Os 5 principais prêmios literários do Brasil


Por Chris Donizete | Chris Donizete (Mtb 73545)

Os prêmios podem ser considerados uma retribuição em dinheiro ou objeto de valor, por serviço prestado, uma recompensa ou remuneração. Mas também é uma distinção conferida a alguém que se destaca por méritos, feitos ou trabalhos.

Autores já se preparam para os prêmios literários de 2017No mundo literário prêmios foram criados para estimular a escrita criativa e valorizar os melhores livros e autores. Nem sempre de forma justa aos olhos dos concorrentes mas, na maioria, as  premiações refletem os trabalhos relevantes de um determinado período ou ano, e um corpo de jurados trata, com imparcialidade, das avaliações dos inscritos.

Preparamos uma lista dos principais prêmios nacionais previstos para 2017, para que você possa já se preparar. E, mesmo para aqueles que ainda não publicaram sua obra, ainda dá tempo. Lembrando que as datas e prazos não são fixas, podendo ser alteradas e que não há também garantia de continuidade (exemplo do Prêmio Portugal Telecom, substituído em 2015 pelo Prêmio Oceanos).

Prêmio Sesc de Literatura | Promovido pelo Serviço Social do Comércio, premia anualmente obras inéditas nas categorias Conto e Romance, destinadas ao público adulto, escritas em língua portuguesa, por autores brasileiros ou estrangeiros, residentes no Brasil.

Prêmio São Paulo de Literatura | Criado em 2008 pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo difunde e valoriza a leitura. Seleciona anualmente os melhores livros de ficção, no gênero romance, escritos em língua portuguesa, originalmente editados e publicados no Brasil no ano anterior.

Prêmio Oceanos | A partir de 2015 o Prêmio Portugal Telecom de Literatura foi cancelado pelos antigos patrocinadores, passando a ser chamado de Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa (hoje patrocinado pelo Itaú Cultural). A premiação é focada nas obras de poesia, prosa e crônicas em língua portuguesa.

Prêmio Jabuti | Conhecido como o “oscar” da Literatura, o Jabuti (organizado pela Câmara Brasileira do Livro) lançará a sua 60ª edição e é, sem dúvida, o mais tradicional e antigo prêmio literário brasileiro, desde a sua primeira edição em 1959.

Prêmio Fundação Biblioteca Nacional | Também é anual e premia autores, tradutores e projetistas gráficos brasileiros em nove categorias: poesia, romance, conto, ensaio social, ensaio literário, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil.

Os prêmios literários são uma ótima oportunidade para divulgar a literatura, os temas pertinentes, conhecer novos escritores e obras. E para você, que sabe que tem um bom trabalho em mãos, “Mãos à Obra!”

Comece 2017 com grandes perspectivas. Prepare a sua obra para as premiações.

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Produzindo eBooks pra criançada


Por Suria Scapin e Isabela Parada | Publicado originalmente em Colofão | 22 de julho de 2015

Apesar de ainda ser um mercado muito pequeno, há dois anos começamos a produzir livros digitais voltados ao público infantil. Mas por que apostamos em e-books infantis? Bom, vamos por partes.

Os livros infantis e suas diversas linguagens

O livro infantil sempre favoreceu a incorporação de outras linguagens, e isso desde o primeiro livro para crianças, que já apresentava a união da linguagem escrita com as ilustrações.

Orbis Pictus,1 escrito por Comenius, foi o primeiro livro produzido para crianças, em 1658. O próximo livro infantil foi escrito apenas depois de quase 40 anos, e ambos claramente continham lições de moral para as crianças

Orbis Pictus,1 escrito por Comenius, foi o primeiro livro produzido para crianças, em 1658. O próximo livro infantil foi escrito apenas depois de quase 40 anos, e ambos claramente continham lições de moral para as crianças

A ilustração do livro [infantil] nasceu com ele próprio”, já bem disse Rodrigues2, mas a sua importância cresceu muito no último século, e as ilustrações passaram a oferecer elementos de interpretação da história que dão informações narrativas e se somam às informações escritas. Em paralelo, vimos uma mudança no conceito do objeto livro, que passou a poder apresentar características como cortes especiais e pop-ups, fornecendo ainda mais elementos de interpretação da narrativa.

Todos esses recursos já vinham trabalhando o modo híbrido como o nosso pensamento funciona, mas no formato material, concreto. Santaella enfatizou essa característica do pensamento em sua palestra no lançamento do prêmio Jabuti deste ano: “Nosso pensamento não é só verbal. Ele é um pensamento que se desenvolve através de imagens, relações, às vezes tensões, polaridades, sentimentos, vontades… quer dizer, tudo isso compõe o nosso pensamento”.

A partir do desenvolvimento tecnológico, passamos a ter a possibilidade de fazer livros digitais com animações, interações, sonoplastia ou outros recursos. E já que, como disse Lajolo3, o livro infantil sempre foi pioneiro na inserção de novas linguagens, receber também a digital é um caminho que, historicamente, parece ser o natural dos livros infantis.

Os recursos digitais nos e-books infantis

Os recursos que a linguagem digital oferece têm muito a acrescentar aos livros infantis, mas, se é preciso ser criterioso na produção editorial infantil de livros impressos, no caso de livros digitais existe uma outra grande responsabilidade: a de inserir essa nova linguagem para enriquecer a história, que é o foco do livro, sem transformar a leitura em um jogo.

Primeiro, porque as crianças sabem muito bem quando querem jogar e quando querem ler; a leitura é uma atividade muito mais introspectiva do que o jogo, mais individual e onde o ritmo de cada um é fator importante. Segundo, porque elas já têm acesso a inúmeros jogos no ambiente digital, e, como os dispostitivos digitais vêm sendo usados cada vez mais cedo, é importante que as crianças também tenham acesso, ali, a conteúdos de outras naturezas, como a literária.

A interação, para um livro, no nosso entender, tem de ser opcional, pois, se imposta, a história é transformada em jogo — é como se a criança tivesse que passar por um desafio para poder prosseguir na leitura. É importante reconhecer que as interações oferecem uma possibilidade de enriquecer o livro quando permitem integrar ainda mais as linguagens presentes nele, como, por exemplo, neste livro em que os personagens se tornam alimentos.

Página do livro O que você quer ser quando comer?4 antes e depois da interação. O toque nos personagens faz com que eles se transformem em alimentos, ideia que é o mote central da história.

Página do livro O que você quer ser quando comer?4 antes e depois da interação. O toque nos personagens faz com que eles se transformem em alimentos, ideia que é o mote central da história.

Ou neste, em que é possível ler de modo linear, virando as páginas normalmente, ou de modo interativo, ao escolher aleatoriamente os olhos de um dos personagens que está no guarda-roupa.

Na interação do livro No meu guarda-roupa5, cada um dos olhos no guarda-roupa leva a uma página diferente do livro. Para voltar a esta página inicial, é preciso tocar no ícone do guarda-roupa, ao lado do texto.

Na interação do livro No meu guarda-roupa5, cada um dos olhos no guarda-roupa leva a uma página diferente do livro. Para voltar a esta página inicial, é preciso tocar no ícone do guarda-roupa, ao lado do texto.

Além do recurso interativo, há o sonoro. A contação da história, unida à sonoplastia, envolve escolhas que vão desde o tom da narrativa até sensações que os sons podem passar aos pequenos leitores. Podemos pensar em provocar uma ambientação ou em usar a linguagem sonora para enfatizar os sentimentos dos personagens. Ou, ainda, há a opção de inserir apenas uma trilha sonora ao livro. E, sim, os recursos sonoros também são opcionais.

Desta maneira, com os recursos ativos, as crianças procuram antever o que virá da interação ou conseguem imaginar com maior riqueza de detalhes os ambientes das histórias, por exemplo. Sem os recursos, a imaginação percorre outro caminho e é interessante que elas possam escolher se querem manter os recursos ativados ou não. A animação é o único recurso que, até agora, não pode ser opcional, o que exige que a escolha seja muito cuidadosa para não retirar a atenção que a criança dedicaria à história.

A criançada e os recursos

Com e-books em mãos, a criançada põe em movimento todo um processo imaginativo. De acordo com Vigotski6, elas pegam as memórias que vêm das experiências anteriores para reorganizá-las e, assim, criar algo novo. E esse novo, no caso dos livros, é uma história única7, que une a imaginação das crianças com a imaginação que foi materializada nos livros em forma de escrita, de imagens, de sons, de interações…
Quando as crianças são maiores, já têm mais experiências vividas, por isso temos em mente que produzir para crianças de 3 anos é completamente diferente de produzir para crianças [nem tão crianças mais] de 12 anos. Não dá para pensar da mesma forma na produção, mas quando os recursos são opcionais, fica mais fácil, também, que aquele livro possa ser lido por um público mais amplo: afinal, nada impede que alguém de 12 goste do livro que fizemos pensando na criança de 3, ou vice-versa!
Nós vemos os recursos dos e-books como uma maneira de nos comunicarmos de forma mais direta com os nativos digitais — eles nasceram imersos em uma tecnologia já desenvolvida para funcionar de forma que se assemelhe ao pensamento humano; para eles, o uso das novas tecnologias é absolutamente natural. Mas é preciso que cada projeto seja pensado com cautela, para que exista harmonia entre recursos e história, sem atrapalhar a leitura.

Entendemos que os e-books podem aproximar da leitura algumas crianças que não têm o hábito de ler, mas têm o hábito de usar tablets e smartphones, e é por isso que pensamos ser essencial o desenvolvimento do mercado de e-books infantis. As bibliotecas digitais podem ser um passo importante nesse sentido, mas isso seria assunto para um outro texto.


1. Imagem daqui: http://bit.ly/1UiqbxZ.
2. RODRIGUES, Maria Lúcia Costa. A narrativa visual em livros no Brasil: histórico e leituras analíticas. 2011. 192 f. Dissertação [Mestrado em Patrimônio Cultural e Sociedade] – Universidade da Região de Joinville, Joinville, 2011.
3. Marisa Lajolo deu a palestra “O pioneirismo dos livros infantis brasileiros – do livro ao tablet”, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2014, onde ela defendeu essa ideia que mencionamos. Nós aprofundamos esta questão em um texto publicado no blog Pipoca Azul: http://bit.ly/1ErDeSN.
4. Livro escrito por Marcelo Jucá com ilustrações do Otacoiza Estúdio.
5. Livro escrito por Carla Chaubet com ilustrações do Estúdio 1+2.
6. Lev Semenovitch Vigotski, psicólogo bielo-russo, produziu uma obra densa sobre a gênese das funções psicológicas superiores, sendo uma referência para estudos sobre desenvolvimento da imaginação infantil.
7. Assim disse Bartolomeu Campos de Queiróz: “O fenômeno literário, talvez, seja a fantasia do escritor dialogando com a fantasia do leitor e construindo uma terceira obra, que nunca vai ser escrita”. Aqui:http://bit.ly/1NCjsd5.

Por Suria Scapin e Isabela Parada | Publicado originalmente em Colofão | 22 de julho de 2015

Suria Scapin
Começou a trabalhar no mercado editorial com 16 anos e passou por editoras como Madras, Atual, Abril, Leya e Sarandi, além de ter atendido muitas mais pela S4 Editorial. Com formação em Desenho Industrial e em Língua Portuguesa e Literatura, ambas pelo Mackenzie, sempre revezou entre texto e arte, até que resolveu unir os dois conhecimentos e tornar-se a responsável editorial da Editora Pipoca.

Isabela Parada
Para buscar compreender como funciona a cabecinha dos pequenos, Isabela foi estudar Pedagogia na UEMG, onde encontrou seus fundamentos teóricos e participou do grupo de pesquisa e estudos Contra-Violência na Infância. Na Escola Pés no Chão [Belo Horizonte], aprofundou os estudos sobre a Pedagogia Freinet. Hoje é pedagoga da Pipoca e contadora de história na creche de Milho Verde [MG], pelo Instituto Milho Verde. Aprendeu que o crescimento das crianças é também o processo de criação delas mesmas e entende que essa criação é individual e única.

Jabuti não vai exigir ISBN e nem Ficha Catalográfica nas inscrições de livros digitais


A mudança no regulamento é referente à nova categoria Livro Infantil Digital

A 57ª edição do Prêmio Jabuti, a mais tradicional láurea literária do País, incluiu – em caráter experimental –, pela primeira vez em sua história, uma categoria para avaliar e premiar o livro digital. O anúncio foi feito no início de junho. A novidade agora é que a curadoria do prêmio fez uma alteração no regulamento para permitir a inscrição de livros sem ISBN e ficha catalográfica na categoria Livro Infantil Digital. Para justificar a alteração no seu regulamento, o conselho curador considerou o “expressivo número de considerações e consultas recebidas pela Câmara Brasileira do Livro [CBL] [entidade responsável pelo prêmio] relativas a dificuldades encontradas para inclusão de ficha catalográfica e ISBN em livros infantis digitais”. Lembrando sempre que o prazo para inscrições termina no dia 31 de julho. Para mais informações e inscrições, acesso o site do Prêmio Jabuti.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 14/07/2015

Jabuti muda regulamento para livros digitais infantis


A Câmara Brasileira do Livro [CBL], que organiza o Prêmio Jabuti, e o comitê curador do prêmio alteraram o regulamento da 57ª edição para facilitar a inclusão de livros infantis digitais. Segundo a alteração, não será mais necessária a ficha catalográfica e a inscrição ISBN para inscrever os livros nesse gênero.

Em nota, a CBL explicou que, a “recente presença de livros digitais no panorama livresco brasileiro” e o expressivo número de queixas quanto à dificuldade para conseguir tanto a ficha quanto a inscrição ISBN – sistema criado para identificar internacionalmente o livro por meio de título, editora e autor – provocaram as mudanças.

No termo de alteração, o comitê curador também admite que a categoria livro infantil digital tem caráter experimental e que o gênero vem sendo premiado em vários concursos internacionais. Para integrar a categoria, é preciso ter conteúdo textual e elementos multimídia interativos. O regulamento também deixa claro que os livros digitais não concorrem a livro do ano.

As inscrições para 57º Prêmio Jabuti ficam abertas até 31 de julho e, este ano, o prêmio vai contemplar 27 categorias, entre elas poesia, contos e ficção. Fazem parte do conselho curador Marisa Lajolo, Antônio Carlos de Moraes Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos de Menezes e Márcia Lígia Guidin.

Correio Braziliense | 08/07/2015

O livro digital no Prêmio Jabuti


Por Antonio Hermida | Publicado original em Colofão | 17/06/2015

Na mais recente edição do Prêmio Jabuti, – a de número 57 –, a CBL “acrescentou”, em caráter experimental, livros digitais ao concurso. Com muitos “poréns” [e sem premiação], entusiastas, editores e autores ficaram, com alguma razão, desapontados.

Choveram críticas – como se pode ver nesta discussão no AED – à instituição e à maneira como se deu essa entrada inglória dos digitais. Todavia, uma coisa precisa ser dita: a iniciativa é válida e, mais do que isso, é valiosa.

Problemas vários, das categorias às impossibilidades técnicas e legais [para as quais a maioria das pessoas com quem falei não atentou], inviabilizaram os e-books de concorrerem ao Jabuti.
Deixarei meus dois tostões sobre isso abaixo, mas já adianto minha conclusão aproveitando a semana de spoilers por causa de GoT: bem, minha conclusão é que houve boa vontade e, quem sabe, até empolgação, em querer incluir os digitais, mas obviamente não se pensou o suficiente em como fazer isso de maneira realmente inclusiva.

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Categorias

Comecemos falando das categorias. Quais são elas? Eu mesmo respondo: a lista completa pode ser vista neste link. Se observarmos, as únicas categorias que não dizem respeito diretamente ao conteúdo são Projeto gráfico e Capa. As capas dos e-books, no geral, são adaptações [recortes ou reorganização de elementos] de suas versões impressas, mas o projeto gráfico, não. Bem, ao menos não deveria ser. Reparem no segundo exemplo [Luto e Melancolia] deste artigo que escrevi para o blog da Cosac Naify.

Caso o livro inscrito possua uma versão digital e a editora opte por assinalar a mesma, esta deveria concorrer numa subcategoria de Projeto gráfico, algo como: Adaptação de projeto gráfico para o digital.

[Outros exemplos de adaptação de projeto gráfico neste e neste link.]

Aonde estou querendo chegar com isso? Bem, com esse tipo de categorização não excluímos o que todas as outras categorias do prêmio têm em comum: o diálogo com o conteúdo e com o todo. E por que isso é importante? Porque já passou o tempo em que víamos o digital como um inimigo, como algo à parte, certo?

Se é para incluir, façamos uma inclusão de verdade, afinal, se todos os livros avaliados exigem atenção e preparo dos jurados, por que o julgamento do digital deve se limitar em clicar em músicas, vídeos e animações, que é como a coisa posta, no final das contas? A maioria dos livros digitais publicados não possui nada disso, enquanto muitos dos livros concorrentes ao prêmio possuem versão digital.

DRM e distribuição para júri

Também se falou da problemática relação entre distribuição para avaliação e DRM, devendo a editora fornecer “um arquivo livre de regras de DRM”. Como usuário e entusiasta de software livre acho que minha posição pessoal em relação aos DRMs é bastante clara. No entanto, como profissional, preciso respeitar contratos e posso afirmar que 99% dos contratos estrangeiros com que já me deparei são bem claros com relação a isso: o arquivo não pode ser distribuído sem proteção. Nem para imprensa, nem para jurados, nem para o dono da editora e nem para o autor. Então, a menos que os detentores dos direitos liberem por escrito ou adendo o uso e, em contrapartida, a outra parte assine um termo, a solução é perguntar aos jurados em que plataforma eles preferem acessar os e-books. Depois, entrar em contato com as editoras e solicitar promocodes [ou algo equivalente] da plataforma em questão [no Google Play Livros, por exemplo, acrescenta-se o usuário como revisor de conteúdo] para, através desses canais, liberar o acesso.

Outro problema em relação ao DRM é que em praticamente todas as lojas o e-book passa a ser interpretado de diferentes maneiras após a aplicação dele. Isso se dá porque cada aplicativo renderiza e adapta à sua própria maneira o código fonte do e-book [que deve ser pensado como uma equação que vá funcionar mais ou menos igual para todos]. Logo, o e-book sem DRM não representa o e-book entregue ao leitor.

[Para saber mais sobre DRM, leia este artigo]

3.19 INFANTIL DIGITAL

Caso não tenham lido o regulamento, fiz uma cópia do PDF neste link. Pulem diretamente para 3.19 INFANTIL DIGITAL e sigam lendo até a 3.19.1.5. Minha leitura do trecho foi: “gentileza não enviar nada desse tipo para a gente”.

O problema já começa no 1º parágrafo, onde esbarramos em Ficha catalográfica. Para começar, o modelo de ficha digital [2012] proposto pela CBL já chegou um pouco atrasado [3 anos atrasado, para ser mais exato].

Fato 1: em 2012 a maioria das médias e grandes editoras já havia começado a converter seu catálogo e, na ausência de regulamentação, informação e possibilidade, elas já haviam também estabelecido seu fluxo de trabalho sem levar isso em conta.

Fato 2: o primeiro modelo de ficha catalográfica proposto pela CBL não fazia o menor sentido, técnica e semanticamente falando.

Fato 3: Eu mesmo liguei para lá algumas vezes entre 2009 e 2012 e ninguém sabia responder às minhas perguntas. A “pessoa que entende disso” nunca estava lá ou retornou minhas ligações. Assim fica difícil cobrar, né?

Fora tudo isso [fatos que se limitam a um item, composto apenas por duas palavras localizadas no primeiro parágrafo], a regra que diz que apenas livros infantis que “Possuam conteúdo textual integrado a elementos multimídia, interativos e hipertextuais” podem participar exclui trabalhos maravilhosos, como o da Intrínseca com os e-books do Gaspari [veja aqui] e e-books infantis de layout-fixo sem animação que são bem bonitos.

E-books interativos deveriam entrar em uma categoria à parte? Com certeza, mas só infantis deveriam entrar nessa categoria? Acho que não, eim. Apenas um palpite.

Em vez de termos restritivos e confusos, e a reiteração de “tudo que vai dar errado e desclassificar o livro porque alguma coisa acontecerá no caminho e nos impedirá de abrir esse arquivo”, o regulamento deveria ser minimamente claro para o concorrente sobre como ele deve enviar o livro e que quesitos serão, de fato, avaliados, como é feito em qualquer concurso de qualquer tipo.

A conclusão está supracitada, mas complementando, nenhum desses tropeções invalida a tentativa da CBL. Trata-se de um órgão importante traçando um caminho inédito, talvez sem volta; não há discussão quanto a isso, a meu ver. Não fosse esse um passo ousado, não teria gerado a expectativa que gerou.

Como tentei mostrar, não é tão simples quanto parece querer acrescentar e-books num concurso como o Jabuti. Esbarra-se num monte de questões que demandam tempo, planejamento, testes e simulações. A CBL tem 1 ano para ponderar sobre esses tropeções e superá-los se decidir bancar o posicionamento e levar isso adiante.
De minha parte, torço para que o faça e espero ter colaborado de alguma forma.

PS. Seria interessante colocar uma categoria de Qualidade técnica com avaliação de código. Já pensei nos quesitos de avaliação e até numa maneira de viabilizar isso sem infringir contratos. Mas acho que isso pode esperar para o de 2017, se me deixar falando disso, o texto não acaba…

Por Antonio Hermida | Publicado original em Colofão | 17/06/2015

Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências.
Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora.

Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Jabuti digital


Em evento na noite de ontem, em SP, foram apresentadas as mudanças no prêmio

Na noite da última segunda-feira [1º], foram apresentadas as novidades para a 57ª edição do Prêmio Jabuti. Marisa Lajolo, à frente da curadoria desde a edição passada, destacou a inclusão de duas novas categorias: Livro Infantil Digital e Adaptação. “O território dos livros é um universo sempre composto por mudanças”, ressaltou. E a missão do Jabuti, de acordo com a curadora, é acompanhar essas mudanças, que classificou como “tendências contemporâneas em nível mundial”.

O desembarque do livro digital no mais tradicional prêmio literário nacional será de caráter experimental. Tanto que os livros inscritos nessa categoria não poderão competir a livro do ano. “Estamos fazendo uma inclusão experimental desta categoria. Temos certeza de que surgirão muitas dúvidas no processo e, por isso, optamos por deixar de fora do prêmio de livro do ano nesse momento”, disse ao PublishNews. Para concorrer, o livro digital deve possuir conteúdo textual integrado a elementos multimídia, interativos e hipertextuais. Junto com a ficha de inscrição, o responsável por inscrever trabalhos nessa categoria, deverá encaminhar à Câmara Brasileira do Livro [CBL], idealizadora e promotora do prêmio, um arquivo livre de regras de DRM que impeçam o livre acesso ao livro por meio de pelo menos cinco dispositivos de leitura diferentes.

Já na categoria Adaptação, serão aceitos trabalhos de adaptação de obras publicadas anteriormente, seja por meio de nova redação, seja pela transposição de linguagens, como ocorre nas adaptações de obras literárias para os quadrinhos.

Outras duas mudanças aparecem nesse ano: a junção das categorias Arquitetura e Urbanismo e Artes e Fotografias e a ausência de prêmios entregues em parceria com organismos internacionais de promoção da cultura de outros países, como ocorreu na última edição a categoria Tradução de obras literária Inglês-Português, realizada em parceria com o British Council [em anos anteriores, foram contempladas as línguas francês, espanhol e alemão].

As inscrições de livros nas 27 categorias do prêmio podem ser feitas até o dia 31 de julho pelo site do Jabuti, onde está disponível o regulamento completo da premiação. Os premiados em cada uma das categorias receberão o troféu Jabuti e o valor de R$ 3,5 mil. Os vencedores do Livro do Ano – Ficção e Livro do Ano – Não ficção levarão para casa o prêmio de R$ 35 mil cada, além da estatueta dourada.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 02/06/2015

Com palestra sobre livro digital, CBL lança Jabuti


Prêmio JabutiA Câmara Brasileira do Livro [CBL] promove nesta segunda-feira [1º] o lançamento da 57º edição do Prêmio Jabuti. O evento inicia às 19h, no auditório do Centro de Integração Empresa Escola [CIEE – Rua Tapabuã, 540, 2º andar, Itaim Bibi, São Paulo/SP]. Na ocasião, a professora Lúcia Santaella fará uma palestra com o tema Contribuições do livro digital para o universo infantil. O assunto chama a atenção, já que até a última edição do prêmio, não havia a inclusão de livros digitais em suas categorias. A CBL não nega e nem confirma a nova categoria, mas, especialistas do setor já veem o indício com otimismo. No grupo Amigos dos Editores Digitais [AED], a possível novidade foi vista com bons olhos. Ao PublishNews, Gabriela Dias, coordenadora do grupo de discussões e nossa colunista, comentou: “vínhamos conversando no grupo há tempos sobre a necessidade desse prêmio. A questão é como serão os critérios da premiação”. No grupo, ela completou: “a gente do AED fica à disposição pra ajudar no que for preciso“. A presença no evento de lançamento do prêmio pode ser confirmada através do e-mail jabuti@cbl.org.br.

PublishNews | 29/05/2015

Prêmios literários não preevem espaço para eBooks


Em sua maioria, os e-books são versões digitais de obras também impressas – e, até por isso, tendem a ter preços parecidos e caros. Novas iniciativas exclusivamente digitais, como a Formas Breves e a Cesárea, trazem textos inéditos de nomes de destaque da produção contemporânea, incluindo de Nuno Ramos a Fernando Monteiro. O problema é que o cenário literário, da crítica aos prêmios, ainda não dá a devida atenção aos lançamentos virtuais.

Nos três mais prestigiados concursos da área no Brasil, as obras digitais ainda não podem competir. O Jabuti, o São Paulo de Literatura e o Portugal Telecom, na edição deste ano, só previam a inscrição de obras impressas, sem espaço e oportunidade para e-books. O Prêmio São Paulo, por exemplo, deixa claro isso no regulamento: só são aceitos romances, em português, de autores vivos e em formato impresso.

O Portugal Telecom também aponta a exigência do “modelo impresso” para suas obras. O único que deixa menos claro a questão é o Jabuti, mas, segundo a assessoria de imprensa da premiação, a obra precisa ser inédita em formato impresso para concorrer [ou seja, obras digitais ainda não são consideradas títulos no prelo]. “A Comissão Curadora do Jabuti está estudando a inclusão de livros digitais para as próximas edições. Para este ano, de acordo com o regulamento, somente podem participar obras impressas”, explicou a organização do concurso.

Para Carlos Henrique Schroeder, editor da Formas Breves, isso é um sintoma de como as premiações precisam se atualizar. “Nossos prêmios primeiro devem separar conto e crônica, como na maioria dos prêmios, pois são coisas muito distintas e com intenções muito diferentes. E aceitar inscrições em e-books, ou criarem versões dos prêmios em e-book. Os prêmios precisam olhar para frente, não para trás”, aponta o escritor catarinense.

O jornalista e editor Schneider Carpeggiani, da Cesárea, questiona o mesmo problema. Segundo ele, vai se tornar cada vez mais paradoxal a ausência de obras exclusivamente digitais nas premiações. “Quando você esbarra numa questão como essa, você se pergunta: os prêmios julgam o conteúdo ou o suporte? Não é o projeto gráfico ou a qualidade do papel que importam em um romance”, provoca. Ele ainda lembra que prêmios jornalísticos já aceitam inscrições com projetos digitais.

EM PRODUÇÃO

Para este ano, Schroeder antecipa que muitos autores novos vão sair pela Formas Breves. Da Argentina, vão ser publicados contos de Sérgio Chejfec e Marianna Enriquez, além de novas traduções de narrativas curtas de Virginia Woolf. A literatura contemporânea atual também será representada, com André Sant’Anna, Carola Saavedra, Cadão Volpato e Rodrigo Garcia Lopes.

A Cesárea também terá uma agenda cheia nos próximos meses. A terceira edição da revista, com a temáticas de fantasmas, sai no dia 9 de junho. Em livros, duas novidades estão sendo preparadas: uma reedição de Maçã agreste, de Raimundo Carrero, o melhor livro do autor salgueirense segundo ele mesmo, e um ensaio sobre as selfies, feito pelo jornalista e doutorando em comunicação Paulo Carvalho.

Jornal do Commercio | 01/07/2014