Vice-presidente de conteúdo do Kindle fala do futuro da leitura


David Naggar

David Naggar

O americano David Naggar é um dos protagonistas da revolução que atinge a indústria editorial e os hábitos de leitura. Sua ligação com o mercado de livros vem do berço – sua mãe, Jean, é escritora e agente de renome. Logo após se formar em marketing ele já passou a trabalhar em grandes editoras, como na nova-iorquina Random House. Em 2009, foi para a Amazon, onde ainda está, como vice-presidente de conteúdo do Kindle. Na nova casa, impulsiona a digitalização de livros, quadrinhos, revistas, tudo que se lê.

Sob seu comando, a empresa deixou de publicar e-books apenas em seu e-reader e passou a disponibilizar o catálogo em aplicativos para computadores, smartphones e tablets de concorrentes. Ele também investe na produção de “indies”, os autores que se autopublicam, sem o intermédio de editoras, pela internet. Esta, inclusive, é hoje uma das especialidades da Amazon, dona da plataforma KDP, por onde os escritores podem disponibilizar, gratuitamente, seus livros no Kindle. Daí nasceram best-sellers como 50 Tons de Cinza e Perdido em Marte.

Em visita ao Brasil, Naggar concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA. Nela, prevê como será o futuro da leitura e crava que não se trata do fim das tradicionais casas de publicação, mas, sim, de uma reconfiguração completa do mercado.

Como a digitalização de livros, revistas, tudo que se lê, transformou os hábitos de leitura?

De repente, passamos a ter em um único dispositivo, como o Kindle, ou tablets e smartphones, o acesso a milhões de títulos, possíveis de serem lidos depois de 60 segundos, o tempo que se leva para baixá-los. Esse imediatismo, o acesso quase instantâneo, democratizou a leitura como nunca antes ocorreu na história. Por exemplo, antes era muito difícil ter acesso a algumas obras estrangeiras, como as estritamente em inglês ou alemão, em países como o Brasil. Era preciso esperar anos pela tradução, ou meses para que uma encomenda chegasse com o livro. Agora, consegue-se o título em segundos. Além da facilidade do acesso, trata-se de uma revolução que também afeta diretamente a forma como lemos. É possível, por exemplo, ler em um smartphone enquanto se espera na fila do banco ou do dentista. Sem ter de lembrar de carregar um montante pesado de papel com si. Mais que isso, toda sua biblioteca poderá estar disponível em sua mão, no aplicativo do celular. Essa é uma transformação essencial, que adapta a leitura profunda, mesmo de livros complexos, ao mundo contemporâneo. Há vinte anos, um indivíduo ia a uma livraria com o único intuito de comprar livros. Não havia nada mais competindo por sua atenção. Hoje, ao ligar o smartphone, o tablet, o computador, escolhe-se se quer gastar tempo checando o Facebook, vendo um vídeo no YouTube, jogando Angry Birds ou lendo. A literatura passou a competir com um universo imenso de opções baratas, quando não gratuitas, de entretenimento. Para o livro ter chance de vencer nessa disputa por tempo e atenção, é necessário estar onde o leitor está. Ou seja, oferecer a ele, também, a opção de ler, de forma barata e prática, no mesmo dispositivo a que recorre continuamente para outras atividades.

Trata-se de uma mudança que afeta apenas o leitor, ou também a forma como escrevemos?

Pense no KDP, da Amazon (o sistema de autopublicação da marca, na qual escritores disponibilizam livros online sem intermédio de editoras). Desde que nasci vivo no mundo da escrita, já que minha mãe é agente literária. Antes de vir para a Amazon, fui alto-executivo em editoras tradicionais. Como sempre funcionava a lógica de publicar um livro? Quase todo mundo tem a ideia de escrever algo. Porém, poucos são aqueles que conseguem um agente para ajudar a publicá-lo. Digamos que seja 5% do total. Desses, uma porcentagem ainda menor convence uma editora a trabalhar com sua obra. Ou seja, era um negócio para poucos. Com a internet, e inovações como o KDP, os intermediários podem ser eliminados. Se uma editora não dá atenção ao que alguém escreveu, o autor pode simplesmente colocar a obra online, e disputar de igual para igual com best-sellers na Amazon.com. Isso muda a lógica do mercado literário. Sabia que J.K. Rowling, autora de Harry Potter, foi rejeitada trinta vezes antes de uma editora, pequena, aceitá-la? E se ela tivesse desistido no vigésimo “não”? Deixaríamos de ter as histórias de Harry Potter. Quantos não abdicam de seus projetos frente à rejeição? Com o mundo online, foram abertas novas alternativas. Best-sellers como 50 Tons de Cinza e Perdido em Marte surgiram nesse novo modelo, via KDP. Hoje, 30% dos e-books mais vendidos da Amazon são de “indies” (termo para “independentes”, os autores que se autopublicam). Pessoas que provavelmente nunca teriam espaço na velha forma de publicação ficaram ricas utilizando as possibilidades contemporâneas.

É o fim das editoras tradicionais?

De forma alguma. As editoras têm um papel insubstituível e realizam um trabalho incrível junto aos autores. Entretanto, elas precisam, sim, se adaptar ao mundo moderno. Passou-se a ter mais alternativas a leitores e escritores. Logo, a concorrência é maior. São vários os efeitos disso. Por exemplo, no Brasil, historicamente, livros são muito caros. Hoje, essa estratégia não funciona mais. Há opções baratíssimas de entretenimento na internet, inclusive de leitura. Por isso, editoras brasileiras têm se visto compelidas a baixar preços. Valem, como sempre foi, as leis econômicas. Porém, repito, não é o fim para elas. O que ocorreu, em uma analogia, é que antes só tinha um restaurante na cidade, com 50 clientes. Com a digitalização, passaram a ser 1 000, com milhares de clientes. No caso, “restaurantes” são plataformas de publicação. Os “clientes” são os autores e leitores. O efeito, que sentimos agora, é que a indústria literária nunca esteve tão saudável quanto hoje.

Se os benefícios são para todos, por que algumas editoras, como a francesa Hachette, além de autores best-sellers, se queixam do modelo proposto pela Amazon?

Principalmente da estratégia de baixar preços radicalmente de e-books, em comparação com o valor de versões físicas. A resposta da Amazon a essas queixas é “olhem para o futuro”. Caso queiram competir para valer com tudo a que hoje o leitor tem acesso, a exemplo do Facebook, é preciso ser mais acessível. Isso inclui vender livros mais baratos, algo possível de se fazer, com bom lucro, no mundo online. Caso não baixe o preço, o leitor dedicará seu tempo a outra coisa.

Em resposta à chegada da Amazon nessa indústria, algumas editoras adotaram práticas como a publicação atrasada de títulos de e-books, em comparação com suas edições físicas. Essas estratégias realmente aumentam as vendas?

De forma alguma. Tanto que nenhuma grande casa de publicação manteve essa prática nos últimos anos, apesar de termos ciência de que algumas editoras brasileiras pensam em fazer isso. A questão é que, com esse método, a mensagem que se passa para o leitor é: “você precisa adaptar seus hábitos de leitura ao que queremos”. Acha, mesmo, que alguém, como um adolescente, acostumado a smartphones e tablets, irá transformar seu cotidiano para comprar um livro na livraria só porque não tem a opção online? Nossas estatísticas comprovam que isso não ocorre. Se não há a opção digital, o leitor que gosta deste formato toma uma de duas atitudes. Ou ele arranja uma versão pirateada na internet – e, garanto, há muitos sites que disponibilizam isso -, ou escolhe outra coisa para ler. Aí, ocorre um outro problema na estratégia. A editora vai lá e gasta um monte com marketing no lançamento de um título. Porém, só o disponibiliza em livrarias. Depois, quando finalmente decide ter uma versão digital, não há mais dinheiro para dar gás na divulgação. Ou seja, aquele cliente que não queria comprar a edição física, e optou por gastar seu tempo com outra atividade, nem fica sabendo quando o que queria ler chega à internet. Em resumo, a editora só perderá vendas com tal tática.

No Brasil, e-books representam cerca de 5% do mercado de livros. Por que aqui essa tal revolução da leitura não está ocorrendo tão rápido?

Não acredito nisso. Para começar, esse número, de 5%, não é bem interpretado. E-books não têm muito sucesso, por exemplo, no ramo educacional. Tenho certeza que se as porcentagens forem fatiadas, e se considerar somente literatura regular, haverá um aumento substancial de nossa penetração. Mais que isso, na conta não se consideram os “indies”. É outro fator que alteraria o cenário. Valeria acrescentar ainda as obras em língua estrangeira, muitas vezes disponíveis apenas pelo online. Por fim, de qualquer forma, a nossa representatividade no mercado tem aumentado 40% ao ano. Isso é surpreendente, principalmente quando se leva em conta o quão antiga e estabelecida é a indústria literária.

Há muitos críticos da leitura digital, como o escritor e pesquisador americano Nicholas Carr, para quem e-books e similares podem destruir o hábito de imergir em uma obra por horas. O senhor acredita que tablets e smartphones têm, mesmo, privilegiado apenas leituras rápidas e superficiais?

De forma alguma, pois as pessoas se adaptam. Quando se olha a nova geração, é notável como está se acostumando a ler em telas menores. Porém, ainda em leituras profundas, de livros extensos. Acredito, mesmo, que a escolha do que se lê no digital, ou no físico, caberá a cada cliente. Uns irão preferir obras de ficção digitais, e de não-ficção em versões tradicionais. Com outros, será o contrário. Iremos nos adaptar. E a tecnologia também se moldará a nós.

Para alguns, tablets e e-readers podem parecer fadados a perdurar por pouco tempo, frente a novos gadgets que surgem, como os relógios inteligentes ou os óculos computadorizados. O senhor acredita que, no futuro, os hábitos de leitura e escrita vão mudar novamente?

A lógica é, na verdade, simples. Quando a forma como as pessoas acessam conteúdo muda, é preciso também que o conteúdo se transforme. Ou ao menos sua apresentação. Na China, por exemplo, está em voga um novo tipo de literatura, onde escritores diversos se revezam para tecer uma mesma história, que nunca acaba e é divulgada restritamente online. Experiências assim surgem quando aparecem novas plataformas. Sempre será desta forma. Como vai ser no futuro? Não tenho ideia. Mas essa lógica não mudará.

Por Filipe Vilicic | Publicado originalmente em Veja | 05/12/2015

Duas notícias que prognosticam mudanças no mercado dos eBooks


Como o aumento do uso de celulares para leitura e a eliminação de DRM por algumas editoras afetam o mercado de e-books na Europa e nos EUA? Shatzkin responde.

Duas notícias recentes e como as coisas estão se desenvolvendo prognosticam algumas coisas sobre a direção do mercado e-book. Uma notícia é que a leitura em telefones está realmente decolando. Mais da metade dos consumidores de e-book usam seus celulares pelo menos por algum tempo e o número dos que leemprincipalmente nos celulares chega a um em cada sete. A outra é que o mercado de e-books alemão está eliminando, em sua maioria, o DRM. A Random House seguiu editora Holtzbrinck e abandonou as travas digitais, fazendo com que um dos maiores mercados do mundo entre num caminho no qual o mercado de língua inglesa se recusou determinadamente a pisar. [Há exceções, é claro – O’Reilly, Tor, o selo digital da Harlequin, Carina, Baen, e outras editoras pequenas, voltadas principalmente para nichos literários.]

Um monte de teorias sobre os e-books estão prestes a ser testadas.

Minha reação pessoal para a adoção da leitura no celular é “por que demorou tanto?” Comecei a ler e-books em um Palm Pilot em 1999. Fiquei animado porque trouxe livros para um aparelho que já carregava comigo o tempo todo. Desde o começo, na minha opinião, era para isso que os e-books existiam: não precisava de outro dispositivo além do que já levava comigo o tempo todo. Em 2002, houve um meme ativo por um tempo questionando qual o valor dos e-books. Por que alguém iria querer essa coisa? Falei numa Conferência Seybold sobre isso dando uma resposta simples:

Se você realmente usa um Personal Digital Assistant [PDA] todo dia, se está entre o número cada vez maior de quem carrega um deles com você o tempo todo, não precisa que ninguém explique o valor e a utilidade dos e-books. O inverso disso é que se você não usa um PDA regularmente, os e-books terão muito pouco valor para você. Há alguma utilidade menor em ter livros e algum software leitor no seu notebook, mas não muitas.

Pode ter sido essa busca por mais “valor” nos e-books que levou a anos de experimentação para torná-los algo mais do que texto apresentados em telas, tentando adicionar funcionalidade usando a capacidade digital em uma longa sucessão de fracassos comerciais.

Meu amigo, Joe Esposito, um dos pensadores mais criativos da área editorial,identificou e deu o nome ao conceito de “leitura intersticial” há alguns anos, com isso ele estava falando de quando lemos um livro enquanto esperamos em uma fila ou enquanto esperamos que o filme comece. Lembro-me de um antigo vizinho que tinha sempre um livro na mão quando entrava no elevador no 14º andar e lia uma ou duas páginas à medida que descíamos para o térreo. Aquele era um hábito peculiar com um livro impresso; vai ser uma prática cada vez mais comum à medida que mais gente ler em portáteis que sempre estão conosco.

Pode ser que a editora Judith Curr do selo Atria na S&S tenha acertado quando previu que o futuro da leitura está nos celulares e no papel.

Uma questão importante daqui para frente é como a leitura no celular afetará os padrões de compras. Aqui temos uma dicotomia interessante que depende do uso individual. Que tipo de celular que você tem, Apple ou Android? E qual ecossistema de leitura prefere: Kindle da Amazon, iBooks da Apple ou outro como Google, Kobo ou Nook?

Explico por que isso é importante. Quando você usa o app iBooks em um iPhone, pode comprar livros diretamente no aplicativo. Nunca fiz isso, exceto para comprar um livro que já sabia que queria. Normalmente leio no app Kindle e ocasionalmente no aplicativo Google Play. Nos dois casos, faço minhas compras do meu PC no site do Kindle ou do Google Play. Minha compra está acessível instantaneamente no meu telefone depois disso, mas é um processo de compra em duas máquinas.

Claro, também posso acessar os sites do Kindle ou do Google Play através do navegador do meu celular. É um requisito sair do aplicativo, mas não é preciso usar outro dispositivo. [Francamente, é apenas mais fácil fazer as compras com uma tela e um teclado de verdade.]

As limitações nos dispositivos iOS são criados porque a Apple insiste em cobrar 30% para as vendas feitas dentro de seus aplicativos. O Android não obriga a nada disso, então as versões dos apps Android permitem compras dentro do app. Mesmo assim, como com quase tudo, parece que os usuários iOS fazem mais compras e consumo de conteúdo do que os usuários de Android.

Seria de esperar que com o aumento da leitura em celulares, isso favoreceria “lojas da casa” nos próprios celulares. Elas existem no iBooks e no Google Play. Obviamente isso não significa nenhum tipo de golpe mortal no Kindle se minha própria experiência, mantendo o hábito do uso do Kindle de forma quase ininterrupta, serve de guia. Mas é definitivamente um pouco mais fácil comprar dentro do aplicativo que você usa para ler do que precisar sair dele.

Já se disse muitas vezes que os celulares vêm com distrações internas, como os e-mails e as mensagens de texto que chegam o tempo todo. Mas os tablets – que vêm compartilhando a leitura com os livros impressos e os dispositivos de leitura dedicados há alguns anos – também têm e-mail chegando o tempo todo. E os tablets oferecem toda a web como uma distração em potencial também, como os telefones. Não acho que o componente distração tenha mudado muita coisa recentemente durante o crescimento da leitura no celular.

E há muitos escritores que já escrevem capítulos muito curtos [como o que mais vende entre todos, James Patterson] que podem satisfazer as janelas de “leitura intersticial”. Será preciso analisar, e provavelmente não existem metadados para decidir, se os livros que já são escritos em “blocos” estão se beneficiando do movimento para leitura no celular.

Novos hábitos de leitura levam a novas iniciativas editoriais. Nossa amiga, Molly Barton [diretora há muito tempo da Penguin digital], tem uma startup editorial chamada Serial Box que planeja dividir romances longos em pedaços independentes.

O mercado de e-books alemão é muito menor, no total de vendas de livros, do que o norte-americano, uma estimativa que ronda os 5% das vendas, em vez dos mais de 20% nos EUA. Isso acontece por uma combinação de fatores econômicos – incluindo que a Amazon é obrigada a manter preços fixos o que a impede de dar descontos nos e-books – assim como outras questões culturais. [As vendas de livros online na Alemanha são estimadas entre 15% e 25% – talvez metade dos números nos EUA. A Amazon domina a maior parte disso. Livrarias ficam com a metade do negócio; o restante é dividido entre vendas diretas, grandes lojas, outros varejistas que não são livrarias e catálogos.]

Mas várias editoras concluíram que colocar uma marca d’água [que muitas vezes é chamado de “DRM soft”] é toda a restrição necessária para evitar os repasses e o compartilhamento casual. Agora todas as grandes editoras vão funcionar dessa maneira.

Meus amigos me dizem que, na Alemanha, existem ainda pequenas editoras que querem manter o DRM, algo que poderão continuar fazendo por algum tempo. Na verdade, o Adobe DRM mantém a informação sobre quem é um comprador válido, então pode não ser tão fácil para as lojas deixá-lo mesmo depois que as travas não forem mais exigidas se quiserem fazer mais do que adivinhar se um cliente querendo fazer novamente o download de uma compra anterior tem direito a isso. E também poderia ser difícil para o mercado abrir mão totalmente do DRM, se as editoras de língua inglesa ainda quiserem aplicá-lo aos livros em seu idioma vendidos na Alemanha. Isso é um negócio substancial e as livrarias – especialmente a Amazon – não gostariam de forçar uma situação onde a produção das editoras dos EUA e do Reino Unido devem ou não ter de DRM ou não estar disponível no mercado alemão.

Sempre foi a preocupação de muitos editores, agentes e grandes autores que a remoção do DRM resultaria em compartilhamento irrestrito que realmente poderia prejudicar as vendas de livros. Um cético do DRM de longa data, editor e pensador da indústria, Tim O’Reilly, já caracterizou o DRM como “tributação progressiva”, o que parece validar a noção de que os grandes autores têm algo para se preocupar. [O’Reilly publica conteúdo profissional que sofre alterações e atualizações constantes; precisamente o oposto, do ponto de vista do medo do compartilhamento, do que publica James Patterson.] Claramente, as editoras alemãs observando o que aconteceu em seu mercado não têm esse medo. O editor norte-americano e parte do grupo editorial Holtzbrinck, Tom Doherty, também falou publicamente sobre a [falta de] impacto da mudança da Tor para e-books sem DRM: “… a ausência de DRM nos e-books da Tor não aumentou a quantidade de livros da editora disponíveis online de forma ilegal, nem afetou visivelmente as vendas”.

Além do potencial de perda de vendas através do repasse, o outro impacto da remoção do DRM poderia ser torná-lo mais fácil para qualquer um ser varejista de e-book colocando conteúdo em praticamente qualquer dispositivo. A necessidade de fornecer DRM sempre foi responsabilizado como uma das barreiras, por causa dos custos e dos investimentos em tecnologia, que mantiveram os varejistas fora do mercado e-books. Teoricamente, o custo de ser um varejista e-book em um ambiente livre de DRM poderia ser muito menor, incluindo uma diminuição reivindicada e esperada dos requisitos de atendimento ao cliente. Se for verdade, isso poderia ser muito importante para as vendas de e-books com catálogos verticais, onde uma boa quantidade de conteúdo poderia ser um adicional interessante nas ofertas do varejista. As pessoas que vendem bens duráveis não querem lidar com DRM e os requisitos de serviço ao cliente que ele cria.

Esses detalhes de tecnologia são bem mais profundos do que meu conhecimento, mas as pessoas que conhecem tudo isso me advertem para não esperar muitas mudanças nesse sentido. A marca d’água [DRM “soft”, ou DRM sem “travas digitais”] não é nada simples de um ponto de vista técnico. Novos sistemas de leitura poderiam proliferar sem a disciplina do DRM, o que também poderia criar exigências de atendimento ao cliente. A afirmação de facilidade de uso poderia sair pela culatra. Vamos ver.

Sempre foi minha impressão que a discussão sobre DRM era mais forte do que o efeito realmente garantido. Como nunca quis mover um e-book de um ecossistema para outro, ou passar um e-book para outra pessoa, o DRM nunca me atrapalhou. Mas era algo, obviamente, que bloqueava a entrada de novos operadores no varejo de e-books e criava grandes problemas de atendimento ao cliente para livrarias independentes.

As duas coisas que devemos observar na Alemanha são se as vendas de e-books, especialmente para os principais títulos, continuam iguais ou diminuem de alguma maneira por causa do repasse e, pelo menos tão importante, se vai crescer o número de livrarias vendendo e-books pela diminuição das exigências do DRM. A marca d’água vai ajudar as editoras a encontrar a fonte dos e-books que acabam sendo postados ou pirateados publicamente. Eu não esperaria uma explosão da pirataria, mas certamente haverá muito o que aprender.

As chances são muito boas de que esse resultado possa levar ao crescimento de e-books sem DRM no mercado em inglês também nos próximos anos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente por PublishNews | 03/09/2015

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files.

A escritora que criou a máquina para dar autógrafos à distância


Margaret Atwood Signs Autographs Via the Miracle of the Internets

Margaret Atwood Signs Autographs Via the Miracle of the Internets

Além de escritora premiada internacionalmente e hiperativa nas redes sociais, a canadense Margareth Atwood, 74, foi a visionária criadora de uma máquina para dar autógrafos à distância, antes mesmo de os e-books crescerem no mercado.

Em 2004, ciente da impossibilidade de atender aos anseios de fãs dos vários países onde seus livros são publicados, abriu uma empresa e patenteou o mecanismo que receberia o nome de LongPen.

Funcionava assim: ela se posicionava numa ponta da máquina, e o leitor, em outra, instalada em alguma livraria em outro canto do mundo. Após uma conversa por vídeo, o leitor colocava o livro no terminal. Atwood assinava em uma tela, e um jato com tinta imprimia o texto no terminal do leitor.

A máquina não chegou a ficar popular no meio literário, mas, em 2011, ganhou uma versão para os meios virtuais. O braço digital da empresa hoje se chama Fanado e combina a ideia de autógrafo à distância com videoconferências e mídias sociais.

Nessa nova fase, a autora atraiu a atenção de editoras como a Random House, a Harlequin e a HarperCollins. Em 2011, autores como Michael Chabon e Neil Gaiman a acompanharam numa demonstração do produto na feira BookExpo America.

A parte “analógica” da empreitada avançou com outras prioridades –hoje, a empresa Syngrafii, de propriedade de Atwood, é voltada à autenticação de papéis legais, e tem entre seus clientes bancos e governos.

Assinaturas à distância são uma ambição desde o século 19. Em 1888, o engenheiro elétrico americano Elisha Gray criou um mecanismo chamado Teleautograph, cuja meta era permitir “a alguém transmitir sua própria escrita à distância por meio de um circuito“.

Telautograph

Telautograph

A máquina hoje é considerada uma precursora do fax, que se popularizaria em meados do século 20 para logo se tornar defasado.

Por Raquel Cozer | COLUNISTA DA FOLHA | Folha de S. Paulo | 27/09/2014

A nova indústria dos eBooks


ebook

A história do mercado editorial está prestes a ganhar um novo capítulo. Inspiradas em serviços como Netflix e Spotify, startups de tecnologia estão desenvolvendo plataformas que permitem aos leitores acessar uma infinidade de ebooks – quando e onde quiserem – em troca de uma assinatura mensal.

Mais que criar um novo padrão de consumo de conteúdo, essas empresas estão abrindo uma promissora fronteira de negócios para a indústria de livros. Elas pretendem vender informações sobre nossos hábitos de leitura para autores e editoras produzirem best-sellers.

Com base na análise de grandes volumes de dados, será possível responder a perguntas como: Quanto tempo as pessoas levam para ler um clássico de Machado de Assis? Pulamos capítulos para conhecer logo o assassino numa história de Agatha Christie? Qual passagem provoca o abandono de um título de Paulo Coelho? Retardamos a leitura do último volume de Harry Potter porque sabemos que não haverá sequência?

A nova indústria dos ebooks já conta com duas empresas – a  Scribd, baseada em São Francisco, e a Oyster, de Nova Iorque. Por uma mensalidade de cerca de 10 dólares, o assinante pode navegar numa biblioteca digital com mais de 100 mil obras e ler quantos ebooks desejar em diferentes dispositivos. Os serviços repassam parte desse valor para os publishers de acordo com a porcentagem de leitura de cada livro. No caso da Oyster, se mais de 10% da publicação for lida, a editora é remunerada.

Segundo uma reportagem do The New York Times, o estudo do comportamento dos leitores por essas startups ainda está em fase inicial. Mas alguns insights obtidos, e revelados por elas ao jornal, dão uma amostra do potencial da iniciativa. Num futuro próximo, será possível escrever um livro totalmente adaptado aos gostos do público.

Eis as principais descobertas das empresas: quanto mais longo for um livro de mistério, maiores serão as chances de ocorrer um salto para os capítulos finais. As pessoas leem até a última página mais biografias do que publicações sobre negócios. Os leitores são 25% mais propensos a terminar ebooks divididos em partes menores. A velocidade de leitura de livros eróticos é maior do que a de romances e títulos religiosos.

Embora seja uma mina de ouro, há várias dúvidas sobre os rumos que esse tipo de atividade deve tomar nos próximos anos. Uma delas passa pelo direito à privacidade. Apesar de prometer o anonimato, as políticas de uso desses serviços preveem a coleta, transferência, manipulação, armazenamento e divulgação de informações com o consentimento dos leitores. Estamos dispostos a nos expor sem ganhar nada em troca?

Existe também um forte questionamento sobre a perda do processo criativo dos autores. O alinhamento cego aos desejos do público poderia nos privar do surgimento de obras-primas da literatura. Abriremos mão da escrita intuitiva e emocional em nome de uma produção técnica, baseada em algoritmos?

Por fim, a subordinação dos publishers a essas plataformas é motivo de preocupação. Detentoras dos dados, elas ganhariam força para determinar quais livros seriam produzidos e o valor da comissão das editoras. O mundo literário quer se render a esse modelo disruptivo?

Até agora, as editoras estão divididas. HarperCollins e Smashwords já fecharam com Oyster e Scribd, mas Penguin Random House e Simon & Schuster estão longe de um acordo, diz o The New York Times.

Nesse cenário, Amazon e Barnes & Noble correm por fora. Hoje, as duas empresas coletam várias informações dos usuários de seus e-readers e mantêm a propriedade sobre elas, diferentemente do que as startups pretendem fazer.

Isso pode mudar em breve: a Amazon estaria planejando o lançamento de um serviço semelhante ao das concorrentes. Por um valor mensal, teríamos acesso a um gigantesco catálogo de livros – e as editoras receberiam relatórios sobre nossos hábitos de consumo.

A nova indústria dos ebooks mostra que ferramentas nos moldes da Netflix estarão em alta em 2014. Depois do cinema, da música e da literatura, o jornalismo deve surfar nessa onda. A assinatura pela consulta ilimitada a acervos de conteúdo e a venda de dados dos usuários serão fontes de receita alternativas para organizações de mídia na Internet.

Esse quadro representará uma enorme quebra de paradigma para empresas acostumadas a comercializar produtos individualmente. Poderemos assinar um pacote de revistas sobre esporte, economia, moda e política, por exemplo, pelo mesmo valor cobrado por apenas uma delas hoje. Um novo tipo de experiência, totalmente virtual, pautará as redações e a publicidade que veremos.

As oportunidades são animadoras para indústrias em luta pela sobrevivência no meio digital. Só ficará para trás quem não quiser enxergá-las.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM EXAME.com | 13/01/2014 | Imagem adaptada de melenita2012 [Flickr/Creative Commons]

Random House lança app educativo de Stephen Hawking


App ensina os "básicos" sobre a ciência do universo

App ensina os “básicos” sobre a ciência do universo

O cientista britânico Stephen Hawking, 71, lançou nesta sexta-feira seu primeiro aplicativo oficial para iPad, na qual mostra os princípios que regem o universo através de oito “divertidos” experimentos, em colaboração com o grupo editorial “Random House”.

O app Snapshots of the Universe [“registros do universo”], à venda na loja digital da Apple por US$ 4,99 [cerca de R$ 11,70], se baseia “nos livros e no trabalho” do físico inglês, assinalou a “Random House”.

Trata-se de uma travessia interplanetária guiada por Hawking, na qual ensina aos “adultos e estudantes” quais são os princípios que controlam o universo, através de oito experimentos “simples e divertidos”.

Cada um deles explica alguma das teorias básicas que “regem nossa vida na Terra”, assinalou o editorial, assim como o movimento das estrelas e dos planetas.

“É o primeiro aplicativo desenhado pelo cientista vivo mais famoso do mundo”, destacou a “Random House”, ao mesmo tempo em que explicou que alguns dos experimentos contam com fragmentos de vídeo nos quais Hawking faz explicações mais visuais.

Alguns dos enigmas analisados pelo cientista são o motivo pelo qual os planetas permanecem em órbita, os buracos negros, o tempo, a velocidade de queda dos objetos, a situação real das estrelas, o movimento e a localização, a gravidade e a aceleração, e como evoluiu a compreensão humana do universo.

“Esta aplicação oferece uma grande oportunidade para apresentar as doutrinas do professor Hawking a um novo público através de um meio totalmente novo”, ressaltou Scott Shannon, vice-presidente e editor de Conteúdos Digitais da “Random House”.

“Estamos muito orgulhosos de continuar com nossa tradição com o professor Hawking, agora através de mais plataformas do que nunca”, acrescentou.

Nascido em Oxford em 8 de janeiro de 1942, Hawking, autor de “Uma breve história do tempo”, é um dos cientistas britânicos mais importantes do século XX e a ele se atribuem muitos das descobertas da astrofísica moderna.

EFE, EM LONDRES | 13/12/2013, às 5h21

Random House compra comunidade teen online Figment


FigmentA Random House Children’s Books [RHCB] adquiriu a Figment, uma comunidade online para adolescentes, fundada em 2010 e que atraiu mais de 300 mil usuários. O site provou ser uma plataforma eficiente de marketing e promoção de títulos Jovens Adultos. O Figment reúne principalmente jovens entre 13 e 18 anos, conta com mais de 20 mil grupos e fóruns de discussão e também trabalha com editoras no lançamento de livros de Jovens Adultos.

Por Calvin Reid | Publishers Weekly | 29/10/2013

‘A indústria analisa a estratégia como se fosse Procter e Gamble. É Hermès’, diz Andrew Wylie


‘O Chacal’ critica a Amazon em entrevista ao New Republic

“O Chacal” não é o apelido de um terrorista interpretado por Bruce Willis no cinema, é a alcunha de um dos maiores [certamente o mais polêmico) agentes literários, Andrew Wylie. O agente americano chamou atenção em 2010 quando fechou um contrato com a Amazon para publicar livros eletrônicos de autores que ele representava [parece que não faz tanto tempo assim, mas em 2010 o boom dos e-books estava apenas começando). O projeto Odyssey Editions do agente deslanchou uma guerra contra as gigantes Random House e HarperCollins, que afirmavam ter os direitos das obras eletrônicas mesmo se os contratos não previam edições digitais, e foi apoiado pela Associação dos Autores de lá, que viu em Wylie o caminho para terem a mesma porcentagem de royalties no formato digital [por volta de 25%) que no impresso [cerca de 50%).

Apesar de já ter elogiado a Amazon – para Wylie era uma resposta ao modelo de grandes redes de livrarias que, segundo afirmou em 2010, não funcionam – três anos depois a admiração acabou para o Chacal. Em uma entrevista à New Republic, o agente mostra que mudou drasticamente de opinião em relação à Amazon [“Napoleão era um grande cara até ele começar a cruzar as fronteiras”) e critica duramente a varejista/editora: “Eu acredito que a Amazon possui um negócio editorial para que seu comportamento como distribuidor digital seja erroneamente interpretado pela Justiça americana e pela indústria editorial de uma forma que seja conveniente para os objetivos da Amazon”.

Além da crítica, Wylie mostra uma grande dose de desprezo pela Amazon Publishing, e é categórico ao afirmar que nunca [“a não ser que a Amazon sequestre um dos meus filhos, ameace jogá-lo da ponte e eu acreditar na ameaça”) vai vender um livro para a editora. No final do dia, segundo Wylie, “eles não conseguem colocar livros nas livrarias”. Leia a entrevista aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 18/10/2013

Simon & Schuster lança projeto piloto para vender eBooks em sala de aula


Simon & Schuster se juntou à Hachette e Random House na busca pelo mercado de e-books para o ensino escolar. A editora lançou projetos pilotos com 4 distribuidoras de livros de educação – Booksource, Follet, Mackin e Perma-Bound – para vender e-books do jardim de infância até a 12ª série [do sistema educacional americano]. Em agosto, Hachette e Random House formaram parcerias com a distribuidora Follet para vender no mesmo mercado.

Digital Book World | 24/09/2013

Nos EUA, crescimento tímido das vendas de eBooks no primeiro semestre


As vendas de e-books não estão imunes aos impactos dos bestsellers. Segundo o relatório StatShot da Associação Americana dos Editores [AAP], os e-books adultos cresceram apenas 4,8% nos primeiros seis meses de 2013, em relação ao mesmo período em 2012, chegando a um total de US$ 647,7 milhões. Em junho, as vendas de e-books caíram 8,7% (para um total de US$ 108,6 milhões). No começo do ano, a Random House admitiu que as vendas de e-books caíram no período, devido ao forte crescimento de vendas em 2012, liderado pelo ‘Cinquenta Tons’. As vendas de e-books da categoria infantil e jovens adultos caíram 22,1% no primeiro semestre, prejudicadas pelas vendas de Jogos Vorazes em 2012.

Publishers Weekly | 19/09/13

O mercado digital alemão


alemanha-brasilEnquanto nos EUA o crescimento das vendas de e-book estagnou, na Alemanha ele continua dinâmico, e livreiros online alemães, principalmente Tolino-Allianz, querem tirar a liderança da Amazon.

Os números do mercado de e-book na Alemanha são motivo de otimismo. A participação no faturamento de 2012 referente à venda de e-books triplicou em relação ao ano anterior, passando de 0,8 para 2,4% [segundo um estudo sobre o setor realizado pela Börsenverein e publicado pelo Painel do Usuário da GfK]. Mas isso não significa que o mercado de e-books não tem seus limites. As grandes taxas de crescimento anual do livro digital nos EUA chegaram a um ponto de estagnação, pelo menos por ora. Enquanto a participação no mercado ficou em 22,6% em 2012, até a metade deste ano ela não havia ultrapassado os 25%, segundo a pesquisa da BookStats, revelou Nina von Moltke, Vice Presidente da Digital Publishing Development da Random House, à revista Zeit.

Só o tempo dirá o que isso significa para o mercado alemão. Depois de anos de crescimento, é possível que a curva do faturamento diminua e passe a oscilar em torno de um patamar. Segundo Anne Stirnweis, responsável pelo livro digital na Random House de Munique, o crescimento neste setor continua, “e não esperamos nenhuma mudança. Mas a longo prazo é natural que o crescimento diminua.” Quanto à participação do livro digital no mercado alemão, seu ponto máximo também pode ficar abaixo de 25%.

No mercado alemão de e-book o foco não está somente no aumento de receita, mas também na briga pela liderança do mercado: A E-Reader-Allianz dos atacadistas Weltbild, Hugendubel, Thalia e Club Bertelsmann, assim como a Telekom, tentam atrair o grosso do mercado alemão com a ajuda do seu leitor Tolino. Segundo a GfK, a Amazon alemã teve uma participação no mercado de e-book de 41% em 2011. Diminuir essa participação do mercado de origem americana é o principal objetivo do grupo. Os sócios da Tolino conseguiram em 2011 uma participação de mercado de 35%. As lojas de e-books do leitor digital são abastecidas pela Pubbles, uma joint-venture entre DBH e Bertelsmann, cujo portal de vendas será encerrado no fim de setembro. A partir daí, a Pubbles passará a atuar somente como distribuidora.

A plataforma Libreka! pode ter um papel importante, caso se junte ao consórcio Tolino, abastecendo as pequenas e médias livrarias que queiram vender aparelhos Tolino e livros digitais. Há negociações no momento referentes à divisão de custos para este modelo de negócio, que ainda precisam ser esclarecidas.

Por enquanto é possível apenas estimar como o público do mercado alemão de livros digitais evoluiu nestes seis primeiros meses do ano, principalmente desde o lançamento do Tolino em março. Os resultados não discriminam por varejista de e-books, mas são frequentes as notícias sobre o crescimento da participação de empresas como Thalia e Weltbild/Hugendubel: as vendas do Tolino pela Weltbild e Hugendubel, que chegam a cinco dígitos, ultrapassam as expectativas, crescendo ainda mais durante o Natal.

Veja uma seleção dos portais de livros nos países de língua alemã

Amazon.de – Loja Kindle
Catálogo: cerca de 1,8 milhão, dos quais 170.000 em língua alemã.
Formatos:  AZW, PDF, TXT [exceto EPUB],  KF8 para  livros com informações extras [em sistema protegido]
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 41%
Leitores digitais: Kindle, Kindle Paperwhite, Kindle-Fire [Tablet] e aplicativos de leitura

Thalia.de
Catálogo: cerca de 300.000, dos quais 200.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 14%
Leitores digitais: Tolino Shine, Bookeen Cybook, Tablet PC4

Weltbild.de
Servidor: DBH
Catálogo: cerca de 500.000, sem dados sobre livros em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 13%
Leitores digitais: Tolino Shine, Trekstor Reader 4Ink
Particularidades:
– A Pubbles, uma joint-venture entre Weltbild e Bertelsmann, abastece as lojas DBH [Weltbild, Hugendubel]
– A DBH pertence à Tolino-Allianz [juntamente com Thalia, Clube Bertelsmann e Deutsche Telekom]; 100 dias após estrear no mercado, ela anunciou vendas em valores na casa dos cinco dígitos.

Libreka !
Servidor: MVB
Catálogo: cerca de 760.000, dos quais 85.000 são títulos em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Leitores digitais: Trekstor Liro Ink, Trekstor Liro Color, Trekstor Liro Mini, Trekstor Liro Tab [Tablet]
Particularidades :
– a Libreka! foi fundada como site de procura de textos e oferece e-books desde 2009.
– A Liro Shop instalada dentro do Leitor Liro é alimentada com dados da Libreka!
– Libreka! como plataforma de distribuição foca principalmente no segmento loja para loja [B2B] para editores e livreiros
– Um modelo de empréstimo está atualmente em teste; cerca de 800 títulos podem ser emprestados.

Buecher.de
Catálogo: cerca de 1,1 milhão, dos quais 400.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GfK]: 5%
Leitores digitais :  Tolino Shine,
– A loja incorpora na sua página comentários de jornais como o “FAZ” [Frankfurter Allgemeine Zeitung]

Ebook.de
Servidor: Libri.de
Catálogo: cerca de 600.00, dos quais 245.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GfK]: 4%
Leitores digitais: ebook.de distribui leitores de texto Sonys PRS-T2
Particularidades:
– Apesar do foco ser conteúdo digital [e-book.de], os clientes podem também pedir títulos impressos
– O acionista majoritário da empresa é o varejista Libri
– ebook.de é a sucessora de loja de varejo  libri.de [mudou de nome em outubro de 2012].

Por Conexão Alemanha-Brasil | Publicado em português por PublishNews | 05/08/2013 | Publicado orignalmente por Börsenblatt | 2/07/ 2013 | Michael Roesler-Graichen, Tamara Weise and Jens Schwarze são editores da Börsenblatt, o jornal sobre mercado editorial mais importante da Alemanha.

Conheça a eBooks Patagonia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 18/07/2013

A América Latina se converteu em um território fértil para a edição digital e a experimentação com novos formatos. O Brasil é, sem dúvida, o líder na região, mas já surgem atores inovadores em outros países. Nesta ocasião conversamos com Javier Sepúlveda Hales, diretor de Ebooks Patagonia, uma editora eletrônica de Santiago de Chile.

OK: Você poderia apresentar brevemente seu perfil e o da Ebooks Patagonia?
JSH: Fundei a Ebooks Patagonia em 2010. Sou engenheiro civil industrial, tenho um mestrado em negócios pela Thunderbird School of Global Management e outro em gestão da Universidad de Chile. Ebooks Patagonia é uma editora digital de autores latino-americanos que hoje colabora com autores e editoras da região para levá-los às principais lojas e bibliotecas do mundo. Alcançamos um catálogo que chega perto dos 50 e-books, com autores da Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, México, Nicarágua, Guatemala e Peru. Oferecemos também serviços de diagramação digital em formato Epub, distribuição digital global para editoras e autores, design e criação de aplicações culturais, bibliotecas digitais para colégios e consultoria em planificação estratégica digital.

OK: Qual foi até agora a atitude dos leitores chilenos em relação ao livro eletrônico?
JSH: Devemos levar em conta que os níveis de leitura no Chile são muito baixos há muito tempo. Não tenho dados atuais, mas posso contar minha percepção e o que resgato de conversas na rua e nas redes sociais. Vi uma grande militância a favor do livro impresso, por suas virtudes como objeto; ao mesmo tempo, o livro digital é frequentemente apresentado como uma ameaça, como um ataque… Mas às vezes vi grandes leitores adotarem o e-book por questões de comodidade, sem deixar de comprar exemplares em papel. Um segmento importante são os maiores de 50 anos, que valorizam a possibilidade de aumentar o tamanho da letra.

A cada dia eu me encontro com mais pessoas no metrô de Santiago lendo em e-readers; alguns até leem em seus celulares. Há uns anos, eu até me atrevia a me aproximar de quem tinha um e-reader e interrompia sua leitura para conversar com eles. A queixa era a falta de livros em espanhol, e eu aproveitava para recomendar a Ebooks Patagonia!

Em relação ao DRM, foi impressionante a quantidade de vezes que tivemos que enviar instruções sobre como abrir o texto no dispositivo depois da compra. Lembro uma vez em 2011 quando tive que ajudar por Skype uma usuária de Porto Rico que tinha comprado um e-book nosso e não conseguia carregá-lo em seu tablet de jeito nenhum. Com o tempo produzimos vídeos tutoriais para explicar cada passo. Contudo, nossa experiência indica que se o cliente sobrevive à primeira compra de um e-book protegido, já não há como voltar atrás. Depois que o leitor autentica seu dispositivo com usuário e senha de DRM, tudo é simples: o primeiro download é complexo, mas os seguintes fluem com um clique.

Finalmente, sabemos que os e-books vendidos são lidos principalmente nos EUA, México e Chile.

OK: E a atitude dos editores?
JSH: Os editores no Chile geralmente têm a mente colocada no dia-a-dia e nas compras do Estado. As aquisições do setor público são consideráveis e explicam boa parte do ingresso das editoras. Há anos, quando pedia uma reunião com as editoras para trabalhar com elas em temas digitais, me solicitavam mais tempo para pensar. Hoje todos consideram o digital como algo que devem fazer em algum momento, mas o certo é que as urgências consomem o tempo deles. São poucos os que estão migrando seu catálogo para Epub e é frequente que façam isso mais por pedido de seus autores do que por inciativa própria.

Vejo com entusiasmo o surgimento de novas editoras que graças aos e-books e à impressão sob demanda conseguem publicar e tornar seus autores conhecidos. Também está ficando massivo a autopublicação digital no mercado chileno: isso acontece porque as editoras estão investindo pouco em novos autores ou que já têm programado seu ano de produção.

Tenho a impressão de que os editores locais estão muito focados no papel, ou no máximo em migrar seu catálogo a uma loja que recebe PDF. Faltam mais projetos pensados diretamente em digital, que não dependam do papel.

OK: Como trabalham com as editoras?
JSH: Basicamente nos ocupamos de externalizar sua área digital, em especial a distribuição. Quando uma editora tem mais de 20 títulos em digital [Epub ou PDF], bonificamos o custo de upload dos títulos: nós simplesmente ganhamos uma porcentagem das vendas. Aí está nosso incentivo e nos esforçamos ao máximo para vender.

OK: Amazon, Apple e outras empresas internacionais começaram a vender e-books na América Latina. Você vê estas empresas como aliados ou como concorrentes?
JSH: Estas empresas são aliadas para nós. Elas nos ajudam a massificar a leitura digital através de seus dispositivos. Temos acordos comerciais e trabalhamos estreitamente com elas para aumentar o conteúdo latino-americano no mercado global.

Acho que a chegada desses atores deveria preocupar os que são simplesmente livreiros. Um pouco na linha da queda da Blockbuster depois do surgimento da Netflix. Ou a bancarrota da Borders e ainteressante aposta da Barnes & Noble pelo futuro eletrônico.

OK: Em uma ocasião você comentou que o digital “nivela a partida e muda as regras do jogo”. Em geral, qual o futuro que você vislumbra para o e-book na América Latina?
JSH: Vislumbro o melhor dos futuros. O livro eletrônico permitirá a integração de nossas culturas e facilitará que um leia a produção do outro. Um exemplo: com a editora Resistencia do México criamos umconcurso binacional de contos para autores com pelo menos um livro publicado onde o jurado era totalmente externo às editoras, e publicamos uma antologia digital com os contos ganhadores, quatro contos de cada país. No Facebook pude ler como um dos jurados expressava sua alegria por ter conhecido dois autores chilenos muito bons.

Na editora publicamos, além disso, uma coleção de contos de autores latino-americanos de maneira exclusiva na iBookstore e na Amazon. Chama-se “Ebooks Patagonia Singles” e cada conto é vendido a US$ 0,99. Entre os autores estão Mario Benedetti [Uruguai], Andrés Neuman [Argentina], Pablo Simonetti[Chile], Tryno Maldonado [México] e Carlos Wynter [Panamá].

Quando afirmo que o digital “nivela a partida e muda as regras do jogo”, penso especialmente nas grandes corporações editoriais dirigidas da Espanha ou dos EUA e do uso que podemos fazer da tecnologia. Imaginemos o poder acumulado pela recente fusão de Penguin e Random House em relação aos autores, agentes, distribuidores e demais atores tradicionais da cadeia do livro.

Na minha opinião, a única via livre para uma editora independente latino-americana enfrentar uma megacorporação editorial é o livro eletrônico. Os custos de publicar um livro novo caíram e agora trata-se na verdade de ver como fazer uma boa divulgação do livro nas redes especializadas ou nos círculos de potenciais leitores. No mundo digital, as diferenças entre uma pequena editora e uma multinacional não estão mais tão marcadas.

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Direto autoral nos EUA


Random HouseA Random House, a maior editora dos Estados Unidos, recuou nas negociações de seus contratos com escritores em quatro selos digitais recém-criados, numa decisão que pode influenciar negociações futuras no mercado editorial. A editora sofreu pressão de agentes literários e de uma associação de autores agrupados em gêneros como horror e ficção científica. Os novos selos digitais Alibi, Flirt, Hydra e Loveswept não vão mais cobrar do autor uma porcentagem do custo de produção e marketing dos livros eletrônicos. Outra concessão feita pela Handom House dis respeito ao que se chamavam de copyright infinito. Se um livro eletrônico vender menos de 300 cópias em 12 meses, o autor tem o direito de recuperar o copyright de sua obra.

O Estado de S.Paulo | Caderno Sábatico | 16/03/2013

Menos de 40% dos leitores de eBooks nos EUA são homens


Pesquisa também revela que os livros eletrônicos são mais populares entre pessoas consideradas jovens, abaixo dos 45 anos

Um novo estudo feito pela equipe da Random House sobre leitura de e-books nos EUA acaba de ser divulgado. As informações são do blog The Digital Reader.

A partir de relatórios de empresas como Pew, Bowker e Forrester, o site tentou entender quem são os consumidores de e-books e quais são seus hábitos de leitura. O resultado está no infográfico abaixo:

Who Reads eBooks?

Publicado originalmente em IDG NOW | 29 de janeiro de 2013, às 12h00

Os modelos de negócio estão mudando: é o momento de tentativa e erro


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 12/12/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

O anúncio no final da semana passada de que a Random House está lançando três selos que priorizam o digital foi só o exemplo mais recente de como as editoras estão explorando novos modelos de negócios. Poucos dias antes recebemos a notícia da parceria entre a Simon & Schuster e a Author Solutions fazendo com que a S&S seja a terceira maior editora – depois da titã de publicações cristãs Thomas Nelson e da Harlequin, forte na área de romances – a colocar seu nome no setor de “serviços ao autor”.

A S&S não é a primeira das Seis Grandes a dar este grande passo, a Pearson, empresa coligada à Penguin, comprou a Author Solutions há alguns meses e a HarperCollins comprou a Thomas Nelson no ano passado. Então, na verdade, três das Seis Grandes agora estão envolvidas com serviços ao autor – e são, na verdade, quatro das seis, lembrando a outra recente grande notícia de que a Penguin e a Random House estão em processo de fusão. [E não estou contando iniciativas mais modestas como o “Authonomy” da HarperCollins ou o “Book Country” da Penguin.]

Eu me lembro de ter participado de um painel no Canadá alguns anos atrás com Carolyn Pittis, a pioneira digital, uma pessoa muito inteligente, da HarperCollins, que citou a forma como a maioria das editoras faz negócios – comprando o direito de explorar copyrights e depois monetizando em cima deles – como um dos possíveis modelos de negócios para uma editora. Ela explicitamente mencionou “serviços ao autor” como outra. Isso foi antes de sua empresa ter lançado o Authonomy, alguns anos antes do “Book Country”. Em outras palavras, grandes editoras já estão pensando há um tempo sobre modelos “autor-paga” [assim como os editores profissionais].

Todos eles seguem o caminho da Amazon, que há anos vende à la carte todos os componentes de sua própria cadeia de valores. Recentemente li um e-book chamado “The Amazon Economy” publicado pelo Financial Times [um exemplo de uma editora não especializada em livros ajustando seu próprio modelo de negócios para ser uma editora de livros, falaremos mais disso outro dia] que sugeria que a Amazon na verdade ganha mais dinheiro disponibilizando sua infraestrutura para outros do que vendendo coisas.

Em outras palavras, há um potencial de lucro na desconstrução da cadeia de valor de uma empresa e a venda de acesso a ela em pedaços.

Em certo sentido, as editoras sabem disso há muito tempo. Elas tornaram a parte de suas operações externas ao livro [estoque, distribuição, crédito, recolhimento e vendas] disponíveis a outras editoras há anos. Algumas editoras, como a Random House, transformaram a distribuição em um negócio importante com suas próprias estruturas de gerenciamento dentro da corporação. A Perseus, que é uma editora montada em cima de vários selos pequenos, construiu um serviço de distribuição que possui mais de 300 clientes. A Ingram, cuja operação central é de venda por atacado combinado com a subsidiária Ligthning que montou nos anos 90 para fornecer serviços de impressão sob demanda e, mais tarde, serviços digitais, possui uma oferta de distribuição comparável.

Mas o que a Author Solutions – e vários concorrentes menos robustos [e bem mais baratos] – mostraram é que há uma forte demanda para os serviços que precedem a entrega do livro para a venda.

Não tenho outro método, a não ser a inferência, para saber como a Thomas Nelson e a Harlequin estão fazendo com sua oferta de serviços ao autor baseada na Author Solutions, mas o fato é que a Pearson, empresa-mãe da Penguin, comprou as duas e  a S&S fechou um acordo, e isso certamente sugere que a ASI possui um bom histórico. Claro, eles são líderes do mercado porque ganham dinheiro e ganham dinheiro tendo boas margens. E os preços dos serviços da iniciativa Archway – o projeto da ASI com a S&S – são mais altos do que em outras plataformas. Isso não significa que eles não vão convencer muitos aspirantes a autores a usá-los.

Isso é tudo muito lógico, mas também muito enganador. A maioria das editoras – pelo menos até bem recentemente – considerava os serviços de distribuição que eles oferecem como commodities, ou seja, amplamente disponível e altamente comparável. É verdade que qualquer uma das grandes editoras, muitas das menores, e os distribuidores, além da Ingram e da Perseus, podem distribuir as capacidades centrais: contas ativas com todos os grandes varejistas, a capacidade de fazer negócios com eles e recolher o dinheiro, e a disponibilidade do livro em toda a cadeia de suprimento. Obviamente, todos lutam para serem melhores que os concorrentes e assim justificar seus preços mais altos.

Mas, acima de tudo, o orgulho e a crença da editora em uma diferença qualitativa entre o que oferecem e o que a concorrência resulta em um valor muito maior. As editoras geralmente acreditam em seus editores e marqueteiros mais do que acreditam em suas forças de vendas e estoques. [Gente como eu, há 20 anos em vendas, costumava dizer, com ironia consciente, que havia dois tipos de livros: sucessos editoriais e fracassos de vendas e marketing.] Eles veem seu tempo e sua atenção como algo muito precioso. Eles são muito mais relutantes para tornar este tempo disponível para alugar e, de fato, parece que todos os três acordos de editoras com a Author Solutions têm como base o fornecimento dessa capacidade pela ASI. Elas não vêm das próprias editoras.

Tudo isto significa um desvio de outro componente importante para uma publicação bem-sucedida: a coordenação de todas estas atividades. A publicação bem-sucedida é o resultado de várias pequenas decisões: na edição, na apresentação [tanto do livro em si e do metadado, como cópia de catálogos e press releases, que servem como apoio], e, cada vez mais, nas tags de SEO, sinais sobre “colocação” que estão incluídos no arquivo digital do livro, ou metadado de marketing. Na era digital, estas coisas podem mudar com o tempo. As notícias diárias – sobre votos na ONU ou escândalos sexuais no Pentágono ou qualquer outra coisa – poderiam pedir uma mudança nos metadados de um livro publicado há um mês ou um ano para deixá-lo com maior probabilidade de ser mostrado pelos mecanismos de busca hoje.

[O e-book do FT sobre a Amazon, que eu recomendo, deixa claro que a empresa também vende “coordenação” do lado varejo como um valor adicional extremamente importante, e aparentemente muito apreciado.]

Na verdade, a decisão de colocar mais ou menos esforço em um livro está – ou deveria estar – baseada em uma análise de vendas e tendências de busca, assim como em medidas mais tradicionais, como análise de resenhas.

Nos velhos tempos pré-Internet, publicar livros era como lançar foguetes. A maioria caía na Terra, alguns entravam em órbita. Mas os esforços do editor – na maioria das vezes – se limitavam ao lançamento. Então, a equipe de marketing poderia entrar em ação. Isso não era uma forma de fazer negócios que agradava aos autores, mas era consistente com as realidades do mercado. As grandes redes de livrarias não matinham um título em estoque se seu apelo de vendas não ficasse evidente no caixa em 90 dias. Sem cópias de um título nas lojas, não havia motivo para a editora insistir.

Isso é algo que mudou muito na era digital. Com alguns títulos e gêneros representando metade de suas vendas através de e-books ou vendas online, não há mais limite de tempo em relação à eficiência do marketing. No que é um assunto que vamos certamente explorar em uma conferência futura, isso pode estar causando engarrafamentos nos departamentos de marketing das editoras. Eles não podem mais esperar que os títulos mais antigos continuem abrindo espaço e ao mesmo tempo trabalhar nos mais novos.

A Open Road é uma editora exclusivamente digital que trabalha principalmente, mas não exclusivamente, com catálogos. [Eles parecem estar também se especializando em publicar livros de editoras estrangeiras e em ajudar editoras de livros ilustrados a entrar no mundo dos e-books.] O que me impressionou quando eu me encontrei com eles há um ano foi que eles não distinguiam entre “lançamentos” e “catálogos”. Eles faziam marketing de acordo com o calendário, em eventos e feriados, e não nos livros mais novos. Acredito que isso na verdade trouxe maior relevância a seu marketing. Obviamente, isso também vinha de uma necessidade, pois eles não têm um fluxo de “novos” livros para agenciar. Mas também capitalizaram em cima de uma nova situação, onde os livros não ficam de repente indisponíveis porque as lojas os tiram das prateleiras.

Um produto secundário de vendas de longo prazo é a maior facilidade para as editoras agruparem os livros para o marketing. Agora quatro livros em um tópico similar podem ser unidos, mesmo se tiverem sido publicados meses ou até anos depois. A Open Road faz um amplo uso desta realidade.

Estes são desafios e oportunidades que forçam os editores a repensar a organização de seus departamentos de marketing e a disposição de seus recursos de marketing. É uma oportunidade para uma editora aumentar o valor de um autor se conseguir dar uma nova vida a um livro seis meses ou um ano depois de lançado, quando outros títulos parecidos chegarem ao mercado ou um evento faz com que um livro antigo volte a ser relevante. Como autores estão cada vez mais dispostos a fazer algumas coisas úteis por si mesmos para capitalizar nestas oportunidades, eles ficarão cada vez mais impacientes com as editoras que desistirem dos seus livros cedo demais.

Há coisas que os autores simplesmente não podem fazer. Eles não podem ajustar o metadado e adicionar tags ao livro. Eles não conseguem fazer promoção com as livrarias quando o novo livro de outra pessoa faz com que o dele volte a ser relevante. Autores tampouco têm o benefício de chegar às melhores práticas da marketing e às regras práticas ao examinar os dados de desempenho por vários grupos de títulos: grandes conjuntos de títulos, categorias, vendas comparadas e outros. Estão contando com que as editoras façam isso.

O papel da editora ao coordenar e administrar uma miríade de detalhes sempre foi uma das principais formas de acrescentar valor e pode ser ainda maior na era digital. Mas só se eles realmente fizerem isso, e há uma pequena indicação de que têm esta intenção pelos títulos que estão sendo pagos.

Jane Friedman [a blogueira e consultora para escritores, não a CEO da Open Road] aponta que sua alma mater, Writers Digest e Hay House – a editora vertical em mente-corpo-espírito que conseguiu interagir tão bem com seu público – também fez um acordo com a ASI. Ela aponta que os grandes sucessos que todos conhecemos entre os autores autopublicados – John Locke, Joe Konrath e Amanda Hocking estão entre os mais famosos – não publicaram pela ASI. Jane discorda da promessa da ASI de ajudar editoras a “monetizar manuscritos não publicados”. É difícil discordar que editoras que pagam autores para publicá-los podem estar andando na corda bamba ao ter paralelamente um modelo de negócios onde elas cobram dos autores por serviços que provavelmente não lhe trarão dinheiro.

Por outro lado, a Random House tinha feito uma declaração enfática sobre o valor que editoras legítimas podem trazer com o sucesso de Cinquenta Tons de Cinza, originalmente uma história autopublicada e agora, graças à editora, o maior sucesso comercial de todos os tempos. Nenhum livro autopublicado chegou perto e demorará muito tempo antes de aparecer outro. Vejo que esta postura de privilegiar o digital [no qual eles não são os primeiros, mas parecem ser os primeiros a promover agressivamente a diáspora de autopublicação] como um passo em direção a um modelo de negócio diferente, que reconhece as novas realidades comerciais do mercado editorial. Ele permite a publicação com menores investimentos – os autores nestas editoras digitais dificilmente receberão adiantamentos em níveis próximos aos dos livros da Random House – e talvez receberão menos atenção também. O marketing é simplificado pelo fato de que não se trata de livros impressos e, portanto, não envolve as livrarias. Assim, o limiar da lucratividade é muito mais baixo e, como descobrimos, eles ainda podem decidir dar a qualquer livro nestes novos selos o “tratamento completo” – livros impressos estocados em livrarias – mais tarde, se quiserem.

É muito cedo para julgar se a relação entre editoras e serviços de autores vai agregar valor para todos. Todas essas editoras agora têm ou terão, pelo menos, um grupo estável de autores autopublicados que estão contribuindo marginalmente a eles e que significam um interesse financeiro [mesmo sem investimento inicial]. Há definitivamente um conflito inerente entre, de um lado, tentar lucrar o máximo com um autor contratando serviços editoriais e, de outro, recrutar autores e livros que serão bem-sucedidos comercialmente.

Mas as editoras ainda sabem, mais do que o resto, como fazer para que livros com potencial comercial vendam. Se a ASI e suas editoras parceiras podem encontrar a fórmula para que a promessa inerente de sucesso da marca de uma editora chegue efetivamente aos autores que contratam serviços, será respondido nos próximos meses.

Ter mais empresas tentando descobrir isso certamente melhora as chances de alguém conseguir [e a ASI tem muito interesse em espalhar as melhores práticas quando elas aparecerem]. E com serviços cada vez mais baratos para estes aspectos de autopublicação que realmente são commodities, isso significa que ASI e todos seus parceiros terão de demonstrar de forma bastante convincente que eles podem acrescentar o marketing eficiente a sua oferta mista, isso se quiserem continuar por aqui daqui a dez anos.

Michael Cader e eu estamos fazendo nossa primeira apresentação da Authors Launch, em parceira com nossos amigos na Digital Book World, em 18 de janeiro, sexta-feira, o dia seguinte à DBW 2013. A questão de onde se unem as linhas entre os esforços das editoras e dos autores é um tópico importante. Temos um grande grupo de especialistas para trabalhar: a já mencionada Jane Friedman, junto com Porter Anderson, Jason Allen Ashlock, Dan Blank, o ex-marqueteiro da Random House Pete McCarthy, coautores Randy Susan Meyers e M. J. Rose, Meryl Moss e David Wilk. Entre os editores estão Matt Baldacci da Macmillan, Rachel Chou da Open Road, Rick Joyce da Perseus e Matt Schwartz da Random House. Esta é uma conferência realmente voltada para autores publicados em vez deautopublicados, mas ensinará habilidades e dará ideias a qualquer autor disposto a investir tempo e esforço para vender seu livro.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 12/12/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Livro digital estimula novos gêneros e outro perfil de leitor


“Certos gêneros podem ter um desempenho acima da curva no formato digital”, diz Roberto Feith, da Objetiva e da DLD

Talvez não seja tão picante quanto “50 Tons de Cinza” ou violento como “As Crônicas de Gelo e Fogo”, mas a saga do livro digital no Brasil também reserva uma carga de emoção para seus próximos capítulos: à medida que novos personagens finalmente entram na história, como a Amazon, a expectativa é de mudanças também no perfil de leitor e, consequentemente, no padrão de consumo, com a ascensão de gêneros como ficção científica e mistério e uma maior oferta de textos como ensaios e grandes reportagens.

Essa é a aposta de Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva e presidente do conselho da DLD [Distribuidora de Livros Digitais, empresa que representa as editoras Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin]. “Estamos efetivamente à beira do ponto de inflexão do consumo do livro digital no Brasil. Agora ele vai começar a representar uma parcela significativa do mercado.”

A DLD acaba de fechar acordos com a Amazon e com o Google – “a expectativa é que estreiem antes do Natal“, diz Feith. Na segunda, a Livraria Cultura deu início das vendas do leitor Kobo. E na semana passada, a Objetiva lançou um selo exclusivo para obras digitais.

O diferencial do selo Foglio está no tamanho dos textos: a ideia é publicar obras de até 15 mil palavras. Trata-se de uma estratégia que já vem sendo adotada nos últimos dois anos por editoras como Random House, Penguin e Pan Macmillan. No Brasil, a meta é utilizar as vantagens do formato digital para popularizar gêneros que não têm muito espaço no meio impresso tradicional.

Um deles é o ensaio, conta Arthur Dapieve, editor de não ficção nacional da Objetiva e do selo Foglio. “Atualmente, eles estão limitados a revistas de fundo educacional. Podemos ajudar a tirá-lo da invisibilidade.

Outra aposta é relacionada a grandes reportagens sobre temas em destaque no noticiário – “o ‘instant book’ nunca deu certo no Brasil”, comenta Dapieve. São textos que precisam de mais espaço do que o disponível em jornais e revistas e de uma publicação mais ágil do que as editoras conseguem. Problemas superados com o livro eletrônico, acredita Feith. “No formato digital, é possível levar esse tipo de obra para o público em um intervalo de algumas semanas ou um mês“, afirma.

Na ficção, a ideia é que a oferta de textos curtos e mais baratos [os livros da Foglio custaram entre R$ 4 e R$ 8] facilitem o contato dos leitores com escritores que ainda não conhecem.

Mas isso não significa que a leitura nos livros digitais seja predominantemente de textos curtos. Segundo Feith, caso o Brasil siga uma tendência já observada em outros países onde equipamentos como Kindle e Nook estão mais disseminados, o que o mercado deve observar daqui para a frente é a ascensão de alguns gêneros, como ficção científica. Isso se deve a uma provável mudança no perfil do consumidor.

“O dispositivo de leitura mais comum até agora no Brasil é o iPad. É um produto relativamente caro [o de terceira geração custa a partir de R$ 1.549 no país] e, por isso, o consumidor do livro digital tende a ser de uma faixa etária mais alta, acima de 30 anos”, observa Feith. Isso explica, segundo ele, o fato de o livro eletrônico mais vendido na Objetiva atualmente ser “O Poder do Hábito” [Charles Duhigg]: “É um livro que tem relevância para pessoas interessadas em sucesso profissional”.

A chegada de outros aparelhos vem acompanhada de alguns fatores. Em primeiro lugar, eles têm um preço mais acessível: o Kobo é vendido por R$ 399, e a expectativa é que o Kindle custe aproximadamente R$ 550. Em segundo, está o fato de que eles servem apenas para a leitura, diferentemente do iPad, que tem várias funções.

“Quem compra um Kindle, por exemplo, é por definição uma pessoa que já lê muito”, afirma Feith. E, frequentemente, continua ele, esse consumidor é fã de algum gênero específico. Junte-se a isso o fato de que esse leitor terá mais facilidade para comprar no meio digital [tanto pelo preço quanto pela comodidade]. O resultado, segundo Feith, é uma maior demanda por livros de certos gêneros e temas [como a Segunda Guerra]. Agora é preciso ver se o Brasil seguirá o script.

Por Amarílis Lage, de São Paulo | Valor Econômico | 28/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Ir até onde estão os leitores pode ser uma alternativa à venda direta


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 29/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

A notícia de que a Faber no Reino Unido fez uma parceria com uma empresa chamada Firsty Group para oferecer serviços diretos ao consumidor abre novamente a questão da venda direta pelas editoras. Em meu post mais recente sobre o resultado provável do acordo com o Departamento de Justiça que foi aceito pelos tribunais, falei que estava repensando minha ideia de que todas as editoras deveriam vender diretamente, porque parecia que a Amazon [e todas as livrarias] agora terão liberdade para dar descontos aos e-books como quiserem e, portanto, podem reduzir o valor recebido pelas editoras.

Acho que as distribuidoras teriam muito a ganhar com a venda direta das editoras. Mas seria uma vitória complicada, porque quem mais perderia seriam as livrarias, que são os melhores clientes das distribuidoras. No final, como a Amazon demonstrou claramente há quase duas décadas e, mais recentemente, a F+W Media provou de novo, qualquer um pode se tornar varejista de uma grande seleção de livros impressos e digitais, basta montar uma conta com a Ingram ou a Baker & Taylor. [A Amazon começou trabalhando com os distribuidores, que enviavam os livros para eles, que depois os reenviavam ao consumidor. A F+W trabalha com a Ingram no mesmo modelo, provavelmente porque seus próprios livros estão incluídos em muitos dos pedidos e eles perderiam margem desnecessariamente se a Ingram enviasse seus livros.]

A Ingram possui uma incrível seleção de livros impressos em seus depósitos e os milhões de títulos disponíveis para print-on-demand através da Lightning, assim como a distribuição de e-books da Ingram Digital que representa a maioria dos ebooks publicados. A Baker & Taylor está tentando montar sua plataforma de e-book Blio, que lida bem com livros ilustrados, mas não chega nem perto da seleção de títulos que a Ingram possui, com seu inventário de impressos, para fornecer uma combinação um pouco diferente de títulos.

A conclusão é que você não precisa ter seu próprio inventário para oferecer uma ampla seleção.

Phil Ollila da Ingram expandiu sua abordagem para vender diretamente. Eles fornecem o que possuem: um bom inventário e o banco de dados de títulos. Indicam às editoras outros fornecedores de serviços para o componente “carrinho e cartão” do e-commerce. Há muitos motivos, incluindo potenciais questões de impostos envolvendo “nexus” e exigências de conformidade, ou seja, regras que você precisa seguir se estiver guardando dados do consumidor, e a Ingram prefere deixar esta parte do negócio para os especialistas.

Mas Ollila também informa que a Ingram descobriu recentemente, após pesquisar nos 100 principais sites para os quais eles fazem o preenchimento digital, que cerca da metade dos vendedores eram as próprias editoras. Algumas poucas estão vendendo livros de outras editoras, mas a maioria está apenas se dedicando, e com sucesso, a seus próprios e-books. Então, ou minha teoria sobre a Amazon reduzindo os preços destas editoras está errada, ou eles não começaram a prestar atenção para estes “concorrentes” ainda.

Todo negócio de grande porte, como o de uma grande editora que vende downloads digitais [vendendo ou não livros impressos também], encontraria muitas oportunidades para isso. Dito de outra forma, se a editora não conseguir completar transações com consumidores, ela vai diminuir sua capacidade de construir relacionamentos diretos com os usuários finais, o que muitos acreditam ser essencial para o futuro das editoras. Ser capaz de oferecer distribuição direta a clientes, algo que pode em pouco tempo passar a ser essencial para as empresas editoriais, foi provavelmente o que motivou o acordo da Faber com a Firsty.

É interessante pensar que todo site que possui algum tráfico substancial poderia oferecer livros e/ou e-books como um serviço combinado para sua audiência, e com isso aumentar seus ganhos. Achei que esta seria a proposta que receberíamos da Open Sky quando entraram em cena, mas eles mudaram o modelo de negócios. Uma nova plataforma de varejo, chamada Zola Books tem uma variação desta ideia – “lojas” que eles abrigam, mas que são administradas individualmente – montadas com o planejamento deles. Gostei da ideia quando a Open Sky a apresentou originalmente e ainda gosto; será ótimo que a Zola consiga implementá-la.

As mentes criativas na Random House criaram uma abordagem diferente para capitalizar o potencial de um modelo de distribuição mais amplo. Estão fazendo um protótipo com o Politico, que possui uma grande audiência de pessoas interessadas em política.

A Random House agora promove a “Bookshelf” do Politico: sua livraria. A loja apresenta uma grande variedade de títulos de todas as editoras, divididas por categorias políticas, na qual você pode navegar para conseguir informações adicionais. Depois você pode comprar escolhendo a livraria. Vi que as escolhas eram Amazon, Barnes & Noble, Politics & Prose [uma livraria local em Washington] e a iBookstore da Apple.

Além disso, no final de muitas, se não de todas, as matérias do Politico, há uma lista de ofertas adicionais de livros chamada “Livros Relacionados na Estante do Politico”. Os livros nesta lista abaixo das matérias são todos da Random House.

Além de fazer a curadoria da loja, que dá ao Politico tanto informações valorosas sobre seus visitantes quanto uma renda adicional vinda das vendas afiliadas [que eles provavelmente compartilham, apesar de não conhecer o acordo comercial], a Random House pode ajudar a Politico a publicar.

A Random House está desenvolvendo tecnologia para fazer a curadoria das ofertas de todas as editoras para a loja do Politico. Isso não é algo pequeno. Mas construir a tecnologia que pode fazer a curadoria de metadados possui um valor adicional. Eles aprendem como combinar os metadados associados com o título e com isso podem saber sobre o ranking de vendas e localização ao observar o que está acontecendo em outras livrarias. E estão aprendendo sobre as listas de seus competidores também, de uma forma diferente da que faziam antes. Parece provável que este conhecimento algum dia irá ajudar nas decisões de aquisições para novos livros e o posicionamento – timing e preço assim como ênfase no marketing e criação de metadados – dos livros que eles mesmos publicam.

Esta abordagem dá à Random House o que pode ser uma posição de guardiã das ofertas de livros para o substancial tráfego no Politico. Se estão adquirindo um livro apropriado para esta audiência, eles possuem exposição de marketing e oportunidade de vendas para fatorar em seu cálculo de rendas [e no convencimento do agente de que são a editora “certa”.] Livros de outras editoras também serão vendidos ali, claro. Mas elas não são as guardiãs, logo não podem ter tanta certeza, nem podem prometer isso ao autor. E a Random House possui a oportunidade exclusiva de explorar a estante de “livros relacionados” em cada página com matérias.

Enquanto isso, a Random House desenvolve a curadoria e as ferramentas de merchandising que permitirão fazer coisas similares em sites que possuem tráfico robusto para diferentes tópicos verticais. Se o experimento com o Politico funcionar, a Random House vai ter adquirido a capacidade de se colocar em evidência em algum site muito visitado, para o qual um livro com curadoria seria uma oferta muito atrativa.

A Random House escolheu desenvolver livrarias sem carrinho e cartão. Não estão coletando nomes de clientes com seu e-commerce ou construindo uma base instalada de consumidores cujos cartões de crédito estão arquivados. Em vez disso, estão organizando o tráfego de outra pessoa para ser distribuído às livrarias com quem já estão fazendo negócio.

E, claro, da mesma forma que a Amazon começou baseando-se em distribuidoras para os livros antes que passassem a comprar diretamente a maior parte do inventário, a Random House pode instalar o mecanismo de e-commerce quando quiser e acrescentar um botão “compre direto de nós” entre as opções.

Vejo isso como uma futura distribuição com mentalidade do editor, que é “Não preciso ter o cliente; preciso chegar ao cliente e estou bastante feliz em fazer isso através de um intermediário que faça o trabalho de atrair o cliente”. Se a combinação de curadoria e ferramentas de publicação que ela pode oferecer aos donos dos sites como o Politico for suficientemente atrativo, seria possível imaginar que a Random House está construindo uma rede de sites com alto tráfico capaz de chegar a muitos consumidores e que, na verdade, formaria um novo modelo de distribuição.

A posição da Random House abriu meus olhos. Há muito está claro para mim que a web iria organizar as pessoas de forma vertical, como está sendo, e que no final o conteúdo especializado seria encontrado e transacionado dentro da verticalidade. Cheguei à conclusão que as editoras precisavam estar na vertical, ou dominar a vertical, para se fortalecer neste ambiente. Essa é essencialmente a estratégia que está sendo executada pela F+W Media e a Osprey, para falar de dois incríveis exemplos [os dois recentemente fizeram uma aquisição que substancialmente aumentou seu tamanho, e a Osprey da Duncan Baird].

Mas a Random House está mostrando outro caminho: tornando-se especialista em livros em comunidades verticais. É muito cedo para saber se a experiência  com o Politico vai se transformar num modelo de negócio replicável. Mas é certamente uma ideia que vale a pena tentar.

Enquanto estava pesquisando um pouco para este post, fiquei impressionado ao ver isso no site do Firsty Group [ver atualização abaixo] que faço referência no alto. Foi perturbador ver que eles estão pegando meus posts verbatim e postando-os sem atribuição em seu próprio site. [Para ser justo, há um link, mas você precisa intuir que ele está lá para encontrá-lo e usá-lo!]

Numa reflexão, parece que o que eles estão fazendo é somente publicar nosso RSS feed, que a] inclui todo o post e b] deixa de fora qualquer nome de “autor”. Neste caso, esta violação de direito autoral está, na verdade, sendo feita “inconscientemente”. Estou verificando se isso é verdade com este post, porque eles certamente não postariam um texto em que os chamo de violadores de direitos autorais exceto se fosse de forma automatizada!

Quando conferirmos o que acontece com este post e confirmemos meu palpite de que o comportamento é automatizado, vamos enviar um educado pedido e sugerir que a Firsty mude sua política e passe a postar somente as primeiras X palavras de um RSS com um link. [Também estamos vendo como mudar nosso RSS feed, mas na verdade não queremos atrapalhar as pessoas que o usam de maneira correta.]

Eu não estou atacando a Gaber. É uma ótima empresa e tenho certeza de que eles e a Firsty realizam um ótimo serviço juntos.

*** Assim que este post entrou no ar, recebemos uma nota de desculpas da Firsty explicando que, na verdade, eles estavam trabalhando a partir do RSS feed e, na verdade, tinham um protocolo para cortar o artigo e depois mostrar o link. Por qualquer razão, não estava funcionando nas minhas coisas e, aparentemente, somente nas minhas coisas. Claro, chegamos a um acordo. É ótimo saber que foi um erro e que estavam alertas para consertar tudo rapidamente. Tudo está bem quando termina bem.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 29/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Lista dos eBooks mais vendidos nos EUA


A Digital Books World, newsletter especializada em livros eletrônicos dos EUA, divulgou várias listas de mais vendidos do setor naquele país. A DGB , associada com a Iobyte Solutions, preparou uma lista geral dos vinte e cinco mais vendidos e quatro listas segmentadas pelo preço.

A curiosidade a ser notada é que, dos vinte e cinco títulos mais vendidos, 21 foram publicados pelas “seis irmãs”, as maiores do setor, e praticamente a metade [12 títulos] foram publicados por editoras que aplicam o modelo de agenciamento, e com preços acima de US$ 10,00 [US 12,00 é o mais comum], e apenas quatro estão no segmento de preço mais baixo [de Us$ 0,00 a 2,99].

Outro detalhe significativo é que apenas dois títulos foram publicados por editoras fora do grupo das seis maiores editoras americanas [Random House, Penguin, Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins]. A Scholastic – que não está entre as seis, mas é uma grande editora [publicou o Harry Potter nos EUA] emplacou dois títulos, e a Soho Press, essa sim, independente, um título.

Ao observar as listas divididas por categorias de preço, verifica-se que apenas no segmento de preço de US$ 3. a US$ 7,99 é que começam a aparecer as independentes, com três posições. E somente no segmento mais barato [de US$ 0,0 a Us$ 3] aparecem dois autores autopublicados, Sidney Landon e Lynda Chance. Esses dois, pelo título dos romances, aparentemente produzem “romance novels”, um segmento diferenciado nos EUA, por aqui representado pelos livros de banca tipo “Sabrina”. Etc.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 20 de agosto de 2012

O mercado do eBook está a ponto de mudar… muito


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Shatzkin explica a decisão da Justiça americana, e prevê suas conseqüências.

A resposta do Departamento de Justiça aos comentários públicos demonstra que é bastante provável que o acordo negociado com a Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster será aceitado pelos tribunais. É hora de contemplar as mudanças que veremos no mercado de e-books nos dois próximos meses.

O acordo exige que as três editoras informem as livrarias trabalhando sob modelo de agência que elas podem mudar se quiserem. Isso deve ocorrer dez dias após a decisão do tribunal. As livrarias têm 30 dias para terminar o acordo, e depois as editoras têm mais 30 dias, a partir do recebimento deste aviso, para terminar de vez com o contrato.

Assim, o processo pode ser quase instantâneo, se as editoras forem notificadas imediatamente, as livrarias responderem imediatamente e as editoras reagirem à resposta imediatamente. Ou pode demorar uns 70 dias a partir do julgamento do tribunal, se todos usarem o tempo inteiro destinado pelo julgamento.

Assumindo que a Amazon vá agir com competência e rapidez em seus próprios interesses [e eu tenho certeza que irão], todo o processo pode acontecer entre 40-45 dias. Isso deve liberar a Amazon da maioria das restrições de preços sobre os livros das três editoras que aceitaram o acordo a partir do meio de setembro.

Há uma certa confusão na linguagem do acordo aqui. No mesmo parágrafo, em IV-B, que coloca as exigências de 10, 30 e 30 dias como descritos acima, também diz que 30 dias após a “entrada no julgamento final” [o início de tudo], os réus devem tomar “cada passo” para terminar ou não renovar ou estender o acordo. Talvez a linguagem faça sentido a um advogado, mas eu estou confuso. Parece que estão pedindo resultado antes do primeiro período de 30 dias ter expirado.

O acordo judicial, que não elimina diretamente o modelo de agência [apesar de distorcê-lo muito], não permite que as editoras ditem os preços de vendas finais em novos acordos, exceto para colocar um máximo [vamos analisar isso mais à frente]. Ele também impede a existência de cláusulas que protejam qualquer livraria do impacto das decisões de precificação de seus concorrentes. Estas restrições são especificadas para durar dois anos para cada livraria, a partir da data em que o velho contrato for acertado, seja pelo fim do contrato, ou por uma notificação da editora.

Novos contratos devem ser pensados. Podem ser acordos de “agência”, onde a editora coloca um preço e paga uma comissão pelas vendas baseando-se neste preço. Mas, como os contratos de agência eram atrativos porque conseguiam o que agora é uma paridade ilegal de preços no mercado, estas editoras devem repensar a eficácia do modelo. Eu faria isso.

Assim, novos contratos entre as três editoras que fazem parte do acordo judicial e todas as livrarias deverão ser escritos, negociados e assinados dentro de um prazo máximo de 70 dias.

Qualquer um que se lembra da combinação de maratona e prova de velocidade que foram essas negociações em 2010 não estará planejando suas férias para os próximos meses.

Existe uma enorme questão em aberto no acordo. As editoras têm permissão de negociar com as livrarias acordos limitando descontos a partir dos preços [agora] sugeridos pelas editoras. O acordo permite que a editora proíba descontos em seus livros que, no agregado de mais de um ano, exceda a margem que a livraria ganhou nestes livros.

Em princípio, isso não é complicado. Se uma livraria “A” vende e-books por $1 milhão num ano e ganha $300.000 em comissões, ela precisa cobrar pelo menos $700.000 dos clientes por estes livros, senão estaria violando o contrato que o acordo judicial.

Na prática, monitorar e forçar isso poderia ser um pesadelo. Exige informar ou acompanhar as vendas de e-books, e os preços que estão sendo vendidos, de uma forma ainda mais exigente do que tem sido feito até agora. Mas mesmo com dados perfeitos, ainda é extremamente difícil garantir conformidade, especialmente se uma livraria estiver disposta a “gastar” toda sua margem de desconto.

Isso também significa que as livrarias não podem trabalhar apenas com bots para estabelecer preços. Não basta a Livraria “A” monitorar os preços da Livraria “B” e automaticamente ajustar o seu preço, pois as Livrarias A e B não estão vendendo a mesma quantidade de outros livros de cada editora e, portanto, não possuem o mesmo “orçamento” para desconto. É um jogo da velha tridimensional. As livrarias precisam monitorar os concorrentes e, ao mesmo tempo, comparar como seus descontos aos consumidores estão somando às compensações que estão ganhando com as vendas acima do custo para cada uma das três editoras incluídas no acordo judicial.

E as editoras precisam acompanhar as vendas de cada uma das livrarias, presumindo que receberão os dados que agora não têm acesso, para ter certeza que cada uma permanece abaixo do teto.

Não podemos assumir muitas coisas aqui. As regras do acordo permitem que uma editora negocie um teto de desconto baseando-se na margem total, mas não exige que uma livraria concorde com ele. E não há nenhuma punição especificada para uma livraria que não respeite o teto, então isso terá de estar nos contratos que serão negociados.

O Departamento de Justiça acertou ao considerar que todo o modelo de agência não funciona se não for aplicado entre as Seis Grandes. A Random House mostrou isso no primeiro ano de agência, quando ficou de fora e colheu os frutos imediatos. Ao manterem seu modelo de preço de distribuição [no qual a livraria fica com 50% de um preço alto e pouco realista de e-book], eles ganharam mais dinheiro por cada cópia vendida do que teriam feito sob o modelo de agência [através do qual a livraria só recebe 30%, mas de um preço mais baixo e realista]. E, ao mesmo tempo, os e-books da Random House se beneficiaram dos agressivos descontos [liderados pela Amazon, mas seguido por outras livrarias] com os quais seus títulos mais populares, únicos entre o conjunto competitivo das Seis Grandes, eram oferecidos ao consumidor.

Na verdade, a Apple deixou claro para as editoras, quando foram recrutadas pela iBookstore, que a loja só abriria se pelo menos quatro delas assinassem o contrato. A Apple provavelmente estava pensando que sem ter uma massa crítica de títulos mais vendidos, a loja não teria apelo e não valeria a pena entrar em operação. O que as editoras podem ter pensado é que, se houvesse muitos títulos das Seis Grandes com desconto porque eles não estivessem cobertos pelas regras de agência, os que não estivessem perderiam muito.

Parece que a necessidade de uma ação combinada para fazer o modelo de agência funcionar é um elemento central no pensamento do Departamento de Justiça de que houve um conluio entre as editoras para que ele fosse implementado. Mas as alegações específicas do conluio [a reunião de Picholine que aconteceu muito antes de que alguém estava pensando em modelo de agência ou numa livraria da Apple e os vários exemplos onde as editoras supostamente contaram um ao outro se eles iam entrar ou sair do programa] parecem muito fracas, especialmente quando sabemos que todas elas conheciam “todas as lojas”.

Com a leitura do acordo judicial, temos a impressão de que veremos muitas diferenças nos contratos substitutos. As suspeitas do Departamento de Justiça foram levantadas pela grande similaridade entre os contratos de modelo de agência, e eles parecem estar pedindo para que não sejam tão parecidos quando forem renegociados.

Isto poderia levar a um bom número de mudanças. As editoras poderiam voltar ao modelo de distribuição. Ou poderiam tentar mudar a comissão do modelo de agência, agora fixados de forma uniforme em 30%. Até parece que está sendo dito às editoras que as comissões não precisam ser uniformes entre todas as livrarias [apesar de que negociar termos diferentes parece violar o espírito da Lei Robinson-Patman que uma geração anterior de editores cresceu acreditando que deveriam dar os mesmos termos a todas suas livrarias. Entretanto, há uma exceção na lei para relacionamentos contratuais.]

Na verdade, há uma linguagem no acordo que parece voltada a impedir que as editoras revelem os detalhes desses acordos para que os concorrentes não possam descobri-los. [Pode-se assumir que um agente com clientes em mais de uma editora seria capaz de descobrir os termos comerciais dos pagamentos de royalties. Na verdade, poderíamos assumir que um agente responsável não estaria esperando o pagamento de royalties para descobrir isso.]

As editoras terão de negociar novos contratos. As outras editoras trabalhando com modelo de agência [Macmillan e Penguin, que continuam lutando judicialmente e não aceitaram o acordo, e a Random House, desfrutando de mais um grande benefício por ter ficado de fora do modelo no início e portanto não podendo ser incluída no argumento de conluio] terão de repensar seus preços quando virem o que acontece com as mudanças no mercado.

Seguramente, uma das histórias do Natal de 2012 será sobre até que ponto as editoras com modelo de agência diminuiram os preços, em relação ao que lhes foi permitido, para encarar a concorrência, lideradas pela Amazon.

Lembrem-se que a restrição de desconto permitida é um número anual. Há um bom número de estratégias que a Amazon poderia seguir [e presumo que são espertos para escolherem a correta], mas se escolherem aproveitar ao máximo este Natal, poderiam cortar muito os preços – digamos abaixo “do custo” — e tentar criar a margem nos 9 meses que irão sobrar deste primeiro ano do contrato.

Independente do que fizerem, as editoras com modelo de agência terão de responder em seus preços também.

É uma previsão igualmente segura de que uma consequência disto será que o autores novatos vivendo dos baixos preços perderão espaço no mercado. Isso não será tão óbvio e ninguém realmente vai perceber.

Naturalmente, B&N e Kobo também terão que descobrir uma estratégia de preços e uma forma para executá-la.

A Apple precisa repensar completamente o que vai fazer como livraria, porque os preços estabelecidos por editoras foram bastante prejudicados, e eles parecem que nunca quiseram fazer isso.

E eu tenho de repensar novamente se minha convicção de que as editoras precisam vender diretamente ao consumidor final se sustenta num mundo onde a Amazon é livre para virar suas armas dos preços contra qualquer concorrente e fazer com que se pareçam a mafiosos realizando extorsões, não importa qual preço cobrem dos consumidores por seus ebooks.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Trailer de filme coloca livro nas nuvens


Livro passa do 2.509º lugar a 7º no ranking da Amazon após divulgação de trailer

Na última segunda-feira, o livro de David Mitchell, de oito anos atrás, Cloud Atlas estava em 2.509º lugar no ranking de best-sellers da Amazon.com. Na sexta-feira, estava em 7º.” Assim abre a matéria o jornal americano Wall Street Journal, no último domingo.

O motivo do boom de interesse por Cloud Atlas, livro publicado em 2004 pela editora americana Random House, foi o lançamento do trailer do filme que será produzido pelo estúdio de cinema Warner Bros.

Tom Hanks, Halle Berry e outras estrelas participam desse filme que junta seis histórias numa trama complexa. O trailer, de quase seis minutos, foi lançado no site da Apple, e o efeito nas vendas foi imediato. “Assim que o trailer subiu, vimos conversas no Twitter e as vendas da Amazon realmente deram um pulo” disse a publisher de paperback da Random House, Jane Von Mehren, ao diário financeiro. O jornal afirma ainda que não é incomum aparecer interesse em obras antigas que serão lançadas em filmes, o incomum foi a velocidade do efeito do trailer.

A Random House não dormiu no ponto e já planeja uma reimpressão do livro – antes mesmo da nova edição que havia sido planejada para o lançamento do filme – de 25 mil cópias. Para fusionar ainda mais a interface livro/filme, o e-book que será lançado com a arte do filme trará também “extras” do filme – e será, obviamente, mais caro.

Por Iona Stevens | PublishNews | 31/07/2012

Penguin volta a oferecer eBooks em bibliotecas


Editora vai disponibilizar títulos novos seis meses após terem sido lançados

Mais de quatro meses após ter retirado seus lançamentos digitais das bibliotecas americanas, a Penguin vai voltar a oferecê-los em agosto em duas instituições: a Biblioteca Pública de Nova York e a Biblioteca Pública do Brooklyn, por meio de um programa piloto de um ano, que poderá ser renovado. O acordo com as bibliotecas diz que elas poderão alugar 15 mil títulos do “frontlist” da Penguin, mas apenas seis meses depois de eles terem sido lançados. Tim McCall, vice-presidente de marketing e vendas on-line da companhia, disse ao Wall Street Journal que esse embargo tem o objetivo de “evitar que os e-books nas bibliotecas diminuam outras vendas”. Já o prazo de validade de um ano foi “planejado para imitar a vida útil de um livro impresso na prateleira”. As informações são do Publishers Lunch. Outras editoras já reviram suas políticas de venda de e-books a bibliotecas, como a Random House, que aumentou significativamente seus preços, e a HarperCollins, que limitou o número de alugueis a 26 por cópia.

PublishNews | 21/06/2012

Novo embate entre a Amazon e as Big Six


Reportagens de sites no exterior afirmam que as maiores editoras do mundo se recusaram a assinar o contrato anual com a varejista on-line

As relações de boa parte do mercado editorial com a Amazon, pelo menos nos Estados Unidos, já são temperadas por doses de rancor e revolta em relação ao domínio da gigante. Elas agora ganharam um pouco mais de pimenta. De acordo com uma reportagem divulgada no Salon, as chamadas Big Six –HarperCollins, Random House, Hachette, Simon & Schuster, Penguin e Macmillan – pela primeira vez se recusaram a assinar o contrato anual com a Amazon, especialmente devido ao aumento “exorbitante” de certo tipo de taxa promocional sobre e-books cobrada pela empresa. Segundo a matéria, que cita um editor a par do assunto, em alguns casos a Amazon elevou os valores em 30 vezes em relação a 2011. O assunto repercutiu e outra reportagem no PaidContent informou que pelo menos duas das seis grandes editoras se recusaram a assinar os contratos. O texto ressalta, contudo, que os títulos de todas as casas continuam à venda no site da varejista de Seattle. As seis editoras, junto com a Apple, continuam sendo investigadas nos EUA e no Reino Unido sob suspeita de terem decidido conjuntamente, de forma ilegal, pela implementação do “modelo de agenciamento” para venda de e-books, diferente do modelo de distribuição, que a Amazon aplica.

PublishNews | 11/04/2012

Receita da Random House cai 4%


Vendas com digital, por outro lado, têm crescimento ‘recorde’

A Bertelsmann divulgou seus resultados de 2011 e destacou que a receita da Random House, editora do grupo, caiu 4,2%, para 1,75 bilhão de euros, em relação ao ano anterior. O lucro antes de impostos subiu 6,9%, para 185 milhões de euros.

A editora também informou ter registrado crescimento “recorde de três dígitos” em suas vendas com digital, graças a uma demanda crescente por eBooks impulsionada pela oferta de tablets e e-readers mais baratos. De acordo com uma carta do principal executivo Markus Dohle aos funcionários, livros físicos respondem por 85% da receita da editora.

PublishNews | 28/03/2012

Random House eleva preços de eBooks para bibliotecas


Editora entende que a perpetuidade dos empréstimos aumenta o valor dos títulos

A editora americana Random House anunciou aumento significativo nos preços para distribuição de seus e-book para bibliotecas, que começaram a valer no dia 1° deste mês – alguns chegaram a triplicar, segundo informação divulgada no Publisher’s Lunch na última sexta-feira. Livros novos, lançados em versão impressa com capa dura, passaram a custar entre US$ 65 e US$ 85; no caso dos lançamentos infantis, o preço varia entre US$ 35 e US$ 85; já títulos mais antigos ficam entre US$ 25 e US$ 50, por exemplo. Para ter uma ideia, um livro como Catherine the Great, do autor Robert Massie, custará US$ 105 – até dez vezes mais do que é cobrado pelo e-book vendido ao consumidor final. Segundo a editora, a nova política de preços de e-books para bibliotecas reflete o valor pelo fato de que eles têm circulação ilimitada e perpétua.

PublishNews | 05/03/2012

Nook, e-reader da Barnes & Noble, é a esperança das editoras de livro nos EUA


A Barnes & Noble, gigante que ajudou a tirar do mercado tantas livrarias independentes, trava agora a luta da sua vida. E seu Nook, concebido em segredo numa antiga padaria, é a grande esperança eletrônica da rede e, na verdade, de muita gente do setor editorial.

O Nook – e, por extensão, a própria B&N – parece ser a única coisa que separa as editoras tradicionais da irrelevância.

Dentro das grandes editoras – nomes como Macmillan, Penguin e Random House – há inquietação com o futuro da B&N, que é a última grande rede de livrarias. Primeiro, as megalojas expulsaram as pequenas, depois as redes foram engolidas pela migração dos consumidores para a internet.

O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble: grande esperança da rede de livrarias e do setor editorial

Ninguém acha que a B&N vai sumir da noite para o dia. A preocupação é que ela míngue lentamente, conforme mais leitores adotem os e-books. E se a B&N virar pouco mais do que um café com um ponto de conexão digital? Tais temores vieram à tona no começo de janeiro, quando a empresa previu que sofrerá neste ano um prejuízo ainda maior do que Wall Street esperava. Suas ações caíram 17% naquele dia.

À espreita por trás disso tudo está a Amazon, força dominante no comércio eletrônico de livros. Muitos profissionais do ramo editorial enxergam a Amazon como um inimigo que, se não for controlado, poderá ameaçar toda a indústria e o ganha-pão dessas pessoas.

As editoras estão cortando custos e demitindo funcionários. Os livros eletrônicos estão bombando, mas não são muitos os editores que desejam que eles substituam os livros impressos. Já o presidente da Amazon, Jeff Bezos, quer eliminar os intermediários – ou seja, os editores tradicionais- ao lançar e-books por conta própria.

Por isso, a B&N agora parece tão crucial para o futuro do setor. Em muitas localidades, suas lojas são as únicas com uma ampla seleção de títulos. Se algo acontecer com a B&N, a Amazon pode se tornar ainda mais poderosa.

Seria como ‘A Estrada'”, disse um executivo de editora, referindo-se, meio de brincadeira, ao romance de Cormac McCarthy. “O mundo editorial pós-apocalíptico, com editores empurrando carrinhos de compras pela Broadway.

Mas William Lynch, presidente da B&N, se diz preparado para a batalha. Com apenas três anos de experiência como livreiro, ele precisa encontrar um equilíbrio: preparar um futuro digital para a rede, mas sem abrir mão do seu passado com livros físicos – e tudo isso em meio às pressões sobre o valor das ações da empresa, com os clientes fugindo para a internet e com a Amazon rondando.

Lynch, que foi criado no Texas e tem a intensidade nervosa de um executivo de tecnologia, considera disparatada a ideia de que equipamentos como o Nook, o Kindle ou o iPad levarão as livrarias à obsolescência.

Nossas lojas não vão para lugar nenhum“, disse Lynch. Ele citou um faturamento surpreendentemente robusto no fim do ano passado. E, no segundo semestre de 2011, a B&N capturou uma grande fatia do negócio deixada por um concorrente quebrado, a rede Borders.

Mas, em 5 de janeiro, a B&N anunciou que deve ter um prejuízo de até US$ 1,40 por ação no ano fiscal de 2012. E Lynch disse que os acionistas parecem estar subestimando tanto o potencial do Nook que talvez a empresa estivesse melhor se abandonasse o negócio digital.

Wall Street chiou e as ações da B&N ainda não se recuperaram totalmente. Uma pequena boa notícia para a empresa é que ela agora detém cerca de 27% do mercado do livro eletrônico, segundo Lynch. A Amazon tem pelo menos 60%.

Em 20 de janeiro, a Amazon divulgou um comunicado dizendo que “as vendas unitárias do Kindle, tanto do Kindle Fire quanto de leitores de e-book, aumentaram 177% sobre o mesmo período do ano passado“.

William Lynch, executivo-chefe da Barnes & Noble, no estabelecimento da empresa no Vale do Silício

A B&N não tem exatamente o mesmo charme [nem o dinheiro] de um Google ou um Facebook. “Não vemos todas aquelas ações, o sushi bar gratuito e todo o resto que você encontra no Google, mas existe muita responsabilidade“, disse Bill Saperstein, 62, vice-presidente de engenharia de equipamentos digitais da Barnes & Noble. “Era algo em que eu acreditava fortemente, que é a leitura.

No mês passado, engenheiros nos laboratórios da empresa no Vale do Silício faziam os últimos acertos no quinto leitor de e-books da empresa. Paralelamente, Lynch trabalha para reformular as lojas B&N. No ano passado, a empresa ampliou as seções de jogos e de brinquedos e criou novas vitrines para promover o Nook. O executivo espera eliminar dentro de dois anos as seções dedicadas a CDs e a DVDs. E também pretende testar formato de lojas ligeiramente menores.

Alguns analistas se perguntam se Lynch não teve os olhos maiores do que a boca. No entanto, a B&N talvez tenha de se adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

Acho que eles percebem que não podem continuar no ritmo que estão indo“, disse o consultor editorial Jack Perry. “Eles precisam de mais dinheiro para investir, para poder brigar.

Desde 2002, os EUA perderam cerca de 500 livrarias independentes. Umas 650 sumiram quando a Borders deixou de funcionar no ano passado.

Alguns editores de Nova York já tentaram imaginar o setor sem a B&N, e a ideia não é nada boa: haveria menos lugares onde vender livros. Os independentes respondem por menos de 10%, e os grandes magazines têm seções de livros menores do que as livrarias tradicionais.

Sem a B&N, a proposta de marketing das editoras desmorona. A ideia de que as editoras são capazes de identificar, moldar e publicar novos talentos e, então, levar as pessoas a comprar livros a preços que façam sentido economicamente, de repente, parece forçada. Divulgar livros pelo Twitter, ou depender de críticas, propaganda e talvez uma aparição na TV não parece ser um plano vencedor.

O que as editoras esperam da livraria é o “efeito folheada”. As pesquisas indicam que, das pessoas que entram em uma livraria e saem com um livro, apenas um terço já chegou com o desejo específico de comprar algo.

O espaço de exposição que eles têm na loja é realmente um dos lugares mais valiosos que existem neste país para comunicar ao consumidor que um livro é um grande negócio“, disse Madeline McIntosh, presidente de vendas da Random House.

A venda de livros mais antigos, que tradicionalmente responde por algo entre 30% a 50% da receita das grandes editoras, sofreria terrivelmente.

Jeff Bezos, da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa domina o mercado de livros eletrônicos nos EUA

Para todas as editoras, é importante que o varejo físico sobreviva”, disse David Shanks, presidente do Grupo Penguin nos EUA. “Quanto mais visibilidade um livro tem, mais inclinado o leitor fica [a comprá-lo].

Carolyn Reidy, presidente da Simon & Schuster, diz que o maior desafio é, em primeiro lugar, dar às pessoas uma razão para entrar nas lojas B&N. “Eles descobriram como usar a loja para vender e-books“, disse ela. “Agora, tomara que a gente descubra como fazer com que esse ciclo se complete, e ver como os e-books podem vender os livros impressos.

Bezos, por exemplo, não está esperando. A Amazon já criou sua própria editora. E a cada dia as Bolsas dão um soturno aviso de que Bezos tem os bolsos mais fornidos que Lynch.

John Sargent, presidente da Macmillan, disse que a questão não interessa apenas às editoras. “Qualquer um que seja um autor, um editor ou que ganhe a vida distribuindo propriedade intelectual em forma de livro fica seriamente prejudicado se a B&N não prosperar.

POR JULIE BOSMAN | DO “NEW YORK TIMES“, EM PALO ALTO, CALIFÓRNIA | 15/02/2012 – 07h51

A corrida da livraria Barnes & Nobles pela sobrevivência


Em março de 2009, uma eternidade atrás no Vale do Silício, uma pequena equipe de engenheiros estava com muita pressa de repensar o futuro dos livros. Estavam virando de cabeça para baixo a maneira como livros são publicados, vendidos, adquiridos e lidos: e-books [livros eletrônicos] e e-readers [leitores de livros digitais]. Trabalhando em segredo, atrás de uma porta sem identificação numa antiga padaria, eles se mobilizaram na tentativa de criar um aparelho capaz de captar a imaginação dos leitores e, quem sabe, até salvar a indústria do livro. E tiveram seis meses para fazê-lo.

Por trás dessa corrida estava a Barnes & Noble, a gigante que ajudou a tirar tantas livrarias do negócio e que agora se vê lutando pela própria vida. O que seus engenheiros inventaram foi o Nook, um parente temporão do e-reader que, no entanto, tornou-se a grande esperança eletrônica da Barnes & Noble e, na verdade, de muitos no negócio de livros.

Nas grandes editoras, como Macmillan, Penguin e Random House, há um sentimento de desconforto com o destino a longo prazo da Barnes & Noble, a última grande rede de livrarias que restou, com 703 unidades. O receio é que ela possa murchar paulatinamente à medida que mais leitores forem optando pelos e-books. Temores como esse vieram à tona no começo de janeiro quando a companhia fez projeções de que neste ano teria um prejuízo maior do que o projetado por Wall Street. O preço das ações caiu 17% naquele dia.

Por trás disso tudo emerge o vulto ameaçador da Amazon. Como muitas empresas em dificuldade, as editoras de livros estão cortando custos e enxugando pessoal. Sim, o negócio de livros eletrônicos está em franca expansão, às vezes com lucro, mas não são muitas as editoras que querem e-books para suplantar os livros impressos. O presidente executivo da Amazon, Jeffrey Bezos, quer eliminar os intermediários – isto é, as editoras tradicionais – publicando e-books diretamente.

Essa é a razão por que a Barnes & Noble, que já foi vista como a capitalista brutal no ramo de livros, agora parece tão crucial para o futuro do setor. Claro, é possível comprar best-sellers nas lojas Walmart e literatura barata em supermercados, mas em muitos pontos de venda, a Barnes & Noble é a única que oferece uma ampla seleção de livros. Se ela simplesmente reduzir suas ambições, a Amazon poderá se tornar ainda mais poderosa.

Seria como A Estrada [romance de Cormac McCarthy] o mundo pós-apocalíptico da publicação, com editores empurrando carrinhos de supermercado pela Broadway“, disse um executivo editorial de Nova York.

Mas William Lynch Jr., CEO da companhia, diz que está preparado para a batalha. Do alto de seus três anos de experiência na venda de livros, ele precisa preparar um futuro digital para a rede sem abandonar seu passado de livros impressos, num momento em que os lucros e o preço das ações estão pressionados, seus consumidores estão fugindo para a Web e a Amazon cresce.

Para alegria das editoras, ela entrou firme nos e-books e, com a ajuda do Nook, conseguiu abocanhar uma parte do mercado da Amazon. Mas Lynch ainda está fazendo o papel de Davi diante do Golias de Bezos. Enquanto a Barnes & Nobles vale cerca de R$ 700 milhões, a Amazon é avaliada em mais de US$ 80 bilhões.

“Nós poderíamos ficar aqui batendo com a cabeça na parede e ficar enjoado com isso, como já ficamos, a cada semana”, disse Lynch, 41 anos, sobre a cotação das ações. Mas ele garante que entrar no campo dos e-books com o Nook é o caminho certo, o único, talvez, de avançar.

Avanço. A pequena boa notícia para a companhia é que, graças ao Nook, ela agora detém 27% do mercado, um número que as editoras confirmam alegremente. A Amazon detém pelo menos 60%.

A Barnes & Noble está tentando atacar a Amazon com um outro aparelho. Em seus laboratórios no Vale do Silício, engenheiros davam os retoques finais, há poucas semanas, no seu quinto aparelho de e-reading.

Dentro de pouco tempo, executivos levarão o Nook ao exterior – uma grande virada já que a Barnes & Noble se concentrou quase exclusivamente no mercado americano durante décadas. A primeira parada deve ser na cadeia de livrarias Waterstones na Grã-Bretanha.

Isso tudo seria um trabalho gigantesco para qualquer CEO, e alguns analistas se perguntam se Lynch pôs no prato mais do que conseguirá comer. Mas no ritmo com que o setor está se transformando, a Barnes & Noble terá de adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

O Estado de S.Paulo | The New York Times | TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK | 06/02/2012

Novos eBooks curtinhos


Singular lança coleção de contos em formato eletrônico; Objetiva planeja selo digital para pequenos textos

A Singular Digital, braço da Ediouro, lança a coleção Contos Singulares, que reúne e-books de contos selecionados a partir do catálogo do grupo. A primeira fornada sai com sete títulos, cada um ao custo de R$ 1,99. As obras podem ser compradas nas lojas virtuais da Saraiva, Cultura, Amazon e Gato Sabido. Segundo Silvia Rebello, gerente editorial da Singular, o objetivo da série é disponibilizar pequenos textos de qualidade a baixo custo. “Essa coleção permite agregar o leitor jovem, que gosta de usar os novos dispositivos eletrônicos, e os leitores mais velhos, que podem ter alguma dificuldade de visão e, nas telas, conseguem ampliar o corpo do texto”, afirma. A ideia é ter uma programação contínua de publicações dentro dessa linha.

De acordo com a coluna Painel das Letras, publicada no sábado, a editora Objetiva também vai investir nesse tipo de publicação e prepara o lançamento de um selo para obras curtas, disponíveis apenas em formato digital. Segundo a assessoria de imprensa da editora, o material da coleção será inédito, mas ainda não há data de lançamento fixada.

As casas brasileiras seguem uma tendência forte verificada lá fora, onde grandes grupos como Random House, Hachette e Penguin já lançaram coleções de mini-ebooks. O modelo tem, em parte, inspiração no iTunes, loja da Apple que vende canções fracionadas, ao invés de apenas álbuns inteiros.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente por PublishNews | 16/01/2012

As editoras de livros conseguirão manter a primazia como editoras de eBooks?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 17/11/2011

Mike Shatzkin

Como escrevi este post de Frankfurt, onde tivemos duas Conferências da Publishers Launch, não tive muito tempo para o que meus amigos britânicos chamariam de um post “apropriado”, com um pouco de pesquisa [admito que nunca faço muita] e alguns links. Mas estive pensando em algo no último mês, depois de conversar com um vice-presidente de marketing de uma grande editora. Parece ser uma das principais questões que as grandes editoras precisarão encarar nos próximos anos.

Essa questão não está baseada em estudos, pesquisas ou estatísticas oficiais: é minha especulação. Acho que num futuro bem próximo veremos 80% do mercado nos EUA para textos de narrativa [que também chamamos de livros trade] formado por livros digitais – poderia até mesmo ser daqui dois anos, mas o mais certo é que levará até cinco anos. Já falamos sobre o ciclo que leva a isso nesta coluna: mais leitura digital leva a um declínio na compra de livros impressos o que, por sua vez, diminui o número de livrarias e leva mais pessoas a comprar livros online o que aumenta a leitura digital. E assim o ciclo continua…

Já estamos no ponto onde a venda de livros trade está passando dos 25% no digital [a porcentagem da renda das editoras é menor do que isso, claro] e ainda estamos num período, que durou uns cinco anos, mas que logo terminará, onde a penetração do digital mais do que dobrou anualmente [coloquei isso em itálico para enfatizar que estou falando sobre dobrar a porcentagem das vendas que são digitais, não o número absoluto de vendas digitais. Muitas pessoas entenderam errado quando escrevi sobre isso anteriormente].

Claro, a velocidade do crescimento da penetração vai diminuir antes de chegar a 100%. Eu imaginaria que chegaremos a 80% nos próximos dois a cinco anos, então chegaremos a 90% em outros dois anos, com os últimos 10% se arrastando por um longo período. Quanto tempo demorou, depois da invenção do carro, para que a última pessoa deixasse de andar a cavalo na cidade?

Agora, aqui está um fato comprovado em pesquisas, e estaria bem comprovado aqui se eu tivesse mais tempo: as empresas que não são editoras estão publicando seus próprios livros com maior frequência. Revistas, redes de televisão e sites estão descobrindo que a autopublicação de e-books é algo que elas podem fazer sem as complicações [ou a divisão de lucros] que exigiria trabalhar com uma editora.

Não é surpresa para mim, mas isso realmente levanta um ponto que as grandes editoras precisam considerar: as editoras de livros podem acrescentar valor suficiente ao processo de publicação de e-books a fim de persuadir outras marcas com conteúdo de credibilidade, que tenha contato direto com a comunidade vertical que é o público para seus livros, a fazer seus e-books através da editora ao invés de autopublicá-los?

Essa é uma questão existencial para as grandes editoras. Elas criaram parcerias com outras marcas, até da mídia, por muitos anos, baseando-se em sua habilidade única para entregar os livros impressos de forma competente e colocá-los nas prateleiras das livrarias. São coisas que uma revista, um canal de televisão, um estúdio de cinema ou uma empresa de empacotamento não podia fazer sozinha.

O que leva à conversa que tive na semana passada com o VP de marketing. Estávamos discutindo os tópicos adequados para a Digital Book World em janeiro de 2012. Essa editora está fazendo algumas coisas muito importantes que nem pensaria em fazer há alguns anos: SEO, claro, mas também desenvolvendo comunidades verticais e organizando um esforço corporativo para juntar nomes, dados e o contato direto com os leitores [com a dificuldade de que eles quase nunca finalizam realmente a transação]. Levantei a pergunta: “as editoras serão capazes de persuadir essas marcas que não são editoras de que vale a pena abrir mão de uma margem de rendimento e de algum controle e trabalhar com as editoras no futuro?

Esta é realmente uma excelente pergunta”, ele comentou.

A Random House aparentemente foi bem sucedida ao fazer isso recentemente. Eles fizeram acordos com dois sites políticos [Politico e Real Clear Politics] para fazer e-books relacionados à eleição presidencial de 2012. Isso é algo importante. Não seria importante se o acordo fosse sobre livros impressos; Politico e RCP não conseguem produzi-los. Mas eles poderiam fazer e-books sem a Random House; agentes literários de todos os lugares estão fazendo fila para oferecer as ferramentas para isso.

E o grande perigo para as grandes editoras é que se grupos como Politico e RCP começam a fazer seus próprios e-books, quem pode garantir que vão parar por aí? Seria uma extensão natural começar a publicar os e-books de outras pessoas depois de criarem uma boa rede e infraestrutura para vender esses arquivos. A questão que as editoras comerciais devem temer é perder o seu papel na cadeia de valor, de cima para baixo.

Habilidades e capacidades de desenvolvimento que fazem com que tenham uma importância superior para marcas verticais será essencial para a sobrevivência das editoras quando as habilidades e capacidades para produzir livros impressos se tornarem menos importantes comercialmente, como vai acontecer. Mesmo se você discorda das minhas expectativas agressivas para a penetração do mercado de e-books, acho que será capaz de substituir por suas próprias e terminará basicamente com uma conclusão bem próxima à minha.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 17/11/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

O mundo editorial não depende só de si


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 03/08/2011

No último dia 24 de julho, iniciou-se uma grande mudança no mercado de e-book. Teve seu primeiro impacto na Kobo, mas não tem nada a ver com a Borders.

A Kobo distribuiu uma nova app para o iOS [que é o sistema operacional da Apple para iPad e iPhone] que não contém mais o link direto para sua loja dentro do programa. Isso significa que comprar novos livros na Kobo exige que o usuário vá até Kobo.com através do browser [não é nada difícil, mas significa alguns passos a mais] em vez de acessá-la por um toque dentro da app.

Outras notícias nessa história ainda em andamento é que a app do Google foi “tirada” e que a app do Nook for Children não tem mais o link para a loja. Devemos esperar que as apps da Kindle e da Nook para adultos passem pela mesma mudança no futuro próximo [neste momento que o artigo está sendo publicado em português, Kindle e Nook já lançaram suas atualizações de app, sem o link direto para compra]. Isso quer dizer que a forma mais simples e direta de comprar e ler e-books no iPad ou no iPhone será através da iBookstore. Significará, certamente, um crescimento no market share da iBookstore à custa de todas as outras lojas de e-book. Também vai significar que muita gente que lê seus e-books num aparelho com iOS [sou um deles] e prefere usar qualquer uma das outras lojas [e também sou um desses] terá inconveniências e ficará aborrecido.

No entanto, também é verdade que a Apple vai se beneficiar desta mudança mesmo que muitos clientes fiquem ressentidos.

A questão mais enfática de tudo isso é que o mercado de livros é uma rolha flutuando numa correnteza de aparelhos digitais. Não controlamos nosso ambiente. Devemos continuar nos adaptando às decisões dos maiores players, alguns dos quais têm pouca disposição para dialogar e mínimos interesses no que é melhor do nosso ponto de vista, só se importando com a melhor estratégia para eles.

Sou culpado por manter uma visão centrada nas editoras em relação à possibilidade de que a Apple realmente forçasse a regra que levou a todas essas mudanças. Algo que começou a aparecer, como rumor, em fevereiro. Quer dizer: com esperança, quando ouvi pela primeira vez sobre essa possibilidade há seis meses, pensei que não aconteceria. Quis acreditar que como a Apple tinha se beneficiado substancialmente da presença das apps de e-books na sua plataforma, e como há milhões de pessoas que leem e-books em seus aparelhos Apple, mas preferem outros readers [apps] e outras eBookstores, que a Apple não forçaria essas regras que dizem que essas apps e livrarias estavam operando fora das normas.

Vou tentar não voltar a cometer esse erro. Uma das outras grandes empresas recentemente me elogiou pela facilidade com que aceitei a ideia de que empresas [e pessoas] agem em interesse próprio. Foi o que a Apple fez aqui.

O que isso significa depende da sua posição.

A Barnes&Noble [Nook], Google e Kobo se beneficiaram enormemente da chegada da Apple em abril de 2010 porque trouxe consigo o modelo de venda de “agência” que equilibrava os preços em todas as lojas para os e-books publicados pelas grandes editoras. Sem agência, muitos acreditam [e eu sou um deles] que as políticas agressivas de dumping do Kindle da Amazon em relação aos livros mais importantes teria diminuído seriamente a competitividade.

A B&N precisa de todo centavo que conseguir economizar, para investir no desenvolvimento do aparelho e no marketing; eles ficariam numa posição bem ruim se tivessem de abrir mão de margem de lucro para competir por consumidores.

A Google conseguiu fechar um acordo com umas 300 lojas independentes nos EUA para serem parceiras em seu programa de e-books. Poderiam não ter nem 10% disso se as independentes achassem que teriam de competir com o dumping de preços nos best-sellers. Quando a Random House aderiu ao modelo de agência no começo de março do ano passado – 11 meses depois que começou – uma das razões dadas foi responder ao desejo de lojas independentes em vender e-books, o que só seria possível se fosse pelo modelo de agência.

A Kobo sempre teve uma estratégia global que poderia permitir que crescessem mesmo se tivessem problemas no mercado norte-americano. Mas eles estavam tentando competir com os preços da Amazon nos tempos pré-agência e como o menor dos grandes players de e-books globais, eles teriam de ser considerados como os mais vulneráveis num ambiente caracterizado pela guerra de preços.

Essa mudança deve significar uma perda de vendas para todos eles. É difícil ver como poderia ser diferente.

A Amazon vai perder vendas também, mas eles podem ganhar no geral só porque a vida também vai ficar um pouco mais complicada para B&N, Kobo e Google.

Todas essas livrarias ganharam muito [mas não revelam seus dados] com o grande sucesso dos iPads e iPhones, além da capacidade de acesso, de forma direta e sem custo, a partir desses aparelhos. É claro que a Amazon e a Barnes&Noble venderam muitos Kindles e Nooks, claro [o aparelho da Kobo também está competindo e logo a Google vai lançar o seu], e estariam vendendo muitos e-books mesmo se os aparelhos da Apple não existissem. As editoras sabem que, entre 55-65% das vendas de e-books vêm da Amazon e 20-30% de seus e-books são vendidos pela Barnes&Noble; algumas dessas vendas são lidas em aparelhos dedicados e a maioria do resto em aparelhos com iOS. Mas eles não têm ideia de qual é seja a porcentagem. Agora vão começar a descobrir quando as vendas de outras livrarias passarem a vir da iBookstore. [Vendas da iBookstore, Kobo, Google e outras constituem entre 15-20% do total, às vezes até bem menos].

De todas as formas, o evidente benefício que a Apple e os aparelhos com iOS costumavam representar às livrarias agora fica reduzido em valor, mas o modelo de agência continua [para alegria de todos, menos da Amazon], assim como a capacidade de seus clientes usarem iPads e iPhones para consumir seu conteúdo.

Algumas editoras vão ter de reconsiderar suas estratégias.

Como a Amazon só vai aceitar contratos com os termos de agência com as Seis Grandes [eles têm formas de oferecer 70% de participação nas vendas, mas não abrem mão de ter o controle dos preços], como algumas editoras não gostam do modelo de agência e como a iBookstore não tem sido muito agressiva em termos de conteúdo como seus competidores [não tenho certeza sobre isso, mas parece que todos os outros players possuem equipes muito maiores buscando conteúdo do que a iBookstore], há editoras vendendo para as outras livrarias e não para a Apple. Eu imaginaria que elas poderiam estar esperando uma súbita queda de vendas através do iOS, apesar de não saberem exatamente a divisão de mercado.

E isso aponta para uma grande diferença entre as editoras e as livrarias. As livrarias sabem quanto de suas vendas são feitas pelas diferentes apps dos clientes. Eles também sabem quantos e-books estão sendo lidos em aparelhos com iOS. As editoras não têm ideia. No longo prazo, isso mostra como as editoras podem se beneficiar se novos players entrarem no mercado – Anobii no Reino Unido [que nos contou que vão repassar os dados para as editoras] e a Bookish nos EUA [que ouvimos, de forma indireta, que vão fazer o mesmo] – e conseguirem algum market share de maneira que possam fornecer visibilidade sobre o consumo, que as editoras não possuem agora.

E isso me leva de volta à metáfora sobre a rolha numa correnteza de aparelhos digitais. Não havia mercado de e-books sério antes de a Amazon lançar o Kindle, se dedicar realmente a vendê-lo, e usar a capacidade que tinham então para sacrificar margem de lucro e criar uma proposta comercial forte que foi a catalisadora para criação do mercado. Não havia competição séria para a Amazon até a nova diretoria da Barnes&Noble lançar o Nook com um compromisso forte de fazê-lo conhecido, usando sua presença em lojas físicas para apresentar os e-books a novos públicos e, com aparelhos mais inovadores, contribuindo para o explosivo crescimento da leitura em formatos digitais.

Não havia restrição na capacidade da Amazon de usar seu poder financeiro para dar descontos no conteúdo das editoras a fim de conseguir crescer no mercado até que o novo aparelho da Apple, o iPad, criou novos modelos de vendas que forçaram a estabilidade do preço e, ao mesmo tempo, deram às editoras uma nova capacidade de maximizar a renda e usar o preço como ferramenta de marketing.

Não havia forma eficiente de apresentar aos leitores de livros a conveniência da leitura digital sem o investimento num aparelho dedicado até que o iPad colocou essa capacidade em milhões de mãos que nem sabiam que queriam aquilo.

Não havia grande motivação para as lojas de e-book apresentarem interoperabilidade entre os aparelhos até muitos donos de aparelhos também se tornarem donos de iPhone e iPad.

Notamos que todas essas mudanças no mercado foram criadas por outros, não pelas editoras. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, tampouco nova. As editoras também não participaram no investimento que criou as megastores e nem na Amazon nos anos 90, coisas que aumentaram suas vendas. O papel de uma editora é usar os canais que estão disponíveis para colocar livros nas mãos dos leitores.

Dentro da perspectiva da maioria das editoras, essa mudança poderia ter pouco impacto. Qualquer leitor que usa iPad ou iPhone e quer um livro, ainda pode encontra-lo e compra-lo. Se a loja da Apple se fortalecer à custa do Kindle e do Nook, isso constitui uma diversificação de mercado que é boa para eles [se o impacto cair de maneira desproporcional sobre o Nook, no entanto, isso será ruim.]

Mas a simbiose feliz entre eBookstores e a Apple, pela qual as primeiras têm acesso aos clientes que, de outra forma, não teriam, e a Apple é capaz de entregar a seus clientes o conteúdo que não teria em outras circunstâncias, parece ter chegado a um fim. E a iBookstore, que estava brigando por migalhas depois que a Amazon tomou metade do mercado de e-books dos EUA e a B&N mais da metade do restante, está a ponto de se tornar um competidor mais importante.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 03/08/2011

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Propaganda de eBooks ainda é um problema


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin

Desde os meus oito anos, sempre estou lendo pelo menos um livro. Quando era criança, os encontrava em casa [papai trabalhava na indústria] ou na biblioteca da cidade, Croton-on-Hudson, ou na biblioteca da escola. Às vezes situações fora do comum me traziam um monte de material de leitura. Nos últimos dias do segundo ano da escola, peguei catapora e fiquei na cama por umas duas semanas. Já tinha desenvolvido uma afinidade com a série de livros infantis da Random House sobre história norte-americana chamada Landmark Books, que ainda está disponível. Papai conhecia a pessoa na gráfica responsável pela conta da Random House e uma caixa com 40 livros chegou um dia depois que fui diagnosticado. Quando finalmente pude sair da cama, já tinha lido todos.

Quando estava no ensino médio, descobri que uma grande farmácia na esquina da Rua 42 com a Rua Vanderbilt, na Grand Central Station, tinha uma enorme seleção de livros paperback e ela se tornou um destino de compras pra mim por um bom tempo.

Quando adulto, as compras e as descobertas passaram a acontecer nas livrarias. E apesar de, ocasionalmente, encontrar ideias sobre o que ler em resenhas de livros ou recomendações de amigos, normalmente eu simplesmente ia até a livraria e comprava. Ia dar uma espiada nas seções de história norte-americana, biografias ou esportes [besisebol tem sua própria estante dentro de esportes].

Nunca me tomou muito tempo encontrar o que eu queria ler até chegar aos e-books.

Na era dos e-books pré-Kindle, eu era cativo da loja Palm Digital, porque lia num Palm e sua postura era não permitir que outras lojas vendessem seu formato. As escolhas eram limitadas porque as editoras, antes da chegada do Kindle, relutavam em fazer os investimentos necessários para publicar livros para mim e para as outras quatro pessoas que liam e-books na época. Isso mudou imediatamente quando o Kindle chegou e, por causa dele e de outros grandes formatos que chegaram ao mercado desde então, as opções são muito maiores agora. Quase todo livro novo que quero ler está disponível para o aparelho que escolhi [o iPhone] e a digitalização do catálogo continua acontecendo nas editoras.

Mas a propaganda, pelo menos para alguém que compra num iPhone [é um pouco melhor através de outros aparelhos ou PCs], deixa muito a desejar. Minhas experiências de compra são, na verdade, parecidas a uma caminhada aleatória. Eu peço para a minha loja me mostrar os livros por categoria e, como minhas categorias não mudam muito [e não mudaram muito desde que sou criança], tendo a ver os mesmos livros muitas vezes, muitos dos quais já li [talvez em outros formatos].

Há pouco tempo, estava comprando minha próxima leitura no iPhone. Comecei a comprar com o Kindle e depois com o Nook, mas alguns minutos em cada site mobile não mostraram nada que me animasse. Aí, no Google eBooks, encontrei Making of the President 1968, de Theodore White. Esse era o que eu queria ler. Comprei e já estou na metade.

Não existe nenhuma garantia especial de que vou encontrar meu próximo livro na Google. Ainda não encontrei nenhum padrão claro entre as quatro lojas em que compro normalmente [Kobo é a quarta]. Obviamente, se eu soubesse que queria ler outro thriller de James Patterson ou John Locke, os dois estariam em poucos minutos no meu iPhone sem grandes problemas. É quando estou buscando por assunto que encontrar uma boa opção de leitura parece ser um golpe de sorte. Com certeza não estou ajudando as livrarias ao ficar fazendo compras em vários lugares; mesmo se alguma delas tivesse um bom motor de busca para guardar as minhas compras anteriores, ler o meu perfil e fazer uma excelente recomendação, eu estaria complicando por ficar espalhando meus dados por aí.

Tudo isso mostra a dificuldade do desafio enfrentado por Bookish nos EUA e aNobii no Reino Unido, dois sites para “encontrar a próxima leitura”, financiados por grandes editoras. E eles se juntam a uma longa lista de sites que tentaram construir recomendações e conversas comunitárias baseadas no que as pessoas estão lendo: Goodreads, Shelfari, Library Thing, e a nova plataforma de e-books, Copia.

Acontece que a nossa empresa está agora se dedicando a colocar o livro do “The Shatzkin Files” em plataformas diferentes da sua inicial, a Kobo [os 60 dias de exclusividade terminaram]. Quando encontramos um limite de sete palavras-chave no processo de upload do Kindle, comecei a questionar: “Por que esse limite?”

E tive uma boa resposta. Acontece que a inclinação de qualquer autor ou editor seria colocar um monte de palavras-chave. Essa era a minha intenção. Ia pegar toda palavra-chave de todo post e colocar no livro. Mas, depois de refletir, como meu amigo na Amazon sugeriu, isso realmente não ajudaria o leitor que estava procurando o meu livro. O fato de um post no blog falar sobre um sobrevivente do Holocausto não quer dizer que alguém procurando esse tópico vai querer meu livro, cujo resto do conteúdo fala sobre coisas totalmente diferentes.

Acontece que a Amazon usa algoritmos criados por busca de texto completo para melhorar o que eles mostram em resposta às buscas que o editor e o autor não necessariamente pensam quando criam metadados. Como exemplo, ele mostrou um livro que você vai encontrar na Amazon se procurar por “erasure coding”, um termo de arte que poderia muito bem não ter sido incluído por um autor ou editor ao inserir palavras-chave, mas que os métodos mais sofisticados da Amazon permitem que seja usado para buscas.

Meu amigo na Amazon não disse isso, e talvez eu esteja lendo muito sobre o que eles fazem, mas quase parece que as palavras-chave que colocamos poderiam ser supérfluas e a capacidade que eles têm de fazer análises e algoritmos sobre textos completos na verdade mandam no que descobrimos. Talvez a solicitação de palavras-chave a autores e editores seja “só pra inglês ver”, mas é claro que não espero que a Amazon admita isso.

Eu estava apenas procurando por “história norte-americana” quando encontrei Making of the President 1968 no Google [e não encontrei em nenhum outro lugar quando procurei]. Então, as sofisticadas capacidades da Amazon não funcionaram para mim e agora o mecanismo deles não sabe que esse era um livro que eu queria, porque comprei em outro lugar.

Mas estou realmente feliz por ter encontrado este livro, que deve ter saído bem recentemente em formato e-book. Eu fui bastante ativo naquela campanha e na Convenção Democrática em Chicago, onde era o assistente de Pierre Salinger na primeira campanha de George McGovern. O autor dos livros da sérieMaking of the President, Theoore White, era amigo de Salinger e eu o conheci na convenção. Mas vou guardar as histórias dessa campanha para outro post, em outro dia.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Random House lança eBooks ilustrados coloridos


A Random House Children’s Books acaba de lançar os primeiros e-books ilustrados, em quatro cores, marcando assim o início do seu programa de publicação de e-books para livros ilustrados. Os e-books são produzidos pela “in house” e a partir de agora serão lançados simultaneamente com a versão impressa. O formato para a iBookstore tem páginas fixas e são lançados em ePub, que pode ser lido em aparelhos como Kindle, Sony Reader e dispositivos móveis. Na iBookstore, onde a Random House controla o preço, eles variam entre 3,99 libras [R$ 10,50] e 7,99 libras [R$ 21,20]. Nas demais eBookstores, que não trabalham com o modelo de agência, o preço de “capa” fica entre 5,99 libras [R$ 15,90] e 10,99 libras [R$ 29,10]. RHCB também está desenvolvendo as suas primeiras Apps de e-book ilustrado, que serão lançados entre setembro e novembro.

Por Charlotte Williams | The Bookseller | 15/06/2011 | Com tradução do Publishnews

Promoção da Amazon é alerta para as Big Six


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 15/06/2011

Mike Shatzkin

Durante as duas últimas semanas, a Amazon fez uma super promoção de e-books, com os preços de mais de 600 títulos variando de US$ 0,99 a US$ 2,99. Mike Shatzkin escreveu sobre o assunto contando que esses livros não são das grandes editoras – as que decidem o próprio preço: A Amazon aparentemente procurou as editoras menores e chegou a um acordo com elas. A loja poderia simplesmente ter cortados os preços, mas fazer isso exigiria que bancassem os descontos. O mais provável é que essa redução seja compartilhada [e, além disso, a Amazon tem muitos livros que entram diretamente nessa faixa e poderiam simplesmente ser incluídos nessa promoção].

A Amazon ganha uma ótima promoção de preços. As editoras em questão ganham muita visibilidade para seus títulos. Felizmente, há uma entidade acompanhando o impacto do preço sobre as vendas dos e-books que pode nos afirmar: isso está tendo um impacto real.

Dan Lubart do blog “eBook MarketView”, da Iobyte, segue o ranking de vendas dos e-books por grupos de preços na Amazon [ele segue outras lojas também, mas, neste caso, a Amazon é a única que importa]. O gráfico de Dan seguindo o preço médio dos best-sellers para Kindle mostra um pronunciado impacto dessa promoção.

O preço médio diário dos best-sellers do Kindle teve uma elevação em 1º de março, quando a Random House passou para o modelo de agência e um monte de títulos não pode mais ter desconto na Amazon. A promoção rapidamente trouxe esse preço médio para baixo novamente, chegando à média de 1º de março!

Dan tem outro gráfico mostrando a distribuição de best-sellers entre quatro grupos de preços: até US$2,99, US$ 3 – US$ 7,99, US$ 8 – US$ 9,99 e de US$ 10 para cima. A maioria dos e-books com preços pelo modelo de agência, cuja versão impressa é capa dura, está nos dois grupos mais altos. Desde que a promoção começou, o número de best-sellers nos grupos mais baratos cresceu de 31 para 47 [ele mostra os 100 primeiros, tirando tudo que ele classifica como “não livro”]. Metade do aumento veio dos grupos mais caros com a outra metade distribuída entre as duas faixas do meio.

Numa conversa com Dan sobre sua pesquisa, ele destacou que o que acompanha é o ranking, não as vendas. O movimento de títulos entrando e saindo, subindo e descendo na lista dos mais vendidos [lista dos 100 mais] não nos diz nada sobre as unidades vendidas. Essa é a peça do quebra-cabeça que as editoras realmente conhecem [de seus próprios livros].

Existem alguns pontos críticos aqui, que são mais importantes do que surpreendentes:

1. A Amazon pode criar promoções de preços que terão um impacto imediato e dramático na lista dos e-books mais vendidos [observamos há três meses que as editoras poderiam, de repente, ter um problema de preço com listas de best-sellers].

2. As editoras que trabalham no modelo de agência têm uma desvantagem aqui por causa disso. A única forma de participar de uma promoção de preço com a Amazon é se elas abaixarem os preços em todas as livrarias [o que não é tão vantajoso para a Amazon]. Por outro lado, editoras com modelo de distribuidora têm muito mais flexibilidade para “entrar” numa promoção [apesar de que essa flexibilidade não é completa: a Robinson-Patman, lei federal dos EUA que proíbe “práticas anticompetitivas, especialmente discriminação nos preços, provavelmente exigiria que eles participassem em promoções parecidas com outras livrarias, se estas quisessem fazer algo assim].

3. Como a Amazon demonstrou claramente que o preço tem um grande impacto sobre as vendas dos e-books, e como as editoras com modelo de agência podem controlar seus preços, isso faz com que estas precisem fazer as sua experiências com o impacto da promoção de preços [como os autores autopublicados já estão fazendo, por falar nisso].

Mas experiências só fazem sentido se você puder avaliar os resultados do que está testando. Até onde sabemos, o banco de dados Iobyte é a única ferramenta que existe no momento para ajudar as editoras a fazer isso. Por esse motivo, começamos a trabalhar com Dan para introduzir as rotinas e fluxos de trabalho das grandes editoras ao que ele está fazendo.

Um observador do novo programa da Amazon especulou que poderia ser um passo em direção ao “preço dinâmico”, prática que empresas de aviação e hotéis usam para maximizar seus ganhos em assentos e quartos. Não tenho certeza se essa previsão faz sentido. Os assentos em aviões e os quartos de hotéis têm número limitado; se você vender um muito barato, não pode vender para a pessoa seguinte por mais dinheiro.

Mas e-books são reproduzíveis de forma infinita. O truque para as empresas aéreas e os hotéis é maximizar a renda para um número limitado – fixo – de vendas. O truque para as editoras é maximizar os ganhos sobre um número ilimitado – variável – de vendas. Cortar os preços para entrar numa lista de best-sellers que poderia aumentar a chance de ser visto e descoberto, talvez gerando vendas a um preço maior, é uma tática que quase certamente vai se tornar rotineira, mas deve ser bem usada.

Não pode ser bom para editoras com modelo de agência se a única promoção de preços acontece com os livros dos concorrentes.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 15/06/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

BookExpo America terá conferência sobre o livro digital


O “Publishers Launch BEA: eBooks Go Global” está sendo organizado por Mike Shatzkin e por Michale Calder, do Publishers Lunch

Entre os dias 23 e 26 de maio, Nova York recebe profissionais do mercado editorial para a BookExpo America [BEA], que consiste em quatro dias de conferências [23 a 26] e três dias de exposição [24 a 26]. Paralelamente à programação que vai movimentar o Jacob K. Javits Convention Center [655 West 34th Street – Nova York/NY], acontecem seminários como o “Publishers Launch BEA: eBooks Go Global”.

Organizado por Michael Calder, do Publishers Lunch, a mais importante publicação especializada – com 45 mil assinantes, e por Mike Shatzkin, consultor, fundador da Idea Logical Comapny e colunista do PublishNews, o encontro apresentará todos os aspectos do livro digital no dia 25 de maio, das 9h às 17h, e tem entrada independente da feira. Há diferentes pacotes de ingressos. Quem quiser participar apenas da conferência paga US$ 595 e tem direito a visitar a feira neste dia. Outras informações sobre inscrições podem ser acessadas aqui.

A conferência ajudará editores, agentes, autores, livreiros e outros profissionais do mercado nessa transição para a era digital e vai ajudar na mediação entre a tecnologia, profissionais envolvidos, paradigmas e estruturas já existentes que ainda são responsáveis pelos lucros deste negócio. As lições aprendidas pelo mercado editorial norte-americano, mais avançado do que qualquer outro nesta questão digital, serão compartilhadas com os participantes. Os conferencistas mostrarão ainda como construir uma base de operação digital e abordarão todas os seus desdobramentos – conversão, distribuição digital, metadados, direitos autorais, modelos de preço, aplicativos, entre outros.

Confira a programação, que inclui palestra de empresas como a Google, Random House, Bloomsbury, Ingram e outras.

PublishNews | 12/05/2011

Random House UK adota modelo de agência


A Random House UK resolveu adotar o modelo de agência assim como fez a filial americana em março. Com isso, os cerca de seis mil títulos digitais da editora passam a ser encontrados também na iBookstore, da Apple. A porta-voz da Random House Maureen Corish disse: “Somos a única grande editora em língua inglesa que não tem seus livros na iBookstore e este anúncio mostra o início de uma nova relação comercial e o nosso compromisso em aumentar as opções de escolha dos consumidores, fazendo com que os livros dos nossos autores estejam disponíveis para o maior número de leitores possível no formato que eles preferirem”.

PublishersLunch | 10/05/2011

Random House vende 2 milhões de e-books no Reino Unido


Maior oferta de títulos foi o que motivou a explosão de venda, diz o CEO da editora

A Random House chegou à marca de 2 milhões de e-books vendidos no Reino Unido. Os livros digitais já representam 8% de todas as vendas da editora, com Lee Child, James Patterson e Jo Nesbo liderando a lista dos autores best-sellers. De um ano para cá, a venda de e-books aumentou 10 vezes. Para o CEO Ian Hudson, o aumento no número de títulos disponíveis em versão digital foi o que motivou a explosão nas vendas. Hoje, existem 6 mil e-books no catálogo. No primeiro trimestre de 2010, eram 1.800. A editora continua trabalhando para ter todos os seus títulos disponíveis em e-book, tarefa que deve ser completada em cerca de dois anos.

The Bookseller | 06/05/2011 | Charlotte Williams