15 truques para você usar [de verdade] seu Kindle


Por: Nadiajda Ferreira | Publicado originalmente em GIZMODO Brasil | 20 de outubro de 2013, às 14:15

O mercado brasileiro de livros eletrônicos ainda está engatinhando e em breve [torçamos] será expressivo a ponto de a compra de e-books se tornar financeiramente vantajosa para o consumidor. Mas a praticidade dos leitores digitais é um fato: você pode dispensá-la, mas negá-la é complicado.

A discussão sobre o futuro do livro físico e sua pretensa obliteração pelo formato digital já está desgastada, mas é bom não esquecer que boa parte dos leitores está [e permanecerá] em cima do muro: mesmo tendo adquirido leitores digitais, eles não deixaram de comprar livros físcos. De modo que o apocalipse do livro de papel pode ser adiado em alguns anos.

Se você não é o tipo de pessoa que vai perder essa mão na roda só pra levantar a bandeirinha do tradicionalismo sem limites, é possível que já tenha optado ou esteja pensando em optar por um Kindle. Embora os dois modelos disponíveis hoje no Brasil sejam simples e não sigam a regra do device-que-faz-absolutamente-tudo-que-você-precisa-na-sua-vida, os leitores digitais da Amazon guardam alguns segredinhos nem tão secretos assim e descobri-los vai facilitar a sua vida. Ainda mais.

1. Hora de criar a sua biblioteca digital

A maioria das pessoas compra o leitor digital com um só objetivo: ler livros. Se você [secretamente, claro], já parou para pensar no seu consumo de literatura como uma dependência grave e passível de tratamento, prepare-se para alcançar um pouquinho de redenção ao adquirir um Kindle: os livros digitais são um pouco mais baratos, você poderá ler no transporte público sem precisar fazer malabarismo para equilibrar um calhamaço numa mão só, vai carregar menos peso e se o livro acabar no meio do caminho, não tem problema: tem mais alguns bem ali. Embora a oferta brasileira de e-books ainda não seja uma maravilha e o preço das versões eletrônicas não apresente grandes vantagens sobre as edições físicas, o leitor digital ainda representa economia. Sabe aquele monte de arquivos de livros que você acumulou a vida inteira no seu HD, jurando que um dia iria ler mesmo com toda a canseira causada pela tela do computador? Então, amigo, chegou a hora de colocar toda essa biblioteca alternativa no Kindle. Se você é essa pessoa equilibrada que não passou anos acumulando arquivos, parabéns. E meus pêsames, porque isso vai mudar agora mesmo.

Calibre é a ferramenta mais utilizada para converter arquivos para .mobi, o formato nativo do Kindle. Basta fazer o download do programa e ta-dam, é possível converter todos aqueles livros não lidos ou mezzo lidos e passá-los para o seu leitor via USB. Só que além de exigir que você faça as conversões e coloque os arquivos dentro do device no muque, o Calibre não é a ferramenta mais bonita e amigável que você verá na sua vida. Pra ser bem realista, ele é o tipo de software que sua tia [sim, a que te envia aqueles PPTs com mensagens de amor e esperança ilustradas com fotos de gatinhos e desenhos de artistas especialmente inaptos] criaria se ela fosse desenvolvedora.

Se você usa várias máquinas e não está na vibe de baixar um programa de conversão, nada tema: existem as opções que não precisam de instalação. O Cloud Convert e o Online Convert podem ser usados direto no site e transformam seus livros e documentos em arquivos .mobi, prontinhos para serem lidos no Kindle.

Mas tem um jeito ainda mais fácil: a própria Amazon oferece um software para desktop que envia seus arquivos para o Kindle e você pode baixar as versões para PC e Mac aqui. Depois de instalar, é só clicar com o botão direito do mouse sobre um arquivo e aparecerá a opção “Send to Kindle”. O programa faz a conversão do documento para .mobi, mas pode demorar para que ele chegue ao seu leitor.

2. Organize sua biblioteca digital como você quiser

Você pode organizar seus livros digitais de duas maneiras: deixando uma lista de livros na sua tela inicial [as opções de exibição são por mais recentes, por título ou por autor] ou criando coleções. Se você tem mais de 20 livros no seu Kindle, a melhor opção para fugir da insanidade organizacional são as coleções.

O mesmo livro pode estar dentro de diferentes coleções, de modo que se seu nível de TOC for alto, é possível criar múltiplos grupos com diferentes divisões: por autor, por gênero, por língua, por tema e o que mais der pra inventar. Se optar pelas coleções, o Kindle sempre vai manter no alto da tela a última coleção na qual você entrou. Assim, uma ideia é criar três coleções funcionais: a de livros lidos, a de livros que você está lendo e a de livros a serem lidos, e manter as duas últimas no topo da lista. Dois lembretes importantes: excluir as coleções não exclui os arquivos de livros ou documentos contidos nelas; se acontecer alguma coisa com seu Kindle e você tiver que adquirir outro, a conta da Amazon continuará sendo a mesma e seus livros estarão lá. Mas as coleções vão sumir e [sim, é uma tristeza] será preciso organizar tudo de novo.

3. Envie textos do seu navegador direto para o Kindle

Você está aproveitando seus cinco minutos de internet e de repente encontra um artigo legal. Você poderia lê-lo, mas coisas incômodas como trabalho, obrigações ou responsabilidades são impedimentos. Suas opções são deixar o link aberto no navegador [e depois fechar todas as abas sem querer], favoritá-lo [e esquecer pra sempre], mandar pra você mesmo por e-mail [e nunca ler] ou usar uma ferramenta de curadoria de links [e acumular mais artigos do que poderia ler numa vida inteira, mesmo se passasse 24 horas por dia fazendo isso]. É possível acreditar em pequenos milagres quando o staff das principais ferramentas de armazenamento de favoritos tem a epifania de se integrar com o Kindle.

Instapaper, um dos mais conhecidos sites de favoritos, disponibiliza o envio dos textos salvos para o seu Kindle. Eles vêm num só arquivo e dá para escolher a periodicidade e quantidade de artigos enviados, mas não espere um grande primor da arte da diagramação. Ele também não permite a visualização de imagens e não dá pra adicionar o arquivo de artigos a uma das suas coleções.

Readability é um complemento para navegador que também guarda seus links para leitura posterior. A opção de envio de artigos para o Kindle cria documentos minimalistas e oferece aquela que provavelmente é a melhor experiência de leitura de artigos no Kindle, embora o envio de imagens também seja um problema.

A Amazon não perdeu tempo e criou seu próprio complemento para enviar artigos do browser, o Send to Kindle. Ele tem até um botão que você coloca no seu site ou blog para que os leitores possam enviar os artigos diretamente para seus dispositivos. Acontece que o Send to Kindle é temperamental, trava muito e às vezes simplesmente não simpatiza com um artigo e não o envia a não ser após várias tentativas.

Algumas aplicações para navegador foram criadas especialmente para o device, como o Push to Kindle, e reza a lenda que ele é o mais funcional de todos. Lembre-se de que para utilizar esses complementos é necessário colocar os e-mails deles na lista autorizada a enviar material para o seu Kindle. Para fazer isso, entre na sua conta da Amazon e acesse as “Configurações de Documentos Pessoais”.

4. Envie arquivos para o seu Kindle por e-mail

Você também pode enviar arquivos para o seu Kindle por e-mail. Para isso, entre na sua conta da Amazon e clique na opção “Gerencie seu Kindle”. Depois, à esquerda da tela, entre em “Configurações de Documentos Pessoais” e adicione os endereços de e-mail que poderão mandar conteúdo para o seu aparelho. Os arquivos que forem enviados de outros e-mails serão descartados. Depois de fazer a configuração, é só anexar um arquivo [no formato .mobi] e mandar ver. Um truque: se o arquivo for um PDF, você pode enviá-lo no formato original, mas alguns PDFs ficam ilegíveis no Kindle. Então coloque a palavra “convert” no título do e-mail e ele será convertido automaticamente. Só que pode demorar e nem sempre dá certo.

5. Leia seus feeds favoritos no Kindle

Do vício em livros para o vício em blogs é um pulo. Dá para ler alguns dos seus feeds preferidos no leitor digital usando o Kindle4rss, que monta uma revistinha com o conteúdo que você acompanha. A versão gratuita permite a assinatura de até 12 feeds com 25 artigos por edição, mas é preciso que você coloque o conteúdo manualmente no seu Kindle. A versão paga custa $1,90 por mês, oferece até 300 assinaturas com número ilimitado de artigos por edição e ainda envia os arquivos automaticamente para o aparelho.

6. Acesse o conteúdo do seu Kindle em outros aparelhos

Aí a bateria do Kindle acabou numa situação em que não dá pra recarregar bem quando você pretendia continuar uma leitura. Não precisa chorar: é possível acessar o conteúdo do seu Kindle em outros devices através de aplicativos disponibilizados pela Amazon. Tem pra iPhone, iPod Touch, iPad, Android, tablet Android e tablet com Windows 8.

7. Seus arquivos e a nuvem da Amazon

Nem todos os arquivos que você coloca no Kindle ficam guardados nos servidores da Amazon. Tudo aquilo que você compra ou envia para o Kindle via e-mail ou complementos de navegador fica armazenado tanto no aparelho como na nuvem da Amazon. No entanto, os arquivos que são colocados no Kindle via cabo USB ficam somente no aparelho. Se acontecer alguma coisa com seu device, eles se perdem.

8. Use o Kindle para ler quadrinhos

O Kindle e o Kindle Paperwhite não são os devices ideais para a leitura de quadrinhos, tanto pelo tamanho da tela como pela ausência de cores. Mas se a vontade for maior que o juízo, sempre há um jeitinho.

Pelo site da Amazon é possível baixar gratuitamente o Kindle Comic Creator, um software que permite que os quadrinistas criem HQs em .mobi para vendê-las no site. Você pode baixá-lo e converter as HQs que estão no seu computador, só que como o foco da ferramenta não está nos usuários, mas nos criadores, utilizá-la não é fácil nem rápido.

Já o Mangle foi criado com o objetivo de tornar a leitura de mangás possível no Kindle. Como os mangás costumam ter um formato menor que o dos comics americanos e geralmente são em preto e branco, a experiência não fica muito prejudicada.

9. Coloque uma senha no seu Kindle

Digamos que você seja Professor Doutor em Literatura Russa, resolva ler Crepúsculo [só para entender o fenômeno, lógico] e não queira que ninguém descubra para evitar situações academicamente embaraçosas. Simples: coloque uma senha no seu Kindle. Tanto o modelo simples quanto o Paperwhite oferecem em seus menus de configurações a opção de criar uma senha numérica para o dispositivo.

10. Quanto mais línguas, mais dicionários

O Kindle já vem com dicionários, mas quem é poliglota ou está estudando outras línguas pode adicionar mais alguns. Aqui você encontra dicionários já no formato nativo do leitor da Amazon.

11. Faça backup do seu arquivo de anotações

O Kindle permite que você faça marcações e notas nos seus livros. Essas anotações ficam armazenadas num documento que seu Kindle chamará de “Meus Recortes”. É sempre bom fazer o backup periódico desse arquivo, que fica na pasta raiz do aparelho, para que as suas informações estejam sempre atualizadas. Outra dica é: você pode sincronizar os dados para que o documento esteja disponível em todos os devices nos quais você utiliza a plataforma Kindle. Para fazer isso, vá até as configurações e se certifique de a opção “Backup de anotações” está ligada. Você também pode ver os trechos que as pessoas mais destacam nos livros e permitir que suas notas sejam vistas pelas pessoas que você segue na Amazon: basta entrar nas suas configurações e ligar as opções “Destaques Populares” e “Notas públicas”.

12. Use seu Kindle para revisar textos

Muita gente acha melhor imprimir documentos para revisá-los. Você pode repassar seus textos no Kindle, economizar papel e contribuir para a vida das arvorezinhas. Envie o documento a ser revisto para o seu Kindle e faça as correções usando as ferramentas de notas e marcações.

13. Um sistema operacional alternativo para o Kindle

Uma pequena empresa chinesa decidiu que não tem medo do Jeff Bezos e desenvolveu o Duokan, nada menos que um sistema operacional alternativo para o Kindle. Ele permite que o Kindle leia ePub, o formato padrão de e-books, que é mais compacto que o .mobi. O Duokan também conta com um auto-ajuste para arquivos PDF. Agora a dura verdade: a instalação do sistema é por sua conta e risco: se tudo der certo, seu Kindle fica tunado. Se der errado, ele vai virar um belíssimo peso de papéis. Além disso, com a instalação do Duokan, o Kindle deixa de receber as atualizações de software da Amazon.

14. Screenshots no Kindle Paperwhite

No Kindle Paperwhite é possível tirar screenshots tocando as extremidades opostas da tela, como mostra este vídeo. O arquivo vai para a pasta raiz do aparelho.

O Paperwhite também permite que você faça uma pesquisa na Wikipedia Inline a partir de uma palavra do texto. Quando a palavra for pesquisada, abaixo da definição vai aparecer um botão “Mais”: clicando nele, você será encaminhando para a definição do termo no site.

15. Pequenas funcionalidades, grande ajuda

O Kindle permite que você personalize algumas configurações do arquivo que você está lendo: é possível mudar o tamanho da fonte e o espaçamento entre as linhas, além de rotacionar a tela e, em alguns arquivos, usar o zoom.

Apesar de o Kindle manter os livros digitais na página em que você os deixou, se quiser ficar fuçando pra lá e pra cá no arquivo [o Kindle não tem numeração de página: ele usa um sistema de porcentagem de leitura], é possível criar um marcador. É só ativar o menu, clicar na opção “Marcador de Página” e vai aparecer uma dobrinha digital no canto da página em que você estiver.

Você também pode compartilhar suas notas e destaques via Twitter ou Facebook ativando as redes sociais na parte de configurações do aparelho. Essa funcionalidade só está disponível para os livros comprados na Amazon.

O Kindle é feito para ser carregado via USB através do computador, mas você também pode carregá-lo direto na tomada, desde que compre um adaptador para USB ou use um carregador compatível [dica: o do iPhone 5 funciona perfeitamente].

No menu do Kindle há a opção “Experimental”, que oferece um navegador beta. Você pode experimentá-lo e enviar a sua opinião para que a Amazon o aperfeiçoe.

Recentemente a Amazon liberou o serviço de atualização automática de livro. Se você ativá-la na sua conta, os livros recebem atualizações caso a editora opte por substituir a edição que você comprou por uma versão aperfeiçoada.

Agora você não tem mais desculpa para não dar um jeito no seu Kindle. Se você conhece outros truques, compartilhe nos comentários!

Por: Nadiajda Ferreira | Publicado originalmente em GIZMODO Brasil | 20 de outubro de 2013, às 14:15

Extensão do Chrome usa texto colorido para acelerar a leitura online


unnamedO aplicativo BeeLine Reader, para o Google Chrome, promete aumentar a velocidade de leitura utilizando um processo com fundamentos neuropsicológicos, principalmente no Teste de Stroop. O processo baseia-se na alteração gradual das cores das linhas. A técnica demonstra que os usuários percebem a cor do texto que estão lendo quer queiram, quer não.

O aplicativo se baseia no código open-source da expansão para leitura Readability, mas funciona de forma diferente. Enquanto o Readability melhora a experiência da leitura ao salvar os textos para serem lidos mais tarde, ou separando-os do site em questão para que fiquem mais leves, o BeeLine Reader altera a cor das linhas de forma gradual, o que impede que o leitor se perca ou leia a mesma linha mais de uma vez por engano, por exemplo.

Os desenvolvedores garantem que o programa não compromete o aproveitamento do texto. O serviço oferece um teste [disponível apenas em inglês] no site oficial para os mais céticos.

Após instalado, o aplicativo fica localizado do lado direito da barra de endereços do navegador, com a forma de uma abelhinha. Quando estiver lendo um artigo, basta clicar nele e você será levado a uma página exclusiva com o texto colorido, em fonte maior e sem propagandas. Ao lado esquerdo existem dois botões de configurações, onde é possível alterar o padrão de cores do texto, e um botão para retornar ao site original do texto.

O estranhamento, é claro, é inevitável. Os leitores estão acostumados a ler textos em blocos de apenas uma cor e não em um carnaval multicolorido de palavras. Mas é impossível negar a eficiência do programa. Depois de acostumar-se a diferença é facilmente percebida enquanto os olhos correm de uma frase para a outra com, aproximadamente – de acordo com o que dizem as pesquisas –, 10% a mais de velocidade do que em um texto comum.

Tech Tudo | 08/10/13

Porque enviar textos sem DRM para o Kindle?


POR EDNEI PROCÓPIO

Li, num jornal de Imperatriz, enquanto me preparava para minha palestra sobre eBooks, durante o 10º Salão do Livro da cidade, que a Amazon já está pensando no lançamento do Kindle Fire 2.

E enquanto a gigante do varejo online, a Amazon.com, prepara a segunda edição do tablet cujo navegador, pela tecnologia empregada, é um dos mais eficientes que se tem notícia, fiquei pensando num modo mais simples de como enviar para o hardware alguns artigos e matérias que me aguardavam na fila de espera da leitura.

Encontrei uma pista na última edição da revista Superinteressante, que eu comprei na ida, numa daquelas revistarias de aeroporto.

Aqui vai, portanto, uma dica de como enviar textos, sem DRM, para ler no seu Kindle. Tablets como o Kindle Fire, como sabemos, não serve apenas para ler livros eletrônicos comprados na loja da Amazon. O usuário também pode, por exemplo, alimentá-lo com textos, artigos e matérias da Internet. Mas como fazer isso para uma posterior leitura offline?

Fique tranquilo, não usaremos nenhum script malicioso ou jailbreak da vida.

[A] O primeiro modo é instalando o plug-in Readability. O aplicativo Readability irá adicionar um botão ao navegador. Clique no botão Readability e o conteúdo, a página, que você está lendo será enviada para o aparelho. Um script, chamado sugestivamente de Send to Kindle estará lá no canto superior, à direita, através do atalho Shift + Ctrl + K. Se você estiver, por exemplo, lendo um livro da estante da eBooksBrasil.org, o conteúdo aparecerá no seu Kindle.

[B] Agora, se o leitor desejar enviar arquivos nos formatos .DOC, .TXT, .PDF, etc., diretamente para o Kindle, o segundo modo é instalando no PC o aplicativo Send to Kindle [desenvolvido pela própria Amazon].

Basicamente é isso. Fácil, não? Foi o que eu pensei e, por isso, baixei um livro eletrônico pirat… quer dizer, sem DRM, e me pus a testar. Eu baixei uma versão pirat… quer dizer, sem DRM, do livro “A Profecia Celestina” do site… [não vou entregar o nome do site porque eu não quero tirar o trabalho do pessoal da  ABDR].

Aliás, como eu morro de medo do pessoal da ABDR me enviar uma intimação, ou algo que o valha, liguei logo para o meu advogado para explicar para ele a minha experiência de testar plug-ins e aplicativos oficiais com livros pirat… quer dizer, conteúdo sem DRM. Aí ele me disse “…mas é tão fácil assim?” e eu respondi “sim, claro, veja: basta você instalar o plug-in de leitura online do Readium, subir o ePub de um livro eletrônico pirat… quer dizer dizer sem DRM, clicar no Sent to Kindle e”… ele respondeu:

Veja bem, é muito arriscada a sua experiência.. se você for preso eu não sei se eu conseguirei te defender. É muito complicado explicar ao excelentíssimo Juiz que você estava testando um aplicativo oficial com um conteúdo sem DRM, ao invés de ter de explicar que baixou um livro pirata para provar que o sistema de certas empresas, dito seguras, também servem para isso.

Mesmo assim eu me arrisquei, baixei a versão pirat.. quer dizer, sem DRM, do livro do escritor James Redfield e mandei para o meu Kindle sem muito esforço. Só que, para o meu azar, quando eu estava lendo o tal conteúdo sem DRM, dentro do avião, a comissária de bordo me pediu para que eu gentilmente desligasse o meu aparelho. Aí eu disse para a aeromoça, muito linda por sinal, que veja bem, aquilo não era um aparelho, que blasfêmia, aquilo era um leitor de livros eletrônicos. Mas ela, muito educadamente me pediu:

Tudo bem, senhor, eu compreendo, mas, por favor, desligue o seu livro!“.

É realmente um absurdo não poder ler livros dentro de um avião, tudo bem que o conteúdo era… sem DRM. Pra piorar, minha palestra sobre eBooks foi um desastre. Não tive audiência nenhuma. Não sei se porque a feira era de livros impressos, estava vazia, ou se não tinha ninguém interessado no futuro do livro mesmo.

Bem, acredito quando o James Redfield escreve em seu livro que nada é por acaso. Pelo menos percebi duas coisas na minha ida para o 10º Salão do Livro de Imperatriz. Que gostaria de aproveitar para comentar aqui:

[1] Existe um jornal terrível na cidade de Imperatriz, chamado O Progresso. Gente, na boa, o jornal deveria se chamar O Regresso. É um dos piores jornais que eu já folheei na vida. Tanto em termos de design, quanto em termos de conteúdo. Eu acho talvez que eu não devesse fazer isso, mas tem jornais de bairro aqui na nossa cidade que é muito melhor que O Progresso.

Como sempre faço quando chego em uma cidade nova que visito, eu procurei uma igreja e o jornal local para saber das coisas da região. Não gosto de me sentir uma espécie de caipira da cidade grande. Lendo O Progresso descobri que o jornal não conseguiu me mostrar o que de fato era a cidade, na sua essência. Então, bem, o que eu fiz, fui à Internet. Encontrei algo sobre a cidade na Wikipedia que me deixou um pouco angustiado, pois também parecia não refletir a cultura de onde eu estava.

Eu não sei, creio talvez que a imprensa regional esteja sendo asfixiada pela globalização da incompetência nas mídias.

[2] Dentro do saguão do aeroporto existe uma loja da La Selva [ou seria da SuperNews?, não me lembro mais]. Lá, eu fui abordado por um vendedor que me ofereceu uma ‘assinatura’ diferenciada da revista Wide, Galileu, etc., enfim das revistas que eu gosto. O processo era bem simples e bastante atraente: eu escolhia a revista, deixava o meu cartão de crédito e os números das revistas selecionadas me eram entregues no meu endereço físico todos os meses como se fosse uma assinatura convencional. Mas, porém, todavia, contudo, quem estaria entregando era a loja onde eu fiz a compra antecipada das revistas, o que me renderia 30% de desconto.

Uau! Gostei bastante da ideia dos descontos, me pareceu mais atraente do que eu fazer uma assinatura convencional, mas fiquei pensando no jornaleiro perto da minha casa cujo contato eu perderia nas minhas visitas nos domingos de manhã. Na verdade, o jornaleiro perto da minha casa é santista, como eu, e aí eu perderia as nossas conversas.

No final, não fiz a compra antecipada dos números das minhas revistas favoritas. Mas fiquei pensando que as coisas mudaram tanto que o jornal mais importante de uma cidade do Maranhão, com duzentos e cinquenta mil habitantes, mantém o pior conteúdo, que deveria ser regional, diga-se de passagem, que um município de nosso país pode ter acesso. E pensei também que até o modelo de assinaturas de revistas impressas pode enfrentar uma concorrência se as revistarias resolverem vender com descontos e entregar revistas diretamente para os seus clientes.

A conclusão deste post seria a seguinte: a cidade de Imperatriz precisa pensar urgentemente em uma alternativa para melhorar o design e conteúdo do seu maior jornal regional. Não faz sentido eu comprar um jornal de Imperatriz para ler notícias do Sudeste; E as revistarias estão tentando sobreviver vendendo números antecipados de revistas aos seus clientes abrindo mão de um percentual de seu lucro.

O que tudo isto tem a ver com enviar textos sem DRM para o Kindle? É muito simples: enquanto todos os geradores e editores de conteúdo investem seu tempo pensando em um modo de manter seguro os seus livros, alternativas de vendas de mídias são criadas, qualidade de conteúdo e design vão sendo esquecidos e a tecnologia avança para levar conteúdo sem DRM diretamente para os hardwares, passando por incrível que possa parecer pela própria plataforma segura de quem as desenvolveu. Então, porque enviar textos sem DRM para o Kindle? Pelo simples fato de que existem ferramentas que foram criadas para isso.

Bem, a Amazon vai precisar muito mais do que uma boa dose de antropologia, para não dizer antropofagia, se quiser entender o mercado editorial brasileiro antes de aportar em nosso país.

POR EDNEI PROCÓPIO

Readlists transforma seus artigos preferidos da internet em eBooks


O site e plataforma de leitura Readability lançou recentemente um novo serviço chamado Readlists. O aplicativo online transforma páginas da internet em eBooks, ideal para quando você não tiver tempo para ler um artigo interessante, e gostaria de enviá-lo para o seu eReader e lê-lo mais tarde.

Há duas opções de armazenamento, e uma delas leva o “livro” diretamente para algum dispositivo móvel de leitura, como o Kindle. A outra opção é guardar o texto em apps para iPad, iPhone e/ou plataformas Android.

Os e-books criados são bem elementares e mas bastante legíveis, graças a “Iris Engine”, desenvolvida exclusivamente para essa plataforma de leitura. A Iris faz um bom trabalho eliminando conteúdos dispensáveis e mantendo só o essencial da página, deixando o texto com um aspecto bem limpo.
O programa oferece, ainda, algumas opções de personalização das fontes e cores de fundo, da largura da página e do tamanho da fonte. Também é possível a eliminação das imagens e transformar os links em notas de pé de página.

As opções de compartilhamento seguem o padrão: cada readlist tem uma URL pública para visualização e um link público para edição, que se pode ser enviado para pessoas que desejarem colaborar. Há, ainda, uma ferramenta de incorporação para adicionar listas de sites ou blogs.

Por Julio Monteiro | Publicado originalmente em TechTudo | 28/05/2012 | Via The Verge

Programas facilitam leitura em tablets


Eles omitem distrações, como anúncios, barras laterais e links, e exibem somente o texto com um visual limpo

Empresa criou serviço de assinatura que repassa 70% do valor para produtores de conteúdo na internet

POR RAFAEL CAPANEMA
DE SÃO PAULO

Ler os textos que você quiser, na hora que bem entender, no dispositivo que você tiver à mão e sem distrações.

É essa a proposta de serviços como o Instapaper, o Readability e o Read It Later, que se popularizam na carona de smartphones e de tablets como o iPad.

A situação é comum: você se depara com um longo texto que parece ser interessante. Nos arredores do conteúdo, todo tipo de ruído: barras laterais, anúncios, comentários, links.

Com serviços de legibilidade, basta um comando para fazer sumir o que há de supérfluo e destacar apenas o essencial: texto e, eventualmente, fotos.

Artigos interessantes também costumam surgir quando se está ocupado no trabalho, por exemplo.

Nesse caso, basta usar o Instapaper ou o Read It Later para guardar os textos e lê-los mais tarde, despidos dos excessos -com o iPad, na cama, ou na fila do banco, por meio do smartphone.

EFEITO COLATERAL

Apesar de convenientes, esses serviços podem ser prejudiciais ao omitir aquilo que é uma fonte de renda primordial dos produtores de conteúdo: os anúncios.

Pensando nisso, o Readability [readability.com] anunciou na semana passada um serviço pago de assinatura [US$ 5 ao mês] cujos dividendos serão repassados, em sua maioria [70%], para quem produz os textos lidos por meio do serviço.

No ano passado, o “New York Times” impediu que seu conteúdo fosse oferecido sem autorização no Pulse, agregador de notícias que funciona no iPad, no iPhone, em celulares com Android e nos tablets equipados com o sistema do Google.

Criado por estudantes da Universidade de Stanford, o Pulse é um dos principais representantes do promissor mercado de revistas digitais personalizadas, como o Flipboard, que foi laureado pela própria Apple como aplicativo do ano de 2010 para iPad.

Com múltiplas fontes, o conteúdo do Flipboard e do Pulse -ambos gratuitos- é formado por links publicados pelos contatos do usuário em redes sociais e por pacotes temáticos [moda, tecnologia etc.].

Segundo uma pesquisa da iModerate Research Technologies e da Brock Associates, 66% dos proprietários de dispositivos multifuncionais, como o iPad e smartphones [Android, BlackBerry e iPhone] passaram a ler mais desde que se apossaram dos brinquedinhos.

Curiosamente, 46% dos donos desse tipo de aparelho começaram até a ler mais livros de papel, de acordo com o estudo.

Vale lembrar que a pesquisa não ouviu donos de dispositivos de leitura dedicados, como o Kindle, da Amazon, e o Nook, da Barnes & Noble.

Veremos um crescimento no consumo de e-books neste ano porque os consumidores sugerem que ler livros em um dispositivo multifuncional é muito conveniente para eles“, disse Laurie Brock, presidente da Brock.

Por Rafael Capanema | Folha de S. Paulo | Tec | 09/02/2011