Com tablets, empréstimo de e-books é desafio para bibliotecas


Com a popularização dos tablets, o empréstimo de livros virtuais virou um desafio para as bibliotecas

Com a popularização dos e-readers [leitores eletrônicos] entre alunos, o empréstimo de livros nas escolas brasileiras passa por um processo de adaptação. Colégios públicos e particulares investem e incentivam o uso de tablets e similares, e os estudantes começam a se familiarizar com a leitura de textos virtuais em dispositivos portáteis. Mas como as bibliotecas estão lidando com essa nova plataforma de leitura? Na 15ª Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, ocorrida no início de setembro, dois dias foram dedicados à discussão do papel da biblioteca no empréstimo de e-books, da democratização no acesso à leitura e dos desafios impostos com o surgimento de novas tecnologias, um cenário inimaginável há menos de duas décadas, quando existiam poucos aparelhos e eles ainda eram grandes e caros.

Conforme explica o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, há duas linhas principais em estudo que se apresentam como possibilidades para implantação de uma biblioteca para empréstimo de e-books no Brasil. “Uma delas, que vigora na Europa e nos Estados Unidos, indica o empréstimo de livros que são baixados e, depois de alguns dias, desaparecem do suporte utilizado, fazendo com que termine o prazo de uso. A outra se daria por meio do ciberespaço, da chamada ‘nuvem’. Dentro desse conceito, os livros ficariam em uma rede disponível a todos e o leitor não chega a baixar os arquivos. Neste caso, haveria a necessidade de pagar uma mensalidade para que o usuário acessasse as obras“.

Desde o último dia 5, a Gol Editora já disponibiliza uma biblioteca virtual no endereçowww.nuvemdelivros.com.br. “Temos dados que nos propiciam fazer uma biblioteca em nuvem no Brasil, e fazendo com que isso seja popular. O País é o terceiro mercado de computadores do mundo e tem a quinta maior planta de celulares, com mais aparelhos do que habitantes. Esses são fatores que favorecem a implantação de uma rede para a leitura virtual“, afirma Jonas Suassuna, presidente do grupo, que pretende disponibilizar seis mil obras a partir de outubro ao custo de R$ 0,99 por semana. Esse modelo, no entanto, não é unanimidade. “O Brasil é um muito País muito grande e com peculiaridades bem distintas em cada região. Creio que para alcançarmos a tão falada inclusão digital, o ideal seria que o empréstimo de livros virtuais fosse gratuito, como nas bibliotecas convencionais“, detalha a professora do curso de biblioteconomia da Universidade Federal de Brasília [UnB], Mônica Regina Perez.

Os piratas do Brasil – Segundo dados da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, quase 200 mil downloads ilegais de livros foram realizados no País nos últimos dois anos por meio de 50 mil links “alternativos”. “Na França, em 2010, o número de livros pirateados foi de, no máximo, 3%. Ou seja, existe segurança para que o empréstimo e a comercialização não sejam irregulares“, comenta Amorim. Sócia-proprietária do site de hospedagem e gerenciamento virtual de livros Alexandria Online, Raquel Mattes acredita que o download ilegal é “uma resposta ao preço caríssimo das obras“.

“Durante o governo Lula, os livros foram desonerados de qualquer imposto e, mesmo assim, os preços não baixaram. Esse tipo de pirataria só pode ser combatida quando tivermos preços acessíveis à população”, diz.

Para Suassuna, a utilização da nuvem seria uma forma de combater a pirataria, já que não é possível baixar o livro e, assim, não daria para copiá-lo. Livros na rede sem qualquer custo – Enquanto se discute a melhor forma de distribuição do conteúdo, projetos como o Domínio Público [www.dominiopublico.gov.br], do governo federal, que disponibiliza, por exemplo, a obra completa de Machado de Assis, e o Gutenberg [www.gutenberg.org], em inglês,  que busca a democratização da leitura por meio da distribuição gratuita de livros em formato digital, ganham espaço. Em ambos os casos, são colocados à disposição do internauta obras cujos direitos autorais já estão liberados para uso. Com uma proposta um pouco diferente, o Scridb [pt.scribd.com] se anuncia como “o maior clube do livro do planeta”. Nele, o leitor compartilha textos com outras pessoas e pode, assim como nos sites já citados, encontrar algumas obras de livre circulação. O problema segue sendo as obras “fechadas”, cujo interesse econômico por trás ainda vigora.

Empreste um livro para um amigo – Para esses casos, ainda existe a possibilidade de uma troca entre amigos, que segue viva nas plataformas virtuais. O mais popular leitor de e-books da atualidade, o Kindle, da Amazon, permite o empréstimo de livros virtuais desde novembro do ano passado. O processo é feito de um equipamento para o outro. O usuário que empresta fica 14 dias sem acesso à obra para que o amigo possa ler. Depois desse tempo, ela é bloqueada para quem pegou emprestado e “devolvida” ao dono. Processo muito semelhante a um empréstimo de um livro de papel.

Independentemente da postura adotada, o importante é procurar uma adequação às mudanças que a tecnologia impõe ao hábito de ler. “A biblioteca precisa buscar alternativas para se adaptar a esse processo. A tecnologia está disponível em qualquer lugar e a qualquer momento, e não necessariamente onde está a biblioteca. Logo, ela não pode mais esperar que o usuário vá até a instituição para buscar títulos ou realizar pesquisas, ela precisa ir onde o leitor estiver, disponibilizado obras raras e coleções exclusivas, para atrair o mesmo”, ressalta o professor de tecnologia da informação da Universidade Federal do Espírito Santo [Ufes], Antônio Luiz Mattos. A biblioteca da Ufes já começou a selecionar obras para compor seu acervo de livros virtual.

Terra Educação | 26/09/2011

Morre Michael Hart, criador do eBook


Michael Hart é considerado por muitos como o criador dos eBooks

O norte-americano Michael Hart, fundador da mais antiga biblioteca electrónica do mundo, morreu esta terça-feira em Illinois aos 64 anos, anunciou ontem o site do Projecto Gutenberg.

Os livros electrónicos provavelmente não existiriam hoje, se não tivesse sido Michael Hart em 1971 a lembrar-se de escrever a Declaração de Independência dos Estados Unidos no computador e torná-la acessível às outras pessoas. Um gesto que hoje parece banal foi há 40 anos um passo revolucionário.

Foi em 1971 que Michael Hart criou o Projecto Gutenberg, o primeiro dedicado à construção de uma grande biblioteca universal acessível a partir dos computadores. A ideia foi a criação de uma biblioteca digital gratuita, actualmente com mais de 36 mil livros, em mais de 40 idiomas, que se encontram em domínio público.

Qualquer utilizador pode participar no projecto, que está disponível em português, voluntariando-se para rever obras literárias, isentas de direitos autorais, para que depois outras pessoas as possam descarregar e ler os livros em qualquer parte do mundo.

Ele olhava constantemente para o futuro, antecipava avanços tecnológicos. Uma das suas especulações preferidas era que um dia, toda a gente poderia ter a sua própria cópia da colecção do Projecto Gutenberg […]. Esta visão tornou-se realidade”, pode-se ler no obituário publicado no site do projecto.

Michael Hart deixou uma grande marca no mundo. A invenção do e-book não foi simplesmente uma inovação tecnológica ou um precursor do ambiente moderno da informação. Um entendimento mais correcto é que os e-books são uma forma eficiente e eficaz de distribuição gratuita e ilimitada da literatura. O acesso aos e-books pode assim proporcionar uma oportunidade para o aumento da literacia. A literacia, e as ideias contidas na literatura, criam oportunidades”, continua ainda o obituário.

Publicado originalmente PÚBLICO | Portugal | 08.09.2011 – 10:43

Leitura de livros na nuvem é a proposta do 24symbols


Os livros do Project Gutenberg, que tem mais de 30 mil obras cujos direitos autorais já expiraram, estão disponíveis para qualquer pessoa baixá-los, transferi-los e lê-los no iPad.

O 24symbols é um sistema de leitura na nuvem desenvolvido na Espanha que disponibiliza algumas dessas obras e poupa o usuário da necessidade de transferi-las -permite lê-las imediatamente.

Ao baixar o aplicativo, gratuito na App Store, pode-se acessar diretamente todo o crescente acervo do 24symbols, composto até agora por mais de mil livros. Duas línguas predominam: inglês e espanhol. A obra quase completa de William Shakespeare, clássicos como “Dom Quixote” e “A Odisseia” e diversos livros de Charles Dickens já foram incluídos.

O 24symbols também tem uma interface baseada na web, que pode ser acessada em computadores pessoais, por meio de um navegador.

Livros marcados como favoritos no 24symbols, serviço de leitura na nuvem

Tanto no iPad quanto no computador, você pode acessar os livros que está lendo, marcar obras como favoritas, ver lançamentos e procurar títulos por categorias. Há também um sistema de busca, por enquanto disponível só na interface para computadores.

Além de obras absorvidas do Project Gutenberg, o 24symbols tem uns poucos livros recentes, quase todos obscuros, como “A Violação das Mulas”, de Maria O., única obra em português disponível até agora.

Para usar o 24symbols, é preciso se cadastrar. O serviço se sustenta de propagandas discretas exibidas na navegação e das contas premium [€ 9,99 por mês], que permitem leitura off-line e sem publicidade.

Quando um livro é aberto no aplicativo para iPad, demora um pouco a carregar. Depois disso, as páginas fluem como em qualquer leitor eletrônico convencional. Nas configurações, é possível alterar a letra pelo tipo [entre três opções] e pelo tamanho [entre seis opções].

POR LEONARDO LUÍS | Folha.com | 29/08/2011 – 17h22

Respeitável público


Por Tatiana de Mello Dias | Publicado originalmente em LINK do Estadão | 7 de agosto de 2011| 20h00

Como o formato digital está ajudando a ampliar o acesso a produções que perderam os direitos autorais

Alice no País das Maravilhas | A obra de Lewis Carrol é pública. Mas as adaptações, como a recente versão de Tim Burton no cinema, são protegidas.

2012 será um ano importante para os fãs do escritor irlandês James Joyce. É que, a partir de 1o de janeiro, sua obra inteira entra em domínio público – e o clássico Ulisses poderá então ser reproduzido, remixado, reeditado e revendido por qualquer um. E isso é especialmente importante porque o neto do escritor, Stephen Joyce, sempre fez questão de restringir ao máximo o uso dos textos do avô. A partir do ano que vem, Joyce estará livre.

Como seres humanos, nós precisamos ter um grande espaço livre para nos comunicar uns com os outros, sem as limitações impostas pelo copyright”, disse ao Link o pesquisador holandês Joost Smiers, autor do livro Imaginem o Mundo Sem Direitos de Autor Nem Monopólios, de 2005 [leia a entrevista aqui].

O domínio público é o mecanismo legal que garante que obras sejam liberadas do copyright após um determinado prazo.

Sigmund Freud | Todos os livros do psicanalista entraram em domínio público na virada de 2010. Isso fez que surgissem novas e melhores edições de suas obras.

Por definição, domínio público é a extinção dos direitos autorais – principalmente os patrimoniais, que garantem a exclusividade para exploração econômica da obra.

E se grande parte das obras que já estão em domínio público está guardada em museus ou bibliotecas, a digitalização e a internet têm um papel importante para garantir a principal função do domínio público: possibilitar o acesso a esse material. “A internet veio redefinir tanto o papel do direito autoral quanto o do domínio público”, crava Sérgio Branco, professor da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro e autor do livro O Domínio Público no Direito Autoral Brasileiro, que será lançado em setembro. Só que essa relação não é tão simples – governos e instituições ainda não aprenderam a respeitar os princípios básicos do domínio público.

Desrespeito. O autor constatou uma série de problemas em relação à maneira como governos e instituições tratam o domínio público – no Brasil e no mundo. “Fiz uma pesquisa em quatro instituições de arquivos públicos e verifiquei um grande desrespeito às obras”, diz. A rigor, tudo o que está em domínio público deve ser acessível por qualquer um, para qualquer finalidade. Mas as instituições costumam exigir declarações sobre o uso que se dará à obra e vetam qualquer uso diferente.

Guimarães Rosa | Os livros do escritor só entram em domínio público em 2037. Até lá, a família tem total controle sobre a forma como as obras serão publicadas.

A Lei de Direitos Autorais no Brasil não regula o tema. “A lei me parece pouco eficiente”, diz Branco. “Ela não prevê o domínio público voluntário. Não há razão para isso”, critica. A lei simplesmente determina o prazo de proteção no Brasil: 70 anos após a morte do autor, prazo considerado longo por instituições como a ONG Consumers International, que colocou o Brasil como o país com a quarta pior lei de copyright do mundo em relação ao acesso à cultura e uso educacional. “A rigor, podemos dizer que o prazo hoje vigente no Brasil já é suficientemente longo para representar um desequilíbrio nas relações entre autor e sociedade”, diz Branco em sua tese. “Parece claro que os frutos econômicos decorrentes da exploração da obra se esgotam, em regra, muito antes de expirado o prazo de proteção.

No ano passado, a Argentina aprovou uma lei para estender de 50 para 70 anos o prazo de proteção de obras fonográficas. Um dos motivos era o de que um disco da cantora Mercedes Sosa entraria em domínio público em 2012. Detalhe: o LP estava fora de catálogo há 48 anos, portanto sem gerar renda para a família da cantora. “São histórias absurdas porque você está protegendo algo que não está sendo explorado e impedindo o acesso àquela obra”, diz Branco.

Nos anos 60, o compositor Carlos Imperial virou dono da canção “Meu Limão, Meu Limoeiro”. Registrou a cantiga popular como sua composição. Sua mãe ficou indignada: “Mas, Carlos, como você teve coragem? Eu cansei de embalar você à noite cantando essa música”. Ele respondeu: “Música e mulher para mim não têm dono, vou lá e pego”. Até hoje, toda vez que alguém tocar publicamente a cantiga popular, terá de pagar direitos autorais à família Imperial.

Parabéns a você | A música só entra em domínio público nos EUA em 2030.

Faz sentido? O que Imperial fez é um exemplo extremo de uma prática comum da indústria cultural: pegar uma obra em domínio público torná-la uma obra protegida por direitos autorais. É só lembrar dos clássicos da Disney [adaptações de contos de fadas já em domínio público].

Nos EUA, a pressão da indústria fará que nenhuma obra entre em domínio público no período que vai de 1998 até 2018. A lei, conhecida como Mickey Mouse Act, foi aprovada após uma pressão no Congresso porque os primeiros filmes da Disney entrariam em domínio público. “O maior problema é que, quando você prolonga o prazo, carrega consigo não só os filmes da Disney, mas toda a cultura norte-americana. Com isso você tem não só a perda da reciclagem das obras, porque a película se deteriora e o livro sai de catálogo, mas também uma perda econômica”, diz Branco. “Se uma obra intelectual não foi remunerada nos primeiros anos, dificilmente será 70 anos depois, ou 90. Não faz sentido manter essa proteção tão longa”.

Noel Rosa | As músicas do compositor morto precocemente estão livres desde 2008, quando sua morte completou 70 anos

No ano passado, toda a obra do psicanalista Sigmund Freud entrou para domínio público. Ninguém perdeu dinheiro com isso – pelo contrário. “Apareceram novas e melhores edições das obras. Há competição: se não tem mais monopólio, várias editoras podem publicar a obra”, diz Branco.

O BÁSICO

• Domínio público é a extinção do direito patrimonial do autor sobre a obra [ou seja, do monopólio de exploração comercial].
• Não é possível licenciar uma obra em domínio público. Mas há alternativas, como a licença CC0, da organização Creative Commons, que sinaliza que o autor abriu mão de todos os direitos.
• Uma vez em domínio público, não é possível aos detentores recuperarem os direitos sobre a obra.

ONDE ENCONTRAR

• Internetarchive.org: Tem de tudo. Vídeos, livros, fotos, softwares e sites.
• The Public-Domain Movie Database: O visual é terrível, mas há um bom acervo de filmes, séries e documentários.
• Project Gutenberg: Reúne mais de 36 mil livros para Kindle, Android, iPad e iPhone.
• Domíniopúblico.gov.br: Imagens, sons e livros, como a obra completa de Machado de Assis.
• Publicdomainworks.net: Todo o tipo de conteúdo, como artigos acadêmicos.

Por Tatiana de Mello Dias | Publicado originalmente em LINK do Estadão | 7 de agosto de 2011| 20h00

E-books estão se tornando cada vez mais populares


O eReader quadradão Libriè, da Sony, foi lançado em 2004

Eles já existem há um tempo, mas foi agora, nos últimos anos, que ganharam destaque. Os e-books [ou ebooks ou ainda eBooks, dependendo de quem escreve], do inglês “eletronic books”, são edições digitais de livros que podem ser acessados a partir de computadores e, mais recentemente, a partir de uma grande variedade de dispositivos.

Um dos mais antigos e-books, a versão digitalizada da Declaração de Independência dos Estados Unidos, foi feito por Michael Hart em 1971. Talvez você não o reconheça pelo nome, mas provavelmente conhece o trabalho iniciado por ele no mesmo ano, o Projeto Gutemberg, iniciativa voluntária para a digitalização de trabalhos culturais, em especial os literários, e que encoraja a criação e distribuição de e-books. Uma idéia simples [bem, talvez nem tanto].

Hart recebera de um amigo o privilégio de ter acesso por horas ilimitadas a um computador mainframe Xerox Sigma V na Universidade de Illinois, onde ele estudava. Para retribuir o favor do amigo, ele resolveu fazer algo que pudesse ser considerado grandioso: seu objetivo inicial era catalogar e disponibilizar de forma digital, sem ou com pouquíssimo custo para o leitor, os 10 mil livros mais consultados pelo público até o final do século XX. Apesar de não ter alcançado a sua meta, Hart alavancou o Projeto Gutemberg, que hoje conta com mais de 30 mil títulos digitalizados e disponíveis gratuitamente a partir do site.

Mas apesar de estarem por aí há décadas [tanto os legais quanto os mal-acabados e distribuídos de forma ilegal por sites de compartilhamento e redes peer-to-peer, que não são poucos], os e-books começaram a ganhar destaque mesmo há pouco tempo, com a popularização de alguns leitores eletrônicos como o Kindle, da Amazon e o Nook, da Barnes & Noble e, mais recentemente, o tablet iPad, da Apple.

Um dos grandes problemas dos leitores de e-books anteriores era a falta de conteúdo para ser consumido a partir desses dispositivos – a Sony já fabrica modelos mais “quadradões” de e-readers há anos -, demanda essa que acabou sendo suprida com uma loja inteira da Amazon, uma seção da livraria Barnes & Noble e com a chegada da iBookStore, da Apple.

Como funciona a tinta eletrônica

O desenvolvimento e a constante evolução da tecnologia e-Ink, ou “tinta eletrônica”, também foi algo que capitaneou essa recente popularização dos dispositivos de leitura. Isso porque ler em telas comuns de LCD incomoda muito os olhos: os tradicionais displays emitem luz e portanto precisam de um ambiente escuro para sua leitura.

Mesmo sendo uma luz infinitamente mais fraca que a luz do sol [ou mesmo que a de uma lâmpada], a penumbra necessária para sua leitura acaba por ferir os olhos. Some-se a isso o fato de que a tela de LCD é naturalmente brilhante e reflexiva, mesmo desligada, o que dificulta ainda mais a leitura em ambientes superiluminados.

Já a página de papel de um livro apenas reflete a luz do ambiente, de forma difusa e nada agressiva ao olho. Na tentativa de reproduzir essa sensação, foi criada a tecnologia e-Ink, um tipo de “papel eletrônico com tinta mágica”, que permite uma leitura confortável em tons de cinza.

O principal componente das telas de e-Ink são microcápsulas que contém partículas de pigmento branco ionizadas positivamente e partículas pretas ionizadas negativamente. Quando um campo elétrico negativo é ativado, as partículas brancas movem-se para o topo da microcápsula, de forma a tornarem-se visíveis, e as pretas são empurradas para baixo, ficando escondidas – isso mostra o “papel” branco.

O processo invertido, com campo elétrico positivo, faz com que as partículas pretas venham para a superfície da cápsula, tornando-se visíveis na tela e mostrando a “tinta” preta. Com esse expediente, é possível até mesmo levar um leitor de livros eletrônicos para a praia, por exemplo, sem o desconforto do reflexo das telas tradicionais.

Além disso, as telas de e-Ink utilizam pouca energia [praticamente apenas o necessário para ‘virar’ a página], o que faz os dispositivos que a utilizam serem funcionais por um longo período de tempo entre uma recarga e outra, e extremamente ecológicos.

Junto com a popularização dos e-readers e das telas de e-Ink, o ePub foi escolhido pelo Fórum Internacional de Publicações Digitais [IDPF, na sigla em inglês] como formato oficial de arquivo para a distribuição de e-books, por tratar-se de um formato aberto, gratuito, que permite o ajuste do tamanho das fontes, o uso de CSS e a inserção de licenças DRM.

Apesar do aparente constrassenso [e que já gerou alguma polêmica no mundo do software livre], o DRM é desejável por parte das editoras porque impede que o seu conteúdo seja pirateado ou compartilhado de forma não autorizada.

A grande vantagem do formato ePub é, na verdade, ser uma espécie de ‘container’. Em uma analogia com formatos de vídeo, o ePub seria como o AVI – com ele, é possível a utilização de diferentes tecnologias de DRM, por exemplo, assim como no formato AVI é possível utilizar uma série de diferentes codecs e formatos de vídeos.

No entanto, a conversão dos livros para o formato digital ainda tem um custo muito elevado. Hoje, a conversão de um livro para o formato ePub custa mais de R$ 1 por página, valor relativamente caro. Na Índia, esse custo pode chegar à metade, mas a qualidade acaba sendo prejudicada – com falta de acentos ou cedilhas, característicos do idioma português, por exemplo.

JACQUELINE LAFLOUFA | 08 de julho de 2010 | 16h38

5 Lojas de livros electrónicos multi-plataforma


São muitas as opções “on-line” à espera de quem pretende comprar, ou descarregar de forma gratuita livros electrónicos para o seu leitor dedicado, PC ou “smartphone”. Detalhamos algumas, escolhidas pela abrangência da oferta ou pelo importante papel que assumem na difusão do livro electrónico.

1. eBooks.com

Existe desde 2000 e na última década decorou-se de novas áreas e multiplicou a oferta disponível. A ebooks.com aposta nos títulos em inglês e destaca-se pelo facto de permitir navegar no interior de um livro antes da compra e por oferecer, para muitos dos livros disponíveis a possibilidade de ler “on-line” a obra adquirida sem necessidade de descarregar qualquer programa, como terá de fazer quem pretende ler de outra forma. A esmagadora maioria dos livros disponíveis está em inglês – assim como a plataforma – e os formatos suportados são diversos [nem todos os livros estão disponíveis em todos os formatos suportados pela loja], informação sempre detalhada na ficha que acompanha cada titulo disponível para venda. A possibilidade de imprimir os títulos adquiridos também existe, mas para um universo reduzido de títulos e só quando há autorização dos autores. A oferta divide-se entre ficção, não-ficção, livros académicos, entre outros.

Para ler no PC [Windows, Mac ou Linux], telemóvel ou “on-line”. A lista de compatibilidades é detalhada “on-line”
Formatos PDF; ePub; Microsoft Reader e MobiPocket
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis Windows, MAC, Linux, Blackberry, Sony Reader, entre outros.
Catálogo disponível 100 mil obras
Pagamento Em dólares, com cartão de crédito.
Site http://www.ebooks.com

2. Projecto Gutenberg

É um dos projectos mais antigos da Internet, nesta área da digitalização de livros, o Projecto Gutenberg. Suportado por voluntários, oferece exclusivamente conteúdos de acesso gratuito numa lógica de chegar a tantos dispositivos e plataformas quantas seja possível. Assim, a lista de compatibilidades é longa, entre leitores dedicados, smartphones, sistemas de jogos ou mesmo leitores MP3. Diferentes formatos ou dispositivos podem é estar condicionados a diferentes possibilidade de manuseamento dos livros electrónicos. Todos os livros que passam pela plataforma foram previamente editados em papel por uma editora e só depois disso digitalizados. A par da oferta directamente proporcionada pelos voluntários Gutenberg, quem passa pelo site pode ser remetido – se aceitar a proposta – para um conjunto de moradas de parceiros do projecto, com mais ofertas de livros gratuitos ou de baixo custo. O Gutenberg tem uma versão em português e catálogos que agrupam os livros na mesma língua, todos e os mais recentes.

Para ler no PC, telemóvel, MP3, leitor de livros digitais.
Formatos Mobipocket, Epub, HTML, entre outros
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis iPhone, Kindle, Sony Reader, iPad
Catálogo disponível 30 mil obras
Pagamento Todos os conteúdos são gratuitos
Site http://www.gutenberg.org

3. Kindle Store

O popular leitor de livros digitais da Amazon também dá nome a uma loja de aplicações, a Kindle Store. A plataforma começou por estar dirigida aos leitores da marca [no formato proprietário da Amazon AZW], mas há muito que a empresa percebeu que podia maximizar a utilização do serviço e começou a disponibilizar versões gratuitas do software para diversos tipos de dispositivo. A ausência mais notada é uma versão para Android, embora esteja já prometida para o verão. Para garantir compatibilidade com toda a oferta disponível para o leitor e tirar partido da aplicação para ele criada é preciso instalar software, na versão mais adequada ao dispositivo usado. No caso de ser o PC, saiba que a versão deixa de fora os conteúdos extra-livros, como jornais, revistas ou blogs e [ainda] só é compatível com Windows. Em qualquer versão do software estão à disposição várias opções de personalização, como alterações de fundo, visualização de ecrã completo ou editar notas, entre outras. É também sempre possível ler o primeiro capítulo do livro antes de decidir uma compra.

Para ler no PC, telemóvel, Kindle
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis Windows, iPhone, Blackberry, Mac
Catálogo disponível 540 mil obras [400 mil em Portugal], mais 1,8 milhões de títulos escritos antes de 1923 sem direitos de autor.
Pagamento Meios de pagamento habituais.
Site http://www.amazon.com/gp/kindle/pc [para PC, as versões móveis podem ser descarregadas das respectivas lojas de aplicações].

4. Google Books

Polémico desde o início o Google Books fica para a história como o primeiro grande esforço para criar um acervo poderoso de livros digitais. Muitas alterações à fórmula inicial têm sido feitas para acalmar ânimos. Hoje o serviço mistura ofertas pagas e gratuitas de livros, completa ou parcialmente digitalizados, a que o utilizador pode ter acesso integral – quando não há direitos de copyright em vigor – ou parcial, apenas para decidir uma compra. As obras pagas são vendidas pelos parceiros, cujas lojas “on-line” estão assinaladas na página onde é mostrado o conteúdo, mas a vertente mais interessante do projecto está no portefólio de conteúdos de acesso livre que chegaram ao projecto por via de acordos com algumas das mais importantes bibliotecas académicas dos Estados Unidos e da Europa. Muitas das ofertas de acesso gratuito disponibilizadas em algumas lojas “on-line” de livros [como na loja da Sony] resultam de parcerias com a Google.

Para ler no PC
Formatos PDF
Catálogo disponível mais de um milhão de títulos em domínio público
Site http://books.google.com

5. Diesel eBook Store

Com uma oferta capaz de merecer uns longos minutos de navegação antes de uma decisão, a Diesel eBook Store é uma opção a considerar para quem anda à procura de livros mais recentes e de autores conhecidos para consumir em versão digital. Nas 40 categorias em que divide a oferta é possível encontrar quase de tudo, com uma abrangência significativa de formas cobertos. Até porque as categorias principais se dividem em 2.700 subcategorias, para facilitar a pesquisa de quem anda à procura de conteúdos mais específicos. Por cada compra o utilizador ganha pontos que se traduzem em descontos na compra seguinte. À oferta paga junta-se uma extensa oferta de conteúdos gratuitos, dominantemente em língua inglesa, graças a uma parceria com o Google Books.

Para ler no PC, telemóvel, leitor dedicado de ebooks
Formatos Adobe PDF, ePub, Microsoft Reader, Mobipocket, eReader.
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis iPhone, PC, Sony Reader, Palm, entre outros.
Catálogo disponível 2,2 milhões de títulos
Pagamento Meios de pagamento habituais
Site http://www.diesel-ebooks.com

Borlas a considerar

São vários os sites que disponibilizam exclusivamente ofertas gratuitas de conteúdos. Se bem que em algumas deles a oferta se cruza com a suportada em projectos como o Google Books ou o Gutenberg, vale a pena deixar alguns exemplos a explorar. O Feedbooks [http://www.feedbooks.com/] e o Manybooks [http://manybooks.net/] estão entre as alternativas sem custos que vale a pena ver, para além das que já tínhamos referido. A primeira restringe os conteúdos disponíveis à utilização em equipamentos portáteis e a segunda pode implicar alguns passos para assegurar compatibilidades, mas ambas asseguram um portefólio de conteúdos interessante. Quem estiver interessado em livros digitais para o telemóvel e for cliente da TMN ou Vodafone pode também passar pelas respectivas lojas de aplicações das operadoras onde existem ofertas pagas e gratuitas deste género. A oferta mais estendida é da Vodafone com mais de 100 mil ebooks disponíveis.

Cristina A. Ferreira / Casa dos Bits | Publicado originalmente no site Jornal Negócios Online | 09/06/2010 | 09:27

Livros digitais em todo o lado


Para ler um livro digital não é obrigatório que adquira um leitor dedicado. Na verdade, pode não ser necessário gastar um único euro, nem nos livros. Muitas lojas “on-line” oferecem conteúdos que também podem chegar ao PC ou ao telemóvel. Muitas vezes, sem custos.

Com os computadores cada vez mais portáteis e os telemóveis convertidos em sistemas de computação, faz pouco sentido que o fenómeno emergente dos livros digitais se esgote ou limite à utilização num leque restrito de equipamentos, promovidos por fabricantes que apostam em modelos fechados de plataformas de conteúdos. E de facto, é cada vez menos assim.

A oferta de livros digitais multiplataforma está a crescer e permite a quem gosta de ler e não se importa de o fazer sem tocar no papel, experimentar a versão digital sem precisar de comprar um leitor dedicado ou, mesmo que o faça, sem ficar agarrado à loja promovida pela fabricante do equipamento.

Mesmo entre as marcas com leitor dedicado para promover, nem sempre a estratégia é a de manter uma loja de livros electrónicos exclusivamente focada no seu próprio dispositivo. Que o diga a Amazon, que ao contrário da Apple – com uma loja criada apenas para alimentar o seu mediático e aguardado iPad – tem tentado assegurar massa crítica para a sua Kindle Store.

A loja pode até ter o nome do dispositivo, mas funciona de forma completamente autónoma a este produto. O suporte físico para leitura dos livros electrónicos que a Amazon se tem esforçado por multiplicar pode ser o PC, um iPhone e em breve um smartphone com Android.

A estratégia é clara. Levar os novos conteúdos a um número mais abrangente de dispositivos, num misto de ofertas gratuitas e pagas, modelo que se repete na generalidade das lojas de livros electrónicos. Também a fonte da oferta gratuita é muitas vezes a mesma: a Google, graças ao seu polémico Google Books, ou o projecto Gutenberg. A iniciativa da Google alimenta ofertas como a que lançou a Barnes & Noble no final do ano passado, quando estreou a maior livraria de conteúdos digitais nos Estados Unidos. Mais discreto, também o Gutenberg é uma peça fundamental na oferta de conteúdos digitais. Pelo acervo, mas sobretudo pelo esforço de compatibilidade com um número muito abrangente de dispositivos, como o leitor de livros da Sony, que mantém a loja oficial com funcionamento restrito aos Estados Unidos e Canadá, por exemplo.

No que se refere aos livros digitais gratuitos é no entanto preciso ter em conta que o que está disponível para os Estados Unidos pode não estar disponível em Portugal. As protecções relacionadas com direitos de autor justificam as diferenças. Uma obra que já não esteja protegida por direitos de copyright nos Estados Unidos pode ainda gozar dessa protecção na Europa. As limitações são normalmente comunicadas ao utilizador quando este tenta aceder a determinado conteúdo, mas convém ter a noção de que existem diferenças entre regiões, até para perceber porque é que, por exemplo, a oferta da Kindle Store é de 540 mil títulos nos Estados Unidos e se reduz a 400 mil obras para quem está na Europa. Mesmo assim, oferta não falta e é fácil prever que continuará a crescer. É só escolher o equipamento, o livro e uma posição confortável para entrar na história.

Cristina A. Ferreira / Casa dos Bits | Publicado originalmente no site Jornal Negócios Online | 09/06/2010 | 09:27

Mais de 5 milhões de e-books vendidos pela Apple


Novo iPhone será integrado aos outros aparelhos da Apple

Mais de 5 milhões de e-books foram baixados através da iBookstore da Apple desde que o iPad foi lançado nos Estados Unidos há 10 semanas, informou a empresa. Na apresentação do iPhone 4, Steve Jobs disse: “Cinco ou seis das maiores editoras americanas nos dizem que a parcela de vendas dos iBooks está em 22% do total – em cerca de 8 semanas!”. Há mais de 60 mil títulos disponíveis na iBookstore. Entretanto, a maioria deles integra o Projeto Gutenberg e não tem direitos autorais envolvidos. Jobs também anunciou que o iPhone 4 terá acesso ao aplicativo iBooks, o que quer dizer que usuários poderão ler o mesmo livro no iPad, iPhone ou iPod Touch. Confira a reportagem original em inglês.

The Bookseller – 08/06/2010 – Catherine Neilan

30 mil livros gratuitos


Mais de 30 mil livros clássicos, em domínio público, serão disponibilizados na iBooks Store no dia 3 de abril. O dia marca não só o lançamento do iPad  como o anúncio oficial da parceria da entre a Apple o Projeto Gutenberg, uma iniciativa voluntária de digitalização de livros com o copyright expirado.

De acordo com uma foto do aplicativo da iBook Store, a loja virtual de e-books lançada junto com o tablet, as obras serão oferecidas gratuitamente. Além disso, todos os livros serão livres de DRM, a trava anticópias que o próprio iTunes deixou de lado em 2009.

De qualquer maneira, você nem precisa do iPad: todos os livros do projeto estão disponíveis na internet, no site oficial da iniciativa.

Estado.com – 29/03/2010 – Rafael Cabral

eText Explorer


Com o Programa eText ExplorerTM, desenvolvido por Curtis Keisler, você pode fazer o download de TODOS os títulos disponíveis no Project Gutenberg, convertendo os textos em *.txt para html e para OPF. Com as ferramentas disponíveis, você pode utilizar as fontes obtidas para produzir eBooks nos mais diversos formatos para uma leitura mais conveniente. Foi o primeiro programa a fazer conversão para OEB, pioneirismo absoluto! Para visitar o site do eText Explorer e fazer o download grátis, clique aqui ou na imagem.

A indústria editorial e as mídias digitais


As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura de todo o mundo.

O texto não é mais lido apenas no papel. Ele está onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação. E uma série de meios é o que promete transformar definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

Ednei Procópio – Exclusivo para a Brasil Que Lê – 13/01/2010

A INDÚSTRIA EDITORIAL E AS MÍDIAS DIGITAIS

Será que o livro realmente acabou como o conhecemos? A minha convicção é a de que não. O livro não acabou como o conhecemos. O livro apenas está evoluindo, como é de se esperar, para os novos suportes ou plataformas tecnológicas. Mas o livro continuará a existir, não importa se ele será impresso em papel ou em uma tela de E-Ink.

Dito isto, vamos adiante.

A emergência de inúmeros modelos de leitores eletrônicos [ eReaders ] parece querer sinalizar o fim do livro em formato papel. É o caso do device Nook, da Barnes & Noble [a maior cadeia de livrarias no mundo]; a versão internacional do device Kindle, da Amazon; ou mesmo de outros dispositivos como os da família de eBook Readers da Sony, que conta com uma versão com tela de 7 polegadas e conexão 3G, voltado para jornais e revistas, além de um modelo de 6 polegadas com tela sensível a toque, sem contar inúmeros outras versões de fabricantes menos conhecidos [principalmente equipamentos chineses].

A promessa que estes players oferecem é atraente: a portabilidade, capacidade de armazenamento de incontáveis títulos em um mesmo dispositivo, incluindo aí a capacidade sem par de indexação das informações contidas em uma obra, a abertura para conter as anotações pessoais do leitor, entre outras ferramentas que se convertem em vantagens se comparados ao livro em sua versão em papel.

Fosse apenas o caso da transição da leitura para o suporte eletrônico [hardware] não seria tão problemático, uma vez que os modelos estabelecidos de produção, promoção e distribuição se manteriam para os livros da forma digital, do mesmo modo como acontece com os livros em formato papel. Contudo, esta mudança é apenas parte de uma revolução tecnológica mais profunda e que agora parece ocupar o espaço dos negócios dos editores porque parece ameaçar o modelo editorial convencional. Mas esta preocupação se justifica?

É fato que a revolução da tecnologia, associada à evolução da Internet democratizou o acesso a meios de produção. A emergência de blogs e outras formas de manifestação criativa, por meio das redes sociais, como o Shelfari por exemplo, fez a ponte entre os autores e leitores potenciais. Foi aí que surgiu o verdadeiro desafio. Se a disseminação de novas obras se tornou possível, por outro lado, o leitor mudou, em alguns casos usando a tecnologia para subverter o circuito convencional de consumo dos livros. Se a palavra que veio à sua mente é pirataria, acertou em cheio.

O FANTASMA DA PIRATARIA
Tomemos por exemplo a ansiedade galopante dos fãs da série Harry Potter, que fazia surgir versões traduzidas dos livros em novos mercados antes mesmo que as versões oficiais da obra fossem publicadas. Para efeito de quebrar este circuito e evitar a perda de vendas, a editora Bloomsbury Publishing Plc passou a ter de lidar com o sigilo e a logística de lançamentos em escala global. Isto sem falar nas chamadas fan ficcions, cujos textos dos próprios leitores foram criados para saciar ainda mais o desejo do fandom em torno da franquia. Ou seja, os próprios leitores passaram também a criar histórias de seus personagens favoritos e a compartilhá-los na internet para os demais fãs desta e de outras séries.

Mas o outro tipo de pirataria praticada por leitores não é o único no cerne das preocupações da indústria livreira. Antes é no desvão da gestão de direitos de propriedade que está o grande desafio. Serviços como o Google Books, que indexam milhões de livros representa um enorme desafio para o mercado. É bem verdade que os donos dos direitos sobre livros, autores e editores possuem gerência sobre a publicação ou não de partes ou da íntegra dos textos na rede para leitura gratuita. Só que, fora o Google, existem ainda outros serviços em que este respeito não está tão claro, como eMule [ www.emule-project.net ] e o Scribd [ scribd.com ].

No Scribd, por exemplo, não é difícil encontrar cópias não autorizadas de obras de qualquer país ou autor, inclusive obras de brasileiros, em que pese ser um serviço amigável para divulgação de documentos em vários formatos, como compêndios técnicos ou manuais. No afã de oferecer um serviço diferencial, agem muitas vezes às margens do mercado editorial, subvertem o respeito ao direito autoral e criam bancos de dados de livros piratas, o que nivela a indústria livreira ao drama vivido por produtores de filmes ou da indústria musical. Os textos e livros são postados no citado Scribd pelos próprios usuários, portanto, serviços deste tipo se tornam mais corrosivos ao mercado do que aquele oferecido pelo próprio Google Books.

MODELOS CONEXOS
Já que mencionamos a indústria musical, é o caso de se falar de alguns experimentos bem-sucedidos como é o caso da loja iTunes, da Apple, que criou uma associação de banco de dados de músicas, que poderiam ser vendidas por preços acessíveis, por faixa, para tocadores específicos. Ainda no ramo musical, há o caso da OviStore, da Nokia, que tem praticado uma estratégia diferente: há a venda de faixas individuais e álbuns, mas na venda de alguns celulares ‘premium’, o consumidor pode baixar quantas músicas quiser por um período, que atualmente é de um ano. Como é feita a remuneração dos músicos neste caso, ainda é incerto, mas as músicas são protegidas por direito autoral. Enfim, são modelos que devem ser avaliados pelo mercado de livros.

No caso da App Store, há um caso análogo, que é o da Amazon. A grande varejista virtual apostou na venda de livros em formato eletrônico para aquele device eletrônico também vendido por ela, o Kindle, e que chegou agora em uma versão internacional, com tela maior até com uma plataforma que pode ser adquirida em mais de 250 países no mundo todo.

Particularmente, depois de testar pessoalmente dezenas de eReaders, ainda considero o Kindle de longe o mais fraco de todos os devices. E considero o modelo de negócio da Amazon, para livro eletrônico, também algo ainda irreal, pelo menos para o mercado editorial brasileiro. Considero que não serve. A plataforma Google Books parece fazer muito mais sentido para nós. Mas, independente de minha opinião pessoal [é quase impossível para mim não expressa-la], é fácil reparar na apreensão do mercado editorial mundial em torno deste caso e também a falácia da imprensa em querer desmoralizar o mercado de livros em papel. Pois a sensação que eu tenho é a de que a imprensa quer ver o “circo pegar fogo”, para usar uma expressão popular e, com isto, bagunçar todo o meio de campo.

DIGITAL RIGHTS MANAGEMENT
Em julho de 2009, a Amazon apagou cópias do clássico da Ficção Cientifica “1984”, de George Orwell dos Kindles de usuários que haviam comprado o título. A alegação na época era a de que a versão eletrônica do livro havia sido fornecida à sua loja virtual por uma editora [lê-se: um usuário qualquer] que não tinha autorização para comercializar obras de Orwell. A Amazon, na ocasião, para compensar o fato, enviou um e-mail aos leitores afetados afirmando que eles seriam reembolsados por meio de um cheque a ser enviado pelo correio. O mal estar, no entanto, foi causado pelo apagamento dos arquivos sem a permissão dos usuários da livraria online, o que abriu um precedente sobre questões de privacidade envolvendo o Kindle e seus conteúdos.

O que nós percebemos, neste caso, não é exatamente um problema que os livros eletrônicos podem trazer, mas o contrário: a facilidade de controle e gerência sobre um determinado conteúdo. Se a Amazon tivesse vendido a versão impressa do mesmo livro, ela poderia pedir o livro de volta para os seus consumidores? É claro que não conseguiria os livros de volta.

Mas vamos supor que a Amazon tivesse vendido a biografia proibida do Roberto Carlos em versão eletrônica. Seria mais fácil para o juiz que determinou a retirada dos livros impressos das livrarias brasileiras mandar retirar também os livros de dentro dos devices? E eu às vezes me pergunto isto porque a tal biografia proibida de Roberto Carlos até hoje está disponível para download na rede em uma versão pirata. O autor da obra, o historiador Paulo César de Araújo, quando soube que, após ter sido proibida, a sua obra estava disponível na rede em versão digital e áudio exclamou o seguinte:

“O livro está vivo!”

Enfim, os leitores do Kindle não precisam da autorização da Amazon para ler o “1984”. Basta entrar no site do Projeto Gutemberg [este sim o pioneiro de todos] e baixar a obra. E a minha conclusão é a de que apenas houve um processo mal conduzido dentro da Amazon que culminou neste fato. Mas é fascinante pensar e saber o quão é fácil gerenciar conteúdo de livros através dos equipamentos eletrônicos. Uma coisa é certa, o sistema de Digital Rights Management da Amazon parece funcionar tão bem [ que o hacker israelense Labba não leia isto ] que até serve para deletar arbitrariamente os livros dos usuários como se fosse o próprio Big Brother.

Este caso é mais um indicador que explica porque ainda não exista um modelo estabelecido para a venda de livros em meio eletrônico. Há tempos é possível comercializar livros com proteção contra cópia no formato PDF [ Portable Document Format ], plataforma de publicação da Adobe, o que permitiria a leitura em computadores pessoais, por exemplo. O formato tem sido usado para a distribuição de livros que já caíram em domínio público. É o caso de vários títulos que podem ser encontrados no eBookCult [ www.ebookcult.com.br ], um website por mim fundado em 2001.

Mantidos os modelos estabelecidos, é de se esperar que o livro eletrônico percorra o mesmo caminho de outros dispositivos digitais, ficando restrito a uma camada de usuários iniciantes amantes de tecnologia [ hard users ], ganhando massa crítica aos poucos conforme baixam os custos unitários dos equipamentos [ como é o caso do Kindle que bateu todos os recordes de venda no Natal de 2009 ].

Mas e com relação ao conteúdo?

CONVERSÃO
Algo que o Mercado Editorial precisa avaliar agora é a velocidade com a qual os livros são digitalizados. O nível de aprendizagem do consumidor está tendo uma curva cada vez mais íngreme e acentuada. Isto nos faz refletir sobre a rapidez com que o rádio, a televisão ou o celular passou a fazer parte da vida das pessoas e a velocidade que irá prevalecer com relação à adesão dos livros eletrônicos.

Segundo Kevin Kelly, autor do livro “Novas Regras para uma Nova Economia”, cerca de um milhão de livros estão sendo escaneados anualmente. No Vale do silício, a Universidade de Stanford digitaliza todo o seu acervo de 8 milhões de títulos. Na China são digitalizadas 100 mil páginas por dia. O Google está digitalizando 10 milhões de livros por ano. Aproximadamente 10% de todos os livros atualmente impressos serão digitalizados até 2014.

COMISSÃO DO LIVRO DIGITAL
Ciente do desafio que enfrentaremos, a Câmara Brasileira do Livro conta com uma comissão que está desenvolvendo estudos sobre a viabilidade e os impactos do mercado do livro digital no Brasil, bem como aspectos operacionais e legais envolvidos. A Comissão do Livro Digital, da qual faço parte, já encontrou alguns caminhos que em breve serão divulgados para o mercado. Um deles, seria a adoção do padrão Open eBook da International Digital Publishing Forum [ IDPF ], conhecido como ePub, como forma de viabilizar ainda mais os negócios digitais de livros em nosso mercado.

Mas qualquer que seja o caminho, o que permanece é que o livro em papel ainda se mantém na preferência do leitor médio, seja pela familiaridade, pela comodidade e também pelo custo. Em seu livro FREE, o autor Chris Anderson, editor sênior da revista Wired, nos diz o seguinte:

“Os livros em papel representam um caso especial de mídia impressa da qual a forma física ainda é preferida pela maioria. Felizmente, a indústria de livros não está em queda… Enquanto os leitores continuarem a querer livros feitos de átomos, e não de bits, continuarão a pagar por eles”.

CONVERGÊNCIA
Um outro jornalista perguntou ao Professor da USP Luli Radfahrer, Ph.D em comunicação digital, se os novos provedores de conteúdo ameaçam as mídias tradicionais. Eis a resposta:

“Não enquanto não houver um equipamento wireless [ hardware ] que receba informações [ conteúdo ] e que possa ser lido e manuseado como uma espécie de papel. O que mais se aproxima disso atualmente é o Kindle, mas mesmo assim é um modelo ruim. Enquanto isto não ocorrer e os provedores tiverem poder para imprimir informações em papel, eles não são ameaçados.”

Considero que, apesar de toda a confusão em torno do assunto, o professor esteja correto em sua colocação, mas o Kindle não é o equipamento que mais se aproxima do papel. Na verdade, o Kindle é uma porcaria, um lixo tecnológico de segunda categoria fabricado na China, cujos engenheiros e designers parece nunca ter pegado um livro na vida, tal a falta de comodidade e legibilidade do equipamento.

E para não parecer algo indelicado falar deste modo do equipamento da Amazon, gostaria de deixar registrado que um dos melhores equipamento disponíveis no mercado hoje é o fabricado pela empresa IREX Technologies [ www.irextechnologies.com ]. A IREX disponibiliza cerca de três modelos de equipamentos, entre eles o iLiad Book Edition que pode muito bem sim substituir o suporte papel a médio prazo. E sugiro também o device lançado pela Barnes & Noble.

Eu estudo os e-readers desde 1998 a até hoje eu não tinha visto um protótipo de eReader tão bacana quanto o ALEX Reader, da empresa Spring Design. O device ALEX é muito parecido com o device nook, da Barnes & Nobles. Inclusive a empresa Spring Design está processando a Barnes & Nobles por quebra de patente.

Não sei quem copiou quem [ vai confiar em fabrica chinesa! ], mas o fato é que este ALEX Reader é perfeito. Ele une o E-INK sem touch-screen para a leitura do livro na parte de cima [ o que resolve o problema de custos do equipamento, porque o E-INK com  touch-screen é muito caro ]; e uma outra tela com touch-screen colorida em baixo [ o que resolveria o lance das capas coloridas dos livros e a simulação de uma biblioteca igual ao software Stanza usado no iPhone ]. A idéia é simples, mas genial. Mil vezes melhor que aquele lixo do Kindle que tem umas 40 teclas.

ALEX Reader roda o sistema operacional Android [ leia-se Google ] que é um OS open source e já tem disponível uma centena de aplicativos como o iPhone. Um deles é o software para livros eletrônicos que roda no Android OS também, o Aldiko, que eu também considero sensacional:http://www.aldiko.com. Detalhe o ALEX Reader é 100% compatível com ePub. Só falta agora os engenheiros da Spring Design integrarem o e-reader ALEX diretamente ao Google Books. Porque o Nook da Barnes & Nobles já tem uns 700 mil títulos digitais disponíveis. Bem mais que os 270 da Amazon. Mas o ALEX não tem conteúdo ainda.

Porém, penso que a questão dos eBooks não reside nos equipamentos disponíveis no mercado, que muitas vezes não cuidam do design como a Apple faz muito bem com os seus produtos, e que em breve pretende mais uma vez demonstrar isto com o lançamento do seu tão aguardado tablet, mas o problema reside na ausência de um modelo de negócio eficiente e que contemple o mercado editorial mundial.

O hardware [ aqui no caso tanto a tecnologia E-Ink quanto a commodity papel ] sempre diverge enquanto suporte; mas o conteúdo sempre converge independente da plataforma. O sucesso do iPod está no modelo de negócios da plataforma iTunes cujo conceito inclui um conteúdo integrado.

Diante disso, surge a questão: há uma síntese possível?

Sim. O segredo do sucesso dos livros eletrônicos enquanto negócio para o mercado editorial está na arte que converge o hardware, o software e o conteúdo. Quando houver um modelo de negócio para livros eletrônicos que consiga suprir estes três itens de modo qualitativo, aí sim haverá um modelo eficiente em quem podemos confiar os nossos investimentos.

PREVISIBILIDADE
Sobre o futuro do livro eletrônico, são infinitas as possibilidades. Cogita-se, por exemplo, a adoção de telas coloridas e sensíveis ao toque, a exemplo de computadores de mão. Mas ainda não é possível precisar se isto de fato realmente irá ocorrer porque quando se fala em E-Ink colorido estamos falando de um custo que é praticamente 80% dos equipamentos. Não sabemos ainda se haverá mercado para equipamentos neste sentido.

De qualquer modo, há a comodidade do uso acadêmico dos eReaders, em que enciclopédias e livros de referência poderiam ser facilmente armazenados num único suporte eletrônico, incluindo aí a leitura de periódicos técnicos ou mesmo de interesse geral, como jornais e revistas, que cobrariam uma assinatura mais barata pelo consumo de versões eletrônicas. Seria a salvação para a imprensa, que sofre com a queda de receita e o número cada vez menor de leitores e assinantes em papel; ao mesmo tempo em que estes poderiam reduzir seus custos, eliminando o de impressão e distribuição de papel.

Não podemos esquecer da questão da democratização do acesso: se existe um abismo digital, diferenciando os que têm ou não acesso à tecnologia, há ainda o abismo entre os leitores e os que nunca manusearam um livro, ou seja, a digitalização poderia facilitar o acesso dos leitores, incluindo outras formas de interação ou o acesso a obras raras, caso do projeto Brasiliana [www.brasiliana.usp.br/blog ], que conta com mais de 5 mil títulos para consulta [ doados pelo mestre Midlin ].

E há alguns brasileiros que desde já se destacam nessa nova seara, como o prolífico Paulo Coelho, que disponibilizou todos os seus novos livros para download gratuito na Internet, em vários idiomas. Prova de que, neste novo caminho, ainda existe muito a explorar. Paulo Coelho é um dos poucos escritores brasileiros que desde cedo percebeu o potencial dos livros eletrônicos enquanto canal de divulgação para a versão em papel de suas obras.

CONCLUINDO
Não considero o livro eletrônico como o maior concorrente do livro em papel. Como editor, encaro os suportes emergentes como quem fosse escolher entre um Pólen Soft 80 ou um papel Alta Alvura 75 gramas. Em alguns casos, um determinado conteúdo a ser publicado pode muito bem ser oferecido na plataforma iPhone, por exemplo, ou até mesmo em um PlayStation Portátil. Para nós, jovens editores, tudo depende da base instalada de usuários. Um dos livros que a nossa editora publicou, o “Angel Dogs”, foi disponibilizado inicialmente apenas nos formatos impresso e eletrônico, mas, recentemente, em um parceria com a AUDIOLIVRO Editora, nós também publicamos o mesmo título no formato MP3. Ou seja, o mesmo livro, um mesmo conteúdo, em três formatos distintos.

O fato é que talvez tenhamos de reconsiderar não o eBook em si, mas todo o escopo de possibilidades de todas as mídias digitais como sendo o real concorrente ou uma real oportunidade de alavancar os nossos negócios editoriais. As mídias digitais estão minando a atenção dos leitores e concorrendo diretamente com o pouco de tempo que os leitores poderiam dispensar especificamente para a leitura dos livros impressos. Aí sim, talvez percebêssemos que afinal o livro eletrônico não é assim uma má idéia.

UM CASE BRASILEIRO
Novos serviços mostram que existem alguns caminhos, como o novo portal Livrus [www.livrus.com ]. Trata-se de uma plataforma online que explora alguns dos princípios dos sites de mídias sociais, porém aplicados aos livros. Criado pela Giz Editorial, trata-se do primeiro serviço do tipo disponível em língua portuguesa.

De acesso gratuito, o serviço online permite que usuários interessados criem uma base de dados sobre suas obras favoritas, criação e divulgação de resenhas e recomendações. Há também um módulo de utilização destinado a autores, que podem listar suas obras, apresentando informações e detalhes dos livros escritos, além de divulgar sua participação em eventos como lançamento de novas publicações.

O serviço pretende aproximar leitores segundo assuntos de interesse, facilitando a troca de idéias e a recomendação de novos títulos. O serviço se vale de processos comuns em sites de música, em que um fã de um gênero específico chega a novos músicos ou grupos com base nas indicações de pessoas com gosto similar ao dele. A Livrus segue pela mesma rota.

Fruto de um investimento inicial de US$ 25 mil em desenvolvimento, o serviço tem ainda recursos provisionados da ordem de US$ 40 mil, para um período de 12 meses. Os recursos serão usados para a expansão das funcionalidades e no suporte ao crescimento na base de usuários. Os recursos foram angariados pela própria Giz Editorial, em conjunto com investidores do mercado e a expectativa é de que o serviço retorne os investimentos até o final de 2012. O foco inicial está na consolidação de uma base sólida de usuários e na manutenção de bons níveis de serviço.

Dada a gratuidade para os usuários, o site buscará receitas com a venda de anúncios publicitários de títulos, editoras e autores, com suporte a ações de rich media. Outra fonte de receita está na formação de parcerias comerciais com autores, editoras e demais agentes do mercado editorial. O site também prevê para breve módulos que permitirão realizar ações de e-commerce de parceiros. Será o primeiro online a publicar e disponibilizar obras em três formatos: impresso [ incluindo print on demand ], livro eletrônico [ eBook ] e audiobook.

PAINEL MUNDIAL DOS LIVROS DIGITAIS

ESTADOS UNIDOS
• Os Estados Unidos apresentam o maior mercado para eBooks até o momento, tendo movimentado cerca de US$ 113 milhões no último ano de 2008.

• Há uma estimativa de venda de 3 milhões de leitores eletrônicos [ e-readers ] nos Estados Unidos em 2009.

• A consultoria iSuppli espera que as vendas de e-readers no mundo todo superem os 5 milhões de unidades em 2009, ante 1 milhão registrado no ano anterior, 2008. De acordo com a pesquisa de mercado realizada pela iSuppli, há uma previsão de venda de 5,2 milhões em 2009, mais da metade nos EUA.

• Hoje, estima-se que 60% das apostilas e dos livros didáticos das universidades americanas estão disponíveis no formato digital.

ASSOCIAÇÃO NORTE AMERICANA DE EDITORES
• Segundo a Associação Norte americana de Editores [AAP] já existem cerca de 80 editoras comercializando eBooks diariamente.

• AAP indica que as vendas de eBooks somaram 20 milhões de dólares em 2003, ante 113 milhões de dólares em 2008. O aumento nesse período foi de 465%. Só no primeiro semestre de 2009, o crescimento foi de 150%. Hoje, os eBooks representam apenas 1% do mercado.

• A AAP divulgou que os livros digitais [compatíveis com leitores como o Kindle] responderam por 1,6% de todos os livros comprados no primeiro semestre de 2009. As vendas aumentam rápido: os eBooks somaram US$ 81,5 milhões no primeiro semestre, nos EUA, contra US$ 29,8 milhões no mesmo período de 2008.

Barnes & Noble
• A livraria online da Barnes & Noble já disponibiliza mais de 700 mil títulos digitais que podem ser lidos em dispositivos como o iPhone, da Apple.

• William Lynch, presidente de negócios online da Barnes & Noble, diz que “planeja promover agressiva e criativamente os eBooks” para os 77 milhões de clientes que passam pelas suas lojas todo ano.

DIGITALIDADE
• Segundo a agência Bowker [entidade privada americana que emite ISBN] houve um crescimento de 132% no número de livros produzidos por meio de impressão sob demanda de conteúdo online.

• Segundo Adam Rothberg, VP de comunicações corporativas da Simon & Schuster, as vendas de eBooks, embora tenham crescido de modo considerável em 2009, se mantiveram em apenas 1,6% do total de vendas em julho.

• Segundo o relatório “Book Industry Trends 2009”, da consultoria Forrester Research, as editoras de livros aumentaram suas receitas em 1% nos EUA no ano passado, em 2008, para US$ 40,3 bilhões.

• A Forrester Research estima que o Amazon Kindle e o Sony Reader tenham vendido, cada um, 1 milhão de unidades nos Estados Unidos até o final do ano de 2008, podendo dobrar, em volume de unidades, até o final de 2009.

• Segundo o estudo da Forrester Research, as vendas de leitores digitais, e-readers, devem somar 3 milhões no mercado norte-americano em 2009. Deste total, a Amazon responde por 60%, enquanto a Sony tem 35% do mercado.

• Em 2014, tal cota de venda de e-readers pode atingir a casa dos 30 milhões.

• Segundo Kevin Kelly, autor do livro “Novas Regras para uma Nova Economia”, pelos menos um milhão de livros estão sendo digitalizados anualmente.

• No Vale do Silício, a Universidade de Stanford digitaliza todo o seu acervo de oito milhões de títulos.

• Aproximadamente 10% de todos os livros atualmente impressos serão digitalizados até 2014.

• Nos EUA, de cada 5 títulos 1 sai no formato de Áudio Books. Fonte: Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil

AMAZON KINDLE
• No início de 2009, as versões eletrônicas de livros representavam 13% dos títulos comercializados pela Amazon. Em maio de 2009, esse número chegou a 35% e, em outubro, passou dos 48%.

• Em outubro de 2009 havia 360 mil livros digitais disponíveis no site da Amazon e que poderiam ser adquiridos e acessados através do sistema Kindle. Antes do lançamento do Kindle Internacional o número era de 275 mil livros disponíveis para o e-reader Kindle.

• Proprietários do Amazon Kindle compram atualmente 3 vezes mais livros do que antes de adquirirem o dispositivo.

• Segundo Jeff Bezos, diretor-executivo da Amazon, o produto Kindle é o produto mais vendido da loja virtual.

• Segundo a Amazon, de cada 4 exemplares vendidos de uma determinada obra, uma já é digital.

• Segundo a Amazon, um mesmo título que tenha uma versão digital para o Kindle vende 35% mais exemplares.

• Segundo a Amazon há 48 cópias vendidas para o Kindle de cada cem cópias físicas comercializadas no site. Em junho de 2009 esse número era de 35 para cada 100.

• Segundo uma estimativa do analista Mark Mahaney, do Citigroup, foram comercializados cerca de 500 mil Kindles em 2008. Neste ano, com o avanço internacional, devem dobrar.

• Dos 2 milhões de cópias vendidas do livro “O Símbolo Perdido”, do escritor Dan Brown, 100 mil eram em formato digital. Um dos motivos foi o preço: custava só US$ 9,99; e tinha a praticidade de chegar às mãos do leitor em apenas 60 segundos.

GOOGLE BOOKS
• O Google está digitalizando cerca de 1 milhões de livros por ano.

• O Google quer chegar a 5 milhões em meados de 2010.

• O Google anunciou em setembro de 2009 que já digitalizou mais de 3,6 milhões de livros de domínio público.

• O Google Books já contabiliza no total 7 milhões de livros digitalizados. Fonte: Revista Super Interessante.

• O Google Books já contabiliza 20 mil editoras parceiras. Fonte: Revista Época.

 

SONY READER
• Em 2007, a Sony já disponibilizava mais de 12 mil obras online para download em seu Reader.

• Segundo a própria Sony, os seus consumidores de eBooks fazem o download de uma média de 8 livros mensais a partir da biblioteca online da empresa [para serem lidos no device Sony Reader].

• A Sony assinou um acordo com o Google para oferecer gratuitamente, aos usuários do Sony Reader, o download de mais de 500 mil títulos que caíram em domínio público armazenados no serviço Google Books.

EUROPA
• No Reino Unido, uma pesquisa do YouGov concluiu que a Sony é a marca mais conhecida quando se trata de eBooks, com 65% dos potenciais consumidores afirmando que comprariam o device Sony Reader. A Amazon e Apple vêem a seguir, com 42% para o Kindle e 35% para o novo iPad.

• Segundo dados da Associação de Livreiros do Reino Unido, os eBooks já representam cerca de 1% do mercado editorial europeu.

• A Alemanha registrou a venda de 65 mil títulos, livros digitais, vendidos no primeiro semestre de 2009.

• A conclusão de uma pesquisa feita pelos organizadores da 61ª Feira do Livro de Frankfurt é a de que em 2018 o livro digital deverá desbancar a tradicional versão em papel.

EU BOOKSHOP
• A Comunidade Européia disponibiliza de graça na internet mais de 50 anos de documentos em cerca de 50 idiomas. Fonte: The Bookseller

• Cerca de 110 mil publicações [ou 12 milhões de páginas], equivalentes a 4 km de estantes de livros, dos arquivos da Comunidade Européia foram digitalizados desde fevereiro de 2008 ao custo de 2,5 milhões euros [R$ 7 milhões].  Fonte: Independent.

• A biblioteca da Comunidade Européia conta hoje com cerca de 140 mil publicações e a cada ano mais 1.500 arquivos originalmente digitais são adicionados.

CHINA

• Cerca de cinco milhões de chineses começaram a ler livros em aparelhos eletrônicos portáteis, segundo um relatório sobre o desenvolvimento do eBook na China, divulgado em outubro de 2009 por uma aliança de editoras e companhias de internet.

• 95% dos chineses que lêem publicações em algum tipo de dispositivo eletrônico baixam conteúdo pirateado da internet e 75% da população do país que lê livros eletrônicos têm menos de 31 anos.

• De um total de 79 milhões de chineses que lêem livros em dispositivos eletrônicos: 6,3% lêem livros em telefones móveis e apenas 0,3% nos aparelhos dedicados à leitura de livros.

• O Google recebeu autorização de mais de 50 editoras chinesas para digitalizar mais de 30 mil livros, que podem ser parcialmente acessados pela Internet.

• Na China são digitalizadas 100 mil páginas por dia.

BRASIL
• Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil [realizado pelo Instituto Pró-Livro] dos 95,6 milhões de leitores do País, apenas 1% recorre aos eBooks.

• Apenas 9% da população leitora mapeada, ou 8,6 milhões de pessoas, vão à Internet em busca de leitura.

• Cerca de 85% dos downloads de eBooks no país são de formatos compatíveis com a leitura apenas no computador de mesa.

• Apenas 15% representam os diferentes formatos, compatíveis a outros devices portáteis como os celulares por exemplo.

• A porcentagem de leitores mapeados pelo estudo, e que usam as mídias digitais, se divide da seguinte maneira:

Textos na internet — 9%
Livros digitais — 1%
Áudio livros — 1%

• No Brasil já passa de 1.000 o número de títulos comercializados e convertidos para Áudio Books.Fonte: Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil

• A porcentagem do tempo médio gasto com a leitura através das mídias digitais se divide da seguinte maneira:

Textos na internet — 2h10
Livros digitais — 1h30
Áudio livros — 2h20

• Segundo a Secretaria de Educação a Distância, ligada ao Ministério da Educação, em cinco anos de vida o portal Domínio Público contabilizou mais de 15 milhões de downloads de obras no site.

• Há mais de 5 mil links ilegais na internet, contendo reproduções de conteúdos de livros em língua portuguesa. Fonte: SNEL e ABDR.

• O site Máquina de Quadrinhos [em que usuários podem criar as próprias histórias com os personagens da Turma da Mônica] computa 57 mil histórias criadas por usuários, além de acessos a partir de 62 países diferentes.