Plataforma de gestão reduz em 70% os custos das editoras com cadastro de livros


Grande vilão das vendas no Brasil, cadastro de livros conta agora com a gestão editorial de uma plataforma unificada, que gerencia o catálogo em diversas lojas simultaneamente e gera informações estratégicas

A venda de livros impressos no Brasil representa, atualmente, 98% do total no mercado editorial brasileiro, ficando por conta dos eBooks os 2% restantes. Ainda assim, não existia no mercado editorial brasileiro uma ferramenta capaz de facilitar o cadastramento desses produtos pelas editoras junto às livrarias. Com a utilização da Ubiqui, plataforma de gestão editorial, essas empresas terão uma redução de 70% nos custos desse processo, além da otimização e agilidade nos cadastramentos.

A ferramenta surgiu, em primeiro lugar, para atender um gargalho do mercado editorial, ou seja, o cadastro de produtos e livros nas lojas. No entanto, a ferramenta atende tanto as necessidades das editoras quanto das livrarias, facilitando a realização de negócios e melhorando o desempenho nas vendas, com ótimo custo-benefício”, afirma o CEO da Ubiqui, Rafael Schaffer Gimenes.

A plataforma Ubiqui possibilita o cadastro do catálogo de livros com as mesmas informações [preço, capa, assunto, sinopse etc] em diversas livrarias, tudo isso por meio de um único ambiente. A Ubiqui entrega a cada lojista o cadastro no formato do sistema usado por ele [Onix, XML, CSV, TXT ou Excel]. Além disso, são disponibilizados módulos de serviços que possibilitam a gestão de catálogos, vendas, marketing e direitos autorais. As informações analíticas sobre as vendas, proporcionadas pela plataforma, também auxiliam as editoras na elaboração de estratégias de mercado.

KB Assessoria em Comunicação | kbcomunicacao.com.br

O que muda na nova planilha de metadados da Kobo?


Se você é responsável pelos envios de e-books às lojas, deve ter recebido, recentemente, um e-mail da Kobo avisando que, a partir de 1º de fevereiro [2015], os uploads via FTP que utilizam a planilha XLS/XLSX devem ser feitos a partir do novo template, a versão 4 da planilha de metadados e que, atenção, após essa data, a versão anterior da planilha de dados não será mais aceita.

Isso vale apenas para parceiros que não utilizam Onix ou distribuidora, gente honesta, como você e eu, leitor.

Nessa nova planilha da Kobo é possível observar algumas diferenças [e diferenciais, na minha opinião] em relação às demais lojas e suas plataformas e/ou planilhas. Alguns pontos são bastante interessantes e me chamaram a atenção. Vamos aos principais pontos:

Novas colunas e observações

  • Publishing Status
    Ficou mais fácil habilitar e suspender a venda de um livro: antes, o único caminho era via e-mail [ainda assim, é bom mandar o e-mail de aviso para garantir, se for algo urgente].
  • Main Character [brand]
    Nesta coluna declara-se o nome do/a[s] protagonista[s]. Não é um campo obrigatório, mas pode ser bastante útil em alguns casos de protagonistas famosos como Peter Pan, Pinóquio ou Philip Marlowe…
  • Awards
    Aqui é possível listar os prêmios e indicações a prêmios do livro em questão.
  • Review Quotes
    Nesse campo, podemos inserir frases específicas de resenhas.
    Em ambos os casos, essas informações [citações e prêmios] precisavam vir na sinopse do livro, podendo torná-la mais longa do que gostaríamos e sem o devido destaque.
  • Announcement Date
    Admito que fiquei um pouco confuso com esse campo porque ele trabalha em conjunto com os dois anteriores [e já nossos conhecidos] Publication Date e OnSale Date. Pelo que entendi, diz respeito ao dia em que a pré-venda vai aparecer para os clientes. Então, ficamos assim: Publication Date: data de publicação do livro; Onsale Date: data em que o livro vai, efetivamente ser entregue às bibliotecas virtuais dos compradores; e Announcement Date, quando o e-book vai aparecer nas vitrines da Kobo.
  • Audience Age Range – From e Audience Age Range – To
    Agora é possível especificar uma faixa etária mais maleável e personalizada no lugar de ter que se ajustar aos 12-15 ou 13+… Apesar de não se tratar de uma novidade [esse campo já faz parte do cadastro de outras lojas], não era possível especificar isso na Kobo até esse novo template.
  • Audience type
    Outra novidade para estreitar ainda mais o caminho entre o que o leitor busca e o livro “certo”. Neste campo, podemos preencher com um número, de acordo com a imagem abaixo:

Clique para ampliar

  • BONUS TRACK: Social Sharing
    [não é nova, mas merece ser comentada]

Captura de tela de 2015-02-05 18:47:59

Habilitando essa opção você permite que o leitor compartilhe pequenos trechos [até 600 caracteres] do que está lendo, o que, por si só, é um passo ao encontro da tal leitura social compartilhada [além de ser um jeito de salvar trechos legais fora do livro]. Fora isso, é uma tremenda ferramenta marketing direcionado [e pouco usada, pelo que vejo].

Com usuários compartilhando trechos de seus livros aos seus amigos em redes sociais, ou seja, pessoas com quem esses usuários têm alguma afinidade, é possível que se atinja públicos próximos e mais específicos.

Funciona também, além disso, como ferramenta para reclamação. No geral, devolver e-books comprados não é uma tarefa exatamente intuitiva em muitas lojas. Eu, Hermida, leitor, pessoalmente, devolvo bastante, principalmente por conta de edições irritantemente poluídas por erros gráficos, links que não funcionam etc.

Apesar de ser possível devolver um e-book até 7 dias após a compra, sabemos que a maioria das empresas só te dá atenção quando as reclamações chegam em suas páginas nas redes sociais, e seu desaforo está lá, público, pra todo cliente em potencial, certo? Pois bem, fica a ideia para pressionar as editoras a entregarem um produto, pelo menos, razoável: compartilhar trechos truncados de uma conversão “não muito apurada” [eufemismo]. Deixando claro que, antes de apelar para isso, devemos sempre tentar o caminho tradicional.

Conclusão

Novamente, a Kobo está dando um passo diferente das demais lojas do ramo. Os novos campos mostram que a ideia é promover conteúdo relevante, num tipo de marketing mais específico, no sentido de ajudar o leitor a esbarrar com um livro não porque ele está custando R$1,99, mas porque aquele conteúdo é de seu interesse.

Ainda é cedo para dizer como isso vai se apresentar na loja da Kobo, afinal, ganhamos [editores e autores independentes] espaço para acrescentar detalhes diferenciais, embora não saibamos como isso será exibido.

Antonio HermidaPublicado originalmente em COLOFÃO | 11 de fevereiro de 2015

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

E agora divulgadores?


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2014

E agora divulgadores??

A grande pergunta que não quer calar é: Como divulgar o livro digital? Para mim, consumidora e já totalmente adaptada ao mundo digital desde 2009, não basta ser on line, tem que ser no mundo físico também.

Ninguém até hoje, investiu em divulgação de e-book, “tangibilizando”, ou seja, tornando ele um pouco palpável. Os motivos são inúmeros, a começar por problemas nas lojas por conta de sistemas de cobrança, até por falta de verba, pois a maior parte dela vai para divulgação do livro impresso.

Pensemos: o que você faria caso tivesse uma boa verba, ou mesmo que fosse meio a meio com o livro impresso? Por incrível que pareça a maioria dos setores de divulgação simplesmente não sabe, não conhece o produto e ainda é cheio de preconceitos e paradigmas.

Então por conta disso, aqui vão itens para inspirar nossos marketeiros, divulgadores, vendedores, merchandisers. Resolvi listar curiosidades dos bastidores das lojas digitais [entenda-se Kobo] e também de ideias loucas da minha cabeça, mas que acho possíveis:

– Você já parou para analisar os metadados? Ok ok, assunto velho, e já escrevi aqui muitas e muitas vezes, mas por incrível que pareça, muita gente não sabe como trabalhar com eles, ou melhor, como fazê-los trabalhar. Metadado nada mais é que as informações que você sobe nas lojas a respeito de uma obra. Você sobe sua obra no buraco negro da internet e cada dado que você vai alimentando nos sistemas, é como se fosse uma estrelinha, que aparecerá para a pessoa certa, justamente quando ela precisar [ó que lindo!]. Cada espaço/campo do metadado é valioso para você, ele te ajuda a indexar o seu e-book não só na loja, mas na internet. E qual não é o meu espanto, ao saber que a maior parte dos editores só preenchem os dados obrigatórios. Algumas empresas se superaram e passaram a usar o ONIX para subir os metadados via Excel. E qual não é minha surpresa também ao saber que elas não tem explorado nem um décimo da capacidade das tags de um ONIX. Acho que a parte operacional das editoras têm se desenvolvido bem, agora falta o trabalho de analista, analista de dados, de negócio. Alguém ali pensando em metadados, veja bem, não falo catalogação. São coisas bem diferentes. Você tem que subir o máximo de quantidades possíveis de informação!!! Por favor!!!!

– Você sabia que quantidade de download é poder? Se você tem um e-book de graça e ele tem números bons de download, você pode usar isso a seu favor, ao vender um espaço ou tentar um patrocínio?

– Sabia também que quando um leitor “ganha” um e-book de uma determinada editora, ele fica recebendo novas sugestões de leitura sempre ligadas de alguma forma a sua editora/autor/imprint? Sim meu povo, ao participar de alguma campanha, cedendo um de seus títulos, você está prendendo os leitores a vocês. Dar um livro a uma loja para participar de uma campanha de merchandising não é favor, é empreendedorismo. É como se passasse um laço no pescoço de seu leitor [eita, que grosseria] ou melhor, liga o editor/selo/autor/categoria ao leitor, ao histórico dele, forever!
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– Os espaços nas lojas de e-books não são pagos ainda =] É bem tranquilo conseguir alguma ação sem travar a infinita guerra do jabá.

– Já pensaram em acessórios? Capas de gadgets, com a arte das capas dos livros? Tiragens limitadas de e-book+capa para o Kobo+impresso+código promocional para capturar o e-book? Estamos na era dos acessórios minha gente. Quantas capinhas de celular você tem? Ou quantas tem vontade de comprar? Explore isso, a arte das capas são de vocês, editores [a maioria dos contratos de designer cedem os direitos totalmente]. Eu quero meu acessório com a minha capa de livro preferida!!!!! Capa de livro antropologicamente falando, faz com que você seja inserido no clube de determinada tribo. Você quer [na maioria da vezes] ser identificado pelo seu livro preferido do momento, não?

– Já pensaram em kits digitais de divulgação? Um wallpaper fofo, com um tema de celular, selos de divulgação e artes exclusivas, tudo isso acompanhando o e-book, para o seu blogueiro/jornalista/site preferido?

Poderia ficar páginas e páginas aqui criando coisas para se fazer com o livro digital. Algumas destas ideias já tenho tentado plantar na cabeças das minhas editoras parceiras. Mas tudo depende muito de verba, de importância que a editora dá ao produto digital. Produto este que já é uma realidade mercadológica [as e-bookstores principais, não vendem menos de 150/200 mil exemplares de e-books ao ano, só no Brasil!!!] Se isso não é um mercado aquecido… me digam o que é =]

Dicas, reclamações e sugestões de pauta camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2014

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

THEMA | A nova ferramenta de metadados para livros


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Os leitores de O Nome da Rosa, de Umberto Eco, podem lembrar que os crimesno mosteiro acontecem, no final das contas, em torno de um assunto aparentemente prosaico: a classificação a ser dada ao suposto manuscrito de Aristóteles achado na biblioteca do convento. O suposto tratado sobre o riso seria obra filosófica [no sentido dado à palavra pela escolástica], ou um texto demoníaco que negava o cristianismo? Dessa classificação dependeria o acesso ao manuscrito ou sua condenação ao “inferno” dos livros proibidos. Da disputa, surge a razão dos assassinatos.

Por isso é que às vezes eu brinco, conversando com bibliotecários, que eles são capazes de assassinar em disputas sobre a classificação. O estruturado sistema decimal usado nas bibliotecas abre espaços para esse tipo de disputas [felizmente, rara vez resultando em assassinatos, mas muitas vezes em disputas acerbas entre os bibliotecários].

O sistema decimal serve muito bem aos sistemas de bibliotecas. Mas, para a indústria editorial e para o comércio de livros resulta demasiadamente complicado. O assunto foi progressivamente sendo enfrentado pela indústria. Primeiro veio o ISBN, um identificador unívoco de cada título e edição. Mas, se não se sabe qual o ISBN, as buscas devem utilizar algum outro metadado. Os mais comuns, certamente, são o título e o nome do autor. Durante várias décadas isso funcionou bem para o mercado e foi incorporado nos sistemas de bibliotecas. Mecanismos com o protocolo Z.39.5 permitem que os computadores de diferentes bibliotecas “conversem” entre si a partir de fragmentos como esses, e importem/exportem dados de classificação cooperativa [nossa BN, infelizmente, não abre esse mecanismo. O sistema de bibliotecas das universidades paulistas abre, em parte].

Mas a classificação por “assuntos” do ISBN sempre foi muito frouxa e desregulada. Quando aconteceu o avanço do comércio internacional de livros e particularmente o surgimento dos e-books, as deficiências dos mecanismos de busca por assunto revelaram de vez suas fragilidades. Daí que as entidades ligadas aos livros, em cada país [as que levam esses assuntos a sério, é claro], começaram a enfrentar o problema. O BISG – Book Industry Study Group, dos EUA, formulou o BISAC, os ingleses criaram o BIC, os franceses o CLIL e os alemães o WGS. E começaram os remendos, com gente armando esquemas para “traduzir” as classificações de um para o outro. Isso sem falar na Amazon, que usa o BISAC, mas acrescenta um monte de outros metadados que lhe permite fazer listas de best-sellers extremamente segmentadas e tornar mais fluido seu mecanismo de buscas.

No meio do caminho apareceu o DOI – Digital Object Identifier e o consórcio EdiTeur. O EdiTeur é, digamos assim, o meta incentivador/organizador de padrões para a indústria editorial. Praticamente tudo de relevante formatado em termos de padronização surgiu de iniciativas do grupo, embora a administração de cada um deles logo tenha passado para órgãos específicos. O padrão Epubé administrado por um consórcio específico, assim como o ISBN possui um escritório central sediado em Berlim. O ONIX [ON line Interface EXchange], criado pelo BISG, também se integra a essa constelação.

Gosto de citar o DOI porque acompanhei um tanto de perto as etapas finais de sua formulação, quando ainda trabalhava na CBL, e pela sua importância nos sistemas de gerenciamento de direitos. O DOI permite que qualquer segmento de informação digital, definido como tal pelo editor [de livros, de música, de filmes], receba um identificador único. Assim, um livro inteiro pode ter um identificador, ou um capítulo, ou uma ilustração, ou um gráfico, etc. Uma vez embutido, o DOI permite, em tese, que a circulação desse documento digital possa ser rastreado na Internet. O DOI é administrado pela DOI Foundation, e conta com a participação dos mencionados segmentos de música e filmes.

A mais recente iniciativa do EdiTeur é o THEMA, um sistema internacional para classificação de assuntos. O THEMA pretende incorporar progressivamente os demais sistemas de classificação de assuntos, permitindo uma uniformização dos objetos de pesquisa.

Durante a conferência Tools ofChangena edição de 2012 da Feira de Frankfurt foi anunciado o projeto do THEMA, que imediatamente ganhou apoio das associações de mais de doze países, tanto da América do Norte quanto da Europa. Logo se construiu um projeto piloto e uma proposta para a governança do sistema, que ficou adjudicado ao EdiTeur na última Feira de Frankfurt, em 2013. Na ocasião também foi criado um comitê para dirigir o seu desenvolvimento, que deverá se reunir durante as feiras de Londres e Frankfurt para acompanhar o projeto.

A proposta do THEMA é a construção de um sistema global de classificação de assuntos, aplicável facilmente por todos os integrantes da cadeia de produção e comercialização de livros, com flexibilidade para permitir que cada mercado retenha suas especificidades culturais. Integrado ao ONIX, permitirá o uso em múltiplas plataformas de comercialização e difusão do livro.

Mas, afinal, como funciona esse tal de THEMA? O sistema estabelece uma hierarquia de assuntos, com vinte assuntos de nível máximo, cada um dividido em quantas subcategorias forem necessárias, cada uma dessas categorias inferiores identificada por códigos alfanuméricos.

As hierarquias maiores correspondem a uma letra. A, por exemplo, são as Artes. Daí em diante vão se subdividindo: AB corresponde a Artes: assuntos gerais;ABA vai para Artes – Teoria. E assim por diante. A chave, evidentemente, é manter uniformes as categorias, na medida em que sejam formadas.

A hierarquia implica que os livros devam ser classificados até o nível de detalhe mais adequado, mas sempre relacionados com os níveis superiores. Por exemplo, um livro que entre na categoria AGA [História da Arte] será também automaticamente classificado nos níveis mais gerais – AG [Belas Artes: tratamentos e assuntos] e o A.

O sistema permite também a combinação de várias classificações e o detalhamento por países, época histórica ou corrente artística, idade possível de interesse para o livro e seja lá mais que dado possa ser considerado relevante. Como os códigos serão alfanuméricos e constantes, os cabeçalhos podem ser traduzidos para qualquer idioma.

Essa classificação deverá alterar também as categorias de assuntos das empresas de pesquisa de vendas, como a BookScan e a GfK. Cada uma delas usa critérios próprios para divisão de assuntos, o que certamente dificulta a comparação de dados entre os vários países.

A atribuição dos códigos de classificação é feita pelos editores, que devem atentar para que os assuntos de cada livro sejam considerados e se tornem localizáveis pelos mecanismos de busca. E é gratuito, mesmo para as que estão em países cujas organizações profissionais não façam parte nem contribuam para o comitê de governança do THEMA.

É mais um esforço das organizações sérias de editores e livreiros para facilitar o intercâmbio internacional. Aqui ainda teremos que enfrentar vários problemas prévios, em particular que os editores e livreiros compreendam em profundidade a importância da aplicação correta de metadados em suas informações.

Mas algum dia chegaremos lá. Nem que seja pela pressão do resto do mundo, inconformado com essa balbúrdia que reina por aqui.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

O Futuro do Livro é o Híbrido


Vem aí o primeiro catálogo universal e padrão de obras, disponível para todo o mercado editorial brasileiro.

A Câmara Brasileira do Livro [CBL] já começa a liberar, oficialmente, informações detalhadas sobre o projeto Cadastro Nacional do Livro, da qual sou o Coordenador Geral, mas creio que esta novidade será tão importante para apontar e delimitar novos horizontes do mercado de livros, quanto será a próxima edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital.

É, sem dúvida alguma, a grande sacada em 2012 para o mundo dos livros. E que era uma antiga aspiração da categoria, mas que, só agora, graças ao aprimoramento da tecnologia, está se tornando possível.

A ideia central do Cadastro Nacional do Livro [CANAL] é criar uma plataforma distribuidora de informações claras e precisas sobre o cadastro de todos os livros publicados em língua portuguesa.

Uma plataforma de normalização de metadados digitais [baseada em um padrão para o mercado brasileiro] traria uma evolução criativa na transmissão de informações sobre livros para as editoras, distribuidoras, livrarias físicas e virtuais [no caso das vendas], blogs e redes sociais [divulgação], bibliotecas [circulação], etc.

Na prática, isso quer dizer que o leitor, o bibliotecário e ou até o Governo, irá encontrar aquele livro que precisa, através da Internet ou dos terminais de buscas nas livrarias e bibliotecas, pois as informações sobre os livros, se o mercado livreiro aderir à iniciativa, estarão sendo armazenadas e transmitidas de modo mais preciso que atualmente. Principalmente, por exemplo, no que diz respeito à disponibilidade de um determinado título nos estoques físicos.

Se o mercado editorial brasileiro juntar a tecnologia de uma normalização de cadastrado único padrão para livros, com os modernos processos de impressão digital sob demanda, a mágica estará feita.

Há discussões técnicas bem interessantes, nas entidades de classe como CBL e ANL [Associação Nacional de Livrarias], com relação ao padrão adotado. Existiam alguns caminhos, mas a Onix for Books [que atualmente está em sua versão 3.0], que de longe parecia ser a melhor escolha.

Além de permitir uma melhor segurança na transmissão de dados, O ONIX [acrônimo para ONline Information EXchange] é um dos padrões, internacional, para representar e comunicar informações de produtos nas indústrias de bens culturais, ou seja, no nosso caso, para a cadeia produtiva do livro.

O mais interessante é que o padrão Onix não nasceu para criar o intercâmbio de trafego de dados para livros digitais, mas sim para livros impressos. Mas o conceito do Onix é tão amplo e tão rico que caiu como luva nos demais formatos ou suportes mais modernos do livro, como é o caso do eBook e também do Áudio Book. O Onix for Books 3.0 é baseado na tecnologia XML, assim como o formato padrão para publicações eletrônicas, o ePub, e o formato de acessibilidade conhecido como DAISY. Creio que se juntarmos o Onix [para metadados de livros em geral] e o ePub [para o conteúdo especificamente] teremos um cenário muito interessante pela frente.

O Cadastro Nacional do Livro fortalecerá toda a cadeia produtiva do livro, desde o livreiro independente, assim como também melhoraria a comunicação de cadastro de obras das pequenas editoras junto às grandes livrarias. O cadastro do livro se dará de modo uniforme, graças aos metadados, independente se o livro estaria circulando em formato eletrônico, impresso ou em áudio. E independente também dos diversos players e canais de vendas hoje disponíveis no mercado.

Como vemos, o futuro do livro é o híbrido. O mercado deverá oferecer o conteúdo das obras em formatos diversos [impresso sob demanda, eletrônico ou em áudio], e o consumidor final é quem escolherá em qual suporte deseja consumir os livros. E o segredo desse consumo está no acesso irrestrito às informações sobre as obras.

Artigo escrito por Ednei Procópio | Publicado originalmente Revista ANL, órgão oficial da Associação Nacional de Livrarias | Dezembro 2010 | Ano 10 | Edição 42

Metadata, ou quando os editores brasileiros comem moscas, cobras e largatos


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em “O Xis do Problema” | 27 de julho de 2011

A palestra mais interessante do primeiro dia do Congresso do Livro Digital da CBL foi sem dúvida a de Edward Nawotka, editor-chefe do Publishing Perspectives, já no final da tarde.

Ed tratou de vários pontos, voltando a dez anos atrás e mostrando alguns dos erros estratégicos que culminaram na falência da Borders e os perigos que rondam o mercado editorial. Mas o ponto central do que falou foi a advertência: algo que os editores podem e devem fazer para garantir seu futuro em um mercado onde pululam os autores que se auto-publicam, é trabalhar a metadata de seus livros.

De que se trata?

Metadata é o conjunto de dados sobre dados. Assim simples, parece pouco. Mas na verdade é algo realmente fundamental para adquirir o instrumento mais precioso que os editores podem ter para manter sua posição no mercado: informação.

O título de um livro, o nome do autor, da editora e o ISBN, por exemplo, são metadatas. Informações que se referem a um livro. Mas se restritos apenas a esses dados, a quantidade de informação que estes podem proporcionar é ridícula, diante da riqueza que pode ser mineirada se houver uma compreensão melhor sobre o assunto.

Agora quem recua a dez, doze anos atrás sou eu. Trabalhava na CBL, como Diretor de Relações Institucionais. Por volta de 1998/99, duas movimentações no mercado internacional atraíram minha atenção. A primeira foi a iniciativa do Book Industry Study Group – BISG [mantido pela indústria editorial americana para promover pesquisas e estudos sobre o mercado] e do Book Industry Comunication [do Reino Unido] de construir a primeira versão do ONIX – On Line Information Exchange. O padrão ONIX é desenhado para possibilitar a comunicação computador-computador entre os envolvidos na criação, distribuição, licenciamento ou qualquer outro modo de tornar disponível propriedade intelectual publicada, seja física ou digital. Todos os padrões ONIX são expressos em XML. Mais informações aqui .

A segunda iniciativa foi a da criação do DOI – Digital Object Information, também por iniciativa principalmente dos editores, destinada a identificar qualquer segmento de informação digital de forma unívoca [tal como o ISBN identifica uma edição, o DOI identifica objetos digitais]. Mais informações aqui . Qualquer segmento, nesse caso, pode significar desde o livro digital inteiro até qualquer parte dele [o título, o nome do autor, o ISBN, uma foto, a capa, um gráfico, uma ilustração, qualquer parte do objeto digital].

As duas iniciativas criaram as condições para que se pudesse rastrear a circulação na Internet de qualquer movimentação relacionada com os livros: no caso do ONIX, mesmo dos livros físicos; no caso do DOI, de qualquer segmento digital. O resultado disso foi, entre outras coisas, o surgimento dos diferentes sistemas de DRM – Digital Rights Management.

É importante destacar que o DRM pode ser um instrumento extremamente flexível e, acoplado com as informações dos arquivos no padrão ONIX e DOI, possibilitam ao editor obter dados valiosíssimos sobre a circulação das INFORMAÇÕES sobre seus produtos na Internet.

Digamos, por exemplo, que as informações sobre um título qualquer – livro físico – estão organizadas no padrão ONIX. O sistema permite que se recolham informações sobre qualquer acesso a qualquer tipo de informação que circule na Internet sobre esse livro. Se alguém acessa o site da editora e clica no título em questão, o sistema coleta informações as mais variadas a partir do IP de quem clicou. O mesmo se o título for consultado no site de uma livraria ou de um distribuidor. Depende de como foram organizados os metadados dentro do padrão ONIX. Ou seja, não é preciso que seja um livro digital para que os metadados referentes a esse livro já estejam gerando informações para os editores: sobre a distribuição geográfica dos acessos, por exemplo, que podem ser combinados com outras fontes de informações. Quem já viu as tabelas do Google Analytics pode imaginar o quanto é possível garimpar a partir de um simples clique no título do livro. E o ONIX não é apenas isso. Tem muito mais.

O DOI simplesmente amplifica essas possibilidades para os livros digitais.

As restrições à circulação dos e-books, que tornaram os DRMs mais conhecidos por conta das restrições nas transferências do conteúdo digital, são praticamente um subproduto da combinação ONIX/DOI. E a maioria das pessoas pensa que os DRMs dizem respeito apenas ao comércio dos e-books.

Nada disso. DRMs são uma expressão prática de coleta de metadados, e apenas uma delas, talvez a que tenha atraído maior rejeição por parte dos consumidores finais.

Representando a CBL, cheguei a assistir a duas séries de reuniões sobre o DOI, em Frankfurt e em Berlim, e o assunto já começava a ser discutido pela diretoria da CBL. Era uma visão de futuro para o mercado editorial.

Em 2002, na sucessão da administração do Raul Wassermann, o senhor Oswaldo Siciliano foi eleito e jogou fora tudo isso.

Somente no ano passado a CBL iniciou tratativas com a Federación de Gremios de Editores de España para adotar uma versão do padrão ONIX em um catálogo de livros disponíveis, que seria a versão brasileira do DILVE – Distribuidor de Información del Libro Español en Venta. Falou-se nisso e depois não ouvi mais a respeito. No site da CBL, não se encontra mais nada sobre o assunto.

Em resumo, no começo da década passada já se esboçava uma visão de futuro sobre a importância da coleta de informação, e da padronização do tipo de informações. O esforço foi jogado fora e interrompido.

É possível que algumas editoras mais bem informadas estejam trabalhando com o padrão ONIX. Não sei. Se estão, devem guardar esses dados como um tesouro de informações valiosíssimas.

Mas o fato é que o mercado editorial brasileiro, nessa altura dos acontecimentos, tem que correr atrás do prejuízo.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em “O Xis do Problema” | 27 de julho de 2011