Programa do Livro de 2018 terá eBook já no formato ePub


índiceO Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE] divulgou nesta segunda-feira o edital do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] 2018. Serão adquiridas obras destinadas aos alunos e professores do Ensino Médio das escolas públicas de todo o Brasil. As etapas de cadastramento das editoras interessadas em participar do pleito, pré-inscrição e inscrição/entrega das obras começam no dia 11 de janeiro e seguem até o dia 11 de abril de 2016.

De cara, chama a atenção para dois aspectos: a inclusão do formato ePub para os livros acessíveis – antes era aceito apenas o formato Mec-Daisy e a diminuição do número de páginas dos livros. Em um comparativo rápido entre o PNLD 2015 – última compra para Ensino Médio — e o 2018, percebe-se uma diminuição considerável no número máximo de páginas dos livros. Tomando o livro do professor do componente curricular de Matemática como exemplo, percebe-se que, em 2015, o número máximo de páginas exigido pelo FNDE era de 512 páginas. Em 2018, caiu para 388. No livro do aluno, o número máximo de páginas caiu de 320, em 2015, para 288, em 2018.

O minguamento dos livros afeta diretamente o faturamento das editoras. É que a composição dos preços dos livros é feita com base no número de cadernos que o livro tem. Uma fonte ouvida pelo PublishNews que prefere não ser identificada disse que já havia esse movimento de diminuição do número de páginas dos livros, mas que, nesse ano, a redução foi drástica. “Essa redução está causando pânico nas editoras”, disse ao PublishNews. Além da queda no faturamento, ela acredita que a acomodação dos conteúdos no número reduzido de páginas será uma missão quase impossível.

A Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares [Abrelivros] marcou uma reunião nesta quarta-feira [16] para analisar o edital. Clique aqui para ter acesso ao edital.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 15/12/2015

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Livro didático digital ainda não chegou aos estudantes


Por Akemi Nitahara | Edição Aécio Amado | Fonte Agência Brasil | 19/10/15, às 14h12

Apesar de estarmos vivendo num mundo cada vez mais digital, onde as crianças e adolescentes dominam as novidades tecnológicas com muita rapidez, os avanços no campo pedagógico ainda são pequenos no Brasil. A maioria das editoras de livros didáticos já oferece o conteúdo em formato digital e os recursos pedagógicos são muitos, mas a adoção deles pelas escolas ainda está lenta.

Poucos colégios já aboliram o papel, diz presidente da Abrelivros | Cecília Bastos/USP | Creative Commons | CC BY 3.0

Poucos colégios já aboliram o papel, diz presidente da Abrelivros | Cecília Bastos/USP | Creative Commons | CC BY 3.0

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares [Abrelivros], Antonio Luiz Rios da Silva, não há estatísticas sobre o mercado de livro didático digital, mas ele garante que praticamente todas as editoras do país já têm iniciativas nesse sentido. “Não são todas as coleções que têm, mas boa parte delas já conta com a possibilidade do aluno e da escola trabalharem com livro digital, que na realidade é uma reprodução do livro impresso, com algum enriquecimento, como vídeos, infográficos, jogos, links”.

O livro digital pode ser acessado de diversas formas: em dispositivos móveis [tablets e smartphones] e pelo computador ou lousa eletrônica. Além do formato PDF, que é uma cópia estática digital do livro impresso, há opções LED [Livro Educacional Digital], que são versões enriquecidas com recursos interativos; iBook, que incorpora vídeos, áudios e ampliação de imagens, específica para iPads, da Apple; aplicativos, mais usados para literatura infantojuvenil, que acompanham animações, narração, interatividade e música; e o formato ePub, que se adapta a qualquer tamanho de tela.

De acordo com Rios, o país está no começo da transição e que as escolas têm adotado o modelo híbrido, em que o aluno compra o livro impresso e ganha o acesso ao conteúdo digital. Segundo ele, poucos colégios abandonaram o papel. “Se tiver no Brasil inteiro cinco escolas que fizeram isso é muito. Nas conversas com diretores de colégio, a gente percebe que esse processo tem que ser gradual, não só com relação ao aluno, que se adapta mais rapidamente, mas principalmente por conta do professor”.

O estudo Aprendizagem Móvel no Brasil, publicado em agosto pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Colúmbia, aponta que o uso de tecnologia guiada em sala de aula pode melhorar o rendimento acadêmico dos estudantes, superando ações como a formação de professores em geral e a redução do tamanho da classe.

Mas, segundo uma das autoras do estudo, Fernanda Rosa, as políticas implementadas atualmente na área pública não têm alcançado esse objetivo. “Para avançarmos em nossa capacidade de levantar o impacto das tecnologias na aprendizagem no Brasil, o primeiro passo é ter as ferramentas digitais disponíveis, com condições de uso e conectividade, e com professores capazes de utilizá-las – realidade ainda restrita a poucas escolas”.

Para Fernanda, não se alcança esse estágio sem o envolvimento das secretarias de Educação com um planejamento de médio e longo prazo com ações simultâneas nos três pilares: infraestrutura, conteúdo digital e formação de professores.

Tradição e inovação

Entre as experiências consideradas positivas está a do Colégio Pedro II, uma das mais tradicionais instituições públicas de ensino básico do Brasil, fundado em 1837, que distribuiu este ano tablets para os alunos do primeiro ano do ensino médio. O material, comprado com verba destinada por emenda parlamentar, foi fornecido pelo Ministério da Educação.

De acordo com a chefe da Seção de Projetos Educacionais do Pedro II, Mônica Pinto, todos os departamentos do colégio e professores de todas as disciplinas estão envolvidos com a novidade. “A gente tem projetos em todas as áreas que você possa imaginar, inclusive projetos integrando várias disciplinas, e cada departamento vem usando um conjunto de objetos e desoftwares enorme. Muitas vezes, inclusive, desenvolvendo projetos especiais com alunos com dificuldade de aprendizagem, para o ensino regular, para alunos de inclusão e até mesmo para alunos de altas habilidades”, disse.

Ela explica que o uso dos tablets não tem foco nos livros. Foi criado um blog de suporte aos professores com todos os objetos educacionais digitais disponíveis e os docentes estão passando por capacitação para usar a tecnologia. “Tem uma listagem de todos os objetos de aprendizagem, aplicativos, livros digitais que são recomendados e as diretrizes da Unesco para aprendizagem móvel.

Segundo Mônica, o Departamento de Ciências da Computação fez uma série de pesquisas e agora está começando a planejar uma série de oficinas que está sendo oferecida aos professores em todos os campi do colégio, para estimular ainda mais trabalho.

No ano passado, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura [Unesco] lançou no Brasil as Diretrizes de Políticas para a Aprendizagem Móvel. Entre os benefícios, a Unesco cita a ampliação do alcance, individualização e continuidade da aprendizagem, além da otimização do tempo em sala de aula e retorno do resultado imediato. Como recomendações, estão a melhoria da conexão à internet, o acesso igualitário aos dispositivos e a capacitação de professores e estudantes.

Para que o projeto no Pedro II tenha continuidade, de acordo com Mônica, é necessário que o colégio tenha recursos para adquirir equipamentos, além da efetivação da infraestrutura de internet que ainda não está completa no país. “É essa questão do acesso de banda larga para todas as escolas, a gente só vai conseguir fazer essa migração quando conseguir resolver questões estruturais. Por ser um colégio federal, a gente está na mesma situação das outras escolas públicas brasileiras”.

Compras do governo

Apesar de o governo federal ter anunciado no fim de 2013 que, em 2015, os alunos da rede pública do país teriam acesso a livros didáticos digitais, o material até agora não foi disponibilizado. Segundo o presidente da Abrelivros, Antonio Luiz Rios da Silva, no edital de 2014 foi colocado a compra dos objetos digitais e, para este ano, estava prevista a oferta do LED pelas editoras, mas o governo não concretizou a compra. “Nós estamos numa discussão com eles para que a compra seja feita. Mas agora, com a restrição orçamentária, a coisa ficou mais complicada. As editoras produziram os livros, mas até agora não tivemos a disponibilização para as escolas porque o governo não comprou”.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], responsável pelo Programa Nacional do Livro Didático [PNLD], foi procurado pela Agência Brasil, mas não se pronunciou. Segundo o Gerente de Tecnologia Educacional e Novos Projetos Grupo SM Brasil, André Monteiro, a editora forneceu, dentro do PNLD 2014, os chamados Objetos Educacionais Digitais.

São DVDs com objetos digitais, como áudios, vídeos, jogos e animações com orientações de uso para os professores e para os alunos. Temos produtos aprovados no formato de livro digital com objetos educacionais digitais anexados ao livro para o PNLD 2015, mas até o presente momento sem aquisição e distribuição definida pelo MEC/FNDE”.

Tanto Monteiro quanto Rios afirmam que apenas alguns países estão investindo na transição para o material didático digital, como Coreia do Sul, Finlândia e Estados Unidos. E o Brasil está bem longe disso. “Temos muito o que avançar na infraestrutura das escolas, na formação dos professores e principalmente na universalização do ensino de qualidade. O mais importante é que devemos enxergar o uso da tecnologia como uma ferramenta para impulsionar a criatividade, a inovação e a mudança no ambiente da sala de aula, principalmente na relação entre o professor e seus alunos”, disse Monteiro.

Para Fernanda Rosa, o Brasil tem um alto índice de distribuição de tecnologias digitais nas escolas. Segundo ela, 84% das unidades públicas urbanas são equipadas com laboratórios de informática e mais de 400 mil tablets entregues a professores do ensino médio. Porém, de acordo com a pesquisadora, existe uma deficiência na infraestrutura que dificulta o uso com foco na aprendizagem.

Uma pesquisa recente do Banco Mundial mostra que apenas 2% do tempo do professor brasileiro em sala de aula é utilizado com tecnologias. Outros países latino-americanos apresentam índices similares ou um pouco acima. E essa realidade dificilmente será alterada se não se pensar em políticas voltadas à aprendizagem, que se utilize dos benefícios da mobilidade que as tecnologias atuais disponibilizam”, disse.

Custo X peso

Estudantes aguardam com ansiedade o momento de trocar os livros pelo tablet. A estudante Luisa Lucas Antunes, de 14 anos, disse que no colégio particular onde estuda, na zona sul do Rio de Janeiro, ainda não adotou o livro digital, mas utiliza um aplicativo para fazer simulados. “Eu acho legal porque, pelo menos, tem um aplicativo que interage com os alunos, para preparar as provas de concurso e essas coisas. É um simulado, mas você também pode jogar, com perguntas de vários colégios”.

Para Luisa, além das possibilidades educacionais que a tecnologia oferece, o livro digital é uma oportunidade para se livrar do peso da mochila. “Eu nunca me interessei em ler livro digital, prefiro o de papel. Mas, para a escola, seria uma nova forma de ler, seria legal. O peso da mochila estraga as costas de todo mundo. Eu acho que todas as escolas já deveriam ter livro digital, em vez de continuar com as apostilas e cadernos”.

A digitalização pode significar uma redução do peso nas mochilas, mas pode aumentar o peso no orçamento dos pais, já que a produção de um livro didático é demorado e tem um custo alto, que aumenta quando se trata de autorizações para meio digital. Segundo o presidente da Abrelivros, o uso do livro digital na aprendizagem é um processo sem volta, mas ainda existem questões a resolver.

Tem a redução do custo de impressão e do custo logístico de distribuição, mas, por outro lado. tem todo o incremento do custo de você transformar aquele arquivo, que era um PDF para impressão, para ele virar um livro digital, não é um custo desprezível”.

Autora de livros infantis e juvenis, Anna Cláudia Ramos não acredita que o livro digital de literatura vá substituir o impresso, já que são plataformas diferentes que atendem a públicos diversos. Porém, para o livro didático, ela, que também é professora, é mais enfática quanto às vantagens da tecnologia.

Talvez, no futuro, os didáticos se tornem digitais. Já está se tornando, você clica no livro e já te joga para o país que você está estudando, imagina que máximo. Mas você pode conviver com as coisas todas. Tudo vai poder conviver junto e misturado. Eu acho que a grande questão é a gente não perder esse desejo de fazer livro ser uma coisa gostosa, não fazer algo para ser dever de casa, essa é a diferença”.

O estudo Aprendizagem Móvel no Brasil aponta que, para implementar o uso das tecnologias no ensino, é preciso desenvolver questões institucionais, como fortalecer o monitoramento das ações e avaliação nas secretarias de Educação, formação continuada e compartilhamento das ferramentas e experiências, além do desenvolvimento de parâmetros legais nacionais para subsidiar os avanços.

Por Akemi Nitahara | Edição Aécio Amado | Fonte Agência Brasil | 19/10/15, às 14h12

Uso de aplicativos para celular ganha força na escola


Por Paulo Saldaña | Publicado originalmnte em O Estado de S. Paulo | 24 Agosto 2015, às 03h

Conteúdo para smartphone já é elemento importante de apoio; alunos e professores exploram tecnologia na aprendizagem; Especialistas cobram que recursos pagos pelo governo sejam abertos

Tecnologia e educação sempre tiveram uma relação difícil, sobretudo dentro da sala de aula. Embora o modelo de escola tenha pouco se alterado com o passar dos anos, a cultura digital é uma realidade entre alunos e professores – o que tem desafiado a tradição. Com a disseminação dos smartphones, escolas, governos e demais instituições se voltam para potencializar essa tecnologia na melhoria do ensino e da aprendizagem.

A Fundação Lemann, por exemplo, vai iniciar uma nova linha de atuação voltada para aplicativos móveis de educação gratuitos. “A sociedade como um todo já viveu essa revolução tecnológica e, infelizmente, nesse contexto, a escola ficou para trás”, explica o diretor da fundação, Denis Mizne. “O caminho agora é proporcionar para alunos, professores e gestores escolares o que já é uma realidade fora da escola.

A mais recente pesquisa TIC Kids Online, realizada pelo Comitê Gestor da Internet, mostrou que, pela primeira vez, em 2014, o acesso à internet por celular no Brasil foi maior do que por computadores: 82% acessam pelo celular, enquanto 56% usam o desktop.

Os resultados se referem a jovens de 9 a 17 anos de idade. As redes sociais são o maior atrativo, mas 68% dos jovens usam a web para trabalhos escolares.

Isabela dos Santos, de 12 anos, estuda Inglês pelo celular, com o aplicativo gratuito Duolingo, e Biologia pelo YouTube. “Eu nem sempre estou com livros, mas meu celular sempre está comigo”, diz a aluna do Colégio Dom Bosco, na zona norte de São Paulo.

A escola de Isabela vai passar a explorar um novo aplicativo focado no celular. “Funciona bem quando usado como mecanismo de interação em momentos específicos da aula”, diz Andrey Lima, diretor executivo do sistema Ari de Sá, adotado pelo Dom Bosco.

Leia Mais:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,uso-de-aplicativos-para-celular-ganha-forca-na-escola,1749345 Assine o Estadão All Digital + Impresso todos os dias Siga @Estadao no Twitter

Isabela usa o celular para estudar inglês e assistir a aulas de biologia

A empresa Ari de Sá mantém uma parte de conteúdos, ainda pequena, aberta para o público. “Não temos uma decisão de não abrir os conteúdos, mas ainda não foi definido”, diz Lima.

Já a professora de Música Gina Falcão, da Nova Escola, na Vila Mascote, zona sul, toca um projeto com alunos do ensino médio de produção de videoclipes em que o celular é a ferramenta principal. “Eles têm muita facilidade para trabalhar com isso, estamos pedagogicamente no universo deles”, diz.

Gratuidade. Mesmo fora dos sistemas de ensino, os aplicativos educacionais pagos ou com direitos autorais fechados são maioria. Na semana passada, a Câmara dos Deputados promoveu um debate sobre Recursos Educacionais Abertos [REA]. Há a cobrança para que todos os materiais digitais adquiridos pelo governo sejam livres – um projeto de lei com esse intuito tramita na Câmara. Em 2014, o Ministério da Educação gastou R$ 67 milhões na aquisição de bens digitais didáticos, cifra incluída no R$ 1,1 bilhão investido no Programa Nacional do Livro Didático [PNLD].

Priscila Gonsales, do Instituto Educadigital, afirma que o investimento público em material didático deve ser em plataformas abertas. A reivindicação de licenças passa tanto pelo potencial de acesso quanto pelas possibilidades de remixagem dos materiais. “Qualquer lugar é lugar para aprender, o que a cultura digital vem evidenciar. Acaba a ideia de que somos consumidores de educação. A gente pode produzir, um ajuda o outro, é a cultura de compartilhar.

Criada em 2013 com apoio de várias organizações não governamentais, a plataforma escoladigital.org.br reúne 4 mil recursos digitais. Muitos ali são pagos e a maioria tem direitos fechados, mas há uma seção com dezenas de opções para professores criarem seus aplicativos.

Segundo Mizne, da Lemann, a ideia com a iniciativa de sua fundação é criar “um ambiente saudável” que estimule investimentos em novos recursos inovadores. Responsável pela tradução da Khan Academy, portal focado no ensino de Matemática criado pelo educador americano Salman Khan, a fundação não fala em valores envolvidos.

Formação. Apesar de não ter uma política de compras de materiais didáticos digitais abertos, o Ministério da Educação [MEC] pretende realizar as formações continuadas de professores em plataformas com conteúdo e soluções com esse formato. Essas formações não-presenciais, voltada para o uso didático-pedagógico das Tecnologias da Informação e Comunicação [TIC], estão no âmbito do ProInfo Integrado do MEC.

O MEC estuda desde 2013 criar uma plataforma que reunisse todos os materiais já hoje disponíveis, mas até agora isso não saiu do papel. “A intenção é criar uma plataforma única, por meio da qual se teria acesso a todos os portais e conteúdos digitais”, informou a pasta em nota, ressaltando que já há iniciativas parecidas, como o Portal do Professor, o Banco Internacional de Objetos Educacionais e o Portal Domínio Público.

A parte de formação de professores é a mais desafiadora hoje no País, explica a pesquisadora Fernanda Rosa, do Centro de Estudos Brasileiros e Instituto de Estudos Latino Americanos da Universidade de Columbia [EUA]. “A abordagem ainda é tradicional e não responde à demanda, que é transformar a atividade dos professores em prol da melhoria de aprendizado. O foco ainda é no uso da ferramenta”.

Fernanda participou de estudo, divulgado no último dia 12, que mostra que a aprendizagem móvel ainda é incipiente no Brasil. Além da questão de conteúdo e formação, outro desafio é a infraestrutura: ter escolas com bom acesso à internet disponível aos alunos. “A infraestrutura é um grande desafio porque a governabilidade não está só na secretaria de Educação, depende de outras áreas.

Os números apurados pelo censo escolar de 2014 mostram que, do total de 188.673 escolas de educação básica, 115.445 [61%] possuem acesso à Internet e 95.454 [51%] possuem banda larga. Apesar disso, o estudo do grupo de Columbia revelou que apenas 7% dos alunos e 9% dos professores disseram usar a rede nas unidades de ensino.

Segundo o MEC, 53 mil escolas urbanas e 17 mil escolas rurais estão preparadas para utilizar internet sem fio. “Cabe aos gestores escolares direcionar o uso deste recurso”, informou a pasta.

Com 18 milhões de tablets, Brasil estaria pronto para os eBooks?


São Paulo – Há hoje no Brasil 18 milhões de tablets em funcionamento, segundo a FGV. Entre outras tarefas, os gadgets vêm sendo usados para a leitura de e-books. E as editoras brasileiras andam de olho nisso.

EXAME.com conversou sobre o assunto com Susanna Florissi. Na entrevista, a diretora da Câmara Brasileira do Livro falou sobre o cenário atual e as perspectivas do setor – que, pela quinta vez, será tema de um congresso do órgão, marcado para agosto.

Como sintoma da ligação cada vez maior entre os mundos da leitura e da tecnologia, o encontro será aberto por Jason Markosk, primeiro evangelista de tecnologia da Amazon. A seguir, leia alguns trechos do bate-papo.

EXAME.com – Que transformações a tecnologia vem promovendo no mundo da leitura?

Susanna Florissi – A leitura hoje deixou de ser linear. O leitor está lendo e acessa um link relacionado, compartilha um trecho com amigos em redes sociais, lê mais sobre o assunto na internet. Essa é a grande beleza do momento atual. É claro, os jovens não lêem como a gente lê – mas também consomem. E o nosso segmento precisa se adaptar a esta mudança.

EXAME.com – Quais e-readers têm se saído melhor no Brasil?

Susanna Florissi – Como estes gadgets ainda são mais consumidos entre as classes mais ricas, o iPad tem sido a escolha mais comum. Mas outras opções, como o Kindle e o Kobo, também chegaram com muita força. Acho também que é uma questão de geração. Quem é mais velho e quer algo dedicado à leitura, escolhe o Kindle. Já as novas gerações, para as quais outras funções são essenciais, vão optar pelo iPad.

EXAME.com – Qual o cenário do mercado de livros digitais hoje no Brasil?

Susanna Florissi – De acordo os números oficiais, e-books não chegam a representar 3% das vendas de livro hoje no Brasil. Porém, a tendência é que haja uma rápida evolução nesse cenário – com os livros didáticos puxando uma arrancada. Iniciativas do governo, como o PNLD [Plano Nacional do Livro Didático], já consideram este formato nas suas contas.

EXAME.com – Em que áreas é maior o consumo do livro digital?

Susanna Florissi – Hoje, a maior parte do consumo de e-books está mesmo concentrada em obras de literatura – geralmente comercializadas no formato Epub. Em outros nichos, como a literatura infantil, a adoção do livro digital tende a ser mais lenta. Isso porque a criança quer abraçar o livro, beijar, levar para o banheiro… É assim mesmo.

EXAME.com – Como as editoras têm feito para ganhar dinheiro com o livro digital?

Susanna Florissi – Na literatura, prevalece o download para gadgets como Kindle e iPad. Já na área de livros didáticos, a interatividade tem gerado novidades. Há muita coisa que é acessada na nuvem ou por meio de senha durante um ano, por exemplo. Formatos antigos, como CD-ROMs, praticamente não existem mais – até pelo fato de alguns aparelhos não terem como acessá-los.

EXAME.com – Já há experiências interessantes envolvendo livro digital no país?

Susanna Florissi – Em São Paulo, o Colégio Bandeirantes aboliu os livros entre os alunos do 6º ano e adotou o iPad. Como a instituição atende a classes com maior poder aquisitivo e já usava Apple TVs, isso foi possível. Mas acho que novas experiências do tipo podem surgir com outros gadgets em diversos colégios.

EXAME.com – Como estamos em comparação com outros países?

Susanna Florissi – Um levantamento mostrou que jovens entre 15 e 24 anos que usam a internet a mais de cinco anos representam 5% da população mundial. No Brasil, esse grupo corresponde a 10% do total. Estamos na frente de China e Índia e no mesmo patamar de países como Alemanha e Japão. Como na Europa o mercado é menor e os leitores são mais conservadores, devemos caminhar mais rapidamente.

EXAME.com – A resistência ao formato pode ser um obstáculo na popularização dos e-books no Brasil?

Susanna Florissi – Não, muito pelo contrário. Antes, se você morasse em Petrolina [PE], tinha de pedir ao livreiro [geralmente no Rio, em São Paulo ou em Recife] que lhe mandasse os livros. O Brasil é um país muito grande, propício a essa hábito de enviar coisas. Nisso, a internet só facilita. A internet vai permitir que este conteúdo chegue a mais pessoas.

EXAME.com – A chegada de grandes redes, como a Amazon e a Barnes and Nobles, é positiva para o mercado brasileiro de e-books?

Susanna Florissi – Somos a favor da livre-iniciativa sem concorrência predatória. Para nós, a popularização destes novos suportes é ótimo. Quando foram lançados, os pocket books representaram uma revolução nos EUA – pois tornaram a leitura mais barata. E o mesmo deve acontecer com e-books. Assim, quanto mais players, mais saudável o mercado.

EXAME.com – E qual deve ser o futuro dos e-books no Brasil?

Susanna Florissi – Acho que o mercado deve crescer – inclusive o impresso. O papel é ótimo para anotações e outras funções e, para mim, uma coisa puxa a outra. Cabe a autores e ilustradores estarem atentos a esta nova forma de fazer livro. O livro impresso não vai morrer, mas vai ter que conversar com outras mídias.

Exame | 15/06/2014

Curva de vendas de eBooks no Brasil cresce


Lá, em 2008, ano seguinte ao ingresso do Kindle no mercado, a venda de e-books representava 1,17% do total do mercado editorial no segmento “trade” [obras gerais, que não incluem didáticos, religiosos ou técnicos].

Em uma projeção para 2013 – dados oficiais devem ser divulgados em agosto, alguns dias antes da Bienal Internacional do Livro em São Paulo – os e-books devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro.

A projeção é da edição mais recente do Global E-book Report, relatório publicado periodicamente pela empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

O CEO do site especializado no mercado editorial Publish News, Carlo Carrenho, autor do capítulo do relatório que trata do Brasil, sinaliza na direção de um 2014 otimista para o mercado de livros digitais no País.

A estimativa é de que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%”, projeta Carrenho. “Google e Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo, com 5% e outros players menores, também com 5%.

Uma das explicações para essa divisão – não tão comum nos outros mercados, especialmente no americano e europeu – é a alta difusão de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses: de acordo com dados da IDC, 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones foram vendidos no Brasil em 2013.

A questão é que a Amazon vai começar, nos próximos meses, a vender livros físicos e outros bens materiais pelo site. Desde fevereiro de 2014, a empresa utiliza um esquema de logística próprio para importar os Kindles. Agora, já com contratos assinados com as principais editoras do País, a operação física da Amazon deve preocupar especialmente as livrarias mais tradicionais, de acordo com Carrenho.

As vendas de livros físicos devem ajudar muito a venda de livros digitais da Amazon, mas também deve causar problemas para as livrarias tradicionais”, afirma.

Outro fator que deve jogar os números de vendas de livros digitais para cima nos próximos meses é a previsão de aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das propostas é incluir “equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital” na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos.

Se essa modificação for aprovada, o preço dos leitores digitais [E-readers] deve cair vertiginosamente, porque os impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do valor total, de acordo com o relatório da RW. Outro bom sinal para o mercado.

O Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2015, que prevê a aquisição de mais de 80 milhões de livros, também incluiu obras digitais na sua seleção.

Conforme o relatório da RW, essa e outras compras do governo somam mais de 25% da receita dos editores. Sem dúvida, uma boa previsão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Portal No Ar | 22/04/14

Governo impulsiona livro digital


A inclusão de conteúdo multimídia no Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para o ensino médio de escolas públicas a partir de 2015 vai impulsionar o mercado de livros digitais, na avaliação de editoras.

A medida do governo federal será indutora [da difusão desse material]“, afirma Antonio Luiz Rios, CEO da editora FTD.

Um departamento de produção digital foi criado pela empresa e, no início deste ano, a editora lançou um canal de e-commerce exclusivo para a venda de livros didáticos multimídia ao mercado.

A receita ainda é ‘traço’ quando a gente compara com as vendas do segmento tradicional. Mas o movimento vai começar de forma intensa com a aquisição do governo.

A companhia inscreveu no programa federal 106 livros com conteúdo digital – 53 títulos voltados para alunos e o mesmo núme0ro destinado aos professores.

No ano passado, dos R$ 421 milhões que a FTD faturou com material educacional, 50% foram provenientes das vendas para a União.

No processo de compra do material para 2015, o prazo para que as editoras cadastrem suas obras terminará em 21 de junho, segundo o Ministério da Educação [MEC].

O material será selecionado no segundo semestre por uma comissão de docentes e, após essa etapa, um guia será encaminhado às escolas, que farão a escolha.

Depois dessa definição, cabe ao MEC a compra e a distribuição dos livros pelo país.

COLUNA MERCADO AERTO | Publicado originalmente em Folha de s.Paulo | 22/04/2014, às 03h00

Crescimento na venda de eBooks no Brasil deve continuar, diz especialista


Livros digitais devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro

A curva de crescimento das vendas de e-books no Brasil, no primeiro ano de atuação dos grandes players internacionais [Amazon, Apple, Google, Kobo], é maior do que a curva de crescimento no mercado dos Estados Unidos na mesma situação.

Brasil teve alta difusão de tablets e smartphones nos últimos meses | Márcio Fernandes/Estadão

Brasil teve alta difusão de tablets e smartphones nos últimos meses | Márcio Fernandes/Estadão

Lá, em 2008, ano seguinte ao ingresso do Kindle no mercado, a venda de e-books representava 1,17% do total do mercado editorial no segmento “trade” [obras gerais, que não incluem didáticos, religiosos ou técnicos].

Em uma projeção para 2013 – dados oficiais devem ser divulgados em agosto, alguns dias antes da Bienal Internacional do Livro em São Paulo – os e-books devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro.

A projeção é da edição mais recente do Global E-book Report, relatório publicado periodicamente pela empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

O CEO do site especializado no mercado editorial Publish News, Carlo Carrenho, autor do capítulo do relatório que trata do Brasil, sinaliza na direção de um 2014 otimista para o mercado de livros digitais no País.

“A estimativa é de que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%”, projeta Carrenho. “Google e Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo, com 5% e outros players menores, também com 5%.”

Uma das explicações para essa divisão – não tão comum nos outros mercados, especialmente no americano e europeu – é a alta difusão de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses: de acordo com dados da IDC, 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones foram vendidos no Brasil em 2013.

A questão é que a Amazon vai começar, nos próximos meses, a vender livros físicos e outros bens materiais pelo site. Desde fevereiro de 2014, a empresa utiliza um esquema de logística próprio para importar os Kindles. Agora, já com contratos assinados com as principais editoras do País, a operação física da Amazon deve preocupar especialmente as livrarias mais tradicionais, de acordo com Carrenho.

“As vendas de livros físicos devem ajudar muito a venda de livros digitais da Amazon, mas também deve causar problemas para as livrarias tradicionais”, afirma.

Outro fator que deve jogar os números de vendas de livros digitais para cima nos próximos meses é a previsão de aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das propostas é incluir “equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital” na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos.

Se essa modificação for aprovada, o preço dos leitores digitais [E-readers] deve cair vertiginosamente, porque os impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do valor total, de acordo com o relatório da RW. Outro bom sinal para o mercado.

O Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2015, que prevê a aquisição de mais de 80 milhões de livros, também incluiu obras digitais na sua seleção. Conforme o relatório da RW, essa e outras compras do governo somam mais de 25% da receita dos editores. Sem dúvida, uma boa previsão.

Por Guilherme Sobota | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 21 de abril de 2014 | 21h 17

Workshop | Modelos de negócios bem-sucedidos do Livro Digital no Brasil


Quarta-feira, 7/5, das 10h às 13h.

Escola do LivroComo obter rentabilidade com livros digitais? Inovação no mercado e criatividade com êxito; é este o foco do segundo encontro da nova série da Escola do Livro, Convergência em Pauta. Desta vez, serão 180 minutos de inspiração e muita informação sobre modelos de negócio de livros digitais que já mostram resultados. Oworkshop tem um caráter informal e os convidados Fernando Fonseca [FTD] e Alexandre Santana [Editora Melhoramentos], com mediação de Susanna Florissi [CBL e Hub Editorial], nos contarão como trabalham para vencer este desafio nos segmentos de livros didáticos [PNLD] e livros infantojuvenis. Os participantes serão recebidos com um welcome-coffee. Você ainda pode garantir uma das poucas vagas disponíveis. O workshop acontecerá na sede da Câmara Brasileira do Livro, R. Cristiano Viana, 91 – Pinheiros – São Paulo/SP. Investimento: Associados CBL – R$ 190,00; associados de entidades congêneres, professores e estudantes – R$300,00; Não associados – R$ 380,00. Consulte-nos sobre parcelamento no cartão de crédito. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

Amazon e MEC: um divisor de águas?


Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 19/03/2014

Para quem, como eu, esperava que a grande novidade desse início de ano fosse o edital do PNLD 2016, o acordo MEC-Amazon para a distribuição de livros didáticos digitais caiu como uma bomba – daquelas bem indigestas.

Segundo nota divulgada esta semana pela própria Amazon, o acordo envolve “conversão digital e distribuição de mais de 200 livros didáticos em tablets” e “tecnologia da Amazon para gerenciar e distribuir esse catálogo de livros para professores do ensino médio de escolas públicas”. Os professores terão acesso ao material por meio de aplicativos Kindle instalados nos cerca de 600 mil tablets Android comprados pelo governo.

Pelo teor do notícia, esse primeiro convênio parece dizer respeito aos PDFs do PNLEM 2012, já negociados com as editoras. Mas as intenções da gigante norte-americana são bem mais amplas, a julgar pela declaração de Alex Szapiro, diretor geral da empresa no Brasil: “Esperamos trabalhar com o FNDE para alcançar alunos e professores em todas as séries, com o objetivo de contribuir para a melhoria da educação no país”.

O acordo acontece no âmbito de um edital de convocação publicado em outubro de 2012, que pedia “a estruturação e operação de serviço virtual para disponibilização de obras digitais e outros conteúdos educacionais digitais para professores, estudantes e outros usuários da rede pública de ensino brasileira, com ênfase nos títulos do PNLD, do PNBE e de outras ações governamentais na área de material escolar, por meio de tecnologia que assegure o atendimento em escala nacional e proteja os direitos autorais digitais e a propriedade intelectual dos acervos”. Segundo o documento, podem ser firmadas “parcerias com diferentes instituições simultaneamente ou alternadamente”, o que na prática quer dizer que outras interessadas, como Saraiva e Adobe, ainda podem estar no páreo.

O lado ruim da história

Com simultaneidade ou não, há muitos aspectos negativos para as editoras didáticas – a começar pelo fato de que elas tiveram a chance de construir uma alternativa coletiva para essa plataforma e não o fizeram. O projeto simplesmente não foi para a frente na Abrelivros em 2012/13.

Assim perdeu-se a chance de ganhar um aprendizado importante – e, sobretudo, de ter acesso direto ao próprio consumidor. Afinal, controlar a plataforma significa se relacionar com o público escolar: ter acesso a essa base de dados, saber como os livros estão sendo usados [trechos comentados, palavras consultadas, o ponto em que as pessoas deixam de ler] etc. É a chamada “big data”, tendência essencial hoje em tecnologia.

E agora uma das empresas que pode ter acesso a essas informações é a Amazon, concorrente em potencial das editoras. Lá fora, uma das apostas da empresa tem sido a autopublicação e até a edição direta de autores – em outras palavras, eles podem usar a experiência adquirida para 1] incentivar os professores a criar os próprios materiais [até aí, tudo bem] e 2] passar a criar e editar livros didáticos diretamente [alguém duvida?].

Tudo isso com tecnologia proprietária, o que quer dizer que os materiais produzidos e distribuídos talvez possam ser lidos apenas em aplicativos e plataformas da Amazon [que, é claro, rodam em qualquer dispositivo] –uma derrota também para os grupos de recursos educacionais abertos.

O imbróglio me trouxe à mente a última coluna de 2013, onde citei um artigo de Joe Wikert que vaticinava a “morte por irrelevância” das editoras. Segundo ele, “não é a Amazon que as está matando, e sim elas mesmas. Os editores […] estão se tornando menos relevantes a cada ano”.

Outra derrota para as editoras está no fato de que este é o segundo anúncio de conteúdo embarcado pelo MEC em tablets para professores no Brasil – e o segundo estrangeiro. Primeiro foram os vídeos de Khan Academy; agora, o aplicativo de leitura digital da Amazon. Corre à boca pequena, inclusive, que as editoras seriam tidas, entre as pessoas do ministério, como empresas que não entendem muito de digital.

Existe um lado bom

Feitas as devidas ressalvas, também é possível enxergar aspectos positivos no uso do app Kindle por professores de escolas públicas. Afinal, a Amazon possui talvez o maior [e melhor?] ecossistema de livros digitais do mundo; o simples fato desses docentes terem acesso a ele constituiria não só um processo de inclusão digital, mas também de incentivo à leitura.

E não é só na teoria: uma pesquisa da ONG inglesa QuickReads acaba de mostrar que leitores adultos tendem a ler mais se usam um e-reader. 48% dizem que a tecnologia os faz ler mais; mais de 40% citam a capacidade de consultar palavras no dicionário e de mudar o tamanho e aparência do texto como vantagens do digital. Por fim, 62% afirmam que o acesso a livros digitais gratuitos os faz ler títulos que normalmente não leriam.

Do ponto de vista das editoras, isso pode se traduzir em mais leitura [e vendas] de seus livros como um todo. Os professores podem se interessar por obras recomendadas nos livros didáticos, assim como por outros títulos disponíveis nas lojas digitais – e acessar tudo isso com um clique.
Da noite para o dia, um mercado de 600 mil leitores em potencial pode surgir – número nada desprezível na realidade brasileira, em que os e-readers ainda não chegam às centenas de milhares, e os tablets, já na casa dos milhões, são mais usados para acessar outros tipos de conteúdos.

Um divisor de águas

Não dá para saber ainda como vai ser o relacionamento MEC-Amazon. Segundo dito na CBN por Cristina de Luca, esse acordo ainda é um piloto – e, como todo piloto, pode ser que não funcione bem. Ao contrário da Amazon, as editoras sabem bem as dificuldades de levar esse tipo de recurso às escolas brasileiras [públicas ou particulares]. Pode ser também que outras alternativas surjam, ou até que o governo e a política mudem.

A única certeza é que esse é um acordo com potencial para ser um divisor de águas no mercado editorial brasileiro – para o bem e para o mal.

E você, o que acha?

Até a próxima,@gabidias
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Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 19/03/2014

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e atua desde 1996 na fronteira entre o impresso e o digital. Já fez multimídia, livro e site, mas hoje trabalha com tudo isso [e mais um pouco] na editora Moderna. Vive ainda em outras fronteiras: entre Rio e São Paulo, entre Higienópolis e Santa Cecília. É Flamengo, mas não tem uma nega chamada Teresa.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo, por dentro e por fora. Mensalmente, ela vai trazer novidades e indagações sobre o setor editorial didático e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

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Acordos para o PNLD 2016


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 07/03/2014

Depois de enormes investimentos digitais de editoras educativas para o PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] 2015, muitas pessoas da comunidade de e-books ficaram surpresas com a diretriz do MEC de voltar aos PDFs para as versões estudantis [o tema foi tratado em reportagem no PublishNews]. [As versões dos professores serão totalmente digitais, mas falaremos disso mais adiante]. Pessoalmente, não fiquei muito surpreso. Acredito que o MEC tomou um gole do coquetel de frutas de padrões que descrevi no meupost de novembro e talvez teve uma reação alérgica.

Na ausência de um único padrão para livros didáticos interativos para o PNLD 2015, as editoras ficaram livres para gerar soluções. O que vimos foi uma variedade de formatos de fazer inveja a um bar de sucos no Rio. Algumas poucas plataformas proprietárias estavam replicando a experiência de um PDF, mas com nomes de arquivos diferentes e proteção anticópia especial. Outras simplesmente mostravam cada “página” do livro como uma imagem [quer dizer, a captura do texto era impossível]. Algumas soluções foram implementadas como apps totalmente personalizadas.

Mas vamos parar para pensar como os e-books interativos seriam realmente usados. Um estudante aprendendo português precisa aprender como navegar por uma app personalizada enquanto um estudante praticando inglês precisa folhear uma “revista digital”? Ou um estudante de química precisa sincronizar suas experiências com a nuvem enquanto o estudante de física precisa inserir um DVD-Rom e instalar o mais recente plug-in de Java para que a app dela funcione? A ideia de suportar tantas soluções diferentes de tantas editoras faz com que minha cabeça gire e olha que adoro tecnologia. Imagine como se sentiria um estudante usando uma tablet pela primeira vez. Não é à toa que o MEC em 2016 parece preferir os PDFs – um padrão de arquivo desde 1993 que quase todo mundo conhece.

A grande vantagem do PDF? É um formato de arquivo usado para representar documentos impressos de uma maneira independente do software, hardware e sistema operacional. A interatividade está limitada a links básicos e navegação, mas qualquer computador com a versão mais recente do Adobe Acrobat pode abrir.

Então, qual é o problema? Não deveríamos ficar feliz com o PDF e tudo bem?

Bom, eu argumentaria que 20 anos depois do PDF, temos outros padrões – tão portáteis e compatíveis quanto o PDF – só que bem mais flexíveis e interativos. Padrões como HTML5 [e seus amigos JavaScript e CSS3]. Padrões abertos que não exigem uma licença nem um grau especial de programação para dominar. Padrões que rodam em qualquer aparelho, e sistema operacional, e não exigem nenhum aplicativo ou mesmo plug-ins [só um simples browser] para funcionar. Padrões que podem ser deixados abertos para que o mundo edite [usando um editor de texto] ou embrulhado em ePub3 para entrega segura em plataformas de leitura ou até embrulhados em uma estrutura básica para lojas de app.

Então, o que fazer?

Para as versões estudantis se precisamos voltar ao básico e aceitar o PDF, que seja. Para as versões dos professores, vamos escolher um padrão aberto moderno que facilite a educação. De qualquer forma, precisamos chegar a um acordo.

Editoras do PNLD, como vocês querem produzir para o edital de 2016? Vão com uma plataforma aberta ou licenciar uma comercial? Vocês veem os padrões abertos como uma forma de facilitar seu trabalho ou sentem que precisam continuar proprietários para se diferenciar? Quero ouvir suas opiniões: greg@hondana.com.br

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 07/03/2014

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Mochila digital


MEC aplicou R$ 67 milhões em ferramentas digitais complementares aos livros impressos

Há 60 anos, a novidade nas listas de material escolar era a caneta tinteiro. Nos anos 50, apareceram as esferográficas e já não era preciso enfrentar derrames desastrosos de tinta. Agora, a novidade é mais clean e mais cara: os tablets. Para 2014, o MEC aplicou R$ 67 milhões em ferramentas digitais complementares aos livros impressos. Essa quantia corresponde a 6% do total de R$ 1,1 bilhão gasto por meio do PNLD em material dos ciclos Fundamental e Médio. O edital de compra para 2015 já prevê a aquisição de livros digitais e obras multimídia, com vídeos, animações, mapas interativos e outros recursos associados aos textos escritos. Em 2013, também foram repassados R$ 140 milhões para as redes estaduais para a compra de 460 mil tablets para professores do Ensino Médio.

Por Celso Ming – Colaborou Danielle Villela | O Estado de S. Paulo | 01/02/2014

Ministério da Educação prefere eBooks em PDF


Nas redes sociais, a escolha do formato PDF para livros dos alunos foi considerado um retrocesso

Em Brasília, ontem foi dia de discussões sobre o livro didático para o ensino fundamental/anos iniciais. Em audiência pública realizada pelo FNDE, foram estabelecidos os critérios e as inovações para o processo de inscrição e avaliação de obras dentro do Programa Nacional do Livro Didático – PNLD 2016 nas áreas de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências e Arte. A escolha do formato PDF para os livros dos alunos causou certa celeuma na turma dos livros digitais. No grupo Amigos dos editores digitais no Facebook, por exemplo, houve uma ampla discussão sobre o tema. Muitos consideraram um retrocesso. No entanto, para a colunista do PublishNews, Gabriela Dias, a audiência pública pode ser considerada um avanço e que a universalidade do PDF faz algum sentido dentro do PNLD. “Eu entendo que as pessoas ficaram assustadas, mas há de se relativizar. O fato de o governo ter estipulado uma configuração mínima já pode ser considerado um avanço e o PDF, apesar de não ser o formato mais avançado, é o mais universal e portátil”, pondera.

O livro digital em formato mais flexível ficou somente para o manual dos professores. “Isso também faz sentido já que estamos falando de alunos da faixa etária de 6 a 10 anos e há dúvidas pedagógicas se é positivo ou não entregar um tablet nas mãos de crianças dessa idade”, comenta Gabriela. A especialista observa ainda que há outro avanço no PNLD 2016. Antes, era exigida a paridade entre livro digital e o impresso, ou seja, nos dois formatos, os títulos deveriam ter o mesmo conteúdo, formato e até paginação e isso foi abolido. O resumo da audiência pública pode ser baixado clicando no link Sumário Executivo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 22/01/2014

Direto da EDUPUB


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/11/2013

Tive o prazer de ser convidado ao EDUPUB, uma conferência global que aconteceu na semana passada em Boston para debater o futuro do conteúdo acadêmico. Com 100 outros participantes, discuti como as editoras brasileiras estão lidando com o coquetel de frutas para programas como o PNLD. Enquanto isso, empresas de tecnologia incluindo Google e Adobe deram suas visões sobre convergência digital. Aqui está o resultado da conferência:

Guerra de browsers, redux. Hoje, com o ePub3, as editoras estão sofrendo uma “guerra de browsers” de novo. Dependendo do aparelho, sistema operacional e versão, arquivos com layout fixo e e-books interativos podem aparecer diferentes. Até agora, o ePub3 tem sido um anti-padrão, onde cada aparelho leitor ou app leitora exige um arquivo um pouco diferente.

ePub3 para educação. Enquanto incontáveis startups educativas e grandes editoras ao redor do mundo introduziram padrões proprietários, havia um consenso geral de que o ePub3 deveria ser o padrão a ser usado. Ao mesmo tempo, a conferência concordou que o padrão ePub3 precisa de algumas grandes melhorias para alcançar seus objetivos educativos.

Matemática Complexa é complexa. Até com a existência de MathML como um meio para expressar equações complexas, o Google aparentemente desistiu de dar suporte total ao padrão, deixando pouco claro qual seria o futuro digital da Matemática. Na realidade, as editoras técnicas como O’Reilly desenvolveram uma estranha mistura alternativa de modo que, no pior dos casos, uma imagem de grade da equação aparece no lugar de um vetor gráfico.

Os Apps de e-book estão mortos. Todos concordam que apps de e-books personalizados estão se extinguindo rapidamente. Toda a funcionalidade que uma editora quer programar: objetos de aprendizado avançado, comunicação de duas vias e avaliação de estudantes agora foram acrescentadas ao padrão ePub3. Além do mais, alguns participantes estão desenvolvendo widgets abertos (open-source) assim os e-books interativos podem, em pouco tempo, se tornar um caso de drag-and-drop. Isso poderia permitir às editoras que foquem seus esforços (e orçamentos) na pedagogia do conteúdo em vez de passar meses programando apps personalizados.

Foco no Autor. Anteriormente, a Inkling e outras startups focadas em educação tinham modelos de negócio limitadores com compartilhamento de renda e forte controle sobre a distribuição final. No entanto, parece que a nova tendência de e-books gerais são como um suco de laranja, enquanto que os e-books educativos são como um coquetel de frutas.

Quando falamos de e-books gerais, há essencialmente um sabor: ePub2, perfeito para Harry Potter, ‘50 tons de cinza’ e ‘7 Hábitos’.

No entanto, até agora, o mundo editorial educativo está longe de convergir em um único padrão – cada contribuinte parece estar acrescentando sua própria fruta exótica em um coquetel pouco apetitoso. Sabores incompatíveis como Custom Apps, HTML5, Adobe DPS, Epub3, PDF, iBooks Author, Flash, estão sendo jogados na batedeira.

A direção agora é desenvolver ferramentas de autoria robustas para e-books educacionais – que fornecem uma alternativa, fácil de acessar, à oferta padrão do Adobe Creative Cloud. Estas ferramentas permitirão que a indústria cresça com muito mais rapidez e chegue a um acordo sobre a fruta certa para a educação.

Quer saber mais sobre a conferência EDUPUB e tendências entre livros educativos? Escreva para mim: greg@hondana.com.br

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/11/2013

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

PNLD e Bienal: realidades digitais bem distintas


Por Gabriela Dias | Publicado e clipado originalmente de PublishNews | 28/08/2013

O fim de agosto está contrapondo, sem querer, realidades digitais bem distintas. No último dia 23, acabou o prazo de entrega dos e-books do PNLD 2015 [Programa Nacional do Livro Didático]; no dia 29, começa a 16ª Bienal do Livro, que em 2013 comemora 30 anos quase sem falar de livro digital.

Com o PNLD 2015, o segmento didático parece ter dado um salto à frente do resto do mercado no que tange à cultura digital. Instigadas pelo MEC a entregar livros digitais enriquecidos, as editoras didáticas tiveram que aprender [ainda que aos trancos e barrancos] o que significa fazer um e-book – que não basta produzir no formato X ou Y, por exemplo; que há que se considerar também o peso dos arquivos, a[s] forma[s] como eles serão distribuídos e a[s] plataforma[s] de leitura nos diversos dispositivos.

Tudo isso significou um primeiro semestre muito duro para essas editoras: horas extras, incontáveis reuniões, muito investimento e experimentação. O trabalho foi tão intenso que tanto o prazo de entrega dos livros físicos quanto o dos digitais teve que ser adiado – o que, na prática, quer dizer que o segundo semestre será tão ou mais puxado que o anterior.

Mas será que valeu a pena?

Depois da tempestade, vem a bonança

Passada a tempestade de oito meses de incertezas e dúvidas, minha impressão é que esse “intensivão” teve saldo positivo. O período de reorganização de fluxos e processos não só agregou o digital de vez às estruturas produtivas das editoras didáticas, como também fez dele moeda corrente entre os funcionários em geral.

Se até 2012 o digital ainda era visto como “aquela coisa estranha que um departamento específico faz”, em 2013 ele passou a ser assunto de todos e para todos. Essa mudança de mentalidade se refletiu no organograma de algumas editoras, em que o departamento digital deixou de ser algo à parte para ser incorporado às estruturas editorais já existentes.

Pudemos sentir isso na primeira turma do curso Alt+Tab, em maio. Pensado para profissionais de qualquer setor editorial, o curso “Livro Digital: o que você sempre quis saber [mas tinha medo de perguntar]” acabou atraindo 80% de pessoas oriundas de editoras didáticas em sua edição inicial. A ansiedade era grande, e a avidez por informação também – o que se refletiu no engajamento da turma no ambiente online do curso, mesmo após as aulas terminarem.

A mudança é tão forte que até os autores de livros educativos estão começando a se preparar para a nova era. Sua associação, a Abrale, começa este mês uma série de eventos destinados ao debate sobre o livro digital.

Por enquanto, a transformação é mais intensa nas equipes ligadas à criação e à produção dos livros. Mas é questão de tempo para que a mudança se intensifique em áreas como marketing e vendas – basta chegar a hora apropriada, seguindo-se o calendário do PNLD.

Os números [não] mentem

O avanço digital do segmento didático não se refletiu ainda nos números de vendas. Na pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro” referente a 2012, divulgada em julho pela Câmara Brasileira do Livro [CBL] e Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL], o setor aparece como o último do mercado em número de e-books e aplicativos vendidos e o penúltimo em faturamento com conteúdo digital.

Mas como interpretar esses dados quando a prática do setor tem sido “dar” o digital como acessório na compra do livro impresso? E como medir a penetração do conteúdo didático digital sem considerar o uso nos sistemas de ensino, cuja venda não se baseia apenas em e-books e apps?

É por essas e outras que, quando me perguntam dos números digitais do setor, sempre digo que não há estatísticas confiáveis. Na verdade, se não nos prepararmos para fazer essa medição de modo apropriado aos novos modelos de negócio trazidos pelo digital, pode ser que continuemos tendo números irrelevantes por um tempo – o que renderia uma coluna à parte.

Enquanto isso, na Bienal…

Apenas seis dias separam a entrega dos e-books do PNLD da Bienal no Rio, mas parecem anos de distância. Só como exercício, tentem buscar a palavra “e-book” no site oficial da feira e vejam o que acontece.

Após muito esforço, consegui descobrir que o evento reservou o digital para públicos como o jovem [no#acampamentonabienal] e o profissional [com a Contec e o colóquio “O acesso à biblioteca no clique do mouse: a Mediateca Digital”]. O mesmo ocorreu na Flip em julho, quando o digital só apareceu em eventos paralelos como os da Casa Kobo Livraria Cultura.

Pelo visto, as iniciativas digitais na Bienal 2013 ficarão por conta dos expositores – Kobo [no pavilhão Azul], Amazon e Google [ambas no pavilhão Verde] terão estandes pela primeira vez. Detalhe: o IBA, plataforma digital da Abril, é patrocinador do Café Literário.

Considerando que o evento é o ponto alto do ano para os setores de obras gerais; religiosas; e científicas, técnicas ou profissionais, e que há apostas de que as vendas de e-books no Brasil cheguem a 3 milhões de unidades já em 2013, será que ainda deveria ser assim?

Por Gabriela Dias | Publicado e clipado originalmente de PublishNews | 28/08/2013

Gabriela Dias

Gabriela Dias

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e transita desde 1996 entre o papel e o virtual. Atualmente, presta consultoria e realiza projetos nas áreas de educação e edição digital.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo. Periodicamente, ela traz novidades e indagações sobre o setor editorial didático – e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

Mercado editorial vai conciliar livros digitais e em papel


Kobo

Kobo

Não é mais uma questão de vida ou morte do livro. Ou se o livro digital irá substituir o impresso. Para editores, os dois formatos podem – e devem – ter uma convivência pacífica.

A discussão do fim do livro está ultrapassada. Os dois mercados – de impressos e ebooks – estão crescendo no Brasil. O mais importante é que o editor ofereça o conteúdo onde quer que o leitor queira ter, comprar e ler. Uma coisa complementa a outra”, afirma Camila Cabete, da Kobo Brasil. “A coexistência é uma realidade. Acho besteira criarmos esta rivalidade”, acrescenta. Comprada em 2012 pelo terceiro maior comercio eletrônico do mundo, a Rakuten, os e-readers [leitores de livros digitais] Kobo chegaram ao Brasil em novembro do ano passado. “Temos um acervo, no mundo, de mais de 3,5 milhões de ebooks e mais de 10 milhões de usuários ativos em nossa plataforma”, conta Camila.

Para Gabriela Dias, editora, consultora digital e curadora da Alt+Tab, iniciativa dos Amigos dos Editores Digitais [AED], grupo que promove cursos e palestras sobre mercado editorial digital, a proporção dessa convivência entre os dois formatos é que deve variar, dependendo do tipo do livro [didático, ficção, não-ficção, profissional ou técnico]. “Não existe uma fórmula única. Cada livro tem uma função diferente e pode ser menos ou mais propício a ser lido ou consumido em um ambiente digital”, pondera. “Quando as pessoas falam de livro digital, geralmente pensam em gêneros como ficção e literatura. Mas existem vários tipos de livros que já migraram para o formato digital e deixaram de fazer sentido no papel”, observa Gabriela.

Para ela, a tendência é que nos próximos anos a transição do livro impresso para digital no Brasil seja mais intensa, com uma maior presença do formato digital na educação. “Esse ano, o edital do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] referente ao ano letivo de 2015 solicitou que as editoras entregassem os livros em formato de ebook. Com isso, se essa tendência continuar, entre 2015 e 2017 toda a educação básica estaria com o livro digital”, diz. “Essa é uma informação relevante, principalmente no Brasil, o segmento [de livros didáticos] é, de longe, o maior do mercado, respondendo por 51% do faturamento e por 56% dos exemplares vendidos no país”, observa.”Talvez até, o livro digital seja um caminho para superar nosso déficit de leitura”, vislumbra.

O digital não é um substituto, é outra mídia. Para algumas aplicações, vai roubar do papel, porque é muito mais eficiente – livros jurídicos, de medicina, guias de viagem e qualquer outro produto grosso, custoso e rapidamente desatualizável”, afirma Julio Silveira, editor e diretor da Ímã Editorial. “Já existe uma cadeia produtiva e um mercado do livro eletrônico, mas eles ainda estão calcados no papel. Ainda se acha que livro é coisa de editora, então são as editoras tradicionais que estão se adaptando para o digital”, explica.

Silveira lembra que a derrocada das gravadoras virou um alerta para as editoras. “Assim como as gravadoras insistiam em vender discos [e não música], as editoras sabem que não podem oferecer só livros, quando o público quer o texto”, afirma.

Publicado originalmente e clipado à partir de IG | 03/07/13

Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] 2015 incluirá conteúdo digital


FNDE convoca instituições para discutir inovações tecnológicas

O Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] 2015 incluirá conteúdo digital, e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, FNDE, convocou uma audiência pública para discutir as inovações do PNLD 2015, “considerando as possibilidades de transformação inerentes às novas tecnologias digitais no mercado de livros e a necessidade de integração curricular nas diversas áreas do conhecimento do ensino médio”. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação convocou na última quarta-feira instituições nacionais e internacionais para formar parcerias “para a estruturação e a operação de serviço virtual, para disponibilização de obras digitais e outros conteúdos educacionais digitais para professores, estudantes e outros usuários da rede pública de ensino brasileira, com ênfase nos títulos do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD], do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE] e de outras ações governamentais na área de material escolar, por meio de tecnologia que assegure o atendimento em escala nacional e proteja aos direitos autorais digitais e a propriedade intelectual dos acervos”. Para ver, clique aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 07/12/2012

FNDE busca parcerias para disponibilização de obras digitais


ASCOM-FNDE [Brasília] | Empresas interessadas em estruturar e operar serviço virtual, público e gratuito, para disponibilização, por meio da internet, de conteúdos digitais do Ministério da Educação [MEC] podem enviar propostas para firmar parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE]. As propostas podem ser entregues de hoje até o dia 15 de outubro de 2013 à Coordenação Geral dos Programas do Livro [CGPLI/FNDE, Setor Bancário Sul, Quadra 2, Bloco F, Brasília, DF, CEP 70.070-929].

O objetivo é constituir acordos de cooperação, sem ônus para o FNDE, para distribuição remota de obras digitais voltadas para professores, alunos e outros agentes da rede pública de ensino – universo estimado em até 50 milhões de usuários. Devem ser disponibilizados títulos do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD], do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE] e de outras iniciativas do MEC. Cada lote de obras digitais será disponibilizada para públicos específicos, com regras para controle de acesso e garantia aos direitos autorais e à propriedade intelectual dos acervos.

Veja o edital de convocação para a formação de parcerias tecnológicas

FNDE | 17/10/2012

Pé atrás com Digital


Editoras que tiveram livros comprados pelo governo no último edital do Plano Nacional Biblioteca da Escola [PNBE] foram recentemente convidadas a participar do Plano Nacional do Livro Didático [PNLD] Alfabetização na Idade Certa. Foram selecionados para uso em sala de aula 75 dos mais de 250 títulos adquiridos para bibliotecas.

Mas um detalhe incomodou editores: a exigência da cessão de uma cópia em PDF de cada obra adquirida. Para o sindicato de editores, a compra de livros impressos não pressupõe o uso do conteúdo em formato digital.

O MEC diz que o uso é só para projeção em sala de aula e que ninguém é obrigado a participar, embora editoras de mais de 60% dos títulos já tenham dado seu aval.

Folha de S.Paulo | 6 de outubro de 2012

Abrelivros estuda edital do Programa


Entidade, editoras e outras associações se reúnem com FNDE para discutir a inclusão de conteúdo digital

A Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares [Abrelivros] e seus associados estão analisando o edital do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2014, com praticamente todos os olhos voltados à forma como a inclusão de conteúdo digital foi determinada no documento.

Segundo Beatriz Grellet, gerente executiva da entidade, “as editoras estão lendo o edital e tentando assimilar as informações” com o objetivo de se preparar para uma reunião que ocorrerá na próxima quinta-feira, 17, com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE]. O encontro terá a participação de editoras e outras associações do setor.

Um dos pontos que potencialmente preocupa as editoras é a exigência de disponibilizar gratuitamente o material digital na internet. “Entendemos que oferecer conteúdo digital é muito importante, mas também nos preocupamos com a questão dos direitos autorais e da segurança”, afirma Beatriz. “De qualquer forma, seria prematuro nos pronunciarmos agora”, completa.

A gerente confirma que houve uma série de conversas sobre o tema com o FNDE ao longo do ano, embora o objetivo não tenha sido “construir algo juntos”, segundo ela.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 10/11/2011

PNLD inclui conteúdo digital pela primeira vez


O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE] lançou o edital para a aquisição de livros didáticos dentro do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2014, que engloba obras para os estudantes do sexto ao nono ano do ensino fundamental e traz novidades.

É a primeira vez que o documento engloba conteúdo digital e, para tanto, institui regras também inéditas. De acordo com o edital, as editoras terão a opção de incluir DVD-ROMs nas obras inscritas e, caso optem por fazê-lo, serão obrigadas a disponibilizar o conteúdo do DVD no portal do Ministério da Educação e Cultura [MEC], de forma gratuita e universal.

A inclusão do DVD é entendida pelo FNDE como o primeiro passo no processo de oferecer material digital aos estudantes da rede pública de ensino do país. Segundo Rafael Torino, diretor de ações educacionais da autarquia ligada ao MEC, os editais do PNLD dos próximos anos deverão englobar continuamente diferentes formatos e exigências relacionados a conteúdos digitais.

O edital, publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira, dia 07, engloba livros didáticos de língua portuguesa, matemática, ciências, geografia, história e língua estrangeira moderna [inglês ou espanhol]. O período de pré-inscrição das obras estará aberto entre os dias 09 de dezembro e 01 de maio de 2012. De 7 a 11 de maio do ano que vem, as editoras deverão enviar as cópias físicas dos livros. Depois disso, as obras serão avaliadas até março de 2013. Um mês mais tarde, em abril, será lançado o Guia do Livro Didático 2014, por meio do qual as escolas selecionarão os livros que querem adotar. Os contratos de aquisição serão fechados com as editoras em setembro de 2013, após as negociações, e elas terão até janeiro para fornecer todas as remessas contratadas.

A inclusão dos DVDs nas obras do PNLD 2014 é opcional, mas deve gerar um diferencial competitivo para as editoras que os oferecerem. “Claro que os livros com conteúdo digital associado poderão fazer mais sucesso entre os professores e, provavelmente, serão mais escolhidos no guia”, afirma Torino.

Segundo ele, o FNDE estendeu o período de pré-inscrição, tradicionalmente de quatro meses, para seis meses, de forma que as editoras tenham mais tempo para preparar o novo tipo de material.

Os DVDs poderão conter de 10 a 20 conteúdos digitais [temas de ensino] e, cada um deles, poderá ter até cinco objetos digitais [jogos, vídeos, simuladores, animações etc], relativos aos textos dos livros físicos. O conteúdo dos DVDs deverá ser colocado na internet com acesso gratuito e livre a quaisquer pessoas, não apenas aos alunos e professores que utilizam o material em sala de aula. “Vamos pagar pelos livros e pelos DVDs e a disponibilização do conteúdo digital no portal do MEC será uma exigência”, diz Torino.

Segundo ele, as regras foram decididas pelo FNDE depois de diversas conversas com editoras e associações representativas do setor, como a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares [Abrelivros] e a Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos [Abrale], ao longo do primeiro semestre deste ano.

Veja o posicionamento da Abrelivros

O plano do FNDE é sofisticar as possibilidades de aquisição de material digital e as exigências feitas às editoras nos próximos anos. “Para 2014, só incluímos DVDs e, mesmo assim, de maneira opcional. Em 2015, poderemos definir outro modelo”, afirma Torino. “No futuro, sei lá, daqui a cinco anos, podemos estar comprando livros digitais inteiros, mas por enquanto há muitas barreiras para isso.

Segundo ele, os principais obstáculos são a falta de hardwares – como computadores, tablets e e-readers – nas escolas, a baixa disseminação da rede de banda larga no país e o fato de muitas editoras ainda não estarem preparadas para oferecer conteúdo digital.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 10/11/2011