Consumo da literatura é mediado pelas redes sociais


Estudo apresentado na Flip mostra que web virou ferramenta para disseminar o texto literário

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

SÃO PAULO — O consumo de literatura é cada vez mais mediado pelas redes sociais. No entanto, o impacto dessas mídias na produção, consumo, distribuição e troca de trabalhos literários ainda não foi mensurado a contento. Para Fabio Malini, coordenador do Laboratório de Pesquisador sobre Imagem e Cibercultura [Labic] da Universidade Federal do Espírito Santo, essa transformação traz novos públicos, novos espaços de circulação da literatura e novos mediadores, transformando a obra literária de diferentes escritores em discursos espalhados pela internet, fazendo de alguns autores celebridades da rede.

Para preencher em parte essa lacuna, Malini dedicou-se a observar a propagação da literatura brasileira no Twitter e no Facebook. A pesquisa, encomendada pelo Itaú Cultural, será apresentada nesta quarta na programação da instituição na Flip, e publicada na edição 17 da revista “Observatório cultural”.

O estudo mostra que a propagação de citações é o modo mais utilizado para disseminar o texto literário nas redes sociais. Na literatura contemporânea, observa-se a construção de um autor que, ao mesmo tempo, publica e constitui uma relação íntima com seus públicos na rede. E estes espalham visões críticas e afetos pelas obras que lhe interessam.

— O consumo de literatura nas redes sociais vem alterando o comportamento dos escritores. Em seus perfis, eles passaram a revelar bastidores de seu processo de produção, ao mesmo tempo em que divulgam suas obras. Especialmente os autores dedicados ao público juvenil: esses estão em constante presença nas redes, quase como personagens — explica Malini, lembrando que a escritora Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook, com mais de 300 mil fãs que interagem continuamente com sua página na rede social.

Segundo o pesquisador, Thalita faz de sua página uma espécie de diário virtual reproduzindo a própria discursividade adolescente na rede. No lugar de um narrador mais recolhido, dedicado à obra, a escritora radicaliza a linguagem do selfie, com inúmeros autorretratos. Assim, seu público pode consumir não apenas a sua literatura, mas a sua vida. É uma situação de alta visibilidade em tempo real.

Mas não é só o público juvenil que está em busca de um contato mais próximo com escritores nas redes sociais. Malini acredita que essa avidez por comunicação cria uma geração de autores mais abertos em sua subjetividade literária, motivados por um público que deseja vislumbrar uma produção até então baseada no recolhimento.

— O público não só busca maior compreensão da obra de seus autores favoritos, como também gosta de observar sua visão de mundo, suas posições políticas — observa o especialista.

Outro aspecto do consumo de literatura nas redes é a cultura de fãs de autores que já morreram, tais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Paulo Leminsky e Caio Fernando Abreu.

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Os autores mais citados pelo mundo acadêmico não são os mais populares nas redes sociais. Obras de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Mário de Andrade são menos citadas, curtidas e compartilhadas. Já as do poeta Carlos Drummond de Andrade e do escritor Machado de Assis alavancam diferentes apropriações pelos usuários. As páginas de Drummond, Caio e Clarice são as campeãs de fãs no Facebook: juntas mobilizam mais de 1 milhão de seguidores.

— Os perfis desses autores brasileiros já falecidos geralmente são administrados por literatos ou escritores. Daí a cultura do remix literário, ou seja, a liberdade que esses administradores de fan pages têm em assumir características marcantes do autor e criar suas próprias frases, numa espécie de emulação. Citações que têm algo de autoajuda quando tiradas de seu contexto fazem muito sucesso. Em alguns casos, servem como indiretas ao serem compartilhadas — detalha o acadêmico sobre o comportamento do leitor brasileiro na web.

Paulo Leminski, por exemplo, começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país, há pouco mais de um ano. Esse movimento nas redes sociais levou a antologia “Toda poesia” de Leminski a figurar diversas semanas na lista de mais vendidos.

Ecoando o desejo dos manifestantes de humanizar o espaço urbano, um poema de Leminski [“Ainda vão me matar numa rua. Quando descobrirem, principalmente, que faço parte dessa gente que pensa que a rua é a parte principal da cidade”] foi retuitado centenas de vezes. Nos dias 15 e 16 de junho de 2013, a tag #todarevoluçãocomeçacomumafaísca esteve entre as mais populares no Brasil, uma alusão à trilogia juvenil “Jogos vorazes”, outro best-seller.

A tese de que perfis de redes sociais não discutem literatura em tempo real é uma especulação simplista, acredita Malini. A rede se tornou um manancial de novos críticos, novos mediadores da literatura, por onde as obras da nova geração e dos autores “mortos” ganham vida e sobrevida.

— É impressionante o que as redes sociais têm feito pela popularização da poesia brasileira, gênero historicamente renegado. É reducionista acusar a rede de gerar um consumo fácil e rápido de literatura, assim como é simplista acreditar que só o livro oferece leitura de qualidade. As redes sociais são portas de entrada para leitores, escritores e críticos, democratizando o consumo e a produção literária — acredita Malini.

Por Márcia Abos | O Globo | 30/07/2014, às 12:08

Faturamento com venda de eBook cresce 225% no Brasil


Ainda que as editoras brasileiras digam que as vendas de e-books não sejam suficientes para cobrir o investimento que elas têm feito ao longo dos últimos anos na produção e conversão de livros, o crescimento do setor vai de vento em popa. De acordo com dados da pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial, feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas [Fipe] por encomenda da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional de Editores, e apresentada ontem em São Paulo, o faturamento do mercado editorial brasileiro com os e-books saltou de R$ 3,8 milhões em 2012 para R$ 12,7 milhões em 2013, ano base do levantamento.

Uma informação deve ser levada em consideração ao analisarmos esses números. A pesquisa, no geral, é uma estimativa feita a partir dos dados fornecidos por uma amostra – neste ano, composta por 217 editoras, que representam 72% do mercado. No caso da questão relacionada ao livro digital, que aparece apenas pela segunda vez de forma mais aprofundada no questionário, nenhuma inferência foi feita. Portanto, os números estão restritos ao universo das editoras que, entre essas 217, já estão no mundo digital. Ou seja, os valores podem ser ainda maiores.

Foram produzidos 30.683 títulos digitais em 2013 – 26.054 e-books e 4.629 aplicativos. Em 2012, esses números foram, respectivamente, 7.470 e 194. Em unidades vendidas, o salto também foi significativo – de 235.315 para 889.146. O segmento de obras gerais foi o que mais se beneficiou com a novidade tecnológica – ele faturou R$ 9,2 milhões no ano passado e foi seguido pelas editoras de livros científicos, técnicos e profissionais [CTP], com R$ 2,6 milhões; didáticos, com R$ 601 mil; e religiosos, com 287 mil.

Já o desenvolvimento do mercado de livro impresso deixa a desejar pelo segundo ano consecutivo. As editoras registraram faturamento de R$ 5,3 bilhões em 2013, um crescimento de 7,52% em comparação ao ano anterior. No entanto, descontada a inflação do período, de 5,91%, o crescimento real é de apenas 1,52%. Isso, considerando as vendas para o mercado e para o Governo. Quando descontamos o polpudo mercado governamental, que no ano passado representou R$ 1,4 bi, o crescimento real foi nulo.

Se em 2013 o Governo foi responsável por garantir esse crescimento mínimo, em 2012, quando foi registrada queda de 3,04% em relação a 2011, ele foi um dos vilões. Isso mostra como o setor ainda é dependente dessas compras de livros didáticos, para alunos, e literários, para bibliotecas. Vale lembrar que os programas são sazonais e contemplam, a cada ano, diferentes séries. Por isso, os valores podem variar tanto e levar o mercado a ter um ano mais tranquilo aqui e outro mais apertado ali.

O preço médio do livro teve queda de 4% em 2013, já descontada a inflação. “Isso não quer dizer que o livro que custava R$ 29 passou a custar R$ 24. É que os editores começaram a se adaptar e produzir livros que custassem mais barato, usando papel e capas diferenciadas“, explica Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro. Não se trata, porém, de um índice de preços. Para se chegar ao valor, os pesquisadores analisam o faturamento dos subsetores editoriais e os exemplares vendidos.

E o mercado está extremamente competitivo. Como nunca se viu“, completa Sônia Machado Jardim, presidente do Sindicato Nacional de Livros. Ela contou, ainda, que as editoras estão caminhando para adotar o modelo americano de precificação, com faixas de preço claras. Ainda sobre a questão do preço, ela disse: “Milagre não se faz. De onde isso está saindo? A concorrência está muito grande, o valor do dólar em 2013 impactou o faturamento das editoras – papel, adiantamento de direitos autorais são pagos em dólar. O que podemos fazer para reverter esse quadro é vender mais exemplares.

E a pesquisa divulgada agora mostra que em 2013 foram vendidos mais exemplares – 479,7 milhões ante os 434,9 milhões de 2012. No total, o mercado comprou 279,6 milhões de exemplares e o Governo, 200 milhões.

Foram produzidos, em 2013, 62.235 livros – 21.085 títulos em primeira edição e 41.150 foram reimpressos. O segmento de obras gerais foi o que teve o melhor desempenho, o que pode ser um indicativo de que as pessoas estão lendo mais por vontade própria, e não por indicação da escola, da faculdade ou da igreja. “Uma pesquisa que não mostra crescimento é preocupante, mas o que me deixa esperançosa é o bom desempenho de obras gerais“, diz Sônia.

O segmento registrou aumento de 6% nos exemplares vendidos e de cerca de 3% no faturamento. A queda nos preços pode ter contribuído para isso. É o mercado quem compra mais – foram 121 milhões de exemplares ante os 28 milhões adquiridos pelo governo. Os livros religiosos, que vinham em crise nos últimos anos, foram responsáveis pelo aumento de cerca de 12% no faturamento das editoras do setor. E, neste caso, a visita do papa Francisco ao País e a realização da Jornada Mundial da Juventude podem ter sido responsáveis pela recuperação do setor. A pior queda, de cerca de 5%, foi no segmento de livros didáticos, e as editoras se preocupam em perder mais espaço para os sistemas de ensino.

Outro dado interessante: em 2012, foram editados 51.905 títulos de autores brasileiros e 5.862 de autores estrangeiros. Em 2013, os números são, respectivamente, 56.372 e 5.862. A livraria continua sendo o principal canal de comercialização de livros para as editoras e concentram 50% do mercado em número de exemplares. Em faturamento, elas também encabeçam a lista, com 61,4% de participação.

Há alguns anos o mercado vem se mostrando estagnado e não há muita esperança para 2014, um ano de Copa do Mundo e eleição.

msn.com | 22/07/2014

Independentes são responsáveis por 40% das vendas de eBooks nos EUA


O último relatório Author Earning concluiu que o movimento independente na literatura não é uma simples corrida ao ouro. O terceiro relatório trimestral, que puxa os dados das listas de m ais vendidos da Amazon, descobriu que apenas 16% dos títulos na lista dos mais vendidos da varejista nos EUA foram publicados por uma das cinco maiores editoras. O relatório analisou ainda o efeito de DRMs sobre as vendas e concluiu que “o DRM prejudica as vendas de e-books em todas as faixas de preço”. O relatório também olhou para as vendas de gênero, revelando que os autores auto-publicados estão dominando autores tradicionalmente publicados no romance, fantasia e ficção científica e estão prestes a tomar “parcela significativa de mercado em todos os gêneros”.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 18/07/2014

Internet supera livrarias em vendas de livros nos EUA


Comércio de livros pela internet ganha força com crescimento de pedidos e aumento de procura por e-books

Reuters

SÃO PAULO | As livrarias de paredes, prateleiras e tijolos estão em declínio. Pelo menos é o que parece acontecer nos EUA, onde o faturamento das editoras foi maior, pela primeira vez, em lojas online e vendas de e-books do que em varejistas físicas.

Em 2013, as vendas “virtuais” corresponderam a US$ 7,54 bilhões, enquanto a receita vinda do modo tradicional de se vender livros foi de US$ 7,12 bilhões, de acordo com estatísticas da BookStats, que contou com informações cedidas por mais de 1,6 mil editoras. Assim, as vendas online representaram 35,4% da receita das editorias, que ainda conta com a venda de livros escolares e publicações acadêmicas. Ainda que a diferença não seja grande, mostra uma preferência considerável do público americano pela compra pela internet.

De maneira geral, a indústria editorial americana permaneceu estável com suas vendas batendo US$ 27,01 bilhões em 2013. Pouco inferior aos US$ 27,1 bilhões de 2012 – queda de 0,3% – e aos US$ 26,5 bilhões de 2008 – um aumento de 1,9% em seis anos.

E-books. A venda de e-books nos Estados Unidos também cresceu e bateu recorde em 2013. Em volume, esse formato passou a vender de 465,4 milhões em 2012 para 512 milhões de unidades [um aumento de 10,1%]. Apesar de inédito, o número não foi suficiente para deixar o formato em papel para trás.

Em termos de receita, no entanto, o número apresentou ligeira queda de 0,7%, caindo de US$ 3,06 bilhões [2012] para US$ 3,04 bilhões. Para analistas, a relativa estabilidade – após crescimento consecutivo em relação ao ano anterior – é resultado de políticas de promoção, que aumentaram a demanda ao diminuir o preço dos livros digitais, mas não necessariamente provocaram aumento de interesse de novos leitores americanos pelo formato digital.

Outro fator que pesa contra o posicionamento dos livros digitais na pesquisa se refere ao fato de que a Bookstats considerou apenas livros com ISBN – número de cadastro usado pela maioria dos editoras do mundo. Dessa maneira, ela excluiria livros e e-books autopublicados.

Brasil. No País, dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [Snel] contabilizam uma receita anual em 2012 [o último período registrado] de US$ 4,98 bilhões. Entre 2011 e 2012, houve um aumento do número de livros digitais vendidos [entram na conta e-books e aplicativos de leitura animados] de 343% no mercado brasileiro. No total, foram lançados 7,6 mil títulos no formato digital em 2012, além de 235 mil unidades vendidas. O que levou a indústria brasileira a ter um faturamento da R$ 3,8 milhões [participação de 0,78%].

A Saraiva – que vende, além de livros, aparelhos eletrônicos – teve 30% de suas vendas concentradas no e-commerce.

Em 2012, o Brasil viu o mercado de livros digitais expandir com a chegada da canadense Kobo, da americana Amazon [dona do leitor Kindle], da loja de livros do Google [em sua loja virtual Google Play] e com o início das vendas de livros em português pelo iTunes, da Apple.

Diferenças de Brasil e EUA

Enquanto lá fora muitas cadeias tradicionais de livrarias sofrem para seguir no mercado, fruto do “fantasma” da Amazon no mercado, no Brasil ainda há expansão de lojas físicas. A rede brasileira Saraiva está investindo na abertura de unidades nos aeroportos que estão passando por reformas ou ampliações. A companhia já abriu uma nova unidade em Guarulhos e terá mais cinco lojas só em Viracopos, em Campinas. Após dois anos sem nenhuma nova loja no País, a francesa Fnac abriu uma unidade na área de free shop de Guarulhos, em maio. A Hudson, rede que pertence à empresa de “free shops” Dufry, estreou no Brasil com lojas em terminais aeroportuários. Com 700 pontos de venda no exterior, a companhia aposta em unidades de “conveniência” em aeroportos por aqui. Por enquanto, anunciou sete Hudson News em terminais como Guarulhos, Brasília e Natal. Como não existe um site dominante de vendas de livros pela internet no País, como é o caso da Amazon nos EUA, as principais redes locais estão buscando reforçar suas operações online. A Livraria Cultura investiu R$ 8 milhões na área este ano. Recentemente, a Saraiva fechou parceria para oferecer seu portfólio de livros dentro do site Walmart.com.

Por Bruno Capelas | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 02/07/2014

Vendas de eBooks nos EUA alcançam US$ 3 bi 


O relatório BookStats, da Association of American Publishers [AAP] e do Book Industry Study Group [Bisg] confirmaram as previsões anteriores. As receitas provenientes das vendas de e-books nos EUA em 2012 ficaram próximas dos U$ 3 bilhões, acima dos US$ 2,1 bilhões de 2011. A tendência de vendas digitais e os fenômenos de vendas da série 50 tons e Jogos Vorazes são apontados como as causas do crescimento explosivo de 2012. A pisada no freio em 2013 é atribuída, portanto, a uma comparação desfavorável com 2012, com um agravante: o declínio nas vendas de e-readers dedicados e ao aumento das vendas de tablets. As receitas de publicação comercial global nos EUA também permaneceram estáveis em 2013, em US$ 14,6 bilhões, ligeiramente menor do que em 2012, quando apresentou receitas de US$ 15 bi. O relatório BookStats, comercializado pela AAP e pelo Bisg, já está em pré-venda.

Digital Book World | 26/06/2014

Combate pelo futuro do livro


Por Guillermo Altares | Publicado originalmente em El Pais | 26/06/2014

Centro logístico da Amazon em San Fernando de Henares | FOTO: ÁLVARO GARCÍA [EL PAÍS]

Centro logístico da Amazon em San Fernando de Henares | FOTO: ÁLVARO GARCÍA [EL PAÍS]

A disputa da Amazon com editoras dos Estados Unidos e Alemanha é muito mais do que um conflito comercial pelas margens de lucro sobre os livros eletrônicos. Para muitos profissionais do setor se trata de uma guerra cujo resultado definirá o futuro do livro. “Isso é muito importante, muito mais do que acreditamos”, afirma uma editora com anos de experiência e que, como muitas pessoas consultadas na elaboração desta reportagem, prefere não ser citada pelo nome porque os acordos que as editoras firmam com a Amazon estão protegidos por uma cláusula de confidencialidade ou por não quererem entrar em um debate público com a gigante das compras na Internet.

Chegamos a um ponto no qual o que está em jogo é a sustentabilidade de todo o ecossistema do livro, Pode parecer uma declaração dramática demais, mas é assim”, diz Antonio Ramírez, proprietário da rede de livrarias La Central.

“A resolução desse conflito vai criar um precedente em todo o mundo”, afirma Javier Celaya, responsável pelo portaldosdoce.com e especialista em livro eletrônico. “Isso vai definir o futuro do mercado e, sobretudo, o dos livros eletrônicos”, declarou ao The New York Times o agente alemão Matthias Landwehr, que trabalha com vários autores afetados pela disputa. A Espanha ainda não foi envolvida na primeira guerra mundial do livro, mas, como afirma um editor alemão que também pediu anonimato, “chegará quando a Amazon tiver a força suficiente”. O preço fixo não nos protege porque não se trata de uma guerra de preços, mas das margens que ficam com o editor e o vendedor. Se a pessoa depende muito de um vendedor, tem tudo a perder. Se a Amazon ganha, tratará de estender a disputa a outros países”, acrescenta Celaya.

O que é que aconteceu? Por que desta vez é tão importante? A resposta a essa segunda pergunta tem a ver com seu poder: a Amazon já controla em torno de 60% do mercado do livro nos EUA e cerca de 25% na Alemanha. No caso dos livros eletrônicos, em 2010 controlava quase 90% do mercado norte-americano, embora nestes últimos quatro anos a Apple se tenha transformado em um concorrente importante e tenha reduzido o seu domínio até os 65%. Não é fácil conhecer os detalhes de sua presença no mercado espanhol porque a Amazon é uma empresa muito sigilosa: não divulga dados sobre as cifras de venda do Kindle, seu leitor de livros eletrônicos, nem sobre a porcentagem que os livros representam em suas vendas totais nem sobre a divergência com seus competidores nem, na realidade, sobre quase nada. Os dados que é obrigada a entregar nos EUA revelam que em todo o mundo suas vendas líquidas em 2013 foram de 74,45 bilhões de dólares [163,8 bilhões de reais], 22% a mais do que em 2012. O lucro mundial foi de 274 milhões. Na Espanha, a Amazon fatura por intermédio de Luxemburgo, por isso não é possível nem conhecer as suas vendas, mas sua filial espanhola, que congrega o resultado do faturamento de produtos a partir de seu centro logístico de San Fernando de Henares, em 2013 aumentou em 64% a cifra do negócio [de 10,56 a 17,46 milhões] em relação ao exercício anterior. Somente uma pequena parte dessa porcentagem corresponde à venda de livros. Em todo o mundo, de acordo com uma pesquisa da revista The New Yorker, representam 7% de suas vendas.

No mercado do livro eletrônico existem duas fórmulas para fixar os preços. A denominada “do agente” implica que o editor fixe o preço do livro e divida o dinheiro com o vendedor [70% para a editora, que por sua vez paga o autor; 30% para o vendedor é a porcentagem habitual]. O segundo sistema, chamado reseller, funciona nos países sem preço fixo: o editor pactua o preço pelo qual vende o livro e depois o vendedor põe o preço que quiser. Os editores asseguram que a empresa de Jeff Bezos chega a vender o livro com perda em dinheiro para oferecer preços mais baixos que a concorrência. A guerra comercial atual, sempre segundo fontes do setor e a imprensa norte-americana e alemã, porque um porta-voz da Amazon não quis fazer comentários, ocorre porque querem mudar as porcentagens –segundo o blogue Futurebook, que analisa o mercado do livro nos EUA, seu objetivo é ficar com 50% de cada título– ou comprar os títulos pelo preço mais barato possível. Quando a negociação não corresponde a seus interesses, então a empresa penaliza as editoras: os prazos de envio se alongam indefinidamente, o botão na página da Internet para poder encomendar um livro com antecedência [muito útil para o vendedor, mas também para o editor, que pode prever muito melhor suas tiragens] desaparece, os preços disparam…

É algo que está ocorrendo desde maio com a filial norte-americana da Hachette – quarta empresa do setor nos EUA–, mas também na Alemanha com a Bonnier Media Group, uma empresa sueca que tem quatro editoras, Pipper, Ullstein, Carlsen e Berlim Verlag. A questão também chegou ao DVD e afeta atualmente a Time Warner com o lançamento sensação do verão, Lego, o filme. Já tinha ocorrido algo semelhante em 2010 com uma distribuidora, a Independent Publisher Group, e com a Macmillan, mas o impacto foi menor porque na época o livro eletrônico era bem menos importante.
As críticas da imprensa norte-americana e alemã foram contundentes: diários como The New York Times e Frankfurter Allgemeine Zeitung a acusaram de utilizar práticas intimidatórias e chantagistas enquanto lembravam em diferentes eventos uma célebre frase que o livro A Loja de Tudo. Jeff Bezos e a Era da Amazon, do jornalista Brad Stone, atribui ao fundador da empresa: “Temos de olhar para as editoras como um leopardo contempla uma gazela doente”. O escândalo foi tão grande – entre outros lançamentos afetou a última obra de J.K. Rowling, The Silkworm, escrita com o pseudônimo de Robert Galbraith — que a Amazon rompeu seu tradicional silêncio e se pronunciou por meio de um post em sua página na web. Reconhecia o motivo da disputa assim como o tipo de represálias, e concluía: “Se você necessita com rapidez de qualquer dos títulos afetados, lamentamos o incômodo e lhe recomendamos que compre uma versão por intermédio de algum de nossos parceiros ou com qualquer um de nossos concorrentes”.

A Comissão Europeia, por intermédio do comissário da Concorrência, Joaquín Almunia, se limitou a garantir em maio que “estava tratando de entender o que ocorria”, enquanto a ministra da Cultura da França, Aurélie Fillippetti, que nunca procurou conter suas críticas à empresa de Seattle, foi contundente e pediu que a Comissão “vigie as tentações da Amazon de abusar de sua posição dominante”. “Chantagear os editores ao restringir o acesso do público aos livros de seus catálogos para impor-lhes condições comerciais mais duras não é tolerável. O livro não é um produto como outro qualquer”, afirmou. O preço pago pelas editoras afetadas é enorme. A revista Publishing Perspectives publicou na semana passada que a Hachete vende no Reino Unido 78% de seus livros eletrônicos através da Amazon e 60% nos Estados Unidos. Sua margem de negociação é, portanto, muito pequena.

Pacotes em fila no centro logístico da Amazon em Madri | FOTO:  ÁLVARO GARCÍA

Pacotes em fila no centro logístico da Amazon em Madri | FOTO: ÁLVARO GARCÍA

A maioria das editoras espanholas consultadas compartilha uma opinião sobre a livraria virtual –e distribuidora de todo tipo de produtos, que honra o velho lema da Harrod’s, “oferece desde um elefante até um alfinete”– : a Amazon é um vendedor importante –para muitos, é o quinto ou sexto cliente– com o qual, por ora, não vêm tendo maiores problemas. Mas olham para o futuro com uma inquietude cada vez maior. A crítica mais generalizada é que sua principal obsessão é o preço. “A máxima da Amazon é que quanto mais barato, mais se vende, não importa se forem cafeteiras ou livros”, afirma Paula Canal Huarte, de Anagrama, a maior das editoras independentes espanholas, que tem em seu catálogo desde Rafael Chirbes até Roberto Bolaño ou Ian McEwan. “Mas com os livros não funciona exatamente assim, já que por mais baratos que sejam a maioria não vai vender mais, mas o lucro do editor ficará tão reduzido que para ele não será possível continuar publicando livros que vendem menos, caros para traduzir ou editar,” Para ilustrar sua forma de operar, o analista Javier Celaya explica que a Amazon muda os preços em todo o mundo duas milhões de vezes por dia.

O mercado do livro eletrônico, onde a Amazon é mais forte, representa, segundo os últimos dados da Federação de Associações de Editores da Espanha [FGEE, na sigla em espanhol], 3% do total, mas em 2013 subiu 8% em relação ao ano anterior. “No mundo analógico, não tem uma posição majoritária, mas no livro digital controlam em torno de 40%”, diz Antonio María Ávila, secretário da Federação de Editores. A cifra de 3% é enganosa por causa da pirataria, um problema especialmente grave na Espanha: segundo diferentes fontes, vendem-se muitos leitores eletrônicos e muito poucos livros eletrônicos, o que quer dizer que, como diz um livreiro, “as pessoas consomem títulos gratuitos ou se pirateia muito, ou um pouco de cada coisa”. Editores e livreiros consultados também dizem que a Amazon é uma empresa que funciona bem, paga no prazo e conforme o combinado, e envia milhões de títulos com muita rapidez – 90% dos títulos que vende não estão na lista de best sellers. No caso do Kindle, que chegou ao mercado em 2007 e se impôs rapidamente aos concorrentes, trata-se de um dispositivo que torna muito simples a compra de livros e oferece um catálogo enorme e crescente.

A disputa na Alemanha preocupa especialmente os editores espanhóis porque, ao contrário dos EUA e do Reino Unido, onde o preço é completamente livre, ali como aqui os livros têm um preço fixo [é o editor que o estabelece e isso não pode mudar, a não ser por um desconto de 5% nos hipermercados e de 10% em feiras ou no Dia do Livro, e até mesmo presentear o valor da remessa é considerado um desconto e por isso não é permitido]. “O preço fixo é a maior garantia que podemos ter” , afirma Antonio Ramírez, de La Central, que no entanto acredita que o conflito acabará chegando ao nosso país. “A Alemanha é um país com uma rede de livrarias muito densa, com um sistema de distribuição muito bom, com muitos leitores e, apesar disso, controlam 25% do mercado. Ninguém pode dar-se ao luxo de perder um quarto de seus clientes”, prossegue.

Dois editores independentes consultados garantem que seus negócios dependem do apoio das livrarias e dos leitores, que num mundo de constantes guerras de preços nunca sobreviveriam, e que muitos projetos culturais de grande fôlego seriam afetados. Todos os profissionais consultados consideram que o preço fixo é vital para a sobrevivência do mundo do livro. O preço fixo do livro de papel está muito claro: um livro vale o que vale em sua capa ou em seu ISBN. Mas com os eletrônicos o assunto é muito mais complexo. “O preço é fixo, mas variável”, define um editor. Preço fixo significa que é o editor que põe o preço e que pode mudá-lo, desde que o faça para todo mundo [não é legal oferecer um preço especial a um vendedor]. Outra possibilidade é que, considerando que o preço vai associado a um número ISBN, basta fazer uma nova edição para ter um novo número e um novo preço. Isso em papel é complexo e caro; em um livro digital não.

Qual a consequência disso? Que os vendedores de livros eletrônicos, não só na Amazon, mas também na Casa do Livro, oferecem promoções e descontos de acordo com os editores, como Kindle Flash ou Tagus Today. Vários editores explicam que, quando se baixa muito o preço do livro, as vendas sobem e ele pode ficar entre os mais vendidos, o que impele também as vendas quando retorna ao preço normal [de novo, um porta-voz da empresa não quis pronunciar-se sobre essa estratégia de vendas]. Outra vantagem da Amazon sobre seus concorrentes espanhóis é a engenharia fiscal. Não se trata somente dos truques para pagar menos impostos, como fazem os principais gigantes da Internet [uma questão que a Comissão Europeia está estudando com lupa para enfrentá-la], mas que, neste caso, tem um efeito muito concreto: ao ter sua sede em Luxemburgo, aplica o IVA desse país aos livros eletrônicos [3%], enquanto na Espanha é de 21%.

As guerras de preços “nos conduzem por um caminho perigoso”, afirma uma editora. “Muito provavelmente estamos depreciando o valor do que criamos. Nós podemos fazer isso porque o livro eletrônico representa uma fração mínima de nosso faturamento e aplicamos seus custos ao que recebemos pelo livro de papel. Se a situação se altera e os livros eletrônicos passam a representar a maior parte de nossas vendas, seria insustentável”, prossegue. “A Amazon vive em um mundo onde só há consumidores, mas os consumidores são também cidadãos, que devem zelar pela riqueza cultural”, diz Paula Canal Huarte, da Anagrama. Os escritores consultados ainda notam muito pouco a presença da Amazon em suas vendas, embora digam, como Javier Moro, autor de Pasión india, que “influiu sim no preço dos livros eletrônicos”. “Quanto mais barato, menos te pirateiam. Prefiro o 25% do pouco ao 25% do nada”, acrescenta. O poeta e romancista Carlos Pardo, que foi livreiro por muitos anos, critica “seus métodos de trabalho [a Amazon teve conflitos trabalhistas por causa das condições de trabalho], mas sobretudo o perigo que as condições sobre os preços possa vir a representar para as “pequenas editoras”, que encarnam atualmente uma das apostas mais claras pela cultura. Paco Roca, Prêmio Nacional de Quadrinhos, que publicou recentemente Los surcos del azar, diz que mal nota as vendas digitais, mas se preocupa, sim, com os efeitos dos gigantes da Internet sobre a cultura – esclarece que não se referem somente à Amazon, mas também à Apple – : “Os monopólios da distribuição da cultura dão certo medo porque podem chegar a influir sobre os conteúdos”.

Enquanto o debate prossegue, a empresa de Jeff Bezos continua crescendo e se estendendo a novos setores – acaba de lançar um celular e um serviço de música online. A distorção provocada pela pirataria e a ausência de dados divulgados pela própria empresa, somados ao fato de que a Amazon ainda não completou nem três anos na Espanha [chegou em setembro de 2011], tornam difícil se conhecer com precisão qual é seu efeito em nosso mercado. Mas uma coisa está clara: todo o setor está preocupado com cada um de seus movimentos.

Por Guillermo Altares | Publicado originalmente em El Pais | 26/06/2014

Livro-jogo cria ambiente de aventura dentro do corpo humano


A popularização dos tablets e smartphones está contribuindo para que editoras como a LIVRUS possam experimentar novas interações para os livros de seu catálogo. Para se ter uma ideia da base instalada desses gadgets, somente as vendas de tablets no Brasil já computam [segundo dados da FGV] 18 milhões de unidades ativas. Com o uso das novas tecnologias, a ficção interativa [ou interactive fiction] possibilita caminhos que podem alterar o curso da leitura. Títulos como “The Novelist”. “Device 6”, “Gone Home”, “39 Steps” e “Owned – Um Novo Jogador” são exemplos de livros que exigem dos leitores a experiência de um jogo.

É o caso também do recém-lançado “Aventuras de Bactéria” [Editora Livrus, 2014, R$ 16,50], uma obra que permite ao leitor interferir na sequência da leitura. Não é portanto um livro comum, trata-se de um livro digital interativo em que o leitor se depara com questões cruciais na narrativa e é levado a optar por diferentes caminhos.

Ao abrir as páginas do livro, o leitor se torna bruscamente numa espécie de bactéria em busca de um objetivo. A proposta do escritor

Tio Ilmo Brandt é que o leitor participe ativamente de uma aventura. Nela, o leitor incorpora uma bactéria e as suas decisões, durante a leitura, é que vão definir seu destino, que pode ser, segundo o próprio autor, “bem melequento, se é que me entende”.

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Base instalada de tablets no Brasil chega a 18 milhões


TV Cultura faz matéria sobre o crescimento da leitura digital no Brasil

Venda de tablets no Brasil não para de crescer As vendas de tablets no Brasil não param de crescer. Já são 18 milhões de aparelhos ativos e já há quem pergunte se o leitor brasileiro vai trocar o livro impresso pela tela digital. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, em 2012, o setor editorial faturou cerca de R$ 4 milhões com a venda de livros digitais, três vezes mais do que em 2011 e o acesso a eles crescem junto com a compra de tablets. No ano passado foram lançados mais 7,4 mil títulos digitais e mais de 200 aplicativos. O preço médio é de R$ 15, bem mais em conta do que o livro físico que custa, em média, R$ 35.

PublishNews | 24/06/2014

Com 18 milhões de tablets, Brasil estaria pronto para os eBooks?


São Paulo – Há hoje no Brasil 18 milhões de tablets em funcionamento, segundo a FGV. Entre outras tarefas, os gadgets vêm sendo usados para a leitura de e-books. E as editoras brasileiras andam de olho nisso.

EXAME.com conversou sobre o assunto com Susanna Florissi. Na entrevista, a diretora da Câmara Brasileira do Livro falou sobre o cenário atual e as perspectivas do setor – que, pela quinta vez, será tema de um congresso do órgão, marcado para agosto.

Como sintoma da ligação cada vez maior entre os mundos da leitura e da tecnologia, o encontro será aberto por Jason Markosk, primeiro evangelista de tecnologia da Amazon. A seguir, leia alguns trechos do bate-papo.

EXAME.com – Que transformações a tecnologia vem promovendo no mundo da leitura?

Susanna Florissi – A leitura hoje deixou de ser linear. O leitor está lendo e acessa um link relacionado, compartilha um trecho com amigos em redes sociais, lê mais sobre o assunto na internet. Essa é a grande beleza do momento atual. É claro, os jovens não lêem como a gente lê – mas também consomem. E o nosso segmento precisa se adaptar a esta mudança.

EXAME.com – Quais e-readers têm se saído melhor no Brasil?

Susanna Florissi – Como estes gadgets ainda são mais consumidos entre as classes mais ricas, o iPad tem sido a escolha mais comum. Mas outras opções, como o Kindle e o Kobo, também chegaram com muita força. Acho também que é uma questão de geração. Quem é mais velho e quer algo dedicado à leitura, escolhe o Kindle. Já as novas gerações, para as quais outras funções são essenciais, vão optar pelo iPad.

EXAME.com – Qual o cenário do mercado de livros digitais hoje no Brasil?

Susanna Florissi – De acordo os números oficiais, e-books não chegam a representar 3% das vendas de livro hoje no Brasil. Porém, a tendência é que haja uma rápida evolução nesse cenário – com os livros didáticos puxando uma arrancada. Iniciativas do governo, como o PNLD [Plano Nacional do Livro Didático], já consideram este formato nas suas contas.

EXAME.com – Em que áreas é maior o consumo do livro digital?

Susanna Florissi – Hoje, a maior parte do consumo de e-books está mesmo concentrada em obras de literatura – geralmente comercializadas no formato Epub. Em outros nichos, como a literatura infantil, a adoção do livro digital tende a ser mais lenta. Isso porque a criança quer abraçar o livro, beijar, levar para o banheiro… É assim mesmo.

EXAME.com – Como as editoras têm feito para ganhar dinheiro com o livro digital?

Susanna Florissi – Na literatura, prevalece o download para gadgets como Kindle e iPad. Já na área de livros didáticos, a interatividade tem gerado novidades. Há muita coisa que é acessada na nuvem ou por meio de senha durante um ano, por exemplo. Formatos antigos, como CD-ROMs, praticamente não existem mais – até pelo fato de alguns aparelhos não terem como acessá-los.

EXAME.com – Já há experiências interessantes envolvendo livro digital no país?

Susanna Florissi – Em São Paulo, o Colégio Bandeirantes aboliu os livros entre os alunos do 6º ano e adotou o iPad. Como a instituição atende a classes com maior poder aquisitivo e já usava Apple TVs, isso foi possível. Mas acho que novas experiências do tipo podem surgir com outros gadgets em diversos colégios.

EXAME.com – Como estamos em comparação com outros países?

Susanna Florissi – Um levantamento mostrou que jovens entre 15 e 24 anos que usam a internet a mais de cinco anos representam 5% da população mundial. No Brasil, esse grupo corresponde a 10% do total. Estamos na frente de China e Índia e no mesmo patamar de países como Alemanha e Japão. Como na Europa o mercado é menor e os leitores são mais conservadores, devemos caminhar mais rapidamente.

EXAME.com – A resistência ao formato pode ser um obstáculo na popularização dos e-books no Brasil?

Susanna Florissi – Não, muito pelo contrário. Antes, se você morasse em Petrolina [PE], tinha de pedir ao livreiro [geralmente no Rio, em São Paulo ou em Recife] que lhe mandasse os livros. O Brasil é um país muito grande, propício a essa hábito de enviar coisas. Nisso, a internet só facilita. A internet vai permitir que este conteúdo chegue a mais pessoas.

EXAME.com – A chegada de grandes redes, como a Amazon e a Barnes and Nobles, é positiva para o mercado brasileiro de e-books?

Susanna Florissi – Somos a favor da livre-iniciativa sem concorrência predatória. Para nós, a popularização destes novos suportes é ótimo. Quando foram lançados, os pocket books representaram uma revolução nos EUA – pois tornaram a leitura mais barata. E o mesmo deve acontecer com e-books. Assim, quanto mais players, mais saudável o mercado.

EXAME.com – E qual deve ser o futuro dos e-books no Brasil?

Susanna Florissi – Acho que o mercado deve crescer – inclusive o impresso. O papel é ótimo para anotações e outras funções e, para mim, uma coisa puxa a outra. Cabe a autores e ilustradores estarem atentos a esta nova forma de fazer livro. O livro impresso não vai morrer, mas vai ter que conversar com outras mídias.

Exame | 15/06/2014

Mercado de eBooks deve bater £ 1 bi em 2018 no Reino Unido


O mercado consumidor de e-books deve triplicar nos próximos quatro anos no Reino Unido, superando o de livros físicos e se estabelecendo como a opção preferida para ler romances, de acordo com um relatório publicado pelo grupo PwC. O relatório prevê que as vendas de edições impressas cairão por mais de um terço em 2018, enquanto que as vendas de e-books vão crescer de £ 380 milhões em 2013 para £1 bi em 2018. As vendas de e-books vão ajudar no crescimento do mercado de livros como um todo, podendo a indústria do livro alcançar £ 1,9 bilhão em 2018.

Por Lisa Campbell | The Bookseller | 04/06/2014

Empresa cria versões digitais de livros e cresce 400% em um ano


O mercado de livros digitais é uma tendência e cresce no Brasil. Em 2013, as versões digitais representaram quase 5% do setor editorial e, em 2014, devem fechar com uma participação de 10%. O e-book está conquistando adeptos no Brasil por causa da praticidade, interatividade e do baixo custo.

O empresário Greg Bateman veio dos Estados Unidos para investir no mercado brasileiro de e-books. Sua empresa, a Hondana, cresceu 400% no ano passado. “Quando eu cheguei aqui no Brasil, em 2012, os livros digitais eram 1% do mercado editorial. Neste ano, acho que vamos chegar até 10% do mercado”, diz o empresário.

Esta alta é impulsionada pelo aumento das vendas de computadores, tablets e smartphones no país. Em 2014, deverão ser vendidos mais de 70 milhões de aparelhos, de acordo com a IDC Brasil, empresa de consultoria do setor de tecnologia da informação.

A empresa de Greg Bateman tem capacidade para digitalizar 100 livros por mês. Ela é contratada por editoras e recebe prontos os textos, fotos, vídeos e áudios. Em dois anos de atividade, a empresa já digitalizou 2.500 livros. O faturamento do negócio foi de mais de R$ 100 mil em 2013.

A adaptação de um livro físico para a versão digital pode demorar três semanas, de acordo com o tamanho da obra e da ferramenta que vai oferecer ao leitor. No e-book é possível regular o tamanho da fonte, o brilho da tela e a cor do fundo. Além disso, o leitor ainda pode fazer anotações, pesquisar o significado de palavras e compartilhar trecho em redes sociais.

A DSOP, editora especializada em livros de educação financeira, contratou a empresa de Greg Bateman e todo o acervo foi digitalizado. Hoje, 5% do faturamento vêm do comércio de e-books.

Hoje, a editora lança simultaneamente as versões física e digital. O volume virtual não tem custos de impressão, distribuição e logística, por isso sai bem mais em conta para o cliente final. Mas apesar de todos os atrativos do e-book, o livro de papel ainda está muito longe de acabar.

G1 – 25/05/2014

O crescimento do mercado de livros digitalizados


O Pequenas Empresas & Grandes Negócios deste domingo [25] aborda os e-books – livros digitais que estão movimentando o mercado editorial no Brasil. Facilidades como controle do tamanho da fonte, opção de compartilhar conteúdo pelas redes sociais e pesquisas on-line, por exemplo, atraem os consumidores. Uma pequena empresa em São Paulo apostou na tecnologia e já apresenta lucros expressivos.

O empresário Greg Bateman veio dos Estados Unidos e começou a digitalizar livros em 2012, mas, na época, os livros digitais ocupavam apenas 1% do mercado editorial. Com a expansão do mercado, a empresa de Greg cresceu 400%, em 2013, e já digitalizou mais de 2.500 livros. A previsão para 2014 é de um desempenho ainda melhor.

Apesar do crescimento nas vendas, o mercado de livros virtuais ainda é pequeno se comparado ao livro impresso. Os digitais representam 5% do faturamento total do mercado editorial.

O programa também mostra o crescimento da indústria têxtil no inverno. Em São Paulo, três empresárias fabricam mil pijamas por mês para adultos e crianças. Regina Castro, a filha Nathália, e a sócia Luciana produzem peças de algodão, flanela, plush e tricolini. O diferencial está nos detalhes: estampas de corujas, bonecos de neve e tigres são recortadas e costuradas.

O preço médio dos pijamas é de R$ 85 [infantil] e R$ 120 [adulto]. A margem de lucro da empresa é de mais de 30%. Uma estratégia utilizada pelas empresárias para não depender do clima, já que este é um mercado sazonal, é a fabricação de pijamas de meia estação com tecidos mais leves. Eles são feitos de meia malha, algodão e viscolycra, chegando a custar 30% menos. E para atrais mais clientes, as empresárias montaram uma loja ao lado da fábrica e oferecem pequenos serviços de ajustes gratuitos.

O Pequenas Empresas & Grandes Negócios vai ao ar todos os domingos, logo após Antena Paulista, em São Paulo, e após o Globo Comunidade, no restante do Brasil.

G1 | 23/05/2014

Apps de celular fomentam a leitura, diz estudo da Unesco


Em países com altos índices de analfabetismo, programas dedicados podem aumentar a prática em mais de 60%

Tecnologia | Nos EUA, crianças de 2 a 10 anos passam pouco mais de duas horas por dia, em média, em frente à televisão, computador, tablet e celular | Fonte: Thinkstock

Tecnologia | Nos EUA, crianças de 2 a 10 anos passam pouco mais de duas horas por dia, em média, em frente à televisão, computador, tablet e celular | Fonte: Thinkstock

Segundo relatório da ONU, dos 7 bilhões de habitantes do planeta, apenas 4,5 bilhões têm acesso a banheiros. Mas 6 bilhões já possuem acesso ao telefone celular, o que torna o dispositivo uma ferramenta poderosa. Com a tecnologia móvel tão disseminada e presente em todas as camadas da sociedade, os celulares podem fomentar a leitura em regiões onde o acesso aos livros é mais difícil. A constatação faz parte do relatório Lendo na Era do Celular, divulgado recentemente pela Unesco.

A partir da pesquisa feita em parceira com a empresa Nokia e a ONG Worldreader, a Unesco mapeou os hábitos de leitura de mais de 4.000 pessoas em sete países da África onde o analfabetismo atinge mais de 40% da população [Etiópia, Gana, Índia, Quênia, Nigéria, Paquistão e Zimbábue]. A entidade constatou que as pessoas que mantêm aplicativos de leitura instalados no celular leem 62% mais do que quando tinham disponíveis apenas livros em papel.

Entre os entrevistados, a leitura via celular já é prioritária devido à conveniência: 67% dizem estar sempre com o celular em mãos, o que facilita a leitura, ainda que prefiram ler pelo modo convencional. O fenômeno não se restringe aos países africanos. Na China, 25 milhões de pessoas leem livros apenas pelo celular.

O aparelho móvel também está se transformando em meio de acesso para quem não tem livros. Dos entrevistados, 9% afirmaram que leem pelo celular por não terem outra maneira de acessar histórias. “Nós vivemos em uma área remota onde não há bibliotecas e os poucos livros que tenho em casa já foram lidos. O celular me dá a chance de escolher novos títulos”, afirma Meet Charles, morador do Zimbábue ouvido pela pesquisa.

A leitura pelo celular ainda parece estar mais disseminada entre os homens – dos pesquisados, 77% são do sexo masculino. A Unesco constatou, no entanto, que essa diferença entre os gêneros deve-se mais ao fato de que, nos países pesquisados, os celulares são mais disseminados entre eles. Quando têm acesso aos livros digitais, as mulheres mostram-se mais interessadas: elas gastam 63% mais tempo na atividade do que homens.

Dos dez livros mais lidos, seis pertencem ao gênero romance. O título mais baixado é Can Love Happen Twice?, de Ravinder Singh, sem tradução para o português, seguido de The Price of Royal Duty [A Coroa de Santina: O Preço do Dever], de Penny Jordan. A Bíblia aparece na terceira posição.

A falta de alguns best-sellers para download no celular é um dos problemas apresentados pelos entrevistados. Para mais de 60%, a leitura seria mais frequente se títulos como Harry Potter e a Saga Crepúsculo estivessem disponíveis. Eles aparecem na lista dos 20 tópicos mais buscados nos aplicativos de leitura. No topo, está o termo “sexo”, seguido de “Bíblia”.

Estima-se que existam 774 milhões de analfabetos no planeta. A Unesco recomenda em seu relatório que novos projetos de aplicativos de leitura para celular sejam desenvolvidos para garantir o acesso a mais livros e em larga escala. A instituição aconselha ainda que os pais usem os aparelhos para despertar o interesse pela leitura nas crianças, de modo a reduzir o índice de analfabetismo entre os jovens, que representam 123 milhões dos analfabetos no mundo.

Por que as pessoas leem livros pelo celular?

Por que as pessoas leem livros pelo celular?

Por Bianca Bibiano | Publicado originalmente e clipado em Veja | 29/04/2014, às 15:39

Vendas online de livro na China tiveram boom em 2013


As vendas varejistas de livros da China tiveram boom em 2013, com o valor das vendas online superando 16 bilhões de yuans [US$ 2,56 bilhões], uma alta anual de 30%, de acordo com um relatório publicado nesta quinta-feira pelo Diário do Povo.

O relatório foi divulgado conjuntamente pela Televisão Central da China, Diário do Povo, sites de venda de livros, e pelo Horizon Research Consultancy Group.

De acordo com os dados fornecidos pela baidu.com, a maior companhia de pesquisa na internet da China, as pessoas aos 20 a 39 anos procuram livros no motor de busca mais do que outros grupos. Homens buscam geralmente livros sobre artes, compêndios, ciência e literatura, enquanto mulheres preferem livros de ciências sociais.

Nos últimos três anos, chineses vêm lendo mais livros em dispositivos móveis.

A varejista online jd.com informou que usuários de dispositivos móveis lêem em média livros eletrônicos por 30 minutos, cinco vezes por dia, geralmente em casa ou no metrô.

Embaixada da China | 24/04/14

eBooks conquistam mais espaço no mercado editorial brasileiro


Aos poucos os e-books estão conquistando cada vez mais adeptos no Brasil. O crescimento na venda dos livros digitais no mercado nacional supera outros países como os Estados Unidos, segundo projeções da empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

Depois do primeiro ano com as principais empresas do segmento internacionais – Amazon, Apple, Google e Kobo – o faturamento total do segmento “trade” de e-books, isto é, livro não didático, religioso ou técnico, subiu de 1,17% para 2,5%. A confirmação desses números, no entanto, deve ser divulgada em agosto pela RW.

A estimativa é que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%. Google e a Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo com 5% e outros menores também com 5%.

Os números não denotam que se lê mais no Brasil, no entanto. Uma explicação para este fenômeno é a alta nas vendas de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses. Em 2013, as vendas somaram 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones, de acordo com a IDC.

Fatores como a entrada da Amazon no mercado de produtos físicos e a possível aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que inclui a proposta de isentar equipamentos cuja função primordial seja a leitura de textos em formato digital, devem favorecer o crescimento de e-books nos próximos anos.

Acieg | 24/04/14

Um em cada cinco crianças já leem em tablets 


A maioria das crianças no Reino Unido vivem em lares onde existe pelo menos um tablet e uma em cada cinco usam o dispositivo para ler, de acordo com o relatório da Childwise que examinou o consumo de mídia por crianças e adolescentes.  A pesquisa aponta ainda que o dispositivo está cada vez mais popular e o número de tablets quase dobrou pelo segundo ano consecutivo. Dois em cada cinco que participaram da pesquisa disseram que possuiu o seu próprio tablet. Simon Legget, diretor associado de pesquisa da Childwise, aponta que a popularidade do tablet se deve a duas razões: a portabilidade e o número de aplicativos disponíveis.

Por Charlotte Eyre | The Bookseller | 23/04/2014

Smartphones estimulam a leitura em países pobres, mostra UNESCO


Pesquisa da UNESCO indica que o “boom” de smartphones tem ajudado a promover a leitura em países pobres como Etiópia, Gana, Nigéria e até na Índia. Nestes locais, o aparelho atua como agente ativo para estancar a ausência de livros em papel.

A organização americana sem fins lucrativos Worldreader distribui livros digitais para smartphones de baixo custo e Kindles para classes escolares carentes. Com acervo de 6 mil títulos [a maioria gratuitos], o serviço já acumula cerca de 300 mil usuários mensais. Desde 2010, a Worldreader já ofereceu mais de 1,7 milhão de e-books para download.

“Estamos trabalhando em partes do mundo onde, historicamente, os livros não chegaram”, explica Susan Moody, diretora de comunicação da entidade, para quem a tecnologia permite mudar esta realidade. “Se levarmos livros para lá, as pessoas compreenderão mais e cultivarão a cultura da leitura”, completa.

De acordo com a pesquisa, 62% das pessoas entrevistadas preferem ler nos smartphones a pegar nos livros e 33% leem para seus filhos a partir dos dispositivos, ao passo que reclamam da falta de obras infantis.

Olhar Digital | 23/04/14

Crescimento na venda de eBooks no Brasil deve continuar, diz especialista


Livros digitais devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro

A curva de crescimento das vendas de e-books no Brasil, no primeiro ano de atuação dos grandes players internacionais [Amazon, Apple, Google, Kobo], é maior do que a curva de crescimento no mercado dos Estados Unidos na mesma situação.

Brasil teve alta difusão de tablets e smartphones nos últimos meses | Márcio Fernandes/Estadão

Brasil teve alta difusão de tablets e smartphones nos últimos meses | Márcio Fernandes/Estadão

Lá, em 2008, ano seguinte ao ingresso do Kindle no mercado, a venda de e-books representava 1,17% do total do mercado editorial no segmento “trade” [obras gerais, que não incluem didáticos, religiosos ou técnicos].

Em uma projeção para 2013 – dados oficiais devem ser divulgados em agosto, alguns dias antes da Bienal Internacional do Livro em São Paulo – os e-books devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro.

A projeção é da edição mais recente do Global E-book Report, relatório publicado periodicamente pela empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

O CEO do site especializado no mercado editorial Publish News, Carlo Carrenho, autor do capítulo do relatório que trata do Brasil, sinaliza na direção de um 2014 otimista para o mercado de livros digitais no País.

“A estimativa é de que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%”, projeta Carrenho. “Google e Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo, com 5% e outros players menores, também com 5%.”

Uma das explicações para essa divisão – não tão comum nos outros mercados, especialmente no americano e europeu – é a alta difusão de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses: de acordo com dados da IDC, 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones foram vendidos no Brasil em 2013.

A questão é que a Amazon vai começar, nos próximos meses, a vender livros físicos e outros bens materiais pelo site. Desde fevereiro de 2014, a empresa utiliza um esquema de logística próprio para importar os Kindles. Agora, já com contratos assinados com as principais editoras do País, a operação física da Amazon deve preocupar especialmente as livrarias mais tradicionais, de acordo com Carrenho.

“As vendas de livros físicos devem ajudar muito a venda de livros digitais da Amazon, mas também deve causar problemas para as livrarias tradicionais”, afirma.

Outro fator que deve jogar os números de vendas de livros digitais para cima nos próximos meses é a previsão de aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das propostas é incluir “equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital” na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos.

Se essa modificação for aprovada, o preço dos leitores digitais [E-readers] deve cair vertiginosamente, porque os impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do valor total, de acordo com o relatório da RW. Outro bom sinal para o mercado.

O Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2015, que prevê a aquisição de mais de 80 milhões de livros, também incluiu obras digitais na sua seleção. Conforme o relatório da RW, essa e outras compras do governo somam mais de 25% da receita dos editores. Sem dúvida, uma boa previsão.

Por Guilherme Sobota | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 21 de abril de 2014 | 21h 17

O impacto dos livros digitais nas bibliotecas


O Observatório do Livro e da Leitura divulgou nesta segunda-feira [14/04] o resultado da pesquisa Bibliotecas e Leitura Digital no Brasil, encomendada pela Árvore de Livros S.A. Respondida por bibliotecários e responsáveis por bibliotecas brasileiras, o estudo priorizou as bibliotecas públicas municipais que, segundo a pesquisa estão na quase totalidade dos municípios brasileiros, representando 52,5% das entrevistas realizadas. Participaram ainda da pesquisa bibliotecas comunitárias, universitárias e escolares. Foram entrevistados 503 representantes de bibliotecas de todas as unidades da federação em março de 2014.

Segundo Galeno Amorim, coordenador geral do Observatório, “a pesquisa foi feita para avaliar o estado das bibliotecas que atendem o publico, seja ela municipal, estadual, comunitária, rural, escolar, de universidade e até de empresas e órgãos da administração pública e, com isso, aproveitar para chamar a atenção sobre a necessidade de se criar políticas mais robustas e permanentes de financiamento desses equipamentos que podem ter um papel cada vez mais importante no momento em que a educação parece prestes a ganhar um novo destaque no cenário nacional para construir um novo futuro para o país”.

O estudo buscou compreender também como as bibliotecas se posicionam e se preparam para entrar na era do livro digital e passar a prestar esse tipo de serviço aos seus leitores e a muitos outros que poderão tornar-se usuários delas também”, acrescentaou Galeno.

De acordo com a pesquisa, os responsáveis pelas bibliotecas identificaram os diversos dispositivos de leitura, incluindo computadores, como sendo apropriados para serem utilizados pelos usuários em seus espaços de leitura. Os tablets, com 53,3%, um índice que chega a 70,5% no caso das escolares, lideram a preferência, mas os computadores aparecem logo em seguida, em situação de empate técnico, com 56,8%, seguido pelos notbooks [53,3%]. A pesquisa aponta que embora dedicados especificamente à leitura digital, os eReaders só aparecem em penúltima lugar, com 14,9%, só um pouco à frente dos smartphones [12,2%].

Que tipo [s] de aparelho [s] você considera mais apropriado [s] para os usuários lerem um eBook na sua biblioteca?
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Para a maioria absoluta dos bibliotecários e responsáveis pelas bibliotecas brasileiras [77,9%] que atendem diferentes públicos leitores, o tablet é o aparelho mais adequado para os usuários lerem eBooks quando estiverem fora da biblioteca. O notebook aparece como o segundo melhor colocado com 60,5% do total.

O impacto dos eBooks sobre a leitura e as bibliotecas

A pesquisa estimulou os entrevistados a responderem sobre o que acreditam que poderá acontecer com a chegada dos eBooks às bibliotecas. A grande maioria [82% dos que respondera] apontam que os dois tipos de suportes [o livro impresso e o eBook, sua versão digital] deverão conviver juntos em harmonia. No caso das bibliotecas universitárias esse tipo de resposta esteve na boca de 100% entrevistados.

Galeno acredita que este resultado indica que os bibliotecários e os responsáveis pelas bibliotecas estão percebendo que a tecnologia, em vez de representar mais trabalho e dispêndio de energia para eles, pode servir como uma alavanca para a atuação das bibliotecas. “É extraordinariamente importante esse posicionamento dos dirigentes e profissionais da área, que intuem que colocar o pé no futuro pode significar mais usuários, mais leitura e, com isso, certamente maior reconhecimento e apoio. Este ano será marcado pela chegada da era digital às bibliotecas no Brasil. Isso é altamente positivo para gerar leitura, leitores e, sobretudo, maior inclusão cultural e tecnológica na sociedade brasileira”, diz entusiasmado.

O que você acha que poderá acontecer com a chegada de aparelhos e eBooks na sua biblioteca?

Para Moreno Barros, bibliotecário do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e colunista da Revista Biblioo, não há dúvida de que os diferentes suportes continuarão a coexistir uma vez que, segundo sua opinião, “bibliotecário não trabalha com suporte, trabalha com conteúdo, documentos e informação, então essa discussão pra gente não faz sentido”. O assunto foi tema de artigo recente de Moreno: “O que os bibliotecários devem saber sobre os ebooks”.

Por outro lado, temos a responsabilidade da guarda, então é importante que estejamos atentos às mudanças de padrões tecnológicos [a escrita sendo a primeira tecnologia, os ebooks a mais recente]”.

Para Moreno, o que os bibliotecários não podem fazer é argumentar que não estão preparados para a mudança. “Basta entrar em qualquer linha de metrô nas grandes cidades e perceber como as pessoas consomem informação em seus celulares. Basta entrar em qualquer biblioteca universitária e perceber que os alunos estão mais com laptops à tira colo do que livros. Basta visitar qualquer biblioteca pública e perceber que as crianças estão mais interessadas nos computadores do que nos livros, os adultos mais preocupados com o uso de espaço público do que o acervo”.

Na concepção do bibliotecário, quem dita essas transformações é o mercado [tendo os avanços tecnológicos como sustentação] e depois os usuários. Os bibliotecários funcionariam apenas como receptáculo e eventualmente exercendo o papel de intermédio entre criadores e distribuidores de conteúdo.

Em determinado momento, bastará que uma editora decida comercializar seus livros em formato apenas eletrônico, para toda uma cadeia de distribuição logística ser alterada, simplesmente porque para ela é muito mais barato produzir e comercializar seus livros em formato digital, trabalhando em conjunto com outras empresas tecnológicas que mantêm o monopólio sobre a disseminação do conteúdo”.

Biblioo | 14/04/14

eBooks crescem apenas 3,81 por cento em 2013 nos EUA


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 02/04/2014

Desde 2002, a Association of American Publishers [AAP] apura a venda de e-books de seus associados e publica os resultados junto com as demais estatísticas do mercado norte-americano. Está semana, ela divulgou os numerous referente a 2012 e a grande surpresa que as vendas de e-books no segmento de interesse geral [trade] cresceram apenas 3,81%, alcançando US$ 1,3 bi. Em 2012, o faturamento digital deste setor havia ficado em US$ 1,25 bi. A surpresa é que pela primeira vez desde 2002, o crescimento ficou abaixo dos 10%, como demonstra o gráfico abaixo. [Clique nos gráficos para vê-los em tamanho maior.]

Crescimento do Faturamento de E-books no Mercado Trade nos EUA

Vale observar que ao longo dos anos, as estatísticas da AAP sofreram grandes variações em sua base de coleta de dados. O número e a classificação das editoras participantes se alteraram, as definições de formatos foram apuradas e a própria metodologia melhorada. Em 2010, por exemplo, a pesquisa passou a ser feita junto com o Book Industry Study Group, com grandes alterações metodológicas. Portanto, uma comparação ano a ano não pode ser considerada estatisticamente perfeita. Mas ainda assim, com esta grande ressalva, uma análise dos dados ao longo dos anos é uma ótima ferramenta para a visualização de tendências. No próximo gráfico, temos o faturamento digital ao longo dos anos dos editores de interesse geral associados à AAP.

Faturamento dos E-books no Merado Trade dos EUA

Para terminar, o gráfico da participação dos e-books no faturamento do segmento trade. Em 2012, 26,66% das vendas dos editores foram digitais. Como no ano anterior esta participação ficou em 25,87%, a hipótese de que a fatia do mercado digital está chegando a um platô é bastante plausível.

Participação do Faturamento de E-books no Mercado de Trade dos EUA

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 02/04/2014

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio


POR EDNEI PROCÓPIO

Hoje, terça-feira, dia 25, às 18h30, estarei lançando [simultaneamente em versão impressa e digital] o meu terceiro livro sobre os eBooks. Será na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, aqui em São Paulo, e tenho o prazer convidar os colegas que acompanham este blog.

Na ocasião, ministrarei uma palestra sobre assunto onde tratarei dos dois eixos centrais que considero importante para a boa manutenção do mercado editorial brasileiro. O primeiro seria o eixo econômico, aquele que viabiliza e sustenta toda a cadeira produtiva do livro. E o segunda eixo é o político que, inevitavelmente, precede o primeiro quando se trata de políticas públicas voltadas ao livro em especial as bibliotecas públicas digitais, os livros digitais didáticos, etc…

Nos meus primeiros dois livros, eu já havia tratado e, de certo modo, refletido toda uma revolução tecnológica prevista por inúmeros especialistas como Michael Hart, Don Tapscott, Chris Anderson e Tim Berners-Lee, líderes que aprecio e cujas ideias projetaram as mídias digitais ao mainstream.

Costumo sempre reafirmar em minhas palestras, cursos e entrevistas que esta revolução tecnológica não só, finalmente, alcançou o mundo dos livros como também transformou profundamente a realidade de seu mercado criando novos horizontes, possibilidades e, claro, desafios. E a questão central agora são exatamente os desafios. O mercado editorial, mesmo com sua consagrada manufatura de produção cultural, alcançou níveis alarmantes de riscos em seu histórico modelo de negócios.

Modelo de negócios para os livros digitais é, portanto, neste meu novo livro, a preocupação central. Nele, faço uma análise profunda do futuro mercantil dos livros frente a uma iminente revolução causada pelo advento da Internet. Em “A Revolução dos eBooks” busco desmistificar os livros digitais usando conceitos básicos que ajudarão profissionais a desbravarem o que considero como um cenário único de oportunidades.

Nos vemos lá! Eddie

Amazon e MEC: um divisor de águas?


Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 19/03/2014

Para quem, como eu, esperava que a grande novidade desse início de ano fosse o edital do PNLD 2016, o acordo MEC-Amazon para a distribuição de livros didáticos digitais caiu como uma bomba – daquelas bem indigestas.

Segundo nota divulgada esta semana pela própria Amazon, o acordo envolve “conversão digital e distribuição de mais de 200 livros didáticos em tablets” e “tecnologia da Amazon para gerenciar e distribuir esse catálogo de livros para professores do ensino médio de escolas públicas”. Os professores terão acesso ao material por meio de aplicativos Kindle instalados nos cerca de 600 mil tablets Android comprados pelo governo.

Pelo teor do notícia, esse primeiro convênio parece dizer respeito aos PDFs do PNLEM 2012, já negociados com as editoras. Mas as intenções da gigante norte-americana são bem mais amplas, a julgar pela declaração de Alex Szapiro, diretor geral da empresa no Brasil: “Esperamos trabalhar com o FNDE para alcançar alunos e professores em todas as séries, com o objetivo de contribuir para a melhoria da educação no país”.

O acordo acontece no âmbito de um edital de convocação publicado em outubro de 2012, que pedia “a estruturação e operação de serviço virtual para disponibilização de obras digitais e outros conteúdos educacionais digitais para professores, estudantes e outros usuários da rede pública de ensino brasileira, com ênfase nos títulos do PNLD, do PNBE e de outras ações governamentais na área de material escolar, por meio de tecnologia que assegure o atendimento em escala nacional e proteja os direitos autorais digitais e a propriedade intelectual dos acervos”. Segundo o documento, podem ser firmadas “parcerias com diferentes instituições simultaneamente ou alternadamente”, o que na prática quer dizer que outras interessadas, como Saraiva e Adobe, ainda podem estar no páreo.

O lado ruim da história

Com simultaneidade ou não, há muitos aspectos negativos para as editoras didáticas – a começar pelo fato de que elas tiveram a chance de construir uma alternativa coletiva para essa plataforma e não o fizeram. O projeto simplesmente não foi para a frente na Abrelivros em 2012/13.

Assim perdeu-se a chance de ganhar um aprendizado importante – e, sobretudo, de ter acesso direto ao próprio consumidor. Afinal, controlar a plataforma significa se relacionar com o público escolar: ter acesso a essa base de dados, saber como os livros estão sendo usados [trechos comentados, palavras consultadas, o ponto em que as pessoas deixam de ler] etc. É a chamada “big data”, tendência essencial hoje em tecnologia.

E agora uma das empresas que pode ter acesso a essas informações é a Amazon, concorrente em potencial das editoras. Lá fora, uma das apostas da empresa tem sido a autopublicação e até a edição direta de autores – em outras palavras, eles podem usar a experiência adquirida para 1] incentivar os professores a criar os próprios materiais [até aí, tudo bem] e 2] passar a criar e editar livros didáticos diretamente [alguém duvida?].

Tudo isso com tecnologia proprietária, o que quer dizer que os materiais produzidos e distribuídos talvez possam ser lidos apenas em aplicativos e plataformas da Amazon [que, é claro, rodam em qualquer dispositivo] –uma derrota também para os grupos de recursos educacionais abertos.

O imbróglio me trouxe à mente a última coluna de 2013, onde citei um artigo de Joe Wikert que vaticinava a “morte por irrelevância” das editoras. Segundo ele, “não é a Amazon que as está matando, e sim elas mesmas. Os editores […] estão se tornando menos relevantes a cada ano”.

Outra derrota para as editoras está no fato de que este é o segundo anúncio de conteúdo embarcado pelo MEC em tablets para professores no Brasil – e o segundo estrangeiro. Primeiro foram os vídeos de Khan Academy; agora, o aplicativo de leitura digital da Amazon. Corre à boca pequena, inclusive, que as editoras seriam tidas, entre as pessoas do ministério, como empresas que não entendem muito de digital.

Existe um lado bom

Feitas as devidas ressalvas, também é possível enxergar aspectos positivos no uso do app Kindle por professores de escolas públicas. Afinal, a Amazon possui talvez o maior [e melhor?] ecossistema de livros digitais do mundo; o simples fato desses docentes terem acesso a ele constituiria não só um processo de inclusão digital, mas também de incentivo à leitura.

E não é só na teoria: uma pesquisa da ONG inglesa QuickReads acaba de mostrar que leitores adultos tendem a ler mais se usam um e-reader. 48% dizem que a tecnologia os faz ler mais; mais de 40% citam a capacidade de consultar palavras no dicionário e de mudar o tamanho e aparência do texto como vantagens do digital. Por fim, 62% afirmam que o acesso a livros digitais gratuitos os faz ler títulos que normalmente não leriam.

Do ponto de vista das editoras, isso pode se traduzir em mais leitura [e vendas] de seus livros como um todo. Os professores podem se interessar por obras recomendadas nos livros didáticos, assim como por outros títulos disponíveis nas lojas digitais – e acessar tudo isso com um clique.
Da noite para o dia, um mercado de 600 mil leitores em potencial pode surgir – número nada desprezível na realidade brasileira, em que os e-readers ainda não chegam às centenas de milhares, e os tablets, já na casa dos milhões, são mais usados para acessar outros tipos de conteúdos.

Um divisor de águas

Não dá para saber ainda como vai ser o relacionamento MEC-Amazon. Segundo dito na CBN por Cristina de Luca, esse acordo ainda é um piloto – e, como todo piloto, pode ser que não funcione bem. Ao contrário da Amazon, as editoras sabem bem as dificuldades de levar esse tipo de recurso às escolas brasileiras [públicas ou particulares]. Pode ser também que outras alternativas surjam, ou até que o governo e a política mudem.

A única certeza é que esse é um acordo com potencial para ser um divisor de águas no mercado editorial brasileiro – para o bem e para o mal.

E você, o que acha?

Até a próxima,@gabidias
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Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 19/03/2014

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e atua desde 1996 na fronteira entre o impresso e o digital. Já fez multimídia, livro e site, mas hoje trabalha com tudo isso [e mais um pouco] na editora Moderna. Vive ainda em outras fronteiras: entre Rio e São Paulo, entre Higienópolis e Santa Cecília. É Flamengo, mas não tem uma nega chamada Teresa.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo, por dentro e por fora. Mensalmente, ela vai trazer novidades e indagações sobre o setor editorial didático e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

TWITTER, Facebook e e-mail da Gabriela Dias

2,5 mi de eBooks vendidos no Brasil em 2013


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 13/02/2014

Desde janeiro de 2012, tenho tentado acompanhar o crescimento do mercado de e-books brasileiro. Baseado em números obtidos de players digitais que atuam no Brasil e extrapolando os mesmos, consegui criar estimativas para as vendas digitais mês a mês no Brasil. O gráfico abaixo reflete os resultados a que cheguei.

As vendas em dezembro de 2013 totalizaram aproximadamente 294 mil unidades de livros de digitais e as vendas de ebooks no ano passado somaram aproximadamente 2,53 milhões de unidades no Brasil.

Sem dúvida, as estimativas acima são bastante frágeis e são resultado de extrapolações bastante livres e com forte subjetividade. Mas ainda que sejam mais guesstimates que estimates, acredito que os números estejam bem próximos da realidade.

[As colunas vermelhas são os meses de chegada das empresas internacionais no Brasil. Clique no gráfico para melhor visualização]

Kindle pode ser só 1º passo da Amazon no e-commerce ‘físico’ no Brasil


Após pouco mais de um ano vendendo apenas livros digitais no Brasil, a Amazon fará sua primeira incursão no varejo físico a partir desta sexta-feira [7], quando passará a ofertar o dispositivo eletrônico Kindle em seu site.

Com a investida, a empresa norte-americana dá outro tímido passo em vendas online no país, mercado cujo faturamento anual é estimado em R$ 28 bilhões pela E-bit.

Ao mesmo tempo, a companhia delega a terceiros a tarefa de orquestrar o processo de entrega, considerado um dos maiores gargalos do setor, ao contrário do que faz nos Estados Unidos, onde é dona de gigantescos centros de distribuição.

Segundo Alex Szapiro, responsável por comandar a operação brasileira da Amazon, o envio dos tablets será realizado por empresas que já atuam no ramo, sem revelar a quantidade ou nome das parceiras logísticas.

Perguntado sobre a chance do movimento preceder negociação de produtos variados no Brasil, modelo que consagrou a Amazon como uma gigante de vendas líquidas de US$ 74,5 bilhões em 2013, Szapiro evitou falar sobre planos futuros.

O que eu posso dizer é que tudo o que a gente faz, a gente aprende. Estou aprendendo hoje sobre livros digitais e sobre o consumidor brasileiro“, disse.

A partir de amanhã, eu vou aprender como fazer meu produto físico chegar do ponto A ao ponto B“, completou o executivo em entrevista na quinta-feira.

Por ora, a companhia dará foco à oferta de mais um canal de vendas para o Kindle, acreditando no aumento da popularidade dos e-books no Brasil.

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração, vendido pela Amazon no Brasil

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração, vendido pela Amazon no Brasil

A gente escuta através das editoras que o mercado de livros digitais no Brasil já representa algo na casa de 3% do total“, disse Szapiro. “É um número interessante, eu diria que extraordinário, para um segmento de mercado que não existia um ano atrás“.

O tablet da Amazon já era encontrado em varejistas parceiras da empresa no Brasil, como Livraria da Vila, Casa e Vídeo e CTIS.

Na Internet, uma das parceiras é a Nova Pontocom, divisão de vendas online da Via Varejo, do Grupo Pão de Açúcar, e vice-líder em comércio eletrônico do país.

Para atrair consumidores ao seu endereço a partir de agora, a Amazon oferecerá frete grátis e parcelamento em até 12 vezes, num momento em que diversas companhias do setor, como Netshoes e Máquina de Vendas, diminuem o número de prestações para itens de menor valor com o intuito de tornar as operações rentáveis.

É uma novidade para a Amazon e uma obrigatoriedade no Brasil“, disse, referindo-se às facilidades de pagamento.

Quem comprar o tablet na Amazon.com.br e já for usuário pré-registrado também receberá o dispositivo com e-books adquiridos anteriormente. O novo modelo Kindle Paperwhite será vendido no site a partir de R$ 479, valor que já era praticado pelas varejistas parceiras, ante preço de US$ 119 [R$ 284] no mercado norte-americano.

Desde que a Amazon entrou no país, em dezembro de 2012, o número de livros digitais em português vendidos no site subiu de 13 mil para cerca de 28 mil, sendo que os títulos gratuitos avançaram de 1.500 para 2.600.

DA REUTERS | 07/02/201, às 13h38

Com Kindle, Amazon estreia venda física em site no país


A Amazon inicia nesta sexta-feira [07] a venda de produtos físicos no Brasil. Neste primeiro momento, a varejista americana vai vender apenas o leitor digital Kindle [em três modelos] e mais acessórios para o aparelho.

O gerente da Amazon Brasil, Alex Szapiro, não revela quando a empresa vai iniciar a venda de livros no país, mas a expectativa do mercado editorial é de que isso aconteça ainda no início deste ano.

A maior varejista do mundo, que nasceu vendendo livros físicos, estreou no Brasil em dezembro de 2012 apenas com versões digitais. No país, a empresa perde para a Apple na venda de livros digitais em português, devido, principalmente, à maior penetração de iPads em relação ao Kindle.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o mercado de livros digitais em português representa de 3% a 4% das vendas de livros do país. São quase 30 mil títulos – de um total de quase 100 mil títulos à venda no país.

Nos EUA, os livros digitais já representam de 25% a 30% do mercado, mas eles existem há sete anos. Por aqui estamos crescendo, toda semana batemos recordes“, diz Szapiro, que não revela números sobre a operação brasileira.

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

O Kindle será vendido em três versões, já disponíveis no mercado brasileiro por meio de varejistas selecionados. O modelo básico custa R$ 299. O produto mais caro, o PaperWhite 3G, versão em que o usuário tem acesso a qualque

RESISTÊNCIA

A Amazon enfrentou resistência de algumas varejistas e livrarias para vender o Kindle. Atualmente, o aparelho está disponível no Extra e no Ponto Frio [lojas e e-commerce], na Livraria da Vila e na Casa & Video.

Meu público alvo são todos os brasileiros que sabem ler. Queremos que o consumidor descubra o Kindle“, diz Szapiro. Pesquisas da Amazon mostram que clientes de livros físicos passam a consumir quatro vezes mais livros [físicos ou digitais] depois de adquirir um Kindle.

Diferentemente dos aparelhos vendidos em lojas de terceiros, os Kindles comprados diretamente na Amazon serão pré-registrados. Se o consumidor já tiver uma biblioteca de livros digitais, receberá o Kindle em casa com todo o acervo já baixado.

Szapiro diz que a empresa esperou mais de um ano para iniciar a venda do Kindle por meio da sua própria plataforma de e-commerce pois queria “estar preparada para melhorar a experiência do cliente“.

Questionado se o fato de a empresa agora estar preparada para vender o Kindle significa que o início da venda de livros pela internet estaria próximo, Szapiro desconversou: “essa é uma avaliação sua“.

O Brasil foi o primeiro país no mundo em que a empresa estreou com a venda de livros digitais exclusivamente. Em outros países, o e-commerce de livros físicos começou seis meses depois. A mesma estratégia foi adotada no México.

POR MARIANA BARBOSA, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 07/02/2014, às 03h00

O futuro das livrarias e o futuro do mercado editorial


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 05/02/2014

Um dos assuntos que estamos examinando já há muito tempo é o inevitável impacto que o aumento das compras online de livros terá nas prateleiras do comércio e o que isso vai significar para as editoras de livros gerais. [Você vai ver que este discurso que já tem mais de uma década também diz que as editoras terão que se centrar em sua audiência, ou atuar de forma vertical, também.]

Claro, já ocorreu um choque no sistema – um evento “Cisne Negro” – que foi o fechamento da Borders em 2011. Isso, de repente, tirou umas 400 livrarias bem grandes da cadeia. Desde então, a história sobre as independentes – que inclui informações financeiras encorajadoras, mas sem comprovação do Bureau de Análise Econômica [BEA/EUA] e muitos hurras de independentes bem-sucedidas [jogamos um pouco de gasolina nesse fogo com uma importante sessão na DBW que aconteceu na semana passada] – tem sido bastante otimista [apesar de que os dados da Bowker parecem sugerir que a Amazon ganhou mais com a morte da Borders do que qualquer outro player]. E apesar de a Barnes & Noble continuar a mostrar alguma queda de vendas, seus retrocessos mais sérios foram no negócio do Nook, não nas vendas em lojas.

Um fator que distrai a atenção dos analistas pensando nesta questão tem sido a aparente desaceleração no crescimento das vendas de e-books, sugerindo que há leitores de impressos persistentes que não querem mudar. O fato encorajador acaba distraindo porque é incompleto quando se trata de prever o futuro do espaço de prateleira no comércio, que é a questão existencial para as editoras, distribuidoras e livrarias [e, portanto, por extensão, para os autores]. Precisamos saber quais são as mudanças na divisão destas vendas entre online e offline para ter um quadro completo. Se a aceitação do e-book diminuir, mas a mudança para compras online continuar, as livrarias vão sofrer mesmo assim.

Este problema das vendas online versus offline, no lugar de vendas de livros impressos versus livros digitais é central e é a que estamos martelando há anos. Foi ótimo ver Joe Esposito enfatizar o problema em um recente post ao tratar algumas as minhas perguntas favoritas sobre a Amazon. Realizamos na DBW um painel de quatro livrarias independentes bem-sucedidas. Uma das participantes, Sarah McNally da McNally-Jackson, recentemente foi citada dizendo que está preocupada com o futuro de sua livraria no Soho quando seu aluguel terminar. [Os aluguéis aumentam rapidamente naquela parte da cidade.] Enquanto isso, ela está se movendo para não ficar só nos livros e vender bens com muito design e talvez mais duradouros como arte e móveis. [E, neste sentido, McNally-Jackson segue o exemplo da Amazon, não se limitando a ser uma marca de livraria.]

Um amigo meu que, há muito tempo, é representante de vendas independente diz que até mesmo as independentes bem-sucedidas estão sentindo a necessidade de vender livros e outras coisas [cartões, presentes, enfeites] para sobreviver. As mega-livrarias com 75 mil ou mais títulos foram um ímã para os clientes nas décadas de 1970 a 1990. Não é mais assim porque uma livraria com muitos milhões de títulos está disponível em computadores de todo mundo. Isto é um fato que faz com que o número de lojas bem-sucedidas seja um indicador fraco do potencial de distribuição disponível para as editoras. Se os sebos possuem metade do inventário que são publicados, podemos ter muitas histórias de sucesso entre as livrarias independentes, mas mesmo assim temos um ecossistema encolhendo, dentro do qual as editoras distribuem seus livros.

Em geral, os proprietários de livrarias independentes bem-sucedidas e sua associação, a American Booksellers Association, pintam o momento como favorável para livrarias independentes. Eles rejeitam o ceticismo de pessoas, que como eu, acreditam que a atual onda de aparente boa sorte é causada por uma janela de tempo [agora] em que o fechamento da Borders removeu espaço na prateleira mais rápido que a Amazon e os e-books removeram a demanda por livros nas lojas.

Tem sido uma profissão de fé silenciosa achar que as livrarias não passariam pelo que aconteceu com as lojas de discos ou de aluguel e venda de vídeos, dois segmentos que desapareceram quase completamente. O livro físico tem usos e virtudes que um CD, um disco de vinil, um DVD ou uma fita de vídeo não possuem, sem falar que um livro físico é seu próprio player. Mas também fornece uma experiência de leitura qualitativamente diferente, enquanto que outros formatos “físicos” não mudam o modo de consumo. Claro, isso só ajuda as livrarias se as vendas continuarem offline. As pessoas comprando livros online têm grandes chances de comprar da Amazon. Em outras palavras, é perigoso usar a capacidade do livro para resistir garantindo a capacidade das livrarias de se sustentar. As duas coisas não estão conectadas de forma indissociável.

Mas o destino de quase todas as editoras gerais está inextricavelmente conectada ao destino das livrarias. Só há duas exceções. A Penguin Random House é uma, porque é grande o suficiente para criar livrarias próprias apenas com seus livros. A outra são as editoras verticais com suas audiências o que abre a possibilidade de criarem pontos de vendas que não sejam exatamente livrarias. Livros infantis e de artesanato são possibilidades óbvias para isso; não há muitos outros.

O sentimento que eu tive na Digital Book World é que a maioria das pessoas na indústria ou rejeitou ou quer ignorar a possibilidade de que haverá uma erosão ainda mais séria da indústria nos próximos anos e que isso ameaçaria as práticas centrais da indústria. Com mais da metade das vendas de muitos tipos de livros – ficção na área geral, claro, mas também muitos tópicos especializados, profissionais e acadêmicos – já online, muitos parecem sentir que qualquer “ajuste” necessário já foi feito. Eles receberam apoio para seu otimismo na Digital Book World. O guru do mercado de ações Jim Cramer apresentou sua visão do futuro da Barnes & Noble [porque ela é a última rede de livrarias] e, do palco principal, foi apresentada a ideia de que o Walmart poderia comprar e operar a B&N como parte de uma estratégia anti-Amazon.

Tudo isso é possível e não tenho dados para refutar a noção de que chegamos a algum tipo de nova era de estabilidade da livraria, só uma sensação que não me abandona de que nos próximos anos não será assim. Não quero ignorar os sinais positivos que vimos no último ano mais ou menos. E o declínio geral nas compras em livrarias versus online afeta todo o comércio, não só livros, então é possível – alguns poderiam dizer que é provável – que o aperto dos aluguéis vá diminuir. Não é só o espaço em prateleiras que parece estar sobrando em comparação com a demanda; esta é uma verdade em todo o comércio. Então sua impressão pode diferenciar e teria alguma lógica para apoiar um ponto de vista contrário.

Mas meu palpite [e isso não é uma “previsão” como em “isso vai acontecer; corram para o banco”] é que o espaço de prateleira para impressos na Barnes & Noble e em outras livrarias poderia muito bem diminuir uns 50% nos próximos cinco anos. Qual CEO ou CFO de uma editora geral consideraria prudente não levar em conta esta possibilidade em seu próprio planejamento?

Obviamente, menos espaço em prateleira e mais compras online mudam as práticas de cada editora de muitas formas. Elas vão querer implementar mais recursos para o marketing digital e menos para a cobertura de vendas. Vão querer ter menos espaço de estoque e menos inventário, mudando a economia geral de seu negócio. Como estamos falando há anos, elas vão achar importante a consistência vertical: adquirir títulos com apelo consistente à mesma audiência. A própria base de dados de consumidores de cada editora vai se tornar um componente cada vez mais importante de seu lucro: ativos que fornecem valor operacional hoje e valor de balanço se forem compradas.

Mas, acima de tudo, as editoras terão que pensar em como elas manterão seu apelo frente aos autores se colocar livros nas livrarias se tornar o componente menos importante da equação geral. Ainda é verdade que colocar livros nas lojas é necessário para chegar perto da penetração total entre a audiência potencial de um livro. Ignorar o mercado de livrarias obviamente custa vendas, mas também tem um custo de percepção que reduz as vendas online. [Afinal, as lojas estão muito conscientes do efeito “showroom”: clientes que cruzam suas prateleiras com smartphones na mão, fazendo pedidos da Amazon no ato!]

Mas isso acontece hoje quando a divisão online-offline pode estar perto de 50-50 no geral e 75-25 para certos nichos. Se estes números chegarem a 75-25 e 90-10 nos próximos cinco anos, o mercado de livrarias realmente não vai importar muito para a maioria dos autores. Seja pela autopublicação ou por alguma editora nova que não tem as capacidades das grandes editoras de hoje, mas também não possui toda a estrutura de custo, os autores vão sentir que as grandes organizações são menos necessárias do que são agora para ajudá-los a realizar todo seu potencial.

Taxas de royalties mais altas para e-books, pagamentos mais frequentes e contratos mais curtos são todas formas pouco atrativas, da perspectiva da editora, para resolver esta questão. Até agora o mercado não forçou as editoras a oferecer isso. Se as livrarias conseguirem se manter, a necessidade de usá-las não será muito forte por algum tempo. Mas se não conseguirem, a maioria das editoras terá poucos elementos para continuar a atrair autores para suas fileiras.

Já estamos vendo grandes editoras afastando-se aos poucos dos livros que não demonstraram grande capacidade de vender bem no formato de e-book: livros ilustrados, livros de viagem, livros de referência. Isso implica uma expectativa que o componente online – especialmente o segmento de e-book – já mudou o mercado ou certamente vai mudar em pouco tempo. Ajustes aos termos padrão com autores é outra questão que ainda não foi resolvida, mas se o mercado continuar a mudar, poderia ficar muito difícil manter as coisas como estão.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 05/02/2014 | Texto originalmente publicado no The Shatzkin File | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Americanos preferem livros impressos apesar do sucesso dos tablets


Os leitores americanos continuam preferindo o livro de papel e tinta, apesar do crescente sucesso dos tablets e dos livros digitais, segundo estudo do instituto Pew Research Center.

Embora o número de pessoas que leram e-books tenha crescido em 2013, a maioria dos adultos nos Estados Unidos optou por edições impressas, revelou o centro Pew.

A fatia de americanos que leem e-books está crescendo, mas poucos substituíram totalmente os livros impressos por suas versões eletrônicas“, afirmam os cientistas. Só 4% dos leitores disseram ter aderido completamente aos e-books.

O [livro] impresso continua sendo a base dos hábitos de leitura dos americanos“, acrescentaram.

O percentual de americanos adultos que leram um e-book durante o ano passado aumentou de 23% para 28%. Enquanto isso, sete em cada dez americanos disseram ter lido livros impressos, o que representou um aumento de 4% com relação a 2012.

Em conjunto, 76% dos adultos americanos leram um livro durante os doze meses anteriores à pesquisa, realizada neste janeiro.

A consulta também mostrou que aqueles que leem em dispositivos eletrônicos, inclusive tablets, ganharam terreno: 42% dos adultos americanos têm um tablet, contra 34% registrados em setembro do ano passado. A metade dos americanos tem ou um tablet ou um leitor de livros digitais contra 43% em setembro.

A Amazon.com não revelou os volumes de venda do Kindle, mas a agência Compass Intelligence estima que a gigante de vendas online tenha vendido 18,2 milhões de unidades do tablet multimídia Kindle Fire no ano passado e 5 milhões do restante de seus leitores digitais, o Kindle.

A consulta foi feita entre 2 e 5 de janeiro, por telefone, com 1.005 americanos maiores de idade.

Estado de Minas | 16/01/14

eBooks chegam a 3% das vendas de livros


Em 2013, as vendas de livros digitais nos mercados mais desenvolvidos do mundo tenderam à estagnação.

Enquanto em países como França e Alemanha o segmento cresceu no mesmo ritmo acelerado dos EUA até 2011, com os digitais passando os 5% das vendas das editoras, os mercados onde os e-books já são superiores a 20% [EUA e Reino Unido] tiveram aumento quase nulo.

Ainda é cedo para tirar conclusões sobre a desaceleração, mas uma tendência paralela nos países de língua inglesa chamou a atenção.

Trata-se da expansão de serviços de leitura via streaming, como Scribd e Oyster, com os usuários que pagam mensalidades para acessar milhares de títulos em vez de pagar por eles isoladamente.

Ainda com poucas opções nessa área [o maior serviço, a Nuvem de Livros, é mais voltado ao público estudantil], o Brasil teve em 2013 seu primeiro ano com a presença das grandes lojas de livros e viveu crescimento similar ao dos EUA nos primórdios do Kindle, entre 2008 e 2009.

As maiores editoras do país fecharam 2012 com os e-books representando cerca de 1% de suas vendas totais. Agora, após um ano com Amazon, Apple, Google e Kobo oferecendo e-books nacionais, as casas informam que o digital chega a 3% de suas vendas.

É ainda uma parcela pequena e que decepciona editores, mas um crescimento esperado para um país cujos leitores ainda tateiam as opções de leitura digital.

A Objetiva, por exemplo, vendeu 15 mil e-books em 2012 e fecha 2013 com 95 mil livros digitais vendidos, um crescimento de 650% [eles agora representam 3% das vendas da editora].

Marcos Pereira, editor da Sextante, diz que esperava mais que os 2% que os e-books representam hoje para a editora, mas ressalva que isso tem relação com o fato de apenas metade de seu catálogo de 600 títulos já ser vendido no formato.

A casa, no entanto, tem um dos casos mais expressivos de vendas digitais no país. “Inferno”, de Dan Brown, que já vendeu cerca de 500 mil cópias impressas, teve comercializados 24 mil e-books desde o meio do ano, quando foi lançado — ou seja, quase 5% das vendas foram digitais.

O que caiu foi o ritmo de expansão dos acervos digitais. Em geral, as editoras têm feito lançamentos simultâneos em papel e e-book, mas contratos feitos anos atrás inviabilizam a conversão de títulos mais antigos.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 04/01/2014, às 03h44

Leitores jovens adultos preferem livros impressos


Analogue entertainment … a teenage reader. Photograph: RelaXimages/Corbis

Analogue entertainment … a teenage reader. Photograph: RelaXimages/Corbis

Jovens de 16 a 24 anos são conhecidos por serem super conectados, obcecados por ‘selfies’ e terem sempre os aplicativos de celular atualizados. É surpreendente, portanto, ver que 62% deles preferem livros impressos a e-books. A Voxburner questionou jovens de 16 a 24 anos online. As duas maiores razões apontadas foram o custo benefício do formato impresso e a conexão emocional com o livro físico. Em relação ao preço dos e-books, 28% acham que e-books deveriam custar a metade do preço atual, e 8% acham que o preço atual está correto.

Por Liz Bury | The Guardian | 25/11/2013

Vendas de livros de capa dura crescem mais que as de eBooks em 2013


Tem uma categoria que vem crescendo muito em 2013, mas não é a de e-books. Vendas de livros de capa dura cresceram mais de 10% nos primeiros 8 meses de 2013, segundo os últimos dados da Associação dos Editores dos EUA. No mesmo período, as vendas de e-books adultos cresceram apenas 4,8%; as vendas totais de e-books nos EUA, incluindo infantis e religiosos, caíram cerca de 5%. Não sei o que é mais surpreendente: o enorme aumento de livros de capa dura ou a queda de vendas de e-books. Agosto foi o mês com maior crescimento: as editoras venderam US$110 milhões em livros de capa dura, quase 50% a mais que em agosto do ano passado. No mesmo mês as vendas de e-books caíram quase 3%. Por quê? Não tenho certeza – e muitas das minhas fontes do mercado editorial também estão confusas.

Por Jeremy Greenfield | Forbes | 19/11/2013

Smashwords é o maior produtor de eBooks independentes dos EUA, segundo a Bowker


A Bowker classificou o site Smashwords como o maior produtor de e-books independentes em 2012, segundo o relatório anual sobre autopublicação. Smashword também ficou em segundo lugar como maior produtor de livros autopublicados, após o CreateSpace, contabilizando a produção conjunta de livros impressos e e-books [o Smashwords não imprime]. Segundo a análise da Bowker dos dados de ISBN, o número de títulos autopublicados em 2012 pulou para mais de 391 mil, um aumento de 59%, em relação a 2011, e 422% em relação a 2007.

PublishNews | 13/11/2013

Mercado de leitura móvel da China cresce rapidamente no terceiro trimestre


O mercado de leitura móvel da China continuou crescendo e atingiu um volume de 1,65 bilhão de yuans [US$ 270 milhões] no terceiro trimestre de 2013, segundo um relatório divulgado por um importante pesquisador da indústria tecnológica.

A cifra representa um aumento de 12% em termos trimestrais e uma alta de 83,4% em termos anuais, segundo o relatório da Analysys International.

O número de usuários ativos de leitura móvel atingiu 470 milhões entre julho e setembro, um aumento trimestral de 7,9%.

Os principais quatro provedores de leitura móvel são iReader, QQ Reader, Tadu e 91 PandaReader, com participações de mercado de 20,3%, 12%, 8,5% e 8,5%, respectivamente.

Um provedor de leitura móvel deve diferenciar seus produtos de outros e aumentar a experiência dos usuários para sobreviver à selvagem competição no mercado, diz o relatório.

Rádio China Internacional | 11/11/13