Feira de Frankfurt debate livro digital em São Paulo e em Canoas


Evento reúne profissionais envolvidos com edição, tecnologia e educação

Livros digitais em sala de aula | Fonte: Marcos de Paula/Estadão

Livros digitais em sala de aula | Fonte: Marcos de Paula/Estadão

Pela terceira vez, a Feira do Livro de Frankfurt desembarca no Brasil para realizar a Contec, uma conferência criada em 2012 para discutir temas como leitura, consumo e produção de livros digitais e vantagens e desvantagens do uso da tecnologia em sala de aula.

Hoje, o encontro será em São Paulo, no Sesc Vila Mariana, e os ingressos estão esgotados. Uma segunda conferência, com programação similar, será realizada na quinta-feira, na Unilasalle, em Canoas, no Rio Grande do Sul. São esperadas 1.100 pessoas nas duas edições.

Uma das editoras convidadas é a Ladybird, que desde a Primeira Guerra publica livros para crianças na Inglaterra. Nos últimos 99 anos, ela acompanhou o nascimento de diferentes gerações de crianças, participou das mudanças do mercado e se adaptou às novidades que apareceram, como o livro digital. “Hoje, as histórias chegam em muitos formatos; não se trata mais apenas do livro impresso. Publicamos aplicativos desde 2010 e nosso compromisso com leitores de todas as idades diz respeito tanto aos nossos livros digitais quanto aos físicos”, conta Heather Crossley, editora da Ladybird – hoje um selo da Penguin.

Ela participa do painel O Novo Sempre Quer Dizer Melhor? ao lado de Udi Chatow, gerente de Desenvolvimento de Negócios Mundiais em Educação da HP; de Colin Lovrinovic, gerente da editora independente alemã Bastei Lübbe, e da consultora brasileira e editora da revista Emília, dedicada à literatura infantojuvenil, Dolores Prades.

Crossley explica que a editora entendeu logo o momento. “O conteúdo é soberano, e temos conteúdos muito bons que não têm uma vida apenas no papel”, diz. A Ladybird tem trabalhado com a produtora de televisão Darrall Macqueen para produzir – para o canal CBeebies, da BBC –, sua primeira série voltada para crianças da pré-escola. “Investir em televisão, filmes, produções teatrais e outras áreas aparentemente não tradicionais para editoras é algo que fazemos na Penguin. Para sobreviver e prosperar nesse novo cenário editorial, é preciso ter a habilidade de se adaptar, de aprender novas funções e de manter o leitor na linha de frente”, completa a editora, que aproveita para comentar a iniciativa da Dreamworks de fazer o inverso.

Estúdio de animação responsável por filmes como Madagascar e Shrek, ela anunciou há dez dias que começaria a editar os livros originados de seus produtos e personagens, deixando, assim, de licenciar a marca para que outras editoras criem os livros. “Faz todo o sentido que eles queiram controlar sua produção editorial, mas o que isso significa para a relação entre editora tradicional e estúdio cinematográfico é discutível. Vamos ver o que acontece.

Participam, ainda, nomes como Michael Ross, da Encyclopaedia Britannica; Fávio Aguiar, da Widbook; Junko Yokota, do Center for Teaching through Children’s Books, entre outros editores, pesquisadores e profissionais da área de tecnologia. Na plateia, profissionais dessas mesmas áreas, além de educadores.

Frankfurt. A ideia de organizar uma conferência como essa no Brasil surgiu enquanto era discutida a participação do País como o convidado de honra de 2013 da feira alemã. A primeira edição foi realizada em São Paulo, em 2012, e a segunda, no Rio, em 2013. Deu tão certo que a Feira de Frankfurt decidiu levar a conferência para a Alemanha, em outubro do ano passado. A organização, porém, ainda não conseguiu tirar o papel o modelo de evento que idealizou: uma conferência realizada paralelamente a uma feira de livros e tecnologia aplicada ao mercado editorial e à educação.

O tema desta edição da Contec é O Futuro da Aprendizagem Interativa e Marifé Boix Garcia, vice-presidente da Feira de Frankfurt, conta que a ideia é reunir protagonistas de áreas distintas para incentivar a realização, em conjunto, dos próximos passos rumo à inovação tecnológica do mercado editorial e à formação de educadores. “O Brasil é um mercado jovem e inovador e todos gostam de celulares, tablets etc. Ao mesmo tempo, existe uma grande preocupação em melhorar a educação. Nos últimos anos, surgiram grandes iniciativas públicas e privadas que trabalharam fortemente no tema digital. Claro que num país desse tamanho a infraestrutura varia de estado para estado, e isso significa um grande desafio para os governantes”, diz.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 18 de fevereiro de 2014, às 3h00

Mobilidade para leitura


Penguin, lá fora, e IBA, por aqui, apostam nos aparelhos móveis

A cada seis meses aparece um novo ‘it’ suporte para leitura digital. Ultimamente, a atenção tem se voltado para a leitura no celular. Lá fora, a Penguin fechou parceria com a Readmill, uma start up de Berlin, que vai permitir que os leitores comprem os e-books  no site da editora e mandem os títulos diretamente para os aparelhos telefônicos. E, com milhões de smartphones vendidos no Brasil, as plataformas brasileiras também apostam no formato. Dos maiores, o aplicativo Saraiva Reader já é disponível em telefones, agora é a vez do IBA, da editora Abril. Segundo a coluna Babel, o IBA vai lançar seu aplicativo de leitura de e-books em smartphones na primeira quinzena de dezembro.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 25/11/2013

Departamento de Justiça americano quer punir Apple


Departamento de Justiça americano quer punir Apple ainda mais. Apple chama propostas de ‘draconianas’

A juíza Denise Cote julgou em julho que a Apple é culpada de conluio no caso de precificação de e-books. Agora, o Departamento de Justiça americano (DOJ) quer que ela imponha sanções rígidas à empresa e a mantenha sob supervisão do governo pelos próximos anos. Na última sexta-feira (02/08), o DOJ colocou o pedido para que a juíza obrigue a Apple a acabar com o modelo de agenciamento pelos próximos cinco anos, não só com as editoras, mas com todos os fornecedores do iTunes, que passariam a vender conteúdo (música, vídeo, programas de TV etc.) através da app store sem pagar a taxa de 30% à Apple.

Se Cote acatar a proposta, ela estaria basicamente descartando o acordo que fechou com as editoras Hachette, HarperCollins, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin. O argumento do DOJ toca justamente neste ponto: ele defende que, após o fim do acordo com a Justiça, em dois anos, as editoras da Defesa voltarão a negociar contratos de e-books como antes. Segundo o site Publishers Lunch, o DOJ ressaltou em seu argumento a opinião de que “vários CEOs das editoras da Defesa deram testemunhos não críveis em apoio à Apple”, e destacou ainda o CEO da Macmillam, John Sargent, que declarou “estar até mesmo orgulhoso das suas ações, não só na época como ainda hoje também.” Para o DOJ, o fato da conduta ilegal da Apple ter sido conduzida nos níveis mais altos da direção mostra uma vontade da empresa de adotar práticas de fixação de preços ilegais.

A Apple não demorou a se manifestar. Ainda na sexta-feira, à tarde, ela respondeu dizendo que as propostas do DOJ eram “uma intrusão draconiana e punitiva nos negócios da Apple, loucamente fora de proporção de qualquer mal ou prejuízo potencial julgado”. A Apple acredita que a observância do Governo seria aplicada somente à empresa e ultrapassaria “as questões julgadas no caso, ferindo a competição e consumidores e violando princípios básicos de justiça e processo legal”. Como o fantasma da gigante varejista de Seattle está sempre por perto, a Apple aproveitou para cutucar e dizer que, caso as medidas fossem adotadas e a empresa prejudicada, a “Amazon poderia usar seu poder de mercado para conseguir termos mais favoráveis que a Apple seria capaz” nos e-books. De um modo geral, a Apple defende que a sua conduta unilateral (ou seja, se não houvesse tido participação das editoras) nunca foi o problema em si, portando as imposições abrangentes não fazem sentido.

Por enquanto não houve manifestação por parte da Juíza Denise Cote, mas sua tendência favorável ao DOJ pode vir a mudar drasticamente a indústria da venda de conteúdo na internet.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 05/08/2013

Macmillan finaliza acordo de eBook, e pagará US$ 26 milhões


Os detalhes: o preço a ser pago pela Macmillan é de US$ 26 milhões, em vez dos US$ 20 milhões anunciados inicialmente. O acordo final inclui US$20 milhões para compensação dos usuários; US$ 3 milhões para cobrir os custos de ‘investigação’ e litígio; US$ 2,5 milhões para os advogados. […] Apesar do acordo, a Macmillan nega ter feito algo errado, e o relatório inclui uma cláusula indicando que a editora não participará do julgamento de e-books que ocorrerá no dia 3 de junho, com Apple e Penguin na defesa.

Por Andrew Albanese | Publishers Weekly | 29/04/2013

Executivo da Apple terá que testemunhar em caso de livros eletrônicos


O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, deverá prestar depoimento no processo do governo norte-americano contra a companhia por conta de acusações de fixação de preços no mercado de livros eletrônicos, decidiu um juiz nesta quarta-feira [13].

A juíza distrital Denise Cote, de Manhattan, concedeu o pedido do Departamento de Justiça para exigir que Cook testemunhe por quatro horas sobre o processo, que acusa a Apple de conspirar com cinco editoras a fim de elevar os preços dos livros digitais.

Executivo-chefe da apple, Tim Cook, em evento da empresa em março; juíza intima executivo para depor | Fonte da imagem: Paul Sakuma, by Associated Press

Executivo-chefe da apple, Tim Cook, em evento da empresa em março; juíza intima executivo para depor | Fonte da imagem: Paul Sakuma, by Associated Press

O governo norte-americano argumentou que Cook provavelmente tinha informação relevante sobre a entrada da Apple sobre o mercado dos chamados ebooks. A empresa também disse que Cook provavelmente teve conversas relacionadas a esse tópico com o ex-presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, que morreu em 2011.

A Apple rebateu o pedido, chamando o testemunho de Cook de “acumulativo e duplicativo”, já que o governo já havia usado depoimentos de 11 outros executivos da fabricante do iPad.

Mas a juíza, em uma teleconferência, citou a Morte de Jobs como um motivo importante para a convocação de Cook.

“Por causa dessa perda, acredito que o governo tem o direito de tomar o testemunho de executivos de alto nível de dentro da Apple sobre tópicos relevantes ao caso do governo”, assim como para refutar os argumentos da Apple, disse ela.

Um porta-voz da Apple não respondeu imediatamente a um pedido de comentários.

A Apple é o único réu no processo, que foi iniciado em abril de 2012 na Corte Distrital de Nova York.

Todas as editoras envolvidas, incluindo a Penguin, da Pearson; a HarperCollins, da News Corp e a Simon & Schuster, da, já fizeram acordos para resolver o caso. A última editora, a Macmillan, fez acordo em fevereiro.

Um julgamento é esperado para junho. O governo não pede indenizações, mas sim descobrir que a Apple violou leis antitruste e ordenar um bloqueio para que realize novamente conduta semelhante.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | Publicado e clipado originalmente à partir de Folha de S.Paulo | TEC| 13/03/2013, 16h48

Editoras lançam Bookish


Site é resultado de parceria da Simon & Schuster, Penguin e Hachette

BookishAs editoras Simon & Schuster, Penguin e Hachette, 3 das chamadas Big Six internacionais, juntaram forças e lançaram o Bookish, uma mistura de rede social, site de recomendação de livros [com recomendações “inteligentes”, segundo o portal] e livraria online, com livros de outras editoras além das 3 parceiras. Além disso, o Bookish também pretende ser uma publicação online, com conteúdo editorialmente independente sobre livros e autores de diversas editoras.

PublishNews | 07/02/2013

Ligação direta com o leitor


Com a popularização de ferramentas para produção e venda de ebooks e o sucesso de obras lançadas sem mediação de grandes editoras, escritores investem na autopublicação, que dá nova cara ao mercado, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas

Até o meio da semana, a segunda posição da lista de ebooks mais vendidos pela Amazon nos Estados Unidos era ocupada por “Stop the wedding!”, romance da americana Stephanie Bond. O livro, sobre como uma advogada e um investidor tentam impedir seus pais de se casarem mas acabam se apaixonando, foi lançado em novembro. Ele não existe em versão física e, até o momento, não está à venda em outro lugar que não seja o site da Amazon. Sua editora é uma tal NeedtoRead Books, casa que tem em seu catálogo 16 livros. Todos de Stephanie Bond. O que a autora tem feito é utilizar os recursos da Amazon para lançar seus próprios livros, sem a necessidade de uma grande editora como intermediária. Ela é um dos mais recentes exemplos da popularização de uma prática que está transformando o mercado editorial: a autopublicação.

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Casos como o de “Stop the wedding!” vêm se repetindo. Ao longo de 2012, foi comum a inclusão, na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”, de livros lançados pelos próprios autores. Foram obras como “Slammed”, de Collen Hoover, “Playing for keeps”, de R.L. Mathewson, ou “Training Tessa”, de Lyla Sinclair. Elas existem porque a Amazon tem um sistema que permite a qualquer pessoa colocar um ebook à venda no site. Em geral, são livros baratos [“Stop the wedding!”, por exemplo, custa US$ 0,99], com temas que “variam” da comédia romântica ao drama romântico, com especial destaque para o erotismo romântico — a sensação do ano, a trilogia erótica “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, foi publicada pela primeira vez pela própria autora num fórum de fãs de “Crepúsculo”, antes de a editora Vintage Books lançá-la nos moldes tradicionais.

Mas há livros de turismo, acadêmicos, de fantasia ou reportagens sendo “autopublicados” com sucesso, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas. Eles representam uma democratização no acesso a um mercado antes restrito [qualquer desconhecido que já tentou publicar um livro por uma editora sabe da dificuldade que é ter seus originais aceitos] e um desafio para as editoras.

— Com a autopublicação, qualquer um, empresa, universidade ou autor, pode se tornar sua própria editora. Se as grandes casas editoriais não se mexerem, elas certamente serão afetadas por esse panorama — afirma Harald Henzler, diretor-geral da empresa alemã de consultoria para negócios digitais Smart Digits.

A história da autopublicação remonta às origens do mercado editorial. No século XIX, era comum autores que depois teriam sucesso bancarem a publicação de seus próprios livros. No século XX, mimeógrafos foram constantemente utilizados para a reprodução de livros de escritores que não conseguiam contratos com editoras ou não tinham autorização para lançar suas obras por questões políticas. Com a popularização da internet, há pouco mais de uma década, jovens autores lançaram romances em sites ou blogs. Mas o que todos queriam mesmo era um contrato com uma editora, o que possibilitaria que um livro chegasse a uma grande livraria com destaque, tivesse uma divulgação organizada e, por consequência, ganhasse mais leitores.

A diferença, hoje, é que se pode ter tudo isso por conta própria, até mesmo de uma maneira profissional. Na esteira do serviço de autopublicação da Amazon, surgiram empresas que oferecem aos autores um pouco da expertise de uma editora. Antes de pensar em lançar seu livro, o autor pode contratar a revisão, a produção da capa, a conversão do texto para o formato digital e até mesmo a edição do texto. Um livro autopublicado pode, sim, ter um tratamento tão bom quanto o oferecido por uma editora tradicional. O que ele não vai ter é a marca. E isso, para muita gente, ainda faz diferença.

— A editora sempre vai ter um peso, ao menos o peso da credibilidade — diz Ana Paula Maia, que, antes de se tornar uma escritora reconhecida, já pagou parte da publicação de “O habitante das falhas subterrâneas” em 2003, pela 7Letras [o livro será relançado na semana que vem pela editora Oito e Meio] e também publicou um romance inteiro num blog [“Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, de 2006, posteriormente lançado pela editora Record]. — Existe um valor grande agregado a uma grande editora. Ela indica para os leitores um padrão de qualidade, mas o que também não quer dizer que você é um grande autor só por estar numa editora. Neste mundo novo, acho que a editora vai ter um papel mais opinativo. Não vai ditar mais as regras, mas vai ser um filtro.

‘A marca das editoras é muito forte’

A questão é que, neste mundo novo descrito por Ana Paula, as editoras tradicionais estão tentando seguir essa estrada da autopublicação. Em julho, a Penguin comprou por US$ 116 milhões a Author Solutions, uma das principais plataformas de autopublicação na web dos EUA. O trabalho da Author Solutions consiste exatamente em oferecer a autores os recursos necessários para lançar seus livros com uma roupagem de qualidade: em seu site, a empresa fundada em 2007 diz já ter “ajudado mais de 100 mil autores a publicar mais de 170 mil títulos e alcançar seus objetivos editoriais”.

Antes, a própria Penguin já havia lançado um braço próprio para oferecer a autores a possibilidade de autopublicação, ideia que foi seguida por outras editoras, como a Random House.

— As editoras enxergam a autopublicação como uma forma de descobrir novos autores e testar novos conceitos — diz o americano Greg Bateman. — Mas elas não vão perder terreno com a prática. Com os livros digitais, haverá um espaço grande para todos crescerem. O futuro é muito bom para todos.

Bateman participou da equipe que desenvolveu o Kindle, o leitor digital da Amazon lançado em 2007, e é o criador do Vook, uma plataforma de produção de ebooks. Desde o início deste ano, ele está morando em São Paulo, justamente por acreditar que há um terreno fértil no Brasil para o crescimento do livro digital. Na próxima terça-feira, às 19h30m, ele estará no Oi Futuro do Flamengo, para participar do evento Zona Digital, em que vai abordar o tema do “livro aplicativo”.

— No Brasil, a marca das editoras é muito forte. Mas o poder do automarketing, de redes sociais como Facebook e Twitter, também é muito forte. Então as marcas não são mais 100% necessárias para vender livros. É preciso buscar outras formas, e é isso que os profissionais que lidam com autopublicação estão fazendo — afirma Bateman.

Um dos pilares da autopublicação está em se libertar do que seriam as amarras do mercado. Um autor que paga por sua obra não precisa esperar na fila de uma editora, muito menos precisa ouvir opiniões de um editor [muitas vezes duras, mas também reais] sobre seu livro. Para ele, vale a divulgação pela internet, em redes sociais e sobretudo nas resenhas escritas pelos próprios leitores [e, claro, por que não?, por amigos e parentes] no site da Amazon.

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De acordo com um relatório da Bowker, a agência que cuida dos registros americanos do ISBN, cerca de 87 mil ebooks foram publicados por seus próprios autores nos EUA, um número 129% maior do que o de 2006, antes de o Kindle ser lançado. Só que lançamento ainda não é sinônimo de venda. Por enquanto, a maioria dos livros de autopublicação não é comprada por mais de cem leitores.

— Uma editora tradicional sabe como trabalhar um livro comercialmente, tem todo um conhecimento que não pode ser menosprezado — afirma Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras. — Minha impressão é que a Amazon tinha a expectativa de que a autopublicação fosse estourar e dar certo muito rápido. Mas não aconteceu com a velocidade que esperavam, e a própria Amazon acabou lançando uma editora nos moldes tradicionais.

Marques da Costa argumenta, ainda, que o que vem ocorrendo hoje com o sucesso de algumas obras publicadas de forma independente é mais um fenômeno de nicho do que uma ameaça ao formato consagrado pelas editoras.

— Esses grandes fenômenos de autopublicação costumam ser romances femininos ou eróticos. Raramente algo diferente aparece. Mas, mesmo nesses casos, geralmente os autores acabam assinando depois com as grandes editoras, como foi o caso do “Cinquenta tons de cinza” — diz ele. — Para o leitor, o julgamento de uma grande editora, do que deve ou não vir a público, é muito importante.

Na última quarta-feira, a versão em ebook de “Cinquenta tons de cinza”, lançada no Brasil pela editora Intrínseca, estava em sexto lugar na lista dos mais vendidos no site brasileiro da Amazon. Já em sétimo, logo atrás do maior sucesso de 2012 no mercado editorial, aparecia um livro chamado “Paris para principiantes”, um guia de viagem com texto e fotos de Paulo de Faria Pinho.

‘A filosofia é outra’

Ao preço de R$ 1,99, “Paris para principiantes” foi lançado pela KBR, uma empresa com 91 títulos no catálogo, em que os próprios autores pagam pela publicação de seus livros. A sede da KBR fica em Petrópolis, região serrana do estado do Rio, na casa de sua fundadora, CEO, única funcionária e uma de suas principais autoras, Noga Sklar.

— O jogo ficou aberto para todo mundo. Antes da chegada da Amazon, a KBR não era nada. Agora, estou aqui pensando no que vai ser o futuro da empresa — explica Noga. — Até agora, o editor era aquele santo no altar, ninguém conseguia falar com ele. Eu como autora sempre fui maltratada, sofria rejeição. Mas há milhões de outras saídas, não precisa ficar na fila de uma editora por três anos, esperando alguma coisa acontecer.

Também no site brasileiro da Amazon, um dos livros mais vendidos dentro da categoria “erótico” é “Sem graus de separação”, um dos oito já lançados por Noga. A KBR foi criada justamente para levar à Amazon americana os livros de sua fundadora e cresceu quando ela passou a ser procurada por outros autores interessados em oportunidades semelhantes de levar sua obra para o público. Noga costuma chamar seus autores de “sócios” da empresa, já que eles financiam boa parte do trabalho de produção.

— Se as grandes editoras não perceberem que o negócio mudou, elas vão ter problemas. A filosofia é outra. Essa coisa de as editoras fazerem tiragem vai acabar. Elas também vão ter que começar a olhar mais para as redes sociais e outros canais de promoção. O que a Amazon faz melhor é tratar bem o consumidor. É tudo personalizado. Eles te chamam pelo nome, sabem seu gosto. E permitem que você compartilhe suas impressões sobre um livro em avaliações que têm tanto valor quanto a de qualquer profissional — diz Noga.

Porém, mesmo com o bom resultado de “Paris para principiantes” na lista de mais vendidos da Amazon, havia até o meio da semana uma única avaliação de consumidor sobre o livro. “O ‘Paris’ de Paulo Pinho é uma caixa de surpresas e uma joia de livro, com crônicas deliciosas, lindas fotos do próprio autor e dicas inusitadas”, diz a resenha, acompanhado da cotação máxima de cinco estrelas, escrita pela própria Noga Sklar.

Definitivamente, uma característica fundamental do universo da autopublicação é saber vender o próprio peixe.

Por André Miranda | Publicado originalmente em O Globo | 15/12/2012

Os modelos de negócio estão mudando: é o momento de tentativa e erro


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 12/12/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

O anúncio no final da semana passada de que a Random House está lançando três selos que priorizam o digital foi só o exemplo mais recente de como as editoras estão explorando novos modelos de negócios. Poucos dias antes recebemos a notícia da parceria entre a Simon & Schuster e a Author Solutions fazendo com que a S&S seja a terceira maior editora – depois da titã de publicações cristãs Thomas Nelson e da Harlequin, forte na área de romances – a colocar seu nome no setor de “serviços ao autor”.

A S&S não é a primeira das Seis Grandes a dar este grande passo, a Pearson, empresa coligada à Penguin, comprou a Author Solutions há alguns meses e a HarperCollins comprou a Thomas Nelson no ano passado. Então, na verdade, três das Seis Grandes agora estão envolvidas com serviços ao autor – e são, na verdade, quatro das seis, lembrando a outra recente grande notícia de que a Penguin e a Random House estão em processo de fusão. [E não estou contando iniciativas mais modestas como o “Authonomy” da HarperCollins ou o “Book Country” da Penguin.]

Eu me lembro de ter participado de um painel no Canadá alguns anos atrás com Carolyn Pittis, a pioneira digital, uma pessoa muito inteligente, da HarperCollins, que citou a forma como a maioria das editoras faz negócios – comprando o direito de explorar copyrights e depois monetizando em cima deles – como um dos possíveis modelos de negócios para uma editora. Ela explicitamente mencionou “serviços ao autor” como outra. Isso foi antes de sua empresa ter lançado o Authonomy, alguns anos antes do “Book Country”. Em outras palavras, grandes editoras já estão pensando há um tempo sobre modelos “autor-paga” [assim como os editores profissionais].

Todos eles seguem o caminho da Amazon, que há anos vende à la carte todos os componentes de sua própria cadeia de valores. Recentemente li um e-book chamado “The Amazon Economy” publicado pelo Financial Times [um exemplo de uma editora não especializada em livros ajustando seu próprio modelo de negócios para ser uma editora de livros, falaremos mais disso outro dia] que sugeria que a Amazon na verdade ganha mais dinheiro disponibilizando sua infraestrutura para outros do que vendendo coisas.

Em outras palavras, há um potencial de lucro na desconstrução da cadeia de valor de uma empresa e a venda de acesso a ela em pedaços.

Em certo sentido, as editoras sabem disso há muito tempo. Elas tornaram a parte de suas operações externas ao livro [estoque, distribuição, crédito, recolhimento e vendas] disponíveis a outras editoras há anos. Algumas editoras, como a Random House, transformaram a distribuição em um negócio importante com suas próprias estruturas de gerenciamento dentro da corporação. A Perseus, que é uma editora montada em cima de vários selos pequenos, construiu um serviço de distribuição que possui mais de 300 clientes. A Ingram, cuja operação central é de venda por atacado combinado com a subsidiária Ligthning que montou nos anos 90 para fornecer serviços de impressão sob demanda e, mais tarde, serviços digitais, possui uma oferta de distribuição comparável.

Mas o que a Author Solutions – e vários concorrentes menos robustos [e bem mais baratos] – mostraram é que há uma forte demanda para os serviços que precedem a entrega do livro para a venda.

Não tenho outro método, a não ser a inferência, para saber como a Thomas Nelson e a Harlequin estão fazendo com sua oferta de serviços ao autor baseada na Author Solutions, mas o fato é que a Pearson, empresa-mãe da Penguin, comprou as duas e  a S&S fechou um acordo, e isso certamente sugere que a ASI possui um bom histórico. Claro, eles são líderes do mercado porque ganham dinheiro e ganham dinheiro tendo boas margens. E os preços dos serviços da iniciativa Archway – o projeto da ASI com a S&S – são mais altos do que em outras plataformas. Isso não significa que eles não vão convencer muitos aspirantes a autores a usá-los.

Isso é tudo muito lógico, mas também muito enganador. A maioria das editoras – pelo menos até bem recentemente – considerava os serviços de distribuição que eles oferecem como commodities, ou seja, amplamente disponível e altamente comparável. É verdade que qualquer uma das grandes editoras, muitas das menores, e os distribuidores, além da Ingram e da Perseus, podem distribuir as capacidades centrais: contas ativas com todos os grandes varejistas, a capacidade de fazer negócios com eles e recolher o dinheiro, e a disponibilidade do livro em toda a cadeia de suprimento. Obviamente, todos lutam para serem melhores que os concorrentes e assim justificar seus preços mais altos.

Mas, acima de tudo, o orgulho e a crença da editora em uma diferença qualitativa entre o que oferecem e o que a concorrência resulta em um valor muito maior. As editoras geralmente acreditam em seus editores e marqueteiros mais do que acreditam em suas forças de vendas e estoques. [Gente como eu, há 20 anos em vendas, costumava dizer, com ironia consciente, que havia dois tipos de livros: sucessos editoriais e fracassos de vendas e marketing.] Eles veem seu tempo e sua atenção como algo muito precioso. Eles são muito mais relutantes para tornar este tempo disponível para alugar e, de fato, parece que todos os três acordos de editoras com a Author Solutions têm como base o fornecimento dessa capacidade pela ASI. Elas não vêm das próprias editoras.

Tudo isto significa um desvio de outro componente importante para uma publicação bem-sucedida: a coordenação de todas estas atividades. A publicação bem-sucedida é o resultado de várias pequenas decisões: na edição, na apresentação [tanto do livro em si e do metadado, como cópia de catálogos e press releases, que servem como apoio], e, cada vez mais, nas tags de SEO, sinais sobre “colocação” que estão incluídos no arquivo digital do livro, ou metadado de marketing. Na era digital, estas coisas podem mudar com o tempo. As notícias diárias – sobre votos na ONU ou escândalos sexuais no Pentágono ou qualquer outra coisa – poderiam pedir uma mudança nos metadados de um livro publicado há um mês ou um ano para deixá-lo com maior probabilidade de ser mostrado pelos mecanismos de busca hoje.

[O e-book do FT sobre a Amazon, que eu recomendo, deixa claro que a empresa também vende “coordenação” do lado varejo como um valor adicional extremamente importante, e aparentemente muito apreciado.]

Na verdade, a decisão de colocar mais ou menos esforço em um livro está – ou deveria estar – baseada em uma análise de vendas e tendências de busca, assim como em medidas mais tradicionais, como análise de resenhas.

Nos velhos tempos pré-Internet, publicar livros era como lançar foguetes. A maioria caía na Terra, alguns entravam em órbita. Mas os esforços do editor – na maioria das vezes – se limitavam ao lançamento. Então, a equipe de marketing poderia entrar em ação. Isso não era uma forma de fazer negócios que agradava aos autores, mas era consistente com as realidades do mercado. As grandes redes de livrarias não matinham um título em estoque se seu apelo de vendas não ficasse evidente no caixa em 90 dias. Sem cópias de um título nas lojas, não havia motivo para a editora insistir.

Isso é algo que mudou muito na era digital. Com alguns títulos e gêneros representando metade de suas vendas através de e-books ou vendas online, não há mais limite de tempo em relação à eficiência do marketing. No que é um assunto que vamos certamente explorar em uma conferência futura, isso pode estar causando engarrafamentos nos departamentos de marketing das editoras. Eles não podem mais esperar que os títulos mais antigos continuem abrindo espaço e ao mesmo tempo trabalhar nos mais novos.

A Open Road é uma editora exclusivamente digital que trabalha principalmente, mas não exclusivamente, com catálogos. [Eles parecem estar também se especializando em publicar livros de editoras estrangeiras e em ajudar editoras de livros ilustrados a entrar no mundo dos e-books.] O que me impressionou quando eu me encontrei com eles há um ano foi que eles não distinguiam entre “lançamentos” e “catálogos”. Eles faziam marketing de acordo com o calendário, em eventos e feriados, e não nos livros mais novos. Acredito que isso na verdade trouxe maior relevância a seu marketing. Obviamente, isso também vinha de uma necessidade, pois eles não têm um fluxo de “novos” livros para agenciar. Mas também capitalizaram em cima de uma nova situação, onde os livros não ficam de repente indisponíveis porque as lojas os tiram das prateleiras.

Um produto secundário de vendas de longo prazo é a maior facilidade para as editoras agruparem os livros para o marketing. Agora quatro livros em um tópico similar podem ser unidos, mesmo se tiverem sido publicados meses ou até anos depois. A Open Road faz um amplo uso desta realidade.

Estes são desafios e oportunidades que forçam os editores a repensar a organização de seus departamentos de marketing e a disposição de seus recursos de marketing. É uma oportunidade para uma editora aumentar o valor de um autor se conseguir dar uma nova vida a um livro seis meses ou um ano depois de lançado, quando outros títulos parecidos chegarem ao mercado ou um evento faz com que um livro antigo volte a ser relevante. Como autores estão cada vez mais dispostos a fazer algumas coisas úteis por si mesmos para capitalizar nestas oportunidades, eles ficarão cada vez mais impacientes com as editoras que desistirem dos seus livros cedo demais.

Há coisas que os autores simplesmente não podem fazer. Eles não podem ajustar o metadado e adicionar tags ao livro. Eles não conseguem fazer promoção com as livrarias quando o novo livro de outra pessoa faz com que o dele volte a ser relevante. Autores tampouco têm o benefício de chegar às melhores práticas da marketing e às regras práticas ao examinar os dados de desempenho por vários grupos de títulos: grandes conjuntos de títulos, categorias, vendas comparadas e outros. Estão contando com que as editoras façam isso.

O papel da editora ao coordenar e administrar uma miríade de detalhes sempre foi uma das principais formas de acrescentar valor e pode ser ainda maior na era digital. Mas só se eles realmente fizerem isso, e há uma pequena indicação de que têm esta intenção pelos títulos que estão sendo pagos.

Jane Friedman [a blogueira e consultora para escritores, não a CEO da Open Road] aponta que sua alma mater, Writers Digest e Hay House – a editora vertical em mente-corpo-espírito que conseguiu interagir tão bem com seu público – também fez um acordo com a ASI. Ela aponta que os grandes sucessos que todos conhecemos entre os autores autopublicados – John Locke, Joe Konrath e Amanda Hocking estão entre os mais famosos – não publicaram pela ASI. Jane discorda da promessa da ASI de ajudar editoras a “monetizar manuscritos não publicados”. É difícil discordar que editoras que pagam autores para publicá-los podem estar andando na corda bamba ao ter paralelamente um modelo de negócios onde elas cobram dos autores por serviços que provavelmente não lhe trarão dinheiro.

Por outro lado, a Random House tinha feito uma declaração enfática sobre o valor que editoras legítimas podem trazer com o sucesso de Cinquenta Tons de Cinza, originalmente uma história autopublicada e agora, graças à editora, o maior sucesso comercial de todos os tempos. Nenhum livro autopublicado chegou perto e demorará muito tempo antes de aparecer outro. Vejo que esta postura de privilegiar o digital [no qual eles não são os primeiros, mas parecem ser os primeiros a promover agressivamente a diáspora de autopublicação] como um passo em direção a um modelo de negócio diferente, que reconhece as novas realidades comerciais do mercado editorial. Ele permite a publicação com menores investimentos – os autores nestas editoras digitais dificilmente receberão adiantamentos em níveis próximos aos dos livros da Random House – e talvez receberão menos atenção também. O marketing é simplificado pelo fato de que não se trata de livros impressos e, portanto, não envolve as livrarias. Assim, o limiar da lucratividade é muito mais baixo e, como descobrimos, eles ainda podem decidir dar a qualquer livro nestes novos selos o “tratamento completo” – livros impressos estocados em livrarias – mais tarde, se quiserem.

É muito cedo para julgar se a relação entre editoras e serviços de autores vai agregar valor para todos. Todas essas editoras agora têm ou terão, pelo menos, um grupo estável de autores autopublicados que estão contribuindo marginalmente a eles e que significam um interesse financeiro [mesmo sem investimento inicial]. Há definitivamente um conflito inerente entre, de um lado, tentar lucrar o máximo com um autor contratando serviços editoriais e, de outro, recrutar autores e livros que serão bem-sucedidos comercialmente.

Mas as editoras ainda sabem, mais do que o resto, como fazer para que livros com potencial comercial vendam. Se a ASI e suas editoras parceiras podem encontrar a fórmula para que a promessa inerente de sucesso da marca de uma editora chegue efetivamente aos autores que contratam serviços, será respondido nos próximos meses.

Ter mais empresas tentando descobrir isso certamente melhora as chances de alguém conseguir [e a ASI tem muito interesse em espalhar as melhores práticas quando elas aparecerem]. E com serviços cada vez mais baratos para estes aspectos de autopublicação que realmente são commodities, isso significa que ASI e todos seus parceiros terão de demonstrar de forma bastante convincente que eles podem acrescentar o marketing eficiente a sua oferta mista, isso se quiserem continuar por aqui daqui a dez anos.

Michael Cader e eu estamos fazendo nossa primeira apresentação da Authors Launch, em parceira com nossos amigos na Digital Book World, em 18 de janeiro, sexta-feira, o dia seguinte à DBW 2013. A questão de onde se unem as linhas entre os esforços das editoras e dos autores é um tópico importante. Temos um grande grupo de especialistas para trabalhar: a já mencionada Jane Friedman, junto com Porter Anderson, Jason Allen Ashlock, Dan Blank, o ex-marqueteiro da Random House Pete McCarthy, coautores Randy Susan Meyers e M. J. Rose, Meryl Moss e David Wilk. Entre os editores estão Matt Baldacci da Macmillan, Rachel Chou da Open Road, Rick Joyce da Perseus e Matt Schwartz da Random House. Esta é uma conferência realmente voltada para autores publicados em vez deautopublicados, mas ensinará habilidades e dará ideias a qualquer autor disposto a investir tempo e esforço para vender seu livro.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 12/12/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Livro digital estimula novos gêneros e outro perfil de leitor


“Certos gêneros podem ter um desempenho acima da curva no formato digital”, diz Roberto Feith, da Objetiva e da DLD

Talvez não seja tão picante quanto “50 Tons de Cinza” ou violento como “As Crônicas de Gelo e Fogo”, mas a saga do livro digital no Brasil também reserva uma carga de emoção para seus próximos capítulos: à medida que novos personagens finalmente entram na história, como a Amazon, a expectativa é de mudanças também no perfil de leitor e, consequentemente, no padrão de consumo, com a ascensão de gêneros como ficção científica e mistério e uma maior oferta de textos como ensaios e grandes reportagens.

Essa é a aposta de Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva e presidente do conselho da DLD [Distribuidora de Livros Digitais, empresa que representa as editoras Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin]. “Estamos efetivamente à beira do ponto de inflexão do consumo do livro digital no Brasil. Agora ele vai começar a representar uma parcela significativa do mercado.”

A DLD acaba de fechar acordos com a Amazon e com o Google – “a expectativa é que estreiem antes do Natal“, diz Feith. Na segunda, a Livraria Cultura deu início das vendas do leitor Kobo. E na semana passada, a Objetiva lançou um selo exclusivo para obras digitais.

O diferencial do selo Foglio está no tamanho dos textos: a ideia é publicar obras de até 15 mil palavras. Trata-se de uma estratégia que já vem sendo adotada nos últimos dois anos por editoras como Random House, Penguin e Pan Macmillan. No Brasil, a meta é utilizar as vantagens do formato digital para popularizar gêneros que não têm muito espaço no meio impresso tradicional.

Um deles é o ensaio, conta Arthur Dapieve, editor de não ficção nacional da Objetiva e do selo Foglio. “Atualmente, eles estão limitados a revistas de fundo educacional. Podemos ajudar a tirá-lo da invisibilidade.

Outra aposta é relacionada a grandes reportagens sobre temas em destaque no noticiário – “o ‘instant book’ nunca deu certo no Brasil”, comenta Dapieve. São textos que precisam de mais espaço do que o disponível em jornais e revistas e de uma publicação mais ágil do que as editoras conseguem. Problemas superados com o livro eletrônico, acredita Feith. “No formato digital, é possível levar esse tipo de obra para o público em um intervalo de algumas semanas ou um mês“, afirma.

Na ficção, a ideia é que a oferta de textos curtos e mais baratos [os livros da Foglio custaram entre R$ 4 e R$ 8] facilitem o contato dos leitores com escritores que ainda não conhecem.

Mas isso não significa que a leitura nos livros digitais seja predominantemente de textos curtos. Segundo Feith, caso o Brasil siga uma tendência já observada em outros países onde equipamentos como Kindle e Nook estão mais disseminados, o que o mercado deve observar daqui para a frente é a ascensão de alguns gêneros, como ficção científica. Isso se deve a uma provável mudança no perfil do consumidor.

“O dispositivo de leitura mais comum até agora no Brasil é o iPad. É um produto relativamente caro [o de terceira geração custa a partir de R$ 1.549 no país] e, por isso, o consumidor do livro digital tende a ser de uma faixa etária mais alta, acima de 30 anos”, observa Feith. Isso explica, segundo ele, o fato de o livro eletrônico mais vendido na Objetiva atualmente ser “O Poder do Hábito” [Charles Duhigg]: “É um livro que tem relevância para pessoas interessadas em sucesso profissional”.

A chegada de outros aparelhos vem acompanhada de alguns fatores. Em primeiro lugar, eles têm um preço mais acessível: o Kobo é vendido por R$ 399, e a expectativa é que o Kindle custe aproximadamente R$ 550. Em segundo, está o fato de que eles servem apenas para a leitura, diferentemente do iPad, que tem várias funções.

“Quem compra um Kindle, por exemplo, é por definição uma pessoa que já lê muito”, afirma Feith. E, frequentemente, continua ele, esse consumidor é fã de algum gênero específico. Junte-se a isso o fato de que esse leitor terá mais facilidade para comprar no meio digital [tanto pelo preço quanto pela comodidade]. O resultado, segundo Feith, é uma maior demanda por livros de certos gêneros e temas [como a Segunda Guerra]. Agora é preciso ver se o Brasil seguirá o script.

Por Amarílis Lage, de São Paulo | Valor Econômico | 28/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Na China, 25 milhões de pessoas leem livros apenas no celular


Mobile reading may revive entire genres of literature, such as mid-length novels and poems, which have fallen out of favor.

Em entrevista ao China Economic Review, Gabrielle Coyne, CEO do grupo Penguin para a divisão Asia-Pacífico, disse que o negócio de livros em língua inglesa e parcerias com editoras chinesas cresceu 120% no ano passado. No total, segundo a revista, a China tem a maior produção de livros do mundo. […] Se a escala da publicação tradicional é vasta, a evolução da leitura eletrônica aparentemente reflete o que vem acontecendo nos Estados Unidos nesses aspectos. […] Clifford Coonan, correspondente do Irish Times em Pequim, reportou que “quase a metade dos chineses adultos leem livros em formatos diferentes e quase 25% dos leitores – umas 220 milhões de pessoas – leem por meio eletrônico. Dessas, quase 120 milhões de pessoas leem no celular. E quase 25 milhões leem livros exclusivamente no celular”.

Por Peter Osnos | The Atlantic | 27/11/2012

Apple e editoras propõem acordo antitruste à União Europeia


BRUXELAS, 19 Set [Reuters] | A Apple e quatro grandes editoras sugeriram permitir que grupos de varejo como a Amazon vendam livros com descontos, em um esforço para pôr fim a uma investigação antitruste da União Europeia, anunciou a Comissão Europeia nesta quarta-feira.

As autoridades regulatórias estão investigando os acordos de preços de livros entre Apple e Simon & Schuster, HarperCollins [unidade da News Corp], Hachette Livre [unidade do grupo francês Lagardere], Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, que controla a Macmillan na Alemanha, e o grupo Penguin, da Pearson.

Por um período de dois anos, as quatro editoras não restringirão, limitarão ou bloquearão a capacidade das empresas vendedoras de livros eletrônicos para estabelecer, alterar ou reduzir preços de varejo de livros eletrônicos e/ou oferecer descontos e promoções“, anunciou a Comissão Europeia em seu diário oficial, detalhando a oferta em consideração.

A Comissão afirmou que as editoras e a Apple também ofereceram uma suspensão dos contratos de favorecimento mútuo entre elas por cinco anos. Esse tipo de contrato proíbe editoras de fazer acordos com grupos rivais de varejo para vender livros a preços inferiores aos determinados pela Apple.

A organização de fiscalização da Comissão Europeia informou que as propostas ficarão abertas a comentários públicos por um mês e, caso a resposta seja positiva, a investigação será encerrada.

As editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette chegaram a acordo com o governo norte-americano em abril por meio de propostas semelhantes.

De acordo com analistas do UBS, os livros eletrônicos respondem por 30 por cento das vendas de livros nos EUA e por 20 por cento no Reino Unido, mas ainda não são significativos em outros mercados.

Por Foo Yun Chee | quarta-feira, 19 de setembro de 2012 10:32 BRT | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved.

Lista dos eBooks mais vendidos nos EUA


A Digital Books World, newsletter especializada em livros eletrônicos dos EUA, divulgou várias listas de mais vendidos do setor naquele país. A DGB , associada com a Iobyte Solutions, preparou uma lista geral dos vinte e cinco mais vendidos e quatro listas segmentadas pelo preço.

A curiosidade a ser notada é que, dos vinte e cinco títulos mais vendidos, 21 foram publicados pelas “seis irmãs”, as maiores do setor, e praticamente a metade [12 títulos] foram publicados por editoras que aplicam o modelo de agenciamento, e com preços acima de US$ 10,00 [US 12,00 é o mais comum], e apenas quatro estão no segmento de preço mais baixo [de Us$ 0,00 a 2,99].

Outro detalhe significativo é que apenas dois títulos foram publicados por editoras fora do grupo das seis maiores editoras americanas [Random House, Penguin, Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins]. A Scholastic – que não está entre as seis, mas é uma grande editora [publicou o Harry Potter nos EUA] emplacou dois títulos, e a Soho Press, essa sim, independente, um título.

Ao observar as listas divididas por categorias de preço, verifica-se que apenas no segmento de preço de US$ 3. a US$ 7,99 é que começam a aparecer as independentes, com três posições. E somente no segmento mais barato [de US$ 0,0 a Us$ 3] aparecem dois autores autopublicados, Sidney Landon e Lynda Chance. Esses dois, pelo título dos romances, aparentemente produzem “romance novels”, um segmento diferenciado nos EUA, por aqui representado pelos livros de banca tipo “Sabrina”. Etc.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 20 de agosto de 2012

Penguin volta a oferecer eBooks em bibliotecas


Editora vai disponibilizar títulos novos seis meses após terem sido lançados

Mais de quatro meses após ter retirado seus lançamentos digitais das bibliotecas americanas, a Penguin vai voltar a oferecê-los em agosto em duas instituições: a Biblioteca Pública de Nova York e a Biblioteca Pública do Brooklyn, por meio de um programa piloto de um ano, que poderá ser renovado. O acordo com as bibliotecas diz que elas poderão alugar 15 mil títulos do “frontlist” da Penguin, mas apenas seis meses depois de eles terem sido lançados. Tim McCall, vice-presidente de marketing e vendas on-line da companhia, disse ao Wall Street Journal que esse embargo tem o objetivo de “evitar que os e-books nas bibliotecas diminuam outras vendas”. Já o prazo de validade de um ano foi “planejado para imitar a vida útil de um livro impresso na prateleira”. As informações são do Publishers Lunch. Outras editoras já reviram suas políticas de venda de e-books a bibliotecas, como a Random House, que aumentou significativamente seus preços, e a HarperCollins, que limitou o número de alugueis a 26 por cópia.

PublishNews | 21/06/2012

A Amazon é “predatória”, diz a Penguin


Editoras se defendem das acusações de cartel para fixar preços de e-books

A Penguin e a Macmillan, as únicas editoras que resolveram enfrentar nos tribunais as acusações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de que, junto com a HarperCollins, Simon & Schuster, Hachette e Apple, fizeram um conluio ao adotar o modelo de agenciamento e fixar os valores dos e-books, impedindo a redução de preços praticada especialmente pela Amazon, enviaram documentos com suas defesas na terça-feira, 29 – as outras editoras fizeram acordos com a Justiça americana.

Nos documentos, a Penguin acusou a Amazon de ter um comportamento “predatório” e “monopolista”, que poderia vir a prejudicar a indústria editorial no longo prazo. A editora argumentou ainda que a maior parte das conversas entre as editoras, usadas pela Justiça americana como prova de que elas fizeram um cartel, eram na verdade discussões sobre o “Projeto Z” – agora revelado como o aNobii – e o “Projeto Muse”, que é o Bookish.

A Macmillan também negou qualquer comportamento anticoncorrencial e afirmou que não há “nenhuma prova direta de conspiração”. Na semana passada, a Apple, que também não fez acordo e foi para os tribunais, argumentou em sua defesa que o governo estava se aliando ao “monopólio, e não à concorrência”. Com informações do site da The Bookseller.

PublishNews | 31/05/2012

Pearson amplia Biblioteca Virtual


Serviço que disponibiliza livros digitais a universitários ganha novas editoras e ferramentas

Pearson lançou em abril a terceira versão da Biblioteca Virtual Universitária, expandindo os recursos e o número de editoras incluídos no serviço que dá aos alunos de ensino superior brasileiro acesso a livros digitais por meio de uma plataforma virtual.

Passam a compor o catálogo da biblioteca títulos das editoras Martins Fontes, Educs [da Universidade Caxias do Sul], Jaypee Brothers [multinacional especializada em livros médicos], Rideel e Companhia das Letras, que no ano passado vendeu 45% das ações para a Penguin, do grupo Pearson. Ao todo, são 13 editoras, incluindo a própria Pearson e outras como Manole, Contexto, IBPEX e Ática e Scipione [ambas da Abril Educação].

Lançada em 2005 com pouco mais de cem títulos, a Biblioteca Virtual agora soma 1,5 mil obras em 40 áreas do conhecimento. É o maior serviço desse tipo no Brasil, usado por pouco mais de cem instituições brasileiras de ensino superior que abarcam 2,2 milhões de alunos, segundo a Pearson. Para ter acesso à plataforma, as instituições pagam uma assinatura mensal por usuário, e estes têm acesso à leitura ilimitada dos textos digitalizados.

O concorrente mais conhecido da Biblioteca Virtual é a Minha Biblioteca, consórcio que foi formado em 2011 por Saraiva, Grupo A, Gen e Atlas, algumas das principais editoras acadêmicas nacionais, mas cujas operações ainda são tímidas perto do serviço da Pearson.

De acordo com Laércio Dona, diretor de negócios de ensino superior, idiomas e serviços educacionais da multinacional, a meta é ampliar o catálogo de títulos da em 30% até o fim de 2012. “Mas nosso objetivo não é aumentar tanto o número de editoras, porque com as que temos já conseguimos uma boa cobertura das várias áreas de conhecimento contempladas pelos cursos das instituições de ensino”, afirma.

A Biblioteca Virtual foi desenvolvida em parceria com a Digital Pages e, na sua versão 3.0, permite que os alunos façam comentários nos textos e compartilhem as anotações em redes sociais. O conteúdo também passa a estar disponível para acesso em tablets que operam no sistema Android [do Google] e iOS [da Apple]. Outra diferença é que os usuários agora podem imprimir parte das obras por meio do pagamento de uma licença, que remunera editora e autor.

A expectativa é que a demanda pelo serviço de biblioteca de livros digitais cresça significativamente graças a mudanças nas regras do Ministério da Educação. A Pearson também desenvolverá um serviço de biblioteca virtual para a educação básica, mas ainda sem data para estrear.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 07/05/2012

Acusação “não é verdadeira”, diz Apple


Empresa diz que iBookstore quebrou o controle monopolista da Amazon

Depois de ser alvo de um processo aberto na quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos junto com cinco das maiores editoras do mundo, a Apple se defendeu das acusações de que o grupo de empresas fez um conluio para evitar a redução do preço dos e-books por meio da adoção do modelo de agenciamento na venda dos livros. A empresa foi a última entre as acusadas a se pronunciar.

Em comunicado assinado pelo porta-voz Tom Neumayr, a Apple afirmou que as acusações “simplesmente não são verdadeiras”. “O lançamento da iBookstore em 2010 estimulou inovação e concorrência, quebrando o controle monopolista da Amazon sobre a indústria editorial. Desde então os consumidores se beneficiam de e-books que são mais interativos e atrativos. Da mesma forma como permitimos que os desenvolvedores definam os preços na App Store, as editoras definem os preços na iBookstore”, diz a companhia.

Estima-se que a Amazon tenha 60% do mercado norte-americano de e-books, enquanto a Barnes & Noble fica com cerca de 30%. Acredita-se que a participação da Apple não passe de 5%.

Enquanto as editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette fizeram acordo com a Justiça americana para encerrar o caso, a Apple, junto com as editoras Penguin e Macmillan, vão enfrentar o tribunal.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 13/04/2012

Processo contra editoras muda o jogo do preço do eBook


Justiça dos EUA conclui que adoção conjunta do modelo de agenciamento por grandes editoras foi concorrência desleal; Amazon sai fortalecida

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou a Apple e cinco das maiores editoras do mundo, ontem, sob a acusação de que as empresas fizeram um conluio para evitar a redução no preço dos e-books quando passaram a usar o “modelo de agenciamento”, em 2010, que visou especialmente impedir que a Amazon vendesse livros a preços reduzidos. A ação judicial é um revés para as editoras envolvidas, que podem vir a pagar milhões de dólares em ressarcimento aos consumidores, e uma vitória para o modelo comercial defendido pela Amazon, empresa que domina o mercado de livros nos EUA.

A Justiça americana concluiu que a Apple junto com a HarperCollins, Hachette, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin praticaram concorrência desleal ao adotar um sistema em que são as próprias editoras que definem os preços dos e-books e que de fato realizam a venda, enquanto o varejista atua apenas como um “agente” da venda. É diferente do modelo tradicional de distribuição, em que quem define o preço final e faz a venda é a empresa varejista. Na prática, livros que poderiam ter custado US$ 9,99 por decisão da Amazon, por exemplo, com o modelo de agência ficavam entre US$ 12,99 e US$ 14,99, os preços impostos pelas editoras. Você pode ver a íntegra do processo e seus detalhes [em inglês] aqui.

Como resultado da alegada conspiração, acreditamos que os consumidores pagaram milhões de dólares a mais por alguns dos títulos mais populares“, disse Eric Holder, promotor geral dos EUA, durante uma entrevista coletiva em Washington onde ele anunciou o processo.

Acordos

As editoras Hachette [do grupo Lagardère], Simon & Schuster [da CBS] e HarperCollins [da News Corp.], já fecharam acordos com o Departamento de Justiça para não enfrentar o processo judicial. Ontem, as duas primeiras soltaram comunicados rebatendo as acusações e afirmaram não ter agido ilegalmente, mas de qualquer forma já se comprometem a encerrar os contratos nos moldes do agenciamento com a Apple. Pelo acordo, elas também ficam proibidas de impor pelo prazo de dois anos quaisquer restrições aos preços dos e-books definidos por varejistas.

Já a Penguin [grupo Pearson], a Macmillan [grupo Georg von Holtzbrinck]e a Apple não fizeram acordos e vão enfrentar a ação na Justiça – o principal executivo da Macmillan, John Sargent, escreveu uma carta em que faz veemente defesa da empresa, e o principal executivo da Peguin, John Mackinson, também assinou comunicado afirmando que a empresa não fez “nada errado”. Segundo ele, a ação americana “contém uma série de distorções e omissões materiais, que nós esperamos ter a oportunidade de corrigir no tribunal“.

As editoras que fizeram o acordo conseguiram garantir pelo menos uma limitação contra as agressivas políticas de descontos da Amazon: a de que a gigante varejista não possa vender todo o catálogo de uma editora a preços abaixo do que custa o e-book para ela. No entanto, de acordo com uma reportagem do The Wall Street Journal, se a Amazon vender um best-seller abaixo do custo e compensar com o lucro de outra venda, as editoras não poderão fazer nada.

Restituição milionária

Embora os acordos fechados pela Harper, S&S e Hachette não incluam compensação financeira, duas dessas editoras podem vir a ter que pagar restituições milionárias devido a uma ação aberta ontem por um grupo de 16 estados americanos, liderados por Connecticut e Texas, contra a Apple, a HarperCollins e a Hachette.

Segundo informações do The Wall Street Journal, já há tentativa de acordo em andamento com as duas últimas empresas. Elas já teriam concordado, a princípio, em pagar nada menos do que US$ 51 milhões em ressarcimento a consumidores, também segundo o jornal.

Investigação na Europa

Na Europa, as investigações contra as empresas, que começaram antes do que nos Estados Unidos, continuam em andamento pela Comissão Europeia. O The Wall Street Journal informou que, segundo o comissário de concorrência do órgão, Joaquin Almunia, a Apple já propôs mudanças e que quatro editoras internacionais propuseram acordos para encerrar a questão.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 12/04/2012

Apple é processada nos EUA por preços de livros eletrônicos


O Departamento da Justiça dos Estados Unidos abriu processo contra a Apple e cinco das maiores editoras de livros do planeta, na quarta-feira, alegando conluio para elevar os preços dos livros eletrônicos, o que pode ter custado “dezenas de milhões de dólares” aos consumidores.

A queixa, apresentada no distrito sul da Justiça federal em Nova York, alega que executivos da Apple e das editoras chegaram a um acordo para adotar resposta comum à política de preços da Amazon, por meio de conversas telefônicas, troca de e-mails e refeições em “salas privativas de restaurantes finos de Manhattan“. A Amazon, que vinha desafiando o setor com um preço máximo de US$ 9,99 para os livros eletrônicos, não foi citada entre os acusados.

As editoras acusadas no processo são o Hachette Book Group, parte do grupó Lagardère; a HarperCollins, da News Corp; a Holtzbrinck, controladora da Macmillan; a Simon & Schuster, subsidiária da CBS; e a Penguin, controlada pelo grupo Pearson, também controlador do “Financial Times”.

O Departamento da Justiça alegou que a Apple e as editoras elevaram os preços dos best sellers em entre US$ 2 e US$ 5 ao introduzir um modelo de negócios de “agência”, simultaneamente ao lançamento do tablet Apple iPad, sob o qual os preços de varejo são determinados pelas editoras. A insistência da Apple em uma cláusula de proteção sob a qual as editoras se comprometem a não vender seus livros a preço mais baixo para outros grupos de varejo – e a pagar 30% de comissão à Apple sobre cada venda – forçou outros grupos de varejo a adotar termos semelhantes, de acordo com o departamento.

Executivos dos escalões mais elevados das empresas citadas nos processos de hoje, preocupados com a redução de preços promovida pelo varejo de livros eletrônicos, agiram de modo coordenado para eliminar a concorrência entre as lojas que vendem livros eletrônicos, o que resulta em aumento do preço final para os consumidores“, afirmou o secretário federal da Justiça norte-americano, Eric Holter, ao anunciar o processo em Washington.

O iBooks, plataforma de e-books da Apple, foi anunciado no evento de lançamento do iPad, em janeiro de 2010 | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

O iBooks, plataforma de e-books da Apple, foi anunciado no evento de lançamento do iPad, em janeiro de 2010 | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

ACORDOS

A Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster aceitaram acordo imediato para encerrar os processos contra elas, mas a Apple, MacMillan e Penguin pretendem contestar as acusações no tribunal.

Um processo separado envolvendo diversos Estados norte-americanos trouxe acusações semelhantes contra a Apple, Macmillan, Simon & Schuster e Penguin. A Hachette e a HarperCollins vão pagar US$ 52 milhões aos Estados para encerrar os processos contra elas.

Joaquin Almunia, vice-presidente de política de competição da União Europeia, acrescentou que a Apple, Simon & Schuster, HarperCollins, Hachette e Holtzbrinck haviam recomendado possíveis mudanças em suas operações de negócios, como parte de um esforço para concluir uma investigação paralela europeia sobre livros eletrônicos.

Nem todas as editoras envolvidas comentaram de imediato, mas já haviam negado anteriormente qualquer conluio para aumento de preços, e defenderam o modelo de “agência” como uma forma de promover maior competição ao desafiar o domínio da Amazon sobre o mercado de livros eletrônicos, que vem crescendo rapidamente.

O processo federal norte-americano alega que Steve Jobs, presidente-executivo da Apple morto no ano passado, havia se envolvido pessoalmente na adoção do modelo de agência. “A Apple claramente compreendia que sua participação no esquema resultaria em preços mais altos para os consumidores“, o processo alega. Também cita Jobs como tendo declarado que “o consumidor pagará um pouco mais, mas é isso que vocês [as editoras] querem, de qualquer modo“. Um porta-voz da Apple se recusou a comentar.

REUNIÕES

De setembro de 2008 até 2009, os presidentes-executivos das editoras supostamente realizaram reuniões trimestrais para discutir “assuntos confidenciais e mercados competitivos, o que incluía as práticas de varejo de livros eletrônicos da Amazon“, afirmou o Departamento da Justiça. O departamento menciona jantares executivos dos quais participaram John Makison, da Penguin, e John Sargent, da Macmillan, na “adega do chef”, uma sala privada no restaurante Picholine, em Nova York.

O acordo, que terá de ser aprovado pelo tribunal, requereria que a Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster permitam que grupos de varejo como a Amazon e a Barnes & Noble determinem os preços que preferirem para os livros eletrônicos. Também requereria que suspendam sua preferência à Apple e que não troquem informações importantes sobre assuntos de competição por pelo menos cinco anos.

A HarperCollins anunciou o acordo sem admitir culpa, e o definiu como “decisão de negócios para encerrar a investigação do Departamento da Justiça e evitar uma batalha judicial potencialmente longa“.

POR DAVID GELLES & ANDREW EDGECLIFFE-JOHNSON | DO “FINANCIAL TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado por Folha.com | 11/04/2012 – 12h19

Novo embate entre a Amazon e as Big Six


Reportagens de sites no exterior afirmam que as maiores editoras do mundo se recusaram a assinar o contrato anual com a varejista on-line

As relações de boa parte do mercado editorial com a Amazon, pelo menos nos Estados Unidos, já são temperadas por doses de rancor e revolta em relação ao domínio da gigante. Elas agora ganharam um pouco mais de pimenta. De acordo com uma reportagem divulgada no Salon, as chamadas Big Six –HarperCollins, Random House, Hachette, Simon & Schuster, Penguin e Macmillan – pela primeira vez se recusaram a assinar o contrato anual com a Amazon, especialmente devido ao aumento “exorbitante” de certo tipo de taxa promocional sobre e-books cobrada pela empresa. Segundo a matéria, que cita um editor a par do assunto, em alguns casos a Amazon elevou os valores em 30 vezes em relação a 2011. O assunto repercutiu e outra reportagem no PaidContent informou que pelo menos duas das seis grandes editoras se recusaram a assinar os contratos. O texto ressalta, contudo, que os títulos de todas as casas continuam à venda no site da varejista de Seattle. As seis editoras, junto com a Apple, continuam sendo investigadas nos EUA e no Reino Unido sob suspeita de terem decidido conjuntamente, de forma ilegal, pela implementação do “modelo de agenciamento” para venda de e-books, diferente do modelo de distribuição, que a Amazon aplica.

PublishNews | 11/04/2012

Penguin lança reportagens da Economist em eBook


Textos farão parte de coleção de livros digitas curtos lançada pela editora

A Penguin e a Economist, ambas controladas pelo grupo Pearson, estão unindo forças para lançar reportagens já publicadas na prestigiada revista de economia em formato e-book. Cada publicação da coleção Penguin Economist Specials custará 1,99 libra e os temas abordados incluem trabalho, tecnologia digital e mulheres, entre outros. Os textos vão fazer parte do Penguin Shorts, selo criado pela editora para publicar e-books curtos de ficção e não ficção.

PublishNews | 01/03/2012 | Com sites internacionais

Venda de eBooks da Penguin cresce 106%


A Penguin registrou receita de 1,04 bilhão de libras em 2011, um aumento de 1% em relação ao ano anterior. As vendas de e-books, contudo, cresceram 106% no mesmo período, totalizando 126 milhões de libras, o que representa 12% da receita total. John Makinson, principal executivo da editora britânica, definiu o mercado de livros em 2011 como “o mais turbulento de que qualquer pessoa se lembra”, mas disse que o crescimento da empresa foi orientado por “publicações excelentes no mundo, atestadas pelo ganho de participação nos nossos três maiores mercados, e inovação em cada aspecto da edição digital”. A Pearson, companhia que abarca a Penguin, informou ter obtido receita total de 5,86 bilhões de libras no ano passado, com lucro antes de impostos de 1,15 bilhão de libras, 72% mais alto que em 2010.

Por Charlotte Williams | The Bookseller | 27/02/2012

Nook, e-reader da Barnes & Noble, é a esperança das editoras de livro nos EUA


A Barnes & Noble, gigante que ajudou a tirar do mercado tantas livrarias independentes, trava agora a luta da sua vida. E seu Nook, concebido em segredo numa antiga padaria, é a grande esperança eletrônica da rede e, na verdade, de muita gente do setor editorial.

O Nook – e, por extensão, a própria B&N – parece ser a única coisa que separa as editoras tradicionais da irrelevância.

Dentro das grandes editoras – nomes como Macmillan, Penguin e Random House – há inquietação com o futuro da B&N, que é a última grande rede de livrarias. Primeiro, as megalojas expulsaram as pequenas, depois as redes foram engolidas pela migração dos consumidores para a internet.

O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble: grande esperança da rede de livrarias e do setor editorial

Ninguém acha que a B&N vai sumir da noite para o dia. A preocupação é que ela míngue lentamente, conforme mais leitores adotem os e-books. E se a B&N virar pouco mais do que um café com um ponto de conexão digital? Tais temores vieram à tona no começo de janeiro, quando a empresa previu que sofrerá neste ano um prejuízo ainda maior do que Wall Street esperava. Suas ações caíram 17% naquele dia.

À espreita por trás disso tudo está a Amazon, força dominante no comércio eletrônico de livros. Muitos profissionais do ramo editorial enxergam a Amazon como um inimigo que, se não for controlado, poderá ameaçar toda a indústria e o ganha-pão dessas pessoas.

As editoras estão cortando custos e demitindo funcionários. Os livros eletrônicos estão bombando, mas não são muitos os editores que desejam que eles substituam os livros impressos. Já o presidente da Amazon, Jeff Bezos, quer eliminar os intermediários – ou seja, os editores tradicionais- ao lançar e-books por conta própria.

Por isso, a B&N agora parece tão crucial para o futuro do setor. Em muitas localidades, suas lojas são as únicas com uma ampla seleção de títulos. Se algo acontecer com a B&N, a Amazon pode se tornar ainda mais poderosa.

Seria como ‘A Estrada'”, disse um executivo de editora, referindo-se, meio de brincadeira, ao romance de Cormac McCarthy. “O mundo editorial pós-apocalíptico, com editores empurrando carrinhos de compras pela Broadway.

Mas William Lynch, presidente da B&N, se diz preparado para a batalha. Com apenas três anos de experiência como livreiro, ele precisa encontrar um equilíbrio: preparar um futuro digital para a rede, mas sem abrir mão do seu passado com livros físicos – e tudo isso em meio às pressões sobre o valor das ações da empresa, com os clientes fugindo para a internet e com a Amazon rondando.

Lynch, que foi criado no Texas e tem a intensidade nervosa de um executivo de tecnologia, considera disparatada a ideia de que equipamentos como o Nook, o Kindle ou o iPad levarão as livrarias à obsolescência.

Nossas lojas não vão para lugar nenhum“, disse Lynch. Ele citou um faturamento surpreendentemente robusto no fim do ano passado. E, no segundo semestre de 2011, a B&N capturou uma grande fatia do negócio deixada por um concorrente quebrado, a rede Borders.

Mas, em 5 de janeiro, a B&N anunciou que deve ter um prejuízo de até US$ 1,40 por ação no ano fiscal de 2012. E Lynch disse que os acionistas parecem estar subestimando tanto o potencial do Nook que talvez a empresa estivesse melhor se abandonasse o negócio digital.

Wall Street chiou e as ações da B&N ainda não se recuperaram totalmente. Uma pequena boa notícia para a empresa é que ela agora detém cerca de 27% do mercado do livro eletrônico, segundo Lynch. A Amazon tem pelo menos 60%.

Em 20 de janeiro, a Amazon divulgou um comunicado dizendo que “as vendas unitárias do Kindle, tanto do Kindle Fire quanto de leitores de e-book, aumentaram 177% sobre o mesmo período do ano passado“.

William Lynch, executivo-chefe da Barnes & Noble, no estabelecimento da empresa no Vale do Silício

A B&N não tem exatamente o mesmo charme [nem o dinheiro] de um Google ou um Facebook. “Não vemos todas aquelas ações, o sushi bar gratuito e todo o resto que você encontra no Google, mas existe muita responsabilidade“, disse Bill Saperstein, 62, vice-presidente de engenharia de equipamentos digitais da Barnes & Noble. “Era algo em que eu acreditava fortemente, que é a leitura.

No mês passado, engenheiros nos laboratórios da empresa no Vale do Silício faziam os últimos acertos no quinto leitor de e-books da empresa. Paralelamente, Lynch trabalha para reformular as lojas B&N. No ano passado, a empresa ampliou as seções de jogos e de brinquedos e criou novas vitrines para promover o Nook. O executivo espera eliminar dentro de dois anos as seções dedicadas a CDs e a DVDs. E também pretende testar formato de lojas ligeiramente menores.

Alguns analistas se perguntam se Lynch não teve os olhos maiores do que a boca. No entanto, a B&N talvez tenha de se adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

Acho que eles percebem que não podem continuar no ritmo que estão indo“, disse o consultor editorial Jack Perry. “Eles precisam de mais dinheiro para investir, para poder brigar.

Desde 2002, os EUA perderam cerca de 500 livrarias independentes. Umas 650 sumiram quando a Borders deixou de funcionar no ano passado.

Alguns editores de Nova York já tentaram imaginar o setor sem a B&N, e a ideia não é nada boa: haveria menos lugares onde vender livros. Os independentes respondem por menos de 10%, e os grandes magazines têm seções de livros menores do que as livrarias tradicionais.

Sem a B&N, a proposta de marketing das editoras desmorona. A ideia de que as editoras são capazes de identificar, moldar e publicar novos talentos e, então, levar as pessoas a comprar livros a preços que façam sentido economicamente, de repente, parece forçada. Divulgar livros pelo Twitter, ou depender de críticas, propaganda e talvez uma aparição na TV não parece ser um plano vencedor.

O que as editoras esperam da livraria é o “efeito folheada”. As pesquisas indicam que, das pessoas que entram em uma livraria e saem com um livro, apenas um terço já chegou com o desejo específico de comprar algo.

O espaço de exposição que eles têm na loja é realmente um dos lugares mais valiosos que existem neste país para comunicar ao consumidor que um livro é um grande negócio“, disse Madeline McIntosh, presidente de vendas da Random House.

A venda de livros mais antigos, que tradicionalmente responde por algo entre 30% a 50% da receita das grandes editoras, sofreria terrivelmente.

Jeff Bezos, da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa domina o mercado de livros eletrônicos nos EUA

Para todas as editoras, é importante que o varejo físico sobreviva”, disse David Shanks, presidente do Grupo Penguin nos EUA. “Quanto mais visibilidade um livro tem, mais inclinado o leitor fica [a comprá-lo].

Carolyn Reidy, presidente da Simon & Schuster, diz que o maior desafio é, em primeiro lugar, dar às pessoas uma razão para entrar nas lojas B&N. “Eles descobriram como usar a loja para vender e-books“, disse ela. “Agora, tomara que a gente descubra como fazer com que esse ciclo se complete, e ver como os e-books podem vender os livros impressos.

Bezos, por exemplo, não está esperando. A Amazon já criou sua própria editora. E a cada dia as Bolsas dão um soturno aviso de que Bezos tem os bolsos mais fornidos que Lynch.

John Sargent, presidente da Macmillan, disse que a questão não interessa apenas às editoras. “Qualquer um que seja um autor, um editor ou que ganhe a vida distribuindo propriedade intelectual em forma de livro fica seriamente prejudicado se a B&N não prosperar.

POR JULIE BOSMAN | DO “NEW YORK TIMES“, EM PALO ALTO, CALIFÓRNIA | 15/02/2012 – 07h51

A corrida da livraria Barnes & Nobles pela sobrevivência


Em março de 2009, uma eternidade atrás no Vale do Silício, uma pequena equipe de engenheiros estava com muita pressa de repensar o futuro dos livros. Estavam virando de cabeça para baixo a maneira como livros são publicados, vendidos, adquiridos e lidos: e-books [livros eletrônicos] e e-readers [leitores de livros digitais]. Trabalhando em segredo, atrás de uma porta sem identificação numa antiga padaria, eles se mobilizaram na tentativa de criar um aparelho capaz de captar a imaginação dos leitores e, quem sabe, até salvar a indústria do livro. E tiveram seis meses para fazê-lo.

Por trás dessa corrida estava a Barnes & Noble, a gigante que ajudou a tirar tantas livrarias do negócio e que agora se vê lutando pela própria vida. O que seus engenheiros inventaram foi o Nook, um parente temporão do e-reader que, no entanto, tornou-se a grande esperança eletrônica da Barnes & Noble e, na verdade, de muitos no negócio de livros.

Nas grandes editoras, como Macmillan, Penguin e Random House, há um sentimento de desconforto com o destino a longo prazo da Barnes & Noble, a última grande rede de livrarias que restou, com 703 unidades. O receio é que ela possa murchar paulatinamente à medida que mais leitores forem optando pelos e-books. Temores como esse vieram à tona no começo de janeiro quando a companhia fez projeções de que neste ano teria um prejuízo maior do que o projetado por Wall Street. O preço das ações caiu 17% naquele dia.

Por trás disso tudo emerge o vulto ameaçador da Amazon. Como muitas empresas em dificuldade, as editoras de livros estão cortando custos e enxugando pessoal. Sim, o negócio de livros eletrônicos está em franca expansão, às vezes com lucro, mas não são muitas as editoras que querem e-books para suplantar os livros impressos. O presidente executivo da Amazon, Jeffrey Bezos, quer eliminar os intermediários – isto é, as editoras tradicionais – publicando e-books diretamente.

Essa é a razão por que a Barnes & Noble, que já foi vista como a capitalista brutal no ramo de livros, agora parece tão crucial para o futuro do setor. Claro, é possível comprar best-sellers nas lojas Walmart e literatura barata em supermercados, mas em muitos pontos de venda, a Barnes & Noble é a única que oferece uma ampla seleção de livros. Se ela simplesmente reduzir suas ambições, a Amazon poderá se tornar ainda mais poderosa.

Seria como A Estrada [romance de Cormac McCarthy] o mundo pós-apocalíptico da publicação, com editores empurrando carrinhos de supermercado pela Broadway“, disse um executivo editorial de Nova York.

Mas William Lynch Jr., CEO da companhia, diz que está preparado para a batalha. Do alto de seus três anos de experiência na venda de livros, ele precisa preparar um futuro digital para a rede sem abandonar seu passado de livros impressos, num momento em que os lucros e o preço das ações estão pressionados, seus consumidores estão fugindo para a Web e a Amazon cresce.

Para alegria das editoras, ela entrou firme nos e-books e, com a ajuda do Nook, conseguiu abocanhar uma parte do mercado da Amazon. Mas Lynch ainda está fazendo o papel de Davi diante do Golias de Bezos. Enquanto a Barnes & Nobles vale cerca de R$ 700 milhões, a Amazon é avaliada em mais de US$ 80 bilhões.

“Nós poderíamos ficar aqui batendo com a cabeça na parede e ficar enjoado com isso, como já ficamos, a cada semana”, disse Lynch, 41 anos, sobre a cotação das ações. Mas ele garante que entrar no campo dos e-books com o Nook é o caminho certo, o único, talvez, de avançar.

Avanço. A pequena boa notícia para a companhia é que, graças ao Nook, ela agora detém 27% do mercado, um número que as editoras confirmam alegremente. A Amazon detém pelo menos 60%.

A Barnes & Noble está tentando atacar a Amazon com um outro aparelho. Em seus laboratórios no Vale do Silício, engenheiros davam os retoques finais, há poucas semanas, no seu quinto aparelho de e-reading.

Dentro de pouco tempo, executivos levarão o Nook ao exterior – uma grande virada já que a Barnes & Noble se concentrou quase exclusivamente no mercado americano durante décadas. A primeira parada deve ser na cadeia de livrarias Waterstones na Grã-Bretanha.

Isso tudo seria um trabalho gigantesco para qualquer CEO, e alguns analistas se perguntam se Lynch pôs no prato mais do que conseguirá comer. Mas no ritmo com que o setor está se transformando, a Barnes & Noble terá de adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

O Estado de S.Paulo | The New York Times | TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK | 06/02/2012

Receita da Pearson com digital sobe 25%


Lucro do grupo por ação deve crescer 10% em 2011, em relação a 2010

A Pearson informou hoje, em comunicado, que suas receitas com produtos digitais alcançaram cerca de dois bilhões de libras esterlinas [US$ 3 bilhões] em 2011. O valor representa crescimento de 25% em relação a 2010, quando o segmento gerou 1,6 bilhão de libras. O grupo inglês, líder mundial em serviços educacionais, também disse que seu lucro ajustado do ano passado deverá subir aproximadamente 10% por ação. Os resultados de 2011 serão divulgados no dia 27 de fevereiro. A companhia informou ainda que suas receitas nos mercados emergentes chegaram a 600 milhões de libras [US$ 1 bilhão]. “No contexto de mudança estrutural significativa na indústria e de condições de mercado no geral fracas, a Pearson desempenhou-se bem, competitivamente, na importante temporada de vendas de fim de ano”, disse a empresa. No mercado educacional, a companhia afirmou ter aumentado sua participação na América do Norte, o que ajudou a compensar um desempenho mais fraco das publicações voltadas para escolas e ensino superior. Já no caso da Penguin, editora de livros de interesse geral do grupo, os resultados completos de 2011 deverão ser “sólidos, apesar das rápidas mudanças na indústria e das condições difíceis no mercado de livros físicos”. Segundo o comunicado, a Penguin continua tirando vantagem da inovação e da escala que possui no segmento de livros digitais.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 19/01/2012

Novos eBooks curtinhos


Singular lança coleção de contos em formato eletrônico; Objetiva planeja selo digital para pequenos textos

A Singular Digital, braço da Ediouro, lança a coleção Contos Singulares, que reúne e-books de contos selecionados a partir do catálogo do grupo. A primeira fornada sai com sete títulos, cada um ao custo de R$ 1,99. As obras podem ser compradas nas lojas virtuais da Saraiva, Cultura, Amazon e Gato Sabido. Segundo Silvia Rebello, gerente editorial da Singular, o objetivo da série é disponibilizar pequenos textos de qualidade a baixo custo. “Essa coleção permite agregar o leitor jovem, que gosta de usar os novos dispositivos eletrônicos, e os leitores mais velhos, que podem ter alguma dificuldade de visão e, nas telas, conseguem ampliar o corpo do texto”, afirma. A ideia é ter uma programação contínua de publicações dentro dessa linha.

De acordo com a coluna Painel das Letras, publicada no sábado, a editora Objetiva também vai investir nesse tipo de publicação e prepara o lançamento de um selo para obras curtas, disponíveis apenas em formato digital. Segundo a assessoria de imprensa da editora, o material da coleção será inédito, mas ainda não há data de lançamento fixada.

As casas brasileiras seguem uma tendência forte verificada lá fora, onde grandes grupos como Random House, Hachette e Penguin já lançaram coleções de mini-ebooks. O modelo tem, em parte, inspiração no iTunes, loja da Apple que vende canções fracionadas, ao invés de apenas álbuns inteiros.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente por PublishNews | 16/01/2012

Comissão Europeia poderia aplicar multas milionárias a editoras


As cinco editoras que estão sendo investigadas a respeito do preço de seus e-books poderiam receber multas de muitos milhões de euros se for descoberto pela Comissão Europeia que elas implementaram práticas anticoncorrenciais. Hachette Livre, HarperCollins, Simon & Schuster, Penguin and Macmillan — as cinco editoras que criaram o modelo de “agência” – foram nomeadas pela Comissão Europeia na semana passada, quando o órgão formalmente iniciou uma investigação acerca da criação de preços fixos digitais com a ajuda da Apple. Muitas editoras suspeitam que a Amazon, que tanto de forma pública e privada rejeitou os acordos no modelo de agência, fez lobby com as autoridades responsáveis pela concorrência para que a investigação fosse aberta. Há casos antitruste similares que estão pendentes nos Estados Unidos, incluindo vários processos privados abertos por indivíduos que acreditam que pagaram demais pela compra de e-books.

Por M J Deschamps e Keith Nuthall | The Bookseller | 09/12/2011

UE investiga Apple e editoras em suposto cartel de eBooks


Empresas são acusadas de conspirar para limitar a concorrência no mercado de livros digitais

BRUXELAS – O órgão regulador antitruste da União Europeia está investigando se a Apple e cinco grandes editoras estão conspirando para limitar a concorrência no mercado de livros digitais. A Apple é acusada de, ilegalmente, ter ajudado as editoras a elevar os preços dos e-books quando lançou seu tablet iPad e a loja iBookstore, em 2010.

A Apple foi a primeira grande varejista a fechar com as editoras contratos sob o chamado modelo de agência, pelo qual os editores determinam o preço dos e-books vendidos nas lojas virtuais. É diferente do que fazia a Amazon, que preferia ela própria determinar o preço final dos títulos que vende, modelo conhecido como de distribuição. A questão é que a Amazon, pelo seu tamanho, exigia grandes descontos das editoras para poder cobrar pouco dos leitores e se manter competitiva. E e isso desagradava há tempos os executivos da indústria do livro, que acabavam lucrando menos com o negócio.

Mas a chegada da Steve Jobs a esse mercado mostrou às editoras que havia um jeito de elevar suas margens. Desde que o iPad foi lançado e elas firmaram o acordo com a Apple, diversos outros varejistas on-line se viram obrigados a adotar o modelo de agência para assegurar o direito de vender os grandes lançamentos, inclusive a Amazon. Não é à toa que o preço dos e-books de best sellers das editoras envolvidas subiram, na Amazon, do agressivo patamar dos US$ 9,99 para até US$ 17 em alguns casos.

As editoras investigadas pela Comissão Europeia são a francesa Hachette Livre; a Harper Collins, que pertence à News Corp do magnata Rupert Murdoch; a Simon & Schuster, do grupo CBS; a Penguin, que integra o grupo editorial britânico Pearson; e a alemã Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck.

A comissão enfatizou que a investigação está em estágio inicial e que ainda não é possível afirmar que as empresas realmente violaram as leis europeias da livre concorrência. A iniciativa da União Europeia surge após uma investigação similar realizada pelo órgão britânico que regula questões de competição e uma ação coletiva movida no meio deste ano contra a Apple e as mesmas cinco editoras em um tribunal da Califórnia.

Os advogados que entraram com o processo coletivo nos Estados Unidos, da firma Hagens Berman, argumentaram nos autos que o movimento de elevação dos preços foi mesmo orquestrado pela Apple com o objetivo de destruir a Amazon.

“Quando entrou no mercado de e-books com o iPad, a Apple acreditava que era preciso neutralizar o Kindle, pois temia que o aparelho da Amazon pudesse um dia desafiar o iPad na distribuição de outros tipos de conteúdo, como música e filmes”, disseram os advogados, antes mesmo de a Amazon revelar o Kindle Fire, tablet cujo objetivo, segundo analistas, é combater o iPad com preço arrasador e um sistema exclusivamente voltado para consumo de conteúdo.

A agência britânica suspendeu sua investigação, já que a Comissão Europeia assumiu o caso, mas os dois órgãos estão trabalhando juntos.

A Apple não quis comentar a investigação. O grupo Pearson disse que o fato de a Comissão Europeia abrir um inquérito não prejudica seu desempenho.

A Pearson não acredita que tenha violado qualquer lei e continuará cooperando plena e abertamente com a Comissão“, disse a companhia em um comunicado.

A alemã Holtzbrinck também afirmou que a investigação não tinha fundamentos. A HarperCollins e Simon & Schuster informaram que estão cooperando com o órgão regulador. A Hachette Livre não quis se pronunciar.

O Globo | 07/12/2011 | © 1996 – 2011. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Europa investiga suposto cartel de eBooks criado pela Apple


A Comissão Europeia abriu uma investigação para determinar se a Apple e cinco editoras internacionais criaram um cartel no mercado de livros eletrônicos no EEU [Espaço Econômico Europeu, região que inclui, além da Uinão Europeia, países como a Islândia e a Noruega].

As companhias investigadas são a francesa Hachette Livre, as norte-americanas Harper Collins e Simon & Schuster, a britânica Penguin e a alemã Verlagsgruppe Georg von Holzbrinck.

A Comissão disse, por meio de nota, que vai tratar o caso como prioridade e investigar se esses grupos e Apple estão envolvidos com acordos ilegais, carteis ou práticas monopolistas que podem ter restringido a concorrência no setor.

A CE decidiu abrir a investigação depois de buscas nas companhias em março deste ano. Reguladores dos EUA e da Europa também estão analisando os negócios entre editoras e varejistas do setor.

A duração da investigação dependerá de vários fatores, como complexidade de cada caso e grau de cooperação das empresas envolvidas e tipo de defesa apresentada.

MEDO DO KINDLE

Uma matéria publicada pelo blog Ars Technica há três meses aponta um dos motivos para a formação do suposto cartel: o medo da concorrência do leitor de livros eletrônicos Kindle, da Amazon, e seus e-books com desconto.

Dada vantagem da Amazon – a empresa é pioneira no setor e tem uma crescente base de usuários – os editores sabiam que nenhuma companhia sozinha podiam forçá-la a aumentar os preços de e-books. O risco é de perder uma grande quantidade de dinheiro e volume de vendas.

Ainda segundo o blog, há evidências que o esquema da Apple tenha sido bem sucedido, fazendo best-sellers da Amazon subir para US$ 12 ou US$ 15 por e-book, um aumento de até 50 por cento do preço.

Publicado originalmente em Folha.com | 6/12/2011, 15h19

As editoras de livros impressos e eletrônicos vão publicar o mesmo conteúdo?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 31/08/2011

Mike Shatzkin

Recentes relatórios de desempenho da Simon & Schuster e da Penguin, que podem ser tomados como indicadores, de alguma forma, do que está acontecendo com as outras “Big Six” nos EUA [além de serem também instrutivos sobre o que está acontecendo em todo o mercado editorial norte-americano], mostram que a receita está estável ou caindo, os lucros estão crescendo e que a parte dos e-books na receita está aumentando. Os relatórios mais recentes mostram que os e-books alcançaram 14% da receita na Penguin e na Simon & Schuster.

Primeiro, algumas observações sobre o que esses números realmente significam. Depois, alguns pensamentos sobre as implicações que terão no futuro próximo.

Devemos lembrar que estamos comparando maçãs e laranjas quando falamos sobre a porcentagem de vendas que representam e-books versus livros impressos. Chega-se a esta porcentagem, supostamente, somando as vendas dos livros impressos [que são envios sujeitos a devoluções] às vendas de e-books [que são compras reais de consumidores com devolução zero ou mínima] e depois dividindo os números da receita de e-books pela receita total.

Isso explica a aparente anomalia apontada no relatório da S&S, que mostra uma porcentagem maior do e-book no primeiro trimestre do que no segundo, o que já ocorreu em vários anos. Isso não é realmente difícil de entender. Um relatório que vi recentemente apontava uma explicação: as pessoas que ganharam e-readers no Natal compram mais livros em janeiro, um efeito que é menor no segundo trimestre. Mas também é o caso de que as vendas de impressos no primeiro trimestre [que são envios das editoras às livrarias, devemos lembrar] diminuem por dois fatores: incluem as devoluções das promoções de Natal e o primeiro trimestre não é onde se concentram os lançamentos de novos livros.

Então, enquanto há maiores envios de impressos sob consignação acontecendo antes das vendas de Natal e um grande número de novos donos de aparelhos final das festas, podemos esperar que os números do primeiro trimestre sejam aumentados artificialmente e os números do segundo trimestre mostrem um aparente declínio.

O declínio anual do segundo trimestre é apenas aparente, não é real.

A porcentagem de receita também serve às más interpretações. É uma média. Você conhece o ditado: “o homem de 1,82m se afoga caminhando por um rio que tem em média de 1 metro de profundidade”. Médias podem enganar. Esta porcentagem, tirando o fato de serem maçãs e laranjas, também é enganadora [me apresso a enfatizar que ninguém está querendo enganar de forma deliberada; não há nenhuma sugestão intencional aqui de afirmar que o número não é real ou que existe algum desejo de levar as pessoas a conclusões equivocadas].

Mas 14%, ou ao redor de 1/7, poderia levar as pessoas a pensar que o livro que vende 35 mil cópias está vendendo 30 mil em formato impresso e 5 mil em digital. Não é o caso. Primeiro de tudo, e-books “em média” geram menor receita por unidade do que os impressos porque muitos deles vendem por menos da metade do preço de varejo se comparado com a versão hardcover. Então, se 14% da receita é digital, algo mais do que essa porcentagem de unidades são digitais. Digamos que o número é mais próximo dos 17% ou talvez 20%.

Em segundo lugar, este número é, pelo menos até certo ponto, histórico. Certamente não é uma previsão. A previsão de todo mundo seria que o número subisse. E todo mundo concordaria [se você calcular o fator apropriadamente para o 1º e o 2º trimestres, além das anomalias de envios para vendas] que ele cresceu no período informado no relatório.

Em terceiro, nem todo o catálogo de impressos da S&S ou da Penguin está disponível em e-book. Isso significa que a base de títulos para os 14% de receita e [hipotéticos] 17% das unidades é um número menor de títulos do que a base de títulos impressos. Então para os livros disponíveis tanto como impresso como e-book, a porcentagem de unidades vendidas que são digitais é um número substancialmente maior do que esse. Não tenho tanto conhecimento assim das listas das editoras para fazer um chute razoavelmente bem informado sobre quantos títulos possuem muitas ilustrações ou são livros infantis ou já esquecidos no catálogo a ponto de os direitos para a edição de e-books serem muito confusos. Mas seria razoável assumir que para livros com narrativas comuns [não em termos de conteúdo, mas de forma], a porcentagem de unidades de e-books pode chegar a uns 30% ou mais.

Um relatório recente da Simon & Schuster sobre o primeiro dia de vendas de um grande best-seller enfatizou o poder do e-book nos EUA. O USA Today informou em 13 de julho que a S&S afirmava ter vendido 175 mil unidades totais vendidas no primeiro dia de disponibilidade de A Stolen Life, de Jaycee Dugard, dos quais 100 mil eram e-books [O artigo não deixa claro, mas é provável que sejam maçãs e maçãs, vendas de livros na caixa registradora e audiobooks informados pela BookScan e, como sempre, vendas registradas de e-books. Se eles comparassem envios de impressos com vendas de e-books, o número seria provavelmente uns 40% e não os 57% como indica esse relatório].

Como as vendas de e-books são, no momento, receita dólar por dólar, mais lucrativos do que as vendas de livros impressos, as editoras são capazes de informar receitas estáveis ou menores e lucros mais altos. Com o padrão da indústria de pagar 25% dos royalties dos e-books já prevalecendo nos últimos dois anos, mais ou menos, esta notícia definitivamente chama a atenção de agentes atentos. Mas, deixando de lado o sucesso futuro dos agentes em negociar melhores termos, é provável que isso continue assim?

Uma variável muito relevante que é difícil de prever é como editoras bem-sucedidas poderão manter os preços dos e-books altos se o ponto de referência nos preços dos livros impressos está diminuindo. Será um desafio maior manter os preços e, portanto, as receitas e margens altas – mesmo com o poder de agência, que só seis editoras no mundo hoje possuem realmente – quando o preço do livro impresso não for visto mais como base para comparação.

Na verdade, o atual crescimento no lucro sugere que as grandes editoras conseguiram fazer um bom trabalho no gerenciamento da transição de impresso para digital até o momento. O que está implícito nos números informados, mas que recebeu pouca atenção, é que as vendas de livros impressos está caindo tremendamente. Um editor me contou que a lista média de primeiras impressões de não-ficção caiu cerca de 40%. Uma editora maior sugere que o número de livros impressos que estão saindo de seus depósitos é 35% menor do que há dois anos. Não tenho acesso aos números, mas isso poderia significar que em alguns segmentos a queda pode chegar à metade do que era há dois anos.

Impressões menores significam preços maiores por unidade, mas também significa que unidades menores estão compartilhando o custo do design e da diagramação. Muitos dos custos fixos nas editoras: depósitos, departamento de produção, criação de catálogo e muita TI só são realmente necessários para apoiar o componente impresso do negócio. Nas últimas duas décadas, o sucesso comercial na publicação de livros [e, como a quebra da Borders deixou claro, no varejo também] dependia de uma cadeia eficiente de suprimentos. Ter estoque, mas não exagerado, envios rápidos, ser capaz de fazer reimpressões rapidamente, processar devoluções com agilidade para facilitar as contas e fornecer dados precisos para os clientes, bem como os acionistas, tudo isso exige investimento, mas gera valor que são mostrados nos lucros.

Até o Kindle ser lançado em novembro de 2007, a pergunta sobre e-books era “é possível transformar isso num negócio?” Desde então vimos o share do e-book duplicar ou mais do que isso a cada ano, incluindo 2010. Desde 2008 ou 2009, a pergunta tem sido “por quanto tempo este tipo de crescimento pode continuar?” Quando o share chega aos 30% para a maioria dos livros de narrativa, que acho é o número atual, sabemos que não podemos continuar por mais dois anos porque isso seria uma impossibilidade matemática.

Então, as perguntas sobre os e-books agora são “quando esse crescimento vai diminuir?” e “há um limite no qual o livro impresso continua sendo um negócio sustentável e substancial?” Se a resposta à primeira pergunta não for “muito em breve”, então a resposta à segura pergunta deve ser “não”.

A outra pergunta feita aqui é se a publicação de textos narrativos diretos se torna um negócio separado e diferente da publicação de livros ilustrados. Assim como o componente impresso é comercialmente importante para o sucesso de livros de narrativa, é perfeitamente lógico para uma editora publicar os dois. Os livros de narrativa e os ilustrados, afinal, podem ser colocados na mesma prateleira na Barnes & Noble, Ingram ou qualquer livraria. Às vezes, eles são até manufaturados pelas mesmas gráficas [apesar de que muito menos do que há algumas décadas]. O inventário deles pode realmente ser monitorado com as mesmas capacidades e pessoas [apesar de usarem algoritmos diferentes].

Um fator totalmente imponderável é como será o mercado para e-books fora do texto narrativo, pois foi nesse setor que se concentrou todo o crescimento. Para e-books ilustrados, enhanced ou em forma de apps, as histórias de sucesso são pontuais, não tendências inegáveis. É verdade que os aparelhos corretos ainda não estão distribuídos amplamente, mas é também verdade que não temos uma prova clara de que esses e-books serão tão importantes para o consumidor quanto os de textos narrativos. Sabemos que serão mais caros para criar.

Um executivo de e-books que sabe do que está falando, de uma grande editora, me lembrou outro dia que os seus editores de livros de receitas ainda estão preparando o conteúdo primeiramente para a página impressa e as versões digitais são desenvolvidas depois disso. “Se nossos editores ainda estiverem fazendo isso daqui a dois anos”, disse essa pessoa, “então como empresa teremos feito algo terrivelmente errado.” Essa declaração está correta e abrange a possibilidade de que algo como os pacotes de conteúdo de livros de culinária dentro de outros recipientes não terão um mercado lucrativo mesmo em formato digital, e serão explorados de forma completamente diferente. Não sabemos ainda como um fato empírico que as pessoas vão comprar “livros de culinária” digitais, da forma como temos certeza que as pessoas vão ler textos de narrativa em aparelhos, felizes e sem saudades.

[Culinária? Um candidato perfeito para o modelo de assinatura!]

O que sabemos é que uma alta porcentagem de venda de livros ilustrados é para presentes. Até certo ponto, isto acrescenta uma barreira que não tem nada a ver com design ou funcionalidade para a migração para e-books. E esses livros, supostamente mais do que os livros de textos narrativos, se beneficiam do efeito de showroom que as livrarias podem criar. E sabemos o que está acontecendo com as livrarias.

A taxa de migração de impresso para digital de textos narrativos nos últimos quatro anos nos levaria a acreditar que haveria um mercado pequeno para livros impressos dessa categoria daqui a uns poucos anos, se simplesmente não acabar. Se as editoras virem o rendimento com impressos cair outros 35% nos próximos 18 meses, a maioria dos grandes livros de narrativa vender até uns 75% de suas unidades como e-books, e a maioria do que as editoras enviam de seus depósitos for de títulos que não estão entre os mais vendidos, então o jogo terá mudado completamente.

Poderíamos concluir que os conhecimentos e as exigências organizativas para publicar narrativa, se os impressos se tornarem um componente menor do rendimento, serão bem diferentes do que é necessário para publicar o conteúdo ilustrado para o qual o impresso permanece ainda uma parte importante de rendimentos. Naquele mundo, o que constitui um portfólio sensível de ofertas para o que hoje chamamos de “editora de livros” poderia ser definido de forma bem diferente.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 31/08/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Depois dos eBooks, editoras se arriscam agora nos app-books


Penguin agita mercado ao lançar versão para tablets de ‘Pé na Estrada’, de Kerouac, cheia de recursos interativos

O catálogo de e-books da centenária Penguin já reúne 4 mil títulos. Mas o que faz mais barulho há um mês e meio no mercado de livros é sua re-edição de um cult literário, Pé na Estrada, em formato de aplicativo em tablets como o iPad, da Apple. A obra de Jack Kerouac é apenas uma das cinco partes do app que comemora o cinquentenário de sua publicação. As outras tratam do autor, da viagem, da geração beat e da trajetória do próprio livro. A edição é repleta de elementos interativos: áudio, vídeo, mapas, fotografias, trechos do diário de Kerouac, cartas trocadas com amigos e editor, antigas capas. Outras edições ampliadas de literatura já estão a caminho, afirma à Folha Stephen Morrison, editor responsável pelo app de Pé na Estrada. Os números de venda de Kerouac também não são divulgados – o mercado fala de 60 mil downloads num único mês.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | 24/08/2011

Apple é acusada por cartel nos preços dos livros digitais


EUA: Uma ação foi aberta contra a Apple nos Estados Unidos acusando a empresa e cinco editoras de manipular o mercado de livros eletrônicos e forçar a Amazon a abandonar sua política de descontos, segundo um comunicado divulgado nesta quinta-feira [11] à imprensa.

O processo, apresentado em nome do escritório Hagens Berman, sustenta que as editoras HarperCollins Publishers, Hachette Book Group, Macmillan Publishers, Penguin Group Inc. e Simon & Schuster Inc. conspiraram com a Apple para elevar os preços dos livros eletrônicos com o objetivo de aumentar os lucros.

Segundo o documento, o suposto pacto, feito no início de 2010, “forçou” a Amazon a abandonar a política de descontos que tinha empreendido para promover o Kindle. Os litigantes, que lembram que a Amazon vendia seus livros eletrônicos a US$ 9,99 ou menos, alegam que a Apple e as cinco editoras violaram uma série de leis federais e estatais antimonopólio.

EFE | 11/08/2011

Machado digital


Papéis avulsos, primeiro livro de contos publicado por Machado de Assis [1839-1908] após o lançamento de Memórias póstumas de Brás Cubas [1881], é integralmente composto por momentos antológicos da ficção curta brasileira. De “O alienista”, um dos mais famosos contos do autor, a “O espelho”, cujo enredo psicológico tem fascinado sucessivas gerações de leitores e escritores [inclusive Guimarães Rosa, que escreveu um conto homônimo como “resposta”], este livro concentra alguns dos melhores personagens e situações do criador de Dom Casmurro. Com introdução de John Gledson e notas de Hélio Guimarães, esta edição foi baseada na primeira edição do livro, única em vida do autor, e traz um pequeno texto introdutório de “Na arca”, que Machado cortou quando publicou o conto em livro. A versão digital [em ePub] do livro recém-lançado pela Penguin-Companhia das Letras custa R$ 25.

PublishNews | 03/06/2011

Editoras de livros se unem contra a Amazon


Três gigantes do setor planejam lançar site de vendas de livros nos EUA

São Paulo – A CBS, a Penguin e a Hachette, três gigantes do setor de livros nos EUA, se uniram para criar o site de comércio eletrônico Bookish. A estratégia é uma tentativa de driblar a crise que o segmento enfrenta e também pulverizar o varejo, que na internet é concentrado nas mãos da Amazon, maior site de vendas online do país.

A ideia é comercializar títulos físicos e também livros na versão digital. Sem data exata para ser lançado, o grupo pretende colocar o site no ar durante o verão americano deste ano, ou seja, entre os meses de junho e setembro.

Segundo Andy Parsons, diretor de tecnologia do Bookish, a parceria entre as três editoras poderá se estender a outras companhias do setor. “O site também poderá ter ligação com outras varejistas online de livros”, disse o executivo ao Wall Street Journal.

Depois que a Borders, uma das maiores redes de livrarias nos EUA, anunciou concordata e o fechamento de 200 lojas no país, em fevereiro deste ano, o setor entrou em crise. A tentativa do Bookish e oferecer o maior números de títulos aos leitores, uma vez que as lojas físicas estão baixando suas portas.

Por Daniela Barbosa | Exame | 06/05/2011

Livro digital: revolução ou evolução?


Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 14/04/2011

CEOs falaram sobre o presente e o futuro do mercado em Londres

O que está acontecendo neste momento com a indústria do livro é uma evolução, com editores se adaptando às mudanças naturais, ou é uma revolução, que acontece quando você é tirado repentinamente do poder? Para responder a essa pergunta e analisar o presente e o futuro da edição, a Feira do Livro de Londres convidou os CEOs da Penguin, Elsevier, China Education Publishing and Media Group e HarperCollins. As respostas foram divididas, mas todos concordaram que se o mercado editorial não acordar vai acabar perdendo espaço para outras indústrias.

Todas as empresas de TI estão tentando entender a relação entre conteúdo e veículo. Temos que ser indispensáveis para o processo para não sermos aniquilados”, disse John Makinson, chairman and CEO do grupo Penguin. Para ele, não se trata de uma evolução e essa mudança na forma de trabalho é vista em cada um dos espaços da edição. “O trabalho do editor está mudando. Temos que apender outras habilidades para continuarmos fazendo o nosso trabalho. E temos, sobretudo, que saber o que os clientes querem e o quanto eles estão dispostos a pagar, coisa com a qual nunca nos preocupamos”, comentou Makinson.

Ele disse também que é hora de tentar entender se os leitores vão continuar lendo com a mesma voracidade, se o consumidor digital vai querer ter a posse do livro e se – quando – as livrarias vão entrar em colapso. Por fim, deixou um aviso: “Quanto mais conteúdo estiver disponível, mais vamos vender. Isso se ouvirmos os consumidores”.

Li Pengyi, presidente da China Education Publishnig and Media Group, acredita que o momento está mais para evolução do que para revolução e que apesar de existirem mais de 400 e-readers diferentes na China, o mercado, em queda, ainda é reticente. “O mercado editorial chinês está caindo por causa da internet e de outras formas de diversão”, comentou. Quando à passagem para a era digital, quem está liderando o movimento são empresas de TI e de entretenimento. “A tecnologia digital permitiu que muitas outras empresas de tecnologia entrassem na indústria do livro. Elas se beneficiam de seu conhecimento tecnológico. Na China, tem empresa de jogo que já é editora“, disse.

Quanto aos editores, acredita que eles terão de aprender a coletar e processar conteúdo e desenvolver novos negócios. “Se não fizermos isso alguém vai fazer”. Mas ele ainda acredita na superioridade do mercado editorial: “o Google pode ser comparado a uma biblioteca. Já as editoras são experientes bibliotecários“.

O CEO da Elsevier e presidente da International Publishers Association [IPA], Y.S. Chi, falou sobre o momento a partir da perspectiva de quem está no segmento de CTP, que segundo ele está mais avançado do que os outros nessa questão digital. O que ainda falta para o CTP fechar o ciclo é analisar como o conteúdo pode ser melhor aproveitado e que tipo de serviço ainda podem oferecer aos seus consumidores. Pra ele, trata-se de uma evolução do mercado e brincou: “Todos preferimos que seja revolução porque é mais sexy. Pensem que é uma revolução, mas ajam como se fosse uma evolução”. Ele, no entanto, tem medo de ser substituído por alguém mais experiente em tecnologia e que vai se adaptar ao “mundo das palavras escritas”.

Quanto mais perto você chega dos consumidores, então é uma revolução. Há muitos impactos nos nossos negócios quando você pensa na mudança de consumo”, comentou Brian Murray, presidente e CEO da HarperCollins. Para aproveitar esse momento, o diretor pensa que é hora de levar pessoas com características diferentes para o dia a dia das editoras. “Esta é uma grande oportunidade para reinventar o negócio, procurar novos formatos e novas plataformas de leitura, sejam elas telas de 2 ou 10 polegadas. É a oportunidade de sermos mais criativos”. Murray se disse impressionado com a velocidade que os leitores aceitaram esse novo jeito de ler. De acordo com ele, há um ano existiam 15 milhões de e-readers no mundo. Hoje, são 40 milhões. “Isso me parece muito revolucionário e participar desta fase da história é incrível”.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 14/04/2011

Random House adere ao modelo de agência


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 16/03/2011

Mike Shatzkin

Agora todas as Big Six estão vendendo livros pelo modelo de agência. A Random House se uniu a suas cinco concorrentes.

Faz quase um ano que a Apple lançou o iPad, abriu a iBookstore e entregou às grandes editoras uma oportunidade para reescrever as regras do mercado de e-book, pelo menos para seus próprios livros e por algum tempo. Como leitores desse blog certamente sabem, cinco das maiores editoras (Hachette, HarperCollins, Macmillan, Penguin e Simon & Schuster) usaram a oportunidade apresentada pela chegada da Apple à cena e implementaram a mudança para o modelo de agência para todos seus clientes. A Random House, por motivos que fizeram sentido para mim na época – e quase certamente ganhando algumas vantagens competitivas no último ano, julgando pela raiva entre muitos de seus concorrentes de igual tamanho –, ficou com o modelo de distribuição original.

A vantagem competitiva vinha do fato de que todas editoras com modelo agência “forçavam” uma margem de 30% no canal de venda de e-book enquanto que a Random House pode ter, no final da história, abocanhado mais margem do canal de varejo.

Estas são minhas interpretações sobre essa mudança:

1. O modelo agência foi bem-sucedido em quebrar a hegemonia da Amazon sobre o mercado de e-book. Um ano atrás, parecia possível que a Amazon conseguisse manter de forma duradoura entre 75% ou 80% do mercado de e-book. Hoje, apesar de ainda terem a maior fatia, e quase certamente terem mais do que o dobro de qualquer outro, o modelo de agência permitiu que se desenvolvesse uma competição real com a iBookstore, o Nook da B&N, Kobo e Google. E os independentes servidos por Google, Ingram e Overdrive ao redor do mundo podem oferecer uma alavancagem de mercado em potencial, se não forem expulsos do jogo pela competição do preço. A Amazon ainda é um gigante, mas não é o único player do mercado. Ao implantar o modelo de agência agora tanto a Random House como a Amazon ganham alguma vantagem comparativa. Se a Amazon ainda tivesse 80% do mercado, não veríamos essa mudança.

2. A Google pode não estar vendendo (ainda) muitos e-books (o sentido de não terem uma grande fatia do mercado), mas estão abrindo cada vez mais espaço para os independentes. Estes conversam com representantes de venda e a Random House possui mais representantes do que qualquer outro. Eu imagino que a empresa começou a sentir um certo desconforto com o feedback que estavam do varejo que eles querem manter vivo.

3. Até o momento, nenhuma das grandes editoras tomou a iniciativa de vender agressivamente e-books diretamente para os consumidores online. Mas elas acabarão tendo de fazer isso. Vocês podem se lembrar que o CEO da Random House, Markus Dohle, me contou no ano passado que tinha percebido que as editoras precisariam se tornar B2C. Ele não estava sugerindo que venderia livros direto ao consumidor no momento; na verdade, ele insistia que havia outras formas de manifestar aquela visão que não fossem vendas diretas. Mas se alguma vez você pensar em vender direto e dedicar quinze minutos a isso, vai perceber que ou terá de fazer sob termos de agência ou enfrentará complicadas e bastante problemáticas conversas com seus varejistas.

E é isso que estou vendo.

No momento, até onde posso afirmar, há muito pouco uso, entre as grandes editoras, de sua capacidade de gerenciar os preços no mercado. Não conheço muitas experiências sendo feitas. Não conheço nenhum especialista em marketing direto ou em dinâmica de preços (duas coisas que seriam relevantes) sendo contratados por grandes editoras para ajudá-las a perceber o potencial das oportunidades. E só posso lembrar de um executivo sênior conhecido que possui um interesse pessoal em dinâmica de preços.

Talvez seja diferente com a Random House. Eles são os líderes tradicionais da indústria em termos de operações e análises. Fazem inventários gerenciados por vendedores para as contas de varejo; não conheço nenhuma outra grande editora que faça o mesmo. Possuem um sofisticado gerenciamento de cadeias de suprimento há anos.

Agora têm a vantagem de ver o que seus concorrentes fizeram e o que não fizeram, durante o primeiro ano de preços pelo modelo de agência. Será importante ver se aproveitam de forma mais enérgica a oportunidade com o gerenciamento de preços do que as outras editoras fizeram até o momento.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 16/03/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].