A eterna luta do mercado editorial contra a pirataria


Entre janeiro e a última quarta, 16, foram excluídos, de sites brasileiros e estrangeiros, 125.650 links que ofereciam, gratuitamente, livros protegidos por direitos autorais para download. 5% dos sites notificados pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] ainda não atenderam o pedido e podem ter de responder na Justiça – caso a identidade dos responsáveis seja conhecida. No caso do Le Livros, citado na coluna da semana passada, há mais de um ano, a entidade segue seus passos na tentativa de tirá-lo do ar. Na lista de livros mais pirateados em 2015 – 80% em PDF –, estão títulos esgotados, caros ou baratos. Portanto, não há lógica. Em janeiro, o campeão foi O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick; em abril, A Tríade do Tempo, de Christian Barbosa; em julho, O Livro Negro do Comunismo, de Stephane Coutois; em outubro, A Dominação Masculina, de Pierre Bordieu.

Confira o ranking completo

Janeiro – O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick [331 links]
Fevereiro – Sem Clima para o Amor, de Rachel Gibson [485 links]
Março – Procura-se um Marido, de Carina Rissi [724 links]
Abril – A Tríade do Tempo, de Christian Barbosa [724 links]
Maio – 50 Anos a Mil, de Lobão [299 links]
Junho – Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal, de Alan e Barbara Pease [396 links]
Julho – O Livro Negro do Comunismo, de Stephane Curtois [174 links]
Agosto – Conversando com os Espíritos, de James Van Praagh [198 links]
Setembro – Tratado de Fisiologia Médica, de Guyton & Hal [134 links]
Outubro – A Dominação Masculina, de Pierre Bordieu [160 links]
Novembro – Direito Civil Esquematizado, de Pedro Lenza [169 links]
Dezembro – Empreendedorismo, de Idalberto Chiavenato [244 links]

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo, Babel | 19/12/2015

É tudo free


Há pouco mais de um ano, a coluna Babel comentava a descoberta das editoras: o Le Livros. Com milhares de títulos para download gratuito, o site já estava no ar havia dois anos. Os editores se agitaram e acionaram os advogados na tentativa de proteger seus livros e os direitos autorais. Hoje, de acordo com a própria coluna, continua tudo igual.

O Estado de S. Paulo | Maria Fernanda Rodrigues | 12/12/2015

Pirataria na mira: editoras descobrem novo site com livros


Marcio Fernandes/Estadão

Marcio Fernandes/Estadão

Às vésperas do segundo aniversário [pelo que dizem na apresentação], só agora o site Le Livros começa a ser descoberto por editoras brasileiras. Ali, podem ser lidos ou baixados [epub, mobi e pdf] mais de 3 mil livros em português, incluindo os lançamentos O Irmão Alemão, de Chico Buarque; Eternidade Por Um Fio, de Ken Follett; e O Capital no Século 21, de Thomas Piketty. Sem pagar nada. É o site mais profissional já criado em português para esse fim polêmico – a discussão pirataria X acesso à cultura é antiga. Há dois meses, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos recebeu a primeira denúncia de um autor. Uma ou outra editora também reclamou. A Record, por exemplo, só tomou conhecimento na quinta, pelo Estado. O passo agora é descobrir os responsáveis e tomar providencias jurídicas – para a tristeza dos mais de 400 mil seguidores no Facebook [muitos dos quais profissionais do mercado editorial e escritores].

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 28 novembro 2014 | 21:18

Sebo de eBooks já é realidade na Holanda,


Plataforma holandesa permite a compra e a revenda de livros digitais

Tom Kabinet

Na Holanda, os leitores de e-books podem revender seus livros digitais “usados”. É que foi lançada por lá a e-bookStore Tom Kabinet oferecendo o serviço de venda de livros digitais “usados”. A loja entrou no ar em junho do ano passado, mas as editoras holandesas recorreram à justiça contra a Tom Kabinet. A loja teve uma vitória parcial e voltou às operações recentemente. A Justiça holandesa entendeu que as vendas de e-books usados no país não é ilegal, mas que a Tom Kabinet não tinha tomado medidas suficientes para evitar a pirataria. A princípio, a Tom Kabinet limitou a venda de livros com DRM livre e de ePubs com marcas d´água digitais. Como medida contra a pirataria, o site adicionou marcas d´água digitais em livros que passaram pela loja, mas isso não foi suficiente para o Tribunal de Amsterdam. Como resposta à Justiça, a Tom Kabinet decidiu que compraria de volta apenas os e-books vendidos pelo site, ou seja, os usuários que compraram e-books “novos” no site da Tom Kabinet poderão revendê-los. No próprio site, há uma seção especial para explicar a pendenga judicial em que se envolveu. “Ao oferecer também novos e-books, eu resolvi o meu problema! e-Books novos que você compra em Tom Cabinet podem ser facilmente vendidos. Basta você entrar na sua conta onde poderá visualizar os e-books que você já comprou. Clique nos livros que você quer vender, defina o seu preço e pronto! Ele está à venda”, explica o processo de compra e revenda de e-books.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 20/02/2015

Editores falam sobre a ameaça da internet


Empresas criam artifícios para combater a pirataria

FRANKFURT – No boletim mensal que envia a seus associados, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros lista as dez obras que foram mais pirateadas na internet no mês anterior. E, entre os títulos, há tanto de ficção como de não ficção – ironicamente, em setembro, ostentava o segundo lugar o romance A Menina que Roubava Livros [Intrínseca], do australiano Markus Zusak, que há anos faz sucesso no Brasil.

Não temos condições de dimensionar quantos downloads de cada obra são feitas por dia, apenas temos um software que vasculha a rede em busca de sites piratas, que oferecem os títulos gratuitamente de forma ilegal”, comenta Sônia Machado Jardim, presidente do Snel e executiva da editora Record. “Tão logo detectamos um site, entramos na Justiça para impedir a pirataria. Mas, é como enxugar gelo, pois para cada site fechado, outro é rapidamente aberto.

De fato, com o avanço tecnológico, um livro ocupa uma parte ínfima de um arquivo, exigindo apenas alguns segundos para a transferência completa de seu conteúdo. E, graças à tecnologia e-ink presente nos e-readers, um livro eletrônico pode acomodar milhares de textos em um único arquivo do tamanho de um vídeo. “É incrível a facilidade”, comenta Sônia.

Feira. Visão hiper-realista do pavilhão pelo alemão Von Hassel Como ainda não há uma jurisdição específica para o tema, o que implicaria, por ora, na violação dos direitos do cidadão, a solução prática é aumentar o policiamento e a filosófica é acreditar na conscientização dos usuários.

Feira. Visão hiper-realista do pavilhão pelo alemão Von Hassel
Como ainda não há uma jurisdição específica para o tema, o que implicaria, por ora, na violação dos direitos do cidadão, a solução prática é aumentar o policiamento e a filosófica é acreditar na conscientização dos usuários.

Desde que o Snel começou a apoiar a operação de busca e notificação de oferta de cópias piratas na web, percebemos que número de ofertas e de download tem se mantido alto, independentemente do crescimento da oferta de e-books, aumento no número de livrarias digitais e da distribuição de dispositivos de leitura”, comenta Roberto Feith, da Alfaguara/Objetiva. “Perdura um fenômeno de comportamento bastante curioso: pessoas que seriam absolutamente contra a ideia de alguém entrar numa livraria, escolher meia dúzia de livros e sair sem pagar, acham perfeitamente normal fazer o mesmo no formato digital. Enquanto a sociedade como um todo não compreender que a remuneração do trabalho do autor, em qualquer formato, impresso ou digital, é fundamental para preservar a produção de cultura e conhecimento, a pirataria digital continuará como um grave problema para todo o universo dos livros.

O mesmo pensamento é compartilhado por Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras. Para ele, a disposição de reconhecer o livro como o trabalho de um conjunto de pessoas é fundamental para controlar a ilegalidade. “Ao menos não vivemos a mesma situação que a Espanha, onde a pirataria quase liquidou com o mercado digital do livro”, comenta.

Um dos mais importantes centros editoriais da Europa, a Espanha foi surpreendida quando, em 2010, os downloads ilegais de livros digitais saltaram para 35% do total do mercado, frente a 19% do ano anterior. Por conta disso, estima-se em 400 milhões de euros o total da perda só no primeiro semestre daquele ano, número superior ao correspondente de todo 2009.

O fenômeno logo se tornou assunto de Estado. Ainda em 2010, a Federação de Grêmios de Editores da Espanha revelou que, em abril, a pirataria digital havia superado todas as fotocópias ilegais de 2009, a pirataria da pré-história. O surgimento dos tablets e sua rápida difusão eram apontados como principais responsáveis.

Já na Rússia, o que os editores esperavam se transformar em uma nova fonte de receitas – conteúdos comercializados por meio de dispositivos eletrônicos – quase se converteu em um buraco negro. Lá, com o surgimento de novas ferramentas digitais, subiu para 70% a quantidade de russos que leem e-books. O problema é que 92% desse total admitiu baixar seus livros gratuitamente na internet. Para se ter uma ideia da gravidade dessa cifra, nos EUA o número não passa de 12%.

Apesar do tremendo malefício provocado na indústria, a pirataria é vista, muito particularmente, como um selo de garantia. “Com exceção dos técnicos, normalmente obrigatórios, os livros de ficção, quando copiados ilegalmente, servem para nós como sinal de aceitação”, conta um editor, que pede anonimato. “Afinal, ninguém vai perder tempo pirateando porcaria.

A prática, aliás, também não auxilia na definição do perfil do leitor que busca download gratuito proibido. “Não se pode dizer que se trata, em sua maioria de jovens, só porque eles dominam as ferramentas da internet”, acredita o escritor Eduardo Spohr, raro exemplo de sucesso que começou na web e que se transferiu para uma grande editora, a Record, na qual publica, desde 2011, a série Filhos do Éden. “Percebo nessa meninada uma adoração pelo livro como objeto de colecionador. Assim, quando eles não resistem e baixam algum arquivo ilegal, é normalmente para ter uma ideia de como é a trama – algo como, em uma livraria, ler a orelha e os primeiros capítulos do volume para ter a certeza da escolha.

Idêntica impressão tem Paulo Rocco, presidente da editora que leva seu nome. “Os fãs baixam, sim, arquivos ilegais, mas é porque querem ter o sabor de serem os primeiros a descobrir a nova edição”, acredita. “Depois, com o livro lançado, eles compram.

Rocco enfrentou um verdadeiro ataque na web quando publicava a saga do bruxinho Harry Potter, entre 1997 e 2011, dividida em sete volumes que venderam mais de 600 milhões de cópias em todo o mundo. Segundo ele, o mais comum era algum fã afoito adquirir um exemplar do original em inglês e, depois de passar madrugadas traduzindo de forma atabalhoada, colocar sua versão na internet. “Normalmente, era rejeitada porque mal escrita.

O editor, no entanto, realmente ficou surpreso com a audácia de alguns leitores que, como verdadeiros hackers, conseguiram invadir o computador da tradutora Lia Wyler em busca de seus arquivos sobre a série. “Fomos obrigados a acomodar a Lia em uma sala na editora, onde mantinha contato direto com os editores, conseguindo assim terminar sossegadamente a tradução.

O desejo de um fã, realmente, não tem limite. Sônia Jardim conta que determinada obra da americana Meg Cabot, autora da famosa série O Diário da Princesa, certa vez, já estava disponível na internet enquanto o livro ainda rodava na gráfica. “Isso revela que, a partir do momento em que o texto sai do computador e viaja para alguém na editora e daí para a gráfica, existem diversos pontos frágeis, que abrem brechas para o vazamento do conteúdo”, explica.

Para tentar ao menos detectar em qual ponto aconteceu o desvio, Rocco [assim como diversas editoras] instituiu diferentes marcas d’água que ficam nas páginas e identificam quem detinha aquele arquivo pirateado. “Assim, conseguimos ter uma ideia de quem poderia ter feito o desvio.

Medidas como essa formam conjunto de defesa arquitetada pelos editores, que contam ainda com rastreadores na internet e eficientes escritórios de advocacia, que notificam os infratores. Isso enquanto aguardam uma definição da Justiça, que poderia ter vindo com o projeto de lei 5937, apresentado no ano passado e examinado pela comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

O projeto pedia a “proibição de publicação de conteúdo na internet sem autorização prévia do autor”. Ainda estabelecia que o usuário ou provedor que disponibilizem conteúdo na internet sem autorização prévia autor devem ser responsabilizados por danos gerados. A deputada Iara Bernardi, relatora do processo, rejeitou-o, alegando que apenas o Poder Judiciário pode julgar se determinado conteúdo fere os direitos autorais.

Os 10 Livros Mais Pirateados em Agosto [fonte Associação Brasileira de Direitos Reprográficos]

1) Atlas de Anatomia Humana;
2) A Menina que Roubava Livros;
3) Alienação Parental;
4) As 48 Leis do Poder;
5) Álgebra Linear;
6) A Náusea;
7) A Vida Como Ela É;
8) A Torre Negra;
9) As Sete Leis Espirituais do Sucesso;
10) Anatomia Humana – Atlas Fotográfico Anatomia.

Por Ubiratan Brasil | ENVIADO ESPECIAL À FRANKFURT | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 11 Outubro 2014 | 03h 00

Leitura pirata


No topo do ranking dos livros mais pirateados no Brasil estão O símbolo perdido, de Dan Brown [Arqueiro], Metro 2033, de Dmitry Glukhovsky [Planeta], e O Grand Gatsby, de F. Scott Fitzgerald [Cia. das Letras]. Entre as obras nacionais aparece O Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte [Panda Books], segundo levantamento da ABDR [Associação Brasileira de Direitos Reprográficos], indicou Mônica Bergamo. A cada mês, oito mil links usados para downloads ilegais em sites de compartilhamento são excluídos da rede. No levantamento, em agosto, figuram também obras de direito e de medicina.

Por Mônica Bergamo| Folha de S. Paulo | 27/09/2014

Bibliotecas digitais contra a pirataria


Além de ampliar acesso aos livros e à leitura, as bibliotecas digitais representam uma boa forma de evitar a pirataria. Quem diz isso é a nova presidente da Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos, ABDR, Amarylis Manole.

Amarylis assume com a tarefa de combater a pirataria, que provoca um prejuízo ao mercado editorial brasileiro de R$ 1 bi por ano. Eis o que ela diz a respeito: “Essas iniciativas representam novas modalidades de acesso a conteúdos de livros e, certamente, representam boas formas para evitar a pirataria. Temos que facilitar o acesso aos conteúdos de livros para os leitores e essas iniciativas irão facilitar esse acesso.” A íntegra da entrevista dela concedida ao PublishNews pode ser acessada aqui.

Por Galeno Amorim

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio


POR EDNEI PROCÓPIO

Hoje, terça-feira, dia 25, às 18h30, estarei lançando [simultaneamente em versão impressa e digital] o meu terceiro livro sobre os eBooks. Será na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, aqui em São Paulo, e tenho o prazer convidar os colegas que acompanham este blog.

Na ocasião, ministrarei uma palestra sobre assunto onde tratarei dos dois eixos centrais que considero importante para a boa manutenção do mercado editorial brasileiro. O primeiro seria o eixo econômico, aquele que viabiliza e sustenta toda a cadeira produtiva do livro. E o segunda eixo é o político que, inevitavelmente, precede o primeiro quando se trata de políticas públicas voltadas ao livro em especial as bibliotecas públicas digitais, os livros digitais didáticos, etc…

Nos meus primeiros dois livros, eu já havia tratado e, de certo modo, refletido toda uma revolução tecnológica prevista por inúmeros especialistas como Michael Hart, Don Tapscott, Chris Anderson e Tim Berners-Lee, líderes que aprecio e cujas ideias projetaram as mídias digitais ao mainstream.

Costumo sempre reafirmar em minhas palestras, cursos e entrevistas que esta revolução tecnológica não só, finalmente, alcançou o mundo dos livros como também transformou profundamente a realidade de seu mercado criando novos horizontes, possibilidades e, claro, desafios. E a questão central agora são exatamente os desafios. O mercado editorial, mesmo com sua consagrada manufatura de produção cultural, alcançou níveis alarmantes de riscos em seu histórico modelo de negócios.

Modelo de negócios para os livros digitais é, portanto, neste meu novo livro, a preocupação central. Nele, faço uma análise profunda do futuro mercantil dos livros frente a uma iminente revolução causada pelo advento da Internet. Em “A Revolução dos eBooks” busco desmistificar os livros digitais usando conceitos básicos que ajudarão profissionais a desbravarem o que considero como um cenário único de oportunidades.

Nos vemos lá! Eddie

Amazon diz que toma ‘medidas cabíveis’ em casos de pirataria


Empresa divulga dados de editores de obras irregulares quando ‘apropriado para cumprimento da lei’

Levei quatro anos para traduzir. É claro que me aborrece‘, diz tradutor que teve trabalho vendido ilegalmente

Por dois anos, as traduções do carioca Fernando Py para os sete volumes de “Em Busca do Tempo Perdido” foram comercializadas irregularmente na plataforma de autopublicação da Amazon.

Cada um dos sete livros era vendido a R$ 8,31, sem a identificação de Py nem a anuência da Ediouro, para a qual ele fez as traduções.

Levei quatro anos para traduzir a obra. É claro que isso me aborrece. Nem tanto pelo dinheiro, mas, principalmente, pela exclusão do meu nome como tradutor“, disse Py, ao tomar conhecimento.

No caso, dada a qualidade das edições, não seria melhor se lhe fosse dado o crédito.

Há tantos erros de grafia, de formatação, de português, que fica difícil avaliar a qualidade da tradução e impossível aproveitar a leitura de um escritor que por si é de difícil leitura“, escreveu, em setembro, um dos leitores que criticaram as edições no site.

Questionada pela Folha, a Amazon informou que “medidas cabíveis são tomadas quando descobrimos títulos infringentes em nossa loja ou quando somos notificados por proprietários dos direitos sobre títulos infringentes“.

Sem o conhecimento da Ediouro [cujas edições estão indisponíveis] nem do tradutor, a loja só tirou os e-books do ar após a Folha questioná-la. Por “proteção à privacidade do usuário”, não informou quem os vendia.

Liberamos informações pessoais e sobre contas quando acreditamos que a liberação é apropriada para cumprimento da lei“, esclarece a empresa em seu site.

Há dezenas de edições do gênero à venda na loja brasileira da Amazon [veja ao lado como reconhecê-las].

Casos similares também foram identificados em outros países. Em 2012, depois que uma autora de livros eróticos descobriu dezenas de edições irregulares nos EUA, a rádio americana NPR questionou a empresa a respeito.

Recebeu resposta similar à enviada agora à Folha,e concluiu que, “uma vez que você [o usuário] concorda com os termos [do contrato], a Amazon não é responsável“.

Pela Lei de Direito Autoral brasileira, quem vende uma obra fraudulenta é “solidariamente responsável com o contrafator“. Gustavo Almeida, advogado especialista em direitos autorais, diz que a loja pode ser multada caso não tome medidas após alertas.

Para ele, esse é um exemplo típico do “problema da transição de Gutenberg para o digital”. “É algo a ser contemplado pelo Marco Civil da Internet“, diz, sobre a regulamentação que abrange a responsabilidade de usuários e provedores e que tramita há anos na Câmara.

COMO RECONHECER O CLÁSSICO PIRATA

  • Falta de informações

Em edições piratas de clássicos, a página de apresentação do livro não discrimina o nome da editora nem o do tradutor da obra

  • Sem folha de rosto

Baixando a amostra grátis do e-book, pode-se ver se há a chamada “folha de rosto”, presente em toda boa edição, com dados sobre a obra. Nas piratas, em geral entra-se direto no texto do livro

  • Diagramação ruim

Edições piratas costumam ter problemas na formatação do texto, como quebras no meio de frases ou todo o conteúdo da obra num parágrafo só

  • Comentários de leitores

Quem teve experiências ruins com a qualidade da edição costuma deixar críticas na página do livro no site

POR RAQUEL COZER | COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 08/02/2014

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

A Fliporto 2013 promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em módulos, a oficina contará com aulas intensas para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio tem 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou “Construindo uma biblioteca digital“, e em 2010 lançou “O livro na era digital“. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

Ataque a Adobe afeta dados de 38 milhões de clientes


Photo by Corbis

Segundo o The New York Times, o ataque virtual à Adobe, a mesma empresa que desenvolve o sistema de DRM Adobe Content Server, expôs dados pessoais de dezenas de milhões de clientes.

Segundo a própria Adobe, os crackers também roubaram o código-fonte de três de seus mais usados produtos, entre eles o Acrobat Reader [aquele mesmo usado para os nossos famosos eBooks em PDF]. Os demais softwares cujos código-fonte também foram quebrados, são programas de desenvolvimento web, rodados em computadores pessoais e em servidores ao redor do mundo. A Adobe afirmou que os crackers haviam acessado a dados de cartão de crédito, entre outros dados, de milhões de seus clientes.

Não pretendo aqui forçar a barra, mas vejamos, a própria Adobe afirma que “os cibercriminosos também haviam roubado um número não divulgado de nomes de usuário e de senhas criptografadas“. Então imagina o que estes mesmos crackers poderiam fazer com os dados dos usuários que utilizam o DRM para os arquivos PDF e ePubs que trafegam diariamente pelo Adobe Content Server?

Este post não era para estar aqui, mas será que o Adobe Content Server também foi atingido e a Adobe não quis revelar para não abalar ainda mais o problema que ronda as editoras com relação a pirataria? Não quero forçar a barra, não quero especular, mas 38 milhões de usuários afetados não é pouco. Não é possível que neste número não esteja contabilizado os usuários do famoso DRM. É sabido que diversas empresas que distribuem e comercializam eBooks utilizam do DRM do Adobe Content Server para fazer a segurança dos arquivos dos eBooks através do ID Adobe. E eu já disse isto aqui em meus livros diversas vezes. Os crackers podem até não terem tido acesso aos arquivos e dados dos usuários desta vez, mas é certo afirmar que este objetivo não está longe de ser alcançado.

Brad Arkin, chefe de segurança da Adobe, afirmou que “Dado o perfil e a popularidade de nossos produtos, a Adobe vem atraindo crescente atenção de cibercriminosos.” E ainda segundo a matéria publicada no The New York Times, em um documento financeiro de setembro, a Adobe afirmou que a companhia era um alvo regular de roubos on-line, e que a perda de informação privada poderia “resultar em ações judiciais e potenciais responsabilizações ou multas para nós, inquérito governamental e supervisão, dano à marca e à reputação ou outros prejuízos a nossos negócios.

POR EDNEI PROCÓPIO | COM INFORMAÇÕES DO “NEW YORK TIMES”

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

Uma boa notícia para os amantes dos livros eletrônicos. A Fliporto promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site http://www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em nove módulos, a oficina contará com aulas intensas e laboratórios para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui os temas, o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
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  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou Construindo uma biblioteca digital, e em 2010 lançou O livro na era digital. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

CURSO | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem estudado sobre a atuação de empresas como Google, Kobo, Apple e Amazon no Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem estar mais próximas do alcance das editoras, e do autor, do que possa imaginar. Mas ainda é preciso preparar-se para um novo cenário no mercado editorial.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores e profissionais que desejam compreender mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O CONTEÚDO

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE O PROFESSOR

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 13 de Julho de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: Das 9h00 às 15h00
20 vagas | Valor único: R$ 170,00

INSCRIÇÕES

Escola do Escritor
Rua Deputado Lacerda Franco, 253 | Pinheiros
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Curso | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem falado sobre a chegada de empresas como Google, Kobo, Copia e Amazon ao Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem no entanto estar mais próximas do alcance do autor do que ele possa imaginar. Mas é preciso preparar-se.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores que desejam saber mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O Conteúdo

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

Quem Pode se Beneficiar do Curso

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

Anote na agenda

A Revolução dos Livros Digitais
Quando: 23 de fevereiro de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: 9h00 às 15h00
Valor único: R$ 170,00
Lotação: 20 vagas

Sala de aula

Rua Deputado Lacerda Franco, nº 253
CEP 05418-000 – Pinheiros, São Paulo, SP
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio

Escola do Escritor
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
http://www.escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Os autores e os ambientes digitais | Como publicar no formato digital


Os Autores e os Ambientes Digitais: Como publicar no formato digital

Muito se tem falado sobre  tablets, e-readers, smartphones, aplicativos e plataformas de livros digitais, mas esses termos parecem estar distantes do alcance do autor. Pensando em desmistificar esse assunto aparentemente complicado, será ministrado, durante o “13º Encontro de Férias HUB/SBS | Tecnologia e Educação: desconstruindo mitos e receios“, o workshop OS AUTORES e OS AMBIENTES DIGITAIS: Como publicar no formato digital. O workshop especialmente criado para escritores que desejam saber mais desse novo meio de edição abordará a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo digital.

O workshop OS AUTORES e OS AMBIENTES DIGITAIS: Como publicar no formato digital será ministrado pelo editor Ednei Procópio, que é especialista em eBooks e autor de livros sobre o tema. Mantém o Blog eBook Reader [www.ebookreader.com.br]. É membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e CEO da startup Livrus Negócios Editorais, uma empresa especializada e com o objetivo levar autores e obras para a Era Digital.

ANOTE NA SUA AGENDA

Workshop: Os Autores e os ambientes Digitais: Como publicar no formato digital
Quando: 17 de janeiro, quinta-feira, às 14h
Onde: Instituto Cervantes
Avenida Paulista, 2.439 | Metrô Consolação
Inscrições gratuitas

O Livro Eletrônico no Brasil


Em entrevista exclusiva para o PodLer, Ednei Procópio fala dos atuais desafios da indústria de livros eletrônicos, explica como será o tablet do futuro, faz um alerta sobre o perigo do monopólio e mais. A entrevista foi concedida no Fantasticon 2012 – VI Simpósio de Literatura Fantástica, em São Paulo.

TV PodLer | 20 Setembro 2012

Governo da Guiana aprova compra de livros piratas e revolta editoras internacionais


A notícia parece surrealista, mas real. O governo da Guiana, país sul-americano que faz fronteira com o Brasil ao norte [Roraima e Pará], confirmou ter adotado como política oficial a aquisição de livros didáticos piratas. A oficialização da prática mexeu com os brios da Publishers Association do Reino Unido, que repudiou a decisão e tentará medidas legais contra o país:

A decisão do Conselho de Ministros, na Guiana, de adquirir livros piratas para as escolas públicas é um ato indiscutivelmente ilegal … À luz da confirmação oficial por parte do Ministério da Educação, de que a aquisição de livros pirateados é uma política aprovada, os editores agora avaliarão suas opções legais para garantir que um fim seja colocado a esta ilegalidade.

A Guiana é uma ex-colônia inglesa, que se tornou independente do Reino Unido nos anos 60. A língua oficial é o inglês e o país ainda mantem fortes laços econômicos com sua ex-metrópole – e por consequência, com as editoras britânicas.

O governo da Guiana ainda aposta nos livros impressos. Se pudesse investir nos ebooks, não precisaria comprar nem os impressos piratas… era só procurar no Google.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 18/09/2012 | Fonte: Publishing Perspectives

Roberto Feith: ‘A pirataria online pode minar a produção do conhecimento’


Diretor da Objetiva diz que seu maior arrependimento foi deixar passar a edição de ‘Harry Potter’

Não, não é porque diz sentir falta da “adrenalina da TV” que o ex-repórter carioca Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva, uma das maiores editoras de livros do País, pode ser considerado ainda jornalista, a despeito dos mais de 20 anos que deixou a profissão. Ex-correspondente da TV Globo na Europa e ex-editor chefe do Globo Repórter, Feith aceitou em 1991 a proposta de dois conhecidos e comprou 60% de uma editora inexpressiva – ela mesma, a Objetiva. Àquela altura, tocava uma produtora, a Metavídeo, após ter estado com Walter Salles na Intervídeo, que fazia trabalhos para a extinta TV Manchete. Não entendia nada de editora, mas como bom repórter diante de um furo em potencial, decidiu arriscar – seguindo critérios jornalísticos.

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz | Clayton de Souza/AE

Começou mal. Apostou numa biografia de Boris Ieltsin – política internacional era sua especialidade -, que resultou num enorme fracasso. Aos poucos, porém, foi ajustando o foco. “Como correspondente e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e o trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para contar determinada história. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, em função dessas características“, diz ele na entrevista a seguir. Confortavelmente instalado num hotel da região da Avenida Paulista, Feith conversou com uma equipe do Estado: Rinaldo Gama, editor do Sabático; os repórteres Antonio Gonçalves Filho e Maria Fernanda Rodrigues, e Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2.

Por três horas, seu raciocínio cristalino e a fala assertiva – educada pelos sinais elétricos dos microfones e uma longa convivência com a escrita – atravessaram um largo espectro de temas ligados ao livro: o dia a dia do processo editorial, os erros [Harry Porter lhe foi oferecido com insistência e ele deixou passar], os acertos [Inteligência Emocional, que vendeu meio milhão de exemplares], pirataria online [“o Google e o Yahoo são ‘sócios’ do Megaupload”, alfineta], o futuro do e-book no Brasil e da própria literatura brasileira, para o qual, aliás, ele acenou publicando novos talentos em um número especial da revista Granta. Aos 60 anos, Roberto Feith não é mais majoritário na Objetiva: em 2005, vendeu 76% da empresa para a Santillana, que participou da criação do prestigioso jornal espanhol El País. Sim – mesmo sem a adrenalina da TV, Feith, de certo modo, está em casa.

Que interesse o senhor tinha no mercado editorial para entrar de sócio na Objetiva?

Um dos projetos importantes que fizemos na Metavídeo foi uma série de seis documentários sobre a história do cinema no Brasil. Produzimos tanto, que uma grande parte desse material fotográfico e de entrevista ficou inédito. Então, surgiu a ideia de fazer um livro usando esse conteúdo. A Nova Fronteira coeditou. Lá, o Alfredo Gonçalves e o Armando Campos tocaram o projeto comigo. Passou-se um tempo e nunca mais os vi, mas soube que seis meses depois eles saíram para criar uma editora, com o apoio de um investidor. A editora não conseguiu evoluir. Anos depois, esse sócio saiu e eles me procuraram. Foi assim que eu entrei no negócio. O meu sonho profissional era ser jornalista de imprensa escrita; entrei para a TV por mero acaso. Mas sempre fui um leitor voraz, rato de livraria. Minha mulher foi a única pessoa que me incentivou a investir numa editora. Todo mundo me dizia que eu estava maluco, que televisão era o veículo de maior poderio e projeção no Brasil, que aqui ninguém lê. Depois que entrei, continuei anos com a produtora enquanto tentava entender como funcionava o mercado e uma editora. [Gonçalves deixou a editora em 2004 e Campos, em 2006]

Quando o senhor fez o negócio, tinha um modelo de editor na cabeça?

Não. E não tinha por ignorância.

Alguma linha editoria em mente?

Hoje poderia falar sobre isso de um modo mais coerente. Na época, foi uma mistura de oportunidades que surgiam aleatoriamente com as minhas experiências pessoais. Eu me lembro de contratar direitos de tradução de muitos títulos sobre política internacional, um grave equívoco, nenhum deles vendeu nada. Era o assunto que eu conhecia e gostava. Um dos primeiros livros que compramos foi uma biografia do Boris Yeltsin. Imagine se alguém ia ler um livro do Yeltsin! Aprendi isso a duras penas. E o outro tipo de livro que a gente acabou trabalhando foram aqueles que surgiram por circunstâncias aleatórias. O Lair Ribeiro é um bom exemplo disso. Não me lembro como apareceu a oportunidade, mas aproveitamos e ele foi nosso primeiro best-seller.

Qual sua participação ao entrar na editora?

Se não me engano comprei 60% da empresa em 1991. O que veio a ser um investimento mais substantivo não foi a compra das cotas, mas sim a tentativa de fazer a editora decolar.

Quanto pagou?

Não tenho a menor ideia. Mas foi pouco. Talvez o valor de um carro usado.

Muitos editores dizem que publicam best-sellers para ter recursos que possibilitem vencer o leilão de um título de qualidade literária indiscutível. Essa também foi a estratégia da Objetiva a partir de sua entrada?

Havia a ideia de que publicando autores comercialmente potentes teríamos condições de desenvolver a editora na linha de um projeto mais consistente.

Ainda sobre best-sellers, o senhor criou a Plenos Pecados, uma série com autores de prestígio escrevendo a respeito de temas mais palatáveis. Como é a reação de autores consagrados quando se oferece a eles a oportunidade de escrever um livro para uma série como essa?

Uma das razões de montar esse projeto era atrair autores de renome para uma editora ainda sem grande visibilidade ou uma trajetória consolidada. Fiz o projeto com Isa Pessoa, que trabalhava na editora. Levou quase um ano para fecharmos a lista dos sete autores. Convidamos o Mario Vargas Llosa, e ele disse que escreveria contanto que fosse sobre a luxúria. Mas a luxúria já estava tomada pelo João Ubaldo. A coleção deu certo, trouxe autores de grande qualidade e sucesso comercial, e pudemos começar a montar a editora que sonhávamos.

E qual era essa editora?

Como disse antes, eu não tinha um modelo de editora – nem mesmo considerando as estrangeiras. Se olharmos a trajetória da Objetiva, veremos que ela não é igual a nenhuma outra. Acho que é um pouco pela experiência de vida das pessoas da equipe – havia muito o viés jornalístico.

De que modo ter atuado como jornalista contribui para o trabalho da editora?

Como repórter e correspondente internacional e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e do trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para um determinado tema, procurando como contar determinada história. Às vezes, você vê um assunto que tem consistência, que tem interesse ou relevância, mas precisa encontrar uma outra maneira de tratá-lo. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, ou a da ficção dirigida, encomendada, em função dessas características.

O modelo do publisher americano parece que vingou no Brasil – e o europeu ficou um pouco esquecido. Filho de americano, o senhor acabou unindo as duas pontas: o pragmatismo de um publisher dos EUA, atento à performance de vendas, e uma visão europeia, marcada mais pela vontade de publicar qualidade literária, independentemente dos resultados financeiros. Como se deu isso?

Ser filho de americano não teve, na prática, nenhuma influência. Como mencionei, acredito que a vivência que mais marcou meu papel na editora foi a jornalística. Acho que há pessoas que tocam editoras lendo e editando e outras não. Sou editor-geral de uma editora que faz as duas coisas. Desde o início.

Sua editora cresceu muito. O senhor ainda consegue estar em todas as frentes?

Conciliar tudo tem sido um exercício. A palavra publisher evoca uma pessoa que não edita. Não me sinto totalmente encaixado nesse conceito porque não é bem esse o meu cotidiano. Continuo avaliando manuscritos, vou a feiras, converso com os agentes.

O senhor edita algum autor que não vende, mas dá prestígio ao catálogo da editora?

Naturalmente. Prestígio, prazer de publicar. Mas essa não é uma decisão puramente romântica, porque poder publicar grandes autores, ainda que comercialmente não sejam tão bem-sucedidos, é uma forma de você qualificar o selo e atrair outros escritores. Tem outro componente relevante no universo editorial brasileiro: esses grandes autores podem não vender muito, mas periodicamente são adotados num vestibular ou entram numa compra pública. Lobo Antunes é um exemplo disso. Os Cus de Judas foi um livro dele que vendeu mais de 20 mil exemplares por causa de um vestibular.

Qual foi o seu maior sucesso de vendas?

Comédias Para se Ler na Escola, do Verissimo. Mais de 1 milhão de exemplares.

Quando seguiu sua intuição na hora de adquirir um livro, qual foi seu maior equívoco e o maior êxito?

O maior equívoco é fácil. Tessie Barham, hoje uma importante agente literária, nos ajudava na avaliação de textos. Naquela época, ela ainda estava tateando e me propôs uma série juvenil maravilhosa, a Fronteiras do Universo, de Philip Pullman. Compramos, investimos pesado em marketing, e nada aconteceu. Paradoxalmente, anos depois vendeu mais de 100 mil exemplares.

E o arrependimento?

Foi nos anos 90. Um dia, Tessie me mandou um e-mail assim: “Roberto, tem aqui outro livro juvenil para você comprar. Muito bom, você tem de comprar. Chama-se Harry Potter.” E eu: “Olha, Tessie, me desculpe, mas não vou comprar.” Ela ficava mandando e-mail dizendo que eu iria me arrepender. E eu: “Tessie, lembra o que aconteceu com o Pullman?” Bem, ela estava certa, claro; eu me arrependi amargamente. Errei e continuo errando. Mas se o editor ficar desanimado quando errar, ele vai mudar de profissão.

Algum outro acerto?

Nessa linha um pouco anedótica da intuição e do imponderável, comprei os direitos de um livro que vendeu maravilhosamente bem [meio milhão de exemplares], que foi o Inteligência Emocional, do Daniel Goleman. Li o informe do nosso scout e intuitivamente achei aquilo muito forte. Entrei no leilão em Frankfurt, suei, mas consegui.

Os grandes livros não são mais vendidos em Frankfurt, são? Perdeu-se um pouco do frenesi dos leilões?

Hoje, os agentes literários e as editoras que têm uma grande oferta de direitos autorais para tradução, deliberadamente, esperam até a véspera da feira para distribuir alguns de seus títulos mais potentes, porque eles compreendem que a dinâmica da pré-feira leva a uma disputa mais acirrada pelos editores de cada país por aqueles direitos.

Os brasileiros estão pagando valores irreais nos leilões?

Houve num passado recente e continua havendo uma exuberância irracional, para tomar emprestada uma expressão do Alan Greenspan, em relação à compra de direitos de tradução. Adquirir um livro que exija torná-lo um mega best-seller para recuperar esse investimento é um exercício perigoso. Isso é realidade e tem a ver com o aumento da concorrência.

Enquanto as grandes editoras criam selos para organizar melhor o catálogo, as de menor porte têm se especializado em determinado segmento. Isso terá lugar no futuro ou acha que as pequenas serão incorporadas por grandes grupos?

Sempre houve e haverá espaço para pequenas editoras focadas em determinados nichos. Isso não é novo. Novo são editoras importantes buscando diversidade de linhas de atuação criando novos selos, de uma forma semelhante ao que adotamos há cinco anos. Isso está acontecendo de forma sistemática. A tendência é que nenhuma editora se limite a atuar só num gênero.

O que leva a isso?

Hoje, a diversidade é um bem em si no mercado editorial, dado o grau de competição visto na última década.

No início do ano, o senhor escreveu um artigo investindo contra a campanha das gigantes da internet contra a lei antipirataria. Como vê o futuro do mercado digital, as leis antipirataria?

Fico feliz que tenham levantado esse assunto, que é importante. Vivemos a era do conhecimento. A produção do conhecimento é fundamental para o avanço de qualquer país. E esse tipo de produção tem de ser incentivada, e não minada. As empresas, ou pessoas, que defendem a pirataria online, ou a cópia irrestrita online, estão minando a produção do conhecimento nos seus respectivos países. Da mesma forma que não existe o milagre da multiplicação dos peixes, não existe o milagre da multiplicação do conhecimento. Sua produção exige formação, trabalho, investimento, e tudo isso tem de ser remunerado. Ninguém imagina que uma pessoa possa entrar numa livraria, pegar uma dúzia de livros e sair sem pagar. Mas algumas pessoas argumentam que na internet você pode e deve fazer isso.

A Objetiva sofre com a pirataria?

O Sindicato Nacional de Editores apoia um grupo de trabalho que identifica a oferta de conteúdo ilegal e pirata online. Em maio, no caso da Objetiva, havia 1.600 títulos oferecidos ilegalmente – 90% em um só site, o Fourshared. Esse site americano está ganhando dinheiro com escritores que publicamos, e alguns deles são brasileiros. Para isso as pessoas não atentam. O Fourshared e o Megaupload não têm estrutura para vender publicidade pelos quatro cantos. Eles usam estruturas criadas para esse fim por grandes corporações da internet, como o Google e o Yahoo. Então, o Google e o Yahoo são “sócios” do Megaupload e, indiretamente, se apropriam de obras dos escritores brasileiros para faturar milhões de dólares. E faturam literalmente milhões de dólares. Assim, quando uma grande corporação da web defende a pirataria na internet, argumentando que é uma questão de liberdade de expressão, estamos diante do mais puro oportunismo e demagogia. É preciso que a sociedade se conscientize, porque se a pirataria for consolidada como prática na web, a produção de conhecimento vai atrofiar aqui, e o brasileiro será obrigado a consumir conhecimento produzido nos países onde essa atividade é estimulada.

No momento em que o e-book se difundir efetivamente, o que o livro impresso precisará ter para não perder vendas?

O e-book é coisa do futuro e será uma coisa do presente. Mas eu não vejo o livro físico sendo a parte menor do mercado. Não vejo o digital ocupando a maior parte do mercado brasileiro no horizonte de uma década.

A Objetiva tem uma equipe focada na questão do livro digital?

Não, acho isso um erro. Todos têm de entender do digital para fazer seu trabalho. Mas uma das coisas que fiz tendo em vista essa transformação foi propor a criação da Distribuidora de Livros Digitais, que toma grande parte do meu tempo e tem como sócias as editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, L&PM e Novo Conceito.

Por que uma distribuidora?

Quando formamos a DLD, pretendíamos participar da definição de como o livro digital iria se consolidar e se implantar no Brasil. Essa preocupação se traduz em três objetivos. Primeiro, trazer para o consumidor brasileiro o que existe de melhor no exterior, em termos de experiência de consumo de livro digital, sem que isso signifique que empresas vindas de fora tenham condições de concorrência, no relacionamento com as editoras, superiores àquelas disputadas pelas empresas brasileiras que atuam no entorno digital. Segundo, garantir uma oferta diversificada e ampla de conteúdo. E terceiro, trabalhar com preços que sejam atraentes para o consumidor, mais baratos que o livro impresso, mas que remunerem o trabalho do escritor, da editora e da livraria.

De quanto é o desconto da DLD?

Nosso e-book tende a ser de 30% a 40% mais barato que o livro impresso; em julho, o preço médio do livro vendido pela DLD foi de cerca de R$ 16. Ou seja, menos que US$ 9.

Como estão as negociações com as empresas estrangeiras que querem atuar no País?

Estamos conversando com cinco empresas e muito perto de fechar acordos – acho que até o fim do ano teremos novidades. Para que o livro digital dê corda no Brasil, precisamos de três coisas: dispositivos de leitura bons e baratos, livrarias virtuais com facilidade de uso e oferta ampla e diversificada de títulos pelas editoras. A conclusão desse tripé é que teremos, ainda este ano, dispositivos de leitura lançados aqui, de primeira geração, a preços acessíveis. Penso que teremos o primeiro Natal digital.

Quais são as cinco estrangeiras que estão negociando para atuar aqui?

Amazon, Apple, Google, Kobo e nós, na Objetiva, estamos negociando com a Barnes & Noble, mas não para o Brasil.

Falamos em concorrência, em e-book, mas existe também a questão da territorialidade. Até pouco tempo atrás, era possível comprar um e-book de um autor português editado no Brasil pela Alfaguara diretamente da editora portuguesa desse autor.

Você está se referindo a um livro de António Lobo Antunes. Foi uma falha da editora portuguesa, já foi sanada. Isso se chama territorialidade. Hoje, quando você faz o upload de um título, tem de indicar para que países tem os direitos de venda.

Como fazer para que as pessoas leiam independentemente de obrigações escolares ou profissionais? Há, de modo recorrente, a queixa de que o livro no Brasil é caro.

O Snel e a Câmara Brasileira do Livro vêm contratando pesquisa de mercado há mais de uma década, que é feita pela Fipe. A última pesquisa, de 2011, identificou que no setor de obras gerais o número de lançamentos aumentou 8,6%, o número de exemplares vendidos aumentou 0,2%, e o faturamento, em reais, caiu 11%. Se considerar o acumulado de 2004 até 2011, em obras gerais, em valores nominais, a queda no preço médio foi de 26%. Em valores reais, compensados a inflação, 45% de redução. Eu pergunto: que outro produto teve uma queda de 45% no seu preço médio, real, nos últimos sete anos?

Por que o preço caiu?

Competição, competição. Há outros fatores: Avon, com vendas de porta em porta, os selos de bolso, a desoneração, no caso de livros de obras gerais.

Essa queda está chegando ao limite?

Sim. A criatividade dos editores está sendo cada vez mais exigida. Acredito que as margens têm sido comprimidas por esses processos. O que aconteceu de 2007 para 2011 não pode se repetir. A tendência é desacelerar, mas não posso afirmar que não haverá mais uma queda de preço.

A Alfaguara Brasil lançou recentemente uma edição da Granta com novos talentos do País. Essa seleção consolidou alguns autores que, nos últimos anos, começaram a se posicionar como promessas. O que sua editora, dentro ou não da Granta, faz para descobrir, de fato, novos valores na ficção?

A maioria das editoras que publicam ficção está sempre louca para encontrar jovens talentos. Eu sei que muita gente comenta que é difícil conseguir ser publicado, mas é difícil encontrar talento também. Temos conseguido atrair grandes autores da literatura brasileira, nomes como João Ubaldo, João Cabral de Melo Neto, e agora o Mário Quintana. Mas fiquei preocupado que o selo se tornasse clássico demais, com pouca vitalidade e criatividade. Por isso, temos feito grande esforço para encontrar e trazer jovens autores. Hoje em dia, temos quatro ou cinco novos escritores com muito potencial. Laura Erber é uma jovem que tem muito a dizer, domina a técnica da escrita. O Ricardo Lísias nem se fala, ele é completamente original, uma coisa difícil de encontrar.

Fazer uma seleção como a da Granta é uma experiência de risco.

Sim, dá dor de cabeça. Mas olhando em retrospecto, posso dizer que deu tudo certo. Estávamos preocupados. Quando anunciamos o projeto, não sabíamos se seria bem-sucedido. Era efetivamente um risco. A primeira coisa que nos tranquilizou foi a quantidade e a qualidade de textos submetidos. Depois, conseguimos montar um grupo de jurados de inegável qualidade e qualificação. O resultado da revista foi muito bom. Há desigualdades, diversidade. Alguns textos são melhores que os outros e nunca tive expectativa de achar que os 20 seriam extraordinários, isso não acontece em coletânea nenhuma. O resultado tem quantidade suficiente – na minha opinião pessoal – de escritores de talento para que se possa dizer: está justificado o esforço.

Leituras afins

O LIVRO NO BRASIL: SUA HISTÓRIA, DE LAURENCE HALLEWELL [VÁRIOS TRADUTORES, EDUSP, 816 PÁGS., R$ 253]
MOMENTOS DO LIVRO NO BRASIL. ORGANIZAÇÃO/EDIÇÃO: ÁTICA [216 PÁGS.; ESGOTADO – PROCURE EM SEBOS]
COLEÇÃO EDITANDO O EDITOR, VOL. 3 – ÊNIO SILVEIRA [EDUSP, 168 PÁGS., R$ 28]
A QUESTÃO DOS LIVROS, DE ROBERT DARNTON [TRAD. DE DANIEL PELLIZZARI, COMPANHIA DAS LETRAS, 232 PÁGS., R$ 45]

Por Rinaldo Gama, Antonio Gonçalves Filho, Maria Fernanda Rodrigues e Ubiratan Brasil | O Estado de S. Paulo | 24/08/2012

Pasta do Professor atinge a marca de meio bilhão de páginas


“Isso significa que meio bilhão de páginas de conteúdo não foram pirateadas”comemora Bruno de Carli

O projeto Pasta do Professor, nascido dentro da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, ABDR, e que reúne 34 editoras e mais de 70 selos editoriais voltados ao ensino universitário, alcançou na última semana a marca de meio bilhão de páginas de conteúdo entregues aos alunos das instituições de ensino filiadas à iniciativa. O projeto cria uma alternativa legal viável contra a pirataria de livros, em especial no meio universitário – a famosa xerox da pasta do professor. “O aluno tira cópia porque é barato e é fácil. Se o livro tem 100 páginas, ele usa apenas 30, por isso que, independentemente do preço do livro, ele sai caro para o aluno”, explica Bruno de Carli, diretor do projeto. Frente a essa realidade, a Pasta do Professor buscou replicar o modelo de tirar cópias dos livros universitários, e viram que a internet seria a ferramenta mais adequada para isso, devido a sua capilaridade.

Para viabilizar a Pasta do Professor e torná-la o mais acessível possível aos alunos, o projeto acabou criando também um enorme acervo de metadados: “Todos os livros estão fracionados em capítulos, colocados pelo nome. Na época nem se sabia que no futuro isso seria o famoso metadado” comenta Bruno.

O projeto é pioneiro no mundo, e evoluiu ao longo do tempo nos formatos e tecnologia, começando com o sistema de folhas soltas impressas nas parcerias com universidades como PUC-Minas, PUC-Rio, Mackenzie e ESPM, para o formato de fascículos impressos na Universidade Estácio, e por fim disponibilizando os conteúdos das editoras afiliadas em tablets e sistemas de leitura online através de browser na internet.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 23/08/2012

Hachette continuará agarrada ao DRM


Hachette pede a seus autores para entrar na briga pelo DRM

A Hachette, uma das Big Six do mundo editorial, se envolveu em uma polêmica essa semana, ao colocar um de seus autores no meio de uma briga sobre DRM em territórios onde ela não possui os respectivos direitos autorais.

Um colunista do site Publishers Weekly afirmou ter visto uma carta, assinada por Ursula Mackenzie, CEO da Little, Brown U.K. [que pertence à Hachette] a um de seus autores explicando que, como a editora Tor, da MacMillan, publica o título dele sem DRM em outros países, seria difícil os direitos acordados à Hachette serem devidamente protegidos, e pede ainda que o autor insista para que a Tor volte a usar DRM. “A Hachette tem bolas do tamanho de Marte se ela acha que pode ditar o que outros publishers fazem em territórios onde ela não tem direitos” disse o colunista Cory Doctorow. Em resposta, a Hachette U.K. declarou que o DRM está funcionando muito bem e que mudará os contraltos autorais para deixar mais claro a posição do autor em relação ao DRM.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 16/08/2012

Russ Grandinetti fala sobre Amazon, Kindle e Brasil


Na Bienal do Livro, vice-presidente da varejista americana foi destaque do dia Digital

Fotógrafo: 2LikePhotoStudio

Fotógrafo: 2LikePhotoStudio

Para os que esperavam um cara arrogante e ameaçador, Russ Grandinetti desapontou. Super simpático e aberto, o vice-presidente da Amazon conseguiu fazer uma apresentação interessante e sair pela tangente das polêmicas que envolvem sua empresa no dia digital da Bienal de São Paulo, na última sexta. Em uma sala lotada, Russ contou a história da Amazon e de sua menina dos olhos, o Kindle, já avisando desde o início da palestra que não falaria sobre detalhes dos planos da Amazon no Brasil.

Russ apontou dois elementos-chave para o sucesso da Amazon: primeiro, o “consumidorcentrismo” da empresa. “O objetivo da Amazon é ser a empresa mais centrada no consumidor do mundo. Ajudar pessoas a achar qualquer coisa que quiserem online” disse o VP, que logo brincou com a declaração “Eu sou de Nova York, eu sou muito cínico, se alguém disser isso pra mim, eu vou achar que é marketing. Mas na internet as pessoas têm mais opções – é como a gravidade”.

O segundo elemento é visão de longo prazo: “Não tomamos decisões para hoje, pensamos 5, 6, 10 anos lá na frente. Isso nos ajudou a ter coragem para inventar o livro digital

Russ então se perguntou, porque reinventar o livro? “Porque a tecnologia tornou isso possível. A internet e os aparelhos conectados no mundo inteiro também tornaram isso possível. Uma maneira negativa de olhar isso é: se não tivéssemos feito isso, outros teriam” disse o vice-presidente, provavelmente em sutil referência à Apple.

Sobre a invenção do Kindle, ele contou “Nós normalmente não focamos nos competidores, mas nesse caso tomamos o livro como competidor. Pensamos: o que o torna tão especial? Ele é fácil de manusear, baixo custo, bateria ‘muuuuito’ durável etc. Então partimos daí. Tivemos também o compromisso de fazer o investimento necessário, para ter a tecnologia certa. E como no basquete, onde você tem que aprender a driblar com a mão esquerda, é uma característica nossa não pensar naquilo em que somos bons, mas sim naquilo que os consumidores vão precisar daqui a alguns anos”. Para a Amazon, o livro consiste em “uma série de palavras que atravessam seus olhos para o seu cérebro” e o objetivo final da empresa é ter todos os livros do mundo em todas as línguas disponíveis em menos de 60 segundos.

Ao mostrar o primeiro modelo lançado, Russ Grandinetti brincou “Eu vou te contar um segredo, ele é um pouco feio” Mas funcionou, segundo ele, porque não é apenas um objeto, mas sim um serviço, com características inovadoras, como 3G grátis, que foi novidade na época, sem contratos planos de dados, leitura fácil etc..

Russ passou então a falar sobre a revolução digital iniciada pelo Kindle, e a mudança de velocidade que ele trouxe ao mercado editorial, que levava cerca de 18 meses para publicar uma história: “Eu acho que os editores brasileiros deveriam publicar sobre o desempenho dos atletas brasileiros nas olimpíadas semana que vem, porque mais tarde todos terão esquecido”.

Russ afirmou também que os usuários do Kindle passam a comprar 3.3 vezes mais livros no primeiro ano com o aparelho, e que isso é um padrão que se repete em todos os países: “Não tem como isso ser uma mudança de demanda. É um aumento de demanda”. Em mais uma alfinetadinha irônica, Russ mostrou um slide com um cabo da Apple: “Cortamos o cabo para as pessoas, ninguém precisa mais de cabos”.

Chegada a hora das perguntas, Russ se mostrou um diplomata nato. Ao falar de expansão global da empresa, ele falou do dilema ‘livros locais versus livros em língua inglesa’. “Vemos crescimento nas vendas de livros [locais] nos países onde chegamos. Mas também, livros em língua inglesa vendem mundialmente, há um aumento ano a ano na venda de títulos em língua inglesa” Do outro lado, a expansão ajuda as vendas de títulos em outras línguas nos Estados Unidos, e ele espera que o mesmo aconteça com o Brasil “Esperamos que possamos ajudá-los a alcançar lusófonos no mundo inteiro, não apenas no Moçambique, Angola etc.

No tema ebooks, foi interessante ver a visão da Amazon sobre a precificação do livro digital: “A única coisa que nós temos uma opinião muito forte a respeito é que o ebook deveria custar menos que o livro impresso” afirmou Russ, que disse também que os consumidores se sentem ofendidos quando vêem um ebook cujo preço é igual ao do livro impresso.

A Amazon se vê também como uma combatente da pirataria de ebook: “Uma das coisas mais perigosas que nós podemos fazer é não oferecer a melhor experiência de leitura, fazer com que a pessoa pense duas vezes antes de baixar o livro. Eu sinto um certo orgulho em contribuir para a luta contra a pirataria” afirmou Grandinetti.

Ele entende também o receio que existe em torno do livro digital “O negócio digital é a maior mudança que nós veremos no mercado editorial, então as pessoas querem ir devagar. A minha preocupação é com o dilema livros versus games, twitter, filmes, etc.” e brincou “Livro digital é o seguinte: são oito e meia, numa noite de terça-feira, eu ainda tenho duas horas sem nada pra fazer antes de ir dormir. Eu vou assistir um filme, ler um livro ou jogar Angry Birds? O mercado do livro digital é isso, e eu acho perigoso achar que não” para mostrar que os concorrentes não são os livros impressos.

Russ falou também sobre DRM: “Essa coisa de ‘Amazon impõe DRM’ é um mito, que persistiu por muito tempo” e explicou que, na verdade, são os publishers que não deixavam seus livros serem colocados à venda no site sem DRM.

E não esperem um Kindle de graça num futuro próximo, essa foi a mensagem clara de Russ: “Eu sou muito cético em relação à ideia de um aparelho gratuito. Nós trabalhamos muito para reduzir os custos, de forma a poder oferecer um Kindle a US$ 79. Eu não passaria muito tempo pensando sobre o Kindle gratuito”.

Sobre o Brasil, Russ está otimista “Os desafios que vamos enfrentar aqui não são muito diferentes dos que outras companhias enfrentam quando vêm para cá. O negócio do livro aqui é quase único, eu não conheço nenhum país que tenha escrito na sua constituição que livros não devem ser taxados para serem mais acessíveis.[…] Além disso, eu observo no público a quantidade de tablets e smartphones, é uma sociedade muito conectada”.

Em resposta ao questionamento sobre a relação agressiva que a empresa tem com os editores, e como isso se dará no Brasil, Russ insistiu que não é como dizem: “Nós temos muito mais coisas em comum com os publishers do que o que não temos em comum, nossos negócios estão bastante alinhados. Claro que, para a mídia, é mais interessante ler sobre os desacordos. Eu acredito que tudo está acontecendo de forma muito ordenada. Alguns deles [os publishers americanos] estão tendo seus anos mais rentáveis” contou o vice-presidente.

Ele completou: “Mesmo se as pessoas dizem que negociamos de forma agressiva, se chegamos a um acordo, nós mantemos o acordo. Segundo: nós respeitamos o autor. E respeitamos a lei. Sucesso para nós não é uma questão de desconto, isso é uma visão muito simplista”.

Num tom mais leve, alguém pergunta o que ele está lendo no seu Kindle. Russ falou brincando, em português, “Cinquenta tons de cinza” em um sotaque decente. Por último, o mediador lembrou da frase de Jeff Bezos “Quero ir à Lua, e ao Brasil” e perguntou quando vão abrir a Amazon na Lua. “Pois é, estava pensando aqui” disse Russ “ Essa história de ter todos os livros do mundo disponíveis em 60 segundos. Talvez não seja grande o suficiente”.

Não deu para ir no dia D da Bienal? TV Publishnews marcou presença e traz agora os pontos altos desse dia, marcado por apresentações de grandes players do mercado do livro digital. As mesas mediadas por Carlo Carrenho com o CEO do Copia Andrew Lowinger e o vice-presidente da Amazon Russ Grandinetti sobre o mercado do livro digital, Kindle, e Brasil. O presidente da Saraiva Marcílio Pousada, que também participou do Dia D, falou sua visão sobre o assunto com a TV PublishNews.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 15/08/2012

Google vai combater pirataria de eBooks


O Google está lançando novas atualizações no sistema de busca que irão reduzir bastante a quantidade de pirataria que aparece como resultado de uma consulta por um ebook ou uma determinada música, por exemplo. O novo mecanismo de procura irá filtrar os sites que possuem reclamações ativas no DMCA [Digital Millennium Copyright Act], e também sites piratas conhecidos. Google afirma que esta mudança tem a intenção de ajudar os usuários que estão em busca de distribuidores de conteúdo legítimo, como Apple, Amazon, Spotify e Google Books, e fazer com que seja mais difícil para o usuário casual encontrar um site pirata.

Por Adriana Pires | Revolução eBook | 14/08/2012

Contexto se desliga da ABDR após o caso do Livros de Humanas


Em nota no blog da Contexto, o diretor e fundador da editora Jaime Pinsky informou que a casa não é mais filiada à Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. O desligamento, segundo o texto de Pinsky, foi uma reação à forma como foi conduzida a ação judicial da ABDR que determinou o fechamento do site Livros de Humanas, que disponibilizava mais de dois mil títulos para download gratuito incluindo obras protegidas pela Lei de Direitos Autorais. A ação explicitava o nome da Forense e da Contexto, o que acabou provocando protestos na internet a favor do site e contra as editoras. Pinsky afirma que “nossa preocupação sempre foi ‘promover a circulação do saber’ – não por acaso o próprio lema da Editora Contexto”. Segundo ele, “1- em nenhum momento pedi que o site fosse tirado do ar; e 2 – solicitei, por escrito, a desfiliação de nossa editora da ABDR”. Leia o texto na íntegra. Nesta semana, Ivana Jinkings, editora da Boitempo, também se manifestou contra o fechamento do Livros de Humanas no blog da editora. Leia aqui.

PublishNews | 15/06/2012

Sobre o acesso ao livro no Brasil


Por Ivana Jinkings, editora da Boitempo Editorial | Publicado originalmente no Blog da Boitempo Editorial | 11/06/2012

A Boitempo considerou violenta e não está de acordo com a ação da ABDR – entidade à qual não é filiada – que provocou no mês passado a retirada do ar do blog Livros de Humanas. Nossa editora busca constantemente formas de tornar seus livros mais acessíveis ao leitor, sem prejuízo da qualidade editorial pela qual se tornou conhecida. Com esse fim, realiza com frequência eventos públicos e gratuitos com autores dispostos a disseminar as ideias que defendem e interessados na construção coletiva de alternativas. Grande parte desses autores têm sido trazidos ao Brasil às expensas da Boitempo e parceiros, casos de István Mészáros, Slavoj Žižek, David Harvey, Giorgio Agamben, Ellen Wood, Michael Löwy, Perry Anderson, Domenico Losurdo e muitos outros. Além disso, a editora traduz e edita textos de seus autores, que são disponibilizados gratuitamente aqui no Blog da Boitempo, realiza promoções periódicas, sorteios e vendas diretas em eventos acadêmicos com descontos de até 50% sobre o preço de capa.

Também acreditamos que o formato digital pode facilitar o acesso às obras, sobretudo devido às dificuldades de distribuição enfrentadas num país de dimensões continentais. O formato permite uma diminuição significativa no preço de capa. A Boitempo reduziu sua margem sobre o exemplar digital e se dispôs a praticar preços tão acessíveis quanto os do mercado internacional. Com essa nova política de preços de ebooks, nossos títulos digitais passaram a custar até 65% mais barato do que a versão impressa, uma redução acima da média brasileira em termos relativos e absolutos. A editora também pratica o nivelamento dos preços dos ebooks a uma faixa fixa que vai dos R$ 5,00 aos R$ 45,00, muitas vezes equivalentes a uma cópia impressa malfeita, e com uma qualidade infinitamente superior à das cópias escaneadas, como só os originais possuem.

Com essas medidas, a Boitempo busca aproximar seu público, composto por estudantes principalmente, dos quais depende para continuar publicando. Os processos e custos de uma pequena editora são pouco conhecidos pelos leitores em geral. Fazer um livro é sempre uma aposta. É preciso o investimento inicial que envolve um processo com muitas etapas entre o original [matéria-prima] e o livro na gôndola da livraria [produto final]. Somente depois de um número significativo de vendas a editora começa a ter retorno, o que muitas vezes não chega a acontecer, casos nos quais é preciso arcar com o prejuízo. O retorno que a editora recebe [descontando custos, pagamento de direitos autorais, impostos, distribuição] é o que a mantém funcionando e o que permite publicar novos livros, alimentando assim o público-leitor ávido por conteúdo e qualidade. É uma cadeia produtiva de subsistência. Além de autores e editores, esse processo sustenta tradutores, revisores, diagramadores, capistas, sem mencionar a parte de papel e gráfica, o trabalho de divulgação, vendas e estocagem.

O compartilhamento de livros copiados no meio acadêmico existe há muito tempo. A internet apenas expandiu o alcance desse tipo de atividade, mas o princípio e a motivação são os mesmos: universitários em busca de conhecimento acessível, o mais acessível possível. A Boitempo, desde a sua criação, sempre lutou pela democratização do conhecimento, inclusive daquele viabilizado por ela mesma, como já pontuamos. Dessa forma, seria no mínimo contraditório reprimir nossos leitores por buscarem exatamente o que defendemos. Responsabilizar o leitor, a parte mais frágil e também a mais importante da cadeia editorial, é uma covardia. Assim como é um equívoco alguns leitores culparem as editoras, especialmente as pequenas, pelo custo dos livros no Brasil. Há outros setores envolvidos na definição dos preços, como as livrarias e o governo. Sem uma política pública que incentive a  disponibilização, as casas publicadoras não poderão diminuir o preço do livro sem comprometer a sua estrutura. Para uma casa publicadora independente, na qual as vendas governamentais são insignificantes, como é o caso da Boitempo, as limitações são ainda maiores. Somos 100% a favor da mediação do Estado no mercado editorial, pois cultura e conhecimento não podem ser tratados como mercadoria. Discutir a disponibilização de conteúdo está na ordem do dia e esperamos que as demais partes, incluindo os leitores, também estejam dispostas a esse diálogo.

Por Ivana Jinkings, editora da Boitempo Editorial | Publicado originalmente no Blog da Boitempo Editorial | 11/06/2012

Comissão libera cópia integral de livros, CDs e DVDs e criminaliza plágio


A comissão de juristas que discute a reforma do Código Penal no Senado aprovou nesta quinta-feira [24] a liberação de cópias integrais de livros, CDs e DVDs, desde que para uso próprio e sem fins comerciais. Hoje, a reprodução parcial já é autorizada, em porcentagens que variam conforme a mídia copiada.

Caso a sugestão dos juristas seja acatada pelo Congresso, as cópias completas serão liberadas sem que seja caracterizado crime.

Para isso, a cópia deve ser única, feita a partir de uma obra original e ser de uso privado e exclusivo de quem faz a reprodução, sem que exista o objetivo de lucro.

A proposta, com as demais votadas anteriormente e as que ainda serão debatidas, devem ser entregues para votação até o final de junho. Apenas após a aprovação no Senado e na Câmara e sanção presidencial o texto passa a valer.

PLÁGIO INTELECTUAL

A comissão aprovou ainda a criação de um crime específico que penaliza o plágio intelectual, cujo exemplo mais comum é a cópia de trabalhos acadêmicos.

Atualmente, esse tipo de plágio – em que uma pessoa se apropria da produção alheia como sua, sem fins comerciais – é considerado uma das violações ao direito autoral. A pena prevista é prisão de 6 meses a um ano, mas na prática é muito raro que isso aconteça.

Pelo texto aprovado pelos juristas, quem “apresentar, utilizar ou reivindicar publicamente como própria obra ou trabalho intelectual de outra pessoa, no todo ou em parte“, pode ter que cumprir pena de seis meses a dois anos de prisão.

Por Nádia Guerlenda | Folha de S.Paulo | 24/05/2012

Livrosdehumanas.org se defende


O blog Livros Etc., de Josélia Aguiar, entrevistou Thiago, moderador dolivrosdehumanas.org, que saiu do ar na quarta-feira passada depois de ser notificado pela Justiça, como efeito da ação movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. O endereço reunia cerca de 2,3 mil PDFs de livros e, segundo a ABDR, sua atividade gerou prejuízo de R$ 200 milhões. Uma série de manifestações em defesa do site aconteceu nas redes sociais. Na entrevista ao blog, Thiago afirma, entre outras coisas, que o número médio de visitantes únicos do site era de 3.500, público majoritariamente formado por estudantes universitários. “Muitos escreviam para o site falando que nas bibliotecas de suas universidades não encontravam a quantidade de títulos que indexávamos no livrosdehumanas.org. Os maiores pedidos eram livros de filosofia e dos mais diversos campos das ciências humanas.” Ele também disse que “nem todas as obras são possíveis de processo pela ABDR”. Há, segundo ele, títulos em domínio público, e-books gratuitos, livros com autorização dos autores, entre outros casos. “É tudo mais complexo do que a gritaria da ABDR faz parecer“, afirmou.

Por Josélia Aguiar | Folha Online | 21/05/2012

Difusão vs. pirataria


O site livrosdehumanas.org saiu do ar anteontem após ser notificado de ação judicial movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos. Com 2.322 livros em PDF gratuitos, o blog que se descreve como “difusor de conhecimento produzido pelas humanidades” representa, para a ABDR, “o maior caso de pirataria de livros digitais em dez anos“. Na quinta, iniciou-se no Twitter campanha em defesa do blog e contra as editoras Forense e Contexto, destacadas na notificação. A ABDR afirma que a ação partiu dela própria e que só usou títulos das casas como exemplos. Pelo número de livros, o site poderia ter de pagar mais de R$ 200 milhões, mas em geral chega-se a acordo. A instituição destaca o prejuízo ao autor e diz usar o dinheiro arrecadado em campanhas antipirataria -o valor arrecadado no ano passado não foi divulgado. A coluna tentou contato com o blog, sem resposta.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 19/05/2012

Mais números da Pottermore


Foram três milhões de libras vendidos em e-books no primeiro mês de operação da loja Pottermore, abrigada no portal que expande na internet o universo dos livros Harry Potter. “Nas últimas duas semanas, vimos as vendas se estabilizarem, mas elas continuam muito significativas, e muito além do que originalmente projetamos”, disse o principal executivo da empresa, Charles Redmayne. Ele afirmou ainda que a pirataria diminuiu e que as vendas de cópias físicas dos livros da série aumentaram, contrariando o receio de que o lançamento dos e-books canibalizariam os impressos e estimulariam as cópias ilegais. O portal, que teve conteúdo interativo lançado há duas semanas, contabiliza no período 22 milhões de visitas de sete milhões de usuários únicos – além de 4,2 milhões de tentativas de fazer poções e 39,9 milhões de duelos de bruxos.

Por Philip Jones | The Bookseller | 04/05/2012

Mais de 50 milhões de quadrinhos digitais foram adquiridos legalmente


Não é surpresa para ninguém que, assim como música e filmes, é muito fácil encontrar e baixar quadrinhos pela internet disponibilizados em diversos sites, na maioria das vezes sem autorização das editoras.

Um dos principais sites que vendem quadrinhos pelo meio digital é o comiXology, lançado em 2009 e, de acordo com o ICv2, apenas por este sistema já foram baixados mais de 50 milhões de revistas, sendo 5 milhões (10% do total) em dezembro de 2011. No mesmo período, foram vendidas 6,5 milhões de revistas impressas nos Estados Unidos.

Entretanto, não é uma comparação direta porque boa parte desse número foram títulos oferecidos gratuitamente. Além disso, usuários de qualquer parte do mundo podem cadastrar no site e se tornar clientes. Não foram apresentados dados mais concretos sobre a porcentagem de títulos vendidos, e a comiXology não costuma divulgar número de suas vendas.

Como divulgado anteriormente, estima-se que o mercado digital de quadrinhos tenha faturado aproximadamente 25 milhões de dólares em 2011, e a expectativa é que o mercado continue crescendo nos próximos anos.

Por Samir Naliato | Universo HQ | 05/03/2012