Prefeituras do Ceará aderem às bibliotecas digitais


O estado do Ceará já tem pelo menos 19 bibliotecas de acesso público prontas para começar a emprestar eBooks virtualmente, um serviço apontado por especialistas como solução para atrair os leitores mais jovens e estancar o esvaziamento que se verifica nos últimos anos. O estado aparece entre os cinco com maior número de bibliotecas digitais instaladas.

A novidade chegou, este ano, ao Brasil e já está presente em 26 estados brasileiros. No Ceará, existem bibliotecas digitais em 15 municípios, sendo três na capital Fortaleza e duas localizadas em Farias Brito e Itapipoca. Destacam-se ainda as cidades de Aruaru e Paraipaba, seguindo o exemplo do Estado, que ocupam a primeira posição, em número de leitores cadastrados, na Região Nordeste.

Os usuários podem pegar emprestados os livros digitais de qualquer lugar com internet e ler no computador, tablet, e-reader e até no celular, inclusive depois de desconectar [desde que o texto seja mantido na tela]. Para se cadastrar, os interessados devem ir pessoalmente a qualquer uma dessas bibliotecas e já pegar emprestados até três eBooks simultâneos pelo prazo de 15 dias, podendo renovar uma vez.

Por enquanto, estão à disposição dos leitores 1.000 eBooks de autores nacionais e estrangeiros em domínio público, da Coleção de Clássicos da Árvore de Livros, a plataforma de empréstimo digital que está operando nessas cidades. Futuramente, as bibliotecas poderão ampliar seu catálogo e passar a oferecer outros 14 mil títulos, incluindo lançamentos atuais.

A chegada das bibliotecas digitais ao estado do Ceará é o resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira de Municípios [ABM], Observatório do Livro e da Leitura, Fundação Palavra Mágica e a Árvore S/A. “Investimentos em tecnologia costumam ser altos e, mesmo assim, rapidamente ficam defasados”, afirma o diretor do Observatório do Livro e da Leitura, Galeno Amorim, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Segundo ele, a iniciativa deve beneficiar principalmente as pequenas e médias cidades que, em geral, costumam ter dificuldades para aderir e implementar inovações tecnológicas justamente por causa dos custos. Para o presidente da ABM, Eduardo Tadeu Pereira, garantir maior acesso das populações aos livros “é um importante caminho para proporcionar avanços na área da educação e também democratizar o acesso à leitura”.

O acordo prevê também a manutenção da plataforma e o treinamento virtual dos bibliotecários e técnicos das bibliotecas municipais e comunitárias. As prefeituras e bibliotecas interessadas em receber gratuitamente sua biblioteca digital podem entrar em contato pelo e-mail bibliotecas@arvoredelivros.com.br.

Associação Brasileira de Municípios | 21/10/2014

Escritor propõe difusão dos eBooks em programas sociais


O escritor e jornalista Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional, veio a Curitiba esta semana para apresentar seus projetos de difusão dos livros digitais como instrumentos de políticas públicas para a área de literatura e incentivo à leitura. Nesta quarta-feira [03] esteve em reunião com a secretária municipal de Educação, Roberlayne Roballo, e com o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli. Nesta quinta-feira [04], visitou a sede da Fundação Cultural e a Casa da Leitura Dario Vellozo [Praça Garibaldi].

Galeno Amorim é diretor do Observatório do Livro e da Leitura e considerado um dos maiores especialistas em políticas públicas do livro e leitura da América Latina. Atualmente desenvolve pesquisas no campo da literatura, especialmente analisando o reflexo das atuais tendências de suportes digitais [e-books] na formação de novos leitores. Ele considera Curitiba uma referência nacional em rede pública de bibliotecas e acredita que a cidade está apta a assumir a vanguarda no uso das plataformas digitais.

Amorim observa que as pessoas aceitam cada vez mais o suporte digital, que na sua opinião não é um substituto do livro e das bibliotecas físicas, mas certamente deve ser valorizado e considerado como mais um instrumento de apoio para os mediadores de leitura. “As pessoas estão tendo uma outra concepção sobre essa tecnologia. Um livro é um livro, não importa o suporte”, diz. O pesquisador acredita também que o papel do mediador de leitura continua sendo indispensável e que o contato humano é imprescindível para orientar e incentivar a leitura.

Galeno Amorim foi responsável pela criação do Plano Nacional do Livro e Leitura [PNLL], dos ministérios da Cultura e da Educação. Na ocasião, dirigiu a área do livro e leitura na Fundação Biblioteca Nacional e no Ministério da Cultura. Criou e dirigiu programas como o Fome de Livro [para zerar o número de cidades sem bibliotecas], o Ano Ibero-americano da Leitura [VivaLeitura], a Câmara Setorial, o Prêmio VivaLeitura e a desoneração fiscal do livro, entre outros. Também integrou os conselhos estaduais de leitura dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, e foi secretário municipal da Cultura em Ribeirão Preto, onde iniciou sua carreira. É autor de 16 livros, entre ensaios e literatura infanto-juvenil.

Em sua visita a Curitiba, também foi recebido pelo diretor de Patrimônio Cultural da Fundação Cultura, Hugo Tavares, pela coordenadora de Literatura, Mariane Filipak Torres, e pelo coordenador de Ação Cultural Getúlio Guerra.

Bem Paraná | 5/09/2014

Projeto levará acervo digital a bibliotecas públicas do país


Um projeto de implantação de acervo digital nas bibliotecas públicas brasileiras será apresentado nesta quarta-feira [13] em Brasília.

O programa foi desenvolvido pelo Observatório do Livro e da Leitura [centro de estudos e pesquisas sobre a questão do livro e da leitura no país], em parceria com a Árvore de Livros [biblioteca digital voltada para atender a educação básica das redes de ensino pública e privada].

Em Brasília, será assinado um acordo de cooperação técnica entre o Observatório e a Associação Brasileira de Municípios, com apoio, nos Estados, dos Sistemas Estaduais de Biblioteca Pública.

As bibliotecas públicas dos 5.570 municípios brasileiros poderão aderir ao programa na própria quarta. Terão acesso gratuito ao acervo, à plataforma de empréstimo e ao serviço de manutenção do sistema.

Num primeiro momento, estarão disponíveis cerca de mil e-books de autores clássicos brasileiros em domínio público. O acesso aos livros será por computadores, tablets, e-readers e smartphones. O projeto não inclui o empréstimo dos equipamentos.

Para evitar a pirataria, o leitor não poderá baixar o livro. O serviço será via streaming [transmissão pela internet], o mesmo utilizado pela empresa Netflix para empréstimo de filmes e séries.

É fundamental preparar nossa bibliotecas para este contexto tecnológico atual“, afirma Galeno Amorim, diretor do Observatório do Livro e da Leitura e ex-presidente presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

É uma forma de conseguirmos recuperar o leitor que vinha se distanciando da leitura. O empréstimo poderá ser feito pelo site das bibliotecas, em qualquer hora, em qualquer dia. Também representa uma solução para o problema de ter um espaço físico para alojar os livros.

Amorim destaca ainda os ganhos na difusão da leitura —um mesmo livro poderá ser lido por um número infinito de leitores ao mesmo tempo.

Publicado originalmente em FOLHA DE S. PAULO | 12/08/2014 13h54

O impacto dos livros digitais nas bibliotecas


O Observatório do Livro e da Leitura divulgou nesta segunda-feira [14/04] o resultado da pesquisa Bibliotecas e Leitura Digital no Brasil, encomendada pela Árvore de Livros S.A. Respondida por bibliotecários e responsáveis por bibliotecas brasileiras, o estudo priorizou as bibliotecas públicas municipais que, segundo a pesquisa estão na quase totalidade dos municípios brasileiros, representando 52,5% das entrevistas realizadas. Participaram ainda da pesquisa bibliotecas comunitárias, universitárias e escolares. Foram entrevistados 503 representantes de bibliotecas de todas as unidades da federação em março de 2014.

Segundo Galeno Amorim, coordenador geral do Observatório, “a pesquisa foi feita para avaliar o estado das bibliotecas que atendem o publico, seja ela municipal, estadual, comunitária, rural, escolar, de universidade e até de empresas e órgãos da administração pública e, com isso, aproveitar para chamar a atenção sobre a necessidade de se criar políticas mais robustas e permanentes de financiamento desses equipamentos que podem ter um papel cada vez mais importante no momento em que a educação parece prestes a ganhar um novo destaque no cenário nacional para construir um novo futuro para o país”.

O estudo buscou compreender também como as bibliotecas se posicionam e se preparam para entrar na era do livro digital e passar a prestar esse tipo de serviço aos seus leitores e a muitos outros que poderão tornar-se usuários delas também”, acrescentaou Galeno.

De acordo com a pesquisa, os responsáveis pelas bibliotecas identificaram os diversos dispositivos de leitura, incluindo computadores, como sendo apropriados para serem utilizados pelos usuários em seus espaços de leitura. Os tablets, com 53,3%, um índice que chega a 70,5% no caso das escolares, lideram a preferência, mas os computadores aparecem logo em seguida, em situação de empate técnico, com 56,8%, seguido pelos notbooks [53,3%]. A pesquisa aponta que embora dedicados especificamente à leitura digital, os eReaders só aparecem em penúltima lugar, com 14,9%, só um pouco à frente dos smartphones [12,2%].

Que tipo [s] de aparelho [s] você considera mais apropriado [s] para os usuários lerem um eBook na sua biblioteca?
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Para a maioria absoluta dos bibliotecários e responsáveis pelas bibliotecas brasileiras [77,9%] que atendem diferentes públicos leitores, o tablet é o aparelho mais adequado para os usuários lerem eBooks quando estiverem fora da biblioteca. O notebook aparece como o segundo melhor colocado com 60,5% do total.

O impacto dos eBooks sobre a leitura e as bibliotecas

A pesquisa estimulou os entrevistados a responderem sobre o que acreditam que poderá acontecer com a chegada dos eBooks às bibliotecas. A grande maioria [82% dos que respondera] apontam que os dois tipos de suportes [o livro impresso e o eBook, sua versão digital] deverão conviver juntos em harmonia. No caso das bibliotecas universitárias esse tipo de resposta esteve na boca de 100% entrevistados.

Galeno acredita que este resultado indica que os bibliotecários e os responsáveis pelas bibliotecas estão percebendo que a tecnologia, em vez de representar mais trabalho e dispêndio de energia para eles, pode servir como uma alavanca para a atuação das bibliotecas. “É extraordinariamente importante esse posicionamento dos dirigentes e profissionais da área, que intuem que colocar o pé no futuro pode significar mais usuários, mais leitura e, com isso, certamente maior reconhecimento e apoio. Este ano será marcado pela chegada da era digital às bibliotecas no Brasil. Isso é altamente positivo para gerar leitura, leitores e, sobretudo, maior inclusão cultural e tecnológica na sociedade brasileira”, diz entusiasmado.

O que você acha que poderá acontecer com a chegada de aparelhos e eBooks na sua biblioteca?

Para Moreno Barros, bibliotecário do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e colunista da Revista Biblioo, não há dúvida de que os diferentes suportes continuarão a coexistir uma vez que, segundo sua opinião, “bibliotecário não trabalha com suporte, trabalha com conteúdo, documentos e informação, então essa discussão pra gente não faz sentido”. O assunto foi tema de artigo recente de Moreno: “O que os bibliotecários devem saber sobre os ebooks”.

Por outro lado, temos a responsabilidade da guarda, então é importante que estejamos atentos às mudanças de padrões tecnológicos [a escrita sendo a primeira tecnologia, os ebooks a mais recente]”.

Para Moreno, o que os bibliotecários não podem fazer é argumentar que não estão preparados para a mudança. “Basta entrar em qualquer linha de metrô nas grandes cidades e perceber como as pessoas consomem informação em seus celulares. Basta entrar em qualquer biblioteca universitária e perceber que os alunos estão mais com laptops à tira colo do que livros. Basta visitar qualquer biblioteca pública e perceber que as crianças estão mais interessadas nos computadores do que nos livros, os adultos mais preocupados com o uso de espaço público do que o acervo”.

Na concepção do bibliotecário, quem dita essas transformações é o mercado [tendo os avanços tecnológicos como sustentação] e depois os usuários. Os bibliotecários funcionariam apenas como receptáculo e eventualmente exercendo o papel de intermédio entre criadores e distribuidores de conteúdo.

Em determinado momento, bastará que uma editora decida comercializar seus livros em formato apenas eletrônico, para toda uma cadeia de distribuição logística ser alterada, simplesmente porque para ela é muito mais barato produzir e comercializar seus livros em formato digital, trabalhando em conjunto com outras empresas tecnológicas que mantêm o monopólio sobre a disseminação do conteúdo”.

Biblioo | 14/04/14