Escritor lança projeto interativo e colaborativo para autobiografia


A prática antiga de “storytelling” [contar histórias] ganhou uma ferramenta moderna: o ator e roteirista britânico Stephen Fry lançou um site com textos, áudios e fotografias de sua autobiografia para que pessoas elaborem projetos que contem sua história de forma interativa.

Trata-se do YourFry, uma espécie de concurso de “storytelling digital”, lançado pelo britânico em parceria com a editora Penguin Books, que acaba de publicar a autobiografia do comediante, “More Fool Me”.

Este é um projeto interativo e colaborativo para reinterpretar as palavras e a vida das memórias de Stephen, tornando sua história pessoal em uma história global“, disse Nathan Hull, produtor digital de desenvolvimento da Penguin Books, em entrevista ao jornal “The Guardian”.

“O que criar?”, diz um texto de apresentação no site. “Texto, dados visuais, formatos interativos para a web, aplicativos, filme, fotografia, animação, criações em 3D ou experimentais… a tela, como dizem, realmente é branca.

Página inicial do site YourFry, criado pelo comediante britânico Stephen Fry | Imagem/Reprodução: yourfry.com

Página inicial do site YourFry, criado pelo comediante britânico Stephen Fry | Imagem/Reprodução: yourfry.com

Para estimular a criação de projetos, serão organizados “hackatons” [maratonas de hackers] em parceria com universidades, bibliotecas e comunidades de tecnologia pelo mundo. As propostas surgidas nesses eventos serão analisadas e selecionadas por um júri, em dezembro deste ano.

Entre os integrantes do grupo de jurados estão o criador da internet Tim Berners-Lee, o game designer do Xbox Studios Elan Lee, o diretor de filmes interativos Lance Weiler, a diretora do Silicon Valley Bank Claire Lee, além do próprio Fry.

Até agora, foram confirmadas maratonas na universidade especializada em mídia digital e design Ravensbourne [Reino Unido]; no Festival Mozilla, dedicado à internet [Reino Unido]; no Festival Sharjah Book [Emirados Árabes]; no espaço de tecnologia iHub Nairobi [Kenya] e nos Storylabs da Universidade de Columbia [EUA].

Fry se tornou um entusiasta da tecnologia, tendo investido em startups como Soundwave, HeadCast e Summly. Ele é também crítico de smartphones do jornal “The Guardian”, com resenhas feitas sobre os últimos lançamentos da Apple.

O ator e roteirista britânico Stephen Fry | Fred Prouser/Reuters

O ator e roteirista britânico Stephen Fry | Fred Prouser/Reuters

Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 29/09/2014, às 12h58

Próximos astros da literatura talvez sejam descobertos on-line


Para os romancistas, o tempo em que costumavam enviar manuscritos a dezenas de editoras e aguardavam ansiosamente por respostas podem em breve se tornar coisa do passado.

Milhares de escritores que utilizam redes on-line de literatura como a Movella, que atrai grande público adolescente, e a Book Country, da editora Penguin, já vêm recebendo reações instantâneas, e podem alterar textos de imediato e oferecê-los ao público para leitura, não importa o que as editoras possam pensar.

A internet derrubou os muros de um setor antes fechado, porque agora qualquer pessoa pode publicar textos com apenas alguns cliques – uma mudança que também cria demanda por novos talentos.

As editoras não querem que aconteça com elas a mesma coisa que aconteceu com a indústria da música“, disse Per Larsen, o presidente-executivo da companhia iniciante dinamarquesa Movellas. “Sabem que o modelo de negócios do mercado editorial foi destruído“.

A indústria de gravação musical passou por numa explosão de pirataria on-line que tirou montantes enormes de seus bolsos, dado o download ilegal generalizado de canções que antes só estariam disponíveis em CDs, fitas e discos.

Ao mesmo tempo, a indústria musical está vendo bandas que gravam sua própria música e a oferecem diretamente via Internet, contornando a intermediação das grandes gravadoras.

O objetivo do Movellas é se destacar entre os rivais em função de sua abordagem mundial e do foco em adolescentes, que estão ingressando no mundo da escrita criativa por meio de sua rede.

Queremos ser a comunidade líder mundial na identificação de novos talentos“, disse Larsen.

Já existem dezenas de milhares de texto publicados no site a cada mês, por jovens escritores como a britânica Ebonie Maher, 19, que posta principalmente poemas no Movellas.

Eu adoraria me tornar escritora“, diz, acrescentando que as críticas construtivas que recebe ajudam em seu desenvolvimento.

A crítica também é parte crucial do Book Country, o serviço online criado pela editora Penguin no ano passado a fim de identificar novos talentos on-line.

Isso nos permite lançar a rede de forma mais ampla“, diz Molly Barton, diretora digital mundial da Penguin.

Em janeiro, a Berkley, uma das divisões do grupo Penguin, assinou contrato para dois livros com Kerry Schafer, especialista norte-americana em saúde mental, depois que um editor leu textos dela no site.

DA REUTERS | 15/03/2012, 12h23 | Publicado por Folha.com

Estado de Connecticut investiga Apple e Amazon por e-books


O procurador-geral do Estado norte-americano de Connecticut, Richard Blumenthal, está investigando acordos fechados entre a Amazon.com e a Apple com editoras para vender livros digitais a preços mais acessíveis, alegando que esses pactos impedem que seus concorrentes consigam oferecer valores igualmente competitivos.

No começo do ano, as duas empresas fecharam um acordo de preços mais favoráveis com grandes editoras, assegurando que suas rivais não possam negociar preços mais baixos“, disse Blumenthal.

Ele citou editoras como Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins e Penguin. Blumenthal enviou cartas à Amazon e à Apple solicitando uma reunião com seus executivos para discutir a questão.

O mercado de livros digitais está prestes a explodir com analistas prevendo que e-readers serão um dos eletrônicos mais vendidos da temporada de Natal, o que gerou a revisão sobre o possível impacto negativo ao consumidor“, afirmou Blumenthal em comunicado. “Essa restrição bloqueia preços mais baratos e competitivos para os consumidores.

A Amazon e a Apple são as principais concorrentes do mercado de e-books, junto com redes de livrarias norte-americanas como Barnes & Noble e Borders Group.

Não foi possível contatar as duas empresas ou a editora Penguin para comentar o caso. Já as editoras Simon & Schuster e HarperCollins se recusaram a comentar.

Reuters | 03 de agosto de 2010 às 17h02

Acordo entre Apple e Amazon será investigado


O procurador-geral do Estado norte-americano de Connecticut, Richard Blumenthal, está investigando acordos fechados entre a Amazon e a Apple com editoras para vender livros digitais a preços mais acessíveis, alegando que esses pactos impedem que seus concorrentes consigam oferecer valores igualmente competitivos.

“No começo do ano, as duas empresas fecharam um acordo de ‘preços mais favoráveis’ com grandes editoras, assegurando que suas rivais não possam negociar preços mais baixos”, disse Blumenthal.

Ele citou editoras como Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins e Penguin. Blumenthal enviou cartas à Amazon e à Apple solicitando uma reunião com seus executivos para discutir a questão.

O mercado de livros digitais está prestes a explodir – com analistas prevendo que e-readers serão um dos eletrônicos mais vendidos da temporada de Natal -, o que gerou a revisão sobre o possível impacto negativo ao consumidor”, afirmou Blumenthal em comunicado. “Essa restrição bloqueia preços mais baratos e competitivos para os consumidores.

A Amazon e a Apple são as principais concorrentes do mercado de e-books, junto com redes de livrarias norte-americanas como Barnes & Noble e Borders Group.

Não foi possível contatar as duas empresas ou a editora Penguin para comentar o caso. Já as editoras Simon & Schuster e HarperCollins se recusaram a comentar.

POR ALEXANDRIA SAGE | REUTERS | 3 de agosto de 2010 | 8h55

Penguin em paz com a Amazon


Os diretores da Penguin, David Shanks e Susan Petersen Kennedy, informaram que a empresa chegou a um acordo com a Amazon.com quase dois meses depois de lançado o modelo de agência e da abertura da iBookstore da Apple. Os e-books da editora lançados depois de 1º de abril, os quais a Amazon se recusou a vender até agora, estão sendo incluídos no site da Amazon [isso deve ser concluído em alguns dias]. Presumidamente, todos os títulos da Penguin receberão novo preço como reflexo do modelo de agência.

No exterior, a Apple começou a lançar versões da iBookstore, mas até hoje, de acordo com o The Bookseller, só os livros de domínio público estavam disponíveis na da Inglaterra. De volta aos Estados Unidos, as editoras não precisam mais esperar um convite da Aplle para vender seus livros diretamente para ela. Isso pode ser feito pelo iTunes Connect e, para tal, basta ter um ISBN e o arquivo em ePub.

PublishersLunch – 27/05/2010

Manter romantismo do livro é chave na era digital, diz Penguin


Com a euforia em torno do lançamento do iPad da Apple e a crescente popularidade de outros aparelhos digitais, o desafio será manter o romantismo do livro impresso, segundo o presidente-executivo da editora Penguin.

O iPad, meio-termo entre um smartphone e um notebook, está ajudando a criar um mercado para tablets que deve crescer para cerca de 50 milhões de unidades vendidas até 2014, gerando com ele um crescente mercado para livros digitais, que até agora cresceu pouco.

Até o momento, editoras como a Penguin, do grupo Pearson, têm sofrido para encontrar um modelo de negócios online bem sucedido em termos de conteúdo e de quão propenso o consumidor estaria a pagar pelo produto, disse John Makinson em visita à Índia.

Mas, com o iPad, as editoras veem uma nova chance para acertar seu produto eletrônico e assim, ganhar mais poder de barganha caso o iPad surja como um concorrente viável ao Kindle da Amazon.

Aparelhos digitais de tela grande estão abrindo as portas para nós para novas oportunidades: oportunidades de interação com os leitores, e de uso de redes sociais“, disse Makinson.

“Há oportunidades não só de um ponto de vista de marketing, mas de conteúdo e em termos de material novo”, afirmou.

E não é apenas o público mais jovem que se atrai aos aplicativos legais e a maior interatividade dos aparelhos digitais, mas também leitores mais velhos que gostam de poder, por exemplo, aumentar o tamanho da letra do livro, de acordo com Makinson.

As pessoas frequentemente comparam o mercado editorial à indústria musical, em que as vendas de músicas digitais superaram as vendas de CDs físicos, mas existe uma conexão emocional ao livro, afirmou Makinson, que estudou literatura e história na Universidade de Cambridge e começou a carreira como jornalista.

Precisamos manter o foco na relação emocional do leitor com o livro. Ainda é importante produzir um livro impresso bonito, com um bom design, que fique bonito numa prateleira, e que se possa dar de presente a um amigo“, disse Makinson.

E o desafio é não perder de vista o principal, que continua sendo o livro. O que define um livro por si só deve mudar, mas ainda há a tradição, o romantismo do livro, e é essencial manter isso“, acrescentou.

MUMBAI | Reuters | Por Rina Chandran | 14/04/2010

Admirável Livro Novo


Quem compraria de olhos fechados um produto que ninguém experimentou, que ainda não tem certeza de como funciona e que nem sabe exatamente para que vai servir? A partir deste mês, milhares de pessoas [por ora apenas nos Estados Unidos] terão a oportunidade de ver como é realmente o iPad, o mítico e-reader da Apple, aquele que pode fazer com o livro em papel o mesmo que o iPod fez com o CD: torná-lo dispensável. Seriam esses computadores pessoais em formato de prancheta e tela sensível ao toque, chamados tablets, “assassinos tecnológicos”, capazes de transformar o livro impresso em objeto de museu, ao lado dos daguerreótipos, dos gramofones e até dos primeiros leitores digitais, como o Kindle?

Como em todas as discussões milenaristas, os debatedores podem ser divididos em duas correntes: os “apocalípticos” e os “integrados”, para usar os termos do filósofo italiano Umberto Eco – que é, aliás, uma voz importante também nessa questão. Na obra Não Contem Com o Fim dos Livros, que sai no fim do mês no Brasil, ele e o escritor francês Jean-Claude Carrière procuram tranquilizar, numa série de conversas, os que temem que a era tecnológica se transforme num apocalipse que não deixará página sobre página. Ao mesmo tempo, é um exemplo de como a discussão sobre o fim do livro é inútil, porque na maior parte do tempo é baseada em achismos e experiências pessoais que não são necessariamente compartilhadas pelas novas gerações. Mesmo quando o debate é liderado por pensadores de renome.

Quem lê o livro percebe que a confiança expressa na capa não reflete o conteúdo. O que sobressai é o lamento de dois homens brilhantes que, como muitos de seus contemporâneos, se veem como dinossauros soterrados por uma revolução nas formas de escrever, ler e transmitir o conhecimento. Carrière fica surpreso, por exemplo, quando o amigo Eco revela ser um velho jogador de fliperama [!] atordoado por uma “derrota acachapante” de 280 a 10 para o neto de 7 anos num videogame. O placar leva o autor de O Nome da Rosa a reconhecer que, por mais que tenha devorado bibliotecas, é incapaz de acompanhar a revolução que se anuncia. “Nossa insolente longevidade não deve nos mascarar o fato de que o mundo do conhecimento está em revolução permanente e de que não fomos capazes de captar plenamente alguma coisa senão no lapso de um tempo necessariamente limitado.

Apesar de inflamar corações e mentes, a discussão sobre o fim do livro é apenas a ponta do iceberg de outra revolução em curso: a das novas possibilidades de narrar e ler abertas pelas tecnologias digitais. Essas inovações convergem de tal forma que, no futuro, as experiências de ler, ouvir e ver não serão mais distintas. Uma nova semântica já começa a se instaurar a partir da internet. Os próprios conceitos de livro e literatura já não parecem mais tão claros diante das novas mídias.

A QUARTA TELA
A revolução que torna incerto o futuro do livro questiona a noção de autoria, abala as bases da indústria editorial e muda as formas de leitura já é chamada pelos especialistas de Quarta Tela – as três primeiras são a da televisão, a do computador pessoal e a do telefone celular. A quarta tela com que vamos nos acostumar a interagir diariamente será a do tablet. O iPad é a estrela desta nova geração de computadores, mas nem de longe a única. Calcula-se que ele dividirá o mercado com pelo menos 50 modelos nos próximos meses.

A Hewlett-Packard, por exemplo, promete para breve o Slate, que usará o Windows como sistema operacional. A Samsung também anunciou o seu E6, um e-reader que permite anotações a mão, e a Asus inova com um e-reader com duas telas, simulando a leitura de um livro. Até o Brasil entrou na corrida. De Recife, a Mix Tecnologia anunciou o lançamento para junho do primeiro leitor eletrônico com software 100% nacional, a um preço que varia entre R$ 650 e R$ 1,1 mil. O investimento parece alto, mas milhares de e-books são oferecidos pelas livrarias virtuais gratuitamente, como os clássicos em domínio público. E o download de um lançamento custa em geral metade do preço de um livro em papel.

Tablets têm uma série de vantagens sobre os dispositivos que apenas exibem textos digitalizados, como os pioneiros Kindle, da livraria Amazon, e o nook, da livraria Barnes & Noble, além de sua tela colorida. “Ele abre uma nova gama de experiências que ultrapassa a da leitura do livro impresso”, afirma o brasileiro Julius Wiedemann, editor-chefe da área de design da Taschen, que já testa um programa para simular livros de arte no novo e-reader, com direito a multimídia e interatividade. “Vivemos uma mudança radical de paradigma”, acredita. Opinião parecida tem o editor da revista americana Wired, Chris Anderson. “Daqui a 10 anos vamos ver que este foi um momento significativo”, afirmou numa conferência em São Francisco em março, quando apresentou um vídeo com a versão da revista, uma espécie de bíblia das novas tecnologias, para o iPad.

A verdade é que, até o mês passado, e-readers eram suportes eletrônicos para livros comuns, e os e-books não passavam de versões digitalizadas de textos produzidos para serem impressos. Mas, de agora em diante, o livro — assim como os jornais e revistas — pretende ser muito mais do que um texto adaptado para o novo formato. Nascidos digitais, os novos livros podem prescindir da leitura linear, integrar-se à internet, misturar palavra, vídeo, foto, som e animação, e literalmente explodir em 3D nas telas. Neste novo universo, real e virtual não são mais mundos separados. Os novos livros poderão ainda ser reescritos por seus leitores, em experiências interativas e colaborativas que colocam em questão o conceito de autoria e propriedade intelectual.

O CHEIRINHO DO LIVRO
Ainda é cedo para medir o impacto na criação narrativa dessa literatura sem papel. O livro eletrônico poderia desenvolver novas formas expressivas — assim como o livro impresso possibilitou o boom do romance, e a câmera filmadora a explosão do cinema? Boa parte das obras produzidas no novo formato ainda é experimental. No entanto, as editoras comerciais já começam a fazer suas próprias experiências. A Penguin e a Macmillan colocaram na rede vídeos mostrando como seus livros serão reinventados, ganhando recursos interativos e multimídia, espaço para comentários, mecanismos de busca e comunidades virtuais de leitores para trocar ideias.

Segundo o executivo-chefe da Penguin, John Makinson, a editora criará grande parte de seu conteúdo digital em HTML [linguagem para escrever páginas da internet] em vez do formato ePub, usado nos livros eletrônicos. “A própria definição de livro está aberta”, acredita. De fato, há dúvidas sobre como classificar as obras produzidas a partir das estratégias narrativas abertas pelas novas tecnologias. Seriam livros ou alguma forma nova, que já é chamada de transmídia, que conviverá em separado com o mercado editorial tradicional, como a televisão adquiriu uma linguagem diferente do cinema?

Apesar de toda essa excitação, não faltam leitores que não pretendem abandonar o papel por nada. Seus argumentos são pertinentes. Ler num computador não é tão confortável como ler uma obra impressa [por outro lado, uma biblioteca inteira cabe num levíssimo e-reader]. É difícil ler na tela porque os olhos se cansam da luminosidade [aparentemente não os das novas gerações, habituadas às telas do computador]. As baterias acabam, enquanto livros duram quase uma eternidade [em compensação os livros impressos não podem ser baixados para o seu e-book quando se está há horas esperando na antessala do médico]. Para praticamente todo argumento contra um tipo de livro há um a favor.

Resta o insubstituível “cheirinho do livro”. Para quem não abre mão dele, uma história divertida é a relatada pelo historiador americano Robert Darnton em A Questão dos Livros: Passado, Presente e Futuro, que sai no Brasil em maio. Conta que uma pesquisa com estudantes constatou que 43% deles consideravam o cheiro uma das maiores qualidades dos livros. E a única que aparentemente não poderia ser suplantada pelos livros eletrônicos. Mas uma editora online, a CaféScribe, já apareceu com uma solução: oferecer um adesivo para ser colado em seus computadores com um aroma similar.

Especialista na história do livro, Darnton mostra que o livro impresso é também uma tecnologia de leitura, que já desbancou outras, no passado: os rolos de pergaminho e as obras manuscritas, mesmo que sob severos protestos de seus defensores. Nesta área, as mudanças têm sido cada vez mais rápidas. “Da descoberta da escrita até o codex [o formato atual do livro], passaram-se 4.000 anos; do codex à tipografia, 1.150 anos; da tipografia para a internet, 524 anos; da internet para os mecanismos de busca, 17 anos; deles para o Google, 7 anos; e quem sabe o que estará ali na esquina ou vindo na próxima onda?”, pergunta.

Com ou sem cheirinho, os e-readers prometem revolucionar os hábitos de leitura, assim como o codex fez com os rolos de papiro. Em vez de duas páginas lado a lado, teremos uma única, que também servirá para exibir vídeos, acessar a internet e nos comunicar com os amigos. Podemos retomar o hábito de fazer anotações nas margens, sublinhar e usar etiquetas virtuais [tags] para catalogar o que nos interessa. Em vez de comprar livros, poderemos baixá-los numa livraria virtual imediatamente — e talvez impulsivamente, porque o preço será bem menor. Será muito simples buscar palavras-chave num grande volume de textos e assim destrinchar em poucos minutos a obra de um grande pensador sobre determinado assunto. Ou mesmo de vários pensadores ao mesmo tempo. Vamos poupar muitas árvores de serem abatidas à toa, para a publicação de livros sem importância. Mas qual será o custo disso para o universo da leitura tal como conhecemos hoje?

O tempo dirá quem vai pagar a conta.

CROWDSOURCING
Elaboração dos mais diversos conteúdos de maneira coletiva. O desenvolvimento de ferramentas interativas e o sucesso do twitter deu novo fôlego às experiências colaborativas em rede na área acadêmica e literária.

APLICAÇÕES
A enciclopédia virtual Wikipédia é um exemplo de narrativa colaborativa: em vez de especialistas contratados, quem escreve os verbetes são os leitores. Na wikiliteratura, eles também são convidados a contribuir para o desenvolvimento da história.

TÍTULOS
De olho no fenômeno, a editora americana Penguin criou o projeto A Million Penguins, que chamou de exercício de escrita criativa colaborativa com base no twitter. Nela, todas as contribuições podem ser editadas, alteradas ou removidas pelos colegas. E a BBC Audiobooks convidou o escritor Neil Gaiman para dar o pontapé inicial de um conto com uma frase de 140 caracteres, complementado depois pelos seguidores cadastrados.

INTERATIVIDADE
Total. A própria ideia de autoria se desfaz nestes projetos baseados no conceito de inteligência coletiva.
VEJA: http://www.amillionpenguins.com

FICÇÃO HIPERTEXTUAL
Também chamada de ficção não-linear, permite que o texto tome vários caminhos e até ter vários finais possíveis. Não nasceu na internet, mas ganhou impulso nela pela facilidade de criar hiperlinks, que possibilitam navegar pela história.

APLICAÇÃO
Tem grande aplicação na literatura, adequada para a criação de nova narrativas não-lineares, ou na adaptação de já existentes, como O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar.

TÍTULOS
Alguns dos mais interessantes exemplos podem ser consultados na Biblioteca Cervantes Virtual, sob a rubrica hipernovela. Vale conferir títulos como Condições Extremas, de Juan B. Gutierrez.

INTERATIVIDADE
Pode ser de dois tipos: explorativa e construtiva. Na primeira, o autor define os rumos da história, mas permite ao leitor decidir seu trajeto de leitura. Na segunda, o leitor pode inclusive modificar a história.
VEJA aqui.

HIPERMÍDIA
Narrativa que faz uso de texto, áudio, animações e vídeo para contar uma história ou desenvolver uma tese. A hipermídia não é a mera reunião da várias mídias, mas sim a fusão delas numa nova narrativa.

APLICAÇÃO
Permite que várias mídias sejam integradas e formem uma nova linguagem, com sua própria gramática. Já imaginou um livro como A Volta ao Mundo em 80 dias usando o Google Maps? É útil também em ensaios – um livro sobre a ópera, por exemplo, pode trazer imagem e áudio das encenações.

TÍTULOS
O premiado Alice Inanimada, produzida por Kate Pullinger e Chris Joseph, é um romance que utiliza uma combinação das várias mídias. Durante dez episódios vemos a menina sair de uma região remota da China para se tornar uma designer de jogos.

INTERATIVIDADE
Nem sempre é necessária. O leitor pode simplesmente acompanhar a história da forma como ela é narrada. Ou eventualmente jogar com ela.
VEJA: http://www.inanimatealice.com/

FAN FICTION
Obra de ficção criada por fãs com base em personagens de livros, filmes, mangás e animações consagradas. Sem se importar com direitos autorais, os fãs podem também tomar emprestadas situações das histórias originais.

APLICAÇÃO
Criado para diversão, o gênero também tem um potencial didático que já foi descoberto por professores de português. Em sala de aula, pode-se criar fan fictions de obras clássicas – inventado mais peripécias, por exemplo, para Leonardo Pataca, protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

TÍTULOS
Embora os primeiros blogs sejam dedicados a aventuras inspiradas pela série Harry Potter, de J. K. Rowling, há histórias baseadas em Senhor dos Anéis, de J. K. Tolkien, e em Eragon, de Christian Paolini, entre outros.

INTERATIVIDADE
Em sites, blogs, fóruns e redes de e-mail, um “autor” pode controlar um personagem, discutindo com os amigos os rumos da história.
VEJA: http://fanfiction.nyah.com.br/

GAMES
Modelo narrativo não-linear, que leva o leitor a “jogar” uma história, em vez de acompanhar passivamente a trama arquitetada por um autor.

APLICAÇÃO
Atraente especialmente para o público juvenil, acostumado a interagir com videogames. Os educadores já estão de olho no potencial do formato para atualizar os livros didáticos. Já pensou estudar Geografia procurando um tesouro nos Andes?

TÍTULOS
Em 2008, a editora americana Scholastic publicou o primeiro livro da série The 39 Clues – lançado no Brasil pela Ática. Escrito por Rick Riordan, autor de Percy Jackson & Os Olimpianos, o livro entrou imediatamente nas listas de mais vendidos nos Estados Unidos.

INTERATIVIDADE
No caso de The 39 Clues, um website, figurinhas colecionáveis, quebra-cabeças, jogos on-line ajudam o leitor-jogador a seguir as pistas que revelam o passado da família Cahill e de personagens históricos, como Benjamin Franklin e Anastasia Romanov.
VEJA: http://www.the39clues.com

REALIDADE AUMENTADA
Marcada com um código especial, uma página de livro exibe objetos tridimensionais na tela do computador quando colocada em frente à webcam. São imagens, sons e textos que acrescentam informações ao conteúdo impresso, numa mistura de mundo virtual e real.

APLICAÇÃO
Útil para livros infantis e enciclopédias, que poderiam trazer mapas, gráficos e objetos animados e em 3D.

TÍTULOS
As crianças que foram à Feira de Frankfurt em 2008 puderam se deliciar com as experiências da Metaio, uma empresa alta tecnologia alemã que apresentou os livros Aliens & UFOs. Este ano, as inglesas Salariya Book Company e Carlton lançaram títulos como O que Lola Quer… Lola Tem e Dinossauros Vivos!

INTERATIVIDADE
O que diferencia essa tecnologia dos pop-ups tradicionais [livros de papel em que as ilustrações são montadas em 3D] é que os objetos em 3D se mexem e acompanham o leitor, seguindo seus movimentos.
VEJA: http://www.metaio.com

VOOK
Um livro em que a informação do texto é complementada com vídeo – algo parecido com o jornal Profeta Diário dos filmes de Harry Potter, em que as reportagens trazem, em vez de foto, personagens em movimento.

APLICAÇÃO
Útil para livros de receitas culinárias ou de ginástica, em que o leitor poderá ver os movimentos necessários em vídeo. Em ficção, contudo, seu uso é polêmico, por tirar do leitor o prazer de imaginar rostos e cenários.

TÍTULOS
Disponíveis hoje para iPhone e tablets – não para Kindle. Em ficção, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e A Estranha História do dr. Jekyll e mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson. Há ainda obras exclusivas para o formato, como Promessas, de Jude Deverauz.

INTERATIVIDADE
O leitor pode se conectar com o autor, acessar links úteis e comentar a história com seus amigos ou outros leitores nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook.
VEJA: http://www.vook.com

Cristiane Costa – Sean Mackaoui – Revista BRAVO – Abril 2010

Editoras apostam seu futuro em iPad que ainda não viram


Editoras de jornais e revistas estão apostando no iPad da Apple para dar o arranque em uma forma de transição comercialmente viável para a digitalização de suas publicações –apesar de apenas uns poucos executivos terem chegado a colocar as mãos no aparelho, a poucos dias de o produto chegar às prateleiras.

Inclusive, muitos grupos de comunicação provavelmente não anunciarão aplicativos próprios para o iPad enquanto o tablet não chegar às lojas nos Estados Unidos, o que deve ocorrer neste sábado [3], devido a várias restrições de acesso ao aparelho impostas pela Apple sobre seus parceiros.

Embora o conteúdo seja essencial para o sucesso do iPad – um computador tablet de 9,7 polegadas, que mais parece um iPhone gigante que busca integrar o nicho do mercado entre um smartphone e um notebook–, a Apple tem guardado seus planos a sete chaves.

Executivos do setor afirmam ter testado o aparelho ou na sede da Apple, na Califórnia, ou em outro local, mas apenas sob medidas de segurança extremamente restritivas.

Nos ofereceram a oportunidade de ter um iPad no prédio, mas as implicações à segurança eram tantas que simplesmente não valia a pena“, disse o dono de uma editora que pediu para não ser identificado.

Apenas alguns felizardos receberam pessoalmente o presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, que esteve em Nova York no começo do ano para promover o iPad para grupos como o “Wall Street Journal” e o “New York Times”.

Tela colorida

Apesar das restrições, a tela colorida sensível a toque do iPad é considerada seu grande diferencial para atrair grupos de comunicação, que há tempos lutam para ganhar dinheiro com conteúdo digital, ao qual a maioria dos consumidores esperam ter acesso gratuitamente, ou, no mínimo, a um preço muito baixo.

Agora, as editoras veem no aparelho uma nova chance para acertar um modelo de negócios eletrônico -além de ganhar maior poder para negociar licenciamento, caso o iPad surja como um rival à altura do Kindle, da Amazon.com.

Todos nós sofremos nessa indústria para encontrar um modelo on-line bem-sucedido em termos de conteúdo e da inclinação do consumidor em pagar por ele“, disse recentemente o presidente-executivo da Penguin Books, John Makinson.

“Pessoalmente, acho que o iPad representa uma primeira oportunidade real de criar um modelo de conteúdo pago que será atraente para o consumidor. E acho que a psicologia do conteúdo pago no tablet é diferente da psicologia do conteúdo pago em computadores pessoais.”

Um total de 30% da receita da Penguin com vendas de livros digitais para o iPad ficará com a Apple, o que, para Makinson, é melhor que os atuais 50% normalmente cobrados por livrarias e varejistas, incluindo a Amazon.com.

YINKA ADEGOKE e GEORGINA PRODHAN | da Reuters, em Nova York | 01/04/2010 – 10h33

Editora teme guerra de preços com iPad


A Random House, maior editora de livros do mundo em vendas, poderá manter suas publicações fora do iPad, da Apple, quando o aparelho for colocado à venda no mês que vem. A unidade do grupo Bertelsmann teme os efeitos do aparelho sobre os preços dos livros eletrônicos.

Segundo se comenta no mercado, as cinco maiores concorrentes da Random House – Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, Harper-Collins e Penguin – já aderiram à iBookstore, o site de varejo onde os e-books para o iPad serão vendidos.

Mas a ausência da líder do mercado de livros será um golpe para a Apple. Markus Dohle, executivo-chefe da Random House, não excluiu, ontem, a possibilidade de um acordo antes do início das vendas do iPad, em 3 de abril, mas disse que está dando seus passos com cuidado, uma vez que o regime de fixação de preços da Apple poderia prejudicar as práticas das editoras.

Até agora, as livrarias tradicionais e os grupos varejistas da internet como a Amazon vinham comprando livros das editoras com descontos para depois remarcá-los e vendê-los com lucro para os leitores.

Mas, numa ampliação do modelo de preços estabelecido para os aparelhos que já vende, a Apple quer que as editoras estabeleçam os preços que serão pagos pelos usuários de sua iBookstore – ficando a própria Apple com 30% das vendas resultantes.

Dohle disse que o iPad e a iBookstore significam “mudanças, em especial para os nossos acionistas“, que exigiriam que a editora consultasse mais os autores e seus agentes.

Hartmut Ostrowski, executivo-chefe da Bertelsmann, usou a entrevista anual concedida pelo grupo para dizer que o iPad e outros aparelhos, como o Reader, da Sony, chegaram para ficar, e estão influenciando o setor da mídia “mais do que qualquer outra coisa”.

A Bertelsmann registrou perdas no ano passado. A crise econômica afetou as receitas publicitárias e forçou o grupo a fazer uma baixa contábil no valor de seus ativos. Após os pagamentos a acionistas minoritários em joint ventures, o prejuízo foi de € 82 milhões [US$ 110,7 milhões], frente ao lucro líquido de € 142 milhões em 2008. As receitas caíram 5,4%, para € 16,2 bilhões.

Os custos de reestruturação e reavaliação de ativos eliminaram € 730 milhões do lucro operacional, que ficou em € 1,4 bilhão – contra € 1,6 bilhão em 2008. Os pagamentos de juros e impostos reduziram ainda mais os ganhos, rendendo ao grupo um lucro líquido de € 35 milhões.

O desempenho do grupo, que também controla o canal de TV RTL e a editora de revistas G+J, foi reforçado por um corte de custos de € 1 bilhão. O endividamento total caiu 9% para € 6 bilhões.

Thomas Rabe, diretor financeiro, disse que a Bertelsmann espera uma estabilização da economia mundial neste ano. Como resultado, a companhia prevê vendas e lucro operacional estáveis, além de um lucro líquido entre € 400 milhões e € 500 milhões.

Rabe confirmou o possível interesse da Bertelsmann nos ativos da EMI Music Publishing [de administração dos direitos de composições musicais], através de sua própria joint venture no segmento com a Kohlberg Kravis Roberts, a BMG Rights Management. “Não sabemos se e quando a EMI vai colocá-los à venda. Mas se isso acontecer, daremos uma olhada“, disse o executivo.

Gerrit Wiesmann | Financial Times | 24/03/2010

Penguin quer reinventar livro eletrônico


Penguin pretende incluir recursos interativos, áudio, vídeo, mapas e comunidades virtuais

Com a aproximação do lançamento do iPad, fora dos EUA, em 3 de abril, a editora Penguin apresentou planos para transpor suas obras para o computador com tela sensível ao toque da Apple.

E eles são audaciosos: a editora pretende reinventar os livros, acrescentando a eles recursos interativos, áudio, vídeo, mapas e comunidades virtuais de leitores que giram em torno das obras.

Segundo o executivo-chefe da Penguin, John Makinson, a editora criará grande parte de seu conteúdo digital em HTML [linguagem para escrever páginas da internet] em vez do formato ePub, usado nos livros eletrônicos tradicionais. “A própria definição de livro está aberta“, afirmou Makinson. Os blogs especializados em tecnologia se dividiram entre os animados com as novas possibilidades e aqueles preocupados com a deturpação do conceito de livro.

As coisas acabaram ficando ainda mais complicadas. Mas a Penguin pensando além do livro é algo excitante o suficiente para que eu não me importe“, escreveu o Gizmodo. Já o Tuaw [The Unofficial Apple Weblog] fez um apelo: “Por favor, não reinventem o livro“.

Folha de S. Paulo – 10/03/2010 – Redação