Em expansão nos tablets, quadrinhos atraem ao ganhar som e movimento


Tudo aquilo que pode ser digitalizado – como músicas, filmes e livros– migrou do mundo físico para o digital. Com as revistas em quadrinhos, o processo também está acontecendo.

Assim como o iPod incentivou os downloads de arquivos MP3, a mudança no universo dos gibis ganhou força, há quatro anos, por conta de uma classe específica de dispositivos, quando o primeiro iPad deu origem aos tablets.

Desde então, o mercado de quadrinhos digitais está em plena expansão. Em 2011 e 2012, apresentou taxa de crescimento de 300% em todo o mundo, segundo a “ICv2”, publicação americana que monitora o setor.

Magenta King

Magenta King

Coleciono e leio quadrinhos desde os 10 anos. Não compro uma edição física com regularidade há uns dois ou três, enquanto a biblioteca digital vai crescendo em progressão geométrica“, conta Gustavo Vieira, 36, editor do site Espinafrando.com, guia de quadrinhos digitais e cultura pop.

O segmento existe desde o final da década de 1990, mas o que mudou desde a chegada dos tablets?

Primeiro, há o próprio formato do aparelho, muito próximo ao de uma revista, o que melhora a vida de quem antes podia ler só no PC. Em seguida, vem a tela, que realça cores [revistas físicas estão sujeitas a impressões ruins], permite leitura no escuro e tem funções como zoom.

Além disso, há a questão da conveniência. É mais fácil comprar e armazenar as publicações — um fã de quadrinhos não se contenta com uma ou duas revistas, comprando centenas, milhares.

Isso sem contar a introdução de novos elementos, que mudam a experiência de ler gibis, como a leitura guiada (um quadrinho por vez) e a inclusão de som e animações.

A sensação de ler em papel ainda é insuperável, mas o tablet acaba sendo bem mais prático e tem mais recursos“, afirma Vieira.

NOVOS NEGÓCIOS

O potencial de crescimento dos quadrinhos digitais atiçou a sanha infinita da Amazon de vender toda e qualquer coisa. No final de abril, a gigante abocanhou, por uma quantia não revelada, a Comixology, maior loja da internet do ramo.

No ano passado, foi o aplicativo de maior receita para iPad desconsiderando games (e 11º no ranking geral). Em quatro anos de existência, entregou 6 bilhões de páginas de quadrinhos aos leitores e, atualmente, comercializa mais de 50 mil títulos de 75 editoras diferentes.

Além dos números da loja, a Amazon deve ter levado em conta as previsões de vendas de tablets no mundo.

A consultoria Yankee Group calcula que 560 milhões de tablets serão vendidos no ano que vem –em 2017, espera 1 bilhão. Já o Gartner estima que o comércio de pranchetas superará o de PCs e notebooks até 2015.

POR BRUNO ROMANI | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 16/06/2014, às 02h00

“No Brasil, livro é produto de elite”, diz entusiasta dos eBooks


Campus Party proporciona discussão sobre futuro do mercado editorial e como o digital se adapta a isso

Foto: Leonardo Pereira Olhar Digital

Foto: Leonardo Pereira Olhar Digital

A Campus Party criou uma situação curiosa ao promover um debate sobre livros digitais no palco que leva o nome de Johannes Gutenberg. Foi ele o inventor da impressão por tipos móveis, que possibilitou o desenvolvimento da imprensa e revolucionou o setor editorial no mundo. Nesta quarta-feira, 30, ao comentar a coincidência, o consultor editorial Carlo Carrenho, do Publishnews, disse que ela é mais do que oportuna, pois o alemão promoveu um momento de ruptura na história da humanidade – basicamente o que acontece hoje em relação ao mercado editorial.

Assim como a invenção de Gutenberg, o livro digital leva informação a quem tem dificuldade de obtê-la. Antes dos tipos [basicamente carimbos em formato de letras], a cultura escrita era extremamente restrita, mas passou a se abrir porque a reprodução foi facilitada; com os e-books é a mesma coisa: o consumidor não precisa esperar que a obra recém-lançada chegue à livraria mais próxima. Porque ele nem precisa da livraria.

Este cenário, obviamente, incomoda livrarias, distribuidoras e transportadoras, que veem uma clara ameaça aos negócios. “Nenhum dos principais players do mercado ganha dinheiro com livro digital, pelo contrário, tem muita gente perdendo”, disse Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, em que 3% das vendas de livros já correspondem a obras em formato digital.

Segundo Hubert Alquéres, vice-presidente de Comunicações da Câmara Brasileira do Livro [CBL], todos os envolvidos no setor editorial estão focados no digital, ainda mais depois da chegada de Amazon e Google e do lançamento do Kobo pela Livraria Cultura. “Se o Brasil estava ainda muito cauteloso de entrar nesse mundo, percebe-se que agora é um caminho sem volta.

Democratização da leitura

Os dados mais recentes da CBL dizem que o preço médio do livro no Brasil é de R$ 10 – em 2011, quando foram vendidos 470 milhões de exemplares, o mercado faturou R$ 4,8 bilhões. Sergio, então, fez as contas: um tablet bem básico pode ser comprado por R$ 400, portanto, 40 obras já valeriam o investimento. O problema, comentou, começa na questão da durabilidade: “O tablet, na mão do aluno, dura seis meses. O livro impresso dura dez.

Além disso, a banda larga brasileira não é das melhores e a penetração é muito baixa, sem contar o fato de que a parcela da população com acesso doméstico ao computador ainda é baixa. Mas nada disso convenceu Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais do Grupo Gol.

Livro no Brasil é produto de elite. Há em Buenos Aires [Argentina] mais livrarias do que no Brasil inteiro, e sabe quanto vai custar um device daqui a alguns anos? R$ 100”, disse ele, lembrando que embora grupos como o comandado por Sergio façam “esforços legítimos” em prol da difusão da leitura, o ideal é o digital, que por não ter empecilhos físicos teoricamente chega a todos os cantos. “Vivemos um divisor de águas, estamos diante de um fato novo, inegociável.”

A briga do device

Há dois anos, antes que os gigantes olhassem para cá, a Vivo e o Grupo Gol lançaram a Nuvem de Livros, que disponibiliza obras a clientes da operadora por uma assinatura semanal. O modelo dispensa o uso de um Kobo ou Kindle e Roberto garante que o brasileiro pulará uma etapa ao adquirir o tablet, ao invés do e-reader, outra hipótese que desagrada livrarias.

Sergio, da Cultura, afirmou que aparelhos como iPad dificultam a concentração, deixam a leitura mais lenta e comprometem a absorção do conteúdo. Por outro lado, Roberto atacou que os e-readers servem, na realidade, para fidelizar o consumidor e fazer com que ele compre produtos ou serviços mais caros futuramente. A Amazon, por exemplo, poderia usar o cadastro de quem adquiriu livros para oferecer televisores.

Com o tablet você baixa o formato que quiser e pode comprar obras interativas, vídeos, jogos e outros tipos de aplicativos. “Para o brasileiro que lê dois livros por ano não faz sentido ter um leitor digital”, disse Carlo, do Publishnews. Mas um aparelho específico pode ajudar a prender o cliente por limitar os formatos de arquivo que podem ser lidos ali, criando um cenário parecido com o que instituiu o iTunes quando o MP3 foi popularizado.

Quando a Apple fez com que a música digital caísse no gosto das pessoas, a indústria fonográfica levou uma chacoalhada. As primeiras a sentirem o impacto foram as empresas maiores, o que deve ocorrer com o mercado editorial. Se o brasileiro pular direto para o tablet, não há como força-lo a comprar de uma loja específica.

Impresso tem futuro?

O livro impresso ainda vai durar um tempo; alguns tipos, como os de arte, existirão sempre – por outro lado, os digitais vão tomar cada vez mais espaço”, opinou Carlo.

Para ele, as editoras não serão impactadas, desde que façam apenas seu serviço original. ”O que acontece é que muitas editoras viraram distribuidoras, e como a ruptura é na distribuição, essa editora está com problema, porque o autor agora publica direto, sem passar por ninguém. As editoras que souberem fazer a transição estão salvas.

Hubert, da CBL, acredita que no futuro o mercado será reorganizado de forma que existam grandes empresas de conteúdo – “se vai ser para impresso ou digital, não importa”. O papel deve continuar forte, mas sem ser o principal meio de consumo; tanto que até o governo, principal comprador de livros do país, já está migrando para o digital [saiba mais aqui]. Segundo ele, como o brasileiro tende a se apegar rapidamente a novas tecnologias – como aconteceu com celular ou as eleições, hoje totalmente eletrônicas -, o e-book deve se consolidar rapidamente.

Mais leitores

Pesquisas dizem que pessoas que compraram e-readers ou passaram a consumir obras em formato digital começaram a ler mais por causa disso. Outras afirmam que quem não era leitor, se tornou um. Nada disso, porém, garante que essa novidade pode fazer com que o brasileiro leia mais.

Há, de acordo com Carlo, um fator determinante: a cultura. E ela só mudaria em corrente. “O que é mais determinante para criar um leitor é pai e mãe”, ressaltou. “Ter pais que leem forma leitores.

Por Leonardo Pereira | Olhar Digital | 30 de Janeiro de 2013 | 20:25h

Nova lei de direitos autorais: retrocesso


Por Tatiana de Mello Dias | Publicado originalmente em Link Estadão | 4 de dezembro de 2011, 18h33

MinC inclui mecanismo de remoção de conteúdo na reforma da Lei de Direito Autoral e propõe um registro de obras obrigatório

SÃO PAULO – Manter um blog de MP3 poderá ficar ainda mais difícil no Brasil. O Ministério da Cultura [MinC] finalmente fechou o texto da nova Lei de Direitos Autorais. Se sancionado pela presidente Dilma Rousseff, detentores de direitos podem pedir a remoção de conteúdo de blogs e sites sem a necessidade de ordem judicial.

Link teve acesso ao texto final da Lei de Direitos Autorais, que será enviada pelo Ministério à presidente. Ele é fruto de anos de brigas entre governo, partidários da reforma e opositores de qualquer flexibilização – em geral, representantes de associações arrecadadoras. No geral, o texto é bem parecido ao que foi proposto pela gestão anterior do MinC. A nova lei é mais flexível do que a atual, de 1998, e permitirá, por exemplo, cópias de obras para uso privado, educação ou preservação.

Só que ao texto foi acrescentado o mecanismo de “notice and take down”, ou notificação e retirada, que serve para que detentores de direitos autorais tirem conteúdo pirata do ar sem a necessidade de ordem judicial.

O mecanismo proposto pelo MinC é igual ao dos EUA. Se uma gravadora se deparar com um blog hospedado no Blogger com links para downloads ilegais de discos, pode solicitar ao Google a remoção do conteúdo. O Google é obrigado a cumprir e notificar o autor. Avaliações ficam para depois. Cabe ao dono do blog fazer uma contranotificação pedindo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade por uma eventual acusação.

Segundo explicou ao Link Marcia Regina Barbosa, diretora de Direitos Intelectuais do MinC, o mecanismo foi incluído na lei “por demanda dos produtores da área audiovisual e musical”. A medida, segundo ela, “legalizará um procedimento que hoje já é muito utilizado”.

‘Notice and take down’ é censura prévia”, opina Pablo Ortellado, o diretor do Grupo de Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP. “Mesmo se o dono assumir, a obra já foi retirada do ar. O provedor tira, para evitar o processo. E as associações muitas vezes nem têm os direitos autorais.” Manter um blog de MP3, para Ortellado, “vai ser impossível”.

Registro. O Ministério da Cultura também quer criar um registro central de obras. Na prática, o sistema [que tem o nome provisório de I-Registro] é uma plataforma que centralizará dados sobre tudo o que é produzido de cultura no Brasil.

Fez uma música? Será necessário registrá-la no MinC para receber direitos autorais. “A regulação do registro de obras é uma tendência e foi tema de um recente evento promovido pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual”, explica Marcia. O Ministério diz que o registro permitirá transparência e dará mais poder aos autores. O MinC está “iniciando estudos” para essa plataforma.

O problema é que a Convenção de Berna, que estabelece princípios básicos de direitos autorais, da qual o Brasil é signatário, define que não é necessário registro para uma obra ser protegida. “A necessidade de registro é ilegal”, diz Ortellado. Segundo ele, o registro ainda impedirá o autor de optar por algo mais flexível, como Creative Commons.
O ministério diz que quer lançar uma ferramenta de licenciamento específica para o ambiente digital. Algo “que permita a circulação da obra na internet”. Segundo Marcia, “uma solução aos desafios que a internet impôs” e uma maneira de garantir ao autor todos os direitos sobre a obra – incluindo “a liberação de seu uso seguro sem embaraços no ambiente digital para a criação colaborativa”.

Em outras palavras, seria uma espécie de Creative Commons governamental. Só que isso não está na lei – é uma das propostas do registro e está no campo das ideias e na carta enviada a Dilma Rousseff para a aprovação da lei.

Por Tatiana de Mello Dias | Publicado originalmente em Link Estadão | 4 de dezembro de 2011, 18h33

Amazon Kindle continua com falta de suporte ao formato ePub


Kindle [AZW], TXT, PDF, Audible [Audible Enhanced [AA,AAX], MP3, MOBI não protegido, PRC nativamente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP por meio de conversão.

Esses são os formatos de conteúdo suportados pelo novo Kindle Touch, da Amazon. O modelo mais barato, chamado apenas de Kindle, não reproduz áudio. O tablet Kindle Fire, por sua vez, suporta mais alguns formatos, como OGG, MP4 e VP8.

Foi meio decepcionante ver que nenhum dos novos modelos de Kindle [assim como os velhos] oferece suporte a EPUB, um padrão bem difundido de distribuição de documentos digitais. Gratuito e aberto, é adotado por muitos repositórios de livros eletrônicos e compatível com leitores como Barnes & Noble Nook, iRiver Story e Sony Reader, além de vários tablets. Mas não com o e-reader da Amazon.

Vejo dois perfis de leitores que, por conta dessa limitação, podem se frustrar muito ao ter um Kindle: 1] os que leem sobretudo obras que estão em domínio público; 2] os que não querem ler em inglês.

Para os leitores do primeiro tipo, tenho a impressão de que a coisa está melhorando – parece-me cada vez mais fácil achar obras em domínio público disponíveis no formato do Kindle. Para os do segundo, o negócio é mais complicado. No Brasil, especificamente, as lojas costumam vender e-books apenas em EPUB ou PDF, e o catálogo em português na Amazon é bem limitado.

A farta disponibilidade de obras em domínio público e em português [ou outras línguas que não o inglês] no padrão PDF, que é compatível com o Kindle, não melhora muito as coisas, pois o aparelho da Amazon oferece um suporte muito limitado ao formato. Os níveis de zoom, por exemplo, são todos predefinidos [ajustar para caber, tamanho real, 150%, 200%, 300%] – não é possível dar um zoom de 130%. [Essa opinião sobre o suporte a PDF é baseada na minha experiência com o Kindle 3, atual Kindle Keyboard, mas acredito que os novos modelos – com exceção do Fire – não apresentem melhora significativa nesse quesito.]

Os donos de Kindle nos Estados Unidos ainda sofrem com o problema de muitas bibliotecas trabalharem prioritariamente com EPUB.

A questão do EPUB gera discussões intermináveis, como esta no fórum da Amazon, com 642 posts desde dezembro do ano passado. Não são raros os comentários na linha “comprei um Nook/Sony Reader/outro concorrente em vez de um Kindle por causa da falta de suporte deste a EPUB”.

Uma solução comumente utilizada é converter arquivos em EPUB [ou mesmo em PDF] para MOBI, formato semelhante ao AZW. O resultado, porém, pode variar.

Escrito por Emerson Kimura | Publicado Folha Online | 05/10/2011, 06h54

Sony e-reader possui as funções básicas para um leitor de livros eletrônicos


O Sony PRS-505 é um bom e-reader que além de permitir a leitura de livros digitais oferece recursos para ouvir músicas e ver fotos. Ele é fino, tem um visual sofisticado e apesar de não ser touch screen, possui tecnologia de “tinta eletrônica”. Isso faz com que ele se aproxime de um livro real.

Design

O visual do e-reader é agradável. Nada muito diferente de outros aparelhos do tipo. Ele não possui tela sensível ao toque, mas seus botões são de fácil utilização. Algumas pessoas até preferem botões físicos, ao invés de telas touch screen, porque possuem dificuldades para selecionar os itens que desejam.

Sony Reader tem tecnologia de tinta eletrônica

O PRS-505 vem envolto por uma capa que imita couro, para evitar danos ao material, que possui superfície fina e pode sofrer arranhões.

Tela

As seis polegadas em e-ink pearl tornam o e-reader um bom suporte para leitura. Através da tecnologia de tinta eletrônica, você consegue enxergar a página mesmo que em lugares com exposição à luz.

Se o e-reader possuísse a mesma tela de um celular, com luz no fundo do display, você não conseguiria ler confortavelmente na praia, por exemplo. Seria necessário fazer uma proteção com a mão, para poder visualizar o que está escrito. Do mesmo jeito que fazemos com os celulares.

Além disso, apesar se não ser colorida, a tela com oito escalas de cinza exibe bem as diferenças entre tons.

Memória

Em nossos testes, conseguimos acrescentar no Sony e-reader até 24GB, por meio de cartões de memória. Isso foi possível graças aos slots para SD e MemoryStick que o e-reader oferece.

O próprio Sony PRS-505 possui 192 MB de memória interna. Com essa capacidade, a Sony garante para os usuários até 160 e-books para ler. Outra carcaterística interessante é que a Sony disponibiliza 100 clássicos da literatura mundial gratuitamente.

Você também pode transformar conteúdo de blogs com RSS no PC e sincronizar com o e-reader para poder ler quando quiser.

Outros recursos

O leitor roda bem textos em PDF, TRF, TXT e outros formatos. Existem três níveis de zoom para as fontes e os textos podem ser lidos na horizontal ou na vertical. Também é possível realizar marcação nas páginas, mas não tem como fazer anotações.

Você também pode ouvir músicas no Sony e-reader. Ele suporta arquivos MP3 e ACC e possui entrada para fone de ouvido na lateral.

Por Arize Oliveira | Publicado em TechTudo | 11/Abr/2011 14h33

Na vanguarda dos E-readers


Quem imaginou que o boom dos tablets acabaria com os E-readers, acabou se enganando. Prova disso é que a Amazon não recuou e colocou no mercado uma nova versão do leitor eletrônico mais popular do mundo e, surpreendentemente, mais barata. A simplicidade, aliada aos milhares de títulos disponíveis para o modelo, mantém o Kindle na vanguarda dos E-readers, mesmo com a investida de várias empresas no ramo.

Design

O principal avanço em relação ao modelo anterior já vem à primeira vista. O Kindle está menor, tanto na largura como no comprimento, mas mesmo assim manteve o tamanho da tela de 6 polegadas. Acompanhando a redução nas dimensões, o produto está ainda mais leve, pesando agora apenas 247 gramas, 15% a menos em relação ao anterior. Tudo isso melhorou bastante a anatomia e acabou facilitando o manejo. E as opções continuam em branco e preto.

Apesar desse avanço, a Amazon seguiu com o teclado no aparelho, o que distrai a leitura. Sem contar que as teclas estão menores, dificultando o uso. Não é raro apertar duas ao mesmo tempo ou até encostar sem querer no teclado durante a leitura. A navegação fica bastante comprometida. Isso é algo que o Kindle precisa evoluir.

Tela

É no quesito qualidade de leitura que o Kindle se destaca em relação aos concorrentes, principalmente os tablets. A tecnologia E Ink Pearl – que deixa o texto bastante real – melhorou e a sensação da leitura se aproximou ainda mais em relação ao papel.

Além disso, o contraste também ficou mais evidente, o que deixou as letras mais pretas e o fundo mais branco. Apesar do aumento do contraste, a sensibilidade à luz continua muito boa, evitando os reflexos chatos que são comuns em telas de tablets e mesmo outros E-readers.

Bateria

A manutenção do teclado tem uma explicação até justificável. Com ele, não há a necessidade de uma tela touchscreen, o que diminuiria significativamente a duração da bateria. Dessa forma, o Kindle consegue manter-se sem carregar a bateria por até um mês, desde que a conexão sem fio esteja desligada. Se ligada, a duração fica reduzida, mas mesmo assim garantindo até 10 dias sem precisar carregar.

A bateria, inclusive, pode ser recarregada não apenas quando ligada à tomada, mas também via USB. Não há impedimento se você quiser recarregar e ler ao mesmo tempo.

Áudio

O Kindle tem suporte para livros de áudio com formato AA e AAX, que também podem ser comprados na loja da Amazon. Para não incomodar ninguém, o produto tem uma saída para fone de ouvido. Além dos livros exclusivamente de áudio, também “lê” para você os livros comuns, por meio da ferramenta Text-To-Speech. E funciona realmente muito bem, claro, em língua inglesa.

Outra novidade é a possibilidade de ler e escutar música ao mesmo tempo, sem precisar de um MP3 player ou algo do tipo. É só jogar as músicas na memória do Kindle e reproduzir durante a leitura. Como ainda é algo experimental, a opção é um pouco complicada de usar.

Conectividade

Aqui um dos pontos altos do Kindle: a fácil conexão com a loja da Amazon. A terceira geração tem duas opções, o modelo com Wi-Fi e 3G e outro com somente Wi-Fi. Seja qual for, a ligação com a loja é extremamente rápida, e para comprar um livro, não leva mais que alguns minutos. Para baixar o livro, não passa de 60 segundos.

O modelo 3G – 50 dólares mais caro – é o que garante conectividade onde quer que você esteja, seja no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. A Amazon garante o acesso às redes 3G – quando não disponível, conecta EDGE – sem qualquer custo. E não somente para baixar os livros, mas também para navegar na internet. Este ponto não é o forte do Kindle e nem tem a pretensão de ser, já que a resolução da tela e a ausência de cores são limitantes. É só em último caso.

Por Gustavo Ribeiro | Para o TechTudo | 11/03/2011 14h15

O incompreensível mercado dos e-books


Por Vicente Escudero, de Campinas | Publicado originalmente em Digestivo Cultural | 3/3/2011

Então você comprou seu Kindle acreditando que a revolução dos livros digitais economizaria seu dinheiro, permitindo que no final do mês o número de livros na sua conta fosse muito maior do que aqueles restos de árvores mortas guardados na estante. Hmm… parece que sua ideia não deu muito certo, não é mesmo? A entrega dos e-books pela rede 3G em breve vai ganhar apenas da FedEx no quesito tempo de entrega, porque os preços dos livros nos dois formatos parecem estar caminhando para um estranho empate, com os bits se igualando ao custo do livro impresso com capista, ilustrador e papel. O minimalismo dos e-books equivale ao custo de produção de um livro?

Não se trata de ser aquele cara chato que sai por aí pechinchando o preço das meias. Esta discussão é importante, pois havia uma expectativa de redução dos preços dos livros e do aumento dos royalties dos autores com o crescimento das vendas de e-books. Difícil de acreditar que o custo do livro de papel, dividido entre a matéria-prima de seu suporte e os detalhes de uma edição caprichada, se equipara aos valores de uma edição digital preto e branco editada num software que cria dezenas de milhares de cópias armazenáveis em um único pen drive. Defensoras desta tese, as editoras alegam que apenas 15% do custo de produção dos livros em papel refere-se ao gasto com seu suporte físico. O restante seria dividido entre o editor, autor, revendedoras, distribuidoras e publicidade. Até o livro chegar à prateleira, muitas mãos trabalharam para produzir seu resultado.

Entre os argumentos para essa equivalência de valores existe o da necessidade de adaptação das versões digitais para os diferentes formatos de sistemas operacionais, como o Android, iOS, Blackberry e o próprio Kindle. Embora já esteja disponível um formato compatível com a maioria dos leitores, exceto o Kindle, chamado EPUB, a distribuição desses arquivos pelas livrarias virtuais é realizada com a utilização da proteção chamada DRM [Digital Rights Management], que é incorporada no e-book e impede sua cópia e utilização em dispositivo diverso daquele em que foi adquirido. Este sistema já é utilizado em arquivos MP3 e AAC e parece que terá vida longa nos e-books enquanto não houver um consenso entre as grandes livrarias, os produtores de readers e o bolso do público.

Existem outros custos específicos das versões digitais que ainda não alcançaram um patamar razoável para estabilizar seu preço final: programação de softwares antipirataria, armazenamento digital e suporte jurídico. Todos esses custos, somados às parcelas do editor e do autor equivaleriam aos gastos de produção do livro de papel, fazendo com que você olhe de cara feia para o preço estampado na internet. Alguns desses valores já estão claros para o leitor. A Amazon divulgou na última ocasião em que aumentou os royalties dos autores independentes que o custo de envio dos livros pela rede 3G, em todo o mundo, não passa de 6 cents por livro, o equivalente a 10 centavos no Brasil. Essas moedas que você deixou cair no carro pagariam um ano do frete virtual do Kindle.

Ainda não dá para morrer de paixão pelo esforço das editoras em distribuir os livros digitais entre tantas dificuldades. Corre por aí o boato sobre o temor do mercado editorial ser forçado a reduzir o preço das edições em papel, sua maior fonte de renda, em caso de queda dos preços das edições digitais. A piada, segundo o escritor Larry Doyle, é que os preços dos e-books não são menores porque as editoras temem desvalorizar a ideia que as pessoas têm sobre os livros. Melhor que isso seja mentira. Enquanto a relação entre autores e editoras vive um momento de transição, envolvendo até processos judiciais sobre os direitos de publicação de edições antigas no formato eletrônico, outros arranjos para a publicação começam a surgir para competir e preocupar o mercado editorial tradicional.

Os maiores competidores das editoras neste novo mercado são a Apple, Amazon e Barnes & Noble. Não surpreende o fato de que cada um deles tenha desenvolvido seu próprio suporte para leitura de e-books com sistemas fechados, já pensando na possibilidade de controlar o mercado utilizado pelo usuário. As editoras também não esperavam que a Amazon e a Apple começariam ocupando o espaço de produção de e-books. Hoje, a margem de lucro que o autor independente encontra para vender seu livro diretamente através da Amazon ou da iBooks está próxima dos 70%, percentual muito acima do oferecido pelas editoras tradicionais que começa a atrair autores de peso.

Talvez a única vantagem das editoras tradicionais sobre este novo sistema de autopublicação seja a presença do editor intermediando a relação entre o leitor e o autor. Entretanto, para aterrorizar ainda mais as editoras, já surgem notícias de agentes literários trabalhando um novo sistema de publicação e divulgação que utiliza as ferramentas oferecidas pela Apple e a Amazon e conta com editores independentes ou vinculados a agentes. No meio dessa tempestade, parece difícil enxergar como será o mercado daqui a cinco anos. Só não dá para ter dúvida de uma coisa: um milhão de livros iguais em papel não custam o mesmo que um milhão de e-books. Dos e-books, só o Kindle e o iPad vêm na caixa, pelo correio…

Por Vicente Escudero, de Campinas | Publicado originalmente em Digestivo Cultural | 3/3/2011

Nossa Cultura está no iTunes Store


A paranaense Nossa Cultura acaba de disponibilizar os primeiros 31 audiolivros para download, em faixas de MP3, na iTunes Store. Mas isso é só o começo. Em breve, todo o catálogo da editora poderá ser encontrado lá.

O processo de download é exatamente igual ao de compra de músicas. O consumidor precisa ter um endereço e um cartão de crédito internacional. Entre os títulos estão A vida é um milagre, de Eduardo Shinyashiki, os quatro volumes da coleção de Celso Antunes e os audioguias de Nova York, Barcelona e Rio de Janeiro. Cada título custa US$ 4,95.

Levamos mais de um ano negociando a inserção do nosso conteúdo no iTunes Store. É muito importante estar presente nesta que é a maior loja de vendas de áudio por download. Isso irá facilitar o acessoa obras em português, sejam clássicos da literatura, best-sellers ou guias de turismo, entre outros estilos”, afirma o editor Paulo Lago.

PublishNews | 19/01/2011

O pequeno e leve E-reader


Notas do Editor

No inicio da era pré e-commerce, a Barnes & Noble era a maior rede de livrarias dos EUA. Com o advento da internet e das compras online, a B&N apostou que as pessoas continuariam comprando livros em lojas físicas, e assim esnobou o novo mercado online que se abria.

Uma ainda pequena livraria virtual chamada Amazon apostou na venda online cerca de dois anos antes da mítica B&N e o fim da história todos nós sabemos: Amazon hoje é o maior varejista online no mundo e a Barnes&Noble depende muito mais de suas lojas físicas do que seu website para lucrar.

Com o advento dos e-readers, a Amazon lançou o Kindle e, desta vez, a Barnes & Nobles não quis perder o bonde da história novamente e lançou o Nook, uma resposta ousada e rápida para competir no mercado de e-readers.

Barnes & Noble Nook

Tela

E-ink tem a vantagem de não produzir luz, permitindo uma leitura semelhante à do papel impresso. A taxa de contraste melhorou muito na sua última grande atualização [ver. 1.5]. Havia um tempo de resposta um pouco irritante no passar das páginas, mas com esta mesma atualização, melhorou consideravelmente.

O grande barato do Nook é a segunda tela, touchscreen e colorida, que serve para navegação e visualização auxiliar, como exibir a capa de livros, ícones de navegação e menu. A tela colorida não tem uma qualidade alta, mas para o que se dispõe é ideal. Lembrando que se trata de um leitor de textos, não um Tablet como por exemplo o iPad.

Extras

Não muito diferente do seu concorrente direto, o Kindle, o Nook toca arquivos MP3 para ouvir músicas pelas saídas de fone de ouvido. A qualidade é boa, eu gosto de ouvir uma música às vezes e ele poupa o trabalho de usar um player e um e-reader ao mesmo tempo.

O Nook também conta com um navegador web que não passa de satisfatório, sensivelmente lento e sem nenhum extra. A forma de navegação é bem curiosa, onde o Nook exibe a página em preto-e-branco na tela maior e você pode tocar nos links pela tela de baixo. Não é uma forma muito convencional, mas também não chega a ser ruim. A grande vantagem do navegador é a possibilidade de se visitar jornais e ter o conteúdo sem precisar pagar pela edição digital.

Outra vantagem considerável do Nook, para quem mora nos EUA, é o acesso ilimitado a todo o conteúdo da Barnes & Noble, quando se acessa o Nook de dentro de qualquer uma de suas lojas.

O Nook também conta com um serviço chamado LendMe [ou, “empreste-me”] onde você pode emprestar um livro que você já comprou para outro amigo que tenha um Nook e este tem até 15 dias para ler o livro, integralmente, após isto, só comprando. Achei um prazo bem generoso, ponto para o Nook.

Na parte de hardware, o Nook permite a adição de memória externa, cartões formato microSD, mas sua memória interna [8GB] é mais que satisfatória para o usuário médio.

Design

Aí, o ponto forte do Nook, em relação ao Kindle. As duas telas e o design estilo minimalista são um show a parte. Ao contrário do Kindle, o Nook não tem um teclado físico, o que reduz bastante a distração na hora de ler. Os botões para passar as páginas são equivalentes nas duas laterais do aparelho, permitindo avançar a voltar páginas com apenas uma mão, muito útil quando se está lendo no trem, por exemplo.

Também ponto positivo para o fundo do aparelho, de material emborrachado, que evita escorregar da mão, mesmo em caso de suor. A Barnes & Noble também vende várias capas para todos os tipos de bolso, dando um ar discreto e quem não percebe acha que se trata de um livro “convencional”.

Bateria

Duração da bateria do Nook segue o padrão dos livros eletrônicos top de linha: levam-se dias para uma nova carga, mesmo em stand-by. A carga pode ser feita tanto usando seu carregado de parede quanto em qualquer ponto USB.

Ficha Técnica

Ficha Técnica

Por Joel Nascimento Jr | Para o TechTudo | 27/12/2010 16h00