Com eBook exclusivo na Amazon, Paulo Coelho prefere o Nook


O autor de ‘Brida’ utiliza o aparelho da Barnes & Noble para suas leituras digitais

Fotógrafo: Marcos Borges

Fotógrafo: Marcos Borges

A recém-inaugurada loja brasileira da Amazon possui livros em caráter de exclusividade digital de quatro autores: Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Jeff Kinney e Paulo Coelho. Entre estes, apenas o autor de O Alquimista poderia ler seu próprio livro exclusivo em edição digital, uma vez que os dois primeiros já não estão entre nós – e a Amazon ainda não revelou planos de abrir uma loja para clientes post mortem, mas como eles nunca falam de planos futuros, vai saber… – e o terceiro autor, americano, não lê em português. Ainda assim, é provável que, enquanto O Livro dos Manuais permanecer exclusivo da Amazon, Paulo Coelho não vá lê-lo por uma simples razão: o escritor de maior sucesso comercial utiliza um leitor Nook, da Barnes & Noble, para suas leituras digitais.

Sobre a chegada das ebookstores estrangeiras ao Brasil e o crescimento local do mercado digital, Paulo Coelho mantém uma opinião bastante otimista. “É algo não só positivo, mas inevitável. O Brasil resistiu enquanto podia, já que os editores viam o livro digital como uma ameaça. Mas trata-se de algo que ajuda escritores e autores”, declarou Paulo Coelho em entrevista exclusiva ao PublishNews. “Vou dar um exemplo: imagine que uma pessoa no Gabão queira ler meu livro em português. Graças a plataformas digitais como a do Kindle, da iBookstore e de outros, ela terá acesso à minha obra.

Paulo Coelho dedicou-se ao longo dos últimos anos a comprar os direitos digitais de suas traduções em espanhol, francês e alemão. Além disso, ele tem mantido os direitos digitais de suas obras na língua pátria, e comercializa todos estes livros em acordos diretos com as grandes lojas e distribuidoras de livros digitais no mundo. “Não foi apenas uma experiência. Eu acreditava muito que os leitores em português fora do Brasil ou de outras línguas fora dos principais países que as falam devessem ter acesso aos livros”, disse Coelho para explicar a razão que o levou a distribuir ele mesmo seus livros digitais. Em um primeiro momento, poderia parecer que o escritor radicado na Suíça já não acredita no papel do editor nesta nova era do acesso digital, mas nada poderia estar mais longe da verdade. “Acredito no negócio e no sistema do livro. Os autores não têm condições de fazer tudo e vão deixar de ser escritores se abrirem mão do editor. Vão perder um tempo imenso para ganhar migalhas”, declarou. “Teoricamente, eu até poderia prescindir de uma editora no Brasil, mas isto seria uma besteira sem tamanho, que não levaria a lugar nenhum. O editor é fundamental”, continuou.

Paulo Coelho também lembrou a importância das livrarias. “[As lojas nos] tablets não são como livrarias físicas porque não se vê os livros, você não tem a sensação da visão”, explicou, lembrando o papel da descoberta das livrarias. “O tablet nunca substituirá a livraria física”, profetizou.

A exclusividade do Livro dos Manuais na Amazon foi negociada pelos agentes do autor, e o livro está sendo vendido com grande desconto por apenas R$ 2,99. Paulo Coelho lembra, no entanto, que apesar de controlar a publicação digital de várias de suas obras, ele mantém uma boa relação com seus editores e faz acordos de cavalheiro com eles. “A edição digital de Manuscrito Encontrado em Accra só foi lançada no Brasil em dezembro, bem depois dos outros países, pois eu tinha um acordo com a editora”, comentou – neste caso, a editora é a Sextante.

Sobre os aparelhos de leitura, Coelho só tem elogios ao Nook, da Barnes & Noble. “O Nook é mais eficiente, gosto demais, é leve, gostoso”, explicou. Recentemente, um iPad Mini também chegou às mãos do escritor. “Este novo iPad vai ser um e-reader. Agora é leve”, previu Coelho. Mas quando perguntado sobre seu leitor eletrônico preferido, Paulo Coelho não titubeou. “Quando viajo, gosto de ler no Nook, mas por uma razão bastante prática”, respondeu, deixando um suspense no ar. “Como moro na Europa e o catálogo do Nook não está disponível para compras por aqui, me deram um crédito de 600 dólares que ainda não terminei de gastar”, explicou, desfazendo o mistério. E talvez esta seja mais uma prova que o preço do leitor, que a Kobo já vende a R$ 399 e a Amazon venderá a R$ 299, seja de fato fundamental na disputa do mercado digital brasileiro.

Carlo Carrenho | PublishNews | 07/12/2012

Rival do Amazon Kindle, Kobo Touch é boa opção para ler eBooks brasileiros


E-reader lançado no Brasil pela Livraria Cultura pode ser usado com livros adquiridos em outras lojas no país

O mercado brasileiro de e-readers, os leitores de livros eletrônicos, carece de boas opções. A Livraria Cultura, em parceria com a Kobo, tenta mudar esse cenário.

A Kobo, que pertence à empresa japonesa Rakuten, é uma das principais marcas de e-reader do mundo. Seus aparelhos concorrem de igual para igual com os da Amazon [Kindle], os da Barnes & Noble [Nook] e os da Sony.

Na semana passada, a Cultura lançou no Brasil o Kobo Touch, modelo com tela sensível ao toque que foi anunciado nos EUA em maio do ano passado.

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos (e-books) lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos [eBooks] lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

Leve [185 gramas] e compacto [11,4 x 16,5 x 1 cm], ele tem construção sólida e resistente, com uma agradável textura nas costas. O acabamento emborrachado garante uma pegada firme – o aparelho escorrega menos nas mãos. É vendido em quatro cores: preto, prata, lilás e azul.

Um botão na frente do aparelho, abaixo da tela, leva o usuário à tela inicial. Outro, no topo, serve para ligar, desligar ou colocar para dormir. Na parte inferior, há uma porta micro-USB, para conexão ao computador e carregamento da bateria. Um buraco na lateral esquerda serve como leitor de cartão microSD – recurso ausente no Kindle, que não permite aumentar o espaço de armazenamento.

O Kobo não tem botões físicos para mudar a página, o que é uma pena, pois eles facilitam o manuseio do aparelho com apenas uma mão. Botões laterais, como o do Kindle Keyboard e o do Nook Touch, permitem folhear o livro com a mesma mão que segura o e-reader – basta pressioná-los com o polegar. Sem eles, é necessário deslocar o polegar até a tela para mudar a página, o que não é trabalhoso, mas exige maior cuidado e esforço ao segurar o aparelho.

A resposta ao toque na tela costuma ser rápida, mas as falhas são frequentes. Felizmente, elas raramente ocorrem ao folhear o livro – são mais comuns ao digitar, selecionar palavras no meio do texto ou tocar ícones nos cantos da tela. A borda do aparelho, alta em relação à tela [devido à tecnologia de infravermelho usada para detectar os toques], também atrapalha o acesso aos comandos nos cantos, além de causar uma pequena sombra sobre a margem da página, a depender da iluminação ambiente.

PAPEL ELETRÔNICO

A tela do Kobo usa tecnologia de papel eletrônico E Ink, presente nos principais modelos de e-reader do mercado. Ela consome pouca energia, permite a leitura mesmo sob a luz do Sol, oferece bom ângulo de visão e, teoricamente, cansa menos os olhos do que telas de LCD, por exemplo. Por outro lado, tem baixa taxa de atualização, o que deixa animações e transições lentas e travadas.

Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais sobre o E Ink. Se o assunto não lhe interessa, pule para o infográfico, mais abaixo.

Grosso modo, a tinta eletrônica da E Ink é formada por uma camada de microcápsulas que fica entre dois elétrodos [nesse caso, placas condutoras de corrente elétrica]. Cada microcápsula tem o diâmetro de um fio de cabelo e leva em seu interior um fluido claro com partículas brancas [com carga elétrica positiva] e pretas [carga negativa] que se movem conforme a carga elétrica aplicada no elétrodo inferior.

Uma carga positiva no elétrodo inferior empurra as partículas brancas para o topo da microcápsula, deixando-as visíveis através do elétrodo superior, que é transparente – assim, a tela fica branca. Do mesmo modo, a aplicação de uma carga negativa faz com que as partículas pretas subam e escureçam a superfície da tela. A combinação dessas partículas pretas e brancas forma a imagem exibida pelo papel eletrônico.

Seu consumo de energia é baixo basicamente por dois fatores: ele não tem iluminação própria, e a retenção da imagem estática na tela não gasta energia.

Diferente de telas que são iluminadas com luz traseira [backlight], como as de LCD, o papel eletrônico é reflexivo, ou seja, reflete a luz ambiente – artificial ou natural [solar]. Por não emitir a própria luz, ele supostamente cansa menos os olhos do usuário e consome menos energia, mas normalmente não é legível no escuro sem o auxílio de iluminação auxiliar.

Outras características comuns do papel eletrônico são o bom ângulo de visão, que permite uma boa legibilidade mesmo a partir de uma posição não perpendicular dos olhos em relação à tela; a baixa taxa de atualização, o que torna animações e transições – como mudanças de página – um tanto lentas; e o “ghosting” – tendência a exibir “fantasmas” [resquícios de uma imagem anterior] – geralmente solucionado com uma atualização completa da tela antes de formar a nova imagem.

O papel eletrônico implantado em e-readers geralmente exibe imagens apenas em preto e branco. Existem modelos coloridos, mas seu uso é bastante limitado ou deixa a desejar.

Kobo TouchTELA

A resolução da tela do Kobo [600 x 800 pontos] é boa, mas inferior à dos e-readers mais modernos, que exibem desenhos e textos mais nítidos. A diferença é perceptível principalmente em caracteres menores e linhas mais finas.

Como ela tem superfície fosca, seu reflexo raramente incomoda.

A mudança de páginas ocorre com rapidez, e é possível definir o número de páginas viradas a cada atualização completa da tela – que elimina os artefatos visuais [“fantasmas”] que se acumulam a cada troca de página.

No geral, a experiência de leitura é agradável. Se julgar necessário, você poderá configurar itens como fontes tipográficas, tamanho dos caracteres, espaçamento entre as linhas, tamanho das margens e tipo de justificação. Nisso, o Kobo ganha de lavada do Kindle, que oferece opções bem mais limitadas de ajuste para a leitura.

O dicionário embutido funciona bem. Ao deixar seu dedo sobre uma palavra, uma janela aparece mostrando suas acepções. Há também a opção de traduzi-la, mas aparentemente o recurso não identifica automaticamente o idioma da palavra selecionada. O software identifica bem variações como plurais e conjugações verbais.

O aparelho ainda permite que você destaque trechos de livros e acrescente anotações. Tanto esses recursos quando os dicionários, porém, só funcionam com arquivos de alguns formatos. Nos meus testes, consegui usá-los apenas com livros em EPUB – o padrão nos livros para o Kobo e o mais comum [com o PDF] nas lojas on-line brasileiras, mas diferente do usado pela Amazon. O Kindle, por outro lado, não lê arquivos em EPUB, mas oferece um suporte melhor a PDF, com dicionário e anotações.

FORMATOS

Uma das principais atrações do aparelho é o suporte a diversos formatos de arquivo, mas o recurso ainda precisa melhorar bastante. É justamente quando você tenta ler arquivos que não usam o formato EPUB que a leitura no Kobo deixa de ser agradável.

Além das limitações no uso de dicionários e anotações, é normal ver travamentos e lentidão com livros em formatos como MOBI, PDF e até TXT. Durante os meus testes com arquivos de diferentes tipos, tive que reiniciar o Kobo diversas vezes, pois ele simplesmente parava de funcionar –isso quando o aparelho não fazia a reinicialização por conta própria, repentinamente.

É possível ler histórias em quadrinhos nos formatos CBR e CBZ, mas o tamanho diminuto da tela atrapalha.

O Kobo também sofre ao lidar com grandes quantidades de arquivos em diferentes formatos. Coloquei nele mais de 600 itens – entre livros, documentos e imagens–, mas a biblioteca do aparelho mostrava apenas cerca de 400. Vários livros em EPUB não apareciam listados. Para eles aparecerem, tive que apagar alguns arquivos e mudar uma pasta de local. Trabalhoso.

Copiei os mesmos arquivos para um Kindle. Como ele não suporta EPUB, listou um número bem menor de itens, mas, diferentemente do Kobo, exibiu todos os arquivos que tinham formatos compatíveis.

Ao fazer esse teste, tive que apagar algumas das histórias em quadrinhos que havia selecionado, pois o espaço de armazenamento do Kobo é limitado – são apenas 2 Gbytes, dos quais pouco mais de 1 Gbyte pode ser usado. Segundo a Kobo, 1 Gbyte é o suficiente para cerca de mil livros – pode ser pouco, porém, para quem deseja lotar o negócio com itens em PDF e histórias em quadrinhos. Para isso, é recomendável usar um cartão de memória microSD.

Mas o melhor mesmo é evitar colocar muita coisa no aparelho. Até porque a navegação pela biblioteca é muito ruim – faltam opções de filtros para você achar um determinado arquivo, e procurá-lo por dezenas de páginas é cansativo. A solução é usar a busca.

Navegar pela loja da Kobo é ainda mais frustrante, pois o carregamento de cada página é lento demais. Novamente, o jeito é usar a busca. Ou desistir de comprar pelo aparelho e usar um computador – ou, ainda, ir a uma loja física.

O e-reader tem quatro recursos que a Kobo define como extras: o navegador de web, que funciona muito mal e tem poucas funcionalidades [é bem inferior ao do Kindle]; o sudoku, com quatro níveis de dificuldade; o xadrez, com cinco níveis de dificuldade; e o sketchbook, um aplicativo ultrabásico para desenho e anotações.

Assim como seus principais concorrentes, o Kobo não tem suporte a áudio – não há alto-falantes nem saída para fone de ouvido. Para usar audiolivros ou algum recurso de leitura de texto [text-to-speech], você pode recorrer a um celular ou um tablet – ou, ainda, ao velho e bom Kindle Keyboard.

O Kobo também não tem opção de modelo com conexão a redes 3G, uma desvantagem em relação ao Kindle.

O aparelho vem apenas com um cabo USB, sem adaptador para ligá-lo à tomada. Para carregar a bateria [que dura cerca de um mês, segundo a Kobo], você pode conectar o e-reader ao computador – ou usar o carregador do seu celular, por exemplo.

O que vem por aíKOBO OU KINDLE?

Apesar das falhas, o Kobo Touch é um bom e-reader e, no Brasil, tem apenas um concorrente.

Mas é um concorrente e tanto: o Kindle, que começou a ser anunciado nesta quinta-feira [6] no site brasileiro da Amazon. As vendas começam “nas próximas semanas” com o “preço sugerido” [termo curioso –ou o e-reader não será vendido pela própria loja?] de R$ 299.

O modelo anunciado no Brasil é o mais básico, que leva apenas o nome Kindle e não tem tela sensível ao toque – recurso presente no Kobo Touch, vendido pela Livraria Cultura por R$ 399.

Mais do que detalhes técnicos, porém, o que deve guiar a escolha do seu e-reader é o catálogo de obras disponível para ele.

Escolher um e-reader é, também, escolher uma provedora de conteúdo. Nos EUA, por exemplo, quem é cliente ou prefere o catálogo da Barnes & Noble tem o Nook como a melhor opção; os fãs da Amazon devem escolher o Kindle. Talvez a maior desvantagem do Kobo nos EUA, aliás, seja exatamente o seu catálogo, que é bem menor do que o dessas duas.

E no Brasil, é melhor comprar um Kindle ou um Kobo?

A maioria dos potenciais compradores de e-reader no Brasil provavelmente deseja ler principalmente livros editados no país. E é para essa massa que a escolha é mais complicada, pois o nosso mercado de e-books ainda é bastante imaturo. Muitas obras ainda não ganharam formato eletrônico, poucas livrarias têm uma plataforma digital decente, e é difícil prever o que acontecerá no futuro próximo. As editoras apostarão mesmo nos e-books? Elas favorecerão algum formato? Como vai se desenvolver a relação delas com as lojas e os consumidores? Haverá outra loja forte além da Amazon e da Cultura? Isso tudo, entre outras coisas, pode fazer com que você se arrependa de ter um comprado um determinado e-reader. Ou dar-lhe a certeza de que fez um bom negócio.

Com isso, o melhor é esperar – até porque modelos melhores não devem demorar muito para chegar ao país.

Para quem não pode esperar e quer comprar já, listo três quesitos que podem ajudar na escolha:

1] Catálogo em português. A maioria das lojas brasileiras que vendem e-books trabalha com o EPUB, formato compatível com o Kobo e incompatível com o Kindle. A Amazon vende livros apenas para o Kindle. Procure descobrir qual catálogo é o melhor – o resultado poderá depender das preferências literárias de cada um. Quem gostar mais do da Amazon deverá escolher o Kindle; quem preferir o das lojas que trabalham com EPUB [Cultura, Saraiva etc.] deverá optar pelo Kobo.

2] Catálogo em outras línguas. Quem quiser ler bastante em inglês deve escolher o Kindle, pois o catálogo da Amazon é seguramente superior ao da Cultura nesse idioma. Para ler em outras línguas, o processo de escolha é mais complicado e pode variar com o país e o idioma. Em alguns, o catálogo da Amazon será superior – ponto para o Kindle. Em outros, pode haver ausência da Amazon ou presença de rivais à altura da gigante norte-americana – ponto para o Kobo, se esses rivais venderem livros no formato EPUB.

3] Características técnicas. O Kobo leva vantagem em pelo menos dois quesitos: o aparelho em si – que tem tela sensível ao toque, leitor de cartão microSD e mais opções de ajuste de leitura – e, mais importante, o suporte ao EPUB.

A Amazon usa formatos proprietários de e-book, o que “tranca” o usuário. Basicamente, livros para o Kindle só podem ser comprados na própria Amazon e lidos com os e-readers e os aplicativos da própria Amazon – estes, por sua vez, não oferecem suporte ao popular formato EPUB.

Ao usar o EPUB como padrão, o Kobo oferece mais liberdade. Livros em EPUB podem ser comprados em diversas lojas e lidos com e-readers e aplicativos de várias empresas.

Uma vantagem do Kindle sobre o Kobo é o melhor suporte a arquivos em PDF, mas tablets são mais adequados para ler conteúdo nesse formato.

Por fim, quem já tem títulos nos mais diferentes formatos e não quer comprar mais de um e-reader pode lê-los com aplicativos para celular, tablet ou computador, mas sem o conforto da tela de papel eletrônico.

FUTURO

A Livraria Cultura planeja lançar mais três aparelhos com a marca Kobo no primeiro trimestre do ano que vem: o tablet Arc e os e-readers Mini e Glo. Se você puder esperar até lá, os dois últimos podem ser opções melhores do que o Touch.

O Mini parece ser um bom aparelho para quem quiser um modelo mais compacto, e o Glo, com iluminação embutida e tela com melhor resolução [758 x 1.024 pontos], é uma evolução do Touch – superior a ele em praticamente todos os aspectos.

Nos EUA, a Amazon vende outros modelos de Kindle – os e-readers Paperwhite e Keyboard e o tablet Fire.

Lançado em 2010, o Keyboard é o Kindle mais antigo ainda à venda. Sem tela sensível ao toque, tem um teclado físico especialmente útil para fazer anotações.

O Kindle Paperwhite é o e-reader topo de linha da Amazon. Assim como o Kobo Glo, tem tela de alta resolução sensível ao toque e iluminação embutida.

A Amazon não informa se e quando esses modelos chegarão ao Brasil.

Por Emerson Kimura | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 06/12/2012

Livro digital estimula novos gêneros e outro perfil de leitor


“Certos gêneros podem ter um desempenho acima da curva no formato digital”, diz Roberto Feith, da Objetiva e da DLD

Talvez não seja tão picante quanto “50 Tons de Cinza” ou violento como “As Crônicas de Gelo e Fogo”, mas a saga do livro digital no Brasil também reserva uma carga de emoção para seus próximos capítulos: à medida que novos personagens finalmente entram na história, como a Amazon, a expectativa é de mudanças também no perfil de leitor e, consequentemente, no padrão de consumo, com a ascensão de gêneros como ficção científica e mistério e uma maior oferta de textos como ensaios e grandes reportagens.

Essa é a aposta de Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva e presidente do conselho da DLD [Distribuidora de Livros Digitais, empresa que representa as editoras Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin]. “Estamos efetivamente à beira do ponto de inflexão do consumo do livro digital no Brasil. Agora ele vai começar a representar uma parcela significativa do mercado.”

A DLD acaba de fechar acordos com a Amazon e com o Google – “a expectativa é que estreiem antes do Natal“, diz Feith. Na segunda, a Livraria Cultura deu início das vendas do leitor Kobo. E na semana passada, a Objetiva lançou um selo exclusivo para obras digitais.

O diferencial do selo Foglio está no tamanho dos textos: a ideia é publicar obras de até 15 mil palavras. Trata-se de uma estratégia que já vem sendo adotada nos últimos dois anos por editoras como Random House, Penguin e Pan Macmillan. No Brasil, a meta é utilizar as vantagens do formato digital para popularizar gêneros que não têm muito espaço no meio impresso tradicional.

Um deles é o ensaio, conta Arthur Dapieve, editor de não ficção nacional da Objetiva e do selo Foglio. “Atualmente, eles estão limitados a revistas de fundo educacional. Podemos ajudar a tirá-lo da invisibilidade.

Outra aposta é relacionada a grandes reportagens sobre temas em destaque no noticiário – “o ‘instant book’ nunca deu certo no Brasil”, comenta Dapieve. São textos que precisam de mais espaço do que o disponível em jornais e revistas e de uma publicação mais ágil do que as editoras conseguem. Problemas superados com o livro eletrônico, acredita Feith. “No formato digital, é possível levar esse tipo de obra para o público em um intervalo de algumas semanas ou um mês“, afirma.

Na ficção, a ideia é que a oferta de textos curtos e mais baratos [os livros da Foglio custaram entre R$ 4 e R$ 8] facilitem o contato dos leitores com escritores que ainda não conhecem.

Mas isso não significa que a leitura nos livros digitais seja predominantemente de textos curtos. Segundo Feith, caso o Brasil siga uma tendência já observada em outros países onde equipamentos como Kindle e Nook estão mais disseminados, o que o mercado deve observar daqui para a frente é a ascensão de alguns gêneros, como ficção científica. Isso se deve a uma provável mudança no perfil do consumidor.

“O dispositivo de leitura mais comum até agora no Brasil é o iPad. É um produto relativamente caro [o de terceira geração custa a partir de R$ 1.549 no país] e, por isso, o consumidor do livro digital tende a ser de uma faixa etária mais alta, acima de 30 anos”, observa Feith. Isso explica, segundo ele, o fato de o livro eletrônico mais vendido na Objetiva atualmente ser “O Poder do Hábito” [Charles Duhigg]: “É um livro que tem relevância para pessoas interessadas em sucesso profissional”.

A chegada de outros aparelhos vem acompanhada de alguns fatores. Em primeiro lugar, eles têm um preço mais acessível: o Kobo é vendido por R$ 399, e a expectativa é que o Kindle custe aproximadamente R$ 550. Em segundo, está o fato de que eles servem apenas para a leitura, diferentemente do iPad, que tem várias funções.

“Quem compra um Kindle, por exemplo, é por definição uma pessoa que já lê muito”, afirma Feith. E, frequentemente, continua ele, esse consumidor é fã de algum gênero específico. Junte-se a isso o fato de que esse leitor terá mais facilidade para comprar no meio digital [tanto pelo preço quanto pela comodidade]. O resultado, segundo Feith, é uma maior demanda por livros de certos gêneros e temas [como a Segunda Guerra]. Agora é preciso ver se o Brasil seguirá o script.

Por Amarílis Lage, de São Paulo | Valor Econômico | 28/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Barnes & Noble lançará serviço de vídeos para Nook


A Barnes & Noble, principal rede de livrarias dos EUA, está lançando um serviço de streaming de video e de downloads para o tablet Nook, acirrando a disputa por mercado com a Amazon, criadora do concorrente Kindle.

O tablet Nook, da Barnes & Nooble, que terá serviço de streaming de vídeos e filmes para concorrer com o Kindle

O tablet Nook, da Barnes & Nooble, que terá serviço de streaming de vídeos e filmes para concorrer com o Kindle | Photo Shannon Stapleton, Reuters

A empresa afirmou nesta terça-feira [25] que o serviço de vídeo para o Nook vai permitir que consumidores comprem filmes e programas de televisão de Time Warner, HBO, Viacom, Sony Pictures e Walt Disney Studios. Devem ser anunciadas parcerias com outros estúdios em breve, disse a companhia.

A Barnes & Noble enfrenta intensa competição com a Amazon, que oferece o serviço de compra de vídeos “Prime Instant Video” para o Kindle. Além disso, a Amazon também possui um serviço de assinatura conectado ao Prime, que oferece compra de conteúdo livre por dois dias e custa US$ 79 por ano nos EUA.

O serviço de vídeo para o Nook será lançado no outono nos Estados Unidos e no Reino Unido – onde a Barnes & Noble vai começar a vender o Nook, a tempo de aproveitar as vendas de Natal.

DA REUTERS | Clipado da Folha de S.Paulo | 25/09/2012, às 15h31

Vendas de eBooks estouram no Reino Unido


Livros digitais de ficção crescem 188% no primeiro semestre

Parece que a Barnes & Noble escolheu a hora certa para lançar seu leitor digital, o Nook, no Reino Unido. A Publishers Association publicou ontem estatísticas mostrando que o setor digital no Reino Unido está em forte expansão. As vendas de e-books de ficção aumentaram 188% em valor, na primeira metade do ano, em relação ao mesmo período no ano passado. Também apresentaram forte crescimento os setores de livros digitais infantis, que cresceu 171%, e de não-ficção, que aumentou 128%. Mas nem todos estão em festa na terra da rainha, o jornal The Guardian mostrou que a guerra de preços de e-books está levando varejistas a venderem títulos com até 97% de desconto e preocupando autores.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 19/09/2012

Palmas para a Amazon


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 11/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Quando escreverem a história de como a Amazon conseguiu dominar o mercado de consumo de livros, daqui a dez anos, haverá um capítulo intitulado “6 de setembro de 2012”.

Claro, este foi o dia em que a juíza Cote aprovou o acordo entre a HarperCollins, Hachette e Simon & Schuster, e começou a desfazer o regime de preços criados pela editora, que ficou conhecido como modelo de agência. Este modelo foi criado, na verdade, para liberar amplos descontos no mercado dos e-books e acho que logo veremos provas de que será bem-sucedido neste objetivo, muito além do que qualquer pessoa pode imaginar. [Eu muitas vezes expressei minhas preocupações sobre o que acho serão as consequências inevitáveis desta situação.]

Mas não foi só isso que a Amazon conquistou em 6 de setembro de 2012. Nem de longe. Na verdade, a única coisa que não foi boa em relação ao anúncio do juiz foi que ele tirou a atenção do feitos que não precisam da ajuda do governo.

Um dia após a concorrente Kobo tentar superá-los anunciando atualizações em seu conjunto de aparelhos, a Amazon combinou melhor desempenho e menores preços em seus aparelhos, superando não só a Kobo, mas também o Nook, Apple e Google. Não foi nem a inovação dos aparelhos que mais me impressionou. Houve várias outras inovações que vão exigir muito mais de todo mundo para competir com o ecossistema Kindle.

1. Alavancando sua propriedade da Audible, a empresa dominante em audiobooks para download, a Amazon apresentou um recurso Whispersync que permite a mudança simples entre ler um e-book e ouvir a versão audiobook. Uma das minhas cunhadas, que é professora de crianças com dificuldades de leituras e ajuda outras professoras que fazem o mesmo, me perguntou a alguns meses por que ninguém tinha feito isso antes. Perguntei por aí e me disseram que “é complicado”. Editoras não podem fazer porque não controlam os ecossistemas de entrega. Outras livrarias de e-book não podem fazer isso por que não entregam áudio.

Só a Amazon poderia ter feito. Agora, fizeram.

1A. Além do uso do Whispersync para permitir a mudança entre ler e ouvir, Kindle apresentou um recurso chamado “Immersion Reading” que permite que você leia e ouça ao mesmo tempo.

Está claro que isso cria um forte motivo para comprar tanto um audiobook quanto um e-book do mesmo título? Autores e editores podem celebrar.

Esta inovação específica é especialmente irônica se nos lembramos da seguinte história: nos primeiros dias do Kindle, Amazon queria colocar num recurso text-to-speech que entregasse um audiobook através de automação de todo e-book. Agentes e editores criaram problemas por causa dos óbvios problemas de direitos; audiobooks são uma fonte de lucros separados para todos, e ninguém com algum interesse comercial quer ver isso ameaçado, apesar de que muitos acham que a leitura automática não vai realmente satisfazer um cliente de audiobook.

Mas ninguém terá problemas com esta solução. O consumidor compra duas vezes.

E, incidentalmente, mais alguém pode escrever todo um post de blog sobre como este conjunto de recursos pode ser usado para criar oportunidades nos mercados estudantis!

2. Alavancando sua propriedade do IMDb [o banco de dados de filmes e programas de TV], a Amazon está melhorando a experiência de assistir vídeos ao fazer com que as informações sobre filmes e atores esteja disponível com um clique. No mês passado, os blogueiros estavam explicando que a Google comprou a Frommer’s de Wiley porque queriam transformar conteúdo em metadados. Agora a Amazon está demonstrando muito bem por que isso é útil e importante.

3. Alavancando seus recursos de publicação e seu papel como a única livraria com uma audiência grande suficiente para distribuir uma massa crítica de leitores sozinha, estão apresentando a serialização por assinatura com o Kindle Serials. A investida inicial é modesta: uma seleção de oito romances em série com preço baixo distribuídos em pedaços de pelo menos 10.000 palavras. Mas este “teste”, o modelo de conseguir pessoas para comprar algo antecipadamente sabendo que será entregue em partes.

[Quando explorei a viabilidade do modelo de assinatura para ebooks, especulei que a única empresa que realmente poderia montar um esquema assim para leitores em geral seria a Amazon. Agora isso parece que está começando.]

Por um lado, isso lembra o sucesso do romance parcialmente autopublicado, chamado “Wool” de Hugh Howey. Mas também poderia ser a base para algo como o modelo “publicação ágil” de Dominique Raccah, que é um experimento ativo agora em sua empresa, a Sourcebooks, com o autor David Houle. A Amazon teria a grande vantagem de possuir uma audiência muito maior para “convidar” a uma experiência deste tipo e, quando você estiver dependendo da participação para o sucesso, poder apelar a mais pessoas é uma enorme vantagem.

4. A Amazon está subsidiando todos seus aparelhos com anúncios que funcionam como telas de proteção. Eles estavam inicialmente planejando mudar a prática anterior de oferecer aparelhos com preços mais altos para que os consumidores pudessem evitar os anúncios. O primeiro anúncio afirmou que todos os aparelhos vinham com propagandas, e sem uma opção “pague mais” para evitar isso. Apesar de a reação inicial ter aparentemente forçado uma mudança, e eles agora estarem oferecendo o Kindle Fire sem anúncios por $15 a mais, isso ainda abre uma série de outros pensamentos e perguntas.

Como alguém pode competir em termos de preços de aparelhos com um concorrente que não só tem o contato mais direto com clientes, mas que também consegue anúncios para subsidiar preços mais baratos?

Isso significa que a Amazon “sabe” que a maioria dos consumidores escolheriam economizar dinheiro e não ligariam para os anúncios?

Estão montando uma rede de comunicação para promover conteúdo e cobrar os criadores de conteúdo pelo equivalente a vitrines e balcões de entrada da nova geração?

Achei que a Google era a campeã de publicidade. Por que não pensaram primeiro nisso para o Nexus 7?

5. O recurso X-Ray da Amazon, que basicamente coleta metadados [caracteres, cenas] de livros e filmes, é um bloco de construção para distribuir resumos e esboços que poderiam ser um incrível recurso adicional único da plataforma. Poderia também ser um começo de conteúdo estilo “Cliffs Notes” de geração automática que poderia ter até uma taxa de compras separada.

6. A Amazon tinha construído um recurso de controle de pais em seu ecossistema Kindle chamado FreeTime, assim as crianças podem usar o aparelho e até obter conteúdo, mas só se for aprovado. Há iniciativas novas como Storia de Scholastic e a já veterana marca da PBS, Reading Rainbow, para o qual uma das propostas centrais é criar um ambiente de leitura para crianças com controles para adultos. Estas plataformas voltadas para crianças foram obviamente criadas para apresentar ambientes que pais e professores verão como superiores para incentivar a leitura de crianças. Eles, de repente, terão concorrência mais séria vinda da plataforma mais séria que existe.

E a Amazon inseriu uma app incrível, e que os outros provavelmente nem imaginaram: eles conseguem aparentemente controlar a quantidade de tempo que uma criança pode passar fazendo várias atividades em seu aparelho, assim os pais podem organizar o tempo de leitura, o tempo de filmes e de jogos. Tenho certeza que alguns pais vão ficar maravilhados com isso.

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A decisão da juíza Cote também é uma boa notícia para a Amazon e foi por isso que os jornalistas ligaram no dia da conferência de imprensa que anunciou tudo que escrevi acima. A análise completa de Michael Cader [sobre a qual escrevi umas poucas palavras a mais acima] esclarece o que ainda não sabemos sobre a velocidade e a complexidade da implementação, inclusive sobre se haverá um apelo e se a implementação será adiada de acordo com isso.

Mas parece que há boas chances de que muitos dos controles, que evitaram que a Amazon desse descontos nos livros de alto perfil nos últimos 18 meses, terminarão em um ou talvez dois meses, antes do Natal.

Acho que a Amazon vai dar descontos agressivos. Sua “marca” tem, entre outras coisas, a ver com “baixos preços para o consumidor”. E eles sempre usaram o preço como uma ferramenta para mercado. É provável que continuem assim.

O estabelecimento de preços não será feito por humanos; será feito por bots e algoritmos, respondendo ao que está acontecendo no mercado entre seus concorrentes todo dia. A Amazon é muito boa nisso; é o que fazem há anos. É presumível que a BN.com tem um conjunto similar de habilidades e ferramentas. É presumível que todo mundo exceto a Apple tenha de precificar competitivamente pelo menos seus livros comprados de distribuidoras.

A Apple foi protegida pelos MFNs que permanecem igual para todos, menos as editoras que firmaram o acordo. Mas sem esta proteção, como a Apple vai competir? Eles nunca tiveram de trabalhar com preços competitivos de produtos antes. Eu vou ficar bem impressionado se a Apple conseguir sair desta briga de preços que está por acontecer sem um olho roxo bem óbvio. Eles não foram treinados para isso.

No geral, isso poderia significar outra explosão de crescimento no mercado de e-books, que viu uma queda importante em sua taxa de crescimento no último ano. Não veremos os ebooks crescendo em dobro novamente, mas estamos a ponto de ver uma luta de preços digitais agressiva, que irá fazer com que todos os consumidores de livros impressos se perguntem se deveriam considerar fazer a mudança que os leitores pesados já fizeram.

Quando o acordo for implementado, as três editoras que assinaram o acordo terão os preços de seus livros cortados pelas livrarias, independente de seus preços de listas, e não importa o que negociem a próxima rodada de termos comerciais. Mas as três editoras que ainda podem usar os preços de agência – Random House, e a Macmillan e a Penguin, que ainda continuam o litígio – provavelmente descobrirão que serão forçadas a baixar os preços para manter seus principais livros competitivos. Pelo menos essa é a minha expectativa. Será muito interessante ver como isso vai funcionar nos próximos meses.

Preciso agradecer a meu sócio na Publishers Lunch Conference, Michael Cader, e suas habilidades como repórter do cenário editorial. Seus quatro posts na sexta-feira: sobre a decisão da juízasobre o que acontecerá como resultadosobre o novo hardware e sobre os vários recursos de leitura e consumo que foram assunto da maior parte deste post, comprimiram – de longe – a mais clara e mais profunda explicação de um conjunto incrível de informações complexas. Claro, Michael é mais do que um repórter do setor; ele é parte dela nos últimos 25 anos.

Eu realmente não entendo como os jornalistas que não têm o benefício desta base podem justificar não lê-lo. [Paga-se $20 por mês para fazer uma assinatura. Qualquer um que trabalha no mercado editorial não terá problemas com esta proposição de valor.] Eles certamente fariam um trabalho melhor se assinassem.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 11/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Kobo anuncia novos e-readers


Após acordo com American Publishers Association e contratação no Brasil, Kobo lançará novos e-readers e tablet

Amazon esgota Kindle Fire, Barnes & Noble venderá o Nook do outro lado do Atlântico e Apple continua criando expectativa para o lançamento do mini iPad. Agora é a vez da canadense Kobo entrar na corrida para as vendas de natal, anunciando o lançamento de dois novos e-readers e um tablet. Em outubro serão lançados os e-readers Kobo Glo, com tela de 6 polegadas, iluminado com tecnologia ComfortLight, e o Kobo Mini, o menor e-reader do mercado, com uma tela de 5 polegadas. No mês seguinte, em novembro, a empresa lançará o Kobo Arc, um tablet Android 4.0, com uma interface Tapestries, em versões de 8G e 16G. Os preços variam de U$ 79,99 a U$ 249,99. O anúncio da Kobo não poderia ser mais oportuno, já que os olhos do mercado estavam todos virados para Santa Monica, na Califórnia, onde a gigante Amazon deve anunciar hoje a tarde a nova linha de Kindles. Papai Noel vai encher o trenó de e-readers esse ano.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 06/09/2012

Barnes & Nobles anuncia parceria com varejistas ingleses


Nook será vendido nas livrarias Foyles e Blackwell’s

A Barnes & Noble, rede norte-americana de livrarias e proprietária da plataforma Nook de livros digitais, revelou no último dia 28 que a loja de departamentos John Lewis seria o “principal varejista” na Inglaterra para os leitores Nook. E ontem, dia 29/8, a Barnes & Noble anunciou parcerias com outros três grandes varejistas do Reino Unido. O primeiro é a rede Argos, uma espécie de Lojas Americanas da terra dos Beatles.

O Segundo varejista é a Blackwell’s, uma rede de livrarias acadêmicas. E finalmente a Foyles, tradicional livraria londrina marcada pela excelência e que já conta com cinco lojas na capital inglesa e uma em Bristol. Estes parceiros passarão a oferecer os leitores Nook monocromáticos ainda este ano, para aproveitar as vendas de fim de ano. Leia o release completo aqui.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 30/08/2012

Barnes & Noble lança Nook no Reino Unido


Aparelhos lançados serão o Nook Simple Touch e o Nook Simple Touch com GlowLight

O site Publishers Weekly informou ontem que a Barnes & Noble começa finalmente sua expansão internacional. O e-reader Nook será lançado no Reino Unido e comercializado pelo site www.nook.co.uk. Ainda não foram anunciadas parcerias com varejistas, mas devem incluir vendas de livros digitais e impressos. O site afirma também que os aparelhos lançados serão o Nook Simple Touch e o Nook Simple Touch com GlowLight e contarão com o vasto acervo de mais de 2.5 milhões de títulos, incluindo livros, jornais, revistas e aplicativos. Com a quantidade de títulos de livros digitais crescendo exponencialmente e com os planos de chegada dos e-readers Kobo e Kindle por aqui, esperamos que o próximo passo da ampliação internacional da Barnes & Noble seja o Brasil.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 21/08/2012

Barnes & Noble venderá leitor digital Nook no Reino Unido


O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble

O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble

A Barnes & Noble disse nesta segunda-feira [20] que levará seu leitor digital Nook para o Reino Unido nos próximos meses, a sua primeira expansão internacional.

A companhia começará a vender seu Nook Simple Touch por meio de alguns varejistas britânicos em outubro. A companhia disse que indicará o nome das redes que venderão os produtos em breve.

Também será lançada uma loja on-line exclusiva para o Nook no país.

O Nook tem sido um produto popular nos EUA, ajudando a Barnes & Noble a mitigar a queda nas livrarias físicas.

A varejista disse ter conquistado 27% do mercado de leitores eletrônicos nos Estados Unidos, mas também tem cortado os preços do Nook na tentativa de concorrer com o leitor digital Kindle e o tablet Kindle Fire, ambos da Amazon.

DA REUTERS | Folha de S.Paulo | 20/08/2012 – 16h18

EUA: Barnes & Noble lança leitor digital Nook para navegadores da web


A livraria Barnes & Noble lançou uma versão do leitor digital Nook para os navegadores da web, permitindo que os usuários possam ler livros diretamente no computador, dispensando programas especiais. A empresa afirma que não é necessário ter uma conta para ler os livros. Alguns deles estão disponíveis gratuitamente. Para ler publicações ou ler amostras das publicações, é necessário clicar no botão “read instantly” na capa do livro.

Até o momento, o leitor digital para navegadores da web nos computadores. Uma versão para o navegador da web do iPad está em desenvolvimento. O Nook, no entanto, tem um aplicativo para o tablet da Apple.

A Barnes & Noble é dona do leitor digital Nook, que concorre com o Kindle, da Amazon.

G1 | 17/07/2012

Microsoft lança o tablet Surface e tenta fazer frente ao iPad, da Apple


Microsoft Surface Tablet

Microsoft Surface Tablet

Desafio. Lançamento da empresa de software traz novidades que não estão presentes nem mesmo no iPad, como uma capa que também funciona como teclado, além de marcar um distanciamento da Microsoft da estratégia que costuma usar no mercado de PCs

Com dois anos de atraso, a Microsoft, conhecida por seu domínio no desenvolvimento de softwares para PCs, apresentou ontem o Surface, um tablet com o objetivo de competir com o iPad, da Apple, ou pelo menos conquistar uma fatia do mercado em um dos setores de maior crescimento na tecnologia.

Diferentemente de outros tablets, o Surface traz inovações ausentes mesmo do iPad. A principal delas é uma capa que funciona como teclado. Há também um minitripé de suporte que, ao ser montado, praticamente transforma o aparelho em um laptop ainda mais leve do que o Macbook Air.

Quando o sistema operacional Windows 8 for lançado no fim do ano, a expectativa é de que o tablet rode o pacote de aplicativos Office. Se esse objetivo for atingido, o tablet terá uma enorme vantagem comparativa em relação ao iPad, especialmente para pessoas que queiram usar o aparelho para trabalhar.

Por enquanto, não há definição de preço ou data exata para o lançamento. O mais provável é que o custo seja similar ao dos concorrentes e as lojas comecem a vender duas versões, no outono do Hemisfério Norte, com 32 e 64 gigabytes [GB] usando o Windows RT. O Surface de 128 GB viria mais tarde, apenas depois de o Windows 8 ser implementado. Uma das versões terá o chip da Intel. Outra virá com processador de tecnologia ARM. Sua tela tem 10,6 polegadas.

“Nós acreditamos que qualquer interação entre os seres humanos e as maquinas podem ser feitas apenas quando toda a experiência – hardware e software – trabalham juntas”, disse o presidente da empresa, Steve Ballmer, ao apresentar o produto em Los Angeles. A declaração é irônica pois foi sempre a Apple, e não a Microsoft, que manteve a tradição de fabricar ambos.

O lançamento é do Surface é um divisor de águas para a empresa fundada por Bill Gates. A Microsoft historicamente se concentrou no desenvolvimento de software, deixando a parte do hardware para outras empresas como a Dell, a Sony e a HP. Um dos poucos aparelhos de sucesso da empresa é o videogame Xbox.

O anúncio gerou otimismo entre os investidores. Analistas, porém, ainda não têm condições de avaliar o Surface, porque apenas um protótipo do hardware foi apresentado.

Há pouco mais de um mês, a Microsoft também havia decidido entrar no mercado de e-readers ao anunciar uma joint venture com a Barnes & Noble, fabricante do Nook, segundo colocado no setor, atrás apenas do Kindle, da Amazon.

O evento de lançamento do Surface foi cercado de mistério, com “fontes” revelando informações seletivamente para a imprensa nos dias anteriores, como acontece com os anúncios da Apple. A Microsoft buscou mostrar que já tem tradição em hardware, lembrando que fabrica teclados e mouses.

Mercado. Atualmente, a Apple domina o mercado dos tablets com 62,5% das vendas. Os aparelhos que usam o sistema Android, do Google, têm 36,5%. O mercado deve crescer 54,4% neste ano, com 107 milhões e unidades vendidas. Já no setor de PCs, haverá uma alta de 5% para 383 milhões de unidades.

Estadão.com.br | 19 de junho de 2012 | 3h 05

Reino Unido incrível


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 13/06/2012

Mike Shatzkin

anúncio de que a Waterstones, cadeia de livrarias no Reino Unido equivalente à Barnes & Noble nos EUA, começará a vender Kindle em suas lojas foi um choque para muita gente. Inclusive porque havia rumores de que a B&N estava fechando um acordo para fazer uma parceria com a Waterstones em relação ao Nook.

A dificuldade em fazer acordos em relação a aparelhos de leitura e ao “ecossistema” de conteúdo é que a venda de conteúdo subsidia a venda de aparelhos. É tudo parte de uma equação total ao redor da “vida útil” do cliente. O fornecedor do aparelho realmente necessita das vendas de e-books para fazer com que a venda do aparelho seja lucrativa.

Assim, quando a Kobo fez um acordo com a WH Smith e não com a Waterstones no Reino Unido (e a FNAC na França)  no ano passado, fez sentido para mim porque, naquele momento, a Waterstones estava dizendo que iria produzir o seu próprio aparelho.

Mas sempre achei que isso era muito para a Waterstones, pois sei o quanto a B&N teve de investir em desenvolvimento para fazer o Nook funcionar com uma base de lojas e orçamento várias vezes maior do que o da Waterstones. Para mim não foi surpresa quando a Waterstones começou a adiar a data de lançamento do seu e-reader, e nem quando os rumores mudaram e se dizia que estavam fazendo um acordo com outra empresa. Como a Kobo já estava trabalhando com seu maior competidor, a lógica dizia que seria com o Nook o acordo da Waterstones.

Não conheço ninguém que previu que seria com o Kindle.

Michael Cader – Publishers Lunch – e eu entendemos pelo press release da cadeia de lojas britânica, que os únicos e-books que a Waterstones vai ter participação na renda são os que forem comprados através da rede wifi dentro das suas lojas – essa rede ainda não existe; está sendo construída agora e é por isso que ainda vai demorar uns meses para vender Kindles.

Cader cita Tim Hely Hutchinson, da Hachette, que afirmou “apoiar totalmente” o acordo. Como seus dois maiores clientes acabaram de juntar forças, posso imaginar que seus pensamentos velados estão um pouco mais preocupados do que seus pronunciamentos em público demonstram. Mas eu também não brigaria em público com minhas maiores fontes de renda.

Como a Waterstones vai se beneficiar deste acordo? Bom, vão ganhar alguma margem com os Kindles que venderem. Não vão ganhar muito vendendo e-books, se só receberem pelos que forem comprados dentro de suas lojas. Já vi alguma especulação, numa lista de e-mails de discussão, de que vão usar a conexão da Amazon para ganhar uma fatia maior do investimenro das editoras em promoção e marketing, mas como já as editoras dão descontos consideráveis, não tenho certeza de quanto sangue pode ser tirado dessa pedra.

De qualquer forma, seria ruim criticar um acordo quando não se tem muita ideia dos detalhes. E pode ser que a Amazon poderia tenha feito uma oferta à Waterstones que teria sido uma loucura para a Barnes & Noble tentar equiparar ou para a Waterstones recusar.

Mas é difícil fugir da conclusão de que esse acordo vai acelerar a adoção dos e-books pelos leitores britânicos e, ao mesmo tempo, fortalecer o que já é a maior plataforma de vendas de e-books. O domínio do mercado de livros impressos online e a fatia de mercado dos e-books da Amazon só vai aumentar [hoje dizem que eles dominam 90%, mas não sei se isso está certo].

As afirmações da Waterstones de que seu negócio de vendas de livros on-line vai crescer e de que terão uma loja de e-books própria pode até ser sincera, mas é quase impossível de ser levada a sério.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 13/06/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Celulares, tablets, readers e a escola


Pesquisa feita por empresa americana mostra que mais de 40% de amostra de estudantes já usa dispositivos eletrônicos para ler textos

The Digital Reader reproduziu os números de uma pesquisa da Coursesmart, empresa americana que fornece material educacional digital, feita com 500 estudantes. Os dados mostram que apenas 2,8% deles não têm um aparelho móvel ou laptop, e somente 2,3% dos que têm um dispositivo não o utilizam para a escola. A nota do site chama atenção para o fato de que mais de 40% dizem usar seus aparelhos para ler livros escolares, o que é surpreendente, mas observa que é grande a chance de eles não estarem comprando o conteúdo – mas a pesquisa não mostra se eles compram, pirateiam ou acessam conteúdo gratuito. Quase 17% dos estudantes afirmam ter um e-reader como Kindle ou Nook. Veja os números levantados:

  • 92.9% têm laptops
  • 57.5% têm smartphones
  • 22.2% têm um iPad ou tablet
  • 16.9% têm um e-reader como o Kindle ou o Nook
  • 2.8% não têm nenhum desses aparelhos

Como usam seus dispositivos para a escola?

  • 87.9% usam para mandar e-mails
  • 85.2% usam para pesquisar assuntos
  • 82.8% usam para escrever textos ou trabalhos
  • 63.4% usam para fazer apresentações em sala
  • 61.2% usam para tomar notas
  • 45.0% usam para ler um livro educacional eletrônico
  • 16.7% usam para outras atividades
  • 2.3% não usam por nenhuma das razões acima

PublishNews | 24/05/2012

Em livros digitais, grupo une-se à Barnes & Noble


A Microsoft fez um investimento de US$ 300 milhões no Nook, unidade de livros digitais da livraria americana Barnes & Noble. Com o acordo, será criada uma nova companhia, com valor de mercado avaliado em US$ 1,7 bilhão. A Microsoft deterá uma participação de 17,6% na nova unidade, batizada a princípio de Newco. A Barnes & Noble, por sua vez, terá uma fatia de 82,4% no negócio. “A parceria vai acelerar a transição para a leitura eletrônica, que está revolucionando a forma como as pessoas consomem, criam, compartilham e desfrutam do conteúdo digital“, afirmaram as duas companhias.

Por Moacir Drska | Valor Econômico | 02/05/2012

Microsoft e Barnes & Noble juntas na batalha pelo mercado digital


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 30/04/2012

Canso de ouvir no Brasil que a Barnes & Noble está falindo e indo pelo mesmo caminho que a falecida Borders. E isto está longe da verdade, como já expliquei em Não Confunda Barnes & Noble com Borders. É claro que a revolução digital que vem se impondo ao mercado editorial tem afetado a maior rede livreira do mundo e sua situação está longe de ser confortável. Mas a verdade é que a Barnes & Noble tem reagido com dignidade e sucesso, tendo, por exemplo conquistado um market share de 22% do mercado de eReaders com seu Nook, avançando sobre a até então intocável fatia da Amazon [dados da pesquisa The Rising of E-reading, da Pew Internet].

Hoje, um anúncio conjunto da megalivraria e de outra gigante de Seattle, a Microsoft, deve ter calado os mais catastróficos: “Barnes & Noble e Microsoft formam parceria estratégica para desenvolver experiências de leitura digital de nível mundial para consumidores“.

Sob o anúncio pomposo, o que vai acontecer de fato é a formação de uma nova empresa, subsidiária da Barnes & Noble, onde a Microsoft terá uma participação de 17,6% após uma ingestão de US$ 300 milhões. A nova empresa vai acolher sob suas asas não apenas a divisão do Nook, mas também os negócios ligados à educação e ao mercado universitário da livraria. O efeito mais imediato da parceria será o desenvolvimento de um aplicativo Nook para o Windows 8, próxima versão do sistema operacional da Microsoft  que funcionará em tablets e PCs. Um efeito menos imediato, mas extremamente relevante, está ligado à inclusão do negócio educacional na parceria, pois trata-se do desenvolvimento de uma plataforma tecnológica top de linha para a distribuição e gerenciamento de materiais educacionais digitais para alunos e professores.

William Lynch, CEO da Barnes & Noble, enfatizou durante o anúncio por webcast esta manhã, que graças ao apoio da Microsoft será possível “desenvolver uma plataforma robusta para materiais didáticos”. Fica claro então que, a princípio, o papel da Microsoft será o de desenvolvimento tecnológico e de disseminação global da plataforma do Nook.

Na prática, o anúncio de hoje muda muita coisa no mundo dos livros digitais. Em primeiro lugar, marca a entrada da Microsoft em um jogo que ela parecia ignorar. A grande verdade é que toda a tecnologia de e-reading até agora foi desenvolvida praticamente sem nenhuma participação da empresa de Bill Gates. A chegada da outra gigante de Seattle desequilibra bastante as forças no mercado de e-books. Se antes tínhamos as megaempresas Amazon, Apple e Google, seguida pelos menores Barnes & Noble e Kobo, agora a rede de livrarias passa a brincar de igual para igual com os três maiores. É interessante observar também que, se antes a Barnes & Noble tinha uma briga mais direta com a Amazon, por serem ambos varejistas de livros, agora surge outra briga mais direta, desta vez com a Apple, na medida em que o Nook passa a andar de mãos dadas com o Windows.

Perguntado no webcast como a parceria afetaria a plataforma Android do Nook, Lynch explicou que não mudaria nada neste momento, uma vez que “o foco do acordo está  na liberação de experiências de leitura para centenas de milhões de estudantes e leitores que usam Windows”, e não na tecnologia dos atuais aplicativos.

Espere um pouco. Centenas de milhões? Os EUA têm apenas 300 milhões de habitantes e o Nook só está presente por lá [apesar dos boatos, nem na Inglaterra a plataforma foi lançada ainda]. Ou seja, uma grande internacionalização do Nook faz parte da estratégia que está criando a nova subsidiária da Barnes & Noble. E isto faz todo o sentido. Enquanto Google, Apple e Amazon possuem atuação global, e até a Kobo promulga suas aspirações mundiais a todo o momento, a Barnes & Noble era a única ainda presa a um único mercado consumidor. E apesar de ter tido um grande sucesso na obtenção de conteúdo internacional, especialmente graças ao excepcional trabalho de Patricia Arancibia, sua diretora de conteúdo internacional, a verdade é que a loja da Barnes & Noble só existe nos EUA.

Com a Microsoft, a Barnes & Noble tem a possibilidade de globalizar sua plataforma de forma rápida e descomplicada. Para o mercado brasileiro e mundial, portanto, mais importante do que a separação do negócio digital da Barnes & Noble em uma subsidiária, mais importante do que ter o negócio educacional sob este mesmo guarda-chuva e mais importante do que a força da tecnologia da Microsoft, está a internacionalização da plataforma Nook, que agora poderá chegar a todos os pontos do planeta onde a empresa de Bill Gates esteja presente.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 30/04/2012

Leitura aumenta com eBooks


Por Silvio Meira | Publicado originalmentem em Terra Magazine

Nos estados unidos, pesquisa do pew internet project mostra que donos de leitores de ebooks [como nook, da barnes & noble e kindle, da amazon] estão lendo mais do que que a turma do velho livro de papel. quanto mais? Quem tem um ebook reader leu 24 livros [em média] nos últimos 12 meses, contra 15 de quem não tem. Q mediana de leitura é 13 livros por ano para quem lê ebooks e 6 para quem não lê. não 10 ou 30% a mais de leitura nos ebooks, mas mais de 100%.

Nos EUA, até fevereiro de 2012, 21% dos leitores já leu pelo menos um ebook. E este número vem crescendo muito rapidamente: o número de dezembro de 2011 era 17%. A literatura é claramente uma economia em transição, um processo que começou há cinco anos, com o lançamento do kindle [ou há dez, se você quiser, com iTunes, como mostra a lista abaixo].

Tech timelina of eReaders & Tablets

Tech timelina of eReaders & Tablets

Parece óbvio que o livro está virando serviço, de forma muito rápida nos EUA e, breve, no resto do mundo, inclusive no Brasil, onde a Amazon deve lançar o Kindle ainda em 2012 e onde atores locais estão montando suas ofertas de leitores e serviços. Se vai haver serviços abertos e interoperáveis ainda é um problema em aberto. Imagine que seus dois autores prediletos estão disponíveis, cada um, em apenas uma plataforma de serviços digitais. Será que você terá – em último caso – que ter dois leitores de ebooks para ler os dois autores? Ou, talvez, num ambiente de ubiquidade e pervasividade de redes,

E os problemas não param por aí: com a mudança de plataforma de literatura do papel encadernado [e editoras, distribuidores, livrarias, bibliotecas] para a rede, os direitos do leitor podem mudar radicalmente e alguns dos muito antigos [como emprestar um livro, pra citar o mais básico] são afetados. É preciso, pois, rediscutir e restabelecer os direitos do leitor digital, o que envolve propriedade e privacidade, entre muitos outros. Os direitos do autor também estarão na pauta, pois pirataria literária, digital, não vai ser assunto menor nos próximos anos. junto com os problemas, é sempre bom lembrar, virão as oportunidades. Neste caso, bilionárias, inclusive aqui, no .BR.

Por Silvio Meira | Publicado originalmentem em Terra Magazine | Silvio Meira é professor titular de engª de software do http://www.cin.ufpe.br, chief scientist do http://www.cesar.org.br, presidente do conselho do http://www.portodigital.org além de fundador e batuqueiro do maracatu “a cabra alada”

Um e-reader que brilha no escuro


Barnes & Noble lança dispositivo com tela que acende e permite ler em locais com pouca luz

A rede livreira americana Barnes & Noble anunciou ontem uma nova versão do e-reader Nook, que parece resolver o embate entre o leitor eletrônico tradicional, que tem tecnologia E-ink e permite uma leitura semelhante àquela feita no papel, mas não pode ser lido no escuro, e o tablet, que, por emitir luz, pode ser lido perfeitamente no escuro, mas não ao sol. O Nook Simple Touch com GlowLight foi lançado como o primeiro e-reader que “acende” a tela e que pode ser lido em qualquer ambiente. É também touchscreen e custa US$ 139 nos Estados Unidos. O Nook é o principal concorrente do Kindle, da Amazon, que domina o mercado de e-readers. A graça da campanha do novo produto da B&N fica por conta de uma pesquisa que a empresa fez com 1.358 adultos americanos: dois terços deles leem na cama, e metade leria mais se não atrapalhasse o sono de quem está do lado com uma luz acesa no quarto. Aliás, 42% das pessoas ouvidas disseram que já dormiram incomodadas com a luz de leitura do parceiro. Com o novo Nook, a empresa espera resolver o “problema número um que os casais têm na cama“.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 13/04/2012

Software livre aplicado aos eBooks


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2012

Kovid Goyal, criador do Calibre

Kovid Goyal, criador do Calibre

Graças a sua interface atrativa e sua ampla gama de possibilidades, o Calibre conseguiu se posicionar como um dos programas de código aberto mais utilizados no mundo do e-book. Com ele, o usuário pode converter seus livros em diferentes formatos e administrar suas bibliotecas de títulos e metadados. Nesta entrevista, conversamos com o expert indiano Kovid Goyal, criador do Calibre, sobre diferentes aspectos da indústria do e-book, bem como sobre seus planos para o futuro.

OK: O Calibre foi desenvolvido como um programa que precisa ser instalado no computador. Existe demanda para uma versão em nuvem, agora que os e-readers têm mais conectividade?
KG: O Calibre inclui um servidor de conteúdo que permite compartilhar nossa biblioteca na internet. Também estamos trabalhando com diferentes soluções em nuvem que em breve vão estar prontas, mas se tratará de um serviço pago, já que esse tipo de sistema implica gastos de hospedagem.

OK: Você tem estatísticas sobre o uso do Calibre para telefones celulares?
KG: Na verdade, não. No momento estou compilando informação sobre quais dispositivos se conectam ao Calibre.

OK: Qual sua opinião sobre sistemas fechados como o Kindle, da Amazon, ou o Nook, da Barnes & Noble? Que futuro terá o DRM, em seu ponto de vista?
KG: Considero que os esforços empreendidos por essas empresas para dominar o mercado são tolos e de curto-prazo. Um dos meus principais objetivos com o Calibre foi proporcionar uma plataforma de administração de e-books o mais aberta e independente possível. Do meu ponto de vista, o DRM é ficção: de fato, não consegue evitar a pirataria. Seu único efeito é prender o cliente. Para combater o DRM, minha esposa e eu começamos a trabalhar na Open Books, uma base de livros que são vendidos sem DRM.

OK: Atualmente, a indústria do e-book se assemelha a uma torre de Babel, com vários jogadores tentando impor seus próprios formatos. Nesse contexto, o Calibre operaria como tradutor entre essas diferentes “linguagens”?
KG: Certamente essa é uma das funções mais importantes do Calibre. Na medida em que se usa material livre de DRM [ou que se elimina o DRM da cópia de um e-book], o Calibre te permite ler esse livro em qualquer formato e dispositivo.

OK: De acordo com alguns números apresentados no site do Calibre, a maioria dos downloads do programa é feita nos Estados Unidos [25%], Espanha [8,8%], Reino Unido [7,7%] e Alemanha [7,4%], isto é, em nações industrializadas, enquanto países em desenvolvimento ou emergentes como o Brasil, Índia ou África do Sul apenas representam pouco mais de 1%. Como você explica esse fenômeno?
KG: Os e-readers são caros. Se alguém não paga esse preço, não pode ler seu primeiro e-book. Por outro lado, a maioria dos e-readers requerem em algum momento uma conexão com um computador para funcionar. Essas duas exigências implicam certamente uma desvantagem comparativa nos mercados em desenvolvimento. No entanto, a situação vai mudar quando os e-readers se tornarem mais baratos [ou se transformarem em dispositivos multifuncionais] e os padrões de vida melhorarem nesses países.

OK: Apesar dos números relativamente baixos, você vê algum potencial em particular para o Calibre nas regiões em desenvolvimento, agora que vários governos – com o indiano – estão prontos para produzir massivamente tablets e outros dispositivos de leitura adaptados às necessidades do leitor local?
KG: Com certeza, o fato de o Calibre ser livre e de código aberto transforma-o em uma ferramenta muito útil para os orçamentos mais exíguos! Dito isto, pessoalmente prefiro não trabalhar com organizações muito grandes nem com governos. Embora os governos sejam bem-vindos a utilizar o Calibre se o considerarem útil, não é algo que eu esteja encorajando ativamente.

OK: Você voltou para a Índia no ano passado. Essa é uma decisão de longo prazo? Você continuará trabalhando em desenvolvimentos de código aberto em seu país?
KG: Mudei para os Estados Unidos unicamente para obter meu doutorado. Meu projeto sempre foi regressar à Índia assim que meus estudos estivassem terminados. A Índia é meu lar. Sobre o que farei no futuro, não dá para defini-lo completamente, já que o Calibre foi uma espécie de acidente, algo que ocorreu quando eu estava na universidade. Geralmente, tento não prever meu futuro, mas continuo trabalhando com software, e seguramente no terreno do código aberto.

OK: Logo em sua primeira versão, o Calibre recebeu uma generosa contribuição de um grande numero de pessoas – uma comunidade ativa de programadores, designers e tradutores. O que será que motivou essas pessoas a contribuir com o projeto? E no seu caso, qual foi sua motivação?
KG: A maioria das pessoas contribuiu com o Calibre por duas razões. 1] O colaborador agrega uma característica de que necessita e vê que ela é útil. 2] O colaborador o faz porque é divertido e o considera um desafio do ponto de vista técnico. Trabalhei incansavelmente para que qualquer pessoa pudesse contribuir com o código do Calibre de um modo muito simples. Implementar uma melhoria no Calibre pode levar literalmente cinco minutos. O programa conta com um sistema de extensões muito bem documentado que permite aos usuários conectar quase qualquer aspecto da sua funcionalidade com aplicativos externos. Esses esforços deram frutos e por isso existe uma comunidade tão ativa. Agora, do lado pessoal, criei o Calibre porque meu primeiro e-reader, o SONY PRS-500, não funcionava com o Linux, o sistema que eu uso. O Calibre, que começou com o nome de libprs500, não parou de crescer desde então!

Finalmente, eu diria que é essencial trabalhar em iniciativas como o Calibre, porque os livros e a leitura não podem depender de software proprietário nem de corporações motivadas unicamente pelo lucro.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2012

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Descontos agressivos no Positivo Alfa: o que eles significam?


Positivo Alfa

Positivo Alfa

Em 2010 a Positivo lançou por aqui o Alfa, e-reader nacional com conectividade Wi-Fi e tela sensível a toques, coisa que nem Nook, nem Kindle tinham à época. Mesmo com o salgado preço de R$ 799, a escassez de concorrentes presentes oficialmente no país e os estoques limitad0s levaram o produto a esgotar rapidamente. Um ano e meio depois, dá para achá-lo por R$ 299. Encalhou? Estão desovando estoque? O que acontece com o Alfa?

A promoção do dia no Groupon é o Alfa por R$ 299, um descontão de 63% no preço sugerido pela Positivo — a oferta, aliás, é da própria. Mesmo fora do site de compras coletivas é possível encontrar com relativa facilidade o Alfa com 50% de desconto; ele já apareceu por R$ 399 em alguns Dealzmodos recentes. Essa queda vertiginosa no preço abre brechas para teorias diversas. Teria o Alfa encalhado?

Faz um ano e meio que o Alfa estreou por aqui e tanto tempo provavelmente tem algum impacto no preço que, sejamos honestos, já era bem salgado em 2010. De lá para cá o Kindle da Amazon, por exemplo, ganhou uma nova atualização que trouxe novos membros para a família [Keyboard, Basic e Touch] e, ultrapassou a simbólica barreira dos US$ 100 — a versão básica sai nos EUA por US$ 79 e a Touch, modelo intermediário, começa em US$ 99.

A R$ 299 ou mesmo R$ 399, o Alfa alcança a um preço interessante, realista. O Kindle Touch 3G, que só semana passada começou a ser despachado para cá, chega à porta da sua casa por salgados R$ 751 [versão 3G sem anúncios, preço original US$ 189], como apurou o ZTOP. A gente entende que aqui as dificuldades e custos de produção devam ser bem maiores do que nos EUA e a ideia de subsidiar o valor do aparelho para recuperar depois na venda de livros, muito mais arriscada, mas ao mesmo tempo é duro pagar tão caro em um aparelho que só serve para ler. A estratégia da Amazon, de vender o Kindle barato para ser comprado no impulso e sem muita enrolação, parece ser o único caminho que funciona para esse nicho. Por R$ 799, compensa mais juntar uns trocados e pegar um tablet de uma vez.

Se está encalhado ou não, se é desova para a chegada de um modelo ou o fim da linha, o que importa é essa talvez seja a chance que muitos estavam esperando para ter seu primeiro e-reader. Falta pouco menos de 10h para a promoção no Groupon ser finalizada, então, corra!

Por Rodrigo Ghedin | Gizmodo Brasil | 02/04/2012

44% dos internautas brasileiros nunca compraram eBooks


POR Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução E-book | 29/02/2012

Editoras correm para digitalizar seus catálogos, invadir as redes sociais e se adaptar à chegada de grandes concorrentes internacionais. Lançam impressos e digitais simultaneamente, investem milhares de reais em aplicativos para iPad. Nesta correria, muitas editoras parecem perder o fio da meada, esquecem de uma figura fundamental: o leitor. O leitor brasileiro, conhecido por ler pouco, compra livros digitais? Já estão familiarizados com formatos, esquemas de compra e leitura? Possuem os aparelhos para ler eBooks?

Para esclarecer estas questões, o Revolução eBook conduziu uma pesquisa no mês de fevereiro, entrevistando pela Internet 330 pessoas. Divulgamos a pesquisa não só na nossa lista de discussão e newsletter, mas também nas redes sociais, para diversificar o público. Foram feitas apenas quatro perguntas, para obtermos um panorama de como o brasileiro se relaciona com as tecnologias do livro digital e seu consumo. Nas perguntas, sempre foi possível marcar mais de uma alternativa, de modo que os totais contabilizados ultrapassam 100%.

Constatamos, entre outros números, que 44% dos brasileiros nunca adquiriu um livro digital, nacional ou estrangeiro, entre outros números.

O brasileiro tem eReader?

Como podemos observar, mais da metade dos pesquisados não possui um eReader, aparelho dedicado à leitura. Quando possuem, 28% afirma ter o Kindle da Amazon, seguido bem de longe pelo nook da B&N com 6% e pelo Positivo Alfa, com 4%. Bem próximos ao eReader da Positivo estão o Cool-ER, um dos primeiros aparelhos de eInk a chegar ao Brasil e a categoria Outros, sinalizando que alguns consumidores adquiriram marcas bem menos populares.

O gráfico no geral mostra algumas coisas. Primeiro, o marketing da Amazon é bom o suficiente para conseguir um share maior de aparelhos, mesmo sem uma presença oficial. Vemos também que os aparelhos vendidos em lojas brasileiras, combinados, representam menos de 10% das respostas. Para cada um destes, outros 4 possuem um Kindle. A amostragem reforça a ideia de que eReaders são caros e pouco divulgados no Brasil.

Metade dos entrevistados não possui tablet.

Quando vemos a baixa popularidade do eReader, esperamos que isso se deva ao sucesso do tablet que, dizem por aí, deve acabar com o aparelho de apenas um uso e tela de tinta eletrônica. Porém, mais uma vez, os números mostram que não é exatamente assim. Embora a pesquisa tenha sido realizada exclusivamente na internet, apenas 49% dos entrevistados dizem possuir um tablet. Entre os que não possuem, os motivos são diversos, como desconhecimento da tecnologia e, claro, o preço.

Como esperado, o iPad – tanto o 1 como o 2 – é o mais popular entre os modelos, com 33% de respostas. Muito, muito atrás, com 6% de votos, está a categoria Outros, dispensando todas as marcas mais populares que colocamos para escolha. Com 4%, 3% e 2% estão o já antigo Galaxy Tab, o caro Galaxy Tab 10.1 e o Xoom, respectivamente.

Há uma interessante participação de 1% tanto para o Kindle Fire como para o nook tablet, que não são oficialmente vendidos no Brasil e nem funcionam completamente por aqui, mas que ainda assim são uma escolha em lugar de produtos vendidos no país.

Nunca comprei um eBook

Aqui chegamos ao ponto do título desse artigo. Nossa pesquisa indicou que 44% dos entrevistados nunca adquiriu um livro digital, seja em loja brasileira ou estrangeira. Aqui fica uma boa pergunta para as editoras: por quê? Qual a razão de os brasileiros ainda não terem feito compras?

O problema são os aparelhos caros? São difíceis de usar? O brasileiro acha difícil ou caro comprar eBooks? Acho que essas são as perguntas a serem questionadas e respondidas ao longo de 2012, para o mercado editorial entender seu novo “público digital”. É interessante observar que 34% já adquiriram eBooks em lojas nacionais e 39% em lojas estrangeiras. Ou seja, o número de pessoas que já comprou livros digitais em ambas as lojas é quase o mesmo. Quem consome livros digitais está fazendo isso tanto no Brasil, como lá fora.

Pirataria, a gente vê por aqui

A última pergunta tratou de pirataria, um assunto delicado, porém bem presente no Brasil. Apenas 12% dos que responderam disseram nunca ter baixado um eBook pirata. E 55% afirmou já ter baixado um eBook ilegal em português e 34% em inglês. Ou seja, os entrevistados pirateiam mais, e compram menos livros digitais. Fica aí mais uma pergunta para as editoras responderem e solucionarem: por que os brasileiros preferem piratear um livro do que comprá-lo?

Os números também mostram que, para entrar nessa nova tecnologia, muitos recorrem a livros gratuitos ou de domínio público para experimentarem o livro digital. Do total, 74% afirmou ter feito isso.

POR Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução E-book | 29/02/2012

Stella Dauer

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora do Revolução E-book. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009.

CURSO | O Livro como Mídia Digital


Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Nook, e-reader da Barnes & Noble, é a esperança das editoras de livro nos EUA


A Barnes & Noble, gigante que ajudou a tirar do mercado tantas livrarias independentes, trava agora a luta da sua vida. E seu Nook, concebido em segredo numa antiga padaria, é a grande esperança eletrônica da rede e, na verdade, de muita gente do setor editorial.

O Nook – e, por extensão, a própria B&N – parece ser a única coisa que separa as editoras tradicionais da irrelevância.

Dentro das grandes editoras – nomes como Macmillan, Penguin e Random House – há inquietação com o futuro da B&N, que é a última grande rede de livrarias. Primeiro, as megalojas expulsaram as pequenas, depois as redes foram engolidas pela migração dos consumidores para a internet.

O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble: grande esperança da rede de livrarias e do setor editorial

Ninguém acha que a B&N vai sumir da noite para o dia. A preocupação é que ela míngue lentamente, conforme mais leitores adotem os e-books. E se a B&N virar pouco mais do que um café com um ponto de conexão digital? Tais temores vieram à tona no começo de janeiro, quando a empresa previu que sofrerá neste ano um prejuízo ainda maior do que Wall Street esperava. Suas ações caíram 17% naquele dia.

À espreita por trás disso tudo está a Amazon, força dominante no comércio eletrônico de livros. Muitos profissionais do ramo editorial enxergam a Amazon como um inimigo que, se não for controlado, poderá ameaçar toda a indústria e o ganha-pão dessas pessoas.

As editoras estão cortando custos e demitindo funcionários. Os livros eletrônicos estão bombando, mas não são muitos os editores que desejam que eles substituam os livros impressos. Já o presidente da Amazon, Jeff Bezos, quer eliminar os intermediários – ou seja, os editores tradicionais- ao lançar e-books por conta própria.

Por isso, a B&N agora parece tão crucial para o futuro do setor. Em muitas localidades, suas lojas são as únicas com uma ampla seleção de títulos. Se algo acontecer com a B&N, a Amazon pode se tornar ainda mais poderosa.

Seria como ‘A Estrada'”, disse um executivo de editora, referindo-se, meio de brincadeira, ao romance de Cormac McCarthy. “O mundo editorial pós-apocalíptico, com editores empurrando carrinhos de compras pela Broadway.

Mas William Lynch, presidente da B&N, se diz preparado para a batalha. Com apenas três anos de experiência como livreiro, ele precisa encontrar um equilíbrio: preparar um futuro digital para a rede, mas sem abrir mão do seu passado com livros físicos – e tudo isso em meio às pressões sobre o valor das ações da empresa, com os clientes fugindo para a internet e com a Amazon rondando.

Lynch, que foi criado no Texas e tem a intensidade nervosa de um executivo de tecnologia, considera disparatada a ideia de que equipamentos como o Nook, o Kindle ou o iPad levarão as livrarias à obsolescência.

Nossas lojas não vão para lugar nenhum“, disse Lynch. Ele citou um faturamento surpreendentemente robusto no fim do ano passado. E, no segundo semestre de 2011, a B&N capturou uma grande fatia do negócio deixada por um concorrente quebrado, a rede Borders.

Mas, em 5 de janeiro, a B&N anunciou que deve ter um prejuízo de até US$ 1,40 por ação no ano fiscal de 2012. E Lynch disse que os acionistas parecem estar subestimando tanto o potencial do Nook que talvez a empresa estivesse melhor se abandonasse o negócio digital.

Wall Street chiou e as ações da B&N ainda não se recuperaram totalmente. Uma pequena boa notícia para a empresa é que ela agora detém cerca de 27% do mercado do livro eletrônico, segundo Lynch. A Amazon tem pelo menos 60%.

Em 20 de janeiro, a Amazon divulgou um comunicado dizendo que “as vendas unitárias do Kindle, tanto do Kindle Fire quanto de leitores de e-book, aumentaram 177% sobre o mesmo período do ano passado“.

William Lynch, executivo-chefe da Barnes & Noble, no estabelecimento da empresa no Vale do Silício

A B&N não tem exatamente o mesmo charme [nem o dinheiro] de um Google ou um Facebook. “Não vemos todas aquelas ações, o sushi bar gratuito e todo o resto que você encontra no Google, mas existe muita responsabilidade“, disse Bill Saperstein, 62, vice-presidente de engenharia de equipamentos digitais da Barnes & Noble. “Era algo em que eu acreditava fortemente, que é a leitura.

No mês passado, engenheiros nos laboratórios da empresa no Vale do Silício faziam os últimos acertos no quinto leitor de e-books da empresa. Paralelamente, Lynch trabalha para reformular as lojas B&N. No ano passado, a empresa ampliou as seções de jogos e de brinquedos e criou novas vitrines para promover o Nook. O executivo espera eliminar dentro de dois anos as seções dedicadas a CDs e a DVDs. E também pretende testar formato de lojas ligeiramente menores.

Alguns analistas se perguntam se Lynch não teve os olhos maiores do que a boca. No entanto, a B&N talvez tenha de se adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

Acho que eles percebem que não podem continuar no ritmo que estão indo“, disse o consultor editorial Jack Perry. “Eles precisam de mais dinheiro para investir, para poder brigar.

Desde 2002, os EUA perderam cerca de 500 livrarias independentes. Umas 650 sumiram quando a Borders deixou de funcionar no ano passado.

Alguns editores de Nova York já tentaram imaginar o setor sem a B&N, e a ideia não é nada boa: haveria menos lugares onde vender livros. Os independentes respondem por menos de 10%, e os grandes magazines têm seções de livros menores do que as livrarias tradicionais.

Sem a B&N, a proposta de marketing das editoras desmorona. A ideia de que as editoras são capazes de identificar, moldar e publicar novos talentos e, então, levar as pessoas a comprar livros a preços que façam sentido economicamente, de repente, parece forçada. Divulgar livros pelo Twitter, ou depender de críticas, propaganda e talvez uma aparição na TV não parece ser um plano vencedor.

O que as editoras esperam da livraria é o “efeito folheada”. As pesquisas indicam que, das pessoas que entram em uma livraria e saem com um livro, apenas um terço já chegou com o desejo específico de comprar algo.

O espaço de exposição que eles têm na loja é realmente um dos lugares mais valiosos que existem neste país para comunicar ao consumidor que um livro é um grande negócio“, disse Madeline McIntosh, presidente de vendas da Random House.

A venda de livros mais antigos, que tradicionalmente responde por algo entre 30% a 50% da receita das grandes editoras, sofreria terrivelmente.

Jeff Bezos, da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa domina o mercado de livros eletrônicos nos EUA

Para todas as editoras, é importante que o varejo físico sobreviva”, disse David Shanks, presidente do Grupo Penguin nos EUA. “Quanto mais visibilidade um livro tem, mais inclinado o leitor fica [a comprá-lo].

Carolyn Reidy, presidente da Simon & Schuster, diz que o maior desafio é, em primeiro lugar, dar às pessoas uma razão para entrar nas lojas B&N. “Eles descobriram como usar a loja para vender e-books“, disse ela. “Agora, tomara que a gente descubra como fazer com que esse ciclo se complete, e ver como os e-books podem vender os livros impressos.

Bezos, por exemplo, não está esperando. A Amazon já criou sua própria editora. E a cada dia as Bolsas dão um soturno aviso de que Bezos tem os bolsos mais fornidos que Lynch.

John Sargent, presidente da Macmillan, disse que a questão não interessa apenas às editoras. “Qualquer um que seja um autor, um editor ou que ganhe a vida distribuindo propriedade intelectual em forma de livro fica seriamente prejudicado se a B&N não prosperar.

POR JULIE BOSMAN | DO “NEW YORK TIMES“, EM PALO ALTO, CALIFÓRNIA | 15/02/2012 – 07h51

Nicholas Carr: ‘Precisamos olhar criticamente a tecnologia’


NICHOLAS CARR

Autor de ‘A geração superficial’, escritor americano diz que internet estimula ‘uma forma primitiva’ de leitura.

A ansiedade que vivemos hoje sobre os efeitos da internet sobre nossa cognição não é nova. Essa parece ser uma marca de toda grande transformação das tecnologias de informação, ao menos desde o livro impresso [que muitos na época temiam ser uma forma de “diluição” do conhecimento]. Como a situação atual se distingue das mudanças tecnológicas do passado?

NICHOLAS CARR: Toda nova tecnologia importante, se passa a ser amplamente usada, gera tanto euforia quanto ansiedade. Mas o caso da internet é diferente de todos os anteriores, no escopo e na intensidade de seu uso. É a primeira tecnologia de mídia que as pessoas podem carregar o dia todo, usando-a no trabalho, na vida social, para entretenimento e comunicação. Também é a primeira tecnologia de mídia interativa que transmite textos, imagens, sons e filmes, além de rodar softwares e aplicativos. Isso é algo novo no mundo — uma tecnologia que está constantemente influenciando a maneira como pensamos e nos comunicamos. Por isso, precisamos olhar criticamente para essa tecnologia e perguntar: como ela influencia nossos hábitos mentais? Muitas pesquisas sobre mídias digitais mostram que nosso uso da internet tende a nos colocar em um estado de distração perpétua, bombardeado por interrupções constantes. Isso faz com que tenhamos mais dificuldade para nos engajar em pensamentos contemplativos e reflexivos e também para armazenar memórias ricas e ter insights conceituais profundos. Há muitas qualidades na internet — por isso a usamos tanto — mas acredito que ela nos transforma em pensadores mais superficiais.

Você argumenta que, enquanto o livro impresso originou uma evolução nos hábitos de leitura [da leitura em voz alta para a silenciosa, mais reflexiva], a internet favorece “uma forma mais primitiva de leitura”. Por quê?

NICHOLAS CARR: A leitura não é uma habilidade nata nos humanos, como a fala, por exemplo. Temos que aprender a ler, e por isso as ferramentas que usamos para ler vão influenciar a qualidade de nossa leitura. O livro impresso, como tecnologia, nos protege de distrações e foca nossa atenção nas palavras do autor, no argumento ou na história. Estimulando a atenção e a calma, a página impressa encoraja uma forma mais profunda de leitura, na qual somos capazes de usar o máximo de nossa imaginação e nossa habilidade interpretativa para compreender o texto. A tela do computador não tem a calma da página impressa. As palavras do autor são forçadas a competir com outros estímulos que chegam através do computador. O leitor distraído não lê com profundidade; ele passa os olhos no texto, lê na diagonal. A leitura se torna um simples ato de decodificação, em vez de um sofisticado ato de interpretação e imaginação.

Como essa mudança nos hábitos de leitura pode influenciar a fruição da literatura?

NICHOLAS CARR: Com o tempo, a forma como as pessoas leem vai influenciar a forma como escrevem. Acredito que a chegada do livro impresso, criando um grupo muito mais amplo de leitores atentos, encorajou os autores a expandir as fronteiras da literatura, a experimentar novas formas e gêneros, por exemplo. Se a internet e os livros eletrônicos encorajam a leitura distraída, os autores não serão mais capazes de assumir que escrevem para leitores atentos, profundos. Por consequência, acredito que teremos menos experimentação, menos complexidade, menos aventura na escrita. A grande literatura exige não apenas escritores talentosos, mas leitores atentos.

Em um artigo recente, você diz que as editoras deviam distribuir e-books de graça. Por quê?

NICHOLAS CARR: Sugeri isso como uma estratégia de mercado para as editoras. Muitas pessoas com Kindles, Nooks e iPads podem querer comprar o livro impresso, mas vão preferir o e-book para suas máquinas. Se as editoras dessem um exemplar eletrônico junto com o exemplar impresso, isso encorajaria as pessoas a comprar mais livros impressos. Essa estratégia também combateria a Amazon, que, na minha opinião, está ganhando muito poder no mercado editorial.

Por Guilherme Freitas | O Globo | 11/02/2012, 7h50

A corrida da livraria Barnes & Nobles pela sobrevivência


Em março de 2009, uma eternidade atrás no Vale do Silício, uma pequena equipe de engenheiros estava com muita pressa de repensar o futuro dos livros. Estavam virando de cabeça para baixo a maneira como livros são publicados, vendidos, adquiridos e lidos: e-books [livros eletrônicos] e e-readers [leitores de livros digitais]. Trabalhando em segredo, atrás de uma porta sem identificação numa antiga padaria, eles se mobilizaram na tentativa de criar um aparelho capaz de captar a imaginação dos leitores e, quem sabe, até salvar a indústria do livro. E tiveram seis meses para fazê-lo.

Por trás dessa corrida estava a Barnes & Noble, a gigante que ajudou a tirar tantas livrarias do negócio e que agora se vê lutando pela própria vida. O que seus engenheiros inventaram foi o Nook, um parente temporão do e-reader que, no entanto, tornou-se a grande esperança eletrônica da Barnes & Noble e, na verdade, de muitos no negócio de livros.

Nas grandes editoras, como Macmillan, Penguin e Random House, há um sentimento de desconforto com o destino a longo prazo da Barnes & Noble, a última grande rede de livrarias que restou, com 703 unidades. O receio é que ela possa murchar paulatinamente à medida que mais leitores forem optando pelos e-books. Temores como esse vieram à tona no começo de janeiro quando a companhia fez projeções de que neste ano teria um prejuízo maior do que o projetado por Wall Street. O preço das ações caiu 17% naquele dia.

Por trás disso tudo emerge o vulto ameaçador da Amazon. Como muitas empresas em dificuldade, as editoras de livros estão cortando custos e enxugando pessoal. Sim, o negócio de livros eletrônicos está em franca expansão, às vezes com lucro, mas não são muitas as editoras que querem e-books para suplantar os livros impressos. O presidente executivo da Amazon, Jeffrey Bezos, quer eliminar os intermediários – isto é, as editoras tradicionais – publicando e-books diretamente.

Essa é a razão por que a Barnes & Noble, que já foi vista como a capitalista brutal no ramo de livros, agora parece tão crucial para o futuro do setor. Claro, é possível comprar best-sellers nas lojas Walmart e literatura barata em supermercados, mas em muitos pontos de venda, a Barnes & Noble é a única que oferece uma ampla seleção de livros. Se ela simplesmente reduzir suas ambições, a Amazon poderá se tornar ainda mais poderosa.

Seria como A Estrada [romance de Cormac McCarthy] o mundo pós-apocalíptico da publicação, com editores empurrando carrinhos de supermercado pela Broadway“, disse um executivo editorial de Nova York.

Mas William Lynch Jr., CEO da companhia, diz que está preparado para a batalha. Do alto de seus três anos de experiência na venda de livros, ele precisa preparar um futuro digital para a rede sem abandonar seu passado de livros impressos, num momento em que os lucros e o preço das ações estão pressionados, seus consumidores estão fugindo para a Web e a Amazon cresce.

Para alegria das editoras, ela entrou firme nos e-books e, com a ajuda do Nook, conseguiu abocanhar uma parte do mercado da Amazon. Mas Lynch ainda está fazendo o papel de Davi diante do Golias de Bezos. Enquanto a Barnes & Nobles vale cerca de R$ 700 milhões, a Amazon é avaliada em mais de US$ 80 bilhões.

“Nós poderíamos ficar aqui batendo com a cabeça na parede e ficar enjoado com isso, como já ficamos, a cada semana”, disse Lynch, 41 anos, sobre a cotação das ações. Mas ele garante que entrar no campo dos e-books com o Nook é o caminho certo, o único, talvez, de avançar.

Avanço. A pequena boa notícia para a companhia é que, graças ao Nook, ela agora detém 27% do mercado, um número que as editoras confirmam alegremente. A Amazon detém pelo menos 60%.

A Barnes & Noble está tentando atacar a Amazon com um outro aparelho. Em seus laboratórios no Vale do Silício, engenheiros davam os retoques finais, há poucas semanas, no seu quinto aparelho de e-reading.

Dentro de pouco tempo, executivos levarão o Nook ao exterior – uma grande virada já que a Barnes & Noble se concentrou quase exclusivamente no mercado americano durante décadas. A primeira parada deve ser na cadeia de livrarias Waterstones na Grã-Bretanha.

Isso tudo seria um trabalho gigantesco para qualquer CEO, e alguns analistas se perguntam se Lynch pôs no prato mais do que conseguirá comer. Mas no ritmo com que o setor está se transformando, a Barnes & Noble terá de adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

O Estado de S.Paulo | The New York Times | TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK | 06/02/2012

Posse de tablets ou leitores digitais cresce nos EUA


O número de norte-americanos que possuem tablet ou leitor digital quase dobrou no período de fim de ano, com Kindles, Nooks e iPads provando ser presentes populares, aponta um novo estudo.

No início de janeiro, 19% dos norte-americanos entrevistados pela Pew tinham um leitor digital, acima dos 10% de dezembro, com resultados idênticos para tablets, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira pela Pew Internet and American Life Project.

Kindle Fire, tablet da Amazon

Como o resultado, o percentual de americanos que possuem pelo menos um aparelho de leitura digital cresceu para 29% em janeiro, contra 18% em dezembro, de acordo com a pesquisa.

A Amazon e a Barnes e Noble introduziram, cada um, novos tablets e versões mais baratas do seus aparelhos Kindle e Nook, respectivamente, antes das férias, enquanto o iPad da Apple continua a ser popular.

O relatório também descobriu que homens e mulheres estão igualmente propensos a comprar um dispositivo, mas a aquisição era mais provável entre pessoas com mais alta escolaridade e alta renda.

Os dados vêm de várias entrevistas conduzidas pela Pew. A primeira, antes do Natal, que ouviu 2.986 americanos com mais de 16 anos, foi realizada em novembro e dezembro enquanto a segunda e terceira foram feitas com cerca de 2 mil adultos em janeiro.

DA REUTERS | 23/01/2012 – 15h03

B&N prevê mais prejuízo e pode separar área de e-books


EUA: A Barnes & Noble está estudando alternativas para sua divisão de livro eletrônico Nook, de crescimento acelerado, mas onerosa, e pode separar essa área do negócio principal de livrarias. Trata-se de uma tentativa de voltar à lucratividade, num momento em que o setor editorial se adapta ao crescente sucesso dos livros e revistas digitais.

Valor | Associated Press | 06/01/2012

Barnes & Noble prevê mais prejuízo e pode separar área de livros digitais


A Barnes & Noble está estudando alternativas para sua divisão de livro eletrônico Nook, de crescimento acelerado, mas onerosa, e pode separar essa área do negócio principal de livrarias. Trata-se de uma tentativa de voltar à lucratividade, num momento em que o setor editorial se adapta ao crescente sucesso dos livros e revistas digitais. Os investidores bateram em retirada, ontem, quando a empresa também previu um prejuízo muito maior para o ano do que o projetado originalmente.

Valor Econômico | Por Associated Press, de Nova York | 06/01/2012

Publicidade do Nook é corrigida


O Nook não roda vídeo em alta-definição, mas sua tela é mais nítida do que a dos concorrentes. Foto por Brian Snyder, da Reuters. To match Special Report PUBLISHING/EBOOKS

O Nook não joga vídeo de alta definição, mas mostrar o comprimido de vídeo se parece mais acentuada do que seus concorrentes.

Na semana passada, nesta mesma coluna, critiquei duramente a Barnes & Noble.

Destaquei que o slogan do novo tablet Nook é “O melhor em entretenimento HD” e que, no site do Nook, a primeiríssima característica anunciada é “Filmes e programas de TV em HD”. Fui além, dizendo:

Então, na página “Saiba mais”, há nove outras referências à capacidade do tablet Nook de reproduzir vídeos em alta definição. “Exibição fluida de vídeos em HD via streaming.” “Desfrute dos vídeos em alta definição.” “O melhor em entretenimento HD.” “Netflix e Hulu Plus pré-instalados para a exibição instantânea de filmes em HD.” “Vídeos em HD via streaming e mais.” “Suporte a conteúdo HD de até 1080p.” E assim por diante.

Hmm. Não sei quanto a você, mas, no meu caso, ao ler tudo isto, é possível que eu fique com a impressão de que o tablet Nook é capaz de exibir vídeos em alta definição!

Ora, adivinhe só? O Nook não é capaz de fazê-lo.

A resolução da sua tela é de 1024 por 600 pixels. Algo muito distante da alta definição.

Esta não foi a primeira vez que a B&N se equivocou ao anunciar as especificações técnicas do seu Nook. No ano passado, flagrei a empresa roubando algumas gramas do peso anunciado do leitor Nook original. E, neste ano, o tablet Nook é anunciado com capacidade de armazenamento de 16GB – mas apenas 1GB está disponível para os arquivos do usuário; o restante é reservado para os produtos comprados na B&N.

[Ainda acho que o recurso de empréstimo da B&N é alvo de uma empolgação exagerada. As restrições são absurdas: pode-se emprestar um livro a uma pessoa, durante duas semanas, uma única vez por título. E, ainda assim, são poucos os títulos que podem ser emprestados – é necessária a aprovação da editora. É claro que tais restrições são exigidas pelas editoras paranoicas, e não pela B&N – ainda assim, tudo isto corresponde a uma boa quantidade de texto em letras miúdas.]

Enfim. Depois da publicação da coluna da semana passada, recebi um telefonema de William Lynch, diretor executivo da Barnes & Noble. Ele disse que tinha ficado surpreso com a agressividade do meu texto, e perguntou a si mesmo se eu teria outros motivos para falar daquela maneira.

Photo Paul Taggart Bloomberg News

Ele também afirmou que não havia nenhuma tentativa de embuste no anúncio do tablet Nook como plataforma capaz de reproduzir vídeos em formato HD. Em nenhum momento a questão foi formulada em termos de “exibição em HD” e nem “reprodução em HD”. Ele disse que os advogados da empresa aprovaram a terminologia usada.

Lynch disse que, em vez disso, o tablet Nook de fato faz algo de muito útil: o aparelho aceita conteúdo em alta definição transmitido via streaming pela Netflix e os adapta para a tela de 1024-por-600-pixels do Nook, reduzindo assim a qualidade da imagem. O conteúdo deixa de ser exibido em alta definição – mas a resolução é melhor do que aquela exibida pelo principal concorrente, o Kindle Fire, da Amazon. O Fire parte do conteúdo em definição normal da Netflix e então amplia a imagem para fazê-la caber na tela de 1024-por-600-pixels.

O método do Nook pareceu ser um recurso legitimamente atraente. Que motivo haveria, portanto, para exagerar as coisas? Eu disse que o material publicitário dá a entender que o usuário obterá imagens em alta definição – e não é isto que ocorre. “Suporte a conteúdo HD de até 1080p”? Ora, vamos!

Desde a nossa conversa telefônica, dois fatos novos entraram em cena.

Primeiro: a B&N finalmente concordou que alguns consumidores poderiam ser iludidos por tantas referências ao “vídeo em formato HD”. A empresa finalmente eliminou todas as referências ao “formato HD” no seu site. Em vez das nove instâncias nas quais o termo aparecia, agora não o encontramos em parte nenhuma da página.

Isto me parece ser a atitude certa, independentemente do que digam os advogados.

Segundo: comparei o Nook Tablet ao Kindle Fire. Coloquei-os lado a lado, exibindo um mesmo filme em perfeita sincronia a partir do mesmo stream da Netflix.

Não há espaço para dúvidas: o vídeo da Netflix exibido pelo tablet Nook parecia ter qualidade muito superior.

Ora, na ausência de uma comparação lado a lado, seria difícil queixar-se da qualidade de vídeo exibida pelo Fire. Mas, numa comparação direta com o Nook… podemos esquecer o Fire. A clareza e a definição da imagem exibida pelo Nook a partir do streaming da Netflix torna-se imediatamente óbvia. [Quando o vídeo original é de definição padrão, como no caso do material do Hulu, a diferença de clareza é imperceptível.]

Como escrevi na semana passada, acho que esta vantagem é motivo de orgulho. Trata-se de algo que a B&N deveria anunciar. “Desfrute dos filmes da Netflix via streaming exclusivo em alta resolução”, ou algo do tipo. Simplesmente não há motivo para implicar que a exibição seria em alta definição quando isto não é verdadeiro.

Quanto à queixa de Lynch, que me acusou de ser mais mordaz ao escrever sobre a B&N do que sobre a Amazon – descobri onde estava o problema.

Se uma empresa se esforça ao máximo, mas fracassa… bem, isto acontece.

Mas, se ela tenta vencer por meio da tapeação… ora, eis aí algo que não posso tolerar. Minha função é fazer o papel de defensor do consumidor e, por isso, empresas que tentam passar a perna na freguesia me causam péssima impressão. [Lembra-se de quando a Verizon cobrava US$ 2 por cada vez em que pressionávamos o botão ‘Para Cima’ do celular por engano? Aquilo me irritou profundamente, e o governo americano
concordou comigo.]

Na opinião de Lynch, isto não é tudo que está ocorrendo neste caso. Não há cultura de tapeação corporativa. Ele diz que o erro no peso do Nook foi um equívoco como qualquer outro; as limitações de recursos como o empréstimo de livros eletrônicos são claramente enunciadas na rede; e, ao menos agora, não existe mais nenhuma possibilidade de confundir os consumidores quanto às capacidades do tablet Nook referentes à exibição de material em HD.

Por David Pogue | TRADUÇÃO AUGUSTO CALIL | Post publicado originalmente em 1/12/2011 | Publicado no Estadão 2 de dezembro de 2011, 19h10

Amazon começa a vender Kindle Fire um dia antes do previsto


A Amazon, fabricante do popular leitor de livros eletrônicos Kindle, começou a vender, nesta segunda-feira [14], seu novo tablet Kindle Fire, um dia antes do previsto.

A própria Amazon anunciou a antecipação da distribuição do Kindle Fire, que deve enfrentar a partir desta semana a concorrência do Nook Tablet, da livraria Barnes & Noble.

Os dois aparelhos – que custam US$ 199 [Kindle Fire] e US$ 249 [Nook Tablet] – estão destinados ao mercado americano, fortemente dominado pelo iPad, da Apple, que custa US$ 499.

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o tablet Kindle Fire | Photo Emmanuel Dunand, France-Presse

O Kindle Fire se transformou rapidamente no item mais vendido de toda a página Amazon.com e, em vista da reação dos consumidores, vamos fabricar outros milhões além dos que tínhamos previsto“, destacou em um comunicado Dave Limp, vice-presidente da Amazon, encarregado da família de produtos Kindle.

A Amazon não divulgou os números de vendas.

DA FRANCE-PRESSE, EM WASHINGTON | Publicado por Folha.com | 14/11/2011 – 18h13

Kindle Fire, da Amazon, merece sucesso, mas precisa ser refinado


Se você acha que o ritmo do progresso tecnológico já anda rápido demais, evite olhar para os leitores eletrônicos ou poderá sofrer um choque.

Os fabricantes de leitores eletrônicos estão repentinamente inundando o mercado com novos modelos, todos ao mesmo tempo. Dá quase para pensar que estamos chegando a alguma grande temporada de compras.

A maior manchete entre os leitores eletrônicos cabe sem dúvida ao novo tablet colorido e equipado com tela de toque da Amazon, o Kindle Fire. [Um trocadilho com “kindle” – alumiar – e “fire” – fogo -, percebe?] Na verdade, a grande notícia não é o aparelho, mas sim seu preço de US$ 200. Como os demais tablets custam por volta de US$ 500, um modelo vendido por US$ 200 é realmente importante. Voltaremos ao assunto em breve.

A Amazon lançou um total de três novos modelos de Kindle. Os dois mais baratos certamente atrairão menos atenção, devido à fumaça do Fire, mas é uma lástima, pois são realmente espetaculares.

KDa esquerda para a direita, os aparelhos Kindle Fire, Kindle Touch e Kindle, da Amazon

E INK

O Kindle padrão, chamado simplesmente Kindle, tem uma versão melhorada da tela E Ink padrão de seis polegadas, que mostra texto nítido, preto, e imagens em tons de cinza sobre um fundo cinza claro. O clarão irritante de branco-preto-branco que surge quando se vira uma página de tela E Ink agora só acontece a cada seis páginas. A tela está se tornando espantosamente semelhante ao papel. E, como o papel, ela não brilha; para ler com um Kindle, você precisa de luzes.

O novo Kindle é pequeno a ponto de caber no bolso da calça. Mas, de novo, a verdadeira notícia sobre ele é o preço: US$ 80.

Você faz ideia de como esse número espanta? O primeiro Kindle, lançado em novembro de 2007, custava US$ 400. O novo modelo pesa 40% menos, ocupa um terço menos de espaço e armazena sete vezes mais livros – e por 20% do preço original.

Se as coisas continuarem assim, dentro de um ano, a Amazon vai nos pagar para ler com o Kindle.

Há alguns benefícios adicionais que elevam um pouco o preço. Por exemplo, o modelo de US$ 80 exibe publicidade. Não durante a leitura –apenas na tela de “repouso” e em uma faixa na porção inferior da tela de menu. A maior parte dos anúncios oferece descontos, o que os torna bem mais palatáveis. Mas o mesmo Kindle está disponível sem publicidade ao preço de US$ 110.

O segundo modelo novo, o Kindle Touch, é quase idêntico -mas, no lugar de navegar usando um controle direcional mecânico, você usa uma tela de toque. O sistema funciona com perfeição. O modelo está disponível com anúncios por US$ 100 e sem eles a US$ 140.

Todos eles são conectáveis a redes Wi-Fi – para baixar novos livros, por exemplo. Mas o Touch também oferece conexão 3G, onde quer que você esteja. [O modelo 3G custa US$ 150 com anúncios e US$ 190 sem.] O acesso à internet é gratuito.

Kindle Fire, tablet da Amazon, é exibiado em coletiva de imprensa em Nova York | Photo Emmanuel Dunand, France-Presse

FIRE

Bem, quanto ao Kindle Fire.

É um objeto espesso, preto e reluzente, com tela de sete polegadas. Opera com o Android, software do Google que aciona diversos celulares e tablets de outras empresas, mas isso é imperceptível, porque a Amazon alterou o design do Google a ponto de quase soterrá-lo.

A página inicial é colorida e exibe uma estante de madeira. O conteúdo que essa tela oferece é acessado por meio de pequenos cartazes que mostram livros, discos, programas de TV, filmes, documentos em PDF, aplicativos e páginas de preferências na internet. Na prateleira inferior da estante, você pode colocar os ícones que usa com mais frequência.

Mas, se você sentir um sobressalto e exclamar que “é como um iPad – e por US$ 200!”, estará fazendo uma comparação perigosa.

Para começar, o Fire não é nem de longe tão versátil quanto um verdadeiro tablet. Seu design serve para consumir conteúdo, especialmente conteúdo comprado da Amazon, a exemplo de livros, jornais e música. Ele não conta com câmera, microfone, função GPS, entrada para cartão de memória ou conexão Bluetooth. O programa de e-mail é funcional, mas o aparelho não oferece agenda ou bloco de anotações.

O mais problemático é que o Fire não funciona com a elegância e a velocidade do iPad. O preço de US$ 200 se faz sentir a cada vez que você move os dedos na tela. As animações são lentas e instáveis – mesmo as viradas de páginas que, seria de imaginar, a equipe de designers do Fire está acostumada a simular. Os toques na tela ocasionalmente não são registrados. Não existem ícones de espera ou de progresso de tarefa, e por isso você muitas vezes fica sem saber se a máquina registrou sua instrução. O timing das animações não foi calculado corretamente, o que deixa tudo meio irascível.

As revistas deveriam ser uma das melhores experiências do novo aparelho. A maioria oferece duas formas de ver páginas. O modo Page View mostra o layout original da revista – mas pequeno demais para que você possa ler, porque o zoom é limitado. O modo Text View oferece apenas texto sobre um fundo branco. É ótimo para leitura, mas você perde o design e o layout, que são metade da alegria na leitura de uma revista. E o Text View às vezes come palavras, legendas de fotos e quadrinhos, etc.

Livros infantis, para os quais a cor é importante, nunca funcionaram bem nos tablets com tela E Ink, e por isso fazem com o Fire sua primeira aparição na família Kindle. A contribuição da Amazon para isso é que tocar a tela permite ampliar um bloco de texto para leitura –uma escolha peculiar, porque livros infantis já tendem a ter letras grandes.

O sistema de vídeo funciona bem, mas filmes e programas de TV não se enquadram nas proporções da tela e não é possível usar zoom para remover as faixas pretas nas laterais da tela. Reflexos também são problema, nessa tela de alto polimento.
O navegador de internet incluído supostamente acelera o download de páginas ao transferir parte da tarefa a servidores da Amazon. Além disso, se você visitar, por exemplo, a home page do “New York Times”, a Amazon tenta adivinhar que link você procura com base na popularidade dos links, e encaminha certas porções de página automaticamente ao Kindle, o que pode tornar o processo ainda mais rápido.

Na prática, a vantagem não é perceptível: o site do “New York Times” demora dez segundos para ser carregado; o do eBay, 17 segundos; e o da Amazon, oito segundos. No caso do iPad, a demora é 50% menor. Por outro lado, o Fire pode executar vídeos em Flash [ainda que aos trancos], o que o iPad não faz.

Aplicativos criados para tablets equipados com o Android precisam de adaptação para funcionar no Fire. Os essenciais já estão disponíveis – Angry Birds, Netflix, rádio Pandora, Facebook, Twitter, Hulu Plus -, e a Amazon promete milhares de outros.

Mistura de Kindle e iPad, o Fire merece ser uma força gigantesca e perturbadora, mas precisa ser refinado | Stuart Goldenberg/The New York Times

ESCOLHA

A escolha de um leitor eletrônico é decisão importante. Os livros eletrônicos de cada empresa são distribuídos em formatos fechados, e o comprador não pode vendê-los ou doá-los. Assim, se você escolher um Kindle em vez de um Nook, da Barnes & Nobles, mudar de ideia pode custar caro.

O argumento em favor da Amazon é que ela domina o mercado. Conta com lojas on-line de música e filmes. E 11 mil bibliotecas públicas nos Estados Unidos emprestam livros para o Kindle.

Tudo o que for comprado ficará armazenado em um arquivo pessoal on-line pela Amazon, e por isso você conta com backup permanente e pode acessá-lo com qualquer outro aparelho da Amazon. Se você estiver assistindo a um filme com o Fire, seu Roku ou TiVo caseiro saberão em que ponto você parou e permitirão que retome a partir dele.

O pacote Amazon Prime, que custa US$ 80 ao ano, oferece transmissão ilimitada de 13 mil filmes e programas de TV, entrega gratuita de produtos em dois dias para suas compras na Amazon e um livro grátis para empréstimo no Kindle a cada mês [mas de um acervo bastante limitado].

A Barnes & Noble, por outro lado, oferece a conveniência de assistência técnica pessoal em sua rede de 700 lojas. E também prepara um tablet baseado no Android, que resenharei assim que for lançado.

Caso a leitura seja seu interesse primário em um leitor eletrônico, a escolha óbvia é o Kindle ou o Kindle Touch.

O Fire merece ser uma força gigantesca e perturbadora – é uma mistura de Kindle e iPad, um aparelho mais compacto para ver vídeos e acessar a internet, e tem preço ótimo. Mas por enquanto ainda precisa ser refinado; se você está acostumado com o iPad ou um tablet Android “real”, os probleminhas de software vão deixá-lo furioso.

Mas a Amazon tende a remover os defeitos de suas criações 1.0 até que produza um sucesso. Ou, como se diz no mundo da tecnologia, “se a safra atual de leitores eletrônicos não o agrada, basta esperar um minuto”.

POR DAVID POGUE | Publicado originalmente em “THE NEW YORK TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado no Brasil por Folha.com | 14/11/2011 – 17h50

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais

Quatro anos na revolução do e-book: coisas que sabemos e coisas que não sabemos


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 05/10/2011

Mike Shatzkin

Pensando no lançamento do primeiro Kindle no final de novembro de 2007, alguém poderia dizer [e vai] que a revolução da leitura eletrônica está chegando ao seu 4º aniversário. Já existiam outros aparelhos dedicados aos e-books antes, incluindo o Sony Reader – no mercado quando o Kindle chegou e ainda vivos, apesar de não ter muito sucesso – e os já falecidos Rocket Book e Softbook que tinham debutado e desaparecido alguns anos antes. E no começo dos anos 90 tínhamos o Sony Bookman, que mostrava apenas algumas poucas linhas de texto de cada vez e desapareceu sem deixar rastros. O formato de e-book que mais vendia antes do Kindle era o que se podia ler no Palm Pilot e o mercado em geral de e-books estava tão atrasado que qualquer investimento de uma editora em digitalização era feito por fé, não por evidências comerciais.

E muitas pessoas na indústria acreditavam que ler numa tela demoraria muitos anos para ser realidade, se algum dia chegasse a ser…

Agora, menos de quatro anos depois, estamos vivendo num mundo mudado, apesar de ainda não estar transformado. Mas isso pode acontecer muito em breve.

Como as vendas dos e-books nos EUA agora parecem já ter chegado aos 20% de rendimentos em algumas editoras [o que quer dizer que já está nesse patamar ou chegará muito em breve], há algumas coisas que podemos dizer que sabemos sobre como será o futuro, mas também há algumas outras coisas muito importantes que não sabemos ainda.

Nós sabemos que a maioria das pessoas vai se ajustar em pouco tempo à leitura de livros narrativos numa tela em vez do papel.

Nós sabemos que os pais vão entregar seus iPad, iPhone ou Nook Color para uma criança para que possa desfrutar os livros infantis nos aparelhos.

Nós não sabemos se livros adultos ilustrados serão igualmente bem aceitos por consumidores de livros em aparelhos digitais, apesar de que há cada vez mais aparelhos capazes de mostrar quase o mesmo que um editor mostra numa página impressa.

Nós não sabemos quanto os pais vão pagar por um e-book infantil ilustrado pequeno, mas parece que poderia ser muito menos do que estão dispostos a pagar pelo papel.

Nós sabemos que os consumidores vão pagar preços de formato paperback ou mais por e-books simples.

Nós não sabemos se os consumidores vão aceitar pagar preços mais altos para melhorias como vídeo, áudio ou software aos e-books.

Na verdade, nós não sabemos se os consumidores pagariam preços de paperback para e-books se o paperback não estivesse à venda em todos os lugares por um bom preço.

Nós sabemos que a popularidade do e-book, medida em vendas ou na porcentagem de rentabilidade das editoras, dobrou ou mais do que dobrou a cada ano desde 2007.

Nós sabemos que esta taxa de crescimento é matematicamente impossível de continuar por mais três anos [porque isso colocaria os e-books com 160% da rentabilidade das editoras!].

Nós sabemos, a partir dos anúncios sobre novos aparelhos e uma recente pesquisa da Harris prevendo um aumento na compra de aparelhos, que não há expectativa de uma queda na adoção dos e-books num futuro próximo.

Nós não sabemos se vamos encontrar uma barreira de resistência ou se talvez deveríamos chamar de “barreira da insistência” do papel, em algum nível, nas vendas dos próximos dois anos [no final dos quais os e-books seriam 80% dos rendimentos das editoras com as taxas de crescimento que vimos nos últimos quatro anos].

Nós sabemos que há um mercado grande e em desenvolvimento para e-books em inglês no mundo, já que a infraestrutura do e-book permite a construção desses mercados globais.

Nós não sabemos a rapidez com que esses mercados vão se desenvolver ou o tamanho que vão alcançar.

Nós sabemos que o número de livrarias sofreu uma forte redução em 2011 por causa da falência da Borders.

Nós não sabemos se a rede de livrarias físicas remanescente, lideradas pela B&N e incluindo as independentes bem como o espaço em prateleira devotado a livros, receberão uma ajuda com a desaparição da Borders, dando às editoras alguma estabilidade temporária em sua rede de lojas, ou se a erosão do espaço em prateleira vai continuar [ou até acelerar].

Nós não sabemos o que a perda do merchandising em lojas físicas vai significar para a capacidade dos editores e autores de introduzirem novos talentos a leitores, ou até mesmo de apresentar um novo trabalho dos nomes já conhecidos.

Nós não sabemos se a descoberta e o merchandising melhorados funcionam com a aplicação de “escala” pelas editoras fora dos nichos verticais, seja por tópicos ou gêneros.

Nós sabemos que agentes e autores vão aceitar royalties nos e-books de 25% da receita líquida no cenário atual, onde 70% ou mais das vendas ainda são feitas em papel.

Nós não sabemos se as ameaças das opções de publicação alternativa forçarão esta taxa de royalties a subir se as vendas dos impressos caírem para 50% ou 30%.

Nós não sabemos se uma queda nas vendas de impressos, ficando entre 50% ou 30% do total, vai demorar muitos ou poucos anos.

Nós sabemos que o padrão Epub 3 e o HTML5 permitem recursos no estilo aplicativos nos e-books.

Nós não sabemos se esses recursos farão alguma diferença comercial para o texto linear que é o único tipo de e-book aprovado comercialmente.

Nós sabemos que marcas de criação de conteúdo que não são editoras de livros estão usando a relativa facilidade de publicação de e-books para distribuir seu próprio conteúdo no mercado de e-books.

Nós não sabemos se as editoras de livros vão desenvolver expertise na publicação de e-books que persuadirão outras marcas a usá-las para a publicação, da mesma forma que conseguiram no mundo do livro impresso, em vez de ignorá-las.

Como estou expressando minhas preocupações sobre o impacto da revolução do e-book nas editoras em geral, algo que estou fazendo com intensidade dramática desde a BEA em 2007, [uns seis meses antes do Kindle] é dizer que as editoras de livros gerais precisam começar a focar em seu público [o que significa escolher conteúdo para nichos verticais].

Hoje vou acrescentar outra sugestão urgente às editoras trade: reconsiderem seus compromissos para publicar livros ilustrados com qualquer prazo maior do que um ou dois anos e pensem em se manter com livros só de texto, a menos que tenham caminhos para chegar aos clientes para os livros que não passam por livrarias. Se terminarmos com um mercado com 80% de e-books em um futuro próximo, e é bem possível que isso aconteça, você vai querer ser dono do conteúdo que sabe que funciona [para o consumidor] naquele formato, não o que você não sabe que funciona fora do formato impresso.

Para os livros infantis, a chave é marca. Haverá demanda por Chapeuzinho vermelho, e Alice no país das maravilhas, por muitos anos, mas as equações de produtos e preços estão completamente indefinidas.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 05/10/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Amazon Kindle continua com falta de suporte ao formato ePub


Kindle [AZW], TXT, PDF, Audible [Audible Enhanced [AA,AAX], MP3, MOBI não protegido, PRC nativamente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP por meio de conversão.

Esses são os formatos de conteúdo suportados pelo novo Kindle Touch, da Amazon. O modelo mais barato, chamado apenas de Kindle, não reproduz áudio. O tablet Kindle Fire, por sua vez, suporta mais alguns formatos, como OGG, MP4 e VP8.

Foi meio decepcionante ver que nenhum dos novos modelos de Kindle [assim como os velhos] oferece suporte a EPUB, um padrão bem difundido de distribuição de documentos digitais. Gratuito e aberto, é adotado por muitos repositórios de livros eletrônicos e compatível com leitores como Barnes & Noble Nook, iRiver Story e Sony Reader, além de vários tablets. Mas não com o e-reader da Amazon.

Vejo dois perfis de leitores que, por conta dessa limitação, podem se frustrar muito ao ter um Kindle: 1] os que leem sobretudo obras que estão em domínio público; 2] os que não querem ler em inglês.

Para os leitores do primeiro tipo, tenho a impressão de que a coisa está melhorando – parece-me cada vez mais fácil achar obras em domínio público disponíveis no formato do Kindle. Para os do segundo, o negócio é mais complicado. No Brasil, especificamente, as lojas costumam vender e-books apenas em EPUB ou PDF, e o catálogo em português na Amazon é bem limitado.

A farta disponibilidade de obras em domínio público e em português [ou outras línguas que não o inglês] no padrão PDF, que é compatível com o Kindle, não melhora muito as coisas, pois o aparelho da Amazon oferece um suporte muito limitado ao formato. Os níveis de zoom, por exemplo, são todos predefinidos [ajustar para caber, tamanho real, 150%, 200%, 300%] – não é possível dar um zoom de 130%. [Essa opinião sobre o suporte a PDF é baseada na minha experiência com o Kindle 3, atual Kindle Keyboard, mas acredito que os novos modelos – com exceção do Fire – não apresentem melhora significativa nesse quesito.]

Os donos de Kindle nos Estados Unidos ainda sofrem com o problema de muitas bibliotecas trabalharem prioritariamente com EPUB.

A questão do EPUB gera discussões intermináveis, como esta no fórum da Amazon, com 642 posts desde dezembro do ano passado. Não são raros os comentários na linha “comprei um Nook/Sony Reader/outro concorrente em vez de um Kindle por causa da falta de suporte deste a EPUB”.

Uma solução comumente utilizada é converter arquivos em EPUB [ou mesmo em PDF] para MOBI, formato semelhante ao AZW. O resultado, porém, pode variar.

Escrito por Emerson Kimura | Publicado Folha Online | 05/10/2011, 06h54