Caro Jeff Bezos,


POR EDNEI PROCÓPIO | Publicado originalmente na Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Meu nome é Ednei Procópio, sou editor especialista em livros digitais. Não é de hoje que tento acompanhar os passos da Amazon. Tanto nos países onde ela atua quanto no Brasil. Digo tento porque venho apenas observando e evitando ao máximo expressar em público minha opinião pessoal a respeito do tema Amazon. Até mesmo em meu último livro, me esforcei para manter certa imparcialidade com relação ao assunto. Embora confesse ser difícil escrever qualquer coisa sobre eBooks sem citá-la em exemplos.

É que em meu país, mesmo após um hiato de tempo desde uma Ditadura Militar, e uma consequente cultura da censura de ideias, ainda hoje enfrentamos resistências quando exercitamos nossa liberdade de expressão. Muitos canais de comunicação simplesmente fingem ser um espaço democrático de discussão para a aproximação de ideias sobre o mercado editorial. De fato, alguns atuam como formadores de “achismos”, algo como “deformadores de opinião”. Uma verdadeira “panelinha” de manipuladores.

Mas estas não são as únicas razões que me levaram a escrever diretamente ao senhor sem correr o risco de ser mal interpretado pelos párias. Outra razão que exponho para reforçar alguns argumentos meus é que do mesmo modo que o mercado editorial a meu ver erra em inúmeras interpretações, elucubrações e até especulações a respeito de sua companhia, a Amazon também erra feio no modo como conduz suas negociações com este mercado, digamos, desesperado.

“Desespero” seria o adjetivo mais assertivo para este mercado?

É claro que não se aprende apenas observando os erros dos outros. Aprende-se mais, na verdade, com os nossos próprios erros. Mas os desesperados vivem falando em nome da Amazon e temos de admitir que o mercado editorial está agora nas mãos daqueles chamados “novos players”. Embora suspeite que a Amazon não se encaixe nesta categoria, já que ela já não é tão nova assim.

A Amazon é do tempo em que nenhum pseudo-especialista da cadeia produtiva do livro acreditava que um dia a Internet poderia vender mais livros impressos que as livrarias físicas. A Amazon é do tempo em que os barões da mídia zombavam, quando aqui mesmo no Brasil, eu afirmava que o mercado estava correndo um sério risco de um dia atrair mais interesse, audiência, acesso e consumo dos livros digitais em comparação às edições impressas. Pois é, alguém visualizou esta [im]possibilidade. E aqui estamos nós.

Agora, todos têm algo a dizer a respeito do que há poucos anos eram claramente contra.

Segundo a pesquisa anual “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo [FIPE/USP], sob encomenda da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e do Sindicato dos Editores de Livros [SNEL], as livrarias físicas ainda lideram os canais de vendas do mercado. Ou seja, permanecem como o principal canal de comercialização do setor editorial no Brasil. Mas poderíamos especular: até quando? Se a própria Amazon em breve pretende entregar os exemplares impressos com muito mais profissionalismo que muito lojista online local, que não tem lojas físicas?

Hoje, muitos editores reclamam porque só recebem da Amazon a ninharia de uns U$300 mensais da pela venda de seus eBooks. Mais uma vez, testemunho mercadores reclamando e desacreditando os eBooks, usando qualquer desculpa, desta vez a “mixaria” que recebem. E, observe que nem mesmo eles são capazes de investir em algo melhor que a própria Amazon já que comparam U$300 mensais à esmola, o que aqui chamamos de “dinheiro de pinga”.

Não são capazes de perceber ou não querem distinguir que a soma dos valores miseráveis que eles todos juntos julgam receber da sua pontocom, é na verdade, apenas a ponta de um iceberg que, no futuro, se uma negociação entre as partes não for realmente melhor conduzida, vai ser responsável por naufragar toda e qualquer possibilidade de ganho, até mesmo com os livros impressos.

Porque o que falta é o entendimento das partes.

Um indício desse cenário futuro é que, embora a venda de exemplares aqui no Brasil tenha crescido, segundo a pesquisa anual “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, de 2013 para cá, caiu o preço médio constante do livro. Tanto quanto o eBook, as vendas online de exemplares impressos, podem ser, indiretamente, um dos prováveis responsáveis pela queda do preço médio do livro país.

Onde os senhores pensam que isso vai dar?

Caro Jeff, aquele velho legado de editores convictos já se foi. Morreu. Ou melhor, muitos ainda estão por aqui, tentando sobreviver, porém, a maioria morreu. Não no sentido espiritual, mas no sentido social e cultural mesmo. Existem ainda os que vivem da “grana”, usando um termo bem popular, de uma renda, para não usar o termo economia, gerada na maioria das vezes pelos cofres públicos. Poucos são os grandes conglomerados editoriais liderados por homens que conseguiram passar pela revolução digital, focando no mercado varejista, lograram transferir sua história e legado aos profissionais mais jovens, afinal não largam o osso, e mantiveram-se vivos frente a esse admirável mundo novo. De meu país, não posso lhe dar nenhum exemplo sem ser chamado à atenção de algum modo pelos censores de plantão — que distorcem tudo o que a gente diz.

Na última oportunidade que fiz menção a um determinado conglomerado editorial em meu blog, dizendo para tomarem cuidado com a Amazon, recebi uma ligação telefônica me censurando. Eles fingem compartilhar ideias, e convites sociais, mas na verdade são censores da pior espécie

Mas o senhor é um homem dos novos tempos, não vai me censurar por ser direto, não é? Mesmo porque o meu objetivo não é ser agressivo, e com humildade peço desculpas se assim for interpretado. O que eu realmente quero lhe dizer é que ainda há tempo do senhor voltar às origens transformando a Amazon em um fenômeno que pode fortalecer o nosso mercado e não acabar de vez com ele. O que penso realmente da Amazon é que ela, como instituição de visão, não deve deixar pairar este sentimento de que algo sem ética está sendo feito.

Parece-me que hoje, e me corrija, por gentileza, se eu estiver equivocado, players bilionários como a gigante pontocom que o senhor fundou, sempre encarou o mercado editorial como um território a ser colonizado, para ser economicamente explorado e depois descartado após o avanço de um novo estágio em seu real objetivo com novos territórios. Então eu pergunto: por qual preço a Amazon quer se tornar um gigante mundial das mídias?

Ao custo do sucateamento de uma indústria inteira?

Às vezes, players como a Amazon pareceram estar mais interessadas no tipo de consumidor que os eBooks poderiam atrair do que na exploração dos livros propriamente dito. É como se os eBooks fossem para elas uma espécie de isca para os consumidores modernos. Algo como “vamos dar a eles os eBooks de graça e vender a eles geladeiras ou televisores”.

Deste jeito, os senhores se assemelham aos espanhóis na época da busca pelo eldorado. Cuidado para não dar um tiro no próprio pé, Jeff. Imagine se a Amazon não estivesse envolvida com toda essa revolução digital, mas estivéssemos em outras épocas e ela eventualmente envolvida, por exemplo, com a revolução tipográfica ocorrida depois do aprimoramento da prensa de tipo móveis, liderada, o senhor sabe por quem. Se estivéssemos nos referindo a passagem dos livros manuscritos para a manufatura dos livros graficamente impressos, para nos servir de exemplo, e se uma Amazon da vida fosse a detentora da patente da máquina de tipos móveis, é provável que até a imprensa que tanto contribui para a distorção desta realidade não existisse.

A Amazon, se compararmos com uma postura do tipo “vamos dominar o mundo, afinal dinheiro nós temos”, iria querer ser o próprio escriba, seu próprio gráfico, seu próprio livreiro e quem sabe até seu próprio leitor. É como se a sua empresa, caro Jeff, se bastasse para manter toda uma cadeia em torno de si mesma, em seu próprio círculo de existência, sem a presença de mais nenhum outro personagem no contexto.

O mercado editorial espera mais da Amazon. Espera que a Amazon o surpreenda. Mas talvez a Amazon não possa dar ao mercado aquilo que ele gostaria, nem da forma como espera. Sem dúvida algumas iniciativas da Amazon para o mundo dos livros são louváveis: CreateSpace, The Audiobook Creation Exchange, Amazon Author Central, Kindle Unlimited, KDP Select, etc., etc. etc. Mas como é que o senhor deseja, por exemplo, que as editoras regionais sejam parceiras da Amazon, se seu conglomerado também mantém uma editora — que, em última análise, os mercadores aqui de meu país consideram um concorrente direto?

Eles não estão de todo errados. Vou tentar traduzir o que alguns deles pensam. Se a sua companhia mantém uma gráfica de Impressão Sob Demanda, o que faremos com as gráficas digitais que prestam serviços para as editoras e escritores de meu país? Se a sua companhia mantém uma livraria online, como os livreiros de nosso país sobreviverão? Se a sua companhia mantém uma rede social voltada aos livros, o que faremos com os projetos similares disponíveis em nossa rede local? Se a sua companhia mantém o serviço de uma biblioteca digital no modelo de empréstimos, o que faremos com as nossas iniciativas locais?

Enfim, a Amazon, com tantos tentáculos, quer ser a sua própria cadeia produtiva do livro? Resultando que a antiga cadeia, que também deveria ter sido compartilhada há tempo, não está gostando nada disso.

A Amazon não está se equivocando ao enveredar nesse caminho, Jeff?

Porque o final de todo Big Bang aguarda um Big Crunch. E eles farão de tudo para que Amazon seja deportada deste país. E não me refiro a questão da tecnologia do livro digital, destaque de sua pontocom que trouxe finalmente os eBooks à ordem do dia; eu me refiro ao modelo de negócios que a sua empresa está impondo para um mundo editorial que ainda está, por sua vez, se ajustando ao modelo de economia compartilhada. Ora local, ora comunitária, na maioria das vezes global.

Deve ser um modo dos americanos de pensar. Eu não sei. Porque, aqui em meu país, nosso governo está buscando alternativas de financiamento em parceria com outros países emergentes, um deles até mais rico que o país do senhor. Isto se chama compartilhar riquezas. Pois vai chegar um dia em que nós por aqui teremos que compartilhar água para o mundo. Barris de água indexarão a economia global. E se gente como o senhor fosse dono de nossas reservas, no futuro as pessoas teriam que baixar um aplicativo para ter acesso à água potável. Ou ainda mais provável, elas seriam obrigadas a comprar um Kindle H2O.

S. Eliot disse que “num país de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo”. Felizmente temos outros players na jogada. E felizmente meu país está aprendendo a duras penas com seus próprios erros. Já adquirimos bastante aprendizado quando subestimamos o potencial da Internet. Não estamos inovando, mas ao menos estamos renovando. Porque jovens empreendedores de meu país têm que todos os dias se esquivarem da doutrina dos velhos senhores feudais do mercado editorial que os atrapalham todo o tempo.

Como exercício de uma realidade paralela, pense nesta tecnologia hoje disponível para os livros como uma única e nova impressora capaz de produzir centenas de milhares de páginas por minuto. Imagine se o gênio Johannes Gutenberg fosse um empreendedor arrogante como muitos em meu país, que se assemelham aos que dirigem a Amazon, não colocasse a tecnologia de tipos móveis a disposição do mundo. A Europa, caro Jeff, não teria lindas oficinas prensando páginas para iluminar até a mente daqueles que um dia fundaram o seu país.

E hoje, ao nascer de uma nova era que influencia todas as empresas, o que os senhores pensam que estão fazendo? Saiba que os velhos senhores feudais daqui não entenderiam, mas o senhor sabe bem que esta minha carta não é uma queixa. O mercado editorial tradicional também errou. Errou de forma lastimável quando subestimou a tecnologia rudimentar que estava sendo desenvolvida pela indústria de tecnologia para os livros digitais.

O senhor se recorda quando a Amazon iniciou as vendas do eBookMan? A Franklin fabricava dicionários eletrônicos, lembra-se? Nossos párias aqui também foram um dia tão arrogantes quanto parece hoje sua organização porque naquela época não estavam nem aí para o eBookMan. Não se importavam nem para o Rocket eBook, para o SoftBook. GlassBook. Microsoft Reader. Palm Reader. Mobipocket. E, nossa, são tantos os projetos que antecederam o conceito de eBook até chegarmos ao Kindle!

Mas a Amazon não, ela estava lá, literalmente vendendo todas estas novidades, enquanto o mercado encarava o livro na era digital com desdém. O mercado editorial errou porque em vez de observar o potencial de ruptura tecnológica, mais de seu conceito, optou por observar apenas a superficialidade das diferenças ignóbeis ente o cheiro do papel e a suposta dificuldade de uso do digital pelos consumidores. Menosprezaram seu potencial e subestimaram a capacidade dos jovens leitores deslizar seus dedos por uma tela touchscreen que mais tarde ultrapassaria o papel em legibilidade, usabilidade e portabilidade.

Tem gente aqui, caro Jeff, que acha que a tecnologia touch foi inventada pela Apple. E que livro em HTML5 não passa de um site. Tem gente aqui pensando que foi a Amazon quem inventou o livro digital. Para algum deles, a Amazon é pioneira em tudo, menos em distorcer os números e a realidade deste mercado. E, por acharem que estavam acima do conhecimento compartilhado de décadas de trabalho nos laboratórios de Palo Alto, agora pagam uma conta cara por terem entregado seu maior capital, o livro, ao que consideram um de seus maiores concorrentes: a Amazon.

Agora eles apontam suas catapultas para a sua companhia

A meu ver é assim que o mercado enxerga a Amazon, caro Jeff: como uma concorrente. Um inimigo que deve ser morto. É claro que eles não admitem, mas torcem contra a Amazon. Querem crer, lá no fundo, que isto não vai dar em nada, lutam contra um inimigo oculto, mas consideram que é a Amazon que deve ser exterminada, banida. A Amazon é a ponta de um iceberg, mas o mercado editorial aponta seus binóculos para os chamados grandes players e não percebem que o futuro está nas mãos de uma massa de consumidores modernos que não só lêem os livros impressos. Que lêem os livros. Impressos, em áudio, interativos, digitais, eletrônicos, elétricos, impressos sob demanda, livro aplicativo, livro brinquedo. Enfim, eles lêem livros. E ainda hoje tem gente aqui perdendo tempo discutindo com o Governo o que é um livro.

Alguém já deve ter lhe informado que eles têm o Governo como seu maior cliente. E lá está também a Amazon se infiltrando, tal qual um agente duplo. Afinal, Jeff, de que lado a Amazon está? Porque, do ponto de vista de um mercado em decadência, a Amazon está apenas de seu próprio lado. Conversando com um amigo do mercado, ele disse que “ainda não sabe quem está do lado de quem, o mercado é uma confusão só”. Enquanto isso, a Amazon está atropelando, ela mesma, sua própria história. De tão gigante que se tornou, não consegue mais acompanhar seus próprios passos. Cresceu tanto que não consegue mais olhar para baixo e evitar pisotear naqueles que poderiam ser seus potenciais parceiros, por menores que sejam.

A Amazon erra ao pensar que o mercado todo seria atraído por sua força gravitacional de poder, equivalente a uma espécie de buraco negro. E em vez de se tornar uma opção sustentável para aquele velho e retrógrado mercado, está se tornando um fardo pesado de se carregar. Mesmo com toda sua inovação, se assemelha aqueles conglomerados antigos que queriam ser de tudo ao mesmo tempo: produtora de conteúdo, editora, gráfica, livraria, caixa, empacotador, entregador etc.

A Amazon parece querer ser a constelação de uma estrela só

O senhor vai ter uma ideia melhor do que eu estou tentando dizer quando o Alibaba Group colocar suas ações à venda para o mercado americano. Mas o senhor pode aprender um pouquinho mais com seu conterrâneo, o Sr. Henry Ford. Recomendo que leia sobre a Fordlândia que Ford tentou prosperar aqui em nosso país. Por favor, baixe em seu Kindle a versão digital do livro — que é mais barata que a versão impressa, e o senhor não precisa aguardar aquele drone levar o pacote até a porta da sua casa —, conheça a cidade fantasma que o fordismo deixou de herança aqui pra gente.

Existe uma diferença básica entre o investimento que impulsiona a inovação e a grana que compra coisas prontas, Jeff. E enquanto sua companhia perde tempo se digladiando com velhos senhores feudais do mercado editorial, ela não percebe que está impedindo o trabalho das jovens empresas editoriais que poderiam elevar a segunda potência este mercado. A Amazon não está, honestamente, ajudando em nada. Fica perdendo tempo com os velhos e não percebe que está atrapalhando os jovens empreendedores.

Não bastasse a falta de criatividade de um determinado setor que enxerga a todos como concorrentes de si mesmos, fica todo o tempo copiando as ideias uns dos outros, temos que nos esforçar para compreender os planos de uma empresa, aqui vista mais estrangeira que global, e que age como se quisesse monopolizar o ar que respiramos. Que não sabe se foca em logística usando drones, smartphones que nos dizem o que devemos comprar — como se o consumidor fosse estúpido — ou se foca em venda de serviços de espaço em cloud computing.

Que tal a Amazon nos ajudar com o saneamento básico, Jeff? Também estamos precisando de um aplicativo que ensine os autores independentes a lerem os seus próprios textos, antes destes serem publicados no KDP, sem revisão, sem copydesk, sem ISBN, sem ao menos uma capa decente.

Para finalizar, confesso que os reais objetivos da Amazon, àqueles que eu considerava saber compreender por acompanhar este tema desde 1998, não condizem com a conduta de sua empresa neste momento. Neste ponto, sou obrigado a optar por toda esta generalidade excessiva nesta minha missiva, já que me causaria constrangimentos, não perante aos amigos do mercado que também buscam fundamentos como eu, mas junto àqueles que custam a aceitar uma opinião especializada como a minha.

A Amazon de ontem não é a mesma Amazon de hoje. Temos a Amazon antes e depois do Kindle. E eu não me refiro a inovação. A Amazon depois do Kindle assemelha-se a um cão correndo atrás do próprio rabo. Parecem bastante óbvios os planos dos senhores, mas suas ações estão refletindo uma conduta de distorção no mercado.

E o que nós, das chamadas startups, estamos fazendo? Simples: escalando aquela montanha que se move, com fé em nossos próprios feitos. Temos mais interesse em observar sobre os ombros dos gigantes. Afinal o que é que big players como a Amazon não estão enxergando. Algo que empresas como IBM, Kodak e Palm também não enxergaram. E o destino delas, caro Jeff, todos conhecem muito bem.

Lá do alto deve ser bonito! Mas afinal, o que é que o senhor vê daí de cima, caro Jeff?

Cordialmente,

Ednei Procópio

POR EDNEI PROCÓPIO | Publicado originalmente na Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Aprendendo com o futuro dos livros


POR EDNEI PROCÓPIO

Figure CLXXXVIII in Le diverse et artificiose machine del Capitano Agostino Ramelli, an illustration of a bookwheel

Conforme venho prometendo neste blog há algum tempo, meu próximo livro, o terceiro sobre eBooks, será finalmente publicado. Já se encontra no prelo da Editora do Sesi e, se tudo continuar correndo bem, será lançado simultaneamente nos formatos digital e impresso durante a próxima edição da Fliporto.

Iniciei a escrita do livro no segundo semestre de 2012, exatamente no ano em que o Data Discman, o primeiro projeto relevante da empresa Sony Corporation na área de livros eletrônicos, completava duas décadas de vida. Uma vez, porém, que minhas pesquisas ainda careciam de algumas constatações, só consegui terminar o texto depois da última edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital.

É impressionante perceber que, quanto mais avançam as tecnologias que envolvem eBooks, em menor espaço de tempo as novidades são colocadas à prova pelo mercado. Levei, portanto, um ano para escrever e terminar o livro, e em apenas um ano muita coisa aconteceu. Imaginemos então tudo o que foi apresentado no período de duas décadas, onde o livro eletrônico saltou de um estrondoso fracasso comercial para uma nova e empolgante possibilidade de experiência para a leitura.

Insisto nesta mania de olhar para trás quando escrevo sobre eBooks porque o distanciamento me parece um dos poucos modos seguros de vislumbrar um futuro para os livros. Em 2002, por exemplo, as empresas desenvolvedoras dos e-readers da primeira geração Rocket eBook e SoftBook, respectivamente NuvoMedia e SoftBook Press, foram entregues a Gemstar, uma subsidiária da RCA que, por sua vez, vendera os dois projetos para a Google em 2012.

Mas e em 1992, qual era o cenário?

Mesmo com a atual velocidade com que aparecem as novidades tecnológicas, e antigas certezas são postas à prova, não consideraria como um caminho saudável transformar meu novo livro em um periódico. Ou seja, não consideraria transformar minha obra em uma edição corrente, atualizada constantemente como se fosse um jornal ou revista [mesmo em uma versão digital]. Não vejo como encarar um determinado título como algo realmente inacabado, que deve estar sempre sendo reescrito, em constante atualização como se fosse um blog. Preferi, ao contrário, contestar o presente, analisar o passado, para vislumbrar um futuro.

Descobri isto quando recebi a última revisão do texto original, que me alertava para o fato de que os números apresentados em meu livro já poderiam ser considerados defasados. A revisão me pôs em alerta. Como é que um determinado dado, registrado para futuras consultas, pode ser considerado defasado antes mesmo de ser publicado? Tive que deixar ainda mais claro para os futuros leitores da obra que, os números de mercado, apresentados no livro, refletiam um momento, um cenário, uma fotografia, enfim, um recorte de um período em que o mercado de eBooks parecia expandir-se por um novo caminho. Um caminho bem diferente daquele imaginado pela Sony duas décadas antes.

No início da década de 1990, a internet ainda era um projeto acadêmico e não havia se transformado no meio extraordinário de comunicação e exploração comercial como ela é hoje. A Sony lançava no mercado norte-americano, um dispositivo para a leitura de livro eletrônico chamado Data Discman. Uma espécie de percursor da primeira geração de e-readers que viria a seguir.

Por rodar livros em cima de uma mídia física, ou seja, pré-gravados em discos [protegidos como os antigos disquetes], o dispositivo fora desenvolvido totalmente para leitura no modo offline e o conteúdo podia ser pesquisado através de um teclado do tipo QWERTY [também físico, bastante parecido com o dos BlackBerrys].

Há duas décadas, Sony lançava seu primeiro Electronic Book Player. Foto: Sony Data Discman modelo DD-1EX]

Há duas décadas, Sony lançava seu primeiro Electronic Book Player. Foto: modelo DD-1EX

De certo modo, o Data Discman era uma tentativa da Sony de repetir o sucesso do Walkman, dessa vez com livros. Mas ao contrário de seu predecessor, que tocava áudio que poderia ser encontrado aos montes em lojas especializadas [fora as fitas do tipo K7 que se tornaram bastante populares e podiam ser gravadas pelos próprios usuários], o Data Discman carecia de conteúdo.

Um Data Discman modelo padrão, como o DD-1EX, tinha uma tela de LCD de baixa resolução e em escala de cinza, como nos primeiros Palmtops, com baixo poder de processamento. Ao contrário dos Palms, trazia um drive de CD com a tecnologia e o padrão proprietários, que rodava enciclopédias, dicionários, além das obras literárias. Que não eram facilmente encontrados em livrarias, nem nos melhores magazines do ramo.

Como era de se esperar, o Data Discman teve pouco sucesso, principalmente fora do Japão [país sede da Sony]. Em vez disso, agendas eletrônicas do tipo Palm foram os dispositivos que ganharam popularidade e conquistaram o consumidor. Um pouco mais tarde, o Palm Reader foi a solução de aplicativo para a leitura dos livros nos devices portáteis daquele período que avançou até o lançamento do Sony Libriè para o mercado japonês.

Nada se cria, tudo se compartilha

Sony Data_Discman | Electronic Book Player modelo DD-8

Sony Data_Discman | Electronic Book Player modelo DD-8

Há semelhanças entre o Data Discman e o Palm. Há semelhanças entre o Palm e o BlackBerry. Há semelhanças entre o Rocket eBook e o Sony Reader lançado em 2005 no mercado americano. Mas o que geralmente é enxergado são apenas as diferenças entre esses equipamentos todos desenvolvidos dentro de um período que vai de 1990 a 2010.

A internet mudou muito desde aquelas duas décadas e, parte do conteúdo que existia naquela chamada web 1.0, de meados da década de 1990, praticamente já não existe mais. Se algum pesquisador buscar até os números referentes ao período que antecede o lançamento do Kindle, que inaugura a segunda geração de e-readers, terá que vasculhar bastante para encontrar alguma análise relevante.

É neste sentido que, nos meus dois primeiros livros, tentei contextualizar ao máximo os dados do mercado e cenários apresentados. Penso em um contexto futuro, usando históricos e cases de sucesso ou fracasso do passado para ampliar a visão do presente. E agora tento fazer isto novamente com minha nova obra porque eu sei que alguns pesquisadores precisarão de informações, analisadas e comentadas, para eventualmente até usar de comparação em seus trabalhos.

Por exemplo, algum profissional poderá futuramente se perguntar que porcentual representava a venda de eBooks no Brasil, em comparação com o mercado de livros impressos, quando big players como Kobo, Google e Amazon aportaram no país. Se ele fizer uma comparação com dados em um mesmo nível de apuração, usando os mesmos critérios de levantamento, poderá obter o percentual de crescimento mais próximo da realidade até o seu próprio período [mesmo que alguns players continuem ocasionalmente tentando manipular os números como tentam fazer hoje].

Agora, se a internet continuar impondo seu ritmo avassalador de criação, armazenamento e compartilhamento de informações, esta tarefa de pesquisa pode se tornar cada vez mais difícil de ser realizada. E obras contemporâneas, que mais do que registrar um período, contextualiza os números e cenários, pode ajudar profissionais a compreender o passado mas, principalmente, o futuro dos livros.

Foi assim que, por conta da velocidade com que novidades surgem, em formato de projetos, startups, apps, produtos, softwares, hardwares, plataformas, etc., fui obrigado a voltar ao básico neste meu novo livro. Procurei encontrar semelhanças entre as coisas aparentemente diferentes, e diferenças naquelas que nos são aparentemente semelhantes.

POR EDNEI PROCÓPIO

Microsoft Reader


Por Ednei Procópio

Tela do Microsoft Reader

O Microsoft Reader with ClearType©, lançado em abril de 2000, foi um dos primeiros aplicativos desenvolvido para livros digitais baseado no padrão OeB/XML.

O lançamento do produto foi uma espécie de resposta da Microsoft aos aplicativos lançados por empresas como Nuvomedia [eRocket] e Adobe [Acrobat Reader]. E um modo que a Microsoft achou de chamar a atenção para os novos equipamentos, Pocket e Tablet PCs, anunciados na mesma época pela empresa.

O lançamento do Microsoft Reader foi um marco na história dos livros digitais e inspirou empresas como a Barnes & Noble a disponibilizar aos leitores cerca de 2000 títulos para compra e download imediato. Não é à toa que a Barnes & Noble disponibiliza hoje cerca de 1 milhão de títulos para a sua plataforma Nook; ela começou o processo lá em 2000. Um pouco mais tarde até a Palm lançou o Palm Reader baseado em um aplicativo antigo chamado PeanutPress Reader, para não perder campo com o seu Palm até então desconectado do mundo pré-iPhone.

LIT

A Microsoft há dez anos atrás foi uma das empresas que participou do consórcio que criou o Open eBook, o padrão que mais tarde daria origem ao formato ePub. Dentro de um arquivo .LIT, lido pelo aplicativo Microsoft Reader, existe um arquivo xHTML validado tal qual um ePub. Um arquivo LIT é muito parecido com um arquivo ePub em qualidade e conteúdo, com a diferença de que a Microsoft criara também um sistema de DRM, baseado em um passaporte para que leitores se identificasse através de um ID. Algo, mais tarde, consolidado pela Adobe com o seu Adobe Content Server.

Eu trabalhei por oito anos na assessoria de imprensa da Microsoft no Brasil e, de algum modo, eu sempre tive acesso as informações da empresa nesta área. Aliás, eu fui um dos únicos beta-testes da empresa para o dicionário baseado em XML, em formato LIT, que vinha com o aplicativo MS Reader.

DOWN

Esta semana, porém, a Microsoft anunciou a descontinuidade do Microsoft Reader. E eu realmente não consegui entender. Confesso que esta notícia me pegou de surpresa, porque se a Microsoft pretende realmente fazer com que versões portáteis ou mobiles do Windows rode em tablets e smartphones mais modernos, o aplicativo Microsoft Reader seria um dos itens mais importantes para acesso a conteúdo. Será que a Microsoft pretende lançar algum serviço cloud para eBooks nas próximas versões do Windows Phone ou Mobile? Ou será que a era dos aplicativos cross plataformas atingiu a empresa de Seattle em cheio?

Com a nova guerra entre os sistemas operacionais para portáteis [ Apple iOS, Google Android, Nokia Synbian, Windows Phone, etc.], eu acreditava que a Microsft fosse dar um ‘up‘ no projeto Microsoft Reader. Mas, agora, eu acho que há alguma coisa fora da ordem por aqui. Será que a Microsoft teve tanto prejuízo com livros digitais assim?

TABLETS

Embora o iPad seja um sucesso sem igual, a Microsoft foi uma das primeiras empresas a tentar vender para o mercado o conceito das pranchetas e o Microsoft Reader nasceu exatamente num momento em que Bill Gates tentava também vender a ideia dos Pocket PCs [os computadores de mãos que pretendiam rivalizar com os palmtops]. Uma vez que os Pocket PCs traziam telas de LCD coloridas, o Microsoft Reader melhorava a legibilidade de livros digitais através da tenologia denominada ClearType. Uma tecnologia que realmente suavizava as fontes exibidas nas telas tanto dos Pockets quantos dos Tablets PCs, usando conceitos básicos de RGB.

Mas já fazia algum tempo, porém, que a Microsoft não lançava uma verão atualizada do aplicativo. Sua última versão foi anunciada em meados de 2007, exatamente quando a Amazon lançou o Kindle.

VELHOS APPS

Bem. É realmente triste que a Microsoft esteja descontinuando, a partir deste mês, um dos melhores aplicativos de livros digitais já criados [numa época em que a Apple tenta a todo custo minar a existência de aplicativos melhores do que o iBooks]. Quem realmente conhece eBooks sabe que o aplicativo da Apple ainda tem muito o que melhorar e está muito longe dos bons aplicativos de leitura como o BlueFire, o MobiPocket e o velho e eficiente MS Reader.

Por Ednei Procópio

Propaganda de eBooks ainda é um problema


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin

Desde os meus oito anos, sempre estou lendo pelo menos um livro. Quando era criança, os encontrava em casa [papai trabalhava na indústria] ou na biblioteca da cidade, Croton-on-Hudson, ou na biblioteca da escola. Às vezes situações fora do comum me traziam um monte de material de leitura. Nos últimos dias do segundo ano da escola, peguei catapora e fiquei na cama por umas duas semanas. Já tinha desenvolvido uma afinidade com a série de livros infantis da Random House sobre história norte-americana chamada Landmark Books, que ainda está disponível. Papai conhecia a pessoa na gráfica responsável pela conta da Random House e uma caixa com 40 livros chegou um dia depois que fui diagnosticado. Quando finalmente pude sair da cama, já tinha lido todos.

Quando estava no ensino médio, descobri que uma grande farmácia na esquina da Rua 42 com a Rua Vanderbilt, na Grand Central Station, tinha uma enorme seleção de livros paperback e ela se tornou um destino de compras pra mim por um bom tempo.

Quando adulto, as compras e as descobertas passaram a acontecer nas livrarias. E apesar de, ocasionalmente, encontrar ideias sobre o que ler em resenhas de livros ou recomendações de amigos, normalmente eu simplesmente ia até a livraria e comprava. Ia dar uma espiada nas seções de história norte-americana, biografias ou esportes [besisebol tem sua própria estante dentro de esportes].

Nunca me tomou muito tempo encontrar o que eu queria ler até chegar aos e-books.

Na era dos e-books pré-Kindle, eu era cativo da loja Palm Digital, porque lia num Palm e sua postura era não permitir que outras lojas vendessem seu formato. As escolhas eram limitadas porque as editoras, antes da chegada do Kindle, relutavam em fazer os investimentos necessários para publicar livros para mim e para as outras quatro pessoas que liam e-books na época. Isso mudou imediatamente quando o Kindle chegou e, por causa dele e de outros grandes formatos que chegaram ao mercado desde então, as opções são muito maiores agora. Quase todo livro novo que quero ler está disponível para o aparelho que escolhi [o iPhone] e a digitalização do catálogo continua acontecendo nas editoras.

Mas a propaganda, pelo menos para alguém que compra num iPhone [é um pouco melhor através de outros aparelhos ou PCs], deixa muito a desejar. Minhas experiências de compra são, na verdade, parecidas a uma caminhada aleatória. Eu peço para a minha loja me mostrar os livros por categoria e, como minhas categorias não mudam muito [e não mudaram muito desde que sou criança], tendo a ver os mesmos livros muitas vezes, muitos dos quais já li [talvez em outros formatos].

Há pouco tempo, estava comprando minha próxima leitura no iPhone. Comecei a comprar com o Kindle e depois com o Nook, mas alguns minutos em cada site mobile não mostraram nada que me animasse. Aí, no Google eBooks, encontrei Making of the President 1968, de Theodore White. Esse era o que eu queria ler. Comprei e já estou na metade.

Não existe nenhuma garantia especial de que vou encontrar meu próximo livro na Google. Ainda não encontrei nenhum padrão claro entre as quatro lojas em que compro normalmente [Kobo é a quarta]. Obviamente, se eu soubesse que queria ler outro thriller de James Patterson ou John Locke, os dois estariam em poucos minutos no meu iPhone sem grandes problemas. É quando estou buscando por assunto que encontrar uma boa opção de leitura parece ser um golpe de sorte. Com certeza não estou ajudando as livrarias ao ficar fazendo compras em vários lugares; mesmo se alguma delas tivesse um bom motor de busca para guardar as minhas compras anteriores, ler o meu perfil e fazer uma excelente recomendação, eu estaria complicando por ficar espalhando meus dados por aí.

Tudo isso mostra a dificuldade do desafio enfrentado por Bookish nos EUA e aNobii no Reino Unido, dois sites para “encontrar a próxima leitura”, financiados por grandes editoras. E eles se juntam a uma longa lista de sites que tentaram construir recomendações e conversas comunitárias baseadas no que as pessoas estão lendo: Goodreads, Shelfari, Library Thing, e a nova plataforma de e-books, Copia.

Acontece que a nossa empresa está agora se dedicando a colocar o livro do “The Shatzkin Files” em plataformas diferentes da sua inicial, a Kobo [os 60 dias de exclusividade terminaram]. Quando encontramos um limite de sete palavras-chave no processo de upload do Kindle, comecei a questionar: “Por que esse limite?”

E tive uma boa resposta. Acontece que a inclinação de qualquer autor ou editor seria colocar um monte de palavras-chave. Essa era a minha intenção. Ia pegar toda palavra-chave de todo post e colocar no livro. Mas, depois de refletir, como meu amigo na Amazon sugeriu, isso realmente não ajudaria o leitor que estava procurando o meu livro. O fato de um post no blog falar sobre um sobrevivente do Holocausto não quer dizer que alguém procurando esse tópico vai querer meu livro, cujo resto do conteúdo fala sobre coisas totalmente diferentes.

Acontece que a Amazon usa algoritmos criados por busca de texto completo para melhorar o que eles mostram em resposta às buscas que o editor e o autor não necessariamente pensam quando criam metadados. Como exemplo, ele mostrou um livro que você vai encontrar na Amazon se procurar por “erasure coding”, um termo de arte que poderia muito bem não ter sido incluído por um autor ou editor ao inserir palavras-chave, mas que os métodos mais sofisticados da Amazon permitem que seja usado para buscas.

Meu amigo na Amazon não disse isso, e talvez eu esteja lendo muito sobre o que eles fazem, mas quase parece que as palavras-chave que colocamos poderiam ser supérfluas e a capacidade que eles têm de fazer análises e algoritmos sobre textos completos na verdade mandam no que descobrimos. Talvez a solicitação de palavras-chave a autores e editores seja “só pra inglês ver”, mas é claro que não espero que a Amazon admita isso.

Eu estava apenas procurando por “história norte-americana” quando encontrei Making of the President 1968 no Google [e não encontrei em nenhum outro lugar quando procurei]. Então, as sofisticadas capacidades da Amazon não funcionaram para mim e agora o mecanismo deles não sabe que esse era um livro que eu queria, porque comprei em outro lugar.

Mas estou realmente feliz por ter encontrado este livro, que deve ter saído bem recentemente em formato e-book. Eu fui bastante ativo naquela campanha e na Convenção Democrática em Chicago, onde era o assistente de Pierre Salinger na primeira campanha de George McGovern. O autor dos livros da sérieMaking of the President, Theoore White, era amigo de Salinger e eu o conheci na convenção. Mas vou guardar as histórias dessa campanha para outro post, em outro dia.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Como ganhar a briga pela venda dos e-books?


Eu leio todos meus livros no meu iPhone e costumo ter diferentes livros abertos em vários e-book readers ao mesmo tempo. Essa é uma mudança drástica no velho hábito de ler um livro por vez. Nunca pensei que seria divertido ler dessa forma porque as limitações físicas de carregar vários livros de papel para todos os lados nunca me encorajou a pensar em algo assim.

No momento estou lendo Joe Cronin, de Mark Armour, e Crossing the Chasm, de Geoffrey A. Moore no Google Books; Washington, de Ron Chernow no Nook reader [que agora percebi que não marcou minha última leitura e está me forçando a descobrir em que parte eu estava, o que não é nada bom]; Brooklyn Dodgers: The Last Great Pennant Drive, de John Nordell no Kobo; e The Autobiography of Mark Twain, no Kindle. Tenho o iBooks reader no telefone, mas não compro na loja dele porque nunca vi nenhuma vantagem especial no reader e a loja possui bem menos títulos do que os concorrentes.

Agora, você se importou com os detalhes do que falei? Aposto que a maioria dos leitores não, a não ser dentro do limite de que esperam que eu faça alguma discussão conceitual sobre esses detalhes pessoais que falei no parágrafo anterior [e é claro que vou fazer]. Meu palpite é que a maioria leu o primeiro parágrafo curto e passou por cima do segundo que, francamente, não é realmente necessário para mostrar minha ideia. Mas creio que alguns poucos ficaram bastante interessados. [Mas por favor não me contem seus detalhes, eu faço parte da maioria].

Onde eu compro os livros é algo bem caótico. Minha ordem de preferência para ler [no momento porque isso muda e eu uso todas as possibilidades] é Kobo, Kindle, Google, Nook. Kobo, Kindle e Nook possuem dicionários incluídos; pressione [só tocar não adianta] em cima da palavra e aparecerá uma definição e a possibilidade de criar uma nota, ou então um link para a Google ou a Wikipedia. O problema para mim é que, no iPhone, nem sempre consigo fazer esse recurso funcionar. Minha experiência pessoal mostra que a funcionalidade é mais confiável no Kobo e bem menos no Kindle e na B&N, mas não sei se essa experiência pode ser considerada representativa em comparação com outras pessoas com iPhones, dedos e livros diferentes.

A Google ainda não oferece essa capacidade, nem mesmo simples marcação de página [que todos os outros têm], mas aposto que isso não vai demorar para ser implementado.

Nenhuma das plataformas oferece um desempenho perfeito na minha experiência de uso [e a sua pode ser diferente]. Meu Kobo já “travou”, forçando-me a reiniciar o telefone para que voltasse a funcionar. A formatação do “Mark Twain” do Nook no meu iPhone era um desastre. [Falei sobre isso com algumas pessoas da B&N; talvez tenham consertado. Quando perguntei ao editor da UC Press, a resposta foi que o arquivo funcionava bem no aparelho Nook, mas sei que não funcionava no meu Nook para iPhone. Dá para ler muito bem no Kindle para iPhone.] O Kindle é frustrante para mim porque eu gosto muito de ler com alinhamento à esquerda e, até onde sei, o Kindle sempre mostra as páginas justificadas e não há como mudar. Acho que a navegação do Google e do Kobo são mais intuitivas para mim e me dão mais controle da experiência de leitura. O Nook não parece ter uma forma de travar com a tela na vertical então não dá para ler na cama de lado.

Se penso num livro que quero quando estou lendo outro, é mais provável que compre no reader que estou usando só porque é o que está aberto. Graças à combinação de modelo de agência e monitoramento do preço em tempo integral, é improvável que haja qualquer vantagem financeira de ficar procurando em várias lojas. Se eu sei exatamente qual livro quero, não existe nenhuma diferença especial entre os quatro em termos de facilidade de uso ou velocidade de transação.

Há uma dinâmica que claramente favorece o Kindle. Tenho um aparelho Kindle, que comprei nas primeiras semanas em que este saiu ao mercado. Li muitos livros nele no primeiro ano. Dei o aparelho para minha mulher quando o Kindle colocou sua vasta seleção disponível no iPhone. Martha lê muito mais livros do que eu; mas os gostos são muito diferentes. Quando decidi que queria ler Stieg Larsson, ela já tinha comprado para Kindle, então li no aparelho [é tudo a mesma conta.] E quando comprei o novo Ken Follett do Nook, ela o acessou em Nova York enquanto eu estava lendo em Frankfurt usando o iPad que compartilhamos [mas que nenhum dos dois gosta de usar para ler livros porque é muito pesado.]

Tudo isso leva à pergunta conceitual que prometi acima: o que uma loja deve fazer para fidelizar seus clientes? E para responder essa pergunta devemos também ter algo em mente: os pequenos grupos são importantes.

Vamos olhar no passado e dizer que havia um relativamente pequeno grupo de usuários iniciais do Kindle que foram os principais catalisadores de cada vez mais profundas mudanças na edição de livros [mudanças que ainda estão começando]. A Amazon estava numa posição única para entregar uma proposta nova e com valor para as pessoas que podiam se beneficiar mais dos aparelhos de leitura. E eles capturaram e, por um tempo, fidelizaram um grupo relativamente pequeno de pessoas que leem muito, porque quanto mais livros você lê, maior o benefício relativo do Kindle, em termos de funcionalidade e de economia.

Pode ser que um dia o formato de arquivo [relativamente] fechado do Kindle se torne um problema para as vendas, mas é difícil ver que isso vai acontecer agora, principalmente se a Amazon cumprir com seu recente anúncio de que em breve vai produzir um Kindle baseado em browser. [Eu deveria acrescentar que li relatórios de que o Google books funciona bem num aparelho Kindle através do web browser do aparelho. Como meu Kindle é um dos primeiros modelos, sem wi-fi e com uma conexão muito lenta, não estou em posição de confirmar isso.] Mas, por agora, a Amazon possui muitos milhões de felizes donos de aparelhos para quem comprar um livro de qualquer outra forma seria mais um problema do que uma solução.

Então, de qual outra forma a loja pode fidelizar o cliente? A Google tentou vender o valor de que você será o gerente da sua “estante” onde todos seus livros estarão disponíveis o tempo todo, em qualquer aparelho, etc. A ideia parece ser tirada do conceito do iTunes, mas esse é outro exemplo que nos faz lembrar que “livros não são iguais a música”. É importante ter toda sua música num só lugar. Nunca vou ter nenhum motivo para precisar que “Washington” e “Joe Cronin” estejam no mesmo reader, mas seria importante ter uma música de 1958 e uma de 1992 tocando consecutivamente quando eu quiser.

Então, o importante para a iTunes foi: a] permitir que fosse fácil ripar facilmente seus CDs, e para isso o banco de dados de metadata foi um recurso extremamente importante; e b] permitir que se comprasse qualquer outra música que se quisesse pelo método de download em algum sistema de hospedagem. Posso ser um extremo na desorganização dos meus hábitos de leitura, mas acho que poucas pessoas iriam exigir algo parecido às capacidades de agregação do iTunes para seu material de leitura.

Então, o que mais? A The Copia [nosso cliente durante uma boa parte do ano passado, que estará no meu iPhone assim que o aplicativo deles estiver pronto] possui uma proposta para tentar resolver isso, que é criar um aplicativo de rede social em conjunto com o leitor. Se eu estivesse no The Copia e tivesse todos os livros dos quais estou falando no aplicativo deles, vocês seriam capazes de ver os detalhes que eu apresentei no segundo parágrafo sem que eu tivesse de contar.

E isso me leva à segunda questão: que pequenos grupos são importantes. Porque, claramente, há pessoas que se importam com o que os outros estão lendo e que querem compartilhar suas anotações para que os outros possam ver. E se eu me importar em mostrar minhas experiências de leituras, vou querer que todos meus livros estejam no The Copia. Isso é um método de fidelização. E, quem sabe, pode ser que eu descubra que vale a pena compartilhar informações com outras pessoas loucas pela história do beisebol. [Apesar de que me pergunto se sou a única pessoa que acha o sublinhado sutil do Kindle, que mostra, quando você passa o mouse sobre um item, que “87 pessoas destacaram essa passagem”, ao mesmo tempo inútil e distrativo.]

Fidelizar um pequeno grupo é o que a Kobo está pensando com os novos recursos de leitura social que acabaram de introduzir. Estão disponíveis agora somente na versão iPad do aplicativo, mas eles “acompanham” sua leitura, dão recompensas por terminar um livro e permitem que o mundo saiba em que ponto você está de um livro. As pessoas que acham isso bom, e existem algumas, agora terão um motivo para usar o Kobo e somente o Kobo, assim como as pessoas que possuem um Kindle tem uma razão para usar somente a Amazon e o The Copia espera ganhar as pessoas que gostam de redes sociais e que conseguem ver menos valor no resto.

Por outro lado, espero que as capacidades centrais fiquem mais parecidas com o tempo. A Google vai acrescentar links externos para dicionários e fontes de referência. Todas as plataformas vão melhorar a resposta de seus aplicativos para meus dedos gordos no iPhone. Se as estatísticas sociais da Kobo provarem ser algo que arrasta os consumidores, os outros vão acrescentar algo parecido.

Uma coisa que descobri ser muito legal de fazer no iPhone é a capacidade de copiar a tela como se fosse uma foto, o que me permite enviar por e-mail. Há um fabuloso gráfico no novo livro de Robert Reich, “Aftershock”, que deixa muito claro o fato de que uma coisa que atrapalha muito a economia norte-americana é que o 1% dos mais ricos é dono de uma parte muito grande da renda nacional. Adorei ser capaz de copiar aquela tabela como foto e enviá-la para meus amigos. Acho que uma tela de iPhone de conteúdo é pequena o suficiente para não ser considerada pirataria. [Essa é a minha versão e eu a defendo.]

Mas o que mais me importa é a experiência de merchandising e de compra, que a Kobo parece estar ganhando até o momento, mas que não é excelente a ponto de não poder ser superada. [E, como eu apontei acima, se você sabe qual livro em especial quer comprar, todas as lojas são iguais e é difícil que se destaquem.] Há muitas formas de melhorar a experiência de compra, mas eu vou deixar meus pensamentos para outro post.

Então, a maioria dos cavalos já saiu da linha de largada e a Amazon está claramente na dianteira. Mas qualquer um que acha que a corrida pela venda de e-books terminou deveria pensar nisso: não sabemos ainda nem qual é o conjunto de recursos que irá ganhar, muito menos quem vai conseguir descobri-lo no longo prazo.

Sei que essa análise está incompleta. Não leva em conta os readers exclusivos como o IBIS Reader da Liza Daly nem as lojas de e-book independentes como a pioneira Diesel Ebooks. Não fala da Sony, que pode ainda ter um pedaço maior do mercado do que a Kobo [apesar de que, se possuem, minha previsão é que não será por muito tempo]. Nos dias antes do Kindle, quando eu lia meus e-books em formato Palm num aparelho Palm ou outro PDA, comprava na Diesel. Não descarto as chances de ninguém nesse momento, já que ainda é o princípio do desenvolvimento da infraestrutura da leitura digital, mas acho que meu iPhone e esse post capturam as fontes que oferecem a maior seleção de conteúdo que poderiam me interessar. E estou razoavelmente certo de que estou falando aqui das empresas que fornecem a grande maioria dos e-books lidos nos EUA, no geral mais de 90% e provavelmente perto de 95%.

Texto escritor por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 23/12/2010

5 Lojas de livros electrónicos multi-plataforma


São muitas as opções “on-line” à espera de quem pretende comprar, ou descarregar de forma gratuita livros electrónicos para o seu leitor dedicado, PC ou “smartphone”. Detalhamos algumas, escolhidas pela abrangência da oferta ou pelo importante papel que assumem na difusão do livro electrónico.

1. eBooks.com

Existe desde 2000 e na última década decorou-se de novas áreas e multiplicou a oferta disponível. A ebooks.com aposta nos títulos em inglês e destaca-se pelo facto de permitir navegar no interior de um livro antes da compra e por oferecer, para muitos dos livros disponíveis a possibilidade de ler “on-line” a obra adquirida sem necessidade de descarregar qualquer programa, como terá de fazer quem pretende ler de outra forma. A esmagadora maioria dos livros disponíveis está em inglês – assim como a plataforma – e os formatos suportados são diversos [nem todos os livros estão disponíveis em todos os formatos suportados pela loja], informação sempre detalhada na ficha que acompanha cada titulo disponível para venda. A possibilidade de imprimir os títulos adquiridos também existe, mas para um universo reduzido de títulos e só quando há autorização dos autores. A oferta divide-se entre ficção, não-ficção, livros académicos, entre outros.

Para ler no PC [Windows, Mac ou Linux], telemóvel ou “on-line”. A lista de compatibilidades é detalhada “on-line”
Formatos PDF; ePub; Microsoft Reader e MobiPocket
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis Windows, MAC, Linux, Blackberry, Sony Reader, entre outros.
Catálogo disponível 100 mil obras
Pagamento Em dólares, com cartão de crédito.
Site http://www.ebooks.com

2. Projecto Gutenberg

É um dos projectos mais antigos da Internet, nesta área da digitalização de livros, o Projecto Gutenberg. Suportado por voluntários, oferece exclusivamente conteúdos de acesso gratuito numa lógica de chegar a tantos dispositivos e plataformas quantas seja possível. Assim, a lista de compatibilidades é longa, entre leitores dedicados, smartphones, sistemas de jogos ou mesmo leitores MP3. Diferentes formatos ou dispositivos podem é estar condicionados a diferentes possibilidade de manuseamento dos livros electrónicos. Todos os livros que passam pela plataforma foram previamente editados em papel por uma editora e só depois disso digitalizados. A par da oferta directamente proporcionada pelos voluntários Gutenberg, quem passa pelo site pode ser remetido – se aceitar a proposta – para um conjunto de moradas de parceiros do projecto, com mais ofertas de livros gratuitos ou de baixo custo. O Gutenberg tem uma versão em português e catálogos que agrupam os livros na mesma língua, todos e os mais recentes.

Para ler no PC, telemóvel, MP3, leitor de livros digitais.
Formatos Mobipocket, Epub, HTML, entre outros
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis iPhone, Kindle, Sony Reader, iPad
Catálogo disponível 30 mil obras
Pagamento Todos os conteúdos são gratuitos
Site http://www.gutenberg.org

3. Kindle Store

O popular leitor de livros digitais da Amazon também dá nome a uma loja de aplicações, a Kindle Store. A plataforma começou por estar dirigida aos leitores da marca [no formato proprietário da Amazon AZW], mas há muito que a empresa percebeu que podia maximizar a utilização do serviço e começou a disponibilizar versões gratuitas do software para diversos tipos de dispositivo. A ausência mais notada é uma versão para Android, embora esteja já prometida para o verão. Para garantir compatibilidade com toda a oferta disponível para o leitor e tirar partido da aplicação para ele criada é preciso instalar software, na versão mais adequada ao dispositivo usado. No caso de ser o PC, saiba que a versão deixa de fora os conteúdos extra-livros, como jornais, revistas ou blogs e [ainda] só é compatível com Windows. Em qualquer versão do software estão à disposição várias opções de personalização, como alterações de fundo, visualização de ecrã completo ou editar notas, entre outras. É também sempre possível ler o primeiro capítulo do livro antes de decidir uma compra.

Para ler no PC, telemóvel, Kindle
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis Windows, iPhone, Blackberry, Mac
Catálogo disponível 540 mil obras [400 mil em Portugal], mais 1,8 milhões de títulos escritos antes de 1923 sem direitos de autor.
Pagamento Meios de pagamento habituais.
Site http://www.amazon.com/gp/kindle/pc [para PC, as versões móveis podem ser descarregadas das respectivas lojas de aplicações].

4. Google Books

Polémico desde o início o Google Books fica para a história como o primeiro grande esforço para criar um acervo poderoso de livros digitais. Muitas alterações à fórmula inicial têm sido feitas para acalmar ânimos. Hoje o serviço mistura ofertas pagas e gratuitas de livros, completa ou parcialmente digitalizados, a que o utilizador pode ter acesso integral – quando não há direitos de copyright em vigor – ou parcial, apenas para decidir uma compra. As obras pagas são vendidas pelos parceiros, cujas lojas “on-line” estão assinaladas na página onde é mostrado o conteúdo, mas a vertente mais interessante do projecto está no portefólio de conteúdos de acesso livre que chegaram ao projecto por via de acordos com algumas das mais importantes bibliotecas académicas dos Estados Unidos e da Europa. Muitas das ofertas de acesso gratuito disponibilizadas em algumas lojas “on-line” de livros [como na loja da Sony] resultam de parcerias com a Google.

Para ler no PC
Formatos PDF
Catálogo disponível mais de um milhão de títulos em domínio público
Site http://books.google.com

5. Diesel eBook Store

Com uma oferta capaz de merecer uns longos minutos de navegação antes de uma decisão, a Diesel eBook Store é uma opção a considerar para quem anda à procura de livros mais recentes e de autores conhecidos para consumir em versão digital. Nas 40 categorias em que divide a oferta é possível encontrar quase de tudo, com uma abrangência significativa de formas cobertos. Até porque as categorias principais se dividem em 2.700 subcategorias, para facilitar a pesquisa de quem anda à procura de conteúdos mais específicos. Por cada compra o utilizador ganha pontos que se traduzem em descontos na compra seguinte. À oferta paga junta-se uma extensa oferta de conteúdos gratuitos, dominantemente em língua inglesa, graças a uma parceria com o Google Books.

Para ler no PC, telemóvel, leitor dedicado de ebooks
Formatos Adobe PDF, ePub, Microsoft Reader, Mobipocket, eReader.
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis iPhone, PC, Sony Reader, Palm, entre outros.
Catálogo disponível 2,2 milhões de títulos
Pagamento Meios de pagamento habituais
Site http://www.diesel-ebooks.com

Borlas a considerar

São vários os sites que disponibilizam exclusivamente ofertas gratuitas de conteúdos. Se bem que em algumas deles a oferta se cruza com a suportada em projectos como o Google Books ou o Gutenberg, vale a pena deixar alguns exemplos a explorar. O Feedbooks [http://www.feedbooks.com/] e o Manybooks [http://manybooks.net/] estão entre as alternativas sem custos que vale a pena ver, para além das que já tínhamos referido. A primeira restringe os conteúdos disponíveis à utilização em equipamentos portáteis e a segunda pode implicar alguns passos para assegurar compatibilidades, mas ambas asseguram um portefólio de conteúdos interessante. Quem estiver interessado em livros digitais para o telemóvel e for cliente da TMN ou Vodafone pode também passar pelas respectivas lojas de aplicações das operadoras onde existem ofertas pagas e gratuitas deste género. A oferta mais estendida é da Vodafone com mais de 100 mil ebooks disponíveis.

Cristina A. Ferreira / Casa dos Bits | Publicado originalmente no site Jornal Negócios Online | 09/06/2010 | 09:27