HarperCollins aposta em vendas de eBooks globais e diretas ao consumidor


E lança aplicativo de leitura com loja embutida

HarperCollins Readernovo CEO da HarperCollins UK Charlie Redmayne mostrou finalmente porque voltou para a editora. A HarperCollins está apostando em vendas globais de e-books direto ao consumidor, com sites de livros de autores, como o www.cslewis.com e o www.narnia.com. A empresa de consultoria e tecnologia Accenture está operando a plataforma, disponível  em 6 países de língua inglesa [Reino Unido, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul]. Além disso, a editora também lançou um aplicativo, o HarperCollins Reader, onde o leitor pode comprar diretamente os livros do catálogo. A nova jogada da HarperCollins poderia ter sido óbvia, afinal, Redmayne tem bastante experiência (e muito bem sucedida) com esse tipo de venda e distribuição de conteúdo: antes de ir para a HC, Redmayne era CEO da Pottermore, portal que recria mundo de Harry Potter e vende e-books diretamente pelo site.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 30/10/2013

Versão em português de site da saga “Harry Potter” estreia nesta madrugada


A versão em português do Pottermore, site com conteúdo exclusivo da saga “Harry Potter“], de J.K. Rowling, entra no ar à 0h desta quarta [21].

Anunciado em junho de 2011 e aberto para o público geral no primeiro semestre de 2012, o Pottermore inclui, além das versões digitais do livro, conteúdos exclusivos como detalhes do processo criativo da autora e espaço para usuários reescreverem as tramas da série.

E-books e audiolivros da série, na tradução de Lia Wyler, estarão à venda também pelosite da Livraria Saraiva, parceira do projeto no Brasil.

Os livros digitais custarão US$ 7,99 cada [R$ 19], ou US$ 57,54 [R$ 138] na coleção completa, com os sete títulos, e os audiolivros, US$ 29,99 [R$ 71] cada um. Os preços na Saraiva estarão em reais, mas sujeitos à variação cambial, já que a finalização da compra será realizada no Pottermore original, com preços em dólar.

O ator Daniel Radcliffe com coruja durante as filmagens de "Harry Potter e a Pedra Filosofal", inspirado na série

O ator Daniel Radcliffe com coruja durante as filmagens de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, inspirado na série

Além dos sete livros originais da série, estarão disponíveis também “Animais Fantásticos & Onde Habitam”, “Quadribol Através dos Séculos” e “Os Contos de Beedle, o Bardo”.

Os e-books de “Harry Potter” estavam disponíveis até agora em inglês, francês, espanhol, italiano, japonês e alemão. Embora a tradução para o português seja de Lia Wyler, a mesma usada pela Rocco nos livros impressos, a editora não está relacionada ao projeto.

POR RAQUEL COZER | PUBLICADO ORIGINALMENTE EM FOLHA DE S.PAULO | 20/08/2013, às 19h01

Pottermore lança plataforma em português esta semana


PottermoreJ.K. Rowling sabe como ninguém prolongar o sucesso de suas criações. O primeiro dos sete volumes da série Harry Potter foi publicado no Reino Unido em 1997, mas somente em março de 2012, quando mais de 400 milhões de exemplares impressos já tinham sido vendidos no mundo, eles saíram em e-book. Naquele ano, ela lançou o Pottermore, uma plataforma digital para entreter os fãs do bruxinho, mas, principalmente, para vender os e-books – uma forma de controlar essa transação virtual. De 2000 até hoje, a Rocco vendeu 4 milhões de exemplares da série no Brasil. E só não havia lançado os títulos em digital porque o Pottermore não tinha sido lançado aqui. Nesta semana, a versão em português do site estará no ar. E quem procurar os e-books no site da Saraiva também vai encontrar – a rede é a primeira parceira brasileira da plataforma.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 03 de agosto de 2013, às 2h17

Empresas lideram inovação no mercado editorial


Osprey, Pottermore e Sourcebooks, entre outros, apresentam projetos inovadores

A conferência Publishers Launch apresentou ontem as empresas que estão renovando o mercado editorial internacional com seus projetos digitais. De aplicativos shakespearianos a plataforma digital que recria o mundo de Harry Potter, essas empresas estão reinventando os modelos de negócios e estão à frente da revolução digital, sempre com o foco no conteúdo e no leitor.

Sourcebooks é uma das maiores editoras americanas independentes, responsável pelo Shakespearience, um e-book que amplia e visa facilitar a leitura de Shakespeare e, futuramente, os e-books da coleção de livros infantis bestsellers personalizados Put me in the story. A CEO Dominique Raccah insistiu na necessidade de se focar no usuário e citou Steve Jobs, dizendo que as empresas devem começar com a experiência do consumidor e a partir daí trabalhar a tecnologia.

Outro produto que promete ter similares mundo afora é a novela digital lançada por Helmut Pesch para a editora alemã Bastei Lubbe. A série de thrillers Apocalypsis foi lançada no passado como uma web-série multimídia, uma nova forma de entretenimento que foi publicada também em inglês e chinês.

A tradicional editora inglesa Faber and Faber vem chamando atenção por seu novo canal de serviços para novos autores, sua comunidade virtual, cursos de escrita e outros eventos que ligam a comunidade. Stephen Page, Publisher e diretor da Faber and Faber, falou que está investindo em novos copyrights e investindo em distribuição direta ao consumidor.

O lema da Osprey, grupo editorial americano, é fazer livros para o público, e não encontrar público para os livros. A diretora Rebecca Smart explicou como inverteu o processo de publicação de livros com temas “crowdsourced” e como isso coloca o grupo em nichos de mercado difíceis de se atingir. Um dos resultados das sugestões dos 40 mil usuários do site é um livro sobre a força expedicionária brasileira na segunda guerra mundial. “Nós nunca publicaríamos um livro com esse título, mas os leitores pediram”, brinca Smart.

A última empresa a ser apresentada foi a Pottermore. A plataforma digital que recria o mundo de Harry Potter já nasceu um sucesso. O CEO Charlie Redmanye brincou sobre o lançamento do site: “Por lançamento eu quero dizer: nós colocamos o site no ar e demos um tweet”. Como tudo que envolve Harry Potter, os números são impressionantes. São 140 milhões de visitas, 20 mil novos usuários por dia e 158 milhões de novos feitiços e poções criados.

Por Iona Stevens | Clipado de PublishNews | 09/10/2012

Harry Potter digital em breve em português


Pottermore lançará plataforma em português brasilero no começo de 2013

Pottermore, plataforma criada a partir da saga do bruxinho Harry Potter será lançada em português brasileiro. Charlie Redmayne, CEO da empresa digital inglesa, anunciou em sua palestra – a última da conferência Publishers Launch nesta segunda-feira – que o próximo passo do plano de expansão da Pottermore é o lançamento no Brasil. A plataforma não possui publicidade – um pedido de JK Rowling – mas tem um poderoso instrumento de venda: uma loja virtual de produtos de Harry Potter. Segundo o CEO, a plataforma brasileira será lançada no começo do ano que vem, em janeiro ou fevereiro.

Charlie Redmayne explicou que o lançamento em português brasileiro vai demorar mais porque, ao contrário das outras línguas, toda a plataforma está sendo desenvolvida neste idioma, incluindo o e-commerce. “O Brasil chama a atenção nos relatórios de vendas, pois vemos EUA, Reino Unido, Austrália e outros países de fala inglesa, e no meio deles está o Brasil”, explica o executivo surpreendido com as vendas em inglês para o mercado brasileiro. Redmayne ainda confirmou que as negociações já estão em andamento no Brasil. “Já estamos em contato com varejistas brasileiros”, declarou, “e ofereceremos uma experiência completa em português”.

Por Carlo Carrenho e Iona Stevens | Clipado de PublishNews | 08/10/2012

Biblioteca da Amazon inclui eBooks de ‘Harry Potter’


Empresa anuncia que comprou licença exclusiva de J.K. Rowling para oferecer os livros

Os sete e-books da série Harry Potter em inglês, francês, italiano, alemão e espanhol, vão fazer parte do catálogo da biblioteca do Kindle, da Amazon, a Kindle Owners’Lending Library . A empresa “comprou uma licença exclusiva da Pottermore, de J.K. Rowling, para tornar a inclusão desses livros possível”, segundo informou hoje em comunicado. Por meio do serviço de biblioteca, os usuários podem “alugar” até um livro por mês, sem limitação de prazo, dentre 145 mil títulos. Já era esperado que a Amazon anunciasse alguma parceria com a Pottermore. Houve até especulações de que a empresa lançaria um Kindle com a marca Harry Potter. É, não foi desta vez.

PublishNews | 10/05/2012

Mais números da Pottermore


Foram três milhões de libras vendidos em e-books no primeiro mês de operação da loja Pottermore, abrigada no portal que expande na internet o universo dos livros Harry Potter. “Nas últimas duas semanas, vimos as vendas se estabilizarem, mas elas continuam muito significativas, e muito além do que originalmente projetamos”, disse o principal executivo da empresa, Charles Redmayne. Ele afirmou ainda que a pirataria diminuiu e que as vendas de cópias físicas dos livros da série aumentaram, contrariando o receio de que o lançamento dos e-books canibalizariam os impressos e estimulariam as cópias ilegais. O portal, que teve conteúdo interativo lançado há duas semanas, contabiliza no período 22 milhões de visitas de sete milhões de usuários únicos – além de 4,2 milhões de tentativas de fazer poções e 39,9 milhões de duelos de bruxos.

Por Philip Jones | The Bookseller | 04/05/2012

Harry Potter poliglota


Loja de e-books da saga começa a vender edições digitais em quatro idiomas, além do inglês

As edições em francês, italiano, alemão e castelhano dos e-books de Harry Potter foram colocadas à venda na Pottermore. A loja havia sido lançada no dia 27 de março apenas com as versões dos sete livros da saga em inglês e informou ter vendido um milhão de libras em e-books para clientes em mais de 100 países nos primeiros três dias de operação. Ainda não há data certa para o início da venda dos livros em outras línguas, mas, no caso do Brasil, por exemplo, a Pottermore já fechou acordo com a Rocco para comercializar em formato digital as edições feitas pela editora.

PublishNews | 24/04/2012

Sobre e-incunábulos, marcas d’águas digitais e ex-libris eletrônicos


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 05/04/2012

Uma bruxaria pode acabar com o medo dos e-books e salvar o mercado digital

Recém-surgidos, os livros digitais já têm história. E, em poucos anos de existência, sua evolução tem passado pelas mesmas etapas que seus correlatos, os livros impressos, levaram seis séculos para cruzar.

É justo dizer que ainda não sabemos o que é um livro digital, ou o que pode vir a ser um livro digital. Os e-books atuais deveriam se chamar, mais apropriadamente, de e-incunábulos. Assim como seus equivalentes do século 15 — os primeiros livros produzidos com a então revolucionária tecnologia de imprensa —, os incunábulos eletrônicos estão primeiramente preocupados em imitar, emular, simular. Os e-books têm “páginas” folheáveis, “capas” e, na maioria das vezes, dão as costas aos recursos digitais, tentando parecer o mais possível como um livro que acabasse de se tirar da estante. E os editores de e-books muitas vezes ainda se comportam como se vendessem pesados blocos de polpa de papel, e não informação e entretenimento imateriais.

Seis séculos atrás, a Bíblia impressa por Gutenberg tinha que parecer como se fosse manuscrita por um monge caprichoso. Um pouco mais tarde, quando a evolução da imprensa propiciou que todos os exemplares fossem iguais e, mais importante, tornou viável que uma pessoa pudesse comprar livros e montar uma biblioteca, foi criado um outro recurso para personalizar e proteger o livro, o ex-libris, uma marca em cada exemplar deixando bem claro quem era o dono do livro.

É curioso que a volta do ex-libris aos livros [digitais] venha pelas artes de uma figura tão medieval quanto um bruxo. Na semana passada, após meses de espera e muitas unhas roídas por parte dos fãs, finalmente foram lançadas as versões digitais dos livros de Harry Potter. E com elas novidades importantes para o mercado editorial, uma delas candidata a pedra filosofal: a marca d’água, que promete derrotar o maléfico DRM.

Para fins de marketing, pelo menos, seria mais apropriado chamar a watermark, esse registro individualizado eletrônico, por outra metáfora editorial, o ex-libris. Afinal, a marca d’água tradicional foi um recurso inventado pelos papeleiros e editoras para garantir a todos que o livro era feito por eles, enquanto que o ex-libris era um recurso que o leitor tinha para garantir a todos que o livro era dele. De fato, é isso o que acontece com a marca d’água digital: cada livro comprado [obrigatoriamente no site Pottermore, ainda que a compra em si seja feita no site da Amazon ou outra livraria], é individualizado com um código. Se esse e-book for passado adiante, levará o registro de dono. Se for encontrado, por exemplo, em um site de torrentes ilegais, como o Piratebay, ficará fácil enquadrar o bucaneiro responsável. Mal comparando, é como se alguém tentasse vender uma obra rara que trouxesse, na folha de rosto, um ex-libris dizendo “Acervo da Biblioteca Nacional”.

A diferença fundamental é que, enquanto os ex-libris tradicionais eram criados e colados pelos proprietários dos livros, a marca d’água digital é “embutida” pela editora. Por outro lado, para o leitor, não há qualquer constrangimento quanto a onde e quando ele pode ler. E aí reside a imensa evolução em relação ao que existia antes, o DRM.

O Gerenciador de Direitos Digitais, na sigla em inglês, é um resquício do tempo em que o mercado de conteúdo cultural [livros, música, filmes] ainda acreditava firmemente que as pessoas queriam comprar os suportes, e não o conteúdo. Ele define onde [em que aparelho, ou por quanto tempo] você pode desfrutar daquilo que você, por ter comprado, achava que era “seu”. O medo era de que cópias digitais, que quase nada rendiam às editoras, acabassem com o núcleo do negócio, os livros impressos. O sistema do DRM funciona basicamente na presunção de que o leitor/ouvinte/espectador vai cometer pirataria.

É evidente que essa abordagem, principalmente quando se tenta introduzir um novo produto ou formato, como é o caso dos e-books, já nasce viciada. Se você entra em uma relação com o cliente já desconfiando dele, que razões ele vai ter para confiar em você?

Em um contrato que assinei recentemente com uma das maiores redes brasileiras para distribuir meus e-books, havia uma cláusula que afirmava que o editor [eu] “expressamente reconhece que o DRM [Digital Rights Management] é eficaz para realizar a gestão de direitos digitais e restringir a difusão por cópia desautorizada de conteúdos digitais”. A cláusula deve ter sido escrita para tranquilizar editores temerosos, porém, quando a assinei, senti-me como um ateu forçado a rezar o Credo. Acho mais científico acreditar na “ressurreição da carne” do que na eficácia do DRM. Por pelo menos dois motivos simples: o primeiro é porque fracassou. Fracassou no caso dos CDs [os que sobreviveram não têm DRM] e fracassou no caso dos DVDs, onde o código foi imediatamente hackeado. Essa é a segunda razão: tentar restringir alguma coisa no mundo digital serve apenas para entreter um batalhão de hackers anônimos, como os que, segundo a Macworld, quebraram o código protetor dos DVDs “como se abrissem uma melancia com uma motossera”. [De fato, qualquer pessoa que saiba googlar e tenha algum tempo livre saberá desabilitar o DRM de um e-book.] Em 2007, o finado Steve Jobs escreveu uma singela carta à indústria fonográfica, apelando para que dessem um salto de fé e suspendessem o DRM nas músicas vendidas pela Apple — “em prol de um mercado verdadeiramente interoperável”. A indústria fonográfica resistiu, mas enfim aquiesceu, e a iTunes Store, a primeira loja a vender música sem DRM, é hoje sua maior fonte de renda.

Voltando ao Harry Potter, foi registrado que, entre o lançamento oficial e a primeira cópia em um site pirata pronta para download, passaram-se meras 48 horas. A boa notícia é que este primeiro exemplar pirateado trazia para quem soubesse ler a marca do comprador original, que está à distância de um e-mail [registrado no site Pottermore] de ser processado judicialmente. Mas a melhor notícia é que, para um e-book chegar a um site pirata, levou-se o dobro do tempo para que lá chegasse um livro impresso. Os lançamentos de J. K. Rowling em papel costumavam ser escaneados e convertidos em texto ou PDF e, em menos de um dia, estavam à disposição para download ilegal. [No caso do Brasil, traduções feitas em regime colaborativo faziam os livros chegarem à web antes da publicação pela Rocco]. Quero crer que isso é um sinal de que editores e leitores estão começando a ter um relacionamento mais respeitoso [e prazeroso] de ambas as partes: aqueles dão a esses a liberdade para ler, esses retribuem aqueles comprando. Mas nesse wishful thinking há um porém. Um detalhe que pode fazer toda a diferença: no caso do Pottermore, não é bem a editora quem está fazendo o mercado evoluir. É a autora. J. K. Rowling, que tem os recursos financeiros [e a inteligência] para prescindir das editoras [e de suas restrições] e ainda conseguiu subjugar uma gigante como a Amazon [você pode chegar ao livro por lá, mas a compra será efetuada diretamente no site da autora].

Mais poder ao autor e ao leitor?

Desintermediação? Ou simplesmente bruxaria?

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 05/04/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Um milhão de libras em três dias


Uma notícia no site da The Bookseller traz uma informação surpreendente. Os e-books da série Harry Potter, que começaram a ser vendidos pela Pottermore em 27 de março, faturaram mais de um milhão de libras esterlinas apenas nos primeiros três dias de lançamento. O número foi divulgado por Charlie Redmayne, principal executivo da Pottermore, durante uma entrevista para um programa de rádio, ontem. Os resultados, segundo ele, “ultrapassaram tudo o que havíamos previsto” e, embora as vendas tenham diminuído após a euforia dos primeiros dias, seguem surpreendendo. Nas palavras de Redmayne, as vendas são maiores “do que tudo que eu já vi em relação a e-books”.

Uma nota do Publishers Lunch de hoje relativiza um pouco essa declaração, lembrando que, em unidades, a cifra corresponde a cerca de 175 mil cópias, ou 25 mil exemplares para cada título da série, e que muitas editoras estão acostumadas com a venda de 25 mil cópias de um e-book em um único dia. A nota também ressalta que os e-books de Jogos vorazes têm tido desempenho excepcional.

De qualquer forma, vale lembrar que, enquanto o primeiro volume de Jogos vorazes foi publicado em 2008, o primeiro de Harry Potter data de 1997.

Houve um pequeno aumento na pirataria dos livros de Harry Potter no primeiro dia de venda dos e-books, segundo o executivo, mas ele afirmou que espera ver a prática diminuir. “Reagimos muito rápido”, disse. “Esperamos que ao torná-los disponíveis a pirataria caia.” Os livros digitais da série escrita por J.K. Rowling estão sendo lançados com marcas d’água, ao invés de ter o DRM como instrumento contra as cópias ilegais [você pode ler mais sobre isso na coluna de Julio Silveira].

Ainda não há previsão para a venda dos e-books da série no Brasil. Segundo a Rocco, editora que publica Harry Potter por aqui, todas as decisões e os negócios relativos ao formato digital da saga ficam a cargo da Pottermore. A empresa fechou um acordo para utilizar, nos e-books, as traduções da série para o português feitas pela Rocco. Segundo a editora brasileira, é um modelo de contrato que “foge do padrão” e cujos detalhes não podem ser divulgados.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 05/04/2012 – 

Antes que o fogo queime: desafios da chegada da Amazon no Brasil


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 03/04/2012

A chegada da Amazon no Brasil, que vem sendo cozinhada desde o começo do ano, com negociações entre os representantes da empresa de Seattle e editoras brasileiras e anúncio [informal] de algumas iniciativas, como a venda do Kindle por R$ 199,00, certamente terá um impacto significativo no mercado editorial brasileiro, tal como aconteceu em outros países.

Ainda não se sabe com certeza se a Amazon vai se limitar inicialmente à venda de livros eletrônicos [e também se já incluirá outros produtos entregues via web, como músicas e filmes] ou se também irá incluir os livros impressos, adquiridos on-line e entregues pelo correio ou porcourriers. A conhecida secretividade da empresa contribui para especulações, inclusive sobre a quantidade de editoras que já assinaram contratos com ela.

Recentemente Mike Shatzkin publicou alguns posts muito interessantes sobre a trajetória da empresa, procurando responder, basicamente, a duas perguntas: a] Quando vai terminar de crescer a parcela da Amazon no comércio de livros [nos EUA]? E b] Quem vai sobrar? Um terceiro post, igualmente importante, trata do impacto da iniciativa do site Pottermore, da J.K. Rowling, que vende seus livros sem DRM [Digital Rights Manager] e, desse modo, elimina a questão da interoperabilidade dos e-readers. Nesse último caso, além do mais, a autora do Harry Potter conseguiu o que alguns achavam impossível: o tráfego é feito através do site da empresa, encaminhado pela Amazon ou por qualquer outro varejista eletrônico. Ou seja, não é preciso estar no ecossistema “amazonian” para adquirir o livro.

Vou tentar resumir as questões do Shatzkin, evidentemente centradas no mercado dos EUA, para depois fazer observações sobre o impacto em nosso mercado.

Shatzkin enfatiza o fato de que a estratégia de começar o negócio pela venda de livros foi basicamente a de ter uma ferramenta de aquisição de clientes, e não um fim em si mesmo. Trabalhando com o estoque das editoras, da Ingram e da Baker & Taylor, a Amazon aperfeiçoou a “experiência do cliente” a um nível não alcançado antes, e “enganchou” uma base formidável de compradores para todos os demais produtos que foi paulatinamente oferecendo. Contou com a fartura de recursos proporcionada pela primeira “bolha” da Internet, mas soube aproveitá-la bem – aliás, com extrema competência.

As editoras ficaram felizes da vida com mais esse varejista, que foi paulatinamente aumentando sua participação de mercado. Quando lançou o Kindle, a posição da Amazon já era forte o suficiente para impor ao conjunto das editoras seus termos de venda dos livros eletrônicos. E aí a coisa começou a complicar. Naquela ocasião já se percebia que a Amazon estava não apenas sufocando as livrarias independentes, mas também prejudicando as grandes cadeias, como o falecimento recente da Borders e outras movimentações no mercado americano estão confirmando.

A Amazon usou amplamente as vantagens de armazenamento, distribuição e POD [printing on demand] das grandes distribuidora. A Ingram tentou, em 2007, estender as facilidades dos mecanismos de venda on-line para outros varejistas, e lançou um projeto chamado I2S2, que era uma plataforma similar à que oferecia à Amazon, para os outros. A Amazon, nessa ocasião, teve peso suficiente para fazer o projeto abortar, e seus concorrentes não dispuseram dessa ferramenta.

O lançamento do Kindle reforçou a estratégia da Amazon de modo exponencial. De fato, a empresa praticamente criou um enorme mercado a partir do que era apenas incipiente [o leitor da Sony não tinha conteúdo suficiente para oferecer]. Aumentou sua base de clientes e o poder de fogo da empresa. Acredito que o mesmo possa acontecer similarmente aqui: o Kindle a R$ 199,00 vai forçar todos a se mexerem. A Positivo está fazendo um esforço – via grupos de compra – para testar preços mais baratos para seu leitor, mas não se sabe se terá fôlego e recursos para aguentar esse tipo de concorrência.

A Amazon usa com extrema agressividade e eficiência sua política de preços na ação dupla de “enganchar” os clientes, envolvendo-os em seu ecossistema, e pressionar as editoras por margens maiores. Sem nenhuma dúvida fará isso no Brasil.

Se resolver entrar de imediato na venda de livros impressos, a Amazon enfrentará aqui algumas dificuldades que não encontrou em outros lugares, e a principal é a da logística. A precariedade da nossa distribuição é conhecida e não merece comentários adicionais; o POD, que é amplamente usado nos EUA, [inclusive para diminuir os custos de logística] também é precário por aqui. Mas já existe uma estrutura montada, que a Amazon pode aproveitar [Correios e courriers]. Aí é questão de fôlego financeiro para equacionar o problema e oferecer um serviço tão bom ou melhor do que o oferecido pelas cadeias de livraria existentes.

Um fator de dificuldade para o fortalecimento da Amazon no mercado brasileiro é o das compras governamentais, extremamente significativas para o setor de livros educacionais e cada vez maiores para a literatura, também. Como as negociações da Amazon são todas feitas com exigência de confidencialidade, é difícil saber os detalhes. Mas um dos pontos do modelo que ela vem oferecendo para as editoras brasileiras é que estas não poderiam oferecer condições melhores de venda e preço para outros clientes. Quem vende para o governo vai aceitar isso? Se aceitar, pode ter certeza que a Amazon vai usar essa cláusula para exigir as mesmas condições que o FNDE tem para suas compras. Vai ser hilário…

Outro panorama aventado por Mike Shatzkin para o crescimento da Amazon no mercado internacional é o do crescimento de seu braço editorial. Atualmente a “editora” Amazon é insignificante, comparada com as tradicionais. Mas a contratação do veterano Kirschbaum para dirigi-la mostra um empenho em fazer isso crescer. Por enquanto, ainda não conseguiu atrair grandes autores, a exceção conhecida sendo o Deepak Chopra. Mas e se contratarem grandes nomes da ficção e começarem a lançar as traduções diretamente nos mercados onde tem presença, como na Espanha, na França, e no Brasil?

Shatzkin assinala – já em uma resposta a um comentário ao seu post – que o avanço da Amazon nos outros mercados pode ser controlado por legislação local de preços.

Ou seja, o chamado “preço fixo” pode vir a ser uma defesa contra os ímpetos monopolistas da Amazon. A chegada dessa empresa pode até modificar a opinião sobre o assunto por parte das grandes editoras, até hoje refratárias à ideia, e também das cadeias, que usam a liberdade de preços para fazer, em menor escala, o que a própria Amazon faz. Duvido que tenham fôlego para aguentar a capacidade de fogo de descontos da Amazon…

O último post de Shatzkin comenta a iniciativa da J. K. Rowling, de vender as versões de e-books do Harry Potter sem o DRM. Ele assinala que em janeiro, no encontro do Digital Book World, Matteo Berlucchi, da Anobii [um varejista baseado no Reino Unido que é parcialmente de propriedade de três grandes editoras] declarou que só com a eliminação do DRM ele poderia vender para os proprietários do Kindle. Shatzkin chama a apresentação de “presciente” e congratula Charlie Redmayne, o CEO da Pottermore, por ter coragem de provar que isso é possível. A alternativa do Pottermore é uma espécie de “marca d’água” eletrônica incrustrada na cópia vendida, que apenas identifica quem a adquiriu. Diga-se que tanto o DRM quando essa “marca d’água” são possíveis graças ao desenvolvimento do DOI – Digital Object Identifier, programa patrocinado pelas grandes editoras, com o apoio da Associação Internacional de Editores, e desenvolvido em meados dos anos 1990.

Evidentemente todas essas questões estão sendo consideradas pelas grandes editoras brasileiras. Mas nada que passe pela coordenação das entidades do setor [CBL, SNEL, ABRELIVROS], e muito menos pelas redes de livraria. Espero que todos se lembrem das observações do filósofo e economista alemão do século XIX que assinalava o caráter extremamente predador das empresas capitalistas atuando em um mercado “livre”: o capitalismo sobrevive e cresce depois das crises, mas as crises chegam inevitavelmente e resultam em concentração e diminuição da concorrência. O impulso monopolista da Amazon é irrefreável se for enfrentado por cada empresa isoladamente. Assim, que não esperem que o fogo esteja lhes lambendo para que comecem a pensar em soluções legais e institucionalizadas que possam evitar o rumo monopolista que a Amazon costuma imprimir à sua atuação.

Uma última e singela observação: as disputas acerca das práticas da Amazon chegaram ao campo judicial e político nos EUA. Em um primeiro nível, a ação contra o modelo de “agenciamento” que as grandes editoras conseguiram impor depois da chegada da Apple no mercado, em plena evolução. A outra é a denúncia de que a Amazon só dá dinheiro para os Republicanos, o que é complicado lá no bipartidarismo deles. O site do San Francisco Chronicle  publicou matéria sobre o assunto, já em 2005. De lá para cá, ao que parece, piorou.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 03/04/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Livros da série “Harry Potter” são lançados em formato de e-book


J. K. Rowling, autora da série de livros Harry Potter

J. K. Rowling, autora da série de livros Harry Potter

Os livros da saga “Harry Potter”, da escritora J.K. Rowling, estão disponíveis pela primeira vez no formato de e-book.

Os sete volumes, que venderam aproximadamente 450 milhões de cópias no mundo e foram transformados em oito filmes, começaram a ser vendidos no site oficial da saga, “Pottermore”.

Os livros podem ser comprados – tanto no formato de e-book quanto na versão em áudio – somente na loja virtual do site [shop.pottermore.com].

Por enquanto, os textos só estão disponíveis em inglês. As versões em francês, italiano, alemão e espanhol devem sair nas próximas semanas. Depois disso, serão feitas traduções para outros idiomas.

Folha.com | Com agências internacionais | 27/03/2012 – 10h42

eBooks do Harry Potter vão ficar para 2012


Organizadores querem, neste momento, levar mais gente para o site Pottermore

Prometido para este mês, o lançamento dos e-books da série de livros sobre o bruxo Harry Potter, que seriam vendidos pelo site Pottermore, ficou para o primeiro semestre de 2012. No blog, contam que adiamento foi decidido porque querem concentrar os esforços, neste momento, para atrair mais pessoas para o site.

PublishNews | 03/10/2011

Pottermore em versão beta


O site Pottermore, da escritora J. K. Rowling, foi lançado ontem, em versão beta, para membros da imprensa e para um milhão de fãs que se registraram para acessar o site em primeira mão. As páginas dos eBooks e da loja on-line ainda não estão disponíveis, mas deverão estar operando no lançamento do site completo, em outubro. Cada visitante recebeu um login e senha, e uma homepage pessoal. Cada um pode criar o seu perfil e navegar por capítulos dos sete livros da série, coletando objetos e assistindo animações de passagens da história original, o que também dá acesso a novos conteúdos escritos por Rowling. Atualmente os usuários podem “viajar” apenas pelo primeiro livro do bruxinho, Harry Potter e a pedra filosofal. Os usuários já podem deixar comentários on-line, e alguns criticaram a falta de audio nas animações. Segundo um porta-voz, não há planos de adicionar som a essas animações.

Por Charlotte Williams | The Bookseller | 16/08/2011

Fãs de Harry Potter são alvos de ataques virtuais


Os fãs da série de livros e filmes Harry Potter estão sendo alvos de ataques na internet. Isso porque cibercriminosos estão usando a vontade dos fãs de conseguir se cadastrar no Pottermore – site que trará uma experiência interativa dos livros da série – como isca.

De acordo com um post no site da GfI Software, existem pessoas tentando vender contas de acesso ao site no eBay por cerca de US$ 100. Além disso, é possível encontrar opções de Download de supostas contas do site, além de resultados maliciosos quando se faz uma pesquisa pelo site.

A GfI Software informa que o próprio site Pottermore recomenda que o usuário não se envolva com outras pessoas que prometem fazer o registro em seu nome.

Folha.com | 05/08/2011 – 18h07

Rowling anuncia site para leitura virtual de Harry Potter


J.K. Rowling, autora dos livros sobre o bruxo Harry Potter, anunciou nesta quinta-feira [23] um site gratuito em que os usuários poderão ler as histórias de Potter de uma maneira mais interativa. Para o site, batizado de Pottermore, Rowling afirma ter escrito mais sobre os personagens, lugares e objetos envolvidos na história.

De acordo com uma nota de divulgação do site, a autora informa que as histórias ganharão mais detalhes com ilustrações e momentos interativos. Para entrar no site, o usuário deverá escolher um “nome mágico”.

J. K. Rowling, autora da série de livros "Harry Potter"

A página também trará uma loja on-line onde usuários poderão comprar livros virtuais e áudiolivros da série Harry Potter. Pottermore estará disponível em inglês, francês, italiano, alemão e espanhol, inicialmente, e será aberto para o público em outubro. Os fãs já podem entrar no site e se registrar.

Eu queria dar algo de volta aos fãs que seguiram o Harry tão devotamente durante os anos e trazer as histórias para a geração digital. Eu espero que os fãs e os que ainda não conhecem a história participem no ato de moldar Pottermore“, disse Rowling.

Folha.com | 23/06/2011 – 12h45