Mais uma editora adere à Distribuidora de Livros Digitais


DLD passará a fazer a distribuição digital dos e-books da editora

Resultado do consórcio das editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, LP&M e Novo Conceito para distribuição digital de seus e-books, a DLD começou recentemente a distribuir e-books de outras editoras. A primeira casa a aderir – como cliente e não como sócia – é a Cosac Naify. Em comunicado enviado à redação do PublishNews, a DLD informa que “esta iniciativa se integra ao processo de fortalecimento da atuação da Cosac Naify no digital”. “Iniciando o trabalho de distribuição de e-books integrado a uma plataforma, automatizamos uma grande parte do operacional para que possamos focar no que nos é mais importante: os livros“, se pronunciou a Cosac também via comunicado. Atualmente, a editora dispõe de 140 e-books em seu catálogo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/06/2015

Kindle Unlimited começa hoje


O serviço de subscrição da Amazon brasileira começa com 700 mil títulos, dez mil deles em português

A Amazon brasileira inicia nesta quinta-feira [11] a operar o Kindle Unlimited, o seu serviço de subscrição de livros. O modelo está em operação nos EUA desde julho deste ano. Ao todo, são oferecidos 700 mil títulos, a grande maioria deles em outras línguas. O catálogo em português é composto por dez mil títulos de editoras como Gente, Globo, LeYa, PandaBooks, Universo dos Livros, Vergara & Riba [V&R] e Zahar. Não aderiram ao serviço grandes editoras como as que compõem o pool DLD [L&PM, Novo Conceito, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante], a Companhia das Letras, a Intrínseca e a Ediouro. A varejista não dá detalhes da negociação com as editoras, mas, pelo que apurou o PublishNews, não foi uma lida fácil. Editores ficaram relutantes pela proposta feita pela Amazon. Em alguns casos, a gigante de Jeff Bezos ofereceu um fee fixo pelo catálogo, independente da quantidade de vezes que cada obra fosse acessada. Não se sabe, no entanto, se esse é o único modelo e nem se foi o aceito pelas editoras que passam a fazer parte do serviço.

Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, recebeu o PublishNews para falar sobre o Kindle Unlimited na tarde da última quarta-feira. “Por questões contratuais, não podemos dar detalhes da negociação com as editoras. O que podemos dizer é que, como aconteceu nos EUA, a tendência é que esse catálogo cresça”, disse o executivo. “Grandes editoras resolveram não entrar nesse momento, mas o que a gente tem escutado é que elas preferem esperar um pouco mais. As negociações são contínuas”, disse. Szapiro lembra que, também nos EUA, a adesão ao Kindle Unlimited foi paulatina. “Na nossa visão, esse programa vai evoluir. Hoje temos na nossa loja, cerca de 43 mil títulos em português, ou seja, um quarto dos livros da Amazon.com.br estão no Kindle Unlimited. Quando lançamos a loja, há dois anos, o catálogo era de 13 mil títulos e evoluiu para 43 mil em 2014. A gente acredita que essa mesma evolução vai acontecer com o Kindle Unlimited”, completou o country manager.

O serviço

O Kindle Unlimited sai a R$ 19,90 [nos EUA, o serviço é oferecido a US$ 9,90 ou algo em torno de R$ 26]. Para identificar os títulos participantes do serviço, os usuários verão na tela de compra o ícone do Kindle Unlimited e um botão “Leia de Graça” na parte superior direita, onde normalmente fica o botão “Compre agora com um clique”. Ao clicar no “Leia de Graça”, o livro será automaticamente baixado para os dispositivos do usuários [o aparelho Kindle ou os apps de leitura Kindle]. Cada usuário poderá ficar com até dez livros por vez. Para pegar o 11º título ele precisa “devolver” um livro que já esteja na sua lista. Os trinta primeiros dias do Kindle Unlimited são gratuitos. Entre os títulos disponíveis estão os das séries Harry Potter [Pottermore], A guerra dos tronos [LeYa] e Diário de um banana [V&R].

Por Leonardo Neto | PublishNews | 11/12/2014

Amazon bate na porta do escritor Fernando Morais


A gigante de Seatle procurou o escritor para tentar fazer pontes com o Planalto

Um dos motivos que levou Morais a fechar o contrato com a Novo Conceito foi o envolvimento da editora nas redes sociais. “Eu sou muito antenado nesse mundo novo que está surgindo. Há muitos exemplos em todas as áreas da revolução que o mundo digital está fazendo praticamente em todas as áreas e sobretudo na área de livros”, comenta Morais que se diz um entusiasta do livro digital. Morais contou ao PublishNews que foi procurado pela Amazon para tentar convencê-lo a ajudar na campanha para aprovação das mudanças na Lei do Livro e para a equiparação de e-readers a livros físicos. “O horizonte que eles desenhavam era muito animador. Eles me disseram que, tirando livros técnicos, didáticos, cada brasileiro lê 1,5 livro por ano. Daí ele me disse que se a gente conseguisse vender o Kindle a US$ 60 no Brasil, a gente multiplica em poucos anos por quatro o índice de leitura, passa de 1,5 para 6 livros/ano.  O que não é nada, não é nada é um bilhão e 200 milhões de livros. Mas daí, eles me disseram que para vender o Kindle a US$ 60, eles precisam do benefício do livro físico”, lembra Morais que passou a mão no telefone e começou a ligar para outras pessoas para entender melhor a história. “Daí me disseram que a Amazon estava de sacanagem porque o que eles querem o benefício fiscal, mas o aparelho deles é uma caixa preta. É como se você fabricasse televisor e oferecesse uma TV de plasma a R$ 10, com benefício fiscal, mas o sujeito que ligasse só pegaria a Globo”, ponderou o escritor.

Morais retomou o contato com a Amazon no Brasil e explicou que com o sistema fechado e proprietário deles, dificilmente passaria pelo crivo de Brasília. “Eles me disseram que esse é o modelo de negócio deles e que se abrissem mão disso aqui, no dia seguinte, teriam que abrir para todo o mundo. É mais fácil desonerar desde que não seja caixa preta. Desde que o hardware lesse qualquer livro”, comentou, abrindo a sugestão para as outras plataformas já presentes no Brasil, com tecnologia aberta – o Lev, da Saraiva e o Kobo, vendido pela Cultura. “Eu sou um entusiasta, mas as coisas têm limite. Abrir mão de imposto para uma empresa que vai vender um aparelho que só lê os livros dela. Só baixa os livros da Amazon. Tudo bem, mas não com o dinheiro público. A renúncia fiscal tem que ter como contrapartida um benefício para a sociedade. Qual o benefício? Vender o e-reader a R$ 60? Mas só posso ler seus livros? Não quero, não estou interessado”.

Morais deixou escapulir ainda que Jeff Bezos estava querendo vir ao Brasil para ter uma audiência com a presidente Dilma. “Mas daí veio a campanha eleitoral e ela não tinha mais tempo, tinha que pedir votos”, desviou Morais, afinal, Jeff Bezos não vota no Brasil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/10/2014

Nasce o ubook, serviço de audiolivros por streaming


Os brasileiros contam com uma nova forma de consumir literatura. Em vez de ler, podem ouvir os livros. Nasceu há cerca de um mês o ubook, primeiro serviço de assinatura de audiolivros por streaming. Seu conceito é similar ao do Netflix para vídeos ou do Rdio para música: por uma mensalidade fixa, é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo através de um app móvel, hoje disponível para iOS e HTML5 e, em breve, para Android. Nas primeiras duas semanas, conquistou mais de 40 mil assinantes, a maioria na Claro, primeira operadora com a qual firmou acordo de carrier billing, para cobrança da assinatura na conta telefônica. A projeção é superar 1,5 milhão de assinantes dentro de um ano somente entre as teles – acordos de carrier billing com Oi e TIM entrarão no ar em breve. A mensalidade custa R$ 18,90 no cartão de crédito ou US$ 6,90, pelo iTunes billing. Com as operadoras a cobrança é semanal: R$ 4,99.

O ubook conta hoje com um catálogo entre 800 e 1 mil livros. E 25 novos títulos são acrescentados por semana. A ideia é manter um catálogo enxuto, girando entre 1,5 mil e 2 mil livros, sempre novos. “Não quero ter cauda longa. Fazemos uma curadoria rigorosa. Se um livro ficar seis meses sem nenhum acesso, é retirado de catálogo“, explica Flávio Osso, fundador e CEO do ubook.

As editoras recebem uma remuneração fixa por cada título adicionado ao catálogo e outra que varia de acordo com a audiência do livro. O ubook tem contrato assinado com a Ediouro e com a Novo Conceito, e promete fechar nas próximas semanas com outras dentre as maiores de best sellers do Brasil, diz o executivo.

As editoras reclamam que os jovens não têm hábito de leitura. Mas observamos que esse grupo está sempre com fone no ouvido e celular no bolso. Se o objetivo é fazê-lo consumir cultura, não importa se ele vai ler ou ouvir… Nosso discurso para as editoras é: se você tem dificuldade de entregar esse conteúdo no papel, por que não tentar através de um canal que está no bolso do consumidor?“, relata Osso.

O público-alvo não se restringe aos jovens, mas também àqueles leitores que trabalham muito e tem pouco tempo para a leitura. O executivo cita a si próprio como exemplo: ele escuta livros dentro do carro, durante o trajeto que faz até o trabalho. “Eu passo mais de duas horas no trânsito por dia, tanto para ir quanto para voltar. Cada livro tem entre oito e dez horas de duração. Consigo ler, ou ouvir, um por semana“, afirma. Ele acredita que o serviço não canibalize a venda de livros digitais ou em papel. Pelo contrário, serviria de porta de entrada, fazendo com que o consumidor acabe comprando aqueles títulos que mais gostou de escutar.

O aplicativo do ubook permite que o usuário baixe os livros para escutá-los offline, tal como oferecem alguns serviços de streaming de música. É possível marcar trechos para escutá-los de novo depois e até gravar comentários sobre eles. O app também permite o compartilhamento de trechos nas redes sociais. A empresa planeja lançar uma versão para TVs conectadas no futuro, de forma que o usuário possa continuar a audição de casa do mesmo ponto em que parou no smartphone.

Produção

A produção do áudio é feita pelo própria ubook, com dubladores contratados para a narração. Um livro de 400 páginas gera um arquivo com duração entre oito e dez horas, o que demanda entre 15 e 20 horas de produção a um custo de aproximadamente R$ 15 mil. O valor, contudo, sobe bastante quando são convidadas celebridades como narradores. O livro “1822”, por exemplo, é narrado pelo Pedro Bial. O ator Bruno Mazzeo, por sua vez, foi convidado para narrar “As mentiras que os homens contam”, de Luís Fernando Veríssimo. E Paulo Betti emprestou sua voz em “O selvagem da ópera”, de Rubem Fonseca. Em alguns casos, os próprios autores são convidados para esse trabalho, como Nelson Motta, de “Vale tudo”, biografia do Tim Maia.

História

O mercado editorial chegou a tentar vender audiolivros em CDs no passado, mas o produto não decolou por diversas razões, como, por exemplo, a briga por espaço com os próprios livros nas estantes das livrarias. A experiência do consumidor também não era das melhores: quando parava a audição, não podia retomá-la do mesmo ponto depois. “Costumo dizer que o mercado de audiolivro nem sequer começou no Brasil. Não foi lançado na mídia correta e nem no tempo certo“, avalia Osso.

O ubook se inspirou no modelo da norte-americana Audible, que também cobra uma mensalidade para acesso a audiobooks, mas com limite de um livro por mês. A Audible foi vendida alguns anos atrás para a Amazon por US$ 300 milhões. O ubook tem como investidora a Bizvox, empresa brasileira especializada em portais de voz. Para o ano que vem, a empresa planeja exportar seu serviço para outros mercados da América Latina.

Fernando Paiva | Moble Time | 29/10/14

O Iba completa dois anos no mercado


Para marcar a data, plataforma coloca mais de 100 obras em promoção

iba, plataforma brasileira de venda, distribuição e consumo de conteúdo digital, completa dois anos de lançamento em março e, para comemorar, oferece aos leitores descontos que alcançam até 88% em mais de 100 publicações, entre e-books e revistas. “Para conseguirmos oferecer os descontos agressivos, fechamos parcerias com as principais editoras do país, como Ediouro, Arqueiro, Record, Elsevier, Planeta, Novo Conceito, Companhia das Letras, Universo dos Livros, Cosac Naify e Rocco”, afirma Michelle Ramos, gerente de marketing do iba. A promoção vale só até hoje.

PublishNews | 12/03/2014

Catálogo digital de editoras mais que dobrou em 2012


Empresas agora buscam lançar simultaneamente em papel e e-book; mercado oferece 15 mil títulos nacionais

Levantamento da Folha com 12 das maiores casas do país mostra reação à estreia de lojas virtuais estrangeiras

O ano que está acabando vai entrar para a história como aquele em que as grandes editoras brasileiras enfim descobriram o livro digital.

Foi um longo percurso desde 2009, quando a Zahar se tornou a pioneira entre as grandes no segmento -àquela altura só com títulos em PDF, formato simples que hoje as empresas rejeitam.

Com a iminência da estreia das lojas da Amazon, do Google e da Apple, concretizada neste mês, as editoras trataram de multiplicar seus catálogos digitais em 2012.

A Saraiva, que em dezembro de 2011 vendia 6.500 e-books nacionais, agora oferece 15 mil, média similar à de suas novas concorrentes.

A Folha consultou 12 das maiores editoras do país sobre a evolução de seus catálogos. Sete delas [Globo, Sextante, LeYa, Companhia das Letras, Intrínseca, Objetiva e Novo Conceito] mais que dobraram seu número de títulos digitais em 2012 -a Companhia triplicou, de 200 para 600.

A Zahar, que começou antes, é a editora com maior parcela de títulos convertida, 547 de um total de 849 [64%]. A LeYa vem em seguida, com 150 de seus 280 títulos [54%].

Será mais difícil para casas de catálogo rechonchudo como a Record, que, apesar do bom número bruto – 388 obras em e-books -, só converteu 5% dos 7.500 que compõem seu portfólio.

Outra novidade foi que em 2012 as editoras passaram a lançar títulos nos dois formatos sempre que o contrato permite, em vez de reservar o digital para casos isolados.

O faturamento com o digital não costuma passar de 2% do total, mas há exceções. Com só um quarto de seu catálogo convertido [293 de 1.200 títulos], a Objetiva diz que os e-books já rendem 4% de seu faturamento total.

Esse número foi impulsionado por obras como “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Em dez semanas, foram 1.435 e-books -número que não faria feio nem se se referisse a livros impressos.

No mesmo período, o título teve 13.958 cópias vendidas na versão em papel. Ou seja, a comercialização do e-book equivaleu a mais de 10% da impressa, um caso raro.

O desafio agora é lidar com preços. Na estreia da Amazon no Brasil, predominaram entre os mais vendidos editoras independentes, com e-books a menos de R$ 5 – a KBR pôs todos a R$ 1,99. A maioria dos e-books das grandes editoras custa de R$ 20 a R$ 30.

Editoria de Arte Folhapress

RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | QUARTA-FEIRA, 26 DE DEZEMBRO DE 2012, às 09H08

A lista com mais livros à venda na Amazon.com.br


No ranking do PublishNews, 64 de 100 livros mais vendidos estão à venda no site amazon.com.br

Cinquenta tons de cinza

Cinquenta tons de cinza

Se no mercado editorial a briga pelo primeiro lugar ainda está começando [Kobo, Google e Amazon], na lista de mais vendidos ele volta ao príncipe encantado de 2012, Mr Grey!

Nessa semana os três livros da trilogia Cinquenta tons de cinza [Intrínseca], ocupam as três primeiras posições na lista geral. Na mesma linha “só um tapinha não dói”, ainda temProfundamente sua Toda sua [Paralela], em 4º e 7º, e ainda o Box da trilogia em 8º. Com tanta posição a lista parece mais um Kama Sutra.

Outras novidades da semana foram: não ficção, Coragem para sonhar [Prumo]; infanto juvenil, Depois dos quinze [Gutenberg], e Terra de histórias [Benvirá]; autoajuda,Viver com fé [Casa da Palavra], Contos do dia a dia [Vida e Consciência], Kafka para sobrecarregados [Sextante] e Deus está no controle [Mundo Cristão]; ficção, A luz através da janela e Por um momento apenas [ambos Novo Conceito].

E não tem como não falar da chegada da Amazon ao Brasil, que trouxe agitação e provocou insônia no mercado editorial essa semana. Mais da metade dos livros da lista do PublishNews desta semana está disponível no site brasileiro da gigante americana. 64 livros [de 100] para ser exato.

No ranking das editoras, a Sextante emplacou 12 livros, mas logo atrás vem a Ediouro, com 10. Um dos destaques da semana foi a Companhia das Letras, que emplacou 7 livros e chegou ao terceiro lugar, junto com Record e Vergara&Riba. Dos 7 livros da Companhia, 5 são do selo Paralela.

Por Cassia Carrenho | PublishNews | 07/12/2012

Com livros digitais, Amazon inicia operação no Brasil


A Amazon acaba de iniciar suas operações no Brasil, após ter assegurado o catálogo digital das mais importantes livrarias do país.

A empresa fechou na semana passada acordos com a Companhia das Letras e com a Intrínseca, editora que detém o título “Cinquenta Tons de Cinza”, um dos mais vendidos no momento.

Há duas semanas, a empresa já tinha firmado acordo com a DLD [Distribuidora de Livros Digitais], que reúne as editoras Sextante, Rocco, Objetiva, Record, Novo Conceito, LP&M e Planeta.

O site brasileiro da Amazon estreou apenas com livros digitais e mais o leitor Kindle. A empresa prevê montar uma operação completa de e-commerce, mas ainda não há data para isso.

O Kindle Fire, tablet da Amazon, que iniciou suas operações no Brasil nesta quinta-feira

O Kindle Fire, tablet da Amazon, que iniciou suas operações no Brasil nesta quinta-feira

O acordo da Companhia das Letras com a Amazon acontece um mês depois de a editora assinar com a iBookstore, da Apple.

O catálogo digital da Companhia das Letras já soma 537 títulos. Até o fim deste mês serão 600 – três vezes mais do que em janeiro.

As vendas de janeiro a outubro já superam em duas vezes as vendas de livros digitais do ano passado.

Dos 400 livros digitais lançados neste ano, cerca da metade é novidade, e metade é livro de catálogo.

Em um comunicado enviado para a imprensa, a Amazon ressalta que oferece mais de 1,4 milhão de eBooks aos consumidores brasileiros com preços em reais, incluindo mais de 13 mil eBooks em português.

Estamos entusiasmados em lançar esta nova Loja Kindle para consumidores brasileiros que oferece os best sellers mais populares de muitos dos grandes escritores brasileiros, todos com preço em reais“, diz Alexandre Szapiro, vice presidente do Kindle do site da Amazon no Brasil.

A empresa anuncia ainda que o Kindle será vendido no país, mas não definiu a data de início das vendas. O preço sugerido ao varejo será de R$ 299.

“Com o lançamento dos aplicativos de leitura gratuitos do Kindle em português, qualquer pessoa com um smartphone ou tablet Android, iPhone ou iPad, PC ou Mac pode começar a ler os eBooks Kindle hoje”, conclui Szapiro.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 06/12/2012, às 15h55

Amazon divulga domínio .br e deve chegar ao País


O endereço ‘amazon.com.br’ pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará

SÃO PAULO | A chegada da Amazon ao Brasil, especulada para o mês de dezembro, parece estar mesmo iminente: a empresa enviou a autores e editores um e-mail de confirmação com o endereço amazon.com.br – domínio brasileiro da gigante do varejo.

A mensagem foi revelada pelo escritor David Gaughran, que postou a imagem  em seu Twitter. O e-mail foi enviado autores e editoras recém-cadastradas no Kindle Direct Publishing, o programa de publicação próprio da empresa.

amazon.com.br

O site ‘amazon.com.br’ antes pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará. A varejista, no entanto, venceu a disputa pelo domínio em setembro. A empresa paraense mudou seu site para www.amazonet.com.br.

A divulgação do novo domínio reforça rumores de que a empresa chegaria ainda neste ano.

Por aqui, a empresa acaba de selar acordos com a Companhia das Letras, além de outros já firmados com a Distribuidora de Livros Digitais – que agrega Rocco, Novo Conceito, Planeta, Objetiva, Record, LPM e Sextante, Ediouro e Globo Livros.

A Cia das Letras afirmou em comunicado que seu catálogo de livros digitais – mais de 500 títulos – estarão acessíveis “em breve” nos leitores eletrônicos da Amazon, o Kindle.

Concorrência

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. | Foto: Eric Thayer/REUTERS

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. | Foto: Eric Thayer/REUTERS

Em outubro, a loja virtual da Apple já começou a comercializar livros para brasileiros – além dos clássicos gratuitos do Project Gutenberg. Desde julho, o Google anunciava sua chegada ao País. No último mês, soube-se concretamente de acordos selados entre a empresa americana e editoras, mas não se confirma ainda a data de estreia do serviço no País.

Neste mês, a canadense Kobo [pertencente à japonesa Rakuten] fincando os pés no Brasil com sua parceria com a Livraria Cultura, anunciou o início das vendas do seu leitor eletrônico, previsto para o início de dezembro. O e-reader pode ser encomendado pelo site da livraria por R$ 399.

Conforme apuramos em julho, o mercado brasileiro já se prepara para a chega iminente da varejista americana, mas se mostra confiante. O presidente da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, à época dizia que não temia a sobreposição dos e-books ao livros tradicionais. “Ela vai ter de competir com todos nós, que já temos experiência com o Brasil. Vai ter de lidar com rua esburacada, tributos, deficiência dos Correios, malha logística insuficiente. Por isso digo que o serviço de entrega da Amazon não vai ser melhor do que o do resto do mercado”, afirmou. “Tem muito livro físico para se vender no Brasil para podermos discutir se o digital vai ser mais importante”.

Por Redação Link | 30 de novembro de 2012, às 20h44

Livro digital estimula novos gêneros e outro perfil de leitor


“Certos gêneros podem ter um desempenho acima da curva no formato digital”, diz Roberto Feith, da Objetiva e da DLD

Talvez não seja tão picante quanto “50 Tons de Cinza” ou violento como “As Crônicas de Gelo e Fogo”, mas a saga do livro digital no Brasil também reserva uma carga de emoção para seus próximos capítulos: à medida que novos personagens finalmente entram na história, como a Amazon, a expectativa é de mudanças também no perfil de leitor e, consequentemente, no padrão de consumo, com a ascensão de gêneros como ficção científica e mistério e uma maior oferta de textos como ensaios e grandes reportagens.

Essa é a aposta de Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva e presidente do conselho da DLD [Distribuidora de Livros Digitais, empresa que representa as editoras Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin]. “Estamos efetivamente à beira do ponto de inflexão do consumo do livro digital no Brasil. Agora ele vai começar a representar uma parcela significativa do mercado.”

A DLD acaba de fechar acordos com a Amazon e com o Google – “a expectativa é que estreiem antes do Natal“, diz Feith. Na segunda, a Livraria Cultura deu início das vendas do leitor Kobo. E na semana passada, a Objetiva lançou um selo exclusivo para obras digitais.

O diferencial do selo Foglio está no tamanho dos textos: a ideia é publicar obras de até 15 mil palavras. Trata-se de uma estratégia que já vem sendo adotada nos últimos dois anos por editoras como Random House, Penguin e Pan Macmillan. No Brasil, a meta é utilizar as vantagens do formato digital para popularizar gêneros que não têm muito espaço no meio impresso tradicional.

Um deles é o ensaio, conta Arthur Dapieve, editor de não ficção nacional da Objetiva e do selo Foglio. “Atualmente, eles estão limitados a revistas de fundo educacional. Podemos ajudar a tirá-lo da invisibilidade.

Outra aposta é relacionada a grandes reportagens sobre temas em destaque no noticiário – “o ‘instant book’ nunca deu certo no Brasil”, comenta Dapieve. São textos que precisam de mais espaço do que o disponível em jornais e revistas e de uma publicação mais ágil do que as editoras conseguem. Problemas superados com o livro eletrônico, acredita Feith. “No formato digital, é possível levar esse tipo de obra para o público em um intervalo de algumas semanas ou um mês“, afirma.

Na ficção, a ideia é que a oferta de textos curtos e mais baratos [os livros da Foglio custaram entre R$ 4 e R$ 8] facilitem o contato dos leitores com escritores que ainda não conhecem.

Mas isso não significa que a leitura nos livros digitais seja predominantemente de textos curtos. Segundo Feith, caso o Brasil siga uma tendência já observada em outros países onde equipamentos como Kindle e Nook estão mais disseminados, o que o mercado deve observar daqui para a frente é a ascensão de alguns gêneros, como ficção científica. Isso se deve a uma provável mudança no perfil do consumidor.

“O dispositivo de leitura mais comum até agora no Brasil é o iPad. É um produto relativamente caro [o de terceira geração custa a partir de R$ 1.549 no país] e, por isso, o consumidor do livro digital tende a ser de uma faixa etária mais alta, acima de 30 anos”, observa Feith. Isso explica, segundo ele, o fato de o livro eletrônico mais vendido na Objetiva atualmente ser “O Poder do Hábito” [Charles Duhigg]: “É um livro que tem relevância para pessoas interessadas em sucesso profissional”.

A chegada de outros aparelhos vem acompanhada de alguns fatores. Em primeiro lugar, eles têm um preço mais acessível: o Kobo é vendido por R$ 399, e a expectativa é que o Kindle custe aproximadamente R$ 550. Em segundo, está o fato de que eles servem apenas para a leitura, diferentemente do iPad, que tem várias funções.

“Quem compra um Kindle, por exemplo, é por definição uma pessoa que já lê muito”, afirma Feith. E, frequentemente, continua ele, esse consumidor é fã de algum gênero específico. Junte-se a isso o fato de que esse leitor terá mais facilidade para comprar no meio digital [tanto pelo preço quanto pela comodidade]. O resultado, segundo Feith, é uma maior demanda por livros de certos gêneros e temas [como a Segunda Guerra]. Agora é preciso ver se o Brasil seguirá o script.

Por Amarílis Lage, de São Paulo | Valor Econômico | 28/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Amazon assina contrato com as maiores editoras


Após cerca de três anos de negociações acirradas, a Amazon finalmente fechou acordo com as maiores editoras brasileiras para vender seus livros em formato digital, para leitura no Kindle. Na semana passada, a varejista americana assinou contrato com a DLD – empresa responsável pelos livros on-line da Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin. Além disso, está em negociações avançadas com a Companhia das Letras e a Globo Livros e mantém conversas com a Ediouro. A varejista americana também já tem em seu catálogo os livros da Melhoramentos, que edita as obras do escritor Ziraldo, segundo o Valor apurou.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 27/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Google e Amazon iniciam venda de livro digital no país até o Natal


A Amazon e o Google se preparam para iniciar a venda de livros digitais no Brasil nas próximas semanas. As duas empresas estão em fase de finalização de contratos com editoras brasileiras.

A Folha apurou que a intenção tanto de Amazon quanto de Google, por meio de sua loja Google Play, é iniciar as vendas antes do Natal e, possivelmente, antes do fim de novembro.

As empresas tentam manter o máximo de sigilo sobre a data exata da estreia e não revelam a informação nem aos principais fornecedores.

Após um ano e meio de negociações, a Amazon chegou nesta semana a um acordo com a Distribuidora de Livros Digitais, que reúne as editoras Sextante, Rocco, Objetiva, Record, Novo Conceito, LP&M e Planeta. O contrato será assinado nos próximos dias.

A DLD já firmou, recentemente, contratos com Apple, Google e Livraria Cultura.

KOBO

O fim deste mês coincide com a previsão de início das vendas do leitor digital Kobo pela Livraria Cultura, e a Amazon não quer ficar para trás na estreia da venda do Kindle como opção de presente de Natal.

O Google também corre para lançar seu tablet Nexus 7 no Brasil simultaneamente ao lançamento da sua livraria digital. O aparelho foi apresentado mundialmente em junho.

O Kobo, marca canadense adquirida pela japonesa Rakuten, é a principal arma da Cultura para tentar sobreviver à concorrência das gigantes americanas.

Procurados pela reportagem, Google e Amazon disseram que não comentam rumores ou especulações.

Neste momento, além da finalização de contratos, as editoras brasileiras estão testando a compatibilidade dos formatos dos livros digitais com os sistemas do Kindle e do Google Play [Android].

PREÇO

Os livros digitais deverão custar em média 70% do preço de capa do livro físico.

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, "facilitar a busca de livros relevantes"

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, “facilitar a busca de livros relevantes”

Enquanto o Google Play vende apenas conteúdo digital, a Amazon está investindo também em uma operação de comércio eletrônico no Brasil, com a venda de livros físicos e outros produtos. Mas essa operação não deve começar antes do primeiro trimestre de 2013.

A pressa da Amazon e do Google também está relacionada à concorrência com a Apple, que iniciou a venda de livros digitais brasileiros em outubro.

Neste primeiro momento, a iBookstore vende a partir de sua operação dos Estados Unidos, em dólar -o que implica cobrança de IOF [Imposto sobre Opeações Financeiras].

Mesmo em dólar e com imposto [livro no Brasil é isento], a Folha apurou que a iBookstore já vende mais livros digitais que os sites de Saraiva e Livraria Cultura somados.

POR MARIANA BARBOSA e MARIANNA ARAGÃO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | 15/11/2012 – 06h41

Apfelstrudel de IOF


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

A Apple está vendendo livros digitais para leitores brasileiros desde o último domingo, como o site Revolução eBook noticiou em primeira mão. Pode-se concluir que foi aberta então a iBookstore brasileira? Na verdade não, pois os livros estão sendo vendidos diretamente dos Estados Unidos e em dólar. Ou seja, a Apple aplicou um jeitinho brasileiro para contornar as dificuldades fiscais e legais para comercializar e-books no Brasil, entre elas a legalidade ou não do modelo agência e a manutenção da isenção de impostos sobre o livro dentro do modelo digital de negõcio. O resultado, no entanto, não é uma iBookstore brasileira, mas uma janela de acesso aos livros brasileiros na iBookstore americana. Ao entrar na loja com livros em português da Apple, a sensação é semelhante àquela que se tem ao se entrar uma loja física de venda de produtos Apple no Brasil, uma daquelas “Apple Resellers”. Pode até lembrar uma Apple Store, mas está longe de ser uma. E assim como continuamos sem uma Apple Store de verdade no Brasil, provavelmente seguiremos sem uma iBookstore de verdade por aqui por algum tempo.

A Apple disponibilizou 3158 títulos em português para seus clientes brasileiros que acessam a loja pelo iTunes ou pelos aplicativos para iPhone e iPad. Este era o número na manhã de 23/10. Entre estes títulos, estão livros distribuídos pela Distribuidora de Livros Digitais, a DLD, o poderoso consórcio que reúne Objetiva, Record, Rocco, Sextante, L&PM, Planeta e Novo Conceito, que possui um catálogo de best-sellers estimado em 1500 títulos. Há também livros fornecidos pela distribuidora Xeriph, mas, ao contrário do que ocorre com a DLD, apenas algumas das editoras distribuídas pela agregadora carioca estão à venda na Apple, entre elas a Todolivro e a Boitempo. Intrínseca e Companhia das Letras, que estão comercializando seus livros digitais diretamente com a Apple, também marcam presença na loja da maçã. Em termos de tamanho de catálogo, merecem destaque a própria Companhia das Letras, com 494 títulos, e a L&PM, que possui 435 títulos via DLD. O grupo Record aparece com cerca de 330 títulos, também por meio da DLD. As maiores ausências são a Saraiva, dona do maior catálogo digital do país, a Globo Livros e seu mega-seller  Ágape, e a Zahar, que sempre esteve na vanguarda dos experimentos digitais.

Como todo este catálogo está a partir de agora disponível na loja americana, isto deve deixar os brasileiros da diáspora bastante felizes. E, como mencionado, estes livros digitais podem ser comprados no Brasil, em dólar, graças a uma janela de integração da iTunes Store brasileira com a americana. Os preços em dólares, aliás, são os mesmos nos EUA e no Brasil, mesmo porque, na prática, a compra se realiza na loja de lá. E embora isto represente um avanço, pois até domingo era impossível para brasileiros adquirirem qualquer livro na Apple, esta solução traz uma série de problemas que podem se revelar empecilhos ou incômodos relevantes para o leitor brasileiro.

O principal incômodo é, sem dúvida, a cobrança de IOF. Como a compra será feita no exterior e em dólares, incide a cobrança deste imposto cuja alíquota atual é 6,38%. Obviamente, não está escrito em nenhum lugar na loja da Apple que haverá esta cobrança, mas os consumidores vão descobrir isto assim que as faturas mensais começarem a chegar. Em um país onde o livro é absolutamente isento de impostos, a Apple conseguiu a proeza de vender livros do Brasil para leitores brasileiros com imposto.

Outro problema é que a compra só pode ser feita com um cartão de crédito internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs, apenas 15% da população brasileira possui cartão de crédito internacional [veja p. 40 desta pesquisa]. Outro dado interessante é a diferença de gastos de brasileiros no exterior e no Brasil com cartões de crédito. Segundo a própria Abecs, no segundo trimestre de 2012, os brasileiros gastaram R$ 111 bilhões no Brasil contra apenas R$ 6 bilhões no exterior. É claro que a probabilidade de um usuário de iPhone ou iPad possuir um cartão internacional é muito maior e, portanto, muito mais do que 15% destas pessoas terão condições de adquirir os livros. Mas, ainda assim, esta é uma limitação que poderia ser evitada, assim como a cobrança do IOF.

Uma terceira questão é que a conversão para reais de uma compra em dólares só ocorre no fechamento da fatura e, por mais que o câmbio tenha ficado estável recentemente, a verdade é que o consumidor só saberá o preço final do livro quando pagar a conta.

Obviamente, se os preços da Apple forem mais baixos que os da a concorrência, estes problemas poderiam ser compensados e até o IOF se tornaria irrelevante. Infelizmente, uma rápida comparação mostra que os preços da maçã são muitas vezes superiores aos da concorrência. Por exemplo, a própria biografia do Steve Jobs está à venda por US$ 16,99. Convertendo-se este valor com o câmbio de hoje e aplicando-se os 6,38% de IOF, chegamos a R$ 36,60, enquanto o mesmo e-book custa R$ 32,50 na Saraiva. O best-seller Cinquenta tons de cinza sai na loja da Apple por US$ 12,99, ou R$ 27,98 após conversão e imposto, e custa apenas R$ 24,90 na Saraiva.

Embora o início das vendas de livros brasileiros pela Apple seja de fato um avanço, especialmente para o público internacional, aqui no Brasil a novidade não muda muito a vida do leitor nacional, que provavelmente continuará preferindo a Saraiva para comprar seus livros digitais. Afinal, na Saraiva há um catálogo de cerca de 11 mil títulos, não se paga IOF, não é necessário cartão de crédito internacional e o preço final é inferior. E como a empresa brasileira possui aplicativos de leitura para iPhone e iPad, a experiência de leitura é praticamente a mesma. Outra opção é comprar da Livraria Cultura e transferir o arquivo para um aplicativo de leitura da Bluefire ou da Kobo. Ah! E por falar nisso, em breve a Kobo lança junto com a Cultura sua loja, leitores e aplicativos de leitura aqui no Brasil, com vendas em reais.

No último fim de semana, enquanto a Apple começava a comercializar seus livros digitais em português, acontecia o evento FIM no Rio de Janeiro, com vários painéis que discutiram os livros digitais e as rupturas tecnoloigcas na indústria do livro. Em certo momento das conversas, o curador Julio Silveira declarou: “A Kobo é uma livraria, a Amazon é um tico-tico no fubá, e a Apple vende livro com raiva porque quer vender coisas que piscam.” Por enquanto, parece mesmo que a Apple está mais interessadas nas coisas que piscam. Se ela quiser ser um player relevante no mercado editorial brasileiro, terá de abrir uma iBookstore brasileira de verdade e completa. Até lá continuamos esperando. Assim como temos esperado por anos a abertura de uma Apple Store em uma grande metrópole brasileira.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

Roberto Feith: ‘A pirataria online pode minar a produção do conhecimento’


Diretor da Objetiva diz que seu maior arrependimento foi deixar passar a edição de ‘Harry Potter’

Não, não é porque diz sentir falta da “adrenalina da TV” que o ex-repórter carioca Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva, uma das maiores editoras de livros do País, pode ser considerado ainda jornalista, a despeito dos mais de 20 anos que deixou a profissão. Ex-correspondente da TV Globo na Europa e ex-editor chefe do Globo Repórter, Feith aceitou em 1991 a proposta de dois conhecidos e comprou 60% de uma editora inexpressiva – ela mesma, a Objetiva. Àquela altura, tocava uma produtora, a Metavídeo, após ter estado com Walter Salles na Intervídeo, que fazia trabalhos para a extinta TV Manchete. Não entendia nada de editora, mas como bom repórter diante de um furo em potencial, decidiu arriscar – seguindo critérios jornalísticos.

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz | Clayton de Souza/AE

Começou mal. Apostou numa biografia de Boris Ieltsin – política internacional era sua especialidade -, que resultou num enorme fracasso. Aos poucos, porém, foi ajustando o foco. “Como correspondente e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e o trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para contar determinada história. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, em função dessas características“, diz ele na entrevista a seguir. Confortavelmente instalado num hotel da região da Avenida Paulista, Feith conversou com uma equipe do Estado: Rinaldo Gama, editor do Sabático; os repórteres Antonio Gonçalves Filho e Maria Fernanda Rodrigues, e Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2.

Por três horas, seu raciocínio cristalino e a fala assertiva – educada pelos sinais elétricos dos microfones e uma longa convivência com a escrita – atravessaram um largo espectro de temas ligados ao livro: o dia a dia do processo editorial, os erros [Harry Porter lhe foi oferecido com insistência e ele deixou passar], os acertos [Inteligência Emocional, que vendeu meio milhão de exemplares], pirataria online [“o Google e o Yahoo são ‘sócios’ do Megaupload”, alfineta], o futuro do e-book no Brasil e da própria literatura brasileira, para o qual, aliás, ele acenou publicando novos talentos em um número especial da revista Granta. Aos 60 anos, Roberto Feith não é mais majoritário na Objetiva: em 2005, vendeu 76% da empresa para a Santillana, que participou da criação do prestigioso jornal espanhol El País. Sim – mesmo sem a adrenalina da TV, Feith, de certo modo, está em casa.

Que interesse o senhor tinha no mercado editorial para entrar de sócio na Objetiva?

Um dos projetos importantes que fizemos na Metavídeo foi uma série de seis documentários sobre a história do cinema no Brasil. Produzimos tanto, que uma grande parte desse material fotográfico e de entrevista ficou inédito. Então, surgiu a ideia de fazer um livro usando esse conteúdo. A Nova Fronteira coeditou. Lá, o Alfredo Gonçalves e o Armando Campos tocaram o projeto comigo. Passou-se um tempo e nunca mais os vi, mas soube que seis meses depois eles saíram para criar uma editora, com o apoio de um investidor. A editora não conseguiu evoluir. Anos depois, esse sócio saiu e eles me procuraram. Foi assim que eu entrei no negócio. O meu sonho profissional era ser jornalista de imprensa escrita; entrei para a TV por mero acaso. Mas sempre fui um leitor voraz, rato de livraria. Minha mulher foi a única pessoa que me incentivou a investir numa editora. Todo mundo me dizia que eu estava maluco, que televisão era o veículo de maior poderio e projeção no Brasil, que aqui ninguém lê. Depois que entrei, continuei anos com a produtora enquanto tentava entender como funcionava o mercado e uma editora. [Gonçalves deixou a editora em 2004 e Campos, em 2006]

Quando o senhor fez o negócio, tinha um modelo de editor na cabeça?

Não. E não tinha por ignorância.

Alguma linha editoria em mente?

Hoje poderia falar sobre isso de um modo mais coerente. Na época, foi uma mistura de oportunidades que surgiam aleatoriamente com as minhas experiências pessoais. Eu me lembro de contratar direitos de tradução de muitos títulos sobre política internacional, um grave equívoco, nenhum deles vendeu nada. Era o assunto que eu conhecia e gostava. Um dos primeiros livros que compramos foi uma biografia do Boris Yeltsin. Imagine se alguém ia ler um livro do Yeltsin! Aprendi isso a duras penas. E o outro tipo de livro que a gente acabou trabalhando foram aqueles que surgiram por circunstâncias aleatórias. O Lair Ribeiro é um bom exemplo disso. Não me lembro como apareceu a oportunidade, mas aproveitamos e ele foi nosso primeiro best-seller.

Qual sua participação ao entrar na editora?

Se não me engano comprei 60% da empresa em 1991. O que veio a ser um investimento mais substantivo não foi a compra das cotas, mas sim a tentativa de fazer a editora decolar.

Quanto pagou?

Não tenho a menor ideia. Mas foi pouco. Talvez o valor de um carro usado.

Muitos editores dizem que publicam best-sellers para ter recursos que possibilitem vencer o leilão de um título de qualidade literária indiscutível. Essa também foi a estratégia da Objetiva a partir de sua entrada?

Havia a ideia de que publicando autores comercialmente potentes teríamos condições de desenvolver a editora na linha de um projeto mais consistente.

Ainda sobre best-sellers, o senhor criou a Plenos Pecados, uma série com autores de prestígio escrevendo a respeito de temas mais palatáveis. Como é a reação de autores consagrados quando se oferece a eles a oportunidade de escrever um livro para uma série como essa?

Uma das razões de montar esse projeto era atrair autores de renome para uma editora ainda sem grande visibilidade ou uma trajetória consolidada. Fiz o projeto com Isa Pessoa, que trabalhava na editora. Levou quase um ano para fecharmos a lista dos sete autores. Convidamos o Mario Vargas Llosa, e ele disse que escreveria contanto que fosse sobre a luxúria. Mas a luxúria já estava tomada pelo João Ubaldo. A coleção deu certo, trouxe autores de grande qualidade e sucesso comercial, e pudemos começar a montar a editora que sonhávamos.

E qual era essa editora?

Como disse antes, eu não tinha um modelo de editora – nem mesmo considerando as estrangeiras. Se olharmos a trajetória da Objetiva, veremos que ela não é igual a nenhuma outra. Acho que é um pouco pela experiência de vida das pessoas da equipe – havia muito o viés jornalístico.

De que modo ter atuado como jornalista contribui para o trabalho da editora?

Como repórter e correspondente internacional e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e do trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para um determinado tema, procurando como contar determinada história. Às vezes, você vê um assunto que tem consistência, que tem interesse ou relevância, mas precisa encontrar uma outra maneira de tratá-lo. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, ou a da ficção dirigida, encomendada, em função dessas características.

O modelo do publisher americano parece que vingou no Brasil – e o europeu ficou um pouco esquecido. Filho de americano, o senhor acabou unindo as duas pontas: o pragmatismo de um publisher dos EUA, atento à performance de vendas, e uma visão europeia, marcada mais pela vontade de publicar qualidade literária, independentemente dos resultados financeiros. Como se deu isso?

Ser filho de americano não teve, na prática, nenhuma influência. Como mencionei, acredito que a vivência que mais marcou meu papel na editora foi a jornalística. Acho que há pessoas que tocam editoras lendo e editando e outras não. Sou editor-geral de uma editora que faz as duas coisas. Desde o início.

Sua editora cresceu muito. O senhor ainda consegue estar em todas as frentes?

Conciliar tudo tem sido um exercício. A palavra publisher evoca uma pessoa que não edita. Não me sinto totalmente encaixado nesse conceito porque não é bem esse o meu cotidiano. Continuo avaliando manuscritos, vou a feiras, converso com os agentes.

O senhor edita algum autor que não vende, mas dá prestígio ao catálogo da editora?

Naturalmente. Prestígio, prazer de publicar. Mas essa não é uma decisão puramente romântica, porque poder publicar grandes autores, ainda que comercialmente não sejam tão bem-sucedidos, é uma forma de você qualificar o selo e atrair outros escritores. Tem outro componente relevante no universo editorial brasileiro: esses grandes autores podem não vender muito, mas periodicamente são adotados num vestibular ou entram numa compra pública. Lobo Antunes é um exemplo disso. Os Cus de Judas foi um livro dele que vendeu mais de 20 mil exemplares por causa de um vestibular.

Qual foi o seu maior sucesso de vendas?

Comédias Para se Ler na Escola, do Verissimo. Mais de 1 milhão de exemplares.

Quando seguiu sua intuição na hora de adquirir um livro, qual foi seu maior equívoco e o maior êxito?

O maior equívoco é fácil. Tessie Barham, hoje uma importante agente literária, nos ajudava na avaliação de textos. Naquela época, ela ainda estava tateando e me propôs uma série juvenil maravilhosa, a Fronteiras do Universo, de Philip Pullman. Compramos, investimos pesado em marketing, e nada aconteceu. Paradoxalmente, anos depois vendeu mais de 100 mil exemplares.

E o arrependimento?

Foi nos anos 90. Um dia, Tessie me mandou um e-mail assim: “Roberto, tem aqui outro livro juvenil para você comprar. Muito bom, você tem de comprar. Chama-se Harry Potter.” E eu: “Olha, Tessie, me desculpe, mas não vou comprar.” Ela ficava mandando e-mail dizendo que eu iria me arrepender. E eu: “Tessie, lembra o que aconteceu com o Pullman?” Bem, ela estava certa, claro; eu me arrependi amargamente. Errei e continuo errando. Mas se o editor ficar desanimado quando errar, ele vai mudar de profissão.

Algum outro acerto?

Nessa linha um pouco anedótica da intuição e do imponderável, comprei os direitos de um livro que vendeu maravilhosamente bem [meio milhão de exemplares], que foi o Inteligência Emocional, do Daniel Goleman. Li o informe do nosso scout e intuitivamente achei aquilo muito forte. Entrei no leilão em Frankfurt, suei, mas consegui.

Os grandes livros não são mais vendidos em Frankfurt, são? Perdeu-se um pouco do frenesi dos leilões?

Hoje, os agentes literários e as editoras que têm uma grande oferta de direitos autorais para tradução, deliberadamente, esperam até a véspera da feira para distribuir alguns de seus títulos mais potentes, porque eles compreendem que a dinâmica da pré-feira leva a uma disputa mais acirrada pelos editores de cada país por aqueles direitos.

Os brasileiros estão pagando valores irreais nos leilões?

Houve num passado recente e continua havendo uma exuberância irracional, para tomar emprestada uma expressão do Alan Greenspan, em relação à compra de direitos de tradução. Adquirir um livro que exija torná-lo um mega best-seller para recuperar esse investimento é um exercício perigoso. Isso é realidade e tem a ver com o aumento da concorrência.

Enquanto as grandes editoras criam selos para organizar melhor o catálogo, as de menor porte têm se especializado em determinado segmento. Isso terá lugar no futuro ou acha que as pequenas serão incorporadas por grandes grupos?

Sempre houve e haverá espaço para pequenas editoras focadas em determinados nichos. Isso não é novo. Novo são editoras importantes buscando diversidade de linhas de atuação criando novos selos, de uma forma semelhante ao que adotamos há cinco anos. Isso está acontecendo de forma sistemática. A tendência é que nenhuma editora se limite a atuar só num gênero.

O que leva a isso?

Hoje, a diversidade é um bem em si no mercado editorial, dado o grau de competição visto na última década.

No início do ano, o senhor escreveu um artigo investindo contra a campanha das gigantes da internet contra a lei antipirataria. Como vê o futuro do mercado digital, as leis antipirataria?

Fico feliz que tenham levantado esse assunto, que é importante. Vivemos a era do conhecimento. A produção do conhecimento é fundamental para o avanço de qualquer país. E esse tipo de produção tem de ser incentivada, e não minada. As empresas, ou pessoas, que defendem a pirataria online, ou a cópia irrestrita online, estão minando a produção do conhecimento nos seus respectivos países. Da mesma forma que não existe o milagre da multiplicação dos peixes, não existe o milagre da multiplicação do conhecimento. Sua produção exige formação, trabalho, investimento, e tudo isso tem de ser remunerado. Ninguém imagina que uma pessoa possa entrar numa livraria, pegar uma dúzia de livros e sair sem pagar. Mas algumas pessoas argumentam que na internet você pode e deve fazer isso.

A Objetiva sofre com a pirataria?

O Sindicato Nacional de Editores apoia um grupo de trabalho que identifica a oferta de conteúdo ilegal e pirata online. Em maio, no caso da Objetiva, havia 1.600 títulos oferecidos ilegalmente – 90% em um só site, o Fourshared. Esse site americano está ganhando dinheiro com escritores que publicamos, e alguns deles são brasileiros. Para isso as pessoas não atentam. O Fourshared e o Megaupload não têm estrutura para vender publicidade pelos quatro cantos. Eles usam estruturas criadas para esse fim por grandes corporações da internet, como o Google e o Yahoo. Então, o Google e o Yahoo são “sócios” do Megaupload e, indiretamente, se apropriam de obras dos escritores brasileiros para faturar milhões de dólares. E faturam literalmente milhões de dólares. Assim, quando uma grande corporação da web defende a pirataria na internet, argumentando que é uma questão de liberdade de expressão, estamos diante do mais puro oportunismo e demagogia. É preciso que a sociedade se conscientize, porque se a pirataria for consolidada como prática na web, a produção de conhecimento vai atrofiar aqui, e o brasileiro será obrigado a consumir conhecimento produzido nos países onde essa atividade é estimulada.

No momento em que o e-book se difundir efetivamente, o que o livro impresso precisará ter para não perder vendas?

O e-book é coisa do futuro e será uma coisa do presente. Mas eu não vejo o livro físico sendo a parte menor do mercado. Não vejo o digital ocupando a maior parte do mercado brasileiro no horizonte de uma década.

A Objetiva tem uma equipe focada na questão do livro digital?

Não, acho isso um erro. Todos têm de entender do digital para fazer seu trabalho. Mas uma das coisas que fiz tendo em vista essa transformação foi propor a criação da Distribuidora de Livros Digitais, que toma grande parte do meu tempo e tem como sócias as editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, L&PM e Novo Conceito.

Por que uma distribuidora?

Quando formamos a DLD, pretendíamos participar da definição de como o livro digital iria se consolidar e se implantar no Brasil. Essa preocupação se traduz em três objetivos. Primeiro, trazer para o consumidor brasileiro o que existe de melhor no exterior, em termos de experiência de consumo de livro digital, sem que isso signifique que empresas vindas de fora tenham condições de concorrência, no relacionamento com as editoras, superiores àquelas disputadas pelas empresas brasileiras que atuam no entorno digital. Segundo, garantir uma oferta diversificada e ampla de conteúdo. E terceiro, trabalhar com preços que sejam atraentes para o consumidor, mais baratos que o livro impresso, mas que remunerem o trabalho do escritor, da editora e da livraria.

De quanto é o desconto da DLD?

Nosso e-book tende a ser de 30% a 40% mais barato que o livro impresso; em julho, o preço médio do livro vendido pela DLD foi de cerca de R$ 16. Ou seja, menos que US$ 9.

Como estão as negociações com as empresas estrangeiras que querem atuar no País?

Estamos conversando com cinco empresas e muito perto de fechar acordos – acho que até o fim do ano teremos novidades. Para que o livro digital dê corda no Brasil, precisamos de três coisas: dispositivos de leitura bons e baratos, livrarias virtuais com facilidade de uso e oferta ampla e diversificada de títulos pelas editoras. A conclusão desse tripé é que teremos, ainda este ano, dispositivos de leitura lançados aqui, de primeira geração, a preços acessíveis. Penso que teremos o primeiro Natal digital.

Quais são as cinco estrangeiras que estão negociando para atuar aqui?

Amazon, Apple, Google, Kobo e nós, na Objetiva, estamos negociando com a Barnes & Noble, mas não para o Brasil.

Falamos em concorrência, em e-book, mas existe também a questão da territorialidade. Até pouco tempo atrás, era possível comprar um e-book de um autor português editado no Brasil pela Alfaguara diretamente da editora portuguesa desse autor.

Você está se referindo a um livro de António Lobo Antunes. Foi uma falha da editora portuguesa, já foi sanada. Isso se chama territorialidade. Hoje, quando você faz o upload de um título, tem de indicar para que países tem os direitos de venda.

Como fazer para que as pessoas leiam independentemente de obrigações escolares ou profissionais? Há, de modo recorrente, a queixa de que o livro no Brasil é caro.

O Snel e a Câmara Brasileira do Livro vêm contratando pesquisa de mercado há mais de uma década, que é feita pela Fipe. A última pesquisa, de 2011, identificou que no setor de obras gerais o número de lançamentos aumentou 8,6%, o número de exemplares vendidos aumentou 0,2%, e o faturamento, em reais, caiu 11%. Se considerar o acumulado de 2004 até 2011, em obras gerais, em valores nominais, a queda no preço médio foi de 26%. Em valores reais, compensados a inflação, 45% de redução. Eu pergunto: que outro produto teve uma queda de 45% no seu preço médio, real, nos últimos sete anos?

Por que o preço caiu?

Competição, competição. Há outros fatores: Avon, com vendas de porta em porta, os selos de bolso, a desoneração, no caso de livros de obras gerais.

Essa queda está chegando ao limite?

Sim. A criatividade dos editores está sendo cada vez mais exigida. Acredito que as margens têm sido comprimidas por esses processos. O que aconteceu de 2007 para 2011 não pode se repetir. A tendência é desacelerar, mas não posso afirmar que não haverá mais uma queda de preço.

A Alfaguara Brasil lançou recentemente uma edição da Granta com novos talentos do País. Essa seleção consolidou alguns autores que, nos últimos anos, começaram a se posicionar como promessas. O que sua editora, dentro ou não da Granta, faz para descobrir, de fato, novos valores na ficção?

A maioria das editoras que publicam ficção está sempre louca para encontrar jovens talentos. Eu sei que muita gente comenta que é difícil conseguir ser publicado, mas é difícil encontrar talento também. Temos conseguido atrair grandes autores da literatura brasileira, nomes como João Ubaldo, João Cabral de Melo Neto, e agora o Mário Quintana. Mas fiquei preocupado que o selo se tornasse clássico demais, com pouca vitalidade e criatividade. Por isso, temos feito grande esforço para encontrar e trazer jovens autores. Hoje em dia, temos quatro ou cinco novos escritores com muito potencial. Laura Erber é uma jovem que tem muito a dizer, domina a técnica da escrita. O Ricardo Lísias nem se fala, ele é completamente original, uma coisa difícil de encontrar.

Fazer uma seleção como a da Granta é uma experiência de risco.

Sim, dá dor de cabeça. Mas olhando em retrospecto, posso dizer que deu tudo certo. Estávamos preocupados. Quando anunciamos o projeto, não sabíamos se seria bem-sucedido. Era efetivamente um risco. A primeira coisa que nos tranquilizou foi a quantidade e a qualidade de textos submetidos. Depois, conseguimos montar um grupo de jurados de inegável qualidade e qualificação. O resultado da revista foi muito bom. Há desigualdades, diversidade. Alguns textos são melhores que os outros e nunca tive expectativa de achar que os 20 seriam extraordinários, isso não acontece em coletânea nenhuma. O resultado tem quantidade suficiente – na minha opinião pessoal – de escritores de talento para que se possa dizer: está justificado o esforço.

Leituras afins

O LIVRO NO BRASIL: SUA HISTÓRIA, DE LAURENCE HALLEWELL [VÁRIOS TRADUTORES, EDUSP, 816 PÁGS., R$ 253]
MOMENTOS DO LIVRO NO BRASIL. ORGANIZAÇÃO/EDIÇÃO: ÁTICA [216 PÁGS.; ESGOTADO – PROCURE EM SEBOS]
COLEÇÃO EDITANDO O EDITOR, VOL. 3 – ÊNIO SILVEIRA [EDUSP, 168 PÁGS., R$ 28]
A QUESTÃO DOS LIVROS, DE ROBERT DARNTON [TRAD. DE DANIEL PELLIZZARI, COMPANHIA DAS LETRAS, 232 PÁGS., R$ 45]

Por Rinaldo Gama, Antonio Gonçalves Filho, Maria Fernanda Rodrigues e Ubiratan Brasil | O Estado de S. Paulo | 24/08/2012

Mercado começa a aquecer e Cosac se rende


A Cosac Naify, que até agora não tinha apostado no livro digital, se rende às novas tecnologias e contrata Antonio Hermida para cuidar dessa área. Ele, que deixa o cargo de gerente de produção de e-book da Simplíssimo, no Rio, e se muda para São Paulo, começou na Zahar, pioneira na edição digital. O momento é propício.

Segundo Roberto Feith, diretor da Objetiva e idealizador da DLD, a distribuidora de livros digitais formada pela própria Objetiva, além de Sextante, Record, Rocco, Planeta, L&PM e, desde ontem, pela Novo Conceito, até o fim do ano o e-book terá uma participação mais efetiva no mercado de livros do Brasil. Isso porque essas e outras editoras estão assinando contrato com a Amazon – o vice-presidente da empresa está em São Paulo esta semana -, Apple, Google e Kobo. Sozinha, a Objetiva negocia com a Barnes & Noble para suas obras serem vendidas pela rede americana. O mercado, ínfimo em 2011 – segundo a última pesquisa Fipe Produção e Venda de Livros foram vendidos 5.235 e-books aqui em 2011 -, vem sendo lentamente aquecido. A Companhia das Letras, por exemplo, vendeu 9 mil e-books só no primeiro semestre de 2012.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 11/08/2012

Nicholas Sparks vai para a DLD


Novo Conceito compra participação na Distribuidora de Livros Digitais

A editora ribeirão-pretana Novo Conceito anuncia hoje a compra de participação na Distribuidora de Livros Digitais, a DLD. Criada em 2010, a DLD é comandada desde o início por 6 grandes editoras, a Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM.

O presidente da Novo Conceito, Fernando Baracchini, disse ao Publishnews “Entendemos que o projeto e o grupo de editores nesse negócio são interessantes para o nosso grupo também. Vamos entrar no mercado de e-book de uma maneira mais consistente”.

Com a expectativa da chegada da Amazon no Brasil, a entrada da Novo Conceito significa que DLD ganha mais um aliado. “O e-book é um negócio novo para todos nós, as ferramentas, custos etc. são diferentes. A editora entende que esses pioneiros vão acabar criando maneiras para que esses gigantes atuem de forma mais transparente. Vai ajudar as pequenas e médias editoras, e o mercado editorial em geral” afirmou Baracchini.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 10/08/2012

Outro conceito


A coluna Painel das Letras informou que a Novo Conceito se prepara para entrar no mercado digital em agosto, durante a Bienal, mas quer fazer diferente: pretende lançar plataforma própria, onde ficarão seus arquivos, e não entregá-lo às lojas. Ainda não há contrato assinado com nenhuma livraria.

Uma das editoras que mais vendem no país, a Novo Conceito chegou a entrar no leilão da série erótica “50 Shades”, mas agora o dono da editora, Fernando Neumayer, não quer saber do gênero -aposta de várias editoras para o segundo semestre. “O livro virou best-seller como e-book, que você baixa e ninguém vê, mas será que a brasileira entra numa livraria para comprar literatura erótica? Não estou certo.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 19/05/2012

Fotografe o código de barra e compre o livro


Você viu um livro na casa de um amigo e ficou com vontade de comprar? Fotografe o código de barras, veja as informações e o preço, e compre com seu smartphone. Essa é a ideia que a Livraria Cultura está colocando em prática por meio de uma parceria com a Scanbuy, empresa que oferece serviços de leitura de códigos de barra e QR Code, líder mundial no segmento. Na prática, quem tiver o aplicativo da Scanbuy no celular pode acessar as informações dos livros em qualquer lugar – até numa livraria concorrente, por exemplo – e ser automaticamente direcionado para a loja virtual da Cultura.

Segundo Bernardo Abecasis, diretor geral da Scanbuy no Brasil, há um milhão de smartphones no país com o aplicativo da empresa – no mundo, são 50 milhões. No ano passado, a média de leitura diária de códigos por parte de brasileiros foi de cinco mil, conta o executivo. “Ainda é pouco em comparação com o resto do mundo, onde são feitas três leituras por segundo [ou 260 mil por dia], mas esperamos um crescimento exponencial da base de smartphones e, portanto, do número de leituras no país”, afirma.

Empresas varejistas e agências de publicidade, junto com grandes marcas, representam os principais clientes para esse tipo de ferramenta, diz Abecasis. A Scanbuy já tem parcerias para incluir o QR Code, por exemplo, em anúncios do Guia Mais e da editora Abril. Diversos tipos de conteúdo podem ser atrelados à leitura desse tipo de código.

No mundo dos livros, algumas editoras já incluíram QR Codes em capas e materiais promocionais. Recentemente, a Novo Conceito divulgou que todos os seus lançamentos estão saindo da gráfica com o código que dá acesso a book trailers e outras informações estampado em cada exemplar.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 05/04/2012

Editoras negam contrato com a Amazon


Segundo a Novo Conceito e a Melhoramentos, já houve conversas com a empresa americana, mas as negociações não foram concluídas

A Novo Conceito e a Melhoramentos negaram ter fechado contrato com a Amazon. Segundo as editoras, já aconteceram conversas com a companhia americana, mas o negócio ainda não foi concluído. A informação de que elas teriam assinado contratos com a Amazon foi dada no Radar on-line, no site da revista Veja, ontem. A Larousse, também citada na nota, não se pronunciou.

PublishNews | 30/03/2012