Amazon resolve desafio logístico e começa a operar com produtos físicos no Brasil


Por Carlo Carrenho | Publicado origialmente em Tipos Digitais | 07/02/2014

As relações que a Amazon vinha mantendo com o mercado brasileiro até agora eram parecidas com sexo virtual, pois algo fundamental para um bom e-commerce – e para um bom sexo – estava ausente: o aspecto físico. Afinal, a gigante de Seattle só vendia e-books e apps em sua loja brasileira, e para isto não era preciso nenhum tipo de operação logística em terras tupiniquins, apenas um bom sistema de pagamentos em reais. Por isso, os aparelhos de leitura Kindle eram comercializados por parceiros, seja virtualmente como na Ponto Frio ou em lojas físicas como na Livraria da Vila. Até quiosques para a venda de Kindles em shopping centers foram tentados, e a última novidade é que a carioca Casa & Video vai comercializar o aparelho.

Mas agora a Amazon resolveu levar seu romance com o mercado brasileiro para o patamar físico e desde hoje pela manhã já está comercializando seus Kindles diretamente em sua loja, responsabilizando-se por todo o processo de faturamento e entrega. Aos olhos mais inocentes, isto pode não parecer grande coisa, mas na verdade a inauguração da logística da Amazon é mais importante que a própria abertura de sua loja. Afinal, muitos apostavam que a empresa norte-americana teria imensas dificuldades para aportar por aqui, justamente devido aos desafios que a péssima logística brasileira impõe a qualquer varejista. Ainda resta ver qual será a qualidade do serviço oferecido e até que ponto a Amazon realmente resolveu seu maior desafio. Mas o fato é que a empresa não costuma lançar nada abaixo de um certo padrão de qualidade e teria feito inúmeros testes de envio a várias cidades brasileiras para poder garantir as expectativas dos consumidores locais.

Para a indústria de livros, a entrada da empresa de Jeff Bezos no e-commerce de mercadorias físicas é um divisor de águas. Enquanto atuava apenas na venda de e-books em sua loja brasileira, a gigante de Seattle estava mais para a anã da Berrini [seu escritório em São Paulo fica próximo à avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini]. Em 2012, a participação dos livros digitais no mercado de livros de interesse geral ficou em no máximo 3% e a Amazon teria cerca de 30% deste mercado. Ou seja, a empresa norte-americana não teria nem 1% do mercado de livros de interesse geral. Se considerarmos o mercado editorial inteiro, com CTP [Cientifico, Técnicos e Profissinais] e Didáticos, sua participação então seria ínfima. Neste cenário, a Amazon tinha pouquíssimo poder de barganha junto aos editores, em uma situação completamente diferente daquela de outros mercados onde a empresa vende livros físicos com eficiência. Isto explica as concessões que a empresa teve que fazer ao negociar seus contratos digitais no Brasil, aceitando até limitações aos descontos que poderia oferecer na loja, os quais, em alguns casos, não podem ser superiores a 5%.

Mas agora o jogo é outro. A Amazon já estava desde o ano passado negociando contratos para venda de livros físicos com as editoras brasileiras, embora ainda não tivesse uma operação logística em funcionamento. Agora, a operação está ativa. Quem despacha Kindle, despacha qualquer coisa, e não há dúvidas de que livros físicos estão na mira da empresa para entrarem na loja o mais rápido possível. Aliás, além dos três modelos de Kindle, a loja brasileira da Amazon já está vendendo capas e adaptadores de tomada para os aparelhos. E quando os livros físicos chegarem aos seus estoques, a Amazon ganha poder de barganha e uma proteção contra as barreiras criadas por alguns concorrentes brasileiros que usaram sua força no físico para tentar retardar a entrada da Amazon no digital. Agora, o jogo começa a se inverter., pois quando estiver operando com livros físicos, serão os editores que terão interesse em vender para a Amazon mais do que a Amazon terá interesse em comprar dos editores, como foi até agora.

No que tange à venda direta de Kindles pelo seu próprio site, algumas observações são importantes. Em primeiro lugar, os preços são os mesmos que eram oferecidos antes pelos parceiros de distribuição da Amazon. O modelo Kindle continua a R$ 299, o Paperwhite a R$ 479 e o Paperwhite 3G a R$ 699. Preços ainda longe dos valores cobrados nos EUA, devido à alta tributação brasileira. Fica a dúvida então de por que a Amazon não aproveita a venda direta para reduzir os preços do Kindle oferecendo ao consumidor a margem que antes ficava com seus parceiros. Talvez ela não queira prejudicar as empresas que a apoiaram e que ainda têm estoques do aparelho, mas não será nenhuma surpresa se os preços caírem em breve. De qualquer maneira, o frete oferecido pela Amazon é grátis.

Vale também observar que as entregas serão feitas pelos Correios e pela Directlog. Uma entrega em São Paulo ou no Rio de Janeiro está prometida dentro do prazo de 1 a 3 dias úteis. Já os compradores de Macapá, por exemplo, terão de esperar de 8 a 11 dias úteis.

A ferramenta de 1-Clique, que permite compras com apenas um clique do mouse e sem redigitar dados e número do cartão de crédito, já está em operação também. Quem sabe o e-commerce brasileiro se inspire na ideia e pare de pedir o número de cartão de crédito a cada compra.

Agora é esperar os livros físicos, lembrando que a Amazon já é uma das maiores varejistas de livros importados no Brasil, que são vendidos diretamente da matriz americana. Nada impede, portanto, que tais livros importados sejam vendidos em breve na loja brasileira, em reais e com redução de custos de frete para o consumidor brasileiro.

E é só agora, com a Amazon levando sua relação com o mercado brasileiro para um patamar físico e palpável, que está de fato começando a disputa por esta grande musa: os leitores brasileiros.

Por Carlo Carrenho | Publicado origialmente em Tipos Digitais | 07/02/2014

Com Kindle, Amazon estreia venda física em site no país


A Amazon inicia nesta sexta-feira [07] a venda de produtos físicos no Brasil. Neste primeiro momento, a varejista americana vai vender apenas o leitor digital Kindle [em três modelos] e mais acessórios para o aparelho.

O gerente da Amazon Brasil, Alex Szapiro, não revela quando a empresa vai iniciar a venda de livros no país, mas a expectativa do mercado editorial é de que isso aconteça ainda no início deste ano.

A maior varejista do mundo, que nasceu vendendo livros físicos, estreou no Brasil em dezembro de 2012 apenas com versões digitais. No país, a empresa perde para a Apple na venda de livros digitais em português, devido, principalmente, à maior penetração de iPads em relação ao Kindle.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o mercado de livros digitais em português representa de 3% a 4% das vendas de livros do país. São quase 30 mil títulos – de um total de quase 100 mil títulos à venda no país.

Nos EUA, os livros digitais já representam de 25% a 30% do mercado, mas eles existem há sete anos. Por aqui estamos crescendo, toda semana batemos recordes“, diz Szapiro, que não revela números sobre a operação brasileira.

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

O Kindle será vendido em três versões, já disponíveis no mercado brasileiro por meio de varejistas selecionados. O modelo básico custa R$ 299. O produto mais caro, o PaperWhite 3G, versão em que o usuário tem acesso a qualque

RESISTÊNCIA

A Amazon enfrentou resistência de algumas varejistas e livrarias para vender o Kindle. Atualmente, o aparelho está disponível no Extra e no Ponto Frio [lojas e e-commerce], na Livraria da Vila e na Casa & Video.

Meu público alvo são todos os brasileiros que sabem ler. Queremos que o consumidor descubra o Kindle“, diz Szapiro. Pesquisas da Amazon mostram que clientes de livros físicos passam a consumir quatro vezes mais livros [físicos ou digitais] depois de adquirir um Kindle.

Diferentemente dos aparelhos vendidos em lojas de terceiros, os Kindles comprados diretamente na Amazon serão pré-registrados. Se o consumidor já tiver uma biblioteca de livros digitais, receberá o Kindle em casa com todo o acervo já baixado.

Szapiro diz que a empresa esperou mais de um ano para iniciar a venda do Kindle por meio da sua própria plataforma de e-commerce pois queria “estar preparada para melhorar a experiência do cliente“.

Questionado se o fato de a empresa agora estar preparada para vender o Kindle significa que o início da venda de livros pela internet estaria próximo, Szapiro desconversou: “essa é uma avaliação sua“.

O Brasil foi o primeiro país no mundo em que a empresa estreou com a venda de livros digitais exclusivamente. Em outros países, o e-commerce de livros físicos começou seis meses depois. A mesma estratégia foi adotada no México.

POR MARIANA BARBOSA, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 07/02/2014, às 03h00

Kindle ou Kobo, eis as questões


Com a chegada dos leitores da Kobo e da Amazon ao mercado brasileiro, muita gente tem se perguntado qual o melhor deles, e se vale a pena pagar R$ 100 a mais pelo Kobo Touch, oferecido pela Livraria Cultura a R$ 399. O Kindle de 4ª geração está à venda nas lojas da Livraria da Vila e no site da Ponto Frio por R$ 299. Pode parecer uma questão simples, que exige apenas uma comparação técnica entre os dois aparelhos, mas isto está longe da realidade. O processo de compra de um Kobo ou Kindle passa, na verdade, por três decisões. Vamos a elas:

Kobo vs Kindle

Kobo vs Kindle

1. A decisão entre um leitor dedicado e um tablete multifuncional

Tanto a Kobo como a Amazon oferecem aplicativos de ponta para iOS e Android. Portanto, não é necessária a aquisição de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle para se ter acesso ao catálogo de livros digitais à venda. Qualquer leitor pode comprar um livro na Amazon ou na Livraria Cultura e lê-lo em seu iPad, iPhone, tablet Android ou mesmo no computador. Quem preferir comprar na Google ou na Saraiva também poderá ler os livros em seus aplicativos para as mesmas plataformas. E, é claro, quem optar pela Apple, poderá ler sua biblioteca no iPad e no iPhone. Mas vale a pena adquirir um leitor dedicado? Esta é uma decisão que cabe a cada leitor ou consumidor. A s principais vantagens de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle são as seguintes:

  • Tela monocromática com tecnologia e-Ink, que não cansa a vista e permite leitura sob o sol, pois não possui luz própria.
  • Formato menor e mais leve que um tablete.
  • Permite uma leitura focada e tranquila sem as distrações dos tablets [veja este meu outro post]
  • Preço inferior

A desvantagem é clara: o leitor dedicado não é um tablete e, portanto, se você precisa de um equipamento para checar e-mails, navegar na net, ouvir música e jogar Angry Birds, você vai acabar com dois apetrechos na bolsa ou na mochila – a não ser que você se satisfaça em fazer tudo isso no seu smartphone. Na prática, acredito que esta decisão depende do quanto a pessoa lê normalmente. Para quem lê um livro por ano, nunca valerá a pena ter um leitor dedicado. Mas quem lê quatro livros por mês com certeza vai preferir ter um Kobo Touch ou Kindle além do tablet.

Isto leva à seguinte questão: Até que ponto o Brasil possui leitores frequentes suficientes para que haja uma demanda relevante por leitores dedicados? Ainda é cedo para dizer, mas vamos descobrir em breve. Minha impressão é que o leitor dedicado terá muito mais uma função de marketing e promoção no Brasil, ao ocupar espaço nas mãos de formadores de opinião e nas livrarias, do que uma função crucial na expansão da leitura digital. Tendo a achar que os brasileiros, que já lêem tão pouco, vão preferir ler seus e-books nos tablets – entre uma partida e outra de Angry Birds.

2. A decisão entre uma plataforma aberta e uma plataforma proprietária

Os livros digitais da Amazon [chamados pela empresa de Kindle books] só podem ser lidos em Kindles ou nos aplicativos Kindles. Os aparelhos da gigante de Seattle, por sua vez, só conseguem ler e-books em Mobi, seu formato proprietário. Sim, é possível ler PDFs no Kindle, assim como tecnicamente é possível mascar chiclete e assobiar ao mesmo tempo. Tente e descubra. Se o e-book for em formato padrão ePub e não possuir DRM [a trava anti-cópia do e-book; clique aqui para entender o DRM], é possível convertê-lo facilmente ao formato Mobi e lê-lo no Kindle como qualquer livro comprado na Amazon. O software gratuito Calibre é a melhor opção para isso. No entanto, por hora, são raras as editoras comercializando livros digitais sem DRM. A Apple também possui formato proprietário e os livros comprados na iBookstore só podem ser lidos nos aparelhinhos piscantes da empresa de Cupertino. E-pubs sem DRM, no entanto, são lidos facilmente em seu aplicativo de leitura. Sem falar que qualquer e-bookstore que se preze possui apps de leitura para iOS. Já a Kobo, a Google, a Saraiva e demais varejistas de livros digitais, possuem uma plataforma aberta e não proprietária, utilizando um controle de DRM comum, fornecido pela Adobe. Com isso, um livro comprado em uma dessas livrarias pode geralmente ser lido nos aplicativos e e-readers da outra. Por exemplo, você pode comprar um livro na Saraiva ou na Gato Sabido e lê-lo em um Kobo Touch adquirido na Livraria Cultura. Os livros digitais comprados na Google Play também podem ser transferidos para o leitor da Kobo e vários outros, como o Nook da Barnes & Noble, por exemplo. E livros comprados em outras e-bookstores no exterior, como na excelente Bajalibros da Argentina também podem ser lidos nos aparelhos e apps de empresas que optaram por um modelo de negócios não proprietário.

A vantagem de uma plataforma aberta é óbvia: você não fica dependente de um livraria apenas. A desvantagem é que estes processos de comprar e-book aqui e ler ali consomem tempo e paciência, e nem sempre funcionam 100%. Já as plataformas proprietárias, por terem sido desenvolvidas com apenas um formato e um leitor e seus aplicativos em mente, costumam ser mais robustas e confiáveis. Além disso, no caso da Amazon, é importante lembrar que a conexão em 3G oferecida nos melhores modelos, que ainda não estão à venda no Brasil, funciona perfeitamente no mundo todo. Sem pagar roaming, você abaixa amostras ou compra livros em 60 segundos do Panamá à Alemanha [já testei nos dois países].

Mais uma vez, cabe aqui ao leitor decidir entre uma plataforma proprietária e uma aberta. Ou, caso já pretenda ter um tablet e um leitor dedicado, poderá optar por um e-reader proprietário e usar aplicativos de plataformas abertas com DRM da Adobe no seu iPad ou Samsung.

3. A decisão entre o Kobo Touch e o Kindle de 4ª geração

Ao se decidir pela compra de um dos dois leitores dedicados à venda no Brasil, a primeira coisa a se considerar, como já vimos, é que o Kindle possui uma plataforma proprietária e o Kobo não. Em seguida, deve se considerar o preço. A Livraria Cultura vende o Kobo Touch por R$ 399 e a Livraria da Vila e o site da Ponto Frio vendem o Kindle de 4ª geração por R$ 299. Por que a diferença de preço? Simples: o aparelho da Kobo possui tela touch screen, enquanto o Kindle oferecido no Brasil exige que o leitor pressione botões no melhor estilo BlackBerry para ler seus livros. Na minha opinião, portanto, considerando-se apenas as diferenças técnicas entre os dois aparelhos, vale a pena colocar a mão no bolso e, por R$ 100 a mais, levar um leitor com tela sensível ao toque.

No que se refere às telas, ambos os aparelhos são praticamente iguais, ambos usando tecnologia e-Ink. Em termos de processamento, o Kindle pode ser um pouco mais rápido, mas nada que faça diferença, a não ser que alguém queira usar o e-reader para treinar leitura dinâmica.

Mas a Amazon não se gaba de sua tecnologia? Como a Kobo poderia ser melhor? Mais uma resposta no estilo “Elementar, meu caro Watson”. Na verdade, a empresa de Bezos optou por oferecer o leitor mais barato que pudesse no mercado brasileiro e, para isso, trouxe seu leitor mais simples. Da mesma 4ª geração de leitores, a Amazon oferece aparelhos mais caros com 3G e touch screen nos EUA, mas preferiu não colocá-los à venda no Brasil ainda. Em entrevista ao PublishNews, no entanto, o executivo amazônico David Naggar garantiu que todos os aparelhos chegarão ao Brasil. Quando? “A Amazon não discute planos futuros”, seria a resposta padrão.

Hoje, o melhor modelo do Kindle é o Paperwhite, um aparelho com 25% a mais de contraste que os Kindles de 4ª geração, 3G gratuito e luz embutida para leitura no escuro. Este brinquedo sai por US$ 199 nos EUA [sem publicidade], enquanto o modelo igual ao Kindle da Vila custa US$ 89 [sem publicidade] ou US$ 69 [com publicidade]. Aplicando-se uma simples regra de três, o modelo top da Amazon custaria R$ 669 no Brasil, bem acima do preço do Kobo Touch. Mais uma vez, o consumidor e leitor deve fazer sua opção aqui.

Mas para quem optar pela plataforma da Amazon e for comprar um Kindle, eu tenho um conselho: espere seu cunhado viajar para os EUA, compre o Paperwhite de última geração na Amazon com entrega no hotel, e peça para o dito cujo trazer o mesmo com a discrição que a alfândega brasileira exige. O conselho também se aplica no caso de tios, primos, irmãos, mães e avôs.

Por Carlo Carrenho | Tipos Digitais | 20/12/2012

Kindle chega para o Natal em São Paulo, e para o Dia de Reis no resto do país


Livraria da Vila e Ponto Frio vendem Kindle

KindleO “Mistério dos Kindles” terminou. A Amazon colocou as fichas em um varejista de grande porte e uma livraria tradicional para competir com o leitor da Kobo: a Ponto Frio e a Livraria da Vila já estão vendendo os aparelhos da 4ª geração do Kindle, sem 3G e sem touch screen. O preço é o mesmo prometido no site da Amazon.com.br: R$ 299. Nos EUA, o mesmo modelo pode ser adquirido por US$ 69.

Neste ano que termina, no meio de toda a discussão sobre leitores digitais, muito se falou sobre a possibilidade de se alcançar leitores fora do eixo Rio-São Paulo, e é para Anindeua, cidade vizinha à capital paraense Belém, que a Ponto Frio despachou um de seus primeiros Kindles vendidos, para Vanessa Tourinho. Ela contou ao PublishNews que nunca usou o Kindle, nem seus aplicativos em outra plataforma, e que o preço foi decisivo na escolha do leitor digital.

A ampliação do público consumidor está em sintonia com a política do outro vendedor do Kindle. A Livraria da Vila, que nunca foi vista como grande entusiasta do e-commerce, entra na onda digital para buscar novos mercados, ajudar a formar novos leitores e trazer de volta os que perderam o hábito. Sobre o paradoxo de ter uma livraria ajudando o que todas as outras olham como o apocalipse livreiro, Samuel Seibel, presidente da rede da Vila, afirma que “essa discussão tem sido muito focada no ‘eliminatório’, na ideia de que uma plataforma vai prevalecer sobre a outra. A minha percepção é de que deve haver uma convivência entre as formas de leitura, precisamos criar mais leitores, as livrarias têm de ser centros culturais onde as pessoas tenham vontade de consumir. Talvez mais pessoas se sintam atraídas por esse jeito kide ler”.

A rede paulista, que conta com 6 lojas na capital e uma em Campinas, pode não conseguir levar o Kindle até o Pará por enquanto como a Ponto Frio, mas tem suas cartas na manga. O leitor digital é vendido fisicamente com exclusividade nas lojas da rede até o final de janeiro, e, pelo menos na filial da Fradique, quem comprar um Kindle tem 10% de desconto nas compras de livros físicos, o que ilustra bem a filosofia de coexistência de plataformas da livraria. De qualquer maneira, a Vila também está se preparando para vender conteúdo na loja. Seibel nos conta que a livraria está mudando o sistema para comercializar e-books. O acordo com a Amazon também não restringe a Livraria da Vila à venda apenas do Kindle, mas Samuel quer antes “sentir o que acontece, queremos ser uma livraria que oferece o produto, conserva e amplia seu público”.

O livreiro que declaradamente prefere o livro físico não descarta a possibilidade do livro digital ser uma ameaça, mas não acha que o problema seja uma única empresa [no caso, a Amazon], e sim a forma de leitura como um todo. “Se o público optar por um tipo de leitura que não inclua o livro físico, a ameaça existe sim, mas o que tenho visto é que não há uma eliminação, e sim uma criação de mercado, você divide o bolo com mais pessoas só que o bolo vai ficando maior”, nos conta o presidente.

Assim como o vice-presidente da Amazon David Naggar, que quer vender milhões de aparelhos, Seibel é otimista sobre as vendas do aparelho. “Estamos trabalhando com a expectativa de vender muitos”.

Por Carlo Carrenho e Iona Stevens | PublishNews | 19/12/2012

Amazon no Brasil: o que esperar da chegada da gigante do varejo


Gigante norte-americana pretende chegar ao mercado nacional em 1º de setembro e deve causar frisson no setor de livros digitais. Concorrentes precisarão se adaptar

A chegada da Amazon ao Brasil, prevista para o dia 1º de setembro, promete ser apenas a ponta do iceberg na movimentação do e-commerce no país. Focada no primeiro momento no setor de livros, com destaque para os e-books, a marca terá como concorrentes diretos as livrarias Saraiva e Cultura e os grupos B2W, que inclui Submarino, Americanas.com e Shoptime, e Nova Pontocom, com Ponto Frio, Casas Bahia e Extra. As metas da norte-americana são ousadas: até o fim de 2012, a Amazon espera vender 1,1 milhão de produtos e, em 2013, chegar a 4,8 milhões.

A principal diferença da gigante do varejo mundial em relação às empresas atuantes no mercado brasileiro, indicam especialistas da área, é que a marca fundada por Jeff Bezos em 1994 assimilou desde sua origem a importância da experiência de compra dos consumidores. Com interação customizada, a Amazon proporciona uma loja ideal para cada tipo de perfil e dialoga bem com todos eles, o que parece estar ainda longe da realidade dos grupos brasileiros.

Entre as dificuldades, o consumidor encontra desrespeito no tratamento e justificativas desnecessárias. “Aqui se aceita baixo nível no atendimento ao cliente, com prazos ridículos, quebras de promessa constantes e problemas de reclamação e devolução. Nosso pós-venda ainda tem muita percepção de risco. A Amazon não discute, ela troca seu produto e pronto. No Brasil, as marcas exigem provas constantes da necessidade real de trocar qualquer coisa”, avalia Nino Carvalho, Coordenador dos Cursos de Marketing Digital da FGV no Brasil e Consultor em Estratégias de Marketing Digital, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A boa política de relacionamento com o consumidor será uma das armas da norte-americana na hora de deixar as concorrentes para trás. Somado a isso, muitos brasileiros já realizam compras no site e a vinda da Amazon para o país reflete no estreitamento dos laços. Com força local, os analistas preveem uma aceleração no tempo de entrega dos produtos e, vencida as barreiras burocráticas, uma consolidação que levará entre 12 e 18 meses. “A distância em relação a outros players será folgada”, completa Carvalho.

Com um faturamento de US$ 48 bilhões em 2011, os livros digitais serão apenas o começo da estratégia da Amazon no Brasil. O objetivo é inserir no e-commerce nacional, aos poucos, 131 outras categorias em que atua nos Estados Unidos. A chegada da norte-americana deve alavancar ainda mais as vendas do varejo eletrônico brasileiro, que em 2011 registrou 31,9 milhões de e-consumidores e movimentou R$ 18,7 bilhões, um aumento de 26% comparado a 2010, segundo dados da e-bit.

Aprendizado e crescimento

As dificuldades das marcas brasileiras em concorrer com a Amazon em um primeiro momento podem se transformar em aprendizado e adaptação a médio prazo. O principal passo é a atualização nos sistemas de inteligência, banco de dados, sistema de estruturas e até mesmo novas contratações. “Isso vai imprimir nos players brasileiros conhecimento em tecnologia, estrutura, infraestrutura, pessoal, cultura organizacional e desenho do fluxo de processos”, indica Carvalho.

Outro ponto positivo é que a entrada de uma empresa de grande porte representa aumento de concorrência e, por consequência, disputa por melhores preços. A união dos fatores reflete nas escolhas dos consumidores do e-commerce, que passaram de 9,5 milhões em 2007 para 31,9 milhões no último ano, número que representa 53,7 milhões de pedidos pela internet.

Para a disputa acirrada não ficar só no papel, no entanto, um obstáculo da Amazon é na logística e distribuição dos produtos. Apesar de gigante, a companhia encontra dificuldades em reunir conteúdo para a venda de e-books. Com o objetivo de fechar acordos com 100 editoras até abril deste ano, em março, a Amazon havia assinado apenas 10 contratos, um provável reflexo da força dos concorrentes nacionais.

A plataforma para leitura dos livros digitais também é outro desafio. Para ter acesso às obras, é necessária a aquisição do leitor Kindle, aparelho que a Amazon quer vender na faixa de R$ 149,00 a R$ 199,00 no país. O preço seria tentador, já que produtos de outras marcas no Brasil, como o Alfa, da Positivo, e o Cool-er, importado pela primeira livraria virtual do país, a Gato Sabido, não saem por menos de R$ 600,00. Especialistas apontam, no entanto, que para ter um preço abaixo dos aparelhos disponíveis hoje no mercado brasileiro, a Amazon teria de fabricar o Kindle aqui ou importá-lo com isenção de impostos.

Esbarrando na lei

O momento considerado economicamente positivo para a inserção de uma empresa de grande porte como a Amazon, em um mercado emergente como o do Brasil, não impede que a marca encontre dificuldades com a legislação brasileira. O grande desafio é o despreparo do país, que não possui leis específicas para a internet e para o comércio eletrônico.

Os conteúdos digitais não têm tributação específica e a interpretação é vaga quanto ao item comprado ser serviço ou mercadoria. “Essa é uma barreira de entrada da Amazon e a empresa precisa olhar com atenção na hora de chegar a países assim. Ela precisará fazer um investimento e não sabe se calcula os ganhos, ou melhor, se tem lucro ou prejuízo, porque também desconhece quanto terá que pagar de imposto”, explica Mauricio Salvador, Sócio Diretor da GS&Virtual, braço da GS&MD, e especialista em Comércio Eletrônico e Cross Channel, em entrevista ao portal.

Na opinião de Salvador, a entrada da empresa no mercado brasileiro pode chamar a atenção do poder público e ser o empurrão necessário para discutir a criação de legislações tributárias no mundo digital. Com a definição de parâmetros, grupos internacionais poderiam definitivamente mirar no país sem receio de investir. “Temos três problemas graves: a burocracia, a corrupção e a tributação. Quando qualquer investidor estrangeiro olha para o Brasil e vê essas barreiras titubeiam. Temos confusão e deslealdade e a entrada de um grande player mostra ao mundo inteiro o que está acontecendo. A torcida é para que dê certo e que novos empreendimentos sejam abertos”, diz.

Por Isa Sousa | Publicado originalmente em Mundo do Marketing | 26/07/2012

Livraria do Pontofrio.com dá mais um passo


O Pontofrio.com, que no final de janeiro começou a vender didáticos e em setembro de 2010 entrou na onda dos e-books, dá mais um passo na consolidação de sua livraria virtual. Nesta semana, começou a vender 20 mil livros universitários. E o catálogo de e-books está a todo o vapor. De 80, no lançamento, seu acervo pulou para 700 títulos digitais.

PublishNews | 04/03/2011

eBooks: Grupo Livrarias Curitiba adere à luta


Foi sem alarde que o Grupo Livrarias Curitiba começou a vender livros digitais. Usando o catálogo da distribuidora Xeriph, a maior rede de livrarias do Paraná, com lojas também em Santa Catarina e em São Paulo, se junta à Saraiva, Cultura, Gato Sabido, Ponto Frio, Casas Bahia, Singular e Grioti na difícil tarefa de popularizar o livro digital no Brasil. E o começo não foi tímido. Confira.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 07/02/2011

Catálogo do Ponto Frio avança


Desde o dia 9 de setembro quando se lançou na venda de livros digitais, a Pontofrio.com.br tem no catálogo 71 títulos ativos, todos do grupo Ediouro. Na semana que vem o site ganhará outros 200 livros com a entrada da Zahar e da Freitas Bastos. Em outubro, serão 500. E quem sabe no fim do ano algo entre dois e cinco mil títulos. Essa é a expectativa de Cláudio Campos, gestor da área de distribuição digital da empresa. Para isso, precisa da colaboração das editoras.

Dois fatos chamam a atenção neste primeiro momento. Todos os e-books disponíveis não têm DRM – e Campos considera isso mais confortável para o usuário, que poderá ler o seu livro onde quiser. “Olhamos o lado do cliente, mas respeitamos a estratégia de cada editora”. Portanto, quem quiser proteger o livro com o DRM vai poder, claro. A outra é que estão apostando nos tablets e já fizeram parceria com a Samsung para vender o Galaxy.

Para chamar mais atenção para o novo negócio, o Ponto Frio começou ontem a pré-venda de Elite da tropa 2 (Nova Fronteira). Assim, na primeira hora do dia 8, data de estreia do filme, seus clientes poderão começcar a ler antes dos outros. Uma outra ideia é repetir a venda do kit “livro impresso + e-book” feita com o 1822, de Laurentino Gomes, primeiríssimo livro da loja virtual.

Para Cláudio Campos, os desafios são a massificação do e-reader, a formação de um catálogo nacional e a aceitação dessa nova forma de leitura pelo brasileiro. A empresa está em contato com as editoras, algumas delas já parceiras na venda de livro impresso, mas sabe que cada uma tem um timing. Sabe também que a hora é de aprender juntos. A única coisa que pedem é que os livros digitais custem entre 20% e 30% menos do que a versão tradicional.

Ponto Frio e seu irmão Extra, o maior vendedor de informática, têm a seu favor o nome, o número de clientes e a oferta de produtos, sobretudo os eletrônicos. Por isso Claudio Campos não se vê concorrendo com livrarias. “Nosso único competidor é o Submarino, que se juntou à Gato Sabido para vender e-book”.

Hoje, os e-books ainda ocupam o pé do menu lateral da página dedicada a livros no site da varejista, mas isso deve melhorar.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 01/10/2010

E-book já movimenta mercado brasileiro


Mercado brasileiro poderá refletir os resultados positivos dos Estados Unidos se houver uma política de massificação de e-leitores e de preços mais acessíveis

O primeiro e-reader nacional, lançado pela Positivo, esgotou na primeira semana de vendas

Rio de Janeiro – Os e-books começam a movimentar o mercado editorial brasileiro. Embora o número de títulos disponíveis no país ainda seja pequeno, o primeiro e-reader nacional, lançado pela Positivo por R$ 699,00, esgotou na primeira semana de vendas.

A realidade que começa a se instaurar ainda é muito nova para que se possa ter números e expectativas, mas já é suficiente para que editoras comecem a repensar seus negócios e estratégias, assim como a internet já obrigou jornais e gravadoras a fazerem.

Segundo dados da IDC, as vendas mundiais de e-books devem superar cinco milhões de unidades em 2010 e ultrapassar os seis milhões em 2011. “No mercado dos Estados Unidos, os e-books representam cerca de 3% do segmento editorial“, afirma Daniel Pinsky, diretor comercial da editora Contexto e membro da Comissão da Câmara Brasileira do Livro – que trata do mercado de livros eletrônicos -, em entrevista. É baseado em números como esses que o mercado editorial brasileiro tenta traçar metas. É claro que as diferenças entre os dois países devem ser consideradas: nos Estados Unidos, o Kindle, famoso e-reader da Amazon, foi lançado em 2007 e hoje custa cerca de US$ 139,00.

Apesar da diferença de realidade, as expectativas aqui são tão boas quanto as de lá. “Acredita-se que nos Estados Unidos as vendas de e-books superarão as dos livros tradicionais em cinco anos. Como as coisas no mercado editorial brasileiro acontecem com cerca de três a cinco anos de defasagem, já podemos ter uma previsão“, afirma Newton Neto, Diretor Executivo da Singular, braço da Ediouro provedor de conteúdos exclusivos na internet, em entrevista ao portal.

Conteúdos fazem a diferença

O mercado brasileiro poderá refletir os resultados positivos dos Estados Unidos se houver uma política de massificação de e-leitores e de preços mais acessíveis. Esta é a aposta de empresas como o Ponto Frio.com, que iniciou a venda de e-books este mês. “A nossa expectativa é crescer de 5% a 10% ao ano de acordo com o que vemos acontecer no mercado norte-americano“, conta ao site Claúdio Campos, gestor da área de distribuição digital da empresa.

Além de contar com o advento de tecnologias que permitem o download de livros, como os iPads e smartphones, o investimento em conteúdos é uma das principais estratégias para o sucesso deste mercado.  É o caso do Alfa, que vem com um dicionário Aurélio que pode ser consultado durante a leitura. O lançamento do e-book da obra 1822, de Laurentino Gomes, desenvolvido pela Singular, também conta com serviços especiais. A versão do livro para download vem acompanhada de um áudio book com narração de Pedro Bial, imagens ilustrativas e do desenvolvimento do livro, como fotos tiradas pelo autor durante o processo de pesquisa.

O conteúdo diferenciado também pode ajudar na política de preços. “Como um e-book é cerca de 30% mais barato do que um livro comum, as editoras precisam investir em conteúdo para poderem garantir valores mais rentáveis e maior número de vendas”, afirma Neto, da Singular Digital. Os valores cobrados pelos e-books ainda precisam ser estudados porque, embora não utilizem papel, representam outros gastos e riscos para as empresas. “Para fazer um e-book temos custos como transformação de dados. Além disso, quando vendemos um pela internet deixamos de vender fisicamente, isso não pode trazer prejuízo”, aponta o diretor comercial da Contexto.

Acervo ainda é pequeno

Um dos empecilhos para o crescimento definitivo do segmento de e-books é o reduzido número de títulos disponíveis no mercado. Mas essa realidade deve mudar. A Singular, que disponibiliza e-books para vendas há um ano, possui 20 mil títulos de editoras nacionais e internacionais, um número grande para um mercado incipiente.

Já a Contexto tem 50 títulos disponíveis nas livrarias Cultura e Saraiva, mas conta com um total de 400 em seu catálogo, o que representa cerca de 1% dos títulos da empresa. O Ponto Frio, por sua vez, abriu as vendas da categoria este mês com 80 livros da Ediouro, mas pretende fechar setembro com mais 200 títulos. Até o fim de outubro, a loja virtual deve chegar a 400 livros no total.

Como o negócio é recente, o Ponto Frio.com ainda está desenvolvendo estratégias para a promoção das vendas. Entre as já realizadas está a criação de uma área independente no site apenas para e-books e a venda de livros sem dispositivos de DRM – o que permite o download e o acesso aos conteúdos de diferentes plataformas, não só dos e-readers. “Notamos que houve um interesse muito grande da mídia sobre o assunto, mais do que o esperado. Agora temos que ficar atentos às exigências do consumidor e disponibilizá-las no portal“, completa Campos, do PontoFrio.com.

Por Rayane Marcolino | 30/09/2010, 17:35 | Mundo o Marketing | Publicado originalmente em Portal EXAME

Ponto Frio esquenta a briga pelo mercado de livros digitais


SÃO PAULO – As livrarias têm um concorrente de peso agora: a rede Ponto Frio, do Grupo Pão de Açúcar, que dá inicio às vendas de livros digitais [e-books] em seu site de comércio eletrônico [e-commerce]. O objetivo é chegar 5 mil títulos até o fim deste ano e sair à frente da concorrência de varejistas de eletroeletrônicos que ainda não optaram pela comercialização do novo modelo de leitura. Em média, os e-books são 30% mais baratos do que os livros tradicionais. A estimativa é de que, em 2011, as vendas de e-books representem até 10% da venda de livros por e-commerce no Ponto Frio. A última estatística da Associação Amerciana das Editoras [APP] mostrou que os e-books ocupam 4% do mercado total das vendas de livros nos Estados Unidos, o equivalente a US$ 27,4 milhões.

Os títulos disponíveis são compatíveis à maioria dos leitores de livros digitais [e-readers]. “O fato de o e-book não ter restrição possibilita mais liberdade e flexibilidade ao leitor. O formato principal será o e-Pub, compatível com os principais canais de uso“, disse Cláudio Campos, gestor da área de distribuição digital do site. “A compra no site será semelhante a um download de jogos: o cliente escolhe o título, efetua a compra, recebe o link e baixa o download.

Com a incursão nesse novo negócio, o Pontofrio.com.br segue o caminho da americana Amazon, famosa por vender livros na internet e criadora do Kindle – leitor de livros digitais. Pelo pioneirismo do site do Ponto Frio no Brasil, analistas acreditam no sucesso do negócio e já fazem contas. “O Ponto Frio sai à frente ao começar a se preparar para essa tendência mundial de e-books. Daqui há alguns anos, quando outras grandes do varejo iniciarem as vendas, ele estará na frente pela fidelização e quantidade no acervo“, diz Renata Fiscalli Santos, pesquisadora em tecnologia e e-commece da Universidade de Campinas [Unicamp].

Nos Estados Unidos a venda de e-books já é realidade e demonstra ser tendência no país. “A venda de e-books de 13 editoras que reportam seus resultados à Associação Americana de Editoras cresceu cerca de 252% no primeiro trimestre de 2010“, disse o executivo do Ponto Frio, que acredita no potencial brasileiro no próximo ano com a participação dos e-books, com equivalente aos resultados americanos em 2009.

Fora o Ponto Frio, outras redes de varejo, exceto livrarias, também acompanham o segmento. De acordo com Marcelo Ribeiro, diretor de e-Commerce da Ricardo Eletro, a rede mineira de eletroeletrônicos também já vislumbra a possibilidade de vender e-books. “Há estudos avançados para o início das vendas, já que o segmento é tendência no e-commerce“, afirmou o executivo, que ainda não pode dar datas sobre o início das vendas no site.

Livrarias

Quem já apostou no ramo de e-books no Brasil foram as livrarias Saraiva e Cultura. A Saraiva atua desde junho em vendas digitais, e hoje sua área on-line tem 1.500 títulos nacionais e 160 mil livros estrangeiros. A expectativa, segundo Marcílio Pousada, presidente da empresa, é atingir 5.000 livros brasileiros em 2010. O executivo estima ainda que as vendas virtuais superem as compras nas lojas, em cinco anos. Hoje, o e-commerce perfaz 35% do faturamento.

Há ainda estudos para a Saraiva lançar seu próprio leitor digital, e a rede está na fase de finalização de contratos. “Estamos muito preocupados em fornecer uma boa experiência para o leitor e em preservar todo o processo produtivo desta cadeia, com lucros para o autor, a editora e para nós. Queremos chegar mais perto do que a Amazon faz“, disse Pousada, explicando que o leitor de e-books será compatível a formatos populares no mercado.

Para o diretor-geral da consultoria e-bit, Pedro Guasti, o fortalecimento de vendas de e-books vem do hábito de fazer download. “A comercialização de downloads é um caminho sem volta; sai na frente quem atrair melhor o cliente“, disse. O executivo acredita que esse mercado será impulsionado com a expansão da banda larga e a queda dos preços dos equipamentos de leitura portátil, como Kindle e iPad.

Na livraria Cultura, onde 20% da receita é de vendas on-line, com e-books desde março, hoje são 120 mil títulos em inglês e 500 em português. O diretor da livraria, Sérgio Herz, negou a possibilidade de a Cultura lançar seu leitor próprio. “Estaremos sempre atrás das grandes marcas especializadas, por isso esperaremos o melhor momento para pensar no assunto“, disse. “Com a nova modalidade não teremos problemas de livros esgotados.

Braço do Grupo Pão de Açúcar, a rede Ponto Frio acaba de entrar na venda de livros digitais [e-books] e deve incomodar livrarias como Saraiva e Cultura, que atuam no segmento. O Ponto Frio espera chegar a 5 mil títulos até dezembro e sair à frente da concorrência de varejistas de eletroeletrônicos que ainda não optaram pelo novo modelo de leitura, que cresce em ritmo acelerado nos EUA. A previsão é de que em 2011 os e-books representem até 10% das vendas de livros no comércio eletrônico do Ponto Frio. “A compra via computador será semelhante a um download de jogos: o cliente escolhe o título, compra, tem o link e ‘baixa’ o livro“, diz Cláudio Campos, da rede.

Por Paula Cristina | Publicado originalmente em DCI – Comércio, Indústria & Serviços | 30/09/10 – 00:00