Paulo Coelho pede a leitores que comprem seus livros somente após leitura


Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

RIO — Paulo Coelho é um antigo defensor da liberdade de compartilhamento de obras artísticas na internet — até mesmo de seus próprios livros. Mantendo a coerência com essa posição, o escritor brasileiro disponibilizou gratuitamente a versão digital de duas de suas obras em seu site oficial. Com um detalhe, Coelho sugere aos que gostarem da leitura que comprem os livros para “mostrar à indústria editorial que essa ideia não compromete os negócios“.

Os leitores encontram no site do escritor a edição em inglês de “O manual do guerreiro da luz” [1997], uma compilação de ensinamentos e questionamentos filosóficos e histórias, e a versão em português do romance “Brida” [1990]. O escritor afirma que vai oferecer obras em espanhol e outras em português ao público.

A versão do “Manual do guerreiro da luz” traz apenas quatro-quintos do livro em inglês, pois Coelho não tem a versão completa. Ele garante, no entanto, que as páginas que faltam não comprometem o conteúdo.

Coelho classifica a estratégia como um “método reverso de venda de livros“. Para estimular o retorno, ele indica os sites que vendem suas obras, como Amazon, Submarino e iTunes. Após a leitura dos capítulos introdutórios, os leitores recebem a seguinte nota:

Caro leitor, se você gostou do texto, por favor, compre-o — assim podemos mostrar à indústria editorial que essa ideia não prejudica os negócios“.

Em 2012, Paulo Coelho se manifestou contra a desfesa da propriedade intelectual. Em publicação no site, ele pediu aos “piratas do mundo” que se unissem “para piratear tudo que já escrevi“. Ele defende que a pirataria é uma introdução ao trabalho do artista.

O Globo | 10/06/2015

“Manuscrito Encontrado em Accra”, de Paulo Coelho, é lançado em audiobook


Além de sentir-se bastante à vontade nos formatos impressos e digitais, Paulo Coelho também experimenta tecnologias de áudio. “Manuscrito Encontrado Em Accra”, seu mais recente trabalho, agora está disponível em versão áudio nas plataformas Audible [leia-se Amazon] e iTunes [leia-se Apple].

Segundo Paulo Coelho, “Manuscrito Encontrado em Accra” revela quem somos e do que sentimos medo. Revela que o que esperamos de um futuro duradouro está baseado em crenças que existem dentro de nós mesmos, não se baseia no conhecimento ou na adversidade que nos rodeia. “Nenhum de nós pode saber o que o futuro nos reserva, porque a cada dia tem seus bons e maus momentos. Então esqueça o exército esperando lá fora, esqueça o medo que se esconde nas dificuldades que enfrentamos. “.

O audiobook de “Manuscrito Encontrado em Accra” também está disponível em inglês, alemão, sueco, norueguês e até finlandês. O leitor só não vai encontrar o livro disponível em português por motivos que já comentei nos meus livros sobre o tema.

Ednei Procópio

Paulo Coelho tem lista com nomes de pessoas que o atacam na web


Escritor publica ‘Manual para matar trolls’ em seu blog

Autor de ‘O alquimista’ diz que foi alvo de trolagem na escola

O escritor Paulo Coelho: “Trolls não merecem respeito” | Foto Divulgação: Xavier Gonzalez

O escritor Paulo Coelho: “Trolls não merecem respeito” | Foto Divulgação: Xavier Gonzalez

RIO | O escritor e popstar Paulo Coelho publicou em seu blog um post intitulado “Manual de matar trolls”. Ele começa o texto se dirigindo, logo no primeiro tópico, às pessoas que são “vítimas” de bullying [trolagem]. Segundo ele, isso só acontece com quem tem relevância. “Se voce está sendo trolado, é porque está acima da média”. O autor de “Diário de um mago” e “O alquimista” também conta no post que foi muito trolado na escola, e que, ainda hoje, mantém uma lista negra com nomes de pessoas que o atacam na internet.

“Pelo menos umas 150 pessoas que me atacaram vieram me pedir favores. Achavam que eu tinha esquecido. Um deles inclusive veio me pedir voto para uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, da qual sou membro. Outros, escritores e músicos aspirantes, que pediam um apoio para seus trabalhos mas que não hesitavam em falar mal em comunidades sociais”.

Paulo Coelho explicou que começou a fazer listas com nomes de pessoas que o agrediam ainda na época do colégio. Hoje, ele não se ocupa mais com isso, mas seu escritório vasculha a internet, e anota os nomes dos detratores na lista negra. “Claro que nunca me lembro de quem fala mal, e raramente leio o que escrevem. Mas antes de fazer qualquer favor eu consulto meu escritório. Se o nome estiver ali, serei muito gentil mas farei questão de lembrar à pessoa o que ela disse, e por essa razão não me julgo ‘à altura’ de fazer qualquer coisa”.

Criar listas é um dos conselhos dados pelo escritor para pessoas troladas na web. Ele chama a anonimidade na web de covarde. “Os trolls são pessoas com um comportamento doentio, mas que podem causar mal aos mais fracos”, diz o autor, que tamebém escreve: “Os trolls não merecem respeito, porque não respeitam ninguem, e se acham o máximo porque ingenuamente pensam que estão atuando de maneira anônima”.

Publicado originalmente e clipado à partir de Globo.com | 06/02/2013 | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A

Com eBook exclusivo na Amazon, Paulo Coelho prefere o Nook


O autor de ‘Brida’ utiliza o aparelho da Barnes & Noble para suas leituras digitais

Fotógrafo: Marcos Borges

Fotógrafo: Marcos Borges

A recém-inaugurada loja brasileira da Amazon possui livros em caráter de exclusividade digital de quatro autores: Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Jeff Kinney e Paulo Coelho. Entre estes, apenas o autor de O Alquimista poderia ler seu próprio livro exclusivo em edição digital, uma vez que os dois primeiros já não estão entre nós – e a Amazon ainda não revelou planos de abrir uma loja para clientes post mortem, mas como eles nunca falam de planos futuros, vai saber… – e o terceiro autor, americano, não lê em português. Ainda assim, é provável que, enquanto O Livro dos Manuais permanecer exclusivo da Amazon, Paulo Coelho não vá lê-lo por uma simples razão: o escritor de maior sucesso comercial utiliza um leitor Nook, da Barnes & Noble, para suas leituras digitais.

Sobre a chegada das ebookstores estrangeiras ao Brasil e o crescimento local do mercado digital, Paulo Coelho mantém uma opinião bastante otimista. “É algo não só positivo, mas inevitável. O Brasil resistiu enquanto podia, já que os editores viam o livro digital como uma ameaça. Mas trata-se de algo que ajuda escritores e autores”, declarou Paulo Coelho em entrevista exclusiva ao PublishNews. “Vou dar um exemplo: imagine que uma pessoa no Gabão queira ler meu livro em português. Graças a plataformas digitais como a do Kindle, da iBookstore e de outros, ela terá acesso à minha obra.

Paulo Coelho dedicou-se ao longo dos últimos anos a comprar os direitos digitais de suas traduções em espanhol, francês e alemão. Além disso, ele tem mantido os direitos digitais de suas obras na língua pátria, e comercializa todos estes livros em acordos diretos com as grandes lojas e distribuidoras de livros digitais no mundo. “Não foi apenas uma experiência. Eu acreditava muito que os leitores em português fora do Brasil ou de outras línguas fora dos principais países que as falam devessem ter acesso aos livros”, disse Coelho para explicar a razão que o levou a distribuir ele mesmo seus livros digitais. Em um primeiro momento, poderia parecer que o escritor radicado na Suíça já não acredita no papel do editor nesta nova era do acesso digital, mas nada poderia estar mais longe da verdade. “Acredito no negócio e no sistema do livro. Os autores não têm condições de fazer tudo e vão deixar de ser escritores se abrirem mão do editor. Vão perder um tempo imenso para ganhar migalhas”, declarou. “Teoricamente, eu até poderia prescindir de uma editora no Brasil, mas isto seria uma besteira sem tamanho, que não levaria a lugar nenhum. O editor é fundamental”, continuou.

Paulo Coelho também lembrou a importância das livrarias. “[As lojas nos] tablets não são como livrarias físicas porque não se vê os livros, você não tem a sensação da visão”, explicou, lembrando o papel da descoberta das livrarias. “O tablet nunca substituirá a livraria física”, profetizou.

A exclusividade do Livro dos Manuais na Amazon foi negociada pelos agentes do autor, e o livro está sendo vendido com grande desconto por apenas R$ 2,99. Paulo Coelho lembra, no entanto, que apesar de controlar a publicação digital de várias de suas obras, ele mantém uma boa relação com seus editores e faz acordos de cavalheiro com eles. “A edição digital de Manuscrito Encontrado em Accra só foi lançada no Brasil em dezembro, bem depois dos outros países, pois eu tinha um acordo com a editora”, comentou – neste caso, a editora é a Sextante.

Sobre os aparelhos de leitura, Coelho só tem elogios ao Nook, da Barnes & Noble. “O Nook é mais eficiente, gosto demais, é leve, gostoso”, explicou. Recentemente, um iPad Mini também chegou às mãos do escritor. “Este novo iPad vai ser um e-reader. Agora é leve”, previu Coelho. Mas quando perguntado sobre seu leitor eletrônico preferido, Paulo Coelho não titubeou. “Quando viajo, gosto de ler no Nook, mas por uma razão bastante prática”, respondeu, deixando um suspense no ar. “Como moro na Europa e o catálogo do Nook não está disponível para compras por aqui, me deram um crédito de 600 dólares que ainda não terminei de gastar”, explicou, desfazendo o mistério. E talvez esta seja mais uma prova que o preço do leitor, que a Kobo já vende a R$ 399 e a Amazon venderá a R$ 299, seja de fato fundamental na disputa do mercado digital brasileiro.

Carlo Carrenho | PublishNews | 07/12/2012

Paulo Coelho pede mais flexibilidade para conteúdos grátis na internet


Paulo Coelho em palestra na Campus Party Berlim

Paulo Coelho em palestra na Campus Party Berlim

O escritor Paulo Coelho pediu nesta quarta-feira [22] ao mundo editorial maior flexibilidade em relação ao conteúdo grátis na internet e que abandone uma concepção rígida dos direitos autorais de propriedade intelectual.

Estão tentando deter algo que não se pode interromper“, disse Coelho durante a Campus Party, feira de tecnologia que está sendo realizado em Berlim.

Não devemos controlar conteúdos, mas compartilhá-los. Com mais conteúdos compartilhados, mas conteúdo será recebido“, disse o escritor.

Desde 2005, Coelho oferece parte de sua obra de graça na internet, e segundo ele a iniciativa melhorou as vendas de seus livros.

O escritor considerou que atualmente, da mesma forma que ocorreu nos tempos da invenção da imprensa, existe medo pela perda do controle do conhecimento.

DA EFE | Publicado por Folha de S.Paulo | TEC | 22/08/2012 – 15h35

eBooks de Paulo Coelho por US$ 0,99


Escritor best-seller, defensor do conteúdo grátis e da pirataria, faz acordo com editora para vender livros “pelo preço de uma música” ou por “menos do que uma xícara de café”

Paulo Coelho | Fotógrafo Paul Macleod

Paulo Coelho | Fotógrafo Paul Macleod

Paulo Coelho falou: o preço de todos os seus 11 e-books publicados pela Harper Collins nos Estados Unidos e Canadá, com exceção do best-seller O alquimista, foi reduzido para US$ 0,99, por um período de tempo indeterminado. E avisou: está conversando com as editoras dos seus livros em espanhol e português para que elas façam o mesmo. O autor, que diversas vezes defendeu publicamente a pirataria, escreveu sobre a redução dos preços em seu blog, e comemorou. “Essa é uma decisão crucial para mim […]. Por anos, venho defendendo que conteúdo grátis não é uma ameaça ao negócio do livro. Ao baixar o preço de um livro e equipará-lo ao preço de uma música no iTunes, o leitor vai ser encorajado a pagar por ele, ao invés de fazer o download de graça.” Coelho deu o cálculo pronto: levando os 11 e-books por “menos do que uma xícara de café”, os leitores gastam US$ 10,89, muito menos que o preço normal de US$ 74,19.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 03/05/2012

Amazon busca autores nacionais


Sem rodeios | Cury abordagem direta da Amazon

A Amazon pôs em prática um plano B para finalmente desembarcar no Brasil. Sem sucesso nas negociações com as editoras, tenta agora seduzir os escritores nacionais, sem intermediação — estratégia, aliás, já adotada pela empresa nos EUA.

Augusto Cury, que vendeu mais de 15 milhões de exemplares com seus livros de autoajuda, foi procurado pela Amazon sem passar pela Planeta, sua editora. As conversas, no entanto, não avançaram.

A propósito, a Amazon já tem os direitos de outro autor best-seller brasileiro, Paulo Coelho. Com exceção de O Aleph, seu último livro, a versão digital de toda a sua obra — já lançada no site em português, espanhol, francês e alemão — será vendida no Brasil pela Amazon sem interferência das editoras que o publicam por aqui.

Por Lauro Jardim | Veja On Line | 28/01/2012

É muito chato ler na tela, diz Paulo Coelho sobre livro eletrônico


Paulo Coelho

Era uma vez um mago que vendia milhões de livros pelo mundo. Uma editora do seu país pensou que, a partir de histórias já existentes, ele poderia atingir mais uns milhares de leitores, especialmente estudantes, e criou um projeto com esse fim.

Ainda é cedo para saber a moral da história, mas, pelo roteiro, essa não seria má: “Se bem reciclado, o sucesso é fonte que nunca seca”.

Senão vejamos. O mago é o escritor Paulo Coelho, 64. A editora é a Saraiva [possui rede de livrarias e atua no setor de didáticos], que, por meio do selo Benvirá, acaba de lançar na Bienal do Rio “Fábulas”, com histórias de Esopo e La Fontaine adaptadas pelo autor de “Diário de um Mago”.

Além disso, o projeto de levar Coelho a crianças e jovens inclui a edição revisada de três títulos do autor [“O Alquimista”, “Veronika Decide Morrer” e “O Demônio e a Srta. Prym”] com “guias didáticos de leitura”, para serem usados em salas de aula.

O diretor editorial da Benvirá, Thales Guaracy, diz que as “Fábulas” são a primeira obra que Coelho faz por encomenda, a partir de uma sugestão da editora.

O escritor relativiza. “Não existe isso, ninguém me encomenda nada. Se eu quisesse, teria parado de trabalhar há dez anos. Faço isso porque eu adoro, não posso viver sem esse tipo de trabalho”, afirma, em entrevista à Folha, por telefone, de sua casa no interior da França.

Coelho conta ter se entusiasmado com o projeto. “Antigamente eu escutava no rádio a famosa frase ‘No tempo em que os animais falavam’. Ao reler tudo aquilo, estou aprendendo e revendo toda a minha infância, estou tentando falar para a criança que eu fui e continuo sendo.”

Ele admite que as alterações em relação às fábulas consagradas são “bem sutis” –o que indica quanto o peso da grife conta nessa jogada.

“No fundo, quanto mais próximo ficasse da ideia original, melhor. E foi o que eu fiz. É uma adaptação na qual procuro guardar o máximo de fidelidade ao original.”

Livro eletrônico e livrarias

É muito chato ler na tela. O que é que acontece: o cara baixa o meu livro –tenho todos os meus livros em todas as línguas [disponíveis para download]–, e diz: que bobagem, tô economizando nada, quando posso comprar um livro, carregar esse livro, curtir esse livro, viajar com ele, não cansar minha vista com esse livro. Aí o cara vai comprar o livro. Ele já teve uma amostra, é um trailer de um filme. Essa é a primeira coisa que as pessoas ainda não entenderam. É enxugar gelo, é irreversível.

A segunda coisa irreversível é o livro eletrônico. A França, o Brasil, a Espanha, os editores se reuniram e criaram umas corporações, “aqui não entra o livro eletrônico”. Entrou.

Mas tampouco é uma ameaça à livraria, que é um mundo mágico. Eu, por exemplo, leio muito em Kindle. Eu entro numa livraria, eu olho e posso escolher. Sempre compro mais livro do que leio. Mas vou ali, folheio, olho. Se eu quero ir no Kindle, sem conhecer o que eu quero, eu não vou achar.

Eu te dou dados concretos de amigos meus bem posicionado nessas plataformas eletrônicas: o livro eletrônico vai chegar a 25% do mercado, não vai passar disso, justamente por causa dessa ausência de [ferramentas de] procura. Quando meu Kindle fica vazio, fico desesperado, começo a procurar, procurar. Já baixei muita droga, já baixei livros que eu não imaginava que fossem bons. Você vai numa livraria, tem outras opções.

Então o que você está vendo agora é a volta das livrarias independentes. Sabe essas coisas que você não imagina, [todos pensavam que] acabou a livraria independente. As cadeias estão indo à falência, a Borders nos EUA, a Waterstones foi vendida na Inglaterra, você entra numa Fnac e vê tudo menos livro. Mas as livrarias independentes começaram a voltar, coisa que, há cinco anos, se você me perguntasse, eu diria que seria irreversível.

Leia a reportagem completa aqui.

Por Fabio Victor | Folha de S.Paulo | 10/09/2011

Como aprendi a amar a pirataria


Por Cecilia Talan | Publicado em português por PublishNews | 27/05/2011 | Este artigo foi publicado originalmente no Ciclet.com e depois no site do Digital Book World. Foi traduzido e reproduzido pelo PublishNews com a permissão de Cecilia Tan, autora, editora e Publisher/fundadora da Circlet Press.

Editora mostra como a pirataria pode ajudar a vender mais livros, sejam eles impressos ou digitais

A pirataria de e-book é boa ou ruim para os escritores? Me perguntam isso o tempo todo, o que me faz lembrar do que eu costumava perguntar [sem parar]: “Ai meu Deus!, o que você vai fazer com a pirataria?!?!?!?!”. Hoje em dia essa conversa é um pouco menos carregada de histeria. E isso é bom, por várias razões. Uma é que a histeria raramente resolve os problemas. A outra é que talvez as pessoas estejam abordando de maneira mais racional as realidades do mundo digital que incluem:

1. É fácil compartilhar arquivos
2. É fácil encontrar pessoas que pensam igual à gente por lá, se juntando em comunidades
3. É mais fácil do que nunca para as pessoas espalharem o “boca-a-boca”

Essa três coisas tornam a vida da pirataria e do compartilhamento ilegal de arquivos mais fácil. Mas as três também tornam a vida de autores e criadores mais fácil. Escrevi num artigo anterior sobre como a possibilidade de ser encontrado, ou a falta dela, é o maior problema que a maioria dos escritores encontra [sites piratas são paraísos para viciados em livros e, portanto, que melhor lugar para colocar o seu nome ou o seu livro diante de uma audiência fanática?].

Depois do meu último artigo sobre esse assunto, tenho colecionado links e histórias tentando construir uma imagem melhor sobre como simplesmente o compartilhamento livre, direcionado pelo boca-a-boca, ajuda a vender livros. Essa é a definição que algumas pessoas dão para a pirataria, mas eu também incluo aí a distribuição gratuita de livros bem como a “liberação no mundo selvagem” de maneira despreocupada.

O último grande boom de que se fala é um dessas liberações despreocupadas de conteúdo, que foi a disseminação viral do PDF de prova do livro de Adam Mansbach Go the F**k to sleep, uma paródia adulta para o livro infantil. O artigo “How the Success of ‘Go the F— to Sleep’ Discredits Copy Protection” [Como o sucesso de Go the F**k to sleep desacredita a proteção contra cópias], da PC Magazine, conta a história. Pra resumir, a cópia PDF para revisão correu a internet [totalmente ilegal] porque as pessoas ficaram tão curiosas pelo livro que não puderam esperar pelo lançamento do livro “de verdade” para contar aos seus amigos. O que aconteceu? O livro é o número um na lista da Amazon e tem mais de 100 mil cópias vendidas na pré-venda. Como diz o artigo, “concluir que a pirataria é uma coisa boa baseado apenas nessa história seria simplificar perigosamente demais as coisas. Mas se o editor tivesse trancado as cópias digitais do livro com o cadeado do DRM, ele nunca teria tido a chance de se tornar viral.” Para saber mais sobre Go the F**k to Sleep, confira esses links no Digital Book World. Espera-se que uma cópia para revisão gere mesmo um barulho. E foi exatamente o que aconteceu. É verdade, você já leu todo o livro, mas isso simplesmente aumentou a vontade de ter o livro físico.

Os autores best-selleres Cory Doctorow e Neil Gaiman têm falado com frequência sobre o valor de distribuir o seu trabalho gratuitamente pela internet para estimular as vendas dos livros impressos. Basta fazer uma busca no Google pelos nomes desses escritores e você vai encontrar muitos resultados. Aqui está um vídeo de Neil Gaiman, que está em um artigo da Fast Company: “… depois de observar que os países com a maior concentração de pirataria, como a Rússia, realmente tinham as melhores vendas, [Gaiman] decidiu experimentar colocar o seu livro de graça na internet. ‘As vendas do meu livro, nas livrarias independentes – que era onde estávamos fazendo as medições – aumentaram 300% logo no mês seguinte’.

E o que dizer do escritor Paulo Coelho, cujo livro O Alquimista vendia meras mil cópias por ano na Rússia mas que em 2001, vendeu 10 mil? Por quê? E as vendas continuaram a aumentar até 100 mil. E agora, chegaram a mais de 1 milhão. Como? As pessoas estavam pirateando o livro e isso estimulou as vendas exponencialmente. Isso motivou Paulo Coelho a começar o seu próprio site de download grátis, o Pirate Coelho [hoje hospedado no blog do autor. Aqui está um outro artigo sobre isso. Ele convenceu a HarperCollins a lançar versões promocionais gratuitas dos seus livros, como ele conta nesta entrevista [em inglês].

A maneira mais extrema de lucrar com a pirataria é a venda por parte da O’Reilly, por US$ 99,99, do relatório dos resultados do estudo que fizeram sobre o impacto da pirataria nas vendas [The Impact of P2P and Free Distribution on Book Sales]. Não li, é muito longo. Mas a essência dele está nesta entrevista com Brian O’Leary, da O’Reily, na qual ele diz: “Os dados que coletamos a respeito dos livros da O’Reiley que colocamos à venda mostraram um aumento nas vendas finais para os livros que foram pirateados. Então, na verdade, a pirataria estimulou, não prejudicou, as vendas.” Ele também diz: “Sou muito inflexível sobre o DRM: ele não tem impacto nenhum na pirataria. Qualquer bom pirata consegue arrancar o DRM em questão de segundos – ou minutos. Um pirata também pode escanear um livro impresso. DRM realmente só é útil para impedir que pessoas compartilhem um arquivo que adquiriram legalmente.

O’Leary afirma que o que mais leva à pirataria é o desejo das pessoas de ler um material no formato que elas querem e a dificuldade para conseguir o que querem. Se a indústria do livro satisfizer esse desejo, então poderemos construir um comércio forte, em vez de sermos pegos de calças curtas, como aconteceu com a indústria da música, que desperdiçou bilhões de dólares tentando “combater” a pirataria, simplesmente para descobrir que a única maneira eficiente de reduzir a pirataria era dando às pessoas o que elas queriam: música fácil e barata [DRM-free]. Agora que as lojas de download de MP3 estão bem estabelecidas [até o Wal-Mart tem uma!], o dinheiro está entrando e a pirataria está diminuindo. Neste artigo da revista Wired o editor comenta que o auge da pirataria de música chegou ao fim [eu gostaria de ver mais números atualizados, mas as gravadoras realmente não querem que nós, ou os seus artistas, saibamos muito sobre o que eles estão fazendo].

E aqui convido a indústria dos quadrinhos a reagir de maneira similar, legalizando as muitas versões digitais disponíveis [você pode pensar que os quadrinhos isso seria normal visto a enorme popularidade dewebcomics independentes já bem estabelecidos, e tantas Graphic Novels tendo sido escolhidas a partir de listas de webcomics!].

Mas tem outra coisa. Você ainda pode argumentar que todos esses exemplos de autores “pirateando” os próprios livros e isso levando ao aumento das vendas só dizem respeito a livros físicos. Mas e se você for um editor apenas de livros digitais? Eu entendo o medo. O seu produto é 100% digital. Se alguém o piratear, terá o produto completo nas mãos. Que incentivos eles terão para comprar um livro digital de você? Pirataria de arquivos digitais pode ajudar na venda de livros impressos, mas vão prejudicar as vendas dos digitais, certo? CERTO??

Vamos mais devagar. Vamos olhar para a indústria de software para uma possível resposta.

O pessoal do negócio de software tem lutado contra a pirataria há muito mais tempo do que os editores. Olhemos em particular para os games, que são mais parecidos com os livros, no sentido que são uma escolha de entretenimento. Os desenvolvedores de games têm muitas razões para querer que você pague pelo que eles fazem. Desenvolver um novo game de muito sucesso exige alto investimento financeiro em salários, marketing, etc. Muito mais do que um livro.

E mesmo assim parece que os ventos predominantes sopram na direção de se livrarem do DRM e confiar nos jogadores que pagam pelos games. De acordo com o blog “Game Developers Speaking out Against DRM”, alguns jogos como Prince of Persiaagora são vendidos sem nenhum DRM. Sabe-se que um jogo chamado World of Goo é pirateado por 90% dos seus jogadores, mas os desenvolvedores sentem que esses 90% nunca teriam pago pelo jogo mesmo. Colocar um DRM rigoroso apenas teria diminuído ainda mais a porcentagem dos 10% que pagaram!

Aqui está um link para um post no blog do veterano desenvolvedor de games Jeff Vogel. Ele inicia o post dizendo: “Esse artigo é a minha declaração final sobre como os desenvolvedores deveriam lidar com os piratas. Ele inclui histórias bem humoradas de como eu me comportei como um bobo no passado. E, acredite em mim, fui muito bobo.

Durante quinze anos, eles tiveram um sistema complicado de registro em seus jogos, que supostamente deveria reduzir a pirataria, mas tudo o que o sistema fez foi reduzir o número de compradores legítimos. Como ele escreve, “este sistema nos prendeu por 15 anos, seria a mesma coisa se tivesse ateado fogo em uma pilha de dinheiro.” Não crie obstáculos para as pessoas curtirem o seu produto e se tornarem usuários legítimos. A vida não deveria ser mais fácil para os piratas do que para os compradores. Se você dificultar a vida para os compradores mais do que para os piratas, ganhará menos dinheiro. Simples assim.

Procurando agora no Google encontrei muitos outros artigos sobre games que estão tirando o DRM, incluindo o mundialmente popular Dragon Age.

Então, se os editores de games estão tirando o DRM para diminuir o incentivo à pirataria e aumentar a compra fácil, e o resultado é o crescimento da popularidade dos games porque as pessoas conseguem experimentá-los primeiro… isso me parece uma dica bem clara de que os editores de livros digitais devem fazer o mesmo. Os e-books do Kindle agora estão vendendo mais do que os livros impressos na Amazon. As pessoas querem livros digitais. Dê às pessoas o que elas querem e facilite para que tenham essas coisas em suas mãos.

Enquanto tenho a sua atenção, eu deveria apontar para o fato de que os autores que veem 100 mil downloads dos seus livros como o equivalente a 100 mil vendas perdidas estão enganados. Por favor, acredite em mim quando digo que 100 mil downloads não equivalem a 100 mil cópias roubadas das lojas. Na verdade é o equivalente a 100 mil pessoas olhando o livro enquanto estão em uma livraria ou biblioteca, decidindo se vão investir tempo na leitura.

Recentemente uma autora [Anne B. Ragde] falou contra a pirataria dessa maneira, entretanto, calculando o valor da sua “perda de vendas”. Durante a entrevista, o seu filho deixou escapar para o repórter que a sua mãe, apesar da postura antipirataria, tinha quase duas mil músicas baixadas ilegalmente no seu MP3 player. A sua defesa foi que ela não ouvia na verdade essas músicas [o tal player estava em uma casa de verão em algum lugar]; ela pagava pela música que realmente ouvia. Muito bem, adivinhe só: daqueles 100 mil que baixaram o seu livro, a maioria deles nem está lendo. 90 mil provavelmente nunca nem abriram o arquivo. Os 10 mil que abriram equivalem ao número de pessoas olhando o livro em uma livraria para ver se gostam. Os escritores mais tradicionais fariam qualquer coisa para ter um lugar de exposição como esse em livrarias que atraem 10 mil compradores para dar uma olhada no seu livro. Desses 10 mil, digamos que três entre quatro decidem que o livro não é do seu gosto. Então, agora, diminuímos para 2.500 pessoas que estão genuinamente interessadas. No mundo das lojas físicas, a regra de venda do varejo diz que 500 delas teriam uma boa chance de compra. Outras 500 provavelmente iriam procurar o livro numa biblioteca. O restante nunca chegaria a comprar, colocariam o livro de volta na prateleira e se esqueceria dele.

Então o seu livro precisa ser baixado 100 mil vezes antes que você ganhe míseros 500 compradores. As porcentagens aumentam muito quando os downloads são legais, cópias gratuitas direcionadas para o seu público-alvo como acontece com os livros gratuitos da Tor Books [veja abaixo]. O’Leary na entrevista do link acima também menciona a Bain Books, outra editora de ficção científica, que tem distribuído por aí cópias digitais gratuitas de seus livros há 10 anos [inclusive distribuindo CD-rooms em convenções Sci-fi – eu tenho um de 2002]. Ele comenta que eles têm os mais baixos índices de pirataria no negócio do livro. Isso não é uma coincidência. Bem, você pode não estar convencido, mas eu estou. Distribuir arquivos ajuda. Ter um processo fácil de venda também ajuda. Na verdade, apesar de todo o nosso falatório sobre “novas mídias” na publicidade na era digital, artigos em blogs, discussões no Twitter e páginas no Facebook, essas duas coisas parecem ser as duas únicas que realmente causam um impacto mensurável nas vendas. Distribuição gratuita aumenta a base de consumidores. Depois disso, tenha um processo de venda fácil para conseguir dinheiro daqueles que estão dispostos a pagar. É isso!

Por Cecilia Talan | Publicado em português por PublishNews | 27/05/2011 | Este artigo foi publicado originalmente no Ciclet.com e depois no site do Digital Book World. Foi traduzido e reproduzido pelo PublishNews com a permissão de Cecilia Tan, autora, editora e Publisher/fundadora da Circlet Press.

Paulo Coelho volta a defender pirataria


O escritor Paulo Coelho voltou a defender a pirataria, desta vez em um texto publicado em seu blog.

Paulo Coelho defende autopirataria

No artigo, em inglês, ele conta que, quando era membro da rede social MySpace, teve a canção “Fly Me to the Moon” interpretada por Frank Sinatra apagada de seu perfil.

E quem deletou a canção? A resposta é simples: a ganância e a ignorância.

Em seu blog, Paulo Coelho compartilha links para download de seus livros na íntegra

Coelho diz que a ganância “não entende que o mundo mudou”, e a ignorância “pensa que, se a música está disponível gratuitamente, as pessoas não comprarão o CD“.

O ponto é que nós queremos, antes de mais nada, compartilhar algo“, diz o escritor, que ainda critica a indústria -ela estaria “pensando em direção oposta à de nossa realidade hoje“.

Ele lembra que criou a página Pirate Coelho [que inicialmente tinha autoria anônima e hoje é armazenada em seu próprio blog], na qual compartilha cópias integrais de suas obras para download, e faz uma comparação entre arte e laranjas.

Se você compra uma laranja e come-a, tem que comprar outra, e aí faz sentido que laranjas não possam ser distribuídas de graça, porque o consumidor consome o produto.” A arte, porém, “não é uma laranja”, diz Coelho. O importante é a beleza.

texto termina com uma historieta: “Uma mulher foi ao mercado e viu dois potes. Ela perguntou o preço ao vendedor. ‘Dez moedas’, ele respondeu. A mulher ficou surpresa: ‘Mas um destes potes foi pintado por um artista!’. O vendedor respondeu: ‘Estou vendendo potes. Beleza não tem preço’.

Coelho revelou publicamente seu apoio à pirataria em 2008, no evento Digital Life Design Conference, em Munique, na Alemanha, e, desde então, dá declarações de apoio ao compartilhamento de arquivos digitais -que, acredita, ajuda na venda de seus livros.

Folha.com | 02/05/2011 | Atualizado às 19h04

Com vendas pífias, editoras hesitam


É que nem festa de chefe, definiu certa vez um editor ao falar da entrada de sua empresa no mercado digital: você não morre de vontade de ir, mas também não pode faltar. Foi com essa sensação que as editoras nacionais deram, em 2009, os primeiros passos rumo ao eletrônico. De repente, todo mundo era novato. Ninguém sabia formatar um e-book, então os arquivos tinham de ser enviados para reformatação na Ásia, de onde voltavam sem acentos e sem pedaços do texto. Direitos autorais eram outros 500. Lançar velhas obras no novo formato? Só refazendo todos os contratos com os autores.

De lá para cá, parte razoável das editoras ganhou know-how, mas a comercialização de e-books segue pífia. Até o mês passado, por exemplo, a Sextante tinha vendido 100 mil cópias impressas de O Aleph, de Paulo Coelho, ante cerca de 100 digitais. Sem retorno, as casas hesitam em investir. Para se ter noção, na Livraria Saraiva estão à venda 2.500 e-books nacionais, ante 204 mil importados. A Companhia das Letras, que tem 20 títulos eletrônicos [de um catálogo de 5 mil obras], só apostou na área ao fechar acordo com a Penguin americana, pelo qual livros em parceria teriam de sair nos dois formatos. Um dos resultados dessa parceria, O Amante de Lady Chatterley, é o 10º e-book mais comprado na Cultura – que, como a Saraiva, não dá números dessas vendas [o motivo você pode imaginar]. Quase todo o resto da lista é de desanimar o leitor mais voraz: Como Lidar com Pessoas Difíceis, O Monge e o Executivo e por aí vai. Como acontece com os livros em papel, autoajuda e acadêmicos estão entre os mais procurados no País. E empresários, afinal, investem mesmo é no que vende.

Por Raquel Cozer | Redação Link | 27 de março de 2011 | Raquel é repórter e colunista do Sabático e assina o blog A biblioteca de Raquel no Estadão.com

Paulo Coelho está entre os famosos mais influentes do Twitter


Em segundo lugar, vem o escritor brasileiro Paulo Coelho, que escreve sobre livros e filmes no seu perfil no Twitte.

O jovem cantor Justin Bieber, 16, é o famoso mais influente da rede social Twitter, segundo uma lista publicada na quarta-feira [15] pela revista “Forbes” e na qual é seguido, entre outros, pelo escritor Paulo Coelho, um dos irmãos Jonas, o rapper Kanye West e Dalai Lama.

Bieber alcançou a melhor qualificação do ranking, que mede de zero a cem o impacto das opiniões e recomendações que o famoso expressa por meio da rede social.

Seguindo o artista Bieber está o escritor Paulo Coelho, que tem mais de um milhão de seguidores em sua página do Twitter, na qual recomenda e critica filmes, livros e outras obras.

Folha.com | DA EFE, EM NOVA YORK | 16/12/2010 | 12h48

“O caminho digital é sem volta”


O escritor Paulo Coelho liberou todos os seus livros publicados para download. Agora oferece os inéditos em formato eletrônico

O escritor carioca Paulo Coelho, de 62 anos, se diz um entusiasta de novas tecnologias. Quando surgiu o computador doméstico, no início dos anos 80, descartou a máquina de escrever. Na década de 90, adotou o laptop. Agora, está encantado com um livro eletrônico da Sony que comprou em Paris. “Adoro ler neste aparelho”, diz. “Ele resolve um problema em minha vida: meu fascínio por livros e a vontade de levá-los para todo canto.” Coelho afirma que tem comprado muitos livros por download pela internet. Em seu Sony diz ter 140 títulos novos, que planeja ler. Isso sem contar as enciclopédias, os dicionários e outras obras de referência. “Realizei o sonho de carregar a biblioteca em minhas viagens e já não sinto o peso dos volumes.” Para isso, nem precisa recorrer à levitação.

Ele viaja por toda parte. É o escritor brasileiro que mais vende livros no mundo. Seus 20 volumes, publicados desde 1987, já atingiram a vendagem de 100 milhões de exemplares – e estão chegando ao formato digital pago, em sites como a Amazon. Em 2008, entrou para o livro Guinness de recordes como autor do livro mais traduzido de todos os tempos: O alquimista, para 67 idiomas. Virou celebridade internacional e hoje divide o tempo entre seu apartamento em Paris, sua casa em Tarbes, no sul da França, e o apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro. Ali, trabalha em sua fundação ou toma chá na Academia Brasileira de Letras – onde ocupa desde 2002 a cadeira de número 23, que pertenceu a Jorge Amado [outro raro autor de best-sellers nacional]. O marco inicial foi O diário de um mago, de 1987. Nele, contava sua primeira peregrinação a Santiago de Compostela – que repetiu 20 anos depois para comemorar a ocasião em que prometeu cumprir sua “lenda pessoal”: virar escritor e ser lido, a qualquer custo, inclusive o de sua reputação.

Quem não adotar a nova tecnologia vai ficar
tão antigo quanto os monges medievais
PAULO COELHO, no sofá de sua casa em Paris

O que seria se pudesse peregrinar pela terceira vez, agora com um e-reader na mochila? “Seria maravilhoso. O livro eletrônico tem magia. Ele revela uma verdade simples: o que importa não é a beleza ou a materialidade de um volume, mas o conteúdo. Os copistas dos mosteiros não gostaram quando Gutenberg veio com a imprensa. Acharam que os livros impressos não poderiam reproduzir a beleza das iluminuras feitas à mão. Depois todo mundo se acostumou. É o que acontece hoje com o livro impresso. Os puristas reclamam que os livros digitais não têm a aura da página. O caminho digital é sem volta. A mudança já aconteceu. Quem não adotar a nova tecnologia vai ficar tão antigo quanto os monges medievais. Não vai nem notar que é possível ler uma iluminura baixando o códice pela internet e lendo em um Kindle.

Há dez anos, ele descobriu que existia pirataria eletrônica de livros. Uma edição ilegal de seu romance O alquimista circulava na internet para download. “Foi então que senti o primeiro impacto do livro digital”, diz. “Percebi que o futuro seria o livro digital com conteúdo livre.” Passou a oferecer todas as traduções piratas de suas obras no site Pirate Coelho. O resultado, segundo ele, foi o aumento exponencial das vendas de seus títulos em papel. “Ofereço meus livros para as pessoas baixarem”, diz. “Peço que, se gostarem, comprem a versão em papel. E quem não pode comprar que passe adiante, como um trabalho social. É dando que se recebe. A lógica da indústria tradicional é a da avareza. Um novo modelo de negócios tem de ser pensado.” Há poucos meses, ele começou a oferecer em seu blog obras inéditas, como O caminho do arco, nos principais idiomas e em cinco formatos digitais: ePub, PDF, iLiad, Kindle e Sony Reader. “A avareza não leva a nada”, diz. “Estamos vivendo uma ruptura geral. Vender livro já não é sinônimo de ser lido. E, se quiser ser lido, terá de adotar o livro digital.

POR LUÍS ANTÔNIO GIRON | ÉPOCA | 09/10/2009 – 22:43