding!”, romance da americana Stephanie Bond. O livro, sobre como uma advogada e um investidor tentam impedir seus pais de se casarem mas acabam se apaixonando, foi lançado em novembro. Ele não existe em versão física e, até o momento, não está à venda em outro lugar que não seja o site da Amazon. Sua editora é uma tal NeedtoRead Books, casa que tem em seu catálogo 16 livros. Todos de Stephanie Bond. O que a autora tem feito é utilizar os recursos da Amazon para lançar seus próprios livros, sem a necessidade de uma grande editora como intermediária. Ela é um dos mais recentes exemplos da popularização de uma prática que está transformando o mercado editorial: a autopublicação.

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Casos como o de “Stop the wedding!” vêm se repetindo. Ao longo de 2012, foi comum a inclusão, na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”, de livros lançados pelos próprios autores. Foram obras como “Slammed”, de Collen Hoover, “Playing for keeps”, de R.L. Mathewson, ou “Training Tessa”, de Lyla Sinclair. Elas existem porque a Amazon tem um sistema que permite a qualquer pessoa colocar um ebook à venda no site. Em geral, são livros baratos [“Stop the wedding!”, por exemplo, custa US$ 0,99], com temas que “variam” da comédia romântica ao drama romântico, com especial destaque para o erotismo romântico — a sensação do ano, a trilogia erótica “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, foi publicada pela primeira vez pela própria autora num fórum de fãs de “Crepúsculo”, antes de a editora Vintage Books lançá-la nos moldes tradicionais.

Mas há livros de turismo, acadêmicos, de fantasia ou reportagens sendo “autopublicados” com sucesso, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas. Eles representam uma democratização no acesso a um mercado antes restrito [qualquer desconhecido que já tentou publicar um livro por uma editora sabe da dificuldade que é ter seus originais aceitos] e um desafio para as editoras.

— Com a autopublicação, qualquer um, empresa, universidade ou autor, pode se tornar sua própria editora. Se as grandes casas editoriais não se mexerem, elas certamente serão afetadas por esse panorama — afirma Harald Henzler, diretor-geral da empresa alemã de consultoria para negócios digitais Smart Digits.

A história da autopublicação remonta às origens do mercado editorial. No século XIX, era comum autores que depois teriam sucesso bancarem a publicação de seus próprios livros. No século XX, mimeógrafos foram constantemente utilizados para a reprodução de livros de escritores que não conseguiam contratos com editoras ou não tinham autorização para lançar suas obras por questões políticas. Com a popularização da internet, há pouco mais de uma década, jovens autores lançaram romances em sites ou blogs. Mas o que todos queriam mesmo era um contrato com uma editora, o que possibilitaria que um livro chegasse a uma grande livraria com destaque, tivesse uma divulgação organizada e, por consequência, ganhasse mais leitores.

A diferença, hoje, é que se pode ter tudo isso por conta própria, até mesmo de uma maneira profissional. Na esteira do serviço de autopublicação da Amazon, surgiram empresas que oferecem aos autores um pouco da expertise de uma editora. Antes de pensar em lançar seu livro, o autor pode contratar a revisão, a produção da capa, a conversão do texto para o formato digital e até mesmo a edição do texto. Um livro autopublicado pode, sim, ter um tratamento tão bom quanto o oferecido por uma editora tradicional. O que ele não vai ter é a marca. E isso, para muita gente, ainda faz diferença.

— A editora sempre vai ter um peso, ao menos o peso da credibilidade — diz Ana Paula Maia, que, antes de se tornar uma escritora reconhecida, já pagou parte da publicação de “O habitante das falhas subterrâneas” em 2003, pela 7Letras [o livro será relançado na semana que vem pela editora Oito e Meio] e também publicou um romance inteiro num blog [“Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, de 2006, posteriormente lançado pela editora Record]. — Existe um valor grande agregado a uma grande editora. Ela indica para os leitores um padrão de qualidade, mas o que também não quer dizer que você é um grande autor só por estar numa editora. Neste mundo novo, acho que a editora vai ter um papel mais opinativo. Não vai ditar mais as regras, mas vai ser um filtro.

‘A marca das editoras é muito forte’

A questão é que, neste mundo novo descrito por Ana Paula, as editoras tradicionais estão tentando seguir essa estrada da autopublicação. Em julho, a Penguin comprou por US$ 116 milhões a Author Solutions, uma das principais plataformas de autopublicação na web dos EUA. O trabalho da Author Solutions consiste exatamente em oferecer a autores os recursos necessários para lançar seus livros com uma roupagem de qualidade: em seu site, a empresa fundada em 2007 diz já ter “ajudado mais de 100 mil autores a publicar mais de 170 mil títulos e alcançar seus objetivos editoriais”.

Antes, a própria Penguin já havia lançado um braço próprio para oferecer a autores a possibilidade de autopublicação, ideia que foi seguida por outras editoras, como a Random House.

— As editoras enxergam a autopublicação como uma forma de descobrir novos autores e testar novos conceitos — diz o americano Greg Bateman. — Mas elas não vão perder terreno com a prática. Com os livros digitais, haverá um espaço grande para todos crescerem. O futuro é muito bom para todos.

Bateman participou da equipe que desenvolveu o Kindle, o leitor digital da Amazon lançado em 2007, e é o criador do Vook, uma plataforma de produção de ebooks. Desde o início deste ano, ele está morando em São Paulo, justamente por acreditar que há um terreno fértil no Brasil para o crescimento do livro digital. Na próxima terça-feira, às 19h30m, ele estará no Oi Futuro do Flamengo, para participar do evento Zona Digital, em que vai abordar o tema do “livro aplicativo”.

— No Brasil, a marca das editoras é muito forte. Mas o poder do automarketing, de redes sociais como Facebook e Twitter, também é muito forte. Então as marcas não são mais 100% necessárias para vender livros. É preciso buscar outras formas, e é isso que os profissionais que lidam com autopublicação estão fazendo — afirma Bateman.

Um dos pilares da autopublicação está em se libertar do que seriam as amarras do mercado. Um autor que paga por sua obra não precisa esperar na fila de uma editora, muito menos precisa ouvir opiniões de um editor [muitas vezes duras, mas também reais] sobre seu livro. Para ele, vale a divulgação pela internet, em redes sociais e sobretudo nas resenhas escritas pelos próprios leitores [e, claro, por que não?, por amigos e parentes] no site da Amazon.

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De acordo com um relatório da Bowker, a agência que cuida dos registros americanos do ISBN, cerca de 87 mil ebooks foram publicados por seus próprios autores nos EUA, um número 129% maior do que o de 2006, antes de o Kindle ser lançado. Só que lançamento ainda não é sinônimo de venda. Por enquanto, a maioria dos livros de autopublicação não é comprada por mais de cem leitores.

— Uma editora tradicional sabe como trabalhar um livro comercialmente, tem todo um conhecimento que não pode ser menosprezado — afirma Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras. — Minha impressão é que a Amazon tinha a expectativa de que a autopublicação fosse estourar e dar certo muito rápido. Mas não aconteceu com a velocidade que esperavam, e a própria Amazon acabou lançando uma editora nos moldes tradicionais.

Marques da Costa argumenta, ainda, que o que vem ocorrendo hoje com o sucesso de algumas obras publicadas de forma independente é mais um fenômeno de nicho do que uma ameaça ao formato consagrado pelas editoras.

— Esses grandes fenômenos de autopublicação costumam ser romances femininos ou eróticos. Raramente algo diferente aparece. Mas, mesmo nesses casos, geralmente os autores acabam assinando depois com as grandes editoras, como foi o caso do “Cinquenta tons de cinza” — diz ele. — Para o leitor, o julgamento de uma grande editora, do que deve ou não vir a público, é muito importante.

Na última quarta-feira, a versão em ebook de “Cinquenta tons de cinza”, lançada no Brasil pela editora Intrínseca, estava em sexto lugar na lista dos mais vendidos no site brasileiro da Amazon. Já em sétimo, logo atrás do maior sucesso de 2012 no mercado editorial, aparecia um livro chamado “Paris para principiantes”, um guia de viagem com texto e fotos de Paulo de Faria Pinho.

‘A filosofia é outra’

Ao preço de R$ 1,99, “Paris para principiantes” foi lançado pela KBR, uma empresa com 91 títulos no catálogo, em que os próprios autores pagam pela publicação de seus livros. A sede da KBR fica em Petrópolis, região serrana do estado do Rio, na casa de sua fundadora, CEO, única funcionária e uma de suas principais autoras, Noga Sklar.

— O jogo ficou aberto para todo mundo. Antes da chegada da Amazon, a KBR não era nada. Agora, estou aqui pensando no que vai ser o futuro da empresa — explica Noga. — Até agora, o editor era aquele santo no altar, ninguém conseguia falar com ele. Eu como autora sempre fui maltratada, sofria rejeição. Mas há milhões de outras saídas, não precisa ficar na fila de uma editora por três anos, esperando alguma coisa acontecer.

Também no site brasileiro da Amazon, um dos livros mais vendidos dentro da categoria “erótico” é “Sem graus de separação”, um dos oito já lançados por Noga. A KBR foi criada justamente para levar à Amazon americana os livros de sua fundadora e cresceu quando ela passou a ser procurada por outros autores interessados em oportunidades semelhantes de levar sua obra para o público. Noga costuma chamar seus autores de “sócios” da empresa, já que eles financiam boa parte do trabalho de produção.

— Se as grandes editoras não perceberem que o negócio mudou, elas vão ter problemas. A filosofia é outra. Essa coisa de as editoras fazerem tiragem vai acabar. Elas também vão ter que começar a olhar mais para as redes sociais e outros canais de promoção. O que a Amazon faz melhor é tratar bem o consumidor. É tudo personalizado. Eles te chamam pelo nome, sabem seu gosto. E permitem que você compartilhe suas impressões sobre um livro em avaliações que têm tanto valor quanto a de qualquer profissional — diz Noga.

Porém, mesmo com o bom resultado de “Paris para principiantes” na lista de mais vendidos da Amazon, havia até o meio da semana uma única avaliação de consumidor sobre o livro. “O ‘Paris’ de Paulo Pinho é uma caixa de surpresas e uma joia de livro, com crônicas deliciosas, lindas fotos do próprio autor e dicas inusitadas”, diz a resenha, acompanhado da cotação máxima de cinco estrelas, escrita pela própria Noga Sklar.

Definitivamente, uma característica fundamental do universo da autopublicação é saber vender o próprio peixe.

Por André Miranda | Publicado originalmente em O Globo | 15/12/2012

Com livros digitais, Amazon inicia operação no Brasil


A Amazon acaba de iniciar suas operações no Brasil, após ter assegurado o catálogo digital das mais importantes livrarias do país.

A empresa fechou na semana passada acordos com a Companhia das Letras e com a Intrínseca, editora que detém o título “Cinquenta Tons de Cinza”, um dos mais vendidos no momento.

Há duas semanas, a empresa já tinha firmado acordo com a DLD [Distribuidora de Livros Digitais], que reúne as editoras Sextante, Rocco, Objetiva, Record, Novo Conceito, LP&M e Planeta.

O site brasileiro da Amazon estreou apenas com livros digitais e mais o leitor Kindle. A empresa prevê montar uma operação completa de e-commerce, mas ainda não há data para isso.

O Kindle Fire, tablet da Amazon, que iniciou suas operações no Brasil nesta quinta-feira

O Kindle Fire, tablet da Amazon, que iniciou suas operações no Brasil nesta quinta-feira

O acordo da Companhia das Letras com a Amazon acontece um mês depois de a editora assinar com a iBookstore, da Apple.

O catálogo digital da Companhia das Letras já soma 537 títulos. Até o fim deste mês serão 600 – três vezes mais do que em janeiro.

As vendas de janeiro a outubro já superam em duas vezes as vendas de livros digitais do ano passado.

Dos 400 livros digitais lançados neste ano, cerca da metade é novidade, e metade é livro de catálogo.

Em um comunicado enviado para a imprensa, a Amazon ressalta que oferece mais de 1,4 milhão de eBooks aos consumidores brasileiros com preços em reais, incluindo mais de 13 mil eBooks em português.

Estamos entusiasmados em lançar esta nova Loja Kindle para consumidores brasileiros que oferece os best sellers mais populares de muitos dos grandes escritores brasileiros, todos com preço em reais“, diz Alexandre Szapiro, vice presidente do Kindle do site da Amazon no Brasil.

A empresa anuncia ainda que o Kindle será vendido no país, mas não definiu a data de início das vendas. O preço sugerido ao varejo será de R$ 299.

“Com o lançamento dos aplicativos de leitura gratuitos do Kindle em português, qualquer pessoa com um smartphone ou tablet Android, iPhone ou iPad, PC ou Mac pode começar a ler os eBooks Kindle hoje”, conclui Szapiro.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 06/12/2012, às 15h55

Amazon vaza imagens do ‘Kindle brasileiro’


Ilustrações do site promocional do leitor digital estão no site da loja

Imagens do Kindle brasileiro estão escondidas no site da Amazon Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/amazon-vaza-imagens-do-kindle-brasileiro-6932073#ixzz2ECFYKnbP © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Imagens do Kindle brasileiro estão escondidas no site da Amazon

RIO | Em mais um episódio que mostra a proximidade da chegada da Amazon no Brasil, o site da loja virtual deixou vazar links com imagens promocionais do Kindle brasileiro, incluindo o logotipo “Amazon.com.br”. São traduções para o português das ilustrações da página de apresentação do leitor digital.

Em uma das imagens, é possível ver as opções “eBooks por menos de R$ 4,99” e “eBooks por menos de R$ 9,99”, mostrando que o leitor terá opções de livros baratos. Em outra imagem, uma passagem to livro “As Valkírias”, de Paulo Coelho. As imagens foram publicadas primeiramente pelo blog do Jotacê.

Na sexta-feira passada, a loja virtual fechou acordo com três grandes editoras nacionais: Companhia das Letras, Globo Livros e Intrínseca. A Amazon já havia assinado contrato com a DLD, que representa as editoras Rocco, Sextante, Objetiva, Planeta, LP&M e Record.

Globo.com | 04/12/2012 | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Amazon divulga domínio .br e deve chegar ao País


O endereço ‘amazon.com.br’ pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará

SÃO PAULO | A chegada da Amazon ao Brasil, especulada para o mês de dezembro, parece estar mesmo iminente: a empresa enviou a autores e editores um e-mail de confirmação com o endereço amazon.com.br – domínio brasileiro da gigante do varejo.

A mensagem foi revelada pelo escritor David Gaughran, que postou a imagem  em seu Twitter. O e-mail foi enviado autores e editoras recém-cadastradas no Kindle Direct Publishing, o programa de publicação próprio da empresa.

amazon.com.br

O site ‘amazon.com.br’ antes pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará. A varejista, no entanto, venceu a disputa pelo domínio em setembro. A empresa paraense mudou seu site para www.amazonet.com.br.

A divulgação do novo domínio reforça rumores de que a empresa chegaria ainda neste ano.

Por aqui, a empresa acaba de selar acordos com a Companhia das Letras, além de outros já firmados com a Distribuidora de Livros Digitais – que agrega Rocco, Novo Conceito, Planeta, Objetiva, Record, LPM e Sextante, Ediouro e Globo Livros.

A Cia das Letras afirmou em comunicado que seu catálogo de livros digitais – mais de 500 títulos – estarão acessíveis “em breve” nos leitores eletrônicos da Amazon, o Kindle.

Concorrência

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. | Foto: Eric Thayer/REUTERS

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. | Foto: Eric Thayer/REUTERS

Em outubro, a loja virtual da Apple já começou a comercializar livros para brasileiros – além dos clássicos gratuitos do Project Gutenberg. Desde julho, o Google anunciava sua chegada ao País. No último mês, soube-se concretamente de acordos selados entre a empresa americana e editoras, mas não se confirma ainda a data de estreia do serviço no País.

Neste mês, a canadense Kobo [pertencente à japonesa Rakuten] fincando os pés no Brasil com sua parceria com a Livraria Cultura, anunciou o início das vendas do seu leitor eletrônico, previsto para o início de dezembro. O e-reader pode ser encomendado pelo site da livraria por R$ 399.

Conforme apuramos em julho, o mercado brasileiro já se prepara para a chega iminente da varejista americana, mas se mostra confiante. O presidente da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, à época dizia que não temia a sobreposição dos e-books ao livros tradicionais. “Ela vai ter de competir com todos nós, que já temos experiência com o Brasil. Vai ter de lidar com rua esburacada, tributos, deficiência dos Correios, malha logística insuficiente. Por isso digo que o serviço de entrega da Amazon não vai ser melhor do que o do resto do mercado”, afirmou. “Tem muito livro físico para se vender no Brasil para podermos discutir se o digital vai ser mais importante”.

Por Redação Link | 30 de novembro de 2012, às 20h44

Livro digital estimula novos gêneros e outro perfil de leitor


“Certos gêneros podem ter um desempenho acima da curva no formato digital”, diz Roberto Feith, da Objetiva e da DLD

Talvez não seja tão picante quanto “50 Tons de Cinza” ou violento como “As Crônicas de Gelo e Fogo”, mas a saga do livro digital no Brasil também reserva uma carga de emoção para seus próximos capítulos: à medida que novos personagens finalmente entram na história, como a Amazon, a expectativa é de mudanças também no perfil de leitor e, consequentemente, no padrão de consumo, com a ascensão de gêneros como ficção científica e mistério e uma maior oferta de textos como ensaios e grandes reportagens.

Essa é a aposta de Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva e presidente do conselho da DLD [Distribuidora de Livros Digitais, empresa que representa as editoras Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin]. “Estamos efetivamente à beira do ponto de inflexão do consumo do livro digital no Brasil. Agora ele vai começar a representar uma parcela significativa do mercado.”

A DLD acaba de fechar acordos com a Amazon e com o Google – “a expectativa é que estreiem antes do Natal“, diz Feith. Na segunda, a Livraria Cultura deu início das vendas do leitor Kobo. E na semana passada, a Objetiva lançou um selo exclusivo para obras digitais.

O diferencial do selo Foglio está no tamanho dos textos: a ideia é publicar obras de até 15 mil palavras. Trata-se de uma estratégia que já vem sendo adotada nos últimos dois anos por editoras como Random House, Penguin e Pan Macmillan. No Brasil, a meta é utilizar as vantagens do formato digital para popularizar gêneros que não têm muito espaço no meio impresso tradicional.

Um deles é o ensaio, conta Arthur Dapieve, editor de não ficção nacional da Objetiva e do selo Foglio. “Atualmente, eles estão limitados a revistas de fundo educacional. Podemos ajudar a tirá-lo da invisibilidade.

Outra aposta é relacionada a grandes reportagens sobre temas em destaque no noticiário – “o ‘instant book’ nunca deu certo no Brasil”, comenta Dapieve. São textos que precisam de mais espaço do que o disponível em jornais e revistas e de uma publicação mais ágil do que as editoras conseguem. Problemas superados com o livro eletrônico, acredita Feith. “No formato digital, é possível levar esse tipo de obra para o público em um intervalo de algumas semanas ou um mês“, afirma.

Na ficção, a ideia é que a oferta de textos curtos e mais baratos [os livros da Foglio custaram entre R$ 4 e R$ 8] facilitem o contato dos leitores com escritores que ainda não conhecem.

Mas isso não significa que a leitura nos livros digitais seja predominantemente de textos curtos. Segundo Feith, caso o Brasil siga uma tendência já observada em outros países onde equipamentos como Kindle e Nook estão mais disseminados, o que o mercado deve observar daqui para a frente é a ascensão de alguns gêneros, como ficção científica. Isso se deve a uma provável mudança no perfil do consumidor.

“O dispositivo de leitura mais comum até agora no Brasil é o iPad. É um produto relativamente caro [o de terceira geração custa a partir de R$ 1.549 no país] e, por isso, o consumidor do livro digital tende a ser de uma faixa etária mais alta, acima de 30 anos”, observa Feith. Isso explica, segundo ele, o fato de o livro eletrônico mais vendido na Objetiva atualmente ser “O Poder do Hábito” [Charles Duhigg]: “É um livro que tem relevância para pessoas interessadas em sucesso profissional”.

A chegada de outros aparelhos vem acompanhada de alguns fatores. Em primeiro lugar, eles têm um preço mais acessível: o Kobo é vendido por R$ 399, e a expectativa é que o Kindle custe aproximadamente R$ 550. Em segundo, está o fato de que eles servem apenas para a leitura, diferentemente do iPad, que tem várias funções.

“Quem compra um Kindle, por exemplo, é por definição uma pessoa que já lê muito”, afirma Feith. E, frequentemente, continua ele, esse consumidor é fã de algum gênero específico. Junte-se a isso o fato de que esse leitor terá mais facilidade para comprar no meio digital [tanto pelo preço quanto pela comodidade]. O resultado, segundo Feith, é uma maior demanda por livros de certos gêneros e temas [como a Segunda Guerra]. Agora é preciso ver se o Brasil seguirá o script.

Por Amarílis Lage, de São Paulo | Valor Econômico | 28/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Amazon assina contrato com as maiores editoras


Após cerca de três anos de negociações acirradas, a Amazon finalmente fechou acordo com as maiores editoras brasileiras para vender seus livros em formato digital, para leitura no Kindle. Na semana passada, a varejista americana assinou contrato com a DLD – empresa responsável pelos livros on-line da Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin. Além disso, está em negociações avançadas com a Companhia das Letras e a Globo Livros e mantém conversas com a Ediouro. A varejista americana também já tem em seu catálogo os livros da Melhoramentos, que edita as obras do escritor Ziraldo, segundo o Valor apurou.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 27/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Google e Amazon iniciam venda de livro digital no país até o Natal


A Amazon e o Google se preparam para iniciar a venda de livros digitais no Brasil nas próximas semanas. As duas empresas estão em fase de finalização de contratos com editoras brasileiras.

A Folha apurou que a intenção tanto de Amazon quanto de Google, por meio de sua loja Google Play, é iniciar as vendas antes do Natal e, possivelmente, antes do fim de novembro.

As empresas tentam manter o máximo de sigilo sobre a data exata da estreia e não revelam a informação nem aos principais fornecedores.

Após um ano e meio de negociações, a Amazon chegou nesta semana a um acordo com a Distribuidora de Livros Digitais, que reúne as editoras Sextante, Rocco, Objetiva, Record, Novo Conceito, LP&M e Planeta. O contrato será assinado nos próximos dias.

A DLD já firmou, recentemente, contratos com Apple, Google e Livraria Cultura.

KOBO

O fim deste mês coincide com a previsão de início das vendas do leitor digital Kobo pela Livraria Cultura, e a Amazon não quer ficar para trás na estreia da venda do Kindle como opção de presente de Natal.

O Google também corre para lançar seu tablet Nexus 7 no Brasil simultaneamente ao lançamento da sua livraria digital. O aparelho foi apresentado mundialmente em junho.

O Kobo, marca canadense adquirida pela japonesa Rakuten, é a principal arma da Cultura para tentar sobreviver à concorrência das gigantes americanas.

Procurados pela reportagem, Google e Amazon disseram que não comentam rumores ou especulações.

Neste momento, além da finalização de contratos, as editoras brasileiras estão testando a compatibilidade dos formatos dos livros digitais com os sistemas do Kindle e do Google Play [Android].

PREÇO

Os livros digitais deverão custar em média 70% do preço de capa do livro físico.

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, "facilitar a busca de livros relevantes"

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, “facilitar a busca de livros relevantes”

Enquanto o Google Play vende apenas conteúdo digital, a Amazon está investindo também em uma operação de comércio eletrônico no Brasil, com a venda de livros físicos e outros produtos. Mas essa operação não deve começar antes do primeiro trimestre de 2013.

A pressa da Amazon e do Google também está relacionada à concorrência com a Apple, que iniciou a venda de livros digitais brasileiros em outubro.

Neste primeiro momento, a iBookstore vende a partir de sua operação dos Estados Unidos, em dólar -o que implica cobrança de IOF [Imposto sobre Opeações Financeiras].

Mesmo em dólar e com imposto [livro no Brasil é isento], a Folha apurou que a iBookstore já vende mais livros digitais que os sites de Saraiva e Livraria Cultura somados.

POR MARIANA BARBOSA e MARIANNA ARAGÃO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | 15/11/2012 – 06h41

[Quase] Tudo pronto


Amazon Kindle

Amazon Kindle

A DLD, a distribuidora de livros digitais que reúne Rocco, Sextante, Objetiva e Record, finalmente se acertou com a Amazon. Há mais de um ano a varejista americana negocia, negocia, mas nada concluía. Agora, se acertaram. Só falta assinar.

Tudo caminha mesmo para que a Amazon faça sua estreia no Brasil entre o final deste mês e a primeira quinzena de dezembro. Inicialmente, venderá apenas e-books e o Kindle.

Por Lauro Jardim | Coluna Radar | Veja | terça-feira, 13 de novembro de 2012

Apfelstrudel de IOF


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

A Apple está vendendo livros digitais para leitores brasileiros desde o último domingo, como o site Revolução eBook noticiou em primeira mão. Pode-se concluir que foi aberta então a iBookstore brasileira? Na verdade não, pois os livros estão sendo vendidos diretamente dos Estados Unidos e em dólar. Ou seja, a Apple aplicou um jeitinho brasileiro para contornar as dificuldades fiscais e legais para comercializar e-books no Brasil, entre elas a legalidade ou não do modelo agência e a manutenção da isenção de impostos sobre o livro dentro do modelo digital de negõcio. O resultado, no entanto, não é uma iBookstore brasileira, mas uma janela de acesso aos livros brasileiros na iBookstore americana. Ao entrar na loja com livros em português da Apple, a sensação é semelhante àquela que se tem ao se entrar uma loja física de venda de produtos Apple no Brasil, uma daquelas “Apple Resellers”. Pode até lembrar uma Apple Store, mas está longe de ser uma. E assim como continuamos sem uma Apple Store de verdade no Brasil, provavelmente seguiremos sem uma iBookstore de verdade por aqui por algum tempo.

A Apple disponibilizou 3158 títulos em português para seus clientes brasileiros que acessam a loja pelo iTunes ou pelos aplicativos para iPhone e iPad. Este era o número na manhã de 23/10. Entre estes títulos, estão livros distribuídos pela Distribuidora de Livros Digitais, a DLD, o poderoso consórcio que reúne Objetiva, Record, Rocco, Sextante, L&PM, Planeta e Novo Conceito, que possui um catálogo de best-sellers estimado em 1500 títulos. Há também livros fornecidos pela distribuidora Xeriph, mas, ao contrário do que ocorre com a DLD, apenas algumas das editoras distribuídas pela agregadora carioca estão à venda na Apple, entre elas a Todolivro e a Boitempo. Intrínseca e Companhia das Letras, que estão comercializando seus livros digitais diretamente com a Apple, também marcam presença na loja da maçã. Em termos de tamanho de catálogo, merecem destaque a própria Companhia das Letras, com 494 títulos, e a L&PM, que possui 435 títulos via DLD. O grupo Record aparece com cerca de 330 títulos, também por meio da DLD. As maiores ausências são a Saraiva, dona do maior catálogo digital do país, a Globo Livros e seu mega-seller  Ágape, e a Zahar, que sempre esteve na vanguarda dos experimentos digitais.

Como todo este catálogo está a partir de agora disponível na loja americana, isto deve deixar os brasileiros da diáspora bastante felizes. E, como mencionado, estes livros digitais podem ser comprados no Brasil, em dólar, graças a uma janela de integração da iTunes Store brasileira com a americana. Os preços em dólares, aliás, são os mesmos nos EUA e no Brasil, mesmo porque, na prática, a compra se realiza na loja de lá. E embora isto represente um avanço, pois até domingo era impossível para brasileiros adquirirem qualquer livro na Apple, esta solução traz uma série de problemas que podem se revelar empecilhos ou incômodos relevantes para o leitor brasileiro.

O principal incômodo é, sem dúvida, a cobrança de IOF. Como a compra será feita no exterior e em dólares, incide a cobrança deste imposto cuja alíquota atual é 6,38%. Obviamente, não está escrito em nenhum lugar na loja da Apple que haverá esta cobrança, mas os consumidores vão descobrir isto assim que as faturas mensais começarem a chegar. Em um país onde o livro é absolutamente isento de impostos, a Apple conseguiu a proeza de vender livros do Brasil para leitores brasileiros com imposto.

Outro problema é que a compra só pode ser feita com um cartão de crédito internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs, apenas 15% da população brasileira possui cartão de crédito internacional [veja p. 40 desta pesquisa]. Outro dado interessante é a diferença de gastos de brasileiros no exterior e no Brasil com cartões de crédito. Segundo a própria Abecs, no segundo trimestre de 2012, os brasileiros gastaram R$ 111 bilhões no Brasil contra apenas R$ 6 bilhões no exterior. É claro que a probabilidade de um usuário de iPhone ou iPad possuir um cartão internacional é muito maior e, portanto, muito mais do que 15% destas pessoas terão condições de adquirir os livros. Mas, ainda assim, esta é uma limitação que poderia ser evitada, assim como a cobrança do IOF.

Uma terceira questão é que a conversão para reais de uma compra em dólares só ocorre no fechamento da fatura e, por mais que o câmbio tenha ficado estável recentemente, a verdade é que o consumidor só saberá o preço final do livro quando pagar a conta.

Obviamente, se os preços da Apple forem mais baixos que os da a concorrência, estes problemas poderiam ser compensados e até o IOF se tornaria irrelevante. Infelizmente, uma rápida comparação mostra que os preços da maçã são muitas vezes superiores aos da concorrência. Por exemplo, a própria biografia do Steve Jobs está à venda por US$ 16,99. Convertendo-se este valor com o câmbio de hoje e aplicando-se os 6,38% de IOF, chegamos a R$ 36,60, enquanto o mesmo e-book custa R$ 32,50 na Saraiva. O best-seller Cinquenta tons de cinza sai na loja da Apple por US$ 12,99, ou R$ 27,98 após conversão e imposto, e custa apenas R$ 24,90 na Saraiva.

Embora o início das vendas de livros brasileiros pela Apple seja de fato um avanço, especialmente para o público internacional, aqui no Brasil a novidade não muda muito a vida do leitor nacional, que provavelmente continuará preferindo a Saraiva para comprar seus livros digitais. Afinal, na Saraiva há um catálogo de cerca de 11 mil títulos, não se paga IOF, não é necessário cartão de crédito internacional e o preço final é inferior. E como a empresa brasileira possui aplicativos de leitura para iPhone e iPad, a experiência de leitura é praticamente a mesma. Outra opção é comprar da Livraria Cultura e transferir o arquivo para um aplicativo de leitura da Bluefire ou da Kobo. Ah! E por falar nisso, em breve a Kobo lança junto com a Cultura sua loja, leitores e aplicativos de leitura aqui no Brasil, com vendas em reais.

No último fim de semana, enquanto a Apple começava a comercializar seus livros digitais em português, acontecia o evento FIM no Rio de Janeiro, com vários painéis que discutiram os livros digitais e as rupturas tecnoloigcas na indústria do livro. Em certo momento das conversas, o curador Julio Silveira declarou: “A Kobo é uma livraria, a Amazon é um tico-tico no fubá, e a Apple vende livro com raiva porque quer vender coisas que piscam.” Por enquanto, parece mesmo que a Apple está mais interessadas nas coisas que piscam. Se ela quiser ser um player relevante no mercado editorial brasileiro, terá de abrir uma iBookstore brasileira de verdade e completa. Até lá continuamos esperando. Assim como temos esperado por anos a abertura de uma Apple Store em uma grande metrópole brasileira.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

Livraria virtual da Apple já tem mais de mil livros em português


Nenhum anúncio oficial foi feito ainda, mas a Apple começou a vender títulos em português, de editoras brasileiras, na iBookstore, sua loja virtual de livros para tablets e celulares.

Um levantamento feito pela Folha mostra que mais de mil livros em português já estão disponíveis no acervo da loja. Os preços são em dólares, mas é possível comprar com cartão de crédito brasileiro.

Segundo a Folha apurou, os e-books de selos brasileiros começaram a entrar na iBookstore no começo do mês. São títulos como “Cinquenta Tons de Cinza”, da Intrínseca, o livro de ficção mais vendido no país atualmente. Ele aparece por US$ 12,99 [cerca de R$ 26] -o mesmo e-book na loja da Livraria Cultura, por exemplo, sai um pouco mais barato [R$ 24,90].

"50 Tons de Cinza", eBook em português à venda na iBookstore

“50 Tons de Cinza”, eBook em português à venda na iBookstore

A Intrínseca tem cerca de cem títulos na loja, enquanto a Leya conta com mais de 60 e-books. Outras editores presentes na iBookstore brasileira são: Arqueiro, com cerca de 50 títulos, incluindo “O Código Da Vinci”, de Dan Brown; Novo Conceito, com cerca de 60 títulos, incluindo os best-sellers de Nicholas Sparks “Um Porto Seguro” e “A Escolha”; Record, com cerca de 300 títulos, incluindo “A Queda”, de Diogo Mainardi; Objetiva, com cerca de 200 títulos; LP&M, com cerca de 300 títulos; e Simplíssimo, com cerca de 70 títulos.

A Apple havia previsto a estreia da livraria digital para abril deste ano, mas o projeto atrasou alguns meses por questões tributárias.

Anteriormente era possível encontrar apenas livros gratuitos e em inglês para download. Os livros ainda estão “escondidos” –na página principal da loja, os destaques ainda são títulos norte-americanos gratuitos. Só é possível encontrá-los usando o sistema de buscas da loja virtual ou clicando em sua lista de mais vendidos.

A Apple realiza amanhã nos EUA um evento para apresentar novos produtos. O principal destaque deve ser uma versão menor do iPad, que viria agora com tela de 7,85 polegadas – os modelos atuais têm tela de 9,7 polegadas.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | TEC | 22/10/2012, às 19h05

Roberto Feith: ‘A pirataria online pode minar a produção do conhecimento’


Diretor da Objetiva diz que seu maior arrependimento foi deixar passar a edição de ‘Harry Potter’

Não, não é porque diz sentir falta da “adrenalina da TV” que o ex-repórter carioca Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva, uma das maiores editoras de livros do País, pode ser considerado ainda jornalista, a despeito dos mais de 20 anos que deixou a profissão. Ex-correspondente da TV Globo na Europa e ex-editor chefe do Globo Repórter, Feith aceitou em 1991 a proposta de dois conhecidos e comprou 60% de uma editora inexpressiva – ela mesma, a Objetiva. Àquela altura, tocava uma produtora, a Metavídeo, após ter estado com Walter Salles na Intervídeo, que fazia trabalhos para a extinta TV Manchete. Não entendia nada de editora, mas como bom repórter diante de um furo em potencial, decidiu arriscar – seguindo critérios jornalísticos.

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz | Clayton de Souza/AE

Começou mal. Apostou numa biografia de Boris Ieltsin – política internacional era sua especialidade -, que resultou num enorme fracasso. Aos poucos, porém, foi ajustando o foco. “Como correspondente e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e o trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para contar determinada história. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, em função dessas características“, diz ele na entrevista a seguir. Confortavelmente instalado num hotel da região da Avenida Paulista, Feith conversou com uma equipe do Estado: Rinaldo Gama, editor do Sabático; os repórteres Antonio Gonçalves Filho e Maria Fernanda Rodrigues, e Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2.

Por três horas, seu raciocínio cristalino e a fala assertiva – educada pelos sinais elétricos dos microfones e uma longa convivência com a escrita – atravessaram um largo espectro de temas ligados ao livro: o dia a dia do processo editorial, os erros [Harry Porter lhe foi oferecido com insistência e ele deixou passar], os acertos [Inteligência Emocional, que vendeu meio milhão de exemplares], pirataria online [“o Google e o Yahoo são ‘sócios’ do Megaupload”, alfineta], o futuro do e-book no Brasil e da própria literatura brasileira, para o qual, aliás, ele acenou publicando novos talentos em um número especial da revista Granta. Aos 60 anos, Roberto Feith não é mais majoritário na Objetiva: em 2005, vendeu 76% da empresa para a Santillana, que participou da criação do prestigioso jornal espanhol El País. Sim – mesmo sem a adrenalina da TV, Feith, de certo modo, está em casa.

Que interesse o senhor tinha no mercado editorial para entrar de sócio na Objetiva?

Um dos projetos importantes que fizemos na Metavídeo foi uma série de seis documentários sobre a história do cinema no Brasil. Produzimos tanto, que uma grande parte desse material fotográfico e de entrevista ficou inédito. Então, surgiu a ideia de fazer um livro usando esse conteúdo. A Nova Fronteira coeditou. Lá, o Alfredo Gonçalves e o Armando Campos tocaram o projeto comigo. Passou-se um tempo e nunca mais os vi, mas soube que seis meses depois eles saíram para criar uma editora, com o apoio de um investidor. A editora não conseguiu evoluir. Anos depois, esse sócio saiu e eles me procuraram. Foi assim que eu entrei no negócio. O meu sonho profissional era ser jornalista de imprensa escrita; entrei para a TV por mero acaso. Mas sempre fui um leitor voraz, rato de livraria. Minha mulher foi a única pessoa que me incentivou a investir numa editora. Todo mundo me dizia que eu estava maluco, que televisão era o veículo de maior poderio e projeção no Brasil, que aqui ninguém lê. Depois que entrei, continuei anos com a produtora enquanto tentava entender como funcionava o mercado e uma editora. [Gonçalves deixou a editora em 2004 e Campos, em 2006]

Quando o senhor fez o negócio, tinha um modelo de editor na cabeça?

Não. E não tinha por ignorância.

Alguma linha editoria em mente?

Hoje poderia falar sobre isso de um modo mais coerente. Na época, foi uma mistura de oportunidades que surgiam aleatoriamente com as minhas experiências pessoais. Eu me lembro de contratar direitos de tradução de muitos títulos sobre política internacional, um grave equívoco, nenhum deles vendeu nada. Era o assunto que eu conhecia e gostava. Um dos primeiros livros que compramos foi uma biografia do Boris Yeltsin. Imagine se alguém ia ler um livro do Yeltsin! Aprendi isso a duras penas. E o outro tipo de livro que a gente acabou trabalhando foram aqueles que surgiram por circunstâncias aleatórias. O Lair Ribeiro é um bom exemplo disso. Não me lembro como apareceu a oportunidade, mas aproveitamos e ele foi nosso primeiro best-seller.

Qual sua participação ao entrar na editora?

Se não me engano comprei 60% da empresa em 1991. O que veio a ser um investimento mais substantivo não foi a compra das cotas, mas sim a tentativa de fazer a editora decolar.

Quanto pagou?

Não tenho a menor ideia. Mas foi pouco. Talvez o valor de um carro usado.

Muitos editores dizem que publicam best-sellers para ter recursos que possibilitem vencer o leilão de um título de qualidade literária indiscutível. Essa também foi a estratégia da Objetiva a partir de sua entrada?

Havia a ideia de que publicando autores comercialmente potentes teríamos condições de desenvolver a editora na linha de um projeto mais consistente.

Ainda sobre best-sellers, o senhor criou a Plenos Pecados, uma série com autores de prestígio escrevendo a respeito de temas mais palatáveis. Como é a reação de autores consagrados quando se oferece a eles a oportunidade de escrever um livro para uma série como essa?

Uma das razões de montar esse projeto era atrair autores de renome para uma editora ainda sem grande visibilidade ou uma trajetória consolidada. Fiz o projeto com Isa Pessoa, que trabalhava na editora. Levou quase um ano para fecharmos a lista dos sete autores. Convidamos o Mario Vargas Llosa, e ele disse que escreveria contanto que fosse sobre a luxúria. Mas a luxúria já estava tomada pelo João Ubaldo. A coleção deu certo, trouxe autores de grande qualidade e sucesso comercial, e pudemos começar a montar a editora que sonhávamos.

E qual era essa editora?

Como disse antes, eu não tinha um modelo de editora – nem mesmo considerando as estrangeiras. Se olharmos a trajetória da Objetiva, veremos que ela não é igual a nenhuma outra. Acho que é um pouco pela experiência de vida das pessoas da equipe – havia muito o viés jornalístico.

De que modo ter atuado como jornalista contribui para o trabalho da editora?

Como repórter e correspondente internacional e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e do trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para um determinado tema, procurando como contar determinada história. Às vezes, você vê um assunto que tem consistência, que tem interesse ou relevância, mas precisa encontrar uma outra maneira de tratá-lo. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, ou a da ficção dirigida, encomendada, em função dessas características.

O modelo do publisher americano parece que vingou no Brasil – e o europeu ficou um pouco esquecido. Filho de americano, o senhor acabou unindo as duas pontas: o pragmatismo de um publisher dos EUA, atento à performance de vendas, e uma visão europeia, marcada mais pela vontade de publicar qualidade literária, independentemente dos resultados financeiros. Como se deu isso?

Ser filho de americano não teve, na prática, nenhuma influência. Como mencionei, acredito que a vivência que mais marcou meu papel na editora foi a jornalística. Acho que há pessoas que tocam editoras lendo e editando e outras não. Sou editor-geral de uma editora que faz as duas coisas. Desde o início.

Sua editora cresceu muito. O senhor ainda consegue estar em todas as frentes?

Conciliar tudo tem sido um exercício. A palavra publisher evoca uma pessoa que não edita. Não me sinto totalmente encaixado nesse conceito porque não é bem esse o meu cotidiano. Continuo avaliando manuscritos, vou a feiras, converso com os agentes.

O senhor edita algum autor que não vende, mas dá prestígio ao catálogo da editora?

Naturalmente. Prestígio, prazer de publicar. Mas essa não é uma decisão puramente romântica, porque poder publicar grandes autores, ainda que comercialmente não sejam tão bem-sucedidos, é uma forma de você qualificar o selo e atrair outros escritores. Tem outro componente relevante no universo editorial brasileiro: esses grandes autores podem não vender muito, mas periodicamente são adotados num vestibular ou entram numa compra pública. Lobo Antunes é um exemplo disso. Os Cus de Judas foi um livro dele que vendeu mais de 20 mil exemplares por causa de um vestibular.

Qual foi o seu maior sucesso de vendas?

Comédias Para se Ler na Escola, do Verissimo. Mais de 1 milhão de exemplares.

Quando seguiu sua intuição na hora de adquirir um livro, qual foi seu maior equívoco e o maior êxito?

O maior equívoco é fácil. Tessie Barham, hoje uma importante agente literária, nos ajudava na avaliação de textos. Naquela época, ela ainda estava tateando e me propôs uma série juvenil maravilhosa, a Fronteiras do Universo, de Philip Pullman. Compramos, investimos pesado em marketing, e nada aconteceu. Paradoxalmente, anos depois vendeu mais de 100 mil exemplares.

E o arrependimento?

Foi nos anos 90. Um dia, Tessie me mandou um e-mail assim: “Roberto, tem aqui outro livro juvenil para você comprar. Muito bom, você tem de comprar. Chama-se Harry Potter.” E eu: “Olha, Tessie, me desculpe, mas não vou comprar.” Ela ficava mandando e-mail dizendo que eu iria me arrepender. E eu: “Tessie, lembra o que aconteceu com o Pullman?” Bem, ela estava certa, claro; eu me arrependi amargamente. Errei e continuo errando. Mas se o editor ficar desanimado quando errar, ele vai mudar de profissão.

Algum outro acerto?

Nessa linha um pouco anedótica da intuição e do imponderável, comprei os direitos de um livro que vendeu maravilhosamente bem [meio milhão de exemplares], que foi o Inteligência Emocional, do Daniel Goleman. Li o informe do nosso scout e intuitivamente achei aquilo muito forte. Entrei no leilão em Frankfurt, suei, mas consegui.

Os grandes livros não são mais vendidos em Frankfurt, são? Perdeu-se um pouco do frenesi dos leilões?

Hoje, os agentes literários e as editoras que têm uma grande oferta de direitos autorais para tradução, deliberadamente, esperam até a véspera da feira para distribuir alguns de seus títulos mais potentes, porque eles compreendem que a dinâmica da pré-feira leva a uma disputa mais acirrada pelos editores de cada país por aqueles direitos.

Os brasileiros estão pagando valores irreais nos leilões?

Houve num passado recente e continua havendo uma exuberância irracional, para tomar emprestada uma expressão do Alan Greenspan, em relação à compra de direitos de tradução. Adquirir um livro que exija torná-lo um mega best-seller para recuperar esse investimento é um exercício perigoso. Isso é realidade e tem a ver com o aumento da concorrência.

Enquanto as grandes editoras criam selos para organizar melhor o catálogo, as de menor porte têm se especializado em determinado segmento. Isso terá lugar no futuro ou acha que as pequenas serão incorporadas por grandes grupos?

Sempre houve e haverá espaço para pequenas editoras focadas em determinados nichos. Isso não é novo. Novo são editoras importantes buscando diversidade de linhas de atuação criando novos selos, de uma forma semelhante ao que adotamos há cinco anos. Isso está acontecendo de forma sistemática. A tendência é que nenhuma editora se limite a atuar só num gênero.

O que leva a isso?

Hoje, a diversidade é um bem em si no mercado editorial, dado o grau de competição visto na última década.

No início do ano, o senhor escreveu um artigo investindo contra a campanha das gigantes da internet contra a lei antipirataria. Como vê o futuro do mercado digital, as leis antipirataria?

Fico feliz que tenham levantado esse assunto, que é importante. Vivemos a era do conhecimento. A produção do conhecimento é fundamental para o avanço de qualquer país. E esse tipo de produção tem de ser incentivada, e não minada. As empresas, ou pessoas, que defendem a pirataria online, ou a cópia irrestrita online, estão minando a produção do conhecimento nos seus respectivos países. Da mesma forma que não existe o milagre da multiplicação dos peixes, não existe o milagre da multiplicação do conhecimento. Sua produção exige formação, trabalho, investimento, e tudo isso tem de ser remunerado. Ninguém imagina que uma pessoa possa entrar numa livraria, pegar uma dúzia de livros e sair sem pagar. Mas algumas pessoas argumentam que na internet você pode e deve fazer isso.

A Objetiva sofre com a pirataria?

O Sindicato Nacional de Editores apoia um grupo de trabalho que identifica a oferta de conteúdo ilegal e pirata online. Em maio, no caso da Objetiva, havia 1.600 títulos oferecidos ilegalmente – 90% em um só site, o Fourshared. Esse site americano está ganhando dinheiro com escritores que publicamos, e alguns deles são brasileiros. Para isso as pessoas não atentam. O Fourshared e o Megaupload não têm estrutura para vender publicidade pelos quatro cantos. Eles usam estruturas criadas para esse fim por grandes corporações da internet, como o Google e o Yahoo. Então, o Google e o Yahoo são “sócios” do Megaupload e, indiretamente, se apropriam de obras dos escritores brasileiros para faturar milhões de dólares. E faturam literalmente milhões de dólares. Assim, quando uma grande corporação da web defende a pirataria na internet, argumentando que é uma questão de liberdade de expressão, estamos diante do mais puro oportunismo e demagogia. É preciso que a sociedade se conscientize, porque se a pirataria for consolidada como prática na web, a produção de conhecimento vai atrofiar aqui, e o brasileiro será obrigado a consumir conhecimento produzido nos países onde essa atividade é estimulada.

No momento em que o e-book se difundir efetivamente, o que o livro impresso precisará ter para não perder vendas?

O e-book é coisa do futuro e será uma coisa do presente. Mas eu não vejo o livro físico sendo a parte menor do mercado. Não vejo o digital ocupando a maior parte do mercado brasileiro no horizonte de uma década.

A Objetiva tem uma equipe focada na questão do livro digital?

Não, acho isso um erro. Todos têm de entender do digital para fazer seu trabalho. Mas uma das coisas que fiz tendo em vista essa transformação foi propor a criação da Distribuidora de Livros Digitais, que toma grande parte do meu tempo e tem como sócias as editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, L&PM e Novo Conceito.

Por que uma distribuidora?

Quando formamos a DLD, pretendíamos participar da definição de como o livro digital iria se consolidar e se implantar no Brasil. Essa preocupação se traduz em três objetivos. Primeiro, trazer para o consumidor brasileiro o que existe de melhor no exterior, em termos de experiência de consumo de livro digital, sem que isso signifique que empresas vindas de fora tenham condições de concorrência, no relacionamento com as editoras, superiores àquelas disputadas pelas empresas brasileiras que atuam no entorno digital. Segundo, garantir uma oferta diversificada e ampla de conteúdo. E terceiro, trabalhar com preços que sejam atraentes para o consumidor, mais baratos que o livro impresso, mas que remunerem o trabalho do escritor, da editora e da livraria.

De quanto é o desconto da DLD?

Nosso e-book tende a ser de 30% a 40% mais barato que o livro impresso; em julho, o preço médio do livro vendido pela DLD foi de cerca de R$ 16. Ou seja, menos que US$ 9.

Como estão as negociações com as empresas estrangeiras que querem atuar no País?

Estamos conversando com cinco empresas e muito perto de fechar acordos – acho que até o fim do ano teremos novidades. Para que o livro digital dê corda no Brasil, precisamos de três coisas: dispositivos de leitura bons e baratos, livrarias virtuais com facilidade de uso e oferta ampla e diversificada de títulos pelas editoras. A conclusão desse tripé é que teremos, ainda este ano, dispositivos de leitura lançados aqui, de primeira geração, a preços acessíveis. Penso que teremos o primeiro Natal digital.

Quais são as cinco estrangeiras que estão negociando para atuar aqui?

Amazon, Apple, Google, Kobo e nós, na Objetiva, estamos negociando com a Barnes & Noble, mas não para o Brasil.

Falamos em concorrência, em e-book, mas existe também a questão da territorialidade. Até pouco tempo atrás, era possível comprar um e-book de um autor português editado no Brasil pela Alfaguara diretamente da editora portuguesa desse autor.

Você está se referindo a um livro de António Lobo Antunes. Foi uma falha da editora portuguesa, já foi sanada. Isso se chama territorialidade. Hoje, quando você faz o upload de um título, tem de indicar para que países tem os direitos de venda.

Como fazer para que as pessoas leiam independentemente de obrigações escolares ou profissionais? Há, de modo recorrente, a queixa de que o livro no Brasil é caro.

O Snel e a Câmara Brasileira do Livro vêm contratando pesquisa de mercado há mais de uma década, que é feita pela Fipe. A última pesquisa, de 2011, identificou que no setor de obras gerais o número de lançamentos aumentou 8,6%, o número de exemplares vendidos aumentou 0,2%, e o faturamento, em reais, caiu 11%. Se considerar o acumulado de 2004 até 2011, em obras gerais, em valores nominais, a queda no preço médio foi de 26%. Em valores reais, compensados a inflação, 45% de redução. Eu pergunto: que outro produto teve uma queda de 45% no seu preço médio, real, nos últimos sete anos?

Por que o preço caiu?

Competição, competição. Há outros fatores: Avon, com vendas de porta em porta, os selos de bolso, a desoneração, no caso de livros de obras gerais.

Essa queda está chegando ao limite?

Sim. A criatividade dos editores está sendo cada vez mais exigida. Acredito que as margens têm sido comprimidas por esses processos. O que aconteceu de 2007 para 2011 não pode se repetir. A tendência é desacelerar, mas não posso afirmar que não haverá mais uma queda de preço.

A Alfaguara Brasil lançou recentemente uma edição da Granta com novos talentos do País. Essa seleção consolidou alguns autores que, nos últimos anos, começaram a se posicionar como promessas. O que sua editora, dentro ou não da Granta, faz para descobrir, de fato, novos valores na ficção?

A maioria das editoras que publicam ficção está sempre louca para encontrar jovens talentos. Eu sei que muita gente comenta que é difícil conseguir ser publicado, mas é difícil encontrar talento também. Temos conseguido atrair grandes autores da literatura brasileira, nomes como João Ubaldo, João Cabral de Melo Neto, e agora o Mário Quintana. Mas fiquei preocupado que o selo se tornasse clássico demais, com pouca vitalidade e criatividade. Por isso, temos feito grande esforço para encontrar e trazer jovens autores. Hoje em dia, temos quatro ou cinco novos escritores com muito potencial. Laura Erber é uma jovem que tem muito a dizer, domina a técnica da escrita. O Ricardo Lísias nem se fala, ele é completamente original, uma coisa difícil de encontrar.

Fazer uma seleção como a da Granta é uma experiência de risco.

Sim, dá dor de cabeça. Mas olhando em retrospecto, posso dizer que deu tudo certo. Estávamos preocupados. Quando anunciamos o projeto, não sabíamos se seria bem-sucedido. Era efetivamente um risco. A primeira coisa que nos tranquilizou foi a quantidade e a qualidade de textos submetidos. Depois, conseguimos montar um grupo de jurados de inegável qualidade e qualificação. O resultado da revista foi muito bom. Há desigualdades, diversidade. Alguns textos são melhores que os outros e nunca tive expectativa de achar que os 20 seriam extraordinários, isso não acontece em coletânea nenhuma. O resultado tem quantidade suficiente – na minha opinião pessoal – de escritores de talento para que se possa dizer: está justificado o esforço.

Leituras afins

O LIVRO NO BRASIL: SUA HISTÓRIA, DE LAURENCE HALLEWELL [VÁRIOS TRADUTORES, EDUSP, 816 PÁGS., R$ 253]
MOMENTOS DO LIVRO NO BRASIL. ORGANIZAÇÃO/EDIÇÃO: ÁTICA [216 PÁGS.; ESGOTADO – PROCURE EM SEBOS]
COLEÇÃO EDITANDO O EDITOR, VOL. 3 – ÊNIO SILVEIRA [EDUSP, 168 PÁGS., R$ 28]
A QUESTÃO DOS LIVROS, DE ROBERT DARNTON [TRAD. DE DANIEL PELLIZZARI, COMPANHIA DAS LETRAS, 232 PÁGS., R$ 45]

Por Rinaldo Gama, Antonio Gonçalves Filho, Maria Fernanda Rodrigues e Ubiratan Brasil | O Estado de S. Paulo | 24/08/2012

Mercado começa a aquecer e Cosac se rende


A Cosac Naify, que até agora não tinha apostado no livro digital, se rende às novas tecnologias e contrata Antonio Hermida para cuidar dessa área. Ele, que deixa o cargo de gerente de produção de e-book da Simplíssimo, no Rio, e se muda para São Paulo, começou na Zahar, pioneira na edição digital. O momento é propício.

Segundo Roberto Feith, diretor da Objetiva e idealizador da DLD, a distribuidora de livros digitais formada pela própria Objetiva, além de Sextante, Record, Rocco, Planeta, L&PM e, desde ontem, pela Novo Conceito, até o fim do ano o e-book terá uma participação mais efetiva no mercado de livros do Brasil. Isso porque essas e outras editoras estão assinando contrato com a Amazon – o vice-presidente da empresa está em São Paulo esta semana -, Apple, Google e Kobo. Sozinha, a Objetiva negocia com a Barnes & Noble para suas obras serem vendidas pela rede americana. O mercado, ínfimo em 2011 – segundo a última pesquisa Fipe Produção e Venda de Livros foram vendidos 5.235 e-books aqui em 2011 -, vem sendo lentamente aquecido. A Companhia das Letras, por exemplo, vendeu 9 mil e-books só no primeiro semestre de 2012.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 11/08/2012

Nicholas Sparks vai para a DLD


Novo Conceito compra participação na Distribuidora de Livros Digitais

A editora ribeirão-pretana Novo Conceito anuncia hoje a compra de participação na Distribuidora de Livros Digitais, a DLD. Criada em 2010, a DLD é comandada desde o início por 6 grandes editoras, a Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM.

O presidente da Novo Conceito, Fernando Baracchini, disse ao Publishnews “Entendemos que o projeto e o grupo de editores nesse negócio são interessantes para o nosso grupo também. Vamos entrar no mercado de e-book de uma maneira mais consistente”.

Com a expectativa da chegada da Amazon no Brasil, a entrada da Novo Conceito significa que DLD ganha mais um aliado. “O e-book é um negócio novo para todos nós, as ferramentas, custos etc. são diferentes. A editora entende que esses pioneiros vão acabar criando maneiras para que esses gigantes atuem de forma mais transparente. Vai ajudar as pequenas e médias editoras, e o mercado editorial em geral” afirmou Baracchini.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 10/08/2012

Os eBooks estão chegando


O desembarque da Amazon e da livraria digital da Apple no Brasil agita as editoras nacionais e promete mudar o hábito de leitura de milhões de brasileiros

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

A constante reclamação de que o brasileiro lê pouco não incomoda os executivos da Amazon e da Apple, os dois gigantes globais dos livros eletrônicos. Esse “pouco” foi suficiente para fazer com que pelo menos um deles chegue ao País em breve, segundo rumores do mercado editorial. Aproveitando os entraves que tomaram conta das já avançadas negociações entre a Amazon – maior livraria online do mundo – e as editoras nacionais, a Apple mandou executivos para o Brasil, que já teriam firmado acordos para começar nas próximas semanas as vendas de títulos em português pelo aplicativo iBooks, disponível para iPad.

Apesar de planejar o início das operações no Brasil para o segundo semestre, a Amazon pretendia ter em seu portfólio pelo menos 100 editoras nacionais, mas fechou acordo com apenas dez, sendo só uma de grande porte. Está claro, portanto, que o grande obstáculo para a implantação da loja virtual criada pelo americano Jeff Bezos, presente em nove países e criadora do leitor Kindle, é vencer a resistência das editoras brasileiras. Segundo fontes ouvidas por ISTOÉ, elas temem sofrer represálias das livrarias físicas presentes no País, caso fechem um acordo com a Amazon.
Outro entrave é o contrato-padrão da livraria eletrônica, com cláusulas que incluem o acesso a todo o catálogo da editora para a digitalização, pedidos de exclusividade e comissões em torno de 50% do preço. No Brasil, esse percentual para as edições em papel é, em média, de 35%. A demora nas negociações e a chegada da Apple podem fazer com que a Amazon flexibilize suas regras. Mas Bezos é conhecido pela agressividade nos negócios. Uma das alternativas que ele tem na manga é entrar de sola também no mercado tradicional de livros de papel, tranquilizando as editoras que temem um boicote das livrarias. Cabe lembrar que a Amazon surgiu na era anterior aos e-books, vendendo obras de papel na internet.

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

É uma questão de mercado. Alguém vai acabar cedendo”, diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL], que promove um congresso sobre obras digitais em maio. Se apenas a Apple firmar um acordo com as maiores editoras brasileiras, nada muda para a publicitária Alana Della Nina, que comprou um Kindle nos EUA há dois anos e adquire ao menos quatro e-books [em inglês] por mês na Amazon americana. “O Kindle é quase prosaico. Essa é a grande sacada dele. O iPad não serve para ler textos grandes. A leitura se torna desconfortável em pouco tempo”, diz.

A mesma opinião tem a escritora Thalita Rebouças, que já vendeu mais de um milhão de livros de papel. “Tenho iPad e Kindle e adoro os dois”, diz. “Mas o primeiro é bom para assistir a vídeos e ler, no máximo, uma revista. Já o outro é leve e tem uma tela tão confortável para os olhos quanto o papel”, compara. Dos 13 títulos publicados pela autora, nove estão disponíveis no formato e-book nos sites de livrarias como Saraiva, Cultura, Submarino e Positivo, entre outras.

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Para ter mais poder de barganha nas negociações das versões eletrônicas de seus títulos, a editora que publica as obras de Thalita, a Rocco, se uniu à Record, Sextante, L&PM, Planeta e Objetiva – as maiores do País – para formar a DLD [Distribuidora de Livros Digitais]. “É muito bom para o autor que o trabalho esteja disponível em vários formatos”, diz Thalita. “Mas o papel ainda tem uma longa vida pela frente.

Os defensores do e-book argumentam que ele sempre será mais barato [em torno de R$ 20] por não ter o custo de impressão. Mas nem todos concordam. “O livro digital é barato porque parte do preço é dividido com o título impresso”, diz Marcelo Duarte, jornalista e diretor-editorial da editora Panda Books, que tem 42 de seus 380 títulos em versão para iPad. Ele acredita que versões exclusivas para e-readers serão mais salgadas. “A impressão é apenas parte do custo. Há outros processos, como diagramação, tradução e edição”, afirma Duarte.

Uma coisa é certa: não dá mais para desprezar o mercado brasileiro. Mesmo não havendo dados sobre as vendas por aqui, o enorme potencial é consenso. O segmento educacional é prova disso. O Ministério da Educação e Cultura [MEC] realizou recentemente um pregão para adquirir 900 mil tablets. Os equipamentos serão repassados aos professores do ensino médio das escolas públicas ainda este ano. Não por acaso, a Apple estaria apostando no segmento de livros eletrônicos didáticos.

Independentemente de a Apple ou a Amazon virem para o Brasil, as empresas daqui estão estabelecidas e são bem-sucedidas”, defende Karine, da CBL. Recém-chegada de um dos maiores eventos do setor, a London Book Fair, na Inglaterra, ocorrido na semana passada, Karine ficou impressionada com o interesse dos estrangeiros pelo País. “Quando eu dizia que era brasileira, invariavelmente ouvia: ‘O Brasil está bombando!’”, conta. De fato, o País atrai quem domina o segmento como uma mina de ouro.

Quando a Amazon lançou o Kindle nos EUA, em 2007, o mercado de e-books americano praticamente não existia. Hoje, no entanto, a empresa vende mais livros digitais do que em papel. Segundo a Associação Americana de Livros, as vendas de e-books naquele país cresceram 117% em 2011. Com cada vez mais brasileiros tendo acesso a bens de consumo e à cultura, não é de admirar a ferocidade com que os gigantes da tecnologia estão travando a guerra pelo nosso mercado.

Por André Julião | Publicado originalmente por Isto É | 24/04/2012

Apagão de eBooks na Cultura


Rede perde títulos devido a problemas no servidor e falta de backup

A Livraria Cultura enfrenta um “apagão” de e-books desde quarta-feira passada, 11, devido a um problema em um servidor da empresa onde ficam hospedados os títulos digitais das editoras brasileiras. Segundo o site Revolução eBook, que noticiou o problema, a falta de backup teria feito com que inúmeros títulos fossem perdidos e não pudessem ser restaurados, de forma que vários e-books ficaram indisponíveis para venda nos últimos dias. Apenas os títulos fornecidos pela DLD [agregadora das editoras Sextante, Objetiva, Planeta, Record, L&PM e Rocco] e os e-books da editora Leya, que também tem distribuição própria, não teriam sido afetados. Procurada pelo PublishNews, a Cultura informou que de fato teve problemas com seu servidor e que estes “estarão resolvidos nos próximos dias”, mas não deu detalhes, nem confirmou ou negou as informações veiculadas.

A estimativa divulgada pelo Revolução eBook é que cerca de 3,5 mil livros digitais tenham sido perdidos – em março, a Cultura informou ter cinco mil e-books brasileiros em seu catálogo, número relevante no mercado nacional, embora menor que os catálogos de Saraiva, Gato Sabido e Iba, por exemplo. O site informou ainda que a Cultura estaria se preparando para começar a trabalhar com a Xeriph, distribuidora que tem um dos maiores catálogos do país e que é do mesmo grupo que a Gato Sabido, para restaurar o mais rapidamente possível a venda de livros digitais. A rede não confirma.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 17/04/2012

Ciência Moderna cria distribuição digital própria


Há dois anos, a Ciência Moderna decidiu criar uma ferramenta própria para distribuir seus e-books, ao invés de usar o serviço dos chamados agregadores que já operam no Brasil – como a Xeriph ou, recentemente inaugurada, a Acaiaca Digital. Na semana passada, a editora carioca especializada em livros técnicos e científicos colocou no ar esse sistema, que permitirá disponibilizar os cerca de 110 livros eletrônicos que possui em catálogo para qualquer livraria que tenha uma operação de comércio eletrônico.

Já fechamos acordo com quatro pequenas redes para a venda de nossos e-books, e a ideia é negociar com vários outros nos próximos meses, grandes e pequenos”, afirma George Meireles, gerente da Ciência Moderna. Segundo ele, há por parte da editora uma preocupação em mostrar para os livreiros menores, especialmente, que a venda de livros digitais não é nenhum bicho de sete cabeças. “Muitos nos ligavam insistentemente querendo saber se o negócio de e-books estava restrito às empresas que dispõem de tecnologia. Queremos desmistificar a operação digital e mostrar que ela é muito simples.” Para isso, a casa elaborou um manual com as instruções para que os e-commerces consigam oferecer seus títulos.

A Ciência Moderna começou a vender e-books em março do ano passado em seu próprio site. Meireles explica que é uma característica da empresa ter o controle direto sobre as várias etapas do negócio do livro, por isso o investimento em gráficas próprias e, agora, num agregador.

No Brasil, há outros exemplos de editoras que controlam diretamente a distribuição de seus livros digitais. A multinacional Leya é uma delas. A multinacional Leya é uma delas. Já Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM fazem o mesmo por meio da distribuidora DLD, da qual são sócias.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 14/02/2012

Na era do eBook, Bienal do Rio é analógica


Evento brasileiro menospreza livros digitais; visitantes utilizam tablets para acessar redes sociais e tirar fotos

Para diretora da feira, mercado ainda não começou no Brasil; Ziraldo autografou tablets com HQ digital

A era do livro digital já começou: e-books são lançados diariamente e os aparelhos para leitura proliferam.

Quem passeou pela Bienal do Livro do Rio, encerrada ontem, viu poucos sinais desse novo mercado.

Em sua 15ª edição, a feira foi um típico evento do século 20, feito para, grosso modo, vender papel. Nas raras editoras em cujos estandes havia algum sinal de e-books, o que se via era um ou dois tablets ou e-readers encostados num canto.

O mercado do livro digital ainda não começou no Brasil“, disse à Folha Sonia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [que organiza a Bienal]. “Ele vai ter uma virada quando os aparelhos digitais de leitura se popularizarem.

Nesse sentido, a feira poderia ter começado a conscientização com seu estande Bienal Digital, onde havia 16 tablets de fabricantes distintos, todos atraindo muitos visitantes -estes, no entanto, nada liam: jogavam, navegavam na web e tiravam fotos.

Os e-books foram mais discutidos do que vistos e lidos -houve palestras sobre eles e um colóquio para debater as bibliotecas da era digital.

Uma das apresentações contrariou a noção de que o mercado do livro digital ainda não começou no país. Carlos Eduardo Ernanny, criador da Xeriph [distribuidora de e-books que reúne mais de 150 editoras], disse já ter um catálogo de mais de 6.000 títulos digitais, a maior parte de editoras pequenas.

Quando se olha para as grandes editoras nacionais, o cenário é diferente: a DLD, distribuidora de e-books que reúne Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM, tem hoje 650 títulos nesse formato, nem 1% do acervo total dessas editoras.

Nos bastidores, não há editora no Brasil que não esteja se mexendo“, disse Pascoal Soto, da LeYa. “Estamos atrasados em relação a Europa e EUA, mas temos de nos mexer para sobreviver.

FEIRA DE E-BOOKS?

Se os efeitos da tecnologia no mercado editorial foram debatidos, a discussão sobre como será uma bienal de e-books ainda é incipiente.

A gente tem até brincado sobre isso, se perguntando se, quando o mercado migrar para o digital, a feira vai continuar“, disse Sonia Jardim.

Um exemplo de como a feira pode continuar existindo em versão digital foi dado por Ziraldo, que lançou uma HQ para o iPad e esteve no estande da editora Melhoramentos para autografar tablets.

O esquema é análogo ao dos livros tradicionais: o leitor leva a obra [no caso, 15 fãs levaram iPads com a HQ] e o autor a autografa [em uma parte criada especialmente para isso] no aparelho.

POR MARCO AURÉLIO CANÔNICO | DO RIO | Para a Folha de S.Paulo | 12 de setembro de 2011

O que se ganha em um congresso?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, além da apresentação de trabalhos científicos em uma sala anexa. Boa frequência, apesar do preço salgado. Poucas perguntas e ainda menos discussões. A plateia permaneceu passiva depois da maior parte das palestras/mesas-redondas, e mesmo as perguntas feitas não provocaram grandes discussões.

Não pretendo comentar todas as palestras ou discussões. Quero apenas chamar atenção para alguns tópicos que me pareceram os mais interessantes.

O primeiro ponto a destacar é que esta segunda versão do Congresso do Livro Digital teve menos “vendedores de soluções” que o primeiro. Achei isso bem positivo. É um tanto abusivo pagar para ouvir um monte de gente querendo vender soluções desenhadas para outro ambiente de negócios e estágios tecnológicos muito diferentes dos que temos aqui.

Ainda assim, ausências se fizeram notar, principalmente a das empresas em desenvolvimento de distribuição e conversão de conteúdos digitais já presentes no Brasil. Não se teve notícias nem da empresa formada pelo consórcio que organizou a DLD – Distribuidora de Livros Digitais [Objetiva, Record, Sextante, Planeta, Rocco e L&PM], nem do “Minha Biblioteca”, a versão brasileira do programa iniciado pala Ingram nos EUA e que aqui inclui o GEN, Atlas, Grupo A e a Editora Saraiva. E também nada da Xeriph, distribuidora de conteúdo digital que não está vinculada a nenhum grupo editorial. Na minha opinião, faltou também outro tema relevante: o uso de conteúdo digital nas universidades públicas, já que há anos tanto a CAPES/CNPq quanto a FAPESP investem grandes somas na aquisição de revistas acadêmicas em formato digitalizado. Pode ser que em outro congresso os organizadores se lembrem disso.

Como acontece em qualquer evento do gênero, houve momentos interessantes e outros que chegaram a ser patéticos. Um deles, que vou me poupar de mencionar, me fez lembrar o movimento de criação de um partido anti-powerpoint que andou aparecendo na Europa, e “brindou” a plateia com uma dessas apresentações que às vezes aparecem na Internet, cheia de lugares comuns, fotos comovedoras e mensagens de autoajuda. Quase saí para entrar online e pedir filiação nesse partido…

Outra apresentação que chegou perto do patético foi a do representante da Digisign, empresa conceituada na certificação digital mas que, aparentemente, não sacou a dos e-books. Quer garantir a inviolabilidade do conteúdo com DRMs que funcionam com tokens ou somente online. Acabam inventando um e-book acoplado com jaca ou melancia. Imaginem se para ler um conteúdo for preciso fazer uma operação similar à de acessar a conta corrente bancária…

A palestra mais instigante e sensata, sem dúvida, foi a do Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives. Ed fugiu totalmente da futurologia e colocou de modo muito simples: os editores só podem – ou melhor, devem – se preparar para as contingências do futuro da edição digital com os mecanismos mais abrangentes de coleta de informações sobre seu público, com o uso amplo de metadados. Já comentei no meu blog que os editores brasileiros estão uns dez anos atrasados nisso.

Algo que perpassou várias palestras e mesas redondas foi a confusão – que acredito não deliberada, mas nem por isso menos daninha – entre os diferentes tipos de conteúdo digital que podem ser acessados pelo público leitor. Quando sabemos que o leitor de e-books mais popular no mundo é o Kindle, com sua tela sem cores e que privilegia totalmente a leitura de textos; quando sabemos que a iBookstore acoplada nos aparelhos da Apple perde feio para o iTunes, e que a venda de livros no iPad e nos iPhones está sendo muito menor que o esperado; quando sabemos que o Nook e o Kobo seguem pelo mesmo rumo do Kindle, eu me pergunto: a que vem tantas apresentações sobre “enhanced e-books” e sobre conteúdos compartilhados em redes digitais? Acredito que o conteúdo de livros didáticos e de livros infantis vá exigir telas coloridas [e a Amazon já prometeu seu tablet com essas características até o final do ano], mas, no momento e como tendência dominante, o que predomina é a leitura de texto. O resto, por enquanto, é jogo interativo online, o fenômeno “transmídia”, que ainda veremos no que vai dar.

Bob Stein, na palestra de abertura, se declarou muito feliz por ter sido pago durante anos para “pensar o futuro do livro” e veio com a ideia de que – no futuro, é claro – o conteúdo seria distribuído gratuitamente e que as pessoas pagariam para participar da “rede de leitores”. Nessa rede todos os leitores fariam anotações, comentários, glosas e o que mais lhes apetecessem acrescentar ao conteúdo original. Quem faz parte do Facebook [eu faço] sabe perfeitamente que a quantidade de comentários inanes que por ali circulam é enorme. Imaginem o sujeito ler um Balzac acompanhado de comentários mandando florzinhas ou sinaizinhos de “curti” a cada página? Se fosse um grupo fechado lendo um ensaio, vá lá. E mais, tanto o Kobo quando o próprio Kindle já permitem acesso – pelo menos parcial – a anotações de outros leitores. Se o Bob Stein ganhou para pensar isso, eu também quero me candidatar a pensador remunerado.

Uma palestra interessante foi a da Dominique Raccah – e mais como vice-presidente do BISG [Book Industry Study Group] que como CEO da Sourcebooks – por ter apresentado dados sobre a demografia comparada de leitores de livros em papel e e-books, mostrando que o fator preço é fundamental na adoção dos e-books. Os leitores do segmento trade – romances, ensaios, autoajuda, etc. – demandam sempre alguma espécie de conteúdo gratuito [download de capítulos, material adicional], além do preço substancialmente mais baixo. Esses leitores também são os que mais usam e-readers, enquanto os universitários acessam conteúdo digital principalmente através de laptops, notebooks e desktops.

A palestra de Joseph Craven [Sterling Publishing], sobre a construção de comunidades verticais desenvolvidas pelos editores em torno de livros ou coleções, também foi muito interessante. Tornou prática e consequente a conversa de uso das redes sociais no negócio de livros, chamando atenção para a interação entre o público leitor/consumidor e os editores, inclusive no que diz respeito ao conteúdo adicional aos livros.

Alguns dos palestrantes abordaram muito de leve uma questão que tem atraído bastante minha atenção. Atualmente, o segmento comercial/industrial que efetivamente está ganhando dinheiro com o conteúdo digital é o dos prestadores de serviço de acesso e as empresas de telecomunicação, que viabilizam esse acesso.

O fato é que uma parte dos custos de “logística” dos e-books é transferido para os consumidores de conteúdo digital que pagam pelo acesso à Internet. Esse é um negócio específico das empresas de telecomunicação e dos provedores de acesso. Essas empresas pressionam todos os produtores de conteúdo para receber um fluxo constante de conteúdo barato ou gratuito. Por sua vez, esse conteúdo gera mais tráfego na rede e agrega receita a essas empresas. Na discussão do conteúdo gratuito não podemos nos esquecer de que, como não existe almoço grátis, estamos pagando pelo acesso e também, com nossas contribuições blogueiras, no Facebook e no Twitter, para proporcionar conteúdo gratuito para essas gigantes que inexoravelmente apresentam suas contas.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Editoras se unem e levam e-books para bibliotecas universitárias


Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas criam a empresa Minha Biblioteca, que começa a operar em 1º de junho

Em 2010, Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM fundaram a DLD para converter seus livros para o formato digital e distribuí-los. Ontem, pouco mais de um mês desde que a DLD começou a operar, outras quatro grandes editoras, mas com forte presença no segmento de livros universitários, também se uniram para uma entrada mais agressiva no mercado de livro digital. Só que dessa vez o foco sai das livrarias e vai para as bibliotecas das universidades brasileiras.

Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas inauguram o projeto “Minha Biblioteca” em 1º de junho. Nele, será reunido o catálogo digital das quatro sócias, estimado, hoje, em quatro mil títulos. Funciona assim: com base no interesse da universidade, no número de alunos, na perspectiva de acessos e no potencial de crescimento, a empresa, que também se chama Minha Biblioteca, customiza um catálogo e o vende inteiramente à universidade. Aos alunos dessas instituições é permitido o acesso remoto a todo o conteúdo.

À primeira vista a ideia se parece com a da Pasta do Professor, mas o diretor executivo Richardt Feller, que trocou Curitiba por São Paulo e já está se instalando no escritório da empresa na Avenida Paulista, disse que elas são diferentes. “A Pasta é mais uma contribuição do mercado para evitar a pirataria e legalizar as cópias, mas não tem formato digital. Já o Minha Biblioteca, que também é uma alternativa à pirataria, prevê o ensino de plataforma, com acesso livre de qualquer lugar”. Enquanto no projeto mais antigo é possível comprar o livro fracionado, neste novo só serão vendidos livros inteiros.

Nesse momento, nosso objetivo é levar conteúdo digital a um maior número de alunos do Brasil”, disse. Mas este é só o começo, garante. Agora, as empresas estão concentradas em colocar o “Minha Biblioteca” na rua. A partir da publicação nesta segunda-feira, 23, do comunicado da Saraiva, a equipe – são quatro funcionários – está liberada para divulgar o serviço, apresentá-lo nas universidades, fechar negócios…

O site deve entrar no ar ainda hoje – http://www.minhabiblioteca.com.br

Conheça as editoras envolvidas no projeto

O Grupo A é uma holding formada pelos selos editoriais Artmed, Bookman, Artes Médicas, McGrawHill, Penso e Tekne. Responsável pela publicação de livros científicos, técnicos e profissionais nas áreas de biociências, de ciências humanas e de ciências exatas, sociais e aplicadas, o Grupo possui, entre títulos impressos e e-books, mais de 2 mil títulos em catálogo.

A Editora Atlas, fundada em 1944, conta com mais de 3 mil títulos publicados nas áreas de Contabilidade, Economia, Administração de Empresas, Direito, Ciências Humanas, Métodos Quantitativos e Informática. Suas publicações – livros-textos, livros de referência, dicionários e livros para concursos públicos – visam à melhoria do ensino e da Educação brasileira em sua totalidade.

Formado oficialmente no segundo semestre de 2007, o Grupo Editorial Nacional [GEN] reúne as editoras Guanabara Koogan, Santos, LTC, Forense, Método, Forense Universitária, AC Farmacêutica e EPU. O objetivo do grupo é prover o mais completo conteúdo educacional para as áreas científica, técnica e profissional [CTP]. O GEN oferece um catálogo com mais de 2.800 títulos, alguns dos quais publicados também em Espanhol e distribuídos em toda América Latina.

A Editora Saraiva é a maior editora brasileira no segmento de obras jurídicas e uma das mais importantes editoras de livros universitários nas áreas de administração, economia, contabilidade, marketing e negócios, além de editar obras de interesse geral. Hoje, seu catálogo reúne cerca de 3 mil títulos para o público universitário. É também uma das primeiras no ranking de livros didáticos e paradidáticos para ensino fundamental e médio.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 24/05/2011

Editoras e livrarias se preparam para chegada da Amazon


Por Renata Honorato | Com reportagem de Paula Reverbe l Publicado originalmente em VEJA – Vida Digital | 20/05/2011 – 19:24

A cadeia de produção e distribuição do livro deverá ser afetada pela entrada da empresa americana no mercado. E promete reagir

O Kindle: plataforma de leitura e negócios da Amazon

O primeiro passo da Amazon no Brasil será oferecer ao mercado local 5.000 livros em formato eletrônico em língua portuguesa. Será um importante incremento, uma vez que a Saraiva, maior rede de livrarias do país, e a Cultura, a mais bem equipada do ponto de vista de acervo, oferecem cerca de 3.000 títulos em português cada – além de aproximadamente 230.000 em outras línguas. Mas a Amazon poderá dar escala ao processo. Em sua loja virtual, estão à disposição de consumidores nada menos do que 950.000 e-books. A velocidade em que essa evolução se processará aqui dependerá em boa medida da decisão dos editores, detentores dos direitos de publicação das obras já editadas no país.

No Brasil, a empresa americana negocia com diversas editoras. É o caso de empresas de peso como Record, Objetiva e Ediouro. O objetivo das conversas é convencer as brasileiras a entrar de cabeça em seu sistema: em outras palavras, vender seus livros a partir de sua loja virtual, no formato compatível com o leitor Kindle. Alguns frutos desse trabalho já estão pendurados na árvore da Amazon. Segundo Newton Neto, diretor da Singular Digital, braço da Ediouro para operações eletrônicas, cerca de 120 e-books da editora já estão disponíveis na livraria americana.

Os editores brasileiros garantem que o negócio interessa. Mas, na prática, são cautelosos e evitam tratá-lo como tábua de salvação do segmento editorial local. “Levamos muito a sério as novas tecnologias”, diz Roberto Feith, presidente da Objetiva. “Mas a internet, e suas variantes, se configura apenas como mais um canal de vendas”, completa o executivo. Sérgio Machado, presidente da Record, sintetiza o impasse entre as partes. “Estamos conversando, mas ainda não encontramos um modelo de parceria que nos pareça satisfatório.

Nos bastidores, comenta-se que as editoras preparam um acordo: não liberar para venda na Amazon seus bestsellers [ou candidatos a], principal fonte de receita do setor. Além disso, Objetiva, Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta articularam, em uma espécie de joint venture, a criação de uma empresa responsável pela digitalização de obras e sua distribuição a livrarias: a DLD. É uma tentativa de dominar parte do processo digital.

O modelo de parceria é de fato um dos pontos-chave do trabalhoso processo de migração do papel para o meio eletrônico. Nos Estados Unidos, onde o negócio, é claro, está mais avançado, a Amazon iniciou a operação fixando o preço de “capa” do produto final, pagando um percentual aos editores a cada venda. A intenção da gigante era forçar preços baixos e insuflar o incipiente segmento de livros eletrônicos. O modelo vigorou entre 2007 e 2010, quando a Apple lançou o iPad e a venda de e-books em sua loja virtual. Na proposta de Steve Jobs, os editores determinavam os preços, ficando a loja com a comissão de 30%. A novidade caiu como uma bomba entre as editoras americanas, que pediram a revisão de seus contratos.

A Amazon teve de ceder. E agora adota uma política similar à da Apple. O contrato, contudo, não exige exclusividade. Assim, quando as obras em português caírem definitivamente na loja da Amazon, poderão eventualmente ser encontradas em concorrentes.

Se a vida dos editores está sendo sacudida pela brisa da Amazon, a dos livreiros deve enfrentar um furacão. Ao inaugurar um escritório e uma operação dedicados ao Brasil, a Amazon, um titã que fatura 34 bilhões de dólares ao ano, passará a concorrer diretamente com as empresas estabelecidas aqui. “Acredito que as grandes livrarias estão preparadas para essa nova realidade. Mas as pequenas certamente sofrerão com isso“, diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL].

Saraiva e Cultura já dão como certa a entrada da empresa americana na disputa pelo leitor local. Para contra-atacar, miram no formato de livro digital vendido pela Amazon, só compatível com o leitor de e-books da marca, o Kindle. As livrarias brasileiras apostam em um formato eletrônico chamado ePUB, reconhecido por um grande número de plataformas, como tablets, celulares e computadores que rodam, entre outros, com sistemas da Apple e do Google [Android].

Estamos criando novos modelos para a distruição digital de conteúdo. Um deles é o livro-aplicativo, que pode ser baixado na Apps Store, da Apple, e, em breve, na versão Android“, diz Sergio Herz, presidente-executivo da Cultura. A Saraiva vai no mesmo caminho. E aposta no aumento da oferta de obras. “Estamos trabalhando duro para aumentar nosso acervo em língua portuguesa“, afirma o presidente da companhia, Marcílio Pousada.

Atualmente, em consequencia de um acordo firmado entre editoras e livrarias, um e-book custa, no Brasil, 20% a menos do que um livro impresso. Espera-se que a chegada de um protagonista do setor, a Amazon, ajude a derrubar ainda mais esses preços.

Por Renata Honorato | Com reportagem de Paula Reverbe l Publicado originalmente em VEJA – Vida Digital | 20/05/2011 – 19:24

Amazon está chegando ao Brasil. E não vai vender só livros


Por Renata Honorato | Com reportagem de Paula Reverbe l Publicado originalmente em VEJA – Vida Digital | 20/05/2011 – 19:23

A maior varejista eletrônica do planeta prepara entrada no mercado nacional pelo setor de livros. Mas ninguém acredita que vai ficar só nisso

 

A Amazon está aportando no Brasil. A maior varejista eletrônica do mundo deve iniciar sua operação por aqui no fim deste ano ou no início de 2012. Para isso, já negocia com editoras brasileiras a conversão, em grande escala, de títulos nacionais em e-books, além de vender por aqui seu leitor de livros digitais, o Kindle. “Estamos em contato com o emissário da Amazon. E ele está conversando com várias editoras locais“, revela Sérgio Machado, presidente da Record, uma das maiores empresas do setor editorial no país. Mas a Amazon não vive só de livros. Ao contrário. No ano passado, suas vendas nesse segmento [reforçadas por discos, consoles de games, software e downloads] foram responsáveis por menos da metade do faturamento de 34 bilhões de dólares da empresa – que atualmente vende itens tão diversos quanto acessórios automotivos e ervas para gatos.

A companhia americana confirma que tem “planos para o Brasil”, mas guarda segredo sobre eles. Há três meses, o interlocutor com as editoras locais é o peruano Pedro Huerta, que trabalhou na prestigiosa editora americana Randon House. Ele conduz negociações a partir de Nova York e Londres. É evidente, porém, que a Amazon deve chegar ao país para empreender uma grande, ou melhor, gigantesca operação de e-commerce, que deve mexer com a vida de eventuais parceiros, concorrentes e consumidores. Faz todo o sentido. O setor de e-commerce no Brasil passa por uma fase positiva. Neste ano, deve faturar ao menos 20 bilhões de reais, segundo previsão da empresa de monitoramento de comércio eletrônico E-bit. É um crescimento de 35% em relação a 2010.

A Amazon é uma empresa muito grande. Por isso, é improvável que venha para o Brasil só para vender livros“, diz Carlos Affonso Souza, vice-coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas [FGV]. “O fator mais positivo é que sua chegada estimulará o setor de comércio eletrônico e funcionará como uma espécie de chancela, um reconhecimento de que o e-commerce brasileiro é maduro e promissor.” Souza lembra que o interesse da Amazon no Brasil é antigo. Em 2005, a empresa tentou na Justiça tomar controle do domínio amazon.com.br, que pertence a uma empresa brasileira de soluções de TI chamada Amazon Corporation. Não obteve, contudo, um veredicto a seu favor.

O retrospecto de atuação da Amazon em outros mercados fornece mais um indício de que a empresa deve chegar ao Brasil para vender de tudo um pouco. A companhia nasceu em 1995, nos Estados Unidos. De lá, e desde então, expandiu sua atuação a outros países. Grã-Bretanha e Alemanha, por exemplo, ganharam operações locais já em 1998. França e China, em 2000. Canadá, Japão e Itália também estão na lista de nações que contam com escritórios locais da companhia.

Nesses mercados, a empresa aliou a oferta de um vasto número de livros em idioma local à venda do mix de produtos que a sustenta: computadores, material de escritório, casa e jardim, produtos de saúde e beleza, brinquedos, roupas e bugigangas, além da prestação de serviços, como o armazenamento de dados de grandes empresas. Nem todos os itens, contudo, saem de seus estoques. A estratégia tem sido recorrer a fornecedores locais, que usam a Amazon como uma vitrine, a partir de dois acordos. Em um deles, o parceiro usa a rede de distribuição da gigante do varejo para fazer seu produto chegar às mãos do consumidor. No outro, ele mesmo faz a entrega. Nos dois casos, recebe uma comissão da Amazon.

A logística de distribuição de produtos no Brasil é o “x” da questão acerca da entrada da companhia no país. Na China, por exemplo, a empresa americana iniciou suas operações construíndo uma rede de distribuição própria. Quatro anos depois, porém adquiriu por 75 milhões de dólares a chinesa Joyo, especializada no assunto. “A Amazon deve erguer sua própria logística no Brasil, mas não podemos descartar a possibilidade de ela adquirir um grande player nacional, que já tenha o seu modelo montado“, diz Alexandre Umberti, diretor de marketing e produtos da E-bit. Umberti aposta ainda que o consumidor sera o principal beneficiado, uma vez que a empresa americana colocará em solo brasileiro seu know-how em áreas como atendimento ao cliente.

O certo é que o dia em que a companhia americana colocar os pés no país algo vai mudar na vida dos atuais protagonistas do e-commerce local. Um deles é a  B2W, que controla os serviços Submarino, Americanas.com, Ingresso.com e Shoptime, detentor de um faturamento de 4 bilhões de reais, em números de 2010. Procurada pela reportagem de VEJA para comentar a aproximação da Amazon do mercado brasileiro, o grupo preferiu manter-se em silêncio. Posição mais clara em relação ao seu negócio tem a Câmara Brasileira do Livro, entidade que representa interesses de editoras, livrarias e distribuidores. “A chegada da Amazon no país indicará um caminho inevitável e sem volta: ela terá de se expandir para outros negócios“, diz Karine Pansa, presidente da CBL.

Enquanto tablets se expandem no Brasil, livro digital ainda engatinha


SÃO PAULO. Enquanto a base de proprietários de tablets, como o iPad, cresce em ritmo acelerado no Brasil, a oferta de livros digitais engatinha, devido a obstáculos que vão da renegociação de direitos autorais à preocupação com pirataria. Paulo Rocco, dono da editora Rocco, conta que alguns agentes cedem os direitos autorais para o livro digital por apenas dois anos, a título de experiência.

A editora começou a vender e-books há um mês. São 50 títulos, tirados dos contratos mais novos, que preveem a cessão de direitos para livros digitais.

Apesar das dificuldades, as editoras querem dar este ano um salto no número de e-books. A LP&M, hoje com 200 títulos, pretende chegar a 450. A Zahar quer passar de 300 para 450, e a Sextante, de 50 para 100.
– Se você procura um livro digital que não existe, a chance é maior que ele seja pirateado – diz Marcos Pereira, editor e sócio da Sextante.

Download é pouco se comparado à venda impressa

O consumo ainda é modesto. O best-seller “A cabana”, da Sextante, atingiu em seis meses mil downloads, contra 200 mil cópias em papel vendidas no período. Já “Comer, rezar e amar”, da Objetiva, teve 75 downloads em abril, contra 10 mil impressos vendidos.

Na Zahar, que produz livros digitais há dois anos, o faturamento destes é de apenas 0,1% do total. A editora, forte em livros acadêmicos, vende títulos por 30% menos que nas livrarias e oferece capítulos separadamente, por até R$ 1,90.

De olho na demanda futura, LP&M, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante criaram em 2010 a Distribuidora de Livros Digitais [DLD]. Ela entrou efetivamente em operação há um mês, com catálogo de 400 obras, vendidas por Saraiva e Livraria Cultura e preço 30% menor que a versão em papel. Roberto Feith, diretor-presidente da Objetiva e presidente do Conselho da DLD, aposta na forte expansão quando os e-readers forem acessíveis à classe média.

Na Ediouro, a ênfase ainda é nas classes A e B. Ela tem hoje 200 livros digitais. Já a Record vem apostando em títulos para o público jovem.

Por Paulo Justus | Publicado por Globo.com | Digital & Mídia | 11/05/2011 às 00h50m | Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

DLD inicia operações até o dia 4 de abril


Por Maria Fernandes Rodrigues & André de Lima | Publicado originalmente em PublishNews | 22/03/2011

Roberto Feith, que além de comandar a Objetiva, é o presidente do conselho da DLD | Fotógrafo: Divulgação/Bruno Veiga

Anunciada em março e criada em agosto de 2010, a Distribuidora de Livros Digitais [DLD] está prestes a iniciar sua operação de distribuição de e-books. Os seis sócios são os mesmos desde sua criação – Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM – e o início das operações se dará inicialmente com as lojas de e-books da Saraiva e Cultura. A empresa, dirigida por Roberto Vaz Moreira, vinha trabalhando discretamente e em silêncio, sendo comum ouvir no mercado comentários que duvidavam do desenvolvimento e mesmo do início das operações da DLD. Nesta entrevista exclusiva, Roberto Feith, que além de comandar a Objetiva é presidente do conselho da DLD, desmistifica esta visão e mostra que a DLD está a todo vapor ao falar abertamente dos planos, expectativas e cronograma de lançamento da distribuidora digital.

PublishNews: Quando a DLD começa a operar?
Roberto Feith: A DLD concluiu a customização do seu software e está na fase final dos testes operacionais com Saraiva e Cultura. Ela começa a operar com estes dois parceiros até o dia 4 de abril. Além disto, concluiu acordos com mais duas empresas de comércio virtual. Estes dois projetos, desenvolvidos por grupos empresariais nacionais, vão estrear até o final do primeiro semestre. Além disto, a distribuidora está em conversações com outros potenciais parceiros, brasileiros e internacionais.

PN: Quantos e-books ela vai oferecer quando começar sua operação?
RF: Estreamos com 350 títulos, sendo que a maioria deles, livros de grande giro. As editoras participantes da DLD estão comprometidas com o aumento contínuo deste acervo. Ele vai crescer semana a semana. A meta é chegar ao final de 2011 com 1500 títulos.

PN: Os livros distribuídos pela DLD terão DRM [Digital Rights Management]?
RF: Com DRM, para proteção dos autores, leitores e editores.

PN: Como a DLD hoje está estruturada? Qual o tamanho da equipe
RF:A DLD foi criada em agosto de 2010 e estruturada para utilizar de forma integrada a tecnologia mais avançada possível. As próprias editoras clientes realizam o upload dos livros digitas e dos respectivos metadados. Elas também podem acessar em tempo real, e com diversos recortes, as informações relativas às vendas. As livrarias podem fazer o mesmo. Deste modo, parte da operação fica a cargo dos próprios clientes, editoras e livrarias. O software da plataforma está integrado ao sistema de gestão, de modo que funções como o faturamento e prestações de conta também são automatizadas.

Para tocar esta estrutura, temos uma equipe enxuta, de quatro pessoas. Serviços como contabilidade e apoio jurídico são terceirizados. Outras pessoas trabalharam no projeto, prestando consultoria em diferentes etapas, como, por exemplo, na elaboração do Plano de Negócios, e este tipo de consultoria continuará a ser utilizada sempre que oportuno.

Foram também realizadas algumas sessões de treinamento para as equipes técnicas das editoras clientes, especialmente no que concerne a conversão de arquivos para o formato EPub, utilizado pela plataforma.

PN: Quais são as habilidades necessárias para se trabalhar com o livro digital?
RF: As habilidades necessárias para trabalhar com o livro digital são as mesmas do que nos outros formatos; conhecimento, visão e criatividade, tal como no livro impresso, falado, gravado, micro filmado ou em qualquer outro suporte.

PN: Como a DLD imagina o mercado dos livros digitais em 5 anos?
RF: Difícil prever com exatidão. Existem muitas variáveis e algumas delas provavelmente ainda não deram o ar da graça. Ainda assim, elaboramosum Plano de Negócios para a DLD com as informações disponíveis. Este plano prevê que até 2015 a venda de dispositivos de leitura no Brasil vai ultrapassar um milhão de aparelhos por ano; a venda de livros digitais vai superar oito milhões de exemplares por ano e isto vai representar cerca de 7% do mercado. Se estas previsões estiverem erradas, será porque foram conservadoras.

PN: Quais são os desafios?
RF: O maior desafio tem sido compreender todas as transformações em curso – em termos tecnológicos, nos hábitos do consumidor e na cadeia de valor do livro – e as suas respectivas implicações e, desta reflexão, elaborar uma estratégia eficaz de atuação. A DLD é um dos resultados desta reflexão.

Por Maria Fernandes Rodrigues & André de Lima | Publicado originalmente em PublishNews | 22/03/2011