44% dos internautas brasileiros nunca compraram eBooks


POR Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução E-book | 29/02/2012

Editoras correm para digitalizar seus catálogos, invadir as redes sociais e se adaptar à chegada de grandes concorrentes internacionais. Lançam impressos e digitais simultaneamente, investem milhares de reais em aplicativos para iPad. Nesta correria, muitas editoras parecem perder o fio da meada, esquecem de uma figura fundamental: o leitor. O leitor brasileiro, conhecido por ler pouco, compra livros digitais? Já estão familiarizados com formatos, esquemas de compra e leitura? Possuem os aparelhos para ler eBooks?

Para esclarecer estas questões, o Revolução eBook conduziu uma pesquisa no mês de fevereiro, entrevistando pela Internet 330 pessoas. Divulgamos a pesquisa não só na nossa lista de discussão e newsletter, mas também nas redes sociais, para diversificar o público. Foram feitas apenas quatro perguntas, para obtermos um panorama de como o brasileiro se relaciona com as tecnologias do livro digital e seu consumo. Nas perguntas, sempre foi possível marcar mais de uma alternativa, de modo que os totais contabilizados ultrapassam 100%.

Constatamos, entre outros números, que 44% dos brasileiros nunca adquiriu um livro digital, nacional ou estrangeiro, entre outros números.

O brasileiro tem eReader?

Como podemos observar, mais da metade dos pesquisados não possui um eReader, aparelho dedicado à leitura. Quando possuem, 28% afirma ter o Kindle da Amazon, seguido bem de longe pelo nook da B&N com 6% e pelo Positivo Alfa, com 4%. Bem próximos ao eReader da Positivo estão o Cool-ER, um dos primeiros aparelhos de eInk a chegar ao Brasil e a categoria Outros, sinalizando que alguns consumidores adquiriram marcas bem menos populares.

O gráfico no geral mostra algumas coisas. Primeiro, o marketing da Amazon é bom o suficiente para conseguir um share maior de aparelhos, mesmo sem uma presença oficial. Vemos também que os aparelhos vendidos em lojas brasileiras, combinados, representam menos de 10% das respostas. Para cada um destes, outros 4 possuem um Kindle. A amostragem reforça a ideia de que eReaders são caros e pouco divulgados no Brasil.

Metade dos entrevistados não possui tablet.

Quando vemos a baixa popularidade do eReader, esperamos que isso se deva ao sucesso do tablet que, dizem por aí, deve acabar com o aparelho de apenas um uso e tela de tinta eletrônica. Porém, mais uma vez, os números mostram que não é exatamente assim. Embora a pesquisa tenha sido realizada exclusivamente na internet, apenas 49% dos entrevistados dizem possuir um tablet. Entre os que não possuem, os motivos são diversos, como desconhecimento da tecnologia e, claro, o preço.

Como esperado, o iPad – tanto o 1 como o 2 – é o mais popular entre os modelos, com 33% de respostas. Muito, muito atrás, com 6% de votos, está a categoria Outros, dispensando todas as marcas mais populares que colocamos para escolha. Com 4%, 3% e 2% estão o já antigo Galaxy Tab, o caro Galaxy Tab 10.1 e o Xoom, respectivamente.

Há uma interessante participação de 1% tanto para o Kindle Fire como para o nook tablet, que não são oficialmente vendidos no Brasil e nem funcionam completamente por aqui, mas que ainda assim são uma escolha em lugar de produtos vendidos no país.

Nunca comprei um eBook

Aqui chegamos ao ponto do título desse artigo. Nossa pesquisa indicou que 44% dos entrevistados nunca adquiriu um livro digital, seja em loja brasileira ou estrangeira. Aqui fica uma boa pergunta para as editoras: por quê? Qual a razão de os brasileiros ainda não terem feito compras?

O problema são os aparelhos caros? São difíceis de usar? O brasileiro acha difícil ou caro comprar eBooks? Acho que essas são as perguntas a serem questionadas e respondidas ao longo de 2012, para o mercado editorial entender seu novo “público digital”. É interessante observar que 34% já adquiriram eBooks em lojas nacionais e 39% em lojas estrangeiras. Ou seja, o número de pessoas que já comprou livros digitais em ambas as lojas é quase o mesmo. Quem consome livros digitais está fazendo isso tanto no Brasil, como lá fora.

Pirataria, a gente vê por aqui

A última pergunta tratou de pirataria, um assunto delicado, porém bem presente no Brasil. Apenas 12% dos que responderam disseram nunca ter baixado um eBook pirata. E 55% afirmou já ter baixado um eBook ilegal em português e 34% em inglês. Ou seja, os entrevistados pirateiam mais, e compram menos livros digitais. Fica aí mais uma pergunta para as editoras responderem e solucionarem: por que os brasileiros preferem piratear um livro do que comprá-lo?

Os números também mostram que, para entrar nessa nova tecnologia, muitos recorrem a livros gratuitos ou de domínio público para experimentarem o livro digital. Do total, 74% afirmou ter feito isso.

POR Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução E-book | 29/02/2012

Stella Dauer

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora do Revolução E-book. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009.

CURSO | O Livro como Mídia Digital


Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Novo projeto antipirataria conserta falhas do Sopa


Texto não prevê punição para quem reproduz material sem lucro nem escala

Apesar do aplauso de especialistas e de lados opostos do debate, proposta ainda não é vista como solução

Deputados e senadores americanos pedem a colaboração do público para editar uma nova lei contra a pirataria on-line, após o Sopa ser engavetado em meio a dúvidas sobre sua eficácia e seu efeito na liberdade na internet.

O Open [abreviatura de Lei para Proteger e Policiar o Comércio Digital On-Line, mas também “abertura”], apresentado em janeiro pelo deputado Darrell Issa e pelo senador Ron Wyden, ganhou elogios dos dois lados do debate sobre direitos autorais.

Desde terça, a proposta está no site www.keepthewebopen.com para edição do público antes do debate no Congresso, ainda sem data.

Apesar do aplauso [em contraste com o Sopa, Lei para Parar com a Pirataria On-line, em inglês], o Open não é visto como solução final.

Conserta, porém, as principais falhas e lacunas do antecessor, que permitiria punir quem dividisse arquivos com amigos e sites com links para endereços com pirataria [mesmo que desconhecessem seu conteúdo].

Acaba também com o processo sumário que tiraria do ar e cortaria o canal financeiro de qualquer site acusado de usar material pirata, imediatamente após a queixa.

Os alvos do projeto são muito mais bem definidos, e ele prevê um processo antes de tirar sites suspeitos do ar“, disse à FolhaDavid Weinberger, filósofo e autor de livros sobre a internet do Centro Berkman para Internet e Sociedade, em Harvard.

LOBBY DE GIGANTES

Um especialista apontou ambiguidades que podem levar a driblar a aplicação [da lei]. Mas ao menos o Open serve de base para algo“, escreveu no “New York Times” Bill Keller, ex-editor-executivo do jornal e hoje colunista.

Keller lamenta a falta de menção a mecanismos de busca e sites hospedeiros, que a seu ver deveriam evitar listar domínios piratas.

No Sopa, esses sites recebiam igual tratamento aos infratores em si. Mas sua eliminação total do texto resulta do lobby do Google e de outros gigantes da internet.

Já Weinberger afirma que, além de reformar a lei que policia a proteção dos direitos autorais, é preciso reformar a lei que define esses direitos. Ambas precedem o imediatismo da internet.

Seu colega Jonathan Zittrain, professor de direitos autorais de Harvard, elogiou em artigo o fato de o texto não expor qualquer um que reproduza material sem ser dono do copyright, mesmo que seja de própria lavra.

Mas questionou se a Comissão de Comércio Internacional, um órgão burocrático e esquecido, tem meios para fazer valer as regras e lamentou que não tenha sido feito um levantamento sobre o alcance da pirataria.

Weinberger concorda: “Qualquer lei está sujeita a abuso. Se vamos nos submeter ao risco, vale saber o tamanho real do problema“.

Longe do fim, o debate parece ao menos ter chegado a um consenso entre produtores de conteúdo, que se sentem roubados, e quem defende que a criatividade na rede depende de um modelo mais flexível, que não puna quem reproduza material sem lucro nem escala. Nisso, o Open é claro: põe “lucro” na base da definição de pirataria.

Por Luciana Coelho | DE WASHINGTON | Folha de S. Paulo | 13/02/2012

Site de downloads The Pirate Bay promove Paulo Coelho em página inicial


O site de compartilhamento de arquivos Pirate Bay anunciou um sistema para promover bandas, filmes, escritores e outros artistas que estejam alinhados com sites de download e defendam o compartilhamento de informações.

O famoso escritor brasileiro Paulo Coelho foi um dos primeiros a participar. O logotipo do Pirate Bay, um navio pirata, foi substituído por uma foto de Coelho. A foto contém um link direcionado para o blog do escritor.

“Assim que fiquei sabendo, decidi participar. Muitos dos meus livros estão lá e, como eu disse em um post anterior, as vendas dos meus livros físicos têm aumentado desde que meus leitores os colocaram em sites de download”, disse Paulo Coelho em seu blog.

Paulo Coelho recentemente se posicionou fortemente contra o Sopa e o Pipa, projetos de lei norte-americanos antipirataria que foram adiados indefinidamente após protesto de milhares de sites.

Para participar, é preciso preencher o formulário no site do The Pirate Bay.

Por Alexandre Orrico | Folha de S. Paulo | 27/01/2012

Wikipedia sai do ar contra lei antipirataria nos EUA


A página americana do Wikipedia saiu do ar a meia-noite de hoje [18], horário de Washington [EUA], em protesto contra a lei antipirataria que está sendo discutido no país. O protesto deve deixar o site fora do ar por 24 horas. Segundo Immy Wales, um dos fundadores do site, a manifestação deve atingir 25 milhões de pessoas no mundo.

Por mais de uma década, nós gastamos milhões de horas construindo a maior enciclopédia da história humana. Agora, o Congresso dos EUA está considerando uma legislação que poderia prejudicar a internet livre e aberta. Por 24 horas, para aumentar a conscientização, estamos tirando a Wikipedia do ar”, diz o comunicado em sua home page.

Já o Google publicou, “Diga ao Congresso que não censure a internet”, em sua versão em inglês.

De acordo com a Fox News, Facebook, Amazon e Google, também poderão ficar fora do ar de maneira coordenada para participar do protesto. Isso poderá ocorrer as 11h horário de Brasília.

A versão em português do Wikipedia continua no ar, mas com um comunicado criticando a lei dos EUA. “A Wikipédia precisa da internet para continuar livre. Os projetos de lei SOPA [Stop Online Piracy Act] e PIPA ameaçam as wikipédias em todos os idiomas”.

A lei começou a ser aplicada com mais rigor devido a representantes da indústria da música e do cinema, que querem evitar a perda de vendas de seus produtos de forma gratuita na web.

Disney, Universal, Paramount e Warner Bros, grandes estúdios de Hollywood, apoiam a lei. Mas Amazon, Google, eBay, Twitter, Facebook, PayPal, Zynga, Mozilla e outras empresas são totalmente contra.

As empresas responsabilizam os sites pelo conteúdo publicado ou distribuído ilegalmente, e pedem que elas encontrem um caminho para impedir o uso ilegal. Caso o site seja penalizado, pode ocorrer o fechamento do mesmo e até cinco anos de prisão para seus proprietários.

Publicado originalmente em TECH GURU | 18 de janeiro de 2012 | 12:00

Google consegue 4,5 milhões de assinaturas contra SOPA, diz NYT


Em protesto contra os projetos de lei Stop Oline Privacy Act [Sopa] e Protect IP Act [Pipa], o Google convidou usuários, nesta manhã, a assinar uma petição para dizer não a essas propostas “antes que seja tarde demais”. O apelo da gigante da internet já parece ter gerado grande impacto: por enquanto, 4,5 milhões de pessoas deram seus nomes para o abaixo-assinado, segundo New York Times.

Os projetos de lei propõem barrar a pirataria e a violação de direitos autorais na internet. Apesar de trazerem à tona questões pertinentes para se pensar na era do uso indiscriminado de conteúdo na web, elas são agressivas e ameaçam a liberdade de expressão, segundo especialistas e sites que as analisaram.

Por Nayara Fraga | O Estado de S. Paulo | 18/01/2012

Afastamento por pirataria


Autora espanhola anuncia que vai parar de escrever por um tempo devido a cópias ilegais

Autorretrato de Lucía em sua página no Facebook. Foto: Reprodução

SÃO PAULO – Lucía Etxebarria, premiada autora espanhola, em um momento de desabafo em seu Facebook deu início a uma extensa discussão. A autora escreveu: “Como hoje eu descobri que mais cópias ilegais do meu livro foram baixadas do que cópias legais foram vendidas, estou anunciado oficialmente que não vou publicar livros em um bom tempo”.

O texto foi rapidamente interpretado como: escritora desiste da profissão por causa da pirataria. O que gerou grande reação no mural dela.

A autora afirmou ao jornal inglês Guardian que cogita aceitar uma proposta de emprego e que os criadores [escritores, músicos, cineastas] enfrentam uma grande dificuldade por conta da pirataria. Ela ressaltou a posição da Espanha no ranking mundial de downloads ilegais: “Estamos atrás apenas da China e da Rússia em total de downloads ilegais, mas ganhamos de todos em downloads ilegais per capita.” E defendeu a lei francesa, tida como uma das mais duras do mundo.

Na ocasião da publicação de seu último livro ‘El contenido del silencio’, a autora e sua editora decidiram por não lançar o romance em formato ebook, por temor da pirataria. O livro vendeu abaixo das marcas dos livros anteriores e pode ser baixado de graça em formato PDF com facilidade na internet.

Por Redação Link | 21 de dezembro de 2011, 9h00

CEOs das maiores editoras do mundo analisam o presente e o futuro do livro


Um dos desdobramentos do Ranking Global do Mercado Editorial, feito anualmente desde 2006 pela consultoria Rüdiger Wischenbart Content and Consulting, é o painel que reúne alguns dos presidentes das empresas líderes durante a Feira do Livro de Frankfurt. A edição deste ano, com dois CEOs de empresas internacionais – John Makinson, da Pearson/Penguin, e Arnaud Nourry, da Hachette, e dois das maiores editoras chinesas e russas – Yu Chunchi, da China Education Publishing & Media Group, e Oleg Novigm, da Eksmo, foi realizado na tarde destaquarta-feira, dia 12 de outubro. Empresas brasileiras incluídas pela primeira vez no relatório, que só aceita grupos editoriais com faturamento superior a 150 milhões de euros, foram convidadas, mas não aceitaram o convite.

Neste painel-entrevista, os presidentes foram sabatinados por jornalistas da mídia especializada internacional, entre os quais Livres Hebdo, Buchreport, Publishers Weekly e PublishNews, e falaram sobre o livro digital, a situação das livrarias, pirataria e novos mercados a serem conquistados, com Brasil e China no topo da lista. Boas experiências de parcerias internacionais como a da Penguin com a Companhia das Letras e outras frustradas, como a da Hachette com a Escala, também foram abordadas.

O mercado do livro físico está caindo muito rapidamente na América e vai cair muito rapidamente nos outros países também. Mas a leitura não está caindo. Nós só teremos que ser mais inventivos no jeito de entregar esse conteúdo aos leitores”, comentou Makinson, que além de um dos diretores da maior editora do mundo é livreiro independente na Inglaterra, país onde a situação das livrarias é mais dramática. “Temos que fazer algo radical para mudar a relação entre editoras e livrarias e também convencer as pessoas a fazerem uma coisa irracional, que é comprar um livro em uma livraria de rua”. O presidente da Hachette também comentou essa questão e disse que na hora da expansão internacional devem ser evitados países onde o número de redes e de livrarias é pequeno. Por fim, Makinson disse que em lugar nenhum do mundo as livrarias se comparam com as brasileiras em beleza e sofisticação [e por falar nisso, Bob Stein, do Instituto para o Futuro do Livro, ilustrou um dos slides de sua apresentação no TOC – Tools of Change na terça-feira com uma foto da Livraria Cultura do Conjunto Nacional].

Você precisa ver uma criança de dois anos no iPad para ver que tem uma mudança grande acontecendo aqui”, comentou John Makinson. “Mas as pessoas são conservadoras e querem ler a mesma coisa que liam no papel no device. Os enhanced e-book não agradaram. Será que o consumidor vai ficar mais imaginativo no futuro e vai pedir mais enhanced e-books? Ainda não vemos isso”, ponderou.

Para Arnaud, as crianças sabem usar as novas tecnologias, mas os professores não querem se modernizar. O chinês Yu Chunchi concordou, e completou dizendo que um dos maiores desafios hoje é prender a atenção da criança no livro enquanto estão estudando. Mesmo assim, ele acredita que o livro didático continuará sendo impresso na China por mais 10 anos justamente por causa dos professores. Por outro lado, algumas escolas já estão pedindo conteúdo digital e outro desafio é ser flexível para oferecer esse material.

Mas essa nova era digital não está mudando apenas a etapa de publicação de um livro. Ele tem efeito sobre cada parte do processo, desde o recebimento dos manuais, comentou o CEO da Penguin. Arnaud acredita que haverá crescimento no mercado de e-books por um período de no máximo dois anos e que ele não deve exceder 30% ou 40% do total do mercado. “Mas quanto mais digital é o nosso negócio, mais pirataria haverá e precisamos nos organizar para combatê-la”, disse.

Essa também é uma preocupação de Oleg Novigm, que vê o mercado russo decaindo 20% nos últimos meses. O índice de leitura também vai de mal a pior. Enquanto isso, a pirataria aumenta exponencialmente e ele não sabe como resolver isso. O lado bom dos e-books na Rússia é que eles vão ajudar as editoras a chegar mais perto dos leitores, já que a distribuição de livros no país é crítica. O livro digital, acredita Novigm, será responsável por 20% do mercado russo daqui a três anos. Hoje, ele é estimado em US$ 2 bilhões. “Ler livros digitais é coisa da moda para jovens russos”, comentou. Na China, a expectativa é que ele represente 25% dos livros para educação de jovens. Penguin e Hachette preferiram não chutar.

Leia também: Uma experiência feliz, e outra nem tanto, sobre a atuação da Hachette e da Penguin no Brasil

Entrevistadores

A atividade foi comandada por Fabrice Piault, da Livres Hebdo [França]; Thomas Wilking, da Buchreport [Alemanha], George Slowik Jr., da Publishers Weekly [Estados Unidos] e Carlo Carrenho, do PublishNews e PublishNews Brazil [Brasil].

Publicado originalmente em PublishNews | 13/10/2011

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais

Escola do Livro: Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa | 27 de Setembro de 2011

Escola do Livro: “Direitos Autorais e a Proteção do Livro Eletrônico”


Patricia Peck

O curso “Direitos Autorais e a Proteção do Livro Eletrônico”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 29 de setembro, das 9h às 13h. O curso tem como propósito mostrar a evolução dos direitos autorais na era digital, a proteção legal do Livro Eletrônico. Sociedade do conhecimento e a quebra do paradigma do suporte físico é um dos temas abordados por esse curso. Além disso, melhores práticas para criação, produção, distribuição e compra de livros Eletrônicos – o que deve constar nos contratos.

As aulas serão ministradas por Dra. Patricia Peck Pinheiro que é Advogada especialista em Direito Digital, formada na USP, com especialização em negócios pela Harvard Business School e MBA em marketing pela Madia Marketing School, com capacitação em inteligência e contra-inteligência pela Escola de Inteligência do Exército e Gestão de Riscos pela Fundação Dom Cabral. Sócia fundadora do Escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, é autora do livro “Direito Digital” e co-autora dos audiolivros “Direito Digital no Dia-a-Dia”, “Direito Digital Corporativo” e “Eleições Digitais”, todos pela Editora Saraiva, além de participação nos livros “Direito e Internet II”, “e-Dicas” e “Internet Legal”. É colunista do Conta Corrente da Globonews, do IDG Now e articulista do Valor Econômico, Revista Visão Jurídica, Revista Partner Sales, entre outros. Possui experiência internacional nos EUA, Portugal, Coréia. Idealizadora do Movimento “Criança Mais Segura na Internet”. Mais informações do curso podem ser obtidas pelo e-mail: escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa | 22 de Setembro de 2011

Caça à pirataria


Mais de 5 mil links oferecendo download ilegal de livros foram detectados em agosto pelo Departamento de Combate à Pirataria Digital, órgão da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, que faz um acompanhamento mensal de visualizações irregulares na internet. A Record lidera entre as editoras mais atingidas no mês passado [veja principais atingidas na lista abaixo]. O departamento apenas alerta as casa editoriais, que têm a responsabilidade de providenciar a retirada dos sites.

Os principais alvos

1º Record | 1.066 links ilegais
2º Rocco | 998
3º Companhia das Letras | 702
4º Sextante | 530
5º Ediouro | 454

5.780 links irregulares foram descobertos em agosto

5.622 links aquela lista foram retirados do ar

12.704 downloads foram feitos do livro Yoga para Nervosos [Record], de Hermógenes

O Estado de S. Paulo | 10/09/2011

“A pirataria de eBooks pode destruir o mundo editorial”, diz Scott Turow


O escritor e advogado americano Scott Turow

O autor e advogado norte-americano Scott Turow, 52, best-seller mundial por thrillers jurídicos como “Acima de Qualquer Suspeita” ­- que originou o filme homônimo de 1990, dirigido por Alan J. Pakula e estrelado por Harrison Ford – disse hoje em sabatina da Folha ver com preocupação a forma como os livros digitais vêm sendo pirateados.

É preciso ter uma ação contra isso, ou eles vão destruir a base financeira do mundo editorial. E não são os autores best-seller quem mais tem a perder com isso, e sim os que estão só começando“, afirmou o escritor na entrevista, conduzida pela editora da Ilustrada, Fernanda Mena, no Teatro Folha.

A conversa teve como entrevistadores também Josélia Aguiar, colunista da Folha, Ives Gandra, professor emérito da Universidade Mackenzie, e Diego Assis, chefe de reportagem do UOL Entretenimento, e foi exibida ao vivo no UOL.

O autor tratou da discussão a respeito dos livros digitais ao ser questionado por Assis sobre artigo que publicou no “New York Times” criticando leis de flexibilização dos direitos autorais propostas pela organização sem fins lucrativos Creative Commons. “Concordo com [Lawrence] Lessig [fundador da organização] em algumas coisas. Não acho que direitos autorais deveriam ser estendidos do jeito que vêm sendo nos EUA no que diz respeito a estúdios de cinema, por exemplo.

Turow, que participa neste domingo [11] na Bienal do Livro Rio, em mesa às 15h30 com Marc Levy, veio ao Brasil também para lançar o thriller “O Inocente”, sequência de “Acima de Qualquer Suspeita” – romance que o norte-americano sempre disse que não teria continuação. “Uma coisa que aprendi desta experiência é que você nunca deve acreditar em um escritor quando ele diz que nunca escreverá sobre determinado assunto.

Publicado originalmente em BOL Notícias | 09/09/2011 – 19h02

Para autor, pirataria on-line está ‘acabando com a cultura’


Livro de ex-‘Billboard’ sobre apocalipse cultural causado pela web não convence

Em “Free Ride”, Robert Levine, ex-editor-executivo da “Billboard”, apresenta argumentos fortes para profetizar um apocalipse cultural.

Quando a internet surgiu, apanhou o setor cultural de surpresa, escreve ele. As empresas de tecnologia, contudo, estavam mais bem preparadas e aproveitaram para pressionar por leis favoráveis.

Os problemas começaram quando serviços como Napster passaram a ameaçar muitos modelos de negócios, ao permitir que usuários trocassem arquivos gratuitamente.

Pior: um lobby intelectual capitaneado por professores de direito e bancado pelo Vale do Silício passou a racionalizar isso sob o estandarte da “liberdade cultural”.

Levine é um escritor envolvente e instigante, e “Free Ride” tem muito a oferecer.

Sua percepção básica, a de que o apreço do Vale do Silício pela experimentação pode ter prejudicado a indústria da cultura, está certa. Sua explicação da “cultura livre” como subproduto da agenda sigilosa do Vale do Silício também tem muito de inovador.

Mas seu apego a teorias da conspiração -tudo conduz ao Google! – é uma distração.

Embora seja verdade que o Google orienta a formação de política relativa à internet, isso não significa que seus interesses e os do público sempre divirjam. Para mencionar exemplo óbvio, o Google financia projetos cujo objetivo é contornar a censura à web.

Ao montar seu passional ataque, ele muitas vezes distorce argumentos oponentes.

Exemplo: ele alardeia relatório de 2010 segundo o qual 25% do tráfego da web se relaciona à pirataria, mas não diz que o mesmo relatório constatou que filmes que podem ser assistidos legalmente são pirateados menos.

O chamado às armas de Levine -“é hora de perguntar a sério se o negócio da cultura na forma pela qual o conhecemos hoje será capaz de sobreviver à era digital”- ilustra uma má compreensão.

Se nossas leis sempre tivessem sido redigidas de forma a preservar o “negócio da cultura tal qual o conhecemos”, a fotografia, o gramofone, as fotocopiadoras, os gravadores e, sim, a internet talvez nunca tivessem surgido.

CULTURA EM XEQUE

As tecnologias são de fato ameaça tão grande à cultura?

Segundo uma pesquisa recente da BookStats, em 2011 a receita do setor editorial foi 6% mais alta que em 2008 -em parte graças aos livros eletrônicos. O avanço mundial de serviços de locação de vídeo em streaming, como o Netflix, tornou a pirataria menos atraente.

Algumas declarações de Levine enfatizam o perigo de estabelecer a política de internet tendo por base apenas os interesses do setor de conteúdo. Para este, a web é uma espécie de TV em escala maior -e seu impacto sobre os levantes árabes, o desenvolvimento econômico e humano e o futuro do aprendizado não faz diferença.

No entanto, seria irresponsável formular políticas para a internet sem examinar como elas afetarão áreas que nada têm a ver com cultura.

Será que desejamos criar ferramentas que vasculhem o conteúdo on-line em busca de violações de direitos autorais, para descobrirmos um dia que ditadores as usavam para espionar dissidentes?

O que Levine propõe não é novo. Ele quer reformar ou reinterpretar as leis que protegem as empresas de internet da responsabilidade pelos atos de seus usuários e criar novas leis que puniriam os distribuidores e consumidores de material pirateado.

Tudo traria consequências inesperadas -vigilância mais intensa, inovação travada e problemas na arquitetura da web-, mas Levine opta por não mencionar nada disso.

FREE RIDE

Robert Levine
EDITORA Doubleday [320 págs.]
QUANTO £ 9,50

POR EVGENY MOROZOV | ESPECIAL PARA O “GUARDIAN” | Publicado em portugês por Folha de S. Paulo | Tradução de PAULO MIGLIACCI | São Paulo, sábado, 27 de agosto de 2011 | Caderno Mercado, cifras & letras

CBL oferece curso de Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa – 25 de Agosto de 2011

Curso “O Livro na Era Digital | Edição e Suportes”


As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O texto não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO

  • O que é um eBook?
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 20 de agosto de 2011, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
http://www.escoladoescritor.com.br

eBooks Piratas


Pirataria na internet não é mais coisa apenas de gente jovem. De acordo com uma pesquisa do Wiggin, um escritório britânico de advocacia, uma em oito mulheres acima de 35 anos proprietárias de leitores de livros eletrônicos admite ter baixado ilegalmente e-books. Quando se trata de música, apenas uma entre 20 mulheres diz ter feito downloads ilegais. No geral, 29% dos donos de e-readers admitem ter baixado ilegalmente livros eletrônicos.

Folha de S.Paulo | Mundo Digital | Notas da Semana | São Paulo, quarta-feira, 01 de junho de 2011

Pirateiem meus livros


POR PAULO COELHO | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | São Paulo, domingo, 29 de maio de 2011

Em meados do século 20, começaram a circular na antiga União Soviética vários livros mimeografados questionando o sistema político. Seus autores jamais ganharam um centavo de direitos autorais.

Pelo contrário: foram perseguidos, desmoralizados na imprensa oficial, exilados para os famosos gulags na Sibéria. Mesmo assim, continuaram escrevendo.

Por quê? Porque precisavam dividir o que sentiam. Dos Evangelhos aos manifestos políticos, a literatura permitiu que ideias pudessem viajar e, eventualmente, transformar o mundo.

Nada contra ganhar dinheiro com livros: eu vivo disso. Mas o que ocorre no presente? A indústria se mobiliza para aprovar leis contra a “pirataria intelectual”. Dependendo do país, o “pirata” -ou seja, aquele que está propagando arte na rede- poderá terminar na cadeia.

E eu com isso? Como autor, deveria estar defendendo a “propriedade intelectual”. Mas não estou. Piratas do mundo, uni-vos e pirateiem tudo que escrevi!

A época jurássica, em que uma ideia tinha dono, desapareceu para sempre. Primeiro, porque tudo que o mundo faz é reciclar os mesmos quatro temas: uma história de amor a dois, um triângulo amoroso, a luta pelo poder e a narração de uma viagem. Segundo, porque quem escreve deseja ser lido -em um jornal, em um blog, em um panfleto, em um muro.

Quanto mais escutamos uma canção no rádio, mais temos vontade de comprar o CD. Isso funciona também para a literatura: quanto mais gente “piratear” um livro, melhor. Se gostou do começo, irá comprá-lo no dia seguinte -já que não há nada mais cansativo que ler longos textos em tela de computador.

1 – Algumas pessoas dirão: você é rico o bastante para permitir que seus textos sejam divulgados livremente. É verdade: sou rico. Mas foi a vontade de ganhar dinheiro que me levou a escrever?

Não. Minha família, meus professores, todos diziam que a profissão de escritor não tinha futuro. Comecei a escrever -e continuo escrevendo- porque me dá prazer e porque justifica minha existência. Se dinheiro fosse o motivo, já podia ter parado de escrever e de aturar as invariáveis críticas negativas.

2 – A indústria dirá: artistas não podem sobreviver se não forem pagos. A vantagem da internet é a divulgação gratuita do seu trabalho.

Em 1999, quando fui publicado pela primeira vez na Rússia [tiragem de 3.000 exemplares], o país logo enfrentou uma crise de fornecimento de papel. Por acaso, descobri uma edição “pirata” de “O Alquimista” e postei na minha página. Um ano depois, a crise já solucionada, eu vendia 10 mil cópias.

Chegamos a 2002 com 1 milhão de cópias; hoje, tenho mais de 12 milhões de livros naquele país.

Quando cruzei a Rússia de trem, encontrei várias pessoas que diziam ter tido o primeiro contato com meu trabalho por meio daquela cópia “pirata” na minha página.

Hoje, mantenho o “Pirate Coelho”, colocando endereços [URLs] de livros meus que estão em sites de compartilhamento de arquivos. E minhas vendagens só fazem crescer -cerca de 140 milhões de exemplares no mundo.

Quando você come uma laranja, precisa voltar para comprar outra.

Nesse caso, faz sentido cobrar no momento da venda do produto.

No caso da arte, você não está comprando papel, tinta, pincel, tela ou notas musicais, mas, sim, a ideia que nasce da combinação desses produtos.

A “pirataria” é o seu primeiro contato com o trabalho do artista.

Se a ideia for boa, você gostará de tê-la em sua casa; uma ideia consistente não precisa de proteção.

O resto é ganância ou ignorância.

PAULO COELHO , escritor e compositor, é membro da Academia Brasileira de Letras. É autor de, entre outros livros, “O Alquimista” e “A Bruxa de Portobello”.

Paulo Coelho incentiva a pirataria


 

O escritor brasileiro mais vendido no mundo, Paulo Coelho, publicou um texto no jornal Folha de São Paulo ressaltando a importância da pirataria na difusão de sua obra literária. O escritor disse que a não restrição de obras é a melhor forma de difundir ideias e que isso acaba atraindo receita. Paulo Coelho mantém um site que incentiva o pirateamento de seus livros, o “Pirate Coelho”. A postura de Paulo Coelho vai de encontro à ideias como a do presidente francês Nicolas Sarkozy, que na última semana, durante encontro do G8 – grupo das maiores economias do mundo, defendeu regras rígidas de proteção ao copyright de obras intelectuais.

Por Jairo Gonçalves | Bahia Notícias | Domingo, 29.05.2011 às 16:00

Como aprendi a amar a pirataria


Por Cecilia Talan | Publicado em português por PublishNews | 27/05/2011 | Este artigo foi publicado originalmente no Ciclet.com e depois no site do Digital Book World. Foi traduzido e reproduzido pelo PublishNews com a permissão de Cecilia Tan, autora, editora e Publisher/fundadora da Circlet Press.

Editora mostra como a pirataria pode ajudar a vender mais livros, sejam eles impressos ou digitais

A pirataria de e-book é boa ou ruim para os escritores? Me perguntam isso o tempo todo, o que me faz lembrar do que eu costumava perguntar [sem parar]: “Ai meu Deus!, o que você vai fazer com a pirataria?!?!?!?!”. Hoje em dia essa conversa é um pouco menos carregada de histeria. E isso é bom, por várias razões. Uma é que a histeria raramente resolve os problemas. A outra é que talvez as pessoas estejam abordando de maneira mais racional as realidades do mundo digital que incluem:

1. É fácil compartilhar arquivos
2. É fácil encontrar pessoas que pensam igual à gente por lá, se juntando em comunidades
3. É mais fácil do que nunca para as pessoas espalharem o “boca-a-boca”

Essa três coisas tornam a vida da pirataria e do compartilhamento ilegal de arquivos mais fácil. Mas as três também tornam a vida de autores e criadores mais fácil. Escrevi num artigo anterior sobre como a possibilidade de ser encontrado, ou a falta dela, é o maior problema que a maioria dos escritores encontra [sites piratas são paraísos para viciados em livros e, portanto, que melhor lugar para colocar o seu nome ou o seu livro diante de uma audiência fanática?].

Depois do meu último artigo sobre esse assunto, tenho colecionado links e histórias tentando construir uma imagem melhor sobre como simplesmente o compartilhamento livre, direcionado pelo boca-a-boca, ajuda a vender livros. Essa é a definição que algumas pessoas dão para a pirataria, mas eu também incluo aí a distribuição gratuita de livros bem como a “liberação no mundo selvagem” de maneira despreocupada.

O último grande boom de que se fala é um dessas liberações despreocupadas de conteúdo, que foi a disseminação viral do PDF de prova do livro de Adam Mansbach Go the F**k to sleep, uma paródia adulta para o livro infantil. O artigo “How the Success of ‘Go the F— to Sleep’ Discredits Copy Protection” [Como o sucesso de Go the F**k to sleep desacredita a proteção contra cópias], da PC Magazine, conta a história. Pra resumir, a cópia PDF para revisão correu a internet [totalmente ilegal] porque as pessoas ficaram tão curiosas pelo livro que não puderam esperar pelo lançamento do livro “de verdade” para contar aos seus amigos. O que aconteceu? O livro é o número um na lista da Amazon e tem mais de 100 mil cópias vendidas na pré-venda. Como diz o artigo, “concluir que a pirataria é uma coisa boa baseado apenas nessa história seria simplificar perigosamente demais as coisas. Mas se o editor tivesse trancado as cópias digitais do livro com o cadeado do DRM, ele nunca teria tido a chance de se tornar viral.” Para saber mais sobre Go the F**k to Sleep, confira esses links no Digital Book World. Espera-se que uma cópia para revisão gere mesmo um barulho. E foi exatamente o que aconteceu. É verdade, você já leu todo o livro, mas isso simplesmente aumentou a vontade de ter o livro físico.

Os autores best-selleres Cory Doctorow e Neil Gaiman têm falado com frequência sobre o valor de distribuir o seu trabalho gratuitamente pela internet para estimular as vendas dos livros impressos. Basta fazer uma busca no Google pelos nomes desses escritores e você vai encontrar muitos resultados. Aqui está um vídeo de Neil Gaiman, que está em um artigo da Fast Company: “… depois de observar que os países com a maior concentração de pirataria, como a Rússia, realmente tinham as melhores vendas, [Gaiman] decidiu experimentar colocar o seu livro de graça na internet. ‘As vendas do meu livro, nas livrarias independentes – que era onde estávamos fazendo as medições – aumentaram 300% logo no mês seguinte’.

E o que dizer do escritor Paulo Coelho, cujo livro O Alquimista vendia meras mil cópias por ano na Rússia mas que em 2001, vendeu 10 mil? Por quê? E as vendas continuaram a aumentar até 100 mil. E agora, chegaram a mais de 1 milhão. Como? As pessoas estavam pirateando o livro e isso estimulou as vendas exponencialmente. Isso motivou Paulo Coelho a começar o seu próprio site de download grátis, o Pirate Coelho [hoje hospedado no blog do autor. Aqui está um outro artigo sobre isso. Ele convenceu a HarperCollins a lançar versões promocionais gratuitas dos seus livros, como ele conta nesta entrevista [em inglês].

A maneira mais extrema de lucrar com a pirataria é a venda por parte da O’Reilly, por US$ 99,99, do relatório dos resultados do estudo que fizeram sobre o impacto da pirataria nas vendas [The Impact of P2P and Free Distribution on Book Sales]. Não li, é muito longo. Mas a essência dele está nesta entrevista com Brian O’Leary, da O’Reily, na qual ele diz: “Os dados que coletamos a respeito dos livros da O’Reiley que colocamos à venda mostraram um aumento nas vendas finais para os livros que foram pirateados. Então, na verdade, a pirataria estimulou, não prejudicou, as vendas.” Ele também diz: “Sou muito inflexível sobre o DRM: ele não tem impacto nenhum na pirataria. Qualquer bom pirata consegue arrancar o DRM em questão de segundos – ou minutos. Um pirata também pode escanear um livro impresso. DRM realmente só é útil para impedir que pessoas compartilhem um arquivo que adquiriram legalmente.

O’Leary afirma que o que mais leva à pirataria é o desejo das pessoas de ler um material no formato que elas querem e a dificuldade para conseguir o que querem. Se a indústria do livro satisfizer esse desejo, então poderemos construir um comércio forte, em vez de sermos pegos de calças curtas, como aconteceu com a indústria da música, que desperdiçou bilhões de dólares tentando “combater” a pirataria, simplesmente para descobrir que a única maneira eficiente de reduzir a pirataria era dando às pessoas o que elas queriam: música fácil e barata [DRM-free]. Agora que as lojas de download de MP3 estão bem estabelecidas [até o Wal-Mart tem uma!], o dinheiro está entrando e a pirataria está diminuindo. Neste artigo da revista Wired o editor comenta que o auge da pirataria de música chegou ao fim [eu gostaria de ver mais números atualizados, mas as gravadoras realmente não querem que nós, ou os seus artistas, saibamos muito sobre o que eles estão fazendo].

E aqui convido a indústria dos quadrinhos a reagir de maneira similar, legalizando as muitas versões digitais disponíveis [você pode pensar que os quadrinhos isso seria normal visto a enorme popularidade dewebcomics independentes já bem estabelecidos, e tantas Graphic Novels tendo sido escolhidas a partir de listas de webcomics!].

Mas tem outra coisa. Você ainda pode argumentar que todos esses exemplos de autores “pirateando” os próprios livros e isso levando ao aumento das vendas só dizem respeito a livros físicos. Mas e se você for um editor apenas de livros digitais? Eu entendo o medo. O seu produto é 100% digital. Se alguém o piratear, terá o produto completo nas mãos. Que incentivos eles terão para comprar um livro digital de você? Pirataria de arquivos digitais pode ajudar na venda de livros impressos, mas vão prejudicar as vendas dos digitais, certo? CERTO??

Vamos mais devagar. Vamos olhar para a indústria de software para uma possível resposta.

O pessoal do negócio de software tem lutado contra a pirataria há muito mais tempo do que os editores. Olhemos em particular para os games, que são mais parecidos com os livros, no sentido que são uma escolha de entretenimento. Os desenvolvedores de games têm muitas razões para querer que você pague pelo que eles fazem. Desenvolver um novo game de muito sucesso exige alto investimento financeiro em salários, marketing, etc. Muito mais do que um livro.

E mesmo assim parece que os ventos predominantes sopram na direção de se livrarem do DRM e confiar nos jogadores que pagam pelos games. De acordo com o blog “Game Developers Speaking out Against DRM”, alguns jogos como Prince of Persiaagora são vendidos sem nenhum DRM. Sabe-se que um jogo chamado World of Goo é pirateado por 90% dos seus jogadores, mas os desenvolvedores sentem que esses 90% nunca teriam pago pelo jogo mesmo. Colocar um DRM rigoroso apenas teria diminuído ainda mais a porcentagem dos 10% que pagaram!

Aqui está um link para um post no blog do veterano desenvolvedor de games Jeff Vogel. Ele inicia o post dizendo: “Esse artigo é a minha declaração final sobre como os desenvolvedores deveriam lidar com os piratas. Ele inclui histórias bem humoradas de como eu me comportei como um bobo no passado. E, acredite em mim, fui muito bobo.

Durante quinze anos, eles tiveram um sistema complicado de registro em seus jogos, que supostamente deveria reduzir a pirataria, mas tudo o que o sistema fez foi reduzir o número de compradores legítimos. Como ele escreve, “este sistema nos prendeu por 15 anos, seria a mesma coisa se tivesse ateado fogo em uma pilha de dinheiro.” Não crie obstáculos para as pessoas curtirem o seu produto e se tornarem usuários legítimos. A vida não deveria ser mais fácil para os piratas do que para os compradores. Se você dificultar a vida para os compradores mais do que para os piratas, ganhará menos dinheiro. Simples assim.

Procurando agora no Google encontrei muitos outros artigos sobre games que estão tirando o DRM, incluindo o mundialmente popular Dragon Age.

Então, se os editores de games estão tirando o DRM para diminuir o incentivo à pirataria e aumentar a compra fácil, e o resultado é o crescimento da popularidade dos games porque as pessoas conseguem experimentá-los primeiro… isso me parece uma dica bem clara de que os editores de livros digitais devem fazer o mesmo. Os e-books do Kindle agora estão vendendo mais do que os livros impressos na Amazon. As pessoas querem livros digitais. Dê às pessoas o que elas querem e facilite para que tenham essas coisas em suas mãos.

Enquanto tenho a sua atenção, eu deveria apontar para o fato de que os autores que veem 100 mil downloads dos seus livros como o equivalente a 100 mil vendas perdidas estão enganados. Por favor, acredite em mim quando digo que 100 mil downloads não equivalem a 100 mil cópias roubadas das lojas. Na verdade é o equivalente a 100 mil pessoas olhando o livro enquanto estão em uma livraria ou biblioteca, decidindo se vão investir tempo na leitura.

Recentemente uma autora [Anne B. Ragde] falou contra a pirataria dessa maneira, entretanto, calculando o valor da sua “perda de vendas”. Durante a entrevista, o seu filho deixou escapar para o repórter que a sua mãe, apesar da postura antipirataria, tinha quase duas mil músicas baixadas ilegalmente no seu MP3 player. A sua defesa foi que ela não ouvia na verdade essas músicas [o tal player estava em uma casa de verão em algum lugar]; ela pagava pela música que realmente ouvia. Muito bem, adivinhe só: daqueles 100 mil que baixaram o seu livro, a maioria deles nem está lendo. 90 mil provavelmente nunca nem abriram o arquivo. Os 10 mil que abriram equivalem ao número de pessoas olhando o livro em uma livraria para ver se gostam. Os escritores mais tradicionais fariam qualquer coisa para ter um lugar de exposição como esse em livrarias que atraem 10 mil compradores para dar uma olhada no seu livro. Desses 10 mil, digamos que três entre quatro decidem que o livro não é do seu gosto. Então, agora, diminuímos para 2.500 pessoas que estão genuinamente interessadas. No mundo das lojas físicas, a regra de venda do varejo diz que 500 delas teriam uma boa chance de compra. Outras 500 provavelmente iriam procurar o livro numa biblioteca. O restante nunca chegaria a comprar, colocariam o livro de volta na prateleira e se esqueceria dele.

Então o seu livro precisa ser baixado 100 mil vezes antes que você ganhe míseros 500 compradores. As porcentagens aumentam muito quando os downloads são legais, cópias gratuitas direcionadas para o seu público-alvo como acontece com os livros gratuitos da Tor Books [veja abaixo]. O’Leary na entrevista do link acima também menciona a Bain Books, outra editora de ficção científica, que tem distribuído por aí cópias digitais gratuitas de seus livros há 10 anos [inclusive distribuindo CD-rooms em convenções Sci-fi – eu tenho um de 2002]. Ele comenta que eles têm os mais baixos índices de pirataria no negócio do livro. Isso não é uma coincidência. Bem, você pode não estar convencido, mas eu estou. Distribuir arquivos ajuda. Ter um processo fácil de venda também ajuda. Na verdade, apesar de todo o nosso falatório sobre “novas mídias” na publicidade na era digital, artigos em blogs, discussões no Twitter e páginas no Facebook, essas duas coisas parecem ser as duas únicas que realmente causam um impacto mensurável nas vendas. Distribuição gratuita aumenta a base de consumidores. Depois disso, tenha um processo de venda fácil para conseguir dinheiro daqueles que estão dispostos a pagar. É isso!

Por Cecilia Talan | Publicado em português por PublishNews | 27/05/2011 | Este artigo foi publicado originalmente no Ciclet.com e depois no site do Digital Book World. Foi traduzido e reproduzido pelo PublishNews com a permissão de Cecilia Tan, autora, editora e Publisher/fundadora da Circlet Press.

Paulo Coelho volta a defender pirataria


O escritor Paulo Coelho voltou a defender a pirataria, desta vez em um texto publicado em seu blog.

Paulo Coelho defende autopirataria

No artigo, em inglês, ele conta que, quando era membro da rede social MySpace, teve a canção “Fly Me to the Moon” interpretada por Frank Sinatra apagada de seu perfil.

E quem deletou a canção? A resposta é simples: a ganância e a ignorância.

Em seu blog, Paulo Coelho compartilha links para download de seus livros na íntegra

Coelho diz que a ganância “não entende que o mundo mudou”, e a ignorância “pensa que, se a música está disponível gratuitamente, as pessoas não comprarão o CD“.

O ponto é que nós queremos, antes de mais nada, compartilhar algo“, diz o escritor, que ainda critica a indústria -ela estaria “pensando em direção oposta à de nossa realidade hoje“.

Ele lembra que criou a página Pirate Coelho [que inicialmente tinha autoria anônima e hoje é armazenada em seu próprio blog], na qual compartilha cópias integrais de suas obras para download, e faz uma comparação entre arte e laranjas.

Se você compra uma laranja e come-a, tem que comprar outra, e aí faz sentido que laranjas não possam ser distribuídas de graça, porque o consumidor consome o produto.” A arte, porém, “não é uma laranja”, diz Coelho. O importante é a beleza.

texto termina com uma historieta: “Uma mulher foi ao mercado e viu dois potes. Ela perguntou o preço ao vendedor. ‘Dez moedas’, ele respondeu. A mulher ficou surpresa: ‘Mas um destes potes foi pintado por um artista!’. O vendedor respondeu: ‘Estou vendendo potes. Beleza não tem preço’.

Coelho revelou publicamente seu apoio à pirataria em 2008, no evento Digital Life Design Conference, em Munique, na Alemanha, e, desde então, dá declarações de apoio ao compartilhamento de arquivos digitais -que, acredita, ajuda na venda de seus livros.

Folha.com | 02/05/2011 | Atualizado às 19h04

Suspensão de blog com livros piratas cria discussão na web


Uma mensagem de violação dos termos de uso anunciou semana passada aos milhares de visitantes diários do blog Livros de Humanas a suspensão da página, que era hospedada pelo WordPress. Criado em 2009 por um aluno da USP, o blog formou em pouco mais de dois anos uma biblioteca maior do que a de muitas faculdades brasileiras. Até sair do ar, reunia 2.496 títulos, entre livros e artigos, de filosofia, antropologia, teoria literária, ciências sociais, história etc. Um acervo amplo, de qualidade, que podia ser baixado imediatamente e de graça.

Muitas pessoas, é claro, adoravam a página. Entre elas, no entanto, não estavam os editores dos livros reunidos ali. A biblioteca do Livros de Humanas era toda formada sem qualquer autorização.

– É óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente – diz o criador da página, que mantém anonimato, numa entrevista por e-mail. – Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país.

O mesmo argumento foi defendido nos últimos dias no Twitter por intelectuais como o crítico literário Idelber Avelar, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, a escritora Verônica Stigger e o poeta Eduardo Sterzi. Do outro lado da discussão, críticas à pirataria. A Editora Sulina, que vinha pedindo a remoção da página, falou em “apropriação indevida” e o escritor Juremir Machado escreveu: “Quem chama pirataria de universalização da cultura é babaca q ñ vende livro, mas quer q alguém pague a conta. Livro tem de ser barato e pago”.

O caso chama atenção para a ampliação da circulação de arquivos digitais de livros na internet, uma prática que dá novo sentido e escala à discussão sobre a circulação de cópias xerocadas no meio acadêmico.

Leia abaixo entrevista feita por email com o criador do Livros de Humanas.

Por que você criou o blog e como ele funcionava?

O blog nasceu no começo de 2009 [e saiu do ar na sexta-feira passada] para ser uma alternativa dos estudantes de letras da USP à copiadora que existe no prédio do curso e que tinha aumentado arbitrariamente em 50% [de 10 pra 15 centavos] o valor da cópia [o contrato de cessão de espaço com o Centro Acadêmico estabelece que a decisão deve ser conjunta]. No começo havia a ideia de colocar apenas os textos das disciplinas de cada semestre. Esta iniciativa surgiu sem vínculo algum com o CA, que nunca se manifestou sobre o blog. No começo recebi de alguns colegas os programas das disciplinas e procurava na net se já existia cópia digital dos livros no 4shared ou similares. Se eu não encontrava, mas tinha o texto, escaneava. Por isso, no começo o blog era mais próximo dos meus interesses acadêmicos [mais crítica literária do que linguística, p. ex.] Também recebia textos de outros colegas e assim criamos o blog. No primeiro mês tínhamos menos de cem textos. Com o crescimento deste número e das visitas o blog deixou de ser apenas algo relacionado ao curso de Letras da USP [apesar de ter mantido o nome por mais um ano] e se tornou um depositário de textos da área de humanidades. O blogue saiu do ar com exatos 2.496 arquivos – não necessariamente livros, porque colocávamos também capítulos de livros, alguns de livros que surgiram inteiros no blogue tempos depois.

Com isso meu critério passou a ser o seguinte: se alguém enviava o arquivo eu publicava, independente do ano de publicação e seu estado no mercado [se era lançamento ou texto fora de catálogo]. Porém eu só escaneio obra esgotada e que seja difícil de encontrar.

O perfil de seleção era bem básico: textos da área de humanidades ou correlatos. Tínhamos de obras do Will Eisner a livros sobre lógica. De autores brasileiros contemporâneos a material de ensino de língua estrangeira. De Sociologia a Ecologia. Majoritariamente entravam livros em português, mas tínhamos muitas obras em espanhol, inglês, italiano, alemão e francês.

Quantos usuários o blog tinha e qual o perfil deles?

No começo o público era quase que inteiramente uspiano. Nos últimos tempos era majoritariamente universitário, com visitas de todas as partes do globo. De estudantes de Nova Orleans [‘terra’ de um grande entusiasta do blogue, o professor Idelber Avelar] a visitantes dos PALOP [Países Africanos de Língua Portuguesa]. Pelos e-mails de pedidos que eu recebia dava para traçar um perfil mínimo: são estudantes de universidades brasileiras com péssimas bibliotecas. É comum eu receber pedidos do tipo “preciso do livro tal para minha iniciação científica mas não o temos aqui e vi no dedalus [sistema de consulta da USP] que a biblioteca da FFLCH tem”. Não consigo – pelos dados informados pelo WordPress – determinar quantos visitantes únicos o blog recebia diariamente. Nos últimos meses a média de pageviews/dia passava de 10 mil. Em um ano no WordPress [antes o blogue estava abrigado no blogspot] passamos dos 1,8 milhões de pageviwes, uma média de quase 5 mil/dia.

Antes desse episódio recente você já havia tido algum outro problema?

Sim. Desde o começo links são retirados do ar. E logo depois, claro, eu colocava de volta. Ficamos – eu e ABDR [Associação Brasileira de Direitos Reprográficos] – neste gato e rato até o fim. Quando o blog ainda estava no Blogspot recebi do Google um aviso sobre infração às leis americanas de Direito Autoral. Daí mudei pro WordPress que é [ou achei que era] mais flexível. Algumas editoras me davam mais trabalho, como a Jorge Zahar e os livros do Zygmunt Bauman [“capitalismo parasitário” era o que tinha mais links retirados] mas nunca passou disso. Denúncia para os sites de hospedagem dos textos e livros. E é preciso dizer, apesar de óbvio, que não fui o responsável pela primeira disponibilização de quase todo o conteúdo do blogue. Mais procurei, editei e organizei num único centro os textos do que outra coisa.

Por que o blog saiu do ar?

Fora os e-mails da ABDR, nunca recebi nada de mais substancial. Nos últimos dias a Editora Sulina [inexpressiva, de quase 3 mil livros que tenho em casa apenas 3 são editados por ela] – seja por seu perfil ou de seu editor no Twitter – reclamou muito do blog e disse que tomaria medidas contra. E dias depois, sem aviso prévio, o WordPress retirou o blog do ar. E, se não me engano, temos 3, no máximo 5 livros dela. Honestamente, não sei apontar [até porque alguns – como os livros do Maffesoli, hoje editado pela Sulina – são de edições anteriores, como as da Brasiliense] quais são os livros reclamados. Editoras como a Companhia das Letras, que tem cópias de milhares de livros rodando na internet, nunca se manifestaram.

Algumas pessoas defenderam o blog dizendo que ele era como uma biblioteca pública. Concorda com a comparação?

Acredito que a comparação é ruim – posto que o blog é apenas um paliativo que nasceu das péssimas condições das bibliotecas públicas do país – porém não de todo despropositada. O blog era gratuito [tempos atrás fizemos um rateio com doações diversas para a compra de um hd para becape dos arquivos] e acessível para todos. Como uma biblioteca.

E o que você acha da crítica de que o blog desrespeita a legislação vigente?

Bem, é óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente. Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país. O blog é tão ilegal quanto a cópia xerox nas universidades os sebos de livros antigos. E sem sebo e xerox uma universidade não funciona. Das bibliotecas universitárias a Florestan Fernandes [biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP] deve ser uma das 3 ou 4 mais completas do país. E mesmo contando com determinada obra, o número de volumes é insuficiente.

Um exemplo prático: O livro “O demônio da teoria” ficou por anos esgotado [foi reeditado no ano passado – e eu comprei o meu exemplar!] e possuía 3 exemplares na Florestan. Emprestei o livro, escaneei e hoje milhares de outros estudantes tiveram acesso a um texto fundamental para o estudo da teoria literária. A revisão da lei é uma necessidade de nossos tempos. Acreditava muito em avanços durante a gestão Gil/Juca no MEC. Mas o retrocesso defendido por este ministério novo é assustador.

Sem uma revisão da Lei de Direito Autoral que tente equilibrar estas duas demandas teremos mais problemas como este. As editoras de livros preferem seguir o estúpido caminho das gravadoras. E, se não acordarem logo, terão o mesmo destino.

Como possível futuro autor de obras acadêmicas, você consideraria normal que seus livros fossem distribuídos de graça?

Claro! Ainda mais se eu estiver vinculado a alguma universidade pública. A questão não deve ser essa. É óbvio que o autor deve ter remuneração por sua produção. Mas não podemos aceitar como normal que o critério para acesso a um texto [que é produto de sua época e dialoga com toda uma tradição intelectual – seja de domínio público ou não] seja o econômico. Um estudante sem dinheiro para pagar R$ 100 numa obra deve ser desprezado? Acredito que o direito ao acesso e a difusão do conhecimento se sobreponha ao do autor de receber dinheiro por sua obra.

Outro exemplo prático: quando ingressamos na Letras-USP usamos em elementos de linguística o livro “Introdução à linguística” [volumes I e II] editado pela Contexto. O livro é organizado por um professor da USP e os autores dos capítulos são também professores da casa, todos contratados em regime de dedicação exclusiva, além de contar com verba da órgãos públicos [Capes, CNPq, fapesp] de fomento. É justo que este profissional exija de 850 ingressantes [isso só na USP, o livro é usado em outras Instituições de Ensino Superior também] a compra dos dois volumes? E, principalmente, quem recebe este dinheiro? Porque os autores [são mais de dez por livro] recebem centavos de cada edição vendida por quase R$ 40 nas livrarias. Outra situação comum [desculpe se me concentro muito na USP, mas é de onde sou e de onde vejo tudo]: livro escrito por pesquisador da USP, editado pela EDUSP ou pela Humanitas [editora da FFLCH] e sem exemplar nas bibliotecas da USP. Se não há cópia nas bibliotecas, por qual motivo não devemos copiá-los?

Por último, duas considerações. A primeira pessoal: Sem a contribuição de centenas de outras pessoas – sejam estudantes universitários ou não – o blog jamais existiria. Sou apenas quem procura na net, organiza os arquivos e escaneia dois ou três livros por mês. E, ao contrário do que acreditam editores como este da Sulina, sou do tipo que não possui e-reader, só usa xerox quando não tem jeito e ainda gasta meio salário mínimo por mês em livros físicos. O livro pirata não tira público do livro “oficial”. Não acho que a cópia pirata seja a responsável pelo número cada vez menor nas tiragens das editoras. Acredito no que disse o Gaiman quando veio pra Flip: “O inimigo não é a ideia de que as pessoas estão lendo livros de graça ou lendo na internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem.”

A outra é de apoio político. Desde intelectuais do porte de Eduardo Viveiros de Castro e Idelber Avelar a novos pensadores e escritores como Eduardo Sterzi, Veronica Stigger e outros tantos [muitos deles seguidores do perfil do blog no Twitter] apoiam o blog. Todos os que citei aqui possuem obras no blog e deixaram de ganhar [segundo o cego argumento de alguns editores do país] algumas dezenas, talvez centenas, de reais. E não ficam bravos com isto. Pelo contrário, como certa vez tuitou o professor Avelar: “Piratearam meu 1º livro! Tá na net pra baixar. E eu, como autor, gosto disso: http://bit.ly/ikvMaR #PegaECAD”

Por Miguel Conde | Prosa Online | 29/04/2011

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Cátalogo e Conteúdo para Livros Digitais

Autores querem campanha contra pirataria de livros


Inglaterra: Alguns autores ingleses de livros pediram para que seja lançada uma campanha contra a pirataria de livros. Eles se referem a obras digitalizadas baixadas pelo torrent. O autor britânico de romances policiais David Hewson, por exemplo, quer o slogan: “Pessoas que amam livros não roubam livros“. As informações são do jornal The Guardian.

O mais recente livro de Hewson,The Fallen Angel, é uma das mais baixadas obras digitais no Torrent. O lançamento foi em fevereiro, e em menos de uma semana, o livro já estava disponível para download.

O agente literário do autor britânico, Carole Blake, diz que todos dias sem falhar o Google manda alertas de novas edições pirateadas de Hewson. “É uma guerra de muitos fronts“, afirmou Blake.

O romacista Chris Cleave é outro artista que se junta ao coro de Hewson. Ele diz que entende quem baixa as músicas, mas acredita que com uma campanha a pirataria diminuiria significativamente. “Eu não os culpo. Mas também não sou rock star que pode viver com o merchandising ou o meu rosto em camisetas“, reclamou Cleave.

Já Hewson manifestou inconformidade contra quem administra sites torrent, que ganham em cima de seu livro. “Sou eu que gasto a vida inteira pra fazer um livro, não eles. Eles também não são Robin Hood, que tira dos ricos e dá para os pobres. São ofensivos“, concluiu o autor.

The Guardian | Portal Terra | 10/03/2011

O que os poderosos pensam do DRM e uma explicação do conceito de nuvem


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 16/02/2011

Um dos meus últimos posts teve como base só uma coisa: minha frustração com o que sinto ser a tendência daqueles que se opõem ao uso do DRM de afirmar que os defensores da proteção acreditam que ela evita, ou ao menos desencoraja bastante, a pirataria. Sei que não é verdade comigo e suspeito que não seja verdade entre os poderosos da indústria de livros, tanto do lado das editoras quanto dos agentes.

Concordo com a opinião dos oponentes do DRM de que o apoio a esse tipo de proteção não tem muita base em dados significativos apesar de que, na verdade, não existem muitos dados em nenhum lugar. Por alguma razão, parece que o lado anti-DRM acha que você precisa ter provas convincentes para justificar o apoio para manter o DRM, mas não é uma exigência para defender sua remoção. Mas está claro que minha proposta – de que é bastante impreciso acusar todos os apoiadores da DRM de acreditarem que é possível acabar com a pirataria com o uso da proteção – pode ser pesquisada. Então foi isso que fiz.

Nove executivos de alto nível em sete editoras top, mais quatro agentes literários com clientes muito conhecidos [um deles também tem experiência do lado editorial], responderam às três perguntas que mandei por e-mail.

1. Você acha que DRM é necessário para proteger as vendas de e-books dos títulos mais comerciais?
2. Você acha que o DRM é eficiente contra a pirataria?
3. Você acha que o principal benefício do DRM é prevenir a troca informal de livros?

Fui transparente: Falei às pessoas que minha opinião era “sim”, “não”, “sim”. Tenha quase certeza de que minhas opiniões não influenciaram nenhuma dessas pessoas.

Onze dos 13 concordaram comigo que DRM é necessário para proteger as vendas. Dez dos 13 concordaram comigo que DRM não é um método eficiente contra a pirataria. E 12 dos 13 concordaram comigo que o principal benefício do DRM é evitar a troca informal!

Não sei quantos oponentes do DRM tem o interesse ou a paciência para ler esse blog, mas notem. Ou é pouco confiável ou pouco sofisticado [ou os dois] usar “isso não acaba com a pirataria” como argumento contra o DRM. A maioria das pessoas que apoia o uso de DRM sabe disso e concorda. Não é nenhuma novidade. Você poderia também tentar persuadir o outro lado dizendo que DRM não cura o câncer. Concordamos nesse ponto também.

Os dados me deram uma grande surpresa. Dois dos quatro agentes disseram que não acreditam que o DRM é necessário [de nenhum jeito] para proteger as vendas dos e-books. [Nenhum dos editores votaram dessa forma.] Quatro é uma pequena amostra para chegar a qualquer conclusão, mas poderia demonstrar que minha suposição de que editores promovem o uso universal do DRM porque os agentes os obrigam é um pouco exagerada.

Muitos dos que responderam deram, voluntariamente, pensamentos adicionais e detalhes que também continham alguma informação interessante. Um alto executivo de uma das Big Six americanas, que é uma pessoa analítica e que sempre se baseia em dados, informou que “dos principais títulos nossos que foram pirateados, todos foram escaneados, nenhum era de e-books protegido por DRM.” [Acho isso bastante surpreendente. Ele mina a alegação frequente – que sempre tive a tendência a aceitar – que o DRM é uma barreira fútil contra a pirataria por ser tão facilmente quebrada. Se isso for verdade, por que as versões pirateadas que os editores encontram não vem de e-books com a DRM destravada? Algo está errado aqui.]

E outro executivo, provavelmente ecoando a mesma observação a partir de provas em sua editora, disse que achava que eu estava errado e que DRM realmente diminuía a pirataria, mas acrescentou que “DRM precisa começar muito antes na cadeia de produção para ser eficiente.”

Claro, essas observações exigem mais pesquisas como aquelas que o Brian O’Leary defende. Versões pirateadas feitas de manuscritos não podem ser lidas tão bem quanto uma cópia destravada de um e-book preparado a partir da versão final revisada. Será que algumas pessoas que começam a ler um livro pirata depois decidam comprar o e-book legítimo? Essas cópias poderiam estimular as vendas e os editores seriam mais inteligentes se não as perseguissem? Acho que não temos essa resposta.

Um dos dois agentes que descartou o DRM e respondeu “não” disse o seguinte [algo que na verdade o coloca mais perto da minha posição, apesar de que a nossa interpretação é que sua resposta foi diferente]: “Devemos também perceber que as trocas informais sempre foram uma prática comum com livros físicos. Os únicos títulos que poderiam valer a pena colocar DRM seriam enormes best-sellers onde poderia existir alguma erosão nas vendas. [Um parênteses aqui: Nós concordamos que a troca informal seria mais complicada entre os livros com maior venda.] Todo o resto – especialmente os menores títulos – na verdade se beneficiaria de trocas informais porque precisam de uma base mais ampla de leitores para construir uma pirâmide decente de vendas. Nos títulos menores, duvido que os “trocadores informais” comprem os títulos, mas eles poderiam recomendá-lo se tivessem um exemplar. Sei que muitos editores agora estão distribuindo [ou vendendo bem mais barato] títulos de autores de seu catálogo com a esperança de construir seus nomes. Se há uma lição em tudo isso, é que o meio digital pode ser usado numa variedade de formas e não deveríamos ficar paralisados pelo DRM, exceto para os grandes autores, como notamos acima.”

Recebi as melhores respostas de um executivo que acredita, como eu, que os problemas de pirataria e a necessidade de DRM vão diminuir quando adotarmos cada vez mais e-books baseados na nuvem sem que seja necessário fazer download. Numa frase bastante provocativa, esse executivo disse que apoiava o DRM para vendas de e-books com download porque “se você lançar o Código Da Vinci sem DRM ele passaria de mão em mão como uma prostituta barata numa festa de estudantes!” Mas sua explicação da nuvem se encaixa melhor para audiências familiares.

“Não existe realmente um problema de pirataria, mas não existe nenhuma alternativa verdadeira ao DRM que não seja a nuvem. A nuvem significa que você compra um produto [PS: Eu pessoalmente diria que você “licencia algum conteúdo”, não que “compra um produto”] e ganha o direito de acessar em todo aparelho que possui – conquanto que forneça as credenciais de propriedade. A nuvem significa que você trabalha somente dentro de uma plataforma e que a plataforma exige suas credenciais para acessar seus trabalhos – então isso é, na verdade, DRM – mas não é, exatamente. Dito isso, para que a nuvem funcione, precisa proteger os arquivos quando são baixados – e isso acaba sendo DRM.

O mundo todo está se afastando do download, então o DRM está se tornando irrelevante – somente os fanáticos de bibliotecas e os digerati se importam com isso. Os caras da biblioteca estão loucos por entenderem que não existe lugar para eles num mundo que torna todo o conteúdo acessível aos usuários em qualquer lugar, em qualquer momento – e acham que o DRM é o inimiga de tudo que é bom. Os digerati odeiam o DRM porque, bem, acreditam que está atrapalhando seu reino digital utópico.

Então, a nuvem nos afasta do “download e posse”. Isso pode funcionar? Bom, se você usa gmail e acha que funciona, aí está sua resposta. Por que não funcionaria para acessar, da mesma forma, o conteúdo que licenciou? E por que não funcionaria para proteger material com direitos autorais se dar acesso a outra pessoa para o que você possui direito a ver seria o equivalente a dar acesso a seu e-mail? Baseando-me nessa experiência, isso seria proteção suficiente para me satisfazer. Qualquer compartilhamento que acontecesse sob essas condições não seria informal.

Por Mike Shatzkin | PublishNews | 16/02/2011

Apple bloqueia iBooks em iPhones, iPads e iPods com jailbreak


A batalha entre a Apple e os usuários que fazem jailbreak já se arrasta por anos. Desde que o primeiro jailbreak foi lançado a Apple tenta corrigir as falhas do iOS exploradas por eles e os desenvolvedores do método tentam encontrar novas. Essa semana, no entanto, a empresa de Steve Jobs mandou um recado bem dado para quem usa o aplicativo iBooks e curte o jailbreak: nada mais de ler livros digitais.

Com a última atualização, liberada na semana passada, o iBooks passou a não abrir em dispositivos que receberam jailbreak. A Apple pode ter feito isso por vários motivos, mas o principal deles envolve o DRM de livros comprados na loja. Com o jailbreak, fica mais fácil dos livros terem sua proteção contra cópia retirada, permitindo a distribuição ilegal dos arquivos.

Segundo o desenvolvedor para plataforma iOS Comex, a empresa executa um teste bem inteligente para detectar o jailbreak. Ao abrir o aplicativo iBooks, ele cria um aplicativo fantasma com código não-assinado e tenta executá-lo. Se ele for executado com sucesso, o iBooks detecta que o aparelho sofreu jailbreak, mostra um aviso na tela pedindo para restaurar o dispositivo e fecha. Caso contrário, abre normalmente.

Apesar do jailbreak não ser considerado ilegal, a Apple diz que ele quebra a garantia e abre o dispositivo para hackers e por isso tenta de qualquer forma coibir o seu uso. Essa é só mais uma das cartas na manga da empresa.

Por Rafael Silva | Publicado originalmente em Tecnoblog | 15/02/2011 | Via Read Write Web

Cópias ilegais só devem aumentar, diz especialista


Carlos Mendonça, diretor comercial e de marketing da DigiSign

Tenho certeza que a situação só irá piorar”, sentencia Carlos Mendonça, especialista em segurança digital, ao comentar o crescente número de downloads ilegais de livros digitais. Para o engenheiro, diretor da empresa DigiSign, que atua em proteção de conteúdo, apenas o uso de sistemas de codificação e criptografia atualizados, como os utilizados nas urnas eletrônicas, pode barrar a pirataria. Leia abaixo a entrevista.

O mercado editorial está marchando inexoravelmente para uma explosão da pirataria a partir da popularização dos leitores de livros digitais?

Sem dúvida. Não devemos nos esquecer que esses dispositivos de leitura adotam padrões de Gestão de Direitos Digitais [DRM, na sigla em inglês] fracos. Os DRMs mais disseminados no mercado, incluindo os do Kindle e do iPad, já foram quebrados, pelo simples fato de que foram construídos com tecnologias de proteção ultrapassadas. Segundo pesquisa da empresa de softwares antipirataria Attributor, a procura por livros pirateados diariamente é estimada em 3 milhões de consultas no mundo.Essa é também a realidade do Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Direitos Repro­gráficos [ABDR], sua equipe técnica retirou do ar mais de 15,7 mil links para downloads ilegais de livros digitais entre agosto de 2009 e janeiro de 2010. Nesse mesmo período, foram detectados mais de 500 mil downloads ilegais de livros digitais no país. Tenho certeza que esta situação só irá piorar.

É possível criar um sistema de autoração e transmissão seguro, que impeça cópias ilegais? As indústrias fonográfica e cinematográfica, consideradas mais fortes, não conseguiram…

Já existem no país e no mundo tecnologias adequadas para criar DRMs fortes e que protegem qualquer conteúdo digital. São tecnologias de certificação digital e criptografia, as mesmas utilizadas no Imposto de Renda via internet, na urna eletrônica e no sistema financeiro. Elas protegem o conteúdo digital, que pode ser texto, som ou imagem, em toda a cadeia produtiva: criação, armazenamento, distribuição e leitura. Tal conteúdo fica criptografado, impedindo a cópia e disseminação na internet ou em outro meio digital pirata.

Creio que industrias fonográfica e cinematográficas superestimaram sua força econômica e tradição, e subestimaram a força da internet. Eles acreditavam que poderiam conter o avanço da pirataria apenas por meios legais; foram atropelados pela tecnologia. Espero que isto sirva de alerta para a indústria editorial e de informação, onde o desrespeito aos direitos autorais também é muito grande.

Em que medida a atual pirataria de livros, com cópias xerox, já afeta o mercado editorial?

Segundo a ABDR, a pirataria de livros didáticos causa um prejuízo superior a R$ 400 milhões por ano às editoras, tanto pela internet quanto por xerox: são estimadas mais de 3 bilhões de cópias por ano, apenas de livros didáticos. Enquanto o número de Instituições de Ensino cresce no país, o numero de títulos publicados diminui. É um grande prejuízo cultural e científico para o país. Creio que o único meio de acabar com isso seria as Ins­ti­tuições de Ensino e as editoras adotarem uma solução que permitisse aos alunos o acesso a todos seus livros didáticos em formato digital, devidamente protegido por um DRM forte, o que desestimularia a cópia xerox.

POR OSNY TAVARES | Gazeta do Povo | 14/11/2010, 00:01

Escritores veem canal de divulgação


Isolados no início da cadeia produtiva, os escritores podem ter no formato digital um canal amplificado para a divulgação de suas obras. “Mais do que isso, é uma oportunidade para que novas editoras surjam. Nada garante que as grandes editoras de hoje, que detém o poder sobre as publicações, sejam as mesmas vinculadoras destes novos meios. Nesse ponto, a criação da App Store [loja virtual da Apple, desenvolvedora do leitor eletrônico iPad] é um questão interessante”, avalia o escritor Joca Reiners Terron, autor do romance Do fundo do poço se vê a lua [Companhia das Letras].

Terron acredita que a pirataria não deve se tornar a inimiga número um dos escritores, ao menos para os de ficção. “Literatura não é uma coisa rentável. Se a pirataria chegar a representar grande perda de receita, será apenas para os escritores de best-sellers e de autoajuda”, estima.

Para o escritor e editor Rodrigo Lacerda, autor de Outra vida [Alfaguara], o tamanho do mercado editorial e as características do produto podem servir como desestimulante para a pirataria. “O risco sempre existe, mas não me parece que isso esteja acontecendo. Nesse sentido, o mercado editorial teve mais sorte do que o fonográfico. Até porque o mercado editorial é menor, tem um produto mais difícil de ser consumido, e tudo isso afasta um pouco a tentação da pirataria”, afirma.

Para ele, os leitores digitais ainda carecem de convergência. “Eu ainda estou torcendo para termos uma só máquina que possa comprar de qualquer livraria virtual do mundo, sem, por exemplo, essa vinculação obrigatória Kindle-Amazon. Para o consumidor, acho que seria muito melhor. Do jeito que está, é como ter um tocador de DVD para cada disco DVD, dependendo do fabricante”, compara.

POR OSNY TAVARES | Gazeta Maringá | 14/11/2010, 00:01

Pirataria desafia livros digitais


A dentista e consultora em tecnologia móvel Beatriz Kunze armazena mais de 300 obras nos dois aparelhos que possui, um Kindle e um Positivo Alfa.

Mercado editorial pode repetir o que correu com as indústrias da música e do cinema, que perderam receita com a popularização das cópias ilegais e da troca de arquivos

Ao mesmo tempo em que iça suas velas rumo ao tesouro representado pelos livros digitais, o mercado editorial pode estar também navegando rumo a um maremoto que já sugou a indústria do disco e do cinema. A pirataria se tornou um risco inerente ao comércio de produtos culturais em formato digital, e a aventura está apenas começando para a setor livreiro.

Experiências anteriores, como as ocorridas nas indústrias fonográfica e cinematográfica, mostraram que a convergência no formato digital está diretamente relacionada a crises por perda de receita. O furo nos bolsos é provocado não somente pela venda de cópias ilegais em mídias gravadas, mas também [e cada vez mais] pela troca de arquivos feitas pela internet.

É um risco que as livrarias ainda não são capazes de precisar. Para as redes varejistas, os danos causados pela pirataria já acompanham o setor desde que as cópias xerox se disseminaram em universidades. Porém, a fotocópia ainda tem um custo marginal, além de ser um processo lento. Esse tipo de entrave desaparece com a digitalização, que permite ao usuário descarregar em seu leitor eletrônico centenas de obras em alguns minutos. “A pirataria não é uma exclusividade do setor cultural. Hoje, atinge até a indústria automobilística, e é muito difícil coibir. Não adianta usar um código de autoração complexo, pois não vai vender”, afirma Sergio Herz, diretor de operações da Livraria Cultura.

Para evitar que o download de livros se torne uma terra de ninguém, Herz acredita contar apenas com o posicionamento do consumidor em relação ao desvio ético representado pela pirataria. “É uma questão a ser tratada com investimento em educação e não em tecnologias de segurança. A pessoa que lê, acho, é mais consciente das coisas. Não sei se a pirataria de livros vai atingir níveis semelhantes ao de CDs e filmes”, expõe. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Software [Abes], para cada CD ou DVD vendido legalmente no país, outros cinco piratas entram em circulação.

Leoni Cristina Pedri, diretora de varejo das Livrarias Curitiba, avalia que o comércio livreiro ainda tateia à procura do melhor modelo de negócio para os similares virtuais. “A demora em iniciar a ampla comercialização é, justamente, o medo da pirataria. Mas, acima de tudo, acreditamos que a nossa vocação é comercializar livros, seja qual for o formato que o cliente desejar”, ressalta.

Crescimento

Em julho, a loja virtual norte-americana Amazon surpreendeu o mercado editorial ao divulgar que, no segundo trimestre deste ano, a venda de livros digitais superou a de livros em papel. Para cada 100 obras em formato tradicional, outras 143 são vendidas em versões para o leitor eletrônico Kindle.

No Brasil, este mercado ainda engatinha. A Livraria Cultura foi uma das primeiras no Brasil a iniciar as operações de vendas de livros digitais. Desde abril deste ano, o site da livraria oferece 120 mil títulos em formato digital, mas apenas 1% é em português. Na avaliação dos livreiros, a demanda brasileira – ainda incipiente – deve aumentar consideravelmente com a chegada dos leitores eletrônicos ao mercado nacional. O iPad, da Apple, deve chegar ao mercado brasileiro até o fim do ano. “É cedo para falar em números, mas atualmente temos um crescimento de 30% a 40% ao mês na venda de livros digitais. No Brasil, existe uma demanda reprimida por leitura a ser explorada”, avalia Herz.

Na vanguarda

A dentista curitibana Beatriz Kun­ze, que também é consultora em tec­­nologia móvel, possui dois leitores eletrônicos: um Kindle e um Positivo Alfa, nos quais armazena cerca de 300 obras. Ela avalia que, por causa da praticidade e do estímulo tecnológico, passou a ler com mais frequência. “Deixo o apa­­relho na bolsa e, sempre que dá tempo, ligo e leio um pouco”, conta.

Entretanto, Beatriz também encontrou desvantagens na leitura virtual: “Os livros técnicos, quando tem muitos gráficos, se tornam difíceis de ler porque a tela é pequena. Por isso, quero também comprar um iPad, que não tem este problema”, almeja.

O economista José Pio Martins, reitor da Universidade Positivo, encontrou também nos leitores digitais uma forma de ter acesso mais fácil a obras não publicadas no Brasil. “A Amazon tem um catálogo de livros de negócios imenso. Você não consegue nem ler a lista completa”, relata.

Pio Martins avalia que as condições de leitura e o conforto para os olhos, em um Kindle, é semelhante ao do papel impresso. “O que se perde é a referência de se ter duas páginas diante de seus olhos”, pondera.

Para Leoni Pedri, das Livrarias Curitiba, a disseminação dos livros digitais vai propiciar a amplificação do mercado consumidor. Como o preço da versão eletrônica de uma obra custa entre 25% a 75% menos que a edição em papel, somado à atratividade causada pela novidade tecnológica, as obras tendem a ter alcance maior entre os consumidores.

POR OSNY TAVARES | Gazeta Maringá | 14/11/2010, 00:01